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Psicologia: Teoria e Pesquisa

Abr-Jun 2013, Vol. 29 n. 2, pp. 211-219

Desamparo Aprendido e Incontrolabilidade: Relevância para uma Abordagem
Analítico-Comportamental da Depressão
Darlene Cardoso Ferreira1
Emmanuel Zagury Tourinho
Universidade Federal do Pará

RESUMO – Este artigo oferece uma análise dos diferentes usos do conceito de incontrolabilidade vinculados ao modelo do
desamparo aprendido, apontado como um modelo animal de depressão, indicando como a mesma topografia verbal é emitida
sob controle de eventos distintos. Discute-se a generalidade do conceito de desamparo aprendido a partir de dados obtidos com
humanos, abordando-se também aspectos relativos à participação de contingências verbais na ocorrência do efeito. Variáveis
relevantes para a generalidade do desamparo aprendido – enquanto modelo experimental e equivalente animal da depressão
na análise do comportamento – são discutidas, justificando-se a necessidade de maior investigação da correspondência entre
o conceito de incontrolabilidade e a condição experimentalmente estabelecida em laboratório e da produção de desamparo
aprendido em humanos com participação de processos verbais.

Palavras-chave: desamparo aprendido, incontrolabilidade, depressão, contingências verbais

Learned Helplessness and Uncontrollability: Relevance of a Behavior
Analytic Approach to Depression
ABSTRACT – References to the experience of uncontrollability are often found in the literature in association with learned
helplessness. This paper offers an analysis of the different uses of the concept of uncontrollability, indicating how the same
verbal topography is controlled by different events. The generality of learned helplessness is discussed based on experiments
with human subjects, also pointing out the role of verbal contingencies for the occurrence of learned helplessness in humans.
Relevant variables to the generality of learned helplessness as the experimental model and animal equivalent of depression are
discussed, justifying the need for more research into aspects such as the correspondence between the concept of uncontrollability
and the experimentally established condition in the laboratory and the production of learned helplessness in humans involving
verbal processes.

Keywords: learned helplessness, uncontrollability, depression, verbal contingencies

Na literatura da Análise do Comportamento, o desamparo ambientais relevantes, quando aprende que essas mudanças
aprendido, que implicaria uma redução da responsividade ocorrem de modo independente de seu comportamento, ele
do organismo ao ambiente, tem sido associado ao fenômeno tende a se tornar menos responsivo a esse ambiente (Maier
da depressão (e.g., Cavalcante, 1997; Dougher & Hackbert, & Seligman, 1976).
1994; Hunziker, 2001a; Kanter, Cautilli, Busch, & Baruch, Os conceitos de incontrolabilidade e de desamparo, po-
2005). Constitui tema controverso se tal padrão efetivamente rém, são empregados em contextos específicos da pesquisa
caracteriza o que na literatura psicológica têm sido descritas comportamental e de modos nem sempre coincidentes. Isso
como instâncias de depressão. Neste trabalho, demarcam-se sugere que um apelo genérico à experiência de incontrola-
alguns limites da possível referência ao desamparo em uma bilidade e ao desamparo como padrão de comportamento
abordagem analítico-comportamental da depressão. enquanto explicações para a depressão podem levar a equí-
A mesma literatura que apresenta o desamparo aprendido vocos. Compreender, portanto, os contextos e limites desses
como modelo analítico-comportamental da depressão sugere usos faz-se necessário para demarcar sua relevância para uma
que esse padrão de comportamento resulta de uma experi- abordagem analítico-comportamental da depressão.
ência de incontrolabilidade do ambiente pelo organismo. A definição oferecida na Análise do Comportamento para
Investigações experimentais (e.g., Hunziker & Santos, 2007; o desamparo aprendido remete à dificuldade de aprendizagem
Jackson, Alexander & Maier, 1980; Rossellini, 1978; Selig- encontrada em indivíduos previamente expostos a estímulos
man & Maier, 1967; Yano & Hunziker, 2000), de fato, têm aversivos incontroláveis (Hunziker, 2005). O fenômeno tem
produzido evidências da dificuldade de aprendizagem após sido amplamente estudado (Hunziker, 2003), desde os estu-
exposição a uma condição de incontrolabilidade. Interpreta- dos pioneiros de Overmier e Seligman (1967) e Seligman e
ções desses resultados sugerem que quando um organismo Maier (1967).
“aprende” que seu comportamento não controla mudanças Elaborado originalmente por Seligman e Maier (1967), o
delineamento experimental clássico na investigação do de-
1 Endereço para correspondência: Avenida Tavares Bastos, 438. samparo compreende três grupos: controlável, incontrolável
Belém, PA. CEP 66613-140. E-mail: darlene.cardoso@gmail.com (ou acoplado) e neutro. Na primeira fase, os dois primeiros

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2001a). 211-219 . por buir para tornar mais abrangente e consistente a explicação seu turno. e entre os conceitos oferecidos. Peterson. em ambiente experimental. Overmier & Seligman. Dada a relevância atri- de contingência com suas respostas. 2001a). algumas definições de incontrola- respostas (“sintomas”) apresentadas por não humanos. pp. a utilização irrestrita do desamparo aprendido como Menções à incontrolabilidade são frequentemente en- um modelo animal da depressão deve ser evitada. Para um sujeito da díade (grupo controlável). à medida tem também demonstrado que os organismos apresentam que alguns desses obstáculos são delimitados. assinalando o distanciamento entre os a autora. contradas em pesquisas voltadas ao estudo do desamparo 212 Psic. 1965. explicar porque seria questionável considerar o desamparo lação incontrolável apresentam dificuldade de aprendizagem. 2. 1993) a uma eventual generalização. em comparação aos outros dois grupos. & Seligman. ainda. o trabalho salienta que os Maier (1967) têm demonstrado que a exposição prévia ao resultados encontrados experimentalmente com estímulos estímulo incontrolável compromete a aprendizagem em uma incontroláveis aversivos não são replicados com estímulos condição posterior controlável. 2005). implica o comprometimento de sua adaptação e analítico-comportamental da depressão. inclusive os identificados com humanos. Isso se justifica tanto por similaridades entre as central. são abordadas algumas questões relativas acoplado). indica-se como dificuldade de aprendizagem após a exposição a estímulos a introdução da análise de processos verbais pode contri- incontroláveis. aprendido um modelo experimental da depressão. Os estudos sobre desamparo aprendido têm gerado elaborada com base em artigos e capítulos de livros que. Verifica-se o efeito de desamparo que pode designar diferentes fenômenos e. O repertório de comportamento. de Fenômenos Investigados trabalhos iniciais na investigação do fenômeno (Overmier & e de Resultados Produzidos Leaf. Maier & Seligman. 1967). em pares. A presente análise caracteriza uma revisão teórica. ainda. O Conceito de Incontrolabilidade: Variedade de A despeito dos resultados promissores obtidos desde os Definições Oferecidas. especialmente no que concerne à modelo de desamparo aprendido reside na demonstração depressão humana. Discute-se. em bilidade são apresentadas. Também coloca em discussão a explicar esse dado. o rigorosamente fundamentadas por conhecimento empírico estímulo pode ser interrompido quando da emissão de uma (Hunziker.: Teor. Assinala-se que alguns limites relativos à investigação expe- 1979. a um estímulo com função quer comparações entre laboratório e clínica devem estar aversiva. relacionando-os aos eventos o comportamento característico de indivíduos identificados efetivamente investigados no contexto experimental a que como depressivos (e. dados efetivamente obtidos e as explicações oferecidas para a envolvendo a impossibilidade de controle sobre certos depressão. produto tanto da ausência de reforçadores. No presente estudo. a apresentação do estímulo não mantém relação ao modelo do desamparo aprendido. Seligman & Maier. Brasília. sendo interrompida buída à incontrolabilidade para a ocorrência do fenômeno. quanto da insen- sibilidade – ou redução da sensibilidade – do organismo aos reforçadores disponíveis no meio (Hunziker. validade dos resultados de certos estudos com humanos e ção de incontrolabilidade o organismo aprende que não tem de associações dos mesmos com o fenômeno da depressão.. sobretudo das que gerariam verbais no controle do comportamento pode ser aplicada à reforçadores. Na fase de teste. Oferece-se uma como depressivos. assim como não são analisados alguns obstáculos diversas espécies (cf. uma contribuição relevante do situações mais amplas. Comparações são estabelecidas contingências artificialmente produzidas em laboratório. 2005). Vol. o trabalho detém-se na análise de pes- adaptação comportamental à contingência vigente. são abordados aspectos relativos à aspectos do ambiente como crítica para a compreensão de participação de contingências verbais na ocorrência do efeito comportamentos desajustados. o estudo objetivo da depres. se referem. Maier & Seligman. enquanto para o outro (grupo Neste artigo. desse modo. sugere que na condi. formulações importantes relativas a um modelo animal de em sua maioria. experimental da interferência da história de reforçamento na Na parte seguinte. 1976). Ilustra-se. aprendido quando os sujeitos previamente expostos à estimu. inatividade com relação ao meio). uma contingência de fuga. 29 n. isso indica a existência de uma relação específica.g. tratados em determinados estudos sobre desamparo apren- são parte da análise da frequência de comportamentos que dido e outras alternativas elaboradas no campo da análise do geram determinados tipos de consequências. 1967. Essa frequência reduzida de respostas pode ser análise da depressão. largamente aceita. controle sobre o ambiente (Altenor. em que medida os resultados quanto pelo papel de eventos aversivos incontroláveis no obtidos em experimentos que utilizam uma condição consi- aparecimento dessas respostas (Hunziker. comparação entre o modo como componentes verbais são Segundo Hunziker (2001a). derada de incontrolabilidade permitem generalizações para Para Hunziker (2001b). e Pesq. os três grupos são expostos a aprendido. Uma hipótese utilizada para incontroláveis apetitivos. Quanto à possível generalidade do desamparo enquanto Estudos com o delineamento proposto por Seligman e modelo explicativo da depressão. trazem o desamparo aprendido como tema depressão. DC Ferreira & EM Tourinho grupos são expostos. resposta pré-selecionada. Primeiramente. como uma indivíduos considerados deprimidos é reconhecido por uma análise comportamental do papel exercido por contingências baixa frequência de respostas. rimental do fenômeno não são suficientemente discutidos na A replicação de estudos de desamparo aprendido com literatura. Os sujeitos do grupo neutro não são expostos incontrolabilidade na literatura experimental do desamparo ao estímulo. nesse sentido. Ressalta-se o caráter polissêmico do conceito. Abr-Jun 2013. Segundo quisas com humanos.. Essa baixa responsividade ao ambiente. sobrevivência (Hunziker. Nesse contexto. e quais. conforme o desempenho de seu par correspondente no grupo são identificados e analisados diferentes usos do conceito de controlável. Volpicelli.

Mais do que isso. um estímulo aversivo – confor- (Abramson et al. Rosenblum. pela equação: p(S/R) = p(S/nR) (Hunziker. 2005. definição de incontrolabilidade são contemplados pelo deli- mentares. uma mesma resposta. ressaltando a neamento das pesquisas sobre desamparo. 1976. independência entre resposta e consequência. Dados obtidos com o emprego de es. Manfré. caracterizaria a condição experimental presente fato de os sujeitos não exercerem controle sobre a produção nos trabalhos mencionados? do estímulo reforçador. indo de uma classificação geral. caracterizando Experimentos realizados com estímulos distintos e o estímulo potencialmente reforçador como incontrolável. da 1982. Rossellini & Hunziker. Jackson et al. Resultados produzidos a experimental da incontrolabilidade..Rn) . Além disso. Consequentemente. Prindaville & eliciadoras bastante peculiares. não se estabelece qualquer controle sobre a ocorrência dessa posta em nada altera a probabilidade de ocorrência de um resposta. A configuração experi- mental dessas pesquisas impede que respostas dos sujeitos Não se controlando R ou nR. S corresponde a um determinado estímulo. igualdade implica numa simetria entre R e nR quanto às suas dido demonstram a dificuldade de aprendizagem de uma probabilidades de ocorrência. 29 n. Hunziker (1982) argumenta que nem todos os aspectos da Tais definições podem ser concebidas como comple. Nos estudos sobre desamparo aprendido. possibilitando reforçamento ou punições quando uma contingência de fuga/esquiva é estabelecida. 2. & Hunziker. quando esses estímulos Testa. 2005. dicionadas. A incontrolabilidade por vezes é definida concerne a estímulos aversivos incontroláveis. 1978). 1989. incontroláveis são apetitivos. 2000) demonstram a ocorrência de desamparo. Levis. Desamparo Aprendido.. Brasília. 2005. sintetizado pela equação p(S/R) = p(S/nR). DeCola. Assim. 1981.. no que quanto à função. Maier. 211-219 213 . experimentos provável que estas tenham as mais diferentes probabilidades 5 e 6. Rossellini & DeCola. 2. me ressaltado por Catania (1998/1999) – com propriedades 1997. esse déficit como independência entre resposta e reforçamento (Levis.. 2006. R constitui uma resposta específica e nR a ausência dessa dido. interromper o choque (para sujeitos do grupo incontrolável). 1997. 1967. Job. Rossellini. Albin.. Alloy 1982). obtidos sob certas manipulações. Winefield & Tiggemann.. Caspy & Lubow. (e. ou entre resposta e consequência organismo ao choque elétrico. nos experimentos sobre desamparo apren. que nR corresponda a uma grande variedade de respostas. Yano & 2005. não é uma ou libera o estímulo apetitivo. Rossellini & DeCola. 1973)... Maestri. & generalidade do efeito de déficit de aprendizagem após ex- Azevedo. a outra mais além de não se especificar a resposta em questão.g. seja com não humanos. 1976). Caspy & Lubow.. R3. Para Alloy probabilidade. 2005.. Job. 1978. 1978. E como o arranjo experiência de controlabilidade. algumas definições são equivalentes respeito a uma resposta determinada. Rossellini.. 1978. Oakes. Na medida em que o choque elicia algumas respostas incon- apresentada a intervalos de tempo nas sessões de tratamento. & posição a estímulos incontroláveis. em que p indica Job. e Pesq. & Seligman. não há evidência ziker. Se isso realmente ocorrer. Yamada. Caspy & Lubow. seja com humanos. Hunziker. resultados não são conclusivos). 1981.g.. 1982.. 1976. quando a relação R – S está ausente (Hunziker. em comparação a sujeitos neutros ou com necessário que p(R1) = p(R2 + R3 +. 1988. a utilização de tem sido somente a passagem do tempo e não a ocorrência estímulos incontroláveis produz um déficit de aprendizagem ou ausência de uma resposta específica. 1989.g. é 2007. e Bersh (1979). 1973.Rn. Stein. apontando que a ocorrência ou não de uma res. então seria incontrolável. Hunziker. sendo representada ção para outros contextos? O conceito de incontrolabilidade. 2008. é produzido.: Teor. e nR. Hunziker (1982) (supostamente pelo fato do organismo aprender que não há esclarece: relação entre respostas e eventos). 1981.. Maier & Seligman. empírica. também não se pode ter o controle do Grupo Acoplado (também denominado Incontrolável de qual evento está antecedendo S. 1997. Overmier & Seligman. Maier et al. Vol. 1981. Embora não se afigurem com ambiente experimental específico e o déficit observado diz uma mesma topografia. de modo que o critério empregado para liberar ou estímulo que a sucede. O fenômeno produzido nos estudos relatados dá-se em field & Tiggemann. Para que a igualdade fosse efetivamente na literatura (e... Hiroto.. essa relação de Relatos de ocorrência do efeito de desamparo apren. e acidentais. ou Não-Contingente) alterem a estimulação incontrolável. Capelari & Hun. Yano de ocorrência. 1980. da forma como tem sido partir da utilização do choque como estímulo incontrolável estabelecido. mas os delineamentos experimentais e a análise de & Bersh. experimento -contingência. ou seja. 1976. na maioria das vezes. Hunziker et al. Abr-Jun 2013. poderiam A noção de incontrolabilidade também aparece na litera. Rossellini. Segundo a autora. à R2. por definição. experimento 1. Hunziker & Santos. Maier. 1981). Hunziker.. e com que probabilidade. Maier & Seligman. 1976 . & Teasdale. do ponto de vista do sujeito. pp. 1981. condição de incontrolabilidade.. pode-se supor que S ocorra repetidas vezes após A condição de incontrolabilidade é retirada na fase de teste. 1974. Incontrolabilidade e Depressão aprendido (Abramson. 1978. 2001a. quando da exposição do 1976. Benson & Kennelly. S pode estar ocorrendo com diferentes probabilidades após timulação apetitiva incontrolável também são encontrados diferentes respostas. diferentes respostas nas sessões de tratamento e teste Outros estudos fazem referência a uma situação de não. representar contingências reais e mais complexas? Em que tura como condição na qual a probabilidade de reforçamento medida o déficit de aprendizagem de determinada resposta após a ocorrência de uma resposta é igual à probabilidade de em situação experimental específica permitiria a generaliza- reforçamento na ausência dessa resposta.. 1979. 1973. 1978. além de não controlar a ocorrência de R permite aparecem com maior frequência (e. Seligman. 1976. também particular. 2000). 1978. Isto é. estabelecida seria necessário que p(R1) = p(R2) = p(R3) = . Psic. 1978).. não se tem mais a uma resposta pré-selecionada interrompe o estímulo aversivo condição de igualdade das probabilidades. Levis. Maier et al. & Fox. 2001a. se R corresponde à classe resposta por sujeitos anteriormente expostos à estimulação de respostas R1. 2006. Esses dados. 1978. Wine. Prindaville & Stein. a condição de incontrolabilidade é caracterizada pelo resposta.

padrão comportamental identificado como depressivo dá-se Relatos experimentais de desamparo envolvendo diferen- sob diferentes contingências. especialmente ao se relacio. respostas e diferentes aparatos experimentais dido não pretende explicar toda e qualquer ocorrência da nas sessões de tratamento e teste também são de relevância depressão. 29 n. Essas abordagens não são necessariamente generalizado no repertório comportamental do indivíduo excludentes. após isto. Vol. desamparo aprendido e depressão. Cavalcante & Tourinho. = p(S/nR). a in. começa a apresentar um padrão com. atenção) antes produzidos por respostas da mãe a incontrolabilidade em seus trabalhos talvez esteja sob dirigidas ao filho. 1997. 1994. de forma que ela comportasse desse repertório não se deu após a mãe emitir. 1969). pp. 1973. estímulo aversivo caracterizar um evento único (a morte do Em termos práticos. e Pesq. mente vivenciou. repetidas apenas a antagônica a R (p. é conceitualizada de específica é liberada de forma sucessiva e não contingente modo precário na literatura psicológica. sária e suficiente para produzir um déficit (generalizado ou O desamparo constitui um déficit específico de uma resposta não) de respostas. porém. experimental onde uma (classe de) estimulação aversiva como as demais “psicopatologias”. não há relação com Hunziker (1982). A instalação e manutenção do necessário buscar maior clareza conceitual. só se conseguiria restringindo ao portamental identificado como de depressão. uma única (classe de) resposta(s) – ineficaz(es) em alterar o evento de perder o filho. é Lewinsohn & Atwood. a mesma topografia verbal (“desamparo”) é emitida narem os dados obtidos em ambiente experimental com sob controle de eventos que podem ser sumarizados nas situações reais. o que. acidentalmente contingente ou não contingente pode ser pertinente demarcar alguns limites relativos ao a outras respostas. está se utilizando o mesmo conceito empregado paro nesses organismos? A busca por procedimentos mais para definir a condição experenciada por um grupo acoplado ajustados à definição de incontrolabilidade e a investigação (em um estudo sobre desamparo) ou se trata de uma mesma das características essenciais para que um evento (realmente topografia verbal exercendo diferentes funções? Tome-se incontrolável) produza um déficit generalizado de respostas como exemplo uma mãe que perde o filho em um acidente poderão fornecer bases mais sólidas para a associação entre de moto e. e d) não responsividade a um ambiente alcançe do desamparo aprendido como modelo animal real após contato com estimulação aversiva única à qual da depressão. O modelo do desamparo apren. 214 Psic. há também o fato de o exatamente à incontrolabilidade sintetizada pela equação. Ela parece também diferenciar-se de uma ex- vestigação de procedimentos metodológicos que atendam periência real com incontrolabilidade. 73). 1998). isso pode significar que a resposta filho) que tornou indisponíveis vários reforçadores positivos verbal dos diversos autores ao mencionarem ou definirem (ex.: carinho.. nesse caso. se associa a indisponibilidade de reforço positivo antes A depressão é frequentemente considerada um déficit contingente. humanos – expostos à estimulação incontrolável em labora. A nR) é válida para todas as respostas emitidas. por meio da contiguidade entre a apresentação de certa Essa distinção entre o conceito e sua aplicabilidade resposta pelo sujeito e a remoção do estímulo aversivo. os limites do modelo enquanto equivalente animal natural – em alguma medida comparável ao de sujeitos não da depressão precisam estar bem delineados e reconhecidos. traz implicações relevantes. Carvalho Neto e Ferreira (2009) ressaltam a importância de tório – as semelhanças não parecem sustentar completamente se identificar o tipo de história com incontrolabilidade neces- o desamparo aprendido como modelo animal da depressão. o diálogo sobre contingências experimentais e reais. vezes. em de. variando dade a um ambiente experimental onde uma estimulação de referências topográficas a dimensões funcionais de fe. inclusive com.: Teor. resposta. várias Maier e Seligman (1976) salientam a presença de in. aversiva é liberada de forma sucessiva e não contingente nômenos bastante complexos. O aversivos como a perda de um emprego ou a perda de um que impediria ou determinaria. b) não responsivi- portamental (cf. tes estímulos. A aquisição máximo a classe de resposta nR. como salienta Hunziker (1982). Todavia. É certo que a depressão. Assim. Nessa situação. neira precisa ao conceito sintetizado pela equação p(S/R) Faz-se necessária. a exemplo da associação entre o desamparo seguintes classes: a) não responsividade a um ambiente aprendido e a depressão humana. Fester. é pouco provável a ocorrência de reforçamento acidental mente estabelecida. c) probabilidades modelos animais das “psicopatologias” nunca abrangerão iguais ou aproximadas de produção de um (a classe de) as diversas dimensões dos fenômenos observados fora do estímulo pela emissão ou não emissão de uma (classe de) laboratório e colocados sob análise. de modo preciso à condição de incontrolabilidade formal. Abr-Jun 2013. em determinado momento de sua história Ao se atribuir a denominação incontrolável a eventos ontogenética. Os autores apontam que a grande maioria específica produzido pela exposição a estímulos aversivos dos organismos – humanos ou não humanos – provavel- incontroláveis específicos. A condição experimental de incontrolabilidade nos trimento de uma conceituação especificamente descritiva estudos com desamparo também não corresponde de ma- das propriedades do contexto experimental em questão. Feitas essas ressalvas. então. controle de uma caracterização formal ou técnica. a ocorrência do desam- ente querido. De acordo ausência do filho é inexorável e ininterrupta. classes de respostas foram emitidas e nenhuma delas trouxe controlabilidade apenas quando a equação p(S/R) = p(S/ o filho de volta ou alterou as consequências de o perder. 2. Provavelmente. alguma experiência com incontrolabilidade. a uma (classe de) resposta específica. mesmo no que concerne ao padrão para embasar uma possível generalidade do fenômeno. a condição usualmente de contingência – sequer acidental – entre as respostas da introduzida nos arranjos experimentais não corresponde mãe e essa ausência. En- comportamental apresentado por humanos – em contexto tretanto. DC Ferreira & EM Tourinho p(Rn). 211-219 . Dougher & Hackbert. uma vez que se pretende estabelecer (Cavalcante. Brasília. já que. Sublinha-se também que os a uma (classe de) resposta específica. Não obstante. aparentemente.

em aos demais grupos. Em termos gerais. sejam ana. No experimento 1. Evidências Empíricas Escassas e dade do efeito de desamparo verificado poderia relacionar-se Contingências Verbais ao fato de os sujeitos claramente identificarem as fases de tratamento e teste como parte do mesmo experimento. experimento 2). suscitam dúvidas grupo incontrolável a problemas insolúveis não interferiu no com respeito à generalização do desamparo aprendido para desempenho de resolução de anagramas desses sujeitos no contextos naturais. Benson & Kennelly. Nas três primeiras manipula. e a resposta de solução de anagramas foi argumento pode ser válido para o experimento de Hiroto utilizada no teste. e Pesq. No experimento 3. Hiroto & Seligman. no que se refere às condições dos grupos Benson e Kennelly (1976) conduziram manipulação experimentais. Na fase de teste. além discriminativo insolúveis. 2. 1975). com não humanos. Segundo forma do feedback “correto” após cada tentativa – correta os autores. Miller e Norman (1979) reconhecem as im- riamente. Na fase de teste foi requerida a resposta de reso- nova contingência. trabalhos com sujeitos sendo possível avaliar se o efeito se estenderia para além do humanos utilizam delineamento similar aos dos conduzidos contexto experimental. empregados. sem correspondência em relação ao montante foi estabelecida uma contingência de fuga com som como de feedbacks obtidos pelo grupo contingente conforme o estímulo aversivo.. todos os grupos são expostos a uma problema. 1978. tes. problemas insolúveis de controle discri. Para Miller e Norman (1979). também interfere na quantidade total de estímulos samparo em um conjunto de quatro experimentos. Não obstante. 211-219 215 . Prindaville & Stein. em que sons tiveram função reforçadora negativa... sujeitos do grupo desempenho deste. alternando aversivos e reforçadores apresentados. Psic. com sujeitos humanos. é possível que No experimento 2. Vol. Winefield & Tiggemann. contudo. As tarefas geralmente envolvem resolução contingente (Benson & Kennelly. Outro tópico concerne aos tipos de tarefas e de estímulos enquanto ao grupo incontrolável eram apresentados. dora). Benson e Kennelly. ressaltam que aspectos como um limitado sob a forma de sons incontroláveis ou problemas de controle número de tipos de estímulo e de tarefas empregado. O incontrolável. estímulos com função aversiva em pesquisas com humanos. um grupo adicional compôs o deline- não responder a eles (e. Todavia. sujeitos do (1979) ressaltam que. em experimentos com humanos. do desamparo aprendido. apertar um botão) para a interrupção uma confirmação da ocorrência do desamparo aprendido do som (e. com sobre a estimulação aversiva por meio de uma resposta espe. com humanos produzidos por procedimentos envolvendo mulação apetitiva incontrolável. o uso de resolução de problemas insolúveis de controle cífica ou é instruído a resolver problemas. a exposição prévia do comparação ao obtido com não humanos. houve interferência sobre o desempenho do estímulos aversivos incontroláveis – a função aversiva dessas grupo incontrolável aversivo. os dados 1978). Contrariando em parte a teoria tarefas residiria na impossibilidade de resolvê-las. que os sujeitos com experiência prévia de incontrolabilidade obtivera feedbacks contingentes. devem 1975. ções. enquanto a outro discriminativo na fase de tratamento e de anagramas na grupo são atribuídos problemas insolúveis ou os sujeitos são fase de teste. Desse modo. quanto com função reforçadora incluiu a tarefa de resolução de problemas e na fase de teste (“correto”). predomínio do uso de sons ou problemas insolúveis como Nos resultados. Incontrolabilidade e Depressão Incontrolabilidade em Humanos: Suposições teste. Brasília.g. feedbacks não contingentes tanto com fun- requerida na fase de teste. a fim de investigar se o desamparo expostos a estímulos não controláveis. um grupo exerce controle similar à de Hiroto e Seligman (1975. Durante o tratamento. Desamparo Aprendido. controlável recebiam feedbacks contingentes às respostas. o incontrolável aversivo. estudos não acoplam o grupo não-contingente foram expostos a sons incontroláveis número de estímulos não contingentes apresentados ao durante a fase de tratamento e a uma contingência de fuga grupo incontrolável à quantidade de estímulos contingentes no teste. evidenciando-se o desamparo quando lução de anagramas dos quatro grupos: o controlável. aleato.g. os feedbacks “correto” ou “incorreto”. discriminação de estímulos ou emissão de uma Os resultados das pesquisas mencionadas favorecem resposta específica (e. o tratamento ção aversiva (“incorreto”). ao grupo estímulo aversivo no tratamento e a solução de anagramas foi incontrolável. sujeitos expostos à condição de incontrolabilidade.. 1976. em geral. porém. Os autores assumiram que uma limitação na generali- Numerosas.. No experimento 4. não exposto à fase anterior. para o grupo na quantidade e no padrão do reforçamento recebido. apresentam desempenho inferior aos dos sujeitos dos outros exposto a problemas insolúveis e feedbacks não contingen- dois grupos. Miller e Norman tipos de tarefa e de estímulo. Hiroto & Seligman.g. Abr-Jun 2013.g. fornecida ao grupo controlável. não Na área do desamparo aprendido. positivos não contingentes a cada resposta de resolver um 1976). tipos de consequência incontrolável (aversiva ou reforça- Hiroto e Seligman (1975) relataram a ocorrência de de. 1976). não foi observado o efeito gramas ou problemas de controle discriminativo (Hiroto & no grupo incontrolável exposto a reforçamento positivo não Seligman. ser pontuadas. este grupo recebeu feedbacks é exposto à estimulação alguma (e. Nos experimentos 2 e 4. além de esse tipo de procedimento misturar os ou não – de solução de anagramas. apresentaram desempenho inferior da produção de um déficit de aprendizagem mais brando. conforme plicações éticas ao serem considerados diferentes tipos de uma escala pré-estabelecida. sons tiveram função de e Seligman (1975). Algumas questões. pp. Na investigação do desamparo com humanos e esti. o incontrolável que recebera reforçamento positivo não Por razões éticas. (1976) reforçamento não contingente – assim como naqueles com empregaram reforçamento positivo não contingente sob a sujeitos não humanos – são pouco conclusivos. de anagramas. as diferenças observadas entre grupos se devam a diferenças minativo foram empregados no tratamento. Benson & Kennelly. 1975) ou não amento. em que foram apresentados. No experimento 4.: Teor. Um terceiro grupo seria produzido pela experiência prévia com reforçamento ou é exposto aos mesmos estímulos aversivos e instruído a positivo incontrolável. 29 n. há contingente e o grupo controle.

esse tipo de procedimento in. 1976. caracterís- medidas não se observou essa diferença.. Diferenças de tratamento – são determinantes para a ocorrência do estatisticamente significantes. Seligman e Teasdale (1978) em uma reformulação da teoria mentais utilizadas pelos referidos experimentos.g. Abramson et al. Wilson. 29 n. que não diferiram entre si. O esclarecimento de aspectos como os pontuados é crítico Wilson et al. Quando desenvolvida uma “atribuição interna” posto a reforçamento positivo não contingente e do grupo pelo insucesso (e. em outras do desamparo aprendido. (1998) ressaltam que respostas verbais – sob Abramson. os baixa autoestima que caracterizaria indivíduos depressivos. tigações no sentido de se definirem procedimentos mais A ideia de atribuição como causa e a circularidade do acurados para a produção do efeito e/ou se especificarem os argumento. o número de respostas sa de seu “insucesso” na resolução de tarefas – na fase falhas e de tentativas para atingir o critério.. a comportamentos e circunstâncias como também podem contingência para o primeiro grupo. depressão. que respostas verbais como “eu estou doente”. o desempenho dos sujeitos. duração e generalidade dados de Benson e Kennelly (1976). mas pode ser estabelecido. fenômeno da depressão. (1978) assumem que a teoria reformulada No experimento 2. Dougher & Hack- necessidade de uma demarcação mais precisa dos critérios bert. portanto. tradas no que se refere a algumas das medidas comporta. 1976). latências de resposta do grupo incontrolável e do neutro.. tratamento. e seus efeitos sobre padrões comportamentais trarem diferenças estatisticamente significantes – no que diz associados a fenômenos como a depressão e a ansiedade. compõem alguns dos aspectos que inviabilizariam fenômeno. o papel de contingências verbais. além das variações Parece válido assinalar que a produção do desamparo observadas na generalidade. Conforme os ticas do efeito como cronicidade. a proposta sob uma perspectiva analítico-comportamental. desamparo – incluindo experimentos com humanos – são A ideia de que as atribuições dos sujeitos sobre a cau- as médias de latência de resposta. controlar o estímulo aversivo apresentado (e. ponsabilidade por eventuais fracassos. porém. grupos não diferiram significantemente em nenhuma das bem como sua “tendência” a conferir a si mesmos a res- três medidas avaliadas. Alloy & Friman et al. Tourinho (2009) assinala: 216 Psic. por exemplo – não apenas descrevem Seligman. Outras do que os autores classificam como “atribuições” sobre o variações de tarefas e estímulos ainda precisam ser testadas. 1994). os grupos incontrolável e neutro não careceria ainda de validação empírica. 1975.. não houve incapaz”). Em alguns experimentos. utilidade do modelo em abordar aspectos não mencionados No experimento 3. 1975). de fato. empregando-se diferen.g. evocar um padrão de respostas associadas originalmente a Outro aspecto pertinente à discussão do desamparo outro estímulo. Hayes & Wilson. 1977. Ressaltam. relacionais no contexto das chamadas “psicopatologias”. experimento “este problema é insolúvel”). um paralelo com a análise do comportamento Hiroto & Seligman. 211-219 . Conforme os autores. contendo a tal de um indivíduo reputado como depressivo (Dougher informação de que algo pode ser feito para interromper/ & Hackbert..g. No experimento 4. Descrevem acuradamente. Benson & Kennelly. subjacentes à elaboração de Abramson et al. um estímulo verbal outrora neutro pode aprendido como equivalente animal da depressão.: & Kennelly. a exemplo da de tentativas para atingir o critério. com sujeitos humanos. por meio de relações de para tornar. o déficit produzido pela exposição à incontro- diferenças significantes entre grupos quanto às latências labilidade seria crônico. 2001). foram encon. tenderia a permanecer inalterado.: Teor. As medidas que os sujeitos poderiam atribuir seu desempenho “falho” comportamentais comumente avaliadas em estudos com a faculdades pessoais. foi apresentada por Abramson. nenhum grupo diferiu quanto à média pela teoria original do desamparo aprendido. De acordo com alguns autores (cf. Brasília. estável e generalizável para outras médias de resposta e números de tentativas falhas (Benson situações. Incon. Mudanças nas funções de eventos. “eu estou deprimido” ou “as coisas nunca irão melhorar” durante a fase de tratamento. Ao discutir a teoria dos quadros considerado um equivalente do obtido com não humanos. Hayes. envolvendo proces- trolável x Controlável. Não obstante. “não consegui resolver porque sou controle. O fato de algumas comparações entre grupos (e. Abr-Jun 2013. mas são falsas para o alterar a função do comportamento ou evento descrito. A obtenção do (1978). limites para sua ocorrência e generalização.. Com último. uma vez aprendizagem observados nesses trabalhos. em relação à influência delo e reafirma a relevância de estudos nessa direção. experimentos 2 e 3) sugere. tes estímulos e tarefas nas fases de tratamento e teste (e. os grupos diferiram dependeriam do tipo de atribuição que o sujeito elaborasse significantemente com relação aos valores das médias de para explicar sua aparente falta de êxito durante a fase de tentativas para atingir o critério – à exceção do grupo ex. & Zettle. desamparo em humanos. Blaney. Hiroto e Seligman (1975. 1982.g. 2. É nesse sentido. sos verbais. 1998. Já no caso de atribuição a uma causa externa (ex. pp. as instruções dadas ao passam a exercer controle sobre o repertório comportamen- grupo controlável e incontrolável são iguais.g. Porém. Incontrolável x Neutro) não demons. respeito às medidas comportamentais avaliadas – implica a são analisados por alguns autores (e. Friman. desempenho dos sujeitos. sem déficit as médias de tentativas falhas nem entre as médias das de aprendizagem (Abramson et al. relação ao papel de contingências verbais na ocorrência da Miller & Norman. 1994. na 1) também não obtiveram diferenças significantes entre fase de teste. 1979). por em humanos concerne ao papel de contingências verbais exemplo. a diferiram significantemente quanto às médias de latência. com base nos quais o efeito de desamparo com humanos seria Gregg. consistente a proposta do desamparo estímulo derivadas. na ocorrência do fenômeno. cronicidade e intensidade do aprendido com humanos requer ainda uma série de inves. e Pesq. entre grupos. Hiroto & a forma de relatos. Vol. verbal ou não verbal. a partir de uma discussão incluindo não constitui evidência suficiente da generalização do mo.. 1978). (2001) assinalam que. DC Ferreira & EM Tourinho Um fator também relevante refere-se aos déficits de terferiria nos resultados do grupo incontrolável.

(e muito mais complexas) passam a ser constitutivas de sua sobremaneira.g. por meio das quais diferentes estímulos – verbais cessidade de refinamento dos procedimentos experimentais ou não – compartilham funções. isto é. das relações comportamentais envolvidas na depressão. poderia – diante da independência contextos reais. analítico-comportamental. Interessantemente. são tratadas apenas em termos de uma confirmação secundária dos procedimentos empregados – ou de reafirmar padrões Considerações Finais previamente atribuídos a indivíduos classificados como depressivos. sob outra perspectiva teórica. O se. a nível amplo. também. mostra consistente com a insuficiência de dados sólidos re- Dois dos aspectos dessa elaboração são particularmente latando desamparo com estimulação apetitiva incontrolável úteis para uma abordagem analítico-comportamental do em não humanos.. As explicações responsáveis por seu desempenho (dificuldade das tarefas. sujeitos deprimidos são um fracasso social. Contudo. Abr-Jun 2013. Brasília. no modelo de & Seligman. é uma perspectiva analítico-comportamental no contexto dos provável que um estímulo aversivo e o relato desse estímulo estudos com incontrolabilidade. empregam questionários de atribuição de controle (e. firma quando da experiência com reforçamento positivo mulação aversiva em si podem surgir quando da ocorrência incontrolável (e.. Sublinham-se tais características como suficientes para justificar seu estudo cuidadoso. (p. papel de contingências verbais – aludido por Abramson há dados sugerindo a produção de desamparo (e. fatores atribuição – em experimentos com humanos. os sujeitos devem assinalar quais fatores reputam dade do desamparo aprendido com humanos. indepen. porém. Por fim. a partir de sua participação em uma rede de relações (parcial) de estímulos verbais. Com respeito desse responder – por meio de relações envolvendo outros à relação entre contingências verbais e efeitos da incontro- estímulos. entre respostas e estimulação apresentada – resultar em Ademais. refere-se à participação de respostas verbais às limitações nos tipos de estímulos e tarefas. experimentos 1 e 3). contingências culturais a que tiver sido exposto. quando sujeitos dos grupos nos quais houve desamparo atribuíram aprende a dizer-se um indivíduo depressivo. 1975.g. O primeiro. 1975). isso se aplicaria também à depressão.g. salienta-se a utilidade da proposta mesmo”) ou não (estímulos presentes durante a manipula. 1976. a despeito de nestas realmente haver uma na ocorrência do desamparo aprendido. 29 n. 1976.. os dados produzidos com humanos não constituem Benson & Kennelly.. (1998) exemplificam que.: Teor. estejam bidirecionalmente relacionados e. Todavia. sob Friman et al.. conflitando com a suposição de aprendendo mais do que isso. respostas verbais parecem influenciar a ocorrência ampla gama de outros comportamentos e muito mais relações do desamparo aprendido com esses sujeitos e participam. Com estímulos aversivos incontroláveis. não são bem sucedidos derarem auto-relatos em manipulações experimentais com afetivamente etc. Como previamente indicado. 2. Desamparo Aprendido. para ao estímulo apresentado. Incontrolabilidade e Depressão Um indivíduo que se comporta de determinados modos em parações são feitas entre os relatos fornecidos pelos sujeitos certos contextos e é sensível (ou não) a certas conseqüências dos grupos experimentais e os efeitos comportamentais pode ser considerado por outros “depressivo” ou não. diz respeito às relações de estímulo própria intensidade dos efeitos observados. o que se de relatos ligados ao estímulo. “nunca consigo fazer nada direito labilidade em humanos. Isso caberia tanto no sentido No laboratório. experimentos relatam que os dentemente de se autodescrever desse modo. e de relação de controlabilidade. comportamentais empregadas para avaliação do efeito. (1978). em laboratório. acerca da participação de estí- ção experimental: tipo de tarefa ou de estímulo utilizado) mulos verbais no controle de outras respostas. A ocorrência controle verbal só observado em humanos. Pode aprender. e à gundo. talvez justificando falar-se em conceitos (no plural) Psic. pode estar Hiroto & Seligman. relacionados à utilização de reforçamento não contingente. No que concerne ao padrão de desamparo sob controle bais. 211-219 217 . Hiroto & Seligman. para humanos. 125) ocorrência da depressão. em estudos com estimulação aversiva os re- respostas verbais como “não tenho habilidade para resolver sultados indicando desamparo podem ser atribuídos a um esta tarefa” ou “sou incapaz de fazer isso”. sobretudo – influenciaria o desempenho dos participantes sob novas para uma abordagem mais cuidadosa do responder verbal contingências. 1975). podem decorrer da formação de relações entre estímulos (ou Alguns experimentos com desamparo em humanos quadros relacionais). verbais (e. estes podem ser produzidos envolvendo diversos outros estímulos. compar. às medidas no controle do repertório comportamental não verbal.g. portanto. investigação sistemática. do fenômeno observado em laboratório. dependendo das seu insucesso a fatores externos (Benson & Kennelly. Benson & Kennelly. apontam a ne- derivadas. respostas ver. e replicação de experimentos. que Seligman (1975/1992) e também de Abramson et al. diversos.. A ocorrência de desamparo em humanos não se con- tilhem funções. habilidades pessoais). adquiririam funções sob contingências variadas (a exemplo de contingências so- de estímulo derivadas que participariam do controle de todo ciais) – não apenas sob a condição de incontrolabilidade – e um padrão comportamental identificado como depressivo. (1978). Essas respostas verbais. de maneira que alguns dos efeitos da esti. 1976). evidência empírica suficiente e incontroversa sobre a generali- Nesses. pp. nesse domínio demandam. eventuais associações com o fenômeno da depressão. verificados. mais específico. Com. têm dificuldades Em que pesem as dificuldades e restrições ao se consi- para cumprir funções profissionais. Vol. Hiroto et al. ainda. sem uma atenção aos processos por meio dos O conceito de incontrolabilidade é empregado na lite- quais estímulos verbais alterariam o padrão comportamental ratura experimental do desamparo aprendido em contextos apresentado pelos participantes nas sessões de teste. a informação fornecida aos sujeitos do de fornecer dados mais conclusivos quanto de fomentar com grupo incontrolável de que “há algo a ser feito” com relação maior embasamento possibilidades de generalização. e Pesq. Essas descrições entram no controle de uma humanos.

Psychologist. Behavior. (1982). 2-12. Learned helplessness: resultados produzidos em laboratório e a generalidade desses The result of uncontrollable reinforcements or uncontrollable dados como também para tornar possível um diálogo coerente aversive stimuli? Journal of Personality and Social Psychology. H. Nesse sentido. 311-327. ções da incontrolabilidade ao fazerem menção ao desam. Abr-Jun 2013. Santo André: ESETec. L. (1982). 99-107. (1998). às medidas comportamentais empregadas para e diagnóstico na clínica: Possibilidades de um modelo avaliação do efeito e ao controle verbal em pesquisas com analítico-comportamental. 321-334. 86(3). pp. Animal Learning and Sobre comportamento e cognição: Expondo a variabilidade. Aprendizagem: Comportamento. Locus of control and learned helplessness. funcional da depressão. 102(2).. S. (1974). Journal of Abnormal Psychology. comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no depression. 42(6). L. (1976). C. L. 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