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Lidiane Coutinho – Direito Administrativo– Artigo nº3

Amigo (a) Concurseiro (a),


Atendendo a pedidos, segue abaixo um novo “Memorex”: o da Lei de Improbidade Administrativa!
Espero que ele possa ajudá-los.
Até a próxima!
E não esqueça: TENHA SEMPRE FÉ EM DEUS E BOA SORTE NA SUA JORNADA!
Lidiane Coutinho.
lidiane@euvoupassar.com.br

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA-LEI Nº. 8429/92


São atos de improbidade os atos praticados por qualquer agente
público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou
fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
CONCEITO Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa
incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação
ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de
cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos
na forma desta lei.
-Agente público, servidor ou não.
1º) Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por
SUJEITO(S) ATIVO(S) eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma
(art. 1º) de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades mencionadas no artigo anterior.
2º) Mesmo não sendo agente público, aquele que induza ou concorra
para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob
qualquer forma direta ou indireta.
- A administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios,
de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de
SUJEITO(S) PASSIVO(S) entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou
concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da
receita anual.
- Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a
velar pela estrita observância dos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que
lhe são afetos.
- Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão,
dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o integral
ressarcimento do dano.
CARACTERÍSTICAS - No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou
terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio.
- Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público
ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa
responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a

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indisponibilidade dos bens do indiciado (que recairá sobre bens que
assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo
patrimonial resultante do enriquecimento ilícito).
- O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se
enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o
limite do valor da herança.
- Qualquer pessoa pode representar a autoridade administrativa
competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a
prática de ato de improbidade.
- As sanções independem de efetiva ocorrência de dano ao
patrimônio público e da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão
de controle interno ou Tribunal de Contas.
- perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se
efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória.
A autoridade judicial ou administrativa competente poderá
determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo,
emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida
se fizer necessária à instrução processual.
- A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle
interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.
I - Atos de Improbidade Administrativa que Importam
ATOS DE IMPROBIDADE Enriquecimento Ilícito;
(ASSIM CONSIDERADOS) II - Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao
Erário;
III - Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os
Princípios da Administração Pública.
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel,
ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de
comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha
DOS ATOS DE interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por
IMPROBIDADE ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;
ADMINISTRATIVA QUE II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a
IMPORTAM aquisição, permuta ou locação de bem móvel ou imóvel, ou a
ENRIQUECIMENTO contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1° por preço
ILÍCITO (ART.9º): auferir superior ao valor de mercado;
qualquer tipo de vantagem III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a
patrimonial indevida em razão do alienação, permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de
exercício de cargo, mandato, serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado;
função, emprego ou atividade nas IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas,
entidades mencionadas nesta Lei. equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à
disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta
lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou
terceiros contratados por essas entidades;
V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou
indireta, para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar, de
lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer

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outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;
VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou
indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em
obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso,
medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens
fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza cujo
valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do
agente público;
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria
ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse
suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão
decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou
aplicação de verba pública de qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou
indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou declaração a
que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas,
verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1° desta lei;
XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.
1° desta lei.
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao
patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas,
verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada
ATOS DE IMPROBIDADE utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo
ADMINISTRATIVA QUE patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a
CAUSAM PREJUÍZO AO observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à
ERÁRIO (art.10): qualquer ação espécie;
ou omissão, dolosa ou culposa, III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente
que enseje perda patrimonial, despersonalizado, ainda que de fins educativos ou assistências, bens,
desvio, apropriação, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades
malbaratamento ou dilapidação mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades
dos bens ou haveres das entidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie;
referidas no art. 1º desta lei. IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem
integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art.
1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço
inferior ao de mercado;
V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou
serviço por preço superior ao de mercado;
VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e
regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea;
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância
das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
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VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo
indevidamente;
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em
lei ou regulamento;
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem
como no que diz respeito à conservação do patrimônio público;
XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas
pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação
irregular;
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça
ilicitamente;
XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos,
máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de
propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas
no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público,
empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto
a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem
observar as formalidades previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente
e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades
previstas na lei.
DOS ATOS DE I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou
IMPROBIDADE diverso daquele previsto, na regra de competência;
ADMINISTRATIVA QUE II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
ATENTAM CONTRA OS
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das
PRINCÍPIOS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA atribuições e que deva permanecer em segredo;
(art. 11): qualquer ação ou omissão IV - negar publicidade aos atos oficiais;
que viole os deveres de V - frustrar a licitude de concurso público;
honestidade, imparcialidade, VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
legalidade, e lealdade às VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro,
instituições. antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou
econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
DAS PENAS (art.12):
Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim como o
proveito patrimonial obtido pelo agente.
LEI Nº. 8.429/92 Sanção Administrativa Sanção Civil Sanção
(art.12) (art. 12) Política
(art. 12)

ART.9º: - Perda da função pública; - Multa civil de até 3 vezes - Suspensão


Atos que dão ensejo ao - Proibição de contratar com o valor do acréscimo dos direitos
enriquecimento ilícito o Poder Público ou receber patrimonial; políticos de
(Auferir qualquer tipo de benefícios ou incentivos - Perda dos bens ou valores 8 a 10
vantagem patrimonial fiscais ou creditícios, direta acrescidos ilicitamente ao anos.
indevida em razão do ou indiretamente, ainda que patrimônio;
exercício de cargo, mandato, por intermédio de pessoa - Ressarcimento integral do
função, emprego ou jurídica da qual seja sócio dano, quando houver.
atividades mencionadas no majoritário, pelo prazo de

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art. 1º). 10 anos.

ART.10: - Perda da função pública; - Multa civil de até 2 vezes - Suspensão


Atos que geram prejuízo - Proibição de contratar com o valor do dano; dos direitos
ao Erário o Poder Público ou receber - Perda dos bens ou valores políticos de
(Qualquer ação ou omissão, benefícios ou incentivos acrescidos ilicitamente ao 5 a 8 anos.
dolosa ou culposa, que fiscais ou creditícios, direta patrimônio, se concorrer esta
enseje perda patrimonial, ou indiretamente, ainda que situação;
desvio, apropriação, por intermédio de pessoa - Ressarcimento integral do
malbaratamento ou jurídica da qual seja sócio dano.
dilapidação dos bens ou majoritário, pelo prazo de 5
haveres das entidades anos.
referidas no art. 1º)
ART. 11: - Perda da função pública; - Multa civil de até 100 - Suspensão
Atos que atentam contra
- Proibição de contratar com vezes o valor da dos direitos
os princípios da Adm.
o Poder Público ou receber remuneração percebida pelo políticos de
Pública benefícios ou incentivos Agente; 3 a 5 anos.
(Qualquer ação ou omissão
fiscais ou creditícios, direta - Perda dos bens ou valores
que viole os deveres de
ou indiretamente, ainda que acrescidos ilicitamente ao
honestidade, imparcialidade,
por intermédio de pessoa patrimônio, se concorrer esta
legalidade e lealdade às
jurídica da qual seja sócio situação;
instituições). majoritário, pelo prazo de 3 - Ressarcimento integral do
anos. dano, se houver.
- Procedimento Administrativo
DOS PROCEDIMENTOS - Procedimento Judicial.
- Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa
competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a
prática de ato de improbidade.
- A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada,
conterá a qualificação do representante, as informações sobre o fato
e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento.
- A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho
fundamentado, se esta não contiver as formalidades estabelecidas na
DO PROCEDIMENTO lei. (a rejeição não impede a representação ao Ministério Público).
ADMINISTRATIVO - A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e
ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento
administrativo para apurar a prática de ato de improbidade.
- Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão
representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para
que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens
do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado
dano ao patrimônio público.
- Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o
bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas
pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados
internacionais.
- A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo
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Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de
trinta dias da efetivação da medida cautelar.
- É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de
improbidade.
-A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações
DO PROCEDIMENTO necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio
JUDICIAL público.
-O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará
obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade.
- A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as
ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de
pedir ou o mesmo objeto
- A ação será instruída com documentos ou justificação que
contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade
ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de
qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive as
disposições inscritas nos arts. 16 a 18 do Código de Processo Civil.
- Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e
ordenará a notificação do requerido, para oferecer manifestação por
escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações,
dentro do prazo de quinze dias.
- a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão
fundamentada, rejeitará a ação, se convencido da inexistência do ato
de improbidade, da improcedência da ação ou da inadequação da via
eleita.
- Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar
contestação.
- Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de
instrumento
- Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação
de improbidade, o juiz extinguirá o processo sem julgamento do
mérito.
A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou
decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinará o
pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor da
pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito.
- As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei
podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo
em comissão ou de função de confiança;
DA PRESCRIÇÃO (art. 23) II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para
faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público,
nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
- As ações civis de ressarcimento ao erário são imprescritíveis (art.
37, §5° CF/88).

JURISPRUDÊNCIA DO STF
Foro processual: JUSTIÇA COMUM.
Não existe foro especial. Só para ações de caráter penal.
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Lei 10.628/02 - foi considerada inconstitucional.

Por tais motivos, em 15.9.2005, no julgamento das ADIN’s 2797/DF e 2860/DF, que teve por relator o
Min. Sepúlveda Pertence, o STF julgou inconstitucional a Lei 10628/02:
O ministro-relator, Sepúlveda Pertence, declarou inconstitucional o § 1º do art. 84 do CPP, por "considerar
que o mesmo, além de ter feito interpretação autêntica da Carta Magna, o que seria reservado à norma de
hierarquia constitucional, teria usurpado a competência do STF como guardião da Constituição Federal ao
inverter a leitura por ele já feita de norma constitucional, o que, se admitindo, implicaria sujeitar a
interpretação constitucional do STF ao referendo do legislador ordinário. Declarou, também, a
inconstitucionalidade do § 2º do art. 84 do CPP. Disse que esse parágrafo veiculou duas regras: a que
estende a competência especial por prerrogativa de função para inquérito e ação penais à ação de
improbidade administrativa e a que manda aplicar, em relação à mesma ação de improbidade, a previsão do
§ 1º do citado artigo. Esta última regra, segundo o relator, estaria atingida por arrastamento pela declaração
de inconstitucionalidade já proferida. E a primeira implicaria declaração de competência originária não
prevista no rol taxativo da Constituição Federal. Ressaltou que a ação de improbidade administrativa é de
natureza civil, conforme se depreende do § 4º do art. 37 da CF e que o STF jamais entendeu ser
competente para o conhecimento de ações civis, por ato de ofício, ajuizadas contra autoridades para cujo
processo penal o seria" (STF – Pleno ADI nº 2.797/DF e ADI nº 2860/DF – Rel. Min. Sepúlveda
Pertence –, Informativo STF nº 362, p.1).

Punição dos Agentes Políticos:


Na Reclamação 2138/DF, que teve por relator o Ministro Nelson Jobim, em decisão de 12.06.2007, o STF
decidiu, por maioria de votos (6 X 5), que os agentes políticos passíveis de responsabilização por crime de
responsabilidade estão excluídos de serem processados por improbidade administrativa, devendo
responder especificamente por seus atos, como sendo atos unicamente políticos. Isso significa que o ilustre
relator entendeu as infrações como político-administrativas, estando enquadradas na classe dos crimes de
responsabilidade, com apuração e punição pela Lei 1079, e pelo Decreto-lei 201/67. Com isso, aos juízos
de 1º grau faltaria competência para processarem tais delitos, em razão da prerrogativa de função.
Rcl 2138 / DF - DISTRITO FEDERAL
RECLAMAÇÃO
Relator(a): Min. NELSON JOBIM
Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES (ART.38,IV,b, DO RISTF)
Julgamento: 13/06/2007 Órgão Julgador: Tribunal Pleno
Parte(s)
RECLTE.: UNIÃO
ADV.: ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
RECLDO.: JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 14ª VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO
DISTRITO FEDERAL
RECLDO.: RELATOR DA AC Nº 1999.34.00.016727-9 DO TRIBUNAL REGIONAL
FEDERAL DA 1ª REGIÃO
INTDO.: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Ementa
EMENTA: RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPONSABILIDADE.
AGENTES POLÍTICOS. I. PRELIMINARES. QUESTÕES DE ORDEM. I.1. Questão de ordem
quanto à manutenção da competência da Corte que justificou, no primeiro momento do
julgamento, o conhecimento da reclamação, diante do fato novo da cessação do exercício da
função pública pelo interessado. Ministro de Estado que posteriormente assumiu cargo de Chefe
de Missão Diplomática Permanente do Brasil perante a Organização das Nações Unidas.
Manutenção da prerrogativa de foro perante o STF, conforme o art. 102, I, "c", da Constituição.
Questão de ordem rejeitada. I.2. Questão de ordem quanto ao sobrestamento do julgamento até
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que seja possível realizá-lo em conjunto com outros processos sobre o mesmo tema, com
participação de todos os Ministros que integram o Tribunal, tendo em vista a possibilidade de que
o pronunciamento da Corte não reflita o entendimento de seus atuais membros, dentre os quais
quatro não têm direito a voto, pois seus antecessores já se pronunciaram. Julgamento que já se
estende por cinco anos. Celeridade processual. Existência de outro processo com matéria idêntica
na seqüência da pauta de julgamentos do dia. Inutilidade do sobrestamento. Questão de ordem
rejeitada. II. MÉRITO. II.1.Improbidade administrativa. Crimes de responsabilidade. Os atos de
improbidade administrativa são tipificados como crime de responsabilidade na Lei n° 1.079/1950,
delito de caráter político-administrativo. II.2.Distinção entre os regimes de responsabilização
político-administrativa. O sistema constitucional brasileiro distingue o regime de
responsabilidade dos agentes políticos dos demais agentes públicos. A Constituição não admite a
concorrência entre dois regimes de responsabilidade político-administrativa para os agentes
políticos: o previsto no art. 37, § 4º (regulado pela Lei n° 8.429/1992) e o regime fixado no art. 102,
I, "c", (disciplinado pela Lei n° 1.079/1950). Se a competência para processar e julgar a ação de
improbidade (CF, art. 37, § 4º) pudesse abranger também atos praticados pelos agentes políticos,
submetidos a regime de responsabilidade especial, ter-se-ia uma interpretação ab-rogante do
disposto no art. 102, I, "c", da Constituição. II.3.Regime especial. Ministros de Estado. Os
Ministros de Estado, por estarem regidos por normas especiais de responsabilidade (CF, art. 102,
I, "c"; Lei n° 1.079/1950), não se submetem ao modelo de competência previsto no regime
comum da Lei de Improbidade Administrativa (Lei n° 8.429/1992). II.4.Crimes de
responsabilidade. Competência do Supremo Tribunal Federal. Compete exclusivamente ao
Supremo Tribunal Federal processar e julgar os delitos político-administrativos, na hipótese do
art. 102, I, "c", da Constituição. Somente o STF pode processar e julgar Ministro de Estado no
caso de crime de responsabilidade e, assim, eventualmente, determinar a perda do cargo ou a
suspensão de direitos políticos. II.5.Ação de improbidade administrativa. Ministro de Estado que
teve decretada a suspensão de seus direitos políticos pelo prazo de 8 anos e a perda da função
pública por sentença do Juízo da 14ª Vara da Justiça Federal - Seção Judiciária do Distrito Federal.
Incompetência dos juízos de primeira instância para processar e julgar ação civil de improbidade
administrativa ajuizada contra agente político que possui prerrogativa de foro perante o Supremo
Tribunal Federal, por crime de responsabilidade, conforme o art. 102, I, "c", da Constituição. III.
RECLAMAÇÃO JULGADA PROCEDENTE.

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