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Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1

A formação de professores: Relato de uma experiência do estágio supervisionado com o
uso da fotografia para ensinar Biologia no Ensino Médio

Luiza Ribeiro de Barros (Licencianda -Universidade Federal de Minas Gerais)
Maria Luiza Rodrigues da Costa Neves (Professora - Universidade Federal de Minas Gerais)

RESUMO

Este artigo relata a experiência vivenciada e documentada por uma licencianda no
campo do estágio Supervisionado em um curso de Ciências Biológicas da Universidade
Federal de Minas Gerais. As experiências mais marcantes são aqui relatadas e acreditamos
que podem ter papel decisivo na escolha profissional dos futuros docentes. As turmas
investigadas foram do 2° ano do Ensino Médio ao longo de um semestre letivo em 2013. As
observações registradas suscitaram questões que exigem reflexão e analise e que nesse caso
foram documentadas em Diário Reflexivo. Os diários foram os instrumentos de coleta de
dados e serviu como base para análises sobre a importância do uso de uma ferramenta
pedagógica, a fotografia, pouco explorada na escola, mas com um enorme potencial didático.

PALAVRAS-CHAVE

Formação de professores, uso da fotografia, ensino-aprendizagem, diários reflexivos

INTRODUÇÃO

A atuação prática nos cursos de Licenciatura é frequentemente, feita através da adoção
de estágios supervisionados em seus currículos. Ao longo da trajetória acadêmica desses
cursos é proposta aos alunos uma imersão no cenário atual da educação em que esses possam
observar e atuar junto ao corpo docente de uma escola. Esse processo na formação de
professores deve ser visto como momento de aquisição de conhecimentos e por isso precisa
ser valorizado pela estrutura curricular dos cursos, pelos profissionais envolvidos e pelos
acadêmicos (RAMOS, 2002). Tal vivência prática dos conceitos educacionais, muitas vezes,
leva a desdobramentos, análises e aprendizados. Esse relato de experiência é apresentado
como resultado de reflexões feitas a partir de vivências no campo de estágio supervisionado
do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais.

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SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia

Ao mesmo tempo. perseverar para cumprir seus objetivos como bons docentes. A formação do docente não se constrói somente por acumulação de cursos. A formação de docentes através da orientação de um professor em sala de aula pode gerar material rico. consequentemente vivências seguras e proveitosas no campo da educação. Muitas vezes. e essa se caracteriza como uma época de estabelecer uma base pessoal de expectativas e premissas como futuro profissional da educação. 2000). sendo esse um cenário profuso e complexo. Vivências inspiradoras e contato com metodologias diferenciadas são essenciais para que o profissional em formação aumente seu leque de possibilidades.Número 7 . durante o estágio. Sendo assim. Há nesse momento o começo do acumulo de uma bagagem didática.Associação Brasileira de Ensino de Biologia . METODOLOGIA 5168 SBEnBio . Quando tais vivências possibilitam a produção de um material de reflexão ou mesmo culminam em memórias positivas. é essencial romper com modelos de educação tradicional ou outras construções de senso comum ao levar o estagiário para a sala de aula como local de atuação.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 A formação de professores nos cursos de Licenciatura tem como objetivo sanar demandas atuais. são exemplos dignos de observação e estudo para que a formação de professores seja cada vez mais aprimorada e incentivada. por ser um estágio supervisionado e contar como pressuposto o acompanhamento de um professor orientador. o impacto desse estágio é ainda mais relevante. permitindo. e encare a carreira docente com um olhar mais otimista. há também uma reação a essa prática baseada no campo teórico que traz consigo o caráter reflexivo e ponderador sob aquilo que foi previamente observado. os alunos entram em contato com uma realidade dura e injusta do sistema de educação atual. 1998). bem como encontros em sala de aula na universidade junto com outros estudantes em formação docente. e professores que ousam ir além dos desafios e propor novas soluções. bem como. a etapa de estágios supervisionados é essencial para futuros desdobramentos na carreira docente do profissional em formação. Assim.Revista da SBEnBio . conhecimentos teóricos ou de técnicas. mas por meio de um trabalho de reflexão crítica acerca desses processos e de uma construção permanente de uma identidade pessoal (PIMENTA. como a necessidade de repensar e renovar os processos de capacitação inicial e contínua. a partir da análise das práticas pedagógicas e docentes (PIMENTA.

Associação Brasileira de Ensino de Biologia . auxílio na realização de praticas. pois se trata da reflexão da própria atuação do estagiário em campo. A sala de aula como espaço de observação e reflexão acerca da prática docente e dos processos de ensino-aprendizagem. presença em reuniões de professores até convívio com os demais docentes na sala dos professores. alem dos objetivos gerais: “Experiência docente em escolas da comunidade e encontros com o formador e os pares. Os objetivos do estágio incluíam a caracterização das escolas.Número 7 . Foram realizadas 120 horas de campo de prática sob a supervisão do professor de Ciências e de Biologia de uma escola da região central de Belo Horizonte entre setembro e novembro de 2013. o estágio foi realizado em uma escola de Educação Básica da cidade de Belo Horizonte. Esse relato de experiência foi resultado do estágio vivenciado na disciplina Análise Crítica da Prática Pedagógica e Estágio Supervisionado II. e as experiências vividas foram as que serviram de material reflexivo para esse relato.” (Ementa da disciplina Analise Pratica e Estagio Curricular em Ciências Biológicas II - 2012) Dentro desse quadro. Observação e estudo da estrutura e do funcionamento de turmas em que se ensina ciências naturais ou biologia. instrumentos de avaliação). A reflexão acerca da Educação Básica e da educação em ciências articulada às experiências no espaço escolar. suas ações e possíveis desdobramentos. da educação em ciências e da profissão docente articulada às experiências no espaço escolar. dos recursos didáticos e das interações entre diferentes sujeitos no contexto escolar. Essas horas foram divididas entre diversas atividades. A ementa da disciplina explica o plano geral do estágio. sendo que 150 dessas horas deveriam sem cumpridas no campo do estágio e as outras 15 horas dedicadas aos encontros presenciais na universidade com o professor orientador da disciplina e os outros colegas em formação. As observações levantadas durante a realização de tais atividades foram guiadas 5169 SBEnBio . A reflexão acerca da Educação Básica. com foco na análise das metodologias de ensino.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 A metodologia adotada neste artigo foi o relato de experiência. participação em trabalhos de campo. desde a observação de aulas.Revista da SBEnBio . A disciplina conta com uma carga horária total de 165 horas. do cenário educacional como um todo e como tal conhecimento pode ser útil na inserção nesses espaços como professor. Planejamento de aulas considerando o contexto do estágio (incluindo recursos didáticos a serem utilizados.

Dentro desse tipo de documentação. Durante o estágio supervisionado diversas ferramentas de reflexão. o meu próprio percurso estudantil. 2) Aulas práticas. O trecho a seguir exemplifica: “A participação dos meus colegas de sala e minhas reflexões pessoais sobre os dados apresentados por eles também me foram fundamentais para traçar um perfil das aulas do professor.Associação Brasileira de Ensino de Biologia . Através dos diários reflexivos podem-se traçar semelhanças e divergências entre as experiências dos alunos em sala de aula e dali extraírem-se impressões gerais e o impacto de tais vivências. são possíveis várias formas de registro. O Diário Reflexivo é definido por um documento em que a narração corresponde a um processo de "pensar em voz alta" tratando de aclarar as ideias do professor sobre os temas tratados (ZABALZA. 1998). minhas memórias como aluna do Ensino Médio e a vivência de aluna da graduação foram outras balizas para despertar 5170 SBEnBio . análise e referenciamento teórico foram utilizadas a fim de registrar e aprimorar e avaliar o processo de aprendizagem. Além dessas referências que usei para a analise. a construção e discussão em conjunto de Diários de Aula. Entre elas. 3) Avaliações.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 pela própria tarefa de registra-las nos diários reflexivos. Outros fatores foram cruciais na metodologia de reflexão-ação-reflexão. Essa ferramenta atua como guia durante o processo do estágio. 2012). Esses diários foram postados via portal Moodle da disciplina para ser compartilhado com os colegas e ainda possibilitar uma pré-leitura da professora orientadora antes do debate em sala de aula na universidade. Ao longo do processo os diários foram produzidos por meio de observações diretas do estagiário em sala de aula com intuito de relatar de forma fidedigna episódios que o estagiário considerou relevantes para análise e que pudessem revelar algo sobre a metodologia e avaliação do professor. onde esses anotam suas impressões sobre o que vai acontecendo em suas aulas e as reações diante das experiências vividas (MIRANDA. entre elas o Diário Reflexivo. Ao longo do período de observação na escola foram escritos três diários reflexivos com temas distintos: 1) Metodologia educacional.Número 7 . e sendo um indicativo das dificuldades e dos avanços feitos ao longo do tempo. sendo esse um instrumento de grande contribuição para o desenvolvimento de reflexões (ANDRÉ. método adotado nesse caso. e assim se caracterizou como ferramenta de análise. O Diário de Aula foi previamente utilizado como instrumento de investigação e avaliação didática e utilizado no trabalho de formação inicial de docentes por Darsie (1996). balizando os objetivos e metas.Revista da SBEnBio . 2004). tais como a reflexão sobre a própria trajetória acadêmica da estagiária e a comparação com as experiências vividas pelos colegas. O Diário de Aula pode ser entendido como a produção escrita de um documento a partir de reflexões feita pelos professores.

mais uma vez. 2006).Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 questionamentos e buscar formas de investiga-los. se adequavam em uma metodologia inovadora dentro do leque de possibilidades do Ensino por Projetos. assim. [. com aulas dentro do laboratório da escola. que foi convertido em laboratório de fotografia especialmente para a execução desse projeto de ensino e com saídas de campo práticas. Esses projetos são conduzidos de acordo com uma metodologia denominada Metodologia de Projetos. O professor apresentou o planejamento de suas aulas práticas pelo ensino de fotografia como uma metodologia de Ensino por Projetos. por isso chamou a atenção da estagiária e possibilitou a atuação da mesma durante sua execução. o projeto foi incluído no currículo de Biologia dos alunos do segundo e há anos vem sendo aplicado com sucesso. as aulas de fotografia. e têm por objetivo a aprendizagem de conceitos e desenvolvimento de competências e habilidades específicas. em que outros domínios da Biologia podiam ser explorados.] os projetos de trabalho são executados pelos alunos sob a orientação do professor visando à aquisição de determinados conhecimentos.” (Trecho da entrevista concedida pelo professor orientador do Estagio II). As aulas de 5171 SBEnBio . habilidades e valores” (MOURA & BARBOSA. sob a orientação do professor.Revista da SBEnBio ..Associação Brasileira de Ensino de Biologia . juntamente com a coordenação pedagógica do colégio. Assim sendo. A prática tinha caráter interdisciplinar e tratava se de uma metodologia inovadora. O RELATO DA EXPERIÊNCIA O relato de experiência reporta-se ao tema investigado sobre as aulas práticas que o professor de Biologia adotou para as turmas do segundo ano do Ensino Médio. Inicialmente os alunos tinham aulas de noções básicas de fotografia em que a matéria de Biologia saía de suas fronteiras para tangenciar noções mais amplas de Ciências interligando-se com conteúdos de Química e Física e depois esses alunos eram levados a campo para usar seus conhecimentos recém adquiridos para fotografar o ambiente externo. tais como a Botânica e a Ecologia. ou Pedagogia de Projetos.. A prática adotada pelo professor se caracterizava por um plano teórico-pratico. Dentro da concepção de Ensino por Projetos. entende-se que: “São projetos desenvolvidos por alunos em uma (ou mais) disciplina(s). no contexto escolar.Número 7 .

A exposição foi realizada durante a última semana de aula em um corredor de acesso ao pátio da escola. Em campo. período extra classe. o trabalho se concluiria em uma exposição das fotos tiradas e reveladas pelos próprios alunos ao longo do semestre. assim. sendo assim. permitindo que os alunos exercerem seu poder de observação e analise que esses exercessem as tarefas dadas. As saídas de campo se caracterizaram como situações de aproximação da estagiária com os alunos. O professor não estabeleceu parâmetros ou temas. O projeto de fotografia contava com saídas práticas em seu programa em que os alunos poderiam manusear máquinas analógicas e fotografar de acordo com as orientações técnicas do professor. as fotos eram reveladas e ampliadas pelo grupo de alunos que as tirou. uma com cada turma. os alunos puderam observar e fotografar o ambiente com tempo e também com a total disponibilidade do professor e da estagiária. mas exercendo a criatividade. uma oportunidade de observar com maior precisão o contato desses alunos com o tema da fotografia. Ali. A saída de campo foi realizada a tarde. os alunos voltavam ao laboratório de fotografia. dessa forma seria facilitada a transformação oriunda dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio do aluno (HERNANDEZ & VENTURA. 1998).Associação Brasileira de Ensino de Biologia . cada grupo selecionava um número de fotos para serem impressas e expostas na escola. Grupo por grupo. Essas turmas foram divididas em grupos de trabalho. O projeto foi aplicado nas duas turmas do 2° ano. outros alunos e professores puderam apreciar o resultado final do projeto de fotografia do 2° ano. Por fim. Concluída a saída de campo. cada uma delas contava com aproximadamente 35 alunos. região central de Belo Horizonte. e também a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos. os alunos tiveram duas horas para fotografarem aquilo que os interessavam.Revista da SBEnBio .Número 7 . Foram realizadas duas saídas de campo. Por fim. mas dessa vez a uma sala escura montada pelo professor de biologia especialmente para a realização dessa prática.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 fotografia estariam cumprindo seu objetivo de favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação. a turma passava para a próxima etapa. e assim sendo. sempre contando com o auxílio do professor. 5172 SBEnBio . cada um desses grupos recebeu uma câmera fotográfica analógica com a qual eles eram livres para fotografar durante a saída de campo. na Praça da Liberdade.

apresentadas aos alunos e discutidas gerando ao final uma pequena exposição mostrando os resultados do projeto” (Diário Reflexivo da estagiária – Aulas Práticas). As fotos eram então analisadas pelo professor. contando com todo o material de revelação e ampliação fotográfica além de vedação da luz. Ao final. Os alunos podiam manusear as máquinas e. os permitindo de sair do cenário tradicional da sala de aula. como também foi uma experiência enriquecedora para o professor e para a estagiária em processo de formação. Assim. e utilizava desse recurso em suas aulas. O projeto contava com explicações teóricas sobre o funcionamento dos aparelhos fotográficos das lentes. A estagiária atuou como assistente durante a realização das saídas de campo. tanto teóricas quanto as praticas. “O professor usa sua própria fonte de prazer e inspiração para dentro da sala de aula e então encontramos a fotografia como ponto para ampliação do olhar científico. Como já relatado anteriormente. O professor elaborou em conjunto com os professores de Física e Química um projeto interdisciplinar sobre fotografia. Entre as tarefas exercidas estavam 5173 SBEnBio . a fotografia. Ao decorrer dos três meses de estágio as aulas práticas diferenciadas aplicadas pelo professor de biologia foram o tema central para reflexões e para investigação. recurso multifacetado. O programa foi pensado pelo professor de Biologia que é também fotógrafo e professor de fotografia e naturalidade com o tema e com o ensino do mesmo o permitiu transportar seus conhecimentos para a sala de aula tradicional.Revista da SBEnBio . o que permitiu um amplo diálogo com os alunos e uma percepção mais próxima dos processos de ensino e aprendizagem através da pratica fotográfica. dos filmes e dos reagentes químicos do processo de revelação. Depois as fotos eram reveladas no laboratório de física da escola que foi devidamente preparado para se transformar em uma sala escura.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 No diário reflexivo sobre aulas práticas as impressões sobre o planejamento de tais aulas práticas são expostas de forma clara: “Nas aulas praticas o uso do recurso visual difere daquele visto em aulas teóricas e será aqui nosso principal foco de discussão. as aulas em questão faziam parte do programa da terceira etapa do 2° ano do Ensino Médio formando o módulo de aulas práticas em fotografia.” (Diário Reflexivo da estagiária – Aulas Práticas). o uso da ferramenta didática da fotografia propiciou não só aos alunos uma experiência diferenciada de aprendizado.Número 7 . as aulas de ciências eram ministradas por um professor que desenvolvia paralelamente à docência.Associação Brasileira de Ensino de Biologia . sair a campo e fotografar livremente em campo. por fim.

Observar como os alunos perceberam o próprio processo de aprendizagem. 5174 SBEnBio . Novamente. a fotografia. dialogar com os alunos sobre a experiência e coletar as impressões dos mesmos sobre a realização da pratica. como observar a seleção dos temas das fotografias.Associação Brasileira de Ensino de Biologia .Revista da SBEnBio . as experiências do campo de estágio e a atuação da estagiária foram matéria-prima para uma discussão em sala de aula junto à turma de licenciatura com os colegas também em formação docente e esse processo de refletir teoricamente sobre a prática realizada permitiu o amadurecimento dos conceitos e o levantamento de novas possibilidades no ensino de Biologia. Essa situação foi muito favorável para o processo de formação da estagiária.Número 7 . a estagiária atuava de forma mais expressiva. auxiliando o professor e alunos na revelação das fotos. na seleção para a exposição e na montagem da exposição. pois em contato direto com os alunos e podendo atuar livremente. permitiam abertura aos alunos para refletir sobre o conteúdo formal da biologia sobre a ótica da utilização de um recurso midiático. Durante essas aulas no laboratório da escola. Os planos de aula do professor puderam ser discutidos. instrução e auxílio no uso das câmeras fotográficas. a estagiária pode atuar ainda na conclusão do trabalho. puderam ser observadas quais seriam as expectativas da turma com o projeto e também qual seria o grau de interesse dos alunos naquela aula e com aquela metodologia especifica. Outras tarefas exercidas tinham caráter mais analítico. tais como: preparação de materiais.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 aquelas de caráter pratico. Isso possibilitou a comparação com outros métodos tradicionais do ensino de ciências e como os alunos se relacionavam com os conteúdos a partir de uma metodologia inovadora. intervindo. realizar as tarefas propostas e discutir as dúvidas em grupo. Essas aulas eram planejadas sobre o enfoque majoritariamente teórico da fotografia e a relação com o conteúdo da biologia era traçado de forma espontânea pelo professor durante a aula. Por fim. suas evoluções no campo da fotografia foram importantes para consolidar as reflexões a respeito do processo de ensino-aprendizagem através da prática. A maior intervenção da estagiária foi ao longo do período que os alunos tiveram aulas teóricas sobre fotografia no laboratório da escola. Nesse momento. levantando questões e procurando instigar os alunos para prepará-los para a saída de campo. os alunos eram organizados em bancadas de onde escutavam as instruções e explanações do professor e depois podiam fazer suas anotações. e guiado principalmente pelas duvidas e intervenções da turma. Dessa forma. os planos de aula balizavam as discussões mas não as limitavam. possibilitando a essa uma analise desses planos bem como uma reflexão sobre a montagem e a eficácia dos mesmos.

pode trazer benefícios a todos os envolvidos no campo da construção do conhecimento e à leitura de toda a realidade circundante (SANTOS. para a apuração do olhar critico. Fica claro como o caráter investigativo.Número 7 . Os alunos aprendem a desenvolver habilidades importantes para o “fazer ciências”. outros horizontes são vislumbrados no cenário da educação em ciências. que vai além de um mero componente ilustrativo (SANTOS. para o questionamento. bem como as estratégias didáticas utilizadas para alcançar esses objetivos. seus mecanismos e técnicas e a partir dessas aulas fazer incursões nas teorias científicas. se bem trabalhada no contexto educacional. os objetivos imediatos do projeto de fotografia também foram questionados e investigados. A partir desta reflexão podemos considerar a fotografia como uma ferramenta rica que.Associação Brasileira de Ensino de Biologia . aprecia a vida e compreende a biologia’ diz o professor. “A proposta do projeto foi apresentação da fotografia aos alunos em toda sua complexidade. O que pode nos levar a pensar se as metodologias adotadas pelos professores em suas aulas podem contribuir para esse desinteresse. ‘Quem fotografa a natureza. quando se testemunha a elaboração de aulas tão instigantes e diferenciadas como essas aqui tratadas neste relato. O professor cita como metas a serem alcançadas o desenvolvimento de um olhar apurado e o despertar do interesse dos alunos. Assim. observei que o assunto fotografia se tornou uma ferramenta para o ensino de Ciências. ao passo que o projeto visa e permite a formação do aluno como questionador da realidade. O que fica evidente que existem metodologias possíveis de serem realizadas nas escolas com chances de sucesso e de aumentar o interesse dos alunos pelos temas curriculares de ciências. os objetivos pontuados pelo professor seriam alcançados. e também para a educação como um todo. um olhar observador e analista sobre o mundo que os rodeia.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 ANÁLISE E RESULTADOS Durante o período do estágio. 2014). Dentro desse contexto. 2009). Dessa forma. um ser que pertence ao cenário fotografado. interdisciplinar e inovador foi de grande importância para possibilitar que o professor conseguisse através da fotografia levar os alunos à reflexão e observação. é possível denotar a importância da imagem e da fotografia no ensino de ciências. 2014). Neves aponta em sua pesquisa que há diferenças de interesse entre alunos do ensino fundamental e que quanto mais avançam em idade e ano escolar mais aumenta o desinteresse em aprender ciências (NEVES. Por outro lado. Era de interesse dos professores que os alunos desenvolvessem características críticas.”. 5175 SBEnBio .Revista da SBEnBio . (Diário Reflexivo da estagiária – Tema:Aulas Práticas).

Todas as vivências e as reflexões geradas a partir do Estágio Supervisionado levantaram a questão da importância de uma metodologia diferenciada e inovadora. O que resulta em uma formação docente com perspectivas futuras diferenciadas. o tema fotografia permitiu o planejamento de aulas interdisciplinares. tornou possível se “ensinar a fazer ciência”. Richter. os alunos podiam ver de forma mais próxima as relações entre a Biologia.] a tradição de considerar-se o que está apresentado no livro didático como única forma possível de ensinar. Nesse cenário.Associação Brasileira de Ensino de Biologia . O fato de que estratégia metodológica de Ensino por Projetos tivesse sido adotada também colaborou para a interdisciplinaridade das aulas e fez com que o objetivo das aulas fossem além da sistematização do conteúdo e levando os alunos a observarem e a analisarem de forma autônoma. entre suas possibilidades. Nesta via. E o recurso das aulas práticas de fotografia foi o responsável para quebrar esse paradigma e ir além do recurso do livro didático. ou seja. onde a fronteira entre as disciplinas era mais fluida e o objetivo principal não era mais a sistematização objetiva de um conteúdo fixado num ensino bancário e sim na percepção e a vivência de conceitos mais amplos da Ciência. por fim.Outubro de 2014 V Enebio e II Erebio Regional 1 Assim. à medida que a incorporação das experiências vividas possibilita uma formação crítica e mais ampliada acerca da formação docente. o cultural.. consequentemente os professores tem dificuldade de pensar em conteúdos diferentes dos tradicionais”. (SANTOS. E a fotografia como recurso tem. A análise das experiências e reflexões em sala de aula tende a provocar um impacto motivador ou desencorajador no estagiário. trazendo temas que tradicionalmente nos currículos pertencem aos domínios das outras Ciências. Lopes e Freitas (2006. 2014) Os impactos provocados pelo Estágio Supervisionado sobre a estagiária também é um ponto relevante do processo de formação de professores.Número 7 . pode-se inferir 5176 SBEnBio . p.Revista da SBEnBio . entre eles o social. 9) mencionam que “Criou-se [. O testemunho de uma experimentação metodológica ao decorrer do estágio levantou possibilidades para a estagiária em formação. a Física e a Química. a capacidade de registrar vários aspectos do ambiente.. Os professores das disciplinas de Física e Química também participavam das aulas praticas de fotografia e podiam tecer correlações entre a fotografia e seus próprios conteúdos. mais amadurecidas e embasadas do que aquelas com as quais o estagiário contava no início do Estágio Supervisionado. o natural. o exemplo e a técnica usada como metodologia inovadora. É possível inovar em sala de aula? A fotografia foi. tais como ótica e reações químicas.

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