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Concurso de Pessoas

M AT ER IAL DE
AP OIO
Concurso de Pessoas

CONCURS O DE PES S OAS

1. CONCEITO E REQUIS ITOS

É a colaboração empreendida por duas ou mais pessoas para a realização e um crime ou de


uma contravenção penal.

REQUIS ITOS • pluralidade de ag entes culpáveis;

• relevância causal das condutas para a produção do resultado;

• vínculo subjetivo;

• unidade de infração penal para todos os ag entes;

• existência de foto punível.

1.1 Plura lida de de a g e nte s culpá ve is

O concurso de pessoas depende de pelo menos duas pessoas, e, consequentemente, de ao


menos duas condutas penalmente relevantes. Essas condutas podem ser principa is , no caso
da coautoria, ou e ntão uma principa l e outra a ce s s ória , praticadas pelo autor e pelo
partícipe, respectivamente.

A teoria do concurso de pessoas desenvolveu-se para solucionar os problemas envolvendo os


crime s unis s ubje tivos ou de concurs o e ve ntua l (aqueles em reg ra cometidos por uma
única pessoa que admitem o concurso de ag entes). Nesses delitos, a culpabilidade dos
envolvidos é fundamental, sob pena de caracterização da autoria mediata, pois quem não g oza
desse juízo não tem capacidade para aderir à conduta alheia. Ex.: maior de 18 anos penalmente

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capaz encomenda a morte de sua sog ra a um menor de idade = autoria mediata.

No tocante aos crime s pluris s ubje tivos, plurila te ra is ou de concurs o ne ce s s á rio


(aqueles que exig em dois ou mais ag entes), a culpabilidade de todos os coautores ou partícipes
é prescindível; exig e-se somente a presença de um único ag ente culpável, podendo os demais
enquadrar-se em categ oria diversa. Ex.: crimes de rixa (CP, art. 137) e associação criminosa
(CP, art. 288). Da me s ma for ma , nos crime s e ve ntua lme nte pluris s ubje tivos (aqueles
g eralmente praticados por uma única pessoa, mas que têm a pena aumentada quando
praticados em concurso). Nesses crimes (necessariamente ou eventualmente plurissubjetivos)
há, portanto, um ps e udoconcurs o, concurs o impróprio, ou concurs o a pa re nte de
pe s s oa s .

Conclui-se, pois, que pa ra o concurs o de pe s s oa s não ba s ta a me ra plura lida de de


a g e nte s . Exig e -s e s e ja m todos culpá ve is .

1.2. Re le vâ ncia ca us a l da s conduta s pa ra a produção do re s ulta do

A conduta deve ser relevante, pois sem ela a infração penal não teria ocorrido como e quando
ocorreu. O art. 29, caput, do Códig o Penal fala "quem de qualquer modo concorre", mas vale
acrescentar: de s de q ue a conduta individua l influa e fe tiva me nte no re s ulta do. De fato,
a participação inócua, que em nada concorre para a realização do crime, é irrelevante para o
Direito Penal.

Uma vez demonstrada a efetiva colaboração no caso concreto, não se reclama a identificação
De todos os envolvidos na empreitada criminosa (STJ: HC 197.501/SP).

Esse requisito (relevância causal) depende de uma contribuição pré via ou concomita nte à
e xe cução , isto é, anterior à consumação. A concorrê ncia pos te rior à cons uma ção, e m
re g ra , config ura crime a utônomo . A contribuição pode a té s e r concre tiza da a pós a
cons uma ção, de s de q ue te nha s ido a jus ta da a nte riorme nte .

1.3. Vínculo s ubje tivo

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Esse requisito, também chamado de concurs o de vonta de s , impõe estejam todos os ag entes
lig ados entre si por um ne xo ps icológ ico , pois caso contrário haverão vários crimes
simultâneos – autoria colateral (STJ, REsp 1.306.731/RJ).

Os ag entes devem revelar vontade homog ênea, visando a produção do mesmo resultado =
princípio da conve rg ê ncia . Log o, não é possível a contribuição dolosa para um crime
culposo, nem a concorrência culposa para um delito doloso.

O vínculo subjetivo não depende, contudo, do prévio ajuste entre os envolvidos (pactum
sceleris ) . Basta a ciência por parte de um ag ente no tocante ao fato de concorrer para a
conduta de outrem (scientía sceleris ou scientia maleficii), chamada pela doutrina de "consciente
e voluntária cooperação", "vontade de participar", "vontade de coparticipar", "adesão à vontade
ele outrem" ou "concorrência de vontades".

Não se reclama a estabilidade na união, o que acarretaria a caracterização da associação


criminosa (CP, art. 288), se presentes pelo menos três pessoas e o fim específico de cometer
crimes. Nessa linha, decidiu o STF no famoso caso do "mensalão":

Não procede a aleg ação da defesa no sentido de que teria havido mero concurso de ag entes
para a prática, em tese, dos demais crimes narrados na denúncia (lavag em de dinheiro e, em
alg uns casos, corrupção passiva). Os fatos, como narrados pelo Procurador-Geral da
República, demonstram a; existência de uma associação prévia, consolidada ao long o tempo,
reunindo os, requisitos "estabilidade" e "finalidade voltada para a prática de crimes", além da
"união ele desíg nios" entre os acusados (lnq. 2.245/MG).

1.4. Unida de de infra ção pe na l pa ra todos os a g e nte s

Art. 29, CP - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade.

Adotou-s e a te oria unitá ria , monística ou monista: quem concorre para um crime, por ele
responde. Todos os coautores e partícipes se sujeitam a um único tipo penal: há um único crime

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e diversos ag entes.

Exce pciona lme nte , contudo, o CP abre espaço para a te oria plura lis ta , pluralística, da
cumplicidade do crime distinto ou autonomia da cumplicidade, pela qual se separam as
condutas, com a criação de tipos penais diversos para os ag entes que buscam um mesmo
resultado. Exemplos:

a) aborto provocado por terceiro com o consentimento da g estante: ao terceiro imputa-se o


crime do art. 126, enquanto à g estante incide o crime do art. 124, in fine ;

b) big amia: quem já é casado pratica o crome do art. 235, caput, ao passo que aquele que não
é casado responde pelo §1º do mesmo dispositivo;

c) o funcionário público pratica corrupção passiva (art. 317) e o particular, corrupção ativa
(art. 333);

d ) quem presta falso testemunho ou falsa perícia responde pelo Art. 342, caput, enquanto
que quem dá, oferece ou promete dinheiro ou qualquer outra vantag em para que isto seja
feito, responde pelo art. 343, caput.

Em sede doutrinária ainda despontam outras duas teorias: dualista e mista. Para a teoria
dualista, idealizada por Vicenzo Manzini, há dois crimes distintos: um para os coautores e outro
para os partícipes. Por fim, para a teoria mista, proposta por Francesco Carnelutti, “o delito
concursal é uma soma de delitos sing ulares, cada um dos quais pode ser chamado delito em
concurso. (...) o primeiro não constitui uma entidade autônoma, mas elemento de um delito
complexo que é o concursal”.

1.5. Exis tê ncia de fa to puníve l

Princípio da e xte riorida de : requer, em seu limite mínimo, o início da execução para que haja
crime.

Art. 31, CP: O ajuste, a determinação ou instig ação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não cheg a, pelo menos, a ser tentado.

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2. AUTORIA

2.1 Te oria s

a ) te oria s ubje tiva ou unitá ria : não diferencia o autor do partícipe. Autor é aquele que de
qualquer modo contribuir para a produção de um resultado penalmente relevante. Seu
fundamento repousa na teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non, pois
qualquer colaboração para o resultado, independente do seu g rau, a ele deu causa. Uma
evidência dessa posição ainda existe no art. 349:

Art. 349, CP: Prestar a criminoso, fora cios casos de coa utoria ou de receptação, auxílio
destinado a tomar seg uro o proveito do crime.

b) te oria e xte ns iva : também se fundamenta na teoria da equivalência dos antecedentes, não
disting uindo o autor do partícipe. É, todavia, mais suave, porque admite causas de diminuição
da pena para estabelecer diversos g raus de autoria. Aparece nesse âmbito a fig ura do cúmplice:
autor que concorre de modo menos importante para o resultado.

c) te oria obje tiva ou dua lis ta : opera nítida distinção entre autor e partícipe. É a atualmente
adotada pelo CP.

c.1) teoria objetivo-formal:

- autor é quem realiza o núcleo ("verbo") do tipo penal, ou seja, a conduta criminosa descrita
pelo preceito primário da norma incriminadora;

- partícipe é quem de qualquer modo concorre para o crime, sem praticar o núcleo do tipo.

A atuação do partícipe seria impune se não existisse a norma de extensão pessoal prevista no
art. 29, caput, do Códig o Penal. A adequação típica, na participação, é de subordinação mediata.

Nesse contexto, o autor intelectual, é dizer, aquele que planeja mentalmente a conduta
criminosa, é partícipe, e não autor, eis que não executa o núcleo do tipo penal.

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Essa teoria é a preferida pela doutrina nacional e tem o mérito de diferenciar precisamente a
autoria da participação. Falha, todavia, ao deixar em aberto o instituto da autoria mediata (o
autor realiza indiretamente o núcleo do tipo, valendo-se de pessoa sem culpabilidade).

c.2) teoria objetivo-material:

- autor é quem presta a contribuição objetiva mais importante para a produção do resultado, e
não necessariamente aquele que realiza no núcleo do tipo penal;

- partícipe é quem concorre de forma menos relevante, ainda que mediante a realização do
núcleo do tipo.

c.3) teoria do domínio do fato (Hans Welzel):

- amplia o conceito de autor, definindo-o como aquele que tem o controle final do fato, ainda
que não realize o núcleo do tipo penal; aquele que tem a capacidade de fazer continuar e de
impedir a conduta. Por corolário, o conceito de autor compreende:

a) o autor propriamente dito: é aquele que pratica o núcleo do tipo penal;

b) o autor intelectual: é aquele que planeja mentalmente a empreitada criminosa. É autor, e não
partícipe, pois tem poderes para controlar a prática do fato punível. Exemplo: o líder de uma
org anização criminosa pode ordenar, interromper e retomar a execução do delito como melhor
lhe aprouver;

c) o autor mediato: é aquele que se vale de um inculpável ou de pessoa que atua sem dolo ou
culpa para cometer a conduta criminosa; e

d) os coautores: o núcleo do tipo penal é realizado por dois ou mais ag entes.

- partícipe é quem de qualquer modo concorre para o crime, desde que não realize o núcleo do
tipo penal nem possua o controle final do fato; é mero concorrente acessório; só possui o
domínio da vontade da própria conduta.

A teoria do domínio do fato somente tem aplicação nos crimes dolosos, pois não se pode
conceber o controle final de um fato não desejado pelo autor da conduta (culposo). Padece da
mesma deficiência da teoria finalista da conduta, criticada por não

se encaixar nesses delitos.

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2. 2. Te oria a dota da pe lo Códig o Pe na l

O art. 29, caput, do Códig o Penal, acolheu a te oria re s tritiva , no prisma obje tivo-forma l.

Autor é quem realiza o núcleo do tipo penal; partícipe é quem de qualquer modo concorre para
o crime, sem executar a conduta criminosa. A teoria deve, todavia, ser complementada pela
teoria da a utoria me dia ta .

Destaque-se que no julg amento do "mensalão" alg uns ministros do STF se filiaram à teoria do
domínio do fato. Essa teoria também g anhou força com a edição da Lei do Crime Org anizado:

Art. 2.º, § 3.º: A pena é ag ravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da
org anização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.

3. PUNIBILIDADE NO CONS URS O DE PES S OAS

Conforme explanado acima, o art. 29, caput, do Códig o Penal filiou-se à teoria unitária ou
monista. A ide ntida de de crime , contudo, não importa a utoma tica me nte e m
ide ntida de de pe na s . O art. 29, caput, do Códig o Penal curvou-se ao princípio da
culpabilidade, ao empreg ar em sua parte final a expressão "na me dida de s ua
culpa bilida de ". Nesses termos, as penas devem ser individualizadas no caso concreto,
levando-se em conta o sistema trifásico delineado pelo art. 68 do Códig o Penal.

Ademais, é importante destacar que um autor ou coautor não necessariamente deverá ser
punido mais g ravemente do que um partícipe. O fator decisivo para tanto é o caso concreto,
levando-se em conta a culpabilidade de cada ag ente.

Nesse sentido, um autor intelectual (partícipe) normalmente deve ser punido de forma mais
severa do que o autor do delito, pois sem a sua vontade, sem a sua ideia o crime não ocorreria:

Art. 62, I: "A pena será ainda ag ravada em relação ao ag ente que promove, ou org aniza a
cooperação no crime ou dirig e a atividade dos demais ag entes".

Em suma, o autor intelectual, além de responder pelo mesmo crime imputado ao autor, tem
contra si, por mandamento leg al, uma ag ravante g enérica.

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4. COOPERAÇÃO DOLOS AMENTE DIS TINTA

Também chamada de desvios subjetivos entre os ag entes ou participação em crime menos


g rave.

Art. 29, § 2º, CP: "Se alg um dos concorrentes quis participar de crime menos g rave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até a 1/2 (metade), na hipótese de ter sido
previsível o resultado mais g rave".

1ª pa rte : S e a lg um dos concorre nte s q uis pa rticipa r do crime me nos g ra ve ,


s e r-lhe -á a plica da a pe na de s te .

Essa reg ra constitui-se em corolário lóg ico da teoria unitária ou monista adotada pelo CP.
Destina-se, ainda, a afastar a responsabilidade objetiva no concurso de pessoas.

Dois ou mais ag entes cometeram dois ou mais crimes, sendo que em relação ao mais g rave,
não estavam lig ados pelo vínculo subjetivo, isto é, não tinham unidade de propósitos quanto à
produção do resultado.

Exemplo: "A" e ''B", pretendendo furtar um automóvel, tentavam abrir a porta do veículo, sendo
que surg e seu proprietário. "A" fog e, mas “B”, que trazia consig o um revólver, circunstância
que não havia comunicado ao seu comparsa, atira na vítima, matando-a = "A" responde por
tentativa de furto (CP, art. 155 c/c o art. 14, II) e "B" por latrocínio consumado (CP, art. l 57, §3º,
in fine ).

Em tal situação não há concurso de pessoas, pois o vínculo subjetivo existia somente no tocante
ao crime menos g rave. Veda-se, destarte, a responsabilidade penal objetiva, pois não ag iu com
dolo ou culpa.

Finalmente, o Códig o Penal empreg ou a palavra "concorrente" de forma g enérica, com o


escopo de eng lobar tanto o autor como o partícipe.

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2.ª pa rte : Es s a pe na s e rá a ume nta da a té a 1/2 (me ta de ), na hipóte s e de te r
s ido pre vis íve l o re s ulta do ma is g ra ve .

O crime mais g rave não pode ser imputado, em hipótese alg uma, àquele que apenas quis
participar de um crime menos g rave, sem qualquer majoração da pena, ainda que fosse o crime
mais g rave previsível àquele que concorreu exclusivamente ao crime menos g rave.

Pode ocorrer, contudo, de a conduta ser mais reprovável, situação em que a pena do crime
menos g rave poderá ser aumentada até a 1/2 (metade). No exemplo acima, imag inemos que
"A" tinha ciência de que "B" andava armado com frequência e já tinha matado diversas
pessoas.

Essa previsibilidade deve ser aferida de acordo com o juízo do homem médio, ou seja,
mediante prudência razoável e intelig ência comum

5. MODALIDADE DE CONCURS O DE PES S OAS : COAUTORIA E


PARTICIPAÇÃO

5.1 Coa utoria

Dois ou mais autores unidos entre si pela busca do mesmo resultado.

Coautoria parcial, ou funcional é aquela em que os diversos ag entes praticam atos diversos, os
quais, somados, produzem o resultado almejado. Ex.: "A" seg ura a vítima enquanto "B" a
esfaqueia.

Coautoria direta ou material é aquela em que os ag entes realizam atos ig uais, visando a
produção do resultado. Ex.: "A" e "B'' g olpeiam "C" com uma faca.

Coa utoria , crime s próprios e crime s de mão própria

Crimes próprios ou especiais são aqueles em que o tipo penal exig e uma situação de fato ou de
direito diferenciada por parte do sujeito ativo. Ex.: peculato (CP, art. 312), cujo sujeito ativo
deve ser funcionário público; infanticídio (CP, art. 123), que precisa ser praticado pela mãe,

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durante o parto ou log o após, sob a influência do estado puerperal.

Crimes de mão própria, de atuação pessoal ou de conduta infung ível, são os que somente
podem ser praticados pelo sujeito expressamente indicado pelo tipo penal. Ex.: falso
testemunho (CP, art. 342).

Os crime s próprios pode m s e r pra tica dos e m coa utoria . Ex.: funcionários públicos que,
juntos, subtraem bens pertencentes à Administração Pública. Ademais, é pos s íve l q ue s e ja
um crime próprio come tido e m concurs o com te rce ira pe s s oa q ue não pos s ua e s s a
q ua lida de e xig ida e m le i . Exemplo: funcionário + particular = ambos respondem por
peculato. Isto porque, conforme o art. 30, CP, por ser a condição de funcionário público
e le me nta r do peculato, comunica - s e a q ue m pa rticipa do crime , de s de q ue de la te nha
conhe cime nto.

Os crime s de mão própria , por sua vez, s ão incompa tíve is com a coa utoria , visto que só
podem ser praticados exclusivamente pela pessoa taxativamente indicada pelo tipo penal.
Existe somente uma exceção a esta reg ra, relativa ao crime de fa ls a pe rícia (CP art. 342)
praticado em concurso por dois ou mais peritos, contadores, tradutores ou intérpretes, como
na hipótese em que dois peritos subscrevem dolosamente o mesmo laudo falso. Tra ta -s e e le
crime de mão própria come tido e m coa utoria .

O e xe cutor de re s e rva

É o ag ente que acompanha, presencialmente, a execução da conduta típica, ficando à


disposição, se necessário, para nela intervir. Se intervier será tratado como coautor, e, em caso
neg ativo, como partícipe.

Coa utoria s uce s s iva

Ocorre quando a conduta, iniciada em autoria única, se consuma com a colaboração de outra
pessoa, mas sem prévio e determinado ajuste. Ex.: se um dos ag entes g olpeou a vítima com
socos e pontapés na cabeça, jog ando-a ao chão, e mais adiante seu companheiro ating e-a
outra vez na cabeça, respondem ambos, em coautoria sucessiva, pelo resultado.

Coa utoria e m crime s omis s ivos

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1ª posição: É possível a coautoria em crimes omissivos, sejam eles próprios (ou puros), ou ainda
impróprios (espúrios ou comissivos por omissão) - Posição defendida pelos principais
doutrinadores.

Ex.: duas pessoas podem, caminhando pela rua, deparar-se com outra, ferida, em busca de
ajuda, sendo que ambos resolvem ir embora = coautoras do crime de omissão de socorro (art.
135, CP).

2ª posição: Não se admite a coautoria em crimes omissivos, qualquer que seja a sua natureza -
isto porque cada um dos sujeitos detém o seu dever de ag ir - imposto pela lei a todos, nos
próprios, ou pertencente a pessoas determinadas (CP, art. 13, § 2º), nos impróprios ou
comissivos por omissão -, de modo individual, indivisível e indeleg ável.

A a utoria me dia ta

Cuida-se de construção doutrinária. Trata-se da espécie de autoria em que alg uém, o "sujeito de
trás" se utiliza, para a execução da infração penal, de uma pessoa inculpável ou que atua sem
dolo ou culpa.

(1) autor mediato: quem ordena a prática do crime;

(2) autor imediato: aquele que executa a conduta criminosa.

Ine xis te vínculo s ubje tivo = ine xis te concurs o de a g e nte s. S ome nte a o a utor
me dia to pode s e r a tribuída a proprie da de do crime . Nada impede, todavia, a coautoria
mediata e participação na autoria mediata.

Ex.: "A" e "B" pedem a "C'', inimputável, que mate alg uém (coautoria mediata), ou, então, "A"
induz "B", ambos imputáveis, a pedir a "C'', menor de idade, a morte de outra pessoa
(participação na autoria mediata).

S ITUAÇÕES EM QUE PODE OCORRER A AUTORIA MEDIATA PREVIS TAS


NO CP

a) inimputabilidade penal do executor por menoridade penal, embriag uez ou doença mental

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(CP, art. 62, III);

b) coação moral irresistível (CP, art. 22);

c) obediência hierárquica (CP, art. 22);

d) erro de tipo escusável, provocado por terceiro (CP, art. 20, § 2º); e

e) erro de proibição escusável, provocado por terceiro (CP, art. 21, caput).

Além delas, outros casos podem ocorrer, nas hipóteses em que o ag ente atua sem dolo ou
culpa, tais como na coação física irresistível, no sonambulismo e na hipnose.

Autoria me dia ta e crime s culpos os

A autoria mediata é incompatível com os crimes culposos, pois nesses crimes o resultado
naturalístico é involuntariamente produzido pelo ag ente.

Autoria me dia ta , crime s próprios e de mão própria

Entende-se pela a dmis s ibilida de da a utoria me dia ta nos crime s próprios , desde que o
autor mediato detenha todas as qualidades ou condições pessoais reclamadas pelo tipo penal.
Ex.: funcionário público pode se valer de um subalterno sem culpabilidade, em decorrência da
obediência hierárquica, para praticar um peculato.

Todavia, prevalece o entendimento de que a a utoria me dia ta é incompa tíve l com os


crime s de mão própria , porque a conduta somente pode ser praticada pela pessoa
diretamente indicada pelo tipo penal. Es s a re g ra , contudo, comporta e xce çõe s q ue
pode m s urg ir no ca s o concre to . Ex.: a testemunha seja coag ida, irresistivelmente, a prestar
um depoimento falso para beneficiar o autor da coação = autoria mediata; somente será punido
o autor da coação (art. 22, CP).

Autoria por de te rmina ção

Partamos de desta constatação: por tratar-se de crime próprio, não pode ser autor aquele que,

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sem ser funcionário, vale-se de um funcionário público para cometer um delito de corrupção
passiva, quando o funcionário ag e, por exemplo, em erro de tipo, porque crê que aquilo que lhe
é entreg ue não tem valor econômico. Mas também não pode ser punido como instig ador,
porque o funcionário ag e atipicamente e, portanto, falta o injusto de que a instig ação deve ser
acessória.

Aparentemente o particular ficaria impune. Mas, perg unta-se, o ag ente não concorre de
qualquer modo para o delito? Respondendo afirmativamente, Zaffaroni e Pierang eli concluem
que, embora o particular não seja autor nem partícipe do delito, é autor da determinação para o
crime:

“Deve ficar claro, q ue não s e tra ta de a utoria do de lito, ma s um


tipos e s pe cia l de concorrê ncia , em que o autor só pode ser apenado
como autor da determinação em si, e não do delito a que tenha
determinado. (...) o sujeito não é apenado como autor de corrupção
passiva, mas como autor da determinação à corrupção passiva.[1]

Autor por de te r mina ção é , porta nto, q ue m s e va le de outro, q ue : não re a liza


conduta puníve l, por a us ê ncia de dolo, e m um crime de mão própria ; não re úne a s
condiçõe s le g a lme nte e xig ida s pa ra a prá tica de um crime próprio . Ou seja, o autor
por determinação é aquele que se utiliza de quem possui tais qualidades e se comporta de
forma atípica, ou acobertado por uma causa de exclusão da ilicitude ou culpabilidade.

Autoria de e s critório

Intimamente relacionada com a teoria do domínio do fato, constituindo-se em autoria mediata


particular ou autoria mediata especial.

É autor de escritório o ag ente que transmite a ordem a ser executada por outro autor direto,
dotado de culpabilidade e passível de ser substituído a qualquer momento por outra pessoa, no
âmbito de uma org anização ilícita de poder. Exemplo: o líder do PCC dá as ordens a serem
seg uidas por seus comandados (muito comum nos g rupos terroristas).

A te oria do domínio da org a niza ção

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Apresentada por Claus Roxin, funciona como a base do conceito de autoria de escritório. Nas
org anizações criminosas, é difícil punir os detentores do comando, pois tais pessoas não
executam as condutas típicas. Nesse contexto, o penalista alemão, utilizando-se da teoria do
domínio do fato, amplia o alcance da autoria mediata, para leg itimar a responsabilização do
autor direto do crime, bem como do seu mandante, quando presente uma relação de
subordinação entre eles, no âmbito de uma estrutura org anizada de poder ilícito, situada às
marg ens do Estado.

5.2. Pa rticipa ção

É qualquer tipo de colaboração, desde que não relacionada à prática do verbo contido na
descrição da conduta criminosa. Exemplo: aquele que, ciente do propósito criminoso do autor,
e disposto a com ele colaborar, empresta uma arma de fog o municiada para ser utilizada na
execução de um assassinato.

Requisitos: (1) propósito de colaborar para a conduta do autor (principal); e (2) colaboração
efetiva; comportamento acessório que concorra para a conduta principal.

Es pé cie s

Participação moral

Não há colaboração com meios materiais, mas apenas com ideias ilícitas.

Induzir é fazer surg ir na mente de outrem a vontade criminosa, até então inexistente.
Ins tig a r é reforçar a vontade criminosa que já existe na mente de outrem.

O induzimento e a instig ação devem ser relacionados à prática de crime determinado e


direcionado a pessoa ou pessoas determinadas. Assim sendo, se alg uém induzir ou instig ar
pessoas indeterminadas à realização de um crime, necessariamente determinado, será autor de
incitação ao crime (art. 286, CP).

O induzimento normalmente ocorre na fase de cog itação, mas nada impede que ocorra
durante os atos preparatórios. Já a instig ação, é possível até mesmo durante a execução,

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principalmente para impedir a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. Frise-se ser o
induzime nto incompa tíve l com os a tos e xe cutórios .

Participação material

Auxilia r consiste em facilitar, viabilizar materialmente a execução, sem, contudo, realizar a


conduta descrita pelo núcleo do tipo.

Pode ser efetuado durante os atos preparatórios ou executórios, mas nunca após a
consumação, salvo se ajustado previamente . Ca s o e fe tua do a pós a cons uma ção, ma s s e m
a jus te pré vio, config ura rá crime a utônomo de fa vore cime nto pe s s oa l (a rt. 348, CP).

Punição do pa rtícipe : te oria s da a ce s s orie da de

A conduta do partícipe tem natureza acessória, pois não realiza o núcleo do tipo penal. Log o,
sem a conduta principal, praticada pelo autor, a atuação do partícipe, em

reg ra, é irrelevante (STJ, HC 129.078/SP). A adequação típica tem subordinação mediata, por
força da norma de extensão pessoal prevista no art. 29, caput, do Códig o Penal.

Art. 31, CP: o ajuste, a determinação ou instig ação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não cheg a, pelo menos, a s e r te nta do .

TEORIAS S OBRE A ACES S ORIEDADE DA CONDUTA DO PARTÍCIPE

É suficiente tenha o autor praticado um fato típico.

Ace s s orie da de Implica na equivocada punição do partícipe quando o autor ag iu


mínima acobertado por uma causa de exclusão da ilicitude, ou seja, quando
não praticou uma infração penal.

Ace s s orie da de É suficiente tenha o autor praticado um fato típico + ilícito.


limita da
É a posição preferida pela doutrina pátria, mas não resolve o
problema da autoria mediata (quando não há liame subjetivo).

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Ace s s orie da de Reclama tenha o autor praticado um fato ato típico + ilícito +
má xima ou e xte rna praticado por ag ente culpável.

Hipe ra ce s s orie da de Reclama tenha o autor praticado um fato típico + ilícito + ag ente
culpável + punição efetiva do ag ente no caso concreto, a exemplo de
quando o executor morre.

O CP não a dotou e xpre s s a me nte ne nhuma de s s a s te oria s . De acordo com sua


sistemática, entretanto, devem ser afastadas acessoriedade mínima e a hiperacessoriedade, de
modo que o inté rpre te de ve opta r e ntra a a ce s s orie da de limita da e a a ce s s orie da de
má xima , de pe nde ndo do tra ta me nto dis pe ns a do a o ins tituto da a utoria me dia ta .

Pa rticipa ção de me nor importâ ncia

Art. 29, § 1º, CP - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de
um sexto a um terço.

Cuida-se de ca us a de diminuição da pe na aplicável na terceira fase da fixação da pena. Em


que pesem posições em contrário, trata-se de dire ito s ubje tivo do ré u , devendo o
mag istrado diminuir a pena quando provada a config uração; a discricionariedade do
mag istrado diz respeito apenas ao quantum da redução, nos limites leg ais.

Participação de menor importância é aquela de reduzida eficiência causal, de modo que


contribui pa ra a obte nção do re s ulta do, ma s de for ma me nos de cis iva , razão pela qual
deve ser aferida exclusivamente no caso concreto. Nesse sentido, o melhor critério para sua
constatação é o da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non).

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Anote-se que a s condiçõe s pe s s oa is do s uje ito (primário, reincidente, perig oso ou não)
não impe de m a re dução da pe na , posto que relacionada ao comportamento adotado por
ele.

Não é possível a aplicação da diminuição ao coautor, por ausência de previsão leg al, além do
que o coautor sempre tem papel decisivo (STJ, HC 20.819/MS).

Além disso, prevalece na doutrina o entendimento de que o dispositivo leg al não s e a plica a o
a utor inte le ctua l, embora seja partícipe, pois, se arquitetou o crime, evidentemente a sua
participação não se compreende como de menor importância.

Não confundir com participação inócua, aquela que em nada contribuiu para o resultado, que é
penalmente irrelevante.

Pa rticipa ção impuníve l

Art. 31, CP: "O ajuste, a determinação ou instig ação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não cheg a, pelo menos, a ser tentado".

A impunibilidade prevista no dispositivo leg al não deve ser atribuída ao ag ente, mas ao fato.
Cuida-se de ca us a de a tipicida de da conduta do pa rtícipe , e não de causa de isenção da
pena.

A jus te é o acordo traçado entre duas ou mais pessoas. De te rmina ção é o que foi decidido
por alg uém, almejando uma finalidade específica. Ins tig a ção é o reforço para a realização de
alg o a que uma pessoa já estava determinada a fazer. E, por fim, a uxílio é a colaboração
material prestada a alg uém para ating ir um objetivo.

O comportamento do partícipe só adquire relevância penal se o autor (conduta principal) iniciar


a execução do crime (princípio da e xe cutivida de da pa rticipa ção ), ing ressando na esfera
da tentativa (art. 14, II, CP). Destarte, não é punível, exemplificativamente, o simples ato de
contratar um pistoleiro profissional para matar alg uém, enquanto este não praticar atos de
execução, por se tratar de causa de atipicidade do fato.

As exceções, conforme exig ido pelo próprio dispositivo, devem estar previstas em lei. É o que

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se dá nos delitos de incitação ao crime (CP, art. 286) e de associação criminosa (CP, art. 288 -
existe o delito com a associação estável e permanente, ainda que os ag entes não venham
efetivamente a praticar nenhum delito).

Pa rticipa ção por omis s ão

A participação por omissão é possível, de s de q ue o omite nte tive s s e o de ve r de a g ir


pa ra e vita r o re s ulta do , por se enquadrar em alg uma das hipóteses delineadas pelo art.13, §
2.º, do Códig o Penal.

Conivê ncia , pa rticipa ção ne g a tiva , crime s ile nte , ou concurs o a bs oluta me nte
ne g a tivo

Situações em que o sujeito não está vinculado à conduta criminosa e não possui o dever de ag ir
para impedir o resultado. Exemplo: um transeunte assiste ao roubo de uma pessoa
desconhecida e nada faz. Não é pa rtícipe .

Pa rticipa ção s uce s s iva

Casos em que um mesmo sujeito é instig ado, induzido ou auxiliado por dua s ou ma is
pe s s oa s, ca da q ua l de s conhe ce ndo o comporta me nto a lhe io , para executar urna
infração penal. A participação sucessiva deve ter sido capaz de influir no propósito criminoso,
pois, se a ideia já estava perfeitamente sedimentada na mente do ag ente, será inócua a
participação posterior, impedindo a punição do seu responsável.

Pa rticipa ção e m ca de ia ou pa rticipa ção da pa rticipa ção

Casos em que alg uém induz ou instig a uma pessoa, para que esta posteriormente induza,
instig ue ou auxilie outro indivíduo a cometer um crime determinado.

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Pa rticipa ção e m a ção a lhe ia

Vimos que o partícipe deve, necessariamente, estar subjetivamente vinculado à conduta do


autor, de modo que não se admite a participação culposa em crime doloso, e vice-versa.

Ma s é possível o envolvimento em ação alheia, de terceira pessoa, com elemento subjetivo


distinto, quando a lei cria para a situação dois crimes diferentes, mas lig ados um ao outro .
Aquele que colabora culposamente para a conduta alheia responde por delito culposo,
enquanto ao autor, que ag e com consciência e vontade, deve ser imputado um crime doloso.
Repita-se, são dois crimes autônomos, embora dependentes entre si.

Ex.: art. 312, § 2.º, do Códig o Penal = imag inemos que um funcionário público, ao término de
seu expediente, esqueça aberta a janela do seu g abinete, ocasionando a entrada de um ag ente
que subtrai um computador pertencente ao Estado. O funcionário público desidioso responde
por peculato culposo, e o particular por furto.

Não há concurs o de pe s s oa s , e m fa ce da a us ê ncia do lia me s ubje tivo.

6. CIRCUNS TÂNCIAS INCOMUNICÁVEIS

Circunstâncias incomunicáveis são as que não se estendem aos coautores ou partícipes de uma
infração penal.

Art. 30 do Códig o Penal: "Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter


pessoal, salvo quando elementares do crime".

ELEMENTARES CIRCUNS TÂNCIAS

São os dados fundamentais que integ ram a São os fatores que se ag reg am ao tipo
definição básica de urna infração penal. fundamental, para o fim de aumentar ou
diminuir a pena. Ex.: homicídio - "relevante
Ex.: homicídio – “matar” “alg uém” valor moral" (§ 1º), o "motivo torpe" (§2º, I) e
o "motivo fútil" (§ 2.º, II), dentre outras.

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ES PÉCIES

S ubje tiva s, ou de ca rá te r pe s s oa l : se relacionam à pessoa do ag ente, e não ao fato


por ele praticado. Ex.: a condição de funcionário público, no peculato (CP, art. 312); os
motivos do crime no homicídio (CP, art. 121, §§ l.º e 2.º, I, II e V).
Obje tiva s, ou de ca rá te r re a l : dizem respeito ao fato, à infração penal cometida, e
não ao ag ente. Ex.: o empreg o de violência contra a pessoa, no roubo (CP, art. 157,
caput); o meio no homicídio (CP, art. 121, §2º, lll).

O crité rio q ue me lhor pos s ibilita a dis tinção é o da e xclus ão ou da e limina ção . Com
efeito, excluindo-se uma elementar, o fato se torna atípico, ou então se opera a desclassificação
para outra infração penal. Por outro lado, a exclusão de uma circunstância tem o condão de
apenas aut1entar ou diminuir a pena de uma infração penal.

OBS .: NÃO CONFUNDIR - Condiçõe s pe s s oa is (art. 30 do Códig o Penal) são as


qualidades, os aspectos subjetivos inerentes a determinado indivíduo, que o acompanham em
qualquer situação, isto é, independem da prática da infração penal. É o caso da reincidência e
da condição de menor de 21 anos.

Neste sentido, é possível extrair três re g ra s do a rt. 30 do Códig o Pe na l:

1ª As circunstâncias e condições de caráter pessoal, ou subjetivas, NUNCA se comunicam.

2ª Comunicam-se as circunstâncias de caráter real, ou objetivas: é necessário, porém, que


tenham ing ressado na esfera de conhecimento dos demais ag entes, para evitar a
responsabilidade penal objetiva.

3ª Comunicam-se as elementares, sejam objetivas ou subjetivas: é necessário, porém, que


tenham ing ressado na esfera de conhecimento dos demais ag entes, para evitar a
responsabilidade penal objetiva.

OBS.: a s e le me nta re s, me s mo q ue de índole pe s s oa l, s e mpre s e comunica rão a os

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coa utore s e pa rtícipe s .

Tomemos como exemplo o estado puerperal no infanticídio. Note que terceira pessoa que
eventualmente auxilie a mãe está em sua plena condição física e psicológ ica, mas mesmo
assim será beneficiado. Destarte, justa ou não a situação, a lei fala em elementares, e, seja qual
for sua natureza, é necessário que se estendam a todos os coautores e partícipes.

7. O EXCES S O NO MANDATO CRIMINAL

O mandato g uarda íntima relação com a fig ura do autor intelectual, em que alg uém (partícipe)
delibera sobre a prática de uma infração penal e transmite a outrem (autor) a tarefa de executá-
lo. Caso ocorra falta de coincidência entre a vontade do partícipe e o comportamento do autor,
a questão eleve ser solucionada com base nas reg ras inerentes à cooperação dolosamente
distinta e à comunicabilidade das elementares e circunstancias, desde que tenham ing ressado
na esfera de conhecimento de todos os ag entes (CP, arts. 29, § 2.º, e 30).

8. QUES TÕES DIVERS AS

8.1 Autoria cola te ra l, coa utoria imprópria ou a utoria pa re lha

Ocorre quando duas ou mais pessoas intervêm na execução de um crime, buscando ig ual
resultado, embora cada uma delas ig nore a conduta alheia.

Exemplo: "A" e "B" escondem-se, sem saber da existência do outro, atrás de árvores. Quando
"C", inimig o de ambos, por ali passa, ambos contra ele efetuam disparos de armas de fog o. "C"
morre, revelando o exame necroscópico em razão dos disparos orig inários da arma de "A".

Não há concurs o de pe s s oa s, pois e s ta va a us e nte o vínculo s ubje tivo entre "A" e ''B".
Porta nto, ca da um dos a g e nte s re s ponde pe lo crime a q ue de u ca us a : "A'' por
homicídio consumado, e ''B" por tentativa de homicídio. Se ficasse demonstrado que os tiros de
"B" ating iram o corpo de "C" quando já estava morto, "B" ficaria impune, por torça da

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caracterização do crime impossível (impropriedade absoluta do objeto - CP, art. 17).

8.2 Autoria ince rta

Surg e no campo da autoria colateral, quando mais de uma pessoa é indicada como autora do
crime, mas não se apura com precisão qual foi a conduta que efetivamente produziu o resultado.

Suponha que no exemplo acima não é possível aferir quem desferiu o tiro fatal. Em tal situação,
não se pode imputar o resultado morte para "A" e "B", e como não há concurso de pessoas,
a mbos de ve m re s ponde r por te nta tiva de homicídio . De fato, ambos produziram atos de
execução (atiraram), mas, por não se saber quem de fato provocou a morte da vítima, não se
pode responsabilizar qualquer deles pelo homicídio consumado, aplicando-se o princípio in
dubio pro re o .

Há casos, todavia, que causam estranheza ainda maior. Suponha que A e B,


independentemente, planejavam matar C misturando veneno à sua comida. Durante um
almoço com C, A adiciona veneno de rato à sua comida. Sendo que log o após o almoço, C se
encontra com B em uma cafeteria, momento em que este adiciona outro tipo de veneno ao seu
café. C morre.

Um dos ag entes praticou homicídio, e o outro, crime impossível por ineficácia absoluta do meio
(CP, art. 17), sendo que, como não é possível aferir a conduta de cada um, a única solução é o
a rq uiva me nto do inq ué rito policia l, a plica ndo a a mbos o crime impos s íve l, já que não
há concurso de pessoas, por ausência do vínculo subjetivo, aplicando-se o princípio in dubio pro
reo.

Em resumo, se no bojo de uma autoria incerta todos os envolvidos praticaram atos de


execução, devem responder pela tentativa do crime. Mas, se um deles incidiu em crime
impossível, a causa de atipicidade a todos se estende.

8.3 Autoria de s conhe cida

Ocorre quando um crime foi cometido, mas não se sabe quem foi seu autor, não há indícios que

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sequer aponte um nome. Diferentemente da autoria incerta, onde conhecem-se os envolvidos
em um crime, mas não se pode, com precisão, afirmar quem a ele realmente deu causa.

9. CONCURS O DE PES S OAS, CRIMES DE AUTORIA COLETIVA E DENÚNCIA


GENÉRICA

Nos crimes de autoria coletiva, o concurso de pessoas inexoravelmente se reveste de maior


g ravidade, pois o resultado criminoso, além de ser facilmente alcançado, assume maiores
proporções.

Neste sentido, q ue m provoca o tumulto te m a pe na a g ra va da , e nq ua nto q ue m a g e


s ob o influxo da multidão, s e não a iniciou, me re ce o a bra nda me nto da punição.

Art. 65, III, e : a pena será atenuada em relação ao ag ente que cometeu o crime sob a influência
da multidão em tumulto, se não o provocou.

Art. 62, I: estabelece uma ag ravante g enérica para o sujeito que promove, ou org aniza a
cooperação no crime ou dirig e a atividade dos demais ag entes.

Perg unta-se: a integ ração a uma multidão criminosa é, por si só, suficiente para demonstrar o
vínculo subjetivo entre os ag entes, caracterizando o concurso de pessoas?

Para Cezar Roberto Bitencourt:

A prática coletiva ele delito, nessas circunstâncias, apesar de ocorrer em


situação normalmente traumática, não afasta a existência de vínculos
psicológ icos entre os integ rantes da multidão, caracterizadores do
concurso de pessoas. Nos crimes praticados por multidão delinquente é
desnecessário que se descreva minuciosamente a participação de cada
um dos intervenientes, sob pena de inviabilizar a aplicação ela lei.[2]

Es s a é a pos ição a dota da pe lo S upre mo Tribuna l Fe de ra l:

Não é inepta a denúncia por crime ele lavag em de dinheiro e formação ele quadrilha ou
bando que, em vista de diversos ag entes supostamente envolvidos, descreve os fatos de

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maneira g enérica e sistematizada, mas com clareza suficiente que permitia compreender a
conjuntura tida por delituosa e possibilite o exercício ela ampla defesa. (Inq 2.471/SP)

De outro lado, minoritariamente, sustenta Rog ério Checo que os crimes multitudinários
dependem, para a config uração do concurso ele pessoas, da comprovação

efetiva da contribuição causal de cada envolvido no tumulto.

10 . CONCURS O DE PES S OAS E CRIMES CULPOS OS

Coa utoria em crimes culposos: pos s íve l.

Pa rticipa ção em crimes culposos: impos s íve l.

Com efeito, o crime culposo é normalmente definido por um tipo penal aberto, e nele se
encaixa todo o comportamento que viola o dever objetivo de cuidado. Assim, é autor todo
aquele que, desrespeitando esse dever contribui para a produção do resultado naturalístico, de
modo que não e xis te dife re nça e ntre a utore s e pa rticipe s nos crime s culpos os. Toda
cla s s e de ca us a ção do re s ulta do típico culpos o é a utoria .

OBS .: Não é pos s íve l a pa rticipa ção dolos a e m crime culpos o , em razão da unidade
de elemento subjetivo exig ida para a caracterização do concurso de pessoas. Na hipótese em
que alg uém, dolosamente, concorre para que outrem produza um resultado naturalístico
culposo, há dois crimes: um doloso e outro culposo. Exemplo: "A", com a intenção de matar
"B'', convence "C" a acelerar seu carro em uma curva, pois sabe que naquele instante "B" por
ali passará de bicicleta. "A" responde por homicídio doloso (CP, art. 121), e "C" por homicídio
culposo na direção de veículo automotor (Lei 9.503/1997 - CTB, art. 302).

[1] ZAFFARONI: E. Raúl; PIERANGELI, José Henrique Manual de direito penal brasileiro.

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Parte g eral. 7. ed. São Paulo: RT, 2007. v. 1, p. 579-581.

[2] BITENCOURT. Cezar Roberto. Tratado de direito penal. Parte g eral. 11. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007. V, 1, p. 428.

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