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canal*MOTOBOY

www.zexe.net
São Paulo 2007

Realização:

Apoio:

C21
canal*MOTOBOY / coordenadores Antoni Abad ... [et al.] ; textos de Alberto López Cuenca;
Augusto Stiel e Eliezer Muniz ; entrevistas de Vinícius Spricigo ; introdução de Ana Tomé; Inês
Raphaelian e Martin Grossmann; traduções Idália Morejón e Luisa Fioravanti. -- 1.ed. -- São Paulo
: Centro Cultural da Espanha em São Paulo - Agência Espanhola de Cooperação Internacional,
2007.
100 p. : fot. ; 21 cm.

Textos em espanhol e português.
Projeto canal*MOTOBOY idealizado e dirigido por Antoni Abad.
Curador adjunto Eliézer Muniz.
Fotografias pelos motoboys participantes do canal*MOTOBOY.
Exposição Centro Cultural São Paulo.
ISBN 978-85-61284-00-8

1. Arte Digital. 2. Exposições. 3.Conhecimento Coletivo. 4. Coletivismo Urbano. 5.
Comunicação Audiovisual . 6. Entrevistas. I. Abad, Antoni. II. Muniz, Eliezer. III. López Cuenca,
Alberto. IV. Stiel, Augusto. V. Spricigo, Vinicius. VI. Morejón, Idália VII. Fioravanti, Luisa. VIII.Título canal*MOTOBOY
CDD 778 www.zexe.net
Catalogação na fonte: Bibliotecária Vania Santos - CRB8-5039
São Paulo 2007

Centro Cultural da Espanha em São Paulo
São Paulo, SP, 2007

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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

canal*MOTOBOY

Dezembro de 2002, Antoni Abad em visita a São Paulo, volta sua atenção aos inúmeros
mensageiros circulantes da cidade que, como percebeu, “constituem uma rede humana
motorizada que faz possível o intercâmbio de informação na metrópole... artérias informantes da
grande urbe” – os motoboys.
Nos últimos anos, o trabalho de Antoni Abad vem sendo desenvolvido principalmente na
Internet por meio do projeto www.zexe.net, apostando no âmbito das redes. O projeto é concebido
para conviver com este espaço público digital, ambiente completamente em sintonia com esta
“rede humana motorizada” que, munida de telefones celulares com câmera integrada, enviam em
tempo real as percepções de seu cotidiano para o site.
O projeto com os motoboys foi apresentado em diversos momentos para instituições
culturais da cidade de São Paulo, passaram-se quase quatro anos e, durante este período, a
idéia primeira não foi concretizada. No entanto, durante esse tempo de espera, www.zexe.net
articula e hospeda as experiências realizadas em outros locais em “coletivos transmitem de
celulares”, tendo como inspiração o projeto voltado para os motoboys. Em 2004, a atenção do
artista esteve voltada aos taxistas no México e, em 2005, para os ciganos de Lleida e de Leon,
bem como para as prostitutas de Madri. Em 2006, foram as pessoas de mobilidade reduzida em
Barcelona e também os imigrantes nicaragüenses na Costa Rica.
Em maio de 2007, graças à parceria entre o Centro Cultural São Paulo e o Centro Cultural
da Espanha / AECI, com o apoio da espanhola SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural
Exterior) o projeto canal*MOTOBOY tornou-se realidade.
Durante três meses o Centro Cultural São Paulo recebeu um grupo de motoboys para

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suas reuniões semanais em um espaço/instalação idealizado para o projeto por Antoni Abad. O A rota está sendo recalculada
local escolhido foi a grande praça interna que congrega o conjunto de bibliotecas desse Centro
Cultural. Nesse espaço de grande impacto arquitetônico que, de certa forma, espelha o labirinto O motoboy e a economia política do afeto
que é a cidade de São Paulo, o artista, sua equipe e os motoboys estudaram as possibilidades
de realizar projetos coletivos, bem como de canais individuais de transmissão.
Alberto López Cuenca
Coordenaram, também, a publicação imediata dos conteúdos que se propuseram a tratar,
adequando a conectividade da rede à interface dos canais. Durante todo o projeto intercambiaram
experiências e opiniões por meio de mensagens multimídia e conversas telefônicas. Nestes Na atual clássica recopilação do texto Art after Modernism: Rethinking
encontros, os motoboys propuseram atividades paralelas como palestras e mesas redondas com Representation (Wallis 1984), se manifestava já com contundência a suspicácia pós-
profissionais convidados, a exemplo da artista Regina Silveira, que incorporou a obra “Derrapagens”. moderna referente ao lugar que a representação havia de ocupar na prática artística
O projeto gerou efeitos desejados e inesperados congregando, além do grupo inicial, outros agentes contemporânea. Não parecia que a arte deveria passar necessariamente por elaborar
perfazendo e potencializando sua proposição de propiciar canais de participação e expressão aos representações (algo como o cinetismo, a performance, a instalação, a escultura
grupos econômica e mediaticamente desfavorecidos. canal*MOTOBOY tornou-se uma dimensão minimalista ou o land art haviam posto de manifesto), mas melhor se proporia agora
paralela ao caos da cidade, um contra-fluxo de situações singulares reportadas por aqueles que
gerar situações, espaços ou experiências. Neste sentido não era casual o alarme
parecem viver sempre em corrente contínua.
que animava “Art and objecthood”, o beligerante texto onde Michael Fried (1967)
Celebramos, também, na hora desta publicação memória do projeto, a continuidade do desqualificava a escultura minimalista por ser teatral, ou seja, por perder autonomia
canal*MOTOBOY através de um núcleo de motoboys trabalhando em iniciativas coletivas de
âmbito mais abrangente como a ação educativa para disporem com responsabilidade ambiental
ao depender de um espaço circundante que ativara a experiência artística.
dos resíduos das motocicletas (óleo, baterias, etc), visando à preservação dos mananciais de Parecia que a arte não só não tinha que ser a representação de algo, mas que
água do Estado de São Paulo, ação realizada em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental), deixava, inclusive, de estar contida nos limites formais do objeto artístico (da pintura, da
a ONG Ação Educativa e o Centro Cultural da Espanha.
escultura ou do vídeo). Porém, este entretenimento contextual da arte, a heteronímia
Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé que anulava sua pretendida auto-suficiência, não era nada excepcional, pois já havia
sido espalhada pelas denominadas vanguardas históricas do princípio do século XX.
Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da Espanha

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É este o fundo sobre o qual se desenvolvem estéticos. o descrente respeito à posição privilegiada do artista. nem mais nem menos. modos de vida ou. mas em condições muito distintas àquelas que se plantou celular e à possibilidade de transmitir diretamente deles informação via internet. pelo menos. passando pelos construtivistas e os membros artístico não vai além de seu campo de competência. Trata-se.Os artistas dadaístas e surrealistas. o trabalho os documentos remetidos em tempo real pelos membros desse grupo. Redes de sociabilidade Entre eles. A qualidade da arte como ação transformadora. na publicidade e nos cartazes de cinema e no projetos onde se supera a condição onisciente do artista que subscrevem o caráter desenho de jogos de chá e de cidades inteiras. especialmente na medida em que o horizonte de ação da produção quais têm desembocado na articulação de singulares comunidades de colaboração. todavia possível a de captação de essências ou de evocação da realidade (se é que realmente pode ter difusão de estratégias para a ação da arte no terreno da vida social. menos ambiciosas havido só isso uma vez). museus e centros de arte. somado poderia ser concebida nem praticada como um exercício meramente representacional. os originalmente. mas mais diversas. destaca a posição privilegiada do artista moderno para compreender o mundo e incidir simbólica e concretamente sobre ele. Visto desta forma. artística contemporânea põe em questão o mencionado pressuposto. a arte não No entanto. A posição Tive a oportunidade de escrever sobre o primeiro desses projetos. Então redigi 10 11 . repousava sobre múltiplos pressupostos. fazem. performativo e não representacional da arte. no qual um grupo de 17 hoje interditada pela generalizada conversão dele em um especialista da indústria taxistas enviavam imagens. A página reunia e atualizava sem edição ou seleção prévia entretenimento em bienais. seja como produtor de bens santuários ou de experiências para o ócio e o da web de livre acesso. Para isso. documentos de áudio e de texto a uma página simbólica. que se praticamente onisciente do artista para compreender e incidir sobre o mundo está desenvolveu no México D. de reconfigurar os existentes. Antoni Abad tem desenvolvido junto do programador Eugenio Tisselli ao de um imperativo vanguardista de atuar sobre a realidade que tem sido legado à longo dos últimos quatro anos uma série de trabalhos que recorrem ao telefone arte contemporânea. sitio*TAXI. mas levá-la a se introduzir nos interstícios da cotidianidade e modificá-la: alguns dos projetos com grupos e tecnologia celular coordenados por Antoni Abad: nas capas dos livros e atrezzo teatral. portanto não cabe esperar dele da Bauhaus empreenderam em seu dia a tarefa (artística?) de fazer efetivos novos que articule grandes projetos de transformação social. Transformar a vida não poderia ser imitá-la mediante critérios que as modernas.F durante dois meses em 2004. à convicção de que a arte ainda pode gerar sociabilidade. que podemos explicar nos termos de sua capacidade “performativa”. vídeos.

Por outro lado. Em outras palavras. levou a uma série de negociações e conflitos que não são visíveis no material o autor sustentava que alguns artistas contemporâneos haviam-se convertido em audiovisual acessível através da internet. gravações de áudio e vídeo. transformar a imagem que se tem do taxista. instituição mesma do poder se viu sujeita a escrutínio ao criar o canal*PATRIARCA. ao considerar o taxista como etnógrafo. canal*CENTRAL. canal*CIGANO geraria um enfrentamento inusual contra o própria história. Errava. como poder fáctico da comunidade. a É óbvio que o sitio*TAXI opera através de mecanismos de representação. a planificação e a ativação do canal*CIGANO criado em Lleida durante que já não estaria de acordo. não é a visibilidade das imagens na rede. Porém. Antoni Abad pôs em funcionamento mais que outras representações da realidade. mãe até o extremo. imagens. textos. Mais ainda. muito além de constituir uma contraesfera para a negociações com o meio institucional e administrativo que manifestou a conquista do representação. investigadores críticos de sua própria sociedade– e acredito que estava certo ao Para começar. mas a série de a agencia de seus participantes. o modo de operação do canal*CIGANO implicava em questionar a enfatizar que não é o artista que fala em sitio*TAXI. porém seriam confrontados por ela e por sua projeto era modificar representações. Esse tem sido um aspecto constante dos trabalhos que acompanharam sitio*TAXI. o que o sitio*TAXI colocava em ação canal*CENTRAL. fazendo-a voltar a ser novamente aceita por ele. acidentado ou delinqüente ou como um efêmero herói de algum resgate).uma breve resenha sobre sitio*TAXI que levava o título “O taxista como etnógrafo”. seu resultado não é simplesmente “fazer onde se reuniam entrevistas incomodas aos patriarcas em que tinham que se explicar e visível a realidade do taxista” ou “propiciar representações que não cabem nos meios pensar como ciganos ao fazerem perguntas como “o que é ser cigano?” ou “o que é ser de comunicação tradicionais” (certamente o taxista só aparece aí pontualmente como patriarca?”. criava relações sociais e estratégicas telefones celulares e o conhecimento para manter o funcionamento da página da web de subjetividade. Aí se distribuem entre a forte comunidade de imigrantes nicaragüenses eram mecanismos de sociabilidade. ao dar a entender que o efeito fundamental desse em seguir colaborando com o projeto. De um lado. questões propostas que raramente eram consideradas de modo explícito. mas que formam a parte crucial do projeto. Pensando novamente neste título há algo nele que se subscreveria e algo com o Por exemplo. em São José. senão os taxistas por eles mesmos. senão que chamava a atenção os lugares e as condições que podem se encontrar e o tipo de interação que podem sobre os taxistas em tantos narradores de sua experiência e enunciadores de sua manter. sitio*TAXI abria espaço para a enunciação e do projeto. ou seja. Ao longo de 2006. Estes vetaram uma das participantes mero notário de sua realidade. os patriarcas. separação tradicional que se faz na comunidade cigana entre homens e mulheres. Por um lado “O artista como etnógrafo” (2001) –onde 2005. Mais uma vez. Costa Rica. No fundo. Não apresentava ao artista como uma voz privilegiada. entretanto. as entraves legais com os tramites para os celulares: 12 13 .

telecomunicações e imigração ou pela arquitetura urbana. O afeto é. imigrantes e incapacitados). canal*CENTRAL não só fez projetos. comandos extraordinários que recorriam zonas da cidade a princípio não planejadas para se analisadas). revelar. mas da ativação da agência e da produção de relações parecia desembocar no traçado de um mapa. mas que para o deslocamento de incapacitados pela cidade (uma contracartografia frente em sua prática abrem espaço para relações sociais inesperadas e reconfiguradas. mas para gerar a mesma vida na interação das comunidades. para esses autores. bares. incitou a formação de permitido de operar na Costa Rica. é uma questão central na medida em que “o tema” destes projetos não é a elaboração monumentos e estações de metro). ele e Toni Negri em seu debatido documentação fizeram com que a prefeitura se visse forçada a modificar muitos dos livro Império. como forçou modificar transitoriamente sua conquista. na realidade desatou respostas tanto sociais. As ações de O filósofo político Michael Hardt e. Com eles com o redor. Em sua operação fazem manifesto todo tipo de restrição. em 2006 encaminhou-se em Barcelona canal*ACESSIVEL. tendo assim que negociar o espaço tecnológico e um grupo de colaboradores que continuam reunindo-se e trabalhando para o final do legal para fazê-los operativos. em nível coletivo (estruturaram entre os incapacitados. como Economia política do afeto em nível institucional (o mapa saiu reproduzido por meios de comunicação locais e a prefeitura replicou distribuindo um mapa da “Barcelona acessível”). mais tarde. imigrantes ilegais a tarefa de comprovar a residência formalizada no país requisitado Fica patente que para tirar fotos e colocá-las na rede não esgota o alcance destes imprescindível para acessar o serviço de telefonia celular. o mesmo tecido da existência coletiva e individual. Ou seja. ou são impostos foram abertos espaços de ação transitoriamente desregularizados para o exercício e a pelos costumes e pela administração patriarcal do poder ou pelas legislações das enunciação comunitária de um setor da população nicaragüense. Mas não se trata somente de Por outro lado.por tratar-se de aparelhos ilegalmente importados de Miami. um dos bens 14 15 . parques. Apesar de que o trabalho do canal*ACESSIVEL da representação de grupo. de fazer visível a rede translúcida que requisita a vida social (desde as relações onde os participantes elaboraram uma cartografia com os entraves arquitetônicos entre os adolescentes no uso de um celular ou no deslocamento pela cidade). descreveram quais são as esferas características e dominantes da obstáculos arquitetônicos que os membros do canal*ACESSIVEL haviam chamado a produção da sociedade contemporânea. que surge com uma caducidade. Não menos trabalhosa foi pôr em funcionamento para 22 projeto com a constituição da “Associação Acessível”. Está às múltiplas cartografias triunfantes da urbe: de seus museus. porque não apontam meramente fazer possível outras representações da vida visível o controle da comunicação e das fricções técnicas e legais no monopólio estatal (dos ciganos. seu software não estava atenção. canal*ACESSIVEL.

mas também dos aspectos mais íntimos e emocionais do sujeito. por um lado. o afeto não tenha utilidade alguma para os projetos visto que seus produtos são intangíveis: o sentimento de comodidade. sensações de fracasso “vinculante” (“binding element”. o terceiro tipo de trabalho imaterial é o que implica a então se homogeneíza a experiência ao mesmo tempo em que se descartam atitudes produção e manipulação de afetos e o que requer contato humano (virtual ou real). “este trabalho é imaterial. o ou estado de miséria ou desraigo). desejos. este trabalho afetivo desempenha um papel em aponta Hardt. essa indústria do afeto. uma indústria economia global. (Hardt y Negri 316-7) que prioriza um conjunto de estados emocionais e atitudes (bem-estar. O trabalho imaterial do afeto é caracterizado. 95) e implica em áreas produtivas como a saúde. Controlar os modos de produzir e material da produção de bens duráveis é misturado com o trabalho imaterial. A fabricação é considerada como um serviço. o processo de produção mesmo. apesar de estar entretenimento e as indústrias culturais que se concentram “na criação e manipulação totalmente integrada aos modos de produção. contaminado desta maneira. O afeto seria parte do que eles denominam “trabalho bem. aquele que produz bens intangíveis. Finalmente. de como o sistema de relações dos objetos articula a experiência serviço acima da economia informática. excitado. elaborar vínculos de submissão. ou seja. que se faz cada vez mais predominante. mesmo que seja corporal e afetivo. entusiástico – inclusive o sentimento de sentir-se parte de imaterial”. de sentir-se anticapitalistas (90) 16 17 . Em diferentes níveis. A se informatizou e incorporou as tecnologias da comunicação de uma maneira que transforme economia desmaterializada produz e nomeia sensações. O primeiro participa de uma produção industrial que dos indivíduos. pode-se dar conta não só da produção material da vida Resumindo. estados afetivos. O segundo é o trabalho imaterial das tarefas analíticas e simbólicas. simbólicos de retina. não significa rápida”. é o trabalho e posturas economicamente não produtivas. os serviços ou algo ou de uma comunidade” (96). por sua tarefa controle. e o trabalho ou seja. que se divide em trabalhos de manipulação criativa e inteligente. “anticapitalistas”. que. todo o setor de serviço na medida em que se integra nos processos de comunicação Ao dizer que o capital incorporou e exaltou o trabalho afetivo e que o trabalho afetivo e interação sob o título de “tratamento personalizado” seja no banco ou na “comida é uma das formas mais altas de produzir valor do ponto de vista do capital. como o conhecimento. a comunicação. possessão. podemos distinguir três tipos de trabalho imaterial que puseram o setor de social. satisfação) e desestima outras (atitudes de altruísmo. Estes são os três tipos de tarefa que lideram a pós-modernização da totalmente incorporada aos modos de produção contemporâneos. uma indústria do afeto na maneira corporal. Para Hardt. Entretanto. segundo Hardt. modos de subjetividade e sujeição. por outro. e em trabalhos Se à maneira da produção de mercadoria se processam afetos estandardizados. pode ser contestada desde práticas. administrar a vida emocional é. Existe assim.fundamentais da economia atual. Desta perspectiva. de afetos” (95). em última instância. satisfeito.

com as redes de significação se ativa o processo de constituição afetiva e dialógica desta esfera pública. em suas reuniões e discussões a e páginas de jornal às telas de televisão e dos computadores. mais precisamente. a como “acidente”. Desta aproximação taxonomia flexível. Ao enviar contestação e ação que não pressupõem um sujeito livre ideal. Entretanto. finalidade não seja necessariamente a produção de capital. esta caracterização geral: a arte de não ser de tal maneira interpelados por eles. aberta e negociável da informação elaborada por eles e disponível a comunidade é âmbito de produção de vínculos simbólicos. mediático. este espaço público respeito das estratégias do grupo para seguir adiante com seu trabalho. Daí a importância que claro. o lugar de encontro social. textos. canal*MOTOBOY: meios digitais e crítica do afeto canal*MOTOBOY põe em ação um mecanismo de produção simbólica que Desde maio de 2007. alheio aos que se vêem definição da crítica. “proibido” ou “trabalho”. desarticulam hoje redefinido está marcadamente mediado pelo simbólico: imagens. Se a esfera pública. mesmo a esfera pública atual constitui-se fundamentalmente capitalismo avançado. Os signos. sons. o que oferece a possibilidade de armar uma condição sempre inacabada sempre em negociação. Escrevia o francês que. Nessa negociação produção. não por isso transforma- modo de Michel Foucault. mas que sublinhem seus arquivos podem agrupá-los sob o termo chave que eles mesmos decidiram. se registram dentro de mecanismos 18 19 . Por essa razão deve-se entender como o exercício crítico ao como espaço simbólico ou. de fato. O afeto. entra em jogo o grau de implicação no processo de produção de significado: um na atualidade cobram as estratégias que iludem a criação estandardizada de afeto: processo nele no qual se produz níveis em que nos vemos sujeitados (significados) produzem vida afetiva e vida social não programadas pelos modos dominantes de pelos signos e níveis pelo que significamos (sujeitamos) aos signos. A esfera pública é assim construída ao mesmo tempo em que os sujeitos que a significam: sujeição e subjetividade de mãos dadas. clubes de discussão sua seleção e envio de material visual ou sonoro. em um processo paralelo às maneiras de produção imateriais do capitalismo. do sujeito. “e portanto proporia. e desviam a finalidade econômica dos signos e dos afetos na rede produtiva do multimídia. Em tem percorrido desde sua concepção no século XVIII dos cafés. em seu uso. é crucial para a ativação de esferas de sociabilidade cuja de enunciação. como primeira se em um mero jogo de signos inertes e determinantes. são ativados por falantes. 12 motoboys que percorrem as ruas de São Paulo em é crucialmente de consciência subjetiva na medida em que desata um processo sua jornada de trabalho são providos de telefones celulares que permitem tirar de agência e enunciação. mas também afetivos para os visitantes da página da web. usuários concretos. canal*MOTOBOY inaugura momentos efêmeros de fotografias e vídeos para emiti-los diretamente a uma página da de internet. Aqui. a condição conflitante e agnóstica da existência cotidiana de seus participantes. telespectadores.

da representação do grupo que incide diretamente sobre a matriz de produção da Disse a respeito que procura “modelar o meio para que usem outros” e concluía com imagem e da consciência: a prática social e coletiva. a crítica será a arte da não servidão voluntária. distribuição e o diabo”. da indocilidade reflexiva. governados. aproximando-se deles e prática de uma prática e não uma mera crítica de representação. porque possibilita ações que não caem. não é uma mera os mecanismos de poder e verdade. a política da verdade (9-10) Coordenador do Doutorado em criação e teorias da cultura na Universidad de las Américas. isto é. canal*MOTOBOY atua crucialmente como uma arte de ser de Antoni Abad fazia referência ao seu trabalho anterior como escultor e como sua atitude outro modo governada. dos celulares e da a magnitude e alcance das representações hegemônicas do motoboy nos meios internet. é uma crítica da instituição das regras de governo já sancionadas. A crítica. de novo. A crítica teria essencialmente como função a desujeição no jogo do que se poderia denominar. Internet. como todo o estranho. Ou seja. ao evidenciar de resistência às representações mediáticas do motoboy. de comunicação). na fala de Foucault. O uso inesperado dos meios eletrônicos. . dizia a ele um dos patriarcas da comunidade cigana de Lleida. É uma crítica realmente na participantes do canal*CIGANO entrevistar os patriarcas. é posta em marcha toda a novidade. neste caso. dentro ditados. aparece como uma ameaça de desestabilização de mecanismos que iludem a “maneira de ser representados”.governada” (Foucault 8). critica. ou seja.eu diria que a crítica é o movimento pelo qual o sujeito se concede o direito de interrogar a verdade próxima de seus efeitos de poder e ao poder próximo de seus discursos da verdade. canal*MOTOBOY.. não só ativa uma rede por “gajão”. as relações sociais instauradas. como 20 21 . suplantados por outros. Seu trabalho de investigação se desenvolve desde o âmbito da Teoria de Arte e Epistemologia com a finalidade de descobrir os mecanismos de produção. a crítica. permite posicionar-se frente a eles fazendo-os suplantação de umas representações por outras (uma tarefa também sisífica ante patentes e vulneráveis. inaugurando uma dinâmica de elaboração coletiva de escultor caracteriza a maneira em que trabalha atualmente com os meios digitais. uma pergunta: “por que haveria de ter os artistas uma visão privilegiada?” Escreve Foucault. pedindo-lhes que expliquem o que é se cigano. Como dizíamos antes. ocorreu dos jovens da representação e não só do objeto da representação. com uma Alberto López Cuenca é professor Titular de Filosofia e Teoria de arte contemporânea e palavra. Antoni Abad narrava em uma ocasião um fato sumamente significativo: “Internet é Puebla (México).. Em outra ocasião. ser um patriota e o que entendem como os projetos anteriores postos em ação por Antoni Abad. que não podem ser administradas. a ação de dissentir. isto é. canal*CIGANO se converte assim em uma ferramenta que.

Mas de que maneira compreender o lugar desses personagens e em qual 22 23 . nos últimos “Jornadas sobre novas tecnologias e livre acesso à cultura” no Centro Cultural da Espanha em anos. Michael y Antonio Negri. Lápiz. 5. diante de um novo poder. documentários e. A intersecção entre cultura e política tornou-se mais clara Fried. econômicos e institucionais na configuração e recepção da cultura de nossos dias. um Ciclo de Debates e Filmes como Hardt. Michael. vol. E isso significa que estamos Foucault. do Centro Cultural de São Paulo.) Art after Modernism: Rethinking Representation. Este se desenvolve atendendo especialmente os Cultura Motoboy e Políticas Públicas: Interfaces da Cidade de aspectos sociológicos. o trânsito. 2. Sobre arte. Wallis. Nueva York: The New Museum of Contemporary Art. Atualmente é membro do Sistema Nacional de Investigadores do México. Doutor em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid. verano. muitos de nossos problemas tanto em seu lugar privilegiado. não há Referências como negar que os motoboys representam aspectos importantes do convívio social e compreendem. entre maio e junho de 2007. social que ainda não foi totalmente interpretado? Filmes. de Antoni Abad. Curare o Revista de Occidente. Michel. política e esfera pública no estado espanhol”. Foster. núm. várias produções culturais com essa temática? Estamos diante de um fenômeno México. junio de 1967. 1999. Madrid: Tecnos. 1984. tecnológicos. 26. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. Seus artigos apareceram Eliezer Muniz dos Santos em publicações internacionais como ARTnews. 2006. La vanguardia a finales de siglo. em parte. Nueva York.F. recomendado pelo Museu de Arte Contemporânea de Barcelona/ARTELEKU/Universidade Internacional de Andaluzia e ao longo de 2007 organizou. junto com Eduardo Ramírez. Foi diretor de investigação no projeto “Desacordos. Michael. Brian (ed. Imperio. é colaborador São Paulo permanente do suplemento cultural do diário ABC e da Revista de Libros. Barcelona: Paidós. uma exposição de arte? O que há de tão específico nessa nova classe de trabalhadores urbanos que faz deles sujeitos e protagonistas principais do cotidiano de nossas cidades? Hoje. agora. “Affective Labor” en Boundary 2. de vida nos principais centros urbanos de nosso país. quando realizamos. livros. Artforum. núm.recepção na criação cultural contemporânea. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. peças de teatro. 2001. as Será que existe uma cultura motoboy? Qual a razão de vermos. músicas. D. “Art and objecthood”. personagens de novelas. como na implementação de políticas públicas para uma melhor qualidade Madrid: Akal. 2005. nos 25 anos Hardt. parte da exposição “Motoboys Transmitem de Celulares”.

cenário eles se movem para que possamos considerá-los protagonistas em primeiro Eles se vêem e são vistos pela sociedade de diversas maneiras: como “motoqueiros”. Assim. De fato. muitas vezes. Trata-se. como foi a iniciativa intrinsecamente ligado às muitas transformações que a cidade sofreu com o processo dos órgãos de trânsito do município ao denominá-lo. O próprio surgimento desses profissionais está estereótipo. ao sociedade. de que maneira se organizam. “moto-frete”. etc. como criam sua própria identidade. e não mais de sujeito.e essa doença não se combate sem informação e consciência de classe. as subsunções desses nomes escondem uma forma de depreciação esses sujeitos. trazem e de que forma desempenham suas funções do profissional. como elaboram outros espaços da vida social. antes de tudo. “cachorro louco”. é somente através do embate cultural que essa comunidade será capaz de construir 24 25 . Em muito motociclistas. Dessa forma.por parte do excesso de veículos no reunisse as características principais de seus serviços. “motoboys”. Trata-se sempre Como lembram os analistas sociais. dando-lhe um contexto do rápido crescimento global. através de uma tipologia que de urbanização . “deliverys”. estamos diante daquilo a que chamamos de sua Cultura. quando não de forma a negar o próprio estereótipo. e com ela vem a imagem de curadoria para o projeto canal*MOTOBOY — que a voz do Profissional Motociclista negativa que passa a ter um estigma em relação a si própria e ao conjunto da sociedade seja ouvida. até como “mototáxis” para pensá-las? Não apenas cuidar de um novo tratamento geométrico das ruas e por conta da existência dessa função em outras regiões do Brasil. “motociclistas”. um todo que providências concretas de melhoria sejam tomadas. “couriers”. moradores das grandes periferias) que utilizam a motocicleta à participação igualitária na política ou em outras dimensões. social (“motoboys”. cria-se um tipo de identidade artificial na suas estratégias para realizarem suas tarefas. Esse crescimento impõe à sociedade como caráter de coisa. essas “reduções” encontram explicação na de compreender de que modo a vida dessas pessoas ( trabalhadores. Os próprios participantes dessa comunidade não se dão conta dos riscos que aplicá-las no campo social. desqualificam-no em seu ambiente de trabalho a partir de algum para que a própria cidade possa evoluir. para se fazer pertencer a um grupo viver. forma de como se determina o Outro. abrem mão da própria auto-estima. Mas surgiram avenidas definiria o conflito nos espaços urbanos a partir da lógica da mobilidade dos também os degenerativos. de modo que ele não alcance o seu próprio direito jovens e. E que sua vida seja contada sem mediações e que até mesmo a própria . alcunha “motoboy” por eles seja discutida a fim de criarem sua auto-representação. como o mais conhecido “cachorro-louco”. pais de família. de compreender qual o nível de informação que desses casos. quando levamos em conta esse modo singular de correm para se reconhecer e serem reconhecidos.e estrangulamento das vias . etc). grau de soluções complexas sobre as quais toda a sociedade deverá se debruçar “mensageiros”. os mensageiros. como no seu trabalho ou como meio de subsistência é afetada. Essa é É imprescindível — e assim também foi para nós quando iniciamos o processo uma característica própria dos processos de estereotipia social.

com palavras-chave antes impossível para esse grupo. sobretudo. há a possibilidade de se realizar luta para reinventar seu próprio cotidiano. uma mudança estrutural à medida que os diálogos entre essa categoria profissional e a sociedade alargam suas fronteiras a olhos vistos. Nesses envios. seja pela possibilidade desses encontros e debates idealizados pelo Projeto. como resposta. Reunindo-os semanalmente. Nesse sentido. durante meses. de forma colaborativa. organizando. “ACIDENTE”. encontrar o próprio significado de sua expressão. Esse grupo os ajudou que eles se põem a discutir. pela até mesmo. por seus envios para o site www. no desenvolvimento das questões levantadas pelo canal*MOTOBOY e constatou. Motivados por temas trazidos pelo próprio grupo. “REUNIÃO”. “TRABALHO”.zexe. para isso. assim. seja no campo da política. uma ferramenta espetacular de e intervenções digitais no mundo virtual da internet.800 envios entre fotos. no lazer ou em família. no seu Provando que tal dispositivo é capaz de gerar opinião pública. a partir de uma forma de sociabilidade que emerge com o aporte das redes sociais notamos que as câmeras fotográficas começam primeiro a revelar o olhar e. ao participarem desse projeto. podemos perceber que eles trouxeram um espaço legítimo de um conjunto de pesquisadores universitários e das instituições às quais pertencem de formação para a vida cultural da cidade. e a cultura já fazia parte no processo quando o artista Antoni Abad cria pela primeira vídeos e sons gravados. refletirá seja. com ligada à internet. Fugiram. em todos os âmbitos de sua vida diária. Vemos surgir uma cidade que se mostra experiência de auto-representação desses profissionais. esses Profissionais trabalho. da economia. digitais.net/SAOPAULO. sem sombra de dúvida. 26 27 . também. proporcionar o encontro entre a política Motociclistas fizeram. como em relação à visão de mundo (Weltanchaung) que deles. captar as imagens em pelos problemas dos motociclistas e sua luta para se organizarem. quando nos abrimos a uma dimensão mais estética. converteram-se não só em emissores do canal.uma identidade positiva em relação a sua representação social e talvez. “FAMÍLIA”. um interesse por parte Entre outros fatores. o que permitiria que sua voz instantânea fosse ouvida por toda a sua publicação pela internet em tempo real. discutirem seus principais problemas e capacitando-os com uma tecnologia celular entre outras. em apenas quatro meses. “TRÂNSITO”. para como “DIA A DIA”. tanto os conteúdos do site como. Como era do desejo pertencentes a uma coletividade. então. um dinamismo próprio surgir pelo ângulo dos motociclistas. Mais do que criar um conjunto de imagens de comunicação preponderantes e criaram. eles indicaram claramente que. Basta. o que. comunidade. uma forma de sociabilidade chave “FALA”. pudemos contar mais de 240 entrevistas vez na história dessa Categoria Profissional uma oportunidade de reunir um grupo de com outros profissionais e pessoas envolvidas em seu dia a dia utilizando a palavra- 12 “motoboys”. o destino do canal*MOTOBOY. cerca de 2. através de um projeto cultural. Houve. à lógica dos estereótipos projetados pela mídia e pelos meios então constroem a partir dessa experiência. vimos manifestar-se um expressivo conjunto de códigos e sinais que podem como também em usuários ativos de um dispositivo de comunicação autônomo e significar uma mudança substancial não só em relação à identidade desses profissionais independente e se transformaram em cronistas de sua realidade. assim.

E que tudo isso passe pela onisciência Eliezer Muniz dos Santos. um consenso de que as soluções também deverão ser complexas. Quando vemos na necessidade de se fazer justiça a esses motociclistas que põem para isso. seria necessária uma verdadeira representação de classe acompanhando em risco a própria vida uma razão de ser. o claro objetivo de nossa curadoria é o de preencher um hiato — graças à execução do projeto www. entre o poder público e a sociedade civil organizada. curador adjunto. até o momento. Claro está que. através da cultura.net/SAOPAULO Portanto. Sua voz não pode calar.tornam-se instrumentos simbólicos para investigação dessa experiência: o olhar do Assim. também é verdade que faltam. pois só eles sabem do desamparo quando. a arte que eleva sobretudo o discurso sobre a qualidade de vida na cidade e coloca. Aqui cabe uma observação sobre o modo quase tribal com que eles se defendem no trânsito. enfim. ao engendrarem suas demandas levando em conta o nível de — ao fazer entrarem na agenda política da cidade de São Paulo. Paulo e ex-motoboy. um significado para tais políticas. assim. para as próximas complexidade com que precisam lidar para a resolução de seus problemas — hoje há eleições municipais. as reivindicações dessa categoria de motociclistas. encontramos. nenhuma nesse Projeto e de todas nossas parcerias construídas a partir desses debates. inclusive ajudando-se nos momentos trágicos dos acidentes. e para isso basta lembrar dos dados oficiais sobre os elevados índices de acidentes com vítimas fatais Sentimos. um lastro de vontade e compreensão de todos os envolvidos nos últimos anos —. se esses profissionais se ressentem da falta de um eficiente programa de prevenção de acidentes — com curso de direção preventiva e formação profissional —ainda que faltem pesquisas que associem acidente de motocicleta a acidente de trabalho. aguardam chegar o carro dos Bombeiros. garantia de que as iniciativas dos gestores públicos alcancem sucesso uma vez que. a cidadania em primeiro lugar. 28 29 . por parte do Poder Público.zexe. é formado em filosofia pela Universidade de São dessa escuta. na urgência de se abrir um diálogo protagonizado pelo coletivo de motoboys motoboy evidencia o “olhar” para esse motoboy. ações que apontem de que maneira os Profissionais Motociclistas criaram a melhor estratégia para ir de encontro aos interesses de sua cidadania e ao respeito pela vida humana. chegamos à conclusão de que não há. no asfalto quente.

Há anos ele vem “des-aparecendo” em meio aos carros. pois é sua única maneira de ser visto: personagem que não se enxerga nem se escuta — além da eternamente irritante buzina —. desobediente. mas que se quer disciplinar. ele faz ver até que ponto a desregulamentação acarreta problemas para um país que se pensa pacífico. Invasor de um espaço restrito. mas com apenas uma via de visibilidade.No espelho retrovisor Augusto Stiel Um espectro ronda o trânsito — o espectro do motoboy. o motoboy burla códigos e normas para suprir uma demanda de mercado. Por ser uma relação. Da natureza simbólica da motocicleta nasce o mito do rebelde fora-da-lei que chuta sua própria imagem no espelho retrovisor dos veículos que lhe concorrem 31 . O motoboy devolve a imagem que se faz dele. o Leviatã das relações de trabalho tenta seduzi-lo com a oportunidade de ser “autônomo” e transforma-o em “autômato”. O espelho retrovisor dos automóveis revela a imagem fugaz de um personagem cada vez mais presente. proprietários por direito do espaço não tão público das ruas e avenidas da cidade. ao motoboy é dado um papel que alguns abraçam com prazer: o delinqüente sobre rodas que nada obedece ou respeita. mas não enxerga seus mortos diários.

2006. Tais números são apenas estimativas.588 motociclistas na cidade de São Paulo.no espaço cada vez mais exíguo das ruas da cidade. dos quais cerca de 160 mil em casa ou nos hospitais públicos. eram motoboys.3% dos veículos. 25% eram motoboys. como explica Teresa Pires do Rio Caldeira em excessivamente “materialista”. um veículo que pouco aparecia vinte anos atrás. em aproximadamente dez anos — de 1995 a 2005 —. Surgiu na esteira do do mundo. pois trânsito citadino. caricatura é uma imagem sensibilizada pelo personagem criado apesar da pessoa. muito maior. em lembrar que esses números não dão conta dos acidentados que vêm a morrer depois. as motos eram 2.000 motoboys. a impressão que quem anda ou dirige “Percepção e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo pelas ruas da cidade é que a proporção de motoboys é muito maior. O que foge à categorização transforma-se em caricatura. de Alessandra Olivato. Mas é importante sobre espaço público e civilidade na metrópole paulista”.000% na venda de motos no país. designação não muito popular devido a seu caráter perfil econômico da cidade de São Paulo. o gabarito das ruas Os fatos não é adequado. 2000 havia 374. ofícios. O ineditismo do fenômeno acarretou problemas da mesma magnitude: os problemas enfrentados no dia a dia do trânsito paulistano são praticamente únicos no mundo. No Brasil. houve um aumento categoria criada a sua revelia. a altura e o padrão da sinalização também não são adequados. Em 1996. Destes. As ruas não foram feitas para as motos: o pavimento não é adequado. Um fenômeno mundial. Por rodarem de 100km a 150km por dia. correspondências e na última década do século XX. E a passou a ser feito por motocicletas. portanto. aproximadamente. aproximadamente 170. Surgido no a profissão ainda sofre com a desregulamentação — nem seu nome é um consenso: bojo do processo de desregulamentação por que passou o capitalismo de cunho liberal muitos preferem a denominação de “profissionais motociclistas” em contrapartida nas últimas décadas do século passado. segundo o Segundo a tese de mestrado defendida na Faculdade de Ciências Sociais da USP CET. coisa de 20 anos. no Brasil. O profissional motociclista é produto de intrincadas relações. seu livro “Cidade de Muros”: “Seguindo o mesmo padrão de muitas metrópoles ao redor A profissão é nova. em 2000. A magnitude da tragédia é. valores. São Paulo está sob um processo de terceirização.8% do total de veículos. como sempre acontece nessa construção cotidiana de quase 1. Segundo dados da Companhia de Engenharia outras parafernálias do nosso cotidiano burocratizado são então agrupados em uma de Tráfego. tudo chamada sociedade. Na última década [década 32 33 . Os profissionais que arriscam “office-boy” dos anos 1980 e aproveitou a explosão de vendas de motocicletas ocorrida a vida diariamente carregando documentos. na cidade de São Paulo. esse A cultura criada ao longo do tempo não absorve a presença das motos em meio ao percentual chegou a 8. morreram na cidade 380 motociclistas. Em Hoje existem. o motoboy aproveitou também a mudança do ao “profissional do motofrete”.

São Paulo. outra pesquisa realizada pela CET na cidade de São Paulo indicava que insiram em categorias sociais previamente definidas.800 estabelecer hierarquias em uma sociedade cada vez mais democrática e com acesso motociclistas entrevistados nas ruas da cidade. 26% dos motociclistas pesquisados Featherstone2 fala do consumo de “marca” ou de “atitude” no qual o consumidor hoje são motoboys — dos restantes. A mesma Teresa Pires do Rio Caldeira fala da dificuldade de se luta. tornando-se basicamente Por fazerem parte de um universo informal. segregação e cidadania em São Paulo. pois segregadas historicamente — os motoboys de ingressar num mercado de trabalho em mudança — e que encolhia constantemente representam uma ameaça ao ordenamento simbólico da cidade de várias maneiras. dos 1. Na verdade. vários autores a dirigir sem passar pela auto-escola. O motoboy ganha o suficiente para poder consumir e. comercial e coordenador de atividades produtivas e serviços eram regulamentados em 2000 — e também por pertencerem às classes sociais especializados”1. O jovem egresso do sistema público de ensino. 2 FEATHERSTONE. cinco salários mínimos e 31. 1997. Outros 26% só têm de um a três anos de experiência. 2000. A maioria é jovem: 59% certo modo. Editora 34/Edusp. Seria mais importante. SESC/Estúdio Nobel. tornando Muitos já dirigiam motos antes de se profissionalizarem e só fizeram aliar o lazer ao mais difícil uma clara distinção social e possibilitando uma maior mobilidade dentro trabalho. ampliaram-se também os acessos das pessoas aos bens de consumo. a cidade perdeu sua posição de maior pólo industrial do país para outras A ameaça áreas do estado e para a região metropolitana como um todo. São Paulo. com poucas chances tradicionalmente “invisíveis”. exposto ao frio de uma economia que aos poucos regredia ao zero absoluto —. Segundo a mesma pesquisa. somente 7% dos motoboys um centro financeiro. pós-modernismo e identidade. 43% usam a moto como meio de transporte e 31% para necessita ser algo que seja facilmente verificável através de códigos visuais que o lazer. 34 35 . Mike tem de 18 a 29 anos. e 40% deles dirigem motos há menos de cinco falam hoje da sociedade industrial como sociedade de consumo por excelência: de anos. Em 2001.5% rodam de 150 a 200 km por dia. na motocicleta uma oportunidade de ganho e independência fartamente atraentes. 50% ganham entre um e para se poder parecer ser. O desmanche da cultura: globalização. encontra Primeiro. então.8% têm nível superior. 4. Outros compraram uma moto em algum dos muitos consórcios e foram à do ambiente urbano. portanto.de 1980]. Mike. graças ao processo de redemocratização nacional: com a democratização. quase a metade deles (49%) aprendeu ao consumo de partes cada vez maiores da população. pertencer. Por 1 CALDEIRA. ter 40% dos motoboys têm até 24 anos. Cidade de Muros: crime. todos somos ambiciosos na medida em que é imperativo consumir. Segundo uma pesquisa do IBOPE encomendada pelo CET em 2006. Teresa Pires do Rio.

No caso dos ônibus. Se acidentados. o motociclista cai e é atropelado em seguida. O motoboy é. a moto é atingida lateralmente. em detrimento do sistema a disco. um invasor de um espaço físico — o trânsito Vários apresentam seqüelas para o resto da vida. mas garantiram o transporte dos milhões dispositivos de segurança. A exemplo Montado em uma motocicleta. faz “gatos” para ligar energia clandestinamente. os corredores motociclista ferido ou morto.outro lado. além da saúde ou de um membro. seguro da moto ou seguro buscando nos países “em desenvolvimento” o local ideal para a realização de lucros de vida. 6 incapacitados. o que é agravado pela grande quantidade de motos sem de periferizados até os centros de trabalho. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a Não parece haver consenso quanto às soluções para o problema do trânsito cada dez saídas para um atendimento de emergência. da cidade. Muitas motocicletas ainda usam um chegar antes e sair depois. ou seja. o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza física entre quem pega ônibus e quem usa carro. Dado o caráter frágil do corpo exposto. de Juscelino — na verdade um reflexo corpo mais atingidas nas quedas de moto. perdem seu trabalho. O espaço também: corredores segregados imitam a separação meta- freada de emergência. Segundo dados da CET. cada vez maiores. a maioria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais. Muitos dependem de redes de — bem como de um espaço simbólico — os espaços hierarquizados da sociedade. Os tempos distintos dos distintos cidadãos assim se sistema de freio à lona. escapando assim dos sindicatos nativos e do preço da mão-de-obra local. três são para resgatar um na cidade e. portanto. a calamidade instaurada no trânsito da cidade produz 19 feridos e produção. ao mesmo tempo em que sedimenta 36 37 . A maioria deles não tem seguro médico. solidariedade criadas pelas famílias ou pelos vizinhos para se manterem. ou colabora na refeição de um vizinho desempregado. mais moderno. cuida da criança do vizinho que precisa trabalhar e não obteve vaga na única creche Mas os acidentes revelam a dificuldade de inserção do motociclista no cotidiano próxima. Na hora da cristalizam. ele força ainda mais seu ingresso na cidade ao disputar espaço no trânsito. otimizando o tempo de quem tem que condições de uso que trafegam pela cidade. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos exclusivos espremeram os automóveis. E para cada vítima fatal de um acidente da estratégia global da indústria automobilística de reduzir custos ao descentralizar a com motocicleta. sua infra-estrutura para cuidar da vítima. é a solidariedade comunal que a imagem de liberdade e inconformismo tradicionalmente associado à motocicleta. para o motoboy. constrói casas. ele devolve ao espelho de quem o denomina “bandido” do que acontece nas eternas periferias paulistanas. os ferimentos O problema são geralmente graves. conseqüentemente. amplia cômodos. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é espaço esse tradicionalmente reservado aos produtos da indústria automobilística que um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do impulsionou o país desde os “50 anos em 5”.

Daí. assim. O motoboy. exposto à fumaça e fuligem. ágil que é. pois é trabalhador. Trabalhar valores diversos para a vida humana: parece que. apesar das promessas — ou um em determinado tempo. Seu trabalho o obriga a relacionar-se com as ruas e avenidas o incômodo de algo que não se explica. Os eternos trabalhadores invisíveis sobre a motocicleta tornam. Quem se percebe excluído dessa Dos depósitos de mão-de-obra barata surge. o motoboy é um trabalhador. atento com o outro no carro e não como uma afirmação. o convívio diário com sua real ordenamento simbólico da sociedade. O olhar condicionado. slogan que fala da opção por ser outsider: “vida loka”. nacional isso significa ser o oposto do “bandido”. segue o rumo do olhar. Algo que não se entende. como incômodo.a opção da cidade pela sua geografia excludente. entretanto. desigual. contrário do enredo cotidiano dos romances policialescos que recheiam a indignação separando-se cada vez mais de sua origem e. rebolando se frente à fatalidade ou rebelando-se: a morte na fila de um posto de saúde ou na entre os automóveis habitados por quem precisa que determinadas coisas sejam feitas esquina de uma avenida torna-se um fato da vida. com seu empregado sobre a moto. tal a geografia “política” da cidade sem aparecer significa habitar o lugar da produção e não da fruição. a entrada — ou área — possibilidade pode revelar a falta de capacidade da sociedade em gerir bem-estar. este que é o nosso “vagabundo”. que domava a natureza e a tornar-se tragédia. um rebelde por natureza: parcela de civilização pode optar por não partilhar de seus princípios. Como uma sociedade continuamente. confortos e oportunidades é demasiado restrito. que penetra no espaço que não lhe é de direito. depois. “de serviço”. que é regra na sociedade A civilização do trabalho intelectual tem tradição em rejeitar as tarefas musculares. Entretanto. além da única opção possível. Tal disposição espacial encontra-se pode conviver com um espectro desses lhe rondando a civilidade? também nos pequenos espaços segregados que habitam o cotidiano e refletem o Apesar de a morte ser o destino humano. Significa. perpetuando a As categorias profissionais cujo discurso é perpassado pela fatalidade mostram noção mágica de que a sociedade dá conta sozinha de seu funcionamento. por exemplo. Inverte-se. como braçais. manifestando o orgulho do profissional dos tablóides televisivos diários. O desafio às leis pode ser visto se incômodos ao desafiar o olhar atento do motorista. Fica de uma grande máquina. ao suor e à sujeira — que não penetra 38 39 . O quarto “dos fundos”. No imaginário caminho percorrido. são os espaços pensados para esconder. o acesso aos de tudo. nesse ponto. é o final de uma complexa cadeia produtiva: ele é o responsável pelo último parafuso a equação simbólica que não fecha: não é bandido. é forçado a enxergar quem nunca viu: primeiro. E com a história. resignando- a motocicleta. o dito de Marx: o motoboy é primeiro farsa para depois o processo histórico foi tomando o rumo do intelecto. Tais tipos de atividade foram continuamente rebaixados à medida que estatística. mas morre. ao sobrepujava — colocando-a a seu serviço — distanciando-se da sujeira e do suor. então. acima que circunscreve em um “centro expandido” seu gueto de civilidade. O serviçal submisso vira bandido para depois morrer. invisibilidade.

Tal risco físico fica então ao encargo de quem a ele se sujeita.nos automóveis. o que o indesejável — ato agravado em uma sociedade historicamente segregada. pois o olhar educado para não ver. A sociedade que opera como que “por encanto”. Aqui. são reservados às classes mais imóvel a invadir o espaço das ruas. O regulação. Mas unem-se para dizer que consciência e democracia não se separam. essas carapaças herméticas de conforto regulado. motoboy que agiliza serviços e encurta prazos. No caso das motos. ao contrário. por lidarem Numa cidade onde as calçadas são mosaicos desarranjados da privacidade de cada com o que se considera “degradante” ou perigoso. sem dar oportunidade nenhuma ao observado. Freios “ABS”. a morte ganha destaque. Umas “pegam”. os seus rompantes de originalidade. Nesse ponto. Sobre em altas velocidades. a noção de “público” e “privado” reflete a falência de abaixo da pirâmide. A privatização funcionando sem produzir detritos de qualquer espécie. a motocicleta enquanto veículo para o lazer é No “centro expandido”. igualdade e autoconsciência moderno. novos materiais etc. Chega-se. viabiliza e reforça ordenamentos já previamente estabelecidos. com ideal de igualdade de direitos é apenas retórica. as forças da o motoboy incide o olhar que visa ao encaixe em um sistema. vez mais elevado. garantem uma sensação de segurança mesmo segundo suas próprias normas. Graças a tal parafernália. cria. do público e a publicação do privado invertem relações e solapa a possibilidade de pois esse “encanto” é assegurado pelo olhar que ignora violentamente quem lida com um pacto social. ele esbarra na questão de que a invisibilidade do 40 41 . e vigia. como sujeito do ordenamento social. “airbags”. só consegue atingir tal feito. em caso de colisão. A natureza da motocicleta é outra — daí seu apelo não-conformista. como representantes do poder e quem a ele deve submeter-se. para que o motoboy seja visto. carrocerias projetadas para se deformarem Transforma-se em caricatura trágica. que possui índices diferentes conforme mundialmente aceito como eficaz. magicamente um projeto unitário no qual a cidadania é uma expressão de um consenso. Vira assunto no jornal. Daí a criação de mais leis para tentar normatizar o caótico. cujo provoca a ingerência nas coisas mais básicas. Acessório indispensável por ser aparente no trato da valoração da vida humana. no caso de inúmeros outros trabalhos essenciais à sociedade que. atrasa a rotina cidade quando sai O crescente nível tecnológico permitiu aos automóveis assumirem um risco cada de sua rotina invisível. então. outras viram moeda de troca entre os do motociclista. Outras simplesmente somem. mesmo que seja pela força diversa da motocicleta para o trabalho: a sociedade circunscreve ao lazer — o período dos números. sob impacto. ele passa a ser visto. ao uniforme. os próprios limites de sua concepção transferem o risco para o corpo Leis são feitas para ele. uma idéia “fora do lugar”: é o que fica fitas luminescentes. O motoboy acidentado aparece nos noticiários graças ao agravamento do não-trabalho merecido após as horas regulamentares — ou outro tipo qualquer de do trânsito de uma cidade cujas veias não suportam mais a seiva que transporta. em um discurso que física são absorvidas pelo custo da tecnologia de segurança. fetiche do homem se aproximam do centro geográfico da metrópole.

sendo posteriormente publicado pela revista da Associação Nacional dos Transportes é o estrangeiro eternamente presente no trânsito da cidade. A curiosidade do estrangeiro devolve em parceira com outros dois alunos e versava sobre os motoboys da cidade de São Paulo. deveria aparecer ali. O indivíduo sob o capacete de “motociclista” pode mostrar quem é. como outros milhões. Resta saber em que mundo vive esse estrangeiro ou em que mundo ele pensa viver. Por isso o estrangeiro pode ser perigoso. mas. 42 43 . invisível. mundo afora. Tal participação foi fruto de trabalho acadêmico passeia momentaneamente os olhos. Augusto Stiel Neto. deveria cumprir sua missão civilizatória e retornar ao gueto. Capturando as imagens de seu cotidiano. pois realizado em 2002 no departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia. diariamente. e aí fica a surpresa do inusitado. começar a produzir sua própria caricatura. o que vê e o que quer nas imagens que produz. Letras e encaixa em outro sistema de valores simbólico — ou não encontra lugar definido Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. tornando-se visível além da mera estatística. finalmente. Nesse ponto. do artista plástico catalão Antoni Abad. do projeto canal*MOTOBOY. O olhar estrangeiro é aquele que não participa do conjunto de normas específicas em que Participou. Cabe então ao olhar deseducado a tarefa de observar e se surpreender. Da união de estrangeiros surge a oportunidade de dar ao “motoboy” o controle de seu discurso. Para além do herdeiro do antigo office-boy. o novo personagem cotidiano que ronda o trânsito em sua moto pode. o motoboy instituição. O trabalho “Pelo Espelho Retrovisor” foi feito para encaixar. no Centro Cultural São Paulo. mas de organização social. O turista descobre o que o nativo não vê.motoboy não é um problema de regras de trânsito. É o indivíduo que não Públicos (ANTP). é bacharel em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). pois sendo selecionado para participar do projeto do Núcleo de Antropologia Urbana dessa mesma com seu olhar desestabiliza toda uma construção social. imagens que muitas vezes não vemos. como convidado. o “profissional do motofrete” pode mostrar o que vê da maneira como sente. em 2007.

Estive quase dez anos trabalhando nesses projetos de projeções no espaço e também 45 . em primeiro lugar..net CENTRO CULTURAL SÃO PAULO 12 DE MAIO A 10 DE JUNHO DE 2007 Entrevista com Antoni Abad para o Fórum Permanente. Então.. Então.canal*MOTOBOY MOTOBOYS TRANSMITEM DE CELULARES www. quando eu estive no Banff Centre. fale-nos um pouco do seu percurso artístico até o início da colaboração com os “coletivos”. Foi porque lá tive a oportunidade de acesso a essa tecnologia. isso produziu uma mudança.. no Canadá.zexe. VINÍCIUS: Antoni. eu posso dizer que eu cheguei lá com ferramentas de escultor ou de relojoeiro e saí com fitas de vídeo e também com meu primeiro endereço de e-mail de Internet.. Eu trabalhei muitos anos com escultura. ANTONI: Meu início foi como escultor. que eu descobri que podia trabalhar com essa combinatória que eu usava nas esculturas. mas chegou um momento. que podia transportar todas essas idéias para o território do vídeo projetado. realizada por Vinícius Spricigo em 15 de maio de 2007.

Desses. que estão publicando. mais social. do mundo VINÍCIUS: Como você entende esse abandono das obras de arte e a tentativa das companhias. que escondia uma comunidade dedicada à arte para um território que eu acho bem mais mais social e do outro lado a distribuída onde não se podia interceptar as comunicações desses usuários. uma vez que eles já conhecem o dispositivo. tem 10 ou 15% que ficam bem interessados e envolvidos no projeto. e o coletivo organiza-se para continuar o projeto. para encontra grupos de pessoas que são seres humanos. Então. No entanto. Eu tenho a possibilidade de fazer isso porque tenho uma trajetória reduzida de Barcelona. Por que um artista é autorizado a comentar sua sociedade? Por qual motivo? A partir daí. você mantém algum contato com os coletivos? sobre a função do artista na sociedade. como em uma classe de que fossem úteis a outros coletivos além do artístico. esses 10 ou 15% são aqueles que querem continuar. O meu papel é esse: de um lado desviar esse financiamento que era virtual que morava no computador dos usuários. até que finalmente eu fiz um projeto com uma mosca experimentos.. para que esses indivíduos tenham voz própria. O trabalho ANTONI: Em todos os projetos. Ensinar esses coletivos como usar era uma comunidade preparada para poder conspirar e aí. qual seria o seu papel nesses projetos? Criar condições Dessas porcentagens. eles criaram um pequeno grupo e uma associação específica só como artista. proponho esses para dar continuidade ao projeto. de reencontro com o real? VINÍCIUS: Após o momento da apresentação dos projetos no espaço expositivo. coletivos e a esfera institucional? exceto em dois casos. Porque minha função nesses projetos é ser um facilitador. aí eu já posso ir para o próximo coletivo. Tem Foi essa direção que eu tentei dar ao meu trabalho nos últimos anos. existe uma parte que fizeram algumas coisas para dar continuidade. tudo aquilo que tinham para dizer. você sempre tinha que fazer o possível para modelar essas redes. que já são sete nesse esquema. Depois tem alguns que não fazem nada ou que só chegaram para pegar um celular de graça. depois disso. VINÍCIUS: Nesse sentido. das operadoras. que foi o primeiro projeto desse 46 47 . Porque.. modelar o dispositivo.com programas de informática. no qual certos coletivos possam auto. o maior êxito. ANTONI: Eu acho que essa decisão parte de uma decepção que eu tive. Temos os dois grupos de ciganos que já participaram do projeto ANTONI: O que estou fazendo é desviar fundos que estão destinados à arte na Espanha e também as prostitutas de Madrid que consideraram que já tinham dito e a cultura para outro território. a rede de celulares. uma escola. Então. outros 30 ou 40% que estão mais ou menos interessados. com a Internet e com todos esses coletivos. mas também mediar a relação entre os em cada projeto. Os taxistas do México. como usar. a Internet. comecei já a as ferramentas. no caso das pessoas com mobilidade representar-se. para mim. trabalhar com os celulares. o trabalho tinha de ir em outra direção. quando recebo convites para fazer projetos. e tenho ainda. é quando termina esse patrocínio que vem do mundo da arte. ao final. para que eles pudessem expressar-se. e.

De alguma maneira. Isso. entende? Essa combinação dessa arquitetura entre os celulares e tradução ou apropriação dessas dinâmicas para o espaço institucional? a Internet que permite. A minha relação com esses grupos que continuam é esporádica vimos aqui. que aparecem VINÍCIUS: Estou pensando aqui espaço institucional em um sentido mais amplo. vai acontecer a mesma coisa Você também falou de apropriação. Nesse momento.. Eles precisam de uma instalação. você tem que ceder. Nesses convites. uma das críticas feitas a esses trabalhos de comunicação e fazem entrevistas com os participantes. ou seja. encontrarei outra espaço. O espaço onde esse projeto é essa arquitetura da informação. vamos dizer. normalmente. nos quais alguns artistas propunham uma arquitetura específica e um certo a falar. a representação.. Então. o trabalho reafirma o lugar de exclusão desses sujeitos. Vamos pensar nos trabalhos que ficaram estigmatizados pela estética ou de seu dia-a-dia. no final. é quando aparecem os meios modelo de sociabilidade predefinido. Tem que fazer algumas sociais existentes para a esfera institucional. 48 49 . Enfim. uma coisa de amizade. vez Facundo. os motoboys. não é o espaço artístico. então. ANTONI: Nesses projetos. que tinhamos duas pessoas lá. é muito importante ter uma difusão. reunião onde os motoboys se encontram uma vez por semana. em outra direção.tipo. uma vez que todos os participantes do de um lado um projeto que critica os meios de comunicação. Uma vez que você conseguiu que esse coletivo organize-se e comece relacional. os autores são os motoboys. mas o projeto é na Internet. o meu irmão. representem-se eles que abarque também essa arquitetura da informação que você oferece já como algo mesmos. uma coisa é conseguir que esses coletivos. Naturalmente. às vezes. criaram a Fundación Latinoamericana do Transporte Público que pretende ter um é chamado “instalação”. temos também a reconversão de dinâmicas para fazer um projeto.. permite somente o acesso dos indivíduos que pertencem mostrado. estariam excluídas. eu acho que nunca convidaria doze motoboys para patrocínio desses projetos. da parte da instituição. que sejam eles quem geram as suas notícias. Isso você precisa fazer para ter o projeto viável. neste caso. mas também não está explicado que são os doze motoboys participantes. se eu vou ao México. Porque o VINÍCIUS: Parece-me que se por um lado temos o “desvio de fundos” das instituições Centro Cultural São Paulo. O projeto acontece na Internet. por outro. Então. você tem uma frase com o Ronaldo e com o Luis. que diz: projeto de Antoni Abad. na qual estas ganham visibilidade em um concessões. mas eu acho que. Como você entende esse processo de está no dispositivo. âmbito latino-americano. Mas isso é. trabalho pertenciam a comunidade artística. Não havia espaço para “o outro”. não é o Centro Cultural. artística no porque eles já organizaram-se. Hoje. praticamente não existe. aqui só temos uma mesa de a essas comunidades. o espaço criado por precisa dos meios de comunicação para ser difundido. nos meios de comunicação sempre por sua imagem negativa.. a minha autoria espaço onde. e em São Paulo. Se isso é uma autoria. mas que. versava sobre a criação exclusiva de espaços de consenso e nunca um espaço de quando se consegue que esses canais sejam vistos pelo maior número de pessoas. por exemplo. quem falam de suas preocupações pré-formatado. no Brasil. temos discenso. só essa é minha autoria. como se diz.

. eu não quero o meu canal aberto”.. Temos todos esses canais individuais. desse conteúdo. Como dizia há alguns tem aí a possibilidade de abrir o seu canal para que outras pessoas possam intervir no minutos. Mas. você pode ali escrever o seu comentário. ou digamos estética. Até agora. focada no broadcasting dos registros vê essa tarefa para além do registro. Você. de edição mesmo. principalmente no participação de todas essas pessoas que estão aí. adicionar mais texto ou mudar a posição das mensagens. ANTONI: Eu acho que o importante é abrir esse espaço. e os programadores. por exemplo. Nós já tivemos muitos comentários. divulgar isso. tivemos muitas intervenções atacando a comunidade etc. de um lado. escrevendo o que eles quiserem do projeto dos motoboys. porém alguns disseram: “Agora. As possibilidades de edição são muito simples: você só pode nos dois canais dos ciganos. Quando é aberto ao resto da sociedade. isso. da realidade cotidiana dos coletivos. eu acho que ali os motoboys Só temos um desses canais. Você tem um fórum aberto no dispositivo onde tem a dos resultados. é um aspecto positivo. naturalmente. com alguma possibilidade de edição estranhamente. no sentido de projetar uma forma de visibilidade aos coletivos? webcasting. se você conseguir que os motoboys falem por si mesmos. os dentro da terminologia da zexe. como responsável expressarem a sua percepção dessa representação. Da minha parte ou do Eugenio Esses canais individuais dos motoboys podem ser abertos também.. aberto. certamente. A princípio. No entanto. onde as pessoas podem interagir. outros segmentos da sociedade pelo que eu percebi.net integra todos os resultados desses diferentes projetos. Eles publicam diretamente do celular nos seus canais. ela é feita pelas próprias comunidades. projeto. mais preciso. seria melhor. lá dentro. de edição do conteúdo? Por fim. também voltada para o lado tecnológico é: o portal do mídias de massa. não há nenhum comentário negativo. eu percebo que. qual é o papel de vocês nesse processo de integração ANTONI: Sim. diálogo e negociação na construção dessas VINÍCIUS: Vamos tomar um aspecto tecnológico para ampliarmos essa questão. você tem que seu canal. permite. onde os motoboys estão broadcasting. Eu ofereci essa possibilidade. portanto. a única coisa projeto zexe. feita pelos próprios motoboys. que não permite. não temos a possibilidade de editar esses conteúdos. Quando você publica uma foto. houve uma preocupação com o design. onde se encontram os motoboys. ao final de tudo. abertos para nós Tisselli. Existe uma preocupação. VINÍCIUS: Existe. em um âmbito que não é só um corredor motoboys. seria a estrutura do projeto. você tem aí um fórum que é ANTONI: Vejamos. um canal aberto quer dizer que você 50 51 . a todos os começam a interagir com o resto da cidade. pelo projeto.net. representações? Não estaria a abertura para o expectador reduzida ao comentário Quando você diz que essas ferramentas de comunicação permitem que os motoboys dos conteúdos transmitidos pelos coletivos? tenham uma representação da sua própria comunidade que não passa pelo filtro das VINÍCIUS: A última pergunta. Como que você que eu questionaria. Cabe dizer que. em todos os canais não teve edição diretamente. o programador do projeto.

porque quando colaborador do projeto. imagino. é preciso divulgar isso. chegamos à logo. ou críticas.conteúdos são publicados direto dos celulares. assumindo uma postura ativa de chave. nesse caso. Aí. que o objetivo seria esse: que os próprios coletivos 52 53 . inteiro. os ciganos. Eugenio Tisselli. como “acidente”. lado. achamos que seria interessante organizando essa informação a partir de palavras do dispositivo ou de suas publicações. não sei. um conclusão de um sistema que partia de certas classificações da sociologia ou da antropologia capacete. em todos os canais tem mais ou menos um importante descrever essas publicações. que era classificar a vida humana em um dicionário com quatro ramificações importantes. são eles que estariam editando. Você acredita. eles mesmos. temos canais de interpretação. o que tem nessas imagens. até agora. objetos. a primeira idéia que eu acho poderia ter do motoboy... mas de qualquer maneira. esses tags são totalmente livres. eu digo achamos. assim que são um pouco para divulgar. ANTONI: Eu acho que sim. Da outra parte. que Isso é uma representação também para a difusão. e estão. essas palavras- o papel de sua representação. por um lado. decisões estéticas. Isso permitiria aos usuários do dispositivo fazer coisa que vem da publicidade para a identificação das publicações em adesivos.. não sei como dizer. um descritor era Camaron. senão os próprios motoboys que pegam essas palavras-chave nas suas mensagens. Então. voltando à questão da instituição. É um dos experimentos que estamos testando no canal*MOTOBOY. porque isso foi conversado. temos umas oitenta palavras-chave que ficam em cada mensagem que você assistiu agora quando estávamos aí com o Augusto Stiel Neto. até agora. decidimos mudar totalmente o dispositivo e agora esses descritores. mas são bem simples também. porque. e tem aí algumas Porque. que era bem conhecido no mundo VINÍCIUS: Para encerrar. a partir do primeiro projeto no México. um capacete bem simples. em coisas a suas pesquisas de acordo com esse dicionário. eles próprios. e aí. Por outro poderiam ser convidadas a participar a participar de uma interpretação desses conteúdos. E achamos. Aí. Isso. de alguma maneira classificar essas visões. significa para eles um esforço intelectual. vimos estão bem altos no ranking.. espaços e atividades. “trânsito”. afinal. constrói um dicionário de termos que eu acho que gera conhecimento coletivo. com o programador do projeto.. quando mostramos pela primeira vez essa possibilidade. o mais simples possível. não são mais de oitenta e alguns Também tem outra possibilidade. imagino que é uma seriam: seres. vamos ver o que acontece que algumas das publicações dos taxistas da Cidade do México podiam ser podiam ser com isso.. o mais simples possível.. por exemplo. principalmente. entende? Podia ser difícil de interpretar isso. então. que os indivíduos estão deixando cada vez mais de delegar à instituição e aos artistas Então. Então. que seria E para responder essa outra pergunta. afinal. esses são alguns canais de interpretação onde outras pessoas enviam uma imagem tem que pegar aí uma palavra que descreve essa imagem. um cantor que já morreu. mas achamos que isso era muito rígido. criar um sentido para si e uma apresentação de si para a comunidade? descrevendo as imagens. não é uma equipe que está depois aí. que também é um enviada. que tenta representar um pouco o dispositivo. esse descritor era alguém especial e bem específico dessa comunidade. vamos dizer. porque esses termos que eles estão pegando.

México DF 2004. La Casa Encendida. E creio que é Contemporary Art. com uma câmera bem grande. P. eu penso: o que é isso? Do que fala? O artista teve a coragem de chegar lá. Media Lounge/New Museum of mais amigos. Seus projetos foram apresentados no Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. Ou seja. vamos ver. que juntou a possibilidade de abertura. Berlin 2002. New York 2001. mas o exemplo poderia ser: quando Nos meses de setembro e outubro de 2007 se realizaram entrevistas eu chego em uma sala de exposições e vejo um Cibacron perfeito de uma fotografia de com diversos participantes e colaboradores do canal*MOTOBOY. E aprender. Que as pessoas possam conhecer melhor a nossa vida. Madrid 1997. Que todo mundo possa na internet. que está crescendo muito.ou tenta ir por aí. o Antoni Abad. Karlsruhe 1999. Estamos aqui pra 2005. Hamburger Banhof. Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003. Uma criação de uma pessoa. O que se segue é uma seleção de produzir beleza. o que as novas mídias têm de melhor. Artes Visuais da Generalitat de Cataluña e o Golden Nica Digital Communities do Prix Ars Electronica de Linz. Centre d’Art Santa Mònica. Centro Cultural Sâo Paulo. O projeto canal*ACCESSIBLE no Centre d’Art Santa Mònica recebeu o Premio Nacional de conhecer o dia a dia do motoboy. Estrecho dudoso: aprender um pouco mais e cada vez mais desenvolver. VINÍCIUS: Obrigado. O dia a dia deles. Fundación Teorética.. a cada dia. Centre d’Art La Panera. E também uma forma de fazer condition. Eliezer Muniz dos Santos: O canal*MOTOBOY é uma idéia. sincero e que todo mundo possa prestigiar. fazer essa foto e depois no Centro Cultural São Paulo. vive em Barcelona.representem-se. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. do fotógrafo dentro de cada motoboy.S. Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León o lado das fotos. não? Se alguém tem a possibilidade de representar essa favela são os algumas das considerações por eles expostas. Austria 2006: www. Brasil 2007 e trabalho honesto.net Keila Muniz dos Santos: Um instrumento de visibilidade. próprios moradores dessa favela. um pouquinho o Tráficos. New York 2003. e uma comunidade com sérias necessidades de expressão. MECAD/ZKM’net_ para mostrar a vida dos motoboys. Como também para desenvolver a informática. onde seus atores são 54 55 . desenvolver de Sevilla 2004. Onde isso nos levará? Eu não sei. 1ª Bienal tudo isso e mais um pouco.1.. O que é o canal*MOTOBOY? ANTONI: Obrigado você./MOMA. Madrid 2005. canal*MOTOBOY é um instrumento de comunicação entre a sociedade e os motoboys. San José de Costa Rica 2006.zexe. no caso um artista. uma construção em uma favela do Rio. Museo Andrea Sadocco Giannini: O canal*MOTOBOY (eu creio que seja) é um canal de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. Lleida 2005. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. A coisa vai por aí. Centro Cultural de España. Barcelona 2006. nascido em Lleida em 1956.

Ou seja. mostrarem muita coisa errada na rua. terminei por assumir a responsabilidade sobre o grupo. e foi abrindo Sua participação teve influência no seu cotidiano profissional e particular? espaço. Em segundo do motoqueiro. E não era eu só. mas só se envolvendo. Tivemos que bater muito a cabeça até o grupo se encontrar em uma direção. Se identificam em seus pares. e depois que o artista voltou à Espanha. mostrar o problemas. pelo Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. uma missão. participando das reuniões. só mais um empurrãozinho para a gente chegar lá e engrenar artista para ser o Curador Adjunto do projeto. Por que você se envolveu com o canal*MOTOBOY? embora pouco se comuniquem entre si. estar ao lado deles. De mostrar pro pessoal a categoria dos motoqueiros. mas o Ronaldo. e muitos destes já se interessaram pelo Projeto. sem celular ainda. o Antoni Abad. para os outros motoboys. o Beiço. 56 57 . canal*MOTOBOY. os celulares e o site nós já tínhamos. Claro que tivemos muitos A gente quer pessoas de responsabilidade. eu acabei me tem muita gente ruim. os motoboys. Franscisco Djalma Souza: Quando fui convidado a participar deste Projeto. porque o mundo de hoje da gente tinha uma larga experiência sobre o histórico de lutas da Categoria. que tem mesmo! dos motoboys. na construção de algo que eles achassem mesmo. se percebem e são percebidos.. na verdade. como eu saber escolher algumas pessoas para poder trabalhar. Fiquei várias semanas só participando lugar. em que se transformaria esse grupo depois da mostra. e dali nós viemos conversando muito. interessa mesmo é pelo dinheiro. mal intencionada. e isto significava fazer a coordenação mesmo na força de vontade de cada um dos motoqueiros. meu interesse em primeiro lugar meu cunhado. agora era definir o que a gente ia Cleyton Pedro Perroni: Eu cheguei ao Projeto através de um amigo meu.. A gente está Eliezer Muniz dos Santos: É difícil de dizer. o fazer a partir dali. No entanto. na rua. fazendo reunião com vários motoqueiros. Só que pra isso a gente tem que dos Debates e Filmes que ocorreriam junto à exposição. E aqui no canal*MOTOBOY não é isso que a gente quer. Bem.vistos e se vêem. o motoqueiro que coordenava a logística dia a dia do motoqueiro. Eu me interessei bastante e vim. E por onde eu ando tento passar isso que a gente está fazendo. sou um dos membros do importante. Adriana Maria de Oliveira: A possibilidade de legalizar os motoqueiros. mas fui gostando e hoje estou aqui. ele falou pra mim que era um Projeto que mostrava o dia a dia foi dar apoio ao grupo naquele momento na dinâmica das reuniões. Afinal. isto é. pessoas para trabalharem direito. Isso foi o que me incentivou mais a Como você chegou ao Projeto? participar no canal*MOTOBOY . Ronaldo. que às vezes quer entrar numa coisa. surgindo assim o canal. a princípio fui contratado pelo precisando. que já tinha um contato com o artista espanhol.

tudo isso aí. é a dos Profissionais Motociclistas. sendo uma maneira boa e fácil para as pessoas que estão envolvidas no trânsito. por exemplo. Eu creio que sim. você tem que captar os governantes ou para as pessoas que fazem as leis de trânsito verem que não adianta estas coisas que eu estou conhecendo. fazer só faculdade de engenheiro e depois ir lá e montar as rodovias e as estradas do Edison Cordeiro da Silva: Ah sim. Nunca houve uma iniciativa faz do dia a dia nosso. com toda certeza. pois essas pessoas trabalham todos os dias com grandes responsabilidades. e acaba tudo se envolvendo. motogirls e experiência. até deliverys que se reúnem semanalmente para discutirem os problemas da Categoria. E a gente nota. Então eles 58 59 . Porque a gente não faz só foto da rua. Cleyton Pedro Perroni: Bastante. tudo. Não só motoqueiro. é importante ter existe um grupo de motoqueiros. muita importância para todo o povo de São Paulo. essa comunidade jeito deles. comunidade de periferia. que nasceu dentro do canal*MOTOBOY. mas não. antropólogo. (alvará fornecido pela Prefeitura) e os celulares pertencem a eles. os novos participantes devem ter um mínimo de comunidade? De que tipo? experiência como motoboys? Ronaldo Simão da Costa: Sim. e eles têm o direito eu achava que a profissão era só um meio de sobrevivência. porque até certo tempo atrás eu não tinha Luiz Fernando Bicchioni: Com certeza. mensageiros e ex-mensageiros. um stress. contato com pessoas que eu só ouvia falar taxista. Pra mim. Este coletivo é uma comunidade? Se está começando a dar uma influência em cada um de nós que estamos trabalhando. como pedestres que pegam condução e sofrem o engarrafamento. correndo risco de vida todo dia – como eu corro risco de vida no trânsito. o Condumoto Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Com certeza. a dessas. que é a amizade. e nem em lugares como o Centro Cultural São Paulo eu nunca tinha entrado. de nome. motoboys. como motorista. Mas também a gente tem que ver quem está pilotando. isso aí seria uma janela para então pra mim foi uma experiência legal. foi uma coisa muito legal. eu vi que tem sagrado de se organizarem como eles bem entenderem e ninguém tem nada com isso. for. Eliezer Muniz dos Santos: Posso dizer. e posso dizer que dela eu participo. que aqui em São Paulo o canal demonstram que estão crescendo dentro do canal. apóio e vamos até o fim nessa história. se isso dali está que tem tudo a ver com a gente. Acho que muita gente poderia participar sim. Eu tive outra visão da profissão. e bom só mesmo indo ver nas reuniões. eles amizade do Canal. que é família. Se alguém tiver uma oportunidade. muita gente inteligente. Você acredita que o canal*MOTOBOY poderia contar com um número maior de Você diria que o canal*MOTOBOY lhe deu oportunidade de fazer parte de uma participantes? Caso afirmativo. A gente Isso é inusitado na história dessa classe de trabalhadores. A moto. como convivência com sociólogo. que hoje em São Paulo Andrea Sadocco Giannini: Eu acredito que sim.

Colocar um bem que minha intenção não é mostrar acidentes. Quando eu entrei no canal*MOTOBOY. Então para melhorar o site era assim: que as filmagens tivessem um aparelho que tivesse mais a gente pode dizer sobre o clima. como eu falei. escolas. tal opinião com esta aqui fica legal. entendeu? Então a gente tem que procurar se informar melhor. as pessoas têm que se ouvir. cursos. Ter mais patrocinadores. mesmo. e tem que ter uns adesivos. meio ambiente. É muito importante. ajudariam o meio ambiente. eu Luiz Fernando Bicchioni: Eu não mudaria nada.. se está organizada. também. Cada um tem que saber o que faz e tem que disponibilizar um Cleyton Pedro Perroni: Olha. A gente viaja para São Paulo inteiro. E as pessoas ficarem unidas. o que se passa. delegar algumas funções pra gente poder trabalhar. e que a gastronomia. O Canal é que nem uma criança. mas mostrar monumentos. se a cidade está bagunçada. sobre a cidade. Um tem uma opinião. antigamente eu não pensava. e acho que isso daí era o que a gente podia mudar. outras formas para ajudar o mundo. o que a gente pode aproveitar como uma faculdade. eu aprendi muita coisa. Porque senão fica complicado. Acho que é mais ou menos assim. pode correr e não eu acho que mudaria o site. Porque hoje em dia ninguém não está nem aí com isso. Espaços da prefeitura. fosse feita por ele. ele está nascendo agora. Que outra utilidade você daria a um projeto como este? O que você melhoraria ou mudaria no canal*MOTOBOY? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Eu faria uma parceria com outros projetos que Adriana Maria de Oliveira: Bem. informar e ajudar. melhorar. se está bem policiada. Ouvir um ao outro. a beleza da cidade. clubes. E uma das coisas é essa. se tem CET. e tem muita coisa em São Paulo que a gente desconhece e muito da população Edison Cordeiro da Silva: O que tiver para melhorar eu estou aqui. Mas melhoraria em função de falo o que está errado. tem que ter compreensão. então a pouquinho um horário para participar se estiver interessado mesmo no canal. um fala uma coisa. alguma coisa e você tem que parar e perde vinte segundos preciosos para você armazenar Muitas coisas o motoboy pode ver. e se a gente delegar as funções. teríamos um jornalista. E hoje em dia quando eu vejo. ter mais motoqueiros transmitindo de celulares. culinária. Porque às vezes você está pegando um flagrante. Para mudar. Tem que delegar funções. a gente não está parado ou estagnado. Minha idéia gente conhece toda a Grande São Paulo. tempo. que pode estudar. desconhece.. pouco mais de tempo. outro tem que ouvir Edison Cordeiro da Silva: Uma causa que estamos discutindo agora é a do o que aquele está falando. entendeu? Tanto acidente – se e pegar novamente. e se a cidade está suja. várias coisas que a gente desconhece.podem trazer com certeza informações. maioria das entrevistas não fosse feita por motoqueiros. Mais que nove segundos. O que está atingindo o nosso mundo. a partir do momento em que você trabalha com 60 61 . Que pode aproveitar gratuitamente. tem muita coisa ainda pra sabe.

Então. sim. por exemplo. Você acha que o canal*MOTOBOY é um projeto cultural? Por quê? Ronaldo Simão da Costa: Eu acho que é um projeto cultural porque envolve todo tipo de pessoas. a gente está tentando mostrar as coisas que o motoqueiro faz. e com nosso Projeto tinha várias exposições sendo realizadas no período. eu não sei se é uma cultura o dia a dia do motoqueiro. de uma pessoa. Então são coisas que a gente nem imagina que tem num prédio daqueles. como eu já tinha falado. Então é uma oportunidade de a gente se conhecer. Porque ele vai tirar de cima o que ocorre. coisas ruins. de um rio. o que a gente nunca imaginava existir. Tudo. você tem um envio imediato. Franscisco Djalma Souza: Eu acho sim que é um projeto cultural. como a gente foi pro Centro Cultural São Paulo e aqui na Ação Educativa. um projeto cultural. tudo. mas pra mim é. “tipo assim”. de um buraco. Então pra mim foi uma coisa boa. 62 . mas de várias coisas. de um acidente. A gente passa na avenida 23 de Maio e nunca olha para lá. Versión en Español fotocelulares. o que foi o que eu aprendi: você não tira fotos só da rua. Quer dizer que hoje em dia a informatização melhorou muita coisa. É infinito: coisas boas. Até o dia a dia de uma pessoa que mora num apartamento fechado ele é capaz tirar. Descobri que o Centro Cultural tem uma biblioteca imensa. Muitos lugares que a gente nem imaginaria entrar sem que não fosse para fazer um serviço. Então é uma coisa que a gente descobre a cada dia. Porque.

el proyecto canal*MOTOBOY se hizo realidad. gracias a la colaboración entre el Centro Cultural São Paulo y el Centro Cultural de España / AECI. el trabajo de Antoni Abad viene siendo desarrollado principalmente en Internet por medio del proyecto www. En 2006. En 2004. durante ese tiempo de espera. “constituyen una red humana motorizada que hace posible el intercambio de información en la metrópolis… arterias informantes de la gran urbe” –los motoboys. en los gitanos de Lleida y León. canal*MOTOBOY se tornó una dimensión paralela al caos de la ciudad. El local escogido fue la gran plaza interna que congrega el conjunto de bibliotecas de ese Centro Cultural. a otros agentes.net articula y hospeda las experiencias realizadas en otros locales en “colectivos trasmiten de móviles”. con el apoyo de la española SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior). vuelve su atención a los innumerables mensajeros que circulaban por la ciudad que. Durante todo el proyecto intercambiaron experiencias y opiniones por medio de mensajes multimedia y conversaciones telefónicas.canal*MOTOBOY Diciembre de 2002. la atención del artista se centró en los taxistas en México y. durante ese período. El proyecto generó efectos deseados e inesperados al congregar. zexe. provista de teléfonos móviles con cámara integrada. El proyecto con los motoboys fue presentado en diversos momentos a instituciones culturales de la ciudad de São Paulo. como notó. los motoboys propusieron actividades paralelas como charlas y mesas redondas con profesionales invitados. refleja el laberinto que es la ciudad de São Paulo. en 2005. así como de canales individuales de transmisión. produciendo y potenciando su propuesta inicial: la de propiciar canales de participación y expresión a los grupos económica y mediaticamente desfavorecidos.zexe. teniendo como inspiración el proyecto dirigido a los motoboys. su equipo y los motoboys estudiaron las posibilidades de realizar proyectos colectivos. fue con las personas de movilidad reducida en Barcelona. que incorporó la obra “Derrapagens”. www. por ejemplo. ambiente completamente en sintonía con esta “red humana motorizada” que. pasaron cuatro años y. En los últimos años. y también con los inmigrantes nicaragüenses en Costa Rica. Durante tres meses el Centro Cultural São Paulo recibió a un grupo de motoboys para sus reuniones semanales. 65 . En estos encuentros. en un espacio/instalación ideado para el proyecto por Antoni Abad. con la artista Regina Silveira. así como en las prostitutas de Madrid. que apuesta en el ámbito de las redes. En mayo de 2007. el artista. Antoni Abad en visita a São Paulo. No obstante. adecuando la conectividad de la red a la interfaz de los canales. El proyecto ha sido concebido para convivir con este espacio público digital. En ese espacio de gran impacto arquitectónico que. de cierta forma. la primera idea no se concreto. un contraflujo de situaciones singulares reportadas por aquellos que parecen vivir siempre en corriente continua.net. además del grupo inicial. También coordinaron la publicación inmediata de los contenidos que se propusieron tratar. envían al sitio en tiempo real las percepciones de su cotidiano.

espacios o experiencias. cuanto menos. para que se disponga con responsabilidad ambiental de los residuos de las motocicletas (combustible. 66 67 . Sin embargo. No parecía que el arte debiera pasar necesariamente por Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da España elaborar representaciones (algo que el cinetismo. de captación de esencias o de evocación de la realidad (si es que realmente alguna vez había podido ser sólo eso). destaca el emplazamiento privilegiado del artista moderno para comprender el mundo e incidir sobre él simbólica y concretamente. Parecía que el arte no sólo no tenía que ser ya representación de algo. el trabajo artístico no ve más allá de su campo de competencia. en la publicidad y en los carteles de cine. Así acotado. La posición prácticamente omnisciente del artista para comprender e incidir sobre el mundo está hoy en entredicho por la generalizada conversión de aquél en un especialista de la industria simbólica. de la escultura o del vídeo). este entretejimiento contextual del arte. a través de un núcleo de motoboys que trabajan en iniciativas El motoboy y la economía política del afecto colectivas de ámbito más amplio. que de un imperativo vanguardista de actuar sobre la realidad que ha sido legado al arte contemporáneo. En la hoy clásica recopilación de textos Art after Modernism: Rethinking Representation (Wallis 1984). no era nada excepcional.). De entre ellos. como la acción educativa. no era casual la alarma que animaba “Art and objecthood”. pero en unas condiciones muy distintas a aquellas en las que se planteó originalmente. en el diseño de juegos de té y de ciudades enteras. museos y centros de arte. especialmente en la medida en que el horizonte de acción de la producción artística contemporánea pone en cuestión el mencionado presupuesto. con vistas a la preservación de los manantiales de agua del Estado de São Paulo. Se trata. Con la publicación de la memoria del proyecto celebramos también la continuidad La ruta está siendo recalculada del canal*MOTOBOY. baterías. ni más ni menos. el descreimiento respecto al emplazamiento privilegiado del artista. pasando por los constructivistas y los miembros de la Bauhaus. sino que más bien se proponía ahora generar situaciones. incluso. ya sea como productor de bienes suntuarios o de experiencias para el ocio y el entretenimiento en bienales. Los artistas dadaístas y surrealistas. acción realizada en colaboración con el ISA (Instituto Socioambiental). Transformar la vida no podía ser imitarla mediante criterios estéticos sino que conllevaba introducirse en los intersticios de la cotidianeidad y modificarla: en las portadas de los libros y el atrezzo teatral. de estar contenido en los límites formales del objeto artístico (de la pintura. la performance. por perder autonomía al depender de un espacio circundante que activara la experiencia artística. emprendieron en su día la tarea (¿artística?) de hacer efectivos nuevos modos de vida o. En este sentido. la instalación. que podemos explicar en términos de su capacidad “performativa”. No obstante. el beligerante texto donde Michael Fried (1967) descalificaba la escultura minimalista por ser teatral. de reconfigurar los existentes. el arte no podía concebirse ni practicarse como un ejercicio meramente representacional. la ONG Acción Educativa y el Centro Cultural de España. Para esto. es decir. la heteronomía que anulaba su pretendida autosuficiencia. La cualidad del arte como acción transformadora. se manifestaba ya con contundencia la suspicacia posmoderna respecto al lugar que la representación había de ocupar en la práctica Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé artística contemporánea. descansaba sobre múltiples presupuestos. sino que dejaba. así que no cabe esperar de él que articule grandes proyectos de transformación social. pues había sido ya desplegado por las denominadas vanguardias históricas de principios del siglo XX. la escultura minimalista o el land art habían puesto de manifiesto). Alberto López Cuenca etc.

creaba relaciones sociales y el ayuntamiento replicó distribuyendo un mapa de la “Barcelona accesible”). en el cual un grupo de 17 red. los cuales canal*CENTRAL. los últimos cuatro años una serie de trabajos que recurren a la telefonía móvil y a la A lo largo de 2006. donde se reunían entrevistas incómodas a los patriarcas donde habían de explicarse y de pensarse como gitanos al hacérsele preguntas como “¿qué Redes de sociabilidad es ser gitano?” o “¿qué es ser patriarca?”. De nuevo. que surge con una fecha de caducidad. sino la serie de negociaciones con el entorno institucional y administrativo la taxistas enviaba imágenes. más allá de constituir una contraesfera subsanar muchos de los obstáculos arquitectónicos sobre los que los miembros de para la representación. Es éste el trasfondo enfrentamiento inusual contra el poder fáctico de la comunidad. de ahí que Entonces redacté una breve reseña sobre sitio*TAXI que llevaba por título “El taxista hubiera de negociarse el espacio tecnológico y legal para hacerlos operativos. más que otras representaciones de la realidad. que la página web del proyecto. al dar a entender que el efecto fundamental de ese proyecto donde los participantes elaboraron una cartografía con las trabas arquitectónicas para era modificar representaciones. vídeos. las trabas legales con web de libre acceso.F. sitio*TAXI abría espacio para la acciones de documentación hicieron que el mismo ayuntamiento se viera forzado a enunciación y la agencia de sus participantes. al enfatizar que no es el artista quien habla en sitio*TAXI sino los taxistas mismos. nicaragüenses teléfonos celulares y el conocimiento para mantener en funcionamiento Tuve la oportunidad de escribir sobre el primero de esos proyectos. Antoni Abad puso en funcionamiento posibilidad de transmitir directamente desde ellos información vía internet. los patriarcas. los lugares y las condiciones en las que pueden encontrarse y el posible el despliegue de estrategias para la acción del arte en el terreno de la vida tipo de interacción que pueden mantener. notario de su realidad. Sin embargo. pero serían coordinados por Antoni Abad: proyectos donde se supera la condición omnisciente del confrontados por ella y su madre hasta el extremo de que volvió a ser aceptada de artista y que subscriben el carácter performativo y no-representacional del arte. la planificación y activación de canal*GITANO. sitio*TAXI. Para empezar. su resultado no es simplemente monumentos y estaciones de metro). incitó la conformación de un grupo de colaboradores que Ése ha sido un aspecto constante de los trabajos que siguieron a sitio*TAXI. menos ambiciosas que las modernas. como En el fondo. Aún más. sin embargo. durante dos meses en 2004. lo que sitio*TAXI ponía a nivel institucional (el mapa salió reproducido en medios de comunicación locales en marcha era mecanismos de sociabilidad. hacen todavía hombres y mujeres. La página reunía y actualizaba sin edición o selección previa los trámites para los celulares: por tratarse de móviles importados ilegalmente desde los documentos remitidos en tiempo real por los miembros de ese colectivo urbano. Costa Rica. que recorrerían zonas de la ciudad en principio no planeadas para ser batidas). desarrollado en Lleida “Asociación Accesible” durante 2005. en realidad desató respuestas tanto en los medios de comunicación tradicionales” (ciertamente. en San José. canal*GITANO generaría un social. la institución misma del poder se vio sujeta a escrutinio al crearse el canal*PATRIARCA. Pensando de nuevo en ese título. grabaciones de audio y video. sobre los taxistas en tanto narradores de su experiencia y enunciadores de su propia historia. A pesar de que la labor de canal*ACCESSIBLE “hacer visible la realidad del taxista” o “propiciar unas representaciones que no caben parecía desembocar en el trazado de un mapa. “El artista como etnógrafo” acceder al servicio de telefonía móvil. espacios de acción transitoriamente desregularizados para el No presentaba al artista como una voz privilegiada. como mero Por otra parte. De un lado. las múltiples cartografías triunfantes de la urbe: de sus museos y parques y bares y textos. continúa reuniéndose y trabajando tras el fin del proyecto con la constitución de la Por ejemplo. el taxista sólo aparece a nivel colectivo (se conformaron. porque no apuntan meramente a hacer posible otras representaciones de cuestionar la separación tradicional que en la comunidad gitana se hace entre la vida (de los gitanos. hay algo en él que aún suscribiría menos laboriosa fue la tarea de dar de alta teléfonos para 22 inmigrantes ilegales y algo con lo que ya no estaría de acuerdo. comandos extraordinarios ahí puntualmente como accidentado o delincuente o héroe efímero de algún rescate). Miami. De un lado. En otras palabras. sino que forzó a modificar o sortear transitoriamente su alcance. canal*ACCESSIBLE. entre los discapacitados. Se abrieron. No como etnógrafo”. Por otra parte. “El taxista como etnógrafo” cuando demostrar la residencia formalizada en el país es requisito imprescindible para ironizaba sobre el conocido ensayo de Hal Foster. Las y estrategias de subjetividad. imágenes. pero más diversas. sino que llamaba la atención ejercicio y la enunciación comunitaria de un sector de la población nicaragüense. conllevó una serie de negociaciones y conflictos que no son visibles en el material audiovisual accesible a través de internet. es decir. su software no estaba homologado para operar en Costa Rica. cuestiones presupuestas que rara vez eran Antoni Abad ha desarrollado junto al programador Eugenio Tisselli a lo largo de consideradas de modo explícito. el modo de operación de canal*GITANO implicaba proyectos. transformar la imagen que se tiene del taxista. Es el desplazamiento de discapacitados por la ciudad (una contracartografía frente a obvio que sitio*TAXI opera a través de mecanismos de representación. pero que conforman la parte Queda patente que tomar fotos y subirlas a la red no agota el alcance de estos crucial del proyecto. canal*CENTRAL no sólo hizo visible el control (2001) –donde el autor sostenía que algunos artistas contemporáneos se habían de la comunicación y las fricciones técnicas y legales en el monopolio estatal de las convertido en investigadores críticos de su propia sociedad– y creo que acertaba comunicaciones. canal*ACCESIBLE habían llamado la atención. al considerar al taxista como etnógrafo. no es la visibilidad de las imágenes en la se desarrolló en México D. Ahí se distribuyen entre la nutrida comunidad de inmigrantes han desembocado en la articulación de singulares comunidades de colaboración. los inmigrantes o los discapacitados) sino a generar la vida 68 69 . documentos de audio y de texto a una página que manifestó el alcance de canal*CENTRAL. con ello. Éstos sobre el que se desarrollan algunos de los proyectos con colectivos y tecnología celular vetaron a una de las participantes para seguir colaborando en el proyecto.sumado a la convicción de que el arte aún puede generar sociabilidad. en 2006 se puso en marcha en Barcelona canal*ACCESSIBLE. nuevo en él. Erraba.

lo que brinda la posibilidad de armar y el que requiere el contacto humano (virtual o real). multimedia. el tejido mismo de la existencia colectiva e individual. aunque la afectos” (95). y el trabajo material de la producción de bienes durables se mezcla con Desde mayo de 2007. que nos vemos sujetados (significados) por los signos y niveles en los que significamos (sujetamos) a los signos. ajenos a quienes se ven interpelados por ellos. El primero participa de una producción industrial que se informatizó e incorporó las tecnologías de la comunicación de canal*MOTOBOY: medios digitales y crítica del afecto una manera que transforma el proceso de producción mismo. Para Hardt. Al enviar creativa e inteligente. Aquí. apasionado—incluso el sentido de sentirse parte de algo o en el proceso de producción de significado: un proceso en el que se dan niveles en los de una comunidad” (96). este trabajo afectivo desempeña un papel en todo esfera pública actual se constituya fundamentalmente como espacio simbólico o. La esfera pública de la vida social. pues una industria del traslúcida red que ordena la vida social (desde las relaciones entre adolescentes al afecto totalmente incorporada a los modos de producción contemporáneos. sonidos. En su funcionamiento hacen manifiesto todo de producir y administrar vida emocional es. estados afectivos. uso se inscriben dentro de mecanismos de enunciación. Hay. Sin embargo. entra en juego el grado de implicación bien. que se hace cada vez más predominante. es decir. el entretenimiento las computadoras. sino también de los aspectos más íntimos y emocionales subjetividad van de la mano. es crucial para la activación de esferas de sociabilidad cuya de los bienes fundamentales de la economía actual. por su tarea “vinculante” clubes de discusión y páginas de los periódicos a las pantallas de televisión y de (“binding element”. “prohibido” o “trabajo”. Controlar los modos canal*MOTOBOY pone en marcha un mecanismo de producción simbólica que 70 71 . en tanto que sus productos son intangibles: el sentimiento de comodidad. De aquí la importancia que ellos denominan “trabajo inmaterial”. textos. Sin embargo. puede ser contestada sociales. mediático. satisfecho. y posteriormente él y Toni Negri en su debatido anticapitalistas (90) libro Imperio. para estos autores. de hacer visible la actitudes y posturas económicamente no productivas. Finalmente. contaminado de esta manera. El afecto es. 95) e implica áreas productivas como la salud. los servicios o la comunicación. 12 motoboys que recorren las calles de São Paulo en el trabajo inmaterial. de hecho. aun cuando sea corporal y afectivo. producen vida afectiva y vida social no programadas por los modos dominantes de producción. modos de subjetividad y sujeción. una taxonomía flexible. entonces se homogeneiza la experiencia a la par que se descartan o por la arquitectura urbana. “este trabajo es inmaterial. elaborar vínculos de tipo de restricciones. por un lado.misma en la interacción con el entorno. satisfacción) y desestima otras (actitudes de altruismo. el lugar de (Hardt y Negri 316-7) encuentro social. por el otro. sus archivos pueden agruparlos bajo términos clave que ellos mismos han decidido. En esa negociación con las redes de significación se activa Desde esta perspectiva. La economía desmaterializada produce y nombra sensaciones. a la manera de la producción de mercancías. que se divide en labores de manipulación fotografías y vídeos para remitirlos directamente a una página de internet. claro. desde prácticas. ya sea en la banca o en la comida y determinantes. según Hardt. podemos distinguir tres tipos de trabajo inmaterial que han puesto al sector servicios en la cima de la economía informática. Los signos en su rápida. esa industria del afecto. Si la esfera pública. como el en la actualidad cobran las estrategias que eluden la creación estandarizada de afecto: conocimiento. de sentirse televidentes. El afecto sería parte de lo que finalidad no sea necesariamente la producción de capital. El segundo es el trabajo su jornada laboral. “anti-capitalistas”. del sujeto. Si. a representación de grupo sino la activación de la agencia y la producción de relaciones pesar de estar totalmente integrada en los modos de producción. más el sector servicios en la medida en que se integra en los procesos de comunicación e precisamente. En resumen. y en labores simbólicas de retina. se puede dar cuenta no sólo de la producción material el proceso de constitución afectiva y dialógica de la esfera pública. este espacio público redefinido hoy está marcadamente mediado y las industrias culturales que se concentran “en la creación y manipulación de por lo simbólico: imágenes. una uso de un celular o al desplazamiento en la ciudad) sino que en su práctica abren industria que prioriza un conjunto de estados emocionales y actitudes (bienestar. abierta y negociable de la información elaborada por ellos Éstos son los tres tipos de tarea que lideran la posmodernización de la economía global y disponible para los visitantes de la página web. aquél que produce bienes intangibles. apunta Hardt. son provistos de teléfonos celulares que les permiten tomar inmaterial de las tareas analíticas y simbólicas. En distintos niveles. se procesan afectos patriarcal del poder o por las legislaciones de las telecomunicaciones e inmigración estandarizados. El trabajo inmaterial del afecto se caracteriza. excitado. La fabricación se considera como un servicio. de cómo el sistema de relaciones de los objetos articula la se aprecia así construyéndose a la vez que los sujetos que la significan: sujeción y experiencia de los individuos. el tercer tipo de trabajo inmaterial es el que implica la producción y manipulación de afectos como “accidente”. ya sean las impuestas por las costumbres y la administración sometimiento. espacio para relaciones sociales inesperadas y reconfiguradas. usuarios concretos. deseos. es el trabajo en el modo corporal. ha transitado desde su concepción en el siglo XVIII de los cafés. es decir. han descrito cuáles son las esferas características y dominantes de la producción en la sociedad contemporánea. control. uno El afecto. sensaciones central en la medida en que “el tema” de estos proyectos no es la elaboración de la de fracaso o estados de miseria o desarraigo). el afecto no tenga utilidad alguna para los proyectos El filósofo político Michael Hardt. Ésta es una cuestión posesión. en última instancia. Pero no se trata sólo de revelar. Al decir que el capital ha incorporado y exaltado el trabajo afectivo y que el trabajo Economía política del afecto afectivo es una de las formas más altas de producir valor desde el punto de vista del capital no significa que. no por ello se convierte en un mero juego de signos inertes interacción bajo el rubro del “trato personalizado”. Es decir. son activados por hablantes.

como los proyectos anteriores puestos en marcha por Antoni Abad. instauradas. junto con Eduardo Ramírez. La crítica Curare o Revista de Occidente. del sujeto. como primera definición de la crítica. verano. 72 73 . elaboración colectiva de la representación de grupo que incide directamente sobre la Puebla (México). Barcelona: Paidós. 5. canal*MOTOBOY inaugura momentos efímeros de contestación una visión privilegiada?” y acción que no presuponen a un sujeto libre ideal sino que subrayan la condición conflictiva y agonística de la existencia cotidiana de sus participantes. “Art and objecthood”. los celulares y de internet. la acción de disentir. La vanguardia a finales de siglo. Lo anterior se lleva a cabo atendiendo Escribe Foucault. verdad. como todo lo extraño. Nueva York: The New trabaja con los medios digitales. tecnológicos.F. Sus artículos han aparecido en publicaciones internacionales como ARTnews. política y esfera pública en el estado español”. y qué entiende por “payos”. que no pueden ser administradas. gobernados. Michel. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. como toda novedad. las “Jornadas sobre nuevas tecnologías y es el diablo”. Su trabajo de investigación se despliega desde el ámbito de la Teoría del arte matriz de producción de la imagen y la conciencia: la práctica social y colectiva. “y por tanto propondría. suplantados por otros. canal*GITANO se convierte así en una herramienta que. El uso imprevisto de los medios electrónicos. Artforum. En la actualidad es miembro del Sistema Nacional de Investigadores de México. Michael. es una crítica de la institución de la representación y no sólo del objeto de la representación. le decía uno de los patriarcas de la comunidad gitana de Lleida. 2005.) Art after Modernism: Rethinking Representation. en sus reuniones y discusiones respecto a las estrategias del grupo para seguir adelante con su trabajo. libre acceso a la cultura” en el Centro Cultural de España en México. auspiciado por el Museo de Arte una palabra. canal*MOTOBOY se activa crucialmente Alberto López Cuenca es profesor Titular de Filosofía y Teoría del arte contemporáneo y como un arte de ser de otro modo gobernado. Lápiz. dentro de las reglas de gobierno ya sancionadas. la comunidad es ámbito de producción de vínculos simbólicos pero también afectivos en un proceso paralelo a los modos de producción inmateriales del capitalismo. aparece como una amenaza de desestabilización porque posibilita acciones que no caen. dichos. núm. no es una mera suplantación de unas representaciones por otras (una tarea. Brian (ed. Michael. es colaborador habitual del suplemento cultural del diario ABC y de Revista interrogar a la verdad acerca de sus efectos de poder y al poder acerca de sus discursos de de Libros. Michael y Antonio Negri. 2. 26. Foucault. En su selección y envío de material visual o de sonido. especialmente a aspectos sociológicos. inaugurando una dinámica de Coordinador del Doctorado en creación y teorías de la cultura en la Universidad de las Américas. Madrid: Akal. Es una crítica en la práctica de una práctica y no una mera crítica de la representación. sisífica ante la magnitud y alcance de las representaciones hegemónicas del motoboy en los medios de comunicación). Decía al respecto que busca “modelar el medio para Museum of Contemporary Art. escultor y a cómo su actitud de escultor caracteriza la manera en que actualmente Wallis. acercarse a ellos y pedirles que explicaran qué es ser gitano. Nueva York. Madrid: al evidenciar los mecanismos de poder y verdad. 1984. es la puesta en marcha de mecanismos que eluden el “modo de ser representados”. de nuevo. de la indocilidad reflexiva. 2001. Desde este acercamiento. critica. 2006. de Fried. Internet. esto es. siempre en negociación.lo es crucialmente de conciencia subjetiva en la medida en que desata un proceso de que lo usen otros” y concluía con una pregunta: “¿por qué habrían de tener los artistas agencia y enunciación. las relaciones sociales Hardt. en este caso. De ahí que deba entenderse como un ejercicio crítico a la manera de Michel Foucault. canal*MOTOBOY. y la Epistemología con la finalidad de desentrañar los mecanismos de producción. la condición siempre inacabada. no sólo activa una red de resistencia a las representaciones mediáticas del motoboy. tendría esencialmente como función la desujeción en el juego de lo que se podría denominar. en el sentido de Foucault. “Affective Labor” en Boundary 2. esta caracterización general: el arte de no ser de tal modo gobernado” (Foucault 8). la crítica. La crítica. En otra ocasión. a los jóvenes participantes en canal*GITANO se les ocurrió entrevistar a los patriarcas. junio de 1967. con Sobre arte. Escribía el francés que. núm. desarticulan y desvían la finalidad económica de los signos y los afectos en el entramado productivo del capitalismo avanzado. distribución y recepción en la creación cultural contemporánea. la crítica será el arte de la inservidumbre voluntaria. Es decir. Imperio. y hacerlos patentes y vulnerables. permite posicionarse frente a ellos Tecnos. económicos e institucionales en la configuración y recepción de la cultura de nuestros días. Doctor en Filosofía por la Universidad … yo diría que la crítica es el movimiento por el cual el sujeto se atribuye el derecho de Autónoma de Madrid. vol. esto es. la política de la verdad (9-10) Contemporáneo de Barcelona/ARTELEKU/Universidad Internacional de Andalucía y a lo largo Antoni Abad narraba en una ocasión un hecho sumamente significativo: “Internet de 2007 ha organizado. 1999. Antoni Abad hacía referencia a su trabajo pasado como Hardt. es decir. D. Como decíamos Referencias antes. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. Ha sido director de investigación en el proyecto “Desacuerdos. ser un patriarca Foster. además.

como parte de las clase. “deliverys”. Pero surgieron también los degenerativos. posibilidad de esos encuentros y debates idealizados por el Proyecto. Los propios participantes de esa comunidad no perciben los riegos muchos de nuestros problemas. en el ocio o en la familia. o. por parte de un conjunto de investigadores universitarios y de las su Cultura. repercutirá en todos los ámbitos de su vida diaria.que la voz del profesional de esos profesionales. sobre todo. La intersección entre cultura y política se hizo más clara cuando. con el objetivo de crear su autorrepresentación. al aplicarlas al campo social. de manera que no alcance su propio derecho urbanos que los convierte en sujetos y protagonistas principales de la vida cotidiana a la participación igualitaria en la política o en otras dimensiones. que utilizan la motocicleta como un conjunto de imágenes e intervenciones digitales en el mundo virtual de la Internet. en la sociedad. instituciones a las cuales pertenecen. se crea un tipo de identidad artificial representan aspectos importantes de la convivencia social y abarcan. Así.net/SAOPAULO. en primer lugar. y de qué forma grupo. (Weltanchaung) que entonces construyen a partir de esa experiencia. “couriers”. En ese sentido. sobre las que toda la sociedad deberá empeñarse política. a través de la experiencia de autorrepresentación proceso de curaduría para el proyecto canal*MOTOBOY . Surgió en consideración ese modo singular de vivir. de la economía. al años. padres de familia. Ellos se ven y son vistos por la sociedad de diversas maneras: como “motoqueros”. estamos delante de lo que denominamos entonces el interés. personajes de novelas. descalificándolo en su ambiente de trabajo a partir de algún estereotipo. lo que que la ciudad sufrió con el proceso de urbanización –y estrangulamiento de las vías. esas “reducciones” encuentran explicación exposición de arte? ¿Qué hay de tan específico en esa nueva clase de trabajadores en la forma como se determina al Otro. Ese grupo los ayudó en el desarrollo de cuestiones planteadas por Resulta imprescindible –y también fue así para nosotros cuando iniciamos el el canal*MOTOBOY y constató. entre la imagen negativa. de construir una identidad positiva en relación a su representación social y. una Como recuerdan los analistas sociales. “motociclistas”. el tráfico. y a través de conflicto en los espacios urbanos. en parte. el surgimiento de un dinamismo propio. inclusive como São Paulo “mototaxis”. varias producciones culturales con esa temática? ¿Nos encontramos frente a usar una tipología que reuniera las principales características de sus servicios. abandonan su propia autoestima implementación de políticas públicas para una mejor calidad de vida en los principales para poder pertenecer a un grupo social (“motoboys”. incluso que el de sociabilidad que emerge con el aporte de las redes sociales digitales. obras le dio un carácter de cosa y no de sujeto. cuidar de un cuando el artista Antoni Abad crea por primera vez en la historia de esa categoría nuevo tratamiento geométrico de las calles y avenidas no es suficiente para definir el profesional una oportunidad de reunir a un grupo de 12 “motoboys”. como en su trabajo de nuestras ciudades? No hay como negar que en la actualidad los motoboys u otros espacios de la vida social. cuando tomamos esa Categoría Profesional y la sociedad ensanchan sus fronteras a ojos vistas. Se trata siempre de comprender. permitiría que su voz instantánea fuera escuchada por toda su comunidad. tal ¿Será que existe una cultura motoby? ¿Cuál es la razón de ver. “motoboys”. Reuniéndolos semanalmente. Esa es una centros urbanos de nuestro país. de qué pertenecientes a una colectividad. los mensajeros. Se trata. Y que su vida sea contada sin mediaciones. jóvenes y. como “perro-loco”. para discutir sus principales esos profesionales está intrínsecamente relacionado a las muchas transformaciones problemas y capacitándolos con una tecnología celular conectada a Internet. De esa forma. inclusive cuando se ha tratado de negar el mismo estereotipo. Esto. a partir de una forma motociclista sea escuchada. realizamos un Ciclo de Debates y Filmes. ya sea en su lugar privilegiado. no sólo en relación con la identidad de esos profesionales de mejoramiento. en los últimos fue la iniciativa de los órganos de tránsito del municipio al denominarlo “motoflete”. documentales y. la idea de propiciar el encuentro entre política y cultura ya formaba parte del desempeñan sus funciones para que la ciudad pueda avanzar. en pensarlas? A partir de la lógica de la movilidad de los motociclistas. lo cual un fenómeno social que todavía no fue totalmente interpretado? ¿Películas. que viene acompañada de nuevo poder. En Eliezer Muniz dos Santos muchos de esos casos. que pasa a tener un estigma en relación a sí propia y al conjunto mayo y junio de 2007. como en la que corren para reconocerse y ser reconocidos. libros. sin sombra en que ellos se mueven. “perro loco”.zexe. medio de subsistencia. 74 75 . canciones. para que podamos considerarlos protagonistas en primer de duda. Más que crear muchas veces. durante meses. sea por la apodo “motoboy” sea discutida por ellos. a medida que los diálogos entre para realizar sus actividades. como parte de la de la sociedad –y esa enfermedad no se combate sin información y conciencia de exposición “Motoboys transmiten por móviles”. etc. las subsunciones de esos nombres esconden una forma de depreciación del profesional. de qué manera se organizan. De hecho. de teatro. vimos la por parte del exceso de vehículos en el contexto del rápido crecimiento global.Cultura Motoboy y Políticas Públicas: Interfaces de la Ciudad de “mensajeros”.). sea en el campo de la grado de soluciones complejas. y el escenario como respuesta. El propio surgimiento de proceso. de Antoni Abad. encontrar el propio significado de su expresión. tal vez ¿Pero de qué manera comprender el lugar de esos personajes. de comprender cuál es un proyecto cultural organiza una forma de sociabilidad antes imposible para ese el nivel de información que nos traen esos sujetos. sino también en relación con la visión de mundo modo es afectada la vida de esas personas (trabajadores. ahora. por causa de la existencia de esa función en otras regiones de Brasil. solo a través de la confrontación cultural esa comunidad será capaz conmemoraciones por los 25 años del Centro Cultural São Paulo. por los problemas de los mensajeros y su lucha para organizarse. Y esto significa que nos encontramos frente a un característica propia de los procesos de estereotipia social. el más conocido de todos. por sus envíos al sitio www. Ese manifestación de un conjunto expresivo de códigos y señales que pueden significar crecimiento impone a la sociedad como un todo que se tomen providencias concretas un cambio sustancial. en su trabajo. cómo elaboran sus estrategias existe la posibilidad de realizar un cambio estructural. cómo crean su propia identidad. habitantes de las grandes periferias).

ese proyecto. Vemos surgir una ciudad que se muestra desde el ángulo de los motociclistas. cerca de 2. al hacer con que las reivindicaciones de esa Eliezer Muniz dos Santos. aunque no abunden las investigaciones que asocien el accidente de motocicleta al accidente de trabajo. en el asfalto caliente. Cuando vemos una razón de ser en la necesidad de hacerles justicia utilización de la palabra clave “DÍME”. llegamos a la conclusión de que hasta el momento no hay ninguna garantía de que las iniciativas de los gestores públicos obtengan éxito. curador adjunto.net/SAOPAULO-. tomando en consideración el nivel de complejidad con que necesitan lidiar para resolver sus problemas –hoy existe un consenso de que las soluciones también deberán ser complejas. “REUNIÓN”. “ACCIDENTE”. Entre otros factores. se convierten en instrumentos simbólicos para la investigación de esa experiencia: la mirada del motoboy evidencia la “mirada” sobre ese motoboy. si esos profesionales se resienten por la falta de un programa eficiente de prevención de accidentes –con curso de conducción preventiva y formación profesional-. así. Motivados por temas propuestos por el propio a esos motociclistas que ponen en riesgo su propia vida encontramos. mediante la en este proyecto. un grupo. con palabras clave como “DÍA A DÍA”. 76 77 . Así. significado para el arte que eleva sobre todo el discurso sobre la calidad de vida en la “FAMILIA”. Por tanto. como era de su interés. es graduado en Filosofía por la Universidad de São categoría de profesionales entren en la agenda política de la ciudad de São Paulo. cuando nos abrimos a una dimensión más estética. “TRABAJO”. ante la urgencia de abrir un diálogo protagonizado por el Colectivo de Profesionales Motociclistas entre el poder público y la sociedad civil organizada. Así. En esos envíos pudimos contar más de 240 colaboraciones. el claro objetivo de nuestra curaduría es el de cerrar un hiato –gracias a la ejecución del proyecto www. Su voz no puede callar. por parte de todos los involucrados entrevistas con otros profesionales y personas vinculadas a su día a día. al participar en ciudad. y coloca en primer lugar a la ciudadanía a través de la cultura. Aquí cabe una observación sobre el modo casi tribal con que ellos se defienden en el tránsito. construidas a partir de esos debates. vídeos y sonidos grabados. con publicación por la Internet en tiempo real. “TRÁNSITO”. de manera colaboradora. en apenas cuatro meses. sino también en usuarios activos de un dispositivo de comunicación autónomo e independiente. Paulo y ex-motoboy. se convirtieron no solo en emisores del canal. Para ésto. Y que todo eso pase por la omnisciencia de esa escucha. inclusive ayudándose en los momentos trágicos de los accidentes. una base sólida de voluntad y comprensión hacia todas nuestras entre fotos. así. al engendrar sus demandas. se distanciaron de la lógica de los estereotipos proyectados por los medios de comunicación preponderantes. pues solo ellos saben qué es el desamparo cuando. como también sobre el destino del canal*MOTOBOY. ellos indicaron claramente que. y se transformaron en cronistas de su realidad. aguardan la llegada del camión de Bomberos. basta captar las imágenes en que ellos discuten. entre otras. ya que para ello sería necesario tener una verdadera representación de clase acompañando tales políticas. y para éso basta recordar los datos oficiales sobre los elevados índices de accidentes con víctimas fatales en los últimos años-.zexe. podemos percibir que ellos aportaron un espacio legítimo de formación para la vida cultural de la ciudad.800 envíos. esos para las próximas elecciones municipales. también es cierto que faltan acciones por parte del Poder Público que indiquen de qué manera los Profesionales Motociclistas crearían una mejor estrategia para ir al encuentro de los intereses de su ciudadanía y del respeto por la vida humana. y además crearon una espectacular herramienta de lucha para reinventar su propio cotidiano. Profesionales Motociclistas hicieron. notamos que las cámaras fotográficas primero comienzan a revelar la mirada y. tanto sobre los contenidos del sitio. Sentimos. Al probar que tal dispositivo es capaz de generar opinión pública. por fin. Claro está que.

25% eran motoboys. pues la profesión todavía sufre con la falta de cinco salarios mínimos y 31. la motocicleta una oportunidad de ganancia e independencia harto atrayente. comercial oficios. Invasor de un espacio restringido. Otros compraron una moto en alguno de los muchos consorcios y fueron a la lucha. segregação e cidadania em São Paulo. 2000. Muchos ya dirigieron motos antes de profesionalizarse y lo que hicieron únicamente fue aliar Los hechos el entretenimiento al trabajo. de Alessandra Olivato.de 1995 a 2005-. El espejo y el patrón de señalización tampoco son adecuados. en Brasil. de los 1. todo pasó a ser realizado por motocicletas. la altura derecho del espacio no tan público de las calles y avenidas de la ciudad.8% del total de vehículos. muestra hasta qué punto la falta de la proporción de motoboys es mucho mayor. metropolitana como un todo. en 2000. en la ciudad de São Paulo. En 2006 murieron en la ciudad retrovisor de los coches revela la imagen fugaz de un personaje cada vez más 380 motociclistas. São Paulo. de los cuales cerca de 160 mil eran motoboys. Según una pesquisa del IBOPE encomendada por el Hoy existen. 43% metrópolis paulista”]. dificultades de igual magnitud: los problemas enfrentados en el día a día del tránsito paulistano son prácticamente únicos en el mundo. el motoboy ser una relación. Surgido en medio del proceso de desreglamentación por el que pasó de seducirlo con la oportunidad de ser “autónomo” y transformarlo en “autómato”. 4.En el espejo retrovisor ocurrida en la última década del siglo XX. por tanto. “Percepção la mitad de ellos (49%) aprendió a dirigir sin pasar por la autoescuela. el Leviatán de las relaciones de trabajo trata relaciones. El motoboy devuelve la imagen que de él se construye. propietarios por motos: el pavimento no es adecuado. Por el capitalismo de cuño liberal en las últimas décadas del siglo pasado. En la última década [década de 1980]. pues es su única manera La cultura creada a lo largo del tiempo no absorbe la presencia de las motos de ser visto: personaje que no se ve ni se escucha –más allá del eternamente irritante en medio al tránsito citadino. La magnitud de la tragedia es. Pero es importante recordar que esos reglamentación acarrea problemas a un país que se piensa pacífico. un vehículo que poco se veía veinte años atrás. el modelo de las calles no es adecuado. De la naturaleza simbólica de la motocicleta nace el mito del patrón de muchas metrópolis alrededor del mundo. Las calles no fueron hechas para las Hace años viene “des-apareciendo” en medio a los carros. 78 79 . cosa de 20 años. con pocas oportunidades de ingresar en acontece en esa construcción cotidiana llamada sociedad. aproximadamente 170. 26% de los motociclistas pesquisados son motoboys –de los restantes. Según datos de la Companhia de Engenharia e Tráfego . Teresa Pires do Rio. pero que se pretende disciplinar. ese porcentaje llegó a 8.800 motociclistas entrevistados en las calles de la ciudad. Surgió en la estera 1 CALDEIRA.5% ruedan de 150 a 200 km por día. encuentra en por el personaje creado. En 1996. la ciudad perdió su posición vehículos que coinciden en el espacio cada vez más exiguo de las calles de la ciudad. São Paulo pasa por un proceso rebelde fuera de la ley que patea su propia imagen en el espejo retrovisor de los de tercerización. Y la caricatura es una imagen sensibilizada al frío de una economía que poco a poco retrocedía al cero absoluto-. El profesional motociclista es producto de intrincadas claxon-. en 2000 había 374. y 40% de ellos e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo sobre espaço dirigen motos hace menos de cinco años. Otros 26% solo tienen de uno a tres años público e civilidade na metrópole paulista” [“Percepción y evaluación de la conducta de de experiencia. aproximadamente. en aproximadamente Augusto Stiel diez años . la impresión de quien anda o dirige por las calles de la ciudad es que suplir una demanda de mercado. Según la misma choferes y peatones en el tránsito: estudio sobre el espacio público y la civilidad en la pesquisa. reglamentación –ni siquiera su nombre es un consenso: muchos prefieren la denominación de “profesionales motociclistas” en contrapartida con el “profesional del motoflete”. En 2001. Lo que escapa a la un mercado de trabajo en transformación –y que se encogía constantemente expuesto categorización se transforma en caricatura.000% en la venta de motos en el país. a pesar de la persona. en casa o en sus muertos diarios. motoboys tienen hasta 24 años. de mayor polo industrial del país frente a otras áreas del estado y frente a la región Los profesionales que arriesgan la vida diariamente cargando documentos. correspondencias y otras parafernalias de nuestro cotidiano burocratizado y coordinador de actividades productivas y servicios especializados”1. tornándose básicamente un centro financiero. Cidade de Muros: crime. otra ciudad de São Paulo. como un papel que algunos abrazan con placer: el del delincuente sobre ruedas que nada explica Teresa Pires do Rio Caldeira en su libro Cidade de Muros: “Siguiendo el mismo obedece o respeta. 50% ganan entre uno y Tales números son apenas estimativas. mucho mayor. el motoboy burla códigos y normas para 150 km por día. Lo inédito del fenómeno acarreó Un espectro ronda el tránsito – el espectro del motoboy. del “office-boy” de los años 1980 y aprovechó la explosión de ventas de motocicletas Editora 34/Edusp. La amenaza La profesión es nueva. valores. designación no muy popular debido a su carácter excesivamente “materialista”. como siempre egresado del sistema público de enseñanza.3% de los vehículos. al motoboy le es concedido aprovechó también el cambio del perfil económico de la ciudad de São Paulo. En Brasil. según la CET. casi la tesis de maestría defendida en la Facultad de Ciencias Sociales de la USP. Al rodar de 100 km a presente. Según CET en 2006. La mayoría es joven: 59% tiene de 18 a 29 años. desobediente.588 motociclistas en la usan la moto como medio de transporte y 31% para entretenimiento. El joven son entonces agrupados en una categoría creada contra su voluntad. los hospitales públicos. De éstos. las motos pesquisa realizada por la CET en la ciudad de São Paulo indicaba que 40% de los eran 2. pero que no ve números no informan sobre los accidentados que llegan a morir después. pero con apenas una vía de visibilidad.000 motoboys.8% tienen nivel superior. hubo un aumento de casi 1.CET [Compañía de Ingeniería y Tráfico]. Un fenómeno mundial.

todos somos ambiciosos en la medida en que consumir es imperativo. moviéndose entre los automóviles habitados por quien necesita que Pero los accidentes revelan la dificultad de inserción del motociclista en lo determinadas cosas sean realizadas en determinado tiempo. 1997. Mike. Según datos de la CET. También por pertenecer a las clases sociales tradicionalmente Si se accidentan. Montado en una motocicleta. pós-modernismo e identidade. coche. amplía habitaciones. la moto es chocada lateralmente. gracias redes de solidaridad creadas por las familias o por los vecinos. reglamentados en 2000. el tiempo de quien tiene que llegar antes y salir después. en el cual el consumidor de hoy necesita consecuentemente. más moderno. De ahí. la A pesar de que la muerte es el destino humano. haciendo más difícil construye casas. la a disco. se ampliaron que acontece en las eternas periferias paulistanas. la De los depósitos de mano de obra barata surge. Algo que no se entiende. entonces. habla del consumo de “marca” o de “actitud”. mientras tanto. tal como la SESC/Estúdio Nobel. que es regla en la sociedad desigual. jerarquías en una sociedad cada vez más democrática y con partes cada vez mayores de la población con acceso al consumo. pero garantizaron el en categorías sociales previamente definidas. En verdad. que moviliza su infraestructura para cuidar de Permanece la incomodidad de algo que no se explica. A la hora de accionar el freno de emergencia. el motoboy es un trabajador. después. Y por cada víctima fatal de un accidente con motocicleta. varios autores hablan hoy de la El problema sociedad industrial como sociedad de consumo por excelencia: de cierto modo. lo que es agravado por la enredo cotidiano de las novelas policíacas que rellenan la indignación profesional de gran cantidad de motos sin condiciones de uso que transitan por la ciudad.así como de un espacio simbólico –los espacios jerarquizados de la sociedad. optimizando para poder parecer ser. real posibilidad puede revelar la falta de capacidad de la sociedad para administrar el bienestar. El servicial tres son para rescatar a un motociclista herido o muerto. Marx: el motoboy es primero farsa para después convertirse en tragedia. la convivencia diaria con su calamidad instaurada en el tránsito de la ciudad produce 19 heridos y 6 incapacitados. El cuarto estrategia global de la industria automovilística de reducir los costos al descentralizar “del fondo”. tener transporte de los millones de periferizados hasta sus centros de trabajo. fuerza todavía más su ingreso en la ciudad al disputar espacio en el tránsito. Las categorías profesionales cuyo discurso se encuentra traspasado por 2 FEATHERSTONE. los motoboys representan. son los espacios pensados la producción. No obstante. El Hospital das Clínicas de São Paulo. Primero. además de la salud o de un miembro. pertenecer. solamente 7% de los motoboys eran La mayoría de ellos no tiene seguro médico. sobre todo. invisibilidad. De ese modo se cristalizan los tiempos distintos de los distintos ciudadanos. una amenaza al ordenamiento simbólico de la ciudad. y no de lucros cada vez mayores. La misma Teresa Pires do Rio Caldeira se refiere a la dificultad de establecer cercano. de varias presentan secuelas para el resto de la vida. por ser históricamente segregadas. Las motocicletas más sumiso se convierte en bandido para después morir. es la solidaridad comunal la que también los accesos de las personas a los bienes de consumo. El motoboy es. por tanto. Significa. Muchas los tabloides televisivos diarios. o sea. En el caso de los ser algo que sea fácilmente verificable. al contrario del accesibles presentan pocos dispositivos de seguridad. la aplastante mayoría de los accidentes invisibles sobre la motocicleta se tornan incómodos al desafiar la mirada atenta del fatales ocurre debido a colisiones laterales. un reflejo de la que habitan lo cotidiano. pero muere. Para mantenerse. Dado el carácter frágil del cuerpo condicionada. seguro de la moto o seguro de vida. Trabajar sin aparecer significa habitar el lugar de la producción. conductor. la fatalidad muestran valores diversos para la vida humana: parece que. ya es uno de los centros mundiales una sociedad puede convivir con uno de esos espectros rondándoles la civilidad? de amputación de miembros inferiores –una de las áreas del cuerpo más afectadas en las caídas de moto. naturaleza: la motocicleta. Mike Featherstone2 En cuanto a las soluciones para el problema del tránsito en la ciudad y. espacio ése tradicionalmente reservado a los productos de la industria automovilística Tal disposición espacial se encuentra también en los pequeños espacios segregados que impulsó al país desde los “50 años en 5”. de Juscelino –en verdad. La mirada el motociclista cae e inmediatamente es atropellado. los pasillos exclusivos exprimieron a los automóviles. que es nuestro “vagabundo”. Por segregados imitan la separación meta-física entre quien toma el autobús y quien usa otro lado. En el imaginario nacional motocicletas todavía usan un sistema de freno a lona. generalmente las heridas son graves. atento al otro en el coche. geografía “política” de la ciudad que circunscribe en un “centro expandido” su gueto 80 81 . El servicio de rescate del cuerpo primero. un rebelde por imagen de libertad e inconformismo tradicionalmente asociada a la motocicleta. conecta energía clandestinamente. cuida del una distinción social clara y posibilitando una mayor movilidad dentro del ambiente hijo del vecino que necesita trabajar y no obtuvo plaza en el único jardín de infancia urbano. pues es trabajador. São Paulo. la entrada –o área. escapando así de los sindicatos nativos y del precio de la mano de para esconder. o colabora en la refección de un vecino desempleado. como incómodo. al parecer no existe consenso. O desmanche da cultura: globalização. tránsito. muchos dependen de maneras. Sería más importante. Como ejemplo de lo al proceso de redemocratización nacional: con la democratización. pierden su trabajo. el invasor de un espacio físico –el la fruición. Los eternos trabajadores cotidiano de la ciudad. También el espacio: los pasillos El motoboy gana lo suficiente para poder consumir y. ¿Cómo la víctima. por tanto. es forzada a ver a quien nunca vio: expuesto. Por constituir parte de un universo informal. Se invierte entonces el dicho de de bomberos estima que a cada diez salidas para un atendimiento de emergencia.“de servicio”. a través de códigos visuales que lo inserten autobuses. y no con su empleado sobre la moto. como estadística. buscando en los países “en desarrollo” el local ideal para la obtención de por sí misma. y reflejan el ordenamiento simbólico de la sociedad. él devuelve al espejo de quien lo denomina “bandido”. por ejemplo. al tiempo que sedimenta la opción de la ciudad por su geografía excluyente. perpetuando la noción mágica de que la sociedad consigue funcionar obra local. Varios “invisibles”. ágil como es. en detrimento del sistema eso significa ser lo opuesto del “bandido”. para el motoboy. que penetra en el espacio que no le pertenece por derecho. equipamiento se transfiere al Estado. el costo del ecuación simbólica que no se cierra: no es bandido.

sino que. En el “centro expandido”. Se convierte de São Paulo. el acceso a las comodidades y oportunidades es demasiado restringido. La mirada extranjera es aquella que no participa del conjunto de normas específicas fetiche del hombre moderno. La civilización del trabajo intelectual tiene como tradición rechazar las tareas la noción de “público” y “privado” refleja la quiebra de un proyecto unitario en el cual musculares. la muerte gana notoriedad. Más allá de funcionando sin producir detritus de cualquier especie. Es el individuo que no debería aparecer allí. diariamente deformarse bajo impacto. además de la única Otras simplemente desaparecen. sigue el rumbo de la mirada. Tales tipos de actividad fueron continuamente rebajadas. El Ciencias Humanas de la Universidad de São Paulo. para no ver. siendo seleccionado para participar en el proyecto del Núcleo de Antropología Urbana de esa misma institución. como en el caso de innumerables trabajos esenciales a la sociedad que.de civilidad. tornándose visible lidiar con lo que se considera “degradante” o peligroso. garantizan una sensación de debería cumplir su misión civilizadora y retornar al gueto. 82 83 . manuales. es bachiller en Comunicación Visual por la Fundación Armando Álvares diferentes conforme se aproximan al centro geográfico de la metrópolis. una idea “fuera de lugar”: es lo que se hace aparente en el trato de la valoración de la vida humana. crea y vigila según sus propias normas. El individuo bajo el casco de “motociclista” puede más bajas de la pirámide. al contrario. el motoboy es el extranjero eternamente presente en el tránsito de la cada vez más elevado. Las leyes son hechas para él. del artista plástico catalán Antoni Abad. la motocicleta en no ve. pues la mirada educada Nacional de los Transportes Públicos (ANTP). y trataba sobre los motoboys de la ciudad sale de su rutina invisible. El motoboy accidentado aparece en los noticieros gracias al agravamiento realizado en 2002. Falta saber en qué mundo vive ese extranjero. el nuevo personaje cotidiano que ronda el tránsito pues ese “encanto” está asegurado por la mirada que ignora violentamente a quien en su moto puede. Participó como invitado en el proyecto canal*MOTOBOY. en cinturones luminosos. no penetra en los automóviles. De ahí la creación de más leyes para tratar de normatizar lo caótico. El desafío a las leyes puede ser visto como una afirmación. carrocerías proyectadas para ciudad. ser el heredero del antiguo botones. invisible. La curiosidad del circunscribe al entretenimiento –el período de no-trabajo merecido después de las horas extranjero devuelve imágenes que muchas veces no vemos. lo que y del sudor. La naturaleza de la motocicleta es otra –de ahí su sobre las que momentáneamente pasa la vista. al sudor y a la suciedad –que Corresponde pues a la mirada deseducada. así. solo consigue alcanzar tal efecto. desajustados de la privacidad de cada inmueble que invade el espacio de las calles. entonces. manifestando el orgullo provoca la injerencia en las cosas más básicas. pues se encaja en otro sistema de valores simbólico –o no encuentra lugar tanto vehículo para el ocio es distinta de la motocicleta para el trabajo: la sociedad definido para encajarse. todo el mundo. Su trabajo lo obliga a relacionarse continuamente motoboy no es un problema de reglas de tránsito. loka”. puede ser peligroso. Unas “prenden”. a la ciudadanía es una expresión de un consenso. la tarea de observar y sorprenderse. Aquí. para que el motoboy sea visto. El motoboy. En una ciudad donde las aceras son mosaicos opción posible. que posee índices Augusto Stiel Neto. igualdad Penteado (FAAP) y bachiller en Ciencias Sociales por la Universidad de São Paulo (USP). “airbags”. y autosuficiencia se unen para decir que conciencia y democracia no se separan. o en qué mundo él las fuerzas de la física son absorbidas por el costo de la tecnología de seguridad. sin ofrecer oportunidad alguna al Quien se percibe excluido de esa parcela de civilización puede optar por no compartir observado. pues con su mirada desestabiliza toda una construcción social. lidia con lo indeseable –acto agravado en una sociedad históricamente segregada. el “profesional de la se sujeta. separándose cada vez más de su origen y. inclusive a altas velocidades. Y con la historia. Este riesgo físico queda pues en manos de quien a él de su discurso. el caso de las motos. con del camino recorrido. La privatización de lo público y la medida que el proceso histórico fue tomando el rumbo del intelecto. en el departamento de Antropología de la Facultad de Filosofía. los arrebatos de originalidad. finalmente. mágicamente mostrar quién es.. por mensejeria puede mostrar lo que ve de la manera como lo siente. El turista descubre lo que el nativo apelo no conformista. Se llega. Letras y del tráfico de una ciudad cuyas arterias no soportan más la savia que transportan. en sus principios. como tantos millones en seguridad. está al final de una compleja cadena productiva: él es el responsable por la mundialmente aceptado como eficaz. con las calles y avenidas. El creciente nivel tecnológico permitió que los automóviles asumieran un riesgo En ese sentido. Capturando las imágenes de su cotidiano. sino de organización social. y posteriormente publicado por la revista de la Asociación en titular de periódico. cuyo ideal de igualdad de derechos es apenas retórica. El trabajo “Por el espejo retrovisor” fue motoboy que agiliza servicios y acorta plazos. En piensa vivir. al uniforme. choca con la cuestión de que la invisibilidad del última tuerca de una gran máquina. en caso de colisión. etc. Frenos “ABS”. comenzar a producir su propia caricatura. nuevos materiales. Pero como el sujeto del ordenamiento social. Gracias a tal parafernalia. de un puesto médico o en la esquina de una avenida se transforma en hecho de vida. aunque sea por la fuerza de en 2007. son reservados a las clases más allá de la mera estadística. que domaba a la publicación de lo privado invierten relaciones y solapan la posibilidad de un pacto naturaleza y la sobrepujaba –colocándola a su servicio-. otras se transforman en moneda a pesar de las promesas –o un slogan que habla de la opción por ser outsider: “vida de cambio entre los representantes del poder y quienes a él deben someterse. los propios límites de su concepción transfieren el De la unión entre extranjeros surge la oportunidad de dar al “motoboy” el control riesgo al cuerpo del motociclista. Esta participación fue fruto de un trabajo académico los números. Accesorio indispensable por ser ese punto. expuesto al humo y al hollín. esos carapachos herméticos de comodidad regulada. comienza a ser percibido. distanciándose de la suciedad social. Se transforma en caricatura trágica. Por eso el extranjero reglamentarias u otro tipo cualquiera de regulación-. Sobre el motoboy incide la mirada que busca encajarse en un sistema. En ese momento. y ahí queda la sorpresa de lo inusitado. resignándose frente a la fatalidad o rebelándose: la muerte en la cola un discurso que viabiliza y refuerza ordenamientos ya previamente establecidos. La sociedad que opera como “por encanto”. en el Centro Cultural São Paulo. lo que ve o lo que quiere con las imágenes que produce. atrasa la rutina de la ciudad cuando realizado en colaboración con otros dos alumnos.

y una www. cuando recibo tiempo. ¿Cómo entiende usted trabajo tomaría otra dirección… Tenía que hacer lo posible para modelar redes como el proceso de traducción o apropiación de esas dinámicas en el espacio institucional? Internet y la red de celulares. en el cual ciertos esos canales sean vistos por el mayor número posible de personas. que fue el primer proyecto. hasta que finalmente hice un proyecto con una mosca virtual que vivía de las personas de Barcelona con movilidad reducida. ocurrirá lo mismo con Ronaldo o con Luis. para mí el mayor éxito comienza cuando termina ese patrocinio que viene del 12 DE MAYO A 10 DE JUNIO DE 2007 mundo del arte. los que representan el 10 o 15% son aquellos que quieren continuar. Del otro lado. Naturalmente. No obstante. en que descubrí que proyecto. realizada por Vinícius espacio expositivo. en Canadá. usted mantiene algún contacto con los colectivos? Spricigo en 15 de mayo de 2007. y con todos esos colectivos que ya transmitieron a www. pero en una clase de una escuela. mi hermano. hacia un territorio que me parece mucho MOTOBOYS TRANSMITEN DE MÓVILES más cercano a la sociedad. Tengo la posibilidad un lado un proyecto que critica a los medios de comunicación. y. Enseñar a esos colectivos cómo usar las herramientas. Entonces. de reencuentro con lo real? VINÍCIUS: Me parece que por un lado tenemos el “desvío de recursos” de las ANTONI: Creo que esa decisión parte de una decepción que tuve. Eso pasó porque allá tuve la oportunidad porcentajes. si voy a México me encontraré otra vez con Don Facundo. Algunos de los participantes se organizaron escultor o de relojero. por parte de la institución. es mucho más importante obtener difusión. es llamado “instalación”. Pero también tenemos a los dos grupos de gitanos de correo electrónico en Internet… Eso produjo un cambio… Estuve casi diez años que ya participaron del proyecto en España y también a las prostitutas de Madrid. que aparecen en los medios de comunicación siempre por su imagen negativa. de las operadoras. modelar el dispositivo. que generen sus propias noticias. De entre esos esas ideas al territorio del vídeo proyectado. los grupos responde a los niveles de participación que suelen encontrarse. Pero eso es ya VINÍCIUS: ¿Cómo usted entiende ese abandono de las obras de arte y la tentativa otra cosa: una cuestión de amistad. ¿cuál sería su papel en esos proyectos? ¿Crear sus preocupaciones o de su día a día. pero también mediar la se organice y comience a hablar. Entre un 10 y un 15% se interesan e implican mucho en el llegó un momento. en la cual éstas ganan a comentar su sociedad? ¿Por cuál motivo? Sin respuesta para esa pregunta mi visibilidad en un espacio del que.canal*MOTOBOY un principio estaba prevista para el arte. Una vez que se consigue que ese colectivo condiciones para que esos individuos tengan voz propia. pero que. ANTONI: En los siete proyectos realizados hasta la fecha. Tenemos por colectivos consigan autorepresentarse a través de la tecnología. los motoboys. al mismo de hacer esto porque tengo una trayectoria como artista. no es el Centro Cultural… aquí sólo tenemos de experiencias. háblenos un poco de su trayectoria artística encontrado con grupos humanos que responden a ciertas pautas. Después comencé a trabajar con los panamericano. crearon una asociación específica en el ordenador de los usuarios. 84 85 . del mundo de las compañías. normalmente. por ejemplo. ya puedo partir para el próximo colectivo. Porque. Y finalmente encontramos a algunos podía aplicar esa combinatoria que utilizaba en las esculturas para transferir todas que no hacen nada o que sólo fueron para conseguir un móvil gratis. se representen a sí mismos. y todavía instituciones para patrocinar esos proyectos. Quizás podría decir que llegué con herramientas de vez finalizada la parte “artística” del proyecto. Un 30 o 40% que publican regularmente. los últimos 5 años. Los taxistas de México.net organizaron. El espacio donde ese proyecto invitaciones para realizar proyectos de instituciones artísticas. también el papel de facilitador o mediador.net vez que sepan cómo usarlo. porque ellos ya se móviles e Internet. por otro. Trabajé muchos años con escultura. en el caso de informática. estarían excluidas.zexe. una de acceder a esa tecnología. que pretende tener un ámbito un dispositivo concebido para poder conspirar. ANTONI: Mi inicio fue como escultor. ¿Por qué un artista es autorizado de dinámicas sociales existentes para la esfera institucional. en este caso. Mi papel consiste por un lado en desviar esa financiación que en una mesa de reuniones donde los motoboys se encuentran una vez por semana. sobre la función del artista en la sociedad.zexe. la primera labor es conseguir que esos colectivos. que trabajando en esos proyectos de proyecciones en el espacio y también con programas consideraron que ya habían dicho todo lo que tenían que decir. Es relación entre los colectivos y la esfera institucional? en ese momento cuando aparecen los medios de comunicación y entrevistan a los ANTONI: Lo que estoy haciendo consiste en desviar recursos que fueron participantes. al CENTRO CULTURAL SÃO PAULO final. Se trataba de la Fundación Latinoamericana del Transporte Público. más social. siempre me he VINÍCIUS: Antoni. en primer lugar. necesita de esos medios para ser difundido. crearon forma que no se podían interceptar las comunicaciones de sus usuarios. y salí con cintas de vídeo y también con mi primera dirección para dar continuidad a sus canales. que escondía a una comunidad distribuida de tal para continuar el proyecto. propongo ese tipo es mostrado no es el espacio artístico. Éso. Es entonces cuando se consigue que destinados al arte y a la cultura hacia otro territorio. cuando estuve en el Banff Centre. VINÍCIUS: ¿Después del momento de la presentación de los proyectos en el Entrevista con Antoni Abad para el Forum Permanente. en las que hablan de VINÍCIUS: En ese sentido. tenemos también la reconversión tengo. Ellos necesitan de una instalación. La composición de hasta el inicio de la colaboración con los “colectivos”. Mi relación posterior con esos grupos es esporádica. y el colectivo decide organizarse para dar continuidad al proyecto. para que fueran útiles a otros colectivos que así quizás conseguirían tener la oportunidad de expresarse. Es ésa la dirección de mi trabajo en ANTONI: En esos proyectos. en São Paulo.

Tenemos todos esos canales individuales donde los motoboys están bien conocido en todo el mundo. Usted. a final de cuentas. por ejemplo. naturalmente. hace poco. sería mejor. Hasta ahora. porque cuando envían una imagen tienen que que otras personas puedan intervenir en él. extrañamente. Eso implica un www. No existe un Ya recibimos muchos comentarios.net integra todos los resultados de esos diferentes proyectos. prácticamente no existe. Es necesario hacer éso para que el proyecto sea viable. definir el contenido de esas imágenes. si se consigue que los motoboys hablen por sí mismos. Ni Eugenio Tisselli. tenemos una frase que de los contenidos transmitidos por los colectivos? dice: proyecto de Antoni Abad. como el dispositivo. El proyecto tiene lugar en Internet. o sea. ya que todos los participantes del trabajo la posición de los mensajes. es hecha por las propias comunidades. en los cuales algunos artistas proponían una arquitectura específica ANTONI: Los emisores publican directamente del móvil en sus canales. al final. ¿Cómo para hacer un proyecto. que serviría para clasificar las actividades humanas en un diccionario el broadcasting de los registros de la realidad cotidiana de los colectivos. descriptores. aunque también pensamos que quizás podría ser muy rígido. Los canales que estamos llevando a cabo en el canal*MOTOBOY. una de las críticas realizadas a esos alguna posibilidad de edición realizada por los propios motoboys. Entonces. con la posibilidad de escribir sus comentarios sobre uno de los descriptores que más aparecieron fue Camaron. pero tampoco queda claro qué son los doce motoboys participantes. con y cierto modelo de sociabilidad predefinido. Ese descriptor era alguien especial y bien específico broadcasting -o webcasting. dentro de la terminología de ochenta palabras clave que “describen” los mensajes publicados. Como decía hace algunos invitadas a participar mediante una interpretación de esos contenidos. lo permite. Vamos a pensar en los trabajos que quedaron estigmatizados por la estética relacional. Hoy vimos en la “instalación” que solamente sin embargo la mayoría prefirieron tener sus canales “cerrados”. Hasta ahora tenemos unas individuales de los motoboys pueden ser abiertos también. Eugenio Tisselli. de edición y del contenido? Por último. en el VINÍCIUS: ¿Existe. sino que son los propios motoboys comentario negativo. esos tags. en un ámbito que sobrepasa el ser crípticas. lo de esa comunidad. por tanto. digamos artística. Así llegamos a la los medios masivos de comunicación. mi autoría está en En principio. etc. nunca invitaría a doce motoboys proyecto zexe. creo que es el momento en que los motoboys vimos que algunas de las publicaciones de los taxistas de Ciudad de México podían comienzan a interactuar con el resto de la sociedad. minutos. Esos son canales de interpretación donde otras personas podrían ser ANTONI: Creo que lo importante es abrir ese espacio.pero el proyecto sucede en Internet. Las posibilidades trabajos versaba sobre la creación exclusiva de espacios de consenso y nunca un espacio de edición son muy simples: sólo se puede agregar más texto y borrar o cambiar de disenso. ni yo pertenecían a la comunidad artística. los autores son los motoboys. el espacio creado por esa tenemos la posibilidad de editar esos contenidos. más preciso. También existe otra posibilidad. De alguna manera. Sin construcción de un sistema que partía de ciertas clasificaciones de la sociología o de embargo. 86 87 . Porque creo VINÍCIUS: La última pregunta. por ejemplo. diálogo y negociación en la construcción de esas espacio. Tenemos un forum abierto para la participación de todas experimentaron por primera vez esa posibilidad los gitanos de Lleida. el programador del proyecto. a todos los motoboys. clasificar esas visiones. a veces. Tenemos por otro lado canales de interpretación. hay que ceder. principalmente en el proyecto de los motoboys.zexe. Cuando ANTONI: Sí. En fin. les permitiría a los usuarios del dispositivo hacer sus pesquisas de acuerdo con ese diccionario. por lo que percibí. enfocada en la antropología. ¿sabe lo que quiero decir? Esa combinación de arquitectura entre los responsable del proyecto. Al final se acaba construyendo un escribir su comentario. en los dos canales de los gitanos los que envían esas palabras clave en sus mensajes. digamos estética. Eso que otros segmentos de la sociedad expresen su percepción de esa representación. Usted también representaciones? ¿Para el espectador. No había espacio para “el otro”.net. ciertamente se trata de un aspecto positivo. con el programador del proyecto. proceso de integración de los resultados. Eso quiere decir que la representación. Vale decir que. objetos. y ahora esos que tenemos es un forum abierto. veo que. que no permite con cuatro ramificaciones importantes: seres. también colaborador del proyecto. por ejemplo. usted puede escoger una palabra que describa esa imagen. esas palabras clave. Y creímos -digo creímos porque eso fue conversado. En las invitaciones del proyecto. hay que divulgarlo. Resultarían difíciles de entender porque utilizan lenguajes específicos corredor donde circulan los motoboys. porque a partir del primer proyecto en México. en el sentido de proyectar una que abarque también esa arquitectura de la información que usted ofrece ya como algo forma de visibilidad a los colectivos? preformatado. hubo una preocupación con el VINÍCIUS: Estoy pensando en el espacio institucional en un sentido más amplio. ¿Existe una preocupación. pues son publicados en directo arquitectura de la información solamente permite el acceso a los individuos que pertenecen desde los móviles. las personas que visitan la web. el trabajo reafirma el lugar de exclusión de esos sujetos. Ofrecí esa posibilidad. la apertura no estaría reducida al comentario se refirió a la apropiación. Cuando usted afirma que esas herramientas de comunicación permiten que los principalmente. un cantaor que ya murió. espacios y actividades. cuando estábamos junto con Augusto Stiel Neto. Consideramos entonces que de alguna manera sería interesante VINÍCIUS: Vamos a tomar un aspecto tecnológico para ampliar esa cuestión. hubo dos visitantes. Pero. Cuando se publica una foto. propiamente de la edición de ese contenido? concesiones. Cuando se abre al resto de la sociedad.que sería importante motoboys tengan una representación de su propia comunidad sin pasar por el filtro de describir esas publicaciones. pero creo que. Si es que es una autoría. como usted vio a esas comunidades. el proyecto. así que decidimos cambiar totalmente el dispositivo. son totalmente libres. también sobre el lado tecnológico es: el portal del que el Centro Cultural São Paulo. del colectivo emisor. diseño. ¿cuál es el papel de ustedes en ese celulares e Internet es mi única autoría. Es uno de los experimentos tuvimos muchas intervenciones que atacaban a la comunidad. y los programadores. Hay que hacer algunas usted ve esa tarea más allá del registro. la única cosa que yo cuestionaría sería la estructura del proyecto. donde las personas se pueden interrelacionar. no existe ningún equipo que describa las imágenes a posteriori. un canal abierto significa que existe la posibilidad de abrir el canal para esfuerzo intelectual de los emisores.

Que todo el mundo pueda conocer el cuando llego a una sala de exposiciones y veo un Cibachrhome perfecto de una día a día del motoboy. él me dijo que era un Proyecto que mostraba el día a día del motoquero. Y aquí en el canal*MOTOBOY no es eso lo Museum of Contemporary Art. En definitiva. Y aprender. El proyecto canal*ACCESSIBLE que ya tenía contacto con el artista español. pero me fue gustando y hoy estoy aquí. Pasé varias semanas solo participando. VINÍCIUS: Para terminar. pero que son lo más simples posible. Su día a día. Solo que para eso tenemos que Sus proyectos han sido presentados en el Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. que el objetivo sería ése: que los propios colectivos se poco más y cada día desarrollar un poco más. pienso: ¿qué es éso? ¿qué quiere decir?. 1ª Bienal de Sevilla 2004. No lo sé.S. nacido en Lleida 1956. fuerza de voluntad de cada uno de los motoqueros. a partir de palabras claves del dispositivo o de sus publicaciones. soy uno de los miembros del canal*MOTOBOY. donde sus actores son grande. MECAD/ mucha gente mala. que juntó la posibilidad de apertura. Karlsruhe 1999. Veremos lo que pasa. Beiço. para la identificación de las publicaciones en adhesivos. La cosa va por ahí… comuniquen poco entre sí. Para responder a esa otra pregunta. un poquito. Austria 2006: así el Canal. la primera idea que creo se podría tener de un motoboy. que muestren muchas cosas erradas de la calle. el lado de las fotos. y empezamos a conversar en el Centre d’Art Santa Mònica ha recibido el Premio Nacional de Artes Visuales de la Generalitat bastante. del fotógrafo dentro de cada motoboy. lo que que sirven para divulgar la experiencia.diccionario de términos que. Fundación Teorética. sea capaz de generar conocimiento colectivo.1. y muchos de ellos ya se interesaron por el Proyecto. New York 2001. Centre d’Art La Panera. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. en todos los canales hay más o menos un logo. Eso es también una representación para la difusión… Imagino que es algo que viene Eliezer Muniz dos Santos: El canal*MOTOBOY es una idea. vamos a ver. todavía sin móvil. el canal*MOTOBOY es un instrumento de comunicación entre la sociedad y los motoboys. Hamburger Banhof. Queremos personas de responsabilidad. que a veces quiere entrar en una cosa. saber escoger a algunas personas para poder trabajar. Antoni Abad. pero de cualquier manera serían ellos mismos los que editarían u organizarían del canal*MOTOBOY en el Centro Cultural São Paulo. Museu d’Art que queremos. Estamos necesitando. Centro Cultural de España. México DF 2004. San José de Costa Cleyton Pedro Perroni: Llegué al Proyecto a través de un amigo mío. y se fue abriendo espacio. Se identifican en sus pares. porque el mundo de hoy tiene Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. y una presentación de sí para la amistades. Media Lounge/New lo que le interesa mismo es el dinero. Y también una forma de hacer más una postura activa de crear un sentido para sí. Si alguien tiene la vistos y se ven. que trata de representar el dispositivo -en este caso. New York 2003. lo más simple posible. Lo que sigue esa información. ¿Usted cree entonces que los individuos cada vez más están dejando de delegar en la institución Andrea Sadocco Giannini: El canal*MOTOBOY (creo que sea) es un canal para y en los artistas el papel de su representación. de un empujoncito más para engranar la Antoni Abad. Barcelona 2006. pero el ejemplo podría ser: sincero. ¿verdad?. Estamos aquí para aprender un ANTONI: Creo que sí. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. un ¿Qué es el canal*MOTOBOY? casco-. Lleida 2005. expresión. Estrecho dudoso: Tráficos. Brasil 2007 y en internet. Entre los meses de septiembre y octubre de 2007 se llevaron a Esos términos que ellos están usando no son más de ochenta hasta ahora. www. o trata de ir por ahí. Centro Cultural Sao Paulo. Y por donde quiera que voy trato de pasar a otros motoboys lo que estamos aprendiendo en la calle. Madrid 2005./MOMA. y que todo el mundo pueda prestigiarlo. nuestro trabajo honesto.zexe. un casco bien simple. VINÍCIUS: Gracias. Me interesé bastante y vine. Rica 2006. es necesario divulgar… y en eso las nuevas medias tienen de mejor. mal intencionada. “tránsito”. mostrar el día a día del motoquero. surgiendo de Cataluña i el Golden Nica Digital Communities del Prix Ars Electronica de Linz. Centre d’Art Santa Mònica. La Casa Encendida. en cosas una persona. y algunos cabo conversaciones con distintos participantes y colaboradores ocupan un lugar bien alto en el ranking. ¿Cómo conoció el Proyecto? ANTONI: Gracias a usted. Franscisco Djalma Souza: Cuando fui invitado por mi cuñado. Madrid 1997. personas que trabajen bien. El artista tuvo el coraje de llegar hasta allí. a reunirnos con varios motoqueros. ¿Adonde nos llevará eso?. hacer esa foto y después reproducir belleza. a participar de este Proyecto. P. en verdad. como “accidente”. en este caso un artista. con una cámara bien Keila Muniz dos Santos: Un instrumento de visibilidad. y una comunidad con serias necesidades de hay algunas decisiones estéticas. Como también para desarrollar la informática. autorepresenten. Museo de Arte ¡porque las hay! Contemporáneo de Castilla y León 2005. aunque se posibilidad de representar esa favela son sus propios habitantes. Una creación de de la publicidad. Y creo que es todo comunidad? eso y un poco más. O sea. volviendo a la cuestión de la institución. es una selección de algunas de sus consideraciones. pero ZKM’net_condition. Contemporani de Barcelona 2003. Berlin 2002.net 88 89 . y están ellos mismos asumiendo mostrar la vida de los motoboys. se perciben y son percibidos. que está creciendo mucho. imagino. Que las personas puedan conocer mejor nuestra vida. vive en Barcelona. Ronaldo. fotografía de una construcción precaria en una favela de Rio. quizás.

una manera buena y fácil para las personas que están metidas en el tránsito. si está sucia. O sea. los móviles y el sitio ya lo teníamos. lo bueno es verlo en las reuniones. Hay que delegar funciones. comunidad de la periferia. si hay CET… El motoboy puede ver muchas cosas. Y no era solo yo. también Ronaldo. y ellos tienen el derecho sagrado de organizarse como estar al lado de ellos. una dice una estas cosas que estoy conociendo. Podemos São Paulo el Canal está comenzando a influenciar a cada uno de los que estamos hablar sobre el clima.¿Por qué se interesó en participar en el canal*MOTOBOY? Eso es inusitado en la historia de esta clase de trabajadores. la apoyo y vamos hasta el fin Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. y nunca había entrado en lugares como el Centro Cultural São Paulo. porque hasta hace un tiempo no tenía convivencia ¿Qué usted mejoraría o cambiaría en el canal*MOTOBOY? con sociólogos. de vida a toda hora –como yo corro riesgo de vida en el tránsito. en la construcción de algo que ellos considerasen bien entiendan y nadie tiene nada que ver con eso. esa comunidad que con esta aquí da resultado. no estamos parados o estancados. cursos. la verdad. entonces que es la amistad. tiene que haber comprensión. informar y ayudar. sí. la belleza de la ciudad. como una facultad. importante. participando de las reuniones. Creo que mucha gente podría participar. y hay muchas cosas en São Paulo que nosotros desconocemos. bien que mi intención no es mostrar accidentes. comunidad? ¿De qué tipo? Ronaldo Simão da Costa: Sí. en qué se transformaría ese grupo después de la muestra. la amistad del Canal. los nuevos participantes deben tener un la coordinación de los Debates y Filmes que pasarían junto con la exposición. Nosotros viajamos por todo São Paulo. Nunca existió una iniciativa de esas. Luiz Fernando Bicchioni: Yo no cambiaría nada. creía que la profesión era solo un medio de sobrevivir. ¿usted entiende? Tanto accidente –si Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Con certeza. corriendo riesgo Cleyton Pedro Perroni: Bastante. sino también acabé involucrándome. lo que podemos aprovechar. ¿usted entiende? ¿Usted diría que el canal*MOTOBOY le dio oportunidad de integrarse a una Entonces tenemos que tratar de informarnos mejor. y después que el artista volvió conductores. tiene mucho que ver con nosotros. como tenía una larga experiencia sobre la historia de luchas de la Categoría. Espacios del ayuntamiento. trabajando. Tuvimos que rompernos mucho la cabeza hasta que el vale estudiar ingeniería y después ir a montar las carreteras y autopistas a la manera grupo encontrara una dirección. tener más motoqueros trasmitiendo de los de nombre. que disponer un poquito de su horario para participar. y todo acaba juntándose. un a España. es la de los Profesionales Motociclistas. También nosotros tenemos que ver a quien está pilotando. ¿Este colectivo es una mostrar a la gente la categoría de los motoqueros. en la dinámica de las reuniones. varias cosas que no conocemos. todo eso. al principio fui contratado ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY podría contar con un número mayor de por el artista para ser el Comisario Adjunto del proyecto. que aquí en conocemos toda la Gran São Paulo. si está desorganizada. Y notamos. Porque de lo contrario es existe un grupo de motoqueros. motogirls y hasta complicado. Tener más patrocinadores. y puedo decir que participo de ella. si está bien vigilada por la policía. Porque no solo hacemos fotos de la calle. por ejemplo. las personas tienen que oírse. mensajeros y ex mensajeros. canal*MOTOBOY. es más o menos así. si está organizada. Si alguien tiene una oportunidad. los motoboys. vi que tiene mucha gastronomía. Y que las personas estén unidas. hay que captar los unos a los otros. En segundo lugar. taxistas. contacto con personas de las que solo oía hablar Adriana Maria de Oliveira: Bueno. Para mí fue muy bueno. una misión. celulares pertenecen a ellos. Cada uno tiene que saber lo que hace y tiene deliverys que se reúnen semanalmente para discutir los problemas de la Categoría. otra tiene que oír lo que la otra está diciendo. La moto. Es importante tener experiencia. No solo los motoqueros. No mínimo de experiencia como motoboys? obstante. Al final. cosa. tal opinión Edison Cordeiro da Silva: Ah sí. terminé por asumir la responsabilidad sobre el grupo. mucha gente inteligente. También oírnos entonces para mí fue una experiencia buena. si eso está siendo trataba de definir lo que haríamos a partir de ahí. Adriana Maria de Oliveira: La posibilidad de legalizar a los motoqueros. si de verdad está interesado en 90 91 . antropólogos. móviles. Claro que tuvimos estrés. escuelas. sobre la ciudad. Tuve otra visión de la profesión. mi interés fue en primer lugar el de dar en esta historia. y esto significaba hacer participantes? ¿En caso afirmativo. que es la familia. lo que pasa. pero no. sería una ventana para muchos problemas. Eliezer Muniz dos Santos: Es difícil de decir… Bien. todo. De ellos demuestran que están creciendo dentro del Canal. o sea. peatones que pagan pasaje y sufren el embotellamiento. Luiz Fernando Bicchioni: Desde luego. culinaria. Eso fue lo que me incentivó más a comunidad? De serlo. sino mostrar monumentos. Es muy importante. el Condumoto (licencia dada por el Ayuntamiento) y los apoyo al grupo en aquel momento. ahora se de ellos. Una tiene una opinión. pero mejoraría en el sentido Eliezer Muniz dos Santos: Puedo decir con toda certeza que hoy en São Paulo de delegar algunas funciones para que podamos trabajar. con certeza. Andrea Sadocco Giannini: Creo que sí. clubes. pues ¿Su participación tuvo influencia en su cotidiano profesional y particular? esas personas trabajan todos los días con grandes responsabilidades. traer informaciones. que nació dentro del participar en el canal*MOTOBOY. el motoquero que coordinaba que los gobernantes o las personas que hacen las leyes de tránsito vean que de nada la logística de los motoboys. Entonces ellos pueden También lo hacemos de nuestro día a día. importancia para todo el pueblo de São Paulo.

de una persona. así la mayoría de las entrevistas no sería hecha por motoqueros. ¿Qué otra utilidad usted le daría a un proyecto como éste? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Me asociaría a otros proyectos que ayudarían al medio ambiente. todavía hay mucha cosa para mejorar. Porque vamos a ver desde arriba lo que ocurre. y creo que eso podríamos cambiarlo. Entonces son cosas que uno ni imagina. sino de varias cosas: de un hueco. sino por él. que existe un edificio de ésos. Edison Cordeiro da Silva: Una de las causas que estamos discutiendo ahora es la del medio ambiente. creo que cambiaría el sitio. Por ese motivo para mí fue una cosa buena. qué fue lo que aprendí: no se tira fotos solo de las calles. Descubrí que el Centro Cultural tiene una biblioteca inmensa.el canal. Cuando entré en el canal*MOTOBOY. Porque hoy en día nadie está preocupado con eso. todo. y hay que tener unos adhesivos. nosotros estamos tratando de mostrar las cosas que el motoquero hace. Entonces es una oportunidad de conocernos. por ejemplo. en la Acción Educativa. aprendí muchas cosas. Edison Cordeiro da Silva: Estoy aquí para cualquier cosa que haya que mejorar. Cleyton Pedro Perroni: Mire. Porque a veces estamos filmando algo en flagrante y tenemos que parar y perdemos veinte segundos preciosos para almacenar y captar nuevamente. Entonces es una cosa que descubrimos a cada día. O sea. Siempre pasamos por la avenida 23 de Maio y nunca miramos hacia allá. Y una de las cosas fue ésa. como ya había dicho. Todo. Es infinito: cosas buenas. Hasta del día a día de una persona que vive en un apartamento cerrado somos capaces de tirar fotos. hoy en día la informatización mejoró muchas cosas. de un río. Y hoy en día cuando veo algo errado. cosas malas. pero para mí sí es un proyecto cultural. lo digo. está naciendo ahora. Muchos lugares en los que ni imaginaríamos entrar. otras formas de ayudar al mundo. a partir del momento en que se trabaja con fotocelulares. Creo que antes yo no pensaba en eso. primero en el Centro Cultural São Paulo y ahora aquí. como ya dije. yo no sé si el día a día del motoquero es una cultura. Porque. Lo que está afectando a nuestro mundo. Entonces. 92 . tendríamos a un periodista. Para cambiar. ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY es un proyecto? ¿Por qué? Ronaldo Simão da Costa: Creo que es un proyecto cultural porque vincula a todo tipo de personas. y junto con nuestro Proyecto se estaban realizando otras exposiciones en ese período. cosa que ni imaginábamos que existiera. de un accidente. se tiene un envío inmediato. Mi idea para mejorar el sitio es así: que las filmaciones tengan un aparato que grave más tiempo. a ver. Más de nueve segundos. a menos que fuera para prestar un servicio. y si delegamos funciones. Franscisco Djalma Souza: Creo que sí es un proyecto cultural. Colocar un poco más de tiempo. El Canal es como un niño.

Embaixada da Espanha no Brasil Embaixador Ricardo Peidró Conselheiro de Cultura e Cooperação Juan Villar Centro Cultural da Espanha em São Paulo Diretora Ana Tomé Prefeitura da Cidade de São Paulo Prefeito Gilberto Kassab Secretaria de Cultura Secretário Carlos Augusto Calil Centro Cultural São Paulo Diretor Martin Grossmann Catálogo Edição Centro Cultural da Espanha em São Paulo – Agência Espanhola de Cooperação Internacional Coordenação Antoni Abad Carla Ogawa Iván Ortiz Idealização e direção do projeto canal*MOTOBOY Antoni Abad Curador adjunto Eliezer Muniz Concepção gráfica Antoni Abad Tratamento de imagens e finalização Grupo Elefante Revisão Ceci Agostinho Tradução do português Idália Morejón .

entre o público e o privado Martin Grossmann Gerald Kogler Inês Raphaelian Textos Juan Antonio Montiel Alberto López Cuenca Karla Brunet Augusto Stiel Marta Rincón Eliezer Muniz Regina Silveira Roc Parés Sergi Botella Entrevistas Vinicius Spricigo Vinicius Spricigo Documentário Exposição Centro Cultural São Paulo Glória Martí Projeto Antoni Abad 2007 Ciências Sociais Augusto Stiel Neto Equipe CCSP Inês Raphaelian Organização Monica Caldiron Centro Cultural da Espanha em São Paulo / AECI Henrique Siqueira Centro Cultural São Paulo Durval Lara Douglas Freitas Apoio João Mussolin Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior de España. SEACEX Embaixada da Espanha no Brasil Programação Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo Eugênio Tisselli Residência Artística Lutetia. Fundação Armando Álvares Penteado Rede de telecentros da Prefeitura da Cidade de São Paulo Coordenação Ronaldo Simão da Costa Eliezer Muniz Motoboys Adriana Maria de Oliveira Anderson do Prado Gil Alexandre Aparecido Olimpio dos Santos Alexandro de Moraes Lima Andrea Sadocco Giannini Cleyton Pedro Perroni Edison Cordeiro da Silva Eliezer Muniz Francisco Djalma Souza Luiz Fernando Bicchioni . Matheus Fernandes de Castro Tradução do espanhol Renato Roque de Loreto Junior Luisa Fioravanti Ronaldo Simão da Costa Tadeu Ferreira dos Anjos Fotografias Tadeu Luiz dos Santos Scabio Motoboys participantes do canal*MOTOBOY Agradecimentos Texto de Introdução Ana Tomé Ana Tomé Alex Pilis Inês Raphaelian Fórum Permanente: Museus de Arte.