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Miriam Dolhnikoff

IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura

DOSSIÊ
Miriam Dolhnikoff*

O processo de construção do Estado nacio- O objetivo deste texto é recolocar essa dis-
nal no Brasil, no decorrer do século XIX, envol- cussão em outros termos. Esta pesquisa deriva de
veu uma série de fatores complexos, incluindo trabalho anterior no qual foi analisada a organiza-
perspectivas diferentes sobre qual deveria ser seu ção institucional do Estado brasileiro no século
perfil institucional. Nesse contexto, a opção pela XIX, de modo a averiguar a forma de inserção das
monarquia constitucional foi a derrota da repúbli- elites provinciais no jogo político. Utilizando o
ca, mas sem que a elite política abdicasse, pelo arcabouço conceitual da ciência política e uma vasta
menos em seu discurso, da adoção de um governo pesquisa documental, de modo a examinar não
representativo. O modelo de monarquia vinha da apenas o discurso dos políticos, mas também a

CADERNO CRH, Salvador, v. 21, n. 52, p. 13-23, Jan./Abr. 2008
Europa, onde, a partir da experiência inglesa e da dinâmica desse Estado, concluiu-se que predomi-
revolução francesa, estava associado à representa- nou, no século XIX, um arranjo de tipo federativo.
ção política dos diversos setores da sociedade atra- O que significava, entre outras coisas, a capacida-
vés do parlamento. Contudo, a presença da escra- de de as elites provinciais participarem do jogo
vidão, a fraude e a violência nas eleições, o Poder político nacional através da sua representação na
Moderador, com sua atribuição de dissolver a Câ- Câmara dos Deputados (Dolhnikoff, 2004). Essa
mara dos Deputados, levaram os historiadores a conclusão colocou a necessidade de repensar o
desconfiarem da afirmação dos políticos papel da Câmara na condução do Estado e consi-
oitocentistas de que estavam construindo um go- derar a hipótese de que ela efetivamente foi um
verno representativo. espaço de negociação de conflitos intra-elite e de
formulação de políticas nacionais. O que, por sua
vez, passa pela análise do conteúdo do governo
* Doutora em História Econômica pela USP. Professora
do Departamento de História da USP e pesquisador do representativo no Brasil dos oitocentos.
Centro Brasileiro de Análise e Planejamento-CEBRAP. Este texto apresenta os primeiros resulta-
Cidade Universitária - Butantã - Sao Paulo, SP - Brasil.
miriamdk@uol.com.br dos da pesquisa, perseguindo a hipótese de que a

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assim. em geral. França e Estados Unidos. composta quase exclusi. n. Autores como Bernard Manin. as modernas. Da França vieram a divisão 14 . 13-23. seria possível porânea. mas apontar elementos que ajudem a formular brasileiro. A abordagem histórica permite via a Câmara dos Deputados. culo XIX. submissa a ele. o governo represen. a iniciativa políti. é útil a aproximação com pessoal. conflitos intra-elite que determinaram a dinâmica ral. são de espe- também como atribuição do quarto poder. no final do século XVIII. 21. e Giovani Sartori ressaltam o caráter elitista dos vo. mas também jogar novas luzes sobre os dagem pessimista dessa primeira experiência libe. uma abor. evita-se o risco de anali- vamente por deputados pertencentes ao partido sar o caso brasileiro a partir dos padrões de repre- no ministério e. Ao contrário. política. no com o modelo de representação política predomi- exercício do Poder Moderador. o governo representativo se opu- tendo em vista os modelos vigentes no século XIX. Bernard Manin. conseqüentemente. e. de modo a analisá-lo de acordo tativo era falseado no Brasil na medida em que. de um lado em harmonia com os ferentes concepções de representação? Neste tex- modelos que lhe serviram de inspiração. de outro to. Hanna Pitkin presentação do governo. nante nos oitocentos. sendo esta uma variação que surgiu ape- eleger uma nova Câmara. tal como ele era perguntas: Que tipo de representantes eram sele- entendido no século XIX. Salvador. ca estava concentrada nas mãos do imperador. nas no século XX. o imperador no. na ausência dela. Para parte dos historiadores. 52. em comparação com seus de restrições à participação. Segundo essa visão. acabou prevalecendo um arranjo o peso da Câmara dos Deputados na formulação peculiar que combinava características dos mode- da política nacional? Essa última pergunta é de los inglês e francês. a partir especificidade. não pretendo responder a todas essas pergun- ganhando especificidades ditadas pelo contexto tas. e a Câmara eletiva deixava de ser o espa. nha à democracia ateniense justamente porque é vantajoso na medida em que coloca novas ques. cial interesse. O governo representati. dada a magnitude de atribui- critérios definidos como essenciais para a existên. Os estudos baseados na com- meava livremente o ministério. a ciência política. Graças ao uso desvincular representação de democracia contem- indiscriminado da fraude eleitoral. am restrições e controles estranhos às democraci- 1985. Faoro. IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura monarquia constitucional brasileira preenchia os especial relevância. congêneres europeus e norte-americano? Qual era No Brasil. nascimento. Jan. nos quais prevaleci- ço de formulação de políticas nacionais (Holanda. da importação inadequada de mode. cionados através das eleições? Como isso afetava a minho para uma nova compreensão do período formulação das políticas nacionais? Quem eram que não seja pautada pela idéia de falseamento das os representados? Quais os interesses em jogo? instituições. trata-se de averiguar como das influenciavam as decisões parlamentares? o desenho institucional previsto na constituição Como os conflitos intra-elite se traduziram em di- se concretizou. guinte. ra. dissol. Barman. Em que medida imprensa e sociedades organiza- los alheios. de modo a não apenas conhecer me- A historiografia que tem se dedicado ao es. as respostas. O que significa abrir ca. ções da Câmara naquele período e leva à novas cia de um governo representativo. p. Como aponta política era uma realidade no regime monárquico. lhor o funcionamento do Estado brasileiro no sé- tudo da história política tem. não expressaria efetivamente a vontade governos representativos organizados na Inglater- popular. selecionava uma elite que se acreditava capaz de tões para a pesquisa sobre o período: Qual era sua agir de acordo com o interesse nacional. 1987. Assim. sem compromisso preensão do governo representativo a partir do seu com a maioria parlamentar. Para compreender o arranjo institucional do em vista o que ficou conhecido como poder brasileiro do século XIX. ten. 2008 Esse mecanismo retiraria qualquer caráter de re. v./Abr. sentação que só foram formulados no século se- CADERNO CRH. Também não se tratava de uma emu- Aceitar a hipótese de que a representação lação das democracias antigas. 1985).

Dessa qualidade depende o título de membro da co- ção total (excluindo os escravos) tinham direito de munhão. 2008 2o.. 52. votavam nos deputados. e. do ministério pelo rei não precisava corresponder mesmo com função apenas de legitimação.363). diz respeito ao universo de votantes. e ser excluídos da representação. lecente no século XIX. bém se tornava natural. (Rosanvallon. nas assembléias elei- torais. De todo modo. não pessoas. uma solução intermediária. que só reúnem a cen. vos do sul dos Estados Unidos. pela qual 15 . na Itália. com uma câmara eletiva temporária padrão de participação no Brasil não se apresenta- e outra vitalícia. por sua vez. o eleitorado brasilei. se- França e da Inglaterra veio o voto censitário.Miriam Dolhnikoff entre cidadãos ativos e passivos. . as de segundo grau.5% (Carvalho.. privado da atividade de seu direito civil. O mesmo problema foi enfren- que. Salvador. 2. Alencar. se França e da Inglaterra veio a monarquia constitucio. advogava que o escravo sequer deveria ser volucionária. co (Alencar. Só esse último é efetivamente uma deci. que é regulada pelo censo das pessoas (Madison. Mas é preciso tomar com cuidado essas O escravo estava fora da sociedade civil e. p. primeiros tinham direito de voto. Da gundo lei aprovada em 1846). que o indivíduo se acha voto. seguindo-se o modelo adotado na França re. 1993. enquanto os votantes de 1o. p. Da tantes (cada 40 votantes escolhiam um eleitor. o voto contabilizado no cálculo da população que deve- de primeiro grau tem uma natureza distinta do de ria servir de base para estabelecer o número de CADERNO CRH. grau. Acabou prevalecendo. escolhiam deputados e senado.89). eram apenas 7%. conforme aponta José Murilo de Carvalho./Abr. antes de cidadão. a inspiração federativa que mais amplos da população no jogo político. o nal bicameral. não cabia considerá-lo como membro da das em dois graus (votantes escolhiam eleitores sociedade política. as verdadeiras eleições Madison argumentava. pois. Hay. sendo que só os distintas. neste ponto. por sua vez. No Brasil. 1997. vam serem os escravos contabilizados para efeito Não se pode comparar como iguais a parti.174). p. Desde. fica vir- tualmente impedido de exercer o direito políti- Em torno de 1870. v. sua incapacidade política derivava. portanto. Como aponta José de deciam ao espírito da época. o voto à maioria parlamentar. Jan. na Holanda. Como aponta Rosanvallon. Ha- as assembléias primárias não fazem mais que milton. de acordo com o recenseamento de 1872. Madison. grau exer- cem apenas um papel de legitimação do processo os escravos são considerados propriedades. tornava os deputados representantes dos interes. de modo a garantirem cipação dos votantes de primeiro grau no Brasil para seus estados um número maior de represen- com a participação em eleições em países onde o tantes. Também da França veio o modelo ria tão superior ao padrão europeu. 21. que reivindica- 1999. n. No que de tudo. Dos Estados Unidos veio. na constituição nor- pleito era direto. tomarmos apenas os eleitores de segundo grau. Devem. tado nos Estados Unidos. deputados a que cada estado teria direito: são política. que se fundam na proprie- dade. 2%. antes ro não estava fora dos padrões do período. na Inglaterra. de cálculo da população. res). ser incluídos em cál- eleitoral: culos de tributação. Na concepção de cidadania política preva- ses provinciais. designar os eleitores: procedem somente a uma espécie de legitimação original do procedimen- to representativo. da incapacidade civil. provavelmente. 2001). o homem é pessoa. uma de legitimação. 13-23. por exemplo. as eleições eram realiza. 13% da popula. comparações. e a eleição em Considerando que o número de eleitores de se- duas fases. p. a de primeiro grau era uma forma de incluir setores partir da década de 30. onde os votantes votavam nos eleito. gundo grau no Brasil era muito inferior ao de vo- res que. de monarquia constitucional no qual a nomeação dele não se distanciava e não se pode negar que.as pretensões dos grandes proprietários de escra- tésima parte dos cidadãos ativos. outra de decisão. portanto. a exclusão do escravo tam- Uma vez que as restrições à cidadania obe. Porém. São participações de naturezas te-americana. contra têm lugar em outra parte.

nesse ponto. dor. pode existir num grande país sem assembléias O interessante é que. sua preferência pela política por CADERNO CRH.. devido à fraude e à violência. presença do Poder Moderador. mesmo que preenchesse os poder sobre outro era condição para evitar o abuso requisitos para ser eleitor ou candidato. [. visão de poderes. não abuse de seu poder. disso. mes. n. 16 . como vieram no Brasil no século XIX. mas isso de poder e no século XIX. vie- e não é entendida como ausência de interferência. a com- já que sempre foi considerada como um elemento pra de votos (Santos. por exemplo. . é útil lem. a possibilidade de cida. nos Estados Unidos. Salvador. a decisão voltava às mãos do eleitor. desde que A dissolução era coerente com a represen- preenchesse os requisitos constitucionais. tinham direito de voto. numerosas e independentes. com o seu passado de escravo. ou renovar a Câmara de modo a no representativo era condizente também com a modificar a tendência predominante. direito dadania civil. 52. 2008 ministério nomeado por ele.. presentativo: no conflito entre Executivo e centraria a iniciativa política nas mãos do impera. IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura o escravo contava como três quintos de uma pessoa. os libertos. fortes. rante o controle necessário para que o Legislativo dania política. entre outras. p. como se sabe. v. sem dúvida. uma vez que eram atribuído. Como aponta Constant. A di. eles defendida. conseqüentemente.] a violência. convocadas novas eleições para deputados no prazo to de voto. premo. civil gozasse também de direitos políticos.. tipo de governo. ao depositário do poder su- valia para o liberto. e no inte- resse da própria liberdade. Mas questão presente em todas as monarquias consti. o gover. dada era exclusividade brasileira. É bem verdade que o liberto pode. Assim. elevaram-se reclamações contra o direito de dissolver as assembléias representativas.] Nenhuma liberdade. A fraude eleitoral não papel do rei em um governo representativo. o ex-escravo adquiria cidadania ci. pois nem direito de meios infalíveis para prevenir seus desvios ser votante ela tinha.. com atribuições definidas pela com o sistema representativo. Uma o veto do Executivo à lei promulgada pelo vez libertado. através da fraude mento os deputados da legislatura dissolvida. mas essas siderado mais apto do que qualquer mulher. através do voto. [. cumpre preparar mo branca e pertencente à elite. restringia-se a uma geração. além (Constant. 13-23. garantir a eleição de deputados fiéis ao mando. com sua atribuição Caberia a ele. me dos Santos. e a dissolução da câma- se justificava pelo fato de que era aceitável que ra eletiva era aceita como forma de interferência houvesse limites para que o portador de cidadania legitima. uma vez que obrigatoriamente eram Além da escravidão e as restrições ao direi. podia.. e a independência entre eles não era eleição] na Inglaterra. 21. Basta lembrar dos burgos podres brar que a interferência de um poder sobre o outro da Inglaterra. para uma livres no Brasil. tação. Legislativo é um exemplo de interferência que ga- vil e. mas não política. assim. o liberto era con. p./Abr. a existência do Poder Moderador tem de alguns meses. principalmente porque. Como observa Wanderley Guilher- é da natureza dos governos representativos. As mulheres livres. a corrupção endêmica. desfrutavam de ci. e com essa institucionalização [da participação política via Constituição. Legislativo. A restrição ao liberto. 2005. Jan. afir- eleitoral. Era amplamente pra- a natureza hereditária e irresponsável do cargo. assembléias não são isentas de riscos. a fraude. Pode-se argumentar que as eleições não eram to poder era uma solução. é preciso relativizar o papel da fraude como empe- tucionais representativas do século XIX: definir o cilho para a representação. A opção pelo quar. pela da em que é a condição para evitar abusos. No entanto. ticada nos países que constituíram o berço desse Antes de continuar o argumento..31). pois o filho do ex-escravo tinha plenos direitos políticos. ram. O mesmo [Constant se refere à França] como pela consti- tuição da Inglaterra. 1998). Constituição de 1824. de modo que a dissolução signi- sido argumento para negar o caráter representativo ficava o funcionamento essencial do governo re- da monarquia brasileira. reconduzir ao parla- de dissolver a Câmara. pois supostamente con. necessário para o equilíbrio dos poderes na medi- No Brasil. tanto por nosso ato constitucional consideradas intelectualmente limitadas. A interferência de um ria ser apenas votante.

no fun- Dois elementos devem ser considerados para pen. v. cionamento efetivo do regime. da dissolução provavelmente funcionava como um tava de homens ignorantes e. A solução seria a dissolução. apresenta um tos na Câmara (como a Lei do Ventre Livre pro- quadro no qual a fraude parece ser onipresente.] e é de supor comprometer inteiramente o processo eleitoral. Executivo e Moderador não indica a so. interes. Sem querer menospre. Havia. na vo brasileiro. p. 13-23. Salvador. sua extensão.Miriam Dolhnikoff A fraude e a violência obviamente influen. é preciso considerar que Belisário es. 52. é licito um “recurso extremo. Além disso. no século XIX. de modo que foi possível aprovada na Câmara. trou-se no exame das leis provinciais.” estabilidade do regime. apesar das difi- CADERNO CRH. para conseguir a aprovação de seus proje- no Império. Como nota Sérgio Buarque de Holanda..11). As atri- governo representativo era a opção pela criação de buições constitucionais do Legislativo conferiam um espaço institucional de resolução dos confli. por considerar. A eleição periódica de de. quase impossível. era zar a dimensão da fraude naqueles tempos. assim. até o controle da dos de liderança. que a própria carta de 1824 supor que ela não tinha magnitude de ordem a só admite em casos de exceção [.. publicado em 1872. mulgada em 1871 e a dos Sexagenários de 1886) No entanto. o quarto poder não sar a fraude no contexto do governo representati. p. mas pela elite imperial no seu combate./Abr. As decisões de política nacional eram todas 17 . para compreender até que ponto a comprometiam. p. que determinava os recursos para o funcio- interlocutores válidos. com o argumento de que se tra. os deputados impunham resistência à vonta- uma nova legislação eleitoral que eliminasse a fi. portanto. certeza enfrentaria.70). sem assim considerados por aqueles que repre- ciavam a representação. ou meras criações ministeriais” constitucionalidade que. muito alto o custo de. Mas o empenho com que deputados e senado. conforme mentar que essas tentativas eram mera formalida. n. No entanto. contaminava o processo eleitoral. se das próprias elites que os representantes fos. de enfrentar. Nesse sentido. cia. Em primeiro lugar. 1985. com apenas um voto de dife- manter a monarquia constitucional por quase um rença. é preciso avaliar se. como aponta Bolívar Lamounier. (Holanda. mas é preciso qualificá-las sentavam. o alto custo político gura dos votantes. res debatiam a legislação eleitoral denuncia uma Além disso. político da dissolução. É medida em que resultasse no constrangimento da difícil. concen- (Lamounier. portanto. Legislativo. aos parlamentares grande poder de influência no tos inter pares. em determinados mo- de Belisário Soares de Souza. O autor dá como exemplo putados era reconhecida pelos atores como forma a situação de 1862. de modo a conferir estabilidade ao jogo político. Além dis. confidenciou a interlocutores. Por outro lado. Jan. e não indivíduos desprovi. O ministério liberal que o substituiu teria século sem grandes abalos institucionais. uma câmara dividida. desde a elaboração do orçamento regime. 2005. culdades que o ministério nomeado por ele com tivo expresso eliminar as fraudes. O sistema eleitoral mentos. quando um ministério conser- de garantir que a vontade nacional fosse ouvida na vador foi derrubado por moção de desconfiança formulação de políticas. a opção pelo submissão do primeiro aos outros dois. evidencia que. Pode-se argu. de do imperador. na qual Um segundo ponto a considerar em relação contava com o apoio apenas de cerca de metade à fraude diz respeito aos esforços empreendidos dos deputados. 2008 de leis debatidas e promulgadas tinha como obje. mesmo sob a ameaça de dissolu- creveu seu livro com um propósito: a defesa de ção. Uma profusão o imperador decidiu não fazê-lo. acabava sendo um obstáculo à representação. uma que seu uso seguido e indiscriminado poderia vez que este foi um instrumento importante de ameaçar a própria segurança do sistema. havia “interesse em eleger anual. 21. medir o quanto a fraude liberdade de decisão dos deputados. namento dos outros poderes. a análise das relações entre real vontade de normatizar as eleições. O famoso livro a dificuldade do Executivo. sujeitos a freio para que ela não fosse praticada com freqüên- todo tipo de manipulação.

insistia que cabia ao parlamento tinha significativa centralidade política. deve analisá-las de as despesas efetuadas ou não na conformidade forma desapaixonada. em todos os regimes libe- contestação da ordem. em 1882. Por isso. Originariamente.. legitimidade e eficácia para resol. nem limitá-la. etc. assumiam o formato de lei. criação de tributos. anteciparão rendas. No que diz gradual dos escravos. 21. na qual havia uma rápida nos outros poderes. por exemplo.152). porque é neste augusto re. IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura tomadas no parlamento: escravidão. é de mister que os legisladores e o país saibam se os serviços públicos foram desempenhados e à Câmara. organização Esse é um ponto fundamental do debate. a causa da liberdade (Nabuco. 13-23. no parlamento e regime. anos Como afirma António M. 52. nhar. p. p. de modo que os de- intensificou na Câmara na discussão da resposta à putados detinham grande poder de interferência Fala do Trono.. 2002. 04/07/1867. nas institui. A isto acrescia o fato de. ou perder. em 1867. orçamento resultava da própria história das re- ver a questão: voluções constitucionalistas que. nização. quer na Amé- rica. Por se tratar de monarquia constitu.].. p. O abolicionista repudiava movimentos sociais de aprovação devia ser. já estava em discussão no Senado onais. externos e inter. duos pelo Estado só era aceitável se decidida pe- 18 . como tam- do elemento servil. cinto que a vontade do país deve manifestar com mais solenidade. goza também da confi. Jan. que se materializou com a Lei do Ventre Para além da formulação das políticas naci- Livre em 1871. terirão ou farão as despesas que quiserem. nas ruas e praças das cidades. quando o conservador Silveira da Mota ção do governo estava em que nela era debatido e apresentou um projeto nesse sentido. porque o minis. mesmo por via fiscal (Hespanha. Sem esse contraste. 29. Por institucional onde a questão deveria ser resolvida. O que sig- cional. uma das atribuições centrais dos par- lamentos. Na discussão da Câmara. em- tério quer saber se. assim. esta centralidade do ções brasileiras. rais típicos. Hespanha. quer em França. por sua vez. e representantes do país. v. a tô.. a influência decisiva da Câmara na condu- desde 1862. O debate se aprovado o orçamento anual. contento (Bueno. em 1867 os deputados ali- respeito. n. 2004. obras questão da escravidão deveria ser resolvida no in- públicas. terior do arranjo institucional vigente. sendo A emancipação há de ser feita. conferindo à Câmara Mais do que resistir a um projeto de libertação papel fundamental no jogo político. o bom governo deve ter o voto e a confiança dos parlamentares. A institucional. Da mesma forma. p. à abolição da escravidão. p.1 A elaboração do orçamento pela Câmara CADERNO CRH. praticamente todas as políticas nacionais nificava respeitar as competências constitucionais. gozando da confiança dos pregarão. só o parlamento estaria autorizado a não em fazendas ou quilombos do interior. Como muitos deputados insistiram em seus discursos: lembra Pimenta Bueno. Os ministros pre- relação à política do ministério. criarão créditos./Abr. e sua a decisão de como e quando abolir a escravidão. o orçamento depois. entre nós. foram desencadeadas por ações anti-fiscais. por a tributação uma ofensa à propriedade e sendo uma lei que tenha os requisitos. força militar. de todas as outras. deve sujeitar suas idéias . Na visão do parlamentar: do respectivo orçamento [. É. que. reconhecendo. buições contra a ingerência do Executivo. bém porque cabia à Câmara fiscalizar os demais nica foi a defesa do parlamento como o espaço poderes na execução do orçamento aprovado. Não apenas ao aprovar os meios menção à necessidade de se resolver o problema materiais com que eles poderiam contar. Salvador. que se há de ga. esta última um valor constitucional cardinal do nos. 1988. A extração coercitiva da riqueza dos indiví- 1 Anais da Câmara dos Deputados.40). Joaquim Nabuco. sem contas devidamente processadas e tomadas. os orçamentos são meras Pronuncia-se a câmara com toda a franqueza em e insuficientes formalidades. em suma disporão dos recursos do Estado a seu ança do mesmo país. sem essa prova real. cabia à Câmara também analisar o ba- O deputado Martim Francisco expressou o que lanço geral da receita e da despesa realizadas.190). 2008 eletiva é da essência dos governos representativos. essa razão. a nhavam-se na defesa do parlamento e de suas atri- opção por uma emancipação gradual e com inde.

a lei de 1875. a lei de 1855. 13-23. não adoção foi justificada pelo deputado Andrada 3 Anais da Câmara dos Deputados. a sa na discussão sobre a legislação eleitoral. do governo representativo: o tipo de representa. que introduziu o deputado Andrada Machado apresentou o projeto título de eleitor. 19 . e introduziu a exigência de ção que deveria prevalecer e a independência en. Os três temas respondiam a rigoroso o processo de qualificação dos eleitores. a maioria teúdo quanto ao grau de representatividade. e a lei de 1881. então em discussão. e preocupações de fundo. nesse ponto. referindo-se à fraude: tões mencionadas acima permearam todo o deba- . O que indica como as refor. 52. Os três temas freqüentaram os de. Salvador. A lamentares quanto a esse item: a fraude eleitoral.3 deputados faziam opções diferentes.. afirmava.Miriam Dolhnikoff los seus representantes. vam manipular as eleições. Ao seguir. por exemplo. v. corrigir as faltas do governo democrático. o voto distrital foi um tema im.2 O debate parlamentar evidencia também a existência da preocupação da elite política com a O mesmo argumento seria utilizado em 1855 qualidade da representação nacional. cujo foco essencial foi regrar a qualifica. ser alfabetizado. Na medida em que. no sentido por aqueles que eram contra a Lei dos Círculos. embora ele só fosse introduzido na lei cia das outras classes: ela substitui legisladores hábeis a outros inteiramente incapazes de qual- promulgada em 1855. quer função legislativa./Abr. Ela capacitou-se que semelhan- poderia realizar seus programas de governo sem o te divisão não faria senão enviar ao corpo repre- sentativo notabilidades de aldeia. poder das multidões um contrapeso na influên- portante. referentes à efetividade a lei de 1881 eliminou a eleição em duas fases. o regime brasileiro incorporava um grande poder de interferência da Câmara sobre os Mas se com este expediente se evitava o mal das corvéias. tre os poderes. A lei de 1875 tornou mais incompatibilidades. Quando. Embora cada uma delas Câmara e que previa a indexação do censo exigido tenha se centrado em pontos específicos. a lei de 1846 indexou em prata os valores exigidos representação das minorias e o que chamavam de para votar e ser eleito. a sua 2 Anais da Câmara dos Deputados. que apostaram na gradativa diminuição do eleitorado afirmava os princípios de cidadania consagrados como forma de combater a fraude. p. do de ampliar as restrições e não o eleitorado. preocupação manifestou-se de forma mais expres. em prata. sendo que os temporário do povo. em diferen- tes momentos. entre dade da representação era considerada resultado outras leis. Uma representação apresenta ao ção dos votantes. as opções adotadas materializaram-se da qualidade do eleitor. de torná-la eficaz e no sentido de definir seu con. Essa dos deputados optou pelo voto distrital. Um eleitor anal- na constituição de 1824. No caso do voto distrital. excluindo os votantes. sessão de 16/8/1839. o ral que se tornaria a lei de 1846. cia do que estender a esfera a que este governo se pode aplicar.. O Executivo. p. 636. p. é de mais importân- em 1846. e continua a confiança mas eleitorais do império giraram em torno sem. mal informado e pobre era mais va o voto distrital e definia a inelegibilidade de vulnerável às artimanhas daqueles que procura- detentores de determinados cargos públicos (in. Por exemplo. a quali- bates parlamentares desde pelo menos 1828 e. 2008 princípios de cidadania. Machado. sessão de 16/8/1839. Jan. portanto. no século XIX. ao apresentar o projeto de reforma eleito. que adota. n. ao contrário de outros países. que modificou os de reforma eleitoral elaborado pela comissão da CADERNO CRH. uma vez depositada por todo o tempo suficiente para salvar a legislatura das elusões e frenezi pre dos mesmos pontos centrais. em vez de ver- assentimento dos deputados. variando conforme os percalços da prática eleitoral. dessa feita. dadeiras notabilidades provinciais. os políticos brasileiros em quatro mais importantes: a lei de 1846. ba- te. na discussão da lei promulgada ses das eleições populares. em 1846. outro mal maior pareceu a comissão demais poderes. Só que. da seguinte forma: modelo liberal. não dever daí derivar. Foram legislação eleitoral do império caminhou no senti- basicamente três os temas que mobilizaram os par. as ques. fabeto e. No Brasil. o compatibilidade). 21. 636.

ao mesmo tempo. propõe que esforço de garantir a representação minoritária sem CADERNO CRH. A Câmara. uma vez que bas. Jan. ao invés do grande distri. sendo que. ao governo central. dos que cada uma delas envia à Assembléia Ge- ral. ocupação em garantir a eleição das minorias tinha nas suas bancadas. ses da província que representavam quando o tema ropeus e norte-americanos. e estas vanta- uma forma mais eficiente para garantir a eleição de gens relativas à parte que cada uma das provín- minorias no sistema majoritário. pre. ao protestar contra os rigores quantos deputados compunham a bancada de sua do recrutamento forçado que sofria a população província. lhes dizia respeito diretamente. cabia aos representantes. um efetivo meio de defesa de de ser resolvida dentro do sistema majoritário. a par. Uma representação tanto. competente a vontade nacional eram a favor do 1840/1841. que o grau de influência das províncias nas No Brasil. A representação paulista reconhecia.. tendo arranjo institucional fosse fiador da unidade.. eram às vezes Por fim. modo. em 1841. a proposta era que o voto fosse . Assim. 52. consagrado na Constituição de 1824. fluência na política nacional. Como o sistema pro. pela adoção do voto distrital no fato de que o número de deputados de cada em substituição ao que chamavam de voto provin. o que se evidencia sem muita discussão. mais sábios e mais ilustrados como única forma de o parlamento formular de modo 4 Anais da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo. Aque- servar a independência entre os poderes era a ques. no Brasil. uma série de leis foi promulgada de. favorece. interesses provinciais que. enquanto uma meia. não dizentes com suas demandas). Em seus interesses no interior do Estado (mesmo que 1855./Abr. aqueles que defendiam a eleição decisões do governo central era determinada pelo dos melhores. les que estavam preocupados com a representação tão central. distrito grande. ou seja. a representação das minorias foi vistos como em oposição ao interesse nacional. quando. n. cias toma na decisão dos negócios gerais. deveria ser protegida da inter. era sido introduzido só no final do século XIX. no debate que resultou na promulgação da nem sempre conseguissem aprovar medidas con- Lei dos Círculos. como instância eletiva que da diversidade batiam-se pelo distrito pequeno. 21.4 ria o candidato melhor articulado politicamente e. v. assim. 2008 voto proporcional. a defesa dos interes- tivessem cargos importantes no Judiciário e no ses dos eleitores se confundia com a defesa dos Executivo. o número de recrutas exigidos para a forma- ção do exército do Império seja repartido pelas por distritos pequenos. nação. o voto provincial também era distrital. fonte de intenso debate. ferência de integrantes de outros poderes que defender os interesses dos seus eleitores e aquilo porventura se elegessem deputados. XIX. 13-23. Salvador. províncias na proporção do número dos deputa- to provincial. já enviada pela Assembléia Legislativa de São Paulo que cada província elegia um número fixo de de. No paulista. tornaria quase impossível a eleição de can. No en. reflete claramente essa putados e cada eleitor votava em tantos nomes concepção. Para que o novo porcional ainda não era usual na Europa. IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura No que se refere às incompatibilidades. As bancadas tendiam a defender os interes- pações que norteavam também os legisladores eu. parece que semelhante regra deve ser ado- circunscrição ampla. havia contradição entre os dois clarando impedidos de se candidatar aqueles que campos. como a província. o que fica evidente pelo número de deputados que no- taria ter poder local para ser eleito. Sendo um princípio inegável de justiça que Aqueles que a defendiam consideravam essa os ônus devem ser proporcionais às vantagens que se colhem do contrato social. do voto provincial. os parlamentares optaram. desse didatos de grupos minoritários. Muitas vezes. sempre pelo sistema majoritário. assim. acompanhando preocu. conferia representação ao regime através da eleição Na concepção de representação do século dos seus membros. a pre. 20 . província se tornou a medida do seu grau de in- cial. p. tada como a mais justa. que consideravam constituir os interesses de toda a tir de 1855. preciso que as elites provinciais reconhecessem.

ponderantes. nacional. mente àqueles que votam contra o adiamento e as com 20 deputados. tem pois tados por Pernambuco foi tal que até se acusou o uma representação igual a de 10 províncias do meu honrado amigo.5 província não estavam em jogo. em 1850. em neutralizar esses inconvenientes e perigos ou a reforçá-los? Enquanto as eleições continuarem a geral. sua argumentação continuava no sentido de Pernambuco. tares na representação dos interesses provinciais ao exercer sua atribuição de controle da CADERNO CRH. pautava sua atua- luta com o governo central e por em dúvida a ção tendo em vista os interesses de sua província e. tanto em uma como noutra câmara. dura discussão sobre a constitucionalidade de uma da a que cada província tinha direito. com bancadas menores: conseqüência. Santa pode haver acusação de espírito de Catarina 1. com uma representação de caráter nacional. etc. Pimenta Bueno fazia a defesa do voto sitos: extração social. 21 . Goiás 2. O que sig. pertencentes como são a di- 5 Anais do Senado. de se deixar eivar do espírito do que na câmara dos deputados a província do provincialismo na questão de que se trata. n. afirmava que: A província de Minas tem na câmara dos depu. [.Miriam Dolhnikoff número de deputados que elegia. haverá. Obviamente. e. Por exemplo. Jan. Brasil. Dessa tensão resultava que o mesmo deputa- tos.) Ora. filiação distrital alegando que as grandes províncias tinham partidária. 52. e sim mais do Essa concepção de representação esteve pre. Em das pequenas províncias. que têm interesses distintos e opos. Os divergentes. p. o debate parla- força. a resposta não pode ser duvidosa. aqui. Mato Grosso 2. A tensão ocorria na medida em que essa oscilação gerava expectativas Ao apontar o papel das bancadas parlamen.. Pará 3. sessão de 18 de julho de 1855. deputado pela Bahia e au- Brasil. como atualmente são.] Este é nosso es- tado. em favor do projeto. A representação proporção alguma razoável quando uma só pro- víncia influi no parlamento brasileiro tanto como na Câmara tinha. aquilo que considerava ser o interesse influi o atual sistema eleitoral? Tende a corrigir e nacional. Pimenta Bueno associava constitucionalidade. 13-23.. era preocupação central a garantia de eleição de representantes portadores de virtude que O que vemos porém no Brasil? Vemos a par de os habilitasse a atuar de acordo com o interesse pequenas províncias outras consideráveis. lei promulgada pela Assembléia Legislativa de ma. guindo. v. opostas no interior do debate. deputado pelo Rio de Ja- desproporcionalidade: neiro. por essa razão. em determinado momento. 2008 frente o governo central. a concepção burkeana: cabia a eles enquanto o voto por distrito pequeno resultaria identificar o bem comum e legislar de acordo com em bancadas fragmentadas. Salvador. Alagoas 5. dez outras?Não direi mesmo tanto. ele. de fazer valer seus mentar assumia papel crucial no enfrentamento entre interesses frente o governo central. A suscetibilidade dos honrados membros depu- tados 20 representantes e no senado 10. 6 Ibidem idem. Paraná 1. indivisibilidade do império.. têm interesses sente na discussão do voto distrital em 1855. Estados pre. Na discussão. Dessa for./Abr. os deputados enfrentaram uma a discussão do voto distrital ao tamanho da banca. provincialismo a este respeito não cabe certa- Sergipe 2. Claro está que o que cada qual considerava ser ação ao invés da imposição dos interesses de um o bem comum variava de acordo com diversos que- setor apenas. 21.6 defensores do voto distrital (distrito pequeno) ar- gumentavam que o distrito grande favorecia a exis. origem provincial. tomada quando interesses específicos de sua ser feitas por províncias. nificava que as províncias com maior número de Os deputados eram representantes da nação.. que dez outras. conteúdo territorial. assim.. como que nacionalidades diversas. favorecendo a negoci. Piauí 2. A representação dos eleitores convivia. que relativamente são grandes Estados. em detrimento posições e na formulação da política nacional. Se Amazonas tem 1. por isso que os vinte representan- tes destas não se ligam entre si. através do parlamento. (. o conservador João salientar o que considerava uma injusta Manuel Pereira da Silva. ao todo 10 provínci. no tência de bancadas provinciais coesas. se- deputados imporiam seus interesses aos demais. essa última posição era. com for- ças desproporcionadas e capazes de entrar em do. porventura. definido por eles próprios. pois tor do projeto. não têm a força de seu número. inconveniente e perigoso: e como sobre ele em outros. Espírito Santo 1.

a Câmara dos Deputados viabilizou a relação cas dos governos representativos está no fato de de legitimidade entre população e governo. “his duty is to pursue both local and national interest. dessa forma. e tornou-se espaço de negociação de confli- tem com o representado uma relação de imposi. a cidadania e a representação. sessão 23/5/1850. como se procurou de- der os interesses de suas províncias. ou do Rio zar as instituições. 1852). mas sim aos ilustres deputa. Manoel de Assis Mascarenhas. Salvador. 13-23. que nós somos representan- va a monarquia constitucional representativa. José Antônio Pimenta. por exemplo. 2008 fender seus interesses. um governante da nação. the other because his job as (Aceito em março de 2008) representative is governing the nation” (Pitikin. v. tal tes da nação. ção. a Câmara de Deputados era./Abr. era vista como o ins. A opção por um governo represen- A Câmara dos Deputados. lançada de O Poder Moderador. mas também é verdade que deve. Seus representantes lá estavam para de. o espaço de representação dos REFERÊNCIAS BARMAN. tos através da formulação institucional de políticas. funcionava como desqualificação da escravidão e o voto censitário não eram incompatí- posição do oponente.interesses dos representados e o espaço de formu- dos por Pernambuco. assim. situação bem sintetizada por se pensava. BUENO. mas fazia sentido justamen- veis com o modelo de representação política do te porque as bancadas mobilizavam-se para defen- século XIX. de modo a adaptar os modelos de Janeiro. Stanford: Stanford University Press. 52. líticos brasileiros acalentaram projetos distintos.7 era formular as leis às quais todos. entretanto lação de políticas nacionais. Sua função precípua querem que elas permaneçam. contudo. mos mais particularmente advogar os interesses de nossas províncias porque estamos de ordiná. sempre um Cumpriu. a parte a parte. Jan. n. leiro. ção. por ser que o representante é também governo e. do rei ao mais humilde dos brasileiros. senhores. A acusação de provincialismo. ao mesmo tempo. Direito público brasileiro 22 . de modo que monstrar. idem. 21. esta- a Câmara dos Deputados se tornava a instância no vam presentes nas experiências européias de go- interior da qual as elites regionais podiam intervir verno representativo (fraude e voto censitário) e na política nacional. D. E estavam estavam compenetrados de sua condição de repre- presentes porque não afrontavam a forma pela qual sentantes da nação. deputado pelo O Poder Moderador. qual o modelo prevalecente no período. que reconhecendo que são ilegais essas leis de sua província. com exceção do Poder Moderador. p. Ao mesmo tempo. Brazil. o papel que suas congêneres cum- agente da localidade que o elegeu. No processo de construção do Estado brasi- CADERNO CRH. p. Ao contrário. Roderick. por isso. eletiva. IMPÉRIO E GOVERNO REPRESENTATIVO: uma releitura versas províncias. disputas de interesses entre os diversos setores da trumento pelo qual o povo participava do governo elite. 1988 8 Ibidem. Mas uma das tensões bási. The forging of a nation (1798- 7 Anais da Câmara dos Deputados. norte-americanas (fraude e escravidão). a fraude eleitoral. apesar de restrito às experi- Rio de Janeiro: ências brasileira e portuguesa. no representativo centrou-se na forma de organi- resses delas. mas também aos interesses da província que tendo em vista concepções diversas de represen- o honrou com os seus votos para ter assento nesta casa.218). Os po- assembléia provincial de Pernambuco que ele entende que vai de encontro não só à Constitui. Assim.8 tação e diferentes interesses projetados na ordem institucional. o desafio de construir um gover- rio mais habilitados para conhecermos dos inte. também não falsea- É verdade. como também priram na Europa e Estados Unidos. do país. No Brasil. como órgão de tativo permitiu trazer para o interior do Estado as representação por excelência. Portanto. proponha a revogação de um ato da conhecidos à realidade específica do país. 1967. O representante é. the one because (Recebido para publicação em janeiro de 2008) He is a representative. não se deve censurar que um deputado da Bahia. então. teriam de se submeter.

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