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Tradução para o português baseada na tradução não oficial do árabe para o inglês1

Declaração emitida pelo Conselho Central da


Organização para a Libertação da Palestina (OLP)
14 de janeiro de 2018 | Ramallah, Palestina

O Conselho Central da Organização para a Libertação da Palestina realizou sua 28ª sessão
ordinária sob o título “Jerusalém: a eterna capital do Estado da Palestina”, em 14 e 15 de
janeiro de 2018, na cidade de Ramallah, na presença do Presidente Mahmoud Abbas.

Um total de 87 membros entre os 109 membros participaram da sessão, enquanto vários


membros não puderam participar porque foram presos ou impedidos por Israel.

O Presidente do Conselho Central, Salim Al-Za’noun, iniciou a sessão declarando que


“chegou a hora de o nosso Conselho Central Palestino, representando o Conselho Nacional
Palestino, que tomou a decisão de estabelecer a Autoridade Nacional Palestina como o
núcleo do estado, decidir seu futuro e sua função e reconsiderar o reconhecimento do
Estado de Israel até que este reconheça o Estado da Palestina, com Jerusalém como sua
capital, aceitando o retorno dos refugiados, com base na resolução 194” [da ONU].

Al-Za’noun ressaltou que o Conselho Central rejeita quaisquer ideias em circulação como
parte do chamado “acordo do século”, porque violam o direito internacional e as resoluções
da comunidade internacional e buscam impor uma solução deficiente, que não cumpre
sequer o mínimo dos direitos legítimos dos palestinos.

Ele defendeu a busca por outros caminhos internacionais sob os auspícios das Nações
Unidas para apoiar a solução da causa palestina. E disse: “nosso sucesso no
enfrentamento a esses riscos e desafios depende de acelerarmos o passo para
implementar a reconciliação [nacional] e acabar com a divisão, e de desenvolvermos um
plano para fortalecer a parceria nacional dentro do quadro da OLP, como a referência
nacional, política e legal suprema para o nosso povo.”

Al-Za’noun propôs a realização de uma sessão do Conselho Nacional à qual tanto o Hamas
como a Jihad Islâmica serão convidados, com a tarefa de reformatar, escolher ou eleger
um novo conselho nacional, como estipulado pelo sistema de eleições do Conselho
Nacional.

“Respeitamos e apreciamos a posição dos árabes e seu apoio à causa palestina. Exigimos
a implementação das decisões das cúpulas árabes a respeito de Jerusalém, especialmente
a da cúpula de Amã, de 1980, que instou ao corte de todas as relações com qualquer estado
que reconheça Jerusalém como a capital de Israel ou transfira sua embaixada a ela.”

1
Tradução de Moara Crivelente, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), a partir
da versão em inglês divulgada pela agência palestina de notícias Wafa:
http://english.wafa.ps/page.aspx?id=zbyLEda96057575031azbyLEd
Ele enfatizou que os sacrifícios e as lutas dos prisioneiros em cárceres israelenses obrigam
os palestinos a fornecer todo o tipo de apoio e que a dignidade dos palestinos continua
acima de qualquer consideração.

Por sua vez, o Presidente Abbas reiterou o compromisso com uma solução de dois Estados
baseada nas resoluções internacionais, na iniciativa de paz árabe e nas fronteiras de 1967,
com o cessar da expansão das colônias e de ações unilaterais. Ele afirmou que os
palestinos continuarão a abordar o Conselho de Segurança até que o estatuto de membro
pleno [do Estado da Palestina na ONU] seja alcançado.

Ressaltou ainda que os palestinos não aceitarão o que os EUA tentam impor e que a OLP
vai reconsiderar suas relações com Israel, mas que se engajará em quaisquer negociações
sérias de paz sob os auspícios da ONU.

Primeiro: Reconhecimento estadunidense de Jerusalém


1. Condenar e rejeitar a decisão do Presidente dos EUA Donald Trump de reconhecer
Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada de seu país de Tel Aviv
para Jerusalém, e trabalhar para reverter essa decisão.
2. O Conselho considera que o governo estadunidense, ao anunciar essa decisão,
perdeu sua posição para funcionar como um mediador e promotor do processo de
paz e não será um parceiro neste processo a menos que a decisão seja revogada.
3. O Conselho afirmou sua rejeição da política do Presidente Trump, que tem como
objetivo apresentar um projeto ou ideias que vão contra as resoluções da
comunidade internacional para resolver o conflito, que revelou sua essência ao
declarar Jerusalém a capital de Israel. O Conselho ressaltou a necessidade de abolir
a decisão do Congresso [estadunidense] de considerar a OLP uma organização
terrorista desde 1987 e a decisão do Departamento de Estado de fechar o Escritório
da delegação geral da OLP em Washington em 17 de novembro de 2017.

Segundo: A relação com Israel (a ocupação)


À luz da retirada do Estado ocupante de todos os acordos e da revogação dos mesmos
pela prática e pela imposição de um fato consumado, e com o Conselho Central enfatizando
que o objetivo direto é a independência do Estado da Palestina, o que requer a transição
do autogoverno para o estágio de um estado que está lutando por sua independência, com
Jerusalém Oriental como sua capital, nas fronteiras de 4 de junho de 1967, na
implementação das resoluções do Conselho Nacional, inclusive a Declaração de
Independência de 1988, e das resoluções da ONU relevantes, incluindo a resolução 67/19
de 29/11/2012 da Assembleia Geral, como a base política e legal para a realidade palestina,
a afirmação de aderência à unidade territorial do Estado da Palestina, e a rejeição a
quaisquer divisões ou fatos impostos contrários [à unidade];

O Conselho Central decidiu que o período transitório estipulado nos acordos assinados em
Oslo, Cairo e Washington, com suas obrigações, já não se sustenta.

1. O Conselho Central insta a comunidade internacional a assumir suas


responsabilidades com base nas resoluções da ONU relevantes para o fim da
ocupação e para possibilitar que o Estado da Palestina alcance sua independência
e exerça sua soberania completa sobre o seu território, incluindo sua capital,
Jerusalém Leste, nas fronteiras de 4 de junho de 1967.
2. Designa o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina para
suspender o reconhecimento de Israel até que este reconheça o Estado da Palestina
nas fronteiras de 1967 e revogue a decisão de anexar Jerusalém Leste e expandir
ou construir colônias.
3. O Conselho Central reafirma sua decisão de encerrar a coordenação securitária em
todas as suas formas e desvencilhar-se da relação de dependência econômica
estabelecida pelo Acordo Econômico de Paris, para alcançar a independência da
economia nacional. Pede ao Comitê Executivo da OLP e às instituições do Estado
da Palestina para iniciar a implementação do disposto.
4. Continua a trabalhar com países de todo o mundo pelo boicote dos assentamentos
da colonização israelense em todas as áreas, a trabalhar pela publicação de uma
base de dados das companhias que operam em colônias israelenses pela ONU e a
enfatizar a ilegalidade dos assentamentos da colonização israelense desde 1967.
5. Adota o movimento BDS [por Boicote, Sanções e Desinvestimento] e insta os países
de todo o mundo a impor sanções a Israel para dar fim à sua contínua agressão
contra o povo palestino e ao regime de apartheid imposto a ele.
6. Rejeita e condena a ocupação israelense e o apartheid que Israel tenta impor como
uma alternativa ao estabelecimento de um estado palestino independente, e afirma
a determinação do povo palestino a resistir através de todos os meios.
7. Rejeita quaisquer propostas ou ideias para soluções transitórias ou estágios
temporários, inclusive o chamado estado com fronteiras temporárias.
8. Recusa-se a reconhecer Israel com um estado judeu.

Terceiro: A situação doméstica palestina


1. Aderir ao Acordo de Reconciliação firmado em 2017 e aos seus mecanismos de
implementação, sendo o último deles o acordo do Cairo, de 2017, e prover meios de
apoio à sua implementação, possibilitar ao Governo de Unidade Nacional assumir
suas responsabilidades completamente na Faixa de Gaza, de acordo com a Lei
Básica Revisada, e então realizar eleições gerais e a sessão do Conselho Nacional
Palestino, no mais tardar, no final de 2018, para conquistar a parceria política dentro
do quadro da OLP, a legítima e única representante do povo palestino, e trabalhar
para formar um governo de unidade nacional para fortalecer a parceria política e a
unidade do sistema político palestino.
2. Afirmar o direito do nosso povo a exercer todas as formas de resistência à ocupação
de acordo com as provisões do direito internacional e continuar a promover, apoiar
e fortalecer a resistência popular pacífica.
3. Afirmar a necessidade de apoiar os palestinos e sua resiliência na eterna capital do
Estado da Palestina, Jerusalém, e afirmar a necessidade de apoiar sua luta contra
as medidas israelenses que têm como objetivo judaizar a Cidade Santa.
4. Tomar todas as medidas para apoiar o nosso povo na Faixa de Gaza, que enfrentou
a agressão e o cerco israelense, dar o apoio de que precisam, inclusive pela
liberdade de movimento, acesso à saúde, a reconstrução e a mobilização da
comunidade internacional para derrubar o cerco.
5. O Conselho Central condena a transferência de propriedade da Igreja Grega
Ortodoxa a instituições e empresas israelenses e apela pela responsabilização dos
envolvidos. Apoia ainda a luta do povo palestino na comunidade ortodoxa por
preservar seus direitos e seu papel na administração dos assuntos da Igreja
Ortodoxa e a preservação da sua propriedade.

Quarto: O Conselho de Segurança, a Assembleia Geral e o Tribunal Penal


Internacional
1. Continuar a trabalhar para prover proteção internacional ao povo palestino no
território do Estado ocupado da Palestina (Cisjordânia, incluindo Jerusalém Leste, e
a Faixa de Gaza) com base nas resoluções 605 (1987), 672 (1967) e (1990), e 904
(1998) do Conselho de Segurança [da ONU], e na Quarta Convenção de Genebra
de 1949 (Proteção de Civis em Tempos de Guerra).
2. Continuar a trabalhar para fortalecer o estatuto do Estado da Palestina em fóruns
internacionais e ativar o pedido por integração do Estado da Palestina como membro
pleno das Nações Unidas.
3. Fornecer referências em várias questões (colônias, prisioneiros, agressão contra a
Faixa de Gaza) ao Tribunal Penal Internacional.
4. Continuar a aderir a instituições e organizações internacionais, inclusive as agências
especializadas das Nações Unidas.

Quinto: As esferas árabe e islâmica:


1. Instar à ativação da resolução da Cúpula de Amã de 1980, que obriga os estados
árabes a cortar todos os laços com qualquer estado que reconheça Jerusalém como
a capital de Israel e transfira sua embaixada a ela, o que foi reafirmado em várias
outras cúpulas árabes a pedido dos membros da Organização de Cooperação
Islâmica [OCI] às mesmas.
2. Aderir à iniciativa árabe de paz e rejeitar quaisquer tentativas de mudá-la ou alterá-
la, mantendo suas prioridades.
3. Trabalhar com os países árabes (a Liga Árabe), os países islâmicos (OCI) e o
Movimento de Países Não-Alinhados para que se realize uma conferência
internacional com poderes plenos para lançar o processo de paz e em coordenação
com os países da União Europeia, a Rússia, China, Japão e outros grupos
internacionais, com base nas resoluções internacionais relevantes, e beneficiar-se
dos resultados da Conferência de Paris de 2017 de forma a garantir o fim da
ocupação israelense e o empoderamento do Estado da Palestina, com Jerusalém
Leste como sua capital, nas fronteiras de 1967, para exercer sua independência e
soberania e resolver a questão dos refugiados com base na Resolução 194 da ONU
e outras questões de estatuto final, de acordo com as resoluções da comunidade
internacional, com um cronograma específico.
4. A Liga de Estados Árabes, a OCI, o Movimento Não-Alinhado e a União Africana
devem se manter firmes diante dos países do mundo que violam as resoluções
desses quadros coletivos votando contra resolução da Assembleia Geral das
Nações Unidas sobre Jerusalém em 21/12/2017.
5. O Conselho Central condenou as ameaças dos EUA de cortar a assistência à
UNRWA [Agência das Nações Unidas para Assistência e Trabalhos pelos
Refugiados da Palestina], o que é visto como uma forma de os EUA abandonarem
sua responsabilidade sobre a crise dos refugiados, que ajudaram a criar, e insta a
comunidade internacional a se comprometer assegurando os fundos necessários à
UNRWA, o que poria um fim à crescente deterioração dos serviços da Agência e,
ademias, melhoraria seu papel no fornecimento de serviços básicos às vítimas da
Nakba, garantindo uma vida decente aos refugiados como uma responsabilidade
que a comunidade internacional deveria cumprir, em acordo com a resolução 194.
6. O Conselho Central rejeita a intervenção estrangeira em países árabes e apela por
uma solução política e pelo diálogo para encerrar as crises e guerras
experimentadas em alguns países árabes. Também apela pela manutenção da
unidade desses países resistindo a tentativas de divisão, aliviando o sofrimento dos
árabes.

Sexto: Desenvolve mecanismos para implementar as decisões do Conselho Central


anterior de [garantir] a representação das mulheres em ao menos 30% em todas as
instituições no Estado da Palestina e harmonizar as leis em acordo com a Convenção sobre
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW).

Sétimo: O Conselho Central saúda as massas de palestinos em campos de refugiados e


no exílio em campos na Síria, Líbano e na Diáspora que afirmam sua adesão ao direito ao
retorno todos os dias. O Comitê Executivo recebe o mandato para continuar e intensificar
o trabalho com as comunidades palestinas no mundo e a comunicar com partes
internacionais para mobilizar apoio no enfrentamento às decisões que almejam liquidar a
causa palestina.

Oitavo: O Conselho Central saúda a luta e a resiliência dos prisioneiros no cárcere


israelense e apela ao seu apoio em sua confrontação diária, instando as instituições
nacionais e internacionais a levar seus casos a todos os fóruns internacionais até que eles
sejam libertados. O Conselho condena a detenção e a intimidação de crianças, inclusive de
Ahed Tamimi, que se tornou um símbolo do orgulho palestino diante da ocupação, assim
como dezenas de outras crianças.

Condena ainda o assassinato deliberado e as execuções em campo cometidas por Israel,


assim como o assassinato de Ibrahim Abu Thuraya, e condena a detenção continuada dos
cadáveres de palestinos em covas numeradas e insta à sua liberação incondicional.

Nono: O Conselho Central saúda os palestinos por sua resposta à decisão do Presidente
Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a Embaixada
estadunidense para lá. Também saúda as almas dos palestinos que se levantaram pela
Palestina e por al-Aqsa.