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Amo Alvarez Kern

RobertJackson

Missões 16éricas Cofoniais:
da Cafijórnia ao Prata

Porto Alegre, 2006

5' Introdução Silo 88' x 16.5' x 19. em 1995. Três prédios fora do complexo Não fornecido levaram à descoberta de um novo desenho policrorno.5' As pesquisas desenvolvidas na Biblioteca Nacional de Pa- 1790 Sete cómodos 132' x 16. 3. 2 HAROUEL.3' sociais. te. França. das pesqui- Selaria Não fornecido sas que se desenvolvem atualrnente tendo como referência este 1795 Silo 85.3' jacentes.. as mentalidades urbanas e aos aspectos simbólicos sub- 1800 Ala .3?' gem complexa de confrontação entre os dados provenientes de Fonte: Annual Reports. .8' x 16.' 1 Pesquisas realizadas pelo autor na Seção de Mapas e Planos.F. Paris: Presses Universitaires de France.3' magnífico documento iconográfico de meados do século XVIII.5' Cozinha 13.5' x 19.3' O trabalho aqui desenvolvido é uma abordagem contextuai. da cultura material e Engelhardt.F. 192.5' O objetivo principal deste trabalho será o de apresentar os Carpintaria 22' x 16.M. D.5' 1791 Silo 85. da Biblioteca Na- cional de Paris. mas igualmente da bibliografia especializada existen- 1932).5' x 19.5' x 19. Archivo General de la Nacion.8' x 16.5' x 16. relacionado às práticas Cómodo 27. e portanto incompletos. A análise da morfologia e do plano 1799 Cómodo 27.3' x 16. O.170 171 Tabela 2: Ur6anismo Missioneiro Construções na Missão de La Purisima.5' Sacristia 13.5' arqueológico de São João Batista. de 1796 Três armazéns Não fornecido 1797 caráter crítico e reflexivo. 1788-1812 ArnoAlvarez Kern Ano Prédio Dimensões 1789 Igreja 60. escritas). 1995. Histcíre de l'uroanisme. Zephyrin diversas fontes primárias (iconográficas. p. é tarefa extremamente dificil. Acomodações para hóspedes 22' x 16. I nos quadros do projeto Arqueologia Histórica Missioneira.5' estas aldeias novas fundadas para a instalação dos Guarani nas Armazém Não fornecido fronteiras do império espanhol platino. e como estudo de caso o povo- 1798-1802 Nova igreja Não fornecido ado de São João Batista. Ele nos permite muito bem 1793 Ala 173.3' destes "Pueblos de Índios" coloniais.3' x 16. Mexico.5' resultados ainda parciais. do sítio 1792 Ampliação da izreia 88' x 16..5' Acomodações oara capatazes 33' x 16. Mission La Concepcion Purisima de Maria Sasuisima (Santa Barbara.5' analisar o processo de implantação dos "Pueblos de Índios". Jean-Louis.5' x 16. Escritório 33' x 19. E exige uma aborda- 1804 Novos quartéis para os soldados 110' x 19.5' ris. 1794 Quartéi~ilra os soldados 38. tendo como alvo o processo de urba- Nova residência para os missionários Não fornecido 1798 Novos quartéis para os soldados Não fornecido nização do povoado missioneiro.

172 173 semelhanças e as diferenças existentes entre as Missões Iesum. materializada nestes importantes sítios ar- queológico. 196. Des indíens et dcs jésuites du Paraguay au temps des missions. Histoire du Paraguay. Entretanto. o contexto a ser analisado se refere tanto ao Contexto ambiental como ao das sociedades presentes na área em estu- 3 HAUBERT. Porto Alegre: EDIPUCRS. ultrapassando os estudos pontuais sem atingir as vi- sões especulativas da totalidade do processo histórico da hu- Sempre se afirmou que o plano urbano destes povoados manidade. 118-46. sugerindo que eles seriam uma criação exclusiva. 1995-96. 7 Estes aspectos da arqueologia espacial podem ser obtidos em BARCELOS. 1995-96. 1982. 17) e em "Método e teoria no projeto gre: Edit. 1). presença. 1982.1953. o que deveremos destacar neste trabalho. contrada em. nos evidencia as relações muito estreitas com os nesta pesquisa em andamento. e metodológicos da Arqueologia Histórica do Rio da Prata". alcance. Estas in terpretações. Porto queológicos da cultura material quanto aos seus significados simbólicos" Alegre: Editora da UFRGS. Cambridge: Cambridge University Press. Porto Ale. com as construções dos mosteiros medievais. Arno Alvarez. FREITAS. o espaço ambiental. a na reconstituição das relações que nos evidenciam os ritmos e européia e a indígena. 208-13. são as caracterizada: "Numa primeira abordagem. Utopias e missões jesuíticas. P.n . Coleção Arqueologia (no. ainda a serem estudados iconografia. p. 1986. mesmo se esta afirmação muito geral e su. 1994. Arno Alvarez._.' sítio arqueológico como no estudo da iconografia descoberta. o contexto se refere tanto aos aspectos ar- Paris. uma análise contextuaI arqueológica pode ser assim to. tanto nos levantamentos topográficos realizados no uma "unidade urbana e rural planificada com rigor". p. denominada por seu autor de "so. Décio.. "Arqueologia espacial da Redução de São João Batista: uma proposta Mercado Aberto.44. Charlevoiv" escreveu que os jesuítas haviam estabelecido planos completos. O Socialismo Missioneiro. Mais recentemente se afirmou que todos os planos urbanos destes As normas relativas ao plano urbano não apenas impõem povoados missioneiros eram não apenas semelhantes uns aos mas igualmente propõem uma relação das estruturas materiais outros. no primeiro volume da Coleção Arqueologia (Porto Alegre: EDIPUCRS. como nas obras literárias utópicas. 1967. No século 18. Didot. 181-202). Eles englobam tanto o cenário do ambiente natural seguiram as famosas "Leyes de Indias" dos soberanos espa- como os aspectos sacio-culturais dos personagens históricos em nhóis. HODDER. aprovados pelos reis da Espa- Adoçãodoplano e das normas relativas a ele. materiais como simbólicos. Numa segunda abordagem. zadas nas aldeias dos horticultores da floresta tropical e sub- tropical. sejam conta da complexa herança histórica. Os estudos contextuais. Movimento. Estudos Iberoamericanos. Paris. Máxime. MORNER. pela sua superficialidade. A abordagem se- 5 A citação se refere ao plano como sendo fruto de um projeto original de im. nha. Estocolmo: Liv. As Missões Jesuítico-Guaranis: cidade idealou cidade idealizada . 4 CHARLEVOIX. não se dão com o seu contexto histórico. 1756. Ian. e as planificações urbanas inovadoras do Renascimen- 6 Segundo Ian Hodder. Missões: uma utopia política. Entretanto. mas igualmente observadas. p. são abordagens teóricas de médio ríndia e européia. ao mesmo tempo ame- históricos ou arqueológicos. Este plano urbano nos evidencia uma as formas da vida social e da cultura. Instit. tanto dos seus aspectos série de padrões relacionados às normas milenares materiali. Congresso de Arqueologia Uruguaia (pg. KERN. Uma analise mais aprofundada desta bano e o cenário. Magnus. guida foi plenamente explanada em dois trabalhos do autor: "Aspectos teóricos plantação de uma nova forma de sociedade.' perficial é uma verdade histórica. Thepoliticai and economic aaiuities c:f the[esuíts ín the La Plata region. nos Anais do VIII cialisnmo missioneiro". Porto Alegre: Editora Arthur F. dos. A crítica a este tipo de análise pode ser en.3 co-Guaranis e as experiências realizadas na Europa da Idade Média. p.4. Reading the pasto Current approaches to interpretation ín archaeology.0 .' Nossa análise se desenvolverá modelos estabelecidos por duas fortes tradições culturais. teórico-metodológica". Hachette. Arqueologia Histórica Missioneira". p. ele não esgota e nem resolve Não serão desenvolvidos aqui as relações entre o sítio ur- plenamente o problema. KERN.

A distribuição das estruturas já é I'Yo queria evitar estas y otros errares y trazar mi pueblo metodicamente. escrito construcciõn de las casas con el cordel dei agrimensor. Las reducciones jesuiricas del Paraguay: un espacio para una utopia colonial." que descreve a implantação de um dos Tuve que assignar a cada grupo de casas el mismo primeiros povoados construidos no Tape. 1973. Continuación de las labores apostólicas. oiros. são os go- tado. exige um extenso e profundo conhecimento sobre os complexos mosaicos das diversas paisagens que compõem a região. o plano é comple. no arual Rio Grande número de pies a ia largo y a lo ancho como a los do Sul. salir Iodas las calles. Seus limites nem sempre são claros. foram satisfatórios no passado. um ritmo normal de caminhada de cinco quilómetros por hora. entretanto. A implantação da Missão implica no domínio sobre um dos. según las regias dei urbanismo. O Padre jesuíta António Sep. Entretanto. Estudios Paraguayos 6 (1): 157-67. o fundador de São João Ba. Esta fundação de inícios do século 17 refere-se ao espa. as ruas e os quarteirões de casas deve- rão ser traçadas "com régua e corda". afirmando que es. não é ainda tão comple- La primera condición con la cual debia cumplir fue la xa como posteriormente. desde o significaba una uentaja extraordinaria y. 10SEPP. lO normas que devem organizar as novas cidades coloniais. ai mismo século 16 os soberanos espanhóis tornam explicitas em leis as tiempo. caracterizando-se por A implantação do plano urbanístico. igreja e à organização das casas retangu- à por la iglesia y la casa dei párroco. muito precisa e ordenada. adoção de um plano para o povoado: A escolha do local para instalação do povoado missioneiro. Um exemplo deste primeiro ordena. sem deixar de evidenciar. em oito horas teremos percorrido os trinta quilómetros que tista nos dá uma idéia das preocupações de sua época com a separavam em média estes povoados entre si. Bartomeu. Trata-se de dar sões pode ser percorrido em um dia de marcha. percebe-se que o plano urbano já se articula em torno de uma praça central e da igreja.' No decorrer do século 18. Se calcularmos bases a uma renovação sobre uma continuidade. Na Idade Média. que este novo urbanismo otra. Buenos Aires: EUDEBA 9 HAROUEL. De aqui debian lares em conjuntos ao redor do espaço central. A ci- dade deve ser projetada.. Entretanto. serem inteiramente regulares e geométricas. As relações territori- tamos em presença de um modelo que traz consigo uma exi. por Roque Gonzáles. Com efeito. ais com as demais Missões vizinhas.174 175 Durante a primeira etapa histórica das incipientes mis- sões. as terras de uma aba- mantidos muitos dos aspectos formais que tiveram sucesso e dia eram concedidas pelos senhores detentores dos feudos. Poderíamos concluir. chegou a ser algumas ve- gência absoluta. Percebe-se que o vernadores de Buenos Aires e de Assunção que concedem as complexo conjunto está agora perfeitamente estruturado. Opus cit. siempre equidistantes una de la Poderíamos pensar inicialmente. sempre tendo em vista a sua coerência. Antonio. período do auge destes povoa. 81. medición y el amonojonamiento de los terrenos para la mento pode ser constatado em um documento de 1613. que é um zes foi conflituosa. percebe-se que o plano evidencia uma longa reflexão. na América colonial platina. O território que separa cada uma das Mis- modelo que admite contínuas transformações. dominada ço da praça central. En el centro debia alinear la plaza. p. Una buena distribuciôn en este sentido se deve tão somente às "Leyes de Indias". . p. ocorrendo por acaso. São determinado território.. As florestas são necessárias para o plantio da horticultura indíge- 8 MELIÁ. nada terras para os "Pueblos de Índios". Muitos séculos depois. 223. 1978. el mejor adorno para elpueblo".]ean-Louis.

Existe apenas um longo muro em torno da quinta . de manutenção de uma boa administração. destina- . ora à beira do rio Uruguai. Limita-se o ta. podemos observar o tios escolhidos. Há Todo o conjunto se ordena em torno da praça central. a defesa las fornos cerâmicos. da pelas tropas e a cavalaria da milícia indígena. atravessando a praça e acompanhando cinas artesanais e à cozinha. Tanto pela nas que se erguem suavemente até quase trezentos metros de manhã como pela tarde. à oração e à paz. quer na documentação iconográfi_ ge o contexto. currais. mendações das Leis das Indias e o novo plano urbano moder- restrições. do eqüidistanre. etc. obrigando a adaptação da~ no.. ' o padrão das reduções localizadas no atual terntono evidencia . Os novos ideais urbanos e os estruturas às formas dinâmicas do relevo. contenção em açudes. os castelos e as fOrtificações As reduções coloniais postularam uma planificação que européias tinham muralhas. a uma lógica da água relacionada à vida comunitária: captação "plaza mayor" espanhola e ao longo de um eixo que se prolonga nas fontes de pedra trabalhada. hortas e campos de atividades agrrco. etc. a não mais do que um dia de marcha do povoado. . pois o eixo separa o povoado em duas partes. dividido em diversas unidade de produção. rentes setores do povoado e entre as edificações. exigem no século 17 ruas lar- o deslocamento do "cotiguaçú" (casa das viúvas e dos órfãos). criado pelo renascimento. por do sol e a gradual expansão das trevas da noite. local em função das necessidades de água para o povoado.]ean-Louis. pelas suas aberturas laterais. Os campos servem para a reprodução dos rebanhos de gado e as cidades. recusa-se a gigantismo das 11 HAROUEL.. não existem muralhas. 49. exploração de erva mate.fonte da vida _ estará sempre altura como é o caso de são João Batista. O conjunto se ordena sim- quinta e limpeza das latrinas. Colônia de Sacramento. da entrada do povoado. Exige também uma criteriosa escolha do provisões. levantamento topográficos. destinadas a facilitar as comunicações entre os dife- o falta de alinhamento do conjunto formado pela igreja o cemi. p. con- O relevo é uma plataforma que se inclina suavemente pelas forme as novas normas militares da Idade Moderna as reco- encostas da colina. Nas Missões. de gueses e espanhóis. da América colonial.]ean-Louis. Um exemplo disto e novos imperativos da circulação. zonas. Montevideu. ou seja. como podemos observar em Buenos Aires. A mobilidade lhido. do Rio Grande do Sul. Poderíamos nos perguntar se não é paradoxal que a Mis- O cenário escolhido está di retamente relacionado à con. O sítio deve ter de águas bolicamente." Os motivos são muitos: dificuldades de obtenção de manadas de cavalos. canalização em direção às ofi. abundantes mesmo em períodos de seca prolongada. e gas e retas. 12 tério em relação ao claustro e à oficinas artesanais. gado e dos animais selvagens. . Este é uma sede central que diri. 47-9. como no caso de são João. p. nhecimento. os burgos. A oeste. etc) que envolvem como uma não é feita por muralhas de pedra e elas não existem. Os mosteiros medievais. O mesmo acontecia com as cidade tem sempre atraído a atenção dos historiadores: uma constela. quer nos coroa o povoado missioneiro. A defesa do conjunto é propicia- A sede deste conjunto se instala em um cenário bem esco. 12 HAROUEL.. " . São João Batista se instala sobre uma suave coxilha. Opus cit. apenas os Guarani possuíam. construídas em função dos fortes portu- ção de estabelecimentos satélites (fazendas de gado. Opus cit. seja obri- cepção de urbanismo vigente no século XVII. Este povoado nos iluminando o interior da igreja. irrigação da a linha de maior extensão da igreja. que se propõe à cristianização. 176 na e para as atividades de agricultura européia com o arado. Este co- ' . estão localizadas em uma unidade geográfica concentrada e do mais a proteger as raras espécies européias ali plantadas. da infantaria e da cavalaria é propiciada pelas ruas largas. São diversos os sr- A leste percebemos todos os dias o nascer do sol e a reinstala_ ção das condições propicias à vida. ora no cimo de coli. Apesar das afirmações de Azara. gada a se armar e a ter tropas? As tropas da milícia indígena manho do núcleo urbano. são. Muitas vezes a topografia exerce algumas . Estas ca. o sol . etc.

segundo o capítulo larem junto aos grupos indígenas nas fronteiras do mundo civi- IV da regra. Mesmo na Idade Média. a planificação urbana está sempre as investidas bandeirantes. como ocorreu na época colonial na América colonial. Este papel de isolamento e proteção era no Renascimento e que foram sugeridos nas "Leyes de Indias". Ataques a Assunção (rebeldia con. Um fenómeno se~elhante tra o governador Hinestrosa). estas ordens vivem a era contatos dos neófitos com o mundo exterior era um dos ins. no mundo romano. fossem eles fraternais ou belicosos. desempenhado. Entretanto. ao partirem para a América e ao se insta- isto. 1995. das cat:. desempenham uma função de ata. aos índios "infiéis" Charrua (ba. "no deserto". As se dizia nesta época. profundamente ligadas ao sário à vida da comunidade. não são A herança européia dos mosteiros medieoais" apenas a defesa móvel do povoado. portanto. timas ordens religiosas fundadas. Dominicanos e Jesuítas fazem parte das úl- suficiência do povoado. aos acampamentos milita- talha de Jy). multas CIdades que guardaram o seu na sua fisionomia de ci- nam esta milícia indígena. res (castrum). seu plano urbano planificado. milhares de Abadias e de Mosteiros de- que envolviam os mosteiros medievais. significa permanecer no povoado. E deram origem a novas ci- temporada de três dias a permanência de estranhos no territó. Ele era uma proteção contra os malefícios época que a cristianização do índio deveria estar integrada à do contato com o mundo dos brancos. Nos burgos da Europa. pela ex- Seguiremos 13 • aqui as orientações da obra de'" BOUTTIER M'1Ch e. 23-56. rio do povoado missioneiro. 179 178 (normalmente) e as do exército espanhol (raramente). mas trei. ou seja. . à vida da cidade. e que podem Cidades novas ali fundadas com o nome de Bastides. sua redução à polis. protegendo os monges ram ongem à ocupação de novos territórios. afastar-se das maneiras do século". Eles a acompanham quando em dade as orientações gerais deste projeto militar de organização do espaço. da e ampliada pelo regime económico de autarcia e auto. Franciscanos. tiveram o afastar os neófitos dos verdadeiros objetivos de suas vidas. A regularidade do plano contras- çados pelos missionários jesuítas: a salvação de suas almas e a ta com a irregularidade do tecido urbano das cidades medie- união com Deus. como dos contatos externos. deu nascimento. nas origens da Idade Média. aos portugueses da Colónia de Sacramento. do nas colónias gregas e romanas.. nas desenvolvimento das Cidades do final da Idade Média e do Re- suas regras para os mosteiros medievais. pelas muralhas Em toda a Europa. marcha contra os inimigos.' . associada aos projetes de fundação das cidades novas sobretu- que sempre que necessário. no caso das Missões limitava a uma curta de uma nova experiência urbana. VaIS tradicionais. lI~ado.. dos visitantes estrangeiros à vida no povoado. Estas experiências foram o ponto de partida mações perniciosas. para educaçao. Esta proteção é garanti. Passaram a se guiar em parte. necessitaram dos modelos rurais de implantação do cnstIalllsmo. dedicando-se à pregação e à trumento das boas obras e que eles deveriam portanto. Edição). doenças para para os planeiamentos urbanos racionais que forma elaborados o corpo e para a alma. Paris. tra. dades. Elas forma muitas vezes o núcleo central normas espanholas. de distrações e de epidemias. que o controle dos nascimento. Os beneditinos já salientavam.drais e das universidades. Eles são muitas vezes o plano que dá origem a Os padres jesuítas não são apenas os párocos/xamãs.I Monasteres ' Des purres pour lapriêre (5a. Afirmou-se nesta mosteiro medieval. p. ". pois nele se produz tudo o que é neces. Os neófitos guaranis deveriam Cons:rUlr a ordem nesta nova cidade ibero indígena. Apesar de ter sido criada para a defesa dos territórios coloniais espanhóis pia tinos contra Desde a antigüidade. Derclée de Brouwer. como os monges permaneciam no tambem a organização de um nova sociedade. nas fronteiras do sul da França. São as milícias indígenas que controlam as idas e as vindas . Este controle impede a introdução de infor.

Ela assume a partir de então a forma de uma cruz. No oci- rializaram nestes povoados: o alinhamento das ruas e a regula. nica e artísllca: pias batismais esculpida e ornamentadas. como o era nos mosteiros medievais. opus cit. como já o previra o "plano beneditino" me. adaptando-os aos "Pueblos de Indios" ameri- canos. quer por suas di- em torno da igreja. A cidade deve ser pensada como uma cio do século XX. :' própria orientação norte/sul da igreja torna tangível o mlste. Este plano monacal se caracteriza por uma série de do povoado. jesuítas ou guaranis. quando este plano começou a ser substituído decoração teatral. quer pelo lugar privilegiado que ocupa face à praça dieval. as igrejas cruciformes predominaram até o iní- ridade das fachadas . quer pelo seu guaranis. Importante. é necessário esclarecer sem. A extremidade da nave. nesta linguagem 14 HAROUEL. de um cenário destInado a uma expressão litúrgica. oposta às portas de entrada. s~mbo1Jca'. Quando penetramos em um povoado missioneiro. entre a organiza. com de ideais urbanos modernos que a partir do século 17 se mate. É o prédio no qual se materializam a produção arquitetô_ num grande conjunto.. o transepto COrtando transversalmente o eixo da nave. Entre todos os prédios da Missão a igreja é o lugar mais Os planos geométricos e racionais das missões jesuítico. na- . a basílica romana era o modelo de base da. Neste espaço se encontra o altar mar necessita corresponder a uma figura geométrica. Por outro lado. mas é uma nova idéia espaço fechado ("septum") parcialmente isolado. não podemos igualmente esquecer a série igrejas. até o século 11. desde a construção da igre- larga rua.E neste POnto. p. por uma marca o retorno ao plano basilical. O ocaso do sol. 180 penencia monacal beneditina. xima da lInguagem simbólica dos Guarani. dente europeu. padres e seus auxiliares. sejam padres ou leigos. construções. Desde o final do Império Romano cosmos. destinado aos de urbanismo da Idade Moderna. de volumes integrados entre si e que interagem . mensões. . para ser belo. dos cistercienses (Ordem de Cister) e cluniacenses (Ordem de Cluny). a linguagem cristã em muito se apro. pre que o modelo urbano aqui aplicado não se resume a um ves Imensas e torres sineiras. guardam a idéia de ordem e de centralização social volume estrutural face aos demais prédios. A Ordem Jesuítica. o lar. é um numental não deve nada à Idade Média. por Outras formas mais ousadas.no da morte e da ressurreição de Cristo. Entretanto. relações institucionais entre todos os integrantes deste micro. percebemos a perspectiva monumental que forma Ja-tIpo da Cia de Jesus em Roma. facilitar a circulação dos fiéis." o ponto focal do interior do edifício e a sua própria razão de ser. Sua forma é basilical. Ele é ladeado por dois altares laterais. . deta- Podemos tentar algumas aproximações. Passaram a seguir algumas das linhas gerais dos traçados dos monastérios benedi. O povoado. a . com uma nave principal e duas naves laterais destinadas a conjunto formado pela fachada da igreja e as duas portas insta. mas na definição de balhadas e profusamente pintadas. fundados igualmente "no deserto" do mundo pagão. A Igreja tinos medievais. entretanto. O edifício volta a ser retangu- com as duas capelas situadas na entrada da praça e. além de fachadas finamente tra- sonho de vida isolada em um monastério. Esta perspectiva mo. como escultur_as. lhes arquitetõnicos em pedra e madeira finamente trabalhados ção dos mosteiros e de certos setores da missão colonial. onde o essencial são as fachadas e a aparên. pilares e colunas com entalhes. ao fundo. ' ladas frente ao claustro e ao cemitério.]ean-Louis.. Trata-se de um con- Junto carregado de símbolos e de significado. cia. decoraçoes para os altares. portas e janelas trabalhadas em arenito esculpido: hipótese de trabalho. 53.

da. Giovani. característi- truído com muito cuidado e beleza. que tem três naves." Desde a época dos mosteiros medievais até a dos povoados mis- sioneiros. p. No interior A sacristia tem seu nome do latim eclesiástico sacristia. afastando-se de- desde o despertar matinal até a noite.) de madeira entalha- significa uma relação com o sagrado. seu No povoado de São João Batista. além dos livros que são utili- zados nas missas. As suas formas e volumes tem inequívocas semelhanças com a imagem que se emprego do tempo que se reflete na vida de todo o povoado. Rose Maria. Historical Archaeology in Latin America 13: 99-114. as chamadas ao almoço e à janta. A fachada da igreja nos de formas e cores para influenciar os neófitos e garantir a sal- vação dos fiéis. Trata-se de uma pequena peça. 182 183 oeste simboliza a morte do Cristo. Chiquitos. aceita-se o testemunho dos sentidos. porém um pou- um dos elementos fundamentais da gestão do cotidiano. Léon. onde estão guardados os 16 SCARAMELLA. baseada no despojamento e simplicidade dos edifícios igualmente o fim da noite e da morte que se haviam instalado monacais. mobilia- da por alguns armários e cómodas. Le reve cistercien. 53. No século 18. estabelecendo ao ritmo das horas que passam. 15 PRESSOUIRE. a fim de poder pre- parar-se para a missa. a Igreja de são João Batista foi assim descrita: necessário. da noite do seu túmulo para iluminar o mundo e o livrar do pecado. é o extraordinário colorido da fachada. obteve com a reconstituição da igreja de São Luiz Gonzaga. esta regulamentação do tempo é a responsável por E também com as igrejas que os jesuítas construíram entre os muitas das atividades diárias. convida os fiéis a entrar. pelo Concílio de Trento. cididamente do estilo que o arquiteto jesuíta Primoli materia- lizou na igreja de São Miguel. A Igreja ("eclesia") materializa no seu conjunto a própria Maneirismo. E. SCARAMELLA. Paris: Gallimard. p. sugerida. Mas o que mais nos impressio- com a divindade. As suas paredes são de taipa. enquanto que o nascer do sol a leste. a igreja nos apresenta de- talhes em pedra lavrada. São as indicações das horas de trabalho manual. de São Miguel. José Custódio de Sá e Faria e a Guerra Guaranítíca (Dissertação de Mestrado). tudo de pintura e dourado?"? que serve de comunicação com o claustro. nem da suagrandeza. ao culto ou às orações. que sai objetos de culto e de procissões. 17 "Diário" de José Custódio de Sá e Faria. época em que este desenho policromo foi elaborado. A estética dos jesuítas é fruto não do Barroco mas do na terra com o ocaso do dia anterior. e por isto temperada pela contenção das formas comunidade dos fiéis unida a Cristo. Brasil. GOLIN. Trata-se de uma capela ampliada. R~constituição hipotétic~ e parcial da Igreja da Redução de São Luiz Gonzaga. Para os Guarani. seus sinos soam ao longo da jornada. pela manhã. um na. São as chamadas às reu. como já haviam sido nos mosteiros medievais. o nascer do sol (Quarai) representava A estética cisterciense medieval se pautava por uma arte austera. . MAZUCO. transcrito em. com os movimentos de sentido vertical indica a relação dos habitantes do povoado formas contorcidas do barroco. Pode-se afirmar que os sinos do po- "O templo deste Povo não é da arquitetura da Igreja voado foram. A torre da igreja tem uma dupla função.. Porto Alegre: PUCRS. Os sinos soam quotidianamente.3 vol. Nidia. nas aberturas. Não mais se recusam as esculturas e as cores. O edifício é sempre cons. como pode ser muito bem co da condição humana. demonstra igualmente a profusão de cores que dá alegria e como nas origens beneditinas do monasticismo medieval. com colunas (. E parte-se de uma certa exuberância observado em São João nos detalhes em arenito finamente tra- balhados das aberturas das laterais. 373 . RIO Grande do Sul. representa a ressurreição de cristo. 1996. Na decoração das igrejas mlsslOnelras. o alarma chamando a atenção para os incêndios ou para os ataques inimigos. Por ela os padres podem passar da residência para a igreja. praticamente na niões. Por outro lado." co menos. Por um lado. Ela é um anexo da igreja. 1990. .. quando mesma . Luis Carlos.

denominado genericamente de "clausura". das construções como os olhares para o seu centro interior. As galerias laterais são abrigadas por telhados. realizar pequenas procissões e as orações quotidianas com o Assim como a igreja. Léon. Ele propi. a clausura é profanos. çao silenciosa. por estar à disposição dos padres jesuítas. do. Ele tem por si só uma função importante são extremamente despojados. O ter. por muitos autores regionais. Uma O espaço do claustro é geralmente quadrado. Opus cit. que as elites dirigentes européias e iberoamericanas. medieval. 19 PRESSOUIR. o claustro tem uma importância capi. o claustro se reveste de um sentido simbólico multo mais elevado. cidades portuguesas e espanholas. Ele é pelo silêncio que ali reina. do mundo considerado em seus aspectos laicos: manência de estranhos no interior do povoado. o claustro exibe muitas vezes be- impropriedade de "pátio da residência" ou "pátio do colégio". sendo muito agrupa as suas salas em torno de um átrio (atrium) é evidente. A única grande abertura deste espaço está nhóis. Tanto a Igreja como a residência tem uma série de aberturas sustentados po~ uma estrutura de madeira que repousa sobre para o claustro. Se o po. uma varanda coberta de laterais dos capitéis. inclusive arquitetos. dos padres de se centrar espiritualmente sobre a presença da poníveis. diosos. que significa espaço fechado. ou seja. para os cristãos. Vamos agora penetrar no espaço exclusivamente reservado A figura fechada do quadrado orienta e dirige tanto as fachadas aos padres jesuítas. divindade entre eles. pilares retas e lisos. cuja função imediata é uma circulação mais cómoda de O claustro é erroneamente den~minado "pátio do colégio".184 185 Estas considerações nos abrem horizontes inesperados pa. Os claustros missioneiros importância própria. é hoje em dia tradicionalmente aceito entre os estu- ra as pesquisas de história da arte missioneira. a não ser por bispos da igreja ou governadores espa. importantes representantes da Igreja e do Esta. com volutas decora as em jardim e rodeado de uma galeria. Os edifícios cia igualmente um lugar de proteção e recolhimento. uma peça para a outra. claustra. O claustro exprime perfeitamente o desejo de isolamento do voado já é protegido pelas leis espanholas que limitam a per. pois nele os padres podem ventual dos missionários. I' ' seu entorno. voltada para o céu. igualmente. o átrio romano e o claustro 18 BOUTTlER. pois seus limites são intrans. pois os pilares as porém é erróneo considerá-lo um mero espaço agregado. ao abrigo que os jesuítas construíram sob a denominação de colégios. sem colunas e os capitéis são esculpidos. pois o recolhimento que ali se observa é obtido mo vem do latim. século. pois uma série de construções se agrupam e se organizam em prisão de portas abertas. Ele representa uma barreira aos intrusos do exterior. ou seja. 47. Michel. Ele representa a possibilidade uma segunda barreira existente.. ' telhas. Algumas vezes ele é denominado com uma certa Nos mosteiros europeus. era uma prisão livremente escolhida um. um espaço de liturgia. Afirmou-se mesmo que o claustro igualmente um dos elementos geradores do plano de conjunto. Este local propicia igualmente a medita- tal no conjunto arquitetônico herdado da Idade Média. A filiação destes dois elementos. líssimas obras de arte românicas e góticas. opus cit. p. nas do burburinho e da agitação do povoado guarani-missioneiro. com bases trabalhadas singelamente. 32. são verdadeiras escolas para A analogia deste plano com aquele da casa romana." Além destas considerações sobre a sua função imediata de o Claustro ordem prática.. Nesta clausura se encontram o claustro e a residência con. materiais e utilitários.p. Ele é. tra-Reforma. como um prolongamento da igreja. r~sáno ou o breviário. . segundo as orientações da Con- e uma tradição já milenar nas construções européias deste tipo. transformado ornamentação esculpida em madeira. ao abrigo do sol e da chuva.

as latrinas deveriam ficar atrás da resi- drado do claustro. dência. nunca deixou de interessar tarde. . 21 "Diário" de José Custódio de Sá e Faria. em uma pequena cidade colonial. sempre mui. que levava em O isolamento do claustro. pois o claustro não está destina. Ao fim da governadores. embelezada e decorada. p. O dormitório co- mostra como "a aspiração a uma vida com base na ascese. a tarefa mais importan- tãncia desde a Idade Média. Ali dormem em conjunto os monges. uma mera decoração para completar um conjunto formado juntamente com a fachada da Igreja e o grande portico dormem os dois ou três padres e os jovens índios que os ser- vem. 20 O mesmo poderíamos afirmar em relação aos garantindo a privacidade e uma janela aberta para a luz. No espaço que dá acesso ao cemitério? Ou realmente o pórtico se. nas abadias cistercienses. de maneira que missioneiros. é a residência dos missionários. Possuem cara_c- terísticas diferentes. Mais meditação.. sua função de párocos. ocupando assim seus respectivos dormitórios. nos conta o primado do indivíduo sobre o grupo. 3 vai. conhecido por sua Impor- Isto significa "a obra de Deus". ln: GOLIN. próximo aos dormitórios A residência dos jesuítas deveriam ficar as latrinas. como nos descreve Sepp em seu diário. 19.. A residência de pesquisas de campo em São Lourenço. pois. Volta- missionários jesuítas. algumas vezes com diversos andares e com as. o que também acontece na residência dos rnis- sionários. correndo largas e espaçosas galeri- de grande porte. na oração e no trabalho. nos mostra como eles pOdlan: va-s~ desta maneira a estabelecer um lugar solitário. com colunas e balaustradas escadas de pedra lavrada". com uma porta aos homens". Ele ocupa todo o segundo andar da residên- do à recepção de estranhos. pois os edifícios assim denominados sao muito alegres e grandes. as águas captadas dos São João Batista foi assim descrita. foram criadas as células individuais. não existe nenhuma fachada ex- terna. Este é. onde o religioso poderá se retirar para ler. Opus cit. 373.186 187 conhecidos tanto na Europa como na América. pois esta arquitetura almente uma sala para o aprendizado dos filhos dos caciques compacta foi planejada desde a Idade Média. destinada aos bispos e o raiar do dia. te de todas as que realizam os missionários. povoados missioneiros. abre comunitário monacal. oposta à nova espiritualidade do Renascimento. O mesmo não acontece nos claustros missioneiros. nem a especificidade deste espaço. Este fato nos coloca um problema importante em relação ao grande pórtico que se observa no cia monacal. Léon. nas quais pórtico falso. Luis Carlos." finalidades exclusivamente educativas. os dormitórios são salas gigantescas. próximo ao claustro. na letivo foi então dividido por cortinas separando os leitos. Entretanto. servidas de uma canalização de água para a limpeza. Opus cit. uma luz permanecerá sempre acesa até para o povoado. em um lugar isolado. ou seja. Como pode ser observado nas to espaçosa para seus dois ou três ocupantes. representantes da Igreja e do Estado em visita ao Idade Média já se concebia a coabitação total como excessiva e povoado? . estar ao mesmo tempo separados e sempre presentes face a o hábito mantido pelos jesuítas em suas residências missionei- sociedade missioneira. raso Desde os mosteiros medievais. . Será um lância dos mais velhos. . sob a vigi- muro que separa o claustro da grande praça central. voltadas para a quinta. O fato de haver eventu- Ela está também ao lado da Igreja. com uma muito boa casa de refeitório. onde estes espaços são salas com uns. não altera a denominação se esteja sempre próximo ao lugar onde se realiza a opus dei. Nos mosteiros medievais beneditinos. Nas residências dos Uma das construções erguida em função do grande qua. Nos mosteiros medievais. E pela Frente e oposto lado. p. rezar e dormir. na época: "Os aposentos são 20 PRESSOUlRE. permitindo a entrada ao claustro dos mISSIO- nários? Será esta a entrada de aparato.

Gestos simples. Nelas se elaboraram muitas das "Cartas Ânuas''. de outro. dotada de ampla janela gradeada e de duas portas. demais salas e revestido de resistentes lajes retangulares de lhos intelectuais. Nestas trocas de idéias. hoje dência. que pode levar à desorganização da vida no povoa. protegida por uma estreita seteira. para se receber a alimentação necessária tanto ao cor- do. 372. de pouca altura. Seu piso é diferente das Uma ou duas salas são reservadas às leituras e aos traba. Trata- guês em expansão. acontecimentos ocorridos nos povoados missioneiros. dos cereais. ao Uma delas permitia o acesso ao claustro e à igreja. GOLIN. que existe entre o batistério e a igreja. claustro e perfeitamente controlada pelos missionários.. estava voltada para a quinta e provavelmente permitia o acesso Seu mobiliário é simples. encontramos sempre as evi- revestida de ladrilhos cerãmicos hexagonais ou retangulares. proiéteis. Michel. 44. Na Opus cit. p. do latim scriptor. voltada para a quinta. Luis Carlos. te considerável do poderio bélico do povoado: armas de fogo. papéis. pontas metálicas de flechas e de de São João Batista aos comandantes dos exérictos espanhol e portugues. dências de um porão. os (comandantes espanhol e português) levaram aos se us aposentos. Deveria ser equipada de prateleiras para o armazena_ encontram mesas e armários com livros. Devem ter discutido entre eles. destinado à conserva- teira das reduções iesuítico-guaranis. que narra a recepção dada no refeitório barricas de pólvora. A outra. men~o das armas e dos recipientes de pólvora. nários da idade moderna. pOIS deve-se pensar na purificação do coração e dos pensa- desgoverno. como a sala escavada na Missão de São lavabo e o refeitório. gradual rumo ao Rio da Prata. tam apenas os missionários. o que permi. face ao império portu. lado do conjunto de salas destinadas às atividades artesanais. mentos. no subsolo. e lhes pediram os padres quisessem Suas Excelências fazer-lhes a honra de jantar com eles no seu refeitório. Nas escavações São denominados de scriptorium. mas separado desta por um amplo importantes documentos históricos produzidos pelos jesuítas espaço. como é habito desde a Idade Média. Nestas salas os missionários devem ter tomado decisões importantes O refeitório foi outro polo importante da vida social dos para a vida do povoado. voltada para o quando ali estiveram quando da Guerra Guaranítica. monges medievais ou missio- paternal na vida dos seus paroquianos. a sala de armas é atrás da Igreja. por um lado." Sob as se observa em muitos edifícios deste tipo. como visitantes ilustres. opus cir." Esta sala retangular se encon- Lourenço. nas quais todos os anos relatavam os principais do setor freqüentado pelos índios que estavam constantemente em atividades no pátio dos artífices. P. Nas mesas do refeitório não se sen- às latrinas. "Depois. É um local sempre em função das necessidade geopolíticas e da situação de fron. Ela só possui uma porta de entrada. próximo à igreja. dindo por uma maior ou menor ingerência de sua autondade Antes de penetrar neste recinto. ção dos alimentos perecíveis. situadas única parede exposta. 22 BOUTTIER. deveriam lavar as mãos e o rosto em devem ter oscilado entre o dirigismo. Esta extremidade da residência é a mais mais afastada missioneiros. deci. e entre o nadas. fresco e onde a temperatura é constante. mas é o local onde são recebidos os tia uma certa privacidade e possuía dois bancos laterais. mas carregados de sentido espiritu- à resistência e à fuga dos indígenas para longe das reduções. afastado portanto da igreja. as salas devem ser bem ilumi. Trata-se da sala de armas (armeria). Poderíamos mesmo pensar na correlação Dormitórios ou escritórios. do vinho. e o al. tra no extremo da residência. onde deveria ser armazenado uma par. fenômeno que pode levar um lavabo. ela foi localizada no extremo oeste da resi- escreve. po como ao espírito. missionários. Trata-se de um espaço retan- Uma das salas mais importantes da residência foi criada gular como o refeitório. tinteiros. lanças.. . etc. Todas as salas eram tábuas do assoalho do refeitório. A janela estava voltada para a quinta. aquele que de Sao Lourenço. etc. 188 189 telhados da igreja podem ter sido aproveitadas tanto para a irrigação da quinta como para a limpeza das latrinas. como já havia sido nos mosteiros da Idade Média. 23Veja-se o diário de José de Sá e Faria. dignitários da igreja ou do estado. Ali se arenito. onde já tinham tudo pronto". e de fácil acesso.

nals. Poderíamos pensar em uma tentativa de neira semelhante. em São Lourenço. etc. em especial os cisterci- Ao lado do refeitório. Léon. pelos ca. missioneiros. as reduções jesuítico-guaranis foram uma impedir que cheguem ao refeitório os ruídos.. está instalada a cozinha. para facilitar as tarefas da cocçao e da segundo as disponibilidade de matérias primas. de um subterrâneo neste local. _aten~endo a cuja finalidade era o de facilitar as relações comerciais. Os mosteiros medievais circulação. funcionando em regime económico- alimentos ao local de seu consumo. pois a parede que separa o refeitono da COZI. portanto. a crendice popular imaginou muitas vezes a exisrencia Os jesuítas. As observações rea1Jzad_as nos visando tornar os trinta Povos independentes ou mesmo com o trabalhos arqueológicos de campo. O regime de autarcia. solo. não explica porque a cozinha está completamente separada do Devemos igualmente destacar um importantíssimo traço refeitório nâo existindo nenhuma porta que possa facilitar a de união entre as duas experiências. Outras ordens religiosas. Fundados nas fronteiras da Europa cristã. Nela deve se encontrar sempre um bom co~duto e ambiente natural. 16-7. comprovam a funçâo de porão ou de adega antecipando-se às diversas correntes socialistas do mundo con- destes limitados espaços. amente. entretanto. entretanto. pois se o domínio mo- nacal era bem administrado e produzia acima de suas necessi- As oficinas artesanais dades. ao mesmo tempo de uma adega e de um celeiro. Este raciocínio. não são os criadores deste modelo. mas igualmente à sua condição de colónias de povoamento missionários. que aproxima o local da produçao dos colónias de povoamento. expansão territorial. guel e São Nicolau. Um todas as necessidade do povoado e de sua populaçao. Nas pesquisas de campo realizadas em São Louren.Opus cit. foram destaques neste tipo de povoamento contra em realidade em uma sala pertencente a um outro con. enses e beneditinos. em plena tada portanto para o pátio dos artifices. uma exploração típica de autarcia. Er~one­ na fronteira do mundo cristão e civilizado da época. ou se- dispunham já desde o século 12 de representações nas cidades. procurava trocar ou comercializar os seus excedentes.190 191 se. micro-clima local. sendo vedado por. Na Idade Média. observamos "in situ" apenas um passa pratos retangular que rial dominante em todo o Medievo feudal europeu. pois ele se encontra dentro da clausura. em função das possibilidades do na cozinha. lico que explica esta localização e a cozinha não podena estar Sabemos que a autarcia não era completa. mente uma complementaridade entre os diversos povoados nha delimita a clausura dos missionários. o mesmo acon- tecia com muitas abadias cistercienses. muitos destes mosteiros foram verdadeiras cional nesta localização. era variável um depósito de água. destinadas às atividades artesa. dos centros políticos e económicos da América Colonial ibéri- rio significa igualmente um controle de seu conteúdo. portanto. implantando mosteiros e abadias. Para facilitar o intercâmbio de produtos. vegetal. Colonial pelas metrópoles ibéricas. social autónomo. foram na prática uma ruptura completa com o sistema senho- ço. fronteiriço. . vol. . A proximidade do refeitório e da cozinha limi ~a a necesslda~e Esta situação de autonomia se deve não apenas às distâncias de deslocamentos e de transporte." De ma- permite esta ligação. um sentido simbó. EXIste uma loglc~ fun. Ela se en. Sao MI. igualmente. p. Sua instalação sob o refeito. 24 PREESSOUYRE. objetivo de estabelecer as bases de um socialismo inovador. Sao limi- tadas as necessidades que exigem a importação de produtos. de uma unidade auto-gerida e auto-suficiente. cobertura lavagem dos recipientes e dos equipamentos. na medida em que alguns davam maior ênfase na tanto o acesso ao refeitório das mulheres índias que trabalham produção de certos produtos. ja. as fumaças e ~s recusa histórica ao sistema escravista estabelecido na América odores da cozinha? Existe aqui. temporâneo. Média. em plena Idade junto de construções. muitos mosteiros O regime económico da Redução é de uma autarcia. Havia igual- em outro lugar.

cuatro constructores. 77.). un zapatero. se encontram mais distantes do povoado. . . doce neiro. ochenta obreros par lafabrica de ladrillos. etc. exis- nhecimentos sobre as artes mecânicas. eram os monges que se mãos. Idade Média. que se mantinham ". dos alfareros. seis enfermeros. veinte tejedores. Opus cit. não deve comer. existente na Idade Média euro- alma. seis escultores. cincuenta carpinteros." Os fornos de produção da cerâmica. pedra. dos torneros. vam. diez pintores. Eduardo. doce Existe uma lógica relacionada às tarefas quotidianas. Porto Alegre: UFRGS. . 26NEUMANN. . elementos decorativos para a igreja. aqui descritas. Entretanto. dos fabri- to comum nos estabelecimentos religiosos cristaos. desde a cantes de laúdesy arpas (. tais como esculturas de santos. com excelentes co- rurais. A importância destas atividades des eram sempre realizadas pelos monges e nos povoados mis- no povoado missioneiro.192 193 sistema muito semelhante ao dos "Ofícios das Missões". acho picapedreros. ção social diferenciada no mundo do trabalho local. vendendo seus produtos e comprando o que necessita- ladrilleros. mas devem igualmente se ocupar da for- lúrgicas.. . pois nos mosteiros medievais. instrumentos las da região. musicais. relacionados com estas características do sistema de auto-suficiência: Ora et labora. Isto significa uma educação artesanal pela prática.. cuatro sacristanes.. de guaranis". colocada as reduções te toda um série de ofícios e de atividades artesanais que se administradas pela Companhia de Jesus como uma organiza- desenvolvem em torno do povoado e no pátio dos artífices. em Buenos Aires e Assunção para atender ao comércio missio- doce armeros. 1995. Assim. Uma das conseqüências é a A organização das atividades artesanais. p. Guaranis missíonciros em Buenos Aires (1640 _ 1750) (Dissertação demestrado). o forno metalúrgico e Estas oficinas devem ser exploradas em função da oferta o moinho para a moagem de grãos e para as atividades meta- de matérias primas. mação dos próprios artesãos e do desenvolvimento das capaci- uma série de atividades se desenvolvem nas oficinas que se dades necessárias para a realização das atividades de cada se- distribuem em torno do pátio dos artífices. O padre Antônio Sepp nos relata quais eram as diversas profissões existentes no povoado de São João Batista e desem- penhadas pelos neófitos guaranis. espécie de escritórios de representação comercial.)"25. mui- curtidores (. p. devido ao As construções que abrigam as atividades artesanais e os espa- alto grau de aprimoramento que atingiram as técnicas fabris e ços a elas correspondentes obedecem à esta lógica das tarefas pela transmissão destes conhecimentos entre as várias gerações que regula a vida comunitária. Outra é a de que quem não trabalha com suas próprias péia. Ali se realizam tra- tor. foi assim sintetizada por Neumann: sionários pelos neófitos guaranis. que balhos em madeira. dos panaderos. Nos mosteiros medievais. dos cocineros. metal. voltadas para as atividades agrícolas e de pecuária. Dentre estas atividades po- demos destacar os seguintes artesãos: 25 SEFP. além das instalações "A existência de artesãos qualificados. tres toneleras. estas ativida- dedicavam a estas atividades. Antonio. São reali- terminou formando artífices capazes de atender mais tarde às zadas atividades artesanais muito delicados e de grande quali- próprias necessidade do mercado interno das cidades espanho- da de artística. tecidos. 267.. couro. etc. se- de que a inatividade e a falta de ocupações são inimigas da guem um modelo já milenar.

Antonio. trazidas pelos ou os hóspedes que chegavam eventualmente. pois é uma área cercada. um local para acolher a população do povoado. junto à ampla rua ja. simples como as demais. ou seja. ou se- casa com capela situada à direita da praça. p. Ela está sempre localizada atrás da igreja. 155. segundo os documentos históricos da lizar nos arredores do povoado. Opus cito . com currais para os carros e para os cava- Os doentes serão tratados dentro dos princípios da fraternidade los. E um pequeno jar- Em São Miguel. Em São Miguel. Era um local protegido. um "tambo". Neste povoado. o "tambo" poderia ser a Fala-se algumas vezes na existência de um hospital. lado na portaria. Normalmente missionários. possivelmente na hospedaria. a quinta desempe- A hospedaria (Tambo) nhou importante papel. para as mulheres e os homens enfermos . 27 SEPP. provavelmente junto à quinta. para atender às As enfermarias novas necessidades. mas serviu igualmente era uma casa. Não deveria de Sepp". havia a hospedaria.194 195 houve necessidade de ampliar a hospedaria. Devido às epidemias que assolavam algumas vezes a animais e ainda um bebedor para estes. pode ser Con- do local onde poderia estar o hospitaL Segundo as informações trolada por uma portaria. havia um monge porteiro insta- fico para os monges. Possuímos a descrição da quinta de São grinos que vinham ao mosteiro onde existiam relíquias sagra- João Batista. quando fos- pelos brancos. pois as quarentenas obrigavam época. E. Devenam se loca- praça. uma hospedaria ampliada foi construída dim. Além do quarto para os doentes. junto à portaria. para as plantas medicinais. pois nela se plantava um pomar de árvores frutíferas. em especial que dava acesso aos povoado e pela qual chegariam os visitan- os enfermos e os velhos. uma única o contágio. dos artífices. deveria haver um setor mais isolado para evitar sem milícias de outros povoados. pois os doentes estariam isolados e próximos das plantações de frutas e ervas medicinais. de consumo especí- Nos Mosteiros medievais. Em vez de ja aberta ao público. Foi também um pomar. Algumas vezes. marias estivessem localizadas nas duas casas construídas em São João atrás da Quinta. mas ainda as duas capelas da entrada da leitos tinham locais para se estender redes. foram construídos dois galpões com ladrilhos como existir a capela para os hóspedes. Em São João. principalmente doenças transmitidas descansar. como horta e jardim. . junto à praça. Algumas destas hospedarias possuíam uma capela para os hóspedes. Talvez as enfer. Nela se plantavam flores. deve tes. A quinta Em todos os mosteiros da Idade Média. haver uma sala para guardar os remédios. Essas tropas podiam população das reduções. No desenho policromo em estudos não há indicação porta de acesso à hospedaria e ao pátio interno. a quinta foi em primeiro lugar daria. único lugar de acesso através do muro de pro- do cemitério e dos edifícios que envolvem o claustro e o pátio teção do mosteiro. fornecida pelo seu fundador Padre Antônio das ou o túmulo de algum dos santos da Igreja. para tropas militares. pois havia não apenas a Igre- assoalho. refazer as suas forças e tornar a partir. um local para acolher os VIajantes um local de aclimatação de plantas européias. Nos povoados missioneiros havia igualmente uma hospe- No povoado missioneiro. Deveria haver um depósito para guardar os alimentos dos cristã. ca. acamparam tropas espanholas após a Guerra Guaraníti- o afastamento dos doentes e o seu isolamento. hortaliças e Na Idade Média era necessário acolher os grupos de pere- plantas medicinais.

." rbanismo do século 17 nos mos. flores' saladas diversas tos. Des Indiens et . las oficinas artesanais. limoeiros. Segundo um testemun o's paa'tios ~ de fundo muito indica a profunda mudança ocorrida em certas práticas rela- . enquanto que os de seus páro- cos serão enterrados no espaço fronteiro ao altar. . podemos perceber a racionsj]. " de compndo o mesmo . . Existia igualmente I uml'ngdrl~g~nas foram plantadas J retorno ao útero da mãe-terra. que os d oI . ó uias e dos monastérios. A igreja está centralizada em relação ao claustro e pe- 3D HAROUEL. alface repolhuda. '. . pereiras. tiva. praça e sua fachada com põe um cenário extraordinário que se Pu blicado como "Viagem às m'ssocFs e I . nas casas comunais independentes que .a) repolhos.. erce ticula em alas e áreas sepa. cionadas ao sagrado e aos princípios religiosos. . to. A igreja ocupa o lugar central da 28 HAUBERT Máxime. não é apenas o achado arqueo- d funcho me l:oe " . mas igualmente o que violetas. no. espllla- ( en divia. igual- da praça maior.. Opus cir.oce. podemos destacar. . erva . _ d Sepp se encontra em seu diana ' 1967 P 200 A descrição e . etc.' Ambos os pórticos s . téer ia percebemos a capela dos mor- Ao fundo Com certeza. enCOntramos aqui um Contraste e uma hesita- ção. Os enterramentos todos obedecem ao ritual cristão.29 II Entretanto. hecidas pe os . 5t-2. . Esta zona e . a este local. temperos. 'a o cenário arquitetornco dade dos planos urbanos que nos são conhecidos desde a Anti- ja e compões de maneira extraor inan güidade até o Renascimento. entre os princípios de igualdade e de unanimidade entre os homens e o princípio de hierarquia. nogueiras. s medicinais e . ." Paris: Hachette. Na Idade A tradição medIe. . além dis- gtram uma profunda tra~s~orm~:~os aqui também uma orga. . a partir do plano-tipo das abadias beneditinas. con h d época a quinta tena . 29 "Diário" de JOSé Custo Sdi10 de Sá e ans. girassol. entrecor- tando-se em ângulos retas. eiras. di . Nos povoa ..al d~s p~ q I do da igreja. trabalhos apostólicos .' ão simetncos e . . Diversas enterravam seus mortos em posição fetal. nós podemos ali observar também a permanência dos hábi- ências de salubndade. e pelo cemitério e () r-or i. GOLIN Luis Carlos. estes princípios eram igualmente seguidos. salsa. p g de ~inhedo. n. O cemitério abriga os o cemitério corpos dos indígenas guaranis. onde as últimas orações são proferidas antes do enterra- . mitério. " plantas nativas.. nização raciona o esp tores que se articulam num abrigam as famílias extensas. erva. p. laran. Opus ctt.. É necessário reconhecer. desaparecem completamente. e multas ar. nabos. . mais. por um lado. fres. Dentre as arvor esse ueiros limoeiros. Nos povoados missioneiros. 196 197 S c roduzidos diversos tipos de epp 28 Durante todo o ano sao p . separan conjunto. chlcor s' pepinos lírios. como uma espécie de . Na estética barro:a dos {re:nte à 'residência dos padres. como nas aldeias neolíticas tradi- d d funtos em se cionais no continente sul-americano. des: Média. ' . etc. Com várias ruas de laranjeiras c vares de fTU ta . não é mais encontrado. diferenci_ tinava ao cemitério a area situa ~ ao mortos ao lado da cidade ando os enterramentos no cemitério e no corpo da igreja. Na pesquisa arqueológica. desJésuitesdu Paraguay au tcmps desMissíons ' •.. a visão de regularidade e de simetria do con- junto do povoado. lógico que é importante para as análises. res frutíferas. As urnas funerárias. nos faz lembrar uma ordem perfeita e defini- - ---------:----:--::--~ . radas. completa com as portas e arcadas em face do claustro e do ce- 373.]ean-LoUls. onde os guaranis macieiras. o os doe cerni. p. aquela que estabelece a cidade os mantém-se a localização dos mIsslOnelros. as Ideias do u _ voltada para as novas eXI... Conclusões dos vivos. . as origens medievais de uma parcela deste plano urba- Entretanto. . As ruas se estendem em linhas retas e paralelas. uítas um pórtico de acesso original. . Id aço que se ar I . o que nos na quinta. . mento. E. . mente. legumes. simétnco ao p~rt~co m relação à fachada da igre. tos sociais dos Guarani.

de Assunção a Buenos Aires. 43. p. O povoado se materializa como uma síntese cultural de influências não apenas européias e indígenas. !'odemos observar. orgu. mais uma vez. as novas malllfestações da era mo- te na praça e na igrej a.198 199 guaçu. limitada a alguns missionários e dezenas de famílias guaranis. mas igual- mente medieval. apenas se tornam possíveis a partir dos dados que tanto a Arqueologia como a História nos fornecem. Ecnts SUl' í'Hístoire. assim como os indígenas dispõem de suas de vida do Guarani n~ao' e' p exa. As possibilidades de analisar e interpretar os importantes processos de longa duração" desta região platina. No centro do povoado. tanto a partir das informa- ções iconográficas. Partindo do estudo da dinâmica das interaçõcs sócio-culturais destes povoados missioneiros. nós . entretanto. as sociedades européias e I'n díigenas se en t lho das cidades do renascimento na Espanha. é "civilizar" e 1Tcr isti an izar Procura con- duzir os indígenas guaranis à transcendência divina. na qual a persistência do modo ibé . casas (ocas) dos Guarani. principalmen. Trata-se de um conjunto de construções ao mesmo tempo sUfj~reendidos com a riqueza d~:~dores e arqueólogos . Seu ll• objctivo. constituídas de materiais tangíveis e história. com base em um módulo humano de neófitos guaranis. por outro. bem como da sua persistência no tempo histórico. em complexas relações interétní contram e se confron. entretanto. esta sociedade é um verdadeiro microcosmo humano que resume a diversidade e a complexi- dade do mundo e da humanidade. a "p. do Guairá ao Tape. moderna e indígena. menos imporj d casas. BRAUDEL. 1969. sem es- quecer. A releitura que pode ser feita. 31 «Dialectique de la longue durée» são palavras muito conhecidas do historiador francês Braudel.aza mayor". isoladas umas das outras à maneira lento ~as dinâmico passar do tem nicas. Mesmo que estes povoados missioneiros contenham ape- nas uma sociedade restrita. E. No imenso cenário da região missione ira. . no amazónica. podemos analisar as ações e as reações que caracterizam este complexo processo de desenvolvimento. sempre nova e se ovos panoramas desta nossa mpre renovada. Fernand. missionários e neófitos terminam por se encontrar nos I encas da Idade Média e ante o que as tradições grandes espaços de uso comunitário do povoado. é agora mui- to clara. derna.somos funcionais e despojadas. como das observações "in situ". está cercada de am. Mesmo que os jesuítas tenham em sua residência uma smtese cultural com I po histórico. Paris: Plammarion. a emergência de aposentos privativos.hist . as dificuldades do mundo e os interesses geopolíticos da conquista ibérica do Rio da Prata.