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EDUCAÇÃO
E IGREJAS
NO BRASIL
4ü íkí&ía ecmièuicô

EDUCAÇAO
E IGREJAS
NO BRASIL

Digitalizado Por: Jolosa

Danilo R. Slreck
(organizador)

EDUCAÇÃO E IGREJAS
NO BRASIL

UM ENSAIO ECUMÊNICO

1995

Sander Produção gráfica: Editoral Sinodal .SP Fone: (051) 592-3733 Coordenação editorial: Luís M.Co-editores: Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC) Região Brasil Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo .RS Fone: (051) 592-1782 Instituto Ecumênico de Pós-Graduação (IEPG) Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo .RS Fone: (051) 592-1763 Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião Caixa Postal 5150 09731-970 São Bernardo do Campo .

.. 69 2 ............................................................... A prática educacional batista (Igreja Batista)......Considerações finais............. 14 3........................................................................ 52 7..........Resultados e reflexões.... Considerações preliminares.... ÍNDICE A presentação................................................ 73 3 .............. 7 Introdução geral................................. 61 Parte II: Diálogo com a realidade..................................................... 92 .................................................................... 27 4.............. 39 6..................................................... Perspectiva luterana da educação (IECLB)..................... 9 Parte I: Aspectos da história e da teologia............................. 91 Informações sobre os co-editores............................ Educação entre tradição e transformação (Igreja Católica)............................................... 34 5................................................................... Um movimento educacional (Igreja M etodista)........................................................................................................................................................................................................................................................................................ Educação na Igreja Anglicana (IEAB)................................ 84 Anexo: roteiro de entrevista............................ 11 2.............. Em busca de novo paradigma (IP I).............. 11 1........... 69 1 ..................................Origem e metodologia da pesquisa.............................. 87 Autores e colaboradores................

Neste momento. A primeira parte do livro. um grupo de educadores e teólogos desenvolveu. aborda aspectos históri­ cos e teológicos das seis igrejas participantes. queremos agradecer a todos e a todas que se envolveram neste projeto da CELADEC. Foi um verdadeiro mutirão de pesquisa e de reflexão para conhecer e com­ preender a educação em nossas igrejas: sua história. Representantes de seis igrejas participaram integralmente deste processo de caráter ecumênico. conforme a define Pedro Demo.i Cl I AD I C da CELADEC — Região Brasil . ao concluir os relatórios da pesquisa e ao publicar os seus re­ sultados. o projeto de pesquisa “Igrejas brasileiras e o ministério educacional”. Foram inúmeras reuniões de planejamento. Conhecer e compreender a dinâmica das comunidades locais e das igrejas é fundamental para avaliar e planejar um programa coerente de educação nas igrejas e para uma participação significativa na tarefa educacional das igrejas na sociedade. Com ele aprendemos a encarar e a exercitar a pesquisa como “um diálogo com a realidade”. APRESENTAÇÃO Durante dois anos. A segunda parte traz conclusões da pes­ quisa de campo. sob o patrocínio da Com issão Evangélica L atino-A m ericana de Educação C ristã (CELADEC). Danilo Romeu Streck por sua coor­ denação e assessoria. sua estrutura. Vários grupos de diferentes contextos em cada Igreja participaram das entrevistas na pesquisa de campo. Também agradecemos aos Institutos Ecumênicos de Pós-Graduação de São Bernardo do Campo e de São Leopoldo por sua disposição em co-auspiciar com a CELADEC esta publicação. enfocando os temas centrais nela evidenciados e recomendações que brotaram de sua análise. dinâmica. M arcos A lve s da S ilva Remi Klein ( 'oordenador geral Coordenador regional <l. de debate e de avaliação. seus agentes. Em especial. contextualizada e transformadora. reunindo-se uma amostragem significativa e bem diversificada. Que esta leitura auxilie a compreender a atividade educacional das nossas igrejas! Que ela forneça também subsídios que auxiliem as nossas igrejas no seu planejamento na educação em geral e na educação cristã em especial! Desafiamos a cada leitor e leitora a dialogar também com a sua realidade específica em que está inserido para repensar a educação e a educação cristã em sua comunidade. publicamos os resultados desta pesquisa desenvolvida ecumenicamente. de caráter mais bibliográfico. sua dinâmica e suas possibilidades. Experimentou-se a dimensão socializadora neste projeto. suas motivações teológicas. suas ênfases. agradecemos ao Prof. com vistas a uma práxis mais autêntica. Diversos pesquisadores se envolveram na pesquisa histórica de caráter bibliográfico de cada Igreja participante. seu lugar. Dr. Es­ perando contribuir neste sentido.

o ser humano é desafiado a ser partícipe de uma cria­ ção que deveria continuar através da história. a um círculo abrangente de interlocutores. Se na primeira parte as contribuições são colocadas verticalmente lado a lado. Na segunda parte do livro tenta-se lançar um olhar mais atento para a prática educativa no interior das próprias igrejas. Essa vocação de educar não garante às igrejas nenhum monopólio nem lhes propicia algum tipo de conhecimento privilegiado no complexo mundo da educação. e que a tenham em abundância (Jo 10. no entanto. conta que depois que Deus criou o homem lhe trouxe os demais seres viventes “para ver como este lhes chamaria. por isso. e o nome que o homem desse a todos os seres viventes. São também destacadas algumas ênfa­ ses teológicas mais marcantes. Neste mundo não-acabado a educação passa a ser uma exigência seguidamente lembrada às lideranças e aos pais. de que todos tenham vida. Este livro procura sintetizar um pouco dessa busca feita por algumas das igrejas brasileiras. Todas elas realizam algum tipo de atividade educativa com seus membros e grande parte delas manifesta certa preocupação pela educação na sociedade. A primeira parte do livro procura reunir as perspectivas do envolvimento das igrejas com a educação numa visão histórica. Elas compartilham com os demais setores e instituições da sociedade as mesmas in­ quietações. Desde o início. Os resultados apresentados referem-se agora ao conjunto das igrejas que participaram do levantamento de dados. embora muito representativas no mundo ecumênico.19). ou seja. deve ser considerado apenas um começo. Elas fazem isso.10). correm os mesmos riscos e precisam envolver-se com o mesmo esforço cm busca de alternativas. Acreditamos dirigir- nos. esse seria o nome deles” (Gn 2. portanto. 9 . conforme a tradição cristã. Seria difícil encontrar uma Igreja que não afirmasse ser o ministério de edu­ car uma de suas prioridades. As igrejas cristãs compartilham essa herança em que a fé no Deus que cria e sustenta a vida significa ao mesmo tempo aprender a história deste Deus com seu povo e conhecer o mundo de cujo processo de criação homens e mulheres se tomam colabo­ radores. Dentro da enorme diversidade religiosa e eclesiástica que caracteriza o Brasil temos consciência de que o fato de envolver seis igrejas. preocupação que se materializa muitas vezes através da manutenção de escolas próprias. INTRODUÇÃO GERAL O mito da criação. aqui se procura fazer uma trama com fios trança­ dos horizontalmente. As contribuições têm duas direções: dirigem-se para dentro das próprias igrejas que fazem a educação. mas também para a sociedade com a qual os agentes educativos ligados a essas igrejas convivem e desejam dialogar. na esperança de ver concretiza­ dos sinais da utopia de que se alimentam.

Streck 10 . A CELADEC (Co­ missão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã) propiciou os recursos e criou as condições para que o trabalho pudesse ser realizado ao longo de praticamente dois anos. especialmente na área da educação cristã e da educação popular. Seguidamente éramos surpreendidos com a semelhança dos desa­ fios e problemas. Tudo isso provavelmente não passaria de mais uma bela idéia se não houvesse na América Latina uma entidade vocacionada a abrigar este tipo de projetos ecumênicos. Esperamos que algo dessa rica experiência se transfira para você que está iniciando a leitura. com a riqueza da tradição e história de uns ou com a criatividade da iniciativa de outros. Para todos os que participamos desse projeto. as reuniões eram sempre um imenso desafio de aprender. Danilo R.

a Igreja esteve presente. eventualmente o líder ou evento fundante. — Levantar bibliografia que possibilite uma visão histórica mais ainpla. Esperamos que isso não se tome um obstáculo para o/a leitor/a. Como diretrizes para a elabora­ ção. desde a vindaHos primeiros colonizado­ res. este trabalho não pode­ ria ter a pretensão de explorá-lo de forma ampla. PARTE I ASPECTOS DA HISTÓRIA E DA TEOLOGIA 1 . Como se verá. Identificar os pressupostos pedagógico-teológicos presentes nos modelos educacionais desenvolvidos pelas respectivas igrejas. — Verificar como as igrejas se posicionaram diante da educação secular. Isso vale de uma maneira muito especial para o Brasil. possam surgir novos trabalhos. A análise deveria vincular a educação à conjuntura político-econômica. A reflexão deveria contemplar a história da educação num sentido mais amplo e não se restringir ao que nas igrejas protestantes é conhecido por “educação cristã”. — Relacionar a perspectiva original da denominação sobre educação com os projetos educacionais posteriormente implementados no Brasil pelas igrejas. Os trabalhos reunidos nesta parte do livro procuram compreender um pouco desse envolvimento da Igreja com a educação. . a partir dos textos. permi­ tindo que. foram definidos os seguintes itens: — Não se limitar à origem da denominação no Brasil. é um envolvimento que reflete tanto as convicções teológicas quanto as contradições de quem participa no fazer a história.Considerações preliminares A história da educação ocidental não pode ser compreendida à parte da história do próprio cristianismo e dc seu relacionamento com a sociedade. No início dos trabalhos foram estabelecidos alguns critérios comuns para a redação das contribuições. tanto em termos formais quanto no tocante aos enfoques privilegiados. mas também à diversidade que encontramos dentro de cada uma delas. sendo ainda hoje uma força educadora importante tanto no âmbito da educação formal quanto da educação informal. mas procurar identificar o contexto histórico original. onde. Dada a complexidade e abrangência do tema. Isso se deve não apenas à diferença entre as igrejas. não há uma uniformidade nas abordagens. Mesmo assim.

conforme mostra a contribuição de Danilo R. a partici­ pação por faixas etárias. Com eles veio uma tradição de educação popular. mais de 400 escolas confessionais luteranas. — Entre os assuntos a serem contemplados estão o material utilizado. O texto de Paulo G. Outra vertente de protestantismo é representada pelas igrejas oriundas do traba­ lho missionário. 1.' . etc. pelo contrário. E compreensível que a educação fizes­ se parte do seu instrumental missionário. mas influenciaram decisivamente os rumos da educação brasileira e latino-americana. Klein traça um amplo panorama histórico do papel da Igreja Católica Apostólica Romana na educação brasileira. É preciso dizer ainda que as contribuições não representam a visão “oficial” da Igreja. Nota-se que muitas vezes falta coerência entre o projeto pastoral e o projeto escolar. represen­ tou uma cunha dentro do universo religioso oficialmente católico. a partir de 1824. Hélerson B. motivada pela necessidade de leitura da Bíblia e pelo preparo para o exercício da cidadania. Marcos Alves da Silva. o autor apresenta também reflexões e dados mais amplos sobre o papel do protestantismo na educação brasileira. preocupados não em defender o trabalho feito por sua Igreja. assim se expressava sobre a visão que deveria orientar a ela­ boração dos textos: “Pretendemos com este trabalho contribuir com as igrejas na reflexão sobre este tema de vital importância. — Verificar as tensões entre Igreja e escola. e do âmbito metodista provêm materiais de grande uso e difusão. A contribuição de Leonildo S. das respostas e das perguntas. onde a maioria desses imigrantes se estabeleceu. As análises procuram mostrar como este protestantismo estava ligado às idéias liberais. Além disso. Para isso desejamos que o trabalho desenvolvido pelos vários pesquisadores seja o mais independente possível e que de forma alguma tenha um caráter apologético. Campos traz um detalhado estudo do projeto de educação cristã na Igreja Presbiteriana Independente: o material utilizado. Numa das cartas-convite o então coordenador da Região Brasil da CELADEC. o perfil do aluno adulto. mas em colocá- lo junto com os demais para aprender dos erros e dos acertos. por sua vez associ­ adas com o progresso científico e tecnológico. O texto revela a preocupação de uma Igreja de cerca de 60 mil membros. Rodrigues procura mostrar como o metodismo foi “original e fun­ damentalmente” um movimento educativo. mas. Hoje. se revista de serie­ dade e de critérios seguros de análise. geralmente originário dos Estados Unidos. chegou a haver. muitas das quais não apenas deram uma nova feição à educação na Igreja. o autor consegue mostrar o longo e difícil caminho desde a união de Roma com os impérios de Portugal e Espanha até as comunidades eclesiais de base (CEBs) e as diversas pastorais. Basta lembrar a importância histórica da tão conhecida escola dominical. Assim. são metodistas algumas das mais conceituadas escolas do país. E muita história para pou­ co espaço! Mesmo assim. Streck. o papel dos meios de comunicação e a formação de professores. dos quais 50 mil estavam matriculados ou freqüentavam esporadicamente a escola dominical. no sul do Brasil. A vinda de imigrantes alemães luteranos ao Brasil.” Este alerta foi assumido pelo grupo de pesqui­ sadores.

Oswaldo Kickofel fornece importantes subsídios para compreender a história da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB). faria parte da tarefa missionária da Igreja no país. A criação das escolas. No final destes estudos não haverá uma conclusão formal que procure sistema­ tizar as contribuições. revelando a sua riqueza específica com vistas a um ecumenismo que valorize a diversidade. a partir da escola dominical. . segundo o autor. acreditamos que neste momento podemos deixar as reflexões lado a lado. Embora isso pudesse ser muito útil e desejável. Mostra também os conflitos e desafios sentidos na área secular por uma denominação que criou suas cscolas com a finalidade expressa de evangelizar. Mostra ainda como. viva e que procura recriar-se dentro do contexto em mudança. Rocha da Veiga. A autora traz ao nosso conhecimento uma organização educativa comple­ xa. se desenvolve um programa que integra todas as atividades da comunidade. A participação das igrejas batistas na educação é exposta por Celma C.

O rei tomava- se chefe da Igreja em terras nacionais (metrópoles e colônias). como a Mesa da Consciência e Ordens e o Conselho Ultramarino. Seria uma catequese de conquista. apresentava os candidatos às dioceses quando estas ficavam vagas. a Coroa Portuguesa podia sentir-se mais segura na colonização com o apoio integral dado ao modelo colonizador em uso. XVI. Concedeu-se também aos reis de Portugal o direito de padroado. os m inis­ tros do culto. sendo a fé utilizada como elemento de dominação. É um exemplo típico de compromisso entre a Igreja e Estado. em terras portuguesas e espanholas. pagar o clero e tam bém trabalhar para difundir a fé católica.1 . A ssim sendo. Todas essas disposições acabaram por limitar a influência de Roma sobre a Igreja no Brasil da Colônia ao Império. que ocupavam a Península Ibérica desde o séc. através de uma bula. a qual teria como marco fundamental a imposição. A Igreja confiava ao monarca toda a responsabilidade espiritual. Viviam nessa época uma grande euforia produzida pela expansão marítima e descoberta de novas terras. 2 . o rei de Portugal a escravizar todos os povos que não se convertessem ao cristianismo. dos tribunais da Santa Inquisição.Educação entre tradição e transformação (Igreja Católica) Paulo G. tinha obrigação de construir igrejas. sustentava o culto. A presença forte da Igreja se fez sentir na instalação. Roma aliou-se aos países mais francamente em expansão da época em acordos muito peculiares em termos morais e econômicos. este recebia os dízimos. os reis exerciam ao m esmo tem po o governo civil e religioso. visto que oferecia uma possibilida­ de concreta de monopolizar a evangelizaçâo em terras novas. . Em 1494. Klein 2. VIII.Introdução Portugal e Espanha eram as grandes potências econômicas do séc. Essa concessão era importante para Roma. É nesse espírito expansionista que viriam os primeiros religiosos europeus ao Brasil.1 O Estado português dispunha ainda de outros mecanismos de controle da Igreja. produzindo uma estrutura muito diretamente vinculada ao status quo colonialista da época. bem como pela expulsão dos mouros. o papa Nicolau V auto­ rizou. Da mesma forma.

Para perpetuar uma política econômica tão intransigente e humilhante.2. Na Europa.2 . mais tarde cana-de-açúcar e mais adiante ouro encheriam os cofres do governo português durante o período colonial. iniciou-se uma grande distribuição de terras. Do mesmo modo havia o costume. Essa tentativa de normatização procurou definir conceitos. o casamento servia de fornecedor de mão-de-obra. por Ignácio de Loyola. doutrinar. Madeira. O papel histórico destinado ao Brasil seria o de mero fornecedor de matérias- primas para a metrópole (Lisboa). mantendo a propriedade nas mãos da família. normas e atitudes a . Seus principais objetivos seriam: a) a educação das novas gerações. Por aqui não haveria jornais nem confecções.2 . Na família predominava o concubinato. Encontrando um quadro lã o diferenciado dos valores reinantes à época. Uma das mais importantes foi. a criação da Com­ panhia de Jesus. sem dúvida. Para isto. Notem-se os princípios de união Igreja/Estado: quem quisesse candidatar-se ao recebimento de terras deveria ser católico. Por tratar-se de uma sociedade rural.2. No Bra­ sil. junto com a equipe de governo. segundo os preceitos da Igreja e do Estado para aquela sociedade. b) a ação missionária junto aos povos que estavam sendo colonizados. 2.Nem só de acordos vivia o papa (a Igreja se volta para dentro e abençoa a colonização) Como parte do esforço contra a Reforma protestante. O primeiro plano de ocupação racional do território brasileiro deu-se em 1549. Neste período. herdado da Europa medi­ eval..2. a função reservada à Igreja seria a de apêndice do Estado português na consecução de seus objetivos coloniais. em 1534. de os noivos manterem relações sexuais antes do casamento. Havia também a presença da prostituta.A í vêm eles.1 . seriam proibidas a industrialização e iniciativas que pudessem indicar um esboço de autonomia. Roma iniciou uma série de mudanças internas. Foi nesse cenário que chegaram os primeiros jesuítas.Do caos às regras para as carícias Distanciados durante décadas da metrópole. desembarcaram os primeiros jesuítas. os primeiros portugueses aqui re­ sidentes construíram em 50 anos um mundo que parecia confuso aos olhos dos portu­ gueses da metrópole.. respiravam-se os primeiros sopros da fumaça das inéditas máquinas. enquanto isso. Era comum mulheres cuidarem dos filhos de seu parceiro com outras mulheres c vice-versa. os manufaturados seriam todos importados. que morava normal e geralmen- Ic com seus familiares. a catequese e ação missionária iriam preocupar-se em normatizar. 2.

Filosofia. a catequese continuaria seguindo os preceitos formais da época.Aos índios. a catequese buscou subs- tituí-la por uma nova ordem. entre outras coisas. antes de tudo. mudando a linha de ação. O “velho” modelo deu lugar a um modelo “civilizado”.sorcm siy. 2) Secundário: o curso de Letras e o de Filosofia e Ciências. naturalmente organizadas em cursos afins. que consistia basicamen­ te na subdivisão em três níveis de estudo: 1) Elementar: as escolas de Primeiras Le­ tras. 2. a mulher e os filhos ao pai e todos estes ao rei.3. Metafísica. Os professores tinham autorização para aplicar castigos. um novo modelo social. A metodologia empregada foi a redução dos indígenas em missões administradas pelos religiosos. Matemática. Inicialmente foram instaladas próximo às vilas já existentes. Histó­ ria. de alfabetização em língua portuguesa. Formando agrupamentos mais próximos do seu local de moradia e com os religiosos falando a sua língua. Ao longo de sua presença no Brasil eles organizaram entre 17 e 25 escolas em suas 36 missões. pode-se afirmar que a educação católica no período em questão con­ tribuiu decisivamente para o estabelecimento do modelo social colonizador do Esta­ do português. esti­ mando-se em 2 mil o número de estudantes atingidos.3 . A 16 . essas missões fracassaram. desenvolveu-se sobretudo junto aos índios.m das.2. Classificaram-se os diversos tipos de beijo visando. Em suma. 3) Superior: curso de Teologia e Ciências Sagradas. Tal período corresponde a pelo menos 210 anos de nossa História. Poesia.1 . Deus Os jesuítas desenvolveram uma metodologia coerente com os rígidos padrões religiosos da época.2. 2. inclusi­ ve físicos. Suas escolas possuíam um plano de estudo completo. aos alunos que “não quisessem” aprender. os jesuítas foram responsá­ veis pela educação de todos os setores sociais aqui residentes. Contudo. Voltariam mais adiante com força quando. Estudavam-se Gramática Latina. Sua importância pode ser medida pelo fato de que a maioria dos quadros da burocracia governamental passou por seus bancos escolares. por sua vez. os jesuítas ofereceram a alternativa mais consis­ tente na educação nacional. Gradualmente a prostituta foi separada do convívio familiar. a missão seria mais aceitá­ vel. partiram para a interiorização das reduções. Lógica. Os “manuais de confessionário” e as preleções procurariam estabele­ cei. Educava-se para obedecer: o escravo ao senhor.Um modelo de educação Durante o período em que permaneceram no país. a abolição da carícia em público e estabeleceram-se multas para os casais que vivessem em concubinato. Sem tomar conheci­ mento das implicações que originaram aquela organização. Devido aos conflitos com os portugueses e às questões decorrentes do afastamento dos indí­ genas de seu local de moradia original. Sua ação catequética. Enquanto estiveram no Brasil. Moral.

Aos negros. em determinado momento histórico.2.!■. Merece registro a pouca atuação evangelizadora junto aos negros. Semanalmente. as ordens religiosas não só a justificariam.. Excetuando algumas comunidades no Amazonas que atuaram com maior autonomia. 17 . Poucas foram as vozes que procuraram lançar luzes sobre essa l. Acompa­ nharam a criação de engenhos de cana-de-açúcar no Nordeste e juntaram-se aos ban­ deirantes na caça aos índios pelo interior do país. havia treinamentos militares.. Carmelitas: Estabeleceram-se no país em 1583. Não houve. iniciativas foram condenadas pelo governo. onde conviviam negros de várias origens e mesmo brancos pobres. a in d a q u e os |m is não q u isessem .i n. essas missões foram adquirindo força material. A ealequese para os índios seria apenas ocasional. bem.iosas vieram estabelecer-se no Brasil: Franciscanos: Chegaram ao Brasil em 1585 a pedido dos portugueses aqui estabelecidos. catequese para esta população. XIX.is c e le b ra ç õ e s c ia o b rig a ló ria . Apesar de ser a religião dos escravocratas.4 .. ao menos não da mesma lonna que se estendeu aos índios.. Eram quase todos portugueses e dedicaram-se prioritariamente aos trabalhos paroquiais. sendo os jesuítas os chefes milita- tt s da comunidade. . ■•••. A Igreja legi­ timou a escravidão. Mesmo havendo uma condenação papal da escra­ v i d ã o (1537).Vem mais gente por aí Seguindo os princípios expansionistas da Igreja e do Estado. Pode-se dizer que atenderam aos anseios colonizadores da Coroa Portuguesa. permanecendo até o final do séc.ice repugnante de nossa História. •’ S. a religião católica foi o elemento comum que permitiu uma integração maior entre essas pessoas. Partindo para o sul do país.. outras ordens reli- r. Vi­ eram “para implantar um tipo de cristianismo semelhante ao de Portugal”2.-.1. mas também manteriam escravos em suas missões até bem próximo da abolição oficial. ( 'um o passar do tempo.rin.. Ainda que utilizassem o argumento de que visavam defender o país. Não raro também foram chamados (e aceitaram) para dirigir as missões jesuíticas por ocasião da expulsão destes por Pombal. Não eram permitidos casamentos entre eles e as preleções em português recomendavam obediência cega aos senhores de engenho.I>n-.2 . desenvolveram o sistema de missões itinerantes. a sua ação foi de colaboração com os pr incípios oficiais. foi o catolicismo que serviu de reli­ gião nos quilombos. portanto. ao m en o s p a ra as c ria n ç a s. os negros. inclusive tinlilai. sobretudo porque. já possuíam elas força militar superior à de muitas vilas. Nessas experiências de autogestão.

Houve decretos proibindo o acesso mesmo de negros libertos à esco­ la (1852). O desinteresse do governo era tão gritante que em 1869 só havia uma escola noturna para adultos. Havia duas classes de religiosos: aqueles que se dedicavam a atividades buro­ cráticas e os demais.). negros. etc.). O celibato não era regra e muitos padres não escondiam suas companheiras e filhos. Beneditinos: Chegaram em 1581 e não desenvolveram ação missionária. quando Portugal rompeu relações com a França. que oficiavam junto ao povo. As irmandades eram grupos formados a partir de interesses comuns (comerci­ antes. Eram funcionários do Estado. pois seu maior ob­ jetivo era a vida c^nte -:va. Perdendo vigor. Destacaram-se também na defesa dos índios. Os ermitães eram leigos que buscavam uma religiosidade mais próxima do povo. Os primeiros a chegar eram franceses e. pelo sistema do padroado régio os religio­ sos aqui instalados deviam obediência ao rei. havia na classe dominante o temor de que os pobres tivessem acesso à escola. conquistando apoiadores nas camadas mais populares e afastadas da zona urba­ na. Havia abundância material para os primeiros e. sendo substituídos por italianos. acabaram dedicando-se à produ­ ção de material literário cristão (calendários. Outras iniciativas: Os oratorianos constituíam um movimento do clero secular. manuais. XVII. Contudo. Ordem que acumulou muitos bens. geralmente. O movimento foi extinto em 1830. 18 . foi também a que granjeou o maior numero de escravos entre os religiosos aqui estabelecidos.2. foram obrigados a deixar o país. precárias condições de vida para os últimos. Isto com certeza ajuda a entender por que em 1890 (pouco mais de 100 anos atrás) 85% da população era analfabeta. 2. Seu método de missões itinerantes influenciou muito o catolicismo brasileiro. mantidos por ele. essa relação impregnou a Igreja da época com os vícios do Estado. 2.Novas orientações do Vaticano (algo novo está para acontecer) Como já destacamos anteriormente.3 . dedicando-se à catequese dos índios e portugueses. Capuchinhos: Chegaram no início do séc. etc.Pobre não vai à escola Já nessa época.5 .

para lançar as bases da separação entre Igreja e Estado. dominado por maçons. irlandesa e estadunidense. Condenou tanto o capitalismo quan- lo o socialismo pelos abusos cometidos. expressando uma nova etapa na sua caminhada. Os aspectos da Carta de Pio XI contra o comunismo ateu é que serviriam de base para a militância católica no campo social. Kinbora o país vivesse naquele momento sob um a ditadura com nítidas simpatias para o fascismo. Propôs a interdependência entre capital e Irabalho. o jovem bispo de Olinjia. D. o que viria a ocorrer com o aparecimento da República (1889). vivia-se sob o impacto do temor do comunismo. No Brasil. Esse episódio contribuiu. Todavia. seguindo orientações do Vaticano. Durante 400 anos o padroado produzira uma casta de dirigentes que se beneficiou deste acordo. o imperador anistiou os religiosos em 1875. Esta carta apresenta uma crítica da situação de pobreza dos trabalhadores e aponta para a união das classes como forma de superá-la. XIX nos apresenta um quadro de avanço da industrialização e precariedade das condições de vida dos trabalhadores. o governo exigiu a retratação do bispo. numa versão tendendo para totalitária. chamando a atenção para a utilização da propriedade e a divisão dos lucros. reafirmando os compromissos gerais estabelecidos naquela Carta. sem dúvida. a Igreja tem condições de contribuir para reconciliar e unificar as classes sociais”3. Refletindo a preocupação da hierarquia inglesa. A Igreja entrara num caminho que se distanciava dos interesses do povo. que. Era preciso mudar. juntamente com o bispo do Pará. A partir de gestões do papa e devido à repercussão negativa na opinião pública. pelos mesmos motivos. finalmente a Igreja no Brasil poderia passar a andar com seus próprios pés. Vital Maria Gonçalves de Oliveira. a Igreja 19 .3. Pio XI editou a Quadragésimo Anno. Quarenta anos depois. O medo que sentiam as oligarquias refletia-se na Igreja. O governo imperial brasileiro. Condena os abusos econômicos e afirma que “à luz dos princípios do Evangelho. em 1891 foi editada a encíclica Rerum Novarum. Tal separação não se deu sem traumas em ambas as partes. Era natu­ ral que houvesse oposição a essa nova condição. Ante a forte ofensiva deste grupo. foi preso em 1873. Afirma o direito de todos à propriedade privada (condenando o socialismo como negação deste direito) e reco­ nhece o trabalho como origem da riqueza das nações. Sob o pontificado de Pio IX a Santa Sé tomou várias medidas contra a maçona- ria. sob o autoritarismo do Estado. Antonio de Macedo Costa. por não o fazer. Em 1872. Caíra num formalismo vazio e distante do povo. exigiu que as irmandades de sua diocese expulsas­ sem os membros que fossem maçons. desconheceu as determina­ ções.O ensino social da Igreja O final do séc. D. 2. enquanto isso. Foram tomadas uma série de medidas que acabaram por desgastar as relações entre as duas instituições.1 .

Todas caracteri­ zavam-se por uma profunda reflexão sobre o seu tempo à luz de uma metodologia conhecida e utilizada até hoje como “Ver. Após o golpe. que está do lado dos fracos e oprimidos. 20 . Acentuam-se o ensinamento de um Cristo vivo. Os resultados foram surpreendentes. mas de dentro para fora pelo próprio analfabeto. Pio XI afir­ mou na Urbi arcano Dei (1922) que “as transformações sociais criaram ou aumenta­ ram a necessidade de recorrer ao concurso dos leigos nas obras do aposto lado”5. Esta interpretação iria estimular a organização. Um foi e continua sendo. de Libertação Paulo Freire. apenas com a colaboração do educador”7. JAC. 2. deixando na sombra a denúncia de Pio XI. no mundo todo. acomodou-se facilmente à situação. Granjearam prestígio dentro e fora da instituição.1 . Lançou na década de 60 as bases para uma educação comprometida com a conscientização do educando. ele diz: “Convém medir com cuidado a extensão da crise. O início do trabalho consiste na pesquisa da fala dos alunos e da comunidade. e é reconhecido no inundo inteiro. A semeadura começara alguns anos antes. Pelo novo método levava-se em média 40 dias para alfabetizar uma pessoa. não fosse o golpe militar de 1964. Trata-se de uma educação entre sujeitos. chegou a experimentar o gosto amargo da dificuldade financeira. Agrária e Operária Católica.. no Chile. isolada do contexto e do pensamento social da Igreja no Brasil.4 2. sobretudo um comprometimento com a liberdade. mais tarde. fundador da JOC na Bélgica. Nicarágua e outros países. depois procurar-lhe as causas e as origens. Segundo Freire mesmo.) a educação não pode ser feita de cima para baixo. como o próprio Cristo deseja. essa metodologia encontrou em Pio XI um inspirador importante. professor. intelectual pernambucano. contudo.3. E uma prática muito próxima à dos grupos e organizações populares autênticas. Em vista dos resultados. Julgar e Agir”. vindo a atuar com sucesso. É o começo de um compromisso também dos educadores com os alu­ nos.2.. “(. Freire foi para o exílio. JIC. decidiu-se expandir o pro­ cesso para todo o país. Diálogo de pessoas que querem se libertar. de grupos de leigos em movimentos sobretudo de jovens: JUC. Na Urbi arcano Dei. como uma doação ou uma imposição. contida na condenação ao regime nazista e aos fascismos. destaque pela sua atuação de intelectual católico engajado nas lutas populares. porém.Nem só de clero compõe-se a Igreja Na busca de um maior engajamento dos leigos na evangelizaçâo. se lhe quisermos aplicar o remédio apropriado”6. originário da classe média. respectivamente Juventjide Universitária. Essa prática não estava. JOC. Sistematizada pelo P. Independente. na África.3.L.2 . Muitos foram os leigos que contribuíram para uma maior aproximação da Igre­ ja ao povo. Cadijn. As aulas têm como fio condutor o diálogo. o que teria sido feito.

Segundo o padre Philip Land. Iniciaram-se aí também uma série de ações no meio rural: serviços de extensão rural. entre outros fatores.4 . opção preferencial pelos pobres. Teve participação. a scca no Nordeste e a extrema concentração de renda. compromisso com a justiça. Dando seqüência a essas ações. pode considerar-se continuador da obra da criação” (Laborem Exercens). Este Concilio apresentou algumas mudanças fundamentais na postura da Igre­ ja. O proletariado agrícola em todo o país iniciou sua mobilização. com prom isso com a “humanização” da vida. João XXIII já havia lançado duas encíclicas com forte cunho social: Mater et Magistra. por assim dizer. de pastoral. SJ8. sindicalização. pelo trabalho.3.2. assim. Campanha. que tratava da acelerada evolução da questão social. 4. 21 . os cristãos vêem a face de Deus. Estas se comprometeriam cada vez mais clara e abertamente com os movimentos sociais. esta assumiu uma envergadura importante. aproximando-se das populações pobres e marginalizadas.2. a Igreja não se isolou daquele movimento. entendendo que “o trabalhador. sobretudo no rosto do povo sofrido e marginalizado”. que refletia a preocupação mundial com a iminência de uma guerra nuclear e a alarmante diferença entre ricos e pobres. e Pacem in Terris.2 . no que diz respeito à opção preferencial pelos pobres. educacional e sanitário. É um chamado à ação e uma legitimação da mesma. De certa forma essa iniciativa tendia a afastar a hierar­ quia das bases. O empobrecimento do campo. 2. radicalizando sua práxis evangelizadora à medida que viam nas ações dos governos muito mais uma “cortina de fumaça” do que soluções concretas. recebendo apoio de partidos e grupos de esquerda. Se antes a Igreja tinha análises c opiniões sobre a História. 3. Na Semana Naci­ onal da Ação Católica (1950. provocaram um quadro de miséria e de reação muito fortes. “Lendo os sinais dos tempos. Da mesma forma. Por conseguinte.O povo não é mais o mesmo ’ Na década de 50 as condições-de vida do povo caíram para um nível insuportá­ vel. iniciando uma nova fase em sua História. o empenho dos cató­ licos em favor da Reforma Agrária. alfabetização e educação de base através do rádio (através do Movimento de Educação de Base). 2 . agora chamava seus membros a tomarem parte na construção efetiva deste processo. MG) pediu-se. a Igreja u^iu-se mais e mais às iniciativas dos governos Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. apa­ receram novas atitudes: 1. ataque à apatia política. na carta pastoral com as decisões do Encontro — co-redigida por D. em ativi­ dades como a criação da SUDENE e entrosamento em atividades oficiais no campo social. A Igreja assumiu uma dimensão mais pragmática. A Igreja afastava-se cada vez mais dos poderosos. Hélder Câmara — .Mudando o curso das águas (a hierarquia se posiciona) Quando abriu o Concilio Vaticano U em 1962.

Durante a ditadura militar instalada no país em 1964.Não dividirás jamais. a violência contra os presos políti­ cos. a ponto de tomar a instituição mais forte no enfrentamento ao Estado. Na busca de unificação da Igreja brasileira foi fundada em 1952 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Igreja. 2. 2.1 . Sua marca principal foi. Não se 22 . 3. 2.. no bojo do qual a Igreja assume com maior concretude a opção pelos pobres. povo .. Ainda segundo o padre Land. (. surgiram várias organizações de cunho principalmente leigo. sem dúvida. Logo esta postura se ampliou para a defesa dc pessoas não-vinculadas à Igreja e de questões mais amplas. “Primado do amor”. A Igreja não se pretende “dona do saber”.5. mas abre-se para a colaboração na solução dos problemas do mundo. Em nível internacional.. uma CEB é um grupo de pessoas que se organiza a partir de um ponto de referência específico. 4. “Orien­ tação para o planejamento e ação pastorais”9. A luta contra a Lei dc Segurança Nacional. Estruturalmente. que vieram reforçar um novo modo de viver a Igreja.5 . a CNBB aglutinaria seto­ res expressivos da oposição ao regime. citaremos apenas as mais significativas. Este fato constitui um marco importante na História da Igreja mundial.Testemunho da verdade que liberta A organização das comunidades eclesiais de base (CEBs) pertence historica­ mente ao período de Medellín. 5..1 . Originou- se da revolta pelas prisões e mortes de religiosos e agentes católicos leigos. de modo que. devido à exigüidade do espaço de que dispomos. Tal opção seria incisiva. em geral seguindo-se o critério geográfico. a impunidade de policiais criminosos e outras direcionaram a Igreja para um caminho de pastoral muito mais próxima dos oprimidos. 2.4. o Vaticano II apresentou cinco mudanças metodológicas importantes no ensino social da Igreja: 1.de Deus”.) A Teologia deve ir além da mera dedução e especulação”. a defesa dos direitos humanos. Tomou-se exemplo para as diversas conferências episco­ pais e pólo de aglutinação e discussão de assuntos atinentes não só à religião em nosso país. São muitas.O povo de Deus caminha e aprende Ao longo desse período. “Lendo os ‘sinais dos tempos’ “A Igreja olha para o mundo e descobre nele a presença de Deus. “Movimento de distanciamento da estreita ligação à lei natural para uma maior afinidade com a Escritura”. os bispos brasileiros ocupariam lugar de destaque na articulação dos religiosos de outros países durante a preparação e realização do Con­ cilio Vaticano 11.

a demarcação das reservas.. O docu­ mento. o CIMI tem pautado suas ações pela luta pela preservação e recuperação da terra e organização dos povos indígenas. visto que numa determinada rua ou comunidade podem residir diferentes segmentos sociais. a recuperação das terras perdidas. o que aponta para um assumir coletivo das tarefas. Falta de infra-estrutura básica. Foi criado em 1972.. realizado em Vitória (ES). Isto não significa que a CEB seja uma “superparóquia” ou qualquer estrutura semelhante.) se abra e se destine a ela toda” 10. Neste contexto o papel de­ sempenhado pelo clero é muito mais de agente dessa mobilização. 2. calçamento. em função da vontade de missionários e indígenas de articularem melhor a ação missionária junto aos povos indígenas.12 A metodologia utilizada pelo CIMI apresenta um divisor de águas na relação da Igreja com os povos indígenas. etc. em 1975. de abordagem desta organização. Uma dessas importantes iniciativas são as assembléias dos chefes indígenas. A visão idealista. pois.trata aqui de uma organização essencialmente de classe.2 .. ainda que não exclu­ sivo. colaborando para que ele mesmo descubra as causas da opressão em que vive (. Hélder Câmara. diz a ccrta altura: “Que a Igreja participe da luta de libertação do povo. sua maior caracte­ rística não é a quantidade de membros.. constitui o foco central. Em todos os seus anos de existência. Novamente segundo Beozzo: Destas Assembléias nasceu e cresceu entre os chefes indígenas a consciência de que seus problemas de norte a sul do país eram os mesmos e que sua sobrevivência passava pela luta pela posse efetiva da terra. À medida que elas têm-se estruturado. O comum a todas é.) não é uma comu­ nidade toda.Pastoral Indigenista Outra iniciativa pós-Medellín c a formação do Conselho Indigenista Missioná­ rio (CIMI). Conforme Nóbrcga. a temática abordada e a metodologia empregada tendem a con- centrar-se na análise dos problemas dessa comunidade à luz do evangelho.) que o processo de libertação se inicie na própria organiza­ ção eclesial..5. embora (. quase ingênua cede lugar a uma postura crítica própria das relações sujeito-sujeito. Existem experiências em que aparecem atividades dc geração de renda e casos em que a comunidade indicou (e elegeu) vereadores a partir do processo de mobilização desencadeado. Por outro lado. De fato. é sintomática a Declaração do I Encontro... Essa nova reflexão é responsável 23 . a busca de soluções para seus problemas. aumenta a pre­ sença de representantes de paróquias nesses encontros. Para compreender seu compromisso social.”11 Outra caraterística das CEBs é o fato de não terem se articulado enquanto setor institucionalizado da CNBB. co-redigido por D. “a CEB é uma comunidade de base (. sob plena ditadura militar. mas o valor que imprime às ações de lideran­ ça na comunidade.

3.Pastoral da Terra A preocupação maior da Igreja com a questão da terra pode ser contextualizada a partir de três aspectos fundamentais: 1. Ocupa. com especial relevo. Organizada em todo o país. expandiu-se mais tarde para as demais regiões do país..5. A Ia CF foi realizada em Natal (RN). Com a ampliação do seu alcance. Os grandes projetos agropecuários na Amazônia (deslocamento e assassinato de populações indígenas. direito por tantos e por tanto tempo negado. na época.Campanha da Fraternidade Apesar de não ser um movimento no sentido adotado neste texto. “mas (. Seguem-se as orientações conciliares (Vaticano II. Da análise dessa realidade e da opção preferencial pelos pobres surgiu a Pasto­ ral da Tetra. restringia sua atuação à distribuição de donativos vindos do exterior. vinculan­ do a sobrevivência do indio à posse da terra. 3. 2.5. Partir das necessidades sentidas pelos jovens e vistas no contato com a realidade. com auxílio estrutural e pedagogia que respeita o direito à autodeterminação. proferida por setores do clero13. Realizar uma pastoral orgânica.). assim. A tingir a grande m aioria dos jovens. ela passou a ter um cunho eminentemente pastoral.Pastoral da Juventude Por volta de 1973 teve início uma articulação nacional para a criação da Pasto­ ral da Juventude. coordenada e integrada na pastoral de conjunto.4 . na opção preferencial pelos jovens e pobres.5 . Puebla. A consciência trazida pelo CIMI.por um apoio às lutas desses povos. pode-se dizer que ela “deverá dar-se na base com pequenos grupos que reflitam a sua realidade e se identifiquem entre si num projeto transformador”14. por ocasião da Quaresma de 1962.. espaço fundamental na organização dos trabalhadores rurais sem terra em todo o país. os desafios sócio-econômico-político-cultu- 24 . atuando no meio específico.. A cada ano muda o tema da Campanha. Iniciando na Amazônia. O Concilio Vaticano II impulsionou a nacionalização da Campanha. sendo assumida como atividade da CNBB. 2. 2.) entram. a partir de pequenos grupos. São muitas e diversas as motivações para a definição do tema.15 2. posseiros e outros).5. A denúncia dessas e de outras injustiças. entidade que. esta pastoral reafirma-se na prática sobre três en­ tendimentos: 1. 2. A inspiração inicial era a de que esta campanha pudesse auxiliar e angariar fundos para a Cáritas Brasileira. a Campanha da Fraternidade (CF) merece referência como momento de grande mobilização de leigos e clérigos na caminhada da Igreja no Brasil.3 .. Inspirada em Puebla.

Eles constituem a “história falando por si mesma”. ape­ sar da distância do tempo. “Participar” (1971). Ação Católica: É oportuna a leitura de Da Ação Católica à Pastoral de Juventude. como debatedores. é uma pesquisa feita numa comunidade de posseiros do interior do Nordeste. de pessoas diretamente relacionadas com as CEBs. No mais das vezes. “Ouvi o clamor deste povo” (1988). continuam vivas em nosso dia-a-dia: “Todos foram criados por Deus para tender à perfeição.1 . publicada pela Vozes em 1988. “Fraternidade sim. Nóbrega. Contudo. Indicações para leitura Para o esclarecimento de possíveis dúvidas e o aprofundamento de alguns as­ pectos. Comunidades eclesiais de base: São muitas as obras lançadas sobre o tema. traz uma fundamentação teológica e contextualização da formação das CEBs no país. de Lígia de Moura P. A Nova Práxis Educacional da Igreja (1968-1979). citaremos apenas algumas à guisa de referência: A Educação Popular nas Comunidades Eclesiais de Base é o relato de um seminário organizado pela PUC/ SP e que teve a participação.6 . que aborda sobretudo a questão do preconceito racial e a situação dos negros. publicado pela Paulinas em 1984. que. A graça divina e os bens da natureza pertencem a todos igualmente. A obra apresenta um histó­ rico da caminhada da Igreja.rais e religiosos da realidade brasileira”16.Conclusão Para concluir deixo algumas palavras da Encíclica Rerum Novarum. “Pão para quem tem fome” (1986). 2. Assim. de Bruno Pucci. Campanha da Fraternidade: Uma boa leitura são os manuais que são publicados anualmente e servem de roteiro para o trabalho. Queiroz e publicada pelas Edições Paulinas em 1985. Utiliza­ mos mais o Manual da CF-88. violência não” (1983). CEBs e Educação Popular. “So­ mos responsáveis uns pelos outros” (1966). de boa qualida­ de. apresentamos a seguir a bibliografia consultada e outros volumes que nos serviram de referência para a elaboração do trabalho. e todos foram remidos em Cristo.” 2. 25 . têm sido temas da CF assuntos tão variados quanto profundos como: “Lembre-se. você também é Igreja” (1964). de autoria de Mário Antonio Betiato. A obra foi organizada por José J. publicado pela Vozes em 1985. contextualizando a caminhada da Pastoral da Juventude no Estado do Paraná.

p. ap. 32. 33-35. 15.destaque-se que o autor teve o privilégio de ter vivenciado as primeiras experiênciascom Freireno pais. ibid. A Igreja do Brasil. p. 12 ID. 25. HENRIOT. p. p. 7 Paulo FREIRE. ibid. cit. Concílios e igrejas no Brasil: A Coleção Igreja no Brasil é um lançamento recente da Editora Vozes. op. onde encon­ tramos uma série de estudos. BEOZZO. publicada em 1994 e intitulada A Igreja do Brasil. p. 14 BETIATO. cit. p. 2 ID . José Oscar Beozzo. 1988).. p.. O Ensino Social da Igreja. de Carlos Rodrigues Brandão.. a maioria inéditos. ainda que breve. HENRIOT. p. Além da qualidade do trabalho. de Peter J. 129. sobre o tema. Educação como Prática da Liberdade. 3 Peter J. Ensino social da Igreja: Vale a pena ler Ensino Social da Igreja: Nosso Grande Segredo (Editora Vozes. p.. 45. de João XXIII a João Paulo II. Nestas obras Paulo Freire expõe de forma clara o seu pensamento e os princípios e práticas do movimentos por ele iniciado. 10 Ligia dc Moura P. Para quem desejar uma leitura introdutória. Método Paulo Freire: Para o/a leitor/a que quiser “beber direto da fonte” sempre é bom consultar Educação como Prática da Liberdade e Pedagogia do Oprimido. c it. 15 Encontro Nacional da Pastoral de Juventude. op. é indispensável O que É Mé­ todo Paulo Freire. Notas 1 Eugênio D. D a A ção Católica à Pastoral de Juventude. BEOZZO. que apresenta comentários e resumos das 20 encíclicas mais importantes desde a Rerum Novarum.. 16 Manual CF-88. ap. CEBs e Educação Popular. é um livro paradidático e com bastante conteúdo. BETIATO. 46.. das Tribos Indígenas às Comunidades Eclesiais de Base (FTD. ibid. 8 Ap. Henriot. 26 . publicado pela Editora Brasiliense como nL’ 38 da Coleção Primeiros Passos. NÓBREGA. p. 11 Encontro de Vitória.. ibid. de Medellín a Santo Domingo. 6 ID. KELLER. contudo. op. 9 ID. 1993). 5 Mário A. Igreja no período colonial: A Igreja no Brasil. 24. 111. 4 José O. 23. p. Detivemo- nos mais na obra do Pe. do padre Eugênio Dirceu Keller. A Igreja no Brasil. 13 Ibid. 129. ID . ibid. 80. ambas da Editora Paz e Terra. p.

com especial destaque para o papel dos pastores. A historiografia centra-se no aspecto institucional de constituição da Igreja.Perspectiva luterana da educação (IECLB) Danilo R. Mas a este propósito do diabo. Em Lutero esse retomo ã Palavra assumiu várias formas: a valo­ rização da Bíblia. tanto a marca do clima cultural que se respirava na Europa como uma história de ensino dentro da própria Igreja em que cresceram. até hoje. Lutero insistim o m os príncipes e com os conselhos das^cidãclés~para que criassem escolase c o m os pais para que mandassem seus filhos á esc olaTTrt^fiora ne iafej. uma história específica do ministério educacional na Igre­ ja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). o esforço de colocar nas mãos do povo material acessível. em que a educação passava a ser vista como atividade secular. os imigrantes alemães trouxeram. a capacitação do povo para articular a sua palavra através da ênfase no sacerdócio de todos os crentes. de recuperar a Palavra como elemento dinâmico e criativo.”1 N Estava-se no início da era moderna. 3 . Nas palavras do próprio Lutero: “Tememos os turcos. A escola assumia um papel cada vez mais fundamental nessa sociedade que se tomava mais complexa e em que os diferentes saberes começavam a se transformar em disciplinas. Trouxeram também as marcas de dois movimentos que influenciaram fortemente a educação entre os luteranos e cujos reflexos se fazem sentir até hoje na Igreja: a ortodoxia e o pietismo. guerras e enchentes. em que a Reforma aparece como um elemento impulsionador da democratização da educação. ' ' Qual a base teológica para o envolvimento com a educação? Creio que se pode dizer que o pressuposto teológico básico é a tentativa. por­ tanto. pois aí sabemos perfeitamente o que é prejuízo e o que é proveito. especialmente o Catecismo Menor (escrito para o uso nos lares).A Palavra que educa — antecedentes Não existe. Entretanto. este ninguém o enxerga e também ninguém o teme.1 . com o seu uso no vernáculo. isso acontece em silêncio. apossar do mundcTedas pessoas. 27 . Streck 3. A tradicional proximidade geográfica do templo e da escola evangélica em muitas comunidades ilustra esse fato. uma visão compartilhada por Lutero. Esse saber popular é confirmado pelos estudos em história da educação. A preocupação pela educação não estava restrita à comunidade e aos lares.im a anriaHilha do riiahp-para se. Quando chegaram ao Brasil em 1824. em contraposição ao sacramentalismo da Igreja medieval. Uma delas era a pedagogia. feita na Reforma. faz parte do senso comum entre os luteranos que a Igreja tem muito a ver com a educação.

partilha­ va-se do esforço de Descartes (1596-1650) de buscar um método para chegar a idéias claras e distintas nas ciências. e Nikolau Ludwig von Zinzendorf (1700-1760). dinâmicas e cantos) para os encontros dominicais realizados com as crianças nas comunidades. a forma e o próprio objetivo. Hoje a IECLB conta com materiais para um grande número de atividades na comunidade. Uma das contribuições pedagógicas do pietismo consistiu em fazer da educação uma ativi­ dade do coração. Também esta tendência pode ainda ser encontrada na confirmação. Outra publicação que já tem uma longa história é o Amigo das Crianças. De 1938 a 1964 era publicado em português e alemão e. Essa tendência marcou. No fundo. especialmente através do Concurso Bíblico. Surgiu em 1930. p. Isso está ligado ao fato de que a confirmação. com raras exce­ ções. Como reação ao exagerado e unilateral intelectualismo da ortodoxia. desta vez entendida como o momento de entrega a Jesus como Salvador pessoal. em língua alemã. embora considerada por Lutero como mera instituição humana. das mãos e do intelecto. ao invés da concordância intelectual com certos princípi­ os teológicos. todos os membros da IECLB passaram e ainda passam por ele. conhecido pelo seu empenho na formação de professores. Note-se que o termo “culto” no título do livro foi fixado em 1982. XVII e X V III). o ensino confirmatório como o momento de conhecer a doutrina cristã. Destaco dois que são de especial importância na educação cristã com crianças. roteiros para atividades. desde então. ex. Dentro desta pers­ pectiva. apenas em portugês. apesar da diversidade das tendências teológicas e culturais. uma vez que. surgiu o pietismo (sécs. com a justificativa de que se pretendia dar um caráter mais celebrativo e menos de “aula” ao encontro com as crianças2. Creio não haver exagero em afirmar que este é o lugar onde no fundo se define a questão teológica e pedagógica da Igreja. mas poucas vezes questionam a sua relevância. Des­ taca-se no mesmo a participação das próprias crianças. dá-se prioridade ao conhecer — muitas vezes entendido como memorizar — as bases da fé. um jornal semanal feito para crianças. Ainda hoje em muitos lugares o ensino confirmatório é simplesmente conhecido como “doutrina”. que redigiu a Pia Desideria. A-o pietismo estão ligados os nomes de Philip Jacob Spener (1635-1705). de cuja autoria são vários hinos ainda hoje cantados nas comunidades luteranas. publicado desde 1972.. foi até 28 . Dentre as atividades educativas deve ser sublinhado o papel do ensino confirmatório. O material com que os imigrantes vieram e que durante muito tempo serviu para passar adiante os ensinamentos sobre sua fé foi basicamente a Bíblia. O mes­ mo apresenta subsidios (reflexões sobre textos. As diversas correntes teológicas e pedagógicas mudam o conteúdo. Na educação cristã a ênfase estava na decisão pessoal por Cristo. A ortodoxia enfatizava a aprendizagem da doutrina correta. na separação do cristão dos prazeres mundanos devido ao agudo senso da pecaminosidade humana e da conseqüente necessidade de regene­ ração. August Hermannn Francke (1663-1727). Um deles é o Manual para o Culto Infantil. o Catecis­ mo Menor de Martinho Lutero e o hinário. A ênfase estava na vivência pessoal e comunitária dos ensinamentos do evangelho. Talvez tenha sido este um dos fatores que permitiu às diversas comunidades luteranas manterem certa uniformidade.

aprovado no Concilio Ge­ ral. em São Leopoldo (RS).há pouco tempo um rito de passagem fundamental para os luteranos. os sínodos se viram obrigados a enfren­ tar a questão da formação de pastores. no qual são afirmadas as con­ seqüências políticas da mensagem cristão Seguiram-se outros documentos com forte ênfase na missão da Igreja no contexto brasileiro. tanto em termos de participação na vida da comunidade (através da confirmação se era admitido à Eucaristia) quanto na sociedade (através deste rito se tinha acesso ao mundo adulto). Seria uma visão demasiado simplista atribuir esse isolamento à grande diferença cultural ou ao desejo dos imigrantes. Dentre as características principais do documento podem ser destaca­ das as seguintes: 29 . Um fator que apressou o abrasileiramento dos luteranos — ainda que de forma dolorosa para muitos membros das comunidades — foram as guerras mundiais. A essa falta de estrutura correspondia a necessidade de obreiros preparados nas comunidades. O mesmo está expresso no Manifesto de Curitiba (1970). em 3974. a Faculdade de Teologia. em 1946. Ela foi transferida devido às violações dos direitos humanos pelo regime militar.2 . Esse processo de estruturação teve o seu momento mais decisivo no ano de 1968. uma designação que não esconde a conotação negativa. Esses líderes comunitários foram muitas vezes chamados de pseudopastores. assim. Um fator que pesou para que muitas comunidades permanecessem numa espécie de gueto foi o fato de no Império a religião oficial ser a católica. Surgiu. Ape­ nas com a República veio a liberdade de culto. Com a impossibilidade da vinda de novos pastores e com a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa. Pode-se situar no contexto desta discussão a proposta contida no documento “Catecumenato Permanente — Discipulado Permanente”. Nos primeiros tempos as atividades pastorais e docentes eram desem­ penhadas não raro por pessoas da própria comunidade que se destacavam por algu­ mas qualidades de liderança na área intelectual. em 1970. Recente pesquisa mostra que. certamente não resolveu o problema do isolamento cultural de grande parte das comunidades. Outro fato que jogou a IECLB para dentro da realidade brasileira foi a transfe­ rência da assembléia geral da Federação Luterana Mundial prevista para ser realizada no Brasil. 3. Se a vinda de pastores da Alemanha contribuiu para sair do congregacionalismo e avançar em direção a uma estrutura de Igreja no Brasil. Sua estrutura foi se desenvol­ vendo aos poucos a partir das diversas comunidades que foram se organizando em sínodos. a qual foi se desenvolvendo em direção à atual Escola Superior de Teologia. espe­ cialmente a segunda. ao contrário do que se pensa. forçando com isso a IECLB a buscar um posicionamento próprio. especialmente no contexto urbano3.O desafio de ser Igreja no Brasil A IECLB não veio da Alemanha como Igreja pronta. quando os diversos sínodos regionais se uniram numa Igreja de abrangência nacional. o ensino confirmatório não parece ser um fator decisivo para garantir a continuidade ou o ingresso da pessoa na vida da comunidade.

O Instituto de Educação Cristã (um curso em nível de 3o grau com a duração de três anos. c) A valorização do ministério educacional. depois. diálogo). A formação de educadores/as é feita em vários níveis. em 1977. diga-se de passagem. principalmente da Alemanha. Entrementes o CEM foi fechado devido à falta de recursos e a sua função parcialmente assumida por outros setores. A criação do Centro de Elaboração de Material (CEM) de certa forma corporifíca essa tentativa de criar material que brote da realidade brasileira e que não seja mera tradu­ ção ou adaptação de material do exterior. inclusive com produção de material e publicações. que nos últimos anos foi se tomando menos marcante. Além disso. hoje integrado na EST com o nome de Instituto de Educação Cristã. 30 . Fica muito clara no referido documento uma influência de Paulo Freire (libertação integral. Recente simpósio de avaliação dos 20 anos do Catecumenato Permanente — Discipulado Permanente reafirmou alguns dos propósitos básicos para a educação na IECLB. que tinha por objetivo formar catequistas em nível de 3o grau. de oportunidades de trabalho e de valorização. geralmente estão pouco ou nada coor­ denados entre si. Há também outros organismos que têm na educação dos membros das comuni­ dades uma de suas funções principais. Estes. que é visto como sujeito da aprendizagem (Carl Rogers ). mas também mostrou que houve profundas mudanças na realidade e que a Igreja precisa continuar repensando a sua tarefa educativa5. que promove também as Semanas de Criatividade. uma variedade de cursos ou seminários de formação de colaboradores no Culto Infantil. Desde 1994 são oficialmente reconhecidos três ministérios ordenados na IECLB: o pastoral. cada movimento ou organização procura criar e desenvolver seus próprios mecanis­ mos de formação. Foi criado. e do movimento de educa­ ção permanente (Pierre Furter). como foi dito acima. em regime de férias) forma catequistas. Tanto a Pastoral Popular Luterana como o Movi­ mento Encontrão assessoram e fomentam iniciativas educacionais no seu âmbito de influência. está voltado fundamentalmente ao trabalho com as crianças na IECLB. No surgimento desses movimentos sem dúvida havia um forte ingredien­ te ideológico. da pedagogia não-diretiva ou centrada no educando. a) A busca de uma teologia e uma prática educativa mais contextualizadas. enormes diferenças em termos de formação. Há. b) A aproximação da teologia com as reflexões pedagógicas que se verificavam na época. Permanecem. o trabalho com pessoas portadoras de deficiência e atividades na área da educação para a saúde e agricultura alternativa. Dentre estes destaca-se a organização de mu­ lheres (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas — OASE). que vêm tendo um reflexo importante dentro das comunidades em termos metodológicos. o Departamento de Juventude. o catequético e o diaconal. O Departamento de Catequese. O primeiro atua mais na área da educação popular e o segundo com grupos da linha conhecida como evangelical. com grande atividade na elaboração de material e capacitação de educadores/as nas comu­ nidades. no Ensino Confirmatório ou Ensino Religioso. no entanto. Talvez um dos fatos mais significativos seja o fortalecimento dos movimentos e grupos na educação comunitária. Grande parte desses cursos são ministrados pelo Departamento de Catequese. o Instituto Superior de Catequese e Estudos Teológicos.

nestas escolas. p. até porque a comunidade atual tem outras características. Na Reforma encontramos ao lado da figura de Lutero (pastor e teólogo) a de Filipe Melanchthon (professor). A leitura da Bíblia e os ensinamentos evangé­ licos seriam apenas uma espécie de subproduto. na Alemanha havia sido organizado um sistema de ensino que atendia as necessi­ dades educacionais básicas da maioria da população. escrevia cartas e documentos. Depoimentos de pessoas de mais idade mostram como elas foram construídas em sistema de mutirão. ele dirigia os estudos bíblicos. como os pais dos alunos ajudavam a cuidar da roça do>-professor como forma de pagamento. ex. Há duas maneiras de compreender a estreita relação entre escola e Igreja. Era uma espécie de intelectual generalista do lugar. etc. tocava harmônio.3 . nos sínodos. que até hoje. Também esta atenção ao professor tem a sua história. por via de re­ gra é minoritariamente luterana. A clientela. escrever e fazer contas. contra as pouco mais de 100 que existem (ou resistem) atualmente6. Nas comuni­ dades o professor era uma pessoa que gozava de alto prestígio.. se ocupa quase que exclusivamente das escolas da rede evangélica. Para ele levavam-se as medidas de uma roça para calcular a área. Em sua origem essas escolas tinham uma orientação comunitária muito forte. ao contrário.Escolas — de solução a problem a? A preocupação com a educação escolar fazia parte da bagagem cultural dos imigrantes alemães que aqui aportaram. Isso é legítimo na medida em que o Departamento é mantido pelas próprias escolas e elas precisam ter o seu espaço de articulação. Ao mesmo tempo é problemático. continua dedicada à formação para o magistério. O Departamento de Educação da IECLB. Acontece que na mesma época em que no Brasil apenas uma parcela mínima da população (10% em 1867) tinha acesso à esco­ la. Um sério problema é que as escolas evangélicas parecem representar o todo do esforço da Igreja na educação. enfatizam o papel da escola para a transmissão do evangelho dentro da confessional idade luterana. Compreende-se assim por que a criação de escolas numa terra onde as mesmas existiam apenas para uma elite era prioridade para os imigrantes.3. por desconsiderar o enorme universo da educação pública. mais de 400 escolas confessionais luteranas. É bem possivel que ambas as motivações tenham estado presentes na criação das escolas nas comunidades. O evangélico (luterano) tende a se restringir a alguns princípios gerais. 31 . mas deveriam estar integradas numa política educacional coerente. Para suprir a lacuna da falta de escolas públicas chegou a haver. Outros. Já em 1909 foi criada a Escola Normal Evangélica (o Lehrerseminar). Muitas dessas escolas se transformaram em escolas esta­ duais ou municipais. Al­ guns tendem a privilegiar o fato de que as escolas eram antes de tudo escolas para aprender a ler. talvez em proporções diferentes. Um fato marcante na história da educação na IECLB é que a formação de professores antecedeu em várias décadas a formação de pastores. As duas perspectivas não precisam se excluir mutuamente. com o nome de Escola Evangélica Ivoti. Essa dimensão comunitária tende a se perder. aconselhava em muitas questões. A tendência é que apenas as assim chamadas “grandes” escolas sobrevivam enquanto escolas particulares.

Lutero e lÁbertãção\ Releitura de Lutero em Perspectiva Latino-Ameri- cana. FLECK. Parece que a Igreja educa melhor na medida em que se arrisca a “sair de sua casa”. 1994. BURGER. Luieranismo e Educação. Walter. Í984. 4. bem como na participação consciente e responsável na sociedade. um desafio é abrigar todas as iniciativas na área educa­ cional dentro de uma política ao mesmo tempo coerente e flexível. 1977.4 . respeitando a diversidade. XVI. LUTERO. Embora a situação na Europa de então e a situação na América Latina dc hoje sejam muito diferentes. DREHER. Universidade de Caxias do Sul. Dentro de um contexto religioso complexo e difuso naturalmente surge a pergunta pela identidade. Martin. 1986. 25 Anos de Manual para o Culto Infantil. Percebe-se como nas últimas décadas a educação acompanhou a participa­ ção mais efetiva da Igreja dentro da realidade brasileira. Lothar. HOCH. d. 1995. Igreja e Germanidade. Dorival. Concórdia. Destaco apenas algumas questões mais salientes: 1. Essa influência vai desde os cânticos até a forma de realizar estudos bíblicos ou outras atividades educativas.Perspectivas e desafios Esta breve análise permite ver que aconteceram e continuam acontecendo mu­ danças significativas no ministério educacional da IECLB. Sinodal. (Polígrafo). São Leopoldo. São Leopoldo. São Leopoldo. Ática. São Leopoldo. Obras Selecionadas. A educação precisa ajudar a responder esta pergunta sem recair em velhos dogmatismos. EST São Lourenço de Brindes. Porto Alegre. A nível mais prático. 32 . Sinodal. Sào Paulo. Remi. Sinodal. ed. Estudo Crítico da História da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Germano. São Leopoldo. Caxias do Sul. Sinodal. Quem Assume Esta Tarefa?. Destaco o princípio do sacerdócio universal de todos os crentes.3. A Reforma luterana pode ser vista como parte de um amplo movimento social e religioso do início do séc. Formação Teológica em Terra Brasileira. ed. Bibliografia ALTMANN. s. há no movimento da Reforma alguns impulsos que continuam muito atuais e podem contribuir para orien­ tar a educação na Igreja e na sociedade. (Polígrafo). Mais importante do que ter uma identidade é estar disposto a construir uma identidade no diálogo com outras denominações e religiões. recebendo assim principal­ mente os impulsos da educação informal. KLErN. 1995. a defesa da liberdade radical do cristão e a centralidade da cruz como sinalizadora do caminho do cristão. 2. Sinodal. mas ao mesmo tempo possibilitando que elas se sintam como partes do mesmo corpo. Volume 5: Ética: Fundamentos — Oração — Sexu­ alidade — Educação — Economia. Martinho. São Leopoldo. um Documentário de uma Igreja em Busca de Sua Identidade. Porto Alegre. 3.

Obras Selecionadas.STRECK. Schwantes). 32(1 ):54-67. Processo de Elaboração (G. 37-41. Luteranismo e Educação. (M. (A. Volume 5. Kirchheim). Burger). 1992. p. Enfoque Institucional (G. Germano BURGER. Volkmann). Igreja c Escola. n° 3. Quem Assume Esta Tarefa?. 305. 25 Anos de M anual para o Culto Infantil. 3 Cf. 1994. p. Reflexões sobre as Bases Teológicas do Envolvimento da Igreja na Educação Formal. Brakemeier). 1994) publicou os seguintes trabalhos apresen­ tados no referido simpósio: Catecumenato Permanente — um Desafio que Permanece (M. Antecedentes. Streck). Bases Teológicas e Pedagógicas (E.. Danilo R. .. 6 Cf. 4 Cf. Estudos Teológicos... 5 A revista Estudos Teológicos (ano 34. Reusch). o relatório da pesquisa sobre “M inistério educacional nas igrejas luteranas” — região Brasil c Cone Sul. Conseqüênci­ as e Resultados (H. Baeske) e Notas de uma Pesqui­ sa (D. Dorival FLECK. Notas 1 Martinho LUTERO. 2 Cf. Depoimento Pessoal. Rcmí KLEIN.

em 24 de maio de 1738 João Wesley viveu marcante experiência religiosa. desejando converter índios. Sentiu-se renovado e profundamente impulsionado a um novo padrão de ministério pastoral. João Wesley formou-se e atuou como clérigo. Era o chamado Clube Santo. com organização própria. Para a tese de que o metodismo é um “movimento educativo” há outros argu­ mentos históricos que podemos destacar: 34 . O leigo John Bennett escreveu as atas: “Reunimo-nos. — terceiro. que retomaram o título “metodista”. ministro da Igreja Anglicana. Voltou desapontado consigo mesmo. Samuel. como conduzir a nossa prática. uma das colônias americanas. entre os quais “traças da Bíblia” e “metodistas”. — segundo. o método apropriado para ensinar essa doutrina. Com substancial participação de leigos — aos quais conferiu a possibilidade de pregarem — o movi­ mento metodista ganhou dimensões e características que o levariam a se tomar uma Igreja. de 1729 a 1735. João e Carlos estudaram em Ofxord. no séc. em destaque. mais quatro leigos. fato que o levou a proferir a célebre frase: “O mundo é a minha paróquia”. Carlos e João Wesley.” Este registro histórico é um dos argumentos que o profes­ sor Peri Mesquida utiliza para afirmar que o movimento metodista foi. Wesley foi oficialmente impedido de pregar nos púlpitos dos templos. Em 1744 reuniu-se o primeiro concilio metodista (ainda como movimento e não como Igreja!). a doutrina a ser ensina­ da.Um movimento educacional (Igreja Metodista) Hélerson Bastos Rodrigues 4. O movimento ganhava força. com maior atenção ao povo e o desenvolvimento de sociedades religiosas. um “movimento reformador educativo”1. para examinar: — primeiro. tendo sido também professor Em 1735 dirigiu-se à Geórgia. existiu uma agremiação estudantil que cultivava o estudo bíbli­ co. original e fundamentalmente. seus integrantes.1 . sentindo necessidade de uma conversão em sua própria vida. dois dos 19 filhos de Suzana e do Rev. Com base nesses procedimentos. receberam apelidos. Na liderança desse movimento estavam. líderes leigos iam surgindo. ironicamente. a ajuda a necessitados. 4 . conhecida como “coração aquecido”.Origens da Igreja Metodista As raízes da Igreja Metodista se encontram num movimento de despertamento religioso que ocorreu na Inglaterra. os irmãos João e Carlos Wesley. XVIII. Incompreendido pe­ los dirigentes eclesiásticos anglicanos (embora não houvesse intenções separatistas). Na sucessão de vários acontecimentos importantes. onde. a disciplina na vida.

— Whitefield (um dos grandes metodistas do início do movimento) percebeu a
necessidade de uma escola para os filhos dos trabalhadores nas minas de carvão de
Kingswood, próximo de Londres. Assim, iniciou uma escola (1740), continuada por
Joâo Wesley, que escreveu sobre ela no seu diário: “Há uma sala e quatro salinhas
para alojar os professores; e como é agradável a Deus hospedar as crianças pobres
(...) Os alunos mais idosos (‘que têm cabelos brancos’) não devem estudar na mesma
hora que os jovens...” Dá para perceber: crianças, jovens, idosos tiveram oportunida­
de para educar-se.
—■Wesley observou que as pessoas alfabetizadas não tinham como continuar a
freqüentar escolas. Pensando nelas, escreveu grande quantidade de panfletos (livros
de pouquíssimas páginas) sobre asssuntos variadíssimos, que vendia a preços baixos.
Também editou, especialmente para os pregadores do movimento metodista, a Bibli­
oteca Cristã, com 50 volumes, divulgando variadas obras, inclusive de literatura.
Wesley escreveu muito durante sua vida. Há 370 obras, sobre assuntos variados, por
ele produzidas.
— A senhoriía Ana Bali, metodista, foi a fundadora da primeira escola domini­
cal (em High Wycombe, Londres, 1769), uma modalidade educacional que passou a
surgir em outras cidades de sua época. Mas, para outros, é Robert Raikes, dono do
Gloucester Journal, que é o pai da escola dominical, mesmo tendo iniciado esta
forma educacional somente em 1780, e isso teria acontecido por inspiração de Sophia
Bradbum, esposa de um pregador metodista. De uma forma ou de outra, está caracte­
rizado o elo entre o metodismo e os inícios da instituição “escola dominical” como
meio de ensino ministrado à infância. Deve-se. porém, esclarecer que, nos seus
primórdios, a escola dominical também ministrava o ensino elementar. Só mais tarde
é que veio a dedicar-se mais exclusivamente à instrução religiosa.

4.2 - O metodismo nas colônias americanas

Os primeiros metodistas chegaram entre 1760 e 1766 às colônias inglesas na
América (que viriam a se tomar os EUA). Um ano após a independência americana,
o metodismo proclamou também a sua. Os pregadores metodistas acompanharam os
pioneiros que iam alargando fronteiras. Foram surgindo as sociedades, capelas e es­
colas. Ao longo dos anos os metodistas se firmaram. Evangetizavam para conseguir
adeptos. E propagavam os seus valores, idéias e princípios por meio das escolas do­
minicais, paroquiais, colégios, universidades. De 1831 a 1870, fundaram mais de 200
instituições escolares nos EUA, dentre as quais temos, até hoje, as Universidades
Emory, Drew, Ohio, Duke. Sem dúvida, eles deram muito destaque à questão educa­
cional.

4.3 - O metodismo em solo brasileiro

O metodismo chegou ao Brasil por iniciativas missionárias da Igeja Metodista
Episcopal dos EUA. A primeira tentativa, no ano de 1835, deu-se com a chegada de
Fountain Pitts. Ele organizou uma escola dominical (matriculou brancos e negros!) e
abriu uma escola para educação formal. Em 1837 chegaram ajudantes: Daniel Kidder

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e um casal de professores. Esta foi, no Brasil, a primeira equipe metodista reconheci­
damente preocupada com a educação, uma das formas de fazer missão (também ha­
via pregação e distribuição de Bíblias). Mas essa primeira tentativa não perdurou,
devido a problemas: faleceu a esposa de Kidder, vitimada pela febre amarela; os
professores regressaram a seu país; faltaram recursos econômicos.
O ingresso definitivo do metodismo no Brasil ocorreu em 1868. O Rev. J. J.
Ransom foi enviado pela Junta de Missões da Igreja Metodista Episcopal do Sul. Nas
décadas fmais do século, os metodistas aqui encontraram apoio (de políticos, fazen­
deiros, pessoas da maçonaria) para fundar escolas. Era um período no qual as “idéias
liberais” queriam a vinda da República, a libertação dos escravos, a separação entre
Estado e Igreja (Católica).
Dentro desse contexto histórico, os metodistas no Brasil tiveram a oportunida­
de de*fundar escolas: Granbery (1880, Juiz de Fora); Piracicabano (1881, que hoje é
uma universidade); Americano de Petrópolis (1895), que se mudaria para o Rio de
Janeiro (1920), tomando-se o Bennett; Ribeirão Preto (1899); Isabel Hendrix (1904,
Belo Horizonte); e outros colégios que, por vezes, tinham em seus nomes a palavra
“americano”. Em verdade, eles trouxeram modelos pedagógicos e uma forma de en­
carar a vida na linha do modo de pensar das pessoas “americanas” e metodistas.
Atualmente, através do COGEIME (Conselho Geral de Instituições Metodistas
de Ensino) as escolas metodistas têm uma forma de estabelecer um entrosamento
entre si. Elas procuram dialogar sobre como podem continuar oferecendo úma contri­
buição à população do país.
Os missionários metodistas acreditaram estar oferecendo um serviço de valor
às pessoas e à coletividade por meio dos sistemas educacionais. Hoje, dentro de um
novo contexto histórico, os metodistas continuam a defender a tarefa educativa como
forma de presença ativa na sociedade, testemunhando a fé cristã.
E bem certo que o tipo de vida mudou muito entre o séc. XVIII e o XX. Mesmo
assim, todas as pessoas precisam receber educação, não somente técnica, mas que
inclua também uma percepção sobre o mundo e as muitas formas de participarem
criativamente no desenvolvimento das condições que proporcionem vida, vida em
plenitude. Foi para isto que Jesus Cristo veio até nós.

4.4 - A educação nas escolas dominicais

No ano de 1886 os metodistas no Brasil iniciaram a publicação do jornal O
Metodista Católico (que mais tarde viria a ser o Expositor Cristão). O jomal, em
verdade, tinha como objetivo publicar as “Lições Internacionais para as Escolas Do­
minicais”, sendo o sucessor de outras publicações anteriores a ele: A Escola Domini­
cal e A Nossa Gente Pequena. Existiram outras publicações igualmente voltadas para
a escola dominical: O Juvenil, iniciado em 1895, e O Testemunho, surgido em 1904.
Faltam-nos maiores registros históricos quanto a estas publicações.
O Rev. Guaracy Silveira, um metodista, foi o editor, por três anos e meio (1925
a 1929), das revistas com as “Lições Bíblicas para as Escolas Dominicais”, utilizadas
por algumas denominações já existentes no Brasil. Registre-se que posteriormente,

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via os Períodicos de Educação Religiosa da Confederação Evangélica do Brasil (uti­
lizados pelos presbiterianos, congregacionais e metodistas), diferentes denominações
continuaram a ter estudos dominicais iguais.
A partir de 1965, por decisão de seu Concilio Geral, e tendo em vista preparar
o seu povo de maneira mais satisfatória segundo a ótica denominacional, a Igreja
Metodista decidiu que não mais utilizaria as lições dominicais preparadas pela Con­
federação Evangélica. Esta entidade, por sinal, encontrava-se em crise interna, no
contexto do governo ditatorial que comandava o país.
No ano de 1966, sob a direção da Junta Geral de Educação Cristã, convocou-se
nacionalmente na Igreja Metodista uma “conferência de currículo”, para preparar as
bases dos estudos que começariam a ser editados em 1967. As revistas que já eram
editadas pela Igreja (Bem-Te-Vi, para crianças; Flâmula Juvenil, para adolescentes;
Cruz de Malta, para a juventude; Em Marcha, para adultos) tomaram-se também
veículo de lições para as escolas dominicais, continuando a trazer artigos de interesse
dos leitores e notícias das sociedades. Surgiram novas revistas: Ensino Eficiente I e
II, para professores, além das Gravuras Ilustrativas, uma para cada domingo, desti­
nadas à infancia.
Esse procedimento perdurou ao longo dos anos seguintes, passando, porém, por
algumas alterações na sistemática editorial. Nos anos 90 ainda foram publicados os
mesmos títulos, para as diversas faixas de idade, exclusivamente com lições e sem o
vínculo com datas anuais fixas, buscando-se dar aos textos de estudo um caráter mais
permanente, uma espécie de biblioteca. Isto, porém, acabou por dificultar o planeja­
mento curricular das igrejas nas localidades. No presente (1995) voltou-se ao formato
“revistas periódicas”, datadas, para possibilitar que as igrejas locais estejam simulta­
neamente dedicadas aos mesmos estudos. No nível de sua administração geral, a
Igreja possui uma Área de Ação Docente, e os serviços de editoração e distribuição
encontram-se sob a responsabilidade de um setor técnico (Imprensa).

4.5 - “Vida e M issão”: um documento
com diretrizes
Cânones é o conjunto de textos normativos da Igreja Metodista no Brasil; trata-
se de um volume contendo vários documentos oficialmente aprovados pela Igreja,
em sua instância nacional: a Constituição, os Vinte e Cinco Artigos de Religião (que
vêm dos primórdios do metodismo), O Credo Social, as Normas do Ritual, o Plano
para a Vida e a Missão da Igreja, as Diretrizes para a Educação, além da legislação
que regulamenta a organização da Igreja.
Aprovado em 1982, no Concilio Geral, o “Vida e Missão” (fruto de um proces­
so de reflexão sobre textos anteriores) serve de pista para conhecermos as ênfases
teológicas e práticas desta Igreja. Um dos capítulos do “Vida e Missão” sintetiza a
herança “wesleyana”, afirmando que “o metodismo...
a) (...) baseado nas Sagradas Escrituras, aceita completa e totalm ente as doutrinas fun­
damentais da Fé Cristã, enunciadas nos Credos (...) [dos quatro primeiros séculos da era
crista].

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b) (...) afirma que a vida cristã comunitária e pessoal deve ser a expressão verdadeira da
experiência pessoal do crente com Jesus Cristo, como Senhor e Salvador (...).
c) (...) proclama que o poder do Espírito Santo é fundamental para a vida da comunida­
de da fé, tanto na piedade como no testemunho social (...).
d) (...) requer vida de disciplina pessoal e comunitária, expressão do amor a Deus e ao
próximo (...).
e) (...) caracteriza-se por sua paixão evangelistica, procurando proclamar as boas-novas
de salvação a todas as pessoas (...).
f) (...) demonstra perm anente compromisso com o bem -estar da pessoa total, não só
espiritual, mas também seus aspectos sociais (...).
g) (...) procura desenvolver de forma adequada a doutrina do sacerdócio universal de
todos os crentes (...).
h) (...) afirma que o sistema conexional [i. é, que inter-relaciona as igrejas] é caracterís­
tica fundamental e básica para a sua existência (...).
i) (...) é parte da Igreja Universal de Jesus Cristo. (...) busca (...) o estabelecimento da
unidade visível da Igreja de Cristo (...).
j) (...) afirma que a vivência e a fé do cristão e da Igreja se fundamentam na revelação e
ação da Graça Divina. (...)
1) (...) afirma que a Igreja, antes de ser organização, instituição ou grupo social, é um
Corpo, um Organismo vivo, uma Comunidade de Cristo (...).
m) (...) afirma o valor da prática e da experiência da fé cristã. (...)

O documento “Vida e Missão” confere destaque à dimensão “reino de Deus”,
descrevendo-o como “o surgimento do novo mundo, da nova vida, do perfeito amor,
da justiça plena, da autêntica liberdade e da completa paz”. E “tudo isto está introdu­
zido em nós e no mundo como semente que o Espírito Santo está fazendo brotar”.
O texto “Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista” também trabalha a
temática do reino de Deus, afirmando, p. ex.: “O Reino se realiza parcialmente na
história (Mt 12.28) por meio de sinais, que apontam para a plenitude futura.” E ainda:
“A esperança no Reino permite que participemos de projetos históricos que visam à
libertação da sociedade e do ser humano”. Retomando “Vida e Missão”, “Diretrizes”
declara que a educação na perspectiva cristã, como parte da missão,
é o processo que visa oferecer à pessoa e comunidade um a compreensão da vida e da
sociedade, comprometida com uma prática libertadora; recriando a vida e a sociedade,
segundo o modelo de Jesus Cristo, s questionando os sistemas de dominações e morte,
à luz do Reino de Deus.2

Notas
1 Peri MESQUIDA, Hegemonia Norte-Americana e Educação Protestante no Brasil, Juiz de
Fora, EDUFJF; São Bernardo do Campo, Editeo, 1994, p. 96.
2 COLÉGIO Episcopal da Igreja Metodista, Cânones, São Paulo, Imprensa M etodista, 1992,
p. 101.

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5 - Em busca de novo paradigma
(IPI)
Leonildo Silveira Campos

A Igreja Presbiteriana Independente (IPI) é uma denominação brasileira resul­
tante da expansão missionária do protestantismo norte-americano e de uma cisão
ocorrida no presbiterianismo brasileiro (1903). Quando iniciamos a redação deste
texto (1994), a IPI tinha cerca de 60 mil membros batizados (entre adultos e crian­
ças), distribuídos por aproximadamente 950 lugares de cultos (computando-se aqui
igrejas organizadas, congregações em fase de organização e pontos de pregação).
Desse total, cerca de 50 mil pessoas, estavam matriculadas ou freqüentavam espora­
dicamente suas escolas dominicais1.
Este texto tem por objetivo, em primeiro lugar, reunir informações históricas
sobre o ministério docente do presbiterianismo brasileiro. Em segundo lugar, preten­
de apresentar um panorama da crise atualmente vivida pela escola dominical (ED),
instituição especializada no ministério educativo da IPI. Para delimitar a extensão
dessa crise, lançaremos mão de duas pesquisas que fizemos. A primeira delas foi
realizada na metade de uma década (1984) e a segunda seis anos depois (1990), com
a finalidade de comparar estatisticamente as transformações ocorridas na ED ao lon­
go daquele período.

5.1 - O presbiterianismo e sua proposta
de ministério docente

As condições históricas da Europa no séc. XVI fizeram com que os reformadores
protestantes enfatizassem a urgente necessidade de se ampliar a incipiente educação
popular. Predominava nessa época o analfabetismo. A desescolarização fomentava a
ignorância, a ingenuidade e as superstições do povo. Na Alemanha a instrução popu­
lar esteve no centro das preocupações luteranas, e a sua extensão às camadas pobres
foi objeto de reivindicações por parte dos camponeses revoltados2. Na Suíça, Ulrico
Zwínglio (1484-1531) chegou a publicar seu Livreto para a Instrução e Educação de
Crianças (1523).
É claro que a ênfase reformada na escola e no livro resultou do espírito de uma
nova época, posteriormente conhecida como a “civilização do livro”. Em Genebra, já
antes da chegada de João Calvino (1537) pela primeira vez as ordenanças determina­
vam a obrigatoriedade da educação primária para todos. Calvino, ao chegar da Fran­
ça como refugiado huguenote, procurou desenvolver a meta de colocar “uma escola
ao lado de cada igreja e um mestre-escola ao lado de cada pastor”. Foi, contudo, em
1559 que Calvino fundou a “Academia Genebrina” (a Universidade de Genebra). Ali

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as EDs não conseguiram assimilar as novas interpretações vindas dos avanços da crítica histórica e literária e das novas formas de interpretação da Bíblia. o movimento de EDs estava no auge de sua vitalidade. Isto é. destinados a converter pessoas e. a escola dominical (ED). é. Inúmeras igrejas protestantes tiveram o seu início ao redor de uma escola domini­ cal. a despeito dos esforços feitos no séc. na segunda metade do séc. Foi no solo wesleyano-arminiano que ela recebeu os primeiros impulsos. pois a “salvação pela letra” era algo extremamente distante da realidade vivida pelos indí­ genas do Novo Mundo3. na persuasão emocional e na conversão individual à pessoa de Jesus Cris­ to. especialmente. posteriormente se transformaram em grandes universidades. A alfabetização também foi tentada pelas missões puritanas voltadas à conversão dos peles-vermelhas. se tomaram presa do fundamentalísmo norte-americano4. XIX por Horace Bushnell e outros. ainda muito dependente de valores rurais. a ED antecedeu o surgimento da comunidade de fé. Esta fórmula iria prevalecer entre as novas comunidades protestantes fundadas na Améri­ ca Latina por missionários protestantes de origem norte-americana ou anglo-saxônica. Daí a sua ênfase na reforma moral e espiritual do indivíduo. O presbiterianismo é conhecido pela sua forma de governo e teologia calvinista. Por esse motivo. sem uma valorização do papel desempenhado pela ED. através da leitura de sua palavra escrita. que as propostas pedagógicas dos reformados de um modo geral se fundamentavam na centralidade da Bíblia e na necessidade de levar cada indivíduo a um contato com Deus. Na época da penetração do presbiterianismo no Brasil. oferecia um ambiente propício para o funcionamento das EDs. Princeton. A ordem presbiterial se compõe do “presbítero regente” (leigo que participa da administração da Igreja) e do “presbítero docente” (o pastor. que iria promover tanto o presbiterianismo quanto uma intensa refor­ ma educacional na Escócia. final­ mente. não se pode compreender adequadamente o transplante do protestantismo de missão para o Brasil. Harvard. Embalada pelos movimentos avivalistas e missioná­ rios. através de um estudo literal da Bíblia e de uma concentração no aspecto ético-indivi- dualista da fé cristã. a ED voltava-se exclusivamente para o doutrinamento dos novos convertidos.estudou Knox. com o apoio das igrejas protestantes. tais tentativas se tornaram um enorme fracasso. i. estruturando ela mesma a vida da futura Igreja5. varreram o protestantismo inglês e norte-americano. Ali fundaram escolas. Esta última é uma instituição nascida na esteira dos movimentos avivalistas que. Esses missionários trouxeram para o Brasil as principais formas de institucio­ nalização existentes em seus países de origem. aquele que se dedica ao ministério da pregação e do ensino). etc. liderada por leigos. Contudo. Por este e outros motivos. em especial o presbiterianismo. portanto. Para o presbiterianismo nâo há uma hierarquia clerical. 40 . instituiu um sistema de governo baseado no presbítero. Entre elas vieram as escolas seculares e. Fica claro. e assim por diante. tais como Yale. Cada vez mais elas se tomaram centros evangelísticos. Seu modelo administrativo faz do “mais idoso” o seu líder. Os ingleses-escoceses que estiveram durante algumas gerações na Irlanda (os puritanos) levaram para as colônias inglesas da América do Norte o gosto pela instru­ ção. que. e que se tomou “mãe” de outras escolas dominicais. A cultura brasileira. XVIII.

Mackenzie College (São Paulo. 1908). quando se produziram revistas diferenciadas para a IPI e IPB e de uma breve tentativa de se produzir um material para crianças intitulado Falemos de Cristo aos Pequeninos (material elaborado sob influência conversionista da Associação Pró-Evangelizaçào de Crianças [APEC]). as for­ ças em conflito no interior do presbiterianismo brasileiro. 1870). Havia. até 1981.A IPI e seu projeto de educação cristã A partir de sua organização (1903) a IPI manteve o seu ministério educativo mais voltado para o púlpito e a ED. participaram de batalhas pelo controle das instâncias educativas — Colégio Mackenzie e Seminário Teológico. nas palavras de Eduardo Carlos Pereira (pastor. 1890). A estratégia missionária dos protestantes norte-americanos trabalhou em duas frentes educacionais — a educação secular e a educação religiosa paroquial. uma contradição no interior da pro­ posta missionária. cuja ênfase recaía na evangelização direta. Naquela época ela tinha mais de 60 mil pessoas envolvidas com a ED. a IPI não teve. abriam escolas seculares para ten­ tar influenciar positivamente a futura elite do país. Na segunda década do séc. As EDs continuaram a usar materiais educativos que en­ tão circulavam nas demais denominações protestantes brasileiras. projeto que perdurou até a metade dos anos 60. Neste ponto a estratégia era con­ correr com o catolicismo. a usar ou o material vindo da “Igreja-mãe” ou então material prove­ niente da Editora Betânia (Luz do Evangelho). a “menina dos olhos da Igreja”. Tão logo se estabeleciam nos países latino-americanos. e de outro lado se fazia presente uma herança pietista. passando para o povo uma “cultura evangélica”. O Seminário de São Paulo (inaugurado em 1905) se tomou. traduzido do inglês e sem nenhuma adequação ao novo contexto cultural. Foi assim que surgiram os colégi­ os evangélicos. Em 1981 a IPI iniciou a produção de seu próprio material. 5. 1881). antes de se cristalizarem ao redor da questão maçônica. Colégio Batista Americano Brasileiro (Rio de Janeiro. Colégio Americano (Porto Alegre. um material próprio para uso de suas escolas dominicais. Os títulos do material produzi­ do pela CEB foram adquiridos pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Pois de um lado estava a ideologia norte-americana da realização do reino de Deus na terra. Colégio Bennett (Rio de Janeiro. tais como: Instituto Gammon (Lavras. É ali que se preparavam os futuros quadros dirigentes da denominação. Essa tensão iria ser um dos elementos desencadeadores da cisão no presbiterianismo em 1903. con­ solidou-se um plano unificado de produção de materiais para as EDs. Instituto Granbery (Juiz de Fora. 41 . Um levantamento estatístico. XX apareceram as “Revistas Internacionais” para a ED. “superior” à cultura predominante. educador e iniciador da IPI). A IPI conti­ nuou.2 . por defini­ ção protestante. A partir de então a CEB se esvaziou e cada denominação passou a produzir seu próprio material. Colégio Piracicabano (Piracicaba. contudo. Com exceção de um curto período em 1969. em 1934. Todos esses colégios tinham por finalidade promover um processo educacional com tonalidade evangelizadora. Com a fundação da Confederação Evangélica do Brasil (CEB). 1869). 1890). Não por mero acaso. 1921)6. em toda a sua história.

causou muita celeuma e acabou sendo retirada em 1987. No trimestre seguinte saiu o material para as classes de crianças {Peixinho.88% + 20 anos 13.57% 15-20 anos 4. Até o final daquele ano foi lançada uma revista especial para os jovens (O Luzeiro). durante os sete primeiros anos de implantação de seu Projeto de Educação Cristã. 42 .607 13.22% 6 a 7 anos 3. Inicialmente produziu-se material didático (revistas) para as classes de adultos e adolescentes {Revista de Educação Cristã.feito em 281 igrejas locais (Quadro I). Essa determinação. A princípio.811 11.82% 8 a 10 anos 3. e Sementinha). nos permitiu a elaboração de um perfil aproxi­ mado da distribuição de alunos por faixa etária. de­ pois Semente e Colméia. números absolutos e índice de participação no total) O “Projeto de Educação Cristã da IPI” começou a ser montado após-a reunião do Supremo Concilio (janeiro de 1981).00% (Distribuição por faixa etária. Peixinho Jr. Os dados de 1995 confirmam a tendência de queda na circulação desse material dentro da própria denominação.947 42.Alunos matriculados em ED da IPI em 1980 FAIXA ETÁRIA NÚMEROS ABSOLUTOS PARTICIPAÇÃO NO TOTAL Até 5 anos 3. Io trimestre de 1982).03% TOTAL 33.507 10. preocupado com a descaracterização denominacional e a perda de identidade. O Quadro II fornece elementos para uma avaliação histórica do consumo do material próprio na IPI.723 11. bem como da participação de cada uma delas no total de pessoas que oficialmente participavam desse tipo de ministério docente na IPI. apesar de acatada pela maioria das congregações.178 100. Quadro I . o Supremo Concilio da IPI determinou a obrigatoriedade do uso desse material por parte das comunidades locais.48% 11-14 anos 3.590 10.

Quadro II . seu coordenador relatou que o “material pedagógico da IPI estava envelhecido” e que a “tiragem das revistas tinha sofrido uma queda da ordem de 31. centrado na escola dominical.000 3.000 4. Todavia. em todas as denominações pertencentes ao protestantismo históri­ co.950 Peixinho Crianças (9-10 anos) 5. por 200 anos.250 3. além de estar sendo atingido por uma multidão de publicações escritas.400 3. Para demonstrar esse processo de esvaziamento da ED na IPI.150 5. originárias dos movimentos “carismático” ou “evangelical”s. o culto presbiteriano (tradicional pela centralidade do púl­ pito) se tomou um local de “lazer espiritual”.500 12.850 35. tanto na IPI quanto em outras áreas do protestantismo histórico.600 22.500 15.08% entre 1983 e 1995. diversificando o material fornecido. Porém a ED. destinado a distribuir “pílulas de oti­ mismo” a uma classe média amedrontada pelo risco de rebaixamento na estratificação social. Fica cada vez mais evidente que é o próprio modelo de educação cristã.Tiragem das revistas de ED na IPI REVISTA FAIXA ETÁRIA 1983 1986 1990 1995 Semente Adultos 24.500 4. e sim em pequenos grupos de estudos bíblicos (nem sempre conduzidos pela liderança da co­ munidade por ele freqüentada) e nas programações radiofônicas e televisivas da “Igreja eletrônica”.020 6.8%” . Esses números apontam 43 .900 2.800 3.100 3. enfrenta dificuldades semelhantes. O protestante histórico não está mais se “in”+“formando” na ED.950 Peixinho Jr. Foi também ressaltado que havia necessidade de urgentes alterações no es­ quema de trabalho e na produção de materiais para que as novas demandas fossem satisfeitas7.000 Sementinha Crianças (até 6 anos) 5. Os cultos (vespertinos). apesar de todo o esforço da nova equipe.969 3. os resulta­ dos em 1995 não estão melhores. elaboramos um quadro com dados estatísticos colhidos em 1981 e 1990. Não há quem desconheça o crescente processo de enfraque­ cimento daquela instituição que.900 (Dados do Arquivo da Comissão Executiva da IPI) No início da nova década (1991). foi a principal agência de educação religiosa protestante.200 Colméia Adolescentes (11-14 anos) 6. Daí a nossa afirmação de que a ED está perdendo a sua importância.650 4. lançando inclusive material alternativo para estudos bíblicos. quando a direção do Projeto foi entregue a uma nova equipe. de um modo geral. A tiragem total das revistas caiu 44.381 5. Há por todo lado uma enorme evasão de alu­ nos. são muito mais bem freqüentados do que a ED.680 49. Por outro lado.000 Luzeiro Jovens (+15 anos) 5. que está em crise. Crianças (7-8 anos) 4.800 TOTAL 51.560 6.250 28. Os dados recentes indicam a existência de uma crise mais profunda.500 3.

a de adultos (maiores de 20 anos) foi de apenas 2. os adultos aumentaram a sua participação no total de matriculados.169 -245 -186 -106 -369 -53 1.05% (1990). IV e V permitem uma avaliação da amplitude da evasão de alunos da ED.29%. BRAS.67 -31. Quadro III .60 pontos. BRAS.94 Quadro IV .84% 65.Participação das faixas etárias no n° de alunos da ED e na população brasileira FAIXA ETÁRIA ED 3980 ED 1990 POP.40% 38.94%. enquanto que a média total de evasão na década foi de 19. pois.Evasão de alunos da ED (decênio 1980-1990) ANO 0-5 anos 6-7 anos 8-10 anos 11-14 anos 15-20 anos +20 anos TOTAL 1980 648 525 589 639 938 2. de 40.59 -39.58% 62.09 -46. 1990 0 a 14 anos 42. Isto significa que a participação dos infanto-juvenis na ED caiu 5. 44 . evidentemente.para a existência de um processo caracterizado tanto por evasão de alunos quanto por envelhecimento de seu corpo discente.29 -19. não lhe é favorável9.02 pontos.34 -2.267 4. Neste caso.44%. Os quadros III. enquanto que a população brasileira nessa faixa etária caiu apenas 3.56% + 15 anos 57.95% (1980) para 50. em 102 igrejas. Por outro lado. Percebe-se claramente a existência de uma ten­ dência de perda das gerações mais novas.128 -% -26. 1980 POP.320 5.531 TOTAL .16% 34.59% 61. a ED rema contra a corrente da história.659 1990 479 280 403 533 569 2. possibilitando também uma previsão pessimista para o futuro da edu­ cação religiosa sistematizada na IPI.58 -16. que.42% 37.

Basta conscientizar as pessoas de sua existência que. Mas. b) E uma instituição sufocada pelo moralismo. A religião institucionalizada. A família também teve o seu perfil mudado. Por outro lado. na IPI: a) A ED é uma instituição sem flexibilidade. Os meios de comunicação de massa 45 . estreita e literal. d) A estrutura da ED está ancorada numa “ecologia organizacional” que pressu­ punha tanto um campo religioso como uma família estável. conseqüentemente. Ora. Falta a ela um espírito de reforma. o que elimina qualquer forma de criatividade. Houve certa dessacralização da sociedade. os pontos de referência desse contexto “ecológico organizacional” se alte­ raram substancialmente.34 2o 8-10 31. O casamento misto se tomou mais freqüente. por isso mesmo. com o apareci­ mento dos “novos movimentos religiosos” . Quadro V — Ranking da evasão de alunos da ED da IPI (por faixa etária) FAIXA ETÁRIA PERDA EM % CLASSIFICAÇÃO 6-7 46.67 1° 15-20 39.58 3o 0-5 26.29 6o Em nossas observações pudemos anotar algumas das conseqüências que as mudanças estão impondo à educação cristã institucionalizada no protestantismo his­ tórico brasileiro e. Os “heróis” bíblicos são manipulados para se enquadrarem no mode­ lo do “bom exemplo”. grande e envolvente e uma sociedade ainda fortemente sacralizada. A Bíblia é reduzida a um mero código de moralidade. Por isso a formação religiosa das crianças não passa mais necessariamente pela ED e nem pela família. pois ressalta-se apenas a repetição de visões anteriores. O problema do mal é apresentado como um problema apenas cognitivo. A sua ênfase ainda continua centrada no moralismo individual e coletivo.59 5o + 20 2. que desestruturou as formas tradicionais de se expressar a prática religiosa. cada membro da família passou a receber influências fora do núcleo familiar.09 40 11-14 16. Nela cessou o intercâmbio entre as três gerações e a unidade familiar diminuiu de tamanho. uma teologia profética e crítica que gere mudanças estruturais para adequá-la às exigências modernas. o mercado religioso se tomou pluralista e movido pela concorrência. deixou de ser o centro da vida social e familiar. elas o abandonarão. automaticamente. c) A Bíblia é lida numa ótica fundamentalista. na qual a religião ocupava um lugar privilegiado. com excessiva presença do passa­ do sobre o presente.

espalhadas por todo o país. 46 .51 1° Grau 41. 2. Quanto ao tipo de trabalho.96% não responderam esse item do questionário ou citaram ativida­ des não enquadradas na tabulação dos dados. escolaridade e renda) FAIXA ETÁRIA % ESCOLARIDADE % SALÁRIO % 14-19 anos 13.Perfil dos alunos de ED da IPI em 1984 (Classificação por faixa etária. distribuídos em 30 regiões eclesiásticas (presbité­ rios). enquanto que 34.31 2a Grau 32. possuía uma escolaridade de Io Grau e tinha um salário abaixo de 5 mínimos.) Podemos notar que a maioria dos adultos que em 1984 freqüentavam a ED se situava numa faixa etária acima dos 30 anos. Quadro VI .03 31-45 anos 31. a própria sociedade assumiu algumas funções que tradicionalmente eram dadas à família.97 Pós-graduação 1. 5.34 + 45 anos 29.21 Curso superior 24.3 .assumiram um importante papel pedagógico. Por outro lado. Ora. Os dados a seguir nos oferecem um perfil significa­ tivo da ED então praticada na IPI.O perfil do aluno adulto de escola dominical na IPI Em 1984 fizemos uma pesquisa com o objetivo de oferecer um perfil do aluno adulto de escolas dominicais presbiterianas independentes.54% declara­ ram “trabalhar numa empresa”.30% na “agricultura”. A pesquisa foi feita com 900 alunos. Resta-nos verificar como os agentes (alunos e professores) estão percebendo toda essa gama de transformações acima menciona­ das. Pretendíamos também avaliar a maneira como aqueles alunos reagiam diante da ED da qual faziam parte.22 (Observação: O salário mínimo em maio de 1984 era de Cr$ 97. 27. no Brasil. minando o monopólio que a família exercia sobre a formação religiosa das crianças. 35.84 . o ciclo da educação religiosa paroquial via ED está se encerrando.54 + de 1 milhão 9.03 de 200 a 500 mil 37.de 200 mil cruzeiros 36.19% “por conta própria”.00.59 de 501 a 1 milhão 17.176.41 20-30 anos 25. tudo isso nos leva a crer que.

que consistia em abertura conjunta das atividades (15-20 min). Esses números já indicavam a tendência que posteriormente se confirmou. 80. Interna 13.25 Líder Soc.48%).21 No que se relaciona ao grau de satisfação com a Igreja local ou ED (quadros VII e VIII).10 Na abertura da ED 29. ou seja. Outros 9.58%) responderam que “não freqüentam a ED”.02% “tanto faz”.28 Aula/encerram ento 5. Daí por que a maioria absoluta aspirava por alguma modificação na abertura ou no encerramento (67. Para 26.30 Abertura/aula 10. contra apenas 18. Quanto à forma de se perceber o progresso da Igreja.42 Abert.77 Nenhum cargo 22. houve uma maioria (55.19 Não sabe 8. 47 .Distribuição dos alunos quanto à expectativa de mudanças nos cultos e na ED OPINIÃO SOBRE OS CULTOS % DESEJO DE MUDANÇAS NA ED % Bons 90. embora houvesse um grau elevado de satisfação com a comunidade e com os cultos. Quadro VII — Alunos de ED — distribuição por cargo ocupado. à troca da ED pelos cultos vespertinos. A grande maioria das EDs ainda mantinham a estrutura tradicional.27 Pres.52 Muito demorados 2.27 No encerramento 38. Pois 55. grau de satisfação e tipo de ED existente na Igreja local do aluno CARGO OCUPADO % GRAU DE SATISFAÇÃO % TIPO DE ED NA % NA IGREJA LOCAL COM IGREJA LOCAL IGREJA LOCAL Professor 26.36%) que percebia ter havido uma “diminuição no progresso da Igre­ ja”.29 Diretor ED 3. Quanto à pergunta: “Onde você se sente melhor?”.88 Satisfeito 77. havia um significativo número de insatisfeitos e de pessoas que disseram “nao saber” se estavam ou não satisfeitas com a “Igreja local” (22.27 Cansativos 7.91% se mostraram descontentes com a forma de culto. período de aula (45 min) e encerramento (15-20 min).58%).67 Outros 3.68%> que achavam ter a Igreja estacionado e um significa­ tivo grupo (15.23% na ED. percebe-se que. as respostas confirmam a tendência acima exposta.64 Na forma de dar aulas 32. Interna 11.01 Insatisfeito 14.96%) que achava ter aumenta­ do a freqüência.20 Quadro VIII ./aula/encer. e somente 0.87 Presbítero 6. Soc.59 Diácono(a) 16. contra 28.17% diziam se sentir melhor “nos cultos”.

02 Interessante 19. As principais dificuldades percebidas estavam no “preparo dos professores” ou “na falta de profes­ sores”.25%. material didático e instalações físicas existentes ESPAÇO DISPONÍVEL % MAT.90% achava o espaço “insatisfatório”.66 No pouco tempo para estudo 31.11 Satisfatório/bom 50. Ainda assim.91 Fraca 15.75 Cadeiras soltas 27. Por esse motivo 74. Quase sempre aproveitam-se para as salas de aula de adultos as próprias instalações do salão de culto ou templo. neste ponto tais observa­ ções foram por nós comprovadas.73 Insatisfatória 3.30 Satisfatória 61. um movimento leigo e os professores são voluntários. Um total de 31.17 Tem quadro com giz 25. O material didático (revistas para ED) estava na época sob contestação. desde o seu início em 1780. entre “excelentes” e “satisfatórias”.91 O envelhecimento da ED no que tange aos aspectos espaciais e instalações físicas também fica evidente nos quadros IX e X. “pequeno” e “barulhento”.30 (adaptáveis) Excelente/apropriado 17.14 Mista 9. Por isso poucos têm o preparo didático-pedagógico ou teológico para o exercício de uma função para a qual não se recebe nada. Aliás.63 Falta de professores 17.08 Somente tem bancos 47.60 Excelente 23. Todavia.35 No preparo do professor 32. as revistas receberam a aprovação de 84. DIDÁTICO % INSTALAÇÃO FÍSICA % (REVISTA) DA ED Insatisfatório-pequeno 20. itens que alcançaram o total de 49. Para fazer frente a esse desafio. pois muitos desses locais não são apropriados para a realização das aulas. os responsáveis pelo Projeto de Educação Cristã da IPI realiza­ 48 .73 Falta de material didático 19. por causa da obrigatoriedade de seu uso pelas igrejas locais.19 Quadro X — Classificação por tipo de aulas dadas e percepção das dificuldades da ED TIPO DE AULAS DADAS % DIFICULDADES PERCEBIDAS % Participativa 45.81%.79 Passiva 9. Quadro I X — Classificação de alunos da ED quanto à sua opinião sobre espaço disponível. a ED tem sido.40% assistem a aulas onde não há um simples quadro com giz para o professor fazer a sua exposi­ ção.04 Expositiva 11.60 Barulhento 11.

a mensagem racional como o lugar da verdade.26% declararam não co­ nhecer O Estandarte. Tampouco a prática de transformar a ED numa escola “de verdade”. O protestantismo histórico. com os seus profetas. cresce a demanda por uma educação religiosa cristã que valorize o místi­ co. tema principal. É possível que depois disso. com baixo grau de compromissos e vínculos denominacionais. especialmente pela Igreja Presbiteriana Independente. Houve. está surtindo efeito. 41. mantidos pelas diversas denominações religiosas. conseguirão sobreviver nesse contexto. o especialista “doutor” vão cedendo lugar a um magistério carismático. contudo. a atenção o número dos que achavam as aulas “participativas” e “interessantes”. diz Westerhoff. Westerhoff de que a ED seja portadora de uma enfermidade muito séria. dada a centralização do culto presbiteriano no sermão elaborado pelo pregador e apresentado de uma maneira incontestável. A consagra­ ção do paradigma “escolaridade-instrução” não está conseguindo oferecer outros ru­ mos a ela. 49 . O Estandarte. Essas respostas indicam que entre os participantes adultos da ED na IPI ainda predominava a cultura letrada. nas comunidades protestantes brasileiras. somente uma pesquisa de caráter qualitativo poderá nos apresentar um quadro mais exato das formas e maneiras pelas quais a educação cristã está acontecendo atual­ mente. terão que desenvolve novas formas comunitárias de educação cristã que prescindam da ED11. A educação. No questionário havia também uma pergunta sobre o jornal oficial da IPI. as informações pouco revelam. planejamento. pois as respos­ tas foram subjetivas.72% afirmaram que o liam eventualmente e 12. o recrudescimento no mundo todo de uma cultura pós-letrada. Por isso. deixa de ser algo ligado à escola. esse tipo de escola centrada na letra (da revista e da Bíblia) esteja enfrentando maiores dificuldades de sobrevivên­ cia. Esse jornal é muito tradicional no meio presbiteriano e foi fundado cerca de 10 anos antes da própria IPI.ram cursos de treinamento de professores e seminários de sensibilização em dezenas de localidades brasileiras. Resta saber se os vários projetos de educação cristã. salas de aula. assim como também a IPI. Ao chegar ao final.02% disseram ser assi­ nantes. Ela acontece em outras esferas da vida. a influência do movimento carismático e pentecostal. cada vez mais. uma “ruptura da ecologia”. desde o nascimento do ser humano até a sua morte. etc. reconhecemos como válidas as suposições de John H. Possivelmente isto se deva ao fato de que na ED os professores de adultos procuram abrir espaço para os alunos contarem suas experiên­ cias religiosas ou dar as suas opiniões — o que em outras atividades religiosas nem sempre é possível. Chama. com professores. Das pessoas pesquisadas. Certamente uma pesquisa qualitativa poderia apontar novas tendências e rumos para os planejadores desses projetos. 46. De antemão se sabe uma coisa: nestes anos 90. O modelo escolarizado de educação crista. estabelecendo o “líder e seus adeptos” como o lugar da verdade10. Quanto à classificação das aulas. classes separadas por idades. com o impacto da televisão. e as instituições que ofereciam apoio a esse tipo de escola também se encontram em pro­ cesso de esvaziamento.

Prática Educativa e Sociedade-.. A cada domingo. apresenta-se minucioso relatório estatístico. México. 1963. São Paulo. James D. Buenos A ires. Há relações dc “alunos m atriculados” . Chamamos aqui de “evangelical” a tendência religiosa de se ressaltar a piedade individual. O Protestantismo Brasileiro. ASTE. São Paulo. M ethopress. de escolas. o gosto pelos números. pcntecostalism o. E l M inistério Docente de la Iglesia. pelo casal Kallcy. Protestantismo e Educa­ ção Brasileira. no encerramento. 274). resultantes do trabalho missionário acim a m encionado. 5 Por isso tem razão Carl Joseph HAHN. um Estudo de Sociologia da Religião. organizou no Rio de Janeiro uma ED (1860). medindo o número de faltosos. Rio de Janeiro. a partir dos anos 70. 1976. que. ênfases aliadas a um a postura antiecumênica (contra a Igreja Católica). ASTE. Esses movim entos possuem uma forte tendência ao abandono da reflexão sistemática. La Evangelización Puritana en Norteam erica. LEONARD. a única igreja que o povo daquela área conhecia. conseqüentem ente. São Paulo. O primeiro trabalho do protestantismo dc missão organizado no Brasil se iniciou em 1885. {História do Culto no Brasil.” (p.. ORTEGA Y MEDINA. Emile-G. O movimento “evangclical” surgiu nos EUA e tenta fazer um a síntese entre o fundamentalismo teológico e a religião do sentimento e do coração (pietismo. se tomando então “antiintelectualistas” (no sentido de abandono das 50 . pelo Rev.. sendo então substituído na função por Amold H. bem como a tendência à despreocupação com os destinos da sociedade e à espera do “arrebatamento da Igreja”. Presbiteriana. que são o viveiro da cidade. surgiram al­ guns anos depois de suas respectivas EDs. Fondo de Cultura Economica. 4 Para uma m elhor visão dessa problemática cf. O mesmo aconteceu com o missionário presbiteriano Ashbel Grecn Simonton. Tanto a Igreja Evangélica Fluminense como a Igreja Presbiteriana.). para que instituam c mantenham escolas cristãs... HACK. do movimento evangelical. uma profunda invasão pentecos- talizante e. 1963 (pp. Zahar. Do ponto de vista histórico cf. 53-75: “ Como llegam os a esto ?” ). classe por classe. Juan A. Em 1526 M elanchthon escreve ln taudem navae scholae. 8 O presbiterianismo no Brasil está sofrendo. sejam bem instruídas. posteriormente. 1989) quando escreve que nas fronteiras missionárias brasileiras a ED foi “o núcleo c uma nova igreja e. Ferler e. SMART. etc. M ensalm ente faz-se uma revisão para eliminar os “faltosos” ou para matricular os “novos alunos” (quase sempre aqueles que anteriormente foram elimina­ dos do rol).”. onde as crianças. 2 A carta de Lutcro de 1524 registra: “Aos conselheiros de todas as cidadcs da nação alemã. Recomendamos tam bém Oswaldo H. avivalismo.Notas 1 As escolas dominicais brasileiras herdaram um a estrutura que lhes foi dada pela cultura inglesa e norte-am ericana e. Silas de Oliveira.” . de bíblias. desde os anos 50. 6 Para uma compreensão m elhor da relação entre as estratégias educacionais e evangelizadoras dos m issionários protestantes no B rasil c indispensável a abordagem de Jcther Pereira RAMALHO. a ética puritana. a leitura literal da Bíblia. dc revistas e o sempre presente índícc de porcentagem . em muitas localidades.1979. dc presentes. um Estudo de Eclesiologia e História Social. e foi exatamente uma escola dominical. 3 Sobre o insucesso da evangelização dos pcles-vermelhas no território norte-americano cf. de visitantes. 1985. dizendo que “uma cidadc bem ordenada precisa.. dominical m ente comparado com o “rendimento do domingo anterior”. 7 O autor coordenou o Projeto de Educação C ristã da IPI do Brasil no período de 1980 a 1991. logo após aprender a língua nativa. antes de tudo.

11 John H. Em 1991 esse número subiu para 50. o Brasil tinha em 1980 um total de 45. WESTERHOFF. 9 Segundo o IBGE. s.695 (1990). Buenos Aires. 1.785.460. Sociologie du Protcstaníisme Contemporain. 1992. La Précaritó Protestante. Tendran Fe Nuestros Hijos?.763 residentes de 0-14 anos.623.0 Jean-Paul W ILLAIM E propôs um quadro significativo para se estudar a passagem do pro­ testantismo da esfera da letra e da especialidade para um clima em que se valorizam os aspectos psicológicos da ação da liderança numa determinada comunidade. Cf. . Labor et Fidcs. d. Gcneve. produções da razão). Tal assalto está trazendo profundas modificações na pedagogia do protestantismo histórico no Brasil.401 (1980) para 1. Aurora. Nas 102 EDs pesquisadas na IPI o número dc alunos nessa faixa etária passou de 2.

. por volta de 1866. todos batistas (. 6 . Eles solicitaram à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos que envias­ se missionários para o Brasil3. que começa­ ram a se formar na segunda metade do séc. as igrejas batistas das colônias e da Inglaterra divergi­ am em questões de doutrina e prática. são.1 . Elas estavam sujeitas a três influên­ cias distintas: o calvinismo. relacionados à sua história e formação. e por volta de 1611. 6. ambas com teologia arminiana. XVII surgiu a primeira Igreja Batista composta de cidadãos ingleses. Rocha da Veiga 6. Em decorrência disso há certa complexidade em sua história e seu desenvolvimento.) Embora possuam ênfases e características muito diversas.) enfatiza elementos diferentes. batistas. Cada grupo (. Os colonos que se fixaram em Santa Bárbara.. o arminianismo e o anabatismo1. metodistas. Entre 1633 e 1638 foi formada a Igreja Batista Particular da Inglaterra (calvinista). XVI.. eram de diversas denomi­ nações evangélicas: presbiterianos. refletindo a sua história e formação.2 Embora até hoje cada grupo acentue elementos diferentes. E geralmente aceito por diversos teólogos e historiadores que os batistas tive­ ram sua origem em congregações separatistas da Holanda e Inglaterra.. Enquanto as igrejas batistas da Inglaterra con­ seguiam se unir. ao mesmo tempo. A primeira Igreja Batista nas Américas foi fundada em 1638. 52 .2 . com o objetivo exclusivo de atender os colonos. Em 10 de setembro de 1871 foi fundada a Igreja Batista de Santa Bárbara.Os batistas no Brasil Um fato marcante na história dos batistas no Brasil foi a vinda de colonos norte-americanos após a Guerra de Secessão.. Em decorrência da distância e da sua situação. nas proximidades de Campinas. todos os batistas se unem pela prática do Batismo sob profissão de fé como forma de entrada na Igreja e pela prática do congregacionalismo como forma de governo da Igreja. na Holanda.Origens batistas Os batistas se originaram de grupos distintos. (. a primeira Igreja Batista em solo inglês.A prática educacional batista (Igreja Batista) Celma C. as dos Estados Unidos dividiram-se em várias convenções.). espalhando-se geograficamente em ramos independentes desde o início de sua existência.. No séc.

A primeira Igreja Batista brasileira foi organizada na cidade de Salvador em 15 de outubro de 1882 por missionários americanos... Teixeira critica os batistas por aplicarem a doutrina de forma a-histórica e acultural. Em 1884 foi organizada a primeira Igreja Batista no Rio de Janeiro. em 1886 em Recife e em 1889 em São Paulo.) como se a Bíblia contivesse todas as soluções para todas as situações possíveis da vida social (.6 Como herança dos antepassados separatistas e anabatistas. presta culto a Deus. salva mediante a graça de Deus e a fé em Jesus Cristo. regenerada pela ação do Espírito Santo.). em Porto Alegre. 53 . a primeira Igreja Batista brasileira foi fundada em 1910. os demais princípios que devem embasar a vida cristã: a) o livre exame da palavra de Deus. crê na autoridade da palavra de Deus — sua única regra de fé e prática — e na competência do indivíduo perante D eus. Dentre os fatores que ocasionariam este resultado ela menciona um biblicismo que leva o batista a uma atitude de simplificação das questões sociais.. a tradição batista é biblicista. A posterior vinda de missionários da Junta de Missões Es­ trangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos criou aos poucos uma Igreja nacional.Práticas batistas no Brasil A Filosofia da Convenção Batista Brasileira procura identificar o batista como a pessoa convertida. eram casos típicos de “protes­ tantismo de imigração”. b) a liberdade de consciência. 6.5 Considerando o princípio da responsabilidade pessoal do ser humano diante de Deus. para os batistas. que gera conduta e respeito para com o próximo.. c) a responsabilida­ de pessoal para com a igreja local e outras co-irmãs. e) a separação entre a igreja e estado. motivando iniciativas de evangelização nas cidades e no campo.7 Hewitt relaciona essa situação à influência de princípios landmarkist e argu­ menta que a Bíblia “como única regra de fé e ordem” era a defesa e a marca dos primeiros cristãos. d) a liberdade civil para com o estado. testemunho e ação no m undo. um ponto em que a prática batista no Brasil talvez divirja da dos seus antepassados se situa na área da hermenêutica. f) e o amor. surgem. une-se a uma igreja da mesma fé e ordem — corpo de cristo — através do batismo. em 1885 em Maceió. Os batistas também enfatizam a conversão particular. a necessidade da decisão pessoal de aceitar a salvação e de se congregar a um grupo de pessoas de pensamento e doutrina semelhantes. a ética do indivíduo. tendo a Bíblia uma consideração tal que a toma quase “um ídolo a ser adorado”8. e somente a ele. políticas e econômi­ cas (. As primeiras igrejas batistas entre os colonos . onde há uma pos­ tura muito fundamentalista. mas “com uma forte influência norte-americana”4. Para o autor. A partir dessas igrejas os batistas continuaram se expan­ dindo.3 . No Rio Grande do Sul. e que se submete à soberania de Cristo.

b) somente os pastores ministram a Ceia e o Batismo. mantendo-se basicamente o conteúdo utilizado antes. o conceito da continuidade histórica dos batistas desde a Igreja de Cristo é geralmente aceito. O material de apoio para essas escolas. uma controvérsia chamada landmark influenciou fortemente a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos. Diz Hewitt: Os princípios landmarkist c seus equivalentes no Brasil. negam a liberdade de pensamento e ação de outras igrejas e pessoas. seja da doutrina.4 . e) os batistas tendem a ser dogmáticos na doutrina9.10 A CBB defende com firmeza princípios-ehaves batistas. Escola de Treinamento. ao elevar a Igreja Batista da condição de uma Igreja para a Igreja. Ela foi sustentada principalmente por J. tomou-se muito difícil padronizar um programa de educação religiosa para as igrejas de todo o Brasil. Quanto à questão da autoridade: a) pratica-se uma hermenêutica fundamen- talista. 2. Escola de Missões e Escola de Música. sendo que o direito a voz e voto em cada Assembléia é um direito inerente aos mensageiros das igrejas) votou. O objetivo desta nova proposta é evitar o ativísmo 54 . ao enfatizar excessivamente a autoridade. quando passou a ser preparado por brasileiros. ocasionando mudanças no pensamento batista no período de envio de missionários ao Brasil. uma nova estrutura constando de duas divisões: Divisão de Escola Bíblica Dominical e Divisão de Crescimento Cristão. foi traduzido até por volta de 1966. Devido às características peculiares de cada região do país.Projeto de educação religiosa Durante muitos anos a proposta dos batistas para a educação religiosa abrangia quatro escolas: Escola Bíblica Dominical. a partir de estudos. que a constituem. Alguns pontos-chaves resultantes dessa controvérsia podem ser assim identifica­ dos: 1. seja de uma interpretação particular da Escritura. Quanto ao crescimento de tendências sectárias: a) o Batismo de outras igrejas não é aceito. c) muitas igrejas não permi­ tem que visitantes de outras denominações participem da Ceia. A Convenção (composta por mensageiros credenciados e enviados pelas igrejas cooperantes. que procurou apoio para os old landmarks. que é publicado pela JUERP (Junta de Educação Religiosa e Publicações). ou seja. marcos antigos. É importante considerar que o modo como a Igreja Batista chegou ao país in­ fluenciou grandemente suas tradições e práticas. b) só se reconhecem as cartas de transferência de membros da mesma convenção. XIX. Da influência de elementos landmarkist resultou o fato de que a prática batista no Brasil é até mais rígida do que a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (CBB). seja do pastor. sobretudo considerando-se ser esta uma Igreja de origem missionária. Por volta da segunda metade do séc. a Igreja nega a liberdade de seus próprios m em bros. a ênfase dada pelos prim eiros batistas à liberdade tem sido prejudicada por princípios landmarkist. d) popularizado por José Reis Pereira. 6. Graves. No entanto. mesmo daquelas cujo Batismo é realizado após a profissão de fé e por imersão.

testemunho pessoal e através da Escola Bíblica de Férias. preparar líderes para tarefas especiais. que não serve como justificativa para qualquer organização na Igreja local. da evangelizaçâo e do serviço cristão. a natureza da revelação bíblica. no testem unho pessoal perante o mundo. Nesse manual de educação religiosa encontram-se a filosofia. da educação cristã. incentivar a cultura geral e a cultura cristã. interpretando as verdades bíblicas (teologia sistemática. não impor uma estrutura. cadernetas e materiais de apoio. manuais. na formação de liderança. para a plena consolidação e o amadurecimento de sua fé. a expansão da Igreja. perce­ be-se nos últimos anos um decréscimo na participação dos membros na Escola Bíbli­ . Na Divisão de Crescimento Cristão os membros têm a oportunidade de desenvolver os aspectos práticos dos ensinos bíblicos no trabalho da Igreja. o que implica a compreensão dos funda­ mentos bíblicos da doutrina cristã. tendo sido publicado numa 6a edição. fornecer informações sobre a Igreja e a denomina­ ção12. ou seja. orientar os novos membros da Igreja. o que significa um número significativo de revistas. no desenvolvimento e aplicação de dons e talentos recebidos do Senhor para a edificação do corpo de Cristo e para o fiel cumpri­ mento da missão da Igreja na evangelizaçâo do m undo. proporcionar organização e liderança treinada. além de incentivá-los a buscarem seu crcscimento pessoal nas virtudes bíblicas da santidade. Embora haja grande ênfase no estudo bíblico e no crescimento cristão. em janeiro de 1995. seu propó­ sito. prover de organização e liderança as atividades especiais da Igreja13. dos objedvos bíblicos de adoração. As diversas faixas etárias têm material específico em ambas as escolas. história da Igreja. forma de governo e estrutura da Igreja). da mordomia. ética cris­ tã. Considerando a diversidade do país e o fato de as igrejas encontrarem-se em níveis distintos de crescimento e organização. As duas divisões principais da estrutura de educação religiosa da Igreja Batista são definidas da seguinte forma: A Divisão de Escola Bíblica Dominical tem como finalidade capacitar os membros da igreja no entendimento da revelação divina. “alcançar as multidões”. revisada e atualizada. “evangelizar” através de programa dominical.11 As tarefas que cabem à Divisão de Escola Bíblica Dominical são: “ensinar a Revelação Bíblica”. promover o cultivo da vida devocional. mas sim atender às necessidades dos membros do grupo. capacitar os membros para as funções da Igreja. do amor ao pró­ ximo. As tarefas que cabem à Divisão de Crescimento Cristão são: desenvolver áreas do conhecimento. a JUERP vem lançando também uma série de estudos alternativos específicos para Escola Bí­ blica Dominical e Divisão de Crescimento Cristão. com “nova estrutura de educação reli­ giosa para a igreja”. o Programa de Educação Religiosa. levar cada membro a cultuar a Deus na sua vida diária. O livro com esse título é de autoria de Cathryn Smith. promover recreação salutar e sociabilidade. a metodologia e os princípios para a prática da educação religiosa nas igrejas batistas. visitação evangelística.desenfreado. seu conteúdo. todos editados pela JUERP. ou seja. realizar atividades mais compatíveis com os objetivos do grupo. Foi apresentado na 76a Assembléia da Convenção Batista Brasileira.

em que muitas palavras têm que ser repetidas assim como são ditas. 56 . As tentativas de mudança ainda estão no nível de busca de novas estratégias.5 . No centro do país o decréscimo na participação é menos sentido em função do grande número de membros das igrejas. Um questionamento que tem sido levantado por líderes. não consideram a pessoa como um todo e sua interação com a sociedade e com o mundo. havendo pouco espaço para a reflexão. e propiciar educação aos filhos dos missionários e adeptos em geral. Inicialmente desejavam oportunizar às famílias protestantes um espaço para a educa­ ção de seus filhos que fosse coerente com sua crença evangélica. Queri­ am também ajudar na questão do analfabetismo. e a fre­ qüência e participação nas diversas organizações são de pouco mais de 25%14). No entanto. Tem prevalecido uma postura conservadora. até que as próprias igrejas despertem para a necessidade de uma adequação em seu projeto de educação religiosa. de um projeto inviável como um todo. Isto ocasiona uma prática auto­ ritária. pastores e membros da Igreja é a necessidade de uma maior conexão entre os programas educacionais das igrejas e a realidade vivenciada pela comunidade. No entanto. À medida que são percebidas. Embora esparsas e isoladas. tem propiciado o espaço necessário para questionamentos. testificam e servem. A conseqüência disso tem sido uma vivência eclesial desligada do dia-a-dia da comunidade. mudando a orientação geral. reafirmar sua cultura — considerada por eles superior —•e evangelizar a toda a comunidade discente. Os objetivos educacionais são limitados. a intensificação da crise. contrariando um princípio batista. que era um entrave sério à evangelização. não é apenas a estrutura proposta que precisa ser recriada. Nos outros estados as igrejas começaram a buscar propostas alternativas que venham a atender melhor as necessidades de suas comunidades. é uma tentativa de adequar a estrutura à realidade das igrejas. dentro do espírito da Escola Nova. trata-se. algumas iniciativas a nível de reflexão teológica e educa­ cional. a tradição mantém a estrutura em funcionamento. A própria mudança na proposta de educação reli­ giosa. decidida pela Convenção. Na verdade. para a maioria das igrejas. Pelo fato de em muitas comunidades se praticar uma hermenêutica fundamentalista e um literalismo no estudo do texto bíblico. que se manifesta em vários segmentos da denominação. 6. que não atende às suas necessidades.ca Dominical e no que hoje se chama Divisão de Crescimento Cristão (a denomina­ ção conta hoje com cerca de 1 milhão de membros em quase 5 mil igrejas. sem que se propicie espaço para reflexão. Há uma dissociação em relação à realidade social que a Igreja vive e onde seus membros atuam.O projeto batista de educação secular Foram diversos os fatores que motivaram os batistas pioneiros a abrirem escolas. Ao mesmo tempo que a denominação tem oferecido uma estrutura de educação religiosa rica de possibilidades. é ignorada a liberdade de pensamento e ação das pessoas. as dificuldades passam a ser motivação para a reflexão e novas propostas de ação. A metodologia utilizada era influenciada pelos norte-americanos. posicionamento político e social e outras manifestações de abertura para um diálogo interdisciplinar e ecumênico trazem indícios de mudanças.

Em 1967. apóia programas que “fortaleçam e influ­ am na formação da personalidade e caráter da criança”.). etc. o trabalho de Educação Cristã é feito através de atividades diversificadas (palestras. é feita pelo capelão escolar. a partir de então. e tem por base princípios cristãos”. assegurar o respeito da comunidade. a 49a Assembléia da Convenção Batista Brasileira reconheceu a Associação de Educandários Batistas (ANEB) como órgão de assessoria. vocacionais e profissionais. por fim. a abertura dos colégios se dava por iniciativa individual de membros de igrejas e missionários em particular. Em 1992. “como forma de desenvolvimento pessoal e cresci­ mento social dentro de objetivos cristãos”. o local destinado à evangelizaçâo. de 1898 a 1907. 6. A Convenção Batista Brasileira afirma que a educação tem por fundamento princípios cristãos so­ bre os quais há de assentar-se a prática dos colégios batistas. por volta de 1936. moral. com um corpo discente superior a 90 mil alunos. Nos anos 50. estimula o crescimento cultu­ ral e artístico que “contribuam para promover os valores cristãos”16.6 . através de uma educação de qualidade. Isso acontece tanto pela especificidade de seu conteúdo quanto pela postura crista da própria escola. começaram a se interessar pelo trabalho educacional. de 57 . em algumas escolas. a Convenção Batista Brasileira decidiu conceder mais participação aos brasileiros na direção das instituições educacionais — até então dirigidas por missionários ameri­ canos. Até a 8a série do Io Grau os alunos têm um momento específico de aula. a partir de 1907. Normalmente a coordenação do trabalho de Educação Cristã. foi criado o Conselho Batista de Educação para realizar um traba­ lho de apoio às escolas. A filosofia da CBB defende que o processo educacional desenvolvido numa escola batista deve constituír-se num meio de “possibilitar ao educando e sua família o conhecimento do plano de salvação em Cristo” . físico. intelectual. passaram a contribuir efetivamente para o trabalho educacional no Brasil. painéis. com vistas à atualização e ao melhor preparo dos educadores. A filosofia da Convenção Batista Brasileira entende que educação “é o proces­ so pelo qual o ser humano toma consciência da vida e nela se desenvolve em seus aspectos espiritual. estimula programas de alfabetiza­ ção.A Educação Cristã na prática das escolas batistas A Educação Cristã nos colégios batistas do Brasil é parte obrigatória do currí­ culo escolar. que. os batistas. ao completarem 110 anos. emocional. assembléias especiais. segundo. a Junta de Richmond decidiu suspender gradativamente seu apoio financeiro às escolas batistas no Brasil15. A ANEB escolheu como síntese da filosofia batista de educação a frase “A verdadeira educação começa em Jesus Cristo”. Ao longo da história batista tem havido unanimidade em pelo menos dois pon­ tos: primeiro. O trabalho batista na área da educação passou por cinco períodos distintos: de 1888 a 1898. A ANEB tem promovido congressos pedagógicos e encontros de capelães anualmente. No início da década de 60 o Conselho desapareceu. como denominação. embora vincula­ do ao Departamento de Ensino. garantir o espaço físico. os batistas brasileiros contavam com cerca de 60 escolas de Io e 2o graus.

certa forma ligada à Igreja. Curso por Extensão.065 alunos matriculados. bacharel em Teologia. Por não haver uma formação específica que trabalhe a Educação Cristã relaci­ onada à prática pedagógica escolar. assumindo os riscos e desafios. mas não há uma estatística sobre o assunto. Em encontros de capelães. como voluntárias ou ainda como esposas de pastor. bacharel em Educa­ ção Religiosa.) Não são adotados livros. e a maior parte trabalha na área de educação religiosa. habilidades e ações. O material didático utilizado no trabalho de Educação Cristã nas escolas é di­ versificado (das editoras JUERP. a Associação Brasileira de Instituições Batistas de Ensino Teológico (ABIBET) conta com 32 instituições filiadas e mais de 7. para dedicarem suas vidas ao Senhor.7 .17 As normas e diretrizes das instituições filiadas à Convenção são por ela determinadas. tendo.Formação de educadores Segundo a filosofia da Convenção Batista Brasileira. Luz e Vida. a título de sugestão. 58 . etc. trabalhando em escolas batistas. Os profissionais que trabalham na área são teólogos ou educadores religiosos formados por instituições denominacionais. APEC. também tem a missão de ser uma “agência de evangelização”. Os conteúdos trabalhados pela Educação Cristã nas diversas escolas são relati­ vamente diversificados. Paulinas. na denominação e no mundo. Tem-se pensado o fazer. por serem determinados pelos profissionais que atuam nas diversas instituições. Não há na denominação uma instituição para formação específica na área de Educação Religiosa Escolar. inspiradas no exemplo de Jesus Cristo. Há um grande número de mulheres estudando nas diversas instituições. Vozes. Das 32 instituições. 18 oferecem cursos específicos na área de Educação Religiosa. Das mulheres formadas nos cursos de Educa­ ção Cristã. a partir de pesquisa. 1. Como entidade auxiliar da Convenção. 6. na igreja. Curso Médio e outros. os confrontos com as necessidades. Cabe à capelania escolar garantir que esse ideal seja mantido. a educação teológica e ministerial visa a formação especializada de pessoas vocacionadas. fazendo. sem remuneração. em função da própria prática e dinâmica dentro do contexto educacional. mas a maioria das escolas monta. ou ainda educadores com experiência de educação cristã na Igreja. a reflexão sobre a prática da Educação Cristã Escolar tem sido construída primeiro relacionando-a à visão da Igreja sobre o assunto e. Deve ser cristocêntrica e bibliocêntrica e ofere­ cer aos vocacionados oportunidades de aperfeiçoamento de suas atitudes. algumas atuam na Junta de Missões Nacionais ou Mundiais. tem-se pro­ curado traçar um currículo comum a todas as escolas. segundo. seu pró­ prio material. Existem no Brasil cerca de 45 seminários ou institutos bíblicos batistas. promovidos pela ANEB. bacharel em Música Sacra. poucas são ministras de Educação Religiosa. atualmente. FTD.000 alu­ nos matriculados em cursos de Mestrado.

e cooperam voluntariamente com as igrejas no final de semana. Raízes da Tradição Batista. C. Juerp. ed. I. Cathryn. El Paso. a Associação tem convidado os educadores cristãos batistas a se unirem num trabalho cooperativo e integrado. Con­ gresso da União Batista Latino Americana. 511-534. Aracaju. Juerp. SE. (Ensaios e Monografias. 1982. Definição de um Critério Básico Batista de Ortodoxia e Ortopraxia. José Nemésio. 1978. Justo. CAMPANHÃ. 4). As vezes. A Contribuição Batista para a Educação Brasileira. No boletim da Associação Nacional de Educadores Religiosos Batistas no Bra­ sil (AERBB). e ampl. J. 6. John. Nova Estrutura de Educação Religiosa para a Igreja. São Leopoldo. Rio de Janeiro. Rio de Ja­ neiro. 1995. PEREIRA. Casa Bautista de Publícaciones. 1994..” O artigo alerta para o fato de que pessoas habilitadas na área da Educação Cristã precisam trabalhar a semana toda para garantir o seu sustento.. A educação não é tão importante assim. Santiago do Chile. Juerp. Rio de Janeiro. Juerp. LANDERS. Anais da 75a Assem bléia da CBB. CBB. rev. AZEVEDO. 1994. distribuído por ocasião do 8o Congresso da Associação em janeiro de 1995. Outro aspecto levantado no artigo é a “síndrome de colônia”. a idéia de que tudo que vem de fora é melhor do que o próprio brasileiro pode fazer. Juerp. O autor destaca a necessidade da busca de identidade própria trabalhando num projeto alter­ nativo de educação cristã que viabilize a implantação de um trabalho eficaz. há um artigo intitulado “O que Está Acontecendo com a Educação Cristã?” 18. HEWITT. SMITH. O autor afirma que “ainda não há uma consciência de que a Educação Cristã é importante”. Anais da 76a Assembléia da CBB\ Sao Luiz. Juerp. p. 1993. História dos Batistas no Brasil. Programa de Educação Religiosa. Tendo em vista este objetivo. 1994. Filosofia da Convenção Batista Brasileira. 1986. “a práxis tem demonstrado que a evangelizaçâo e o louvor ocupam quase todo o pensamento da liderança. apesar de o discurso ser outro. In: Administração Eclesi­ ástica. atual. 1995. 59 . ou seja. MACHADO. Teologia dos Princípios Batistas. Martin D. Tomo I. B. Bibliografia ANDERSON. MA. — .. Rio de Janeiro. 1987. CBB. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Instituto Ecumênico de Pós- Graduação. Juerp. Rio de Janeiro. Breve H istória dos Batistas. Reis. mesmo como voluntá­ rios não conseguem espaço para desenvolverem seu trabalho. 1988. História de los Bautistas\ Sus Bases y Princípios. Juerp. O artigo levanta algumas dificuldades encontradas nessa área. Rio de Janeiro.

9. 511-534. p. p. 49. p. HEWITT. 3 José N. cit. 18 Anselmo N. Anais da 76a Assembléia da CBB. MACHADO. p. HEWITT.. 511-534. 4 M artin D. SANTOS. 8.Notas ] M artin D. 6 ID„ ibid. p.. 15 José N. 13. Valores Morais e Liberalismo no Protestantismo da Bahia no Século XIX.. 5 CBB. 5. p. 9 ID. p. 6. 12 ID. cit. 1. op. 14 CAMPANHÃ. Programa de Educação Religiosa. 1987. p. II. MACHADO. op. p. 7 Marli G. 17 ID. Raízes da Tradição Batista.... HEWITT. p.. 6. op. n° 4. p. p.. 64. Educare.. 2 ID.. ibid. 2. A Contribuição Batista para a Educação Brasileira. TEIXEIRA. 13 Ibid. 10. ibid. 60 . Filosofia da Convenção Batista Bi-asileira. cit. ibid. 11 Cathryn SMITH. 10 Ibid. p. 7. 27 (3):275-276. p.. 42. 19. p. Novas Estrutura de Educação Religiosa para a Igreja. cit. op. O que Está Acontecendo com a Educação Cristã?.. 18s. 8 Martin D.. 16 CBB. Estudos Teológicos.

Educação na Igreja Anglicana (IEAB) Oswaldo Kickofel 7. No co­ meço do séc. ao imperador e aos deuses das religiões de mistério. Em 597.Origem O cristianismo chegou à Inglaterra no séc. começaram. na verdade. Os legionários. costumes e religião. em 208. A obra missionária iniciada por Agosti­ nho foi consolidada por uma segunda missão romana liderada por Teodoro de Tarso. fala de regiões da ilha que haviam se convertido ao cristianismo. A história não deixou documentos que pudessem provar a veracidade dos fatos. No final do séc. Pouco se sabe sobre esses cristãos durante o séc. X. enquanto os seus companheiros prestavam honras ao Império. em 1534. Por isso. os romanos abandonaram a Grã-Bretanha. para converter os bretões. III. no sul da França. que aceitou o convite para ser arcebispo de Cantuária sob duas condições: que as propriedades da Igreja fossem devolvidas pelo rei e que o arcebispo fosse reconheci­ do como conselheiro do rei em matéria religiosa. Nessa época o território estava sob um processo de colonização romana. 7 . nos lugares marcados pelo silêncio da história. O certo é que. que destruíram as igrejas e obstaculizaram a prática da fé cristã durante quase 150 anos.Sinais de reforma Os primeiros sinais da Reforma inglesa que iriam eclodir na separação provocada por Henrique VIII.1 . Estamos aqui no terreno das conjecturas. que a Inglaterra fez sua reforma religiosa debruçada 61 . com Anselmo (1034-1109). deixando a impressão de que Deus havia se ausentado do mundo. Em 1016. A luta que começou entre a coroa e a Igreja confirmou. 7. três bispos ingleses participaram do Concilio de Aries. mercadores. em 314.2 . Esse fato mostra que já havia uma Igreja organizada na grande ilha. mais tarde. A primeira referência histórica sobre a existência de cristãos na Grã-Bretanha foi registrada por Tertuliano. houve uma segunda invasão normanda. encontramos lendas e tradições que falam de viagens missionárias que teriam sido feitas àquela ilha pelos apóstolos Paulo e Filipe e por José de Arimatéia. permitindo a invasão dos anglo-saxÕes. o papa Gregório enviou uma comitiva de 40 monges. os dinamarqueses invadiram a Grã-Bretanha e destruíram quase tudo. Entre eles havia pro­ vavelmente aqueles que tinham abraçado a fé cristã e oravam de modo secreto a Deus. chefi­ ada por Agostinho. mas com a diferença de que o rei era cristão e por isso a Igreja foi protegida. que. soldados e ad­ ministradores levaram à colônia suas leis. V. II.

igrejas naci­ onais ou regionais forma a grande família da Comunhão Anglicana. as igrejas anglicanas se tomaram autônomas. No Brasil. chegaram William Cabell Brown. que.Igrejas nacionais Em diversas partes do mundo. religiosas e até pessoais. Separada e independente. A Igreja americana teve seu primeiro bispo em 1784 e manteve-se livre do poder civil. A era elizabetana foi um período de apogeu. que. Hoje a Igreja Episcopal tem templos. A expressão “episcopal” indica que ela é governada por bispos. mas simplesmente sepa­ rou a Igreja que já existia na Inglaterra da tutela e controle romanos por razões polí­ ticas. Esses cinco missionários podem ser considerados como os fundadores da Igreja Episcopal Anglicana em solo brasileiro.sobre si mesma. onde a Igreja Anglicana se desenvolveu com rapidez e se organizou principalmente depois da independência americana em 1776. na época. John Gaw Meem e a professora leiga Mary Packard. se transformaram em importantes centros estra­ tégicos para a expansão e desenvolvimento da nascente Igreja. Logo depois eles estabeleceram missões em Rio Grande e Pelotas. antes de significar “inglesa”. paróquias e inúmeras instituições. ou seja. essa Igreja se desenvolveu rapidamente. Esse conjunto de províncias. que devolveu à rainha o mesmo poder sobre a Igreja que tinha Henrique VIII. juntamente com a capital do estado. concentrando-se a maior parte no Rio Grande do Sul. aponta para a grande família cristã interna­ cional. e a palavra “anglicana”. formando o que hoje se chama províncias anglicanas ou igrejas anglicanas em permanente comunhão com Cantuária. econômicas. No mundo. foi fundado o Seminário Teológico de Virgínia. de onde mais tarde saíram os missionários que estabeleceram a Igreja Anglicana no Brasil. igrejas nacionais ou regionais (incluindo parte de uma nação ou mais de uma nação). 7. Em 1559 começou o reinado de Isabel I. Foi nessa época que começou a colonização da América.3 . os anglicanos são mais de 70 milhões de membros espalhados por 38 províncias e 450 dioceses em 165 diferen­ tes países nos hemisférios norte e sul. quando os missionários americanos Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris estabeleceram a primeira missão em Porto Alegre. acumulou uma relação de 95 mil membros batizados e 45 mil confirmados. ora protestante. No ano se­ guinte. a Igreja Anglicana se chama Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB). criando dioceses. Ao longo de sua história centenária. a Igreja da Inglaterra continuou sua milenar cami­ nhada na história. 62 . e com ela veio o controvertido Ato de Uniformidade. Henrique VIII não fundou uma nova Igreja. Durante quase mil anos a Igreja da Ingla­ terra esteve sob o domínio direto de Roma. Em 1824. tinha 60 mil habitantes. alternando períodos de influência ora romanista. XIX. em Porto Alegre. a Igreja voltada em especial para os brasileiros começou inten­ cionalmente em 1890. missões e instituições educacionais e assistenciais em 150 diferentes localidades do país. Entretanto. Henrique VIII rompeu essa antiga filiação eclesiástica com o apoio do Parlamento. Os anglicanos celebram a sua liturgia em terras brasileiras desde o início do séc. Asse­ gurada a sucessão apostólica. O primeiro culto na liturgia anglicana foi realizado em 1° de junho de 1890.

passaram-se 63 . desde o início a Igreja procurou atuar no campo educacional. A Igreja precisava agora se dedicar à tarefa de treinar os seus membros jovens para formar um laicato forte. Kinsolving sonhava com uma escola com internato para meninos e meninas. longe das influências que ronda­ vam os jovens. para que no futuro se tomas­ sem consagrados membros da Igreja. nem o leigo podem apoiar as escolas ao seu redor. o Concilio anual aprovou uma resolução pedindo à Igreja americana a elaboração de um programa educacional. Bagé e Porto Alegre. As escolas paroquiais eram uma necessidade urgente em cidades estratégicas como Rio Grande.4 . se utilizou principalmente da escola dominical e. na área secular. N a verdade. Por isso. A Igreja estava convencida de que tinha algo mais a dar do que simplesmente cultura.. Em 1907. No ano seguinte (1910). e onde pudessem ser conduzidos sob a influência constante de consa­ grados mestres e saturados dos altos padrões morais e culturais da Igreja. Na área religiosa. A relação que ela estabelecia com um grande número de jovens através da escola era uma excelente oportunidade para evangelizar a sociedade. Santa Maria. O problema era urgen­ te. O problema se tom ou urgente e as oportunidades proporcionam à Igreja a possibilidade de aprofundar sua influência na vida daqueles que lhe forem confiados. leal e bem preparado. pobres. Entretanto. A segunda razão era preparar os jovens de ambos os sexos para o trabalho da Igreja. recebiam influências que os afastavam dos princípi­ os da religião cristã. Pelotas. os objetivos da atuação da Igreja no campo educacional incluíam dois importantes imperativos: o pastoral e o missionário. Dessa forma. A experiência havia mostrado que. na maioria. Em 1909. E havia razões para isso. mas logo no início ficou claro que o objetivo só seria satisfatoriamente alcançado por meio de internatos. sem aprimoramento moral e educacional. Nas duas-úítimas cida­ des foram feitas as primeiras tentativas nesse sentido. Este era o principal motivo por que a Igreja queria escolas e professores próprios. A terceira razão era a evangelizaçâo.As instituições educacionais A medida que o trabalho se desenvolvia. Depois seriam devolvidos aos seus lares e paróquias.7. A Igreja acreditava que tinha o dever de oferecer aos seus membros em idade escolar uma educação baseada na religião cristã.. imbuídos de lealdade e de valores cris­ tãos que jamais conseguiriam se ficassem sob a influência das frivolidades da vida material. Seus pais eram. quando os filhos freqüentavam outras escolas. o ob­ jetivo tinha sido alcançado. que devi­ am preparar sua futura liderança. especialmente para o ministério e para o ensino. das escolas paroquiais ou institucionais. ficava cada vez mais evidente a neces­ sidade de se criar um programa educacional para toda a Igreja. As escolas do governo são. A falta de disciplina intelectual e moral é tão evidente que nem o clero. ineficientes. lam entavelmente. Kinsolving estava convencido de que a Igreja tinha grande obrigação com as milhares de crianças das escolas dominicais. A quarta e última razão era formar persona­ lidades capazes de refletir o espírito de Cristo em suas vidas profissionais. A primeira era a necessidade de educar os filhos dos membros da Igreja. o custo de vida no Brasil é m aior do que em qualquer outro país civilizado que conheço. onde pudessem ficar confinados durante sua formação. No caso do clero nacional.

com um eficiente corpo docente e repleto de meninos de faces brilhantes. salvo o pouco que o bispo podia conseguir de algum fundo. O Colégio era um fértil campo para a futura liderança da Igreja. Essa situação de sucesso. Um pedido urgente para a vinda de um leigo ame­ ricano para ajudar o diretor não foi atendido. que nem sempre estavam isentas de pressão ou influência sectárias. A década de 1916-1926 testemunhou um animador crescimento do trabalho educacional da Igreja. parale­ lamente à ausência do diretor por motivos de licença. A escola foi duramente afetada. exceto o aluguel da casa lotada pelo Departamento de Missões e três bolsas de estudo. Em 1922 estou­ rou uma revolução civil no sul do país. Antevendo o progresso da instituição. ela ocupou o seu novo prédio. com todas as vagas preenchidas e uma grande lista de espera. que iniciou com 85 alunos e era totalmente mantida com recursos próprios. uma esco­ la diária para meninos e meninas. não durou muito tempo. Havia grande necessidade de novos professores. o reverendo Thomas. o Colégio viveu os seus melhores anos. reuniu alguns meninos da Igreja e das vilas adjacentes num bairro de Porto Alegre. o reve­ rendo João Mozarí de Mello fundou o Colégio Kinsolving em Livramento. Thomas. Os pro­ blemas e obstáculos não eram poucos. o entusiasmo de Thomas se recusou a sucumbir. sem professores e equipamentos. entretanto. tinha a base. o reverendo Thomas empreendeu a tentativa mais audaciosa: fundar a Escola Diocesana em Porto Alegre. Embora a revolução continuasse. Foi nesse tempo que o bispo Kinsolving mudou o nome da escola para Colégio Cruzeiro do Sul. Para atender a essa aspiração dos paroqui- anos e da população. a Escola Diocesana adquiriu propriedades e estava em condições de construir um prédio de três andares. Vários postulantes às sagradas ordens estudaram lá e um grande número de alunos contem­ plava o ministério sagrado. Em menos de cinco anos. Os alunos da escola dominical eram constrangi­ dos a freqüentar colégios de padres ou escolas públicas. o ano escolar começou novamente sob a direção do Rev. Convém lembrar que. ainda não totalmente concluído.dois anos até que alguma medida concreta fosse tomada. Em Bagé. O Colégio era também uma rica sementeira de novas vocações para o Seminário Teológico. estudaram no Colégio Cruzeiro do Sul. com exceção da capela. Em janeiro de 1912. sem dinheiro. Contudo. o Rev. cumprindo os seus altos objetivos de oferecer cultura e formação cristã aos filhos das famílias da Igreja. a construção do prédio do Colégio estava concluída. Um campo para esportes foi comprado em 1918 e fizeram-se me­ lhoramentos na residência do diretor. e o professor e eclesiano Manuel Souza Coutinho fundaram com recursos pró­ 64 . que cresceu sob sua dedicada liderança. Esta situação favorável se deveu à independên­ cia financeira alcançada em 1920. Athalícío Theodoro Pithan. a partir de 1923. Apesar da continuidade da desordem política em 1923 e 1924. e isso. a presença de um colégio evangélico era reclamada tanto pelas famí­ lias como pela população da cidade. exceto um. pároco da Igreja do Crucifi­ cado. Todos os cléri­ gos. No ano seguinte. No início de 1916. resultou num preocupante défi­ cit no final do ano letivo. Em março do mesmo ano. a casa do diretor e um prédio de três andares. Em 1919. às vésperas da Primeira Guerra Mundi­ al. a infra-estrutura administrativa da escola estava completa.

Mas já em junho de 1936 inaugurou sua nova e definitiva sede de três andares na Rua General Vitorino esquina D. o ensino religioso era dado através da instrução catequética. Pedro II. Raikes proporcionou às crianças pobres e analfabetas a possibilidade de conhecer os funda­ mentos da fé cristã por meio de professores pagos. Na época. onde se encontra em pleno funcionamento até hoje. Em setembro do mesmo ano. O movimento logo se espalhou por toda a Inglaterra. um leigo anglicano e proprietário do Gloucester Journal. vindo a integrar-se também na vida das igrejas episcopais dos Estados Unidos e do Brasil. em 1934. o bispo Thomas fundou em Pelotas o Colégio Santa Margarida. 65 . próximo da tradicional Igreja do Redentor. o ensino religioso pago deu lugar a professores voluntários. registrou mais de 240 matrículas da escola dominical nas várias igrejas e capelas que fundou naquela região paulista. costume que se espalhou por todas as igrejas anglicanas e evangélicas da Europa. A nova instituição de ensino começou com 12 alunos internos e mais de uma centena de externos. o dia do Senhor. com uma freqüência média de 100 crianças por domingo. a Capela do Salvador em Rio Grande chegou a ter mais de 150 alunos matriculados. professora formada pela famosa Universidade de Cambridge. Mais tarde. missionário pioneiro na Baixada Santista. O Colégio Santa Margarida começou num prédio alugado na Rua Santa Cruz. Nos diferentes períodos da história da Igreja. que foi o ponto de origem da Igreja Episco­ pal no Brasil.prios o Colégio Luso Brasileiro em 1933. No início. n° 712. Na falta de instrução pública. as escolas dominicais se espalharam rapidamente por todas as congregações locais. Os primeiros alunos pertenciam à escola diária de Vicente Brande. Na década de vinte. Carl Henry Clement Sergel. No ano seguinte. capelas e missões no Brasil. Inglaterra. e esposa do Rev. houve oposição por parte do clero. denominação com que ficou mais conhecido. secundário e comercial de acordo com os programas oficiais do governo. Coadjuvada por um conselho consultivo. Não obstante o sucesso alcançado. sua primeira diretora foi Hedy Sergel. que alegava que era uma inovação e que a nova atividade profanava o domingo. Embora houvesse tentativas anteriores. em Porto Alegre. A primeira escola dominical de que se tem notícia funcio­ nava na Casa de Missão. uma escola de internato e externato para meninas e moças. com uma freqüência média de 150 crianças por domingo. Com o desenvolvimento da Igreja. As aulas eram ministradas aos domingos e os alunos eram obrigados a freqüentar os cultos da Igreja. que logo se impôs no conceito público da cidade. que foi fundada em 1780 por Robert Raikes.5 . que publicava notícias sobre a nova atividade. Os colégios paroquiais e diocesanos constituíam uma rica fonte de ensinamento cristão que ajudava a Igreja a desenvolver o trabalho de evangelizaçâo da sociedade. Em 1896. era a maior escola dominical da América do Sul. os primeiros esforços sistemáticos de educa­ ção cristã para crianças foram feitos por meio da escola dominical. 7. havia classes da escola dominical praticamente em todas as paróquias. Pithan mudou o nome para Colégio Independência. que freqüentavam os cursos primário.A escola dominical O ensino religioso é tão antigo quanto a própria Igreja. José Orthon.

Muitos outros exemplos poderiam ser citados para mostrar a importância da instrução religiosa e secular que a Igreja desenvolveu durante várias décadas. criando o Departamento de Educação Religiosa. Por isso. fazendo ora­ ções. porque apenas uma entre cinco pessoas sabia ler e escrever. base no programa descrito acima. que podiam assim expressar sua religiosidade com alegria. na forma como estavam no Livro de Oração Comum. Na abertura geral. a Igreja mudou o enfoque dado ao ensino religioso. mas se complementavam. Em muitos lugares. o terceiro grau. isso não envolvia apenas as crianças. um tesoureiro e vários professores de acordo com o número de classes. a implanta­ ção de escolas diárias e dominicais era uma obrigação religiosa. o Pai-Nosso e os Dez Mandamentos. princi­ palmente até 1950. que estudava o Livro de Oração Comum1. Morris contava uma história do Anti­ go ou do Novo Testamento. Os alunos aprovados nessas matérias estavam prontos para ingressar na classe bíblica. O programa e as classes tinham a seguinte divisão: classe infantil. explicava um ponto da lição e revisava a história bíblica que havia sido contada na abertura geral. o aspecto mais importante do trabalho da Igreja era a escola dominical. Na Casa da Missão. cantando hinos. O sucesso da escola dominical se deveu em grande parte à ausência dessa ativi­ dade na Igreja Católica Romana. que até então estava limitado às atividades da escola dominical. moral e cívica tão importante que as duas atividades não se excluíam. quando realizou uma profunda reformulação na estrutura de seu programa educacional. fundada por Morris em 1900. cada professor fazia três coisas: recitava a lição do Catecismo ou do Livro de Oração Comum. e o quinto grau. as epístolas e os evangelhos. um organis­ mo de âmbito nacional. Para os primeiros dirigentes da Igreja. As pessoas que se preparavam para a Confirmação precisavam saber essas coisas. desde o início os missi­ onários se preocuparam com a instrução das crianças. O novo pro­ grama considerava a Igreja toda como o lugar normal do processo de crescimento religioso.. A estrutura administra­ tiva da escola dominical era formada por um superintendente. e envolveu todas as atividades da comunidade paroquial no processo educacional. que organizou a escola dominical cora. a principal sala de aula. mencionando os fatos e incidentes mais importantes com a finalidade de incutir esse conteúdo nas mentes das crianças. que era também a melhor esco­ la de patriotismo então existente. que estudava o Catecismo do Livro de Oração Comum. As crianças que viviam no campo ou na cidade eram fortalecidas no seu crescimento pelo ensino da Igreja. Por isso ela era uma novidade para as crianças. usavam a sala para as aulas e nos domingos para os cultos e classes dominicais. ex. o quarto grau. havia 75 alunos já no segundo ano de existência da missão. 66 . um secretário. fazendo da varanda da casa onde mora­ vam. o primeiro grau. que estudava as coletas. no Caminho Novo. que se ocupava com os Artigos de Religião. Kinsolving e Morris aumentaram a capacidade da escola. o segundo grau. que aprendia o ano eclesiástico com suas diversas estações litúrgicas. Quando da divisão das classes. mas também os jovens e os adultos. As crianças eram instruídas no Catecismo para que aprendessem todas as coisas que um cristão devia saber para a salvação de sua alma. recebendo presentes no fim do ano e ouvindo as explicações dos professores sobre as histórias bíblicas. p. para a qual todos os graus convergiam. A base do ensino praticado nas escolas dominicais era constituída pelo Credo. Durante a semana. o Pai-Nosso e os Dez Mandamentos. que aprendia o Credo. Na nova fase. Em Santa Maria.

um livro do professor para o curso primário produzido no Brasil com farto material original. Nesse período. um programa desenvolvido junto aos pais da criança. um volumoso cademo ilustrado para recortar e colorir para crianças de 5 e 6 anos. e a missionária Carman Wolff. que procurava alterar o antigo ambiente dos grupos isolados. Quem introduziu essa nova orientação no programa educacional da Igreja foi o bispo Egmont Machado Krischke. a educação religiosa era um processo do qual todos os membros da comunidade paroquial participavam para desenvolver o senti­ mento religioso por meio de sua experiência pessoal com Cristo. Foi a fase áurea da Igreja nesse setor. já bastante conhecida nas três dioceses por suas atividades de coordenadora interdiocesana da Sociedade Auxiliadora de Senhoras. merecendo destaque o R o l do B e r­ ç o . A d o ra ç ã o e A d o ra d o re s na Igreja e P ro m etem o s. Krischke dirigiu o De­ partamento aíé 1956. que foi o primeiro diretor do Departamento de Educação Religiosa criado pelo Conselho Nacional em 1950. nessa segunda fase do programa surgi­ ram novas publicações para professores e alunos. Jaci Correia Maraschin. Em outras palavras. Era um processo de integração do homem na vida da Igreja. C om o E n sin a r A d u lto s.As crianças passaram a ser consideradas não mais como uma espécie de apêndice da Igreja. merecendo citação A Ig reja M ilita n te . 67 . um manual para preparar novas lideranças leigas no campo da educação religiosa.214 alunos e 7. mas como partes integrantes da comunidade eclesial. que ia do nascimento até os 4 anos de idade. foram publicados vários livros e folhetos de natureza educacional. que recentemente havia retomado dos Estados Unidos. mas em material produzido no Brasil através de seminários de trabalho. ficando integrado por um diretor e dois secretários especializados. elaborando um novo currículo de educação religio­ sa e realizando seminários e conferências regionais com o clero. este reeditado. Um projeto de publicações baseado não apenas em traduções. que nos anos cinqüenta e sessenta contou com 2.935 professores. de Robert Dentan. do Rev. Maraschin e Wolff deram continuidade ao programa proposto em 1950. o maior número já alcançado em toda a sua história. Daí a importância do ofício da família. jovens e professores da escola dominical. M e u L u g a r no M u n d o d e D e u s. e para a função de secretários foram nome­ ados o Rev. possibilitou a edição de vários livros adaptados à cultura brasileira. Assim. onde durante dois anos fizera curso de extensão teológica no Seminário Ge­ ral de Nova Iorque. O L O C F ala a E sses D ia s In c e r to s. visitando as paróquias e missões.175 escolas dominicais. No cargo de diretor conti­ nuou o bispo Egmont Machado Krischke. J esu s A m ig o d a s C ria n ç a s. D e sc o b rim o s a N o ss i Igreja. Nataniel Duval da Silva. 112. realizando reuniões com os membros dos departamentos diocesanos. aperfeiçoando-o. e T reinam ento d e P ro fesso res d e E sc o la D o m in ic a l. A s S a n ta s E sc ritu ra s. Em 1956. o Departamento de Educação Religiosa foi reestruturado.

Ensina-se porque sempre se ensinou e. Apostou-se na idéia de que as iniciativas ecumênicas na educação poderão ter maior êxito na medida em que o próprio processo de observar e ouvir a realidade também for um exercício ecumênico. As dificuldades e os desafios ultrapassam os limites confessionais. Foi um risco que se correu e cujo preço é a relativa fragilidade de algu­ mas conclusões. não raro.As motivações e o início Os encontros entre educadores e educadoras que atuam nas igrejas evidenciam a necessidade de se olhar de maneira mais sistemática para a realidade desse ministé­ rio. Desde 1992 esta enti­ dade vinha desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre o ministério educacional nas igrejas luteranas em todo o mundo. da mesma forma como era ensinado. Enquanto isso.Origem e metodologia da pesquisa 1. Apesar disso. A educação costuma fazer parte daquelas atividades que se tomam por evidentes e tendem a se manter pela força da inércia. não se pode negar que o trabalho foi realizado por pessoas que faziam isso ao lado de suas múlti­ plas tarefas. com as necessárias adaptações.1 . haveria melhores condições de captar as perguntas e as inquietações das pessoas e das comunidades. quem dedicou ao longo de quase dois anos importantes horas para este trabalho certamente o fez motivado pelo mais genuíno intento de contribuir 69 . Reconhecemos que um impulso e uma contribuição importantes para a realiza­ ção do estudo vieram da Federação Luterana Mundial (FLM). Ao ampliar os ângulos de observação. pela CELADEC. E um trabalho no qual a “militância” com certeza tem um peso igual ou maior do que o profissionalismo. Temos plena consciência das limitações desta pesquisa. Registramos aqui nossos agradecimentos à FLM. há profundas mudanças na sociedade e na forma de as pessoas viverem a religiosidade que precisam ser observadas e compreendidas. PARTE II DIÁLOGO COM A REALIDADE 1 . Por isso a preocupação e o esforço de fazer este estudo em conjunto. algumas das idéias básicas da pesquisa e o roteiro da entre­ vista puderam ser aproveitados. Com a devida permissão do Departamento de Educação Cristã da FLM. Embora sempre se tivesse buscado trabalhar dentro dos critérios exigidos por este tipo de pesquisa para garantir credibilidade aos resultados alcançados.

Avaliar a relação entre educação cristã e formação teológica. houvesse um simpósio para compartilhar os resultados com educadores/as e pessoas responsá­ veis pela educação nas igrejas. Este cronograma de longo prazo. os dados. indicação de pesquisadores. têm a intenção de trazer questionamentos. 3. — segundo semestre de 1994: conclusão dos trabalhos de pesquisa. Comparar o ministério educacional com outras funções ministeriais da Igreja. A primeira reunião do projeto aconteceu em 23 dc outubro dc 1993. Além disso. As desistências e trocas na equipe não chegaram a comprometer uma continuidade básica. ■ — primeiro semestre de 1994: início da pesquisa bibliográfica e de campo (numa reunião foram analisados os esboços da pesquisa bibliográfica e as primeiras tentativas de utilização do roteiro). Aprender como a educação está implicita em outros ministérios das igrejas.Os objetivos O objetivo centra] consistia na tentativa de uma compreensão mais sistemática da realidade educacional das igrejas participantes no projeto. Acreditamos que a relevância do trabalho pode ser avali­ ada sob dois ângulos distintos. trata-se de um exercício pioneiro no sentido de ouvir as comunidades especificamente sobre a educação. Pretendia-se chegar mais perto daquilo que as igrejas de fato fazem e que muitas vezes parece estar muito distante de suas motivações teológicas e de sua própria trajetória histórica. foi realizado ao longo dc um período de dois anos. 5. 4. Mais con- cretamente. 1. — primeiro semestre de 1995: avaliação dos resultados da pesquisa e elabora­ ção dos relatórios para a publicação. mas ainda como parte da mesma. apoiado e legitimado pelas igrejas. 2. Por um lado. A idéia ainda permanece. possibilidades e dificuldades do ministério educacional. por si. Previa-se que no final da pesquisa. seguido com certo rigor. O estudo.2 . e nela se estabeleceu o seguinte cronograma: — segundo semestre de 1993. foi um valioso ins­ trumento para se chegar ao fim do projeto.para melhorar a educação em sua Igreja e para viabilizar condições para novos traba­ lhos ecumênicos nesta área. foram definidos os seguintes objetivos: 1. Identificar desafios. 6. incluindo a parte teórica. levantamento bibliográfico. ao menos em nível ecumênico. 70 . Descobrir a percepção que os/as educadores/as têm de seu trabalho. definição das linhas básicas do roteiro de entrevistas. embora a forma na qual se darão a “devolução” e a discussão ainda esteja em aberto. Analisar como o ministério educacional é afirmado. subsídios e sugestões aproveitáveis pelas respectivas igrejas e prin­ cipalmente pela CELADEC.

e um grupo de membros de igrejas batistas de Teresópolis (RJ). igreja. 1. Não era um questionário de perguntas e respostas fechadas. Na Igreja Batista a coleta dos dados esteve a cargo de Celma Christina Rocha da Veiga. Evangélica de Confissão Luterana (IECLB). Batista. etc. Examinar como ensino. Católica. to- mando-se por base um grupo de membros de igrejas batistas de Porto Alegre. As entrevistas foram realizadas indivi­ dualmente. Colocou-se no início uma pergunta de caráter pessoal e avaliativo sobre as experiências mais significativas na aprendizagem na fé do entrevistado e concluiu-se com uma pergunta sobre alguma pessoa que tenha sido especialmente importante em sua vida de fé.3 . Marilia Louzada e Lúcia Leiga de Oliveira. 7. culto. 71 . em que foram trocadas idéias sobre o uso do roteiro. no final dos trabalhos puderam ser computados apenas os dados coletados em três destas igrejas.). 8. casa. bem como sobre a forma de reunir os dados no final desta etapa de trabalho.O roteiro das entrevistas Como ponto de partida foi usado o roteiro elaborado pela Federação Luterana Mundial para o seu estudo global. o ministério da cura. ao lado de pregação e ensino. A pesquisa foi realizada com 30 jovens de Belo Horizonte (MG). Foi realizada uma amostragem não probabilística por acessibilidade. mas um conjunto de indicadores ou sinalizadores da direção que a conversa deveria seguir. 1. em pequenos grupos e em lugares diferentes (escritório. São jovens com idades variadas entre 20 e 35 anos. Colaboraram no levantamento de dados Irlem Antônio Gonçalves. As perguntas foram organizadas de forma a possibilitar um diálogo franco e aberto com as pessoas entrevistadas. Estudar o papel de obreiros/as ordenados/as e pessoas leigas no ministério do ensino. serviço e testemunho estão relacionados. Presbiteriana Inde­ pendente (IPI) e Presbiteriana Brasileira (IPB). na faixa etária de 35 a 45 anos. Por motivos diversos. Na Igreja Metodista o levantamento de dados esteve a cargo de Hélerson Bastos Rodrigues. As adaptações levaram em conta especialmente a realidade ecumênica na qual o roteiro seria aplicado.A coleta de dados Na fase inicial da coleta de dados houve a participação de seis igrejas: Metodista. Como exemplo da importância de um trabalho conjunto pode-se mencionar que alguém de uma Igreja Pentecostal chamou a atenção para o fato de que numa das perguntas sobre ministérios estava ausente. Para a avaliação dos trabalhos foi muito importante a reunião intermediária.4 . Os entrevistadores foram alertados de que este era um roteiro a ser seguido com flexibilidade e liberdade. Espera-se que a representatividade do grupo de avaliação tenha contribuído para ga­ rantir que as conclusões sejam válidas para um grupo maior de igrejas.

Na primeira delas houve dois momentos distintos: a) leitura e avaliação dos textos da pesquisa bibliográfica.da mesma faixa etária. Na IECLB os dados foram coletados em várias regiões. que. ministério educacional. envolvendo grupos das próprias comunidades e estudantes da Faculdade de Teologia e do Instituto dc Educa­ ção Cristã. vários contextos do Espírito Santo. 1.6 . em abril e em junho de 1995. Streck (coordenador) Hélerson Bastos Rodrigues Celma Christina Rocha da Veiga Marcos Alves da Silva Remi Klein Aldino Luiz Segala 72 . contou com a colaboração de dezenas de pessoas para este trabalho.5 . Foram feitas 30 entrevistas com duração de 45 a 60 minutos. Depois fez-se o agrupamento dos cartões conforme os temas que representavam. Para se chegar à identificação das categorias-chaves utilizou-se a seguinte téc­ nica: cada um/a dos/as participantes recebeu cinco (5) cartões nos quais deveria fazer uma breve descrição daquelas questões (uma em cada cartão) que lhe pareceram mais importantes nos dados e resultados compartilhados. Seguiu-se uma discussão de cada um desses itens. abrangendo os seguintes contextos: zona rural e urbana do Rio Grande do Sul. duas realidades de Santa Catarina (de imigração e emigração). o conteúdo e suas interações. Streck. conforme dito acima. dinâmica da comunidade e forças educativas. planeja­ mento e avaliação. b) compartilhamento e análise dos resultados da pesquisa de campo. Este foi então analisado e complementado com vistas a uma redação final.A avaliação dos resultados A avaliação final dos dados ocorreu em duas reuniões. No total foram 128 entrevistas. Nesta mesma reu­ nião foram levantadas as questões que deveriam constar das considerações e reco­ mendações finais. O trabalho esteve sob a coordena­ ção de Danilo R. 1. procurando integrar nos mes­ mos as questões básicas da pesquisa. Como resultado obtiveram-se as cinco categorias que são analisadas a seguir: referenciais teóricos.A equipe de pesquisu A equipe de pesquisa esteve integrada pelas seguintes pessoas: Danilo R. Colaboraram na coleta de dados Célia Regina Cruz da Rocha e Beatriz Hoffer Birmann. Para a reunião de junho os participantes da equipe de pesquisa trouxeram um esboço de redação da respectiva categoria.

como se nota. as práticas também tendem a ser mais consistentes. Refere-se também a referenciais teóricos de outras áreas relacionadas com o processo educativo. E um ensino mecânico. as tradicionais fronteiras confessionais são muito mais flexíveis. a tendência é. Enquanto não houver essa possibilidade de aprofundar a compreensão da práti­ ca. apontada como a primeira na reunião de avaliação dos resulta­ dos. que prioriza o automatismo e a transmissão em detrimento da reflexão crítica e da criação. Procuramos. Alguns deles/as receberam uma formação acadê­ mica regular (muitas vezes em seminários de formação de pastores). No levantamento realizado chamam a atenção a variedade de atividades exis­ tentes na área educativa e o conseqüente sem-número de educadores e educadoras que se dedicam a estas atividades. A comunidade. porque há uma identificação com o líder. custam a penetrar no âmbito da prática educativa das comunidades. Em resumo. encontra con­ dições de criar novos grupos e de mudar certas práticas já cristalizadas ao longo dos anos e que não correspondem mais à realidade atual da sociedade e da própria comu­ nidade ou Igreja. Ela diz respeito a motivações teológicas que orientam a prática educativa e à compreensão que educadores. porque 73 . Participa-se de grupos de jovens muitas vezes não porque o grupo é desta ou daquela Igreja. identificar as principais questões compreendidas nesta categoria. tanto na teologia como na pedagogia. Enquanto isso. mas porque os amigos e amigas estão ali. 2 . abaixo. é apenas poucas vezes mencionada diretamente nas entrevistas. Esse tipo de ensino é reforçado pela tentativa de fazer do ministério educacio­ nal um instrumento para forjar a identidade confessional. A expressão usada por algumas das entrevistadas é que são jogadas para dentro das atividades e então precisam se virar do melhor jeito que podem.1 . Nota-se nas entrevistas que de fato as igrejas se encontram num dilema: por um lado. especialmente entre os jovens. o que provoca a sensação de que não se consegue acompanhar o ritmo das mudanças. comunidades e dirigentes de igrejas têm do ministério educacional. É mais precisa­ mente uma categoria que constitui uma espécie de pano de fundo sobre o qual se desenham as demais. inclusive com maior possibilidade de inovações. percebe-se que o mundo “lá fora” está mudando. sente-se falta de uma reflexão teológica e pedagógica séria e fundamentada a partir da qual a prática pudesse obter novos impulsos. Estas.Resultados e reflexões 2. mas a grande maioria carece de uma formação mínima que lhes garanta maior segurança no traba­ lho. Parece possível afirmar que nos lugares onde há pessoas capazes de usar algum instrumental teórico mais sólido. então.R eferenciais teóricos Esta categoria. perpetuar a repetição de dogmas nos programas educacionais das igrejas.

uma vez que nela necessariamente se interpreta não ape­ nas o texto bíblico. b) Ministérios: Embora as pessoas entrevistadas apontem para a importância do ministério educacional. Neste sentido. procura-se indicar alguns temas que emergem da pesquisa e podem se constituir em pontos de referência para a construção teórica: 2. a preocupação das igrejas pela sua identidade é legítima e a educação crista pode ter uma função importante para ajudar a promover esse sentimento de pertença a um grupo que tem uma história digna de ser preservada.1. etc. mas há necessidade de uma teoria da ação ministerial da comunidade. No fundo desta dificuldade está uma questão teológica importante a ser avaliada pelas igrejas.Em busca de referenciais Considerando a importância de referenciais claros para a prática e a quase total ausência de uma reflexão sistematizada sobre o ministério educacional.. é importante conceber a própria educação como tarefa hermenêutica.1 . Talvez pelo fato de o roteiro de entrevistas não fazer referência explícita à dimensão ecumênica.1. por um lado. não basta uma teoria da educação. mas também a realidade em que se vive. geralmente colocado como uma das prioridades. A pesquisa também mostra uma grande falta de sintonia entre os diversos mi­ nistérios: entre ensinar e pregar. a grande diversidade de dons que estão presentes numa comunidade. No ensino isso se revela pelo que cada membro da comunidade acha que pode ensinar aos outros.) Como se relacionam os diferentes ministérios entre si? c) Dons e comunidade: A pesquisa revela. que têm no sacerdócio geral de todos os crentes um princípio teológico básico. entre curar e aconselhar. A Bíblia é com certeza o ponto de referência teológico mais impor­ tante.Referenciais teológicos a) Bíblia'. o próprio afã de fazê-lo com demasiada insistência pode levar a estreitamentos na educação que a médio e longo prazo serão prejudiciais. Neste caso. uma leitura quase que formal em acon­ tecimentos e momentos de culto. é muito diversificado: encontra-se urna leitura a partir da realidade das pessoas.1. com ênfase na análise da estrutura da sociedade. Isso vai desde a ajuda entre os irmãos até a colaboração especializada em trabalhos específicos. esta recebeu pouca ênfase nas respostas. 2. O que se necessita é aproximar a átividade educativa da reflexão hermenêutica. Melhor ainda. Numa avaliação geral. no entanto. Na discussão deveriam ser abordadas perguntas básicas sobre os ministérios: como a Igreja concebe os ministérios? Para quem e para que serve a ordenação? (Na IECLB está sendo preparada a ordenação do primeiro grupo de catequistas. Por outro lado. especialmente as protestantes. Seu uso..é mais próximo da sua residência e por outros motivos pouco relacionados com as questões eclesiológicas tradicionais. O desafio parece estar em organizar esses diferentes dons numa comunidade viva e dinâmica. 74 .1 . uma leitura que enfatiza a edificação e conversão pessoal. também fica evidente que o mesmo não recebe a valorização desejada.

p.2 . E o caso. no entanto.4 .Referenciais pedagógicos A pedagogia nas igrejas. a fim de se propiciar condições para uma aprendi­ zagem mútua em comunidade. No entanto.no entanto. Há fatores (matrizes pedagógicas) que inevitavelmente estão “educando” e que representam limites para a Igreja ou para qualquer outra instituição que deseje participar do processo forma tivo do povo. Reflexões sobre o que cada grupo pode contribuir para o todo da comunidade seriam muito relevantes para se avançar em direção a uma comunidade educadora. Sabe-se. Em alguns lugares.Referenciais sócio-políticos O questionário enfatizava o cotidiano. Um trabalho conjunto das igrejas poderia abrir novas possibilidades para uma atuação comum cm nível local ou regional. ao mesmo tempo. contemplar a diversidade cultural dentro de um material padronizado. Notou-se na pesquisa como a participação cm rituais é importante para o senti­ do de pertença à comunidade. crescc a consciência de uma memória rica dc significados. etc. Ela não precisa ser um “peso morto” que se carrega.3 . aqui faz falta uma integração entre as atividades oferecidas para os diversos grupos.. É importante que a Igreja avalie suas possibilidades e seus limites em termos de influência na educação. 2. de valores. o pessoal e o comunitário. 2. Isso é um desafio tanto para as igrejas como para as entidades ecumênicas que trabalham com educação. mas pode ser uma matriz de significados que ajuda a encontrar novos sentidos para a vida. Parece importante valorizar esses rituais para indicar a força viva e dinâmica que a memória pode representar. A reflexão sobre tendências pedagógicas pode tomar mais explícitos os objeti­ vos que as igrejas perseguem com a sua atividade como educadoras. A maioria das igrejas edita material próprio.1. como estes tendem a trans­ formar-se em meras formalidades religiosas. Há avanços no sentido dc se levar em consideração as diferentes fases do desen­ volvimento humano. onde todos aprendem de todos e onde todos ensinam a todos. a reinterpretação e a inovação ou criação. ex. dos luteranos de origem pomerana no Espírito Santo que procuram redescobrir algumas de suas tradições.1. 2. dc atitudes. percebe-se que são poucas as iniciativas para um trabalho ecumênico na área do ensino.). A relação com o contexto social c político está implícita quando as pessoas pedem que o minis­ 75 . de modo geral.1. Entre os grupos que avançaram na discussão pedagógica estão aqueles mais diretamente ligados às assim chamadas pastorais populares e que tiveram que sc con­ frontar com questões pedagógicas oriundas da educação popular. Uma pergunta que poderia receber uma atenção cspecial é a relação entre a transmissão (de conhe­ cimentos.1.1.Referenciais histórico-culturais As comunidades de fé representam uma grande diversidade dc culturas e dc tradições históricas.1. E difícil. está distanciada das discussões peda­ gógicas que acontecem atualmente no contexto da educação formal e da educação popular.

tério educacional esteja mais relacionado com a realidade e com a vida.1. entre o cotidiano da vida c a participação numa sociedade complexa e injusta. declarando-se teoricamente atribuir muita im­ portância à educação e. Emergiram algumas afirmações quanto à especificidade e ao relacionamento dos ministérios educativos com os demais ministérios. Em termos teóricos. ■— Estudar modalidades de formação regular. Este trabalho poderia começar a ser feito de maneira integrada. A educação cristã não c vista como um fim em si mesma. A CELADEC pode desempenhar um papel muito importante neste sentido. identificando lugares bem concretos onde isso pode acontecer. Visando a descentralização.Propostas de ação . Por exemplo. O curso em regime de férias do Instituto de Educação Cristã da Escola Superior dc Teologia da IECLB poderia ser um ponto de partida para tal reflexão. O ensino é considerado como base da Igreja. E reconhecido que Jesus foi um educador e que dar continuidade aos processos educativos hoje é muito importante. Parece colo- car-se como desafio articular melhor a relação entre o ministério educacional e a cidadania. Dever-se-ia dar a devida atenção aos que se dedicam às atividades educativas. integrando várias igrejas. poderia haver um núcleo de disciplinas comuns e uma parte das disciplinas que seriam de responsabilidade das próprias igrejas.O ministério educacional — sua importância. Inclusive necessitaria haver maior reconhecimento para com estas pessoas. especificidade e relacionamentos A leitura interpretativa das respostas e opiniões ouvidas durante as entrevistas indicou uma contradição entre o dizer e o fazer. — Identificar algumas áreas prioritárias da formação para que possam ser de­ senvolvidos referenciais teóricos. Há uma valorização no nível da fala. verdadei­ ramente essencial para a vida das igrejas. Mas a constatação da prática efetiva apresenta alguns aspectos que negam essa valorização. tanto para a organização de sua estrutura interna quanto para sua ação na comuni­ dade externa. em conseqüência. Uma inici­ ativa possível seria organizar um “calendário de formação” cm nível regional.É urgente intensificar a formação teórica c prática dos educadores. no que diz respeito ao ministério educacional desempenhado pelas igrejas e comunidades. Emergem duas realidades. as turmas do curso são constituídas em regiões diferentes. como instrumento para dinamizar a vida comunitá­ ria. mas como meio de capacitar as comu­ nidades para a ação missionária.2 .2 . Talvez se devesse iniciar em algumas frentes. a educação é vista como altamente importante. 2. 2. embora o roteiro de entrevis­ 76 . às atividades de ensino que integram a vida das igrejas e comunidades. O trabalho com módulos (conforme o modelo do Seminário Bíblico Latino-Americano da Costa Rica) possibilitaria uma abrangência maior ainda. no qual apareçam todas as atividades formativas de igrejas e de entidades ecumênicas.

as comunidades aguardam algum tipo de apoio vindo de outros níveis da estrutura eclesiástica — nacional ou regional — . a educação sentiria um vazio em sua razão de ser. A missão põe em destaque a necessidade da educa­ ção. Mas o que se observa nas práticas? O reconhecimento e a atenção dados às pessoas que se dedicam aos ministérios de ensino são reduzidos. A fim de levar adiante suas atividades educacionais. nem sempre significam resultados plenamente satisfatórios. bem como a cultura. Por via de regra cumprem uma tarefa plena de dedicação. Em sua grande maioria são pessoas voluntárias. e esta qualifica a comunidade e seus agentes para a atuação missionária. uma diversificada atuação da Igreja no viver humano). Os educadores leigos. Um observador apontou para uma dificuldade demonstrada por educa­ dores após realizarem cursos que freqüentaram para capacitar-se. gostariam de conhecer mais conteúdos. na dimensão pedagógica. predominantemente mulheres. para questionamentos. por sua vez. e na Igreja Evangé­ lica de Confissão Luterana no Brasil existe o reconhecim ento do m inistério catequético). por sua vez. E a missão. Sem uma perspectiva missionária. oportunidades para perguntas. ao regressarem para suas localidades. com uma linguagem institucional ou mais apropriada para uma determinada causa de militância com a qual mais partícu- 77 . No ensino. Entre o grupo laico o que se vê são poucos educadores e educadoras que possuem formação teológica e pedagógica for­ mal. É reconhecido que ambos são educativos. Mas não com a sistemática. São poucas as indicações a respeito de algum tipo de remuneração para quem está envolvido no ensino. Tomemos. Há uma relação de mútuo fortalecimento. passam a expressar-se por meio de um vocabu­ lário que se distancia das necessidades locais.tas não houvesse se aprofundado particularmente nesta questão. A profissionalização do ministério educacional ainda é algo que não penetrou muito nas comunidades (sabe-se que ocorre em instituições de redes escolares de ensino. Merece desta­ que a relação dinâmica e dialética existente entre missão e educação (por “missão” entendemos. sobretudo no que diz respeito a materiais produzidos e oportunidades para capacitação de educadores. ex.. bem como de metodologias. p. cursos. direcionamento. quem a ouve não tem oportunida­ de para um diálogo com o pregador. precisando ser aprofundada. Na pregação. a relação entre pregação e ensino. Existe um reconhecimento de que devem ser respei­ tadas as necessidades locais. Cursos de capacitação. há maior participação. isso ocorre porque lhes foi dada oportunidade de estudar em instituições da Igreja. aqui. Os que se formaram para o ministério pastoral sentem falta de maiores conhecimentos metodológicos (talvez porque seu preparo tenha sido maior nas disciplinas que lhes proporcionaram reflexão e conteúdos bíblicos e teológicos). Tem ocorrido que. metodológica. seminários. A capacitação dos obreiros (agentes) ocorre por meio de encontros. criticidade. conteúdo. envolvimento. mas com uma distinção formal. que se dispõem a realizar o trabalho educativo (especialmente o domini­ cal) com a infância (uma das pesquisas apontou a importância de homens se envolve­ ram no ensino junto às crianças). acabaria por perder vigor. evidencia-se como ainda insuficiente. profissionalização e regularidade desejáveis. sem embasamento a direcioná-la. porém. Entre os que a têm. o modo de ser e de se expressar particulares das comunidades locais. A própria formação do ministério pastoral. de Bíblia sobretudo.

Uma senhora entrevistada assim expressou essa consciência e disposição: “Hoje eu também ensino onde posso. Por exemplo.M uitos “mestres ” Trazemos. uma abordagem quanto à dinâmica da comunidade. estas pessoas reconhecem que houve crescimento em suas vidas como resultado do ensino que receberam da Igreja. Evidenciou-se que. Ao mes­ mo tempo. maiormente. na prática. na medida em que há necessi­ dades inadiáveis.3 . Além disso. não o delegando exclusivamente aos pastores e educa­ dores. e que as aprendizagens mais significativas estão associadas a uma série de fatores. Destacou-se o papel importante da escola dominical ou escola bíblica domini­ 78 . quem sabe. seja ensinando de forma explícita através de histórias e testemunho ou por meio do exemplo e do testemunho. nesta parte. Os dispêndios são realizados. entrevista­ dos consideraram que a estrutura de ensino tradicionalmente utilizada nas comunida­ des está precisando ser complementada. As comunidades mais pobres. da importância verbalmente atribuída à educação. A partir de seu campo de experiência e de uma intuição avaliadora. deve-se acreditar num envolvimento de toda a comunidade neste ministério. limitadas por suas circunstâncias. as forças educativas nela atuantes.larmente se identificam.As forças educativas e a dinâmica da comunidade 2.3. no ensino formal e infor­ mal. ampliada e. sua dimensão pedagógica. As pessoas têm consciência de que já aprenderam muitas coisas na sua vida e estão dispostas a ensi­ narem a outras pessoas o que sabem. E olha que eu aprendi coisas. substituída. Na pesquisa de campo cons­ tatamos que na comunidade há muito mais forças vivas ensinando do que se imagina do ponto de vista institucional. E só dizer adiante o que a gente aprendeu. em geral. há de se buscar descentralização de atividades e novas modalidades de ensinar. ao lado dos programas tradicionais. em parte. experiências e acontecimentos pessoais. desde o nascimento até a morte. Os membros das igrejas desconhecem as situações financeiras locais ou têm suposições equivocadas sobre o uso dos recursos.1 . e os gastos assim feitos acabam sendo contabilizados como despe­ sas gerais. Resulta daí um distanciamento entre o educador e sua comu­ nidade.” Evidenciou-se na pesquisa que o aprendizado na fé se dá em todo o ciclo da vida. sejam mulheres ou homens. A comunidade está cheia de “mestres” dispostos a compartilharem o seu conhecimento. 2. fa­ miliares e comunitários. direcionam suas finanças para o sustento do pastor e a manutenção dos itens inadiáveis nas despesas. Eu acho que todos podem ensinar. não possuem em seus orçamentos dotações especificamente voltadas para o setor educativo. e de outras experiências que se somaram a isso. No aspecto financeiro também há certa negação. É preciso con­ centrar a atenção no ensino para toda a comunidade e não demasiada ou exclusiva­ mente para as crianças. muitas vezes desvinculadas de qualquer planejamento da Igreja. e seus papéis relevantes nos processos educativos. é fato que as comunidades.

bem como as demais pastorais e toda a vida e missão da respectiva Igreja. ao lado dos conteúdos bíblico-teológicos por ele transmi­ tidos. o ensino confirmatório desempenha esse papel pre­ ponderante. sobretudo. como Secretaria de Educação Cristã ou Departamento de Catequese. mas poucas instituições para formação espe­ cífica na área de Educação Cristã. Também as festas e os ritos desempenham um papel pedagógico importante na vida das pesso­ as entrevistadas. assim como a catequese na Igreja Católica. desempenhando um papel educativo muito forte e determinante. editora ou imprensa.2 . Os serviços de editoração e distribuição de materiais de educação cristã estão. Em todas as igrejas há uma política tanto de educação teológica e ministerial quanto de educação secular. embora ambíguo e pouco motivador para uma posterior participação efetiva na vida comuni­ tária. A nível de administração geral. o ER é feito muito a partir da visão eclesial e ainda pouco a partir da reflexão escolar. talvez tão marcante ou até mais marcante do que o próprio conteúdo. em cada Igreja deu-se também a criação de conselhos de educa­ ção e de associações de escolas.cal no processo de ensino formal das igrejas. além de outros acontecimentos da vida como. às escolas denominacionais. cada Igreja também tem sua Área de Ação Docente ou outros termos afins. ao lado do culto infantil. sob a responsabilidade de setores técni­ cos. No decorrer da história da educação. o Ensino Religioso (ER) normalmente é assumido por teólogos ou por educadores com vivência de Igreja e experiência de educação cristã paroquial. As revistas e os manu­ 79 . p. eles devem ter coerência e consistência em pregar ou ensinar e fazer. esta voltada. No caso da Igreja Evangélica de Confis­ são Luterana no Brasil (IECLB). antes de tudo. chama a atenção a grande influência do professor. Há vários seminários teológicos.O papel da escola dominical A escola dominical (ED) ou escola bíblica dominical (EBD) é a atividade educativa mais marcante no programa de educação cristã das igrejas do protestantis­ mo de missão.3. o casamento. Quanto à ED/EBD. o ensino confirmatório é a experiência de ensino mais arraigada e marcante. Dentre as características ou qualidades do bom pastor e do bom professor men­ cionou-se que. tanto paroquial quanto escolar. como junta. Na IECLB. em geral. a mudança de denominação religiosa e outros.. norteando a educação. ex. como acontece na escola dominical. não-especííico da respectiva Igreja mantenedora. teste­ munho e vivência cristãos. embora todas as pesquisas históricas dêem ênfase às mesmas enquanto campo missionário das igrejas. por seu exemplo. Surpreende o pouco destaque dado pelas pesso­ as entrevistadas ao papel das escolas denominacionais. 2. Observa-se no ER o uso de material didático diversificado. Assim. Tais propostas e diretrizes existem em forma de documentos e de planos aprovados em concilios. Chamou muito a atenção o destaque dado à grande influência do educador enquanto pessoa no processo de ensino-aprendizagem na fé. Nas escolas denominacionais. ao lado do culto infantil. tomando-se este trabalho escolar gradativamente mais independente da administração eclesial.

uma vez que os pais têm outros programas ou prioridades aos domingos. A reflexão. Tem-se.O papel da família Há unanimidade quanto ao papel importante da família na educação cristã. dá-se pouca atenção a elas e à sua maneira de aprender. servindo de material oficial e base para os estudos. O conhecimento da Palavra é um meio de dinamizar 80 . Na IECLB. jovens e adultos. na pesquisa foram identificados basicamente três tipos de educa­ ção cristã ou de dinâmica de comunidade.ais periódicos elaborados pelas igrejas e publicados e distribuídos pelas suas editoras. em grande parte. por ali ser assentado o alicerce e acontecer o início dessa educação. Este papel se acentua nos lugares identificados como mais tradicionais e. o Cate­ cismo Menor de Martinho Lutero também desempenha um papel importante. com maior ênfase em mate­ riais para crianças. com pouco destaque para a questão litúrgica e celebrativa. muitas vézes.4 ~ Tipos de educação cristã Há consenso de que o ensino é um instrumento para a dinamização e edificação de comunidade. Na maioria das igrejas há materiais próprios e específicos para diferentes faixas etárias — crianças. ao lado da Bíblia. O ensino faz parte da própria dinâmica da comunidade. * Uma educação cristã evangelizadora e missionária. no conhecimento da palavra de Deus e no cresci­ mento cristão. e a chave para se ter uma comunidade dinâmica consiste em aproveitar os dons dos seus mem­ bros e em cuidar do seu aperfeiçoamento. as crianças vêm ao culto infantil trazidas pelos avós. em especial. da escola bíblica dominical. que acentua o testemunho na comunidade e na sociedade. a saber.3 .3. As respectivas comunidades têm clareza a respeito da dimensão política de sua tarefa. especialmente devido à falta de um preparo adequado dos professores. 2. por meio da catequese. entre os entrevista­ dos adultos destas comunidades. muitas vezes. Apesar de haver apoio às famílias por parte das igrejas. não acontece a partir do próprio texto bíblico. adolescentes. imprensas ou juntas. este é considerado insuficiente e muitas vezes inadequado. Aí observa-se um paradoxo: embora haja muitos materiais para crianças. uma visão idealizada do papel da família na educação cristã. Em outros lugares destaca-se o papel dos avós na educação cristã. A leitura da Bíblia acontece junto com a leitura da realidade. Assim como a educação formal é delega­ da pela família às escolas. mas sim a partir do texto da revista ou do manual. do culto infantil ou do ensino confirmatório. A ênfase maior na ED/EBD está no estudo bíblico.3. * Uma educação cristã transformadora. 2. têm um papel fundamental na catequese e na ED/EBD. É uma instituição que passa por grandes mudanças e tem cada vez menos condições de rea­ lizar um trabalho educativo mais explícito. parece haver a tendência crescente de ela delegar a educa­ ção cristã às igrejas. que tem como objetivos básicos conhe­ cer a realidade e promover mudanças. da escola dominical. Num contexto urbano chamou a atenção o fato de que. Neste sentido.

relativos a atitudes. a atuação sócio-política e o esforço de construção e ma­ nutenção de comunidade.Conteúdo e sociedade Aparece de forma recorrente o desejo de que as igrejas levem mais seriamente em consideração as necessidades do grupo. As pesso­ as que responderam os questionários. Cotejando-se as informações apresentadas nos relatórios podemos depreender o seguinte: 2. a Igreja-instituição. Estes três tipos de educação cristã não precisam se excluir mutuamente. o ensino tende a enfatizar a transmissão de conhecimentos.4. quais os conteúdos (aqui vistos como cognitivos. que poderiam representar pólos diferentes num trabalho mais completo. de uma maneira geral. ora com a tensão entre o conteúdo da educação cristã e a vida. Tal reclamo assinala uma desconexão entre ensino e vida.2 . que são de fato os que permanecem? Meios e conteúdos. Uma vez que as atividades da comunidade estão muito centradas em sua preservação. Não há uma dimensão política explícita. a sociedade.a açào evangelizadora em grupos dentro da comunidade e em atividades de cunho social. a transmissão de determinados valores e a dimensão tera­ pêutica. Ultrapas­ sar as fronteiras do “puramente religioso” e promover uma educação cristã verdadeira­ 81 .4 . * Uma educação cristã mantenedora de comunidade. a habilidades de atuar.Conteúdo e vida O conteúdo da educação cristã está para além de um mero conjunto de informa­ ções de um determinado credo a ser assimilado pelo aluno ou catecúmeno. ao que indica a pesquisa. estratégias). com repercussões na própria questão ecumênica. não identificam os conteú­ dos aprendidos. Por isso mesmo. à forma de se ensinar. são indissociáveis. 2. e. Pode-se inferir pela pesquisa que o conteúdo retido é aquele relativo ao próprio processo de aprendizagem.O conteúdo e suas interações Os relatórios de pesquisa de campo revelaram a incidência de uma preocupa­ ção ora com a desconexão. bem como a relação entre o que é estudado e a realidade vivencial da comunidade. Não está claro o que. fazer. Seria desejável que houvesse limites permeáveis entre as diferentes experiências. aproximando o testemunho evangelizador. Este fato sugere a pergunta: os programas (conteúdos) contemplam os aspectos mais subjetivos. em conseqüência — para usar o mote tão consagrado — entre fé e vida. 2.1 .4. que enfatiza o bom func onamento da comunidade. O conteú­ do da educação cristã guarda uma íntima relação com o significado que se dá à exis­ tência. enquanto memória do processo de aprendizagem. Cada um deles acentua aspectos diferentes da vida de fé das pessoas e das comunidades. às festas e ritos. Para as pessoas o mais significativo está no afetivo e não no conteúdo propriamen­ te dito. as pessoas aprendem. à vivência relacionai. de fato. ele pode exercer um “impacto” significativo sobre a pessoa na medida em que se conseguir relacioná-lo à subjetividade.

observa-se pela pes­ quisa que a revista da escola dominical. quando se trata de ensino. ex.4. E. Poderíamos pensar na diaconia. Por “biblicista” se entende o estudo da Bíblia pelo simples estudo. Quanto à questão do material utilizado na educação cristã. 2. Apontou- se também o caráter “biblicista” dos conteúdos. trabalhar de forma a superar a dicotomia entre culto e ensino. O contexto referencial é demasiado restrito ao mundo eclesial. isto não parece ocorrer. não são encarados como tais. vindo a Bíblia a ocupar uma posição secundária. Na pesquisa se revela muito fortemente este tipo de condicionamento dos programas de educação cristã aos interesses ou priorida­ des da Igreja-instituição. que. Possivelmente. p. mesmo que tenham propósitos tipicamente educativos. não se levando em consideração os referenciais do que poderia ser chamado de “vida secular’. da escola domini­ cal. pois quando se fala em “educação cristã” geralmente se está fazendo referência a um determinado programa formal desenvolvido pelas igrejas. sem uma maior conjugação com a vida. A educação cristã desenvolvida no espaço eclesial tem seus contornos em grande parte delimitados pelo interesse institucional. Além disso. por outro lado. 82 . ex. que é sempre construída de forma dinâmica e plurívoca. Mesmo em relação àqueles ministérios com que a educação cristã deveria guardar uma proximi­ dade mais estreita. Os resultados da pesquisa indicam que normalmente não se leva em consideração a dimensão didático-pedagógica da liturgia. porém. quanto mais as igrejas estiverem volta­ das para si mesmas e para questões tais como a identidade denominacional. que vai desde a superação do discurso com acento demasiadamente eclesial até o que poderíamos chamar de “sadia secularização”. Isto é. os aspectos litúrgico-simbólicos na maioria das vezes ficam olvidados. mais aca­ nhada será a proposta de educação cristã. p.. o conteúdo muitas vezes não ultrapassa o âmbito da vida paroquial.3 . Há um reducionismo em termos de concepção de educação cristã. que relega a um segundo plano os aspectos subjetivos. não são enquadrados no âmbito da educação cristã. ser algo natural e até esperado. Fato é. o Catecismo Menor ou ainda outros materiais assumem um status de referencial de autoridade superior.. Esta restrição na compreensão de educação cristã tem como conseqüência a não-construção de um projeto global de formação para a Igreja. o que parece. querendo designar com este termo o rompimento com uma cosmovisão unívoca de origem teológico-dogmático-eclesial e um concomitante exercí­ cio de imersão na realidade. do culto. ou em outros. Por isso. Ao menos ele não é conscientemente pensado enquanto tal. constitui um dos grandes desafios postos à educação cristã. por trás de tal postura está uma concepção mecanicista de ensino.Conteúdo e instituição Há uma necessidade flagrante de integrar o ensino aos demais ministérios de­ senvolvidos nas igrejas. logo. dentro de certa medida. que na verdade constituem o que pode haver de mais rico na fé cristã. não se valoriza o culto como lugar privilegiado para o desenvolvimento de um processo de ensino- aprendizagem. Os demais programas.mente embebida de vida exige uma atitude corajosa de seus agentes. E o caso. Existe um hiato entre culto e ensino. enquanto âmbitos estanques da vida eclesial. como é o caso.

Por haver falta de uma avali­ ação sistemática do planejamento. tanto do professor como do grupo. Há também indicações de que o planejamento deve levar em consideração a diversidade das comunidades e das regiões. Constata-se. este se toma incompatível com a realidade das comunidades. No exercício da prática educacional se estabelece uma concentração de poder. e até da comunidade. 83 . que não há menção de um espaço oficial para avaliações. ao mesmo tempo. estas estão acontecendo na medida em que as pessoas percebem o que precisa ser modificado no ministério educacional. estando às vezes o trabalho de educação de distintas faixas etárias vinculado a secretarias dife­ rentes. as pessoas da comunidade confiam que “os pastores e educadores sabem o que estão fazendo”. portanto.2. cobrando coerência e competência dos educadores e deixando de participar das atividades. ou seja. Quanto à avaliação dos programas educacionais. a falta de um planejamento global. na maioria das igrejas. destacando a importância de se levar mais em consideração as necessidades do grupo e a participação da comunidade na definição do conteúdo. sem uma preocupação crítica com o processo de ensino-aprendizagem. por não se sentirem atendidas em suas necessidades. Observa-se. a necessidade de um planejamento de estratégias gerais de atuação. as avaliações acontecem apenas através de comentários à parte ou de alguma comissão. Várias pessoas entrevistadas apontaram para a necessidade de uma avaliação e reformulação dos referidos programas oficiais. há uma compartimentalização dos setores responsáveis pela educação. Observa-se ainda que as comunidades não dispõem de instrumentos para anali­ sar as lacunas existentes em seu programa educacional. Não se consideram devidamente as vivências e necessidades das comunidades. resultando no estabelecimento de uma dicotomia entre conteúdo e vida. bem como a necessidade de uma maior relação entre o con­ teúdo do ensino e a realidade e de uma maior coerência entre o estudo e a vivência.Planejam ento e avaliação Uma das lacunas percebidas através da pesquisa realizada está na área do pla­ nejamento e da avaliação das atividades educacionais das igrejas. A busca de uma proposta uniforme preci­ sa dar lugar a uma tentativa de integrar as diferenças em tomo de metas comuns. Não existem avaliações sistemáticas. Isso acontece tanto a nível institucional quan­ to em comunidades locais. Na programação das atividades educacionais os esquemas já tradicionalmente assentados são repetidos de modo automático. Aparece.5 . na prática ele não é efetivado. que não se comunicam entre si. Apesar de se preconi­ zar o sacerdócio de todos os crentes.

.) Para viabilizar a integração em iniciativas de formação sugere-se: a) Elaborar e divulgar uma agenda com os programas de formação oferecid pelas diferentes igrejas e centros ecumênicos. a CELADEC pode desempenhar cada vez mais sua função de construtora e mantenedora de uma rede de igrejas e centros ecumênicos. apesar das diferenças de origem e de doutrina. A pesquisa indica que. desconfiança quanto ao uso e à produção de material. Mas há também algumas indicações de pistas que podem ser do interesse das igrejas. A formação em programas ecumênicos teria ainda a vantagem de possibilitar um maior distanciamento crítico do trabalho interno na denominação. uma vez que foi no âmbito desta entidade que a idéia da pesquisa germinou e se desenvolveu. algumas recomendações para a própria CELADEC-Brasil. tanto daquelas que tiveram um envolvimento mais direto na pesquisa quanto daquelas que não participaram. com certeza encontrarão algumas coincidên­ cias entre a prática analisada e a sua própria.. Como pano de fundo para qualquer ação parece colocar-se a necessidade de construir pontes. A CELADEC pode desempenhar um papel importante para que essa formação seja realizada em conjunto pelas igrejas. Isso permitiria que denominações e comunidades locais organizassem a participação de educadores numa variedade de programas.)...Recomendações para a CEL ADEC 1. primeiramente. A formação deveria contemplar tanto uma visão do micro (comunidade. as igrejas e outras entidades ecumênicas envolvidas com a educação. C a p a cita çã o : Há uma necessidade premente de investir na formação teórica e prática dos edu­ cadores e educadoras. preocupadas com sua responsabilidade na educação. uma política de propiciar o conhecimento mútuo para que possam ser quebradas as barreiras que se fazem sentir de várias formas no campo educacional (isolamento em termos de programa­ ção. 3. duplicação de esforços e recursos na formação.Considerações finais As conclusões trazem implícitas algumas propostas de ação para a CELADEC. Há. necessidades específicas da denominação.1 . em primeiro lugar. Pretende-se com estas considerações finais apenas enfatizar ou explicitar aspectos que deveriam merecer uma atenção especial. etc. Isso talvez signifique.) como do macro (dificulda­ des comuns. Neste sentido. há problemas muito comuns enfrentados pelas pessoas que lidam com o ministério educacional. mas que. 3 . o lugar do ministério educacional na Igreja e na sociedade. Poderiam ainda ser melhor utilizados os boletins e periódicos existentes (da CELADEC e das entidades filiadas e relacionadas) para a divulgação de cursos e programas de formação. 84 .

b) Propiciar o encortro de pessoas responsáveis por programas de formação de educadores das igrejas e entidades. 4. Desenvolvimento de modelos: Sugere-se ir além do nível das intenções e criar possibilidades para o desenvol­ vimento conjunto de modelos que possam ser aplicados. 2. considerando a dinâmica da comunida­ de existente e o desafio de sua transformação. 3. 3. 4. por que não pensar num curso ecumênico regular para a formação de obreiros para o ministério educacional? c) Divulgar projetos de formação das igrejas que possam servir de base para o desenvolvimento de outros programas nas igrejas e a nível ecumênico. com a devida adaptação. Concretamente. Capacitação de agentes tendo em vista uma atuação ecumênica. sugere-se a publicação de Cadernos de capacitação com material teórico e prático para a formação das educadoras. visando a um conhecimento mútuo e eventual trabalho conjunto. Divulgação: Um dos grandes problemas que impedem um melhor aproveitamento dos re­ cursos e entravam o crescimento mútuo é a dificuldade de comunicação entre as pessoas envolvidas no ministério educacional.Considerações para as igrejas 1. Previsão de recursos financeiros. 5. 85 . 6. Subsídios: Elaborar subsídios para uso nas diferentes igrejas e entidades de capacitação. Dar especial atenção à nova realidade da família e seu papel na educação cristã. 8. Organização de um ministério especifico. Valorização das pessoas que trabalham na educação cristã. em diferentes contextos. Por exemplo. 2. Propõe- se que a CELADEC aproveite ainda melhor os lugares estratégicos para veicular informações que estimulem o desenvolvimento do ministério educacional. A educação cristã precisa recriar-se. Continuar na linha de conceber a educação cristã além da escola dominical. Este problema ocorre dentro das pró­ prias igrejas e obviamente assume proporções maiores entre denominações.2 . 7. Dar atenção aos dois eixos em que se situa a dificuldade apontada: a disponi­ bilidade de recursos (material) adequados e a formação de agentes. 3.

também não pode ser entendida como um manual pedagógico.3 . mas não pode se transform ar no privilégio de algumas pessoas especializadas. Uma vez instaurado. 86 . o próprio diálogo desafiará a ampliar o círculo de interlocutores e a obter instrumentos que permitam um conhecimento mais pro­ fundo da realidade. lembra muito bem Pedro Demo. um referencial central para todas as igrejas cristãs.Um a pergunta final Preferimos terminar este relatório com uma pergunta que foi assumindo maior importância à medida que chegávamos ao fim da análise: quem são os interlocutores quando se quer repensar a prática educativa nas igrejas? Sabemos que não bastam os recursos da própria prática para gerar uma reflexão coerente e eventuais mudanças. A Bíblia. tampouco contém estratégias que pudessem ter uma aplicação imediata. Esse diálogo é conduzido de maneiras diferentes e com instrumentos diferentes.3. Pesquisa. é interagir com ela de forma critica. pode ser definida como diálogo com a realidade (cf Pesquisa —Principio Científico e Educativo). a liderança nesta área muitas vezes carece de uma formação mais especializada que lhe pudesse facilitar a busca de saídas para os impasses e dificuldades. Além disso. Com este estudo deseja-se sinalizar que um ponto de partida é ouvir a realida­ de.

quando e onde você aprendeu essas coisas importantes em termos de fé? c) Como o pastor. ANEXO: ROTEIRO DE ENTREVISTA Q u estã o n° 1: a) Quais as aprendizagens mais importantes em relação à sua fé cristã e sua compreensão desta fé? O que mais marcou você? b) Procure lembrar-se de como. evangelizaçâo. comunhão. administração. aconselhamento pastoral. ou­ tro)? ' c) Por que esses ministérios são importantes? Q u estã o n ° 4: a) O que é mais importante no ministério de Jesus: pregar. os pais ou outras pessoas faziam o seu ensi­ no? O que era importante para essas pessoas? Q u estã o n° 2: a) Que tipos de programas educacionais existem em sua comunidade? Quem ensina? Como é a formação destas pessoas? b) Que tipo de material é utilizado? Como é utilizado? Q u estã o n° 3: a) Quais são os serviços/ministérios existentes em sua comunidade? b) Quais dos ministérios são mais importantes (ensino. os professores. pregação. na prática. compreende os ministérios de pregação e ensino? Eles são importantes na comunidade? Q u estã o n° 5: Qualidades de pregadores e professores (educadores): a) O que caracteriza o pastor como bom pregador? E como bom educador? b) O que caracteriza um bom educador? c) O que faz com que a pregação e o ensino sejam considerados ministérios? d) Existe alguma forma de avaliação da pregação e do ensino em sua Igreja? Quem a faz? Como é feita? 87 . missão. de que pessoa(s). culto. serviço. ensinar ou curar? b) Como isso aparece na Bíblia? c) Como sua comunidade.

salas e outras despesas? c) Qual a percentagem do orçamento que a IgTeja gasta com a formação de obreiros? Questão n° 7: a) Em que nível (local. catequistas.. regional e central) da estrutura da Igreja há apoio para a educação cristã? Que tipo de apoio (material. preparação de professores (cursos. que cursos de Educação Cristã você teve? b) Que cursos de Educação Cristã eram obrigatórios? c) Que outros cursos eram oferecidos? . encon­ tros. homens ou mulheres)? É importante a presença de homens como professores no ensino das cri­ anças? c) Qual é a relação que você vê entre Batismo e educação? Entre Santa Ceia e educação? d) Há necessidades educacionais dos membros das comunidades que não este­ jam sendo consideradas? O que está faltando na comunidade em termos de educação cristã? e) Que tipo de ensino específico existe para aqueles que ingressam na comuni­ dade? f) A educação cristã leva em conta a realidade da comunidade.. leigos. da Igreja e do país? Questão n° 9: Perguntas para pastores: a) Em sua formação teológica. e) Para professores/educadores: Qual é a percepção que você tem de seu pró­ prio ensino? Para pastores: Qual é a percepção que você tem de sua própria pregação? Questão n° 6: De acordo com suas estimativas: a) Com que tipo de serviços e atividades a comunidade gasta o dinheiro que arrecada? b) Há uma previsão de recursos para a educação cristã? Qual a percentagem desse valor que se gasta com material. formação. outros)? b) Que tipo de apoio há para a pregação? Questão n° 8: a) Há oportunidades de aprendizagem para todo o ciclo da vida? Quais? b) Quem ensina nesses programas (o pastor. infra-estrutura.).

etc. Questão n° 11: Para pastores e educadores: a) Se você pudesse participar de cursos para ajudar em seu trabalho de educa­ ção cristã. o que você escolheria? Que cursos o ajudariam a ser melhor pregador ou educador? b) Que tipo de curso ou programa seria interessante para você (seminários de fim se semana. 8y . cursos de férias.. fundamentação da educação..)? e) De que cursos você sente falta? Questão n° 10: Perguntas para professores/educadores: a) Que cursos você fez em teologia e em educação? b) Foram oferecidos cursos para analisar a realidade? Descreva. seminár os. a) Mencione aqueles programas de que você participou (congressos. técnicas. retiros. d) Como esses cursos auxiliaram em seu ministério educacional (compreensão do processo educativo. etc.). acampamentos. Questão n° 16: Identifique outros programas educacionais na Igreja e fora dela.)? Questão n° 12: a) O que o trabalho da educação cristã tem a ver com o culto e com outras atividades da comunidade? b) Qual é a responsabilidade do educador em relação às outras atividades da comunidade? Questão n° 13: a) Os programas educacionais de sua comunidade têm o apoio de seu pastor? Que tipo de apoio ele dá? De que maneira está envolvido na tarefa educacional? b) A liderança leiga apoia o ministério educacional? De que maneira? Questão n° 14: De que maneira ensinar e aprender são responsabilidade de todo o povo de Deus? Você também ensina? De quem você aprende? O que você lê? Os programas de rádio e TV sao um auxílio para seu crescimento na fé? Q u estã o n° 15: O ensino e a pregação são a mesma coisa ou são diferentes? Explique.

) para com a educação crista na Igreja? Questão n° 19: Que lugar o educador ocupa dentro da estrutura da Igreja? E nà comunidade? •< Questão n° 20: Houve alguma coisa que dificultou ou atrapalhou a sua aprendizagem em edu­ cação cristã? Questão n° 21: Em termos de sua vida e crescimento como cristão. quem e o que tem sido especialmente importante para você? Por quê? 90 . b) De que maneira o ministério educacional da Igreja apóia e ajuda a família nesta sua tarefa? Questão n° 18: Sobre a questão da autoridade no ministério educacional: a) Quem estabelece o que deve ser ensinado e quem deve ensinar? b) Quem coordena e avalia a educação cristã em nível local (da comunidade)? Em nível da Igreja toda? c) O que é básico na formação daqueles que trabalham em educação cristã? d) Qual é a responsabilidade das instituições de formação teológica (faculda­ des. b) Você acha que estes programas precisam de mais apoio da Igreja? Explique. institutos. Questão n° 17: a) A família (de qualquer tipo ou estrutura) tem um papel na educação cristã? Explique. seminários...

Está concluindo o mestrado em Teologia no IEPG — São Leopoldo. em São Bernardo do Campo. onde atualmente exerce a função de vice-reitor. E autor de No Mesmo Barco. em São Leopoldo (RS). Tem vários artigos publicados na revista O Educador (JUERP) e é autora do livro infantil A Arca de Noé. E autor de Correntes Pedagógicas: Aproximações com a Teologia. Está concluindo sua tese de doutorado no IEPG — São Bernardo do Campo sobre o marketing da Igreja Universal do Reino de Deus. Danilo Romeu Streck é professor da Escola Superior de Teologia da Igreja Evan­ gélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e da UNISINOS. em São Leopoldo. em São Leopoldo. Oswaldo Kickofel é pastor e presbítero da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB). Leoniláo Silveira Campos é professor do Seminário da Igreja Presbiteriana In­ dependente (IPI). Hélerson Bastos Rodrigues é professor da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista em São Bernardo do Campo (SP). Marcos Alves da Silva é o atual coordenador continental da CELADEC. em Porto Alegre. 91 . Celma Christina Rocha da Veiga é professora do Colégio Batista de Porto Ale­ gre. É pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Antes foi o coordenador da Associação Interconfessional de Curitiba (ASS1NTEC) e da CELADEC — Região Brasil. em São Leopoldo (RS). em São Paulo. Cursa o mestrado em Histó­ ria na UNISINOS. Remi Klein é coordenador da equipe do Departamento de Catequese da IECLB. Também é jornalista e coordena o Projeto Memória da IEAB. e professor da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF). Paulo Gilberto Klein é professor da rede municipal de São Leopoldo e atua com os movimentos sociais da região. AUTORES E COLABORADORES Aldino Segala é integrante da equipe do Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (CECA). Exerce também a função de coordenador da CELADEC — Região Brasil. É mestrando em Teologia no IEPG. Trabalhou com crianças e adolescentes no PROAME e na Casa da Criança e do Adolescente. e do Instituto Metodista de Ensino Superior.

Correlacionar educação e religião é uma das tarefas nobres de uma instituição como a nossa. para a paz entre os povos. fundada em 1962. uma das linhas de pesquisa de nosso Curso de Pós- Graduação em Ciências da Religião. Este é nosso modo de contribuir para o convívio harmonioso entre pessoas diferentes. não só na linha dc pesquisa Educação e Religião. Atualmente está sediada em Curitiba (PR). Teologia e História. oriundos de diferentes experiências religiosas. O Instituto Ecumcnico de Pós-Graduação em Teologia (IEPG) c uma entidade ecumênica de formação teológica a nível de pós-graduação em Teologia. Desenvolve suas ações na área educativa por meio dc quatro programas fundamentais: Seminários de Capacitação para Agen­ tes Educativos. comprometida com a proposta ecumênica. Região Andina. Teologia Prática e Ciências Sociais e Reli­ gião. INFORMAÇÕES SOBRE OS CO-EDITORES A Comissão Evangélica Latino-Americana de Educação Cristã (CELADEC) é uma entidade ecumênica. O respeito mútuo entre todos nós. Região Cone Sul e Região Caribe-Venezuela). a educação para a liberdade é o horizonte também desta Pós- Graduação. com presença em 21 paises da Amércia Latina e do Caribe. é de grande relevância. que visa o estudo das teorias e práticas educacionais das igrejas na América Latina. Com satisfação o Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Reli­ gião. mas também nas de­ mais áreas: Bíblia. O IEPG oferece cursos de mestrado e doutorado em Teologia nas áreas Bíblia. Está organizada em cinco regiões (Região da América Central e do México. Por esta razão também participa da publicação dos textos reunidos em Educação e Igrejas no Brasil. para a participação democrática. Teologia e História e Teologia Prática. O IEPG é constituído por igrejas reunidas num Conselho Ecumênico e vinculado acadêmica e administrativamente à Escola Superior de Teologia (EST) de São Leopoldo (RS). Por isso. a partir de uma perspectiva cristã e ecumênica. 92 . Região Brasil. Curso Latino-Americano para Educadores Cristãos e Educadores Populares. participa desta co-edição. Centro de Rccursos para Educação Cristã e Educação Popular (CRECEP) e Programa dc Produção Editorial. Dentro desta última desenvolve a linha de pesquisa Educação Cristã. a partir de 1996. Educação e Religião será. sediado cm São Bernardo do Campo (SP). Seu objetivo é apoiar as igrejas e os organismos de educação cristã c cducação popular em sua tarefa educativa.

sua estru­ tura. desen­ volvido por um grupo de educadores e teólogos num período de dois anos. seu lugar. . Por isso. suas ênfases. seus agentes. Vários grupos de diferentes contextos em cada Igreja participaram das entrevistas na pesquisa de campo. reuniu-se uma amostragem significativa e bem diversificada. Assim. suas motivações teológicas. Tudo isso representou um verdadeiro mutirão de pesquisa e de reflexão visando conhecer e compreender a educação em nossas igrejas: sua história. sua dinâmica e suas possibilidades. Representantes de seis igrejas participaram integralmente desse processo de caráter ecumênico. UCAI EI6RE 0 Um etmtà ecu«Hê*Uw Este livro recolhe os resultados do projeto de pes­ quisa "Igrejas brasileiras e ministério educacional". esta obra constitui um subsídio valioso para todas as pessoas enga­ jadas ou interessadas no ministério educacional da Igreja. Diversos pesquisadores se envolveram na investigação histórica de caráter bibliográfico de cada Igreja participante.