canal*MOTOBOY

www.zexe.net
São Paulo 2007

Realização:

Apoio:

C21
canal*MOTOBOY / coordenadores Antoni Abad ... [et al.] ; textos de Alberto López Cuenca;
Augusto Stiel e Eliezer Muniz ; entrevistas de Vinícius Spricigo ; introdução de Ana Tomé; Inês
Raphaelian e Martin Grossmann; traduções Idália Morejón e Luisa Fioravanti. -- 1.ed. -- São Paulo
: Centro Cultural da Espanha em São Paulo - Agência Espanhola de Cooperação Internacional,
2007.
100 p. : fot. ; 21 cm.

Textos em espanhol e português.
Projeto canal*MOTOBOY idealizado e dirigido por Antoni Abad.
Curador adjunto Eliézer Muniz.
Fotografias pelos motoboys participantes do canal*MOTOBOY.
Exposição Centro Cultural São Paulo.
ISBN 978-85-61284-00-8

1. Arte Digital. 2. Exposições. 3.Conhecimento Coletivo. 4. Coletivismo Urbano. 5.
Comunicação Audiovisual . 6. Entrevistas. I. Abad, Antoni. II. Muniz, Eliezer. III. López Cuenca,
Alberto. IV. Stiel, Augusto. V. Spricigo, Vinicius. VI. Morejón, Idália VII. Fioravanti, Luisa. VIII.Título canal*MOTOBOY
CDD 778 www.zexe.net
Catalogação na fonte: Bibliotecária Vania Santos - CRB8-5039
São Paulo 2007

Centro Cultural da Espanha em São Paulo
São Paulo, SP, 2007

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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

canal*MOTOBOY

Dezembro de 2002, Antoni Abad em visita a São Paulo, volta sua atenção aos inúmeros
mensageiros circulantes da cidade que, como percebeu, “constituem uma rede humana
motorizada que faz possível o intercâmbio de informação na metrópole... artérias informantes da
grande urbe” – os motoboys.
Nos últimos anos, o trabalho de Antoni Abad vem sendo desenvolvido principalmente na
Internet por meio do projeto www.zexe.net, apostando no âmbito das redes. O projeto é concebido
para conviver com este espaço público digital, ambiente completamente em sintonia com esta
“rede humana motorizada” que, munida de telefones celulares com câmera integrada, enviam em
tempo real as percepções de seu cotidiano para o site.
O projeto com os motoboys foi apresentado em diversos momentos para instituições
culturais da cidade de São Paulo, passaram-se quase quatro anos e, durante este período, a
idéia primeira não foi concretizada. No entanto, durante esse tempo de espera, www.zexe.net
articula e hospeda as experiências realizadas em outros locais em “coletivos transmitem de
celulares”, tendo como inspiração o projeto voltado para os motoboys. Em 2004, a atenção do
artista esteve voltada aos taxistas no México e, em 2005, para os ciganos de Lleida e de Leon,
bem como para as prostitutas de Madri. Em 2006, foram as pessoas de mobilidade reduzida em
Barcelona e também os imigrantes nicaragüenses na Costa Rica.
Em maio de 2007, graças à parceria entre o Centro Cultural São Paulo e o Centro Cultural
da Espanha / AECI, com o apoio da espanhola SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural
Exterior) o projeto canal*MOTOBOY tornou-se realidade.
Durante três meses o Centro Cultural São Paulo recebeu um grupo de motoboys para

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suas reuniões semanais em um espaço/instalação idealizado para o projeto por Antoni Abad. O A rota está sendo recalculada
local escolhido foi a grande praça interna que congrega o conjunto de bibliotecas desse Centro
Cultural. Nesse espaço de grande impacto arquitetônico que, de certa forma, espelha o labirinto O motoboy e a economia política do afeto
que é a cidade de São Paulo, o artista, sua equipe e os motoboys estudaram as possibilidades
de realizar projetos coletivos, bem como de canais individuais de transmissão.
Alberto López Cuenca
Coordenaram, também, a publicação imediata dos conteúdos que se propuseram a tratar,
adequando a conectividade da rede à interface dos canais. Durante todo o projeto intercambiaram
experiências e opiniões por meio de mensagens multimídia e conversas telefônicas. Nestes Na atual clássica recopilação do texto Art after Modernism: Rethinking
encontros, os motoboys propuseram atividades paralelas como palestras e mesas redondas com Representation (Wallis 1984), se manifestava já com contundência a suspicácia pós-
profissionais convidados, a exemplo da artista Regina Silveira, que incorporou a obra “Derrapagens”. moderna referente ao lugar que a representação havia de ocupar na prática artística
O projeto gerou efeitos desejados e inesperados congregando, além do grupo inicial, outros agentes contemporânea. Não parecia que a arte deveria passar necessariamente por elaborar
perfazendo e potencializando sua proposição de propiciar canais de participação e expressão aos representações (algo como o cinetismo, a performance, a instalação, a escultura
grupos econômica e mediaticamente desfavorecidos. canal*MOTOBOY tornou-se uma dimensão minimalista ou o land art haviam posto de manifesto), mas melhor se proporia agora
paralela ao caos da cidade, um contra-fluxo de situações singulares reportadas por aqueles que
gerar situações, espaços ou experiências. Neste sentido não era casual o alarme
parecem viver sempre em corrente contínua.
que animava “Art and objecthood”, o beligerante texto onde Michael Fried (1967)
Celebramos, também, na hora desta publicação memória do projeto, a continuidade do desqualificava a escultura minimalista por ser teatral, ou seja, por perder autonomia
canal*MOTOBOY através de um núcleo de motoboys trabalhando em iniciativas coletivas de
âmbito mais abrangente como a ação educativa para disporem com responsabilidade ambiental
ao depender de um espaço circundante que ativara a experiência artística.
dos resíduos das motocicletas (óleo, baterias, etc), visando à preservação dos mananciais de Parecia que a arte não só não tinha que ser a representação de algo, mas que
água do Estado de São Paulo, ação realizada em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental), deixava, inclusive, de estar contida nos limites formais do objeto artístico (da pintura, da
a ONG Ação Educativa e o Centro Cultural da Espanha.
escultura ou do vídeo). Porém, este entretenimento contextual da arte, a heteronímia
Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé que anulava sua pretendida auto-suficiência, não era nada excepcional, pois já havia
sido espalhada pelas denominadas vanguardas históricas do princípio do século XX.
Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da Espanha

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menos ambiciosas havido só isso uma vez). modos de vida ou. especialmente na medida em que o horizonte de ação da produção quais têm desembocado na articulação de singulares comunidades de colaboração. A posição Tive a oportunidade de escrever sobre o primeiro desses projetos. que podemos explicar nos termos de sua capacidade “performativa”. repousava sobre múltiplos pressupostos. destaca a posição privilegiada do artista moderno para compreender o mundo e incidir simbólica e concretamente sobre ele. portanto não cabe esperar dele da Bauhaus empreenderam em seu dia a tarefa (artística?) de fazer efetivos novos que articule grandes projetos de transformação social. vídeos. na publicidade e nos cartazes de cinema e no projetos onde se supera a condição onisciente do artista que subscrevem o caráter desenho de jogos de chá e de cidades inteiras. mas mais diversas. todavia possível a de captação de essências ou de evocação da realidade (se é que realmente pode ter difusão de estratégias para a ação da arte no terreno da vida social. seja como produtor de bens santuários ou de experiências para o ócio e o da web de livre acesso.F durante dois meses em 2004. nem mais nem menos. no qual um grupo de 17 hoje interditada pela generalizada conversão dele em um especialista da indústria taxistas enviavam imagens. que se praticamente onisciente do artista para compreender e incidir sobre o mundo está desenvolveu no México D. performativo e não representacional da arte. museus e centros de arte. Então redigi 10 11 . Para isso. Redes de sociabilidade Entre eles. de reconfigurar os existentes. sitio*TAXI. a arte não No entanto. artística contemporânea põe em questão o mencionado pressuposto. à convicção de que a arte ainda pode gerar sociabilidade. o descrente respeito à posição privilegiada do artista. Transformar a vida não poderia ser imitá-la mediante critérios que as modernas. A página reunia e atualizava sem edição ou seleção prévia entretenimento em bienais. fazem. passando pelos construtivistas e os membros artístico não vai além de seu campo de competência. Trata-se. documentos de áudio e de texto a uma página simbólica. Visto desta forma. mas em condições muito distintas àquelas que se plantou celular e à possibilidade de transmitir diretamente deles informação via internet. A qualidade da arte como ação transformadora.Os artistas dadaístas e surrealistas. o trabalho os documentos remetidos em tempo real pelos membros desse grupo. mas levá-la a se introduzir nos interstícios da cotidianidade e modificá-la: alguns dos projetos com grupos e tecnologia celular coordenados por Antoni Abad: nas capas dos livros e atrezzo teatral. somado poderia ser concebida nem praticada como um exercício meramente representacional. os originalmente. Antoni Abad tem desenvolvido junto do programador Eugenio Tisselli ao de um imperativo vanguardista de atuar sobre a realidade que tem sido legado à longo dos últimos quatro anos uma série de trabalhos que recorrem ao telefone arte contemporânea. É este o fundo sobre o qual se desenvolvem estéticos. pelo menos.

Por um lado “O artista como etnógrafo” (2001) –onde 2005. transformar a imagem que se tem do taxista. a É óbvio que o sitio*TAXI opera através de mecanismos de representação. Esse tem sido um aspecto constante dos trabalhos que acompanharam sitio*TAXI. porém seriam confrontados por ela e por sua projeto era modificar representações. Em outras palavras. Porém. instituição mesma do poder se viu sujeita a escrutínio ao criar o canal*PATRIARCA. imagens. Aí se distribuem entre a forte comunidade de imigrantes nicaragüenses eram mecanismos de sociabilidade. a planificação e a ativação do canal*CIGANO criado em Lleida durante que já não estaria de acordo. Não apresentava ao artista como uma voz privilegiada. não é a visibilidade das imagens na rede. o que o sitio*TAXI colocava em ação canal*CENTRAL. acidentado ou delinqüente ou como um efêmero herói de algum resgate). textos. ao dar a entender que o efeito fundamental desse em seguir colaborando com o projeto. fazendo-a voltar a ser novamente aceita por ele. entretanto. Mais uma vez. em São José. Antoni Abad pôs em funcionamento mais que outras representações da realidade. mas que formam a parte crucial do projeto. canal*CIGANO geraria um enfrentamento inusual contra o própria história. investigadores críticos de sua própria sociedade– e acredito que estava certo ao Para começar. separação tradicional que se faz na comunidade cigana entre homens e mulheres. Costa Rica. levou a uma série de negociações e conflitos que não são visíveis no material o autor sustentava que alguns artistas contemporâneos haviam-se convertido em audiovisual acessível através da internet. Mais ainda. gravações de áudio e vídeo. De um lado. ao considerar o taxista como etnógrafo. Errava. os patriarcas. canal*CENTRAL. criava relações sociais e estratégicas telefones celulares e o conhecimento para manter o funcionamento da página da web de subjetividade. senão os taxistas por eles mesmos. Estes vetaram uma das participantes mero notário de sua realidade. muito além de constituir uma contraesfera para a negociações com o meio institucional e administrativo que manifestou a conquista do representação. senão que chamava a atenção os lugares e as condições que podem se encontrar e o tipo de interação que podem sobre os taxistas em tantos narradores de sua experiência e enunciadores de sua manter. o modo de operação do canal*CIGANO implicava em questionar a enfatizar que não é o artista que fala em sitio*TAXI. No fundo. sitio*TAXI abria espaço para a enunciação e do projeto. Ao longo de 2006. mas a série de a agencia de seus participantes. as entraves legais com os tramites para os celulares: 12 13 . Por outro lado. Pensando novamente neste título há algo nele que se subscreveria e algo com o Por exemplo.uma breve resenha sobre sitio*TAXI que levava o título “O taxista como etnógrafo”. seu resultado não é simplesmente “fazer onde se reuniam entrevistas incomodas aos patriarcas em que tinham que se explicar e visível a realidade do taxista” ou “propiciar representações que não cabem nos meios pensar como ciganos ao fazerem perguntas como “o que é ser cigano?” ou “o que é ser de comunicação tradicionais” (certamente o taxista só aparece aí pontualmente como patriarca?”. ou seja. como poder fáctico da comunidade. mãe até o extremo. questões propostas que raramente eram consideradas de modo explícito.

mas para gerar a mesma vida na interação das comunidades. é uma questão central na medida em que “o tema” destes projetos não é a elaboração monumentos e estações de metro). seu software não estava atenção. Não menos trabalhosa foi pôr em funcionamento para 22 projeto com a constituição da “Associação Acessível”. o mesmo tecido da existência coletiva e individual. que surge com uma caducidade. mas que para o deslocamento de incapacitados pela cidade (uma contracartografia frente em sua prática abrem espaço para relações sociais inesperadas e reconfiguradas. incitou a formação de permitido de operar na Costa Rica. bares. na realidade desatou respostas tanto sociais. As ações de O filósofo político Michael Hardt e. Em sua operação fazem manifesto todo tipo de restrição. tendo assim que negociar o espaço tecnológico e um grupo de colaboradores que continuam reunindo-se e trabalhando para o final do legal para fazê-los operativos. Com eles com o redor. como forçou modificar transitoriamente sua conquista. imigrantes ilegais a tarefa de comprovar a residência formalizada no país requisitado Fica patente que para tirar fotos e colocá-las na rede não esgota o alcance destes imprescindível para acessar o serviço de telefonia celular. Apesar de que o trabalho do canal*ACESSIVEL da representação de grupo. em 2006 encaminhou-se em Barcelona canal*ACESSIVEL. parques. ele e Toni Negri em seu debatido documentação fizeram com que a prefeitura se visse forçada a modificar muitos dos livro Império. ou são impostos foram abertos espaços de ação transitoriamente desregularizados para o exercício e a pelos costumes e pela administração patriarcal do poder ou pelas legislações das enunciação comunitária de um setor da população nicaragüense. em nível coletivo (estruturaram entre os incapacitados. um dos bens 14 15 . para esses autores. mas da ativação da agência e da produção de relações parecia desembocar no traçado de um mapa. canal*ACESSIVEL. telecomunicações e imigração ou pela arquitetura urbana. revelar.por tratar-se de aparelhos ilegalmente importados de Miami. canal*CENTRAL não só fez projetos. de fazer visível a rede translúcida que requisita a vida social (desde as relações onde os participantes elaboraram uma cartografia com os entraves arquitetônicos entre os adolescentes no uso de um celular ou no deslocamento pela cidade). Mas não se trata somente de Por outro lado. porque não apontam meramente fazer possível outras representações da vida visível o controle da comunicação e das fricções técnicas e legais no monopólio estatal (dos ciganos. Ou seja. O afeto é. mais tarde. imigrantes e incapacitados). descreveram quais são as esferas características e dominantes da obstáculos arquitetônicos que os membros do canal*ACESSIVEL haviam chamado a produção da sociedade contemporânea. como Economia política do afeto em nível institucional (o mapa saiu reproduzido por meios de comunicação locais e a prefeitura replicou distribuindo um mapa da “Barcelona acessível”). comandos extraordinários que recorriam zonas da cidade a princípio não planejadas para se analisadas). Está às múltiplas cartografias triunfantes da urbe: de seus museus.

O afeto seria parte do que eles denominam “trabalho bem. de afetos” (95). podemos distinguir três tipos de trabalho imaterial que puseram o setor de social. administrar a vida emocional é. Para Hardt. possessão. “anticapitalistas”. O primeiro participa de uma produção industrial que dos indivíduos. os serviços ou algo ou de uma comunidade” (96). satisfeito. todo o setor de serviço na medida em que se integra nos processos de comunicação Ao dizer que o capital incorporou e exaltou o trabalho afetivo e que o trabalho afetivo e interação sob o título de “tratamento personalizado” seja no banco ou na “comida é uma das formas mais altas de produzir valor do ponto de vista do capital. mesmo que seja corporal e afetivo. Entretanto. uma indústria do afeto na maneira corporal. por outro. o terceiro tipo de trabalho imaterial é o que implica a então se homogeneíza a experiência ao mesmo tempo em que se descartam atitudes produção e manipulação de afetos e o que requer contato humano (virtual ou real). satisfação) e desestima outras (atitudes de altruísmo. não significa rápida”. que. Existe assim. apesar de estar entretenimento e as indústrias culturais que se concentram “na criação e manipulação totalmente integrada aos modos de produção. A fabricação é considerada como um serviço. como o conhecimento. pode ser contestada desde práticas. aquele que produz bens intangíveis. de sentir-se anticapitalistas (90) 16 17 . de como o sistema de relações dos objetos articula a experiência serviço acima da economia informática. é o trabalho e posturas economicamente não produtivas. entusiástico – inclusive o sentimento de sentir-se parte de imaterial”. A se informatizou e incorporou as tecnologias da comunicação de uma maneira que transforme economia desmaterializada produz e nomeia sensações. 95) e implica em áreas produtivas como a saúde.fundamentais da economia atual. que se faz cada vez mais predominante. que se divide em trabalhos de manipulação criativa e inteligente. essa indústria do afeto. em última instância. o ou estado de miséria ou desraigo). Finalmente. o processo de produção mesmo. ou seja. mas também dos aspectos mais íntimos e emocionais do sujeito. elaborar vínculos de submissão. contaminado desta maneira. Estes são os três tipos de tarefa que lideram a pós-modernização da totalmente incorporada aos modos de produção contemporâneos. Controlar os modos de produzir e material da produção de bens duráveis é misturado com o trabalho imaterial. sensações de fracasso “vinculante” (“binding element”. a comunicação. o afeto não tenha utilidade alguma para os projetos visto que seus produtos são intangíveis: o sentimento de comodidade. por sua tarefa controle. desejos. uma indústria economia global. simbólicos de retina. e o trabalho ou seja. O segundo é o trabalho imaterial das tarefas analíticas e simbólicas. Desta perspectiva. este trabalho afetivo desempenha um papel em aponta Hardt. O trabalho imaterial do afeto é caracterizado. segundo Hardt. (Hardt y Negri 316-7) que prioriza um conjunto de estados emocionais e atitudes (bem-estar. estados afetivos. modos de subjetividade e sujeição. e em trabalhos Se à maneira da produção de mercadoria se processam afetos estandardizados. excitado. pode-se dar conta não só da produção material da vida Resumindo. Em diferentes níveis. “este trabalho é imaterial. por um lado.

A esfera pública é assim construída ao mesmo tempo em que os sujeitos que a significam: sujeição e subjetividade de mãos dadas. com as redes de significação se ativa o processo de constituição afetiva e dialógica desta esfera pública. 12 motoboys que percorrem as ruas de São Paulo em é crucialmente de consciência subjetiva na medida em que desata um processo sua jornada de trabalho são providos de telefones celulares que permitem tirar de agência e enunciação. textos. se registram dentro de mecanismos 18 19 . usuários concretos. “e portanto proporia. canal*MOTOBOY inaugura momentos efêmeros de fotografias e vídeos para emiti-los diretamente a uma página da de internet. sons. mas também afetivos para os visitantes da página da web. telespectadores. Entretanto. aberta e negociável da informação elaborada por eles e disponível a comunidade é âmbito de produção de vínculos simbólicos. em suas reuniões e discussões a e páginas de jornal às telas de televisão e dos computadores. Desta aproximação taxonomia flexível. canal*MOTOBOY: meios digitais e crítica do afeto canal*MOTOBOY põe em ação um mecanismo de produção simbólica que Desde maio de 2007. Nessa negociação produção. esta caracterização geral: a arte de não ser de tal maneira interpelados por eles. Ao enviar contestação e ação que não pressupõem um sujeito livre ideal. Em tem percorrido desde sua concepção no século XVIII dos cafés. não por isso transforma- modo de Michel Foucault. Escrevia o francês que. de fato. como primeira se em um mero jogo de signos inertes e determinantes. O afeto. este espaço público respeito das estratégias do grupo para seguir adiante com seu trabalho. Por essa razão deve-se entender como o exercício crítico ao como espaço simbólico ou. o lugar de encontro social. e desviam a finalidade econômica dos signos e dos afetos na rede produtiva do multimídia. Aqui. mesmo a esfera pública atual constitui-se fundamentalmente capitalismo avançado. alheio aos que se vêem definição da crítica. Se a esfera pública. mas que sublinhem seus arquivos podem agrupá-los sob o termo chave que eles mesmos decidiram. em seu uso. mais precisamente. a condição conflitante e agnóstica da existência cotidiana de seus participantes. é crucial para a ativação de esferas de sociabilidade cuja de enunciação. clubes de discussão sua seleção e envio de material visual ou sonoro. do sujeito. em um processo paralelo às maneiras de produção imateriais do capitalismo. a como “acidente”. finalidade não seja necessariamente a produção de capital. entra em jogo o grau de implicação no processo de produção de significado: um na atualidade cobram as estratégias que iludem a criação estandardizada de afeto: processo nele no qual se produz níveis em que nos vemos sujeitados (significados) produzem vida afetiva e vida social não programadas pelos modos dominantes de pelos signos e níveis pelo que significamos (sujeitamos) aos signos. desarticulam hoje redefinido está marcadamente mediado pelo simbólico: imagens. o que oferece a possibilidade de armar uma condição sempre inacabada sempre em negociação. “proibido” ou “trabalho”. Daí a importância que claro. Os signos. são ativados por falantes. mediático.

É uma crítica realmente na participantes do canal*CIGANO entrevistar os patriarcas. como todo o estranho. ou seja. a ação de dissentir. de comunicação). suplantados por outros. Como dizíamos antes. dos celulares e da a magnitude e alcance das representações hegemônicas do motoboy nos meios internet. não é uma mera os mecanismos de poder e verdade.. Internet. como 20 21 . Seu trabalho de investigação se desenvolve desde o âmbito da Teoria de Arte e Epistemologia com a finalidade de descobrir os mecanismos de produção. de novo. a crítica. Antoni Abad narrava em uma ocasião um fato sumamente significativo: “Internet é Puebla (México). pedindo-lhes que expliquem o que é se cigano. ser um patriota e o que entendem como os projetos anteriores postos em ação por Antoni Abad. é uma crítica da instituição das regras de governo já sancionadas. ocorreu dos jovens da representação e não só do objeto da representação. A crítica teria essencialmente como função a desujeição no jogo do que se poderia denominar. dizia a ele um dos patriarcas da comunidade cigana de Lleida. porque possibilita ações que não caem. canal*CIGANO se converte assim em uma ferramenta que. da representação do grupo que incide diretamente sobre a matriz de produção da Disse a respeito que procura “modelar o meio para que usem outros” e concluía com imagem e da consciência: a prática social e coletiva. critica. isto é. da indocilidade reflexiva. a política da verdade (9-10) Coordenador do Doutorado em criação e teorias da cultura na Universidad de las Américas. neste caso.governada” (Foucault 8).. com uma Alberto López Cuenca é professor Titular de Filosofia e Teoria de arte contemporânea e palavra.eu diria que a crítica é o movimento pelo qual o sujeito se concede o direito de interrogar a verdade próxima de seus efeitos de poder e ao poder próximo de seus discursos da verdade. canal*MOTOBOY atua crucialmente como uma arte de ser de Antoni Abad fazia referência ao seu trabalho anterior como escultor e como sua atitude outro modo governada. permite posicionar-se frente a eles fazendo-os suplantação de umas representações por outras (uma tarefa também sisífica ante patentes e vulneráveis. inaugurando uma dinâmica de elaboração coletiva de escultor caracteriza a maneira em que trabalha atualmente com os meios digitais. a crítica será a arte da não servidão voluntária. uma pergunta: “por que haveria de ter os artistas uma visão privilegiada?” Escreve Foucault. canal*MOTOBOY. as relações sociais instauradas. isto é. dentro ditados. que não podem ser administradas. A crítica. aproximando-se deles e prática de uma prática e não uma mera crítica de representação. aparece como uma ameaça de desestabilização de mecanismos que iludem a “maneira de ser representados”. governados. ao evidenciar de resistência às representações mediáticas do motoboy. é posta em marcha toda a novidade. não só ativa uma rede por “gajão”. na fala de Foucault. . Ou seja. O uso inesperado dos meios eletrônicos. distribuição e o diabo”. Em outra ocasião.

núm. é colaborador São Paulo permanente do suplemento cultural do diário ABC e da Revista de Libros. vol. Foster. política e esfera pública no estado espanhol”.F. Michael. um Ciclo de Debates e Filmes como Hardt. livros. de vida nos principais centros urbanos de nosso país. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. Seus artigos apareceram Eliezer Muniz dos Santos em publicações internacionais como ARTnews. agora. 2001. tecnológicos. 26. recomendado pelo Museu de Arte Contemporânea de Barcelona/ARTELEKU/Universidade Internacional de Andaluzia e ao longo de 2007 organizou. em parte. Brian (ed. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. junio de 1967. Michael. de Antoni Abad. Nueva York: The New Museum of Contemporary Art. Mas de que maneira compreender o lugar desses personagens e em qual 22 23 . nos 25 anos Hardt. E isso significa que estamos Foucault. La vanguardia a finales de siglo. social que ainda não foi totalmente interpretado? Filmes. 1999. peças de teatro. músicas. verano. Wallis. junto com Eduardo Ramírez. Este se desenvolve atendendo especialmente os Cultura Motoboy e Políticas Públicas: Interfaces da Cidade de aspectos sociológicos. Lápiz. várias produções culturais com essa temática? Estamos diante de um fenômeno México. “Affective Labor” en Boundary 2. Barcelona: Paidós. entre maio e junho de 2007. 1984. diante de um novo poder. quando realizamos. como na implementação de políticas públicas para uma melhor qualidade Madrid: Akal. uma exposição de arte? O que há de tão específico nessa nova classe de trabalhadores urbanos que faz deles sujeitos e protagonistas principais do cotidiano de nossas cidades? Hoje. Doutor em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid. Foi diretor de investigação no projeto “Desacordos. núm. econômicos e institucionais na configuração e recepção da cultura de nossos dias.recepção na criação cultural contemporânea. nos últimos “Jornadas sobre novas tecnologias e livre acesso à cultura” no Centro Cultural da Espanha em anos. Madrid: Tecnos. Curare o Revista de Occidente. 5. Michel. documentários e. D. Atualmente é membro do Sistema Nacional de Investigadores do México. parte da exposição “Motoboys Transmitem de Celulares”. Nueva York. do Centro Cultural de São Paulo. as Será que existe uma cultura motoboy? Qual a razão de vermos. Michael y Antonio Negri. personagens de novelas. A intersecção entre cultura e política tornou-se mais clara Fried. Sobre arte. 2005. Imperio. “Art and objecthood”. 2006. o trânsito. não há Referências como negar que os motoboys representam aspectos importantes do convívio social e compreendem. 2.) Art after Modernism: Rethinking Representation. muitos de nossos problemas tanto em seu lugar privilegiado. Artforum.

como o mais conhecido “cachorro-louco”. Mas surgiram avenidas definiria o conflito nos espaços urbanos a partir da lógica da mobilidade dos também os degenerativos. moradores das grandes periferias) que utilizam a motocicleta à participação igualitária na política ou em outras dimensões. muitas vezes. E que sua vida seja contada sem mediações e que até mesmo a própria . é somente através do embate cultural que essa comunidade será capaz de construir 24 25 . desqualificam-no em seu ambiente de trabalho a partir de algum para que a própria cidade possa evoluir. até como “mototáxis” para pensá-las? Não apenas cuidar de um novo tratamento geométrico das ruas e por conta da existência dessa função em outras regiões do Brasil. Trata-se. Dessa forma. dando-lhe um contexto do rápido crescimento global. “deliverys”. como criam sua própria identidade. social (“motoboys”. Esse crescimento impõe à sociedade como caráter de coisa. O próprio surgimento desses profissionais está estereótipo. de modo que ele não alcance o seu próprio direito jovens e. “moto-frete”. Em muito motociclistas. “motociclistas”. cria-se um tipo de identidade artificial na suas estratégias para realizarem suas tarefas. e com ela vem a imagem de curadoria para o projeto canal*MOTOBOY — que a voz do Profissional Motociclista negativa que passa a ter um estigma em relação a si própria e ao conjunto da sociedade seja ouvida. pais de família. antes de tudo. estamos diante daquilo a que chamamos de sua Cultura.cenário eles se movem para que possamos considerá-los protagonistas em primeiro Eles se vêem e são vistos pela sociedade de diversas maneiras: como “motoqueiros”. “motoboys”. grau de soluções complexas sobre as quais toda a sociedade deverá se debruçar “mensageiros”.por parte do excesso de veículos no reunisse as características principais de seus serviços.e essa doença não se combate sem informação e consciência de classe. quando não de forma a negar o próprio estereótipo. forma de como se determina o Outro.e estrangulamento das vias . ao sociedade. “couriers”. de que maneira se organizam. como foi a iniciativa intrinsecamente ligado às muitas transformações que a cidade sofreu com o processo dos órgãos de trânsito do município ao denominá-lo. um todo que providências concretas de melhoria sejam tomadas. abrem mão da própria auto-estima. através de uma tipologia que de urbanização . Assim. de compreender qual o nível de informação que desses casos. como no seu trabalho ou como meio de subsistência é afetada. Essa é É imprescindível — e assim também foi para nós quando iniciamos o processo uma característica própria dos processos de estereotipia social. para se fazer pertencer a um grupo viver. Os próprios participantes dessa comunidade não se dão conta dos riscos que aplicá-las no campo social. trazem e de que forma desempenham suas funções do profissional. alcunha “motoboy” por eles seja discutida a fim de criarem sua auto-representação. as subsunções desses nomes escondem uma forma de depreciação esses sujeitos. Trata-se sempre Como lembram os analistas sociais. etc). como elaboram outros espaços da vida social. “cachorro louco”. etc. essas “reduções” encontram explicação na de compreender de que modo a vida dessas pessoas ( trabalhadores. quando levamos em conta esse modo singular de correm para se reconhecer e serem reconhecidos. De fato. os mensageiros. e não mais de sujeito.

discutirem seus principais problemas e capacitando-os com uma tecnologia celular entre outras. comunidade. “REUNIÃO”. eles indicaram claramente que. de forma colaborativa. também. no lazer ou em família.net/SAOPAULO. no seu Provando que tal dispositivo é capaz de gerar opinião pública. “ACIDENTE”. para isso. captar as imagens em pelos problemas dos motociclistas e sua luta para se organizarem. uma ferramenta espetacular de e intervenções digitais no mundo virtual da internet. “TRÂNSITO”. o que. quando nos abrimos a uma dimensão mais estética. Basta. a partir de uma forma de sociabilidade que emerge com o aporte das redes sociais notamos que as câmeras fotográficas começam primeiro a revelar o olhar e. um interesse por parte Entre outros fatores. à lógica dos estereótipos projetados pela mídia e pelos meios então constroem a partir dessa experiência. sobretudo. no desenvolvimento das questões levantadas pelo canal*MOTOBOY e constatou. Houve. encontrar o próprio significado de sua expressão. com palavras-chave antes impossível para esse grupo. com ligada à internet. Como era do desejo pertencentes a uma coletividade. vimos manifestar-se um expressivo conjunto de códigos e sinais que podem como também em usuários ativos de um dispositivo de comunicação autônomo e significar uma mudança substancial não só em relação à identidade desses profissionais independente e se transformaram em cronistas de sua realidade. organizando. ao participarem desse projeto.zexe. Motivados por temas trazidos pelo próprio grupo. um dinamismo próprio surgir pelo ângulo dos motociclistas. por seus envios para o site www. Reunindo-os semanalmente. então. “FAMÍLIA”. Mais do que criar um conjunto de imagens de comunicação preponderantes e criaram. Fugiram. em apenas quatro meses. durante meses. assim. cerca de 2. assim. pela até mesmo. o que permitiria que sua voz instantânea fosse ouvida por toda a sua publicação pela internet em tempo real. Nesses envios. para como “DIA A DIA”. seja pela possibilidade desses encontros e debates idealizados pelo Projeto. o destino do canal*MOTOBOY.uma identidade positiva em relação a sua representação social e talvez. uma forma de sociabilidade chave “FALA”. como resposta. seja no campo da política. uma mudança estrutural à medida que os diálogos entre essa categoria profissional e a sociedade alargam suas fronteiras a olhos vistos. Nesse sentido. da economia. 26 27 . pudemos contar mais de 240 entrevistas vez na história dessa Categoria Profissional uma oportunidade de reunir um grupo de com outros profissionais e pessoas envolvidas em seu dia a dia utilizando a palavra- 12 “motoboys”. digitais. há a possibilidade de se realizar luta para reinventar seu próprio cotidiano. Vemos surgir uma cidade que se mostra experiência de auto-representação desses profissionais. e a cultura já fazia parte no processo quando o artista Antoni Abad cria pela primeira vídeos e sons gravados. refletirá seja. tanto os conteúdos do site como. Esse grupo os ajudou que eles se põem a discutir. converteram-se não só em emissores do canal. podemos perceber que eles trouxeram um espaço legítimo de um conjunto de pesquisadores universitários e das instituições às quais pertencem de formação para a vida cultural da cidade. proporcionar o encontro entre a política Motociclistas fizeram. como em relação à visão de mundo (Weltanchaung) que deles. “TRABALHO”.800 envios entre fotos. através de um projeto cultural. sem sombra de dúvida. em todos os âmbitos de sua vida diária. esses Profissionais trabalho.

zexe. ações que apontem de que maneira os Profissionais Motociclistas criaram a melhor estratégia para ir de encontro aos interesses de sua cidadania e ao respeito pela vida humana. a cidadania em primeiro lugar. e para isso basta lembrar dos dados oficiais sobre os elevados índices de acidentes com vítimas fatais Sentimos. pois só eles sabem do desamparo quando. Quando vemos na necessidade de se fazer justiça a esses motociclistas que põem para isso. E que tudo isso passe pela onisciência Eliezer Muniz dos Santos. o claro objetivo de nossa curadoria é o de preencher um hiato — graças à execução do projeto www. através da cultura. ao engendrarem suas demandas levando em conta o nível de — ao fazer entrarem na agenda política da cidade de São Paulo. garantia de que as iniciativas dos gestores públicos alcancem sucesso uma vez que. enfim. aguardam chegar o carro dos Bombeiros. é formado em filosofia pela Universidade de São dessa escuta. as reivindicações dessa categoria de motociclistas. assim. chegamos à conclusão de que não há. também é verdade que faltam. um significado para tais políticas. Claro está que. para as próximas complexidade com que precisam lidar para a resolução de seus problemas — hoje há eleições municipais. entre o poder público e a sociedade civil organizada. até o momento. 28 29 . um lastro de vontade e compreensão de todos os envolvidos nos últimos anos —. no asfalto quente.tornam-se instrumentos simbólicos para investigação dessa experiência: o olhar do Assim. Paulo e ex-motoboy. a arte que eleva sobretudo o discurso sobre a qualidade de vida na cidade e coloca. seria necessária uma verdadeira representação de classe acompanhando em risco a própria vida uma razão de ser. nenhuma nesse Projeto e de todas nossas parcerias construídas a partir desses debates. na urgência de se abrir um diálogo protagonizado pelo coletivo de motoboys motoboy evidencia o “olhar” para esse motoboy. Aqui cabe uma observação sobre o modo quase tribal com que eles se defendem no trânsito. inclusive ajudando-se nos momentos trágicos dos acidentes. encontramos. curador adjunto. Sua voz não pode calar.net/SAOPAULO Portanto. um consenso de que as soluções também deverão ser complexas. se esses profissionais se ressentem da falta de um eficiente programa de prevenção de acidentes — com curso de direção preventiva e formação profissional —ainda que faltem pesquisas que associem acidente de motocicleta a acidente de trabalho. por parte do Poder Público.

No espelho retrovisor Augusto Stiel Um espectro ronda o trânsito — o espectro do motoboy. Da natureza simbólica da motocicleta nasce o mito do rebelde fora-da-lei que chuta sua própria imagem no espelho retrovisor dos veículos que lhe concorrem 31 . Há anos ele vem “des-aparecendo” em meio aos carros. mas não enxerga seus mortos diários. ele faz ver até que ponto a desregulamentação acarreta problemas para um país que se pensa pacífico. proprietários por direito do espaço não tão público das ruas e avenidas da cidade. ao motoboy é dado um papel que alguns abraçam com prazer: o delinqüente sobre rodas que nada obedece ou respeita. Invasor de um espaço restrito. O motoboy devolve a imagem que se faz dele. desobediente. o motoboy burla códigos e normas para suprir uma demanda de mercado. mas com apenas uma via de visibilidade. mas que se quer disciplinar. o Leviatã das relações de trabalho tenta seduzi-lo com a oportunidade de ser “autônomo” e transforma-o em “autômato”. pois é sua única maneira de ser visto: personagem que não se enxerga nem se escuta — além da eternamente irritante buzina —. Por ser uma relação. O espelho retrovisor dos automóveis revela a imagem fugaz de um personagem cada vez mais presente.

588 motociclistas na cidade de São Paulo. a impressão que quem anda ou dirige “Percepção e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo pelas ruas da cidade é que a proporção de motoboys é muito maior. Em Hoje existem. Um fenômeno mundial. Por rodarem de 100km a 150km por dia.000 motoboys. Destes. tudo chamada sociedade. a altura e o padrão da sinalização também não são adequados. ofícios.no espaço cada vez mais exíguo das ruas da cidade. Surgido no a profissão ainda sofre com a desregulamentação — nem seu nome é um consenso: bojo do processo de desregulamentação por que passou o capitalismo de cunho liberal muitos preferem a denominação de “profissionais motociclistas” em contrapartida nas últimas décadas do século passado. morreram na cidade 380 motociclistas. portanto. Mas é importante sobre espaço público e civilidade na metrópole paulista”. em lembrar que esses números não dão conta dos acidentados que vêm a morrer depois. 2006. houve um aumento categoria criada a sua revelia. designação não muito popular devido a seu caráter perfil econômico da cidade de São Paulo. São Paulo está sob um processo de terceirização. valores. o motoboy aproveitou também a mudança do ao “profissional do motofrete”. 2000 havia 374. coisa de 20 anos. de Alessandra Olivato. na cidade de São Paulo. o gabarito das ruas Os fatos não é adequado. 25% eram motoboys. Os profissionais que arriscam “office-boy” dos anos 1980 e aproveitou a explosão de vendas de motocicletas ocorrida a vida diariamente carregando documentos. como explica Teresa Pires do Rio Caldeira em excessivamente “materialista”. dos quais cerca de 160 mil em casa ou nos hospitais públicos.3% dos veículos. eram motoboys. Surgiu na esteira do do mundo. muito maior. seu livro “Cidade de Muros”: “Seguindo o mesmo padrão de muitas metrópoles ao redor A profissão é nova. Segundo dados da Companhia de Engenharia outras parafernálias do nosso cotidiano burocratizado são então agrupados em uma de Tráfego. O profissional motociclista é produto de intrincadas relações. O ineditismo do fenômeno acarretou problemas da mesma magnitude: os problemas enfrentados no dia a dia do trânsito paulistano são praticamente únicos no mundo.000% na venda de motos no país. um veículo que pouco aparecia vinte anos atrás. no Brasil. No Brasil. as motos eram 2. Em 1996. aproximadamente 170. Na última década [década 32 33 . pois trânsito citadino. em aproximadamente dez anos — de 1995 a 2005 —. aproximadamente. como sempre acontece nessa construção cotidiana de quase 1. O que foge à categorização transforma-se em caricatura. segundo o Segundo a tese de mestrado defendida na Faculdade de Ciências Sociais da USP CET. em 2000. Tais números são apenas estimativas. As ruas não foram feitas para as motos: o pavimento não é adequado. esse A cultura criada ao longo do tempo não absorve a presença das motos em meio ao percentual chegou a 8. caricatura é uma imagem sensibilizada pelo personagem criado apesar da pessoa. E a passou a ser feito por motocicletas. A magnitude da tragédia é. correspondências e na última década do século XX.8% do total de veículos.

encontra Primeiro. portanto. pois segregadas historicamente — os motoboys de ingressar num mercado de trabalho em mudança — e que encolhia constantemente representam uma ameaça ao ordenamento simbólico da cidade de várias maneiras. Outros 26% só têm de um a três anos de experiência. Cidade de Muros: crime. Na verdade. dos 1. Em 2001.de 1980]. e 40% deles dirigem motos há menos de cinco falam hoje da sociedade industrial como sociedade de consumo por excelência: de anos. a cidade perdeu sua posição de maior pólo industrial do país para outras A ameaça áreas do estado e para a região metropolitana como um todo. na motocicleta uma oportunidade de ganho e independência fartamente atraentes. com poucas chances tradicionalmente “invisíveis”. O jovem egresso do sistema público de ensino.800 estabelecer hierarquias em uma sociedade cada vez mais democrática e com acesso motociclistas entrevistados nas ruas da cidade. 26% dos motociclistas pesquisados Featherstone2 fala do consumo de “marca” ou de “atitude” no qual o consumidor hoje são motoboys — dos restantes. ter 40% dos motoboys têm até 24 anos. Editora 34/Edusp. graças ao processo de redemocratização nacional: com a democratização. A maioria é jovem: 59% certo modo. quase a metade deles (49%) aprendeu ao consumo de partes cada vez maiores da população. Teresa Pires do Rio. 34 35 . tornando-se basicamente Por fazerem parte de um universo informal. ampliaram-se também os acessos das pessoas aos bens de consumo. pertencer. somente 7% dos motoboys um centro financeiro. 2000. comercial e coordenador de atividades produtivas e serviços eram regulamentados em 2000 — e também por pertencerem às classes sociais especializados”1. tornando Muitos já dirigiam motos antes de se profissionalizarem e só fizeram aliar o lazer ao mais difícil uma clara distinção social e possibilitando uma maior mobilidade dentro trabalho. 50% ganham entre um e para se poder parecer ser. Outros compraram uma moto em algum dos muitos consórcios e foram à do ambiente urbano. então. Por 1 CALDEIRA. exposto ao frio de uma economia que aos poucos regredia ao zero absoluto —. todos somos ambiciosos na medida em que é imperativo consumir.8% têm nível superior. São Paulo. SESC/Estúdio Nobel. 4. 2 FEATHERSTONE. 1997. O desmanche da cultura: globalização. Mike. segregação e cidadania em São Paulo. Segundo a mesma pesquisa. vários autores a dirigir sem passar pela auto-escola. São Paulo.5% rodam de 150 a 200 km por dia. cinco salários mínimos e 31. outra pesquisa realizada pela CET na cidade de São Paulo indicava que insiram em categorias sociais previamente definidas. Segundo uma pesquisa do IBOPE encomendada pelo CET em 2006. Mike tem de 18 a 29 anos. A mesma Teresa Pires do Rio Caldeira fala da dificuldade de se luta. 43% usam a moto como meio de transporte e 31% para necessita ser algo que seja facilmente verificável através de códigos visuais que o lazer. pós-modernismo e identidade. Seria mais importante. O motoboy ganha o suficiente para poder consumir e.

Segundo dados da CET. os corredores motociclista ferido ou morto. A maioria deles não tem seguro médico. ao mesmo tempo em que sedimenta 36 37 . mais moderno. seguro da moto ou seguro buscando nos países “em desenvolvimento” o local ideal para a realização de lucros de vida. 6 incapacitados. O motoboy é. cada vez maiores. a moto é atingida lateralmente. além da saúde ou de um membro. E para cada vítima fatal de um acidente da estratégia global da indústria automobilística de reduzir custos ao descentralizar a com motocicleta. A exemplo Montado em uma motocicleta. solidariedade criadas pelas famílias ou pelos vizinhos para se manterem. o que é agravado pela grande quantidade de motos sem de periferizados até os centros de trabalho. constrói casas. Dado o caráter frágil do corpo exposto. ou colabora na refeição de um vizinho desempregado. otimizando o tempo de quem tem que condições de uso que trafegam pela cidade. a calamidade instaurada no trânsito da cidade produz 19 feridos e produção. O Hospital das Clínicas de São Paulo já é espaço esse tradicionalmente reservado aos produtos da indústria automobilística que um dos centros mundiais de amputação de membros inferiores — uma das áreas do impulsionou o país desde os “50 anos em 5”. de Juscelino — na verdade um reflexo corpo mais atingidas nas quedas de moto. a maioria esmagadora dos acidentes fatais ocorre devido a colisões laterais. sua infra-estrutura para cuidar da vítima. amplia cômodos. faz “gatos” para ligar energia clandestinamente. o motociclista cai e é atropelado em seguida. para o motoboy. Muitos dependem de redes de — bem como de um espaço simbólico — os espaços hierarquizados da sociedade. Se acidentados. conseqüentemente. em detrimento do sistema a disco. cuida da criança do vizinho que precisa trabalhar e não obteve vaga na única creche Mas os acidentes revelam a dificuldade de inserção do motociclista no cotidiano próxima. ou seja. os ferimentos O problema são geralmente graves. da cidade. mas garantiram o transporte dos milhões dispositivos de segurança. O serviço de resgate do corpo de bombeiros estima que a Não parece haver consenso quanto às soluções para o problema do trânsito cada dez saídas para um atendimento de emergência. perdem seu trabalho. ele força ainda mais seu ingresso na cidade ao disputar espaço no trânsito. Os tempos distintos dos distintos cidadãos assim se sistema de freio à lona. escapando assim dos sindicatos nativos e do preço da mão-de-obra local. o custo do equipamento transfere-se ao estado que mobiliza física entre quem pega ônibus e quem usa carro. As motocicletas mais acessíveis apresentam poucos exclusivos espremeram os automóveis. ele devolve ao espelho de quem o denomina “bandido” do que acontece nas eternas periferias paulistanas. é a solidariedade comunal que a imagem de liberdade e inconformismo tradicionalmente associado à motocicleta. um invasor de um espaço físico — o trânsito Vários apresentam seqüelas para o resto da vida.outro lado. O espaço também: corredores segregados imitam a separação meta- freada de emergência. Na hora da cristalizam. Muitas motocicletas ainda usam um chegar antes e sair depois. No caso dos ônibus. três são para resgatar um na cidade e. portanto.

ágil que é. que é regra na sociedade A civilização do trabalho intelectual tem tradição em rejeitar as tarefas musculares. então. Entretanto. são os espaços pensados para esconder. por exemplo. O serviçal submisso vira bandido para depois morrer. desigual. pois é trabalhador. E com a história. O quarto “dos fundos”. acima que circunscreve em um “centro expandido” seu gueto de civilidade. Quem se percebe excluído dessa Dos depósitos de mão-de-obra barata surge.a opção da cidade pela sua geografia excludente. como incômodo. confortos e oportunidades é demasiado restrito. mas morre. tal a geografia “política” da cidade sem aparecer significa habitar o lugar da produção e não da fruição. que penetra no espaço que não lhe é de direito. é o final de uma complexa cadeia produtiva: ele é o responsável pelo último parafuso a equação simbólica que não fecha: não é bandido. perpetuando a As categorias profissionais cujo discurso é perpassado pela fatalidade mostram noção mágica de que a sociedade dá conta sozinha de seu funcionamento. Os eternos trabalhadores invisíveis sobre a motocicleta tornam. além da única opção possível. nacional isso significa ser o oposto do “bandido”. Fica de uma grande máquina. Como uma sociedade continuamente. Daí. contrário do enredo cotidiano dos romances policialescos que recheiam a indignação separando-se cada vez mais de sua origem e. segue o rumo do olhar. um rebelde por natureza: parcela de civilização pode optar por não partilhar de seus princípios. que domava a natureza e a tornar-se tragédia. O desafio às leis pode ser visto se incômodos ao desafiar o olhar atento do motorista. Tais tipos de atividade foram continuamente rebaixados à medida que estatística. apesar das promessas — ou um em determinado tempo. ao sobrepujava — colocando-a a seu serviço — distanciando-se da sujeira e do suor. O motoboy. No imaginário caminho percorrido. como braçais. com seu empregado sobre a moto. assim. resignando- a motocicleta. o motoboy é um trabalhador. o convívio diário com sua real ordenamento simbólico da sociedade. Significa. slogan que fala da opção por ser outsider: “vida loka”. manifestando o orgulho do profissional dos tablóides televisivos diários. Inverte-se. invisibilidade. o dito de Marx: o motoboy é primeiro farsa para depois o processo histórico foi tomando o rumo do intelecto. este que é o nosso “vagabundo”. a entrada — ou área — possibilidade pode revelar a falta de capacidade da sociedade em gerir bem-estar. é forçado a enxergar quem nunca viu: primeiro. entretanto. O olhar condicionado. Trabalhar valores diversos para a vida humana: parece que. exposto à fumaça e fuligem. o acesso aos de tudo. atento com o outro no carro e não como uma afirmação. ao suor e à sujeira — que não penetra 38 39 . Seu trabalho o obriga a relacionar-se com as ruas e avenidas o incômodo de algo que não se explica. depois. rebolando se frente à fatalidade ou rebelando-se: a morte na fila de um posto de saúde ou na entre os automóveis habitados por quem precisa que determinadas coisas sejam feitas esquina de uma avenida torna-se um fato da vida. “de serviço”. Algo que não se entende. Tal disposição espacial encontra-se pode conviver com um espectro desses lhe rondando a civilidade? também nos pequenos espaços segregados que habitam o cotidiano e refletem o Apesar de a morte ser o destino humano. nesse ponto.

como sujeito do ordenamento social. mesmo que seja pela força diversa da motocicleta para o trabalho: a sociedade circunscreve ao lazer — o período dos números. garantem uma sensação de segurança mesmo segundo suas próprias normas. sob impacto. só consegue atingir tal feito. carrocerias projetadas para se deformarem Transforma-se em caricatura trágica. a noção de “público” e “privado” reflete a falência de abaixo da pirâmide. cujo provoca a ingerência nas coisas mais básicas. Tal risco físico fica então ao encargo de quem a ele se sujeita. No caso das motos. os próprios limites de sua concepção transferem o risco para o corpo Leis são feitas para ele. motoboy que agiliza serviços e encurta prazos. em caso de colisão. são reservados às classes mais imóvel a invadir o espaço das ruas. novos materiais etc. A sociedade que opera como que “por encanto”. A natureza da motocicleta é outra — daí seu apelo não-conformista. as forças da o motoboy incide o olhar que visa ao encaixe em um sistema. magicamente um projeto unitário no qual a cidadania é uma expressão de um consenso. a motocicleta enquanto veículo para o lazer é No “centro expandido”. essas carapaças herméticas de conforto regulado. do público e a publicação do privado invertem relações e solapa a possibilidade de pois esse “encanto” é assegurado pelo olhar que ignora violentamente quem lida com um pacto social. ele esbarra na questão de que a invisibilidade do 40 41 . os seus rompantes de originalidade. para que o motoboy seja visto. Mas unem-se para dizer que consciência e democracia não se separam. Daí a criação de mais leis para tentar normatizar o caótico. então. por lidarem Numa cidade onde as calçadas são mosaicos desarranjados da privacidade de cada com o que se considera “degradante” ou perigoso. Graças a tal parafernália. Chega-se. ele passa a ser visto.nos automóveis. em um discurso que física são absorvidas pelo custo da tecnologia de segurança. sem dar oportunidade nenhuma ao observado. igualdade e autoconsciência moderno. Nesse ponto. O motoboy acidentado aparece nos noticiários graças ao agravamento do não-trabalho merecido após as horas regulamentares — ou outro tipo qualquer de do trânsito de uma cidade cujas veias não suportam mais a seiva que transporta. Aqui. viabiliza e reforça ordenamentos já previamente estabelecidos. ao contrário. Freios “ABS”. e vigia. uma idéia “fora do lugar”: é o que fica fitas luminescentes. Vira assunto no jornal. ao uniforme. que possui índices diferentes conforme mundialmente aceito como eficaz. a morte ganha destaque. O regulação. no caso de inúmeros outros trabalhos essenciais à sociedade que. Sobre em altas velocidades. Acessório indispensável por ser aparente no trato da valoração da vida humana. o que o indesejável — ato agravado em uma sociedade historicamente segregada. cria. Outras simplesmente somem. com ideal de igualdade de direitos é apenas retórica. A privatização funcionando sem produzir detritos de qualquer espécie. “airbags”. vez mais elevado. pois o olhar educado para não ver. fetiche do homem se aproximam do centro geográfico da metrópole. Umas “pegam”. atrasa a rotina cidade quando sai O crescente nível tecnológico permitiu aos automóveis assumirem um risco cada de sua rotina invisível. como representantes do poder e quem a ele deve submeter-se. outras viram moeda de troca entre os do motociclista.

O olhar estrangeiro é aquele que não participa do conjunto de normas específicas em que Participou.motoboy não é um problema de regras de trânsito. mundo afora. mas de organização social. Capturando as imagens de seu cotidiano. Tal participação foi fruto de trabalho acadêmico passeia momentaneamente os olhos. Cabe então ao olhar deseducado a tarefa de observar e se surpreender. sendo posteriormente publicado pela revista da Associação Nacional dos Transportes é o estrangeiro eternamente presente no trânsito da cidade. Augusto Stiel Neto. é bacharel em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). o novo personagem cotidiano que ronda o trânsito em sua moto pode. o “profissional do motofrete” pode mostrar o que vê da maneira como sente. Por isso o estrangeiro pode ser perigoso. do projeto canal*MOTOBOY. e aí fica a surpresa do inusitado. O trabalho “Pelo Espelho Retrovisor” foi feito para encaixar. como convidado. O turista descobre o que o nativo não vê. Resta saber em que mundo vive esse estrangeiro ou em que mundo ele pensa viver. mas. A curiosidade do estrangeiro devolve em parceira com outros dois alunos e versava sobre os motoboys da cidade de São Paulo. Para além do herdeiro do antigo office-boy. finalmente. como outros milhões. 42 43 . deveria aparecer ali. diariamente. do artista plástico catalão Antoni Abad. invisível. pois sendo selecionado para participar do projeto do Núcleo de Antropologia Urbana dessa mesma com seu olhar desestabiliza toda uma construção social. começar a produzir sua própria caricatura. É o indivíduo que não Públicos (ANTP). pois realizado em 2002 no departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia. deveria cumprir sua missão civilizatória e retornar ao gueto. imagens que muitas vezes não vemos. O indivíduo sob o capacete de “motociclista” pode mostrar quem é. em 2007. o que vê e o que quer nas imagens que produz. no Centro Cultural São Paulo. Da união de estrangeiros surge a oportunidade de dar ao “motoboy” o controle de seu discurso. Nesse ponto. Letras e encaixa em outro sistema de valores simbólico — ou não encontra lugar definido Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. tornando-se visível além da mera estatística. o motoboy instituição.

Então. Estive quase dez anos trabalhando nesses projetos de projeções no espaço e também 45 .zexe. que podia transportar todas essas idéias para o território do vídeo projetado. eu posso dizer que eu cheguei lá com ferramentas de escultor ou de relojoeiro e saí com fitas de vídeo e também com meu primeiro endereço de e-mail de Internet. VINÍCIUS: Antoni..canal*MOTOBOY MOTOBOYS TRANSMITEM DE CELULARES www. Foi porque lá tive a oportunidade de acesso a essa tecnologia. realizada por Vinícius Spricigo em 15 de maio de 2007.. fale-nos um pouco do seu percurso artístico até o início da colaboração com os “coletivos”. em primeiro lugar. Então. mas chegou um momento. que eu descobri que podia trabalhar com essa combinatória que eu usava nas esculturas. no Canadá. Eu trabalhei muitos anos com escultura. isso produziu uma mudança...net CENTRO CULTURAL SÃO PAULO 12 DE MAIO A 10 DE JUNHO DE 2007 Entrevista com Antoni Abad para o Fórum Permanente. quando eu estive no Banff Centre. ANTONI: Meu início foi como escultor.

no caso das pessoas com mobilidade representar-se. O trabalho ANTONI: Em todos os projetos. Temos os dois grupos de ciganos que já participaram do projeto ANTONI: O que estou fazendo é desviar fundos que estão destinados à arte na Espanha e também as prostitutas de Madrid que consideraram que já tinham dito e a cultura para outro território. proponho esses para dar continuidade ao projeto.. qual seria o seu papel nesses projetos? Criar condições Dessas porcentagens. Desses. tem 10 ou 15% que ficam bem interessados e envolvidos no projeto. do mundo VINÍCIUS: Como você entende esse abandono das obras de arte e a tentativa das companhias. Por que um artista é autorizado a comentar sua sociedade? Por qual motivo? A partir daí. eles criaram um pequeno grupo e uma associação específica só como artista. no qual certos coletivos possam auto. esses 10 ou 15% são aqueles que querem continuar. a rede de celulares. mas também mediar a relação entre os em cada projeto. Os taxistas do México. uma vez que eles já conhecem o dispositivo. para mim. que foi o primeiro projeto desse 46 47 . Porque. é quando termina esse patrocínio que vem do mundo da arte. que estão publicando. você sempre tinha que fazer o possível para modelar essas redes. Ensinar esses coletivos como usar era uma comunidade preparada para poder conspirar e aí. o trabalho tinha de ir em outra direção. modelar o dispositivo. comecei já a as ferramentas.. de reencontro com o real? VINÍCIUS: Após o momento da apresentação dos projetos no espaço expositivo. como usar. ANTONI: Eu acho que essa decisão parte de uma decepção que eu tive. uma escola. e tenho ainda. quando recebo convites para fazer projetos. você mantém algum contato com os coletivos? sobre a função do artista na sociedade. o maior êxito. para encontra grupos de pessoas que são seres humanos. para que esses indivíduos tenham voz própria. e. outros 30 ou 40% que estão mais ou menos interessados. para que eles pudessem expressar-se. e o coletivo organiza-se para continuar o projeto. coletivos e a esfera institucional? exceto em dois casos. O meu papel é esse: de um lado desviar esse financiamento que era virtual que morava no computador dos usuários. até que finalmente eu fiz um projeto com uma mosca experimentos. depois disso. ao final. Eu tenho a possibilidade de fazer isso porque tenho uma trajetória reduzida de Barcelona. que escondia uma comunidade dedicada à arte para um território que eu acho bem mais mais social e do outro lado a distribuída onde não se podia interceptar as comunicações desses usuários. tudo aquilo que tinham para dizer. com a Internet e com todos esses coletivos. Então. mais social. No entanto. Depois tem alguns que não fazem nada ou que só chegaram para pegar um celular de graça. trabalhar com os celulares. Tem Foi essa direção que eu tentei dar ao meu trabalho nos últimos anos. Porque minha função nesses projetos é ser um facilitador.com programas de informática. das operadoras. como em uma classe de que fossem úteis a outros coletivos além do artístico. a Internet. existe uma parte que fizeram algumas coisas para dar continuidade. que já são sete nesse esquema. VINÍCIUS: Nesse sentido. Então. aí eu já posso ir para o próximo coletivo.

aqui só temos uma mesa de a essas comunidades. e em São Paulo. temos também a reconversão de dinâmicas para fazer um projeto. vai acontecer a mesma coisa Você também falou de apropriação. De alguma maneira. como se diz. se eu vou ao México. não é o espaço artístico. 48 49 . âmbito latino-americano. representem-se eles que abarque também essa arquitetura da informação que você oferece já como algo mesmos. uma das críticas feitas a esses trabalhos de comunicação e fazem entrevistas com os participantes. neste caso. nos meios de comunicação sempre por sua imagem negativa. normalmente. que sejam eles quem geram as suas notícias. no final. estariam excluídas. permite somente o acesso dos indivíduos que pertencem mostrado. Naturalmente. O projeto acontece na Internet. no Brasil. Isso. é muito importante ter uma difusão. os motoboys. a representação.. mas que. uma coisa de amizade.. na qual estas ganham visibilidade em um concessões.. Nesses convites. por outro. você tem uma frase com o Ronaldo e com o Luis. mas eu acho que. que diz: projeto de Antoni Abad. Eles precisam de uma instalação. em outra direção. trabalho pertenciam a comunidade artística. mas também não está explicado que são os doze motoboys participantes. ou seja. que aparecem VINÍCIUS: Estou pensando aqui espaço institucional em um sentido mais amplo. mas o projeto é na Internet. por exemplo. da parte da instituição. às vezes. Mas isso é. Tem que fazer algumas sociais existentes para a esfera institucional. entende? Essa combinação dessa arquitetura entre os celulares e tradução ou apropriação dessas dinâmicas para o espaço institucional? a Internet que permite. o meu irmão. que tinhamos duas pessoas lá. o espaço criado por precisa dos meios de comunicação para ser difundido. Nesse momento. Hoje. Então. temos discenso. então. a minha autoria espaço onde. Vamos pensar nos trabalhos que ficaram estigmatizados pela estética ou de seu dia-a-dia. é quando aparecem os meios modelo de sociabilidade predefinido. Como você entende esse processo de está no dispositivo. vamos dizer. o trabalho reafirma o lugar de exclusão desses sujeitos.. ANTONI: Nesses projetos. artística no porque eles já organizaram-se. Isso você precisa fazer para ter o projeto viável. uma vez que todos os participantes do de um lado um projeto que critica os meios de comunicação. O espaço onde esse projeto é essa arquitetura da informação. criaram a Fundación Latinoamericana do Transporte Público que pretende ter um é chamado “instalação”. não é o Centro Cultural. os autores são os motoboys. versava sobre a criação exclusiva de espaços de consenso e nunca um espaço de quando se consegue que esses canais sejam vistos pelo maior número de pessoas. Não havia espaço para “o outro”. só essa é minha autoria. nos quais alguns artistas propunham uma arquitetura específica e um certo a falar. Então.tipo. A minha relação com esses grupos que continuam é esporádica vimos aqui. reunião onde os motoboys se encontram uma vez por semana. Enfim. Porque o VINÍCIUS: Parece-me que se por um lado temos o “desvio de fundos” das instituições Centro Cultural São Paulo. eu acho que nunca convidaria doze motoboys para patrocínio desses projetos. quem falam de suas preocupações pré-formatado. praticamente não existe. Uma vez que você conseguiu que esse coletivo organize-se e comece relacional. uma coisa é conseguir que esses coletivos. encontrarei outra espaço. Se isso é uma autoria. você tem que ceder. vez Facundo.

ou digamos estética. qual é o papel de vocês nesse processo de integração ANTONI: Sim. também voltada para o lado tecnológico é: o portal do mídias de massa. a única coisa projeto zexe. ela é feita pelas próprias comunidades. um canal aberto quer dizer que você 50 51 . Existe uma preocupação. onde os motoboys estão broadcasting. de um lado. se você conseguir que os motoboys falem por si mesmos. Temos todos esses canais individuais. No entanto..net. de edição do conteúdo? Por fim. onde se encontram os motoboys. você pode ali escrever o seu comentário. por exemplo. Como que você que eu questionaria. Quando você publica uma foto. certamente. em todos os canais não teve edição diretamente. feita pelos próprios motoboys. como responsável expressarem a sua percepção dessa representação. focada no broadcasting dos registros vê essa tarefa para além do registro. Quando é aberto ao resto da sociedade. e os programadores. portanto. lá dentro. projeto.net integra todos os resultados desses diferentes projetos. a todos os começam a interagir com o resto da cidade. mais preciso.. naturalmente. divulgar isso. Eu ofereci essa possibilidade. seria a estrutura do projeto. Você tem um fórum aberto no dispositivo onde tem a dos resultados. Como dizia há alguns tem aí a possibilidade de abrir o seu canal para que outras pessoas possam intervir no minutos. desse conteúdo. Nós já tivemos muitos comentários. houve uma preocupação com o design. A princípio. Você. Da minha parte ou do Eugenio Esses canais individuais dos motoboys podem ser abertos também. ao final de tudo. é um aspecto positivo. VINÍCIUS: Existe. permite. porém alguns disseram: “Agora. você tem que seu canal. isso. os dentro da terminologia da zexe. eu não quero o meu canal aberto”. eu percebo que. escrevendo o que eles quiserem do projeto dos motoboys. em um âmbito que não é só um corredor motoboys. tivemos muitas intervenções atacando a comunidade etc. não há nenhum comentário negativo. outros segmentos da sociedade pelo que eu percebi. principalmente no participação de todas essas pessoas que estão aí. com alguma possibilidade de edição estranhamente. no sentido de projetar uma forma de visibilidade aos coletivos? webcasting. abertos para nós Tisselli. representações? Não estaria a abertura para o expectador reduzida ao comentário Quando você diz que essas ferramentas de comunicação permitem que os motoboys dos conteúdos transmitidos pelos coletivos? tenham uma representação da sua própria comunidade que não passa pelo filtro das VINÍCIUS: A última pergunta. ANTONI: Eu acho que o importante é abrir esse espaço. da realidade cotidiana dos coletivos. Mas. de edição mesmo. eu acho que ali os motoboys Só temos um desses canais. Até agora. Cabe dizer que. você tem aí um fórum que é ANTONI: Vejamos. não temos a possibilidade de editar esses conteúdos. onde as pessoas podem interagir. As possibilidades de edição são muito simples: você só pode nos dois canais dos ciganos. Eles publicam diretamente do celular nos seus canais.. pelo projeto. adicionar mais texto ou mudar a posição das mensagens. que não permite. diálogo e negociação na construção dessas VINÍCIUS: Vamos tomar um aspecto tecnológico para ampliarmos essa questão. seria melhor. o programador do projeto. aberto.

que era classificar a vida humana em um dicionário com quatro ramificações importantes. mas achamos que isso era muito rígido. em todos os canais tem mais ou menos um importante descrever essas publicações. e estão. que Isso é uma representação também para a difusão. o mais simples possível. o mais simples possível. assim que são um pouco para divulgar. porque esses termos que eles estão pegando.. mas de qualquer maneira. eles mesmos. até agora. Por outro poderiam ser convidadas a participar a participar de uma interpretação desses conteúdos. um descritor era Camaron. a primeira idéia que eu acho poderia ter do motoboy. eu digo achamos. mas são bem simples também. Então. voltando à questão da instituição. de alguma maneira classificar essas visões. Então. vamos ver o que acontece que algumas das publicações dos taxistas da Cidade do México podiam ser podiam ser com isso. que os indivíduos estão deixando cada vez mais de delegar à instituição e aos artistas Então. que era bem conhecido no mundo VINÍCIUS: Para encerrar. chegamos à logo.. imagino. não sei como dizer. porque isso foi conversado. esses tags são totalmente livres. vamos dizer. a partir do primeiro projeto no México. não é uma equipe que está depois aí. que também é um enviada. Isso permitiria aos usuários do dispositivo fazer coisa que vem da publicidade para a identificação das publicações em adesivos. os ciganos. significa para eles um esforço intelectual. Eugenio Tisselli. “trânsito”. então. que o objetivo seria esse: que os próprios coletivos 52 53 .. que tenta representar um pouco o dispositivo. esse descritor era alguém especial e bem específico dessa comunidade. inteiro. um capacete bem simples. nesse caso. com o programador do projeto. um conclusão de um sistema que partia de certas classificações da sociologia ou da antropologia capacete. achamos que seria interessante organizando essa informação a partir de palavras do dispositivo ou de suas publicações. Aí. porque quando colaborador do projeto. ou críticas. por um lado. Aí. criar um sentido para si e uma apresentação de si para a comunidade? descrevendo as imagens. temos umas oitenta palavras-chave que ficam em cada mensagem que você assistiu agora quando estávamos aí com o Augusto Stiel Neto. não são mais de oitenta e alguns Também tem outra possibilidade. vimos estão bem altos no ranking.. afinal. ANTONI: Eu acho que sim. porque. não sei. o que tem nessas imagens. eles próprios. Você acredita. por exemplo. afinal.. entende? Podia ser difícil de interpretar isso. objetos. Da outra parte. decidimos mudar totalmente o dispositivo e agora esses descritores. assumindo uma postura ativa de chave. um cantor que já morreu. são eles que estariam editando. É um dos experimentos que estamos testando no canal*MOTOBOY.. lado. Isso. e tem aí algumas Porque. em coisas a suas pesquisas de acordo com esse dicionário. imagino que é uma seriam: seres. senão os próprios motoboys que pegam essas palavras-chave nas suas mensagens. quando mostramos pela primeira vez essa possibilidade. principalmente. temos canais de interpretação. constrói um dicionário de termos que eu acho que gera conhecimento coletivo. até agora. E achamos. espaços e atividades. esses são alguns canais de interpretação onde outras pessoas enviam uma imagem tem que pegar aí uma palavra que descreve essa imagem. é preciso divulgar isso.conteúdos são publicados direto dos celulares. essas palavras- o papel de sua representação. decisões estéticas. que seria E para responder essa outra pergunta. e aí.. como “acidente”.

Que as pessoas possam conhecer melhor a nossa vida. sincero e que todo mundo possa prestigiar. o que as novas mídias têm de melhor. Que todo mundo possa na internet. MECAD/ZKM’net_ para mostrar a vida dos motoboys. onde seus atores são 54 55 . com uma câmera bem grande. que juntou a possibilidade de abertura. Como também para desenvolver a informática. Estamos aqui pra 2005.zexe. eu penso: o que é isso? Do que fala? O artista teve a coragem de chegar lá. Barcelona 2006. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. Seus projetos foram apresentados no Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. Madrid 2005.net Keila Muniz dos Santos: Um instrumento de visibilidade. nascido em Lleida em 1956. no caso um artista. um pouquinho o Tráficos.representem-se. Hamburger Banhof. O que é o canal*MOTOBOY? ANTONI: Obrigado você. E aprender. o Antoni Abad. Centro Cultural Sâo Paulo.ou tenta ir por aí. P. mas o exemplo poderia ser: quando Nos meses de setembro e outubro de 2007 se realizaram entrevistas eu chego em uma sala de exposições e vejo um Cibacron perfeito de uma fotografia de com diversos participantes e colaboradores do canal*MOTOBOY.1. Estrecho dudoso: aprender um pouco mais e cada vez mais desenvolver. próprios moradores dessa favela. O dia a dia deles. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999. 1ª Bienal tudo isso e mais um pouco. Media Lounge/New Museum of mais amigos. Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León o lado das fotos. Lleida 2005. México DF 2004. Eliezer Muniz dos Santos: O canal*MOTOBOY é uma idéia. a cada dia.S. não? Se alguém tem a possibilidade de representar essa favela são os algumas das considerações por eles expostas. do fotógrafo dentro de cada motoboy. VINÍCIUS: Obrigado. Onde isso nos levará? Eu não sei. O projeto canal*ACCESSIBLE no Centre d’Art Santa Mònica recebeu o Premio Nacional de conhecer o dia a dia do motoboy. Centro Cultural de España. vive em Barcelona.. Artes Visuais da Generalitat de Cataluña e o Golden Nica Digital Communities do Prix Ars Electronica de Linz. fazer essa foto e depois no Centro Cultural São Paulo. Madrid 1997. New York 2003. Museu d’Art Contemporani de Barcelona 2003. La Casa Encendida. vamos ver. E também uma forma de fazer condition. Austria 2006: www. uma construção em uma favela do Rio. Berlin 2002. desenvolver de Sevilla 2004./MOMA. Centre d’Art Santa Mònica. New York 2001. E creio que é Contemporary Art. O que se segue é uma seleção de produzir beleza. que está crescendo muito. A coisa vai por aí. e uma comunidade com sérias necessidades de expressão. canal*MOTOBOY é um instrumento de comunicação entre a sociedade e os motoboys. Karlsruhe 1999. Centre d’Art La Panera. Museo Andrea Sadocco Giannini: O canal*MOTOBOY (eu creio que seja) é um canal de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. San José de Costa Rica 2006. Fundación Teorética. Uma criação de uma pessoa. Ou seja.. Brasil 2007 e trabalho honesto.

na construção de algo que eles achassem mesmo.vistos e se vêem. e isto significava fazer a coordenação mesmo na força de vontade de cada um dos motoqueiros. E aqui no canal*MOTOBOY não é isso que a gente quer. Em segundo do motoqueiro. mas fui gostando e hoje estou aqui. mas só se envolvendo. participando das reuniões. como eu saber escolher algumas pessoas para poder trabalhar. estar ao lado deles. porque o mundo de hoje da gente tinha uma larga experiência sobre o histórico de lutas da Categoria. ele falou pra mim que era um Projeto que mostrava o dia a dia foi dar apoio ao grupo naquele momento na dinâmica das reuniões. em que se transformaria esse grupo depois da mostra. mostrar o problemas. Adriana Maria de Oliveira: A possibilidade de legalizar os motoqueiros. Isso foi o que me incentivou mais a Como você chegou ao Projeto? participar no canal*MOTOBOY . mas o Ronaldo. os celulares e o site nós já tínhamos. Por que você se envolveu com o canal*MOTOBOY? embora pouco se comuniquem entre si. na verdade. Tivemos que bater muito a cabeça até o grupo se encontrar em uma direção. surgindo assim o canal. eu acabei me tem muita gente ruim. só mais um empurrãozinho para a gente chegar lá e engrenar artista para ser o Curador Adjunto do projeto. terminei por assumir a responsabilidade sobre o grupo. que já tinha um contato com o artista espanhol. fazendo reunião com vários motoqueiros. a princípio fui contratado pelo precisando. sou um dos membros do importante. pelo Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. se percebem e são percebidos. Ronaldo. na rua. e depois que o artista voltou à Espanha. Franscisco Djalma Souza: Quando fui convidado a participar deste Projeto. interessa mesmo é pelo dinheiro. e dali nós viemos conversando muito. mostrarem muita coisa errada na rua. Bem. pessoas para trabalharem direito. No entanto. sem celular ainda. 56 57 .. E não era eu só. Claro que tivemos muitos A gente quer pessoas de responsabilidade. Fiquei várias semanas só participando lugar. agora era definir o que a gente ia Cleyton Pedro Perroni: Eu cheguei ao Projeto através de um amigo meu. meu interesse em primeiro lugar meu cunhado. E por onde eu ando tento passar isso que a gente está fazendo. que tem mesmo! dos motoboys. os motoboys. Afinal. o motoqueiro que coordenava a logística dia a dia do motoqueiro. mal intencionada. e foi abrindo Sua participação teve influência no seu cotidiano profissional e particular? espaço. Só que pra isso a gente tem que dos Debates e Filmes que ocorreriam junto à exposição. De mostrar pro pessoal a categoria dos motoqueiros. o Antoni Abad. e muitos destes já se interessaram pelo Projeto.. o fazer a partir dali. Eu me interessei bastante e vim. Se identificam em seus pares. isto é. A gente está Eliezer Muniz dos Santos: É difícil de dizer. o Beiço. que às vezes quer entrar numa coisa. canal*MOTOBOY. uma missão. para os outros motoboys. Ou seja.

e nem em lugares como o Centro Cultural São Paulo eu nunca tinha entrado. os novos participantes devem ter um mínimo de comunidade? De que tipo? experiência como motoboys? Ronaldo Simão da Costa: Sim. que hoje em São Paulo Andrea Sadocco Giannini: Eu acredito que sim. que aqui em São Paulo o canal demonstram que estão crescendo dentro do canal. (alvará fornecido pela Prefeitura) e os celulares pertencem a eles. tudo. se isso dali está que tem tudo a ver com a gente. e acaba tudo se envolvendo. E a gente nota. você tem que captar os governantes ou para as pessoas que fazem as leis de trânsito verem que não adianta estas coisas que eu estou conhecendo. Cleyton Pedro Perroni: Bastante. é importante ter existe um grupo de motoqueiros. Eu tive outra visão da profissão. comunidade de periferia. de nome. eles amizade do Canal. Se alguém tiver uma oportunidade. o Condumoto Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Com certeza. muita importância para todo o povo de São Paulo. mas não. tudo isso aí. que é família. essa comunidade jeito deles. muita gente inteligente. Você acredita que o canal*MOTOBOY poderia contar com um número maior de Você diria que o canal*MOTOBOY lhe deu oportunidade de fazer parte de uma participantes? Caso afirmativo. porque até certo tempo atrás eu não tinha Luiz Fernando Bicchioni: Com certeza. foi uma coisa muito legal. que nasceu dentro do canal*MOTOBOY. fazer só faculdade de engenheiro e depois ir lá e montar as rodovias e as estradas do Edison Cordeiro da Silva: Ah sim. motogirls e experiência. Acho que muita gente poderia participar sim. um stress. por exemplo. apóio e vamos até o fim nessa história. e posso dizer que dela eu participo. motoboys. antropólogo. Então eles 58 59 . for. contato com pessoas que eu só ouvia falar taxista. como motorista. até deliverys que se reúnem semanalmente para discutirem os problemas da Categoria. pois essas pessoas trabalham todos os dias com grandes responsabilidades. Eu creio que sim. mensageiros e ex-mensageiros. com toda certeza. e eles têm o direito eu achava que a profissão era só um meio de sobrevivência. Pra mim. Eliezer Muniz dos Santos: Posso dizer. A gente Isso é inusitado na história dessa classe de trabalhadores. que é a amizade. Mas também a gente tem que ver quem está pilotando. Nunca houve uma iniciativa faz do dia a dia nosso. como pedestres que pegam condução e sofrem o engarrafamento. isso aí seria uma janela para então pra mim foi uma experiência legal. correndo risco de vida todo dia – como eu corro risco de vida no trânsito. sendo uma maneira boa e fácil para as pessoas que estão envolvidas no trânsito. Porque a gente não faz só foto da rua. eu vi que tem sagrado de se organizarem como eles bem entenderem e ninguém tem nada com isso. e bom só mesmo indo ver nas reuniões. Não só motoqueiro. a dessas. A moto. como convivência com sociólogo. é a dos Profissionais Motociclistas. Este coletivo é uma comunidade? Se está começando a dar uma influência em cada um de nós que estamos trabalhando.

teríamos um jornalista. Colocar um bem que minha intenção não é mostrar acidentes. e se a cidade está suja. eu aprendi muita coisa. desconhece. Ouvir um ao outro. É muito importante.. ele está nascendo agora. então a pouquinho um horário para participar se estiver interessado mesmo no canal. eu Luiz Fernando Bicchioni: Eu não mudaria nada. E hoje em dia quando eu vejo.. se a cidade está bagunçada. mesmo. um fala uma coisa. se está organizada. pouco mais de tempo. Porque senão fica complicado. Quando eu entrei no canal*MOTOBOY. Então para melhorar o site era assim: que as filmagens tivessem um aparelho que tivesse mais a gente pode dizer sobre o clima. sobre a cidade. entendeu? Então a gente tem que procurar se informar melhor. meio ambiente. antigamente eu não pensava. Mas melhoraria em função de falo o que está errado. outro tem que ouvir Edison Cordeiro da Silva: Uma causa que estamos discutindo agora é a do o que aquele está falando. tal opinião com esta aqui fica legal. mas mostrar monumentos. se está bem policiada. as pessoas têm que se ouvir. Minha idéia gente conhece toda a Grande São Paulo. e tem que ter uns adesivos. a beleza da cidade. clubes. e se a gente delegar as funções. O que está atingindo o nosso mundo. Espaços da prefeitura. se tem CET. Ter mais patrocinadores. Para mudar. Porque hoje em dia ninguém não está nem aí com isso. a gente não está parado ou estagnado. como eu falei. E as pessoas ficarem unidas. escolas. fosse feita por ele. Mais que nove segundos. Cada um tem que saber o que faz e tem que disponibilizar um Cleyton Pedro Perroni: Olha. informar e ajudar. Um tem uma opinião. várias coisas que a gente desconhece. que pode estudar. melhorar. maioria das entrevistas não fosse feita por motoqueiros. Porque às vezes você está pegando um flagrante. alguma coisa e você tem que parar e perde vinte segundos preciosos para você armazenar Muitas coisas o motoboy pode ver. cursos. tem muita coisa ainda pra sabe. Que pode aproveitar gratuitamente. O Canal é que nem uma criança. e que a gastronomia. e acho que isso daí era o que a gente podia mudar. ajudariam o meio ambiente. entendeu? Tanto acidente – se e pegar novamente.podem trazer com certeza informações. tem que ter compreensão. Acho que é mais ou menos assim. E uma das coisas é essa. o que se passa. delegar algumas funções pra gente poder trabalhar. outras formas para ajudar o mundo. A gente viaja para São Paulo inteiro. ter mais motoqueiros transmitindo de celulares. culinária. Tem que delegar funções. o que a gente pode aproveitar como uma faculdade. Que outra utilidade você daria a um projeto como este? O que você melhoraria ou mudaria no canal*MOTOBOY? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Eu faria uma parceria com outros projetos que Adriana Maria de Oliveira: Bem. tempo. também. a partir do momento em que você trabalha com 60 61 . pode correr e não eu acho que mudaria o site. e tem muita coisa em São Paulo que a gente desconhece e muito da população Edison Cordeiro da Silva: O que tiver para melhorar eu estou aqui.

um projeto cultural. Até o dia a dia de uma pessoa que mora num apartamento fechado ele é capaz tirar. de um buraco. você tem um envio imediato. o que a gente nunca imaginava existir. e com nosso Projeto tinha várias exposições sendo realizadas no período. Muitos lugares que a gente nem imaginaria entrar sem que não fosse para fazer um serviço. Porque ele vai tirar de cima o que ocorre. Então pra mim foi uma coisa boa. sim. o que foi o que eu aprendi: você não tira fotos só da rua. Então. eu não sei se é uma cultura o dia a dia do motoqueiro. como a gente foi pro Centro Cultural São Paulo e aqui na Ação Educativa. Então é uma coisa que a gente descobre a cada dia. É infinito: coisas boas. Você acha que o canal*MOTOBOY é um projeto cultural? Por quê? Ronaldo Simão da Costa: Eu acho que é um projeto cultural porque envolve todo tipo de pessoas. Quer dizer que hoje em dia a informatização melhorou muita coisa. mas pra mim é. Versión en Español fotocelulares. Então é uma oportunidade de a gente se conhecer. de um rio. A gente passa na avenida 23 de Maio e nunca olha para lá. de uma pessoa. como eu já tinha falado. Tudo. 62 . Porque. tudo. coisas ruins. por exemplo. mas de várias coisas. a gente está tentando mostrar as coisas que o motoqueiro faz. Descobri que o Centro Cultural tem uma biblioteca imensa. “tipo assim”. Então são coisas que a gente nem imagina que tem num prédio daqueles. de um acidente. Franscisco Djalma Souza: Eu acho sim que é um projeto cultural.

por ejemplo. El proyecto ha sido concebido para convivir con este espacio público digital. el trabajo de Antoni Abad viene siendo desarrollado principalmente en Internet por medio del proyecto www. en un espacio/instalación ideado para el proyecto por Antoni Abad. Durante todo el proyecto intercambiaron experiencias y opiniones por medio de mensajes multimedia y conversaciones telefónicas. en los gitanos de Lleida y León. provista de teléfonos móviles con cámara integrada.canal*MOTOBOY Diciembre de 2002. el artista. su equipo y los motoboys estudiaron las posibilidades de realizar proyectos colectivos. En los últimos años. “constituyen una red humana motorizada que hace posible el intercambio de información en la metrópolis… arterias informantes de la gran urbe” –los motoboys. así como de canales individuales de transmisión. además del grupo inicial. En estos encuentros. El proyecto con los motoboys fue presentado en diversos momentos a instituciones culturales de la ciudad de São Paulo. Durante tres meses el Centro Cultural São Paulo recibió a un grupo de motoboys para sus reuniones semanales. zexe. ambiente completamente en sintonía con esta “red humana motorizada” que.net. un contraflujo de situaciones singulares reportadas por aquellos que parecen vivir siempre en corriente continua.zexe. gracias a la colaboración entre el Centro Cultural São Paulo y el Centro Cultural de España / AECI. de cierta forma. 65 . la primera idea no se concreto. teniendo como inspiración el proyecto dirigido a los motoboys. durante ese tiempo de espera. El proyecto generó efectos deseados e inesperados al congregar. En mayo de 2007. con el apoyo de la española SEACEX (Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior). envían al sitio en tiempo real las percepciones de su cotidiano. que apuesta en el ámbito de las redes. que incorporó la obra “Derrapagens”. En 2004. pasaron cuatro años y. con la artista Regina Silveira. así como en las prostitutas de Madrid. www. En 2006. También coordinaron la publicación inmediata de los contenidos que se propusieron tratar. el proyecto canal*MOTOBOY se hizo realidad. refleja el laberinto que es la ciudad de São Paulo. como notó. en 2005. fue con las personas de movilidad reducida en Barcelona.net articula y hospeda las experiencias realizadas en otros locales en “colectivos trasmiten de móviles”. durante ese período. adecuando la conectividad de la red a la interfaz de los canales. canal*MOTOBOY se tornó una dimensión paralela al caos de la ciudad. y también con los inmigrantes nicaragüenses en Costa Rica. En ese espacio de gran impacto arquitectónico que. los motoboys propusieron actividades paralelas como charlas y mesas redondas con profesionales invitados. a otros agentes. El local escogido fue la gran plaza interna que congrega el conjunto de bibliotecas de ese Centro Cultural. No obstante. produciendo y potenciando su propuesta inicial: la de propiciar canales de participación y expresión a los grupos económica y mediaticamente desfavorecidos. Antoni Abad en visita a São Paulo. la atención del artista se centró en los taxistas en México y. vuelve su atención a los innumerables mensajeros que circulaban por la ciudad que.

). sino que dejaba. La cualidad del arte como acción transformadora. se manifestaba ya con contundencia la suspicacia posmoderna respecto al lugar que la representación había de ocupar en la práctica Martin Grossmann / Inês Raphaelian Ana Tomé artística contemporánea. el trabajo artístico no ve más allá de su campo de competencia. no era casual la alarma que animaba “Art and objecthood”. Alberto López Cuenca etc. de captación de esencias o de evocación de la realidad (si es que realmente alguna vez había podido ser sólo eso). pasando por los constructivistas y los miembros de la Bauhaus. la heteronomía que anulaba su pretendida autosuficiencia. por perder autonomía al depender de un espacio circundante que activara la experiencia artística. con vistas a la preservación de los manantiales de agua del Estado de São Paulo. pues había sido ya desplegado por las denominadas vanguardias históricas de principios del siglo XX. Se trata. Los artistas dadaístas y surrealistas. cuanto menos. como la acción educativa. para que se disponga con responsabilidad ambiental de los residuos de las motocicletas (combustible. No obstante. que podemos explicar en términos de su capacidad “performativa”. Transformar la vida no podía ser imitarla mediante criterios estéticos sino que conllevaba introducirse en los intersticios de la cotidianeidad y modificarla: en las portadas de los libros y el atrezzo teatral. museos y centros de arte. incluso. este entretejimiento contextual del arte. a través de un núcleo de motoboys que trabajan en iniciativas El motoboy y la economía política del afecto colectivas de ámbito más amplio. Así acotado. descansaba sobre múltiples presupuestos. de la escultura o del vídeo). 66 67 . Para esto. En la hoy clásica recopilación de textos Art after Modernism: Rethinking Representation (Wallis 1984). En este sentido. acción realizada en colaboración con el ISA (Instituto Socioambiental). especialmente en la medida en que el horizonte de acción de la producción artística contemporánea pone en cuestión el mencionado presupuesto. el beligerante texto donde Michael Fried (1967) descalificaba la escultura minimalista por ser teatral. emprendieron en su día la tarea (¿artística?) de hacer efectivos nuevos modos de vida o. Parecía que el arte no sólo no tenía que ser ya representación de algo. es decir. la instalación. así que no cabe esperar de él que articule grandes proyectos de transformación social. la ONG Acción Educativa y el Centro Cultural de España. de reconfigurar los existentes. no era nada excepcional. el arte no podía concebirse ni practicarse como un ejercicio meramente representacional. ya sea como productor de bienes suntuarios o de experiencias para el ocio y el entretenimiento en bienales. la performance. pero en unas condiciones muy distintas a aquellas en las que se planteó originalmente. Sin embargo. Con la publicación de la memoria del proyecto celebramos también la continuidad La ruta está siendo recalculada del canal*MOTOBOY. destaca el emplazamiento privilegiado del artista moderno para comprender el mundo e incidir sobre él simbólica y concretamente. sino que más bien se proponía ahora generar situaciones. el descreimiento respecto al emplazamiento privilegiado del artista. De entre ellos. que de un imperativo vanguardista de actuar sobre la realidad que ha sido legado al arte contemporáneo. ni más ni menos. espacios o experiencias. baterías. en la publicidad y en los carteles de cine. de estar contenido en los límites formales del objeto artístico (de la pintura. La posición prácticamente omnisciente del artista para comprender e incidir sobre el mundo está hoy en entredicho por la generalizada conversión de aquél en un especialista de la industria simbólica. No parecía que el arte debiera pasar necesariamente por Centro Cultural São Paulo Centro Cultural da España elaborar representaciones (algo que el cinetismo. la escultura minimalista o el land art habían puesto de manifiesto). en el diseño de juegos de té y de ciudades enteras.

notario de su realidad. Erraba. conllevó una serie de negociaciones y conflictos que no son visibles en el material audiovisual accesible a través de internet. los patriarcas. Las y estrategias de subjetividad. vídeos. durante dos meses en 2004. creaba relaciones sociales y el ayuntamiento replicó distribuyendo un mapa de la “Barcelona accesible”). con ello. A pesar de que la labor de canal*ACCESSIBLE “hacer visible la realidad del taxista” o “propiciar unas representaciones que no caben parecía desembocar en el trazado de un mapa. Se abrieron. más que otras representaciones de la realidad. No como etnógrafo”. su software no estaba homologado para operar en Costa Rica. documentos de audio y de texto a una página que manifestó el alcance de canal*CENTRAL. De un lado. cuestiones presupuestas que rara vez eran Antoni Abad ha desarrollado junto al programador Eugenio Tisselli a lo largo de consideradas de modo explícito. entre los discapacitados. nuevo en él. hacen todavía hombres y mujeres. espacios de acción transitoriamente desregularizados para el No presentaba al artista como una voz privilegiada. más allá de constituir una contraesfera subsanar muchos de los obstáculos arquitectónicos sobre los que los miembros de para la representación. sobre los taxistas en tanto narradores de su experiencia y enunciadores de su propia historia. sin embargo. la planificación y activación de canal*GITANO. al dar a entender que el efecto fundamental de ese proyecto donde los participantes elaboraron una cartografía con las trabas arquitectónicas para era modificar representaciones. en 2006 se puso en marcha en Barcelona canal*ACCESSIBLE. sitio*TAXI abría espacio para la acciones de documentación hicieron que el mismo ayuntamiento se viera forzado a enunciación y la agencia de sus participantes. canal*CENTRAL no sólo hizo visible el control (2001) –donde el autor sostenía que algunos artistas contemporáneos se habían de la comunicación y las fricciones técnicas y legales en el monopolio estatal de las convertido en investigadores críticos de su propia sociedad– y creo que acertaba comunicaciones. Es éste el trasfondo enfrentamiento inusual contra el poder fáctico de la comunidad. en el cual un grupo de 17 red. el taxista sólo aparece a nivel colectivo (se conformaron. Miami. al considerar al taxista como etnógrafo. Pensando de nuevo en ese título. transformar la imagen que se tiene del taxista. De un lado. “El taxista como etnógrafo” cuando demostrar la residencia formalizada en el país es requisito imprescindible para ironizaba sobre el conocido ensayo de Hal Foster. sino que forzó a modificar o sortear transitoriamente su alcance. sino que llamaba la atención ejercicio y la enunciación comunitaria de un sector de la población nicaragüense. el modo de operación de canal*GITANO implicaba proyectos. las trabas legales con web de libre acceso. de ahí que Entonces redacté una breve reseña sobre sitio*TAXI que llevaba por título “El taxista hubiera de negociarse el espacio tecnológico y legal para hacerlos operativos.F.sumado a la convicción de que el arte aún puede generar sociabilidad. Sin embargo. los inmigrantes o los discapacitados) sino a generar la vida 68 69 . Para empezar. La página reunía y actualizaba sin edición o selección previa los trámites para los celulares: por tratarse de móviles importados ilegalmente desde los documentos remitidos en tiempo real por los miembros de ese colectivo urbano. canal*ACCESSIBLE. Costa Rica. lo que sitio*TAXI ponía a nivel institucional (el mapa salió reproducido en medios de comunicación locales en marcha era mecanismos de sociabilidad. los cuales canal*CENTRAL. “El artista como etnógrafo” acceder al servicio de telefonía móvil. Es el desplazamiento de discapacitados por la ciudad (una contracartografía frente a obvio que sitio*TAXI opera a través de mecanismos de representación. De nuevo. como En el fondo. su resultado no es simplemente monumentos y estaciones de metro). los lugares y las condiciones en las que pueden encontrarse y el posible el despliegue de estrategias para la acción del arte en el terreno de la vida tipo de interacción que pueden mantener. nicaragüenses teléfonos celulares y el conocimiento para mantener en funcionamiento Tuve la oportunidad de escribir sobre el primero de esos proyectos. donde se reunían entrevistas incómodas a los patriarcas donde habían de explicarse y de pensarse como gitanos al hacérsele preguntas como “¿qué Redes de sociabilidad es ser gitano?” o “¿qué es ser patriarca?”. la institución misma del poder se vio sujeta a escrutinio al crearse el canal*PATRIARCA. En otras palabras. menos ambiciosas que las modernas. que la página web del proyecto. porque no apuntan meramente a hacer posible otras representaciones de cuestionar la separación tradicional que en la comunidad gitana se hace entre la vida (de los gitanos. canal*ACCESIBLE habían llamado la atención. como mero Por otra parte. continúa reuniéndose y trabajando tras el fin del proyecto con la constitución de la Por ejemplo. pero serían coordinados por Antoni Abad: proyectos donde se supera la condición omnisciente del confrontados por ella y su madre hasta el extremo de que volvió a ser aceptada de artista y que subscriben el carácter performativo y no-representacional del arte. al enfatizar que no es el artista quien habla en sitio*TAXI sino los taxistas mismos. canal*GITANO generaría un social. sino la serie de negociaciones con el entorno institucional y administrativo la taxistas enviaba imágenes. que surge con una fecha de caducidad. sitio*TAXI. imágenes. en realidad desató respuestas tanto en los medios de comunicación tradicionales” (ciertamente. Ahí se distribuyen entre la nutrida comunidad de inmigrantes han desembocado en la articulación de singulares comunidades de colaboración. pero que conforman la parte Queda patente que tomar fotos y subirlas a la red no agota el alcance de estos crucial del proyecto. es decir. comandos extraordinarios ahí puntualmente como accidentado o delincuente o héroe efímero de algún rescate). Aún más. Antoni Abad puso en funcionamiento posibilidad de transmitir directamente desde ellos información vía internet. no es la visibilidad de las imágenes en la se desarrolló en México D. incitó la conformación de un grupo de colaboradores que Ése ha sido un aspecto constante de los trabajos que siguieron a sitio*TAXI. hay algo en él que aún suscribiría menos laboriosa fue la tarea de dar de alta teléfonos para 22 inmigrantes ilegales y algo con lo que ya no estaría de acuerdo. pero más diversas. que recorrerían zonas de la ciudad en principio no planeadas para ser batidas). Por otra parte. Éstos sobre el que se desarrollan algunos de los proyectos con colectivos y tecnología celular vetaron a una de las participantes para seguir colaborando en el proyecto. los últimos cuatro años una serie de trabajos que recurren a la telefonía móvil y a la A lo largo de 2006. en San José. desarrollado en Lleida “Asociación Accesible” durante 2005. grabaciones de audio y video. las múltiples cartografías triunfantes de la urbe: de sus museos y parques y bares y textos.

como el en la actualidad cobran las estrategias que eluden la creación estandarizada de afecto: conocimiento. este espacio público redefinido hoy está marcadamente mediado y las industrias culturales que se concentran “en la creación y manipulación de por lo simbólico: imágenes. ajenos a quienes se ven interpelados por ellos. los servicios o la comunicación. este trabajo afectivo desempeña un papel en todo esfera pública actual se constituya fundamentalmente como espacio simbólico o. Si. Finalmente. La fabricación se considera como un servicio. Es decir. claro. por un lado. 12 motoboys que recorren las calles de São Paulo en el trabajo inmaterial. La economía desmaterializada produce y nombra sensaciones. De aquí la importancia que ellos denominan “trabajo inmaterial”. entonces se homogeneiza la experiencia a la par que se descartan o por la arquitectura urbana. Sin embargo. deseos. sensaciones central en la medida en que “el tema” de estos proyectos no es la elaboración de la de fracaso o estados de miseria o desarraigo). Controlar los modos canal*MOTOBOY pone en marcha un mecanismo de producción simbólica que 70 71 . estados afectivos. pues una industria del traslúcida red que ordena la vida social (desde las relaciones entre adolescentes al afecto totalmente incorporada a los modos de producción contemporáneos. entra en juego el grado de implicación bien. “anti-capitalistas”. aquél que produce bienes intangibles. En esa negociación con las redes de significación se activa Desde esta perspectiva. textos. a representación de grupo sino la activación de la agencia y la producción de relaciones pesar de estar totalmente integrada en los modos de producción. desde prácticas. excitado. podemos distinguir tres tipos de trabajo inmaterial que han puesto al sector servicios en la cima de la economía informática. por su tarea “vinculante” clubes de discusión y páginas de los periódicos a las pantallas de televisión y de (“binding element”. que nos vemos sujetados (significados) por los signos y niveles en los que significamos (sujetamos) a los signos. mediático. se procesan afectos patriarcal del poder o por las legislaciones de las telecomunicaciones e inmigración estandarizados. 95) e implica áreas productivas como la salud. son provistos de teléfonos celulares que les permiten tomar inmaterial de las tareas analíticas y simbólicas. espacio para relaciones sociales inesperadas y reconfiguradas. apunta Hardt. Aquí. es el trabajo en el modo corporal. apasionado—incluso el sentido de sentirse parte de algo o en el proceso de producción de significado: un proceso en el que se dan niveles en los de una comunidad” (96). ha transitado desde su concepción en el siglo XVIII de los cafés. que se hace cada vez más predominante. Para Hardt. Sin embargo. en tanto que sus productos son intangibles: el sentimiento de comodidad. multimedia. uno El afecto. son activados por hablantes. no por ello se convierte en un mero juego de signos inertes interacción bajo el rubro del “trato personalizado”. más el sector servicios en la medida en que se integra en los procesos de comunicación e precisamente. de cómo el sistema de relaciones de los objetos articula la se aprecia así construyéndose a la vez que los sujetos que la significan: sujeción y experiencia de los individuos. de hecho. En resumen. “este trabajo es inmaterial. “prohibido” o “trabajo”. usuarios concretos. aunque la afectos” (95). puede ser contestada sociales. sus archivos pueden agruparlos bajo términos clave que ellos mismos han decidido. es crucial para la activación de esferas de sociabilidad cuya de los bienes fundamentales de la economía actual. y en labores simbólicas de retina. aun cuando sea corporal y afectivo. Al enviar creativa e inteligente. El primero participa de una producción industrial que se informatizó e incorporó las tecnologías de la comunicación de canal*MOTOBOY: medios digitales y crítica del afecto una manera que transforma el proceso de producción mismo. ya sea en la banca o en la comida y determinantes. a la manera de la producción de mercancías. una uso de un celular o al desplazamiento en la ciudad) sino que en su práctica abren industria que prioriza un conjunto de estados emocionales y actitudes (bienestar. El segundo es el trabajo su jornada laboral. para estos autores. de sentirse televidentes. elaborar vínculos de tipo de restricciones. el entretenimiento las computadoras. según Hardt. Los signos en su rápida. Al decir que el capital ha incorporado y exaltado el trabajo afectivo y que el trabajo Economía política del afecto afectivo es una de las formas más altas de producir valor desde el punto de vista del capital no significa que. una taxonomía flexible. ya sean las impuestas por las costumbres y la administración sometimiento.misma en la interacción con el entorno. satisfecho. producen vida afectiva y vida social no programadas por los modos dominantes de producción. del sujeto. y posteriormente él y Toni Negri en su debatido anticapitalistas (90) libro Imperio. uso se inscriben dentro de mecanismos de enunciación. por el otro. Ésta es una cuestión posesión. Si la esfera pública. El afecto es. sino también de los aspectos más íntimos y emocionales subjetividad van de la mano. satisfacción) y desestima otras (actitudes de altruismo. lo que brinda la posibilidad de armar y el que requiere el contacto humano (virtual o real). el tejido mismo de la existencia colectiva e individual. es decir. el tercer tipo de trabajo inmaterial es el que implica la producción y manipulación de afectos como “accidente”. han descrito cuáles son las esferas características y dominantes de la producción en la sociedad contemporánea. Pero no se trata sólo de revelar. se puede dar cuenta no sólo de la producción material el proceso de constitución afectiva y dialógica de la esfera pública. en última instancia. El trabajo inmaterial del afecto se caracteriza. modos de subjetividad y sujeción. El afecto sería parte de lo que finalidad no sea necesariamente la producción de capital. sonidos. La esfera pública de la vida social. el lugar de (Hardt y Negri 316-7) encuentro social. el afecto no tenga utilidad alguna para los proyectos El filósofo político Michael Hardt. es decir. de hacer visible la actitudes y posturas económicamente no productivas. esa industria del afecto. En su funcionamiento hacen manifiesto todo de producir y administrar vida emocional es. que se divide en labores de manipulación fotografías y vídeos para remitirlos directamente a una página de internet. abierta y negociable de la información elaborada por ellos Éstos son los tres tipos de tarea que lideran la posmodernización de la economía global y disponible para los visitantes de la página web. Hay. En distintos niveles. y el trabajo material de la producción de bienes durables se mezcla con Desde mayo de 2007. contaminado de esta manera. control.

acercarse a ellos y pedirles que explicaran qué es ser gitano. La crítica. Imperio.F. tecnológicos. verdad. los celulares y de internet. Artforum. dentro de las reglas de gobierno ya sancionadas. siempre en negociación. esta caracterización general: el arte de no ser de tal modo gobernado” (Foucault 8). en el sentido de Foucault. desarticulan y desvían la finalidad económica de los signos y los afectos en el entramado productivo del capitalismo avanzado. Antoni Abad hacía referencia a su trabajo pasado como Hardt. canal*GITANO se convierte así en una herramienta que. 5. inaugurando una dinámica de Coordinador del Doctorado en creación y teorías de la cultura en la Universidad de las Américas. 2. que no pueden ser administradas. de Fried. política y esfera pública en el estado español”. En otra ocasión. a los jóvenes participantes en canal*GITANO se les ocurrió entrevistar a los patriarcas.) Art after Modernism: Rethinking Representation. 1984. D. junto con Eduardo Ramírez. 2006. escultor y a cómo su actitud de escultor caracteriza la manera en que actualmente Wallis. Michael. la política de la verdad (9-10) Contemporáneo de Barcelona/ARTELEKU/Universidad Internacional de Andalucía y a lo largo Antoni Abad narraba en una ocasión un hecho sumamente significativo: “Internet de 2007 ha organizado. “y por tanto propondría. Desde este acercamiento. como toda novedad. la acción de disentir. libre acceso a la cultura” en el Centro Cultural de España en México. suplantados por otros. vol. Escribía el francés que. Hal “El artista como etnógrafo” en El retorno de lo real. núm. en sus reuniones y discusiones respecto a las estrategias del grupo para seguir adelante con su trabajo. La vanguardia a finales de siglo. en este caso. como primera definición de la crítica. Brian (ed. es una crítica de la institución de la representación y no sólo del objeto de la representación. Doctor en Filosofía por la Universidad … yo diría que la crítica es el movimiento por el cual el sujeto se atribuye el derecho de Autónoma de Madrid. aparece como una amenaza de desestabilización porque posibilita acciones que no caen. Michael. como los proyectos anteriores puestos en marcha por Antoni Abad. auspiciado por el Museo de Arte una palabra. del sujeto. las “Jornadas sobre nuevas tecnologías y es el diablo”. la comunidad es ámbito de producción de vínculos simbólicos pero también afectivos en un proceso paralelo a los modos de producción inmateriales del capitalismo. sisífica ante la magnitud y alcance de las representaciones hegemónicas del motoboy en los medios de comunicación). las relaciones sociales Hardt. 26. no sólo activa una red de resistencia a las representaciones mediáticas del motoboy. la condición siempre inacabada. le decía uno de los patriarcas de la comunidad gitana de Lleida. Lo anterior se lleva a cabo atendiendo Escribe Foucault. 2005. y la Epistemología con la finalidad de desentrañar los mecanismos de producción. Madrid: Akal. Como decíamos Referencias antes. La crítica Curare o Revista de Occidente. es decir. y qué entiende por “payos”. Decía al respecto que busca “modelar el medio para Museum of Contemporary Art. En su selección y envío de material visual o de sonido. De ahí que deba entenderse como un ejercicio crítico a la manera de Michel Foucault. permite posicionarse frente a ellos Tecnos. económicos e institucionales en la configuración y recepción de la cultura de nuestros días. canal*MOTOBOY se activa crucialmente Alberto López Cuenca es profesor Titular de Filosofía y Teoría del arte contemporáneo y como un arte de ser de otro modo gobernado. con Sobre arte. elaboración colectiva de la representación de grupo que incide directamente sobre la Puebla (México). la crítica. esto es. no es una mera suplantación de unas representaciones por otras (una tarea. El uso imprevisto de los medios electrónicos. la crítica será el arte de la inservidumbre voluntaria. es colaborador habitual del suplemento cultural del diario ABC y de Revista interrogar a la verdad acerca de sus efectos de poder y al poder acerca de sus discursos de de Libros. Michel. critica. distribución y recepción en la creación cultural contemporánea. Su trabajo de investigación se despliega desde el ámbito de la Teoría del arte matriz de producción de la imagen y la conciencia: la práctica social y colectiva. 2001. Michael y Antonio Negri. especialmente a aspectos sociológicos. “Affective Labor” en Boundary 2. verano. “¿Qué es la crítica? (Crítica y Aufklarüng)” en Sobre la Ilustración. y hacerlos patentes y vulnerables. núm. Madrid: al evidenciar los mecanismos de poder y verdad. Nueva York: The New trabaja con los medios digitales. además. “Art and objecthood”. canal*MOTOBOY inaugura momentos efímeros de contestación una visión privilegiada?” y acción que no presuponen a un sujeto libre ideal sino que subrayan la condición conflictiva y agonística de la existencia cotidiana de sus participantes. de nuevo. tendría esencialmente como función la desujeción en el juego de lo que se podría denominar. de la indocilidad reflexiva.lo es crucialmente de conciencia subjetiva en la medida en que desata un proceso de que lo usen otros” y concluía con una pregunta: “¿por qué habrían de tener los artistas agencia y enunciación. Es una crítica en la práctica de una práctica y no una mera crítica de la representación. Barcelona: Paidós. 1999. esto es. En la actualidad es miembro del Sistema Nacional de Investigadores de México. Internet. como todo lo extraño. 72 73 . Ha sido director de investigación en el proyecto “Desacuerdos. Lápiz. Nueva York. gobernados. Sus artículos han aparecido en publicaciones internacionales como ARTnews. Es decir. dichos. canal*MOTOBOY. junio de 1967. ser un patriarca Foster. es la puesta en marcha de mecanismos que eluden el “modo de ser representados”. instauradas. Foucault.

obras le dio un carácter de cosa y no de sujeto. como en su trabajo de nuestras ciudades? No hay como negar que en la actualidad los motoboys u otros espacios de la vida social. el surgimiento de un dinamismo propio. de teatro. inclusive como São Paulo “mototaxis”. como parte de la de la sociedad –y esa enfermedad no se combate sin información y conciencia de exposición “Motoboys transmiten por móviles”. Se trata. Y que su vida sea contada sin mediaciones. lo que que la ciudad sufrió con el proceso de urbanización –y estrangulamiento de las vías. habitantes de las grandes periferias). a medida que los diálogos entre para realizar sus actividades. de qué pertenecientes a una colectividad. posibilidad de esos encuentros y debates idealizados por el Proyecto. padres de familia. Más que crear muchas veces. a partir de una forma motociclista sea escuchada. que utilizan la motocicleta como un conjunto de imágenes e intervenciones digitales en el mundo virtual de la Internet. en primer lugar. medio de subsistencia. libros. en el ocio o en la familia. realizamos un Ciclo de Debates y Filmes. 74 75 . Esa es una centros urbanos de nuestro país. en la sociedad. “couriers”. sobre las que toda la sociedad deberá empeñarse política. de manera que no alcance su propio derecho urbanos que los convierte en sujetos y protagonistas principales de la vida cotidiana a la participación igualitaria en la política o en otras dimensiones. encontrar el propio significado de su expresión.que la voz del profesional de esos profesionales. personajes de novelas. descalificándolo en su ambiente de trabajo a partir de algún estereotipo. las subsunciones de esos nombres esconden una forma de depreciación del profesional. entre la imagen negativa. vimos la por parte del exceso de vehículos en el contexto del rápido crecimiento global. o. y a través de conflicto en los espacios urbanos. durante meses. sino también en relación con la visión de mundo modo es afectada la vida de esas personas (trabajadores. repercutirá en todos los ámbitos de su vida diaria. cómo elaboran sus estrategias existe la posibilidad de realizar un cambio estructural. varias producciones culturales con esa temática? ¿Nos encontramos frente a usar una tipología que reuniera las principales características de sus servicios. el más conocido de todos. permitiría que su voz instantánea fuera escuchada por toda su comunidad. etc. se crea un tipo de identidad artificial representan aspectos importantes de la convivencia social y abarcan.). sea en el campo de la grado de soluciones complejas. por causa de la existencia de esa función en otras regiones de Brasil. En Eliezer Muniz dos Santos muchos de esos casos. inclusive cuando se ha tratado de negar el mismo estereotipo. de la economía. sin sombra en que ellos se mueven. tal vez ¿Pero de qué manera comprender el lugar de esos personajes. “motociclistas”. (Weltanchaung) que entonces construyen a partir de esa experiencia. estamos delante de lo que denominamos entonces el interés. en pensarlas? A partir de la lógica de la movilidad de los motociclistas. que viene acompañada de nuevo poder. y de qué forma grupo. Así. al años. para discutir sus principales esos profesionales está intrínsecamente relacionado a las muchas transformaciones problemas y capacitándolos con una tecnología celular conectada a Internet. el tráfico. sea por la apodo “motoboy” sea discutida por ellos. lo cual un fenómeno social que todavía no fue totalmente interpretado? ¿Películas. por los problemas de los mensajeros y su lucha para organizarse. ahora. tal ¿Será que existe una cultura motoby? ¿Cuál es la razón de ver. por parte de un conjunto de investigadores universitarios y de las su Cultura. al aplicarlas al campo social. El propio surgimiento de proceso. por sus envíos al sitio www. y el escenario como respuesta. de Antoni Abad. Los propios participantes de esa comunidad no perciben los riegos muchos de nuestros problemas. sobre todo. con el objetivo de crear su autorrepresentación. En ese sentido. Ellos se ven y son vistos por la sociedad de diversas maneras: como “motoqueros”. Surgió en consideración ese modo singular de vivir. Reuniéndolos semanalmente. de qué manera se organizan. a través de la experiencia de autorrepresentación proceso de curaduría para el proyecto canal*MOTOBOY . en los últimos fue la iniciativa de los órganos de tránsito del municipio al denominarlo “motoflete”. la idea de propiciar el encuentro entre política y cultura ya formaba parte del desempeñan sus funciones para que la ciudad pueda avanzar. en su trabajo. no sólo en relación con la identidad de esos profesionales de mejoramiento. “perro loco”. como “perro-loco”.Cultura Motoboy y Políticas Públicas: Interfaces de la Ciudad de “mensajeros”. La intersección entre cultura y política se hizo más clara cuando.net/SAOPAULO. de construir una identidad positiva en relación a su representación social y. documentales y. los mensajeros. jóvenes y. Esto. como parte de las clase. abandonan su propia autoestima implementación de políticas públicas para una mejor calidad de vida en los principales para poder pertenecer a un grupo social (“motoboys”. cuando tomamos esa Categoría Profesional y la sociedad ensanchan sus fronteras a ojos vistas. de comprender cuál es un proyecto cultural organiza una forma de sociabilidad antes imposible para ese el nivel de información que nos traen esos sujetos. “deliverys”. Y esto significa que nos encontramos frente a un característica propia de los procesos de estereotipia social. De hecho. cuidar de un cuando el artista Antoni Abad crea por primera vez en la historia de esa categoría nuevo tratamiento geométrico de las calles y avenidas no es suficiente para definir el profesional una oportunidad de reunir a un grupo de 12 “motoboys”. esas “reducciones” encuentran explicación exposición de arte? ¿Qué hay de tan específico en esa nueva clase de trabajadores en la forma como se determina al Otro. instituciones a las cuales pertenecen. incluso que el de sociabilidad que emerge con el aporte de las redes sociales digitales.zexe. Se trata siempre de comprender. solo a través de la confrontación cultural esa comunidad será capaz conmemoraciones por los 25 años del Centro Cultural São Paulo. De esa forma. en parte. “motoboys”. para que podamos considerarlos protagonistas en primer de duda. que pasa a tener un estigma en relación a sí propia y al conjunto mayo y junio de 2007. canciones. ya sea en su lugar privilegiado. Ese grupo los ayudó en el desarrollo de cuestiones planteadas por Resulta imprescindible –y también fue así para nosotros cuando iniciamos el el canal*MOTOBOY y constató. cómo crean su propia identidad. una Como recuerdan los analistas sociales. Pero surgieron también los degenerativos. Ese manifestación de un conjunto expresivo de códigos y señales que pueden significar crecimiento impone a la sociedad como un todo que se tomen providencias concretas un cambio sustancial. como en la que corren para reconocerse y ser reconocidos.

construidas a partir de esos debates. como también sobre el destino del canal*MOTOBOY. llegamos a la conclusión de que hasta el momento no hay ninguna garantía de que las iniciativas de los gestores públicos obtengan éxito. al hacer con que las reivindicaciones de esa Eliezer Muniz dos Santos. esos para las próximas elecciones municipales. Vemos surgir una ciudad que se muestra desde el ángulo de los motociclistas. al engendrar sus demandas. con palabras clave como “DÍA A DÍA”. Profesionales Motociclistas hicieron. se distanciaron de la lógica de los estereotipos proyectados por los medios de comunicación preponderantes. en el asfalto caliente. Paulo y ex-motoboy. podemos percibir que ellos aportaron un espacio legítimo de formación para la vida cultural de la ciudad. se convierten en instrumentos simbólicos para la investigación de esa experiencia: la mirada del motoboy evidencia la “mirada” sobre ese motoboy. Para ésto. inclusive ayudándose en los momentos trágicos de los accidentes. y se transformaron en cronistas de su realidad. Así. en apenas cuatro meses. cerca de 2. significado para el arte que eleva sobre todo el discurso sobre la calidad de vida en la “FAMILIA”. y para éso basta recordar los datos oficiales sobre los elevados índices de accidentes con víctimas fatales en los últimos años-. al participar en ciudad. con publicación por la Internet en tiempo real. Al probar que tal dispositivo es capaz de generar opinión pública. así. curador adjunto. tomando en consideración el nivel de complejidad con que necesitan lidiar para resolver sus problemas –hoy existe un consenso de que las soluciones también deberán ser complejas. pues solo ellos saben qué es el desamparo cuando. aunque no abunden las investigaciones que asocien el accidente de motocicleta al accidente de trabajo.net/SAOPAULO-. aguardan la llegada del camión de Bomberos. “TRABAJO”. Claro está que. Motivados por temas propuestos por el propio a esos motociclistas que ponen en riesgo su propia vida encontramos. 76 77 . Entre otros factores. Aquí cabe una observación sobre el modo casi tribal con que ellos se defienden en el tránsito. una base sólida de voluntad y comprensión hacia todas nuestras entre fotos. sino también en usuarios activos de un dispositivo de comunicación autónomo e independiente.800 envíos. notamos que las cámaras fotográficas primero comienzan a revelar la mirada y. basta captar las imágenes en que ellos discuten. por parte de todos los involucrados entrevistas con otros profesionales y personas vinculadas a su día a día. un grupo. y coloca en primer lugar a la ciudadanía a través de la cultura. Su voz no puede callar. Así. es graduado en Filosofía por la Universidad de São categoría de profesionales entren en la agenda política de la ciudad de São Paulo. Cuando vemos una razón de ser en la necesidad de hacerles justicia utilización de la palabra clave “DÍME”.zexe. cuando nos abrimos a una dimensión más estética. se convirtieron no solo en emisores del canal. Por tanto. ante la urgencia de abrir un diálogo protagonizado por el Colectivo de Profesionales Motociclistas entre el poder público y la sociedad civil organizada. ellos indicaron claramente que. Sentimos. “REUNIÓN”. así. “TRÁNSITO”. Y que todo eso pase por la omnisciencia de esa escucha. tanto sobre los contenidos del sitio. el claro objetivo de nuestra curaduría es el de cerrar un hiato –gracias a la ejecución del proyecto www. también es cierto que faltan acciones por parte del Poder Público que indiquen de qué manera los Profesionales Motociclistas crearían una mejor estrategia para ir al encuentro de los intereses de su ciudadanía y del respeto por la vida humana. “ACCIDENTE”. como era de su interés. ya que para ello sería necesario tener una verdadera representación de clase acompañando tales políticas. entre otras. si esos profesionales se resienten por la falta de un programa eficiente de prevención de accidentes –con curso de conducción preventiva y formación profesional-. vídeos y sonidos grabados. de manera colaboradora. mediante la en este proyecto. ese proyecto. por fin. y además crearon una espectacular herramienta de lucha para reinventar su propio cotidiano. En esos envíos pudimos contar más de 240 colaboraciones.

motoboys tienen hasta 24 años. un vehículo que poco se veía veinte años atrás. en 2000. en la ciudad de São Paulo. tornándose básicamente un centro financiero. Surgió en la estera 1 CALDEIRA. Un fenómeno mundial. 43% metrópolis paulista”]. Surgido en medio del proceso de desreglamentación por el que pasó de seducirlo con la oportunidad de ser “autónomo” y transformarlo en “autómato”. de los 1. la altura derecho del espacio no tan público de las calles y avenidas de la ciudad.800 motociclistas entrevistados en las calles de la ciudad. muestra hasta qué punto la falta de la proporción de motoboys es mucho mayor.588 motociclistas en la usan la moto como medio de transporte y 31% para entretenimiento. y 40% de ellos e avaliação da conduta de motoristas e pedestres no trânsito: um estudo sobre espaço dirigen motos hace menos de cinco años. el motoboy burla códigos y normas para 150 km por día. del “office-boy” de los años 1980 y aprovechó la explosión de ventas de motocicletas Editora 34/Edusp. metropolitana como un todo. la ciudad perdió su posición vehículos que coinciden en el espacio cada vez más exiguo de las calles de la ciudad.000 motoboys. la impresión de quien anda o dirige por las calles de la ciudad es que suplir una demanda de mercado. Teresa Pires do Rio. Pero es importante recordar que esos reglamentación acarrea problemas a un país que se piensa pacífico. 50% ganan entre uno y Tales números son apenas estimativas. comercial oficios. Otros compraron una moto en alguno de los muchos consorcios y fueron a la lucha. el Leviatán de las relaciones de trabajo trata relaciones. el motoboy ser una relación. 4.8% tienen nivel superior. En 2001. São Paulo. Al rodar de 100 km a presente. “Percepção la mitad de ellos (49%) aprendió a dirigir sin pasar por la autoescuela. Y la caricatura es una imagen sensibilizada al frío de una economía que poco a poco retrocedía al cero absoluto-. desobediente. por tanto. correspondencias y otras parafernalias de nuestro cotidiano burocratizado y coordinador de actividades productivas y servicios especializados”1. todo pasó a ser realizado por motocicletas. en 2000 había 374. La amenaza La profesión es nueva. La magnitud de la tragedia es. pues la profesión todavía sufre con la falta de cinco salarios mínimos y 31. 26% de los motociclistas pesquisados son motoboys –de los restantes. Las calles no fueron hechas para las Hace años viene “des-apareciendo” en medio a los carros. encuentra en por el personaje creado. 78 79 . Lo inédito del fenómeno acarreó Un espectro ronda el tránsito – el espectro del motoboy. Según una pesquisa del IBOPE encomendada por el Hoy existen. las motos pesquisa realizada por la CET en la ciudad de São Paulo indicaba que 40% de los eran 2. La mayoría es joven: 59% tiene de 18 a 29 años. En 1996.En el espejo retrovisor ocurrida en la última década del siglo XX. De la naturaleza simbólica de la motocicleta nace el mito del patrón de muchas metrópolis alrededor del mundo. los hospitales públicos. designación no muy popular debido a su carácter excesivamente “materialista”. segregação e cidadania em São Paulo. Según CET en 2006. hubo un aumento de casi 1. pero que no ve números no informan sobre los accidentados que llegan a morir después. con pocas oportunidades de ingresar en acontece en esa construcción cotidiana llamada sociedad. de Alessandra Olivato. a pesar de la persona. el modelo de las calles no es adecuado. de los cuales cerca de 160 mil eran motoboys. reglamentación –ni siquiera su nombre es un consenso: muchos prefieren la denominación de “profesionales motociclistas” en contrapartida con el “profesional del motoflete”. 2000.de 1995 a 2005-. al motoboy le es concedido aprovechó también el cambio del perfil económico de la ciudad de São Paulo. como siempre egresado del sistema público de enseñanza. valores. pero con apenas una vía de visibilidad. cosa de 20 años. Cidade de Muros: crime. Según la misma choferes y peatones en el tránsito: estudio sobre el espacio público y la civilidad en la pesquisa. ese porcentaje llegó a 8. de mayor polo industrial del país frente a otras áreas del estado y frente a la región Los profesionales que arriesgan la vida diariamente cargando documentos. De éstos. pues es su única manera La cultura creada a lo largo del tiempo no absorbe la presencia de las motos de ser visto: personaje que no se ve ni se escucha –más allá del eternamente irritante en medio al tránsito citadino. en aproximadamente Augusto Stiel diez años . Por el capitalismo de cuño liberal en las últimas décadas del siglo pasado.8% del total de vehículos. en casa o en sus muertos diarios. la motocicleta una oportunidad de ganancia e independencia harto atrayente. En la última década [década de 1980]. 25% eran motoboys. según la CET. Según datos de la Companhia de Engenharia e Tráfego . en Brasil. El espejo y el patrón de señalización tampoco son adecuados. dificultades de igual magnitud: los problemas enfrentados en el día a día del tránsito paulistano son prácticamente únicos en el mundo. mucho mayor. Invasor de un espacio restringido. El joven son entonces agrupados en una categoría creada contra su voluntad.5% ruedan de 150 a 200 km por día. pero que se pretende disciplinar. En Brasil.3% de los vehículos. otra ciudad de São Paulo. El motoboy devuelve la imagen que de él se construye. Otros 26% solo tienen de uno a tres años público e civilidade na metrópole paulista” [“Percepción y evaluación de la conducta de de experiencia.CET [Compañía de Ingeniería y Tráfico]. aproximadamente. propietarios por motos: el pavimento no es adecuado. Muchos ya dirigieron motos antes de profesionalizarse y lo que hicieron únicamente fue aliar Los hechos el entretenimiento al trabajo. casi la tesis de maestría defendida en la Facultad de Ciencias Sociales de la USP. El profesional motociclista es producto de intrincadas claxon-.000% en la venta de motos en el país. São Paulo pasa por un proceso rebelde fuera de la ley que patea su propia imagen en el espejo retrovisor de los de tercerización. En 2006 murieron en la ciudad retrovisor de los coches revela la imagen fugaz de un personaje cada vez más 380 motociclistas. Lo que escapa a la un mercado de trabajo en transformación –y que se encogía constantemente expuesto categorización se transforma en caricatura. como un papel que algunos abrazan con placer: el del delincuente sobre ruedas que nada explica Teresa Pires do Rio Caldeira en su libro Cidade de Muros: “Siguiendo el mismo obedece o respeta. aproximadamente 170.

la entrada –o área. al parecer no existe consenso. En el caso de los ser algo que sea fácilmente verificable. Primero. por ejemplo. y reflejan el ordenamiento simbólico de la sociedad. en el cual el consumidor de hoy necesita consecuentemente. que moviliza su infraestructura para cuidar de Permanece la incomodidad de algo que no se explica. atento al otro en el coche. tránsito. Y por cada víctima fatal de un accidente con motocicleta. haciendo más difícil construye casas. La misma Teresa Pires do Rio Caldeira se refiere a la dificultad de establecer cercano. que es nuestro “vagabundo”. el tiempo de quien tiene que llegar antes y salir después. los pasillos exclusivos exprimieron a los automóviles. todos somos ambiciosos en la medida en que consumir es imperativo. o colabora en la refección de un vecino desempleado. De ese modo se cristalizan los tiempos distintos de los distintos ciudadanos. 1997. después. entonces. geografía “política” de la ciudad que circunscribe en un “centro expandido” su gueto 80 81 . Mike Featherstone2 En cuanto a las soluciones para el problema del tránsito en la ciudad y. moviéndose entre los automóviles habitados por quien necesita que Pero los accidentes revelan la dificultad de inserción del motociclista en lo determinadas cosas sean realizadas en determinado tiempo. invisibilidad. como estadística. Sería más importante. El cuarto estrategia global de la industria automovilística de reducir los costos al descentralizar “del fondo”. lo que es agravado por la enredo cotidiano de las novelas policíacas que rellenan la indignación profesional de gran cantidad de motos sin condiciones de uso que transitan por la ciudad. conecta energía clandestinamente. Las motocicletas más sumiso se convierte en bandido para después morir. Las categorías profesionales cuyo discurso se encuentra traspasado por 2 FEATHERSTONE. la convivencia diaria con su calamidad instaurada en el tránsito de la ciudad produce 19 heridos y 6 incapacitados. la a disco. la moto es chocada lateralmente. espacio ése tradicionalmente reservado a los productos de la industria automovilística Tal disposición espacial se encuentra también en los pequeños espacios segregados que impulsó al país desde los “50 años en 5”. El servicial tres son para rescatar a un motociclista herido o muerto. los motoboys representan. tal como la SESC/Estúdio Nobel. pierden su trabajo. más moderno. jerarquías en una sociedad cada vez más democrática y con partes cada vez mayores de la población con acceso al consumo. coche. una amenaza al ordenamiento simbólico de la ciudad. por tanto. perpetuando la noción mágica de que la sociedad consigue funcionar obra local. solamente 7% de los motoboys eran La mayoría de ellos no tiene seguro médico.“de servicio”. muchos dependen de maneras. o sea. optimizando para poder parecer ser. ya es uno de los centros mundiales una sociedad puede convivir con uno de esos espectros rondándoles la civilidad? de amputación de miembros inferiores –una de las áreas del cuerpo más afectadas en las caídas de moto. tener transporte de los millones de periferizados hasta sus centros de trabajo. el costo del ecuación simbólica que no se cierra: no es bandido. por tanto. varios autores hablan hoy de la El problema sociedad industrial como sociedad de consumo por excelencia: de cierto modo. El motoboy es. La mirada el motociclista cae e inmediatamente es atropellado. Trabajar sin aparecer significa habitar el lugar de la producción. Para mantenerse. real posibilidad puede revelar la falta de capacidad de la sociedad para administrar el bienestar. naturaleza: la motocicleta. como incómodo. la aplastante mayoría de los accidentes invisibles sobre la motocicleta se tornan incómodos al desafiar la mirada atenta del fatales ocurre debido a colisiones laterales. él devuelve al espejo de quien lo denomina “bandido”. Varios “invisibles”. son los espacios pensados la producción. pero garantizaron el en categorías sociales previamente definidas. pós-modernismo e identidade. al tiempo que sedimenta la opción de la ciudad por su geografía excluyente. Algo que no se entiende. Por segregados imitan la separación meta-física entre quien toma el autobús y quien usa otro lado. de Juscelino –en verdad. y no de lucros cada vez mayores. Según datos de la CET. un reflejo de la que habitan lo cotidiano. seguro de la moto o seguro de vida. El servicio de rescate del cuerpo primero. pues es trabajador. la De los depósitos de mano de obra barata surge. A la hora de accionar el freno de emergencia. Marx: el motoboy es primero farsa para después convertirse en tragedia. Significa. conductor. que penetra en el espacio que no le pertenece por derecho. escapando así de los sindicatos nativos y del precio de la mano de para esconder. reglamentados en 2000. Se invierte entonces el dicho de de bomberos estima que a cada diez salidas para un atendimiento de emergencia. a través de códigos visuales que lo inserten autobuses. No obstante.así como de un espacio simbólico –los espacios jerarquizados de la sociedad. pertenecer. por ser históricamente segregadas. que es regla en la sociedad desigual. También por pertenecer a las clases sociales tradicionalmente Si se accidentan. Montado en una motocicleta. En verdad. mientras tanto. se ampliaron que acontece en las eternas periferias paulistanas. para el motoboy. amplía habitaciones. un rebelde por imagen de libertad e inconformismo tradicionalmente asociada a la motocicleta. el invasor de un espacio físico –el la fruición. habla del consumo de “marca” o de “actitud”. Los eternos trabajadores cotidiano de la ciudad. De ahí. de varias presentan secuelas para el resto de la vida. gracias redes de solidaridad creadas por las familias o por los vecinos. fuerza todavía más su ingreso en la ciudad al disputar espacio en el tránsito. además de la salud o de un miembro. en detrimento del sistema eso significa ser lo opuesto del “bandido”. En el imaginario nacional motocicletas todavía usan un sistema de freno a lona. sobre todo. ágil como es. generalmente las heridas son graves. pero muere. Por constituir parte de un universo informal. la fatalidad muestran valores diversos para la vida humana: parece que. También el espacio: los pasillos El motoboy gana lo suficiente para poder consumir y. buscando en los países “en desarrollo” el local ideal para la obtención de por sí misma. al contrario del accesibles presentan pocos dispositivos de seguridad. es la solidaridad comunal la que también los accesos de las personas a los bienes de consumo. cuida del una distinción social clara y posibilitando una mayor movilidad dentro del ambiente hijo del vecino que necesita trabajar y no obtuvo plaza en el único jardín de infancia urbano. el motoboy es un trabajador. equipamiento se transfiere al Estado. São Paulo. Como ejemplo de lo al proceso de redemocratización nacional: con la democratización. Muchas los tabloides televisivos diarios. ¿Cómo la víctima. Mike. El Hospital das Clínicas de São Paulo. y no con su empleado sobre la moto. es forzada a ver a quien nunca vio: expuesto. la A pesar de que la muerte es el destino humano. Dado el carácter frágil del cuerpo condicionada. O desmanche da cultura: globalização.

es bachiller en Comunicación Visual por la Fundación Armando Álvares diferentes conforme se aproximan al centro geográfico de la metrópolis. crea y vigila según sus propias normas. manuales. “airbags”. Letras y del tráfico de una ciudad cuyas arterias no soportan más la savia que transportan. La curiosidad del circunscribe al entretenimiento –el período de no-trabajo merecido después de las horas extranjero devuelve imágenes que muchas veces no vemos. En ese momento. expuesto al humo y al hollín. El trabajo “Por el espejo retrovisor” fue motoboy que agiliza servicios y acorta plazos. Unas “prenden”.de civilidad. y posteriormente publicado por la revista de la Asociación en titular de periódico. carrocerías proyectadas para ciudad. al contrario. loka”. o en qué mundo él las fuerzas de la física son absorbidas por el costo de la tecnología de seguridad. mágicamente mostrar quién es. como tantos millones en seguridad. En una ciudad donde las aceras son mosaicos opción posible. comenzar a producir su propia caricatura. El desafío a las leyes puede ser visto como una afirmación. una idea “fuera de lugar”: es lo que se hace aparente en el trato de la valoración de la vida humana. tornándose visible lidiar con lo que se considera “degradante” o peligroso. la tarea de observar y sorprenderse. pues la mirada educada Nacional de los Transportes Públicos (ANTP). en el departamento de Antropología de la Facultad de Filosofía. y trataba sobre los motoboys de la ciudad sale de su rutina invisible. lo que ve o lo que quiere con las imágenes que produce. todo el mundo. resignándose frente a la fatalidad o rebelándose: la muerte en la cola un discurso que viabiliza y refuerza ordenamientos ya previamente establecidos. entonces. con del camino recorrido. del artista plástico catalán Antoni Abad. los propios límites de su concepción transfieren el De la unión entre extranjeros surge la oportunidad de dar al “motoboy” el control riesgo al cuerpo del motociclista. Falta saber en qué mundo vive ese extranjero. en sus principios. La mirada extranjera es aquella que no participa del conjunto de normas específicas fetiche del hombre moderno. que posee índices Augusto Stiel Neto. por mensejeria puede mostrar lo que ve de la manera como lo siente. igualdad Penteado (FAAP) y bachiller en Ciencias Sociales por la Universidad de São Paulo (USP). Se convierte de São Paulo. La naturaleza de la motocicleta es otra –de ahí su sobre las que momentáneamente pasa la vista. Sobre el motoboy incide la mirada que busca encajarse en un sistema. esos carapachos herméticos de comodidad regulada. en el Centro Cultural São Paulo. garantizan una sensación de debería cumplir su misión civilizadora y retornar al gueto. En el “centro expandido”. El motoboy. Accesorio indispensable por ser ese punto. En piensa vivir. Por eso el extranjero reglamentarias u otro tipo cualquiera de regulación-. y ahí queda la sorpresa de lo inusitado.. etc. La sociedad que opera como “por encanto”. 82 83 . de un puesto médico o en la esquina de una avenida se transforma en hecho de vida. los arrebatos de originalidad. en cinturones luminosos. para no ver. invisible. pues con su mirada desestabiliza toda una construcción social. distanciándose de la suciedad social. y autosuficiencia se unen para decir que conciencia y democracia no se separan. sino que. El turista descubre lo que el nativo apelo no conformista. Este riesgo físico queda pues en manos de quien a él de su discurso. ser el heredero del antiguo botones. lo que y del sudor. Se llega. Aquí. Las leyes son hechas para él. comienza a ser percibido. sin ofrecer oportunidad alguna al Quien se percibe excluido de esa parcela de civilización puede optar por no compartir observado. Es el individuo que no debería aparecer allí. la motocicleta en no ve. separándose cada vez más de su origen y. manifestando el orgullo provoca la injerencia en las cosas más básicas. al uniforme. el motoboy es el extranjero eternamente presente en el tránsito de la cada vez más elevado. Pero como el sujeto del ordenamiento social. El individuo bajo el casco de “motociclista” puede más bajas de la pirámide. además de la única Otras simplemente desaparecen. el nuevo personaje cotidiano que ronda el tránsito pues ese “encanto” está asegurado por la mirada que ignora violentamente a quien en su moto puede. El Ciencias Humanas de la Universidad de São Paulo. a la ciudadanía es una expresión de un consenso. Tales tipos de actividad fueron continuamente rebajadas. siendo seleccionado para participar en el proyecto del Núcleo de Antropología Urbana de esa misma institución. Su trabajo lo obliga a relacionarse continuamente motoboy no es un problema de reglas de tránsito. puede ser peligroso. La civilización del trabajo intelectual tiene como tradición rechazar las tareas la noción de “público” y “privado” refleja la quiebra de un proyecto unitario en el cual musculares. la muerte gana notoriedad. sigue el rumbo de la mirada. al sudor y a la suciedad –que Corresponde pues a la mirada deseducada. Capturando las imágenes de su cotidiano. El motoboy accidentado aparece en los noticieros gracias al agravamiento realizado en 2002. diariamente deformarse bajo impacto. finalmente. sino de organización social. como en el caso de innumerables trabajos esenciales a la sociedad que. Más allá de funcionando sin producir detritus de cualquier especie. inclusive a altas velocidades. solo consigue alcanzar tal efecto. atrasa la rutina de la ciudad cuando realizado en colaboración con otros dos alumnos. que domaba a la publicación de lo privado invierten relaciones y solapan la posibilidad de un pacto naturaleza y la sobrepujaba –colocándola a su servicio-. Y con la historia. pues se encaja en otro sistema de valores simbólico –o no encuentra lugar tanto vehículo para el ocio es distinta de la motocicleta para el trabajo: la sociedad definido para encajarse. Gracias a tal parafernalia. El creciente nivel tecnológico permitió que los automóviles asumieran un riesgo En ese sentido. Se transforma en caricatura trágica. son reservados a las clases más allá de la mera estadística. el caso de las motos. La privatización de lo público y la medida que el proceso histórico fue tomando el rumbo del intelecto. desajustados de la privacidad de cada inmueble que invade el espacio de las calles. no penetra en los automóviles. Participó como invitado en el proyecto canal*MOTOBOY. el “profesional de la se sujeta. para que el motoboy sea visto. otras se transforman en moneda a pesar de las promesas –o un slogan que habla de la opción por ser outsider: “vida de cambio entre los representantes del poder y quienes a él deben someterse. el acceso a las comodidades y oportunidades es demasiado restringido. aunque sea por la fuerza de en 2007. cuyo ideal de igualdad de derechos es apenas retórica. está al final de una compleja cadena productiva: él es el responsable por la mundialmente aceptado como eficaz. lidia con lo indeseable –acto agravado en una sociedad históricamente segregada. en caso de colisión. con las calles y avenidas. De ahí la creación de más leyes para tratar de normatizar lo caótico. choca con la cuestión de que la invisibilidad del última tuerca de una gran máquina. así. Esta participación fue fruto de un trabajo académico los números. nuevos materiales. Frenos “ABS”.

propongo ese tipo es mostrado no es el espacio artístico. en que descubrí que proyecto. de las operadoras. ¿Por qué un artista es autorizado de dinámicas sociales existentes para la esfera institucional. que aparecen en los medios de comunicación siempre por su imagen negativa. modelar el dispositivo. ya puedo partir para el próximo colectivo. ANTONI: Mi inicio fue como escultor. es llamado “instalación”. mi hermano. y.net vez que sepan cómo usarlo. Después comencé a trabajar con los panamericano. crearon forma que no se podían interceptar las comunicaciones de sus usuarios. normalmente. Eso pasó porque allá tuve la oportunidad porcentajes. que fue el primer proyecto.zexe. No obstante. Es ésa la dirección de mi trabajo en ANTONI: En esos proyectos. El espacio donde ese proyecto invitaciones para realizar proyectos de instituciones artísticas. ¿Cómo entiende usted trabajo tomaría otra dirección… Tenía que hacer lo posible para modelar redes como el proceso de traducción o apropiación de esas dinámicas en el espacio institucional? Internet y la red de celulares. en São Paulo. y salí con cintas de vídeo y también con mi primera dirección para dar continuidad a sus canales. por otro. usted mantiene algún contacto con los colectivos? Spricigo en 15 de mayo de 2007. 84 85 . Ellos necesitan de una instalación. Entonces. los últimos 5 años. en primer lugar. en Canadá. hacia un territorio que me parece mucho MOTOBOYS TRANSMITEN DE MÓVILES más cercano a la sociedad. y todavía instituciones para patrocinar esos proyectos. más social. los motoboys. y una www. Tengo la posibilidad un lado un proyecto que critica a los medios de comunicación. pero también mediar la se organice y comience a hablar. Éso. por parte de la institución. tenemos también la reconversión tengo. realizada por Vinícius espacio expositivo. al CENTRO CULTURAL SÃO PAULO final. Enseñar a esos colectivos cómo usar las herramientas. Los taxistas de México. Pero eso es ya VINÍCIUS: ¿Cómo usted entiende ese abandono de las obras de arte y la tentativa otra cosa: una cuestión de amistad. Pero también tenemos a los dos grupos de gitanos de correo electrónico en Internet… Eso produjo un cambio… Estuve casi diez años que ya participaron del proyecto en España y también a las prostitutas de Madrid. del mundo de las compañías. siempre me he VINÍCIUS: Antoni. que pretende tener un ámbito un dispositivo concebido para poder conspirar. Una vez que se consigue que ese colectivo condiciones para que esos individuos tengan voz propia. ¿cuál sería su papel en esos proyectos? ¿Crear sus preocupaciones o de su día a día. y con todos esos colectivos que ya transmitieron a www. pero que. hasta que finalmente hice un proyecto con una mosca virtual que vivía de las personas de Barcelona con movilidad reducida. que escondía a una comunidad distribuida de tal para continuar el proyecto. Es relación entre los colectivos y la esfera institucional? en ese momento cuando aparecen los medios de comunicación y entrevistan a los ANTONI: Lo que estoy haciendo consiste en desviar recursos que fueron participantes. cuando recibo tiempo. Y finalmente encontramos a algunos podía aplicar esa combinatoria que utilizaba en las esculturas para transferir todas que no hacen nada o que sólo fueron para conseguir un móvil gratis. La composición de hasta el inicio de la colaboración con los “colectivos”. VINÍCIUS: ¿Después del momento de la presentación de los proyectos en el Entrevista con Antoni Abad para el Forum Permanente. Tenemos por colectivos consigan autorepresentarse a través de la tecnología. de reencuentro con lo real? VINÍCIUS: Me parece que por un lado tenemos el “desvío de recursos” de las ANTONI: Creo que esa decisión parte de una decepción que tuve. Entre un 10 y un 15% se interesan e implican mucho en el llegó un momento. Naturalmente. una de acceder a esa tecnología. por ejemplo. Es entonces cuando se consigue que destinados al arte y a la cultura hacia otro territorio. para mí el mayor éxito comienza cuando termina ese patrocinio que viene del 12 DE MAYO A 10 DE JUNIO DE 2007 mundo del arte. Del otro lado.net organizaron. la primera labor es conseguir que esos colectivos. háblenos un poco de su trayectoria artística encontrado con grupos humanos que responden a ciertas pautas. para que fueran útiles a otros colectivos que así quizás conseguirían tener la oportunidad de expresarse. se representen a sí mismos. cuando estuve en el Banff Centre. Quizás podría decir que llegué con herramientas de vez finalizada la parte “artística” del proyecto. también el papel de facilitador o mediador.canal*MOTOBOY un principio estaba prevista para el arte. Un 30 o 40% que publican regularmente. Mi relación posterior con esos grupos es esporádica.zexe. Trabajé muchos años con escultura. pero en una clase de una escuela. necesita de esos medios para ser difundido. Mi papel consiste por un lado en desviar esa financiación que en una mesa de reuniones donde los motoboys se encuentran una vez por semana. De entre esos esas ideas al territorio del vídeo proyectado. Algunos de los participantes se organizaron escultor o de relojero. en las que hablan de VINÍCIUS: En ese sentido. que generen sus propias noticias. Se trataba de la Fundación Latinoamericana del Transporte Público. en la cual éstas ganan a comentar su sociedad? ¿Por cuál motivo? Sin respuesta para esa pregunta mi visibilidad en un espacio del que. en el cual ciertos esos canales sean vistos por el mayor número posible de personas. es mucho más importante obtener difusión. ANTONI: En los siete proyectos realizados hasta la fecha. en este caso. que trabajando en esos proyectos de proyecciones en el espacio y también con programas consideraron que ya habían dicho todo lo que tenían que decir. crearon una asociación específica en el ordenador de los usuarios. en el caso de informática. ocurrirá lo mismo con Ronaldo o con Luis. Porque. los que representan el 10 o 15% son aquellos que quieren continuar. estarían excluidas. si voy a México me encontraré otra vez con Don Facundo. sobre la función del artista en la sociedad. no es el Centro Cultural… aquí sólo tenemos de experiencias. los grupos responde a los niveles de participación que suelen encontrarse. porque ellos ya se móviles e Internet. al mismo de hacer esto porque tengo una trayectoria como artista. y el colectivo decide organizarse para dar continuidad al proyecto.

¿Cómo para hacer un proyecto. los autores son los motoboys. Así llegamos a la los medios masivos de comunicación. con y cierto modelo de sociabilidad predefinido. que no permite con cuatro ramificaciones importantes: seres. por ejemplo.que sería importante motoboys tengan una representación de su propia comunidad sin pasar por el filtro de describir esas publicaciones. Tenemos por otro lado canales de interpretación. diseño. Eso que otros segmentos de la sociedad expresen su percepción de esa representación. como el dispositivo. ya que todos los participantes del trabajo la posición de los mensajes. sino que son los propios motoboys comentario negativo. esos tags. donde las personas se pueden interrelacionar. Los canales que estamos llevando a cabo en el canal*MOTOBOY. digamos artística. diálogo y negociación en la construcción de esas espacio. la apertura no estaría reducida al comentario se refirió a la apropiación. Hasta ahora. Como decía hace algunos invitadas a participar mediante una interpretación de esos contenidos. extrañamente. por lo que percibí. es hecha por las propias comunidades. Vale decir que. Eugenio Tisselli. etc. por ejemplo. mi autoría está en En principio. Entonces. pero creo que. hubo dos visitantes. o sea. el proyecto. prácticamente no existe. Hasta ahora tenemos unas individuales de los motoboys pueden ser abiertos también. Cuando ANTONI: Sí. lo permite. y ahora esos que tenemos es un forum abierto. que serviría para clasificar las actividades humanas en un diccionario el broadcasting de los registros de la realidad cotidiana de los colectivos. hay que divulgarlo. No había espacio para “el otro”. Cuando usted afirma que esas herramientas de comunicación permiten que los principalmente. Porque creo VINÍCIUS: La última pregunta. esas palabras clave. y los programadores. un cantaor que ya murió. De alguna manera. hubo una preocupación con el VINÍCIUS: Estoy pensando en el espacio institucional en un sentido más amplio. al final. digamos estética. Eso implica un www. Esos son canales de interpretación donde otras personas podrían ser ANTONI: Creo que lo importante es abrir ese espacio. Vamos a pensar en los trabajos que quedaron estigmatizados por la estética relacional. el trabajo reafirma el lugar de exclusión de esos sujetos. Si es que es una autoría. usted puede escoger una palabra que describa esa imagen. también sobre el lado tecnológico es: el portal del que el Centro Cultural São Paulo. más preciso. Ni Eugenio Tisselli. objetos. a todos los motoboys. clasificar esas visiones. sería mejor. hay que ceder. creo que es el momento en que los motoboys vimos que algunas de las publicaciones de los taxistas de Ciudad de México podían comienzan a interactuar con el resto de la sociedad. si se consigue que los motoboys hablen por sí mismos. naturalmente. Cuando se publica una foto. Es necesario hacer éso para que el proyecto sea viable. nunca invitaría a doce motoboys proyecto zexe. 86 87 . ni yo pertenecían a la comunidad artística. les permitiría a los usuarios del dispositivo hacer sus pesquisas de acuerdo con ese diccionario. enfocada en la antropología. el espacio creado por esa tenemos la posibilidad de editar esos contenidos. el programador del proyecto. El proyecto tiene lugar en Internet. lo de esa comunidad. espacios y actividades. en un ámbito que sobrepasa el ser crípticas. Al final se acaba construyendo un escribir su comentario. minutos. ciertamente se trata de un aspecto positivo. por ejemplo. en los dos canales de los gitanos los que envían esas palabras clave en sus mensajes. Hoy vimos en la “instalación” que solamente sin embargo la mayoría prefirieron tener sus canales “cerrados”. Y creímos -digo creímos porque eso fue conversado. con la posibilidad de escribir sus comentarios sobre uno de los descriptores que más aparecieron fue Camaron. Eso quiere decir que la representación. una de las críticas realizadas a esos alguna posibilidad de edición realizada por los propios motoboys. por tanto. así que decidimos cambiar totalmente el dispositivo. del colectivo emisor. Sin construcción de un sistema que partía de ciertas clasificaciones de la sociología o de embargo. también colaborador del proyecto. tenemos una frase que de los contenidos transmitidos por los colectivos? dice: proyecto de Antoni Abad. Pero. Consideramos entonces que de alguna manera sería interesante VINÍCIUS: Vamos a tomar un aspecto tecnológico para ampliar esa cuestión.zexe. hace poco. porque cuando envían una imagen tienen que que otras personas puedan intervenir en él. Tenemos un forum abierto para la participación de todas experimentaron por primera vez esa posibilidad los gitanos de Lleida.pero el proyecto sucede en Internet. cuando estábamos junto con Augusto Stiel Neto. descriptores. en el VINÍCIUS: ¿Existe. Ofrecí esa posibilidad. Es uno de los experimentos tuvimos muchas intervenciones que atacaban a la comunidad. ¿cuál es el papel de ustedes en ese celulares e Internet es mi única autoría. Usted también representaciones? ¿Para el espectador. principalmente en el proyecto de los motoboys.net. dentro de la terminología de ochenta palabras clave que “describen” los mensajes publicados. También existe otra posibilidad. Resultarían difíciles de entender porque utilizan lenguajes específicos corredor donde circulan los motoboys. en los cuales algunos artistas proponían una arquitectura específica ANTONI: Los emisores publican directamente del móvil en sus canales. En fin. veo que. Las posibilidades trabajos versaba sobre la creación exclusiva de espacios de consenso y nunca un espacio de edición son muy simples: sólo se puede agregar más texto y borrar o cambiar de disenso. definir el contenido de esas imágenes. con el programador del proyecto. no existe ningún equipo que describa las imágenes a posteriori. de edición y del contenido? Por último. pues son publicados en directo arquitectura de la información solamente permite el acceso a los individuos que pertenecen desde los móviles. Cuando se abre al resto de la sociedad. Usted. porque a partir del primer proyecto en México. proceso de integración de los resultados. ¿Existe una preocupación. En las invitaciones del proyecto.net integra todos los resultados de esos diferentes proyectos. como usted vio a esas comunidades. en el sentido de proyectar una que abarque también esa arquitectura de la información que usted ofrece ya como algo forma de visibilidad a los colectivos? preformatado. No existe un Ya recibimos muchos comentarios. Tenemos todos esos canales individuales donde los motoboys están bien conocido en todo el mundo. ¿sabe lo que quiero decir? Esa combinación de arquitectura entre los responsable del proyecto. aunque también pensamos que quizás podría ser muy rígido. un canal abierto significa que existe la posibilidad de abrir el canal para esfuerzo intelectual de los emisores. a veces. Hay que hacer algunas usted ve esa tarea más allá del registro. la única cosa que yo cuestionaría sería la estructura del proyecto. Ese descriptor era alguien especial y bien específico broadcasting -o webcasting. propiamente de la edición de ese contenido? concesiones. a final de cuentas. son totalmente libres. pero tampoco queda claro qué son los doce motoboys participantes. las personas que visitan la web.

todavía sin móvil. 1ª Bienal de Sevilla 2004. porque el mundo de hoy tiene Museo de Arte Moderno de Buenos Aires 1999. que muestren muchas cosas erradas de la calle. Solo que para eso tenemos que Sus proyectos han sido presentados en el Espacio Uno/Centro de Arte Reina Sofía. Estrecho dudoso: Tráficos. mal intencionada. Si alguien tiene la vistos y se ven. autorepresenten. Para responder a esa otra pregunta. vive en Barcelona. Centro Cultural de España. del fotógrafo dentro de cada motoboy. pero que son lo más simples posible. Como también para desarrollar la informática. Queremos personas de responsabilidad. Rica 2006. Y creo que es todo comunidad? eso y un poco más. Que las personas puedan conocer mejor nuestra vida. donde sus actores son grande. San José de Costa Cleyton Pedro Perroni: Llegué al Proyecto a través de un amigo mío. surgiendo de Cataluña i el Golden Nica Digital Communities del Prix Ars Electronica de Linz. el canal*MOTOBOY es un instrumento de comunicación entre la sociedad y los motoboys. con una cámara bien Keila Muniz dos Santos: Un instrumento de visibilidad. Beiço. aunque se posibilidad de representar esa favela son sus propios habitantes. y una comunidad con serias necesidades de hay algunas decisiones estéticas. Y aquí en el canal*MOTOBOY no es eso lo Museum of Contemporary Art. Karlsruhe 1999. y que todo el mundo pueda prestigiarlo. Media Lounge/New lo que le interesa mismo es el dinero. volviendo a la cuestión de la institución. fuerza de voluntad de cada uno de los motoqueros. Barcelona 2006. nacido en Lleida 1956. y una presentación de sí para la amistades. personas que trabajen bien. Veremos lo que pasa. Estamos necesitando. pero ZKM’net_condition. en cosas una persona. expresión. Antoni Abad. Contemporani de Barcelona 2003. pero el ejemplo podría ser: sincero. Fundación Teorética. de un empujoncito más para engranar la Antoni Abad. nuestro trabajo honesto. Berlin 2002. o trata de ir por ahí. imagino. lo más simple posible. No lo sé. como “accidente”. Eso es también una representación para la difusión… Imagino que es algo que viene Eliezer Muniz dos Santos: El canal*MOTOBOY es una idea. soy uno de los miembros del canal*MOTOBOY. O sea. en verdad. él me dijo que era un Proyecto que mostraba el día a día del motoquero. Lo que sigue esa información. en este caso un artista. P. y se fue abriendo espacio. “tránsito”.1. fotografía de una construcción precaria en una favela de Rio.zexe.net 88 89 . que juntó la posibilidad de apertura. mostrar el día a día del motoquero. es necesario divulgar… y en eso las nuevas medias tienen de mejor./MOMA. Madrid 1997. pero me fue gustando y hoy estoy aquí. VINÍCIUS: Para terminar. Centre d’Art Santa Mònica.diccionario de términos que. la primera idea que creo se podría tener de un motoboy. VINÍCIUS: Gracias. El proyecto canal*ACCESSIBLE que ya tenía contacto con el artista español. que está creciendo mucho.S. y empezamos a conversar en el Centre d’Art Santa Mònica ha recibido el Premio Nacional de Artes Visuales de la Generalitat bastante. La Casa Encendida. un poquito. Ronaldo. MECAD/ mucha gente mala. Entre los meses de septiembre y octubre de 2007 se llevaron a Esos términos que ellos están usando no son más de ochenta hasta ahora. Austria 2006: así el Canal. y algunos cabo conversaciones con distintos participantes y colaboradores ocupan un lugar bien alto en el ranking. Me interesé bastante y vine. lo que que sirven para divulgar la experiencia. vamos a ver. Y también una forma de hacer más una postura activa de crear un sentido para sí. Pasé varias semanas solo participando. Brasil 2007 y en internet. que trata de representar el dispositivo -en este caso. Centre d’Art La Panera. Centro Cultural Sao Paulo. saber escoger a algunas personas para poder trabajar. Franscisco Djalma Souza: Cuando fui invitado por mi cuñado. para la identificación de las publicaciones en adhesivos. ¿Usted cree entonces que los individuos cada vez más están dejando de delegar en la institución Andrea Sadocco Giannini: El canal*MOTOBOY (creo que sea) es un canal para y en los artistas el papel de su representación. Estamos aquí para aprender un ANTONI: Creo que sí. En definitiva. a reunirnos con varios motoqueros. sea capaz de generar conocimiento colectivo. Que todo el mundo pueda conocer el cuando llego a una sala de exposiciones y veo un Cibachrhome perfecto de una día a día del motoboy. hacer esa foto y después reproducir belleza. New York 2001. Una creación de de la publicidad. El artista tuvo el coraje de llegar hasta allí. que el objetivo sería ése: que los propios colectivos se poco más y cada día desarrollar un poco más. que a veces quiere entrar en una cosa. Su día a día. Lleida 2005. Madrid 2005. un casco bien simple. el lado de las fotos. ¿Cómo conoció el Proyecto? ANTONI: Gracias a usted. a partir de palabras claves del dispositivo o de sus publicaciones. www. se perciben y son percibidos. Hamburger Banhof. Y por donde quiera que voy trato de pasar a otros motoboys lo que estamos aprendiendo en la calle. Museu d’Art que queremos. en todos los canales hay más o menos un logo. Se identifican en sus pares. es una selección de algunas de sus consideraciones. pienso: ¿qué es éso? ¿qué quiere decir?. a participar de este Proyecto. La cosa va por ahí… comuniquen poco entre sí. y están ellos mismos asumiendo mostrar la vida de los motoboys. pero de cualquier manera serían ellos mismos los que editarían u organizarían del canal*MOTOBOY en el Centro Cultural São Paulo. quizás. ¿Adonde nos llevará eso?. un ¿Qué es el canal*MOTOBOY? casco-. Museo de Arte ¡porque las hay! Contemporáneo de Castilla y León 2005. New York 2003. Y aprender. Dapertutto La Biennale di Venezia 1999. ¿verdad?. y muchos de ellos ya se interesaron por el Proyecto. México DF 2004. 2ª Bienal Iberoamericana de Lima 1999.

Adriana Maria de Oliveira: La posibilidad de legalizar a los motoqueros. y todo acaba juntándose. Espacios del ayuntamiento. en qué se transformaría ese grupo después de la muestra. celulares pertenecen a ellos. creía que la profesión era solo un medio de sobrevivir. importante. en la dinámica de las reuniones. terminé por asumir la responsabilidad sobre el grupo. una misión. cosa. y puedo decir que participo de ella. participando de las reuniones. antropólogos. vi que tiene mucha gastronomía. Entonces ellos pueden También lo hacemos de nuestro día a día. De ellos demuestran que están creciendo dentro del Canal. Tener más patrocinadores. los motoboys. no estamos parados o estancados. También nosotros tenemos que ver a quien está pilotando. y esto significaba hacer participantes? ¿En caso afirmativo. también Ronaldo. una dice una estas cosas que estoy conociendo. lo que pasa. si está organizada. como una facultad. bien que mi intención no es mostrar accidentes. porque hasta hace un tiempo no tenía convivencia ¿Qué usted mejoraría o cambiaría en el canal*MOTOBOY? con sociólogos. Podemos São Paulo el Canal está comenzando a influenciar a cada uno de los que estamos hablar sobre el clima. clubes. Eliezer Muniz dos Santos: Es difícil de decir… Bien. los móviles y el sitio ya lo teníamos. la verdad. si eso está siendo trataba de definir lo que haríamos a partir de ahí. Para mí fue muy bueno. ahora se de ellos. o sea. peatones que pagan pasaje y sufren el embotellamiento. móviles. También oírnos entonces para mí fue una experiencia buena. como tenía una larga experiencia sobre la historia de luchas de la Categoría. si está sucia. hay que captar los unos a los otros. Porque de lo contrario es existe un grupo de motoqueros. comunidad de la periferia. Nosotros viajamos por todo São Paulo. todo. y ellos tienen el derecho sagrado de organizarse como estar al lado de ellos. varias cosas que no conocemos. sobre la ciudad. y después que el artista volvió conductores. lo que podemos aprovechar. Hay que delegar funciones. la belleza de la ciudad. ¿Este colectivo es una mostrar a la gente la categoría de los motoqueros. pero no. comunidad? ¿De qué tipo? Ronaldo Simão da Costa: Sí. es la de los Profesionales Motociclistas. Es importante tener experiencia. la amistad del Canal. Nunca existió una iniciativa de esas. Andrea Sadocco Giannini: Creo que sí. todo eso. Si alguien tiene una oportunidad. entonces que es la amistad. importancia para todo el pueblo de São Paulo. otra tiene que oír lo que la otra está diciendo. el Condumoto (licencia dada por el Ayuntamiento) y los apoyo al grupo en aquel momento. y nunca había entrado en lugares como el Centro Cultural São Paulo. tiene que haber comprensión. No solo los motoqueros. motogirls y hasta complicado. al principio fui contratado ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY podría contar con un número mayor de por el artista para ser el Comisario Adjunto del proyecto. si de verdad está interesado en 90 91 . En segundo lugar. un a España. No mínimo de experiencia como motoboys? obstante. pues ¿Su participación tuvo influencia en su cotidiano profesional y particular? esas personas trabajan todos los días con grandes responsabilidades. O sea. culinaria. Cada uno tiene que saber lo que hace y tiene deliverys que se reúnen semanalmente para discutir los problemas de la Categoría. si está desorganizada. La moto. cursos.¿Por qué se interesó en participar en el canal*MOTOBOY? Eso es inusitado en la historia de esta clase de trabajadores. Al final. ¿usted entiende? Tanto accidente –si Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Con certeza. canal*MOTOBOY. mucha gente inteligente. sino también acabé involucrándome. sí. Claro que tuvimos estrés. Y que las personas estén unidas. Eso fue lo que me incentivó más a comunidad? De serlo. que nació dentro del participar en el canal*MOTOBOY. tal opinión Edison Cordeiro da Silva: Ah sí. Creo que mucha gente podría participar. es más o menos así. que es la familia. tiene mucho que ver con nosotros. lo bueno es verlo en las reuniones. taxistas. Y notamos. informar y ayudar. pero mejoraría en el sentido Eliezer Muniz dos Santos: Puedo decir con toda certeza que hoy en São Paulo de delegar algunas funciones para que podamos trabajar. Luiz Fernando Bicchioni: Yo no cambiaría nada. tener más motoqueros trasmitiendo de los de nombre. Y no era solo yo. de vida a toda hora –como yo corro riesgo de vida en el tránsito. Tuvimos que rompernos mucho la cabeza hasta que el vale estudiar ingeniería y después ir a montar las carreteras y autopistas a la manera grupo encontrara una dirección. contacto con personas de las que solo oía hablar Adriana Maria de Oliveira: Bueno. una manera buena y fácil para las personas que están metidas en el tránsito. si está bien vigilada por la policía. los nuevos participantes deben tener un la coordinación de los Debates y Filmes que pasarían junto con la exposición. el motoquero que coordinaba que los gobernantes o las personas que hacen las leyes de tránsito vean que de nada la logística de los motoboys. Luiz Fernando Bicchioni: Desde luego. mi interés fue en primer lugar el de dar en esta historia. y hay muchas cosas en São Paulo que nosotros desconocemos. Una tiene una opinión. Tuve otra visión de la profesión. trabajando. traer informaciones. escuelas. la apoyo y vamos hasta el fin Keila Muniz dos Santos: Como psicóloga. Es muy importante. con certeza. que aquí en conocemos toda la Gran São Paulo. sería una ventana para muchos problemas. que disponer un poquito de su horario para participar. esa comunidad que con esta aquí da resultado. Porque no solo hacemos fotos de la calle. sino mostrar monumentos. si hay CET… El motoboy puede ver muchas cosas. corriendo riesgo Cleyton Pedro Perroni: Bastante. mensajeros y ex mensajeros. por ejemplo. las personas tienen que oírse. ¿usted entiende? ¿Usted diría que el canal*MOTOBOY le dio oportunidad de integrarse a una Entonces tenemos que tratar de informarnos mejor. en la construcción de algo que ellos considerasen bien entiendan y nadie tiene nada que ver con eso.

qué fue lo que aprendí: no se tira fotos solo de las calles. de un accidente. Porque a veces estamos filmando algo en flagrante y tenemos que parar y perdemos veinte segundos preciosos para almacenar y captar nuevamente. Todo. Es infinito: cosas buenas. a partir del momento en que se trabaja con fotocelulares. Cleyton Pedro Perroni: Mire. y junto con nuestro Proyecto se estaban realizando otras exposiciones en ese período. y creo que eso podríamos cambiarlo. así la mayoría de las entrevistas no sería hecha por motoqueros. Lo que está afectando a nuestro mundo. yo no sé si el día a día del motoquero es una cultura. que existe un edificio de ésos. Hasta del día a día de una persona que vive en un apartamento cerrado somos capaces de tirar fotos. O sea. Entonces son cosas que uno ni imagina. como ya había dicho. está naciendo ahora. nosotros estamos tratando de mostrar las cosas que el motoquero hace. Muchos lugares en los que ni imaginaríamos entrar. cosa que ni imaginábamos que existiera. Mi idea para mejorar el sitio es así: que las filmaciones tengan un aparato que grave más tiempo. Descubrí que el Centro Cultural tiene una biblioteca inmensa. aprendí muchas cosas. Entonces es una oportunidad de conocernos. Edison Cordeiro da Silva: Una de las causas que estamos discutiendo ahora es la del medio ambiente. de una persona. Cuando entré en el canal*MOTOBOY. Porque vamos a ver desde arriba lo que ocurre. todo. Por ese motivo para mí fue una cosa buena. lo digo. pero para mí sí es un proyecto cultural. y hay que tener unos adhesivos. como ya dije. a ver. y si delegamos funciones. tendríamos a un periodista. Más de nueve segundos. a menos que fuera para prestar un servicio. de un río. creo que cambiaría el sitio. todavía hay mucha cosa para mejorar. Edison Cordeiro da Silva: Estoy aquí para cualquier cosa que haya que mejorar. Entonces. en la Acción Educativa. otras formas de ayudar al mundo. Para cambiar. ¿Qué otra utilidad usted le daría a un proyecto como éste? Tadeu Luiz dos Santos Scabio: Me asociaría a otros proyectos que ayudarían al medio ambiente. Y una de las cosas fue ésa. Creo que antes yo no pensaba en eso. Entonces es una cosa que descubrimos a cada día. cosas malas. por ejemplo. Porque hoy en día nadie está preocupado con eso. El Canal es como un niño.el canal. sino de varias cosas: de un hueco. hoy en día la informatización mejoró muchas cosas. Y hoy en día cuando veo algo errado. Franscisco Djalma Souza: Creo que sí es un proyecto cultural. Porque. primero en el Centro Cultural São Paulo y ahora aquí. Colocar un poco más de tiempo. se tiene un envío inmediato. sino por él. ¿Usted cree que el canal*MOTOBOY es un proyecto? ¿Por qué? Ronaldo Simão da Costa: Creo que es un proyecto cultural porque vincula a todo tipo de personas. Siempre pasamos por la avenida 23 de Maio y nunca miramos hacia allá. 92 .

Embaixada da Espanha no Brasil Embaixador Ricardo Peidró Conselheiro de Cultura e Cooperação Juan Villar Centro Cultural da Espanha em São Paulo Diretora Ana Tomé Prefeitura da Cidade de São Paulo Prefeito Gilberto Kassab Secretaria de Cultura Secretário Carlos Augusto Calil Centro Cultural São Paulo Diretor Martin Grossmann Catálogo Edição Centro Cultural da Espanha em São Paulo – Agência Espanhola de Cooperação Internacional Coordenação Antoni Abad Carla Ogawa Iván Ortiz Idealização e direção do projeto canal*MOTOBOY Antoni Abad Curador adjunto Eliezer Muniz Concepção gráfica Antoni Abad Tratamento de imagens e finalização Grupo Elefante Revisão Ceci Agostinho Tradução do português Idália Morejón .

entre o público e o privado Martin Grossmann Gerald Kogler Inês Raphaelian Textos Juan Antonio Montiel Alberto López Cuenca Karla Brunet Augusto Stiel Marta Rincón Eliezer Muniz Regina Silveira Roc Parés Sergi Botella Entrevistas Vinicius Spricigo Vinicius Spricigo Documentário Exposição Centro Cultural São Paulo Glória Martí Projeto Antoni Abad 2007 Ciências Sociais Augusto Stiel Neto Equipe CCSP Inês Raphaelian Organização Monica Caldiron Centro Cultural da Espanha em São Paulo / AECI Henrique Siqueira Centro Cultural São Paulo Durval Lara Douglas Freitas Apoio João Mussolin Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior de España. SEACEX Embaixada da Espanha no Brasil Programação Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo Eugênio Tisselli Residência Artística Lutetia. Matheus Fernandes de Castro Tradução do espanhol Renato Roque de Loreto Junior Luisa Fioravanti Ronaldo Simão da Costa Tadeu Ferreira dos Anjos Fotografias Tadeu Luiz dos Santos Scabio Motoboys participantes do canal*MOTOBOY Agradecimentos Texto de Introdução Ana Tomé Ana Tomé Alex Pilis Inês Raphaelian Fórum Permanente: Museus de Arte. Fundação Armando Álvares Penteado Rede de telecentros da Prefeitura da Cidade de São Paulo Coordenação Ronaldo Simão da Costa Eliezer Muniz Motoboys Adriana Maria de Oliveira Anderson do Prado Gil Alexandre Aparecido Olimpio dos Santos Alexandro de Moraes Lima Andrea Sadocco Giannini Cleyton Pedro Perroni Edison Cordeiro da Silva Eliezer Muniz Francisco Djalma Souza Luiz Fernando Bicchioni .