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Reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz

Hanói, Vietnã –23 a 25 de novembro de 2017

Discurso da Presidenta Socorro Gomes

Estimados companheiros e companheiras do Conselho Mundial da Paz,

Estimados

amigos

do

Comitê

da

Paz

do

Vietnã,

a

quem

agradecemos

especialmente pela brilhante organização de tão importante evento para o nosso

CMP,

Mais uma vez, nos reunimos em um contexto de graves ameaças à paz

mundial, à democracia e aos direitos dos povos, que afeta diretamente o destino

da Humanidade.

Como de costume, iniciamos nossa reunião com a apreciação da situação

internacional. Para isso, é fundamental a contribuição de todos, para que

prevaleça a nossa inteligência coletiva e possamos deliberar democrática e

coletivamente.

São muitas as nossas responsabilidades e frentes de luta. Num contexto de

prolongada crise internacional econômica e política, de agravadas ameaças de

guerra, da continuidade de longas e catastróficas guerras, agressões, manobras

desestabilizadoras e da militarização acelerada do planeta, enquanto emergem

também as forças fascistas e reacionárias em diversos países, é essencial que

tenhamos clareza das metas e inovemos sempre na realização de campanhas que

possam tocar as consciências das pessoas.

Companheiros e companheiras,

O Conselho Mundial da Paz, guardando a sua independência e peculiaridade

como

organização

da

sociedade

civil,

comemorou

o

centenário

da

grande

Revolução de Outubro, na Rússia. Desta Revolução que abriu uma nova época na

história da Humanidade.

Ao lado do companheiro secretário-geral Thanassis Pafilis e do camarada

Ghanendra

Shrestha,

que

representava

o

coordenador

da

Região

Ásia,

do

Conselho da Paz e Solidariedade do Nepal, tivemos a honra de participar dos atos

comemorativos em São Petersburgo, antiga Leningrado, e em Moscou, como será

relatado pelo camarada Pafilis. Ao falarmos no Fórum de Partidos de Esquerda e

Organizações Sociais, defendemos as nossas posições com espírito unitário,

buscando a convergência com amplas forças políticas e sociais progressistas e

democráticas para fortalecer a esperança e nossa luta comum pela emancipação

social, a libertação nacional e a paz, conforme enfatizamos na conferência sobre o

Centenário

da

Revolução

de

atividades no Vietnã.

Outubro

Por causa do seu

compromisso com

incluída

no

nosso

rico

programa

de

a paz e a libertação dos povos, a União

Soviética ajudou imensamente com sua força política e moral na criação e no

fortalecimento do movimento mundial da paz. Daí o ódio dos imperialistas, a

reação e a guerra contra os valores promovidos pela Revolução de Outubro.

Queridos companheiros e companheiras,

Recordamos que neste 25 de Novembro transcorre o primeiro aniversário do

falecimento de Fidel Castro Ruz, líder histórico da Revolução Cubana. Seu

pensamento e obra sempre serão uma fonte de inspiração e alento para aqueles

e

aquelas que

lutam

pela paz.

Fidel

foi um

arauto da

luta contra as armas

nucleares e de todas as causas nobres da Humanidade. Liderou o povo cubano na

realização de históricas transformações sociais, sempre esteve lado a lado com os

povos e nações na resistência anti-colonial e na luta contra as intervenções

imperiais e as guerras de rapina e agressão.

A Humanidade será eternamente grata a Cuba e seu povo, que inspirados pelo

pensamento de Fidel e por sua orientação, brindaram aos povos desinteressada e

abnegada solidariedade internacionalista. Na passagem de um ano do seu

falecimento,

o

CMP

considera

que

a

melhor

maneira

de

homenageá-lo

é

seguirmos firmes na solidariedade ao povo cubano, lutando pelo fim do criminoso

bloqueio econômico, comercial e financeiro promovido pelos EUA e exigindo o

fechamento da base militar de Guantánamo, com a devolução integral da

soberania daquele território ao Estado cubano.

Faz também um ano que realizamos a Assembleia Mundial da Paz na cidade

brasileira de São

Luís. Graças ao empenho dos

membros do CMP, foi um

acontecimento memorável, que alçou ainda mais o nosso movimento à condição

de uma destacada força na luta pela paz, democracia, progresso social e

democratização das relações internacionais.

Tem sido intensa a atividade da Presidência, da Secretaria Geral, da Secretaria

Executiva,

das

Coordenações

Regionais

e

organizações

nacionais,

como

seguramente será evidenciado nos relatos apresentados no transcurso desta

reunião.

O Conselho Mundial da Paz, consoante as resoluções aprovadas na Assembleia,

tem sido uma voz ativa a condenar as guerras de agressão, o militarismo, o

intervencionismo, os golpes, erguendo-se na solidariedade aos povos agredidos e

exigindo soluções políticas justas para os graves conflitos. Em nossas ações, é

sempre importante buscar aliados, atuar com perspectiva convergente e unitária,

ampliar nossas palavras de ordem e enfoques. A luta pela paz exige-nos a

capacidade de promover a unidade, que é onde reside nossa força. Temos

trabalhado por isso e devemos continuar a fazê-lo.

Companheiros e companheiras,

O cenário internacional continua instável, repleto de tensões e ameaças, que

são tanto mais perigosas quanto mais se aprofunda a crise civilizatória decorrente

das contradições de um sistema político, econômico e social iníquo.

Dois vetores opostos caracterizam a situação internacional. Por um lado,

estamos diante da ofensiva das forças imperialistas para dominar o mundo,

apropriar-se das riquezas dos povos e nações. Nessa ofensiva, atuam com fúria

forças

políticas

fascistas.

conservadoras,

antidemocráticas,

militaristas,

belicistas

e

Por outro lado, há muitas manifestações a demonstrar as potencialidades da

luta dos povos. A paz mundial depende de que essas lutas avancem e prevaleçam

as formas democráticas, progressistas e anti-imperialistas. A ofensiva imperialista

e conservadora está ligada ao fato de que o imperialismo, principalmente o

estadunidense, não aceita os sinais evidentes do seu declínio e busca a ferro e

fogo manter sua hegemonia. Emergem novos pólos de poder econômico e

político. Na emergente configuração de forças destaca-se o papel da China, da

Rússia, do BRICS, da CELAC. Ao mesmo tempo, aprofundam-se as rivalidades

entre as próprias potências imperialistas, nomeadamente os EUA e a União

Europeia (UE), esta, sob hegemonia germânica.

O imperialismo estadunidense e os seus aliados da OTAN e UE continuam a pôr

em prática planos de dominação que implicam a destruição das soberanias

nacionais No Oriente Médio, na África, no Leste da Europa, na Ásia e América

Latina essas potências fazem movimentações estratégicas para assegurar uma

ordem mundial sob seu domínio, cada vez mais contestada pela luta dos povos e

nações independentes.

A Ucrânia é o mais relevante episódio contemporâneo no continente europeu a

demonstrar as tendências fascistizantes, bem como a ação imperialista de cerco,

provocação e tentativa de agressão à Rússia. O regime direitista de Kíev apoiado

pelos EUA e a UE está a serviço da estratégia de fortalecer a presença dos

imperialistas no Leste Europeu para confrontação com a Rússia. O Conselho

Mundial da Paz apoia a resistência e a luta do povo ucraniano. Opomo-nos

resolutamente ao regime fascista e manifestamos irrestrita solidariedade às

forças democráticas ucranianas sob odiosa perseguição.

Acompanhamos também com preocupação a perseguição sofrida pelas forças

democráticas e anti-imperialistas na Turquia, inclusive por membros do Conselho

Mundial da Paz, a Associação da Paz da Turquia. O governo de Recep Tayyip

Erdogan alia-se aos interesses do imperialismo estadunidense e europeu na

região e promove uma agenda reacionária, conservadora e agressiva contra seu

próprio povo e vizinhos. Membro histórico e estratégico da OTAN, a Turquia

armazena

ogivas

nucleares

estadunidenses

e

apoia

diretamente

as

forças

extremistas e terroristas que atuam na Síria. Por isso, estamos ao lado das forças

progressistas e da paz e do povo turco na oposição contundente à política

criminosa e ofensiva doméstica e externa recentemente intensificada no país com

o estado de emergência decretado em 2016.

Amigos e amigas,

Nas últimas duas décadas, a América Latina abriu um ciclo progressista de

enorme projeção estratégica não só para os países e povos da área, mas para

todo o mundo. Como temos apontado, o marco inicial deste processo foi a eleição

de Hugo Chávez à presidência da República na Venezuela, em 1998, que abriu

caminho à Revolução Bolivariana.

Em vários outros países as forças democráticas e populares chegaram ao

governo nacional vencendo eleições. Podemos citar, destacadamente: Argentina,

Bolívia,

Brasil,

Chile,

El

Salvador,

Equador,

República Dominicana, Uruguai, entre outros.

Honduras,

Nicarágua,

Paraguai,

O ciclo progressista alterou a correlação de forças e constituiu um novo sujeito

geopolítico contraposto ao poder do imperialismo estadunidense. Avançou a luta

contra o neoliberalismo, os governos populares da região promoveram direitos

sociais, reforçaram o Estado nacional, nacionalizaram recursos energéticos e, em

alguns

casos,

levaram

a

cabo

transformações

estruturais.

Ampliou-se

a

democracia, reforçou-se a soberania nacional. Milhões de pessoas saíram da

pobreza

e

alcançaram

importantes

conquistas

sociais.

Surgiram

valiosos

instrumentos

de

integração

regional,

destacadamente

a

ALBA

-

Aliança

Bolivariana para os Povos da Nossa América, e a CELAC - Comunidade de Estados

Latino-Americanos e Caribenhos. Reforçamos ainda a proclamação da América

Latina e Caribe como Zona de Paz pela CELAC em 2014, que devemos defender.

Mas está em curso uma ofensiva para liquidar essas conquistas, através de

golpes de novo tipo, em Honduras, no Paraguai e no Brasil e a tentativa de

destituir líderes populares com atividades secessionistas, na Bolívia, e ações

violentas, como no Equador.

Atualmente, o imperialismo estadunidense e seus aliados latino-americanos,

parceiros estratégicos das oligarquias da Venezuela, estão em plena ofensiva para

derrocar o governo legítimo, democrático e constitucional do país e liquidar a

Revolução Bolivariana.

A luta em torno dos destinos da Venezuela é uma batalha pelo continente e

pelo mundo. O triunfo das forças progressistas nesse país representa o de todas

as forças democráticas e partidárias da paz. Por estar no centro de uma ofensiva

do imperialismo na região latino-americana, a Revolução Bolivariana é também

depositária de nossas ações de solidariedade. É uma experiência avançada de

construção de um sistema político, econômico e social que prioriza a soberania

nacional, os direitos do povo e a paz.

É

necessário

ressaltar

ainda

a

vitória

democrática

alcançada

pelo

povo

colombiano com a assinatura dos acordos de paz entre o governo colombiano e as

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP). No

entanto, continuam ocorrendo covardes assassinatos de camponeses, membros

das FARC e lideranças do movimento social colombiano, pelo que é necessário

promover campanhas de solidariedade e defesa dos direitos humanos e pela

implementação completa dos acordos de paz.

Companheiros e companheiras,

A política belicista e intervencionista das grandes potências, sobretudo os EUA

e a UE, aliadas às forças reacionárias locais, é cada vez mais intensa na região do

Oriente Médio. Síria, Afeganistão, Iraque, Líbia, Líbano, Iêmen estão no alvo de

ações intervencionistas e desestabilizadoras.

De forma destacada, a permanente agressividade do regime sionista de Israel

contra o povo palestino e sua vizinhança continua sendo peça chave desta

estratégia de dominação e obstáculo à paz no Oriente Médio. O CMP reitera sua

solidariedade com a luta heróica do povo palestino contra a política genocida e

opressora

do

Estado

de

Israel,

que

o

submete

a

um

colonialismo

cruel.

Defendemos o direito absoluto do povo palestino à constituição do seu Estado

independente e soberano, nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, com capital

em

Jerusalém

Leste,

conforme

as

resoluções

da

ONU.

Exigimos

o

desmantelamento das colônias israelenses na Palestina ocupada, a queda do

muro de separação, a libertação dos sete mil prisioneiros em cárceres israelenses

e o cumprimento do direito ao retorno dos refugiados, já há sete décadas

expulsos da sua pátria. Conclamamos ao reconhecimento do Estado Palestino

como membro pleno da ONU e pelos governos dos países membros das Nações

Unidas.

Registramos com alegria a vitória do povo sírio na luta contra o terrorismo e a

intervenção externa. País laico, soberano e solidário, onde convivem fiéis de

várias religiões com um governo legítimo, a Síria, com o heroísmo de seu povo e a

ajuda de países amigos, venceu uma etapa importante da resistência e agora

enfrenta o desafio da reconstrução. O CMP reitera a condenação aos EUA e

aliados europeus, à Turquia, Israel e às monarquias despóticas do Golfo, que

apoiaram

direta

ou

indiretamente,

treinaram

e

financiaram

mercenários

e

extremistas religiosos para atacar a Síria, o que custou a vida de milhares de

pessoas.

Ao mesmo tempo, observamos com preocupação o grave desenrolar dos

acontecimentos no Líbano desde a demissão controversa do primeiro-ministro

Saad Hariri por mensagem enviada da Arábia Saudita, com acusações incoerentes

contra o Irã e o Hezbollah. A mensagem e os eventos que se seguem, com as

ameaças do reino saudita, servem aos interesses do império e seus aliados de

cercar o Irã, descredibilizar a resistência libanesa e manter o Líbano em constante

tensão, meses após a solução construída para a crise política anterior, com a

formação de um governo com forças de variados matizes. Denunciamos qualquer

tentativa de desestabilização do Líbano que uma aventura, a mera ameaça de

guerra ou ingerência provoquem.

A região asiática também é cenário de crises e ameaças à estabilidade e à paz

mundial. Os Estados Unidos tentam imiscuir-se nas disputas na zona do Mar

Meridional da China. Rechaçamos seus intentos de se intrometer numa disputa

que diz respeito apenas aos países envolvidos. Confiamos em que estes países

serão capazes de chegar a soluções produtivas e conseguirão manter a paz e a

estabilidade.

Saudamos o anúncio conjunto dos presidentes da China e do Vietnã de 13 de

novembro, afirmando que estão decididos a implementar completa e eficazmente

a Declaração sobre o Código de Conduta no Mar Meridional da China (DOC, em

inglês) e se esforçar para a conclusão rápida de um Código de Conduta (COC, em

inglês) com base nos consensos alcançados através de consultas. O compromisso

favorece a estabilidade e a paz na região.

Constitui também uma ameaça à paz que os EUA interfiram na Península

Coreana, mantenham tropas e armamentos e realizem manobras militares que

constituem

ações

provocadoras

e

agressivas

Democrática da

Coreia

(RPDC). Condenamos

contra

a

República

Popular

a abordagem unilateral desta

questão pelos EUA, pois é inalienável o direito do povo coreano, como o de

qualquer outro povo, a salvaguardar sua soberania diante das ameaças do

imperialismo.

estadunidense,

Também

condenamos

enfaticamente

as

ameaças

conforme

explicitadas

pelo

presidente

Donald

do

governo

Trump

na

Assembleia Geral da ONU, e denunciamos como estas, somadas aos constantes

exercícios militares e à política de sanções, são graves ameaças à paz na região e

no mundo. Apoiamos a reunificação pacífica da Coreia e a substituição do acordo

de armistício assinado em 1953 por um acordo global de paz entre a RPDC, a

República da Coreia e os EUA, como tem repetidamente proposto a Coreia

Popular.

Amigas e amigos,

Devemos persistir em nossa luta contra a militarização do mundo, as bases

militares estrangeiras, as armas nucleares. Para consolidar sua posição como

principal país imperialista do mundo, os EUA transformam a sua economia em

uma economia de guerra e o seu país na fábrica de armas do mundo, equipando

seus aliados para a guerra.

Sob o pretexto do “combate ao terrorismo”, os EUA aumentaram sua presença

militar pelo mundo em mais de 20%, após os atentados de 11 de setembro de

2001. Mas basta ver a disposição de suas bases e tropas para constatar que seus

verdadeiros objetivos são outros – o domínio mundial das fontes de energia fóssil

e outros recursos estratégicos, o controle das rotas marítimas e terrestres e a

ampliação de suas áreas de influência.

No Oriente Médio, no Oceano Índico, no Cáucaso e na Ásia Central, no Atlântico

Norte e no Mediterrâneo, no Extremo Oriente, no continente Europeu, na África e

na América Latina, é vasta a rede de bases militares estadunidenses, verdadeiros

enclaves.

Após a queda dos países socialistas do Leste europeu, quase todos os países do

antigo Pacto de Varsóvia aderiram à OTAN e abriram os seus territórios para a

instalação de bases militares. Em meados de 2016 – logo após as provocativas

manobras “Anaconda”, “Saber Strike” e “Sea Breeze”, nas fronteiras da Rússia, no

Báltico e no Mar Negro –, a OTAN avisou que instalará tropas na Polônia, Letônia,

Lituânia e Estônia e ampliará sua presença aérea e marítima no Mar Negro. Ao

mesmo tempo, instalará sistemas antimísseis na Polônia, República Tcheca e

Hungria.

Além de manter bases militares no mundo, os EUA buscam dominar os mares e

oceanos através de sete poderosas frotas navais e controlar o espaço sideral e

cibernético através de uma infinidade de satélites, aviões espiões, estações

rastreadoras e de escuta, e redes comunicacionais.

Temos salientado reiteradamente nossa oposição resoluta ao movimento de

agigantamento da OTAN, que, sob a égide dos EUA, já congrega 29 membros e

mantém parcerias com diversos países. Também denunciamos como, desde 1991,

junto com a expansão no quadro de membros, a OTAN tem reformulado seu

conceito

estratégico

para

justificar

a

continuidade

da

sua

existência

com

pretextos tão cínicos quanto a atuação em “intervenções humanitárias”, como

ocorreu nas criminosas agressões contra a antiga Iugoslávia e a Líbia. Por isso,

sempre afirmamos que a OTAN é a inimiga da paz e dos povos, comprometida que

está com a doutrina do ataque preemptivo e investida no emprego da ameaça de

guerra nuclear como parte de sua política securitária dita de dissuasão.

Por isso, a luta contra o militarismo, as armas nucleares e pela dissolução da

OTAN é parte da plataforma de mobilização dos povos e das organizações sociais

e políticas que defendem

a paz,

principais lutas do CMP.

a

justiça social e o

progresso, e é uma das

As potências dominantes continuam ameaçando a vida no planeta com suas

armas nucleares e outras armas de destruição em massa instaladas em bases

militares do sistema EUA/OTAN instaladas em centenas de localidades. O Apelo de

Estocolmo, documento fundador Conselho Mundial da Paz, assinado por centenas

de milhões de pessoas preocupadas com a ameaça de uso desses arsenais,

guarda atualidade e permanece como um guia para a nossa ação.

Além da disseminação de cerca de mil bases militares estrangeiras e centenas

de ogivas nucleares estadunidenses por diferentes países europeus e a Turquia, e

dos frequentes e massivos exercícios de guerra realizados pelos membros da

OTAN e seus parceiros, da Ásia ao leste e norte da Europa ou, indiretamente,

também na Amazônia, seguimos estarrecidos com os recursos gastos na indústria

da guerra. O total global foi 1,686 trilhão de dólares em 2016, ou 2,2% do PIB

Paz (Sipri), em tendência geral de aumento, com poucas exceções, caso dos

países exportadores de petróleo. Ainda assim, a Arábia Saudita segue sendo um

grande negócio para fabricantes britânicas de bombas, ao seguir comprando para

a sua guerra contra o Iêmen, já em seu segundo ano, onde a destruição e a morte

de mais de 10 mil pessoas são meras consequências da investida indireta da

monarquia saudita contra o Irã.

Ainda em 2016, apenas os EUA, os maiores gastadores no setor da guerra,

dedicaram a ele 611 bilhões de dólares, ou quase metade do gasto mundial,

quase o triplo do segundo maior gasto, o da China, em 215 bilhões de dólares, e

oito vezes o terceiro maior gasto, o da Rússia, em 69,2 bilhões, de acordo com o

Sipri. Mesmo assim, a liderança estadunidense e europeia, amotinada na OTAN, e

seus porta-vozes na imprensa comercial global, seguem insistindo em retratar

estes países, o Irã e a Coreia Popular como as maiores ameaças ao planeta, para

justificar sua ingerência, ameaças, agressões e belicismo.

É digno de nota também que os aliados do imperialismo estadunidense em

“regiões estratégicas” seguem em 4º e 5º lugares na lista de maiores gastadores

no setor da guerra: Arábia Saudita, com 63,7 bilhões, embora tenha diminuído

significativamente seus gastos devido à queda do preço do petróleo, e a Índia

governada por Narendra Modi, que aumentou seus gastos militares em 8,5% em

relação a 2015,

para 55,9 bilhões. Membros da OTAN na Europa central e

ocidental também elevam seus gastos, sendo a Itália o mais notável, com um

aumento de 11%. O Sipri notou até mesmo que o gasto militar russo foi de

apenas 27% do total combinado da OTAN em 2016, na mobilização massiva do

bloco, que temos denunciado nos últimos anos, de cerco e ameaça contra a

Rússia, no avanço em direção à sua vizinhança -- inclusive com a adesão de novos

membros, como Montenegro.

Embora celebremos o importante passo tomado com a conclusão do Tratado

para Proibição das Armas Nucleares, negociado por dois terços dos 192 membros

da

ONU e adotado em setembro, sabemos

que

a parte

mais difícil

é

a

sua

implementação, sobretudo por parte das potências imperialistas, que promovem

uma política de ameaça de aniquilação da humanidade como elemento da sua

política externa.

Companheiros e companheiras,

O colonialismo é um dos fatores de instabilidade, violação de direitos dos povos

e também de ameaça à paz. Tal situação afeta o povo de Porto Rico, que conta

com a plena solidariedade do CMP em sua luta pela independência dos Estados

Unidos e a autodeterminação. O CMP é igualmente solidário com o povo da

Argentina em seu direito legítimo à soberania sobre as Ilhas Malvinas, Georgias e

Sandwich do Sul, sob o domínio britânico. É necessário advertir que essas ilhas,

como outros territórios, muitas vezes são transformadas em bases militares do

Reino Unido ou do sistema EUA/OTAN.

A ocupação do Saara Ocidental pelo Marrocos é um flagrante exemplo de

injustiça, opressão nacional e violação do Direito Internacional. Uma expressão do

abominável colonialismo – o Saara Ocidental é a última colônia africana –,

contrariando a tendência da época histórica, que aponta para a conquista da

emancipação nacional, da independência, da autodeterminação e da soberania.

A República Árabe Saaráui Democrática (RASD) está com a maior parte do seu

território ocupada por tropas do Reino do Marrocos há mais de 40 anos. Há quatro

décadas, a população saaráui resiste e luta pela independência de sua pátria, sob

a liderança da Frente Popular de Libertação de Saguía el Hamra e Rio do Oro

(Polisario).

Mais uma vez, manifestamos ao povo saaráui, ao governo da RASD e à Frente

Polisário a solidariedade militante do CMP em sua luta pela independência, luta

esta que, temos plena confiança, terminará com a derrota do colonialismo arcaico

e com a vitória do povo saaráui. Demandamos o cumprimento do acordo para a

realização de um referendo de autodeterminação estabelecido há 26 anos,

quando do cessar-fogo entre a Frente Polisario e o Reino do Marrocos.

De igual forma, rechaçamos enfaticamente a contínua ocupação de 37% do

território do Chipre pela Turquia, ocupação que já dura quatro décadas. O Chipre

está na rota estratégica para o imperialismo e sua máquina de guerra, a OTAN, e

sua divisão favorece os planos imperialistas. Por isso, seguimos ao lado do povo

cipriota na luta pela reunificação, para que o povo do Chipre decida de forma

soberana o destino do país e a solução para a questão, com base nas resoluções

da ONU e os Acordos de Alto Nível de 1977 e 1979, por uma Federação bi-regional

e bi-comunal com uma só soberania, cidadania e personalidade internacional e

com igualdade política.

Companheiros e companheiras,

A luta pela paz, a democracia e a justiça constitui uma tendência inexorável de

nossa

época.

O

Conselho

Mundial

da

Paz

está

chamado

a

desempenhar

importante papel nessa luta e no fortalecimento dessa tendência de progresso.

Desde a sua fundação, é uma organização unitária, ampla, de convergência de

todos os que lutam contra a guerra, as armas nucleares, a militarização, o

intervencionismo e as violações dos direitos dos povos e nações.

Desde a heroica nação vietnamita, o CMP se dirige aos povos do mundo,

através das organizações sociais e governos amigos, num chamamento por uma

frente capaz de potencializar a resistência e acumular novas forças para fazer

triunfar o grande ideal da paz!