Prezado Leitor,
Direito Administrativo Descomplicado
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 24.ª para 25.ª edição
A finalidade deste material é disponibilizar aos consumidores da 24ª edição as atualizações legislativas realizadas para a 25ª edição da obra, sem prejuízo de textos que foram reformulados ou inseridos conforme necessidade identificada pelos autores no desenvolvimento da nova edição.
Pág. 41: Incluir, após o último parágrafo, o texto abaixo:
Registramos que o Decreto 8.945/2016, o qual regulamentou, na esfera federal, a Lei 13.303/2016, procurou estabelecer algumas definições relevantes – porém elas só se aplicam à órbita federal e dizem respeito, tão somente, a entidades que de algum modo estejam relacionadas com empresas públicas e sociedades de economia mista. Merecem reprodução estes dispositivos do Decreto 8.945/2016:
Art. 2.º Para os fins deste Decreto, considera-se:
I – empresa estatal – entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, cuja maioria do capital votante pertença direta ou indiretamente à União;
IV – subsidiária – empresa estatal cuja maioria das ações com direito a
voto pertença direta ou indiretamente a empresa pública ou a sociedade de economia mista;
V – conglomerado estatal – conjunto de empresas estatais formado
por uma empresa pública ou uma sociedade de economia mista e as suas respectivas subsidiárias;
Parágrafo único. Incluem-se no inciso IV do caput as subsidiárias integrais e as demais sociedades em que a empresa estatal detenha o controle acionário majoritário, inclusive as sociedades de propósito específico.
Pág. 43: Substituir os dois parágrafos logo abaixo da citação “É dispensável seguinte texto:
”, pelo
O julgado não versava sobre a autorização para participação no capital de empresas privadas, referida na parte final do inciso XX do art. 37, mas, a nosso ver, não há motivo para adotar interpretação diferente nessa hipótese. Alvitra apontar, aliás, que o Decreto 8.945/2016, o qual regulamentou, na esfera federal, a Lei 13.303/2016, seguiu
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expressamente essa linha, estabelecendo que “a participação de empresa estatal em sociedade privada dependerá”, dentre outros requisitos, de “prévia autorização legal, que poderá constar apenas da lei de criação da empresa pública ou da sociedade de economia mista investidora” (art. 8.º, I). E, de forma ainda mais explícita, averbou que, “na hipótese de a autorização legislativa ser genérica”, será necessária “autorização do conselho de administração para participar de cada empresa” (art. 8.º, III).
Por fim, o Supremo Tribunal Federal deixou assente, na mesma decisão ora em comento, que o inciso XX do art. 37 da Constituição não pode ser invocado para fundamentar a criação de sociedades de economia mista (ou de qualquer outra entidade da administração indireta). A criação de entidades da administração indireta só é possível nos termos impostos pelo inciso XIX do art. 37, significa dizer, a entidade deve ser criada, ou ter a sua criação autorizada, por uma lei específica, que defina os contornos básicos de sua estrutura e suas competências.
Pág. 75: O item 4.7.3 foi totalmente reformulado de acordo com as novas disposições trazidas pela Lei 13.303/2016 (Estatuto das Empresas Estatais)
Pág. 157: substituir a nota de rodapé 8, pelo texto abaixo:
Para os municípios, a Lei 13.019/2014 entrou em vigor em 1.º de janeiro de 2017. Não obstante, desde 23 de janeiro de 2016, o município que assim desejasse teve a faculdade de implantar, em seu âmbito, mediante ato administrativo local, as normas nessa lei estabelecidas (art. 88, §§ 1.º e 2.º).
Pág. 398: Acrescentar, como primeiro parágrafo da página, o texto abaixo:
Por fim, ainda sobre a aposentadoria compulsória ora em foco, cumpre averbar que – apesar de o art. 40 da Constituição, no seu § 1.º, asseverar explicitamente que estão sujeitos a esse parágrafo “os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo” (e o art. 40 alcança tão somente os “servidores titulares de cargos efetivos”) – durante certo tempo grassou alguma controvérsia quanto à aplicabilidade, ou não, dessa modalidade de aposentadoria aos servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão. O Supremo Tribunal Federal decidiu a questão afastando a sujeição desses servidores à aposentadoria compulsória prevista no inciso II do § 1.º do art. 40 da Carta Política – e, sobre o tema, fixou a seguinte tese de repercussão geral: 1
1 – Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1.º, II, da Constituição Federal, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de nomeação a cargo em comissão;
2 – Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há
1 RE 786.540/DF (repercussão geral), rel. Min. Dias Toffoli, 15.12.2016.
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óbice constitucional a que o servidor efetivo aposentado compulsoriamente permaneça no cargo comissionado que já desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração.
Pág. 420: Incluir antes do primeiro parágrafo, o seguinte texto:
Será igualmente concedido horário especial ao servidor que participe de banca examinadora ou de comissão para correção e elaboração de provas, análise de currículos e julgamento de recursos em concursos, ou atue como instrutor em cursos instituídos no âmbito da administração pública federal, nos termos descritos nos incisos I e II do art. 76- A da Lei 8.112/1990 – artigo que versa sobre a gratificação por encargo de curso ou concurso –, com exigência de compensação de horário, que deverá ser efetuada no prazo de até um ano.
Pág. 626: O item 11 foi inteiramente reformulado com o título “Contratos celebrados por empresas públicas e sociedades de economia mista (Lei 13.303/2016)”. O antigo item 11 passou a ser item 12, com o mesmo título “Convênios Administrativos”.
Pág. 631: Item 11.1 “Transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse (Decreto 6.170/2007)”: Acrescentar, após o primeiro parágrafo, o seguinte texto:
O art. 18 desse decreto prevê que ato conjunto dos Ministros de Estado da Fazenda,
do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União disponha sobre a sua execução. Tal ato conjunto poderá dispor sobre regime de procedimento específico de celebração, acompanhamento, fiscalização e prestação de contas para os convênios e os contratos de repasse, de acordo com faixas de valores predeterminadas.
A Portaria Interministerial CGU/MF/MP 507/2011 (D.O.U. de 28.11.2011), editada com
fundamento no referido art. 18, contém normas bastante detalhadas acerca da execução
do Decreto 6.170/2011.
As disposições do Decreto 6.170/2011 não se aplicam aos termos de fomento e de colaboração e aos acordos de cooperação previstos na Lei 13.019/2014 – “marco regulatório das organizações da sociedade civil” –, já estudada em tópico específico desta obra.
Pág. 634: Substituir inciso I no final da página, por:
I – com órgãos e entidades da administração pública direta e indireta dos Estados, do
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Distrito Federal e dos Municípios cujos valores sejam inferiores aos definidos no ato conjunto previsto no art. 18;
Pág. 635: Incluir o inciso VI:
VI – cuja vigência se encerre no último ou no primeiro trimestre de mandato dos Chefes do Poder Executivo dos entes federativos.
Pág. 742: O item 14 foi completamente reformulado, passando a ter o título “Licitações realizadas por empresas públicas e sociedades de economia mista (Lei 13.303/2016)”
Pág. 994: Substituir segundo parágrafo pelo texto abaixo:
Essa lei também não se preocupou em definir improbidade administrativa, mas apresenta – conforme será visto adiante – descrições genéricas, acompanhadas de extensas listas exemplificativas, de condutas (inclusive omissivas) que se enquadram como “atos de improbidade administrativa”, classificados em quatro categorias, e estabelece as sanções aplicáveis.
Pág. 997: Item 7.2: Substituir o primeiro parágrafo pelo texto abaixo:
A Lei 8.429/1992 classifica os atos de improbidade administrativa em categorias (ou grupos ou modalidades). No texto originário da lei, eram três esses grupos, arrolados nos arts. 9.º, 10 e 11. A Lei Complementar 157/2016 acrescentou à Lei 8.429/1992 o art. 10-A, que descreve uma quarta categoria de atos de improbidade administrativa. 2 Atualmente, portanto, temos as seguintes modalidades de atos de improbidade administrativa:
a) atos de improbidade administrativa que importam em enriquecimento ilícito (art.
9.º);
b) atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário (art. 10);
c) atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (art. 10-A); e
d) atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública (art. 11).
2 O art. 10-A da Lei 8.429/2016 somente produzirá efeitos após o decurso do prazo de um ano contado da publicação da LC 157/2016 (que ocorreu em 30 de dezembro de 2016), conforme preceitua o § 1.º do art. 7.º dessa lei complementar.
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A técnica empregada nos arts. 9.º, 10 e 11 da Lei 8.429/1992 foi a de apresentar, no caput de cada qual, uma descrição conceitual dos atos de improbidade administrativa que compõem a categoria a que o artigo se refere e, exemplificativamente, enumerar, em incisos, diversos atos ou condutas (comissivas e omissivas) nele enquadradas. Já o art. 10-A, acrescentado pela LC 157/2016, contém tão somente a descrição conceitual, mas não a enumeração exemplificativa – esse artigo não se desdobra em incisos.
Como a quantidade total de incisos arrolada nos arts. 9.º, 10 e 11 é muito grande, limitar-nos-emos a reproduzir as definições legais sintéticas dos quatro grupos de atos de improbidade administrativa, conforme se encontram nos capita dos arts. 9.º, 10, 10-A e 11 da Lei 8.429/1992.
Pág. 999: Incluir, antes do primeiro parágrafo, o texto abaixo:
A Lei 8.429/1992 claramente estabeleceu uma hierarquia entre os três grupos de atos de
improbidade administrativa originariamente nela discriminados, em função da gravidade e da lesividade social de cada um. A LC 157/2016 aparentemente procurou seguir essa
lógica, introduzindo a quarta modalidade de atos de improbidade administrativa no art. 10- A. Com esse expediente, pretendeu explicitar que o novo grupo seria menos lesivo do que
o dos atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário (art. 10) e mais
reprovável do que o dos atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública (art. 11). Acontece que, ao analisarmos as sanções cominadas pela LC 157/2016 para a prática dos atos de improbidade administrativa por ela incluídos no art. 10-A da Lei 8.429/1992, essa posição hierárquica do novo grupo não fica tão evidente, salvo pelos prazos máximos e mínimos de suspensão dos direitos políticos.
De toda sorte, fica o registro: a LC 157/2016 situou topicamente os atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário (art. 10-A) como categoria de gravidade intermediária entre a dos atos que causam prejuízo ao erário (art. 10) e a dos que atentam contra os princípios administrativos (art. 11).
Pág. 1000: Substituir o último parágrafo do item 7.2 pelo texto abaixo:
Por fim, consoante a jurisprudência prevalente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o enquadramento da conduta do agente nas três categorias de atos de improbidade administrativa originariamente previstas na Lei 8.429/1992 exige a demonstração do elemento subjetivo – consubstanciado pelo dolo, no caso dos tipos descritos no art. 9.º (enriquecimento ilícito) e no art. 11 (violação dos princípios da administração pública), e, ao menos, pela culpa, nas hipóteses do art. 10 (prejuízo ao erário). 3 Ainda não existe, sobre o tema (necessidade de comprovação de dolo ou culpa), orientação jurisprudencial concernente aos atos de improbidade administrativa
3 REsp 1.192.056/DF, red. p/ o acórdão Min. Benedito Gonçalves, 17.04.2012 (Informativo 495 do STJ).
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decorrentes de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário, inseridos no art. 10-A da Lei 8.429/1992 pela LC 157/2016.
Pág. 1002: Substituir o restante do texto da página, após o parágrafo que começa com
“Consequentemente
”,
pelo texto abaixo:
Estatui o art. 17 da Lei 8.429/1992 que, para ajuizar a ação de improbidade administrativa, são legitimados ativos ad causam, concorrentemente, o Ministério Público e a pessoa jurídica interessada.
A “pessoa jurídica interessada” legitimada a propor a ação de improbidade administrativa
é aquela contra a qual o ato de improbidade foi praticado, ou a entidade que sofreu
alguma lesão patrimonial decorrente desse ato – desde que se trate de uma das pessoas que a Lei 8.429/1992, no seu art. 1.º, define como sujeitos passivos dos atos de improbidade administrativa.
A LC 157/2016 incluiu no art. 17 da Lei 8.429/2016 o § 13, o qual preceitua que um dos
legitimados a intentar a ação de improbidade administrativa é “o ente tributante que figurar no polo ativo da obrigação tributária de que tratam o § 4.º do art. 3.º e o art. 8.º-A” da LC 116/2003. A referência ao § 4.º do art. 3.º da LC 116/2003, que havia sido acrescentado a
essa lei complementar pela LC 157/2016, ficou prejudicada, porque ele foi vetado. Já o art. 8.º-A da LC 116/2003, também introduzido pela LC 157/2016, estabelece que a alíquota mínima do imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN), de competência dos municípios e do Distrito Federal, deve ser de dois por cento – e proíbe a concessão de qualquer benefício tributário ou financeiro que implique redução, direta ou indireta, desse nível de carga tributária.
Vale lembrar que a mesma LC 157/2016 acrescentou à Lei 8.429/1992 o art. 10-A, que considera ato de improbidade administrativa decorrente de concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário qualquer ação ou omissão que acarrete descumprimento às normas referentes à alíquota mínima de dois por cento do ISSQN estabelecidas na LC 116/2003.
Em suma, apesar de o texto do § 13 do art. 17 da Lei 8.429/1992 ser um tanto abstruso, tudo indica que o legislador pretendeu explicitar que o município (ou o Distrito Federal) competente para exigir o ISSQN tem legitimação ativa para propor a ação de improbidade administrativa contra o responsável pela inobservância das normas concernentes à alíquota mínima do ISSQN vazadas no art. 8.º-A da LC 116/2003. 4
Pág. 1023: Substituir o segundo, terceiro e quarto parágrafos do item 7 pelo texto abaixo:
Nos §§ 2.º e 3.º do art. 22 há duas outras decorrências do informalismo moderado dos processos administrativos: (a) o reconhecimento de firma somente será exigido quando
4 O § 13 do art. 17 da Lei 8.429/2016 somente produzirá efeitos depois de um ano, contado da data da publicação da LC 157/2016 (30 de dezembro de 2016).
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houver imposição legal, ou em caso de dúvida de autenticidade; e (b) a autenticação de documentos exigidos em cópia pode ser feita pelo próprio órgão administrativo.
O Decreto 6.932/2009, cujas disposições obrigam os órgãos e entidades do Poder Executivo federal, versa sobre autenticação de cópias de documentos que devam ser juntados ao processo no seu art. 10, a seguir reproduzido:
Art. 10. A juntada de documento, quando decorrente de disposição legal, poderá ser feita por cópia autenticada, dispensada nova conferência com o documento original.
§ 1.º A autenticação poderá ser feita, mediante cotejo da cópia com o original, pelo próprio servidor a quem o documento deva ser apresentado.
§ 2.º Verificada, a qualquer tempo, falsificação de assinatura ou de
autenticação de documento público ou particular, o órgão ou entidade considerará não satisfeita a exigência documental respectiva e, dentro do prazo máximo de cinco dias, dará conhecimento do fato à autoridade competente para adoção das providências administrativas, civis e penais cabíveis.
Resulta do disposto na Lei 9.784/1999 e no Decreto 6.932/2009 que o administrado, na órbita federal, não pode ser obrigado a apresentar cópia de documento autenticada em cartório. Ele tem a opção de entregar diretamente no órgão público o seu documento original, acompanhado da cópia respectiva, devendo o servidor competente verificar a fidedignidade desta, autenticá-la e devolver o documento original ao administrado. Para autenticar a cópia, basta ao agente público apor, nela mesma, a sua identificação funcional (nome, cargo, matrícula e assinatura) e a anotação “confere com o original” (ou expressão equivalente).
Quanto ao reconhecimento de firma, o Decreto 6.932/2009 trazia uma norma que afastava a sua necessidade, observadas as mesmas ressalvas contidas na Lei 9.784/1999, mas, desbordando do texto legal, impunha, para a dispensa, a condição de que o documento fosse “assinado perante o servidor público a quem deva ser apresentado” (art. 9.º). O Decreto 8.936/2016 alterou a redação do art. 9.º do Decreto 6.932/2009, excluindo a exigência de assinatura do documento pelo administrado diante do agente público. Atualmente, o dispositivo estabelece, tão somente, o seguinte:
Art. 9.º Salvo na existência de dúvida fundada quanto à autenticidade e no caso de imposição legal, fica dispensado o reconhecimento de firma em qualquer documento produzido no Brasil destinado a fazer prova junto a órgãos e entidades da administração pública federal.
Pág. 1041: Substituir o segundo parágrafo pelo texto abaixo:
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No intuito de assegurar a satisfação dos créditos de terceiros contra a Fazenda Pública, reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado, está disciplinado, no art. 100 da Carta Política, um sistema próprio de pagamento, denominado regime de precatórios judiciários. Esse artigo já foi bastante alterado por mais de uma emenda constitucional. Sua redação atual é dada pela EC 62/2009 e pela EC 94/2016. O conteúdo da EC 62/2009 foi em parte declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 5
Pág. 1052: Substituir dois parágrafos logo abaixo “II – pessoas físicas seguir:
”,
pelo texto a
Cabe apontar, também, o art. 18 da Lei 8.629/1993, com a redação dada pela Lei 13.001/2014, o qual estabelece que a distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária pode ser feita mediante títulos de domínio, concessão de uso ou, ainda, por meio de concessão de direito real de uso (o dispositivo legal faz expressa referência ao art. 7.º do DL 271/1967). Ademais, o art. 38 da Medida Provisória 759/2016 – não convertida em lei até o fechamento desta edição – prevê a possibilidade de a concessão de direito real de uso, dentre outros instrumentos, ser utilizada com o propósito de conferir direitos reais para fins de regularização fundiária urbana.
Pág. 1097: Incluir, após ementa citada, o texto abaixo:
Sem prejuízo dos pontos expostos neste tópico, especialmente da orientação assentada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do sobrecitado RE 247.866/CE, é relevante anotar que os arts. 14 e 15 da Lei Complementar 76/1993 foram revogados pela Medida Provisória 759/2016, não convertida em lei até o fechamento desta edição. Essa mesma medida provisória acrescentou o § 8.º ao art. 5.º da Lei 8.629/1993 – artigo que trata da desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária –, explicitando que, “na hipótese de decisão judicial transitada em julgado fixar a indenização da terra nua ou das benfeitorias indenizáveis em valor superior ao ofertado pelo expropriante, corrigido monetariamente, a diferença será paga na forma do art. 100 da Constituição”
Pág. 1101: Substituir os parágrafos após “Conquanto não esteja
”,
pelo texto abaixo:
Vem a propósito registrar que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que a desapropriação confiscatória motivada pelo cultivo ilícito de espécies entorpecentes deve recair sobre a totalidade da área do imóvel, seja qual for a sua dimensão, mesmo que a cultura ilegal ocupe apenas uma pequena fração da superfície dele. 6 Em poucas palavras:
a expropriação decorrente do cultivo ilícito de plantas psicoativas a que se refere o art. 243 da Constituição deve abranger toda a propriedade, e não apenas a área
5 ADI 4.357/DF e ADI 4.425/DF, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, 14.03.2013.
6 RE 543.974/MG, rel. Min. Eros Grau, 26.03.2009 (Informativo 540 do STF).
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efetivamente cultivada.
Assim, mesmo que seja encontrada, por exemplo, uma plantação de maconha em poucos metros quadrados de uma grande propriedade rural, a totalidade da área do imóvel deve ser objeto da desapropriação confiscatória, sem que se possa, nesse caso, alegar ofensa ao princípio da proporcionalidade.
Em outra oportunidade, a Corte Constitucional deixou assente que o proprietário da gleba em que sejam plantadas espécies psicotrópicas efetivamente estará sujeito, como regra, à desapropriação confiscatória ora em exame, mas, caso ele consiga provar que não teve qualquer culpa – nem no seu dever de vigiar o uso que é feito de sua propriedade (culpa in vigilando), nem na escolha das pessoas que consentiu que possuíssem ou utilizassem o seu imóvel (culpa in eligendo) –, essa expropriação poderá ser afastada. 7 A responsabilidade do proprietário, portanto, não é do tipo objetiva, mas também não é uma responsabilidade subjetiva comum, pois milita contra ele uma presunção relativa de culpa. É ônus do proprietário, a fim de evitar a expropriação confiscatória, provar que nenhuma culpa lhe pode ser imputada.
Sobre esse tema, restou fixada a seguinte tese de repercussão geral:
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo.
O Supremo Tribunal Federal deixou ainda consignado, no julgado ora em apreço, que, na hipótese de propriedade havida em condomínio na qual se encontre plantação ilegal de entorpecentes, não será afastada a desapropriação confiscatória mesmo que um ou alguns dos condôminos provem que não incorreram em culpa de qualquer espécie. As reparações pelas perdas e danos oriundos da desapropriação, ou a ela relacionados, deverão ser buscadas diretamente pelos condôminos prejudicados, mediante a utilização, em face dos coproprietários culpados, das vias judiciais cabíveis. Dito de outro modo, a responsabilidade de apenas um dos condôminos é suficiente para ensejar a desapropriação de todo o imóvel e as consequentes relações entre os coproprietários devem ser acertadas diretamente por eles mesmos, em ações próprias.
Por fim, uma advertência se impõe: segundo pensamos, os entendimentos de nossa Corte Suprema que expusemos neste tópico não podem ser estendidos automaticamente à hipótese de desapropriação confiscatória decorrente de exploração de trabalho escravo, introduzida pela EC 81/2014.
7 RE 635.336/PE (repercussão geral), rel. Min. Gilmar Mendes, 14.12.2016.
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