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Aula Combustão

Introdução
A combustão é a tecnologia mais antiga da humanidade e é fundamental para o funcionamento
de todas as máquinas térmicas utilizadas na geração de energia elétrica.

Ela é um fenômeno complexo de reações químicas que dependem de vários fatores


(combustível, mistura ar-combustível, temperatura, etc.…) e envolve química,
termodinâmica e mecânica dos fluidos.

Para haver combustão é necessário misturar combustível com o comburente,


normalmente ar, e queimar a mistura.

A combustão pode ocorrer de dois modos; com chama e sem chama. Por sua vez, a
combustão com chama pode ser classificada em pré-misturada ou difusa.

A combustão com chama se caracteriza por se concentrar em uma região no espaço


que pode se propagar, ou não.

De um lado dessa fronteira existem os gases quentes resultantes da combustão e de


outro existem apenas os gases não queimados. Exemplos deste tipo de combustão são
a lamparina e a queima no cilindro de motores de combustão interna com vela de
ignição.

A combustão sem chama ocorre quando o processo de combustão ocorre


simultaneamente em diversos pontos da mistura combustível comburente. Neste caso,
não existe uma região definida que possa ser denominada de chama e o processo é
volumétrico. Exemplos deste tipo de combustão são o motor diesel e a detonação em
motores de combustão interna com vela de ignição, mais conhecida como "bater
pino".

Na combustão com chama pré-misturada, o combustível e o comburente são pré-


misturados a nível molecular antes de qualquer reação química começar. Exemplo
típico este tipo de combustão é o motor de combustão interna com vela de ignição.

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Tipos de Combustão

Combustão completa e incompleta

A combustão é uma reação de uma substância (combustível) com o oxigênio (O2)


(comburente) presente na atmosfera, com liberação de energia.

A liberação ou consumo de energia durante uma reação é conhecida como variação


da entalpia (ΔH), isto é, a quantidade de energia dos produtos da reação (Hp) menos
a quantidade de energia dos reagentes da reação (Hr):

ΔH = Hp - Hr

Quando ΔH > 0 isto significa que a energia do(s) produto(s) é maior que a energia
do(s) reagentes(s) e a reação é endotérmica, ou seja, absorve calor do meio ambiente.
Quando ΔH < 0, isto significa que a energia do(s) reagente(s) é maior que a energia
do(s) produto(s) e a reação é exotérmica, ou seja, libera calor para o meio ambiente,
como no caso da combustão da gasolina, por exemplo.

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A combustão completa de qualquer combustível orgânico (que possui átomos de
carbono) leva a formação de gás carbônico ou também chamado de dióxido de
carbono (CO2) e água (H2O). A respiração é um processo de combustão, de “queima
de alimentos” que libera energia necessária para as atividades realizadas pelos
organismos. É interessante notar que a reação inversa da respiração é a fotossíntese,
que ocorre no cloroplasto das células vegetais, onde são necessários gás carbônico,
água e energia (vinda da luz solar) para liberar oxigênio e produzir material orgânico
(celulose) utilizado no crescimento do vegetal.

combustão/respiração

C6H12O6(s) + 6 O 2(g) ↔ 6 CO2(g) + 6 H2O (l) + energia

fotosíntese

A gasolina possui muitas impurezas contendo enxofre (S), e o diesel, ainda mais.
Hoje no Brasil existe um grande investimento por parte da Petrobrás para diminuir
a concentração de enxofre no diesel e assim torná-lo menos poluente. Portanto,
combustíveis que tem enxofre, ao serem queimados produzem grandes quantidades
de um gás bastante tóxico e corrosivo, responsável por acidificar a atmosfera, o
dióxido de enxofre (SO2). Já o álcool é um combustível que não apresenta enxofre e,
portanto, não produz o dióxido de enxofre.

S(s)+ O2(g ) → SO2(g)

A falta de oxigênio durante a combustão leva à chamada ‘combustão incompleta’


que produz monóxido de carbono (CO). Note que o CO tem um oxigênio a menos que
o CO2, o que caracteriza a deficiência de oxigênio, ou a ineficiência da reação. Este
gás é muito tóxico para o ser humano, pois este dificulta a função da hemoglobina,
que é responsável pela renovação do oxigênio no nosso sangue. Pequenas
concentrações de monóxido de carbono já provocam tonturas e dores de cabeça.
Outro produto indesejável da combustão incompleta é a fuligem (C), que não tem
oxigênio na sua constituição. A porção mais fina da fuligem pode impregnar nos
pulmões e causar problemas respiratórios.

As equações químicas abaixo ilustram a quantidade de calor (ΔH) liberada


durante a combustão completa e incompleta do gás metano (CH4). Note como a
quantidade de calor liberado é menor nos casos de combustão incompleta. Portanto,
além da combustão incompleta gerar compostos nocivos à saúde humana, há também

uma grande desvantagem econômica, pois com a mesma quantidade de


combustível haverá menor quantidade de energia gerada! Veja as equações:

Combustão completa do metano:

CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O (l) ΔH = - 802 kJ/mol (energia liberada)

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Combustão incompleta do metano:

CH4(g) + 3/2 O2(g) → CO(g) + 2H2O(l) ΔH = - 520 kJ/mol

CH4(g) + O2(g) → C(s) + 2H2O(l) ΔH = - 408,5 kJ/mol

É muito importante saber a quantidade de calor liberada pelos combustíveis para


que seja possível comparar o valor energético de cada um deles. Na Tabela 1 são
mostradas as entalpias de combustão (ΔHo) para alguns combustíveis, isto é, a energia
liberada na queima completa de um mol do combustível. O zero utilizado como índice
superior indica que as condições iniciais dos reagentes e as finais dos produtos são
25o C e 1 atm, chamadas de condições padrão.

Tabela 1: Entalpia de combustão padrão para vários combustíveis.

COMBUSTÍVEL FÓRMULA ΔH° (kJ/mol)

MOLECULAR

Carbono (carvão) C(s) - 393,5

Metano (gás natural) CH4 (g) - 802

Propano (componente do gás de cozinha) C3H8 (g) - 2.220

Butano (componente do gás de cozinha) C4H10 (g) - 2.878

Octano (componente da gasolina) C8H18 (l) - 5.471

Etino (acetileno, usado em maçarico) C2H2 (g) - 1.300

Etanol (álcool) C2H5OH (l) - 1.368

Hidrogênio H2 (g) - 286

Veremos mais tarde, quando realizarmos um experimento, que mesmo a


combustão completa leva a produção de um gás indesejável, que é o dióxido de
carbono, o maior responsável pelo chamado efeito estufa. Desta forma, o combustível
menos poluente que se conhece é o hidrogênio, pois sua combustão gera apenas água:

H2(g) + ½ O2(g) → H2O(l) ΔH = - 286 kJ/mol

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CONCEITOS IMPORTANTES
Entalpia
Entalpia (H) é a energia que é trocada nas reações de absorção e de liberação de energia,
respectivamente, endotérmica e exotérmica.
Não existe um aparelho que seja capaz de medir a entalpia. Por esse motivo, mede-se a
sua variação (ΔH), o que é feito considerando a entalpia do reagente (energia inicial) e a
entalpia do produto (energia final).
A variação da energia foi desenvolvida através da Lei de HESS, a qual é estabelecida
através da seguinte fórmula:
ΔH = Hf – Hi
Onde,
ΔH: variação da entalpia
Hf: entalpia final ou entalpia do produto
Hi: entalpia inicial ou entalpia do reagente
Daí concluímos que a variação da entalpia é negativa quando estamos diante de uma
reação exotérmica. Por sua vez, a variação da entalpia é positiva quando estamos diante
de uma reação endotérmica.
Os dois tipos de entalpia mais recorrentes são:
Entalpia de Formação: energia absorvida ou liberada necessária para formar 1 mol de
uma substância.
Entalpia de Combustão: energia liberada que resulta na queima de 1 mol de substância.

Entalpia de combustão
A entalpia (H) de combustão ou calor de combustão consiste na energia liberada na
queima de 1 mol de combustível, em condições de estado padrão (Temperatura: 25 °C;
Pressão: 1 atm).
Pelo fato da combustão ser uma reação exotérmica, a variação de entalpia (∆H) sempre
terá valor negativo.
A entalpia de combustão pode ser calculada através da seguinte fórmula:
ΔH = Hprodutos – Hreagentes

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Combustão espontânea
A combustão espontânea é a que ocorre sem a existência de uma fonte inflamável
externa. Isso acontece com alguns materiais capazes de acumular muito calor em seu
interior, aumentando a velocidade das reações químicas. Essa condição aumenta a
temperatura do material até que aconteça a combustão.

Reações Endotérmicas e Exotérmicas


Nas reações químicas pode haver absorção ou liberação de energia. Essa transferência de
calor é feita a partir do corpo que tem a temperatura mais alta para aquele que tem a
temperatura mais baixa.
Chama-se reação endotérmica a reação em que há absorção de calor. Um corpo absorve
calor, enquanto o mesmo é liberado pelo meio em que ele está inserido. É por isso que a
reação endotérmica provoca uma sensação de resfriamento.
Exemplo: Ao passar álcool no braço, o braço absorve o calor dessa substância. Mas, ao
soprar para o braço depois de ter passado álcool, sentimos um friozinho, sensação que é
resultado da reação endotérmica.
Já a reação exotérmica é o inverso. Trata-se da liberação de calor e, assim, a sensação é
de aquecimento.
Exemplo: Num acampamento, as pessoas se colocam junto de uma fogueira para que o
calor liberado pelas chamas aqueça quem está à volta.
Importa referir que, na mudança do estado sólido para o líquido e do líquido para o
gasoso, o processo é endotérmico.
E é exotérmico na mudança do estado gasoso para o líquido e do líquido para o sólido.

Lei de Hess
A Lei de Hess permite calcular a variação da entalpia, que é a quantidade de energia
presente nas substâncias após sofrerem reações químicas. Isso porque não é possível
medir a entalpia em si, mas sim a sua variação.
A Lei de Hess fundamenta o estudo da Termoquímica.
Essa Lei foi experimentalmente desenvolvida por Germain Henry Hess, o qual
estabeleceu:

A variação de entalpia (ΔH) em uma reação química depende apenas dos estados
inicial e final da reação, independentemente do número de reações.

Como a Lei de Hess pode ser calculada?


A variação da entalpia pode ser calculada subtraindo a entalpia inicial (antes da reação)
da entalpia final (depois da reação):

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ΔH = Hf – Hi
Outra forma de calcular é através da soma das entalpias em cada uma das reações
intermediárias. Independentemente do número e tipo das reações.
ΔH = ΔH1 + ΔH2
Uma vez que esse cálculo considera apenas os valores inicial e final, conclui-se que a
energia intermédia não influencia no resultado da sua variação.
Trata-se de um caso particular do Princípio da Conservação de Energia, a Primeira Lei
da Termodinâmica.
Você também deve saber que a Lei de Hess pode ser calculada como uma equação
matemática. Para isso, é possível realizar as seguintes ações:
Inverter a reação química, nesse caso o sinal do ΔH também deve ser invertido;
Multiplicar a equação, o valor do ΔH também deve ser multiplicado;
Dividir a equação, o valor do ΔH também deve ser dividido.

Diagrama de entalpia
A Lei de Hess também pode ser visualizada através de diagramas de energia:

O diagrama acima mostra os níveis de entalpia. Nesse caso, as reações sofridas são
endotérmicas, ou seja, há absorção de energia.
ΔH1 é a variação de entalpia que acontece de A para B. Suponhamos que ela seja 122 kj.
ΔH2 é a variação de entalpia que acontece de B para C. Suponhamos que ela seja 224 kj.
ΔH3 é a variação de entalpia que acontece de A para C.
Assim, nos importa saber o valor de ΔH3, pois corresponde à variação de entalpia da
reação de A para C.
Podemos descobrir o valor de ΔH3, a partir da soma da entalpia em cada uma das reações:

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ΔH3 = ΔH1 + ΔH2
ΔH3 = 122 kj + 224 kj
ΔH3 = 346 kj
Ou ΔH = Hf – Hi
ΔH = 346 kj – 122 kj
ΔH = 224 kj

EXEMPLO 1

Com base nas variações de entalpia associadas às reações a seguir:

N2(g) + 2 O2(g) → 2 NO2(g) ∆H1 = +67,6 kJ

N2(g) + 2 O2(g) → N2O4(g) ∆H2 = +9,6 kJ

Pode-se prever que a variação de entalpia associada à reação de dimerização do NO2 será

igual a:

2 NO2(g) → 1 N2O4(g)

a) –58,0 kJ b) +58,0 kJ c) –77,2 kJ d) +77,2 kJ e) +648 kJ

Resolução:

Passo 1: Inverter a primeira equação. Isso porque o NO2(g) precisa passar para o lado dos

reagentes, conforme a equação global. Lembre-se que ao inverter a reação o ∆H1 também

inverte o sinal, passando para negativo.

A segunda equação é conservada.

2 NO2(g) → N2(g) + 2 O2(g) ∆H1 = - 67,6 kJ

N2(g) + 2 O2(g) → N2O4(g) ∆H2 = +9,6 kJ

Passo 2: Observe que N2(g) aparece nos produtos e reagentes e o mesmo acontece com 2

mol de O2(g).

2 NO2(g) → N2(g)+ 2 O2(g)∆H1 = - 67,6 kJ

N2(g) + 2 O2(g) → N2O4(g) ∆H2 = +9,6 kJ

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Assim, eles podem ser cancelados resultando na seguinte equação:

2 NO2(g) → N2O4(g).

Passo 3: Você pode observar que chegamos a equação global. Agora devemos somar as

equações.

∆H = ∆H1 + ∆H2

∆H = - 67,6 kJ + 9,6 kJ

∆H = - 58 kJ

Pelo valor negativo de ∆H também sabemos que se trata de uma reação exotérmica, com

liberação de calor.

EXERCÍCIO
O gás metano pode ser utilizado como combustível, como mostra a equação 1:

CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O(g)

Utilizando as equações termoquímicas abaixo, que julga necessário, e os conceitos da Lei

de Hess, obtenha o valor de entalpia da equação 1.

C(s) + H2O(g) → CO(g) + H2(g) ΔH = 131,3 kj mol-1

CO(g) + ½ O2(g) → CO2(g) ΔH = 283,0 kj mol-1

H2(g) + ½ O2(g) → H2O(g) ΔH = 241,8 kj mol-1

C(s) + 2H2(g) → CH4(g) ΔH = 74,8 kj mol-1

O valor da entalpia da equação 1, em kj, é: -802,3

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