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BIOÉTICA E EUTANÁSIA: O PSICÓLOGO

FRENTE AO CONFLITO ENTRE A
SOBREVIDA E A MORTE DE UM PACIENTE.

Através da disciplina Ética Profissional – 8º período, estudamos a fusão
entre Ética e Biologia (Bioética) e voltamos à seguinte reflexão: qual seria o olhar da Psicologia
frente ao tema, e mais precisamente, em relação a uma questão de alta complexidade – a
Eutanásia.
Bioética pode ser definida como “o estudo sistemático da conduta humana
na área das ciências da vida e a atenção à saúde, enquanto que esta conduta é examinada à
luz dos princípios e valores morais” (Reich 1978) e seu nome surgiu do neologismo entre as
palavras gregas bios (vida) e etikhe (ética). Os fatores que a originaram estão relacionados tanto
à revolução científica e tecnológica pela qual temos passado nas últimas décadas, quanto à
revolução social que inseriu e projetou a importância da pessoa “leiga” no processo decisório
sobre sua própria condição, fato este ocorrido na década de 60. É hoje vista como uma ciência
que evoluiu da condição de ciência da sobrevivência humana para a chamada Bioética Global,
que busca junto a outras ciências (incluindo a Psicologia) respostas para problemas
extremamente desafiadores.
Um desses problemas pode ser traduzido, segundo alguns pensadores da
Bioética, como a grande questão do século XXI (Pessini, 1999): a Eutanásia. O termo Eutanásia
vem do grego ευθανασία - ευ "bom", θάνατος " "morte" e pode ser traduzido como "boa morte"
ou "morte apropriada". Na medicina, significa proporcionar ou acelerar a morte de um ser
humano com o intuito de abreviar o sofrimento de alguém atingido por doença grave, dolorosa e
incurável. O contexto mostra-se complexo, pois além de envolver questões sobre a decisão entre
a morte ou a sobrevida de um paciente, constitui mundialmente ação de cunho ilegal –
homicídio, com exceção da Bélgica e Holanda. “Algumas possibilidades de situações parecidas
já ocorrem, como por exemplo, o suicídio assistido (parte dos Estados Unidos da América e
Suíça), mas o fato é que sua prática constitui crime (homicídio) em boa parte do planeta,
incluindo o Brasil” (José Roberto Goldim, professor doutor e membro do Grupo de Pesquisa e
Pós-Graduação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - http://saude.terra.com.br/intern).
Por outro lado, a Eutanásia também se insere no ramo do Biodireito, embora
a Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos não conte com força de Lei, uma vez que
sua aplicação serve como norte para que os países regulamentem suas próprias leis. A
Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos é uma resolução que incorporou, em
outubro de 2005, pela Conferência Geral da UNESCO, os princípios que enunciam as regras que
norteiam o respeito pela dignidade humana, pelos direitos humanos e pelas liberdades
fundamentais, consagrando a Bioética entre os direitos humanos internacionais. Ela busca
garantir o respeito pela vida dos seres humanos, reconhecendo a interligação que existe entre
ética e direitos humanos.
Em seu artigo 2º, observam-se os seguintes objetivos:
a) “Proporcionar um enquadramento universal de princípios e
procedimentos que orientem os Estados na formulação da sua legislação, das suas políticas,
ou de outros instrumentos em matéria de bioética;
b) Orientar as ações de indivíduos, grupos, comunidades, instituições e
empresas, públicas e privadas;

para algumas pessoas. é realmente insuportável. sem ser capaz ele mesmo de abreviá-la. como deve atuar frente a tais conflitos? Quando e como ele deve posicionar-se? Por mais que tenhamos um código que verse sobre nossa atuação.às suas dores. o nosso código de ética não é um livro de perguntas e respostas. uma vez que tais grupos consideram o ser humano não somente em sua dimensão biológica.” Enquanto estudantes. Estudamos (de forma quase exaustiva eu diria) como as pessoas são capazes de resistir. discriminação. as leis.a dignidade da pessoa humana.. O Psicólogo deve.a soberania..)”. II . o Psicólogo precisa atentar para aquilo que é legal ou ilegal em certa sociedade. Mas o que vem a ser *dignidade da pessoa humana? E o Psicólogo. considerar que poderá realmente deparar-se com situações delicadas como a Eutanásia.. podem contribuir para que a eutanásia seja vista como mais uma forma de matar. No item II dos Princípios Fundamentais do Código de Ética do Psicólogo encontramos um parâmetro que merece leitura reflexiva: “O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligências. Por outro lado. No Brasil. .. acreditamos que é importante e necessário promover reflexões e discussões a cerca da Eutanásia. primeiramente. sabemos que isso é real e que. pois a vida não é estática. ou seja. como todo cidadão deve conhecer e cumprir. Ela está em constante mutação e os códigos de ética.. sejam físicos e/ou psíquicos. Se um paciente alega que é muito intenso seu sofrimento.” O que vem a ser crueldade? O que vem a ser opressão? Onde estão as respostas para tantas indagações? Aprendemos nessa disciplina que não há respostas prontas.* (. onde um paciente acometido de moléstia dolorosa. III . mas sim um instrumento que embasa a reflexão que devemos fazer a cerca de nossa futura atuação. para que conheça e respeite o que é determinado por leis. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. sofrimentos. crueldade e opressão. nossa Carta Magna. devemos considerar que não há muitos esclarecimentos quanto aos fatos reais. de modo que todas as esferas sociais apresentem sua contribuição sobre o tema. por vezes. violência. Ou seja. 1º A República Federativa do Brasil. as normas e os regimentos sociais (e convenções sociais) também devem considerar este fato.. .a cidadania. mas também em uma dimensão social embasada em normas morais e éticas. independentemente de apoiar ou não atitudes que envolvam temas polêmicos como este. grave e incurável solicite que se abrevie a continuidade de sua vida. como grupos religiosos e setores conservadores da sociedade. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I . aprendemos a pautar nossos pensamentos e decisões usando o senso crítico e ético. versa: “Art. Porém.ou não . aumentando o conflito ideológico. entendemos que o envolvimento de diversos segmentos sociais. eu seu artigo 1º. e) Fomentar um diálogo multidisciplinar e pluralista sobre as questões da Bioética entre todas as partes interessadas e no seio da sociedade em geral. . limitações. exploração.

br/interna www. Portanto.unesco. Aprendemos que devemos estar atentos a isso. em total detrimento do outro.com.br Material apresentado em sala http://www. Em uma situação como esta. membros de uma equipe médica.org/ Escrito por: Joana Márcia Moraes Teixeira . amigos.9º período de Psicologia .bioetica.org. sejam membros da família.Tradução de Ana Tapajós e Mauro Machado do Prado – Revisão de Volnei Garrafa: Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília (UnB).br Código de Ética do Profissional Psicólogo www.terra. reduzindo à fria escolha de um dos lados a defender. comunidade religiosa e a sociedade em geral. Referências Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos . a questão não deve ser tratada sob simples olhar que aponte para uma atitude “certa” ou uma atitude “errada”.brasilescola. cabem considerações e atitudes “errôneas” e “corretas” a todos os envolvidos. pois todos estão extremamente fragilizados e expostos ao julgamento judicioso das pessoas. http://saude.com.