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Conflitos Urbanos no norte da Amazônia: crescimento desordenado em áreas alagadas / ressacas

em Macapá
Bianca Moro de Carvalho
UNIFAP (Universidade Federal do Amapá-Brasil)
biancamoro@me.com
Palavra-chave: Favela, comunidade, Amazônia
A Amazônia é mundialmente conhecida por sua imensa riqueza de recursos naturais. Sessenta por cento da
região está localizada no Brasil; No entanto, esse enorme território tem conflitos urbanos significativos,
considerando que o fenómeno do crescimento de assentamentos irregulares ocorre neste mesmo espaço. O
objetivo deste ensaio é mostrar o processo conhecido por favelização, o qual ocorre nas zonas húmidas de
Macapá, capital do Estado do Amapá, e a iniciativa da Universidade Federal do Amapá, em busca de novas
soluções na área de planeamento urbano para esas áreas.
Amapá é um estado novo do Brasil, criado pela Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil. Tem
uma área intocada de 38,821.20 quilômetros quadrados, maior que muitos países europeus. O Amapá é uma
nova unidade de preservação criada 2002, que se tornou um dos mais importantes patrimônios naturais da
Amazônia e foi nomeado a maior unidade de conservação no Brasil. É a maior área de floresta tropical
protegida no mundo. No entanto, sua capital Macapá, com 398.204 habitantes (IBGE 2010), têm problemas
urbanos graves, pois cerca de 120.000 pessoas estao vivendo condições sub-humanas em araes alagadas,
tornando-se parte de uma estatística geral muito negativo: nos países em desenvolvimento, o crescimento
urbano acelerado é marcado pelo desenvolvimento e surgimento de pobreza e assentamentos precários
(favelas).
Estudos recentes têm mostrado que os moradores de zonas húmidas são principalmente imigrantes originários
de comunidades ribeirinhas que antes viviam ao longo do rio Amazonas, sobrevivendo de atividades extrativas.
No entanto, sem acesso a cuidados básicos de saúde ou educação para seus filhos, aqueles povos decidiram
se mudar para a cidade que estava mais próximo de sua comunidade: Macapá. Essas comunidades enfrentam
muitas dificuldades na cidade, pois não possuem mão de obra qualificada e possuem dificuldades de encontrar
um emprego; as áreas de risco localizada perto do centro urbano representam uma oportunidade barata para
moradia. Nessas áreas os ribeirinhos reproduzem omodo de vida que levavam na floresta, mas em condições
diferentes: eles ocuparam áreas pertencentes ao governo ou propriedades privadas, e sua força de trabalho é
dedicada à economia informal.
No Amapá, a abundância de espaço e recursos naturais conduz relações contraditórias: milhares de pessoas
vivem em assentamentos precários, sem acesso a saneamento básico, saúde, educação, além de poucas
possibilidades de participar nas decisões políticas. Oportunidades escassas e baixos investimentos por parte
dos governos locais na área de investigação tem contribuido para a redução de pesquisa e entendimento do
fenómeno do crescimendo urbano. No entanto, desde 2009, Universidade Federal do Amapá passou a
desenvolver projectos nos quais a participação da comunidade é um elemento importante no desenvolvimento
de políticas públicas: o "planejando com a comunidade" , por exemplo, permite saber a atual situaçao da
populaçao que vive na áreas alagadas, pois permitir fazer uma avaliação profundas dos problemas da
economia informal na cidade. Macapá, onde existem conflitos urbanos graves, é o ponto de partida para o
nosso estudo de pesquisa, bem como o intenso processo de ocupação irregular.

Introduction

O Estado do Amapá localiza-se na Amazônia brasileira no extremo norte do Brasil, mais
precisamente na fronteira com a Guiana Francesa. Na capital, Macapá, vivem 60% da população do
Estado.

A Amazônia brasileira é uma floresta, porém com cidades urbanizadas trata-se, de uma região
com grande expressão de diversidade cultural que inclui a resistência da população às novas formas e
agentes de produção de espaço público. A região possui características muito específicas que as

Desta forma. Sua ocupacão tem trazido conseqüências econômicas e sociais negativas. e outro a região Centro-Oeste (Mato Grosso) (Becker e Stenner. Está situado no extremo norte do Brasil. segregação espacial e disseminação da miséria. Já no século XX.. os estados de Mato Grosso.466 aprox. Esse fator não impediu que a taxa de crescimento da população concentrasse acima da média nacional. moram na área urbana de Macapá e Santana. ricas em biodiversidade.526 habitantes. são os meios disponíveis para se chegar (Drummond e Pereira. Na verdade. O Amapá é o único Estado brasileiro que não pode ser alcançado por via rodoviária a partir de outros estados. A fundação do Estado do Amapá relaciona-se a três períodos importantes do Brasil: primeiramente no período colonial dentro das estratégias pombalinas através da construção de fortificações para proteger a costa brasileira com a fundação do Forte de São José de Macapá no século XVIII. Composto por 16 municípios possui uma população de 669. um. está formada por nove Estados: sete ocupam a região Norte (Amapá. 2003:127). quando chegam ao municipio de Macapá estabelecem-se nas áreas de ressacas. de dimensões e formas variadas. as temperaturas variam de 25º a 40º. e sul- americana. além de impactos ambientais graves. o Estado do Amapá1 é o mais bem preservado estado brasileiro porque mantém intacta quase a totalidade da Floresta Amazônica. que cobre 90% de seu território. Amazonas. foram descobertas importantes jazidas de maganês que levou à fundação do Território Federal do Amapá no governo Vargas.17% (IBGE 2010). No entanto. a população do Amapá é de 669. fazem referências à ocupação dessas áreas. enquanto a do país foi de 1. degeneração do meio ambiente natural. a umidade chega a 85%. Tocantins). a não ser por balsas partindo de Belém ou de outras cidades sem conexão com a malha viária regional. 2 Ressacas é a denominação local para áreas úmidas. as áreas de ressaca devem ser entendidas não apenas pela precariedade de sua estrutura física. é a partir da segunda metade da década de 1980 que este processo de ocupação se intensificou. 1 Amapá possui uma área de 143. Tocantins e parte do Maranhão. especialmente a que vive na região banhada pelo rio Amazonas. sem nenhuma infraestrutura. e composição florísticas e faunística variadas (Souza. que inclui além da região norte. Atualmente. sendo Macapá a cidade mais importante e mais populosa. considera-se a existência de três Amazônias: a florestal. configuradas como fontes naturais hídricas. a legal. transportes aquáticos e aéreos. É banhada pelo rio Amazonas. quer no âmbito do planejamento ou do discurso político. mas como espaços sociais resultante da dinâmica urbana estabelecida pelas relações e oportunidades desiguais da sociedade capitalista. com habitações do tipo palafita. Esse crescimento contribuiu para a ocupação das áreas de fragilidade ambiental. As áreas favelizadas do municipio de Macapá são invasões realizadas pelos povos ribeirinhos que vivem próximo da ilha do Marajó. devido a falta de planejamento urbano e explosão demográfica. Roraima. O processo de ocupação das áreas de ressaca na cidade de Macapá teve início por volta da década de 1950. A população amapaense. denominadas localmente de ressacas2. 2008:8). A expansão urbana da cidade mais populosa do Estado ocorreu pela inexistência de planejamento adequado aliado ao aumento populacional. mas foi somente com a criação da nova Constituição brasileira de 1988 que se tem a fundação do Estado do Amapá. é um processo de favelização nas áreas úmidas. a região Nordeste (Maranhão). significando algo em torno de 3. . Acre. Representa 60% do território brasileiro.diferencia das demais regiões brasileiras. tornando-se um verdadeiro desafio urbano. 2007:68). Os estudos referentes à urbanização da cidade de Macapá. onde ocorreu a ocupação irregular destas áreas através da construção de casas do tipo palafita sobre pontes de madeira. onde 499. pois é uma expressão viva da exclusão social que está relacionado com questões problemáticas como a violência urbana. Segundo o último censo. construídas pelos migrantes pobres da região. Pará. também florestal.453 km². Quando se trata de preservação.44 % ao ano. fazendo com que a alteração na estrutura dessas áreas acontecesse de forma cada vez mais acelerada. Rondônia. em 1943. identificada com a região norte. Josiane Souza (2003) descreve como bacias de recepção e drenajem fluviais recentes. tem uma relação muito próxima com as áreas úmidas. porém a utilização destas como espaço para moradias é a forma que mais causa impactos sociais e ambientais.526 habitantes (IBGE 2010). A capital Macapá se localiza ao sul do Estado.

porém poucos abordam a Amazônia. As favelas revelam a fragilidade da imagem da cidade formal como um lugar de coerência. Adrenalino Campos considera esse espaço como algo transmultado. ocupações e favelas). conhecidos na região como grotas. Os quilombos. com diferentes tipologias arquitetônicas. além da falta de iniciativa do poder público em implementar programas atender às necessidades da população. mesmo lugar onde nasceu o samba e o futebol. 4Durante as décadas de 1870 e 1880. que marca o surgimento dos assentamentos irregulares no Brasil. obrigando o governo a enviar milhares de saldados para tomar o povoado a força(Glaser. de surgimento de assentamentos espontaneos. 2008:21). 2001:106). a mesma vive em uma área alagada da cidade. Historicamente é o fim da Guerra de Canudos3. representando um dos maiores desafios urbanos. já em 3A Guerra de Canudos ocorreu em 1895 comandada por Antônio Conselheiro. adaptadas as particularidades físicas e geográficas de cada região. As favelas são uma das alternativas encontradas pelas populações pobres para enfrentar o problema da moradia. quando compreendidas como uma expressão da segregação social. pois seu acesso nos morros cariocas era difícil. recebendo diferentes denominações (loteamentos clandestinos. onde os alunos do curso de arquitetura e urbanismo planejaram algumas áreas das cidades com ajuda das comunidades. No Rio de Janeiro. A ideia de retomar esse projeto surgiu como consequência das inúmeras carências urbanas no município. onde a maioria da população é de origem ribeirinha. pertencente a casa real portuguesa de Bragança. 2008:19) . no período republicano. cidades satélites. Trata-se de um fenômeno urbano que surgiu nos finais do século XIX. Existem importantes trabalhos sobre as favelas brasileiras. existem “. De norte a sul do país. 5É importante ressaltar que os bairros pobres brasileiros consolidaram-se popular e politicamente por serem chamados de periferia. participaram da construção do urbano das cidades”(Campos. 2012). geralmente a população refere-se a este lugar com “periferia”5. pois o insere dentro de um processo maior. quando os países do Novo Mundo. Sobre o tema das favelas A irregularidade das cidades brasileiras está presente na paisagem urbana através das favelas.0000 habitantes nos confins da Bahia. que conseguio agrupar cerca de 30. o Brasil continuava regido por um imprerador. nas áreas de vales profundos. revelando a pobreza extrema que invalida os padrões e desejos estéticos das sociedades afluentes (Segre. 2007:24). Cada cidade brasileira tem sua própria história de urbanização e surgimento dos assentamentos informais. 2011:105). como os primeiros antecedentes das favelas. que será realizado com a comunidade Chico Dias. foram lugares de resistência e refúgio dos escravos4. as favelas estão localizados principalmente em encostas íngremes. o suburbio anônimo domina a paisagem revelando a falsa hegemonia da simbólica centralidade. muitos autores decrevem esse momento. em áreas de praia. nas montanhas do Rio de Janeiro. e são inexistentes investigações sob o ângulo do urbanismo a respeito das ressacas do Amapá. refere-se a uma relação de dependência mútua de produção social e circulação do espaço (Holtson e Caldera. a escravidao seguia sendo legal(Glaser. onde admiti-se que as populações pobres “através de suas apropriações dos espaços periurbanos. No livro “Do quilombo à Favela”. instalando uma guerra aberta. em Maceió(Alagoas). porém a noção de "periferia" não se refere a um espaço exterior fora do capitalismo onde as classes trabalhadoras estão excluídas. foi uma maneira de designar os assentamentos além do perímetro do centro urbanizado e com serviços legais (Hotson e Caldera. Essa atividade esta sendo retomada no ano de 2016 através de um projeto de extensão. Diante destes problemas. por exemplo. ilegais à luz do poder público. subúrbios. líder religioso. foi desenhado no ano de 2009 um programa piloto chamado “Planejando com a Comunidade”. como Argentina e Estados Unidos já elegiam seus governantes. em Fortaleza(Ceará).

As maiores áreas metropolitanas pertencem às cidades de Manaus e Belém. como Becker (2001). pelo caráter interventivo da criação de suas fronteiras físicas e políticas. por modos brutais de apropriação dos recursos da biodiversidade amazônica (Freitas. onde materialização dos processos de marginalidade econômica. mas que possuem em comum o surgimento de uma maneira precária de habitar. pela população ribeirinha. as duas regiões juntas possuem mais de 3. muitas vezes vão além da função de residência. . além de possuir uma pequena população. residem aproximadamente 25 milhões de habitantes (IBGE 2010). existe um enorme abismo entre os setores econômicos de elevada renda e grupos que vivem na miséria. porém apresentando características peculiares já que possui uma extensa rede de pequenos lugares junto a rios. além dos equivocados planejamentos à distância. Outras cidades amazônica também passaram por um expressivo crescimento demográfico levando a serem chamados de estados periféricos7. As históricas formas de adaptação humana foram substituídas em sucessivos “ciclos econômicos”. que inclui a resistência cultural da população às novas formas e agentes de produção do espaço urbano (Vicentini. Amazonas. e existência de mão-de-obra especializada na construção de palafitas. O Ministério Público do Amapá realizou uma investigação no ano de 2012. precárias e fracassadas. inicialmente invisível. ou seja. Casas do tipo palafita foram construídas nas áreas úmidas da capital Macapá.2008:8). 2008:75). 2) A Amazônia Sul Americana. chamam a Amazônia de floresta urbanizada. Acre. Rondônia. No Amapá. Já Vicentini considera uma fronteira urbana contemporânea. às estradas. 7 Os Estados Periféricos são aqueles com menor participação no PIB regional e nacional. Roraima. que constituem em grande parte os habitante urbano (Vicentini. as casas do tipo palafita. social e territorial se expressam nas favelas através de habitações precárias e de baixo custo (Ziccardi. Nas zonas urbanas da Amazônia 6. surgiram novas demandas e arranjos 6Neste caso faço referênica a Amazônia Legal. o qual possuí uma forte relação com a água.Macapá(Amapá) nas áreas úmidas. Amapá. Amapá e Rio de Janeiro. as primeiras favelas surgiram nos anos 1940. com o processo de criação do Território Federal do Amapá. 2009:33). São processos históricos distintos. 2) a Amazônia Legal que inclui os 7 estados da região norte mais o estado do Mato grosso e Maranhão. A região amazônica insere-se também nesse universo. pois nelas são realizadas as atividades de geração de renda: salão de beleza. Alguns autores. 2009:16). Nas favelas amapaenses. São os estados do Acre. onde estão presentes importantes significados culturais do caboclo amazônico. onde a diversidade das cidades coloca-se não somente na forma de resposta a políticas ou incentivos. Segundo Becker existem três Amazônias a serem consideradas atualmente: 1) A Florestal representada por todos estados da região norte (Amapá. são uma forma de ocupação do territorio. cidades vinculadas a grande bolsões de mão-de-obra volante assalariada. A Amazônia teve seu crescimento relacionado com a necessidades estratégicas de ocupação do espaço ou exploração de seus recursos naturais.5 milhões de habitantes (IBGE 2010). As habitações construídas nessas áreas. loja de roupas. mercadinhos. aliadas a modelos desprovidos de desconhecimento sobre as realidades regionais. Compreendendo a favelização na Amazônia O espaço urbano no Brasil está formado por contradições. Tocantins e Pará). 2004:35). mas como expressão da diversidade cultural. por políticas públicas nacionais inadequadas. correspondendo aos respectivos estados do Amazona e Pará. que conecta o crescimento não somente com o surgimento de novas cidades. mas que nos dias atuais se tornou marcante em todas as cidades brasileiras. são conhecidas por ressacas. pela negação das populações tradicionais índias e caboclas e de sua forma de ocupabilidade. onde foi detectado um alto poder de organização dessas comunidades para construir em mutirão. 2004:177). mas aos valores da urbanização para a sociedade. Rondônia e Roraima (Staevie. também florestal(Becker.

institucionais resultantes do processo de urbanização desses espaços.0( quanto maior o índice . e hoje possui cerca de 398 mil habitantes (IBGE 2010).507 municípios brasileiros.32 milhões de habitantes.178ª Teresina-PI 0. índice de desigualdade socialentre0. O estudo leva em consideração a escolaridade. melhor a situaçao social). dentre eles.521 1. a partir de seu cálculo de exclusão.505 1. melhor a situaçao social). 2)conhecimento e 3)Risco juvenil. Índice de exclusão social e ranking geral-2000 Município Índice de exclusão social Posição no ranking Boa-Vista-RR 0. que avaliaram 5.683ª Maceió-AL 0. melhor a situaçao social).0 e 1. Quando analisada as cidades da Amazônia e suas capitais periféricas juntamente com a região nordeste do Brasil obtém-se os piores índices de exclusão social do país. Macapá. a exclusão social. esse processo ocorreu a partir dos anos 70.0( quanto maior o índice . melhor a situaçao social).526 1. Nas capitais periféricas da Amazônia8.0 e 1.0( quanto maior o índice . concentração de jovens e violência (Staevie.536 873ª Rio Branco-AC 0. melhor a situaçao social) e indice de violência varia entre 0.519 1.493 1. Os autores consideraram que: o índice de escolaridade varia entre 0. o índice de alfabetizaçao entre 0.0( quanto maior o índice. desemprego. considera que o melhor município em situação ocupada a posição 5. esses números são resultantes do intenso fluxo migratório. com dados do IBGE 2000.0 e 1.43). intensificaram-se nas capitais periféricas os problemas urbanos e. Boa Vista 9 possuía 30 mil habitantes. 2004)/Observação: Usei as cores verde e azul para diferenciar os estados da região 8 Capitais periféricas é um termo utilizado por Pochman e Amorin no “Atlas da Exclusão Social no Brasil”(2004) 9 Capital de Roraima 10 Aquí nao será avaliado o cálculo.136ª Fonte:Atlas da Exclusão Social(POCHMANN & AMORIN. considerando três temas para elaborar o índice de exclusão socia10l: 1)padrão de vida digno.O ranking criado pelos autores.0 e 1. o índice de pobreza entre 0.0 e 1.0 ( quanto maior o índice . índice de concetraçao de jovens entre 0.452ª Macapá-AP 0. alfabetização. Juntamente com o crescimento demográfico. melhor a situaçao social).0 e 1.0( quanto maior o índice . contribuindo para o crescimento demográfico desses lugares.507. pois considerava existir um “vazio demográfico” que precisava ser preenchido. incentivado pela nova Constituição brasileira de 1988.0(quanto maoir o índice.112ª Palmas-TO 0. Boa Vista. Macapá que tinha 86 mil habitantes em 1970. . 2009:42. indice de emprego formal entre 0. pobreza. Os processos migratórios intensificaram-se nos anos 90 com a transformação de dois territórios em estados (Amapá e Roraima). emprego formal.522 1.Porto Velho e Rio Branco existem cerca de 1. melhor a situaçao social). No início do anos de 1970. desigualdade social. Um dos importantes instrumentos para entender esses processos são os indicadores sociais contidos no “Atlas da Exclusão Social” elaborado por Márcio Porchman e Ricardo Amorin(2004). ou seja São Caetano do Sul no Estado de São Paulo seria o de melhor situação social em todo o Brasil.0 e 1.040ª Manaus-AM 0.608 163ª Porto Velho-RO 0. atualmente tem aproximadamente 270 mil habitantes. resultado do esforço do governo brasileiro em povoar a região.

13). como demonstra o quadro abaixo.18). demonstrando que os maiores déficits habitacionais do país estão nas capitais na Amazônia periférica. a pior situação é de Rio Branco. e. também permite construir o perfil da região com dados no último Censo do IBGE 2010. O estudo mostra que as capitais da Amazônia periférica possuem os piores índices de exclusão social no ranking das capitais brasileiras. As cidades com menores desigualdades são Florianópolis (0.150 27ª Fonte:Atlas da Exclusao Social(POCHMANN & AMORIM. Minas Gerais e Bahia. seguiram esta tendência como Amapá e Roraima. com 0. com uma participação relevante do funcionalismo público nas economias locais e com elevados índices de informalidade. revela uma grande fragilidade em suas economias. 2004) As piores capitais classificadas no ranking são Roraima e Macapá. Índice de emprego formal e posição no ranking-2000 Município Índice de emprego formal Posiçao no ranking geral do País Porto Velho-RO 0. Os estados da região norte em verde pertencem a amazônica.278 19ª Macapá-AP 0. Macapá é a 7ª(2. novamente.199 26ª Boa Vista-RR 0. Esse índice demonstra o desequilíbrio entre chefes de grupos situados no extremos da distribuição de renda. Boa Vista é a 5ª pior capital brasileira(0.201). A existência de uma grande quantidade de servidores públicos no quadro desses estados. O estudo foi realizado pela fundação João Pinheiro no ano de 2010. o estado do Amazonas em 1º lugar e o Amapá esta em 2º lugar.Déficit habitacional total e relativo ao total de domicílios particulares permanentes por situação de domicílio segundo regiões geográficas. com aproximadamente 29% da população empregada apresentando esta ocupação como principal (Chelala. O Ministério das Cidades. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizada pelo IBGE mostra que o Estado do Amapá é a unidade da federação com maior quantidade proporcional de servidores públicos.618). a região norte apresentou os piores resultados. Quando consideramos em valores absolutos. através de suas investigações.71) e Manaus(0. comparando o déficit habitacional ao total de domicílios da unidade de análise) a região norte apresenta os piores resultados. Rio de Janeiro. unidades da Federação e total das regiões metropolitanas- Brasil 2010 . Tabela 1. Outra análise importante dos estudos de POCHMNN & AMORIN (2004) é a respeito do índice de emprego formal nas 26 capitais brasileiras e no distrito federal.748) e Porto Alegre(0.norte da região nordeste nordeste. onde os piores índices pertencem ao norte no Brasil. 2008:160). Os territórios que se tornaram estado nos anos 90.55 seguida de Teresina(0. destacam-se os estados de São Paulo. porém quando consideramos o número déficit relativo (ou seja. No ranking da pior capital brasileira. ambas localizadas no sul do país.299 16ª Rio-Branco-AC 0. cidades pertencentes a Amazônia periférica.

Esses dois componentes representam 5.295 31. O projeto está sendo retomado no ano de 2016.9 6.428 2.6 22. As capitais periféricas da Amazônia apresentam enormes problemas relacionados com a exclusão social.474 147. Em uma pesquisa recente verificou-se que um dos grandes problemas das áreas favelizadas de Macapá é a falta de capacidade de organização e mobilização de 11coabitação familiar – representa a insuficiência do estoque habitacional para atender à demanda.674.910 153. através de um trabalho de extensão.4 Região Sudeste 2.248 11.725 237.6 11.400 22. Sergipe.019 3.2 29.6). destacando-se o Amapá e Roraima. Foi escolhida a comunidade da ressaca Chico Dias.Especificação Déficit Habitacional Total Total Urbano Rural Total Urbano Rural Região Norte 823. porém o Amapá é o estado brasileiro em situação mais grave (57.5 Fonte: Ministério das Cidades e Fundação João Pinheiro Um componente muito importante na análise do déficit habitacional da região é a coabitação.325 22.6%).1%) e pelo ônus excessivo com aluguel (30.717 20. e jamais dialogou com a comunidade acadêmica e as comunidades sobre novas posibilidades que poderiam surgir.502 97.419 32.6 22. o trabalho pode ser realizado.9 São Paulo 1. onde os habitantes das ressacas passaram a participar da elaboração de projetos que criavam novos cenários para esas áreas favelizadas. Os trabalhos desta experiencia foram reunidos em uma grande proposta e doados para o governo do Estado do Amapá.120 40. decorrentes de importantes fluxos migratórios.576.442 585. Alagoas. A coabitação familiar corresponde cerca da metade do déficit habitacional no Amazonas. na Paraíba. uma vez que o medo foi vencido. foi desenvolvido um programa na faculdade de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Amapá. Rio Grande do Norte. principalmente a partir dos ano 80. Amapá.495. pois trata-se de uma enorme área de palafita onde a comunidade encontra-se organizada. Planejando com a comunidade Diante dos problemas encontrados nas áreas de ressacas no ano de 2009.2 23.925 10.9 5.8 Pará 410.799 263. . pois mais de 70% do déficit habitacional no Brasil são compostos pela coabitação familiar 11 (43.464.6 19. compreendendo a convivência de mais de uma família no mesmo domicílio (famílias conviventes6) ou o aluguel de quartos ou cômodos para moradia de outras famílias.9 27. Estas cidades destacam-se pelo elevado índice de informalidade e crescimento demográfico.0 Amapá 35. mas infelizmente o poder público não demonstrou interesse e conhecer o projeto. pois existem muitos precoceitos em relaçao aos habitantes deste lugares. O resultado mais importante foi a interação entre os alunos e a comunidade.542 1. em Pernambuco.7 Amazonas 193. na Bahia e em Minas Gerais.6 10.790 24.1 milhões de unidades de déficit (Ministério das Cidades & Fundação João Pinheiro.4 24.0 19. com os piores índices.2010:32).

Zoneamento Ecológico e Urbano das Ressacas de Macapá e Santana.) Amazônia:Território. Censos demográfico. . todo o trabalho deve ser doado para os moradores. Um estudo sobre desenvolvimento Amazônico 1943-2000. 1991. A primeira fase trata-se do contato entre comunidade e alunos através de palestras e debates realizados por professores e estudantes com o objetivo de apresentar a comunidade os instrumentos norteadores de urbanização das cidades brasileiras como o Estatuto da Cidade e Planos Diretores. 1980. O trabalho está dividido em três etapas. Ciudad de México. A terceira. para que possam buscar o governo local para a implantação das propostas. Rio de Janeiro: Garamond HOLTSON. (2008). Bianca Moro (2015). Um futuro para a Amazônia. Bertha (2001). En Elenise Scherer e Aldemir de Oliveira (Coord. CARVALHO. povos tradicionais e ambiente (16). Atlas da Exclusão Social no Brasil. conhecendo seus direitos como cidadãos. no. FREITAS. A Magnitude do Estado na Socioeconomia Amapaense. 2010. Na segunda etapa é feita uma pesquisa na área e em seguida escolhida um trecho para as elaboração de propostas para as intervenção. Marilena (2009). José Augusto e Mariângela Pereira (2007).seus moradores(Carvalho. Bertha & Claudio Stener (2008). Teresa (2008). Márcio & AMORIN. Déficit Habitacional no Brasil 2010. Cambridge MA: Havard Design Magazine. Macapá: Instituto de Pesquisas Tecnológias e Científicas do Amapá. etapa trata-se de um workshop onde os alunos elaboram o projeto juntamente com a comunidade. Povos e Populaçoes”. James & CALDERA. POCHMANN. 1950. O trabalho é finalizado com uma apresentação pública. El caso de las ressacas el la ciudad de Macapá. Aproximar as pessoas e vencer o preconceito é sem dúvida um caminho para a construção do verdadeiro direito à cidade. 12. IBGE Instituto de Geografia es Estatísticas. Vivenda Popular em el Amazonas Brasileño. São Paulo: Oficina de textos. 2015). BECKER. MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAPÁ (2012). Relatório Final. A intenção é preparar a comunidade para tornar os indivíduos agentes das mudanças sociais. CHELALA. Rio de Janeiro: Publit Soluções. Brasília: CGEE. todos realizado de forma voluntária na própria sede da comunidade. DRUMMOND. Universidad Autónoma de México. Em Parcerias Estratégicas. o mundo académico pode dar a sua contribuição social e combater a segregação e o ressentimento que exitem em nossas cidades. Belo Horizonte: Ministério das Cidades/Secretaria Nacional de Habitação/Fundação Joao Pinheiro. Dessa forma. São Paulo: Cortez. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas. Bibliografia BECKER. Ricardo (2004). “Os Amazônidas Contam sua História:Territórios. Urban Peripheries and the Invention of Citizenship. Chales. O Amapá nos tempos do Manganês. “Revisão das Políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários”. (135-159). MINISTÉRIO DAS CIDADES (2013).

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