CÂMARA DOS DEPUTADOS

Gabinete do Deputado Federal Dr. Rosinha PT/PR

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PROCURADOR GERAL DA
REPÚBLICA

FLORISVALDO FIER (DR. ROSINHA), cidadão brasileiro,
no exercício de mandato de Deputado Federal pelo Estado do Paraná, com
endereço na Câmara dos Deputados, Anexo III, gabinete 474, Praça dos Três
Poderes, Brasília, Distrito Federal e com escritório de representação
parlamentar em Curitiba na Rua Ermelino de Leão, nº 484, Centro, fone (41)
3232-7548, mui respeitosamente, vem à sua presença, com fulcro nos
artigos 5º, incisos XXXIV, alínea “a” e no art. 49, inciso X da Constituição
Federal, na lei complementar 75/1993, na lei 12.813/2013, no art. 14 da lei
8.429/1992 e no art. 6º da lei 7.347/85 formular:

REPRESENTAÇÃO com pedido de providências urgentes quanto ao flagrante
conflito de interesses e eventual prática de improbidade administrativa por
parte do Presidente da Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia –
CTNBio, Sr. Flavio Finardi, pelos membros Francisco José Lima Aragão;
Denise Cantarelli Machado; Nance Beyer Nardi; Maria Lucia Carneiro
Vieira; Evanguedes Kalapothaskis; Jesus Aparecido Ferro; Márcia Maria
Auxiliadora Nascheveng Pinheiro Margis e pelo assessor técnico
Gutemberg Delfino de Sousa, conforme os argumentos fáticos e jurídicos
que a seguir serão expostos.

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I - DOS FATOS
A Lei 11.105/95, Lei de Biossegurança, regulamentou o
art. 225, II, IV e V da Constituição Federal, estabelecendo normas de
segurança e mecanismos de fiscalização das atividades que envolvem
organismos geneticamente modificados, visando à proteção da vida, da
saúde e do meio ambiente.
Dentre os mecanismos de fiscalização previstos pela lei
encontra-se a Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia – CTNBio, que
tem sua configuração e competência definidas no art. 10 da Lei 11.105/95,
nos seguintes termos:
Art. 10. A CTNBio, integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, é
instância colegiada multidisciplinar de caráter consultivo e
deliberativo, para prestar apoio técnico e de assessoramento ao
Governo Federal na formulação, atualização e implementação da PNB
de OGM e seus derivados, bem como no estabelecimento de normas
técnicas de segurança e de pareceres técnicos referentes à autorização
para atividades que envolvam pesquisa e uso comercial de OGM e
seus derivados, com base na avaliação de seu risco zoofitossanitário, à
saúde humana e ao meio ambiente.
Parágrafo único. A CTNBio deverá acompanhar o desenvolvimento e o
progresso técnico e científico nas áreas de biossegurança,
biotecnologia, bioética e afins, com o objetivo de aumentar sua
capacitação para a proteção da saúde humana, dos animais e das
plantas e do meio ambiente.

Percebe-se, portanto, que a CTNBio assume na lei de
biossegurança papel de destaque na fiscalização e controle dos organismos
geneticamente modificados. Assim, para que a Comissão possa exercer de
maneira efetiva e imparcial suas funções, e não se torne apenas um espaço
de legitimação dos interesses econômicos das grandes transnacionais de
biotecnologia, há que se garantir a necessária imparcialidade de seus
membros.
Estes, além da competência técnica e notável atuação e
saber científicos (art. 11 da lei de biossegurança), devem ser pessoas isentas,
sem qualquer tipo de vínculo que as impeça de agir exclusivamente em prol

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do interesse público. Devem ser pessoas comprometidas com a proteção da
vida, da saúde humana, dos animais e das plantas e do meio ambiente (art.
10 caput da Lei 11.105/95).
Inadmissível que participem deste órgão pessoas
vinculadas profissionalmente a empresas de biotecnologia, por serem as
maiores interessadas nos julgamentos da CTNBio e na aprovação de suas
propostas de liberação de produtos e processos.
Visando evitar conflitos de interesses, a lei 11.105/05 em
seu art. 11, § 6º1, o decreto 5.591/05 em seu art. 14 § 1º2 e o Regimento
Interno da CTNBio (Portaria 146 de 06.03.2006), em seu art. 11 §§ 1º e 2º
determinam que o membro da CTNBio, ao tomar posse assine Declaração
de Conduta, explicitando eventual conflito de interesse e veda a
participação do membro em julgamentos de questões com as quais
tenha algum envolvimento de ordem profissional ou pessoal, sob pena
de perda do mandato (art. 14, I do Regimento interno da CTNBio).
No entanto uma análise, mesmo que superficial, do
Currículo Lattes dos membros da atual gestão da CTNBio (documento 01),
nos revela que, no mínimo, 09 (nove) deles encontram-se vinculados com
transnacionais de biotecnologia. Há membros que, inclusive, já fizeram parte
de associações voltadas à prática de lobby pró-transgênicos. Alguns já se
manifestaram publicamente a favor, de maneira irrestrita, desta tecnologia.
Outros prestaram serviços ou tiveram pesquisas financiadas por estas
empresas. Tais condutas configuram flagrante conflito de interesses nos
termos da legislação supracitada e também da Lei nº 12.813/2013, Lei de

1 6o Os membros da CTNBio devem pautar a sua atuação pela observância estrita dos
conceitos ético-profissionais, sendo vedado participar do julgamento de questões com as
quais tenham algum envolvimento de ordem profissional ou pessoal, sob pena de perda de
mandato, na forma do regulamento.
2 § 1o O membro da CTNBio, ao ser empossado, assinará declaração de conduta,

explicitando eventual conflito de interesse, na forma do regimento interno.

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conflito de interesses e eventualmente prática de improbidade
administrativa.
Sabe-se que a tecnologia dos transgênicos movimenta
bilhões de dólares por ano3 e que esta atividade se torna, a cada ano, mais
lucrativa. O lobby das transnacionais para liberação dos transgênicos e para
convencimento da sociedade sobre a sua segurança é extremamente
agressivo, envolvendo altos investimentos na produção de publicações,
contratação de pareceres científicos e financiamento de cientistas. Uma das
estratégias destas associações é colocar cientistas pró–transgênicos em
órgãos de fiscalização e controle de sua liberação comercial, como a CTNBio.
Conforme se demonstrará a seguir, existe claro conflito de
interesses na atuação do Presidente da Comissão Técnica Nacional de
Biotecnologia – CTNBio, Sr. Flavio Finardi, pelos membros Francisco José
Lima Aragão; Denise Cantarelli Machado; Nance Beyer Nardi; Maria Lucia
Carneiro Vieira; Evanguedes Kalapothaskis; Jesus Aparecido Ferro; Márcia
Maria Auxiliadora Nascheveng Pinheiro Margis e pelo assessor técnico
Gutemberg Delfino de Sousa.

1. Flavio Finardi Filho
O Presidente da CTNBio, Sr. Flavio Finardi Filho, é
graduado em Farmácia Bioquímica e atualmente encontra-se vinculado ao
Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Universidade de São
Paulo. É membro da CTNBio desde 2008 (pg. 03 do documento 1 e pg. 03 do
documento 02) exercendo, portanto, seu 3º mandato, enquanto especialista
em Biotecnologia.
Tendo defendido sua livre docência com tese intitulada
“Ensaios integrados de avaliação de segurança alimentar da soja
3“(...) a Monsanto faturou mundialmente 8,5 bilhões de dólares, com lucro de 993 milhões --
44% superior ao de 2006 (http://exame.abril.com.br/revista-
exame/edicoes/0912/noticias/o-avanco-irresistivel-dos-transgenicos-m0152275)

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geneticamente modificada” (pg. 01 do documento 02) e com pós-doutorado
em Biotecnologia de alimentos (pg. 01 do documento 02) Flavio Finardi Filho
é reconhecido como pesquisador na área dos alimentos transgênicos.
A análise de seu currículo lattes, dos pareceres que
elaborou, sempre encomendados e favoráveis à liberação dos transgênicos,
de seus pronunciamentos públicos, da sua atuação como membro e depois
como presidente da CTNBio nos revela sua falta de isenção para ocupar
assento neste importante órgão de fiscalização e controle dos organismos
geneticamente modificados. A priori, podem ser verificados os seguintes
conflitos de interesse em relação à sua pessoa:

a) Envolvimento com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia –
CIB do Brasil.
O CIB é uma organização não governamental (documento
03) que possui como associadas as maiores transnacionais do ramo dos
transgênicos (documento 04). Financiado pela indústria da biotecnologia,
sua missão institucional é realizar o lobby desta tecnologia (documento 05),
por meio de publicações, palestras, intercâmbios e etc. Objetiva, portanto, o
convencimento da sociedade e do poder público acerca dos benefícios e
segurança da biotecnologia.
Desta forma, existe um evidente interesse do CIB e das
empresas que o financiam na aprovação dos pedidos de liberação comercial
apresentados aa CTNBio. Logo, configura conflito de interesses o
envolvimento do atual Presidente da CTNBio e de outros membros com esta
associação voltada ao lobby dos transgênicos.
Como se pode verificar do seu Currículo Lattes (pg. 06 do
documento 02), o atual Presidente da CTNBio manteve um vínculo
institucional com o CIB de 2002 até 2007, vindo, inclusive, a ocupar o cargo
de Conselheiro da referida organização (documento 06). Além de conselheiro,

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Finardi também participou do Conselho editorial do Encarte Especial
Biotecnologia II (pg. 02 do documento 07) que foi distribuído em diversos
meios de comunicação no ano de 2003 (documento 08).
Apesar de informar em seu currículo que seu vínculo
institucional com o CIB se encerrou em 2007, percebe-se que o Presidente da
CTNBio ainda mantém relações bem próximas com o referido conselho,
concedendo entrevistas e escrevendo artigos encomendados por aquela
instituição (documento 09).
Em 15 de agosto de 2012, quando já presidente da
CTNBio (documento 10), concedeu entrevista ao CIB intitulada “Desafio da
CTNBio é manter o elevado nível das discussões sobre transgênicos” e em 04
de fevereiro de 2013 escreveu o artigo “A CTNBio e o desafio de promover a
competitividade e inovação na agricultura brasileira” (documento 11),
publicado no site do referido Conselho. Em ambas as publicações o que se
pode notar é a comemoração do avanço dos transgênicos no Brasil e o papel
importante da CTNBio para este evento.
Estes vínculos com o CIB evidenciam o forte compromisso
ideológico com a tecnologia transgênica o que revela conflito de interesse e
falta de imparcialidade para ocupar o cargo de membro da CTNBio que exige
uma atuação ética em defesa e proteção da vida, saúde e meio ambiente.

b) Envolvimento profissional com a Companhia Industrial e Comercial
Brasileira de produtos Alimentares Nestlé
De 2010 a 2012 o Presidente desenvolveu projeto de
pesquisa financiado pela Nestlé, que também é associada do CIB (pg. 08 do
documento 02).
c) Envolvimento com ILSI
O ILSI também se constitui em associação voltada à
promoção de lobby em favor dos organismos geneticamente modificados e

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tem como associados diversas transnacionais de biotecnologia como a BASF,
Bayer, Monsanto, Nestlé, Syngenta, entre outras (documento 12).
A proximidade e a ligação existente entre Flavio Finardi
Filho e o ILSI encontra-se estampada em seu próprio Currículo Lattes, no
qual ele informa (pg. 36 do documento 02) que presta serviços de assessoria
científica a esta instituição internacional.
Em 20 de junho de 2008 o atual Presidente apresentou
simpósio sobre biotecnologia sobre “Segurança Alimentar de OMGs”
promovido pelo ILSI do Brasil (pg. 07 do documento 13).
Em 19 de abril de 2013 proferiu palestra no IV Congresso
Nacional do ILSI sobre o tema: “Impacto e desafios na indústria de
alimentos” (documento 14).
Em artigo publicado em 2008 pelo ILSI (S93 do documento
15) resta evidenciado que Flavio Finardi Filho é um colaborador do referido
instituto, pois ao final do documento os autores fazem a ele e a outras
pessoas, um agradecimento expresso pela participação na revisão da
pesquisa, pelos comentários e sugestões.

d) Militância em prol dos transgênicos manifestada em Carta aberta de
cientistas brasileiros
Em 2003 Flavio Finardi Filho assinou um documento
dirigido ao Presidente da República e ao Congresso Nacional enaltecendo os
benefícios e a importância dos transgênicos para o Brasil. Nesta Carta seus
subscritores afirmam que “o Brasil não pode abrir mão da tecnologia de
organismos transgênicos”, uma vez que “é imprescindível para a
sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro e agricultura
familiar” e “acarretará em benefícios sociais e econômicos para o país”
(documento 16).

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e) Envolvimento profissional com a Bayer
Em 12 de agosto de 2002 o Sr. Flavio Finardi Filho
prestou serviços à Bayer CropScience elaborarando parecer em que atesta a
segurança alimentar do arroz geneticamente modificado (evento LLRice62).
Referido parecer foi utilizado para instruir o processo de liberação do OGM
perante a CTNBio (documento 17).
Inobstante o seu vínculo profissional com a Bayer, Finardi
não se absteve, como determina o art. 11, § 6º da Lei de Biossegurança, de
participar dos julgamentos envolvendo os interesses daquela transnacional.
Um caso em que o conflito de interesse mostra-se gritante envolve o processo
01200.003881/2008-92 sobre a liberação da comercialização da soja
geneticamente modificada tolerante ao glufosinato de amônio da Bayer.
Neste processo Flavio Finardi Filho, não só participou do julgamento,
realizado em 11.02.2010, na 130ª Reunião da CTNBio, votando a favor da
sua liberação (documento 18), como também nele proferiu, em 12 de outubro
de 2009, como membro da CTNBio, parecer em que atesta a biossegurança
da referida soja transgênica (documento 19).

e) Envolvimento profissional com a Monsanto
O conflito de interesse mais grave se refere ao julgamento
do pedido de reavaliação da liberação comercial do milho NK603 da
Monsanto.
Em 28 de maio de 2004 a Monsanto do Brasil Ltda deu
início perante a CTNBio a processo para a liberação comercial da variedade
de milho transgênico NK603 (processo 01200.002293/2004-16). Um dos
pareceres técnicos que respaldava o seu pedido foi elaborado por Flávio
Finardi Filho (documento 20) em 14 de novembro de 2006, quando ainda
não era membro da CTNBio. Em seu parecer Finardi afirma inexistir riscos à
segurança nutricional, toxicológica e alergênica, posicionando-se a favor da

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liberação do milho NK603 para consumo na cadeia alimentícia de humanos e
animais.
Em 18 de setembro de 2008, na 116ª reunião da CTNBio
foi aprovado, por meio do Parecer Técnico nº 1596/2008, a liberação
comercial da referida espécie de milho geneticamente modificado NK603, que
hoje é cultivado em todo o Brasil.
Ocorre que em setembro de 2012 foi publicada na revista
científica “Food and Chemical Toxicology” o resultado de uma pesquisa
coordenada pelo professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen,
França, em que se comprova a ocorrência de alterações metabólicas pelo
consumo do milho geneticamente modificado NK603, reconhecendo-se,
assim, seu alto grau cancerígeno.
Em razão deste novo estudo e diante do questionamento
formulado, em 21 de outubro de 2012, pelo Ministério das Relações
Exteriores, o Presidente da CTNBio constituiu uma comissão interna,
composta por quatro pesquisadores, para avaliar o artigo científico publicado
pelo Professor Séralini e sua equipe na revista Food and Chemical
Toxicology. Nomeou para a comissão dois relatores membros da CTNBio e
dois consultores ad hoc (documento 21).
O parecer da referida comissão (documento 21), emitido
pelo Presidente da CTNBio em 24 de outubro de 2012, rechaçou a
metodologia utilizada pela equipe do Professor Séralini e concluiu quanto aos
resultados da pesquisa que o artigo científico “demonstra uma tendência à
exposição apenas do que favoreceria a tese de que as substâncias testadas
(milho NK603 e Roundup) teriam efeitos tóxicos sobre a saúde dos animais”.
Com base neste parecer, em 18 de abril de 2013 a CTNBio
na sua 161ª Reunião Ordinária (pg. 02 e 03 do documento 22) aprovou o
parecer da Comissão, inclusive com o voto de Finardi, rejeitando o pedido de

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reavaliação da liberação do milho NK603 formulado pelo “Fórum Nacional de
Entidades Civis de Defesa do Consumidor”.

2. Francisco José Lima Aragão
Com graduação em Engenharia Agronômica, atualmente é
pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com
experiência na geração de plantas transgênicas, colaborador da Universidade
Católica de Brasília e Universidade de Brasília (pg. 01 do documento 23).
Este membro informa em seu currículo ter desenvolvido
processos que foram patenteados e linhagens-elite de plantas transgênicas
como a soja tolerante a imidazolinona (evento VPS-CV127-9 aprovado pela
CTNBio em 2009) e o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado do
Feijoeiro (evento EBM-PV051-1 aprovado pela CTNVio em 2011).
Membro da CTNBio desde 2008, como especialista na área
vegetal (pág. 03 documento 23), não possui a isenção necessária para o
exercício desta função, eis que sua trajetória profissional encontra-se
intimamente ligada à defesa e militância pela aprovação dos transgênicos,
como será demonstrado a seguir:

a) Envolvimento com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia –
CIB do Brasil.
Conforme se extrai do documento 06, este membro
também possui envolvimento com a CIB, pois foi seu conselheiro na mesma
gestão que Flavio Finardi Filho.
b) Militância em prol dos transgênicos manifestada em Carta aberta de
cientistas brasileiros
Em 2003, Francisco José Lima Aragão assinou carta
aberta dirigida ao Presidente da República e ao Congresso Nacional
defendendo a liberação dos transgênicos (documento 16).

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c) Envolvimento com a Embrapa e com a Bayer – feijão resistente a
glufosinato de amônio
Além de ter sido o primeiro gestor do Núcleo Temático de
Biotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Tecnologia (pg. 01 do
documento 23), este membro desenvolveu, durante o período de 1998 a
2000, pesquisa científica com o título “Obtenção de feijoeiro resistente a
glufosinato de amônio” que foi financiada pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária – Embrapa e pela Bayer do Brasil S/A, em
cooperação (pg. 08 do documento 23).

d) Envolvimento com a EMBRAPA – pesquisa sobre feijoeiro
geneticamente modificado.
Desde 2005 vem desenvolvendo pesquisa patrocinada pela
EMBRAPA sobre a biossegurança de feijoeiro geneticamente modificado (pg.
8 do documento 23).

e) Envolvimento com a Embrapa e com a BASF – soja transgênica
resistente a herbicida imidazolinonas.
No período de 1996 a 2002 realizou pesquisa para a
“obtenção de soja resistente a herbicidas da classe das imidazolinonas”,
também financiada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –
Embrapa e pela BASF (pg. 08 do documento 23).
Este processo, inclusive, foi por ele patenteado (evento
elite CV 127) no exterior, conforme informado em seu currículo Lattes (pg. 36
do documento 23).
Em que pese estes vínculos com a Embrapa, BAYER E
BASF, Francisco José Lima Aragão aceitou ser um dos relatores no processo
nº 01200.003609/2011-16 em que a Bayer S.A solicita a liberação comercial

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da soja transgênica FG72 (documento 24). Participou também como relator
no processo nº 01200.000389/2013-22 em que a BASF solicitou a liberação
Planejada no meio ambiente e importação de arroz geneticamente modificado
Dr. Francisco José Lima Aragão (linhas 956 a 961 do documento 25)
3. Denise Cantarelli Machado
Graduada em Ciências Biológicas atualmente professora
adjunta da faculdade de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul é membro da CTNBio (pg. 03 do documento 26) desde 2010
(2º mandato), como especialista na área de Saúde Humana (documento 01).
Denise possui conflito de interesses em razão do seu:

a) Envolvimento com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia –
CIB do Brasil.
O documento 06 revela que Denise também foi conselheira
do CIB.

b) Envolvimento com o ILSI
Em 19 de abril de 2013 proferiu palestra no IV Congresso
Nacional do ILSI sobre o tema: “Impacto e desafios na indústria de
alimentos” (documento 26).

4. Nance Beyer Nardi
Graduada em Ciências Biológicas é membro da CTNBio
desde 25.01.2012 (documento 01).
Fez parte da comissão constituída por Flavio Finardi Filho
para a elaboração de parecer contra a reavaliação da liberação do milho
NK603 (documento 27), pronunciando-se de maneira favorável à
manutenção da liberação daquela espécie de milho transgênico. É sócia e
Diretora Científica da CELLVET Medicina Regenerativa e Consultoria

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Científica (pg. 02 do documento 27), empresa que presta atividades que
envolvem a utilização de células-tronco, e que, portanto, se sujeita à
fiscalização e controle da CTNBio (art. 10 da Lei de Biossegurança).

5. Maria Lucia Carneiro Vieira
Graduada em Ciências Biológicas doutora em genética e
melhoramento de plantas é membro e Vice-presidente da CTNBio
(documento 28). Foi Conselheira do CIB (documento 06) e participou em
2004 da Comissão Técnica para seleção de candidatos ao Prêmio Fundação
Bunge (pg. 14 do documento 28).

6. Evanguedes Kalapothaskis
Graduado em Ciências Biológicas e PhD em Biologia
Molecular e Celular é sócio fundador da Phoneutria Biotecnologia e Serviços
Ltda (pg. 5 do documento 29), empresa de biotecnologia cujos processos
encontram-se sujeitos à fiscalização e controle da CTNBio (art. 10 da Lei de
Biossegurança).

7. Jesus Aparecido Ferro
Graduado em Ciências Biológicas, membro da CTNBio
desde 25.01.2012 como especialista na área vegetal é sócio e diretor
fundador da empresa Alellyx Applied (documento 30) empresa que
desenvolve cana e eucalipto transgênicos, cujos processos são avaliados pela
CTNBio e que em 2008 foi comprada pela Monsanto. Há que se apontar que
este membro (linha 604 do documento 35) participou de julgamento em que
a Empresa Monsanto do Brasil Ltda., Alellyx, no processo de nº
01200.000870/2007-70 solicitou a liberação planejada no meio ambiente de
citrus geneticamente modificado para resistência ao vírus da leprose dos

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citrus. Não consta da ata qualquer referência à declaração de impedimento
por parte deste membro.

8. Márcia Maria Auxiliadora Nascheveng Pinheiro Margis
Graduada em Ciências Biológicas e doutora em Biologia
Molecular das plantas é atualmente professora associada da Universidade do
Rio Grande do Sul (documento 31), possui envolvimento com o Conselho de
Informações sobre Biotecnologia (documento 06), pois exerceu o cargo de
conselheira naquela instituição.
Outro fator que afeta a sua isenção é o fato de que é
casada com Rogério Margis, sócio fundador da empresa de biotecnologia
Vitatec Ltda (documento 32), cujos processos também estão sujeitos à
fiscalização e controle por parte da CTNBio.

9. Gutemberg Delfino de Sousa
Graduado em Ciências biológicas, com doutorado em
Biotecnologia e experiência na área de genética é assessor técnico da
CTNBio. Também foi conselheiro do Conselho de Informações sobre
Biotecnologia – CIB do Brasil (documento 06) e Diretor financeiro da ANbio
no período de 2007 a 2009 (documento 36). Foi também coautor de
publicação financiada pelo ILSI, denominada “Guia para avaliação do risco
ambiental de organismos geneticamente modificados”4.

II - DOS ARGUMENTOS JURÍDICOS

Relatados estes fatos há que se fazer uma análise do seu
enquadramento jurídico. Percebe-se que os membros e o assessor acima

4http://www.ilsi.org/Brasil/Documents/OGM%20-%20Portugu%C3%AAs%20-
%20protegido.pdf

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arrolados não possuem a imparcialidade necessária para exercer suas
funções na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio.
Os vínculos e envolvimentos com empresas privadas
interessadas nos julgamentos e na aprovação de seus pedidos pela CTNBio,
geram conflito de interesse, nos termos do art. 3º, I e art. 5º, III, IV e VII da
Lei 12.813/2013:
Art. 3º Para os fins desta Lei, considera-se:
I - conflito de interesses: a situação gerada pelo confronto entre
interesses públicos e privados, que possa comprometer o
interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o
desempenho da função pública;

Art. 5º Configura conflito de interesses no exercício de cargo ou
emprego no âmbito do Poder Executivo federal:
II - exercer, direta ou indiretamente, atividade que em razão da sua
natureza seja incompatível com as atribuições do cargo ou emprego,
considerando-se como tal, inclusive, a atividade desenvolvida em
áreas ou matérias correlatas;
IV - atuar, ainda que informalmente, como procurador, consultor,
assessor ou intermediário de interesses privados nos órgãos ou
entidades da administração pública direta ou indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - prestar serviços, ainda que eventuais, a empresa cuja atividade
seja controlada, fiscalizada ou regulada pelo ente ao qual o agente
público está vinculado.

A lei de biossegurança procura evitar os conflitos de
interesse na CTNBio exigindo que seus membros ajam de acordo com os
preceitos de ética profissional e proibindo que eles venham a participar do
julgamento de questões com os quais tenham algum tipo de envolvimento,
conforme se infere do art. 11 § 6º da lei de Biossegurança, in verbis:
6o Os membros da CTNBio devem pautar a sua atuação pela
observância estrita dos conceitos ético-profissionais, sendo vedado
participar do julgamento de questões com as quais tenham algum
envolvimento de ordem profissional ou pessoal, sob pena de perda
de mandato, na forma do regulamento.

Para que seja possível uma fiscalização da ocorrência de
conflito de interesses, exige-se que os membros da CTNBio assinem

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declaração de conduta, informando eventual conflito de interesse (art. 11 §
1º do Regimento Interno da CTNBio). Devem também declarar eventual
impedimento em relação aos processos que lhe forem distribuídos e também
quanto aos julgamentos dos quais deveriam participar (art. 11 § 2º do
Regimento Interno da CTNBio).
Em relação ao Presidente da CTNBio, seus vínculos com o
CIB, ILSI, Nestlé, Bayer, Monsanto e sua militância a favor dos transgênicos
o impedem de ter uma atuação isenta enquanto membro desta Comissão.
Esse conflito de interesses torna-se evidenciado quando se
analisa as atas de julgamento do CTNBio, nas quais se verifica que o atual
presidente participou, sem manifestar seu impedimento, do julgamento de
questões que envolviam os interesses de transnacionais com as quais já
havia mantido vínculo profissional.
Isso ocorreu em relação ao processo para liberação
comercial da soja geneticamente modificada tolerante ao glufosinato de
amônio da Bayer, levado a julgamento em 11.02.2010, na 130ª Reunião da
CTNBio, no qual Flavio Finardi Filho proferiu parecer em que reconhece a
segurança do produto transgênico e também votou à favor da sua liberação
(documento 18 e 19).
O mesmo se passou em relação ao milho NK603 da
Mosanto, sobre o qual já havia se pronunciado por meio de parecer
encomendado pela transnacional em 14.11.2006. Enquanto presidente da
CTNBio, Flavio Finardi Filho criou uma comissão para analisar o pedido de
reavaliação da liberação e participou do julgamento votando a favor da
manutenção da comercialização (documentos 20 a 22).
Tais fatos se mostram suficientes para a declaração de
perda do mandato (art. 11, § 6º da lei 11.105/05 art. 14, I Regimento Interno
da CTNBio) e também para a anulação de todas as decisões das quais o

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atual presidente tenha participado quando estava impedido (art. 11 § 5º do
Regimento Interno da CTNBio).
Quanto ao membro Francisco José Lima Aragão, seus
vínculos com o CIB, EMBRAPA, BASF e BAYER, tornam inviáveis sua
manutenção na função de membro do CTNBio. O mesmo também deve ter
seu mandato cassado (art. 11, § 6º da lei 11.105/05 e art. 14, I do
Regimento Interno da CTNBio) por ter atuado como relator de processo em
que legalmente estava impedido por conflito de interesses, nos casos dos
processos nº 01200.003609/2011-16 e 01200.000389/2013-22 que
envolviam pedido de liberação de produtos transgênicos na Bayer, empresa
com a qual possui vínculo profissional. Estes julgamentos devem ser
anulados por conta do disposto no art. 11 § 5º do Regimento Interno da
CTNBio.
Outro membro que, a priori, atuou em descompasso com o
art. 11, § 6º da lei 11.105/05 e o art. 14, I do Regimento Interno da CTNBio é
Jesus Aparecido Ferro que participou de julgamento que envolvia interesse
da Monsanto do Brasil Ltda., Alellyx, (processo de nº 01200.000870/2007-
70), uma vez que foi sócio fundador da empresa Alellyx Applied.
Tendo em vista que a atuação de Flavio Firnardi Filho, de
Francisco José Lima Aragão e Jesus Aparecido Ferro, em favor de empresas
transnacionais com as quais mantiveram vínculos profissionais ou pessoais,
vem a ofender aos deveres de honestidade, pois não declararam seus
impedimentos, e de imparcialidade, pois agiram de maneira a proteger
interesses privados em detrimento de interesse público, deve ser apurada
também a eventual prática de ato de improbidade administrativa, nos termos
do art. 11, I da lei 8.429/92, in verbis:
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra
os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade
às instituições, e notadamente:

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I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso
daquele previsto, na regra de competência;

Quanto aos demais membros estes devem ser afastados do
mandato por não reunirem as condições necessárias a uma atuação
imparcial guiada pelos princípios ético-profissionais, em razão dos vínculos
com entidades de lobby pró-transgênico ou com empresa de biotecnologia.
Além do seu afastamento do mandato, devem ser apurados também os
julgamentos em que agiram com violação ao disposto no art. 11, § 6º da lei
11.105/05 e no art. 14, I do Regimento Interno da CTNBio, apurando-se,
também a eventual prática de improbidade administrativa.
Quanto ao assessor técnico deve ser apurada a eventual
prática de infração disciplinar e improbidade administrativa.
Diante deste relato, requer-se a Vossa Excelência
instauração do devido procedimento administrativo e também a tomada das
providências necessárias para apuração dos fatos, declaração da perda de
mandato e anulação dos julgamentos em que os membros participaram sem
manifestar seu impedimento, solicitando para tanto:
a) A requisição da Declaração de Conduta de todos os
membros da CTNBio;
b) A requisição das declarações de impedimentos
apresentadas pelos referidos membros durante todo o
exercício de seus mandatos;
Sendo assim, aproveita-se o ensejo para manifestar nosso
sincero respeito e consideração.
Curitiba, 05 de novembro de 2013.

Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha)
Deputado Federal PT/PR

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