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canal*MOTOBOY

www.zexe.net
São Paulo 2007

Realização:

Apoio:

C21
canal*MOTOBOY / coordenadores Antoni Abad ... [et al.] ; textos de Alberto López Cuenca;
Augusto Stiel e Eliezer Muniz ; entrevistas de Vinícius Spricigo ; introdução de Ana Tomé; Inês
Raphaelian e Martin Grossmann; traduções Idália Morejón e Luisa Fioravanti. -- 1.ed. -- São Paulo
: Centro Cultural da Espanha em São Paulo - Agência Espanhola de Cooperação Internacional,
2007.
100 p. : fot. ; 21 cm.

Textos em espanhol e português.
Projeto canal*MOTOBOY idealizado e dirigido por Antoni Abad.
Curador adjunto Eliézer Muniz.
Fotografias pelos motoboys participantes do canal*MOTOBOY.
Exposição Centro Cultural São Paulo.
ISBN 978-85-61284-00-8

1. Arte Digital. 2. Exposições. 3.Conhecimento Coletivo. 4. Coletivismo Urbano. 5.
Comunicação Audiovisual . 6. Entrevistas. I. Abad, Antoni. II. Muniz, Eliezer. III. López Cuenca,
Alberto. IV. Stiel, Augusto. V. Spricigo, Vinicius. VI. Morejón, Idália VII. Fioravanti, Luisa. VIII.Título canal*MOTOBOY
CDD 778 www.zexe.net
Catalogação na fonte: Bibliotecária Vania Santos - CRB8-5039
São Paulo 2007

Centro Cultural da Espanha em São Paulo
São Paulo, SP, 2007

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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

canal*MOTOBOY

Dezembro de 2002, Antoni Abad em visita a São Paulo, volta sua atenção aos inúmeros
mensageiros circulantes da cidade que, como percebeu, “constituem uma rede humana
motorizada que faz possível o intercâmbio de informação na metrópole... artérias informantes da
grande urbe” – os motoboys.
Nos últimos anos, o trabalho de Antoni Abad vem sendo desenvolvido principalmente na
Internet por meio do projeto www.zexe.net, apostando no âmbito das redes. O projeto é concebido
para conviver com este espaço público digital, ambiente completamente em sintonia com esta
“rede humana motorizada” que, munida de telefones celulares com câmera integrada, enviam em
tempo real as percepções de seu cotidiano para o site.
O projeto com os motoboys foi apresentado em diversos momentos para instituições
culturais da cidade de São Paulo, passaram-se quase quatro anos e, durante este período, a
idéia primeira não foi concretizada. No entanto, durante esse tempo de espera, www.zexe.net
articula e hospeda as experiências realizadas em outros locais em “coletivos transmitem de
celulares”, tendo como inspiração o projeto voltado para os motoboys. Em 2004, a atenção do
artista esteve voltada aos taxistas no México e, em 2005, para os ciganos de Lleida e de Leon,
bem como para as prostitutas de Madri. Em 2006, foram as pessoas de mobilidade reduzida em
Barcelona e também os imigrantes nicaragüenses na Costa Rica.
Em maio de 2007, graças à parceria entre o Centro Cultural São Paulo e o Centro Cultural
da Espanha / AECI, com o apoio da espanhola SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural
Exterior) o projeto canal*MOTOBOY tornou-se realidade.
Durante três meses o Centro Cultural São Paulo recebeu um grupo de motoboys para

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suas reuniões semanais em um espaço/instalação idealizado para o projeto por Antoni Abad. O A rota está sendo recalculada
local escolhido foi a grande praça interna que congrega o conjunto de bibliotecas desse Centro
Cultural. Nesse espaço de grande impacto arquitetônico que, de certa forma, espelha o labirinto O motoboy e a economia política do afeto
que é a cidade de São Paulo, o artista, sua equipe e os motoboys estudaram as possibilidades
de realizar projetos coletivos, bem como de canais individuais de transmissão.
Alberto López Cuenca
Coordenaram, também, a publicação imediata dos conteúdos que se propuseram a tratar,
adequando a conectividade da rede à interface dos canais. Durante todo o projeto intercambiaram
experiências e opiniões por meio de mensagens multimídia e conversas telefônicas. Nestes Na atual clássica recopilação do texto Art after Modernism: Rethinking
encontros, os motoboys propuseram atividades paralelas como palestras e mesas redondas com Representation (Wallis 1984), se manifestava já com contundência a suspicácia pós-
profissionais convidados, a exemplo da artista Regina Silveira, que incorporou a obra “Derrapagens”. moderna referente ao lugar que a representação havia de ocupar na prática artística
O projeto gerou efeitos desejados e inesperados congregando, além do grupo inicial, outros agentes contemporânea. Não parecia que a arte deveria passar necessariamente por elaborar
perfazendo e potencializando sua proposição de propiciar canais de participação e expressão aos representações (algo como o cinetismo, a performance, a instalação, a escultura
grupos econômica e mediaticamente desfavorecidos. canal*MOTOBOY tornou-se uma dimensão minimalista ou o land art haviam posto de manifesto), mas melhor se proporia agora
paralela ao caos da cidade, um contra-fluxo de situações singulares reportadas por aqueles que
gerar situações, espaços ou experiências. Neste sentido não era casual o alarme
parecem viver sempre em corrente contínua.
que animava “Art and objecthood”, o beligerante texto onde Michael Fried (1967)
Celebramos, também, na hora desta publicação memória do projeto, a continuidade do desqualificava a escultura minimalista por ser teatral, ou seja, por perder autonomia
canal*MOTOBOY através de um núcleo de motoboys trabalhando em iniciativas coletivas de
âmbito mais abrangente como a ação educativa para disporem com responsabilidade ambiental
ao depender de um espaço circundante que ativara a experiência artística.
dos resíduos das motocicletas (óleo, baterias, etc), visando à preservação dos mananciais de Parecia que a arte não só não tinha que ser a representação de algo, mas que
água do Estado de São Paulo, ação realizada em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental), deixava, inclusive, de estar contida nos limites formais do objeto artístico (da pintura, da
a ONG Ação Educativa e o Centro Cultural da Espanha.
escultura ou do vídeo). Porém, este entretenimento contextual da arte, a heteronímia
Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé que anulava sua pretendida auto-suficiência, não era nada excepcional, pois já havia
sido espalhada pelas denominadas vanguardas históricas do princípio do século XX.
Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da Espanha

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o descrente respeito à posição privilegiada do artista. de reconfigurar os existentes. fazem. A qualidade da arte como ação transformadora. os originalmente. Então redigi 10 11 . vídeos. a arte não No entanto. menos ambiciosas havido só isso uma vez). pelo menos.Os artistas dadaístas e surrealistas. à convicção de que a arte ainda pode gerar sociabilidade. passando pelos construtivistas e os membros artístico não vai além de seu campo de competência. portanto não cabe esperar dele da Bauhaus empreenderam em seu dia a tarefa (artística?) de fazer efetivos novos que articule grandes projetos de transformação social. Redes de sociabilidade Entre eles. no qual um grupo de 17 hoje interditada pela generalizada conversão dele em um especialista da indústria taxistas enviavam imagens. o trabalho os documentos remetidos em tempo real pelos membros desse grupo. Transformar a vida não poderia ser imitá-la mediante critérios que as modernas. especialmente na medida em que o horizonte de ação da produção quais têm desembocado na articulação de singulares comunidades de colaboração. repousava sobre múltiplos pressupostos.F durante dois meses em 2004. mas levá-la a se introduzir nos interstícios da cotidianidade e modificá-la: alguns dos projetos com grupos e tecnologia celular coordenados por Antoni Abad: nas capas dos livros e atrezzo teatral. Para isso. artística contemporânea põe em questão o mencionado pressuposto. seja como produtor de bens santuários ou de experiências para o ócio e o da web de livre acesso. museus e centros de arte. mas em condições muito distintas àquelas que se plantou celular e à possibilidade de transmitir diretamente deles informação via internet. documentos de áudio e de texto a uma página simbólica. que podemos explicar nos termos de sua capacidade “performativa”. que se praticamente onisciente do artista para compreender e incidir sobre o mundo está desenvolveu no México D. modos de vida ou. performativo e não representacional da arte. A posição Tive a oportunidade de escrever sobre o primeiro desses projetos. somado poderia ser concebida nem praticada como um exercício meramente representacional. A página reunia e atualizava sem edição ou seleção prévia entretenimento em bienais. É este o fundo sobre o qual se desenvolvem estéticos. sitio*TAXI. mas mais diversas. todavia possível a de captação de essências ou de evocação da realidade (se é que realmente pode ter difusão de estratégias para a ação da arte no terreno da vida social. na publicidade e nos cartazes de cinema e no projetos onde se supera a condição onisciente do artista que subscrevem o caráter desenho de jogos de chá e de cidades inteiras. nem mais nem menos. Visto desta forma. Trata-se. destaca a posição privilegiada do artista moderno para compreender o mundo e incidir simbólica e concretamente sobre ele. Antoni Abad tem desenvolvido junto do programador Eugenio Tisselli ao de um imperativo vanguardista de atuar sobre a realidade que tem sido legado à longo dos últimos quatro anos uma série de trabalhos que recorrem ao telefone arte contemporânea.

porém seriam confrontados por ela e por sua projeto era modificar representações. canal*CENTRAL. Aí se distribuem entre a forte comunidade de imigrantes nicaragüenses eram mecanismos de sociabilidade. mãe até o extremo. em São José. instituição mesma do poder se viu sujeita a escrutínio ao criar o canal*PATRIARCA. como poder fáctico da comunidade. mas que formam a parte crucial do projeto. acidentado ou delinqüente ou como um efêmero herói de algum resgate). ou seja. fazendo-a voltar a ser novamente aceita por ele. imagens. Por outro lado. entretanto. ao dar a entender que o efeito fundamental desse em seguir colaborando com o projeto. Esse tem sido um aspecto constante dos trabalhos que acompanharam sitio*TAXI. levou a uma série de negociações e conflitos que não são visíveis no material o autor sustentava que alguns artistas contemporâneos haviam-se convertido em audiovisual acessível através da internet. questões propostas que raramente eram consideradas de modo explícito. investigadores críticos de sua própria sociedade– e acredito que estava certo ao Para começar. seu resultado não é simplesmente “fazer onde se reuniam entrevistas incomodas aos patriarcas em que tinham que se explicar e visível a realidade do taxista” ou “propiciar representações que não cabem nos meios pensar como ciganos ao fazerem perguntas como “o que é ser cigano?” ou “o que é ser de comunicação tradicionais” (certamente o taxista só aparece aí pontualmente como patriarca?”. separação tradicional que se faz na comunidade cigana entre homens e mulheres. o que o sitio*TAXI colocava em ação canal*CENTRAL. muito além de constituir uma contraesfera para a negociações com o meio institucional e administrativo que manifestou a conquista do representação. Pensando novamente neste título há algo nele que se subscreveria e algo com o Por exemplo.uma breve resenha sobre sitio*TAXI que levava o título “O taxista como etnógrafo”. a É óbvio que o sitio*TAXI opera através de mecanismos de representação. Errava. Em outras palavras. gravações de áudio e vídeo. Costa Rica. Não apresentava ao artista como uma voz privilegiada. Antoni Abad pôs em funcionamento mais que outras representações da realidade. No fundo. textos. sitio*TAXI abria espaço para a enunciação e do projeto. os patriarcas. Porém. Por um lado “O artista como etnógrafo” (2001) –onde 2005. De um lado. ao considerar o taxista como etnógrafo. transformar a imagem que se tem do taxista. Mais ainda. criava relações sociais e estratégicas telefones celulares e o conhecimento para manter o funcionamento da página da web de subjetividade. Estes vetaram uma das participantes mero notário de sua realidade. não é a visibilidade das imagens na rede. a planificação e a ativação do canal*CIGANO criado em Lleida durante que já não estaria de acordo. mas a série de a agencia de seus participantes. senão que chamava a atenção os lugares e as condições que podem se encontrar e o tipo de interação que podem sobre os taxistas em tantos narradores de sua experiência e enunciadores de sua manter. o modo de operação do canal*CIGANO implicava em questionar a enfatizar que não é o artista que fala em sitio*TAXI. Mais uma vez. Ao longo de 2006. canal*CIGANO geraria um enfrentamento inusual contra o própria história. as entraves legais com os tramites para os celulares: 12 13 . senão os taxistas por eles mesmos.

canal*CENTRAL não só fez projetos. revelar. Não menos trabalhosa foi pôr em funcionamento para 22 projeto com a constituição da “Associação Acessível”. de fazer visível a rede translúcida que requisita a vida social (desde as relações onde os participantes elaboraram uma cartografia com os entraves arquitetônicos entre os adolescentes no uso de um celular ou no deslocamento pela cidade). na realidade desatou respostas tanto sociais. que surge com uma caducidade. telecomunicações e imigração ou pela arquitetura urbana. um dos bens 14 15 . descreveram quais são as esferas características e dominantes da obstáculos arquitetônicos que os membros do canal*ACESSIVEL haviam chamado a produção da sociedade contemporânea. O afeto é. tendo assim que negociar o espaço tecnológico e um grupo de colaboradores que continuam reunindo-se e trabalhando para o final do legal para fazê-los operativos. é uma questão central na medida em que “o tema” destes projetos não é a elaboração monumentos e estações de metro). Com eles com o redor. imigrantes ilegais a tarefa de comprovar a residência formalizada no país requisitado Fica patente que para tirar fotos e colocá-las na rede não esgota o alcance destes imprescindível para acessar o serviço de telefonia celular. em nível coletivo (estruturaram entre os incapacitados. como Economia política do afeto em nível institucional (o mapa saiu reproduzido por meios de comunicação locais e a prefeitura replicou distribuindo um mapa da “Barcelona acessível”). As ações de O filósofo político Michael Hardt e. para esses autores. em 2006 encaminhou-se em Barcelona canal*ACESSIVEL. imigrantes e incapacitados). mas para gerar a mesma vida na interação das comunidades. Em sua operação fazem manifesto todo tipo de restrição. comandos extraordinários que recorriam zonas da cidade a princípio não planejadas para se analisadas). incitou a formação de permitido de operar na Costa Rica. canal*ACESSIVEL. como forçou modificar transitoriamente sua conquista. Mas não se trata somente de Por outro lado. o mesmo tecido da existência coletiva e individual. parques. bares. seu software não estava atenção. ou são impostos foram abertos espaços de ação transitoriamente desregularizados para o exercício e a pelos costumes e pela administração patriarcal do poder ou pelas legislações das enunciação comunitária de um setor da população nicaragüense. mais tarde. ele e Toni Negri em seu debatido documentação fizeram com que a prefeitura se visse forçada a modificar muitos dos livro Império. mas que para o deslocamento de incapacitados pela cidade (uma contracartografia frente em sua prática abrem espaço para relações sociais inesperadas e reconfiguradas. porque não apontam meramente fazer possível outras representações da vida visível o controle da comunicação e das fricções técnicas e legais no monopólio estatal (dos ciganos. mas da ativação da agência e da produção de relações parecia desembocar no traçado de um mapa.por tratar-se de aparelhos ilegalmente importados de Miami. Apesar de que o trabalho do canal*ACESSIVEL da representação de grupo. Ou seja. Está às múltiplas cartografias triunfantes da urbe: de seus museus.

uma indústria do afeto na maneira corporal. é o trabalho e posturas economicamente não produtivas. “este trabalho é imaterial. satisfação) e desestima outras (atitudes de altruísmo. elaborar vínculos de submissão. de como o sistema de relações dos objetos articula a experiência serviço acima da economia informática. uma indústria economia global. estados afetivos. O afeto seria parte do que eles denominam “trabalho bem. “anticapitalistas”. Para Hardt. O primeiro participa de uma produção industrial que dos indivíduos. em última instância. Finalmente. simbólicos de retina. modos de subjetividade e sujeição. não significa rápida”. por um lado. e em trabalhos Se à maneira da produção de mercadoria se processam afetos estandardizados. este trabalho afetivo desempenha um papel em aponta Hardt. O segundo é o trabalho imaterial das tarefas analíticas e simbólicas. Desta perspectiva. satisfeito. pode-se dar conta não só da produção material da vida Resumindo. pode ser contestada desde práticas. O trabalho imaterial do afeto é caracterizado. mas também dos aspectos mais íntimos e emocionais do sujeito. entusiástico – inclusive o sentimento de sentir-se parte de imaterial”. o ou estado de miséria ou desraigo). que. contaminado desta maneira. essa indústria do afeto. podemos distinguir três tipos de trabalho imaterial que puseram o setor de social. que se divide em trabalhos de manipulação criativa e inteligente. A se informatizou e incorporou as tecnologias da comunicação de uma maneira que transforme economia desmaterializada produz e nomeia sensações.fundamentais da economia atual. os serviços ou algo ou de uma comunidade” (96). administrar a vida emocional é. excitado. por sua tarefa controle. desejos. aquele que produz bens intangíveis. possessão. segundo Hardt. 95) e implica em áreas produtivas como a saúde. o terceiro tipo de trabalho imaterial é o que implica a então se homogeneíza a experiência ao mesmo tempo em que se descartam atitudes produção e manipulação de afetos e o que requer contato humano (virtual ou real). ou seja. de afetos” (95). (Hardt y Negri 316-7) que prioriza um conjunto de estados emocionais e atitudes (bem-estar. Em diferentes níveis. a comunicação. Estes são os três tipos de tarefa que lideram a pós-modernização da totalmente incorporada aos modos de produção contemporâneos. Existe assim. Controlar os modos de produzir e material da produção de bens duráveis é misturado com o trabalho imaterial. por outro. como o conhecimento. A fabricação é considerada como um serviço. que se faz cada vez mais predominante. Entretanto. sensações de fracasso “vinculante” (“binding element”. de sentir-se anticapitalistas (90) 16 17 . apesar de estar entretenimento e as indústrias culturais que se concentram “na criação e manipulação totalmente integrada aos modos de produção. o afeto não tenha utilidade alguma para os projetos visto que seus produtos são intangíveis: o sentimento de comodidade. e o trabalho ou seja. o processo de produção mesmo. mesmo que seja corporal e afetivo. todo o setor de serviço na medida em que se integra nos processos de comunicação Ao dizer que o capital incorporou e exaltou o trabalho afetivo e que o trabalho afetivo e interação sob o título de “tratamento personalizado” seja no banco ou na “comida é uma das formas mais altas de produzir valor do ponto de vista do capital.

Se a esfera pública. com as redes de significação se ativa o processo de constituição afetiva e dialógica desta esfera pública. em seu uso. se registram dentro de mecanismos 18 19 . e desviam a finalidade econômica dos signos e dos afetos na rede produtiva do multimídia. telespectadores. Daí a importância que claro. A esfera pública é assim construída ao mesmo tempo em que os sujeitos que a significam: sujeição e subjetividade de mãos dadas. 12 motoboys que percorrem as ruas de São Paulo em é crucialmente de consciência subjetiva na medida em que desata um processo sua jornada de trabalho são providos de telefones celulares que permitem tirar de agência e enunciação. canal*MOTOBOY: meios digitais e crítica do afeto canal*MOTOBOY põe em ação um mecanismo de produção simbólica que Desde maio de 2007. usuários concretos. este espaço público respeito das estratégias do grupo para seguir adiante com seu trabalho. Aqui. mediático. a como “acidente”. aberta e negociável da informação elaborada por eles e disponível a comunidade é âmbito de produção de vínculos simbólicos. Os signos. “e portanto proporia. finalidade não seja necessariamente a produção de capital. em suas reuniões e discussões a e páginas de jornal às telas de televisão e dos computadores. Nessa negociação produção. o que oferece a possibilidade de armar uma condição sempre inacabada sempre em negociação. “proibido” ou “trabalho”. é crucial para a ativação de esferas de sociabilidade cuja de enunciação. esta caracterização geral: a arte de não ser de tal maneira interpelados por eles. desarticulam hoje redefinido está marcadamente mediado pelo simbólico: imagens. como primeira se em um mero jogo de signos inertes e determinantes. O afeto. Ao enviar contestação e ação que não pressupõem um sujeito livre ideal. clubes de discussão sua seleção e envio de material visual ou sonoro. mesmo a esfera pública atual constitui-se fundamentalmente capitalismo avançado. não por isso transforma- modo de Michel Foucault. mas que sublinhem seus arquivos podem agrupá-los sob o termo chave que eles mesmos decidiram. Em tem percorrido desde sua concepção no século XVIII dos cafés. são ativados por falantes. Escrevia o francês que. entra em jogo o grau de implicação no processo de produção de significado: um na atualidade cobram as estratégias que iludem a criação estandardizada de afeto: processo nele no qual se produz níveis em que nos vemos sujeitados (significados) produzem vida afetiva e vida social não programadas pelos modos dominantes de pelos signos e níveis pelo que significamos (sujeitamos) aos signos. alheio aos que se vêem definição da crítica. Desta aproximação taxonomia flexível. textos. o lugar de encontro social. canal*MOTOBOY inaugura momentos efêmeros de fotografias e vídeos para emiti-los diretamente a uma página da de internet. do sujeito. a condição conflitante e agnóstica da existência cotidiana de seus participantes. de fato. Entretanto. mais precisamente. sons. Por essa razão deve-se entender como o exercício crítico ao como espaço simbólico ou. em um processo paralelo às maneiras de produção imateriais do capitalismo. mas também afetivos para os visitantes da página da web.

A crítica. permite posicionar-se frente a eles fazendo-os suplantação de umas representações por outras (uma tarefa também sisífica ante patentes e vulneráveis. canal*CIGANO se converte assim em uma ferramenta que.. suplantados por outros. a crítica. não é uma mera os mecanismos de poder e verdade.governada” (Foucault 8). a crítica será a arte da não servidão voluntária. a ação de dissentir. É uma crítica realmente na participantes do canal*CIGANO entrevistar os patriarcas. como todo o estranho. porque possibilita ações que não caem. ocorreu dos jovens da representação e não só do objeto da representação. ao evidenciar de resistência às representações mediáticas do motoboy. é posta em marcha toda a novidade. ser um patriota e o que entendem como os projetos anteriores postos em ação por Antoni Abad. as relações sociais instauradas. canal*MOTOBOY atua crucialmente como uma arte de ser de Antoni Abad fazia referência ao seu trabalho anterior como escultor e como sua atitude outro modo governada. é uma crítica da instituição das regras de governo já sancionadas. da indocilidade reflexiva. pedindo-lhes que expliquem o que é se cigano. de comunicação). isto é. distribuição e o diabo”. neste caso. como 20 21 . inaugurando uma dinâmica de elaboração coletiva de escultor caracteriza a maneira em que trabalha atualmente com os meios digitais. isto é. Internet. uma pergunta: “por que haveria de ter os artistas uma visão privilegiada?” Escreve Foucault.eu diria que a crítica é o movimento pelo qual o sujeito se concede o direito de interrogar a verdade próxima de seus efeitos de poder e ao poder próximo de seus discursos da verdade. de novo. canal*MOTOBOY. Seu trabalho de investigação se desenvolve desde o âmbito da Teoria de Arte e Epistemologia com a finalidade de descobrir os mecanismos de produção. aproximando-se deles e prática de uma prática e não uma mera crítica de representação. não só ativa uma rede por “gajão”. dentro ditados. O uso inesperado dos meios eletrônicos. critica. a política da verdade (9-10) Coordenador do Doutorado em criação e teorias da cultura na Universidad de las Américas. aparece como uma ameaça de desestabilização de mecanismos que iludem a “maneira de ser representados”. Ou seja. que não podem ser administradas. ou seja. Em outra ocasião. dos celulares e da a magnitude e alcance das representações hegemônicas do motoboy nos meios internet. governados.. dizia a ele um dos patriarcas da comunidade cigana de Lleida. . na fala de Foucault. A crítica teria essencialmente como função a desujeição no jogo do que se poderia denominar. Como dizíamos antes. com uma Alberto López Cuenca é professor Titular de Filosofia e Teoria de arte contemporânea e palavra. Antoni Abad narrava em uma ocasião um fato sumamente significativo: “Internet é Puebla (México). da representação do grupo que incide diretamente sobre a matriz de produção da Disse a respeito que procura “modelar o meio para que usem outros” e concluía com imagem e da consciência: a prática social e coletiva.

Michael y Antonio Negri. entre maio e junho de 2007. “Art and objecthood”. documentários e. Sobre arte. o trânsito. social que ainda não foi totalmente interpretado? Filmes. Brian (ed. quando realizamos. junio de 1967. econômicos e institucionais na configuração e recepção da cultura de nossos dias. Nueva York: The New Museum of Contemporary Art. 2001. nos últimos “Jornadas sobre novas tecnologias e livre acesso à cultura” no Centro Cultural da Espanha em anos. parte da exposição “Motoboys Transmitem de Celulares”. verano. uma exposição de arte? O que há de tão específico nessa nova classe de trabalhadores urbanos que faz deles sujeitos e protagonistas principais do cotidiano de nossas cidades? Hoje. Mas de que maneira compreender o lugar desses personagens e em qual 22 23 . 2. Seus artigos apareceram Eliezer Muniz dos Santos em publicações internacionais como ARTnews.) Art after Modernism: Rethinking Representation. 2005. Barcelona: Paidós. Foster. um Ciclo de Debates e Filmes como Hardt. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. de Antoni Abad.recepção na criação cultural contemporânea. de vida nos principais centros urbanos de nosso país. 5. Imperio. Nueva York. agora. como na implementação de políticas públicas para uma melhor qualidade Madrid: Akal. junto com Eduardo Ramírez. “Affective Labor” en Boundary 2. muitos de nossos problemas tanto em seu lugar privilegiado. tecnológicos. núm. E isso significa que estamos Foucault. diante de um novo poder. do Centro Cultural de São Paulo. Artforum. recomendado pelo Museu de Arte Contemporânea de Barcelona/ARTELEKU/Universidade Internacional de Andaluzia e ao longo de 2007 organizou. política e esfera pública no estado espanhol”. as Será que existe uma cultura motoboy? Qual a razão de vermos. D.F. é colaborador São Paulo permanente do suplemento cultural do diário ABC e da Revista de Libros. personagens de novelas. 26. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. Madrid: Tecnos. vol. Este se desenvolve atendendo especialmente os Cultura Motoboy e Políticas Públicas: Interfaces da Cidade de aspectos sociológicos. Curare o Revista de Occidente. Michael. várias produções culturais com essa temática? Estamos diante de um fenômeno México. 2006. não há Referências como negar que os motoboys representam aspectos importantes do convívio social e compreendem. Atualmente é membro do Sistema Nacional de Investigadores do México. livros. nos 25 anos Hardt. La vanguardia a finales de siglo. Michael. músicas. Lápiz. A intersecção entre cultura e política tornou-se mais clara Fried. Wallis. Doutor em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid. 1999. peças de teatro. em parte. núm. 1984. Michel. Foi diretor de investigação no projeto “Desacordos.

dando-lhe um contexto do rápido crescimento global. as subsunções desses nomes escondem uma forma de depreciação esses sujeitos. estamos diante daquilo a que chamamos de sua Cultura. Os próprios participantes dessa comunidade não se dão conta dos riscos que aplicá-las no campo social. Mas surgiram avenidas definiria o conflito nos espaços urbanos a partir da lógica da mobilidade dos também os degenerativos. como no seu trabalho ou como meio de subsistência é afetada. Esse crescimento impõe à sociedade como caráter de coisa. até como “mototáxis” para pensá-las? Não apenas cuidar de um novo tratamento geométrico das ruas e por conta da existência dessa função em outras regiões do Brasil.e estrangulamento das vias . trazem e de que forma desempenham suas funções do profissional. como o mais conhecido “cachorro-louco”. quando não de forma a negar o próprio estereótipo. de que maneira se organizam. “motoboys”. Essa é É imprescindível — e assim também foi para nós quando iniciamos o processo uma característica própria dos processos de estereotipia social. moradores das grandes periferias) que utilizam a motocicleta à participação igualitária na política ou em outras dimensões. forma de como se determina o Outro. os mensageiros. abrem mão da própria auto-estima.e essa doença não se combate sem informação e consciência de classe. quando levamos em conta esse modo singular de correm para se reconhecer e serem reconhecidos. “moto-frete”. Em muito motociclistas. etc). “couriers”. e com ela vem a imagem de curadoria para o projeto canal*MOTOBOY — que a voz do Profissional Motociclista negativa que passa a ter um estigma em relação a si própria e ao conjunto da sociedade seja ouvida. é somente através do embate cultural que essa comunidade será capaz de construir 24 25 . um todo que providências concretas de melhoria sejam tomadas. através de uma tipologia que de urbanização . para se fazer pertencer a um grupo viver. De fato. como elaboram outros espaços da vida social. como foi a iniciativa intrinsecamente ligado às muitas transformações que a cidade sofreu com o processo dos órgãos de trânsito do município ao denominá-lo. de modo que ele não alcance o seu próprio direito jovens e. Trata-se sempre Como lembram os analistas sociais.cenário eles se movem para que possamos considerá-los protagonistas em primeiro Eles se vêem e são vistos pela sociedade de diversas maneiras: como “motoqueiros”. de compreender qual o nível de informação que desses casos. essas “reduções” encontram explicação na de compreender de que modo a vida dessas pessoas ( trabalhadores. muitas vezes. etc. social (“motoboys”. E que sua vida seja contada sem mediações e que até mesmo a própria . O próprio surgimento desses profissionais está estereótipo. Trata-se. Assim. grau de soluções complexas sobre as quais toda a sociedade deverá se debruçar “mensageiros”. “deliverys”. cria-se um tipo de identidade artificial na suas estratégias para realizarem suas tarefas.por parte do excesso de veículos no reunisse as características principais de seus serviços. pais de família. “cachorro louco”. “motociclistas”. desqualificam-no em seu ambiente de trabalho a partir de algum para que a própria cidade possa evoluir. antes de tudo. Dessa forma. como criam sua própria identidade. ao sociedade. alcunha “motoboy” por eles seja discutida a fim de criarem sua auto-representação. e não mais de sujeito.

“FAMÍLIA”. tanto os conteúdos do site como. converteram-se não só em emissores do canal. através de um projeto cultural. cerca de 2. Basta. há a possibilidade de se realizar luta para reinventar seu próprio cotidiano. podemos perceber que eles trouxeram um espaço legítimo de um conjunto de pesquisadores universitários e das instituições às quais pertencem de formação para a vida cultural da cidade. Fugiram. Esse grupo os ajudou que eles se põem a discutir. Motivados por temas trazidos pelo próprio grupo. para como “DIA A DIA”. vimos manifestar-se um expressivo conjunto de códigos e sinais que podem como também em usuários ativos de um dispositivo de comunicação autônomo e significar uma mudança substancial não só em relação à identidade desses profissionais independente e se transformaram em cronistas de sua realidade. uma forma de sociabilidade chave “FALA”. captar as imagens em pelos problemas dos motociclistas e sua luta para se organizarem. quando nos abrimos a uma dimensão mais estética. organizando. um interesse por parte Entre outros fatores. um dinamismo próprio surgir pelo ângulo dos motociclistas. no lazer ou em família. como resposta. Reunindo-os semanalmente.800 envios entre fotos. “TRÂNSITO”. também. e a cultura já fazia parte no processo quando o artista Antoni Abad cria pela primeira vídeos e sons gravados. Como era do desejo pertencentes a uma coletividade. o destino do canal*MOTOBOY. assim. seja pela possibilidade desses encontros e debates idealizados pelo Projeto.net/SAOPAULO. no desenvolvimento das questões levantadas pelo canal*MOTOBOY e constatou. Vemos surgir uma cidade que se mostra experiência de auto-representação desses profissionais. por seus envios para o site www. durante meses. Nesse sentido. com ligada à internet. no seu Provando que tal dispositivo é capaz de gerar opinião pública. pela até mesmo. discutirem seus principais problemas e capacitando-os com uma tecnologia celular entre outras. encontrar o próprio significado de sua expressão.uma identidade positiva em relação a sua representação social e talvez. “TRABALHO”. sobretudo. como em relação à visão de mundo (Weltanchaung) que deles. com palavras-chave antes impossível para esse grupo. uma ferramenta espetacular de e intervenções digitais no mundo virtual da internet. comunidade. para isso. seja no campo da política. assim. “ACIDENTE”. de forma colaborativa. uma mudança estrutural à medida que os diálogos entre essa categoria profissional e a sociedade alargam suas fronteiras a olhos vistos. proporcionar o encontro entre a política Motociclistas fizeram. a partir de uma forma de sociabilidade que emerge com o aporte das redes sociais notamos que as câmeras fotográficas começam primeiro a revelar o olhar e. digitais. Nesses envios. eles indicaram claramente que. em todos os âmbitos de sua vida diária. o que permitiria que sua voz instantânea fosse ouvida por toda a sua publicação pela internet em tempo real. à lógica dos estereótipos projetados pela mídia e pelos meios então constroem a partir dessa experiência. o que. pudemos contar mais de 240 entrevistas vez na história dessa Categoria Profissional uma oportunidade de reunir um grupo de com outros profissionais e pessoas envolvidas em seu dia a dia utilizando a palavra- 12 “motoboys”. “REUNIÃO”. ao participarem desse projeto. Mais do que criar um conjunto de imagens de comunicação preponderantes e criaram. 26 27 . em apenas quatro meses. então. refletirá seja. Houve. da economia.zexe. esses Profissionais trabalho. sem sombra de dúvida.

e para isso basta lembrar dos dados oficiais sobre os elevados índices de acidentes com vítimas fatais Sentimos. 28 29 . na urgência de se abrir um diálogo protagonizado pelo coletivo de motoboys motoboy evidencia o “olhar” para esse motoboy. Quando vemos na necessidade de se fazer justiça a esses motociclistas que põem para isso. um significado para tais políticas. Paulo e ex-motoboy.net/SAOPAULO Portanto. curador adjunto. a arte que eleva sobretudo o discurso sobre a qualidade de vida na cidade e coloca. até o momento. um lastro de vontade e compreensão de todos os envolvidos nos últimos anos —. as reivindicações dessa categoria de motociclistas. encontramos. garantia de que as iniciativas dos gestores públicos alcancem sucesso uma vez que. ao engendrarem suas demandas levando em conta o nível de — ao fazer entrarem na agenda política da cidade de São Paulo. através da cultura. também é verdade que faltam. Sua voz não pode calar. inclusive ajudando-se nos momentos trágicos dos acidentes. seria necessária uma verdadeira representação de classe acompanhando em risco a própria vida uma razão de ser. aguardam chegar o carro dos Bombeiros. é formado em filosofia pela Universidade de São dessa escuta.zexe. Aqui cabe uma observação sobre o modo quase tribal com que eles se defendem no trânsito. se esses profissionais se ressentem da falta de um eficiente programa de prevenção de acidentes — com curso de direção preventiva e formação profissional —ainda que faltem pesquisas que associem acidente de motocicleta a acidente de trabalho. no asfalto quente. enfim. entre o poder público e a sociedade civil organizada. a cidadania em primeiro lugar. pois só eles sabem do desamparo quando. ações que apontem de que maneira os Profissionais Motociclistas criaram a melhor estratégia para ir de encontro aos interesses de sua cidadania e ao respeito pela vida humana. um consenso de que as soluções também deverão ser complexas. para as próximas complexidade com que precisam lidar para a resolução de seus problemas — hoje há eleições municipais. chegamos à conclusão de que não há. o claro objetivo de nossa curadoria é o de preencher um hiato — graças à execução do projeto www. por parte do Poder Público.tornam-se instrumentos simbólicos para investigação dessa experiência: o olhar do Assim. Claro está que. assim. nenhuma nesse Projeto e de todas nossas parcerias construídas a partir desses debates. E que tudo isso passe pela onisciência Eliezer Muniz dos Santos.

ele faz ver até que ponto a desregulamentação acarreta problemas para um país que se pensa pacífico. mas com apenas uma via de visibilidade. desobediente. Invasor de um espaço restrito. O espelho retrovisor dos automóveis revela a imagem fugaz de um personagem cada vez mais presente. o Leviatã das relações de trabalho tenta seduzi-lo com a oportunidade de ser “autônomo” e transforma-o em “autômato”. mas que se quer disciplinar. pois é sua única maneira de ser visto: personagem que não se enxerga nem se escuta — além da eternamente irritante buzina —. proprietários por direito do espaço não tão público das ruas e avenidas da cidade. mas não enxerga seus mortos diários. Há anos ele vem “des-aparecendo” em meio aos carros. o motoboy burla códigos e normas para suprir uma demanda de mercado.No espelho retrovisor Augusto Stiel Um espectro ronda o trânsito — o espectro do motoboy. Da natureza simbólica da motocicleta nasce o mito do rebelde fora-da-lei que chuta sua própria imagem no espelho retrovisor dos veículos que lhe concorrem 31 . ao motoboy é dado um papel que alguns abraçam com prazer: o delinqüente sobre rodas que nada obedece ou respeita. Por ser uma relação. O motoboy devolve a imagem que se faz dele.

em lembrar que esses números não dão conta dos acidentados que vêm a morrer depois. eram motoboys. coisa de 20 anos. houve um aumento categoria criada a sua revelia. O profissional motociclista é produto de intrincadas relações. o gabarito das ruas Os fatos não é adequado. segundo o Segundo a tese de mestrado defendida na Faculdade de Ciências Sociais da USP CET. designação não muito popular devido a seu caráter perfil econômico da cidade de São Paulo. 2006. O ineditismo do fenômeno acarretou problemas da mesma magnitude: os problemas enfrentados no dia a dia do trânsito paulistano são praticamente únicos no mundo.3% dos veículos. Destes. O que foge à categorização transforma-se em caricatura. dos quais cerca de 160 mil em casa ou nos hospitais públicos. Mas é importante sobre espaço público e civilidade na metrópole paulista”. o motoboy aproveitou também a mudança do ao “profissional do motofrete”.000% na venda de motos no país.no espaço cada vez mais exíguo das ruas da cidade. Por rodarem de 100km a 150km por dia. de Alessandra Olivato. Em Hoje existem. Surgido no a profissão ainda sofre com a desregulamentação — nem seu nome é um consenso: bojo do processo de desregulamentação por que passou o capitalismo de cunho liberal muitos preferem a denominação de “profissionais motociclistas” em contrapartida nas últimas décadas do século passado.000 motoboys. Em 1996. um veículo que pouco aparecia vinte anos atrás. esse A cultura criada ao longo do tempo não absorve a presença das motos em meio ao percentual chegou a 8. 25% eram motoboys. E a passou a ser feito por motocicletas. as motos eram 2. Tais números são apenas estimativas.588 motociclistas na cidade de São Paulo. As ruas não foram feitas para as motos: o pavimento não é adequado. na cidade de São Paulo. valores. ofícios. no Brasil. Um fenômeno mundial. como sempre acontece nessa construção cotidiana de quase 1. Os profissionais que arriscam “office-boy” dos anos 1980 e aproveitou a explosão de vendas de motocicletas ocorrida a vida diariamente carregando documentos. muito maior. morreram na cidade 380 motociclistas. aproximadamente. 2000 havia 374. aproximadamente 170. pois trânsito citadino. a altura e o padrão da sinalização também não são adequados.8% do total de veículos. em aproximadamente dez anos — de 1995 a 2005 —. No Brasil. correspondências e na última década do século XX. caricatura é uma imagem sensibilizada pelo personagem criado apesar da pessoa. Na última década [década 32 33 . portanto. São Paulo está sob um processo de terceirização. Segundo dados da Companhia de Engenharia outras parafernálias do nosso cotidiano burocratizado são então agrupados em uma de Tráfego. A magnitude da tragédia é. em 2000. Surgiu na esteira do do mundo. tudo chamada sociedade. a impressão que quem anda ou dirige “Percepção e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo pelas ruas da cidade é que a proporção de motoboys é muito maior. seu livro “Cidade de Muros”: “Seguindo o mesmo padrão de muitas metrópoles ao redor A profissão é nova. como explica Teresa Pires do Rio Caldeira em excessivamente “materialista”.

50% ganham entre um e para se poder parecer ser. cinco salários mínimos e 31. Na verdade. Editora 34/Edusp. Outros 26% só têm de um a três anos de experiência. Por 1 CALDEIRA. O motoboy ganha o suficiente para poder consumir e. 26% dos motociclistas pesquisados Featherstone2 fala do consumo de “marca” ou de “atitude” no qual o consumidor hoje são motoboys — dos restantes. outra pesquisa realizada pela CET na cidade de São Paulo indicava que insiram em categorias sociais previamente definidas. então. 4. Segundo a mesma pesquisa. Seria mais importante. dos 1.5% rodam de 150 a 200 km por dia. com poucas chances tradicionalmente “invisíveis”. encontra Primeiro. vários autores a dirigir sem passar pela auto-escola. a cidade perdeu sua posição de maior pólo industrial do país para outras A ameaça áreas do estado e para a região metropolitana como um todo. ter 40% dos motoboys têm até 24 anos. 34 35 . na motocicleta uma oportunidade de ganho e independência fartamente atraentes. SESC/Estúdio Nobel.8% têm nível superior.800 estabelecer hierarquias em uma sociedade cada vez mais democrática e com acesso motociclistas entrevistados nas ruas da cidade. pois segregadas historicamente — os motoboys de ingressar num mercado de trabalho em mudança — e que encolhia constantemente representam uma ameaça ao ordenamento simbólico da cidade de várias maneiras. tornando Muitos já dirigiam motos antes de se profissionalizarem e só fizeram aliar o lazer ao mais difícil uma clara distinção social e possibilitando uma maior mobilidade dentro trabalho. Mike tem de 18 a 29 anos. comercial e coordenador de atividades produtivas e serviços eram regulamentados em 2000 — e também por pertencerem às classes sociais especializados”1. São Paulo. todos somos ambiciosos na medida em que é imperativo consumir. quase a metade deles (49%) aprendeu ao consumo de partes cada vez maiores da população. pertencer. segregação e cidadania em São Paulo. Cidade de Muros: crime. 2000. A maioria é jovem: 59% certo modo. graças ao processo de redemocratização nacional: com a democratização. 2 FEATHERSTONE. portanto. exposto ao frio de uma economia que aos poucos regredia ao zero absoluto —. somente 7% dos motoboys um centro financeiro. 43% usam a moto como meio de transporte e 31% para necessita ser algo que seja facilmente verificável através de códigos visuais que o lazer. Outros compraram uma moto em algum dos muitos consórcios e foram à do ambiente urbano. A mesma Teresa Pires do Rio Caldeira fala da dificuldade de se luta. Teresa Pires do Rio. 1997. pós-modernismo e identidade. ampliaram-se também os acessos das pessoas aos bens de consumo. O desmanche da cultura: globalização. e 40% deles dirigem motos há menos de cinco falam hoje da sociedade industrial como sociedade de consumo por excelência: de anos. São Paulo. O jovem egresso do sistema público de ensino.de 1980]. tornando-se basicamente Por fazerem parte de um universo informal. Mike. Em 2001. Segundo uma pesquisa do IBOPE encomendada pelo CET em 2006.

conseqüentemente. os corredores motociclista ferido ou morto. a moto é atingida lateralmente. perdem seu trabalho. seguro da moto ou seguro buscando nos países “em desenvolvimento” o local ideal para a realização de lucros de vida. Segundo dados da CET. além da saúde ou de um membro. Muitos dependem de redes de — bem como de um espaço simbólico — os espaços hierarquizados da sociedade. constrói casas. No caso dos ônibus. para o motoboy. Muitas motocicletas ainda usam um chegar antes e sair depois. mais moderno. sua infra-estrutura para cuidar da vítima. escapando assim dos sindicatos nativos e do preço da mão-de-obra local. cuida da criança do vizinho que precisa trabalhar e não obteve vaga na única creche Mas os acidentes revelam a dificuldade de inserção do motociclista no cotidiano próxima. Se acidentados. cada vez maiores. ao mesmo tempo em que sedimenta 36 37 . amplia cômodos. em detrimento do sistema a disco. O motoboy é. um invasor de um espaço físico — o trânsito Vários apresentam seqüelas para o resto da vida. a calamidade instaurada no trânsito da cidade produz 19 feridos e produção. ou seja. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos exclusivos espremeram os automóveis. solidariedade criadas pelas famílias ou pelos vizinhos para se manterem. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a Não parece haver consenso quanto às soluções para o problema do trânsito cada dez saídas para um atendimento de emergência. 6 incapacitados. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é espaço esse tradicionalmente reservado aos produtos da indústria automobilística que um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do impulsionou o país desde os “50 anos em 5”. otimizando o tempo de quem tem que condições de uso que trafegam pela cidade. ele devolve ao espelho de quem o denomina “bandido” do que acontece nas eternas periferias paulistanas.outro lado. o motociclista cai e é atropelado em seguida. O espaço também: corredores segregados imitam a separação meta- freada de emergência. a maioria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais. A maioria deles não tem seguro médico. faz “gatos” para ligar energia clandestinamente. o que é agravado pela grande quantidade de motos sem de periferizados até os centros de trabalho. Os tempos distintos dos distintos cidadãos assim se sistema de freio à lona. E para cada vítima fatal de um acidente da estratégia global da indústria automobilística de reduzir custos ao descentralizar a com motocicleta. A exemplo Montado em uma motocicleta. Dado o caráter frágil do corpo exposto. ou colabora na refeição de um vizinho desempregado. ele força ainda mais seu ingresso na cidade ao disputar espaço no trânsito. o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza física entre quem pega ônibus e quem usa carro. mas garantiram o transporte dos milhões dispositivos de segurança. portanto. os ferimentos O problema são geralmente graves. é a solidariedade comunal que a imagem de liberdade e inconformismo tradicionalmente associado à motocicleta. Na hora da cristalizam. três são para resgatar um na cidade e. de Juscelino — na verdade um reflexo corpo mais atingidas nas quedas de moto. da cidade.

este que é o nosso “vagabundo”. contrário do enredo cotidiano dos romances policialescos que recheiam a indignação separando-se cada vez mais de sua origem e. por exemplo. nesse ponto. Fica de uma grande máquina. desigual. Quem se percebe excluído dessa Dos depósitos de mão-de-obra barata surge. além da única opção possível. exposto à fumaça e fuligem. Inverte-se. rebolando se frente à fatalidade ou rebelando-se: a morte na fila de um posto de saúde ou na entre os automóveis habitados por quem precisa que determinadas coisas sejam feitas esquina de uma avenida torna-se um fato da vida. confortos e oportunidades é demasiado restrito. Daí. Tal disposição espacial encontra-se pode conviver com um espectro desses lhe rondando a civilidade? também nos pequenos espaços segregados que habitam o cotidiano e refletem o Apesar de a morte ser o destino humano. tal a geografia “política” da cidade sem aparecer significa habitar o lugar da produção e não da fruição. O quarto “dos fundos”. Seu trabalho o obriga a relacionar-se com as ruas e avenidas o incômodo de algo que não se explica. é o final de uma complexa cadeia produtiva: ele é o responsável pelo último parafuso a equação simbólica que não fecha: não é bandido. assim. ao sobrepujava — colocando-a a seu serviço — distanciando-se da sujeira e do suor. Algo que não se entende. Significa.a opção da cidade pela sua geografia excludente. pois é trabalhador. ágil que é. um rebelde por natureza: parcela de civilização pode optar por não partilhar de seus princípios. segue o rumo do olhar. que penetra no espaço que não lhe é de direito. manifestando o orgulho do profissional dos tablóides televisivos diários. com seu empregado sobre a moto. invisibilidade. como incômodo. perpetuando a As categorias profissionais cujo discurso é perpassado pela fatalidade mostram noção mágica de que a sociedade dá conta sozinha de seu funcionamento. O olhar condicionado. acima que circunscreve em um “centro expandido” seu gueto de civilidade. Como uma sociedade continuamente. No imaginário caminho percorrido. ao suor e à sujeira — que não penetra 38 39 . a entrada — ou área — possibilidade pode revelar a falta de capacidade da sociedade em gerir bem-estar. nacional isso significa ser o oposto do “bandido”. resignando- a motocicleta. mas morre. E com a história. slogan que fala da opção por ser outsider: “vida loka”. que é regra na sociedade A civilização do trabalho intelectual tem tradição em rejeitar as tarefas musculares. O desafio às leis pode ser visto se incômodos ao desafiar o olhar atento do motorista. o dito de Marx: o motoboy é primeiro farsa para depois o processo histórico foi tomando o rumo do intelecto. apesar das promessas — ou um em determinado tempo. O motoboy. então. Os eternos trabalhadores invisíveis sobre a motocicleta tornam. é forçado a enxergar quem nunca viu: primeiro. como braçais. Tais tipos de atividade foram continuamente rebaixados à medida que estatística. que domava a natureza e a tornar-se tragédia. atento com o outro no carro e não como uma afirmação. Entretanto. depois. o convívio diário com sua real ordenamento simbólico da sociedade. Trabalhar valores diversos para a vida humana: parece que. “de serviço”. entretanto. são os espaços pensados para esconder. o acesso aos de tudo. O serviçal submisso vira bandido para depois morrer. o motoboy é um trabalhador.

novos materiais etc. essas carapaças herméticas de conforto regulado. A sociedade que opera como que “por encanto”. a motocicleta enquanto veículo para o lazer é No “centro expandido”. os seus rompantes de originalidade. ao uniforme. magicamente um projeto unitário no qual a cidadania é uma expressão de um consenso. cujo provoca a ingerência nas coisas mais básicas. então. Freios “ABS”. as forças da o motoboy incide o olhar que visa ao encaixe em um sistema. Umas “pegam”. cria. como representantes do poder e quem a ele deve submeter-se. Nesse ponto. igualdade e autoconsciência moderno. Acessório indispensável por ser aparente no trato da valoração da vida humana. Vira assunto no jornal. a noção de “público” e “privado” reflete a falência de abaixo da pirâmide. no caso de inúmeros outros trabalhos essenciais à sociedade que. o que o indesejável — ato agravado em uma sociedade historicamente segregada. motoboy que agiliza serviços e encurta prazos. Mas unem-se para dizer que consciência e democracia não se separam. No caso das motos. por lidarem Numa cidade onde as calçadas são mosaicos desarranjados da privacidade de cada com o que se considera “degradante” ou perigoso. “airbags”. mesmo que seja pela força diversa da motocicleta para o trabalho: a sociedade circunscreve ao lazer — o período dos números. Graças a tal parafernália. uma idéia “fora do lugar”: é o que fica fitas luminescentes. Chega-se. ele esbarra na questão de que a invisibilidade do 40 41 . Daí a criação de mais leis para tentar normatizar o caótico. para que o motoboy seja visto. fetiche do homem se aproximam do centro geográfico da metrópole. viabiliza e reforça ordenamentos já previamente estabelecidos. sem dar oportunidade nenhuma ao observado. carrocerias projetadas para se deformarem Transforma-se em caricatura trágica.nos automóveis. Tal risco físico fica então ao encargo de quem a ele se sujeita. ele passa a ser visto. e vigia. A natureza da motocicleta é outra — daí seu apelo não-conformista. os próprios limites de sua concepção transferem o risco para o corpo Leis são feitas para ele. outras viram moeda de troca entre os do motociclista. O regulação. Outras simplesmente somem. só consegue atingir tal feito. a morte ganha destaque. A privatização funcionando sem produzir detritos de qualquer espécie. Sobre em altas velocidades. garantem uma sensação de segurança mesmo segundo suas próprias normas. sob impacto. Aqui. são reservados às classes mais imóvel a invadir o espaço das ruas. ao contrário. que possui índices diferentes conforme mundialmente aceito como eficaz. em um discurso que física são absorvidas pelo custo da tecnologia de segurança. com ideal de igualdade de direitos é apenas retórica. O motoboy acidentado aparece nos noticiários graças ao agravamento do não-trabalho merecido após as horas regulamentares — ou outro tipo qualquer de do trânsito de uma cidade cujas veias não suportam mais a seiva que transporta. vez mais elevado. como sujeito do ordenamento social. atrasa a rotina cidade quando sai O crescente nível tecnológico permitiu aos automóveis assumirem um risco cada de sua rotina invisível. em caso de colisão. pois o olhar educado para não ver. do público e a publicação do privado invertem relações e solapa a possibilidade de pois esse “encanto” é assegurado pelo olhar que ignora violentamente quem lida com um pacto social.

É o indivíduo que não Públicos (ANTP). invisível. O olhar estrangeiro é aquele que não participa do conjunto de normas específicas em que Participou. o motoboy instituição. finalmente. O turista descobre o que o nativo não vê. como outros milhões. Letras e encaixa em outro sistema de valores simbólico — ou não encontra lugar definido Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Para além do herdeiro do antigo office-boy. Nesse ponto. Capturando as imagens de seu cotidiano. mundo afora. Cabe então ao olhar deseducado a tarefa de observar e se surpreender. 42 43 .motoboy não é um problema de regras de trânsito. do artista plástico catalão Antoni Abad. pois sendo selecionado para participar do projeto do Núcleo de Antropologia Urbana dessa mesma com seu olhar desestabiliza toda uma construção social. como convidado. é bacharel em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). o que vê e o que quer nas imagens que produz. diariamente. sendo posteriormente publicado pela revista da Associação Nacional dos Transportes é o estrangeiro eternamente presente no trânsito da cidade. pois realizado em 2002 no departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia. e aí fica a surpresa do inusitado. O indivíduo sob o capacete de “motociclista” pode mostrar quem é. tornando-se visível além da mera estatística. mas de organização social. Por isso o estrangeiro pode ser perigoso. imagens que muitas vezes não vemos. Resta saber em que mundo vive esse estrangeiro ou em que mundo ele pensa viver. Augusto Stiel Neto. do projeto canal*MOTOBOY. começar a produzir sua própria caricatura. no Centro Cultural São Paulo. deveria aparecer ali. Tal participação foi fruto de trabalho acadêmico passeia momentaneamente os olhos. o novo personagem cotidiano que ronda o trânsito em sua moto pode. em 2007. A curiosidade do estrangeiro devolve em parceira com outros dois alunos e versava sobre os motoboys da cidade de São Paulo. mas. O trabalho “Pelo Espelho Retrovisor” foi feito para encaixar. Da união de estrangeiros surge a oportunidade de dar ao “motoboy” o controle de seu discurso. deveria cumprir sua missão civilizatória e retornar ao gueto. o “profissional do motofrete” pode mostrar o que vê da maneira como sente.

fale-nos um pouco do seu percurso artístico até o início da colaboração com os “coletivos”..net CENTRO CULTURAL SÃO PAULO 12 DE MAIO A 10 DE JUNHO DE 2007 Entrevista com Antoni Abad para o Fórum Permanente.canal*MOTOBOY MOTOBOYS TRANSMITEM DE CELULARES www. isso produziu uma mudança.. ANTONI: Meu início foi como escultor..zexe. no Canadá. quando eu estive no Banff Centre. Então. que eu descobri que podia trabalhar com essa combinatória que eu usava nas esculturas. realizada por Vinícius Spricigo em 15 de maio de 2007. Então. VINÍCIUS: Antoni. Foi porque lá tive a oportunidade de acesso a essa tecnologia. que podia transportar todas essas idéias para o território do vídeo projetado. Estive quase dez anos trabalhando nesses projetos de projeções no espaço e também 45 .. em primeiro lugar. eu posso dizer que eu cheguei lá com ferramentas de escultor ou de relojoeiro e saí com fitas de vídeo e também com meu primeiro endereço de e-mail de Internet. Eu trabalhei muitos anos com escultura. mas chegou um momento.

VINÍCIUS: Nesse sentido. o trabalho tinha de ir em outra direção. e. Tem Foi essa direção que eu tentei dar ao meu trabalho nos últimos anos.. ao final. com a Internet e com todos esses coletivos. para que eles pudessem expressar-se. é quando termina esse patrocínio que vem do mundo da arte.. que já são sete nesse esquema. até que finalmente eu fiz um projeto com uma mosca experimentos. Depois tem alguns que não fazem nada ou que só chegaram para pegar um celular de graça. para encontra grupos de pessoas que são seres humanos. no qual certos coletivos possam auto. do mundo VINÍCIUS: Como você entende esse abandono das obras de arte e a tentativa das companhias. que escondia uma comunidade dedicada à arte para um território que eu acho bem mais mais social e do outro lado a distribuída onde não se podia interceptar as comunicações desses usuários. Temos os dois grupos de ciganos que já participaram do projeto ANTONI: O que estou fazendo é desviar fundos que estão destinados à arte na Espanha e também as prostitutas de Madrid que consideraram que já tinham dito e a cultura para outro território. você sempre tinha que fazer o possível para modelar essas redes. Desses. como usar. depois disso. aí eu já posso ir para o próximo coletivo. a rede de celulares. Ensinar esses coletivos como usar era uma comunidade preparada para poder conspirar e aí. para que esses indivíduos tenham voz própria. e o coletivo organiza-se para continuar o projeto. O trabalho ANTONI: Em todos os projetos. qual seria o seu papel nesses projetos? Criar condições Dessas porcentagens. O meu papel é esse: de um lado desviar esse financiamento que era virtual que morava no computador dos usuários. trabalhar com os celulares. tudo aquilo que tinham para dizer. Então. uma escola. tem 10 ou 15% que ficam bem interessados e envolvidos no projeto. uma vez que eles já conhecem o dispositivo. de reencontro com o real? VINÍCIUS: Após o momento da apresentação dos projetos no espaço expositivo. Porque minha função nesses projetos é ser um facilitador. para mim. como em uma classe de que fossem úteis a outros coletivos além do artístico. no caso das pessoas com mobilidade representar-se. a Internet. esses 10 ou 15% são aqueles que querem continuar. modelar o dispositivo. Então. Os taxistas do México. mais social. e tenho ainda. existe uma parte que fizeram algumas coisas para dar continuidade. No entanto.com programas de informática. o maior êxito. coletivos e a esfera institucional? exceto em dois casos. mas também mediar a relação entre os em cada projeto. você mantém algum contato com os coletivos? sobre a função do artista na sociedade. que foi o primeiro projeto desse 46 47 . eles criaram um pequeno grupo e uma associação específica só como artista. Porque. Eu tenho a possibilidade de fazer isso porque tenho uma trajetória reduzida de Barcelona. quando recebo convites para fazer projetos. Por que um artista é autorizado a comentar sua sociedade? Por qual motivo? A partir daí. comecei já a as ferramentas. ANTONI: Eu acho que essa decisão parte de uma decepção que eu tive. outros 30 ou 40% que estão mais ou menos interessados. que estão publicando. das operadoras. proponho esses para dar continuidade ao projeto.

artística no porque eles já organizaram-se. Se isso é uma autoria. neste caso. Isso você precisa fazer para ter o projeto viável. os autores são os motoboys. eu acho que nunca convidaria doze motoboys para patrocínio desses projetos. O espaço onde esse projeto é essa arquitetura da informação. não é o Centro Cultural. mas eu acho que. Uma vez que você conseguiu que esse coletivo organize-se e comece relacional. Hoje. os motoboys. não é o espaço artístico. representem-se eles que abarque também essa arquitetura da informação que você oferece já como algo mesmos. nos quais alguns artistas propunham uma arquitetura específica e um certo a falar. quem falam de suas preocupações pré-formatado. trabalho pertenciam a comunidade artística. temos discenso. da parte da instituição. vez Facundo. uma das críticas feitas a esses trabalhos de comunicação e fazem entrevistas com os participantes. temos também a reconversão de dinâmicas para fazer um projeto. A minha relação com esses grupos que continuam é esporádica vimos aqui.. aqui só temos uma mesa de a essas comunidades. O projeto acontece na Internet. só essa é minha autoria. encontrarei outra espaço. se eu vou ao México. às vezes. você tem uma frase com o Ronaldo e com o Luis. é muito importante ter uma difusão. na qual estas ganham visibilidade em um concessões. que aparecem VINÍCIUS: Estou pensando aqui espaço institucional em um sentido mais amplo.tipo. por exemplo. que diz: projeto de Antoni Abad. Então. o meu irmão. normalmente. e em São Paulo. a representação. como se diz. uma vez que todos os participantes do de um lado um projeto que critica os meios de comunicação. mas o projeto é na Internet. nos meios de comunicação sempre por sua imagem negativa. em outra direção. reunião onde os motoboys se encontram uma vez por semana. Isso. praticamente não existe. o trabalho reafirma o lugar de exclusão desses sujeitos. Porque o VINÍCIUS: Parece-me que se por um lado temos o “desvio de fundos” das instituições Centro Cultural São Paulo. ANTONI: Nesses projetos. por outro. Nesse momento. permite somente o acesso dos indivíduos que pertencem mostrado. Vamos pensar nos trabalhos que ficaram estigmatizados pela estética ou de seu dia-a-dia. criaram a Fundación Latinoamericana do Transporte Público que pretende ter um é chamado “instalação”. 48 49 . mas também não está explicado que são os doze motoboys participantes. versava sobre a criação exclusiva de espaços de consenso e nunca um espaço de quando se consegue que esses canais sejam vistos pelo maior número de pessoas. Nesses convites. no Brasil. uma coisa de amizade... âmbito latino-americano. no final. o espaço criado por precisa dos meios de comunicação para ser difundido. De alguma maneira. entende? Essa combinação dessa arquitetura entre os celulares e tradução ou apropriação dessas dinâmicas para o espaço institucional? a Internet que permite. a minha autoria espaço onde. Tem que fazer algumas sociais existentes para a esfera institucional. mas que. é quando aparecem os meios modelo de sociabilidade predefinido. estariam excluídas. então.. que tinhamos duas pessoas lá. ou seja. Eles precisam de uma instalação. Mas isso é. Não havia espaço para “o outro”. que sejam eles quem geram as suas notícias. vamos dizer. Enfim. Então. vai acontecer a mesma coisa Você também falou de apropriação. Naturalmente. você tem que ceder. Como você entende esse processo de está no dispositivo. uma coisa é conseguir que esses coletivos.

Como que você que eu questionaria. outros segmentos da sociedade pelo que eu percebi. portanto. eu não quero o meu canal aberto”. em todos os canais não teve edição diretamente. como responsável expressarem a sua percepção dessa representação. seria melhor. da realidade cotidiana dos coletivos. diálogo e negociação na construção dessas VINÍCIUS: Vamos tomar um aspecto tecnológico para ampliarmos essa questão. Eles publicam diretamente do celular nos seus canais. Você tem um fórum aberto no dispositivo onde tem a dos resultados. Até agora. permite. ao final de tudo. abertos para nós Tisselli. é um aspecto positivo. escrevendo o que eles quiserem do projeto dos motoboys. Quando você publica uma foto. Temos todos esses canais individuais. Você. que não permite. mais preciso. onde se encontram os motoboys. focada no broadcasting dos registros vê essa tarefa para além do registro. porém alguns disseram: “Agora. Quando é aberto ao resto da sociedade. principalmente no participação de todas essas pessoas que estão aí. e os programadores. você tem aí um fórum que é ANTONI: Vejamos. se você conseguir que os motoboys falem por si mesmos.. eu percebo que. tivemos muitas intervenções atacando a comunidade etc. representações? Não estaria a abertura para o expectador reduzida ao comentário Quando você diz que essas ferramentas de comunicação permitem que os motoboys dos conteúdos transmitidos pelos coletivos? tenham uma representação da sua própria comunidade que não passa pelo filtro das VINÍCIUS: A última pergunta. VINÍCIUS: Existe. Existe uma preocupação. Como dizia há alguns tem aí a possibilidade de abrir o seu canal para que outras pessoas possam intervir no minutos. A princípio. Mas. por exemplo. um canal aberto quer dizer que você 50 51 .net integra todos os resultados desses diferentes projetos. Da minha parte ou do Eugenio Esses canais individuais dos motoboys podem ser abertos também. de um lado. onde as pessoas podem interagir. desse conteúdo. No entanto. ela é feita pelas próprias comunidades.net. a única coisa projeto zexe. Eu ofereci essa possibilidade. o programador do projeto. aberto. divulgar isso. As possibilidades de edição são muito simples: você só pode nos dois canais dos ciganos. Nós já tivemos muitos comentários. com alguma possibilidade de edição estranhamente. também voltada para o lado tecnológico é: o portal do mídias de massa. eu acho que ali os motoboys Só temos um desses canais. adicionar mais texto ou mudar a posição das mensagens. ou digamos estética. qual é o papel de vocês nesse processo de integração ANTONI: Sim.. não há nenhum comentário negativo. houve uma preocupação com o design. Cabe dizer que. naturalmente. pelo projeto. projeto. você tem que seu canal. a todos os começam a interagir com o resto da cidade. onde os motoboys estão broadcasting. você pode ali escrever o seu comentário. de edição mesmo. os dentro da terminologia da zexe. seria a estrutura do projeto. no sentido de projetar uma forma de visibilidade aos coletivos? webcasting. em um âmbito que não é só um corredor motoboys. não temos a possibilidade de editar esses conteúdos. de edição do conteúdo? Por fim. ANTONI: Eu acho que o importante é abrir esse espaço. certamente. lá dentro. feita pelos próprios motoboys. isso..

esses tags são totalmente livres. a partir do primeiro projeto no México... Aí. vamos ver o que acontece que algumas das publicações dos taxistas da Cidade do México podiam ser podiam ser com isso. porque. esses são alguns canais de interpretação onde outras pessoas enviam uma imagem tem que pegar aí uma palavra que descreve essa imagem. E achamos. em todos os canais tem mais ou menos um importante descrever essas publicações. principalmente. Você acredita.. Então. e tem aí algumas Porque. o mais simples possível. são eles que estariam editando. Então. não é uma equipe que está depois aí. temos umas oitenta palavras-chave que ficam em cada mensagem que você assistiu agora quando estávamos aí com o Augusto Stiel Neto. mas de qualquer maneira. vamos dizer. objetos. vimos estão bem altos no ranking. afinal. ou críticas. eu digo achamos. espaços e atividades.. significa para eles um esforço intelectual. Eugenio Tisselli. que tenta representar um pouco o dispositivo. que os indivíduos estão deixando cada vez mais de delegar à instituição e aos artistas Então. nesse caso. de alguma maneira classificar essas visões. por um lado. um capacete bem simples. ANTONI: Eu acho que sim. em coisas a suas pesquisas de acordo com esse dicionário. quando mostramos pela primeira vez essa possibilidade. porque isso foi conversado. eles mesmos. decisões estéticas. Da outra parte. com o programador do projeto. um descritor era Camaron. não sei como dizer. até agora..conteúdos são publicados direto dos celulares. que seria E para responder essa outra pergunta. inteiro. senão os próprios motoboys que pegam essas palavras-chave nas suas mensagens. Isso. que era bem conhecido no mundo VINÍCIUS: Para encerrar. não são mais de oitenta e alguns Também tem outra possibilidade. porque quando colaborador do projeto. Por outro poderiam ser convidadas a participar a participar de uma interpretação desses conteúdos. decidimos mudar totalmente o dispositivo e agora esses descritores. até agora. imagino. É um dos experimentos que estamos testando no canal*MOTOBOY. o que tem nessas imagens. e aí. por exemplo. então. voltando à questão da instituição. Isso permitiria aos usuários do dispositivo fazer coisa que vem da publicidade para a identificação das publicações em adesivos. assim que são um pouco para divulgar. esse descritor era alguém especial e bem específico dessa comunidade. a primeira idéia que eu acho poderia ter do motoboy. os ciganos. mas achamos que isso era muito rígido. um conclusão de um sistema que partia de certas classificações da sociologia ou da antropologia capacete. e estão. um cantor que já morreu. que o objetivo seria esse: que os próprios coletivos 52 53 . assumindo uma postura ativa de chave. imagino que é uma seriam: seres. eles próprios. Aí. constrói um dicionário de termos que eu acho que gera conhecimento coletivo. criar um sentido para si e uma apresentação de si para a comunidade? descrevendo as imagens. porque esses termos que eles estão pegando. entende? Podia ser difícil de interpretar isso. que Isso é uma representação também para a difusão. não sei. afinal. temos canais de interpretação. é preciso divulgar isso. que era classificar a vida humana em um dicionário com quatro ramificações importantes. chegamos à logo. o mais simples possível. que também é um enviada. lado. mas são bem simples também... “trânsito”. essas palavras- o papel de sua representação. como “acidente”. achamos que seria interessante organizando essa informação a partir de palavras do dispositivo ou de suas publicações.

Como também para desenvolver a informática. VINÍCIUS: Obrigado. Museo Andrea Sadocco Giannini: O canal*MOTOBOY (eu creio que seja) é um canal de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. uma construção em uma favela do Rio. eu penso: o que é isso? Do que fala? O artista teve a coragem de chegar lá. nascido em Lleida em 1956. não? Se alguém tem a possibilidade de representar essa favela são os algumas das considerações por eles expostas. Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León o lado das fotos. Onde isso nos levará? Eu não sei. Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003. desenvolver de Sevilla 2004. Eliezer Muniz dos Santos: O canal*MOTOBOY é uma idéia. e uma comunidade com sérias necessidades de expressão. Lleida 2005.. que juntou a possibilidade de abertura. a cada dia. Artes Visuais da Generalitat de Cataluña e o Golden Nica Digital Communities do Prix Ars Electronica de Linz. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. E creio que é Contemporary Art. Centre d’Art Santa Mònica.net Keila Muniz dos Santos: Um instrumento de visibilidade.ou tenta ir por aí. San José de Costa Rica 2006. Seus projetos foram apresentados no Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. E aprender. MECAD/ZKM’net_ para mostrar a vida dos motoboys. Karlsruhe 1999. vamos ver. que está crescendo muito.zexe./MOMA. Brasil 2007 e trabalho honesto. 1ª Bienal tudo isso e mais um pouco. Austria 2006: www.S. vive em Barcelona. O dia a dia deles. Berlin 2002. um pouquinho o Tráficos. A coisa vai por aí. O que se segue é uma seleção de produzir beleza. o que as novas mídias têm de melhor. no caso um artista. Que todo mundo possa na internet.. México DF 2004. Media Lounge/New Museum of mais amigos. o Antoni Abad. O projeto canal*ACCESSIBLE no Centre d’Art Santa Mònica recebeu o Premio Nacional de conhecer o dia a dia do motoboy. onde seus atores são 54 55 . Centre d’Art La Panera. Estrecho dudoso: aprender um pouco mais e cada vez mais desenvolver. sincero e que todo mundo possa prestigiar.representem-se. New York 2001. com uma câmera bem grande. E também uma forma de fazer condition. canal*MOTOBOY é um instrumento de comunicação entre a sociedade e os motoboys. Hamburger Banhof. Ou seja. mas o exemplo poderia ser: quando Nos meses de setembro e outubro de 2007 se realizaram entrevistas eu chego em uma sala de exposições e vejo um Cibacron perfeito de uma fotografia de com diversos participantes e colaboradores do canal*MOTOBOY. Estamos aqui pra 2005. New York 2003. Uma criação de uma pessoa. próprios moradores dessa favela. Centro Cultural Sâo Paulo. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999.1. P. fazer essa foto e depois no Centro Cultural São Paulo. Madrid 2005. do fotógrafo dentro de cada motoboy. Que as pessoas possam conhecer melhor a nossa vida. Madrid 1997. O que é o canal*MOTOBOY? ANTONI: Obrigado você. Barcelona 2006. Fundación Teorética. Centro Cultural de España. La Casa Encendida.

Bem. só mais um empurrãozinho para a gente chegar lá e engrenar artista para ser o Curador Adjunto do projeto.vistos e se vêem. Afinal. mas o Ronaldo. agora era definir o que a gente ia Cleyton Pedro Perroni: Eu cheguei ao Projeto através de um amigo meu. e muitos destes já se interessaram pelo Projeto. participando das reuniões. Só que pra isso a gente tem que dos Debates e Filmes que ocorreriam junto à exposição. e depois que o artista voltou à Espanha. Claro que tivemos muitos A gente quer pessoas de responsabilidade. Eu me interessei bastante e vim. Franscisco Djalma Souza: Quando fui convidado a participar deste Projeto. mas só se envolvendo. mostrar o problemas. o motoqueiro que coordenava a logística dia a dia do motoqueiro. Por que você se envolveu com o canal*MOTOBOY? embora pouco se comuniquem entre si.. E por onde eu ando tento passar isso que a gente está fazendo. mal intencionada. o Antoni Abad. como eu saber escolher algumas pessoas para poder trabalhar. a princípio fui contratado pelo precisando. mas fui gostando e hoje estou aqui. em que se transformaria esse grupo depois da mostra. fazendo reunião com vários motoqueiros. na construção de algo que eles achassem mesmo. mostrarem muita coisa errada na rua. e isto significava fazer a coordenação mesmo na força de vontade de cada um dos motoqueiros. se percebem e são percebidos. E não era eu só. A gente está Eliezer Muniz dos Santos: É difícil de dizer. meu interesse em primeiro lugar meu cunhado. pessoas para trabalharem direito. Em segundo do motoqueiro. porque o mundo de hoje da gente tinha uma larga experiência sobre o histórico de lutas da Categoria. Adriana Maria de Oliveira: A possibilidade de legalizar os motoqueiros. na verdade. terminei por assumir a responsabilidade sobre o grupo. Tivemos que bater muito a cabeça até o grupo se encontrar em uma direção. para os outros motoboys. que já tinha um contato com o artista espanhol. sou um dos membros do importante. eu acabei me tem muita gente ruim. que às vezes quer entrar numa coisa. E aqui no canal*MOTOBOY não é isso que a gente quer. Se identificam em seus pares. o fazer a partir dali. sem celular ainda. pelo Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. o Beiço. Fiquei várias semanas só participando lugar. e foi abrindo Sua participação teve influência no seu cotidiano profissional e particular? espaço. surgindo assim o canal. ele falou pra mim que era um Projeto que mostrava o dia a dia foi dar apoio ao grupo naquele momento na dinâmica das reuniões. Isso foi o que me incentivou mais a Como você chegou ao Projeto? participar no canal*MOTOBOY . interessa mesmo é pelo dinheiro. De mostrar pro pessoal a categoria dos motoqueiros. isto é. que tem mesmo! dos motoboys. Ronaldo. 56 57 . estar ao lado deles. Ou seja. os motoboys. os celulares e o site nós já tínhamos.. No entanto. e dali nós viemos conversando muito. canal*MOTOBOY. na rua. uma missão.

você tem que captar os governantes ou para as pessoas que fazem as leis de trânsito verem que não adianta estas coisas que eu estou conhecendo. foi uma coisa muito legal. e nem em lugares como o Centro Cultural São Paulo eu nunca tinha entrado. isso aí seria uma janela para então pra mim foi uma experiência legal. se isso dali está que tem tudo a ver com a gente. que é a amizade. A moto. e bom só mesmo indo ver nas reuniões. e acaba tudo se envolvendo. Então eles 58 59 . correndo risco de vida todo dia – como eu corro risco de vida no trânsito. Você acredita que o canal*MOTOBOY poderia contar com um número maior de Você diria que o canal*MOTOBOY lhe deu oportunidade de fazer parte de uma participantes? Caso afirmativo. Se alguém tiver uma oportunidade. comunidade de periferia. mensageiros e ex-mensageiros. um stress. que é família. e eles têm o direito eu achava que a profissão era só um meio de sobrevivência. como pedestres que pegam condução e sofrem o engarrafamento. (alvará fornecido pela Prefeitura) e os celulares pertencem a eles. antropólogo. sendo uma maneira boa e fácil para as pessoas que estão envolvidas no trânsito. tudo isso aí. muita gente inteligente. é importante ter existe um grupo de motoqueiros. Eu creio que sim. eu vi que tem sagrado de se organizarem como eles bem entenderem e ninguém tem nada com isso. Mas também a gente tem que ver quem está pilotando. Não só motoqueiro. tudo. Cleyton Pedro Perroni: Bastante. por exemplo. A gente Isso é inusitado na história dessa classe de trabalhadores. que nasceu dentro do canal*MOTOBOY. Pra mim. fazer só faculdade de engenheiro e depois ir lá e montar as rodovias e as estradas do Edison Cordeiro da Silva: Ah sim. muita importância para todo o povo de São Paulo. como convivência com sociólogo. que hoje em São Paulo Andrea Sadocco Giannini: Eu acredito que sim. motogirls e experiência. é a dos Profissionais Motociclistas. de nome. como motorista. Acho que muita gente poderia participar sim. mas não. porque até certo tempo atrás eu não tinha Luiz Fernando Bicchioni: Com certeza. eles amizade do Canal. o Condumoto Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Com certeza. E a gente nota. Eliezer Muniz dos Santos: Posso dizer. pois essas pessoas trabalham todos os dias com grandes responsabilidades. com toda certeza. essa comunidade jeito deles. Este coletivo é uma comunidade? Se está começando a dar uma influência em cada um de nós que estamos trabalhando. Nunca houve uma iniciativa faz do dia a dia nosso. for. motoboys. Eu tive outra visão da profissão. e posso dizer que dela eu participo. apóio e vamos até o fim nessa história. os novos participantes devem ter um mínimo de comunidade? De que tipo? experiência como motoboys? Ronaldo Simão da Costa: Sim. a dessas. contato com pessoas que eu só ouvia falar taxista. até deliverys que se reúnem semanalmente para discutirem os problemas da Categoria. Porque a gente não faz só foto da rua. que aqui em São Paulo o canal demonstram que estão crescendo dentro do canal.

eu Luiz Fernando Bicchioni: Eu não mudaria nada. Cada um tem que saber o que faz e tem que disponibilizar um Cleyton Pedro Perroni: Olha. pouco mais de tempo. também. a gente não está parado ou estagnado. entendeu? Tanto acidente – se e pegar novamente. cursos. a beleza da cidade. ele está nascendo agora. alguma coisa e você tem que parar e perde vinte segundos preciosos para você armazenar Muitas coisas o motoboy pode ver. se tem CET. teríamos um jornalista. tem muita coisa ainda pra sabe. o que a gente pode aproveitar como uma faculdade. tem que ter compreensão. Então para melhorar o site era assim: que as filmagens tivessem um aparelho que tivesse mais a gente pode dizer sobre o clima. se está organizada. a partir do momento em que você trabalha com 60 61 . informar e ajudar.. Porque às vezes você está pegando um flagrante. um fala uma coisa. escolas. como eu falei. maioria das entrevistas não fosse feita por motoqueiros. sobre a cidade. se a cidade está bagunçada. outras formas para ajudar o mundo. e tem que ter uns adesivos.. Porque hoje em dia ninguém não está nem aí com isso. E hoje em dia quando eu vejo. várias coisas que a gente desconhece. então a pouquinho um horário para participar se estiver interessado mesmo no canal. ajudariam o meio ambiente. antigamente eu não pensava. que pode estudar. ter mais motoqueiros transmitindo de celulares. A gente viaja para São Paulo inteiro. delegar algumas funções pra gente poder trabalhar. as pessoas têm que se ouvir. Tem que delegar funções. e se a gente delegar as funções. entendeu? Então a gente tem que procurar se informar melhor. Ouvir um ao outro. outro tem que ouvir Edison Cordeiro da Silva: Uma causa que estamos discutindo agora é a do o que aquele está falando. Porque senão fica complicado. Colocar um bem que minha intenção não é mostrar acidentes. O que está atingindo o nosso mundo. É muito importante. e acho que isso daí era o que a gente podia mudar. mas mostrar monumentos. culinária. Espaços da prefeitura. Quando eu entrei no canal*MOTOBOY. e tem muita coisa em São Paulo que a gente desconhece e muito da população Edison Cordeiro da Silva: O que tiver para melhorar eu estou aqui.podem trazer com certeza informações. Mas melhoraria em função de falo o que está errado. meio ambiente. E uma das coisas é essa. E as pessoas ficarem unidas. Que outra utilidade você daria a um projeto como este? O que você melhoraria ou mudaria no canal*MOTOBOY? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Eu faria uma parceria com outros projetos que Adriana Maria de Oliveira: Bem. Que pode aproveitar gratuitamente. se está bem policiada. Acho que é mais ou menos assim. tal opinião com esta aqui fica legal. e que a gastronomia. Para mudar. Minha idéia gente conhece toda a Grande São Paulo. O Canal é que nem uma criança. melhorar. desconhece. pode correr e não eu acho que mudaria o site. o que se passa. mesmo. fosse feita por ele. eu aprendi muita coisa. Ter mais patrocinadores. tempo. e se a cidade está suja. Um tem uma opinião. clubes. Mais que nove segundos.

coisas ruins. você tem um envio imediato. o que a gente nunca imaginava existir. como eu já tinha falado. e com nosso Projeto tinha várias exposições sendo realizadas no período. Tudo. Então pra mim foi uma coisa boa. de um rio. como a gente foi pro Centro Cultural São Paulo e aqui na Ação Educativa. Então são coisas que a gente nem imagina que tem num prédio daqueles. de um acidente. 62 . Porque ele vai tirar de cima o que ocorre. Então é uma coisa que a gente descobre a cada dia. Até o dia a dia de uma pessoa que mora num apartamento fechado ele é capaz tirar. mas de várias coisas. de uma pessoa. sim. Então. um projeto cultural. Descobri que o Centro Cultural tem uma biblioteca imensa. o que foi o que eu aprendi: você não tira fotos só da rua. Muitos lugares que a gente nem imaginaria entrar sem que não fosse para fazer um serviço. por exemplo. Porque. Franscisco Djalma Souza: Eu acho sim que é um projeto cultural. Então é uma oportunidade de a gente se conhecer. tudo. a gente está tentando mostrar as coisas que o motoqueiro faz. eu não sei se é uma cultura o dia a dia do motoqueiro. Quer dizer que hoje em dia a informatização melhorou muita coisa. mas pra mim é. Você acha que o canal*MOTOBOY é um projeto cultural? Por quê? Ronaldo Simão da Costa: Eu acho que é um projeto cultural porque envolve todo tipo de pessoas. A gente passa na avenida 23 de Maio e nunca olha para lá. “tipo assim”. Versión en Español fotocelulares. de um buraco. É infinito: coisas boas.

en un espacio/instalación ideado para el proyecto por Antoni Abad. adecuando la conectividad de la red a la interfaz de los canales. El proyecto con los motoboys fue presentado en diversos momentos a instituciones culturales de la ciudad de São Paulo. gracias a la colaboración entre el Centro Cultural São Paulo y el Centro Cultural de España / AECI. Durante tres meses el Centro Cultural São Paulo recibió a un grupo de motoboys para sus reuniones semanales. “constituyen una red humana motorizada que hace posible el intercambio de información en la metrópolis… arterias informantes de la gran urbe” –los motoboys. pasaron cuatro años y. En 2004.canal*MOTOBOY Diciembre de 2002.net articula y hospeda las experiencias realizadas en otros locales en “colectivos trasmiten de móviles”. y también con los inmigrantes nicaragüenses en Costa Rica. fue con las personas de movilidad reducida en Barcelona.net. así como en las prostitutas de Madrid. los motoboys propusieron actividades paralelas como charlas y mesas redondas con profesionales invitados. la atención del artista se centró en los taxistas en México y. En ese espacio de gran impacto arquitectónico que. el artista.zexe. el proyecto canal*MOTOBOY se hizo realidad. 65 . que incorporó la obra “Derrapagens”. www. También coordinaron la publicación inmediata de los contenidos que se propusieron tratar. canal*MOTOBOY se tornó una dimensión paralela al caos de la ciudad. No obstante. En mayo de 2007. provista de teléfonos móviles con cámara integrada. En 2006. durante ese período. El proyecto ha sido concebido para convivir con este espacio público digital. Antoni Abad en visita a São Paulo. a otros agentes. El local escogido fue la gran plaza interna que congrega el conjunto de bibliotecas de ese Centro Cultural. durante ese tiempo de espera. vuelve su atención a los innumerables mensajeros que circulaban por la ciudad que. El proyecto generó efectos deseados e inesperados al congregar. ambiente completamente en sintonía con esta “red humana motorizada” que. con el apoyo de la española SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior). En los últimos años. en 2005. la primera idea no se concreto. el trabajo de Antoni Abad viene siendo desarrollado principalmente en Internet por medio del proyecto www. refleja el laberinto que es la ciudad de São Paulo. produciendo y potenciando su propuesta inicial: la de propiciar canales de participación y expresión a los grupos económica y mediaticamente desfavorecidos. además del grupo inicial. de cierta forma. teniendo como inspiración el proyecto dirigido a los motoboys. En estos encuentros. por ejemplo. que apuesta en el ámbito de las redes. con la artista Regina Silveira. Durante todo el proyecto intercambiaron experiencias y opiniones por medio de mensajes multimedia y conversaciones telefónicas. su equipo y los motoboys estudiaron las posibilidades de realizar proyectos colectivos. en los gitanos de Lleida y León. un contraflujo de situaciones singulares reportadas por aquellos que parecen vivir siempre en corriente continua. envían al sitio en tiempo real las percepciones de su cotidiano. como notó. zexe. así como de canales individuales de transmisión.

como la acción educativa. el arte no podía concebirse ni practicarse como un ejercicio meramente representacional. este entretejimiento contextual del arte. la instalación. espacios o experiencias. se manifestaba ya con contundencia la suspicacia posmoderna respecto al lugar que la representación había de ocupar en la práctica Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé artística contemporánea. En este sentido. para que se disponga con responsabilidad ambiental de los residuos de las motocicletas (combustible. el trabajo artístico no ve más allá de su campo de competencia. incluso. museos y centros de arte. ya sea como productor de bienes suntuarios o de experiencias para el ocio y el entretenimiento en bienales. es decir. no era nada excepcional. de captación de esencias o de evocación de la realidad (si es que realmente alguna vez había podido ser sólo eso). destaca el emplazamiento privilegiado del artista moderno para comprender el mundo e incidir sobre él simbólica y concretamente. de estar contenido en los límites formales del objeto artístico (de la pintura. el descreimiento respecto al emplazamiento privilegiado del artista. Sin embargo. pasando por los constructivistas y los miembros de la Bauhaus. especialmente en la medida en que el horizonte de acción de la producción artística contemporánea pone en cuestión el mencionado presupuesto. Se trata. el beligerante texto donde Michael Fried (1967) descalificaba la escultura minimalista por ser teatral. en la publicidad y en los carteles de cine. que podemos explicar en términos de su capacidad “performativa”. baterías. cuanto menos. sino que dejaba. la performance. pero en unas condiciones muy distintas a aquellas en las que se planteó originalmente. emprendieron en su día la tarea (¿artística?) de hacer efectivos nuevos modos de vida o. de reconfigurar los existentes. Transformar la vida no podía ser imitarla mediante criterios estéticos sino que conllevaba introducirse en los intersticios de la cotidianeidad y modificarla: en las portadas de los libros y el atrezzo teatral. Así acotado. de la escultura o del vídeo). no era casual la alarma que animaba “Art and objecthood”. por perder autonomía al depender de un espacio circundante que activara la experiencia artística. la heteronomía que anulaba su pretendida autosuficiencia. 66 67 . Con la publicación de la memoria del proyecto celebramos también la continuidad La ruta está siendo recalculada del canal*MOTOBOY. De entre ellos. que de un imperativo vanguardista de actuar sobre la realidad que ha sido legado al arte contemporáneo. Los artistas dadaístas y surrealistas. pues había sido ya desplegado por las denominadas vanguardias históricas de principios del siglo XX. a través de un núcleo de motoboys que trabajan en iniciativas El motoboy y la economía política del afecto colectivas de ámbito más amplio. acción realizada en colaboración con el ISA (Instituto Socioambiental).). Alberto López Cuenca etc. No parecía que el arte debiera pasar necesariamente por Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da España elaborar representaciones (algo que el cinetismo. la escultura minimalista o el land art habían puesto de manifiesto). sino que más bien se proponía ahora generar situaciones. En la hoy clásica recopilación de textos Art after Modernism: Rethinking Representation (Wallis 1984). con vistas a la preservación de los manantiales de agua del Estado de São Paulo. así que no cabe esperar de él que articule grandes proyectos de transformación social. No obstante. Parecía que el arte no sólo no tenía que ser ya representación de algo. ni más ni menos. Para esto. en el diseño de juegos de té y de ciudades enteras. la ONG Acción Educativa y el Centro Cultural de España. La posición prácticamente omnisciente del artista para comprender e incidir sobre el mundo está hoy en entredicho por la generalizada conversión de aquél en un especialista de la industria simbólica. descansaba sobre múltiples presupuestos. La cualidad del arte como acción transformadora.

De nuevo. Las y estrategias de subjetividad. sitio*TAXI. que surge con una fecha de caducidad. lo que sitio*TAXI ponía a nivel institucional (el mapa salió reproducido en medios de comunicación locales en marcha era mecanismos de sociabilidad. De un lado. los patriarcas. sobre los taxistas en tanto narradores de su experiencia y enunciadores de su propia historia. Miami. En otras palabras. canal*ACCESSIBLE. el modo de operación de canal*GITANO implicaba proyectos. más allá de constituir una contraesfera subsanar muchos de los obstáculos arquitectónicos sobre los que los miembros de para la representación. durante dos meses en 2004. pero serían coordinados por Antoni Abad: proyectos donde se supera la condición omnisciente del confrontados por ella y su madre hasta el extremo de que volvió a ser aceptada de artista y que subscriben el carácter performativo y no-representacional del arte. sino que llamaba la atención ejercicio y la enunciación comunitaria de un sector de la población nicaragüense. vídeos. grabaciones de audio y video. en el cual un grupo de 17 red. los cuales canal*CENTRAL. De un lado. Para empezar. Aún más. sin embargo. es decir. La página reunía y actualizaba sin edición o selección previa los trámites para los celulares: por tratarse de móviles importados ilegalmente desde los documentos remitidos en tiempo real por los miembros de ese colectivo urbano. Se abrieron. continúa reuniéndose y trabajando tras el fin del proyecto con la constitución de la Por ejemplo. la institución misma del poder se vio sujeta a escrutinio al crearse el canal*PATRIARCA. que la página web del proyecto. Antoni Abad puso en funcionamiento posibilidad de transmitir directamente desde ellos información vía internet. desarrollado en Lleida “Asociación Accesible” durante 2005. comandos extraordinarios ahí puntualmente como accidentado o delincuente o héroe efímero de algún rescate). Pensando de nuevo en ese título. menos ambiciosas que las modernas. transformar la imagen que se tiene del taxista. imágenes. al enfatizar que no es el artista quien habla en sitio*TAXI sino los taxistas mismos. entre los discapacitados. en San José. canal*ACCESIBLE habían llamado la atención. conllevó una serie de negociaciones y conflictos que no son visibles en el material audiovisual accesible a través de internet. al considerar al taxista como etnógrafo. Costa Rica. los inmigrantes o los discapacitados) sino a generar la vida 68 69 . No como etnógrafo”. cuestiones presupuestas que rara vez eran Antoni Abad ha desarrollado junto al programador Eugenio Tisselli a lo largo de consideradas de modo explícito. su software no estaba homologado para operar en Costa Rica. hay algo en él que aún suscribiría menos laboriosa fue la tarea de dar de alta teléfonos para 22 inmigrantes ilegales y algo con lo que ya no estaría de acuerdo. “El taxista como etnógrafo” cuando demostrar la residencia formalizada en el país es requisito imprescindible para ironizaba sobre el conocido ensayo de Hal Foster. los lugares y las condiciones en las que pueden encontrarse y el posible el despliegue de estrategias para la acción del arte en el terreno de la vida tipo de interacción que pueden mantener. con ello. donde se reunían entrevistas incómodas a los patriarcas donde habían de explicarse y de pensarse como gitanos al hacérsele preguntas como “¿qué Redes de sociabilidad es ser gitano?” o “¿qué es ser patriarca?”. en 2006 se puso en marcha en Barcelona canal*ACCESSIBLE. creaba relaciones sociales y el ayuntamiento replicó distribuyendo un mapa de la “Barcelona accesible”). sitio*TAXI abría espacio para la acciones de documentación hicieron que el mismo ayuntamiento se viera forzado a enunciación y la agencia de sus participantes. pero que conforman la parte Queda patente que tomar fotos y subirlas a la red no agota el alcance de estos crucial del proyecto. la planificación y activación de canal*GITANO. canal*GITANO generaría un social. de ahí que Entonces redacté una breve reseña sobre sitio*TAXI que llevaba por título “El taxista hubiera de negociarse el espacio tecnológico y legal para hacerlos operativos. Erraba. no es la visibilidad de las imágenes en la se desarrolló en México D. pero más diversas. nicaragüenses teléfonos celulares y el conocimiento para mantener en funcionamiento Tuve la oportunidad de escribir sobre el primero de esos proyectos. las trabas legales con web de libre acceso. incitó la conformación de un grupo de colaboradores que Ése ha sido un aspecto constante de los trabajos que siguieron a sitio*TAXI. canal*CENTRAL no sólo hizo visible el control (2001) –donde el autor sostenía que algunos artistas contemporáneos se habían de la comunicación y las fricciones técnicas y legales en el monopolio estatal de las convertido en investigadores críticos de su propia sociedad– y creo que acertaba comunicaciones. Es el desplazamiento de discapacitados por la ciudad (una contracartografía frente a obvio que sitio*TAXI opera a través de mecanismos de representación. hacen todavía hombres y mujeres.F. el taxista sólo aparece a nivel colectivo (se conformaron. notario de su realidad.sumado a la convicción de que el arte aún puede generar sociabilidad. Ahí se distribuyen entre la nutrida comunidad de inmigrantes han desembocado en la articulación de singulares comunidades de colaboración. su resultado no es simplemente monumentos y estaciones de metro). más que otras representaciones de la realidad. las múltiples cartografías triunfantes de la urbe: de sus museos y parques y bares y textos. A pesar de que la labor de canal*ACCESSIBLE “hacer visible la realidad del taxista” o “propiciar unas representaciones que no caben parecía desembocar en el trazado de un mapa. Por otra parte. como En el fondo. Es éste el trasfondo enfrentamiento inusual contra el poder fáctico de la comunidad. Éstos sobre el que se desarrollan algunos de los proyectos con colectivos y tecnología celular vetaron a una de las participantes para seguir colaborando en el proyecto. “El artista como etnógrafo” acceder al servicio de telefonía móvil. sino la serie de negociaciones con el entorno institucional y administrativo la taxistas enviaba imágenes. espacios de acción transitoriamente desregularizados para el No presentaba al artista como una voz privilegiada. documentos de audio y de texto a una página que manifestó el alcance de canal*CENTRAL. que recorrerían zonas de la ciudad en principio no planeadas para ser batidas). los últimos cuatro años una serie de trabajos que recurren a la telefonía móvil y a la A lo largo de 2006. al dar a entender que el efecto fundamental de ese proyecto donde los participantes elaboraron una cartografía con las trabas arquitectónicas para era modificar representaciones. como mero Por otra parte. sino que forzó a modificar o sortear transitoriamente su alcance. en realidad desató respuestas tanto en los medios de comunicación tradicionales” (ciertamente. nuevo en él. porque no apuntan meramente a hacer posible otras representaciones de cuestionar la separación tradicional que en la comunidad gitana se hace entre la vida (de los gitanos. Sin embargo.

en última instancia. usuarios concretos. sus archivos pueden agruparlos bajo términos clave que ellos mismos han decidido. Hay. este trabajo afectivo desempeña un papel en todo esfera pública actual se constituya fundamentalmente como espacio simbólico o. y el trabajo material de la producción de bienes durables se mezcla con Desde mayo de 2007. es crucial para la activación de esferas de sociabilidad cuya de los bienes fundamentales de la economía actual. Si. claro. En resumen. mediático. Finalmente. a la manera de la producción de mercancías. producen vida afectiva y vida social no programadas por los modos dominantes de producción. El trabajo inmaterial del afecto se caracteriza. estados afectivos. como el en la actualidad cobran las estrategias que eluden la creación estandarizada de afecto: conocimiento. control. que se divide en labores de manipulación fotografías y vídeos para remitirlos directamente a una página de internet. 12 motoboys que recorren las calles de São Paulo en el trabajo inmaterial. Es decir. según Hardt. Sin embargo. modos de subjetividad y sujeción. ya sea en la banca o en la comida y determinantes. El afecto sería parte de lo que finalidad no sea necesariamente la producción de capital. El primero participa de una producción industrial que se informatizó e incorporó las tecnologías de la comunicación de canal*MOTOBOY: medios digitales y crítica del afecto una manera que transforma el proceso de producción mismo. y posteriormente él y Toni Negri en su debatido anticapitalistas (90) libro Imperio. aun cuando sea corporal y afectivo. La fabricación se considera como un servicio. son provistos de teléfonos celulares que les permiten tomar inmaterial de las tareas analíticas y simbólicas. del sujeto. aquél que produce bienes intangibles. uso se inscriben dentro de mecanismos de enunciación. Sin embargo. esa industria del afecto. sino también de los aspectos más íntimos y emocionales subjetividad van de la mano. Los signos en su rápida. se procesan afectos patriarcal del poder o por las legislaciones de las telecomunicaciones e inmigración estandarizados. “este trabajo es inmaterial. por su tarea “vinculante” clubes de discusión y páginas de los periódicos a las pantallas de televisión y de (“binding element”. deseos. satisfecho. uno El afecto. una uso de un celular o al desplazamiento en la ciudad) sino que en su práctica abren industria que prioriza un conjunto de estados emocionales y actitudes (bienestar. el entretenimiento las computadoras. En su funcionamiento hacen manifiesto todo de producir y administrar vida emocional es. excitado. no por ello se convierte en un mero juego de signos inertes interacción bajo el rubro del “trato personalizado”. El segundo es el trabajo su jornada laboral. que nos vemos sujetados (significados) por los signos y niveles en los que significamos (sujetamos) a los signos. los servicios o la comunicación. El afecto es. de cómo el sistema de relaciones de los objetos articula la se aprecia así construyéndose a la vez que los sujetos que la significan: sujeción y experiencia de los individuos. para estos autores. que se hace cada vez más predominante. espacio para relaciones sociales inesperadas y reconfiguradas. Aquí. son activados por hablantes. apasionado—incluso el sentido de sentirse parte de algo o en el proceso de producción de significado: un proceso en el que se dan niveles en los de una comunidad” (96). por un lado. abierta y negociable de la información elaborada por ellos Éstos son los tres tipos de tarea que lideran la posmodernización de la economía global y disponible para los visitantes de la página web. multimedia. pues una industria del traslúcida red que ordena la vida social (desde las relaciones entre adolescentes al afecto totalmente incorporada a los modos de producción contemporáneos. a representación de grupo sino la activación de la agencia y la producción de relaciones pesar de estar totalmente integrada en los modos de producción. desde prácticas. en tanto que sus productos son intangibles: el sentimiento de comodidad. más el sector servicios en la medida en que se integra en los procesos de comunicación e precisamente. puede ser contestada sociales. contaminado de esta manera. textos. sensaciones central en la medida en que “el tema” de estos proyectos no es la elaboración de la de fracaso o estados de miseria o desarraigo). Ésta es una cuestión posesión. elaborar vínculos de tipo de restricciones. satisfacción) y desestima otras (actitudes de altruismo. apunta Hardt. de hacer visible la actitudes y posturas económicamente no productivas. ajenos a quienes se ven interpelados por ellos. de hecho. entonces se homogeneiza la experiencia a la par que se descartan o por la arquitectura urbana. En esa negociación con las redes de significación se activa Desde esta perspectiva. 95) e implica áreas productivas como la salud. lo que brinda la posibilidad de armar y el que requiere el contacto humano (virtual o real). por el otro. y en labores simbólicas de retina. el tercer tipo de trabajo inmaterial es el que implica la producción y manipulación de afectos como “accidente”. La economía desmaterializada produce y nombra sensaciones.misma en la interacción con el entorno. Al decir que el capital ha incorporado y exaltado el trabajo afectivo y que el trabajo Economía política del afecto afectivo es una de las formas más altas de producir valor desde el punto de vista del capital no significa que. De aquí la importancia que ellos denominan “trabajo inmaterial”. Para Hardt. En distintos niveles. ya sean las impuestas por las costumbres y la administración sometimiento. una taxonomía flexible. este espacio público redefinido hoy está marcadamente mediado y las industrias culturales que se concentran “en la creación y manipulación de por lo simbólico: imágenes. “anti-capitalistas”. Controlar los modos canal*MOTOBOY pone en marcha un mecanismo de producción simbólica que 70 71 . el lugar de (Hardt y Negri 316-7) encuentro social. entra en juego el grado de implicación bien. podemos distinguir tres tipos de trabajo inmaterial que han puesto al sector servicios en la cima de la economía informática. ha transitado desde su concepción en el siglo XVIII de los cafés. Al enviar creativa e inteligente. La esfera pública de la vida social. es decir. Pero no se trata sólo de revelar. es decir. Si la esfera pública. se puede dar cuenta no sólo de la producción material el proceso de constitución afectiva y dialógica de la esfera pública. el tejido mismo de la existencia colectiva e individual. han descrito cuáles son las esferas características y dominantes de la producción en la sociedad contemporánea. sonidos. de sentirse televidentes. es el trabajo en el modo corporal. aunque la afectos” (95). “prohibido” o “trabajo”. el afecto no tenga utilidad alguna para los proyectos El filósofo político Michael Hardt.

esta caracterización general: el arte de no ser de tal modo gobernado” (Foucault 8).lo es crucialmente de conciencia subjetiva en la medida en que desata un proceso de que lo usen otros” y concluía con una pregunta: “¿por qué habrían de tener los artistas agencia y enunciación. tecnológicos. los celulares y de internet. La crítica Curare o Revista de Occidente. 26. “Art and objecthood”. esto es. elaboración colectiva de la representación de grupo que incide directamente sobre la Puebla (México). la política de la verdad (9-10) Contemporáneo de Barcelona/ARTELEKU/Universidad Internacional de Andalucía y a lo largo Antoni Abad narraba en una ocasión un hecho sumamente significativo: “Internet de 2007 ha organizado. las “Jornadas sobre nuevas tecnologías y es el diablo”. dentro de las reglas de gobierno ya sancionadas. la crítica. En la actualidad es miembro del Sistema Nacional de Investigadores de México. como todo lo extraño. como los proyectos anteriores puestos en marcha por Antoni Abad. Artforum. en el sentido de Foucault. es colaborador habitual del suplemento cultural del diario ABC y de Revista interrogar a la verdad acerca de sus efectos de poder y al poder acerca de sus discursos de de Libros. económicos e institucionales en la configuración y recepción de la cultura de nuestros días. auspiciado por el Museo de Arte una palabra. Es decir. tendría esencialmente como función la desujeción en el juego de lo que se podría denominar. Michel. Nueva York: The New trabaja con los medios digitales. 1999. En su selección y envío de material visual o de sonido. canal*GITANO se convierte así en una herramienta que. permite posicionarse frente a ellos Tecnos. acercarse a ellos y pedirles que explicaran qué es ser gitano. Brian (ed. junio de 1967. 2005. instauradas. con Sobre arte. Antoni Abad hacía referencia a su trabajo pasado como Hardt. 2001. la comunidad es ámbito de producción de vínculos simbólicos pero también afectivos en un proceso paralelo a los modos de producción inmateriales del capitalismo. no sólo activa una red de resistencia a las representaciones mediáticas del motoboy. de Fried. Michael. de la indocilidad reflexiva. Ha sido director de investigación en el proyecto “Desacuerdos. como toda novedad. y la Epistemología con la finalidad de desentrañar los mecanismos de producción. junto con Eduardo Ramírez. del sujeto. Es una crítica en la práctica de una práctica y no una mera crítica de la representación. 72 73 . De ahí que deba entenderse como un ejercicio crítico a la manera de Michel Foucault. La vanguardia a finales de siglo. desarticulan y desvían la finalidad económica de los signos y los afectos en el entramado productivo del capitalismo avanzado. suplantados por otros. Madrid: Akal. Lo anterior se lleva a cabo atendiendo Escribe Foucault. inaugurando una dinámica de Coordinador del Doctorado en creación y teorías de la cultura en la Universidad de las Américas. de nuevo. 5. y qué entiende por “payos”. distribución y recepción en la creación cultural contemporánea. la crítica será el arte de la inservidumbre voluntaria. aparece como una amenaza de desestabilización porque posibilita acciones que no caen. la acción de disentir. le decía uno de los patriarcas de la comunidad gitana de Lleida. Su trabajo de investigación se despliega desde el ámbito de la Teoría del arte matriz de producción de la imagen y la conciencia: la práctica social y colectiva. Michael. verano. canal*MOTOBOY. las relaciones sociales Hardt. El uso imprevisto de los medios electrónicos. núm. Imperio. es una crítica de la institución de la representación y no sólo del objeto de la representación. gobernados. Como decíamos Referencias antes. siempre en negociación. Decía al respecto que busca “modelar el medio para Museum of Contemporary Art. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración.) Art after Modernism: Rethinking Representation. Desde este acercamiento. sisífica ante la magnitud y alcance de las representaciones hegemónicas del motoboy en los medios de comunicación). canal*MOTOBOY inaugura momentos efímeros de contestación una visión privilegiada?” y acción que no presuponen a un sujeto libre ideal sino que subrayan la condición conflictiva y agonística de la existencia cotidiana de sus participantes. critica. y hacerlos patentes y vulnerables. Barcelona: Paidós. Internet. que no pueden ser administradas. D. Nueva York. En otra ocasión. es decir. ser un patriarca Foster. en este caso. 2006. La crítica. en sus reuniones y discusiones respecto a las estrategias del grupo para seguir adelante con su trabajo. Sus artículos han aparecido en publicaciones internacionales como ARTnews. además. Lápiz. como primera definición de la crítica. “Affective Labor” en Boundary 2. a los jóvenes participantes en canal*GITANO se les ocurrió entrevistar a los patriarcas. especialmente a aspectos sociológicos. política y esfera pública en el estado español”. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. Doctor en Filosofía por la Universidad … yo diría que la crítica es el movimiento por el cual el sujeto se atribuye el derecho de Autónoma de Madrid. “y por tanto propondría. 2. no es una mera suplantación de unas representaciones por otras (una tarea. Escribía el francés que. libre acceso a la cultura” en el Centro Cultural de España en México. es la puesta en marcha de mecanismos que eluden el “modo de ser representados”. Foucault. vol. escultor y a cómo su actitud de escultor caracteriza la manera en que actualmente Wallis. verdad. esto es. la condición siempre inacabada. Madrid: al evidenciar los mecanismos de poder y verdad. núm. 1984.F. dichos. canal*MOTOBOY se activa crucialmente Alberto López Cuenca es profesor Titular de Filosofía y Teoría del arte contemporáneo y como un arte de ser de otro modo gobernado. Michael y Antonio Negri.

para discutir sus principales esos profesionales está intrínsecamente relacionado a las muchas transformaciones problemas y capacitándolos con una tecnología celular conectada a Internet. entre la imagen negativa. o. posibilidad de esos encuentros y debates idealizados por el Proyecto. Se trata siempre de comprender. al años. a partir de una forma motociclista sea escuchada. en primer lugar. con el objetivo de crear su autorrepresentación. y a través de conflicto en los espacios urbanos. a medida que los diálogos entre para realizar sus actividades. de Antoni Abad. tal vez ¿Pero de qué manera comprender el lugar de esos personajes. Ese grupo los ayudó en el desarrollo de cuestiones planteadas por Resulta imprescindible –y también fue así para nosotros cuando iniciamos el el canal*MOTOBOY y constató. por causa de la existencia de esa función en otras regiones de Brasil. Reuniéndolos semanalmente. estamos delante de lo que denominamos entonces el interés. “deliverys”. de teatro. el tráfico. en parte.que la voz del profesional de esos profesionales. Surgió en consideración ese modo singular de vivir. por los problemas de los mensajeros y su lucha para organizarse. de construir una identidad positiva en relación a su representación social y. en los últimos fue la iniciativa de los órganos de tránsito del municipio al denominarlo “motoflete”. al aplicarlas al campo social. los mensajeros. lo cual un fenómeno social que todavía no fue totalmente interpretado? ¿Películas. medio de subsistencia. Más que crear muchas veces. como en su trabajo de nuestras ciudades? No hay como negar que en la actualidad los motoboys u otros espacios de la vida social. realizamos un Ciclo de Debates y Filmes. 74 75 .net/SAOPAULO. en su trabajo. jóvenes y. “perro loco”. libros. sobre las que toda la sociedad deberá empeñarse política. “couriers”. varias producciones culturales con esa temática? ¿Nos encontramos frente a usar una tipología que reuniera las principales características de sus servicios. que pasa a tener un estigma en relación a sí propia y al conjunto mayo y junio de 2007. abandonan su propia autoestima implementación de políticas públicas para una mejor calidad de vida en los principales para poder pertenecer a un grupo social (“motoboys”. el surgimiento de un dinamismo propio. Esa es una centros urbanos de nuestro país. Ese manifestación de un conjunto expresivo de códigos y señales que pueden significar crecimiento impone a la sociedad como un todo que se tomen providencias concretas un cambio sustancial. Pero surgieron también los degenerativos. Esto. En Eliezer Muniz dos Santos muchos de esos casos. De hecho. y de qué forma grupo. sino también en relación con la visión de mundo modo es afectada la vida de esas personas (trabajadores. que viene acompañada de nuevo poder. Y esto significa que nos encontramos frente a un característica propia de los procesos de estereotipia social. La intersección entre cultura y política se hizo más clara cuando. de qué pertenecientes a una colectividad. una Como recuerdan los analistas sociales. de manera que no alcance su propio derecho urbanos que los convierte en sujetos y protagonistas principales de la vida cotidiana a la participación igualitaria en la política o en otras dimensiones. repercutirá en todos los ámbitos de su vida diaria. Se trata. esas “reducciones” encuentran explicación exposición de arte? ¿Qué hay de tan específico en esa nueva clase de trabajadores en la forma como se determina al Otro. como parte de las clase. tal ¿Será que existe una cultura motoby? ¿Cuál es la razón de ver. inclusive como São Paulo “mototaxis”. lo que que la ciudad sufrió con el proceso de urbanización –y estrangulamiento de las vías. “motoboys”. “motociclistas”. a través de la experiencia de autorrepresentación proceso de curaduría para el proyecto canal*MOTOBOY . obras le dio un carácter de cosa y no de sujeto. sea por la apodo “motoboy” sea discutida por ellos.zexe. vimos la por parte del exceso de vehículos en el contexto del rápido crecimiento global. (Weltanchaung) que entonces construyen a partir de esa experiencia. durante meses. El propio surgimiento de proceso. De esa forma. padres de familia. descalificándolo en su ambiente de trabajo a partir de algún estereotipo. Y que su vida sea contada sin mediaciones. la idea de propiciar el encuentro entre política y cultura ya formaba parte del desempeñan sus funciones para que la ciudad pueda avanzar. ahora. inclusive cuando se ha tratado de negar el mismo estereotipo.). se crea un tipo de identidad artificial representan aspectos importantes de la convivencia social y abarcan. Así. por sus envíos al sitio www. que utilizan la motocicleta como un conjunto de imágenes e intervenciones digitales en el mundo virtual de la Internet. cómo elaboran sus estrategias existe la posibilidad de realizar un cambio estructural. de comprender cuál es un proyecto cultural organiza una forma de sociabilidad antes imposible para ese el nivel de información que nos traen esos sujetos. etc. en la sociedad. de qué manera se organizan. las subsunciones de esos nombres esconden una forma de depreciación del profesional. por parte de un conjunto de investigadores universitarios y de las su Cultura. cuidar de un cuando el artista Antoni Abad crea por primera vez en la historia de esa categoría nuevo tratamiento geométrico de las calles y avenidas no es suficiente para definir el profesional una oportunidad de reunir a un grupo de 12 “motoboys”. personajes de novelas. como parte de la de la sociedad –y esa enfermedad no se combate sin información y conciencia de exposición “Motoboys transmiten por móviles”. no sólo en relación con la identidad de esos profesionales de mejoramiento. ya sea en su lugar privilegiado. en el ocio o en la familia. encontrar el propio significado de su expresión. como en la que corren para reconocerse y ser reconocidos.Cultura Motoboy y Políticas Públicas: Interfaces de la Ciudad de “mensajeros”. habitantes de las grandes periferias). el más conocido de todos. instituciones a las cuales pertenecen. canciones. en pensarlas? A partir de la lógica de la movilidad de los motociclistas. En ese sentido. y el escenario como respuesta. incluso que el de sociabilidad que emerge con el aporte de las redes sociales digitales. sin sombra en que ellos se mueven. de la economía. como “perro-loco”. sobre todo. Ellos se ven y son vistos por la sociedad de diversas maneras: como “motoqueros”. Los propios participantes de esa comunidad no perciben los riegos muchos de nuestros problemas. permitiría que su voz instantánea fuera escuchada por toda su comunidad. cómo crean su propia identidad. para que podamos considerarlos protagonistas en primer de duda. documentales y. cuando tomamos esa Categoría Profesional y la sociedad ensanchan sus fronteras a ojos vistas. sea en el campo de la grado de soluciones complejas. solo a través de la confrontación cultural esa comunidad será capaz conmemoraciones por los 25 años del Centro Cultural São Paulo.

por parte de todos los involucrados entrevistas con otros profesionales y personas vinculadas a su día a día. es graduado en Filosofía por la Universidad de São categoría de profesionales entren en la agenda política de la ciudad de São Paulo.800 envíos. Así. y además crearon una espectacular herramienta de lucha para reinventar su propio cotidiano. Claro está que. construidas a partir de esos debates. notamos que las cámaras fotográficas primero comienzan a revelar la mirada y. curador adjunto. ese proyecto. con publicación por la Internet en tiempo real. Paulo y ex-motoboy. de manera colaboradora. en apenas cuatro meses. ellos indicaron claramente que. cuando nos abrimos a una dimensión más estética. como era de su interés. Al probar que tal dispositivo es capaz de generar opinión pública. Cuando vemos una razón de ser en la necesidad de hacerles justicia utilización de la palabra clave “DÍME”. se convirtieron no solo en emisores del canal. 76 77 . mediante la en este proyecto. se distanciaron de la lógica de los estereotipos proyectados por los medios de comunicación preponderantes. basta captar las imágenes en que ellos discuten. y se transformaron en cronistas de su realidad. Así. Sentimos. Por tanto. “REUNIÓN”. aunque no abunden las investigaciones que asocien el accidente de motocicleta al accidente de trabajo. “TRABAJO”. En esos envíos pudimos contar más de 240 colaboraciones. y para éso basta recordar los datos oficiales sobre los elevados índices de accidentes con víctimas fatales en los últimos años-. en el asfalto caliente. cerca de 2. podemos percibir que ellos aportaron un espacio legítimo de formación para la vida cultural de la ciudad. un grupo. una base sólida de voluntad y comprensión hacia todas nuestras entre fotos. Motivados por temas propuestos por el propio a esos motociclistas que ponen en riesgo su propia vida encontramos. Vemos surgir una ciudad que se muestra desde el ángulo de los motociclistas. inclusive ayudándose en los momentos trágicos de los accidentes. vídeos y sonidos grabados. llegamos a la conclusión de que hasta el momento no hay ninguna garantía de que las iniciativas de los gestores públicos obtengan éxito. Su voz no puede callar. también es cierto que faltan acciones por parte del Poder Público que indiquen de qué manera los Profesionales Motociclistas crearían una mejor estrategia para ir al encuentro de los intereses de su ciudadanía y del respeto por la vida humana. pues solo ellos saben qué es el desamparo cuando. y coloca en primer lugar a la ciudadanía a través de la cultura. ya que para ello sería necesario tener una verdadera representación de clase acompañando tales políticas. tomando en consideración el nivel de complejidad con que necesitan lidiar para resolver sus problemas –hoy existe un consenso de que las soluciones también deberán ser complejas. esos para las próximas elecciones municipales. como también sobre el destino del canal*MOTOBOY. entre otras. así. al engendrar sus demandas. aguardan la llegada del camión de Bomberos.net/SAOPAULO-. Y que todo eso pase por la omnisciencia de esa escucha. “TRÁNSITO”. al participar en ciudad. con palabras clave como “DÍA A DÍA”. se convierten en instrumentos simbólicos para la investigación de esa experiencia: la mirada del motoboy evidencia la “mirada” sobre ese motoboy. ante la urgencia de abrir un diálogo protagonizado por el Colectivo de Profesionales Motociclistas entre el poder público y la sociedad civil organizada. “ACCIDENTE”. el claro objetivo de nuestra curaduría es el de cerrar un hiato –gracias a la ejecución del proyecto www. Profesionales Motociclistas hicieron. si esos profesionales se resienten por la falta de un programa eficiente de prevención de accidentes –con curso de conducción preventiva y formación profesional-. tanto sobre los contenidos del sitio. significado para el arte que eleva sobre todo el discurso sobre la calidad de vida en la “FAMILIA”. Aquí cabe una observación sobre el modo casi tribal con que ellos se defienden en el tránsito.zexe. así. Entre otros factores. por fin. sino también en usuarios activos de un dispositivo de comunicación autónomo e independiente. Para ésto. al hacer con que las reivindicaciones de esa Eliezer Muniz dos Santos.

25% eran motoboys. La amenaza La profesión es nueva. El espejo y el patrón de señalización tampoco son adecuados. 78 79 .En el espejo retrovisor ocurrida en la última década del siglo XX. São Paulo.000 motoboys. un vehículo que poco se veía veinte años atrás. mucho mayor. de los cuales cerca de 160 mil eran motoboys. tornándose básicamente un centro financiero. en la ciudad de São Paulo. En la última década [década de 1980]. De éstos. cosa de 20 años. el motoboy burla códigos y normas para 150 km por día. Según CET en 2006. Según una pesquisa del IBOPE encomendada por el Hoy existen. En 1996. la altura derecho del espacio no tan público de las calles y avenidas de la ciudad. designación no muy popular debido a su carácter excesivamente “materialista”. pues la profesión todavía sufre con la falta de cinco salarios mínimos y 31.800 motociclistas entrevistados en las calles de la ciudad. aproximadamente.588 motociclistas en la usan la moto como medio de transporte y 31% para entretenimiento. 2000. Pero es importante recordar que esos reglamentación acarrea problemas a un país que se piensa pacífico. de Alessandra Olivato. 43% metrópolis paulista”]. Otros compraron una moto en alguno de los muchos consorcios y fueron a la lucha. en 2000 había 374. en casa o en sus muertos diarios. Lo que escapa a la un mercado de trabajo en transformación –y que se encogía constantemente expuesto categorización se transforma en caricatura.3% de los vehículos. la motocicleta una oportunidad de ganancia e independencia harto atrayente. por tanto. Otros 26% solo tienen de uno a tres años público e civilidade na metrópole paulista” [“Percepción y evaluación de la conducta de de experiencia. los hospitales públicos. pues es su única manera La cultura creada a lo largo del tiempo no absorbe la presencia de las motos de ser visto: personaje que no se ve ni se escucha –más allá del eternamente irritante en medio al tránsito citadino. encuentra en por el personaje creado. en 2000. correspondencias y otras parafernalias de nuestro cotidiano burocratizado y coordinador de actividades productivas y servicios especializados”1.8% tienen nivel superior. dificultades de igual magnitud: los problemas enfrentados en el día a día del tránsito paulistano son prácticamente únicos en el mundo. ese porcentaje llegó a 8. pero que se pretende disciplinar. La magnitud de la tragedia es. en aproximadamente Augusto Stiel diez años . 4. “Percepção la mitad de ellos (49%) aprendió a dirigir sin pasar por la autoescuela. Un fenómeno mundial. según la CET. de mayor polo industrial del país frente a otras áreas del estado y frente a la región Los profesionales que arriesgan la vida diariamente cargando documentos. comercial oficios. Y la caricatura es una imagen sensibilizada al frío de una economía que poco a poco retrocedía al cero absoluto-. Invasor de un espacio restringido. Las calles no fueron hechas para las Hace años viene “des-apareciendo” en medio a los carros. el modelo de las calles no es adecuado. en Brasil. el motoboy ser una relación. En 2006 murieron en la ciudad retrovisor de los coches revela la imagen fugaz de un personaje cada vez más 380 motociclistas. pero con apenas una vía de visibilidad. Lo inédito del fenómeno acarreó Un espectro ronda el tránsito – el espectro del motoboy.8% del total de vehículos. valores. 50% ganan entre uno y Tales números son apenas estimativas. São Paulo pasa por un proceso rebelde fuera de la ley que patea su propia imagen en el espejo retrovisor de los de tercerización. segregação e cidadania em São Paulo.de 1995 a 2005-.CET [Compañía de Ingeniería y Tráfico].5% ruedan de 150 a 200 km por día. Según la misma choferes y peatones en el tránsito: estudio sobre el espacio público y la civilidad en la pesquisa. 26% de los motociclistas pesquisados son motoboys –de los restantes. En 2001. Surgido en medio del proceso de desreglamentación por el que pasó de seducirlo con la oportunidad de ser “autónomo” y transformarlo en “autómato”. motoboys tienen hasta 24 años. metropolitana como un todo. Muchos ya dirigieron motos antes de profesionalizarse y lo que hicieron únicamente fue aliar Los hechos el entretenimiento al trabajo. El joven son entonces agrupados en una categoría creada contra su voluntad. de los 1. el Leviatán de las relaciones de trabajo trata relaciones. Según datos de la Companhia de Engenharia e Tráfego . y 40% de ellos e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo sobre espaço dirigen motos hace menos de cinco años. Por el capitalismo de cuño liberal en las últimas décadas del siglo pasado. aproximadamente 170. desobediente. La mayoría es joven: 59% tiene de 18 a 29 años. reglamentación –ni siquiera su nombre es un consenso: muchos prefieren la denominación de “profesionales motociclistas” en contrapartida con el “profesional del motoflete”. pero que no ve números no informan sobre los accidentados que llegan a morir después. En Brasil. todo pasó a ser realizado por motocicletas.000% en la venta de motos en el país. hubo un aumento de casi 1. muestra hasta qué punto la falta de la proporción de motoboys es mucho mayor. otra ciudad de São Paulo. del “office-boy” de los años 1980 y aprovechó la explosión de ventas de motocicletas Editora 34/Edusp. El motoboy devuelve la imagen que de él se construye. casi la tesis de maestría defendida en la Facultad de Ciencias Sociales de la USP. Surgió en la estera 1 CALDEIRA. como un papel que algunos abrazan con placer: el del delincuente sobre ruedas que nada explica Teresa Pires do Rio Caldeira en su libro Cidade de Muros: “Siguiendo el mismo obedece o respeta. Cidade de Muros: crime. a pesar de la persona. las motos pesquisa realizada por la CET en la ciudad de São Paulo indicaba que 40% de los eran 2. Teresa Pires do Rio. propietarios por motos: el pavimento no es adecuado. El profesional motociclista es producto de intrincadas claxon-. al motoboy le es concedido aprovechó también el cambio del perfil económico de la ciudad de São Paulo. la impresión de quien anda o dirige por las calles de la ciudad es que suplir una demanda de mercado. De la naturaleza simbólica de la motocicleta nace el mito del patrón de muchas metrópolis alrededor del mundo. Al rodar de 100 km a presente. la ciudad perdió su posición vehículos que coinciden en el espacio cada vez más exiguo de las calles de la ciudad. con pocas oportunidades de ingresar en acontece en esa construcción cotidiana llamada sociedad. como siempre egresado del sistema público de enseñanza.

los pasillos exclusivos exprimieron a los automóviles. es la solidaridad comunal la que también los accesos de las personas a los bienes de consumo. la De los depósitos de mano de obra barata surge. o colabora en la refección de un vecino desempleado. él devuelve al espejo de quien lo denomina “bandido”. conductor. pero muere. Las categorías profesionales cuyo discurso se encuentra traspasado por 2 FEATHERSTONE. una amenaza al ordenamiento simbólico de la ciudad. equipamiento se transfiere al Estado. un reflejo de la que habitan lo cotidiano. Montado en una motocicleta. un rebelde por imagen de libertad e inconformismo tradicionalmente asociada a la motocicleta. amplía habitaciones. Primero. el costo del ecuación simbólica que no se cierra: no es bandido. de varias presentan secuelas para el resto de la vida. al tiempo que sedimenta la opción de la ciudad por su geografía excluyente. pertenecer.así como de un espacio simbólico –los espacios jerarquizados de la sociedad. Marx: el motoboy es primero farsa para después convertirse en tragedia. reglamentados en 2000. todos somos ambiciosos en la medida en que consumir es imperativo. como incómodo. A la hora de accionar el freno de emergencia. haciendo más difícil construye casas. real posibilidad puede revelar la falta de capacidad de la sociedad para administrar el bienestar. La mirada el motociclista cae e inmediatamente es atropellado. El cuarto estrategia global de la industria automovilística de reducir los costos al descentralizar “del fondo”. lo que es agravado por la enredo cotidiano de las novelas policíacas que rellenan la indignación profesional de gran cantidad de motos sin condiciones de uso que transitan por la ciudad. escapando así de los sindicatos nativos y del precio de la mano de para esconder. tránsito. atento al otro en el coche. la convivencia diaria con su calamidad instaurada en el tránsito de la ciudad produce 19 heridos y 6 incapacitados. espacio ése tradicionalmente reservado a los productos de la industria automovilística Tal disposición espacial se encuentra también en los pequeños espacios segregados que impulsó al país desde los “50 años en 5”. por ser históricamente segregadas. mientras tanto. Muchas los tabloides televisivos diarios. pues es trabajador. al contrario del accesibles presentan pocos dispositivos de seguridad. Para mantenerse. ya es uno de los centros mundiales una sociedad puede convivir con uno de esos espectros rondándoles la civilidad? de amputación de miembros inferiores –una de las áreas del cuerpo más afectadas en las caídas de moto. São Paulo. naturaleza: la motocicleta. por ejemplo. el invasor de un espacio físico –el la fruición. Las motocicletas más sumiso se convierte en bandido para después morir. En el imaginario nacional motocicletas todavía usan un sistema de freno a lona. perpetuando la noción mágica de que la sociedad consigue funcionar obra local. que es regla en la sociedad desigual. conecta energía clandestinamente. pierden su trabajo. En verdad. Algo que no se entiende. buscando en los países “en desarrollo” el local ideal para la obtención de por sí misma. a través de códigos visuales que lo inserten autobuses. la aplastante mayoría de los accidentes invisibles sobre la motocicleta se tornan incómodos al desafiar la mirada atenta del fatales ocurre debido a colisiones laterales. Se invierte entonces el dicho de de bomberos estima que a cada diez salidas para un atendimiento de emergencia. al parecer no existe consenso. la fatalidad muestran valores diversos para la vida humana: parece que. ¿Cómo la víctima. El servicial tres son para rescatar a un motociclista herido o muerto. seguro de la moto o seguro de vida.“de servicio”. fuerza todavía más su ingreso en la ciudad al disputar espacio en el tránsito. El Hospital das Clínicas de São Paulo. También por pertenecer a las clases sociales tradicionalmente Si se accidentan. moviéndose entre los automóviles habitados por quien necesita que Pero los accidentes revelan la dificultad de inserción del motociclista en lo determinadas cosas sean realizadas en determinado tiempo. sobre todo. O desmanche da cultura: globalização. y reflejan el ordenamiento simbólico de la sociedad. la entrada –o área. en detrimento del sistema eso significa ser lo opuesto del “bandido”. Mike. que es nuestro “vagabundo”. Y por cada víctima fatal de un accidente con motocicleta. En el caso de los ser algo que sea fácilmente verificable. la a disco. el motoboy es un trabajador. más moderno. varios autores hablan hoy de la El problema sociedad industrial como sociedad de consumo por excelencia: de cierto modo. Mike Featherstone2 En cuanto a las soluciones para el problema del tránsito en la ciudad y. gracias redes de solidaridad creadas por las familias o por los vecinos. invisibilidad. Como ejemplo de lo al proceso de redemocratización nacional: con la democratización. como estadística. entonces. en el cual el consumidor de hoy necesita consecuentemente. que penetra en el espacio que no le pertenece por derecho. que moviliza su infraestructura para cuidar de Permanece la incomodidad de algo que no se explica. los motoboys representan. Sería más importante. También el espacio: los pasillos El motoboy gana lo suficiente para poder consumir y. generalmente las heridas son graves. la A pesar de que la muerte es el destino humano. No obstante. jerarquías en una sociedad cada vez más democrática y con partes cada vez mayores de la población con acceso al consumo. pós-modernismo e identidade. Según datos de la CET. por tanto. ágil como es. optimizando para poder parecer ser. además de la salud o de un miembro. Por constituir parte de un universo informal. y no con su empleado sobre la moto. coche. Los eternos trabajadores cotidiano de la ciudad. El motoboy es. geografía “política” de la ciudad que circunscribe en un “centro expandido” su gueto 80 81 . la moto es chocada lateralmente. solamente 7% de los motoboys eran La mayoría de ellos no tiene seguro médico. De ese modo se cristalizan los tiempos distintos de los distintos ciudadanos. Varios “invisibles”. habla del consumo de “marca” o de “actitud”. El servicio de rescate del cuerpo primero. o sea. pero garantizaron el en categorías sociales previamente definidas. Trabajar sin aparecer significa habitar el lugar de la producción. es forzada a ver a quien nunca vio: expuesto. cuida del una distinción social clara y posibilitando una mayor movilidad dentro del ambiente hijo del vecino que necesita trabajar y no obtuvo plaza en el único jardín de infancia urbano. después. y no de lucros cada vez mayores. muchos dependen de maneras. por tanto. Por segregados imitan la separación meta-física entre quien toma el autobús y quien usa otro lado. se ampliaron que acontece en las eternas periferias paulistanas. tal como la SESC/Estúdio Nobel. 1997. para el motoboy. La misma Teresa Pires do Rio Caldeira se refiere a la dificultad de establecer cercano. Significa. de Juscelino –en verdad. De ahí. el tiempo de quien tiene que llegar antes y salir después. Dado el carácter frágil del cuerpo condicionada. son los espacios pensados la producción. tener transporte de los millones de periferizados hasta sus centros de trabajo.

entonces. comenzar a producir su propia caricatura. esos carapachos herméticos de comodidad regulada. nuevos materiales. Se convierte de São Paulo. El trabajo “Por el espejo retrovisor” fue motoboy que agiliza servicios y acorta plazos. atrasa la rutina de la ciudad cuando realizado en colaboración con otros dos alumnos. Frenos “ABS”. En ese momento. como tantos millones en seguridad. en el Centro Cultural São Paulo. Letras y del tráfico de una ciudad cuyas arterias no soportan más la savia que transportan. Es el individuo que no debería aparecer allí. “airbags”. de un puesto médico o en la esquina de una avenida se transforma en hecho de vida. Este riesgo físico queda pues en manos de quien a él de su discurso. Gracias a tal parafernalia. la motocicleta en no ve. Se transforma en caricatura trágica. al uniforme. está al final de una compleja cadena productiva: él es el responsable por la mundialmente aceptado como eficaz. por mensejeria puede mostrar lo que ve de la manera como lo siente. Participó como invitado en el proyecto canal*MOTOBOY. Aquí. y ahí queda la sorpresa de lo inusitado. lo que ve o lo que quiere con las imágenes que produce. aunque sea por la fuerza de en 2007. Pero como el sujeto del ordenamiento social. Más allá de funcionando sin producir detritus de cualquier especie. manuales. ser el heredero del antiguo botones. siendo seleccionado para participar en el proyecto del Núcleo de Antropología Urbana de esa misma institución. y posteriormente publicado por la revista de la Asociación en titular de periódico. a la ciudadanía es una expresión de un consenso. con las calles y avenidas. Accesorio indispensable por ser ese punto. mágicamente mostrar quién es. al contrario. una idea “fuera de lugar”: es lo que se hace aparente en el trato de la valoración de la vida humana. en caso de colisión. como en el caso de innumerables trabajos esenciales a la sociedad que.. distanciándose de la suciedad social. 82 83 . De ahí la creación de más leyes para tratar de normatizar lo caótico. El creciente nivel tecnológico permitió que los automóviles asumieran un riesgo En ese sentido. para que el motoboy sea visto. crea y vigila según sus propias normas. pues se encaja en otro sistema de valores simbólico –o no encuentra lugar tanto vehículo para el ocio es distinta de la motocicleta para el trabajo: la sociedad definido para encajarse. El desafío a las leyes puede ser visto como una afirmación. con del camino recorrido. Sobre el motoboy incide la mirada que busca encajarse en un sistema. en cinturones luminosos. Por eso el extranjero reglamentarias u otro tipo cualquiera de regulación-. sino que. manifestando el orgullo provoca la injerencia en las cosas más básicas. loka”. el caso de las motos. y trataba sobre los motoboys de la ciudad sale de su rutina invisible. El motoboy. carrocerías proyectadas para ciudad. sigue el rumbo de la mirada. La civilización del trabajo intelectual tiene como tradición rechazar las tareas la noción de “público” y “privado” refleja la quiebra de un proyecto unitario en el cual musculares. La sociedad que opera como “por encanto”. Su trabajo lo obliga a relacionarse continuamente motoboy no es un problema de reglas de tránsito. Las leyes son hechas para él. puede ser peligroso. La naturaleza de la motocicleta es otra –de ahí su sobre las que momentáneamente pasa la vista. En el “centro expandido”. el “profesional de la se sujeta. Y con la historia. separándose cada vez más de su origen y. Tales tipos de actividad fueron continuamente rebajadas. todo el mundo. sino de organización social. El motoboy accidentado aparece en los noticieros gracias al agravamiento realizado en 2002. el nuevo personaje cotidiano que ronda el tránsito pues ese “encanto” está asegurado por la mirada que ignora violentamente a quien en su moto puede. los arrebatos de originalidad. que posee índices Augusto Stiel Neto. Falta saber en qué mundo vive ese extranjero. Esta participación fue fruto de un trabajo académico los números. inclusive a altas velocidades. pues la mirada educada Nacional de los Transportes Públicos (ANTP). expuesto al humo y al hollín. así. El individuo bajo el casco de “motociclista” puede más bajas de la pirámide. El Ciencias Humanas de la Universidad de São Paulo. garantizan una sensación de debería cumplir su misión civilizadora y retornar al gueto. invisible. El turista descubre lo que el nativo apelo no conformista. además de la única Otras simplemente desaparecen. en sus principios. choca con la cuestión de que la invisibilidad del última tuerca de una gran máquina. otras se transforman en moneda a pesar de las promesas –o un slogan que habla de la opción por ser outsider: “vida de cambio entre los representantes del poder y quienes a él deben someterse.de civilidad. los propios límites de su concepción transfieren el De la unión entre extranjeros surge la oportunidad de dar al “motoboy” el control riesgo al cuerpo del motociclista. y autosuficiencia se unen para decir que conciencia y democracia no se separan. comienza a ser percibido. Unas “prenden”. Se llega. del artista plástico catalán Antoni Abad. lidia con lo indeseable –acto agravado en una sociedad históricamente segregada. diariamente deformarse bajo impacto. En una ciudad donde las aceras son mosaicos opción posible. finalmente. solo consigue alcanzar tal efecto. para no ver. lo que y del sudor. etc. tornándose visible lidiar con lo que se considera “degradante” o peligroso. son reservados a las clases más allá de la mera estadística. en el departamento de Antropología de la Facultad de Filosofía. que domaba a la publicación de lo privado invierten relaciones y solapan la posibilidad de un pacto naturaleza y la sobrepujaba –colocándola a su servicio-. En piensa vivir. sin ofrecer oportunidad alguna al Quien se percibe excluido de esa parcela de civilización puede optar por no compartir observado. La mirada extranjera es aquella que no participa del conjunto de normas específicas fetiche del hombre moderno. o en qué mundo él las fuerzas de la física son absorbidas por el costo de la tecnología de seguridad. La curiosidad del circunscribe al entretenimiento –el período de no-trabajo merecido después de las horas extranjero devuelve imágenes que muchas veces no vemos. pues con su mirada desestabiliza toda una construcción social. resignándose frente a la fatalidad o rebelándose: la muerte en la cola un discurso que viabiliza y refuerza ordenamientos ya previamente establecidos. no penetra en los automóviles. desajustados de la privacidad de cada inmueble que invade el espacio de las calles. el motoboy es el extranjero eternamente presente en el tránsito de la cada vez más elevado. la tarea de observar y sorprenderse. Capturando las imágenes de su cotidiano. La privatización de lo público y la medida que el proceso histórico fue tomando el rumbo del intelecto. es bachiller en Comunicación Visual por la Fundación Armando Álvares diferentes conforme se aproximan al centro geográfico de la metrópolis. igualdad Penteado (FAAP) y bachiller en Ciencias Sociales por la Universidad de São Paulo (USP). el acceso a las comodidades y oportunidades es demasiado restringido. al sudor y a la suciedad –que Corresponde pues a la mirada deseducada. cuyo ideal de igualdad de derechos es apenas retórica. la muerte gana notoriedad.

por ejemplo. para que fueran útiles a otros colectivos que así quizás conseguirían tener la oportunidad de expresarse. Eso pasó porque allá tuve la oportunidad porcentajes. la primera labor es conseguir que esos colectivos. al CENTRO CULTURAL SÃO PAULO final. Del otro lado. que fue el primer proyecto. ANTONI: En los siete proyectos realizados hasta la fecha. Y finalmente encontramos a algunos podía aplicar esa combinatoria que utilizaba en las esculturas para transferir todas que no hacen nada o que sólo fueron para conseguir un móvil gratis. en primer lugar. Una vez que se consigue que ese colectivo condiciones para que esos individuos tengan voz propia. que aparecen en los medios de comunicación siempre por su imagen negativa. porque ellos ya se móviles e Internet. no es el Centro Cultural… aquí sólo tenemos de experiencias. que escondía a una comunidad distribuida de tal para continuar el proyecto. cuando recibo tiempo. Ellos necesitan de una instalación. se representen a sí mismos. y. Es relación entre los colectivos y la esfera institucional? en ese momento cuando aparecen los medios de comunicación y entrevistan a los ANTONI: Lo que estoy haciendo consiste en desviar recursos que fueron participantes. normalmente. en el cual ciertos esos canales sean vistos por el mayor número posible de personas. Trabajé muchos años con escultura. Mi papel consiste por un lado en desviar esa financiación que en una mesa de reuniones donde los motoboys se encuentran una vez por semana. Tengo la posibilidad un lado un proyecto que critica a los medios de comunicación. Pero eso es ya VINÍCIUS: ¿Cómo usted entiende ese abandono de las obras de arte y la tentativa otra cosa: una cuestión de amistad. en que descubrí que proyecto. por otro. modelar el dispositivo. en las que hablan de VINÍCIUS: En ese sentido. tenemos también la reconversión tengo. los que representan el 10 o 15% son aquellos que quieren continuar. es mucho más importante obtener difusión. ¿Por qué un artista es autorizado de dinámicas sociales existentes para la esfera institucional. pero también mediar la se organice y comience a hablar. en este caso. No obstante.net vez que sepan cómo usarlo. en Canadá. para mí el mayor éxito comienza cuando termina ese patrocinio que viene del 12 DE MAYO A 10 DE JUNIO DE 2007 mundo del arte. de las operadoras. Quizás podría decir que llegué con herramientas de vez finalizada la parte “artística” del proyecto.zexe. Entonces. de reencuentro con lo real? VINÍCIUS: Me parece que por un lado tenemos el “desvío de recursos” de las ANTONI: Creo que esa decisión parte de una decepción que tuve. estarían excluidas. necesita de esos medios para ser difundido. cuando estuve en el Banff Centre. VINÍCIUS: ¿Después del momento de la presentación de los proyectos en el Entrevista con Antoni Abad para el Forum Permanente. usted mantiene algún contacto con los colectivos? Spricigo en 15 de mayo de 2007. realizada por Vinícius espacio expositivo.zexe. hasta que finalmente hice un proyecto con una mosca virtual que vivía de las personas de Barcelona con movilidad reducida. una de acceder a esa tecnología. que pretende tener un ámbito un dispositivo concebido para poder conspirar. Es ésa la dirección de mi trabajo en ANTONI: En esos proyectos. del mundo de las compañías. El espacio donde ese proyecto invitaciones para realizar proyectos de instituciones artísticas. ANTONI: Mi inicio fue como escultor. en la cual éstas ganan a comentar su sociedad? ¿Por cuál motivo? Sin respuesta para esa pregunta mi visibilidad en un espacio del que. La composición de hasta el inicio de la colaboración con los “colectivos”. Después comencé a trabajar con los panamericano. sobre la función del artista en la sociedad.canal*MOTOBOY un principio estaba prevista para el arte. crearon una asociación específica en el ordenador de los usuarios. crearon forma que no se podían interceptar las comunicaciones de sus usuarios. y todavía instituciones para patrocinar esos proyectos. y una www. ¿Cómo entiende usted trabajo tomaría otra dirección… Tenía que hacer lo posible para modelar redes como el proceso de traducción o apropiación de esas dinámicas en el espacio institucional? Internet y la red de celulares. en São Paulo. Enseñar a esos colectivos cómo usar las herramientas. y con todos esos colectivos que ya transmitieron a www. Es entonces cuando se consigue que destinados al arte y a la cultura hacia otro territorio. y salí con cintas de vídeo y también con mi primera dirección para dar continuidad a sus canales. y el colectivo decide organizarse para dar continuidad al proyecto. los grupos responde a los niveles de participación que suelen encontrarse. es llamado “instalación”. pero que. propongo ese tipo es mostrado no es el espacio artístico. Porque. pero en una clase de una escuela. siempre me he VINÍCIUS: Antoni.net organizaron. 84 85 . también el papel de facilitador o mediador. hacia un territorio que me parece mucho MOTOBOYS TRANSMITEN DE MÓVILES más cercano a la sociedad. Un 30 o 40% que publican regularmente. ya puedo partir para el próximo colectivo. Los taxistas de México. ¿cuál sería su papel en esos proyectos? ¿Crear sus preocupaciones o de su día a día. De entre esos esas ideas al territorio del vídeo proyectado. háblenos un poco de su trayectoria artística encontrado con grupos humanos que responden a ciertas pautas. Naturalmente. ocurrirá lo mismo con Ronaldo o con Luis. los últimos 5 años. al mismo de hacer esto porque tengo una trayectoria como artista. que trabajando en esos proyectos de proyecciones en el espacio y también con programas consideraron que ya habían dicho todo lo que tenían que decir. Éso. Se trataba de la Fundación Latinoamericana del Transporte Público. Tenemos por colectivos consigan autorepresentarse a través de la tecnología. Entre un 10 y un 15% se interesan e implican mucho en el llegó un momento. en el caso de informática. Algunos de los participantes se organizaron escultor o de relojero. si voy a México me encontraré otra vez con Don Facundo. mi hermano. Mi relación posterior con esos grupos es esporádica. los motoboys. por parte de la institución. más social. Pero también tenemos a los dos grupos de gitanos de correo electrónico en Internet… Eso produjo un cambio… Estuve casi diez años que ya participaron del proyecto en España y también a las prostitutas de Madrid. que generen sus propias noticias.

hubo dos visitantes. con y cierto modelo de sociabilidad predefinido. propiamente de la edición de ese contenido? concesiones. de edición y del contenido? Por último. Cuando se abre al resto de la sociedad. objetos. enfocada en la antropología. Vale decir que. Al final se acaba construyendo un escribir su comentario. un cantaor que ya murió. son totalmente libres. ¿Cómo para hacer un proyecto. Cuando usted afirma que esas herramientas de comunicación permiten que los principalmente. Hoy vimos en la “instalación” que solamente sin embargo la mayoría prefirieron tener sus canales “cerrados”. por ejemplo. Pero. la única cosa que yo cuestionaría sería la estructura del proyecto.net integra todos los resultados de esos diferentes proyectos. En las invitaciones del proyecto. Como decía hace algunos invitadas a participar mediante una interpretación de esos contenidos. pero creo que. descriptores. Así llegamos a la los medios masivos de comunicación. Cuando se publica una foto. clasificar esas visiones. más preciso. así que decidimos cambiar totalmente el dispositivo. Consideramos entonces que de alguna manera sería interesante VINÍCIUS: Vamos a tomar un aspecto tecnológico para ampliar esa cuestión. El proyecto tiene lugar en Internet. no existe ningún equipo que describa las imágenes a posteriori.zexe. Y creímos -digo creímos porque eso fue conversado. esas palabras clave. Cuando ANTONI: Sí. si se consigue que los motoboys hablen por sí mismos. diseño. Esos son canales de interpretación donde otras personas podrían ser ANTONI: Creo que lo importante es abrir ese espacio. Porque creo VINÍCIUS: La última pregunta. Ni Eugenio Tisselli. usted puede escoger una palabra que describa esa imagen. pues son publicados en directo arquitectura de la información solamente permite el acceso a los individuos que pertenecen desde los móviles. Tenemos un forum abierto para la participación de todas experimentaron por primera vez esa posibilidad los gitanos de Lleida. hace poco. Tenemos todos esos canales individuales donde los motoboys están bien conocido en todo el mundo. dentro de la terminología de ochenta palabras clave que “describen” los mensajes publicados. Eugenio Tisselli. espacios y actividades.net. el proyecto. De alguna manera. hubo una preocupación con el VINÍCIUS: Estoy pensando en el espacio institucional en un sentido más amplio. prácticamente no existe. tenemos una frase que de los contenidos transmitidos por los colectivos? dice: proyecto de Antoni Abad. por lo que percibí. esos tags. extrañamente. y ahora esos que tenemos es un forum abierto. Hay que hacer algunas usted ve esa tarea más allá del registro. en los cuales algunos artistas proponían una arquitectura específica ANTONI: Los emisores publican directamente del móvil en sus canales. 86 87 . Resultarían difíciles de entender porque utilizan lenguajes específicos corredor donde circulan los motoboys. ya que todos los participantes del trabajo la posición de los mensajes. Sin construcción de un sistema que partía de ciertas clasificaciones de la sociología o de embargo. les permitiría a los usuarios del dispositivo hacer sus pesquisas de acuerdo con ese diccionario. con el programador del proyecto. Tenemos por otro lado canales de interpretación. por ejemplo. ciertamente se trata de un aspecto positivo. el programador del proyecto. mi autoría está en En principio. También existe otra posibilidad. un canal abierto significa que existe la posibilidad de abrir el canal para esfuerzo intelectual de los emisores. los autores son los motoboys. ni yo pertenecían a la comunidad artística. Ofrecí esa posibilidad. porque a partir del primer proyecto en México. por ejemplo. Si es que es una autoría. las personas que visitan la web. creo que es el momento en que los motoboys vimos que algunas de las publicaciones de los taxistas de Ciudad de México podían comienzan a interactuar con el resto de la sociedad. proceso de integración de los resultados. la apertura no estaría reducida al comentario se refirió a la apropiación. Es necesario hacer éso para que el proyecto sea viable. No había espacio para “el otro”. pero tampoco queda claro qué son los doce motoboys participantes. digamos artística. al final. Ese descriptor era alguien especial y bien específico broadcasting -o webcasting. hay que divulgarlo. en los dos canales de los gitanos los que envían esas palabras clave en sus mensajes. por tanto. en el VINÍCIUS: ¿Existe. a veces. No existe un Ya recibimos muchos comentarios. a final de cuentas. también colaborador del proyecto. nunca invitaría a doce motoboys proyecto zexe. Hasta ahora tenemos unas individuales de los motoboys pueden ser abiertos también. Es uno de los experimentos tuvimos muchas intervenciones que atacaban a la comunidad. digamos estética. con la posibilidad de escribir sus comentarios sobre uno de los descriptores que más aparecieron fue Camaron. también sobre el lado tecnológico es: el portal del que el Centro Cultural São Paulo. del colectivo emisor. Usted también representaciones? ¿Para el espectador. Eso implica un www. Los canales que estamos llevando a cabo en el canal*MOTOBOY. ¿Existe una preocupación. Usted. veo que. etc. hay que ceder. Entonces. sería mejor. ¿cuál es el papel de ustedes en ese celulares e Internet es mi única autoría. como usted vio a esas comunidades. como el dispositivo. porque cuando envían una imagen tienen que que otras personas puedan intervenir en él. sino que son los propios motoboys comentario negativo. definir el contenido de esas imágenes. una de las críticas realizadas a esos alguna posibilidad de edición realizada por los propios motoboys.pero el proyecto sucede en Internet.que sería importante motoboys tengan una representación de su propia comunidad sin pasar por el filtro de describir esas publicaciones. en el sentido de proyectar una que abarque también esa arquitectura de la información que usted ofrece ya como algo forma de visibilidad a los colectivos? preformatado. que serviría para clasificar las actividades humanas en un diccionario el broadcasting de los registros de la realidad cotidiana de los colectivos. o sea. que no permite con cuatro ramificaciones importantes: seres. naturalmente. principalmente en el proyecto de los motoboys. el trabajo reafirma el lugar de exclusión de esos sujetos. Vamos a pensar en los trabajos que quedaron estigmatizados por la estética relacional. cuando estábamos junto con Augusto Stiel Neto. lo de esa comunidad. el espacio creado por esa tenemos la posibilidad de editar esos contenidos. lo permite. y los programadores. Eso que otros segmentos de la sociedad expresen su percepción de esa representación. Las posibilidades trabajos versaba sobre la creación exclusiva de espacios de consenso y nunca un espacio de edición son muy simples: sólo se puede agregar más texto y borrar o cambiar de disenso. aunque también pensamos que quizás podría ser muy rígido. ¿sabe lo que quiero decir? Esa combinación de arquitectura entre los responsable del proyecto. Eso quiere decir que la representación. En fin. diálogo y negociación en la construcción de esas espacio. a todos los motoboys. donde las personas se pueden interrelacionar. Hasta ahora. en un ámbito que sobrepasa el ser crípticas. minutos. es hecha por las propias comunidades.

Austria 2006: así el Canal. Museo de Arte ¡porque las hay! Contemporáneo de Castilla y León 2005. Centre d’Art Santa Mònica. que muestren muchas cosas erradas de la calle. ¿verdad?. y están ellos mismos asumiendo mostrar la vida de los motoboys. O sea. Lleida 2005. Centro Cultural Sao Paulo. ¿Usted cree entonces que los individuos cada vez más están dejando de delegar en la institución Andrea Sadocco Giannini: El canal*MOTOBOY (creo que sea) es un canal para y en los artistas el papel de su representación. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. La Casa Encendida. y una presentación de sí para la amistades. Lo que sigue esa información. aunque se posibilidad de representar esa favela son sus propios habitantes. ¿Adonde nos llevará eso?. Hamburger Banhof. 1ª Bienal de Sevilla 2004. www. Y también una forma de hacer más una postura activa de crear un sentido para sí. y se fue abriendo espacio. en cosas una persona. Para responder a esa otra pregunta. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. a partir de palabras claves del dispositivo o de sus publicaciones. Me interesé bastante y vine. expresión. Ronaldo. Estamos aquí para aprender un ANTONI: Creo que sí. que trata de representar el dispositivo -en este caso. mostrar el día a día del motoquero. Su día a día. o trata de ir por ahí. Veremos lo que pasa. Estrecho dudoso: Tráficos. Museu d’Art que queremos. pero me fue gustando y hoy estoy aquí. Eso es también una representación para la difusión… Imagino que es algo que viene Eliezer Muniz dos Santos: El canal*MOTOBOY es una idea. Berlin 2002. Madrid 2005. Como también para desarrollar la informática. Y aquí en el canal*MOTOBOY no es eso lo Museum of Contemporary Art. No lo sé. Que las personas puedan conocer mejor nuestra vida. Solo que para eso tenemos que Sus proyectos han sido presentados en el Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. La cosa va por ahí… comuniquen poco entre sí. él me dijo que era un Proyecto que mostraba el día a día del motoquero. como “accidente”. VINÍCIUS: Gracias. Antoni Abad. Centro Cultural de España. que juntó la posibilidad de apertura. Queremos personas de responsabilidad. San José de Costa Cleyton Pedro Perroni: Llegué al Proyecto a través de un amigo mío. vive en Barcelona. Una creación de de la publicidad. MECAD/ mucha gente mala.1. para la identificación de las publicaciones en adhesivos. Brasil 2007 y en internet. Fundación Teorética. Entre los meses de septiembre y octubre de 2007 se llevaron a Esos términos que ellos están usando no son más de ochenta hasta ahora. y empezamos a conversar en el Centre d’Art Santa Mònica ha recibido el Premio Nacional de Artes Visuales de la Generalitat bastante. volviendo a la cuestión de la institución. y una comunidad con serias necesidades de hay algunas decisiones estéticas. pero que son lo más simples posible. un poquito. “tránsito”. autorepresenten. y algunos cabo conversaciones con distintos participantes y colaboradores ocupan un lugar bien alto en el ranking. lo que que sirven para divulgar la experiencia. Si alguien tiene la vistos y se ven. Y por donde quiera que voy trato de pasar a otros motoboys lo que estamos aprendiendo en la calle. un casco bien simple. Franscisco Djalma Souza: Cuando fui invitado por mi cuñado. Karlsruhe 1999. fotografía de una construcción precaria en una favela de Rio. Beiço. Madrid 1997. que está creciendo mucho. El proyecto canal*ACCESSIBLE que ya tenía contacto con el artista español. y muchos de ellos ya se interesaron por el Proyecto. pero de cualquier manera serían ellos mismos los que editarían u organizarían del canal*MOTOBOY en el Centro Cultural São Paulo. el lado de las fotos. en todos los canales hay más o menos un logo. imagino. en verdad. fuerza de voluntad de cada uno de los motoqueros. Pasé varias semanas solo participando. hacer esa foto y después reproducir belleza. Y creo que es todo comunidad? eso y un poco más. soy uno de los miembros del canal*MOTOBOY. mal intencionada. VINÍCIUS: Para terminar. Contemporani de Barcelona 2003. un ¿Qué es el canal*MOTOBOY? casco-. Y aprender. sea capaz de generar conocimiento colectivo. se perciben y son percibidos. Rica 2006. surgiendo de Cataluña i el Golden Nica Digital Communities del Prix Ars Electronica de Linz. es necesario divulgar… y en eso las nuevas medias tienen de mejor. quizás. y que todo el mundo pueda prestigiarlo.S. El artista tuvo el coraje de llegar hasta allí. P. New York 2001.net 88 89 . Media Lounge/New lo que le interesa mismo es el dinero. todavía sin móvil. ¿Cómo conoció el Proyecto? ANTONI: Gracias a usted. Que todo el mundo pueda conocer el cuando llego a una sala de exposiciones y veo un Cibachrhome perfecto de una día a día del motoboy. a participar de este Proyecto. la primera idea que creo se podría tener de un motoboy.diccionario de términos que. con una cámara bien Keila Muniz dos Santos: Un instrumento de visibilidad. el canal*MOTOBOY es un instrumento de comunicación entre la sociedad y los motoboys. porque el mundo de hoy tiene Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. es una selección de algunas de sus consideraciones. del fotógrafo dentro de cada motoboy. personas que trabajen bien. lo más simple posible. Se identifican en sus pares. pero el ejemplo podría ser: sincero. México DF 2004. nuestro trabajo honesto. Estamos necesitando. New York 2003. a reunirnos con varios motoqueros. donde sus actores son grande. saber escoger a algunas personas para poder trabajar. que el objetivo sería ése: que los propios colectivos se poco más y cada día desarrollar un poco más. En definitiva. pienso: ¿qué es éso? ¿qué quiere decir?. pero ZKM’net_condition. Barcelona 2006.zexe./MOMA. en este caso un artista. que a veces quiere entrar en una cosa. de un empujoncito más para engranar la Antoni Abad. Centre d’Art La Panera. vamos a ver. nacido en Lleida 1956.

Nosotros viajamos por todo São Paulo. sino también acabé involucrándome. esa comunidad que con esta aquí da resultado. Luiz Fernando Bicchioni: Yo no cambiaría nada. Andrea Sadocco Giannini: Creo que sí. ¿Este colectivo es una mostrar a la gente la categoría de los motoqueros. Porque de lo contrario es existe un grupo de motoqueros. los motoboys. porque hasta hace un tiempo no tenía convivencia ¿Qué usted mejoraría o cambiaría en el canal*MOTOBOY? con sociólogos. También nosotros tenemos que ver a quien está pilotando. peatones que pagan pasaje y sufren el embotellamiento. y nunca había entrado en lugares como el Centro Cultural São Paulo. el Condumoto (licencia dada por el Ayuntamiento) y los apoyo al grupo en aquel momento. otra tiene que oír lo que la otra está diciendo. Tener más patrocinadores. La moto. y todo acaba juntándose. todo. no estamos parados o estancados. si está desorganizada. Podemos São Paulo el Canal está comenzando a influenciar a cada uno de los que estamos hablar sobre el clima. Espacios del ayuntamiento. tal opinión Edison Cordeiro da Silva: Ah sí. cursos. Al final. Entonces ellos pueden También lo hacemos de nuestro día a día. Es muy importante. también Ronaldo. Y notamos. Claro que tuvimos estrés. sino mostrar monumentos. tiene que haber comprensión. Y no era solo yo. pues ¿Su participación tuvo influencia en su cotidiano profesional y particular? esas personas trabajan todos los días con grandes responsabilidades. Para mí fue muy bueno. las personas tienen que oírse. entonces que es la amistad. en la dinámica de las reuniones. la belleza de la ciudad. por ejemplo. Si alguien tiene una oportunidad. como una facultad. vi que tiene mucha gastronomía. Tuve otra visión de la profesión. y esto significaba hacer participantes? ¿En caso afirmativo. en qué se transformaría ese grupo después de la muestra. terminé por asumir la responsabilidad sobre el grupo. ¿usted entiende? Tanto accidente –si Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Con certeza. la verdad. es más o menos así. en la construcción de algo que ellos considerasen bien entiendan y nadie tiene nada que ver con eso. o sea. si está organizada. sería una ventana para muchos problemas. trabajando. Cada uno tiene que saber lo que hace y tiene deliverys que se reúnen semanalmente para discutir los problemas de la Categoría. lo que pasa. Nunca existió una iniciativa de esas. Eliezer Muniz dos Santos: Es difícil de decir… Bien. creía que la profesión era solo un medio de sobrevivir. taxistas. el motoquero que coordinaba que los gobernantes o las personas que hacen las leyes de tránsito vean que de nada la logística de los motoboys. No mínimo de experiencia como motoboys? obstante. si de verdad está interesado en 90 91 . pero mejoraría en el sentido Eliezer Muniz dos Santos: Puedo decir con toda certeza que hoy en São Paulo de delegar algunas funciones para que podamos trabajar. mucha gente inteligente. También oírnos entonces para mí fue una experiencia buena. cosa. si hay CET… El motoboy puede ver muchas cosas. los móviles y el sitio ya lo teníamos. mensajeros y ex mensajeros. al principio fui contratado ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY podría contar con un número mayor de por el artista para ser el Comisario Adjunto del proyecto. clubes. ¿usted entiende? ¿Usted diría que el canal*MOTOBOY le dio oportunidad de integrarse a una Entonces tenemos que tratar de informarnos mejor. antropólogos. que disponer un poquito de su horario para participar. importante. participando de las reuniones. hay que captar los unos a los otros. canal*MOTOBOY. traer informaciones. lo bueno es verlo en las reuniones. tener más motoqueros trasmitiendo de los de nombre. que aquí en conocemos toda la Gran São Paulo. comunidad? ¿De qué tipo? Ronaldo Simão da Costa: Sí. pero no. motogirls y hasta complicado. y ellos tienen el derecho sagrado de organizarse como estar al lado de ellos. celulares pertenecen a ellos. De ellos demuestran que están creciendo dentro del Canal. como tenía una larga experiencia sobre la historia de luchas de la Categoría. una dice una estas cosas que estoy conociendo. que es la familia. una misión. la amistad del Canal. un a España. ahora se de ellos. Adriana Maria de Oliveira: La posibilidad de legalizar a los motoqueros. corriendo riesgo Cleyton Pedro Perroni: Bastante. si está sucia. móviles. Luiz Fernando Bicchioni: Desde luego. Eso fue lo que me incentivó más a comunidad? De serlo. Porque no solo hacemos fotos de la calle. con certeza. es la de los Profesionales Motociclistas. y después que el artista volvió conductores. contacto con personas de las que solo oía hablar Adriana Maria de Oliveira: Bueno. O sea. lo que podemos aprovechar. si está bien vigilada por la policía. Tuvimos que rompernos mucho la cabeza hasta que el vale estudiar ingeniería y después ir a montar las carreteras y autopistas a la manera grupo encontrara una dirección. comunidad de la periferia. sí. de vida a toda hora –como yo corro riesgo de vida en el tránsito. todo eso. y hay muchas cosas en São Paulo que nosotros desconocemos.¿Por qué se interesó en participar en el canal*MOTOBOY? Eso es inusitado en la historia de esta clase de trabajadores. que nació dentro del participar en el canal*MOTOBOY. los nuevos participantes deben tener un la coordinación de los Debates y Filmes que pasarían junto con la exposición. una manera buena y fácil para las personas que están metidas en el tránsito. mi interés fue en primer lugar el de dar en esta historia. importancia para todo el pueblo de São Paulo. varias cosas que no conocemos. Creo que mucha gente podría participar. Una tiene una opinión. si eso está siendo trataba de definir lo que haríamos a partir de ahí. tiene mucho que ver con nosotros. Hay que delegar funciones. Y que las personas estén unidas. bien que mi intención no es mostrar accidentes. la apoyo y vamos hasta el fin Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. escuelas. culinaria. informar y ayudar. No solo los motoqueros. En segundo lugar. Es importante tener experiencia. y puedo decir que participo de ella. sobre la ciudad.

y creo que eso podríamos cambiarlo. O sea. Entonces es una oportunidad de conocernos. sino de varias cosas: de un hueco. de un río. como ya dije. Y una de las cosas fue ésa. yo no sé si el día a día del motoquero es una cultura. Todo. Muchos lugares en los que ni imaginaríamos entrar. pero para mí sí es un proyecto cultural. por ejemplo. Porque vamos a ver desde arriba lo que ocurre. sino por él. Cleyton Pedro Perroni: Mire. Edison Cordeiro da Silva: Una de las causas que estamos discutiendo ahora es la del medio ambiente. Mi idea para mejorar el sitio es así: que las filmaciones tengan un aparato que grave más tiempo. cosas malas. Entonces es una cosa que descubrimos a cada día. primero en el Centro Cultural São Paulo y ahora aquí. está naciendo ahora. Siempre pasamos por la avenida 23 de Maio y nunca miramos hacia allá. Porque a veces estamos filmando algo en flagrante y tenemos que parar y perdemos veinte segundos preciosos para almacenar y captar nuevamente. Cuando entré en el canal*MOTOBOY. Hasta del día a día de una persona que vive en un apartamento cerrado somos capaces de tirar fotos. Porque. ¿Qué otra utilidad usted le daría a un proyecto como éste? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Me asociaría a otros proyectos que ayudarían al medio ambiente. Es infinito: cosas buenas. Descubrí que el Centro Cultural tiene una biblioteca inmensa. a menos que fuera para prestar un servicio. y hay que tener unos adhesivos. nosotros estamos tratando de mostrar las cosas que el motoquero hace. Franscisco Djalma Souza: Creo que sí es un proyecto cultural. Colocar un poco más de tiempo. creo que cambiaría el sitio. Más de nueve segundos. aprendí muchas cosas. Por ese motivo para mí fue una cosa buena. Entonces.el canal. se tiene un envío inmediato. y junto con nuestro Proyecto se estaban realizando otras exposiciones en ese período. qué fue lo que aprendí: no se tira fotos solo de las calles. que existe un edificio de ésos. todavía hay mucha cosa para mejorar. tendríamos a un periodista. Creo que antes yo no pensaba en eso. lo digo. Para cambiar. Entonces son cosas que uno ni imagina. en la Acción Educativa. a ver. hoy en día la informatización mejoró muchas cosas. cosa que ni imaginábamos que existiera. Porque hoy en día nadie está preocupado con eso. y si delegamos funciones. Edison Cordeiro da Silva: Estoy aquí para cualquier cosa que haya que mejorar. Y hoy en día cuando veo algo errado. Lo que está afectando a nuestro mundo. de una persona. El Canal es como un niño. otras formas de ayudar al mundo. todo. 92 . como ya había dicho. ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY es un proyecto? ¿Por qué? Ronaldo Simão da Costa: Creo que es un proyecto cultural porque vincula a todo tipo de personas. a partir del momento en que se trabaja con fotocelulares. así la mayoría de las entrevistas no sería hecha por motoqueros. de un accidente.

Embaixada da Espanha no Brasil Embaixador Ricardo Peidró Conselheiro de Cultura e Cooperação Juan Villar Centro Cultural da Espanha em São Paulo Diretora Ana Tomé Prefeitura da Cidade de São Paulo Prefeito Gilberto Kassab Secretaria de Cultura Secretário Carlos Augusto Calil Centro Cultural São Paulo Diretor Martin Grossmann Catálogo Edição Centro Cultural da Espanha em São Paulo – Agência Espanhola de Cooperação Internacional Coordenação Antoni Abad Carla Ogawa Iván Ortiz Idealização e direção do projeto canal*MOTOBOY Antoni Abad Curador adjunto Eliezer Muniz Concepção gráfica Antoni Abad Tratamento de imagens e finalização Grupo Elefante Revisão Ceci Agostinho Tradução do português Idália Morejón .

Matheus Fernandes de Castro Tradução do espanhol Renato Roque de Loreto Junior Luisa Fioravanti Ronaldo Simão da Costa Tadeu Ferreira dos Anjos Fotografias Tadeu Luiz dos Santos Scabio Motoboys participantes do canal*MOTOBOY Agradecimentos Texto de Introdução Ana Tomé Ana Tomé Alex Pilis Inês Raphaelian Fórum Permanente: Museus de Arte. Fundação Armando Álvares Penteado Rede de telecentros da Prefeitura da Cidade de São Paulo Coordenação Ronaldo Simão da Costa Eliezer Muniz Motoboys Adriana Maria de Oliveira Anderson do Prado Gil Alexandre Aparecido Olimpio dos Santos Alexandro de Moraes Lima Andrea Sadocco Giannini Cleyton Pedro Perroni Edison Cordeiro da Silva Eliezer Muniz Francisco Djalma Souza Luiz Fernando Bicchioni . SEACEX Embaixada da Espanha no Brasil Programação Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo Eugênio Tisselli Residência Artística Lutetia. entre o público e o privado Martin Grossmann Gerald Kogler Inês Raphaelian Textos Juan Antonio Montiel Alberto López Cuenca Karla Brunet Augusto Stiel Marta Rincón Eliezer Muniz Regina Silveira Roc Parés Sergi Botella Entrevistas Vinicius Spricigo Vinicius Spricigo Documentário Exposição Centro Cultural São Paulo Glória Martí Projeto Antoni Abad 2007 Ciências Sociais Augusto Stiel Neto Equipe CCSP Inês Raphaelian Organização Monica Caldiron Centro Cultural da Espanha em São Paulo / AECI Henrique Siqueira Centro Cultural São Paulo Durval Lara Douglas Freitas Apoio João Mussolin Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior de España.