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Categorias Chartier e Certeau

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Trad. Maria


Manuela Galhardo. Lisboa: Difusão Editorial, 1988. p. 13-67

CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: CERTEAU, Michel de. A escrita da
história. Trad. Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 45-111.

Prática
Prática - Chartier p. 27 / § 03

Por outro lado, esta história deve ser entendida como o estudo dos processes com os quais se
constrói um sentido. Rompendo com a antiga ideia que dotava os textos e as obras de um
sentido intrínseco, absoluto, único — o qual a critica tinha a obrigação de identificar —,
dirige-se as praticas que, pluralmente, contraditoriamente, dá o significado ao mundo. Daí a
caracterização das práticas discursivas como produtoras de ordenamento, de afirmação de
distâncias, de divisões; daí o reconhecimento das práticas de apropriação cultural como
formas diferenciadas de interpretação. Umas e outras têm as suas determinações sociais, mas
as últimas não se reduzem a sociografia demasiado simples que, durante muito tempo, a
história das sociedades ditou a das culturas. Compreender estes enraizamentos exige, na
verdade, que se tenham em conta as especificidades do espaço próprio das praticas culturais,
que não e de forma nenhuma passível de ser sobreposto ao espaço das hierarquias e divisões
sociais. (p. 27-28, § 3).
Prática - Certeau p. 60 / § 01

Lugar Social

Lugar Social Certeu p. 48 / § 02

Lugar Social Chartier p. 14 / § 02

Discurso Histórico

Discurso Histórico - Certeau p. 55 / § 02

Discurso Histórico - Chartier p. 17 / § 03

Relatividade histórica

Relatividade histórica - Certeu p. 48 e 49 / § 03

Relatividade histórica - Chartier p. 17 / § 02


Desvio

Desvio - Chartier

Desvio - Certeu

Esquemas

Esquema - Chartier
O primeiro diz respeito as classificações, divisões e delimitações que organizam a apreensão
do mundo social como categorias fundamentais de percepção e de apreciação do real.
Variáveis consoante as classes sociais ou os meios intelectuais, são produzidas pelas
disposições estáveis e partilhadas, próprias do grupo. São estes esquemas intelectuais
incorporados que criam as figuras gracas as quais o presente pode adquirir sentido, o outro
tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado. (p. 17 )

Chartier - utensilagens mentais

Para compreender o que, para Febvre, designa a própria noção de utensilagem mental, podem
ser invocados dois textos: por um lado, o tomo primeiro de L'-Encyclopedie frangaise,
publicado em 1937, com o título L'Outillage mental. Pensee, langage, mathematique; por
outro, o segundo livro da segunda parte de Rabelais. O que define nessas páginas a
utensilagem mental e o estado da língua, no seu léxico e na sua sintaxe, os utensílios e a
linguagem científica disponíveis, e também esse “suporte sensível do pensamento” que e o
sistema das percepções, cuja economia variável comanda a estrutura da afectividade: “Tao
próximos de nos na aparência, os contemporâneos de Rabelais estão já bem longe por todas as
suas pertencias intelectuais. E a sua própria estrutura não era a nossa” :' (o sublinhado e
nosso). Numa dada época, o cruzamento desses vários suportes (linguísticos, conceptuais,
afectivos) dirige as “maneiras de pensar e de sentir” que delineiam configurações intelectuais
específicas (por exemplo, sobre os limites entre o possível e o impossível ou sobre as
fronteiras entre o natural e o sobrenatural). (p. 37)

esquemas de operações - Certeau

“a atitude cognoscitiva era, nos dois casos [paradigma venatório e divinatório] , muito
parecidas; as operações intelectuais envolvidas – análises, comparações, classificações -,
formalmente idênticas.” (Ginzburg, p. 153).

“a operação histórica se refere à combinação de um lugar social, de práticas "científicas" e de


uma escrita. (p. 66) [...] A operação histórica consiste em recortar o dado segundo uma lei
presente, que se distingue do seu "outro" (passado), distanciando-se com relação a uma
situação adquirida e marcando, assim, por um discurso, a mudança efetiva que permitiu este
distanciamento. (p. 93) (Certeau).

“O primeiro diz respeito às classificações, divisões e delimitações que organizam a apreensão


do mundo social como categorias fundamentais de percepção e de apreciação do real. [...].
São estes esquemas intelectuais incorporados que criam as figuras graças as quais o presente
pode adquirir sentido, o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado. (Chartier, p. 17 )

Representações

representações - Chartier p. 18 e p. 19
“mesmo as representações colectivas mais elevadas só tem uma existência, isto e, só o são
verdadeiramente a partir do momento em que comandam actos” (Marcell Mauss) — que tem
por objectivo a construção do mundo social, e como tal a definição contraditória das
identidades — tanto a dos outros como a sua. (p. 18).
Aquela noção obriga igualmente a remeter a modelação destes esquemas e categorias, não
para processos psicológicos, sejam eles singulares ou partilhados, mas para as próprias
divisões do mundo social. Desta forma, pode pensar-se uma história cultural do social que
come por objecto a compreensão das formas e dos motives — ou, por outras palavras, das
representações do mundo social — que, a revelia dos actores sociais, traduzem as suas
posições e interesses objectivamente confrontados e que, paralelamente, descrevem a
sociedade tal como pensam que ela e, ou como gostariam que fosse. (p. 19)
Propomos que se tome o conceito de representação num sentido mais particular e
historicamente mais decerminado. A sua pertinência operatória para tratar os objectos aqui
analisados resulta de duas ordens de razões. Em primeiro lugar, e claro que a noção não e
estranha as sociedades de Antigo Regime […] (p. 20).
No primeiro sentido, a representação e instrumento de um conhecimento mediato que faz ver
um objecto ausente através da sua subscituicjio por uma «imagem» capaz de o reconstituir em
memória e de o figurar tal como ele é. (p. 20)

Trabalhando assim sobre as representações que os grupos modelam deles próprios ou dos
outros, afastando-se, portanto, de uma dependência demasiado estrita relativamente a história
social entendida no sentido clássico, a história cultural pode regressar utilmente ao social, ja
que faz incidir a sua atenção sobre as estratégias que determinam posi^oes e relações e que
atribuem a cada classe, grupo ou meio um «ser-apreendido» constitutive da sua identidade. (p.
23)
Deste modo, a noção de representação ser pode construída a partir das acepções antigas. Ela e
é um dos conceitos mais importantes utilizados pelos homens do Antigo Regime, quando
pretendem compreender o funcionamento da sua sociedade ou definir as operações
intelectuais que Ihes permitem apreender o mundo. (p. 23).
A definição de história cultural pode, nesse contexto, encontrar- se alterada. Por um lado, e
precise pensá-la como a análise do trabalho de representação, isto e, das classificação e das
exclusões que constituem, na sua diferença radical, as configuração sociais e conceptuais
próprias de um tempo ou de um espaço. (p. 27).

Representações - Certau

Signo

Signo - Chartier
A reiagao de representac.ao — entendida, deste modo, como relacionamento de uma imagem
presente e de um objecto ausente, valendo aquela por este, por Ihe estar conforme — modela
roda a teoria do signo que comanda o pensamento classico e encontra a sua elaboragao mais
complexa com os loglcos de Port-Royal. Por um lado, são as suas modalidades variáveis que
permitem distinguir diferentes categorias de signos (certos ou prováveis, naturais ou
instituídos, ligados ou separados do que e representado, etc.) e que nos permitem caracterizar
o símbolo (em sentido restrito) na sua diferença relativamente a outros signos *°. Por outro
lado, ao identificar as duas condições necessárias para que uma relação desse tipo seja
inteligível — a saber, o conhecimento do signo enquanto signo, no seu distanciamento da
coisa significada, e a existência de convenções partilhadas que regulam a relação do signo
com a coisa — n, a Logiqw de Port-Royal coloca os termos de uma questão histórica
fundamental: a da variabilidade e da pluralidade de compreensões (ou incompreensões) das
representações do mundo social e natural propostas nas imagens e nos textos antigos. (p. 21, §
1).

Signo - Certeau
O erudito quer totalizar as inumeráveis "raridades" que as trajetórias
indefinidas de sua curiosidade lhe trazem e, portanto, inventar linguagens
que assegurem a compreensão delas. A julgá-lo pela evolução de seu
trabalho (passando por Peiresc e Kircher, até Leibniz), o erudito se orienta,
desde o final do século XVI, para a invenção metódica de novos sistemas
de signos, graças a procedimentos analíticos (decomposição,
recomposição). (p. 71)

Está claro que o lugar dado aos signos remete ao lugar social dos
historiadores

Signo - GINZBURG

p. 153

Também uma pegada indica um animal que passou.Em


comparação com a concretude da
pegada, da pista materialmente entendida, o pictograma já representa um
incalculável passo à frente no caminho da abstração intelectual. (p. 153, §2)
[…] Ora, Morelli propusera-se buscar, no interior de um sistema de signos culturalmente condicionados como o
pictórico, os signos que tinham a involuntariedade dos sintomas (e da maior parte dos indícios). Não só: nesses
signos involuntários, nas "miudezas materiais — um calígrafo as chamaria de garatujas" comparáveis às
"palavras e frases prediletas" que "a maioria dos homens, tanto falando como escrevendo. . . […] p. 171

Gesto

Gesto – Chartier

A atenção desviou-se, portanto, para novos objectos (os pensamentos e gestos colectivos
perante a vida e a morte, as crengas e rituais, os modelos educativos, etc.) ate entao próprios da
investigagao etnologica e para novas questoes, em grande medida estranhas a historia social. (p.
45)
A cultura popular (que poderia tambem set designada como aquilo que e considerado popular no campo da
historia intelectuai) foi ai idennficada duplamente: com um conjunto 'de textos — os dos pequenos livros
de venda ambulante e conhecidos sob o termo generico «bibliotheque bleue» [«literatura de cordel»]*; com
um conjunto de crenc,as e de gestos considerados como constitutivos de uma religiao popular. Em ambos
os casos, o popular e definido pela sua diferen^a relativamente a algo que nao o e (a literatura erudita e
letrada; (p. 55)

Gesto – Certeau

Mas o gesto que liga as "idéias" aos lugares é, precisamente, um gesto


de historiador. Compreender, para ele, é analisar em termos de produções
localizáveis o material que cada método instaurou inicialmente segundo
seus métodos de pertinência. (p. 45, § 3).

Em história, tudo começa com o gesto de separar, de reunir, de


transformar em "documentos" certos objetos distribuídos de outra
maneira. (p. 69, § 3).

O estabelecimento das fontes solicita, também, hoje, um gesto


fundador, representado, como ontem, pela combinação de um lugar, de
um aparelho e de técnicas. (p. 72)
Gesto – Ginzburg

“Mas, por trás desse paradigma indiciário ou divinatório, entreve- se o gesto talvez mais
antigo da história intelectual do gênero humano: o do caçador agachado na lama, que escruta
as pistas.(Ginzburg, p. 154, § 1, final).
Ginzburg

Referências

escolha cultural

historiador

Nesse sentido, o historiador é comparável ao médico, que utiliza os quadros nosográficos para
analisar o mal específico de cada doente. E, como o do médico, o conhecimento histórico é indireto,
indiciário, conjetural. (Ginzburg, p. 157)

De todos os trabalhadores que utilizam, precisado ou nao por algum epfteto, o qualificativo
generico de historiadores, nao ha quern, aos nossos olhos, justiflque se-lo por qualquer meio~— salvo,
muitas vezes, aqueles que, ao "esforgarem-se por repensar por sua conta sistemas as vezes yelhos de varios
seculos, sem a menor preocupacjio em assinalar a sua relacao com outras manifesta 6es da epoca que os viu
nascer, se encontram a fazer precisamente o contrario do exigido por um metodo de historiadores.
E que, perante essas sequencias de conceitos saidos de inteligencias desencarnadas e que vivem, depois, a
sua propria vida, fora do tempo e do espaco, entrelacam estranhas cadeias de
aneis simultaneamente irreais e feGhados...» (Chartier, p. 34)

o historiador não se contenta em traduzir de uma linguagem cultural para outra, quer
dizer, produções sociais em objetos de história. Ele pode transformar em cultura os elementos
que extrai de campos naturais. (Certeau, p.

representação

A "representação - mise en scène literária - não é "histórica" senão quando articulada


com um lugar social da operação científica e quando institucional e tecnicamente ligada a
uma prática do desvio; com relação aos modelos culturais ou teóricos contemporâneos. Não
existe relato histórico no qual não esteja explicitada a relação com um corpo social e com uma
instituição de saber. (Certeau, p. 89)

Desta forma, pode

pensar-se uma historia cultural do social que come por objecto a


compreensao das formas e dos motives — ou, por outras palavras,
das representagoes do mundo social — que, a revelia dos
actores sociais, traduzem as suas posigoes e interesses objectivamente
confrontados e que, paralelamente, descrevem a sociedade
tal como pensam que ela e, ou como gostariam que fosse. p. 19

A relação entre a consciência e o pensamento é colocada de uma forma nova, próxima da dos
sociólogos da tradição durkheimiana, pondo em relevo os esquemas ou os conteúdos de pensamento que,
embora enunciados sobre o modo do individual, são de facto os condicionamentos não conscientes e
interiorizados que fazem com que um grupo ou uma sociedade partilhe, sem que seja necessário explicitá-
los, um sistema de representações e um sistema de valores. (Chartier, p. 41)