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Parte 1

Entendendo o
Ciclo Contábil
tema1
a contabilidade
Começaremos nossa disciplina abordando nes-
te bloco pontos importantes da Contabilidade
Introdutória. Apresentaremos a caracterização
da Contabilidade Geral, evidenciando concei-
tos, objeto e finalidade, o campo de aplicação
e a utilização das informações contábeis pelos
diversos tipos de usuários, também a impor-
tância e obrigatoriedade da observância aos
Princípios Fundamentais de Contabilidade e,
por fim, conheceremos a composição do Patri-
mônio das entidades.

Muitas pessoas desconhecem a importância da


informação contábil no processo decisório das
entidades. Diante desses pontos, você precisa
entender o que é Contabilidade. Vamos, portan-
to, à definição.
1.1
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE

Medo de números? A Contabilidade é uma ciência social e não


uma ciência exata, por isso apresenta informações contábeis e seus res-
pectivos valores. Requer registro, controle e análise de todos os eventos
que ocorrem nas entidades, portanto não é uma lógica matemática.

VOCÊ, no final do conteúdo 4.4, Balanço Patrimonial, deste livro,


será capaz de elaborar um Balanço Patrimonial. Seguem dados abaixo:

ATIVO PASSIVO E PL
ESTOQUES 50.000,00 FORNECEDORES 100.000,00
DUPL. A RECEBER 40.000,00 EMPRÉSTIMOS A PAGAR 55.000,00
CAIXA 35.000,00 SALÁRIOS A PAGAR 25.000,00
VEÍCULOS 65.000,00 CAPITAL SOCIAL 150.000,00
TÍTULOS A RECEBER 120.000,00
COMPUTADORES 20.000,00
TOTAL 330.000,00 TOTAL 330.000,00

Você já ouviu falar em Contabilidade?

Havia uma crença generalizada entre o senso comum de que a


contabilidade existe, essencialmente, para apurar impostos. Poucas pes-
soas atentavam para o fato de que a Ciência Contábil pode ser, se bem uti-
lizada, uma maravilhosa ferramenta de análise e controle das situações
patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer tipo de entidade.

Ultrapassamos essa visão limitada da Contabilidade, que era


associada com a questão tributária, e identificamos essa ciência sob
uma perspectiva mais abrangente. Então, percebemos que ela é tão
antiga quanto a história da humanidade. A aplicação de técnicas siste-
matizadas para controlar receitas, custos e patrimônio vem desde as
sociedades mais antigas. Com o surgimento da propriedade privada,
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Contabilidade
Geral

entre as comunidades antigas, o controle do patrimônio passou a ser


uma necessidade.

No início, as técnicas utilizadas eram bem rudimentares. Não exis-


tiam materiais adequados para os registros e com isso dificultava a im-
plantação de controles. Foram encontradas por arqueólogos inscrições
em cavernas e outros sinais, que indicam que há 8.000 anos o homem já
utilizava algumas técnicas para controlar seu patrimônio. Mais tarde as
grandes civilizações da antiguidade, como os gregos, egípcios e romanos,
desenvolveram sistemas elaborados de controle patrimonial.

Existem inúmeros documentos que comprovam a complexida-


de dos métodos de controle desenvolvidos por esses povos, demons-
trando que as raízes históricas da Contabilidade são tão antigas como
as de outras ciências conhecidas, como a Matemática e a Astronomia.

Sabemos que os povos da antiguidade não realizavam seus


controles e registros da mesma forma, nem se referiam a eles utili-
zando o termo Contabilidade, que surgiu mais tarde. A utilização de
um método sistematizado de controle representa a origem do sistema
contábil atual, que está bastante evoluído.

Acompanhada da Economia, Engenharia e da Administração,


como também outros ramos científicos, a Contabilidade ganha cada
vez mais espaço como geradora de informações confiáveis e essen-
ciais para a tomada de decisões, seja em pequenas, médias e grandes
organizações, de natureza privada ou pública.

Com a implementação, pelo Estado, de sistemas mais efi-


cazes, para otimizar o processo de fiscalização e arrecadação de
tributos, e o crescimento do número de usuários das informações
contábeis, dentro e fora das entidades, contribuem para a valoriza-
ção do profissional contábil, que a cada instante constata o surgi-
mento de novos campos de atuação.
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Tema 1
A Contabilidade

Agora que já conhece um pouco da história da contabilidade


você precisa compreender a sua importância.

Vejamos definições de autores diversos:

1. Para Neves (2006, p.1), a Contabilidade é uma ciência que


desenvolveu uma metodologia própria com a finalidade de:

2. Controlar o patrimônio das aziendas (palavra italiana in-


corporada à economia e à contabilidade e que considera
um patrimônio determinado, a pessoa física ou jurídica que
dele dispõe ou o administra e os atos e fatos que constituem
essa administração);

3. Apurar o redito (resultado) das atividades das aziendas.

Prestar informações às pessoas que tenham interesse na ava-


liação da situação patrimonial e do desempenho dessas entidades.

Para Padoveze (2010, p.3), podemos definir Contabilidade como


o sistema de informação que controla o patrimônio de uma entidade.

E segundo Iudícibus (2010, p.1), a Contabilidade, na qualidade de


ciência social aplicada, com metodologia especialmente concebida para
captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afe-
tam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer
ente, seja esta pessoa física, entidade de finalidades não lucrativas, em-
presa, seja mesmo pessoa de Direito Público, tais como Estado, Municí-
pio, União Autarquia etc., tem um campo de atuação muito amplo.

Nesse momento você deve ter observado a importância da


Contabilidade, pois apresenta uma riqueza de informações úteis para
o controle e planejamento gerencial nas entidades.
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Contabilidade
Geral

Observamos que a definição apresentada por Iudícibus, aborda


todos os aspectos que permeiam a contabilidade na sua essência. Va-
mos detalhar a definição de Iudícibus (2010, p.1) “[...]a Contabilidade,
na qualidade de ciência social aplicada, com metodologia especial-
mente concebida [...]”.

Assim como a Administração, a Agronomia, a Arquitetura, a Enge-


nharia e outros ramos do conhecimento, pertence ao grupo das Ciências
Sociais Aplicadas. Ao contrário do que ocorre na Física e na Matemáti-
ca, por exemplo, que são ciências puras (isto é, estudam abstrações), na
Contabilidade, e também nas outras ciências aplicadas, o pesquisador
não tem apenas o interesse de conhecer, mas também, o de interferir nos
fenômenos estudados.

As ciências aplicadas articulam contribuições de várias outras


ciências, com o objetivo de explicar os fenômenos que estudam e,
principalmente, de desenvolver soluções eficazes para a solução dos
problemas relacionados com o seu campo de conhecimento.

Quando cita metodologia, refere-se aos procedimentos que de-


vem ser observados durante todo o ciclo contábil, ou seja, não é par-
ticularidade do contador o registro de uma despesa, de uma receita
ou de qualquer evento que cause variação no patrimônio, deve ser
observado, por exemplo, o que determina os princípios contábeis no
tocante ao registro das receitas e despesas. Assim como, a elaboração
do balanço patrimonial ou qualquer outra demonstração contábil que
tem a sua estrutura já definida. “[...]para captar, registrar, acumular,
resumir e interpretar[...]”.

Todos os eventos que causam variação no patrimônio devem


ser registrados, por exemplo, compras, vendas, pagamento, recebi-
mentos etc. Através de documentos que comprovem a operação, a
contabilidade é registrada por meio de lançamentos contábeis, essas
informações que vão sendo acumuladas por um determinado período
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Tema 1
A Contabilidade

01
(exercício social1), em seguida são resumi-
Compreende, em regra,
das quando da elaboração das demonstra- o período de um ano,
ções contábeis e relatórios gerenciais e, por entre primeiro de janeiro
e trinta e um dezembro.
fim, interpretadas quando são analisadas
deficiências ou não, operacionais e compa-
radas com outros períodos. “[...] os fenômenos que afetam as situa-
ções patrimoniais, financeiras e econômicas[...]”.

Além da situação patrimonial (medida através da diferença en-


tre bens, direitos e obrigações) das entidades, a Contabilidade tam-
bém se preocupa com aspectos econômicos (identificados no final de
um período, quando são confrontadas todas as receitas com as des-
pesas daquele mesmo período) e financeiros (demonstrar, por exem-
plo, a posição do caixa da empresa em determinado período). “[...]de
qualquer ente, seja esta pessoa física, entidade de finalidades não lu-
crativas, empresa, seja mesmo pessoa de Direito Público[...]”.

A contabilidade serve para qualquer ente e deve fornecer infor-


mações qualificadas e específicas para os grupos de pessoas (físicas
ou jurídicas) cujos interesses nem sempre são coincidentes, embora
não se chegue ao exagero de afirmar que sejam conflitantes.

Podemos afirmar que a Contabilidade é uma ciência social que


tem por características o registro, o planejamento e o controle de todos
os fenômenos que causam variação no patrimônio de uma entidade.

Sendo a Contabilidade uma ciência, então possui objeto de es-


tudo para que você compreenda melhor, vamos explicar.

Alguns requisitos lógicos necessários à caracterização de uma


ciência podem ser evidenciados na contabilidade, como possuir obje-
to de estudo, que é o Patrimônio das entidades econômico-adminis-
trativas (estudaremos em seguida).
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Contabilidade
Geral

Objeto da Contabilidade: O PATRIMÔNIO

Então, compreendemos que o objeto da contabilidade é o PA-


TRIMÔNIO de tais entidades, sejam estas pessoas físicas ou jurídicas,
seja esse patrimônio resultante da consolidação de patrimônios de
outras entidades distintas.

Agora que você compreendeu o que é contabilidade e seu obje-


to, deve estar questionando:

AFINAL, QUAL A FUNÇÃO DA CONTABILIDADE?

As ciências aplicadas são importantes porque desenvolvem


aplicações práticas para os conhecimentos produzidos pelo homem.
Na Contabilidade não é diferente. Desde tempos remotos, quando a
humanidade começou a se organizar em grupos sociais, sentiu a ne-
cessidade de controlar o seu patrimônio.

Pode parecer pouco, mas as ciências contábeis se desenvolve-


ram exclusivamente para:

Estudar, analisar, interpretar e controlar o patri-


mônio das entidades.

Concluímos que o Objetivo da Contabilidade é o estudo,


controle e planejamento do patrimônio e de suas variações vi-
sando ao fornecimento de informações que sejam úteis para a
tomada de decisões.

Segundo Robert N. Anthony (1976), em seu conhecido livro


Contabilidade Gerencial: Uma introdução à Contabilidade, enfoca
com bastante propriedade as finalidades para as quais se usa a infor-
mação contábil:
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Tema 1
A Contabilidade

Finalidade de planejamento;

Finalidade de controle;

Finalidade de auxílio no processo decisório.

1. Planejamento – utilizando a informação contábil para pro-


gramar uma ação para o futuro, pode compreender um seg-
mento (departamento) empresa ou toda a empresa.

2. Controle - neste processo será feito acompanhamento de


que a organização, especificamente os administradores, es-
tão agindo em conformidade com os planos e políticas tra-
çados pelos dirigentes dessa entidade.

3. Processo decisório – este ocorre pelas tomadas de deci-


sões já planejadas e pelas tomadas de decisões corretivas
quando o controle evidencia que o caminho sendo seguido
não era o planejado.

Agora que você compreendeu a contabilidade na qualidade de


ciência social aplicada, assim como a sua finalidade e objeto de estu-
do, vamos dar continuidade no próximo conteúdo sobre o campo de
aplicação e usuários que necessitam da informação contábil.
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Contabilidade
Geral

LEITURA COMPLEMENTAR
NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Bási-
ca. 13. ed. São Paulo: Frase, 2006.

Para saber mais sobre a parte introdutória da contabilidade leia os tó-


picos 1.1 a 1.4 (páginas 1 a 4). Após a leitura recomendada acima, você
ampliará seus conhecimentos a respeito da definição, objeto e objeti-
vo da contabilidade.

MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 10. ed. São Paulo: Atlas,
2009.

Leia o tópico Contabilidade (páginas 26 a 28). Com esta leitura você


terá mais esclarecimentos sobre a geração e importância da informa-
ção contábil.

PARA REFLETIR
Após o estudo que desenvolvemos até aqui, é possível identificar a
importância de conhecer os fundamentos da contabilidade. Desta for-
ma, pesquise em sua cidade, junto aos seus colegas de trabalho, vizi-
nhos, enfim, com os habitantes, o que eles entendem por contabilida-
de e aproveite para conscientizá-los da importância da contabilidade
para qualquer ente, seja pessoa física ou jurídica. Coloque no debate
em sala de aula a sua pesquisa e análise para compartilhar com seus
colegas e com o tutor.
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Tema 1
A Contabilidade

1.2
CAMPO DE APLICAÇÃO E USUÁRIOS DA CONTABILIDADE

Uma vez que já tratamos dos fundamentos da contabilidade no


conteúdo anterior, é importante apresentar para você mais detalhes so-
bre a finalidade da contabilidade, apresentando onde ela atua e quais são
as pessoas que estão interessadas na informação contábil.

Estudar o campo de aplicação da contabilidade significa saber


onde ela é utilizada, ou seja, em que os contabilistas trabalham.

O campo de aplicação da contabilidade inclui todas as entidades


econômico-administrativas.

Segundo Ribeiro (2010), entidades econômico-administrativas


são organizações que reúnem os seguintes elementos: pessoas, patri-
mônio, titular, capital, ação administrativa e fim determinado.

As entidades econômico-administrativas são assim classificadas:

Entidades com fins econômicos – são as empresas que visam ao


lucro para conservar e/ou aumentar o patrimônio líquido. Exem-
plo: empresas comerciais (revendem mercadorias), industriais
(fabricam produtos), prestadoras de serviços etc.

Entidades com fins socioeconômicos – são instituições


que visam ao resultado positivo (superávit), que reverterá
em benefício de seus integrantes. Exemplo: associações de
classe, clubes sociais etc.

Entidades com fins sociais – cuja administração tem por


objetivo o bem-estar da coletividade a que pertencem.
Exemplo: a União, os Estados e os Municípios.
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Contabilidade
Geral

Sabemos que o campo de atuação da Contabilidade, na verdade


seu objeto, é o patrimônio de toda e qualquer entidade; ela acompa-
nha a evolução qualitativa e quantitativa desse patrimônio.

Campo de Atuação da Contabilidade: toda entidade econômi-


co-administrativa.

E quanto aos aspectos qualitativos e quantitativos do patrimônio?

Os aspectos qualitativos e quantitativos do patrimônio são es-


tudados pela contabilidade.

O aspecto qualitativo se refere à nomenclatura dada aos compo-


nentes do patrimônio, ou seja, o nome atribuído às contas contábeis.
Exemplo: conta Caixa, conta Impostos etc. Enquanto que o aspecto
quantitativo se refere aos valores monetários atribuídos aos compo-
nentes do patrimônio. Exemplo: conta Caixa (aspecto qualitativo) - R$
1.000,00 (aspecto quantitativo).

Já sabemos que o objetivo da Contabilidade é o de fornecer in-


formação estruturada de natureza econômica, financeira, de produti-
vidade e social, aos usuários internos e externos à entidade.

Vamos entender melhor o que é informação estruturada. Quer


dizer que a Contabilidade não repassa as informações de forma espa-
lhada e apenas seguindo as solicitações imediatas dos interessados;
mas, sim, que o faz de maneira organizada, dentro de um esquema de
planejamento contábil.

Então, as operações da entidade à qual se está aplicando a Con-


tabilidade são organizadas detalhadamente, é feita a contabilização
das operações rotineiras da entidade, ao mesmo tempo em que são
apresentados os principais tipos de relatórios (demonstrações) que
devem sair do processo contábil.
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Tema 1
A Contabilidade

Esses relatórios devem atender às necessidades:

dos usuários externos e

dos usuários internos à entidade.

Antes de saber a classificação dos usuários externos e internos,


você precisa saber quem pode ser os usuários.

Usuário
É toda pessoa física ou jurídica que esteja interessada em veri-
ficar a situação e o avanço de determinada entidade, seja esta ente de
finalidades lucrativas ou não, ou mesmo patrimônio familiar.

Em seguida vamos verificar que a informação contábil é utiliza-


da por uma ampla gama de pessoas e entidades com as mais variadas
finalidades.

Usuários Externos
São as pessoas físicas ou jurídicas que estão fora da entidade, mas
possuem interesses diversificados nas suas informações contábeis.

Os usuários externos utilizam as tradicionais demonstrações


contábeis como o Balanço Patrimonial (posição das contas em um de-
terminado momento), Demonstração de Resultado do Exercício (de-
monstra o resultado econômico: lucro ou prejuízo do período) e outras.
24
Contabilidade
Geral

Vejamos alguns dos usuários externos:

Entidades Governamentais – estão interessados em informa-


ções contábeis como receitas e lucros das entidades, pois servem
de base para incidência de impostos. Usam os relatórios contá-
beis para verificação de arrecadação de impostos, bem como para
fins estatísticos no sentido de redimensionar a economia (IBGE);

Bancos e Financiadores - buscam através das informações


contábeis saber a situação real da empresa, e desta forma am-
bos têm como decidir as melhores alternativas para a conces-
são de crédito (empréstimos, financiamentos etc.);

Investidores - é através dos relatórios contábeis que se identi-


fica a situação econômico-financeira da empresa e, desta for-
ma, ambos têm como decidir as melhores alternativas para o
investimento. Interessados no desenvolvimento dos negócios,
na natureza e na manutenção do lucro por ações, entre outros;

Fornecedores - usam os relatórios contábeis para analisar a


capacidade de pagamento da empresa compradora;

Clientes – verificam através dos relatórios contábeis se a empresa


fornecedora tem condições de atender seus pedidos;

Sindicatos – através dos relatórios contábeis determinam a


produtividade do setor, sendo um fator importante para au-
mento de salários;

O Público – por também ser afetado pela ação das entida-


des, na medida em que estas geram empregos e priorizam os
fornecedores locais. Através das demonstrações contábeis, o
público tem acesso às informações acerca do desempenho da
entidade e de seus desenvolvimentos recentes.
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Tema 1
A Contabilidade

Usuários Internos
Os usuários internos à entidade estão interessados além das
demonstrações contábeis que, inicialmente, também ajudam os ad-
ministradores na tomada de decisões, a outros tipos de relatórios que
possa agregar conceitos e informações do sistema de Contabilidade
Financeira (Geral) que elabora os relatórios tradicionais, como tam-
bém outros relatórios vindos da Contabilidade de Custos, da adminis-
tração financeira, da administração da produção e outras disciplinas
que apresentam conceitos importantes para tomada de decisões.

Alguns relatórios são eventuais no sistema contábil, podendo


tornar-se rotineiros se assim for de necessidade da entidade. Entre os
relatórios estão:

Relatórios para decisões especiais do tipo:

a) fabricar versus adquirir;

b) orçamento de capital;

c) expansão da fábrica.

Vejamos os usuários internos:

Administração - controladores e responsáveis pelas boas


práticas de manutenção de taxas de retorno aceitáveis e de
nível adequado de endividamento;

Funcionários – estão interessados na continuidade da em-


presa, bem como na geração de benefícios;

Sócios e Proprietários – são os maiores interessados na informa-


ção contábil, pois desejam que a entidade alcance os seus obje-
26
Contabilidade
Geral

tivos, portanto exploram as informações para a análise, planeja-


mento e controle no processo de tomada de decisões. Necessitam
de informações resumidas que deem respostas claras e breves.

Utilização da Informação Contábil


Ninguém estará tão interessado quanto o tomador de decisões
interno à entidade. Para ele, a informação contábil estruturada, ver-
dadeira, oportuna e completa pode ser a diferença entre o sucesso e o
fracasso da organização.

Já os eventuais compradores de ações da entidade (se for de capi-


tal aberto) procuram extrair informações para sua decisão sobre se vale
a pena ou não investir na empresa; bancos e emprestadores de dinheiro
estão interessados em avaliar se a entidade oferece boas esperanças de
retorno para seus empréstimos e financiamentos; o governo, em seus
vários níveis, está interessado na informação contábil como base de obri-
gação fiscal e para estudos macroeconômicos; os empregados da enti-
dade procuram extrair informações sobre a capacidade da entidade de
pagar maiores salários e benefícios.

Você observou, até o momento, que entidades, para a Conta-


bilidade, pode ser, com ou sem fins lucrativos. O acompanhamento
das variações do patrimônio de uma grande empresa merece inte-
resse por parte da Contabilidade, da mesma forma que o patrimô-
nio individual de um de seus sócios. A entidade pode ser privada
ou pública, de finalidades lucrativas ou não. A entidade pode ser,
em certos casos, contabilmente, uma união de patrimônios de ou-
tras entidades individuais, bem como uma divisão (uma parte) de
uma ou outra entidade multinacional.
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Tema 1
A Contabilidade

Podemos afirmar que o trabalho do contador tem abrangência


social em termos amplos, além de estritamente econômico, informan-
do a sociedade como bem (ou mal) certa entidade utiliza os recursos
conferidos pelo sócio ou pelo povo, exerce um papel de grande rele-
vância nessa mesma sociedade.

A Contabilidade é o melhor repórter e intérprete desse desem-


penho, pois verifica o volume dos (e se necessário quais) produtos ou
serviços que a entidade repassou à sociedade, se o fez a preços razoá-
veis, com boa qualidade, se pagou salários competitivos e se, após ter
feito todos esses pagamentos, inclusive de impostos, ainda foi capaz
de gerar margem para seus sócios e para reinvestir na própria entida-
de, se é moderna e competitiva etc.

Podemos destacar que a contabilidade atinge os seus objetivos


através da emissão de relatórios nos quais são divulgadas informa-
ções para serem utilizadas no processo decisório, tanto de usuários
internos como externos às entidades. Estes usuários configuram os
denominados grupos de interesse, como: gestores; acionistas e inves-
tidores; clientes e fornecedores; empregados; governo; financiadores
etc., os quais têm diferentes demandas de informações.

LEITURA COMPLEMENTAR
IUDÍCIBUS, Sérgio de et al. Contabilidade Introdutória. 11. ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

Leia os tópicos 1.1 (Campo de atuação de contabilidade), 1.2 (Grupos de


pessoas e de interesses que necessitam da Informação Contábil) e 1.3
(Finalidades para as quais se usa Informação Contábil). Após a leitura
28
Contabilidade
Geral

recomendada acima, você irá acrescentar mais conhecimentos sobre


a aplicação e os usuários das informações contábeis.

MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 10. ed. São Paulo:


Atlas, 2009.

Para saber mais sobre para quem é mantida a contabilidade (página


26 a 28). Você poderá verificar que as informações contábeis são de
interesse para pessoas físicas e jurídicas, como também compreender
melhor a definição dessas pessoas físicas e jurídicas.

PARA REFLETIR
Para que nós aprendamos o que vem a ser a aplicação e os usuários
das informações contábeis, vamos exercitar um pouco para sabermos
identificar na prática estes procedimentos.

Na sua cidade, identifique um usuário (interno ou externo) e conheça


a informação contábil que ele utiliza e onde ela é aplicada. Aproveite
para pesquisar e refletir, se os pequenos empresários (proprietários
de empresa), que são usuários internos, aplicam a informação contá-
bil conforme vimos neste conteúdo.
29
Tema 1
A Contabilidade

1.3
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE
Nos tópicos anteriores podemos perceber que para os usuários
das informações contábeis possui grande importância, muito mais
do que um bom método contábil, a uniformidade dos registros. Para
entendermos a importância dessa igualdade de registros, basta que
tomemos como exemplo o interesse de apenas um dos usuários que
mencionamos anteriormente. Para um investidor, interessado em dados
que lhe permitam escolher entre várias possibilidades de investimentos
disponíveis, a que oferece melhor retorno (mais rentável) é de extrema
importância que a Contabilidade obedeça a uma linguagem comum.

Imaginemos se cada contador estabelecesse critérios próprios


para registrar as movimentações (compra, venda, pagamentos, rece-
bimentos etc.) que alteram o patrimônio da entidade. Para que os usu-
ários internos e externos das informações contábeis possam utilizar
dados de forma padronizada, se tornou indispensável observar o que
determina os princípios da contabilidade.

Na Contabilidade Mundial foram estabelecidas regras a serem


seguidas na prática contábil, as quais são denominadas de: Postula-
dos, Princípios e Convenções.

Postulado é uma proposição ou observação de certa realidade


que pode ser considerada não sujeita à verificação. Determina o cam-
po onde a contabilidade deve atuar.

Princípios e Convenções qualificam e delimitam o campo de


aplicação dos princípios em certas situações.

Em casos de dúvidas de como proceder em algumas situações,


o profissional deverá seguir os princípios e convenções.
30
Contabilidade
Geral

Portanto, neste conteúdo abordaremos apenas sobre os Princí-


pios Contábeis.

Segundo Iudícibus, Marion e Faria (2009), os princípios contábeis


podem ser comparados com as placas de trânsito que indicam direção e
atenção. Para você entender melhor o que são os princípios contábeis,
vamos compará-los às placas de direção e atenção de uma rodovia mo-
derna. O objetivo é o lugar ou cidade onde pretendemos chegar.

Seria possível chegar ao nosso objetivo (cidade ou lugar) qua-


se que sem sinalização, mas com grandes possibilidades de erros. Os
Princípios Fundamentais, na Contabilidade, são “guias” de direção
que, devidamente observados, vão nos levar aos objetivos desejados,
sem grandes problemas, sem desvio de rota, sem entrar na rodovia
errada e, às vezes, quando a cidade (objetivo) é grande demais (ob-
jetivos complexos) vão nos ajudar a acessar o lado certo da cidade:
Centro, Zona Sul, Zona Norte etc.

Percebemos que a Contabilidade é um enorme painel de indica-


dores, no que se refere ao gerenciamento de uma entidade.

Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são os conceitos bá-


sicos que determinam e guiam a profissão para alcançar os objetivos da
Contabilidade, que consiste em apresentar informação estruturada para
os usuários.

Não devemos confundir Princípios Contábeis com objetivos ou


objeto da Contabilidade.

Objetivo ................................é informar o usuário.

Objeto .....................é o Patrimônio das entidades.

Você observou que preferencialmente o campo de atuação da


31
Tema 1
A Contabilidade

Contabilidade são as entidades, sejam elas de finalidade lucrativa ou


não, e procura registrar e demonstrar as movimentações ocorridas no
patrimônio e financeiro, para auxiliar nas decisões da administração.

Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são:

1. Entidade;

2. Continuidade;

3. Realização da Receita;

4. Custo Como Base de Valor;

5. Confrontação das Despesas com as Receitas;

6. Denominador Comum Monetário.

Entendemos o que são os princípios fundamentais de contabilida-


de, agora vamos compreender do que trata cada um desses princípios.

Princípio da Entidade
O patrimônio da empresa não deve ser confundido com o dos
seus sócios e as transações de uma empresa não se misturam com as
de outras, ainda que estas sejam do mesmo grupo empresarial.

Patrimônio da pessoa jurídica é uma coisa, patrimônio da pessoa


física, outra coisa completamente diferente.

A Contabilidade é efetuada e mantida para as entidades como


pessoas completamente distintas das pessoas físicas (ou jurídicas)
dos sócios. Quando uma empresa efetua o pagamento de uma despe-
32
Contabilidade
Geral

sa, é o caixa desta que está desembolsando o dinheiro, e não o dono


da empresa, embora materialmente, muitas vezes, as duas coisas se
confundam. Este princípio confirma a distinção jurídica entre pessoas
físicas e jurídicas.

Exemplo: Pedro e Carlos resolveram constituir uma empresa,


sendo assim formado o seu patrimônio:

Pedro possui R$ 15.000,00 em sua conta bancária.

Carlos possui um veículo avaliado em R$ 25.000,00.

Ao constituírem a empresa WPC Ltda. ficou assim formado o


seu patrimônio:

Patrimônio inicial (capital) = R$ 40.000,00, sendo formado


por R$ 15.000,00 em dinheiro e R$ 25.000,00 um veículo.

Portanto, Pedro e Carlos transferiram o seu patrimônio (pessoa


física) para a empresa WPC Ltda. (pessoa jurídica) formando assim o
patrimônio inicial.

Concluímos que o patrimônio de Pedro e Carlos agora pertence


à empresa WPC Ltda. e não mais a eles.

Por exemplo, as contas de água, energia e telefone dos sócios


(Pedro e Carlos) não devem ser pagas com o dinheiro da empresa
(WPC Ltda.), assim como as contas da empresa não devem ser pagas
com recursos próprios dos sócios.
33
Tema 1
A Contabilidade

Princípio da Continuidade
Em regra, as empresas são criadas para existirem por tempo
indeterminado. Os registros contábeis (compra, venda, pagamentos,
recebimentos etc.) devem ser feitos levando sempre em consideração
a presunção de continuidade.

Sendo que quando existirem evidências de que a empresa irá se


descontinuar em decorrência de dificuldade financeira, ou de qualquer
outra causa, esse fato terá então de ser necessariamente considerado.

Este princípio apresenta importantes consequências para a


Contabilidade.

Se aceitarmos a hipótese de que a duração da empresa é in-


determinada, o procedimento de avaliação a ser adotado deverá ser
oposto ao que adotaríamos no caso de liquidação da empresa.

Exemplo: Na aquisição de um bem o seu registro e respectivo


valor serão com base no custo de aquisição (valor desembolsado pela
empresa), mas na hipótese da descontinuidade, a única forma possí-
vel de avaliar os bens de um patrimônio é com base nos seus possí-
veis valores a serem obtidos no caso de sua efetiva venda.

Princípio da Realização da Receita


A receita deve ser reconhecida no momento da transferência
do bem, ou seja, em regra, a receita é reconhecida no período con-
tábil em que é realizada. A realização usualmente ocorre quando
bens ou serviços são fornecidos a terceiros em troca de dinheiro
ou de outro bem.
34
Contabilidade
Geral

Este princípio escolhe, como ponto normal de reconhecimento


e registro da receita nos livros da empresa, aquele em que produtos
ou serviços são transferidos ao cliente, muitas vezes, coincide com o
momento da venda.

É possível reconhecer a receita em outros pontos do processo,


inclusive antes da venda ou do fim da produção. Exemplo típico é o
caso de produtos sujeitos a processo natural de crescimentos, como
vinho, gado, reservas florestais etc.

Exemplo: A Indústria Calçados Ltda., realiza uma venda de pro-


dutos (sapatos) no valor de R$ 13.500,00, sendo recebido 50% à vista
e o restante para 30 dias, portanto, a disponibilidade de entrega desses
produtos para o cliente será somente feita quinze dias após a venda. Con-
cluímos que a realização da receita somente será considerada quando os
produtos saírem da empresa, ou seja, forem transferidos para o cliente.

Princípio do Custo como Base de Valor


Todos os elementos do Ativo devem ser registrados na Contabi-
lidade pelo custo original de aquisição (valor expresso na nota fiscal de
compra) ou pelo custo ocorrido no processo de fabricação (no caso de
uma indústria).

Para o ativo, assim como, para os elementos necessários para


fabricação e colocação desses ativos em condições de gerar benefí-
cios, o custo de aquisição para a entidade representa a base de valor
para a contabilidade.

Exemplo: Ao adquirir uma mercadoria para revenda, integrando


esta o estoque da empresa, deve ser feito o seu registro pelo seu custo
de aquisição, ou seja, o valor expresso na nota fiscal.
35
Tema 1
A Contabilidade

Princípio da Confrontação das Despesas com as Receitas


A geração de receitas implica, em qualquer entidade, a realiza-
ção de despesas. As despesas realizadas para a geração de uma de-
terminada receita devem ser registradas dentro do mesmo período,
mesmo que o seu pagamento efetivo ocorra em período subsequente.

Em resumo, este princípio demonstra que as despesas são atribu-


ídas aos períodos de acordo com as receitas a que se referem, isto é, de
acordo como a data do fato gerador e não quando são pagas em dinheiro.

Por exemplo: a folha de pagamento dos funcionários da empre-


sa ABC Ltda., relativa ao mês de outubro, suponhamos, será conside-
rada despesa de outubro, mesmo que na prática o pagamento só seja
efetuado nos primeiros dias de novembro.

O fato gerador da despesa é o serviço prestado pelos funcioná-


rios, e não o pagamento do salário, que ajudou a produzir as receitas
em outubro.

Esse princípio, junto com o da Realização das Receitas, forma o


conhecido “Regime de Competência”.

Regime de Competência trata do registro das despesas e recei-


tas no momento do fato gerador e não no momento do pagamento
(despesas) ou recebimento (receitas).

Princípio do Denominador Comum Monetário


Deve avaliar os ativos de uma entidade com base sempre em
uma moeda comum.
36
Contabilidade
Geral

Não há impedimento para este princípio que a Contabilidade


levante as demonstrações corrigidas para fins fiscais e societários e
para efeito de análise de resultados reais.

A correção monetária operacional que modifica o valor dos sal-


dos devidos ou os valores a que temos direito pela inflação, não deve
ser confundida com a correção monetária contábil, que permite atra-
vés das demonstrações contábeis, avaliar melhor, em uma determina-
da data os resultados da empresa.

O Princípio do Denominador Comum Monetário defende que a


contabilidade e todos os itens avaliados devem ser feitos em uma úni-
ca moeda.

Exemplo: Uma empresa brasileira que contrai uma dívida origi-


nariamente em dólares será controlada em dólares, mas nos registros
contábeis no Brasil será expressa em reais.

Se a empresa tem uma obra de arte no seu ativo, recebida em


doação, por exemplo, para figurar na sua contabilidade ela deverá
avaliar essa obra de arte em reais.

Podemos compreender que todos os registros efetuados pela


contabilidade seguem determinações, como observância aos princí-
pios contábeis, pois somente assim é possível fornecer informação
estrutura e padronizada aos usuários.
37
Tema 1
A Contabilidade

LEITURA COMPLEMENTAR
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Deliberação CVM nº 29
de 05 de fevereiro de 1986. Disponível em: < http://www.cvm.
gov.br/asp/cvmwww/atos/exiato.asp?File=/deli/deli029.htm>.
Acesso em: 02 de jan. 2012.

Após a leitura dessa Deliberação instituída pela CVM, Comissão de Valores


Mobiliários, você obterá informações mais detalhadas a respeito dos Prin-
cípios Fundamentais de Contabilidade que, como estudamos, constituem a
principal teoria que sustenta e fundamenta a Contabilidade no Brasil.

PORTAL DE CONTABILIDADE. Harmonização Contábil Brasileira


às Normas Internacionais. Disponível em: <http://www.portal-
decontabilidade.com.br/noticias/harmonizacao_contabil.htm>.
Acesso em: 02 de jan. de 2012.

Aprofunde seus conhecimentos sobre o processo de harmonização


contábil. Será possível entender as mudanças ocorridas no cenário
contábil brasileiro em decorrência da padronização das normas con-
tábeis com as normas internacionais.

PARA REFLETIR
Após o estudo que desenvolvemos até aqui, você já sabe o que é a
Contabilidade e quais são os seus Princípios Fundamentais. Aproveite
para identificar na empresa que você trabalha ou junto a um contador
da sua cidade se o Princípio da Entidade é aplicado. Aproveite para
compartilhar em sala de aula com colegas e tutor.
38
Contabilidade
Geral

1.4
CONCEITO E COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO

Agora que já conhecemos o objeto da Contabilidade que é o Pa-


trimônio, precisamos agora conhecer a sua composição.

O patrimônio é composto pelos bens, direitos e obrigações ava-


liado em moeda e pertencente a uma pessoa (física ou jurídica).

Na Contabilidade, a palavra patrimônio tem amplo sentido, por um


lado significa o conjunto de bens e direitos que pertence a uma pessoa ou
empresa e por outro lado inclui as obrigações a serem pagas.

Apenas bens e direitos, não identifica a verdadeira situação de uma


pessoa ou empresa. É necessário demonstrar as obrigações, ou seja, as dívi-
das referentes aos bens e direitos. Por exemplo, se você disser que tem como
patrimônio um veículo e não fizer referência à dívida contraída com o banco
financiador, sua informação estará incompleta e pouco esclarecedora.

Vamos entender o que são os elementos que compõem o patri-


mônio (bens, direitos e obrigações).

Bens
Compreendem-se por bens as coisas úteis, que podem satisfa-
zer às necessidades das pessoas e das empresas e capazes de avalia-
ção econômica.

Os bens podem ser classificados em: tangíveis (materiais) ou


intangíveis (imateriais); e móveis ou imóveis.
39
Tema 1
A Contabilidade

Bens Tangíveis ou Materiais – têm existência física e exis-


tem como coisa ou objeto. Também são considerados os ob-
jetos que a empresa tem para uso ou consumo.
Exemplo: dinheiro, veículos, imóveis, estoque de mercado-
rias, móveis de escritório, ferramentas etc.;

Bens Intangíveis ou Imateriais – não possuem existência fí-


sica. Correspondem à investimentos de capital indispensá-
vel aos objetivos da empresa que, por sua natureza, devem
fazer parte do patrimônio e geram direitos de propriedade
aos seus possuidores.
Exemplo: as marcas que representam um bem significativo
para as empresas, como Mc Donalds e Schincariol.

As patentes de invenção, que é um documento garantido pelo Es-


tado, a uma pessoa ou empresa o direito exclusivo de explorar uma in-
venção. Pode ser patenteada a letra de uma música, uma fragrância etc.

Bens Móveis – podem ser removidos sem causar danos.


Exemplo: veículos, máquinas, estoques de mercadorias etc.;

Bens Imóveis – não podem ser removidos sem causar des-


truição ou dano, são vinculados ao solo.
Exemplo: prédios.

Segundo Marion (2009), se tivéssemos que avaliar na nossa


casa os bens tangíveis, seria apenas somar os eletrodomésticos, os
utensílios, os móveis... Já os bens intangíveis, seriam os mais impor-
tantes, algo muito precioso que você não pode avaliar monetariamen-
te: o amor, a comunhão entre os membros de sua família.
40
Contabilidade
Geral

Direitos
São todos os valores a serem recebidos de terceiros.

Exemplo: se a empresa efetua vendas a prazo ou prestação de serviço


a prazo – tem direito ao recebimento dessas vendas, esse direito denomina-
-se duplicatas a receber.

Se você deposita dinheiro em bancos – é um direito do depositante.

Os funcionários, ao prestarem os seus serviços, – tem um direito de


receber o seu salário. Esse direito denomina-se salários a receber.

Outros direitos: impostos a recuperar, aluguéis a receber etc.;

Obrigações
São todos os valores que se tem para pagar a terceiros. Compre-
endem dívidas com outras pessoas, isto é, compromissos que exigirão
o pagamento na data do vencimento.

Exemplo:

Salários a pagar – representa o pagamento dos salários dos


funcionários da empresa;

Empréstimos a pagar – representa um empréstimo bancá-


rio contraído pela empresa;

Duplicatas a Pagar ou Fornecedores – representa a compra


de mercadorias para revenda a prazo;
41
Tema 1
A Contabilidade

Outras obrigações: impostos a recolher, financiamento,


contas a pagar etc.;

Como você pode perceber os direitos e obrigações são fáceis de


conhecer, pois, na contabilidade, normalmente estão acompanhados
das seguintes expressões:

“a Receber”, “a Recuperar” – direitos.

“a Pagar”, “a Recolher” – obrigações.

Lembrando que há exceções a essa regra, pois Clientes repre-


sentam um direito e Fornecedores uma obrigação e não estão acom-
panhados das expressões citadas acima.

Patrimônio = Bens, Direitos e Obrigações.

Vamos acompanhar a composição do patrimônio da empresa


Souza & Santos Ltda.

Bens

Estoque de Mercadorias.......................... R$ 12.000,00


Veículos........................................................... R$ 30.000,00
Máquinas........................................................ R$ 9.000,00
Imóvel.............................................................. R$ 15.000,00
Total................................................................. R$ 66.000,00

Direitos

Duplicatas a Receber................................... R$ 10.000,00


Bancos Conta Movimento (depósito).......... R$ 4.500,00
Total................................................................. R$ 14.500,00
42
Contabilidade
Geral

Obrigações

Fornecedores................................................. R$ 24.000,00
Salários a Pagar............................................ R$ 12.000,00
Empréstimos a Pagar.................................. R$ 15.000,00
Total................................................................. R$ 51.000,00

Fica assim composto o patrimônio da empresa Souza & Santos Ltda.

Patrimônio Bruto = bens + direitos.

Patrimônio Bruto = R$ 66.000,00 + R$ 14.500,00 = R$


80.500,00, sendo que:

Patrimônio Líquido = R$ 66.000,00 (bens) + R$ 14.500,00 (di-


reitos) – R$ 51.000,00 (obrigações)

Patrimônio Líquido = R$ 29.500,00

Podemos representar o patrimônio por um gráfico em forma de


T. Vejamos:

PATRIMÔNIO
BENS OBRIGAÇÕES

DIREITOS

No lado esquerdo do gráfico estão representadas os bens e di-


reitos, relacionando os elementos positivos do patrimônio.

No lado direito do gráfico, estão representados as obrigações,


relacionando os elementos negativos do patrimônio.
43
Tema 1
A Contabilidade

O gráfico em T, quando utilizado para representar a situação pa-


trimonial de uma empresa, denomina-se Balanço Patrimonial.

Vamos imaginar uma balança de dois pratos em equilíbrio. O


Balanço lembra uma balança.

Para que ocorra o equilíbrio, é preciso que cada um dos pratos


contenha o mesmo peso. Assim deve ser apresentado o Balanço Pa-
trimonial: em equilíbrio.

É possível demonstrar graficamente a situação patrimonial e


financeira de qualquer tipo de ente, seja pessoa física, jurídica, de na-
tureza pública ou privada, com ou sem fins lucrativos.

Nos próximos temas abordaremos mais sobre o balanço


patrimonial.
44
Contabilidade
Geral

LEITURA COMPLEMENTAR
NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Bási-
ca. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

Para saber mais sobre a composição do patrimônio leia o tópico 1.5


(páginas 4 a 6). Após a leitura recomendada acima, você ampliará
seus conhecimentos a respeito da formação do patrimônio de uma
pessoa (física ou jurídica).

MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 10. ed. São Paulo:


Atlas, 2009.

Leia o tópico Patrimônio (páginas 34 a 38). Com esta leitura você terá
mais esclarecimentos sobre os elementos (bens, direitos e obriga-
ções) que compõem o patrimônio das entidades.

PARA REFLETIR
Agora que você já sabe sobre a composição do patrimônio de uma en-
tidade e que já conhece a sua representação gráfica. Analise a compo-
sição do patrimômio (Bens, Direitos e Obrigações) da empresa Sou-
za & Santos Ltda., citada neste conteúdo. Aproveite para discutir sua
análise com seus colegas e com o tutor.
45
Tema 1
A Contabilidade

RESUMO
Neste conteúdo tivemos a oportunidade de compreender os funda-
mentos da contabilidade, conhecer e analisar a definição de Contabili-
dade, como também o seu objetivo que é o estudo, controle e planeja-
mento do patrimônio e de suas variações visando ao fornecimento de
informações que sejam úteis para a tomada de decisões. Verificamos
que a Contabilidade tem por finalidade: o planejamento, controle e a
tomada de decisão. A partir daí estudamos o seu campo de aplicação
que são as pessoas e entidades com ou sem fins lucrativos e os usu-
ários que podem ser internos ou externos. Diante dessa importância,
explicamos os princípios fundamentais de contabilidade, que são de-
terminações legais, devendo ser observados e que trazem uma padro-
nização nos registros das variações do patrimônio de uma entidade.
Por fim, estudamos a formação do Patrimônio, sendo ele composto
por bens, direitos e obrigações.