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Liberdade real

Tornamo-nos reféns de grades construídas pelo nosso próprio desejo. A nossa


relação com a tecnologia e com a produção tem nos isolado de nós mesmos e
causado aquilo que podemos chamar de privação da liberdade do “EU”. Basta-
nos fazer rápida reflexão para percebermos que a grande maioria passa maior
parte do seu tempo, da sua vida, agindo no automático e para anteder a padrões
sociais.

Na relação com os smartphones (telefones) o que se vê é um aparelho com total


domínio do seu portador. Definitivamente não é o ser-humano que decide o que
a máquina deve fazer, mas a máquina é quem decide o que o ser-humano deve
fazer, e o faz de forma tão incrivelmente forte e perturbadora, que suplanta
absolutamente a capacidade de se perceber isso na maior parte das pessoas.

A sensação que a tecnologia conecta pessoas é ilusória. Não há que se falar de


real conexão entre pessoas sem afeto, sem toque, sem cheiro e sem olhar. A
conexão, para ser completa precisa ser muito mais que uma simples mensagem,
mais que uma simples ideia.

Estamos desenvolvendo a assustadora capacidade de nos mantermos


biologicamente pessoas, mas nosso comportamento, nossas ações, estão se
aproximando cada vez mais das máquinas. Enquanto isso, o artificial progride
avassaladoramente, enquanto que o natural desapercebidamente vai
desaparecendo.

Nesta relação, não há que se falar em culpados, mas há sim que se falar em
escolhas e, mesmo no mundo que vivemos, sabemos que é por caminhos e
métodos difíceis que alcançamos grandes conquistas. Não estou falando de
nada material, que aparentemente também exige dificuldade para se alcançar,
mas de progresso mental e espiritual.

Tornou-se natural defender as ferramentas tecnológicas sob o argumento de que


elas nos oferecem facilidades e melhoram desempenhos e resultados. O pior é
que conseguiram inverter o real significado de desempenho e resultado, para
grande maioria da humanidade.

Estas ferramentas estão nos tornando cada vez mais produtivos e o que é que
assistimos com isso? Quem é que está realmente avançando
assustadoramente? As máquinas, a tecnologia e tudo que é artificial. Até a
natureza está sendo morta para viabilizar o desenvolvimento tecnológico.

Evoluir é certamente uma característica humana, mas nossa capacidade de


deturpar o conceito de evolução tem nos guiado a caminhos e destinos
perigosos.

Estamos fazendo mal a tudo que é natural, a começar por nós mesmos.
A liberdade real está em depender somente daquilo que a natureza é capaz de
nos fornecer, sem para isso fazer mal a nada que vive. Ser livre é não ter uma
vida virtual mais importante que a real, é não desprezar o que a indústria de
alimentos tem feito com animais, enchendo nossos estômagos de podridão e
covardia. Há liberdade em poder respirar ar puro, em tocar pessoas sem que
pensem ser qualquer forma de assédio ou interesse escuso. Há liberdade
quando se consegue viver por conta própria, sem se comportar maior parte do
tempo para atender interesses que não são os seus. Liberdade está em ter
capacidade e possibilidade de ver isso e almejar ser livre.

Ser livre não é ausência de compromisso, pelo contrário, é ter acima de tudo
compromisso com seu próprio bem-estar, com o bem-estar dos outros humanos
e com o bem-estar de tudo que é natural.