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Conceito de Maitland

Elisa Rodrigues
Porto, 2017

Conteúdos
Introdução ao Conceito: Componentes
fundamentais – central core, modo de
pensar baseado na “parede de tijolos”
permeável, exame - avaliação analítica e
planeamento, diagramas, graus de
movimento, ritmos e técnicas de
mobilização.

The International Maitland
Teachers’ Association (IMTA)

• Como um processo de exame, avaliação e de
tratamento do sistema neuromusculo-
esquelético feito pelo fisioterapeuta.

(Hengeveld 2002, cit in Hengeveld e Banks 2005)

. CONCEITO DE MAITLAND • Baseado na resposta da dor (sua qualidade e comportamento) proveniente de movimentos e posturas.

/manipulação • Dar sentido aos • Meio para atingir factos um fim • Avaliação contínua • Efeitos e reavaliações desejados .COMPONENTES FUNDAMENTAIS Conceito de Maitland Modo de pensar • Parede de tijolo • Evidência clínica • Palavras apropriadas Contexto Exame • Paradigma • Multidimensional • Prática baseada na • Perfil clínico evidência • Movimentos • Maximizar • Inabilidades movimento • Hipóteses PACIENTE Técnicas Avaliação • Provas clínicas • Comparação • Mob.

CONCEITO DE MAITLAND .

Dois compartimentos modo de pensamento Teórico Clínico .

“Parede de tijolos” permeável Teórico Clínico Diagnóstico História • Anatomia Sintomas • Neurofisiologia Sinais • Biomecânica • Patologia .

“Parede de tijolos” permeável Teórico Clínico Diagnóstico Factos Hipóteses História Especulações Sintomas … Sinais .

CONCEITO DE MAITLAND • O conceito assenta em parte na relação movimento articular / resposta da dor. . assentando a outra parte na avaliação analítica.

AVALIAÇÃO ANALÍTICA • Avaliação analítica na 1ª consulta • Avaliação pré-tratamento • Avaliação e reavaliação durante e imediatamente após cada sessão de tratamento • Avaliação prospectiva • Avaliação retrospectiva • Avaliação analítica final .

subjetivo e cit in Hengeveld e Banks objetivo 2005) • Provar o valor da • Efeitos Exame Técnicas técnica desejados • Comparar o efeito do tratamento • Meio para atingir • Antes da sessão um fim • Durante a sessão • Seleção e • Imediatamente após o progressão tratamento baseado na • Periodicamente após avaliação e 3/4 sessões reavaliação • Retrospetivamente detalhada • Avaliação analítica final • Prognóstico/resultados .• Avaliação • “Dar sentido aos analítica inicial Avaliação analítica factos” • Hipóteses • Um passo de cada vez • Padrão de reconhecimento Avaliação/reavaliação • Pensamento subjacente na • Estabelecer os prática clínica ** no exame (Higgs SJ. Jones M 2000.

sendo que a avaliação analítica é a pedra base do conceito.• A relação entre as técnicas e avaliação colocando a área teórica e clínica em correta inter-relação visualizando a parede permeável de tijolos. . • Avaliação e avaliação analítica – validação a cada passo.

• planeamento. EXAME • O exame divide-se em três partes: • subjetivo. • objetivo. .

EXAME SUBJETIVO (Questão inicial) Condição em saúde Área dos Comportamento dos Questões História Sintomas sintomas Especiais Diagnóstico História passada História presente Fase da condição em saúde Estabilidade da condição em saúde .

EXAME SUBJETIVO • Determinar o problema do paciente. • Gerar várias hipóteses . na perspetiva do paciente. • Determinar precauções e contraindicações ao exame objetivo e tratamento. • Definir os parâmetros subjetivos (**) os quais servem de procedimentos de reavaliação.

e que leva muito tempo a desaparecer (5 minutos a 1 hora). . parestesia ou adormecimento. EXAME SUBJECTIVO • Noção de Irritabilidade • É definida quando uma atividade ligeira provoca muita dor. desconforto.

EXAME SUBJETIVO (Irritabilidade)

Que atividade/
movimento agrava o
seu sintoma?

Sim Sim

Quanto é Por quanto
que agrava? tempo?
Sim

EXAME SUBJETIVO

• Noção de Severidade
• É definida como o grau em que os sintomas
restringem o movimento/função e está relacionado
com a intensidade dos mesmos
• A atividade que provoca dor tem de ser interrompida
e usualmente não se pode iniciar novamente devido à
intensidade da dor
• A dor pode parar rapidamente depois de parar a
atividade

EXAME SUBJECTIVO

• Noção de Natureza do problema
• inclui considerações tais como:
• processos patobiológicos conhecidos
• fatores que contribuem como a osteoporose
• fase de cicatrização
• a estabilidade do problema (piora, melhora, sem
alterações)
• e / ou comportamentos de evitamento por medo
ao movimento

Implicações da Severidade e da Irritabilidade no exame EXAME Amplitude dos Número de Condições testes testes a realizar Perto do limite IRRITABILIDADE activo Alguns testes (Antes de D1) Standard sem SEVERIDADE Até ao limite “overpressure” .

PLANEAMENTO (3 fases) • exame completo • Reflexão • precauções e contra-indicações • reavaliações subjectivas • mecanismo patobiológico • fontes do problema • Levantamento de hipóteses • factores que contribuem • precauções e contra-indicações • intervenção • antecipando possíveis achados • dosagem ou extensão dos • Planear os procedimentos do procedimentos do exame exame • sequência dos testes e reavaliação .

EXAME OBJETIVO • Reproduzir os sintomas do paciente produzindo um sinal comparável • Detetar movimentos anormais e direções do movimento (disfunções) • Diferenciar componentes do movimento atingido (disfunção) – diagnóstico do movimento • Avaliar as estruturas – diagnóstico estrutural .

• Comparar as respostas dos movimentos articulares com e sem compressão • Diferenciar os movimentos articulares dentro de um complexo articular • Estabelecer o sinal “objetivo” • Elaborar o diagrama de movimento . EXAME OBJECTIVO • Observar e testar atividades funcionais • Palpar os tecidos moles • Testar os movimentos passivos fisiológicos e acessórios isolados e combinados.

construídos a partir de um movimento passivo. • São normalmente. DIAGRAMAS DE MOVIMENTO • São gráficos que descrevem um movimento de uma articulação. . mas também podem ser usados para registar a reação dolorosa num movimento ativo. resistência sem espasmo (R) e o espasmo muscular (S). mostrando a resposta de dor (D).

irritabilidade e a qualidade da natureza do problema . DIAGRAMAS DE MOVIMENTO • AB – é a amplitude de movimento selecionada para o diagrama • A – qualquer posição na amplitude de movimento • B – é a área de resistência que se encontra no fim da amplitude de um movimento normal • AC – representa a quantidade de severidade.

Diagrama de movimento DOR .

Diagrama de movimento DOR .

Diagrama de movimento RESISTÊNCIA .

Diagrama de movimento ESPASMO .

Diagrama de movimento ESPASMO .

Diagrama para articulação Hipermóvel C D A B H .

mas não chega ao limite do movimento. • Grau IV – é um movimento de pequena amplitude no final da amplitude de movimento e até ao limite desta (dentro da resistência). GRAUS DE MOVIMENTO I III II IV A II . II + B • Grau I – é um movimento de pequena amplitude no início da amplitude de movimento. . • Grau III – é um movimento de grande amplitude que vai até ao limite da amplitude de movimento (dentro da resistência). • Grau II – é um movimento de grande amplitude que ocorre dentro do percurso.

A = início restritas. Z = limite normal do patológico. L = limite patológico. GRAUS DE MOVIMENTO I III III II IV IV L A B Z A L B Graus de movimento numa Graus de movimento numa articulação com amplitudes articulação hipermóvel. . A = início da da amplitude de movimento. B limite anatómico. B = amplitude de movimento. L = limite = limite anatómico. paciente numa articulação hipermóvel.

C D Avanço Avanço S I 1/2 1/2 N Retrocesso Retrocesso Tempo do movimento Tempo do movimento A 1/4 1/2 3/4 B Ritmo do Movimento Lento Rápido Mantido Suave Staccato .

/Acessórios Combinados . Movimentos Passivos Movimentos Movimentos Fisiológicos Acessórios Movimentos Movimentos Movimentos Fisiológicos Combinados Acessórios Combinados Fisio.

PAPEL DOS MOVIMENTOS PASSIVOS • Aliviar a dor • Aumentar a amplitude • Reduzir o espasmo muscular .

sem alterar a regra da precisão. TRATAMENTO • As técnicas devem ser aplicadas e registadas corretamente de forma a poderem ser repetidas com precisão. • Podem ser modificadas livremente de modo a irem de encontro às necessidades do paciente. .

TRATAMENTO • Dor ao longo da amplitude de movimento – Grandes amplitudes – Entrar no desconforto – Aumentar a velocidade da oscilação mantendo a suavidade – Ligeiro staccato • Dor latente – A técnica deve ser mantida igualando o tempo de latência .

TRATAMENTO • End of range – Exemplo: T8 hipomóvel • Mobilizar a vértebra acima e abaixo (4oscilações em T8 e em T7. novamente 4 oscilações em T8 e 4 emT9) .

a II+ Patologia intra-articular II.Graus de movimento em várias condições Condição Graus utilizados “Dor ao longo da AM” II.a III ou III- Dor no final da amplitude IV a IV+ ou IV++ II ou III. .a III ou III+ Dor resultante do tratamento sem dor Legenda: AM – amplitude de movimento.

Seleção das Técnicas REGIÃO CERVICAL SINTOMAS SINTOMAS UNILATERAIS BILATERAIS PA unilateral = rotação PA central PA unilateral (2 lados) Tração Movimento longitudinal Flexão lateral ou transverso Tração Rotação .

. Cefaleias • Se C2-C3 (+) envolvida deve-se diferenciar de C1-C2 • Se C2-C3 é a origem C3-C4 está envolvida • PA unilateral com 30 a 40º de inclinação medial do mesmo lado.

REGIÃO TORÁCICA Potencial origem de sintomas viscerais Costelas como possível fonte de sintomas relacionados com a respiração A sua influência na estabilização postural dinâmica da cintura escapular Irritação mecânica das cadeias simpáticas na produção de sintomas diretamente relacionadas com as costovertebrais Efeitos da cirurgia cardíaca e da torácica nas estruturas musculoesqueléticas .

Seleção das Técnicas REGIÃO TORÁCICA SINTOMAS SINTOMAS UNILATERAIS BILATERAIS PA central PA central Transverso Transverso (2 lados) PA unilateral Tração Tração .

Seleção das Técnicas REGIÃO LOMBAR SINTOMAS SINTOMAS UNILATERAIS BILATERAIS Rotação = PA PA central unilateral Rotação Lombar Lombar Superior Inferior Lombar Lombar Superior Inferior Transverso Tração Transverso Tração Tração Movimento longitudinal Movimento Tração 26/05/2017 46 longitudinal .

SELEÇÃO Mobilização Execução e Duração do Qual a Posição para ou duração da tratamento técnica a técnica Manipulação técnica .

grupo 2 = SIN baixo. Grupo 3 e 4 = SIN médio . GRUPOS DOR RIGIDEZ e DOR RIGIDEZ (grupo 1) (grupo 3) (grupo 2) DOR e RIGIDEZ RIGIDEZ e DOR (grupo 3a) (grupo3b) DOR MOMENTÂNEA (grupo 4) Legenda: grupo 1= SIN alto.

DOR Acessórios Fisiológicos se o paciente apresenta dor no princípio se o paciente apresenta dor depois da amplitude (até aos 60%) nos dos 60% da amplitude nos movimentos activos anti-gravíticos. movimentos activos anti-gravíticos. sem dor. Severa Irritável Selecciona-se o movimento fisiológico Selecciona-se o movimento ou acessório (dependendo da (fisiológico ou acessório) que tem amplitude disponível) que melhor uma maior amplitude disponível reproduz os sintomas. .

. • Como um fator limitante da amplitude disponível • Movimento passivo: fisiológico o mais restrito e doloroso • Posição confortável: no limite da amplitude • Grau IV mantido • Duração: 1 a 2 minutos ou mais. ESPASMO • Como resposta ao movimento – movimentos suaves dentro da amplitude evitando provocar o espasmo.

1 oscilação em cada 2’’ • Nº de repetições: 2 a 3 mobilizações por sessão • Duração: de 30’’ a 2 minutos • Tratamento diário . TRATAMENTO GRUPO 1 • Movimento passivo: acessório ou fisiológico • Posição: amplitude disponível livre de dor • Grau: I e II (AM pequena. se a dor é muito irritável ou começa muito cedo ou se aumentar rapidamente) • Ritmo: suave • Velocidade: Lenta.

alternado com os movimentos acessórios possíveis de realizar no máximo dessa amplitude fisiológica. . Resistência • Seleciona-se o movimento fisiológico que permita restaurar a amplitude funcional mais importante para o doente.

TRATAMENTO GRUPO 2 • Movimento passivo: fisiológicos e acessórios alternados • Posição: no limite da AM • Grau: IV (Pequena AM intercalada com movimentos de grande amplitude se a dor aumentar) • Ritmo: staccato • Velocidade: 2 a 3 oscilações num segundo • Nº de repetições: 3 ou 4 vezes na sessão inicial ou mais vezes enquanto o efeito desejado estiver a ser produzido • Duração: aproximadamente 2 minutos cada • Tratamento dias alternados .

. TRATAMENTO GRUPO 3A • O tratamento inicial é similar ao grupo 1. • A exceção ocorre quando se passa de movimentos acessórios para fisiológicos a regra a utilizar é quando a amplitude livre de dor é 60% da amplitude disponível de rigidez. • Quanto mais facilmente a dor é provocada. menos tempo deve durar o tratamento e mais suave deve ser a técnica.

• Exceção. a dor sentida durante o movimento deve ser respeitada. TRATAMENTO GRUPO 3B • O tratamento é similar ao grupo 2. Quando a intensidade da dor aumenta esta pode ser aliviada com movimentos de grande amplitude .

TRATAMENTO GRUPO 4 • Movimento combinado fisiológico ou acessório que reproduz a dor do paciente • Posição: no limite da AM • Grau IV ou III • Duração: diversos minutos .

tratar como uma articulação normal ou como um problema da coluna • Se a mobilização não tiver êxito a manipulação no nível afetado pode ser necessária .TRATAMENTO GRUPO 5 – Artrite facetas articulares • Ocorre dor ao longo da AM • Tratamento igual ao Grupo 1 .Dor • Deve ser tomada uma decisão quanto ao tratamento.

RESUMO DO TRATAMENTO DA DOR E DA RESISTÊNCIA .

. PROGRESSÃO DO TRATAMENTO • REPETIR a técnica • Se os sinais e sintomas continuam a melhorar. • Se consideramos a condição do tipo de “evolução lenta” e assim está a acontecer. • Se o diagrama de movimento está a modificar para melhor.

• Se inaceitável para o doente. .PROGRESSÃO DO TRATAMENTO • ALTERAR um componente da técnica • Em casos de dor modificar o ritmo se estiver a ser demasiado rápido ou staccato. • Se procuramos sinais e sintomas. ou se estiver a ser demasiado lento e suave em casos de resistência ou fim da amplitude.

PROGRESSÃO DO TRATAMENTO • ADICIONAR outra técnica • se a técnica está a surtir efeito mas a certa altura não progride mais. • se se trata duma articulação globalmente “rígida”. . talvez necessite do somatório de um certo número de técnicas.

• Se o doente piorar. • Se considerarmos a condição do tipo de “evolução rápida” e está a ser lenta . • Se for inaceitável para o doente. PROGRESSÃO DO TRATAMENTO • MUDAR de técnica • Se não estiver a produzir efeito.

. PROGRESSÃO DO TRATAMENTO • PARAR o tratamento • Quando já fizemos tudo e não conseguimos resultados eficazes. • Quando os sinais neurológicos distais pioram ou surgem. • Quando solucionamos o problema.

P – pior. – sem alterações.A.A. Pode ter passado de severo P P Alterar ou Mudar para irritável. S.A. Alterar* tratamento. Repetir S.A. S.A. 2ª SESSÃO DE TRATAMENTO SINTOMAS SINAIS PROCEDIMENTOS NOTAS M S. Repetir * Quando se quer introduzir Repetir ou uma alteração num P S. é a primeira coisa que fazemos numa sessão. . Legenda: M – melhor.

. 3ª SESSÃO DE TRATAMENTO SINTOMAS SINAIS Condição PROCEDIMENTOS ADICIONAR outra M M Severa técnica ALTERAR um M M Irritável componente Legenda: M – melhor.

Avaliação para auxiliar no diagnóstico diferencial ombro/cervical (?) ombro cervical Se melhora ambos – continua tratamento Se não melhora ombro com 3 sessões utilizando todas as possibilidades de tratamento parar e iniciar tratamento do ombro e analisar até que ponto a cervical está envolvida. .

• Deve ser elaborado o diagrama do movimento. • Devem-se registar os tratamentos executados. REGISTO DO TRATAMENTO • Deve ser feito no “body chart”. .

REGISTO DO TRATAMENTO D1 aparece 1º .D2 D1 Constante • Área dos sintomas Profunda • Profundidade D2 Intermitente Profunda • Natureza √ √ • Comportamento √ √ √ • Cronologia dos Formigueiro sintomas • D1 >D2 • D1 ↑ aparece D2 • Fácil reproduzir os sintomas .

Local. nível “Marca subjetiva” 3. Duração 5. Técnica 2. REGISTO DO TRATAMENTO Tratamento Efeito após tratamento 1. . Efeito durante a técnica Exame objetivo “marca objetiva” Plano para o novo tratamento: Descreva o motivo de qualquer possível alteração do tratamento e anote tudo o que se lembrar para o tratamento seguinte. Grau 4.

e English K. 4ª edn. Peripheral Manipulation. 2005. 7ª edn. 2005. . • Hengeveld E. Banks K. Vertebral Manipulation. Oxford: Butterworth-Heinemann. Bibliografia • Maitland GD. Oxford: Butterworth- Heinemann. Hengeveld E. Banks K.