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tATh CADERNOS oe | CADERNOS DE TEATRO Publicacéo de “O TABLADO” sob © patrocinio do Instituto Brasileiro de Educacao, Ciéncia ¢ Cultura (IBECC) Av. Lineu de Paula Machado, 795 Jardim Botanice Distrito Federal Diretor responsivel: Joao Sérgio Marinho Nunes Redator chefe: Maria Clara Machado Redatores: Maria Tereza Vargas Vania Leo Teixeira Secretaria: Wanda Torres Tesoureira: Eddy Resende Nunes Colaboram néste mimero: Cezar Tozzi Fredy Amaral PROBLEMAS CONVERSA SOBRE TEATRO GARCIA LORCA © teatro & um dos mais dtels @ expressivos instrumentos para a edifi- cagéo de um pais e o barémetto que marca sua grandeza ou seu declinio Um teatro sensivel e bem orientadp em todos os. seus setores, desde a tra- gédia até o vaudeville, pode mudar.em poucos anos a sensibilidade da povo 6 um teatro em destrocos, onde as patas substituem as asas pode adorme- cer uma ‘n2gao Inteira © teatro € uma escola de pranto e de riso; tribuna livre onde os homens podem por em evidéncia as concepgdes morais, velhas ou equivocas, © ex plicar com exemplos vives narmas, eternas do coragao e do sentimento do homem, : Um pove que nao ajuda ou nda fomenta seu teatro, se nao esté morto, est moriloundo; como © teatro que néo registra a pulsagSo social, a pul- sagio histérica, o drama de suas gentes © a-cér genufna de sua paisagem e de seu espirito, com iso e com ldarimas, nfo tem direito a chamar-se jeatro, mas uma sale de divertimento ou lugar para fazer esta horrivel coisa que se chama «matar o tempo». N&o me refiro a ninguém, nem quero ferir ninguém; ndo. fala da realicade vive, mas do problema colécaclo sem so- ligéo Ougo todos os dias falar da crise do teatro, € sempre penso que a mal nao est& diante de nossos olhos senéo no mais profundo de sua essén- cia; no 6 um mal do que floresce atualmente. ou seja de suas obras, mas de uma profunda raiz, que 6, em cuma, um mal de organizacdo - Enquanio afores e alitores estiverem nas maos de emprésas abscluta- mente comerciais, livres e sem nenhum. contréle literério ou estatal, em- présas destituides de critério e sem garantia de nenhuma natureza, atore: e autores, e © teatro inteiro se afundarao cade dia mais, sem salvacao possivel © delicioso teatro ligeino de revistas, vaudeville © comédia musical, ¢@- neros de que sou aficionado espectador, poderia ainda defenderse © sal Var-se mas 0 teatro em verso, 0 género hisiérico, © a chamada ou alguma outra que no me atrevo a dizer. E hierarquia, disciplina, sacrificio e amor Nao vos quero dar uma ligSo, pols me encontro em condigdes de re- cebé-lo, Minhas palavras sdo ditadas pelo eniusiasmo e pela certeza. Nao sou um sonhador. Pensei muifo — e friamente — © que penso, « como bor: andaluz, possuo o segrédo da frieza porque tenho sanque de um velho povo. Sci que 4 verdade no a possui o que diz «hoje, hoje, hoje» enquanto core seu po a0 pé do fogo, mas aquéle que serenamente observa as primeiras luzes distantes da alvorada no campo Sei que nao tem razao aquéle que diz: «Agora mesmo, agora, agora» com 08 olhos postos nas pequenas portinkolas da bilheteria, mes aquéle que diz «Amanha, amanh3. amanha> e sente chegar a nova vida que amadurece no mundo Maio de 1935 «Um yelho problema nos foi imnésto desde os primérdios conscientes de nossa existéncia e & sob seu imperativo que vivemos. Esforcemo-nos, pois, por mudar o curso das coisas, por iransformar os acontecimentos. Isto nos serd facil tendo pureza e sincericlade nerante nés mesmos e perante Deus» Antonin Artaud © ATOR E A CRITICA Resumo de um artigo de Morvan Lebesque publicado na revista «Théétre d'Aujourd’huin Na minha gualidede de critico dramatico © amiga da numerosos atores, come cu- sarei evocar a ambiqiidade das relacdes entre 2 Comediante @ 0 Critico? Comscemics pelo mais simples Os autores queixam-se freaiientemente da critica, © véo até procurar os. jornals para formilar sues queixes. Os otores $80 gerelmente condenados ao siléncio, © no entanto [ustamente éles feriam mais difeito a recriminacdes: antes de mals nada, porque ha muito mais bons atores do que bons autores; om sequida, porque a corte que [hos reservamos perscs-me ser infinitaments mais durs. Quando estamos redigindo umm crénita teatral, € & peca que nos relerimos em primsiro lugar: rao nos cansamos de escrover 8 seu respelto, pesamot minuciosamente seus defeitos © suns quelidades, dei xamos a interpretagao para o ilfima parsgrafo, freqilentements ‘muito limitado Nao me 6 facil confessor ume outta razio, mais secrete, que condena os comediontes @ um pronunciamenfo répido: refigo-mo & dificuldad= de motivar o nosio juigamento © critico, como toda mundo, dopende do vocabulério, que so ravala muito restrite 95 que diz cespelto acs intéroretes, Durante mais de duas horas. admirei a atuacao do Sr. X ou da Sita. Y. Sentado & minha mesa de trabalho, encontro com téda naturali= dade centenas de palavras por classificer a, peca, mas uma 36 palivre para o Si. X feaxcelente>) ou para a Srta. Y («comoventer|. De foto, uma intriga pode ser contada facilmente, um texto pode Ser interoreiade sem esfargo, mar uma autoridado cénica ou um belo rosto molhado do lagrimas deeafiam © poder descritive. Os meus ‘argumentos pera um bom intéeprete esgctem-se muito mais depressa de qué os que uso pera uma pege, Tenho vontade de dizer simplesmente: , 6 a0 iniérprete que acusaremos désto vicio. Nao & nada agradavel pare uma atrlz fazer o papel de Aricie: quelquer que soja 9 valor da interprets, todos, falardo, evidentomente, de Fedre. E oinda Aricie tem al: qumas possibilidades de se defender, mes quentas vézes vemos uma Esta apreciacSo constitulu, involun- tarlamente, 9 melhor dos elogios, pois Marylin representava no filme o papel de uma cantora de cabaret som vor @ sem talento. Mesmo sem cait num excesso #80 prévimo da tolice, ng estamos sempre — no plana estético — muito diferentes daquela célebia soldado de Baltimore que disparou um tito de revélver contra um de. um melodrama. Achamos frequentemente num palco grande. Acrescen- femos a isso que 2 modicidade dos moios ajuda as vézes cansideravelmenis 0 ator Gonirariamente 20 que poderfamos pensar, um nobre vestide com pano de sacaria sediz maiz fScilmente do qila se usasse uma ropa. rica, Uma peca 6 freqlentements mais patética nos ensaies do que na representacda, pois ofarece antée um © que faz : para isso basta o espectedor Acontece freguentements que a maioria dos meus colegas esteja de acérdo quanto a um determinado ponto telativo @ um determinado ator, © quo a conciséo dos artigos os impeca de desenvalver sie ponto. Ninguém me corvenceré de que um tel acérdo nac significa nada. Reclamo, para o eritico, o direito de ser um profissional do Teatro. co: 5 outros OQ direito, por exemplo, de assistir a audicées, © até a onssics, 0 direite de passer para 0 outro lado da riballa. Seria ume revolugo? De tanto empregar a pa- lavra, devorfamos Finalmente passer & execugéc. Nenhum Decélogo estipule que o crific deva ser pera sempre um senhor ostranho a0 pelco, Julgo, por exemplo, que freqllentande © testo tdas as noites, acaba sobendo mais sébre o: stores do que muitos distribul doras.de papéis que se contentam com as spinides que ouvem: no seu préprio melo E conhoco um dos nossos criticos que mantém sempre em dia um fichdrio mals sétio € mais completo do que a maior parte dos diretores © faatra & também um enegécio de equipe». E nfo se lucra nunca mantendo afas tado um membro de uma equize tradugia de Yan Michalski ARTE DA COMEDIA Stephen Haggard. iovem ator inglés pediu alguns conselhos a grande atriz ATHEN® SEYLER, Def nascou uma vasta correspondéncia entre os dois. Damos hoje alguns trechos desta correspondéncia na parle quo se refere a comédia Para comecer, devo dizer que combdia é simplosmonte questo de ponte de viste. E um comentério da vide feito de fora, uma observagéo sébre & natureza humans Concordaré camiga am que o desempenho emocional do um papel sério implica numa abrorgio no personagem, identificacao com éle, imersio da aossa idehtidade numa outro? Se concorda, Bntenders 0 que quero dizer quando refira que. por outro lado, @ comer dia parece significac 0 colocar-se fora de um personagem ou de uma situagao © acentuar nossa apreciogio por slguns do sous acpectos, Por esta razSo, requerse @ cooperscéo de outta enfidads 2 que se. dirigiré a observagio — a pplaiéin, sendo, em. suma, mesma colts do que contar ume boa histéria numa mesa de jantar. Dove estabelecer contacto dirste com a pesos a quem se dirigir, 4eja 0 amigo sentade 2m frente ou {5 amigos dos camaroles © galeries Espero que isso nao va Ihé dar impresefo de que faca bale jutzo da comédia, assim como algo que deve despentar ¢o riso do incapacitadoy, nem que vocé deva confundicle com, vulgar piscadela de cima de ribalia, com 0 fite de estebelecor uma bos amizade, ou qualquer do: truques per‘ettamente licitos, empregades no ieaito ae Variedades, para se fazer, como se costuma dizer, em casa dos Ligier- Deschamps © «le Bergére au Pays des Loupsy para a fundagéo de Mme. do Sibeins: estudou diego com 0 excelente Montergueil, cada nova io t€nue personalidade mingua cade vez.mais. As suas cristuras vivem & sua custa, e quanto mais real o seu talanto, mais criagio, gests um pouco da si mesma, a sua jé completamente a eles se dedicars. A prinefpio com prazer. Depots, tendo j6 represen- fado tantas cenas de amor, torarse-§ Incapaz de amar ne vida, Por mais qu so es force, o faz & reptoseniar nove papel — decerto 0 pior de todos — e fendo disso por feita consciéncia. E quendo se vir intelraments ebsorvida pelas eves personagens, ficard fomada de panics: © génio diffeil des estrélas nao 6 neles, os mais das vézes, sendo deseo de impose, conquanto saibam que jd nao t8m parsonalidade. Exigdncias absur- das, continues mudangas da vartade, embora imperativas, disfarcam-lhes a indacisao: séo ‘autotitérias © inconsistentés, além de vaidosas, para ndo confessarem que i néo podem fer orgulho, Acham-nes odiosas ov ridfculas, mas na verdade o que sho 6 dignas do lgstima A idade cedo chega. Logo os seus papéis mais jovens néo quererdo mais saber de vocé. © piblico, que vai perdendo em quelidade © que ganha em quantidads — quanto mais clogante, mais grosseiro, quanto mals cerebral, menos sensivel — tam axigén- clas, cruéis, aprendidas no cinema. Mlle. Mars, com mais de sessenia anos, fazia © pepel de Agnes; hoje em dia, pateariam Mlle. Mars. Quvindo, uma noite, 0 séu interlocutor dizer que voeé tem vinte anos, a platéis nada mais 6 que a vitima, destinada ao sacrificio. Agore que jé disse 0 que devia, se est& mesmo decidida 2 fazer 0 que quer sabendo 0 que faz, conte comigo incondicionalmente para sjudé-la a galgar os degrous do altar : Disponha do sau volho amigo Gaston Baty B.S. — Acobo de relerme: tudo isso 6 2 pura verdade. fase 0 fim de quem vive para o teatro, sobretudo se fér mulher. Mas fora do teatro, seré que existe vida? Tradugo de Esther Mesquit hey NOSSA CAPA: ‘Anna Maria Magnus tepresentando Riguexa na pega «Todo Mundo» dirigida por Bérbare Heliodora © apretontada na Igreia da Gléria, no Rio de Janciro, durante a Somana Sania UM POUCO DE CENOGRAFIA De fades as ilusSes que cultivamos na vida, a mais agra- déyel é a esperanga de que se ocupem de nés depois de néo existivmos. Este fumo de aléria néo é desartazcado, ¢ pode mover-nos a praticar grandes coisas. Principe de Ligne A nova terminclegia da Cenografia moderna, adduire diversds nomes, conforma na~ \ Eeuidede de definizao; Assiin cle 8 apreseita como: sugostoes cénices, erranias.cénicos, dlementos eBrices ou se proferirmos o franeés qdécors: .ontratanta, todos, sp. resumem fume Unice ppalavea: Cenogre“ia, Em resumo cenografia (de grego skene: cena, grafia- cescrita) @ a decoracdo plastica ¢ atmoiférica da cena; © estudo & vasto © dificil de transpor em goucas ou muitos palavras, embora, no. permita partir de. principios basicos e cheaarmes a conclusdes bastante satisfatéries, con- Sderando proceriedade de elementos am que nds possamos nos basear. Com a pouce eapsriéncia que possuimos nos propusemos oscrever ste eitige som nenhuma preten do do ester dizendo coisa nova © bom-aésto, @ pesquisa do csiilistica, 2 estilizacéo, « escolha das formas © das “cbtes aliados a estética a antevisdo do projets, a obsarvagsa, © conhacimento de pintura © arduitoliira « sobretudo “a ‘imaginagso s80' alguns dos requisites que fazam um bom cendqrato ‘A modema cenografia inspira-se nas mals vatiadas origens: 'A)__NAS IDEIAS REVOLUCIONARIAS DE ADOLPHE APPIA. Appia foi cendgrafo, gréfico, dirstor teciral, eritico de arte. Sulgo, foi um das eniadores do palco tridimensional am substituicao ao paleo cléssico de duas dimensdcs do cendrio realisia 19. decorréncia todo o sislema de iluminacSo sofreu reforma dical. As primeiras tentalivas de Appia foram feites em 1871 para a representacéo das obras de Wagner 2 B)_NA ARQUITETURA; Com a conguista de noves © varladas formas. A arcuiteture estéve sempre presenta as coisas do teatee, comerande com 0 advento da perspectiva que veio contribulr de max neira preponderante, dando assim novos rumos &s concepgdes cenogréfices. Em eras re- motas os cendgrafos foram, na maioria das véres, grandes arquitetos, &' indispensivel sou conkecimento para a criagio de cendrios em anaulo, ilusdes de profundidade, efeitos, des forgoes de formas gooméiricas, articulaco du um crogis por varios processos, ete ‘A cenografia contemporanea usa a perspectiva em iédas as deformacées possiveis, em maior escala qua a antiga, A cléssica perspectiva criava no palco es ilusdes de transfor: magoe: perspectives néo visivels O problema espacial das formas @ © lugar goomStrico que elas ocupam fem méxima importéncia ro palco. © uso amplindo dos praticéyeis ad quite formas até entdo, nunca empregadas ©)_NA PINTURA Com suas indmeras escolas @ tendéncias. Pintores tornaram:se cendgrafes. Diga-so do ence ee een ort deageen cncr ccs: amen Sua areomicm a guadro de cavaleie nas proporgdes pequenas pars Aquelas do teatro. Especiaimente to alle? que esta contribuicdo se sfstivou mas scentuadamenta, consistindo qum desdobrs- mento dos planos ilusérios do quadio am diversos planos dimensionais. A propésita pode. mos citar diversos pintores brasileiros que nfo sendo. candgrefos criaram belissimos ce- nérios: Portinari, Di Cavalcanti, Lazer Segall, Burle-Mex, Heitor dos Prozeres, Flavio de Carvalho, Quirino da Silva, Anahory, Clovis Graciano, ete, Sos contribulgées para o ballet do IV Centenério foi das mais valioses 1D) NOS GRAFICOS DA ATUALIDADE Cufo problema consisie ne apresentacéo de tracos dos artistas om forma de do- senho em préto © bronco. Esse problema se enquadra ligeiramente cam o da pintura, entrstanto, convém esclarecer que a técnica das Artes Gréficas diverge bastante dos daquela pols, engloba 2 parte da improssao das maquinas © das outms técnices variades que se definem isoladamenta E] APERFEICOAMENTO DA MAQUINA, © CINEMA, ETC. Também coniribufram para a evolugio da arte da decoragéo cénica. Séo utades mSquines de proiecdo para efettos de cena. A exemplo colhemos a sequinte nota: O diretor Frank de Quell obteve éste ano um dos matores sucesso: da : © ARQUEIRO | — Vigtlia do soldado [passeia de um lado pera o outro) 2— Olhe, pela primeira vez, ao longa. Néo vé nada, Continua 3 — Olha pela segunda vez. Idem 4 — Olha pela terceira vor. Percebe, ainda bem lange, 0 soldado inimigo 5 — Depois um sequndo soldado. 6 — Depois um terceiro. 7 = Recua lentamente som perder 03 soldados de vistas Procura 0 arco, atrés déle, som se voltar. 8 — Pege 0 arco. Passa-o de u'a m&o para outta com lenfidéo. Tira uma flecha ‘Atma © arco. Vise cuidadosamente @ atira i 9 — Constata com satisfagdo 0 resultado 10 — Atira uma sequnda ver || — Afira acelerado. 12 = O firo acelerado dura 30 2 40 segundos |3 — Aproxima-so da muralha © continua a etirar com vontade. 14 — © inimigo se aproxima Is — ila = i 1g — 9 — 20 — a a Bs 24 — 5 26 — Bi 28 2 30 = a1 aoe © arqueito visa cada vex mais em direcdo a tarra. Visa verticalmenie, inclinado sébre 2 muralha Recebs uma flechada no ombro esquerdo. Péra Lentamente vai se dendo conta do ferimento ‘Arranca a fiecha lentamenie Depois toma coragem 2 continua etirando © inimigo fé uma escada © argusiro recua, tira 2 espada © pde-se a espera: Abate um primsiro soldade Depois um segundo soldado. Um terceiro consegue superé:lo. Combate com o inimigo situado em posicdo mais alta que éle Mata ésse inimigo Toma de uma grande pedra © atiré-a sébre os que estdo subindo Conseque pegar na parte alta da escada, atirando-a a0 cho Triunfo Pée.se de novo a atirar sébre o inimigo em debandada Recobe uma flechsda no peifo, em plana agéo no momento am que vai armar © arco. Mesma coisa quando da primeira vez que foi ferido. Mas agora, morre. _O TESOURO DA FLORESTA {Inspirade numa noyela de H. G. Wells) te 2s a os 5 poe a c= os lo — 1 = 2 — 4 — 5 — es i la— i 20 — Ae Ps oo Marinhoiras 2 bordo. Alto. mar. Poslos de cemendo. Desembarqua em Singapura. Contacto com os natives A estrada quo vai der na cidade Acordeon aumentando pouco @ pouco. Botequim (0 acordeon fazendo 0 fundo sonoro} A marinheirada s0 acctovela no bar 2 Dojs aventureiros, numa mesa falam do tesouro. Comentam © plano que tm. (, © sai, rindo © ssolitério, espumando de raiva, vai se acalmando pouco a pouco Entra o segundo solitsrie, que -admoesta © primeiro © primeira se acalme; sai o segundo 14 — © © © solitério, que pede desculpas por rar so exaltado. 16 — © Reduzir as possibilidades de movimentos, as peraas, permanecenda erotas, 0, tronco em. posigéo vertical, a cabega imével. Sdmente os clhos, funcionam. Imével xencher-se> do espaco onde se encontra : Jacques Lecquee | ‘ CARACTERIZACAO DEZ PRINCIPIOS BASICOS DA CARACTERIZACAO do ators ps6 do I? — ¢A caracterizago deve estar de acérdo com a aparéncia fisica « Tal significa que ndo se deve violar em excesso as broporgdes naturals nac rosto. coma também do corpo. Exemplo mais comum: um nariz um tanto proeminente pode ser diminvido ligsiramente por meio de uma hébil caracterlzacao, mas nunca ser transi mado num narizinho,.. A verdade 6 que so se modifica uma das partes do rosto vei acontecer uma verdadeira desproporgéo entre os fracos. Como assim? A natureza tem medidas um tanto ou quanto rigidas. De acérdo com a figura ao lado a linha transversal que passa pelos olhos divide 2 cabeca 20. meio. Na parte superior 0 primeiro quarto so of cebslos, © segundo a testa. Ne par fe inferior, 0 nariz ocupa a ferceira querta parte © do nariz & ponta do queixo e dltima parte. Agore no sentido longitudinal, im- portantfssimo 0 espaco entre as asas do natiz. Esse medida determinaria o afasta: mento dos olhos © tomada em débro & 3 largura da béca. A altura ‘de orelhe 6 0 mesma do nariz. Enfim, quando tais violéncias se fizorom necossérias, usa-so 0 bom-gésto © intuicao. Quento.& mimica facial salientamos dois principios: 2° — A caractorizacio deve estar de acérdo com a mimica facial! do ator» 3° — «O ator nao deve procurar criar rugas além das indicadas pelas contracdes dos mitculos faciais a fim de evitar duplicidaden Quanto a0 principio n? 2 pode-se aconselhar a nao ir tracando tédes as rugas quo encontrar, pois 0 ator pode achar disparidade entre a caracterizagso © 0 personagem. Por exemple: Rugas muito fortes o olheiras profundas numa volhinha serena e doce trard con 4uso 20 pobre espectador! E do princfoio n? 3 pode- ojitse pret © que fazer: Base fortamente rosada Vermelho-escuro Evitar verde © mareon C= Ant Cores Conseqiiéneias Base rosade : acon Vermelho Violeta escuro Vormelho-escuro —_-—_ ——____ préto Aal desaparece Marron ) verde-cinza © que fezer: Base alarenjada S Eyitar vermelho, azul © marron-escuro, D — Verde = Céres Gonseqiiéncias Base rosada — amarelo-esverdeado Vermelho ee marron-escuro Verde ee desaparece Marron opto © que fezer: Base eloronjada Evitar vermelho, verde ¢ marron-escuro E — Outrat céres Ross © vicleta S60 excelentes para caracterizagéo Para luz rose pode-se carregar © vermelho : Em caso de nao haver tempo de mudar » caracterizacdo deve-se usar bastante po de arraz, o que faz atehuar as céres. Freddy Amaral POESIA DRAMATIZADA: A NAO Histéria CORO: La vem a néo Catarinetal Que tem muito cue contar! Ouvi agora, senhores, Uma histéria de pasmar NARRADOR: Passava mais de ano e dia Que iam na volta do mari Jé no tinkam que comer, Ja nao tinham aue manjar. Deitaram sola de malho Para © outro dia jantar: Mas a sola era tam riia Que a nic poderam tragar. Deitam sortes 8 ventura de matar: 2 sorte Vé se vés terras de Hespanha, As ptaias de Portugal; Nem praias de Portugal; Yejo sete espadas nuas ‘Que estao para te matary CAPITA «Acima, a0 tope Acima, acima, gajeiro, Olha se inxergas Hespanha, Areias de Portugal» MARUJO: «Alvissaras, capitéo, Meu capitao genorall Jé velo terras d'Hespanha, Aceias de Portugal Mais inxergo #r8s meninas Debaixo de um larani Uma sentada a coser, Outra na roca a fiar, A mais formosa de tédas Esté.no meio a chorary. CAPITAO: «Tédas trés 580 minhas filhas! ‘Oh! quem m'ss dera abragar! A mais formosa de tédas. Contigo a hei de casary CATARINETA popular portuguésa MARUJO: «A vossa filha nfo quero, Que vos custou a criary CAPITAO: «Dar-to-ci tanto dinheiro, Que no o possas contar» MARUJO: «Nao quero © vosso dinheiro, Pois vos custou a ganhar». CAPITAO: | partem para o interior do Brasil em busca de uma rocelta famosa: 0 cha do viver bem. Esta teceita descoberta pelo velho amigo do coronel, Sabidoro de Sousa 6 0 coroamento da receita do ché de cebelinhas pols ¢ vovb deseobre que «do nada adianta tor longa vide, # a80 a cena de se- ducio a0 som do mas o antusiacma do caveiro acsima-se petcebendo pela quarta vez, alauém pero do armério. E Perrin, 0 marido quem volta. «Desta vez nfo mo escaparés>, diz 0 covetro, dando-lhe em cheio na ca- besa. «Mas € meu marido de verdede>, diré Julieta, inclinando-se sobre o corpo em doce lementagéo. O coveiro a consola! novemente... tudo a0 som do «Diss Irae, Idéia: PROLOGO Peco acs presontes que me déem audiéneia; Este assunto merece reverancia A sua forma € de moralidade Nome: Convecacdo de Todomundo. Mestra que nossa vida, em realidade, € fransitéria © passa num segundo Esta materia 6 rica © preciosa, uma liggo moral © graciosa, doce de apresentar, levada assim A histétia diz: Homem, desde a partida Solta a fun atencao para o teu fim, por mais alegre que te seja a vida: @ pecado bem doce principia, mas eo fim faz chorar @ alma da gente Verés que Compankeiros, Alegria, Férga, como Prazer, como Beleza, so fléres-de-maio prestes a cait Yerés que 0 Rei dos Céus a Tedomundo vai pedir contas, chamar a todos nés: Dai atencéo! Ouvi a Sua vor A moralidade modieyal inglésa comentada no nimero 6 dos nossos Cadernos foi Tepresentada com grande sucesso dentro da Igreja da Glétia a pedido de Monsenhor Franca @ dirigida por Barbara Heliodora. Pedimes a Barbara algumas impressées sdbre © acontecimento: Diftciimenta um local poderia ser t8o satisfatério, para @ aprotontacéo de um teric somo TODOMUNDO, quanto o interior de uma igreja, Escrita no final do século XV Por autor desconhecido, esta moralidade tem um caréter tio. essencialmente roligioso qua, principalmente hoje em dia, 6 deniro do recinio de uma igreja que ela enconira © yeu clima mals adequado. A experiéncia de nosso grupo apresentando TODOMUNDO naIgreja de N.S. da Gléria, no Largo do Machado, por iniciative de Mons. Lec: vigildo Franca, foi muito interessante por vérics motivos: tanto palo ponto da vista 4o Biblice quanto pelo do ator, a experiéncia era nova, © acreditamos que ficou perfei- famonte evidenciada 2 vasa extenséo das possibilidades nosso campo hoje em dia inexplorado no Brasil Quando fol resolvida @ aprosentacéo do espetéculo, tivemos de wartir do reda nfo tinhamos elenco, nfo tinhamos facilidades téenicas, t6da @ produgio tinha de cor mantide num minimo de despese. Qs atores, uns profissionais e outro: amadores, todos frabalharam em base ssiritamente voluntéria, assim como 0 cendgrafo, os fiqurinistas, © todos aquélas que colaboraram no projeto. © elenco foi formado pels sequinte grupo: Ivan C4ndide, Glauce Rocha, Paulo Serrado, Jacqueline Laurence, Ania Marla Magnus, Fernando José, Luis Osweldo @ Aristeu Berger {que foi em espetéculos posteriores substi- tuido por Oswaldo Neiva]. So algum sucesso © TODOMUNDO alcangou, foi devido: sem davida a0 entusiasmo @ a0 espirito de equipe de todos aquéles que nélo cole. boraram Em verdade, nada descreve #80 bem 0 espfrito em 0 qual reulizamos nosso fraballio do que 2 mancira pola qual encontramos nossa figurinista, Marie Louise Nery: Sendo noticiedo num jornal o feto do que se planejava realizar 0 TODOMUNDO na Semana Santa, Dirceu Nery telefonou -dizendo que éle © sua mulher gostariam de porticipar, fazendo os figurines. Em uma primeira reuniéo do elenco, antes de térmos conteto direto com os Nery, haviamos nés dito acs stores que :6 concebfamos os figurinos de uma pece medieval feitcs com aniacem, @ quando Maris Loulss ¢ Dircou Nery com Psrecoram pola primeira vez a uma rouniéo da equipe. comecerem por disor «Seré judo feito de saco»; dentro’ desta unidade de pensamento decorre1 todo © trabalho Falemos um pouco, entSc, da-apresentacdo plastica do espeticulo, que foi opre- sentado no prosbjtério da igreja, diante do altar, que ero ocultado por uma. grande. cortina réxa que normalmente fica por trés do mesma durante a Semana Santa. O cenérlo tinha, necessariamente, de ser de facil manejo, pois era preciso quo fé:se retirado cada noite pars a celebragdo das missas na manha sequinte. Era nossa intengio cue néo houvesse entradas © saidas de atoras durante o espetéculo, © por isso pedimas a Joel de Carvalho que © planejasse & maneira de uma moldura sugestiva do . Quando os anjos ecabam de canter aparece a estré- ls ESTRELA Vinde Fastorinhes Vinde ¢ Belém Que 6 nascido Jesus nosso Bem. (A estréla sai pelo lsdo}. Ou mentande gradetivemente a cancdo das pastorinhas, @ mesma que elas cantavam no primeiro ato. Elas podem surgir por en- tre 0 piiblico ou entao do lado que a os tréle cheaou. Quendo véem o presépio. poram de cantar. As 4 chegeram.se mais até 2 meniedoura enquanto © resto fica ajoelhado mais strés. I* PASTORA — Aqui estamos para o manino. adorar 2 PASTORA — E muitos presentes qua- remos Ihe ofertar (Maria @ José leventam-:0] JOSE — Sede berwindes, pettorinhas, MARIA — O menino de tudo hé de gos- tar (Maria segura © menino no cole ¢ mos tra-o 3s maninas) 1" PASTORA — [Oferecendo seus pra: sentes © colecando-cs sos pés da manjo- doura) Troue bolinhos bem quentinhos © tam- bém lenha para fazer um foguinho. .. trou xe um chale para @ serhora sua mée. 2! PASTORA — Eu trouxe vos t80 frescos! e uma dézia de benenes © tam- bem laranias do quintal. (colocs tudo aos pés de manjedoura)). 3° PASTORA — Eu trouxe um cobertar de flonela e uma blusinhe de tricé sara © menino ficar quentinho nastas noites tao Trias... (Coloca tudo sos pés da mar- iedoura) 4° PASTORA — Eu trovuxe 4 balGezinhos de encher pore o menino se distrair e um carrinho de empurrar ¢ um boneco que sabe choror JOSE — Pastorinhes, © menino vos quer bem MARIA — Véde, pastorinhas, 0 menino vos sort 1? PASTORA — Oh! o menino nos sor- fu (virondo-se para es cutras]. O” me- nino. nos sorriu! TODAS — © menino sorriv! 2 PASTORA — O menino gostou do nossos presentes! 1? PASTORA — Vatnos entéo festejar o sorriso de Jesus! 2 6 3! PASTORAS — Vamos dancar! 4 PASTORA — Vamos cantar! It PASIORA — Pois 0 0 mening nos sortiu 6 porque Ele nos quer bem (Tédas c: pastéras dao a mao © come. gama dancar e cantar, Existem multus canoes de pastorinha:. Enquento as Pas téras centem & dancam a Virgem com a rianca no colo e S, José centamrse-no ban- co. Também 0 boizinho © © burrinho co- maqam 2 dancer de olegria. Acabado 0 canto tédas olnam o presépio para ver se 6 BLS mee, ‘© menino gostou. © boi © o burro voltam © para os seus lugares. N. Senhora torne @ colecar o menin na manjadoura) 2 PASTORA — Seré que o menins gostou? TODAS — Seré? MARIA — Sim, pastorinhas, 0 menino Jesus gostou. Ble vos quer bem, Fle ves sorriu, Agora vinde adoré-Lo: sproximal- vos. Ele vos quer bem. It PASTORA — Vamos agora adaré-lo, TODAS — Vamos! It PASTORA — Vamos — Vamos ofs tecer a Elo 0 nosso coragao TODAS — Vamos! (Els se aproximam ¢ algumas ajce- tham, outras abragadas véo cheganda. Mac rig © José também o adoram. © palco vai escurecenda com luz azuiade. Os anios © as past6ras comegam bem baixinho 9 can-_ fart Noite Feliz Noite Feliz © Senher, Deus do Amor Pobrezinho, nasceu em Belém Fis-na Lapa Jesus nosso bem Dorme em Paz, oh! Joss! {bis} _ Acabado éste verso elas va apanher- “do 05 costos varios, 2s trouras © bilhas © devagerinho vo se afastando ainda can fondo bsixinh (PANO: — FIM) M.CM. DOS JORNAIS «O BITT.F. DA COEXISTENCIA PACIFICA NO TEATRO» por Pierre FRESNAY Tadas as pecas bem feitas, dentro da sus sespectiva forma. t8m ¥: (Charles Dullin) © Teatio 6, exatamente, aquilo que néo pode sec definido. Pescoas vio ao featror ‘utras escrevem para 0 featro; outras fazom teatro. Mas néo. se explica o Teairo Ninguém’ sabe a0 certo onde”éle nasceu, nem quem eram os seus pais; fralase de uma especie de criancinha que fol encontrada: em aiguma parte: na porla da igreja, sem davide, mes. também nas pragas publics. Ele tem varios estados civis. O teatro «ds boulevards 6 filha daquele da praca piblica: um teatro Ieigo, quero dizer um teatro que nBo 6 sagrado; 0 livre de toda © qualquer metofisica: mas ago se pode resumi-lo pelo elema histéria do marido engenado, © jgairo de nao pode ser comparado com ¢Andromaque> co «Andromaquer no o pode ser com © que, tapidamente, cristaliza-so em psicoses. A questo ds saber so a nossa critica dramétics dirige éste ou s6 © seque, nao tem muito interésse2 0 fata 6 que cla faz parte do moviment Z ® eplannings aditado pelo nosso 8.1.1. (Brain-trust teatral francés] traduz ume 0, polas teoriar freudienas digoridas 3s ‘presias. uma Guira obsossio pelo interne. Gionalisme ¢ populismo, @ ume prefensso maniada 8 grendeza. Tudo que nos vem de fora, fudo que 6 aposto & nosta maneita natural de pensar 6 de sentir, fam um infardese: simpétice arsequrads de entsmio. Exotismo, corebralidade, soxualisme, esotorismo, beleza 4 avessas cémica [a rigor) sob 2 candicto do ser excessivo, ois as caracteristices avigidas Briviamente de cade peca para concedersthe a ficenga de afirmarse no palco. Os cid sicos franceses beneficiam todavia de um regime de excegao, @ afé de um preconceita favaravel, alias bem necessério, jS que so ésses cléssicos tivessom sido, por um véo deseio de coeréncia, excluidos do ¢plannings, os faatros aceitos pelo B.TT.F. sé dariam um ndmero bem paqueno ds reptesentacdes am cada temporada: a procura de novos autores franceses nao figura entre os seus pontos fortes Em primeire luger 6 suspoita, naturalmente, téda produgio dremética maderna apoiada *Sbre a tradicio do fastro de costumes edo tecira de caracteres, fiel 20 didlogo direto, ob: no sobrecérregado de literatura, e que fonte evitar a perda do segrédo da constructe! dramatica. Repudiar todo excesso, conservar 0 senso do ridiculo ¢ dos ridicules, re- ‘cusar de admitir que’ o espetéculo que diverte sem riso vuiser possa ser téo diane de extima quanto o espelécuio que comove, exalta cu conduz & mediiagio, els ima posicso toattal que néo merece nem mesmo a violéncia, mas simplesmente o desprézo do B.T.T.F, Coitado do teatro de nao ser5 considerado, emanhs, como um teatro de vanguerda? Com efeito, 0 que @ a vancuarda senso aquilo que nao esté na moda? E que 6 que deixa do. estar na moda mais faciimento de que a propria moda? DO PARIS — THEATRE ESTAO SUSPENSAS AS ENTRADAS DE FAVOR Henrique Oscar Tendo ido @ So Paulo para assislir © fésso osta Cltima hipétese, © espectador cue ndo pode pocer muitas véues © preco da entrada, iria menos vézes — pagando — 0 quc soria ainda um alto negécio para a: sompanhias. Estas ficam constrangidas da recuser 0 pedido de ingresso de seu fulano ou ds done beltrana, pessoas conhecidas, importantes © que naa s6 poderlam coma doveriam pagar entrada, mas que acham que néo devem fozor jistamente porque cio importantes ou conhecidos Consta que quando caslizou cua segunda temporada no Teatro Dulcina, s Com: panhie Ténia-Celi-Autran também teve do fixar em sua bilhoteria um cartaz com os mesmos dizoras E cada dia, a todo instante ouvimos das pessoas de teatro queixas contra essa mania que existe entre nés do nfo pauer entrada E so agora trazemos o fato para esta sedo 6, nao <6 porque a medida fomads pelo -empresério Sandro Poloni mostra = equdora do probleme, como porque de outros conjuntos daqui de Rio temps recebido também apclos no sentido de lembrar 3: pessoas que dizem gostar de teotro, © que © freqiientam, © mal que lhe fozem com sua stitude. due, insistimos, na’ meioria dos easos nao corresponde @ uma real impossibilidade de pagar o prego dos ingressos Parace que as que mais sofrem com ése abuso sao as companhlas novas. E im possivel que et pasices imaginem aue se trata de amadore:, que seus integrontes aa vivern'de teatro © que assim née precisam*de receita da bilheteria. No entento, o Teatro do Preca 2 © Teatro do Rio, por exemplo, so conjuntos profissionsis. que pacam sous atores © 0 préprio do Gosthe; 0 Teatro Universitério Catarinense, «Nao consultes médicos, de Machado de Assis;-e 0 Teairo do Ectudante da Paratbe, wloso Gabriel Borkman de Ibsen, Quiros conjuntos apresentaram obras madernas de mérito, entre as quais as de autorie do Garcia Lorca, Steinbeck, Saroyan, Pirandello, Tennessee Williams, Brecht, O'Neill, Giraudoux 6 Faulkner. Esa simples enumeracao de nomes atesta © nivel intelectual dos tesponshveis oelos grupos, mais digno de elogios se so lembrar que, hé alguns anos atrés, 0 amadores. de. todo © pais so fechovam no pior repertorio brasileiro, © Gnico divulgado em revistas © publicacdes do infime qualidade A citacdo de cléssicos ¢ modernot estrangeiros de valor nos. delxaria ainda insatisfeitos s¢ 0 Festival esquecesse a drematurcia brasileira. Nese particular, além do montegem de Nelson Rodrigues © Ariano Suassuns, © certame teve o mérite do revelar dois fovens autores: 0 paulista José Celso Martinez Corréa © 0 pernambucano Aldomar Conrado. Tanto coma io pecas cholas de efeitos mas ficou patente Nas-montagens @ vocacéo inequiyaca dos dramaturges. O tempo e 0 érduo trabalho podem nclui-los ontre os nomes expressivos da nosta literetura cénica 20 Fettival invadily todos os soteres, da vida de Sanios © nao abjeve uma participacdo maior do pove em virtude dal exigtidade do cortes platéias. A imprensa local chegou a nao anunciae os sxpetéculos pelo temor das situagdes dosagradéveis nas portes dos toatros. No. In Sependéncis, formavem-se files inferminavels de espectadores detojosos de aproveitar a: poucas vagas deixadas pelos asludentes, Nao havia montagem sem excess de lotagso, ocupande-se =: pesseciens © oF psulcos meiros de piso entre a primeire filo © 0 proscénio «A devacio 3 ‘tis, encenada ao ar livee, em frente & Igreja de Nosts Senhora de Pompéia, foi ceramenie uma das mais belas feslac do. teatro brasileiro, $6 os comicios reunitam entre nés tanta cente fe), com 0 queiko encostado oo impnso, praticavel om que se movimentavam cos atéres, numstosas ctiaicas acompanhayam respeitoses e aientas o espetéctlo, O Teatro Adolescente de Rec apresentou também, por iniciative propria, «A via sacray de Ghéon, no interior dessa icreja, arrastando numeroso pdblico da cidade. Realizou-se uma om hospitals e asilos pum tributo de gretid’o a cidado quo tia bem o: acolnora. Tudo isso confere. a0 teatro, em | nossos diss, o poder magico que fora um dos seus apandgios fics gtaides™berfodos histd- ticos. A vitalidade do festro ficou omplamente otestade no cortamo de Santos Eta de verse 6 etpirito de cooperagao, a fraterna camaradagem! entrs todos os parti- cipantes. As vézes, num s6 teatro, encenavem-se quatro pecas num dia. Uns ojudavam os cutros 2 montar 0s cenérios, @ fazer a iluminagip com refletores obtidos por empréstimo. A com- pelican, 2 luta polos prémias perdau a importdncia diante do desoja de todos de confratar- nizer-se. Para masita da eficiéncia e prove do extraordingrio talento de improvisacio do bra- sileiro, alguné milagres passaram-se. No ltimo dia do festival, os gadchos apresenfaram, & 10 horas, na Colfseu, 0