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A autonomia de professores.

AUTOR José Contreras Domingo é professor da Universidade de Barcelona.

A autonomia de professores. AUTOR José Contreras Domingo é professor da Universidade de Barcelona.

Objetivo do autor

“Esclarecer o significado da autonomia profisional dos professores, tentando diferenciar os diversos sentidos que lhe podem ser atribuídos, bem como avançar na compreensão dos problemas educativos e políticos que encerra.”

ESTRUTURA DO TEXTO

PRIMEIRA PARTE

A autonomia perdida: a proletarização dos professores – analise do problema do profissionalismo no ensino, em especial o processo de proletarização pelo qual passa o professor, os vários significados do que é ser profissional e as ambigüidades e contradições que estão subjacentes na aspiração à profissionalidade.

SEGUNDA PARTE

Modelos de professores: em busca da autonomia profissional do docente – são discutidos as três concepções da professionalidade dos professores: a que entende os professores como técnicos, a que defende o ensino como uma profissão de caráter reflexivo e a que adota para o professor o papel do intelectual crítico.

TERCEIRA E ÚLTIMA PARTE

A autonomia e seu contexto – é estabelecida uma visão global do que se deve entender por autonomia de professores.

Como podemos definir o profisional professor?

“O ensino, enquanto um ofício, não pode ser definido apenas de modo descritivo, ou seja, pelo que encontramos na prática real dos professores em sala de aula, já que a docência defini-se também por suas aspirações e não só por sua materialidade. Por isso, se quisermos entender as características e qualidades do ofício de ensinar, temos de discutir tudo o que se diz sobre ele ou o que dele se espera. E também o que é e o que não deveria ser; o que se propõe, mas que se torna, ao menos, discutível.”

A PROLETARIZAÇÃO DOS PROFESSORES

A tese básica da proletarização de professores é que o trabalho docente sofreu uma subtração progressiva de uma série de qualidades que conduziram os professores à perda de controle e sentido sobre o próprio trabalho, ou seja, a perda de autonomia.”

Condições de trabalho sobre o Capitalismo

RACIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

Subdivisão da produção em processos cada vez mais simples (atomização);
Subdivisão da produção em processos cada vez mais simples
(atomização);
Perda da qualificação do operário, que viu seu trabalho reduzido ao desempenho de tarefas isoladas
Perda da qualificação do operário, que viu seu trabalho reduzido ao
desempenho de tarefas isoladas e rotineiras, sem compreensão do
significado da totalidade do processo de produção.

Dependencia do trabalhador dos processos de racionalização e controle de gestão administrativa da empresa e do conhecimento científico e tecnológico dos “experts”

Condições de trabalho sobre o Capitalismo

CONCEITOS-CHAVE

A separação entre concepção e execução

A

desqualificação

A perda de controle sobre seu próprio trabalho

O trabalhador passa a ser um mero executor de tarefas que ele não decide

Perda de habilidades de

Submissão ao controle e as decisões do capital, perdendo a capacidade de resistência.

planificar, compreender

e

atuar sobre a

produção

RACIONALIZAÇÃO TECNOLÓGICA DO ENSINO

Adoção do espírito de “gestão científica” no conteúdo da prática educativa e no modo de organização e controle do trabalho do professor.

Parametros curriculares elaborados por “especialistas” com técnicas e microtécnicas que determinam a prática pedagógica em seus menores detalhes.

Organização graduada do ensino e busca de homogenização do trabalho do docente e consequentemente da formação dos alunos

Hierarquização das funções da escola mediante a figura do diretor.

Aumento das prestações de contas e tarefas burocráticas, ocasionando a falta de tempo para a discussão coletiva

Perda do conhecimento acumulado e privação de realizar seu ofício como produto de decisões pensadas e discutidas coletivamente

OS PROFES S ORES S ÃO REDUZIDOS À APLICADORES DE PROGRAM AS , PERDENDO A AUTONOM IA NA REALIZAÇÃO DE S EU TRABALHO PROFIS S IONAL.

Determinação cada vez mais detalhada do currículo a ser adotado nas escolas:

extensão de todo tipo de técnicas e diagnósticos e avaliações dos alunos;

transformação dos processos de ensino em microtécnicas dirigidas à consecução de aprendizagens concretas perfeitamente estipuladas e definidas de antemão,

técnicas de

dirigidas

e definidas de antemão, ● técnicas de dirigidas comportamento, fundamentalmente ao controle disciplinar dos
e definidas de antemão, ● técnicas de dirigidas comportamento, fundamentalmente ao controle disciplinar dos

comportamento,

fundamentalmente ao controle disciplinar dos alunos,

toda a tecnologia de determinação de objetivos operativos ou finais,

projetos curriculares nos quais se estipula perfeitamente tudo o

que deve fazer o

textos e manuais didáticos que enumeram

o

repertório

de

atividades que professores e alunos devem fazer etc.

Dois tipos de processos de proletarização:

a técnica, segundo a qual se produz uma perda do controle sobre as formas de realização do trabalho, sobre as decisões técnicas do mesmo;

e a ideológica, relacionada com a perda do controle sobre os fins e propósitos sociais a que se dirige o trabalho.

A retórica do profissionalismo e suas ambiguidades

O termo profisional é um termo ambiguo utilizado em nome de diferente interesses:

Como resistência à perda das qualidades da atividade de docênte (proletarização)

Como uma resistência a perder – ou não obter – um prestígio, um status ou uma remuneração diferenciada.

Dimensões da profissionalidade

Obrigação moral – o ensino supõe um compromisso de caráter moral para quem o realiza, acima de qualquer obrigação contratual.

Compromisso com a comunidade - o ensino é um fenômeno social, produto de nossa vida em comunidade, obrigando as práticas profissionais a se constituírem como partilhadas. A educação entendida como um assunto que não se reduz apenas às salas de aula, mas que tem uma clara dimensão social e política.

Competência profissional – A obrigação moral dos professores e o compromisso com a comunidade requerem uma competência profissional coerente com ambos. Temos que falar de competências profissionais complexas que combinam habilidades, princípios e consciência do sentido das consequências das práticas pedagógicas.

MODELOS DE PROFESSORES

o especialista técnico a considera como status ou como atributo; o profissional reflexivo como responsabilidade moral e individual; o intelectual crítico como autonomia e emancipação

Especialista Técnico

Obrigação Moral

Rejeição de problemas normativos. Os fins e valores passam a ser resultados estáveis e bem definidos, os quais se espera alcançar

Compromisso com a comunidade

Despolitização da prática. Aceitação das metas do sistema e preocupação pela eficácia e eficiência em seu êxito

Competência

Domínio técnico dos métodos para alcançar os resultados previstos

profissional

Concepção da Autonomia Profissional

Como status ou como atributo. Autoridade unilateral do especialista. Não ingerência. Autonomia ilusória: dependência de diretrizes técnicas, insensibilidade para os dilemas, incapacidade de resposta criativa diante da incerteza

Profissional Reflexivo

Obrigação Moral

O ensino deve guiar-se pelos valores educativos pessoalmente assumidos. Definem as qualidades morais da relação e da experiência educativas

Compromisso com a comunidade

Negociação e equilíbrio entre os diferentes interesses sociais, interpretando seu valor e mediando política e prática entre eles. Pesquisa/reflexão sobre a prática.

Competência profissional

Deliberação na incerteza acerca da forma moral ou educativa correta de agir em cada caso

Concepção da Autonomia Profissional

Como responsabilidade moral individual, considerando os diferentes pontos de vista. Equilíbrio entre a independência de juízo e a responsabilidade social. Capacidade para resolver as situações-problema para a realização prática das pretensões educativas.

Intelectual Crítico

Obrigação Moral

Ensino dirigido à emancipação individual e social, guiada pelos valores de racionalidade, justiça e satisfação.

Compromisso com a comunidade

Defesa de valores para o bem comum (justiça, igualdade e outros).Participação em movimentos sociais pela democratização.

 

Auto-reflexão sobre as distorções ideológicas

e

os condicionantes institucionais.

Competência profissional

Desenvolvimento da análise e da crítica

social. Participação na ação política transformadora.

 

Liberação profissional e social das opressões. Superação das distorções

Concepção da Autonomia Profissional

ideológicas. Consciência crítica. Autonomia como processo coletivo (configuração discursiva de uma vontade comum), dirigido

à

transformação das condições institucionais

 

e

sociais de ensino

AS NOVAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS E A AUTONOMIA DE PROFESSORES

Concede-se autonomia à Escola, mas os

parâmetros das políticas já estão fixados

e pré-determinados nos mínimos detalhes.

A autonomia não é política, mas somente

de gestão.

Conclusão

O professor será autônomo quando a

escola for autônoma, ou seja, quando tanto o professor quanto a escola forem

realmente os idealizadores das práticas educativas e não apenas aplicadores de

receitas mágicas prescritas fora dos muros

da escola e sem o aval e a reflexão da

comunidade na qual está inserida.