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DICIONARIO TEOLOGICO O DEUS CRISTAO Pitan oer Relea e rs) PCS Ton ETiC cy PAULUS DICIONARIO TEOLOGICO O DEUS CRISTAO dirigide por Xaprer Pixaza, O. pe M., e Nero Sttanes, O.SS.T. PAULUS APRESENTAGAO A publicagdo do Diciondrio teolégico “O Deus cristao” conclui uma etapa do Secretariado Trinitario, em seu intuito de despertar o interesse sobre o mistério “fecho de abdbada” de todos os mistérios cristéos: a SANTISSIMA TRINDADE, e de “concentrar” neste CENTRO da existéncia, humana e crista, as aspiragdes do pensamento e da vida do homem. Este foi, concretamente, o objetivo que orientou a publicag’o dos 25 volumes que retinem as exposicdes de outros tantos Simpdsios de Teologia Trinitaria, promovidos pelo Secretariado Trinitario, os quais constituem hoje verdadeira Enciclopédia de Teologia sobre o mistério do Deus revelado em Jesus, que estado prestando valioso servico a professores e alunos de teologia. Este material, porém, nao é de facil acesso, todas as vezes que tem sido lembrado levando em conta os profissionais da teologia. Por outro lado, possui uma limitacao: fica restrito ao 4mbito especifico da revelagao crista. Hoje, contudo, tanto dentro da 4rea crista, quanto com base na dimensdo religiosa do homem, assim como nas ciéncias filos6ficas, busca-se explicagao convincente do “fato religioso”. Por isso, quisemos, de um lado, tornar exeqiiivel para o grande publico interessado 0 aprofundamento em sua fé crista e religiosa, mediante reflexdo séria sobre o “mistério santo” e sobre o Deus revelado em Jesus de Nazaré: o Pai, o Filho encarnado e o Espirito Santo. Por outro lado, pensamos, outrossim, naqueles que, sem comungar com o pensamento cristéo, desejam conhecer a existéncia humana partindo de chaves de interpretagao abertas a transcendéncia. Apesar da situagéo “pés-religiosa” e “pds-crista” que, ao que parece, desembocam praticamente no ateismo, o fato religioso “retorna” com forga. Conscientes disto, quisemos oferecer a resposta 4 pergunta sobre Deus, que os homens se fizeram no passado e continuam a fazé-la na atualidade: quem é Deus? onde esta? como se manifesta? Sao as perguntas de sempre que, atualmente, encontram a resposta que, 4s apalpadelas, tém dado e continuam dando os homens e, com cardter definitivo, o préprio Deus. O “iter” que seguimos na gestaco do Dicionério foi o seguinte: sobre a base de uma selecao de “verbetes” “basicos” consultamos um grupo reduzido de tedlogos qualificados, especialmente sensiveis 4 teologia, que nao s6 aplaudiram a iniciativa do Diciondrio, porém ainda ofereceram indicagées metodoldgicas precisas e novos “verbetes” com que completamos a lista de temas que sao estudados em nosso Dicionario. Quanto ao tipo de artigos, procuramos evitar dois extremos: a multiplicidade de verbetes com extensdo muito curta — 0 que corresponderia a outros tipos de dicionarios — e artigos demasiado extensos, tipo “enciclopédia”, posto que, assim, nao seria mais um Dicionério. De acordo com sua extensao, dividimos os verbetes em “privilegiados” (entre 25 e 30 paginas): Trindade, Pai, Filho, Jesus Cristo, Espirito Santo, Logos, Igreja...; “maiores” (entre 10 e 15 paginas): Biblia, Pdscoa, Pentecostes, Eucaristia, Catequese trinitdria..., e “menores” (entre 5 e 7 paginas): Budismo, Idolatria, Sociologia... O Dicionadrio contém 170 verbetes, em que se estudam os principais conceitos da teologia trinitaria e do fato religioso. Também nao quisemos multiplicar excessivamente o ntimero de colaboradores. Por isso, encarregamos cada um, tanto quanto possivel, de dois ou mais verbetes, de modo que, no Dicionério, existem setenta colaboradores, quase todos vinculados ao trabalho teolégico do Secretariado Trinitario. Um numero significativo deles sao professores da Pontificia Universidade de Salamanca ou dos centros a ela vinculados. Sem a colaboragdo desse vigoroso grupo de tedlogos, nao teria sido possivel nem o trabalho realizado pelo Secretariado Trinitario, nem a publicagéo de nosso Diciondrio “O Deus crist@o”. A todos eles nosso sincero agradecimento! LEITURA SISTEMATICA: TRATADO DE DEUS Editamos este livro como Diciondrio, isto é, organizando os temas por ordem alfabética. Destacamos, assim, a independéncia de que goza cada um dentro do conjunto. Nao obstante, seguindo algumas razdes igualmente convincentes, poderiamos té-lo apresentado de maneira sistematica: por ordem de matérias e de temas, formando uma grande enciclopédia teolégica, ou seja, um tratado sobre Deus. Possivelmente sdo muitos os leitores que desejam ler ou utilizar o livro desta forma: como texto-base para estudar em seu conjunto o tema Deus ou como manual de consulta e ampliagao de conhecimento em torno das disciplinas centrais do plano de estudos teolégicos. Nosso livro corresponde ao que se costuma chamar Teologia natural e revelada e, também, as matérias De Deo Uno e De Deo Trino, a Teodicéia e ao Mistério Trinitdrio, estudados a partir do fato religioso. Para que o trabalho seja mais completo e a visdo da matéria mais extensa, dentro das correntes atuais do pensamento teolégico e da vida da Igreja, quisemos ampliar o leque de temas, incluindo alguns sobre o pano-de-fundo religioso e sobre a atualidade espiritual e cultural do mistério trinitario. Assim, oferecemos verdadeira enciclopédia sobre Deus, elaborada em chave crista (catélica), porém aberta ao didlogo sincero e respeitoso para com os mais variados campos do pensamento e da vida humana. O mistério de Deus, que nés, cristaos, confessamos e vivemos sob forma trinitaria, é mistério de encarnagdo e didlogo pessoal. Por isso decidimos que, neste diciondrio, colaborassem pessoas de diferente orientagao teoldgica e humana. Nao impusemos condigées de tipo intelectual. S6 quisemos que se expressasse o sentido profundo de Deus, aberto por Jesus para os pobres da terra, tal como tem sido e continua sendo confessado pela Igreja universal (catélica) nas diversas culturas de nosso mundo. Por causa de nossa prépria situagao geografica e lingiiistica, tivemos o intuito de que este Diciondrio fosse um expoente da pesquisa teolégica espanhola. Foi nossa intencfio incluir varios textos de representantes da teologia européia nao espanhola (italianos, franceses, alemaes...). Colaboram, outrossim, alguns hispano-americanos. Entretanto, no seu conjunto foi elaborado por autores espanhdis: pensamos que eles pudessem introduzir palavra valiosa no conjunto da ciéncia teoldgica (religiosa). Levando tudo isto em conta, indicaremos, a seguir, os seis grandes itens ou campos de leitura sistemdtica desta “enciclopédia” que aparecem pormenorizados no esquema temdtico. E evidente que estes temas interferem e penetram uns nos outros, de tal forma que fica dificil conseguir uma visio perfeita. A que nos parece melhor é a seguinte: 1) Pano-de-fundo religioso. O tema Deus nao é invengdo de cristaéos nem tampouco de filésofos da Europa, é motivo universal de amor e busca que encontramos exposto pelas grandes religides, que nds aqui estudamos separadamente; elas oferecem a melhor introducao a todo o Dicionario. Dentro desta perspectiva, quisemos apresentar também as formas de ver Deus (politeismo, monoteismo...): elas ajudam a entender e dividir as religides, encaradas, assim, como maneiras de que os homens se serviram e continuam servindo-se para terem acesso ao divino. Encerrando este item, expusemos os atributos gerais da divindade: sao como que as caracteristicas comuns ou constantes (absoluto, mistério, transcendéncia...), que nos capacitam para focalizar bem o divino; nesta mesma linha quisemos incluir alguns temas que geralmente nao so abordados quando se fala de Deus, embora sejam primordiais para focalizar bem o mistério trinitario (mulher, pai, mae). 2) Sagrada Escritura. Esta é uma enciclopédia sobre o Deus cristdo: por isso, é indispensdvel que, partindo do fundo religioso da humanidade passemos ao estudo da Palavra de Deus. Dentro dela quisemos distinguir trés partes ou secées principais. A primeira trata dos nomes do Deus cristdo: nome 6, aqui, garantia de presenga e comunicagéo; no AT Deus é chamado “o Senhor” (Iahweh, Kyrios), no NT apresenta-se como Pai (Abba) de nosso Senhor Jesus Cristo; partindo deste fundo, tratamos do mistério mais profundo dos “nomes trinitarios” (Filho, Espirito Santo...). A segunda segao trata dos acontecimentos salvificos: 0 Deus cristo nao é esséncia geral a que chegamos mediante abstracao intelectual; é pessoa que revela seu nome e que se abre ou se manifesta por meio de alguns gestos salvadores (Pascoa, Cruz, Pentecostes...), que quisemos estudar com grande cuidado. Somente neste contexto adquirem seu sentido e recuperam a importancia os temas gerais em que se inclui o estudo de conjunto da Biblia (AT e NT) e, também, outros motivos da revelagéo de Deus que se acham presentes ao longo de toda a Escritura (angelologia, apocaliptica...). 3) Histdria do dogma. O mistério de Deus, confessado sob forma trinitaria, constitui o centro e a chave hermenéutica de todo o dogma cristao. Por isso, quisemos estudar com diligéncia especial esta matéria, comecando pelos Concilios e pelo Magistério da Igreja. Entre os Concilios destacamos aqueles que tém maior importancia trinitaria (Nicéia, Constantinopla, Toledo, Florenga, Latrao, Vaticano I e II). Quanto ao Magistério, procuramos falar de modo especial dos Credos eclesiais e das Enciclicas papais. Sobre este pano-de-fundo tivemos que estudar as correntes de pensamento que se encontram na base das grandes teologias trinitarias; assinalamos os riscos antigos (gnosticismo, arianismo...), porém, detivemo-nos principalmente nas tendéncias eclesiais mais tardias, em concreto, nas que parecem independentes da Igreja catélica (Palamismo, Reforma, Protestantismo, Ortodoxia...). Em ltimo lugar, quisemos apresentar os tedlogos trinitdrios importantes da histéria da Igreja, divididos em Padres (Origenes, Atandsio, Agostinho...), autores medievais (Anselmo, Ricardo de Sao Vitor, Tomas de Aquino...) e modernos (K. Barth, Rahner...). O dogma trinitario tem sido campo muito profundo de vivéncia eclesial e de reflexdo teoldgica; assim o destacamos em todo este item. 4) Teologia. Da histéria do dogma passamos para a teologia estritamente dita, como reflexao sobre este dogma. Neste contexto poderiam (talvez devessem) incluir-se os tedlogos antes indicados: eles constituem a melhor introdug&o ao novo tema. Agora, tratamos, em primeiro lugar, da unidade de Deus, destacando aquilo que na tradigdo se chama sua natureza: Deus aparece nesta linha como “monarquia”, isto é, como tnico poder de salvacgéo. Em perspectiva trinitaria, aqui, devem ser superados os riscos do dualismo, do modalismo e do unitarianismo. De maneira normal, passamos em seguida aos aspectos mais relevantes da Trindade de pessoas, que foi analisada e apresentada com precisao pela tradicdo teolégica. Como garantia e pano-de- fundo da Trindade colocamos a revelacgaéo de Deus (encarna¢ao, missées); por isso, acham-se vinculadas sua imanéncia (teologia) e a economia trinitdria. Como expressio teoldgica central do grande mistério continuam sendo apontados os temas classicos, que ja foram estudados com toda exatidao pelos Padres e pela Escolastica (processées, relagGes, pessoas...). Nesta linha ainda precisam ser superados os antigos riscos do triteismo e do subordinacionismo. Finalmente, a teologia trinitaria tem que estudar os tragos e momentos principais da comunicagao teoldgica: o proprio Deus é principio e sentido da vida dos homens, em chave de revelacao e graga, que nos situam dentro daquilo que a Igreja catolica quis indicar por analogia. Cosmos e histéria sao sinal de Deus. Eis por que estudamos aqui temas como os de criacgao e antropologia, ecologia e politica. Em todos eles descobrimos o mistério da comunicagao trinitaria. 5) Vida crista. Deus é mistério pessoal de vida. Por isso, antes de ser objeto de reflexdo teérica, a Trindade é lugar de adoragao e palavra de gracga para 0 homem. Neste contexto, destacamos a importancia de liturgia e sacramentos: s6 na celebracao litirgica da Igreja é que esta continua revelando, de forma sacramental plena, o mistério trinitario; foi o que destacamos, estudando temas como catequese, epiclese e cada um dos sacramentos eclesiais, especialmente batismo e eucaristia. Tratamos, depois, da espiritualidade entendida em sentido extenso, como expressdo e expansdo da vida crista, em dimensado de amor: ai ressaltamos os aspectos sociais (didlogo, libertacdo), intimistas (mistica, inabitacdo) e estruturais (vida religiosa...) do que podemos chamar “esséncia e profundeza trinitarias” da espiritualidade cristé. Finalmente, a Trindade é apresentada como mistério de dpice e centro da escatologia crista: por este motivo, salientamos ao falar da esperanga e da vida eterna: o proprio Deus é “céu” dos homens, sendo, como 6, centro e cume do didlogo de amor, em que se expressa e culmina a existéncia humana. 6) Ampliagao. O mundo trinitdrio. Quisemos encerrar esta enciclopédia ou tratado sobre Deus com uma ampliacgao, onde introduzimos temas de didlogo cultural. Comecamos pelos de tipo filosdfico, apresentando, sobre a profundidade trinitaria, as diversas correntes de pensamento da historia do Ocidente, do helenismo ao marxismo ou vitalismo, do racionalismo até Hegel ou Heidegger. Na Trindade cristé se expandem e explicitam, em grande parte, os motivos fundamentais da filosofia destes tiltimos séculos; sobre esta base, estudamos o sentido da linguagem e a importancia da l6gica, bem como a acirrada discussao a propésito do deismo e do teismo, do materialismo e da morte de Deus. Abrindo o leque de temas, quisemos mostrar, também, o contexto cultural mais amplo das ciéncias e dos conhecimentos humanistas principais do Ocidente: por isso, estudamos o que poderia chamar-se a “conex4o trinitaria” da literatura e da arte, da psicologia e da sociologia... No centro da histéria humana, superando os riscos de um esoterismo em que tudo se dilui na indeterminagéo de um Deus sem propriedades (com todas as propriedades possiveis), 0 mistério da Trindade cristé vem a revelar-se como principio de interpretacéo universal do ser, como chave hermenéutica da realidade do mundo e da vida. Como é do conhecimento geral, cada leitor faz ou constréi (reconstréi) seu proprio livro. Desejamos que os leitores deste “Dicionario teol6gico” possam e saibam “construi-lo”, de acordo com seus préprios conhecimentos e interesses. Temos a convicgao de que estamos contribuindo com algo novo na literatura teolégica, nao s6 da Espanha, mas do conjunto da Igreja. No entanto, maior do que esta conviccao é a esperanca de que os leitores saibam refazer e elaborar 0 seu proprio livro sobre Deus, utilizando, de forma sistematica, os materiais que aqui lhes oferecemos. Para isto, pode servir-lhes 0 esquema de leitura temdtica que acabamos de esbocar. Desta forma, sem deixar de ser dicionario, o presente livro se transforma em tratado sobre Deus: enciclopédia teolégica que pode acompanhar-nos um pouco no caminho de busca e cultivo do sentido cristao da vida. XasierR Pixaza, O. ve M. Nereo Sianes, O.SS.T. ESQUEMA TEMATICO! (A paginagao aparece no indice de verbetes) I. PANO-DE-FUNDO RELIGIOSO A) GRANDES RELIGIOES Budismo Hinduismo Islamismo Judaismo Religiao, religides B) Formas pe ver Deus Agnosticismo Ateismo Dualismo Idolatria Linguagem Monoteismo Panteismo Politeismo Teosofia + Esoterismo C) ATRIBUICOES GERAIS DA DIVINDADE Absoluto Deusa-Mae Mistério Pai materno Transcendéncia Triades sagradas II. SAGRADA ESCRITURA A) Noes po Deus crisTAo Espirito Santo Filho Filho do Homem — Jesus Cristo Jesus Cristo (Messias, Senhor, Cristo) Logos Nomes de Deus Pai (Abba) Sabedoria — Logos Senhor (Kyrios) — Jesus Cristo Iahweh — Nomes de Deus B) ACONTECIMENTOS SALViFICOS Cruz Pascoa Pentecostes Reino de Deus C) TEMAS GERAIS. Angelologia Apocaljiptica Biblia, Deus na (AT e NT) Escatologia III. HISTORIA DO DOGMA A) Concitios £ MacisTERIO Concilios Constantinopla I,— Concilios Credos trinitdrios +> Simbolos de fé Enciclicas Filioque Florenga — Concilios Latrao IV — Concilios Macedénia — Concilios Magistério — Concilios e Enciclicas Nicéia — Concilios Toledo — Concilios Vaticano I — Concilios Vaticano II B) CorreNTES DE PENSAMENTO Anglicanismo Apolinarismo — Arianismo Arianismo Ecumenismo Escolastica (séculos XII-XIX) Gnose-Gnosticismo Helenismo Maniqueismo > Dualismo Modernismo Ortodoxia Palamismo Protestantismo — Reforma Reforma C) TE6Locos a) Padres Agostinho, santo Antioquenos, Padres Atandsio, santo e Alexandrinos Capadécios, Padres Dionisio Areopagita Hildrio de Poitiers, santo Padres — (gregos e latinos) Treneu, santo Origenes Padres (gregos e latinos) Tertuliano b) Idade Média Anselmo, santo Boaventura, so Escoto, Duns Joaquim de Fiore — Latrao IV; Historia Ricardo de Sao Vitor Tomias de Aquino, santo c) Modernos Amor Ruibal Balthasar, H. Urs von Bariez, + Predestinagao Barth, K. Bulgakov, S. — Filioque; Palamismo Joao Batista da Conceicao, santo Sao Joao da Cruz, santo Molina — Predestinagao Newmann Petdvio — Th. de Régnon Rahner, K. Régnon, Th. de Sudrez, F. > Escolastica Zubiri, X. IV. TEOLOGIA. A) Unmape pe Deus Atributos Dualismo Modalismo Monarquia divina Natureza (esséncia-substancia) Predestinagaio Teologia natural — Teodicéia Unidade Unitarianismo B) TRINDADE DE PESSOAS Adocionismo — subordinacio-nismo Apropriagées — Propriedades Comunhao Economia > Teologia Econémica — Trindade Encarnacgao Espiracdo do Espirito Santo — Processées Geragéo — Processées Hipdstase — Pessoas divinas Imanente > Trindade Missao-missdes Modalismo PerikhGresis Personalismo — Pessoas divinas Pessoas divinas Preexisténcia > Filho Processées Proexisténcia — Filho Propriedades e apropriagdes Relagées subsistentes Subordinacionismo Subsisténcia > Pessoas divinas Teologia e Economia Trindade Triteismo Verbo — Logos C) ComunicacAo DE Deus Analogia Antropologia Autocomunicagdo — Graca; Rahner Caridade — Graca Comunidade — Comunhao Confissdo de fé —+ Simbolos de fé Cosmo — Criacao Criagao Ecologia — Criagao Graga Historia Maria Mulher Pobres, Deus dos Politica + Monarquia; Libertagao Revelagao V. VIDA CRISTA A) Lrturcia £ SACRAMENTOS Adoragao Batismo Bengdo — Doxologia Catequese trinitaria Confirmagao Doxologia Epiclese Eucaristia Gloria > Doxologia; Escatologia icone Igreja da Trindade Liturgia Louvor — Doxologia MatrimGnio, Deus no Ministérios > Sacerdécio Peniténcia, O Deus da Sacerdécio B) EspirITUALIDADE Amor Didlogo + Comunhao Ecumenismo Experiéncia Fé Fraternidade + Comunhao Igualdade —-> Comunhao Imagens > icone Inabitagao Instituicées trinitarias Isabel da Trindade Libertagao Maria Mistica Mulher Oracio Teresa de Jesus, santa Vida cristé Vida religiosa e Trindade C) EscaTotocia Céu — Escatologia Escatologia Esperanca Inferno — Escatologia Vida eterna VI. AMPLIAGAO. O MUNDO TRINITARIO A) Fitosoria a) Correntes de pensamento Analitica +> Linguagem Existencialismo Hegelianismo Heidegger, M.— Existencialismo Helenismo Idealismo —+ Deismo Kant, E. > Idealismo Marxismo — Materialismo Racionalismo Unamuno Vitalismo b) Temas fundamentais Conhecimento Deismo Filosofia Linguagem Légica Materialismo Morte de Deus Sentido. Deus e o problema do — Vias Teismo Teodicéia Vias para demonstrar a existéncia de Deus B) CONTEXTO CULTURAL Arte Esoterismo Espiritismo — Esoterismo Historia Instituigdes Trinitarias Literatura, Deus na Politica + Monarquia; Libertagao Psicologia Sociologia 1 As palavras em itdlico neste Esquema indicam ambitos de tematica que nao sao estudados expressamente na obra. Remetem a palavra em que se acham de algum modo abordadas. DIRECGAO E COLABORADORES DIRETORES XABIER Pikaza, O. DE M. Universidade Pontificia de Salamanca Nereo Sianes, O.SS.T. Instituto Teolégico de Santo Estévao (Salamanca) Secretarios de Redagio Aurrecorcuta, José Luis, 0.SS.T. pe Micurt, José M’, O.SS.T. Sianes, Laurentino, O.SS.T. COLABORADORES Atonso, Severino M’, CMF: Professor do Instituto Teolégico de Vida Religiosa (ITVR) _ de Madri. Verbete: Vida religiosa e Trindade. Atvarez Gomez, Mariano: Professor da Universidade de Salamanca. Verbetes: Deismo, _ Hegelianismo, Racionalismo e Teismo. Atvarez, Tomas, OCD: Professor da Pontificia Faculdade de Teologia “Teresianum” (Roma). Verbete: Santa Teresa de Jesus. Aranpa Pérez, Gonzalo: Professor da Universidade de Navarra, Verbetes: Gnose e Gnosticismo. ArmenpAriz, Luis, SJ: Professor da Universidade de Deusto (Bilbao): Verbete: Criagdo. Aurrecorcue, José Luis, OSST: Professor do Instituto Teolégico de “Santo Estévao” (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbete: Reino de Deus. Borosio, Dionisio, Professor da Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Festa da SS. Trindade, Matriménio, Peniténcia. Copa, Piero: Professor de Teologia na Pontificia Universidade Lateranense (Roma). Verbetes: Encarnagdo, Pdscoa e Pentecostes. Contreras Mouina, Francisco, CMF: Professor da Faculdade de Teologia de Granada. Verbete: Apocaliptica. Courri, Franz, SAC: Professor de dogmatica e historia dos dogmas na “Theologische Hochschule” dos Palotinos em Vallender (Alemanha). Verbete: Padres gregos e latinos. Cura ELENA, Santiago del: Professor de teologia na Universidade Pontificia de Salamanca e na Faculdade de Teologia do Norte (Sede de Burgos). Verbetes: Concilios, Modalismo, Monarquia, Perikhoresis, Simbolos de fé, Subordinacionismo e Triteismo. Diaz, Carlos: Professor da Universidade Complutense de Madri. Verbetes: Agnosticismo, Santo Anselmo, Teodicéia e Vias para a demonstragéo da existéncia de Deus. Duquoc, Christian, OP: Membro do Conselho de direcao da revista “Concilium” e Diretor da revista “Lumiére et vie”. Verbete: Filho. Euizonpo Aracon, Felisa: Professora no Instituto Superior de Pastoral de Madri (Universidade Pontificia de Salamanca) e na Faculdade de Teologia “Sao Damaso” (Madri). Verbete: Deusa-Mée. Esrine, José Luis, OP: Professor do Instituto Teolégico “Santo Estévao” (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbete: Logos. Feperict, Tommaso: Professor da Pontificia Universidade Urbaniana (Roma). Verbete: Doxologia. FernAnpez Ramos, Felipe: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbete: Deus na Biblia (NT). Fuster, Sebastidn, OP: Professor da Faculdade de Teologia “Sao Vicente Ferrer”, de Valenca. Verbetes: Escoldstica e Santo Tomds de Aquino. Gamarra, José, OSST: Superior Geral da Ordem da Santissima Trindade. Verbete: Oragaio. Garcia Lopez, Félix: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbete: Deus na Biblia (AT). Garcia Murca, José Ramén, SM: Professor da Universidade Pontificia de Comillas (Madri). Verbetes: K. Rahner e Teologia e economia. Garcia Tato, Isidro: Pesquisador no CSIC (Madri). Verbete: Karl Barth. Garuio Guempe, Miguel M?: Professor na Faculdade de Teologia Catélica de Miinster. Verbetes: Epiclese, Filioque, [cone, Ortodoxia e Palamismo. GeLabert, Martin, OP: Professor da Faculdade de Teologia de “Sao Vicente Ferrer” (Valenca). Verbetes: Experiéncia e Fé. Gersteira Garza, Manuel: Professor da Faculdade de Teologia de Sao Damaso (Madri). Verbete: Eucaristia. GonzAtez, Marcelo: Professor no Instituto Teolégico “Santo Agostinho”, Filial da Universidade Pontificia “Santa Maria de Buenos Aires” (Buenos Aires, Argentina). Verbete: Hans Urs von Balthasar. GonzAtez Montes, Adolfo: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Anglicanismo, Ecumenismo, Newman, Reforma e Revelacao. Granapo, Carmelo, SJ: Professor da Faculdade de Teologia de Granada. Verbetes: Padres Antioquenos e Tertuliano. Guerra, Santiago, OCD: Professor no Instituto Teolégico “Santo Estévao” (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbete: Mistica. Laparia, Luis, SJ: Professor da Pontificia Universidade Gregoriana (Roma). Verbetes: Antropologia, Santo Atandsio e Alexandrinos. Lois FEerNAnpez, Julio: Professor do Instituto Superior de Pastoral de Madri (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: LibertagGo e Deus dos pobres. Lopez Gay, Jestis, SJ: Professor da Pontificia Universidade Gregoriana (Roma). Verbetes: Arte, Budismo e Hinduismo. Lopez, Julién: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Adoragdo e Liturgia. Liamas, Enrique, OCD: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Inabitagao e Isabel da Trindade. Luamazares, Arsenio, OSST: Pesquisador da Comissao Internacional de Espiritualidade dos Padres Trinitarios (Roma, Italia). Verbete: Instituigdes Trinitdrias. Maceiras Farin, Manuel: Professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Complutense de Madri. Verbete: Filosofia, Deus na. Maroones, José M*: Professor titular da Universidade do Pais Vasco e pesquisador no Instituto de Filosofia do CSIC (Madri). Verbetes: Esperanca e Sociologia. Martin Vetasco, Juan: Professor do Instituto Superior de Pastoral de Madri (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Politeismo, Religido-religides e Triades sagradas. Mrs, Anneliese, SSpS: Professora de patrologia na Universidade Catélica de Santiago do Chile. Verbetes: Santo Ireneu e Origenes. Micust, José M* de, OSST: Professor do Instituto Teolégico “Santo Estévao (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Batismo, Confirmagdo e Enciclicas. Mitano, Andrea: Professor na Universidade dos Estudos da Basilicata de Potenza (Napoles, Itélia). Verbetes: Predestinagdo e Propriedades-apropriagées. Morescuint, Claudio: Professor oficial de Literatura Latina na Faculdade de Letras da Universidade de Pisa (Itdlia). Verbete: Padres Capadécios Muniz Ropricuez, Vicente, OFMC: Professor no Instituto Teoldgico “Santo Est@vao” de Salamanca (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Analogia, Dionisio Areopagita, Linguagem e Nomes de Deus. Munoz Detcavo, Vicente, O. de M.: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbete: Légica trinitdria. Mufoz Leon, Domingo: Membro da Comissao Biblica Internacional e pesquisador do CSIC. Verbetes: Jesus Cristo e Judaismo. Navarro, Mercedes, MC: Professora no Instituto Superior de Ciéncias Catequéticas de Sto Pio X (Madri) e no Instituto Teolégico de Vida Religiosa (Madri) da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Maria e Mulher. Oxaneta, Ignacio: Professor da Faculdade de Teologia do Norte (Sede de Vitéria). Verbete: Sacerdécio. Peprosa, Vicente: Professor de catequética na Universidade de Deusto (Bilbao). Verbete: Catequese trinitdria. Pixaza, Xabier, O. de M.: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Amor, Esoterismo, Pai, Ricardo de Sao Vitor e Unitarianismo. Pintor Ramos, Antonio: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Existencialismo, Vitalismo e Zubiri. Purana, Juan, OSST: Pesquisador da Comissao Internacional de Espiritualidade dos Padres Trinitarios (Roma, Itélia). Verbete: Sdo Jodo Batista da Conceigéo Rivera pe Ventosa, Enrique, OFMC: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbetes: Histéria e Unamuno. Ropricuez, José Vicente, OCD: Presidente do Centro Internacional “Sao Joao da Cruz” (Padres Carmelitas, Avila). Verbete: Sdo Jodo da Cruz. Romero Post, Eugenio: Professor do Centro Teolégico Compostelano (Universidade Pontificia de Salamanca) (Santiago de Compostela, La Corufia). Verbetes: Arianismo e Helenismo Rovira Bettoso, Josep M®: Professor da Faculdade de Teologia de Barcelona. Verbetes: Atributos, Monoteismo, Natureza, Pessoas divinas, Processées, Relacées e Trindade. Rusio, Luciano, OSA: Professor do Centro Teolégico Agostiniano de El Escorial (Madri). Verbete: [slamismo. Ruiz pe LA PeNa, Juan Luis: Professor da Universidade Pontificia de Salamanca e do Centro Teolégico de Oviedo (Astiirias). Verbetes: Dualismo e Vida eterna SaHacun Lucas, Juan: Professor da Faculdade de Teologia do Norte (Sede de Burgos). Verbetes: Mistério e Panteismo. Satvati, Giuseppe Marco, OP: Professor da Pontificia Universidade “Santo Tomas” (Roma) e da LUMSA (Livre Universidade Maria SS. Assunta). Verbetes: Espirito Santo e Salvacao. SAncuez Berna, Juan José: Reitor do “Colegio Maior Empresa Publica” (Madri). Verbetes: Absoluto, Ateismo, Conhecimento, Materialismo e Morte de Deus. Santés, Ricardo, O. de M.: Reitor do Colégio Mercedario “El Salvador”, de Sarria (Lugo). Verbete: Graca. Scuerrczyk, Leo: Professor da Faculdade de Teologia da Universidade de Miinchen (Alemanha). Verbete: Th. de Régnon. Srspovt, Bernard, SJ: Professor da Faculdade de Teologia “Centre-Sévres” (Paris). Verbete: Cruz. Sitanes, Nereo, OSST: Professor do Instituto Teolégico “Santo Estévao” de Salamanca (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Comunhdo, Igreja da Trindade, Missdo, missées, Vaticano II e Vida crista. Torres Queiruca, Andrés: Professor de Filosofia da religido na Universidade de Santiago de Compostela (La Corufia). Verbete: Amor Ruibal. Touron, Eliseo, O. de M.: Professor da Faculdade de Teologia “Sao Damaso” de Madri. Verbetes: Angelologia, Escatologia e Modernismo. Turrapo, Argimiro, OSA: Professor de teologia na Universidade Pontificia de Comillas (Madri) e no Estudo Teoldgico Agostiniano de Valladolid. Verbete: Santo Agostinho. VAzquez, Antonio, O. de M.: Professor da Faculdade de Psicologia da Universidade Pontificia de Salamanca. Verbete: Psicologia. Vazquez, Luis, O. de M.: Diretor da revista “Estudios” (Madri). Verbete: Deus na Literatura. Vitcnez, José, SJ: Professor da Faculdade de Granada. Verbete: Idolatria. Vittamonte, Alejandro, OFMC: Professor do Instituto Teolégico “Santo Estévao” (Universidade Pontificia de Salamanca). Verbetes: Sdo Boaventura e Duns Escoto. SIGLAS E ABREVIATURAS 1. Documentos do Concilio Vaticano II AA Apostolicam Actuositatem AG Ad gentes CD Christus Dominus DH Dignitatis humanae DV Dei Verbum GE Gravissimum educationis GS Gaudium et spes IM Inter mirifica LG Lumen gentium NA Nostra aetate OE Orientalium ecclesiarum OT Optatam totius PC Perfectae caritatis PO Presbyterorum ordinis SC Sacrosanctum Concilium UR Unitatis redintegratio 2. Documentos Pontificios CP Communio et progressio CT Catechesi tradendae DIM Divinum illud munus DM Dives in misericordia DVi Dominum et vivificantem EE Elementos essenciais EN Evangelii nuntiandi ES Ecclesiam suam Est Ecclesiae sanctae FC Familiaris consortio LE Laborem exercens MD Mediator Dei MM Mater et magistra MC Mystici corporis OA Octogesima adveniens PMu Pastorale munus PP Populorum progressio PT Pacem in terris QA Quadragesimo anno RH Redemptor hominis RM Redemptoris mater RMis Redemptoris missio RN Rerum novarum ‘SRS Sollicitudo rei socialis 3. Outras abreviaturas A. Autor a. ano a.C. antes de Cristo art. artigo art.cit. artigo citado AT Antigo Testamento bibl. bibliografia ca. cerca, por volta de cap. capitulo cf. confere, veja-se cit. citado col. coluna .C. depois de Cristo ed. editor, editado, edigdo eds, editores enc. enciclica ibid. ali mesmo id. o mesmo intr. introdugdo loc.cit. lugar citado LXX versao grega do AT pelos Setenta ms. manuscrito n. nota n.,nn. numero, niimeros NT Novo Testamento 0.c. obra citada par. paralelo/s Ds pP- pagina/s Pex. por exemplo prél. prélogo s.a. sem ano sec. secdio s.d. sem data s.,85 seguinte/s s.,88. século/s supl. suplemento tr. tradugao Vat. Vaticano v.g. verbi gratia vol.,vols. volume, volumes v.,wv. versiculo/s 4. Colecées, Diciondrios e Revistas AAS Acta Apostolicae Sedis (Roma, 1909ss). ACIT Atas do Congresso Internacional de Teologia do Concilio Vaticano II (Barcelona 1972). ‘ActaSyn Acta synodalia sacrosancti Concilii Ecumenici Vaticani II (Cidade do Vaticano, 1971- 1980). AHDLMA Archives d’Histoire doctrinale et littéraire du Moyen-Age (Paris 1926s). ‘Ang Angelicum (Roma, 1924ss). Anton Antonianum (Roma, 1926s). ASS Acta Sanctae Sedis (Roma, 1865-1908). AtCont El ateismo contemporaneo (4 vols.) ‘Madr, 1971). August Augustinianum (Roma 1961ss). Bib Biblica (Roma, 1920ss). BiLeb Bibel und Leben (Dilsseldorf, 1960ss). BullLitEcc] Bulletin de Littérature Ecclésiastique (Paris, 1899). Burg Burgense (Burgos, 1960s). BZ Biblische Zeitschrift (Paderborn, 1957ss). Carmelus Carmelus (Roma, 1954s). Cathol Catholicisme: hier, aujourd’hui et demain (Paris, 1948ss). CBQ The Catholic Biblical Quarterly (Washington, 1939ss). CBSJ Comentario Biblico San Jerénimo (5 vols.) (Madri, 1971-1972). CCL Corpus Christianorum, Series latina (Turnhout-Paris, 1954s). CDC Cédigo de Direito Canénico (1917, 1983). CEP Conceptos fundamentales de Pastoral (Madri, 1983). CFT Conceptos fundamentales de Teologia (H. Fries, ed.) (2 vols.) (Madri, 1966-1979). 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Div Divinitas (Roma, 1957ss). DivThom Divus Thomas (Friburgo, 1914-1953). DocCaht La Documentation Catholique (Paris, 1919ss). DPAC Dizionario patristico e di antichita cristiane (Casale Monferrato; ed. espanhola, Salamanca 1992). DS Enchiridion symbolorum, definitionum et declarationum de rebus fidei et morum (Friburgo Br., 1967). DSpir Dictionnaire de Spiritualité Ascétique et Mystique. Doctrine et Histoire (Paris, 1937ss). DTB Diccionario de teologia biblica (Barcelona, 1967). DTC Dictionnaire de Théologie Catholique (Paris, 1903-1951). DTI Diccionario Teolégico Interdisciplinar (Salamanca, 1982). DTNT Dicionario Teolégico del NT (4 vols.) (Salamanca, 1980). DTVC Dicionario teoldgico da vida consagrada (Sao Paulo, 1994). Eccl Ecclesia (Madri, 19441ss). ECQ The Eastern Churches Quarterly (Ramsgate, 1936ss). EglTh Eglise et Théologie (Otawa, 1970ss).. EncRel Enciclopedia deile Religioni (Florenga, 1970ss). EO Enchiridion Ecumenicum (A. Gonzélez Montes, ed.) (Salamanca, 1986). EphCarm Ephemerides Carmeliticae (Roma, 1950s). EphLit Ephemerides Liturgicae (Roma, 1887ss). EphMar Ephemerides Mariologicae (Madri, 1951ss). EphThLov Ephemerides Theologicae Lovanienses (Lovaina, 1924ss). EspVi Esprit et Vie (Langoes, 1878-1968, 1969ss). Est Estudios (Madri, 1944s). EstBib Estudios Biblicos (Madri, 1941ss). EstEcl Estudios Eclesidsticos (Madri, 1922-1936, 1942s). EstFranc Estudios Franciscanos (Barcelona, 1907ss). EstTrin Estudios Trinitarios (Salamanca, 1967s). EtMar Etudes Mariales (Paris, 1935ss). EtThRel Etudes Théologiques et Religieuses (Montpellier, 1926ss). EvQ The Evangelical Quarterly (Exeter-Devon, 1929ss). EvTh Evangelische Theologie (Munchen, 1934ss). GER Gran Enciclopedia Rialp (Madri, 1971-1987). GLNT Grande Lessico del Nuovo Testamento (Brescia, 1965ss).. GOTR Greek Orthodox Theological Review (Brookline, MA 1954ss). Greg Gregorianum (Roma, 1920s). HDG Handbuch der Dogmengeschichte (Friburgo de Brisgovia, 1951ss) HistRel Historia religionum (2 vols.) (Madri, 1973). HThR The Harvard Theological Review (Cambridge, 1908ss). IgVi Iglesia Viva (Valencia, 1966ss). Irén Irénikon (Chevetogne, 1926ss). Ist Istina (Paris, 1954ss). JouRel Journal of Religion (Chicago, 1921ss). JJS Jewish Journal of Sociology (Londres, 1959). JTS The Journal of Theological Studies (Oxford, 1900). KerDo Kerygma und Dogma (Géttingen, 1955ss). KD Die Kirchlich Dogmatik (Zurich, 1932ss).. LavalThélPhil Laval Théologique et Philosophie (Québec, 1944ss). LJJ Liturgisches Jahrbuch (Manster-Tréveris, 1951s). LMD La Maison-Dieu (Paris, 1945s). LTK Lexikon fiir Theologie und Kirche (Friburgo Br., 1930-1938, 1957-1965). LumVie Lumiere et vie (Lyon, 1950s). LumVit Lumen Vitae (Bruxelas, 1946ss). Mansi Mansi, Sanctorum Conciliorum nova et amplissima collectio (60 vols.) (Paris, 1899-1927). MEPRO Messager de |’Exarchat du Patriarche russe en Europe Occidentale (Paris, 1950ss). MisAb Misién Abierta (Madri, 1972ss). MiscCom Misceldnea Comillas (Santander, Madri, 1943ss). MiscFranc Miscellanea Francescana (Foligno, 1886-1913; Assis, 1914-1930; Roma, 1931ss). ML Mysterium liberationis. Conceptos fundamentales de teologia de la liberacién (Madri, 1990). MS Mysterium Salutis (4 vols.) (Madri, 1969-1975). MThZ Muenchener Theologische Zeitschrift (Munique, 1950). Muséon (Lovaina, 1881ss). NDT Nuevo Diccionario de Teologia (2 vols.) (Madri, 1982). NDTB Nuevo Diccionario de Teologia biblica (Madri, 1990). NouvRevTh Nouvelle Revue Théologique (Lovaina, 1869s). NESt New Testament Studies (Londres, N.W., 1954). OrChrist Oriens Christianus (Lipsia-Wiesbaden, 1901ss). OrChristPer Orientalia Christiana Periodica (Roma, 1935s). PA Padres Apostdlicos (ed. Ruiz Bueno) (Madri, 1979). PAG Padres Apologetas griegos (ed. Ruiz Bueno) (Madri, 1950). PG Patrologia graeca (161 vols} (Paris, 1857-186, sup, 1959ss) PL Patrologia latina (221 vols.) (Paris, 1844-1864, supl. 1958ss). PO Patrologia orientalis (Paris, 1903). QLP Questions liturgiques et paroissieles (Louvain, 1910). Quasten Patrologia (J. Quasten) (3 vols.) (Madri, 1968-1981). RAM Revue d’Ascétique et de Mystique (Toulouse, 1920 -1971). RasT Rassegna di Teologia (Mildo, 1966s). RazFe Raz6n y Fe (Madri, 1901ss). RCatT Revista Catalana de Teologia (Barcelona, 1976ss). RechAug Recherches Augustiniennes (Paris, 1958ss). RechThéolAncMéd Recherches de Theologie Ancienne et Médiévale (Lovaina, 1945ss). RechScRel Recherches des Sciences Religieuses (Paris, 1910ss). RET Revista Espafiola de Teologia (Madri, 1940s). RevBén Révue bénédictine (Maredsous, 1884s). RevBib Revue Biblique (Paris, 1892ss; nova série desde 1904ss). RevBiblica Revista Biblica (Buenos Aires, 1939ss). RevEcIBr Revista Eclesidstica Brasileira (Petrépolis, 1941s). RevEspir Revista de Espiritualidad (Madri, 1941ss). RevHistEccl Revue d’Histoire Ecclesiastique (Lovaina, 1990s). RevHistPhRel Revue d’Histoire et de Philosophie Religieuse (Estrasburgo, 1921ss). RevScPhThéol Revue des Sciences Philosophiques et Théologiques (Paris, 1907ss). RevScRel Revue des Sciences Religieuses (Estrasburgo, 1921ss). RevThom Revue Thomiste (Paris, 1893ss). RevThLov Revue Théologique de Louvain (Lovaina, 1970ss). RevThPhil Revue de Théologie et de Philosophie (1° Série: Lausanne, 1868-1911; 28 Série: 1913-1950; 3 Série: 1951ss). RevBiblt Rivista Biblica Italiana (Brescia, 1953ss). RGG Die Religion in Geschichte und Gegenwart (Titbingen, 1957-1965, 3° edicao). RivLit Rivista Liturgica (Turim-Leumann, 1914s). RivStLR Rivista di storia ¢ letteratura religiosa (Firenze, 1965ss) RivViSpir Rivista di Vita Spirituale (Roma, 1947ss). RLT Revista Latinoamericana de Teologia (Medellin, 1980). SactEr Sacris Erudiri (Bruxelas, 1948). Sal Salesianum (Roma, 1939ss). Salm Salmanticensis (Salamanca, 1965). SalTer Sal Terrae (Santander, 1912s). SCD Schemata constitutionum et decretorum de quibus disceptabitur in Concilii sessionibus (Cidade do Vaticano, 1962. Schol Scholastik (Friburgo, Br., 1926-1965). ScienEccl Sciences Ecclésiastiques (Montreal, 1948ss).. ScripTheol Scripta Theologica (Pamplona, 1969ss). SeTh Scotish Journal of Theology (Nova forge; 1848ss) SelTeo] Selecciones de Teologia (San Cugat del Vallés, 1962ss). SET Semanas de Estudios Trinitarios (25 vols.) (Salamanca, 1967ss). SM Sacramentum Mundi. Enciclopedia teolégica (6 vols.) (Barcelona, 1972-1976). Sol J. Solano, Textos eucaristicos primitivos, I-II (Madri, 1978). SourCh Sources Chrétiennes. ST K. Rahner, Schriften zur Theologie (Einsiedeln, 1959ss). StLeg Studium Legionense (Lido, 1960ss). ‘StudPatr Studia Patristica (Berlim, 1957ss). SumTh “Summa Theologiae” de Santo Tomés de Aquino. TeolCat Teologia y Catequesis (Madri, 1982). ThGI Theologie und Glaube (Paderborn, 1909ss). ThPh Theologie und Philosophie (Friburgo, Br., 1966ss). ThQuart Theologische Quartalschrift (Tibingen/Munique, 1948ss). ThStud Theological Studies (Woodstock, 1940ss). TRE Theologische Realenziklopadie (Krause-Milller, eds.) (Berlim-Nova Iorque, 1982ss). TrierThZeit Trierer Theologische Zeitschrift (Tréveris, 1945ss). TV Teologia y Vita (Santiago do Chile, 1960s). TWNT Theologisches Worterbuch zum NT (Stuttgart, 1970ss). VS La Vie Spirituelle, Ascétique et Mystique (Paris, 1919ss). VsSuppl La Vie Spirituelle. Supplément (Paris, 1922-1969). WiWe Wissenschaft und Weisheit (Dusseldorf, 1934ss). ZKG Zeitschrift fiir Kirchengeschichte (Stuttgart, 1876s). ZKT Zeitschrift fiir Katholische (Innsbruck, Viena, 1877ss). ZNW Zeischrift fiir die neutestamentliche Wissenschaft und die Kunde der alteren Kirche (Berlim, 1900ss...). ZschrTheolK Zeitschrift fiir Theologie und Kirche (Tibinga, 1891s). A ABSOLUTO SumArio ~ I. O Absoluto, mediagdo positiva de Deus. Il. O Absoluto, mediagdo negativa de Deus. Ill. O Absoluto e o Deus Trinitario. A questo do Absoluto emerge na experiéncia do relativo, do finito, como sua prépria condigao de possibilidade ou como pergunta sobre seu fundamento e sentido. O Absoluto 6, conforme seu préprio conceit, a realidade inteiramente independente e incondicional, mas justamente como tal é a realidade fora da qual nada existe de tudo o que existe, a realidade, portanto, constitutiva de tudo o que existe distinto dela. O relativo existe no Absoluto e pelo Absoluto. ‘A questo do Absoluto estd presente, por isso, em toda reflexdo filosofica séria, desde Parménides até Adorno. E tem servido, com base em um principio de mediacao da experiéncia religiosa de Deus, e em particular do Deus cristéo, para encontré-la na experiéncia humana em geral. De tal modo que, quando esta questo se tem eclipsado na consciéncia dos homens, a experiéncia de Deus tem-se visto sem apoio, sem estruturas de plausibilidade. E, no entanto, nao se trata de questo livre de ambigilidade para cumprir a funcéio de mediadora da experiéncia do Deus cristao. I- O Absoluto, mediacao positiva de Deus A experiéncia cristi de Deus se mediatiza em primeiro lugar através da filosofia platonica e neoplatdnica, em que o Absoluto aparece na figura do Bem Supremo e do Uno que fundamenta, sem ser fundamentado, todo ser finito e, por conseguinte, o transcende, esta além do ser. Nesta mediacao, fica expressada a dimensdo de Deus como fundamento ultimo, como ultimidade incondicional de todo ser, de todo relativo e pentiltimo.! E, além do mais, nela fica preservada, também, a absoluta transcendéncia de Deus, de que s6 se aproxima a determinacao negativa e dialética. Desta primeira mediagdo parte, ndo casualmente, a tradigado da teologia negativa e mistica de Deus que, desde Gregorio Nazianzeno até J. Béhme, passando pelo Mestre Eckhart, deixam a absolutez de Deus ser 0 que é: mistério.2 Por sua vez, Agostinho, e atrs dele Anselmo e a escola franciscana de teologia, se servem também da mediacao platénica do Absoluto, porém, seu esforco recai sobre a vontade de mostrar que esta dimensao do Absoluto n&o se acha fora do relativo e do finito, mas, sim, dentro dele, em seu centro mais profundo, como diriam os misticos espanhéis, qual dimensdo que o constitui e fundamenta, que o sustenta e preserva sua identidade. A auténtica consciéncia do finito e do relativo s6 & possivel, segundo esta interpretacdo, partindo do horizonte e da consciéncia do Absoluto.> Isto corresponde, outrossim, a experiéncia biblica e cristé de Deus, de acordo com a qual a absolutez de Deus se enraiza em sua absoluta primazia, em que Deus vai sempre a frente, em que o homem busca Deus porque Deus saiu ao seu encontro (santo Agostinho, em que Deus é sempre quem ama primeiro (1Jo 4,10). Esta primazia de Deus em sua absolutez se acha na base do argumento ontoldgico, que teve apoio ou estruturas de plausibilidade em um mundo como 0 pré-moderno, em que a percepcdo de Deus era mais evidente do que a questo de Deus. Hoje, contudo, por tras do “eclipse de Deus” (Buber) na modemidade, esta mediacdo da absolutez de Deus aparece excessivamente gratuita. E, ndo obstante, a primazia do Absoluto constitui momento decisivo na consciéncia que da origem a modemidade. Para Nicolau de Cusa, por exemplo, que é o primeiro a aplicar a Deus o substantivo “Absoluto”, a consciéncia da finitude j4 tem a primazia temporal em face da consciéncia da ponies Pore esta consciéncia sé é suficientemente radical e auténtica, quando descobre ser transpassada e sustentada pela infinitude, pelo Absoluto. Deus deixa de ser 0 objeto da vista e se converte no préprio “ver” que no é visto mas que faz ver. E, de modo parecido, surge na consciéncia da finitude do sujeito moderno cartesiano a idéia do Absoluto como fundamento proprio e condicao de possibilidade de si mesma.” Em Toms de Aquino, a mediagdo do Absoluto adquire a figura aristotélica do Motor imével e do Primeiro Principio, do Ser Supremo, do ser-em-si, que transcende e fundamenta todo ser finito. Esta figura expressa igualmente a dimensao de fundamento e ultimidade de Deus, porém sua transcendéncia nela fica excessivamente ligada a determinacao positiva do ser e de seus atributos, dado que condicionaré negativamente, como veremos, a experiéncia cristd de Deus. Nao obstante, encontra-se em Tomas importante resto de teologia negativa® que impede que a mediagao do Absoluto resulte do todo objetivante, sendo portanto idolétrica. Entretanto, além disso, a mediago do Absoluto adquire em Tomas de Aquino também a dimensio da subjetividade essencial, do ser absolutamente transparente para si mesmo, que abre caminho para a consciéncia da modernidade.” ‘A mediacdo do Absoluto encontra na filosofia critico-prética de Kant uma de suas determinacdes mais bem sucedidas. O Absoluto nela desaparece do mundo do finito, dos objetos e, portanto, do ambito do conhecimento objetivo, todavia, ao mesmo tempo, ergue-se no horizonte como estrela que guia e dé sentido de totalidade ao préprio conhecimento.® E, de igual modo, 0 Absoluto desaparece como imposicao externa do mundo moral, mas emerge como postulado interno de sentido na prépria ago moral. A mediac&o do Absoluto perde, pois, em Kant a primazia, para desanuviar 0 ambito da liberdade do finito, reaparecendo, contudo, como horizonte que nao violenta mais esta liberdade, mas que a possibilita e Ihe confere sentido e verdade. Portanto, esta determinacao do Absoluto respeita a autonomia do finito e relativo, do humano, ao mesmo tempo que respeita a transcendéncia de Deus, de um lado, e reafirma, de outro, a dimensao de fundamento tiltimo e possibilitante de Deus como Absoluto em face de toda e qualquer pretensao por parte do relativo e do finito de se constituir Absoluto, ou seja, em face de toda idolatria. Nesta linha, a mediagéo do Absoluto alcanca seu desdobramento maximo na filosofia do Idealismo Alemao, a filosofia do Absoluto por exceléncia. No entanto, a forca desta mesma reflexdo e sua pretensio sistematica conseguiram que sua determinacdo do Absoluto se desfizesse das manobras de Kant, que impediam que a absolutez de Deus perdesse sua dimensio transcendente e acabasse reduzindo perigosamente, sobretudo em Fichte e Hegel, esta absolutez as dimensdes do sujeito humano absolutizado.!! H4, entretanto, nesta filosofia importante reflexdo sobre 0 Absoluto que corresponde de fato experiéncia cristi de Deus; dela falaremos mais adiante. I1- 0 Absoluto, mediagao negativa de Deus Como jé foi insinuado, a mediagdo da experiéncia crista de Deus através da determinacio do Absoluto tem condicionado tambem negativamente a compreensdo da realidade de Deus e, conseqilentemente, a compreensao do carater absoluto do cristianismo. De forma concreta, tem Ievado, de um lado, a pensar em Deus fundamentalmente como poder, e esta concepcao tem viciado 0 tefsmo wadicional, convertendo a fé trinitéria em monotefsmo tedrico e sobretudo pratico, que tem julgado em intimeras ocasides o papel de ideologia do poder que se reveza na historia do Ocidente, dando, assim, motivo ao protesto do atefsmo modemo.!? E tem levado, por outro lado, a identificar a absolutez de Deus com sua impassibilidade, originando, pelo menos, um divércio entre a teologia e a cristologia, entre o tratado sobre Deus e a experiéncia de Deus em Jesus, 0 Crucificado, e, definitivamente, entre 0 “De Deo Uno” e a experiéncia do Deus cristdo trinitério e de sua compreensdo teol6gica.13 Esta “aporia” da absolutez de Deus sé pode ser superada submetendo 0 préprio conceito de Absoluto a profunda transformagdo semadntica a partir da experiéncia crista do Deus trinitario. III - O Absoluto e o Deus Trinitario Na realidade, esta transformacao tem estado presente, em grau maior ou menor, em toda genuina mediacdo teoldgica de Deus através da reflexdo sobre 0 Absoluto. © Deus do tefsmo cristo jamais foi, mera e simplesmente, 0 Deus imével aristotélico. Entretanto, foi Hegel quem, desenvolvendo intui¢do propria da teologia de Lutero, pensou com toda a seriedade nesta transformagao do conceito de Absoluto a partir da experiéncia cristd do sofrimento e da morte de Deus no Crucificado. O Absoluto aparece, assim, em Hegel determinado como “identidade de identidade e nao-identidade”,!4 como Absoluto que s6 chega a ser 0 que é passando pelo outro distinto de si, pela noite da finitude, que sé ¢ Absoluto passando pela impoténcia do relativo, porque em si mesmo jé é Absoluto, tanto como comunidade de amor, quanto como Trindade.!° © esforgo de Hegel 6, neste’ sentido, incompardvel, embora’ pela sua prépria dindmica racionalista acabasse, como ja dissemos, reduzindo a dimensao de mistério do Absoluto Trinitario. Deixou, porém, aberto o caminho para uma transformagao teolégica autenticamente cristé. do teismo tradicional. Por este caminho entrou a teologia dialética protestante, principalmente D. Bonhoeffer com suas reflexes sobre a fragilidade e o sofrimento de Deus,!® J, Moltmann com sua teologia do Deus Crucificado!” e F, . Jiingel com seu destacado esforco para superar, no melhor sentido hegeliano, o tefsmo tradicional por meio de conceito de Deus que corresponda a experiéncia do Deus cristao.® Todavia, também a teologia catélica oferece notaveis tentativas de mediacéio do Deus cristéo em sua originalidade e “diferenca” por meio de nova compreensio da absolutez de Deus como absoluta fidelidade e solidariedade com os pobres e os fracos, com 0 relative e o finito maltratados e humilhados pelos falsos absolutos deste mundo. !9 [+ Agostinho, santo; Amor; Conhecimento; Cruz; Experiéncia; Filosofia; Hegelianismo; Idolatria; Nicolau de Cusa; Pobres, Deus dos; Teismo; Teologia e economia; Tomds de Aquino, santo; Transcendéncia; Trindade.] Notas ~ 1. Cf. P. Titich, La dimensién perdida, DDB, Bilbao 1970, 31s; Ip., Teologia sistemdtica 1, Sigueme, Salamanca 1983, 242s, 303s. — 2. Cf. J. Hocustaret, Negative Theologie. Ein Versuch zur Vermittlung des patristischen Begriffs, Késel, Minchen 1976, 28s, 105s. Sobre a problemética da medicag’o da experiéncia cristé no pensamento grego pode-se ver 0 estudo ja classico, de W. PANNENBERG, La asimilacién del concepto filosdfico de Dios como problema dogmatico de la antigua tealogia, em Conceptos fundamentales de teologia sistemdtica, Sigueme, Salamanca 1976, 93-149 — 3. Cf. P. TILLICH, 0.c., 246s. ~ 4. CE. W. Scuutz, FI Dios de la metafisica moderna, FCE, México 1964, 15s. 5. Cf. R. Descartes, Discurso del método, Espasa Calpe, Madri 1979, Quarta Parte; Ip., Meditaciones metafisicas, Espasa Calpe, Madri 1979, Tercera Meditacion. Cf. W. ScHU1z, 0.c., 37s. - 6. Cf. De Potentia, q. 7 a. 5: “et propter hoc illud est ultimum cognitionis humanae de Deo quod sciat se Deum nescire, in quantum cognoscit illud quod Deus est, omne ipsum quod de eo intelligimus, excedere” — 7. Cf. J. B. Metz, Antropocentrismo cristiano, Sigueme, Salamanca 1972, 93s. ~ 8. Cf. I. Kanr, Critica de la razén pura, B 668s, 786, 824s. — 9. Cf. I. KaNT, Critica de la razén préctica, cap. V - 10. Cf. I. Kant, Critica de la raz6n pura, B XXXIV ~ 11. Cf. W. ScHULZ, 0.¢., 87s, — 12. Cf. a critica do monotefsmo cristo por parte de E. PETERSON, El monoteismo como problema politico, em Tratados teolégicos, Cristiandad, Madri 1966, 27-62. Ver também C. GeFFRé, El cristianismo ante el riesgo de la interpretacién, Cristiandad, Madri 1984, 148s. ~ 13. Cf. E. JONGEL, Dios como misterio de! mundo, Sigueme, Salamanca 1984, 62s. — 14. Cf. G. W. F. Hecet, Diferencia entre el sistema de filosofia de Fichte y el de Schelling, Alianza, Madri 1989 - 15. G. W. F. HEGEL, Fenomenologia del Espiritu, FCE, México-Madri-Buenos Aires 1966, 15s, 446s; Ip., Vorlesungen iiber die Philosophie der Religion Il, em Werke, vol. 17, Suhrkamp, Frankfurt am Main 1969, 191s (Trad. cast. de R. Ferrara, 3 vol., Alianza, Madri 1987). Cf. X. PikazA, Dios como espiritu y persona. Razén humana y Misterio trinitario, Secr. Trinitario, Salamanca 1989, 118s. ~ 16. Cf. D. BonuoErrer, Resistencia y sumisién, Sigueme, Salamanca 1983, 252s. — 17.Cf. J. MoLIMANn, EI Dios crucificado, Sigueme, Salamanca 1975 ~ 18. Cf. E. JUNGEL, 0.c., passim ~ 19. Um dos primeiros intentos de repensar o ser de Deus a partir da Cruz de Jesus por parte dos tedlogos catélicos, foi o de H. MOHLEN, Die Verdinderlichkeit Gottes als Horizont einer 2ukiinftigen Christologie. Auf dem Wege zu einer Kreuzestheologie in Auseinandersetzung mit der altkirchlichen Christologie, Paderborn 1969, Porém as conseqiléncias praticas desta transformago do conceito de Deus aparece mais tarde, p. ex., em Cx. Duquoc, Dios diferente. Ensayo sobre la simbélica trinitaria, Sigueme, Salamanca 1978; Ip., Mesianismo de Jestis y discrecién de Dios, Cristiandad, Madri 1985, 51s, 182s; J. I. Gonzatez Faus, Acceso @ Jesiis, Sigueme, Salamanca 1979, 158s, e, em geral nos tedlogos da libertagao. Ver, p. ex., J. SOBRINO, Dios, em C. FLoristan/J. TAMAYO (orgs.), CFP, Cristiandad, Madri 1983, 248s. Bist iocraria ~ Além da citada nas Notas, cf. W. Ker, Absoluto, lo Absoluto, em SM I, Herder, Barcelona 1972, 9-15; M. KOHLEN, Absolut, das Absolute, em J. Rirter (org.), Historisches Wérterbuch der Philosophie I, Darmstadt’ 1971, 12-31; H. KONG, Menschwerdung Gottes. Eine Einfiihrung in Hegels theologisches Denken als Prolegomena zu einer zuktinftigen Christologie, Friburgo 1970, Excursos Il y IV; H. MOHLEN, Die abendliindische Seinsfrage als der Tod Gottes, Paderborn 1968; Ip., La mutabilita di Dio, Queriniana, Bréscia 1974; W. PaNNENBERG, Gottesgedanke und menschliche Fretheit, Gotinga 1972; X. Pixaza, Experiencia religiosa y cristianismo, Sigueme, Salamanca 1981,467s; J. M. Rovira BeLtoso, La humanidad de Dios, Secr. Trinitario, Salamanca 1986; M. THEUNISSEN, Hegels Lehre vom absoluten Geist als theologischpolitischer Traktat, Berlim 1970. Juan José Sanchez ADOCIONISMO — Subordinacionismo ADORAGAO ‘SumArio ~ I. Na Sagrada Escritura: 1. No AT; 2. No NT. II. Nos Santos Padres. Ill. Na liturgia latina. [V. Atitude religiosa: 1. Fenomenologia; 2. Teologia. V. O mistério trinitério como mistério de adoragdo. V1. Gestos de adoragdo trinitaria. I— Na Sagrada Escritura A palavra portuguesa adoragdo, do latim adoratio (adorare, gesto de aproximar a mao da boca para mandar o beijo), faz parte da linguagem religiosa universal e expressa tanto o culto que se deve a Deus (culto de Latreia: adoratio), quanto os atos, férmulas ou gestos mediante os quais se realiza (v. gr., proskynésis, prostragao, traduzida igualmente por adoratio). 1. No AT ~ A adoracdo se denomina histahawah e sagad (proskynésis nos LXX), que aludem a inclinagdo corporal “até o chao” (Gn 18,2; 33,3 etc.). Dirige-se ao Deus verdadeiro (Gn 22,5; Ex 4,31; Dt 26,10) e aos anjos do Senhor que o representam (Gn 18,2; 19,1 etc.). As vezes, contudo, também se dirige aos idolos (Ex 20,5: a proibicao do primeiro mandamenio divino, Dt 4,9; IRs 22,54; Is 2,8 etc.) e até aos homens (Gn 23,7.12), reis (1Sm 24,9), profetas (2Rs 2,15; 4,37) etc., gesto proibido mais tarde (Est 3,2.5). A adoracao é acompanhada de sacrificios (Dt 26,10; 18m 1,3), de cantos (2Cr 29,28; Eclo 50,16-18) e exortacdes (SI 95,6ss). O sentido profundo da adoracao é 0 reconhecimento da grandeza de Deus (SI 99,2.5.9). No fim dos tempos, todos os povos se prostrardo em sua presenca (Is 2,3ss; SI 22,28; 66,4 etc.). 2. No NT - Os verbos proskynein e piptein {procidere e adorare, prostrar-se e adorar), amitide juntos, fazem parte de uma colecdo de mais de trinta vocdbulos que se referem ao culto, como euldbeia (reverentia), eusebéia (pietas), latrefa (servitus), d6xa (gloria), leitourgia (ministerium) etc. A adoracio sé pode ser prestada a Deus (cf. Mt 4,10; 1Cor 14,25; Hb 11,21; Ap 4,10 etc.), embora seja prestada sacrilegamente aos idolos ou a Sata (cf. Mt 4,9; At 7,43; Ap 13,4.8 etc.). Pedro e o anjo do Apocalipse recusam a adoracao (At 10,26; Ap 19,10; 22,9). Contudo, a novidade mais importante que o NT oferece a propésito de proskynein é a de ter como termo dela Jesus, o Senhor (Fl 2,6-11; cf. Is 45,23-24; Hb 1,6; cf. SI 97,7; Dt 32,43). A adoragio a Jesus da a entender que ele é 0 Rei Messias (Mt 2,2), 0 Senhor (Mt 8,2), o Filho de Deus (Mt 14,33), que é invocado para se obter a salvacdo (Mt 8, 2; 9,18; Mc 5,6-7) e que é confessado como tal (Jo 9,38), principalmente a partir da manifestagdo do poder da ressurreicao (Mt 28,9.17; Le 24,52; Jo 20,28; cf. At 2,36; Rm 1,4). A adoracao, pois, é gesto religioso, por meio do qual o homem demonstra quem é seu Dono e Senhor (Ap 14,7). Em sentido absoluto, proskynein significa participar do culto, fazer oracao, adorar, e indica, outrossim, o lugar onde se manifesta a presenca de Deus, como Jerusalém (Jo 12,20; At 8,27; 24,11). A questo que a samaritana expés a Jesus se referia ao lugar do culto (Jo 4,20), mas a resposta, dentro da perspectiva da novidade da “hora” da glorificacao de Jesus, fala da tinica adoracdo possivel agora, a adoracao “no Espirito e na verdade” (Jo 4,23-24), isto é, sob a ado do Espirito Santo e no interior do templo novo (Jo 2,19-22; 7,37-39; Ap 21,22), na verdade que € 0 préprio Jesus (cf. Jo 14,6; 8,32). Esta realidade condiciona para sempre a nocao de adoragao e se encontra na base da liturgia crista. I1-Nos santos Padres Os apologistas foram os primeiros a reivindicar a adoracao sé para Deus, diante da reprovacao dos pagiios que os acusavam de adorar um homem, Jesus.” As Atas dos Martires dao testemunho de que os cristéos reservavam a adoracéo a Deus, negando-se em particular a adorar os imperadores. A adoracio devida ao Filho € ao Espirito Santo, como expressao de sua divindade, aparece em intimeros testemunhos.? II - Na liturgia latina Especialmente na romana, observa-se a dependéncia da Sagrada Escritura, tanto para referir-se a adoracao (adorare) em si quanto em relagao ao seu objeto, que é Deus, Jesus Cristo como Deus e como homem,* 0 Santissimo Sacramento (Adoro te devote, latens deitas), a cruz (rubricas da Sexta-feira Santa). A Santissima Trindade é evidentemente, objeto da adoragao aeternae gloriae Trinitatis agnoscere et unitatem adorare in potentia maiestatis;> et in maiestate adoretur aequalitas.® Adorare costuma ser acompanhado de outros verbos que completam seu significado: glorificare (hino Gloria), laudare (prefacio), venerari (hino Pange lingua) etc., e se dirige a Deus com termos como maiestas tua, nomen tuum, pietas tua etc., e com uma série de expressées de glorificagao e louvor entre as quais se destacam gloria, honor, laus etc. ‘Nao s6 os salmos do oficio Divino terminam sempre com a doxologia Gloria Patri, mas também todos os hinos, em que a palavra mais usada costuma ser gloria. Estes contém numerosas formulas de adoraco inspiradas no NT, como ipsi (Deo) gloria in saecula (cf. Rm 11,36), porém, na maioria das vezes, originais.” IV ~Atitude religiosa 1, Fenomenotocia — A adoracdo é o sentimento religioso mais importante, a atitude religiosa fundamental. Constitui a homenagem da criatura ao seu Criador, 0 reconhecimento da mais profunda dependéncia. A adoracao se acha impregnada, de um lado, pela admiracéio em face da insondabilidade do mistério divino pela inteligéncia humana e, de outro, do afeto do coracao humano para com a bondade de Deus que procura o bem de suas criaturas. © amor confiante e filial caracteriza a adoracdo, de modo que o homem se abandona totalmente Aquele que Ihe deu 0 ser e que poderia submergi-lo de novo no nada. Ora, este abandono total é ato positivo para o adorador que, longe de perder alguma coisa, se auto-realiza. A adoracdo repousa sobre trés pressupostos: a) a existéncia de um eu totalmente dependente, contingente, sem valor préprio, limitado e pecador; b) a existéncia de um Absoluto personificado de modo geral, Deus que é pura bondade; e c) a conexdo da salvacdo como fim da existéncia humana na aceitacdo dos dois primeiros pressupostos por parte do homem. Para praticar qualquer forma de culto com sentido de adoracao, o homem tem de ser asceta que reconhece haver muito que purificar na condi¢o humana, e até mesmo muito a que preciso renunciar porque nao possui valor em si mesmo e impede o homem de se abandonar ao Criador. © adorador, porém, tem de ser, outrossim, mistico que descobriu que s6 Deus ¢ 0 Ser total, a realidade verdadeira, a perfeicdo suma e eterna. O adorador se deixa inundar pelo sentido de Deus, no como causa primeira ou poder supremo, mas, sim, como presenga, simultaneamente imanente e transcendente, que o invade todo e o governa todo como providéncia atenta. No fundo, a adorago se identifica com o amor que capacita para celebrar Deus e dar-lhe a gloria e a honra que lhe sdo devidas. ‘A adoracao vai além da oragSo no sentido de que é a revelacdio da fé e sua conseqiiéncia. Quem cré adora, e nao sé reza. A desgraca, a infelicidade ensinam a orar e a pedir, porém nao a adorar. Quem adora esqueceu a oracao e s6 conhece a majestade de Deus.® A adoracio 6 a alma do culto, de maneira tal que, gracas a ela, coincidem por completo realidade interna e forma externa, Mas as formas extemas, que sio mediapéo exigida pela corporeidade humana, sfo as vezes ultrapassadas pela presenca do mistério. Assim, no canto comunitario, do hymnus, chega um momento em que ele fica sem palavras e se transforma em jubilus, para expressar 0 que a palavra nao pode dizer. Deus espera que 0 homem aja deste modo, que dobre, antes de tudo, sua mente e seu coracdo mediante a conversao e o arrependimento: “dobrar os joelhos do coracao”.!0 2. Trotocta — A teologia considera a adoracdo como o ato proprio da virtude da religido e distingue, em razao da exceléncia do ato, culto de latria devido de maneira absoluta somente a Deus e a cada uma das pessoas divinas e, de maneira relativa, & Cruz, as imagens de Cristo e as reliquias da paixo, e culto de dulia, que se presta aos servos de Deus - anjos e santos — que participam da dignidade divina. O culto da Virgem Maria se denomina hiperdulia, por causa de sua vinculagao especial com 0 mistério de Cristo. ‘As primeiras heresias, como 0 arianismo, tendiam a reservar a adoracdo unicamente ao Pai, mas os primeiros concilios ecuménicos (Nicéia, a. 325; e Constantinopla I, a. 381) fixam neste ponto a fé e a atitude cultual da Igreja. Depois foi levantada a questo da adoracdo da humanidade de Cristo, que se resolve com base na unidade da pessoa do Verbo (Efeso, a. 431 Constantinopla II, a. 553). Mais complexa foi a controvérsia dos iconoclastas, que condenavam a proskynesis diante das imagens. A controvérsia fica resolvida no Concilio IT de Nicéia (a. 787), com a aceitacao da proskynesis diante das imagens, porque se orienta para o que representam, distinguindo-a, porém, da latrefa devida unicamente a Deus (cf. DS 601). No Ocidente, & margem das lutas iconoclastas, estabelece-se a distincao entre latria e dulia de um lado, e latria absoluta e latria relativa do outro, como se disse antes.!! Esta é a doutrina que o Concilio de Trento adota, embora sem aludir a esta wiltima distingao (cf. DS 1821-1825). Trento referiu-se também a adoragao a Cristo na eucaristia com o culto de Jatria até mesmo externo (cf. DS 1656). A base desta doutrina é a mesma que justifica a adoragdo da humanidade do Verbo encarnado. A espiritualidade cristé, com diversos matizes de acordo com as escolas, faz da adoracdo 0 primeiro objetivo da vida no Espirito. De maneira particular considera a celebracao eucaristica como 0 exercicio de adoracdo mais perfeito e integral, ndo somente por serem os primeiros fins da celebragao o louvor e a ago de gracas, mas também porque, na acio litirgica e sobretudo no sacramento eucaristico 0 Senhor ressuscitado se torna presente com sua humanidade vivificada e vivificante pelo Espirito Santo (cf. PO 5; SC 7; 10; LG 11). V - 0 Mistério trinitario como mistério de adoracao Deus, adorado em si mesmo e em cada uma de suas perfeicdes, ha de sé-lo principalmente no mistério de seu ser mais intimo: Unum Deum in Trinitate et Trinitatem in unitatem veneremur, diz 0 Simbolo Quicumque (DS 75). © Simbolo Niceno-constantinopolitano, ao confessar a personalidade divina do Espirito Santo, afirmava também: qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur (DS 150). Os textos da Missa da solenidade da da Santissima Trindade, citados anteriormente, evidenciam, outrossim, esta mesma adoracdo. De fato, toda a liturgia e, de maneira particular, o oficio Divino e a celebracao eucaristica possuem orientagio latréutica e doxolégica, expresso do dinamismo bendicional ascendente — bendizer a Deus por suas obras — e descendente — invocagao do nome de Deus sobre os homens — que a orago biblica possui.!2 A adoragao da Trindade evidencia-se também em diversas devocdes do povo cristo para com este mistério. Entre tais devogdes destacam-se a lembranca da presenca de Deus, a consciéncia da inabitagdo trinitdria, a busca dos tragos de Deus nas criaturas, a veneragao do batismo, e a devogao especifica ao Pai, ao Verbo e ao Espirito Santo.13 Os mestres da espiritualidade crista, de um modo ou de outro, referem-se também a presenga da vida trinitaria nos batizados, a partir da condicao filial destes e da inabitagdo das pessoas divinas nos justos. A unido pessoal com o Deus trinitario ¢ também objeto de contemplacao amorosa e de gratidao gozosa. Conhecimento e amor, sob a acdo do Espirito que da testemunho a0 nosso espirito de que somos filhos de Deus (cf. Rm 8,15-16), sdo igualmente condigdes para adorar a presenca divina no coragdo dos crentes: “O modo especial da presenga divina, peculiar da alma racional, consiste precisamente no fato de que Deus estd nela como o conhecido esta naquele que o conhece, e 0 amado no amante. E porque, conhecendo e amando, a alma racional aplica sua operagao ao préprio Deus, por isso, conforme este modo especial, se diz que Deus nao 6 estd na criatura racional, mas também que nela habita como em um templo”.!4 VI - Gestos de adoragao trinitaria O ato espiritual da adoracdo se traduz necessariamente em alguns gestos caracteristicos, como genuflexdes, inclinacées, prostracdes etc. Em si estes gestos nao so exclusivamente religiosos, nem foram sempre reservados A divindade. Nao obstante, no Ambito religioso, manifestam a atitude profunda do homem para com Deus, especialmente quando Ihe presta culto ou se dedica oracdo: “Os que oram adotam a posi¢ao corporal que convém a oracao. Péem-se de joelhos, estendem as mos, prostram-se no chao e fazem outros gestos externos do mesmo tipor.1> Entre os diversos gestos que expressam a atitude religiosa dos crentes em face do Deus revelado por Jesus Cristo, ha alguns de matiz trinitdrio. O principal de todos é 0 sinal da cruz invocando as trés pessoas divinas ou sobre si mesmo, ou sobre o povo para abencod-lo, ou sobre quem recebe um sacramento. O sinal da cruz é constatado desde os primeiros tempos da Igreja,1© nao s6 como evocacéo do mistério pascal, mas também em sentido trinitario e batismal (cf. Mt 28,19), O atual Ordo Missae do Missal Romano situa no comeco da celebracao eucaristica a invocago trinitaria.17 © sinal da cruz com a mencdo das pessoas divinas aparece, outrossim, em varios sacramentos e sacramentais, embora a reforma liturgica do Vaticano IT tenha reduzido 0 ntimero destes gestos, multiplicados na época da influéncia franco-germanica sobre a liturgia romana. No século VI, no Oriente, introduziu-se o costume de fazer o sinal da cruz com dois (polegar e indicador) ou trés dedos abertos (polegar, indicador e médio) e os outros fechados, Para expressar as duas naturezas de Cristo ou a Santissima Trindade. Este costume passou depois a0 Ocidente, sendo posteriormente substituido pela mao aberta.18 [> Angelologia; Batismo; Concilios; Cruz; Doxologia; Espirito Santo; Eucaristia; Gloria; Filho; icone; Idolatria; Inabitagdo; Jesus Cristo; Liturgia; Maria; Mistério; Pai; Oragdo; Trindade; Verbo; Vida cristé.] Notas ~ 1. Sobre este texto veja-se I. de la Porrerie, La verité dans saint-Jean, 2, Roma 1977, 637-706; J. Lopez Marin, “En el Espiritu y en la verdad”. Introduccién a la liturgia, Secretariado Trinitario, Salamanca 1987, 23-57 (Bibl.) — 2. SAo JusTINo, Apol 1,17; Dial. 126: ed. D. Ruiz BUENO, Padres Apologistas griegos, BAC, Madri 1954, 200 e 523 - 3. A respeito do Filho: Sanro EptrAn1o, Haeres. 30: PG 41, 456; OriGENEs, Cont. Cels. 8,12: PG 11, 1533; SAo GreGorio Naz., Orat. 45 in S. Pascha 34: PG 35, 634 etc. A respeito do Espirito Santo: SAO JusTINO, Apol. 1,6: org. D. RUIZ BUENO, 0.c., 187; SANTO EPIFANIO, Haeres. Ill,1: PG 42, 488; So Grecorio Naz., Orat. theol. V: PG 35, 563 etc. — 4. Sacramentarium Veronense, ed. L.. C. Mouaaerc, Rome 1956, n. 1328 - 5. Missal Romano, Oracao da solenidade da SSma. Trindade ~ 6. Ibid. prefacio da mesma solenidade ~ 7. Vejam-se as doxologias recolhidas em A. BLAISE, Le vocabulaire latin des principaux thémes liuurgiques, Brepols, Turhout 1966, 150-152, e em N. Sitanes, La Santisima Trinidad en las fuentes de la liturgia, Secretariado Trinitario, Salamanca 1969, 86-88 - 8. G. VAN ER LEEUW, Fenomenologia de la Religién, México 1964, 515, Citando M. Scheler ~ 9.G. VAN DER LEEUW, 0.¢., p. 515 citando santo Agostinho ~ 10. Didasc. et Const. Apost. II,22,14: ed. F. X. Funk, 1, Paderborn 1905, 86-87 - 11 Sto. TomAs, SumTh. III, q. 25, a.2 e a. 3 - 12, Vejam-se, p. ex., A. Aue, Esquisse historique de la “benédiction” juive et de la “eucharistie” chrétienne: RevBib 65 (1958) 371-399; L. Matponano, La plegaria eucaristica, BAC, Madri 1967, 4-151; C. Giraupo, La struttura letteraria della preghiera eucaristica. Saggio sulla genesi litteraria di una forma, “Analecta Biblica” 92, Roma 1981; J. M. SANCHEZ Caro, Eulogia y eucaristia, em Eucaristia y Trinidad, “Semanas de Estudios Trinitarios” 24, Salamanca 1990, 11-43 - 13. Veja-se E. Bertaup-A. Ratz, art. Dévotions, em DSpir 3 (1957) 747-778, aqui col. 761-764 (devocées trinitérias), 764-765 (devocao ao Espirito Santo) e 765-71 (devogGes a Cristo) ~ 14, Sto. TomAs DE AQUINO, SumTh I, q. 43. a.3. Veja-se também Tract. de SS. Trinitatis mysterio, q. 17, a. 3,10- 12 - 15. Santo AGosTiNHo, De cura pro mortuis 5: PL 40,579 — 16. Veja-se A. G. Martimort, La Iglesia en oracién, Barcelona 1987, 208 (Bibl.) - 17. Ibid. 497; e J. Hermans, La celebracién dell’eucaristia, Per una comprensione teologico-pastorale della Messa secondo il Messale Romano, Leumann-Turim 1985, 158-160 = 18. M. RIGHETT, Historia de la Liturgia, 1, BAC, Madri 1955, 335. Biptiocraria — E. BEURLIER, art. Adoration: DTC 1 (1903) 437-442; C. Cipien, Art. Gestos: NDL (1987) 913-929; M. GaucHERON, art. Adoration: Cathol 1 (1948) 157-159; C. Gonzatez, La adoracién eucaristica, San Pablo, Madri 1990; H. GReeVEN, art. proskyné6-proskynétés: TWNT 6 (1959) 759-767; e GLNT 11 (1977) 379-402; H. LecLeRca, art. Adoration: DACL 1 (1903) 539-546; E. J. LENGELING, art, Culto: CFT 1 (1966) 353-373; A. MotteN, art. Adoration: DSpir 1 (1936) 210-222; H. ScHOnwels, art. Oracién (proskynéo): DINT 3 (1980) 222-223; A. M. TRIACCA, Gestes et paroles dans les diverses familles liturgiques, Conférences Saint-Serge 1977, Centro Lit. Vicenziano, Roma 1978; H. ZIMMERMANN, art. Adoracién: DTB (1967) 16-23. Julién Lépez Martin AGNOSTICISMO SuMARio ~ I, Agnosticismo e ateismo. I. Agnosticismo metafisico. III. Reconhecer o mistério religioso nao é agnosticismo. 1 - Agnosticismo e ateismo Hoje, e neste Ocidente a que pertence o hemisfério Norte, ndo mais se vive no horizonte teista; em nossos dias, 0 ateismo e 0 agnosticismo se converteram no clima facticio, embora certo esquecimento de Deus tenha ocorrido até nos momentos histéricos em que menos possivel pudesse parecer tal ocorréncia; disto ja se queixava amargamente o profeta: “Até a cegonha no céu conhece o seu tempo; a pomba, a andorinha e o grou observam o tempo de sua migracaio. Mas 0 meu povo néio conhece o direito de lahweh!” (Jr 8,7). Em todo caso, voltou a soar a hora em que o insensato torna a dizer no seu coragao: “Nao hd Deus!” (Sl 53,2-4). Ou nem sequer chega a dizé-lo, posto que existem pessoas tio despreocupadas com a questo de Deus, que sequer se ocupam com despreocupar-se. ‘Assim sendo as coisas, a diferenca entre agnésticos e ateus (depois de passado 0 ardor “anti” do ateismo militante prdprio de um Bakunin ou de um Nietzsche) fica muito fraca. Com efeito, enquanto Enrique Tierno Galvan afirma que “o agnéstico sabe que ‘ha o que ha e nao ha mais’ »1, Xavier Zubiri escreve que para o ateu a vida nao € problema tiltimo, e o que é e nada mais, a pura facticidade: “E a vida que repousa sobre si mesma”.2 ‘Como se vé, 0 mesmo que para Tierno constitui a esséncia do agnosticismo, para Zubiri é a esséncia do ateismo. Mas, entdo, serd que niio existem diferencas? Talvez a diferenca fundamental consista no fato de que, enquanto o ateu opta pela facticidade hermeneuticamente, isto é, argumentativamente, 0 agnéstico se instalaria na mesma atitude, porém sem justificd-la. Observemos nesta direcdo Zubiri: O atefsmo “é interpretagdo, e tio interpretacéo quanto o admitir a realidade de Deus... Quem admite a realidade de Deus tem que apresentar suas razdes; mas tem que apresenta-las também quem vé o poder do real como pura facticidade. O ateismo nio é , pois, a atitude priméria’.> Desta forma, o atefsmo é exatamente a