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A boa-fé seria um princípio presente de forma cogente no ordenamento

jurídico. A sua existência inexorável leva a uma necessidade de se interpretar as
condutas praticadas pelos sujeitos processuais de forma sistemática, extraindo-se de
cada uma os comportamentos considerados abusivos e que, por decorrência, seriam
também ilícitos.
A diferença marcante entre o ilícito propriamente dito e o ato abusivo
decorre do fato de que neste último há o que se pode chamar de aparência de licitude,
isto é, o sujeito pratica o abuso sob o pretexto de estar se utilizando de um direito que,
diante de um olhar pouco acurado, o ordenamento jurídico lhe asseguraria.
Consequentemente, para se chegar à conclusão de que determinado ato foi abusivo
exige-se, antes de tudo, que se descortine o manto que oculta a ilicitude que o inquina.
A responsabilidade pela prática do ato abusivo, conforme defendido pela
ampla maioria dos doutrinadores, é objetiva: é irrelevante a intenção do agente,
bastando que haja um comportamento realizado com objetivo diverso do previsto no
comando normativo que, aparentemente, permitiria a prática do respectivo ato.
Quando a lei delega ao particular certo direito, impõe-se, inevitavelmente,
um dever implícito de exercê-lo com o objetivo visado pelo legislador, pena de restar
configurado desrespeito à boa-fé objetiva ou ao princípio da confiança. Isso fica
bastante claro quando se estiver a tratar dos meios de impugnação às decisões judiciais.
Ora, os recursos foram criados com o fito de que o sujeito passivo insurja-se contra
certo decisum, que, a seu ver, decidiu injustamente de forma contrária ao seu pleito.
Espera-se, portanto, que o recorrente acredite que o argumento aventado na peça
recursal seja analisado pelo magistrado e eventualmente acolhido. Nesse contexto, vai
contrário à própria definição de recurso a sua interposição com vistas somente a protelar
a efetivação da decisão condenatória. Diante deste caso, deve o juiz possuir poderes
para sancionar essa interposição abusiva. Para tanto, o magistrado deve, primeiramente,
quebrar a barreira que oculta a ilicitude do ato. Essa barreira, conforme já dito, é a
aparência de licitude.
Percebe-se, no exemplo acima, que a possibilidade do exercício de um
direito específico, qual seja, a interposição de um recurso, elevou o eventual recorrente
a uma posição jurídica de vantagem em relação ao seu adversário no processo em
andamento. Essa posição vantajosa ocorre sempre que se concede a alguém o exercício
de um direito. A utilização indevida dessa prerrogativa sempre interfere na esfera de

podendo ser perfeitamente aplicada no âmbito do direito processual civil. Contudo. ou seja. a bem da verdade. que a boa-fé objetiva está presente em todos os ramos do direito. Todas as regras que estipulam os ônus processuais das partes devem se guiar com base nesse escopo. não se deve conceber um processo como um jogo no qual se permite a prática de quaisquer atos tendentes a garantir os argumentos por elas defendidos. Nesse sentido reside a importância de se estudar os mecanismos que limitam o exercício do direito abusivo. Defender tal ponto de visto é garantir que o processo somente sirva de meio para que seja vencedor o mais estrategista. de modo a evitar que determinado sujeito processual possua prerrogativas que em nada contribuem para a resolução justa da questão controvertida. O processo deve ser entendimento como um instrumento de justiça. tanto preventiva quanto repressivamente. chega-se também à conclusão de que a teoria do abuso de direito possui igual amplitude. além disso.outra pessoa. o objetivo do processo é resolver o litígio posto sob juízo de maneira célere e justa. quando. . Tendo em vista. para que se adote tal entendimento. aquele que se utilizou dos instrumentos processuais de maneira mais ardilosa.