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Rodada #1

Direito Internacional Público


Professora Jamile Gonçalves Calissi

Assuntos da Rodada

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO: Direito internacional público: conceito, fontes e

fundamentos. Atos internacionais. Tratados: validade; efeitos; ratificação; promulgação;

registro, publicidade; vigência contemporânea e diferida; incorporação ao direito interno;

violação; conflito entre tratado e norma de direito interno; extinção. Convenções, acordos,

ajustes e protocolos. Domínio público internacional: mar; águas interiores; mar territorial;

zona contígua; zona econômica; plataforma continental; alto-mar; rios internacionais;

espaço aéreo; normas convencionais; nacionalidade das aeronaves; espaço extra-

atmosférico. Estado. Atos unilaterais do Estado. Normas imperativas (jus cogens).

Obrigações erga omnes. Soft Law. Responsabilidade internacional. Soberania. Conceito de

Huber na decisão arbitral no caso Holanda v. EUA de 1928. Intervenção e não intervenção.

Decisão da Corte Internacional de Justiça no caso Nicarágua v. EUA de 1986. Limites para

atuação do Estado. Caso Lotus, decidido pelo Tribunal Permanente de Justiça Internacional

em 1927. Imunidade à jurisdição estatal. Jurisdição internacional e imunidade de jurisdição.

Opiniões de Rezek e Guillaume separadas da decisão final no caso Arrest Warrant (Congo x

Bélgica, 2000). Abdução de estrangeiros. Casos relevantes na jurisprudência internacional:

Eichmann, Verdugo-Urquidez sobre busca e apreensão extraterritorial (EUA) e Alvarez-

Machain (EUA). Consulados e embaixadas. Diplomatas e cônsules: privilégios e imunidades.

Organizações internacionais: conceito; natureza jurídica; elementos caracterizadores;

espécies. População; nacionalidade; tratados multilaterais; estatuto da igualdade.

Estrangeiros: vistos; deportação, expulsão e extradição: fundamentos jurídicos;


DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

reciprocidade e controle jurisdicional. Asilo político: conceito, natureza e disciplina.

Proteção internacional dos direitos humanos. Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Direitos civis, políticos, econômicos e culturais. Mecanismos de implementação. Direito

Internacional dos Refugiados. Os dispositivos convencionais, legais e administrativos

referentes ao refúgio. Tipos de perseguição. O papel dos órgãos internos e o controle

judicial. Conflitos internacionais. Meios de solução: diplomáticos, políticos e jurisdicionais.

Soluções pacíficas de controvérsias internacionais (Capítulo VI da Carta da ONU). Ação

relativa a ameaças à paz, ruptura da paz e atos de agressão (Capítulo VII da Carta da ONU).

Cortes internacionais. Convenção das Nações Unidas contra o crime organizado

transnacional (Convenção de Palermo). Decreto nº 5.015/2004 (Convenção das Nações

Unidas contra o Crime Organizado Transnacional). Decreto nº 5.017/2004 (protocolo

adicional à convenção das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional relativo

à prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas, em especial mulheres e crianças).

Decreto nº 5.687/2006 (Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção; Convenção de

Mérida). Convenções internacionais sobre terrorismo: Convenção Internacional sobre a

Supressão de Atentados Terroristas com Bombas; Convenção Internacional para a

Supressão do Financiamento do Terrorismo; Convenção Interamericana Contra o

Terrorismo. Resolução nº 1.373/2001 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a. Teoria

1. O termo Direito Internacional foi empregado pela primeira vez em 1780, pelo inglês

Jeremy Bentham. O termo Público foi incluído posteriormente por influência francesa,

para diferenciar do privado. Ainda há autores que se referem a Direitos das Gentes

(jus gentium).

1.1 Deve-se conceituar o Direito Internacional Público (DIP) como a disciplina

jurídica que estuda o complexo normativo das relações de direito público

externo. As relações interestatais não constituem, contudo, o único objeto do

direito internacional público: além dos estados, cuja personalidade jurídica

internacional resulta do reconhecimento pelos demais estados, outras

entidades são modernamente admitidas como pessoas internacionais, ou

seja, como capazes de terem direitos e assumirem obrigações na ordem

internacional.

1.2 Tais pessoas, ou são coletividades criadas artificialmente pelos próprios

Estados - o que lhes empresta um reconhecimento implícito - como as

Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e entidades

congêneres, ou são de criação particular, como a Cruz Vermelha

Internacional, a Ordem de Malta e outras associações reconhecidas, de

âmbito internacional.

1.3 Alguns tratadistas reconhecem no próprio indivíduo personalidade

jurídica internacional, vale dizer, capacidade para ser sujeito de direitos e

obrigações internacionais, em determinadas situações. Há ainda casos

especiais de personalidade internacional de fato, como o das comunidades

beligerantes, reconhecidas como tais, cuja atuação incide no âmbito do

direito internacional público.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

2. Direito Transnacional: esse termo foi criado para superar a dicotomia entre público

e privado.

CLÁSSICO MODERNO

Sistema jurídico autônomo, onde se Conjunto de normas que regula as

ordenam as relações entre os ESTADOS relações externas dos atores que

soberanos. Essa concepção remonta à compõem a sociedade internacional:

Paz de Vestfália, que consolidou o ESTADOS, ORGANIZAÇÕES

sistema moderno dos Estados. Definição INTERNACIONAIS, EMPRESAS e

estreita: não contempla a pessoa INDIVÍDUOS.

humana (destinatário), nem outros

sujeitos de direito internacional.

3. O DIP é fator de organização da sociedade que tem como missões:

a) Redução da anarquia nas relações internacionais e delimitação das competências de

seus membros;

b) Regulação da cooperação internacional;

c) Tutela adicional a bens jurídicos aos quais a sociedade internacional decidiu atribuir

importância;

d) Satisfação de interesses comuns entre os Estados.

4. FUNDAMENTO: explica a razão de existir do Direito Internacional Público e tem,

entre outras, as seguintes teorias explicativas:

Voluntarista: o fundamento do DIP está na vontade dos Estados.

Antivoluntarista ou Objetivista: as normas encontram seu fundamento em normas

imediatamente superiores (Teoria da norma-base de Kelsen).

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

5. FONTE: explica de onde o Direito Internacional Público tira a sua obrigatoriedade.

VOLUNTARISMO (corrente positivista) OBJETIVISMO

As normas de DIP são obrigatórias As normas de DIP são obrigatórias

porque os Estados e OIs expressaram porque surgem da dinâmica da

livremente sua VONTADE livre em fazê- sociedade internacional, sendo

lo, de forma expressa (tratados) ou irrelevante a vontade dos sujeitos de

tácita (aceitação generalizada de um DIP, tendo sobre eles uma PRIMAZIA

costume). Vertentes: NATURAL. Vertentes:

- Autolimitação da vontade - Jusnaturalismo;

(Jellinek); - Teorias sociológicas do direito;

- Vontade coletiva (Triepel); - Teoria da norma-base de Kelsen;

- Consentimento das nações


- Direitos fundamentais dos
(Oppenheim); Estados.

- Delegação do direito interno

(Max Wenzel).

É criticada por condicionar toda a É criticada por minimizar o papel da

regulamentação internacional à mera vontade dos sujeitos de DIP na criação

vontade dos Estados. das normas internacionais e, assim,

facilitar o surgimento de normas que

podem não corresponder aos anseios

legítimos do povo.

Voluntaristas - Segundo PELLET o Objetivistas – teoria surgida no século

voluntarismo jurídico constrói-se na XIX como reação à corrente voluntarista,

afirmação fundamental de que “se o apregoa a obrigatoriedade do Direito

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

direito se impõe a todos os membros da Internacional pela existência de princípios

coletividade, é porque emana de uma e normas superiores aos do ordenamento

vontade que é superior, não na essência, jurídico estatal, uma vez que a

mas simplesmente porque é a vontade de sobrevivência da sociedade internacional

um ser superior, que ocupa a posição depende de valores superiores que

suprema no seio da sociedade. Este ser devem ter prevalência sobre as vontades

superior é o Estado”. e os interesses domésticos.

- Da Autolimitação (GEORG JELLINEK): o - Teoria Pura do Direito (KELSEN): na

Estado, por sua própria vontade, ordem internacional, o fundamento da

submete-se às normas do DIP e limita sua força obrigatória do direito convencional

soberania; assenta no princípio da pacta sunt

- Do Direito Estatal Interno (MAX servanda. Considerando que este é um

é princípio do Direito Internacional


WENZEL): o fundamento do DIP
Costumeiro, admite que o direito
encontrado no ordenamento nacional.
convencional, na hierarquia das normas
- Da Vontade Comum (HEINRICH
jurídicas internacionais está abaixo do
TRIEPEL): o DIP nasce não da vontade de
direito consuetudinário. Já o fundamento
um ente estatal, mas da conjugação das
positivo para o costume internacional é a
vontades unânimes de vários Estados,
norma hipotética fundamental, da qual
formando uma só vontade coletiva;
decorrem todas as demais;
- Do Consentimento das Nações (HALL E
- Teorias Sociológicas: as normas
OPPENHEIM): o fundamento do DIP é a
internacionais têm origem em um fato
vontade da maioria dos Estados de um
social que se impõe aos indivíduos;
grupo, exercida de maneira livre, mas
- Teorias Jusnaturalistas: as normas
sem exigência da unanimidade.
internacionais impõem-se naturalmente,
- Procura por uma norma superior
por terem fundamento na própria
(DIONÍSIO ANZILOTTI): afirma a existência
natureza humana;
de uma norma superior que fundamenta

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a regra segundo a qual no domínio - Direitos Fundamentais dos Estados: o

internacional o Estado está vinculado por DIP fundamenta-se no fato de os Estados

sua vontade. Foi buscar no princípio da possuírem direitos que lhe são inerentes

pacta sunt servanda a norma superior e que são oponíveis em relação a

fundamental do Direito Internacional. terceiros.

PELLET, ao criticar essa teoria, aponta que Críticas: - Minimiza o papel da vontade.

a suposta norma de valor jurídico

absoluto é indemonstrável.

Críticas: - Se o Direito Internacional

encontra o seu fundamento de

obrigatoriedade na vontade coletiva dos

Estados, basta que um deles, de um

momento para outro, se retire da

coletividade ou modifique a sua vontade

original para que a validade do Direito

Internacional fique comprometida, o que

ocasionaria grave insegurança às relações

internacionais. - MAZZUOLI afirma que a

teoria voluntarista não explica como um

novo Estado, que surge no cenário

internacional, pode estar obrigado por

um tratado internacional, norma

costumeira ou princípio geral do Direito

de cuja formação ele não participou com

o produto da sua vontade.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

6. Pacta sunt servanda: É O PRINCÍPIO BÁSICO DO DIP. As obrigações internacionais

pressupõem a manifestação dos Estados soberanos. O que foi pactuado deve ser

cumprido.

7. As fontes são os documentos ou pronunciamentos de que emanam direitos e

deveres das pessoas internacionais configurando os modos formais de constatação

do direito internacional.

7.1 Destaca-se o fenômeno atual chamado de descentralização das fontes

dos direitos das gentes. Nesse sentido, verifica-se uma reavaliação das

fontes do Direito Internacional Público (por isso alguns autores preferem

denominar as fontes de primárias e meios auxiliares).

7.2 É possível, também, dividi-las em fontes formais (elementos que

provocam o aparecimento das normas jurídicas, influenciado sua criação e

conteúdo) e fontes materiais (determinam a elaboração de certa norma

jurídica; são os fatos que demonstram a necessidade e a importância da

formulação de preceitos jurídicos, que regulem certas situações).

7.3 As fontes do Direito Internacional apareceram ao longo da história e

foram inicialmente consolidadas dentro do Estatuo da Corte Permanente de

Justiça Internacional (CPJI), firmado no âmbito da Liga das Nações, após a 1ª

Guerra Mundial. Posteriormente, essa corte foi substituída pela Corte

Internacional de Justiça (CIJ) que no art. 38 de seu estatuto elencou as

seguintes fontes:

Artigo 38

1. A Corte, cuja função seja decidir de acordo com o direito

internacional as controvérsias que sejam submetidas, deverá aplicar;

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a) as convenções internacionais, quer gerais, quer particulares, que

estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados

litigantes;

b) o costume internacional, como prova de uma prática geralmente

aceita como direito;

c) os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;

d) sob a ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a

doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes nações, como

meio auxiliar para determinação das regras de direito.

2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte para

decidir uma questão ex aequo et bono, se as partes com isso

concordarem.

7.4 O art. 38 não configura um rol exaustivo que impeça a sociedade

internacional de revelar outras fontes.

7.5 O art. 38 do Estatuto da Corte não pronuncia qualquer grau

hierárquico entre as fontes. Nesse sentido há hierarquia entre os tratados

e as demais fontes do Direito Internacional, mesmo porque a validade das

normas convencionais depende da regra consuetudinária pacta sut servanda.

7.6 Na prática, os tribunais internacionais têm dado preferência às

disposições específicas, de caráter obrigatório, dos tratados internacionais

vigentes, sobre o direito costumeiro e sobre os princípios gerais de Direito

Internacional. Mas ressalva-se que esta prática somente pode ser aceita se a

norma consuetudinária não forma uma norma imperativa de Direito

Internacional geral, ou seja, de jus cogens, que não pode ser derrogada por

um tratado entre dois Estados.

7.7 Destaca-se que não se pode confundir “hierarquia de fontes” com

“hierarquia de normas”. As fontes referem-se às formas de manifestação

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

das disposições do Direito, ao passo que as normas trazem as próprias

regras de conduta. Assim é possível que princípios e regras encerrados nas

mesmas fontes ocupem níveis hierárquicos diferentes dentro de um

ordenamento, como é o caso da norma de jus cogens consagrada em um

tratado, que deve preponderar sobre regras presentes em outros tratados.

7.8 Além das fontes descritas no art. 38 do Estatuto da Corte Internacional

de Justiça a doutrina reconhece outras decorrentes unicamente das relações

internacionais. Essas fontes são a analogia, a equidade, os atos unilaterais

dos Estados, as decisões das organizações internacionais, o as normas de jus

cogens e as normas soft law.

7.9 Tratados:

Mesmo sem a hierarquia, os Tribunais dão primazia aos tratados em relação

aos demais, os costumes em relação aos princípios gerais. Os tratados são a

fonte mais segura e mais completa e concreta do DIP. Os tratados trazem

segurança jurídica e estabilidade para as relações internacionais.

O Direito que regulamenta e disciplina os tratados no plano internacional é o

Direito dos Tratados, que regula a forma como negociam as partes; os

órgãos encarregados da negociação; a forma de entrada em vigor do

tratado; e a aplicação internada do tratado.

7.10 Costumes:

Historicamente, os costumes sempre foram a principal fonte do DIP.

A que sua importância advém do fato de não existir ainda no campo do

Direito Internacional, um centro integrado de produção normativa, não

obstante a atual tendência de codificação das normas internacionais de

origem consuetudinária. O costume internacional tem tido um papel

importante na formação e desenvolvimento do Direito Internacional,

primeiro, por estabelecer um corpo de regras universalmente aplicáveis em

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

vários domínios do direito das gentes e, segundo, por permitir a criação de

regras gerais que são regras-fundamento de constituição da sociedade

internacional.

A formação de uma norma costumeira internacional requer dois elementos:

um de caráter material e objetivo; e outro de caráter psicológico e subjetivo:

caráter material/objetivo: é a prática generalizada, reiterada, uniforme e constante

de um ato na esfera das relações internacionais ou no âmbito interno, com reflexos

externos. É a inveterata consuetudo, que constitui o conteúdo da norma costumeira;

caráter psicológico/subjetivo/espiritual: é a convicção de que tal pratica é

juridicamente obrigatória. Trata-se da opinio juris, também denominada de opinio juris

sive necessitatis, que significa a convicção do direito ou da necessidade.

A ausência do segundo elemento, isto é, da opinio juris é a diferença entre um uso e

um costume.

PROBLEMA: o costume é uma prática que se pensa obrigatória em relação a todos os

Estados. E o novo Estado é obrigado a seguir o costume do qual não participou de sua

formação? O novo Estado é obrigado a participar de um costume, de cuja criação não

participou? Há correntes sobre o tema:

1ª. Corrente euro americana: historicamente, é muito mais antiga do que a latino-

americana. O Estado novo é obrigado a aderir ao costume, porque já encontra uma

sociedade internacional pronta, se o Estado novo quer participar da sociedade

internacional deve aceitá-la como está. DOUTRINA MAJORITÁRIA.

2ª. Corrente Latino-Americana: o novo Estado não é obrigado a aceitar.

3ª. Corrente Mista: os novos Estados não são obrigados a aderir ao costume, EXCETO

em se tratando de regras de jus cogens, ou seja, regras obrigatórias, EXEMPLO: regras

de proteção de direitos humanos.

Pelo ECIJ não há hierarquia entre tratado e costume.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

O que ocorre quando um tratado é celebrado contrariamente em relação ao costume?

Se não há hierarquia entre eles, mas o tratado pode revogar costume.

E o costume pode revogar tratado? O costume pode revogar o tratado na prática, mas,

tecnicamente, não, porque o tratado é uma norma escrita, que para ser revogado

precisa de outra norma escrita. No caso específico, o tratado não será mais utilizado

porque está em DESUSO.

Por não haver hierarquia entre as fontes, podem ser aplicados os métodos tradicionais

de solução de conflitos sobre a matéria (critério cronológico, da especialidade, etc.).

Tais critérios também podem ser utilizados em caso de conflitos entre costumes, os

quais podem se dar entre dois costumes gerais, dois costumes regionais ou entre

um costume geral e um costume regional. Nos dois primeiros casos o costume

posterior (lex posterior) prevalece sobre o anterior e, no segundo, o costume regional

(lex specialis) prevalece sobre o geral.

7.11 Princípios gerais do Direito:

Os princípios gerais do Direito são as normas de caráter mais genérico e

abstrato que incorporam os valores que fundamentam a maioria dos

sistemas jurídicos mundiais, orientando a elaboração, interpretação e

aplicação de seus preceitos e podendo ser aplicadas diretamente às relações

sociais.

Os princípios gerais do Direito, tal qual previstos no Estatuto da CIJ, referem-

se reconhecimento de tais princípios por parte da sociedade dos Estados,

em seu conjunto, como formas legítimas de expressão do Direito

Internacional Público. Portanto, os princípios gerais do Direito seriam

aqueles aceitos pelos Estados in foro domestico.

7.12 Princípios gerais do Direito Internacional Público

Os princípios gerais do Direito Internacional Público são as normas de

caráter mais genérico e abstrato que alicerçam e conferem coerência ao

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

ordenamento jurídico internacional, orientando a elaboração e aplicação das

normas internacionais e a ação de todos os sujeitos de Direito das Gentes.

Dentre os princípios gerais do Direito Internacional apontam-se: a soberania

nacional; a não intervenção; a igualdade jurídica entre os Estados; a

autodeterminação dos povos; a cooperação internacional; a solução pacífica

de controvérsias; e o esgotamento dos recursos internos antes do recurso a

tribunais internacionais. Ademais, ressalta o autor que adquire relevo cada

vez maior o princípio da prevalência dos direitos humanos nas relações

internacionais. Em âmbito doméstico a Constituição elenca em seu art. 4º os

princípios adotados pelo Brasil em suas relações internacionais:

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais

pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político.

7.13 Eqüidade e justiça:

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

A CIJ tem a faculdade de decidir EX AEQUO ET BONO, ou seja, com equidade

e justiça. Em algumas situações especiais, pode ser empregada a EQÜIDADE

(decisão pautada por justiça e ética), se as partes com isso concordarem.

7.14 Meios auxiliares:

São MEIOS AUXILIARES: a DOUTRINA dos juristas mais qualificados das mais

diferentes nações e a JURISPRUDÊNCIA (decisões judiciárias).

A jurisprudência internacional é o conjunto de decisões reiteradas no

mesmo sentido, em questões semelhantes, proferidas por órgãos

internacionais de solução de controvérsias. As decisões abrangem as

decisões dos TRIBUNAIS ARBITRAIS INTERNACIONAIS. A JURISPRUDÊNCIA

INTERNA também faz parte das decisões judiciárias.

A jurisprudência consiste nas reiteradas manifestações judiciárias dando a

casos semelhantes a mesma solução. Tecnicamente, a jurisprudência não é

fonte de direito, mas sim fonte de interpretação do direito. O direito não

nasce da jurisprudência, já que ela somente é responsável pela

interpretação do direito pré-existente. A jurisprudência ocorre em casos

contenciosos, não ocorrendo em caso de competência consultiva, porque

não existe jurisprudência de pareceres.

Doutrina jurídica: conferências, pareceres, trabalhos para formação dos

tratados.

7.15 Analogia não é meio auxiliar, ela consiste na aplicação à determinada

situação de fato de uma norma jurídica feita para ser aplicada em caso

semelhante. É um perigo usar a analogia em DIP, porque pode ser

prejudicado do direito da parte, principalmente, quando envolver direitos

humanos. O artigo 38 do ECIJ não faz menção à analogia.

7.16 Novas fontes:

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

7.16.1 Decisões Tomadas no Âmbito das Organizações

Internacionais:

As decisões das Organizações Internacionais (na sua condição de

sujeito do DIP) são atos institucionais, dos quais os Estados não

participam senão indiretamente. Essas decisões devem manifestar-

se obrigatoriamente com efeito “externa corporis” para serem

consideradas fonte de DIP. Essas decisões (assim como as decisões

dos Estados) são unilaterais, eis que emanadas de um único órgão,

ao qual se atribui (por meio do tratado-fundação da organização) o

poder se emitir decisões com poderes vinculantes para os Estados-

partes.

Muitas dessas decisões de organizações internacionais, a exemplo

de algumas resoluções da ONU, podem deter o valor jurídico de

“jus cogens”. Para saber os limites dos poderes decisórios de certa

organização internacional, tem que se analisar o seu tratado-

fundação.

São exemplos de decisões tomadas no âmbito das organizações

internacionais:

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Decisões
Assembléia Geral da ONU
Resoluções

FMI Resoluções

Comunidade Econômica Européia Diretrizes ou

diretivas

Comunidade Européia do Carvão e do Recomendações

Aço

Conselho de Segurança da ONU Mandatórias

(artigo 25)

O Conselho de Segurança da ONU é o único órgão com poder de

tomar decisões efetivamente mandatórias, as quais os membros

das Nações Unidas têm que acatar e fielmente executar, nos

termos do art. 25 da Carta da ONU (“Os Membros das Nações

Unidas concordam em aceitar e executar as decisões do Conselho

de Segurança, de acordo com a presente Carta”). As resoluções

relativas a questões internas também são obrigatórias.

Os demais órgãos da ONU formulam recomendações, que não tem

cunho vinculante.

7.16.2 Atos Unilaterais dos Estados:

Partindo-se da premissa voluntarista de que as normas de Direito

Internacional se fundamentam no consentimento dos Estados e das

Organizações Internacionais, os atos unilaterais não poderiam ser

fontes do direito das Gentes. Contudo, a dinâmica das relações

internacionais revela que atos cuja existência tenha dependido

exclusivamente da manifestação de um Estado terminam por

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

influenciar as relações internacionais, gerando consequências

jurídicas independentemente da aceitação ou envolvimento de

outros entes estatais.

Assim, ato unilateral do Estado é uma manifestação de vontade

inequívoca formulada com a intenção de produzir efeitos nas suas

relações com outros Estados ou organizações internacionais, com o

conhecimento expresso destes ou destas.

7.16.3 As normas de jus cogens:

As normas de jus cogens não constam no rol do artigo 38, a

Convenção de Viena sobre os tratados (artigo 53) fala em normas

superiores à vontade dos Estados, que não podem ser modificadas

sequer pelos tratados internacionais.

Artigo 53- Tratado em Conflito com uma Norma Imperativa de Direito

Internacional Geral (jus cogens)

É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com

uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da

presente Convenção, uma norma imperativa de Direito

Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela

comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma

da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada

por norma ulterior de Direito Internacional geral da mesma natureza.

A emergência do “jus cogens” nada mais representaria do que o

abandono das teorias voluntaristas exacerbadas dos séculos

passados. Elas são rígidas (diferente das soft Law). Para boa parte

da doutrina as normas de jus cogens provêm ou podem vir a

provir tanto do costume internacional quanto do direito

convencional e ainda dos princípios gerais de direito.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

7.16.4 As normas de soft law

O termo "soft law" refere-se a instrumentos "quase-legais" que não

têm caráter juridicamente vinculativo, ou cuja força de ligação é um

pouco "mais fraca" do que a força obrigatória das leis tradicionais,

muitas vezes referidas como "hard law", em contraste com a "soft

law". Tradicionalmente, o termo "soft law" é associado ao direito

internacional, embora mais recentemente tenha sido transferido

para outros ramos do direito interno também.

8. Ao se estudar a noção histórica da relação entre os países, notaremos que na

medida em que os países tornaram-se independentes e soberanos, aumentava

também a necessidade de relações internacionais continuadas, permanentes e

estabelecidas sobre bases jurídicas. Para tanto, era necessário fixar regras, normas,

que disciplinassem tais relações.

O estudo do DIP não se faz alheio à realidade das interações jurídico-políticas entre os

países e as relações sócio-econômicas que existem. É certo que às vezes temos alguma

resistência em conhecer além do que trata as normas de DIP, dissociando o

pensamento das relações internacionais e da história. Tal proceder empobrece a visão

tanto do próprio direito quanto da sociedade internacional e a torna incompleta. De

uma postura elitista e oligárquica dos países europeus, onde se originaram as

primeiras regras de DIP, caminhado para um complexo de relações e de uma

quantidade significativa de países em comparação com o início histórico, foi necessária

a construção normativa baseada nos costume e, aos poucos, sendo transformada em

regras aceitas, culminando em regras escritas. Reconhece-se, hoje, a existência de uma

sociedade internacional cujas relações são constantes, contínuas, permanentes,

baseadas em regras escritas e costumeiras, permeadas por representações

diplomáticas, diplomacia parlamentar e um aparato normativo substancial.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

A produção das normas dentro do direito interno nos diversos Estados que compõem

a sociedade internacional, principalmente nos Estados ocidentais, quer de origem

romanística, quer de origem no sistema do common law, obedece, em geral, a um

padrão centralizado em que as instituições que compõe o poder do país,

classicamente chamado tripartição do poder, têm um papel bem definido.

9. Assim é que se tem o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário. Fala-

se, por isto, que é um sistema centralizado. O reconhecimento histórico desta situação

demonstra que houve um caminhar histórico ruma a tal sistema normativo nos países.

Ora por meios pacíficos, ora por meios violentes, resultou em uma certa

homogeneidade nos países ocidentais, em primeiro lugar e, evolutivamente, pode-se

dizer na maioria dos países pertencentes à sociedade internacional.

10. Na sociedade internacional, partindo-se da produção normativa baseada em

grande parte no costume internacional e na codificação parcial alcançada até hoje

através do Tratados, é real que esta sociedade estruturou-se de forma diversa das

sociedades nacionais internas. Por isso diz-se que a sociedade internacional tem certas

características que a diferenciam do direito interno dos Estados.

São as seguintes características da sociedade internacional:

DESCENTRALIZAÇÃO: não há um centro de poder de onde parta a administração

mundial, nem a produção de normas. Não há um parlamento permanente, com uma

Constituição ou um Tratado que lhe fixe as regras e lhes dê legitimidade. Os vários

sujeitos, especialmente os Estados e as Organizações Internacionais, em consenso,

fixam as regras jurídicas. Não se antevê um Poder Executivo, como se percebe nos

direitos internos.

INEXISTÊNCIA DE PODER JUDICIÁRIO: essa premissa está sofrendo certas alterações.

Mesmo assim, o Tribunal Internacional de Justiça não julga qualquer causa e, ainda

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

assim, julga apenas aquelas referentes a Estados que estejam vinculados à ONU. Os

juízes representam as macro-regiões em que o mundo está dividido. A jurisdição do

Tribunal não é obrigatória para quem não a aceita.

INEXISTÊNCIA DE UM LEGISLADOR CENTRAL: de fato, não se concebe um

parlamento mundial, eleito pelos países com alguma forma de representação, que

discutisse e votasse leis internacionais. A produção normativa está adstrita

principalmente aos Tratados Internacionais. Como regra, obriga-se ao Tratado quem o

ratificou ou aderiu posteriormente. Em muitos casos, há a formulação de reservas que

exclui certas obrigações. Por isso, não se fala em lei internacional no sentido de uma

norma produzida a partir de um parlamento.

INEXISTÊNCIA DE FORÇA POLICIAL INTERNACIONAL: não há uma polícia judiciária

internacional. A possibilidade de uso de força, em razão de alguma desobediência à

decisão do Tribunal Internacional é possível, contudo, nunca foi usada. Associado a

isto, está o fato de que o uso da força somente pode ser autorizado pelo Conselho de

Segurança que arrebanhará entre os Estados as forças para manter a paz e a

segurança internacionais, não tendo uma aplicação como polícia judiciária.

RELAÇÃO HORIZONTAL E DE COORDENAÇÃO: as relações internacionais baseiam-se

em uma horizontalidade e coordenação. Partindo-se da idéia de igualdade soberana

dos Estados, as relações entre eles se dão em um nível de coordenação, tendo a ONU

exercido o papel de coordenadora. Não há subordinação nem hierarquização. Na

Assembléia Geral, aliás, cada país representa um voto, a refletir a igualdade soberana.

A ONU não impõe condutas, apenas coordena o que os Estados decidem no seio da

Organização.

Além do mais, o DIP difere do direito interno porque neste há subordinação na relação

entre o Estado e seus indivíduos, enquanto que naquele há coordenação enquanto

princípio que preside a convivência organizada entre as soberanias.

O que rege o DIP, em especial, é o pacta sunt servanda, princípio no qual o que foi

pactuado deve ser cumprido.

21
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Assim, não há subordinação no DIP, há o direito que livremente os Estados Nacionais

pactuaram entre si.

11. São tendências do DIP:

UNIVERSALIZAÇÃO: O Direito Internacional não é mais um Direito europeu-americano,

mas universal. É compreendida também pela multiplicação de tratados multilaterais

(afastando-se de relações de reciprocidade dos tratados bilaterais) surgindo relações

de caráter vertical com a sociedade internacional (como no âmbito da ONU).

Manifesta-se ainda no aparecimento da ideia de um patrimônio comum da

Humanidade seja ele natural (o alto mar e os recursos marinhos) ou cultural.

REGIONALIZAÇÃO: Criação de espaços regionais de cooperação.

INSTITUCIONALIZAÇÃO: Não é mais um direito que regula apenas relações entre

Estados, mas também entre os organismos internacionais, de âmbito territorial

(universais e regionais), fins e meios (de integração e cooperação) variados. Também

tem levado na criação de direitos institucionais, próprios dessas organizações tal como

é o direito comunitário europeu.

FUNCIONALIZAÇÃO: relacionada com a anterior num duplo sentido. Por um lado, o

direito internacional, extravasando cada vez mais o âmbito das meras relações

externas entre os Estados e penetrando cada vez mais em quaisquer matérias a nível

interno, assume tarefas de regulamentação e de solução de problemas (como saúde,

trabalho, ambiente, etc.). Por outro lado, a funcionalização tem se traduzido na

multiplicação de organizações internacionais de âmbito setorial, em particular as da

chamada família das Nações Unidas.

HUMANIZAÇÃO: Direito Internacional dos Direitos do Homem, incremento do direito

humanitário, convenções de Genebra, Convenção de 1997, proteção das minorias, dos

refugiados e das populações autóctones, aparecimento da figura da ingerência

humanitária, responsabilidade criminal internacional por crimes contra a humanidade

22
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

e outros crimes de violação dos direitos do Homem. Nesta tendência tem tido um

papel predominante não só as organizações internacionais, mas também organizações

não governamentais, como a Anistia Internacional.

OBJETIVAÇÃO: ou desvoluntarização do Direito Internacional. Como colocado por Jorge

Miranda, é a superação definitiva do dogma voluntarista (segundo o qual a vontade

dos atores internacionais é o fundamento único da existência do Direito Internacional

Público). Em primeiro lugar o “jus cogens", em segundo lugar a interpretação de várias

regras da Convenção da Viena de 1969, em um sentido objetivista, tais como o regime

das reservas, da validade dos Tratados e das modificações dos tratados. Também está

ligada ao desenvolvimento de uma responsabilidade internacional de pendor

objetivista, particularmente no domínio do Ambiente, do Direito do Mar, e do Direito

do Espaço.

CODIFICAÇÃO: codificação do Direito Internacional com uma tríplice finalidade:

-sistematização e de reforço de segurança jurídica;

-função de integração dos novos Estados surgidos na ordem jurídica internacional; e

-de racionalização e de desenvolvimento do Direito Internacional.

JURISDICIONALIZAÇÃO: O desenvolvimento de tribunais internacionais, para lá do TIJ,

órgão das Nações Unidas, tribunais de direitos do homem, tribunais das comunidades

européias, tribunais criminais internacionais.

12. Há dicotomia entre a relativização da soberania nacional e manutenção de sua

importância.

- O DIP é um direito de “coordenação”, em oposição ao direito interno, que é de

“subordinação”.

- O DIP distingue-se pela ampla descentralização da produção normativa (ocorre em

vários âmbitos).

23
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

- O DIP não é um mero conjunto de intenções de caráter político. É composto de

normas jurídicas, obrigatórias para seus destinatários.

- A fragmentação também é característica do DIP (heterogeneidade de suas normas).

- A diversidade de temas regulados pelo DIP leva à criação de ramos específicos

(DIDH, Direito Internacional do Trabalho, Direito Internacional do Meio Ambiente etc).

13. A cooperação internacional entre Estados é uma das mais evidentes vertentes do

DIP na atualidade. Na concepção tradicional, os Estados soberanos teriam poderes

para tratar de todos os problemas que ocorressem em seu território de forma

independente de outros entes. Na prática isso não acontece.

A cooperação internacional não é um meio apenas para combater problemas, mas

também constitui instrumento adicional, pelo qual os Estados podem promover seu

desenvolvimento econômico e social (ex.: mecanismos de integração social).

Exemplo do fundamento da cooperação internacional refere-se à energia atômica,

com a celebração do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e a

criação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

14. Na jurisdição internacional, os entes que a exercem normalmente são criados por

tratados, que definem as respectivas competências e modo de funcionamento. Podem

ser judiciais, arbitrais ou administrativos.

O DIP tem como um de seus pilares a IGUALDADE FORMAL ENTRE OS ESTADOS,

independentemente de qualquer aspecto fático ou econômico.

Regra geral: OS ESTADOS NÃO SÃO AUTOMATICAMENTE JURISDICIONÁVEIS

PERANTE AS CORTES E TRIBUNAIS INTERNACIONAIS, AINDA QUE SEJAM PARTE DO

TRATADO DE CRIAÇÃO DESSA JURISDIÇÃO INTERNACIONAL. É o caso do CIJ, que só

24
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

pode apreciar um processo envolvendo um Estado se este aceitar seus poderes

para julgá-lo em um caso específico.

A maioria dos órgãos internacionais ainda não permite que sujeitos que não

sejam Estados ou OIs participem de seus procedimentos. Exceções: A CORTE

EUROPEIA DE DIREITOS HUMANOS PERMITE QUE UM INDIVÍDUO PROCESSE UM

ESTADO EUROPEU; O TPI JULGA PESSOAS NATURAIS ACUSADAS DE CRIMES

CONTRA A HUMANIDADE.

15. A relação entre o DIP e o direito interno geralmente é feita dentro da Constituição

de cada Estado. Duas teorias examinam essa relação:

DUALISMO MONISMO

- HÁ DUAS ORDENS JURÍDICAS - EXISTE APENAS UMA ORDEM JURÍDICA,

DISTINTAS E INCONFUNDÍVEIS PASSANDO A NORMA INTERNACIONAL A

(DIREITO INTERNACIONAL E DIREITO COMPOR A ORDEM JURÍDICA NACIONAL

INTERNO). ASSIM, PARA A IMEDIATAMENTE, SEM NECESSIDADE DE

APLICAÇÃO INTERNA DE UMA INCORPORAÇÃO.

NORMA INTERNACIONAL, DEVE - Em caso de CONFLITO entre as normas, há

HAVER SUA INCORPORAÇÃO AO 2 correntes:

ORDENAMENTO INTERNO (TEORIA


- Monismo internacionalista  primazia do
DA INCORPORAÇÃO).
DIP.
- Os tratados são apenas
- Radical  para Kelsen, o OJ é uno, e o DIP
compromissos assumidos na esfera
é a ordem hierarquicamente superior, da
externa, sem capacidade de gerar
qual deriva direito interno e a este é
efeitos no interior dos Estados.
subordinado.
- Se houver a incorporação, os
- Moderado  tanto o DIP como o nacional
eventuais conflitos envolverão apenas
podem ser aplicados, entretanto, o eventual

25
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

normas internas. descumprimento da norma internacional

- Dualismo moderado  não é poderia ensejar a responsabilidade

necessário que o conteúdo das internacional do Estado.

normas internacionais seja inserido - É A TEORIA ADOTADA PELO DIP: uma

em um projeto de lei interna, parte não pode invocar as disposições de

bastando a incorporação dos seu direito interno para justificar o

tratados ao OJ interno por meio de inadimplemento de um tratado (art. 27 da

procedimento específico, distinto do Convenção de Viena sobre o Direito dos

processo legislativo comum, que Tratados).

normalmente inclui apenas a - Monismo nacionalista  primazia do

aprovação do parlamento e, direito interno (soberania estatal absoluta).

posteriormente, a ratificação do Os Estados só se vinculariam às normas com

Chefe de Estado, bem como, no caso as quais consentirem.

do Brasil, um decreto de

promulgação do Presidente da
 O STF ADOTA O MONISMO
República, que inclui o ato
NACIONALISTA: PREVALECEM AS REGRAS
internacional na ordem jurídica
INTERNAS.
nacional.

- O aparente fato de o Brasil ter

herdado característica dualista não

implica que defendamos que o

Brasil adote o dualismo.

15.1 Para resolução da questão foram desenvolvidas várias teorias buscando

equacionar o problema, dentre as quais se destacam a dualista e a monista.

com a emergência de certos ramos do Direito das Gentes com suas

particularidades, foram formulados outros critérios de solução desses

conflitos, como a primazia da norma mais favorável ao indivíduo no

26
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

campo dos Direitos Humanos (prevalência do imperativo da proteção da

pessoa humana).

15.2 DUALISMO:

A teoria dualista parte da premissa de que o DIP e o Direito interno são dois

ordenamentos jurídicos distintos e totalmente independentes. Como há

completa separação entre Direito Interno e Internacional, suas normas não

entram em conflito. Para o dualismo, o direito internacional dirige a

convivência entre os Estados, enquanto o Direito interno disciplina as

relações entre os indivíduos e entre estes e o ente estatal. Com isso, os

tratados seriam apenas compromissos assumidos na esfera externa, sem

efeitos no interior dos Estados. Além disso, a eficácia das normas

internacionais não depende da compatibilidade com a norma interna. Para

que um compromisso internacionalmente assumido passe a ter valor jurídico

no âmbito do Direito interno do Estado, é necessário que o Direito

Internacional seja transformado em norma de Direito Interno, pelo processo

conhecido como adoção ou transformação.

(i) Teoria da Incorporação ou da Transformação de mediatização e

dualismo: Teoria formulada por Paul Laband, pela qual um tratado poderá

regular relações dentro do território de um Estado apenas se for incorporado

ao ordenamento interno, por meio de um procedimento que o transforme

em norma nacional. Não há a aplicação imediata do tratado, exigindo-se uma

transformação do Direito Internacional em Direito Interno, por meio de

norma legislativa interna, que incorporaria as normas expostas no

instrumento internacional (“incorporação, “transformação” ou “recepção”).

Dessa forma, os dois ordenamentos jurídicos – o do Estado e o internacional

– podem andar pareados sem, entretanto, haver primazia de um sobre o

outro, pois distintas são as esferas de atuações. Assim, não pode um preceito

de direito das gentes revogar outro que lhe seja diverso no ordenamento

27
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

interno. O Estado pactuante obriga-se a incorporar tais preceitos no seu

ordenamento doméstico, assumindo somente uma obrigação moral, mas se

não o fizer, deverá ser, por isso, responsabilizado no plano internacional. Tal

responsabilização, decorrente do princípio pacta sunt servanda, deriva de um

ilícito internacional, consistente na prática de um ato interno, mesmo que

negativo (ex: não incorporação do ato ao ordenamento jurídico nacional).

(ii) Teoria do Dualismo Moderado: não é necessário que o conteúdo das

normas internacionais seja inserido em um projeto de lei interna, bastando

apenas a ratificação dos tratados por meio de procedimento específico que

inclua a aprovação prévia do Parlamento e a ratificação do chefe de Estado.

Os defensores do dualismo moderado não chegam ao extremo de adotar a

fórmula legislativa para que, só assim, o tratado entre em vigor no país, mas

admitem a necessidade de um ato formal de internalização como um decreto

ou um regulamento.

15.3 MONISMO:

A teoria monista defende que existe apenas uma ordem jurídica. Logo, as

normas internacionais podem ter eficácia condicionada à harmonia do seu

teor com o direito interno e a aplicação das normas nacionais pode exigir

que estas não contrariem os preceitos de Direitos das Gentes. Caracteriza o

monismo a possibilidade de aplicação direta e automática das normas de

Direito Internacional pelos agentes do Poder Estatal, pois para essa corrente

direito interno e internacional integraram o mesmo sistema.

Nessa concepção o Direito Internacional e o Direito interno convergem para

um todo harmônico, em uma situação de superposição em que o Direito

interno integra o Direito Internacional, retirando deste a sua validade lógica.

É dizer, não existem dois círculos contíguos que se interceptam, mas, ao

contrário, dois círculos superpostos (concêntricos) em que o maior

representa o Direito Internacional que abarca, por sua vez, o menor,

28
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

representado pelo Direito Interno. Nessa ordem de ideias, podem existir

certos assuntos que estejam sob a jurisdição exclusiva do Direito

Internacional, o mesmo não ocorrendo com o Direito interno, que não tem

jurisdição exclusiva, vez que tudo o que por ele pode ser regulado também o

pode ser pelo Direito Internacional (de onde retira o seu fundamento último

de validade).

Para a doutrina monista, a assinatura e ratificação de um tratado por um

Estado significa a assunção de um compromisso jurídico. Os compromissos

exteriores assumidos pelo Estado, dessa forma, passam a ter aplicação

imediata no ordenamento interno do país pactuante, o que reflete a

sistemática da “incorporação automática” adotada, dentre outros, pela

Bélgica, França e Holanda.

Qual o ordenamento deve prevalecer em caso de conflito? Há 2 correntes.

1ª) Para o monismo nacionalista, em caso de conflito deve prevalecer o

direito interno de cada Estado. Primazia do Direito interno de cada Estado,

fundamentado na soberania estatal absoluta, sendo o ordenamento interno

hierarquicamente superior ao internacional. Assim, o arbítrio do Estado só

encontra limitação no arbítrio de um outro Estado, jamais nas regras do

Direito Internacional Público.

Dois são os argumentos principais dos defensores do monismo com

predomínio do Direito interno: a ausência, no cenário internacional, de

uma autoridade supraestatal capaz de obrigar o estado ao cumprimento

de seus mandamentos, sendo cada Estado o competente para determinar

livremente suas obrigações internacionais, sendo, em princípio, juiz único de

forma de executá-las; e o fundamento puramente constitucional dos

órgãos competentes para concluir tratados em nome do Estado,

obrigando-o no plano internacional.

29
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

2ª) Para o monismo internacionalista, há o primado do direito

Internacional, a que se ajustariam as ordens internas. É a teoria adotada pelo

Direito Internacional, conforme teor do artigo 27 da Convenção de Viena

sobre Direito dos Tratados de 1969 (Uma parte não pode invocar as

disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um

tratado).

A prática reiterada dos Estados e das Cortes Internacionais é de considerar a

norma interna um “mero fato”, que expressa a vontade do Estado.

Trata-se de corrente resultante do antivoluntarismo. O monismo

internacionalista foi formulado principalmente pela Escola de Viena,

cuja figura mais representativa é KELSEN, que entendia que o

ordenamento jurídico é uno e que o Direito das Gentes é ordem

hierarquicamente superior, da qual derivaria o Direito interno e à qual este

estaria subordinado. Isto ocorre, porque o fundamento de validade do

Direito Internacional repousa sobre o princípio da pacta sunt servanda, que é

a norma mais elevada da ordem jurídica mundial e da qual todas as demais

normas derivam, representando o dever dos Estados em cumprirem suas

obrigações. Ademais, se as normas de Direito Internacional regem a conduta

da sociedade internacional, não podem elas ser revogadas unilateralmente

por qualquer dos seus atores, sejam eles Estados ou organizações

internacionais.

A consequência lógica da existência de normas internas contrárias ao

Direito Internacional é a configuração da responsabilidade

internacional do Estado em causa. Assim, o instituto da responsabilidade

internacional do Estado passa a ser a sanção eleita pelo sistema jurídico

internacional como forma de manter o predomínio do Direito Internacional

Público sobre o Direito interno estatal.

30
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Nesse sentido, o tratado teria total supremacia sobre o Direito nacional, e

uma norma interna que contrariasse uma norma internacional deveria ser

declarada inválida. Essa modalidade do monismo internacionalista é também

conhecida como “monismo radical”.

Há, ainda, a vertente do monismo moderado, de Alfred von Verdross, que

nega a não-validade da norma interna cujo teor contraria a norma

internacional. Assim, tanto o Direito Internacional como o nacional poderiam

ser aplicados pelas autoridades do Estado, dentro do que determina o

ordenamento estatal. Nesse caso, em caso de aplicação da norma interna, a

questão se resumiria à possibilidade de responsabilização internacional do

Estado.

Dualismo Monismo

Duas ordens jurídicas distintas e Uma só ordem jurídica

independentes

Impossibilidade de conflito Possibilidade de conflito

Necessidade de incorporação Incorporação automática

a) Dualismo RADICAL - O a) Monismo NACIONALISTA -

conteúdo dos tratados deve ser Prevalece a norma interna

incorporado ao ordenamento (SOBERANIA ESTATAL);

interno por lei interna; b) Monismo INTERNACIONAL -

b) Dualismo MODERADO - A Prevalece a norma do DIP. É previsto

incorporação exige mera na Convenção de Viena de 1969.

ratificação, com prévia  MONISMO


aprovação do Parlamento. INTERNACIONALISTA RADICAL: o

tratado prevalece inclusive sobre a

31
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Constituição. A norma interna

contrária é considerada inválida;

 MONISMO

INTERNACIONALISTA MODERADO:

o tratado prevalece, com mitigações,

sendo possível eventual aplicação do

direito interno, sem invalidade (sem

prejuízo da resp. internacional).

15.4 POSIÇÃO BRASILEIRA:

No Brasil, o STF entende que é necessária a incorporação interna das normas

internacionais através de um “decreto de execução presidencial”, mas não

exige a edição de lei interna para incorporar a norma internacional. Por isso,

parte da doutrina entende que o STF adotou a corrente do “dualismo

moderado” ou “monismo moderado”. Outros entendem que essa opção do

STF é dualista.

O Estado brasileiro recorre a ambas as teorias, pois a Constituição brasileira

não possui regra específica entre dualismo ou monismo. Também não prevê

a figura do decreto presidencial para a entrada em vigor do tratado. A CF/88

prevê apenas a participação do Legislativo e Executivo no processo de

formação do tratado. Internacionalmente, o tratado entra em vigor com a

ratificação, salvo previsão diversa pelo próprio tratado. Por tal razão, a

doutrina critica a posição do STF ao exigir o decreto presidencial,

desconsiderando que o tratado já está em vigor internacionalmente em

momento anterior.

O certo é que no Brasil, vislumbram-se aspectos do dualismo e do monismo,

de modo que não é possível afirmar que o Brasil adota uma corrente

específica, recorrendo a elementos de ambas as teorias.

32
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Em relação à hierarquia normativa do tratado internacional (tratado

internacional comum e ainda considerando a visão do D. Interno), o STF

entende que, regra geral, o “status” normativo é de lei ordinária.

Doutrina internacionalista critica essa posição por permitir que lei posterior

interna supere o tratado (“treaty override”), em violação ao compromisso

internacional assumido (denúncia é o meio próprio para “revogar” tratado).

16. Segundo André de Carvalho Ramos para assumir o papel de regulador das tensões

internacionais, no pós-guerra fria e em plena era da globalização, o Direito

Internacional sofreu uma forte expansão QUANTITATIVA e, ainda, uma expansão

QUALITATIVA.

16.1  Quantitativa – É o aparentemente inesgotável manancial de

produção de normas internacionais sobre os mais diversos campos da

conduta social. Vai ser expressa por um termo doutrinário

chamado INTERNACIONALIZAÇÃO DO DIREITO, que retrata a expansão e

existência de normas internacionais regulando todas as facetas da vida

social.

16.2  Qualitativa – Consiste no fortalecimento de procedimentos

internacionais de interpretação e cumprimento das normas, superando, em

vários sub-ramos do Direito Internacional, a tradicional descentralização e

fragilidade na execução das normas internacionais. De acordo com a visão

tradicional do Direito Internacional, a sociedade internacional era uma

sociedade PARITÁRIA e DESCENTRALIZADA, na qual o Estado era

o produtor, destinatário e intérprete das normas. Assim, o Estado poderia

violar as normas internacionais, ao mesmo tempo em que alegava estar

cumprindo-as, em um verdadeiro TRUQUE DE ILUSIONISTA.

16.3 OU SEJA: a expansão quantitativa do Direito Internacional ensejou

uma expansão qualitativa, com a criação de inúmeros tribunais

33
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

internacionais e órgãos quase judiciais que fornecem uma interpretação

imparcial e CONCRETIZAM O DEVER DE CUMPRIMENTO DAS NORMAS

INTERNACIONAIS. Há, na atualidade, uma proliferação dos próprios

mecanismos de solução de controvérsia, gerando a

CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL.

A constitucionalização do Direito Internacional, por sua vez, consiste em

um fenômeno pelo qual o Direito Internacional mimetiza institutos

outrora reservados ao Direito Constitucional, como criação de tribunais,

proteção de direitos fundamentais, rule of law, acesso direto de indivíduos,

julgamento de indivíduos no campo penal (até com pena de caráter

perpétuo), entre outros.

34
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

b. Mapas Mentais

35
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

36
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

c. Revisão 1

QUESTÃO 01 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – TRF 5º REGIÃO - 2017

Um problema perene que envolve discussões teóricas e práticas é a coexistência de

normas internacionais com normas nacionais. A esse respeito, assinale a opção

correta.

a) As correntes teóricas que estabelecem critérios para justificar a solução de conflitos

normativos entre as normas internacionais e as normas internas prescindem dos

ordenamentos jurídicos nacionais.

b) O fato de um Estado não poder invocar uma norma jurídica doméstica para se

escusar de uma obrigação internacional significa que o direito internacional ignora o

direito interno.

c) Na hipótese de conflito entre uma norma constitucional e uma norma internacional

prevalecerá a primeira, pois apregoa-se a obrigatoriedade do direito internacional às

regras do direito interno, em decorrência de uma percepção teórica de um monismo

do tipo internacionalista.

d) As correntes teóricas dualistas, ainda que moderadas, apregoam uma visão que

engloba de forma indistinta tratados internacionais, costumes e princípios gerais de

direito.

e) Considera-se o monismo do tipo internacionalista dialógico uma corrente adequada

para tratar de conflitos normativos que envolvam direitos humanos, visto que poderia

haver a aplicação da norma de direito interno em detrimento da de direito

internacional ou vice-versa.

QUESTÃO 02 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF 5º REGIÃO - 2015

Assinale a opção correta relativamente à fundamentação, às fontes e às características

do direito internacional público

37
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a) Admite-se a escusa de obrigatoriedade de um costume internacional se o Estado

provar de forma efetiva que se opôs ao seu conteúdo desde a sua formação.

b) Não há previsão expressa de princípios gerais do direito internacional no Estatuto

da CIJ.

c) O Estatuto da CIJ estabelece que as decisões proferidas pelas organizações

internacionais sejam consideradas fontes do direito internacional público.

d) A corrente voluntarista considera que a obrigatoriedade do direito internacional

deve basear-se no consentimento dos cidadãos.

e) O consentimento perceptivo da corrente objetivista significa que a normatividade

jurídica do direito internacional nasce da pura vontade dos Estados.

QUESTÃO 03 – CESPE – PROCURADOR – BACEN - 2013

Essas normas não têm o mesmo grau de atribuição de capacidades nem são tão

importantes quanto as normas restritivas, mas os Estados comprometem-se a

cooperar e a respeitar os acordos realizados, sem submeter-se, no entanto, a

obrigações jurídicas.

O fragmento de texto citado acima refere-se a:

a) costumes.

b) soft norms.

c) princípios gerais de direito.

d) umbrella conventions.

e) tratados.

QUESTÃO 04 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO

A respeito das fontes do direito internacional público, julgue (C ou E) o item a seguir.

O Estatuto da Corte Internacional de Justiça reconhece os princípios gerais de direito

como fontes auxiliares do direito internacional

QUESTÃO 05 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2015

38
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

A par de constantes mudanças verificadas na sociedade internacional, com o

surgimento de novos atores e de renovadas demandas, também o direito das gentes

se atualiza em terminologias e em conceitos, de modo a abranger novas fronteiras,

como o comércio, o meio ambiente e os direitos humanos. No que concerne a esse

fenômeno, julgue (C ou E) o item a seguir.

A denominada soft law, de utilização polêmica pela índole programática que comporta,

embora desprovida de conteúdo imperativo, é utilizada de forma flagrante em direito

internacional do meio ambiente.

QUESTÃO 06 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2015

A jurisprudência tem constituído importante acervo de decisões que balizam o

desenvolvimento progressivo do direito internacional, não apenas como previsão

ideal, mas como efetivo aporte à prática da disciplina. Acerca da aplicação do art. 38 do

Estatuto da Corte Internacional de Justiça, de antecedentes judiciários, de tratados e de

costumes, julgue (C ou E) o seguinte item.

A noção de jus cogens, como a de normas imperativas a priori, embora não

unanimemente reconhecida em doutrina, é invocada com referência tanto em

jurisprudência quanto em direito internacional positivo.

QUESTÃO 07 – CESPE – DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL – DPU - 2015

Ainda no que concerne ao direito internacional, julgue o item subsequente.

Opinio juris é um dos elementos constitutivos da norma costumeira internacional.

39
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

d. Revisão 2

QUESTÃO 08 – PGR – PROCURADOR DA REPÚBLICA - 2013

AS NORMAS DE DIREITO INTERNACIONAL PEREMPTÓRIO (JUS COGENS)

a) podem ser derrogadas por tratado;

b) só podem ser derrogadas por costume internacional;

c) pressupõem uma ordem pública internacional não disponível para os Estados

individualmente;

d) não guardam qualquer relação com o conceito de obrigações erga omnes.

QUESTÃO 09 – CESPE – DELEGADO – DPF - 2013

No que se refere ao Estatuto da Igualdade, às fontes do direito internacional e à

extradição, julgue o item subsequente.

É fonte de direito internacional reconhecida a doutrina dos juristas mais qualificados

das diferentes nações.

QUESTÃO 10 – CESPE – PROCURADOR FEDERAL – AGU - 2010

O princípio do objetor persistente refere-se à não vinculação de um Estado para com

determinado costume internacional.

QUESTÃO 11 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2010

O costume, fonte do direito internacional público, extingue-se pelo desuso, pela

adoção de um novo costume ou por sua substituição por tratado internacional.

40
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

QUESTÃO 12 – CESPE – DIPLOMATA –INSTITUTO RIO BRANCO - 2009

O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ) relaciona o que se

costuma designar por fontes do direito internacional público, a serem aplicadas para a

resolução das controvérsias submetidas àquela Corte. Acerca desse tema e da

jurisdição da CIJ, julgue (C ou E) os seguintes itens.

Pacta sunt servandae e res iudicata são princípios gerais de direito aceitos pela CIJ e

discutidos em casos a ela submetidos.

QUESTÃO 13 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2009

O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ) relaciona o que se

costuma designar por fontes do direito internacional público, a serem aplicadas para a

resolução das controvérsias submetidas àquela Corte. Acerca desse tema e da

jurisdição da CIJ, julgue (C ou E) os seguintes itens.

Uma vez que a existência de um costume internacional é reconhecida mediante a

comprovação de uma "prática geral aceita como sendo o direito", um Estado pode

lograr obstar a aplicação de um costume por meio de atos que manifestem sua

"objeção persistente" à formação da regra costumeira, a menos que esta tenha caráter

imperativo (ius cogens).

QUESTÃO 14 – CESPE – ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2009

Ao longo da história, empregaram-se diversas denominações para designar o Direito

Internacional. Os romanos utilizavam a expressão ius gentium (direito das gentes ou

direito dos povos). Entretanto, pode-se afirmar que foi na Europa Ocidental do século

XVI que o Direito Internacional surgiu nas suas bases modernas. A Paz de Vestfália

(1648) é considerada o marco do início do Direito Internacional, ao viabilizar a

independência de diversos estados europeus. O Direito Internacional Público surgiu

com o Estado Moderno. Quando da formação da Corte Internacional de Justiça, após a

41
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

II Guerra Mundial, indagou-se quais seriam as normas que poderiam instrumentalizar

o exercício da jurisdição internacional (fontes do Direito Internacional Público). Assim,

o Estatuto da Corte Internacional de Haia, no art. 38, arrolou as fontes das normas

internacionais.

Com relação ao Direito Internacional, julgue os itens a seguir.

O elemento objetivo que caracteriza o costume internacional é a prática reiterada, não

havendo necessidade de que o respeito a ela seja uma prática necessária (opinio juris

necessitatis).

42
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

e. Revisão 3

QUESTÃO 15 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – TRF 5º REGIÃO - 2017

Até hoje, o sistema legislativo internacional é de forma horizontal, não havendo

nenhum órgão legislativo da sociedade internacional. [...] Não há autoridade legislativa

que adote uma legislação universalmente vinculativa e não há corte internacional com

jurisdição compulsória. [...] Já que não existe uma constituição da sociedade

internacional que possa esclarecer as fontes do direito internacional, as cortes

internacionais têm tentado determinar as suas regras de aplicação. Essa questão é

geralmente tratada como fontes do direito internacional.

Hee Moon Jo. Introdução ao direito internacional. 2.ª ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 77-8

(com adaptações).

A respeito do assunto abordado nesse fragmento de texto, assinale a opção correta,

considerando que CIJ se refere à Corte Internacional de Justiça.

a) Jus cogens são normas imperativas de direito internacional geral, aceitas e

reconhecidas pela comunidade internacional dos Estados como um todo, que não

podem ser derrogadas ou modificadas, salvo por norma ulterior de direito

internacional geral da mesma natureza, e que podem ter fundamento tanto

convencional quanto consuetudinário.

b) Dada sua soberania, os Estados podem, no que se refere aos atos unilaterais

autonormativos, voltar atrás quanto a declarações ou manifestações formuladas

expressamente, não havendo de se falar em vinculação ao conteúdo daquilo que

formalmente expressaram.

c) O Estatuto da CIJ enumera um rol de fontes que a Corte pode utilizar para cumprir

sua função de decidir as controvérsias que lhe forem submetidas, mas não, do ponto

de vista doutrinário, um rol de fontes para o direito internacional.

43
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

d) A opinio juris do costume internacional representa uma atividade estatal que é

normativamente obrigatória, de forma que, conforme já decidido pela CIJ, se pode

inferir que há uma norma proibitiva de determinado agir quando os Estados não

agirem de determinada forma.

e) Conforme já decidido pela CIJ, a norma consuetudinária será absorvida ou revogada

pela norma de tratado internacional se ambas regularem o mesmo

QUESTÃO 16 – FUMARC – ADVOGADO – BDMG - 2011

Leia as assertivas abaixo e coloque à frente de cada um dos parênteses (F) se FALSA e

(V) se for VERDADEIRA:

( ) Dois ordenamentos jurídicos distintos e totalmente independentes entre si –

Dualismo.

( ) Uma ordem jurídica internacional e uma ordem jurídica interna – Monismo.

( ) Impossibilidade de conflito entre Direito Internacional e o Interno – Monismo.

( ) O Direito Internacional é que dirige a convivência entre os Estados, ao passo que o

Direito interno disciplina as relações entre os indivíduos e entre estes e o ente estatal –

Dualismo.

Marque a alternativa CORRETA, na ordem de cima para baixo:

a) V-F-V-V

b) V-F-F-V

c) F-V-F-F

d) F-V-V-F

QUESTÃO 17 – CESPE – JUIZ FEDERAL – TRF 2º REGIÃO - 2011

44
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

O Estado regulamenta a convivência social em seu território por meio de legislação

nacional, e a comunidade internacional também cria regras, que podem conflitar com

as nacionais. A respeito das correntes doutrinárias que procuram proporcionar

solução para o conflito entre as normas internas e as internacionais, assinale a opção

correta.

a) A corrente monista e a dualista apresentam as mesmas respostas para o conflito

entre as normas internas e as internacionais

b) Nenhum país adota a corrente doutrinária monista.

c) Consoante a corrente monista, o ato de ratificação de tratado gera efeitos no âmbito

nacional.

d) De acordo com a corrente dualista, o direito interno e o direito internacional

convivem em uma única ordem jurídica.

e) De acordo com a corrente monista, a norma interna sempre prevalece sobre a

internacional.

QUESTÃO 18 – FUNDEP – PROFESSOR DE DIREITO – IF/SP - 2014

Quando há conflitos entre normas internas de um determinado Estado e normas

internacionais, duas teorias tentam solucionar essa questão, a monista e a dualista.

Sobre essas teorias, assinale a alternativa CORRETA

a) De acordo com a corrente dualista, o direito interno e o direito internacional

convivem em uma única ordem jurídica.

b) A corrente monista e a dualista apresentam as mesmas respostas para o conflito

entre as normas internas e as internacionais

c) Segundo a corrente monista, quando há conflito entre as normas internas e as

normas internacionais, essas últimas prevalecem.

45
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

d) Os autores monistas dividiram-se em duas correntes, uma sustentando a unicidade

da ordem jurídica sob o primado do direito internacional e a outra apregoando a

soberania do direito nacional de cada Estado soberano.

QUESTÃO 19 – CESPE – ANALISTA ADMINISTRATIVO – ANAC - 2012

No que concerne ao direito internacional público, julgue os itens a seguir.

De acordo com a corrente voluntarista, a obrigatoriedade das normas de direito

internacional público deve-se a razões objetivas, não vinculadas à vontade dos

Estados.

QUESTÃO 20 – CESPE – ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014

Acerca da teoria das fontes no direito internacional público, julgue o item a seguir.

Na teoria das fontes, a doutrina tem mais peso em direito internacional que em direito

interno, tendo em vista o maior conteúdo político das normas de direito das gentes.

Nesse sentido, a doutrina atua como elaboradora do significado e do alcance de regras

imprecisas, comuns no direito internacional.

QUESTÃO 21 – CESPE – ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014

Acerca da teoria das fontes no direito internacional público, julgue o item a seguir.

O princípio da equidade, referido no Estatuto da Corte Internacional de Justiça,

constitui fonte incondicionada de direito internacional público.

46
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

f. Normas comentadas

Constituição Federal de 1988

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos

seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político.

Estatuto da Corte Internacional de Justiá.

Artigo 38

1. A Corte, cuja função seja decidir de acordo com o direito internacional as

controvérsias que sejam submetidas, deverá aplicar;

a) as convenções internacionais, quer gerais, quer particulares, que estabeleçam

regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;

b) o costume internacional, como prova de uma prática geralmente aceita como

direito;

c) os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;

47
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

d) sob a ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina

dos juristas mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para

determinação das regras de direito.

2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte para decidir uma

questão ex aequo et bono, se as partes com isso concordarem.

Convenção de Viena sobre os tratados (1969)

Artigo 53- Tratado em Conflito com uma Norma Imperativa de Direito

Internacional Geral (jus cogens)

É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma

imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma

norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida

pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual

nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de

Direito Internacional geral da mesma natureza.

48
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

g. Gabarito

1 2 3 4 5

E B B Errado Certo

6 7 8 9 10

Certo Certo C Certo Certo

11 12 13 14 15

Certo Certo Certo Errado A

16 17 18 19 20

B C D Errado Certo

21 ***** ***** ***** *****

Errado

49
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

h. Breves comentários às questões

QUESTÃO 01 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – TRF 5º REGIÃO - 2017

Um problema perene que envolve discussões teóricas e práticas é a coexistência de

normas internacionais com normas nacionais. A esse respeito, assinale a opção

correta.

a) As correntes teóricas que estabelecem critérios para justificar a solução de conflitos

normativos entre as normas internacionais e as normas internas prescindem dos

ordenamentos jurídicos nacionais.

b) O fato de um Estado não poder invocar uma norma jurídica doméstica para se

escusar de uma obrigação internacional significa que o direito internacional ignora o

direito interno.

c) Na hipótese de conflito entre uma norma constitucional e uma norma internacional

prevalecerá a primeira, pois apregoa-se a obrigatoriedade do direito internacional às

regras do direito interno, em decorrência de uma percepção teórica de um monismo

do tipo internacionalista.

d) As correntes teóricas dualistas, ainda que moderadas, apregoam uma visão que

engloba de forma indistinta tratados internacionais, costumes e princípios gerais de

direito.

e) Considera-se o monismo do tipo internacionalista dialógico uma corrente adequada

para tratar de conflitos normativos que envolvam direitos humanos, visto que poderia

haver a aplicação da norma de direito interno em detrimento da de direito

internacional ou vice-versa.

Comentário:

Na teoria monista internacionalista dialógica, a norma prevalecente sempre será a de

direitos humanos.

50
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Letra A. As correntes teóricas que estabelecem critérios para justificar a solução de

conflitos normativos entre as normas internacionais e as normas internas prescindem dos

ordenamentos jurídicos nacionais.

A afirmação está incorreta porque as correntes teóricas que tratam respeito aos conflitos

normativos entre normas internas e normas internacionais analisam, cada qual no seu

campo de visão, tanto os ordenamentos jurídicos internacionais (tratados internacionais)

quanto os ordenamentos jurídicos nacionais. Aliás, a questão é exatamente de se contrapor

ordenamentos jurídicos (nacionais e internacional) e analisar qual prevalecerá, segundo

cada doutrina

Letra B. O fato de um Estado não poder invocar uma norma jurídica doméstica para se

escusar de uma obrigação internacional significa que o direito internacional ignora o

direito interno.

O direito internacional não ignora o direito interno. Antes, ele dialoga, interage.

Letra C. Na hipótese de conflito entre uma norma constitucional e uma norma

internacional prevalecerá a primeira, pois apregoa-se a obrigatoriedade do direito

internacional às regras do direito interno, em decorrência de uma percepção teórica de um

monismo do tipo internacionalista.

A doutrina monista pressupõe a existência de uma única ordem jurídica. Assim, em caso de

conflito entre norma internacional e norma interna, para a doutrina monista

internacionalista, prevalece a norma internacional; para a doutrina monista nacionalista,

prevalece a norma interna, constitucional, portanto.

Assim, a assertiva deveria fazer referência ao monismo nacionalista e não o

internacionalista.

Letra D. As correntes teóricas dualistas, ainda que moderadas, apregoam uma visão que

engloba de forma indistinta tratados internacionais, costumes e princípios gerais de direito.

A corrente dualista pressupõe a existência de duas ordens jurídicas distintas. No dualismo

moderado, não é necessário que o conteúdo das normas internacionais seja inserido em

51
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

um projeto de lei interna, bastando a incorporação dos tratados ao OJ interno por meio de

procedimento específico, distinto do processo legislativo comum, que normalmente inclui

apenas a aprovação do parlamento e, posteriormente, a ratificação do Chefe de Estado.

Gabarito: Letra E.

QUESTÃO 02 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF 5º REGIÃO - 2015

Assinale a opção correta relativamente à fundamentação, às fontes e às características

do direito internacional público

a) Admite-se a escusa de obrigatoriedade de um costume internacional se o Estado

provar de forma efetiva que se opôs ao seu conteúdo desde a sua formação.

b) Não há previsão expressa de princípios gerais do direito internacional no Estatuto

da CIJ.

c) O Estatuto da CIJ estabelece que as decisões proferidas pelas organizações

internacionais sejam consideradas fontes do direito internacional público.

d) A corrente voluntarista considera que a obrigatoriedade do direito internacional

deve basear-se no consentimento dos cidadãos.

e) O consentimento perceptivo da corrente objetivista significa que a normatividade

jurídica do direito internacional nasce da pura vontade dos Estados.

Comentário:

As fontes do Direito Internacional Público se encontram no artigo 38 do Estatuto da Corte

Internacional de Justiça (CIJ):

Artigo 38

1. A Corte, cuja função seja decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias

que sejam submetidas, deverá aplicar;

52
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a) as convenções internacionais, quer gerais, quer particulares, que estabeleçam regras

expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;

b) o costume internacional, como prova de uma prática geralmente aceita como direito;

c) os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;

d) sob a ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas

mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para determinação das regras

de direito.

2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte para decidir uma questão ex

aequo et bono, se as partes com isso concordarem.

Não é correto o uso do termo princípios gerais do direito internacional, porquanto, o

Estatuto dispõe sobre princípios gerais do direito.

Letra A. Admite-se a escusa de obrigatoriedade de um costume internacional se o Estado

provar de forma efetiva que se opôs ao seu conteúdo desde a sua formação.

A afirmação está incorreta. Deveria se referir a PROVA PERSISTENTE e não efetiva, segundo o

princípio do objetor persistente. O princípio do objetor persistente refere-se à não

vinculação de um Estado para com determinado costume internacional. Ou seja, quando o

Estado põe objeção à criação da regra consuetudinária sem conseguir valer seu ponto de

vista, ele é um objetor persistente e não se obriga juridicamente ao costume.

Letra C. O Estatuto da CIJ estabelece que as decisões proferidas pelas organizações

internacionais sejam consideradas fontes do direito internacional público.

Afirmação incorreta. O Estatuto não elenca as decisões de organizações internacionais

como fonte do direito internacional. As decisões de organizações internacionais são

consideradas novas fontes.

Letra D. A corrente voluntarista considera que a obrigatoriedade do direito internacional

deve basear-se no consentimento dos cidadãos.

53
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Afirmação incorreta, pois, para essa corrente, a vontade dos atores internacionais é o

fundamento único da existência do Direito Internacional Público

Letra E. O consentimento perceptivo da corrente objetivista significa que a normatividade

jurídica do direito internacional nasce da pura vontade dos Estados.

Afirmação incorreta. Segundo essa corrente, a normatividade jurídica do direito

internacional é fruto da dinâmica da sociedade internacional, sendo irrelevante a vontade

dos sujeitos de DIP.

Gabarito: Letra B.

QUESTÃO 03 – CESPE – PROCURADOR – BACEN - 2013

Essas normas não têm o mesmo grau de atribuição de capacidades nem são tão

importantes quanto as normas restritivas, mas os Estados comprometem-se a

cooperar e a respeitar os acordos realizados, sem submeter-se, no entanto, a

obrigações jurídicas.

O fragmento de texto citado acima refere-se a:

a) costumes.

b) soft norms.

c) princípios gerais de direito.

d) umbrella conventions.

e) tratados.

Comentário:

O termo "soft law" refere-se a instrumentos "quase-legais" que não têm caráter

juridicamente vinculativo, ou cuja força de ligação é um pouco "mais fraca" do que a força

obrigatória das leis tradicionais, muitas vezes referidas como "hard law", em contraste com

a "soft law". Tradicionalmente, o termo "soft law" é associado ao direito internacional,

54
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

embora mais recentemente tenha sido transferido para outros ramos do direito interno

também.

Gabarito: Letra B.

QUESTÃO 04 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO

A respeito das fontes do direito internacional público, julgue (C ou E) o item a seguir.

O Estatuto da Corte Internacional de Justiça reconhece os princípios gerais de direito

como fontes auxiliares do direito internacional

Comentário:

Os princípios gerais de direito são fontes (primárias) do direito internacional dispostos no

artigo 38 do Estatuto da CIJ, juntamente com os tratados e os costumes internacionais. Não

são meios auxiliares, portanto. Meios auxiliares são as decisões judiciárias e a doutrina dos

juristas mais qualificados das diferentes nações (por excelência), atos unilaterais, decisões

das organizações internacionais, analogia e equidade. Todos estes últimos considerados

fontes secundárias.

Gabarito: Errado.

QUESTÃO 05 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2015

A par de constantes mudanças verificadas na sociedade internacional, com o

surgimento de novos atores e de renovadas demandas, também o direito das gentes

se atualiza em terminologias e em conceitos, de modo a abranger novas fronteiras,

como o comércio, o meio ambiente e os direitos humanos. No que concerne a esse

fenômeno, julgue (C ou E) o item a seguir.

A denominada soft law, de utilização polêmica pela índole programática que comporta,

embora desprovida de conteúdo imperativo, é utilizada de forma flagrante em direito

internacional do meio ambiente.

55
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Comentário:

A soft law, que significa "direito mole, maleável", possui caráter mais flexivo; num quadro

onde se fortalecem noções como autonomia da vontade e arbitragem, todas tendo em

comum maior flexibilidade e capacidade de oferecer soluções mais rápidas para os

problemas das relações sociais. Se contrapõem às jus cogens, que possuem caráter

imperativo no Dir. Internacional. Alguns dos principais documentos internacionais voltados

ao tema do meio ambiente (Ex: Declaração de Estocolmo de 1972, Declaração do Rio de

1992 e Agenda 21), apesar de não serem tecnicamente tratados, trazem preceitos que

servem de importantes referências para o tratamento da questão ambiental no âmbito

internacional, que funcionam, na prática, como soft law.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 06 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2015

A jurisprudência tem constituído importante acervo de decisões que balizam o

desenvolvimento progressivo do direito internacional, não apenas como previsão

ideal, mas como efetivo aporte à prática da disciplina. Acerca da aplicação do art. 38 do

Estatuto da Corte Internacional de Justiça, de antecedentes judiciários, de tratados e de

costumes, julgue (C ou E) o seguinte item.

A noção de jus cogens, como a de normas imperativas a priori, embora não

unanimemente reconhecida em doutrina, é invocada com referência tanto em

jurisprudência quanto em direito internacional positivo.

Comentário:

As normas de jus cogens não constam no rol do artigo 38, contudo, a Convenção de

Viena sobre os tratados (artigo 53) fala em normas superiores à vontade dos Estados,

que não podem ser modificadas sequer pelos tratados internacionais.

Artigo 53- Tratado em Conflito com uma Norma Imperativa de Direito

56
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Internacional Geral (jus cogens)

É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma

imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção,

uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e

reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo,

como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser

modificada por norma ulterior de Direito Internacional geral da mesma

natureza.

A emergência do “jus cogens” nada mais representaria do que o abandono das teorias

voluntaristas exacerbadas dos séculos passados. Elas são rígidas (diferente das soft Law).

Para boa parte da doutrina as normas de jus cogens provêm ou podem vir a provir

tanto do costume internacional quanto do direito convencional e ainda dos princípios

gerais de direito.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 07 – CESPE – DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL – DPU - 2015

Ainda no que concerne ao direito internacional, julgue o item subsequente.

Opinio juris é um dos elementos constitutivos da norma costumeira internacional.

Comentário:

A formação de uma norma costumeira internacional requer dois elementos: um de caráter

material e objetivo; e outro de caráter psicológico e subjetivo:

caráter material/objetivo: é a prática generalizada, reiterada, uniforme e constante de

um ato na esfera das relações internacionais ou no âmbito interno, com reflexos externos. É

a inveterata consuetudo, que constitui o conteúdo da norma costumeira;

57
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

caráter psicológico/subjetivo/espiritual: é a convicção de que tal pratica é

juridicamente obrigatória. Trata-se da opinio juris, também denominada de opinio juris sive

necessitatis, que significa a convicção do direito ou da necessidade.

A ausência do segundo elemento, isto é, da opinio juris é a diferença entre um uso e um

costume.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 08 – PGR – PROCURADOR DA REPÚBLICA - 2013

AS NORMAS DE DIREITO INTERNACIONAL PEREMPTÓRIO (JUS COGENS)

a) podem ser derrogadas por tratado;

b) só podem ser derrogadas por costume internacional;

c) pressupõem uma ordem pública internacional não disponível para os Estados

individualmente;

d) não guardam qualquer relação com o conceito de obrigações erga omnes.

Comentário:

A norma de jus cogens é um preceito ao qual a sociedade internacional atribui importância

maior e que, por isso, adquire primazia dentro da ordem jurídica internacional, conferindo

maior primazia a certos valores entendidos como essenciais para a convivência coletiva. As

normas de jus cogens são também conhecidas como 'normas imperativas de Direito

Internacional' ou ' normas peremptórias de Direito Internacional.

Gabarito: Letra C.

QUESTÃO 09 – CESPE – DELEGADO – DPF - 2013

No que se refere ao Estatuto da Igualdade, às fontes do direito internacional e à

extradição, julgue o item subsequente.

58
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

É fonte de direito internacional reconhecida a doutrina dos juristas mais qualificados

das diferentes nações.

Comentário:

Nos termos do artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, a doutrina é

meio auxiliar, também tido como fonte.

Artigo 38

1. A Corte, cuja função seja decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias

que sejam submetidas, deverá aplicar;

a) as convenções internacionais, quer gerais, quer particulares, que estabeleçam regras

expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;

b) o costume internacional, como prova de uma prática geralmente aceita como direito;

c) os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;

d) sob a ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas

mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para determinação das

regras de direito.

2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte para decidir uma questão ex

aequo et bono, se as partes com isso concordarem.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 10 – CESPE – PROCURADOR FEDERAL – AGU - 2010

O princípio do objetor persistente refere-se à não vinculação de um Estado para com

determinado costume internacional.

Comentário:

A regra é que os costumes internacionais obrigam todos os Estados, mesmo aqueles que

não tenham participado do seu processo e formação. No entanto, existe a figura do Objetor

59
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

ou Negador Persistente. Este consiste no Estado ou Sujeito de DIP que demonstra que

sempre rejeitou consistentemente a prática que deu origem a um costume desde os

primeiros dias de sua existência. Assim, tal Sujeito de DIP assume a prerrogatva de negação

da obrigatoriedade desse costume internacional.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 11 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2010

O costume, fonte do direito internacional público, extingue-se pelo desuso, pela

adoção de um novo costume ou por sua substituição por tratado internacional.

Comentário:

O costume extingue-se pelo desuso, pela sua substituição por um novo costume ou por um

tratado internacional.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 12 – CESPE – DIPLOMATA –INSTITUTO RIO BRANCO - 2009

O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ) relaciona o que se

costuma designar por fontes do direito internacional público, a serem aplicadas para a

resolução das controvérsias submetidas àquela Corte. Acerca desse tema e da

jurisdição da CIJ, julgue (C ou E) os seguintes itens.

Pacta sunt servandae e res iudicata são princípios gerais de direito aceitos pela CIJ e

discutidos em casos a ela submetidos.

Comentário:

Artigo 38

A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que

lhe forem submetidas, aplicará:

60
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

a) as convenções internacionais, quer gerais, quer especiais, que estabeleçam regras

expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;

b) o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito;

c) os princípios gerais de direito, reconhecidos pelas nações civilizadas;

d) sob ressalva da disposição do Artigo 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas

mais qualificados das diferentes nações, como meio auxiliar para a determinação das

regras de direito.

O pacta sunt servanda e o res judicata são princípios gerais de direito reconhecidos pelas

nações civilizadas.

Pacta sunt servanda: todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas

de boa-fé" ou mesmo Os acordos devem ser respeitados e cumpridos.

Res judicata: é o respeito à coisa julgada. A coisa julgada refere-se à sentença judicial

proferida em determinado processo, que se torna imutável e indiscutível, originando-se do

fato de não ter sido atacada em momento próprio ou de não mais se prever qualquer

recurso para impugná-la, em vista do esgotamento das espécies recursais possíveis. Além

disso, a res judicata tem por objetivo a segurança jurídica.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 13 – CESPE – DIPLOMATA – INSTITUTO RIO BRANCO - 2009

O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (CIJ) relaciona o que se

costuma designar por fontes do direito internacional público, a serem aplicadas para a

resolução das controvérsias submetidas àquela Corte. Acerca desse tema e da

jurisdição da CIJ, julgue (C ou E) os seguintes itens.

Uma vez que a existência de um costume internacional é reconhecida mediante a

comprovação de uma "prática geral aceita como sendo o direito", um Estado pode

lograr obstar a aplicação de um costume por meio de atos que manifestem sua

61
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

"objeção persistente" à formação da regra costumeira, a menos que esta tenha caráter

imperativo (ius cogens).

Comentário:

Se um Estado comprovar que se opôs de forma persistente ao costume internacional desde

a adoção do costume, ele não está obrigado a cumprir o referido costume. Em outras

palavras, um Estado pode se subtrair à aplicação de um costume internacional em vigor,

caso consiga provar que, persistentemente e de forma inequívoca, se opôs ao seu conteúdo

desde a sua formação, não havendo, por conseguinte, vinculação por parte do Estado a

esta fonte do direito.

A principal característica do jus cogens é a imperatividade de seus preceitos, ou seja, a

impossibilidade de que suas normas sejam confrontadas ou derrogadas por qualquer outra

norma internacional, inclusive aquelas que tenham emergido de acordo de vontades entre

sujeitos de direito das gentes. O jus cogens configura, portanto, restrição direta da

soberania em nome da defesa de certos valores vitais.

Dentre as normas de jus cogens encontram-se aquelas voltadas a tratar de temas como

Direitos Humanos, proteção do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável,

paz e segurança internacionais, Direito de Guerra e Direito Humanitário, proscrição de

armas de destruição de massa e direitos e deveres fundamentais dos Estados.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 14 – CESPE – ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2009

Ao longo da história, empregaram-se diversas denominações para designar o Direito

Internacional. Os romanos utilizavam a expressão ius gentium (direito das gentes ou

direito dos povos). Entretanto, pode-se afirmar que foi na Europa Ocidental do século

XVI que o Direito Internacional surgiu nas suas bases modernas. A Paz de Vestfália

(1648) é considerada o marco do início do Direito Internacional, ao viabilizar a

independência de diversos estados europeus. O Direito Internacional Público surgiu

62
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

com o Estado Moderno. Quando da formação da Corte Internacional de Justiça, após a

II Guerra Mundial, indagou-se quais seriam as normas que poderiam instrumentalizar

o exercício da jurisdição internacional (fontes do Direito Internacional Público). Assim,

o Estatuto da Corte Internacional de Haia, no art. 38, arrolou as fontes das normas

internacionais.

Com relação ao Direito Internacional, julgue os itens a seguir.

O elemento objetivo que caracteriza o costume internacional é a prática reiterada, não

havendo necessidade de que o respeito a ela seja uma prática necessária (opinio juris

necessitatis).

Comentário:

A formação de uma norma costumeira internacional requer dois elementos: um de caráter

material e objetivo; e outro de caráter psicológico e subjetivo:

caráter material/objetivo: é a prática generalizada, reiterada, uniforme e constante de

um ato na esfera das relações internacionais ou no âmbito interno, com reflexos externos. É

a inveterata consuetudo, que constitui o conteúdo da norma costumeira;

caráter psicológico/subjetivo/espiritual: é a convicção de que tal pratica é

juridicamente obrigatória. Trata-se da opinio juris, também denominada de opinio juris sive

necessitatis, que significa a convicção do direito ou da necessidade.

A ausência do segundo elemento, isto é, da opinio juris é a diferença entre um uso e um

costume.

Gabarito: Errado.

QUESTÃO 15 – CESPE – JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – TRF 5º REGIÃO - 2017

Até hoje, o sistema legislativo internacional é de forma horizontal, não havendo

nenhum órgão legislativo da sociedade internacional. [...] Não há autoridade legislativa

que adote uma legislação universalmente vinculativa e não há corte internacional com

jurisdição compulsória. [...] Já que não existe uma constituição da sociedade

63
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

internacional que possa esclarecer as fontes do direito internacional, as cortes

internacionais têm tentado determinar as suas regras de aplicação. Essa questão é

geralmente tratada como fontes do direito internacional.

Hee Moon Jo. Introdução ao direito internacional. 2.ª ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 77-8

(com adaptações).

A respeito do assunto abordado nesse fragmento de texto, assinale a opção correta,

considerando que CIJ se refere à Corte Internacional de Justiça.

a) Jus cogens são normas imperativas de direito internacional geral, aceitas e

reconhecidas pela comunidade internacional dos Estados como um todo, que não

podem ser derrogadas ou modificadas, salvo por norma ulterior de direito

internacional geral da mesma natureza, e que podem ter fundamento tanto

convencional quanto consuetudinário.

b) Dada sua soberania, os Estados podem, no que se refere aos atos unilaterais

autonormativos, voltar atrás quanto a declarações ou manifestações formuladas

expressamente, não havendo de se falar em vinculação ao conteúdo daquilo que

formalmente expressaram.

c) O Estatuto da CIJ enumera um rol de fontes que a Corte pode utilizar para cumprir

sua função de decidir as controvérsias que lhe forem submetidas, mas não, do ponto

de vista doutrinário, um rol de fontes para o direito internacional.

d) A opinio juris do costume internacional representa uma atividade estatal que é

normativamente obrigatória, de forma que, conforme já decidido pela CIJ, se pode

inferir que há uma norma proibitiva de determinado agir quando os Estados não

agirem de determinada forma.

e) Conforme já decidido pela CIJ, a norma consuetudinária será absorvida ou revogada

pela norma de tratado internacional se ambas regularem o mesmo conteúdo.

Comentário:

64
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

A noção de jus cogem é definida pelo artigo 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos

Tratados, que estabelece que "É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão,

conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente

Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e

reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo como norma da

qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de

Direito Internacional geral da mesma natureza".

A norma de jus cogens é um preceito ao qual a sociedade internacional atribui importância

maior e que, por isso, adquire primazia dentro da ordem jurídica internacional, conferindo

maior proteção a certos valores entendidos como essenciais para a convivência coletiva.

As normas de jus cogens são também conhecidas como "normas imperativas de Direito

Internacional" ou "normas peremptórias de Direito Internacional".

A principal característica do jus cogens é a imperatividade de seus preceitos, ou seja, a

impossibilidade de que suas normas sejam confrontadas ou derrogadas por qualquer outra

norma internacional, inclusive aquelas que tenham emergido de acordos de vontades entre

sujeitos de Direito das Gentes. O jus cogens configura, portanto, restrição direta da

soberania em nome da defesa de certos valores vitais.

Gabarito: Letra A.

QUESTÃO 16 – FUMARC – ADVOGADO – BDMG - 2011

Leia as assertivas abaixo e coloque à frente de cada um dos parênteses (F) se FALSA e

(V) se for VERDADEIRA:

( ) Dois ordenamentos jurídicos distintos e totalmente independentes entre si –

Dualismo.

( ) Uma ordem jurídica internacional e uma ordem jurídica interna – Monismo.

( ) Impossibilidade de conflito entre Direito Internacional e o Interno – Monismo.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

( ) O Direito Internacional é que dirige a convivência entre os Estados, ao passo que o

Direito interno disciplina as relações entre os indivíduos e entre estes e o ente estatal –

Dualismo.

Marque a alternativa CORRETA, na ordem de cima para baixo:

a) V-F-V-V

b) V-F-F-V

c) F-V-F-F

d) F-V-V-F

Comentário:

MONISMO - Pressupõe que o Direito Internacional/Direito Interno são elementos de uma

única ordem jurídica e, sendo assim, haveria uma norma hierarquicamente superior

regendo este único ordenamento.

O Monismo se subdivide em duas vertentes:

a) O Monismo baseado no Hegelianismo que considera o Estado como soberania absoluta,

de tal forma que não pode estar sujeito a nenhum sistema jurídico que não tenha emanado

de sua própria vontade.

b) O Monismo baseado em Hans Kelsen que admitiria a preponderância do Direito

Internacional na organização das relações entre os Estados.

DUALISMO - Admitiria a existência de duas ordens distintas: a interna e a externa, onde

cada uma não se comunica com a outra.

Gabarito: Letra B.

QUESTÃO 17 – CESPE – JUIZ FEDERAL – TRF 2º REGIÃO - 2011

O Estado regulamenta a convivência social em seu território por meio de legislação

nacional, e a comunidade internacional também cria regras, que podem conflitar com

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

as nacionais. A respeito das correntes doutrinárias que procuram proporcionar

solução para o conflito entre as normas internas e as internacionais, assinale a opção

correta.

a) A corrente monista e a dualista apresentam as mesmas respostas para o conflito

entre as normas internas e as internacionais

b) Nenhum país adota a corrente doutrinária monista.

c) Consoante a corrente monista, o ato de ratificação de tratado gera efeitos no âmbito

nacional.

d) De acordo com a corrente dualista, o direito interno e o direito internacional

convivem em uma única ordem jurídica.

e) De acordo com a corrente monista, a norma interna sempre prevalece sobre a

internacional.

Comentário:

A teoria monista prega a existência de uma ordem jurídica una, na qual convivem as

normas internas e internacionais. Nesse sentido, o ato de ratificação do tratado, para o

monismo, viabiliza a sua entrada em vigor na ordem internacional, como também sua

entrada em vigor na ordem interna (pois o ordenamento uno, não havendo a exigência de

um procedimento adicional para além da ratificação).

Gabarito: Letra C.

QUESTÃO 18 – FUNDEP – PROFESSOR DE DIREITO – IF/SP - 2014

Quando há conflitos entre normas internas de um determinado Estado e normas

internacionais, duas teorias tentam solucionar essa questão, a monista e a dualista.

Sobre essas teorias, assinale a alternativa CORRETA

a) De acordo com a corrente dualista, o direito interno e o direito internacional

convivem em uma única ordem jurídica.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

b) A corrente monista e a dualista apresentam as mesmas respostas para o conflito

entre as normas internas e as internacionais

c) Segundo a corrente monista, quando há conflito entre as normas internas e as

normas internacionais, essas últimas prevalecem.

d) Os autores monistas dividiram-se em duas correntes, uma sustentando a unicidade

da ordem jurídica sob o primado do direito internacional e a outra apregoando a

soberania do direito nacional de cada Estado soberano.

Comentário:

O monismo é uma teoria que se subdivide em dois entendimentos: o monismo

internacionalista que apregoa que no caso de conflito entre norma interna e norma

internacional, prevalece esta última; e o monismo nacionalista, que apregoa a prevalência

da norma interna. Contemporaneamente, fala-se, também, em monismo internacionalista

dialógica, que pressupõe a necessidade de um diálogo entre as fontes de proteção

internacional e interna para a definição de qual melhor protegeria os direitos humanos, em

prestígio ao princípio internacional pro homine, nesse sentido, prevaleceira a que conferisse

maior proteção ao ser humano.

Gabarito: Letra D.

QUESTÃO 19 – CESPE – ANALISTA ADMINISTRATIVO – ANAC - 2012

No que concerne ao direito internacional público, julgue os itens a seguir.

De acordo com a corrente voluntarista, a obrigatoriedade das normas de direito

internacional público deve-se a razões objetivas, não vinculadas à vontade dos

Estados.

Comentário:

A teoria voluntarista apregoa o fundamento de existência do direito internacional público

na vontade dos Estados.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Gabarito: Errado.

QUESTÃO 20 – CESPE – ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014

Acerca da teoria das fontes no direito internacional público, julgue o item a seguir.

Na teoria das fontes, a doutrina tem mais peso em direito internacional que em direito

interno, tendo em vista o maior conteúdo político das normas de direito das gentes.

Nesse sentido, a doutrina atua como elaboradora do significado e do alcance de regras

imprecisas, comuns no direito internacional.

Comentário:

Em razão das características das relações externas, as normas internacionais são, em geral,

mais vagas e imprecisas, acentuando o aspecto político que marca o seu nascimento. Por

esse motivo avulta a tarefa da doutrina na fixação do significado das regras internacionais.

A doutrina prima ademais por auxiliar no processo de individualização das normas

jurídica.

Gabarito: Certo.

QUESTÃO 21 – CESPE – ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS DEPUTADOS - 2014

Acerca da teoria das fontes no direito internacional público, julgue o item a seguir.

O princípio da equidade, referido no Estatuto da Corte Internacional de Justiça,

constitui fonte incondicionada de direito internacional público.

Comentário:

A equidade no Direito Internacional público é caracterizada pelo princípio ex aequo et

bono, mencionado expressamente pelo artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de

Justiça.

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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Equidade é um senso de justiça em que há um respeito à igualdade de direito de cada um.

Contudo, não se confunde necessariamente com justiça. Compõe o conceito de uma justiça

fundada na igualdade, mas não é a própria igualdade.

A equidade deve atender às razões de ordem social e as exigências do bem comum, que se

instituem como princípios de ordem superior na aplicação das leis.

Além do mais, a equidade não constitui fonte incondicionada, pois sua utilização

dependerá da anuência das partes envolvidas no respectivo litígio internacional.

Gabarito: Errado.

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