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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA

NÚCLEOS DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA

GIOVANI DA SILVA BARCELOS

CIDADE IMAGINÁRIA E CIDADE REAL:
UM ESTUDO URBANÍSTICO SOBRE PORTO VELHO A PARTIR DO PLANO DE AÇÃO
IMEDIATA DE 1972

PORTO VELHO, 2015

GIOVANI DA SILVA BARCELOS

CIDADE IMAGINÁRIA E CIDADE REAL:
UM ESTUDO URBANÍSTICO SOBRE PORTO VELHO A PARTIR DO PLANO DE AÇÃO
IMEDIATA DE 1972

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação Mestrado em Geografia, Núcleo de Ciências
Exatas e da Terra, Departamento de Geografia, da
Fundação Universidade Federal de Rondônia, como
parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre.

Orientador: Prof. Dr. Eliomar Pereira da Silva Filho

PORTO VELHO, 2015

BIBLIOTECA CENTRAL PROF. ROBERTO DUARTE PINTO
FICHA CATALOGRÁFICA

B242c

Barcelos, Giovani da Silva.
Cidade Imaginária e Cidade Real: um estudo urbanístico sobre
Porto Velho a partir do Plano de Ação Imediata de 1972. / Giovani da
Silva Barcelos. Porto Velho, Rondônia, 2015.
140 f.: il.

Orientador: Prof. Dr. Eliomar Pereira da Silva Filho

Dissertação (Mestrado em Geografia) – Fundação Universidade
Federal de Rondônia (UNIR), Porto Velho, Rondônia, 2015.

1. Porto Velho. 2. Planejamento Urbano. 3. Plano urbanístico. 4. Plano
Diretor. I. Título.

CDU: 911.3(811.1)

Bibliotecária responsável: Eliane Gemaque Gomes Barros CRB-11/549

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A Michele Gomes Barcelos. por ser minha referência em dedicação ao ensino e ao conhecimento. minha irmã gêmea com 18 meses de diferença. que nasceu no transcorrer da pesquisa e que com seu sorriso me deu forças para prosseguir. amizade e admiração. A minha irmã. Caren Siane Barcelos da Silva. por ser minha referência em perseverança. Elida Barcelos. A minha mãe. A Deus. . A Bianca Souza Gomes Leismann pelo carinho e força e pelo presente que me deu ao pedir para me chamar de pai Ao meu pai. pela forma que sempre me trouxe palavras de admiração e incentivo. Ao meu cunhado. por todas as graças recebidas e a possibilidade de concluir este trabalho A Maria Antônia Gomes Barcelos. do qual tenho um enorme respeito. pelo amor e todo carinho dedicado a mim e que me permitiu prosseguir e terminar este trabalho. por ser meu exemplo de integridade e responsabilidade. Leonardo Costa da Silva. Ivo Barcelos. um milagre de Deus na minha vida.

a banca examinadora. sobrinhos e cunhado por tudo que já fizeram e fazem para que eu consiga prosseguir no trabalho de qualificação e conhecimento. Agradeço imensamente ao colega de profissão e amigo Maurício Valladares por ter disponibilizado valioso material sobre a história do planejamento urbano em Porto Velho. Ao colega de docência Giovanni Bruno Souto Marini por grandes discussões sobre urbanismo e valioso material sobre a evolução urbana de Porto Velho que contribuíram decisivamente para esta pesquisa. Aos colegas do Mestrado que dividiram conhecimento e conversas sobre o andamento dos trabalhos. além das inúmeras discussões acerca de assuntos pertinentes à arquitetura e ao urbanismo. pelo encaminhamento quando necessário. Agradeço muito aos meus orientadores. minha irmã. Obrigado pelo conhecimento dividido. A minha família rondoniense. Sou grato à equipe do Departamento de Engenharia e Arquitetura que acompanharam minha qualificação e deram força para que concluísse aquela importante etapa. Aos colegas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Superintendência de Rondônia. em Porto Velho. em especial a Superintendente Mônica Castro de Oliveira. e as chamadas de atenção. agradeço. AGRADECIMENTOS Esta pesquisa somente está ocorrendo graças a confiança dos professores do Mestrado em Geografia da Universidade Federal de Rondônia. aos professores que ministraram disciplinas tão valiosas e aos demais que engrandecem este curso e o elevaram de nível. à cidade de Porto Velho e a todos os que me receberam com carinhos e aos verdadeiros amigos que fiz aqui. Dra. assim. em Rondônia. Michele. que cuidam dessas pessoas especiais para mim. Maria Antônia e Bianca. Eloiza Elena Della Justina. me trazendo novamente ao Instituto. Amo vocês. Agradeço imensamente ao Estado de Rondônia. Família que fez eu criar raízes em Rondônia. tão necessárias nos trabalhos discentes para que não fujamos do objetivo e possamos concluir a pesquisa. em especial ao Assis Medeiros e a Paula Stolerman com quem o contato foi ainda maior. . Aos meus pais. em especial aos meus guris. Lucas e Mateus. raízes que alimentam e me dão segurança em prosseguir e investir meu conhecimento aqui. que iniciou a minha orientação e depois repassou ao Dr. que me deu apoio nos momentos necessários e acreditou na minha capacidade. Eliomar Pereira da Silva Filho.

"Na vida. saudade é uma lembrança que alegra. e não âncoras. Nostalgia é uma lembrança que dói. Quem tem âncoras vive apenas a nostalgia e não a saudade. âncora imobiliza. nós devemos ter raízes. Raiz alimenta." Mário Sérgio Cortella .

BARCELOS, Giovani da S. Cidade Imaginária e Cidade Real: Um estudo urbanístico sobre Porto
Velho a partir do Plano de Ação Imediata de 1972. 2014. 137 fl. Dissertação (Mestrado em
Geografia), Fundação Universidade Federal de Rondônia. Porto Velho, RO, Brasil. [s.n.], 2015

RESUMO
A pesquisa examinou os planos urbanísticos desenvolvidos para Porto Velho a partir do Plano de
Ação Imediata de 1972. Tem como escopo a identificação de questões que influenciaram na não
execução das propostas apresentadas nos documentos, distanciando a cidade pensada neles, da
cidade construída a partir deles. Para isso, a cidade real de Porto Velho foi retratada historicamente
desde a construção da EFMM e finalizando nos dias atuais, no período de construção das duas Usinas
Hidrelétrica do Rio Madeira. Os planos urbanísticos, que retratam a cidade ideal que Porto Velho
seria, foram analisados mantendo a linha cronológica de apresentação da cidade, permitindo uma
melhor observação da continuidade, ou não, dos pensamentos que embasam os documentos de
planejamento, ressaltando que alguns são continuidades do anterior. A partir desses estudos
realizados com fundamento no exame das contradições entre o pensamento e a realidade, foi possível
identificar os componentes do processo que precisam ser aprimorados para que urbe real seja uma
consequência, uma continuidade, do pensamento resultante dos projetos de planejamento.
Palavras-chave: Planejamento Urbano. Plano Urbanístico. Plano Diretor. Porto Velho.

BARCELOS, Giovani da S. Imaginary City and Royal City: A study on urban Porto Velho from
the Immediate Action Plan 1972. 2014. 137 fl. Thesis (Master of Geography), Fundação
Universidade Federal de Rondônia. Porto Velho, RO, Brazil. [s.n.], 2015

ABSTRACT
The research examined the urban plans developed to Porto Velho from. Immediate Action Plan of the
1972 has scoped the identification of issues that influence the non-implementation of the proposals
presented in the documents, away from the city thought in them, the town built from them. To this, the
royal city of the Porto Velho has historically been portrayed since the construction of EFMM and ending
today, the construction period of two hydroelectric power plants on the Madeira River. The urban plans,
portraying the ideal city that Porto Velho would be, were analyzed keeping the timeline for submission
of the city, allowing better observation of continuity, or not, of the thoughts that underlie the planning
documents, noting that some are continuities of the former. From these studies on the basis of
examination of the contradictions between thought and reality, it was possible to identify process
components that need to be improved so that real metropolis is a consequence, continuity, the
resulting thought of planning projects.
Keywords: Urban Planning. Urban Plan. Master Plan. Porto Velho.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
EFMM Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
FAUUSP Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
FUPAM Fundação para Pesquisa Ambiental
PAI Plano de Ação Imediata
PCMP Plano para Cidades de Médio Porte
PD Plano Diretor
PV Plano Viário
SVTP Sistema Viário de Transporte Público

.........51 Figura 10: Tabelas A. 1000 Figura 36 ...............Uso do Solo ...........................................................................89 Figura 29 ...............................................................107 Figura 39 .........................................67 Figura 17 .........PD 1990 ..................................................116 Figura 44 .............108 Figura 40 ..................54 Figura 12: Imagem dos bairros existentes em Porto Velho em 1972 ....................50 Figura 8: Detalhe do mapa do Plano Diretor de Urbanização de Porto Velho de 1950.....................118 .......................................................................................................PCMP 1983 ...48 Figura 6: Planta da cidade de Porto Velho em 1925 .......................................................................114 Figura 42 ..................Alteração nas vias ................................................................................Caracterização das áreas de expansão urbana ....................................................Drenagem de águas pluviais – Plano Viário 1989 .........................................................................................................Rede de abastecimento de água ............................................................Hierarquia viária ................................PCMP 1983 ....................................................................................................Zoneamento urbano proposto no Plano de Ação Imediata de 1972 ...........110 Figura 41 .......................Alternativa 01 ..Proposta de Zoneamento..........................................................................Quadriláteros formados por vias arteriais e áreas ambientais (A..........Transporte Coletivo e Sinalização ...................................................90 Figura 30 .............................................................................................................................PCMP 1983 ............................................................ B e C) ....................................................Rede de drenagem urbana proposta .........80 Figura 26 ...............................................96 Figura 34 ..........PCMP 1983 ................Proposta de localização da Rodoviária de Porto Velho ........Plano Viário 1989.......................................................Área próxima à EFMM ...Classificação das vias .49 Figura 7: Desenho do Plano Diretor de Urbanização de Porto Velho em 1950 ............91 Figura 31 ........................................................20 Figura 2 ....Localização do Bairro Barbadian's Town (Alto do Bode)............95 Figura 33 ......................................................................................................................................................................................................................................................... nas proximidades de onde atualmente é o Porto do Cai N'Água .......................Alternativa 02 ...............76 Figura 23 .........PD 2008 ..................................................PD 1990 ..............79 Figura 25 .............................68 Figura 18 .....................................................................................................................................Implantação das propostas ...........PD 1990 ...........Características dos cruzamentos na hierarquização ......22 Figura 3: Evolução urbana de Porto Velho até 1990 ..PD 2008 ..................PCMP 1983 ................................................24 Figura 4 – Porto Velho no ano de 2015 ..........105 Figura 38 ...................PD 1990 .........................................83 Figura 28 .........................................................................................................................................................Rede de Drenagem Urbana ............................................LISTA DE FIGURAS Figura 1 ...................Redes de Esgoto ..............102 Figura 37 ..............999 Figura 35 .................26 Figura 5: Planta geral da cidade de Porto Velho em 1912 ................70 Figura 21 .Plano Viário 1989 ......................................................................................................................................................................51 Figura 9: Imagem panorâmica da cidade de Porto Velho em 1950 .................................................................Pontos de articulação do Sistema de Transporte Público de Porto Velho ............59 Figura 15: Sistema viário de Porto Velho proposto para 1974 e 1975 ..................PD 1990 .......................................80 Figura 27 .....92 Figura 32 ..............................Vazios Urbanos em Porto Velho em 2008 ............................................................................ B e C de metodologia de elaboração de Plano Diretor .......................................................Plano Viário 1989 .............................PCMP 1983 .....Proposta para o entorno da EFMM ..................................................................61 Figura 16 ........................................115 Figura 43 ...Fases de execução ........................................................................................................71 Figura 22 .....77 Figura 24 ...........68 Figura 19 ..........Infraestrutura Viária ..............................Proposta de intervenção no Igarapé Santa Bárbara ...Proposta de desenho urbano para as vias de Porto Velho ..................54 Figura 11: Tabelas D e E de metodologia de elaboração de Plano Diretor......................................................................................................Rede de esgotamento sanitário: .57 Figura 14 ...............................................................Hierarquização viárias nas áreas de interesse ambiental .......................PD 2008 ........69 Figura 20 – Superquadras propostas para Porto Velho .................................................Linhas de transporte coletivo .........................Delimitação das áreas predominantemente pobres de Porto Velho .................................................55 Figura 13 .........

............................................Evolução da malha urbana de Porto Velho entre 1925 e 2015 ..125 Figura 51 ................................. Bairro Aponiã ..........125 Figura 50 ...............Evolução da implementação dos corredores de ônibus ...................................................................Tabela contida no Plano de Mobilidade apresentando o cronograma de implementação dos corredores de ônibus .........................................Execução de rede de drenagem na Rua Luiz de Camões...........Avenida Sete de Setembro em Porto Velho ................Cruzamento das Avenidas Rio Madeira e Rio de Janeiro em 2012 .............................................................120 Figura 47 ....................................Figura 45 ..........................................................................124 Figura 49 ................Ocupação em área de risco na zona sul de Porto Velho .........128 Figura 52 ...................................122 Figura 48 ....Cruzamento das Avenidas Rio Madeira e Rio de Janeiro em 2015 ..........119 Figura 46 ...............................................................129 12 ......

............................................ .................Implantação das propostas do Plano de Ação Imediata de 1972 ....................População de Porto Velho real e estimada pelo Plano Diretor de 1990 ..........85 Tabela 7 ........................................................Frota de veículos em Porto Velho (2005 a 2013) ........... 1970 e 1980....Zoneamento proposto no Plano Diretor de 1987.Implantação das propostas do Plano Diretor de 1990 .............93 Tabela 8 ...........................Implantação das propostas do Plano Viário de 1989 .................. 1960..................................................Implantação das propostas do Plano Diretor de 2008 ....Prioridade na implantação de infraestrutura .............................126 ........................................................74 Tabela 5 ..................................103 Tabela 9 ........................................................................Implantação das propostas do Plano Viário de 1978 ...........111 Tabela 10 ..............................23 Tabela 2 .....................................65 Tabela 4 ..................................................................População de Porto Velho e Rondônia nas décadas de 1950.25 Tabela 3 ..............82 Tabela 6 . LISTA DE TABELAS Tabela 1.........................................

..........................66 ....................................................................................4 Saneamento básico e drenagem .........................................................2.............................1.....................63 4................................................................6 Plano de desenvolvimento recomendado ..........1 Estatuto da Cidade – Diretrizes Gerais ........................................................................51 4.......................................................... 27 2.....................1 Urbanização em Porto Velho anterior aos Planos Urbanísticos ..................................................................................................2.....40 2.....................................................................2...........2 Agentes modificadores do espaço urbano ..................1........51 4.........2.......................2 Planos Urbanísticos para Porto Velho........1 Levantamento e Diagnóstico ..2 Cenário 02: Crescimento para o Norte ..........................3 O urbanismo social..........................1..........................1.............................................. 16 CAPÍTULO 1 ....................................................................1 Plano Diretor na Prefeitura de Porto Velho ............1.PORTO VELHO: A CIDADE REAL ......................1 Conceitos em planejamento urbano .......................................................27 2.1...............................................2............................................................................................................................ político e econômico ............1 Cenário 01: Crescimento espontâneo............5 Plano Diretor ......................................1 Urbanização brasileira .....................60 4...................................................63 4...3 Cenário 03: Crescimento para o sul ..................7......34 2..................................................................56 4....................................42 2..63 4...................................................................4....4 Bases legais para desenvolvimento de planos diretores .......64 4.............................2...27 2.....1.......................... Sumário INTRODUÇÃO .........................................3 Formação das cidades amazônicas .30 2.........................1.............................64 4.........................................................................6...........47 4.........................................................................6 Considerações sobre o Plano de Ação Imediata de 1972 ..........................................................................4 Cenário 04: Crescimento para o leste ..........7.........................58 4.......................7 Cenários para expansão urbana ................1..........................2....7.......................7..58 4................7..........................................................................................2 O planejamento urbano no Brasil ............................................................................................................2.................................... 47 4.......5 Cenário 05: Crescimento de novos núcleos na margem esquerda do rio Madeira ...................................6.....................................1....................1 Plano de Ação Imediata de 1972 ..2 Estatuto da Cidade – Instrumentos ...........................................2..................35 2..........................................1 O neourbanismo ......................................................................55 4..................................................................6............39 2..............................................................34 2.40 2.........................2.......................................37 2.................. 45 CAPÍTULO 4 – URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DE PORTO VELHO: A CIDADE IMAGINÁRIA .....................2..62 4.............5 Circulação urbana ............................................................................2 Características físicas e climáticas ....64 4..2......................2......................5...................43 CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA ...........................................................................................................................................3 Uso do solo ....................................................1.......................................................................................6 O pensamento urbanístico contemporâneo ...............2..................7............1.... com mínimo de controle ...2......4...........................................28 2.....2 Plano Viário de 1978 ..........1............... 19 CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO...........64 4.......................................................2.........

.................................................................................1 Sistema Viário..................109 4.............................................2......5 Plano Viário Principal de 1989 ..................122 4...........................................................................................1 Considerações sobre o Plano Diretor de Porto Velho de 1990 ..................................................................................................................................3 Planejamento em Porto Velho atualmente .......................................................................................................................................2................................2.........................4....................................................84 4.........................82 4....................................................................117 4.....6 Plano Diretor de 2008 .1 Áreas predominantemente pobres ......Adensamento progressivo ........6.....................................1 Considerações sobre o Plano para Desenvolvimento de Rondônia de 2011 ....................8 Plano de Mobilidade Urbana de Porto Velho .................1 Considerações sobre o Plano Diretor de 1987......2..............3............................................................2.98 4.......................................2............101 4.....................................................Adensamento Concentrado ....8.........123 CAPÍTULO 5 – Considerações sobre a Cidade Imaginária X Cidade Real .................................. Alternativa 02 ..........7...........................87 a.................... 132 REFERÊNCIAS...............................................2......2..........................113 4......................................................................................................................................................................................4 Plano Diretor de Porto Velho de 1987 ...............................................2....................8........2 Transporte Público ....................... 4. 139 15 ...............72 4...87 4..................115 4.............1 Considerações sobre o Plano Diretor de 2008.........................................115 4......................................2...5.......2.....72 4............... 126 CAPÍTULO 6 – Conclusões ........2...................1 Áreas de risco.......................................................................................................3...... Alternativa 01 .104 4.......................97 b........................................................2...........................1 Considerações sobre o Plano Viário de 1978 ..........3 Projeto Especial para Cidade de Médio Porte de 1983 .................................................................................. 134 APÊNDICE ..............2................

que resulta em uma compreensão clara do que é a cidade nos períodos de cada documento. de relações sociais. baseando na modificação da forma de trabalho.257/2001. que apresentam propostas que deveriam ser incluídas para atender questões específicas que fogem de planos mais técnicos e gerais (CASSILHA. Todo esse extenso trabalho é finalizado com propostas de como organizar e planejar a cidade para o futuro. na distribuição demográfica e na ocupação do território (SANTOS. onde tudo ocorre ao acaso. precisando de intervenções que relacionem os conhecimentos técnicos. A visão de uma cidade ideal. As relações políticas interferem no processo de planejamento. 2013). a raiz do problema da cidade real. 2009). entendia-se como um espaço sem planejamento. É precedido de uma reflexão sobre o processo de definição da situação presente. Lei 10. Logo. causando e sofrendo a ação de problemas urbanos inerentes a forma de apropriação do espaço. o Plano de Ação Imediata de 1972 (PAI. assim. As cidades contemporâneas detêm um gene de formação comum. que vão desde planos diretores a planos viários. com eixos temáticos. 1972). de modo a permitir um prognóstico que servirá para definir as ações planejadas. Essa ação passa a ser regulamentada com o Estatuto da Cidade. Prever as ações que deverão ser elaboradas pelo sujeito de modo a atingir o êxito pretendido com o objeto. que torna a participação popular obrigatória na construção do Plano Diretor. quando são encontrados planos urbanísticos. porém os detentores do capital que . apresenta no diagnóstico questões discutidas até este momento. com um detalhado trabalho de pesquisa e diagnóstico.INTRODUÇÃO O estudo de planos urbanísticos de Porto Velho e sua relação com a cidade real é a principal base de estudos desta dissertação de Mestrado. pensada através dos planos urbanísticos. Uma relação da cidade e a sociedade que não é idealizada pelos seus planejadores. A hipótese já é modificada no início da pesquisa. O primeiro plano estudado. logo necessitaria ser resolvida e projetada para o futuro. originada através de uma dinâmica ocupacional surgida espontaneamente. o processo não é puramente técnico. relações políticas. que evolui desconsiderando muitas ideias apresentadas nestes documentos? O conceito de planejar está sempre ligado a um objeto e a um sujeito. através de audiências públicas e equipes de trabalho. pois todos os membros da sociedade sofrerão as consequências das modificações urbanas. contrasta com a cidade real. mesmo tendo transcorridos 43 anos da sua elaboração. com o cotidiano de quem realmente utiliza o espaço. Onde estaria. elaborado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Em uma primeira imagem da cidade.

sem planejamento. ao colocar a metodologia dentro do processo evolutivo do planejamento. Ela deve ser uma etapa posterior ao planejamento urbano. O objetivo geral da dissertação é identificar as causas das diferenças entre a cidade planejada (imaginária) e a cidade real. através de meios técnicos e científicos. existem. dentro do quadro do Brasil. necessita-se entender as definições de gestão e urbanização. 1985).movimenta a cidade. possuem na sua capacidade de modificar o espaço urbano o principal trunfo para interferir no planejamento urbano (SILVA. a partir do Plano de Ação Imediata de 1972. é o ato de urbanizar. tornar urbano. Urbanização. A gênese da formação de Porto Velho é o planejamento. 1993). Apenas em setores próximos aos igarapés e ao Rio Madeira a ocupação é feita acompanhando o relevo. Relacionar as etapas de consolidação da cidade de Porto Velho. O traçado xadrez escolhido não foi ao acaso. onde a ocupação já inicia antes de qualquer dotação de infraestrutura. pois permitia uma apropriação ordenada. diminuindo as modificações topográficas que seriam necessárias. 2. O método é constantemente discutido e questionado. colocando em prática as ações pensadas e organizadas (SOUZA. identificando as características reais para serem confrontadas com a cidade imaginária dos Planos Urbanísticos. por Flávio Villaça (1999). é questão de método (SANTOS. Além do planejamento. não o substituindo. as que foram parcialmente executadas e as que ficaram apenas explícitas nos documentos. ainda. identificando as propostas que foram executadas. conceitos diferenciados que necessitam coexistir para o desenvolvimento urbano. 2011). 17 . pois ocorre indiferentemente do planejamento. através da utilização de conhecimentos adquiridos sobre o meio geográfico. A urbanização é um dos resultados da gestão do espaço. A forma de alcançar o futuro. Objetivos específicos 1. Na administração das cidades brasileiras. é a forma de projetar ações de intervenção. a partir das análises dos planos urbanísticos de Porto Velho. O início da cidade dá-se através de ações planejadas dos responsáveis pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) na ocupação do espaço. Organizar e analisar os planos urbanísticos. com possibilidade de ampliação e distribuição espacial facilitada. A urbanização brasileira tende a acompanhar o que acontece no restante do mundo e interpretar essas ações. conforme Plano Diretor de 1990. logo ela intervém em uma área consolidada. segundo o dicionário Aurélio. por exemplo.

apresentando um encadeamento dos temas que vão sendo complementados à medida que o texto segue. potencializou e. o diagnóstico e as propostas. O primeiro capítulo apresenta a cidade de Porto Velho. os caminhos traçados para alcançar os objetivos propostos para a dissertação. No quinto capítulo apresenta-se os resultados da pesquisa. em termos de execução. No capítulo quatro os planos urbanísticos são analisados. metodologia de planejamento e o pensamento contemporâneo acerca de urbanismo. da cidade de Porto Velho. O terceiro capítulo trata da metodologia de desenvolvimento da pesquisa. Cada plano foi observado individualmente. apontando com a análise dos aspectos e fatores observados que estão dificultando a implementação dos planos urbanísticos em Porto Velho. 18 . o impediu. As informações foram organizadas e tabuladas em uma planilha que informa qual a situação das propostas. planejamento urbano e gestão. a metodologia utilizada. em determinados momentos. Organização do trabalho A organização da pesquisa busca um desenvolvimento e um aprofundamento gradual do tema. apresentando o objetivo. identificando as propostas que se repetem. 3. os planos pesquisados e a referência para tabulação das informações. Buscou-se com esses estudos contribuir para que sejam qualificadas as conversas e tratativas que fazem parte do processo de planejamento urbano de uma cidade. Eles são pesquisados de forma cronológica. O segundo capítulo discute conceitos correlacionados com o planejamento (urbanização e gestão). relacionando o desenvolvimento urbano com o que o possibilitou. fazendo as relações necessárias com os outros. de modo a identificar as propostas que se apresentam como os principais problemas na implementação dos projetos. o processo de formação da cidade em ordem cronológica. Relacionar os planos urbanísticos entre si.

complementada pela EFMM em paralelo ao trecho do rio onde existiam cachoeiras (FONSECA e TEIXEIRA.000 trabalhadores de diversas nacionalidades vieram trabalhar na construção da ferrovia e nos seringais. A borracha era conduzida até o Rio Madeira para o escoamento.CAPÍTULO 1 . 2001). de instalações para as atividades ferroviárias e a atividade principal passa do extrativismo para o comércio (OLIVEIRA. mais de 22. Porto Velho surge desse acampamento montado para o início das obras. será o principal nome desta fase final da construção. 2001). com sistema de esgoto. que foi deslocado de Santo Antônio 1 para onde atualmente é Porto Velho. em 1914. tratamento de água. Percival Farquhar. que buscava deixar suas digitais em uma terra praticamente intocada. mudando apenas em 1722 e 1747 com os tratados de Madrid e Santo Ildefonso que incorpora as bacias dos rios Madeira e Guaporé à coroa portuguesa. O Tratado de Tordesilhas (1494) determinou a posse espanhola na área. Porém as origens da ocupação da área datam do século XVII. “Em menos de dois anos a cidade apresentava um aspecto dinâmico e progressista” (OLIVEIRA. jornais publicados em inglês. As condições geográficas do Rio Madeira fizeram com que houvesse uma mudança de localização do porto fluvial. cinema e salões de festa. 2001). Após tentativas frustradas de construção da ferrovia que ligaria Santo Antônio no Rio Madeira a Guajará-Mirim no Rio Mamoré. Entre 1909 e 1912. luz elétrica. com as primeiras bandeiras que entram no território em busca de ouro e especiarias. 2001). imprensa. que fundou a Madeira Mamoré Railway Co. formando o que foi denominado “Exército da Borracha”. No início do século XX a região atraia imigrantes nordestinos na busca pela extração da borracha. A vila de Porto Velho foi criada em 1913 e o município. 1 A Vila de Santo Antônio do Madeira ficava aproximadamente a 8km a montante do Pátio da EFMM. em 1907 é reiniciada a obra da EFMM. O homem era um intruso. . 1950). O local passa a ser dotado de infraestrutura urbana.PORTO VELHO: A CIDADE REAL A Vila de Porto Velho surgiu em 1907 com a instalação de um acampamento ferroviário para iniciar as obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A exploração da borracha da Amazônia começa no século XIX pela necessidade a partir da primeira Revolução Industrial. A margem do Rio Madeira onde iniciou a implantação da cidade foi utilizada como porto na guerra do Paraguai e nome se deve ao fato do lugar ser conhecido como Porto Velho dos Militares. quando foi oficializado o nome de Porto Velho (CATANHEDE. A cidade começa planejada. Esta primeira fase de ocupação do território rondoniense resulta na construção do Real Forte Príncipe da Beira para a proteção da fronteira (OLIVEIRA. na produção da borracha.

que em 1956 foi dividido em dois municípios: Porto Velho e Guajará-Mirim (NASCIMENTO. Em 1943 é criado o Território do Guaporé. 2009). Em 1913. 20 . O período de 1930 a 1945 é de expansão e riqueza para a cidade. instalado em 04/01/1982 (SEMPLA . 2001). que teve acesso aos benefícios da ferrovia. Uma cidade formada por uma população rica. 2001) e (FONSECA e TEIXEIRA. Em 1981. 1987). em plena evolução. A figura 01 mostra a área destinada aos ferroviários. onde aos poucos foi sendo eliminada a divisão de classes (OLIVEIRA. ficando logo acima a Avenida Divisória (atual Avenida Presidente Dutra) que servia para dividir esta da área municipal. Figura 1 . e outros excluídos.PORTO VELHO. o Território de Rondônia é elevado a Estado pela Lei Complementar nº041 de 22/12/1981.Localização do Bairro Barbadian's Town (Alto do Bode). nas proximidades de onde atualmente é o Porto do Cai N'Água Fonte: Blackmann (2012). mais tarde denominado Território de Rondônia. caracterizando o período entre 1910 e 1930 como consolidação dessa divisão de classes. Porto Velho era uma vila ferroviária próspera.

pois os problemas econômicos foram grandes. é o período da descoberta e o apogeu da exploração da cassiterita em Rondônia e a população passa de 27. temos como impulsionadores urbanos o Primeiro e o Segundo Ciclo da Borracha. tendo a atual Avenida Presidente Dutra. Triângulo e Baixa da União (OLIVEIRA. Calama. houve um novo declínio na borracha. 2001). Uma próxima à EFMM (figura 02). havendo desenvolvimento dessa atividade presente até hoje. Nessa época. 1972). pela produção asiática voltando a abastecer o mundo. A ferrovia é desativada em 1931. A crise de 1929 causa a queda da produção da borracha e demonstra a dependência umbilical da região amazônica. A partir de 1940 há um esforço norte- americano. definindo também. localizada depois dessa. é criado o Território Federal do Guaporé. que foram para Porto Velho trabalhar na construção da EFMM. Até então.972 na zona urbana. dotada de alguma infraestrutura e com prédios com características arquitetônicas e técnicas trazidas pelos estrangeiros. pela única alternativa ser a borracha amazônica. 21 . na época. a construção da BR-364 é concluída pelo 5º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção) e pelo 9ºBEC (OLIVEIRA. pois abrigava trabalhadores Barbadianos. em 1943 e Porto Velho passa a ser capital do território. ou seja. Nesta década. Além do segundo ciclo. 2011). a criação do Território impulsiona o desenvolvimento da oferta de serviço público. Além do centro urbano. 2001). suas características urbanísticas. formado pela elite dos funcionários da EFMM. entre outros. Jaci-Paraná e Rondônia). mostrado na figura 01.148 em 1940. O primeiro ciclo da cassiterita dura até meados da década de 1970. sem infraestrutura. Avenida Divisória. 2 Também foi conhecida por Barbadian’s Town.272 na zona rural e 10. São construídos edifícios públicos e a oferta de outros serviços é aumentada (FONSECA e TEIXEIRA. foi um duplo golpe que a economia local sofreu.695 pessoas em Porto Velho. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi um grande empreendimento que iniciou a cidade. de fortalecer a região através do Tratado de Washington. que também colabora para o aumento de pessoas vindas para a cidade. Após a 2ª Guerra Mundial. em 1950 (FAUUSP. Agora como capital do Território. A cidade era caracterizada por duas áreas urbanas e arquitetônicas diferenciadas. Abunã. Após sua assinatura. A região passa por um êxodo rural. surgiram três bairros que abrigavam os trabalhadores menos favorecidos: Alto do Bode2. a população da cidade aumenta de 3. atingindo a EFMM. como limite entre ambas as áreas. Final da década de 1950 e início de 1960.244 para 50. enquanto outra. Porto Velho tinha cinco vilas (Ariquemes. para 16. Getúlio Vargas nacionaliza a ferrovia em 1937 para garantir seu funcionamento.

Área próxima à EFMM Fonte: Carvalho (2006).Figura 2 . 22 .

pois o espaço vazio começou a ser ocupado por grandes produtores. não tem como foco.232 111. impossibilitando que os pequenos ocupassem o território e esses são os maiores contribuintes para o aumento populacional. Posteriormente. A produção passa a ser explorada por máquinas e uma economia baseada no extrativismo que fomenta o comércio.935 70. como elétrica. como nas décadas anteriores (na década de 1980.203 133. A proximidade e a infraestrutura que a cidade ofereceria.População de Porto Velho e Rondônia nas décadas de 1950. porém há um aumento na população urbana em relação à rural. que atrai pessoas para a zona rural. atraindo profissionais com essa formação das regiões sul e 23 . incentivaram essa ocupação. Na década de 1990.244 51. Enquanto que o processo de colonização atraia as pessoas para a zona rural. a população aumenta em 150 mil pessoas.049 66. o ouro causava um inchaço urbano. essa periferia passa por processo de urbanização. Houve um esgotamento prematuro das fronteiras agrícolas. Tabela 1. ocorrendo um espraiamento urbano sem a infraestrutura adequada. pavimentação e algum abastecimento de água (NASCIMENTO. Giovani da Silva (2014). ocorre o avanço nos processos de colonização. Com esse movimento migratório. 2011). entra em declínio (OLIVEIRA. Ainda existe a consequência do processo de colonização. A partir da década de 1970. 2009). houve maior migração para Porto Velho do que em toda a década de 1970). 1950 1960 1970 1980 Rondônia 36. mas sem grandes saltos. o comércio. Há um aumento populacional. segundo Fonseca e Teixeira (2001) a busca agora é por terras para a agricultura. conforme figura 03. Entre os anos de 1980 a 1985 observa-se uma expansão na área urbana. ou objetivo final. a cidade começa a se expandir na década de 1980 para o norte e leste. pela cidade de Porto Velho estar às margens do Rio Madeira. podendo assim. pois a busca. diferentemente dos períodos anteriores. uma consequência do aumento de empregos no setor público e a carências de mão de obra de nível técnico e superior. mas uma queda no percentual da população urbana. A decadência da exploração de cassiterita de forma manual causa problemas econômicos e sociais para Porto Velho. 1960.064 491. ter contribuído para o maior fluxo para os centros urbanos na década de 1980 (nos primeiros quatros anos da década de 80. 1970 e 1980.069 Porto Velho 27. menos de 50 mil pessoas).898 Organização: BARCELOS. dotando a área de alguma infraestrutura. pois a periferia passa a receber essas pessoas. enquanto na década seguinte. mas a produção primária. Abaixo é apresentada uma tabela com a evolução da população de Rondônia e Porto Velho entre as décadas de 1950 e 1980. Porto Velho apresenta um crescimento constante. a partir de dados do Plano de Ação Imediata de 1972 e IBGE.

Na década de 2000. no início do período. e posterior concretização. das construções das usinas do Rio Madeira (NASCIMENTO. há um novo grande incremento populacional. A população aumenta em mais de 95 mil pessoas. Figura 3: Evolução urbana de Porto Velho até 1990 Fonte: Plano Diretor de Porto Velho de 1990. agora com a expectativa. 2009). atraídos pelo novo ciclo econômico: o ciclo das usinas hidrelétricas (IBGE.sudeste do Brasil. 24 . 2010).

411 69. atraídos pelo inchaço imobiliário de uma cidade que não possuía habitações suficientes para atender aos funcionários das usinas. Novos bairros surgiram. vivemos em um período onde se observa a grande diminuição no número de trabalhadores nelas. e a iminência de implementação do Novo Plano Diretor. Foram construídos novos hotéis. é apresentado a configuração urbana em 2015.545 3.555 59.034 10.Frota de veículos em Porto Velho (2005 a 2013) FROTA DE VEÍCULOS DE PORTO VELHO Veículo 2013 2012 2011 2010 2009 2007 2006 2005 Automóvel 92.067 934 729 604 597 Trator de rodas 8 9 9 8 5 Utilitário 1.740 12. em 2011.577 3.630 8.169 1.504 23.266 139.218 207.284 19.371 13.733 78. até então lento.298 Ônibus 1. que será brevemente discutido nesta pesquisa. conforme Tabela 2. Atualmente.481 24.70% de 2005 a 2013. com a implementação do Novo Código de Obras.648 Fonte: IBGE (2013) A malha viária fica praticamente inalterada.066 1.455 66. a grande intervenção que deveria melhorar o fluxo de veículos no trecho cortado pela BR 364.874 7. conjuntos habitacionais horizontais. embora previsto. pousadas.783 89.003 957 887 752 655 595 Caminhonete 26.191 5. A cidade de Porto Velho está com a economia em desaceleração.140 Caminhão trator 1. obras residenciais com preços abaixo do cobrado na época de maior ritmo de construção das obras das usinas. Na figura 04.197 4. em 2014. Houve uma sequência de condomínios habitacionais sendo lançados.638 1.007 4.336 3.528 5. entre 2007 a 2011. restaurantes. apenas oferecendo mais duas opções para ligação entre o leste e oeste da cidade: a complementação das avenidas Pinheiro Machado e Sete de Setembro entre as avenidas Governador Jorge Teixeira e Guaporé.316 19. edifícios multifamiliares. entre outras ações.688 Caminhão 6. O perímetro urbano atual está menor do que a malha urbana.179 13.504 49.287 5.432 Total de Veículos 222.233 5.068 68. 25 . A frota de veículos aumenta em 323.334 6.233 10.194 Motoneta 15.601 1. A construção dos viadutos.719 22. assim como em 2008 é inaugurado o Porto Velho Shopping.783 4.514 59. o que demonstra a necessidade de um novo plano urbanístico para. não foi concluída e não tem perspectiva de retomada da obra.034 891 714 Outros 5.889 161.446 1. Vemos agora um momento de planejamento.693 46. embora as usinas ainda estejam em construção. corrigir o limite urbano.318 187.182 4.370 41.841 49. não foi planejado.778 5. A cidade começa o processo de verticalização.801 37.648 86.136 1.185 16.962 Micro-ônibus 450 417 377 320 320 204 193 174 Motocicleta 71.845 79. A cidade viveu um novo espraiamento.975 5. Tabela 2 . O ciclo das usinas.

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Uma parceria fundamental para o planejador é o gestor. 1976). sem flexibilidade nas ações. Planejar é prever as ações que deverão ser elaboradas pelo sujeito de modo a atingir o êxito pretendido com o objeto. retroalimentando um as ações do outro. mais flexível. 1996). A urbanização é um processo que acompanha a história brasileira desde a chegada dos portugueses. por ele chamado de trincheiras. não são infalíveis e é fundamental para o tomador de decisões saber interpretar os fatores que determinaram o erro e não mais cometê-los. pois esse se confunde com algo conservador. A quarta é aprender com os erros.CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 2. 2011). mesmo baseada em reflexões. com uma fase de conhecimento do objeto.1 Conceitos em planejamento urbano O planejamento é um modo racional de pensar. Urbanização. pois as decisões tomadas. para organização do planejamento estratégico. São ações complementares. Não pode haver uma confusão dos conceitos. É precedido de uma reflexão sobre o processo de definição da situação presente. dentro do seu tempo. a cidade (KOHLSDORF. de análise das informações coletadas e de proposta de intervenção e desenvolvimento.2 O planejamento urbano no Brasil É necessário para a discussão tratar de dois elementos diferenciados na formação das cidades brasileiras: a urbanização e o planejamento. onde se adota um método para chegar às soluções. surpresas podem surgir e o gestor deve saber reagir imediatamente. Os planos oriundos da organização das ações futuras não devem servir como camisa de força (MATUS. deve-se analisar e compreender como aplica-los corretamente. pois mesmo com uma proposta flexível. devem atuar em conjunto. A segunda é a previsão. de modo a permitir um prognóstico que servirá para definir as ações planejadas. A terceira trincheira é a capacidade de reação veloz. Os dois termos são complementares e em vez de analisa-los como termos competidores. O conceito de planejar não deve ser confundido com um determinismo cartesiano. 2. no processo maior de definição de ações (SOUZA. A primeira é a predição. onde o planejador simula situações variadas capazes de construir diferentes caminhos para resolver o problema proposto. Não pode haver planejamento sem que haja uma gestão capaz de pô-lo em prática. Matus (1996) estabelece quatro parâmetros. grupo ou sociedade) e um objetivo (em urbanismo. sendo considerada a mais frágil. não há fundamentação lógica. bem como uma gestão jamais terá êxito se não houver planejamento do que deverá ser executado. segundo Villaça (1999). é o ato . principalmente mediante catástrofes. Envolve a relação entre um sujeito (indivíduo. pois mesmo a gestão urbana ser defendida como uma versão atualizada do planejamento.

de urbanizar. porém não havendo alteração substanciosa no processo. atingindo sua maturidade no século XIX. entendendo o processo pretérito de urbanização. ininterrupto e acontece. mesmo sem planejamento. criando dependência entre dimensão urbana. A arquiteta e urbanista considera esse período como o embrião do planejamento urbano.1 Urbanização brasileira O século XVIII marca o início do desenvolvimento da urbanização brasileira. pelo Presidente Juscelino Kubitschek. consequentemente. inaugurada em 1960. As desigualdades tendem a crescer. O índice de urbanização manteve-se baixo ao longo do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX. porém. através dos primeiros agrupamentos surgidos em Salvador. 2. mora em bairros afastados. O planejamento no Brasil tem o seu desenvolvimento no século XX. O planejamento é uma ação contínua. devendo estar a partir disso. ao aumento da contribuição do setor de serviços terciário (SANTOS. com as primeiras ações voltadas para pensar o futuro da cidade. a história do planejamento urbano no Brasil pode ser dividida em 04 fases. Considera que o planejamento urbano apenas surge no Brasil com a construção de Brasília. pois a cada dia a cidade se torna a residência mais importante dos fazendeiros. no século XVI. ocasionando novo êxodo rural. 1999). investimentos imobiliários e usos dentro dela. Os primeiros núcleos urbanos surgem com o início da colonização brasileira. tornar urbano. Planos de desenvolvimento integrado (1965-1971) e Planos sem mapas (1971 – 1992). além da comunicação necessária entre eles através de vias urbanas de maior porte. 28 . formação de periferias e a especulação do mercado imobiliário. por não terem como pagar o custo da moradia próxima ao centro. Essa mudança cria novos centros de interesse na cidade. no presente. pois há uma inversão de necessidades onde quem necessita estar mais perto do trabalho. naturalmente. Kohlsdorf (1976) aponta o Estado Novo como um marco para o planejamento urbano no Brasil. Esse custo menor da moradia de periferia se deve à falta de infraestrutura e oferta de serviços nesses locais. a economia se modifica e os serviços e a industrialização assumem importância maior na organização urbana. traçado rodoviário. até 1992: Planos de embelezamento (1875-1930). Após a década de 1950. entretanto ele triplicou entre 1920 e 1940. Segundo Villaça (1999) e Leme (1999). a cidade do futuro (VILLAÇA. Segundo Santos (2013). 2013).2. um passo á frente. com o fim da Segunda Guerra Mundial. o modelo rodoviário favorece a dispersão urbana e. principalmente através de ocupações espontâneas. A cidade torna-se espraiada. Planos de conjunto (1930 – 1965). consequência de um crescimento desordenado. A sociedade brasileira passa por transformações ocorridas a partir do investimento na indústria. devido. pois ainda se planejava para os interesses econômicos. A urbanização é um processo contínuo. organizando. também. infraestrutura. principalmente.

muitas vezes. “O plano para o Rio (Agache) é muito mais completo do que os elaborados. que incluem a história econômica e social e levantamentos aero- fotogramétricos do sitio. 1999) Os planos sem mapas são uma reação aos planos tecnicistas. neste momento. Os planos de conjunto caracterizam-se por atender a uma extensão maior da cidade. 1976). é implementado o plano SALTE (saúde. Em primeiro lugar se vale de uma série de estudos preliminares. a sua gênese partia de estudos de modo a organizar a cidade através de setores morfologicamente semelhantes.” (LEME. distantes da realidade. 2008). alimentação. transportes urbanos coletivos. As propostas e obras eram voltadas para alargamento de ruas e criação de avenidas. Tem como principal representante o engenheiro Saturnino de Brito. ainda embrionário. no mesmo período. o Rio Grande do Sul se destaca. A necessidade de sistematizar a cidade como forma de análise faz com que fosse necessária a divisão urbana em partes menores. Os planos de embelezamento adentram o campo ideológico. uma vez que os planos passam a ser mais abrangentes e necessitariam. que realizou intervenções de saneamento em várias cidades do Brasil. com identificação em relação à cidade e aos moradores (SABOYA. Sobre esta base cartográfica ele traça os principais eixos do sistema de circulação (ruas. urbanização de parques e jardins. a partir de 1946. o Plano Agache3 do Rio de Janeiro é o pioneiro na definição de leis urbanísticas. avenidas autoestradas. metro. transporte e infraestrutura. em vez de áreas privilegiadas. longe da realidade urbana. Segundo Villaça (1999). eram pontuais. 29 . atendendo os requisitos específicos presentes nos planos (mobilidade. pois buscava solucionar problemas específicos (KHOLSDORF. No período da criação dos planos de conjunto. pois consegue institucionalizar o planejamento urbano. dessa forma. Se deteve na elaboração de legislação urbanística. em vez de elaborar pesadas análises e levantamentos. sendo aprovado em 1971. Neste período. podendo ser considerado um primeiro planejamento. para as outras cidades brasileiras. por exemplo). complexos e. transporte e energia). através de zoneamentos. Embora esses pareçam. reurbanização de áreas portuárias e tinha como uma das principais consequências a destruição de cortiços e áreas degradadas das cidades (SABOYA. (VILLAÇA. onde utilizava referências europeias para intervenções que. atualmente. em áreas nobres das cidades. Foi 3 Alfred Hubert Donat Agache foi um arquiteto francês responsável pelo projeto de urbanização de cidades brasileiras. de planos específicos de gestão. Villaça (1999) aponta o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado de São Paulo (PDDI) como um exemplo de plano sem mapa. 2008). ferrovias) aeroporto e projeta a repartição de espaços públicos (edifícios e praças) sistema de parques incluindo um parque nacional. em sua maioria. a dificuldade de implantação passa a ser uma barreira para o desenvolvimento planejado. 1999) Os planos de desenvolvimento integrado passam a ser desenvolvido na década de 1960 e.

pois atingiam. não foi aprovado. incluindo as capitais e fazendo recortes temporais mais precisos. a compreensão do processo de formação das cidades na Amazônia. Além dessas quatro fases apontadas e elencadas por ambos. sendo esses os principais entraves na implantação dos planos. os pesados levantamentos técnicos e procuram implementar elementos de reforma urbana e justiça social. com suas especificidades. Cidades como São Paulo. pode haver uma periodização na ocupação amazônica. No período 01 ocorreu a fundação de Belém e o início da conquista do território – A capital do Pará foi fundada em 1616 por portugueses. Rio de Janeiro. mas uma peça política. mesmo assim não há impedimento de expansão urbana. Valladares (2008) e Vicentini (1994) ressaltam a dificuldade em realizar uma análise da ocupação urbana amazônica de modo geral. 2005). Segundo Corrêa (2006). bens do povo. então definida pela Constituição Brasileira de 1988. Um dos primeiros planos elaborados nesse período. Além das peculiaridades geográficas. Na obrigatoriedade de elaboração de planos diretores.3 Formação das cidades amazônicas Segundo Vicentini (1994). pois há especificidades em cada momento da evolução urbana na região norte. impactante ao conjunto natural. capaz de delinear e reconstruir um tempo espacial. ecológicos. de São Paulo. Criada com funções de acesso e controle do litoral e da entrada e saída da Amazônia. 30 . após várias discussões envolvendo a proposta e as imposições impostas pelo mercado imobiliário. Seu poder político de ‘influenciar’ outros níveis de governo é pequeno e será nulo se o próprio governo municipal não der credibilidade ao plano (VILLAÇA. O plano diretor não é uma peça puramente científica e técnica. relaciona uma natureza diversificada a uma apropriação antrópica singular. segundo lideranças contrárias.considerado obsoleto desde sua criação.257/2001. por apresentar na gênese propostas já descartadas em outros trabalhos (VILLAÇA. 2. 1999). Belo Horizonte e Porto Alegre rejeitam os superplanos. os principais estudos sobre a região consideram os aspectos biológicos. é importante discutir uma etapa que Villaça (1999) aponta como existente desde 1990. descontente com a forma de definição dos coeficientes de aproveitamento. posteriormente ratificada pela lei 12. agora em forma de projeto de lei. criação das Zonas de Especial Interesse Social e regularização fundiária de favelas. sustentáveis e as cidades participam como elemento estranho. peculiar a cada momento. o Estatuto da Cidade. além de tornar o plano diretor politizado. Entende-se que o diagnóstico técnico é uma etapa posterior às definições políticas e sociais.

No decurso do período 05 houve o desenvolvimento da produção e venda da borracha e consequente expansão urbana. anunciando novos padrões que a rede urbana regional apresentaria no período seguinte: A company town. As cidades mais importantes sentiram os efeitos do melhoramento urbano.224). Neste período é construída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que ligaria Porto Velho a Guajará-Mirim. (Corrêa. Houve expansão e revigoramento urbanos. assim são criados e reativados numerosos fortes. No período 06 ocorreu a estagnação. a “currutela” e o núcleo rural-urbano do centro” (CORRÊA. Ela sai de 90% da produção mundial em 1890. novas formas espaciais são introduzidas na Amazônia. indo da metade do século XIX ao final da Primeira Guerra Mundial – Desenvolvimento espacial e econômico da região. após a crise da borracha. pertencentes a Porto Velho. 2006. Pg. criada em 1755. Durante o período 03 foi desenvolvida a vida econômica e urbana sob controle da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão. apenas as cidades que não dependiam do extrativismo da borracha cresceram. possuem estrutura que possibilita manter-se em posição de destaque. de Rondônia. têm decréscimo. 2006) “Durante o período em tela. enquanto outras. como os distritos de Jaci-Paraná e Abunã. Com tal expansão. localizado no Vale do Guaporé. de 1920 a 1960 – A produção das seringueiras em outros núcleos de Singapura e Ceilão afeta a produção brasileiras. Entre 1920 e 1960. há a necessidade de fortalecer a defesa da área. resultado de pequenos núcleos urbanos de extração. No período 02 houve a expansão dos fortes e a criação das aldeias missionárias (início das futuras cidades) da metade do século XVII à metade de século XVIII – Período de busca das “drogas do sertão”. que surgem. para 2% entre 1925 e 1929. destaque para o Real Forte Príncipe da Beira. acompanhando a linha da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. servindo ara escoamento da borracha boliviana. pois acompanharam o surgimento de novos pontos de coleta de látex (matéria-prima da borracha). No período 04 ocorreu a estagnação da vida urbana do final do século XVIII e primeira metade do século XIX – A extinção em 1778 da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão e na baixa aceitação de produtos tropicais neste período afetaram a rede urbana amazônica. Manaus e Belém mantém seu protagonismo na economia do Norte e mesmo sofrendo forte impacto pela crise da borracha. superando obstáculos naturais com cachoeiras e corredeiras. 31 . as especiarias que serviriam para atender os comércios do oriente. de metade do século XVIII até os anos 70 do mesmo século – Fase de relativo desenvolvimento. Esse veio através da expansão das atividades produtivas e da atenção maior de Portugal à política colonizadora e estava apoiado na ação da Companhia Geral do Grão- Pará.

uma vez que em 1970 a população rondoniense era de 116. como os de quadro médio e superior. de transformação da rede urbana – O período iniciaria antes de 1960. pela maior dificuldade em exercer um trabalho reconhecido. seguindo o caminho percorrido pela Comissão de Linhas Telegráficas do Marechal Rondon. era de 101. Servem de residências para os funcionários. 1980 e 1990. São dois exemplos desse tipo de núcleo urbano.162 (CORRÊA.000 em 1980 (VICENTINI. como com a extração da madeira. A integração da Amazônia no processo dá-se pela magnitude do capital constante e pelo afluxo da força de trabalho que se deslocou para a região. 2006).. Principalmente esses. 1994). no contexto do polonoroeste. O período 07 é o atual. embora tenham fracassado (CORRÊA. O Zoneamento socioeconômico-ecológico (Zsee). mas apenas dentro do perímetro dessa. tanto os da força de trabalho braçal. Considerada mais exitosa do que a Transamazônica. (. Vicentini (1994) ainda aponta a necessidade de complementação da renda pelas famílias como um dos elementos que fomentaram as atividades informais na floresta. 10) Essa explosão migratória oficial. Esses planos foram responsáveis pela atração de diversos investimentos para a região amazônica e o estado de Rondônia – dentre eles. A company town é um núcleo formado por empresas industriais que detém o controle da área. tanto os que chegaram oficialmente e os que chegaram simplesmente atraídos pela possibilidade de trabalho. 32 . reservas e áreas onde a ocupação deveria ser incentivada. aliada a não oficial. Também servem de apoio administrativo para as empresas.148 habitantes e em 1980. Fordlândia e Belterra. pela construção da BR-364 que. Ji-Paraná e Ariquemes. delimitando territórios extrativistas. buscando remediar a baixa qualidade de vida da população e o desmatamento predatório resultantes dos prévios modelos de desenvolvimento impostos à região. Foi retomado o processo de ocupação em 1981 com o Projeto Polonoroeste. principalmente no Pará e em Rondônia. com a expansão do capitalismo a partir da década de 1950. o próprio asfaltamento da br-364. igualmente formulado a partir do Polonoroeste. 2006). exclusivo para Rondônia. 2011. que liga as capitais Cuiabá e Porto Velho.” (MMBB ARQUITETOS. Pimenta Bueno.)ocupado. apresenta maior enfoque no desenvolvimento sustentável e. coincide com a época em que foram formulados três importantes planos regionais: Polamazônia.. também é uma importante ferramenta para compreensão da ocupação territorial de Rondônia: é o primeiro documento que busca uma racionalização da ocupação do estado como um todo. como exemplo. Polonoroeste e Planafloro – o último. Antigos lugarejos são revigorados. durante as décadas de 1970. causando um crescimento populacional relativo acima da média brasileira. começam a explorar a floresta ilicitamente. p. com o restante da região. do Governo Federal. “Esse período de forte adensamento populacional. em questões sociais e ecológicas. o Planafloro. Ela passa a ser explorada ilegalmente por essa população. portanto. atraiu famílias vindas do sul. que vem a seguir. Porto Velho tem um crescimento notável na sua população que em 1940 era de 3. que propunha organizar a ocupação das áreas adjacentes a BR-364. por exemplo. agravou os problemas de disputa de terras na região.000 pessoas e passou para 503. qualifica a ligação de cidades como Vilhena. a partir de 1960.

tiveram a sua periferia aumentada. de avanço do capital financeiro. exclusão e invasão. Na década de 90 é implementado em Rondônia o PLANAFORO 4 (Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia). Nos últimos anos. Vicentini (1994) e Moraes (2005) denominam como ideologias geográficas. 2009 P. transformadas em metrópoles contemporâneas. O grande aglomerado de pessoas que se deslocam até hoje para as cidades onde esses empreendimentos aconteceram. as recentes obras para a Copa do Mundo de 2014. exaltando. 33 . urbanismo e embelezamento. neste caso. admitindo. 164) A Amazônia. “As cidades capitais. por vezes. a Amazônia tinha mais de 60% da sua população na cidade. São obras de grande impacto nas cidades. os polos atrativos para as cidades amazônicas são as possibilidades de trabalho oferecidas pelos empreendimentos do Governo Federal. não posterior. devem-se a intervenção do INCRA e do plano Polonoroeste. oriundos dos agrupamentos urbanos surgidos ao longo de caminhos. As possibilidades da racionalidade de planos urbanos. O início da década de 1990 inicia com Porto Velho tendo seu primeiro Plano Diretor. atraídos pelo potencial de industrialização.” (VICENTINI. 4 Objetivos: reformulação das agências locais. Usina Hidrelétrica de Belo Monte. p. recebia incentivos do Governo Federal para sua ocupação. ocupando o território. (SANTOS apud Nascimento. áreas de segregação. São percebidos grandes assentamentos precários. a sua implementação marca a terceira fase da colonização em Rondônia5. logística e energética do país. A cidade amazônica. Segundo Nascimento (2009). desenvolvimento integrado da colonização agrícola. que chegam de forma ilegal. mas sem um referencial de sociedade efetivo. prioritarização de investimentos em infraestrutura e serviços para melhorar os programas em áreas já ocupadas. concentram. como as ferrovias existentes no período. 183) 5 A primeira e a segunda fase. nesta época. como Porto Velho. No final do século XX. a miséria gerada pela sucessiva introdução de novas formas de exploração econômica nas últimas décadas. as obras de infraestrutura do PAC6. São criações de identidade. Não é observado o mesmo avanço populacional. ou as preocupações com saneamento. onde um dos aspectos mais afetados é a cidade. Surgem agrupamentos na busca de criar laços regionais de interesse comum como elemento de união das famílias que chegam. urbana. o que mostra que a origem dos problemas urbanos atuais. 6 O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) promoveu a retomada do planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social. ainda carece de um olhar prévio. ainda sofrendo com os anos anteriores de grande expansão populacional e espacial. conservação da biodiversidade de Rondônia. 1994. sem danos. Uma cidade que tem 38% da população ainda vivendo no campo e tem interesse pelo planejamento urbano. estão excluídas pela expansão das formas privadas de apropriação do espaço. deve-se a esse volume de imigração. para que as novas intervenções urbanas apenas qualifiquem a cidade. respectivamente. em grande parte. um corporativismo regional. mas também vivia conflitos entre proprietários de terras e grileiros. proteção aos limites das áreas de reserva indígena. assim. como as construções das Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira. adequação da rede institucional local.

além de fiscalizar o cumprimento da determinação. não podendo haver privilégio para apenas uma parcela da cidade. 2001). pois é a esfera governamental mais próxima da população. adquirirá seu domínio. devendo haver um equilíbrio na distribuição das taxas recebidas. estabelece que a política urbana é de obrigação do Governo Municipal. o Estatuto propõe adequar as políticas econômicas da cidade aos objetivos do desenvolvimento urbano. A participação da população urbana no planejamento é um direito assegurado em todas as fases de construção do Plano Diretor (elaboração.4. consolidou o que a Constituição estabeleceu e explicitou instrumentos contidos no texto constitucional e criou outros para que fossem aplicados no desenvolvimento urbano. O princípio da justa distribuição dos benefícios e dos ônus do processo de urbanização garante que o interesse coletivo estará acima do privado. tendo como principal instrumento o Plano Diretor. o estatuto também coloca a necessidade de recuperação de parcela da valorização imobiliária. utilizado como moradia da família. É o Governo Municipal que define a função social da cidade e da propriedade urbana. Vê-se o Município como protagonista. O artigo 183 possibilitou a regularização de áreas irregulares da cidade ao definir que se for comprovada a permanência por mais de cinco anos ininterruptos em terreno de até 250. 2009). equipamentos urbanos e melhorias. o Estatuto da Cidade. Deve haver uma adequação na gestão financeira para esteja consonante com os objetivos da coletividade na construção da cidade. Continuando o processo de busca pela igualdade urbana. garantindo a gestão democrática do processo.257/2001. A lei 10. O primeiro princípio é a garantia da função social da cidade e da propriedade urbana.1 Estatuto da Cidade – Diretrizes Gerais O Estatuto da Cidade regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Brasileira de 1988. privilegiando investimentos que gerem qualidade na vida de diferentes segmentos sociais. em seu artigo 182. São fixados princípios básicos que deverão ser balizadores para aplicação do estatuto (CASSILHA e CASSILHA. Nela fica estabelecido que cidades com mais de 20 mil habitantes tem o compromisso legal de elaborar o seu plano diretor ou revisar o existente.00m². sem concentração de investimentos. seja rural 34 .4 Bases legais para desenvolvimento de planos diretores A Constituição do Brasil de 1988. implementação e avaliação). 2. sem privilegiar nenhuma área da cidade (OLIVEIRA.2. equilibrando os interesses público e privado. Esse princípio garante que todos terão o mesmo direito a serviço. Além dessa igualdade. desde que não tenha outro imóvel em seu nome. O artigo 182 estabelece a criação de uma política de desenvolvimento urbano para ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e o bem-estar dos seus habitantes.

uma vez que a igualdade citada nos parágrafos anteriores. saneamento básico. é o Município que promove a política urbana e a faz cumprir (CASSILHA e CASSILHA. ORÇAMENTO E GESTÃO. não havendo a necessidade de grandes revisões a cada período de 10 anos previstos pelo Estatuto (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO. O Estatuto da Cidade garante o direito às cidades sustentáveis. burocracia. Assim. mas não terá um final e sim sucessivas retomadas para adequação. pois também é garantida a preservação e proteção do meio ambiente natural e construído e as diversas manifestações do patrimônio histórico. 2009). reduzindo custos.2 Estatuto da Cidade – Instrumentos Os instrumentos previstos no Estatuto da Cidade são adotados para controle de uso do solo urbano. 2009).4. o planejamento deverá ser um processo constante e com a participação de todos. As necessidades de cultura e conhecimento também estão nas propostas que o estatuto apresenta. Assim. administrativa e legislativa. artístico e cultural (OLIVEIRA. equipamentos urbanos e moradia. ambiental (preservação e utilização racional de recursos renováveis e não-renováveis) e econômica (gestão e aplicação de recursos para que a sociedade tenhas suas necessidades supridas). deve ser simplificada a legislação urbana. educação. requer que diferentes áreas urbanas devam ser tratadas de acordo com suas especificidades. saúde. 2001). O planejamento deve atender a todo o município e não apenas a área urbanizada (OLIVEIRA. lazer. O Poder Público também deve promover a regularização fundiária e urbanizar as áreas ocupadas por população pobre. 2001). cultura. 2001). para toda população (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO. facilitando a regularização de edificações construídas pelos próprios moradores (OLIVEIRA.ou urbana. a municipalidade é responsável pelo estabelecimento de normas especiais de urbanização. Segundo o Estatuto. 2001). Em atendimento às necessidades de integração e articulação. para que haja sustentabilidade social (equilíbrio na produção e consumo de bens e serviços). A igualdade será gerada pela diversidade e flexibilidade no tratamento das diferentes parcelas urbanas que compõe a cidade (CASSILHA e CASSILHA. é dedicado aos instrumentos que promovem a política urbana. O documento em grande parte. de uso e ocupação e para a construção. com acesso à terra urbana. A preservação da história é um processo que garante a identidade da população com o lugar e a sua preservação (SANT'ANNA. garantindo uma cidade democrática. transporte público. 2001). tendo autonomia política. 2. ORÇAMENTO E GESTÃO. Além disso. 35 . O planejamento tem um início. financeira. o Estatuto prevê a complementariedade entre as atividades urbana e rural. As políticas públicas devem estar adequadas aos limites do município. 2004).

possibilitou que houvessem incentivo à manutenção de edificações e locais onde o aumento de área construída 7 Índice urbanístico que relaciona a área de construção com a área do terreno. quando. Estando mais direcionado à preservação de ambientes naturais e históricos. subsolo ou espaço aéreo do terreno ao vizinho. O Estatuto buscou incentiva a preservação de patrimônio históricos. A ampliação da área a ser construída pelo proprietário de um terreno também pode ser estabelecida através da utilização do instrumento de outorga onerosa do direito de construir. p. o poder público municipal poderá dar ao terreno ocioso a destinação socialmente mais adequada” (OLIVEIRA. a cessão do solo. onde o Município define através do Plano Diretor as áreas da cidade onde tal determinação incide. de acordo com o zoneamento do Plano Diretor. 36 . implantação de equipamentos urbanos e a regularização fundiária em áreas que permitiriam um maior potencial construtivo. com indenização paga em títulos de dívida pública. A transferência do direito de construir possibilita o proprietário de imóveis nessas condições de vender o seu potencial construtivo para outro terreno. mediante regulamentação no Plano Diretor. de modo que o terreno ocioso atinja a plenitude de utilização conforme zoneamento presente no Plano Diretor. Estimulando a utilização do imóvel. O Estatuto determina a criação de lei específica para regulamentar a o parcelamento de solo. está prevista a desapropriação do imóvel após cinco anos de cobrança de IPTU progressivo. penalizando as inadequações. mediante obrigações presentes em contrato. a construção de edificações e a utilização compulsória do solo urbano que não possui edificação (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO. O direito de superfície é o instrumento que permite através do contrato entre particulares. uma vez a área do terreno. pode ser previsto um aumento de imposto progressivamente para os proprietários de lotes ociosos. ORÇAMENTO E GESTÃO. utilizados inadequadamente ou abaixo do potencial de aproveitamento. Como consequência. Esse instrumento define que o proprietário poderá construir acima do limite estabelecido pelo índice de aproveitamento 7 mediante pagamento ao Poder Público de valor relacionando a área excedente e o valor do terreno. então. Áreas com índice de aproveitamento igual a 1 indicam que a edificação poderá ter uma área construída de no máximo. 2001. 2009). 28). garantindo a função social da propriedade. A Municipalidade também interfere na propriedade privada através do direito de preempção. mas apenas uma concessão. 2001). Essa destinação garantirá a utilização de todo investimento público. A regulamentação deve prever ações para que os lotes urbanos sejam utilizados plenamente. Não ocorre a mudança de propriedade. “Sua utilização somente se dará no caso de ineficácia das penalidades anteriormente citadas. onde ela possui preferência na compra de propriedades dentro de um perímetro definido por lei para aplicação desse instrumento urbanístico (CASSILHA e CASSILHA.

considerada que houve planejamento no Brasil. de modo a organizar e tornar público as formas legais de aplicação. de forma modesta. mesmo assim. em um processo ininterrupto de busca pelas melhores soluções para o espaço urbano da cidade. principalmente físico-territorial. diagnósticos. parcela importante do plano. Em urbanismo. O estudo busca avaliar como ocorrerá a modificação da população usuária e residente. em São Paulo desde o século XIX. 2001). para a cidade e para o município. Segundo Villaça (2012).” (VILLAÇA. A expressão Plano Diretor já aparece no Plano Agache para o Rio de Janeiro em 1930 e o zoneamento. que alterados. função social da propriedade. social. instrumento que analisa os efeitos positivos e negativos de um empreendimento ou atividade no local de implantação. política e administrativa da cidade. precisavam ser operacionalizados e os instrumentos foram criados para que estivessem presentes dentro da legislação criada pelo Município para garantir o desenvolvimento urbano com qualidade e igualdade para todos. A área que receberá esse potencial deverá estar preparada para esse aumento de área construída. retroalimentado pelo acompanhamento dele mesmo. onde a participação da população é fundamental para compreensão do que poderá ocorrer (OLIVEIRA. já existe.prejudicaria a ambiência8 e visibilidade de áreas de interesse cultural ou público. pg. A sustentabilidade. as adequações da política urbana. através da inserção no seu Plano Diretor. aprovando ou não. A dependência de sua implementação está na regulamentação pela Municipalidade. Os instrumentos urbanísticos possibilitam objetivar as modificações que a cidade pode sofrer para que sejam atendidas as diretrizes gerais do Estatuto da Cidade. 186) 8É o conceito de percepção que relaciona o ambiente com a percepção que temos deles através da sua morfologia. mobilidade urbana.5 Plano Diretor O Plano Diretor é um procedimento contínuo de estudos. “Seria um plano que a partir de um estudo e diagnóstico sobre a realidade física. apresentaria um conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento socioeconômico e a futura organização espacial dos usos do solo urbano. econômica. do município e de sua região. não há consenso entre os grupos participantes da elaboração do plano diretor sobre sua definição. na forma de zoneamentos. modificam a paisagem urbana e a percepção do espaço (IPHAN. e podendo colocar restrições para mitigar os efeitos. médio e longo prazos. das redes de infraestrutura e de elementos fundamentais da estrutura urbana. 2. 2000). Isso pode ser analisado através de um estudo de impacto de vizinhança. 2012. e aprovadas por lei municipal. está concatenado com os índices urbanísticos. 37 . propostas essas definidas para curto. conforto ambiental e modificação da paisagem. entre outros.

das relações sociais capazes de modificar a percepção urbana e interferir no processo de planejar. vê-se a necessidade de tratar do fator “tempo” nos planos. 5 e 6). que decidirão e serão impactados diretamente por decisões contidas nos planos. segundo Santos (2013). Segundo Cassilha (2009). logo essa dificuldade tem que ser considerada e planejada. sem exclusividade. mostra que há problemas estruturais sistêmicos. empresários. ligado diretamente ao Prefeito. O autor apresenta um método para elaboração de planos diretores (fig. médio ou longo prazo. observa-se que a presença de maiores discussões dá lugar ao tecnicismo que é presente nesta época. criando-se um documento com ótimos embasamentos intelectuais. envolvendo desde a base conceitual. sem aplicação. os planos de ação. Assim. Considera essa atividade como independente das secretarias do município. ela deve estar relacionada com a participação de agentes como a população. Embora seja defendida uma continuidade. a elaboração de planos diretores. Villaça (2012). embora haja a tendência de aproximar o planejamento do setor de obras. implantação e análise do processo. onde todos os elementos interferem entre si. defende que os planos diretores têm passado por constantes dilemas no Brasil. envolvendo campos de decisão. pois envolve atividades inerentes a todas. baseando- se na continuidade das transformações do lugar. deve fazer parte da estrutura municipal. sendo essas a curto. Porém. Reforça. comparando o método com o Estatuto da Cidade. mas traçar diretrizes para futuras intervenções. professores tem alimentado discordâncias em constantes discussões. os planos não devem apenas resolver problemas das cidades. Segundo Lefebvre (1999). de pensar e agir no espaço da cidade. pois haverão relações com complexidade relativa. sem chegar a um produto que possa ser aplicado. Processo esse mais evidente agora. as cidades brasileiras possuem problemáticas muito parecidas. através da criação de escritórios técnicos. assim. onde políticos. em virtude da urbanização ser orientadas por interesses de corporações capitalistas. a cidade pode ser inserida na Teoria da Complexidade. 38 . mas sim um instrumento de elaboração de um processo longo. intelectuais. pois se relaciona o processo com construções. políticos. intervenções urbanas. do município. Para Pereira (1965). pois sabe-se que deverão haver escalas temporais de intervenção de modo a realmente poder implantar ações em um espaço tão heterogêneo com a cidade. bem como regiões com complexidade elevada. a ideia de que o plano diretor não é um processo. porém ineficaz. pois deve ser um colaborador constante das decisões sobre a cidade. A organização interna das cidades. Segundo Mílton Santos (2013). diferenciadas apenas por sua localização e dimensão. Modesto (1965) critica a não existência de modelos de aplicação dos planos diretores.

áreas verdes. habitação. pré-requisitos de valiosa importância para haver um crescimento urbano equilibrado e para que a ocupação urbana se dê de maneira regular (grifo nosso) em todo o território do município. organizando os grupos de trabalho responsáveis pelo desenvolvimento das propostas nos itens que compõe o documento (transporte. no Departamento de Gestão Urbana (DGU).1 Plano Diretor na Prefeitura de Porto Velho A coordenação do Plano Diretor em Porto Velho está sob responsabilidade da Secretaria de Planejamento (SEMPLA). A equipe conta. reconhecendo a todos o direito à moradia e também aos serviços urbanos. 2005. que de acordo com o autor citado.52) Essa colocação do Plano Diretor como o principal instrumento de orientação e planejamento da cidade não é transformada em eficácia. obrigando seu cumprimento (VILLAÇA.10) Existe uma grande distância separando o discurso e a prática do planejamento. segundo Villaça (2005) e Souza (2011). não é apenas um instrumento para o controle do uso do solo. atendendo à demanda da população de baixa renda. 2009. O plano pode ser compreendido através de duas categorias: as que cabem ao Poder Público executar (obras. de forma a garantir à população o acesso à terra urbanizada e regularizada. com Arquitetos e Urbanistas. As que atingem a maioria da cidade. p.” (CASSILHA e CASSILHA. com profissionais de outras áreas de formação. na verdade indispensável e que. É impressionante como um instrumento que praticamente nunca existiu na prática. principalmente. pois as ações estratégicas desses planos eram claras em relação a execução. mas um instrumento para o desenvolvimento sustentável das cidades. enquanto os Planos Diretores tem como resultado propostas que não se sabe nem quem. Essa é responsável por coordenar a área técnica do plano. leis em geral). se tais problemas persistem é porque nossas cidades não têm conseguido ter e aplicar esse miraculoso Plano Diretor. 39 . como e com qual orçamento serão executadas. enquanto as medidas que atingem a minoria são coercitivas na forma da lei. Com isso.5. E além disso. é uma denominação equivocada. segundo Villaça (2005). “Nossa sociedade está encharcada da ideia generalizada de que o Plano Diretor (na concepção ampla) é um poderoso instrumento para a solução dos nossos problemas urbanos. que cabem ao Poder Público. 2005). Frequentemente o documento aparece com o titulo de Plano Diretor Estratégico. assim como sejam garantidas boas condições para as micro e pequenas empresas. entre outros). “O principal objetivo do Plano Diretor é estabelecer a função social da propriedade. porém realmente a equipe é multidisciplinar. em grande parte. logo podem decidir sobre sua execução. hierarquia viária. quando. 2. Dessa forma.” (Villaça. o termo é incorreto. para produzir máquinas urbanas de rendimento financeiro. possa ter adquirido tamanho prestígio por parte da elite do País. p. pois tem sua origem no urbanismo norte-americano da década de 1960 e utilizada nas Olimpíadas de Barcelona. não são impositivas aos Prefeitos. é indispensável que certos espaços sejam assegurados para a provisão de moradias sociais. saneamento básico. serviços e medidas administrativas) e as que cabem ao setor privado obedecer (zoneamento. uso do solo.

no entanto. pois não há diferença entre o problema dos mais pobres e dos mais ricos. Pode-se afirmar. 2007). uma executando e identificando falhas que sempre ocorrerão em um processo tão complexo (LEFEBVRE. o desenvolvimento espontâneo é algo recorrente no Brasil e essa dinâmica surge porque há uma grande dificuldade em orientar o desenvolvimento urbano e a atividade econômica e social. É interessante destacar um conflito de denominações que surge. Gestão é diferente de planejamento. Não há como administrar algo que não foi planejado e são áreas que. a partir de uma leitura de Souza (2011) sobre a diferenciação entre gestão e planejamento. bem como na fase de gestão. aqueles precisam mais dos governantes e legisladores.6 O pensamento urbanístico contemporâneo A evolução das cidades produz constantes mudanças na forma de perceber a cidade. Neste caso da Prefeitura de Porto Velho. o neourbanismo é uma reação à urbanística moderna. prevendo ações concretas para previsão do futuro. A dinâmica do espaço urbano é uma de suas maiores riquezas (SANT’ANNA.6. O urbanismo moderno baseia-se em políticas de longo prazo. 2004). devem atuar em conjunto. 2. Segundo Joaquim Guedes (FAUUSP/FUPAM. onde a população está a cada dia sofrendo novos estímulos que a fazem perceber diferentemente o espaço urbano. Para Villaça (2012). 1972). ou seja. 40 . segundo Souza (2011) queiram substituir o segundo termo pelo primeiro. por Souza (2011) e citado por Villaça (2012) passa por uma atuação correta na fase de planejamento. A cidade é o resultado de distintas relações e influências formais. mas cognitivamente. embora alguns teóricos. A cidade não apenas evolui fisicamente e espacialmente. 2. funcionais e culturais. O novo urbanismo defendido por Ascher (2010). há um erro conceitual. o planejamento urbano é realizado pelo Departamento de Gestão Urbana. Creio que o oposto também seja igualmente verdadeiro: nenhuma cidade excessivamente planejada e controlada segue invariavelmente o modelo que a gerou” (LEITE. algo contínuo como defendem os textos de Modesto (1965) e Villaça (2005 e 2012).1 O neourbanismo Segundo Ascher (2011). 1999) e outro utilizando deste conhecimento da prática para alimentar o processo e promovendo adequações necessárias. A dinâmica urbana não foi esquecida no Plano de Ação Imediata de 1972 de Porto Velho. o principal problema do Brasil é a desigualdade do poder político. considera o desenvolvimento espontâneo (invasões de terras) como algo natural dentro das cidades. “Transformações urbanas raramente resultam de um desenvolvimento imanente da cidade. que como o controle nunca é completo (assim como a desordem). assim. após a finalização de uma primeira etapa de planejamento.

Havia apoio na forma urbana e na arquitetura. Não há como ter certeza do futuro. asseguram a eficiência do conjunto dos sistemas urbanos metapolitanos. mais do que nunca. gabaritos.86) 9 A tábula rasa propunha destruir o existente para construir o novo. A ideia de planejar a cidade para os moradores. O neourbanismo se apoia em projetos flexíveis. Isso marca um pensamento industrial. levando em consideração especificidades dos bairros. “Isso deve se traduzir por uma maior diversidade funcional das zonas urbanas. como dito anteriormente. mas a ação deve estar acontecendo conjuntamente. controle de densidade. A cidade. 2011. pela polivalência de uma parte dos equipamentos e serviços. de simplificar as funções para ela funcionar da melhor forma. usos. Os bairros tradicionais são substituídos por grandes conjuntos habitacionais que colocam em um mesmo espaço residências impessoais (iguais em projeto e implantação) e serviços de lazer e. privilegiando a maioria. o moderno. A setorização da cidade em regiões voltadas para a moradia. 2011) 41 . isso legitima muitas ações em favor do interesse coletivo. pequenos mercados.As cidades são organizadas de forma a simplificar seu entendimento de forma imperativa. inclusive utilizando a própria população. no Brasil (na Europa. cada momento tem o seu tempo de pensar. os conceitos de preservação patrimonial surgem no século XIX). Embora deva ser mantida a cronologia de planejamento e depois gestão. sendo criados zoneamentos. 2011). mas sim ideias que partem de estudos prévios. altamente controlada pelos índices propostos.” (ASCHER. ou seja. funções. de redução de gastos e tempo com o planejamento. através de consultas populares. além de não permitirem alterações por motivos de urgência. o trabalho. por uma multicentralidade. porém é válido ressaltar que as primeiras ações de proteção patrimonial também surgem nesse tempo. mas se baseia na democracia. realizando ações que se aproximam da tábula rasa 9 modernista. em alguns casos. (ASCHER. logo uma linearidade nas decisões limita as alternativas. não valoriza a especificidade. e pelo reforço do papel dos transportes e das diversas redes que. pg. na organização da cidade. generalizou a cultura e a diversidade da população que vive nas áreas urbanas do Brasil e de outros países (ASCHER. O moderno privilegia o permanente e as soluções para a demanda coletiva. criando cidades que desconhecem seu passado. das áreas centrais e periferias é o que se busca. A forma urbana se apoia em princípios ordenadores. pois a produção em massa e repetitiva diminui os custos para os cofres públicos. ambos devem se alimentar das suas experiências. que se adaptem à sociedade complexa existente. o lazer e a circulação é uma das bases organizacionais modernas e serviu para uma ideologia de controle e. pois generalizou a cidade.

assim. um dos grandes desenvolvimentos que se colocou a partir da década de 1990 para os novos pensamentos urbanísticos é a democratização das decisões. que ocupa o espaço pela necessidade de criar seu território e sendo afastada de outras áreas por não poder pagar pela terra. Inicialmente. marcada pela diversidade que está presente nas cidades. como infraestrutura. A cidade é uma rede de serviços. que interagem. pois os conceitos discutidos no Plano Diretor ainda são distantes do conhecimento da população. b) Proprietários fundiários: ocupam áreas geralmente periféricas da cidade e definidas por Capel (1983) como o solo urbano de reserva. 42 . inserindo o elemento pessoal. capaz de realmente aproximar as discussões ao bairro. são atuantes como empreendedores. à rua. A participação dá-se com as entidades representativas da população. que utilizam da regularização para mitigar a falta de planejamento. 2. individualidade e dinâmica caminham juntas no novo urbanismo. mas sim como o elemento singular. A divisão modernista da cidade não mais existe. para que tenham seus empreendimentos viabilizados. a participação popular ainda é tímida. é a individualização. ou seja. construtores ou corretores imobiliários. c) Promotores imobiliários: atendendo preferencialmente à classe mais alta. ao real usuário de todo o sistema. Na regularização fundiária atuarão a sociedade. A participação passa a ser construtiva quando se entende que a população não entra no processo para discutir o processo geral. a cidade de Porto Velho tem como principais elementos formadores de seu espaço os processos fundiários e a promoção imobiliária. A promoção imobiliária é a representação do capitalismo no processo que ao mesmo tempo atrai (quando constrói condomínios e loteamentos em áreas urbanas segregadas) como repele (quando eleva preços de moradias em áreas centrais). 2011). (ASCHER. individual. Trabalha-se enquanto viaja-se de metrô. a partir da Constituição de 1988 que trata da política urbana tornando obrigatório o Plano Diretor para cidades com mais de 20 mil habitantes. Segundo Villaça (2012). A palavra-chave para o novo urbanismo. através de invasões de áreas que não são de sua propriedade. e as forças políticas. Aparecem aqui três elementos a serem discutidos no item posterior: força política. Segundo a autora citada. A população faz parte do processo decisório. no processo. o escritório é parte integrante do plano de necessidades das residências. de comunicação. de transportes.6. à moradia. enfim. capital e sociedade.2 Agentes modificadores do espaço urbano Segundo SILVA (1993). existem cinco agentes modificadores do espaço urbano: a) Proprietários dos meios de produção: que pressionam o Estado para que sejam atendidas suas necessidades. há muitas empresas oferecendo local para descanso dos funcionários.

Essa ocupação gera outros atrativos. atender uma necessidade familiar e de subsistência. e assim bairros surgem não por planejamento. a periferia. à noite.)” (LEFEBVRE.3 O urbanismo social. O quinto grupo. mas por movimentos sociais. São grupos distintos e de interesses diferenciados. político e econômico A cidade tem a propriedade de reunir e segregar. onde até as características iguais são diferentes. Nenhuma área fica sem uso. d) O Estado: tem um papel contraditório. A periferia inglesa era ocupada na Revolução Industrial. sendo essas características que promovem o movimento urbano.. Os demais grupos que envolvem interesses econômicos capitalistas10. sobretudo quando se sobrevoa uma cidade (. a moradia. indo em uma direção e fugindo de outra (LEFEBVRE. é o mais fraco. pois enquanto que os centros eram ocupados pelas indústrias. A sociedade ocupa o espaço urbano através de atrações e de repulsões. A urbanização ocorre 10Em nenhum momento o capitalismo está sendo posto como algo indesejável.111). o que acontece é que nem sempre esse uso acompanha o pensamento comum sobre aquela área (LEITE. 1999. de acordo com suas semelhanças e diferenças. atraia pelo baixo custo e pelo desinteresse da classe dominante (LAMAS. pois se apropriam de caráteres específicos da região de manifestação. porém como um forte. talvez o mais forte. visto que condomínios ou loteamentos já são projetados nessas áreas. tendem a serem mais fortes pela busca pelo lucro com essas intervenções urbanas (SILVA. 2. impedindo. 1999). pois atuam fomentando o desenvolvimento. de serviços. A cidade contemporânea tem o mesmo pensamento. As pessoas ocupam o espaço urbano à medida que essas áreas atraem mais do que outras. as periferias são utilizadas por esse contingente de imigrantes. 2007). geralmente. dos excluídos. 43 . elemento modificador do espaço urbano. e) Grupos sociais excluídos: são parte da população menos favorecida que carece de investimentos específicos do Estado. pois seu interesse é. 1999). “O que evoca o urbano com mais força? A profusão das luzes.6. sem área para atender a demanda ocasionada pela industrialização. As centralidades é um elemento de sintaxe espacial que promove a movimentação dentro do espaço urbano. 2004). p. mas também fiscalizando e muitas vezes. como promotores imobiliários e proprietários de meios de produção. não sendo uma ocorrência urbana que acontece apenas desordenadamente.. pois residências precisam de comércio. O diferencial se dá pelos interesses e a força ocorre quando são comuns também eles. pois relacionam baixo custo com a demanda. da cidade se expandindo. mesmo sem infraestrutura. porém com objetivos comuns: utilizar o espaço urbano de forma particular. pois quando o centro não consegue absorver a população que se desloca para ele.

os empresários serão impactados diretamente. pois no Brasil o tempo de um governo. Em caso de novo administrador.talvez como reconhecimento do poder público da sua incompetência em planejar. zoneamentos ou propostas de expansão. como ocorre em discussões contemporâneas como realizadas por Ascher (2011). a falta de apoio político faz com que muitos projetos sejam apenas para captação de recursos. com exceção no caso de reeleição. nenhuma ação é colocada em prática de forma planejada. e sua alienação do processo não é salutar para a implementação de um plano. o primeiro ano é “utilizado” para organizar o que foi recebido e o último para preparar a administração. propostas e legislação que será implantada através dos planos. logo reconhecendo sua função social. 2005). as necessidades sociais e ambições econômicas. porém sem força política. A política deveria servir de costura entre o pensamento técnico. ações e reações que afetam o desenvolvimento e implicam na necessidade de sua observação pelos planejadores (HARVEY. Uma das principais articulações políticas necessárias é para o planejamento urbano ser do Município e não de um Governo específico. (LEFEBVRE. sem a sua execução. a cidade necessita da ação da sociedade para o seu funcionamento. pois mudanças de índices. logo o conceito de máquina capitalista. Máquinas repetem serviços continuamente. talvez reconhecendo esse movimento urbano como natural. poderá dirimir muitos conflitos de interesses. natural por serem representantes legalmente eleitos pelo povo.. pois o seu papel articulador. ou seja. O urbanismo e o processo de urbanização atual é um resultado do capitalismo. enquanto que a cidade é uma teia complexa de relações sem uma continuidade cartesiana. é de dois anos. O capital é uma força atuante no funcionamento da sociedade. Pensamento estendido aos legisladores. objetivamente. cairia. mas acontece e formaliza uma invasão. 1999) Segundo Lefebvre (2001). dois anos para colocar um plano em prática. Dentre as regulamentações. As decisões cabem aos governantes e legisladores. 44 . retirando- os de uma posição que pode estar relacionada a investimentos futuros ou em uma zona de conforto. modificam o mercado. Existem relações urbanas de capital no espaço urbano que geram movimentos. relacionada a sua estabilização econômica dentro da cidade. servindo para acelerar obras ou ações administrativas atrasadas. Além disso.

Foram levantados planos urbanísticos desenvolvidos a partir de 1972. Foram levantados os seguintes documentos: 1. Plano Diretor de Porto Velho de 1990 – Autor: FAU USP/ FUPAM 7. Plano Diretor de Porto Velho 1987 – Prefeitura de Porto Velho 5. Plano Viário de 1989 – Autor: Prefeitura de Porto Velho 6. Projeto de Desenvolvimento para o Estado de Rondônia de 2011 – Autor: MMBB Arquitetos 9. formulados para identificar o grau de interferência de agentes modificadores no processo de planejamento urbano. de acordo com cada área. realizada em 2004. Quais propostas estão sendo repetidas nos planos? Quais as áreas em que as propostas são executadas e quais não? Essas perguntas nortearam a elaboração de uma planilha que agrega os planos e procura dar uma visão ampliada da influência deles no planejamento e configuração atual de Porto Velho. apontaram 11O Novo Plano Diretor de Porto Velho está em fase de elaboração. análise. O resultado do estudo sobre a implantação dos objetivos dos planos será demonstrado através de planilha contendo as propostas realizadas. parcialmente ou se não houve implementação da proposta. A metodologia utilizada na análise dos planos urbanísticos foi baseada no modelo de análise do Plano Diretor de 1990. que pela similaridade de discurso. Plano de Ação Imediata de 1972 – Autor: FAU USP/ FUPAM 2. Plano de Mobilidade Urbana de 2012 – Autor: Via Urbana Projetos e Consultoria Ltda 10. e se ela foi concretizada plenamente. diagnóstico e propostas para Porto Velho. Foram as linhas de organização surgidas a partir de leituras iniciais. Plano Viário de 1979 – Autor: ZJ Arquitetura Ltda 3.A utor 4. Projeto para Cidades de Médio Porte 1983 . A pesquisa e análise documental são as principais fontes de informações.CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA O estudo para desenvolvimento da pesquisa foi realizado através de pesquisa e análise documental. pesquisa teórica de publicações. Novo Plano Diretor de Porto Velho 201511 A análise dos planos urbanísticos buscou entender o processo individualmente e através de uma associação entre eles encontrar uma lógica na elaboração das propostas. Os dados apresentados foram coletados no ano de 2015 junto ao Departamento de Gestão Urbana da Prefeitura de Porto Velho . O referencial teórico foi organizado através de eixos temáticos. Plano Diretor de Porto Velho de 2008 – Autor: Prefeitura de Porto Velho 8. realização de entrevistas e pesquisa de campo. data do primeiro documento contendo levantamentos.

através dos planos urbanísticos. A utilização de referencial teórico de 50 anos da sua publicação. foram realizadas visitas em áreas que foram impactadas pela forma como aconteceu a evolução da malha urbana. relacionando publicações mais antigas. Buscou-se uma amplitude temporal na discussão. Complementando a apresentação sobre a cidade. Raísa Tavares Thomaz. dos tempos atuais. . assim como imagens de jornais locais tratando do tema. buscando uma melhor interpretação da realidade. não sendo privilégio. A pesquisa é apresentada. 46 . busca demonstrar que o planejamento urbano e as dificuldades que o cercam datam de décadas. Ampliar os estudos. inclusive as reuniões com a população através das Conferências da Cidade.para a influência política. através de um levantamento da sua história. foi necessário apresentar a cidade de Porto Velho. e com o atual Secretário de Planejamento de Porto Velho. os pontos ainda conflitantes e quais. de 1965 com textos e livros atuais. influência capitalista. Assim. inclusive nas publicações. qualifica a hermenêutica. traçando um perfil socioeconômico utilizando os próprios planos urbanísticos como referência. e tendo o embasamento dos assuntos previamente apresentados. com apoio da literatura local sobre a história de Porto Velho. são impedimentos para a implementação dos planos diretores. talvez. Foram realizadas entrevistas no mês de março de 20015 com a Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Rondônia. se pode ser usada esta palavra. As questões buscam compreender a visão deles sobre a eficácia do processo. como grandes eixos. Antes de iniciar as análises dos planos. que são divididos para melhor entendimento. Em seguida. avança para uma análise geral do tema. para que possamos compreender o que os pensadores contemporâneos colocam. buscando uma documentação histórico do conhecimento. para que o leitor pudesse conhecer o processo de evolução urbana. Os entrevistados estão participando da elaboração do Novo Plano Diretor. Jorge Alberto Elarrat Canto. através dos estudos por eles elaborados. acompanhando todas as ações. fazer uma reflexão sobre o planejamento urbano portovelhense. um problema epistemológico. participação da população e conhecimentos técnicos. também funcionária da Secretaria de Planejamento de Porto Velho. a metodologia utilizada para desenvolvimento dessa dissertação buscou inicialmente conhecer a cidade de Porto Velho. para que se identifiquem o que são problemas contemporâneos e o que possa ser. para depois. como o livro intitulado “Leituras de planejamento e urbanismo”. É preciso olhar para o passado. na observação de cada um.

a cidade recebeu a primeira rede de distribuição de água (CARVALHO. 1972). vê-se a Avenida Campos Sales atravessando a cidade. Observando a figura 06. e os bairros Triângulo e Baixa da União.036 habitantes. o primeiro Plano Diretor de Porto Velho 12 pelo engenheiro Petrônio Barcelos (figura 07). Conforme a figura 9. na Rua Benjamin Constant. entre as ruas Gonçalves Dias e Marechal Deodoro. Em 1924. Uma company town surgida nas margens do rio Madeira. como Caiari. 2009).1 Urbanização em Porto Velho anterior aos Planos Urbanísticos A cidade de Porto Velho em 1913 caracteriza-se por uma ocupação em malha. entretanto. que abrigavam os funcionários que atuavam na linha. o que futuramente viria a ser a principal via de ligação entre o centro e a zona sul portovelhense. Não foi encontrado textos que expliquem os diagnósticos elaborados e as propostas contidas no documento. segundo Carvalho (2009). inicialmente com bairros servindo de moradia para os trabalhadores da ferrovia. atual Avenida Rogério Weber (figura 05) (GUEDES. . segundo o IBGE. que abrigava o alto escalão.CAPÍTULO 4 – URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DE PORTO VELHO: A CIDADE IMAGINÁRIA 4. resultado de um planejamento inicial. As avenidas Farquhar e Sete de Setembro eram as principais vias. Em 1950 é elaborado. a existência apenas de um mapa onde se destaca um parque linear ao longo da Avenida Farquhar e um estádio de futebol. 12Do Plano Diretor de Porto Velho para 1950 foi encontrado no Centro de Documentação Histórica de Rondônia apenas o desenho apresentado na figura 9. A cidade então. o Alto do Bode habitado pelos barbadianos. Observa-se. uma das propostas que desenho proposto em 1950 alteraria. ao lado da Avenida Mato Grosso. (figura 8). possuía 10. inicialmente criada para dar suporte à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). a cidade já apresentava consolidada a malha ortogonal como elemento organizador do seu traçado urbano.

Figura 5: Planta geral da cidade de Porto Velho em 1912 Fonte: Carvalho (2009). 48 .

Figura 6: Planta da cidade de Porto Velho em 1925 Fonte: Carvalho (2006). 49 .

50 .Figura 7: Desenho do Plano Diretor de Urbanização de Porto Velho em 1950 Fonte: Carvalho (2009).

Figura 8: Detalhe do mapa do Plano Diretor de Urbanização de Porto Velho de 1950. Não foi considerado o Plano Diretor de 1950. 4.2 Planos Urbanísticos para Porto Velho Os planos urbanísticos de Porto Velo foram estudados a partir do Plano de Ação Imediata de 1972. pois foi encontrado apenas o desenho da proposta. não havendo como fundamentar as propostas realizadas. Fonte: Carvalho (2009) Figura 9: Imagem panorâmica da cidade de Porto Velho em 1950 Fonte: Nascimento (2009).2. seguindo o Termo de Referência elaborado pelo 51 . análise e proposta. diferentemente dos demais planos que apresentam etapas de conhecimento. 4.1 Plano de Ação Imediata de 1972 O Plano de Ação Imediata de 1972 (PAI 1972) foi elaborado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) com coordenação do professor Arquiteto e Urbanista Joaquim Manoel Guedes Sobrinho.

e essa é a base para os planos urbanísticos tecnicistas e científicos. Informações básicas e isoladas. Planejar é encontrar respostas para um sistema organizado de dúvidas. que condicionava a análise a um sistema claro de objetivos que definem o âmbito geral e o escopo possível do trabalho. que são descobertas a partir de investigação.. continuamente. culturais e econômicos e relacioná-los. Não é preciso. como fundamentais para o desenvolvimento do projeto para Porto Velho. se entendido como processo contínuo em contexto real (grifo nosso). a experiência realizada demonstrou o contrário: que a leitura da vida urbana. Não havia estudo da estrutura populacional. uma análise de todos os elementos. humanos. habitantes e alguma informação sobre população escolar. a necessidade de conhecer o real para elaboração de qualquer plano. mas solicitava informações sobre ocupação do solo. p. “Assim. O plano é apresentado em duas grandes etapas: levantamento/diagnóstico e propostas. Considera a visão global sobre o problema. e dos conflitos mais graves e mais evidentes do sistema urbano. Guedes baseia-se em teóricos como Cristopher Alexander (1964). de uma certa maneira. 1972. que formula 140 perguntas apresentadas no livro Notes on the synthesis of form. a identificação dos estrangulamentos maiores que ela apresentava ao desenvolvimento. 1972. 52 . previsto no documento. suficiente para a formulação de uma proposta primeira e abrangente de transformação e de desenvolvimento. Entretanto. Arquiteto e Urbanista Joaquim Guedes reforça. “São inúmeros os estudos e pesquisas que permanecem do domínio do inútil. configurando a situação já mencionada: planos superdimensionados quanto à análise e insuficientes quanto à profundidade e qualidade das propostas” (GUEDES.Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SFHU). O Plano de Ação Imediata de 1972 (PAI 1972) seguia o Termo de Referência elaborado pelo Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SFHU). em especial se nos lembramos que o planejamento só tem sentido. 167). logo há uma grande dedicação à etapa de levantamento e diagnóstico para substanciar o conhecimento para elaboração das propostas. segundo a SFHU. ocupacional ou distribuição de renda. sem relação. 162). A elaboração foi iniciada no Governo de Odacir Soares e concluído na administração de Jacob de Freitas Atalah 13. por uma equipe multidisciplinar para entender a dinâmica dos 13 Governadores do Território Federal de Rondônia. distribuição e evolução da população pela área urbana. porém a sistematicidade colabora para tornar o trabalho árduo de pesquisa. levaram a uma compreensão imediata do problema global da cidade. quedo passava a ser." (GUEDES. O coordenador da equipe responsável pela elaboração do PAI 1972. O arquiteto Joaquim Guedes enfatiza que é preciso analisar os fatores físicos. p. ao iniciar o trabalho. Como referencial para sua elaboração. sempre. parecia que a tarefa iria consistir de uma fria designação de locais e áreas destinados às diversas funções para a qual não haveria corpo de dados suficiente para motivar e estruturar a decisão. muito coerente. a investigação e a sistemática. densidade de alguns bairros. útil.

redução ao essencial. tomarão a decisão de construir. mas nos principais que abrangem levantamento e diagnóstico do meio físico. A cidade é um problema aberto.. Para Guedes (1972). conforme seguirão em análise a seguir. em última instância. mesmo com risco de sempre cair em modelos utópicos (GUEDES. conhecimento e relacionamento com a realidade. deixando de lado apenas a execução e o controle. a sociedade e os políticos. processamento. mas colocações gerais. é fundamental formular modelos sobre o que interessa. Por isso o planejamento exige disciplina. Em um segundo momento. economia. 1972. 169). observa-se a relação entre elas. As experimentações já direcionarão a novas ideias. conforme figuras 10 e 11. pelo menos. entre outros. 53 . Uma metodologia que se perde nos meandros de infinitas possibilidades e alternativas pode ser tão inoperante quanto um trabalho insuficientemente dimensionado. “Torna-se necessário criar uma organização de tarefas. zoneamentos. não em todos os elementos. seleção exigente. ao planejador ou à equipe de planejamento. hipóteses. “A metodologia não se limita ao processo mental interno. propostas gerais e. não há planos específicos. 174) Passará a ser analisado a partir de agora a metodologia utilizada para a elaboração do PAI 1972. análise. O confronto do modelo com a análise passa a ser um nível superior de realização do conhecimento. É importante fazer formulações das situações futuras. p. p.. 1972). ” (GUEDES. 1972. se as bases concretas são construídas a cada dia. que devem conter programas de revisão e reorganização contínuas das propostas de implantação. Ela inclui toda uma cadeia de operações que vai da observação. com ilimitadas possibilidades e não adianta pensar no futuro. infraestrutura. A tentativa ainda é uma procura do conhecimento. Como é um documento que demandaria outros mais específicos em sequência. propostas de implantação.processos que os envolvem. com uma verificação constante dos elementos analisados. Comparando-a com a proposta apresentada por Pereira (1965).) ” (GUEDES. de análise e planejamento capazes de proporcionar o pleno exercício da capacidade criadora dentro de uma sistemática convergente (. que sejam situações reais.

1965 Figura 11: Tabelas D e E de metodologia de elaboração de Plano Diretor Fonte: Pereira. B e C de metodologia de elaboração de Plano Diretor Fonte: Pereira. 1965 54 .Figura 10: Tabelas A.

devido a programas governamentais de colonização. Guedes (1972) pois não considerou as referências como idôneas. 1972). pois entendeu os governos como imprevisíveis. Areal. 55 . 1972). Nesta hipótese. 4. Esse teve seu ápice. Foram estudadas quatro hipóteses para o crescimento populacional e a hipótese C foi a que mais se aproximou da população de Porto Velho em 2000. Figura 12: Imagem dos bairros existentes em Porto Velho em 1972 Fonte: Plano de Ação Imediata de 1972. prevendo em 330. O setor público parecia impotente perante tal situação e o levantamento não caracterizou uma economia local viável (GUEDES. de 80% na década de 1980 e de 90% na década de 1990. caráter predatório e cíclico da economia local. atraindo pessoas que ficaram na região. existiam em Porto Velho 12 (doze) bairros. aumentou a partir de 1950. clima inóspito. Centro. Triângulo. Tucumanzal. conforme Figura 12. conforme já foi mencionado. Um. Mocambo. Em 1972. Nas periferias. Nossa Senhora das Graças. Suas projeções previram uma população de 200 a 389 mil para ano 2000. Olaria. dificultando a clareza nas informações e nas previsões. abertura da rodovia BR-364 e o garimpo da cassiterita. há falta de infraestrutura. a partir de 1960 (NASCIMENTO. 2009). São Cristóvão e Liberdade (GUEDES.1 Levantamento e Diagnóstico O crescimento de Porto Velho.1.539 o número de habitantes. São eles Caiari. Arigolãndia. A população varia de densidade à medida que se afasta do centro.2. o PAI previa que na década de 70 o crescimento seria de 70%.

Porto Velho já tem um sistema viário suficiente para servir uma população 50 a 100% maior do que a atual. Contrapondo a essas constatações. Guedes (1972) defende que os problemas podem ser minimizados com o respeito aos recuos. não ser levar em consideração os problemas de drenagem. o que deve ser mantido e incentivado. pois se soma a inexistência de espaço. p. a sensação térmica é maior. plantio de árvores frondosas para sombrear as áreas de circulação da cidade e colocar pavimentação asfáltica nos locais realmente necessários. segundo o PAI (1972). pavimentação que garanta mobilidade dos veículos. pois nos locais onde não o existe. implicados na implantação das obras atuais. neste aspecto o autor relata: “É difícil compreender o fato de. prever os custos a longo prazo. A baixa densidade é observada através da existência de espaço livre entre as edificações pelos recuos projetados. pois absorve grande parte da energia solar que recebe e devolve ao ambiente na forma de radiação. A organização em xadrez favorece a ventilação. como o asfalto o faz. pouco declive e solo impermeável. caracterizado por alto índice pluviométrico e altas temperaturas. Contrapondo um clima tropical úmido.14) O PAI (1972) apresenta como deve ser construída a cidade para que ela possa ser utilizada pelos moradores. Porto Velho possui pouca ventilação e somando com a inadequação das árvores colocadas. pois é uma região de muita chuva. Ressalta que o sistema de drenagem precisa ser planejado. pois é possível fazer as ruas livres de enchentes. 1972. Defende que o asfalto não é o único tipo de pavimentação e é um dos responsáveis pelas ilhas de calor existente nas cidades. Novas vias devem levar em consideração a drenagem.1. tem-se prejuízos materiais com a destruição de calçadas e em relação ao conforto urbano. É responsabilidade da Prefeitura também. mas sem prejudicar o entorno.2 Características físicas e climáticas Referente ao clima da cidade.2. o conforto urbano deve ser pensado utilizando elementos da própria região amazônica como vegetação adequada. alegando-se o custo das instalações necessárias. à pavimentação asfáltica. 56 . ” (GUEDES. hoje. canalizando- a nos períodos de existência. Nesses locais. há claras diferenças negativas em relação ao conforto urbano. A figura 13 que apresenta a proposta de uso do solo contida no PAI de 1972 apresenta sinteticamente as vias que necessitariam de asfalto por serem vias de interligação entre os bairros da cidade. 4.

57 .Zoneamento urbano proposto no Plano de Ação Imediata de 1972 Fonte: FAU USP/FUPAM (1972).Figura 13 .

a cidade está implantada em área de densa floresta. porém em suas áreas ocupadas. conforme pode ser visualizado na figura 13. segundo Guedes (1972).2. são destinações das águas pluviais (FAU USP . Consta no PAI que o cruzamento da BR 364 e BR 319 possui grande potencial de crescimento. Cada uma 58 . A área comercial ficava na avenida Sete de Setembro. A drenagem urbana não apresentava problemas. próxima ao rio Madeira. existem serviços e residências. A área industrial de Porto Velho em 1972 estava localizada na zona norte. A rede de saneamento básico existente está localizada no centro da cidade. apesar do predomínio comercial. O sistema de drenagem adequado. arborização e calçadas. 4. principalmente na zona sul. nesta última há o impedimento por haver áreas militares ao Norte que limitam a ocupação dos lotes adjacentes a essa. porém as características da topografia e do solo identificadas na fase de levantamento realizada para o PAI. pois foram retiradas durante a construção das ruas e edificações. que serviram aos funcionários da Madeira Mamoré Railway Co na construção da EFMM e eram dotados de infraestrutura urbana. Avenida Guaporé. bem como ao longo da Avenida Lauro Sodré.1. segundo o PAI 1972. na área urbana mais antiga. pois. em conjunto com o rio Madeira.4. Porto Velho. pois as famílias mais abastadas compravam em centros metropolitanos nacionais. para vencer a pouca declividade existente. dividindo a cidade em cinco zonas. vias pavimentadas. durante a construção da EFMM. zona oeste da cidade. deve utilizar os corpos hídricos e uma rede profunda. porém. No PAI 1972 são previstas três vias urbanas características. ainda sendo a executada no início do século XX. 1972). Rio Madeira e Área Militar.4 Saneamento básico e drenagem A capital rondoniense possui problemas de drenagem urbana e saneamento básico. O eixo principal é composto pelas avenidas Sete de Setembro e Presidente Dutra. servindo também como proteção contra ocupações irregulares. delimitada pela então BR 364 (atual Avenida dos Imigrantes). praticamente não existem árvores.FUPAM. estando na primeira as principais lojas comerciais. O Planejador chamou atenção para que as vias urbanas devem receber arborização. demonstravam que haveria problemas pela falta de declividade e permeabilidade do solo (GUEDES. A área central de Porto Velho se caracteriza por apresentar usos variados do solo. As zonas verdes e de recreação ficavam previstas para as áreas adjacentes aos igarapés. Nas proximidades do centro ficavam os bairros Caiari e Arigolândia. 1972).3 Uso do solo O PAI (1972) previa um zoneamento para Porto Velho.2. porém era considerada local de comércio de baixo nível.1. conforme figura 14. é cortada por vários igarapés e eles.

incentivando. além de propor a hierarquia viária. a existência de mais praças arborizadas.Proposta de desenho urbano para as vias de Porto Velho Fonte: FAU USP – FUPAM (1972) 59 . também. porém um elemento comum aparece em todas: a arborização. Figura 14 . conforme se pode visualizar na figura 14. A proposta para implantação das vias. Os caminhos dos pedestres deveriam ser protegidos. busca resgatar a arborização.possui aspectos e dimensões de acordo com o tipo de tráfego.

que no seu prolongamento atualmente é a Avenida Cahula. pois a BR 364 integrará a cidade à região (FAU USP . logo deveria ser incentivada a sua utilização.1. mais uma vez. A abertura de novas vias para a Zona Sul e a pavimentação da Avenida Campos Sales potencializaram a ocupação daquela área.2. sendo que essa no seu prolongamento urbano (Avenida Kennedy. o que aumentou a conexão com essa área da cidade. agora interligada pelas novas ruas construídas. Guedes (1972) reforça. porém concentrava nas vias de maiores circulações. O desenho do sistema viário proposto pelo PAI 1972 apresentado na figura 15 mostra que além do contato com a Zona Sul de Porto Velho através da Avenida Campos Sales pavimentada e da BR 364. O serviço de transporte público foi considerado bom. Ainda dentro da discussão sobre transporte. A ligação para a Zona Leste da cidade seria pelas Avenidas Dom Pedro II. 4. que tem que ser considerada a drenagem. As avenidas Amazonas e Campos Sales seriam asfaltadas para qualificar a ligação com a BR 364. mas há pouca diferenciação. Lauro Sodré). deveria haver incentivo.FUPAM. Campos Sales e Av. Além dessas. e pela continuação da pavimentação da Avenida Amazonas. Segundo Campos Filho (2010). antes relativamente segregada pela BR 319. no projeto de novas vias públicas. Guedes enfatiza que a opção do traçado sem considerar a topografia irregular causa interrupções bruscas e ruas com grade declividade. também. à utilização de ônibus. limitando a circulação de veículos no centro da cidade. pois deveria ser pensada juntamente com a pavimentação. através de investimento na qualificação dos veículos. cobrando pelo estacionamento. foi prevista a abertura da Rua Guanabara até a BR 319. por exemplo. Guedes ressalta que o aeroporto dos tanques precisa ser aumentado. otimização da circulação e preços adequados. A malha como opção de traçado. necessita de hierarquia viária. 60 . 1972). Assim. destinadas a comunicação entre bairros de Porto Velho. atual Jorge Teixeira) também receberia pavimentação.5 Circulação urbana Neste item. houveram pavimentações que ligaram a área central à Avenida Imigrantes (Av. na proposta. as centralidades urbanas tendem a modificar a oferta de serviços e o transporte. ou não incentivando. trazendo novas demandas originadas por elementos atrativos dentro da malha da cidade. fazendo com que o tráfego seja confuso. fazendo parte do projeto das novas vias públicas. Observa-se na figura 15 que o PAI previa em 1974 e 1975 o aumento da área pavimentada com asfalto.

FUPAM (1972). 61 .Figura 15: Sistema viário de Porto Velho proposto para 1974 e 1975 Fonte: FAU USP .

ou seja. em verde. evitando ocupações que pudessem causar degradação. Para isso. Porém. 34). p. está localizada na Avenida Farquhar. de acordo com Modesto (1965) e Villaça (2013). a densidade urbana era de 46 hab/ha e. O planejamento urbano. a legislação urbanística deveria trabalhar 62 .2. apresentado anteriormente na figura 13 e alternativas para o crescimento urbano. uso e ocupação pretendidos. saneamento. ocupada grande parte da cidade. foi definido um zoneamento. foi considerado a densidade de 50 hab/ha como ideal para as áreas mais adensadas. A área industrial ocupa a região norte. entre outros. 1972. Villaça (2012) e Modesto (1965) entendem. educação.1. estando próxima ao porto. estão localizadas junto aos igarapés. que os planos urbanísticos analisam e discutem o todo envolvido no sistema urbano. pois a tendência seria explorar o corpo hídrico existente para atividades de lazer. pontos positivos e negativos de cada opção. dentro PAI 1972. estas proposituras não foram implementadas. As áreas de recreação. Estes irão naturalmente força-la a fugir dos planos mais amplos e genéricos e a assumir os níveis de orientação e elaboração de projetos concretos” (GUEDES. é importante haver uma concentração de interesses entre órgãos e entidades governamentais. assim devem ser criados Planos de Ação para saúde. sistema viário. Em 1970. 1972. Assim. próxima à zona central. Guedes (1972) elabora as propostas de desenvolvimento urbano para Porto Velho considerando os levantamentos. marcada em vermelho. conforme já ilustrado na figura 13. em amarelo. que está localizado dentro da mesma área. p. 4. assim como Guedes (1972). capaz de ser modificado e ampliado continuamente” (GUEDES. em azul claro. em roxo. Refletindo sobre as possibilidades de expansão. A zona institucional. porém é preciso “atacar” cada problema especificamente. além disso. 33). a atividade de planejamento deveria ser relacionada diretamente as tarefas e implantação. manter a integridade dos igarapés. é exposto que deverá haver controle das fases do planejamento. ocasionando ocupações irregulares e de risco nos igarapés de Porto Velho. que tem a Avenida Sete de Setembro como referência. densidades desejadas. nas margens do rio Madeira. O zoneamento urbano proposto no PAI (1972) organiza as principais funções da cidade. No início da discussão sobre a implantação do PAI 1972. “O planejamento urbano para Porto Velho deveria adotar um modelo de estrutura urbana aberto e flexível. deve-se proceder a elaboração de planos específicos que sirvam para programar pontualmente as ações sobre o que é proposto. diagnósticos e prognósticos para a cidade. “Além disso. dependem da coordenação política em favor da sua implantação. A área residencial. destarte são identificados os potenciais.6 Plano de desenvolvimento recomendado Após a etapa de levantamento e diagnóstico.

que atraia pessoas na busca da cassiterita. havia uma tendência natural de expansão para a área do aeroporto. em área próxima ao aeroporto dos tanques. A barreira existente para o crescimento são as áreas da aeronáutica que ocupam grande parte da porção norte de Porto Velho.1. trabalhando em conjunto com a mobilidade urbana.1. assim como maior dispersão na ocupação das áreas periféricas. 63 . forma mais comum. instalados nos vastos terrenos existentes entre as Avenidas Imigrantes e Tiradentes). O resultado desse tipo de ocupação é o alto custo de infraestrutura. Relembrando que o processo ocasionado em 1972 deveu-se.2.FUPAM. pois concentram a maior parte da infraestrutura. a periferia (FAU USP .1. principalmente.1 Cenário 01: Crescimento espontâneo. pois é uma grande extensão de terra desocupada.7. 4. o que também atrairá edifícios residenciais multifamiliares. além de vazios urbanos o Porto Velho Shopping foi instalado em 2008 dentro de um desses vazios urbanos centrais). pela constante necessidade novas moradias. com ruas de mão única. Essa proposta de densidades maiores no centro favorecem a utilização dessa área para usos comerciais e institucionais. esse setor está sendo ocupado por condomínios. o mais econômico para a administração pública e para a população é planejar essa expansão. atendendo-a com infraestrutura. com mínimo de controle A primeira alternativa utilizou o crescimento espontâneo como referencial. nos vazios urbanos (mesmo os mais centrais) e nas áreas periféricas.2. 1972). A administração da maioria das cidades brasileiras tem dificuldade em controlar a expansão urbana. ao ciclo do garimpo.7. Assim. pois ela é um processo contínuo e natural. pois quando essa acompanha o crescimento. além da possibilidade de ele ocorrer por ocupações espontâneas. Segundo FAU USP-FUPAM (1972).os índices de modo a incentivar maior ocupação no centro.2 Cenário 02: Crescimento para o Norte Segundo consta no PAI (1972). as ocupações espontâneas tenderiam a acontecer ao longo de vias principais e rodovia. a relação custo-benefício é adequada. Não havendo condições de ocuparem áreas centrais. 4. ocuparam de forma espontânea.7 Cenários para expansão urbana Os cenários apresentados no PAI (1972) para a expansão urbana de Porto Velho consideraram quatro direções para crescimento. pois o setor industrial tinha grandes terrenos (atualmente. porém as ocupações espontâneas tendem a utilizar áreas afastadas da zona central e seria preciso construir grandes distâncias de infraestrutura para atender pontos específicos.2. criando opções de acesso e retorno. Porto Velho possuía áreas ociosas próximas ao centro que poderiam ter atendido a essa demanda. 4. sem prévio planejamento.

resultaria em danos para os corpos hídricos existentes na região (FAU USP . É possível identificar uma relação entre a metodologia utilizada pela FAU USP/FUPAM e as propostas de Pereira (1965) nas etapas de conhecimento. 1972). pois haveria risco de ocupações desordenadas. pois haveria falta de alternativas de escoamento pluvial. não haverá como impedir as enchentes.FUPAM. bem como para o meio ambiente. segundo Guedes (1972). devia-se a essa topografia plana.4 Cenário 04: Crescimento para o leste A zona leste de Porto Velho é plana e favorecia a ocupação. O principal problema apontado pelo PAI (1972). 1972). Conforme orienta o plano. em virtude de que a implantação de residência sem infraestrutura adequada. como publicações como a de Pereira e Modesto (1965).1. deveria ser pensada de forma correta e adequada.FUPAM. a urbanização da área teria que preceder de investimento em infraestrutura e urbanização para não haver risco para a população. Para demonstrar as propostas e as realizações. 4. por não haver grandes movimentações de terra e alterações de topografia.1.7.2. pois é uma área que ainda mantinha características da floresta de margem de rio e uma ocupação desordenada ou ordenada. por não haver ligação direta entre as margens do rio Madeira. 64 .7. a urbanização das áreas também é facilitada.5 Cenário 05: Crescimento de novos núcleos na margem esquerda do rio Madeira Foi considerado algo ainda distante. Na área também havia um depósito de lixo que deveria ser removido (FAU USP . poderia causar danos irreparáveis (FAU USP . foi elaborada a tabela 3 para relacioná-las de modo a facilitar a identificação do que foi posto em prática. apenas diferenciando no detalhamento do plano que o PAI 1972 não foi proposto com essa finalidade. 4. pois não era necessária uma maior estrutura para as construções ocuparem os terrenos. 4. como real alternativa de expansão. diagnóstico e propostas.2. 4. Embora seja um documento elaborado há 43 anos.1. Guedes afirma no texto que se não houver planejamento. 1972). já haviam estudos que orientavam a elaboração de um documento de planejamento.6 Considerações sobre o Plano de Ação Imediata de 1972 O PAI 1972 apresentava propostas embasadas em consistentes diagnósticos que vão ao encontro de constatações realizadas até o ano de 2015.7. Para ele. a barreira formada pelo 5º BEC e a frequência de igarapés dificultaria a ocupação ordenada e planejada da região.7.FUPAM. porém sem considerar o ambiente natural existente. pois não há como a água infiltrar no solo por ele ser impermeável.2.2. Embora faltassem maiores dados para uma correta avaliação.3 Cenário 03: Crescimento para o sul Para o Planejador.1.

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2 Plano Viário de 1978 O Plano Viário de 1978 foi elaborado pelo escritório do Arquiteto e Urbanista Paulo Zimbres. deve-se pensar no conforto dele. 2012). no Governo do Território Federal do Guaporé de Luiz Gonzaga Farias Ferreira e é um desdobramento do PAI 1972. para que isso ocorra. As demais propostas não foram postas em prática. não aconteceu. em espaços de moradia. investindo em pavimentações e calçadas adequadas. 1978). A proposta do Escritório procura relacionar o transporte coletivo com a hierarquia viária. Economia. Grandes propostas como a construção de um Centro Administrativo Municipal que requalificaria o bairro Mocambo. equilibrar os modos de circulação urbana. 2010). Aliado a esse pensamento. O plano aponta algumas áreas da cidade. Entretanto. assim deveria ter uma preocupação de incentivar a circulação de pedestres em detrimento a de veículos. A preocupação com o meio ambiente deve ser sistêmica. qualidade e eficiência do sistema fundamentaram uma qualidade ambiental no espaço urbano. minimizar o impacto ao meio ambiente e assegurar condições de segurança aos pedestres (ZJ ARQUITETURA LTDA. Aponta o uso de bicicletas como pertinente para a circulação urbana. não avançando além disso.2. conforme preceitos modernistas. A então Rua Sete de Setembro concentra um grande volume comercial. preservação da arborização e aumentando as ruas com sombreamento. serviços e lazer. garantir alto grau de eficiência no sistema de transporte coletivo. o quadrilátero formado pela Av. Presidente Kennedy. pela sua característica de concentrar serviços que favorecem a pequena circulação de pessoas. relacionando-o com as vias. Abunã e Padre Ângelo Cerri . pois relaciona-se com os outros elementos do sistema viário. ficou apenas como projeto. ou concentração de atividades em uma mesma região urbana. por exemplo (VILLAÇA. segurança. ruas Guanabara. observa que o incentivo à circulação de pedestres é indispensável ao sistema de transportes. sem aplicação na cidade real. considerando o trecho atendido. pois são equipamentos de baixo custo de aquisição e manutenção. é possível inferir que apenas a modificação do local de depósito de lixo foi atingida em sua plenitude. logo já nesta primeira grande tentativa de planejamento. uma vez que ela é dividida. apenas foi elaborado planos específicos relacionados ao sistema viário. O plano teve como objetivos gerais garantir alto grau de acessibilidade a todas as áreas da cidade. pois não há como pensar o incentivo ao uso de transporte público. 4. além do baixo impacto à cidade e ao meio ambiente (ZJ ARQUITETURA LTDA. porém atualizado em virtude do crescimento da cidade. Analisando a tabela 03. logo tem uma elevada centralidade. consideradas de interesse ambiental. trabalho. 1978). sem relacionar com a eficiência de um sistema de circulação de pessoas (CAMPOS FILHO.

praticamente utilizando o PAI 1972. foram elaboradas propostas trabalhando com dois grandes grupos: zoneamento e sistema viário. da localização dos usos dentro da malha urbana. Destacar áreas de interesse ambiental. Figura 16 . deve-se definir pavimentações e usos adequados a cada situação presente na cidade. c. Criação de caminhos para o ciclista com conexões na malha viária eficientes. A intervenção na malha urbana deve ser acompanhada de projetos de redes de esgoto pluvial e sanitário. Estimular o preenchimento de vazios urbanos nas proximidades da BR 364 e BR 319 e Rio Madeira.Hierarquização viárias nas áreas de interesse ambiental Fonte: Zimbres (1978). praças. d. São. ainda. enfim. Modificar o pensamento atual acerca dos pedestres e dos veículos na cidade. 1978. e dentro do sistema urbano. logo poderia ser utilizada apenas com circulação de acesso às residências. pensa-las individualmente. tratar paisagisticamente os igarapés e implantar áreas de recreação e orientar a população no correto tratamento da vegetação. 30 e 31): a. b. p.concentra um grande volume de residências. Deve haver planos específicos para a mobilidade. e. pavimentação adequada e sombreamento. privilegiando os pedestres. comércio local e escolas. introduzir espécies regionais e naturalmente adaptadas. circulação segura. Foram propostas cinco categorias de uso do solo: Residencial. i. logo. pontos de ônibus e abrigos adequados. Pensar a cidade para o pedestre com calçadas adequadas. Partiu-se do princípio que não era possível definir qual a melhor opção de circulação se não havia definição do início e do fim. considerados nove objetivos específicos (ZJ ARQUITETURA LTDA. Baseado nos objetivos e nos diagnósticos. Quanto ao paisagismo urbano. dotando-a de sinalização. uma cidade para as pessoas. 67 . pois são áreas melhor atendidas pela rede de infraestrutura urbana. Área de Emprego e Serviços (próximos a Avenida Farquhar). além de drenagem de igarapés. f. conforme figura 16 (ZJ ARQUITETURA LTDA. bicicletas e transporte públicos. 1978). h. O sistema viário deve ter distribuição igualitária em toda a cidade. g.

assim como delimitadas áreas de interesse ambiental. indústrias e outras atividades de grande porte. profissionais liberais. Nestes. prédios públicos. conforme figura 18. Outros eixos. Pedro II (sentido Leste-Oeste). como as rodovias.Proposta de Zoneamento Fonte: (ZJ ARQUITETURA LTDA. B e C) Fonte: Zimbres (1978). Figura 17 . entre outros. controle no tráfego de veículos e predomínio no uso para pedestres. aumento de vegetações. 68 . As áreas residenciais deveriam ser formadas por quadriláteros delimitados por vias arteriais. Centro Político Administrativo e Universidade). Figura 18 . para investimentos em conforto ambiental urbano como redução de ruídos. deveriam receber grandes comércios. e no seu interior deveria haver apenas trânsitos locais. já utilizando de um potencial observado. foram incentivados os usos destinados a pequenas escolas. 14 Ruas paralelas que funcionam em sentidos opostos.Área Central (Rua Sete de Setembro e entorno). Área de Reserva Verde (áreas adjacentes aos igarapés e inundáveis) e Áreas Especiais (localização de serviços especiais como rodoviária. conforme Figura 17. 1978) Foram propostos dois binários14 estruturadores: Ruas Getúlio Vargas e Brasília (sentido Norte-Sul) e Ruas Carlos Gomes e D.Quadriláteros formados por vias arteriais e áreas ambientais (A.

Ela é uma via destinada a circulação rápida e concentra serviços que atraem os pedestres. As superquadras propostas no plano serviriam para diminuir a necessidade de grandes percursos com a criação de pequenos núcleos. O acesso facilitado ao transporte público pela então Avenida Kennedy e os usos que serão atraídos pela construção do prédio. seria uma releitura das superquadras de Brasília. 69 . pois na expansão da cidade em 2008. porém formadas por quadras próximas. Figura 19. Segundo os autores. a proposta de localização da rodoviária entre os binários favorecia o acesso e a circulação dos usuários que chegavam e os que saíam do edifício. que abriga até o momento a Estação Rodoviária de Porto Velho. o que foi efetivado. delimitadas pelas vias arteriais. diminuindo a circulação de veículos particulares. embasam a definição da área. Os serviços deveriam ser concentrados nas vias arteriais e o interior. Como os conflitos não foram considerados graves. A Rua Sete de Setembro foi considerada de interesse ambiental. Segundo o Plano Viário.Proposta de localização da Rodoviária de Porto Velho Fonte: Zimbres (1978). e servida de transporte público em toda a sua extensão. pois concentrava dois usos conflitantes. para as residências. houve a abertura das Avenidas Sete de Setembro e Pinheiro Machado. porém não deram certo. a proposta do PV 1978 foi para que ela fosse de sentido único. gerando despesas com indenização.

mas potencializava a sua utilização com a criação de superquadras. não foram propostas a criação de estações intermodais. as ruas José de Alencar e José Bonifácio. No sentido Norte-Sul. também. onde no seu interior. Observa-se que as ciclovias não foram pensadas apenas relacionando-as com o tráfego. a baixa circulação de veículos incentivaria o uso de bicicletas. De acordo com o Plano Viário (1978). Com exceção das vias de maior fluxo. conforme o Plano. 1978). todas as demais deveriam servir para os automóveis estacionarem ao lado do meio-fio. porém mesmo nas áreas planejadas. seria uma necessidade natural. pois não havia uma consonância nas diferenças de níveis entre ela e a rua. permitir que as calçadas pudessem ser mais largas e sombreadas. porém mesmo com a ampliação das linhas. A regularização dos passeios era um problema. concentrando o serviço na Rua Sete de Setembro. A circulação de pedestres era dificultada pela qualidade dos passeios. permanecendo assim até o momento (ZJ ARQUITETURA LTDA. desconsiderar os veículos particulares e o crescimento da frota não seria uma decisão acertada. A qualificação do transporte público seria fundamental. mas com os usos. pois com o crescimento da cidade. A proposta utilizava vias de menor tráfego para implantar ciclovias. Figura 20 – Superquadras propostas para Porto Velho Fonte: Zimbres (1978). Mesmo que a proposta apresentada no plano fosse de fortalecer o transporte público. A modificação no tráfego de veículos objetivava. além 70 . nem em relação às edificações. Os desníveis não deveriam ultrapassar os 15cm. áreas destinadas ao estacionamento foram propostas. atualmente ultrapassam os 20cm. conforme Zimbres define.

não sendo o principal objeto do documento. assembleia. apesar do nível de detalhamento apresentado no Plano Viário. 1978). 71 . “Porto Velho. José do Patrocínio e Henrique Dias (ZJ ARQUITETURA LTDA. A área receberia centro cultural. Figura 21 . Há um capítulo específico do plano que se detinha a explicar as espécies vegetais indicadas e a forma de plantação e cuidados com elas. 60). porém não foi implantada e até o momento o uso dado a Praça da EFMM ainda é motivo de discussão dentro do Poder Público. porém não houve implantação da proposta. mercado. Segundo o PV 1978. A intervenção na área histórica da cidade foi proposta para abrigar o Centro Administrativo do Território e serviços que integrariam à cidade ao pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e ao Rio Madeira (ZJ ARQUITETURA LTDA. terá de se aproximar da mesma e se transformar num centro urbano perfeitamente integrado ao meio natural” (ZJ ARQUITETURA LTDA.Proposta para o entorno da EFMM Fonte: Zimbres (1978). 1978). envolvida pela floresta amazônica. a proposta para tal intervenção deveria ser realizada em cada situação na cidade. Porém. porto de pesca e fomentaria a reativação da linha férrea. buscando a economicidade. 1978. para garantir o adensamento. deveria 15As três vias que interligam as zonas Norte e Sul apresentam grande declividade o que seria um impedimento para a real utilização delas por ciclistas. A expansão da cidade é discutida pelos autores do plano como alternativa de crescimento.da Avenida Presidente Dutra15 foram utilizadas na proposta de implantação das ciclovias e no sentido Leste-Oeste as vias utilizadas foram as ruas Afonso Pena. Para o crescimento urbano. logo. pela eficiência. objeto de um projeto específico. 1978). p. da rede de infraestrutura e de serviços (ZJ ARQUITETURA LTDA. A ocupação dos vazios existentes no centro da cidade era fundamental.

a a Avenida Sete de Setembro com apenas um sentido para veículos e com transporte público potencializado. pois marcava uma difícil transição entre um regime ditatorial e outro democrático (VILLAÇA. de aumento dos pontos de ônibus e criação de binários de circulação de veículos. Na próxima página será apresentada a tabela 04 que ordenou as propostas e o que foi efetivado em partes ou totalmente. utilizando os estudos e propostas do PAI (1972) como base para o Plano. tem baixa declividade. além da Avenida Kennedy. considera-se plenamente atendida a proposta dessa obra. criação de binários de circulação.ser previsto o desenho urbanístico que melhor relacionasse o traçado urbano com a drenagem urbana. pois até o momento existem problema de escoamento das águas da chuva e ocasionam constantes alagamentos nos períodos de grandes chuvas na Amazônia. apesar de discussões sobre a sua modificação. a construção da rodoviária elimina um vazio urbano na mais importante via urbana de trânsito. Além disso.2. Segundo Matos (2002). não de Governo. Foi um período complicado para a economia brasileira. logo apresentaria problema de escoamento natural das águas pluviais. pois ainda existia áreas vazias de ofertas de linhas de ônibus urbanos. nova organização dos usos e uma leitura da inter-relação entre os usos. Procurou propor para a cidade modificação no zoneamento. 4. Dessa forma. pois a principal área de expansão. indicando a visão de planejamento como algo que foi e deve ser de Estado. 1999).2. mas uma declaração de 72 .1 Considerações sobre o Plano Viário de 1978 O Plano Viário elaborado em 1978 foi além de um planejamento de vias. Esse problema de infraestrutura é uma realidade nesta área. o III PND não pode ser considerado um plano. conforme se observa nos dias atuais na proximidade da Rodoviária (FAU USP . com parcialmente atendidas as propostas de zoneamento que organizariam o adensamento urbano e a funcionalidade do sistema viário. No Brasil estava em vigor o III PND (Terceiro Plano Nacional de Desenvolvimento) projetado para o período de 1980 a 1985. um ponto altamente positivo é a continuidade da leitura por ele realizada. A localização da Estação Rodoviária.FUPAM. 1972). propondo elementos que são observados na Porto Velho de 2015.3 Projeto Especial para Cidade de Médio Porte de 1983 O Projeto Especial para Cidades de Médio Porte de 1983 (PCMP 1983) foi elaborado no governo do Prefeito Sebastião Assef Valladares. O Plano Viário de 1978 obteve avanços no setor de transporte público. 4. Além de qualificar a oferta de transporte no final da década de 1970 e início de 1980. com Porto Velho já capital do recente criado Estado de Rondônia. A proposta de construção da Estação Rodoviária de Porto Velho foi concretizada e funciona até o momento no mesmo local.2.

2002). 73 .intenções. uma determinação legal que deveria ser cumprida e que ficou relegado ao esquecimento (MATOS.

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o que é comprovado ao acompanhar as condições desses locais quando ocorrem as chuvas. em virtude de um perfil mais executivo do documento. por empreendimentos particulares. conforme a figura 23. era apresentado pelo estudo um potencial para que lá ocorressem problemas de escoamento pluvial. 1984). intensificando a ocupação dos setores Leste e Sul. enquanto na Zona Sul. principalmente a Zona Leste é caracterizada por regiões com baixa declividade. Na Zona Sul. Na Zona Leste a ocupação é caracterizada. O espaço urbano ainda estava em formação. concentrando a intervenção em uma área central de Porto Velho. de acordo com o levantamento elaborado para o PCMP 1983. logo necessitando de intervenções em drenagem antes de qualquer proposta de urbanizar. na figura 23. 16 Foi usado o termo “esquecidas”. O diferencial na análise deste plano para os antecessores é a identificação das áreas pobres da cidade. É possível observar no desenho as áreas problemáticas de Porto Velho em relação ao escoamento das águas pluviais e em sequência. . o Projeto de Drenagem Urbana é proposto. As enchentes que ocorrem até este ano de 2015 demonstram que ainda há carências quanto à drenagem urbana. a ocupação ocorre de forma mais acelerada que Zona Leste. essas regiões urbana (SEPLAN/RO. dá-se por invasões. pois são naturalmente regiões em que ocorre a expansão do corpo hídrico em épocas de chuvas na Amazônia. primordialmente. tratado mais à frente nesta pesquisa. pois a ocupação na Zona Sul de Porto Velho foi destacada como potencial no Plano de Ação Imediata de 1972. sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da mesma. Esse projeto utiliza os igarapés como destinação final. restando-os áreas esquecidas pelo Poder Público16. O Projeto Especial para Cidades de Médio Porte é um plano urbanístico solicitado pelo Ministério da Integração. além das caracterizações urbanísticas. segregando a população que não possui condições financeiras de arcar com os custos que envolvem loteamentos particulares. principalmente. Ainda na discussão sobre a ocupação. Pode ser observado que grande parte da cidade. pois o plano objetiva atender. também apresentava um estudo do perfil econômico de Porto Velho de forma mais detalhada que o PAI1972. porém desconsiderando grande parte da Zona Leste que. Essa disparidade é resultado de projetos de loteamentos destinados a famílias com rendimentos maiores. 1984). logo havia estudo que apontava como uma área passível de ser ocupada. Na figura 22 é possível visualizar as características das áreas de expansão urbana. Na figura 22. destaca-se a necessidade de maior adensamento da cidade em locais onde há oferta de infraestrutura (SEPLAN/RO. O trabalho. assim necessita de urbanização por parte da Prefeitura de Porto Velho. porém sem a infraestrutura adequada. são consideradas áreas inundadas os igarapés e áreas inundáveis as margens desses.

Figura 22 . 76 .PCMP 1983 Fonte: SEPLAN RO (1984).Caracterização das áreas de expansão urbana .

77 .Rede de drenagem urbana proposta .Figura 23.PCMP 1983 Fonte: SEPLAN RO (1984).

como será demonstrado nos estudos dos próximos planos urbanísticos. satisfatório. A forma de tratamento desse esgoto. a rede de distribuição de água (figura 24). É importante destacar que embora o plano sirva como referência para planejamento. o plano cerceia eles desse direito ao transporte (SEPLAN/RO. 196) As discussões acerca da drenagem urbana ocuparam grande parte do Volume 01 do plano. dos quais apenas 1. A rede de esgoto de Porto Velho. com formações lateríticas ferruginosas de baixa permeabilidade revelando-se inadequado para construção intensiva de fossas. continua com a mesma dimensão dessa do PCMP 1983. Sete de Setembro (16 das 17 linhas passam pela rua). Mais uma vez foi destacada a importância de não executar obras de pavimentação sem as redes de água e esgoto estarem previstas para construção previamente ou concomitantemente. A reclamação era quanto à oferta e problemas com os geradores em virtude da falta de manutenção. p.. 195).)” (SEPLAN/RO. devido a pequena taxa (de) absorção e rápida saturação do terreno. porém apresentava propostas semelhantes de outros planos estudados: necessidade de construção de abrigos. considerando que na época ainda não havia sido construída a Usina de Samuel (SEPLAN/RO. ocasionando retrabalho e ônus financeiro para o erário (SEPLAN/RO. construção de abrigos e a necessidade de ampliação do atendimento. concentrava-se no centro. diminuir a concentração de linhas da Av. 1984). 1984). não são atendidas por linhas no interior dos bairros. constituem apenas ‘bolsões e lentes intercalados nos sedimentos argilosos’” (SEPLAN/RO. 1984. Sendo áreas consolidadas. p. 1984). objetivando privilegiar o transporte público em relação ao particular. que seriam tipo arenoso. “Com a predominância de solos de sedimentos argilosos. 1984. o transporte público (figura 26) foi considerado. mesmo de edificações como o Hospital de Base que tinha como destino final um igarapé. atendia grande parte da cidade. Porém isso não foi observado em boa parte da cidade. porém a rede de esgoto (figura 25).076 domicílios dispunham dos serviços de esgotamento sanitário através de rede coletora (. da mesma maneira que foi apresentada em outros planos. Os solos mais adequados. na proposta ainda é observado um grande vazio em termos de transporte público nas Zonas Leste e Sul que embora desenvolvidas. De acordo com o Plano. 78 .868 domicílios. pois existem ruas que ainda recebem pavimentação sem as redes de saneamento básico estarem prontas. não apresentava problemas sérios como as redes de água e esgoto. em termos de relação entre números de linhas e quantidade de ônibus e demanda populacional. “Em 1982 existiam em Porto Velho 22. era insuficiente. A iluminação pública. ainda mais pelas características de impermeabilidade do solo de Porto Velho. texturalmente heterogêneos. que passavam por vasos de decantação com hipoclorito e água sanitária. Segundo o PCMP 1983.. pois era um problema apontado desde o PAI (1972).

.Rede de abastecimento de água .PCMP 1983 Fonte: SEPLAN RO (1984). 79 .Figura 4 .

80 .Rede de esgotamento sanitário: .PCMP 1983 Fonte: SEPLAN RO (1984).Figura 25.

Linhas de transporte coletivo .Figura 26 .PCMP 1983 Fonte: (SEPLAN/RO. 1984) 81 .

3 Luz 27.4 Pavimentação 7. mas de ocupações espontâneas.9 S. Sebastião I Luz 42. 20. drenagem. Sebastião II Água 44.4 Ônibus 10. legalização fundiária.3 Água 11. p.8 Demarc.5 Luz 10.7 Iluminação 10.4 Esgoto 22.9 Iluminação 16.1 Luz 26. 313) 82 . 4. esgoto.2. áreas de invasão. Estado II Iluminação 50. 8.3 Esgoto 8.0 Balsa I Leg. Batista Água 29.1 Áreas predominantemente pobres O Plano para Cidades de Médio Porte (1984) realizou um estudo identificando áreas de pobreza na cidade de Porto Velho. Fund/Pav.4 Drenagem 13.7 Água 15.6 Limp. Fund.3 Leg. a carência é justificável. O diagnóstico realizado pela equipe da Secretaria de Estado de Planejamento em 1984. ocupação nas margens de igarapés. existência de habitações rústicas ou improvisadas. J. 1984. Foram utilizados como parâmetro para definição dessas regiões as ocupações por invasões.4 Leg.9 Fonte: (SEPLAN/RO. drenagem e transporte coletivo estão com percentual abaixo se comparados a outras áreas. iluminação pública. 34. Tabela 5 .Ruas 8.9 Água 19.8 Luz 19.8 Esgoto 5. Ruas 9.8 N.1 Esgoto 17.9 Luz 40. Porto Velho Esgoto 24.4 Ônibus 2.9 Floresta Pavimentação 20.9 S. apontou as seguintes necessidades: pavimentação.8 Nova Floresta Água 30.2 Costa e Silva Pavimentação 32.6 Drenagem 12.0 Pavimentação 16.1 Iluminação 15.0 Esgoto 17. além de renda familiar e número de famílias. Lote 11. Por ser.9 Limp.Prioridade na implantação de infraestrutura Bairro Prioridade 01 % Prioridade 02 % Prioridade 03 % Prioridade 04 % Embratel Pavimentação 31. Fund.1 Pavimentação 15.6 Balsa II Luz 23.1 Água 21. em geral. pois a ocupação não se dá através de ações planejadas. esgoto.3.7 Pavimentação 6.8 N.4 Areal I Pavimentação 36.1 Pavimentação 16. Ruas 15.4 Drenagem 5.7 Areal II Pavimentação 32.1 Demarc. água. limpeza e abertura de ruas.7 S.7 Limp Geral 8.6 Abertura vias 24.9 Iluminação 8. conforme figura 27.3 Água 24. As redes de abastecimento de água.0 Pavimentação 16.5 Água 20.

Delimitação das áreas predominantemente pobres de Porto Velho .PCMP 1983 Fonte: SEPLAN RO (1984).Figura 27 . 83 .

Ao analisar a Tabela , observa-se o predomínio da pavimentação como o maior desejo dos
moradores, porém essa carência, segundo a pesquisa, não é acompanhada pela solicitação de
drenagem. Os moradores relacionam como necessidade as redes de água e esgoto, porém não
destacam, ainda, a necessidade de redes de drenagem urbana. Ao analisar os mapas elaborados e
constantes no PCMP (1984) para as áreas predominantemente pobres, verifica-se o baixo percentual
de atendimentos dessas áreas pelas redes de infraestrutura, sendo importante destacar, também,
que mesmo com percentual baixo de circulação de transporte público, esse aparece com baixa
representação na Tabela 4. Essas áreas apresentam carência de infraestrutura. O melhor
atendimento é da rede elétrica, mas que não necessariamente reflete-se em iluminação pública. Na
tabela, onde aparece escrito “luz”, deve ser entendida como sendo iluminação pública mais a luz, no
sentido de “energia elétrica”.
Portanto o PCMP (1984), assim, objetivou retratar a cidade de Porto Velho para participar do
Programa Cidades de Médio Porte, do Ministério do Planejamento. As propostas apresentadas são
apenas gerais, mas presentes em outros planos anteriores (zoneamento, hierarquização viária e
drenagem urbana). A caracterização das condições de expansão urbana é clara, principalmente se
forem observados os perímetros inundados e inundáveis e as áreas com potencial de alagação, que
ocupam grande área de expansão, principalmente na Zona Leste, locais onde atualmente ocorrem
grandes problemas de escoamento pluvial.
Relacionando esse levantamento com a pesquisa realizada com moradores de áreas pobres,
vê-se diferentes visões de um mesmo espaço, que justifica uma consulta popular seletiva, por essas
diferentes abordagens. O diagnóstico realizado repete constatações do PAI (1972) e PV (1978), logo
nota-se que não há atendimento, até a data, de um grande número de propostas apresentadas
anteriormente.
Esse não atendimento das propostas não necessariamente está relacionado ao
descumprimento de determinada proposta, mas ao atendimento parcial, pois a constante expansão
urbana pode colaborar para que surjam novas prioridades, em novas áreas. Ou seja, a falta de
controle sobre a evolução da cidade pode ocasionar uma série de cumprimentos parciais de
propostas, formando um ciclo vicioso que tende a não chegar ao fim, caso não haja uma ação do
Poder Público para coibir esse crescimento desordenado.
4.2.4 Plano Diretor de Porto Velho de 1987
Na apresentação dos objetivos da elaboração do Plano Diretor de 1987, elaborado pela
Prefeitura de Porto Velho na gestão do Prefeito Tomáz Guilherme Correia, a então Secretária de

84

Planejamento e Gestão, Hélvia Reis de Fraga e Silva, apresenta o problema das invasões de terra.
O plano teria a função de ordenar a expansão urbana de Porto Velho e evitar esse problema.
Segundo consta no documento, foi utilizado como referência as leis anteriores do município
e legislação utilizada em outras localidades, porém não identifica as cidades pesquisadas.
O zoneamento da cidade foi apresentado como sendo umas das principais alterações para
ser realizada. Não houve uma introdução formal no Plano, mas uma apresentação através de uma
tabela (Anexo 01 do Plano Diretor de 1987), reproduzida na Tabela 6 desta pesquisa.
Tabela 6 - Zoneamento proposto no Plano Diretor de 1987
DELIMITAÇÕES E IDENTIFICAÇÕES
Zona Central – ZC - Compreende o polígono formado pelas Ruas Pinheiro Machado, Brasília, Almirante
Barroso, Rogério Weber, 13 de Maio e Farquhar.
Zona Residencial Baixa - Compreende os polígonos:
Densidade – ZR1 1. BR-364, Av. Guaporé e limite do perímetro urbano
2. Rua D. Pedro II, Rui Barbosa, Carlos Gomes, Major Amarante, Travessa Rio
Madeira, margem direita do Rio Madeira, Estrada do Belmont, Lauro Sodré,
Imigrantes e Farquhar,
3. Rua 13 de Maio, Rogério Weber, Almirante Barroso, Nações Unidas, BR-364, Rua
Três e Meio (Estr. do Matadouro), Rua Projetada A (J. Eldorado), São João, Anari,
Araras, BR-364, limite Sul do perímetro urbano e margem direita do Rio Madeira.
Zona Residencial Média - Compreende os polígonos:
Densidade – ZR2 1. Formado pela Av. Guaporé, Pinheiro Machado, Rio Madeira, Tiradentes, Brasília,
Farquhar, Imigrantes, Lauro Sodré e a linha limite do perímetro urbano.
2. formados pelas Ruas Almirante Barroso, Gov. Jorge Teixeira, Amazonas, Guaporé,
BR-364, Araras, Anari, São João (J. Eldorado), Projetada A (J. Eldorado), Rua Três e
Meio (Estr. do Matadouro), Nações Unidas.
Zona Residencial Alta - Compreende o polígono formado pelas Ruas Brasília, Tiradentes, Rio Madeira,
Densidade – ZR3 Pinheiro Machado, Guaporé, Amazonas, Gov. Jorge Teixeira e Almirante Barroso
Eixo de Comércio e - Av. Costa e Silva entre a Av. Gov. Jorge Teixeira e Av. Lauro Sodré; Estrada da
Serviços – E2 Penas até o limite do perímetro urbano; Av. Calama até a Av. Presidente Dutra;
Av. Pinheiro Machado entre a Av. Gov. Jorge Teixeira e Av. Farquhar; Av. Sete de
Setembro entre a Av. Gov. Jorge Teixeira e Av. Brasília; Rua Amazonas entre o limite
do perímetro urbano e a Av. Gov. Jorge Teixeira; Rua Rio de Janeiro, entre a Av.
Mamoré e Trevo Rodoviário do Roque; Rua 36 (JK 1) entre o limite do perímetro
urbano e a Av. Guaporé; Rua limite dos loteamentos Jardim Primavera e Jardim
Miraflores, entre o limite do perímetro urbano e a Av. Guaporé; Rua Carlos Gomes
entre Av. Buenos Aires e Av. Gov. Jorge Teixeira; Rua José Vieira Caúla; Av. Rio
Madeira; Av. Buenos Aires, entre Rua Carlos Gomes e D. Pedro II;
Av. Guanabara entre rua Pe. Chiquinho e Av. Sete de Setembro; Av. Brasília entre
Rua Pe. Chiquinho e Av. Sete de Setembro; Av. Lauro Sodré entre Av. Costa e Silva
e Av. Campos Sales; Av. Campos Sales entre Av. Lauro Sodré e Av. Pinheiro
Machado; Av. Campos Sales entre Av. Almirante Barroso e BR-364; Rua Jatuarana
entre BR-364 e Av. Campos Sales; Av. Pau Ferro entre BR-364 e Rua Tancredo
Neves;

85

Continuação da Tabela 6

Eixo de Comércio e - Av. Mamoré;
Serviços – E3 - Av. Guaporé;
- Av. Costa e Silva entre o limite do perímetro urbano e o loteamento Alphaville;
- Av. Costa e Silva entre Av. Rio Madeira e Av. Gov. Jorge Teixeira;
- Av. Costa e Silva entre Av. Lauro Sodré e o Rio Madeira;
- Av. Nações Unidas;
- Av. Campos Sales entre BR-364 e limite do perímetro urbano.
Eixo Estrutural - Vias marginais à BR-364 entre os limites do perímetro urbano
- Av. Gov. Jorge Teixeira.
Setores Especiais - Área industrial 1 – 5º BEC;
- Área Industrial 2 – FAB;
- Área aeroportuária – Aeroclube;
- Área de preservação ambiental 1 – EFMM;
- Área de preservação ambiental 2 – Antigo edifício da EFMM;
- Área de preservação ambiental 3 – Conjunto das Três Caixas D’Água;
- Área de preservação ambiental 4 – Edifício da UNIR;
- Área de preservação ambiental 5 – Palácio do Governo;
- Área de preservação ambiental 6 – Catedral e entorno;
- Área de preservação ambiental 7 – Área do entorno da castanheira da Av. Rui
Barbosa;
- Área de preservação ambiental 8 – Faixa de proteção das margens do Rio Madeira
e Igarapés;
- Área de interesse ambiental – Antigo aeroporto do Caiari
- Área para micro-empresas.

. Fonte: Plano Diretor de Porto Velho (1987). .

No PD 1987, procurou-se criar um ordenamento na criação de loteamentos, definindo, por
exemplo, lote padrão de 360m², maior que o anterior de 300 m², buscando melhor adequação ao
clima. O padrão anterior foi mantido para loteamentos de baixa renda. Separou-se as áreas de
proteção de igarapés e vales, das áreas verdes e institucionais (SEMPLA - PORTO VELHO, 1987).
As bases para elaboração do plano diretor foram retiradas do seminário “Porto Velho 2000”
realizado em maio de 1987, porém sem discussão detalhada das bases para sua elaboração. É um
texto direto, apresentando a legislação que deverá ser adotada (SEMPLA - PORTO VELHO, 1987).
No início do documento ficou clara a preocupação com o crescimento desordenado, pois
informavam os procedimentos para aprovação dos projetos, em especial os loteamentos. Antes da
elaboração do projeto do loteamento, as informações sobre a área deveriam ser encaminhadas à
Prefeitura, pois essa faria o traçado viário e informaria a localização dos lotes institucionais e das
áreas livres de uso público, ou seja, o Poder Pública procurava ter o controle de todo o processo de
expansão que os novos loteamentos acarretariam. Todos os loteamentos deverão ter as seguintes
obras de infraestrutura urbana (SEMPLA - PORTO VELHO, 1987):
 Abastecimento de água potável;

86

demonstra o objetivo do documento: é um projeto elaborado focando a obtenção de um financiamento. 1989.1 Considerações sobre o Plano Diretor de 1987 O PD 1987 concentrou suas definições na regulamentação de novos loteamentos em Porto Velho.” (SEMPLA . pois a periferia da cidade não foi expandida totalmente através de loteamentos. pois requerem infraestrutura para sua ocupação. de 1978. derivada de loteamentos anteriores que serviram de referência para abertura de ruas (SEMPLA . para fins de solicitação de empréstimo. As propostas contidas no Plano apresentaram resultados parciais.PORTO VELHO. 1987). Em virtude desse objetivo de ordenar construções. tendo como Agente Financeiro. identificamos uma ortogonalidade. definindo juntamente com os proprietários o desenho urbano e a forma de ocupação da área. É importante destacar que o plano solicitava atenção especial às áreas alagadiças. entre outros. mas sim de invasões.5 Plano Viário Principal de 1989 O Plano Viário Principal de 1989 foi elaborado no governo do Prefeito Francisco José Chiquilito Coimbra Erse e tem menos consistência teórica do que o seu predecessor. sendo essa uma solicitação repetida em diversos documentos anteriores e posteriores desse (SEMPLA . em áreas alagadiças e com declividade acima de 30%. O documento determinava que ficava proibido a ocupação de terrenos de áreas de proteção. descrita integralmente abaixo. O próprio início da apresentação. 2) 87 . 4.4. “Este trabalho objetiva apresentar uma proposição atualizada para o Sistema Viário Principal da cidade de Porto Velho. embora observando o mapa de Porto Velho. o PD (1987) tinha muitos elementos de um código de obras. Os diagnósticos limitam-se a pequenos textos utilizados como justificativas no início da apresentação de cada proposta.2. A preocupação durante a elaboração do documento foi garantir que a Prefeitura de Porto Velho teria o controle sobre o parcelamento do solo.PORTO VELHO.  Cascalhamento das vias  Meio-fio e sarjeta  Arborização. p.PORTO VELHO. 1987). não havendo uma discussão mais ampla de Porto Velho. sem muitos diagnósticos e com mais propostas.PORTO VELHO.2. 1987). ou seja. bem mais técnico. como os espaços deveriam ser dimensionados.  Drenagem de águas pluviais.  Abastecimento de energia elétrica. a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. bem como define muitos critérios relacionado às obras (SEMPLA . concentrava-se em quais documentos deveriam ser apresentados. 4.

pois considera-se fundamental somente pavimentar com a obra conjunta das redes de esgoto pluvial e sanitário. Avenidas Caúla e Costa e Silva. investimentos em sinalização pública e em sinalização e a implementação de mais três semáforos. a principal consequência é a erosão). pois a cidade já havia expandido até onde atualmente é a Avenida Mamoré e em direção a Zona Sul. acabavam recebendo o esgoto sanitário e o lixo. as intervenções iniciaram pelas arteriais Avenidas Jorge Teixeira. 1989). contemplaria o restante. porém não fica definido graficamente qual a abrangência exata. Carlos Gomes. Rio Madeira. A drenagem urbana ainda foi considerada um dos principais problemas. D. Avenida José Vieira Caúla e Avenida Amazonas) (SEMPLA . É neste plano. são previstas alterações nas vias. aumentando o sistema viário e procurando otimizar as ligações entre os bairros da cidade. embora transcorridos onze anos. 88 .PORTO VELHO. Essas modificações. conforme figura 28. que cortam a cidade no sentido Norte-Sul e algumas que conectavam elas. as condições na época da cidade são apresentadas como precárias e com perspectiva de agravamento. Assim. pois o traçado em malha não considerou a declividade. Alguns canais foram abertos para serem utilizados para escoamento. conforme figura 31. A hierarquia viária é modificada em relação ao PV1978. Na conclusão que encerra o documento. Em 1989 existiam apenas sete semáforos: quatro na Avenida Jorge Teixeira (Avenidas Calama. segundo o Plano. necessitou de sinalização viária para orientar o trânsito (SEMPLA . Guaporé e Mamoré (essa seria implantada) e pelas coletoras. nos cruzamentos da Avenida Rio de Janeiro com as Avenidas Jorge Teixeira e Rio Madeira e no cruzamento das Avenidas Abunã e Jorge Teixeira. Pedro II e Amazonas) e três na Avenida Rio Madeira (Avenida Calama. Como urbanização complementar. segundo indicado no projeto apresentado na figura 31. Observa-se que há uma retomada de elementos discutidos no PV1978. conforme figura 30.PORTO VELHO. As fases da implantação do plano iniciaram pelas vias mais importantes. A segunda fase privilegiaria as vias coletoras que não foram contempladas na primeira fase e a terceira fase. não atendendo a sua principal função. como a construção de pontes na Avenida Costa e Silva e na Avenida Calama para que possam transpor igarapés. com a implantação do Plano dividida em três fases. também. que pela primeira vez fica explícito o fator tempo dentro do planejamento. Na proposta do plano (figura 29) são identificadas doze bacias e são indicados os destinos das águas pluviais nas vias pavimentadas. A proposta do documento é aumentar as vias de conexão com a Zona Leste. apresentando dificuldade em escoar a água em áreas de pouco ou de grande declive (nessa. 1989). mas.

Figura 28 .Plano Viário 1989 Fonte: SEMPLA (1989). 89 .Hierarquia viária .

Drenagem de águas pluviais – Plano Viário 1989 Fonte: SEMPLA (1989).Figura 29 . 90 .

91 .Alteração nas vias .Plano Viário 1989 Fonte: SEMPLA (1989).Figura 30 .

Fases de execução .Plano Viário 1989 Fonte: SEMPLA (1989).Figura 31 . 92 .

Na tabela 07 observa-se um resumo das propostas contidas no PV 1989 e qual a situação da sua implantação. possibilitou direcionar as ideias para questões mais específicas. 4. Tabela 7 . crescimento industrial e meio ambiente e a relação entre a expansão urbana e da infraestrutura. Segundo Villaça (2012) essa participação deve ser analisada. Segundo o Plano Diretor de Porto Velho de 1990. O desenvolvimento da cidade dá-se principalmente 93 . Por ser um plano específico.5 Plano Diretor de Porto Velho de 1990 (PDPVH 1990) O plano de 1990 é o primeiro pós-constituição de 1988. organizando seminários públicos e promovendo o encontro de gestores com parcelas da população. É o primeiro a procurar criar meios de a população participar da sua elaboração. desestimulando a expansão da cidade. destacando: . respondendo questões envolvendo crescimento populacional.Implantação das propostas do Plano Viário de 1989 PROPOSIÇÕES Infraestrutura Organização NATUREZA TEOR urbana espacial Hierarquia viária Drenagem Urbana Objetivos Sinalização Alteração de vias ESTRATÉGICA Proposta contendo vias a serem criadas. Os objetivos do PDPVH 1990 eram. ocupando os vazios urbanos. organizar o território urbano de Porto Velho. de acordo com o documento. necessário para que as demandas de planos mais abrangentes sejam atingidas. a tomada de decisão no âmbito do município exige do Poder Público o conhecimento do fenômeno contínuo.Ocupação do solo urbano: proporcionar o adensamento urbano.2. sendo elaborado pela FAU USP/ FUPAM. para que realmente sejam em questões pertinentes ao conhecimento da população e relacionadas ao seu cotidiano. na gestão do Prefeito Francisco José Chiquilito Coimbra Erse. pavimentadas e recuperadas Relacionar as novas obras com as obras Diretrizes de drenagem Instalar nova sinalização de trânsito Executar pontes para transpor igarapés Implantado parcialmente Fonte: Adaptada pelo autor a partir da planilha proposta por Via Urbana (2004).

muito comum nas cidades de porte médio. mediante pagamento de um foro anual.Uso do solo: promover um zoneamento baseado no uso existente. no acesso ao terminal central. desfavorecem à qualidade de vida. porém a abrangência é maior do que encontrado na proposta do Plano Viário de 1979. criando áreas com predominância de usos a serem incentivados. a cidade possui terras federais. mesmo fora do perímetro urbano este fato acontece. ainda da época do Território. além de agravar o congestionamento na área central. eliminar áreas de enchentes e impedir ocupação de áreas inundáveis. conforme pode ser observado na figura 33. o surgimento de novos loteamentos até mesmo fora deste perímetro urbano.Infraestrutura urbana: A falta de drenagem pluvial. destacando a necessidade de atenção à drenagem e aos pedestres. associando-o com áreas verdes. a existência de um típico processo de especulação imobiliária. e de outro. criando problemas de aumento de tarifa e baixa frequência. pois a rede existente é a mesma apresentada no Plano de Cidades de Médio Porte de 1984. .” (FAU USP . mas mediante aforamento 17.0% da população. 17 Transferência do domínio útil e perpétuo de um imóvel. principalmente nas ruas Sete de Setembro e Almirante Barroso.FUPAM. dando continuidade para identificar e projetar a necessidade de pavimentação. sugerindo assim. Verifica-se também que. Buscando interpretar este fenômeno verifica-se. está nas mãos de poucos proprietários. somada ao lençol freático alto e a característica de impermeabilidade do solo em algumas regiões da cidade. isto é. que também necessitaram..por invasões. Além disso. Esta operação.” (FAU USP - FUPAM. pela necessidade de o deslocamento entre os bairros passar pelo centro. O sistema atende a 5. menos de 2. e necessitam. qualificando o sistema de drenagem. assim há necessidade de regularizações fundiárias para legalizar a propriedade da terra. no mapa 06 (Estrutura fundiária urbana) que a propriedade urbana está bastante concentrada. pavimentar apenas as vias necessárias para melhor fluxo. pois já existiam problemas de concentração de veículos e trajetos muito longo.000 pessoas. diminuindo custos. A estação rodoviária já era considerada em funcionamento precário.Sistema viário urbano (figura 32): foram utilizados os estudos realizados no Plano Viário de 1989. A ampliação da rede de esgoto também é proposta. assim. O plano objetiva. 1990) . “A observação da planta da cidade mostra uma significativa quantidade de loteamentos desocupados e áreas vazias dentro do perímetro urbano de um lado. e que existe uma grande incidência de pessoas jurídicas participando desta condição de proprietário. ser legalizadas. “A definição dos itinerários de ônibus em Porto Velho segue o sistema pendular centro- bairro-centro. em virtude do crescimento urbano. propondo calçadas arborizadas. como dito anteriormente. O transporte coletivo público deveria ser otimizado. começa a tornar-se ineficiente quando os trajetos tendem a ser mais longos. o que até 2015 não foi alterado. o que já ocorre em Porto Velho. 1990) . sem planejamento. 94 . Ainda existem alguns vazios na direção Leste e na Zona Sul.

PD 1990 Fonte: FAU USP – FUPAM (1990). 95 .Figura 32 .Infraestrutura Viária .

96 .Transporte Coletivo e Sinalização .Figura 33.PD 1990 Fonte: FAU USP – FUPAM (1990).

fundamentado na análise do processo de expansão. pois precisa ser elaborado um projeto de adequação. Sala de Exposições. já ocupava grande parte do perímetro urbano. baixa. dentro do polígono do centro até a Avenida Rio Madeira (leste) e até a BR-364 (sul).  Uso do solo: A consolidação do comércio no centro da cidade e incentivo ao seu desenvolvimento ao longo de corredores de comércio eram previstos para as avenidas Calama e Amazonas. Além disso. Teatro. a saber: a. como o do garimpo.  Ocupação urbana: objetivaria incentivar o adensamento em áreas de melhor qualidade de infraestrutura. bem como o Projeto Rondon que levando serviços e profissionais a áreas mais afastadas do Brasil. Alternativa 01 . ao longo da BR-364. É a área melhor atendida por infraestrutura. utilizando espécies regionais e adequadas às funções. principalmente sombreamento. que estruturariam parte do anel viário que desviaria o tráfego 97 . pois muitos profissionais acabaram fixando residência onde estavam trabalhando.Sistemas urbanos: objetiva definir dentro da malha urbana a localização do Centro Administrativo Municipal. porém isso não se reflete em conforto urbano. prevendo densidades médias e além dessa. . propôs alternativas de atuação no espaço urbano portovelhense. fundamental para o incentivo da circulação de pedestres. tendo sido uma das primeiras ocupações da cidade. A cultura deverá ser atendida pela construção de um Centro Cultural. com um acentuado avanço entre 1972 e 1985. .Adensamento progressivo A proposta desta alternativa está graficamente apresentada na figura 34. como aconteceu em Rondônia (FAU USP - FUPAM. de acordo com os estudos do PDPVH 1990 a incentivos migratórios como ciclos econômicos. O PDPV 1990. Porto Velho possuía uma área central formada predominantemente por comércio e serviços. do Aterro Sanitário. . Biblioteca. A cidade. deveriam ocupar a área sudeste. Setores de serviços como armazéns. de saúde e assistenciais. 1990). é caracterizada pela presença de órgãos institucionais. enquanto que o setor atacadista ficaria reservado para as avenidas Guaporé e Costa e Silva. que requereriam lotes de grande área. da Rodoviária e de um Terminal Intermodal de Cargas.Equipamentos sociais urbanos: o objetivo é distribuir e dimensionar adequadamente os edifícios educacionais. um grande Parque e um Viveiro para pesquisar e estudar a conservação de áreas verdes. até a Avenida Jorge Teixeira. favoreceu a expansão. Centro Poliesportivo Municipal. em detrimento ao uso do carro. conforme vimos na figura 33.O Plano Diretor apresenta um diagnóstico da distribuição da vegetação na cidade. na situação do município e os objetivos. do Cemitério. Em 1990. A concentração de vegetação está na área mais antiga da cidade. devendo-se isso.

Drenagem e Abastecimento de água para toda a área urbana e definição de um Aterro Sanitário.  Ocupação urbana: Foi proposta uma ocupação com densidade média-alta no quadrilátero formado pelo Rio Madeira. Rio Madeira. pesado. diminuindo o tráfego pela BR-364. excluindo a EFMM. Parque Ecológico.Adensamento Concentrado A proposta desta alternativa está graficamente apresentada na figura 35. ampliação dos Equipamentos de Saúde e de Educação. Igarapé dos Tanques. Alternativa 02 . no encontro da BR-364 com a Avenida Jorge Teixeira. porém apenas  Sistema viário: criação de um anel viário formado pela Avenida Jorge Teixeira. Eram previstas três áreas verdes: a primeira englobando o pátio da EFMM e os mirantes através de um Parque Urbano. b. Nas demais áreas a previsão seria de ocupação de média densidade. Amazonas. apoiada por uma estrutura de vias coletoras (Avenidas Campos Sales. abrangendo o Igarapé da Penal formado pelas vias Amazonas. Centro Administrativo Municipal. Terminal Intermodal de Carga. aumentando a área de concentração. criando um Parque Viveiro e a terceira. Nenhuma das áreas três áreas verdes foram implantadas.  Equipamentos Urbanos e Sistema Viário: eram mantidas as propostas anteriores. Avenida Costa e Silva. Estádio Poliesportivo. 98 . Farquhar e Calama). Avenida Guaporé e Avenida Costa e Silva. Avenida Rio Madeira e BR-364. além do Igarapé da Penal.  Equipamentos urbanos: Foram previstas as construções da nova Estação Rodoviária. com uma extensão até a Universidade Federal de Rondônia. porém não foi efetivado. Há uma modificação nas áreas verdes. Centro Cultural e Teatro. estruturado pela construção do Centro Administrativo Municipal. Costa e Silva e Guaporé. pois fariam parte do anel viário.  Uso do solo: Incentivava a expansão do comércio misto em direção à Avenida Jorge Teixeira. a segunda. Central de Abastecimento. mantendo o conjunto de intervenções da proposta anterior. incluindo o Porto do Cai N’Água. O comércio atacadista ficaria concentrado nas avenidas Guaporé e Costa e Silva. BR-364. Haveria complementação com o transporte ferroviário até a cachoeira de Santo Antônio. com pequenas modificações na localização dos equipamentos.

99 .Figura 34 .PD 1990 Fonte: FAU USP – FUPAM (1990).Alternativa 01 .

Alternativa 02 . 100 .Figura 35 .PD 1990 Fonte: FAU USP – FUPAM (1990).

101 . realizado também pela equipe da FAUUSP/FUPAM. diferentemente do PAI 1972. As duas alternativas consideram a elaboração de um novo zoneamento. o Plano Diretor de 1990 trabalha utilizando de maiores estudos e diagnósticos. pois o de 1987 ficou concentrado em organizar a forma de ocupação do solo por loteamentos e condomínios. Há um avanço no pensamento urbanístico por considerar os elementos formadores do espaço urbano. sem explicitar o embasamento.2. que apresentou alternativas mais limitadas.5. nesse item. principalmente se não forem elaborados planos de ação específicos para detalharem o que foi projetado. motivo de maiores estudos. O sistema viário não teve diversidade de propostas. ao destacar que a situação atual deve ser mantida. porém corretas em seus prognósticos. trabalha com algumas variáveis difíceis de serem plenamente atendidas. porém entendida e tendo seu futuro projetado. a divergência na distribuição das áreas verdes e de recreação. Ele é uma evolução do Plano Viário de 1989. mais amplo. organizadas diferentemente nas duas alternativas. Por ser um primeiro plano diretor. A localização dos equipamentos urbanos é praticamente igual em ambas as propostas. porém propõe maiores análises para definir a densidade da ocupação nas áreas periféricas. 4. Esse. Diferentemente. conforme discute Villaça (1990 e 2012). com o objetivo de conseguir o financiamento. A ocupação do solo mantém a atual área urbanizada e promove o adensamento. discordando apenas na localização do Estádio de Futebol (próximo ao Igarapé da Penal ou na área limitada pelas avenidas Mamoré. porém as discordâncias na forma de uso deverá ser. assim como na ocupação. que apresentam na forma de duas alternativas de propostas. A figura 34 e a figura 35 apresentam as conclusões da análise das duas alternativas apresentadas. Destaca-se. o primeiro. de fato.1 Considerações sobre o Plano Diretor de Porto Velho de 1990 O Plano Diretor de Porto Velho de 1990 pode ser considerado. Costa e Silva e Amazonas). concentra-se em estudos mais técnicos.

Uso do Solo .PD 1990 Fonte: FAU USP – FUPAM (1990).Figura 36 . .

calçadas e sarjetas ESTRATÉGICA Elaborar políticas de ocupação do solo urbano na ocupação dos vazios Promover estudos e pesquisas relacionadas às atuais predominãncias de uso do solo Diretrizes Hierarquizar o sistema viário Promover a articulação dos órgãos federais e estaduais na reativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré Priorizar o atendimento da população escolar urbana do primário ao final do primeiro ciclo Estabelecer sistema de distribuição de unidades escolares Promover o atendimento adequado à população quanto à rede de equipamentos de saúde Promover estudos de modernização e complementação da rede de serviços de saúde Estabelecer sistema de distribuição.Implantação das propostas do Plano Diretor de 1990 PROPOSIÇÕES CAMPO Organização Serviços Organização NATUREZA TEOR administrativa e Econômico Serviços sociais Infraestrutura urbana Meio ambiente Habitação Cultura e lazer Municipais espacial gestão Coordenação entre órgãos responsáveis pelo planejamento Eliminação das deficiências nas redes de equipamentos sociais e de infraestrutura Objetivos Participação dos cidadãos nos processos decisórios Coibição do uso antisocial do solo POLÍTICA Elevar a qualidade do meio ambiente. Jorge Texeira Implantar Central de Abastecimento no setor urbano formado pela vias Gov. removendo adensamentos e ocupando vazios urbanos. recursos naturais e patrimônio histórico Realizar estudos e pesquisas visando a implantação de sistemas de áreas verdes de recreação e lazer FÍSICO-TERRITORIAL Realizar estudos e pesquisas visando a implantação do Plano de Drenagem Urbana Realizar estudos e pesquisas visando a implantação de Plano Setorial de Operacionalização de serviços urbanos. áreas de lazer considerando o aproveitamento de talvegues e áreas inundáveis Preservar e melhorar a paisagem urbana. em especial à política de saneamento básico. transporte e destinação final dos resíduos sólidos urbanos e escolher local apropriado para instalação de um aterro sanitário Objetivos Promover estudos técnicos objetivando a localização do Centro Cultural Promover estudos técnicos objetivando a localização de áreas de recreação Promover estudos técnicos objetivando a localização do Parque Ecológico Promover estudos técnicos objetivando a localização do Centro Esportivo Municipal SOCIAL Promover estudos técnicos objetivando a localização do Cemitério Parque Promover estudos técnicos objetivando a localização do Centro Administrativo Municipal Promover estudos técnicos objetivando a localização do Viveiro Municipal Realizar pesquisas para implantação de Planos Setoriais de educação e saúde e sistema de creches nas áreas deficientes Implantar escola modelo voltada à formação de professores Implantar estádio poliesportivo na área verde próximo ao igarapé da Penal Implantar Centro Cultural junto a Praça da EFMM Diretrizes Implantar Cemitério Parque nas proximidades do Parque Ecológico Implantar Aterro Sanitário a 21km da cidade com acesso pela rodovia BR-364 Implantar Centro Administrativo Municipal junto ao entroncamento da BR-364 com a Av. Costa e Silva e Calama Assegurar o desenvolvimento urbano do município. destinados ao uso de pedestres Estimular a iniciativa privada para equipar e manter logradouros públicos da cidade Instalar Parque Ecológico em área rural e elaborar políticas inibidoras do crescimento urbano em suas instalações Mantar a localização da atual Estação Rodoviária e expandir suas instalações Implantar Terminal de Cargas. . dimensionamento e padronização dos Centros Sociais Urbanos Promover estudos técnicos objetivando modernizar o serviço de coleta. meio Diretrizes ambiente e transporte de cargas Criar conselhor representativos da comunidade junto aos órgãos de planejamento e de execução Promover o crescimento da cidade na área urbanizada Manutenção do perímetro urbano legal em vigor. Jorge Teixeira. junto ao Porto do Rio Madeira. Impedir a aprovação de novos parcelamentos de solo urbano nas áreas externas ao atual perímetro urbano do Município Diretrizes Equipar com serviços e mobiliário urbano adequado os trechos de logradouros da cidade. Tabela 8 . visando garantir e elevar o padrão de vida Promover estudos para diminuição de áreas de enchentes e proibir sua ocupação Preservar recursos naturais da cidade Objetivos Promover a pavimentação de logradouros públicos Promover a construção de avenidas de fundos de vale Desenvolver sistemas de áreas verdes. próximo ao anel viário básico Implantado plenamente Implantado parcialmente Fonte: Adaptada pelo autor a partir da planilha proposta por Via Urbana (2004). resguardar recursos naturais e o patrimônio histórico Reformular a organização dos órgaõs municipais Promover a articulação com órgaõs e entidades federais e estaduais. Objetivos Implantação de zoneamento com predominância de usos a serem incentivados Implantação de hierarquia viária e padronização de meios-fios.

dependendo de investimentos da Petrobrás. infraestrutura. ainda não instaladas na cidade.2. como é o caso da implantação das usinas antes mencionadas. O comércio também seria alavancado pela construção de dois shopping centers. sistema viário e transporte público. aspectos socioeconômicos. 4. O plano ora mencionado estudou e elaborou propostas relacionadas a habitação. Uma hipótese ainda considerada era o gasoduto de Urucum que já possuía licenciamento do IBAMA. segundo o Plano Diretor. aspectos ambientais. 2008. urbanística e fundiariamente irregulares. é o setor terciário. “O trabalho conclui que a complexidade de situações diferenciadas do ponto de vista da situação fundiária. os loteamentos. aspectos sócio espaciais. exigem um tratamento cuidadoso e criativo para que as soluções sejam definitivas e se possa estruturar e planejar a cidade de maneira mais organizada. principalmente em direção ao Leste e ao Sul. de forma a absorver os impactos de fatores externos ao seu crescimento natural. as ocupações em áreas de risco e preservação ambiental. apresentados na figura 37. atraindo outras empresas. no mapa de vazios urbanos de Porto Velho em 2008. sem antes ocupar o território já urbanizado? A condição da legalização fundiária em Porto Velho contribui para a característica da ocupação. Porto Velho atingiria em 2010 a população prevista para 2015. p. a partir dos estudos elaborados em 2006. A expansão urbana deu-se. destacando-se as madeireiras e olarias.” (SEMPLA . constava que o crescimento previsto seria aumentado em virtude da chegada das usinas hidrelétricas. A base econômica.PORTO VELHO. 15) 104 . a cidade não oferecia condições de receber a população que viria. Em 2008. foram previstas a instalação de uma usina de cimento e de produção de equipamentos para as hidrelétricas. O comércio era a principal economia de Porto Velho. foi o desdobramento dos planos urbanísticos anteriores. tais como os aforamentos. porém ficaram grandes vazios. elaborado pela equipe da Prefeitura de Porto Velho na administração do Prefeito Roberto Sobrinho. As indústrias ainda eram (são) insipientes. com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. principalmente do Plano Diretor de 1990. Demograficamente. atingindo as mais variadas faixas de renda. Porque expandir. Também pelas duas grandes obras estavam sendo construídas (Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio). uma vez que não consegue absorver a já existente. Segundo o plano.6 Plano Diretor de 2008 O Plano Diretor de 2008. incluindo os assentamentos promovidos pela própria administração municipal no passado.

Figura 37 .Vazios Urbanos em Porto Velho em 2008 .PD 2008 Fonte: SEMPLA – PORTO VELHO (2008). 105 .

sendo que o localizado na BR-364 não foi concluído. estruturar a malha urbana relacionando uso do solo e transporte coletivo e estimular a ocupação dos vazios urbanos. o que. somada a complexa organização fundiária. Empreendimentos com grande potencial de centralidade agravaram o trânsito. foram formuladas diretrizes e propostas no Plano Diretor de 2008:  Uso do Solo: estimular a criação de centros em bairros para diminuir a necessidade de deslocamentos. conforme figura 39 (SEMPLA . Existe recurso do programa do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal para investimento na construção de redes de água. com ou sem mudança de localização. utilizar os instrumentos do Estatuto da Cidade para eliminar os vazios urbanos. a rodoviária era considerada desatualizada e com problemas estruturais que fundamentam a necessidade de uma reforma. a mesma diagnosticada no Plano Diretor de 1990. o Hospital de Base. A situação habitacional foi diagnosticada como preocupante.PORTO VELHO. dois shopping centers. A rede de abastecimento de água e de esgoto continua. como ocorreriam com duas grandes construções. também era ponto intermodal. ligando os bairros através do centro. mesmo com obras sendo executadas. 2008). Além desse ponto. 106 . porém não foram projetadas e construídas como uma grande e única rede. Dentro das discussões sobre a mobilidade urbana. pois já indicava um déficit habitacional de 48 mil unidades.PORTO VELHO. aumentar a densidade urbana para utilizar o potencial de infraestrutura instalado. o que acabaria ocasionando problemas de escoamento. 2008). No diagnóstico foi constatado que o sistema viário necessitaria ter a sua hierarquia revista. o que seria agravado com a chegada de pessoas pelas duas obras das usinas e ainda pela pressão que o mercado imobiliário receberia. criar uma área de proteção do patrimônio histórico. criando vias de padrões distintos. em virtude de a demanda ser maior que oferta. Essa situação. investir em centros comerciais nos bairros. A rede de esgoto ainda atende a apenas 2% da população. o que até 2015 não ocorreu. elevou os valores cobrados por vendas e alugueis.PORTO VELHO. O transporte coletivo atende a cidade. na direção norte. Tem como proposta desviar o trânsito pesado da cidade. esgoto e pluvial. sinalização vertical e horizontal adequada. aumentou as invasões nas áreas de periferia e a ocupação de áreas de riscos junto a igarapés urbanos (SEMPLA . pela Avenida Sete de Setembro. A circulação dos ônibus praticamente não trabalha com transporte interbairros (SEMPLA . A partir dos diagnósticos. que estavam em obras em 2008. de acordo com o plano. A drenagem era realizada por canais a céu aberto e pequenas redes de drenagem cobrindo 37% da área urbana. basicamente. A localização dela até hoje é questionada pela grande movimentação de veículos no seu entorno e a entrada e saída dos ônibus. conforme observa-se na figura 38. conforme previsto em planos anteriores. 2008).

Redes de Esgoto .PD 2008 Fonte: SEMPLA – PORTO VELHO (2008). Figura 38 . 107 .

PD 2008 Fonte: SEMPLA – PORTO VELHO (2008). 108 .Rede de Drenagem Urbana .Figura 39 .

além da limpeza e regularização do fluxo das águas do igarapé. Embora a proposta do DNIT tenha sido posta em prática. recuperar as calçadas da área central e organizar o estacionamento. p. não foi concluída. a ser executado em Porto Velho. 49) Pode-se inferir sobre o Plano Diretor de 2008 que ele é menos detalhado do que o anterior e se utiliza de dados desse para fundamentação. mantém o percentual de atendimento apresentado em 1990. enquadrado no Programa de Aceleração do Crescimento– PAC. esgoto e drenagem que aparecem com destaque em todos os planos até então analisados. mas na maioria das propostas não houve avanço. ainda que em menor escala.6. 2008. implantar parques lineares revitalizando igarapés. sem a inserção do fator “tempo”. 4. implantar ciclofaixas. Observa-se a repetição de necessidades anteriores. que prevê a implantação de um grande parque aliado à construção de habitações para populações de baixa renda. O diagnóstico da rede de esgoto. como a hierarquização viária. A proposta seria implantar terminais de bairro. Mantém-se uma repetição de diretrizes e propostas. estimulando a circulação de pedestres e o uso de bicicletas. do Governo Federal. elaborar um Plano de Mobilidade Urbana para organizar a hierarquia e o desenho urbano das vias.1 Considerações sobre o Plano Diretor de 2008 O principal avanço deste Plano foi a participação popular na construção dele. A figura 40 apresenta uma proposta de criação de um parque linear nas margens do Igarapé Santa Bárbara. por exemplo. ampliar áreas verdes e garantir a proteção às Áreas de Proteção Ambiental (APA). porém sem um cronograma de execução.2. implementar outros binários. Na mesma linha. prevê a instalação de parques e áreas de lazer ao longo do percurso. que. onde alguns foram parcialmente implantados. criar uma unidade central de trânsito de ônibus para organizar a circulação e horários. implantando uma hierarquização viária e a retirada do trânsito pesado do centro da cidade. 109 . Observa-se que houve avanços em alguns pontos.  Mobilidade urbana: O Plano procurou priorizar o transporte coletivo com destinação de vias específicas e abertura de novas concessões para mais empresas. O Dnit nesta época previa a execução de viadutos e marginais para organizar o trânsito junto às rodovias. (SEMPLA . implantar faixas exclusivas para ônibus. A tabela 9 apresenta a situação das propostas apresentadas por ele quanto ao seu cumprimento.PORTO VELHO.Observa-se que as zonas Leste e Sul já possuem centros comerciais consolidados. porém a proposta não foi executada. servindo como referência. está o projeto do Canal dos Tanques. Um exemplo desse trabalho é igarapé Santa Bárbara. apenas 2% da população. elaborar um projeto de macro-drenagem de águas pluviais.  Meio ambiente: impedir a ocupação de áreas de risco como programas de remoção e transferência da população residente nestas. porém a leitura dos diagnósticos também é realizada sem pormenores.

110 .Figura 40 .Proposta de intervenção no Igarapé Santa Bárbara Fonte: SEMPLA – FUPAM (2008).

em especial à política de saneamento básico.Implantação das propostas do Plano Diretor de 2008 PROPOSIÇÕES CAMPO Serviços Organização NATUREZA TEOR Org. recursos naturais e patrimônio histórico FÍSICO-TERRITORIAL Realizar estudos e pesquisas visando a implantação de sistemas de áreas verdes de recreação e lazer Realizar estudos e pesquisas visando a implantação do Plano de Drenagem Urbana Diretrizes Equipar com serviços e mobiliário urbano adequado os trechos de logradouros da cidade. áreas de lazer considerando o aproveitamento de talvegues e áreas inundáveis Preservar e melhorar a paisagem urbana. Tabela 9 . resguardar recursos naturais e o patrimônio histórico POLÍTICA Reformular a organização dos órgaõs municipais Promover a articulação com órgaõs e entidades federais e estaduais. sarjetas e calçadas ESTRATÉGICA Elaborar políticas de ocupação do solo urbano na ocupação dos vazios Promover estudos e pesquisas relacionadas às atuais predominãncias de uso do solo Diretrizes Hierarquizar o sistema viário Promover a articulação dos órgãos federais e estaduais na reativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré Priorizar o atendimento da população escolar urbana do primário ao final do primeiro ciclo Objetivos Promover acesso da população à rede de esgoto SOCIAL Diretrizes Realizar pesquisas para implantação de Planos Setoriais de educação e saúde e sistema de creches nas áreas deficientes Implantar redes de esgoto para atender a cidade Assegurar o desenvolvimento urbano do município. meio Diretrizes ambiente e transporte de cargas Criar conselhor representativos da comunidade junto aos órgãos de planejamento e de execução Promover o crescimento da cidade na área urbanizada Promoção do adensamento e ocupação dos lotes vazios Objetivos Implantação de hierarquia viária Padronização dos meios-fios. visando garantir e elevar o padrão de vida Promover estudos para diminuição de áreas de enchentes e proibir sua ocupação Preservar recursos naturais da cidade Objetivos Promover a pavimentação de logradouros públicos Desenvolver sistemas de áreas verdes. destinados ao uso de pedestres Instalar Parque Ecológico em área rural e elaborar políticas inibidoras do crescimento urbano em suas instalações Implantado plenamente Implantado parcialmente Fonte: Elaborada pelo autor (2015). . Adm. e Gestão Econômico Serviços sociais Infraestrutura urbana Meio ambiente Habitação Cultura e lazer Municipais espacial Coordenação entre órgãos responsáveis pelo planejamento Objetivos Participação dos cidadãos nos processos decisórios Elevar a qualidade do meio ambiente.

O plano propõe que o município seja dividido em Unidades Territoriais de Gestão (UTG) para possibilitar um real atendimento de todo o território de Porto Velho. elabora-se um plano de ação imediata e em 1990. Não é um estudo específico para Porto Velho. relacionando a cidade e a floresta. Seriam as UTGs de Abunã.7 Plano para Desenvolvimento de Rondônia de 2011 O Plano para o Desenvolvimento de Rondônia foi elaborado pelo escritório paulista MMBB. documento que é o atual plano diretor da cidade. capital de Rondônia. como aparece em projetos como o Plano Diretor de 1990 e os planos viários. houve.096 km². O sistema de transportes é fundamental para o correto funcionamento e a proposta é a implantação do transporte ferroviário até o Campus da Unir.” (MMBB ARQUITETOS. 10) O estudo aponta que a maior dificuldade de administração do município de Porto Velho é a sua grande extensão territorial que se desenvolve principalmente em um sentido. o Parque das Águas (projeto proposto pela Prefeitura de Porto Velho com projeto da arquiteta e paisagista Rosa Kliass). 2011). na floresta. é proposto um Centro Tecnológico com participação da Unir e da UHE Santo Antônio (MMBB ARQUITETOS. Em 1972. A principal proposta do plano é integrar os principais elementos naturais existentes à cidade: a floresta e o rio. Centro Cultural Indígena (no entorno da Capela de Santo Antônio) e o Centro de Visitação da UHE Santo Antônio e nas proximidades. As margens do Rio Madeira podem abrigar espaços culturais e turísticos como a exploração cultural do Pátio da EFMM. com exceção do setor Leste que é servido apenas pela rodovia e do setor Oeste. A proposta serviria como uma continuação da implantação do trem turístico que ligará o Pátio da EFMM ao entorno da Capela de Santo Antônio (próximo ao local 112 .2. é proposto a criação de um Centro da Floresta. Além do centro. porém foi considerado nesta pesquisa por propor serviços para serem instalados na cidade e retomada de conceitos presentes em planos anteriores. 2011). 4. objetivando definir estratégias de desenvolvimento para Rondônia. contratado pelo consórcio construtor da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. 2011. Jirau/Mutum-Paraná. com uma área total de 34. A cidade apresenta um eixo fluvial urbano não explorado e que concentram importantes atividades produtivas e podem agregar outras. a Fupam desenvolve um plano diretor para Porto Velho. Santo Antônio/ Jaci-Paraná. que é revisto e reelaborado em 2007-08 com coordenação da Fubra. p. “Quanto à Porto Velho. apenas pelo rio. Segundo o diagnóstico do escritório paulista. observa-se que houve um grande interesse pelo estabelecimento de planos que coordenassem o desenvolvimento urbano da cidade. historicamente. um espaço para desenvolvimento de projetos e pesquisas sobre áreas próximas a Porto Velho. uma forte intenção de atuação do planejamento urbano por meio da elaboração de documentos que visavam regular e coordenar o desenvolvimento urbano de Porto Velho. Ou seja. a BR 364 e o Rio Madeira são as vias de locomoção que atendem ao município de igual maneira. Zona Urbana de Porto Velho e Madeira à jusante (MMBB ARQUITETOS.

4. utilização do Complexo da EFMM. por exemplo. turismo e economia de Porto Velho (MMBB ARQUITETOS.7. que necessita olhar administrativamente também para os distritos. pela não apresentação do Plano para a população. reativar a ferrovia EFMM e utilizá-la como importante opção de transporte visto o congestionamento do trânsito em horários de intenso movimento e. nem seja apresentado ou conhecido de todos. 113 . O Rio Madeira não é explorado como elemento cultural e natural e deve fazer parte de estudos e projetos que envolvam lazer. pode ser considerado como mais próximo da cidade imaginária. importante. fará com que algo tão abrangente. espalhadas pela cidade de Porto Velho. enquanto a reativação da linha férrea da EFMM será retomada após novo levantamento e diagnóstico da área depois da enchente do Rio Madeira de 2014. O projeto tem como característica a proposta de motivações para discussões específicas.onde será implantado o Centro de Visitação da UHE Santo Antônio). As construções seriam executadas pela Santo Antônio Energia18 e administradas pelo Poder Público. pois apresenta uma condição ideal. Segundo Souza (2011). a gestão faz parte do processo de planejamento. mas sem uma proposta efetiva de tornar esse conjunto real. As propostas apresentadas envolvem alguns projetos desenvolvimento pelo consórcio construtor da obra como medida compensatória. como o Centro de Cultura Indígena. principalmente. além de fomentar novas opções de investimento em comércio (MMBB ARQUITETOS. pois terá problemas na implementação. A proposta relaciona o conjunto de obras propostas apresentadas na figura 41 entre si e com a cidade. trazer o Rio Madeira para participar da vida urbana. porém o documento não trata dessa complexa relação que é a gestão desse conjunto tão heterogêneo de espaços. logo um projeto desse porte sem uma conexão com forma de administração. pois Porto Velho é uma capital que está “de costas” para o rio. prolongamento da linha férrea como continuação do trem turístico a ser reativado.2. 2011). mas não apresenta como esse conjunto de obras seria administrada. Identifica-se esse problema. irão diminuir os problemas viários da cidade. Embora abrangente e relacionado com algo real que é a usina.1 Considerações sobre o Plano para Desenvolvimento de Rondônia de 2011 O Plano para o Desenvolvimento de Rondônia é o primeiro que envolve a Usina Hidrelétrica. 18O Centro Cultural Indígena já foi executado. A cidade possui projetos de novos eixos estruturais que se implantados. 2011). Cada proposta apresentada é fundamentada e direciona para discussões maiores e pertinentes a uma cidade carente de ofertas de opções de lazer. pois observou-se essa carência na proposta e possivelmente ela seria refutada por não estar apresentando a proposta completa.

.

diretrizes para gestão do sistema viário. sendo que a Avenida Calama é a mais extensa com 10km (VIA URBANA. Jorge Teixeira. 2012). transporte público.2. Figura 42 . Duque de Caxias. ou seja. 4.2.1 Sistema Viário O planejamento do sistema viário apresentou projetos para ciclovias. José Amador dos Reis e José Vieira Caú1la. Imigrantes. Lauro Sodré. uma obrigação dada ao consórcio construtor pelo impacto causado pela obra da usina. Calama. normatização das calçadas e hierarquização viária. plano hidroviário. O plano é composto por sete módulos (cadastro urbano. conforme figura 42: as avenidas Sete de Setembro. Jatuarana. 2012). sistema viário.Classificação das vias Fonte: VIA URBANA (2012). 115 .8 Plano de Mobilidade Urbana de Porto Velho O Plano de Mobilidade Urbana de Porto Velho foi apresentado em 2012 e faz parte do Programa de Compensação Social da UHE Santo Antônio. Pinheiro Machado. Campos Sales. reorganização institucional e transferência de tecnologia) (VIA URBANA. Carlos Gomes. Farquhar. Guaporé. O plano considerou 17 vias principais e que estruturam o trânsito de Porto Velho. Mamoré. Rio Madeira) e as ruas D. 4.8. Pedro II.

coletora (coleta o trânsito local e acessa as vias de tráfego rápido) e local (acesso restrito e trânsito lento) 116 . A sinalização semafórica deve ser objeto de planejamento. A evolução urbana poderá influenciar na modificação de algumas das vias para melhorar a fluidez. As intervenções relativas à engenharia podem ser tanto físicas e de controle. De acordo com essas tabelas. pois é um elemento de forte impacto no trânsito. em razão das suas condicionantes de uso. são definidos os possíveis cruzamentos entre elas de modo a resguardar os princípios de segurança e fluidez do trânsito e o tipo de tratamento adequado a cada cruzamento. 2012). Norte. pois a sinalização deve permitir a fluidez do trânsito e a segurança. Centro 2. não devendo servir para corrigir problemas de distribuição de trânsito em vias. deve-se priorizar a que estive nesse sentido (VIA URBANA. A hierarquização viária organizou as vias em arterial. porém devem estar compatibilizadas com o uso do solo lindeiro. sendo em cruzamento de duas vias de mesma classe. uma vez que o potencial de expansão da cidade é nesta direção. iii) controle de velocidade de 19 Arterial (interliga regiões da cidade e possui trânsito rápido). A cidade foi dividida em seis regiões de modo a permitir a classificação das vias (Sul. “Considerando as características de cada via funcional. Figura 43 . o transporte público (VIA URBANA. uma vez que o pensamento dos dois elementos urbanos (vias e uso do solo) influenciarão. A hierarquização viária serviria para organizar a sinalização semafórica e os cruzamentos. As ações de controles referem-se às ferramentas básicas de fácil manipulação tais como: i) frequência de interseções. Centro 1. Leste e Sudeste).Características dos cruzamentos na hierarquização Fonte: VIA URBANA (2012). entre outros elementos. coletora e local 19. 2012). ii) preferência nas interseções em nível. o sistema viário existente será passível de intervenções tanto de cunho urbanístico quanto de engenharia de tráfego. Observa-se que as vias de maior tráfego estão relacionadas com o uso comercial e de serviços e que a maior atenção deve ser dada às vias no sentido Leste-Oeste.

garantindo a fluidez do trânsito. como é observado no mapa. fundamentando outros projetos.  Reduzir congestionamento e acidentes:  Racionalizar o sistema de infraestrutura de mobilidade urbana. As linhas possuem dois locais principais de encontro apresentados na figura 44: o Hospital de Base (ponto 01) e a área Central. É um plano mais detalhado do que os que o precedem. mas evita-los no processo de expansão urbana. 117 . veículos pesados.  Propor tratamento paisagístico e de conforto às vias públicas para gerar ambientes confortáveis e incentivar a circulação de pedestres e ciclistas.)” (VIA URBANA. deverá ter como resultado os seguintes tópicos:  Reorganização do sistema viário. importante para.. das rotas de transporte público.8. 2012). Essa forma de organização do sistema de circulação dos ônibus não favorece a sustentabilidade do sistema.2 Transporte Público O transporte público em Porto Velho é realizado por duas empresas com o total de 52 linhas. 2012). na Avenida Sete de Setembro (ponto 02).  Incentivar a circulação de pedestres e de equipamentos não motorizados.2. não apenas solucionar problemas atuais. (. inclusive uso do solo. que se relaciona com a classificação das vias (VIA URBANA. Trabalha. relacionando elementos que interferirão na sua eficácia. de circulação. pois ocasiona grandes percursos (VIA URBANA. de estacionamento e do fluxo de pedestres. segundo o Plano de Mobilidade. com diferentes níveis de observação e diagnóstico. com o tempo futuro. fato esse destacado pelas tecnologias que permitem um trabalho pormenorizado. 2012. 4. p. 23) A implantação da hierarquização viárias em Porto Velho.. A proposta de hierarquização viária apresentada no Plano segue uma metodologia explicitada no documento.

Rio de Janeiro. Farquhar e a Rua Açai. alteração de sentido. 118 . Abunã. Amazonas. que interligarão as seis zonas definidas. requalificar calçadas e pontos de parada. Tipo 2. Calama.Pontos de articulação do Sistema de Transporte Público de Porto Velho Fonte: VIA URBANA (2012). As vias deverão sofrer tratamento de canteiro central (quando houver). Pela primeira vez aparece o cronograma de execução dentro de um plano urbanístico. Sete de Setembro. Caúla. Figura 44 . Rio Madeira. embora não determine tempo exato. que proporcionarão acesso aos bairros. As propostas principais do Plano de Mobilidade estavam na criação de corredores para circulação dos ônibus. criação de faixas exclusivas para ônibus. Lauro Sodré. Mamoré e Jatuarana. Campos Sales. priorizando o rápido deslocamento. propõe uma cronologia (figura 45). Serão projetadas em três escalas: Tipo 1. que interligarão bairros de mesma zona e Convencional. No Tipo 2 estão incluídas as Avenidas Guaporé. Jorge Teixeira. As de Tipo 1 serão as Avenidas Imigrantes.

119 . Estação de Integração Linear e Estação Simples (essa também poderá ser implantada em corredores Tipo 2). na segunda. A primeira proposta visa utilizar as rotatórias para interligar linhas. O objetivo de distribuir estações é articular melhor o sistema. sem congestionar e aumentar os trajetos para ligações entre os bairros (VIA URBANA. Campos Sales e Rio de Janeiro e Mamoré e Rio de Janeiro e a terceira. 2012). são propostos dentro dos corredores do Tipo 1.Tabela contida no Plano de Mobilidade apresentando o cronograma de implementação dos corredores de ônibus Fonte: VIA URBANA (2012). Para qualificar a circulação e otimizar os trajetos entre as regiões de Porto Velho. no início da Avenida Campos Sales (próximo a Avenida Calama) e próximo a Avenida Jatuarana e no início da Avenida Rio de Janeiro (próximo a Avenida Rogério Weber). conforme figura 46. locais para implantação de estações: Estação de Integração nas Rotatórias. Figura 45 . o encontro das Avenidas Imigrantes e Lauro Sodré.

Figura 46 - Evolução da implementação dos corredores de ônibus

Corredores Tipo 1
Corredores Tipo 2
BR-364

Fonte: VIA URBANA (2012).

120

A atual Estação Rodoviária deveria ser utilizada como um Terminal Urbano, pois sua
localização permite uma integralização com o sistema, servindo de pontos final e inicial do sistema.
A Estação Rodoviária, segundo os estudos do plano e integrando-a como o Sistema de Transporte
Público, deveria ser localizada no encontro da Avenida Mamoré e BR-364, pois essa, juntamente com
o terminal hidroviário do Cai N’Água, seria um importante portal de entrada de pessoas que utilizarão
o sistema. Porém discordamos dessa posição apresentada no Plano de Mobilidade, pois a Avenida
Mamoré tem baixa conexão com o restante da cidade e o Terminal Hidroviário do Cai N’Água não
apresenta essa qualidade de principal entrada da cidade, em virtude do limite do transporte hidroviário
na capital rondoniense (VIA URBANA, 2012). Sugerimos que para definir o local ideal da nova
Rodoviária de Porto Velho sejam realizados estudos que cruzem informações sobre conexão de
malha urbana, infraestrutura de transporte público e acesso às rodovias.
O Plano de Mobilidade Urbana de Porto Velho é detalhado, talvez o mais detalhado plano
elaborado e ainda em fase de implantação. Pode-se observar algumas alterações que já ocorreram
na cidade, como a implementação do corredor de ônibus na Avenida Sete de Setembro e na Avenida
Calama, nessa ainda indo de encontro a utilização da área para estacionamento de veículos, embora
existam placas de proibido parar e estacionar. A requalificação das calçadas foi executada em parte
da Avenida Sete de Setembro, com a troca dos revestimentos das calçadas, criando um padrão e
incluindo piso podotátil para deficientes visuais. No Plano não aparece um estudo de ciclovias, o que
necessitará de trabalho mais específico, pois acarretará modificações paisagísticas, também, para
possibilitar o real uso das vias pelos ciclistas. Na figura 47, observa-se o corredor de ônibus à
esquerda, duas faixas de circulação de veículos e à direita faixa de circulação (VIA URBANA, 2012).
O Plano de Mobilidade assim como os anteriores, trabalha o sistema viário voltado para as
vias principais. Circulando pela cidade de Porto Velho, observa-se que existem problemas no interior
da malha urbana para os quais não são apresentadas soluções. Como solucionar problemas de
acesso a alguns bairros na cidade, atoleiros que se formam em ruas alagadas em bairros como o
Lagoa e Lagoinha, além da ainda constante alagação na Zona Leste, consequência de problema
identificado no Plano de Ação Imediata de 1972, que é a topografia plana da maior parte da cidade
(VIA URBANA, 2012).

121

Figura 47 - Avenida Sete de Setembro em Porto Velho

Fonte: BARBOSA (2014).
Além disso, é observado neste plano e no analisado no item anterior (Plano para
Desenvolvimento de Rondônia) que ambos apresentam uma visão de Porto Velho que não está
totalmente relacionada com a realidade da cidade. Identificação do Terminal Hidroviário do Cai
N’Água como um dos principais portais de entrada da cidade ou não pesquisar e citar os problemas
que a Prefeitura de Porto Velho está tendo para administrar os espaços construídos a partir das
medidas de compensação das Usinas Hidrelétrica do Madeira, apenas colocando-os como pontos
positivos para a cidade, é não a conhecer. A cidade é um complexo de relações físicas e sociais,
onde não conhecer essas conexões, trazem problemas graves, pois geram planos utópicos que
enfraquecem cada vez mais a relação entre População e Poder Público.
4.3 Planejamento em Porto Velho atualmente
A Prefeitura de Porto Velho está realizando a revisão do Plano Diretor e recentemente
aprovou a novo Código de Obras. A Lei Complementar nº560 de 23 de dezembro de 2014 instituiu o
código de obras e edificações, disciplinando os procedimentos e regras para aprovação de projetos,
licenciamento e execução de obras. A aprovação teve participação fundamental das empresas de
construção civil, representados pelo Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon/RO),
pois foram apontadas situações que interferiam no andamento dos processos e que eram de
responsabilidade técnica do autor do projeto. Assim, os projetos passaram a ser analisados apenas
em relação à cidade, ou seja, se respeita os índices urbanísticos e usos e as demais características

122

3. A Câmara de Vereadores de Porto Velho realizou audiências públicas. Essas construções. onde pode-se destacar as áreas de risco e zonas da cidade sujeitas a alagamentos. sem avaliar qual lado está correto. inclusive empresários e políticos. sendo responsáveis pelo pensamento e pela implementação dele. Observa-se que no primeiro caso. é o conflito de interesses entre os técnicos e os políticos. onde essa complexidade é transferida para a discussão. ficaram a cargo da relação entre cliente e projetista. dentro da responsabilidade técnica pelo projeto. juntamente com o estudo de hierarquia viária. onde foram apresentados estudos técnicos que indicavam que a margem esquerda do Rio Madeira não deveria ser ocupada. por exemplo. juntamente com a população. 4. por menores que sejam. pois nem toda a visão enxerga o todo envolvido. Segundo Araújo (2012). A margem esquerda do Rio Madeira é objeto de estudos e discussões sobre a ocupação da área. onde o embate foi entre técnicos e empresários. de trocas. porém. deve haver projetos para solucionar os problemas das pequenas áreas que ficam fora do eixo dos planos. embora busquem a proximidade com a água para alimentação e transporte. logo. Esses dois exemplos vão ao encontro do que estabelece o Estatuto da Cidade. 123 . segundo o Estatuto da Cidade deve haver participação de todos envolvidos. ficam sujeitos aos efeitos desse terreno inapropriado para suportes desses prédios. A cidade é um local de relações. aproxima os planos teóricos da cidade real.1 Áreas de risco A zona sul de Porto Velho contém vários igarapés e muitos têm a sua margem ocupada por edificações irregulares. pois esses. os leitos de igarapés são áreas com grande possibilidade de erosões. A participação de todos os atores envolvidos. dá lugar ao planejamento sistêmico e participativo. logo. Villaça (2012) defende a participação seletiva nas audiências que discutem a cidade. pois houve intervenção do Ministério Público Estadual.arquitetônicas como ventilação e iluminação. da mesma forma como ocorreu na discussão sobre o novo Código de Obras. são grandes forças no processo. O que pode-se observar em discussões como essa. uma delas em setembro de 2013 com a participação do autor. inundações e escorregamentos que podem atingir a população residente (ARAÚJO. 2012). pelo sucesso do plano desenvolvido. porém o estudo foi desconsiderado e a proposta de ocupação não foi efetivada na legislação. como apontado no Plano de Mobilidade. onde o planejamento ortodoxo. tecnocrático. a tendência é que o posicionamento político seja atendido. os interesses dos empresários foram privilegiados e neste segundo.

lembrando que são apontadas nos planos urbanísticos que serão estudados como áreas aonde devem ser implantados equipamentos de lazer. O abandono dessas áreas também é um fator determinante. O solo inapropriado. As áreas inundáveis são apresentadas no PAI 1972.Ocupação em área de risco na zona sul de Porto Velho Fonte: Araújo (2012). mas também pelo abandono pelo Poder Público. no PCMP 1984 e 124 . pelas características áreas. 2012). apresenta um risco muito alto de desmoronamentos (BEZERRA. que estão disponibilizadas através de diversos vídeos em canais do youtube. As populações residentes em áreas de risco são direcionadas para essa opção pela falta de planejamento. são ocupadas por moradias. apresenta em suas margens construções que. Na Zona Sul. materiais construtivos precários e o verão amazônico potencializam o risco em virtude da topografia desfavorável. SAMPAIO E ARAUJO. pois como não são utilizadas por nenhum serviço público. sem rede de drenagem urbana. nas figuras 49 e 50 são apresentadas imagens de áreas da cidade com baixo declive e inundáveis. Além disso. segundo estudo realizado. Figura 48. DELLA-JUSTINA. No mapa abaixo são destacadas áreas inundáveis e áreas de risco apontadas no estudo citado. o Igarapé Grande que tem a nascente no Bairro Cohab e a desembocadura no Rio Madeira.

Figura 49 . ou seja.no projeto de drenagem apresentado no PD 1990. 125 . Figura 50 .Cruzamento das Avenidas Rio Madeira e Rio de Janeiro em 2012 Fonte: Fleming (2012). sem efetivação ao longo do tempo. são 43 anos apresentando o mesmo diagnóstico nos planos urbanísticos.Cruzamento das Avenidas Rio Madeira e Rio de Janeiro em 2015 Fonte: SGC Rondônia (2015).

812 306. O uso e a ocupação do solo foram modificados em relação ao primeiro plano. Esta pesquisa apresentou planos urbanísticos que buscaram propor alternativas para o desenvolvimento de Porto Velho.203 59.069 133.702 292.20% 2010 1.967 20. o sistema viário e o transporte público.049 72.22% do estimado. uma vez que. comércio central e institucional.898 27. apresentam uma metodologia muito utilizada nos planos tecnocráticos. A tabela 10 demonstra que o planejamento da cidade trabalhou com prognósticos populacionais maiores do que a configuração real. onde observa-se um zoneamento bem mais simples do que o atual.527 27. elabora-se um diagnóstico detalhado. utilizando o ano 2000 como parâmetro.132.População de Porto Velho real e estimada pelo Plano Diretor de 1990 POPULAÇÃO TOTAL ANO RONDÔNIA PORTO VELHO PORTO VELHO (%) ESTIMADA REAL ESTIMADA REAL 1960 70.491.27% 1985 928.613.61% 1980 491. após.826 202. Os planos analisados apresentam características semelhantes. As principais alterações no zoneamento foi a divisão em zonas residenciais com densidades diferenciadas e a modificação da localização da zona industrial. como foi visto nesta pesquisa. sendo a cidade dividida em zonas residencial.712 21.346.69% 1970 111. logo infere-se que as propostas realizadas atenderiam sem problemas a atual Porto Velho.424 693.232 51. diagnosticada e planejada.692 287.562.1 Cidade Imaginária X Cidade Real A cidade de Porto Velho. o PAI 1972.356. A proposta inicia com um levantamento técnico e socioeconômico.67% 1996 1.409 428.661 19.219.399 23. a ocupação. foi estudada. a evolução urbana modificou a .82% 1989 1.38% 1995 2.52% 1991 1. Ademais.506 19.CAPÍTULO 5 – Considerações 5. afastando-a da zona urbana.946 334. demonstrando os problemas e as potencialidades da cidade.932 281.534 25. sendo técnicos.97% 2000 3. Os principais elementos urbanos estudados são o uso.324 461.42% Fonte: FAU USP – FUPAM (199) e IBGE (2010). a densidade. onde se conhece a cidade existente. a realidade equivaleria a 48. além de áreas de lazer. industrial. Tabela 10 .78% 1990 1.064 66.216 20. a infraestrutura urbana.

A macrodrenagem projetada no PCMP 1983. pois a população instala em suas edificações fossas sépticas e sumidouros. conforme apresentado no PD 2008. Nos estudos posteriores a 1972. ou seja. Na Zona Sul. A figura vai ao encontro dos números apresentados na tabela 10. impedindo novas enchentes. onde é possível destacar que a população de 1980 a 1991 aumentou acima de 100%. vê-se que a extensão da rede é a mesma. graças a processos de colonização e atração pelo garimpo. Na figura 52 é possível acompanhar a evolução da malha urbana de Porto Velho. A infraestrutura urbana é uma carência que aparece com destaque em todos os planos. as discussões não são mais de possibilitar ou não a ocupação da margem esquerda. Porém a atenção maior em infraestrutura urbana deve ser para as redes de drenagem urbana e esgoto sanitário. O abastecimento de água e a instalação de energia elétrica apresentam uma melhor situação. havia limitações. porém ainda não é a ideal. Em direção ao Norte e a Oeste. também é apresentada no PD 1990. porém necessitava de investimentos em infraestrutura. A inexistência de nova rede de esgoto é tão séria quanto a falta de drenagem. da área militar e do Rio Madeira. a consequência da expansão para o Leste e para o Sul são novamente apresentadas. principalmente as limitações a ela. não houve ampliação. e para a qualidade da água dos corpos hídricos. consolidando a malha urbana atual. fazendo com que a Zona Leste de Porto Velho sofra com as consequências do período chuvoso. respectivamente. esse já não mais limita. aparentemente por proximidade. pois com a construção da ponte. as zonas Leste e Sul são identificadas em mapa como pobres inundáveis. destacando a presença dos igarapés. 127 . Essa expansão urbana também é discutida nos planos. porém deveria haver obras para a drenagem pluvial. porém não teve eficácia até o presente momento. pois a expansão da periferia aumentou o perímetro urbano e deixou vazios no interior da cidade. Observando os mapas da rede de esgoto do PD 1990 e do PD 2008. Até a década de 1980 observa-se uma evolução basicamente constante. acelerada a partir de 1985 até 1996. porém não está tão evidente. principalmente o abastecimento hídrico. como o Plano Viário de 1979 e o Plano Diretor de 1990. O crescimento para o Sul foi considerado possível. apresentando um projeto de drenagem para o correto escoamento das águas. porém nenhum em deles resultou em ações que viabilizassem a correta ocupação delas. No PAI 1972. A partir daí acontece uma consolidação de vazios. mas de como a ocupar. identificava-se a zona leste como principal área de expansão. pela topografia plana.malha urbana. a ocupação dos igarapés é um risco para as famílias que lá vivem. Agora. No Plano para Cidades de Médio Porte de 1983. que facilitava a ocupação.

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pela segunda vez. em uma quadra com 100m de comprimento. grande parte dela é retirada (pois as redes de drenagem necessitam da abertura de uma vala de aproximadamente 1. uma vez que constantemente acontecem afundamentos e necessidade. além da qualidade comprometida do serviço. Bairro Aponiã Fonte: Acervo do autor (2011). após a execução de toda a camada asfáltica. que oneram os cofres públicos.100 m². mas aquela em que os ricos usam transporte público (CASTRO. Ou seja. O transporte público é um serviço urbano que precisa ser qualificado e ampliado e essa necessidade aparece em todos os planos urbanísticos. melhora o meio ambiente. Figura 52 . . pois diminui a circulação de automóveis. As recentes obras em 2009 e 2010 em toda a cidade. diminui o período de permanência no trânsito. multiplicando isso por aproximadamente 45 quadras. Enfim. ocasionando transtornos desnecessários e retrabalho. de realizar a pavimentação.Execução de rede de drenagem na Rua Luiz de Camões. Enrique Peñalosa. O transporte público coletivo é a melhor alternativa para qualificar a mobilidade urbana. capital da Colômbia. “A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro. enfim.80 m de largura para que as tubulações sejam instaladas e após isso. vê-se a situação após a execução da rede de drenagem. iniciam pela pavimentação asfáltica e posteriormente são instaladas as redes de drenagem. têm-se a pavimentação desnecessária de 8. torna-se a fazer o asfaltamento. em rua asfaltada no bairro Aponiã. Segundo o ex-Prefeito de Bogotá. A relação entre a implantação das redes de esgotamento e pluvial e a pavimentação das ruas é inversa em Porto Velho. são asfaltados novamente 18 0m². traz muitos benefícios. Na imagem abaixo.

ainda é claro os insucessos em pontos nefrálgicos para o urbano com transporte. bem como instalações de ciclovias. pois dela depende o correto funcionamento do transporte público. o que é observado no acompanhamento dos planos é uma fábrica de documentos em que pouca coisa sai do papel. talvez por serem um elemento que embora apareça como solução. bem como o conhecimento político de gestores dificultam a implementação dos planos diretores. principalmente. não funcional. 2011). em todos os planos. porém sem unificação das passagens. servindo apenas de ponto físico. atuam lentamente no processo. também justifica uma atenção maior. SANTOS e SILVA. a falta de regulamentação de instrumentos do Estatuto da Cidade. diferentemente dos políticos que participam com pequenas colaborações. porém apenas no Plano de Mobilidade de 2012 é apresentado juntamente a uma metodologia que explica os fundamentos da sua definição. buracos. agravado pelo espraiamento da cidade. com uma atitude quase predatória. uma vez que não estando em estudos e não sendo utilizadas por todos. 130 . objetiva atender a apenas as suas demandas. mas não acontece o mesmo com as ciclovias. Todos os planos são consonantes na necessidade de investimento na qualidade do espaço do pedestre. realmente. A participação dos empresários. também. ficam em segundo plano. Entretanto. Segundo o Secretário de Planejamento Jorge Elarrat. A hierarquia viária é uma proposta em todos os planos urbanísticos que tratam do assunto. A Arquiteta e Urbanista Raísa Tavares Thomaz. O problema das ruas de Porto Velho estão. pois os planos são condicionantes para investimento como os que acontecem pelo Ministério das Cidades após o Estatuto da Cidade ser implementado em 2001 (SILVA.2012). não foi modificada até o presente momento. segundo o Secretário. A complexidade da interpretação da hierarquia. a escala dada a discussão de mobilidade não inclui o interior dos bairros. tem a sua instalação dificultada pelas vias de conexão necessárias e pelas intervenções de conforto urbano. ausência de calçadas ou inadequação delas. que foram citadas nos planos viários de 1978 e 1989. Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Rondônia e funcionária da Prefeitura de Porto Velho no Departamento de Gestão 20Os únicos pontos de conexão entre as linhas estão no Hospital de Base e na Avenida Sete de Setembro. As calçadas aparecem mais objetivamente como elemento de projeto no Plano de Mobilidade de 2012. O objetivo parece ser.20 Assim. que embora questionada. conseguir financiamentos. apenas as vias de maior conexão. nas vias localizadas no interior dos bairros. ainda mais com a instalações de estações e terminais que organizariam a relação entre as linhas. Nessas vias locais encontra-se os principais problemas como alagamentos. Embora se observe algumas propostas implantadas. drenagem e esgoto. além de quando solicitados.

que muitas vezes não atendem ao interesse coletivo. Elas são apresentadas. até porque as cidades são únicas e diferentes entre si. o que significa que o Plano Diretor é um caminho aberto para a busca pelo conhecimento. relacionando a interferência de uma na outra. no momento de colocar em prática as ações propostas. e em pontos bem específicos. com essa pesquisa. Em nenhum dos planos aparece um cronograma. ainda. 21 É uma das exigência do Estatuto da Cidade e é formado por representantes de órgãos públicos e da sociedade civil. Villaça (2005) aponta para um fator importante para o insucesso dos planos e não se ter o conhecimento de quando e como será implantado. entende-se que não há como esgotar o assunto e chegar a um consenso. diagnóstico e proposta da urbe a ser pensada. segundo eles. 131 . mas sim um conjunto de elementos que devem entrar em consonância com a realidade da cidade que será planejada. mesmo parecendo redundante. Não existe uma metodologia única e ideal para a elaboração de um Plano Diretor. Ou seja. com exceção do Plano de Mobilidade de 2012. Os planos são elaborados. porém isso não é relacionando com o tempo de execução. porém isso acarretaria em tratar o planejamento urbano como uma política de Estado. falta planejar a implementação das ações. Não aparece nos planos urbanísticos um cronograma físico de implantação das propostas. O fator “tempo” precisa entrar no planejamento. observa-se a atenção às diretrizes gerais e aos instrumentos. É nesse ponto que os conceitos de planejamento e gestão estão juntos. porém não a forma como deverá ser realizada. acerca do assunto como as de autoria do CREA-MG (2005) e do Instituto Polis (2005). pois o gestor recebe o que precisa ser realizado. porém entende que a força política apenas entra em ação segundo interesses particulares. organizando as propostas. além de corroborar com a visão do Secretário sobre a participação dos empresários. indicando sua fundamental implantação. não de Governo. Assim. nem em quanto tempo. mas parcialmente colocados em prática.Urbana. possui uma equipe que está organizada para manter permanentemente uma ação de planejamento. “a passagem do bastão” não é feita adequadamente. não há fórmulas ou uma sequência de passos. A Prefeitura. Porém. Ambos entendem que a participação popular é baixa. entende que a fiscalização e a cobrança da população e do Conselho da Cidade 21. atualizando os indicadores para que os problemas e dificuldades possam ser identificados e eliminados. Ao analisar o Estatuto das Cidades e cartilhas produzidas por outras instituições.

dos Secretários. não em projetos bem escritos e desenhados. mas que cabe trabalhar com períodos menores que o previsto em lei. O Plano de Mobilidade não trabalha com questões pontuais que envolvem cada bairro da cidade. O Plano de Desenvolvimento considera o Rio Madeira no mesmo nível da BR-364 em importância para o acesso de pessoas à cidade. como as condições das vias de menor circulação que embora de menor fluxo. não apenas a técnica. talvez. Assim como. são em maior quantidade na cidade pela sua característica. e ir para a mesa do Prefeito. apenas desqualificam uma discussão rica e ao mesmo tempo complexa. porém não são os únicos atores e.2 Conclusões Este trabalho analisou os planos urbanísticos de Porto Velho desde o Plano de Ação Imediata de 1972. embora apresentem uma substancial quantidade de informações. Aliena-los do processo ou colocando-os apenas no final. são apenas o início do processo. A população em geral está em contato direto com todas as áreas da cidade. O Plano de Mobilidade e o Plano para Desenvolvimento de Rondônia. sendo que após isso virão muitos trabalhos e atores envolvidos. que também deve estar conectado com ações de gestão. O planejamento deve ser contínuo e renovável. Mesmo havendo a indicação de dez anos como prazo de revisão dos planos. As propostas precisam ser claras quanto à distribuição das ações de planejamento urbano em um cronograma de implementação (inserindo o fator tempo dentro do estudo). quando vê-se que o meio fluvial é bem menos utilizado. nem a principal força dentro do processo. Não devem mais ser admitido planos que não estejam conectados com a realidade do município. política e capital. logo são os “olhos” da administração . A concepção das ideias não pode se sustentar apenas em levantamentos e diagnósticos detalhados. A participação popular deve ser realmente para ouvir os atores do processo. São necessários técnicos competentes nas análises e propostas. é preciso entender que o planejamento só termina na cidade. cometem equívocos que podem estar relacionados ao fato dos escritórios responsáveis serem de outra cidade. O acompanhamento regular permite uma ação mais imediata e eficaz do Poder Público. O conhecimento a respeito do que será projetado é crucial. que embora fundamentais. assim como dos Vereadores. O objetivo da continuidade não é alimentar uma falsa ideia de que haverá acompanhamento ininterrupto. constatando-se que não há como pensar em planejar a cidade sem a participação dos atores relacionados às funções social. do papel.5. pensadas previamente ao procedimento. Os planos urbanísticos devem sair do campo teórico. para que entendam todo o processo que passa pela aprovação deles. que dependem de todas as forças. para que possam executar o que é proposto. pois são essas informações basilares que alimentarão o projeto. para o seu sucesso. até o Plano de Mobilidade de 2012.

Dois pontos que são considerados fundamentais: participação técnica e gestão. além de uma articulação administrativa entre as Secretarias para que entendam que todas atuam conjuntamente para o bem da cidade e da população. A equipe técnica é um dos elementos do processo de planejamento. A Prefeitura de Porto Velho elabora o planejamento urbano em um Departamento de Gestão Urbana (DGU). aumentando a probabilidade de sucesso do que será pensado. como este que aqui é concluído. Não devem ser desconsiderados por terem um conhecimento popular. senão existirão apenas planos ou projetos que servirão como registros ou documentos para novos estudos. precisam ser aprovados. detentora de grande parte do conhecimento sobre o processo de planejamento. 133 . Por último. Só existirá planejamento se houver execução. logo deve iniciar o seu processo definindo um Departamento de Planejamento Urbano que deverá atuar junto ao DGU na elaboração dos planos urbanísticos para Porto Velho. Deve haver uma coordenação que coloque todos na mesma “frequência” de pensamentos. não algo que o substituíra ou que entrará no processo depois desse. ou seja. Ainda existem os empresários. na forma de lei. que sofrem impactos de legislações urbanísticas como a exigência de estacionamento próprio. pois muitas vezes o erro pode não estar na resposta. mas não o único ator.pública. irão pleitear a inserção nas ações de planejamento. devem ser realizados questionamentos pertinentes e claros. a gestão deve ser considerada parte do planejamento. pois os planos urbanísticos. A participação política deve ser em todo o processo. e a construção conjunta favorecerá o trâmite e implementação. para não gerar desgastes na realização de estudos que possam ser simplesmente desconsiderados por não terem uma visão mais ampla do método. detentores do capital. por consequência. mas na pergunta.

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regularmente. com uma equipe que alimente o processo. Qual a interferência dos empresários. quais são os entraves para sua aplicação? 2. como os da construção civil? 6. Entendem esses entraves com algo a ser eliminado ou absorvido pelo processo? 3. Existe uma proposta do plano ser algo contínuo. Segundo o que vocês conhecem do processo de elaboração do plano diretor de Porto Velho. Raisa Tavares Thomaz. no plano diretor? 5. A participação popular (Plano Diretor Participativo) tem colaborado para a elaboração do plano diretor? 4. atualmente. Jorge Elarrat e a Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Rondônia. através do acompanhamento da aplicação das propostas? . Qual a interferência política.APÊNDICE Questionário de perguntas abertas aplicado ao Secretário de Planejamento de Porto Velho. 1.