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UNIFEV – Centro Universitário de Votuporanga

Curso de Direito
Teoria Geral do Processo II – Professor Walter Sampaio
4ª período – Turma A – Noturno

Artigo apresentado a disciplina de Teoria Geral
do Processo (TGP II) do Professor Walter
Sampaio como critério para obtenção de nota
para o segundo bimestre do segundo semestre
do 4º período do curso de direito da UNIFEV.

Danilo Zanardi – RA 85461
Guilherme Freitas das Silva – RA 47054
Paulo Junior Ataide Pereira – RA 90456

ATIVISMO JUDIAL E O NOVO CPC Danilo Zanardi Vissoto – 85461 Guilherme Freitas da Silva – 47054 Paulo Junior Ataide Pereira – 90456 Alunos do 4º período de Direito da UNIFEV Área do direito: Teoria Geral do Processo Resumo: O presente artigo. frente as novas realidades e necessidade jurídicas. apresentado a disciplina de TGP II. Para tanto. 1. 4 – Conclusão. 2. bem como sua aplicação no direito contemporâneo.Judicialização da política. Introdução Tratar do ativismo judicial é tema relevantíssimo para o atual cenário político e democrático. judicialização da política.Introdução. 2 – Jurisdição. Também. direito civil. 1. Palavra-Chave: Ativismo judicial. 1 . uma vez que trata de uma das instituições mais basilares do Estado brasileiro.1 – Dos direitos fundamentais sociais.2 – Do neopositivismo e do neoconstitucionalismo. direitos fundamentais. utilizamos o método de pesquisa bibliográfica buscando na voz dos grandes doutrinadores brasileiro compreender conceito abstratos e posturas que remetam a uma crítica sadia da atual situação do judiciário brasileiro visando demonstrar a relevância da discussão sobre as posturas tomadas pelo judiciário.1 Conceito. faz-se necessário uma individualização do que seria ativismo judicial e judicialização da política visando distinguir ambos os processos judiciais e dirimir quaisquer dúvidas a respeito do assunto. 3 . bastião da Constituição e dos direitos fundamentais. tem o objetivo de suscitar uma discussão ampla acerca das origens do ativismo judicial e a necessidade de analisar os pressupostos jurídicos que envolvem o tema. novo CPC. Sumário: 1. 1. 3.1 – O ativismo judicial junto ao novo CPC. legais e filosóficas deste país.

1. afastando este de seus limites para assim. nem na Constituição. Segundo Luís Roberto Barroso.. Há dessa maneira. conforme esclarece Vanice Regina Lírio do Valle. pois entre os juristas não há um consenso sobre qual o real significado do termo.. (iii) a imposição de condutas ou de abstenções ao Poder Público. 2010) E ainda.1. (RAMOS. a ideia de ativismo judicial estaria relacionada: (i) a aplicação direta da Constituição a situações não expressamente contempladas em seu texto e independentemente de manifestação do legislador ordinário. segundo os ensinamentos de Luiz Flavio Gomes. da função de governo. está na dificuldade de interpretação do processo constitucional. ou seja.1 Conceito O termo ativismo judicial é de difícil conceituação. mas também da função administrativa.2 Do neopositivismo e o neoconstitucionalismo Para compreender melhor o processo do ativismo do judiciário.]a ultrapassagem das linhas demarcatórias da função jurisdicional. o ativismo judicial entende-se por: [.. buscando concretizar os valores constitucionais.. aplicar a Constituição Federal. principalmente da função legislativa. há o dever de primeiro se identificar qual é a correta interpretação de um determinado texto constitucional. interferindo nos outros Poderes da União. e até mesmo. Ainda segundo o mencionado autor. (ii) a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos emanados do legislador. uma descaracterização das atribuições do Poder Judiciário. (GOMES. Pois para identificar uma decisão como ativismo ou não. notadamente em matéria de políticas públicas. Elival da Silva Ramos tem em sua visão. nem nos tratados. com base em critérios menos rígidos que os de patente e ostensiva violação da Constituição. ocorre ativismo judicial quando o juiz ‘cria’ uma norma nova. resolvendo litígios de feições subjetivas (conflitos de interesse) e controvérsias jurídicas de natureza objetiva (conflitos normativos). 2010) Assim conclui o supracitado autor que: Por ativismo judicial deve-se entender o exercício da função jurisdicional para além dos limites impostos pelo próprio ordenamento que incumbe. o ativismo judicial como sendo: [. 2009) O problema para conceituar o ativismo judicial. ao Poder Judiciário fazer atuar. institucionalmente. 2 . usurpando a tarefa do legislador. (RAMOS. intensa e ampla do Poder Judiciário. ativismo judicial estaria ligado à uma postura mais ativa. é preciso entender como ele se deu e como se deram seus pressupostos históricos. em detrimento. quando o juiz inventa uma norma não contemplada nem na lei.] uma espécie de intromissão indevida do Judiciário na função legislativa.

Essa visão do direito visa superar a antiquada afirmação que de a ação humana deve ser moldada a norma positiva. mas a criação de norma com base nas ações humanas baseado na observação das mesmas. temos que o processo que originou o ativismo judicial é fruto de neopositivismo jurídico. autoridade para reverter qualquer processo legal que contrarie as normas constitucionais.Com o advento do século XX e o desenvolvimento de teorias jurídicas que levavam em conta a ação humana para a positivação direito. consolida e valoriza a atuação jurisdicional desse poder. mas porque normalmente as pessoas cedem seus lugares para idosos e porque eles precisam disso é que se cria a lei tornando obrigatório o assento preferencial para idoso. por exemplo. é o judiciário que detêm o dever de ser o bastião da Constituição. cobrir qualquer brecha que exponha a fragilidade de qualquer monumento jurídico. pela valorização das normas constitucionais. Vale ressaltar também o importante papel de movimentos jurídicos surgidos na Europa e América do Norte que. também cabe ao judiciário. haja vista o caso do aborto de crianças com anencefalia. suas aplicações e sua criação. fica claro que o poder constituinte originário dá ao STF e a todos os demais órgãos subsidiários. bem como do neoconstitucionalismo que. começaram a promover diversos debates mundo a fora sobre a necessidade de reafirmar os direitos fundamentais das pessoas e da dignidade humana. Este processo trouxe à tona uma nova discussão sobre o papel fundamental que as Constituições Nacionais têm para garantir que a defesa da dignidade humana esteja acima de qualquer norma jurídica ou princípio político. visando suprimir qualquer lacuna nas leis e para dirimir qualquer tibieza na letra da lei. a ação se enquadra literalmente dentro de uma forma que é a lei. a pessoa não sede seu lugar para o idoso no banco do ônibus por que antes havia uma lei para isso. temos dois movimentos jurídicos supranacionais que visando proteger a vida e a dignidade humana promoveram uma verdadeira revolução nos processos jurídicos do mundo em que não mais se dá tanto valor as normais civis. dando ao judiciário poder para defender a constituição com toda a força. Portanto. E se tratando de CF. E para tanto. nas palavras de Kelsen. Tal fato se evidencia na recente Constituição Brasileira de 1988 em que os dizeres da CF são usados como medida e paradigma axiológico para a validade de qualquer norma. Ora. de certo modo. O neopositivimos jurídico credita a criação das normas não a um enquadramento da ação a uma norma. sobretudo. inclusive com força para contrapor-se aos demais Poderes democráticos em matéria de lei. 3 . o neopositivimos. o órgão responsável pela sua defesa plena em detrimento dos demais poderes da Nação. surge no direito europeu uma nova forma de enxergar as normas jurídicas. ante tais fatos. O STF adquire o status de julgador das próprias leis e de sua abrangência dentro do âmbito legal. mas se presa. observando os horrores das duas grandes guerras. Assim. Assim.

portanto. Esta proteção da Constituição será exercida pela jurisdição constitucional. assumem caráter primário nas discussões jurídicas. no que tange a aplicação dos direitos fundamentais sociais. o Estado poderá ser condenado. novas ou conhecidas. não perca o conhecimento já adquirido e adapte e atualize os conceitos. sobretudo os sociais.. para intervir nos demais Poderes com a finalidade de garantir os direitos constitucionais. através da análise de requisitos formais e materiais das leis. a estratégia é efetivar um sistema de controle de constitucionalidade que não descarte o raciocínio empreendido pela corte e. vêm se apresentando como parâmetros teóricos a justificar uma tendência expansionista dos poderes decisórios do Supremo Tribunal Federal. a jurisdição constitucional define que os três Poderes devem agir baseados nos preceitos constitucionais e em consequência dessa jurisdição. e a Constituição deixa de ser um documento político para se tornar uma norma jurídica com hierarquia superior às demais normas. (VALLE. a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e também o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. Para tanto.] um conjunto de categorias jurídicas. independentemente se as constituições reconhecessem ou não. pois a base da Constituição e justamente a defesa da dignidade da pessoa. Uma vez mais. Através de uma interpretação sistemática da Constituição Federal em seu artigo 5°. pois tratam de direitos relacionados à dignidade da pessoa humana. Jurisdição A partir do momento em que ocorre a consolidação do Estado Constitucional. 2009) Além dessa definição. 2. definida por Vanice Regina Lírio do Valle como: [. ante tais fatos. houve também a necessidade de criação de um controle de constitucionalidade para a proteção da Constituição. juntamente com o artigo 6°. não importando se as constituições reconhecem ou não.2.1 Direitos Fundamentais Sociais Destarte. fizeram com que os direitos sociais fossem elevados ao nível de direitos humanos. pois aqueles têm uma abrangência universal. Estes direitos se distinguem dos direitos fundamentais. é possível afirmar que havendo omissão do Estado. Sociais e Culturais de 1966. que trata dos direitos sociais. através de uma 4 . Já estes dependem da positivação dos direitos humanos. o Poder Judiciário deixa de ser neutro. que na sua delimitação original ou com fronteiras reafixadas. os direitos fundamentais.. §1° que trata que os direitos fundamentais têm aplicabilidade imediata. pelas legislações vigentes de cada país. nos termos da nova realidade.

O termo se refere à transferência de uma parcela do poder político para os tribunais. torna-se difícil distinguir entre um “direito” e um "interesse político”. um aspecto garantidor de direitos ao cidadão e formatando e tomando decisões sobre os papeis dos outros dois poderes. que se converteu num autêntico poder político. importar um remédio para tratamento de determinada doença. Normalmente ele se instala em situações de retração do Poder Legislativo. frequentam os mesmos lugares. a rigor. nesta esteira. a intitulada Judicialização da Política teve sua ascensão juntamente com o Constitucionalismo. (CASTRO. A judicialização. pelas mesmas causas imediatas. como por exemplo. fazendo a guarda da constituição e atendendo a crescente demanda por justiça na sociedade. em uma obrigação de fazer. A idéia de ativismo judicial está associada a uma participação mais ampla e intensa do Judiciário na concretização dos valores e fins constitucionais. O ministro do STF Luis Roberto Barroso explana: A judicialização e o ativismo judicial são primos. Sob tais condições ocorre uma certa aproximação entre direito e política e. Já o ativismo judicial é uma atitude. 2010) Barroso dá causa à Judicialização da Política.intervenção do Poder Judiciário (aí presente o ativismo judicial). Parte dessa Judicialização se deve principalmente à crescente responsabilidade do Judiciário em deliberar sobre políticas públicas. portanto. ao juiz cabe dela conhecer. considera que: A judicialização da política ocorre porque os tribunais são chamados a se pronunciar onde o funcionamento do legislativo e executivo se mostram falhos. subjetiva ou objetiva. uma circunstância que decorre do modelo constitucional que se adotou. mas não têm as mesmas origens. é um fato. sem alternativa. Vêm. impedindo que as demandas sociais sejam atendidas de maneira efetiva. da mesma família. o fortalecimento da democracia Brasileira bem como a promulgação da Carta Magna de 1988. a Constituição de 1988 fortaleceu e consolidou o Poder Judiciário transferindo a este. insuficientes ou insatisfatórios. de certo descolamento entre a classe política e a sociedade civil. em vários casos. Judicialização da política Embora o Brasil venha cultivando esta prática nas últimas décadas. os Tribunais passaram a enfrentar questões políticas como sendo de interesse constitucional. Não são gerados. o Judiciário decidiu porque era o que lhe cabia fazer. ou seja. decidindo a matéria. até então o poder judiciário era visto como uma divisão rigorosamente técnica. (BARROSO. expandindo o seu sentido e alcance. Se uma norma constitucional permite que dela se deduza uma pretensão. e não um exercício deliberado de vontade política. 3. 1997) É inequívoco que no direito brasileiro. particularmente aquelas que versam sobre direitos garantidos constitucionalmente de modo que impasses morais e políticos são transferidos do meio político para os Tribunais. ideia de Supremacia Constitucional desenvolvida na Constituição Americana de 1787. Em todos os casos referidos acima. no contexto brasileiro. 5 . a escolha de um modo específico e proativo de interpretar a Constituição. Marcos Faro Castro. Executivo e Legislativo.

Princípios como a da ampliação do acesso à justiça. sufocando e dando margem ao Poder Judiciário para que pratique o chamado Ativismo Judicial. o ativismo judicial deve sofrer um processo de desenvolvimento orgânico e natural. de modo que as regras legais fossem aproximadas e harmonizadas com os princípios existentes na constituição com o intuito de promover uma integração entre o direito processual e os direitos fundamentais expressos na constituição e tão prezados pelo Ativismo Judicial. impelido a buscar uma maior concretude das normas. o que de certo modo torna-se contraproducente diante da exponencial demanda por tutela de interesses levadas ao Poder Judiciário. o Poder Judiciário foi e. 2014) Em razão da ineficiência dos Poderes Executivo e Legislativo. consentâneas com a realidade social. como fruto direto do neoconstitucionalismo. 4. Conclusão Diante do exposto no presente trabalho.3. percebemos que o ativismo judicial é um processo relativamente recente dentro do cenário jurídico e filosófico e ainda está em formação e desenvolvimento. apesar de ter encontrado. bem como que o Executivo implemente as políticas públicas necessárias a concretização dos direitos expressos em nossa Carta Magna. É necessário para controlar a crescente demanda jurisdicional que o Poder Legislativo assuma efetivamente o seu papel. De qualquer forma. através de decisões mais eficazes. O que fica evidente é que. sobre o tema. tem cabido aos tribunais. A promulgação de uma decisão justa virou objetivo do processo estendendo ao magistrado o dever de garantir a efetividade na tutela dos interesses discutidos no processo. “legislando”. assevera ainda: Como conseqüência da sociedade massificada em que vivemos e diante da coletivização das demandas. assegurados e ampliados. A procuradora federal Kellen Cristina de Andrade Avila. como qualquer outro sistema jurídico e não deve ser forçado nem favorável e nem desfavoravelmente de modo que mostre sua força de se vincular diretamente ou de ser abandonado. claramente existe dentro do judiciário uma ampla defesa da necessidade de manter e de ampliar esse ativismo de modo que os direitos fundamentais sejam preservados. ainda está sendo. desde seu nascimento precoce. legislar sobre matérias em que o legislador foi omisso. em especial deste último. sendo proativo sobre matérias cuja omissão leva os titulares de direitos a socorrerem-se do Judiciário.1 O ativismo judicial frente ao novo CPC Na construção do vigente Código de Processo Civil valores sociais e princípios constitucionais foram adotados como norteadores da norma. Qualquer juízo de valor emitido sobre o tema é no mínimo leviano. de certo modo. 6 . também foram trazidos como norteadores do título. (AVILA. defensores e detratores.

Vanice Regina Lírio do. Revista Brasileira de Ciências Sociais. 7 . CASTRO . Elival da Silva.br>.com.org. Parâmetros Dogmáticos. Luís Roberto. Acesso em: 19 nov.conteudojuridico. Supremo Tribunal Federal e a judicialização da Política.pdf>. Concluímos afirmando que o novo CPC tem papel fundamental neste debate. vol. 2016. Bibliografia AVILA.br/oabeditora/users/revista/1235066670174218181901. Acesso em: 10 nov. (Org. 2009. 2009. BARROSO. GOMES. n. Marcos Faro. sobretudo dentro do legislativo.34. O STF está assumindo um "ativismo judicial" sem precedentes? Brasília: Conteúdo Jurídico. contraditório fortalecido pela alegada politização do judiciário. Disponível em: <http://www. p. Ativismo Judicial e Legitimidade Democrática. 2016. São Paulo: Saraiva. RAMOS. Ativismo judicial. 19.Obviamente ele encontra. Luiz Flávio. pois ampliando o poder do judiciário nos faz enxergar onde e como devemos limitar o poder dos juízes frente as novas demandas judiciais. Laboratório de Análise Jurisprudencial do STF. Curitiba: Juruá. 12.com. p. VALLE. e isso é sadio do ponto de vista filosófico pois possibilita um debate amplo e aberto.).br/?artigos&ver=2. 2010. Ativismo Jurisdicional e o Supremo Tribunal Federal. 107. Kellen Cristina de Andrade.conteudojuridico. 2016. Disponível em: <http://www. 2014. O projeto do novo Código de Processo Civil e o papel do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas. 25162>.oab. Disponível em: <http://www. Acesso em: 19 nov. junho/ 1997.