Conceitos gerais
Linguagem, llngua, discutso, estilo.
r. LrNcuecru é <<um conjunto complexo de processos
-
tesultado de
uma certa actividade pslquica profundamente determinada pela vida social
que toffia posslvel a. aquisigào e o emprego concreto de uÍìa r.fNcue
-
qualquenl. Usa-se também o termo para desigtr t todo o sistema de sinais
que serve de meio de comuntcaEdo entre os indivlduos. Desde que se atti-
bua valor convenci onal a determinado sinal, existe uma LrNGuacEM. À. lin-
gulstica interessa particularmente uma espécie de LTNGUAGEM, ou seja a
LINGUAGEM FALADA OU ARTICULADA.
2. r,fNCUA é um sistema gtamattcal pertencente a um grupo de
indivlduos. Expressào da consciéncia de uma colectividade, a lfitcue é o
meio por que ela concebe o mundo que a cetca. e sobre ele age. UtilizaEdo
social da faculdade da linguagem, cxraEdo da sociedade, nào pode ser imutó-
vel; ao conUirio, tem de viver em peqpétua evolugào, paralela à do otga,'
nismo social que a criou.
t. DrscuRso é a lfngua no acto, na. execugào individual, E, como
cada indivlduo tern em si um ideal lingulstico, procura ele extrair do sis-
tema idiomótico de que se ser\re as formas de enunciado que melhor lhe
exprimam o gosto e o pensamento. Essa escolha entre os diversos meios
de expressào que the oferece o tico repertório de possibilidades, que é a
lÍngua, denomina-se ssttr,o2.
I Tatiana Slama-Casactr. Langage et contcxtc. Haia, Mouton, 1961, p. 2:o.
2 Aceitando a distingào de Jules Marouzeau, podemos dizet que a r,ftqcue é <<a soma dos
meios de expressào de que dispomos para fot:orrit o eu-unciado> e o Esrrlo (o -aspecto e a qualidade
que resultaó da escolha €otre-esses meios de expressào>> (Prlcìs dc xllktiEn frmgaise, z.a ed. Paris,
IVlasson, ry46, p. ro).
NGî
NOVA GRAMITICA Do PoRTUGuÉs coNTEMPoRANEo
4. A distingào entre LrNGuAGErvr, lÍNcuA e DrscuRso, indispensóvel
do ponto de vista metodológico, nào deixa de ser em parte atificial. Em
verdade, as ffés dsnqminagóes aplicam-se a aspectos diferentes, mas nio
opostos, do fenómeno exfiremamente complexo que é a comuni cagdo humana.
A interdependència desses aspectos, salienta-a Tattana Slama-Casacu,
ao escrever: <<A r,ÍNcue é a cnaEà,o, mas também o fundamento da LTNGUA-
cEM que simultaneamente, o ins-
- e onào
trumento
podeda funcionar sem ela
-i é,
resultado da aaividade de comunicagào. Por outro lado, a
LTNGUAGEivT nào pode existir, manifestar-se e desenvolver-se a nào ser pelo
aptendi"ado e pela utilizaEào de uma r,fNcu,r qualquer. A mais frequente
forma de manifestagio da r,rNcuAGEM constitulda de uma complexidade
de processos, de mecanismos, de meios expressivos
- é a r,rNcuAGEM FALADA,
- do processo de comu-
conctetizada no DrscuRso, ou seja a tealizaEào verbal
nicagào. O orscunso é um dos aspectos da r,rNcu,rcEM o mais impor-
tante- €, ao mesmo tempo [...], fotrna concreta sob a -qual se manifesta
" como o acto de utilizagào individual
a lfNcua. O orscuRso define-se, pois,
e concreto da r,ÍNcu,q. no quadro do processo complexo da LTNGUAGEM.
Os très termos estudado LTNGUA.cEM, r-fNcu,r, DrscuRso designam
llo fundo ttés aspectos, difetentes mas estreitamente ligados,- do mesmo
processo unitório e complexo>r3.
Llngua e sociedade: vatiagio e conservagdo lingulstica.
Embora, desde princlpios deste século, linguistas como Antoine Meillet
e Ferdinand de Saussute tenham chegado a configutat a llngua como um
facto social, rigorosamente enquadrado na definigio dada por Emile Dur-
kheima, só nos rlltimos vinte anos, com o desenvolvimento da socror,rN-
cuÍsrrce, as relagóes entre a llngua e a sociedade passararn a ser cataúe-
izadas corn maior precisào.
A sociolingulstica, r^mo da lingulstica que estuda a llngua como fenó-
meno social e cultural, veio mostrar que estas inter-relagóes sào muito com-
plexas e podem assumir diferentes fotmas. Na maiotia das vezes, compro-
va-se uma covatiagào do fenómeno lingulstico e social. Em alguns casos,
3 Obra cit., p. zo.
a Veiam-se Antoine Meillet. Linguistiqae bistorique et linguistiqac glnérale, z.a ed. Paris, Cham-
pion, 1926, p. t6, z3o passim; Ferdinand de Saussure. Cosrs de lingaisticyae glnhalc, édition ctitique
prépaÉe par Tullio de Mawo. Patis, Payot, 1973, p. tr.
2
ou vARreg6rs orerfsrcass (llngua falada. uma llngua apresenta. nào podendo prescindir de uma delimitagio precisa dos factos analisados parl controle das variiryeis que actuam. Université de Nancy. Nesse sentido. llngua hterdna. cultural e geogtafrcamente. Stnrcture lexicale et enseignement du vocabulaire. até. ou da llngua na sociedade. tecente a concepgào de llngua como instrumento de comuni- cagio social.. psicológicos que aútam no complexo operar de uma llngua e odentam a sua deriva. pois. maleóvel e diversificado em todos os seus aspectos. e correspondem a" sistemas e sub-sistemas adequados às necessidades dos seus usuórios. meio de expressào de indivlduos que vivem em sociedades também diversificadas social. N*"y. incorporada à teoria e à descdEà. p. hoje. a vatiagdo é. très tipos de diferengas internas. de plurdidade de normas e de toda a inter-relagào dos factores geogtófi. linguagem das mulheres. em tod.o) diferengas entre as camadas socioculturais. etc. ou vARrAgóns oranóprces (falares locais. faz mais sentido admitir uma relagào direccional: a influència da sociedade na lfngua.os os nlveis. totnou-se pos- slvel o esclarecimento de numerosos casos de polimorfi. fonoló- gico. rgg. pois. llngua padrio. Dal o estudo de uma llngua revestir-se de extrema complexidade. Condicionada de forma consistente denuo de cada grupo social e parte integrante da competència lingulstica dos seus membros. É.o) diferengas entre os tipos de modalidade expressiva. morfológico. nos diversos eixos de diferenciagdo. etc. que podem ser mais ou menos profundas: r. intercontinentais). mas um coniunto de sistemas lingulsticos. linguagem dos homens. Em princlpio. variantes regionais e. sociais.. drasttfiticas e diafósicas. z. A partir da nova concepgào da llngua corno diassistema. no qual se inter-relacionam diversos sistemas e sub- -sistemas. CONCEITOS GERAIS no entanto. Todas as variedades lingulsticas sào estruturadas. uma llngua histórica nào é um sistema lingulstico unitório. E essa multiplicidade de rcalizagóes do sistema em nada preiudica as suas condigóes funcionais. etc. uma woliagdo distinta das catactedsticas das suas diversas modalidades diatópicas. sintóctico.o da llngua. inerente ao sistema da llngua e ocorre em todos os nlveis: fonético. pelo rnenos. Mas o faeo de estar a llngua fortemente ligada à estruttrra social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a. históricos.In Actet ùt premier Collorye Intenatioral dl LingittiEte Appliqaée.).smo. Ilngua escrita. ry66.o) diferengas no espago geogràfrco.). . A lln- 5 Veia-se Eugenio Coseriu. .cos. um DrAssrsrEMA. isto é. A variagdo sistemótica estó. linguagens espe- ciais. nlvel popular. ou vARregóns Dras- rnftrces (nlvel culto.
correspon- deriam a subsisteÍns idiomóticos <de tragos pouco diferenciados. porque aúta coíto modelo. Drer.o. falado por povos que se^ distribuem pelos cinco continentes. 6o. Do valor normativo decotre a sua fungào coercitiva sobre as outras variedades. o FALAR do orer. normalmente. De modo secundório. r96r. pof exemplo. que. com uma corcreta detmitagào geo- I gtfifica. 4 . convive apenas com as manifestagóes orais.an setia a peculiaridade expressiva ptópna de uma rcgido e que nào apresenta o grau de coerència alcangado pelo dialecto. Poder-se-iam ainda distinguir.. }Iasia los coaceptos de lengua. NOVA. simultàneas de outfa. mas com matizes própdos dentro da estrutura regional a que pertencem e cujos usos estào limitados a pequenas circunscrigóes geogrfifrcas. gar^nte supedor unidade de um idioma como o portuguès. p. com o que se torna uma ponderóvel forga conrtîatt^ à variagà. por ser um dialecto empobrecido. que. GRAMITICA DO PORTUGUÈS CONTEMPORI.ncro seria <<urn sistema de sinais desgarrado de uma llngua comum. embora seja uma enffe as muitas vadedades de um idioma. distinguem.NEO gua padrào. t ld. Alguns linguistas. entre as variedades diatópicas. tendo abandonado a llngua escrita. ao lado da fotga centdfuga da inovaEdo. como ideal lingulstico de uma comunidade.ncro.variedade regional no o termo DrALEcro no sentido de da - 6 l\fanuel Alvar. No entanto. Nrcta Boìsta de Fìhlogla Hìspdniea. que n6o alcangam a categoria de lfnguu6.. do ponto de vista diacrónico. dialecto y hablas. conttl-tegtutrdo a primeira. pois. como norma. Far. é sempre a mais prestigiosa. poder-se-iam também chamar dialectos ((as estflrturas lingulsticas. dentro dos FALaRES REGroNArs. t1: 57.Ibid. os FALAREs LocArs. que. a fotga centdpeta da consenagio. As formàs cataúedsticas que runa llngua assume rcgionalmente deno- minanr-se DrALEcros. à vista da dificuldade de caraúeirzat fi^ pútúca tais modalidades diatópicas. viva ou desapatecida. Divetsidade geogtófrca da llngua: dialecto e falat. empregaremos neste livro e particrrlarmente capltulo seguinte . mas sem uma forte diferenciagào diarrte dos outros da mesma ori- gerrD). Numa llngua existe. normalmente com catiúst administrativo> 7. para o mesmo linguista. Cataúeflzar-se-ia. porém. segrurdo Manuel Alvar.
27.U. J2-Ji. levan- ÈurFsc dguns linguistas modernos. ((a correcEào estriba-se essen- ri-lmerrte em confotmaî-se com o uso encontrado nos escritores de uma Aoce petéda>. o linguista hre Noteen hó très critérios princrpais de correcgàor por ele deno- ili r. - dc la lingaìstirye. naturalmente. t967.. o str p'refeddo. tg7.L. De amtrdo com o critério ltistórico-literàrio. r-. obviamente. pos Jacques Gengoux. fundado no exemplo dos clóssicos. z7g.. tg66. Bertil lVfalnberg. 3r-rg. 42. lrire C-aro y Cuervo. p. Come essa concepgio demolidora do ediflcio gramaacal. A nogào de cottecto. nos nossos dias. Tempo Brasileiro. Separata de P. zgíz.de forg" conscrvadora ou repressiva dos sectores cultos. Por outro lado. É o critério tradicional & ore$o.t ed. texto em parte aqui repro- -ft:. Stockholn Gtitebotg Uppsa- h. o rlltimo. Uma gramfiaea que pretenda registat e analisar os factos da llngua culta deve fundar-se flum claro conceito de norrna e de correcEdo idiomótica.!. 184-186. r98r. paciente- rrnrE constnrldo desde a epoca alexandrina com base na analogia. Paris. €o geral escolhida arbittaiamente. ltistdrico-natural e racional.llt t Lciam-se Bióm Collinder. deixaram o preceptismo gramatical inerme diante dz raq5lo anticorrectista que se iniciou no século passado e que vem assu- rnindo. CONCEITOS GERAIS llngua.p. uma ligeira digressdo a respeito deste controver- tido tema. de que o Povo tem o poder cdador e a sobetania em matéria de linguagem associa-se.I.E. P.6 e ss. Angel Rosenblat. Aloqeist & \7iksell. El Sinposio de Indiana. Dcssa nova linha de preoctrpagóes foi precursor Adolf Noreen.8. à ideia. Las orìgitus ùt amcuralisma. procurando firndamentar ù correcgào nifrr#tica em factores mais objectivos. nào importando o seu maior ou menor distanciamento com referèn- csa à tfngu" padràlo. a considerar elemento pernrrbador ou estéril a interferència da outra .F. . Bogotó. p. Consulte-se também Celso Cunha. com isso. por isso. p. Os progressos dos eshrdos lingulsticos vierarn rnostrar a falsidade dos postulados em que a gtamiltica logicista e a latinizatte esteavarn a correc- $o idiom6tica e. a propósito. Llngaa porttgrcsa e rcali- ffiira.. El titerio dc conección lìngilletica: sniùd 1 plura- EIJ l tas n cl espúol de Espafral Amhica. r3o. atinrdes violentas. sempre renovada. Permitimo-nos.1.s birtórico-literório. Let rcuelles tmùms. Rio de Janeiro. s Veia-sc. nào raro contaminadas de radi- calismo ideológicoa.
<<algo comum par:a o que fala e pma o que ouvo). se quisermos ser correctos. Buenos Aites. em princlpio. o lógico e o estético o explica.ento social estó regulado por norrnas a que devemos obedecer. O que difere é o <linguisticamente incorrecto>.' p. 6 . à medida que vai ctescendo em anos. <lpois que divide demasiado a comunidade lingulstica em indivl duos particulares e olvida excessivamente o coniunto)ll. sem entraves. de que a linguagem é um organismo que se desenvolve muito melhor em estado de complea liberdade. por Fernando Vela. Este elemento cornum é l t (a oorfira lingulstica que ambos aceitaram de fora. o atistocrótico. 1947. o falar de uma pessoa? Por que é que uma criaîEa" aptende de seus pais que nào deve dizer sube pot soube. NOVA GRAMÍ. 11 Obra cit. e que lhes faciltta a compreensào. indítidao. o geogútfrco. da socie- dade. p. Depois de deixar patente o catilúet atbitrdno do primeiro cdtério e o absurdo do segundo. o dele Noreen. fusde cl punto de aista lingùfstico. se levado a suas naturais consequéncias. que se pertence. Noreen tenta justificar o único que resta. nación. Revista de Occidente. r2o e ss. no entanto. Jespetsen define o <linguisticamente correcto>> como aquilo que é exigido pela comunidade lingulstic^ a. baseia-se na douffina. Dentto desse ponto de vista nào pode havet. e errr em linguagem equivale a desvios desta norma.. com suas palavras: <<fular correcto significa o falx que a comunidade espera. aperus corn diferenga de que as suas normas. Em nome de que princlpio se corrige. individualista. sem relagào alguma com o valor interno das palavras ou for- 10 Citados por Otto Jespersen. O mesmo sucede com a { t llngua. ou no enunciado mais sintético de Flodstróm: <<o melhor é a forma de falar que reúne a mator simplicidade posslvel com a necessória inteligibilidade> 10. ora por esforgo próptio? Parz Jespersen nenhum dos critérios anteriotmente lembrados e - enumera sete: o da autoridade.TICA DO PORTUGUÈS CONTEMPORANEO O segundo critério. 12 Ibid. Todo o nosso comportam. entdo. que - existe algo que justifica a correcgdo. sào mais complexas i as coisas. da mfio>>L2. faryrei por farei e. Por isso. Humanidad. a que nos referimos. Ou. nada correcto ou incorrecto na llngua. rry e tt4. de urn modo I ^ e mais coercitivas. trad. É evidente. atomlstica. da comunidade. continua a tet o seu comportamento lingulstico ora corrigido por outros. o democrótico. p. expresso na fórmula: (o melhor é o que pode ser apreendido mais exaúa e rapidamente pela audiència pre- sente e pode ser produzido mais facilmente por aquele que falu. Jespersen considera a fótmula de Noreen opoffunista. r2o. e para simplificar genl. o litenírio. o ltìstórico-natural de Noreen e que Jespersen pre- fere chamat anórquico.
352. consultem-se também os magistrais estudos do autor: Sistema. r7B. mas expressa tam- bém o ambiente social e nacional. Madtid. finalidade em si mesfira. a 13 Ibid. as forrnas ideais de sua tealtzaEdo. escreve Roman Jakobson.se <é um sistema de tealtzacóes obti gatóias. t962. o seu modo de fazerse. CONCEITOS GERAIS mas>. porque a liqguagem ndo é só expressào. & John S7ilen 196o. p. Reconhece. para todo ind. senào também comunieg6o. de aceita$o de uma norma. finalidade instrumental.ln Styh in Language.ivlduo falante existe uma uni- dade de llngua. <<existe uma valo- Àzagdo da linguagem na qual o seu valor se rnede com referéncia a um ideal lingulstico>>. . Mas pondera Eugénio Coseriu. e existem 'llngras' como entidades históricas e como sistemas e normas ideais. pa. que corresponde à expressào individual. rr-rr3 e z9z1z3. Sebeok. independentemente disso. p. ou seja. termo médio que represente o aptoveitarnento harmónico da energia dessas fotgas contrilrias e que.dos que advogam o Entre as atitudes extremadas rompimento tadi- cal corn as tradigóes clóssicas da lfngua e dos que aspitam sujeitar-se a velhas normas gtamattcus ^ hó sempte lugar P^n" urna posigào modetada. expressào pan orfiro. <<pata qualquer comunidade tingulstica. por seu carócter de repetigào. A hipótese dfl <<linguagem monollticu nào assenta nurna tealidade. o lúcido mestre de Túbingen . <Na linguagem é importante o pólo da variedade. -. cultura obiectivada historica- mente e que transcende ao indivlduo>>14. que reptesentam rnod. rnas esse código global representa um sistema de subcódi- gos em comunicagào reclptocai cada llngua abarca vórios sisternas simul- tàneos. turmay babla e Determinación 1 entorao. que é ao mesmo tempo histórica e sincrónica: existe o falar porque existem indivlduos que pensam e sentern. que corresponde à comunicagio inter-individual e é gara. . poréfn. t4 Eugenio Coseriu. A propósito. agora enfeixados no volume Teoría del hngaaje 1 lingtiktica general. U-4r. La geografla lingiifstica. New Yotk-London. 1956. pode também ^ admitir vfitias normas. e a sua corporificagào nas gramíncas nào tem sido benéfrca ao ensino dos diversos idiomas. dinamicidade. Gtedos. melhor consubstancia os ideais de uma sà e eficaz polîaca" educacional e crrltural dos palses de llngua porhrguesa.ta cuja fotmaqào colabora efrcazmente a <<fórmula energética de que o mais facilmente enunciado é o que se tecebe mais facilmente>l3. Edited by Thomas A. A lin- guagem expressa o indivlduo por seu carócter de criagào.îta^ de intercompreensào. p. Se uma llngua pode abar:cat vórios sistemas..T. 15 Closing statement: Linguistics and poelir. .I. a flosso ver. que. cada um dos quais se caractertzapot uma funEào diferento>ls. Universidad de la República. p. mas também o é o da unidade. suz. consagradas social e culturalmente>.elos. escolhas que se consagra- ram dentro das possibilidades de rcalizagóes de um sistema lingulstico. <Sem nenhuma d{rvido. M. Montevideo.
o que é faculativo. em termos radicais. Sem investigagóes pacientes. Nova Fronteita. p. finalmente. seja. alínagao. disse com singeleza o poeta Gongalves Dias. ou. é o que. Este conceito lingulstico de norma. seja na escrita. <<Nào se tepreende de leve ftrm povo o que geralmente agtada" a todos>>. cl lroblema ùl cambio liryìiîstho.àlo. a pateritearem o dinamismo do nosso idioma. todas movidas pela legltima aspiagào de enriquecer o património comum com forrnas e construgóes novas.a o da aceitabilidade social. que implica um maior liberalismo gnntattcal. convém adoptarmos para a comuni- dade de fala porhrguesa. Língra. Rio de Janeiro. z. inaplicóveis noutros . 1973. sem méto- dos descritivos aperfeigoados flrnca alcangaremos determinar o gu€. - pzur. no domfnio da nossa llngua ou de uma 6tea dela. o que é inadmisslvel. como pensam cefros gtanfiacos. o que é grosseiro. o que é e o que nào é corresto. 73-74 e ss. Com efeito. nos dias que correm. 8 l]À . o meio de comunicaEdo e expressdo. najíto. seja de um ponto de vista diastrótico (lingua- gem cula / linguagem média / linguagem popular). ao que se pode ou se deve dize4 rnas ((ao que ió se disse e tradicionalmente se 4iz na comu- nidade consideraduld. t7 Veia-se Celso Cunha . o rlnico vólido em qualquer circunstància. o ![ue é toleróvel.ANEO notma nào corresponde. é de emprego obrigatório. p. Madrid. tt.e ed. de mais de cento e cinquenta milhóes de indivlduos. 16 Sintonla. seja na forrra falada. formada hoje por sete nagóes soberanas. diatonla e bistoria. em nosso entender. a consuetudo de Yarr. É justameîte para chegarem a um conceito mais preciso de <<correc- geo) em cada idioma que os linguistas actuais vèm tentando estabelecer métodos que possibilitem a descrigào minuciosa das suas variedades cultas. por cima de todos os critérios de corecAào aplicóveis nuns casos. A norma pode vaiar no seio de uma mesma comunidade lingufstica. de um ponto de visa diafósico (iogo"g"m poética / linguagem da prosa) 12. NOVA GRAMÍTICA DO PORTUGT'ÉS CONTBMPOR. Gredos. seia de um ponto de visa diatópico (portuguès de Porargal / pottrgoès do Brasil / porruguès de Angola).
à" gta- m6. Na órea vastlssima e descontlnua em que é falado. ktroAjaó ao esttdo fu llnga portuguua no Brasil. p.a sétie: zo (r). vànas óreas. O <<IVfapa dos dialectos e falares de Portngal Continental>. Com referència à situag6o lingulstica do Brasil. e. nào pode deixar de frczr impressio nada com a excepcional homogeneidade lingulstica do Pals e a sua escassa diferenciagào dialeúaI-ao contrdtio do que sucede noutros palses. porém. z. escreve Serafim da Silva Neto: <É preciso ter na devida conta que unidade nào é igualdade.tos fi"lológicos._ MEC/INL.e ed. Boletim & Filologia.também do saudosó filólogo o seu dertadefuo tsabalho: A llngaa portagusa ru -Brasil. 2. Separaa da Reoista da Faculdade de I*tras. o portuguès apresenta- -se como qualquer llngua viva. 1954. rúo é ela sufi- ciente p^ra impedir a superior unidade do nosso idioma. Domínio actual da língua Poftuguesa Unidade e diversidade da llngua Portuguesa. I . levaram a essa supetiot unidade e ao catàúet atcaiz. decerto. com segufafiga. Uîtidaúr c uriedade da llngua portugnen. Separata da Rwista de Portugal: z1rLisboa.Leia-se também-do_professor Paiva Boléo.uca e ao vocabulório. Com rclaEdo a Fortugal. onde enumera os factores gue. p. que lnja percorrido Por- tugal de norte a sul e convefsado com gente do povo. gradagóes de cores. faúo. 1963.'2Lisboa. O que é certo. zoz 85. Embora seja inegível a existència de tal diferenciagdo. Minucioso esttrdo de campo determinaria. é que o conjunto dos falares brasileiros se coaduna com o princlpio da unidaù na diuersidade e da diuersidafu na unidade>>2. Veia-se. Riode Janeiro. 1 lVfanuel de Paiva Boléo e N[ada Helena Santos Silva. internamente diferenciado em variedades que divergem de maneita mais ou menos acentuada quanto à pronrlncia. z7r. ry6r. tz-JJ. obsewa o professor Manuel de Paiva Boléo: <<Uma pessoa. mesmo alheia a assrui. aliós. salien- tado até pelos dialectólogos. 196o. no tecido lingulstico brasileiro h6. quer de lfngua romànicar eu€r germànico>l.ante do portuguès ameticano. . ao seu parecet.
t8g7). patte II (Coim- bta. A faixa ocidental da Penlnsula Ibérica ocupada pelo galego-portugués apresenta-nos um conjunto de orar. 196r). nos Opúscalos. Só da Costa. p. de reconhecer esta verdade: apesat da acidentada história que foi a da sua expansào na Europa e. fon&icos. fora dela. Os dialectos do portuguès eutopeu. Túbingen. isto é. apresentados numa cetta e possível hierarquizagào. Guillard. veia-se Luís Filipe Lindley Cinua. ryT (ou Ertados de diahctologia pnrrtgaera. temos. em particular. rgz9. inicialmente no seu Mappa diahctologico fu continente pmn$t pisboa. 22. Bibliografia da llngta portaguesa fu Brasil.a ed. um homem do Norte e um homem do SuI. e que distinguitio pela fala um naflrtal da Galaa. é mais geogrlfrcz do que linguística. Foi publicada. publicada pelo Centto de Estudos Filológicos. 3 Veia-se. que estudaremos adiante. r98o. z. A de Leite de Vascon- celos. Entte as classificagóes antetiotes. . Lisboa. possuímos hoie uma bibliogafra muito completa: \íolf Dietrich. exposta em: O <Mapa dos dialectos e falares de Pornrgal Continentab> (fulctin ù Fihhgia.tillaud. sobre o coniunto das variedades do pottrgu&. . c) DrALEcros poRTUGt ESES cENTRo-MERrDtoNArs4. pois.NovA cRaMlTrcA Do poRTUGUÈs coNr-uponANro As variedades do portuguès. principalmente. contudo. A diversidade interna. zo: 85-trz. permititiam talvez um mais claro agnrpameoto das vatiedades. 7gt-7g6)..{ de Manuel de Paiva Boléo e Maria Hele'r" Santos Silva. assenta em factos linguísticos. fuletin de Filologia. Sobte o portuguès do Bnsil. Centto de Estudos Filológicos.rcros que. 8r-116 Lisboa. Exceptuando-se o caso especial dos ctioulos. depois teproduzida na Esqússe il'ane diahaologie portagdirc (Paris-Lisboa. ÍJue. Filologia. principalmente. ptepatada pot lVfatia Adelaide Valle Cintra. 4 Quanto à classificagào dialectal aqui adoptada. tgTo) e. baseada na divisào de Po*ugal em províncias. Esta classificagào parece ser apoiada pelo sentimento dos falantes comufls do portugues padtdo europeu. Lisboa. Lisboa 1974. a Bibliografa diahxal galego- -portuguesa. dos que seguem a NoRMA ou conjunto dos usos lingulsticos das classes cultas da reglào Lisboa-Coimbra. IO . a llngua portuguesa con- seguiu manter até hoje aptecifvel coesào entre as suas variedades por mais afastadas que se encontrem no espago. Gunter Narr. nos distantes e extenslssimos terdtórios de outros continentes. duas merecem tealce particular: a de José Leite de Vascon- celos e a de lManuel de Paiva Boléo e Maria Helena Santos Silva. p. Nova proposta de classificaSo dos dialectos galego-pottugueses. Lis- boa. 1983. rV. tgot. b) DrALEcros poRltuct ESEs sETENITRToNATS. com altetagóes. Aillaud. podem ser classificados em trés gtàn- des grupos: a) DrALEcros cauecos. com aditamentos e correcgóes do autor. de acordo com certas catac- terlsticas diferenciais de tipo fonético. existe e dela importa dar uma visào tanto quanto posslvel ordenada3. n7-t63).
b) a pronrlncia como afticada palatal [tJ] do ch da grafra (emitido como fiicat:va tJ] na pronrincia padsio e ern quase todos os dialectos centro- -meridionais) na rnaior pafie dos dialectos portugueses setentrionais e na totalidade dos dialectos galegos z tchaue. Nos dialectos porrtrgueses centro-meridionais só aparecem as sibi- lantes predorso-dentais qtre c:. Itoxe tem a rnesrna fricativa [fl (surda) de enxada. de notoeste a sueste. ou seja [s]. mais precisamente. atchar pot chaae. Nos dialectos porhrgueses setentrionais existe a sibilante ópico- -alveolar [s]. com elas se funditarn. ou. no caso da fronteira entre dialectos portugueses setentrionais e centro-meddionais. Nào existe também a fricativa palatal sonora l3l. abó por vinbo. . b) a sonofa lz]. bem corno a da de fazer com a que se ouve emrosd. s Pronúncia semelhante à do francès ou do italiano padt6o. Em galego. Mas hó outros tragos importantes em que a referida distingdo se funda- menta. a) a pronúncia como [b] ou [9] d" u grfifrco (emitido como labiodental na pronrlncia padrdo e na centro-meridional) na maior parte dos dialectos por- tugueses setentrionais e na toalidade dos dialectos galegosz binbo. Em alguns dialectos mais conservadores coexistem corn estas sibilantes as predorsodentais [s] (em cinco. Nos dialectos galegos nào existe a sibilante sonora lzl: rosa atticula-se com mesma sibilante h] oo [s] (surda) de passo. provocando a igualdade da sibilante de cinco e caga com a que aparece em seis e paeso. sem que. grafada em portuguès J oa g (antes de a ou i). passo. achar. 3. isto é [7].tarúeru. do castelhano metidional e do hispano-americano.am a" lingua padúo: a) a surda [s]. 2. noutros dialectos. com a mesma sibi- lante^[0] ou [s] (surda) de caga.ANrrs. tanto em r^sa corno em fazer. avó. Assim: r. em palavras corno seis. que. A ela corresponde a sonora [Z] d" rlsa. idèntica à do castelhano setentrional e padrào. as suas fronteiras coincidam perfeiamente com as das caracterlsticas ió indicadas. fazer. tanto em seis e paeso como em cinco e caps. no entanto. cdga) e [z] (em fazer). DoMÍNIo ACTUAL DA LÍNGUA PORTUGUESA A distingào funda-se pdncipalmente no sistema das srnrr. As fronteiras entre as trés zortus mencionadas atravessum a faixa galego- -portuguesa de oeste a leste.
. BADAlOZ 371 a 372 Fr::' K 373 aa 371 a 37s a I lt -tf").'#..--.i -.... oÉvoRA 2.. i1tl I tot ...-.tto -l-.. '....\ip- Fronteira entre tèt + titt e tèt = tót Fronteira meridional de g àpico-alveolar ....Ú D a fsa ..lrrst rc .. "ai i a ':: . t}g -i i..! \ L-' -'-!.'' r 16 -r.ru/"t \'r! llrú a 3tt' rss .."'.........26 'i.".. '..'..j'il ì 3a: 321 ... rl41 ll. Fronteira meridional do ensurdecimento da friòativa i -r'----- sla 'Ér.--.-í.-. il ..-...i..6-'-i' :"o il-t--'. :--: il..l I Lx Alguns tragos fonéticos diferenciadorcs d6 f.r'#t .. ......:Af.r"*i. .. ..... Fronteira de gg conscrvado perante g (<q!) -.i'..-'t""0' 'F. -.. : .?' f"'"...'. x ì.9 . #Sìn^-tii*É*. trcl a ZAITA 2v'- Limite do território linguíàtico galego-portugués o i cri 2tE i - Fronteira enlre lvl=lbl elvl*lbl 219 ..l. zzt sRAGAflQA ''21.1'. 'r1rì!-' il 10O km \"\r..:...''... .-... 29O 'q.J 1O9e rt .f F-t-t-S: L{ CORUNA r....=*^*"* TRTALEGRE :rí' "'n^--À^ I ^ . i .. @ .--. Frontelra de eI conservado perante g (<gi) ..\ "...'Ltll.
regiào subdialectal Limite de com caracterlsticas peculiares bem diferenciadas ..r"'l.t :'-.a"t'-'" l-{ Classificagào dos dialectos galego-portugueses . t i-'.r _.. dialectos do centro- -litoral ponugueses J centro.-..*.-.i|iiàion"i" | dialeclos do centro' -interior e do sul t - . t ' dialectos baixo-minhotos' l/ / -durienses-beiróes .+t{ PONTEVEORA Diarectos fl t t t salego ocidental oaleoos f [l I I lgalesooriental lf t dialectos transmontanos Dialectos l t ^lt ealto-minhotos oortuoues6s { ietenirionais l. ì I.". ulaleclos 1.r--.{rl .
NOVA GRAMÍTICA DO PORTUGTIÉS CONTEMPORANEO Alguns limites lexicais .
por aflltado. Merecem mengào especial mesmo numa apresentagào panotàmica dos dialectos portugueses - très regióes em que. por ttt. em primeito lugar. por exemplo: pdca por pouca. fumér pot furaar. pworto por porto. 6 Com referéncia ao ditongo [ei]. Tra6-se. pronrlncia padtio. pof exemplo: aflhédo. embora seja aI mais frequente passagem. por exemplo cop(a)' cop(a)s' por copo. nula. encontramos [ù]. Em lugar de u. cop(a)s'por copo. b) ^ representaEào do antigo ditongo gtafado 0u pot [ó] (também semelhante ao som coffespon- dente do francés). da Beira-Baixa e Alto- -Alentejo. copos. principalmente. DOMÍNIO ACTUAL DA LÍNGUA PORTUGUESA c) a monotongageo ou neo monoton g^gdo dos ditongos [ow] e [ej] : a pronrlncia [o] e [e] desses ditongos (por exemploz 6ru pot owrz. Por outro lado. fercèro pot ferreiro) caneeriza os dialectos portugueses centro-meridionais e. €ste se trans- fotmou na referida pronúncia em [cj]. uma vasta zona dos dialectos centro-meridionais) em que se regista uma profunda altenEào do timbre das vogais. a) a queda da vogal 6tona" fina| grafada -o on sua redugào ao som [a]. A vogal 6tona fnal grafada o também cai ou se reduz a [a]z cop(a).um som semelhante a o abettoz bata é pronunciado quase bota. alteraqào de timbre que nào é estranha a. Note-se con- tudo que. no caso de [o]. ^ car^ctedsticas fonéticas peculiares que ^patecem afastam muito vincadamente os dialectos nelas falados de todos os outros do mesmo grupo. alguns lugares da mencionada zorte. r7 NG2 . par dos tragos gerais que acabamos de aponta\ . temos uma extensa 6rea da Beira-Baixa e do Alto- -Alentejo (compreendendo uma faixa pertencente aos dialectos setentrionais. a pronúncia padtào e a de Lisboa (neste caso uma ilhota de conservagilo ao sul) coincidem com os dialectos setentrionais na sua manutengào. Abrange uma grande p^fte do Minho e do Douro Litora| (incluindo o falat popular da cidade do Porto e dos seus arredores). perante os dialectos portugueses seten- " uionais e os dialectos galegos6. no ocidente do Algawe situa-se outra tegiào em que se observam coincidèncias com a anteriormente mencionada. devido a um fenómeno de diferenciagào entre os dois elementos do ditongo. de a a um som [à] semelhante a [e] aberto. em d. o a tórico evoluiu parz. por exemplo til. no que se tefere às vogais.] . Em segundo lugar. Por fim. mas. niila. mìila (*t o ou estí represen- tado por [o]). Os tragos mais salientes sào: a) articalaEdo do u tónico como tù] (próximo do ^ u fuancès). tii. tud(e) por tudo. tùd(e) por tudo.eterminados ^ contextos fonéticos. de uma rcgiào (dentro da zona dos dia- lectos setentrionais) em que se observa regularmente a ditongagào de t"] e [o] acentuadosz pieso por peso. copos.
apenas tragos fonéticos que permitem opor os diversos grupos de dialectos galego-porfugueses. j6 no que se refere à distribuigào do léxico podemos observar. Ao Norte. alt6s. magir e anojar. Luis F. €ffi alguns casos. de magaroca a esprga (de milho). gt-rot). 8 Veía-se. que em relagào a muitas outras nogóes é grande a I variedade terminológica na fatxa galego-portuguesa.odsmo. I Advirta-se. e Odando Ribeiro. como os pefeitos em -i.muito. como os galegos. r96z-r96i lmtigo. poder-se-ó dize4 por exemplo. que variam de c so para caso. r9S3. A regularidade aúàs observada parece depender.ores. e um Portugal do Nordeste. potém.*raQ. e os dialectos do noroeste e centro-norte. por fim. reptoduzidos. que os dialectos centro-meridionais se oponham aos seten- trionais e aos galegos por neles se designat um objecto ou nogào com um terrno de origem ítabe enquanto nos rlltimos permanece o descendente da palavn latrna ou visigótica. cataúeflzados por inovagóes vocabulares de vórios tipos. cettas rcgdatidad. sern que se observe este ou qualquer outro esquema regular de distribuigào. Une frontière lexicale et phonétique dans le domaine linguistique portugais. Bohtim de Filologia. a este tespeito. Este e Sul mais inovador. r8 . que cetros tragos. justamente o que foi repovoado em consequència daquele acontecimento histótico 8. Nào é îato. no que diz respeito a particu- laridades morfológicas e sintócticas. É o caso da oposigào de ordenltar a. nnger. mas sobreardo histórico-culturais e sociais. de a*zojo a úbere. NOVA GRAM{TICA DO PORTUGIIÉS CONTEMPORANEO Nào sào. ceifar I ngar.'de cbibo a cabrito.o7. pela manutengào de termos mais antigos na llngua. Lindley Cintra. movimento que teria criado o contraste entre . resistència do estilo romànico. A propósito de óteas lexicais no território_pgrtuguès. lndlgf _C!n!1a. 196r (artigo tambéh reeditado nos referidos E$udoq p.es. Lisboa. É que a distribui- $o dos tipos lexicais depende de numeroslssimos factores. principalmente. Lindley Cintra. sào exclusivamente centro-meridionais.electologia portuguin. etc. q. Se. se distinguem pelo conservad.s coniugaSo (larú' por laoei.cudos de di. P. Cite-se. zo: 27i-i. Talvez anda mais frequente seia a oposigào lencal entte os dialectos do sul e leste de Portugal. da r. zoz 3118. l-S-g+ e r6yzoz). Luís F. ainda que num rcsftito nttmeto de sectotes e casos.aliza e urn Porrugal do Noroeste (e patte do Oeste) mais conserva- d. canti pot canîei). Boletim de Filologia. da acfio de um mesmo faaot histórico: a reconquista aos mouros do Centro e do Sul do teritório porruguès. a grande variedade e irregularidade na distribuigdo patece impedir um delineamento de 6reas que as tome como base7. nào só linguls- ticos. Bohtim de Filologia. por exemplo. que. 196z. de borego a cordeìro e a anbo. ainda. E.2r2 t77-2o5. Areas lexicais no teî- ritótio portnguès. É o caso da oposiEào alnece I soro (do queijo). Ttata-se. história d^ àfre. Porque de povoamento antigo. ampoL em L. 7. Quando. de um contraste que tem o seu paralelo tta.
com os que se obser- vam no ocidente do Algarve): a) o u tótrrco é articulado cor-no [ti]t tù. . cop(a)s. tfrd(a)' piik(a). só ocore como norma na ilha de Sào Miguel. tudo. Esta ilha. o i tórnco em [ori]. ambas se afastam do que se pode chamar L rrotfrr centro-rneridional por acrescentar-lhe lrfir cefro número de tragos muito peculiares. com os tfagos que. Quanto à ilha da Madeira. IndependenteÍlente uma da outra. que só esporadicamente (e nào todas) apatecern em dia- lestos continentais. copos. DOMfrSIO ACTUAL DA LÍNGUA PORTUGT'ESA enquanto ao Sul. constituern casos excepcionais dentro do portugues insular. por exemplo. rniila. do século XIII. ndo se encontram nos dialectos agoreanos e madeirenses nem o [s] ópico-alveolat. nem a neutralizaEio da oposigào entre lul /b/. patcialmente. nem a afuicada ffi dos dialectos setentrionais do continente. liira. fla com flba). c) o a tónico tende para 0 aberto [c]: quase boîa por bata.] é fenómeno esPoródico. ptecedida de i. por exemplo: flforjÀcr] por flbo. o il tónico apresenta-se ditongado em [aw]. Os dialectos das ilhas atlànticas. na Penlnsula. se acentua progressivamente a pene- ^p^ttrt tragdo e a eqpansào do estilo gótico. Por outro lado. a consoante l. palatalíza-se: flvaila] por uila. pode-se afrrma4 com maior precisào. observarn-se as mesmas tendèncias da llngua padrio: o ditongo [ow] reduz-se normalmeîte ^ [o]. pot copo. Considerando a maior parte das caractedsticas fonéticas que neles se observam. desse modo. assim como a Madeira. desertas no momento em que os portugueses as descobrira um prolon- gamento dos dialectos portugueses continentais. que ptolongam o grupo dos dialectos cefttro-rneridionais. Quanto "à nronotongagdo dos ditongos decrescentes [o*] e [ej]. Os dialectos falados nos arquipélagos atlànticos dos Agores e da Madeira represent como era de esperar da história do povoamento destas ilhas. flfailw] por fla (confundindo'se portanto. os seus dialectos apresentam caractedsticas fonéticas singulares. os mais catactedsticos de enue os tragos que afastam os seus dialectos dos das outras ilhas coincidem. Com efeito. distinguem a rcgiào da Beira- -Baixa e do Alto-Alentejo (e também. curio- samente. mas a redugào de t"il a [. Assim. No que se refere àr ilha de Sao Miguel. Q avogalfnal grafada -o cai ou reduz-se a lal: cop(a). b) o antigo ditongo oil ptoîvtrcia-se como lófz pòca. fllcwa] por laa. pouco.
-a t I ì I LIMITES COM O ESTRANGEIRO . -Òat-. NOVA GRÀMTTICA I'O PORTUGTTÉS CONIEMPORANEO .'! .. -- -.l xonoesriruo.ì t- '. ..:. \ ).. t TERRTTORIO tNCARACTeníSrrCOi rt t 1t II BAIANO .z-t-'--r-2r- | -r-.al . 'r rt .ll i lt. LIMITES ESTADUAIS L|MITES DOS SUBFALARES - Areas lingulsticas do Brasil ldivisào proposta por Antenor Nascentes) 20 ...!.1...
h* rrramos aqui orer"ncro Nasceotes denomina suBFALAR.-Sim6es. 2t .4!!oto de tm atlas tingaktico de ùíinas Gerait. sobrelevar pela indiscutlvel autoridade de quem a fez. mais ou menos.Ecro pelas nz6es aduzidas no C. a insuficiència de informagóes dgorosamente cientlficas sobre . 1963. Emptegamos o termo Drar. é posslvel distinguir dois grupos de dialectosl2 brasileiros do Norte e o do sul-. propostas com cardcter provisório. tendo em cona dois tragos fundamentais: -o a) a abetttrra das vogais pretónicas. Rio de Janeiro. r953. morfo-sintóctica e lexical que separam as vadedaàes regionais nele existentes nào permite classificó-las em bases semelhantes às que foram adoptadas na classificagào dos 4ialectos do pornrguès europeu.et al!.apítulo t e p^t mantefinos o paralelismo com a designagào adoptada p-ara as vatiedades regionais'pototg.o edigào completamente rcfundida. Esta zona se estende. Atkt prfuio ù-s falares baiarcs. MEC/INL. nos dialectos do Norte. z. t. fala <descansadu no Sul. e Nelson Rossi. Entre as classificagóes de conjunto. -MEC/CasaJo-séRibeiro. A" q""-. ^ A fronteira entte os dois grupos de dialectos passa por (ctrma zona que ocuPa uma posigào mais ou menos equidistante dos extremos setentrional e meridional do pals. còrrer pot correr. até a cidade de Mato Grosso. bem como a elabotagdo de algumas monografias dialectais sào passos importantes no sentido de suprir a lastna apontada. A base desta proposta reside no caso do portugués europeu em diferengas de pronrincia. contudo. - De acordo com Antenor Nascentes. com a colaboragàode um grupo deprofessotes da Uni- vemidade Fedetal da Bahia.ó RíoteJaneiro. Deve-se reconhecer. no Estado do mesmo nome>> 13.. P: zj.r dif"iengrs de natureza fonéuca. itr""t""teiistica t 6tea com- "orr'.o ao extenslssimo teritótio brasileiro da lfngua portuguesa. DoMfNIo ACTUAL DA LÍNGUA PoRTUGUESA Os dialectos bmsileiros. 11 Elabotado pot-Nelson Róési. que a publicagào de dois atlas prévios regio- -o do Estado da Bahiae e o do Estado de Minas Geraisl0-s a aflrn- nais ciada impressào do ió concluldo Atlas dos falares de Sergipel l. a de Antenor Nas- centes' fundada em observagóes pessoais colhidas nas suas viagens por todos os Estados do pals. entre Espfuito Santo e Bahia. Rio de Janeiro. ry77. Com f3laEà. ""1. €o pala- vras que nào seiam diminutivos nern advérbios em -mente: pègar por pegar.id"r"o" Pleendida eotre a parte da fronteira boliviana e a ftonteita de Mato"1" Grosso com o Amazonas e o Patà.. 12. --11 4e Rui Batbosa/UFJF. b) o que ele chama um tanto impressionisticamente <cadència> da fala: foJa <<cantada>> no Norte..r"r. Por ser quàse despovoada. O tingrajar carioca. da foz do rio Mucuri. 13 Antenot Nascentes.
y'(B) . *4o7rn..nr (a) -_J \ / *e.'^'/o tù .arl*rfla. sll*u e rar -n. l9 *1.^r18.re 5ó. I \^^.l I i so.n.-ff*ra .l6ial rtt xa ! .n.#n. Por Nelson Rossi' Catta n. xli e talrèf . 5ùtxtrre/ xl *. GRAMITICA DO PORIT'GUÉS CONTEMPORANEO J-'''€#-' I g r. rr.* | \36u ièirrèi (A) \ \.. ^lo7ro.7$.rl (A) 1l t itlrt/lcrfc o"'. xiî --t fo tie'n ( . I iir 3{ nif .0.eolr.. 91rnt( *. *aÍta. "l tar 1lh l.ri (o 'n'f*" r e *03.n.ró.À . Galinha d'Angola \ *2.li1a d?.ne f éur. (Út"Yi.r. léÍ / '.nr /x:. 0 l. ( e r. ^" r..o r 14 .ra (B) Atlas prévio dos falares baianos.*r.^?t/'o .A. uX .rn da i.rti ) Caqtid ) I *. 9 rlr ter "ttl \ xa (Bì / t2/ ..î) sè rur€ / r r I iò (A) ^t./ rtrtsù xur -L) so .J*-(: *r.e 12 (B) ieit rei n . g-a.er.. '-il. / 43 rE.. "'e .*o n Itt"' Saq0é Coca(r) ì Gulné Quenquém ) "/ x7.r)ria(A) sètxd€' / {9D r? | i0'. rtèîl I ro r. l3'rr {at n.tge *!l*.(a) ./Ja.n1qr.'.iò (a) Conqudm /.cY.n.../r.r e \D LY I | € {8D zzW sòtrure It I rÀr 33 2l 1 r6.lîa da rlt(s) 3l r2rtl .. NOV.oll*.nc ef.
numa profunda transformaEào da fonologia e da morfo-sintaxe do por- tuguès que lhes deu origem. Talvez todas elas derivem do mesmo pRoro-cRroulo ou r. -. dois tipos de variedades: as cRrouLAS e as NÀo-cnroulas. também. mas com algumas caracteústicas comnns ou. podem ser distribuldos especialmente em très grupos: r. /) o sulrsrA. da Malósia. E quatro no grupo Sul: a) BArANo. O grau de afastarnento em relagio à llngua- -màe é hoje de tal ordem que. como resultados muito diversificados. com as duas vade- dades: a) de Barlavento. Sal e Boavista. Maio. Sào Vicente. FRANca que. Revelarn. Sào Nicolau. é necessório distinguir. b) o NoRDEsrrNo.frfrica. a) o rvrnwrno. Os crioulos de origem porhrguesa em Afúca. que as condigóes peculiates da fotmagio lingulstica do Brasil revelam uma dialecualizaEdo que nào parece tàro variada et5. & Pérsia. No estudo das formas que veio a assumir allngaa portuguesa em .ÍNcue ftl. da fndia. pelo rnenos. E enumera dois no gruPo Norte: a) o auazóNrco. na Asia e na Oceànta. Assinale-se. com sistemas lingulsticos indl- J genas. os crioulos devem ser considerados como r. distingue Antenot Nascentes diversas variedades a que chama suBFALAREs. O portuguès de Africa. Apatecem- -nos.as resultam do contacto que o sistema lingulstico portuguès estabeleceu. mais do que como DrALEcros.fNcues derivadas do porruguès. ao sul. por fim. b) o nruMrNENsE. da Aróbia. Fogo e Btava. que sào os de maior vita- lidade. acnralmente. durante os pdmeiros séculos da expansào porfirguesa. usada nas ilhas de Santo Antào. 23 .o intensa corno a porhrguesa. da China e do Japio. b) de Sotaveflto. comer- ciantes e missionórios ao longo das costas da Africa Ocidental e Oriental. Crioulos do Arquipélago de Cabo Verde. As variedades cnrour. ao norte. a p^ttit do sécrrlo XV. da Asia e da Oceània. sewiu de meio de comuntcaEào entre as populagóes locais e os navegadores. utilizada nas ilhas de Santiago. pteliminarmente. estas condigóes que a referida dia- teúaltzagào é muito mais instóvel que a europeia. DoMÍNIo ACTUAL DA LÍNGUA PORTUGIJESA Em cada grupo. paralelas i[ue se rnanifestam .
de alguns dos modefnos escfitores desses palsesl5. b) do Pdncipe. mas as variedades fatadas por uma parte da populagào destes Estados e. c) de Ano Bom (ilha que pertence à Guiné Equatorial). .de Jacatta. Lsandino I t Vieira.. malaquenlto. Crioulos das ilhas do Golfo da Guiné: a) de Sào Tomé.NovA GRAM. de Cabo Verde. hó que considerat ndo só a pre- senEa do pornrguès que é allngua oficial das repúblicas de Angola. d) os de Chaul. nala' gueiro. mahquîs.C. Porto.n L'oeuorc littérairc de I-aandino Vieira. e a de Salvato Ttigo. ainda nào foram suficientemente observadas e descdtas. a tese recente de"À{Èhel Lab'drt. serani. conhecido pelas denominagóes de papió cristà0. ryAr. sobrevive ainda o crioulo de Tugu. locdidade perto. Na Oceània. Tomé. r98t. Brasília Editora. bahasa geragail e portugués basu. no entanto. embora muitas delas tfanspafel mî obff.p1io de Janeiro. Herculano de Caóathó. 17. nalaquense. Quanto às variedades NÀo-cnroulAs.íé deles. na Oceània. veia-se Celso Cunha. na ilha de Javat+. do maior significado. ainda falado por algumas faml- lias de Hong-Kong. 14 Sobte o estado actual dos crioulos portugueses..t Do PoRTucuÉs coNreùrpon. . onde se re-metg à bibliografia_especializ'ada. r-r5. nagdo. ì 15 Sóbre alinguigem. de S. p. c) o de Sri-Lanka . que divergem de tegiào pata rcgido.". Deux langues créoles: le criól du Cap Vert et lefoto i ""1"-r". Diu e Macau. o3gs9lan9 Luandino Vieita.se de um porcuguès com base na variedade europeia. Crioulos continentais: a) da Guiné-Bissau. Estas caraúeústicas. tam- bem. alic- nagào. aindalJosé é. Damào. e a que nào faltam algumas caractedsticas próprias oo asPecto fono- lógico e gramaúcal. ! I Lt I 24 I 3 1 j' I I . na Asia. em Biblos. r98r.A'Nso 2. macaísta ou macauenho. e Timor. falado por famllias de V"lpi* e Batticaloa. mas rnais ou menos modi- ficado. Trata. Dos crioulos da Asia subsistem apenas: a) o de MaLaca. sobretudo pelo emprego de um vocabulório proveniente das llnguas nativas. b) de Casamance (no Senegal). Nova Fronteira.Trc. da Guiné-Bissau. Paris 1979 (tese -do i 3f "iao apresentada em ry1g à Univetsidade de Paris-sotbonne). no território da Uniào Indiana. o logoteîa. + v. Llngua. Cananor e Cochim. b) o de Macau. j7-ró6. Korlai. de Goa. de Mogambique e de Sào Tomé e Pdncipe. Tellicherry.