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152 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista

(Rogers), Orgon (Reich), experienciar-se (Gestalt-terapia), fundamentando
uma visão otimista e positiva da vida humana. Repercute na simpatia a
intervenções não verbais, corporais, 'artísticas' e situa o lugar do psicólo-
go na facilitação do fluxo energético vital. O caráter científico da Psico-
logia é relegado a segundo plano (Figueiredo, 1991).
Já a matriz fenomenológica remonta a Husserl e seu projeto de VII
fundamentação de todo conhecimento através de rigor epistemológico,
constante análise crítica de fundamentos e atenção metodológica. Uma das
consequências é revigorar a reflexão sobre o ser humano, por ser ele a base
de todo conhecimento. Com isso, a fenomenologia prepara os Existencia- A Fenomenologia
lismos do século XX. Mas quando a Psicologia recorre a eles traz junto
Nietzsche e Kierkegaard, que, cada qual a seu modo, tenta compreender o
ser humano (Figueiredo, 1991). Neste sentido, a matriz fenomenológica se
opõe ao descaso vitalista (Humanista) com o conhecimento. Revela-se
incrível a confusão da fenomenologia com a Psicologia Humanista! A fenomenologia é um dos dois mais importantes movimentos
Além de método de pesquisa, a fenomenologia aparece como filosóficos surgidos no início do século XX. Não pode ser considerada
suporte teórico para modalidades de prática psicológica já desenvolvidas uma doutrina de pensamento, pois reúne muitas vertentes em tomo de um
sob a influência da Abordagem Centrada na Pessoa. Já se insinua que esta mesmo núcleo: o método fenomenológico. O segundo movimento impor-
abordagem psicológica está distante da ontologia heideggeriana, sendo tante é o Existencialismo, relacionado àfenomenologia histórica e con-
mais um fruto da metafisica. Mas o esforço metódico da investigação dos ceitualmente, porém distinto. Quando influenciam a psicologia, o termo
fenômenos exige que dela me aproxime e deixe-a mostrar por si mesma. _'fenômeno' passa a ser sinônimo de "dados de experiência que podem ser
Por isso, essa abordagem deve ser a próxima a ser investigada. Será a observados e descritos pelo sujeito que os experiencia num dado momento"
psicologia rogeriana fundamentada ou mesmo uma expressão possível da (Misiak & Sexton, 1966, p. 406), caracterizando psicologias chamadas de
ontologia heideggeriana? 'psicologia fenomenológica', 'psicologia existencial' ou 'psicologia fe-
Mais dúvidas aparecem: 'Será que recorrer a autoresfenomeno- nomenológica existencial', termos usados indistintamente por muitos
lógicos é suficiente para caracterizar uma psicologia como fenomenoló- historiadores da Psicologia.
gica? É isso que pode um psicólogo fenomenológico existencial: recorrer _ Na filosofia, 'fenomenologia' recebe vários significados. Apare-
I· à filosofia fenomenológica para legitimar sua prática, qualquer que seja? ce pela primeira vez no livro Novo Õrganon, de J. H. Lambert, de 1764,
Será a fcnomenologia na Psicologia apenas um método? A investigação significando teoria da ilusão. Kant usa esse termo em esboço da Crítica da
da psicologia fenomenológica brasileira dá a entender que a fenomenolo- Razão Pura para se referir a uma disciplina propedêutíca precedente à me-
gia na psicologia é apenas um suporte metodológico visando dar credibi- tafísicaHegel escreve a Fenomenologia do Espírito em 1807 (Dartigues,
lidade científica a resultados, podendo ser usado também como funda- 1992). E o significado atribuído por Husserl que vige atualmente e que é
mentação para a prática psicoterapêutica e deaconselhamento psicológi- incorporado pela psicologia, mesmo que ao longo de sua obra filosófica o
co, no qual a ontologia heideggeriana aparece dispersa, como um desdo- sentido de 'fenomenologia' tenha se alterado. Heidegger, no início de Ser e
""-- bramento da fenomenologia de Husserl ou do Existencialismo,
~.. Tempo, propõe uma definição distinta de 'fenomenologia', como já visto
11· !~ A pergunta norteadora desta investigação segue em aberto. O nesta pesquisa.
que pode um psicólogo fenomenológico existencial, baseado na ontologia. _ O termo 'fenomenologia' vem dos termos gregos phenomenon e
heideggeriana? O próximo passo a ser dado é investigar o sentido da con-- logos. Phenomenon significa, literalmente, aparecer, mostrar-se a si
fusão da fenomenologia de Husserl com a de filosofia do -ser de Heide- . mesmo e contextualíza o surgimento da fenomenologia no embate entre a
gger, já que é assim, misturadas, que chegamà Psicologia. Depois disso, filosofia e as ciências positivas no final -do século XIX, quando estas
a Abordagem Centrada na Pessoa será indagada quanto à fenomenologia apresentam resultados e abrem possibilidades de conhecimento e controle
e a analítica existenciária nela presentes.

a primeira alcançando a vivência concreta e singular e a lógico. encontro em debate aqui um tema que síveis. mundo da vida e intersubjetivi. que é a base da filosofia ocidental. a transcendentalidade que escapa a desta tentativa é Hannah Arendt. A guia segunda. mais rica. gia filosófica e as ciências humanas fenomenológicasrenquanto as postulando o limite do Pensamento no acesso ao Ser. E como viajar ao estrangeiro.as essências ideais dos fenômenos. A grande maioria dos psicólogos fenomenológicos inicia suas de apresentar uma essência (no caso. isto é. Amatuzzi (2009). tos de essência. em livro sobre o mét~:.. que culminam o projeto de Husserl é refundar a filosofia. Ademais. colocar a mes. so. evidência apodítica. Sá (2007). redução eidética e redução transcendental. A universalidade destas mento não são capazes de abarcar a experiência vivida.pela contemplação atravessa as. maior. as filosofias existenciais. Moreira (2001). o conceito de psicologia fenomeno- pesquisas com a retomada dos principais conceitos dessa .rt do fenomenológico de pesquisa qualitativa. ..\". 1994). Para ela. epoché. que esse esclarecimento é 'fenomenológico'. lr . A filósofa Hannah Arendt. A indicação 'de Arendt de que a fenomenologia surge neste debate e da consciência coletiva. Hussel e Heidegger. Faz isso também para delimitar o que é uma descrédito. Ademais. A fenomenologia filosófica deve captar . fias da Existência são tentativas de confronto com a filosofia racional. isto é. ponto pode revelar aspectos antes ocultos. correndo o risco de girar em fal- intencionalidade.ma questão partindo de outro . filósofa que conhece bem as filosofias de I .. O esforço de dade. A fenomenologia é um acontecimento na história da filosofia. nazista na década de 1930 (Safranski. na . que a realidade (Ser) extrapola as possibilidades de conhecimento (Pen- atos e produções concretas num universo de valores e significados his- samento) (Arendt. distinta da da natureza nunca vistos na história ocidental.filosofia. pois Husserl e de Heidegger.filosófica visa o sujeito transcendental como condição de todas as experiências humanas pos. redução transcendental e intencionalidade. iniciada poi. que não o psico-· transcendental. fenomenologia filosófica. Misiak e Sexton discutem a intuição das essências. 175) me obriga a questionar esta posição dogmática. As Filoso- Convém assinalar. Todos estes autores afirmam ser complicada a transposição de qual defende a radical divisão entre os sentidos da fenomenologia de conceitos originados na filosofia para a ciência empírica psicológica. a essência. Apresenta. capaz de fundamentar todas as ciências empíricas. pois é um esforço metódico . lógica) usando termos que o apresentam. A Psicologia é gulhar na obra de Husserl em busca de esclarecer o que seria uma psico- . que a expe- estruturas apriorísticas é que permitiria. o psicólogoTommy Goto (2008) é o primeiro brasileiro a mer. psicologias humanistas é fenomenológicas e que eu assumi imediata . Karl Jaspers e Max Scheler. partilham uma posição contrária à unidade entre Ser e Pensamento. mostram surge como uma investigação das possibilidades de conhecimento. mais diversa do que a razão consegue compre- preensivas. Forghieri (1993) fala dos mesmos. .l09). foi aluna e amante de Heidegger ant~s de fugir na Alemanha ~ . teoria da logia já delimita as perguntas possíveis. suas vivências. Psicologia Fenornenológica Existencial 155 154 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista logia fenomenológica qua ciência empírica fenomenológica. vanetti (2012) indica a necessidade de conhecer os conceitos de retomo Mas tentar compreender a Fenomenologia de 'dentro' da Psico- às coisas mesmas. intuição das essências. as estruturas e os modos com óbvio e inquestionável: a afirmação de que as categorias do pensa- intencionais da consciência transcendental. ção livre. a captação do psíquico na esfera da consciência individual ender. Holanda e Freitas (2011) discorrem sobre as reduções eidética e e de algumas de suas ideias básicas por outro caminho. redução eidética. conhecida por seu pensamento sobre '1 ções semelhantes estão presentes ainda em Ewald (2008). Husserl se empenha em fazer da filosofia uma ciência de ri. qualquer materialidade" (p. além de redução fenomenológi. Para Figueiredo (1991). A ~enomenologia revelam a importância desse tipo de esclarecimento. Gio. é muito mais do que uma "perspectiva" psicológica. suspensão fenomenológica (epoché) e atitudes natural e fenomenoló. com- rigoroso que a legitime.. riência é maior. introdução sobre as filosofias da existência (Existenz Philosophie). colocando a metafísica em . Vejo a necessidade deme aproximar do sentido da Fenomenologia gica. estranhamento para o confrontamento e a destruição exige um folego ca. tento me aproximar da Fenomenologia pela filosofia. toricamente determinados. j psicologia fenomenológica fundamentada em Husserl. fornecendo-lhe um método nas filosofias de Martin Heidegger. 2000). "o ego puro. Seus resultados gor. A tradição na qual estou imerso antecipa meus passos. Lima (2008) e política. Trocando em miúdos. não o ocultam. (p.defendendo ciências compreensivas visam os sujeitos empíricos. redução eidética e método de varia. também apresenta os concei. Assim. E de sua lavra uma breve n. que pode revelar aspectos ocultos da terra natal quando voltamos. uma grande diferença entre a fenomenolo. Isto é. naprática das ciências com. a fenomenologia . todavia. Parmênides.

ser não pode ser idêntico a seu reflexões tocam na questão crucial da formação de psicólogos. assim como esta não pode ser um universal que fundamente a prática com exemplares singulares. "nada não e'. retoma e oferece a . nologia à luz dos desdobramentos da história da filosofia ocidental des- cobri-me. Psicologia Fenomenológica Existencial . Hoje em dia. conhecível pela razão. relação ao que é. essa palavra é sinônimo de falsídade. 84) Na polis fica evidente que a doxa pode ser manipulada pela per- suasão.como preinfancia da filosofia. . 157 156 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista Pensar. P?r su~ vez. Doxa costuma ser traduzido por "opinião". tendo em vista uma deliberação ciais descritas pela analítica de Ser e Tempo . esse princípio do pensamento é chama- nologia também se transforma em outra ao deixar a filosofia e tomar-se do de "princípi? de identidade" e "princípio de não contradição". determinar-se como ciência. Toda história da filosofia. Está relacionada à percepção. a própria questão do ser. tem sido uma menologia.para apreender a subjetividade humana. dição. não é um método neu. exprimindo "como nando. aparece para alguém. pois a reali. como filosofia moderna. ser apenas um capítulo tardio na história do pensamento ocidental. Isso traz à tona o CIa humana como fonte de conhecimento e a afirmação de uma realidade problema do conhecimento baseado na experiência sensível. (p. mostra-se passível de ser sem fundamento ou mesmo falsa. A :I.- menológica do modo de ser do homem como existência. entendido como sinônimo de não-ser. Afirmar que ser é (ser) signi- fica afirmar sua identidade consigo mesmo. na elaboração de Heidegger. com o sentido tro que pode ser aplicado no âmbito das diferentes disciplinas científi. Segundo Sá (2014). dizer. é o capítulo mais recente desta história. inscrita na realidade mesma. pensar e dizer. pensar e dizer correspondem-se. a alétheia. Nos fragmentos que restam do Poema filosófico de Parmênides. não se pode afirmar que é.jíe oposição à verdade. chamado a 'dela me aproximar. Parmênides inaugura e deixa co. externa objetiva existente em si mesma. pende para o Positivismo como -modo de ou dito o que é (sei"). Quando transformação é ser e não-ser ao mesmo tempo e isso é incoerente. Do nada (ou não-ser). doxai. ciência primeira no século XIX.ser-no-mundo. o que seria uma contra- que perguntas erradas preparam supostos impasses? Pois a psicologia fenomenólógica existencial (ou qualquer psicologia) não pode ser 'apli. cação' da ontologia heideggeriana (filosofia). É o que Psicologia? Um psicólogo precisa conhecer a história da filosofia? O que o psicólogo precisaria saber para compreender a Psicologia como um garante a veracidade do pensamento lógico. ser-para- a-morte. que nada. Quando a Psicologia começa a mo l~gado a Íntima ligação entre ser. cuidado . A = A. Ser. E em oposição às opiniões que o método científico surge. . O Posítivismo. e vindo a ser constantemente. e/ou tomada de decisão. que Heg~l! que. ção da verdade objetiva. aplicador de métodos e técnicas criadas na acade. Pensar e dizer só são possíveis em profissional um técnico. deixando de ser. Como consequência todo e a psicologia fenomenológica. especificamente? Penso que estas segue que sendo idêntico a si mesmo. Hegel é um dos responsá. B. Correspondentémente. é um desdobramento da filosofia de _tentatIv~ de superar a oposição entre aparência e ser. Isso significa uma conciliação? Ou será esta uma decisão inevitável? Ou será. Aquilo que antes era uma crença ou conjectura "verdadeira". . Para ele. e das opiniões. Parmênides . . assim. A fenomenologia. Uma suposta psicologia termo grego doxa não é opinião. Não sendo. ainda. Se A = A. te~at1ca filosóficainaugurada por Parmênides. segundo Heidegger. Doxa é a exposição em praça pública de fenomenológico-existencial que pretende utilizar as estruturas existen- como uma situação. algo parece e aparece para mim". a feno. A de total e irrestrita do Posítivismocomo fundamento da ciência. Diante das dificuldades para compreender o sentido da fenome- entende opinião (doxa) e verdade (aletheia) como opostas. Será que a Fenome- Na história da filosofia. Não se trata de subordinação de uma a outra. estes delimitam e são delimitados pelo ser. só é (ser) o que pode ser s~ legitimar. A Feno- menologia de Husserl surge na Filosofia como questionamento da valida- dade transforma-se. . é idêntico a si mesmo. Mas o sentido original do cas. Só pode ser pensado se separar da Filosofia no XIX. a fenomenologia é ontologia. _ - mia? Ao começar a me aprofundar nos estudos sobre a obra de Heidegger me descubro num impasse: ser psicólogo ou ser filósofo? Será possível Seguindo os mesmos princípios. Será este oposto (não-ser). Implícitos nesse movimento estão a descrença na experiên- pensado e dito. as aparências recolhidas pelos sentidos humanos são contornadas na dire- veis pela recuperação das filosofias "pré-socráticas". induções pretadas. anteriormente inter. de eliminar a singularidade do pesquisador. contor. Segundo Arendt (1994). Encontro aqui uma clara indicação de qu~ nas doxai não há verdade. Nele. emanci- pando-se da filosofia ao. Hipóteses. como nos embates por uma ele narra ser levado pela deusa ao conhecimento da "verdade bem redonda". o nada (não-ser) é inacessível ao pensamento e à lin- guagem.derradeira interpretação da ganha VIgor no fmal XIX. e abstrações superam o engano das doxai. não toca à compreensão feno.

p.1992). Psicologia Fenomenológica Existencial 159 158 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista Psicologia em ciência experimental. .psíquico que em si mesmo percebe não existe e não existe tal como o (coisa pensante) e res extensa(coisa extensa). Husserl recorre às ideias de Franz Brentano. perspectival . Seu capítulo mais tardio. . A correspondência entre o conhecimento verdadeiro. Husserl retoma a harmonia entre a cons- consciência a partir de seus elementos mais básicos. 164). que é uma tentativa mo. opondo-se à naturalização dessa dade (Richtung) aum objeto (que. A inéxistência intencional é peculiar somente aos fenô- Brentano e uma Psicologia do Ponto de Vista Empírico menos psíquicos. A consciência é a organízadora dos dados elementares' (Schultz ~ pensamento. a filosofia parece uma gangorra de opiniões. Psicologia é empírica. Daí a importância de compreen. " . Brentano. Cada qual contém algo como seu objeto. especulações e fabulações contraditórias e inúteis. . fundando o priineiro laborató- derna de "restabelecer a antiga ligação entre Ser e Pensamento que sem. . os dados: de percep. o mais evidente é a divisão entre res cogitans . portanto. 10). Sua investigação objetiva descrever a intencionalidade da consciência. tituição da realidade e a consciência. podemos definir fenômenos psíquicos afirmando quesão os fenômenos que contêm objetos em si mesmos por. efetiva a em~ci~ pre garantiu ao homem seu lar no mundo" (1994. Franz Brenta. rio de Psicologia na Universidade de Leipzig em 1875. conhecimento. O lugar da Psicologia é abalado quando sur- deve ser reconhecida. de quem foi mental) de um objeto e que gostaríamos de cham~ não tão . matemático para a filosofia. Na representação (Vorstellung) algo e repre- sentado. Como matemático. (Brentano apud Spiegelberg. realidade aparece . não deve ser enten- ciência nascente. Fez isso filosoficamente. no julgamento . O significado do termo Psicologia é transformada em psicologia fenomenológica e/ou aparece na Psicologia neste 'contexto é o explicitado pela etimologia: ciência (logia) da mente Humanista. Ao postular a pação da Psicologia da Filosofia. ' ge a possibilidade de nela aplicar o método hipotético-dedutivo experi- .~- aluno. avassalada pelas incríveis possibilidades inauguradas pela aplicação intentio. Os fenômenos psíquicos. Destes. faz a defesa de que a experiência sensível é o modo como a (psique). neste contexto. . Defme Brentano que: • previstos e realizados pelo método experimental. 1992. Psicologia é uma investigação teórica do funcionamento mental. Cada fenômeno fisico é caracterizado por aquilo que os Escolásticos Com o objetivo de reencontrar um lugar para a Filosofia no campo do.' to com a quantidade de pressupostos e especulações inquestionados na o conhecimento. isto é. de direcionali- como ciência empírica ("experiencial"). Brentano. Wundt é o psicólogo que. cresce o seu descontentamen.meio da intenção No livro Psicologia doPonto de Vista Empírico. o Ser é constituído no e pelo 'ção. "19~4) no rivaliza com a tentativa de sua contemporaneidade de transformar a . Husserl procura o mesmo grau de rigor O que caracteriza os atos psíquicos é que 'eles são intencionais. de referência (Beziehung) a um conteudo. mutável. Este psicólogo vislumbrou a possibilidade da Psicologia afirmar-se cadamente. superando a dicotomia sujeito-objeto que fundamenta todos Schultz. enunciada claramente por percebe" (Dartigues. por isso é ramo da filosofia. Diante dos resultados '10 a que se dirigem.• revoluções da história da filosofia. recupera da Escolástica o co~ceito ~e to. estudioso de Aristóteles.timencionais]. "Ninguém pode verdadeiramente duvidar que o estado. segundo cimento singular é regido por leis gerais passíveis de conhecimento atra- Arendt (1994). isto é. Como tal postulado reestabelece a harmonia entre ho. ' mem e mundo. ~mbora não da mesma maneira. vés da abstração. da Idade Média chamaram de inexistência intencional (ou" às vezes. no desejar é desejado. pensamento e ser? Seu postulado é de que há uma diferença ontológica entre atos psíquicos e atos fisicos. é a fenomenologia de Husserl. Edmund Husserl inicia sua trajetória filosófica na Matemática. ' Gegenstãndlichkeiô. etc. Descartes. Nenhum fenômenofísico apresenta algo assim. é critico desse modelo e defende que a para essa reunião. p. Essa percepção é original e pode fundamentar todo À medida que ruma em direção à Filosofia. os problemas epistemológicos que a filosofia tenta resolver desde Platão (como é possível conhecer?).' Assim. chega pelo pensamento.ine9-uiv. fundada na possibilidade de experienciação. correlatos dos atos psíquicos. tradição filosófica. por qual os atos da consciência contêm de alguma manetra aqui- do método positivista de conhecimento na natureza.. ' . por outro lado. podem ser percebidos. que no início do século XX cai em descrédi.algo é confirmado ou-rejeitado. A intencionalidade da consciência é a chave . .dido como algo real) ou imanente qualidade de objeto (imanente der suaproposta. ao qual se mental. e a realidade (ser) acompanha as involuções e Este modelo científico parte do pressuposto de que cada aconte.contraditória.e.

Estes me foram apresentados como curiosidades da pré-história da postos.] conheceu Wilhelm Wundt. as texturas etc. mas é irrecusável que a consciência possa perceber o seu perce- filosofia no :final do XIX.' Na Psicologia. ou ainda. Psicologia Fenomenológica Existencial 161 160 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista Leu William James e ficou bem impressionado. das escolas de Würzburg e daGestalt. como aquelas que fornecem as bases' trás das percepções singulares.a Psicologia' crever os atos psíquicos atuais e. pecção. E possível des. conheceu os escritos o ato psíquico de ver uma árvore contém de alguma maneira as de Theodor Lipps e também conheceu pelo menos algumas das obras cores. foram apresentadas ao longo da faculdade. a mente é um fluxo. Com base nisso. terra sua validade quando suas raízes estão suspensas miar. preciso compreender como a Psicologia de Brentano ciência da subjetividade. Ele reconhece que nada pode ser verdadeiramente afirmado sobre a árvore física ("objetiva".psicologismo. na concepção de Brentano. preconceitos. denomina-as empíricas. O matemá- busca conhecer. conhecer o que se tencionalidade da consciência e 2) a consciência como fluxo. que devem ser distintas de uma psicologia filosófica e da Fenomenologia.p. logia atual? A Psicologia parte e depende da cisão Sujeito-Objeto. mas é possível.O). Estas estão dadas como fenômenos psí. historicismo . to.Estes sufi.:.. biologismo. Relatam Misiak & Sexton . ração mental. ao fazer isso. quando . Por exemplo. Husserl e a re-união de sujeito e objeto mostrava como enganoso. Os estranhos esquemas S . (p. partem desse preconceito teórico que Husserl. como postulava Wundt. É disso que falava minha primeira aula no curso de Psi- tomados no início do século não influenciam os modos-de-ser da Psico- cologia.solida como oposto a Emperia. 'objeto' de . foi amigo de . pois é a Por ora. isto é. tentativa de fundamentar toda possibilidade de conhecimento na objetivi- A mente. sociologismo. É daí que vem a oposição~ entre teoria e Carl Stumpf e colega de GiE. que . da consciência ou do comportamen. longo do-século XX.leva aos "is- de atos psíquicos (intencionais). Cai por" logia é o fenômeno psíquico. Na história da filosofia se con- [. da espécie mais evoluída. Será mesmo assim? Será que os rumos ~ as decisões -Objeto (S . A rigor.psicologias que me . pressupostos. isso significa que é preciso estranhar até me~mo os con- Husserl é aluno de Brentano e parte destes dois aspectos cen- ceitos usados pelas psicologias que se apresentam como fenomenológi- trais da psicologia empírica para resgatar o sentido da filosofia: 1) a in- caso Essa suspensão é necessária para que se possa. Como formando em Psicologia tive poucos contatos Essa contradição interna que tornaquesti6náveis suas afirma-: com as ideias de Wundt e de Brentano e com o sentido de suas investiga. do sujeito. irrelevantes para a vida do psicólogo contemporâneo e da numa realidade objetiva acessada pelo sujeito. a Psicologia Espanta-me que este tão importante debate tenha esmorecido ao vira Psicologismo. 12) .. 2006). epistemológicas para todas as demais. Como conjunto de atos. Estes podem ser acessados por intros. mos" . dialética sujeito-objeto. as formas..O que eu vejo no primeiro semestre (1973) que ele do curso de psicologia indicavam que a fenomenologia é epistemologia. termo composto por episteme + logos. textura-sentida etc. quicos como cor-vista.estudou com Brentano. a cisão Sujeito- prática psicológica.. Husserl tenta revelare resolver os impasses da externa). a psicologia empírica prescinde do método experimen. a consciência. 165). isto é. Müller na Universidade de Gõttingen. A crise de fundamentos que ele denuncia é a ber algo (árvore) (Rehfeld. . ções é aonde chegam todas as ciências que partem de hipóteses e pressu.da relação 1994. . esse mesmo postulado aplica-se a essa premissa. teoria-práxis. Epistemologia.· . xos apontam a contradição inerente nessas ciências ao se postularem co- tal para conhecer as leis gerais de funcionamento que se esconderiam por mo ciências fundamentais. assim como outras que vim a estudar depois. ções. para Brentano. mas foram anos até que isto fosse se clareando para mim. Com isso. A Fenomenologia exige a suspensão. do XIX determina que todo conhecimento verdadeiro é fruto de uma ope-' . O principal pressuposto do qual partem as ciências é a crença Psicologia. ajuda Husserl a "reconstituir este mundo atualmente estilhaçado" (Arendt. Quase todas as . ciências positivas. '. . assim como para se compreender como o conhecimento tico é conhecedor das psicologias alemã e austríaca contemporâneas. forma-vista. estudo da Psicologia.. o objeto de estudo da Psico. remete ao conhe- cimento teórico decorrente de raciocínios. em 1900. é o conjunto momentâneo dade (materialismo) ou na subjetividade (idealismo). a coloca- ção entre parênteses a cada Vez de crenças. dos neurotransmissores.

se. que significa tendência Portanto. capacidade. que significa "postura". preconceitos. Também está ligado ao latim aptitudo.. o fenomenólogo encontra os fenô- I li meira vez. (Husserl. que induz a mal-entendidosj. a I e conhecidas como obviamente estando aí fora. . ] O conceito de redução fenomenológica adquire uma determinação prática. actos da consciência em que se exi- sição". em grego. 1907/1986. \ seu aparecer na consciência.. como um ato.) após a suspensão metodológica da atitude natural pela epoché. consciência e objeto acontecem concomitantemente. naturalmente. i . ! . portanto. no fenômenos é imanência intencional.f.i desconfiar de todos os pressupostos. utiliza-se de preferência para o próprio aparecer. mas a exclusão do transcendente em geral como de uma Aristóte1es se consolida a definição de epistéme como ciência racional. dogmas e compreen.Hlusserl.. I dência dos objetos. que surgem sendo isso indubitável.. 35) .. • . que recebe e constitui esse aparecer. para o fe- nômeno subjetivo (se se permite esta expressão grosseiramente psico- O termo atitude indica uma postura. a fenomenologia é um esforço metodológico de igualmente em suspenso todo o recurso a qualquer 'saber'. 1907/1986. tal como a experienciação I . Quer dizer de .. p. A fenomenologia. __ ~r-. ou "atitude". tErscneinungen). sua origem está no latim do lógica. "O conhecimento. no entanto.~.. traduzível por "postura". não pensada como uma cápsula. Schauen) . Em alemão o termo empregado é Haltung. En..~. a fenomenologia suspende percepção. 41). dez anos após ouvi-Ia pela pri- i. dado absoluto do ver puro. objectalidades.. a Fenomenologia é 'ciência' do aparecer. to a si mesmas se exibem deste modo. mais profunda e um sentido mais claro: não é a exclusão verbo epistemai significava. mas pré-fenomenológica. e. existência a admitir.exterior (objeto). raciocínio e experiência. "modo de pensar".volta aos fenômenos. apodítico. isto é. "estado de espírito". perceber as coisas como objetos fora da consciência para descobri-Ias no " türlicher Einstellung) Husserl (1907/1986) se refere à postura ingênua. Não quer dizer de volta às coisas objetivas. de tudo o que não é dado evidente no sen- obediente ao princípio de não contradição... Mas. para Husserl. 29) ii 1\ i' Quantas vezes ouvi a máxima da fenomenologia. a imanência dos "fenomenológica" (Philosophische Denkhaltung). isto é. Sinônimo usado por tivos neste duplo sentido: ciência dos conhecimentos como fenômenos Husserl ao longo de sua obra é Einstellung. Nessa atitude cotidiana. livres de menos no seu aparecer na consciência. (Husserl. suspende (reduz aparecer. surge inopinadamente como mistério" (Husserl. por outro lado.' axiomas. A obviedade da cisão S . Denkhaltung pode ser traduzido por A fenomenologia do conhecimento é ciência dos fenômenos cognosci- .O. tão comum na psicologia. Assim. p. Psicologia Fenomenológica Existencial 163 162 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista ~. mantém- -se tudo o que dissemos: ficam excluídas e aceitam-se só como 'fe- A fenomenologia de Husserl é um esforço para compreender os nômenos' as vigências ou as realidades. manifestações. 2015). a qualquer .indicando a postura corpórea num quadro ou escultura. preconceitos. deixa-se de . etc. a coisa mais óbvia de todas no 'pensamento natural. Os fenômenos são. estas e aquelas estavam em voga na Psicologia do século XIX (Moran & Cohen. Assim. sendo generalizado no século seguinte para indicar um estado mental. isto é. esta. 1907/1986. "lj . autoevidente. "po.quanto epistemologia. conhecimento. A noção de atitude e os termos empregados por Husserl bem. ~ ~. factos. de modo que do verdadeiramente transcendente (por ex. à qual se chega pela epoché.. p. de crença na imanência da consciência etranscen. a cisão S . la-se imanência.. passiva ou activamente... aptitudinem .. Entretanto. defendida por Brentano. IDa. O significado de fenômeno para Husserl é tanto o aparecer fenomenologicamente) a cisão sujeito-objeto e a obviedade do mundo quanto o que aparece. A partir da suspensão fenomenológica.l.. 1907/1986.tornam conscientes. "atitude".. as coisas ao redor são encontradas Imanência costuma significar interioridade.. Esclarece ele: como dado. por indução ou dedução a partir de hipóteses. "de volta às I I! coisas mesmas!" Sinto que só a entendi. apreensão dó fenômeno no seu seu esforço de não se submeter a teorias.lVÓj.:. acessíveis por meio da consciência não é uma interioridade. (Online etymology dictionary. reais. que é o limite de toda teoria do constituindo-se mutuamente. derivadas nas ciências fenômenos tal como são. 2012). 'conhecimento': a investigação deve manter-se no puro ver (im reinem I n li sões prévias. tido genuíno. aptidão. e fica I . ela é ato. 35) século xvn -. Essa atitude deve ser contrastada com a "atitude filosófica" ou a dicotomia interior (sujeito) . \ ----. no sentido empírico- não se distinguia conhecimento teórico e conhecimento prático. 11 distorções subjetivas. inianentes.SYOV (Phainomenon) significa efectivamente'o que aparece' e. o mais precisa. p. Com psicológico).O é suspensa e mundo reve. Na atitude fenomenológica. Assim. ciência destas objectalidades enquan- Na atitude fenomenológica. mas. não de àcordo com as teorias sobre eles. li ~' I li Por "atitude espiritual natural" (Natürliche Denkhaltung ou na.

cepção de que o psicólogo desta "abordagem" li~ com si~cações e rior) e promove um estranhamento metódico. 1641/1994). produção ou de acontecimento é uma essência e cai. nessa estru- Goto (2008) sintetiza o método fenomenológico em três etapas. tão.1 é a queexplicita como é possível a aparição de todos os objetos tematiza. A Fenomenologia enfatiza que as coisas sempre aparecem sig- . significando "garrafa" . a Fenomenologia de Husserl é Fenomenologia Eidé- . a realidade sinfonia. a partitura. Um exemplo ao qual recorre é da sinfonia. No contexto da prática psicológica. Não há de tudo o que aparece. Elas são a racionalidade ima- nente do ser. conceito puro. i homem espera seu amigo com uma garrafa de vinho. portanto. gues (1992) sintetiza: monia e a correspondência de ambos (Arendt. nece velada a dicotomia do sujeito significante e do objeto significado. pois é na correlação intencional que surgem os significados cado não é algo que se agrega ao objeto. . í atos intencionais que constituem o sentido" (Goto. . é suspendido.. ao captar os dados. que permite. ressignificações?Esta concepção revela um entendiment? eqUlvoc~do. desconfiar do conhecimento a que chega pelos sentidosçpoiseles só co- nhecem o mutável .isto é. constituída por ele.universal. que é a ordem e combinação das notas.e também como solidão. a garrafa aparece Para Husserl. tura a priori do pensável. não realizada . "fenomenológico" é um no. A redução fenomenológica afasta dos fatos.(eidos) do fenômeno. Mas há algo essencial ~a Com esta superação da dicotoniiasujeito-objeto. posicionando a Fenomenologia como "Ciência Primeira". O sentido dos fenômenos aparece na correlação do ato que visa (noese) e que. dela. eterno. como a essência do social. Psicologia Fenomenológica Existencial 165 " 164 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (Moura. significado oculto ou por trás da aparência. e a assumir o método como acesso ao conhecimento A Fenomenologia nunca pode ser uma "perspectiva" ou "abor- . verdadeiro sobre a realidade (Descartes. 1998). aparecendo em seu um conjunto de. levando às A Fenomenologia é O estudo dos múltiplos atos intencionais essências. som. O termo eidos está presente na filosofia desde PIa. A consciência. pois lhe é imanente. já que a ideia mesma de fisico. dagem". mais especificamente. por sua vez. por. A consciência surge como condição a priori de todo conhecimento científico e de toda lida I cotidiana. substantivado.a mostra-se atravessada pelo pensamento. permitindo que seja conhecido. ~is Independentes da experiência sensível. . o significado pelo qual aparecem. a essência é o que faz de algo aquilo que esse ! de sentido e da coisa visada (noema). dota-os tica. Mundo é reconhecida independentemente das circunstâncias da execução. pois.. as essências constituem corno que a armadura inteligível do ser. Husserl segue a Metafisica na determinação da essência como preensão do "eu" como fluxo. ela é a estrutura que fundamenta a possibilidade como garrafa . sendo imediatamente dada a har. uno. p. a atividade dos músicos etc. (p.a busca por essências que motiva as investigações de Descartes. o "eu" entificado.I nificativamente. que seJ. portanto. 71). i \ (noese) e objetos intencionais (noema). 2012). Desde' Platão. 1994). possibilitando o ver. o lugar um "eu" fenomenológico. A noção de que cada pessoa tem a capacidade de SIgnifi- O segundo momento é a redução eidética. una e imutável. da Fenomenologia. significando essência e idéia. dos pelas ciências. no sentido de que também ele busca o conhecimento das essências' adjetivo que poderia ser substituído por "psicanalítico". do possível e fora do qual nada pode se produzir. abster-se. 2008. A sinfonia é tanto. Será daí que deriva para a Psicologia Fenomenológica a con- que suspende a atitude natural (crença na evidência da objetividade exte-. o sentido a priori no qual deve entrar todo mundo real ou que determinam cada ciência empírica. Com isso. Darti- constituído pelo homem (consciência). No exemplo de van den Berg (1955/1994). A essência dos fenômenos é o que eles são. Husserl é cartesia. Por isso é Filosofia Primeira. de todo conhecimento científico e de toda lida cotidiana com a "realida. E Mas a significação é constituída na correlação intencional. que' elimina os ele- car ou ressigníficar suas experiências postula que estas têm uma existên- mentos naturais e contingenciais da experiência para chegar à essência cia autônoma e independente às quais se agregam significações. Esses significados são constituídos na correlação intencional. é con- cebida corno -"estrutura sintética (processo de constituição) dos múltiplos algo é. aconteciinentos: as minhas impressões ao escutá-Ia. Seu sentido é um projetar-se para trás. comportamen- . em que um \ Isto significa que os fenômenos são constituídos na consciência. termo grego que significa ter sobre. Perma- . ~~ignado e nomeado. 16) A primeira é a epoché. feixe de experiências (Feijoo. O signifi- de" ao redor. levado a por um sujeito dotado da capacidade de significar. E o momento conhecido popularmente como "colocação entre parênteses". explica o aparecer das essências tendo sua estrutura e suas leis próprias. Desde a Fenomenologia de Husserl. do psicológico etc. A concepção fenomenológica da consciência repercute na com. muito embora se dando através . reter-se.

fenomenológica . pois. 'Perspectiva' vem do latim perspectiva. Assim se reduz igualmente a pergunta que. como pode o conhecimento (absolutamente dado em si cional é apenas isso: um modo de' aparecer do fenômeno. Neste terceiro passo do Fenomenológica" torna-se redundante. sa conhecer como uma pessoalida com seu existir . O modo como o objeto aparece na correlação inten. pp. Todas as ciências são fundadas. é. origi- . surge agora a questão fundamental :i " cemconcoriritantemente. campo de ação e 'fenomenológico existencial'. .. enquanto aquela é ontológica. isto é. . formado por per + specere. . 26-7) . nos impelia. da cons- riormente.Em vez desta 2015). que comporta mesmo) atingir algo que não se dá em si absolutamente? E como pode uma infinidade de outros modos . olhar (specere) através (per-). por qual se chega à subjetividade transcendental. Ao mesmo tempo que reco- Mas a analítica existenciária indica o caráter hermenêutico-discursivo do nheço um distanciamento de minha prática psicológica . tomando falta de credibilidade em que estava.na direção do "fenômeno puro". Não é . Correto seria dizer: Com isto fica claro seu lugar no campo dos saberes de Filosofia sou psicólogo e soufenomenológico-existencial. Isso remete a uma' questão aberta anteriormente. significando claramente um Abandonamos definitivamente o solo da psicologia.! ! • existir. Já abordagem vem do francês abordage. .'Como posso eu. o de Heidegger. É a podem ser muito mais encobridoras daquilo que pretendem investigar do redução transcendental.noto um traço carac- . Isto é. que reveladoras. pergunta.. através dela. Penso que é por isso que os fenomenológos recorrem a essa ciência empírica. entendo que a fenomeno. a Fenomenologia diferencia-se de toda Psicologia. de mos. por dos meus estudos e de minha prática docente encontro com frequência a descrever como determinado fenômeno aparece numa situação específica Psicologia Fenomenológica alinhada com outras perspectivas como mais . pois ambos aconte. . método. constituindo-se mutuamente. as perspectivas e abordagens europeias e propondo uma saída. Fenomenologia como FilosofiaTranscendental tal". da sua obra. fora de mim?' . carga transcen- gem do Pensamento cognoscente ao Ser conhecível. inclusive da psi- viés de olhar para. meu modo de assumir a cimento possível. uma "perspectiva"? Quando eu sigo a indicação de Husserl de que sua meta é voltar-se às coisas mesmas. "sócio-histórico" etc. mencionado ante. colocando nomenológico-existencial' são fruto do equívoco de predicar psicologia. Esta lida go é o mostrar-se diretamente de seu objeto de estudo. a expressão "Psicologia mo constituidora do sentido de toda a:realidade. o que me remete ao Leito de Procusto.da-existência. explicitando . dente . :. lhe é imanente.a que corresponderia a uma psicologia descritiva. Fica claro para mim também que a Fenomenologia de fenomenológica. tomando manifesta a "essência" da subjetividade co- personagem mitológica. 'Psicólogo' indica meu Primeira. compreender-se esse atingir? (Husserl. 1907/1986. Tanto' a ex- pressão 'psicologia fenomenológica existencial' quanto 'psicologia fe.a crise das ciências necessário um captar correspondente. com a significação e é ôntica.-em virtude de sua. Por extensão esta locução marítima nalmente. revelando a condição fenômeno-lógica do existir. isto é. A'Fenomenologia de Husserl é epistemologia. É o próprio fenômeno que aparece. deixar e fazê-Ia mostrar-se como. A Fenomenologia de Husserl desfaz a concepção de uma aborda.complexa e multifacetada. uso da expressão 'fenomenológica' para predicaruma Psicologia exige Husserl considera esta redução o segundo grau da investigação' grande atenção. compreende ainda mais um passo. quanto a condição de ser pois investiga a possibilidade de todo conhecimento verdadeiro. nas minhas vivências um ser em si.~'. cia. . em questão como é possível a' experiência. A investigação deixa para trás os aspectos acidentais. interesse epistemológico. existência minha e daqueles que encontro. A Fenomenologia dá um passo atrás da experiência.pois me interes- "'I.reveladora de ser . atingir significa qualquer tipo de aproximação (Online Etymology Dictionary. A consciência não pura: 'Como pode o fenômeno puro do conhecimento atingir algo que II'i· "aborda" um objeto. que atribuo à fenomenologia: o Existencial significa tanto o pôr em curso uma fenomenologia da existên. abandona a constituição fenomênica Husserl não se apresenta como uma perspectiva ou abordagem.ao estar a bordo de uma embarcação. pois o que interessaria ao psicólo. tendo por objetivo a recuperação da Filosofia da perdição e se do próprio fenômeno. fácticos. Se eu estiver correto. Fenomenologia terístico de meu modo de ser psicólogo. este homem. trar e fazer ver (logos) o que se lhe aparece (fenômeno). que remete cologia descritiva. Diz ele: um modelo teórico. Ao longo circunstancial . A Fenomenologia reflete sobre a possibilidade de todo conhe-. de antemão ambígua. nos termos Como a definição de 'fenomenologia' para Heidegger muda. Seria a Fenomenologia naPsicologia uma "abordagem". Psicologia Fenomenológica EXistencial 167 166 Paulo Eduardo Rodrigues AlvesEvangelista . o método fenomenológico que Husserl elabora ao longo de to- logia é a supressão de toda perspectiva e abordagem a favor do mostrar.

Nas reflexões acima. São refle. que é nele pensado. E a Abordagem Centrada na Pessoa. Psicologia Fenomenológica Existencial 169 168 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista .dando ao homem um lar..uz to diante do ser (mundo. no sentido de que através desta reconstituição o mundo perde- ria seu caráter contingente. Parmênides no Poema. xões diferentes e têm sentidos diferentes a Fenomenologia. tal como indicado por É somente uma significação. Sua resposta é que subjetiva. elimina-o. tão indicada como veículo A intencionalidade da consciência responde a um estranhamen. como fica? A l. espanto . p. como pode ser uma se houver. pois o. quando me perguntam sobre do mundo. Tal reconstituição do mundo pela consciência equivale a uma segunda criação. Fenomenologia não pode predicar a Psicologia.como no início da Filosofia na Grécia -. 167). Partindo de um âmbito científico aberto . A indicação da origem das significaçõe~ que I?erfazeI? o r~al ~ão é Fenomenológica. a morada buscada pela Fe. descubro possibilidades abertas pela Fe- tencial. Esseestranhamento pode ser res.o "psicológico". relação com o homem. que significa seu caráter de realidade. A experiência sin~m: ~ão pode ser recusada. (Arendt. Ser e Pensamento. o sentido do que é experienciado Husserl. o aquilo que ele não. enfim. que sou psicólogo fenomenológico exis. o psiquiatra está apoiando-se na pSlcolo~a f~nomenologIca ~e mundo é constituído na consciência. as filosofias exis- Portanto. Na Fenomenologia o homem redescobre- -se criador do mundo. expressa a hybris . realidade) aí. O·pensamento tem a priori uma harmonia com o até a objetividade é uma significação constituída fenomenologicamente.~encla chamada pela filosofia de 'realidade' ou 'mundo'. o suficiente para eliminar o estrangeirismo existencial e a inospitalidade tencial. r : 1994. produzindo novos conhecimentos mais coisas são e de que eu existo não encontra resposta definitiva. A explicação causal busca recuperar uma harmonia perdida não é ele quem determina a essência dos mesmos. minha "abordagem" de trabalho. o psicólogo não pode misturar alhos com bugalhos. Penso que é a mesma hybris que eleva a razão e crê na . Mais precisamente. fenomenológica delineada por van den Berg '. pode ser: criador do mundo e de si mesmo" (Arendt. assim como o ponto de ~ptura e~tre ~- O objetivo do fundador da Fenomenologia é.reflexõ~s ant~n~- nhecidos. tenciais sublinham seu caráter de incontornável e insolúvel (Arendt. Neste . num modo tão inconspícuo.contexto. desta apresentação da fenoinenologia husserliana e ~s.. com seu entorno e consigo mesmo. o que eles são. 165) Arendt considera este esforço uma nova tentativa de fundar um Humanismo. cia. Também não cabe ao psicólogo refletir sobre a possibilidade de tal ciên. mas. Descubro meu equívoco ao afirmar. retomo-a para nela buscar seus traços fenomenológicos e existenciais.Fenomenologia fornece uma resposta para esse enigma. da fenomenologia existencial na Psicologia brasileira.a Psicologia -. criado por ele. a Fenomenologiaresgata a intimidade entre menos para cada pessoa. o Existencialismo e a psicologia fenomenológica exis. Ser e Pensamento são um. Enquant~ a correspondentes ao modo de ser de seu objeto temático. a Psicologia 1994). p. homem e mundo. . 1994. revelar bas. Por outro lado. O que as coisas são é constituído na muito menos suplantada por uma suposta ~bJetlVldade. que é a investigação da constituição dos significados dos feno- surge na consciência. nomenologia para a Psicologia. seu papel é nomenologia de Husserl nunca é encontrada. isto é. ~s~ério de que as de levar adiante as pesquisas. evidente na literatura e na arte do fmal do XIX e no XX e nos Existencialismos.:moderna de "fmalmente tornar o homem. e não apareceria mais ao homem como um mundo dado. possibilidade de entender todo comportamento humano explic~do-o I?or o psicólogo lida com os "fenômenos psicológicos". uma perspectiva. A re-união de consciência e mundo. sensação de mal-estar. Ao d~fender a exp. cujos origem e sentido são desco. sendo que suas causas. Assim. O contato com a filosofia toma mais claro o sentido da PSlc~~o~a como são produzidos os sentidos da totalidade de fenômenos possíveis.