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2.2.2.

Princípio da legalidade

O artigo 5°, inciso li, da Constituição Federal dispõe que "ninguém será obrigado a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Reforçando essa garantia, o artigo 5°,
XXXIX da Carta Magna (com idêntica redação do artigo 1° do CP) anuncia que "não há crime
sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal'.

72. Ob. cit., p. 25. 73. Nos termos do preâmbulo da CF/88: "Nós, representantes do povo
brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático,
destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias,
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL" (grifas aditados). 74. Ob. cit., p. 71.

Trata-se de real limitação ao poder estatal de interferir na esfera de liberdades individuais, daí
sua inclusão na Constituição entre os direitos e garantias fundamentais.

Para uns, o postulado da legalidade nasceu no Direito romano; para outros, na Carta do Rei
João Sem Terra (1215)?5• Entre os estudiosos do Direito Penal, contudo, prevalece que tem
fundamento histórico no contrato social idealizado no período iluminista, tendo sido
recepcionado pela Revolução Fra::1cesa.

Trata-se, portanto, de garantia c::msolidad1 e reconhecida, inclusive, por tratados e
convenções internacionais, a exemplo do Convênio para a Proteção dos Direitos Humanos e
Liberdades Fundamentais (Roma, 1950)'6, da Convenção Americana de Direitos Humanos (San
José da Costa Rica,1%9)?7 e EHatuto de Roma (Roma, 1998)?8•

Conhecido em latim como nulümz crimen, nulla poena sine lege, é mandamento revestido de
maior importância num Estado Democrático de Direito, servindo como determinante à
subordinação de todos à imperatividade da lei, limitando inclusive o exercício do poder pelo
governante. Ensina, a esse respeito, ALExANDRE DE MoRAES:

"Conforme salientam Cel;o Bastos e lves Gandra Martins, no fundo, portanto, o princípio da
legalidade mais se aproxima de uma garantia constitucional de que de um direito individual, já
que ele não tutela, especificamente, um bem da vida, mas assegura ao particular a prerrogativa
ele repelir as injunções que lhe sejam impostas por uma ou outra via que não seja a lei, pois
como já afirmava Aristóteles, "a paixão perverte os Magistrados e os melhores homens: a
inteligência sem paixão - ~is a lei"79•

Possui três fundamentos:

(A) Político, numa clara exigência de vinculação dos Poderes Executivo e Judiciário a leis
formuladas de forma abstrata, impedindo o poder punitivo arbitrário;

75. Sua correspondência mais remota de que se tem notícia é a Magna Charta Libertatum de
1215, que em seu item 39 dispunha: "Nenhum homem livre ,erá detida ou sujeito à prisão, ou
privada dos seus bens, ou colocado fora da lei, ou exilado, ou de quo/quer modo molestado, e
nós não procederemos nem mandaremos proceder contrcr ele senão mediante um julgamento
regular par seus pares ou de harmonia com a lei do país". 76. Artigo r. Princípio da legalidade.

. p.Jm cometidos. 79. 77. 1. o menos que a sua conduta constitua. Direito Constnuciona/. 22. !l'tnguém pode ser condenado por uma ação ou uma omissão que. 78. 36. no momento em que foi cometido.. Artigo 9º. MORAES. um crime da competência do Tribunal. segundo o direito nacional ou internacional. nos termos do presente Estatuto. não constituía infração. Igualmente não pode ser imposta uma pena mais grave do que a aplicável no momento em que a infração foi cometida. Nullum Crimen Sine Lege. depois de perpetr'ldo o delito . no momento em que tiver lugar. Tampouco poder-se-á impor peno mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. 2006. a lei estipular a imposição de pena mais leve.1. no momento em que for. Art. Alexandre de. Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável. Atlas: São Paulo. de acordo com o direito aplicável. Se. o delinquente deverá dela beneficiar-se. nõo constituam delito. Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que. Princípio da legalidade e dê retroatividade.