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IMAGO DEI

Compreender bem o conceito da Imagem de Deus (Imago Dei) é fundamental na


antropologia cristã para que haja entendimento sobre o que distingue o homem dos
demais seres criados por Deus, afinal esta é a doutrina que afirma que o Homem foi
criado à Imagem Divina. É a resposta bíblica a como surgiu o Homem, Criatura singular
entre as existentes.
No decorrer dos anos da história do pensamento cristão, a doutrina da Imagem
de Deus, tem sido muitas vezes vista de maneira errada por teólogos diversos em épocas
diferentes, e estes estudiosos tem se equivocado ao tentar responder questões como: Em
que consiste a imagem de Deus no homem? Que efeito teve a queda do homem sobre a
imagem de Deus? O que queremos dizer quando afirmamos que o homem foi criado à
imagem e semelhança de Deus? Respondermos corretamente a estas perguntas é de
sobremodo importante para compreendermos quem é o homem.

A IMAGEM DE DEUS NA IGREJA PRIMITIVA

No Novo Testamento, os apóstolos, a igreja primitiva, tinham sua concepção de


imagem de Deus dentro do entendimento judaico e não sob o “pano de fundo do
dualismo helenístico, que envolvia um dualismo cosmológico e bastante associado a um
dualismo antropológico”.1
De fato o apóstolo Paulo, por exemplo, via todo o processo da criação, incluindo
a criação do homem, o que leva a Gênesis 1:26 e a imagem e semelhança de Deus, de
forma tipicamente hebraica e não grega.2
As palavras “imagem” e “semelhança” são encontradas no Novo Testamento,
apesar de serem localizadas separadas, diferentemente do que é visto no livro de

1
George Eldon Ladd, Teologia do Novo Testamento (São Paulo: Exodus
Editora, 1997), 371. Para uma maior compreensão sobre o dualismo cosmológico e
antropológico ver a referida obra e Jesus and the Kingdom (1964), p. 83 ss. do mesmo
autor.
2
Ibid, 371. “Obviamente deve-se contar com a influência grega sobre a origem
do cristianismo desde o início, mas até que as idéias gregas estejam subordinadas à
visão total da Heilsgeschichte, não se pode ainda falar de ‘Helenização’no sentido
pleno. Helenização genuína ocorre pela primeira vez posteriormente”. Cullmann, Oscar,
Imortalidade da alma ou ressurreição dos mortos? O testemunho do Novo Testamento
(Artur Nogueira, SP: Centro de Estudos Evangélicos, 2002), 13.
Gênesis, elas estão presentes e possuem o mesmo sentido do apresentado e
compreendido em 1:26 do referido livro bíblico.3
A igreja primitiva, e, por conseguinte, o Novo Testamento, aplica a idéia de
imagem de Deus de forma dupla, ou seja, tanto a Cristo como ao homem4, pois em todo
o Novo Testamento “a imagem de Deus é principalmente Cristo”.5
Textos como Hebreus 1:3, II Coríntios 4:4, Filipenses 2:6, Colossenses 1:15
deixam claro este ponto de vista.
Por outro lado, textos como Romanos 8:29; I Coríntios 11:7, 15:49; II Coríntios
3:18, Colossenses 3:10, Tiago 3:9 revelam ou mencionam a imagem de Deus e ou
Cristo, no homem.
Ao analisar tal fato percebe-se que “em um sentido muito mais profundo, Cristo
é a imagem de Deus, porquanto traz a estampa mesma de Sua natureza (Heb. 1.3); mas
ao ser remido, o homem chega a compartilhar da imagem de Deus, dessa maneira (Rom.
8.29; II Cor. 3.18)”.6
Paulo via de forma clara que a imagem de Deus havia sido obliterada no ser
humano, pois este pecou, e possuí a imagem “do que é terreno” (I Cor. 15:49), ou seja,
de Adão contaminado pelo pecado e este se alastrando pela humanidade e ampliando
suas conseqüências. Como expressa Champlin – “trazemos a imagem do terreno, isto é,
compartilhamos da mesma natureza humana que Adão possuía”.7
De fato “o judaísmo rabínico não questionava a imago Dei (“imagem de Deus”)
em princípio. Mesmo assim, considerava-se que ela, devido ao pecado do indivíduo,
podia ser diminuída ou até perdida”.8

3
Ver Louis Berkhof, Teologia sistemática, (Campinas, SP: Luz para o
Caminho Publicações, 1992), 203. Para uma análise dos termos gregos empregados e
seu uso na LXX em conotação com os termos hebraicos tselem e demut ver Lothar
Coenen e Colin Brown, Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento
(DITNT), (São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 2000) 1:870, 871, 1002-
1005; 2:2300-2305.
4
Mario Veloso, O homem, pessoa vivente (Brasília, DF: Editora Alhambra
Ltda., s/d), 111.
5
M. Flick, e Z. Alszeghy, Antropología teológica, 100. Citado em Veloso, 111.
6
Russell N. Champlin, O Antigo Testamento interpretado (ATI), (São Paulo:
Hagnos, 2001), 1:16.
7
Ibid, O Novo Testamento interpretado (NTI), (Guaratinguetá, SP: A
Sociedade Religiosa a Voz Bíblica, s/d), 4:267.
8
Lothar Coenen e Colin Brown, DITNT, (São Paulo: Sociedade Religiosa
Edições Vida Nova, 2000) 1:1003.
Sumariando pode-se dizer que na igreja primitiva o conceito de imagem de Deus
não difere do Antigo Testamento e representa o “ser humano como um todo:
espiritualidade, razão, emotividade, moralidade, relacionamento inter-sexual, etc.”9, ou
seja, “a totalidade de seu ser e a plenitude de suas expressões de vida”.10
Os Apóstolos, conforme já mencionado acima, também compreendiam a perca
ou obliteração desta imagem no ser humano devido ao pecado, mas, e acima de tudo,
tinham plena consciência da restauração da mesma em Cristo Jesus.
No entanto, os apóstolos viam esta “transformação como sendo um
acontecimento presente (2 Co 3:18; Cl 3:10), e também como um evento escatológico,
ainda no futuro (1 Co 15:49; Fp 3:21)”.11 Nas palavras de G. Kittel “isto significa que já
agora é assim, mas que também ainda há de ser”.12
Na parte final de Tiago 3:9 encontra-se a expressão (Homoiōsis) “semelhança de
Deus”, o que deixa claro uma alusão a Gênesis 1:26.13 Homoiōsis é um hapax
legomeno14 que apresenta um sentido de processo, ou seja, a semelhança está em
desenvolvimento, ainda não apresentou o resultado15 final, mas está a se desenrolar. Tal
fato, o uso do termo utilizado por Tiago está em plena conformidade com o pensamento
de Paulo onde a transformação do cristão é um acontecimento presente e escatológico,
como já foi dito, “a transformação segundo a imagem de Cristo é um processo gradual,
produzido através da dedicação diária de todo o nosso ser, através do contacto contínuo
com a divindade, mediante o Espírito de Deus, que é a força ativa dessa

9
Ibid, 1:1002.
10
Mario Veloso, 113.
11
Lothar Coenen e Colin Brown, DITNT, (São Paulo: Sociedade Religiosa
Edições Vida Nova, 2000) 1:1003.
12
G. Kittel, Theological Dictionary of the New Testament, citado em Lothar
Coenen e Colin Brown, DITNT, (São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova,
2000) 1:1003.
13
Douglas J. Moo, Tiago: Introdução e comentário, (São Paulo: Sociedade
Religiosa Edições Vida Nova, 1990), 127.
14
Expressão que significa que a referida palavra só aparece no texto supra
mencionado. Ver Lothar Coenen e Colin Brown, DITNT, (São Paulo: Sociedade
Religiosa Edições Vida Nova, 2000) 2:2302.
15
Homoiōma é o termo que dá a conotação de resultado. O mesmo pode ser
facilmente percebido em textos onde a expressão aparece, como: Romanos 5:14, 6:15,
8:3 e Filipenses 2:7. Tal fato também pode ser observado em Mateus 5:21onde o
julgamento é apresentado como processo (o termo grego é krisis) em paralelo com
Apocalipse 20:4 onde o julgamento já apresenta seu resultado (o termo aqui é krima).
Idéia e análise retirada de uma entrevista,em 06 de julho de 2007, com Milton Torres,
professor das Faculdades Adventista da Bahia, sobre o referido assunto abordado em
seu comentário sobre Tiago que está sendo preparado para publicação.
transformação”.16 Mas, em Cristo Jesus os cristãos encontram a certeza de terem a plena
imagem de Deus, ou como diz I Coríntios 15:49 “imagem celestial”, demonstrando que
“o corpo ressurreto será semelhante ao de Cristo”17, mas não somente o corpo, a
totalidade do ser humano, conforme já mencionado.
Esta é a bendita esperança apresentada, pregada e propagada pela Igreja primitiva.

A Imagem de Deus na História Patrística

Essa é a designação dada àquele ramo da teologia (e da história) que estuda os


chamados pais da Igreja cristã. É o corpo doutrinário que se constituiu com a
colaboração dos primeiros pais da igreja, veiculado em toda a literatura cristã produzida
entre os séculos II e VIII, exceto o Novo Testamento. Esses estudos incluem as vidas,
os escritos e as doutrinas dos primeiros e mais proeminentes líderes da Igreja cristã.
O título “Pai”, historicamente falando, surgiu devido à reverência que muitos cristãos
tinham pelos bispos dos primeiros séculos. A estes chamavam carinhosamente de “Pais”
devido ao amor e zelo que tinham pela Igreja, mais tarde, porém, este termo foi
sacralizado pelos escritores eclesiásticos e mais tarde Gregório VII reivindicou com
exclusividade o termo “PAPA”, ou seja, “Pai dos pais”.
No final do século I morre em Éfeso o último dos apóstolos, João, após ter servido ao
seu mestre fielmente durante toda sua vida. Terminava assim a era apostólica. Mas Deus
já havia preparado homens capazes para cuidar do seu rebanho. Começa um período
novo para a igreja, a obra que os apóstolos receberam de seu Salvador e a
desenvolveram tão arduamente acha-se agora nas mãos de novos líderes que tinham a
incumbência de desenvolver a vida litúrgica da igreja como fizeram aqueles. O período
que comumente é chamado de pós-apostólico é de intenso desenvolvimento do
pensamento cristão. Por isso é de suma importância analisar a doutrina dos chamados
“pais da igreja”, pois eles foram os responsáveis pelo povo de Deus daquela época e
pela teologia que elaboraram, que até hoje serve como base para a Igreja.

16
Russell N. Champlin, NTI, (Guaratinguetá, SP: A Sociedade Religiosa a Voz
Bíblica, s/d), 3:725.
17
Charles Caldwell Ryrie, A Bíblia anotada, (São Paulo: Editora Mundo
Cristão, 1991), nota sobre I Coríntios 15:49, p. 1454.
DIVISÃO
Podemos dividir os Pais da Igreja em três grandes grupos, a saber: Pais apostólicos,
Apologistas e Polemistas. Todavia devemos levar em conta que muitos deles pode se
enquadrar em mais de um desses grupos devido à vasta literatura que produziram para a
edificação e defesa do Cristianismo, e também de acordo com o que as circunstancias
exigiam, como é o caso de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim
então temos:

Pais apostólicos: Foram aqueles que tiveram relação mais ou menos direta com os
apóstolos e escreveram para a edificação da Igreja, geralmente entre o primeiro e
segundo século. Os mais importantes destes foram, Clemente de Roma, Inácio de
Antioquia, Papias e Policarpo.
Eles contribuíram de forma notável para elucidar o conceito de fé e os costumes da
igreja que prevaleceram nas primeiras congregações. Havia forte tendência de ressaltar
a obediência à lei, bem como a imitação de Cristo, como sendo o caminho à salvação e
o conteúdo essencial da vida cristã. A morte e a ressurreição constituíam o fundamento
para a salvação dos homens.

Apologistas: Foram aqueles que empregaram todas suas habilidades literárias em


defesa do cristianismo de acusações de procedência grega e as tendências heréticas.
Geralmente este grupo se situa no segundo século e os mais proeminentes entre eles
foram: Tertuliano, Justino, o mártir, Teófilo, Aristides e outros. Eles refutaram as
objeções do mundo pagão e apresentou o cristianismo como a verdadeira filosofia.

“Para estes homens o cristianismo era a única verdadeira filosofia, substituto perfeito
para a filosofia dos gregos e a religião dos judeus, que nada mais podiam fazer do que
apresentar respostas insatisfatórias às perguntas cruciais do homem”.18

Polemistas: Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das
falsas doutrinas surgidas fora e dentro da Igreja. Geralmente estão situados no terceiro
século. Os mais destacados entre eles foram: Irineu, Tertuliano, Cipriano e Orígenes.

18
Bengt Hagglund, História da Teologia, (São Paulo: Concórdia Editora
Ltda., 1989), 21.
Conceitos Históricos da Imagem de Deus no Homem

De acordo com a Escritura, o homem foi criado à imagem de Deus e, portanto, tem
relação com Deus. Traços desta verdade acham-se até literatura pagã. Paulo assinalou
aos atenienses que alguns dos seus poetas falavam do homem como geração de Deus.
(At.17:28).
Os primeiros pais da igreja concordavam plenamente que a imagem de Deus no homem
consistia primordialmente das características racionais e morais do homem, e em sua
capacidade para a santidade; mas alguns se inclinavam a incluir também as
características corporais.
Berkhof, apresenta essa distinção nos seguintes pais da igreja19:
Irineu e Tertuliano – eram considerados como pais antiagnósticos “traçaram uma
distinção entre a “imagem” e a “semelhança” de Deus, vendo a primeira nas
características corporais, e a última na natureza espiritual do homem”.
Irineu, no entanto foi quem primeiro introduziu a distinção entre Ícone e Essência,
identificando em Ícone a Razão e o Livre-arbítrio e na Essência a capacidade de fé e
obediência. Mas o Homem perdeu esta Essência de Deus devido à sua desobediência
deliberada.
Para os gnósticos, salvação consistia em libertar-se o espírito do homem da criação, do
mundo material e retornar à pura espiritualidade. Para Irineu, a salvação significava que
a própria criação seria restaurada a seu estado original, que a criação finalmente
atingiria o destino que Deus lhe reservara.
Em outras palavras, para ele, não significava que o espírito do homem se libertaria de
suas cadeias materiais, mas em vez disso, que o homem inteiro, corpo e alma, seriam
libertado do domínio do diabo, retornando a sua pureza original e tornando-se como
Deus.
“Não significa que o homem é a imagem de Deus, mas antes, que foi criado para tornar-
se isso. Cristo, que é o próprio Deus, é a imagem de Deus segundo a qual o homem foi
criado; o destino do homem, portanto, é tornar-se como Cristo”.20
Este é o alvo da salvação e da obra do Espírito Santo.

19
Louis Berkhof, Teologia Sistemática, (Campinas, SP: Luz para o caminho
publicações, 1992), 202.
20
Hagglund, 38.
Clemente de Alexandria e Orígenes – “porém, rejeitaram a idéia de qualquer analogia
corporal e sustentavam que a palavra “imagem” indica as características do homem
como tal, e a palavra “semelhança”, qualidades não essenciais ao homem, mas que
podem ser cultivadas ou perdidas”.
Por outro lado vale destacar que Clemente de Alexandria reconhece a existência de três
tipos de Imago Dei: a do Logos, a do Cristão e a de todos os homens. Ícone é a imagem
natural e Essência é a imagem sobrenatural do Cristão. O homem, ao nascer, é um Ícone
de Deus e, mais tarde, convertido, passa a possuir a Essência de Deus. Possui
fundamento gnóstico tal definição.
Atanásio, Hilário, Ambrósio, Agostinho e João de Damasco – Podemos encontrar
essas mesmas idéias.
Pelágio e seus seguidores – A imagem consistia apenas em que o homem foi dotado de
razão, para que pudesse conhecer a Deus; de livre arbítrio, para que fosse capaz de
escolher o bem e praticá-lo; e do necessário poder para governar a criação inferior.

Gregório de Nissa - Não vê diferença entre Ícone e Essência, pois, em sua opinião,
Imago contém a reprodução fiel e integral do Modelo e, conseqüentemente, estreita
semelhança com ele, embora diferente em sua identidade. Se a imagem não é exata, não
é imagem. No que tange a sexualidade, Gregório acha ser ela corrupção da Imago Dei, o
que revela influência do Platonismo.

Santo Agostinho - O conceito que Agostinho tem de Deus é a base para sua definição
de Sua Imago. A Imago Dei faz do Homem protótipo da Santíssima Trindade. Toda
imagem é semelhante, embora tudo que seja semelhante não seja imagem, havendo
relação de causa e efeito. Para Agostinho, sendo o homem Ícone de Deus, possui a
Essência de Deus, mas com o Pecado houve conturbação dessa Imago Dei.

Imago Dei na Patrística - visão de Veloso21


“O conceito de imago Dei (imagem de Deus) alcançou rapidamente um lugar prioritário
no interesse teológico dos padres. Eles trabalharam baseados num antecedente filosófico
que tinha uma mescla de platonismo, religiões de mistério, neoplatonismo, judaísmo e
rabinismo.
O platonismo - considera a todo o mundo visível como uma imagem do mundo invisível
das idéias, ou seja, a imagem é uma manifestação real da idéia. (que também ocorre nos
escritos herméticos, estóico e gnóstico – religiões de mistério) O homem vai
21
Mario Veloso, O homem, pessoa vivente (Brasília, DF: Editora Alhambra Ltda., s/d), 101-104.
progressivamente se assemelhando à divindade, e que, portanto, a imagem não deve ser
buscada na parte visível do homem, mas em seu centro espiritual.
Neoplatonismo de Plotino. A alma é a imagem verdadeira de Deus na qual se reflete a
sabedoria divina. (idéias que influenciaram o judaísmo e o rabinismo). Filón, por
exemplo, disse que o homem obtém a semelhança pela mediação de conhecimento
invisível e que esta se produz unicamente na alma espiritual.
A patrística nos dá três respostas acerca do modelo do qual o homem é uma
semelhança:
1) Modelo é o conhecimento do invisível – Clemente e Orígenes (pensamento seguidos
pela maioria dos padres gregos e latinos);
2) O modelo é a Trindade em sua unidade de natureza e em sua tríade de pessoas -
Santo Agostinho;
3) O modelo de que Adão foi criado como um protótipo e tendo como objetivo a Cristo
que viria na carne. – (Tertuliano, Prudêncio e Irineu, afirma basicamente que Este
conhecimento encarnado é o modelo e a imagem é o corpo dotado de espírito).
Os padres fazem uma distinção imagem (imago), e semelhança (similitude). A imagem
o estado inicial ou, como dizia Irineu, é uma conformidade menos perfeita com Deus,
em troca a semelhança É o para chegar a si mesmo ou a consumação na semelhança
com o protótipo divino, a participação com divina por meio dos dons da graça.

A Imagem de Deus na História da Teologia


do Catolicismo Medieval

•Espiritualidade da Alma
•O homem por natureza e é espiritual e depende de algo para adorar e servir. Isto
está intrínseco nas mais recônditas sociedades.

•Liberdade da Vontade
•Deus criou o homem naturalmente livre, o livre arbítrio é um dom natural de
Deus. O homem era perfeito, mas, com as tendências para a concupiscência não
desenvolvida, podendo tomar mão dela a qualquer momento, já que eram livres.

•Imortalidade do Corpo
•O corpo era perfeito, portanto não morreria a não ser que transgredisse a ordem
divina. A imortalidade do corpo se refere ao homem sem pecado. Após o pecado
o corpo se tornou mortal fisicamente, mas, imortal espiritualmente.

Esses são designados dons naturais e isto constitui a imagem natural de Deus.
Esses três dons harmonizados são chamados de justiça natural.

•“Para a teologia católica o homem ainda é o ícone em essência de Deus embora


desarmônica em seus constitutivos”.22

Lúdico no Pensamento Medieval


Deus brinca. Deus cria, brincando. E o homem deve brincar para levar uma vida
humana, como também é no brincar que encontra a razão mais profunda do mistério da
realidade, que é porque é “brincada” por Deus.
Naturalmente, não se trata só de Tomás de Aquino; a verdade é que a Idade
Média é muito sensível ao lúdico, convive com o riso, e cultiva a piada e o brincar.
Tomás, por sua vez, situa o lúdico nos próprios fundamentos da realidade e no ato
criador da Sabedoria divina.23
O ludus na teologia da obra criadora divina.
 Para Tomás, o brincar é coisa séria. Para ele, é o próprio Logos, o Verbum, o Filho, a
Inteligência Criadora de Deus, quem profere as palavras de Prov. 8:30
•O lúdico, tão necessário para a vida e para a convivência humana, adquire na teologia
de Tomás um significado antropológico ainda mais profundo.

•Então eu estava com ele e era seu aluno: e era cada dia as suas delícias, folgando
perante ele em todo o tempo; Prov. 8:30
•Folgando no seu mundo habitável, e achando as minhas delícias com os filhos dos
homens.
“Brinca”

22
BERCOF, Louis. Teologia Sistemática. 2ª ed. 1992, Campinas: Luz para o caminho
publicações.
23
LAUAND, L. JEAN. O lúdico no pensamento de tomás de Aquino E na pedagogia
medieval, disponível em :<http://www.direito.up.pt/IJI/system/files?file=jean_lauand_00.pdf>.
acessado em 06 de jul. de 2007
•– Além das duas razões que aponta em I Sent. - o brincar é deleitável e as ações do
brincar não se dirigem a um fim extrínseco -, aqui, Tomás acrescenta que no brincar há
puro prazer, sem mistura de dor: daí a comparação com a felicidade de Deus. E é por
isso que diz - juntando as duas passagens chave - que Prov. 8 afirma: “eu me deleitava
em cada um dos dias,brincando diante dEle o tempo todo”.24
•Tomás não diz como se dá este “lude et age conceptiones tuas” (brinca e realiza tuas
descobertas);25

A Imagem de Deus na História do


Movimento da Reforma
Duas questões relacionadas com esta idéia tem trazido preocupação para os
pensadores cristãos por séculos:
1) O que é a imagem de Deus no homem?
2) O que aconteceu à imagem de Deus como resultado da queda?
A imagem e semelhança – a idéia que prevalecia na Igreja antes da Reforma
Protestante do século 16 faz uma distinção entre a “imagem” e a “semelhança” de Deus
no homem. A imagem inclui alguns poderes naturais, mas a semelhança divina foi um
dom adicional, sobrenatural. Ela incluiu poderes que capacitam os seres humanos a
conhecer Deus e reter a vida imortal. Com a queda, a semelhança foi perdida, mas a
imagem de Deus permanece intacta.
Os reformadores protestantes rejeitaram esta distinção entre imagem e
semelhança. De seu conhecimento de linguagem hebraica eles concluíram que os dois
termos referem se à mesma coisa. Eles também achavam que a imagem de Deus não era
um conjunto de qualidades, mas uma orientação positiva da vontade em direção à
Deus.Acreditavam que a imagem de Deus fora devastada pelas queda, nas palavras de
Calvino ela estava “tão corrompida que o que restou é terrível deformidade.”26
Os teólogos contemporâneos parecem discordar quanto à imagem de Deus
ser mais bem compreendida como uma qualidade que os seres humanos possuem, ou
como um relacionamento especial no qual eles permanecem.

24
Idem
25
Huizinga, J. Homo Ludens, São Paulo, Perspectiva- Edusp, 1971, p. 85.
26
Estudos avançados da teologia / Richard Rice; Professor da Universidade de La Sierra,
Califórnia, USA. 1980, pág.: 100
1- Concepção reformada calvinista: a verdadeira sede da imagem de Deus
está na alma, embora alguns raios de sua glória brilhem também no corpo. Para Calvino
a imagem de Deus consistia na integridade original da natureza do homem, perdida por
causa do pecado, integridade que se revela no verdadeiro conhecimento, justiça e
santidade. Acrescentou Calvino que a imagem de Deus abrange tudo que na natureza do
homem sobrepuja a de todas as outras espécies de animais.
A imago dei do homem reside na alma e abrange tudo o que distingue o
homem dos animais. Não existe diferença em ser ícone (imagem que representa algo) e
ter a Essência, é apenas um realce escriturístico. A definição da imago dei traz luz ao
estado original de pureza do homem.27
2- A concepção luterana: A grande maioria dos teólogos luteranos se
restringiram às qualidades espirituais das quais o homem foi dotado originalmente, a
chamada justiça original. Assim não há distinção suficiente entre a natureza humana e
da dos anjos, por um lado, e a dos animais por outro. Para Lutero, o homem perdeu
inteiramente a imago dei, e a alma humana se origina pela procriação, como a dos
animais, não havendo unidade moral na raça humana e sim unidade física.
De posse desta imagem, o homem era como os anjos e, após havê-la perdido
inteiramente, tornou-se como dos animais e o que o distingue deles tem pouca
significação. Os luteranos, com isso, aceitam o tradicionalismo.
Conclusão: O conceito duplo da natureza humano predominou na igreja até a
época de Martin Lutero. Sua sensibilidade durante diante do texto e da exegese da bíblia
fizeram o paralelismo hebraico entre tselem, “imagem”, e demut, semelhança
concluindo que o ser humano é um unitário, não um tripartite. O que acontece a uma
parte do ser acontece a todas elas. Por isso, se Ireneu e a tradição da igreja estavam
certos em afirmar que uma parte do ser foi afetada pela queda, a conclusão.28
A Imagem de Deus na História da Teologia Moderna e
Contemporânea
As cinco principais ideias concebidas ao longo da história da igreja:

I – Natureza física - A imagem de Deus se refere ao corpo físico do homem.

27
Teologia Sistemática / Luiz Berkhof; Trad. Pod Odayr Olivetti. – Luz para o caminho
publicações, 1990, pág.: 206 e 2007.
28
Teologia do Antigo Testamento: Historia, Método e Mensagem – Ralph L. Smith; Tradução
Hans Udo Fuchs, Lucy Yamakame. – São Paulo: Vida Nova, 2001, pág.: 236 e 237.
1- Edmond Jacob – A imagem de Deus é em seu aspecto físico – Gên. 9:6 – Tocar no
homem é o mesmo que tocar na imagem. 29

2 – Paul Hum – O homem tem a mesma aparência da Divindade, da imagem. 30

3 – Miller J. Maxwell – A imagem de Deus usa – se da aparência corpórea do homem


apoiado em Ezequiel 28: 9. 31

4 – G. Von Rad – O corpo é parte da imagem Divina porque tem um significado real e
concreto opõe – se aqueles que, como M. Flick e Z. Alszeghy declaram que a imagem
de Deus se encontra na alma do homem e que no corpo tem apenas um reflexo da
perfeição espiritual da alma. 32

5 – P. Van Imschoot – Opõe – se a idéia de que a imagem de Deus está na parte física
do homem, forma uma identidade. 33

6 - Herbert Doms – Afirma que a essência do homem se caracteriza em dois sexos:


Homem e mulher: Opõe – se terminantemente à idéia de que esta bissexualidade seria a
imagem de Deus declarando: “Estou plenamente convencido de que é o homem singular
aquele que é a imagem de Deus e de que a mulher o é tanto quanto o homem”. 34

II – Domínio sobre a natureza - A concepção funcional, que sustenta a imagem de


Deus tem que ver com uma função que executamos, geralmente o exercício do domínio
sobre a criação (visão sociniana – O domínio do homem sobre todas as coisas.)

1 - Leonard Verduim – O homem é a imagem de Deus quando executa uma função


específica, tal função consiste na autoridade de Deus que lhe deu sobre a criação,
mediante a qual exerce o domínio sobre a mesma. (Idéia Sociniana). Entre outros

29
Edmond Jacob, Theology of the OT, p. 167 – Citado por Veloso, pg. 58.
(versão digital)
30
Paul Humbert, ~tudes sur le r~cit du paradie et de la chute dans la Genese
(Neuchatel, 1940), p. 157, citado por Edmond Jacob, Theology, p. 167.Citado por
veloso, pg. 59. ( versão digital).
31
Miller J. Maxwell, "In the 'imagz and 4ikeness' of God:' Joumal ofBiblical
Literature 91:3 (1972), 291-292. Citado por Veloso, pg. 59. (Versão digital).
32
G. von Rad, "The divine likeness in the 0'~' Theological Dictionary of the
New Testament, II, 391. Citado por Veloso, pg. 59.(versao digital)
33
P. van Imschoot, Teologia del A; p. 342. Citado por veloso, pg. 59. (versão
digital)
34
Herbert Doms, “Bisexualidad Y Matrimonio Mysterium Salutis, Vol. II, pp.
795 – 839, o citado e da pp. 795 e 807. Citado por Veloso, pg. 60. (versão digital)
autores que sustentam esta mesma idéia, podemos mencionar: E. Kiinig, H. Gunkel, Th.
C. Vriezen, K. L. Schmidt, L. Kiihler, J. Hempel e Norman Snaith. 35

2 - O Concílio Vaticano II - Primeiro concilio que trata explicitamente do tema da


imagem de Deus no homem, afirma: “A imagem de Deus esta no homem, enquanto que
o homem foi criado por Deus ‘com capacidade para conhecer e amar a seu Criador, e
que foi constituído por Deus como senhor de toda a criação visível para governá-la e
usá-la glorificando a Deus”.

III – A Razão - A concepção substantiva, que identifica uma qualidade específica do


homem (como a razão e a espiritualidade) como a imagem de Deus (Atanásio,
Clemente, Santo Agostinho, Lutero, Calvino). Seu maior expositor foi Tomás de
Aquino, baseando – se em Col. 3:10 – “A imagem de Deus pertence somente à mente.
Ainda que em todas as criaturas exista algum tipo de semelhança com Deus, somente na
criatura racional encontramos uma semelhança de imagem”. 36

IV - Capacidade de Relacionar – se - Concepções relacionais, que sustentavam que a


imagem de Deus tinha que ver com nossas relações interpessoais.

1-Siiren Kierkegaard - A Imagem de Deus é Relacional - “Essencialmente é o


relacionamento com Deus que faz o homem um homem”. Esta é uma definição
relacional do homem, e tem alimentado uma controvérsia sobre a natureza de Deus no
homem. 37

2-Emill Brunner – (Liberal) – A imagem de Deus é o ponto de contato da Divindade


no homem e que capacita o homem a receber a palavra, podendo aceitá – la ou não. A
imagem de Deus é fundamentalmente relacional. O Relacionamento do homem para é
de liberdade e responsabilidade. Este relacionamento o homem tem como resultado da
criação.É a imagem “formal” de Deus no homem. Esta liberdade tem em vista um certo
conteúdo. Este conteúdo é o amor do homem para com Deus e o seu próximo. Este
amor a Deus e ao próximo é a imagem “material”de Deus no homem. O homem
pecador não ama a Deus e seu próximo, e por isso, ele perdeu a imagem “material” de

35
”. Leonard Verduim, Somewhat less rhan God (Grand rapids, Mich., Wm B.
Eerdmans, 1970), pp. 27 – 48. Citado por Gruden, pg. 372.
36
Tomas de Aquino, "Made to the Image of God': Man's Need, pp. 37-43, o
citado é da p. 38. Citado por Veloso, pg. 60. (versão digital)
37
Bernard Ramm, Diccionario de Teologia Contemporcinea (Buenos Aires, Casa
Bautista de Publicaciones, 1969), p. 67.
Deus.O homem ainda é criatura de Deus e por isso ainda é o responsável diante de
Deus: ele retém a imagem “formal”; o pecado não pode negar ou anular esta imagem.
Ao ouvir a palavra de Deus em Jesus Cristo, o homem crê e é redimido. Como um
homem remido, ele agora ama a Deus e seu próximo, e por isso a imagem “material” é
restaurada. A imagem de Deus no homem é dinâmica e de Relação. Por esta mesma
razão somente está presente no homem quando este se encontra em relação a Deus. 38

3-Karl Barth – (Neo – Ortodoxo) – Há uma contradição na doutrina Barthiana da


Imago Dei. A Total Corrupção do Homem é em função da perda da Imago Dei segundo
Römerbrief. Mas, segundo Kirchlicke Dogmatik, a bondade essencial do homem não
pode ser destruída. Em suma, no Comentário de Romanos Barth diz que o Homem
deixou de ser Ícone de Deus e de ter a Essência de Deus; na Dogmática Eclesiástica ele
afirma que o Homem apenas deixou de ser Ícone mas nele reside a Essência porém,
diferente de Brunner, ela está incognoscível e não serve de “ponto de contato”.
a- A imagem de Deus é relacional - O homem tem a imagem de Deus quando ele ouve a
Palavra de Deus e responde a ela. É a resposta de fé à Palavra de Deus que constitui o
relacionamento que por sua vez constitui a imagem de Deus;
b - A real imagem de Deus é a natureza humana de Jesus Cristo. Ele é o homem da
escolha de Deus e o homem para todos os homens. Portanto, Ele reflete perfeitamente a
imagem de Deus. Além disso, Deus elegeu todos os homens em Cristo, assim todos os
homens são confrontados cristologicamente com Deus.
c- Descreve a relação com Deus como específica que ele chama de analogia relationis.
Com este ele afirma a imagem se refere à criação do ser humano; homem e mulher. A
semelhança do homem com Deus não é uma analogia entis – analogia de ser, mas uma
analogia relationis, isto é uma analogia de relação. Ele crê que a relação “euI’tu”está
presente em Deus e essa á a que se produz entre o homem e a mulher, como também
entre o homem e seu próximo. . 39

38
(Emil Bruner, The Christian Doctrine Of Creation and Redemption.
Philadelphia, Westminster, 1952), p.53 – 63. Citado por Gruden, pg. 372.
39
Karl Barth, Kirchliche Dogmatik, III, 1, 207 – 220, citada por G. C.
Berkouwer, Man, pp. 72 – 73. Citado por Gruden, pg. 372. Citado por Josias Macedo
Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago Dei - Pesquisa de Teologia Bíblica do
Antigo Testamento.
4-Cairns - Salienta alguns problemas no ponto de vista de Barth. Por exemplo, como
podem os homens que nasceram antes de Cristo ou que nunca ouviram a Palavra de
Deus terem a imagem de Deus? . 40

5 – G. C Berkouwer – Ele discordada de Barth na especificação – relação homem e


mulher, da imagem de Deus e afirma: “Ambos os termos, obviamente, se referem a uma
41
relação entre o homem e seu criador, uma semelhança entre o homem e Deus”. Ele
enfatiza que o homem inteiro (total) está na imagem de Deus. Ele escreve: “A
característica do ponto de vista bíblico consiste precisamente nisto, que o homem parece
estar relacionado com Deus em todas as suas relações de criatura. O retrato bíblico do
homem..., também enfatiza que este relacionamento com Deus não é algo acrescentado
42
à sua humanidade; mas sua humanidade depende desta relação com Deus”. Nas
Escrituras nós somos sempre confrontados com o homem total (inteiro) na totalidade de
suas relações para com Deus.

6 - Wolfhart Pannenberg - A Bíblia quando fala da imagem e semelhança divina no


homem se refere ao destino do homem para Deus que se revela “no seu predomínio
sobre o mundo, o vicariamente a soberania divina sobre o universo”. Entre os que se
opõem a esta interpretação encontram-se: G. C. Berkouwer, entre os teólogos
sistemáticos e P. van Imschoot: diz que o domínio que o homem exerce sobre a natureza
é uma conseqüência do fato de que o homem É a imagem de Deus e portanto esta
imagem não pode consistir nessa capacidade de senhorio. Entre os teólogos bíblicos.
Berkounega que Gn 1:26, 28 ou Sal. 8:6, 7, expliquem de algum a imagem de Deus
como domínio sobre as demais criaturas”. 43

40
Citado por Josias Macedo Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago Dei
- Pesquisa de Teologia Bíblica do Antigo Testamento.
41
G. C. Berkouwer – Man The Image of God, p. 69. Citado por Josias Macedo
Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago Dei - Pesquisa de Teologia Bíblica do
Antigo Testamento.
42
(G. C. Berkouwer - Man, The Image of God, p.195). Citado por Josias Macedo
Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago Dei - Pesquisa de Teologia Bíblica do
Antigo Testamento.
43
Gaudium et Spes:’ np 12, citado por Flick y Alsczeghy, Antropologia, p. 104.
H. Gross, Mysterium Salutis, Vol. II, tomo I, pp. 479-480. Wolfhart Pannenberg, El
hombre, p. 27. G. C. Berkouwer, Man, p. 71. 29-P. Van Imschoot, Teologia, p. 343.
7-John Dagg (Ortodoxo) - A expressão “Imagem de Deus” inclui o domínio do
Homem sobre os animais e, em estrutura familiar, o homem como Cabeça da mulher,
imagem de Deus ( I Cor. 11:7), Ícone do Governante Supremo, o Homem é o Senhor da
Terra. A alma humana traz a “Essência de Deus”: Espiritualidade e Imortalidade. A
Essência, com a Queda, ficou ofuscada e o caráter de Ícone foi perdido. Desde então
todos os gerados trazem a imagem do Pai Adão decaído e a sua essência depravada. 44

8-Paul C. Guiley ( Fundamentalista) - A Imago Dei se manifesta através da


Inteligência, Emoções e Livre Arbítrio e a pessoa do Homem criado por Deus é a
Imagem de Deus. Pela Queda, sua inteligência foi entenebrecida, suas emoções
pervertidas e seu livre arbítrio anulado. Não há no Homem nenhuma possibilidade de
esperança. Ele é agora totalmente depravado, possuidor duma natureza caída, morto em
delitos e pecados, sem Deus e sem esperança no mundo. Logo, a Imago Dei foi anulada
ou negativizada, não tem o efeito original. 45

V - Capacidade de Viver em comunidade - O novo humanismo se baseia no fato de


que Deus é uma trindade. Ênfase na imagem de Deus em sua natureza social.

1-G. Holzherr - “A pessoa é imagem de Deus em sua natureza social” e “se o homem
tem de manifestar em forma de imagem a unidade de Deus e a plenitude da comunidade
pessoal divina, dever de ativar cada vez mais suas potências sociais”. 46

2 - Fernando Boasso - “Deus, cuja imagem é o homem, existe como um ser de infinita
liberdade pessoal em três pessoas. Estas três pessoas formam uma comunidade. Não se
trata de uma comunidade estática, mas de uma comunidade vivente, dinâmica, que se
renova continuamente graças ao diálogo em que se encontram o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Estas mesmas características devem ser manifestadas no homem. Deve ser um
ser em comunidade, portanto, vivo, dinâmico e responsável. 47

44
Citado por Josias Macedo Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago
Dei - Pesquisa de Teologia Bíblica do Antigo Testamento.
45
Citado por Josias Macedo Baraúna Jr. Página 1 24/11/98 - Assunto: Imago
Dei - Pesquisa de Teologia Bíblica do Antigo Testamento.
46
G. Holzherr, "El hombre y las comunidades~' Mysterium Salutis, Vol. II,
tomo I, pp. 852-858. Citado por Veloso, pg. 62. (versão digital)
47
Fernando Boasso, "Imagem Teo1ogica del hombre y promocion human:'
ClAS 18:186 (1969), pp. 7-30, p. 29. Citado por Veloso, pg. 62.(Versão digital).
A Imagem de Deus na História da Teologia
Adventista do Sétimo Dia
“Assim Deus criou o homem à sua imagem, a imagem de Deus o criou; macho e
fêmea os criou” Gen. 1:27
O significado etimológico de “imagem”, hebraico tselem, conforme Von Rad é
“estatua, objeto esculpido” 48 Segundo Balthasar, tselem “deriva da habilidade associada
com artesanato; indica que alguma coisa foi cortada e esculpida, como é o caso das
imagens de ídolos...estátuas erigidas.” 49
Mas na bíblia esta palavra tem o significado de forma ou aparência, expressando
algo que é como uma sombra ou imagem. Salmos 39:6 “Todo homem anda como uma
sombra”. Portanto assim como Deus é um ser pessoal e tem uma forma física, do
mesmo modo o ser humano por Ele criado tem uma forma física semelhante a d’Ele.50
Portanto segundo a nossa compreensão como adventistas do sétimo dia, cremos que as
dimensões morais e espirituais do homem revelam algo a respeito da natureza moral e
espiritual de Deus. Uma vez, porém, que a Bíblia ensina que o homem representa uma
unidade indivisível de corpo, mente e alma, as características físicas do homem devem
também, em certa medida, refletir a imagem de Deus. Mas... não é Deus um espírito?
De que modo poderia um espírito estar associado com alguma forma física?Um breve
estudo a respeito dos anjos mostrará que eles, a semelhança de Deus, são também
espíritos (Heb.1:7 e 14). Ainda assim, sempre aparecem em forma humana (Gen.18:1 a
19:22; Dan.9:21; Atos 12:5-10) Poderia ocorrer de um ser espiritual possuir um “corpo
espiritual” ao qual se associassem forma física e feições? (I Cor.15:44)
A Bíblia indica que algumas pessoas puderam ver partes da pessoa de Deus.
Moisés, Aarão, Nadabe, Abiu e os setenta anciãos viram seus pés (Ex.24:9-11) Embora
Ele se recusasse a mostrar Sua face, depois de cobrir Moises com Sua própria mão,
Deus permitiu que Suas costas fossem vistas enquanto Ele passava. (Êxo.33:20-23).
Deus aparereceu a Daniel numa visão que focalizava cenas do juízo; ali Ele foi visto
como o Ancião de Dias, assentado em um trono. (Dan.7:9e10)Cristo é descrito como “a
imagem do Deus invisível” (Col.1:15) e é a expressa “imagem de Sua pessoa”

48
Gerhard Von Rad, Teologia do Antigo Testamento, (São Paulo 1974), 1:152
49
Balthasar, The Glory of the Lord, 6:89
50
Mario Veloso, O Homem uma Pessoa Vivente, (Sao Paulo-IAE) 124
(Heb.1:3). Estas passagens parecem indicar que Deus é um ser pessoal e possui uma
forma pessoal. Isto não deveria surpreender-nos, uma vez que o homem foi criado à
imagem de Deus.51
Uma vez que o homem foi criado à imagem moral de Deus, foi-lhe dada a
oportunidade de demonstrar seu amor e lealdade a Seu criador. Tal como Deus, possuía
liberdade possuía a liberdade de escolha- o direito de pensar e agir de acordo com os
imperativos morais. Assim achava-se ele livre para amar e obedecer ou para desconfiar
e desobedecer... O destino do Homem era alcançar a mais elevada expressão da imagem
de Deus: amar a Deus de todo o seu coração, alma e mente, e amar aos outros como a si
mesmo (Mat.22:36-40)52
Ao nos criar a Sua imagem e semelhança, o propósito de Deus era para nos
relacionarmos com os outros, para sermos administradores do ambiente onde vivemos e
acima de tudo para imitarmos a Deus e sermos imortais.
Resumindo: “Os Adventistas do Sétimo Dia Crêem que... Deus é o Criador de
todas as coisas, e revelou nas escrituras o relato autentico de Sua atividade criadora.
“Em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra” e tudo que tem vida sobre a terra, e
descansou no sétimo dia dessa primeira semana. Assim Ele estabeleceu o sábado como
perpetuo monumento comemorativo de Sua esmerada obra criadora. O primeiro homem
e a primeira mulher foram formados a imagem de Deus como obra prima da criação,
foi-lhes dado domínio sobre o mundo e atribuiu-se-lhes a responsabilidade de cuidar
dele. Quando o mundo foi concluído, ele era muito bom, proclamando a gloria de
Deus.”53
Interpretação de Ellen White
Claro que a posição de Ellen White é a posição adventista e a posição adventista é a
de Ellen White, mas vejamos o que ela diz sobre o assunto:
Nos concílios do Céu, Deus disse: "Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a
Nossa semelhança... Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o
criou." Gên. 1:26 e 27. O Senhor criou as faculdades morais do homem e suas
faculdades físicas. Tudo era uma reprodução sem pecado de Sua própria Pessoa. Deus

51
Nisto Cremos, CPB,124
52
Idem, 125
53
Idem, 99
dotou o homem de santos atributos e colocou-o num jardim feito especialmente para
ele. Só o pecado podia arruinar os seres criados pela mão do Onipotente. 54
“Tão logo o Senhor criou nosso mundo por intermédio de Jesus Cristo e colocou
Adão e Eva no Jardim do Éden, Satanás anunciou seu propósito de conformar à sua
própria natureza o pai e a mãe de toda a humanidade, e de uni-los às suas próprias
fileiras de rebelião. Estava decidido a apagar da posteridade humana a imagem de Deus,
e a traçar sobre a alma a sua própria imagem no lugar da imagem divina. Adotou
métodos de engano através dos quais realizaria seu propósito. É chamado o pai da
mentira, acusador de Deus e daqueles que mantêm sua lealdade a Ele, um homicida
desde o princípio. Exerceu todas as faculdades ao seu dispor para induzir Adão e Eva a
cooperarem com ele na apostasia, e foi bem-sucedido em trazer a rebelião para o nosso
mundo ...”55
“Quando Adão saiu das mãos do Criador, trazia ele em sua natureza física,
intelectual e espiritual, a semelhança de seu Criador. "E criou Deus o homem à Sua
imagem" (Gên. 1:27), e era Seu intento que quanto mais o homem vivesse tanto mais
plenamente revelasse esta imagem, refletindo mais completamente a glória do
Criador.”56
“ O pecado alterou a ordem das coisas, mas não o desejo de Deus. Pela
desobediência, porém, isto se perdeu. Com o pecado a semelhança divina ficou
obscurecida, sendo quase que totalmente apagada. Enfraqueceu-se a capacidade física
do homem e sua capacidade mental diminuiu; ofuscou-se-lhe a visão espiritual. Tornou-
se sujeito à morte. Todavia, o ser humano não foi deixado sem esperança. Por infinito
amor e misericórdia foi concebido o plano da salvação, concedendo-se um tempo de
graça. Restaurar no homem a imagem de seu Autor, levá-lo de novo à perfeição em que
fora criado, promover o desenvolvimento do corpo, espírito e alma para que se pudesse
realizar o propósito divino da sua criação - tal deveria ser a obra da redenção. Este é o
objetivo da educação, o grande objetivo da vida.”57
A parábola relatada em Lucas15:8-10 ilustra de maneira muito clara qual é o propósito
de Deus para com seus filhos que Ele criou a Sua imagem e semelhança. Veja o que diz
Ellen White: “O homem é muito precioso a Deus porque foi formado à Sua imagem.

54
Ellen G. White, The Youth's Instructor, 20 de julho de 1899.
55
Ibid, Cristo Triunfante, M.M 2002 pág 10
56
Ibid, Educação, p. 17
57
Ibid, Educação, p. 16
Este fato deve impressionar-nos com a importância de ensinar, por preceito e exemplo,
o pecado de contaminar, pela condescendência com o apetite ou por qualquer outra
prática pecaminosa, o corpo que deve representar a Deus para o mundo. ...
A moeda perdida da parábola do Salvador, conquanto se achasse na sujeira e lixo, era
ainda um pedaço de prata. Sua possuidora buscou-a porque era de valor. Assim toda
pessoa, ainda que desvalorizada pelo pecado, é aos olhos de Deus considerada preciosa.
Como a moeda trazia a imagem e inscrição do poder dominante, assim apresentava o
homem na sua criação a imagem e inscrição de Deus. Embora estejam ao presente
manchadas e obscurecidas pela influência do pecado, os traços dessa inscrição
permanecem em cada pessoa. Deus deseja readquiri-la para reimprimir sobre ela Sua
própria imagem em justiça e santidade.”58

Conclusão
O Homem foi criado a Imagem e Semelhança de Deus, esta imagem foi
maculada pelo pecado que a desfigurou, mesmo desfigurado o homem ainda tem traços
da imagem e semelhança divina, esta desfiguração foi tamanha que será necessário a
recriação por completa quando a bendita esperança dos cristãos se concretizar, “Mas a
nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso,
segundo o seu eficaz poder de sujeitar, também, a si todas as coisas” Filipenses 3:21-22.

58
Ibid, A Ciência do Bom Viver, p. 163