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PATRIMÔNIO CULTURAL URBANO

:
ESPETÁCULO CONTEMPORÂNEO?

de urbanidade, pode-se questionar a
própria pertinência, hoje, dos
Uma reflexão mais complexa e instrumentos de preservação do
crítica sobre a noção de patrimônio patrimônio urbano e suas implicações
cultural e as práticas de intervenção sociais, culturais e urbanísticas. A
urbana que lhe são tributárias toma-se questão mereceria ser revista de forma
cada vez mais urgente com relação às mais aprofundada e teórica. O que são
cidades contemporâneas. Através da exatamente esses patrimônios urbanos
discussão das idéias e ideais ou ambientes culturais contemporâneos
contemporâneos tanto de cultura quanto a serem ou não preservados e
requalificados? O que significa a atual
"patrimonialização" ou "museificação"2
A competição local por turistas ou das cidades? E o que dizer do uso
contemporâneo que se faz da cultura
empreendedores estrangeiros é acirrada. como estratégia principal dos novos
As municipalidades se empenham para projetos de revitalização urbana?
Nos últimos vinte anos, vêm se
melhor vender a imagem de marca da sua acentuando, em todo o mundo, iniciativas
cidade, em detrimento das necessidades da que podem ser classificadas de
"culturalização" (MEYER, 1999) ou
própria população local, ao privilegiar
"musealização" (HUYSSEN, 2(00) das
basicamente o visitante, através de seu cidades. Essas intervenções, muitas vezes,
maior chamariz: o espetáculo. O se iniciam por uma patrimonialização ou
museificação das próprias cidades, ou de
patrimônio cultural urbano passa, assim, a seus centros ou monumentos ditos
ser visto como uma reserva, um potencial históricos, tendo em vista uma
revitalização urbana que possibilitaria uma
de espetáculo a ser explorado. efetiva inserção dentro de uma
competitiva rede global de cidades ditas
culturais ou turísticas.
A referida culturalização das
cidades contemporâneas, ou seja, a
utilização da cultura como instrumento
de revitalização urbana (JACQUES,
V AZ, 2001), tão em voga hoje, parece
fazer parte de um processo bem mais
vasto de utilização da cultura como
instrumento de desenvolvimento
econômico, o que Otília Arantes
• Professora da Faculdade de
classificou de " culturalismo de
Arquitetura da UFBA mercado" (1998) ou de "uma
paolabj@ufba.br estratégia fatal" (2000). Esse processo

Essas duas correntes particularismo" ? (FERNANDES. cada vez mais sobre as políticas culturais. sejam esses agências multilaterais ou outros. a mesma lógica de homogeneização. deveriam preservar a memória cultural de um lugar. vemsurgindo muitas vezes simultaneamente em uma mesma dos parques temáticos ou dos condomínios fechados. A promoção e a venda dessa contemporânea (JAMESON. se parecem cada Hoje. ao preservar áreas De fato. uma vez que essas áreas. visa. mercado internacional. ao turista internacional.sem a mesma preocupação social ou utopia cada vez mais entre si . muitas vezes. do pensamento urbano contemporâneo. genéricas periféricas. de se vender cidades? patrimonialização desenfreada -. aeroportos. com culturas distintas. dos shopping centers. provocando tanto uma museificação e slogans que marcariam um lugar singular no competitivo patrimonialização quanto o surgimento da cidade-parque. que não são adaptadas . o pastiche do espaço urbano. segue moeda: a espetacularização mercantil das cidades. tendem a um resultado bem cultura vem se destacando como estratégia principal da semelhante: a "espetacularização" das cidades revitalização urbana e a ênfase das políticas urbanas recai contemporâneas. sobretudo. pós-modernista tardia especificidade de cada cidade se encontra fortemente ligada ou neoculturalista.cidade-museu e imagens. assim como é semelhante ainda é mais inquietante. que também de cidade. um padrão internacional de imagem cidade. gentrificação5 das áreas como resultado. a anão-participação da população em suas formulações. então. imagem de cidade corresponde à venda da própria cidade FEATHERSTONE. como se fossem todos uma única construção de novos bairros ex-nihilo nas áreas de expansão imagem: paisagens urbanas idênticas.que se torna visível principalmente através das idéias de cidade? Um consenso mundial sobre um modelo de criar denão-cidade: seja por congelamento . com propostas preservacionistas para os centros fazem todas as periferias das grandes cidades mundiais se históricos. há um momento de crise da própria noção de vez mais. disputam turistas e investimentos estrangeiros. por exemplo. Esse modelo shoppings ou espaços terminais do capitalismo selvagem. é principalmente através dessa cultura comas culturas preexistentes e preconiza a petrificação ou própria que as cidades poderiam se individualizar. que curiosamente acabam se parecendo modernistas . 1992). na noção de como uma mercadoria. por conseguinte. a imagem de marca da cidade e.seriamais um reflexo de um período de globalização neo. Como a pretensa A corrente mais conservadora. radicaliza a preocupação pós-moderna a uma cultura local.pode ser explicada: cada vez mais dosprimeiros modernos -. que se tornam fontes para a especulação (KOOLHAAS. Esses particularismos geram históricos. HARVEY. Haveria. paradoxalmente. O que se vende internacionalmente é. A cidade-mercadoria funciona como patrimôniocultural (JEUDY. teriam influência no próprio conceito de cultura da identidade de uma cidade. e a princípio.as imagens de cidades. um espaço urbano espetacular.4 tipo. 1997. uma empresa. que se tornam receptáculos de turistas. principalmente dentro da lógica do normas de intervenção internacionais. 200 I). essas imagens de marca de cidades distintas. principalmente a idéia de Tabula essas cidades precisam seguir um modelo internacional Rasa e faz a apologia da grande escala (XU) e dos espaços extremamente homogeneizador. o que ocorre propostastambém são os mesmos. os atores e patrocinadores dessas No centro das cidades ditas históricas. apesar de Nesse novo processo urbano do mundo globalizado. planejamento estratégico. de alcance multinacional. 1995) e. nas políticas e nos projetos urbanos históricas de forte importância cultural local. e com a parecerem cada vez mais. ou talvez. cidades. a aparentemente antagônicas. basicamente. Muitas vezes. Essa imagem seria fruto de uma cultura própria. imposto pelos financiadores urbanos caóticos. 200 1). ou ainda dos sobrea cidade . existe uma clara intenção de se' liberal. retoma alguns princípios culturas distintas. pois seguem contemporâneos. 1992. reforçar ou até mesmo forjar uma imagem singular socioeconômicas pós-industriais mundiais. O as duas correntes antagônicas são faces de uma mesma modelo de gestão patrimonial mundial. que cidade.cidade Ou estaríamos diante de um tipo de "internacionalismo do genéricae urbanização generalizada. periferia mundial:junkspaces. ou ainda.e exige um certo padrão mundial. Como já ocorre com os espaços padronizados Essa quase esquizofrenia dos discursos contemporâneos das cadeias dos grandes hotéis internacionais. padronizado. de toda uma nação. geralmente periféricos ou de cidades da multinacionais dos grandes projetos de revitalização urbana. demonstrando que de uma população e. 1995). a princípio fruto de progressista.e não o habitante que também são mostrados de uma forma totalmente local. neomodernista. Essa exemplos típicos da cidade-espetáculo. seja por difusão . onde cidades do mundo todo temático e da disneylandização urbana (SORKIN.preservar o antigo ou construir o novo. principalmente de centros acentuando suas diferenças. uma conseqüência da evolução das estruturas mostrar. logotipos urbanos. cidades genéricas. imobiliária. das redes de fast food. A corrente dita contradição .

um potencial de espetáculo a momentos distintos. da história. fundamentalmente inter ou trans. de uma forma cada vez mais explícita. urbana ou preservado . Além disso. pois esses imagens de marca. que lhe garanta um lugar na massa e posteriormente dos próprios produtos ditos culturais. assim. em suma. principalmente as obras de culturas das mais diversas . passando a de consumo cultural urbano. manipuladas como trata aqui de uma proposta de classificação. como se parecem cada vez mais com seus próprios sistema "Beaux Arts" e que prioriza seu caráter artístico. onde o autor define as noções de "cultura-valor".em diferentes países "cultura" remete às obras de arte. tendo em vista principalmente a sua produção cidades é indissociável dessas estratégias de marketing e difusão em larga escala. mas alguns espetáculo. tendo em vista os momentos principais: o "patrimônio-estético". Essa centros históricos. (1993: 17) no texto "Cultura: um conceito reacionário?". nova geopolítica das redes internacionais. as franquias de museus passa a priorizar. é expulsa do local da intervenção. A partir do desenvolvimento. sobretudo. e visados pela mídia e pela indústria do turismo -. mercadológico. possui diferentes definições. seria possível identificar No momento inicial. pelo identitário. que está diretamente relacionado ao mais. para que possamos tentar identificar o seu rebatimento na própria O conceito de cultura. mas da própria população local. cartões-postais. a "cultura-econômica". estético. "cultura" passa a visitassem um grande e único museu (JEUDY. De uma forma geral. É um processo de "museificação" urbana em em seu sentido antropológico e etnológico. .o que a princípio deveria ser sociedade. Assim. A ser tudo aquilo que caracteriza um "modo de vida" de uma memória da cultura local . É evidente que se consideradas como mercadorias. municipal idades se empenham para melhor vender a imagem os próprios teóricos da cultura divergem não só na separação de marca da sua cidade. 2001). quanto os antigos a "cultura-étnica" e. Nessa nova lógica o conceito de cultura se alarga ainda mais. o com suas arquiteturas monumentais de "griffe" de arquitetos seu caráter mercantilista. portanto. passa a generalizar e globalizar a O processo contemporâneo de espetacularização das própria noção. por fim.de acordo com as singularidades locais. que corresponderia ao "patrimômio- alguns momentos-chave de definição do termo. três momentos-chave de passam assim a ser âncoras de megaprojetos urbanos compreensão conceitual de "cultura": a "cultura-estética". ao contrário. A abrangência do conceito se amplia até as noções cenários para turistas. que também passaria por três disciplinar. responsável e guardiã das de cultura popular. que também seguem um padrão ou melhor. Em seu estético". ou seja. em detrimento das necessidades das diferentes acepções do termo em cada momento. ou seja. como. ou seja. a própria população local. através da idéia vezes. as grandes vedetes são tanto abarcar também a idéia de cultura de massa. passando assim a incluir o seu caráter tradições culturais. Essas áreas não somente se parecem cada vez de cultura erudita. vernácula e.6 de cultura. que passam a ser requalificadospara se contextualização do conceito de cultura. basicamente. A competição entre cidades por turistas sentidos se misturam. O conceito se torna mais abrangente internacional. Não há propriamente um consenso. inseridos nos novos planos estratégicos. através de seu maior chamariz. O patrimônio cultural urbano passa. dos meios de comunicação em nova imagem para a cidade. o "patrimônio- diferentes campos disciplinares que o contemplaram ao longo étnico". Em para fins econômicos. em um claro melhor entender o processo atual de utilização da cultura fenômeno de "disneylandização" urbana generalizada. ao privilegiar basicamente o também na própria di visão histórica dessas diferentes noções visitante estrangeiro. "cultura-alma PATRIMÔNIO EM TRÊSMOMENTOS: ESTÉTICO. O conceito os novos equipamentos culturais. esse modelo sentido mais clássico e. então. O entendimento do conceito se restringe à idéia entre si. é fundamental para que se possa ou "shoppings culturais" para turistas.cada vez mais especulares econômico. E o mais grave: na maior parte das de cultura primitiva. Utilizamos essa distinção EECONÔMICO em três momentos como uma hipótese de trabalho. o de cultura. do "star system" internacional.perde-se em prol da criação de grandes rural. noção de patrimônio cultural. seja essa "civilizada" ou "primitiva". ÉTNICO coletiva" e "cultura-mercadoria". Félix Guattari ser explorado. ditas de revitalização. étnico. o conceito acaba tornando todas essas áreas . preservava-se basicamente obras de arte. que se insere no sentido conceitual resumo: tanto a cultura quanto a cidade passaram a ser classificado como "cultura-econômica". por exemplo. ao adotar a escala global: os turistas visitam o mundo todo como se acepção mais aberta do termo. Um conceito mais contemporâneo processo de gentrificação. que Haveria. a autores também situaram o conceito "cultura" em três ser visto como uma reserva. uma vez que esses momentos-chave ou empreendedores estrangeiros é acirrada e as são complementares e se sobrepõem no tempo. urbano. que buscam construir uma cada vez mais acelerado.cada vez mais semelhantes eruditas. mais restrito. apesar de transformarem em algo parecido com "parques temáticos" simplificada ao extremo. e o "patrimônio-econômico".

materiais. ser dividido em três tempos ou O terceiro e último momento.9 que foram um dos primeiros alvos de intenções É importante que se possa vislumbrar que o principal preservacionistas internacionais. berço dos bens lucrativo. por sua vez. Considera-se objeto de estudo étnico. continente que possui As críticas contra esse processo de utilização da cultura tradiçõesculturais milenares. Adorno e Mark Horkheimer. quaisapontam para essa ampliação do campo de atuação um incentivo à preservação popular e voluntária (de" baixo da patrimônio. período que ocorre a mercantilização do patrimônio. é o patrimônio cultural.a "cultura- No segundo momento. era vista como (SERAGELDIN et alii. cotidiana. obras de reconhecido valor e que eram julgadas sobre o turismo cultural de 1999. ainda muito presentes na vida simplesmente como vetor econômico já se fazem sentir há cotidiana e que.. os bens tombados eram de bancos internacionais na preservação de patrimônios obrasmonumentais. sendo o reflexão. Theodor W. "níveis territoriais da de preservação tanto cidades sem valor propriamente cultura". texto "A indústria cultural: o esclarecimento como seduzidos pelo patrimônio cultural local. oralmente. a preservação do patrimônio urbano PrimeiroCongresso Internacional de Arquitetos e Técnicos já é considerada por muitos empresários um empreendimento deMonumentos Históricos na cidade grega.seria o fato de iniciam-se as preocupações efetivas com a preservação da esse momento não se preocupar com as questões levantadas cultura popular. dita uma pura e simples diluição da compreensão de cultura e. Sacred Sites. A expressão hoje corrente de "indústria cultural". de 1944. não por acaso numa cidade na África. seriam: a "industrialização". ou. ainda segundo Guattari.ou. do patrimônio cultural. de 1964. a reprodução em série de bens . o "Monumenta". e seria possível traçar um rápido histórico do construídos. mas representativas culturalmente para uma são complementares e deveriam ser consideradas no determinadacomunidade ou região. na questão patrimonial. desprezando tanto o caráter diversas tradições culturais ou folclóricas. conhecida como Recomendação de Nairobi. As cidades e mesmo livros sobre o tema como" Historic Cities and tambémeram preservadas a partir de princípios artísticos.7 problema da terceira e mais atual categoria . não são bens algum tempo. Esses três novos momentos. os uma democratização da cultura . por esse também funcionam aqui como ferramentas hipotéticas de mesmo motivo. O texto visava a alertar sintomático dessa situação é a carta revisada do ICOMOS que a produção em massa. monumentos propriamente ditos ou urbanos: enquanto o World Bank financia projetos. que seria do "patrimônio-étnico". além de serem transmitidas pensamento teórico-crítico da noção de "cultura-econômica". que tem base no turismo cultural globalizado. O turismo cultural se foi originalmente utilizada pelos teóricos da escola crítica intensifica em todo o mundo e as cidades competem cada de Frankfurt. um monumento unitário e homogêneo programa internacional de revitalização de sítios históricos e. esvaziando. essas diferentes noções de cultura artístico. no vez mais para receber esses novos visitantes globais.assim sendo. históricos com fins comerciais. nos interessa particularmente. de 1931. ou seu centro histórico. Outro sintoma é o interesse esteticamente. e também teria reflexos na noção de "patrimônio-econômico". 2001). hoje. Os documentos mais expressivos dessa fase. Parcerias com o setor privado pela restauração de monumentos históricos. só o conjunto era julgado. são: a Carta Internacional sobre a para cima ") . da arquitetura dita vernácula e das mais pelos momentos anteriores. quanto obras ou práticas momento atual. imateriais. ocasião do segundo Congresso por conseguinte. e a Recomendação relativa à preservação deconjuntos históricos ou tradicionais e seu papel na vida CRíTICA EM TRÊS ~OMENTOS: INDU~TRIALlZAÇÃO. econômica das intervenções.nessa cidade conhecida internacionalmente como um cenário espetacular. Na realidade. quanto aquele identitário e massim étnica ou regional. ocasião do são estimuladas e. em escala industrial. . Internacional de Arquitetos e Técnicos de Monumentos banalizando essas noções e transformando o patrimônio em Históricos. que período que foi menos estudado e discutido e. cidade-museu. seminários obrasdeclaradas como monumentos históricos. preservar sem uma preocupação prioritariamente artística.corre o risco de se tomar cada vez mais conservação e restauração de monumentos e sítios. O documento urbanos. que exige a auto-sustentabilidade maisimportante dessa fase é a Carta de Atenas. o BID também lança um umaobra de arte em si. que principalmente por intermédio das revitalizações dos sítios liga a cultura à sua produção em massa. "sistemas de valor distintivos". Cultural Roots for Urban Futures " A cidade inteira.8 que poderia. Em sua maioria. a "espetacularização" momento central do questionamento ora proposto. que corresponderia ao temas principais. Um documento mistificação das massas". econômica" ou o "patrimônio-econômico" . ESPETACULARIZAÇAO E GLOBALlZAÇAO anunciada durante a conferência geral da ONU em 1976 e. a princípio. na maior parte das vezes. mas o que poderia e parecia ser. É nesse e a "globalização" tanto da cultura quanto do patrimônio. Passa-se a artístico e estético da noção. Cartade Veneza. além de ser o momento atual. segundo Guattari (1993: 17).

mas também dos valores ditos universais da cultura-estética. uma função da arte. ao mesmo tempo.continua ainda hoje pertinente. sobretudo se pensarmos na patrimonialização das cidades como uma "espetacularização" patrimonial. massificados. 10 contemporâneo do patrimônio cultural urbano. entre eles. A preservação do novos museus. o resultado disso é que os mais diversos movimentos de "contracultura" ou de culturas "alternativas casos de patrimônio universal da humanidade passam. pura identitários. Além de ser A crítica situacionista . ou até mesmo de estetização manter a especificidade cultural local e se manter dentro de do social (JEUDY. contemporânea. da arte. ser exposto em provoca uma estandartização das áreas urbanas museus ou tombado como patrimônio cultural. dos monumentos locais e. suas características estética" e que a cultura. Deveríamos estar atentos a Tanto o processo de industrialização quanto o de propostas alternativas. Com a globalização. 1981) da própria noção de cultura. principais de observação e análise mais apuradas constituem também poderia ainda ser rediscutida. principalmente. 1986). através de uma estreita ligação com a indústria do turismo em prol do puro mercantilismo da cul tura-econômica. hibrídas e não generalizantes. Os outros pontos são . aqueles que formaram a base até dizer que a atual patrimonialização seria o culto teórica do movimento. Poderíamos contraculturais e. Como já vimos. econômica" emergente estava destruindo a "cultura. marcados consumidas globalmente. anunciados por Adorno e de Carlos Nelson Ferreira dos Santos (1986). a cultura perderia.culturais. "Preservar Debord. cultura globalizada poderia ser vista como um simulacro relacionada à proliferação dos locais de memória ou (BAUDRILLARD. as duas atitudes são lados do processo de gentrificação. (ADORNO. quando tudo pode ser declarado um padrão global. que a princípio suscitava antagônicas de singularidade e de universalidade. uma vez que essa um convite à reflexão. a manifestação estudantil de maio que o turismo cultural atual seria o equivalente de 68 em Paris. Tratar-se-ia de uma fase de desestetização patrimônio cultural urbano passa a ter de. de uma só vez. por conseguinte. de diferenças e singularidades da cultura-étnica. sugerida por Adorno. cada ou marginais". de representação e imagem de si mesma. a participação social. renovar não é pôr tudo abaixo". diversão uniformizada pela cultura dominante mundialmente. principalmente por causa "destruir tudo". entre outros . HORKHEIMER. uma transformação de patrimônios urbanos em cenários comerciais. O texto espetacularização da cultura. passou. 1985: 126). de uma mesma moeda. sobretudo. Essa cultural. preservadas. mundialmente pela organização das "minorias culturais". é um bom desenvolvimento contemporâneo do processo de exemplo de uma mediação possível. Um dos postais. A esclarecimento através da experiência estética das obras globalização dos mercados implica uma concorrência entre de arte. O que como um valor cultural e. os situacionistas. uma dissolução da especificidade local em prol A crítica à "espetacularização" da cultura (e também da padronização de imagens turísticas para serem das cidades) se inicia basicamente nos anos 1960. uma globalização da economia. a preservação do patrimônio cultural urbano teorias de pensadores como Michel de Certeau e Jean também é um ponto nevrálgico no debate sobre a cidade Baudrillard. pelos Como já vimos. urbanos ditos históricos passam a se valorizar cada vez mais. superficialidade e ao pastiche cultural. A indústria do patrimônio estaria. ou seja. tendendo arte foram simplificadas para sua melhor difusão e consumo para a produção de uma cultura globalizada. Mostrava ainda que a "cultura. só se acentuam cada vez mais com o não é tombar. a partir do momento em que as obras de todos os produtores mundiais de bens culturais. O primeiro diz respeito à citada " espetacularização " do espaço urbano tende a ocorrer dicotomia entre os discursos preservacionistas e "neo- quando não há uma apropriação efetiva desses espaços liberais". a ser puro entretenimento.que possui raízes na "Crítica da uma questão central no debate sobre a cultura vida cotidiana" de Henri Letebvre e vai ter reflexos nas contemporânea. colocava em perigo a própria criação artística. A problemática principal desse momento atual seria o Poderíamos efetivamente pensar em termos de uma esvaziamento do conceito de cultura do seu caráter "indústria patrimonial" a partir do momento em que os sítios identitário. uniformizador da cultura-econômica. ou seja. E o antídoto situacionista. assim. a sua tendência à além do puro prazer estético. Vários pensadores da dita "pós- vez que a preocupação era com a quantidade em vez da modernidade" denunciaram o caráter alienante e qualidade e que se acentuava. ou seja. entre a atitude "preservar tudo" e a de preservados pela população local. visando ao turismo internacional. através de uma pasteurização dos projetos de Três pontos de tensão que mereceriam ser alvos revitalização. reuniu vários grupos ditos revolucionários ou contemporâneo do "Denkmalkultus"ll moderno. pelas manifestações revolucionárias e pelas vez mais. a se parecer entre si e com seus próprios cartões- reivindicações sociais e culturais mais diversas. André Castel e Jean-Pierre Babelot (1994: 104) dizem maiores símbolos da época.

essas noções foram revistas na prática? Até que ponto urbanística propriamente dita. em um outro sentido. conseqüentemente. decorrente da naturalização das noções conceituais. baseados na apesar dajá mais que reconhecida especificidade cultural tríade cultura-Iazer-turismo. práticos. ou seja. tanto a complexidade cultural e social maiores interrogações dessas intervenções diz respeito à dascidades e sociedades contemporâneas. 2001) . de uma imagem de marca (KLEIN.12 Manter as pessoas significaria manter a questão. 200 I). em particular. emum ritmo bem mais lento no campo da prática profissional. conceitual que vem se processando nos últimos anos.onde a questão do patrimônio não conceitual e empírico. Como vimos. além de a cultura a formação de uma nova imagem urbana. Uma das intervenções urbanas. as tradições locais e. por exemplo. historicamente cultura urbana que a preservação do patrimônio urbano se construídos. ou atenção para o fato de que. uma desarticulação entre os campos 1980. que como um contraponto aos casos europeus. de patrimônio cultural. V AZ. poderíamos até nem mais necessitar de tombamentos. surgiu a idéia do planejamento uma outra forma de intervir. (JACQUES. é precisamente nessa globalização da Urbano" e seus conceitos correlatos. museificação e petrificação das cidades européias. Nos anos 1980 e 90. A preservação. na história e memória (KOOLHAAS. o que. ou seja. Através de hegemonia da visão eurocêntrica na questão do patrimônio. ou seja. diante. particularmente. a naturalização dos procedimentos técnicos. cultura e. procedimentos técnicos e práticos de intervenção e Um ponto crucial a ser pensado. além da questão arquitetônica e ainda. a manutenção da competitividade entre as cidades ditas globais. construído. os projetos urbanos foram progressivamente aeuropéia (PEREIRA. vultosos recursos foram investidos em algumas ao "patrimônio material". Essas duas noções de boa visibilidade midiática e capazes de disseminar as ditas deveriam atuar juntas. diz respeito às projetos urbanos explicitam. por conseguinte. tem muita importância. a revisão as atividades cotidianas. noções de implicações sociais desses projetos de revitalização urbana. encontra-se hoje de tal forma "naturalizada".Os três pontos estão relacionados ao que podemos puramente imagéticos. se rebateria nos próprios cultural mundial. principalmente nos centros históricos dotados "patrimônio imaterial".podem ser vistos deum urbanismo "pós-moderno" ou "neo-culturalista". deveria vir de "baixo para cima" e. parece penetrar caso. projetos estratégicos de revitalização urbana. em detrimento do edificações.1995). ponto noções hegemônicas de cultura e de patrimônio principalmente nos textos situacionistas. podemos notar o desenvolvimento se mantêm vivas no cotidiano da população . passou-se a enfatizar aspectos nacional. a ênfase se chegam a ser consideradas como cidades mortas deunos espaços públicos. a despeito de certas experiências renascimento de certas cidades. uma vez que a " ambiência cultural "contaminações positivas" sobre a cidade. Entretanto. nos chamam a cultural continuam sendo naturalizadas nessas ações. destaca hoje como uma das principais estratégias para o queessa "naturalização". ao inseri-Ias no mapa turístico inovadoras. 2000). nesse principalmente nas instituições acadêmicas. tendo em vista a promoção e a venda chamar de uma "naturalização conceitual". Deveríamos nos manter atentos às questões levantadas nos quais são os conceitos básicos que orientam esses projetos três momentos do pensamento crítico sobre a questão: a equal seria a natureza dos discursos que definem as políticas industrialização. na diversidade. a espetacularização e a globalização da patrimoniais urbanas que embasam esses projetos? Até que cultura e do patrimônio. no seu caso extremo. que indicaria haver uma correlação entre um fator determinante para o bom êxito dos projetos de osdiscursos teóricos. institucionais e políticos sobre revitalização urbana. Os indícios advindos dessas críticas. parece A manutenção da população local de origem parece ser ser de tal ordem. De que forma esses e deveria ser levado em consideração. em suas propostas de fundamental no resultado obtido por esses projetos. principalmente nos casos . a arquitetura vernácula e não-existência-da-noção-de-patrimônio (oriental). de modo geral. principalmente das cidades japonesas (ABÉ. Dos anos 1990 em brasileiratambém ser bem menos material que. que principalmente na Europa. e. valorizava o patrimônio entre esses dois "modelos": patrimonialização (européia) e cultural urbano. Esse já é o terceiro e último desenvolvidos como conseqüência direta da crescente ponto a ser considerado. complementares: um diz respeito à prioridade ainda dada estratégico. Os oque parece indicar profundas rupturas no campo disciplinar casos orientais. quanto a própria manutenção ou não da população local nas áreas afetadas e crítica advinda dos trabalhos teóricos que tentaram uma grande parte dos projetos provoca a gentrificação desses "desnaturalizar" essas noções básicas? espaços. em suas práticas. JEUDY. por conseguinte. a questão social parece ser esses projetos incorporam. a cultura (e a própria cidade) "viva". principalmente aqueles centrais e ditos históricos De fato. Nos anos 1970 e 80. não construído. à atual tevecomo questão-chave a preservação do patrimônio urbano. contribuindo para urbana" seria constituída de ambas. Os casos brasileiros parecem estar urbanas. que merece preocupação preservação dos patrimônios urbanos. Pensar regional. e. uma vez que as tradições ancestrais A partir dos anos 1960. 2(00) da cidade de modo Parece que a própria noção de "Patrimônio Cultural global.

16 E quanto mais passivo (menos participativo) for o "O centro de Paris está sendo radicalmente espetáculo. que serve como justificativa para um amplo processo de privatização de espaços públicos. de fato.realizado em Salvador. que deriva. poderíamos tentar entre forças de preservação e destruição.nacionais híbridos. menor será as forças de preservação e de destruição (modernização) a participação da população nesses processos e vice- foi rapidamente notada pelos situacionistas em Paris: versa. e. uma vez que essas já nascem os cenários atuais. Ver Neil Smith em The new urban frontier. mais a cidade se torna um cenário. para a construção da cidade futura. Nessa fase. ver catálogo publicado por ACTAR jogo participativo. publicado em "Anais do IX Encontro um "modelo" alternativo: a utilização da cidade existente Nacional da ANPUR". da experiência desse terreno e a partir das 1996. quanto mais ativo o que não exclui uma tendência complementar a se for o espetáculo (que no limite deixa de ser um espetáculo restaurar velhos quarteirões urbanos. um ator protagonista. o uso.uma crítica à questlies contemporâneas. 7 No Brasil. todo um quarteirão podendo se tornar um monumento. o arquiteto lamentável espetáculo. quanto mais espetacular for o uso da urbana nos moldes contemporâneos. um mero figurante. é nessa década que ocorre a institucionalização do patrimônio construção da cidade futura) implica a manipulação através da criação do SPHAN em 1937. princípio transformação da própria cidade em museu. alusões à cultura popular e até mesmo a bens imateriais. New York. do terreno atual das cidades. para turistas que passeiam em ônibus envidraçados. adaptação ou destruição dos seus antigos obras coloniais e barrocas). Routledge. A idéia do urbanismo unitário (UU) propunha bana. como objetos no sentido debordiano). Podemos até sugerir a existência de uma levantada pelos situacionistas no fim dos anos 1950. o livro S. a experiência. principalmente à transformação protagonistas" . do texto Reflexlies sobre o uso da cultura nos processos de revitalização ur- participativos. a preservação do patrimônio é ainda patrimônios culturais urbanos. pela afirmação do espaço devidamente gentrificadas. em maio de 2002 e pode ser das cidades em espetáculos urbanos estáticos e não considerado como um desenvolvimento. no sentido inverso. os bens urbanos pela população local passariam a ser determinantes tombados pelo serviço. Uma feições comerciais. " No Brasil. Nós devemos tanto explorar • Nas periferias. urbano lúdico tal qual o faz se reconhecer pela também dentro de um padrão internacional de segurança. e o cidadão remodelado pela organização para os automóveis. quanto construir novos. de um dos maiores representantes dessa corrente. novos. são basicamente bens materiais (edificados) reconhecidos e já considerados como parte da cultura erudita. The Monacelli Press. práticas e novos "museificação" das cidades. indivíduos em todos os campos da vida social. início relação inversamente proporcional entre espetáculo e dos anos 1960. sobretudo. Elitização. o seu oposto: a participação ativa dos dia mais espetacularizadas. simples extensão do o cidadão (antes simples espectador). ou seja. Essa interpenetração (uso da cidade presente. Rodrigo MeIo Franco de Andrade e Lúcio das cidades no tempo. pp. à chegada de Aluísio . mas com aumentam os meios de intervenção humana. isso não chega a ocorrer. O UU não é idealmente separado e Arc en Rêve. no anteprojeto original de Mário de Assim. 1995. totalmente inéditos. redigido com Lilian Fessler Vaz. de um espetáculo turístico. Apesar de serem encontradas. 664/674. 4 Um bom exemplo recente desse tipo de espetacularização foi a exposição o UU propõe o meio urbano como um lugar para o Mutations (2000/2001). Se o patrimônio cultural urbano se tornou.XL. Os museus são instituições patrimoniais de nossa cultura. e musealização seria a proliferação de museus nas cidades contemporâneas. que terá como personagens principais Mário de Andrade. 2 Uma distinção semântica se faz necessária: museificação diria respeito a "O UU vai contra o espetáculo passivo. os situacionistas anteciparam também . esse momento corresponde ao fim da " era" Rodrigo Meio Franco de Andrade na direção do SPHAN e. "14 Costa. um suplemento aos museus. parece-nos urgente. museu clássico. onde a organização do espetáculo por excelência. para a questão do patrimônio. "1J A partir da negação de uma concepção estática da cidade. expulsão da população mais pobre. 2001. O UU é oposto àfixação chamada fase "heróica" dessa instituição federal. construções existentes. Ele se forma a partir . ou seja. nesse momento. a vivência dos espaços Andrade. que tem como nos servir do principal antídoto situacionista contra o principal palco de batalha as cidades contemporâneas. e ainda oferecem um nível de vigilância total. vez que hoje as próprias cidades se tornaram um 3 Alusão à "Bíblia" neo-moderna. para uma escolha que deveria ser coletiva e que diz respeito além de possuírem valor estético e histórico indiscutíveis (principalmente à preservação. momento de uma primeira espetacularização participação. 2001. gentrijication and the revanchist city. principalmente Nos parece que uma boa pista nesse sentido foi no da cultura. Londres. Essa dicotomia entre cultura nos processos de revitalização urbana'5.L. assim como a construção de crucial na construção de identidades nacionais. cada espetáculo. apresentado no III Seminário Internacional "Patrimônio e cidade contemporânea: políticas.além da conhecida e radical crítica ao funcionalismo do movimento I Este texto é uma adaptação do trabalho Patrimônio cultural urbano: algumas moderno e sua separação de funções . se estende na medida em que mais escandalosamente que a cada dia se transformam mais em centros ditos culturais. diante da tensão atual um simples espetáculo contemporâneo. vem ocorrendo na maioria das áreas de expansão das cidades contemporâneas. acervos e vitrines dos mais variados bens artísticos e culturais. em Bordeaux. e esse período inicial corresponde à de um desvio arquitetônico. Rio de Janeiro.M. mais a cidade se torna um palco e. BarcelonalBordeaux. holandês Rem Koolhaas.

B. que lutava contra o espetáculo. L.-P 1994 La notion de Patrimoine. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Aeroplano importância dada por eles ao meio urbano como terreno de ação. 1998 "Cultura da cidade: animação sem frase". O interesse dos situacionistas pelas questões urbanas ocorre pela HUYSSEN. R. que visam a satisfazer interesses BAUDRILLARD. como a deriva. e não somente como referência às condições físicas ou econômicas do local. B. texto cole ti vo KLEIN. P. ou seja. FERREIRA DOS SANTOS. op. ditos culturais. contra a não-participação. New York: The Monacelli por ser contra a separação de funções modernas . P. daesfera federal (IPHAN) para as esferas estaduais e principalmente municipais. 1992 A condição pós-moderna. econômicos diversos ou. o que corresponde também à abertura política nacional.B. é diretamente D. 2000 No-Logo. As municipalidades descobriram que a preservação do patrimônio pode ser ARANTES. 1995 Cultura de consumo e pós-modernismo. Rio de Janeiro: 1. 1986 "Preservar não é tombar. Apologia da deriva. uma vez que só se 7 pode manter "vivo" um monumento se este ainda pode ser útil para uma SERAGELDlN 1. . O urbanismo unitário . (org). para efeitos de marketing político eleitoral. (tradução: Memórias do social.e ROLNIK. Zahar Ed. contra a "espetacularização" generalizada. MARTIN BROWN J. Stella (org. onde HARVEY. N. artístico e cultural das edificações. de novas formas de participação e de luta contra a passividade da sociedade. Uma pesquisa sobre as preconiza que o principal antídoto contra o espetáculo seria a participação origens da mudança cultural. Nesse período. mesmo que simbolicamente. referência sobre a questão do patrimônio. 2001 "Reflexões sobre o uso da cultura nos " Alois Riegl. então.unitário KOOLHAAS. city and the end of public space. JACQUES. Forense Universitá- sua conotação de vitalidade pela presença da população. M. 1967 e 1992). Paris: rapidamente. M. Casa da Palavra.) Palavras da cidade. ou seja. que devem ser realizadas CHASTEL. F. sein Wesen und seine Entstehung"). IS. 1990) L1 lnternationale Situationniste nO 9.São Paulo: EDUSP. " Utilizamos o termo revitalização (no sentido de dar nova vitalidade) e não JEUDY. JACQUES. escritos situacionistas between public urban space and large-scale infrastructure.reabilitação. 1999 City and Porto Urban planning as a cultural venture urbano através da proposta de novos procedimentos. Y. Paris: Galilée. GUATTARI. C. Maria preocupações quanto ao valor histórico. F. São Paulo: Ática. EBAlUFRJ.T. agosto de 1964. A. 1985 A dialética do esclarecimento. New York and Rotterdam: changing relations e novas práticas. 1986 Mémoires du Social. o que pode ser considerado ainda hoje um texto de ANPUR. Em 1967. jo. ABÉ. F. a cultura espetacular. A lógica cultural do capitalismo ("Der moderne Denkmalkultus. ao só manter as fachadas que são restauradas sem grandes FERNANDES. texto coletivo "L'urbanisme comme volonté et comme représentation ". 2000 "Corpos Escritos". a não. ou formas urbanas. Barcelona. J. como a psicogeografia. n° apropriação popular e participati va do espaço público urbano. escritos situacionistas VerJacques. (org. Magalhães e à criação da Fundação Nacional Pró-Memória em 1979. 317/328. contra a passividade e a alíenação da sociedade. Londres. In : Urbanis- lucrativa e passaram a investir em revitalizações urbanas. 2001 "Consenso sobre a cidade?" in: BRESCIANI. International Books. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. quanto uma transformação do patrimônio São Paulo: Studio Nobel. cultural roots for urban futures. 1993 Micropolíticas: cartografias do dese- intervenção. A própria preservação de monumentos depende de seu uso social. presidente da comissão de Monumentos Históricos da Áustria. New York: Hill and Wang. em 1903. Paris: Presses Universitaires de outros . (org). B.. escritos situacionistas sobre sobre a cidade. IS 2003 Apologia da Deriva. Abril Guy Debord. In: Arte&Ensaios.XL. a cidade. pp. Debord publicou seu livro-manifesto "A sociedade do espetáculo". HORKHEIMER. ria. . bares ou centros Universidade/UFRGS.L. tardio. BABELON. ao inverso. D. In: Revista Projeto: São Paulo. P. " Acreditamos que uma revitalização efetiva só se realiza quando ocorre uma PEREIRA. "L'urbanisme unitaire à Ia fin des années 50 ". VAZ. Essas intervenções. liderados por 111 é pôr tudo abaixo". O. para satisfazer calendários políticos. Ver Apologia da deriva.-P. .~Rolterdam: sobre a cidade. mas sim experiências efêmeras de apreensão do espaço MEYER. São Paulo: Loyola.não propôs novos modelos Press. 1997 Pós-modernismo. A. dasedificações a serem recuperadas. processos de revitalização urbana" In: Anais do IX Encontro Nacional da escreveu. requalificação ou regeneração . Rio de Janeiro. 2000 Seduzidos pela memória. MAU. H. dezembro de 1959. S. J. F1amingo.N. H. são simples ações midiáticas. M. A. empreendimentos puramente comerciais. renovar não A Internacional Situacionista era um grupo de jovens artistas. Sens&Tonka. 1981 Simulacres et simulation. Washington " A relação entre espetacularização e gentrificação.precisamente devido à France. SHLUGER E.: The World Bank proporcional. 1980 Les débuts de Ia conservation au Japon moderne : idéologie et historicité.) 2001 Historic população. Porto Alegre: Editora da para promover a instalação de novos restaurantes de luxo. muitas vezes mo em fim de Iinha.C. 1995 S. provocam tanto um Liana Levi enobrecimento dos espaços.. ao expulsar a população original de baixa renda FEATHERSTONE. .cil. de produção Editora 1 Universidade Candido Mendes 1 Museu de Arte Moderna. cities and sacred sites.M. ACHA 9 Uma outra característica típica dessa fase mais recente é o deslocamento das propostas e gerenciamento de projetos de preservação de patrimônios urbanos ADORNO. em cenários. in London. a espetacularização urbana costuma trazer consigo SORKIN. " Internationale Situationniste n° 3. (ed) 1992 Variations on a theme park: the new American uma gentrificação espacial e cultural. ativa dos indi víduos em todos os campos da vida social (Debord. Petrópolis: Vozes. "O culto moderno dos monumentos" JAMESON. a preservação do patrimônio é vista basicamente como uma valorização ou resgate de memórias comunitárias e tradições regionais. M S. no prelo.