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Universidade Luterana Do Brasil

Ulbra Campus Torres


Curso De Psicologia

André Luiz Teixeira Da Silva

Não podemos trabalhar a obra de Freud


como atemporal

Atividade semipresencial

Atividade semipresencial
referente à disciplina de Teorias
Psicoterápicas – Módulo I.

Professora Graziela Cuchiarelli


Werba

Torres
2018
ROUDINESCO, E.; Não podemos trabalhar a obra de Freud como atemporal. Jornal Zero
Hora. Porto Alegre: Outubro, 2014. Entrevista concedida a Carlos André Moreira.

RESENHA

O seguinte relatório tem por objetivo discorrer sobre a entrevista dada ao Jornal Zero
Hora, por Élisabeth Roudinesco, psicanalista e escritora francesa, que veio ao Brasil para
discutir sobre como deve ser realizada a leitura da obra de Freud, nos tempos atuais. Autora de
Sigmund Freud: En Son Temps e Dans le Nôtre, (Sigmund Freud: Em seu tempo e no nosso)
considera sua obra uma nova forma de abordagem da obra de Freud, cujas críticas voltadas à
Psicanálise se voltam à não utilização da Historia para melhor interpretação da obra de seu
fundador.

Dentre as perguntas redigidas à autora, uma delas trata-se de como ler Freud no século
XXI. Para Roudinesco, é preciso não apenas voltar a obra freudiana de forma estrutural, mas
de forma histórica, compreender como Freud vivia, como ele conduziu sua teoria dentro de um
contexto histórico, não restringindo o entendimento da mesma somente na clínica e
determinando a obra como atemporal. Dentre os principais manuscritos de Freud, vários
determinam que seu contexto histórico, a forma como as pessoas viviam fornecia material para
suas conclusões, como é o caso da histeria. A história política e cultural também deveria se
levar em conta. Freud não podia deixar de ser influenciado pelos valores de seu tempo;
culturais, científicos e políticos. Em Viena, havia um crescente corrente de dois valores que
podem ser identificados como moral-científico e estético. Por exemplo, a arte era, para o
burguês, o instrumento de instrução metafísica e moral. O gosto estético era a medida
do status socioeconômico de alguém. Moralmente a sociedade era convicta, virtuosa e
repressora; politicamente importava-se com o império da lei ao qual os direitos individuais e a
ordem social estavam submetidos; intelectualmente defendia o domínio da mente sobre o corpo,
o progresso social via ciência, educação e trabalho árduo. E, além disso, o sexo possuía uma
grande influencia na sociedade sob a forma de silencio, uma vez que a burguesia escandalizava-
o e considerava uma força anárquica. Os mais jovens daquela época, como Freud, enfrentavam
essas questões sexuais como fonte de estudos artísticos e literários. Pode-se supor que, em meio
a esse cenário, a teoria psicossexual de Freud ganha força em um cenário conservador.
Ao ser questionada se levar em consideração o contexto de Freud não seria uma forma
de confronto com o nosso contexto atual, Roudinesco afirma que a teoria psicanalítica é um
produto da própria história, do contexto em que ela foi abordada. Assim, se não
compreendermos como Freud elaborou seus textos, poderemos cometer equívocos em sua
análise. Para a psicanalista, é preciso contextualizar o nosso tempo e o de Freud, para melhor
entendermos como se aplica suas obras atualmente.

Perguntada acerca das manifestações que ocorriam no Brasil, Élisabeth Roudinesco


relata que o Brasil possui defeitos, porém é um país democrático, onde se percebem vários
avanços. Para ela, a verdadeira crise situa-se na Europa, onde há um certo descontentamento e
melancolia por parte da população, que sente que suas conquistas sociais estão sendo retiradas,
dando uma sensação de regressão social. Ainda, sua visão sobre a multiculturalização que vem
ocorrendo no velho continente, por parte da imigração, não é um dos problemas enfrentados
pelos europeus. Mas é, para ela, de uma maneira indireta. O estereótipo acerca dos muçulmanos,
vistos como perigosos, fazendo parte de grupos jihadistas, reforça a desigualdade e a xenofobia,
dificultando a incorporação desses povos em toda a Europa.

Por fim, Roudinesco discute sobre as novas configurações da família, onde na época,
havia um discurso agressivo contrário à união civil de homossexuais com base no conceito de
família. Para ela, essas questões levam um tempo pois, na França, ideias contra aborto e
casamento homossexual perderam em votações. Segundo Roudinesco, é o medo da abolição da
diferença de sexos que está no centro dessas discussões.