canal*MOTOBOY

www.zexe.net
São Paulo 2007

Realização:

Apoio:

C21
canal*MOTOBOY / coordenadores Antoni Abad ... [et al.] ; textos de Alberto López Cuenca;
Augusto Stiel e Eliezer Muniz ; entrevistas de Vinícius Spricigo ; introdução de Ana Tomé; Inês
Raphaelian e Martin Grossmann; traduções Idália Morejón e Luisa Fioravanti. -- 1.ed. -- São Paulo
: Centro Cultural da Espanha em São Paulo - Agência Espanhola de Cooperação Internacional,
2007.
100 p. : fot. ; 21 cm.

Textos em espanhol e português.
Projeto canal*MOTOBOY idealizado e dirigido por Antoni Abad.
Curador adjunto Eliézer Muniz.
Fotografias pelos motoboys participantes do canal*MOTOBOY.
Exposição Centro Cultural São Paulo.
ISBN 978-85-61284-00-8

1. Arte Digital. 2. Exposições. 3.Conhecimento Coletivo. 4. Coletivismo Urbano. 5.
Comunicação Audiovisual . 6. Entrevistas. I. Abad, Antoni. II. Muniz, Eliezer. III. López Cuenca,
Alberto. IV. Stiel, Augusto. V. Spricigo, Vinicius. VI. Morejón, Idália VII. Fioravanti, Luisa. VIII.Título canal*MOTOBOY
CDD 778 www.zexe.net
Catalogação na fonte: Bibliotecária Vania Santos - CRB8-5039
São Paulo 2007

Centro Cultural da Espanha em São Paulo
São Paulo, SP, 2007

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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

canal*MOTOBOY

Dezembro de 2002, Antoni Abad em visita a São Paulo, volta sua atenção aos inúmeros
mensageiros circulantes da cidade que, como percebeu, “constituem uma rede humana
motorizada que faz possível o intercâmbio de informação na metrópole... artérias informantes da
grande urbe” – os motoboys.
Nos últimos anos, o trabalho de Antoni Abad vem sendo desenvolvido principalmente na
Internet por meio do projeto www.zexe.net, apostando no âmbito das redes. O projeto é concebido
para conviver com este espaço público digital, ambiente completamente em sintonia com esta
“rede humana motorizada” que, munida de telefones celulares com câmera integrada, enviam em
tempo real as percepções de seu cotidiano para o site.
O projeto com os motoboys foi apresentado em diversos momentos para instituições
culturais da cidade de São Paulo, passaram-se quase quatro anos e, durante este período, a
idéia primeira não foi concretizada. No entanto, durante esse tempo de espera, www.zexe.net
articula e hospeda as experiências realizadas em outros locais em “coletivos transmitem de
celulares”, tendo como inspiração o projeto voltado para os motoboys. Em 2004, a atenção do
artista esteve voltada aos taxistas no México e, em 2005, para os ciganos de Lleida e de Leon,
bem como para as prostitutas de Madri. Em 2006, foram as pessoas de mobilidade reduzida em
Barcelona e também os imigrantes nicaragüenses na Costa Rica.
Em maio de 2007, graças à parceria entre o Centro Cultural São Paulo e o Centro Cultural
da Espanha / AECI, com o apoio da espanhola SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural
Exterior) o projeto canal*MOTOBOY tornou-se realidade.
Durante três meses o Centro Cultural São Paulo recebeu um grupo de motoboys para

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suas reuniões semanais em um espaço/instalação idealizado para o projeto por Antoni Abad. O A rota está sendo recalculada
local escolhido foi a grande praça interna que congrega o conjunto de bibliotecas desse Centro
Cultural. Nesse espaço de grande impacto arquitetônico que, de certa forma, espelha o labirinto O motoboy e a economia política do afeto
que é a cidade de São Paulo, o artista, sua equipe e os motoboys estudaram as possibilidades
de realizar projetos coletivos, bem como de canais individuais de transmissão.
Alberto López Cuenca
Coordenaram, também, a publicação imediata dos conteúdos que se propuseram a tratar,
adequando a conectividade da rede à interface dos canais. Durante todo o projeto intercambiaram
experiências e opiniões por meio de mensagens multimídia e conversas telefônicas. Nestes Na atual clássica recopilação do texto Art after Modernism: Rethinking
encontros, os motoboys propuseram atividades paralelas como palestras e mesas redondas com Representation (Wallis 1984), se manifestava já com contundência a suspicácia pós-
profissionais convidados, a exemplo da artista Regina Silveira, que incorporou a obra “Derrapagens”. moderna referente ao lugar que a representação havia de ocupar na prática artística
O projeto gerou efeitos desejados e inesperados congregando, além do grupo inicial, outros agentes contemporânea. Não parecia que a arte deveria passar necessariamente por elaborar
perfazendo e potencializando sua proposição de propiciar canais de participação e expressão aos representações (algo como o cinetismo, a performance, a instalação, a escultura
grupos econômica e mediaticamente desfavorecidos. canal*MOTOBOY tornou-se uma dimensão minimalista ou o land art haviam posto de manifesto), mas melhor se proporia agora
paralela ao caos da cidade, um contra-fluxo de situações singulares reportadas por aqueles que
gerar situações, espaços ou experiências. Neste sentido não era casual o alarme
parecem viver sempre em corrente contínua.
que animava “Art and objecthood”, o beligerante texto onde Michael Fried (1967)
Celebramos, também, na hora desta publicação memória do projeto, a continuidade do desqualificava a escultura minimalista por ser teatral, ou seja, por perder autonomia
canal*MOTOBOY através de um núcleo de motoboys trabalhando em iniciativas coletivas de
âmbito mais abrangente como a ação educativa para disporem com responsabilidade ambiental
ao depender de um espaço circundante que ativara a experiência artística.
dos resíduos das motocicletas (óleo, baterias, etc), visando à preservação dos mananciais de Parecia que a arte não só não tinha que ser a representação de algo, mas que
água do Estado de São Paulo, ação realizada em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental), deixava, inclusive, de estar contida nos limites formais do objeto artístico (da pintura, da
a ONG Ação Educativa e o Centro Cultural da Espanha.
escultura ou do vídeo). Porém, este entretenimento contextual da arte, a heteronímia
Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé que anulava sua pretendida auto-suficiência, não era nada excepcional, pois já havia
sido espalhada pelas denominadas vanguardas históricas do princípio do século XX.
Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da Espanha

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Os artistas dadaístas e surrealistas. nem mais nem menos. A posição Tive a oportunidade de escrever sobre o primeiro desses projetos. o descrente respeito à posição privilegiada do artista. performativo e não representacional da arte. de reconfigurar os existentes. os originalmente. passando pelos construtivistas e os membros artístico não vai além de seu campo de competência. artística contemporânea põe em questão o mencionado pressuposto. Visto desta forma. modos de vida ou. que se praticamente onisciente do artista para compreender e incidir sobre o mundo está desenvolveu no México D. A página reunia e atualizava sem edição ou seleção prévia entretenimento em bienais. destaca a posição privilegiada do artista moderno para compreender o mundo e incidir simbólica e concretamente sobre ele.F durante dois meses em 2004. na publicidade e nos cartazes de cinema e no projetos onde se supera a condição onisciente do artista que subscrevem o caráter desenho de jogos de chá e de cidades inteiras. A qualidade da arte como ação transformadora. todavia possível a de captação de essências ou de evocação da realidade (se é que realmente pode ter difusão de estratégias para a ação da arte no terreno da vida social. portanto não cabe esperar dele da Bauhaus empreenderam em seu dia a tarefa (artística?) de fazer efetivos novos que articule grandes projetos de transformação social. especialmente na medida em que o horizonte de ação da produção quais têm desembocado na articulação de singulares comunidades de colaboração. vídeos. menos ambiciosas havido só isso uma vez). Transformar a vida não poderia ser imitá-la mediante critérios que as modernas. à convicção de que a arte ainda pode gerar sociabilidade. fazem. museus e centros de arte. mas em condições muito distintas àquelas que se plantou celular e à possibilidade de transmitir diretamente deles informação via internet. no qual um grupo de 17 hoje interditada pela generalizada conversão dele em um especialista da indústria taxistas enviavam imagens. que podemos explicar nos termos de sua capacidade “performativa”. pelo menos. seja como produtor de bens santuários ou de experiências para o ócio e o da web de livre acesso. documentos de áudio e de texto a uma página simbólica. mas mais diversas. mas levá-la a se introduzir nos interstícios da cotidianidade e modificá-la: alguns dos projetos com grupos e tecnologia celular coordenados por Antoni Abad: nas capas dos livros e atrezzo teatral. o trabalho os documentos remetidos em tempo real pelos membros desse grupo. Trata-se. Então redigi 10 11 . repousava sobre múltiplos pressupostos. É este o fundo sobre o qual se desenvolvem estéticos. sitio*TAXI. Antoni Abad tem desenvolvido junto do programador Eugenio Tisselli ao de um imperativo vanguardista de atuar sobre a realidade que tem sido legado à longo dos últimos quatro anos uma série de trabalhos que recorrem ao telefone arte contemporânea. Redes de sociabilidade Entre eles. a arte não No entanto. somado poderia ser concebida nem praticada como um exercício meramente representacional. Para isso.

Esse tem sido um aspecto constante dos trabalhos que acompanharam sitio*TAXI. mas a série de a agencia de seus participantes. entretanto. acidentado ou delinqüente ou como um efêmero herói de algum resgate). senão os taxistas por eles mesmos. No fundo. mãe até o extremo. sitio*TAXI abria espaço para a enunciação e do projeto. o que o sitio*TAXI colocava em ação canal*CENTRAL. investigadores críticos de sua própria sociedade– e acredito que estava certo ao Para começar. fazendo-a voltar a ser novamente aceita por ele. a É óbvio que o sitio*TAXI opera através de mecanismos de representação. questões propostas que raramente eram consideradas de modo explícito. separação tradicional que se faz na comunidade cigana entre homens e mulheres. Antoni Abad pôs em funcionamento mais que outras representações da realidade. textos. transformar a imagem que se tem do taxista. ao considerar o taxista como etnógrafo. canal*CENTRAL. Mais ainda. em São José. Por outro lado. Ao longo de 2006. porém seriam confrontados por ela e por sua projeto era modificar representações. a planificação e a ativação do canal*CIGANO criado em Lleida durante que já não estaria de acordo. seu resultado não é simplesmente “fazer onde se reuniam entrevistas incomodas aos patriarcas em que tinham que se explicar e visível a realidade do taxista” ou “propiciar representações que não cabem nos meios pensar como ciganos ao fazerem perguntas como “o que é ser cigano?” ou “o que é ser de comunicação tradicionais” (certamente o taxista só aparece aí pontualmente como patriarca?”.uma breve resenha sobre sitio*TAXI que levava o título “O taxista como etnógrafo”. Estes vetaram uma das participantes mero notário de sua realidade. senão que chamava a atenção os lugares e as condições que podem se encontrar e o tipo de interação que podem sobre os taxistas em tantos narradores de sua experiência e enunciadores de sua manter. Errava. os patriarcas. ao dar a entender que o efeito fundamental desse em seguir colaborando com o projeto. Mais uma vez. Costa Rica. como poder fáctico da comunidade. Em outras palavras. Aí se distribuem entre a forte comunidade de imigrantes nicaragüenses eram mecanismos de sociabilidade. ou seja. instituição mesma do poder se viu sujeita a escrutínio ao criar o canal*PATRIARCA. gravações de áudio e vídeo. muito além de constituir uma contraesfera para a negociações com o meio institucional e administrativo que manifestou a conquista do representação. imagens. Porém. mas que formam a parte crucial do projeto. não é a visibilidade das imagens na rede. levou a uma série de negociações e conflitos que não são visíveis no material o autor sustentava que alguns artistas contemporâneos haviam-se convertido em audiovisual acessível através da internet. criava relações sociais e estratégicas telefones celulares e o conhecimento para manter o funcionamento da página da web de subjetividade. Por um lado “O artista como etnógrafo” (2001) –onde 2005. as entraves legais com os tramites para os celulares: 12 13 . Pensando novamente neste título há algo nele que se subscreveria e algo com o Por exemplo. De um lado. Não apresentava ao artista como uma voz privilegiada. canal*CIGANO geraria um enfrentamento inusual contra o própria história. o modo de operação do canal*CIGANO implicava em questionar a enfatizar que não é o artista que fala em sitio*TAXI.

ele e Toni Negri em seu debatido documentação fizeram com que a prefeitura se visse forçada a modificar muitos dos livro Império. mas da ativação da agência e da produção de relações parecia desembocar no traçado de um mapa. como forçou modificar transitoriamente sua conquista. um dos bens 14 15 . que surge com uma caducidade. como Economia política do afeto em nível institucional (o mapa saiu reproduzido por meios de comunicação locais e a prefeitura replicou distribuindo um mapa da “Barcelona acessível”). tendo assim que negociar o espaço tecnológico e um grupo de colaboradores que continuam reunindo-se e trabalhando para o final do legal para fazê-los operativos. O afeto é. descreveram quais são as esferas características e dominantes da obstáculos arquitetônicos que os membros do canal*ACESSIVEL haviam chamado a produção da sociedade contemporânea. em 2006 encaminhou-se em Barcelona canal*ACESSIVEL. canal*ACESSIVEL. porque não apontam meramente fazer possível outras representações da vida visível o controle da comunicação e das fricções técnicas e legais no monopólio estatal (dos ciganos. Mas não se trata somente de Por outro lado. As ações de O filósofo político Michael Hardt e. incitou a formação de permitido de operar na Costa Rica. Está às múltiplas cartografias triunfantes da urbe: de seus museus. comandos extraordinários que recorriam zonas da cidade a princípio não planejadas para se analisadas). Apesar de que o trabalho do canal*ACESSIVEL da representação de grupo. é uma questão central na medida em que “o tema” destes projetos não é a elaboração monumentos e estações de metro). ou são impostos foram abertos espaços de ação transitoriamente desregularizados para o exercício e a pelos costumes e pela administração patriarcal do poder ou pelas legislações das enunciação comunitária de um setor da população nicaragüense. Ou seja. de fazer visível a rede translúcida que requisita a vida social (desde as relações onde os participantes elaboraram uma cartografia com os entraves arquitetônicos entre os adolescentes no uso de um celular ou no deslocamento pela cidade). Não menos trabalhosa foi pôr em funcionamento para 22 projeto com a constituição da “Associação Acessível”. revelar. imigrantes e incapacitados). seu software não estava atenção. para esses autores. parques. mas que para o deslocamento de incapacitados pela cidade (uma contracartografia frente em sua prática abrem espaço para relações sociais inesperadas e reconfiguradas. canal*CENTRAL não só fez projetos.por tratar-se de aparelhos ilegalmente importados de Miami. o mesmo tecido da existência coletiva e individual. em nível coletivo (estruturaram entre os incapacitados. Com eles com o redor. bares. imigrantes ilegais a tarefa de comprovar a residência formalizada no país requisitado Fica patente que para tirar fotos e colocá-las na rede não esgota o alcance destes imprescindível para acessar o serviço de telefonia celular. mais tarde. Em sua operação fazem manifesto todo tipo de restrição. na realidade desatou respostas tanto sociais. telecomunicações e imigração ou pela arquitetura urbana. mas para gerar a mesma vida na interação das comunidades.

mesmo que seja corporal e afetivo. entusiástico – inclusive o sentimento de sentir-se parte de imaterial”. O afeto seria parte do que eles denominam “trabalho bem. segundo Hardt. O segundo é o trabalho imaterial das tarefas analíticas e simbólicas. A fabricação é considerada como um serviço. essa indústria do afeto. Desta perspectiva. o processo de produção mesmo. e em trabalhos Se à maneira da produção de mercadoria se processam afetos estandardizados. de afetos” (95). de como o sistema de relações dos objetos articula a experiência serviço acima da economia informática. contaminado desta maneira. estados afetivos. o terceiro tipo de trabalho imaterial é o que implica a então se homogeneíza a experiência ao mesmo tempo em que se descartam atitudes produção e manipulação de afetos e o que requer contato humano (virtual ou real). de sentir-se anticapitalistas (90) 16 17 . Entretanto. Controlar os modos de produzir e material da produção de bens duráveis é misturado com o trabalho imaterial. Existe assim. o afeto não tenha utilidade alguma para os projetos visto que seus produtos são intangíveis: o sentimento de comodidade. pode ser contestada desde práticas. uma indústria do afeto na maneira corporal. não significa rápida”. por outro. uma indústria economia global. apesar de estar entretenimento e as indústrias culturais que se concentram “na criação e manipulação totalmente integrada aos modos de produção. pode-se dar conta não só da produção material da vida Resumindo. administrar a vida emocional é. a comunicação. Em diferentes níveis. todo o setor de serviço na medida em que se integra nos processos de comunicação Ao dizer que o capital incorporou e exaltou o trabalho afetivo e que o trabalho afetivo e interação sob o título de “tratamento personalizado” seja no banco ou na “comida é uma das formas mais altas de produzir valor do ponto de vista do capital. e o trabalho ou seja. aquele que produz bens intangíveis. como o conhecimento. modos de subjetividade e sujeição. excitado. elaborar vínculos de submissão. por sua tarefa controle.fundamentais da economia atual. ou seja. que se divide em trabalhos de manipulação criativa e inteligente. (Hardt y Negri 316-7) que prioriza um conjunto de estados emocionais e atitudes (bem-estar. Finalmente. em última instância. O primeiro participa de uma produção industrial que dos indivíduos. por um lado. Para Hardt. Estes são os três tipos de tarefa que lideram a pós-modernização da totalmente incorporada aos modos de produção contemporâneos. é o trabalho e posturas economicamente não produtivas. A se informatizou e incorporou as tecnologias da comunicação de uma maneira que transforme economia desmaterializada produz e nomeia sensações. podemos distinguir três tipos de trabalho imaterial que puseram o setor de social. “anticapitalistas”. sensações de fracasso “vinculante” (“binding element”. satisfação) e desestima outras (atitudes de altruísmo. 95) e implica em áreas produtivas como a saúde. que. os serviços ou algo ou de uma comunidade” (96). satisfeito. que se faz cada vez mais predominante. O trabalho imaterial do afeto é caracterizado. mas também dos aspectos mais íntimos e emocionais do sujeito. desejos. este trabalho afetivo desempenha um papel em aponta Hardt. simbólicos de retina. o ou estado de miséria ou desraigo). “este trabalho é imaterial. possessão.

alheio aos que se vêem definição da crítica. este espaço público respeito das estratégias do grupo para seguir adiante com seu trabalho. Se a esfera pública. “e portanto proporia. e desviam a finalidade econômica dos signos e dos afetos na rede produtiva do multimídia. se registram dentro de mecanismos 18 19 . Entretanto. aberta e negociável da informação elaborada por eles e disponível a comunidade é âmbito de produção de vínculos simbólicos. entra em jogo o grau de implicação no processo de produção de significado: um na atualidade cobram as estratégias que iludem a criação estandardizada de afeto: processo nele no qual se produz níveis em que nos vemos sujeitados (significados) produzem vida afetiva e vida social não programadas pelos modos dominantes de pelos signos e níveis pelo que significamos (sujeitamos) aos signos. a como “acidente”. mas também afetivos para os visitantes da página da web. esta caracterização geral: a arte de não ser de tal maneira interpelados por eles. usuários concretos. Ao enviar contestação e ação que não pressupõem um sujeito livre ideal. Aqui. Escrevia o francês que. em suas reuniões e discussões a e páginas de jornal às telas de televisão e dos computadores. canal*MOTOBOY: meios digitais e crítica do afeto canal*MOTOBOY põe em ação um mecanismo de produção simbólica que Desde maio de 2007. Por essa razão deve-se entender como o exercício crítico ao como espaço simbólico ou. a condição conflitante e agnóstica da existência cotidiana de seus participantes. Daí a importância que claro. como primeira se em um mero jogo de signos inertes e determinantes. telespectadores. textos. Em tem percorrido desde sua concepção no século XVIII dos cafés. é crucial para a ativação de esferas de sociabilidade cuja de enunciação. em seu uso. desarticulam hoje redefinido está marcadamente mediado pelo simbólico: imagens. A esfera pública é assim construída ao mesmo tempo em que os sujeitos que a significam: sujeição e subjetividade de mãos dadas. de fato. 12 motoboys que percorrem as ruas de São Paulo em é crucialmente de consciência subjetiva na medida em que desata um processo sua jornada de trabalho são providos de telefones celulares que permitem tirar de agência e enunciação. Os signos. não por isso transforma- modo de Michel Foucault. sons. o lugar de encontro social. Desta aproximação taxonomia flexível. em um processo paralelo às maneiras de produção imateriais do capitalismo. são ativados por falantes. mais precisamente. Nessa negociação produção. mediático. finalidade não seja necessariamente a produção de capital. o que oferece a possibilidade de armar uma condição sempre inacabada sempre em negociação. mas que sublinhem seus arquivos podem agrupá-los sob o termo chave que eles mesmos decidiram. mesmo a esfera pública atual constitui-se fundamentalmente capitalismo avançado. do sujeito. O afeto. com as redes de significação se ativa o processo de constituição afetiva e dialógica desta esfera pública. “proibido” ou “trabalho”. canal*MOTOBOY inaugura momentos efêmeros de fotografias e vídeos para emiti-los diretamente a uma página da de internet. clubes de discussão sua seleção e envio de material visual ou sonoro.

na fala de Foucault. dizia a ele um dos patriarcas da comunidade cigana de Lleida. inaugurando uma dinâmica de elaboração coletiva de escultor caracteriza a maneira em que trabalha atualmente com os meios digitais. O uso inesperado dos meios eletrônicos. Antoni Abad narrava em uma ocasião um fato sumamente significativo: “Internet é Puebla (México). as relações sociais instauradas. canal*MOTOBOY atua crucialmente como uma arte de ser de Antoni Abad fazia referência ao seu trabalho anterior como escultor e como sua atitude outro modo governada. uma pergunta: “por que haveria de ter os artistas uma visão privilegiada?” Escreve Foucault.eu diria que a crítica é o movimento pelo qual o sujeito se concede o direito de interrogar a verdade próxima de seus efeitos de poder e ao poder próximo de seus discursos da verdade. pedindo-lhes que expliquem o que é se cigano. A crítica teria essencialmente como função a desujeição no jogo do que se poderia denominar. suplantados por outros. ao evidenciar de resistência às representações mediáticas do motoboy. com uma Alberto López Cuenca é professor Titular de Filosofia e Teoria de arte contemporânea e palavra. ocorreu dos jovens da representação e não só do objeto da representação. da indocilidade reflexiva.. que não podem ser administradas. canal*MOTOBOY. distribuição e o diabo”. de novo. como todo o estranho. como 20 21 . Como dizíamos antes. a crítica será a arte da não servidão voluntária. da representação do grupo que incide diretamente sobre a matriz de produção da Disse a respeito que procura “modelar o meio para que usem outros” e concluía com imagem e da consciência: a prática social e coletiva. a ação de dissentir. é uma crítica da instituição das regras de governo já sancionadas. permite posicionar-se frente a eles fazendo-os suplantação de umas representações por outras (uma tarefa também sisífica ante patentes e vulneráveis. não é uma mera os mecanismos de poder e verdade. isto é. . a crítica. Em outra ocasião. Ou seja. ou seja. A crítica. dos celulares e da a magnitude e alcance das representações hegemônicas do motoboy nos meios internet. ser um patriota e o que entendem como os projetos anteriores postos em ação por Antoni Abad. é posta em marcha toda a novidade. canal*CIGANO se converte assim em uma ferramenta que. neste caso. porque possibilita ações que não caem. critica. Internet.. de comunicação). É uma crítica realmente na participantes do canal*CIGANO entrevistar os patriarcas. isto é. Seu trabalho de investigação se desenvolve desde o âmbito da Teoria de Arte e Epistemologia com a finalidade de descobrir os mecanismos de produção. governados. aproximando-se deles e prática de uma prática e não uma mera crítica de representação. a política da verdade (9-10) Coordenador do Doutorado em criação e teorias da cultura na Universidad de las Américas. não só ativa uma rede por “gajão”. aparece como uma ameaça de desestabilização de mecanismos que iludem a “maneira de ser representados”.governada” (Foucault 8). dentro ditados.

núm.) Art after Modernism: Rethinking Representation. quando realizamos. Madrid: Tecnos. nos 25 anos Hardt. 26. entre maio e junho de 2007. 2006. Foi diretor de investigação no projeto “Desacordos. é colaborador São Paulo permanente do suplemento cultural do diário ABC e da Revista de Libros. econômicos e institucionais na configuração e recepção da cultura de nossos dias. Michael. social que ainda não foi totalmente interpretado? Filmes. E isso significa que estamos Foucault. Foster. uma exposição de arte? O que há de tão específico nessa nova classe de trabalhadores urbanos que faz deles sujeitos e protagonistas principais do cotidiano de nossas cidades? Hoje. várias produções culturais com essa temática? Estamos diante de um fenômeno México. 1984. Michael. Nueva York. como na implementação de políticas públicas para uma melhor qualidade Madrid: Akal. 1999.recepção na criação cultural contemporânea. diante de um novo poder. Seus artigos apareceram Eliezer Muniz dos Santos em publicações internacionais como ARTnews. La vanguardia a finales de siglo. recomendado pelo Museu de Arte Contemporânea de Barcelona/ARTELEKU/Universidade Internacional de Andaluzia e ao longo de 2007 organizou. núm. “Affective Labor” en Boundary 2. Michael y Antonio Negri. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. Michel. 5. tecnológicos. do Centro Cultural de São Paulo. Atualmente é membro do Sistema Nacional de Investigadores do México. junto com Eduardo Ramírez. Barcelona: Paidós. vol. Doutor em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid. verano. em parte. junio de 1967. músicas. documentários e. agora. de vida nos principais centros urbanos de nosso país. muitos de nossos problemas tanto em seu lugar privilegiado. o trânsito. personagens de novelas. parte da exposição “Motoboys Transmitem de Celulares”. livros. política e esfera pública no estado espanhol”. 2005. não há Referências como negar que os motoboys representam aspectos importantes do convívio social e compreendem. D. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. 2001. Este se desenvolve atendendo especialmente os Cultura Motoboy e Políticas Públicas: Interfaces da Cidade de aspectos sociológicos. Lápiz. Sobre arte. Curare o Revista de Occidente. A intersecção entre cultura e política tornou-se mais clara Fried. “Art and objecthood”. Mas de que maneira compreender o lugar desses personagens e em qual 22 23 . de Antoni Abad. as Será que existe uma cultura motoboy? Qual a razão de vermos. 2. nos últimos “Jornadas sobre novas tecnologias e livre acesso à cultura” no Centro Cultural da Espanha em anos. peças de teatro.F. um Ciclo de Debates e Filmes como Hardt. Nueva York: The New Museum of Contemporary Art. Brian (ed. Artforum. Wallis. Imperio.

através de uma tipologia que de urbanização . etc). dando-lhe um contexto do rápido crescimento global. “couriers”. forma de como se determina o Outro. “motociclistas”. E que sua vida seja contada sem mediações e que até mesmo a própria . Dessa forma. abrem mão da própria auto-estima. moradores das grandes periferias) que utilizam a motocicleta à participação igualitária na política ou em outras dimensões. como no seu trabalho ou como meio de subsistência é afetada. Mas surgiram avenidas definiria o conflito nos espaços urbanos a partir da lógica da mobilidade dos também os degenerativos. trazem e de que forma desempenham suas funções do profissional. para se fazer pertencer a um grupo viver. etc. e com ela vem a imagem de curadoria para o projeto canal*MOTOBOY — que a voz do Profissional Motociclista negativa que passa a ter um estigma em relação a si própria e ao conjunto da sociedade seja ouvida. quando não de forma a negar o próprio estereótipo. alcunha “motoboy” por eles seja discutida a fim de criarem sua auto-representação. ao sociedade. Esse crescimento impõe à sociedade como caráter de coisa. “deliverys”. e não mais de sujeito. como foi a iniciativa intrinsecamente ligado às muitas transformações que a cidade sofreu com o processo dos órgãos de trânsito do município ao denominá-lo.e essa doença não se combate sem informação e consciência de classe. Assim. de compreender qual o nível de informação que desses casos. O próprio surgimento desses profissionais está estereótipo. Trata-se sempre Como lembram os analistas sociais. antes de tudo. quando levamos em conta esse modo singular de correm para se reconhecer e serem reconhecidos. como elaboram outros espaços da vida social.e estrangulamento das vias . Os próprios participantes dessa comunidade não se dão conta dos riscos que aplicá-las no campo social. é somente através do embate cultural que essa comunidade será capaz de construir 24 25 . grau de soluções complexas sobre as quais toda a sociedade deverá se debruçar “mensageiros”. essas “reduções” encontram explicação na de compreender de que modo a vida dessas pessoas ( trabalhadores. estamos diante daquilo a que chamamos de sua Cultura. até como “mototáxis” para pensá-las? Não apenas cuidar de um novo tratamento geométrico das ruas e por conta da existência dessa função em outras regiões do Brasil. social (“motoboys”. “moto-frete”. de modo que ele não alcance o seu próprio direito jovens e. “motoboys”. um todo que providências concretas de melhoria sejam tomadas. de que maneira se organizam.por parte do excesso de veículos no reunisse as características principais de seus serviços. Essa é É imprescindível — e assim também foi para nós quando iniciamos o processo uma característica própria dos processos de estereotipia social. os mensageiros. desqualificam-no em seu ambiente de trabalho a partir de algum para que a própria cidade possa evoluir. como criam sua própria identidade. Em muito motociclistas. cria-se um tipo de identidade artificial na suas estratégias para realizarem suas tarefas. De fato. pais de família.cenário eles se movem para que possamos considerá-los protagonistas em primeiro Eles se vêem e são vistos pela sociedade de diversas maneiras: como “motoqueiros”. muitas vezes. as subsunções desses nomes escondem uma forma de depreciação esses sujeitos. Trata-se. como o mais conhecido “cachorro-louco”. “cachorro louco”.

Fugiram. um interesse por parte Entre outros fatores. e a cultura já fazia parte no processo quando o artista Antoni Abad cria pela primeira vídeos e sons gravados. Esse grupo os ajudou que eles se põem a discutir. Nesses envios. “TRÂNSITO”. organizando. para isso. vimos manifestar-se um expressivo conjunto de códigos e sinais que podem como também em usuários ativos de um dispositivo de comunicação autônomo e significar uma mudança substancial não só em relação à identidade desses profissionais independente e se transformaram em cronistas de sua realidade. com palavras-chave antes impossível para esse grupo. “REUNIÃO”. com ligada à internet.net/SAOPAULO. no lazer ou em família. podemos perceber que eles trouxeram um espaço legítimo de um conjunto de pesquisadores universitários e das instituições às quais pertencem de formação para a vida cultural da cidade. sem sombra de dúvida. “TRABALHO”. ao participarem desse projeto. refletirá seja. o que permitiria que sua voz instantânea fosse ouvida por toda a sua publicação pela internet em tempo real. em todos os âmbitos de sua vida diária. uma forma de sociabilidade chave “FALA”. Mais do que criar um conjunto de imagens de comunicação preponderantes e criaram. por seus envios para o site www.800 envios entre fotos. tanto os conteúdos do site como. uma ferramenta espetacular de e intervenções digitais no mundo virtual da internet. eles indicaram claramente que. durante meses. de forma colaborativa. comunidade. proporcionar o encontro entre a política Motociclistas fizeram. sobretudo. uma mudança estrutural à medida que os diálogos entre essa categoria profissional e a sociedade alargam suas fronteiras a olhos vistos. assim. no seu Provando que tal dispositivo é capaz de gerar opinião pública. em apenas quatro meses. Reunindo-os semanalmente. à lógica dos estereótipos projetados pela mídia e pelos meios então constroem a partir dessa experiência. discutirem seus principais problemas e capacitando-os com uma tecnologia celular entre outras. também.zexe. seja no campo da política. Houve. seja pela possibilidade desses encontros e debates idealizados pelo Projeto. Como era do desejo pertencentes a uma coletividade. captar as imagens em pelos problemas dos motociclistas e sua luta para se organizarem. assim. através de um projeto cultural. um dinamismo próprio surgir pelo ângulo dos motociclistas. quando nos abrimos a uma dimensão mais estética. cerca de 2. para como “DIA A DIA”. “FAMÍLIA”. o que. a partir de uma forma de sociabilidade que emerge com o aporte das redes sociais notamos que as câmeras fotográficas começam primeiro a revelar o olhar e.uma identidade positiva em relação a sua representação social e talvez. o destino do canal*MOTOBOY. pudemos contar mais de 240 entrevistas vez na história dessa Categoria Profissional uma oportunidade de reunir um grupo de com outros profissionais e pessoas envolvidas em seu dia a dia utilizando a palavra- 12 “motoboys”. no desenvolvimento das questões levantadas pelo canal*MOTOBOY e constatou. Vemos surgir uma cidade que se mostra experiência de auto-representação desses profissionais. 26 27 . Basta. como em relação à visão de mundo (Weltanchaung) que deles. encontrar o próprio significado de sua expressão. então. da economia. pela até mesmo. esses Profissionais trabalho. “ACIDENTE”. Motivados por temas trazidos pelo próprio grupo. há a possibilidade de se realizar luta para reinventar seu próprio cotidiano. como resposta. digitais. converteram-se não só em emissores do canal. Nesse sentido.

a cidadania em primeiro lugar. através da cultura. pois só eles sabem do desamparo quando. garantia de que as iniciativas dos gestores públicos alcancem sucesso uma vez que.tornam-se instrumentos simbólicos para investigação dessa experiência: o olhar do Assim. para as próximas complexidade com que precisam lidar para a resolução de seus problemas — hoje há eleições municipais. até o momento. as reivindicações dessa categoria de motociclistas. se esses profissionais se ressentem da falta de um eficiente programa de prevenção de acidentes — com curso de direção preventiva e formação profissional —ainda que faltem pesquisas que associem acidente de motocicleta a acidente de trabalho. Aqui cabe uma observação sobre o modo quase tribal com que eles se defendem no trânsito. aguardam chegar o carro dos Bombeiros. Quando vemos na necessidade de se fazer justiça a esses motociclistas que põem para isso. chegamos à conclusão de que não há. o claro objetivo de nossa curadoria é o de preencher um hiato — graças à execução do projeto www. por parte do Poder Público. nenhuma nesse Projeto e de todas nossas parcerias construídas a partir desses debates. Paulo e ex-motoboy. enfim.net/SAOPAULO Portanto. assim. seria necessária uma verdadeira representação de classe acompanhando em risco a própria vida uma razão de ser. curador adjunto. um consenso de que as soluções também deverão ser complexas. no asfalto quente. um lastro de vontade e compreensão de todos os envolvidos nos últimos anos —. ao engendrarem suas demandas levando em conta o nível de — ao fazer entrarem na agenda política da cidade de São Paulo.zexe. 28 29 . a arte que eleva sobretudo o discurso sobre a qualidade de vida na cidade e coloca. ações que apontem de que maneira os Profissionais Motociclistas criaram a melhor estratégia para ir de encontro aos interesses de sua cidadania e ao respeito pela vida humana. Claro está que. encontramos. inclusive ajudando-se nos momentos trágicos dos acidentes. E que tudo isso passe pela onisciência Eliezer Muniz dos Santos. um significado para tais políticas. e para isso basta lembrar dos dados oficiais sobre os elevados índices de acidentes com vítimas fatais Sentimos. também é verdade que faltam. entre o poder público e a sociedade civil organizada. Sua voz não pode calar. na urgência de se abrir um diálogo protagonizado pelo coletivo de motoboys motoboy evidencia o “olhar” para esse motoboy. é formado em filosofia pela Universidade de São dessa escuta.

proprietários por direito do espaço não tão público das ruas e avenidas da cidade. ao motoboy é dado um papel que alguns abraçam com prazer: o delinqüente sobre rodas que nada obedece ou respeita. mas não enxerga seus mortos diários. o Leviatã das relações de trabalho tenta seduzi-lo com a oportunidade de ser “autônomo” e transforma-o em “autômato”. desobediente. pois é sua única maneira de ser visto: personagem que não se enxerga nem se escuta — além da eternamente irritante buzina —. O motoboy devolve a imagem que se faz dele. mas que se quer disciplinar. ele faz ver até que ponto a desregulamentação acarreta problemas para um país que se pensa pacífico. Invasor de um espaço restrito.No espelho retrovisor Augusto Stiel Um espectro ronda o trânsito — o espectro do motoboy. o motoboy burla códigos e normas para suprir uma demanda de mercado. Há anos ele vem “des-aparecendo” em meio aos carros. Por ser uma relação. O espelho retrovisor dos automóveis revela a imagem fugaz de um personagem cada vez mais presente. mas com apenas uma via de visibilidade. Da natureza simbólica da motocicleta nasce o mito do rebelde fora-da-lei que chuta sua própria imagem no espelho retrovisor dos veículos que lhe concorrem 31 .

em lembrar que esses números não dão conta dos acidentados que vêm a morrer depois. Destes. ofícios. E a passou a ser feito por motocicletas. aproximadamente 170. na cidade de São Paulo. houve um aumento categoria criada a sua revelia. caricatura é uma imagem sensibilizada pelo personagem criado apesar da pessoa. como explica Teresa Pires do Rio Caldeira em excessivamente “materialista”. Na última década [década 32 33 . Tais números são apenas estimativas. valores. seu livro “Cidade de Muros”: “Seguindo o mesmo padrão de muitas metrópoles ao redor A profissão é nova. de Alessandra Olivato. como sempre acontece nessa construção cotidiana de quase 1. São Paulo está sob um processo de terceirização. a impressão que quem anda ou dirige “Percepção e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo pelas ruas da cidade é que a proporção de motoboys é muito maior. o motoboy aproveitou também a mudança do ao “profissional do motofrete”. muito maior. O que foge à categorização transforma-se em caricatura. dos quais cerca de 160 mil em casa ou nos hospitais públicos. Em 1996.000% na venda de motos no país. Surgido no a profissão ainda sofre com a desregulamentação — nem seu nome é um consenso: bojo do processo de desregulamentação por que passou o capitalismo de cunho liberal muitos preferem a denominação de “profissionais motociclistas” em contrapartida nas últimas décadas do século passado. no Brasil. designação não muito popular devido a seu caráter perfil econômico da cidade de São Paulo. um veículo que pouco aparecia vinte anos atrás. a altura e o padrão da sinalização também não são adequados.000 motoboys. No Brasil. em aproximadamente dez anos — de 1995 a 2005 —. Um fenômeno mundial. O ineditismo do fenômeno acarretou problemas da mesma magnitude: os problemas enfrentados no dia a dia do trânsito paulistano são praticamente únicos no mundo.588 motociclistas na cidade de São Paulo. Segundo dados da Companhia de Engenharia outras parafernálias do nosso cotidiano burocratizado são então agrupados em uma de Tráfego. coisa de 20 anos. tudo chamada sociedade. esse A cultura criada ao longo do tempo não absorve a presença das motos em meio ao percentual chegou a 8. Surgiu na esteira do do mundo. Em Hoje existem. portanto. as motos eram 2. aproximadamente. As ruas não foram feitas para as motos: o pavimento não é adequado.8% do total de veículos. pois trânsito citadino. O profissional motociclista é produto de intrincadas relações. 2000 havia 374. correspondências e na última década do século XX. 2006.no espaço cada vez mais exíguo das ruas da cidade. em 2000. segundo o Segundo a tese de mestrado defendida na Faculdade de Ciências Sociais da USP CET.3% dos veículos. 25% eram motoboys. o gabarito das ruas Os fatos não é adequado. Por rodarem de 100km a 150km por dia. eram motoboys. Os profissionais que arriscam “office-boy” dos anos 1980 e aproveitou a explosão de vendas de motocicletas ocorrida a vida diariamente carregando documentos. morreram na cidade 380 motociclistas. Mas é importante sobre espaço público e civilidade na metrópole paulista”. A magnitude da tragédia é.

1997. 50% ganham entre um e para se poder parecer ser. tornando-se basicamente Por fazerem parte de um universo informal. a cidade perdeu sua posição de maior pólo industrial do país para outras A ameaça áreas do estado e para a região metropolitana como um todo. Seria mais importante. Mike tem de 18 a 29 anos. encontra Primeiro. pós-modernismo e identidade. pertencer. dos 1. pois segregadas historicamente — os motoboys de ingressar num mercado de trabalho em mudança — e que encolhia constantemente representam uma ameaça ao ordenamento simbólico da cidade de várias maneiras. Em 2001. 2000.800 estabelecer hierarquias em uma sociedade cada vez mais democrática e com acesso motociclistas entrevistados nas ruas da cidade. e 40% deles dirigem motos há menos de cinco falam hoje da sociedade industrial como sociedade de consumo por excelência: de anos. Editora 34/Edusp.8% têm nível superior. tornando Muitos já dirigiam motos antes de se profissionalizarem e só fizeram aliar o lazer ao mais difícil uma clara distinção social e possibilitando uma maior mobilidade dentro trabalho. O motoboy ganha o suficiente para poder consumir e. então. quase a metade deles (49%) aprendeu ao consumo de partes cada vez maiores da população. ampliaram-se também os acessos das pessoas aos bens de consumo. vários autores a dirigir sem passar pela auto-escola. 2 FEATHERSTONE.5% rodam de 150 a 200 km por dia. portanto. comercial e coordenador de atividades produtivas e serviços eram regulamentados em 2000 — e também por pertencerem às classes sociais especializados”1. Outros compraram uma moto em algum dos muitos consórcios e foram à do ambiente urbano. São Paulo. segregação e cidadania em São Paulo. SESC/Estúdio Nobel. graças ao processo de redemocratização nacional: com a democratização. A mesma Teresa Pires do Rio Caldeira fala da dificuldade de se luta. Teresa Pires do Rio. outra pesquisa realizada pela CET na cidade de São Paulo indicava que insiram em categorias sociais previamente definidas. ter 40% dos motoboys têm até 24 anos. O desmanche da cultura: globalização. na motocicleta uma oportunidade de ganho e independência fartamente atraentes.de 1980]. O jovem egresso do sistema público de ensino. todos somos ambiciosos na medida em que é imperativo consumir. São Paulo. 34 35 . Por 1 CALDEIRA. Cidade de Muros: crime. com poucas chances tradicionalmente “invisíveis”. 43% usam a moto como meio de transporte e 31% para necessita ser algo que seja facilmente verificável através de códigos visuais que o lazer. 4. Mike. Segundo a mesma pesquisa. cinco salários mínimos e 31. Na verdade. somente 7% dos motoboys um centro financeiro. 26% dos motociclistas pesquisados Featherstone2 fala do consumo de “marca” ou de “atitude” no qual o consumidor hoje são motoboys — dos restantes. Outros 26% só têm de um a três anos de experiência. exposto ao frio de uma economia que aos poucos regredia ao zero absoluto —. A maioria é jovem: 59% certo modo. Segundo uma pesquisa do IBOPE encomendada pelo CET em 2006.

O Hospital das Clínicas de São Paulo já é espaço esse tradicionalmente reservado aos produtos da indústria automobilística que um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do impulsionou o país desde os “50 anos em 5”. ele devolve ao espelho de quem o denomina “bandido” do que acontece nas eternas periferias paulistanas. A exemplo Montado em uma motocicleta. para o motoboy. cuida da criança do vizinho que precisa trabalhar e não obteve vaga na única creche Mas os acidentes revelam a dificuldade de inserção do motociclista no cotidiano próxima. Muitos dependem de redes de — bem como de um espaço simbólico — os espaços hierarquizados da sociedade. um invasor de um espaço físico — o trânsito Vários apresentam seqüelas para o resto da vida. a maioria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais. mas garantiram o transporte dos milhões dispositivos de segurança. mais moderno. O espaço também: corredores segregados imitam a separação meta- freada de emergência. é a solidariedade comunal que a imagem de liberdade e inconformismo tradicionalmente associado à motocicleta. ao mesmo tempo em que sedimenta 36 37 . Dado o caráter frágil do corpo exposto. faz “gatos” para ligar energia clandestinamente. Segundo dados da CET. amplia cômodos. O motoboy é. constrói casas. perdem seu trabalho. seguro da moto ou seguro buscando nos países “em desenvolvimento” o local ideal para a realização de lucros de vida. de Juscelino — na verdade um reflexo corpo mais atingidas nas quedas de moto. solidariedade criadas pelas famílias ou pelos vizinhos para se manterem. conseqüentemente. portanto. os corredores motociclista ferido ou morto. o motociclista cai e é atropelado em seguida. além da saúde ou de um membro. cada vez maiores. E para cada vítima fatal de um acidente da estratégia global da indústria automobilística de reduzir custos ao descentralizar a com motocicleta. Se acidentados. a moto é atingida lateralmente. Na hora da cristalizam. o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza física entre quem pega ônibus e quem usa carro. Muitas motocicletas ainda usam um chegar antes e sair depois. A maioria deles não tem seguro médico. ele força ainda mais seu ingresso na cidade ao disputar espaço no trânsito. escapando assim dos sindicatos nativos e do preço da mão-de-obra local.outro lado. o que é agravado pela grande quantidade de motos sem de periferizados até os centros de trabalho. sua infra-estrutura para cuidar da vítima. três são para resgatar um na cidade e. em detrimento do sistema a disco. ou seja. No caso dos ônibus. ou colabora na refeição de um vizinho desempregado. a calamidade instaurada no trânsito da cidade produz 19 feridos e produção. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a Não parece haver consenso quanto às soluções para o problema do trânsito cada dez saídas para um atendimento de emergência. otimizando o tempo de quem tem que condições de uso que trafegam pela cidade. 6 incapacitados. Os tempos distintos dos distintos cidadãos assim se sistema de freio à lona. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos exclusivos espremeram os automóveis. os ferimentos O problema são geralmente graves. da cidade.

confortos e oportunidades é demasiado restrito. O serviçal submisso vira bandido para depois morrer. ao sobrepujava — colocando-a a seu serviço — distanciando-se da sujeira e do suor. Seu trabalho o obriga a relacionar-se com as ruas e avenidas o incômodo de algo que não se explica. este que é o nosso “vagabundo”. assim. o acesso aos de tudo. tal a geografia “política” da cidade sem aparecer significa habitar o lugar da produção e não da fruição. O olhar condicionado. contrário do enredo cotidiano dos romances policialescos que recheiam a indignação separando-se cada vez mais de sua origem e. perpetuando a As categorias profissionais cujo discurso é perpassado pela fatalidade mostram noção mágica de que a sociedade dá conta sozinha de seu funcionamento. manifestando o orgulho do profissional dos tablóides televisivos diários. nacional isso significa ser o oposto do “bandido”. O quarto “dos fundos”. Trabalhar valores diversos para a vida humana: parece que. o dito de Marx: o motoboy é primeiro farsa para depois o processo histórico foi tomando o rumo do intelecto. o motoboy é um trabalhador. Daí. acima que circunscreve em um “centro expandido” seu gueto de civilidade. E com a história. invisibilidade. entretanto. “de serviço”. Significa. mas morre. nesse ponto. depois. então. rebolando se frente à fatalidade ou rebelando-se: a morte na fila de um posto de saúde ou na entre os automóveis habitados por quem precisa que determinadas coisas sejam feitas esquina de uma avenida torna-se um fato da vida. No imaginário caminho percorrido.a opção da cidade pela sua geografia excludente. pois é trabalhador. desigual. ao suor e à sujeira — que não penetra 38 39 . slogan que fala da opção por ser outsider: “vida loka”. como incômodo. que é regra na sociedade A civilização do trabalho intelectual tem tradição em rejeitar as tarefas musculares. Fica de uma grande máquina. Entretanto. são os espaços pensados para esconder. além da única opção possível. Algo que não se entende. Quem se percebe excluído dessa Dos depósitos de mão-de-obra barata surge. o convívio diário com sua real ordenamento simbólico da sociedade. atento com o outro no carro e não como uma afirmação. exposto à fumaça e fuligem. apesar das promessas — ou um em determinado tempo. Os eternos trabalhadores invisíveis sobre a motocicleta tornam. que penetra no espaço que não lhe é de direito. com seu empregado sobre a moto. Tais tipos de atividade foram continuamente rebaixados à medida que estatística. ágil que é. por exemplo. um rebelde por natureza: parcela de civilização pode optar por não partilhar de seus princípios. O motoboy. segue o rumo do olhar. O desafio às leis pode ser visto se incômodos ao desafiar o olhar atento do motorista. é o final de uma complexa cadeia produtiva: ele é o responsável pelo último parafuso a equação simbólica que não fecha: não é bandido. Inverte-se. Tal disposição espacial encontra-se pode conviver com um espectro desses lhe rondando a civilidade? também nos pequenos espaços segregados que habitam o cotidiano e refletem o Apesar de a morte ser o destino humano. é forçado a enxergar quem nunca viu: primeiro. que domava a natureza e a tornar-se tragédia. a entrada — ou área — possibilidade pode revelar a falta de capacidade da sociedade em gerir bem-estar. Como uma sociedade continuamente. como braçais. resignando- a motocicleta.

e vigia. Mas unem-se para dizer que consciência e democracia não se separam. Graças a tal parafernália. Vira assunto no jornal. são reservados às classes mais imóvel a invadir o espaço das ruas. motoboy que agiliza serviços e encurta prazos. sem dar oportunidade nenhuma ao observado. em um discurso que física são absorvidas pelo custo da tecnologia de segurança. Aqui. novos materiais etc. só consegue atingir tal feito. a morte ganha destaque. no caso de inúmeros outros trabalhos essenciais à sociedade que. ao uniforme. O motoboy acidentado aparece nos noticiários graças ao agravamento do não-trabalho merecido após as horas regulamentares — ou outro tipo qualquer de do trânsito de uma cidade cujas veias não suportam mais a seiva que transporta. outras viram moeda de troca entre os do motociclista. magicamente um projeto unitário no qual a cidadania é uma expressão de um consenso. que possui índices diferentes conforme mundialmente aceito como eficaz. Tal risco físico fica então ao encargo de quem a ele se sujeita. O regulação. mesmo que seja pela força diversa da motocicleta para o trabalho: a sociedade circunscreve ao lazer — o período dos números. como sujeito do ordenamento social. essas carapaças herméticas de conforto regulado. com ideal de igualdade de direitos é apenas retórica. igualdade e autoconsciência moderno. uma idéia “fora do lugar”: é o que fica fitas luminescentes. Umas “pegam”. a motocicleta enquanto veículo para o lazer é No “centro expandido”. do público e a publicação do privado invertem relações e solapa a possibilidade de pois esse “encanto” é assegurado pelo olhar que ignora violentamente quem lida com um pacto social. as forças da o motoboy incide o olhar que visa ao encaixe em um sistema. por lidarem Numa cidade onde as calçadas são mosaicos desarranjados da privacidade de cada com o que se considera “degradante” ou perigoso. em caso de colisão. sob impacto. viabiliza e reforça ordenamentos já previamente estabelecidos. Acessório indispensável por ser aparente no trato da valoração da vida humana. Daí a criação de mais leis para tentar normatizar o caótico. como representantes do poder e quem a ele deve submeter-se. carrocerias projetadas para se deformarem Transforma-se em caricatura trágica.nos automóveis. No caso das motos. A sociedade que opera como que “por encanto”. Chega-se. “airbags”. ele esbarra na questão de que a invisibilidade do 40 41 . o que o indesejável — ato agravado em uma sociedade historicamente segregada. ele passa a ser visto. vez mais elevado. ao contrário. garantem uma sensação de segurança mesmo segundo suas próprias normas. para que o motoboy seja visto. Sobre em altas velocidades. Freios “ABS”. então. Nesse ponto. fetiche do homem se aproximam do centro geográfico da metrópole. a noção de “público” e “privado” reflete a falência de abaixo da pirâmide. os seus rompantes de originalidade. A privatização funcionando sem produzir detritos de qualquer espécie. Outras simplesmente somem. atrasa a rotina cidade quando sai O crescente nível tecnológico permitiu aos automóveis assumirem um risco cada de sua rotina invisível. os próprios limites de sua concepção transferem o risco para o corpo Leis são feitas para ele. A natureza da motocicleta é outra — daí seu apelo não-conformista. cria. cujo provoca a ingerência nas coisas mais básicas. pois o olhar educado para não ver.

A curiosidade do estrangeiro devolve em parceira com outros dois alunos e versava sobre os motoboys da cidade de São Paulo. o novo personagem cotidiano que ronda o trânsito em sua moto pode. do projeto canal*MOTOBOY. Capturando as imagens de seu cotidiano. 42 43 . do artista plástico catalão Antoni Abad. invisível. o motoboy instituição. deveria aparecer ali. no Centro Cultural São Paulo. Tal participação foi fruto de trabalho acadêmico passeia momentaneamente os olhos. mundo afora. Cabe então ao olhar deseducado a tarefa de observar e se surpreender. É o indivíduo que não Públicos (ANTP). Resta saber em que mundo vive esse estrangeiro ou em que mundo ele pensa viver. começar a produzir sua própria caricatura. imagens que muitas vezes não vemos. mas. O olhar estrangeiro é aquele que não participa do conjunto de normas específicas em que Participou. em 2007. O trabalho “Pelo Espelho Retrovisor” foi feito para encaixar. é bacharel em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). como outros milhões. mas de organização social. o que vê e o que quer nas imagens que produz.motoboy não é um problema de regras de trânsito. tornando-se visível além da mera estatística. Por isso o estrangeiro pode ser perigoso. Da união de estrangeiros surge a oportunidade de dar ao “motoboy” o controle de seu discurso. o “profissional do motofrete” pode mostrar o que vê da maneira como sente. deveria cumprir sua missão civilizatória e retornar ao gueto. como convidado. O turista descobre o que o nativo não vê. e aí fica a surpresa do inusitado. sendo posteriormente publicado pela revista da Associação Nacional dos Transportes é o estrangeiro eternamente presente no trânsito da cidade. Letras e encaixa em outro sistema de valores simbólico — ou não encontra lugar definido Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. diariamente. Nesse ponto. Para além do herdeiro do antigo office-boy. pois realizado em 2002 no departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia. Augusto Stiel Neto. pois sendo selecionado para participar do projeto do Núcleo de Antropologia Urbana dessa mesma com seu olhar desestabiliza toda uma construção social. finalmente. O indivíduo sob o capacete de “motociclista” pode mostrar quem é.

ANTONI: Meu início foi como escultor. Estive quase dez anos trabalhando nesses projetos de projeções no espaço e também 45 .net CENTRO CULTURAL SÃO PAULO 12 DE MAIO A 10 DE JUNHO DE 2007 Entrevista com Antoni Abad para o Fórum Permanente.canal*MOTOBOY MOTOBOYS TRANSMITEM DE CELULARES www. eu posso dizer que eu cheguei lá com ferramentas de escultor ou de relojoeiro e saí com fitas de vídeo e também com meu primeiro endereço de e-mail de Internet.. no Canadá. Então. Foi porque lá tive a oportunidade de acesso a essa tecnologia.. mas chegou um momento. quando eu estive no Banff Centre. fale-nos um pouco do seu percurso artístico até o início da colaboração com os “coletivos”.zexe. em primeiro lugar. Então. Eu trabalhei muitos anos com escultura.. realizada por Vinícius Spricigo em 15 de maio de 2007. que eu descobri que podia trabalhar com essa combinatória que eu usava nas esculturas. que podia transportar todas essas idéias para o território do vídeo projetado. isso produziu uma mudança.. VINÍCIUS: Antoni.

como em uma classe de que fossem úteis a outros coletivos além do artístico. Os taxistas do México. é quando termina esse patrocínio que vem do mundo da arte. que foi o primeiro projeto desse 46 47 . mais social. Tem Foi essa direção que eu tentei dar ao meu trabalho nos últimos anos. ANTONI: Eu acho que essa decisão parte de uma decepção que eu tive. No entanto. você mantém algum contato com os coletivos? sobre a função do artista na sociedade. Desses. o maior êxito. quando recebo convites para fazer projetos. para que eles pudessem expressar-se. Temos os dois grupos de ciganos que já participaram do projeto ANTONI: O que estou fazendo é desviar fundos que estão destinados à arte na Espanha e também as prostitutas de Madrid que consideraram que já tinham dito e a cultura para outro território. comecei já a as ferramentas. mas também mediar a relação entre os em cada projeto. Eu tenho a possibilidade de fazer isso porque tenho uma trajetória reduzida de Barcelona. coletivos e a esfera institucional? exceto em dois casos. uma vez que eles já conhecem o dispositivo. modelar o dispositivo. O trabalho ANTONI: Em todos os projetos. qual seria o seu papel nesses projetos? Criar condições Dessas porcentagens... existe uma parte que fizeram algumas coisas para dar continuidade. que já são sete nesse esquema. Porque minha função nesses projetos é ser um facilitador. no caso das pessoas com mobilidade representar-se. e tenho ainda. Por que um artista é autorizado a comentar sua sociedade? Por qual motivo? A partir daí. tem 10 ou 15% que ficam bem interessados e envolvidos no projeto. para que esses indivíduos tenham voz própria. a Internet. depois disso. no qual certos coletivos possam auto. Então. O meu papel é esse: de um lado desviar esse financiamento que era virtual que morava no computador dos usuários. das operadoras. aí eu já posso ir para o próximo coletivo. para encontra grupos de pessoas que são seres humanos. que escondia uma comunidade dedicada à arte para um território que eu acho bem mais mais social e do outro lado a distribuída onde não se podia interceptar as comunicações desses usuários. esses 10 ou 15% são aqueles que querem continuar. e. que estão publicando. do mundo VINÍCIUS: Como você entende esse abandono das obras de arte e a tentativa das companhias. ao final. até que finalmente eu fiz um projeto com uma mosca experimentos. a rede de celulares. e o coletivo organiza-se para continuar o projeto. eles criaram um pequeno grupo e uma associação específica só como artista. uma escola. trabalhar com os celulares. de reencontro com o real? VINÍCIUS: Após o momento da apresentação dos projetos no espaço expositivo. Ensinar esses coletivos como usar era uma comunidade preparada para poder conspirar e aí. o trabalho tinha de ir em outra direção. Depois tem alguns que não fazem nada ou que só chegaram para pegar um celular de graça. com a Internet e com todos esses coletivos. Então. proponho esses para dar continuidade ao projeto. outros 30 ou 40% que estão mais ou menos interessados. como usar. VINÍCIUS: Nesse sentido. Porque. você sempre tinha que fazer o possível para modelar essas redes. tudo aquilo que tinham para dizer. para mim.com programas de informática.

os autores são os motoboys. Não havia espaço para “o outro”. âmbito latino-americano. permite somente o acesso dos indivíduos que pertencem mostrado.. por exemplo. vez Facundo. Eles precisam de uma instalação. Isso. aqui só temos uma mesa de a essas comunidades. entende? Essa combinação dessa arquitetura entre os celulares e tradução ou apropriação dessas dinâmicas para o espaço institucional? a Internet que permite. se eu vou ao México. ou seja. o meu irmão. uma vez que todos os participantes do de um lado um projeto que critica os meios de comunicação. Uma vez que você conseguiu que esse coletivo organize-se e comece relacional. não é o espaço artístico. artística no porque eles já organizaram-se. Se isso é uma autoria. Mas isso é. no Brasil. os motoboys. uma coisa de amizade.. Tem que fazer algumas sociais existentes para a esfera institucional. Vamos pensar nos trabalhos que ficaram estigmatizados pela estética ou de seu dia-a-dia. na qual estas ganham visibilidade em um concessões. estariam excluídas.. você tem que ceder. que sejam eles quem geram as suas notícias. você tem uma frase com o Ronaldo e com o Luis. praticamente não existe. o espaço criado por precisa dos meios de comunicação para ser difundido. representem-se eles que abarque também essa arquitetura da informação que você oferece já como algo mesmos. A minha relação com esses grupos que continuam é esporádica vimos aqui. vai acontecer a mesma coisa Você também falou de apropriação. a minha autoria espaço onde. é muito importante ter uma difusão. temos também a reconversão de dinâmicas para fazer um projeto. Então. só essa é minha autoria. e em São Paulo.. que diz: projeto de Antoni Abad. mas eu acho que. O espaço onde esse projeto é essa arquitetura da informação. neste caso. mas também não está explicado que são os doze motoboys participantes. Enfim. Hoje. criaram a Fundación Latinoamericana do Transporte Público que pretende ter um é chamado “instalação”. uma das críticas feitas a esses trabalhos de comunicação e fazem entrevistas com os participantes. eu acho que nunca convidaria doze motoboys para patrocínio desses projetos. a representação. trabalho pertenciam a comunidade artística. Nesse momento. encontrarei outra espaço. Naturalmente. Como você entende esse processo de está no dispositivo. mas que. no final. às vezes.tipo. da parte da instituição. normalmente. por outro. em outra direção. ANTONI: Nesses projetos. O projeto acontece na Internet. De alguma maneira. Nesses convites. quem falam de suas preocupações pré-formatado. uma coisa é conseguir que esses coletivos. o trabalho reafirma o lugar de exclusão desses sujeitos. temos discenso. como se diz. Isso você precisa fazer para ter o projeto viável. nos quais alguns artistas propunham uma arquitetura específica e um certo a falar. Porque o VINÍCIUS: Parece-me que se por um lado temos o “desvio de fundos” das instituições Centro Cultural São Paulo. não é o Centro Cultural. versava sobre a criação exclusiva de espaços de consenso e nunca um espaço de quando se consegue que esses canais sejam vistos pelo maior número de pessoas. Então. que tinhamos duas pessoas lá. que aparecem VINÍCIUS: Estou pensando aqui espaço institucional em um sentido mais amplo. nos meios de comunicação sempre por sua imagem negativa. mas o projeto é na Internet. 48 49 . vamos dizer. reunião onde os motoboys se encontram uma vez por semana. é quando aparecem os meios modelo de sociabilidade predefinido. então.

net. naturalmente. um canal aberto quer dizer que você 50 51 .net integra todos os resultados desses diferentes projetos. mais preciso. Você. seria a estrutura do projeto. Quando é aberto ao resto da sociedade.. outros segmentos da sociedade pelo que eu percebi. de um lado. em um âmbito que não é só um corredor motoboys. principalmente no participação de todas essas pessoas que estão aí. certamente. qual é o papel de vocês nesse processo de integração ANTONI: Sim.. de edição mesmo. tivemos muitas intervenções atacando a comunidade etc. Mas. feita pelos próprios motoboys. de edição do conteúdo? Por fim.. e os programadores. Como que você que eu questionaria. você tem aí um fórum que é ANTONI: Vejamos. não há nenhum comentário negativo. As possibilidades de edição são muito simples: você só pode nos dois canais dos ciganos. representações? Não estaria a abertura para o expectador reduzida ao comentário Quando você diz que essas ferramentas de comunicação permitem que os motoboys dos conteúdos transmitidos pelos coletivos? tenham uma representação da sua própria comunidade que não passa pelo filtro das VINÍCIUS: A última pergunta. adicionar mais texto ou mudar a posição das mensagens. Nós já tivemos muitos comentários. onde as pessoas podem interagir. a única coisa projeto zexe. Eu ofereci essa possibilidade. eu não quero o meu canal aberto”. ela é feita pelas próprias comunidades. em todos os canais não teve edição diretamente. não temos a possibilidade de editar esses conteúdos. Até agora. porém alguns disseram: “Agora. por exemplo. no sentido de projetar uma forma de visibilidade aos coletivos? webcasting. eu acho que ali os motoboys Só temos um desses canais. Como dizia há alguns tem aí a possibilidade de abrir o seu canal para que outras pessoas possam intervir no minutos. isso. VINÍCIUS: Existe. da realidade cotidiana dos coletivos. escrevendo o que eles quiserem do projeto dos motoboys. Você tem um fórum aberto no dispositivo onde tem a dos resultados. lá dentro. onde os motoboys estão broadcasting. focada no broadcasting dos registros vê essa tarefa para além do registro. aberto. os dentro da terminologia da zexe. A princípio. a todos os começam a interagir com o resto da cidade. Existe uma preocupação. ANTONI: Eu acho que o importante é abrir esse espaço. também voltada para o lado tecnológico é: o portal do mídias de massa. é um aspecto positivo. seria melhor. diálogo e negociação na construção dessas VINÍCIUS: Vamos tomar um aspecto tecnológico para ampliarmos essa questão. Cabe dizer que. Eles publicam diretamente do celular nos seus canais. divulgar isso. abertos para nós Tisselli. onde se encontram os motoboys. você tem que seu canal. o programador do projeto. Temos todos esses canais individuais. eu percebo que. portanto. ao final de tudo. Da minha parte ou do Eugenio Esses canais individuais dos motoboys podem ser abertos também. Quando você publica uma foto. pelo projeto. permite. houve uma preocupação com o design. projeto. você pode ali escrever o seu comentário. se você conseguir que os motoboys falem por si mesmos. desse conteúdo. que não permite. com alguma possibilidade de edição estranhamente. ou digamos estética. No entanto. como responsável expressarem a sua percepção dessa representação.

eu digo achamos. um conclusão de um sistema que partia de certas classificações da sociologia ou da antropologia capacete. em todos os canais tem mais ou menos um importante descrever essas publicações. o que tem nessas imagens. Isso. decisões estéticas.. então. o mais simples possível. com o programador do projeto. por um lado. o mais simples possível. Você acredita. e estão. por exemplo. imagino que é uma seriam: seres. os ciganos. Aí. mas de qualquer maneira. até agora. eles mesmos. vamos ver o que acontece que algumas das publicações dos taxistas da Cidade do México podiam ser podiam ser com isso. significa para eles um esforço intelectual. que tenta representar um pouco o dispositivo. esses tags são totalmente livres. E achamos. criar um sentido para si e uma apresentação de si para a comunidade? descrevendo as imagens. que Isso é uma representação também para a difusão. não sei. “trânsito”. temos umas oitenta palavras-chave que ficam em cada mensagem que você assistiu agora quando estávamos aí com o Augusto Stiel Neto. é preciso divulgar isso. nesse caso. porque. ou críticas. Da outra parte.. ANTONI: Eu acho que sim. um descritor era Camaron. porque quando colaborador do projeto. achamos que seria interessante organizando essa informação a partir de palavras do dispositivo ou de suas publicações. porque esses termos que eles estão pegando. assumindo uma postura ativa de chave.conteúdos são publicados direto dos celulares. são eles que estariam editando. Por outro poderiam ser convidadas a participar a participar de uma interpretação desses conteúdos. quando mostramos pela primeira vez essa possibilidade. esse descritor era alguém especial e bem específico dessa comunidade. É um dos experimentos que estamos testando no canal*MOTOBOY. como “acidente”. a partir do primeiro projeto no México. em coisas a suas pesquisas de acordo com esse dicionário. mas achamos que isso era muito rígido. esses são alguns canais de interpretação onde outras pessoas enviam uma imagem tem que pegar aí uma palavra que descreve essa imagem. Isso permitiria aos usuários do dispositivo fazer coisa que vem da publicidade para a identificação das publicações em adesivos. que seria E para responder essa outra pergunta. constrói um dicionário de termos que eu acho que gera conhecimento coletivo. lado.. vamos dizer. principalmente. que era classificar a vida humana em um dicionário com quatro ramificações importantes. inteiro. não sei como dizer. não é uma equipe que está depois aí. essas palavras- o papel de sua representação. afinal. um capacete bem simples.. chegamos à logo.. entende? Podia ser difícil de interpretar isso. senão os próprios motoboys que pegam essas palavras-chave nas suas mensagens. decidimos mudar totalmente o dispositivo e agora esses descritores. de alguma maneira classificar essas visões. e tem aí algumas Porque. objetos. Aí. espaços e atividades. que era bem conhecido no mundo VINÍCIUS: Para encerrar. um cantor que já morreu. vimos estão bem altos no ranking. até agora. assim que são um pouco para divulgar. voltando à questão da instituição. a primeira idéia que eu acho poderia ter do motoboy. imagino. Então. eles próprios. mas são bem simples também. que também é um enviada.. que os indivíduos estão deixando cada vez mais de delegar à instituição e aos artistas Então. Eugenio Tisselli. afinal. porque isso foi conversado. Então. temos canais de interpretação. não são mais de oitenta e alguns Também tem outra possibilidade.. e aí. que o objetivo seria esse: que os próprios coletivos 52 53 .

Artes Visuais da Generalitat de Cataluña e o Golden Nica Digital Communities do Prix Ars Electronica de Linz. Madrid 2005. não? Se alguém tem a possibilidade de representar essa favela são os algumas das considerações por eles expostas. no caso um artista. Uma criação de uma pessoa.1. Barcelona 2006. Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León o lado das fotos. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999.representem-se. vamos ver. MECAD/ZKM’net_ para mostrar a vida dos motoboys. Onde isso nos levará? Eu não sei. Eliezer Muniz dos Santos: O canal*MOTOBOY é uma idéia. Karlsruhe 1999. E também uma forma de fazer condition. A coisa vai por aí. Lleida 2005. próprios moradores dessa favela... Media Lounge/New Museum of mais amigos. nascido em Lleida em 1956. E aprender. o Antoni Abad. Ou seja. a cada dia./MOMA. Seus projetos foram apresentados no Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003. do fotógrafo dentro de cada motoboy. O projeto canal*ACCESSIBLE no Centre d’Art Santa Mònica recebeu o Premio Nacional de conhecer o dia a dia do motoboy. uma construção em uma favela do Rio.S. eu penso: o que é isso? Do que fala? O artista teve a coragem de chegar lá. La Casa Encendida. O que se segue é uma seleção de produzir beleza. Estrecho dudoso: aprender um pouco mais e cada vez mais desenvolver. New York 2003. Berlin 2002. Que todo mundo possa na internet. Como também para desenvolver a informática. com uma câmera bem grande. vive em Barcelona. Que as pessoas possam conhecer melhor a nossa vida. sincero e que todo mundo possa prestigiar. que está crescendo muito. Hamburger Banhof. e uma comunidade com sérias necessidades de expressão. onde seus atores são 54 55 . Centro Cultural Sâo Paulo. México DF 2004. O que é o canal*MOTOBOY? ANTONI: Obrigado você. New York 2001. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. E creio que é Contemporary Art. canal*MOTOBOY é um instrumento de comunicação entre a sociedade e os motoboys. 1ª Bienal tudo isso e mais um pouco. Museo Andrea Sadocco Giannini: O canal*MOTOBOY (eu creio que seja) é um canal de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. o que as novas mídias têm de melhor.net Keila Muniz dos Santos: Um instrumento de visibilidade. Centre d’Art La Panera. Estamos aqui pra 2005. Centre d’Art Santa Mònica. O dia a dia deles. mas o exemplo poderia ser: quando Nos meses de setembro e outubro de 2007 se realizaram entrevistas eu chego em uma sala de exposições e vejo um Cibacron perfeito de uma fotografia de com diversos participantes e colaboradores do canal*MOTOBOY. Centro Cultural de España. um pouquinho o Tráficos. que juntou a possibilidade de abertura.zexe. VINÍCIUS: Obrigado. Austria 2006: www. Brasil 2007 e trabalho honesto. Madrid 1997. San José de Costa Rica 2006.ou tenta ir por aí. P. fazer essa foto e depois no Centro Cultural São Paulo. Fundación Teorética. desenvolver de Sevilla 2004.

porque o mundo de hoje da gente tinha uma larga experiência sobre o histórico de lutas da Categoria. agora era definir o que a gente ia Cleyton Pedro Perroni: Eu cheguei ao Projeto através de um amigo meu.. os motoboys. Ronaldo. o motoqueiro que coordenava a logística dia a dia do motoqueiro. sou um dos membros do importante. uma missão. Afinal. estar ao lado deles. Ou seja. só mais um empurrãozinho para a gente chegar lá e engrenar artista para ser o Curador Adjunto do projeto. 56 57 . na rua. eu acabei me tem muita gente ruim. ele falou pra mim que era um Projeto que mostrava o dia a dia foi dar apoio ao grupo naquele momento na dinâmica das reuniões. e dali nós viemos conversando muito. que às vezes quer entrar numa coisa. o Beiço. terminei por assumir a responsabilidade sobre o grupo. pelo Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. pessoas para trabalharem direito. Adriana Maria de Oliveira: A possibilidade de legalizar os motoqueiros. Em segundo do motoqueiro. os celulares e o site nós já tínhamos. A gente está Eliezer Muniz dos Santos: É difícil de dizer. Eu me interessei bastante e vim. mas só se envolvendo. Só que pra isso a gente tem que dos Debates e Filmes que ocorreriam junto à exposição. em que se transformaria esse grupo depois da mostra. e depois que o artista voltou à Espanha. se percebem e são percebidos. sem celular ainda. mas fui gostando e hoje estou aqui. mas o Ronaldo. o fazer a partir dali. o Antoni Abad.vistos e se vêem. que já tinha um contato com o artista espanhol. Claro que tivemos muitos A gente quer pessoas de responsabilidade. e foi abrindo Sua participação teve influência no seu cotidiano profissional e particular? espaço. que tem mesmo! dos motoboys. Bem. canal*MOTOBOY. surgindo assim o canal. a princípio fui contratado pelo precisando. participando das reuniões. Franscisco Djalma Souza: Quando fui convidado a participar deste Projeto. para os outros motoboys. Tivemos que bater muito a cabeça até o grupo se encontrar em uma direção. na verdade. De mostrar pro pessoal a categoria dos motoqueiros. mal intencionada. No entanto. isto é. Se identificam em seus pares. na construção de algo que eles achassem mesmo. E aqui no canal*MOTOBOY não é isso que a gente quer. E por onde eu ando tento passar isso que a gente está fazendo. mostrarem muita coisa errada na rua. Por que você se envolveu com o canal*MOTOBOY? embora pouco se comuniquem entre si. E não era eu só. e muitos destes já se interessaram pelo Projeto.. fazendo reunião com vários motoqueiros. mostrar o problemas. Isso foi o que me incentivou mais a Como você chegou ao Projeto? participar no canal*MOTOBOY . meu interesse em primeiro lugar meu cunhado. Fiquei várias semanas só participando lugar. interessa mesmo é pelo dinheiro. como eu saber escolher algumas pessoas para poder trabalhar. e isto significava fazer a coordenação mesmo na força de vontade de cada um dos motoqueiros.

como convivência com sociólogo. porque até certo tempo atrás eu não tinha Luiz Fernando Bicchioni: Com certeza. Então eles 58 59 . fazer só faculdade de engenheiro e depois ir lá e montar as rodovias e as estradas do Edison Cordeiro da Silva: Ah sim. eles amizade do Canal. Nunca houve uma iniciativa faz do dia a dia nosso. Eu creio que sim. é importante ter existe um grupo de motoqueiros. foi uma coisa muito legal. e nem em lugares como o Centro Cultural São Paulo eu nunca tinha entrado. e bom só mesmo indo ver nas reuniões. como motorista. que hoje em São Paulo Andrea Sadocco Giannini: Eu acredito que sim. for. mensageiros e ex-mensageiros. correndo risco de vida todo dia – como eu corro risco de vida no trânsito. Você acredita que o canal*MOTOBOY poderia contar com um número maior de Você diria que o canal*MOTOBOY lhe deu oportunidade de fazer parte de uma participantes? Caso afirmativo. muita importância para todo o povo de São Paulo. tudo. essa comunidade jeito deles. e posso dizer que dela eu participo. apóio e vamos até o fim nessa história. Se alguém tiver uma oportunidade. é a dos Profissionais Motociclistas. até deliverys que se reúnem semanalmente para discutirem os problemas da Categoria. se isso dali está que tem tudo a ver com a gente. que é família. que aqui em São Paulo o canal demonstram que estão crescendo dentro do canal. Acho que muita gente poderia participar sim. um stress. que é a amizade. motogirls e experiência. e acaba tudo se envolvendo. Não só motoqueiro. a dessas. Pra mim. E a gente nota. como pedestres que pegam condução e sofrem o engarrafamento. motoboys. isso aí seria uma janela para então pra mim foi uma experiência legal. Porque a gente não faz só foto da rua. Eu tive outra visão da profissão. o Condumoto Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Com certeza. e eles têm o direito eu achava que a profissão era só um meio de sobrevivência. A moto. pois essas pessoas trabalham todos os dias com grandes responsabilidades. Cleyton Pedro Perroni: Bastante. muita gente inteligente. A gente Isso é inusitado na história dessa classe de trabalhadores. eu vi que tem sagrado de se organizarem como eles bem entenderem e ninguém tem nada com isso. (alvará fornecido pela Prefeitura) e os celulares pertencem a eles. de nome. comunidade de periferia. contato com pessoas que eu só ouvia falar taxista. sendo uma maneira boa e fácil para as pessoas que estão envolvidas no trânsito. tudo isso aí. os novos participantes devem ter um mínimo de comunidade? De que tipo? experiência como motoboys? Ronaldo Simão da Costa: Sim. Mas também a gente tem que ver quem está pilotando. com toda certeza. por exemplo. Este coletivo é uma comunidade? Se está começando a dar uma influência em cada um de nós que estamos trabalhando. você tem que captar os governantes ou para as pessoas que fazem as leis de trânsito verem que não adianta estas coisas que eu estou conhecendo. mas não. Eliezer Muniz dos Santos: Posso dizer. que nasceu dentro do canal*MOTOBOY. antropólogo.

pouco mais de tempo. A gente viaja para São Paulo inteiro. Acho que é mais ou menos assim. também. Que outra utilidade você daria a um projeto como este? O que você melhoraria ou mudaria no canal*MOTOBOY? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Eu faria uma parceria com outros projetos que Adriana Maria de Oliveira: Bem. delegar algumas funções pra gente poder trabalhar. outro tem que ouvir Edison Cordeiro da Silva: Uma causa que estamos discutindo agora é a do o que aquele está falando. e tem que ter uns adesivos. Porque senão fica complicado. tem que ter compreensão. a beleza da cidade. sobre a cidade. e se a gente delegar as funções. Porque às vezes você está pegando um flagrante. eu aprendi muita coisa.podem trazer com certeza informações. e se a cidade está suja. fosse feita por ele. a partir do momento em que você trabalha com 60 61 . então a pouquinho um horário para participar se estiver interessado mesmo no canal. E uma das coisas é essa. como eu falei. teríamos um jornalista. Mais que nove segundos. antigamente eu não pensava. Minha idéia gente conhece toda a Grande São Paulo. Quando eu entrei no canal*MOTOBOY. melhorar. clubes. meio ambiente.. culinária. tempo. informar e ajudar. ele está nascendo agora. ajudariam o meio ambiente. Espaços da prefeitura. Tem que delegar funções. alguma coisa e você tem que parar e perde vinte segundos preciosos para você armazenar Muitas coisas o motoboy pode ver. entendeu? Então a gente tem que procurar se informar melhor. um fala uma coisa. pode correr e não eu acho que mudaria o site. É muito importante.. Colocar um bem que minha intenção não é mostrar acidentes. que pode estudar. tal opinião com esta aqui fica legal. Para mudar. ter mais motoqueiros transmitindo de celulares. desconhece. Ouvir um ao outro. se está organizada. outras formas para ajudar o mundo. e que a gastronomia. as pessoas têm que se ouvir. E hoje em dia quando eu vejo. E as pessoas ficarem unidas. a gente não está parado ou estagnado. e tem muita coisa em São Paulo que a gente desconhece e muito da população Edison Cordeiro da Silva: O que tiver para melhorar eu estou aqui. Ter mais patrocinadores. entendeu? Tanto acidente – se e pegar novamente. O que está atingindo o nosso mundo. eu Luiz Fernando Bicchioni: Eu não mudaria nada. se tem CET. Um tem uma opinião. o que se passa. e acho que isso daí era o que a gente podia mudar. Mas melhoraria em função de falo o que está errado. tem muita coisa ainda pra sabe. O Canal é que nem uma criança. mesmo. Porque hoje em dia ninguém não está nem aí com isso. mas mostrar monumentos. cursos. se está bem policiada. escolas. várias coisas que a gente desconhece. se a cidade está bagunçada. o que a gente pode aproveitar como uma faculdade. Então para melhorar o site era assim: que as filmagens tivessem um aparelho que tivesse mais a gente pode dizer sobre o clima. Que pode aproveitar gratuitamente. maioria das entrevistas não fosse feita por motoqueiros. Cada um tem que saber o que faz e tem que disponibilizar um Cleyton Pedro Perroni: Olha.

“tipo assim”. eu não sei se é uma cultura o dia a dia do motoqueiro. como a gente foi pro Centro Cultural São Paulo e aqui na Ação Educativa. mas de várias coisas. Descobri que o Centro Cultural tem uma biblioteca imensa. um projeto cultural. de uma pessoa. você tem um envio imediato. de um buraco. Então. Porque. Então são coisas que a gente nem imagina que tem num prédio daqueles. Porque ele vai tirar de cima o que ocorre. Então é uma oportunidade de a gente se conhecer. É infinito: coisas boas. tudo. a gente está tentando mostrar as coisas que o motoqueiro faz. sim. Franscisco Djalma Souza: Eu acho sim que é um projeto cultural. Tudo. Então pra mim foi uma coisa boa. por exemplo. e com nosso Projeto tinha várias exposições sendo realizadas no período. Muitos lugares que a gente nem imaginaria entrar sem que não fosse para fazer um serviço. mas pra mim é. o que a gente nunca imaginava existir. Versión en Español fotocelulares. Você acha que o canal*MOTOBOY é um projeto cultural? Por quê? Ronaldo Simão da Costa: Eu acho que é um projeto cultural porque envolve todo tipo de pessoas. Então é uma coisa que a gente descobre a cada dia. Quer dizer que hoje em dia a informatização melhorou muita coisa. 62 . o que foi o que eu aprendi: você não tira fotos só da rua. de um acidente. de um rio. A gente passa na avenida 23 de Maio e nunca olha para lá. Até o dia a dia de uma pessoa que mora num apartamento fechado ele é capaz tirar. coisas ruins. como eu já tinha falado.

En 2004. el artista. el proyecto canal*MOTOBOY se hizo realidad. No obstante. “constituyen una red humana motorizada que hace posible el intercambio de información en la metrópolis… arterias informantes de la gran urbe” –los motoboys. la atención del artista se centró en los taxistas en México y. a otros agentes.zexe. También coordinaron la publicación inmediata de los contenidos que se propusieron tratar.canal*MOTOBOY Diciembre de 2002. la primera idea no se concreto. en los gitanos de Lleida y León. En 2006. además del grupo inicial. con el apoyo de la española SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior). Antoni Abad en visita a São Paulo. así como de canales individuales de transmisión. fue con las personas de movilidad reducida en Barcelona. un contraflujo de situaciones singulares reportadas por aquellos que parecen vivir siempre en corriente continua. los motoboys propusieron actividades paralelas como charlas y mesas redondas con profesionales invitados.net. En mayo de 2007. www. vuelve su atención a los innumerables mensajeros que circulaban por la ciudad que. gracias a la colaboración entre el Centro Cultural São Paulo y el Centro Cultural de España / AECI.net articula y hospeda las experiencias realizadas en otros locales en “colectivos trasmiten de móviles”. ambiente completamente en sintonía con esta “red humana motorizada” que. su equipo y los motoboys estudiaron las posibilidades de realizar proyectos colectivos. adecuando la conectividad de la red a la interfaz de los canales. En estos encuentros. el trabajo de Antoni Abad viene siendo desarrollado principalmente en Internet por medio del proyecto www. en 2005. así como en las prostitutas de Madrid. teniendo como inspiración el proyecto dirigido a los motoboys. En ese espacio de gran impacto arquitectónico que. En los últimos años. canal*MOTOBOY se tornó una dimensión paralela al caos de la ciudad. durante ese período. que incorporó la obra “Derrapagens”. que apuesta en el ámbito de las redes. Durante todo el proyecto intercambiaron experiencias y opiniones por medio de mensajes multimedia y conversaciones telefónicas. pasaron cuatro años y. provista de teléfonos móviles con cámara integrada. de cierta forma. El local escogido fue la gran plaza interna que congrega el conjunto de bibliotecas de ese Centro Cultural. y también con los inmigrantes nicaragüenses en Costa Rica. El proyecto con los motoboys fue presentado en diversos momentos a instituciones culturales de la ciudad de São Paulo. El proyecto generó efectos deseados e inesperados al congregar. 65 . produciendo y potenciando su propuesta inicial: la de propiciar canales de participación y expresión a los grupos económica y mediaticamente desfavorecidos. El proyecto ha sido concebido para convivir con este espacio público digital. refleja el laberinto que es la ciudad de São Paulo. Durante tres meses el Centro Cultural São Paulo recibió a un grupo de motoboys para sus reuniones semanales. en un espacio/instalación ideado para el proyecto por Antoni Abad. envían al sitio en tiempo real las percepciones de su cotidiano. como notó. zexe. durante ese tiempo de espera. por ejemplo. con la artista Regina Silveira.

66 67 . pero en unas condiciones muy distintas a aquellas en las que se planteó originalmente. cuanto menos. sino que más bien se proponía ahora generar situaciones. Parecía que el arte no sólo no tenía que ser ya representación de algo. se manifestaba ya con contundencia la suspicacia posmoderna respecto al lugar que la representación había de ocupar en la práctica Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé artística contemporánea. Alberto López Cuenca etc. el arte no podía concebirse ni practicarse como un ejercicio meramente representacional. el descreimiento respecto al emplazamiento privilegiado del artista. espacios o experiencias. la instalación. este entretejimiento contextual del arte. especialmente en la medida en que el horizonte de acción de la producción artística contemporánea pone en cuestión el mencionado presupuesto. De entre ellos. así que no cabe esperar de él que articule grandes proyectos de transformación social. Transformar la vida no podía ser imitarla mediante criterios estéticos sino que conllevaba introducirse en los intersticios de la cotidianeidad y modificarla: en las portadas de los libros y el atrezzo teatral. de estar contenido en los límites formales del objeto artístico (de la pintura. descansaba sobre múltiples presupuestos. Se trata. que podemos explicar en términos de su capacidad “performativa”. la escultura minimalista o el land art habían puesto de manifiesto). con vistas a la preservación de los manantiales de agua del Estado de São Paulo. destaca el emplazamiento privilegiado del artista moderno para comprender el mundo e incidir sobre él simbólica y concretamente. de captación de esencias o de evocación de la realidad (si es que realmente alguna vez había podido ser sólo eso). pues había sido ya desplegado por las denominadas vanguardias históricas de principios del siglo XX. pasando por los constructivistas y los miembros de la Bauhaus. ni más ni menos. es decir. acción realizada en colaboración con el ISA (Instituto Socioambiental). a través de un núcleo de motoboys que trabajan en iniciativas El motoboy y la economía política del afecto colectivas de ámbito más amplio. La cualidad del arte como acción transformadora. No obstante. de reconfigurar los existentes. de la escultura o del vídeo). Así acotado. Con la publicación de la memoria del proyecto celebramos también la continuidad La ruta está siendo recalculada del canal*MOTOBOY. sino que dejaba. ya sea como productor de bienes suntuarios o de experiencias para el ocio y el entretenimiento en bienales. como la acción educativa. por perder autonomía al depender de un espacio circundante que activara la experiencia artística. en la publicidad y en los carteles de cine. Los artistas dadaístas y surrealistas. En este sentido. la heteronomía que anulaba su pretendida autosuficiencia. Sin embargo.). La posición prácticamente omnisciente del artista para comprender e incidir sobre el mundo está hoy en entredicho por la generalizada conversión de aquél en un especialista de la industria simbólica. baterías. En la hoy clásica recopilación de textos Art after Modernism: Rethinking Representation (Wallis 1984). el trabajo artístico no ve más allá de su campo de competencia. museos y centros de arte. que de un imperativo vanguardista de actuar sobre la realidad que ha sido legado al arte contemporáneo. no era casual la alarma que animaba “Art and objecthood”. el beligerante texto donde Michael Fried (1967) descalificaba la escultura minimalista por ser teatral. emprendieron en su día la tarea (¿artística?) de hacer efectivos nuevos modos de vida o. la ONG Acción Educativa y el Centro Cultural de España. No parecía que el arte debiera pasar necesariamente por Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da España elaborar representaciones (algo que el cinetismo. la performance. en el diseño de juegos de té y de ciudades enteras. Para esto. para que se disponga con responsabilidad ambiental de los residuos de las motocicletas (combustible. no era nada excepcional. incluso.

pero serían coordinados por Antoni Abad: proyectos donde se supera la condición omnisciente del confrontados por ella y su madre hasta el extremo de que volvió a ser aceptada de artista y que subscriben el carácter performativo y no-representacional del arte. conllevó una serie de negociaciones y conflictos que no son visibles en el material audiovisual accesible a través de internet. creaba relaciones sociales y el ayuntamiento replicó distribuyendo un mapa de la “Barcelona accesible”). comandos extraordinarios ahí puntualmente como accidentado o delincuente o héroe efímero de algún rescate). Aún más. sino la serie de negociaciones con el entorno institucional y administrativo la taxistas enviaba imágenes. Costa Rica. con ello. que la página web del proyecto. más allá de constituir una contraesfera subsanar muchos de los obstáculos arquitectónicos sobre los que los miembros de para la representación. La página reunía y actualizaba sin edición o selección previa los trámites para los celulares: por tratarse de móviles importados ilegalmente desde los documentos remitidos en tiempo real por los miembros de ese colectivo urbano. donde se reunían entrevistas incómodas a los patriarcas donde habían de explicarse y de pensarse como gitanos al hacérsele preguntas como “¿qué Redes de sociabilidad es ser gitano?” o “¿qué es ser patriarca?”. vídeos. el taxista sólo aparece a nivel colectivo (se conformaron. de ahí que Entonces redacté una breve reseña sobre sitio*TAXI que llevaba por título “El taxista hubiera de negociarse el espacio tecnológico y legal para hacerlos operativos. Antoni Abad puso en funcionamiento posibilidad de transmitir directamente desde ellos información vía internet. como mero Por otra parte. que recorrerían zonas de la ciudad en principio no planeadas para ser batidas). No como etnógrafo”. Sin embargo. espacios de acción transitoriamente desregularizados para el No presentaba al artista como una voz privilegiada. incitó la conformación de un grupo de colaboradores que Ése ha sido un aspecto constante de los trabajos que siguieron a sitio*TAXI. nuevo en él.F. En otras palabras. al considerar al taxista como etnógrafo. su software no estaba homologado para operar en Costa Rica. hay algo en él que aún suscribiría menos laboriosa fue la tarea de dar de alta teléfonos para 22 inmigrantes ilegales y algo con lo que ya no estaría de acuerdo. transformar la imagen que se tiene del taxista. la planificación y activación de canal*GITANO. sino que llamaba la atención ejercicio y la enunciación comunitaria de un sector de la población nicaragüense. como En el fondo. pero que conforman la parte Queda patente que tomar fotos y subirlas a la red no agota el alcance de estos crucial del proyecto. De un lado. no es la visibilidad de las imágenes en la se desarrolló en México D. los patriarcas. el modo de operación de canal*GITANO implicaba proyectos. Es el desplazamiento de discapacitados por la ciudad (una contracartografía frente a obvio que sitio*TAXI opera a través de mecanismos de representación. los cuales canal*CENTRAL. las múltiples cartografías triunfantes de la urbe: de sus museos y parques y bares y textos. sitio*TAXI abría espacio para la acciones de documentación hicieron que el mismo ayuntamiento se viera forzado a enunciación y la agencia de sus participantes. Ahí se distribuyen entre la nutrida comunidad de inmigrantes han desembocado en la articulación de singulares comunidades de colaboración. cuestiones presupuestas que rara vez eran Antoni Abad ha desarrollado junto al programador Eugenio Tisselli a lo largo de consideradas de modo explícito. sin embargo. entre los discapacitados. sino que forzó a modificar o sortear transitoriamente su alcance. porque no apuntan meramente a hacer posible otras representaciones de cuestionar la separación tradicional que en la comunidad gitana se hace entre la vida (de los gitanos. Miami. “El artista como etnógrafo” acceder al servicio de telefonía móvil. De nuevo. notario de su realidad. durante dos meses en 2004. hacen todavía hombres y mujeres. Éstos sobre el que se desarrollan algunos de los proyectos con colectivos y tecnología celular vetaron a una de las participantes para seguir colaborando en el proyecto. menos ambiciosas que las modernas. Es éste el trasfondo enfrentamiento inusual contra el poder fáctico de la comunidad. su resultado no es simplemente monumentos y estaciones de metro). “El taxista como etnógrafo” cuando demostrar la residencia formalizada en el país es requisito imprescindible para ironizaba sobre el conocido ensayo de Hal Foster. sitio*TAXI. en realidad desató respuestas tanto en los medios de comunicación tradicionales” (ciertamente. sobre los taxistas en tanto narradores de su experiencia y enunciadores de su propia historia. Pensando de nuevo en ese título. grabaciones de audio y video. canal*ACCESIBLE habían llamado la atención. los inmigrantes o los discapacitados) sino a generar la vida 68 69 . continúa reuniéndose y trabajando tras el fin del proyecto con la constitución de la Por ejemplo. canal*GITANO generaría un social. al enfatizar que no es el artista quien habla en sitio*TAXI sino los taxistas mismos. Las y estrategias de subjetividad. los lugares y las condiciones en las que pueden encontrarse y el posible el despliegue de estrategias para la acción del arte en el terreno de la vida tipo de interacción que pueden mantener. al dar a entender que el efecto fundamental de ese proyecto donde los participantes elaboraron una cartografía con las trabas arquitectónicas para era modificar representaciones. canal*CENTRAL no sólo hizo visible el control (2001) –donde el autor sostenía que algunos artistas contemporáneos se habían de la comunicación y las fricciones técnicas y legales en el monopolio estatal de las convertido en investigadores críticos de su propia sociedad– y creo que acertaba comunicaciones. Por otra parte. Para empezar. Erraba. lo que sitio*TAXI ponía a nivel institucional (el mapa salió reproducido en medios de comunicación locales en marcha era mecanismos de sociabilidad. las trabas legales con web de libre acceso. más que otras representaciones de la realidad. De un lado. los últimos cuatro años una serie de trabajos que recurren a la telefonía móvil y a la A lo largo de 2006. desarrollado en Lleida “Asociación Accesible” durante 2005. canal*ACCESSIBLE. nicaragüenses teléfonos celulares y el conocimiento para mantener en funcionamiento Tuve la oportunidad de escribir sobre el primero de esos proyectos. en San José. Se abrieron. imágenes.sumado a la convicción de que el arte aún puede generar sociabilidad. en el cual un grupo de 17 red. es decir. en 2006 se puso en marcha en Barcelona canal*ACCESSIBLE. pero más diversas. que surge con una fecha de caducidad. documentos de audio y de texto a una página que manifestó el alcance de canal*CENTRAL. la institución misma del poder se vio sujeta a escrutinio al crearse el canal*PATRIARCA. A pesar de que la labor de canal*ACCESSIBLE “hacer visible la realidad del taxista” o “propiciar unas representaciones que no caben parecía desembocar en el trazado de un mapa.

12 motoboys que recorren las calles de São Paulo en el trabajo inmaterial. este espacio público redefinido hoy está marcadamente mediado y las industrias culturales que se concentran “en la creación y manipulación de por lo simbólico: imágenes. producen vida afectiva y vida social no programadas por los modos dominantes de producción. más el sector servicios en la medida en que se integra en los procesos de comunicación e precisamente. Para Hardt. La fabricación se considera como un servicio. entonces se homogeneiza la experiencia a la par que se descartan o por la arquitectura urbana. excitado. Al enviar creativa e inteligente. el lugar de (Hardt y Negri 316-7) encuentro social. 95) e implica áreas productivas como la salud. puede ser contestada sociales. que se divide en labores de manipulación fotografías y vídeos para remitirlos directamente a una página de internet. En esa negociación con las redes de significación se activa Desde esta perspectiva. Los signos en su rápida. en última instancia. en tanto que sus productos son intangibles: el sentimiento de comodidad. Ésta es una cuestión posesión. y el trabajo material de la producción de bienes durables se mezcla con Desde mayo de 2007. deseos. apunta Hardt. Es decir. claro. de hacer visible la actitudes y posturas económicamente no productivas. y en labores simbólicas de retina. se puede dar cuenta no sólo de la producción material el proceso de constitución afectiva y dialógica de la esfera pública. según Hardt. han descrito cuáles son las esferas características y dominantes de la producción en la sociedad contemporánea. el tejido mismo de la existencia colectiva e individual. el afecto no tenga utilidad alguna para los proyectos El filósofo político Michael Hardt. El afecto sería parte de lo que finalidad no sea necesariamente la producción de capital. ya sean las impuestas por las costumbres y la administración sometimiento. del sujeto. aquél que produce bienes intangibles. abierta y negociable de la información elaborada por ellos Éstos son los tres tipos de tarea que lideran la posmodernización de la economía global y disponible para los visitantes de la página web. a representación de grupo sino la activación de la agencia y la producción de relaciones pesar de estar totalmente integrada en los modos de producción.misma en la interacción con el entorno. desde prácticas. espacio para relaciones sociales inesperadas y reconfiguradas. modos de subjetividad y sujeción. son activados por hablantes. En su funcionamiento hacen manifiesto todo de producir y administrar vida emocional es. una taxonomía flexible. de sentirse televidentes. Finalmente. uso se inscriben dentro de mecanismos de enunciación. Controlar los modos canal*MOTOBOY pone en marcha un mecanismo de producción simbólica que 70 71 . de hecho. como el en la actualidad cobran las estrategias que eluden la creación estandarizada de afecto: conocimiento. para estos autores. “anti-capitalistas”. lo que brinda la posibilidad de armar y el que requiere el contacto humano (virtual o real). Pero no se trata sólo de revelar. Sin embargo. no por ello se convierte en un mero juego de signos inertes interacción bajo el rubro del “trato personalizado”. aun cuando sea corporal y afectivo. uno El afecto. control. son provistos de teléfonos celulares que les permiten tomar inmaterial de las tareas analíticas y simbólicas. a la manera de la producción de mercancías. que nos vemos sujetados (significados) por los signos y niveles en los que significamos (sujetamos) a los signos. Al decir que el capital ha incorporado y exaltado el trabajo afectivo y que el trabajo Economía política del afecto afectivo es una de las formas más altas de producir valor desde el punto de vista del capital no significa que. usuarios concretos. Aquí. elaborar vínculos de tipo de restricciones. es crucial para la activación de esferas de sociabilidad cuya de los bienes fundamentales de la economía actual. El segundo es el trabajo su jornada laboral. contaminado de esta manera. Si la esfera pública. La economía desmaterializada produce y nombra sensaciones. este trabajo afectivo desempeña un papel en todo esfera pública actual se constituya fundamentalmente como espacio simbólico o. De aquí la importancia que ellos denominan “trabajo inmaterial”. satisfacción) y desestima otras (actitudes de altruismo. mediático. “este trabajo es inmaterial. entra en juego el grado de implicación bien. apasionado—incluso el sentido de sentirse parte de algo o en el proceso de producción de significado: un proceso en el que se dan niveles en los de una comunidad” (96). aunque la afectos” (95). por el otro. ajenos a quienes se ven interpelados por ellos. satisfecho. por su tarea “vinculante” clubes de discusión y páginas de los periódicos a las pantallas de televisión y de (“binding element”. se procesan afectos patriarcal del poder o por las legislaciones de las telecomunicaciones e inmigración estandarizados. ha transitado desde su concepción en el siglo XVIII de los cafés. El afecto es. el entretenimiento las computadoras. por un lado. Hay. sonidos. podemos distinguir tres tipos de trabajo inmaterial que han puesto al sector servicios en la cima de la economía informática. En resumen. El primero participa de una producción industrial que se informatizó e incorporó las tecnologías de la comunicación de canal*MOTOBOY: medios digitales y crítica del afecto una manera que transforma el proceso de producción mismo. el tercer tipo de trabajo inmaterial es el que implica la producción y manipulación de afectos como “accidente”. En distintos niveles. sus archivos pueden agruparlos bajo términos clave que ellos mismos han decidido. sensaciones central en la medida en que “el tema” de estos proyectos no es la elaboración de la de fracaso o estados de miseria o desarraigo). sino también de los aspectos más íntimos y emocionales subjetividad van de la mano. los servicios o la comunicación. “prohibido” o “trabajo”. es decir. Sin embargo. textos. El trabajo inmaterial del afecto se caracteriza. estados afectivos. y posteriormente él y Toni Negri en su debatido anticapitalistas (90) libro Imperio. La esfera pública de la vida social. esa industria del afecto. Si. es decir. que se hace cada vez más predominante. multimedia. pues una industria del traslúcida red que ordena la vida social (desde las relaciones entre adolescentes al afecto totalmente incorporada a los modos de producción contemporáneos. ya sea en la banca o en la comida y determinantes. es el trabajo en el modo corporal. de cómo el sistema de relaciones de los objetos articula la se aprecia así construyéndose a la vez que los sujetos que la significan: sujeción y experiencia de los individuos. una uso de un celular o al desplazamiento en la ciudad) sino que en su práctica abren industria que prioriza un conjunto de estados emocionales y actitudes (bienestar.

esto es. le decía uno de los patriarcas de la comunidad gitana de Lleida. Doctor en Filosofía por la Universidad … yo diría que la crítica es el movimiento por el cual el sujeto se atribuye el derecho de Autónoma de Madrid. esto es. Escribía el francés que. Michael. suplantados por otros. y la Epistemología con la finalidad de desentrañar los mecanismos de producción. “Art and objecthood”. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. económicos e institucionales en la configuración y recepción de la cultura de nuestros días. En otra ocasión. canal*MOTOBOY inaugura momentos efímeros de contestación una visión privilegiada?” y acción que no presuponen a un sujeto libre ideal sino que subrayan la condición conflictiva y agonística de la existencia cotidiana de sus participantes. la acción de disentir. además. dichos. y qué entiende por “payos”. En la actualidad es miembro del Sistema Nacional de Investigadores de México. en este caso. especialmente a aspectos sociológicos. la crítica será el arte de la inservidumbre voluntaria. 2006. y hacerlos patentes y vulnerables. de la indocilidad reflexiva. critica. como los proyectos anteriores puestos en marcha por Antoni Abad. “y por tanto propondría. tendría esencialmente como función la desujeción en el juego de lo que se podría denominar. no es una mera suplantación de unas representaciones por otras (una tarea. Decía al respecto que busca “modelar el medio para Museum of Contemporary Art. verano. inaugurando una dinámica de Coordinador del Doctorado en creación y teorías de la cultura en la Universidad de las Américas. La crítica Curare o Revista de Occidente. junio de 1967. que no pueden ser administradas. Su trabajo de investigación se despliega desde el ámbito de la Teoría del arte matriz de producción de la imagen y la conciencia: la práctica social y colectiva. acercarse a ellos y pedirles que explicaran qué es ser gitano. 1984. 72 73 . es la puesta en marcha de mecanismos que eluden el “modo de ser representados”. tecnológicos. Michael y Antonio Negri. Nueva York. libre acceso a la cultura” en el Centro Cultural de España en México. Antoni Abad hacía referencia a su trabajo pasado como Hardt. es colaborador habitual del suplemento cultural del diario ABC y de Revista interrogar a la verdad acerca de sus efectos de poder y al poder acerca de sus discursos de de Libros. Internet. canal*MOTOBOY. auspiciado por el Museo de Arte una palabra. Es decir. es decir. junto con Eduardo Ramírez. Foucault. núm. en sus reuniones y discusiones respecto a las estrategias del grupo para seguir adelante con su trabajo. distribución y recepción en la creación cultural contemporánea. política y esfera pública en el estado español”. en el sentido de Foucault. la política de la verdad (9-10) Contemporáneo de Barcelona/ARTELEKU/Universidad Internacional de Andalucía y a lo largo Antoni Abad narraba en una ocasión un hecho sumamente significativo: “Internet de 2007 ha organizado. los celulares y de internet. Barcelona: Paidós. las relaciones sociales Hardt. 1999. verdad. 2001. como toda novedad. con Sobre arte. la crítica. la comunidad es ámbito de producción de vínculos simbólicos pero también afectivos en un proceso paralelo a los modos de producción inmateriales del capitalismo. vol. Lápiz. En su selección y envío de material visual o de sonido. El uso imprevisto de los medios electrónicos. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. La vanguardia a finales de siglo. gobernados. del sujeto. Brian (ed. no sólo activa una red de resistencia a las representaciones mediáticas del motoboy. D. como todo lo extraño. 26. escultor y a cómo su actitud de escultor caracteriza la manera en que actualmente Wallis. Nueva York: The New trabaja con los medios digitales. Imperio. 2. Como decíamos Referencias antes. permite posicionarse frente a ellos Tecnos. de nuevo. elaboración colectiva de la representación de grupo que incide directamente sobre la Puebla (México). a los jóvenes participantes en canal*GITANO se les ocurrió entrevistar a los patriarcas. Artforum. esta caracterización general: el arte de no ser de tal modo gobernado” (Foucault 8). como primera definición de la crítica.F. De ahí que deba entenderse como un ejercicio crítico a la manera de Michel Foucault. Sus artículos han aparecido en publicaciones internacionales como ARTnews. Ha sido director de investigación en el proyecto “Desacuerdos. sisífica ante la magnitud y alcance de las representaciones hegemónicas del motoboy en los medios de comunicación). Madrid: al evidenciar los mecanismos de poder y verdad. es una crítica de la institución de la representación y no sólo del objeto de la representación. “Affective Labor” en Boundary 2.) Art after Modernism: Rethinking Representation. aparece como una amenaza de desestabilización porque posibilita acciones que no caen. canal*MOTOBOY se activa crucialmente Alberto López Cuenca es profesor Titular de Filosofía y Teoría del arte contemporáneo y como un arte de ser de otro modo gobernado. La crítica. ser un patriarca Foster. Michel. Es una crítica en la práctica de una práctica y no una mera crítica de la representación. Desde este acercamiento. Michael.lo es crucialmente de conciencia subjetiva en la medida en que desata un proceso de que lo usen otros” y concluía con una pregunta: “¿por qué habrían de tener los artistas agencia y enunciación. 5. desarticulan y desvían la finalidad económica de los signos y los afectos en el entramado productivo del capitalismo avanzado. dentro de las reglas de gobierno ya sancionadas. 2005. núm. de Fried. canal*GITANO se convierte así en una herramienta que. siempre en negociación. Lo anterior se lleva a cabo atendiendo Escribe Foucault. instauradas. las “Jornadas sobre nuevas tecnologías y es el diablo”. Madrid: Akal. la condición siempre inacabada.

Ese manifestación de un conjunto expresivo de códigos y señales que pueden significar crecimiento impone a la sociedad como un todo que se tomen providencias concretas un cambio sustancial. se crea un tipo de identidad artificial representan aspectos importantes de la convivencia social y abarcan. una Como recuerdan los analistas sociales. vimos la por parte del exceso de vehículos en el contexto del rápido crecimiento global. de construir una identidad positiva en relación a su representación social y. sobre todo. sobre las que toda la sociedad deberá empeñarse política. “perro loco”. con el objetivo de crear su autorrepresentación. el tráfico. habitantes de las grandes periferias). Ellos se ven y son vistos por la sociedad de diversas maneras: como “motoqueros”. como “perro-loco”. el más conocido de todos. lo que que la ciudad sufrió con el proceso de urbanización –y estrangulamiento de las vías.). de teatro. en parte. cuidar de un cuando el artista Antoni Abad crea por primera vez en la historia de esa categoría nuevo tratamiento geométrico de las calles y avenidas no es suficiente para definir el profesional una oportunidad de reunir a un grupo de 12 “motoboys”. Más que crear muchas veces. el surgimiento de un dinamismo propio. medio de subsistencia. al aplicarlas al campo social. “motoboys”. obras le dio un carácter de cosa y no de sujeto. jóvenes y. Ese grupo los ayudó en el desarrollo de cuestiones planteadas por Resulta imprescindible –y también fue así para nosotros cuando iniciamos el el canal*MOTOBOY y constató. a través de la experiencia de autorrepresentación proceso de curaduría para el proyecto canal*MOTOBOY . las subsunciones de esos nombres esconden una forma de depreciación del profesional. De hecho. los mensajeros. personajes de novelas. encontrar el propio significado de su expresión. por causa de la existencia de esa función en otras regiones de Brasil. para discutir sus principales esos profesionales está intrínsecamente relacionado a las muchas transformaciones problemas y capacitándolos con una tecnología celular conectada a Internet. Surgió en consideración ese modo singular de vivir. En Eliezer Muniz dos Santos muchos de esos casos. como en su trabajo de nuestras ciudades? No hay como negar que en la actualidad los motoboys u otros espacios de la vida social. instituciones a las cuales pertenecen. como parte de la de la sociedad –y esa enfermedad no se combate sin información y conciencia de exposición “Motoboys transmiten por móviles”. de qué pertenecientes a una colectividad. permitiría que su voz instantánea fuera escuchada por toda su comunidad. la idea de propiciar el encuentro entre política y cultura ya formaba parte del desempeñan sus funciones para que la ciudad pueda avanzar. padres de familia. (Weltanchaung) que entonces construyen a partir de esa experiencia. 74 75 . a partir de una forma motociclista sea escuchada.Cultura Motoboy y Políticas Públicas: Interfaces de la Ciudad de “mensajeros”. solo a través de la confrontación cultural esa comunidad será capaz conmemoraciones por los 25 años del Centro Cultural São Paulo. sin sombra en que ellos se mueven. ya sea en su lugar privilegiado. cómo elaboran sus estrategias existe la posibilidad de realizar un cambio estructural. Y esto significa que nos encontramos frente a un característica propia de los procesos de estereotipia social. La intersección entre cultura y política se hizo más clara cuando. “couriers”. cuando tomamos esa Categoría Profesional y la sociedad ensanchan sus fronteras a ojos vistas. documentales y. cómo crean su propia identidad. de qué manera se organizan. Pero surgieron también los degenerativos. por parte de un conjunto de investigadores universitarios y de las su Cultura. esas “reducciones” encuentran explicación exposición de arte? ¿Qué hay de tan específico en esa nueva clase de trabajadores en la forma como se determina al Otro. Se trata siempre de comprender. En ese sentido. tal vez ¿Pero de qué manera comprender el lugar de esos personajes. tal ¿Será que existe una cultura motoby? ¿Cuál es la razón de ver. como en la que corren para reconocerse y ser reconocidos. Reuniéndolos semanalmente. en su trabajo. en los últimos fue la iniciativa de los órganos de tránsito del municipio al denominarlo “motoflete”. sea por la apodo “motoboy” sea discutida por ellos. o. El propio surgimiento de proceso. Esa es una centros urbanos de nuestro país. Esto. varias producciones culturales con esa temática? ¿Nos encontramos frente a usar una tipología que reuniera las principales características de sus servicios. Y que su vida sea contada sin mediaciones. como parte de las clase. en pensarlas? A partir de la lógica de la movilidad de los motociclistas. “motociclistas”. canciones. en primer lugar. etc. repercutirá en todos los ámbitos de su vida diaria. por los problemas de los mensajeros y su lucha para organizarse. durante meses. “deliverys”. lo cual un fenómeno social que todavía no fue totalmente interpretado? ¿Películas. y de qué forma grupo. estamos delante de lo que denominamos entonces el interés. de comprender cuál es un proyecto cultural organiza una forma de sociabilidad antes imposible para ese el nivel de información que nos traen esos sujetos. sea en el campo de la grado de soluciones complejas. entre la imagen negativa. descalificándolo en su ambiente de trabajo a partir de algún estereotipo. inclusive como São Paulo “mototaxis”. y a través de conflicto en los espacios urbanos.que la voz del profesional de esos profesionales. Así. ahora. que viene acompañada de nuevo poder. y el escenario como respuesta. para que podamos considerarlos protagonistas en primer de duda. al años. inclusive cuando se ha tratado de negar el mismo estereotipo. no sólo en relación con la identidad de esos profesionales de mejoramiento. de Antoni Abad. libros. Los propios participantes de esa comunidad no perciben los riegos muchos de nuestros problemas. de la economía.net/SAOPAULO. realizamos un Ciclo de Debates y Filmes. abandonan su propia autoestima implementación de políticas públicas para una mejor calidad de vida en los principales para poder pertenecer a un grupo social (“motoboys”. en el ocio o en la familia. Se trata. De esa forma. en la sociedad. por sus envíos al sitio www. que pasa a tener un estigma en relación a sí propia y al conjunto mayo y junio de 2007. incluso que el de sociabilidad que emerge con el aporte de las redes sociales digitales. de manera que no alcance su propio derecho urbanos que los convierte en sujetos y protagonistas principales de la vida cotidiana a la participación igualitaria en la política o en otras dimensiones.zexe. sino también en relación con la visión de mundo modo es afectada la vida de esas personas (trabajadores. que utilizan la motocicleta como un conjunto de imágenes e intervenciones digitales en el mundo virtual de la Internet. a medida que los diálogos entre para realizar sus actividades. posibilidad de esos encuentros y debates idealizados por el Proyecto.

es graduado en Filosofía por la Universidad de São categoría de profesionales entren en la agenda política de la ciudad de São Paulo. podemos percibir que ellos aportaron un espacio legítimo de formación para la vida cultural de la ciudad. curador adjunto. de manera colaboradora. y además crearon una espectacular herramienta de lucha para reinventar su propio cotidiano. “TRÁNSITO”. esos para las próximas elecciones municipales. Por tanto. Paulo y ex-motoboy. “ACCIDENTE”. Claro está que. como también sobre el destino del canal*MOTOBOY. con publicación por la Internet en tiempo real. y coloca en primer lugar a la ciudadanía a través de la cultura. inclusive ayudándose en los momentos trágicos de los accidentes. Motivados por temas propuestos por el propio a esos motociclistas que ponen en riesgo su propia vida encontramos. pues solo ellos saben qué es el desamparo cuando. notamos que las cámaras fotográficas primero comienzan a revelar la mirada y.net/SAOPAULO-. ya que para ello sería necesario tener una verdadera representación de clase acompañando tales políticas. así. Sentimos. Así. como era de su interés. aguardan la llegada del camión de Bomberos. Para ésto. también es cierto que faltan acciones por parte del Poder Público que indiquen de qué manera los Profesionales Motociclistas crearían una mejor estrategia para ir al encuentro de los intereses de su ciudadanía y del respeto por la vida humana. Su voz no puede callar. tomando en consideración el nivel de complejidad con que necesitan lidiar para resolver sus problemas –hoy existe un consenso de que las soluciones también deberán ser complejas. “TRABAJO”. en el asfalto caliente. se convierten en instrumentos simbólicos para la investigación de esa experiencia: la mirada del motoboy evidencia la “mirada” sobre ese motoboy. al engendrar sus demandas. al participar en ciudad. ante la urgencia de abrir un diálogo protagonizado por el Colectivo de Profesionales Motociclistas entre el poder público y la sociedad civil organizada. entre otras. cuando nos abrimos a una dimensión más estética. mediante la en este proyecto. ese proyecto. cerca de 2. y se transformaron en cronistas de su realidad. si esos profesionales se resienten por la falta de un programa eficiente de prevención de accidentes –con curso de conducción preventiva y formación profesional-. una base sólida de voluntad y comprensión hacia todas nuestras entre fotos. y para éso basta recordar los datos oficiales sobre los elevados índices de accidentes con víctimas fatales en los últimos años-. Cuando vemos una razón de ser en la necesidad de hacerles justicia utilización de la palabra clave “DÍME”.zexe. Vemos surgir una ciudad que se muestra desde el ángulo de los motociclistas. En esos envíos pudimos contar más de 240 colaboraciones. se distanciaron de la lógica de los estereotipos proyectados por los medios de comunicación preponderantes. con palabras clave como “DÍA A DÍA”. el claro objetivo de nuestra curaduría es el de cerrar un hiato –gracias a la ejecución del proyecto www. un grupo. 76 77 . Al probar que tal dispositivo es capaz de generar opinión pública. llegamos a la conclusión de que hasta el momento no hay ninguna garantía de que las iniciativas de los gestores públicos obtengan éxito. Aquí cabe una observación sobre el modo casi tribal con que ellos se defienden en el tránsito. en apenas cuatro meses. Entre otros factores. sino también en usuarios activos de un dispositivo de comunicación autónomo e independiente. por fin. Profesionales Motociclistas hicieron. “REUNIÓN”. se convirtieron no solo en emisores del canal. Y que todo eso pase por la omnisciencia de esa escucha. al hacer con que las reivindicaciones de esa Eliezer Muniz dos Santos. significado para el arte que eleva sobre todo el discurso sobre la calidad de vida en la “FAMILIA”. por parte de todos los involucrados entrevistas con otros profesionales y personas vinculadas a su día a día. vídeos y sonidos grabados. construidas a partir de esos debates.800 envíos. aunque no abunden las investigaciones que asocien el accidente de motocicleta al accidente de trabajo. Así. así. basta captar las imágenes en que ellos discuten. tanto sobre los contenidos del sitio. ellos indicaron claramente que.

a pesar de la persona. En 2001. Surgió en la estera 1 CALDEIRA. de mayor polo industrial del país frente a otras áreas del estado y frente a la región Los profesionales que arriesgan la vida diariamente cargando documentos. el motoboy ser una relación. 50% ganan entre uno y Tales números son apenas estimativas. comercial oficios. 4.000 motoboys. El espejo y el patrón de señalización tampoco son adecuados.5% ruedan de 150 a 200 km por día. los hospitales públicos. del “office-boy” de los años 1980 y aprovechó la explosión de ventas de motocicletas Editora 34/Edusp. segregação e cidadania em São Paulo. casi la tesis de maestría defendida en la Facultad de Ciencias Sociales de la USP. La amenaza La profesión es nueva.3% de los vehículos. encuentra en por el personaje creado. en 2000 había 374. pero que no ve números no informan sobre los accidentados que llegan a morir después. Muchos ya dirigieron motos antes de profesionalizarse y lo que hicieron únicamente fue aliar Los hechos el entretenimiento al trabajo. dificultades de igual magnitud: los problemas enfrentados en el día a día del tránsito paulistano son prácticamente únicos en el mundo. otra ciudad de São Paulo. Según la misma choferes y peatones en el tránsito: estudio sobre el espacio público y la civilidad en la pesquisa. 25% eran motoboys. motoboys tienen hasta 24 años. En la última década [década de 1980]. Y la caricatura es una imagen sensibilizada al frío de una economía que poco a poco retrocedía al cero absoluto-.CET [Compañía de Ingeniería y Tráfico]. la altura derecho del espacio no tan público de las calles y avenidas de la ciudad.8% tienen nivel superior. Las calles no fueron hechas para las Hace años viene “des-apareciendo” en medio a los carros. en aproximadamente Augusto Stiel diez años . el motoboy burla códigos y normas para 150 km por día. ese porcentaje llegó a 8. São Paulo. y 40% de ellos e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo sobre espaço dirigen motos hace menos de cinco años. Surgido en medio del proceso de desreglamentación por el que pasó de seducirlo con la oportunidad de ser “autónomo” y transformarlo en “autómato”. pero que se pretende disciplinar. Teresa Pires do Rio. reglamentación –ni siquiera su nombre es un consenso: muchos prefieren la denominación de “profesionales motociclistas” en contrapartida con el “profesional del motoflete”. propietarios por motos: el pavimento no es adecuado. aproximadamente. 78 79 . con pocas oportunidades de ingresar en acontece en esa construcción cotidiana llamada sociedad. Según una pesquisa del IBOPE encomendada por el Hoy existen. de los cuales cerca de 160 mil eran motoboys. correspondencias y otras parafernalias de nuestro cotidiano burocratizado y coordinador de actividades productivas y servicios especializados”1. pero con apenas una vía de visibilidad. al motoboy le es concedido aprovechó también el cambio del perfil económico de la ciudad de São Paulo. 2000. en Brasil. en casa o en sus muertos diarios. el Leviatán de las relaciones de trabajo trata relaciones. El motoboy devuelve la imagen que de él se construye. en la ciudad de São Paulo. pues la profesión todavía sufre con la falta de cinco salarios mínimos y 31. hubo un aumento de casi 1. Otros 26% solo tienen de uno a tres años público e civilidade na metrópole paulista” [“Percepción y evaluación de la conducta de de experiencia.de 1995 a 2005-. por tanto. Invasor de un espacio restringido. tornándose básicamente un centro financiero. Cidade de Muros: crime.8% del total de vehículos.588 motociclistas en la usan la moto como medio de transporte y 31% para entretenimiento. las motos pesquisa realizada por la CET en la ciudad de São Paulo indicaba que 40% de los eran 2. En Brasil. En 1996. metropolitana como un todo. Según CET en 2006. designación no muy popular debido a su carácter excesivamente “materialista”.800 motociclistas entrevistados en las calles de la ciudad. mucho mayor. todo pasó a ser realizado por motocicletas. De la naturaleza simbólica de la motocicleta nace el mito del patrón de muchas metrópolis alrededor del mundo. São Paulo pasa por un proceso rebelde fuera de la ley que patea su propia imagen en el espejo retrovisor de los de tercerización.000% en la venta de motos en el país. El profesional motociclista es producto de intrincadas claxon-. la impresión de quien anda o dirige por las calles de la ciudad es que suplir una demanda de mercado. valores. “Percepção la mitad de ellos (49%) aprendió a dirigir sin pasar por la autoescuela. según la CET. de Alessandra Olivato. en 2000. La magnitud de la tragedia es. muestra hasta qué punto la falta de la proporción de motoboys es mucho mayor. el modelo de las calles no es adecuado. 43% metrópolis paulista”]. El joven son entonces agrupados en una categoría creada contra su voluntad. Lo inédito del fenómeno acarreó Un espectro ronda el tránsito – el espectro del motoboy. En 2006 murieron en la ciudad retrovisor de los coches revela la imagen fugaz de un personaje cada vez más 380 motociclistas. Un fenómeno mundial. Según datos de la Companhia de Engenharia e Tráfego . desobediente. como un papel que algunos abrazan con placer: el del delincuente sobre ruedas que nada explica Teresa Pires do Rio Caldeira en su libro Cidade de Muros: “Siguiendo el mismo obedece o respeta. un vehículo que poco se veía veinte años atrás. Por el capitalismo de cuño liberal en las últimas décadas del siglo pasado. de los 1. Al rodar de 100 km a presente.En el espejo retrovisor ocurrida en la última década del siglo XX. pues es su única manera La cultura creada a lo largo del tiempo no absorbe la presencia de las motos de ser visto: personaje que no se ve ni se escucha –más allá del eternamente irritante en medio al tránsito citadino. cosa de 20 años. aproximadamente 170. Lo que escapa a la un mercado de trabajo en transformación –y que se encogía constantemente expuesto categorización se transforma en caricatura. como siempre egresado del sistema público de enseñanza. La mayoría es joven: 59% tiene de 18 a 29 años. la ciudad perdió su posición vehículos que coinciden en el espacio cada vez más exiguo de las calles de la ciudad. Pero es importante recordar que esos reglamentación acarrea problemas a un país que se piensa pacífico. la motocicleta una oportunidad de ganancia e independencia harto atrayente. De éstos. 26% de los motociclistas pesquisados son motoboys –de los restantes. Otros compraron una moto en alguno de los muchos consorcios y fueron a la lucha.

coche. tránsito. fuerza todavía más su ingreso en la ciudad al disputar espacio en el tránsito. Dado el carácter frágil del cuerpo condicionada. al contrario del accesibles presentan pocos dispositivos de seguridad. Como ejemplo de lo al proceso de redemocratización nacional: con la democratización. optimizando para poder parecer ser. él devuelve al espejo de quien lo denomina “bandido”. atento al otro en el coche. o sea. para el motoboy. La mirada el motociclista cae e inmediatamente es atropellado. pertenecer. Los eternos trabajadores cotidiano de la ciudad. varios autores hablan hoy de la El problema sociedad industrial como sociedad de consumo por excelencia: de cierto modo. sobre todo. que penetra en el espacio que no le pertenece por derecho. la fatalidad muestran valores diversos para la vida humana: parece que. son los espacios pensados la producción. el invasor de un espacio físico –el la fruición. Se invierte entonces el dicho de de bomberos estima que a cada diez salidas para un atendimiento de emergencia. equipamiento se transfiere al Estado. Muchas los tabloides televisivos diarios. geografía “política” de la ciudad que circunscribe en un “centro expandido” su gueto 80 81 . São Paulo. ágil como es. por ser históricamente segregadas. gracias redes de solidaridad creadas por las familias o por los vecinos. que es regla en la sociedad desigual. la moto es chocada lateralmente. pós-modernismo e identidade. seguro de la moto o seguro de vida. al parecer no existe consenso. El motoboy es. escapando así de los sindicatos nativos y del precio de la mano de para esconder. tal como la SESC/Estúdio Nobel. los motoboys representan. habla del consumo de “marca” o de “actitud”. es forzada a ver a quien nunca vio: expuesto. En el imaginario nacional motocicletas todavía usan un sistema de freno a lona. al tiempo que sedimenta la opción de la ciudad por su geografía excluyente. y no con su empleado sobre la moto. Varios “invisibles”. pierden su trabajo. después. generalmente las heridas son graves. la aplastante mayoría de los accidentes invisibles sobre la motocicleta se tornan incómodos al desafiar la mirada atenta del fatales ocurre debido a colisiones laterales. lo que es agravado por la enredo cotidiano de las novelas policíacas que rellenan la indignación profesional de gran cantidad de motos sin condiciones de uso que transitan por la ciudad. los pasillos exclusivos exprimieron a los automóviles. pero muere. un reflejo de la que habitan lo cotidiano. como estadística. buscando en los países “en desarrollo” el local ideal para la obtención de por sí misma. haciendo más difícil construye casas. Según datos de la CET. que moviliza su infraestructura para cuidar de Permanece la incomodidad de algo que no se explica. ya es uno de los centros mundiales una sociedad puede convivir con uno de esos espectros rondándoles la civilidad? de amputación de miembros inferiores –una de las áreas del cuerpo más afectadas en las caídas de moto. Sería más importante. Montado en una motocicleta. A la hora de accionar el freno de emergencia. jerarquías en una sociedad cada vez más democrática y con partes cada vez mayores de la población con acceso al consumo. más moderno. como incómodo. O desmanche da cultura: globalização. Las motocicletas más sumiso se convierte en bandido para después morir. y reflejan el ordenamiento simbólico de la sociedad. En el caso de los ser algo que sea fácilmente verificable. naturaleza: la motocicleta. Mike. Para mantenerse. De ese modo se cristalizan los tiempos distintos de los distintos ciudadanos. reglamentados en 2000. por tanto. en detrimento del sistema eso significa ser lo opuesto del “bandido”. pues es trabajador. Las categorías profesionales cuyo discurso se encuentra traspasado por 2 FEATHERSTONE. espacio ése tradicionalmente reservado a los productos de la industria automovilística Tal disposición espacial se encuentra también en los pequeños espacios segregados que impulsó al país desde los “50 años en 5”. pero garantizaron el en categorías sociales previamente definidas. o colabora en la refección de un vecino desempleado. amplía habitaciones. se ampliaron que acontece en las eternas periferias paulistanas. También por pertenecer a las clases sociales tradicionalmente Si se accidentan. de varias presentan secuelas para el resto de la vida. de Juscelino –en verdad.así como de un espacio simbólico –los espacios jerarquizados de la sociedad. Mike Featherstone2 En cuanto a las soluciones para el problema del tránsito en la ciudad y. la entrada –o área. conecta energía clandestinamente. la a disco. solamente 7% de los motoboys eran La mayoría de ellos no tiene seguro médico. El servicio de rescate del cuerpo primero. mientras tanto.“de servicio”. por ejemplo. cuida del una distinción social clara y posibilitando una mayor movilidad dentro del ambiente hijo del vecino que necesita trabajar y no obtuvo plaza en el único jardín de infancia urbano. Trabajar sin aparecer significa habitar el lugar de la producción. 1997. También el espacio: los pasillos El motoboy gana lo suficiente para poder consumir y. por tanto. La misma Teresa Pires do Rio Caldeira se refiere a la dificultad de establecer cercano. entonces. No obstante. la De los depósitos de mano de obra barata surge. es la solidaridad comunal la que también los accesos de las personas a los bienes de consumo. en el cual el consumidor de hoy necesita consecuentemente. De ahí. Por segregados imitan la separación meta-física entre quien toma el autobús y quien usa otro lado. además de la salud o de un miembro. el motoboy es un trabajador. y no de lucros cada vez mayores. una amenaza al ordenamiento simbólico de la ciudad. Marx: el motoboy es primero farsa para después convertirse en tragedia. El Hospital das Clínicas de São Paulo. invisibilidad. Y por cada víctima fatal de un accidente con motocicleta. a través de códigos visuales que lo inserten autobuses. la convivencia diaria con su calamidad instaurada en el tránsito de la ciudad produce 19 heridos y 6 incapacitados. El servicial tres son para rescatar a un motociclista herido o muerto. todos somos ambiciosos en la medida en que consumir es imperativo. que es nuestro “vagabundo”. moviéndose entre los automóviles habitados por quien necesita que Pero los accidentes revelan la dificultad de inserción del motociclista en lo determinadas cosas sean realizadas en determinado tiempo. un rebelde por imagen de libertad e inconformismo tradicionalmente asociada a la motocicleta. Significa. Primero. el costo del ecuación simbólica que no se cierra: no es bandido. perpetuando la noción mágica de que la sociedad consigue funcionar obra local. el tiempo de quien tiene que llegar antes y salir después. conductor. Por constituir parte de un universo informal. real posibilidad puede revelar la falta de capacidad de la sociedad para administrar el bienestar. tener transporte de los millones de periferizados hasta sus centros de trabajo. Algo que no se entiende. En verdad. ¿Cómo la víctima. El cuarto estrategia global de la industria automovilística de reducir los costos al descentralizar “del fondo”. muchos dependen de maneras. la A pesar de que la muerte es el destino humano.

El Ciencias Humanas de la Universidad de São Paulo. El motoboy accidentado aparece en los noticieros gracias al agravamiento realizado en 2002. pues se encaja en otro sistema de valores simbólico –o no encuentra lugar tanto vehículo para el ocio es distinta de la motocicleta para el trabajo: la sociedad definido para encajarse. lo que ve o lo que quiere con las imágenes que produce. atrasa la rutina de la ciudad cuando realizado en colaboración con otros dos alumnos. al sudor y a la suciedad –que Corresponde pues a la mirada deseducada. Este riesgo físico queda pues en manos de quien a él de su discurso. esos carapachos herméticos de comodidad regulada. Accesorio indispensable por ser ese punto. expuesto al humo y al hollín. del artista plástico catalán Antoni Abad. lidia con lo indeseable –acto agravado en una sociedad históricamente segregada. que posee índices Augusto Stiel Neto. que domaba a la publicación de lo privado invierten relaciones y solapan la posibilidad de un pacto naturaleza y la sobrepujaba –colocándola a su servicio-. La mirada extranjera es aquella que no participa del conjunto de normas específicas fetiche del hombre moderno. El motoboy. crea y vigila según sus propias normas. La privatización de lo público y la medida que el proceso histórico fue tomando el rumbo del intelecto. y trataba sobre los motoboys de la ciudad sale de su rutina invisible. Por eso el extranjero reglamentarias u otro tipo cualquiera de regulación-. choca con la cuestión de que la invisibilidad del última tuerca de una gran máquina. loka”. al uniforme. etc. o en qué mundo él las fuerzas de la física son absorbidas por el costo de la tecnología de seguridad. carrocerías proyectadas para ciudad. Pero como el sujeto del ordenamiento social. mágicamente mostrar quién es. sino de organización social. lo que y del sudor. Capturando las imágenes de su cotidiano. con las calles y avenidas. Esta participación fue fruto de un trabajo académico los números. el acceso a las comodidades y oportunidades es demasiado restringido. Se transforma en caricatura trágica. sin ofrecer oportunidad alguna al Quien se percibe excluido de esa parcela de civilización puede optar por no compartir observado. y autosuficiencia se unen para decir que conciencia y democracia no se separan. el caso de las motos. una idea “fuera de lugar”: es lo que se hace aparente en el trato de la valoración de la vida humana. Tales tipos de actividad fueron continuamente rebajadas. siendo seleccionado para participar en el proyecto del Núcleo de Antropología Urbana de esa misma institución. Gracias a tal parafernalia. garantizan una sensación de debería cumplir su misión civilizadora y retornar al gueto. separándose cada vez más de su origen y. manifestando el orgullo provoca la injerencia en las cosas más básicas. Las leyes son hechas para él. manuales. así. Letras y del tráfico de una ciudad cuyas arterias no soportan más la savia que transportan. en sus principios. por mensejeria puede mostrar lo que ve de la manera como lo siente. resignándose frente a la fatalidad o rebelándose: la muerte en la cola un discurso que viabiliza y refuerza ordenamientos ya previamente establecidos. Participó como invitado en el proyecto canal*MOTOBOY. para que el motoboy sea visto. diariamente deformarse bajo impacto. La curiosidad del circunscribe al entretenimiento –el período de no-trabajo merecido después de las horas extranjero devuelve imágenes que muchas veces no vemos. En ese momento. La civilización del trabajo intelectual tiene como tradición rechazar las tareas la noción de “público” y “privado” refleja la quiebra de un proyecto unitario en el cual musculares. La sociedad que opera como “por encanto”. De ahí la creación de más leyes para tratar de normatizar lo caótico. solo consigue alcanzar tal efecto. pues con su mirada desestabiliza toda una construcción social. aunque sea por la fuerza de en 2007. en el Centro Cultural São Paulo. inclusive a altas velocidades. a la ciudadanía es una expresión de un consenso. está al final de una compleja cadena productiva: él es el responsable por la mundialmente aceptado como eficaz. sigue el rumbo de la mirada. para no ver. comenzar a producir su propia caricatura. es bachiller en Comunicación Visual por la Fundación Armando Álvares diferentes conforme se aproximan al centro geográfico de la metrópolis. en cinturones luminosos. El turista descubre lo que el nativo apelo no conformista. comienza a ser percibido. Se convierte de São Paulo. cuyo ideal de igualdad de derechos es apenas retórica. El creciente nivel tecnológico permitió que los automóviles asumieran un riesgo En ese sentido. Falta saber en qué mundo vive ese extranjero. En el “centro expandido”. en caso de colisión. Unas “prenden”. En piensa vivir. igualdad Penteado (FAAP) y bachiller en Ciencias Sociales por la Universidad de São Paulo (USP). el motoboy es el extranjero eternamente presente en el tránsito de la cada vez más elevado. Es el individuo que no debería aparecer allí. El desafío a las leyes puede ser visto como una afirmación. desajustados de la privacidad de cada inmueble que invade el espacio de las calles. Más allá de funcionando sin producir detritus de cualquier especie. Se llega. como en el caso de innumerables trabajos esenciales a la sociedad que. todo el mundo. ser el heredero del antiguo botones.de civilidad. El individuo bajo el casco de “motociclista” puede más bajas de la pirámide. no penetra en los automóviles. y ahí queda la sorpresa de lo inusitado. El trabajo “Por el espejo retrovisor” fue motoboy que agiliza servicios y acorta plazos. En una ciudad donde las aceras son mosaicos opción posible. finalmente. Frenos “ABS”. 82 83 . el nuevo personaje cotidiano que ronda el tránsito pues ese “encanto” está asegurado por la mirada que ignora violentamente a quien en su moto puede. invisible. son reservados a las clases más allá de la mera estadística. Y con la historia. el “profesional de la se sujeta. al contrario. la muerte gana notoriedad. de un puesto médico o en la esquina de una avenida se transforma en hecho de vida. Su trabajo lo obliga a relacionarse continuamente motoboy no es un problema de reglas de tránsito. además de la única Otras simplemente desaparecen. tornándose visible lidiar con lo que se considera “degradante” o peligroso. como tantos millones en seguridad. otras se transforman en moneda a pesar de las promesas –o un slogan que habla de la opción por ser outsider: “vida de cambio entre los representantes del poder y quienes a él deben someterse. en el departamento de Antropología de la Facultad de Filosofía. La naturaleza de la motocicleta es otra –de ahí su sobre las que momentáneamente pasa la vista. Aquí. distanciándose de la suciedad social. y posteriormente publicado por la revista de la Asociación en titular de periódico. sino que.. la motocicleta en no ve. entonces. nuevos materiales. con del camino recorrido. “airbags”. Sobre el motoboy incide la mirada que busca encajarse en un sistema. los propios límites de su concepción transfieren el De la unión entre extranjeros surge la oportunidad de dar al “motoboy” el control riesgo al cuerpo del motociclista. pues la mirada educada Nacional de los Transportes Públicos (ANTP). puede ser peligroso. los arrebatos de originalidad. la tarea de observar y sorprenderse.

por ejemplo.net vez que sepan cómo usarlo. cuando recibo tiempo. Eso pasó porque allá tuve la oportunidad porcentajes. y con todos esos colectivos que ya transmitieron a www. pero también mediar la se organice y comience a hablar. Éso. No obstante. de las operadoras. en el caso de informática. en que descubrí que proyecto.net organizaron. Enseñar a esos colectivos cómo usar las herramientas. estarían excluidas. siempre me he VINÍCIUS: Antoni. El espacio donde ese proyecto invitaciones para realizar proyectos de instituciones artísticas. Es ésa la dirección de mi trabajo en ANTONI: En esos proyectos. Tenemos por colectivos consigan autorepresentarse a través de la tecnología. 84 85 . en São Paulo. Un 30 o 40% que publican regularmente.zexe. VINÍCIUS: ¿Después del momento de la presentación de los proyectos en el Entrevista con Antoni Abad para el Forum Permanente. y. modelar el dispositivo. los motoboys. de reencuentro con lo real? VINÍCIUS: Me parece que por un lado tenemos el “desvío de recursos” de las ANTONI: Creo que esa decisión parte de una decepción que tuve. hacia un territorio que me parece mucho MOTOBOYS TRANSMITEN DE MÓVILES más cercano a la sociedad. los últimos 5 años. Quizás podría decir que llegué con herramientas de vez finalizada la parte “artística” del proyecto. para mí el mayor éxito comienza cuando termina ese patrocinio que viene del 12 DE MAYO A 10 DE JUNIO DE 2007 mundo del arte. y el colectivo decide organizarse para dar continuidad al proyecto. normalmente. no es el Centro Cultural… aquí sólo tenemos de experiencias. es mucho más importante obtener difusión. más social. es llamado “instalación”.canal*MOTOBOY un principio estaba prevista para el arte. ocurrirá lo mismo con Ronaldo o con Luis. en la cual éstas ganan a comentar su sociedad? ¿Por cuál motivo? Sin respuesta para esa pregunta mi visibilidad en un espacio del que. porque ellos ya se móviles e Internet. Los taxistas de México. ANTONI: Mi inicio fue como escultor. Porque. Entre un 10 y un 15% se interesan e implican mucho en el llegó un momento.zexe. Y finalmente encontramos a algunos podía aplicar esa combinatoria que utilizaba en las esculturas para transferir todas que no hacen nada o que sólo fueron para conseguir un móvil gratis. La composición de hasta el inicio de la colaboración con los “colectivos”. ¿cuál sería su papel en esos proyectos? ¿Crear sus preocupaciones o de su día a día. al mismo de hacer esto porque tengo una trayectoria como artista. también el papel de facilitador o mediador. por parte de la institución. y todavía instituciones para patrocinar esos proyectos. sobre la función del artista en la sociedad. para que fueran útiles a otros colectivos que así quizás conseguirían tener la oportunidad de expresarse. Pero eso es ya VINÍCIUS: ¿Cómo usted entiende ese abandono de las obras de arte y la tentativa otra cosa: una cuestión de amistad. al CENTRO CULTURAL SÃO PAULO final. ¿Cómo entiende usted trabajo tomaría otra dirección… Tenía que hacer lo posible para modelar redes como el proceso de traducción o apropiación de esas dinámicas en el espacio institucional? Internet y la red de celulares. Tengo la posibilidad un lado un proyecto que critica a los medios de comunicación. Mi papel consiste por un lado en desviar esa financiación que en una mesa de reuniones donde los motoboys se encuentran una vez por semana. mi hermano. ¿Por qué un artista es autorizado de dinámicas sociales existentes para la esfera institucional. Ellos necesitan de una instalación. Naturalmente. si voy a México me encontraré otra vez con Don Facundo. que pretende tener un ámbito un dispositivo concebido para poder conspirar. crearon una asociación específica en el ordenador de los usuarios. en el cual ciertos esos canales sean vistos por el mayor número posible de personas. Entonces. De entre esos esas ideas al territorio del vídeo proyectado. háblenos un poco de su trayectoria artística encontrado con grupos humanos que responden a ciertas pautas. los que representan el 10 o 15% son aquellos que quieren continuar. Algunos de los participantes se organizaron escultor o de relojero. Se trataba de la Fundación Latinoamericana del Transporte Público. Del otro lado. usted mantiene algún contacto con los colectivos? Spricigo en 15 de mayo de 2007. en las que hablan de VINÍCIUS: En ese sentido. tenemos también la reconversión tengo. cuando estuve en el Banff Centre. del mundo de las compañías. Mi relación posterior con esos grupos es esporádica. realizada por Vinícius espacio expositivo. se representen a sí mismos. ANTONI: En los siete proyectos realizados hasta la fecha. Después comencé a trabajar con los panamericano. hasta que finalmente hice un proyecto con una mosca virtual que vivía de las personas de Barcelona con movilidad reducida. Trabajé muchos años con escultura. y una www. pero que. una de acceder a esa tecnología. Es relación entre los colectivos y la esfera institucional? en ese momento cuando aparecen los medios de comunicación y entrevistan a los ANTONI: Lo que estoy haciendo consiste en desviar recursos que fueron participantes. que fue el primer proyecto. Una vez que se consigue que ese colectivo condiciones para que esos individuos tengan voz propia. Pero también tenemos a los dos grupos de gitanos de correo electrónico en Internet… Eso produjo un cambio… Estuve casi diez años que ya participaron del proyecto en España y también a las prostitutas de Madrid. ya puedo partir para el próximo colectivo. que generen sus propias noticias. en Canadá. pero en una clase de una escuela. propongo ese tipo es mostrado no es el espacio artístico. los grupos responde a los niveles de participación que suelen encontrarse. en este caso. por otro. Es entonces cuando se consigue que destinados al arte y a la cultura hacia otro territorio. que escondía a una comunidad distribuida de tal para continuar el proyecto. y salí con cintas de vídeo y también con mi primera dirección para dar continuidad a sus canales. en primer lugar. que aparecen en los medios de comunicación siempre por su imagen negativa. necesita de esos medios para ser difundido. que trabajando en esos proyectos de proyecciones en el espacio y también con programas consideraron que ya habían dicho todo lo que tenían que decir. la primera labor es conseguir que esos colectivos. crearon forma que no se podían interceptar las comunicaciones de sus usuarios.

por lo que percibí. Cuando usted afirma que esas herramientas de comunicación permiten que los principalmente. no existe ningún equipo que describa las imágenes a posteriori. Sin construcción de un sistema que partía de ciertas clasificaciones de la sociología o de embargo. etc. Vamos a pensar en los trabajos que quedaron estigmatizados por la estética relacional. nunca invitaría a doce motoboys proyecto zexe. principalmente en el proyecto de los motoboys.que sería importante motoboys tengan una representación de su propia comunidad sin pasar por el filtro de describir esas publicaciones. a todos los motoboys. creo que es el momento en que los motoboys vimos que algunas de las publicaciones de los taxistas de Ciudad de México podían comienzan a interactuar con el resto de la sociedad. clasificar esas visiones. Vale decir que. Entonces. un canal abierto significa que existe la posibilidad de abrir el canal para esfuerzo intelectual de los emisores. como usted vio a esas comunidades. con la posibilidad de escribir sus comentarios sobre uno de los descriptores que más aparecieron fue Camaron. Hasta ahora. mi autoría está en En principio. ciertamente se trata de un aspecto positivo. Y creímos -digo creímos porque eso fue conversado.zexe. diálogo y negociación en la construcción de esas espacio. el proyecto. Cuando ANTONI: Sí. veo que. por ejemplo. las personas que visitan la web. si se consigue que los motoboys hablen por sí mismos. Eso quiere decir que la representación. ni yo pertenecían a la comunidad artística. ¿Existe una preocupación. Ese descriptor era alguien especial y bien específico broadcasting -o webcasting. digamos estética. sino que son los propios motoboys comentario negativo. Porque creo VINÍCIUS: La última pregunta. hay que ceder. El proyecto tiene lugar en Internet. Las posibilidades trabajos versaba sobre la creación exclusiva de espacios de consenso y nunca un espacio de edición son muy simples: sólo se puede agregar más texto y borrar o cambiar de disenso. Tenemos todos esos canales individuales donde los motoboys están bien conocido en todo el mundo. ¿sabe lo que quiero decir? Esa combinación de arquitectura entre los responsable del proyecto.net integra todos los resultados de esos diferentes proyectos. a final de cuentas. hubo una preocupación con el VINÍCIUS: Estoy pensando en el espacio institucional en un sentido más amplio. Hasta ahora tenemos unas individuales de los motoboys pueden ser abiertos también. enfocada en la antropología. ¿Cómo para hacer un proyecto. Usted también representaciones? ¿Para el espectador. porque a partir del primer proyecto en México.net. espacios y actividades. Consideramos entonces que de alguna manera sería interesante VINÍCIUS: Vamos a tomar un aspecto tecnológico para ampliar esa cuestión. descriptores. porque cuando envían una imagen tienen que que otras personas puedan intervenir en él. 86 87 . con el programador del proyecto. No existe un Ya recibimos muchos comentarios. digamos artística. son totalmente libres. tenemos una frase que de los contenidos transmitidos por los colectivos? dice: proyecto de Antoni Abad. como el dispositivo. que serviría para clasificar las actividades humanas en un diccionario el broadcasting de los registros de la realidad cotidiana de los colectivos. Eugenio Tisselli. Es necesario hacer éso para que el proyecto sea viable. por ejemplo. ya que todos los participantes del trabajo la posición de los mensajes. objetos. también colaborador del proyecto. De alguna manera. en los dos canales de los gitanos los que envían esas palabras clave en sus mensajes. hay que divulgarlo. el trabajo reafirma el lugar de exclusión de esos sujetos. pero creo que. esas palabras clave. También existe otra posibilidad. Cuando se abre al resto de la sociedad. los autores son los motoboys. un cantaor que ya murió. Tenemos un forum abierto para la participación de todas experimentaron por primera vez esa posibilidad los gitanos de Lleida. diseño. extrañamente. de edición y del contenido? Por último. prácticamente no existe. a veces. al final. sería mejor. Tenemos por otro lado canales de interpretación. por ejemplo. hubo dos visitantes. Si es que es una autoría. Es uno de los experimentos tuvimos muchas intervenciones que atacaban a la comunidad. pero tampoco queda claro qué son los doce motoboys participantes. que no permite con cuatro ramificaciones importantes: seres. en el VINÍCIUS: ¿Existe. Como decía hace algunos invitadas a participar mediante una interpretación de esos contenidos. usted puede escoger una palabra que describa esa imagen. y los programadores.pero el proyecto sucede en Internet. Los canales que estamos llevando a cabo en el canal*MOTOBOY. esos tags. así que decidimos cambiar totalmente el dispositivo. cuando estábamos junto con Augusto Stiel Neto. Usted. el espacio creado por esa tenemos la posibilidad de editar esos contenidos. Resultarían difíciles de entender porque utilizan lenguajes específicos corredor donde circulan los motoboys. Hoy vimos en la “instalación” que solamente sin embargo la mayoría prefirieron tener sus canales “cerrados”. por tanto. con y cierto modelo de sociabilidad predefinido. en los cuales algunos artistas proponían una arquitectura específica ANTONI: Los emisores publican directamente del móvil en sus canales. y ahora esos que tenemos es un forum abierto. proceso de integración de los resultados. dentro de la terminología de ochenta palabras clave que “describen” los mensajes publicados. o sea. En las invitaciones del proyecto. es hecha por las propias comunidades. definir el contenido de esas imágenes. la apertura no estaría reducida al comentario se refirió a la apropiación. Ni Eugenio Tisselli. en un ámbito que sobrepasa el ser crípticas. Pero. Hay que hacer algunas usted ve esa tarea más allá del registro. lo permite. aunque también pensamos que quizás podría ser muy rígido. En fin. pues son publicados en directo arquitectura de la información solamente permite el acceso a los individuos que pertenecen desde los móviles. del colectivo emisor. en el sentido de proyectar una que abarque también esa arquitectura de la información que usted ofrece ya como algo forma de visibilidad a los colectivos? preformatado. el programador del proyecto. Así llegamos a la los medios masivos de comunicación. Ofrecí esa posibilidad. más preciso. minutos. la única cosa que yo cuestionaría sería la estructura del proyecto. No había espacio para “el otro”. donde las personas se pueden interrelacionar. Eso que otros segmentos de la sociedad expresen su percepción de esa representación. Cuando se publica una foto. naturalmente. ¿cuál es el papel de ustedes en ese celulares e Internet es mi única autoría. les permitiría a los usuarios del dispositivo hacer sus pesquisas de acuerdo con ese diccionario. Eso implica un www. propiamente de la edición de ese contenido? concesiones. también sobre el lado tecnológico es: el portal del que el Centro Cultural São Paulo. Esos son canales de interpretación donde otras personas podrían ser ANTONI: Creo que lo importante es abrir ese espacio. hace poco. Al final se acaba construyendo un escribir su comentario. lo de esa comunidad. una de las críticas realizadas a esos alguna posibilidad de edición realizada por los propios motoboys.

Museo de Arte ¡porque las hay! Contemporáneo de Castilla y León 2005. a reunirnos con varios motoqueros. Lleida 2005. vamos a ver.1. Veremos lo que pasa. Barcelona 2006. imagino. La Casa Encendida. pero el ejemplo podría ser: sincero. Entre los meses de septiembre y octubre de 2007 se llevaron a Esos términos que ellos están usando no son más de ochenta hasta ahora. un ¿Qué es el canal*MOTOBOY? casco-. Museu d’Art que queremos. a participar de este Proyecto. en verdad. y una comunidad con serias necesidades de hay algunas decisiones estéticas. Beiço.net 88 89 . Una creación de de la publicidad. En definitiva. Antoni Abad. y se fue abriendo espacio. que juntó la posibilidad de apertura. en cosas una persona. nacido en Lleida 1956. Centre d’Art La Panera. que está creciendo mucho. Para responder a esa otra pregunta. Austria 2006: así el Canal. Lo que sigue esa información. pero me fue gustando y hoy estoy aquí. Y también una forma de hacer más una postura activa de crear un sentido para sí. sea capaz de generar conocimiento colectivo. El artista tuvo el coraje de llegar hasta allí. El proyecto canal*ACCESSIBLE que ya tenía contacto con el artista español./MOMA. Eso es también una representación para la difusión… Imagino que es algo que viene Eliezer Muniz dos Santos: El canal*MOTOBOY es una idea. ¿Adonde nos llevará eso?. Que todo el mundo pueda conocer el cuando llego a una sala de exposiciones y veo un Cibachrhome perfecto de una día a día del motoboy. que muestren muchas cosas erradas de la calle. Y por donde quiera que voy trato de pasar a otros motoboys lo que estamos aprendiendo en la calle. www. Madrid 1997. y una presentación de sí para la amistades. Pasé varias semanas solo participando.zexe. personas que trabajen bien. Ronaldo. es una selección de algunas de sus consideraciones. Centro Cultural de España. Como también para desarrollar la informática. Berlin 2002. lo más simple posible. pero de cualquier manera serían ellos mismos los que editarían u organizarían del canal*MOTOBOY en el Centro Cultural São Paulo. con una cámara bien Keila Muniz dos Santos: Un instrumento de visibilidad.S. Estamos aquí para aprender un ANTONI: Creo que sí. y están ellos mismos asumiendo mostrar la vida de los motoboys. Si alguien tiene la vistos y se ven. para la identificación de las publicaciones en adhesivos. Centre d’Art Santa Mònica. Que las personas puedan conocer mejor nuestra vida. en todos los canales hay más o menos un logo. surgiendo de Cataluña i el Golden Nica Digital Communities del Prix Ars Electronica de Linz. fotografía de una construcción precaria en una favela de Rio. Franscisco Djalma Souza: Cuando fui invitado por mi cuñado. Queremos personas de responsabilidad. nuestro trabajo honesto. quizás. el lado de las fotos. él me dijo que era un Proyecto que mostraba el día a día del motoquero. es necesario divulgar… y en eso las nuevas medias tienen de mejor. MECAD/ mucha gente mala. ¿Usted cree entonces que los individuos cada vez más están dejando de delegar en la institución Andrea Sadocco Giannini: El canal*MOTOBOY (creo que sea) es un canal para y en los artistas el papel de su representación. Se identifican en sus pares. Fundación Teorética. hacer esa foto y después reproducir belleza. Y creo que es todo comunidad? eso y un poco más. VINÍCIUS: Para terminar. Brasil 2007 y en internet. No lo sé. “tránsito”. Media Lounge/New lo que le interesa mismo es el dinero. vive en Barcelona. y muchos de ellos ya se interesaron por el Proyecto. Su día a día. 1ª Bienal de Sevilla 2004. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. como “accidente”. el canal*MOTOBOY es un instrumento de comunicación entre la sociedad y los motoboys. Karlsruhe 1999. pero que son lo más simples posible. expresión. que a veces quiere entrar en una cosa. y que todo el mundo pueda prestigiarlo. y empezamos a conversar en el Centre d’Art Santa Mònica ha recibido el Premio Nacional de Artes Visuales de la Generalitat bastante. que el objetivo sería ése: que los propios colectivos se poco más y cada día desarrollar un poco más. Estrecho dudoso: Tráficos. Centro Cultural Sao Paulo. Madrid 2005. donde sus actores son grande. un poquito. La cosa va por ahí… comuniquen poco entre sí. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. o trata de ir por ahí. Rica 2006. y algunos cabo conversaciones con distintos participantes y colaboradores ocupan un lugar bien alto en el ranking. Y aquí en el canal*MOTOBOY no es eso lo Museum of Contemporary Art. aunque se posibilidad de representar esa favela son sus propios habitantes. a partir de palabras claves del dispositivo o de sus publicaciones. del fotógrafo dentro de cada motoboy. México DF 2004. autorepresenten. Estamos necesitando. Solo que para eso tenemos que Sus proyectos han sido presentados en el Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. P.diccionario de términos que. que trata de representar el dispositivo -en este caso. VINÍCIUS: Gracias. Contemporani de Barcelona 2003. Me interesé bastante y vine. volviendo a la cuestión de la institución. porque el mundo de hoy tiene Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. fuerza de voluntad de cada uno de los motoqueros. un casco bien simple. New York 2001. saber escoger a algunas personas para poder trabajar. pienso: ¿qué es éso? ¿qué quiere decir?. Y aprender. mostrar el día a día del motoquero. ¿verdad?. la primera idea que creo se podría tener de un motoboy. New York 2003. pero ZKM’net_condition. mal intencionada. soy uno de los miembros del canal*MOTOBOY. todavía sin móvil. Hamburger Banhof. O sea. de un empujoncito más para engranar la Antoni Abad. San José de Costa Cleyton Pedro Perroni: Llegué al Proyecto a través de un amigo mío. en este caso un artista. ¿Cómo conoció el Proyecto? ANTONI: Gracias a usted. lo que que sirven para divulgar la experiencia. se perciben y son percibidos.

y después que el artista volvió conductores. Tuvimos que rompernos mucho la cabeza hasta que el vale estudiar ingeniería y después ir a montar las carreteras y autopistas a la manera grupo encontrara una dirección. todo. Eso fue lo que me incentivó más a comunidad? De serlo. mi interés fue en primer lugar el de dar en esta historia. escuelas. En segundo lugar. También nosotros tenemos que ver a quien está pilotando. O sea. los motoboys. si eso está siendo trataba de definir lo que haríamos a partir de ahí. Entonces ellos pueden También lo hacemos de nuestro día a día. sino también acabé involucrándome. Y notamos. cursos. los nuevos participantes deben tener un la coordinación de los Debates y Filmes que pasarían junto con la exposición. Espacios del ayuntamiento. Porque no solo hacemos fotos de la calle. Claro que tuvimos estrés. bien que mi intención no es mostrar accidentes. y puedo decir que participo de ella. ¿usted entiende? Tanto accidente –si Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Con certeza. de vida a toda hora –como yo corro riesgo de vida en el tránsito. corriendo riesgo Cleyton Pedro Perroni: Bastante. contacto con personas de las que solo oía hablar Adriana Maria de Oliveira: Bueno. mucha gente inteligente. Andrea Sadocco Giannini: Creo que sí. por ejemplo. Luiz Fernando Bicchioni: Yo no cambiaría nada. el Condumoto (licencia dada por el Ayuntamiento) y los apoyo al grupo en aquel momento. No solo los motoqueros. porque hasta hace un tiempo no tenía convivencia ¿Qué usted mejoraría o cambiaría en el canal*MOTOBOY? con sociólogos. terminé por asumir la responsabilidad sobre el grupo. como una facultad. una manera buena y fácil para las personas que están metidas en el tránsito. y hay muchas cosas en São Paulo que nosotros desconocemos. Es importante tener experiencia. La moto. Eliezer Muniz dos Santos: Es difícil de decir… Bien. como tenía una larga experiencia sobre la historia de luchas de la Categoría. ¿usted entiende? ¿Usted diría que el canal*MOTOBOY le dio oportunidad de integrarse a una Entonces tenemos que tratar de informarnos mejor. sobre la ciudad. importante. que aquí en conocemos toda la Gran São Paulo. celulares pertenecen a ellos. Cada uno tiene que saber lo que hace y tiene deliverys que se reúnen semanalmente para discutir los problemas de la Categoría.¿Por qué se interesó en participar en el canal*MOTOBOY? Eso es inusitado en la historia de esta clase de trabajadores. si está bien vigilada por la policía. Y que las personas estén unidas. Tener más patrocinadores. peatones que pagan pasaje y sufren el embotellamiento. creía que la profesión era solo un medio de sobrevivir. lo bueno es verlo en las reuniones. la amistad del Canal. varias cosas que no conocemos. si de verdad está interesado en 90 91 . es más o menos así. en qué se transformaría ese grupo después de la muestra. antropólogos. tal opinión Edison Cordeiro da Silva: Ah sí. si está organizada. Para mí fue muy bueno. y esto significaba hacer participantes? ¿En caso afirmativo. la verdad. la belleza de la ciudad. Creo que mucha gente podría participar. y ellos tienen el derecho sagrado de organizarse como estar al lado de ellos. De ellos demuestran que están creciendo dentro del Canal. móviles. Nosotros viajamos por todo São Paulo. Una tiene una opinión. las personas tienen que oírse. y nunca había entrado en lugares como el Centro Cultural São Paulo. Tuve otra visión de la profesión. Al final. Si alguien tiene una oportunidad. participando de las reuniones. que nació dentro del participar en el canal*MOTOBOY. hay que captar los unos a los otros. Nunca existió una iniciativa de esas. Y no era solo yo. sí. taxistas. todo eso. traer informaciones. vi que tiene mucha gastronomía. los móviles y el sitio ya lo teníamos. tiene que haber comprensión. culinaria. la apoyo y vamos hasta el fin Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. Es muy importante. el motoquero que coordinaba que los gobernantes o las personas que hacen las leyes de tránsito vean que de nada la logística de los motoboys. canal*MOTOBOY. comunidad? ¿De qué tipo? Ronaldo Simão da Costa: Sí. cosa. pero no. en la dinámica de las reuniones. No mínimo de experiencia como motoboys? obstante. una dice una estas cosas que estoy conociendo. mensajeros y ex mensajeros. pues ¿Su participación tuvo influencia en su cotidiano profesional y particular? esas personas trabajan todos los días con grandes responsabilidades. trabajando. que disponer un poquito de su horario para participar. no estamos parados o estancados. lo que podemos aprovechar. Podemos São Paulo el Canal está comenzando a influenciar a cada uno de los que estamos hablar sobre el clima. un a España. tiene mucho que ver con nosotros. informar y ayudar. al principio fui contratado ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY podría contar con un número mayor de por el artista para ser el Comisario Adjunto del proyecto. otra tiene que oír lo que la otra está diciendo. ¿Este colectivo es una mostrar a la gente la categoría de los motoqueros. Luiz Fernando Bicchioni: Desde luego. importancia para todo el pueblo de São Paulo. es la de los Profesionales Motociclistas. tener más motoqueros trasmitiendo de los de nombre. sería una ventana para muchos problemas. Porque de lo contrario es existe un grupo de motoqueros. o sea. lo que pasa. que es la familia. motogirls y hasta complicado. si está sucia. sino mostrar monumentos. Hay que delegar funciones. esa comunidad que con esta aquí da resultado. entonces que es la amistad. una misión. También oírnos entonces para mí fue una experiencia buena. clubes. en la construcción de algo que ellos considerasen bien entiendan y nadie tiene nada que ver con eso. si hay CET… El motoboy puede ver muchas cosas. pero mejoraría en el sentido Eliezer Muniz dos Santos: Puedo decir con toda certeza que hoy en São Paulo de delegar algunas funciones para que podamos trabajar. con certeza. Adriana Maria de Oliveira: La posibilidad de legalizar a los motoqueros. si está desorganizada. y todo acaba juntándose. ahora se de ellos. comunidad de la periferia. también Ronaldo.

está naciendo ahora. 92 . por ejemplo. Entonces es una cosa que descubrimos a cada día. yo no sé si el día a día del motoquero es una cultura. Porque hoy en día nadie está preocupado con eso. aprendí muchas cosas. Es infinito: cosas buenas. y hay que tener unos adhesivos. Siempre pasamos por la avenida 23 de Maio y nunca miramos hacia allá. Creo que antes yo no pensaba en eso. Franscisco Djalma Souza: Creo que sí es un proyecto cultural. tendríamos a un periodista. creo que cambiaría el sitio. qué fue lo que aprendí: no se tira fotos solo de las calles. lo digo. de un río. a menos que fuera para prestar un servicio. otras formas de ayudar al mundo. y junto con nuestro Proyecto se estaban realizando otras exposiciones en ese período. sino por él. en la Acción Educativa. Y hoy en día cuando veo algo errado. cosa que ni imaginábamos que existiera. Y una de las cosas fue ésa. Cleyton Pedro Perroni: Mire. así la mayoría de las entrevistas no sería hecha por motoqueros. Cuando entré en el canal*MOTOBOY. Colocar un poco más de tiempo. Más de nueve segundos. nosotros estamos tratando de mostrar las cosas que el motoquero hace. y creo que eso podríamos cambiarlo. hoy en día la informatización mejoró muchas cosas. El Canal es como un niño. Edison Cordeiro da Silva: Estoy aquí para cualquier cosa que haya que mejorar. de una persona. Muchos lugares en los que ni imaginaríamos entrar. como ya había dicho. de un accidente. ¿Qué otra utilidad usted le daría a un proyecto como éste? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Me asociaría a otros proyectos que ayudarían al medio ambiente. todo. O sea. Hasta del día a día de una persona que vive en un apartamento cerrado somos capaces de tirar fotos. y si delegamos funciones. a ver. Por ese motivo para mí fue una cosa buena. ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY es un proyecto? ¿Por qué? Ronaldo Simão da Costa: Creo que es un proyecto cultural porque vincula a todo tipo de personas. Edison Cordeiro da Silva: Una de las causas que estamos discutiendo ahora es la del medio ambiente. Entonces son cosas que uno ni imagina. Descubrí que el Centro Cultural tiene una biblioteca inmensa. se tiene un envío inmediato. Mi idea para mejorar el sitio es así: que las filmaciones tengan un aparato que grave más tiempo. Entonces es una oportunidad de conocernos. Lo que está afectando a nuestro mundo. Porque vamos a ver desde arriba lo que ocurre. pero para mí sí es un proyecto cultural. sino de varias cosas: de un hueco. Porque. que existe un edificio de ésos. Entonces. Porque a veces estamos filmando algo en flagrante y tenemos que parar y perdemos veinte segundos preciosos para almacenar y captar nuevamente. Todo.el canal. todavía hay mucha cosa para mejorar. Para cambiar. a partir del momento en que se trabaja con fotocelulares. como ya dije. primero en el Centro Cultural São Paulo y ahora aquí. cosas malas.

Embaixada da Espanha no Brasil Embaixador Ricardo Peidró Conselheiro de Cultura e Cooperação Juan Villar Centro Cultural da Espanha em São Paulo Diretora Ana Tomé Prefeitura da Cidade de São Paulo Prefeito Gilberto Kassab Secretaria de Cultura Secretário Carlos Augusto Calil Centro Cultural São Paulo Diretor Martin Grossmann Catálogo Edição Centro Cultural da Espanha em São Paulo – Agência Espanhola de Cooperação Internacional Coordenação Antoni Abad Carla Ogawa Iván Ortiz Idealização e direção do projeto canal*MOTOBOY Antoni Abad Curador adjunto Eliezer Muniz Concepção gráfica Antoni Abad Tratamento de imagens e finalização Grupo Elefante Revisão Ceci Agostinho Tradução do português Idália Morejón .

entre o público e o privado Martin Grossmann Gerald Kogler Inês Raphaelian Textos Juan Antonio Montiel Alberto López Cuenca Karla Brunet Augusto Stiel Marta Rincón Eliezer Muniz Regina Silveira Roc Parés Sergi Botella Entrevistas Vinicius Spricigo Vinicius Spricigo Documentário Exposição Centro Cultural São Paulo Glória Martí Projeto Antoni Abad 2007 Ciências Sociais Augusto Stiel Neto Equipe CCSP Inês Raphaelian Organização Monica Caldiron Centro Cultural da Espanha em São Paulo / AECI Henrique Siqueira Centro Cultural São Paulo Durval Lara Douglas Freitas Apoio João Mussolin Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior de España. SEACEX Embaixada da Espanha no Brasil Programação Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo Eugênio Tisselli Residência Artística Lutetia. Matheus Fernandes de Castro Tradução do espanhol Renato Roque de Loreto Junior Luisa Fioravanti Ronaldo Simão da Costa Tadeu Ferreira dos Anjos Fotografias Tadeu Luiz dos Santos Scabio Motoboys participantes do canal*MOTOBOY Agradecimentos Texto de Introdução Ana Tomé Ana Tomé Alex Pilis Inês Raphaelian Fórum Permanente: Museus de Arte. Fundação Armando Álvares Penteado Rede de telecentros da Prefeitura da Cidade de São Paulo Coordenação Ronaldo Simão da Costa Eliezer Muniz Motoboys Adriana Maria de Oliveira Anderson do Prado Gil Alexandre Aparecido Olimpio dos Santos Alexandro de Moraes Lima Andrea Sadocco Giannini Cleyton Pedro Perroni Edison Cordeiro da Silva Eliezer Muniz Francisco Djalma Souza Luiz Fernando Bicchioni .