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O consumo de drogas por adolescentes no Brasil

O jovem nunca é levado a sério.


Woodstock, inserida nas tensões da guerra fria, fora o ápice contracultural entre os ideais
positivistas de pais que vivenciaram a segunda guerra mundial e uma juventude hippie, que, exaurida
pela acriticidade e sanguinolência do discurso imperial bélico multicontinental, recorrera às drogas e
às artes como escapismo hedonista. Similarmente, o esperado crescimento no consumo de drogas
por adolescentes no Brasil delata, como máximo atestado de falência social, uma juventude marcada
pela recrudescida necessidade de fuga das sequelas onipresentes do vigente modo de produção
capitalista, e suas inexoráveis consequências na gestão do Estado.
Em face ao histórico de políticas escusas que degenera de modo programado parques
industriais e instituições de ensino, como no legado Sarney de superfaturamentos de contratos com
Edison Lobão Filho a obras hospitalares que inexistem no Maranhão; compreende-se parte das
razões pelas quais a juventude nacional não se sente estruturalmente capacitada para ser assimilada
ao mercado de trabalho pós-industrial com dignidade, respeito ou seriedade. E, por não se
reconhecer de forma socialmente visibilizada ou íntegra, recorre aos progressivos narcóticos
autoinfligidos, sejam eles legais ou não. Visto haver ausência de sentido na busca carreirista frente à
prostituição tanto do poder de compra quanto da mínima hombridade da população.
Quando as poucas instituições de ensino que resistem ao desmantelamento público são
inacessíveis, e, os profissionais raramente qualificados permanecem subvalorizados, as condições
trabalhistas para a população assalariada evoluem às atuais proporções dantescas de justa
paralisação. Não obstante, as morosas sequelas da construção da democracia paradoxalmente
facilita o acesso ao consumo de drogas. Porque há absoluta falta de estrutura familiar na vida desses
jovens. Uma realidade que não é oriunda necessariamente de ausências físicas, mas ideológicas.
Haja visto o choque cultural enfrentado pela geração “de bem”, que, entre patos e panelas, perpetuou
a soberania do brutal Estado de Exceção pela irônica crença de que futuramente teriam condições
seguras de trabalho e moradia.
O progressivo uso de narcóticos por jovens decorre da desestrutura familiar, do impulso
iconoclasta induzido pela lacuna geracional, das influências de contracultura que suprem as
ausências deixadas pelo (des)governo. Sobretudo, em sua especialização histórica: a de expansão
da concentração de renda e das invisibilidades, marginalidades e criminalidades. Condições que
apenas continuarão tais mazelas enquanto a dinâmica política permanecer arrepresentativa, desleal
e torpe.