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‘obra podtica de Harolda de © particular, Mas, p: trabalho, reproduzim © grande poeta e Campos dispens, ra dar uma ideia do inte 105 em facsimile sais Mexic a uuotes 9Preseniiges au Net bras cin Tcussin internacional desse uma apreci ‘mo Octavio Pay lagdo de sua import Hina © significado que seu dif 2 exprimiu e} 0M 0 autor 0 le parte ie . = : . EL 10819 oxbrionay 14 rice a 1 Vertes, wos, °y nesras, 8G, Vie WOE colato, "*10%0M,, Herolio ae SUPERS Le Dortads ne «, Bevis, a nner, tn jenden. Dosta vasete nonbregs Merete, Misono, 6 Oat OU Bigs, 4 "Fy Coytion, Pousa m #9 mE feleo y Aino OF MOVindenton 108 Let Gene 4 * ccionariog 10r69 oon 7 APlL0 Donate, ye instru, brije yy oe NAULTIMA LIVRO DEVE SE} BEVOLVIDO, ae DATA 14 MAR 201 wer QO? 99) ee RIMB, Chal | MOD. U- 016 i COLEGAO stenos ditigida por Augusto de Campos, Superisio editorial J: Guinsburg Organizasao Carmen de P. Atrida Campos Projtogrifio¢ capa Sergio Kon Revisio de provas Tracema A, Oliveira Génese Andrade Produgio Ricardo W. Neves Raguel Ferma Indes Abranches Sergio Kon, HMI | lll BSE9.191 Cl9Y ¢ L009 YS, Ans 1A M.G. - BIBLIOTECA UNIVERSITARI Tas sae (Campos, Hatodo nmin / (Signos: 8) ‘de, 1929-2003, fe las de 4 Camps Sto Pa pci so H8N 978-85-275-o8 hy 1. Poesia bra oo-conget bili Te, Sc ee {indices para | ‘atélogo sistemiticg: = Posia tear brain gpg 20 BAL Lop, BIBLIOTECA UNIVERSTTARIA 23 fO' = Direitos Teservados 3 yh o oe PERSPECTIV, S.A, i an: Brigadeiro Luis Anté; “ F ‘onio, % Suen a a TERS lefax: (11) 3885-8398 Ke eel editorppenpectiva com br 2009 P17 p.2r P-25 P.27 P- 33 P.37 p.4t P45 P. 53 P. 55 P. 59 P. 65 B75 P79 p.87 P-99 nota da organizadora — carmen de p. arruda,campos adriana ascende 4 nuvém de magalhaes brinde em agosto max bense desenha épuras 0 labirinto de gershon knispel o lance de dados de monet. origo vitae 0 palimpsestos parietais de bruno giovannetti réquiem para sacilotto/operario da luz iole de freitas 2000 a musa nfo se medusa: apocalypse now circum-léquio (pur troppo non allegro) sobre © neoliberalismo terceiro-mundista senatus populusque brasiliensis © contra-senso de washington P. 103 P. 3 P15 P.119 P. 125 P. 127 P. 129 P37 P. 145 P49 P. 153 P. 157 P- 161 P. 167 Pp. 169 P-173 P. 175 P.179 P. 181 P. 185 circum- stancias a Morte vestida de ver enigma explicatio vitae rde-jade il cuore: interlé lore: inter}6quio milangs milano revisitado: 2001 pardés legenda negra ya ae 26nio dos denses lendo a iltada I 2 cE 4 5 6 7 p. 189 p. 191 p> 193 P. 197, p. 205 p.207 P. 209 p. 211 p.213 p. 215 Pp. 217 p.219 Pp. 223 p. 225 p.227 p. 229 P. 233 P. 235 p.241 P2a3 P. 245 p.247 P. 253 0 10 ur terceiras transhiminuyes odisséia, vi — homero odiss¢ia, XU, 0 canto das sereias— homero, A margem da odisséia ~nautrago aténito,> jorge guillén omeros, capitulo xx1x,.11 — dereckwalcott pernilongos ranzinzas ~ meleagro maurice scéve ganimedes — johann wolfgang von goethe amor: pintor de paisagens — johann wolfgang von goethe ideal — giosué carducci preliidio — giosué carducci de a siltima viagem de ulisses — arturo graf de a iiltima viagem, xx1y, calipso — giovanni pascoli bacante ~ gabriele d’annunzio o encontro de ulisses — gabriele @’annunzio ‘felice nioben! — gabriele d’annunzio gottfried benn 1 gottfried benn 2 da viagem terrestre e celeste de simone martini — mario luzi de caderno gbtico — mario luzi MLLENIOS u a Entremilénios, mas pelo menos cinco foramwietes organizadora levar a cabo sua tarefa. Esté‘livro ¢ unPbonPexem- | plo do processo criativo do autof'as miiltiphié atividades copod mitantes que Haroldo de Campos dévtnyolvia deixarant, martas Essogsthigos sugerem, que, poe no moitiento’ a cries dei- cone peculiares nos originaii centrava boa parte de suas energias xando em plano secundario a onganizicae do puiterial produzido, confirmando o que pude verificar n6Convivig«ditirio com ele, por muitas décadas. O conceito de “obra aberta” parecia efetivamente nortear sua produgio. Era normal ele elaborar e reelaborar os in- dices de suas obras, acrescentando, suprimindo e deslocando seus tdpicos. No caso de Entremilénios, tive de lidar com a dificuldade decorrente dessa pritica, pois localizei varios indices parcialmente discrepantes. Como era necessirio adotar um ponto de partida, escolhi 0 sumério mais completo, procurando entender suas dife- rengas ¢ semelhangas em rela¢io aos demais. Haroldo de Campos {4 havia revisto a digitago da maioria dos textos, deixando, para a menor parte deles, problemas nfo pequenos que tive de enfrentar: diferentes versdes, decifragio de grafia, complexo sistema de hi- | localizagio de folhas que incomuns de verse fenizagio, quebras davam continuidade a um mesmo poema ete. A intensidade de sua produgio assemelhava-se a de uma explosio cosmica, o que explica © fato de Piblico: q Nava 0 re 9 livro, Concebido na vir SMorou muito my, ‘Sgate © a fixa Cabe dest: te sé agora vir a ada do milénio, 56 agora : ente imagi- as tempo do que inicialmente imag) fo de su: 8 particulas luminosas, Acar também 9 paj mantive com o ay {abalho foj ioe gue Pel Fundamental das conversas q y i ficil, meu Entremilénios, Apesar de dificil, le de Pols tive mais uma vez a possibilidad produtiva de tor sobre Sratificante, Conviver com a dinamie, Sos UM escritor singular. S mente a atividade inve . : roldo de ntiva interessava efetivamente a Harold Campos, Ble . c io estava produ- maanifestaya desconforto quando nio estava pro Passava a fazélo, 4 uma tens multiplicacio velor de Mero de “indo algo nove, Quando aparente ansiedade i -fletida na anterior dava espago #0 interna diferente, refletid: : 7 eresse. O nti- SeUS vastissimos campos de interesse. O desafios criad Pos, como se os cresei Se tratasse de das barreiras de ‘9 Incrivelmente nos tltimos tem- um Ulisses concent Sua Viagem, Sy "um. Tinha pressa de interfe, do futuro =ragdO tado na superagao i é ‘o- a relacio ©0m 0 tempo era inc » Muita pressa, Minh: co oe 4 Preocupacio maior foi tir o minimo p, ossivel no projeto ori ginal. Pesquisadores me 5; avaliario se ‘ai bem on nao nesta mis CARMEN DE P. ARRUDA CAMPOS A Tiajano Vieira pinturas escritas / escritos-pinturas MILENIOS Ito (principio no uruguai em s dos anos noventa) ondethoticio quirega torcicolara sua anaconda (o bar do hotel tinha esse none) conversamos sobrea nébula melhor dizendo: anébulosa a nuvem estelar de magalhaes — a pequena ¢ a grande nuvem (onde anos oitenta uma brilhantissima! — super- nova vizinha da constelagio da tarfintula — exsurgira) ‘a trama sidérea entretecida ne: adriana buscava resolvé-la num roteiro de filme: o (vislumbrado) fio de ariadne para escapar ao minotiureo labirinto obsessivo em que a precipitara aquele torvelim pulverulento de astros dispersos fagulhando imagens 3 antes (no méxico) levara-me (ela levaram-me Seu amigy puebla migo) a puel a puebla Para que eu pudess ver a igreja barroc onde ani fortes artifice i ies tifice dos indios havia ntrapelo do enred lo crista Pastoral ¢ py, — astoreante Suas digitais re, ~orbitad. seu “4 ~ impresso. ‘versa: sua ex a sigh fitomérfic nao plumirig” (como e a de origem 1M potosi kondori Oa “ ‘nquiteto~inca a cong ra “signo 9 fizera) 4. foi entio (aj nto (dias mais tarde) © pequey eno caracol de cerémica sobrevi OV} brevivo entre detritos de algum re ive que adriana glifo ‘Moto templo? - Constructo ~ palicig? empl ‘cio? templo? derelicto 4M Portadorde. circulos 6 Concéide: | es brance ‘a fortuna (fabulei) Pensei em dar-lhe em troca outra oferenda: um cisne para sua tessitura magalhinica de idéias-icones: nao o de baudelaire nio 0 d’autre fois de mallarmé mas 0 de-gutto estefinie stefan george (aquelé que mefrendyas esmorecentes pupilas dardeja-nos unxtinpejo trans-hiynaho, a recordar-nos que : “das figuras da vidaco:¥éntidd ¢ inisondsvel”) — cisnes todos esses que cyguis /signunt no seu canto Ultimo j4 conversos em mitemas cisnencantam-se 5. assim também adriana: decifrado 0 mistério nuvioso de magalhies —_encantou-se desanuviada ° i é agora um brilho novo uma semprestrela nova um fogo de santelmo na caravela sideral do nauta céu-vagante ent MILENIOS brinde em agosto # septua- genirio! — décio barbaro alexandrino do calabreo chao de hora para osasco (a obreira) pignatari ceramista de versos tor- neados 4 mio (como no gesto inaugural da argila proto-humana ELt-0- -NOME afigurou © homem o nomenclator rubro-argiloso adio que deu 0s nomes) as- sim pignatari (décio) oleiro de poemas perfeitos como aquela Anfora grega onde negras silhuetas de herdis heteras deuses encenam suas legendas sobre o liso polido bojo Iticido-magenta ©U como esse marajoara vaso Construtivista de espontine ~ Motivos 8eométricos — Concreto: feitg ‘08 4 Poesia (a Nossa) dos cingiienta 2 a:“o carrosse]” “rumo a Nausicaa” “terra” Se ° orBismico “organismo? vietcong” (do « findo”) antes cubana” ‘mallarmé exercicio “estela, © ainda antes “fadas para enim fiori- tura neobarroca (logopaica) ¢ lila Sobretudo (io tarde sig Muito tarde com que ©5 seios agora”) Penélope inteme, (i intimorata) ternur, rata * Ucraniana em, ritila témpera de metal Tuténio © essa PetseBuicio da prosa Obsessiva Cum cAspite “Panteros” ( amarelo!”), © artista quando 4 jover) “0 rosto a ee da meméria” — “frase: 7 i ste agora prévia ur-forma deste se ' alto finalmente cozendo no _ nuvens — olaria de forno da 0 ésar” — um romance és para tirar a prosa da prosa (in progress) septuagenirio atari he ’brico” oe Fi “mallarmé calabric sto disse) (augusto augusto disse) sob o signo da ursa o set estrelo ~ sigla a dos inventores extrem em falésia — décio ledo de agosto — és oitavo também do agosto mé! : r com seu principe cantor com “op carmen de vida EN] £0M0 0 chamaste nos. dos semprevivos da“ amigos” aberta e florescendo no ‘rosa final dos quarenta ~ € até hoje Polors! &Y &rgO este copo ¢ ~ Coragio fraterno — fago um brinde agenario!) a voce (septu- Poeta dos Pignatarj Sabbro (it miglior) MILENIOS max bense desenha épuras purissimas a giz sobre a ardésia verde-lisa deslinda as triades de peirce e adentra a selva dos signos para colher prazeres precisos na fonte icénica de onde jorra a poesia: Iticida como um diagrama nitido concluso em sua Algebra de diamantes depois fascina- alumbrado pela espermitica inteligéncia tropical (selva de signos) e di com cartesius metodicamente meditando curvas e retas no planetario aterrisado em pleno plano-piloto: guiado pela mio gedmetra de joao cabral visita brasilia MILANLOS 0 labirinto de gershon knispel ts vamios 4 poldnia wir fahren nach polen dar uma tunda um juden nos judeus 21 verscholen: sova nessa corja:a solugio final: a sudstica sobre a | estrela de davi | garras em aresta | contra as amarelas | (imbeles) pontas estreladas que sangram: | amarelo-livido astro (desastrado) do mal: SZ Z 16972 WAGON A. FRANK NACH AUSCHWITZ KA-ZET 28 © Vagio vaciun ferrage estaca arfando: ‘NS Sinistras 20 lado 05 pré. Temures Ignorantes de sua iminente Condicio de larvas (0 azul arroxeando uma equimose © coagula sobre 4 pele da tela) 2 entio os Miusicos saltimbancos da morte 8 tocadores de Violino @ trombeta ~ Cordas metal Cordas — Puxando a carreta camponesa inermes feito spectros so_ olhicerradgs Outros MABLAS cabecas de fantoches Sempretoe, ‘antes: enquanto investe como um arpio aquilino a guia ndzi ago rapinante: mas ja cadaveroso um soldado azul-ferrete —crinio no elmo do ca pacete — jaz | fulminado enfim miyyad ha’ do fulgor justiceiro da | mio de elohim | 3; | tanques-tratores | € 0 general inverno | tempestuam tatuados de letras cirilicas yarrendo no rilhar das esteiras 08 restos-rastos do ddio: ich bin am ort das eis-me aqui a te schwein suina-mor a und lass mich nur somente vou pra cama mit juden ein com judeus 30 a boca do canhio vela pela Jacente valquiria (escorracada por seus con Cidadaos Dazicarrascos) — Seldhure: puta do campo de batalha loita em Stand’aberto decitbito fartos seigs esféricos madalena do arame farpado Morta ou talver €m dormevela — enquanto uma lata Jetal de gas ziklon Tola sobre estilhagos de Suastica: tudo tinto de amarelo ¢ rox luscofiasco luz e brew 4. advém entao o anjo Sobrevény © anjonde. Sobrevog baioneta-caladg © arcanjo-paraquedista — hana senesh alidourada — rompendo as farpas dos aramados resgatando da queima que avermelha 0 livros de poemas (heine brecht) — hana! — riscando o fosforo feliz que no extinguir-se incita a chama | | MILAN TOS o lance ¢ los de monet z 3 { By com monet a pintura se transfigura se transpintura se ruptura: cores esse novelo abissal de cores onde um sol pode estar | farfalhando luz | na tonica da | palavra nenéfar | ou declinando a sombra | Aureo-sattirnea desse | outro (si mesmo) nome | floral: nelumbo tudo isso vindo a ser uma azul pantera sub- aquatica cujo rugido emerge como que enjaulado na cimara de ecos do roxo do violeta do ty clanuro do citreo-blau mitileno: turquesa tirante a Snix de tio turva até ao verdeazul Mais suave aqui (suave) a ensafirarse TUge a pantera submersa © 0 que aflora €a colméj. 'a explosiva PI em ténebras oturnas ou ja aurorescendg rodod: a0 toque Puniceo do agilimo pince lActilas I capaz de estrias sob o amplo chapéu de abas- -quebra-sol gigante barbibranco —o olho convalescendo de expulsa nivosa ca~ tarata — é um que pode olhar de frente para o sol ¢ reparti-lo (como a pupila aquilina que nio se esbranca ao encarar a fulva combustio do astro hélio-fogoso) e reparti-lo em canteiros de flores- -cores no seu jardim (nao sus- penso) de givenchy edéneo onde passando a ponte de bambu o mestre (ele) joga seu jogo extremo — BM 36 bate-se armado de um punhal — Pincel em prisma — contra o escuro. a iminéncia do escuro @ negrescente oclusio da nao-cor No transcéu entio Mscreve a nova Constelagio (entre a ursa ~4™Menor e a maior —) das ninfeias MILENIOS rigo vitae i origo vitae > courbet — esta insélita aranha genesfaca no entanto comum aracnideo de uma espécie doméstica — domesticivel — pompeando como um pendio grandeaberto seu negro tosio sua felpa veludinea recortada em triingulo de cabelos intonsos — pelos intersticios pelos (entre- mentes) recorta-se a brecha de onde a vida desabrocha: grumo pérola ampola fetal ov- ante infante que emerge da amnidtica pi entio a vida grita ina placentéria: espasma i desumbilicada de seu fio nutriente ssente @ 54 NO 0co do Nascedouro Parida en_ deregando-se ao funil torvo da Morte apenas (por quanto, tempo?) melons ada aa, agora € vida buscando 0 seu viveiro a0 arenoso ritmo fluente e neutro da ampulheta que escoa © depois de gerar ci-la a vaginada aranha canibal devolta ao seu mister de vénus e pelticida 40 seu monte de pelti ridea ninfa alfombra ¢ clitoridea 1 e ao seu oficio carni- vorante crua e nua brasonada de rigados cabelos boosco deleitoso orto meio-aberto meio-ocluso entre lisas coxas branco-bi- furcadas — ora escumoso, | bucentauro de naipcias } ora 1 carenada caverna ou j sorvedouro valvulo i i | que — dionéia de cilios i licorosos drésera orvalhada purpurante ros solis — devora carne humana e lancinada goza vf MILENIOS os palimpse de bruno giovannetti stos parictais icones derelictos efemérides do efémero instincias (des)encontradas do in- (con)stante 0 olho-cimera colige as inscrigdes (as incursdes) do tempo nos muros as imagens arruinadas as destatuagens da ago do tempo na inagio mural do espao © rosto em retalhos de modigliani convive com a meia-face arborescente de picasso uma semilua em cimitarra vela sobre uma estatua eqliestre de chirico do improviso com debruns de cor 4 letras Toidas 4 asa-barbatana amarela sobre o asfalto fantasmas se esbranquicando 4 contrazyl 14 ponte carlos (praga) donne belle Misteriose insimuadas el ™ branco sobre fundo Preto, Cnte raspdes Marrom-minio © 08 destrocos da Palavra occhig carducci no muro encardido com Zonas de claridade acidentadas come geo- Brafias: ode batbarg “onstrutivismo branco- vermelho, Contra © arcos amarelo azuis convexos retos espelhos legendados: hotel missoni um volpi na curva parietal uma igreja bitorreada degraus sombras no amarelo esponjado (ou é grama germinando sob?) bandeira (sem brisa que a balance) do bra- sil: patria emurada desmesurando seu brasonirio: jalne safira anel alvitracado sépia 44 MOnstruosa dentadura Canibal ®mergindo de uma luz lodosa Sculos debrugados Sobre 0 lixe ¢. las letras: haub lorenz video pa alegorese mural da Polis pifanias de de transes (er trinsito) 4M colecionador ™m 5 cem olhos ur banos de argos ~ um arqueonauta fotimbulo MILENIOS réquiem < néstor perlongher par droit de conquéte cidadio honoririo desta (por tanta gente) desamada mal- -amada enxovalhada grafitatuada ne- -crosada cida (malamarissima) de de sio paulo de pira~ -tininga — alis paulicéia des- -vairada de mario (sorridente-de- ~6culos-e-dentes mas homo- -recluso em seu ambiguo sexo re- -calcado ~ seqiiestrado-&-ci- -liciante) de andrade (cantor humor dor — das latrinas subirricas do anhan- -gabait) ou ainda paraiso endiabrado do abaeté caraiba taumaturgo (0 pés- -velozes) anchieta canario te- -nerifenho de severa roupeta entre cem mil virgens-cunbis bronzi- (louvando a virgo em latim) -nuas alias 0 fundador ——— 16 °) éstor en hopatlistanotietig “Thtiromlatinoargenting’ ~barroso Aeleitandose AMantissimg Neste deleitose boo “TOso de sco bor- delitos (detritos): livre libérrime libertin, ene rio enfim — farejadoy trado pelo olho BTC eroto_ “Sexuada ty, de cervejg ©Or-urina) ve de maripos, Bay ~ néstoy We mea de Remniincares “Onseguiy redond, 3° NO Palato um es. “Corte Pees no AtVO-purista- ~Puritang Mas 47 (a sio paulo) com seu mesclo portu- -nhol milongueiro de lingua e céu-da- ~boca que a lambia cariciosamente até as mais internas entranhas (a esta santipau- -lista megalopolis bestafera) com esse seu (dele néstor) cunilingiiineopor- -tunhol lubrificante até lev4-la (a paulistérica) a um paro(sismico)xismo de orgasmo transtelar ~ néstor — um “cémico (um outro néstor poderia — sinchez ~ t€-lo dito) — de la lengua” — antes tragi- -cémico (digo eu) da — néstor — légua SS que se queria negro nigrificado nigérrimo negrissimo — “pretidio de amor” (cames) ~ desde a sua (dele) exilada margem de sua trans(a)gressiva margindlia extrema 4 contrafé 3 contramé-fé (fezes!) do imundo mundo do poder branco(ociduo) branco- -céntrico 48 néstor em camara escura €M camerino oscuro posto heste seu (dele) lugar ab- ~soluto absoly liey de onde ~ etis6stomo da lingua bocad’ ~ouro dnusdureo — Proferia as mais nefandas inefaveis inenarraveis ~ horresco referens) — Palavras de desordem como se um Caduceu amotinado estivesse regendo um bando ululante de ménades carnivoras — néstor violador d’amor Puntilhoso da madre- -lingua hispano- ~Porto-ibericaiia (agora jo- “Casta incestuada Por um filial trobar-clys de menestrel portunhol que um stibito coup-de-foittre cosandec se Rt. iaculando a madrelingua — em transe daimio- -titico de amor-descortés) — 49 néstor estuprador da noivamie desnudada por seus (dela) célibes as barbas enciumadas cioso-zeladoras do padre ibérico do pai-de-familia do padr- -asto putat- -ivo assim ur- -ranizado mas a ponto de — 0 testo de laio por édipo (este o desenigma da esfingica origem/vertigem) — esporrar 0 aphrés esptimeo-espérmeo de sua (dele pai) grande glande de- -capitada (a patrofalica teo- ~dicéia a por- -néia) de onde vénus-afrodite exsurge botticéllica num décor r6seo-concha ca- -beleira escarlate derramando-se espadua- -abaixo mio (im) pu- -dica escondendo do olho cipido dos tritées em sobressalto a xoxota depilada um risco de ter — esporra o aphirés! — cio- -pelo ruivo no marfim do pibis: miss kipris ginetera — ela ou ele? ~ ttimidos seios siliconados 50 olhar citrino mudando de sexo como tim como uma camaledo camaleoa no calor-d’amor néstor esta indo agora se vai procedente de avellaneda 1949 lumpen azul (éxul) nomadejante neste ano da (des) graca de 1992 vai-se seguido por uns poucos amigos © por um casmurro bando de farricocos-monossibios canturreantes que engrolam uma nénia glossaldlica em dialeto de anjos (maus) vai esta indo agora néstor nio para a consolagiio marmoro-espléndid® nao para o decoroso recoletos mas para este modesto campo-santo de “vila alpina” para onde o derrisorio cortejo brancaleénico © acompanha — vai faz-que-vai vai indo enquanto uma chuvinha fina — a (minha) garoa (gartia) paulistana dos (meus) adolescentes anos quarenta ha muito sugada pela ventosa urbanotempoluta desta minha (¢ dele) des-tres-a-loucada varia pau- -licéia nonsénsica e variopinta — tam~ -bém tarbida tigresa panespérmica — sob essa lovizna-chuvisco chuverando que vai atris dele carpiadoidada castr’alvino no seu macari’alv(ar)azevedo: hibernal friul — reencarnada agora das arcadas franciscanas para vir atras dele de bracos dados com madame lamorte para choré-lo para verminocomé-lo para devord-lo sacrovora-lo ao néstor arage™ tragicémico da guignolportunholica ling bardo barrogozoso cidadio (horroris causa) desta chuverante paulgotejante paulicéia dos siamesmos oswaldmirio cainabélicos nossos (também dele néstor girondicolivériolezimioliminario) desirmanos germinais 4-4.2001 sio paulo de piratininga pindorama terra papagalorum brasil MILENIOS para sacilotto/operario da luz ‘= 6 quadrado éureo de concre¢io seis mil lotto — trezentos e cingiienta e um mil novecentos ¢ cingiienta e trés — latio tridimensional polido sabiamente pelo escultor-operario de esquadrias metilicas — deixa que se abram a superficie pequenas ventanas triangulares em relevo que vazam em fendas escuras: © deslumbre da luz aurificada rebate-se nessas seteiras como em buracos negros: 20 trinsito do expectador tudo vibra tudo entrevibra numa (pré-op) cinese dourada MILENIOS iole de freitas ss asas invasoras assaltam 0 museu asas com tentaculos de arame cobre latio asas que se transformam em velirios em chapas de escarlate em redes para invisiveis borboletas avangam seus tegumentos perfuram paredes dardejam pontas iridescentes atravessam janelas farfalham ao redor da fiacio elétrica penduram-se como cipés-ectoplasmas dos postes de luz: iole passou por aqui com seu séquito de reticulas platinadas ¢ imprimiu em tudo seu toque talisminico musa militante MILENIOS 2000 os portais do terceiro milénio (do vestibulo do) rodam sobre seus rodizios de trés zeros acoplados em cauda de cometa a um dois redondo rodam os signos do zodiaco atigando a césmica esfagulhante tocha augural 0 princfpio-esperanga pilastra esquerda do portal © a moira-desespero pilastra 4 direita sustentam ambos (discordante concérdia) ‘os portées que rangem sobre os trés zeros esféricos onde o sfinya 0 vazio biidico esbranca como olho de guia absorto em redondos plenissdis: 0 olho € 0 astro sé contrespelham um dois brénzeo dupla garra de gonzos articula os portais enquanto os rodizios cantam a miisica plangente dos batentes que se entreabrem no engaste dobradico dos quicios bronzefiilgidos © anjo-esperanga © a girgula-desespero se confrontam no aprazado convergir do calendario ao longo do estelario do futuro que se entre- Mostra vaziopleno de latentes acasos © anjo © a girgula se defrontam Pa 61 do mais fundo dos séculos a voz do sébio melancélico soa ainda ressoa ainda como antes no entrecéu do porvir que sibila seu enigma: a voz velha do sabedor- -das-coisas repete seu refrio que © trinsito das centiirias s6 fez confirmar como caixa~ -de-eco} “e eu me voltei eu S evi § toda a opressio |) que é feita § sob 0 sol $§§ € eis 0 choro dos oprimidos 5 conforto 5) eno ha para eles e da mio que os oprime |) forga e nfo ha para eles conforto” © anjo-esperanga recua em sua armadura de diamante a girgula-desespero jubila No seu gético esqueleto de pedra + “aquilo que j4 foi § € aquilo que sera © aquilo que foi feito aquilo se far 55 € no ha nada novo § sob 0 sol” — Prossegue o-que-sabe Por entre as névoas do nada © arcanjo-esperanca tomado de sagrado furor flameja sua espada multicentelhante © rasga um claro no ob- nubilado horizonte onde se engendra © futuro a 3 a gargula guincha no seu nicho de pedra - na lamina coruscante do glidio lé-se cravejado em estrelas: “a esperanga existe por causa dos desesperados” — NOTA: 1. © “sibio melancélico” € 0 autor andnimo do Edlesiastes (Qohélet, em hebraico). Cito um excerto de minha recriagio do Cap. v desse cial” biblico (cf. Qokélet / O-Que-Sabe / Edlesiastes, Perspectiva, Sio Paulo, 1990). 2, Adaptei a conclusio de meu poema uma formulagio extraida do ensaio de Wal- ter Benjamin sobre As Afinidades Eletivas, de Goethe, datado de 1925. W. Ben- Jamin, Gesammelte Schriften, vol. 1, Subrkamp, Frankfurt, 1974 “poem sapien~ MILENTOS 65 I a musa nfo se medusa: contra 0 caos faz musica z, por tras do massacre tele- -comandado as miiltiplas mios — | tentaculos de éctopus — que manipulam na (andnima) sociedade global a guerra global onde o agressor (uma im- pessoa) é um general invisivel um espectral langa-foguetes um — incaptivel pelo olho dos radares — morcego mortifero de transliicidas asas vitreas: mas i enquanto as bombas ribombam | guitarristas de rock (em bel- | grado) contracantam com voz metalizada de 4 célera e 66 frenéticodangam: coral vociferante 4 anjos rebeliondrios opondo 4s tramas otanicas 4 (pseudo) ética maquiavel-mefisto- félica do poder-do-mais-forte ~ sempre-seguro de seus (sub- embort i limes) motivos plus-que-humanitérios (3! cisio PA Seguro até mesmo quanto ao cfleulo da Pe listica do punitério tiro-ao-alvo que &st# praticando as escuras — cantodangam 0S anjos-guitarristas opondo a a0 embuste caviloso dos senhores-da-B4" © delitio baquico da (hegel) verdade 2. depois dos bombardeios de bagda (saddham lougiiilogiiente saiu ileso) depois do videogame de filguros relampagos esverdeados riscando a tela aténita de (quantos?) milhées de aparelhos-de tv ~ zy nao apenas rufram (depois) 08 ominosos objetivos estra~ tégicos (outras bombas choveriam) mas: velhas (depois dos bombardeios de beirut) velhas se debrugam sobre cadaveres civis — carpideiras engelhadas do desastre — ao passo que meninas ressurrectas (incélumes por milagre) tentam (de novo tentam) brincar-de-roda e — equilibrando sua carga diuturna sobre a cabega desolada — a vida continua 4 um pastor de ovelhas — vigiado por gigantes libélulas-helicopteros de regirante ago igneo — faz soar sereno — riistica — sua flauta 67 8 do holocausto cordas (violinos rabecas) € Metais (trumpetes trompas trombones) executam a marcha fiinebre de auschwitz esperando que os chuveiros-solfataras esguichem o gfs-grisu (alids ziklon) da morte (des)figurada (como se) por diirer e/ou bosch: i estrega que mastiga estrelas-de-david © expele um bafo quimico de venen? pluvioso 6. os bombardeios se repetem (mundo imundo) bagd4 de novo késovo tchetchénia agora (ieltsin abengoa putin): she-hem behemé hémma lahém nao sio mais que animais ademais nao mais Ms 69 a escoltado por exterminadores armados de gis-letal 0 olhar azul-firme de olga benario adentra o gas6metro subterrineo (aliés mefitico balneario) do dr. porco-selvagem (eber!) irmftied (grandepaz) em bernburg cerca de cem quilémetros a sudoeste de berlim (fevereiro de mil novecentos e quarenta € dois) com outras (duzentas a0 todo) mulheres judias (sub- versivas segundo os sinistros padrées de himmler): quando 0 caminhio-finebre (dez dias depois) voltou 4 ponte-do-corvo (rabensbriick / franen-konzentrations- lager) s6 restavam Por testemunha as ~ espélio mortico — roupas das mulheres 8. tanques-tratores kiev (— de hitler — a cabega esculpida cabiscaida — kaput!) ~ trituram capacetes reversos truncam baionetas: — uma tinica erecta disjecta resta indtil latino-amarga américa —no chile na argentina no uruguai —o condor tatala enormes asas lutulentas — (aqui também. na terra em transe do brasil) torturadores de tacio marcial e dentes- -de-sabre deixam seu rastro: sanguinolenta floragio de cofgulos vermelhos 10. onde o des-homem des- -humano uma vez impou (que nunca mais engendre essa espécie Iupina carniceira-de-gente um ventre de mulher!) ~ onde houve ranger de dentes ¢ pranto — n 1 1 7 a ca agora a mao que pinta e o som do do homem-humano do humanitas-homem resgatado prevalegam ~ 1 io por desmeméria e sim mémores alerta-atentos ao licido memento mortuorum 4 memoria dos nao- -remissiveis crimes da hiena-des-homem e de sua hilare mandibula amarela famélica de restos cadaverosos: nao nunca desmemoriados mas vigilantes (de civica memorial vigilia) para que o mal ja sido — veiom ra’é ree no dia adverso adverte — no venha a ser de novo (turvo retorno) sob 0 sol-holofote dos inquisidores mu. da mao que pinta da garganta que canta = onde foram carceres nasga 0 espa¢go comunal da paz compartilhada — da arte: gesto (pintura) ou (poema) fala: que se comparte a Hi MILENIOS apocalypse now the horror... © megacowboy vestindo uma armadura de carapagas de armadillo & prova de tiro divide 0 mundo em adeptos do mal e cruzados do bem (em sua caixa craniana um vozerio de apostas ruge em torno de uma briga de cascavéis) © macrovaqueiro do bem revestindo uma couraga de raios lazer a prova de bazukas nao ouve o clamor dos pais da patria (‘o jovem povo de vanguarda”, sousindrade) ignora a biblioteca de jefferson nas estantes lavradas de monticello: jefferson ele prdprio fora o arquiteto de sua mansio enquanto se correspondia com humboldt ¢ outros notiveis da época — uma época (dizem) em que se chegou a pensar em adotar 0 grego clissico 8 ie jova Te (em vez do inglés) como idioma da ™ ~ que antecipou a revolugio francesa ~ que inspirou os libertadores da hispam © os inconfidentes de minas -améri © megamacrosuperherdi do bem nao est interessado em ouvir mais nada hem repara quando martin luther king apresenta afro-condoléncias a uma affo- ~americana condoleezza verde-hirta te (oi ferrdigeo-parda como a estitua da liberda de perto) 0 senador byrd robert byrd da virginia do norte um filho de mineiros de carvao em seu terceiro mandato . (um membro do “establishment” poré™ decente fiel 4 meméria dos patriarcas) discursa alertando 0 senado: Por trés vezes apela aos pro-homens da reptiblica por trés vezes 0 senado cala (nem uma linha na grande imprensa americana sobre o discurso do byrd) © supermacromegacowboy vestido de “mariner” chegou ao limite seus olhos aztiis so um frio risco de ago: basta de onus onerosas € inoperosas! basta de franceses amolecidos e decadentes e de alemies desleais! (vénias dadas ao tréfego blair ¢ aos dois porta-vozes da eurodireita: 0 asinino aznar ostentando as medalhas do generalissimo ¢ mafioso berlusconi com bufos esgares de mussolini) azuis os dois olhos sio agora um tinico risco de ago © dedo no comando esta prestes a apertar 0 botio ar tem um ataque cardiaco a primeira bomba como um ovo de assombro tomba n (ali onde foi 0 zigurat de babel ali onde a rainha semiramis Passava tardes amenas ¢ odorantes em seus jardins suspensos) MILENIOS circum-léquio (pur troppo non allegro) » sobre o neoliberalismo terceiro-mundista laissez faire laissez passes. re o neoliberal neolibera: de tanto neoliberar 0 neoliberal neolibera-se de neoliberar tudo aquilo que nao seja neo (leo) libérrimo: 0 livre quinhio do leo neolibera a corvéia da ovelha 2. o neoliberal neodelibera © que neoliberar para 0 nijo-neoliberados: 0 labéu? 0 libelo? a libré do lacaio? aargola do galé? o ventre-livre? a morte-livre? a bia rala? © prato raso? a comunhio do atraso? a ex-comunhio dos no ex-clusos? © amanhi sem f&? © café requentado? a queda em parafiaso? © pé de chinelo? © pé no chio? © bicho de pé? a ragio da ralé? 3 no céu neon do neoliberal anjos-yuppies bochechas cor-de-bife privatizam a rosicea do paraiso de dante enquanto lancham fast-food © super (visionarios) visam com olho magninimo as bandas (flutuantes) do cimbio: enquanto 0 nao -neoliberado come pio com salame (quando come) ele dorme sonhando com torneiras de ouro ea hidrobanheira cor de mbar de sua neo- mansio em miami 4. © centro ea direita (des)conversam sobre o social (questo de policia): © desemprego 6 um mal conjuntural (conjetural) 8 pois no céu da estatis- tica o futuro se decide pela lei dos grandes ntimeros 5: © neoliberal sonha um mundo higiénico: um ectimeno de ecénomos de economistas e atudrios de jogadores na bolsa de gerentes de supermercado de capities de indastria ¢ latifundiarios de banqueiros — banquiplenos ou banquirrotos (que importa? desde que circule auto-regulante © necessirio plusvalioso numeririo) um mundo executivo { de mega-empresirios duros e puros més sem d6 mais atentos ao lucro que ao salirio solitarios (no cincer) antes que solidarios: um mundo onde deus no jogue dados © onde tudo dure para sempre © sempremente nada mude um confortavel estavel confiavel mundo contabil 6. (a contramundo 0 mundo-nio, — mundo cio — dos deserdados: 0 anti-higiénico gueto dos sem-saida %3 84 dos excluidos pelo deus-sistema cana esmagada pela moenda pela roda dentada dos enjeitados um mundo-pésames de pequenos cidadaos-menos de gente-gado de civis subservis de povo-énus que nao tem lugar marcado no campo do possivel da economia de mercado (onde mereério serve ao deus mamons) 2 0 neoliberal sonha um admiravel mundo fixo. de argentérios e multinacionais ai terratenentes terrapotentes coronéis polit milenaristas (cooptados) do perpétue status quo: i . 8s um mundo privé palicio de cristal 4 prova de balas: bunker blau durando para sempre — festa estittica (ainda que se sustente sobre fictas palafitas € estas sobre uma lata de lixo) — MILENTOS senatus populusque e brasiliensis chove lama sobre 0 plano-piloto de brasilia (d.f) ali onde 0 pé- -de-valsa juscelino (0 fundador) kubitschek (um liberal-nao- -neo mas um capaz de extro-verter-se para 0 povo (0 “social”) trangiiilo adepto da arte convivial da tolerancia: capaz de discernir — seta no alvo — © génio singular de niemeyer (oscar) comunista assumido e coerente oscar (niemeyer) rum arquiteto de visio construtivista (desde pampulha) mas capaz de curva: do curvo/ das espiras/ do sinuoso balanceio de sintagmas: vide o anfiteatro de congonhas — abiio onde se encena — do barroco aéreo porto de lisa pedra-s 88 um conversé gesticulante de profetas a contrazul ou a redond’alvissima capela oval do 6 em sabara pousada: uma ave-fénix em ouros ¢ vermelhos de macau? uma ae (talvez) pomba-gira num rodopio de cambrai limpas ensimesmada a roda regirando de si mesma (a columba) nascendo desnascendo desmorrendo Juscelino (0 fimdador) também capaz de ver na mente Iticida de Iticio costa o engendrar de diagramas quase- -icones de épuras depuradas riscos retas a ponta de rubi tragados por lépis-raios” nondrian (a fenix)! Jaset em ritmo gracilimo de passaro-™ no desnovelo a pino de seu voo exato 2. ‘ oes J-k. © presidente aéreo — chair-man das PS impossiveis (brasilia o testemunha) que seu ferm voler (sua vontade firme) recs convertia em stibitas “utopias concretas” (°" bloch midrashista- ~marxista com seus “enigmas rubros turbinados a “princfpio-esperanga”) ~ “vai voando noné”— saudava-o a vox popu deslumbrada pelo jamais-capitulante taumaturgo da praxis © magninimo estadista sem rancor capaz de dar indulto aos brucutus- do motim de aragargas que jamais pterodactilos Por sua vez o indultariam © juscelino cujo avé tinha sido nas arcadas poeta bissexto (festejado pelos ¢ © plantador de cidades poliphytotenct’s ) ao sonho studantes) que decidiu dar corpo (ago vidro concreto, visionario de dom bosco 3. chove na capital federal do planalto na cartesiano-burocratico- -espermitico-neobarroca cidade zenital do altiplano urbe radiosa no trépico entropic ciceroneado (max bense a viu assim a-engenheito num four exploratério pelo poet Joao cabral e escreveu — sem soberbias tedescas — brasilianisches imtelligenz) tegas a chuva mitida babuja engorda em ba liquosas gotas gomas grumos escoria dos esgotos despeja o vazadouro das entranhas Sobre os lunares palicios disco-formes entre os quais um espigio de prata alteia-s* pescoco de girafa-rasga-céus chove jorra borbota esternuta esturra a catadupa espalha-muco ventejando lama verdoenga (“de par ma chandelle ver"? merdre” ~ gargalha o pai ubu aliviando-se) escorre molemente a pasta marrom-jerimum-amarelo- ~fezes amarinteo-diarréica em fluxo fetido sobre a cidade sobre a urbe sobre © senatus brasiliensis sobre 0s edificios transgaléticos de niemeyer € 0 risco de Iticio sobre cosmonaves de concreto rn onde instalou-se um parlatério um (parlamento) vanguardista a tempesta espadana desatada enxarca as levitantes estruturas entra-Ihes pelos ductos ¢ tubos subterrineos onde os legi- ferantes — austeros probivires ( principio) do labirinto formicular das tramas sussurradas dos gabinetes con 4 pleniluz do plenirio 4 lama procelosa chove sobre a capital federal uma téimida tromba linfatica inchada qual “roxa sanguessuga” (0 olho meteorolégico no olho do tufio camdes poeta a pinta com preciso cientifica ~ leitor dos lusfadas — entre sAbio € Po barSo alexander von ~ aquele que uma vez quis medi a gradagao do azul nas alturas am © atesta) em ~ circulam transitando 20 longo chegantes -marinheiro eta — humboldt ir dinas — ou qual bicho chupador alimentado “do cargo grande em si tomado” ae no colossal estercorario de mangues ¢™ qual formidavel paludosa cobra enroscada nas nuvens jiboiando =f quando os custédios nao custodiam quando os pais-da-patria conspiram na socapa dos apatridas quando o painel eletrénico ~ estelirio civico — € uma vestal estuprada pela espada do guardiio que a vela € se retorce e amolece feito 0 relégio viscoso de dali quando o réu desconfessa para confessar de novo crocodilagrimo quando 0 critério de verdade € 0 da meia-verdade Bs: © 0 incriminado ao bel-prazer se des-C™ entio a voz do povo fala 93 © coro dos indignados se 0 plenirio um teléo fosforescente grama de espectros: sublev: exibe um desconjunto video 6. tiradentes esquartejado (vide © quadro escorre-sangue de pedro américo ~ onde a paixio do alferes é re-encenada em efigie como um corpus christ) a cabera enfiada numa estaca (para escarmento!) a terra infértil a poder de sal grosso ressecada pelo juiz reinol (in)ju sino finebre ~o inconfidente revel justigado sticador faz soar com a corda de enforcado um e di o alarme portando as mios cadaverosas lanternas cor de carne vivo-morta — armado frei caneca ~ joaquim do amor divino de obstinagio e de ret6rica — typhis / estupor / pernambucano a folha onde esgrimia sua linguagem tensa de revoltas figuras — a‘confederagio do & ae calgas de ganga vendo ruir outra vez quador re-enfrenta desbatinado (camis amarela) 0 pelotfio que o fuzila 94 nio fa screvera 40 faz muito escrevel ‘dee entend eh uma “dissertagdo sobre o que s¢ patria” zumbi ; encurralado em seu reduto de palmar acuava-o 0 maioral-do-mato domingos jorge velho alias mercenario caga-bugres bres? (para outros gigante bandeirante “ro™P' que comanda em nheengatu / mal 7 ios Manejava o portugués / suas tropas dem zumbi sobrinho de ganga zumba rei nage vendo estalar a palissada Prepara-se para repetir 0 salto-em-precipicio indémito domando no azardado temP? a azagaia-morte © mais proximos de nds _nossos proxim? 0s mortos de eldorado-dos-carajas macilentos que nem muiscas adoradores de bochica 0 deus-sol em cortejo feito zombies para o além-40- -sactificio vogando na jangada toda-ouro 4 tona azul-aziaga da lagoa sacra assombrados pelo principe do mal fomagat preda-homens de unhas escorpi6nicas € se preparam para repetir 0 rito carnicelro iP mios mais uma vez torax aberto erguendo nas coragGes-girass6is arrancados a0 sangrados a gume de obsidiana € entregues ao acaso do deus y quando esse coro de fantasmas estrangulados descala finalmente e fala enfim mirando com 0 olho agoniado © arcanjo arquejante da reforma agraria arrastado para tris por pretorianos de mios sujas mandados pela gula multissécula do “pit-bull” latifindio (enquanto ladra 0 cérbero tricéfalo e geryon jubila ~a quem dante pound ernesto cardenal chamam. usura 95