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CONTRIBUTO DO CEBRAPAZ COM O EXAME PERIÓDICO UNIVERSAL DA REPÚBLICA DE CUBA PELO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU

TERCEIRO CICLO | 5 DE OUTUBRO DE 2017

Promovendo os direitos humanos no país e no exterior:

Os direitos fundamentais dos cubanos e a solidariedade internacional

1. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ) aproveita esta

bem-vinda oportunidade para contribuir com o Exame Periódico Universal (EPU) da República de Cuba, considerando-se familiarizado com a situação no país e em contato estreito com o povo cubano. O CEBRAPAZ visitou Cuba inúmeras vezes ao longo dos anos, tendo a oportunidade de conhecer com profundidade a realidade local, das cidades à zona rural. Lá, observamos os esforços de Cuba por alcançar a garantia completa de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais para todos os seus cidadãos. Gostaríamos, por tanto, de enfatizar as conquistas do país, referindo- nos às recomendações feitas no segundo ciclo do EPU, em 2013. 1

2. Observamos a evolução do quadro jurídico e institucional de Cuba, em melhoria para atualizar o

modelo econômico e social do país, com base no compromisso com o fortalecimento da justiça social e da solidariedade, como delineado no plano para as Políticas Econômicas e Sociais para 2016-2021. 2 Esta atualização legislativa reflete-se em novas ou renovadas regras sobre o acesso à terra, 3 à seguridade social, ao emprego, à habitação e ao emprego autônomo, sobre a política de migração, entre outras áreas, como descrito no plano.

3. Todos os cubanos, sem discriminação, têm acesso à provisão de serviços básicos e de qualidade,

como a educação, a saúde, a seguridade social e ao bem-estar, e todas as atualizações são conduzidas no esforço de assegurar a continuidade e a melhoria desta realidade, em linha com a recomendação da República Isâmica do Irã, a Sérvia, o Usbequistão, a Argélia, o Turcomenistão e outros. 4

4. Condição necessária para a participação política e social eficaz, é impressionante o alto nível de

conhecimento político e da educação dos cubanos e das cubanas, que estão cientes do quadro legal

que estabelece seus direitos fundamentais, deveres e garantias enquanto cidadãos, assim como das bases para o seu respeito, realização e proteção. Os cubanos e cubanas são muito bem informados

1 OHCHR (1º Maio 2013) Examen Periódico Universal de Cuba – Segundo Ciclo [Universal Periodic Review of Cuba – Second Cycle], www.ohchr.org/EN/HRBodies/UPR/Pages/CUIndex.aspx (acesso em 3 de outubro de

2017).

2 Ministério das Finanças e Preços da República de Cuba,Lineamientos para el Período 2016-2021, http://www.mfp.cu/ficheros/Lineamientos%202016-2021.rar (accesso em 2 de outubro de 2017)

3 Ministério da Agricultura da República de Cuba, Analizan impacto de la entrega de tierras en usufructo y nuevas acciones a ejecutar, http://www.minag.gob.cu/node/280 (acesso em 2 de outubro de 2017)

4 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

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não apenas sobre a política doméstica como também sobre questões internacionais, que discutem com argumentos sólidos, livremente e sem temer expressar opiniões críticas a questões locais. Observamos como a liberdade de opinião e expressão é respeitada em Cuba, o que inclui a ampla existência de diferentes religiões, igrejas e credos que são respeitados sem discriminação.

5. O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação pela sociedade, inclusive da Internet,

também está melhorando; observamos uma enorme expansão nos últimos anos. A inclusão deve ser tida em conta, uma vez que gerações mais velhas tendem a ser deixadas para trás nestes processos.

6. O sistema democrático de Cuba é frequentemente mal interpretado, uma vez que difere dos

regimes de democracia representativa. O aparato do Estado cubano é composto pelos órgãos legislativo, executivo, administrativo, judicial, fiscal, controladoria e defesa, cada um exercendo uma função específica na estrutura do poder. Apesar da desinformação provida pela mídia internacional, as eleições ocorrem periodicamente, em conformidade com o calendário, com altas taxas de participação, ainda que o voto não seja obrigatório e não haja campanhas políticas. Os

candidatos devem ser conhecidos e admirados por seus vizinhos, o que explica por que alguns não entram para o sistema: porque nunca conseguem juntar o quórum necessário para serem eleitos. Este princípio é materializado na participação direta do povo, no exercício do controle ativo dos órgãos de poder, até mesmo através das instituições políticas e civis, e dentro do quadro legal existente, o que inclui a possibilidade de revogação de mandatos, para a maioria dos cargos. 5

7. A participação política ocorre tanto em questões cotidianas e locais quanto no processo político de maior abrangência, como as eleições, consultas populares, entre outras. Recentemente, as propostas da Conceptualização do Modelo Econômico e Social Cubano e as Bases do Plano de Desenvolvimento Nacional até 2030 6 foram discutidas por 1,6 milhão de cubanos e cubanas (em mais de 47 mil reuniões), de onde emergiram mais de 200 mil propostas, com o objetivo de assegurar uma sociedade mais justa, livre, independente, igualitária, democrática, colaborativa e participativa. 7

8. Além de cuidar dos direitos humanos de seus próprios cidadãos, Cuba estende sua solidariedade a outros países. Este é o caso de nosso país, o Brasil, onde milhares de médicos cubanos trabalham em inúmeras municipalidades, oferecendo atenção médica em comunidades antes desprovidas, seja nas periferias das grandes metrópoles ou em regiões mais remotas. Como recentemente apontado pela Sra. Virginia Dandan, a Especialista Independente para direitos humanos e solidariedade internacional nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, enquanto a educação

5 República de Cuba, Ley Electoral, http://www.acn.cu/images/2017/septiembre/LEY%20ELECTORAL.pdf (acesso em 2 de outubro de 2017)

6 Conceptualización del Modelo Económico y Social Cubano de Desarrollo Socialista, http://media.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2017/07/PDF-510-kb.pdf (accessed 2 October 2017).

7 Cuba Debate (30 de maio de 2017) Cuba: Ruta democrática y participativa para aprobar documentos definitorios

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universal é um pilar do desenvolvimento do país, um valor importante do sistema educacional cubano é a cooperação internacional, sobre o qual o país mantém parcerias com mais de 30 países. 8

9. Em linha com as recomendações feitas pela Federação Russa, Serra Leoa, Timor-Leste e o Bangladesh em 2013, 9 Cuba envia a assistência mais necessária em eventos de epidemia ou desastres naturais, como no combate ao Ebola na África ou a mais recente assistência enviada ao Haiti, Dominica e outros países caribenhos afetados por furacões. De acordo com a Sra. Dandan, “essas equipes de emergência atenderam as necessidades e aos cuidados de mais de 3,5 milhões de pessoas em 21 países.” Além disso, em acordo com as recomendações do Tajiquistão, a República Unida da Tanzânia e outros, 10 Cuba continua a receber milhares de estudantes de todo o mundo para estudos superiores que provavelmente não alcançariam em seus países de origem ou nas regiões em que vivem, frequentemente, mas não apenas, as afetadas por conflitos. Um exemplo é a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), estabelecida por Cuba para a formação de 10.000 médicos de toda a região, inclusive dos Estados Unidos. Cuba também tem cooperado com outras nações com o seu método pedagógico, na luta por eliminar o analfabetismo, em linha com as recomendações do Chade, Haiti e a Federação Russa. 11

10. Devemos enfatizar que todas essas preocupações domésticas e exteriores por direitos humanos e

solidariedade são correspondidas enquanto Cuba se esforça por sobreviver a 55 anos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, o que constitui grave violação dos direitos humanos dos cubanos e cubanas e grave violação da soberania do país, prejudicando seriamente seu desenvolvimento e trabalhando pelo isolamento do seu povo.

11. O fato de que a preocupação e o trabalho árduo pela realização dos direitos sociais, culturais,

econômicos civis e políticos do povo cubano sejam conduzidos com firme compromisso mesmo sob tais circunstâncias é verificável por quem visita o país e conhece seu povo, e corresponde às recomendações feitas pela Índia, o Estado Plurinacional da Bolívia, a República Bolivariana da

Venezuela e o Zimbábue. 12 Para os povos de países afetados por crises econômicas, nas quais a pobreza, o desemprego e até mesmo a fome crescem, os compromissos de Cuba são exemplares e têm se desenvolvido através das atualizações legislativas, em linha com as recomendações da

en la vida nacional, http://www.cubadebate.cu/especiales/2017/05/30/ruta-democratica-y-participativa/ (acesso em 2 de outubro de 2017); Prensa Latina (19 de maio de 2017) Aprueban documentos de actualización de modelo económico cubano, http://prensa-latina.cu/index.php?o=rn&id=86984&SEO=aprueban-documentos-de- actualizacion-de-modelo-economico-cubano (acesso em 3 de outubro de 2017).

8 OHCHR (19 de julho de 2017), UN rights expert compliments Cuba’s international solidarity, prods rights progress, www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=21893&LangID=E (acesso em 3 de outubro de 2017)

9 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

10 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

11 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

12 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

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República Bolivariana da Venezuela, o Butão, a República Popular da China, e outros. 13

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12. O trabalho ativo de Cuba pela paz mundial e regional também é evidenciado, por exemplo, com

o acolhimento bem-sucedido dos diálogos de paz entre o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), contribuindo para a transformação de um conflito de mais de cinco décadas e que afetou gravemente o povo colombiano, enquanto desestabilizava a região inteira. Além disso, através de organizações da sociedade civil como o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e o Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos (MovPaz), a solidariedade entre os cubanos e outros povos é firme.

13. Os cubanos e cubanas têm papel ativo na luta mundial pela paz, contra as armas de destruição

em massa e a militarização do planeta, o colonialismo e as guerras, lutando por uma ordem internacional mais igualitária. Por exemplo, nos últimos anos, organizações de todo o mundo têm se reunido em Guantánamo, Cuba, para discutir e protestar contra a existência de mais de 1.000 bases militares espalhadas pelo mundo, a maioria delas, pelos EUA – incluindo a base naval

estadunidense instalada em Guantánamo contra a vontade dos cubanos, e onde os EUA mantêm uma prisão clandestina, fora do direito internacional e que continua a envergonhar a humanidade com graves violações dos direitos humanos e do Direito Internacional Humanitário. O CEBRAPAZ participa desses eventos, organizados pelo MovPaz e pelo Conselho Mundial da Paz – de que nossas organizações são membro.

14. Cuba tem um papel proeminente nos projetos regionais por uma integração baseada na solidariedade, na cooperação e no respeito pela soberania de cada nação, como é o caso da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) e a Comunidade de Estados Latino- Americanos e Caribenhos (CELAC), e promove uma relação estreita com outras iniciativas regionais, como a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). A CELAC, composta por 33 países, adotou um compromisso ambicioso e uma proclamação, em sua Cúpula de 2014, em Cuba, que foram ativamente promovidas pela liderança cubana, declarando a região uma Zona de Paz. A declaração inclui o respeito à diversidade regional e o engajamento na unidade para a promoção do progresso comum na luta contra a pobreza e a injustiça social, assim como o compromisso firme com o desarmamento global e o fim da militarização do planeta, compromisso baseado no estabelecimento histórico de uma zona livre de armas nucleares na América Latina e Caribe pelo Tratado de Tlatelolco de 1967 e que é exemplar, como notou Alfred Maurice de Zayas, Especialista Independente na Promoção de uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa nomeado pelo Birô do Alto Comissário para Direitos Humanos (OHCHR, na sigla em inglês). 14

13 A/HRC/24/16/Add.1 - Para. 7

14 OHCHR (3 de fevereiro de 2014) CELAC / Zone of Peace: “A key step to countering the globalization of militarism” – UN Expert, www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=14215& (acesso em de outubro de 2017)

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15. Por isso, continuamos a observar como Cuba luta por fortalecer sua democracia, os direitos humanos e liberdades fundamentais, enquanto promove o avanço dos projetos sociais, econômicos, políticos, culturais, nacionais e soberanos através da participação ativa da população. Em seu firme compromisso e engajamento com as instituições internacionais que devem ser fortalecidas para aprofundar os direitos fundamentais dos povos, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU e tantos outros, Cuba contribui para um diálogo mundial e toma notas positivas das recomendações de seus pares, como mostrou nos ciclos anteriores do EPU, enquanto luta contra os graves efeitos do bloqueio estadunidense e sua campanha intervencionista, trabalhando arduamente pela integração regional baseada na cooperação, pela solidariedade internacional e a paz.

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