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COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS 

XXVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE GRANDES BARRAGENS 
RIO DE JANEIRO – RJ – 25 A 28 DE OUTUBRO DE 2011 
RESERVADO AO CBDB 

MONITORAMENTO E HISTÓRICO DAS INFILTRAÇÕES NO DIQUE II DA UHE
CANA BRAVA

Karina GUIMARÃES LOPES
Engenheira Civil – Leme Engenharia

Juliana FRANCISCA CORRÊA
Engenheira Civil, Msc – Leme Engenharia

Márcia COLLARES MEIRELLES
Engenheira Civil, Msc – Leme Engenharia

Cesar SCHMIDT GODOI
Engenheiro Civil – Leme Engenharia

RESUMO

O trabalho a seguir apresenta uma análise do comportamento do Dique II da Usina
Hidrelétrica Cana Brava, localizada no rio Tocantins, em Goiás, no que se refere às
infiltrações existentes na estrutura. Esta análise também foi realizada em relação às
soluções implementadas para direcionamento da água de infiltração a jusante desta
estrutura. Para realizar as análises foram utilizados dados de instrumentação desde
a época da construção e enchimento do reservatório, além do monitoramento visual
da estrutura. Os resultados obtidos comprovam um comportamento estável da
estrutura. A execução das soluções não provocou alterações nos dados de
instrumentação, mas auxiliou o seu monitoramento e deu um direcionamento para a
água evitando o acúmulo no pé da estrutura.

ABSTRACT

The main objective of this paper is to evaluate the seepage through the main section
and foundation of the Auxiliary Dam II of Cana Brava Hydroelectric Power Plant,
located on the Tocantins River, in Goiás. This paper also presents the solutions
implemented to conduct the seepage that occurs downstream of this structure. To
perform the analysis were used instrumentation data from the time of construction
and filling of the reservoir, in addition to visual monitoring of the structure. The results
obtained prove an stable behavior of the structure. The implementation of the
solutions did not cause changes in the instrumentation data, but helped to do a better
monitoring of the area and gave a direction to the water, preventing the accumulation
on the toe of the structure.

XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  1

COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS 
XXVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE GRANDES BARRAGENS 
RIO DE JANEIRO – RJ – 25 A 28 DE OUTUBRO DE 2011 
RESERVADO AO CBDB 

XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  2

logo após o término do trabalho de aterro da Barragem Principal e Diques. Já o monitoramento visual é feito através da realização de inspeções anuais por uma equipe especializada. O término do enchimento ocorreu nos primeiros dias de abril. o monitoramento existente desde a execução desta estrutura. nível d’ água e vazão de infiltração. A Usina Hidrelétrica Cana Brava está localizada no Rio Tocantins. em operação desde 1998 e a montante da UHE São Salvador. 333. O objetivo geral deste trabalho é apresentar uma metodologia de auscultação de Barragens. até 2011. e que dentre outros. quando todas as unidades geradoras entraram em operação comercial para o sistema integrado de energia. bem como fornecer indicativos de problemas estruturais através do monitoramento visual. uma análise geral de toda a instrumentação instalada no Dique. econômicos e humanos) que podem vir a acontecer caso ocorra o colapso dessa estrutura. medidas de pressão. Essa Lei estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens. Historicamente. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  3 . e uma equipe técnica fixa em campo.  1 INTRODUÇÃO Apresenta-se neste trabalho uma avaliação do comportamento do Dique II da UHE Cana Brava tendo por base. foram utilizados dados da instrumentação instalada na Usina [2]. ultrapassando o nível máximo normal em 11 cm. 2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO EMPREENDIMENTO A construção da Usina Hidrelétrica Cana Brava teve início em junho de 1999 e sua conclusão foi em outubro de 2002. cerca de 46 km a jusante do Rio São Félix. Localiza-se a jusante da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa. além da análise dos dados da instrumentação de auscultação das obras civis desde o enchimento do reservatório. que finalizou em 2002. Para as análises realizadas neste trabalho. importante marco nessa questão. A consolidação dessa importância foi constatada através da sanção da Lei Federal de 20 de setembro de 2010. no Estado de Goiás. promove o monitoramento e acompanhamento das ações de segurança empregadas pelos responsáveis por Barragens [1]. a qual acompanha semanalmente as estruturas civis da UHE Cana Brava. chegando ao nível máximo d’água do reservatório no dia 20/08/2002 atingindo a El. sociais. A importância da avaliação de estruturas deste porte e do contínuo monitoramento está relacionada aos danos (ambientais. dentro do aproveitamento hidroenergético da bacia do Rio Tocantins. entre os municípios de Minaçu e Cavalcante. Essa instrumentação envolve equipamentos que medem deslocamentos. O enchimento do reservatório da UHE Cana Brava começou no dia 21/01/2002.11 m. Esse monitoramento compreende inspeções visuais constantes. Barragens e Diques estão associados a um elevado potencial de risco devido à possibilidade de rompimento.

entre a Barragem de CCR da margem direita e o Tomada d’Água Vertedouro. Cinco. O eixo do Dique é encaixado em uma cela topográfica de ombreiras suaves com pequena inclinação a cerca de 4 km das estruturas principais da Usina. em posição contínua ao circuito de geração. Tipo abrigada contendo três unidades hidrogeradoras tipo Francis eixo vertical com Casa de Força potência nominal de 150 MW. o Dique II é constituído de terra com proteção de enrocamento.00 m.0 m de altura. Túneis Forçados Três túneis a céu aberto. o central com 16.0 m de largura. ESTRUTURAS DESCRIÇÃO Possui estruturas de terra.00 m e altura máxima de 22.  FIGURA 1 – Foto aérea da Usina Hidrelétrica Cana Brava O volume total do reservatório para o nível máximo normal é de 2.00. e uma Adufa Adufas de Desvio com 4. O arranjo da Usina é composto. Possui seis comportas de superfície . TABELA 1 – Relação das principais estruturas da Usina Hidrelétrica Cana Brava 3 DADOS GERAIS DO DIQUE II A estrutura do Dique II está implantada na margem esquerda do rio Tocantins (Figura 2). basicamente. de enrocamento com núcleo de argila e de CCR Barragens (concreto compactado a rolo).00 m. pelas seguintes estruturas (ver Tabela 1) [3]. com coroamento na elevação 336. sendo quatro delas com 5. na margem esquerda.90 m e diâmetro interno 9. em uma região onde predomina o maciço gnáissico.00. Conforme já descrito na Tabela 1.3 x 109 m3 e a área do reservatório de 139 km2.0 m de altura. totalizando 450 MW instalados. Esta estrutura é de gravidade formada por três blocos independentes: os dois laterais com 16. Localizada na margem direita.5 m e. com comprimento da crista de 340. na qual mantinha a vazão sanitária no período de construção. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  4 . Vertedouro localizada na margem direita. na margem esquerda. Todas com comprimento de 53 m. com coroamento na elevação 336. A seção com máxima altura atinge 65 m com a crista na elevação 335. Comprimento médio de 48.0 m.5 m de largura por 11. O Dique I está situado em uma sela topográfica à direita da Barragem de Diques terra e o Dique II está situado em uma sela topográfica localizada a cerca de 4 km das estruturas principais da Usina.tipo segmento e uma comporta ensecadeira. Dois diques de terra com proteção de enrocamento.0 m de largura por 6.

00 m na região mais profunda do talvegue. cujo detalhe é apresentado na Figura 3 e na Figura 4 [3]. Na região central do Dique. atingindo elevações próximas da cota 315. O sistema interno de drenagem desta estrutura é constituído por um filtro vertical de areia (material 3A) com 0.55 m e 1+20. Durante a fase de enchimento do reservatório. foi observado que os níveis d’água naturais situavam-se acima da elevação 310.00 m.00 m. instalados logo a jusante do dique. já se situava próximo e até acima da cota de instalação dos instrumentos de auscultação.00 m constituído de material 3B.55 m na ombreira esquerda. refletida pelas leituras de vazão coletadas nos medidores de vazão MV-501 e MV-502. Isto demonstra que o nível freático regional. protegida por um filtro invertido constituído pelos materiais 4A (transição intermediária) e 4B (transição graúda).  Rio Tocantins FIGURA 2 – Localização do Dique II [4] No perfil geológico através da linha base do Dique II.60 m de espessura na região do fechamento das ombreiras. foi projetada uma trincheira drenante preenchida pelo material 3B (areia). entre as estacas 1+20.80 m de espessura.00 m e 8+45. a espessura do tapete drenante horizontal passa para 1. antes do início da construção do Dique. entre as estacas 0+45. No pé de jusante da barragem. um tapete drenante horizontal de areia (material 3B) com 0. foi observada pela instrumentação a saturação gradual do maciço e da fundação do Dique II.00 m na ombreira direita e entre as estacas 6+30. onde cada um deles capta a vazão de infiltração da barragem.00 m e 6+30. FIGURA 3 – Dique II – Corte típico XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  5 .

0 m (dois metros). a escavação atingiu cerca de 2. para verificar a condição de pressões no contato solo-rocha alterada. e localmente aflorante. Com a finalidade de mensurar esta contribuição. e na outra seção FT-53 a montante e FT-54 a jusante. e que. As curvas de iso- valores resultantes mostraram que existia pouca variação de cota da superfície freática entre os períodos seco e úmido.  FIGURA 4 . Com o intuito de avaliar o comportamento do lençol freático desta região. na margem esquerda foram executados 4 piezômetros (FT-51 a 54) dispostos em duas seções transversais ao Dique II. Em 2002.Detalhe da trincheira drenante de pé do talude de jusante 4 DESEMPENHO ESTRUTURAL DO DIQUE II Nas inspeções visuais realizadas no período de enchimento do reservatório foram observadas zonas com umedecimento e pequenas surgências no talude de escavação e no terreno natural a jusante do Dique. A cota de fundo destes instrumentos foi definida a partir do ponto onde se constatou a presença de água. O local de instalação destes medidores está apresentado na Figura 23. foi realizada uma análise para a elaboração das superfícies freáticas correspondentes aos períodos seco e úmido. Ainda. pois nos pontos mais próximos ao talvegue. FT-51 a montante e FT-52 a jusante. o nível freático permanecia próximo à superfície do terreno. Na primeira seção. As escavações para a implantação do Dique criaram uma condição de drenagem junto ao pé. 9 foram instalados na ombreira esquerda. enquanto que 3 foram executados na ombreira direita. foram executados na fundação 12 medidores de nível d’ água para verificação da condição de saturação e alívio das subpressões na região localizada a jusante do Dique II. a profundidades igual ou menor que 1 m. utilizando-se como dados de entrada as medidas de nível d’água dos instrumentos instalados a jusante do Dique II. A elevada posição do NA e sua independência à sazonalidade climática dão indicativas de que a saturação da região a jusante do Dique II é devido à presença e proximidade do reservatório. foi instalado nas canaletas existentes a jusante dos medidores de vazão MV-501 e MV-502 um sistema de monitoramento destas medidas. Destes medidores. através de medidores adicionais nomeados de MV- 503 (para a ombreira direita) e MV-504 (para a ombreira esquerda). XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  6 . independente da variação sazonal. além de contribuição por jusante de escoamento de água na canaleta de drenagem no pé do Dique.

A seguir. A análise feita em 2005 das medidas de piezometria sugeriu que a saturação devia-se ao aporte hidráulico de montante. Fato provavelmente relacionado à saturação da trincheira drenante do pé do talude do Dique. em 2008 foi recomendado como manutenção imediata. uma vez que este trecho caracterizava-se por um vale aberto com níveis freáticos prévios já altos.1 MONITORAMENTO VISUAL DAS INFILTRAÇÕES Desde o período de enchimento do reservatório. que incluem águas percoladas e superficiais. uma vez que os picos maiores de leitura de 2008 e 2009 tiveram influência direta das épocas com alta intensidade de chuvas. foi constatado pela projetista que a região a jusante do aterro apresentou uma elevação do nível freático com a formação do reservatório. FIGURA 5 – Infiltração margem FIGURA 6 – Infiltração margem esquerda (2003) esquerda (2004) XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  7 . Este comportamento com grande influência da pluviometria e do NA do reservatório vem sendo observado desde 2005. Esse histórico encontra-se dividido em duas situações: da Figura 5 à Figura 12 é identificada a margem esquerda do Dique. consequência da elevação do nível freático. vindo do reservatório e de jusante. a retirada de todo o solo que recobria o colchão de rocha e a colocação de uma camada de brita sobre o mesmo. Após essa limpeza. foi visualmente constatado um aumento nas surgências no entorno das canaletas. é apresentado um histórico fotográfico [5] das condições do talude de jusante do Dique II. Esta região apresentava o solo adjacente a canaleta saturado com pontos de surgência de água. Os medidores de vazão MV-503 e MV-504 não indicaram incremento considerável nas leituras após estes trabalhos. e da Figura 13 à Figura 19 é identificada a margem direita. o comportamento da região a jusante do aterro (margem esquerda e direita) foi objeto de análise mais detalhada em função das vazões medidas. como esperado.  4. Como o terreno a jusante do barramento vinha apresentando-se muito saturado e com acúmulo de vegetação. A análise é apresentada posteriormente e a Figura 24 e a Figura 25 apresentam esse comportamento. Na época.

  FIGURA 7 – Infiltração margem FIGURA 8 – Infiltração margem esquerda (2005) esquerda (2006) FIGURA 9 – Infiltração margem FIGURA 10 – Infiltração margem esquerda (2007) esquerda (2008) FIGURA 11 – Infiltração Margem FIGURA 12 – Infiltração margem esquerda (2009) esquerda (2010) – Após execução das trincheiras XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  8 .

  FIGURA 13 – Infiltração margem direita FIGURA 14 – Infiltração margem direita (2003) (2004) FIGURA 15 – Infiltração margem direita FIGURA 16 – Infiltração margem direita (2005) (2006) FIGURA 17 – Infiltração margem direita FIGURA 18 – Infiltração margem direita (2008) (2009) XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  9 .

6 + 0. A seção 12-12.50 encontra-se entre os medidores de vazão MV-501 e MV-502. localizada na Est. já a Seção 13-13. localizada na Est. medidores de vazão. enquanto que os marcos superficiais estão distribuídos ao longo da estrutura.2 ANÁLISE DA INSTRUMENTAÇÃO ANTES DA EXECUÇÃO DAS SOLUÇÕES O Dique II conta com duas seções instrumentadas com células de pressão total.00. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  10 . encontra-se no lado esquerdo do Dique. piezômetros Casagrande. conforme é apresentado na Figura 20 [3]. medidores de nível d’água. 3 + 58. piezômetros elétricos.  FIGURA 19 – Infiltração margem direita (2010) – Após a execução das trincheiras 4.

o que demonstra que a fundação está completamente XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  11 .  LOCAL DE INSTALAÇÃO DOS MVs VER FIGURA 23 SEÇÃO 12-12 SEÇÃO 13-13 FIGURA 20 . Os valores de cota piezométrica coincidem com o topo do terreno e este patamar já foi atingido a muito tempo. apresentavam um comportamento estável. os piezômetros Casagrande PSP-504.1 Piezometria Na seção 12-12.Arranjo geral do Dique II – indicações das seções 12-12 e 13-13 4.2. PSP-506 e PSP-507 que se encontram instalados na fundação. com suas leituras com valores abaixo dos preconizados como “alerta / atenção”.

instalados a montante do filtro vertical. com uma pequena redução ao longo dos anos. Os piezômetros Casagrande PSP-503 e PSP-505. apenas o instrumento PE-502 encontra-se com suas leituras acima do valor preconizado como “atenção/alerta”. antes da execução de limpeza. Em alguns piezômetros a variação do nível d’água do reservatório se reflete praticamente simultaneamente nas leituras destes instrumentos. bem como a sua carga piezométrica. FIGURA 22 – Seção 13-13 (Est. PSP-511 (localizado no filtro) e os PSP-509 e PSP-510 (localizados a montante do filtro vertical) também apresentam leituras tendendo a estabilização. porém suas leituras apresentam-se estabilizadas a bastante tempo. encontram-se instalados na fundação. 6 + 0. demonstrando um comportamento adequado do sistema interno de drenagem.50) – Leituras do dia 14/03/2008 – Antes da realização da limpeza – Piezômetros Casagrande Os piezômetros elétricos encontram-se instalados a montante do Dique II. Os demais piezômetros. Os demais instrumentos apresentam-se com pequenas variações ao longo dos anos. Já os piezômetros PSP-501 e PSP-502. Os medidores de nível d’ água instalados em 2002 com a finalidade de monitorar o lençol freático no maciço de fundação mantêm um comportamento constante.00) – Cargas piezométricas dia 19/02/2010 – Antes da realização das trincheiras – Piezômetros Casagrande XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  12 . os piezômetros Casagrande PSP-512 ao PSP-515. Na seção 13-13. A Figura 22 apresenta a seção instrumentada bem como as cargas piezométricas antes da execução das trincheiras. A Figura 21 apresenta a seção instrumentada com os Piezômetros Casagrande.  saturada. Nesta seção. FIGURA 21 – Seção 12-12 (Est. mantendo um comportamento estável com pequenas variações ao longo do tempo. com o nível d’água próximo a superfície. instalados no filtro. mantêm as suas leituras praticamente constantes ao longo dos anos. 3 + 58. apresentam valores baixos de carga piezométrica.

Os piezômetros PZ-503 e PZ-504.2 Medidores de vazão A estrutura do Dique II conta com 4 medidores de vazão instalados. Indicativo de boa condição para a estabilidade global da estrutura. Todos os piezômetros instalados nesta estrutura indicam sinais de estabilidade. representam esta contribuição. Os medidores de vazão MV-503 (ombreira direita) e MV-504 (ombreira esquerda) estão instalados nas canaletas de drenagem superficial com o intuito de quantificar a vazão captada pela canaleta de drenagem superficial. Contudo atualmente ambos XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  13 . Da mesma forma que o lado direito conta com os medidores de vazão MV-501 e MV-503. Assim como na Seção 12-12. o fluxo de jusante e as surgências oriundas da saturação da trincheira drenante. Ambos medidores apresentam uma redução gradual de vazão com tendência a estabilização. No lado esquerdo. 4. instalados na parte central do pé do talude de jusante. O local de instalação dos medidores de vazão instalados nesta estrutura são apresentados na Figura 23. instalado para monitorar a vazão incidente no sistema de drenagem superficial dessa estrutura. já que o PZ-504 tem uma carga piezométrica maior que o PZ-503. Os piezômetros instalados a jusante do Dique em conjunto com os furos de alívio fornecem alguns dados importantes em relação a esta parcela de contribuição de jusante.2. onde os da fundação indicam carga maior que os piezômetros instalados no filtro. além do MV-502. MV-501 MV-502 MV-504 MV-503 FIGURA 23 – Dique II – Local de instalação dos medidores de vazão Os medidores de vazão MV-501 e MV-502. os medidores de nível d’ água instalados na seção 13- 13 apresentam um comportamento estabilizado.  Os piezômetros elétricos encontram-se instalados a montante do Dique II. apresentam as leituras bem abaixo dos níveis de atenção e alerta. há o MV-504. Estes medidores não possuem valores de atenção e alerta. PE-506 e PE-507 apresentam suas leituras abaixo dos valores preconizados como “atenção / alerta”. O PE- 505. já que todos indicam valores de freática praticamente aflorantes. pois é muito difícil separar a contribuição do terreno localizado a jusante do Dique e a água que extravasa do sistema de drenagem interna do maciço de terra em questão. Entretanto este instrumento vem recebendo também. tendendo a estabilização. onde o PZ-503 está mais a montante.

  medidores apresentam um comportamento bastante influenciado pelos picos de chuva e pelo nível do reservatório.MV-504 300 350 MV-504 => Canaleta Pluvial da Ombreira Esquerda 270 340 Vazão (l/s) e Pluviometria (mm) 240 330 210 180 320 150 310 NA Reservatório (m) 120 300 90 290 60 30 280 13.MV-503 10 350 MV-503 => Canaleta Pluvial da Ombreira Direita 9 340 Vazão (l/s) e Pluviometria (mm) 8 NA Reservatório (m) 330 7 6.DIQUE 2 MEDIDOR DE VAZÃO .25 0 270 24-nov-03 15-ago-07 13-jan-02 09-set-06 25-jun-09 20-jul-08 29-out-04 04-out-05 19-dez-02 31-mai-10 06-mai-11 Tempo (dias) MV-504 Atenção Alerta Pluviometria NA Reservatório NA jusante FIGURA 25 – Gráfico de Vazão vs. com comportamento constante. UHE CANA BRAVA . o pico máximo chegou a atingir 1500 l/min. estes valores seriam intoleráveis. Tempo (MV-504) XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  14 . fica praticamente impossível definir a parcela de contribuição de cada local.33 4 300 3 290 2 1 280 0 270 24-nov-03 15-ago-07 13-jan-02 09-set-06 25-jun-09 20-jul-08 29-out-04 04-out-05 19-dez-02 31-mai-10 06-mai-11 Tempo (dias) MV-503 Atenção Alerta NA Reservatório NA jusante FIGURA 24 – Gráfico de Vazão vs.88 9. Se esta vazão tivesse contribuição somente da região da barragem.50 6 320 5 310 4. Contudo as vazões medidas no medidor de vazão MV-504 são muito altas. Tempo (MV-503) UHE CANA BRAVA . a vazão média desde 2006 está em torno de 1000 l/min.DIQUE 2 MEDIDOR DE VAZÃO . mas como este medidor capta a contribuição do terreno localizado a jusante do Dique e a água que extravasa do sistema de drenagem interna do maciço de terra em questão.

FIGURA 26 – Dique II – Detalhe em planta – Locação das trincheiras drenantes (sem escala) FIGURA 27 – Localização das trincheiras drenantes – Detalhe 1 (sem escala) FIGURA 28 – Localização das trincheiras drenantes – Corte (sem escala) FIGURA 29 – Seção típica das Trincheiras – margem direita e margem esquerda (sem escala) XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  15 .  5 SOLUÇÃO IMPLEMENTADA Nos pontos de surgências mais intensos. foi recomendado que tais ocorrências fossem encaminhadas aos medidores de vazão centrais através de trincheiras drenantes conforme apresentam os croquis seguintes (Figura 26 a Figura 30) [5].

50m. com profundidade suficiente para a instalação do tubo (tubo de PVC. Nas imagens seguintes são apresentadas etapas de execução das trincheiras drenantes (Figura 31 à Figura 38) [5].  FIGURA 30 – Detalhe típico da canaleta – margem direita e margem esquerda (sem escala) 5. as valas apresentaram 0. é mantido o monitoramento visual e por meio de instrumentos (medidores de nível d’água). com uma pequena inclinação na direção do desnível para o direcionamento da água às canaletas de drenagem superficial. nitidamente notou-se menor quantidade de água aparente sobre a região no espaldar de jusante do lado esquerdo do Dique II. com a abertura de valas transversais ao eixo da barragem.30 m de largura.1 EXECUÇÃO DAS TRINCHEIRAS DRENANTES Os serviços de execução das trincheiras tiveram início em março de 2010. perfurado na sua parte superior) e preenchimento com blocos de rocha. Após a execução das trincheiras. sendo 9 com instalação de tubo de PVC e somente 1 com blocos de rocha. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  16 . Nos locais com maior presença de material fino. Atualmente. a fim de evitar a sua colmatação. foi realizado o revestimento do tubo com tela de nylon. Em média. No total foram executadas 10 trincheiras com o comprimento de 5. Ø100 mm. com o intuito de verificar as interferências da execução das trincheiras com o nível freático da região.

  FIGURA 31 – Locação dos pontos de FIGURA 32 – Vista geral do local após a surgência construção das trincheiras .mar/2010 FIGURA 33 – Início da abertura das FIGURA 34 – Execução de valas valas para canalização da água FIGURA 35 – Instalação de tubo de FIGURA 36 – Trincheira concluída PVC perfurado XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  17 .

  FIGURA 37 – Serviços concluídos a jusante – lado esquerdo Dique II FIGURA 38 – Vista parcial do Dique II após a realização dos trabalhos 5.50) e na seção 13-13 (Est.2 ANÁLISE DA INSTRUMENTAÇÃO APÓS A EXECUÇÃO DAS TRINCHEIRAS DRENANTES Os piezômetros instalados na fundação após a execução das trincheiras mantiveram o mesmo comportamento. As cargas piezométricas da seção 12-12 se referem a data de 14/03/2008. A Figura 39 e a Figura 40 apresentam as cargas piezométricas dos instrumentos instalados na seção 12-12 (Est.00). 3 + 58. as quais se mostram similares às leituras atuais. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  18 . respectivamente. após a realização das trincheiras drenantes. logo após a realização da limpeza. 6 + 0. isto é. a Figura 21 e a Figura 22 apresentaram a situação antes da execução das soluções. Já as cargas piezométricas da seção 13-13 se referem a data de 30/04/2010. Essa separação se deve a área de influência das intervenções em relação à localização dos instrumentos. permaneceram com leituras estáveis. Anteriormente apresentado.

26 2. após a execução das trincheiras drenantes e a situação atual.21 0.34 4.90 1.25 0.31 0. A Tabela 2 apresenta os dados dos piezômetros [2] em quatro datas de referência: Antes da execução das soluções. os dados indicam que não houve influência significativa na piezometria.16 PSP-506 4.a.12 0.c.) (m.20 PSP-504 2.00) – Cargas piezométricas dia 30/04/2010 – Após a realização das trincheiras Ao se analisar as seções é possível perceber que as variações ocorridas nos piezômetros.17 4. evidenciando que a máxima variação obtida nas situações abaixo descritas foi de aproximadamente 0.c. não acarretaram em grandes alterações nas leituras.c.) máxima e a Data (m. quanto de piezometria.5 m.90 1.50) – Leituras do dia 15/08/2008 – Após a realização da limpeza FIGURA 40 .23 0.  FIGURA 39 .11 1.52 4.05 0.73 4.c. Antes da Execução Após a realização Após a execução Atual Variação entre a Instrumento / das Soluções de Limpeza das trincheiras (m. após a realização de limpeza. nível d’ água e vazão.) NA Montante 332.52 0.98 2.41 0.01 0. Isso XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  19 .45 PSP-505 0.) (m.32 0.11 PSP-502 1. Essa tabela constata a conclusão apresentada. Atualmente.15 332.Seção 12-12 (Est.c. devido a execução das trincheiras.a.92 1.a.a.29 4.48 0.39 0.a.16 0. 6 + 0.75 PSP-501 0.11 PSP-503 0.32 0.48 0.Seção 13-13 (Est.81 0.) mínima 14/3/2008 15/8/2008 30/4/2010 26/5/2011 (m.c.48 TABELA 2 – Histórico das cargas piezométricas no Dique II 6 CONCLUSÕES Os resultados obtidos através da instrumentação mostram que não houve mudança significativa tanto nas medidas de vazão de infiltração.89 332.58 4.53 PSP-507 4. 3 + 58.68 331.a.

7 AGRADECIMENTOS (OPCIONAL) Os autores gostariam de registrar seus agradecimentos à Tractebel Energia pela disponibilidade dos dados de instrumentação da UHE Cana Brava. além de uma melhora no aspecto visual da estrutura. já que todas as surgências estão direcionadas para os medidores de vazão. é satisfatório. 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] LEI Nº 12. a necessidade de maiores intervenções. DE 20 DE SETEMBRO DE 2010. A execução das trincheiras drenantes. [4] SOFTWARE GOOGLE EARTH . [5] LEME ENGENHARIA (2002-2011) – Arquivos Internos. manter o monitoramento do maciço e de sua fundação.334. ocasionou.  demonstra o comportamento estável da estrutura. Confirma-se que o comportamento atual do Dique II. por meio da instrumentação e inspeções visuais. infiltrações.Imagem de Satélite UHE Cana Brava (2005). portanto. [2] TRACTEBEL ENERGIA (2002 – 2011) – Dados de Instrumentação UHE Cana Brava. XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens  20 . Não há. 8 PALAVRAS-CHAVES Auscultação. inspeções de campo e das análises realizadas. a não ser. com base nos dados de instrumentação. o encaminhamento da água proveniente das surgências para um local adequado. Esse encaminhamento provocou também maior qualidade na inspeção da estrutura e análise de instrumentação. [3] PROJETO COMO CONSTRUIDO UHE CANA BRAVA (2002). segurança de barragens. instrumentação. atendendo às condições de segurança. o qual é mantido sob observação constante.