VIOLAÇÕES À

LIBERDADE DE
EXPRESSÃO
R E L AT Ó R I O A N U A L 2 0 1 6

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão

Ed. Via Esplanada • SAF/SUL • Qd. 02 • Bl. D • Sala 101 • Asa Sul • Brasília-DF • CEP: 70070-600

Fone: (61) 2104-4600

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© 2016 ABERT ON EL O U ERIOR 201 201

Realização
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT CÂMARA DE RÁDIO:

Pesquisa Acácio Luiz Costa Francisco Paes de Barros
Fernando Dias Alfredo Raymundo Filho Lúcia Garofalo
Milena Tomazini Marcelo Soares Luiz Nicolaewsky
Tainá Farfan Emanuel Soares Carneiro Carlos Rubens Doné
José Inácio Gennari Pizani Rafael Pizani
Luiz Guilherme Albuquerque João Carlos Romanini
Análise
Marcelo Carvalho Roberto Cervo
Cristiano Lobato Flores Marise Westphal Hartke Mayrinck Pinto de Aguiar Júnior
Teresa Azevedo Orlando José Zovico Ricardo Zovico
Paulo Machado de Carvalho Neto Paulo Fernandes
Redação e Edição Vicente Jorge Rodrigues Rodrigo Neves
Teresa Azevedo Walter Vieira Ceneviva

Projeto Gráfico e Editoração
Frisson Comunicação

CÂMARA DE TELEVISÃO:
Qualquer parte desta revista pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
Antônio Carlos Magalhães Júnior Raimundo Moreira
Daniel Pimentel Slaviero Geraldo Teixeira da Costa Neto
Disponível também em: <http://www.abert.org.br> Eduardo Carlos Fernando Eugênio
Jaime Câmara Júnior Antônio Coutinho
Jaime Machado da Ponte Filho Ricardo Nibon
João Monteiro de Barros Neto Pe. Josafa Moraes
José Roberto Maluf Luis Fernando Taranto
Nelson Pacheco Sirotsky Fernando Di Gênio
Otávio Gadret Carlos Amaral
Paulo Tonet Camargo Eduardo Boschetti
Roberto Franco Beatriz Ivo
Flávio Ferreira de Lara Resende Heloísa Helena de M. e Almeida Moreira

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VIOLAÇÕES À
LIBERDADE DE
EXPRESSÃO
R E L AT Ó R I O A N U A L 2 0 1 6

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Cada jornalista morto ou
neutralizado pelo terror é
um observador a menos
da condição humana. Cada
ataque distorce a realidade
por criar um clima de
medo e de autocensura.

Barry James
“Press Freedom: Safety of Journalists and Impunity”, Unesco, 2007

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SUMÁRIO

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PALAVRA DO PRESIDENTE 08
PANORAMA DA VIOLÊNCIA CONTRA A IMPRENSA 10
VIOLÊNCIA E LIBERDADE DE IMPRENSA NO MUNDO 18
OS CRIMES CONTRA JORNALISTAS NO BRASIL 26
COMPARAÇÃO COM ANOS ANTERIORES 50
AS OLIMPÍADAS DE 2016 52
A TRAGÉDIA DA CHAPECOENSE 54
ARTIGO RSF 56
ARTIGO UNESCO 57
CASOS DE VIOLÊNCIA - 2016 58

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8 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

PALAVRA DO PRESIDENTE

Paulo Tonet Camargo
PRESIDENTE DA ABERT

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 9

ma tragédia no nal de 2016 enlutou o imprensa, os pro ssionais da comunicação
ornalismo brasileiro. Vinte pro ssionais de estiveram sujeitos a ameaças, intimidações
TV, rádio e jornal partiram para uma cobertura e agressões por parte de policiais militares.
jornalística sem retorno. Nos destroços
do voo da LaMia cou enterrado o sonho O Relat rio ABERT sobre Violaç es
de ovens ogadores da Chapecoense e Liberdade de Expressão – 2016 mostra que,
de jornalistas que esperavam trazer belas mais uma vez, os dados são preocupantes.
hist rias de um time em busca de um título Quando comparado com 201 , o número
inédito e de seus principais personagens. total de casos de violência em 2016 foi ainda
maior: passou de 116 para 1 , envolvendo
Mas 2016 teve um outro lado sombrio. 261 pro ssionais e veículos da imprensa.
Apesar da redução no número de assassinatos
de ornalistas – de oito em 201 para dois 2016 foi também o ano das Olimpíadas
em 2016, as entidades internacionais que e Paralimpíadas do Rio e os casos
atuam na defesa da liberdade de imprensa de roubo, furtos e agressões contra
colocam o Brasil na lista dos países mais pro ssionais estrangeiros que estavam
violentos para o exercício do jornalismo. no Brasil para a cobertura dos jogos são
tratados em um capítulo parte.
De acordo com levantamento feito pela
organização Rep rteres Sem Fronteiras RSF , Outra característica que marcou 2016
o Brasil ocupa o 2 lugar no ranking dos países foi o número de ações na Justiça contra
mais perigosos da América Latina para a pro ssionais e veículos de comunicação,
pro ssão, cando atrás, apenas, do México. numa explícita violação liberdade
No ranking mundial, entre os 1 0 países de imprensa e de expressão. As varas
avaliados, em 2016, o Brasil despencou cinco judiciais de diversos municípios brasileiros
posiç es, passando da para 10 posição. receberam uma enxurrada de processos
contra jornalistas, promovidos por cidadãos
Em um ano marcado por uma crise contrariados com a divulgação da verdade.
política e econômica sem precedentes,
as manifestações populares se tornaram Recorrer ustiça é um direito de todos. Mas
mais intensas, dominaram as ruas de a ação coordenada por magistrados que
todo o país e zeram dos pro ssionais da ingressaram contra jornalistas da Gazeta do
imprensa e dos veículos de comunicação Povo, por exemplo, com mais de 0 processos
um dos alvos favoritos de seus protestos. espalhados em 1 cidades do Paraná,
demonstra uma situação de assédio judicial.
A intolerância e a falta de conhecimento O jornal paranaense nada fez além de cumprir
do real papel da imprensa – o de informar sua missão – a de informar a população
a sociedade sobre fatos que impactam o sobre os supersalários de magistrados e
seu cotidiano – foram, mais que nunca, representantes do Ministério Público do Paraná.
responsáveis pelo aumento das agressões
físicas e hostilidades contra os ornalistas Neste e em outros casos, os tribunais superiores
que estavam em campo atrás de notícias de vêm revisando sentenças e devolvendo
interesse público. Em grande parte das vezes, sociedade um direito constitucional.
os agressores foram os manifestantes, mas o
que mais chama atenção é o fato de agentes A ABERT lembra que não existe sociedade
públicos, que deveriam zelar pela segurança do livre sem o direito informação, re exão,
cidadão, serem os principais autores de tanta e sem uma imprensa livre. E preservar esta
violência. Mesmo portando a identi cação de liberdade é uma missão vital para n s.

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PANORAMA DA
VIOLÊNCIA CONTRA
A IMPRENSA

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12 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

UMA PROFISSÃO
DE RISCO

Em um mundo assombrado por guerras, E, infelizmente, os dois brasileiros não foram as
grupos terroristas, organizações criminosas e únicas vítimas da intolerância daqueles que não
governos corruptos ou omissos, os jornalistas admitem críticas e temem a verdade. Segundo
continuam sendo tratados como alvos. No a organização não-governamental internacional
Brasil, dois profissionais foram executados no Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que atua na
ano passado. Perdas que envergonham o país defesa da liberdade de imprensa, pelo menos
e expõem as dificuldades que as autoridades 74 representantes da mídia foram assassinados
brasileiras enfrentam para coibir uma forma em 21 países só em 2016. Desse total, a
de violência que, mais do que ameaçar grande maioria (72%) foi morta apenas como
indivíduos, põe em risco a própria democracia. represália por cumprir a missão de informar.

ORNALI TA A A INA O NO UN O E 2016
REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

72%
53 assassinados
propositalmente

21 mortos durante
28% reportagens

Foi exatamente assim com João Miranda em frente à residência do jornalista, gritaram
do Carmo. Dono do site SAD Sem Censura, seu nome e em seguida fizeram 22 disparos.
em que criticava políticos e produzia Atingido por treze tiros, ele não resistiu
reportagens sobre ações policiais, crimes e aos ferimentos e morreu antes mesmo da
problemas administrativos de Santo Antônio chegada do socorro. Entre os suspeitos de
do Descoberto (GO), Do Carmo foi atacado envolvimento no crime está Itamar Lemes do
em casa. De acordo com testemunhas, duas Prado, agora ex-prefeito da cidade, que vinha
pessoas saíram de um veículo estacionado sendo acusado de corrupção pelo jornalista.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 13

Menos de um mês depois, o proprietário do jornal sempre que um profissional ou um veículo
O Grito, de Minas Gerais, foi baleado cinco vezes - de comunicação é ameaçado, impedido de
quatro tiros foram nas costas. Em sua publicação, noticiar os fatos, de relatar o que na maioria
Maurício Campos Rosa vinha denunciando das vezes só a imprensa tem a oportunidade
irregularidades cometidas por políticos locais. de testemunhar, quem perde é a coletividade.

As duas execuções, atribuídas pelas autoridades A novidade este ano, é que, pela primeira vez
ao exercício da atividade jornalística, representam desde 2012, o levantamento da ABERT indica
um golpe à liberdade de informação e uma perda uma queda no número de mortes. O dado
irreparável para os cidadãos. Afinal, a sociedade chama a atenção principalmente se comparado
só pode reagir e se mobilizar em busca de direitos ao de 2015, quando 8 profissionais foram
quando conhece a realidade. E só uma imprensa assassinados no país. Três deles em apenas 11
livre e sem medo pode combater a corrupção, dias, durante o que as organizações internacionais
denunciar injustiças e fiscalizar governos. de monitoramento da atividade jornalística
chamaram de “o novembro negro no Brasil”.
Em um mundo globalizado, cheio de contradições
e ameaças, os jornalistas são os olhos e
os ouvidos de uma comunidade. Por isso,

JORNALISTAS ASSASSINADOS NO BRASIL

2016 2 mortes
2015 8 mortes
2013/14 7 mortes
2012/2013 5 mortes

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14 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ENTRE OS MAIS
PERIGOSOS DO MUNDO

A redução no número de mortes, obviamente, “Isso os deixa mais vulneráveis a intimidações,
é positiva. Mas nem mesmo isso fez com que como processos judiciais, ameaças e até
o Brasil fosse retirado das listas internacionais assassinatos”, disse Colombié à ABERT. “É
de periculosidade para a profissão. Relatórios surpreendente que uma democracia bem
da RSF dos últimos cinco anos indicam estabelecida como o Brasil apareça no topo
que somos hoje a segunda nação mais da lista dos países com maior número de
perigosa da América Latina para a prática jornalistas assassinados, mesmo que seja
do jornalismo, atrás apenas do México. uma das nações com maior população da
América Latina. Nesse sentido, a violência
Segundo Emmanuel Colombié, diretor regional contra comunicadores continua sendo um dos
da RSF para a América Latina, são vários os grandes desafios para o aprofundamento da
fatores que podem explicar o problema. Entre liberdade de expressão no país”, afirma ele.
eles, o aumento da violência em geral no
interior do país (onde geralmente ocorrem os A Press Emblem Campaign (PEC) – ONG formada
assassinatos), a maior polarização política – que por jornalistas de várias nacionalidades que atua
levou a população às ruas e expôs a imprensa como consultora especial da ONU – colocou
aos ataques de policiais e manifestantes – e as o Brasil entre os dez países mais perigosos
transformações que vêm acontecendo no próprio do mundo para os jornalistas em 2016.
jornalismo, com o surgimento de pequenos
meios de comunicação que muitas vezes não
dão o suporte necessário a seus profissionais.

A E AI ERI O O O UN O E 2016 E

1 - Iraque 6 - Guatemala
2 - Síria 7 - Índia
3 - Afeganistão 8 - Paquistão
4 - México 9 - Turquia
5 - Iêmen 10 - BRASIL

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 15

A posição brasileira no ranking mundial é ainda
pior quando considerado um período mais
abrangente, entre 2012 e 2016. Neste caso, de
acordo com a PEC, o país aparece à frente até
mesmo do Afeganistão, que não só enfrenta uma
guerra há anos, como ainda vem assistindo ao
avanço da influência do grupo extremista Estado
Islâmico (EI) sobre seu território. Conhecido
por perseguir jornalistas que não concordam
com sua ideologia, o EI trata profissionais de
imprensa como espiões e traidores, executando-
os barbaramente. Difícil compreender como
um país democrático e com leis e instituições
em funcionamento como o Brasil pode superar
um cenário de terror como o afegão.

O E A E AI ERI O O O UN O 2012 2016 E

1 - Síria 6 - BRASIL
2 - Iraque 7 - Filipinas
3 - Paquistão 8 - Índia
4 - México 9 - Afeganistão
5 - Somália 10 - Honduras

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16 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

RANKING - LIBERDADE DE IMPRENSA NO MUNDO
RE ÓRTERE E RONTEIRA 2016

- Noruega 8 – Suécia 1 - Finl ndia

2 - olanda

1 – Estados nidos - Dinamarca

1 – México 1 1 – Cuba
10 – Jamaica – Suíça
6 – Costa Rica
1 – Venezuela

1 – Colômbia 10 – Irlanda

10 – Equador
111 – Paraguai
– Peru
20 – Uruguai
– Bolívia – Argentina

1 – Chile – Nova el ndia

( ) Foram utilizados dados de 2015 no levantamento.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 17

As execuções são inadmissíveis porque para a queda do Brasil no Ranking Mundial
têm implicações que vão muito além das da Liberdade de Imprensa, elaborado
irreparáveis perdas individuais. Esses pela Repórteres Sem Fronteiras entre 180
atentados criam um ambiente de medo nações. No balanço de 2016 (feito com
que intimida até mesmo os profissionais dados de 2015), o país caiu da 99ª para a
mais experientes e leva à autocensura. 104ª posição, abaixo de vizinhos como a
Perseguidos, ameaçados ou preocupados Argentina, a Bolívia, o Peru e de países como
com a segurança de familiares e amigos, Butão, Kosovo e Senegal. Preocupante
muitos jornalistas são obrigados a se calar. ainda é o fato de que o quadro vem se
deteriorando rapidamente, já que em 2010
O resultado imediato disso é que, sem ocupávamos a 58ª colocação na lista.
fontes independentes e confiáveis de
informação, a sociedade não dispõe dos Para a elaboração do ranking, a
mecanismos necessários para fiscalizar entidade também leva em conta
governos e exigir melhorias sociais, o que só critérios como independência da mídia,
dificulta o aperfeiçoamento democrático. pluralismo e ambientes legislativo,
institucional e de infraestrutura para o
Esse clima de insegurança constante para desempenho da atividade jornalística.
o exercício da profissão foi uma das razões

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VIOLÊNCIA E
LIBERDADE
DE IMPRENSA
NO MUNDO

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20 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

Fenômeno Mundial

Entidades internacionais como a RSF e o a entidade, acaba criando “buracos negros da
Comitê para a Proteção dos Jornalistas informação” em vários pontos do planeta.
(CPJ) – ONG que promove a liberdade de
imprensa no mundo – , também registraram Já o CPJ avalia que a queda pode estar
queda nas mortes de profissionais da área. ligada à decisão de muitos veículos de evitar
Mas nem por isso essas organizações que suas equipes enfrentem situações de
demonstram menos preocupação com o perigo. O comitê ainda afirma que o esforço
cenário atual. E não é difícil entender o porquê. para chamar a atenção do mundo para o
problema e as consequências legais dos
A RFS, por exemplo, atribui a redução no assassinatos podem estar fazendo com que
número de assassinatos à fuga de jornalistas os criminosos adotem outros métodos para
dos países em que a tarefa de informar se silenciar jornalistas considerados incômodos.
transformou em risco de vida. Isso, segundo

MORTES DE JORNALISTAS NO MUNDO – RSF **

2016 74
26
2015 101

MORTES DE JORNALISTAS NO MUNDO – CPJ **

2016 48
2015 72

MORTES DE JORNALISTAS NO MUNDO – FIJ **

2016 93
16 6
2015 112
** Os números variam porque as metodologias utilizadas nos levantamentos são diferentes.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 21

Não é à toa que a Federação Internacional Brasil. Levantamento da ABERT mostra
dos Jornalistas (FIJ), que também apontou que, na comparação entre 2015 e 2016,
queda nas execuções, diz ter sido alertada houve um aumento de mais de 60% no
para o aumento de outros tipos de violência número das agressões sem vítimas fatais
contra os profissionais de imprensa. contra representantes da mídia.
Foi exatamente isso que aconteceu no

TOTAL DE CASOS DE VIOLÊNCIA NÃO-LETAL
CONTRA JORNALISTAS - ABERT *

2016 172
62 26
2015 106
*As decisões judiciais não foram incluídas no cálculo

Entre os dez tipos de violência não-
letal registrados em 2016, apenas os
casos de detenção não subiram.

Em 2016, houve ainda relatos de
dois crimes que não aparecem no
levantamento de 2015: uma queixa de
assédio sexual e quatro de roubo.

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22 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

A O E IOL N IA N O LETAL 2016 201

Agressões Físicas e to de

Atentados e to de

Ataques/ Vandalismos e to de

Ameaças e to de

Detenções/ Prisões 8 eda de

Ofensas e to de

Intimidações e to de

Censura –

Roubos e Furtos –

Assédio Sexual –

RE U O A IOL N IA N O LETAL 2016

12,71% Agressões Físicas
10,98%
12,71% Agressões Físicas
Ofensas
10,98%
Ofensas
Ameaças
9,82% Ameaças
9,82%
Ataques/ Vandalismos
Ataques/ Vandalismos
Intimidações
Intimidações
9,82%
9,82% Censura Censura
38,72%
38,72% Detenções/ Prisões
Detenções/ Prisões
6,93%
Atentados
6,93%
4,04% Atentados
3,46% Roubos e Furtos
2,31%4,04%
0,57% 3,46% Roubos e Furtos
Assédio Sexual
2,31%
0,57% Assédio Sexual

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 23

Embora as execuções sejam o pior e mais O levantamento calcula o número de
definitivo modo de calar jornalistas, todas as assassinatos não resolvidos em um período
formas de violência devem ser consideradas de dez anos como uma percentagem em
gravíssimas. E a única maneira de combater relação à população de cada país. Somente
esses crimes é acabar com a impunidade. É a as nações com cinco ou mais casos não
certeza da ausência de punição que estimula solucionados entre 1º de setembro de 2006
os agressores a violar a lei na tentativa de calar e 31 de agosto de 2016 foram incluídas
e amedrontar os profissionais de imprensa. na lista. Os crimes são considerados não
esclarecidos quando não houve condenações.
Publicado anualmente pelo CPJ, o Índice
Global de Impunidade pelo assassinato de O Brasil ainda teve um desempenho pior do
jornalistas deixa claro que responsabilizar que em 2015 no ranking e agora ocupa a nona
culpados ainda não é uma prioridade no Brasil. posição, entre os 13 países que aparecem no
Em 2016, pelo segundo ano consecutivo, levantamento de 2016. O México é o sexto.
apenas duas nações latino-americanas A ONG alerta que só na década passada 15
aparecem no ranking. E o Brasil é uma delas. jornalistas brasileiros foram assassinados com
“absoluta impunidade”. Todos trabalhavam
em coberturas políticas e de corrupção e,
afirma o comitê, foram mortos por grupos
criminosos e funcionários dos governos.

N I E LO AL E I UNI A E 2016

1 - Somália 8 - Paquistão
2 - Iraque RA IL
3 - Síria 10 - Rússia
4 - Filipinas 11 - Bangladesh
5 - Sudão do Sul 12 - Nigéria
6 - México 13 - Índia
7 - Afeganistão
** Número de assassinatos não resolvidos em um período de dez anos em relação à população de cada país

Paula Martins, diretora executiva da Artigo em situação de risco potencial e tampouco
19 – ONG internacional de direitos humanos investiga e responsabiliza perpetradores de
que trabalha na promoção da liberdade de crimes da forma como deveria”, diz ela.
expressão e do acesso à informação –, afirma
que no Brasil não existe interesse nem vontade Mas, segundo o CPJ, a boa notícia para o
política para solucionar os crimes contra país é que, nos últimos três anos, foram
profissionais de imprensa. “O Estado não toma condenados suspeitos em seis casos.
medidas preventivas para evitar os casos de Embora em apenas um deles a Justiça
violência, medidas protetivas para aqueles tenha punido todos os envolvidos, a entidade

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avalia que houve mais avanço aqui do que que, muitas vezes, mesmo registrados
em qualquer outra nação onde o comitê já em imagens, são esquecidos.
registrou assassinatos de jornalistas.
Na busca de mecanismos de controle para essa
Importante notar que, se ainda existem violência, diversas organizações internacionais,
assassinatos impunes, crimes considerados lideradas pela RSF, lançaram em 2016 um apelo
menos graves e com menor visibilidade para que seja nomeado um Representante
recebem ainda menos atenção das Especial do Secretário Geral das Nações Unidas
autoridades. Isso só demonstra que o para a Segurança dos Jornalistas. O objetivo é
Governo Federal, dos estados e o Congresso que a ONU e seus integrantes atribuam ao cargo
Nacional devem agir o quanto antes. Não peso político para que se possa agir com rapidez
só em teoria, mas também na prática. e legitimidade na coordenação dos esforços
Criar mecanismos internos de proteção aos da organização em defesa da imprensa.
jornalistas e combater a corrupção que muitas
vezes alimenta a impenitência deve ser uma A Justiça também deve desempenhar o papel
prioridade. Um bom caminho seria estimular o de punir com rigor e rapidez os culpados pelos
treinamento de agentes públicos de segurança. crimes. E, finalmente, em um mundo cada
É inadmissível que um país considerado vez mais conectado, em que as notícias são
democrático permita que funcionários quem transmitidas em tempo real, é fundamental que
têm a missão de proteger ataquem profissionais ajudemos a sociedade a compreender que a
e não sejam nem mesmo punidos por isso. imprensa é uma aliada dos cidadãos e não uma
E os policiais ou agentes de segurança ainda inimiga a ser combatida. Afinal, só os jornalistas
estão entre os maiores responsáveis pelas podem desempenhar de maneira independente
agressões e intimidações à imprensa no Brasil. e pluralista a missão de buscar e difundir
informações que permitam o debate público.
A certeza de impunidade é tão grande
que, em 2016, até mesmo um delegado se O cenário é cada vez mais preocupante. Com
sentiu seguro o suficiente para ameaçar um as redes sociais e a proliferação de pequenos
profissional em uma mensagem gravada. meios de comunicação virtuais em várias
cidades do país, o problema da violência contra
Agentes incapazes de respeitar o princípio a mídia vem se agravando, já que a grande
básico da divergência de opiniões e da maioria dos proprietários e profissionais
convivência entre diferentes devem ter desses sites, blogs e jornais atua de maneira
uma punição rigorosa. Só o exemplo precária e sem o amparo institucional e
pode coibir abusos tão corriqueiros jurídico de grandes órgãos de imprensa.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 25

Até mesmo processos – que muitas vezes A ABERT, como representante de alguns dos
requerem valores consideráveis em dinheiro e principais veículos do país, vem acompanhando
tempo – se transformaram em armas contra com preocupação o aumento da violência
a atividade jornalística. “Ações criminais contra os profissionais de imprensa. Difundindo
têm sido usadas como uma maneira de dados sobre o assunto e cobrando ações
silenciar comunicadores que criticam enérgicas das autoridades, esperamos contribuir
pessoas poderosas”, afirma Paula Martins, cada vez mais para que crimes do passado
da Artigo 19. Por isso, ela acredita que a não sejam esquecidos e não se repitam.
descriminalização dos delitos contra a honra
deveria ser analisada com “urgência”. A escalada da violência mostra que são
necessárias medidas urgentes. O Governo
Na avaliação da RSF, no Brasil também Federal, dos estados e o Congresso Nacional
não há visibilidade suficiente para essas devem se mobilizar na tentativa de resolver um
violações. “Nenhuma medida com maior problema que prejudica toda a sociedade e que,
abrangência ou impacto foi adotada de forma por isso, é de todos nós. Mais do que projetos
sistemática pelo governo desde que passou a de lei que não são analisados e comissões que
se constatar um aumento da violência contra não têm poder para implementar políticas de
a profissão”, declara Emmanuel Colombié, combate a esses crimes, precisamos de ação.
diretor regional da entidade na América Latina.
Promover o respeito na convivência democrática
A Artigo 19 afirma também que é fundamental entre jornalistas, agentes públicos de segurança,
que o Estado brasileiro admita que esses crimes políticos e a população é, sem dúvida nenhuma,
ocorrem em função do exercício da liberdade um dever do Estado de Direito. Até por isso
de expressão. Afinal, muitas das vítimas esperamos também celeridade e independência
se notabilizaram por denunciar práticas de nas decisões da Justiça. Como responsáveis
corrupção e violações de direitos humanos. “Eles pela aplicação das leis, os magistrados devem
sofrem violência porque alguém deseja calá-los. não só fazer valer direitos constitucionais como
Incrivelmente, hoje, essa constatação não é tão o sigilo da fonte, mas também desestimular
incontroversa como deveria ser”, diz Martins. aqueles que pretendem usar os tribunais
A ONG defende ainda que o Estado defina como forma de intimidar os jornalistas. Um
investimentos para políticas de prevenção e país só é livre se tiver uma imprensa livre.
de proteção para profissionais ameaçados E só com o empenho de todos poderemos
e responsabilize policiais envolvidos em agir com a urgência que a situação impõe.
casos de violência contra jornalistas.

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OS CRIMES
CONTRA
JORNALISTAS
NO BRASIL

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28 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ASSASSINATOS
Antes de ser assassinado em sua pr pria investigação do Ministério Público sobre o
casa, no município goiano de Santo possível envolvimento de vereadores em
Antônio do Descoberto a cerca de 0 km irregularidades em processos de licitação.
de Brasília , João Miranda do Carmo,
anos, á havia recebido duas advertências Carlos Dias Barbosa, então editor chefe
de seus perseguidores. Na primeira, em da publicação, a rma ter ouvido de um
201 , o ornalista teve seu carro incendiado. vereador que um de seus colegas de
Mas a pressão aumentou mesmo no início Câmara havia dito que os ornalistas
de 2016, quando a família a rmou que responsáveis pelo ornal deveriam car
ele foi ameaçado de morte. Cinco meses com o pé atrás”. A execução aconteceu um
depois, Do Carmo foi baleado treze vezes. dia depois da ameaça. O clima geral entre
Atingido no peito, nas costas, pernas e aqueles que conheciam Rosa ainda é de
nos braços, não resistiu aos ferimentos. insegurança. “Estou com medo até agora”,
diz Barbosa. O jornal O grito não existe mais.

O inquérito ainda não foi concluído, A Artigo 1 divulgou no nal de 2016 um
mas todas as linhas de investigação estudo sobre a impunidade em crimes
apontam para uma vingança relacionada como esses no Brasil. O projeto analisou
a informações divulgadas pelo jornalista. 12 casos de homicídios de comunicadores,
Segundo o delegado encarregado do que ocorreram entre 2012 e 201 .
caso, Cléber Martins – titular da Delegacia Segundo a apuração da entidade, todas as
de Homicídios de Águas Claras – o execuções estão relacionadas a denúncias
agora ex-prefeito de Santo Antônio do publicadas pelos pro ssionais. E em
Descoberto, Itamar Lemes do Prado, dos crimes, a suspeita é de que os
está entre os suspeitos de encomendar mandantes sejam políticos ou policiais.
o crime. Ele vinha sendo acusado de
corrupção pelo ornalista. O ex chefe da As duas execuç es de 2016 con rmam
segurança de Prado e outras três pessoas esse padrão. As duas vítimas, do sexo
também estão sendo investigados. Todos masculino, viviam em municípios
negam participação no homicídio. pequenos e se dedicavam a reportagens
Menos de um mês depois, Maurício Campos policiais e relacionadas política
Rosa, dono do jornal O Grito, em Santa ou s administraç es da região.
Luzia MG , foi morto com cinco tiros.
Aos 6 anos, ele vinha publicando uma
série de reportagens a respeito de uma

CASOS 2 Vítimas 2

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 29

PERFIL DOS ASSASSINATOS
Sudeste MG
Região
Centro-Oeste GO

Sexo Homens

Área de Política regional, crítica s
atuação administrações locais

Site
Veículo
Jornal

Morte Baleados

Suspeitos Ex-prefeito
conhecidos Ex chefe de segurança

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30 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ATENTADOS
Pelo menos seis jornalistas sofreram que aconteceram depois de uma
atentados que poderiam ter levado morte. desapropriação de terra na região.
Todos eram homens e, mais uma vez, Além de con itos agrários, o portal Ve a
ligados cobertura policial ou de política. Notícias ainda se dedicava a coberturas
sobre a administração da cidade.
Em Rondônia, dois pro ssionais foram Dias depois, Lucas Bueno, do portal Cujubim
atacados em um intervalo de menos de 1 0, foi perseguido por um homem que
uma semana. Ivan Pereira Costa, , invadiu sua casa e disparou três vezes. Ele
proprietário do portal Veja Notícias, na estava dormindo quando ouviu chutes na
cidade de Cu ubim a aproximadamente porta e conseguiu escapar apenas com
220 km da capital, Porto Velho , levou dois ferimentos leves. O rep rter vinha cobrindo
tiros enquanto conversava com um amigo a mesma desapropriação que Costa. “Eles
na porta de casa. “Fui calado e não quero queriam calar a nossa boca , a rma.
nem mais ouvir falar em jornalismo”, disse
Costa ABERT. E esse era o ob etivo deles. Embora tenha pensando em abandonar a
pro ssão, Bueno á voltou ao município e ao
O comunicador foi obrigado a vender tudo trabalho. Mudei de ideia porque a cidade s
o que possuía em Rondônia e a sair do tem dois jornalistas agora. Eu e mais um. Se
Estado. Hoje, traumatizado e preocupado eu fosse embora, ia car desguarnecida.
com a segurança da família, ele não
consegue emprego em outra área e vive Por medida de segurança, o portal foi
com a ajuda de familiares e amigos. desativado. Ho e Bueno trabalha em uma
“Nunca imaginei que uma coisa assim rádio local e não vai mais até as terras
pudesse acontecer. Foi uma surpresa invadidas. As reportagens sobre con itos
imensa porque nunca recebi ameaças. agrários passaram a ser feitas apenas
Mas isso virou minha vida de ponta a partir de relatos da polícia. Em um
cabeça, teve um impacto gigantesco.” típico caso de autocensura, ele também
Atingido por dois dos cinco disparos deixou de opinar sobre o assunto.
feitos em sua direção, Costa agora tem
problemas para movimentar o braço Continuo com receio. Tenho medo mesmo
ferido durante o ataque. “Tem noites por meus av s, que me criaram. Ainda evito
em que não durmo, tenho pesadelos. lugares com muitas pessoas e não saio
Minhas lhas não querem sair de casa noite. Mas tenho amor pela pro ssão.
noite. Isso traumatizou a família toda.” Estamos levando informação a quem
não tem. Coloco minha vida em risco por
Na opinião do jornalista, o ataque foi isso”, diz ele, que também não acredita
motivado por uma série de reportagens que os responsáveis sejam presos.
sobre assassinatos e desaparecimentos

CASOS 6 Vítimas 6

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 31

PERFIL DOS ATENTADOS
Sudeste SP e RJ
Região Norte 2 RO e 1 RR
Nordeste CE

Sexo Homens

Política local
Con itos agrários
Cobertura * Denúncias de corrupção
Polícia
Desocupação de favelas

Jornal
Portal
Veículo Rádio
Blog

Forma de
Tiros
violência

Suspeitos PM
conhecidos Não identi cados
(*) Quase todos os profissionais se dedicavam à cobertura de mais de um assunto.

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32 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

AGRESSÕES
As agressões são a forma mais comum vira senso comum e os outros seguem
de violência contra jornalistas. Mesmo um comportamento de massa, de
identi cados como imprensa, pro ssionais manada”, avalia Paes Manso.
de todos os meios de comunicação
continuam sendo atacados no país, Para diminuir os riscos inerentes
em circunstâncias variadas. Os mais pro ssão, o ornalista a rma que, além
visados, até pelas pr prias características de cobrar mais preparo dos policiais, a
do veículo, são aqueles que trabalham categoria deve se mobilizar e discutir
em emissoras de TV, seguidos por como agir diante de situações de
representantes de jornais e rádios. risco, de nindo posturas e caminhos a
seguir. “Temos que nos organizar.”
A maioria dos ataques aconteceu durante
os protestos que novamente tomaram Os políticos e detentores de cargos públicos
conta do país em 2016. Mais uma vez aparecem em terceiro lugar no ranking
chama a atenção que, nos casos em de agressores, o que demonstra não s
que os agressores foram identi cados, o tamanho do desrespeito liberdade de
policiais e agentes de segurança aparecem informação, mas a certeza de impunidade.
como os grandes responsáveis por esse O caso do ex-secretário de Habitação
tipo de violência. “É despreparo. Muitas de Herval d’Oeste, em Santa Catarina,
vezes nem é uma ordem superior. É o é emblemático. Enquanto ocupava o
calor do momento, quando o policial vê cargo, em menos de dois meses, Tomaz
que o que estava fazendo de errado vai Conrado agrediu dois pro ssionais de
ser exposto , a rma o ornalista Bruno rádio. E um dos ataques aconteceu em
Paes Manso, pesquisador do Núcleo de pleno Dia do Jornalista, de abril.
Estudos da Violência da Universidade de
São Paulo SP . Isso acontece porque Embora a violência tenha ocorrido
n s revelamos quando a polícia é mal majoritariamente durante os protestos,
preparada, o Estado é atabalhoado. Mas coberturas aparentemente inofensivas
falar da desorientação dos governos também desencadearam agressões. Um
para que eles percebam seus erros faz rep rter cinematográ co da Rede TV
parte do jornalismo”, diz o pesquisador. foi atingido por um soco enquanto fazia
Movidos pela crise econômica e a imagens em um seminário dentro de
instabilidade política, os manifestantes uma biblioteca. A situação é tão absurda
que foram s ruas demonstraram uma que outros pro ssionais ainda foram
enorme descon ança em relação aos alvo da violência dentro de câmaras
pro ssionais de imprensa e um profundo municipais e prefeituras, e muitos
desprezo pela liberdade de informação. chegaram a fazer imagens dos ataques.
S em 2016 foram relatadas 6
“Se as pessoas, tanto de direita quanto agress es, envolvendo pelo menos 126
de esquerda, identi cam a cobertura vítimas – em muitos casos mais de um
como negativa, se se fala em vandalismo pro ssional foi atingido e em outros, não
durante os protestos, muitos acham foi possível determinar o número exato
que isso desestabiliza e desmoraliza de afetados pela violência. Novamente
as manifestações. Alguns acabam a região Sudeste lidera os ataques.
então hostilizando os ornalistas. Daí

CASOS 6 Vítimas Pelo menos 126

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 33

PERFIL DAS AGRESSÕES
Sudeste 26 SP, 6 RJ, 2 ES e 2 MG
Norte PA, RO, AP, 1 AC
Região Centro-Oeste 1 MS, 1 GO e DF
Sul 8 RS, SC
Nordeste CE, 1 SE

Homens
Sexo Mulheres
Não especi cados

Protestos
Ações policiais, crimes
Eventos ligados política
Coberturas Desocupações,
Reintegrações de posse
Outros

TV
Jornal
Rádio
Coletivos de mídia 8
Portal
Veículo* Agências
Revistas
Freelancers
Blog
Site

Socos, pedradas, facadas,
tentativas de atropelamento e de
estrangulamento, armas apontadas
Tipos de para a cabeça, estilhaços de
Agressão bombas, spray de pimenta, golpes de
cassetete, equipamentos dani cados
e tomados, cartões de imagens
apagados, entre outros

Policiais ou agentes de segurança
Manifestantes
Políticos ou ocupantes
Autores de cargos públicos
Outros dirigentes de clubes de
futebol, advogados, torcedores

(*) Em alguns casos, mais de um veículo foi atacado ao mesmo tempo

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34 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

AMEAÇAS
Agressões, processos, prisões e morte. vítimas de violência já recebeu ameaças
São muitos os tipos de ameaças utilizados antes, o que demandaria que o Estado
por aqueles que tentam impedir que agisse para protegê-los”, declara Paula
os pro ssionais de imprensa cumpram Martins, da Artigo 1 . No entanto, ho e,
a missão de informar. Con antes, os infelizmente, as políticas de proteção
criminosos não hesitam nem mesmo oferecidas a comunicadores sob ameaça,
em deixar mensagens intimidadoras bem como queles que trabalham em
gravadas ou registradas em redes áreas geográ cas de risco ou com temas
sociais. A ousadia, obviamente, é mais sensíveis, são bastante frágeis”, diz ela.
uma prova de que os culpados não
temem ser descobertos e punidos. Vinte e dois jornalistas sofreram
ameaças em 2016. Na maioria das
Além de as ameaças serem um crime, vezes eram homens e funcionários de
quando não são coibidas, podem evoluir jornais e TVs. As reportagens sobre
para comportamentos delituosos ainda política, corrupção e ações policiais
mais perigosos, como agressões físicas continuam sendo as mais temidas.
e até mesmo assassinatos. “A maioria
esmagadora dos comunicadores que são

CASOS 1 Vítimas pelo menos 22

(*) Mais de uma por caso e, em alguns deles, não foi especificado o número de vítimas

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 35

PERFIL DAS AMEAÇAS
Sudeste SP 1 MG e 1 ES
Sul PR e 1 SC
Região Norte 1 AC, 1 AM, 1 PA e 1 TO
Centro-oeste 2 MT, 1 GO
Nordeste RN

Homens
Sexo Mulheres
Não identi cado

Política/Corrupção
Área de Ações policiais/crimes
atuação Não identi cados
Con itos agrários

Jornais
TVs
Revistas
Veículo Sites
Portais
Rádio
Blog

Morte
Não identi cado
Agressão física
Tipo de ameaça
Destruição de equipamento/carro
Prisão
Processo

Políticos/funcionários públicos
Policiais/agentes de segurança
Autores
Juíza
Outros

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36 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

INTIMIDAÇÕES
Os casos de intimidação também O objetivo daqueles que intimidam é
aumentaram consideravelmente em sempre impedir ou di cultar o trabalho
2016. Foram 1 registros envolvendo da imprensa. Muitos, por exemplo,
pelo menos 22 pessoas, um crescimento aproveitam-se de transmissões ao vivo
de quase 0 em relação a 201 . para gritar palavras de ordem ou xingar os
impossível calcular o número exato pro ssionais, em uma clara demonstração
de vítimas porque muitos casos de de que não compreendem o trabalho dos
constrangimentos não são informados. jornalistas e o papel fundamental da função
para o aperfeiçoamento democrático.

CASOS 1 Vítimas pelo menos 22

(*) Mais de uma por caso

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 37

PERFIL DAS INTIMIDAÇÕES
Sudeste SP, 1 RJ, 1 ES, 1 MG
Nordeste 1 CE, 1 RN e 2 BA
Região
Sul RS
Centro-oeste GO

Homens
Sexo Mulheres
Não identi cado

TVs 8
Rádios
Veículos Jornais
Não Informado
Portal

Manifestações 8
Política
Cobertura Saúde
Polícia
Esporte

Impedir transmissões
Não informados
Xingamentos/ gritos
Pedir c pias de material ornalístico
Tipo Não especi cados
Revistas policiais
Aproximação com arma
Arremessar objetos
Processo

Manifestantes
Policiais
Autores Estudantes
Torcedores
Políticos

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38 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ATAQUES/ VANDALISMO
O jornalismo brasileiro também registrou Em Palmas, no Tocantins, um grupo de
1 casos con rmados de ataques contra a manifestantes se reuniu em frente
imprensa. As televisões foram os alvos mais sede da TV Anhanguera, a liada da Rede
visados, em especial por manifestantes. Globo, e arremessou um líquido ácido
Protestando contra o impeachment da na direção da entrada da empresa. Dois
ex-presidente Dilma Rousseff ou contra seguranças terceirizados e um outro
o governo Michel Temer, a população funcionário foram atingidos. Dois deles
depredou carros e invadiu sedes de tiveram que ser encaminhados ao hospital.
veículos de comunicação, deixando feridos
até mesmo funcionários sem relação
direta com a atividade jornalística.

CASOS 1 Vítimas pelo menos 22

(*) Mais de uma por caso

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 39

PERFIL DOS ATAQUES/ VANDALISMO
Sudeste SP, 2 RJ, 1 MG e 1 ES
Centro- Oeste DF, 2 MT, 1 MS e 1 GO
Região Nordeste 2 CE, 1 SE e 1 RN
Sul 2 RS, 1 SC e 1 PR
Norte TO e PA

Política
Não identi cados
Cobertura Polícia
Irregularidades na área
de comunicação

Sedes de empresas
Carros de reportagem
Tipo de alvos* Não identi cados
Funcionários
Equipamentos

Invasão de sedes
Arremessar objetos
Pichaç es
Tipo de ataques*
Incêndio
Transmissão interrompida
Outros gritos, pontapés 8

TV
Rádio
Veículo** Grupos de mídia
Jornais
Não identi cado

Manifestantes
Não identi cados
Autores
População
Policial
(*) Os casos envolviam mais de um tipo de alvo e de ataque. Em algumas situações, ainda houve atos de vandalismo
em vários estados simultaneamente. (**) Em um dos casos, mais de um tipo de veículo foi atacado

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40 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

OFENSAS
Exceto por um relato de assédio sexual, Tognolli enquanto os dois estavam no ar.
os casos de ofensa foram as únicas Já o colunista do jornal O Globo,
formas de violência contra jornalistas Jorge Bastos Moreno, foi ofendido por
que atingiram majoritariamente Francisco Nogueira e Pedro Zambarda
mulheres. O comportamento revela de Araújo, do Diário do Centro do
preconceitos arraigados na sociedade Mundo DCM . Os dois se referiram
brasileira. Por isso, quando xingam a Moreno de forma preconceituosa
os pro ssionais de imprensa, os durante uma discussão política.
ofensores normalmente se manifestam
de maneira mis gina e intolerante. A dupla acabou se retratando publicamente,
por meio de um pedido de desculpas e de
Entre os agressores estão manifestantes, elogios ao colunista. Em nota, a rmaram
políticos – como José liton PSDB , vice que a ofensa aconteceu “no calor” do debate
governador de Goiás, e o agora prefeito do e que os xingamentos foram “injustos”.
Rio, Marcelo Crivella PRB – e até mesmo A política é o assunto que mais causa
jornalistas. Helen Braun, do programa polêmica e os pro ssionais de ornais
Morning Show, da rádio Jovem Pan, foi e TVs, os alvos preferenciais.
chamada de burra pelo colega Claudio

CASOS 22 Vítimas pelo menos 2

(*) Houve mais de uma vítima e de veículo por caso

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 41

PERFIL DAS OFENSAS
Sudeste SP, 2 MG e 1 RJ
Não identi cado
Região
Centro-oeste 2 GO e 1 DF
Sul PR e RS

Homens
Sexo Mulheres
Não identi cado

Política
Não identi cada
Cobertura Esportes
Polícia
Outros

Jornal
TV 8
Veículo Rádio
Revistas
Blog

Tipo Xingamentos/Ofensas pessoais

Políticos/funcionários públicos
Não identi cados
Manifestantes
Jornalistas
Autores
Militante
Estudantes
Taxistas
Torcida organizada
(*) Quase todos os profissionais se dedicavam à cobertura de mais de um assunto.

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42 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ROUBOS E FURTOS
Dois assaltos a veículos de comunicação Pro ssionais de revistas americanas
tiveram grande repercussão em 2016. também foram vítimas de criminosos
Em ambos, os crimes aconteceram durante uma apuração em Rondônia.
durante transmissões ao vivo. Os dois correspondentes tiveram
os equipamentos roubados depois
Em Aracaju, Sergipe, uma locutora de que o governo do estado proibiu a
um programa de rádio pediu socorro Polícia Militar de cooperar com uma
polícia enquanto o local estava sendo reportagem sobre violência no campo.
assaltado por cinco homens armados e Os pro ssionais perderam, entre outras
encapuzados. A ação foi lmada pelas coisas, equipamentos, cartões de
câmeras de segurança da rádio. “Eles mem ria e computadores portáteis.
levaram telefone, levaram tudo”, disse a
pro ssional, amedrontada e chorando. Em outro caso, uma equipe de
TV foi assaltada enquanto fazia
O segundo epis dio, no Tocantins, uma reportagem sobre a falta de
não foi notado pelos ouvintes porque segurança na região da Universidade
os ladrões agiram enquanto uma de Campina Grande, na Paraíba.
música estava sendo tocada.

CASOS Vítimas pelo menos

(*) Mais de uma vítima por caso

PERFIL DOS ROUBOS E FURTOS
Norte TO e RO
Região
Nordeste SE e PB

Homens
Sexo Mulheres
Não identi cado

Transmissões ao vivo
Cobertura Polícia
Con itos agrários

Rádio
Veículo TV
Revista estrangeira

Tipo Assaltos

Autores Não identi cados

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 43

ASSÉDIO SEXUAL
Em maio, durante uma entrevista com Depois da repercussão negativa
o cantor de funk MC Biel, a ornalista do do epis dio, Biel pediu desculpas
portal IG, Giulia Pereira, de 21 anos, foi por meio de redes sociais.
vítima de assédio sexual. Enquanto os dois
conversavam, o artista fez comentários No nal do ano, durante uma audiência,
e se referiu de maneira impr pria os dois chegaram a um acordo. O funkeiro
rep rter. O encontro foi todo gravado. aceitou pagar cinco salários mínimos a
uma instituição de caridade em troca do
m do processo. No encontro, ele também
se desculpou com a pro ssional.

CASOS 1 Vítimas 1

PERFIL DO ASSÉDIO SEXUAL

Região Sudeste

Sexo Mulheres

Cobertura Entretenimento

Veículo Portal

Autor Cantor

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44 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

CENSURA
O tipo de censura mais comum no Brasil em durante o vel rio de um policial militar.
2016 foi a proibição do trabalho ornalístico. Temendo por sua integridade física, ele
Expulsos de locais onde fariam coberturas disse ter se sentido obrigado a se livrar das
ou simplesmente impedidos de entrar imagens ao ser cercado por um grupo de
ou de registrar imagens, representantes policiais paisana. Os homens o xingaram
de vários veículos se viram impedidos e ainda ameaçaram levar seu equipamento.
de exercer livremente a pro ssão. “O mais curioso é que tudo isso aconteceu
a apenas alguns metros de onde estava
Entre os censores estão policiais, políticos sentado o secretário de Segurança
e até dirigentes de futebol, o que demonstra Pública. Eu até o chamei e pedi que ele
a enorme di culdade que guras públicas intercedesse em minha defesa, diante
de vários setores ainda têm de conviver da violência, mas ele apenas olhou e
com a transparência e a divergência de não fez nada”, declarou Mesquita ao
opini es. Em muitos casos, os pro ssionais MidiaNews logo depois do epis dio.
de imprensa foram ainda obrigados a se
desfazer de imagens que contrariavam O problema é maior nas regiões Sudeste
interesses dos envolvidos nas apurações. e Norte, com quatro casos registrados
em cada uma dessas áreas.
Em Cuiabá, no Mato Grosso, o rep rter
fotográ co Marcus Mesquita, do site
MidiaNews, teve de apagar fotos feitas

CASOS 12 Vítimas pelo menos 1
(*) Entre profissionais e veículos

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 45

PERFIL DA CENSURA
Sudeste SP e 1 RJ
Norte PA e 1 RR
Região Sul SC
Nordeste PE
Centro-oeste MT

Homens 8
Sexo Mulheres
Não identi cado

Política 8
Esporte
Cobertura
Saúde
Polícia

Jornais
TVs
Coletivos de mídia
Veículo*
Sites
Freelancer
Assessores de imprensa

Expulsão/proibição de cobertura 8
Tipo** Apagar imagens
Exemplares recolhidos

Policiais
Políticos
Bombeiros
Médica
Censores
Manifestantes
Estudantes
Não identi cados
Diretores time de futebol
(*) Em alguns casos, a censura foi dirigida a mais de um veículo (**) Em alguns casos houve mais de um tipo de censura

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DETENÇÕES
A Polícia Militar foi a grande responsável Homens da guarda municipal de Nova
pelas detenç es de ornalistas em 2016. Das Lima, na região metropolitana de Belo
sete prisões registradas em seis estados, Horizonte MG , e agentes do Detran do
cinco foram feitas pela PM ou com a Amazonas também efetuaram detenções. O
participação de homens da corporação. fot grafo Cl vis Miranda, do ornal A Crítica,
Em geral, os pro ssionais foram chegou a ser algemado por funcionários do
acusados de desacato – ofensa a um Departamento de Trânsito depois de fazer
funcionário público – ou desobediência imagens de uma abordagem a motoristas
– desrespeito a uma ordem legal. que haviam estacionado irregularmente
em uma rua de Manaus AM .

CASOS Vítimas
(*) Mais de uma vítima em alguns casos

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 47

PERFIL DAS DETENÇÕES
Sudeste MG
Sul PR e RS
Região
Nordeste SE e PI
Norte AM

Homens
Sexo
Mulheres

Desocupações
Polícia
Cobertura Saúde
Cidades
Ameaça de bomba

TVs
Veículo Jornais
Rádio

Desacato
Tipo de
Desobediência
Acusação
Não de nido

Policiais
Autores* Agentes do Detran
Não identi cado
(*) Houve mais de um agressor em um dos casos

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48 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

DECISÕES JUDICIAIS
Entidades internacionais ligadas liberdade cabeça enquanto registrava um confronto
de imprensa e de expressão têm elogiado entre manifestantes e policiais durante
o Brasil pela condenação de acusados de um protesto, no centro do Rio, contra o
assassinatos de pro ssionais de mídia. aumento das passagens de ônibus.
Embora o aumento nas punições ainda
seja modesto, dizem essas organizações, A Justiça Eleitoral no Paraná também
ele é superior ao de outros países que decidiu a favor do jornalismo quando
enfrentam o mesmo tipo de problema. considerou censura prévia o pedido de
uma coligação partidária para impedir
Levantamento feito pelo CPJ mostra entrevistas veiculadas na programação da
que o Brasil, nos últimos três anos, Jovem Pan de Maringá durante as eleições.
condenou suspeitos pelas execuções O uiz que analisou o caso reconheceu o
de seis jornalistas, o que, segundo a interesse coletivo da informação e a rmou
entidade, é mais do que foi feito por que a rádio estava apenas exercendo
qualquer outro país no mesmo período. seu direito liberdade de imprensa.

Em abril, a Justiça do Maranhão, por Mas nem sempre as decisões judiciais
exemplo, voltou a condenar Marcos Bruno representam avanços. Dos 1 casos
de Oliveira, acusado de participação na registrados em 2016, 12 contrariavam
morte do ornalista Décio Sá, a 1 anos e três interesses do jornalismo independente.
meses de prisão. Oliveira foi apontado como Juízes de vários estados ordenaram
o motociclista que deu fuga a Jhonathan a prisão de pro ssionais e proibiram
de Sousa Silva, assassino confesso do veículos de publicar informações.
ornalista. O réu á havia sido condenado Em situaç es extremas, chegaram a
em fevereiro de 201 , mas recorreu da determinar a quebra de sigilos telefônicos
decisão e teve o julgamento anulado pelo na tentativa de descobrir a origem de
Tribunal de Justiça do Maranhão. m reportagens, uma clara ameaça a um
novo úri popular con rmou o veredito. dos pilares do jornalismo: o direito
constitucional do sigilo da fonte.
Décio Sá foi executado em 201 ,
depois de denunciar um esquema Outros epis dios mostram que a Justiça
de agiotagem com a participação de vem claramente sendo utilizada como uma
prefeitos e ex prefeitos maranhenses. forma de intimidar pro ssionais. No Paraná,
magistrados que tiveram seus salários
Já em setembro, o Superior Tribunal de revelados em uma reportagem ingressaram
Justiça decidiu que os dois acusados de com dezenas de ações idênticas, mas
atirar o ro ão que matou o cinegra sta individuais, contra o jornal Gazeta do Povo,
Santiago Andrade deverão responder por três de seus rep rteres e o responsável
homicídio quali cado e com dolo eventual, pelo visual grá co da publicação. Para
o que signi ca que Fabio Raposo e Caio poder comparecer s audiências, os
Silva de Souza assumiram o risco de matar. jornalistas foram obrigados a passar até
Funcionário da Band, Andrade foi ferido na quatro dias da semana sem trabalhar.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 49

Em um caso de grande repercussão, o na linha de confronto entre a polícia e os
juiz Olavo Zampol Júnior, de São Paulo, manifestantes”. Com isso, diz Zampol, o
ainda considerou o fotojornalista Sérgio fot grafo voluntária e conscientemente
Andrade, ferido pela polícia durante uma assumiu o risco de ser alvejado por
manifestação, culpado pela agressão que alguns dos grupos em confronto”.
sofreu. O fot grafo, que perdeu a visão de
um olho ao ser atingido por uma bala de Andrade pedia indenização por danos
borracha disparada por um policial, entrou moral, estético e material, uma pensão
com um pedido de indenização contra mensal e a uda nanceira para custeios
o Estado de São Paulo. Em seu texto, o médicos. Ainda cabe recurso da decisão.
uiz a rma que o incidente ocorreu por
culpa exclusiva do autor, ao se colocar

CASOS 1

PERFIL DAS DECISÕES JUDICIAIS
Contra a imprensa
A favor da imprensa
Decisões Condenação
Decisões relacionadas
a assassinatos

Sudeste SP, 1 RJ e 1 MG
Sul PR e 1 RS
Região Nordeste CE, 1 BA e 1 MA
Centro-Oeste DF
Norte PA

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50 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

Comparação com
Anos Anteriores

COMPARAÇÃO / ANOS ANTERIORES
2016
201 8
Assassinatos
201 /201
2012/201

2016
201
Atentados
201 /201
2012/201 8

2016
201
Agressões
201 /201
2012/201

2016
201
Ameaças
201 /201
2012/201

2016
201
Intimidações
201 /201
2012/201

2016
201
Ataques / vandalismos
201 /201
2012/201

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 51

COMPARAÇÃO / ANOS ANTERIORES
2016
201
Ofensas
201 /201 -
2012/201 -

2016
201 -
Assédio Sexual
201 /201 -
2012/201 -

2016
201 -
Roubos e Furtos
201 /201 -
2012/201 -

2016
201 -
Censura
201 /201
2012/201

2016
Condenações/ 201
Decisões judiciais 201 /201
2012/201 -

2016
201 8
Detenções
201 /201
2012/201 -

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52 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

As Olimpíadas
de 2016

Com a realização das Olimpíadas no Rio, Jornalistas quenianos ainda a rmaram
jornalistas do mundo inteiro desembarcaram ter sido intimidados por policiais que,
no país. Em ulho, muitos pro ssionais á mesmo depois de terem visto as
estavam na cidade, de nindo detalhes para credenciais de imprensa do grupo,
a cobertura. Facilmente identi cáveis e zeram revistas pessoais com armas
portando equipamentos caros e chamativos, em punho. Achamos que era por causa
acabaram se tornando alvo de criminosos da nossa cor de pele”, disse um deles.
pro ssionais e também amadores. Os casos ocorridos durante as Olimpíadas
foram contabilizados parte, por
Nesse período, foram registrados cinco fazerem parte de um período atípico.
casos de furtos, um de intimidação e
uma tentativa de roubo – que s não
foi concretizada porque a equipe de
TV australiana abordada pelos ladrões
estava acompanhada de seguranças.

CASOS Vítimas pelo menos 11
(*)Houve mais de uma vítima por caso

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 53

PERFIL DOS CASOS
Quenianos
Australianos
Filipinos
Nacionalidade
Americano
Japonês
Brasileiro

Homens
Sexo
Mulheres

TV
Veículo Não identi cado
Agência

Roubos ou furtos
Crimes Tentativa de roubo ou furto
Intimidação

Não identi cados
Autores Polícia
Estrangeiros

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54 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

A tragédia da
Chapecoense

Nem sempre a morte de jornalistas tem Entre os mortos estavam seis
relação com o exercício da atividade pro ssionais do canal Fox Sports, três
pro ssional. 2016 cará para sempre da TV Globo, cinco do grupo RBS e
marcado como o ano em que um seis de rádios de Chapec SC .
acidente aéreo interrompeu a carreira de
20 representantes de diversos rgãos Até agora as investigaç es mostram
de imprensa. Rep rteres, cinegra stas, que o acidente, que aconteceu no
produtores, narradores e comentaristas dia 2 de novembro, em territ rio
que acompanhavam a Chapecoense colombiano, pode ter sido causado por
para o primeiro ogo da nal da Copa falta de combustível – o que s torna
Sul-Americana na Colômbia perderam o epis dio ainda mais perturbador.
a vida naquela que á é considerada a
maior tragédia do ornalismo brasileiro. A ABERT espera que o caso seja apurado
com rigor e que os eventuais culpados
Apenas um pro ssional de imprensa possam ser responsabilizados pela tragédia.
sobreviveu queda do avião. Rafael Aproveita ainda para homenagear esses
Henzel, da Rádio Oeste Capital, de pro ssionais ovens e experientes que
Chapec , foi retirado dos escombros acreditavam no valor da informação e se
com fraturas, mas se recupera bem. dedicavam à cobertura do esporte que mais
Além dele, foram resgatados com vida simboliza o povo brasileiro. s famílias, que
apenas três ogadores e dois tripulantes. perderam pais, maridos e lhos na queda
Havia 2 passageiros e nove funcionários da aeronave, toda a nossa solidariedade.
da companhia aérea a bordo.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 55

Jornalistas mortos no acidente

André Podiacki Ari de Araújo Jr. Bruno Mauri Devair Paschoalon Djalma Araújo Neto
Diário Catarinense, TV Globo da Silva Fox RBS
RBS RBS

Douglas Dorneles Edson Ebeliny Fernando Schardong Gelson Galiotto Giovane Klein
Rádio Chapecó Rádio Super Condá Rádio Chapecó Rádio Super Condá Victória
RBS

Guilherme Laars Guilherme Marques Jacir Biavatti Laion Espíndula Lilacio Pereira Jr.
TV Globo TV Globo Rádio Vang FM GloboEsporte.com, Fox
RBS

Mário Sérgio Paulo Clement Renan Agnolin Rodrigo Santana Victorino Chermont
Fox Fox Rádio Oeste Gonçalves Fox
Capital e RIC TV Fox

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56 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

Artigo RSF

Violência contra comunicadores persiste como
ameaça à liberdade de expressão no país

O número de casos de violência contra agentes de segurança pública são os
jornalistas no Brasil vem aumentando nos responsáveis por essas agress es.
últimos anos. Entre 2012 e 2016, ao menos
21 comunicadores foram assassinados no É importante lembrar que toda violência
país por motivos diretamente ligados com o contra um comunicador representa não
seu exercício pro ssional. Se consideramos somente um ataque direto integridade
apenas esse período, o Brasil é atualmente da pessoa, mas também uma afronta
o segundo país das Américas onde mais liberdade de expressão da sociedade como
se mata ornalistas, atrás apenas do um todo. O Estado tem a obrigação de
México. Na maioria dos casos, as vítimas prevenir e investigar essas ocorrências,
são radialistas, blogueiros ou diretores sancionar seus autores e assegurar
de ornais locais, que atuam em cidades reparação adequada s vítimas.
do interior, fora das grandes capitais,
e que abordam temas particularmente A ampliação do mecanismo nacional
sensíveis, como casos de corrupção de proteção de defensores de direitos
e a atuação de grupos criminosos. humanos para que integre também
comunicadores em situação de risco,
Além dos assassinatos, os ornalistas ou ainda a criação de um observat rio
são alvos cada vez mais recorrentes público da violência contra os ornalistas,
de agress es, em particular durante a são algumas das medidas que vêm
cobertura de protestos. Entre unho de sendo defendidas pela Rep rteres Sem
201 e o nal do ano passado, foram mais Fronteiras para a reversão desse quadro.
de 00 casos registrados – entre balas
de borracha, spray de pimenta, bombas
de gás, golpes de cassetete, destruição Emmanuel Colombié
de equipamentos e ataques verbais. Na Diretor Regional para a América Latina
grande maioria das situaç es, os pr prios da Rep rteres Sem Fronteira

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 57

Artigo UNESCO

A violência contra os jornalistas
afeta toda a sociedade

A liberdade de imprensa é a força vital a udar os países a elaborarem legislação
da democracia. Evidências inquietantes, especí ca para proteger ornalistas. A
mostram, em todo o mundo, o crescente Organização também produz manuais
número de ataques contra ornalistas, práticos sobre o tema, acompanha os
se a por violência física, se a por meio de processos judiciais de casos de violência
ameaças, processos udiciais, pris es e contra ornalistas e, por meio de relat rios,
ausência de investigação e punição de faz alertas sobre as estatísticas.
crimes cometidos contra os pro ssionais
da mídia. Diante disso, para resguardar a No Brasil, nos últimos três anos, o número
pr pria vida, muitas vezes a única opção do de assassinatos de jornalistas também
ornalista é praticar a autocensura. Fato que vem crescendo. A promoção da segurança
afeta toda a sociedade, pois sem a liberdade dos jornalistas e o combate à impunidade
de imprensa, é impossível haver uma requerem mecanismos de prevenção. A
cidadania informada, ativa e enga ada, além NESCO está disposição das instâncias
de ferir o direito fundamental liberdade nacionais responsáveis para cooperar no
de expressão, assegurado pelo Artigo 1 avanço de políticas públicas sobre o tema.
da Declaração dos Direitos Humanos.

A NESCO está frente de esforços
internacionais para combater a violência
contra os jornalistas e a impunidade dos
agressores. Por meio do Plano de Ação
das Naç es nidas sobre a Segurança dos
Jornalistas e a Questão da Impunidade, a
NESCO colabora com outras agências Lucien Muñoz
da ON , governos, mídia e ONGs para Representante da UNESCO no Brasil

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CASOS DE
VIOLÊNCIA

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60 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

CASOS DE VIOLÊNCIA

AGRESSÕES FÍSICAS
de ja eiro – Os jornalistas Jean Raupp,
Eduardo Gonzales e Thiago Guerreiro,
da TV Globo, foram ameaçados e
agredidos por taxistas que protestavam
contra a regularização do serviço de
transporte pelo aplicativo Uber, em São
Paulo SP . Os manifestantes também
dani caram o equipamento e esvaziaram
os pneus do carro de reportagem.

de ja eiro – O rep rter Rosinaldo
Guedes e o cinegra sta Joás Ferreira,
da Rede TV! em Rondônia, foram
agredidos com pedradas e socos durante
cobertura de uma rebelião na Colônia
Agrícola Penal nio Pinheiro. O carro
da emissora também foi apedrejado.

de ja eiro – Márcio Mercante, rep rter
fotográ co do ornal O Dia, foi empurrado
de uma altura de metros por ovens que
estavam na Pedra do Arpoador, na Zona Sul
do Rio de Janeiro RJ . Mercante fotografava
a praia quando foi ameaçado pelos jovens,
que carregavam bebida alco lica. Com a
queda, o pro ssional teve os dois pulsos
fraturados e várias luxações pelo corpo.

de ja eiro – Rep rteres e fot grafos
foram agredidos pela Polícia Militar durante
ação contra manifestantes concentrados na
Av. Paulista, em São Paulo SP . Imagens
registradas por câmeras de celulares e
equipes de televisão mostram que, mesmo

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 61

identi cados, os ornalistas foram alvo de por simpatizantes do deputado Jair
golpes de cassetete, empurrões e bombas Bolsonaro PP/RJ , que esteve na capital
de efeito moral. Entre os agredidos estavam gaúcha para ministrar uma palestra.
Fernanda Azevedo, da TV Gazeta Pedro
Belo, da equipe de vídeo da Ve a São Paulo de ja eiro – O fot grafo Nando
Márcio Neves, videorrep rter do OL Matheus, da agência Raw Images, foi
Alice Vergueiro, fot grafa da Folhapress atacado por taxistas na saída de uma
Francisco Toledo, fot grafo da agência festa na zona Sul de São Paulo SP .
Democratize Camila Salmazio, rep rter da Os motoristas bloquearam a avenida
Rede Brasil Atual Felipe Larozza, fot grafo Brigadeiro Luiz Antônio em protesto
da VICE Raul Dória, fot grafo freelancer contra a presença de carros do aplicativo
Alex Falcão, fot grafo da Futurapress Uber e começaram a depredar veículos
Caio Cestari, fot grafo autônomo. pretos indiscriminadamente. Ao notar
que Nando Matheus registrava a cena,
de ja eiro – Durante as manifestações os taxistas perseguiram o fot grafo e
do Movimento Passe Livre MPL contra o tentaram obrigá-lo a apagar as imagens.
aumento da tarifa do transporte, em São O pro ssional caiu no chão, teve o
Paulo SP , a rep rter da CBN Cinthia Gomes equipamento parcialmente dani cado,
foi atingida por uma bala de borracha. Já o mas conseguiu salvar as fotogra as.
produtor da TV Record Edrien Esteves foi
agredido quando tentava registrar a prisão de e ereiro – O jornalista da Rádio Líder
de manifestantes. O diretor da Trip TV, Angelo Junior Radavelli foi agredido com
Diógenes Muniz, também foi agredido por socos e chutes pelo vereador licenciado
policiais com chutes e golpes de cassetete. Tomaz Alberto Conrado PMDB , conhecido
como Tomate, dentro das dependências da
de ja eiro – Jornalistas de vários Câmara de Vereadores de Herval d´Oeste
veículos foram agredidos durante dispersão SC . A agressão ocorreu ap s a publicação
de manifestantes na Praça da República de reportagem que questionava a nomeação
SP ap s cerco policial a um protesto. O do vereador para a Secretaria de Habitação
rep rter fotográ co da Folha de S.Paulo em meio a um processo de contenção de
Avener Prado foi ferido com uma bala despesas anunciado pelo prefeito da cidade.
de borracha e o cinegra sta da TV Drone
Juliano Vieira, por estilhaços de uma de e ereiro O rep rter fotográ co
bomba. Já a rep rter fotográ ca do ornal Daniel Castelo Branco, do jornal O
O Estado de São Paulo Gabriela Biló foi Dia, foi agredido com socos enquanto
agredida com golpes de cassetete e acompanhava o enterro de um ovem.
atingida por jatos de spray de pimenta no O rapaz foi morto em uma operação de
rosto. Também o rep rter fotográ co da repressão ao trá co de drogas no Complexo
agência Brazil Photo Press, Warley Leite, da Maré, zona norte do Rio de Janeiro
foi atingido por spray de pimenta no rosto. RJ . A família da vítima não queria que
a imprensa acompanhasse o enterro. O
de ja eiro – Em Porto Alegre RS , os fot grafo teve ferimentos no rosto.
jornalistas Eduardo Paganella, da Rádio
Guaíba Luciena Kohlmann, do SBT Luiz
Sérgio Dibe, do Correio do Povo Marcus
Meneghetti, do Jornal do Comércio Marcus
Pena, da TV Record, e Paulo Germano, do
Zero Hora, foram agredidos e hostilizados

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62 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

de arço – O rep rter cinematográ co de a ri – O rep rter Mateus Mitterer,
Francisco Leandro da Silva Paulo, que da Rádio Líder de Herval d’Oeste, em
trabalha em uma produtora de vídeo Santa Catarina, teve o gravador quebrado
prestadora de serviços para a TV pelo vereador licenciado e secretário de
Verdes Mares, foi atingido por garrafas Habitação, Tomaz Alberto Conrado PMDB .
de água mineral arremessadas por O jornalista estava no Paço Municipal
manifestantes. O pro ssional registrava para entrevistar algumas autoridades
imagens de um protesto em Fortaleza quando foi abordado pelo secretário, que
CE contra a condução coercitiva do reclamava de reportagens feitas sobre
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ele. Ao tentar registrar as ofensas, Mitterer
para um depoimento Polícia Federal. teve o gravador arrancado de suas mãos
e ogado no chão. Essa foi a segunda vez,
de arço – Os rep rteres Renato Biazzi em menos de um mês, que o secretário
e David Irikura foram empurrados por agrediu um pro ssional de imprensa.
manifestantes que estavam no Aeroporto
de Congonhas SP , durante depoimento de a ri – A jornalista da TV Correio/
do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva SBT Marabá Jhenefer Duarte sofreu
Polícia Federal. Os manifestantes também escoriaç es ap s ser atingida por um
arrancaram e quebraram a câmera da explosivo durante protesto contra a extinção
rep rter da TV Globo Mayara Teixeira. do sétimo horário nas escolas. Estudantes
e educadores da rede estadual participaram
de arço – O rep rter Juliano Dip da manifestação em Marabá PA .
e o rep rter cinematográ co Gabriel
Shinjimax, da Band, foram empurrados de a ri O rep rter fotográ co
por manifestantes que estavam em frente Rivaldo Gomes, do jornal Agora, que
ao prédio onde mora o ex-presidente Luiz pertence ao Grupo Folha, foi agredido
Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do enquanto registrava o movimento na
Campo SP . A equipe esperava a saída do praia do Boqueirão, em Santos SP .
petista, que seria conduzido coercitivamente Gomes foi brutalmente atacado por um
para prestar depoimento Polícia Federal grupo de 10 pessoas ap s o dono de um
no Aeroporto de Congonhas. A câmera de estabelecimento pr ximo ao local em que
Shin imax foi quebrada pelos manifestantes. estava o pro ssional acreditar que ele
tirava fotos de sua mulher. Ao se negar
8 de março – A equipe do rep rter Fábio a apagar as fotos, o fot grafo recebeu
Menegatti, da Rede Record, foi agredida chutes e socos. Gomes sofreu les es na
durante apuração de reportagem sobre perna e no braço, além de ter uma pr tese
golpe aplicado por donos de uma loja dentária quebrada e dentes fraturados.
de carros de luxo em São Paulo SP . Os As agress es tiveram m quando o grupo
consumidores vendiam os veículos para a tomou a câmera fotográ ca de Gomes. A
lo a e recebiam cheques sem fundo como Polícia Militar recuperou o equipamento.
pagamento. A equipe registrou o momento
em que um dos s cios bateu no câmera. de a ri – O rep rter Wilares Sousa e o
rep rter cinematográ co Arielton Feitosa,
de arço – O jornalista Rodrigo Santos TV RBA/Santarém PA , foram agredidos
foi agredido durante um programa de pelo responsável por uma embarcação
televisão ao vivo, na Praça Ary Coelho, onde um funcionário morreu. Além
no centro de Campo Grande MS . m das agressões, a câmera da equipe foi
homem interrompeu a transmissão, quebrada e arremessada no rio Tapa s.
xingando o jornalista. Com uma bengala,
ele ainda atingiu o braço de Santos.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 63

de a ri - A jornalista da rádio CBN Annie de aio – A rep rter fotográ ca da
Zanetti foi agredida por um policial militar Revista Az Mina Paula Froes foi atacada
enquanto lmava com o celular um protesto por um policial militar em Brasília DF ,
de estudantes no centro de São Paulo SP . durante protesto a favor da então presidente
A rep rter cobria a manifestação contra a Dilma Rousseff. Ela fotografava a reação da
má a da merenda e o corte de recursos para PM contra um grupo de três mil mulheres
a educação quando um PM lançou jatos contrárias ao impeachment, quando,
de spray de pimenta. Zanetti foi atingida mesmo identi cada como pro ssional
na orelha, pescoço e rosto. Ela estava de imprensa, foi atingida no rosto por um
identi cada com um crachá de imprensa e jato de spray disparado por um policial.
seu celular tinha a logomarca da emissora.
de aio - A produtora da TV Globo
de aio – Uma equipe de reportagem Roniara Castilho foi agredida por
da RBS TV, a liada da Rede Globo em Porto manifestantes durante a cobertura do
Alegre RS , foi agredida durante cobertura pronunciamento da então presidente
das manifestaç es de 1 de maio. A rep rter Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto,
Guacira Merlin fazia uma gravação sobre em Brasília DF . Sob a orientação da
o protesto, promovido por sindicatos equipe do Planalto, Castilho e a rep rter
ligados Central nica dos Trabalhadores Zileide Silva se dirigiam para a área
C T em favor da então presidente externa para acompanhar o discurso. O
Dilma Rousseff, quando um homem se local estava cercado por militantes que
aproximou da equipe e chutou o apoio passaram a hostilizar as duas ornalistas.
da câmera, dani cando o equipamento.
O agressor não foi identi cado. de aio O rep rter Marcelo Cosme
e o cinegra sta Wesley Araruna, ambos
de aio - Clenildo Amaral, jornalista da TV da GloboNews, sofreram agress es
Ponta Negra, a liada do SBT em Santarém durante a cobertura do afastamento e
PA , levou uma cusparada de um preso despedida da presidente Dilma Rousseff,
durante entrevista para o programa policial no Palácio do Planalto. Os jornalistas
Rota. Amaral revidou a agressão com foram empurrados por seguranças da
um murro no rosto do preso. Em seguida, presidente afastada. Araruna chegou
o detento foi levado pelos policiais. a ser derrubado no chão. A equipe da
TV Globo também foi hostilizada por
de aio - O jornalista Mauro Donato, do manifestantes contrários ao impeachment.
portal Diário do Centro do Mundo DCM ,
foi agredido pela Polícia Militar enquanto de aio – O rep rter Odilon Amaral, o
fazia a cobertura da reintegração de posse rep rter cinematográ co Henrique Stênio
do Centro Paula Souza, em São Paulo e o auxiliar-técnico Alexandre Luís da
SP . Donato sofreu um corte profundo no Silva, da TV Globo, foram agredidos por
supercílio ap s levar golpes de cassetete. manifestantes durante protesto contra o
Ele contou ter sido atacado de repente. governo interino de Michel Temer, no centro
de Belo Horizonte MG . Além de sofrer
de aio Os rep rteres André Falcão, agressões, a equipe foi expulsa do local.
da TV Gazeta, Geílson Ferreira, da TV
Tribuna, e Suelen Araújo, da TV Vit ria, de aio – A jornalista Gabriela Biló,
foram agredidos durante cobertura de um do jornal O Estado de S.Paulo, e dois
protesto a favor da então presidente Dilma fot grafos foram agredidos por policiais
Rousseff, em Vit ria ES . Além de ameaças militares enquanto faziam reportagem
com bombas de gás lacrimogêneo, as sobre uma manifestação de estudantes
equipes foram atingidas com chutes no centro da cidade de São Paulo SP .
e socos dados por manifestantes.

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64 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

de j o O rep rter Hermínio Bernardo, de j o – Uma equipe da Rede
da CBN, e uma equipe da TV Globo Amazônica de Macapá AP foi impedida
foram hostilizados por manifestantes por um funcionário da Companhia de gua
do Movimento dos Trabalhadores Sem e Esgoto do Amapá Caesa de trabalhar. O
Teto MTST durante protesto contra a cinegra sta Rômulo Cantanhede gravava
suspensão de contratos do programa Minha uma reportagem sobre falta de água no
Casa Minha Vida em frente ao escrit rio con unto habitacional Macapaba, na Zona
da Presidência da República, em São Paulo Norte de Macapá, quando ele e a rep rter
SP . Além de xingar os ornalistas, um dos Ruanne Lima foram surpreendidos por
manifestantes agrediu Bernardo com um um homem. Identi cado como Ednelson
soco na orelha. Na mesma manifestação, Lima de Amorim, o funcionário empurrou
um repórter dos Jornalistas Livres também Cantanhede, puxou a câmera, exigiu a saída
foi agredido com um cassetete por policiais. da equipe do local e ainda tirou a chave do
carro de reportagem. As ameaças, feitas
de j o – A jornalista Martha Raquel aos gritos, foram gravadas por Cantanhede
Rodrigues, dos Jornalistas Livres, pouco antes de a câmera ter sido dani cada.
foi agredida por cinco mulheres do
Movimento Brasil Livre com um cabo de j o – O jornalista e ex-presidente
de vassoura, durante manifestações em da Fundação Biblioteca Nacional Galeno
São Paulo SP . Ela vestia uma camiseta Amorim foi agredido pelo coordenador do
vermelha no momento do ataque. 1 Batalhão de Polícia Militar do Interior
BPMI , ma or Paulo Sérgio Fabbris, durante
de j o – Uma equipe da Rádio 0 e uma desocupação de terra. Amorim cobria
a rep rter da Rádio CBN Rafaela Carvelo a operação em Ribeirão Preto SP quando,
foram empurradas e hostilizadas durante ao se aproximar de alguns manifestantes,
protesto por segurança no campus foi barrado pelos policiais militares. Em
da Universidade Federal de Goiás, em seguida, o pro ssional teve o braço torcido,
Goiânia GO . A rep rter Mônica Novaes foi algemado, colocado força dentro
e seu cinegrafista, ambos da TV Record, da viatura e levado para a delegacia. Em
também foram ameaçados e tiveram os nota, a PM informou que o jornalista
equipamentos tomados por manifestantes. invadiu a área de segurança e foi contido
pelos agentes com “força moderada”.
de j o – Quatro fotojornalistas foram
agredidos por seguranças do Metrô ao de a o to – O rep rter da Rádio Cidade
registrarem um tumulto ocorrido na estação , e assessor de Imprensa da Câmara
ruguaiana, no Rio de Janeiro RJ . Os Municipal de Janaúba MG , Benjamin de
pro ssionais fotografavam a repressão Oliveira Júnior, foi agredido com socos e
aos jovens que pulavam as catracas do tapas pelo advogado Alex Otaviano Gatinho,
metrô voltando de uma manifestação que move processo contra Oliveira Júnior e
contra as Olimpíadas, quando foram outros jornalistas da cidade. As agressões
atacados. Matias Maxx, da VICE, Roger aconteceram dentro da Câmara Municipal.
McNaught, da Tribuna da Imprensa
Sindical e Ellan Lustosa, freelancer, foram de a o to – A rep rter Daniella Laso,
estrangulados com “gravatas” e detidos. da Rádio CBN, foi agredida por policiais
Os três foram liberados s de madrugada. durante operação na Cracolândia, em São
Katja Schilirò, também freelancer, Paulo. De dentro do carro da emissora, ela
teve a lente da câmera dani cada. As registrava a reação da PM contra moradores
agressões foram registradas em vídeo. de rua que haviam atirado pedras no
batalhão. Os policiais revidavam com
bombas de gás lacrimogêneo quando, ao
perceberem que estavam sendo lmados,

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 65

foram até o carro de reportagem. Em na cabeça, e sua câmera foi totalmente
seguida, puxaram de forma truculenta o destruída por chutes. Os cart es de
motorista para fora do veículo, arrancaram mem ria dos equipamentos dos dois
o celular da mão da rep rter e apagaram fot grafos também foram apagados.
as gravações. Os policiais ainda revistaram Ambos foram detidos por algumas horas
a bolsa da ornalista, o veículo e a mochila e liberados sem boletim de ocorrência.
do motorista. Os dois pro ssionais foram
detidos por mais de meia hora e ameaçados de a o to – O rep rter Luiz Fara
de serem levados, algemados, para a Monteiro, da TV Record, foi agredido
delegacia. A equipe estava identi cada com socos nas costas por manifestantes
com o crachá da CBN. O motorista ainda contrários ao impeachment da então
vestia camiseta com a logo da emissora. presidente Dilma Rousseff, no Palácio da
Alvorada, em Brasília DF . Aos gritos de
de a o to – O rep rter Beto Garcia, “fora golpistas”, os manifestantes ainda
da Rádio Saudades FM, de Matão SP , jogaram terra no jornalista, que ainda foi
foi agredido enquanto tentava registrar atingido no peito por uma pedra. Com uma
um acidente de trânsito. Herbert Jardim, revista na mão, uma militante da CUT bateu
lho da vítima, chegou ao local de no rosto de Monteiro diversas vezes.
forma truculenta e, aos gritos, xingou as
pessoas que prestavam socorro a seu de a o to – Uma equipe de
pai. Ao perceber a presença do rep rter, reportagem da TV Cidade foi agredida
Jardim atacou o pro ssional com golpes por populares que não queriam o registro
de enforcamento e exigiu que o vídeo de um homicídio no Bairro Timb , em
fosse apagado. O agressor ainda tentou Maracanaú CE . O cinegra sta teve a
jogar o jornalista no rio São Lourenço. roupa rasgada e o equipamento dani cado.
Na mesma cobertura, uma equipe da
de a o to – Uma repórter do TV Diário foi hostilizada e teve que
jornal Brasil de Fato foi atingida no deixar o local antes de ser agredida.
rosto por um jato de spray de pimenta
lançado por um policial. Ela cobria um de ete ro – O rep rter da BBC Brasil
protesto contra o impeachment da Felipe Souza foi atingido por vários golpes
então presidente Dilma Rousseff, na de cassetete desferidos por PMs durante
Avenida Paulista, em São Paulo SP . manifestação contra o governo de Michel
Temer, na Zona Oeste de São Paulo SP .
de a o to – A rep rter do coletivo O ornalista estava identi cado com colete
Jornalistas Livres Kátia Passos foi e crachá da imprensa, mas, ainda assim,
atingida por estilhaços de bomba de foi vítima de pelo menos quatro policiais
efeito moral disparada por policiais militares. Felipe também teve o celular
militares. A pro ssional participava da dani cado enquanto fazia as gravaç es.
cobertura de uma manifestação contra
o impeachment da então presidente de ete ro – O jornalista Jorge Natal, da
Dilma Rousseff, em São Paulo. Folha do Acre, foi agredido pelo presidente
do PT em Porto Walter AC , Luís Carlos
de a o to – Os fot grafos Vinícius Ferreira da Silva. O fato ocorreu enquanto
Gomes e Willian Oliveira foram atacados Natal fazia uma reportagem sobre cinco
pela Polícia Militar de São Paulo durante funcionários “fantasmas” – um deles, o
protesto contra o impeachment da então pr prio agressor. A PM foi acionada e
presidente Dilma Rousseff. As agressões o petista fugiu em uma motocicleta.
aconteceram no momento em que os dois
registravam um acidente sofrido pelos
policiais. Gomes levou quatro pontos

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de ete ro – Quatro jornalistas foram por um policial militar. Ele fazia uma
agredidos por policiais militares durante reportagem sobre o assassinato de quatro
manifestação contra o governo Michel pessoas no bairro Meia Praia. Identi cado
Temer, em Fortaleza CE . O ornalista com o crachá de imprensa, Silva registrava
Gabriel Gonçalves, do Coletivo Nigéria, foi o momento em que a Polícia Militar
atingido com um tiro de bala de borracha tentou conter o pai de uma das vítimas,
na perna. O rep rter fotográ co Matheus que ultrapassou o cordão de isolamento
Dantas, do jornal O Povo, teve uma arma do local do crime, quando foi atacado.
apontada para a cabeça por um policial
militar que ainda ameaçou disparar caso ele de o t ro – A rep rter do ornal
fotografasse a prisão de um manifestante. O Globo Tatiana Farah foi atingida por
Yargo Gurjão, do Nigéria, foi alvo de spray duas balas de borracha disparadas por
de pimenta e balas de borracha. Já Bruno um policial do choque durante protesto
Xavier, também do Nigéria, sofreu uma contra a utilização de animais em testes
tentativa de atropelamento por um PM. farmacol gicos, em São Roque SP .
A ornalista estava identi cada como
de ete ro – Os rep rteres do portal pro ssional de imprensa, mas, ainda
UOL Leandro Prazeres e Kleyton Amorim assim, foi atacada. Uma bala passou de
foram agredidos enquanto cobriam raspão pelo couro cabeludo da rep rter e
manifestações durante o feriado do Dia a outra causou ferimentos nas costelas.
da Independência, em Brasília DF . Eles
foram atacados por membros de um de o t ro – Os rep rteres fotográ cos
grupo que protestava contra o governo Marlene Bérgamo, do ornal Folha de S.
Michel Temer. Prazeres foi empurrado Paulo, e Nelson Antoine, das agências
e atingido no rosto por uma garrafa. Já Fotoarena e AP, foram agredidos por
Amorim foi agredido com chutes por policiais durante protestos contra o leilão
manifestantes que tentaram pegar sua do pré-sal e pela educação, na Praça da
câmera fotográ ca, mas não conseguiram. República, em São Paulo SP . Antoine
recebeu golpes de cassetete e Bérgamo
de ete ro – O cinegra sta Amós teve o equipamento dani cado.
Alexandre, da GloboNews, recebeu um
soco de um PM, caiu, e, ao se levantar, foi de o t ro O rep rter Fábio Linhares,
empurrado novamente pelo mesmo policial. o cinegra sta Luciney Araújo e dois
O pro ssional foi então pisoteado por operadores técnicos da TV Gazeta,
manifestantes. Alexandre participava da a liada da TV Globo em Vit ria ES , foram
cobertura da CPI da Má a das Merendas, na agredidos por um grupo de 0 pessoas com
Assembleia Legislativa de São Paulo SP . pedaços de pau e pedras. Os pro ssionais
foram obrigados a deixar o local e buscar
de ete ro O rep rter fotográ co proteção em uma loja da região. A equipe
André Lucas Almeida, do coletivo de reportagem estava no bairro Itararé, onde
CHOC Documental, foi agredido por acontecia um confronto entre tra cantes
um soldado da polícia militar enquanto e policiais militares. O con ito começou
cobria o protesto contra o presidente depois da morte de um adolescente de
Michel Temer, na Avenida Paulista, em 1 anos que levou um tiro de policiais.
São Paulo. O ataque ocorreu depois
que o pro ssional tentou registrar a de o e ro – A rep rter fotográ ca do
agressão a uma vendedora ambulante. ornal Folha de S. Paulo Marlene Bérgamo
foi ferida no abdômen por uma bala de
de o t ro – O rep rter Sandro Silva, borracha disparada por um policial durante
do ornal Diarinho, de Navegantes SC , foi desocupação de um im vel no Centro
atingido por uma bala de borracha disparada de São Paulo SP . Antes de começar

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 67

a cobertura jornalística, Bérgamo se de o e ro – O rep rter
identi cou como pro ssional da imprensa cinematográ co da TVE Alexandre
e, mesmo com os braços levantados, foi Schiffner foi atingido por uma
atingida pelo disparo, feito a curta distância. bomba arremessada pela Brigada
Militar de Porto Alegre RS , durante
de o e ro – Um repórter manifestação contra o governo Temer.
cinematográfico da TV Globo foi cercado
e agredido com chutes nas costas por de o e ro O rep rter da Revista
torcedores do Vasco. O pro ssional estava Época Nonato Viegas foi agredido por
do lado de fora do estádio São Januário, manifestantes e teve o celular roubado
na Zona Norte do Rio de Janeiro RJ , durante a cobertura de protestos em
espera do m do treino. Ao saírem de Brasília DF . O ornalista foi empurrado
uma reunião com a diretoria do Vasco, e expulso do local. Segundo Viegas, os
os torcedores xingaram e intimidaram ataques começaram ap s os manifestantes
os pro ssionais que estavam no local. descobrirem que ele trabalhava na revista.

de o e ro – O jornalista Guilherme de o e ro - Os jornalistas Alceu
Ramalho, de O Globo, o rep rter Caco Castilho e André Takahashi, do portal
Barcellos e o cinegra sta Felipe Saleh, De Olho nos Ruralistas, foram agredidos
ambos da TV Globo, foram agredidos e expulsos de uma reunião da Frente
por manifestantes enquanto cobriam Parlamentar da Agropecuária, em Brasília
um protesto de servidores públicos em DF . Os pro ssionais foram retirados
frente Assembleia Legislativa do Rio de força por seguranças que ainda tentaram
Janeiro. Guilherme Ramalho foi atacado quebrar o equipamento de reportagem.
com pontapés quando manifestantes
identi caram um adesivo do ornal em de o e ro – O cinegra sta da
seu telefone celular. Ele conseguiu correr, a liada da Rede TV em Rondônia
mas foi atingido com socos e perdeu Raymundo Brito foi assaltado e
os culos. Caco Barcellos e Felipe esfaqueado no braço, durante reportagem
Saleh foram hostilizados e atingidos em uma escola de Porto Velho RO .
por objetos arremessados contra eles.
Barcellos também levou chutes e somente de o e ro O rep rter
conseguiu se livrar das agressões cinematográ co Edson Falcão, da Rede
com a ajuda de policiais militares. TV de Porto Velho RO , foi agredido com
Na mesma manifestação, o rep rter um soco no rosto durante seminário na
Gustavo Maia, do portal de notícias UOL, Biblioteca Francisco Meireles. O agressor,
teve o celular arrancado da mão enquanto um homem que não queria ser lmado,
gravava. Um repórter fotográfico do deixou o local sem ser identi cado.
jornal O Dia também foi agredido. Falcão ainda foi expulso da biblioteca
enquanto fazia imagens do evento.
de o e ro – Os rep rteres Paulo
Renato Soares, da TV Globo e Gabriela de o e ro – O rep rter Heraldo
Ferreira, da GloboNews, foram atingidos Almeida, da rádio Diário FM de Macapá
por spray de pimenta usado por policiais AP , foi agredido pelo deputado Moisés
federais enquanto cobriam a prisão do ex- Souza e seu advogado ao acompanhar o
governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. exame de corpo de delito do parlamentar,
logo ap s sua prisão. Souza tentou
tirar o celular do jornalista e também
o empurrou. O advogado agrediu o
pro ssional com um soco nas costas.

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de de e ro – Ronaldo Júnior, rep rter de de e ro – O rep rter da Rádio
cinematográ co da TV Equin cio, Gaúcha Daniel Fraga foi ferido durante
a liada da TV Record em Macapá AP , protesto em frente Assembleia Legislativa
foi agredido pelo advogado Marlon do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Nery da Costa quando tentava registrar Ap s entrar ao vivo para noticiar o
imagens de dois militares do Exército confronto entre manifestantes e a PM,
que haviam sido presos, acusados de foi atingido na cabeça por uma pedra.
participação em um assalto casa de
um juiz. Ao tentar impedir as imagens, de de e ro – O jornalista Marcos
Costa investiu contra o cinegra sta, Couto foi agredido com um soco no
atingindo-o nas pernas e pescoço. abdômen ao tentar impedir que uma
mulher derrubasse a câmera do rep rter
de de e ro – Julio Ribeiro, cinematográ co Miro Ribeiro, ambos da TV
comentarista esportivo e editor da Atalaia, a liada da Rede Record em Araca u
Revista Press, foi agredido com um SE . A equipe apurava a demora no socorro
soco pelo ex-presidente do Internacional a uma pessoa que havia sido assassinada
Fernando Miranda durante um programa na Zona Norte da cidade quando a mulher
ao vivo da lbra TV, em Canoas RS . se disse incomodada com a luz do
Miranda se irritou ap s ser questionado equipamento. Ao tentar se proteger das
sobre o rebaixamento do time para agress es, Couto chegou a solicitar a uda
a segunda divisão do Brasileirão. ao sargento J. Soares, que acompanhava a
entrevista, mas o militar ignorou o pedido.

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AMEAÇAS
de ja eiro – A jornalista Aline Thaís seguir os integrantes do MST até uma
Dessbesell, da Rádio Centro América, de espécie de acampamento, onde receberam
Sorriso MT , foi agredida verbalmente e novas ameaças de agressão física.
ameaçada de morte por Fernanda Poleto
Caixeta. Aline reproduziu notícia veiculada de arço – O rep rter fotográ co do
no portal do Poder Judiciário do Mato jornal Diário do Pará Ney Marcondes foi
Grosso sobre a condenação de Caixeta ameaçado de processo pela vereadora
por dano ao erário depois da utilização de Meg Barros PRP , durante sessão
máquinas públicas para a limpeza de um da Câmara de Vereadores de Belém
terreno de sua propriedade. Na mesma PA . A parlamentar exigiu que uma
ação, dois funcionários públicos foram foto feita por ele fosse apagada.
condenados por improbidade administrativa
e dano ao erário. A jornalista foi xingada de arço – O jornalista Alex Bezerra, do
de “vagabunda” e ameaçada de morte. portal Tribuna de Betim, foi ameaçado pelo
Fernanda deixou a sede da emissora vereador José Afonso Oliveira Pãozinho
ap s a chegada da Polícia Militar. enquanto caminhava no bairro Vian polis,
em Betim MG . Além de xingar o ornalista,
de e ereiro – O rep rter da Folha o vereador disse que estava sendo obrigado
Leandro Machado foi ameaçado por “a fazer uma besteira”. A ameaça aconteceu
policiais ferroviários que trabalham para depois da publicação de reportagens com
a CPTM Companhia Paulista de Trens denúncias de irregularidades cometidas
Metropolitanos . Machado presenciou dois pelo vereador. O jornalista ainda divulgou
policiais arrastando força um homem que Oliveira havia sido preso por dirigir um
para dentro de uma sala da estação veículo alugado pela Câmara Municipal
Itaquera, Zona Leste de São Paulo SP . enquanto estava alcoolizado. No trajeto, ele
Os policiais diziam que o rapaz havia teria atropelado um trabalhador e fugido
roubado um passageiro. Depois mudaram sem prestar socorro. A vítima morreu.
a versão e relataram que o homem era
um ambulante. Machado apresentou de arço – O jornalista Diego
o crachá do ornal e perguntou sobre o Escosteguy, editor chefe da revista
motivo da detenção e a causa dos gritos poca, foi ameaçado pelo Twitter ap s
do rapaz. Os policiais, fardados, armados criticar decisão do ministro do Supremo
e sem identi cação, obrigaram o rep rter Tribunal Federal Teori Zavascki de que
a entrar em uma sala da estação. Os dois a investigação contra o ex-presidente
ainda ameaçaram agredir Machado e Luiz Inácio Lula da Silva na Operação
disseram que, se fossem fotografados, iriam Lava Jato deve ser enviada ao STF. “Ele
processar o rep rter e levá lo delegacia. merece acordar cheio de formiga na boca ,
publicou um dos internautas. “Cuidado,
de arço – A rep rter Patricia Sonsin e o inconsequente, você ca disseminando
rep rter cinematográ co Davi Ferreira, da o dio, pode acabar experimentando
TV Tarobá, foram feitos reféns por membros do pr prio veneno , comentou outro.
do Movimento dos Sem Terra MST que
ocuparam uma propriedade rural em de arço – O chargista Ivan Cabral,
Quedas do Iguaçu, no Paraná. A equipe se do Novo Jornal, do Rio Grande do Norte,
aproximava da área para coletar imagens foi hostilizado e ameaçado de morte pelo
quando cerca de 0 pessoas, armadas com Twitter ap s ter uma de suas charges
escopetas, facões e pedras, ameaçaram adulterada e compartilhada nas redes
quebrar os equipamentos de gravação sociais. No trabalho original, intitulado
e os celulares. A equipe foi obrigada a “Como acabar com um protesto de

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coxinhas , Cabral mostrava defensores do Norte, Euclides de Oliveira, foi ameaçado
impeachment da então presidente Dilma de morte pelo vereador Weder Dias de
Rousseff correndo depois que um livro de Oliveira, conhecido como Denguinho.
hist ria foi ogado neles. Os manifestantes A ameaça aconteceu ap s publicação
vestiam camisetas verdes e amarelas. de um comentário feito pelo jornalista
O auxiliar administrativo Diego Costa, em uma rede social. Além de xingar o
do Rio de Janeiro, se responsabilizou jornalista, Weder disse que iria “colocá-lo
pela adulteração. “Baixei a foto, abri no para correr” e “pegá-lo onde estivesse”.
photoshop, troquei o amarelo por vermelho
e substituí o livro de hist ria pela carteira de de j o – O apresentador do programa
trabalho. Mas s pra sacanear resolvi deixar Brasil Urgente da TV Tarobá de Londrina
a assinatura dele , postou no Facebook. PR , Cid Ribeiro, foi ameaçado de
morte. O pai do jornalista recebeu,
de a ri – O editor do blog DeAmazonia, em casa, um bilhete com ameaças de
Jonas Santos de Souza, foi ameaçado morte família e dois pro éteis de bala
por Valber Silva, segurança do prefeito de uso restrito da polícia. O bilhete era
Nenê Machado, de Nhamundá AM , assinado pela organização criminosa
ap s postar matérias sobre supostas Primeiro Comando da Capital PCC .
irregularidades na gestão municipal. Nas
ameaças feitas por rede social, Silva a rma de j o – O rep rter do ornal A Folha
não ter medo de polícia nem da ONU. do Acre Assem Neto foi ameaçado de
prisão pelo delegado Roberth Alencar,
de a ri – O rep rter da revista Carta ap s divulgar entrevista na qual Alencar
Capital Henrique Beirangê foi ameaçado admite haver ingerência política na
por e-mail pelo advogado Rogério investigação sobre irregularidades na
Palermo. As intimidações começaram venda de casas populares em Rio Branco
ap s a publicação de reportagem sobre AC . Além das agress es verbais,
a abertura de mais de 20 empresas em em telefonema gravado, o rep rter foi
nome de familiares do deputado estadual aconselhado a ir embora do Acre .
Fernando Capez PSDB , cunhado de
Palermo. O rep rter chegou a receber uma de ete ro – José Santana, editor-
mensagem do advogado por celular. No chefe do ornal Folha do Estado, de Itapema
texto, Palermo dizia que precisava falar SC , recebeu mensagens ameaçadoras por
com o rep rter e que trabalhava perto de telefone. Nelas, uma voz dizia que a sede
sua residência. A mensagem foi concluída do jornal e o carro do jornalista poderiam
com o número do prédio e do apartamento ser incendiados. m homem pr ximo
onde o jornalista mora, em São Paulo. ao prédio onde está localizado o veículo
também ameaçou Santana. “Você vai saber
de a ri – Em São Paulo SP , quanto custa publicar o nome dos outros na
Leonardo Sakamoto, editor do portal capa do ornal , a rmou o desconhecido.
Rep rter Brasil, foi ameaçado de morte
pela internet. Especializado no combate de ete ro – O diretor da Central
ao trabalho escravo, Sakamoto recebeu Gazeta de Notícias, Guilherme Formighieri,
as ameaças ap s a publicação de uma foi ameaçado ap s publicação de
entrevista falsa pelo jornal mineiro reportagens sobre a apreensão de material
Edição do Brasil. O texto inventado de campanha política em Cascavel PR .
a rmava que o ornalista havia dito que os Por meio de mensagem de áudio enviada
aposentados são inúteis sociedade . direção da empresa, o coordenador
regional do Governo do Paraná em Cascavel,
de a ri – O correspondente em Severino José Folador, ofendeu, xingou e
Niquelândia GO do ornal Diário do ainda ameaçou o jornalista de morte.

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de o t ro – O rep rter Alerson de de e ro – O jornalista Wesley Silas
Schneider e o cinegra sta Marley Rocha, da Barbosa da Cruz, do site Atitude Portal de
TV Record de Vit ria ES , foram intimidados Notícias, de Gurupi TO , sofreu ameaças
por um grupo de 2 pessoas durante a do policial civil e presidente da Câmara
cobertura de um confronto entre tra cantes de Vereadores, Wendel Antônio Gomides
e policiais no bairro de Itararé. Um dos PDT . As ameaças foram feitas depois da
agressores ameaçava constantemente o publicação de matérias e artigos criticando
rep rter com uma faca enquanto outros a atuação dos vereadores da cidade. Wendel
tentavam agredir o cinegra sta com estava entre eles. O jornalista denunciou as
socos. Os moradores também atiraram ameaças ao Ministério Público Estadual, ao
a chave da moto link da TV no mato. O F rum de Gurupi e pediu proteção especial.
protesto foi gerado pela morte de um
adolescente durante o confronto no bairro. de de e ro – A juíza de Mato Grosso
Selma Rosane Santos Arruda ameaçou
de o e ro – A rep rter Pollyana de prisão os jornalistas presentes ao
Moda e o cinegra sta Tom Mazin, ambos depoimento do empresário Giovani
da TV TEM, a liada da TV Globo, foram Guizardi, ouvido em processo que apura
ameaçados por um empresário de fraudes em licitações de escolas do
Penápolis SP . Enquanto a equipe de estado. Os pro ssionais haviam publicado
reportagem registrava imagens de um fotos da audiência nos sites de notícias
motel onde ocorreu um assassinato, o quando a uíza deu 0 segundos para
empresário, que se apresentou como que os jornalistas tirassem as imagens
dono do estabelecimento, ameaçou do ar. Segundo a juíza, se a ordem fosse
a rep rter e empurrou a câmera e descumprida, os pro ssionais seriam
o cinegra sta, tentando impedir a presos. As fotos foram apagadas.
continuidade das gravaç es. O homem
disse que, se o vídeo fosse veiculado,
ele iria buscar “cada um na sua casa”.

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INTIMIDAÇÕES
de ja eiro – O jornalista Edvaldo Alves, de Contas do Estado de São Paulo que
da Rádio Sucesso FM, de Teixeira de re eitou suas contas em 201 . O vereador
Freitas BA , foi intimidado pelo delegado entrou na sala de imprensa da Casa e
Marcus Vinicius de Almeida Costa ap s exigiu que as fotos fossem feitas em
cobrar ações de combate aos constantes situações que não o deixassem com
crimes que acontecem na cidade. Em cara de palhaço . Em seguida, dirigiu se
ofício enviado a Alves, o delegado solicita ao rep rter Ronaldo Ruiz a rmando que
c pias do programa apresentado pelo dados da reportagem estavam errados.
jornalista e pede que uma das edições, Ruiz disse que o texto foi baseado em
ainda inédita, não fosse ao ar. parecer do então presidente do TCE.

de ja eiro - Um cinegrafista da SporTV de arço – Duas equipes da GloboNews
foi intimidado por torcedores por mostrar foram hostilizadas por manifestantes
imagens do confronto entre uma torcida enquanto cobriam a 2 etapa da Operação
organizada do São Paulo, seguranças Lava Jato. A primeira equipe aguardava o
e membros da Guarda Municipal de m do depoimento do ex presidente Lula,
Mogi das Cruzes SP . A confusão no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo
aconteceu no intervalo e no segundo SP , quando integrantes de movimentos
tempo do jogo entre o Tricolor e o União sociais zeram coro contra a presença
Rondon polis MT, no estádio Nogueirão. de jornalistas da emissora. Pouco depois,
uma outra equipe que estava perto da
de ja eiro – Anna Virginia Balloussier sede do PT, também na capital paulista, foi
e Rodolfo Viana, ornalistas da Folha de intimidada por militantes que pediam que os
S.Paulo, foram revistados por policiais em pro ssionais deixassem o local. A rep rter
frente sede do ornal. Com um celular, eles Bruna Vieira, da TV Globo, também foi
faziam imagens de um grupo que fugia da hostilizada durante a cobertura ornalística.
PM durante dispersão de manifestantes
em São Paulo SP . Mesmo depois de se de arço – Aos gritos, manifestantes
identi carem como ornalistas, eles tiveram interromperam a entrevista que o ex-
que se a oelhar, com as mãos na cabeça. A ministro Gilberto Carvalho dava aos
PM creditou a revista a “atitudes suspeitas”. ornalistas da GloboNews Gabriel Prado e
Nilson Modesto na chegada ao diret rio
de ja eiro – O jornalista Edvaldo Alves, do PT, em São Paulo. Os manifestantes
apresentador da Rádio Sucesso FM, de hostilizaram os rep rteres, que não
Teixeira de Freitas BA , foi intimidado conseguiram terminar a entrevista.
pela Polícia Civil por defender que crimes
como homicídios, assaltos e roubos de arço – Durante as manifestações
de veículos sejam investigados e os pr governo Temer e a favor do ex
criminosos, presos. A emissora recebeu presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
dois ofícios da Polícia Civil pedindo acesso em São Paulo SP , duas equipes de
a gravações do programa de Alves, incluindo reportagem da GloboNews foram
alguns que ainda nem foram ao ar. hostilizadas. Bananas foram atiradas
contra o rep rter Gabriel Prado.
de e ereiro – O vereador Jaime
José da Silva PTB intimidou a equipe
de reportagem da Folha da Região que
cobria a sessão da Câmara de Araçatuba
SP . Silva, que presidiu o legislativo,
demonstrou contrariedade com fotos
de seu rosto publicadas no jornal e com
reportagem sobre parecer do Tribunal

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 73

de arço – O rep rter Renato Rios de a o to – A rep rter da Rádio Gaúcha
Neto, da Rádio Itatiaia, foi hostilizado Maria Eduarda Fortuna foi hostilizada por
enquanto fazia a cobertura dos atos pr manifestantes contrários ao impeachment
governo federal, na Praça da Estação, da então presidente Dilma Rousseff, em
em Belo Horizonte MG . Com gritos frente sede do PMDB, em Porto Alegre
de vai embora , o rep rter foi cercado RS . A rep rter fazia uma transmissão ao
por alguns manifestantes que pediam vivo sobre o protesto quando um grupo
que ele se retirasse do protesto. de pessoas se aproximou e, aos gritos de
“golpista”, começou a ameaçá-la e xingá-
de arço – Aline Oliveira, rep rter la, prejudicando a cobertura jornalística.
da TV Verdes Mares, a liada da Rede
Globo, foi impedida por manifestantes de ete ro – Joana Cunha, rep rter
de fazer uma entrada ao vivo durante da Folha de S.Paulo, foi intimidada por
protesto contra o impeachment da manifestantes durante a cobertura de
então presidente Dilma Rousseff, na um protesto contra o governo Temer, na
Praça da Bandeira, em Fortaleza CE . avenida Paulista, em São Paulo. Um grupo
de jovens mascarados correu atrás da
de arço – O rep rter cinematográ co jornalista depois de serem fotografados.
e fotográ co Oslaim Britto foi intimidado Dizendo-se menores de idade – e por
por policiais militares em frente ao isso impedidos de aparecer em fotos
Hospital São Luiz Gonzaga, em São Paulo –, eles ameaçaram a pro ssional.
SP . ma policial que estava na viatura
da Polícia Militar avisou que, se Britto de o e ro – Jornalistas de diversos
quisesse gravar imagens, teria de pedir veículos de comunicação foram hostilizados
uma autorização ao comando da PM. por estudantes que participavam do
Com uma arma na mão, a policial então se movimento de ocupação do Campus
dirigiu ao rep rter, pedindo documentos. de Goiabeiras da Universidade Federal
Disse ainda que ele seria processado do Espírito Santo, em Vit ria ES .
caso sua imagem fosse divulgada.
de de e ro – O jornalista Francisco
de aio – Patrícia Bringel, rep rter da Costa, do Portal Fala RN, recebeu mais
TV Anhanguera, a liada da Rede Globo uma noti cação de abertura de ação
em Goiânia GO , foi hostilizada por judicial por reportagens contra políticos
manifestantes presentes inauguração publicadas no veículo. Com isso, chega a
do terminal de passageiros do Aeroporto onze o número de processos por crimes
Santa Genoveva. A então presidente contra a honra movidos por autoridades
Dilma Rousseff estava no evento. Bringel públicas de São Gonçalo do Amarante RN
foi intimidada durante participação contra ele e a colega Josi Gonçalves, que
ao vivo no telejornal da emissora. também trabalha no portal. Entre esses
políticos está o prefeito Jaime Calado, autor
de a o to de – O rep rter da TV de pelo menos seis ações. A maioria dos
Globo Edson Viana não conseguiu fazer processos está relacionada publicação de
uma entrada ao vivo durante a passagem reportagens com denúncias sobre suspeitas
da tocha olímpica pela cidade de Duque de de corrupção na cidade. Somados, os
Caxias RJ . O ornalista foi interrompido pedidos de indenização superam R 200
por um grupo de professores que fazia mil. Os ornalistas a rmam que o assédio
uma manifestação contra a passagem da judicial é apenas uma das formas de
tocha pela cidade. Edson Viana foi alertado pressão que ambos vêm sofrendo nos
para encerrar a transmissão e entrar no últimos anos. Eles se sentem ameaçados
veículo da emissora para se proteger. e temem por sua integridade física.

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74 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

ATAQUES/VANDALISMO
de e ereiro – Um cinegrafista da a recepção por mais de uma hora e ainda
TV Globo teve a câmera rachada por um picharam a fachada do prédio. No local,
golpe de cassetete desferido por policial funcionam a rádio, a TV e dois jornais
militar, durante confronto entre grupos de da OJC. O grupo s deixou o edifício
manifestantes favoráveis e contrários ao ap s a chegada da Policia Militar.
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em
frente ao F rum da Barra Funda, em São de arço - Participantes dos atos a
Paulo SP . Durante o tumulto, uma mulher favor do governo Dilma Rousseff em todo
foi atingida na cabeça por uma pedra e um o país zeram críticas e hostilizaram a TV
homem cou desacordado. ma liminar Globo durante os protestos. Em Brasília,
suspendeu a audiência marcada para os participantes chutaram e bateram em
depoimentos de Lula e de sua mulher, um carro da emissora estacionado em
Marisa Letícia. Os dois seriam ouvidos sobre frente ao Museu Nacional. Em Vit ria
supostas irregularidades na transferência ES , Araca u SE , Belém PA , Natal RN
de um apartamento tríplex no Guarujá. e Campo Grande MS , os manifestantes
protestaram em frente s a liadas da Rede
de arço – Em Brasília, um grupo Globo. Uma equipe da emissora TV Verdes
protestou durante cerca de uma hora Mares foi hostilizada em Fortaleza CE .
em frente sucursal da Rede Globo.
Os manifestantes gritavam palavras de de a ri - A sede da TV Centro América,
ordem e culpavam a emissora pelo fato a liada da Rede Globo em Cuiabá MT ,
de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da foi alvo de vandalismo praticado por
Silva ter sido levado para depor na Polícia manifestantes contrários ao impeachment
Federal, em São Paulo. A frente da sede da então presidente Dilma Rousseff. Durante
foi pichada e a placa de identi cação da a madrugada, as portas da emissora
emissora foi quebrada. Uma faixa com receberam atos de tinta vermelha e palavras
a logo do canal também foi queimada. de ordem como “manipuladores” e “golpe
Funcionários foram impedidos de entrar ou é golpe foram pichadas na calçada.
sair. A situação somente foi normalizada
com a chegada da Polícia Militar. de aio – Manifestantes contrários
ao governo do presidente Michel Temer
de arço – Um carro de reportagem jogaram pedras na sede da RBS, na Avenida
da TV Globo foi recebido a pontapés na Ipiranga, em Porto Alegre RS . No local
sede do PT, em São Paulo SP , durante funcionam os jornais Zero Hora e Diário
cobertura sobre o depoimento do ex- Gaúcho, a Rádio Gaúcha e as operaç es
presidente Luiz Inácio Lula da Silva Polícia administrativa e comercial do grupo.
Federal, no Aeroporto de Congonhas. A ação foi realizada no horário em que
dezenas de pro ssionais trabalhavam.
de arço – Cerca de 1 0 pessoas
realizaram um protesto a favor do ex- de j o - A sede da RBS de Florian polis
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em SC foi alvo de pichaç es por parte de
frente sede da Rede Globo, no Jardim manifestantes que protestavam contra
Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro RJ . o afastamento da presidente Dilma
Os participantes hostilizaram funcionários Rousseff. Cerca de 200 pessoas fecharam
da emissora e chegaram a ogar ovos e a rodovia em frente ao prédio do Grupo
pedras no edifício de propriedade da TV. RBS, onde ca a redação do ornal
Diário Catarinense. Um funcionário foi
de arço – Manifestantes do Movimento atingido por tinta, mas não cou ferido.
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MST
atacaram a sede das Organizações Jaime
Câmara, em Goiânia GO . Eles ocuparam

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 75

de j o Em Palmas TO , de ete ro – A Rádio Transamérica
manifestantes contrários ao governo de de São João Nepomuceno MG foi
Michel Temer atiraram ovos e um líquido incendiada durante a madrugada e teve
ácido na sede da TV Anhanguera. Dois vários equipamentos queimados. O
seguranças terceirizados e um funcionário fogo se alastrou pelo prédio atingindo o
da empresa foram atingidos. Já em transmissor principal e a torre da emissora.
Fortaleza CE , um grupo que também Em 201 , a emissora denunciou uma rádio
fazia oposição ao governo interino entrou pirata na cidade e, desde então, vinha
na recepção da TV Verdes Mares gritando sofrendo ameaças. Com o fechamento
palavras de ordem contra a emissora. da rádio pirata no início de setembro de
2016, as ameaças se intensi caram.
de a o to – O carro de reportagem
de uma emissora de TV de Sorriso MT de o e ro – A Rádio Municipal
foi atingido por um tijolo atirado por FM 92.5, de Quedas do Iguaçu PR , foi
moradores da cidade. A equipe fazia destruída por um incêndio durante a
uma reportagem sobre uma tentativa madrugada. m homem foi visto saindo do
de homicídio. Na hora do ataque, os local depois de as chamas se alastrarem.
pro ssionais da emissora estavam dentro
do veículo, mas não foram feridos. O de o e ro - A Rádio Jaguari, de
vidro traseiro do carro foi dani cado. Jaguari RS , sofreu atos de vandalismo
durante a madrugada. Na ação
de a o to – Durante protesto contra criminosa, sete cabos da torre foram
o presidente interino Michel Temer na cortados, provocando a sua queda.
capital paulista, manifestantes se deitaram As transmissões da emissora foram
no chão, em frente ao jornal Folha de S. interrompidas na região por um período.
Paulo, formando a palavra “golpe” com
seus corpos. A entrada do edifício foi de o e ro – Manifestantes contrários
protegida com uma barreira. Os policiais PEC do Teto dos Gastos Públicos
usaram bombas de gás lacrimogênio e dani caram dois carros de reportagem
spray de pimenta para dispersar o ato. durante protesto na Esplanada dos
Ministérios, em Brasília. Um dos veículos, da
de ete ro – Um carro de reportagem TV Record, foi virado e ogado no espelho
do jornal O Estado de S. Paulo foi atingido d’água em frente ao Congresso Nacional.
por manifestantes durante a cobertura de
protestos contra o governo do presidente
Michel Temer no Rio de Janeiro RJ .

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76 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

OFENSAS
de e ereiro – A rep rter Ana Thaís de a ri – Carlos Anderson da Silva,
Matos, setorista do Palmeiras na Rádio radialista e diretor-presidente da Rádio
Globo, virou alvo de ataques nas redes Liberdade, de Carmo do Ca uru MG , foi
sociais em especial no Twitter depois que agredido verbalmente com xingamentos
publicações antigas em que ela criticava o e ofensas pela secretária de Obras da
time foram resgatadas. As mensagens com prefeitura da cidade, Adriany Cristina
xingamentos contra Ana Thaís surgiram da Silva. A secretária invadiu a sede
depois que tuítes publicados por ela há da emissora, dizendo ser perseguida
cerca de cinco anos foram compartilhados pelo veículo devido divulgação de
entre os torcedores. Internautas apontaram reportagens relacionadas a seu trabalho.
o blogueiro Conrado Cacace, que já se
envolveu em casos semelhantes, como de a ri - Uma equipe da TV Globo
autor dos primeiros posts hostis. foi hostilizada por um grupo contrário
ao impeachment de Dilma Rousseff
de arço – Os jornalistas Roberto no Vale do Anhangabaú, em São Paulo
Kovalick e Marco Antonio Gonçalves, da SP . A confusão começou quando a
TV Globo, foram xingados em frente rep rter Sabina Simonato, que usava
casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula um microfone sem a identi cação, foi
da Silva, em São Bernardo SP . A polícia reconhecida. Em meio a gritos contra a TV,
precisou afastar os manifestantes. os manifestantes ofenderam a jornalista.

de arço – A rep rter fotográ ca do de aio – Maíra Azevedo, jornalista do
Diário do Grande ABC Marina Brandão A Tarde, foi alvo de comentários racistas
foi agredida verbalmente por integrantes em seu canal do YouTube. Ela foi atacada
da torcida organizada do São Caetano ap s publicação de vídeo em que comenta
durante uma briga entre dois grupos a discussão entre os deputados federais
de torcedores, no Estádio Anacleto Jean Wyllys PSOL e Jair Bolsonaro PSC
Campanella, em São Caetano SP . Os durante a votação do impeachment da
torcedores exigiram que a fot grafa então presidente Dilma Rousseff, na Câmara
apagasse as fotos. Diante da recusa, eles dos Deputados. Os criminosos usaram
dirigiram ofensas machistas a Brandão. o espaço de comentários para atacar a
pro ssional com mensagens ofensivas.
8 de março – A diretora da sucursal Entre outros xingamentos, referiram-se a
de Brasília da revista IstoÉ, Débora ela como “macacada”, “escrava do Bolsa
Bergamasco, foi atacada pela internet com Família” e “necroloide beiçuda”. Além de
ofensas difamat rias sobre a credibilidade racismo, Maíra foi alvo de machismo.
de seu trabalho e sua vida pessoal. O
epis dio aconteceu logo depois de ela ter de aio – O rep rter Odilon Amaral
publicado reportagem sobre a delação do e o rep rter cinematográ co Henrique
senador cassado Delcídio do Amaral. Stênio, ambos da TV Globo Minas, foram
agredidos verbalmente por pessoas
de arço – O jornalista Juca Kfouri contrárias ao governo interino de Michel
foi surpreendido durante a madrugada Temer. Durante protesto na Praça da
por quatro homens que estacionaram um Liberdade, em Belo Horizonte MG ,
carro na esquina da rua onde ele mora os manifestantes gritaram palavras de
em São Paulo e começaram a ofendê- ordem e chamaram os pro ssionais da
lo com gritos de “Juca Kfouri, maldito, emissora de “fascistas” e “golpistas”.
fdp, petista . O ornalista identi cou o
veículo e conversou com Moris Moa, lho
dos donos. Moa prometeu entregar os
nomes dos responsáveis pelo epis dio.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 77

de aio – Equipes da Rede Globo e de j o – A editora do Jornal da NET,
da GloboNews foram hostilizadas por Sonia Ferreira, foi agredida verbalmente
grupos que protestavam contra a cultura por vereadores da Câmara Municipal
do estupro, na Esplanada dos Ministérios, de Embu das Artes SP depois que se
em Brasília DF . Os manifestantes recusou a retirar do site uma reportagem
xingaram os pro ssionais e se referiram sobre o fechamento de uma maternidade
emissora como golpista . m da cidade. O hospital ia ser reformado.
cinegra sta foi obrigado a deixar o local.
de ete ro – A rep rter do ornal A
de j o – A jornalista Helen Braun Tribuna Débora Pedroso foi agredida
foi xingada pelo jornalista Claudio verbalmente e intimidada por taxistas,
Tognolli durante apresentação ao vivo na sede do Sindicato dos Taxistas
do programa Morning Show , da Rádio de Santos SP . Débora foi forçada
Jovem Pan. Tognolli se referiu colega a deixar o local e somente mais
de trabalho como burra enquanto tarde pode nalizar seu trabalho.
debatiam sobre um ato contra a cultura
do estupro em frente ao Comedians, casa de o t ro – A jornalista Andréia Sadi, da
de show do humorista Danilo Gentili. GloboNews, foi hostilizada por militantes
petistas no diret rio municipal do PT, no
de j o A rep rter Samanta Vicentini, centro de São Paulo. A rep rter fazia uma
do jornal Extra, foi vítima de ofensas entrada ao vivo quando foi xingada pelos
enquanto mediava entrevista ao vivo partidários que se aglomeravam no local
pelo Facebook. Em várias ocasi es, um espera do então prefeito Fernando Haddad.
homem que se autointitulava gordof bico , Por segurança, a rep rter deixou o diret rio.
chamou a ornalista de gorda , gorducha
e leitoa . Samanta chegou a se desculpar de o t ro – Em entrevista ao SBT,
com os internautas pela falta de o senador Marcelo Crivella PRB , então
educação do usuário e deu continuidade candidato Prefeitura do Rio, chamou os
ao bate-papo, enquanto recebia jornalistas de O Globo de “vagabundos
mensagens de apoio dos internautas. e patifes” e os repórteres da revista Veja
de “patetas”. O ataque aconteceu quando
de j o – Repórteres do jornal Agora Crivella foi questionado a respeito de
foram agredidos verbalmente pelo vereador denúncias publicadas pelo jornal sobre
Paulo Roldão PRB ap s publicação de delação premiada que o comprometeria em
reportagem sobre os altos gastos da um esquema de propina e sobre informação
Câmara Municipal de Rio Grande RS . da revista de que ele havia sido chado na
polícia. O senador criticou a imprensa e
de j o – Os rep rteres Mônica Novaes, acusou os dois veículos de comunicação de
da TV Record Rafaela Carvalho, da CBN manipular a população para prejudicá-lo.
Jerônimo Júnior, da Rádio 0 e Diomício
Gomes, rep rter fotográ co do ornal O de o t ro – A jornalista Helen Braun,
Popular, foram agredidos verbalmente por do programa Morning Show, da Jovem Pan,
estudantes durante cobertura de protesto foi ofendida pelo Twitter ao se posicionar
contra um suposto caso de estupro dentro contra a isenção de impostos para igrejas.
da Universidade Federal de Goiás. Ela foi xingada de “p...” e “vagabunda”.
Ela respondeu ao vivo aos xingamentos,
a rmando que um país laico como o Brasil
não deve conceder benefícios a igrejas”.
Minutos depois, os posts foram apagados.
Os autores das ofensas foram identi cados
como Jaque Santos e Marcio Santos.

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78 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

de o e ro – Um jornalista de O de de e ro – Jorge Bastos Moreno,
Popular foi chamado de analfabeto pelo colunista do jornal O Globo, foi ofendido
vice-governador e secretário de Segurança pelos jornalistas Francisco Nogueira e
Pública de Goiás, José Éliton, durante Pedro Zambarda de Araújo, do Diário do
entrevista coletiva sobre a operação Sexto Centro do Mundo DCM . Durante uma
Mandamento da Polícia Federal. Ao citar discussão política, Moreno foi chamado de
reportagem divulgada pelo veículo, José sicofanta , gordo e gura folcl rica . O
Éliton disse que o responsável pelo texto DCM depois se desculpou publicamente.
era “analfabeto” por ter escrito “detenção
coercitiva” em vez de “condução coercitiva”.

de o e ro – Lívia Oliveira, rep rter
da TV Tarobá, em Londrina PR , foi
agredida verbalmente por estudantes
enquanto fazia uma entrada ao vivo sobre
o movimento de ocupação da Universidade
Estadual de Londrina. Os alunos ainda
tentaram interromper a transmissão.

ASSÉDIO SEXUAL
de j o – A jornalista do Portal IG
Giulia Pereira foi assediada sexualmente
pelo cantor de funk MC Biel. Durante
uma entrevista, o cantor se dirigiu
ornalista como gostosinha e disse
que a “quebraria no meio” caso tivessem
relações sexuais. O assédio foi gravado.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 79

ROUBOS/FURTOS
de e ereiro – A jornalista Juliana de ete ro – A Rádio 103 FM de
Barbassa e o fot grafo Bear Guerra, das Araca u SE foi assaltada. ma locutora que
Revistas Americas Quarterly e S News apresentava um programa no momento do
World Report, tiveram o material de trabalho crime pediu socorro ao vivo, fazendo apelos
roubado em Rondônia. Os dois, que estavam aos ouvintes e polícia. Os assaltantes
no Brasil havia oito dias, produziam uma perceberam que o microfone estava aberto
reportagem sobre violência no campo. e quebraram o equipamento. Foram levados
O roubo aconteceu depois de o governo celulares e notebooks da emissora.
estadual ordenar que a Polícia Militar não
cooperasse com a apuração que Barbassa de o t ro – O locutor da emissora
e Guerra faziam sobre disputas entre Terra FM, de Araguaína TO , foi assaltado
fazendeiros e sem-terra em Ariquemes. enquanto apresentava um programa ao
vivo. Os bandidos invadiram o estúdio
de j o – Larissa Fernandes, rep rter e roubaram os celulares do jornalista e
da TV Paraíba, a liada da TV Globo em de um outro funcionário da emissora.
Campina Grande PB , foi assaltada
em uma parada de ônibus em frente ao
campus da Universidade Federal da cidade.
No momento do crime, ela fazia uma
reportagem sobre insegurança na região da
instituição. Acompanhada do cinegra sta
Aídes Brasil e do assistente Henrique
Epifanio, Fernandes usava o celular quando
um homem retirou o aparelho de suas mãos.

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80 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

CENSURA
de ja eiro – Uma equipe de reportagem de a o to – O rep rter fotográ co
do jornal Notícias do Dia foi expulsa de Marcus Mesquita, do site MidiaNews,
uma Unidade de Pronto Atendimento em foi obrigado a apagar as imagens
Florian polis SC , ao tentar conversar feitas durante o vel rio de um policial
com turistas que passaram mal depois assassinado. A ordem partiu de policiais
de um banho de mar em Canasvieiras. militares que participavam da cerimônia.
Uma médica plantonista não permitiu as
entrevistas e a equipe foi obrigada a sair de ete ro – O rep rter fotográ co
do local acompanhada por um segurança. Marcus Leoni , do ornal Folha de S.Paulo,
foi ameaçado depois de fotografar um
de e ereiro – Daniel Silva, rep rter manifestante que vestia uma camiseta
do ornal Notícias do Dia, de Florian plis com os dizeres “Quero votar para
SC , foi impedido de cobrir os treinos do presidente durante a abertura da 2
Figueirense Futebol Clube. A determinação Bienal de São Paulo, no Ibirapuera.
da diretoria do clube veio depois da Depois de ouvir em que veículo a foto
publicação de uma reportagem que seria publicada, o manifestante exigiu
revelava que parte dos direitos sobre que Leoni apagasse as imagens.
a venda do jogador Clayton pertencia
SM2, empresa de dois lhos do de ete ro – m grupo de 0 homens
presidente do clube, Wilfredo Brillinger. recolheu suplementos do jornal Extra
e exemplares do jornal O Fluminense,
de arço – Uma equipe de reportagem em Niter i RJ , ap s a publicação de
da TV Cultura foi obrigada a se retirar do denúncias do Ministério Público Federal
campo onde faria a transmissão ao vivo do contra Eduardo Gordo, ex-presidente
jogo entre Paysandu e Parauapebas, em da Câmara Municipal de São Gonçalo e
Parauapebas, no Pará. A ordem foi dada candidato a vereador no município. Gordo
pelo Corpo de Bombeiros, que chegou foi acusado de participação em fraudes
ao estádio depois que os jornalistas já que teriam desviado R milh es
estavam instalados na marquise sobre do Sistema nico de Saúde S S .
a cabine. O local sempre foi usado
para transmissões das partidas. de o t ro – Os rep rteres Daniel
Arroyo, da Ponte Jornalismo, Marta
de j o – Assessores parlamentares Raquel, do coletivo Jornalistas Livres,
e de imprensa da Câmara Municipal e o freelancer Rogério de Santis foram
de Belém PA foram proibidos de obrigados por policiais a apagar fotos
registrar em foto ou vídeo os debates e e vídeos feitos durante protesto de
discussões de vereadores para quem não estudantes secundaristas contra a
prestam serviço. A determinação foi do PEC 2 1. A manifestação aconteceu na
presidente da Câmara, Orlando Reis. Diretoria Regional de Ensino Oeste, no
bairro do Sumaré, em São Paulo SP .
de j o – A rep rter Karen Marchetti,
do ornal ABCD Maior, de Diadema SP , de o e ro – O blogueiro Luiz Valério
foi expulsa de uma coletiva de imprensa foi impedido de entrar na Assembleia
pelo deputado estadual e então pré- Legislativa de Roraima para cobrir uma
candidato Prefeitura de São Bernardo sessão ordinária. Policiais da Guarda
do Campo SP , Orlando Morando PSDB . Legislativa disseram ter recebido uma
A entrevista com os jornalistas ocorreu “recomendação” do presidente da Casa
depois de uma convenção partidária. Por – o deputado Jalser Renier SD – para
não concordar com a linha editorial do barrar o ornalista. Deputados presentes
ornal, Morando disse que falaria imprensa sessão criticaram a atitude dos policiais.
quando a rep rter se retirasse do local.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 81

de o e ro – O jornalista Samarone de o e ro – Estudantes que
Lima, do Coletivo Marco Zero Conteúdo, ocupavam o campus da Universidade
foi expulso da Central de Flagrantes da Federal do Pará obrigaram um repórter
Polícia Militar de Recife PE durante cinematográfico da TV Record a
entrevista com estudantes sobre a apagar as imagens feitas no local.
tentativa de ocupação da Escola de Em seguida, eles ainda expulsaram a
Referência Dom Sebastião Leme. Ao equipe de reportagem da emissora.
se identi car como rep rter, Samarone
foi impedido de continuar o trabalho.

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82 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

DECISÕES JUDICIAIS
de e ereiro – O uiz Marcus Caminhas de a ri – A Justiça do Maranhão voltou a
Fasciani, da 2 Vara Cível da Comarca de condenar Marcos Bruno de Oliveira, acusado
Patos de Minas MG , proibiu a divulgação de participação no assassinato do jornalista
da imagem de um acusado de estupro em Décio Sá, a 1 anos e três meses de prisão.
reportagem do programa “Espaço Feminino”, Oliveira foi apontado como o motociclista
da NTV (Fundação Educativa e Cultural que deu fuga a Jhonathan de Sousa Silva,
Alto Paranaíba). O programa falaria sobre o assassino confesso do jornalista. Sá foi
crime e contaria com a participação de um executado com seis tiros em abril de 2012,
promotor de justiça, do delegado regional em São Luíz MA . A defesa do acusado
da Polícia Civil, de uma psic loga forense sustentava que Oliveira era inocente e que
e de uma vítima. O acusado pediu que a a prova que levou sua condenação era
Justiça impedisse a exibição. No horário do frágil . O réu á havia sido condenado em
programa, a emissora levou ao ar apenas fevereiro de 201 , mas recorreu da decisão
uma mensagem ao público: “Atendendo e teve o julgamento anulado pelo Tribunal
a determinação judicial expedida pelo de Justiça do Maranhão. O TJ determinou
uiz de direito Marcus Caminhas Fascini, então a realização de um novo júri popular.
está suspensa a apresentação de ho e Décio foi morto depois de denunciar, em seu
do Programa Espaço Feminino”. blog, um esquema de agiotagem que teria
a participação de prefeitos e ex-prefeitos
de e ereiro – O Tribunal de Justiça do maranhenses. Silva cumpre pena de 2
Ceará TJ CE negou o pedido de habeas anos e três meses de prisão. Quatro anos
corpus a Francisco Pereira da Silva, depois do crime, dos 11 indiciados, apenas
acusado de pagar pelo assassinato do Oliveira e Silva foram condenados. Outros
radialista Gleydson Carvalho. O jornalista suspeitos ainda aguardam julgamento.
foi morto a tiros quando apresentava um
programa na Rádio Liberdade FM, em de aio – Por ordem da Justiça, dez
agosto de 201 . Silva, apontado como um reportagens sobre a Operação Lava-Jato
dos nanciadores do crime, foi denunciado e a Polícia Federal do Paraná publicadas
por homicídio triplamente quali cado e no blog do jornalista Marcelo Auler foram
organização criminosa armada. Ao pedir tiradas do ar. Os textos, publicados entre
a liberdade, a defesa argumentou falta de novembro de 201 e abril de 2016, tratavam
fundamentação na decretação da prisão. de supostos vazamentos de informações
O relator do processo, desembargador por parte de delegados e procuradores,
Mário Parente Te lo Neto, destacou e a existência de grampos em celas e
que a prisão de Silva “está devidamente dependências ocupadas por presos. As
fundamentada” na garantia da ordem aç es foram movidas pelos delegados Erika
pública. “As circunstâncias do fato Mialik Marena e Mauricio Moscardi Grillo, da
comprovam a especial gravidade do delito Superintendência Regional do Departamento
atribuído ao paciente [acusado] e seus de Polícia Federal no Paraná. As decisões
comparsas, revelando sua periculosidade foram proferidas pelos juízes Nei Roberto de
ao meio social”. Segundo o Ministério Barros Guimarães, do Juizado Especial
Público do Ceará, o crime foi motivado Cível, e Vanessa Bassani, do 12 Juizado
por críticas políticas que o radialista fazia Especial Cível, ambos de Curitiba PR .
em seu programa. O rgão denunciou
sete pessoas por envolvimento no
plane amento e morte do pro ssional.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 83

de j o – O Ministério Público de São de a o to – O juiz Olavo Zampol Júnior,
Paulo denunciou quatro investigados pelo de São Paulo, a rmou que o rep rter
crime de racismo contra a jornalista Maria fotográ co Sérgio Andrade, ferido pela
Júlia Coutinho, da TV Globo. Érico Monteiro polícia durante uma manifestação em 201 ,
dos Santos, Rogério Wagner Castor Sales, foi o culpado pela agressão que sofreu. O
Kaique Batista e Luis Carlos Félix Araújo fot grafo, que perdeu a visão de um olho
também são acusados de falsidade ao ser atingido por uma bala de borracha
ideol gica, in úria, corrupção de menores disparada por um policial, havia entrado com
na internet e associação criminosa. um pedido de indenização contra o Estado
A jornalista foi alvo de comentários de São Paulo. O juiz declarou que o incidente
racistas em ulho de 201 , na página ocorreu “por culpa exclusiva do autor, ao se
o cial do Jornal Nacional, no Facebook. colocar na linha de confronto entre a polícia
e os manifestantes”. Segundo Zampol, o
de j o – A Justiça de Alagoas pro ssional voluntária e conscientemente
proibiu o blogueiro Odilon Rios de assumiu o risco de ser alvejado por
se manifestar publicamente sobre o alguns dos grupos em confronto”.
processo em que foi obrigado a indenizar Andrade pedia indenização por danos
autoridades policiais em R mil. Em moral, estético e material, uma pensão
artigo publicado na imprensa local, Rios mensal e a uda nanceira para custeios
externou a revolta diante da a rmação médicos. Ainda cabe recurso da decisão
da polícia de que seu enteado teria sido
assassinado por ser usuário de drogas. de ete ro – O Superior Tribunal de
Justiça STJ decidiu que os dois acusados
de j o – A ministra Rosa Weber, do de acender e atirar o rojão que matou o
Supremo Tribunal Federal STF , deferiu cinegra sta Santiago Andrade, em 201 ,
liminar do jornal Gazeta do Povo pedindo a devem responder por homicídio quali cado
suspensão de 2 aç es contra o veículo e e com dolo eventual, quando se assume
cinco de seus profissionais. As ações foram o risco de matar. Com a decisão, a dupla
propostas depois que o jornal publicou uma deve ir a júri popular pelo crime, em data
série de reportagens em que informava a ser de nida. Caio Souza e Fábio Raposo
a remuneração de juízes e promotores estão soltos desde 201 porque a Justiça
do Paraná. Magistrados e promotores do Rio de Janeiro entendeu que eles não
ingressaram então com dezenas de ações tiveram a intenção de matar – a decisão
individuais por danos morais. Os processos do STJ contraria esse entendimento. O
foram iniciados em juizados especiais de cinegra sta foi atingido por um ro ão
várias cidades. Para que as ações não enquanto cobria uma manifestação na
corressem revelia, os ornalistas tiveram Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
de comparecer s audiências e chegaram a
car até quatro dias da semana sem poder de o t ro – O uiz eleitoral Niwton
trabalhar. A ministra ainda determinou Carpes da Silva, do Rio Grande do Sul,
que eventuais novos processos serão proibiu que jornalistas acompanhassem a
automaticamente suspensos. O STF agora votação da ex-presidente Dilma Rousseff,
deve decidir se as ações serão julgadas pela na escola Santos Dumont, em Porto Alegre
Justiça do Paraná ou pelo pr prio STF. Mas RS . A determinação causou tumulto.
Rosa Weber á a rmou que os magistrados Depois de muita discussão, os jornalistas
são parte interessada nos processos e foram autorizados a entrar na escola,
que, por isso, não podem analisar o caso. mas não puderam registrar o voto da ex-
presidente. Dilma criticou a decisão do
juiz. “É lamentável”, disse a petista.

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84 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

de o t ro – A juíza Pollyanna Kelly que o advogado de Talento tentava protelar
Alves, da 12 Vara Federal de Brasília, o julgamento e nomeou outro defensor para
determinou a quebra de sigilo telefônico apresentar as alegaç es nais. Cinco dias
do colunista Murilo Ramos, da revista depois, proferiu a sentença condenat ria.
Época. Com a decisão, a Justiça pretendia
descobrir o autor do vazamento do de o e ro – O juiz Alexandre Paixão
relat rio do Coaf Conselho de Controle Ipolito, da Comarca de Itaperuna RJ ,
de Atividades Financeiras com a lista aceitou o pedido do ativista Eduardo Banks
de brasileiros suspeitos de ter contas contra a Folha de S. Paulo, para que o jornal
secretas na lial suíça do HSBC, no apague notícias sobre ele. Banks pediu
escândalo conhecido como Swissleaks. A que o veículo deletasse um parágrafo que
investigação do Coaf e o teor do documento informava que sua associação propôs, em
foram revelados pela revista em 201 . 2010, uma alteração da Lei urea, de 1 ,
Murilo Ramos participou da apuração. para indenizar quem foi economicamente
afetado com a libertação dos escravos.
de o t ro – A Justiça Eleitoral do
Paraná considerou censura prévia as de o e ro – O uiz José Coutinho
representações protocoladas por partidos Tomaz Filho, da 10 Vara Cível da Comarca
políticos contra a Rede Jovem Pan de de Fortaleza CE , proibiu o ornal O Povo
Maringá PR e seus profissionais por de mencionar o nome de um magistrado
entrevistas veiculadas na programação envolvido em investigações sobre supostas
normal da emissora. A coligação pedia a vendas de liminares em plantões judiciais do
proibição das conversas entre políticos e Tribunal de Justiça do Estado do Ceará TJ
jornalistas. Em duas decisões, a Justiça CE . A decisão inclui a supressão de todas
Eleitoral considerou que a restrição as matérias já publicadas com o nome do
divulgação de fatos ou difusão de opinião juiz e da operação policial, a aplicação do
constitui censura prévia liberdade de segredo de Justiça e a xação de multa
informação e de expressão. As decisões diária em caso de descumprimento.
udiciais reconhecem o interesse coletivo
ao avaliar que a Jovem Pan Maringá estava de de e ro – O juiz Rubens Pedreiro
apenas exercendo seu direito liberdade Lopes, do Departamento de Inquéritos
de imprensa, informando a população Policiais de São Paulo, revogou autorização
sobre os fatos ocorridos na cidade. para a quebra do sigilo telefônico da
jornalista Andreza Matais, do Estado
de o t ro O rep rter Aguirre de S. Paulo. Lopes havia determinado a
Talento, da revista IstoÉ, foi condenado quebra do sigilo no dia 0 de novembro,
por difamação pela 1 Vara Criminal de com o objetivo de descobrir quem era a
Salvador BA a seis meses e seis dias fonte que revelou ornalista dados sobre
de detenção. A pena foi convertida em uma investigação envolvendo o ex-vice-
prestação de serviços comunitários, além presidente do Banco do Brasil, Allan Simões
do pagamento de multa de R 2 . A queixa Toledo. Na reportagem, ele foi citado por
foi movida por diretores da Patrimonial uma movimentação atípica em sua conta,
Saraíba, ap s a publicação de reportagem no valor de R 1 milhão. A operação foi
sobre denúncia do Ministério Público identi cada pelo Conselho de Controle de
Federal da Bahia contra a companhia Atividades Financeiras Coaf . A ornalista,
em 2010. A empresa era acusada de que na época trabalhava no ornal Folha
irregularidades na construção do p lo de S. Paulo, a rmou que não iria se
tecnol gico Tecnovia. No texto, o rep rter manifestar para preservar o sigilo da fonte.
informou erroneamente que os promotores
haviam pedido a prisão dos diretores da
Patrimonial Saraíba. O magistrado entendeu

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 85

de de e ro – A juíza substituta Luzia de de e ro – O colunista Celso
do Socorro Silva Santos, da Vara Civil Nascimento, do jornal Gazeta do Povo,
e Empresarial de Belém PA , determinou foi condenado a meses e 10 dias de
que o colunista do jornal O Liberal, prisão por denunciar o atraso no parecer
Ronaldo Brasiliense, s cite o nome do do conselheiro Ivan Bonilha sobre o edital
empresário Helder Barbalho em casos para construção do metrô em Curitiba
de sentença transitada em julgado. O PR . Bonilha é o relator do processo
descumprimento da sentença poderá no Tribunal de Contas do Estado. Na
gerar multa de R 10 mil por veículo ou reportagem, Nascimento apontou um
divulgação. A juíza ordenou ainda que o possível vínculo entre o conselheiro e
ornalista faça a moderação de seus per s o governador do Paraná, Beto Richa.
em redes sociais, excluindo comentários Pelo fato de Nascimento ter mais de 0
ofensivos de terceiros ao empresário. anos, o juiz Plínio Augusto Penteado de
Carvalho, da 1 Vara Criminal de Curitiba,
substituiu a pena pelo pagamento de
multa de 10 salários mínimos, e suspendeu
os direitos políticos do jornalista.

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86 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

DETENÇÕES
de e ereiro – Clóvis Miranda, fot grafo Costa e Jesus foram então detidos por
do jornal A Crítica, foi algemado e detido dois PMs e dois guardas municipais.
por agentes do Detran do Amazonas, A delegada Silvânia Silva entendeu que não
em Manaus. A violência ocorreu quando houve crime e liberou os pro ssionais.
Miranda registrava a abordagem dos
agentes a motoristas que haviam de j o – O radialista Sandoval Siqueira,
estacionado irregularmente durante uma rep rter do programa Tolerância Zero ,
festa de rua. O vídeo mostra que, apesar da TV Atalaia, a liada da Rede Record, foi
da discussão acalorada, a detenção preso ao ultrapassar a ta que isolava o
tinha o ob etivo de impedir que o rep rter local onde ocorreu um assassinato em
lmasse a ação dos funcionários. Araca u SE . Ele fazia imagens do crime
quando um policial militar o empurrou de
de e ereiro – O rep rter Chico Filho, forma bruta e pediu que casse atrás da
do programa Bom Dia Meio Norte, da Rede ta. Depois de uma discussão entre os
Meio Norte, foi detido ap s discussão dois, o PM prendeu o radialista. Siqueira
com advogados de um homem acusado foi liberado um dia ap s o ocorrido.
de assalto. Ao registrar o momento em
que o suposto criminoso era retirado de de j o – O rep rter Matheus
um hospital no centro de Teresina PI , Chaparini, do jornal Já, foi detido enquanto
o rep rter perguntou se ele gostaria de cobria a desocupação da Secretaria da
se defender. Um dos advogados tentou Fazenda de Porto Alegre RS . O ornalista
então pegar a câmera do jornalista. O lmava a ação da Polícia Militar, que
outro advogado ainda tentou agredi-lo. retirava os manifestantes do prédio
Levado para a Central de Flagrantes, usando spray de pimenta, quando foi
Chico Filho s foi liberado depois de abordado pelos policiais. Chaparini foi
conversar com o delegado, que sugeriu preso mesmo depois de se identi car.
que as imagens fossem apagadas.
de j o – Verônica Pimenta, rep rter da
8 de março – O rep rter fotográ co Alex Rádio Incon dência e diretora do Sindicato
de Jesus e a rep rter Débora Costa, do dos Jornalistas de Minas Gerais, foi presa
Jornal O Tempo, foram detidos ao checar pela Polícia Militar em Belo Horizonte. A
uma denúncia sobre limitação de exames jornalista cobria a retirada de moradores
em uma unidade de saúde de Nova Lima, de área ocupada no bairro Copacabana,
região metropolitana de Belo Horizonte em Venda Nova, quando foi informada
MG . Enquanto conversavam com um pelos policiais que não poderia car no
paciente, os dois foram abordados pelo local. Verônica respondeu que não sabia
guarda municipal José Carlos Silva, que que a área era restrita e que sairia assim
exigiu que as imagens fossem apagadas. que terminasse as gravações. A jornalista
Jesus se recusou a cumprir a ordem, foi então detida por desobediência. Os
a rmando que não havia feito fotos de policiais desligaram seu microfone e a
Silva. Depois de conversar com o guarda levaram para a delegacia. Verônica foi
municipal, um PM realizou a condução sob liberada ap s prestar depoimento.
a alegação de descumprimento da ordem
e desacato. O mesmo policial a rmou
que não iria ouvir o fot grafo porque seu
trabalho era apenas conduzi los delegacia.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 87

de j o – Uma equipe da RIC TV
Record foi presa durante reportagem sobre
uma falsa ameaça de bomba na Praça
Rui Barbosa, no Centro de Curitiba PR .
O rep rter Lúcio André e o cinegra sta
Nilson Machado foram levados pela Polícia
Militar sob a alegação de desacato. A
PM a rmou que os ornalistas invadiram
o cordão de isolamento feito no local e
que “ameaçaram” os policiais. Imagens
feitas pelo cinegra sta mostram que, no
momento da prisão, o cordão de isolamento
ainda não havia sido delimitado. André e
Machado permaneceram no batalhão por
aproximadamente duas horas e depois
foram liberados. O equipamento da
emissora foi recolhido pelos policiais.

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88 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016

O 2016

ROUBOS/FURTOS
de j o – Um jornalista japonês de a o to – O jornalista australiano
que veio ao Brasil para a cobertura das Brett Costello teve o equipamento de
Olimpíadas foi vítima de um furto no setor trabalho roubado em um bar de Ipanema,
de desembarque do Aeroporto Internacional na Zona Sul do Rio de Janeiro RJ . Costello
Tom Jobim, no Rio de Janeiro RJ . De carregava câmeras de lmagem e lentes
acordo com informações da delegacia do de uso pro ssional para a cobertura
Galeão, dois homens trocaram a mochila das Olimpíadas. Três estrangeiros
do pro ssional por uma outra vazia. suspeitos do crime foram presos.

de j o – Harry John Robertson Reekie, de a o to – A fot grafa Adriana Spaca
jornalista da rede de TV americana CNN, foi vítima de um furto dentro do aeroporto
teve sua mochila furtada dentro de um de Congonhas, em São Paulo SP . A
hotel na Barra da Ti uca, no Rio de Janeiro pro ssional voltava de Salvador BA , onde
RJ . Ele veio ao Brasil para a cobertura das fez imagens da partida de futebol masculino
Olimpíadas. Imagens do circuito de câmeras entre Brasil e Dinamarca. Sentada em uma
de segurança do hotel mostram dois cafeteria do aeroporto, ela não percebeu
homens e uma mulher trocando a mochila quando a bolsa em que estavam um laptop
do ornalista no momento do check in. Ao e um tablet foi levada. No equipamento
perceber o furto, Reekie deixou o hotel. roubado havia mais de 10 mil fotos,
resultado do trabalho dos últimos dias.
de a o to – Dois jornalistas filipinos
que vieram ao Brasil para a cobertura
das Olimpíadas registraram queixa de
furto na 2 DP, no Rio de Janeiro RJ .
Segundo os pro ssionais, os crimes
teriam acontecido no alo amento BV1.
m dos ornalistas disse que S 00
desapareceram de sua carteira. O outro
a rmou que S 00 foram levados.

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VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO | RELATÓRIO ANUAL 2016 89

TENTATIVA DE ROUBO/FURTO
de j o – Uma equipe da TV australiana
Channel Nine que veio ao Brasil para
cobrir as Olimpíadas sofreu uma tentativa
de assalto no calçadão de Copacabana,
no Rio de Janeiro RJ . Durante a ação,
o repórter cinematográfico foi atingido
na cabeça por uma bolsa. A rep rter
Christine Ahern relatou que um grupo de
travestis tentou levar o equipamento. O
crime s não se concretizou porque um
segurança da equipe impediu o roubo.

INTIMIDAÇÃO
de a o to – Três jornalistas quenianos
do canal Citizen, que vieram ao Brasil para
cobrir as Olimpíadas, foram abordados de
forma agressiva pela Polícia Militar. Eles
retornavam do Engenhão para o hotel em
que estavam hospedados quando o táxi
foi parado por uma viatura. De acordo
com o rep rter Mashiga Mwara, mesmo
depois de terem exibido as credenciais
das Olimpíadas, todos foram revistados
por um policial que apontava uma pistola
para o grupo. “Ele foi muito agressivo.
Achamos que era por conta da nossa cor
de pele , disse Mwara. No veículo, também
estavam o ex-atleta Haile Gebrselassie,
que trabalha como comentarista na
emissora, e o radialista Philip Muchiri.

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Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT

DIRETORIA-EXECUTIVA

Presidente
Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente
Marise Westphal Hartke

Diretor Geral
Luis Roberto Antonik

ASSOCIAÇÕES ESTADUAIS

ALERT – AL
Associação Alagoana das Emissoras de Rádio, Televisão e Jornais Diários

AMERT – AM
Associação Amazonense de Emissoras de Rádio e Televisão

ABART - BA
Associação Baiana de Empresas de Rádio e Televisão

ACERT – CE
Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão

AVEC – DF
Associação dos Veículos de Comunicação do Distrito Federal

SERTES – ES
Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão do Espírito Santo

AGOERT – GO
Associação Goiana das Emissoras de Rádio e Televisão

AMART – MA
Associação Maranhense de Rádio e Televisão

AMIRT – MG
Associação Mineira de Rádio e Televisão

AERMS – MS
Associação de Emissoras de Radiodifusão do Mato Grosso do Sul

AMAERT – MT
Associação Mato-Grossense das Emissoras de Rádio e Televisão

APERT – PA
Associação Paraense de Emissoras de Rádio e Televisão

ASSERP – PB
Associação das Emissoras de Radiodifusão da Paraíba

ASSERPE – PE
Associação das Empresas de Radiodifusão de Pernambuco

AERP – PR
Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná

AERJ – RJ
Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado do Rio de Janeiro

AGERT – RS
Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e Televisão

ACAERT – SC
Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão

SINERTEJ – SE
Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais e Revistas do Estado de Sergipe

AESP – SP
Associação de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo

AERTO – TO
Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado do Tocantins

APOERT – RN
Associação Potiguar de Emissoras de Rádio e Televisão

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© 2016 ABERT ON EL O U ERIOR 201 201

Realização
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT CÂMARA DE RÁDIO:

Pesquisa Acácio Luiz Costa Francisco Paes de Barros
Fernando Dias Alfredo Raymundo Filho Lúcia Garofalo
Milena Tomazini Marcelo Soares Luiz Nicolaewsky
Tainá Farfan Emanuel Soares Carneiro Carlos Rubens Doné
José Inácio Gennari Pizani Rafael Pizani
Luiz Guilherme Albuquerque João Carlos Romanini
Análise
Marcelo Carvalho Roberto Cervo
Cristiano Lobato Flores Marise Westphal Hartke Mayrinck Pinto de Aguiar Júnior
Teresa Azevedo Orlando José Zovico Ricardo Zovico
Paulo Machado de Carvalho Neto Paulo Fernandes
Redação e Edição Vicente Jorge Rodrigues Rodrigo Neves
Teresa Azevedo Walter Vieira Ceneviva

Projeto Gráfico e Editoração
Frisson Comunicação

CÂMARA DE TELEVISÃO:
Qualquer parte desta revista pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
Antônio Carlos Magalhães Júnior Raimundo Moreira
Daniel Pimentel Slaviero Geraldo Teixeira da Costa Neto
Disponível também em: <http://www.abert.org.br> Eduardo Carlos Fernando Eugênio
Jaime Câmara Júnior Antônio Coutinho
Jaime Machado da Ponte Filho Ricardo Nibon
João Monteiro de Barros Neto Pe. Josafa Moraes
José Roberto Maluf Luis Fernando Taranto
Nelson Pacheco Sirotsky Fernando Di Gênio
Otávio Gadret Carlos Amaral
Paulo Tonet Camargo Eduardo Boschetti
Roberto Franco Beatriz Ivo
Flávio Ferreira de Lara Resende Heloísa Helena de M. e Almeida Moreira

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VIOLAÇÕES À
LIBERDADE DE
EXPRESSÃO
R E L AT Ó R I O A N U A L 2 0 1 6

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão

Ed. Via Esplanada • SAF/SUL • Qd. 02 • Bl. D • Sala 101 • Asa Sul • Brasília-DF • CEP: 70070-600

Fone: (61) 2104-4600

www.abert.org.br

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