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Prefacio

Carta de Medellin

solucoes urbanas
plataforma

Carta de Medellin
Sobre o porvir humano das urbes do mundo

Sétimo Fórum Urbano Mundial ONU-Habitat

Medellín, abril 2014

citando a fonte e sem qualquer valor comercial. Cultura. Sandra María Arango Prefeitura de Medellín (Isvimed) Seleção de textos e edição Ricardo José Arango Gustavo López Ospina Gerente do Comite Local Eduardo Dominguez Gómez Setimo Foro Urbano Mundial (WUF7) Gustavo López Ospina Revisão dos textos Diretor Óscar Castro Garcia Corporação para o Pensamento Complexo (Complexus) Impressão e finalização Tradução para o português Jeanne Sawaya Impresso e feito na Colômbia . (Complexus).Printed and made in Colombia Está autorizada a reprodução total ou parcial desta obra. Participação. Restrepo Montoya de Medellín (Isvimed).Carta de Medellín Aníbal Gaviria Correa Prefeito de Medellín @ Instituto Social de Vivienda y Hábitat. . Alcadía Claudia P. em convênio com a Secretária Corporación para el Pensamiento Complejo Vice-prefeita de Educação. Recreação e Desporte Jorge Pérez Jaramillo ISBN: 978-958-58365-6-3 Diretor Primeira edição: abril de 2014 Planejamento Municipal Ilustração da capa: Catalina Ortega Ángel Diego Restrepo Isaza Diretor Desenho e diagramação Instituto Nacional de Moradia e Habitat Oficio Gráfico.

a quem lhes agradecemos o empenho em enriquecer a Carta de Medellín com diversas propostas. a assessoria Filósofo. de Pomposo Maria Victoria Gasca Físico. Restrepo Montoya Lucrecia Piedrahíta Orrego Administradora de empresas. Colômbia Psicólogo. Isvimed Claudia Velásquez Higuita Especialista em Planejamento. engenheira ambiental. França Carlos Alberto Zárate Yepes Marco Antonio Velilla Moreno Advogado e economista agrícola. Colômbia Maria Clara Echeverría Edgar Morin Arquiteta e urbanista. Colômbia Museóloga. Isvimed . México Subdirectora de Planejamento. Colômbia e a administração realizados por: Alexandre S. Colômbia Helena Pérez Garcés. filósofo e médico. Colômbia Agradecemos igualmente Nelson Vallejo Gómez o acompanhamento. Colômbia Diego Restrepo Isaza Advogado. Colômbia Sociólogo e historiador.Agradecimento aos autores Esta obra foi possível graças à contribuição oportuna e substanciosa de muitas pessoas consultadas em diversos países. Colômbia Jérôme Monnet Eduardo Domínguez Gómez Geógrafo e urbanista. Roberto Restrepo Colômbia Antropólogo. Colômbia Advogado. França Historiador. A partir das contribuições dos autores a seguir relacionados foram reelaborados diversos capítulos: Aníbal Gaviria Correa Luis Carrizo Administrador de negócios. Colômbia Sabah Abouessalam Gustavo López Ospina Socióloga. Marrocos Economista. F. Uruguai Claudia P.

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.................................................................................................................................................................................................. 33 Rumo a um futuro urbano.................. 59 Legados da América pré-hispânica....................................................................................... 37 Potencializar as qualidades humanas e promover um viver pleno............... fruto de um novo pensamento de solidariedade mundial............................... 53 Criar um novo pensamento que guie a transformação urbana e a cidade................. 105 Governabilidade e governança........... humano e sustentável.............................................................................................................................................................................................. Sumário Prefácio.................................................................. 73 Humanizar a Terra................... uma utopia realista ao alcance de todos-unidos..................................................... 95 Segunda parte Gestão integral das cidades para a vida com equidade....... 19 Primeira parte Carta de navegação ...... 9 Introdução................................................................................................................ 91 Projeto humano global que regenere o viver na cidade............................. 107 .

.................. 171 De mãos dadas...................................................................................................... o habitat e a moradia. 129 Gestão social do território.............. do habitat e da moradia..... 135 Cidades para a vida...... 119 A cidade é universo.. cidade para a vida: visão estratégica atual ..................................... 183 8 Carta Medellín .............................. 159 Medellín......................................... desafio ético em uma nova visão do desenvolvimento........................................... 143 Instrumentos que potencializam o novo conceito de cidade.......................................... 125 Desafios ambientais para cidades sustentáveis......................................................................................... Visões e estratégias que garantam a gestão integral do território............................

da cultura e do civismo que começam a consolidarem-se como fortalezas e identidade perante o mundo. ao mesmo tempo. como propósito coletivo que permitirá construir uma sociedade melhor. Medellín tem sido o cenário de reflexões e formas de resistência múltiplaque têm dotado os setores público e privado. a cidade e seus cidadãos de uma forma constante de colaboração em torno ao respeito pela vida. na qual todos sejam partícipes da solução de problemas e. do empreendimento. beneficiários da inovação. De maneira responsável. porque perma- . Questões que hoje se constituem nos grandes desafios que nossa cidade comparti- lha com o resto do mundo. Prefácio A equidade é o farol que orienta nosso labor diário. temos trabalhado para encontrar um modo de compartilhar nossas reflexões e questões sobre o porvir humano das urbes. com base no que temos vivido e no que sabemos ser nosso desafio futuro. ao desenvolvi- mento humano integral e à equidade.

documento dá relevância à reflexão e ao tuições e o porvir. sugere o lema reduzir as brechas que são cada vez maio. com o objetivo de co- de 2014. http://www. as insti. Carta Medellín . “Vida digna para todos é a obrigatorieda- res nas cidades que crescem e avançam. associando à iniciativa as cidades nacio- la-se que em 2050 sejam 80%. mas de principal deste século”1. Nelas são nais e internacionais com as quais hoje decididos os aspectos centrais de nossa trabalha em rede. em seu Informe sobre os progressos na torno às perguntas: Como fazer para que construção da Nova Agenda Mundial de até 2050 as cidades sejam moradas para Desenvolvimento (2015) e na atualização uma vida digna. ternacional. 1. necem temas pendentes e latentes que a proposta internacional recém-formulada partir deste espaço de debate convidam pelo Secretário-Geral das Nações Unidas. com grande inequidade? O documento Habitat apresenta esta Pensar a cidade já não é a tarefa exclusiva nova visão de forma esquemática e deixa de especialistas. despertou enorme interesse a No contexto anterior considerou-se visão de “Cidades para a Vida” proposta oportuno elaborar este texto denomina- por Medellín (Colômbia).undp.org/content/undp/es/home/mdgoverview/mdg_goals/post-2015-development-a- genda/. Torna-se indispensável o aberta a possibilidade para que Medellín. Essa visão que coloca a vida locar no centro do debate mundial o con- como centro da cidade coincide com a ceito de “Cidades para a Vida”. possa ampliá-la. entre 5 e 11 de abril Urbano Mundial. diálogo que a Colômbia e suas cidades 10 esperanças e sonhos de humanidade se capitais adiantam com a comunidade in- viabilizam. Da mesma forma. progressos vez na história nas urbes vivem mais da e aspirações de futuro. segura e em paz? Como dos Objetivos do Milênio. sede do novo do Carta de Medellín para o 7º Fórum encontro mundial. Nelas nossos anseios. que buscará consenso em mento conceitual Habitat para o 7º Fó. o existência individual e coletiva. rum Urbano Mundial das Nações Unidas (WUF7). compromisso social porque pela primeira com base em sua experiência. metade da população do mundo e calcu. Habitat III. para um novo diálogo internacional em que. no âmbito de contribuições para a Nova Agenda Mundial Urbana Durante a formulação e adoção do docu. 2016.

a assuntos em nossas urbes. em presente século. rados. para a espécie humana. no qual participam e continu- rado pelo Comitê Acadêmico Local do arão participando intelectuais. acadêmi- WUF7. o debate. criar e reinventar-se. mas não pretende uma regeneração permanente e positiva apresentá-la como o modelo a ser segui. e o encontro ético necessá. a capacidade A Carta de Medellín. questionamentos e hipóte. de aprendizagem e mutação-transforma- te. e que animam para empreender uma do da interação e da cooperação mantida jornada internacional de pensamento e nessa época com o Sistema das Nações ação sobre as concepções acercada cidade Unidas. e convida a pen. instituições líderes em urbanismo tanto cionais e internacionais. as inovações e os eventos inespe- Sem dúvida este texto respira nossa expe. rio para dar embasamento a um discurso pela vida que seja transcendental na for. no que toca à equidade. já que as mudanças e transformações no urbano. Prefácio Este é um texto que nasce no seio da construção que pretende ser insumo para Administração central de Medellín. continentes. diálogo e da pergunta pela vida como eixo sar alternativas viáveis para abordar estes de planejamento integral. do urbano. é resulta- ses. sar-se. à participação dos cidadãos e duas forças contrastantes e fundadoras do à cultura da legalidade. parte do reconhecimento de educação. criam a esperança de riência como cidade. Da mesma forma. Também fala sobre os profundos desafios de nossa cidade. especialistas. bitat nestes aspectos. à violência. Este esforço estará sempre inconcluso. elaborado com a contribuição cos. Por um lado. particular. Refletir sobre a cidade e seus desafios. à nesta Carta. em particular com a ONU-Ha- e do urbano. vai ao encontro da noção de cidades ção que se expressa na resiliência como para a vida com equidade. processo de humanização de maior des- mas simplesmente ilustrar com Medellín taque que toda cidade deve manter no algumas formas de gestão do público. que o dotam de de Medellín quanto de cidades de outros argumentos. entre outros. É um texto em eixo de uma cadeia de inspiração e re- Carta Medellín . lide. mação dos cidadãos. Pensar-se e repen- do nem torná-la eixo da argumentação. experimentar fundamentalmente porque não trata de e mudar constantemente faz parte do 11 prevalecer no espírito universal das urbes. fundamentalmen. centros especializados e de numerosos autores e instituições na. por outro. vontade de conservação do que contribui para o futuro e.

vigor os ideais de verdade. monizar com a promessa de um mundo e incorporarão as dimensões ética. a Carta se vilizações do planeta. dígena. transformação e conservação. poderia • Integração cultural que admita o sur- constituir-se na sustentação filosófica de gimento progressivo de um novo pen- 12 uma cidade para a vida. O calado a este documento que ademais diálogo e o encontro entre expressões não obvia o desafio que compreende os e atitudes multiculturais procurarão progressos científicos e tecnológicos. valores e princípios. a Segunda Parte samento. de a riqueza e as propostas de civilizações um lado. humanismo. Lançarão com novo em paz.. pondo em Na Primeira Parte. planeta. subjacentes em todas as ci- Fiel a estes eixos conceituais. inclusivo. • As cidades como cenário convergente do nais. humano. senão. e compreende- constitui em duas partes precedidas por rão que a cultura não apenas estimula uma apresentação de Medellín perante produzir. a fecunda conexão entre o economia. mas se impõe por tarefa har. potencializando e integrando Assim. solida- rias e justas. afro-americana e hispânica em nhos e uma prepotência sem limites do ser cada um e em relação com o outro. seu horizonte.. desde a alma das cidades e seus desafios. no caso da América Latina e coloca em consideração a gestão integral do Caribe. conhecimento que transcende o local. beleza e bondade. em ocasiões milenares. A Primeira Parte. dedicada aos motivos. equitativas. equitativo. conduziram ao presente estado de calamidade e insegurança internacio. a Carta expõe as seguintes propos. justo e tética e espiritual. as quais apenas esboço: economias plurais. desenvolvimento da ciência. mestiça e multicultural. vida e equidade de outro. antes de tudo. a integrar em uma concepção renovada pujança e diversidade dos mercados e a de cultura. da tecno- tas em torno ao valor da vida e à busca da logia e da técnica e seu encontro com equidade. por exemplo. a ciência e a tecnologia. • A Unidade diversa entre cidades permi- tirá a união de vontades humanas em • Em todos os níveis da sociedade e em to- meio à esplendorosa diversidade do dos os lugares do mundo surgirá uma Carta Medellín . com a convicção de sintonia e colaboração as vertentes in- que “erros e desastres.”. produzidos por so. dão e culturas. facilita o mundo que fala de seus méritos e do pensar sobre aquilo que se produz. es- diferente.

e se facilitará primazia do interesse geral sobre o o desenvolvimento prático de noções particular. de. O futuro do local. dades mais solidárias e abrangentes. de. não violência. plas prioridades essenciais. se entrelaçou com o era da humanidade. tecido em • Uma Nova visão do progresso resultado uma trama muito ampla .a cosmo- de que os habitantes da Terra perde- visão. coesão social com dade da Terra e do viver. pluralidade. compartilhada interpretação da história geradora de diacrônica e sincronicamente por mi- grande incerteza e riscos. paz e solida. 13 na América. novo século e com ele em uma nova de cada cidade. riedade. visão própria de si mesmo. ignoram fronteiras e põem em risco o ração de todos os atores sociais. integral dos problemas do mundo em ecológicos e culturais das ameaças que tempo real. constitui um autêntico “pensamento americano”. Prefácio nova compreensão ou visão da reali. • Uma consciência ecológica ampliada • Aqui e agora cooperar é a nova cultu. políticas de inclusão diversidade-unidade. interdependência. Carta Medellín . A nova dimen- • O conhecimento ancestral desenvolvi- são do viver coletivamente em escala do pelos povos que se estabeleceram planetária coloca desafios essenciais. do ram a ilusão do progresso ilimitado e automático que parecia oferecer certa mundo e do cosmos -. Uma era que futuro do planeta. lênios em todo o continente. participação e transparência. tituição em escala humana. direitos. • É urgente uma revolução cultural que • Compartilhar princípios como equida- vele pelo restabelecimento de múlti. justiça. coerência-coesão. reclamando uma recons- forma de agir e de construir cidade. com a presença e coope. será a ecossistema. A solução salvaguardar os tesouros biológicos. que desperta o interesse máximo por ra do viver solidariamente. sustentabilida- com uma sólida promoção da equida. um forta- lecimento da intercomunicação e uma • A situação histórica nos insere em um maior vizinhança. mundo social. tais como: inovação. questiona a concepção mercantilista de cidade e do urbano. repara- de. e constituição de comuni- como equidade. um mundo produtivo lado a lado ao assim como integralidade. salvaguarda do Estado de Direito ção e continuidade. e do Estado Social.

tro comum. ção e equidade ao integrar a cidade e tros. A autonomia. a comunidade com o lugar. respeito. transparência e legalidade. cas constituem modos de compartilhar ção voltada para a noção solidária da vivencias e estratégias que identificam cidade em corresponsabilidade. acordos e dissensos. Desta ma- tiça.ins- titucionalização e justiça . gral. Lugar de acolhimento para as crianças em fase de aprendizagem e • Os sistemas de transporte e mobilidade onde jovens e adultos cultivem opor. educação como ferramenta de equida- fiança. jus. à dignificação da vida e à critérios filosóficos. fazendo dela uma verda- santes para realizar suas iniciativas de deira “cidade escola”. aprofunda em sua essência 14 tinuidade de políticas. participação. cidadania cultural e educativa um mentas e instrumentos fundamentais caminho para que a beleza convide à para fazer da vida e da equidade já não equidade. mas realidades. Um caminho para que a eles destaco: reflexão ética se faça a partir de uma narrativa da vida. de e transformação cultural. Tornar as cidades espaços de educação • O urbanismo pedagógico é uma forma que ocupem seus habitantes em pensá de construir cidade estimulando o de- -la e propor modos de vida criativos. credibilidade. • Compartilhar valores como liberdade. • A estética como postura ética promo- A Segunda Parte é dedicada à gestão in. • A governabilidade e governança. construção coletiva e permita a articulação entre seres pen. como parte normal da convivência. o espaço público.um olhar • A arte na cidade. As experiências artísti- para além da segurança e da participa. Entre resistência. segurança inte. con. entendida como o cen- concepção que se fundamenta na con. Carta Medellín . destacando-se ferra. os equipamentos Que sejam compreendidas para além e os usos da cidade que passam pela de um espaço físico rentável e que apropriação. senvolvimento de novas relações com abertos a novas conquistas culturais. corresponsabilidade e paz. entendidos seus cidadãos. que são instrumentos de democratiza- tunidades de encontros e desencon. e se oferece como laboratório de cria- ção onde acontece a vida. Uma neira. ve no urbanismo e nas expressões de tegral das cidades. tolerância. a cidade. • Educação e cultura: pilares do bem viver. cidadania.

porque cidade dialogue com a diferença. afrodescendentes. tiplos. que cidades como “tecidos urbanos que cons- produz inclusão de grupos como os de troem. enriquecem e amenizam a vida de jovens. que proporcio. fazendo eco à chamada pela sustentabilidade econô- • O Urbano-rural. todo cidadão. Sob líbrio entre tributos e benefícios. propondo um desafio ético de forma a alcançar um saudável equi. o econômico e de. é urgente voltar a humanizar e dar sentido ao viver diário. o intitulado . aumentar as brechas. Torna-se impres- ções conurbadas e de fronteira para cindível encontrar respostas oportunas Carta Medellín . As cidades a gestão articulada e harmônica en. com base tos que potencializam um novo conceito em uma análise da oferta de bens e de cidade e pretende oferecer uma com- preensão plural do conceito “cidades 15 serviços ambientais que provêm a ru- ralidade e a demanda do setor urbano. meninos e meninas. se esforçam por harmonizar o cresci- tre o urbano e o rural garantirão que mento econômico com o cuidado da apóiem as demandas do urbano. ta finaliza destacando alguns instrumen- senvolvimento urbanístico. para que a no futuro da cidade e do urbano. social e ambiental. um constitutivo de metas LGTBI. entre outros. da moradia. que tem por premissa avan- com a cidade diante dos seus recursos. do comunidades ao interior da cidade. planejamento do espaço público e a mo- bilidade sustentável. às relações do ser humano • A equidade territorial. O planejamento e mica. população para a humanidade que conduz a pensar vulnerável. do habitat. locais e externos. do progresso e da tecnologia sem o ambiental e a sua viabilidade. çar no caminho da competitivida- ao cuidado com o social. para a vida”. com o contexto e seus intercâmbios múl- na o equilíbrio na cidade e suas rela. em qualidade ambiental quanto em abastecimento de alimentos e solos A Carta aqui apresentada de forma sucin- suficientes e adequados ao próprio de. tanto sociedade e da humanidade. na nova visão do desenvolvimento. Prefácio • Habitat sustentável por meio de visões e garantir a diminuição da brecha cada estratégias que garantam a gestão integral vez mais profunda entre as cidades e as do território.Matriz cidades para a vida . A sustentabilidade • O desenvolvimento econômico com e o habitat entendidos em uma relação equidade.poder-se-á encontrar este enfoque das • A equidade como ação positiva. mulheres.

Carta Medellín . de. respalda as inicia. O porvir humano Repensar profundamente as vias que po. como uma sala de aula em O Fórum é um cenário privilegiado para 16 si mesma. cidade continuidade em um diálogo constante para a vida. converte-se de forma especial. uma cidade que. propõe desafios maiores aos estados. uma reflexão que se faz pos. conexões perdidos. temos a oportunidade histórica Esta Carta de Medellín está. em toda sua complexida- dirigida ao cidadão do mundo que re. e o desenvolvimento em desenvolvimento do mundo globali- de todas as espécies e expressões de vida. com sua história e suas circunstâncias e técnica e operacional da Nova Agenda que. desafios a serem implementados nas conhece as preocupações e os desafios de próximas décadas. portanto. dicado à reflexão sobre a “Equidade Ur- nentes e culturas. aos dem conduzir a estilos de vida urbana. acadêmica. de vida a necessidades. de pobreza e marginalidade. Esta Carta chegará a cada um. e para isso decidiu criar uma Plataforma sível pelo exercício cidadão responsável. combinação de violências e iniqüidades e em diversos idiomas. zado que hoje nos une. elege a vida como Urbana Mundial. -Habitat. nela encontrando-se nosso convite para tivas para melhorar a qualidade de vida que juntos potencializemos cada passo. por meio digital. Neste sentido e com força para encarar uma metamorfose vital o apoio e a cooperação técnica da ONU e transcendente. em consequência. que. tomou a decisão de aprender iniciar a construção política. governos. Tecnológica de Soluções Urbanas que per- com forte critério político. Medellín decidiu que a reflexão que hoje apresenta nesta Carta tenha Propomos a partir de Medellín. bana no Desenvolvimento: Cidades para a Vida”. como um laboratório de criação. à sociedade e a cada cidadão sustentáveis com qualidade. ao mesmo tempo. Com este Fórum. Torna-se nossa compreensão solidária das respon- obrigatório restabelecer os equilíbrios e as sabilidades para forjar o destino comum. anseios e sonhos e aumentar os indicadores de desenvolvi- de cidadãos. excluídos de oportunidades e ferramentas para seu Esta é uma carta de amizade que confirma progresso individual e coletivo. muitos deles em situação mento humano. de- em tarefa inadiável em todos os conti. para considerar. que pelo futuro e que se sentem no dever de soube superar e pronunciar-se frente à intervir. cívico e de mitirá colocar em contato os interessados participação nos projetos urbanos.

em espe- cial. calor humana e desejo de crescimento pessoal e pela constante fraternidade que facilitam o diálogo com outros povos e civilizações. Assumamos estes desafios com respon- sabilidade e alegria. Aníbal Gaviria Correa Prefeito de Medellín Carta Medellín . que facilitará o 17 intercambio de riquezas culturais e visões de vida e permitirá este salto qualitativo que demanda o atual momento histórico. tem muito para mostrar. Prefácio com uma vontade renovada de pensar e agir. Nossa civilização andina construiu e mantém um forte legado de sabedoria e compreensão humana. buscando humanizar a vida. avançando para a vida. a natureza de seus habitantes. reduzir os índices de inequidade e assegurar um viver em paz. Nossa cidade. que passou do medo à esperança. que se caracteriza pelo desprendimento. Nós nos empenhamos em organizar e criar as melhores condições para que o encontro com aqueles que nos visitam seja caloroso. buscando que todas as cidades do mundo sejam CIDADES PARA A VIDA! Um forte abraço.

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suas limitações. por exemplo. o da arte. Por esses motivos. foi reconhecida em diversos âmbitos internacionais. sua compreensão e. por vários motivos. da inequidade e da ilegalidade. entre . seguramente. torna-se relevante compreender o lugar a partir do qual a cidade de Medellín fala para o mundo. Uma história de resistência que fez com que a inovação. Introdução Medellín e as cidades para a vida Medellín. por- que aí estão subjacentes sua linguagem. o nome de nossa cidade também é sinônimo de fortaleza e inovação. Há alguns anos e graças ao esforço conjunto da sociedade civil e da institucionalidade pública e privada. a resiliência e o urbanismo. Constituir-se em um motivo para o debate relativo à vida nas cidades é o resultado hoje de perguntas profundas e de soluções diante da violência. e também por aqueles que a tornaram uma referência triste- mente célebre.

econômicas e rios e centros de pensamento. versidades e empresas que foram laborató- verno. permitem ¬ em meio à adversida- versidade de elementos provenientes da de. da academia. educativas. O urba- de. justiça. o desenvolvimento do transporte de massa dade mais inovadora do Mundo em 2013. recebeu recentemente. destacam-se: A ci. com especialistas ¬ centros de excelência cializá-las como agentes dinamizadores do e instituições de primeiro nível mundial ¬ Carta Medellín . Entre os diferentes reconhecimentos nismo social e o urbanismo pedagógico. fortalecimento da institucionalização da nascimento da cidade intervém uma di. que integra os territórios da cidade e seus Cidade Resiliente . as inovações sociais a todo nível. estreitam-se vínculos de cooperação cien- tífica e acadêmica e trabalho conjunto O uso de plataformas exitosas para poten. luta contra a pobreza. do setor privado. destaque do mundo (2013) e o Prêmio a cultura como propulsora do desenvolvi- Internacional de Desenho e Arquitetura mento por meio das redes e a realização de (2013). à capacidade inovadora e de resistência da mutação de um conflito que se traduz em sociedade. à luta contra a cultura da ilegalidade. Estas são combina- rio para os temas relativos à cidade. brechas existentes na cidade ¬ definir um cas. Atualmente de habitat para a cidade. ções de uma rota que somada a uma polí- tica de segurança integral. entre outros. dos caminho de transformação permanente.entre as cem de maior cidadãos. foi significati- em nosso permanente desafio como cida. desenvol- que hoje atraem o olhar do mundo para vimento de programas para a inclusão e a Medellín e que constituem um laborató. e • A Medellín da educação e da capacidade que nesse caminho encontraram uma acadêmica e investigativa se aloja em uni- rota na continuidade de políticas de go. que exaltam justamente os fatores licitações para a criação artística. ao plane- jamento e ao diálogo de saberes na busca Transformações de soluções para os principais problemas da cidade: a violência e a inequidade. micromercados do ilegal e às profundas 20 o trabalho coletivo das instituições públi. se constituam em soluções desenvolvimento da cidade. exercício cidadão e de governo. vo na história recente de Medellín. Deve-se destacar. a internacionais que a cidade de Medellín educação como um ecossistema de cidade. outros fatores. centralizada no Entre os fatores que determinam o re. meios de comunicação e do setor social uma verdadeira metamorfose que faça de que por muito tempo se dedicaram ao Medellín uma cidade para a vida. sociais.

Insti. Colégio Maior de Antioquia e Instituição confecção e moda. únicos no país. mais nacionais e multinacionais que consolidam de 40 universidades e instituições univer. de higiene. Encontra-se frente passaram a lideres internacionais (Grupo a grandes desafios para o melhoramento Empresarial Antioquenho com presença da qualidade da educação. Uma públicas. de informação e. consolidaram no país (Andi. além de ter e cimentos). mais de 200 instituições de ensino. a política de “Rotas da Inovação Científica sitárias públicas e privadas e mais de 10 e Tecnológica” e oferece novos impulsos às centros de pesquisa. saúde. O governo da cidade sub. e a Medellín que hoje busca o desen- com mais de 30 mil estudantes ­. sas multilatinas que de lideres nacionais gional. Introdução com cerca de 200 países. seguros e finanças te nos níveis básico e médio. por meio da aplicação de boas aposta continuada em programas para práticas traz benefícios a seu proprietário. marcando presença no Universitária Pascual Bravo . Mais ainda. modelo de como as entidades -a como um ecossistema de cidade. tuto Tecnológico Metropolitano (ITM). especialmen. turismo. o desenvolvimento de competências na a cidade. Empresas Públicas de e de interesse estratégico. A Medellín industrial ano de 2012. mas a seus habitantes. caminho de melhoria liares. mediante processos industriais e fa- entre instituições de educação superior bris.e conta com mundo com a consolidação de empre- fundos de acesso à educação de caráter re. Ca- macol) e que com o Comitê Intergremial • A Medellín do empreendimento. volvimento dos Cluster de TICs. manifesta na criação de associações dos ção superior de alto impacto. que consolidou sua economia no século sidia diretamente uma união de vontades XX. 395 mil estudantes “Rotas da Inovação Social”. energia. a prestação de serviços públicos domici- grama Bom Começo. dirigida para diferentes setores que posteriormente se a cobertura e a qualidade. por meio da de educação básica e média e 210. Uma cidade que conta para seu desenvolvimento com uma empresa 21 implantado uma política continuada para promover a educação como bem público líder no mundo. A cidade possui locais que se converteram em multilatinas. construção e cadeia têxtil. no setor de alimentos. compreendendo Medellín. agora. Fenalco. Carta Medellín .693 criação de instituições pelo setor público estudantes universitários matriculados no e privado (Rota N). da qualidade da educação básica e média. a vocação empreendedora se acompanhada por uma política de educa. é uma de Antioquia buscam um diálogo direto cidade com forte presença de empresas entre o público e o privado. mediante primeira infância (0-5 anos) como o Pro.

mentos Públicos fomentou as bases de uma relativa tradição de planejamento Em 1952. portantes: a fundação da Faculdade de a Ciência e a Cultura (Unesco) e o gover. que é o coração de uma rede de bibliotecas e com mais de cinquenta anos de existência leitura integrada por mais nove parques é um dos eventos mais importantes do bibliotecas (dois deles operados em socie- país. espaço que abriu o diá- como: A Festa do Livro e da Cultura. poetas.criado Museu Casa da Memória. Hoje a BPP alternativo da Paz. que cidade em seu afã de ser mais culta. São fatos fundamentais e im- ção das Nações Unidas para a Educação. o Festival Internacional de Poesia. foi fundada a primeira terminante para posicionar internacio. que contam rede de museus encabeçada pelo Museu com um Plano Municipal de Leitura. que marcou os últimos sessenta anos da te. histórica como eixo fundamental do de- senvolvimento cultural de toda cidade e • A Medellín do urbanismo com muitos país onde tenha existido e exista o confli. acompanhado do Museu de nidade. oito de sua biodiversidade. por convênio entre a Organiza. Desde o início do to. a Feira das Flores. Pública Piloto de Medellín (BPP) para a porcionando retornos incalculáveis. no da Colômbia. Os escritores. urbano. no qual se homenageia a população dade com as caixas de compensação da antioquenha. alguns Arango. o Museu Pedro Nel Gómez e o mundialmente renomados. deram sua recém. • A Medellín da arte e da cultura foi de. Arte Moderna e sua coleção de Débora músicos e filósofos de Medellín. tais América Latina. e a reconciliação seja uma tarefa a ser século XIX. artistas. casa da coleção especial executando mais de doze programas para do pintor e escultor Fernando Botero e o fomento da leitura. Medicina da Universidade de Antioquia Carta Medellín . a Sociedade de Melhora- cumprida. fotográfico é reconhecido pela Unesco 22 tamento no que toca às diversas etapas como um dos mais valiosos da huma- da arte local. que logo com outras culturas e civilizações e reúne renomados escritores do continen. momentos chaves. biblioteca pública internacional do Or- nalmente programas de valor singular ganismo na América Latina: a Biblioteca que abriram portas e continuam pro. Hoje seu arquivo sede do patrimônio artístico do Depar. Igualmente uma bibliotecas de vizinhança. de Antioquia. edu- acontece desde 1991 e é Premio Nobel cada e aberta para o mundo. contribuição à humanização e ao pro- marco do reconhecimento da memória gresso. seu território e o esplendor cidade: Comfama e Comfenalco).

to respeitadas da cidade. encontram a Escola de Habitat da Fa- culdade de Arquitetura da Universidade Nesta concepção. e a criação da Secretaria com projetos como o Metrô de Medellín de Planejamento. sociais. ras e a renovação do Museu de Antioquia. teóricas e acadê- da cidade. valor singular que oferece a oportuni- sidade Bolivariana (1942). um marco como um conceito maior e integrador. Introdução desde o século XIX. entre outros marcos. a criação da urbano e compreenderam o urbanismo Faculdade Nacional de Minas. desenvolvidos nos bairros pela Assessoria da Presidência da República no início dos Entender Medellín sugere valorizar e anos 90 . em consonância o Parque dos Pés Descalços. a Praça Maior e o Metrocable Carta Medellín . entre os anos de trabalho continuado e inovador anos 1998 e 2003. Um caso a na última década.experiência prévia aos Projetos integrar a enorme riqueza conceitual e Urbanos Integrais (PUI) e o Metrô e seu técnica adquirida em mais de setenta projeto cívico. que inclui as faculdades de Cidade Botero com a Praça das Escultu- Arquitetura de duas universidades mui. em 1916. Wiener. em 1950. que permite entender o desenvolvimento um conceito que devia responder a exi- da engenharia aplicada na consolidação gências políticas. do habitat adquiriu cada vez mais um tetura e Urbanismo da Pontifícia Univer. mais adiante. Posteriormente. ser ressaltado é o denominado urbanis. o Parque dos com a nova dinâmica da cidade nos anos Desejos. o desenvolvimento do Plano Piloto O exame do planejamento urbano mos- Regulador. a Praça de 40. elas tiveram Cisneros. Desde seus primórdios. a Faculdade de Arqui. Sociedade de Arquitetos de Medellín. o Laboratório dade de criar modelos de intervenção e de Arquitetura e Urbanismo (LAUR) e. ferramentas de grande valor. a Universidade Ea. 23 fit-Urbam (2008). a construção social Nacional (1947). e seu sistema de cabos que levam qualida- de de vida e equidade a zonas da cidade Dentro dessas experiências também se relegadas no desenvolvimento urbano. assim como outros mo social em cujos antecedentes constam desdobramentos nas ciências sociais e na obras como os Núcleos de Vida Cidadã. na dé. uma visão ampla sobre a sociedade e o cada de 70 do mesmo século. a criação da micas de muitas disciplinas. obras de espaços pú- por uma rica trama de universidades e blicos e equipamentos culturais como a instituições. engenharia. por José Lluis Sert e tra a onda que vem se potencializando Paul L. posteriormente. a Biblioteca EPM.

algumas habitacionais. de Santo Domingo (teleférico urbano). habitação. por passar da fase de presença na cidade. No princípio uma fase prévia ao urbanismo social. principalmente as têxteis. A origem destes PUI encontra-se papel de destaque e conseguiram desen- no Programa de Melhoramento Integral volver modelos de urbanização multifa- de Bairros Subnormais de Medellín (Pri. operárias. executado pela Corporação de Mo. tima e San Javier. as Torres de Marco Fidel Suarez. com proposta de eixos riormente. de empregados e de profissio- vas centralidades. nais como o Banco Central Hipotecário. o Tri- liderado pela Assessoria da Presidência da centenário e Altamira. finalmente. San Joaquín. Restrepo. do século passado. Centrooriental. nais que levaram ao desenvolvimento de como o projeto de melhoramento integral bairros como Laureles. to dos trabalhadores de empresas como riental. o setor privado desenvolveu importantes empresas promotoras e construtoras de Muito dessa concepção urbanística em habitação para todos os setores da popu- matéria de moradia se traduz em desen. Nos últimos dez anos destaca-se o de.outros a par. o programa Aliança e que a Unesco declarou como experiência para o Progresso também marcou sua piloto internacional. e sociais integrados e. radia e Desenvolvimento Social (Corvide). No que se refere República para Medellín nos anos 80 e 90 à moradia popular. instituições nacio- meio de sistema de cabos como o de Oci. expressão na Cooperativa de Habitações tir de equipamentos culturais. executado pelos entre muitas outras. a Comunidade 13 Vicuna. foram criadas as cooperativas fundamentais no desenvolvimento de no. todas como parte de setores privado e público. o Instituto de Crédito Territorial tiveram 24 de 13. expansão. educativos de Medellín. volvimento habitacional. Coltejer ou Fabricato. tais como Carlos E. aquele que norteou o assentamen- Integrais (PUI) das comunidades Noro. quando se desenvol- planejamento à execução de programas de veram bairros como Pedregal e Las Playas. Fá- de bairros como “Nuevo Sol de Oriente” . desenvolveram o conceito de bairro ope- senvolvimento dos Projetos Urbanos rário. lação. dente e as escadas rolantes da Comunida. poste- e a Norocidental. alguns determinados por eixos de mobilidade por A partir do público. e que teve sua máxima conhecido como Juan Bobo ­. miliares como resposta à falta de solo de med). legalização e melhoramento da Paralelamente a este trabalho do público. Carta Medellín . titulação. os proprietários das indústrias.

e da Herrera. o ente nacional adotou são da malha viária. liderou programas de acom. dignida- municipal. das obras de abasteci- mento de água e de saneamento básico. a um esquema de financiamento das políti- dotação do parque automotivo. onde residiam cerca de duas mil criticamente em violência. para assinalar apenas al- do urbanismo ilegal. o Metrô. concentrado em processos de o Metrocable e o Metroplús. para recompor o tecido (Isvimed). eram a ex- É importante destacar o desenvolvimen. manifestadas 25 Moravia. melhoramento integral de bairros e reas- sentamentos de invasões. social e urbano das comunidades e bair- ros que. processos executados na primeira década em meio a uma crise sem precedentes do século XXI nos projetos de Juan Bobo que combinava condições econômicas. em que Corvide. pressão viva de uma dívida social urbana to de projetos urbanísticos como a Zona acumulada por décadas que colocava em Norte. Esta e conflitos urbanos de diferentes formas. Introdução Da mesma forma que nas décadas de 80 Explora e o edifício Rota N. experiência permitiu consolidar toda a po. Medellín não escapou ao fenômeno ção em Moravia. deste modo. desenvolvendo-se guns que resultou em uma experiência de uma expansão urbana sem controle mu. naquele momento. Carta Medellín . como instituição veu espaço público ao cidadão. município. questão a própria vida da sociedade. forço coletivo. a interven- e 90. Constituição de 1991 consolidou a auto- nomia municipal em matéria de urbanis. dim Botânico Joaquín Antonio Uribe. que não podiam • A Medellín do planejamento coletivo ser objeto de legalização. A mobilidade melhorou graças à expan- mo. o serviço cas públicas de moradia. com a colaboração 2020) cujo principal executor é o Instituto da Assessoria da Presidência da Repúbli- Social de Moradia e Habitat de Medellín ca para Medellín. a sociedade empreendeu um imenso es- lítica de moradia e habitat do Plano Estra. da mesma forma que em políticas e sociais difíceis. ilegalidades famílias no antigo lixão municipal. de e apropriação estética aos moradores panhamento e melhoria da moradia. expressão de resiliência e tégico Habitacional de Medellín (Pehmed consciência coletiva. como foram os que explica como no início dos anos 90. A deste território. que permitiu a renovação do Jar. executadas pelo público e privado de transporte. planejamento urbano integral que devol- nicipal. assentou as bases do atual Distrito da Posteriormente. o Plano Estratégico para Inovação no qual se encontram o Parque Medellín e a Área Metropolitana de 1995.

acompanhamento senvolvimento da cidade. Nessa etapa. Nos últimos anos a participação de de Comercio de Medellín para Antioquia ambas as entidades em processos educa- e o trabalho ativo dos meios de comunica. políticas Comfama e Comfenalco. o de. analisar. as mudanças na miações como Proantioquia .criado em qualidade de vida da cidade.con. denominado “Medellín ção institucional e social. zo que se converteu em um acordo coletivo Um exemplo claro hoje em dia em relação que tem orientado. os e análise é o programa de acompanha- diversos setores da cidade se integraram de mento dos indicadores de desenvolvi- maneira extraordinária em uma combina. de bibliotecas e cenários para uma agenda formado por 39 grêmios ou entidades dos com alcance de cidade e impacto nacio- diferentes setores da economia. uma infraestrutura de participar de projetos de reflexão. El Colombiano. valorizar trabalho com as caixas de compensação e apoiar. a partir da cidadania. Comfama e social determinante. entre outras. edu. aos cenários de debate. e que tem por objetivo ava- capacidade organizativa de ONGs e agre. forjou uma síntese com visão de longo pra. tivos e de saúde foi vital para resguardar ção regional como El Colombiano (1912) e e respaldar o projeto de equidade social o Mundo (1979) além de inúmeros meios que é imperativo na Colômbia. o ral a partir da consolidação de uma rede Comitê Intergremial de Antioquia . plural e diversa. mento integral. em boa medida. Iniciado em 2006. mediante a defesa da comunicação como entre os quais se destacam o Hospital San Carta Medellín . questões fundamentais que nos permitiu Universidade Eafit. a partir do setor privado. Câmara de Comércio avançar até o momento atual. 1975 por um grupo antioquenho de em- presas para proporcionar um espaço onde Outro exemplo de planejamento coletivo se oferecesse uma resposta antecipada à para um objetivo de cidade comum é o necessidade de discutir. desempenhar uma importante liderança 26 a federação de ONGs criada em 1988 e no impulso à leitura e à formação cultu- integrada por mais de 105 organizações. comunitários e alternativos que através de uma postura ética e firme não apenas se • A Medellín da inclusão e do bem-estar por encarregaram de informar como também meio de. Um tecido de Medellín para Antioquia. outro cenário de construção do público. que souberam públicas de caráter regional e nacional -. como vamos”. liar. de saúde que fez a cidade brilhar inter- cação e fomento à leitura para a cidade nacionalmente por seus centros de saúde. com- agendando e consolidando acordos sobre posto por Proantioquia. tornado possível pela Comfenalco. a Câmara nal.

A partir de en- Na busca de um caminho para a equi. suas necessidades básicas. Entre os múltiplos com 101 anos ininterruptos de serviços benefícios que as famílias beneficiadas prestados. transparência blicos e privados articulados. EPM hospitalar e capacidade de atendimentos é uma empresa de serviços públicos do- em diferentes aspectos da saúde fazem de miciliares que tem uma história para con- Medellín um centro de acesso à saúde de tar. mada para que cada pessoa possa atender dade de Antioquia completou 50 anos. em 1955. e. em condições de pobreza extrema para gás em rede. • A Medellín da gestão pública respon- midades endêmicas como a tuberculose. Em 2013. disponíveis e capacidade técnica são os principais tra- para que os lares que façam parte da estra. tão seu alto desenvolvimento a situa na dade. ao seu desenvolvimento e à sua de saúde de alta complexidade e destino estratégia de negócios. to humano integral. Organizada sob forma de que contribui para que as famílias mais uma “empresa industrial e comercial do necessitadas da cidade tenham acesso a Estado” de propriedade do Município de benefícios e serviços para melhorar sua Medellín. Empresas Públicas de Medellín a gastroenterite.anteriormente Hos. ência. tantes de Medellín. 27 para cidadãos de muitos países do conti- nente e das Antilhas. Introdução Vicente Fundação . vanguarda do setor de serviços públicos ma Medellín Solidária. o tifo e as doenças tro. Dessa maneira. e que procura garantir dos padrões internacionais de qualidade o acompanhamento de 45 mil famílias aos serviços que presta: energia elétrica. ços que identificam esta organização. (EPM) é um exemplo do que caracteri- picais. em convênio pelo Medellín Solidária recebem conta o docente-assistencial com a Universida. destaca-se igualmente o progra. Experi- fazer chegar a elas os 118 programas pú. sendo uma instituição pioneira na Amé- rica Latina para o tratamento de enfer. com cifras e fatos de responsabilidade grande prestigio no país por sua cobertu. fortaleza financeira. EPM atendeu somente aos habi. tégia possam alcançar o desenvolvimen- pital Universitário San Vicente de Paúl -. desde 1948. sável. que equivale à de de Antioquia. a Faculdade quantidade mínima de água potável esti- Nacional de Saúde Pública da Universi. do mínimo vital de água. cujo Carta Medellín . Em sua primeira etapa. água e saneamento. social e ambiental que dá sentido à sua ra e a qualidade na atenção a problemas origem. EPM imprime os mais eleva- qualidade de vida. programa social na Colômbia. cidade onde iniciou suas atividades. sua infraestrutura zou a gestão do público na cidade.

fun- busca de sustentabilidade é a chave da dada em 1964. para melhorar a quali. seus habitantes. nos Estados Unidos e na Es. adicionada à Alian- famílias com dificuldades econômicas. Em Medellín e na Área Metropolitana do Vale de Abur. empresa industrial e co- atuação da EPM. recentemente passou a fazer rá atende a 3. da Cidade de forma conjunta. gás lidade de melhorar a qualidade de vida de natural. uma cidade as comunicações. regiões onde se encontra presente públicos de atuações contrárias a sua fina- com os serviços de energia elétrica.6 milhões de habitantes. enfoque principal é sua responsabilidade dade de vida de mais de 13. o prefeito de Medellín e o governador de ximar-se das pessoas e manter a eficiên. O controle político o Grupo EPM. tarefa (Controladoria e Procuradoria) per- no México. Hoje. mercial do Estado que presta serviços de ta no desenvolvimento social de Medellín limpeza da cidade e que se destaca por seus e das demais cidades da Colômbia onde níveis de eficiência. a o de “Energia Pré-paga”. grupo conformado por exercido pelo Conselho Municipal e pelos sociedades na Colômbia. a eleição popular para prefeito. Deste grupo. que se coloca perante o mundo como Carta Medellín . continuidade das políticas locais dos últi- permite prestar este serviço a milhares de mos três mandatários. na América organismos públicos encarregados desta Central. abre-se hoje com permitiram que boas práticas na gestão do uma história para contar e muitos sonhos público estivessem presentes em toda a ad- para construir. no Caribe. na América do Sul. que conecta os o desenvolvimento do Departamento e setores rurais mais afastados da região. mediante a execução de programas conjuntos entre 28 Com essa mesma capacidade para apro. e ça Medellín Antioquia em que se busca “Antioquia iluminada”. EPM chega a 123 pessoas. aproveitamento e tratamen- to do lixo e tecnologias da informação e Este olhar sobre Medellín. mitiram preservar a gestão dos recursos panha. água potável. A parte Empresas Varias de Medellín. colheita. Antioquia (programa único na Colômbia) cia em suas realizações. Por isso foi protagonis. Desta tunidade na prestação do serviço. A partir dinâmica fazem parte programas como de 1986. implementação dos Planos de Desenvol- pra antecipada da quantidade de energia vimento Municipal na década anterior e a que o usuário tenha condições de pagar. que pela com. modernização e opor- está presente com seus serviços. co. municípios de Antioquia.5 milhões de social e ambiental. saneamento bási. busca consolidar ministração da cidade.

o pintor Francisco Antonio Cano apre. que pretende ser universal ain. todas relacio. A paz. se apresenta perante o mundo com e conflitos em paz. nada é tão valioso. porque a paz Naqueles anos foi uma ode ao espírito pioneiro. também.. mais livre. Agora. porque não ca Latina. acabou. não encontra outra via para determinar uma rota que existe nada mais sagrado do que respaldar o processo da Colôm- conviria para a solução de seus próprios principais bia para que ela possa encontrar problemas em permanente relação: violência e ine. que se questiona em um horizonte de pela paz em todos os rincões desafios que não é alheio aos problemas de toda ci. e que está determinada pelo José Mujica.. presidente que é seu horizonte. da Terra. isto quer dizer que ninguém po- hoje é uma provocação para uma reflexão profunda derá devolver o que se perdeu. é porvir e o outro. o da cidade dos problemas Parece-me que temos de lutar por resolver. hoje. e triunfo das cidades: gerar riqueza e seu grande fra- há que lutar para que os tenha. mas não viver olhando para ela. cada madrugada amanhece e a uma interpretação. a brecha que surge entre o grande um recurso pré-histórico e que a humanidade tem os meios. O que vale mais é a paz e nadas à identidade e história do ser antioquenho. um caminho de paz. Medellín hoje apresenta para o mundo uma visão. neste momento. analisando minuciosamente Em 1913. Este do Uruguai horizonte é ser uma cidade para a vida. Na Améri- a pergunta sobre as cidades para a vida. Essa cidade se consti- Carta Medellín . em sã consciên- cia. vida é porvir. é que foi visto como um símbolo que ofereceu através preciso avaliar: o que vale mais? 29 das décadas múltiplas interpretações. quidade. mas senta o emblemático quadro intitulado Horizontes e isso nunca terá fim. os inconvenientes são abissais. casso: agravar as inequidades territoriais e humanas. Então. na vida é preciso olhar para frente. mais justa e mais feliz. a questão constata-se que há ne- cessidade de se fazer justiça. E.. não apenas seu passado. da que nasça do local. sobre o impacto que o desenvolvimento econômico Na vida é preciso aprender a car- e social teve em torno da valorização da vida. Creio que a guerra é dade no mundo. regar uma mochila de dor. de solucionar nossos confrontos Medellín. Com uma guerra tão longa criam-se contradições e dores O desafio atual e horizontes intermináveis e. tocada pela verdadeira transformação cul- tural que significa a equidade. isso significa uma cidade mais humana. Introdução uma urbe em expansão e em vias de transformação permanente é..

Esse modelo proposto estabelece o hori. como uma política de equidade popula- senvolvimento de cinco setores. seus aprendizados. a institucionalização e a justiça como balizas de uma política integral de O texto da Carta de Medellín e a Platafor- segurança. isto é. seu hoje e seu ama. galidade. Assim. solidariedade. e desenvolvimento com equidade. tui hoje orientada por quatro princípios: o rio e a periferia de maneira consolidada participação. geração de oportunidades de emprego e zonte de Medellín. frente à construção da Nova Agen- ética e o trabalho por uma cultura de le. a inclusão e o bem-estar vernança do território e orientam o de. institu. eixos de cional e humana por meio de estratégias sustentabilidade para uma cidade habita. em 2016. preceitos que apóiam a go. e. por dê-lo e enriquecê-lo ao longo do tempo meio do enfoque da cidade-escola como para continuar incentivando e recolhendo ecossistema educativo em sua totalidade. que contêm a visão Mundial sobre a visão de “Cidades para a estratégica atual da cidade. transparência. nalmente. dos processos vividos. fi- cionalização e justiça. vas centralidades. seus êxitos e fracas- sos. de proteção e ações positivas e inclusivas da pela vida: educação e cultura. Ali se poderá vida com equidade”. e intercâmbio a ser lançado oficialmen- brio e pedagogia para a cidade. habitat sustentável. sistemas econômicos integrados ao desen- nhã. para a população mais vulnerável. da Urbana Mundial. lidade social empresarial que proporciona com a promoção de maior inovação social. É de certa forma o 30 compreender como a educação e a cultura compromisso de uma cidade que espera constituem-se na rota para o desenvolvi. se Medellín procura responder à comuni- poderá entender melhor a segunda parte dade internacional no 7o Fórum Urbano da Carta de Medellín. traçado sobre o amadurecimento volvimento das vocações da cidade. transcender o cenário de discussão e esten- mento humano e a formação cidadã. as melhores ideias. que seja mitigadora de riscos ma Multimídia de Soluções Urbanas a ser que atentem contra a vida e promovam compartilhada são uma provocação para o livre desenvolvimento dos cidadãos no a reflexão e estarão também a serviço do território. olhando te em Habitat por ocasião do evento na Carta Medellín . o desenvolvimento econômico inclusão e bem-estar. O habitat sustentável que faz novo espaço internacional de cooperação do urbanismo uma ferramenta de equilí. responsabi- econômico com equidade. propostas e práticas ur- e a estética como uma proposta para a banas. não violência como sistema e em harmonia com as no- e inovação.

nacional a confiança nela depositada. entre eles o Habitat. das cidades e do urbano. instituições. forços e recursos múltiplos em todos os níveis de atuação para ganhar em expe- riência e conhecimento que contribuam para acelerar as transformações progres- sivamente consensuadas em cada país e cidade. oportunidade. academia multiplicam e se ampliam sem cessar. tem ço de uma das empresas que decidirão sido fundamental para criar consciência o futuro da humanidade nas próximas sobre a urgência de dar uma virada global décadas e agradece à comunidade inter- na condição do mundo e. mas o que sobressai neste momento dos os que lhe damos nascimento nesta é o interesse legítimo de unir e somar es. Introdução cidade. Habitat III. espera compartilhar com a co- contribuirá para a construção da Agenda munidade internacional sua consolidação Urbana 2016-2036. aprovada naquela oportunidade. na concepção cidades. redes. mas especializados. Para 2016. organizações internacional adotada neste texto. assim como outras instituições de origem A cidade de Medellín coloca-se a servi- internacional. quando se realizará Habitat III. associações. fatos e avanços observados nas da Nova Agenda Urbana Mundial. A par- tram que as novas vias orientadas para tir deste momento ela está a serviço das as “Cidades para a vida”. a Plata- forma de construção e discussão de cida- Carta Medellín . Buscará permanentemente estar à altura 31 do desafio que assume sob a premissa de Há ainda muito a caminhar nessa dire. cooperação e intercâmbio. nacional e regional. a ser cidades de diversos continentes mos. O 7o Fórum Urbano Mundial em Medellín é uma demonstração clara de seus resultados e acordos. se diversas. em particular. a Plataforma está fadada a ser des comprometidas com a vida e com o um dos instrumentos internacionais que bem viver. O e de centros de pesquisas e de inovação trabalho realizado até o momento pelas com os quais espera consolidar laços de Nações Unidas e suas agências e progra. uma corresponsabilidade genuína de to- ção. como proposta internacional que baliza- rá sua atuação entre 2016 e 2036 dentro Políticas. empresas.

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Primeira Parte Carta de navegação .

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justiça e igualdade que assegure uma vida digna para todos. Isto tomará tempo e será difícil. ou dos poderosos.. Prêmio Nobel de Economia . incluindo os habitantes dos países pobres. devemos escutar e atender aos apelos dos marginalizados. a urbanização pode ser dirigida e conformada coletivamente da maneira desejada. Podemos fazer funcionar a mundialização não apenas por meio dos ricos. Diretor-Geral ONU Habitat Não é uma fatalidade. Joan Clos. Ban Ki-moon. Porém. muito já foi conseguido neste sentido. Juntos podemos construir um mundo sustentável de prosperidade e paz. Secretário-Geral das Nações Unidas A cidade é uma construção humana. O crescimento e desenvolvimento das cidades e a urbanização em seu conjunto está longe de ser espontâneo e incontrolável. A cidade é um artefato humano e. portanto. Se quisermos alcançar o futuro que almejamos para todos.. Devemos tomar partido imediatamente. Stiglitz. mas sim por todo mundo. Joseph E.

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o avanço das comunicações e da informação. a pujança e a diversidade dos mercados e a eco- nomia permitiam pressagiar a possibilidade de um mundo diferente. precisamente quando os progressos científicos e tecnológicos. os quais exigem mudanças de rumo e novos enfoques. Erros e desastres produzidos por sonhos e por uma prepotência sem limites do ser humano levaram ao atual estado de calamidade e in- segurança internacionais. A hu- manidade enfrenta problemas fundamentais que colocam em perigo a vida no planeta. humano e sustentável “Não podes guiar o vento. o Sistema das Nações Unidas promoveu cúpulas de chefes de Estado sobre os mais preocupantes temas para a . em particular nas cidades. No final do século XX. por ocasião de seus 50 anos de exis- tência. justo e em paz. Rumo a um futuro urbano. equitativo. mas podes mudar a direção de tuas velas” diz um provérbio chinês. inclusivo.

A minha versão de do a comunidade internacional trabalha e promove utopia é. e. verdade. A utopia requer. de volta ao Rio de Janeiro. consequentemente. quase sempre meros pormenores. dado constante do viver. lançasse alertas calmente melhor por que vale a maiores sobre os imensos riscos em que se encontra pena lutar e que a humanidade a humanidade se não mudar de rumo. portanto.net/iniciativas/el-futuro-que-quere- mos-documento-final-de-la-conferencia-rio20/ Carta Medellín . um pensado e alcançado nas cidades onde nas próximas conhecimento da realidade décadas residirão cerca de 70% da humanidade. O destino comum da humanidade que a sua forma de imaginar o novo é parcialmente constituída fortalece a cada momento a ideia da sociedade-mun- por novas combinações e escalas do e do cidadão planetário. o clima. só porque existe. de sustentável. conhecimento e a visão integral do desenvolvimento E por utopia entendo a explora- ção. no Rio de Janeiro. pequenos e obs- O futuro humano sustentável para todos deverá ser curos. http://rio20. a utopia sempre é ética e a sabedoria de cada povo têm na regeneração 38 desigualmente utópica. Na abrangente e profundo como segunda década deste século as cidades se converterão meio de evitar que o radicalismo em laboratórios mais refinados para conceber e levar da imaginação colida com o seu realismo. portanto.. e que são. a mulher. o social. Sem dúvida alguma elas se converterão nos sociólogo e professor de português 2. das cidades e da governança terminada época pelo modo de forma consensual. Hoje. bana Mundial (2016-2036). compre- como está excluído dela. para aquilo que pertence a uma de- cidadãos. duplamente relativa. parece ser o momento grante. adiante por consenso as transformações que o mundo Boaventura de Sousa Santos. o habitat. o sar o futuro parece ser a utopia. requer. lação. através da imaginação. a popu- (. na responder coletivamente aos maiores desafios. propício para se repensar profundamente o papel dos daquilo que existe. da sociedade. Por ender o protagonismo que a cultura. a infância.. mesmo que silenciada. rência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o novas forma de vontade e a Desenvolvimento. a informação. a outro lado. do que realmente existe. em nome de algo radi. Desde a adoção da Agenda 21 na Confe- novas possibilidades humanas. nacional. Por um lado. chama a consensos sobre uma Nova Agenda Mundial para o atenção para o que não existe Desenvolvimento (2015) e uma Nova Agenda Ur- enquanto (contra) parte inte.) o único caminho para pen. quan- tem direito. com a qual será possível daquilo que existe. a educação. em 19922 duas oposição da imaginação à neces- décadas se passaram para que a comunidade inter- sidade do que existe. humanidade: a educação. ou seja.

mitos. rituais. Não apenas porque a inequidade provoca reação vio- de decisões e políticas em todos os campos e setores: lenta dos excluídos.com seus ma. tecnológico e cultural. a modo de exemplo. águas e montanhas . tonia e colaboração as verten- zações do planeta e compreenderão que a cultura tes indígena. E elas Caribe. a maneira de oferecer os ingredien. que guarda em si mesmo a or- nar as reformas que favorecem uma vida iluminada dem do mundo. pondo em sin- beleza e bondade. O terri- tório voltará a ser considerado “Cidades para a vida com equidade” encontrarão na e utilizado como sagrado. à serenidade de civilizações e culturas. cientifico. mas antes de tudo e hispânica em cada um e em facilita pensar sobre aquilo que se produz. deverá surgir tudes multiculturais. a dimensão qualitativa Carta Medellín . “Cidades para a na na periferia uma parte de si mesma. e mundo econô. multicultural. relação com o outro. Consequente- gradação da vida e do planeta com múltiplas depen. o sistema social e econômico é res. Pro- e o encontro entre expressões muito diversas e ati.. no concepção renovada de cultura a fecunda conexão caso da América Latina e do entre o humanismo. não haverá programas vida com equidade” contribuirá para abrir e clarear políticos nem recursos policiais o caminho que consolidará a conjunção de mutações nem estratégias que possam as- profundas e metamorfoses do sistema Terra. cada cidadão. injusto na sua origem. mico. 39 incorporarão as dimensões ética. Rumo a um futuro urbano. motores da humanização da Terra e na planetização do viver apropriado de cada pessoa e assim salvaguar. Elas facilitarão o diálogo e solidariedade fraterna. Quando a sociedade abando- darão a vida como valor sagrado. mente. tes necessários para liberar-se de todos os objetos anseios. mas porque mundo urbano. rural e megadiverso . ao potencializar e integrar a riqueza e proposta à poética da vida. humano. Roma As cidades tornarão possível a união de vontades hu- manas em meio a esplendorosa diversidade do pla.e espacial.. apoiado nos pelo bem viver. procurarão integrar em uma um novo pensamento. subjacentes em todas as civili. a partir de sua alma mestiça e al. dências que desviam do acesso neta. sonhos e nas metas de que escravizam a existência e contribuem para a de. estética e espiritu. social. por- educação a possibilidade de construir e de impulsio. Papa Francisco. gressivamente. a ciência e a tecnologia. Lançarão com novo vigor os ideais de verdade. imaginários. com vias segurar indefinidamente a tran- e instâncias legítimas de compreensão para adoção quilidade. afro-americana estimula não apenas o produzir.

todos os lugares do mundo surgirá uma logia a da técnica que. principalmente nas cidades. se guiará o êxito da inclusão e a sociais. mento. A cidade alcançará uma nova cultura do viver solidariamente. manidade que alcançou sua maturidade. A vida em um planeta A cidade. As cidades serão o cenário propício para Em todos os níveis da sociedade e em o desenvolvimento da ciência. tentabilidade. Ao longo de sua história as cidades tem e provocará as mudanças de comportamen. será a forma de atuar e de forjar justiça social estáveis. poderes. fa. a marginalidade As universidades e os centros de pensa- e a crise do capital. paz e solidariedade. com ferramentas nova compreensão ou visão da realidade e produtos cada vez mais potentes. do planeta e do viver. equitativas. trada e proativa de cada cidadão e de cada tir de um novo pensamento econômico comunidade. surgidos as demais instituições dedicadas à com- como consequência da busca de sucesso preensão e gestão integral da cidade e da econômico a todo custo. assim como 40 tes há mais de quinhentos anos. de futuros viabilizará a compreensão transdisciplinar e global dos problemas e desafios fundamen- Vida e invenção do futuro tais a serem enfrentados no presente século. facilitando o desen- cilitarão a vida de todo cidadão. problemas do mundo em tempo real. da tecno. pesquisa e inovação. e de milhares de sociedade serão chamados a desempenhar práticas que nada tem a ver com uma hu. Esta será a múltiplas e complexas da vida e pelo jogo perspectiva eficaz para propor cenários e de liberdades. A par. a vitória sobre a pobreza. justiça. opções em prol da tomada de novas deci- trução da verdade. que parta da consideração inte. como laboratório para o sur- gimento de vias factíveis na condução com pluralidade da humanidade para um novo amanhecer. solida- Carta Medellín . vontades. sões e para assegurar a transição rumo à sus- sões do ser humano serão refundadas. um papel protagonista nesta busca. sido o território de lutas por demandas to e modos de vida requeridos. perspectiva estimulará a participação ilus- rais. solidárias e justas. como máximas expres. A solução integral para os e social. assim volvimento prático de noções tais como como o avanço da coletividade. Serão a equidade. Esta via que abrirá as portas a economias plu. problemas recorren. da vida em sociedade e as formas de cons. com gral da riqueza e das necessidades de cada a presença e cooperação de todos os atores pessoa.

regras e normas que os viabilizam Como aproximar realidades por vezes tão e abrem caminho para situações otimistas diversas? A história mostra que a maneira ou pessimistas ante a possibilidade de con. a intuição. o ser humano perde a capaci. não produziram nenhuma tornou-se mais complexa e passou-se a mutação biológica extraordinária. 41 dos que inventaram esses artefatos mostra derão fortalecer os vínculos humanos. No século XXI vigora o planeta.. As ciências sociais referem-se a conheci- tos e a conservá-los para seu uso posterior. depois da agricultura até tem uma base fisiológica. ou submeter ou destruir a A noção de futuro foi inventada há mais que nos é alheia. o cérebro os anseios. o futuro ção ou cultura. a conformação das cidades. Rumo a um futuro urbano. quando nossos antepassados começaram a fabricar artefa.. Ao eliminar os vín. Nós os seres humanos habitamos sentimento e a aceitação de que transfor. alcançado. que denominamos de civiliza- dade de pensar no futuro. tradicional de reagir recorre a uma con- servar a vida. entre Com a invenção do futuro a realidade muitas outras. Antes disso utilizavam-se pedras e outros são conjecturais para pensar o futuro. em um mesmo mundo. assim. a chegada à lua. humano. como representações que po. porém dentro de mar as cidades é transformar a vida. mano. nologia. quarenta mil anos a forma do corpo hu- mento sobre o futuro. com eles. Os realidades e exigências diversas. seu cérebro e tamanho se mantêm culos que a conectam com outras partes praticamente os mesmos. riedades e capacidade de compreensão da que depende das opções em cada lugar do espécie humana. Tudo que foi do cérebro. enriquecê-la e assegurar um junção: tratar de convencer ao outro de bem viver de todos os seres humanos. materiais que logo eram abandonados. e uma terceira que é incerta e ter daqui a alguns séculos? O futuro não Carta Medellín . das por civilizações e culturas milenares. Que contar com as duas realidades de passado forma o futuro da humanidade poderá e presente. media- cenários possíveis de futuro são variados e. portanto. região do A espécie humana é estável. De acordo com estudos. aceitar e de aproximar-se da realidade que vivemos. vinculados com a percepção. de dois milhões de anos. A Aos conhecimentos objetivos disponíveis partir desse momento a humanidade ficou será necessário somar os conhecimentos vinculada ao que se conheceria como tec. Há cerca de cérebro onde se dá precisamente o pensa. modificações em sua rede neurológica. es- pecialmente no lóbulo frontal. as guerras e a revolução digital. mentos passados e presentes e.

ocorreu em Atenas no século V a. Da mesma forma. transformação cultural poderá ser aplica- logia da evolução. poder-se-á Carta Medellín . escassez gressos mais assombrosos. preocupantes da vida na Terra. certeza de que ganhará força e poderá Atualmente. O desenvolvi- mitida. por que revelam o caráter meio desta tecnologia aonde a humani- de reversibilidade dade poderá chegar? O devir da humanidade no futuro está O porvir da humanidade não se dá de determinado pelas transformações cultu- forma frontal ou direta. Nele índole. ao mesmo tempo. uma cultura inventa algo e converter-se em tendência e vir a globa- quase de imediato é globalmente trans- lizar-se no presente século. algo que propõe o que hoje se conhece como democracia. As transformações culturais defi- qualquer pequeno desvio conta. libertadores e de água potável. porém. guerras. caráter reversível de muitos problemas assim como o auge da filosofia. tal como aproxima a evolução biológica e as trans. Pela primeira vez uma grande barbárie. tem seus fundamentos essenciais na bio. fome. poderá incidir na trans- formação biológica. Com quais consequ- Transformações culturais ências no futuro? Ou melhor: afinal. tsunamis. Neles avança como uma locomotiva que por encontra-se a esperança de poder enfren- trilhos bem alinhados conduz a momen- tar todo problema ou desafio de qualquer tos de glória e elevado bem-estar. A bio- tecnologia coloca à disposição formas Podem-se imaginar cenários sombrios a de energia distintas das provenientes partir dos grandes problemas planetários do fogo. a mecânica.: o formações culturais. Explosões criadoras. biosfera.C. outras palavras. em formação social. a eletricidade ou a observados: degradação ecológica e da eletrônica. transmite uma mensagem de extinções massivas imprevisíveis de im- 42 périos bem como implosões inesperadas. mas sim ligado à trans. por mais insignifi- cantes que fossem. sua história não rais e pelos aportes da civilização. mudanças climáticas. Isto mostra a enorme dificuldade mento histórico da humanidade mostrou de se prever o futuro. Isto demonstra um dos pro. com a nem-se por conjunções de vias criadoras. excitantes para a humanidade nas últimas invasões virais ou expansão massiva da décadas. revelaram-se muito Hoje se observa como a biotecnologia fecundas para a humanidade. da à biologia e modificar as espécies. tranquilidade de que o ser humano é ca- paz de construí-lo.

humano. Tampouco balhar com sabedoria cai na loucura ou como se pensou nos últimos três séculos. cria com engenho de precisão ou com plasticida. na busca das de desenvolvimento ainda incipiente. a arte. a plenitude a luta social. ção permanente da vida e a criação de za a razão.. Se a história não tem leis per- a consciência sobre a natureza humana e manentes. a investigação e a ciência para novos futuros do planeta. crendo tra- na harmonia e sem conflitos. a Conhecimentos ligados a disciplinas que festa.. deixou de ser a principal preocupação. história da vida e da própria hu- será possível ampliar o conhecimento e manidade. como sim continuará sendo a obrigato. pressa de alcançar uma consciência mais lúcida e um novo pensamento. vice-versa. são as normas e as finalidades sobre o planeta Terra principalmente par. Rumo a um futuro urbano. cidades regeneradas que continuarão por 43 séculos oferecendo o espaço a regenera- O ser humano é multidimensional: utili. é exigência do presente para impedir o berano de tudo. que per- A biosfera continuará autorregulando. que imprimem o selo que ilumina e guia tindo-se do entendimento de seu estado na busca deste mundo novo. dominado por eles. Por vezes. Este século irrompeu com a vontade ex- riedade de humanizar a vida e a Terra. zas nas quais o mundo progredia: futuro te levaria a sua autodestruição. porém isto não dade pretende submeter aos demais ou é significará um mundo perfeito. argumentar ou para aplicar tudo o que lhe for útil e técnico: se vale dos sentimentos Pilares na construção para se relacionar com os demais e fazer seus planos de vida. Nunca poderá ser reduzido e saberes ao cálculo racional. Sempre da vida. pois o amor. é afetivo ou odeia até de futuros viáveis ao delírio. em ple. manda com a persuasão ou de cidades para a vida com o arrebatamento ditatorial. Transcender estas polaridades o ser humano chegará a ser o grande so. o obscurantismo ou a natureza e dominar a Terra. mitam refletir sobre o porquê das incerte- se. Religar conhecimentos de artística. fazer previsões sobre um mundo melhor quando um dos termos desta multiplici- em algumas décadas. A missão de conquistar apogeu da barbárie. e procurar controlá-la simplesmen. Sempre haverá risco de perigo vem estar cada vez mais inscritos no cam- Carta Medellín . o jogo e a participação comunitária na busca de uma verdadeira religação de- o seduzem.

reu há cerca de cinquenta anos. a partir da humano é hipercomplexa. Terra. refundação do viver nas cidades do futuro. por exemplo. O debate e muda velozmente em seu viver em cida- entre a interpretação genética da orga. Sabedoria e saberes. permitem devolver o inte. apoiada resse à sabedoria e dar-lhe sentido real e pela concepção da Terra como um sistema coerente. pela anatomia. a ecologia e a geografia hu- tam desde sempre a inteligência humana. noção altamente complexa. tivo de suas pesquisas a biosfera. po de objetos que são simultaneamente to complexo bioantropológico. assim: vida. o ser humano se vê nização da vida e a autonomia passou a obrigado a explicar esta complexidade e a ter relevância nos últimos tempos. possível religar conhecimentos trazidos Cada vez mais integrado em uma comple- pela biologia molecular. A organização do corpo gado a assumir tal condição. bio-físico-química. Tor. e as ciên- cias da terra adquirem uma competência Vida. Carta Medellín . des hipercomplexas. pertinente o processo de mundialização blemas essenciais da vida refletidos nas atual. Estes objetos conduzem. a partir da qual será duzem a um questionamento constante. o espírito. desconectadas. que articulem as ciências biológicas em parte minúscula deste universo. mana. filosofia. diante da naturais e culturais. a cada as quais se encontram as relacionadas com momento. O ser humano. Reabilitar o valor e a têm sua concepção do mundo e inscrevem noção da vida exige imensos progressos os humanos no cosmos. mundo e humanidade. cultura ou comunidade outras disciplinas. a grandes questões que agi. Em sua dimensão natural poderão ser percebidos em sua Para compreender a Terra é preciso valer-se globalidade. a ciência ecológica tem como obje- cidades e no urbano. continuar sua marcha. está obri- seu conjunto. essen. o que exige qual a forma de pensar. cialmente contínua em mãos da biologia. 44 se mantém desagregada e apropriada por Toda civilização. é o exigido no século atu. mais que complexo. entre outras. encontrar razões e novos caminhos para nou-se urgente progredir no pensamen. A geografia humana. permite compreender de maneira clara e al para responder integralmente aos pro. A articulação destas ciências ocor- Desta forma. entre evidente. sua evolução. auto-organizado a partir do conhecimentos e informações dispersas e caos. xidade cultural e social que se potencializa genética. o que parece ser claramente de uma grande variedade de ciências. a cul- conceber o desafio do vivo como o da tura e a consciência o diferenciam e con- auto-organização.

anseios e limitações. Higiene. afetividade. A humanidade abre a porta para uma vi. bem viver e de direitos humanos e respon- sabilidades integrais. marco no qual ganham força as rompe com a casualidade linear e se nutre noções de qualidade da vida humana. fatos e coisas tecido simbólico forte que separa o espírito transcendentes e importantes passam in- do cérebro. visíveis para o ser humano. logia. do ser social e do ser biológico. Ela se 45 sim como que o ser humano seja um sujeito mostra a favor de determinações múlti- em que não se pode separar inteligência da plas e não de um determinismo histórico. humano. se parte da história e não se pode estar que reconhece os desafios impostos tanto fora dela. a saúde e a economia. à política e à vida cotidiana dignidade da pessoa humana ¬ a corres- Carta Medellín . Em cada mo- ser humano ao mesmo tempo biológico. Pesquisas internacionais recentes te. a psicologia. de da casualidade inter-retroativa. água e cultura. Enquanto existem palacetes do ser humano e da humanidade em seu com jardins imensos afogando-se de ver- conjunto ao longo da história: as línguas. Uma enorme diversi. deve enfrentar em cada época. a filosofia e a economia enfrentam tem-se a necessidade de futuro para que enormes desafios para se articularem e re. todos juntos se pergunta para que serve uma torneira oferecendo um conhecimento de verdade. apesar de serem consideradas funda. As cidades se dade de elementos fala de forma profunda desidratam. as dor. Uma análise séria sobre este tema deve rever as relações mantidas entre a A História que se refere à demografia. sença de futuro tornará o presente forte. Apenas a pre- As ciências humanas. Rumo a um futuro urbano. pela qual nunca. a maioria dos habitantes do planeta artes e as ciências entre outros. mento apresenta-se um limite no contex- psicológico e cultural em sua relação com a to. O retroage sobre a história. as. ou quase nunca. a socio. A história põe em relação a condição assinalam uma profunda crise nestas ciên... situa no tempo tudo que é humano. Cada experiência do presente pela vida como pela morte da espécie. Faz- são integral do ser humano no mundo. porque o verdadeiro conhecimento natureza e com sua própria espécie gera um do acontecer sempre é vago. Aceita-se a impossibilidade de de fatos ou de processos mecânicos que separar unidade e diversidade humanas. a cultura. se dão de maneira independente. humana e evidencia os perigos que ela cias. água. A história mentais na construção de novos cenários é também manifestação da potencialida- humanizados e com real futuro das cidades de humana e não apenas uma sucessão e do urbano. à higiene e a água. corre sentimentos. se possa conhecer globalmente o presen- ligarem.

condições da saúde corporal se não for cia indispensável para a alimentação. pondência entre a essência e a aparência Igualmente relevante. de realizadas pelos governos das cidades Carta Medellín . mas para levar a cabo ações de vida que pro- também para manter as condições neces. a mais fre- 0. Isto significa que a água não deve neste contexto. entre Entretanto. outras duas. na realização destes ideais é constituído Isto é. movam a superação biológica.9% da água da Terra encon. A higiene é para a realidade bio-psico-social do ho. que carece de sentido en- fundamental. Qualquer sensoriais e intelectuais. psíquica e sárias para evitar infecções. o termo higiene designa o conjun. fazem parte da hi- exposição sobre as funções da água na giene pessoal. mas também a todas as medidas Organização Mundial de Saúde (OMS) de manutenção espiritual que são as que afirma sobre higiene: “Sistema de prin. a seleção de estímulos bre a saúde pública como tal. pelo crescimento desmedido das grandes to de conhecimentos e técnicas que se concentrações humanas no mundo atual. um dos aspectos menos compreendidos mem. sabendo que quanto não for garantida a integridade das apenas 0. A partir do momento em condicionar a dignidade de seus habitan- que a higiene é formulada em termos de tes a uma série de parâmetros que termi- saúde. De que serve preservar as ser utilizada somente como uma substân. ocupam de controlar os fatores nocivos à As grandes urbes tendem cada vez mais a saúde humana. isto é. Com isto pode-se alcançar vida. para o asseio social dos integrantes das megalópoles? corporal e conservação do habitat. Um dos maiores desafios para a ple- 46 e à prevenção de enfermidades” (2012). o referente às variáveis psicológicas que desempenham grande papel na vida das Também é oportuno recordar o que a relações. tos e das atitudes. levam os humanos a construir sua digni- cípios dedicados à preservação da saúde dade. Entretanto. é imperativo ter consciência do uso que lhe é dado e não apenas sobre Entenda-se aqui por psíquico não apenas a escassez do vital liquido. é fundamental reco- ¬.02% nos rios e lagos ¬ em forma de quentemente abandonada. as promoções na área da saú- outros. por mais sucinta que seja. permite o ideal da terceira faceta da realidade hu- ver claramente porque esta substância é mana: a social. deve-se recordar que ela se orienta nam alienando os indivíduos. É necessário fazer correlações que não nhecer que o ordenamento dos pensamen- se fazem classicamente no tratamento so. água-doce ¬. da parte estritamente tram-se de forma subterrânea e apenas biológica e da porção psíquica.

O novo século começou com a de saúde com a qual se realizam os esfor. nhecimentos e ferramentas começaram a misturar-se em imensos espaços globais. 275-336). A péssima distribuição Os habitantes da Terra perderam a ilusão deste recurso tem dois motivos: por um do progresso ilimitado e automático que lado. O uma civilização com caráter mais global. possibilidades embasamento da dignidade que conhe. tratamento e uso da água nos conglome- rados humanos. e que nada estava assegurado políticas locais gerenciam ou se omitem. de forma cabal. apenas assinalam que é importante estar Restabelecer conexões saudável. e a compreender os vazios e as cemos desde os gregos3. 2006. p. Aristóteles. capítulo IV. confirmação e a aceitação de que se está em ços de transcendência da vida humana. Hoje partida. a saúde total deve também Há algumas décadas todos os saberes. O amor próprio perdas do tecido necessário à harmonia do requer a consciência de si como ponto de viver juntos e de maneira solidária. Esse último aspecto exige um sentido Desde então começaram a construir-se e bem posicionado do amor próprio. Madrid: Gredos (1985). o ato seguinte é a ambição por estão claras as conexões fundamentais que crescer e legar ao mundo o melhor de si foram perdidas em meio a construção de mesmo (Hegel.. A nova fato que a educação renda frutos. e cenários. as políticas das grandes da história. Neste momento. a saúde integral. humano. co- considerar a saúde mental.. entenderam que a humanidade taminação ¬ e por outro lado. A edu. a visão 3 Aristóteles em sua Ética a Nicomaco o entendia como “amizade de si”. Ética nicomaquea. Carta Medellín . Rumo a um futuro urbano. perdidas fundas de se estar saudável. o imaginar-se novas verdades. a reparti. dimensão do viver coletivamente em escala cação é o epicentro das ações relativas ao planetária apresenta desafios essenciais. história. presença de uma nova era da humanidade e não somente em uma transição complexa Dessa forma. Livro IX. avançava em meio a uma grande incerte- ção e o uso que lhe é dado ¬ ponto que as za e riscos. além disto. Era que questiona a concepção 47 cidades devem considerar se querem de capitalista da cidade e do urbano. sem questionaras razões pro. amor próprio impõe a exigência do uso que permeia progressivamente todas as da água como meio para alcançar a meta demais. a natureza ¬ aspecto sobre o qual parecia oferecer certa interpretação da incidimos com nossa capacidade de con.

Aquele que co sobre o privado. políticas de inclusão com sólida promoção 48 de lado. produ- uma vida sensata. em consequência. mas sem perguntar se os outros mais solidárias e compreensivas. ainda que ti- Assim como à felicidade se con. leva em com cidades de semelhantes e não necessariamente consideração também o novo de iguais. a de fazer de sua vida cotidiana algo para si. coesão social com primazia do interes- sim como não se compadece do se geral sobre o particular. tais como: um é possível ignorar. parece ser a luz que ilumina o porvir da humanidade tante autodesenvolvimento da neste século. O saber viver vai tam- bém acompanhado de um cons. a tentativa de dar a outras e políticas de humanidade e civilização que facilita- pessoas. leva uma vida sensata. assim como o homem que O caminhar em direção a uma sociedade equitativa. A diferença é que em todos os planos do viver nas cidades e o urbano quem sabe viver tem uma única sempre poderá ser uma ilusão. atividade. Aquele que sabe viver. ção da riqueza mundial em vez de concentrar a aten- Aquele que sabe viver transfor. ma também sua vida cotidiana em algo para si. a possibilidade de levar devem estar a serviço de toda a humanidade. ção ¬ mercado. as. quiçá a todos os homens riam a compreensão que os bens e recursos do planeta da Terra. mundialização seja. salvaguarda do estado de direito e do “ser útil aos outros homens”. O que se torna obri- intenção. enquanto que o principio ser bem diversas. Entre os princípios da- quele que sabe viver não está o de da equidade. insegurança em que vive a maioria dos habitantes do sim também a vida sensata tem planeta e preocupar-se com uma melhor distribui- um contraponto: o saber viver. as. coloca-os simplesmente social. Ao estabelecer conexões observa-se que estas podem tocrático. Entre elas sobressaem: mundializa- da vida sensata é democrático. e constituição de comunidades sabe viver quer uma vida sensata. sua muns e bens públicos para assegurar um viver pleno. primazia do bem públi- sofrimento do outro. têm a possibilidade de levar a mesma vida. O ção e compreensão humana que poderiam garantir motivo recorrente desta última é sempre a extensibilidade. ou confiança. Quando gatório e urgente é promover o restabelecimento determinados conflitos. ção apenas na produtividade e na competitividade. segurança e solidariedade. o impedem de mundo produtivo de mãos dadas com um mundo fazê-lo. estado social. Chegar a ter uma segurança absoluta personalidade. O saber viver é aris. desse modo: evitar a precariedade e a trapõe a simples satisfação. comércio e intercâmbios globais ¬ Agnes Heller. onde todos disponham de recursos co- e molda. que não de múltiplas prioridades essenciais. filósofa húngara e ética que implantariam a equidade e a construção Carta Medellín . midamente. e as prioridades começaram a mudar.

os Jardins Suspensos da e no domínio de materiais. bens Reencontrar-se com materiais públicos e privados ¬ fundamenta-se em que abrem caminho para propriedades específicas e características uma nova forma dos materiais com os quais o ser huma- de progresso no os produziu. plena do viver diário de todo cidadão no território em que mora. madeira. ferramentas e utensílios tura e engenharia. transformações inesperadas nos próximos versal. humano. Toda infraestrutura nas cidades e no meio urbano ¬ moradias. Hoje existem materiais artificiais e enge- ram distintas idades . urbe. Em todas as épocas verifica-se a nos em cada civilização. cerâmicos e com- sido talvez a atividade mais motivadora postos. da informação de hoje -. poliméricos. Babilônia e muitíssimas outras obras até ram dar saltos qualitativos nos níveis de chegar ao século atual no qual a cada dia qualidade de vida e busca de bem-estar. no conhecimento des do Egito. nhosos. identidade cultural e coesão social couro e osso. No pre- mana e identidade cultural que dariam a sente século chegou-se a vias mais seguras prioridade requerida ao respeito e à igual. gênero humano e coesão social que séculos. compreensão hu.. animal. processo acelerou-se e deu lugar a uma va- versais compartilhados. Carta Medellín . Tais progressos nero humano e ética que afirmariam as sempre se viram refletidos nas cidades do responsabilidades integrais de todos os mundo e continuarão sendo o motor de humanos na comunidade de destino uni. que permiti.. Nos últimos dez mil anos o que exaltariam os valores e princípios uni. para sua exploração e aplicação graças ao dade de todas as culturas e a expressão conhecimento científico disponível. foram determinantes para o domínio da natureza e do território. sua origem é vegetal. e os cientistas sintetizam outros até chegar à sociedade do conhecimento e que não são produzidos de forma natural. gê. observam-se grandiosas obras de arquite- Nessa evolução. ferro. Rumo a um futuro urbano. Todas as épocas sabedoria do ser humano para o uso dos na história humana estão marcadas pelos materiais. Por mais de um milhão de anos o viabilizariam a humanização sobre a Terra ser humano orientou-se pelo uso de qua- e as finalidades últimas do ser humano na tro materiais essenciais: pedra. de uma base tecnoeconômica sólida. riada complexidade de materiais. os quais marca. bronze. Exemplo disto são as pirâmi- alcances na exploração. mineral ou no processo de criação dos seres huma. Os materiais podem ser 49 O domínio e a utilização da matéria tem metálicos.pedra. comunicações.

Em toda cidade e território urbano ou ru. sendo o conhe- instaurar a possibilidade de intercâmbios cimento científico uma das formas de se que procuravam dar um sentido ao mundo pensar. na vida cotidiana. mas não a única. de compreen- planeta. O universo do virtual. As cidades do futuro torna-se igualmente operacional. terial produz impacto na sociedade e na globalização. O mundo contempo. fundamental para a maravilhosa do mundo global. poderoso mundo do intercâmbio. como turas virtuais que modificam as estruturas hoje. e todo o ser identificável e concepção e uso que se faça dos materiais. de poder de reinventar-se constantemente. As noções de tempo e es- paço mudam de forma drástica. informação promove o surgimento de cul- tou o avião e quando conseguiu. O mundo aproximou todas A nova sociedade do conhecimento e da as pessoas quando o ser humano inven. A cidade dança de paradigmas de toda sociedade e do futuro tem no mundo imaterial o gran- da própria humanidade. a forma de relacionar-se. potencializado positivamente. O real e o endam em uma nova visão planetária de virtual não podem ser entendidos em ter- humanidade que não comprometa a sus- mos opostos. Todo novo ma. Repensar-se em um mundo Através dos tempos toda civilização foi invisível obrigada a transformar substantivamente Todos os sistemas sempre trataram de sua forma de pensar e agir. Estes sempre estiveram presentes na mu. deu lugar ao busca de sua sobrevivência e da regeneração Carta Medellín . sustentáveis e em paz. A humanidade ao de maneira coletiva. presenciar os acontecimentos qua. O virtual. ser obrigada a fazer da noção de totalidade râneo com a descoberta do virtual. der e de aproximar-se da mutante realidade teriais que revolucionaram as tecnologias mundial e a forma de agir sobre o contexto da comunicação e da informação. réplica uma nova ferramenta. mediação entre cultura e tecnologia está ral seus habitantes são chamados a se reen. graças ao domínio de novos ma. mentais e a sensibilidade dos seres huma- se em tempo real em qualquer parte do nos. chamado a ser a principal força na con- contrarem com os materiais que tornam dução de toda transformação da vida do diferente sua vida. a que estes se compre- planeta e dos seres humanos. posto que o virtual é tão real 50 tentabilidade e que a gestão inteligente de quando o real. onde seus administradores os guie para futuros tudo se converte em informação e imagem. No vir- e a distribuição sustentável da humanidade tual o universo pode encontrar-se aliviado na Terra estão estreitamente vinculadas à da negatividade.

que se mobilizaram em torno de pre- humana.ar/informe-del-club-de-roma-1972. É a clara deve dirigir-se em todo momento para a demonstração de um ser humano que busca da compreensão integral de todo fe. de todo êxito ficial e abstrato. cada vez mais estranho. o novo pensamento humano conseguiu realizar. ecológicos e cul- tem se constituído em um dos aconte. em industrialização e tecnicidade. ao respeito por 51 das primeiras previsões foi atenuado gra- toda expressão cultural.fullblog. de toda cação que surge nas cidades que cresciam catástrofe ou fenômeno natural inesperado. de com suas inerentes mecanização. do Clube de Roma. auto- ganharmos mais em sabedoria. O contexto vin- natureza. ou erro. Uma consciência ecológica ampliada chegou O mundo imaterial e a sociedade virtual com novos brios para ficar no planeta há chegaram como uma esperança no impulso mais de quarenta anos. a cidade de vida ocupações essenciais para a humanidade4.com. http://compromisoambiental. As ameaças ecológicas que ignoram fron- teiras colocam em risco a vida de todo ser Reabilitar a confiança vivo. portanto.. permanente da vida. ao entendimento entre cientistas e especialistas de todo o mun- os seres humanos e. acarretando novos problemas. A procura matização e conversão de todo processo da compreensão convive e se alimenta do em rentabilidade.. à sólida ética. seguramente. O conjunto de futuros huma- cula-se com a experiência integral de vida. ao mesmo tempo em que desper- no ser humano tam o maior interesse em salvaguardar A reivindicação ou a volta à natureza os tesouros biológicos. se sentia oprimido em um mundo arti- nômeno ou acontecimento. ao alívio das múltiplas expressões de violência. A unidade planetária.html Carta Medellín . a cidade de paz. A cidade do. Rumo a um futuro urbano. O caráter pessimista convoca à universalidade. que se deu cimentos mais interessantes que o ser a partir das viagens intercontinentais de 4. de todo progresso ou retrocesso. turais. Para anunciar que de para adentrarmos rapidamente no desa- o crescimento industrial sem controle. à clareza de espí- ças à atuação continuada e exigente de rito. fio do novo pensamento e. nos e biológicos em escala planetária foi contribui para as mudanças qualitativas no observado pela primeira vez no Informe ser humano e sua relação com a sociedade. aparecem de forma genuína e natural. Reivindi- de cada fatalidade ou imprevisto. humano. conduzirá a desastres contexto e a cidade é precisamente um de irreversíveis para a humanidade e para a seus maiores laboratórios.

Sua maior consciência planetária e de solidariedade sem limites se amplia progressivamente e fatos rele- 52 vantes passam a configurar a nova era da humanidade. um fortalecimento da interco- municação e uma maior aproximação. está en- trelaçado com o futuro do planeta. Carta Medellín . A confiança no ser humano deverá ser plena. A compre- ensão do sagrado da vida e da complexi- dade do viver os aproximam mais de um trabalhar a partir da sabedoria coletiva do que a partir do empreendimento in- dividual e egoísta. Nela enraíza-se o poder de uma vida sustentável e do bem-estar humano cada vez mais elevado. intercâmbio ou de conquista a partir do século XI e com maior ênfase a partir do encontro da América com a Europa há mais de quinhentos anos. reclama des- de então uma reconstituição em escala humana. de cada cidade. O vínculo dos humanos com a natureza torna-se cada vez mais forte. O futuro do local.

ela tem o dever urgente de converter-se em ambiente acolhe- dor que permita a todos os indivíduos e grupos desdobrarem todas as suas faculdades para desenvolver um bem viver. de reconhecimento ou de depreciação. devendo converter-se em moradia satisfatória para a maioria da população do planeta. a escola ou o ambiente profissional são decisivos para estabelecer relações sociais de harmonia ou de discórdia. Não . Potencializar as qualidades humanas e promover um viver pleno Os lugares de acolhida para o ser humano As ciências sociais e humanas concordam com a importância que os lugares de acolhimento têm para o ser humano desde seu nascimento. O lar. o local de culto. o hospital. Considerando que a cida- de é a sede para todos estes lugares.

não são suficientes os direitos políticos Nesse sentido. com suas subjetividades. é indispensável superar o e civis individuais ¬ primeira e segunda costume de desenhar políticas setoriais gerações ¬. geração dos direitos humanos5. direito à promoção da não violência. da Universidade Carlos III: “Apesar de ter sido tachado de ambíguo (não permite distinguir o plano ético do jurídico) e redundante (todos os direitos são humanos). p. mônio comum da humanidade: coopera- necessidades e direitos. público com a função primordial de pre- o direito e a justiça as sempre recorrentes servar instituições e patrimônios. nem os direitos econômicos. químico e bioló- gico. de maldade. indivi- de crime ou de corrupção. nização e anticolonização ¬. com o desarmamento nuclear. de abusos. a emulação e tas. do subsolo telúrico e mos que para a compreensão entre os seres dos distintos ecossistemas ambientais. na vam o direito ao meio ambiente saudável qual as pessoas encontrem as condições um caráter vinculante: controle e mitigação para agir e pensar. à autodeterminação dos povos ¬ descolo- neidade de seus atos. em reconciliação ção entre Estados para o aproveitamento e com a natureza. ou nacionais que não atendam às deman- sociais e culturais ¬ terceira geração ¬. direito ao patri- duais e coletivos. é suficientemente amplo e des- critivo. do ciberespaço. a diferenciação. É indispensável que manização e dar às declarações que promo- tenha sentido e significado de morada. para existir encarando das atividades contaminantes e extrativis- o desenho de seu próprio ser. pois se adapta a diferentes formas de conhecer e fundamentar os direitos” (2011. à paz. o controle armamentista e a solução Políticas de humanidade política de conflitos internos e internacio- nais. Carta Medellín . Tendo chegado à quarta 54 a proteção da estratosfera. Deve ter formas de oposição. direito ao desenvolvimento sustentável. basta dispor de espaço citadino para ocupá reclamam a ampliação do horizonte de hu- -lo e nele sobreviver. sita superar a tradição de administrar o atenção oportuna das ciências do espírito. É das e novas concepções de sobrevivência preciso apoiar os movimentos sociais que para a espécie humana e a natureza. tem a propriedade de incluir em seu seio tanto aos direitos positivos (os que foram recolhidos no direito internacional) como as exigências morais fortes que são reclamadas como direitos básicos. como prioridade os seres humanos. Usamos o termo direitos humanos seguindo a orientação da professora María Eugenia Rodriguez Palop. 23). redefinição do papel das Forças Arma- A nova era planetária e humanista neces- das. humanos como base de uma vida digna. é mais reconhecido como expressão de uso comum do termo e é mais integrador. entende- dos fundos marinhos. a organização e a esponta. Tor- 5.

mas em grandes áreas 55 se vê imerso em ofertas de todo tipo do mundo aumenta a distância entre que não atina em compreender. p. pelo menos as considerações seguintes6. Não conseguiu uma combinação • Ainda impera a palavra de ordem de bem sucedida do global e do local. culturais e sociais das regiões e localida- des. sante do consumo em massa de bens. • A ordem econômica mundial não al- dades e sua relação com o campo acatem cançou os níveis esperados de justiça. Potencializar as qualidades humanas. 98-99). da submissão à renda e ao crescimento trial de novas necessidades. burocráticos. e os resultados da gestão apreciar apenas o crescimento econô. com algumas modificações. novas visões do cosmos. nhece cada vez mais as particularidades o trabalho e próprio consumo. nos anos 20 do sécu- lo passado. sem considerar a prudência exigida • A mundialização do mercado desco- pelas limitações de recursos naturais. na-se urgente que as decisões para as ci. Carta Medellín . serviços e produtos. • Nos encontramos na era que começou nidade com seu fomento ilimitado de a entender que o ser humano não é ansiedades e vícios que terminam por a medida de todas as coisas: o antro- afetar alto percentual de cidadãos pelo pocentrismo começa a ceder diante de mundo. Com as econômico sem fronteiras. mas de de- mias de mercado é inconveniente por pendência. dadãos continuam reféns das decisões tomadas pelos especialistas do poder. damentos de igualdade. intoxica a huma. de Olga Rodriguez Palop (2011. gativa para os países do Sul. sustentou que já havíamos • As relações trabalhistas e a qualidade passado da era de solucionar as neces. econômica têm uma maior carga ne- mico do ponto de vista quantitativo. o que não previsíveis consequências: o cidadão apenas mantém. Tomadas. mas os mais ricos e os mais pobres. Henry Ford que.. de vida e do trabalho ainda padecem sidades para a era da produção indus. As relações dos países do Norte com os do Sul não se sustentam sobre fun- • O produtivismo industrial das econo. Os ci- sim em consumir. 6.. • A sociedade de consumo que tem pelo capital privado ou pelos Estados como fundamento a promoção inces. sempre em termos de incremento.

é parte donamos toda intenção de compreender de nosso ser e suas riquezas não são o outro como sujeito. para vê-lo como um objeto moldável que de agora em diante Esse conjunto de considerações deve se chamará cidadão. acadêmicos. quer reconhecimento. tal como explica de suas instituições vigentes. Por este cami- nho abrem-se espaços para o desentendi. vivas ainda que Carta Medellín . clamando para a Para a restauração moral mudança de rumo. as dou com seu estudo das utopias: instituições sociais terminam cedendo ante a prevenção frente aos demais. forma a projetar modos de vida inovado- representado por um número de carteira res que lhe permitam colocar em movi- de identidade. a ruptura de vínculos familiares da cidadania e de amizade. intelectuais. sentimentos e ações. Aban. De sua sobrevivência e de criar um legado de vizinho com nome e sobrenomes que se 56 valores e princípios que a fortaleçam de conhecem passa-se a cidadão ignorado. com ele. riscadas. de ilimitadas. 2011. a suspeita. além “sociedade do desprezo”. no compasso da divisão pécies vivas é sua capacidade de diferen- social do trabalho e da propriedade. Todos se tornam suspeitos para os demais. líde- res de opinião e movimentos sociais em todos os continentes. cientistas. impediu que surgissem vozes de filósofos. sem saudações ou qual- mento todas as suas potencialidades. Já o ensimesmamento do ser humano e a falta de solidariedade demonstraram até a saciedade que são o fator central de Parte das heranças inconvenientes que um modo de vida inconveniente. nutrir as novas políticas para as cidades no futuro se pretendermos que a espécie Felizmente. um dos filósofos da teoria reserva de potencialidades em parte en- crítica (Honnet. toda uma Axel Honnet. a agitação do cotidiano não humana subsista em condições menos ar. são ciar o conveniente do inconveniente para o anonimato e. e a hostilidade. p. Em vez de Lewis Mumford identificou dois ar- administrar a independência pessoal na gumentos consistentes e os referen- busca de afinidade e de compreensão. O que chegam às cidades ao perder seu tama- distancia a espécie humana de outras es- nho de vilarejo. 55-146). raizadas em seu passado. • A natureza não é um recurso. ser pensante. Uma nova filosofia política mento. É a 1) “Qualquer comunidade possui.

grupos e setores sociais. de planejar operações e saber mudar relação aos planos de subsistência coleti. cidades saberão estabelecer as condições e não esmorecerá em sua busca porque básicas de enriquecimento e pobreza no saberá que nenhuma instituição social econômico. Com consciência de apoio mútuo. emancipação. o que soluções definitivas nem sociedades per- permite a toda pessoa evitar que sua in. feitas. Não esperará senciais de todos os organismos”. Agirá com determinação de para as gerações futuras. são atributos es. Será um novo cidadão que entenderá reconhecimento e respeito. caminho claro para forjar sua importância” (2013. que deve manter seu identifique os umbrais justos de cresci. o imponham. ou injustiças. desenvolvimento e consumo. do com novos horizontes. e com- excessiva em uma ideologia. as tades que buscam provocar sofrimento. Potencializar as qualidades humanas. instituição preenderá que o ser humano se desafia ou mecanismo supostamente de suma sem cessar. em parte. entender-se com os demais porque se va- lidade e equilíbrio que. cultural. o “salve-se quem puder” para dar espaço ao “juntos será melhor”. Haverão de procurar fazer cessar responsabilidade pessoal. e. ocultas e. as cidades do que a harmonia social consiste na ges- século XXI devem ser cenários de uma tão não violenta das dificuldades e dos nova filosofia política de cidadania que desentendimentos. tiva em benefício próprio e da cidadania. brotando de novos Em tais circunstâncias o cidadão recupera cruzamentos e mutações que abrem o sua qualidade de ser pensante e a inicia- caminho a futuros desenvolvimentos”. constante labor de criar acordos e desfazê 57 mento. Todo cidadão pode resgatar seu nome e 2) Qualquer comunidade possui “tota. como a ciência loriza e valoriza os outros em um mun- biológica demonstrou.15-16). em -los. simplesmente se manterá tringida “devido a uma ênfase perversa e alerta para encontrar alternativas.. apesar de sermos diferentes e aproveitarmos as oportuni- dades de maneira distinta. acato. as direções quando as condições assim va e às possibilidades de sustentabilida. político e poderá substituí-lo nem eximi-lo de sua social. Carta Medellín .. Promotoras para identificar os nutrientes das diversas do desenvolvimento desigual entre os violências e as origens das diferentes von- indivíduos. nem a abolição de padecimentos tegridade seja amputada e sua ação res. científico. p.

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com o qual se pode antever desde já suas consequências nocivas. por sua vez. segundo as previsões atuais. o aban- dono do campo e da agricultura e um crescimento industrial massivo e extensivo. é inseparável do problema do campo. quando grande parte da humanidade está urbanizada. sendo evidente que o mundo rural é o que alimenta nossas cidades. Criar um pensamento novo que guie a transformação urbana e a cidade Por uma política da cidade no século XXI A reflexão sobre o porvir da humanidade durante o século XXI não pode deixar de considerar o fenômeno genera- lizado de urbanização que. O que significa. . corre o risco de aumentar a população em cerca de 80%mais do que nas décadas passadas. O que significa que o principal pro- blema da urbanização.

as atividades autôno- mas e as associações simbióticas lópoles se asfixiam pelo uso abusivo de automóveis que há muito tempo foram des. e a melhor economia das cidades consiste no cultivo dos de uma vida urbana desumanizada. filósofo da tecnociencia dade se manifestará passadas algumas décadas. Ao contrário. como também cria subúrbios. invasões? Este mudanças. Daí decorrem problemas de saúde pú- cuidadas ou suprimidas. particulares. Osaka. historiador. e que contem- plem amplas zonas urbanas para pedestres. Eis aqui um exemplo de dupla tendência da tes da cultura em um pó subur- globalização atual. que privile- giem o transporte público e coletivo. problemas urbanos que conhecemos aumentarão: o tantes se a arte e o pensamento transporte. É e urbanista norte-americano. por exemplo. cujo número de habitan- te não consistem na ampliação tes ultrapassa a dezena de milhões. humanos centrais da cidade. Como considerar que um mundo rural extrema- mente pequeno demograficamente possa alimentar Como vimos. o caso das megalópoles. e no aperfeiçoamento do equi- pamento físico. tecidos urbanos contínuos sobre cen- eletrônicas automáticas para tenas de quilômetros como ocorre entre Tóquio e dispersar os órgãos subsequen. e não há dúvidas de que lhe estejam reservadas novas des. menos ainda existe a megalópole enquanto enorme aglomeração na multiplicação de invenções e. só serão obtidos avanços impor. Se esta tendência se mantiver os bano disforme. mas em vários outros as- forem aplicados aos interesses pectos além do transporte. guetos. Lewis Mumford. Este é o caso cos que abarcam todos os seres. as inovações processo cria também novos tipos de cidades. a cidade expe. arrabal- mil anos. ao mesmo tempo em que essas mega- da vida. Pois. quando a tendência para rimentou inúmeras mudanças a urbanização não somente aumenta a quantidade no transcurso dos últimos cinco de cidades. Aqui surge uma reflexão “ecologista” cuja necessi- sociólogo. por outro. blica ligados à poluição do ar por partículas tóxicas a cidade deve ser um órgão de de carbono. um tecido urbano enorme. necessário pensar em uma cidade ecológica cujas fontes de energia não sejam poluentes. Também Carta Medellín . com uma nova dedicação aos processos cósmicos e ecológi- Muitas megalópoles carecem de uma rede de trans- 60 porte público não poluente e eficiente. como de que necessitam urgentemen. Porém. povoados periféricos. homens. Devemos devolver à cidade as do sistema de transporte em micro-ônibus poluente funções maternais e protetoras e deteriorado. Por um lado. à poluição sonora e ao estresse múltiplo amor.

Ali confiáveis que a agricultura mecanizada Carta Medellín .. des nos países do Norte em geral e nos lamento dos indivíduos de acordo com do Sul em particular. que lhe devolve aos horticultura sobre o telhado das casas ou borbotões os excluídos do sistema e das nos jardins públicos. desem. cada vez mais produtos químicos. ligados aos deslocamentos alternantes Se houver cultivo de horticultura nas me. observam-se cada vez mais Ao mesmo tempo. às vezes no centro da ticidas. “local de residência/local de trabalho”. estas populações desfavorecidas tigas.falta de água potável. por outro. Entretanto. trabalho. o problema da lações mais desprovidas nas grandes cida- humanização das cidades situa-se no iso. para evitar as a exclusão conduzem à desintegração dos falhas das cidades declarava que se devia laços sociais. Ali se encontram concentrados zindo desta forma a graves riscos de saúde todos os problemas vitais e mortais da de. por zar os solos demanda para sua produção um lado. vigia. De resto. entre os bairros ricos. condu- Medellín. aca- dos por milícias privadas e. incluindo em suas periferias. poderia ter bairros ecológicos e. A marginalização e zer como o humorista que. de tratamento das águas servidas. cidade aburguesada. já que neles há uma sua categoria socioeconômica e cultural. da mesma forma que nas cidades an. como o da “vaca louca”. intensifica o desemprego e. isto é insuficiente. pobreza maior. 61 cial. Hoje em dia sabe-se de fontes científicas prego. Somam-se a isto. pública. marginalidade -. diria que hoje não é necessário trazer o campo para A isso se unem todos os feitos perversos a cidade. galópoles. cidade como em San Diego ou nas pe. por conseguinte. delinquência. já que a tendência dificuldades na vida cotidiana das popu- atual é para a segregação. ao esterili- social. Não chegaria a di. assim como uma dinâmica de compe- estas não mais sofririam de problemas de titividade globalizada que torna raro o abastecimento. gradação urbana . Criar um novo pensamento. instituições cidadãs. como também segundo sua origem ra. a diversidade da população alojada são nutridas com alimentos provenientes nos mesmo bairros mantém uma mescla da agricultura industrial que. como se concentram populações expulsas pela nos projetos de cidade em transição. A polarização incrementa-se. bando com a fauna e a flora pelos pes- os bairros pobres. por outro lado.. “colocar as cidades no campo”. as manipulações genéticas de organismos riferias como no Rio de Janeiro ou em para tornar rentável a produção.

então. de trabalho nas grandes cidades com a dis- incluindo coloração artificial. dos benefícios da alimentação biológica. pouco valor nutritivo e insípido. mesmo tempo trabalhar e viver no cam- 62 po. Quais cultura responsável” -. está intrinsecamente ligada à outra. onde podem encontrar mora- cultura industrial estarem condicionados dia menos onerosa. Há também um antibióticos na criação de milhares de grande número de aposentados que pre- aves. granjeiro . que algumas minoritárias e fracas ainda. nizados e portadores de resíduos quími. dano que se fazem uns aos outros. que de outro ponto de vista deverão ser bana sem pensar uma política rural. mas hoje não se pode pensar uma política ur. isso significa. torna-se necessário além do mais utilizar Por outro lado. Isto é possível. e que impede o são então as possibilidades de ruralização? desenvolvimento da agroecologia assim Existem cada vez mais jovens que conven.o círculo seminação do trabalho via internet e com parece então fechar-se. Verificam-se. a evolução das condições produtos químicos para a conservação. um ritmo de vida mais ao transporte e à conservação para serem tranquilo e praticar atividades de horticul- colocados em circulação e destinados tura ou jardinagem. assim como a hipertrofia das mente interessante. Paris indica que os volta à agricultura e à criação ao estilo fluxos centrífugos tornaram-se mais im. assim. Quando a isto ferem deixar a cidade grande e instalar-se se soma o fato de os produtos da agri. Uma reforçadas. o advento das tecnologias da informação zos da agricultura-criação industrializada e da comunicação (TIC). isto é. Tomemos o exem- mográfica e a degradação dos nutrientes plo da França. Por um lado. da agricultura-criação. cos nocivos provenientes de pesticidas se instalam no campo em diversas regiões utilizados no cultivo de cereais. permite que provoca danos ao consumo alimentar ur. no campo. bovinos e porcinos. donde os prejuí. A questão fundamental é saber se é possível Contudo. que nos parece particular- do campo. estimuladas e ajudadas. um grande homem de negócios possa ao bano. contratendências. como do reflorestamento que permitira a Carta Medellín . da horticultura e dos cultivos interiores. padro. ou de da França.também denominada “agri- portantes que os fluxos centrípetos. e em larga escala produz alimentos de cidos das virtudes da agroecologia. O que bloqueia uma cidades. existem interesses industriais reverter em um tempo razoável o curso consideráveis que se opõem ao retorno das coisas para evitar a desertificação de. a milhares de pessoas nas megalópoles. por exemplo.

ceira agravam todos os problemas. volta ao plantio de árvores muito nutriti. no da especulação de compra e venda de Carta Medellín . Criar um novo pensamento. para o gigantismo urbano e a miséria. dos Estados Unidos ou da Europa. quando há subvenção do Estado. Esta dependência se compli- cultura alimentícia própria. o capital fi- tórios mais férteis . sobretudo na África . e apela para a necessidade de uma dupla A isso se deve acrescentar um fenômeno regeneração: uma da vida rural. o trigo das multinacionais dependência recíproca entre a vida urba- asfixia o desenvolvimento de uma agri. deração as culturas e as tradições de todos dores agrícolas e que o Estado beneficia os países. se especializam agora na aquisição de gran- Sobre a especulação des extensões de terra nos países do Sul. Isto incrementa a migração ru- com grandes subvenções provenientes da ral para os assentamentos de invasões. já que a maior parte do trigo euro. portanto.geralmente os terri. ou privilegie o desenvolvimento local e di- seja. vida urbana. do Sul. Que ruptas dos Estados nessas regiões.é o versificado dos produtos e leve em consi- sindicato que reúne os grandes explora.como a castanheira. urbana. responsável e complementar. impulsiona a deserção rural verso. rural. União Europeia. Este fenômeno aumenta ção e degradação das moradias urbana e a dificuldade de que os Estados tenham rural? Vemos este problema no fenôme- uma política agrícola e. o gigantismo urbano do Sul e a peu exportado para a África com preços dependência alimentar do Sul.e com a cumplicidade nanceiro somado à especulação finan- das administrações mais ou menos cor. inclusive nocivo. No que se refere ao mundo em geral e. à cidade. em referência ao concorrência local se vê então frustrada: problema urbano temos uma relação de enquanto isto. Os grandes capitais provenientes da Chi- na. árvores de regiões temperadas . Estas subvenções permi. provocando um efeito per. econômica.. Essas lugar devem ocupar as finanças em um terras são utilizadas para a agricultura ou capitalismo globalizado? O que fazer para a criação em escala industrial destinada que a especulação não provoque altera- à exploração. tem a produção industrializada em larga Não nos esqueçamos de que o mundo ur- escala. que vas . baixos.. é mais barato que a produção local. a nogueira. especificamente. que transbordam em direção aos bano do Norte. na e a rural. outra da 63 de extrema perversidade e malignidade. A Consequentemente. ca até um ponto crítico. por meio da exploração países do Sul.

Isto é o e restaurantes. que Le Corbusier não considerou . que se denominava uma “cidade radian- samento complexo: a governança urbana te”.tam- pouco seu genial discípulo Niemeyer. gos. reino do anonimato. uma ligadas.com ex- ceção das cidades fortificadas -. a uma arquitetura padronizada e indus- ças se unem à especulação para aproveitar trializada de grandes conjuntos na perife- de maneira ignóbil e colocar em risco ria das cidades. Será ser realizado o mais breve possível. Hoje. conduzindo ra de benefícios suplementares.evidentemente. Pode-se constatar o equívoco de um dos maiores arquitetos da história urbana. Quando se vai a um supermercado es- a anarquia estética foi substituída pela es. pela especulação imobiliária. A qualidade das mo- catástrofes naturais ¬ a fim de aumentar a radias suburbanas também foi degradada especulação no jogo da oferta e da procu. na A história da maioria das cidades moder- construção de Brasília . cereais. onde a diversidade do intercambio lações . em seguida benefício. constantemente a governança e a regula- ção da vida urbana e rural. sem levar em conta as verda. salvo para reclamar ária provocou a destruição dos laços so. comércios. Le Corbusier foi o promotor do abordar com as articulações de um pen. entre os andares com lojas de conjunto para a humanidade. cafés. As finan. paga-se em uma caixa automática: é o deiras necessidades dos habitantes. e solidariedade urbanas nos bairros anti- mento da segurança alimentar das popu. intrinsecamente nele de todos os serviços da cidade. a dos países mais social constituía um cadinho criativo de despossuídos ou das regiões afetadas por relações humanas. de resto. com escola e parques para 64 que devemos pensar a partir de hoje para as crianças na cobertura do prédio. colhe-se em uma prateleira entre quan- peculação imobiliária que busca o maior tidades de produtos e preços. especialmente peque- esta anarquia teria um valor estético em nos comércios que geram convivência? sua dimensão poética ou criativa. Na Portanto. Uma pessoa pode fazer suas comprar sem dirigir uma só Enfatizemos que a especulação imobili.que uma cidade nas está ligada a uma dinâmica de criação necessita de ruas e que as ruas pedem anárquica muito interessante . palavra a ninguém. que determinado produto não está na Carta Medellín . Assistimos a situações aberrantes ciais e dos tecidos naturais de convivência nas quais são retidos produtos em detri. que necessitam de uma política “rua interna”. um grande edifício dispondo e a governança rural. isto é. há dois problemas que é preciso França.

na imaginação. “Bom dia. parques para as crianças ta a representatividade das autoridades e lugares para piqueniques. dores. curiosa. boa noite. mediante comissões ocultas. Não pode haver que precisa unicamente de algumas au- unicamente espaços verdes em uma ci. Em Brasília encontram-se enormes outros. O exemplo de Paris. nhora” isto quer dizer que o outro existe. urbanistas. senhor. A vida urbana se refugiou e sociais fundamentais do ser humano e na periferia de Brasília. Isto ocorria há vá. de urbanização estão condicionados pelas relações de força e de interesse da espe- É necessário. rios anos. os planos em pleno país do sul equatorial. trações. é interessante. econômica. Criar um novo pensamento. que está muito caro ou estra. Atualmente. des. sendo a governança urba- uma espécie de frialdade lunar os envolve na a primordial. psicólogos e outros -. Esta passa por teve êxito nos edifícios públicos. mas diferentes vias. chaves básicas para um tecido nome de autoridades municipais com 65 urbano vital. É necessário restabelecer a social etc. inclusiva e participativa. sua com o grau de corrupção das adminis- dimensão para o pedestre.. reconstituídas. gênero e profissão: Carta Medellín . que garan- para fazer praias.. é necessária a agitação da rua. torizações. Por conseguinte. pensar em rua quan. do se pensa em cidade. arquitetos. demográfica. se- obras arquitetônicas. pessoal. culação imobiliária da economia liberal. prateleira. lização dos centros urbanos com base em ruas projetadas a serviço da diversidade A complexidade dos problemas urbanos cultural dos pedestres. porém nada de A necessidade de reconhecimento e de vivo para o pedestre nem para estimular respeito é um dos requisitos psicológicos a convivência. promover uma nova governança urba- que recuperou as ruas às margens do Sena na. Niemeyer humanização das cidades. engloba todas as dimensões da vida hu- na renasceu e as relações humanas foram mana. municipais eleitas. da alteridade e da personalidade dos gado. em mercial. imensas avenidas. que expressem a divíduos. do governo nacional. então. elas contêm o reconhecimento diversidade de idade.historia- A cortesia e a convivência não são epi. Pode ser que desde então um novo tipo de vida urbana tenha surgido Estamos confrontados à necessidade da em alguns setores da cidade. fenômenos psicossociais na vida dos in. é necessário convivência urbana. vastos espaços ver. Onde se conseguiu uma qualidades tão diversas na gestão quanto política urbana fundamentada na revita. a vida social urba. pedra angular da convivência urbana. co. dos profissionais qualificados . sociólogos. geralmente obtidas de acordo dade.

Nos edifícios dava-se uma convivência estudo de fatores demográficos. A primeira.html Carta Medellín . Muito mais que para chamar a atenção de compradores e a cidade-anonimato estava a cidade-liber- de políticos sobre a importância da cidade dade. ter crédito nas pequenas ócio. onde não havia os Dessa forma. Na história da cidade houve duas noções Em oposição ao conceito de cidade-li- surgidas no século XIX: a cidade luz e a berdade-ócio estava o de cidade em ex- 7.ba- conselhos de governo urbano onde seus res. bairro dos bretões em Montparnasse tem sário atravessar os objetos e as categorias identidade própria e assim sucessivamen- de diferentes disciplinas respondendo ao te. A cidade inspirava um vezes tenha sido objeto de reflexão e de tipo de liberdade para os jovens do cam- pensamento interdisciplinar y transdisci- po. desenvolveram.editionsladecouverte. des de lugares culturais. No passado houve alguns esforços similar ao de seus pais. popular. houve em prol do ócio dominical. o que significava para poder elaborar uma política urbana uma relativa diminuição do tempo de tra- fundamentada como o foram os trabalhos balho e o aumento de encontros diversos de Henri Lefebvre. políticos. Para os camponeses. de diversas confissões. junto ao acréscimo de possibilida- como objeto sobre o qual é preciso refletir. atraia os habitantes das pequenas localidades. em Paris o lho de Thierry Paquot e outros7. A cidade como categoria animais.fr/catalogue/index-Espace_et_lieu_dasn_la_pensee_occidenta- le_9782707173195. ver na cidade significava a liberdade e a de e elaborarão uma “boa” governança. enquanto no certo número de trabalhos e reflexões im- campo no domingo devia-se alimentar os portantes sobre a cidade dos quais a síntese precisa ser feita. desejosos de escapar de um futuro plinar. man- humanos. é necessário criar novos espaços de ócio das grandes cidades . cidade cluídos. http://www. os desempregados também devem ser in. de educação. por exemplo. Já é neces. cidade em expansão. Posteriormente. psicológicos. teatros etc. É possibilidade de escapar do olhar escruta- surpreendente que a cidade muito poucas dor dos vizinhos. presunto. vinciana foi transportada para a cidade. -. lojas. Com a chegada dos campone- 66 de pensamento global.ver traba. econômicos. -liberdade-ócio. vi- diferentes representantes pensarão a cida. podia-se intercambiar sal. de teiga. enfim começa a ser ses de diferentes regiões vários bairros se pensada em sua complexidade . Uma espécie de solidariedade pro- porque tudo está mesclado na cidade.

Por isto ca. Isto pode ser visto nos es- fim. por sua parte e perde a responsabilidade ofereciam o que estivesse faltando na casa sobre o conjunto do qual seu fragmen- do outro . E a viabilidade está de- monstrada: há populações frágeis e ex. Os vícios do individu- tabelecer a solidariedade no seio da vida alismo se agravam pela fragmentação da urbana. convidavam-se para festas. lugarejos do campo? Degradaram-se por. para que estivessem prote. no nilmontant os vizinhos estavam sempre qual cada um é responsável unicamente conversando. A critórios administrativos. o bairro eram lugares de se sente responsável unicamente por seu troca constante e de convivência urbana. Uma câmara filmava um homem esten- recem e os anciões são levados para ca.en. vítimas na de nossos dias. que é a polícia quem deve se ocupar des- des. . Nenhum pedestre inútil. como o egoísmo solidariedade. As autoridades políti. e o egocentrismo. Há uma crise de solidariedade não são satisfeitas pelos socorristas nem que hoje se generaliza por todo o mundo. da solidão. Assim mesmo.a solidarie- Califórnia nos anos 70: alguns voluntá. cas deveriam criar um serviço cívico de tem também seus vícios. É necessário pensar na recuperação Carta Medellín . Há alguns anos causou surpresa um do- do mau humor. um pouco menos nos de overdoses. “Olhe! Isto não acontece em Paris!”. setor. As pessoas pensam nos bairros das cidades medianas e gran. onde a solidariedade e cumentário filmado nas ruas de Bogotá. Por que estas rios instalaram alguns “centros de crise” fontes se degradaram na civilização urba- que recolhiam jovens. açúcar. especialmente na autono- e de convivência. Um observador dizia: angústia humana e de solidão. no bairro de Mé. dade e a responsabilidade. onde cada qual residência. Multiplicam-se as situações de se aproximava. de solidariedade incontestáveis. havia uma solidariedade simples. que tem virtudes Locais de acolhimento. enfermos. pão etc.. Atu- ca porque se havia proposto há bastante almente vemos isto em Paris sem que tempo a criação de casas de solidariedade ninguém se comova. Não se sabia se estava sas de repouso e considerados um peso dormindo ou morto. pois muitas necessidades humanas sa pessoa. coloca-se uma questão éti- postas. Antigamente. Também é necessário voltar às duas surpreendem as iniciativas tomadas na fontes fundamentais da ética .sal. pansão: esta do anonimato. maior parte dos trabalhos industriais. a rua. Isto expli. óleo. o nome familiar praticamente desapa. pelos hospitais. com a finalidade de res. Criar um novo pensamento. dido na calçada. to faz parte. como os toxicômanos. mia relacionada com as próprias decisões. 67 gidos e não fossem detidos pela polícia. que o individualismo..

presença do pensamento global pela humanidade é ca. degradação. a unicamente de um desenvolvimento quan- menos que ela surja da cultural geral. poder conjugar as ideias de desenvol- bastará introduzir na política urbana o vimento e de proteção. para ser um bom cidadão e para trem os laços de solidariedade. redes sociais na ausência do Estado. “Política de civilização” e “gover. A política do lhes são próprias . da competitividade cega e culturais. ali onde se rom- nhece os aspectos negativos do progresso. evidente.-. Qual é esta nova via? em Dakar ou Casablanca. a noção de “grande família” em algumas blemas concretos de degradação urbana. a delinquência. também se necessita a proteção das relações humanas qualitati- Não é suficiente uma moral para o bem vi. Faz solidariedades representam verdadeiras falta um pensamento novo capaz de conce. Isto é. clientelismo etc. Abouessalam também Morin se refere à 68 nança da complexidade urbana” devem es. sociedades urbanas dos países do Sul. Suas especifici- Renunciar aos dogmas reinantes do ne. do mito do desenvolvimento a cada sociedade. Frequentemente. mente. comunitárias que reencon- ver juntos. dades são explicadas pelos determinantes oliberalismo. Nes- tar unidas a uma política geral que englobe ses estudos. corrupção. dignidade. É necessária uma “política de civilização A esse respeito. var os aspectos positivos desta civilização. setor da economia informal. sociológicos e políticos próprios exacerbada.pobreza. É necessário analisar os pro. crescer e o que deve diminuir. a miséria. já que não se trata ensino de uma moral cívica abstrata. uma política que co. da civilização contemporânea. É preciso. Não obstante. reconhecer o que deve pouco de consciência e que. no México. a pobreza urbana e suburbana se organi- za de forma diferente a depender onde a pessoa se encontra em Lima. nos trabalhos com Sabah urbana”. Não então. Ainda existe fazer o bem. guerras ou grandes catástrofes. isto ber o crescimento e decrescimento ao mes. pobreza urbana nos países do Sul. indicar a nova via para que seja aberta. pem essas redes e tecidos sociais devido a da técnica. que usando o que Morin denomina “política resistem à miséria com a solidariedade e a de civilização”. as por meio do crescimento exponencial. sobrevêm a e que desenvolve dispositivos para conser. titativo e tecnológico. faz bastante diferença na realidade de vi- Carta Medellín . que pede um mo tempo. vas. para além das similitudes que igualmente a questão rural. da responsabilidade geral. familiares. crescimen- paz de unir tudo isso que acaba de ser dito e to rápido. Isto é. se aprende com a educação.

Existe uma edição em espanhol: Barcelona: Paidós. na elaboração do or. ver na pobreza nas sociedades onde estas ças -. “Experimentar” porque não é pensamento que permita uni-las. condicionado por ideias paradigmáticas lômbia. Na realidade. na qual nos poderes públicos. dão. em parte. etc. Morin tentou indicá-lo do futuro. 69 çamento da cidade. É necessário facilitar a experimentação Encontram-se dispersas. Trata-se de unir da participação e do compromisso cida- todas as diversas iniciativas criativas. Esta é a questão: mocracia participativa. Existem inicia. com sua conveniência. Pois elas são as portadoras pensamento global.homens e mulheres governança urbana e uma política nova.. encontram-se pensando políticas Porto Alegre. Isto pede o desenvolvimento de uma persas pelo planeta. crian. como é o caso de ção. fora do campo.. marginalizados. Sabe-se que a con- sulta cidadã conduz a constatação que É interessante examinar o caso da França. os mais preocupados com a cidade não onde há numerosas iniciativas para uma estão representados . uma fórmula mágica. velhos. dis. Ainda não existe um sistema de cidadã. verdadeiro conjunto a partir do qual se pense uma política de civilização a serviço Pode-se dizer que estamos em uma época da questão urbana mundial. Não estão desar- de formas de democracia participativa ticuladas. onde a população públicas “nas nuvens”. no Brasil. Existe um movimento de economia social 8. onde os cidadãos decidem como como “crescimento”. o grande problema em seu recente livro que tem justamente para uma política urbana é a dimensão por título La via (2011)8. Alguns podem pensar que nessas formas de solidariedade não existem e o reuniões que se supõem de democracia pobre está entregue a sua sorte. sem exce- tivas em todo o mundo. “competitividade” executar parte do orçamento da cidade. A ausência participativa encontram-se infiltrados de solidariedade agrava a violência urbana. fora da cidade. em um mundo abstrato. participa. Donde o interes- cessidade de pensar a nova via para a sal. Paris: Éditions Fayard. as iniciativas criadoras nascem no coração da sociedade civil. pobres. Carta Medellín . Criar um novo pensamento. militantes de tal partido ou do conselho que quer dirigir as discussões de acordo A crise urbana planetária nos conduz à ne. se de insistir nas novas fórmulas de de- vação da humanidade. para gerar assim um consciência individual e coletiva. por tentativas de o caminho para a humanidade é o de um acertos e erros. Co. ou em Medellín. No fundo.

desencadeadas. agroflorestal. recusando a agricultura e a criação industrializada. nos anos 30 uma política de civilização para refor- nos Estados Unidos. e resíduos para a produção de novos produ. política urbana não pode ser pensada de nas utilizar fontes adequadas de energia e. dos indivíduos. Existe ou. que se bidas gasosas de todo tipo que viciam propõe a lutar contra a crise econômica na principalmente as crianças e são causa França. os comportamentos viciados dos te que consiste em lutar contra uma civi. É. Encontramos circuitos de de sítio. Também é necessária a reforma do con- cando dessa forma humanizar as cidades. econômicas. era o operário que. lutando cepção de um mundo urbano em plena contra a exploração industrial. industrial. transformação do campo. É preciso partir de um consiste em construir circuitos positivos de mundo rural. mas diferente porque mar a cadeia do consumo que vá desde hoje há perspectivas de uma economia eco- a produção industrial até a dependência logista que antes não havia. os quais reintegram os dustriais. Vê-se bro. renová-las. ção. uma economia positiva que ficiar o desenvolvimento da agricultura faz economia. inclusive. na época Para concluir. A economia ecológica. Dispomos de poucos organismos vencialista. ser visto na apresentação idílica das be- tro movimento chamado Roosevelt. é necessário partir da con. mas também uma rural. inclusive enganosa. agroecológica. A educação e o comportamento cidadão são aqui in- e unir a cidade e o campo terpelados. maneira isolada ou dissociada da política portanto. mutualismo e nas cooperativas. sumo e do comportamento dos indiví- Temos o movimento denominado Convi. liberado das forças in- consumo e resíduos. duos. e solidária que tem uma antiga história no expansão com a finalidade de regulá-lo. consumidores. era o ator Carta Medellín . que buscam não ape. O que pode e o reconhecimento do outro. passando pela economia financeira. Somos manipulados pe- lização de máquinas e da urbanização que los procedimentos psicológicos e pelo 70 perdeu a convivência. fundado nos anos 60 por Iván para lutar contra as formas de intoxica- Illich. a especulação e a publicidade Iniciativas para coordenar abusiva. com a finalidade de fa- tar a denominada economia circular que zê-lo retroceder. então. No século passado. fazendo uma recuperação análoga de obesidade e enfermidades. reverter essa industrialização para bene- tos. talvez. bus. Falta-nos com a da época de Roosevelt. que insiste em uma ideia importan. as relações humanas bombardeio publicitário.

contra os quais é necessário lutar. de competitividade e de escassez de tra. no que se refere à utilização na nova via. reforma ética é difícil. Por que? Porque tamento dos consumidores. a humanidade entrará em automóvel como ferramenta e objeto de um novo estágio. temos um ensino parcelado. não nos torna aptos Quando evoco a questão da reforma do a tratar ao mesmo tempo dos problemas consumo. cronia e em confluência com o que se cria to individual. cidadãos consumidores. o sistema de educação ocidental sistema. de destino humano comum. trias. de natureza planetária que. é indispensável conscientizar- balho. certa civilização e modos de vida atuais relacionadas ao consumo urbano e à pro- dução rural. e posteriormente e escolhendo produtos de qualidade. É conhecimentos em vez de uni-los em sin- também preciso mudar o comportamen. somos nós. que podemos regular o Portanto.. em sua luta contra esta rais. que incenti. Porém a tema fundado na exploração exagerada.. Criar um novo pensamento. seu uso as nações. não falo somente do compor. uma sociedade lazer possa ser muito útil para o ser hu. sem negar as diferenças. já que não pode ser Hoje temos a obrigação ligada a questões alcançada com simples lições de moral. Se esta via se desenvolve e abusiva do veículo pessoal. as englobará em uma concepção de Existe toda uma série de intoxicações de terra pátria. é necessário compreender que blema social que considerava a produção. sem negar as pá- luição pode conduzir a um uso perverso. recusando produtos nocivos durante muitos séculos. principal da conscientização de um pro. onde os saberes são ensinados de estar frente a grandes prateleiras com sob uma lógica disciplinar que separa os 71 uma oferta interminável de produtos. negar as originalidades. sem negar mano e para seu florescimento. Por isso. Porém a ação operária debilitada se de que a reforma do pensamento e da não observa mais o novo e gigantesco consciência são capitais. não poderá haver reformas urbanas e ru- O ator-operário. sociais e econômicas. políticas e edu- exploração. por se tratar de problema do consumo. Definitivamente. cativas sem uma reforma ética. problemas ao mesmo tempo fundamen- tais e em escala global. soava o alarme contra o sis. fundamentais e globais. sem em zona urbana e em situações de po. comparti- vam os hipermercados com a fascinação mentado. isto é. Enfim. Ainda que o a antiga decai. Carta Medellín . tornado-se universal.

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me- . O legado da América pré-hispânica A visão ancestral O conhecimento ancestral desenvolvido pelos povos que se estabeleceram na América há pelo menos 30 mil anos. estas ondas projetam-se nas outras como tramas menores de pensamento que permitem identificar cinco grandes áreas culturais: andina. tecido em uma trama bem ampla . intermediário-caribenho. mostra vários aspectos surpreendentes que lhes con- ferem uma característica original no contexto da história do planeta. Ao mesmo tempo. compartilhada diacrônica e sincronicamente por milênios em todo o continente e que se expande no espaço e no tempo à semelhança das ondas de um reservatório. a existência de um au- têntico “pensamento americano”.eixos transversais continentais . Destaca-se.está con- tida coerentemente em todas as demais. amazônica.a cosmovisão. principalmente. o mundo e o cosmos -. visão própria de si mesmo. no qual cada onda .

com características próprias a res- dessas manifestações culturais com maior peito do outro lado da história humana.o estandarte incaico . simbolizada pelo arco-íris. de adiantamento civilizatório de determi- cipal . pensa.permite uma verdadeira unidade na nada sociedade.Lei de Origem. nos Andes e na Amazônia ao mesmo Tempo Pensamento Cosmovisão Cultura Espaço Figura1.(ver figura 1). com sua linguagem urbanísti. arquitetônica e artística. nos Andes Centrais. permite uma “leitura” da linguagem tentável e da atual ideia de “cidade para a simbólica que se expressa em cada uma vida”. soamericana e norte-americana. clusive. Estas. ênfase nos grandes códices que são os cen- tros urbanos inadequadamente chamados A agricultura começa no continente de cidades. Direito Prin. por Quando os conceitos antropo e etno- sua vez. a dos europeus no continente por ocasião Wiphala. a escrita. a agricultura e o or- humanizadas em uma geografia sagrada.quechua do brutal encontro da dita “conquista”: -aymara. in- Esta coerência entre cosmovisão. se concretizam em uma enorme cêntrico de civilização definiram que o variedade de tramas culturais. atendendo ao nosso paradigma mento e cultura mantida por milênios até contemporâneo do desenvolvimento sus- hoje. Visão ancestral nas culturas pré-hispânicas americanas Carta Medellín . ratificaram a descoberta diversidade. há cerca de dez mil anos na Mesoaméri- 74 ca. paisagens urbanismo. denamento territorial e social complexo cuja união coerente com o pensamento e a funcionavam como indicadores do grau cosmovisão . ca. Abya Yala ¬ América ¬ era detentora des- ses êxitos com folga milênios antes.

seu centro ordenador. logo se estendendo para a Ásia Menor e para Essas cidades ultrapassavam todas.C. em a bacia do Mediterrâneo. Mesopotâmia e China. este último com Teo. Existem exemplos continuados deste modelo urbano entre os olmecas. Da mesma do as primeiras cidades como tais ¬ na forma ocorre em Cuzco. ção mútua ¬ e pelo caráter sustentável do nhentos anos atrás. Um conceito diferente chavins e toltecas. Neste. cinco mil e qui. as maiores primórdios. maias. um dos to ¬ desenvolveram-se em pleno Neolí- maiores estados na história humana. amante e consorte do 200 mil habitantes. a “cidade mais tinha no Ocidente. Isso ocorre nos mais de 100 mil habitantes. na Mesopotâmia e na China e. e em mais de da Deusa Mãe. e o desenvolvimento urba. siderado neste aspecto do habitat. no vale do Indo e no Egi- não existe fome nem pobreza”. Chavín e Tiwanaku que não passava de 35 mil habitantes no desenvolveram sistemas próprios de escrita século XV. tico (a partir de 6. povoado turas Olmeca. com mais de 250 mil conceito e a construção do povoado ou 75 habitantes no século XV. construída no da cidade na América daqueles que se meio do lago de Texcoco. o equilíbrio com a natureza não era con- riores ao vale do Indo e do Egito. a América. quando predomina o culto do Ocidente em sua época. Legados da América pré-hispânica tempo que as mais antigas do mundo. centro de Tawa. capital do imperador Carlos V.000 anos a. há mais de três milênios as cul. enquanto na Europa da Anatólia. Na xidade urbana e arquitetônica a Madri. pelo desenho urbano e os centros urbanos do Vale do Supe. de cidade: centros tihuacán. A diferença entre os dois mo- e matemática. a história do bela do mundo” segundo Hernán Cortés. no ¬ comunidades de conhecimento e cria- deserto central peruano. ante. Existe uma grande diferença entre o de Tenochtitlán. com seu particular mode- Carta Medellín . “o único lugar do mundo onde em seguida. Ou a gran. quan- V enquanto ia destruindo-a. desenvolvimento urbano mostra dois que assim a descrevia ao imperador Carlos momentos contrapostos: o inicial. ntinsuyu.). simultaneamente ao modelo americano. que em ordenadores como 450 de nossa era já superava a cidade de espelhos cósmicos Roma em extensão e era um modelo pró- prio de urbanismo sustentável. em extensão. Deus Jovem. delos ¬ Abya Yala e Europa ¬ é marcada no esteve no topo do mundo com Caral pela sua concepção. Maia. Anatólia. comple.

Como berço de uma Pode-se ter uma ideia desse processo en. em Jericó. abundantes imagens da Deusa e não há nenhum tipo de fortificação perimetral. anterior às cidades mulher e a natureza. na bacia dos grandes uma população atemorizada. a maioria possui santuários dedicados a Deusa. escavadas. nia.. das civilizações mais antigas do mundo. centro urbano povo sobre o outro e do homem sobre a datado de 5700 a. por estar na rota de trânsito peias” (a partir de 3000 a. onde arqueológicas não mostra sistemas de- se estabelece um poder centralizado e se fensivos. equitativa e amável com tas comerciais do Neolítico. na Turquia. 76 na pela de um deus pai guerreiro. pacifista. armas nem atividades de guerra controla um território circundante. efetuadas dos pastores nômades indo-europeus e por pastores de gado nômades oriundos precisamente um povo indo-europeu. entre la construcción y la destrucci- tre o urbano e o rural. na Cisjordâ- cultural e que refletem a cosmovisão ma. que acentua o conflito Outro exemplo interessante é o de generalizado com a dominação de um HoyukZatal. Por conseguinte. Um conceito semelhante confluência de grandes rios.C). encerrada rios: o Huang He ¬ rio Amarelo ¬ e o Carta Medellín . defensivas. fundada há mais de dez mil dores de rotas de comércio e intercâmbio anos junto ao rio Jordão. dirigido pelo Josué bíblico a destrói em Suplanta-se. são cidades entre muralhas para proteger-se e con- abertas. como Jericó antes limites precisos ¬ a muralha ¬ entre o ru. a tendendo-se que desde esse momento China possui um urbanismo de pelo me- a história da cidade no Ocidente é a de nos cinco mil anos. com durante um milênio. sem limites precisos en. a cosmovisão femini. de certo modo misógino. ciudad. Escavações o entorno durante um período que dura mostraram em seus estratos mais antigos mais de um milênio. sobre vales aparece em Mumford (ver seu ensaio La aluviais férteis. meados do segundo milênio a. de ser abandonada. As cidades são agora mesopotâmicas. Em suas habitações ral e o urbano. onde se cruzavam importantes ro- ternal. Um segundo momento ocorre quando Por volta do segundo milênio de sua exis- as cidades abertas da Deusa Mãe são de.C. assim. tência começam a surgir fortes muralhas vastadas pelas ditas “invasões indo-euro. que segundo escavações aglomerados cercados por muros. construídas nas margens ou na jurar o caos. lo de vida.C. das estepes do norte da Europa e da Ásia. que atuam como ón) e pode ser observado concretamente principais santuários e centros coordena.

palaciana.. do ponto de vista da relação e e santuários ao Deus Pai. a Tchecoslováquia até o oeste da Ucrânia o desenvolvimento urbano da era indus- e do mar Negro e que chegava ao Egeu e trial desprovido de sentido realmente ao Adriático. armas aldeias. no período entre 7000 e com seu conceito de cidadão vs. Esparta. -. sa Mãe das Serpentes e destruída pelos “heróis” micênicos. como Shimao na província de Shaanxi. cheias de guerreiros. pela primeira vez. lo de Atenas. simboli- culmina nas cidades minóicas em torno camente um mundo. Ali. em Creta. 77 terna. em muitos as- cidade do mito do Labirinto e do Mino. aberta. em seu livro Diosas y e com os outros seres humanos surgiram dioses de la vieja Europa. tauro. a serpente faz referência em seu livro La ciudad y su é um símbolo da Deusa. Legados da América pré-hispânica Chang Jiang. Em todo este espaço tem. bem desenvolvida que se estendia desde as cidades amuralhadas da Idade Média. conceitos essenciais ao . as megalópoles do século po floresce a cosmovisão da Deusa Mãe. Yangtsé ¬.declara Platão em As leis. cujas cidades no Pelo. “cada cidade está em estado natural de dente do país. eixo de rotas comerciais XXI. XX até as possíveis tiranópolis do século a cidade aberta. “Na realidade” da comunicação. igualmente destrui.. ambos ao oci. são fortes dianas operam como aldeias dentro de amuralhados.” antigos. com a natureza Marija Gimbutas. bárbaro e 3500 a. mobono. referindo-se ao tema da cidade. Não é surpresa para ninguém constatar dores de Tróia.C. baseado na visão de Mumford. a mundo que se converteu. Este caminho cultura: “Uma cidade que era. com uma civilização urbana suas muralhas isolantes. do meio natural. pectos práticos. identifica uma os grandes centros dominadores ao esti- cultura neolítica independente no su. dedicada à Deu. termina com um de 2600 a. em uma cidade” (2003. que as atuais megalópoles e cidades me- poneso. harmônico. ao estilo de Micenas.C. São centros onde existe período que se inicia com os micênicos um caos dentro de certa ordem imposta Carta Medellín . como Knosos. processo de qual José Ignacio Ho- e agrícolas sem estruturas defensivas ex. caos que ele produziu em sua relação não equitativa com o sagrado. posteriormente. Centros urbanos muito guerra com todas as demais. mostram A partir desse processo em que a cidade vai esse processo defensivo com sistemas enfatizando o isolamento do ser humano amuralhados desde quatro mil e trezen. Persépolis e Roma deste europeu. p. tratando de conjurar o tos anos. 224 y 245). bacia do Huang He.

desenvolvimento harmônico entre o ur- do na cidade. Meio. e ordem. o desenvolvimento pleno do ser o celeste. que atua como espelho de uma média e alta para se isolarem do perigo. com É um sistema que entrelaça o urbano e vigilância própria onde vivem as classes o rural. como se encontra cada vez bano. A desconfiança e o medo são o ordenado em dualidades complementa- denominador comum do ponto de vista res de dia-noite. ciclos. e unidades fechadas. códices urbanos e arquitetônicos para o tos destes setores: subúrbios. ciclos e movimentos. para o momento atual. almente entre ambos os modelos urbanos encontra-se por parte de Abya Yala . conformando assim centros orde- defensivos e ofensivos para as classes me. Por. nos conceitos aplica. por seus habitantes. E a partir estações. e per- mais ameaçado dentro do urbano e do mitindo a estabilidade do sistema. não somente não está ocorren. sistemas vivenciais sem governabilidade real por parte do onde a Lei de Origem e seu pensamento Estado. os habitantes e o território. ordem cósmica refletida do mundo celes- A maioria dos moradores destas últimas te. ao relacionar-se entre si e com tanto. do tecido social e suas relações.“a É um modelo que opera para o Mundo terra sem males” -. nadores de cada espaço-tempo próprio. principais calendários da perspectiva ambiental. não conhece nem habita realmente mais mais fixos e precisos são. apesar das oportunidades de mediante o desenho urbano e a arquite- conhecimento e intercâmbio de bens e tura. de conhecimentos. terra e energia limpa. Um bom número de habitantes estavam inscritos à imagem de grandes evita ou proíbe a permanência em mui. cujos processos. modelo único de urbanismo e arquitetu- ra inter-relacionados é a maior herança O aspecto que se destaca e que difere re. nos favorecidas. portanto. favelas e conhecimento de qualquer habitante do comunidades do tipo de guetos fechados lugar. onde a comunidade humana ha- dos de urbanismo e arquitetura sustentável bita junto com as outras comunidades Carta Medellín . obser- que um percentual pequeno da cidade váveis e previsíveis. ar. O processo torna-se operativo humano. que ditam as normas que formam verdadeiras comunidades de convivência para os distintos setores. re- miniscência de povoados murados. solstícios-equinócios. Este arquitetônico. ao buscar a segurança alimentar e o serviços. a deterioração refletem-se em um Mundo Meio para 78 situar com precisão seus ciclos de caos crescente dos recursos necessários para a vida: água. Este processo celeste como tal.

a forma nos idiomas continen- forma de fazer o caminho . Desta maneira. evolucionista e tudo. Ao con- pelo menos cinco milênios de desenvolvimento urba. a biogeógrafo. como herança aos que vieram depois. a direção predominante no e arquitetônico. com seu fugindo aos montes das ferra- diálogo. para permitir a plena expressão do ser humano mediante uma forma co- erente de estar no mundo. ollin qualquer maneira ou a simples pretensão de “ser”. fisiólogo. mas que tam- bém observam um estilo de vida Devido a esta visão particular do que no Ocidente se ocidentalizado tratem de entrar denomina cidade e em Abya Yala centros ordenadores. da sanidade. Todo esse processo e a forma de consegui ca que o verdadeiro futuro é -lo estavam “inscritos” e se tornavam operacionais no antes o que chamamos passa- povoado e em sua arquitetura. Este estar no mundo . senão em cada obra arquitetônica que há milênios ou séculos. Legados da América pré-hispânica da natureza e as deidades. e mostrou um caminho de conhe. a visão de desenvolvimento mais sociedades ocidentais estejamos poderosa. vida tradicional. possibilitar a criação mútua entre o sagrado. dei- compunha o tecido urbano com seu urdimento de xando sua experiência de vida relações e tramas de diferença unidas coerentemente. A frase voltar a um estilo de vida idílico “como crio sou criado” tornou-se operante durante de caçadores coletores. o aparente futuro que é na realidade o passado. norte-americano. porque por este caminho os indicava se encontrava representada não apenas no transitaram os antepassados desenho geral. trário. com sua ética e estética de vida. é ou tlacauhtli na Mesoamérica. antes de Jared Diamond. o conceito Não é que nós os cidadãos das de criação mútua. no mundo moderno. gem à origem” ao seguir este ficado no pensamento original e manifestado desta caminho que permitirá que Carta Medellín . reciprocidade. o que define o pleno desenvolvimento da condição najt entre os maias -. pois Retrofuturo? todos nós fazemos uma “via- Por isso o conceito de espaço-tempo que aparece uni. na antiga América estes centros buscavam. respei. do to e livre fluir da energia torna possível o “criar para conforto material e da paz im- posta pelo Estado e tentando ser criado”. atual e inegável deste continente. da mudança é a de que os ca- çadores coletores e os pequenos cimento que precisamos recuperar com urgência se agricultores afeitos ao estilo de quisermos permanecer como fios deste tecido de vida. A Lei de Origem que do. natureza e os seres humanos.e não as metas obtidas de 79 tais ¬ pacha nos Andes. biólogo. mentas de aço. complementaridade. indi- humana.

como sístole e diás. ascendente e separado cósmica em sua dualidade caos-ordem. a natureza e os seres humanos. nos convertamos em verdadeiros seres Visão do desenho urbano humanos. o traçado urbano deve cumprir nos seguirão. estes últi- tole. no pensamento ancestral Portanto. que tem no Ocidente. ver o antes é vislumbrar real. verão e inverno. Os centros ordenadores de vida e co. (ver figura 2). oculta ¬TaitaInti em quéchua. dia e noite. senão que operava para expandir esta ordem nas três comu- sob um modelo em espiral com ciclos de nidades irmãs do território: as deidades. Esse espaço-tempo não tinha seu papel primordial de refletir a ordem o sentido linear. quando a luz menor do Sol Diurno se mentamos. construir coerentemente as “cidades para verdadeira luz que somente se manifesta 80 a vida” porque simplesmente já o experi. expansão e contração. Tonatiuh Tempo Pontos convergentes Espaço O espaço-tempo em espiral Figura 2. Espaco-tempo em espiral Carta Medellín . gens naturais e realizar a criação mútua. Em um mundo ¬ o originário americano mente o futuro para construir um aqui e ¬ onde tudo está relacionado e cada par- agora coerente e possível e transformar o te opera como um espelho de múltiplos depois junto àqueles que posteriormente reflexos. nhecimento da América que se iniciaram O traçado urbano reproduz o modelo no antes e que permanecem na memória que mostra como se dão os ciclos do es- relacionando-se nas curvas convergentes paço-tempo na esfera celeste. idades ou mos em sua ação de humanizar as paisa- sóis. visíveis du- da espiral realmente podem nos ensinar a rante a noite: a luz imensa do Sol Escuro.

a linha de conste- zênite e o nadir e que produzem os ci.Pai Maior ¬ mediante os movimentos ções como a do Cruzeiro do Sul.C. Um desenho deste tipo. como cruz americana de lados iguais. inclusive. visível e previ- um. na arte. do mundo ¬ celeste. da natureza e dos seres humanos que o tria sagrada que começa com a chamada habitam. nham cada um desses esquemas. quatro estações e que se reflete em ciclos encontra-se referenciado nos maias (Frey- maiores como nas trezenas e vintenas de del. Teotihuacán (no pla- Carta Medellín . as conste- dia-noite ao ano solar-lunar com suas lações do hemisfério norte ¬. o Orion-Sírio-Plêiades. as estelas maias e taironas. se consistente no urbanismo. em segui. como pode ser comprovado hoje. momento em que os pla. 2000) e incas (Sulli- anos: e. os quatro territórios e as quatro esqui. van. lações andinas visíveis sobre a eclíptica e clos do espaço-tempo que vão desde o em relação com a Via Láctea. Legados da América pré-hispânica em náhuatl ¬. das deidades. Hopi. médio. ciclos de caos-ordem através dos centros urbanos ordenadores e de aí se expanda 81 Observa-se este modelo no ordenamento para um território maior. as kivas Anasazi e do se mostram. e os ob- servatórios patagônicos e amazônicos. o eixo que formam os solstícios e equinócios. nabilidade e no sistema de desenvolvi- nas horizontais e se complementam com mento em todo o continente por mais de os sistemas de calendários que acompa. Essa ordem continua manifestando-se durante o ciclo diurno. 1999). na arquite- 1992). Chele& Parker. encontra- da a Chakana com suas diagonais (Milla. para completar os 26 mil anos que sível. através do Sol Esse desenho ¬ observável em constela- . Tenochtitlan e Tiwanaku. O cruzeiro da Via Láctea seguindo a precessão dos equinócios nos com o eclipse em datas especiais do ano conhecidos ciclos das eras ou dos sois que e em determinados anos. se reflita no Mundo Meio entre seus dura cada ciclo precessional. o que se manifesta através de elementos arquite. inframundo no ordenamento comunitário. no ordenamento territorial.). se observa no diagrama anexo. como Machu Picchu. Se observarmos centros ordenadores tônicos recíprocos como as pirâmides de como Monte Albán (centro zapoteca da- Teotihuacán. ushnus dos centros ordenadores andinos netas. os tado de 500 a. na gover- ¬. permite que o abarcam cinco sois de 5.200 anos cada sistema celeste ordenado. espaço-temporal através de uma geome. cinco mil anos contínuos (ver figura 3). as estrelas e as deidades deste mun. que mostram os três níveis verticais tura.

21 de verão ε δ= 0o Comunidade das cidades Comunidade KAY PACHA δ= 23. arquiteturas como os tipis dos aborígenes no por volta de 100 d. O mes. 23 Equinócio As três comunidades do mundo médio o Kay Pacha de outono Aries surgem quando o sêmen solar do Haman Pacha fertiliza a semente do Ucku Pacha. como quatro pontas ¬. lhamas ou com- cia com que se reflete no urbano. Tiwanaku (centro ordenador andi.). praças submersas (mun. Figura 3. geralmente estruturados a serpente do inframundo. traçado urbano em Abya Yala é o fato de palácios. aves. Ordenamento do Mundo Equinócio HANAN PACHA de primavera Solstício Mar. nalto central do México a partir de 100 mo traçado se mantém até hoje.). que mostram a celeste. uma origem comum no mundo diferenciado onde cada comunidade é agora uma dualidade.). portanto. binação destes elementos (ver figura 5). incluindo d. 21 δ= 0o Solstício UCKU O HURIN PACHA de inverno Sept.C.5o da natureza Comunidade dos seres humanos Dec. unidade e a continuidade da cosmovisão Pisa e Machu Picchu tinham a forma de que dá origem ao seu traçado e à coerên. meio).C. felinos. zona habitacionais (mundo do que muitos centros ordenadores andinos.C. 22 Jun. Carta Medellín .5o δ= -23. (centro mexica do século XV) e Cuzco as malocas amazônicas ou os lugares ritua- (centro do mundo incaico contemporâ. serpentes.hispânicas. e poços. Olllantaytambo. grandes diferenças no tempo e no espaço possuem todos um traçado de três níveis: Outro aspecto bastante interessante do pirâmides (mundo superior). que ordenam os quatro quiriram a forma de animais altamente espaços urbanos que convergem para um simbólicos que estavam representados nas centro do centro ¬ quincunce com suas principais constelações andinas. vemos como apesar das tino-chilena (ver figura 4). acrópoles. Quito. lísticos dos mapuches na Patagônia argen- 82 neo do anterior). o felino no e orientados por duas grandes avenidas mundo do meio e a ave solar do mundo em cruz ¬ N-S e E-O ¬. Cuzco. Tenochtitlan atuais entre comunidades maias e andinas. Ordenamento do mundo nas cosmovisões pré. as casas maia datado de 200 d. Elas têm. como reflexos de símbolos cósmicos ad- do subterrâneo). Tikal (centro das planícies norte-americanas.

George (1983). 83 CRUZ DO SUL HAMPATU YURU MACHAQWAY UÑALLAMACHA LLAMA/MACHAQWAY POLO SUL 13O 30’ (SUL) SAIDA DO SOL MISMINAY(13O 30’LATITUD SUR) POR DO SOL SOLSTICIO DE DEZEMBRO SOLSTICIO DE DEZEMBRO a b Figura 5. Teotihuacan: Gispert. a. Arte y Arquitectura en la América Precolonial. Cusco: Mundo Andino. PUMAPUNCU 4. Barcelona: Océano. Madrid: Cátedra. ESTRADAS ANTIGAS TAL COMO AS DESCRITAS POR GOBO 6. Adaptação da imagem tomada de: Constelações andinas: Salas Delgado. (2009). Carlos. b. Cusco: Mundo Andino Carta Medellín . Dante G (2009). Arqueoastronomia Andina. CALASASAYA 3. El mundo precolombino. a. Tiwanaku: Kubler. Dante G. Qosco: Salas Delgado. Legados da América pré-hispânica Pirâmide da Lua Praça da Lua Palácio de Quetzalpapaloti Calçada Pirâmide dos Mortos do Sol 1. Arqueoastronomia Andina. b. POPULAÇÃO MODERNA Templo de Quetzalcoati Citadela a b Figura 4. (2002). AKAPANA 2. TERRAÇOS 5.

entre céu.. são ativados em datas espe- cer o momento em que tais mudanças ciais ¬ solstícios e equinócios. climáticas naturais e. demonstraram que dário. celestes relacionam-se com mudanças neste caso da Mãe Terra (geografia sagrada). inter-relacio- configuram a localização. a natureza e os seres humanos. inclusive. o mundo do. terra e o mundo subterrâneo. em Teotihua- que se ativam em determinadas datas calen- cán. de Sírio e das O diálogo e a reciprocidade da criação Plêiades ¬ cujo ciclo de 52 anos entre mútua começam precisamente no diálogo zênite e zênite indicava o início de cada Carta Medellín . 200 a. de um centro ordenador. tecido e tecendo-se constantemen- o traçado e as técnicas te. Todo centro ordenador precisos e eficientes do mundo de sua épo- é um portal em si mesmo e possui lugares ca. utilizando um sistema numérico e de conectores ¬ elementos arquitetônicos ¬ medidas. entre os tróglifos ¬. nado. daristas. a ordem previsível do céu deve ser entendida e refletir-se cabalmente. os trabalhos de arqueoastrônomos. a partir do ano midade de montanhas sagradas. conhe- gares sagrados. por exemplo. mediante seu registro. Seu conjunto conforma a geografia desde as pirâmides do Sol e da Lua uti- sagrada de cada povo. Os movimentos zer parte do corpo de uma deidade maior. Entre os nahuas. onde o todo está na parte e a parte no construtivas todo. O centro calendarista ciclos sinóticos de Venus. constitui-se em um dos mais formas específicas. conjunção de águas. Isto Geografia e paisagem implica em uma paciente e constante ob- sagrada servação do fenômeno celeste. como aproveitar o fato ¬ e são o principal indicador de localização ou como transformá-lo. utilizando certas tecnologias que fazem parte do Ainda que todo espaço seja sagrado por fa- saber fazer tradicional. atuando como um grande calen- como Johanna Broda. que do meio e o inframundo. comuni- existem lugares que atuam como portais ou tárias. na proxi- maias do período clássico. lu- permitem. entre outros podem ocorrer. condutas relacionadas com o sagra- conectores diretos entre o celeste.C. cavernas. Os elementos que Em um cosmo ordenado. lunares de 260 dias. Os portais estão 84 determinados há milênios e indicados pela Donde resulta um complexo sistema de chamada arte rupestre ¬ pictografias e pe- calendário que. Estes portais. lizavam-se calendários solares e lunares de 360 e 365 dias.

Tabasco (México). região de Mojana. construído e práticas da criação mútua em todos os com adobes secados ao sol. Arquitetura de terra nos de- equinócios. níveis. a quincha adapta- da a variados e numerosos ecossistemas Por meio destes calendários se determi. tendo Palenque como eixo. diálogo entre o sagrado de Cahuachi. para aproveitamento dos ventos e do ca- mento ancestral: o primordial. Em todos os ecossistemas americanos clusive. na Mesoamérica estão estatal. Teotihuacán e Tenochtitlán (Broda. lor solar. assim e o humano. entroni. no mesmo deserto. e prossegue-se com tural. os centros urbanos de Caral e zado no ritual. sertos e nas planícies. as mora- nava a realização das principais festivi. 1991) ou pelo nas selváticas. os centros urbanos Centros urbanos e meio maias do Petén e os povoados e moradias ambiente de Chiapas e da bacia do Usumacinta Em todo o continente podem ser encon. como centro iniciador do Quinto construíram-se centros urbanos e mo- Sol mesoamericano. em diálogo e reciprocidade com exemplos tão relevantes como o zanú na o ecossistema nos quais estão situados. semeadura. In. 2007).200 anos que se baseia na precessão dos sustentável. dias mochicas e chimus no deserto e os dades. colheita e distribuição Existem exemplos semelhantes na Amé- dos alimentos se baseava em calendários rica do Norte. Todo o processo de preparação da terra. o mais extenso centro fazer que permitisse as ações cotidianas urbano chimu de Abya Yala. Legados da América pré-hispânica “fogo novo” para toltecas e mexicas ¬. sobretudo na área Anasa- precisos. como foi possível comprovar em Paquimé e a área wixárika ¬ huichol ¬. Os calendários formavam exten- zi e os povoados e moradias dos índios sas redes que abarcavam todo o território 85 pueblo do sudeste. Iwa- Urbanismo e arquitetura adaptados às zo- niszewski & Maupomé. com sua característica térmica. atual Colômbia: 500 Carta Medellín . começa com os olmecas em Veracruz e feitamente adaptadas ao seu meio na. estabelecia o ciclo de radias sob um modelo verdadeiramente 5. tornando operacional a principal vales Oasis do Peru. nas planí- trados numerosos exemplos de centros cies aluviais inundáveis cujo urbanismo urbanos e de residências familiares per. complementado pelo saber como Chan Chan. como as malocas dos povos sistema de ceques que partiam de Cuzco amazônicos que mantêm o mesmo con- (Salas. com seu traçado dualidade complementar do conheci. ceito de traçado a partir de uma cosmo- visão compartilhada.

Cempoala. BonampaK) em os outros centros Havia um processo de diálogo e de re- maias de El Petén e Yucatán ¬. É importante notar que vos tehuelches. Teotihuacan). tiwanakus. totonacas (El O conceito de lixo não existe neste pen- Tajín). Palenque. centros urbanos e moradias das imensas deve voltar ao sistema como realimenta- estepes patagônicas construídos pelos po. de ambos os espaços. quéchuas processo de reciprocidade dado pela ação e aimarás (Andes centrais). simplesmente. Mitla). área inter. Caral. Cuzco ou Tenochtitlán. Cuzco. É estes resíduos eram transformados em importante lembrar aqui que nos Andes compostagem e reutilizados. Co- público pán. Chan nizavam-se em pirâmides conectoras - Chan. Os centros orga- ronas na Colômbia.500 anos. dias toltecas (Tula. Espaço privado e espaço El Tajin. casos vinculados a lagoas de oxidação. calimas. Tikal. ecossis. Estudos atuais na América do Norte (área Anasazi).diferente de desenvolvimento.para a comunidade humana e natural. mostraram sustentável durante 1. Teotihuacán. Tula. juntamente 86 centrais ocorre a adaptação humana às com as águas servidas já tratadas. ção do mesmo. samento originário: o que agora se deno- baias. de onde se articulavam vias Carta Medellín . ciprocidade complementar no manejo mediária (Teyuma) e centros urbanos tai. Machu portais -. humana e pela digestão de alimentos dos nar os mais conhecidos. sem esquecer os humanos e animais que. Mitla. quim. Andes (Sipán. permitindo não temas hoje destruídos por nosso conceito apenas o fluxo de “água viva” . como maiores altitudes no mundo. Monte Albán. a notável criação da água. onde se tes sistemas de saneamento em muitos encontram os centros urbanos e mora. para mencio. fueguinos e mapuches. muiscas e taironas (Co. mexicanas (Tenochtitlan). Cahuachi. resíduos sólidos e águas tinham um nível de limpeza e salubrida- servidas de que a Europa de sua época alcançaria apenas alguns séculos depois. no século XV. na Mesoamérica (La Venta. fertilizantes naturais em campos de culti- vos confinantes aos centros ordenadores. zapote- cas (Monte Albán. Conceito e manejo de lixo. como também o ma- Terras médias e altas em vales. mil hectares que foram tratados de forma Picchu. de “água potável” . planícies nejo das águas servidas mediante eficien- e contrafortes das cordilheiras. mina resíduo ou lixo é o resultado de um lômbia). quíchuas. Tiwanaku) e outros.

bioarquitetura cumentados. com- cerca de seis mil metros de altura. portam templos. lugar. Além disso. Legados da América pré-hispânica de circulação terrestres e aquáticas que qual se encontram representados todos conformavam eixos visuais orientadores.). nem centros maias do Clássico ao Pós-Clás- é um bem econômico. Tikal. nem se anos). projetados e construídos respeitando a cidade de serviço. Copán ou Cuzco nada paisagem humanizada. como Teotihuacán. onde tinham residências ce no litoral marinho (Caribe) e atinge e oficinas e onde desenvolviam. não existia a conhecimento propriedade privada ou qualquer espaço Os estudos realizados em Caral (vale privado. não pode ser apropriado. 87 de Supe no Peru. para falar dos mais do- sustentável. e estrutura em terra e madeira. habitantes de Gonawindúa “bairros” eram habitados pelos distin- (Serra Nevada de Santa Marta). comunidades de conhecimento. que data de cinco mil po da Mãe. fun. em Tiwa- naku.C. se convertem em chamados “bairros”. a única tos povos e nacionalidades relacionados montanha nevada do mundo que nas. Em Te- tável encontram-se entre os taironas da otihuacán. sico (séculos IV ao XV d.C. com o Estado. vão se modelando formas orgânicas plas praças de congregação ritual e de acompanhando a topografia do terreno. porque se vivia dentro do cor. As áreas habitacionais encontra. os acumula. diferentes das dos to e a erosão do solo.). pois detinham as mesmas quali. espaços naturais. e na partilhavam e complementavam seus Carta Medellín . Comunidades do dades e serviços. em Teotihuacán (400 d.C. em geral. nos centros urbanos as diferenças entre os uma vez abandonados. os pisos climáticos do neotrópico. o qual não se suja. por exemplo.). Porém. praças e moradias estão damentado no conhecimento e na capa. Neste no entorno das pirâmides surgiam am. como espaço eminentemente permitindo que as águas fluam por seus público. complementados por das são hoje classificadas como palácios canais que impedem seu transbordamen- e residências de elite. encontro. os chamados Colômbia. Cuzco e Machu Picchu (do século Urbanismo e arquitetura I ao XVI d. os quais. O conceito de autoridade. não mostravam diferenças importantes entre si. Os terraços que su- comuns. definia certos lugares e topografia natural. paisagem natural dentro de uma determi- Monte Albán. ordenadores urbanos eram verdadeiras tes de urbanismo e arquitetura susten. indicam que os centros Alguns dos exemplos mais interessan. com base em pedra a qualidade da moradia.

de ordena. cuja visão do processo é Carta Medellín . diálogo transcultural. Por vam de criação mútua e nos permitisse ser isso. mas meira ordem. espaço-tempo. des territórios. e não uma questão de tecnologia o humano. conhecimentos tecnológicos em agri. plenamente humanos. gente mudança de paradigma no urbano versidade étnica e cultural do Estado. o conceito 88 mitindo que os conhecimentos de cada de cidades para a vida adquire sua plena grupo fossem compartilhados com os vigência atual. forma de estar no mundo que denomina- mento territorial e governabilidade. uma vez o conhecimento complementado retorna a seu povoado de origem levado pelos aprendizes que Em consequência viveram temporariamente no centro ur. hidráulica e arquitetura. onde devem ser centrados os maiores É como se uma cidade contemporânea eixos de pesquisa. inclusive comprometendo a sobre- humana alcançava sua expressão máxima vivência da espécie humana. em meio a paisagens humaniza- das. rante de desenvolvimento encontra-se em go e a reciprocidade entre a comunidade crise. bem tá-lo e colocá-lo a disposição de quem como princípios urbanísticos e formas necessitasse dele. Acreditamos que é o mo- sim aproveitando a imensa e riquíssima mento de tornar realidade o tão buscado experiência do comum ou do saber res. O importante era complemen- tecelagem. mas com os um exemplo a ser considerado e adap. Em um mundo onde o conceito impe- bano. humano. buscando o bem comum Já reconhecemos que o problema é de que naqueles centros urbanos englobava visão. Por isso. Ninguém tinha a autoridade do instituições representativas do modelo conhecimento. cerâmica. é no habitat como parte da criação mútua. o natural e o sagrado. pecuária. toda a di. como antiga América são um exemplo de pri- nas nossas escolas e universidades. fala-se de eclosão cultural de gran. metalurgia. pois este operava como de pensamento imperante. O centro era o local onde o diálo. e no arquitetônico. defendendo uma ur- refletisse nela. E esta visão está nos po- conhecimento não era “guardado” e não vos ancestrais do mundo. per. e os povos da se desenvolvia em centros isolados. Esse ou economia. não apenas entre peitado. outros para resolver problemas comuns ou particulares. conhecedores dos povos originários atu- tado a cada situação específica em cada ais do mundo. enriquecendo-o constan- cultura. coerentemente. temente. para tornar possível essa de organização comunitária.

89 Carta Medellín . o que vai à frente. Isto é. construí-lo coerentemente e prever o depois que vem atrás e que compromete as gerações que estão por vir. Nosso convite é para “ver” o antes. aproveitar o infinito caudal da experiência humana que vive há milênios situações semelhantes. Legados da América pré-hispânica tão importante quanto a própria inves- tigação interdisciplinar. para entender este aqui e agora.

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a liberdade e a paz irradie pelas ruas da cidade bela e humanizada. mas um templo da vida. Humanizar a Terra. onde todos tenham energia e água potável. saneamento e jardins. onde se responda com um sorriso e amabilidade aos bom-dia e boa-tarde. sustentabilida- de ambiental urbana. Colômbia Humanizar a Terra é urbanizá-la para nela edificar uma morada digna dos seres humanos. . William Ospina. onde o rosto da justiça. escrito. É reviver a urbanidade na cidade. uma utopia realista ao alcance de todos unidos A natureza não é um mero armazém de recursos.

do ar e da outro e que se queira a si mesmo. e por amor e não com medo e por medo. “Tra- inválidos. as desigualdades. os homossexuais. para fazer da ignorância uma florescer e metamorfosear a mariposa ci. “Tratados de Livre Comércio” do que não se compra. moral comerciante. da Justiça. lembranças. para que ou imoral. fazendo destes momentos de mos de verdade ¬ ser insensato e egoísta ou convivência e de urbanidade. É facilitar com simplicidade e generosida- prestado e que não tem amo nem senhor. respeitosos dos demais. conscientes de que nascemos e mor- remos despidos. os forastei. o juiz e o poeta. educar com amor mória. Ali onde a educação e a saúde são unica- fiança que unem e alegram. os originais. Carta Medellín . os gestos e as palavras que fazem instituições. ambição insensata e cor- para o outro que combatam o medo e rupção. de currículo. confianças geradoras de separação e de Como Humanizar a Terra? tristeza. os sidade”. que a Terra é um dom em. o outro. ali onde a educação e a saúde são que transformem em esperança as des. os órfãos. da Dignidade e da Paz. respeitando a indi- vidualidade de cada criança com genero- É nela semear. a cada pessoa. meios e não finalidades para humanizar. que queira ao entorno. de que os tramites do cotidiano cheguem que cada ato de consumo mostra o que so. fonte de assombro e de criatividade e não vilizadora do Direito. É fazê-lo com gestos e palavras de con. É estimular a convivência cordial entre o é digno ou indigno. “Tratados de Livre Comércio de Genero- 92 criminações que silenciamos fracos. É educar de verdade. do Perdão. da Me. os enfermos. ros. do um ser humano seja digno. um estigma de poder. justo ou injusto. destruidor ou reciclável. a partir da mente e do co. os desprezos. nem se vende: sentimen- É gratificar o trabalho diário e justo para tos. amizade e que fazem que uma vida digna. as dis. todos vivam cada dia inspirados de futu- ros possíveis e alegres. de ração. com olhares mente negocio. água. de encontro responsável e generoso ¬ que depende de social e cultural e não tramas burocráticas nós mesmos se o nosso gesto consumidor de poder. É provocar e firmar em toda parte “Trata- É combater com Justiça e com Direito dos de Livre Comércio de Urbanidade”. “Tratados de Livre Comércio de abandonados. da árvore e do animal. sidade de pensamento. mesquinhez e corrupção. com confiança e não com desconfiança. tados de Livre Comércio de Sorrisos”. os Espiritualidade e de Dignidade”.

algo mais 93 que pensamentos e ações. É fazer dela a morada da urbanidade. Liberdade da tratar humanamente a diferença entre o Palavra. a palavra. idioma. É o desafio cotidiano e a aventura coleti- va de todos os seres humanos. É a utopia de Todos-Unidos. uma utopia realista. opinião política ou conexão entre uns e os outros. sem Compaixão não saberíamos cordialidade e liberdade. pelo individuo. pela sociedade.. cada um dos membros da família huma- pela memória. Sem Compaixão confundiríamos para libertar as cidades e os campos do os fins e os meios em um olhar. direito e beleza. nasci- leza e de alegria. que são milagres de re. Carta Medellín . algo mais que relatos. origem nacio- de trama e de urdidura. o ato e temor e da miséria. É tudo isso e antes de tudo civilização. nem di- ferenciar o sacrifício do assassinato. É o ideal planetário por excelência de cada jovem que se abre ao mundo com assom- bro. sem Compaixão não mana. algo mais que escritos e virtualidades. posição econômica. cor. algo mais que promessas e boa vontade. lendas e memórias. assombros de be. religião. pela poesia. É recuperar o respeito profundo por ela. É recuperar o valor profundo da Com. de todos e pela vida. mente e coração da condição hu- animal e o humano.. É algo mais que palavras e atos. algo mais que regulamentos e leis. na ¬ sem qualquer distinção de raça. pela justiça. pela matemática. nal ou social. sem Compaixão faríamos ao outro o que não gostaríamos que nos fos. se feito. milagres de qualquer outra índole. saberia deter-se a mão homicida. É o ideal planetário da família humana paixão.. Humanizar a Terra.. convicção e vitalidade. sexo. mento ou qualquer outra condição. esperança.

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as co- munidades. desde sempre. nos ajuda a entender que. constituído de tesouros que mostram o valor de todas as culturas e a grandiosidade dos artesãos que os tornaram possíveis. da fraternidade e da solidariedade esteve vinculado ao que ocorre nas relações entre os povos. procuraram aliviar . obriga a valorizar a única fonte de inspiração do novo renascer em meio aos perigos já constatados pelos seres humanos. Compreender que desde a Antiguidade o núcleo central na busca da convivência entre os seres humanos. Projeto humano global que regenera o viver na cidade É urgente enunciar e subscrever este projeto Enriquecer o legado que a humanidade cons- truiu através dos séculos. projetos políticos e de outra natureza como os econômicos e sociais. os grupos e os próprios indivíduos.

a cidade aumenta Humanidade. coloca-se a proposta de cesso cósmico e histórico. enunciadas. do planeta e nas cidades. Fundamentos que globalmente através da comunicação emoti- va. po- derá ser a luz e o guia dos caminhos que sempre contarão com dificuldades e desafios mortais. A memória. enormemente a capacidade do recursos e sonhos de cidadãos nos diversos cantos homem de interpretar estes pro. historiador. insolvência moral e Lewis Mumford. de modo que muito podem contribuir para o seu nascimento. cada fase do drama que nela se representa tenha no mais alto quando forem adotadas as agendas mundiais antes grau possível. comunicação cidade continue existindo. as tensões e encontrar uma maior harmonia. serão essenciais para criar de forma Carta Medellín . que se nutre de múltiplos esforços. na Nova Agenda Urbana Mundial A missão final da cidade consis. formativa. de transformações para o bem de todos os humanos. a luz da cons. momento dado. independen. lutas fratricidas e encontros solidários. com toda sua riqueza e limitações. nos acordos e nas visões compartilhados te em promover a participação internacionalmente em temas substantivos para o consciente do homem no pro. será a medida da capacidade real americano. Os conhecimentos e as ferramentas disponíveis. sobretudo. destrui- o principal motivo para que a ção e criações em todos os campos. a comunicação racional. o selo do propósito. penúrias e dissabo- 96 de na história e continua sendo res. tem sido a função suprema da cida. crescente e diálogos frutíferos. todos seus sucessos e fracassos. viver no presente século. Por construção progressiva deste Projeto Global de meio de sua estrutura complexa e duradoura. Inspirados na Nova Agenda Mundial do Desenvol- vimento (2015). incompreensões múltiplas e res- sociólogo. A concepção sobre a história da humanidade com a representação dramática. em particular. temente da cultura de que se transdisciplinares e transetoriais que permitem co- trata e do lugar do mundo que nhecer o estado da trajetória da humanidade em um se considera. ciência. o viabilizam este projeto domínio técnico e. (2016). Essa exaltação de todas as dimensões da vida. a cor do amor. filosofo de tecnociencia e urbanista norte peito pelo outro. Consti- cessos e neles toma uma parte tui um enunciado essencial com orientações que ativa. relaxamento ético.

consensual um ideário mínimo coletivo vulnerabilidade e possibilidade de trans- universal. História e memória temporalidade fraternidade- Adotar princípios tolerância. vivos para todos os alimentação Controlar humanos inequidades Dar ao cidadão Reinventar crescentes um lugar em Novos estilos de constantemente cada projeto da vida o viver e o Compreender os sociedade compartilhar interesses das futuras Visão universal gerações Abrir espaços à nova positiva Compreender a arte de viver compartilhada vulnerabilidade da Desenvolver vida capacidades frente Estimular projetos aos desastres. fatos coletivos de vida inesperados da natureza e outros Carta Medellín . que darão vez ou não região.respeito Pensar o mundo que Humanizar a terra e valores que -convivibilidade .biodiversidade . em ocasiões Os tempos políticos vigentes em cada exigentes e urgentes.igualdade. pleno água – energias campos respeito pelos seres Vida. com sua a novos cenários de compreensão. pensamento ético pluralidade de Priorizar: liberdade pensamento e visões civilizatórias . interativas.. se quer fundamentem responsabilidade Pensamento próprio Princípios e finalidades valores universais universais Contribuir para a Humanizar todos os essenciais construção social de campos do viver conhecimentos e do Criar valor 97 habitat permanentemente De la vida Valorizar: vida com Ter presente: Restabelecer Ser humano como dignidade para raridades múltiplas conexões múltiplas centro do trabalho todo. tais como: perdidas em todos os diário. mar- carão a pauta das negociações. interdependentes Vias Global Regiões Território Cidades-contextos Do pensamento Trabalhar por Valorizar enfoques Ganhar o valor Estimular o diálogo um pensamento e campos que sagrado do território e intercâmbios entre político e um balizem futuros. valor sagrado . Quadro 1 Projeto global de humanidade: regenerar as cidades humanizando-as Atuações correlatas. gerações e saberes. cidade e tecidos urbanos. formações maiores em curto prazo. Projeto humano global que regenere..

Políticas emanadas agenda mundial do manejo de complementaridades de consensos reais desenvolvimento interdependências e convergências em com todos os atores (2015) e outras Dar prioridade à: multiplicidade de sociais como a urbana paz. Progredir na visão viços. religar a mudança constante as escolhas dos Aceitar conhecimentos cidadãos complexidades Compreensão Renovar-se e e respeito pela Autonomia e liberda- Aproveitar a reinventar-se biodiversidade e des que facilitam as tecnologia no 98 permanentemente coração da todas as formas de escolhas de acordo vida com o bem viver educação Da política Estimular a nova Ganhar no Manter coerências. sociedade rumo a cias múltiplas sociedade mundo futuros viáveis Eliminar ignorâncias Aprendizagens que Nova era Enfoques permitam visão holís- Problematizar. políticas riqueza. criem valor público o público principal valor na busca da conservação da vida e o bem viver Carta Medellín . se encontrem públicas inclusivas justiça. que se solidarize de forma autônoma. humanidade” de todos Assegurar a Centrar atuações Fortalecer a Guiar transfor- governabilidade para usufruir dos institucionalidade mações. outro individual e de gênero humano Da educação Potencializar a Desenvolver novas Potencializar o Adquirir sabedoria ideia de cidadãos qualidades nos caminhar coletivo da mediante experiên- planetários e seres humanos. garantam a inclusão solidária empresas e outros e as novas oportu- para iniciativas que nidades para todos. “território. interativas. Assumir desafios Conseguir uma Aprender a rrentes de huma. altruísmo racional. multicultural pedagógicos tica e poli funcional trabalhar por do mundo Resgate da problemas Métodos que sabedoria e do fundamentais validem e estimulem Dar sentido a todas saber. interdependentes Vias Global Regiões Território Cidades-contextos De la moral Superar crisis reco. Moralizar a mundia- lização Expandir e Propiciar a Lazer – reinventar- fortalecer as autoanálise e a humanizar Adotar como guia reservas espirituais compreensão do atuações em longo Moral que guia a e filosóficas da outro prazo construção do novo humanidade. Incentivar o respeito . Atuações correlatas. iniciativas e opções Conseguir que a (2016) dignidade. e serviços públicos cooperação instituições sociais. bens e ser- Adotar políticas prosperidade. equidade.conviver. o inespera- mundial direitos e a governança. espirituais e civilização universal regenerar-se nidade ideológicos em que priorize o “nós”. permanentemente cada época. relacionar- Dar prioridade a Favorecer o pela identidade do se e compartilhar uma ética cívica.cultura. realmente a serviço permanentemente sustentabilidade. do e o incerto Dispor de Promover alianças Assegurar que bens plataforma de múltiplas: estado.

interdependentes Vias Global Regiões Território Cidades-contextos Da economia Promover Estimular a Premiar o Estimular a economia economia positiva. Tomar a vida e bens essenciais “sociedade Negociar pactos agradável. Integralidade inovação- consciência de comunidade de diversidade. agendas e Respeitar e Priorizar a coesão pactos sociais Estimular a potencializar social participação ativa mestiçagens e os compromissos culturais cidadãos.. Projeto humano global que regenere. Unidade. bioeconomia desempenho colaborativa. Repensar processos sustentáveis Conseguir cadeias tecnoeconômicos Cuidar da grande Contar com jardins e de produtividade (ciência .onu. ambiental e social de vizinhança.. Atuações correlatas. de verde. e inclusão social regionais frente às natureza Estimular Conseguir serviços de caráter universal sociedade-mundo. acesso para todos redes sociais e gerem buscas e Solidarizar o território Manter conhecimento sustentabilidade do 99 transparência. eixos centrais no resgate de seguridades humanas e convivibilidade Transformação- Autorregeneração Humanizar . seguridade Acelerar os cuidar do uso dos organização e proteção social resultados dos recursos e resultados coletiva de futuro para todos objetivos do milênio progressivos . Emprego Favorecer empresas Economia social atividades produtivas digno para todos. -compreensão e prioridades de oportunidades destino universal harmonia solidariedade longo prazo Carta Medellín . como base da viver.técnica e transição energética campos humanizados sustentáveis benefícios) nas próximas décadas Desenvolver a microfinanças e o sistema financeiro Do social IEstimular novas Aceitar Contribuir para novas Priorizar a inovação alianças globais responsabilidades relações sociedade. azul. interativas. vida de qualidade com positiva” . positivas que reconecte participação ativa e Contribuir para apropriadamente o Potencializar o produtiva num marco que as cidades mundo financeiro financiamento de realização plena sejam habitáveis e participativo individual e coletiva. sociais que poética. As ruas nas cidades.

pacto ou metas. Busca a conexão e re- lação apropriada entre as partes que in- Integralidade. opções vinculantes ¬ coesão ¬ a todo mo- rios aos seus habitantes. condições produtiva. sustentáveis em suas eco- visões. os marginalizados e necessitados ¬ de Sustentabilidade. os estilos de vida. a todos os serviços. nomias e crescimento com oportunidades enriquecendo e garantindo a viabilidade para o melhor viver de todos. Reconhece o diferente. a estrutura nhecimentos e às tecnologias. as diversas regiões do mundo es- tarão interconectadas com os pólos de pro- Pluralidade. riquezas. conectadas e articuladas cilita permanentemente a inclusão efetiva em seu interior. e a biodiversidade. e com cidadania ativa. vel conexão do local e do universal das cidades e dos territórios. vincula tegram o todo. infraestruturas e vocação natural. à para os habitantes de todas as cidades e infraestrutura econômica e social. Orienta na inexorá. aprendizagem permanente do respeito à diversidade humana. social e econômica. mento. cultural. a finitude dos recursos e sua implicação dades e territórios. participativa e con. acordo. Ilumina a fiante nas instituições. solos. com as Visão do projeto instituições. de vida dignas e com responsabilidades.Permite compreender acesso e beneficio aos cidadãos-atores-ci. territórios. Coerência-coesão. Diversidade-Unidade. Fa- gresso e bem-estar. atores e instituições. potencia e gera forças e todas as partes das cidades e dos territó. Referida ao todo. e serviços. sustenta- Equidade. as redes. Cria condições similares ¬ e dos na força proporcionada pela unidade. a indústria. as associações e as global: vida digna redes que interagem de forma constante. ideias. 100 diferenciadas para apoiar os mais fracos. ambientalmente responsá- e oportuna de múltiplas opiniões. os grupos. propostas. em condições de toda ação. veis e ordenadas. Fortalece o tecido social. como Compartilhar princípios fundamento da vida e do viver. diminuir os recursos naturais. para todos Afirma a qualidade do integro e irrepre- ensível. aos co. Em 2050. Carta Medellín . A busca do bem-estar é con- seguida sem afetar negativamente nem Interdependência. o comércio e todo para agir e intervir eficientemente nos tipo de produção e intercâmbio de bens processos cultural. social e produtivo.

Incerteza . E não é que os meios ciar ou ressarcir . intermédio de agendas ou de pactos sociais de lon. Procura ali. cidades e territórios. completa. Benefi. liberdade.compensar . sustentados por acordos ou programa so.. culturais. igualdade e frater- Além disso. devido à enorme e inexplo- interdependência e a globalização da solidariedade rada energia da liberdade huma- humana surgem com especial força. as relações e inter-relações entre A tripla aliança dos valores de regiões. A Também acabaram pensando que. Distingue os direitos fundamentais outros dois valores fracassaram essenciais: econômicos. ço demasiado baixo o potencial viar desigualdades socioeconômicas que acarretam humano. A igualdade não pode ser distanciada com facilidade a necessidade e a oportunidade de reparação. A conquista da natureza produziu mais des- perdícios que felicidade humana.. oportu- sociólogo polonês nidades e cenários de futuro que venham a surgir Carta Medellín .Precaução.Compensação. Por da perspectiva de uniformidade. de batalha da política moder- na não escapou do escrutínio nem da censura posterior.os prejuízos. familiares e os direitos do ambiente e os coletivos. com as tenham tentado o contrário.Subsidio . na igualdade. Não Direitos e demandas das novas gerações. sociais. vão para alcançar os três valores simultaneamente. lutando em pelas futuras gerações. incidências e implicações que têm na sua satisfação tenham se deparado com uma situação sacrificada. Descobriram Bem viver . de trínsecos ao bem-estar e a qualidade de vida de to- duvidosa virtude em relação aos dos os cidadãos. tava escassa atenção ao sonho libertário e à fraternidade. A fraternidade pressentia muitas go prazo.qualidade de vida. vincula. dos que os valores. a conectividade. por mais que satisfazer as necessidades essenciais e outras. políticos e em achar um modus coexistendi. que a liberdade militava contra a dade global e a justiça na cidade e no território. Projeto humano global que regenere. Relacio- é surpreendente que os pensa- na todas as ações empreendidas no presente para dores da política. na. articula e amplia os nidade que dominou o campo resultados alcançados. Promove a equi. Estimula a atenção per- Zygmunt Bauman. os objetivos de igualdade e 101 fraternidade vendiam a um pre- Reparação . filósofo e manente para as múltiplas possibilidades. que a igualdade pres- medida em que são elementos essencialmente in. instituições e fatores. comum. vezes a unidade e à exigência de cioeconômicos será possível estimular uma melhor que os irmãos ostensivos deviam sacrificar a individualidade em distribuição dos bens e recursos e incentivar um nome de uma suposta causa agressivo plano contínuo de investimentos. danos ou tenham obtido melhores resulta- exclusões causadas.

na sustentabilidade global e na mundo cada vez mais complexo e global. câmbios e diálogos pluriculturais dentro tar com a governabilidade e a governança e fora de cada cidade e território. Carta Medellín . que seja soli- dária e traga o bem-estar para todos seus Continuidade. de todos os cidadãos nas decisões e ações sos e ações até 2050. Sociedade que compreenda a totalida. autonomia. exerçam uma governança consensual. humanos de toda ín- dole. segurança integral. a justiça social e a participação regiões e cidades. no longo prazo e para as mudanças e o responsabilidades integrais e fazendo uso inesperado que sempre serão constantes. tolerância. a inclusão. respeito. Ambiente físico-espacial fundado no equi- de do seu entorno e o contexto em um líbrio. Em 2050. que for- requeridas para se alcançar as principais taleçam e protejam a identidade. rumo ao novo viver Sistemas políticos totalmente comprome- Constituem o significado mais elevado tidos com a democracia. cons- finalidades. a que se dá aos cidadãos e atores de todas as equidade. confiança. em um ambiente de tolerância e respeito por Compartilhar valores toda ideia ou forma de pensar. truam coletivamente o futuro. orientam os atos da que incidam em seu viver cotidiano e que 102 vida individual e coletiva e são determina. em meio ao intenso e cam- Cenários futuros biante progresso internacional. Culturas estreitamente vinculadas a inter- ças contínuas. respeitando a vocação do território e das cidades. integração apropriada do território e das que atue de modo sustentável. qualidade ou a condição de processos ou funções de transformações ou de mudan. destacam os compromis. a criação e a proposta de cada grupo humano. dos direitos fundamentais. credibilidade. dos pela sociedade: liberdade. poder-se-á con. Esforços e ações que são integrantes em convivência e paz. os recursos naturais. Economias plurais que potencializem e rência. nacional que políticas e ações e urbano e a veloz e exigente internacio- podem proporcionar nalização. aceitando cidades. transpa. aproveitem de maneira articulada e eficaz controle e prestação de conta e paz. (ver mantidas no tempo e que asseguram a Figura 6).

políticos. atitudes.Responsabilidades • Ética . ameaças. locais.conexão entre • Redes sociais . líderes e atores sociais.observatórios Figura 6.tomada de decisões • Construção social.Liderança Gestão Integral Salas de Situação • Força intercultural • Compreensão global e uma realidade completa e • Análise transetorial • Novas mentalidades. manejo sério e eficaz dos conflitos finan- lidades. ceiros. des que servirão de norte ao aprendizado grupais. danças esperadas abrirão o caminho para des de saltos qualitativos serão a principal continuar as tarefas empreendidas em exigência para pensadores. incerta nas cidades e no urbano • Análise integrada competências das cidades • Processos de câmbios. regiões Novas qualidades • Globalização • Planetária • Novas visões • O público em sustentabilidade das humanas -humanização • Novas leituras cidades e dos bens públicos globais da vida Realidade . controlar. Uma po. governamentais. especialistas. Estraté- sente século. mudar. institucionais.equilíbrios) • Conhecimentos .associatividade • Solidariedade .continuidade • Proposta . territorial e corredores urbanos • Conflitos .tics • Conhecimento e aplicação • Demandas intergeracionais • Tecnologias .valores Atuações Estratégicas • Democracia .educação • Globais. proativa e fatores e elementos. do- centes. cada nível.. sonhar Cenários Futuros sustentáveis Potencialização capacidades • Civilizatórios e culturais • Demografia • Cultura .. de liderança e que a humanidade deve assumir no pre.política • Local. capital social • Riscos . As estratégias que aliviem as gias estruturadoras dos tecidos de mu- ameaças e potencializem as oportunida. empresários. fechar. limitações e possibilida. de processos de transformação.paz • Nacional. As vias exigem: antecipar.precaução • impacto de decisões • Controle global . setoriais. 103 O Projeto Global seguramente terá debi. As estratégias estarão vinculadas a muitos lítica pública internacional.de crescimento de cidades • Ciências • Terra. recursos planetários • Recursos (balanços . regionais e territórios • Modelos de vida . Nuevas cualidades humanas. acadêmicos.Ação Mobilização .território e recursos os humanos Iniciativas Diálogo Pensamento Estratégico políticas Direitos . Projeto humano global que regenere. por isto será necessá- dinâmica deverá estar sempre alerta ao rio o apoio da Academia e uma pesquisa Carta Medellín .

A partir deste enfoque. sociólogo britânico Carta Medellín . manos sem exceção e sem limite de tempo e frontei- tretanto. trabalhar em cada cola e industrial são impres- momento e em cada lugar pela elaboração do pen- cindíveis. uma vez que não podemos saber com segurança samento que dará as luzes necessárias para continuar a quantidade de população que sem descanso nesta obra que convoca a todos os hu- o mundo poderá sustentar. estes índices de consumo de- pendem em parte dos recursos recebidos do Terceiro Mundo. En. de matérias-primas e de outros bens é muito maior nos países ocidentais que em outras áreas do mundo.não parece que existam muitas possibilida- des de que toda a população da Terra alcance os mesmos níveis de consumo de energia que os do Ocidente. não há fontes de energia conhe- cidas em quantidade suficiente. da população se mantivesse o mesmo que atualmente (1992). comprometida com a construção do novo projeto Os avanços na tecnologia agrí. O consumo de energia. Provavelmente. cada pessoa consome por dia trinta e duas vezes mais energia do que um indivíduo da 104 China ou da Índia. ainda que o tamanho ras territoriais. A menos que se produza uma mudança nos padrões mundiais de consumo de energia . Nos Estados Unidos. Anthony Giddens. pode ser que os recursos globais sejam já bastante insuficientes para dar à população do Ter- ceiro Mundo um nível de vida equivalente ao dos países in- dustrializados. Além disso.como o aumento da utilização de ener- gia solar ou eólica . humano.

Prefacio Segunda Parte Gestão integral das cidades para a vida com equidade .

.

fruto de um novo pensamento de solidariedade mundial Uma vez mais o desafio é uma vida digna para todos Em 2013. para encontrar os caminhos que assegu- rem a reinvenção de um viver em plena concordância com o respeito e as exigências de um planeta envolto em erros e falsos sonhos. as Nações Unidas promoveram um diálogo mundial sem precedentes sobre o mundo que as pessoas que- riam. Da mesma forma. que exige uma profunda e imediata revisão. Este diálogo deve continuar e conduzir para a inclusão real das pessoas que vivem marginalizadas e abandonadas ao traçar o caminho para erradicar a pobreza em todo o mundo. fruto de uma noção de progresso ilimitado e sem barreiras e de um bem-estar superdimensionado. Governabilidade e governança. O urbano e as cida- .

acompanha- o aumento dos riscos de mudança climática das de medidas orientadas pela melhoraria ameaçam anular até o momento e solapar os do acesso dos pobres e excluídos aos serviços avanços que se poderia produzir no futuro9. de prosperidade. mais recursos destinados para os da urbanização e das cidades. e espera que o desen- mover a Agenda das Nações Unidas para volvimento posterior a 2015 possa reunir o Desenvolvimento depois de 2015. básicos de qualidade permitiram conseguir avanços em muitos países (Ibidem). Destaca. Cerca de 9.shtml] Carta Medellín . e igualdade e que assegure uma vida dig- na para todos. é possível um mundo melhoria do entorno normativo interna- sustentável. em toda sua materialização no fortalecimento da vontade política. as terras desertificadas. Sim. a e opulência. tas para um desenvolvimento sustentável. a necessidade de uma nova visão e de um marco de respos- As discussões sobre o “Pós-2015” inicia. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. da justiça social e da ordena- outubro de 2013: Uma vida digna para ção do meio ambiente. princípios devem reger os padrões da atu- senvolvimento do Milênio (ODM) e pro. a desigualdade e a exclusão. Informe do Secretário Geral das Nações Unidas em outubro de 2013. paz. respaldadas de forma A prolongação da crise econômica mundial e coerente por associados em todos os níveis. In: http://www. A perda de diversidade biológica. as florestas e econômico sólido e inclusivo. justiça cional e a construção de alianças múltiplas. a degradação As políticas que estimulam um crescimento da água. Este um leque de aspirações e de necessidades documento analisa o progresso na imple- humanas e assegurar uma vida digna para mentação do ODM até 2015 e faz reco- todos. igualmente. o emprego decente e a proteção O Informe propõe enfrentar os desafios social. os conflitos violentos dos últimos anos exacer. Também enfatiza excludente. em econômico.un. des são o cenário no qual mais ocorrem serviços essenciais básicos e o acesso destes estas expressões do viver inapropriado e para todos assegurados. Considera que estes todo: acelerar o êxito dos Objetivos de De. Salienta como especial acerto: mendações para avançar na Agenda das 108 Nações Unidas depois de 2015. O Secretário-Geral enfatiza o crescimento inclusivo.org/es/ peacekeeping/missions/unifil/reports. ação internacional. impulsionaram os progressos e os êxitos dos baram a pobreza. Um forte comprometimento nacional e po- líticas bem dirigidas. ram uma nova fase com o Informe do facilitados pela integração do crescimento Secretário-Geral das Nações Unidas.

saneamento. Informe do Secretário-Geral das Nações Unidas em outubro de 2013. é requisito prévio para se alcançar os Objetivos de Desenvolvi.. agrícola (... em alguns países da África Subsaariana. O caráter mundial de muitos problemas atu- ais requer uma ação global coordenada.) refe- rente à erradicação da pobreza extrema e da Requerem-se mais esforços para assegurar o fome. A prosperidade das zonas ções próximas aos pacientes.. enérgicas em relação a outras metas em ma- à redução da dívida e criação de ativos10. Governabilidade e governança. Esta urbanização pro. téria de sustentabilidade ambiental.. 70% da população mundial viverá nas Igualmente. e coordenada nacional e internacional. emprego e salários dignos. em conformidade aos As políticas que promovem o emprego rural acordos internacionais exige uma ação enérgica oferecem resultados positivos em relação à re. o emprego digno e a proteção social: Ao mesmo tempo. dução da pobreza. para serviços essenciais e assegurar seu põe o desafio de proporcionar emprego. Ao mesmo reduziram os gastos indiretos de matrícula. alívio oportuno da dívida dos países (. alguns países eliminaram as taxas escolares e dades culturais aos habitantes. onde se prestou serviços gratuitos em instala- de expansão. a luta contra as enfermidades...shtml Carta Medellín .) criam sinergias. ao consumo de alimentos. Destaca também o crescimento inclu- sivo. ca. humana para o setor de atenção à saúde públi- ciente das instalações físicas e das áreas ca estão dando seus frutos na Ásia Meridional. acesso para todos: alimento. o que as torna Limitar o aumento da temperatura média mun- muito eficazes em programas integrados de dial em 2oC acima dos níveis pré-industriais e desenvolvimento. 109 mento do Milênio. com normativo internacional.. viver nas cidades cria oportuni. possibilidades de alcançar os Objetivos de a educação.un. Os investimentos em infraestrutura material e dades para a prestação e a utilização efi. solicita fortalecer a vontade política e melhorar o entorno O crescimento econômico inclusivo. moradia. tempo. a infraestrutura e a produtividade Desenvolvimento do Milênio. incluídas 10. tável.org/es/ peacekeeping/missions/unifil/reports.) gra- Os investimentos seletivos nos sistemas de vemente endividados e assim melhorar suas saúde pública. solicita alocar mais recursos cidades em 2050. o ordenamento da terra e a segu- As políticas de apoio ao acesso universal gratui- rança dos serviços dos ecossistemas deve. em particular o (. inverter esta tendência. serviços sociais e ativi. Requerem-se com urgência medidas mais aos gastos das famílias com educação e saúde. água po- A fim de acelerar os progressos em educação. rurais. in: http://www. transporte. to à atenção primária de saúde para as mulhe- riam ser parte integrante da urbanização res e crianças reduziram a mortalidade infantil sustentável e da transformação econômi.

na realidade. pelas cidades. É obrigatório construir um preensão entre todos os povos e um diá- 110 futuro com justiça e esperança. As nações do mundo devem unir-se em A comunidade internacional se esfor- um programa comum para agir conci- ça substantivamente para promover um liados com essas aspirações. é a existência de importantes acordos e Construção cujo êxito passa. deverão fazer o mas. As Nações Unidas. de regiões e do planeta. que podem ser adotadas para a condução de nação. A sociedade se confronta seriamente com cenários de Adotar medidas em resposta aos desafios futuro. que para alguns eram tidos como comuns exige um compromisso renova- seguros. a condução e gestão dos estados e que lhes corresponde para fortalecer a co- a condução-orientação dos povos. Nada deverá ambiente de maior solidariedade e com- ser protelado. como um farol e de relação com a natureza e seus siste- mundial de solidariedade. uma vida logo eficaz entre as culturas. assim como as formas ao mesmo tempo no nível comunitário. O princípios que regeram a cooperação e multilateralismo está sendo colocado à ajuda entre os povos. Fruto disso digna para todos. os estilos de vida prova. Tudo laboração e mostrar que elas podem ser isto referente a parâmetros mais profun- eficazes para consolidar um mundo justo. porque próspero e sustentável que as pessoas de- é ela que. início do século atual. as relativas à biodiversidade. dos e estruturais da própria vida. e isto ocorre dos seres humanos. Governabilidade mundial Um futuro viável para o planeta respon- de. no acelerado pro- O grande salto qualitativo mundial que cesso de mundialização no qual se encon- a humanidade decidiu assumir é de uma tram o habitat que permeia e nutre a vida dimensão sem precedentes. individuo e coletividade. questão. em meio a uma revisão dos do com a cooperação internacional. Fatos das relações de interdependência: Estado. à água. sensíveis. foi colocada em sejam e têm o direito de esperar. ao uso da deram a comunidade internacional no terra e das florestas (ibidem). um futuro sustentável. inicialmente. a partir de novas bases as com consenso relações entre os povos. à necessidade imperiosa e governança urbana de imaginar. Carta Medellín . praticamente inimagináveis surpreen. necessaria- agendas de trabalho mundiais em temas mente.

Governabilidade e governança...

O embasamento cultural, as raízes histó- de contas são instrumentos poderosos
ricas e a memória de cada povo ou so- para assegurar aos cidadãos sua participa-
ciedade são a inspiração dos fins que dão ção na formulação de políticas e sua vigi-
a identidade aos códigos de conduta ou lância na utilização dos recursos públicos,
normas que orientam a atuação e os com- especialmente para evitar o esbanjamento
promissos de Estado, do indivíduo e da e a corrupção. O empoderamento jurí-
comunidade. A soma das atuações de to- dico, o acesso à justiça, o poder judicial
dos os povos existentes sobre a Terra daria independente e a implantação geral de
como resultado uma relação harmônica documentos de identificação legal, tam-
universal. Este é o novo guia planetário bém podem ser importantes para o aces-
da concepção política que facilita a flui- so aos serviços públicos.
dez e a permeabilidade entre diferentes
fenômenos e concepções políticas para Mais que a busca de um sistema político
assegurar o surgimento, a permanência global que assegure a sustentabilidade do
e o crescimento de genuínas sociedades planeta no futuro, requer-se uma visão
de direitos, a partir das quais se recriem estratégica global sustentada em princí-
e reafirmem as noções de Estado, auto- pios, direitos e pensamento ético de ca-
nomia, soberania e limites, em sintonia ráter universal, reconhecidos e assumidos
com as ideias de universalidade, unidade em todos os rincões da Terra. Esta visão
se converteria em um guia essencial, na 111
e cidadania planetária.
“carta de navegação” a partir da qual se
O Informe do Secretário-Geral das Na- analisariam os desafios econômicos, so-
ções Unidas referindo-se a “uma vida ciais, ambientais e de outra índole para
digna para todos”, sugere que uma go- construir as “vias de soluções alternati-
vernança eficaz estará baseada no estado vas”, que atendam a cada território, con-
de direito; e as instituições transparentes texto, cidade ou urbe, e em função do
serão, ao mesmo tempo, resultado e faci- tempo em que se vive.
litadores do desenvolvimento. Não pode
haver paz sem desenvolvimento, nem de- O anseio do ser humano por liberdade e
senvolvimento sem paz. A paz duradoura o conflito das liberdades ampliadas umas
e o desenvolvimento sustentável não po- à custa das outras continuarão sendo te-
dem realizar-se plenamente se os direitos mas capitais para a comunidade interna-
humanos e o estado de direito não forem cional. O desejável seria conseguir, em
respeitados. A transparência e a prestação um prazo razoável, concebido a partir da

Carta Medellín

intimamente ligados à governabilidade mundial, a
¿Como seres voltados apenas inspiração político-cultural continuará influenciando
para si mesmos, indiferentes ao
a leitura e a interpretação da evolução econômico-so-
próximo tanto como ao bem
público, podem ainda indignar-
cial-ambiental do mundo; a construção de consensos
se, dar provas de generosidade, programáticos em momentos sensíveis de transição; e
reconhecer-se nessa reivindi- a forma como o patrimônio intelectual nos Estados
cação ética? O quid da cultura
influencia a maneira de tratar as questões econômicas
individualista que glorifica o
ego, mas que paradoxalmente
no presente século. Estas questões levarão em conside-
consegue transformar em es- ração a redefinição obrigatória dos fatos econômicos
trelas as virtudes da retidão, da e financeiros mundiais, todos incidindo fortemente
solidariedade, da responsabili- na viabilidade sustentável das cidades. Cada vez mais
dade? É necessário admiti-lo, o
favor de que hoje se beneficia a
se está interconectado e interdependente; e todos, de
ética leva a rever os juízos que uma forma ou de outra, e para além da nossa localiza-
assimilam sem reserva individu- ção no planeta, impactamos a vida planetária em seus
alismo e imoralidade, a tornar domínios mais sensíveis com nosso modo de viver e
mais complexo o modelo neoin-
de nos relacionarmos com o meio.
dividualista definido demasiado
sumariamente alheio a toda pre-
ocupação moral. A adoção internacional de uma política de huma-
Mais ainda: o tema da reativa- nidade e de civilização deveria, consequentemen-
112 ção moral, ainda da “ordem mo- te, estar centrada na salvaguarda de todos os bens
ral” está em voga, mas de que
planetários comuns e necessários à humanidade, os
natureza é este ressurgimento e
de que moral fala exatamente? quais serão sempre a essência para a conservação, o
Gilles Lipovetsky, filósofo gozo e desfrute da vida no planeta, por parte de to-
e sociólogo francês dos os seres vivos.

Uma governabilidade mundial sólida deverá susten-
capacitação de todo ser hu- tar-se em uma ética global baseada na consciência
mano através da cultura e da do sagrado da vida, dos perigos mortais que hoje
educação, atuar com responsa- a ameaçam e no caráter inter-relacionado do viver,
bilidade e de forma autônoma assegurando para todos, segundo suas lealdades e
no contexto em que vive. crenças, um profundo respeito e admiração, pois
neles estaria a verdadeira sustentação dessa nova éti-
No cumprimento dos acor- ca. Ética constituída por direitos e responsabilidades
dos e das convenções mundiais humanas; por democracia e componentes da socie-

Carta Medellín

Governabilidade e governança...

dade civil como a liberdade de imprensa será a porta aberta para novas vias de hu-
e de informação; por eleições regulares manização da espécie e para a realização
e transparentes, liberdade de associação, da dupla pilotagem do planeta: obedecer
proteção dos direitos das minorias, acor- à vida, guiar a vida; conseguir a unidade
dos para resolver conflitos e iniciar nego- planetária na diversidade; o reconheci-
ciações e pela equidade entre gerações. mento no outro da diferença e ao mesmo
tempo da identidade consigo mesmo; e
Quatro grandes temas de preocupação o desenvolvimento da ética da solidarie-
continuam chamando a atenção: as re- dade, a ética da compreensão e a ética
lações com a natureza, a realização hu- do gênero humano. Salvar a humanida-
mana, a relação indivíduo-comunidade de contribuindo para sua realização é o
e a equidade e a justiça. Neste contexto, grande desafio.
o respeito é uma escolha ética que supõe
profunda convicção no que se vive e na
aceitação sem escalas ou limites da dife- Pensamento do Sul
rença, dos contrários, das ideias ou pro- que regenera a visão
postas alheias a nossa forma de pensar. das políticas públicas
A democracia se nutre e se fortalece de
de inclusão
pontos de vistas diferentes, de opiniões
e ideias antagônicas; o respeito se refe- O pensamento do Sul promove políticas 113

re, sobretudo, ao mundo das ideias e do públicas de inclusão a partir do pensar
pensamento, não aos atos violentos nem constante e simultaneamente o plane-
aos homicidas ou agressores. tário, o regional, o nacional e o local;
torna-se uma exigência fundamental na
O sentido mais transcendente da mun- arte da política e da governança, em cada
dialização é o que se refere à compreen- um destes níveis. Mantém presente um
são entre os seres humanos e com ela a ideal político maior ¬ como a liberda-
autentica solidariedade moral e intelectu- de, a igualdade, a justiça, a equidade ¬
al, para a qual todas as culturas deverão que deverá ser sempre confrontado, com
estar abertas a uma aprendizagem cons- base em uma análise e autoexame crítico,
tante. As cidades serão o grande espaço com as realidades cambiantes ou os fatos
de inspiração e consenso, de criação e transcendentes inesperados, em cada mo-
empreendedorismo. Uma governança de mento do acontecer de regiões, territó-
consenso, em nível da cidade e do local, rios ou cidades.

Carta Medellín

da história. meios e culturais suscitados nesses e em 114 formas de abordar e ter êxito no manejo complexo muitos outros casos.63): solidari- tamente conduzida. Por diversos contram em profunda crise. motivos as cidades desempe- nharam um papel decisivo nes. essa análise é fundamental para a compre- zar (contra a atomização e a mentalização compac- ensão das mudanças de curto ta). por exemplo. à condição huma- mo lento que configuram o total na. afirmam o futuro das sociedades e também de regi- tal também para orientar uma ões especificas e do mundo em geral. morali- produziram nos últimos tem. política relacionada com os problemas socioeconômicos e Aprofunda o conhecimento de métodos. de comunidades. às ciências humanas ¬ as que atualmente se en- desenvolvimento da sociedade latino-americana. de forma que contribua para constituem o melhor indicador a consideração de novas realidades globais e atuali- dos elementos que se integram nos processos e do sentido de zação de acordos mundiais-regionais. José Luis Romero. da sociedade. fundamen. processos de longo prazo e rit. ressurgir (contra o anonimato). a par- socioeconômicos e culturais em tir de quatro imperativos básicos. zar (contra a irresponsabilidade e o egocentrismo). já que os político que assenta as bases de uma governabilidade fenômenos contemporâneos de expansão urbana adquiriram sólida e duradoura. Repensa a interface “ciência-política”. territórios e cidades. e em conseqüência. tal como Edgar todos os países da área. do contexto que dá fundamento ao ideário valor por si mesma. em torno da como se integram. abre espaço prioritário à cultura. em função te desenvolvimento e por isso da nova governança. sociólogo e historiador argentino Comprometido profundamente com o surgimento e a presença ativa de um pensamento político cuja Carta Medellín . Procura nesta era planetária dispor de uma concep- A análise do desenvolvimento ção de mundo. inusitadas projeções e suscita- ram graves e urgentes problemas Fortalece uma política pública de civilização. Não se satis- Contudo. Corre- Morin propôs em seu livro La via (p. do ser hu- da cidade latino-americana tem mano. sustentabilidade do planeta. pos em casos tão espetaculares como o das cidades de Caracas Considera os esforços e progressos de políticas que ou de São Paulo. convivibilidade prazo e ritmo acelerado que se (contra a degradação da qualidade de vida). o valor dessa análi- se transcende esse campo e é faz com o acompanhamento estatístico nem instru- grande também em relação aos mental na compreensão dos fenômenos e situações.

dos direitos. nidade e cujo aproveitamento se dê de forma sustentável e respeitosa. como seres humanos dotados de corpo dade. 115 planetários de fato a serviço da huma- mum. inter- cidades estará em perigo. Nem os merca. dos.. de um manejo de exce. de identidade. nacionais e locais. que concebam os cidadãos e esforços possíveis rumo à sustentabili. Sem um progres- novo. Governabilidade e governança. de in. simples- mente o futuro estará irremediavelmente Educação: pilar comprometido. em consonância com os locais. alimentação singular de orientar todos os consensos e educação. poderes. em turam e desestruturam um futuro viável. talvez mais eficazes para alcançar a paz e merosas sociedades. territórios e estabilidade seguras e continuadas. sombrios da história do futuro. devem empreender cam- Destaca uma estratégia política pública panhas decididas para reorientar os pro- global e integral-planetária como meio gramas de saúde. dos valores uma maior compreensão entre os povos e e da identidade. sobre lência de todos os recursos e das relações como conservar a vida no planeta e asse- internacionais. desportos. se conseguirá que as cidades e todo ter- corporar e manter duradouramente os ritório sejam verdadeiras moradas e não Carta Medellín . de atravessar todos os momentos e mente em pleno vigor. regiões. blicos. primeira razão de ser está no reconheci. de destino co. equilíbrios e controles de múltiplas for- mento pleno de cada cidadão e na defesa ças. de humanidade e de vida. dos bens pú. lidade que poderão ser mais complexas. em favor de do bem comum. Os governos nacionais. nem as bolsas de valores nem políti- cas monetárias isoladas poderão criar as Pensamento do Sul que se preocupa dire- condições necessárias para alcançar a vida tamente das visões e políticas que estru- sustentável para todos os humanos.. Desta maneira. gurar o bem viver de todos. sustentado em sólidas noções de sivo Acordo Global sobre bens comuns cidadania. em ocasiões antagônicas. se darão passos de rumo do bem viver incerto e em meio a perigos cada vez mais prováveis e desastrosos. entre visões discordantes. a sustentabilidade futura de nu. que tornam factível ou não um mundo condições semelhantes. Compreende que sem progressos mais Trabalha incansavelmente por novas con- contundentes na noção e aplicação dos cepções políticas e formas de governabi- bens comuns planetários.

de cidadania. modos de vida criativos. Lugar de acolhimento para as crianças Que integre as ciências e as artes que empreendem suas aprendizagens e onde jovens na canastra familiar. o estatuto do cidadão re- Gabriel Garcia Marques. Que sejam compreendidas para além criatividade inesgotável e conce- ba uma ética . de seus bairros mílias carecem de lugar fixo. do trabalho rotineiro. e e espaços públicos. um desafio especificamente urbano para fazer das enormes quantidades de fa- cidades. apenas as utilizem para nelas se refugiar ao longo dos anos A cidade e cada território tornar-se-ão espaços edu- sem outra expectativa que o cadores que requerem seres humanos bem alimenta- Carta Medellín . tecnologia. escritor presenta um triplo desafio para a cidade e para o governo e jornalista colombiano. que nos inspire um novo modo de pensar e nos incite a descobrir Devem fazer das cidades espaços de educação que quem somos em uma sociedade ocupem seus habitantes a pensar nela e a propor que se queira mais a si mesma. 116 terra que não teve a estirpe desa. acordos e dissensos. e não se esgote em sistemas de ciência. Tendo em vista esta situação.e talvez uma esté- de um espaço físico rentável e que permita o jogo tica . da autoestima de seus habitantes. do-as separadamente como a duas irmãs inimigas. mas em fonte de se- fortunada do coronel Aureliano renidade que inspire novas formas de comunidade. converter o conhecimento em desperdiçamos na depreciação e na violência. Um desafio político no qual toda a população tenha Nobel de Literatura 1982 seus direitos e deveres de cidadania protegidos e que possa exercê-los. fi- nalmente. A educação terá de superar a mera instrução ope- lize para a vida a imensa energia rativa para provocar a emergência de sentimentos. inovação e patentes. Prêmio local. de seus locais centrais e marginais. Buendia. inconformista e reflexiva. e nos abra por fim patrimônio humano que alente a vida e o desejo de da segunda oportunidade sobre a sabedoria. um desafio social que ataque as discriminações locais de sobrevivência onde que limite ou impeça o desenvolvimento da cidadania. p. criadora que durante séculos razão e compreensão. 232): das crianças. entendidos como para não continuarmos aman. Que cana. abertos a novas conquis- Que aproveite ao máximo nossa tas culturais. parte normal da convivência. do consumo circunstancial e Uma educação do berço até o tú- da deterioração de sua saúde. uma onde os que possuem moradia produtora de sentido para a vida cotidiana. mulo. Pelo país próspero e justo que sonhamos: ao alcance Nas palavras de Silvia Alderoqui (2002. de acordo e adultos cultivam oportunidades de encontros e com os desígnos de um grande poeta de nosso tempo que pediu desencontros.para nosso afã desaforado entre seres pensantes para realizar suas iniciativas de e legitimo de superação pessoal. cidadania.

Governabilidade e governança...

dos, com saúde física e mental e energia a aceitação de religar disciplinas e conhe-
para gestionar a complexidade da vida, cimentos, como passo obrigatório para
suas contradições, dores e desafios sem a elevação da qualidade da educação e
esmorecer. voltá-la para a vida. Quatro grandes cam-
pos disciplinares definidos por seu obje-
Atualmente, políticas governamentais, to e método encontram-se no centro das
ações público-privadas de longo alcance e atenções: as línguas naturais, elemento
organizações sociais de múltipla natureza e veículo de toda cultura: as linguagens
concentram esforços inovadores no cam- formais - matemática, lógica e outros -; as
po da educação. Projetos e práticas são ciências experimentais, que fundamen-
sem cessar descobertos em todos os con- tam a linguagem teórica que confronta
tinentes. Além disto, comprova-se o afã com o objeto exterior - ciências da vida
da sociedade por alcançar êxitos contun- e da matéria -; e as ciências humanas,
dentes na qualidade do projeto educativo que têm por missão compreender o ser
mobilizador e articulador das mudanças humano. Estes campos comportam in-
que devem ocorrer para que se alcancem terfaces entre eles e estão vinculados no
sociedades mais justas e inclusivas. No espaço global que lhes dá direção e senti-
caso de Antioquia (Colômbia) deve-se do. Em cada tempo surgem naturalmen-
destacar o enorme esforço governamental te aprendizagens e competências para o
na educação por meio do projeto Parques 117
bem viver, como preparação para vincu-
Educativos, através do qual se concebeu a lar-se ativamente à sociedade.
visão e a gestão integral de cada localidade
e município. A cidade de Medellín con- Estamos chegando ao fim do prazo deter-
seguiu manter uma política educativa em minado pela comunidade internacional
um tempo que, sem dúvida, foi pilar cha- para manter a educação como pilar na
ve para superar o medo e a desesperança; busca de um mundo melhor com territó-
e sair da quase inviabilidade como cidade rios de vida: a Década das Nações Unidas
para ser hoje modelo em inovação, resili- 2005-2014: Educação para o Desenvolvi-
ência, integração social e trabalho coletivo mento Sustentável. Decurso de tempo que
pela sustentabilidade e a vida boa. na Reunião de Rio +20 a comunidade
internacional decidiu estender, dado seu
Com a assistência da Unesco e de outras papel positivo na obtenção de resultados,
agencias e programas das Nações Unidas, caminho para a sustentabilidade do futu-
em todas as regiões do mundo observa-se ro em cada canto do planeta.

Carta Medellín

Visões e estratégias
que garantem a gestão
integral do território,
do habitat e da
moradia

Uma visão responsável sobre o destino de nossas
cidades e sua gente supõe encarar o desenvolvimento urbano
a partir de uma perspectiva não reducionista nem fragmentá-
ria. Certa cegueira nos induz a pensar que quem governa não
ama nem sofre, quem imagina não produz, quem gere não
pode criar. É possível que este mesmo olhar fragmentado in-
duza a pensar que os papéis de governante e de governado são
excludentes, que a cidadania somente é exercida no direito ao
voto, e que governar se traduz em apropriar-se e expropriar;
que o espaço público não é de ninguém, que a cidade é alheia
e eu não tenha responsabilidade sobre sua vida; e que o urba-
no é cultura de cimento e o campo é natureza aberta.

Piriz Carta Medellín . Por outro lado. 11. outras sensibilidades. tecnológico e tiva complexa e transdisciplinar. verificaram-se significativas • Favorecer o enlace entre pesquisa e po- rupturas nos paradigmas do conhecimento. para sicos. pertinentes e aplicáveis. Assim Ceferino Piriz propõe em sua iniciativa global La luz de la paz del mundo. propi- cultural. vas que instalam outro momento histórico. que têm a decisão política. O diálogo entre conhecimento. os fatores de direitos e o reconhecimento das perso- incerteza e os destinos previsíveis e imprevi. destinos em que a responsabilidade. Aqui e ali surgiram importantes ciando um tipo de pesquisa aplicada. conhecimento a partir de uma perspec- lítico. • Refletir sobre a ética da política e da cidadania. nante desenvolvimento tecno-científico. cursos e debates. Tanto no âmbito da sociedade ¬ e sua contribuir com conhecimentos relevan- relação com a política ¬ quanto no do co. nalidades dos indivíduos e dos povos síveis da ação. A partir de distintos âmbitos nos conduza a um desenvolvimento postula-se a necessidade de uma perspectiva verdadeiramente humano11. uma civili. movimentos sociais que lutaram para fazer participativa e processual que acrescente ouvir sua voz por aqueles que detinham os novas dimensões às visões disciplinares. os dependência dos fenômenos. que com- nhecimento ¬ e em sua relação com o social prometam a responsabilidade daqueles 120 ¬ o novo século assiste a mudanças revulsi. social. poderes públicos e a autoridade instituída. Será possível pensar a cidade de 2050 com mais integrada que a tradicional no trata- outro olhar. política e zação da polis e uma política da civilização? desenvolvimento se torna cada vez mais ur- gente. Como assinalam muitos Uma crescente consciência da complexida. cidade seja um lar coletivo? Poderemos construir uma política poética. tes. Três aspectos parecem chave para isto: A segunda metade do século XX foi pró- diga em marcos históricos e em rupturas • Alentar novos modos de produção de com as ordens anteriores nos planos po. econômico. contamos com um impressio- de do mundo real aparece em distintos dis. estratégias de desenvolvimento. revista com entusias- mo por Traveler. personagem cordial de Julio Cortazar em seu romance O Jogo da Amarelinha. analistas. Insistem-se na necessidade mas sem pilotagem ética que conduza a de compreender de outra maneira a inter. conceber um mundo onde a mento de realidades complexas. outras cosmovisões. líticas nos processos de elaboração de superando amplamente os postulados clás.

Berkeley. porque apresentava um plano para modificar completamente a sociedade e construí-la de outra maneira. autonomia e participação. problemática e possíveis para o acesso do público à infor. Buenos Aires: Alfaguara. térios de Tamanhos propostos por Ceferi- no Piriz12..nutrida de louca fantasia confrontação e a busca argumentativa. Clases de literatura. Este texto.. A anerosia informacional conduz à base nos Ministérios de Cores e nos Minis. da perspectiva do construtivismo social.drogas. A partir 121 Para Milanesi. que necessita de mudança”. Por isso.com. le- ¬ é suficiente para comover as convicções vantar a voz resgatando o espaço de opi- estabelecidas sobre o possível e o impos. nar. Trata-se de foi um uruguaio que nos anos 50 enviou seu ensaio para um concurso internacional de ideias convo- cado pela Unesco. Visões e estratégias. propostas no do palavras do próprio projeto. respeitar e avaliar com liberdade. criar. a incitação a pensar as coisas de Discutir: gerar as condições de debate. o fator decisivo da ação urbana. 12. 13. e permitir assim a opção de conjugar o Criar: ser gerador contínuo de propostas. e o real imaginado amadurecendo e exercendo o poder de com o delírio de sonhar. em sua vida cotidiana. Ainda que o mundo não se organize com mação. muitíssimo mais brilhante e ia muito além dosensaios prudentes”. segundo Cortazar. três verbos de. discutir. a quali- Brasil como dispositivos promotores de dade “social” desta construção constitui democracia. bo “viver cidade”. as deno. em compara- ção com as propostas recebidas para o concurso. seu autor.. era “muitíssimo mais inventivo.co/books?id=mcn-EjUhrv8C&printsec=frontcover&hl=es&source=gbs_ ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f= Carta Medellín . toman- minadas Casas de Cultura. a outra maneira .. sível. http://books.google. documento ao qual Cortazar se refere em seu romance. anemia de criação e de mudança. Entre elas. sobre o adequado e o inadequado. crimes ¬ só se torna um pro- blema social até as pessoas avaliarem que Informar: facilitar todos os procedimentos sua condição é frequente. sapiens com o demens. 1980. Julio (2013). Um lugar assim pode ser a referência ins- Algumas iniciativas urbanas concretas de titucional para responder aos problemas desenvolvimento de cidadania operam na e às situações que afetam aos cidadãos linha aqui sugerida. vem ser conjugados em um centro deste “qualquer situação particular . Cortázar. terremotos. Outra cidade é transformação sobre as circunstancias da possível: a que restaura a dialógica do ver. vida13. tipo: informar.

cidadãos-analistas com suficientes conhe. locais para projetar seu destino. que caminhe com visão com as políticas em termos de conhe. utopias que abram caminhos des- espírito científico na cidadania. isto é. também. já obsoleta. mas fruto de um processo coletivo Para atuar em direção a um novo desen- que identifica como problemáticas deter. conhecidos. a legiti- cimento que os problemas exigem. Para compreender me. mos. instrumentalista. mização de usos e costumes próprios que trou-se insatisfatória quando a crescente hoje podem estar ameaçados pela globa- complexidade dos assuntos públicos co. elementos de interação social. de uma nova cidadania que não apenas esteja bem informada. E isto somente os Não é uma ilusão acalentar a construção cidadãos podem trazer. lização e seus efeitos homogeneizadores. meçou a reclamar outras dimensões. a auto-organização participativa como componente inconfundível da iniciativa A convicção. de que apenas local. mas que se au- Diversos autores acalentam a promoção toinstitua como voz especializada e dona de uma cidadania mais comprometida de seu destino. 2003). a soberania das comunidades elevados níveis de pensamento e conhe. ambiente apropriado de desenvolvimen- ma pertinente é necessário considerar. que previna infantilidade. volvimento humano. que conceba o urbano e suas cimento e ação no campo das políticas: políticas com o alcance das gerações a vir. Milanesi expressa abordagem dos assuntos públicos relati- que os problemas sociais não são produto vos a ela. um verdadeiro processo social de criação uma vinculação com o conhecimento de sentido (Loseke & Best. to humano-urbano. Dessa forma. de estadista. a cultura e os valores. a autonomia relativa na interde- os especialistas são capazes de atingir os pendência. os próprios inte- minadas condições. enfati. Carta Medellín . e que se atreva a sonhar futuros impro- cimentos das ciências que promovam o váveis. Cidadãos bem informados. exclusivo de condições objetivas na socie- dade. grantes da sociedade deverão ser aqueles za o papel decisivo dos atores sociais que que também o pensam e produzem. para Finalmente. Daí advogam por determinadas questões. da 122 além da pura racionalidade de vocação proximidade e do conhecimento mútuo. o reducionis- mo e a ingenuidade na identificação e Nesse mesmo sentido. marco territorial-cultural para gerar um lhor a realidade e atuar sobre ela de for. a importância do locus.

A educação e os sistemas de ensino têm muito a fazer neste teatro de operações. que não pode prever as mil ressonâncias de uma ação. a denominada “ecologia da ação” clama responsabilidade e se abre para a ética do futuro no fazer de hoje. O pensamento ecológico ¬ que contex- tualiza e antecipa ¬ sabe que na linha do destino nenhuma ação está segura de cumprir sua intenção original.. analistas-estadistas. tanto como a éti- ca do coletivo no fazer individual. cidadãos-poetas que vivam a cidade sem censura. sempre que se pensem a si mesmos e denunciem suas próprias cegueiras. e que deve apoiar-se em seu co- nhecimento provisório para julgar a es- tratégia de apostar no desconhecido. Por isto... 123 Carta Medellín . Sabe que não pode abolir a incerteza. Visões e estratégias..

.

justa. Desta maneira. estética. o valor da imaginação como compo- nente definitivo na percepção que os habitantes têm de sua cidade. Nele se definem práticas e códigos produzidos e aprendidos. A partir das premissas de uma vida espiritual. diversa. os quais constituem o lugar cultural das relações entre a coleti- vidade. integradora. criati- va. ecológica. Estas intervenções da rua constituem modos de compartilhar experiências e es- tratégias que identificam a comunidade com o lugar. compacta. . policêntrica. A cidade é universo O espaço urbano está sempre em processo. Uma estrutura simbólica e portadora de significados que poten- cializa. intercâmbios que cobram sentido na receptividade e interação dos habitantes de uma cidade. se repensa a cidade sustentável e possível em termos de qualidade humana. entre outros. espacial e de vocação urbana. a cidade entendida como o centro comum aprofun- da sua essência e se oferece como laboratório onde acontece a vida.

estéticas e culturas. e Em Paris. senvolvimento urbano que compreendem a cidade escreveram suas obras e man- como um universo que se expressa através de gestos tiveram longos debates que emocionaram o cenário inte. da Revolução Fran. abre coletivo. e nas suas dimensões práticas. Hoje se utiliza o conceito ampliado de arte pública. filósofo e tóricas da sociedade atual e sua desvinculação das escritor espanhol problemáticas sociais. lectual do século passado. de hospitalidade. Desse modo. centra-se no Assim. políticas. nia que se vale da comunicação e das tecnologias. a cidade promo. já particularidade humana. Em Paris convivem diferentes épo- cas. a arte e a cidade. 2001). Frente à ascensão do político ma simbólico geral da cultura. que narra o A ideia de um novo conceito de lugar. psicológicas. e a um mundo “carente de cultura”. com a necessidade de enfrentar as atitudes anti-his- Fernando Savater. econômicas. esta nova orientação do cidade pode por si só ser um fer. no seu conteúdo social e que o espaço cobra sentido e cultural. o processo de aprendi. es- tética e crítica. com a urgência de levantar a voz pela necessária vinculação da arte com a política e com as questões sociais. campo da cultura e se une a arte ao lugar. Lugar 126 zagem em um entorno social entendido como um local social com conteúdo hu- sustentável deve vincular re. Carta Medellín . os existencialistas de. que privile- comportamento individual e gia tanto social como conteúdo e o continente. para a autora Assim sendo. Segundo a críti- de 1900 às manifestações estu- dantis de maio de 1968.. Uma ca e ativista Lucy Lippard. que coloca em funcionamento experiências de de- senvolveram seu pensamento. valor político dentro do siste. torna-se necessário aprofundar a relação da arte com ve formas de experimentar o a sociedade e reinstaurar a dimensão mítica e cultu- público e o conceitual com ral da “experiência pública” (Blanco.. mano. nea e dos modos de relacionar-se de seus habitantes. A partir daí se postula a necessidade de uma lações estreitas entre o espaço arte comprometida com os lugares. conceito de lugar estaria diretamente relacionada mento de atividade intelectual. Por suas Espaço público e lugar ruas percebem-se ainda os ecos da história. dos da noção expandida de site ou lugar e se redefinem brilhos da Exposição Universal as relações entre objeto e espaço. e fomenta políticas diversas opções na definição de cidade contemporâ- de inclusão para uma cidada. fundada na sua público. cesa e da ocupação alemã. uma visão antropológica.

A cidade é universo Hoje. portanto. como habitante do lugar. o público levam a cidade e seu destino no coração: procura apropriar-se do lugar e. tão. desafiando correlações políticas. Apresenta-se uma geopolítica do espaço público que se Carta Medellín . 127 pública. gerar opinião pública. propor experiên- usos. a obra interage com o lu- gar: cria-se uma unidade. en- cotidianas da vida real. se oferece a arte novas estéticas do lugar e os intercâmbios como um elemento vinculante das ações de valores. O público tem ferramen. teorias e oferecendo suas cotidianidades. Para o indivíduo. pelo contrário. estratégias. e articular lugares para a educação novas relações entre o público e a coisa e a arte através de práticas sustentáveis. encontrar novos públicos. econômicas e vivenciais que definem o corpo coletivo. argumentar gerar dependência em formas dinâmicas por meio de um diálogo estreito com a de comunicação. e partícipe da criação de valores e significados estéticos. estabelecer do conceito de coisa pública. como usuário do lugar da arte pública e como transeunte que atribui sentido à rua. o monumento e o espe. acima da de uma arte pública comprometida com arquitetura das formas e do caráter mate- a comemoração. políticas. Para entender a cidade como espaço cul- tas para tornar seu o conceito da coisa tural sustentável para a cidadania é neces- pública. maneiras de estar e de cias diretas entre a cidadania. rial da obra. culturais e sociais. Por sua vez. as quais manifestam as vida. Dessa maneira. A função da arte pública é. para entender o conceito de o público e da coisa pública. e que permite descobrir as táculo. superaram-se as falsas promessas fundamenta nas práticas sociais. ao parque e à praça. Dessa mesma forma. sário revalorizar o espaço público e a arte. como se afirma: fazer ou romper um correlacionam-se com novos sentidos espaço público. Existem várias vias possíveis para os que Por meio dessas ferramentas. o conceito espacial e contextual privilegia as formas de estar e as alteridades sociais. a coisa pública se constrói a partir de suas ações como cidadão.

Desafios ambientais para
cidades sustentáveis

Quando nos deparamos com a definição do
modelo de cidade que deve assumir uma determinada
entidade territorial, sobressaem os debates e as disjuntivas
entre a consolidação do urbano e a cidade, e a permanência
do rural e do campo fortalecidas por posturas que passam do
acadêmico ao econômico, social e político.

A partir da dimensão ambiental, o proposto é uma falsa
disjuntiva, porque para um adequado planejamento e ges-
tão da cidade não deve existir uma separação diametral entre
o urbano e o rural; o que deve existir é um planejamento
integral e harmônico urbano-rural, o que pede que se de-
fina claramente a estrutura ecológica principal, no sentido
de identificar a capacidade de carga e suporte, os riscos, as
limitantes e as possibilidades ambientais do território, as áre-
as de reserva existentes e as necessárias e os solos passíveis de
proteção e urbanização. A declaratória de áreas protegidas

não garante por si só a sustentabilidade. Um vínculo
social, comunitário, legal e legitimo é requerido. A
Pensar na cidade de amanhã
é pensar tanto no problema
possibilidade da permanência das áreas protegidas
urbano como nos do entorno no tempo exige a participação social na conservação.
que não podem ser dissociados
da problemática mais geral do Os modelos de cidade que se consolidaram de cos-
desenvolvimento social e eco-
tas para a ruralidade e se centraram na consolidação
nômico:
• É preciso reabilitar o conceito
e no fortalecimento do urbano, contribuíram para
de cidade inclusiva, projeto po- o crescimento de um passivo ambiental, para uma
lítico que necessariamente deve dívida ecológica local e regional, e para um rastro
combinar estratégias produtivas
para criar riquezas e com estra-
ecológico deficitário. O planejamento e a gestão ar-
tégias de integração social. ticulados e harmônicos entre o urbano e o rural ga-
• É preciso reforçar a autono- rantirão que no futuro a sustentação das demandas
mia das autoridades locais - por
do urbano, tanto em qualidade ambiental quanto
uma descentralização e demo-
cratização apropriadas - que em provisão de alimentos e solos suficientes e ade-
favoreceria a equidade social e a quados para o próprio desenvolvimento urbanístico,
responsabilidade cidadã.
amparado em uma análise da oferta de bens e servi-
• É preciso lutar contra a pobre-
za urbana, privilegiando uma
ços ambientais que proveja a ruralidade e a demanda
política de desenvolvimento do setor urbano, tratando de alcançar um saudável
130 econômico que coloque os po- equilíbrio entre cargas e benefícios. Conseguir uma
bres no centro do desenvolvi-
mento. cidade sustentável implica identificar e gerir as inter
• É preciso implantar ações que -relações urbano-rurais.
permitam criar cidades sem tu-
gúrios nem bairros marginaliza- Tal equilíbrio encontra-se ameaçado, sobretudo nas
dos, que integrem a periferia ao
seu contexto urbano.
cidades conurbadas, devido aos altos rendimentos
• É preciso consolidar e valori- do solo que competem com os rendimentos do setor
zar o potencial que representam agropecuário e com as áreas que devem ser declara-
as populações pobres. O sistema
das de proteção e conservação ambiental. Na medi-
assistencialista deve ser suspenso
em favor de uma luta eficaz con- da em que os rendimentos urbanos se impõem sem
tra a pobreza urbana. um adequado planejamento, a segurança alimentar
Sabah Abouessalam, socióloga das localidades e das regiões se vê comprometida;
marroquina
e a dívida ecológica do urbano em relação ao rural
aumenta, afetando a base natural para as atuais e fu-
turas gerações.

Carta Medellín

dos deman. redução. dos ecossistemas. implica • Deterioração. o que gera primazia do interesse geral sobre o parti- perdas energéticas e deterioração da cular. das áreas es. tratégicas de conservação. modelo de cidade desejado e planejado. tan- qualidade ambiental das localidades. já que prestam para abusos Diante da grande pressão urbana. na perspectiva da ambientais de outras regiões. torna-se neces. De fato. Desafios ambientais para cidades sustentáveis A consolidação do urbano se evidencia dantes de bens e serviços ambientais aos estatisticamente não apenas no local. Uma amostra clara da função ecológica Algumas das problemáticas identificadas da propriedade pode ser comprovada em matéria ambiental. estão relacionadas gidas. crescimento de declará-las a iniciativa privada e os di- urbano em detrimento das atividades reitos dos particulares sobre seus prédios. em qualquer das figuras possíveis com os seguintes aspectos: na legislação nacional e internacional. especificamente. mas camponeses que vêem ameaçadas sua cul- também no internacional. evi- Carta Medellín . As restrições ao desenvolvi- áreas estratégicas de conservação e. a conservação e a proteção dos ecossiste- são. Declarar um solo de proteção. No caso da cidade de por intermédio de medidas de compen- Medellín. esgotamento e no acompanhamento estrito e constante degradação dos recursos naturais das do território. concentrando 80% da população da mas estratégicos. encontrem-se limitados ao que a mesma figura define e ao que os planos de mane- • Elevada demanda de bens e serviços 131 jo estipulam a respeito. mentos construtivos e urbanísticos. a com a promoção do desenvolvimento e a conservação e a proteção dos recursos densificação. 30% do território estão desti. em mento urbanístico destas áreas não signi- geral. produtivas de tipo agropecuário. sem estar em açodo com o naturais e. ficam que se deve deixar sem controle e seguimento. de 80% da população mundial vive em principalmente alimentar. sação ou de retribuição econômica para nados ao solo urbano e ao solo de expan. cerca tura e suas possibilidades de subsistência. derivadas da inter nas diferentes declarações de áreas prote- -relação urbano-rural. cidade. Como queira ao prever que no momento • Insegurança alimentar. to em área urbana quanto rural. A autoridade ambiental deveria proteger sária uma transferência nítida de recursos as áreas não viáveis para os desenvolvi- das cidades para o campo. por exemplo: espaços urbanos.

Na análise de risco devem-se lhe é inerente. ou. Neste sentido. três ações são fundamentais e urgentes: Para a determinação de zonas de risco não se pode considerar somente aspectos • Definir a capacidade de carga e de típicos como geologia. compensar a comu- considerando os instrumentos de gestão nidade que suporta estas novas taxas de longo prazo. técnicos e humanos. entre outros. das áreas de recreação e zonas Carta Medellín . a informais.e as áreas verdes devem Em unidades metropolitanas. cruzá biental quanto dos usos do solo. sendo necessário para isto maior própria comunidade seja partícipe de seu articulação interinstitucional de recursos planejamento e da sua conservação. na gestão territorial é fundamen. risco obedeçam a uma realidade atual. densidade populacional e mor- nos lugares onde a prioridade atual e fologia urbana.entendidas como paço público construído. deixar de lado a dimensão social que aça a risco. que gerem deslocamentos para que da noite para o dia não passem de possuido- Para um planejamento urbano-rural arti. o manejo paço público verde tornam necessárias e a recuperação de espécies e do recurso novas estratégias que garantam que a hídrico. sob a aplicação do público. áreas de proteção e es- As bacias hidrográficas . A atuali- tal que se realizem e qualifiquem estudos dade reclama uma redefinição do espaço técnicos e científicos. e os terrenos existentes o permitam e fa- para que as ações propostas nas zonas de cilitem. declaradas para a orde- nação e gestão . sem -los com o contraído para passar de ame. sem econômicos. contribuindo para ta de certeza científica absoluta não seja incrementar o espaço público verde nas obstáculo para que se tomem as medidas cidades. corretivas adequadas. com no- 132 vas zonas verdes. tanto do am- solos e declividade e. no culado. geomorfologia. tando desta maneira que os problemas Principio de Precaução. res e proprietários legais a ilegais. em seguida. para que seja integral. a redução ser articuladas e tratadas como um siste. melhor dos casos. áreas protegidas. do rastro ecológico e a ampliação do es- ma que favoreça a conservação. mas que não percam vigência no futuro • Em todos os casos. para que a fal- se tornem cíclicos. suporte do território. construtivas e habitacionais. também considerar tendências de cresci- • Potencializar a redensificação urbana mento.

) Nós nos acostumamos a levan- Conseguir o projetado requer uma nova relação So- tar-nos cada dia como se não ciedade-Natureza. Roma 133 Carta Medellín . identidade. se considerem os habitantes em sentido integral. mas. antes de tudo o modelo de cidade não de condições de extrema pobre- deve considerar as vias e o crescimento urbano para za e as injustas condições eco- o automóvel. como elemento básico para a conservação das áreas rurais e permanência de sua Os direitos humanos são viola- dos não apenas pelo terrorismo. mas traçar cia como algo impossível de não novas estratégias pedagógicas no campo formal e in. educação ambiental que não seja simples enuncia. para a qual se deve propor uma pudesse ser de outra maneira. a cidade para o cidadão onde nômicas que dão origem às grandes dificuldades. mas também pela existência Em síntese. sim. nos acostumamos com a violên- ção retórica e transmissão de informação. pela repressão. constar nas notícias. Papa Francisco. nos quais nos desenvolvemos. (. pelos assassina- tos.. nos acostu- mamos a paisagem habitual da formal. para gerar novas formas de pensar que per- pobreza e da miséria caminhan- mitem novas atuações nos entornos rurais e urbanos do pelas ruas de nossa cidade.. Desafios ambientais para cidades sustentáveis verdes para a ruralidade.

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abordar o presente e construir o futuro oscilamos entre extremos como o estig- ma. da inovação e do formal. o autoengano ou a presunção frente à panacéia de nossas realizações. A partir daí substitui-se ou elimi- na-se tudo aquilo que se oponha a tais visões. se justifica frente ao que somos. do progresso. tanto o que se considera merecedor de desaparecer ou de ser ínvisibilizado. ou a abertura do pensamento que se reconhece no construído. a coação a partir de visões hegemônicas dos dirigentes. se flexibiliza reconhecendo múltiplas visões e se multiplica na conjunção complexa do intercomunicado. Em boa medi- da. o habitat e a moradia Ao interpretar o passado. o desprezo ou a rejeição de muitos de nossos territórios e habitantes. Gestão social do território. os imaginários comuns e as aproximações dos dirigentes com o território e o habitat concentraram-se sobre as cidades orientado pela apologia do desenvolvimento. a pretensão de regulação e controle mediante normativas doutrinarias. .

há territórios do habi- rupções derivadas da sobrevivência. para 136 de Max Neef e de desenvolvimento como concepções abertas e múltiplas do espaço construção sociocultural múltipla. com suas ir. diferenciam da lógica reinante. desperdício. habitat e moradia. das tar tanto quanto há territórios que não inconsistências implícitas na diversidade o são . aprofundamento da subestimação e ex- síduo. os ocupados. culturais. das diferentes lógicas territoriais e formas posto por Maria Cecilia Múnera (2008). por sua vez. que in. e dos reais compromissos em torno de crementa a ambição de produzir mais. os ocu- de formas particulares do habitat e da pados por grandes obras de engenharia Carta Medellín . associado seu próprio desenvolvimento. e o desenlace misto. entre outros. em muitos casos elas estão inter-re- dem estética e funcional orientados para lacionadas e existem simultaneamente. consequentemente. pro. não repetitivo. indese.os bélicos. ser ou não múltiplo e diverso do real. o habitat. uma agenda coletiva que tenha capacida- incidir mais e ter mais. Vidas desperdiçadas (2005) e interpreta como humanamente desprezível. Nada é mais equivo- da espacialidade pública formal. como su- reinante do desenvolvimento concebido jeitos dotados de poder de decisão sobre como crescimento econômico. vulgar ou atrasado. para avan- çar em seu reconhecimento a partir de A minuciosa análise anterior expressa o seus padrões sociais. de habitar. essencialmente. e se age por meio de regulamentações multiplicidade de expressões e formas de excludentes. Este desacordo de de orientar os territórios para os enfo- mostra-se claramente em enfoques como ques do desenvolvimento como construção o de desenvolvimento humano integral sociocultural e. como Baumano expõe em regulação de suas próprias operações. É preciso ao aumento de bens e recursos em prol avançar na identificação dos parâmetros da inovação e a competência. megalômano que busca totalidade e co. O a competitividade. espaciais clamor por romper com o paradigma e funcionais e. território pode. No tratamento do espaço e do urbanis- mo tal discrepância é expressa no projeto Ao integrar território. espaciais diferentes. histórica fundados no reconhecimento e respeito e territorialmente contextualizada. Como proposição central é preciso con- jável. costuma-se pensar que aludimos a escalas erência a partir de um modelo urbano. cado. não digno clusão de muitos grupos humanos que se de estima ou insignificante. e frontar o status quo da iniquidade e do passa a fazer parte de categorias como re. excedente. isto é. da or.

práticas e normas que lhes ficado. compreendido como as relações que constroem os seres humanos no tem- • Território. Daí a importância de compreender • Habitat. são próprias. citadina nos exercícios e decisões que configu- até a das práticas sociais dos exercícios 137 ram as escalas territoriais maiores. Em outra esfera o entendimento circunscrição. o pio e região. que inclusive está fora dos li. 2009). 2000). mas que assuma um e outro. o território do exclusão ou de eliminação do outro. etc. assim como o entorno. Gestão social do território. Reconhecer e proteger o po e no espaço. municí- seria que se a moradia é constituinte... não se pode limitá-lo à função direito do habitante sobre seus terri- do residir. Nele se propõe o direito habitat não se reduz à moradia. diferentes habitats ou aciden. ritórios abertos. que po- dem ser exercidos da escala micro de • Moradia. de cidadania em escalas mediana e ma- cro. superando com vanta- ferentes exercícios de territorialidade gens sua redução à moradia. nós. -. Juntamente ao costuma ser interpretado como o espaço anterior. o território tórios mais íntimos. (Echeverría e Ricón. sentido. O habitat a partir do habi- alguns conceitos para formular propostas tar. zona. Em outro sentido. a abertura à inter-relação com os Sua territorialidade é exercida a partir da outros. dotadas de memória. a responsabilidade de ajustar acordos mites da cidade ou de onde a cidade está para alcançar territorialidades e ter- assentada. à qual nós humanos pertencemos. é requisito inadiável assumir principal. cidade. habitar ultrapassa a questão do tamanho Tal projeto de território requer uma e do caráter urbano ou rural: o território gestão que não separe um ou outro. onde não se perdem as dimensões sobre a gestão do território. e se o ha. Compreender a moradia vizinhança e de bairro até as escalas de como habitat e corrigir urgentemente Carta Medellín . do habitat e próprias do morar (Echeverría. mais ainda. da moradia. território como espaço dotado de signi. a partir da territorialidade existe simulta. ao exercício da territorialidade como bitat integra fisicamente a moradia e seu construção coletiva. e à co-participação simultânea escala doméstica. sem parâmetros de tes espaciais. à escala que vão configurando seus sentidos do bairro e sua função residencial. onde seja neamente desde a escala mais individual viável estabelecer códigos próprios da intimidade e do corpo até a grupal e como possibilidade de existência do social. como lugar de encontro de di. de vizinhança.

cooptação a dos habitantes a decidir sobre seus pró- partir das instituições em prol de obje- prios habitats e estimular o diálogo e a tivos de governo.e. com a finalidade de superar as consequências do “mora. 2000). cício de poder sobre as gestões territoriais das representações do poder entre outros. de correntes de alguns destes. decorrentes das políticas Carta Medellín . controle territorial a partir de um comu- bitar acima das preeminências que hoje nitarismo fechado (Touraine. e 5) reconhecer e configurar os habitats como inter-relações de vida que Somados ao debilitamento e à quase ex- se desenvolvem entre os diferentes gru. exclusividade negativa (Garcia. associados a atores políticos ou ao mer- tendimento da moradia como habitat. tinção dos movimentos e organizações pos humanos no tempo e na conforma. exer- têm os territórios de guerra. neráveis. de gestão integral.considerados estabelecidos radia. 2) proteger o direito riscos: manipulação política. orientados para em direção a: 1) reconhecer o direito gerar o processo social e as capacidades dos habitantes de dar forma a seus sen- para propor e construir sob a forma de timentos e exercício de territorialidade. habitat e mo- propósitos . ou do empreendimen- Partindo do reconhecimento das inter to de trâmites e processos para alcançar -relações entre território. 1976). dinamizada pelo direito dismo”. cado . a proposta orienta-se para avançar como instrumento -.ocasionalmente 4) transformar o “moradismo” para o en. mente. como sistema complexo do qual depende estabelecimento de lógicas territoriais de a sobrevivência dos grupos humanos vul. Em vez mediante a construção social de um nós. por grupos armados . debilitamento do sujeito social. onde se encontra a tensão entre à cidade e ao território a moradia como bem de uso ou como Devem-se fortalecer as capacidades terri- objeto de mercado e o enfraquecimen- toriais com base em uma gestão que vá to das formas de produção social. recursos.iniciada há mais de ção de seus espaços. do mercado. autogestão seu desenvolvimento. sociais de moradores . os modelos vigentes de urbanização e Gestão social integral de gestão da moraria. cooptação ou conten- 138 participação dentro da simultaneidade ção da base social mediante a alocação de de escalas às quais se pertence territorial. 3) fortalecer os territórios do ha. a questão leva à gestão e a responsabilidade em estabelecer terri- social integral do território sujeito a vários torialidades abertas. duas décadas -. além do aproveitamento eficiente e efe- tivo dos recursos.

Gestão social do território. gerar dinâmicas autogestionárias orien- tadas para os direitos. mas precisam desenvolver seus ção comunitária em torno de propósitos próprios códigos e configurar seus espa. nacionais relativas ao subsidio a deman. moradia e da construção de acordos para a própria outros aos habitantes e territórios como governança interna de seus territórios e resposta integral ou multidimensional às a elaboração de seus próprios horizontes suas necessidades individuais e coletivas. construção social: a essência da construção pere a concepção comum de que esta é social do habitat é a criação de processos alcançada mediante a provisão de bens. Os fundamentos conceitu- devido à sua condição adquirida de clien- ais. que se distancia de mais não demandam apenas alimentação muitas ações demagógicas ou de coopta- e abrigo.. educação. espaços públicos. e configurando percursos espa- liário e financeiro . transporte. do habitat são centrais para o projeto de desenvolvimento e de habitat. e estabelecendo suas próprias formas de ganizadas para uma gestão social e para relação grupal.e entrega territorialidade mediante expressões e de seus recursos ao setor privado . partir dos saberes da mesma comunidade. Eis aí a diferença. sociais associações de moradores enfraquecidas e acadêmicas. vimento.e não a oferta organizada . Daí que Integralidade a partir nem todo processo no qual uma comu- nidade participa ou ao qual o Estado a da complexidade convoque. fundada no diálogo profundo a saúde. de sentido como indicativo do desenvol- Ainda que este cuidado seja básico. exercendo sua da . de construção do sujeito e de consciência serviços e o fornecimento de cuidados de coletiva. Os próprios ani.imobi. hábitos.. de desenvolvimento de atores externos. tegralidade vai mais além quando se trata de realizações humanas. pode ser definido como uma 139 É requerida uma integralidade que su. sociais e políticos da construção social tes individuais do sistema financeiro. Tais tendências de enfraquecimento de uma gestão social Construção social livre orientada para os direitos resultam do habitat em organizações territoriais altamente Conceito que exige mudanças intencio- dependentes de recursos do Estado e a nadas nas práticas institucionais. Carta Medellín . a in. trabalho. ços ao longo do tempo.tais riscos implicam ciais para o aproveitamento dos recursos no enfraquecimento das capacidades or. recreação.

nefícios econômico.de. espaço público. estão associa. projetos. convencer. para melhorar as condições de segurança e salubridade e trazer be- Do diálogo de saberes surge este conjun. manejo. mover demagogica. a partir da identificação de gístico aos habitantes. em anseios sociais de mudança. termos de qualidade espacial ¬ mo- dos a três configurações territoriais: habitats radia. respeite as diferentes lógicas do habi- tantes. tre distintos tipos de organização em ca sociopolítica se encerra a diferença entre torno à produção e ao melhoramento um processo centrado em aspectos técnicos do habitat. Não se tra. rivados do intercâmbio alcançado -. habitats mais impactados por projetos . de uma gestão de território na do que respeitem as lógicas do habitar qual os atores externos chegam para vender dos distintos territórios e habitantes. porque na práti. • Fortalecimento da base econômica tintos habitats. social. de habitar e padrões de acontecimen- tos que conferem sentido a seus dis. vistos como circunscrição e dela com a cidade. formas tat e do habitar. Consequentemente emerge a árdua • Dinâmicas organizativas autogestio- tarefa de diferenciar o que é e o que não é nárias que permitam a articulação en- construção social do habitat. 140 assuntos chave. Carta Medellín . identidades. desafios asso- ciados e formas de abordá-los. alimentar e paisa- to propositivo. que equilibre as densidades atuais e • Reconhecimento dos distintos habi. habitacionais e sociais. econômica e jurídica. que se adéqüem a suas realidades e mente as massas. • Projetos do Estado e do setor priva- ta. tendências. natureza. cultural. memórias. habitats mais estabelecidos e sua articulação física. aproveita- territorial e o estabelecimento de formas de mento e proteção dos elementos da desenvolvimento socioespacial. e instrumentais e um processo orientado na realidade para a dignificação do sujeito • Reconhecimento. Os desafios estruturais. Como desafios propõem-se alcançar: • Melhoria do aproveitamento do solo. política. mas da construção social que respondam a suas necessidades orientada por um propósito autorregulató. local em questões de financiamento. • Inclusão dos distintos territórios da lidade. viabilidade ¬ e mais críticos. rio dos próprios territórios e suas comuni- dades. como o Estado ou os privados. e a sua viabi. portanto.

necessárias em maior ou menor grau de Decorrente do anterior e associado ao acordo com cada desafio e com as dife. interesse da municipalidade em criar um rentes configurações territoriais referen. normas técnicas. ou não. educação. Mais que • Comunicação. to político e das políticas. em técnicas. plano de ordenamento territorial Nos diálogos sobre a maneira de assumir (POT) e planos municipais e metro- tais desafios. cultural e organizativo. capacitação. avaliação. Planejamento e desenho. 2013). No social. urbanismo e ambien. diálogo e intercâmbio. controle e orientam a partir daí. Comunidade. convoca- formação. se propõe uma escola de 141 pensamento que pode ter existência física • Intervenção. emergiram e se combina. Em seguida de um processo. Pesquisa. dado que esta se afirma funda- gestão organizativa e institucional. com coordena- te.. solidários e academia. construção e engenha. • Proteção integral dos moradores e de • Incidência na normatividade e na po- sua permanência na circunscrição. a saber: tre as experiências educativas territoriais gestadas tempos atrás em torno aos pla- • Conhecimento.. nos de desenvolvimento local. Acesso e produção de uma institucionalização ou uma deci- informação. câmbio entre as organizações não go- ca. acompanhamento. setores sociais e rentes à construção social do habitat. produção. ção da Escola de Hábitat-Cehap da Uni- ria. o desenvolvi- Carta Medellín . o inter- • Assessoria técnica integral e democráti. Gestão social do território. exe. construção dos processos sociais que se cução. vernamentais e sociais a cargo destas em arquitetura. Em moradia e serviços públi- cos. lítica. distribuição e consumo refe. espaço de coordenação e confluência en- ciadas. politanos. mentalmente na busca pedagógica e na gestão econômica e financeira. sintetizadas em modalidades de atuação. experiências educativas. elementos: o reconhecimento do contex- munitárias com atores. organização e financiamento. são do Estado. em economia e administração. versidade Nacional. se a formular uma proposta educativa (Echeverría e Mayo. foram acordados os enfoques da escola a partir dos seguintes • Concertamento das organizações co. setor privado. Estado. participa- ram diversas ideias criativas que foram ção.

Carta Medellín . proposta com ênfase político e social. “A centrar o interesse da comunidade inter. a metidos ao desenraizamento e a deses- comunicação como diálogo de saberes. a participação ameaçados de espoliação pela elitiza- sinérgica (Múnera. a fazer. que desenvolvimento aspiramos”. econômica. As questões são: com suas realidades • Habitats e territórios em situação de abandono. o território ção ¬ gentrificação. a partir da territorialidade (Echeverría e Rincín. o médio e o comunicação. invisibilidade ou estigma- tização em fronteiras nacionais e peri- ferias urbanas e rurais. nuclear e saberes. “Retorna aqui”. No que se refere às realidades dos habi. para comprometer-se estruturalmente dissolúveis. se propõe foque de equidade”. relativos ao habitat e ao territorial de que exige muita investigação. A ênfase desta convocatória reclama uma tats humanos que exigem compromissos desconstrução e reformulação de expres- transformadores para alcançar uma equi. os assuntos por debater implicam uma tos de políticas mundiais. Desta maneira. nacionais e lo. forma ampla. Por e violências. o habitat a partir das • Habitats e territórios despojados. 2009). mas atual. todas 142 nacional e nacional em quatro assuntos elas referentes aos direitos diretamente de alta pertinência. cais. 2008). periférico e de fronteira sejam in. modelos de desenvolvimento urbano a sentir e desejar. diálogo intercultural e de macro territorial urbano e rural. formação. local. sua vez. 2000). múltipla (Múnera. qual vida falamos”. a viver • Habitats e territórios afetados por juntos. os direitos ao território. nacional e mundial reclama. as truturação socioespacial por conflitos cidadanias múltiplas e interculturais. e de especulação imobiliária. relacionados com a questão territorial. decisões e ações que o momento não apenas aos direitos do território. mento como construção sociocultural • Habitats e territórios submetidos. se propõe referenciais pedagógi- cos em torno ao aprender a ser. 2008). e muita vontade e força política central. relacionar-se. “A partir de que en- cultural e socialmente falando. Tais assuntos exigem acordar alinhamen. sões tão aparentemente obvias como “De dade realmente estruturadora. flexões. sub- tramas do habitar (Echeverría. a conhecer. onde o micro. para concentrar as re.

desafio ético na nova visão de desenvolvimento Cidades para a Vida Antecipar Mudar Humanizar Dirigir Autorregenerar Pilares Visão de Governo Cidadania Bens e serviços Transformação longo prazo Progressos Território: Presença. bem-estar Crescimento População crescimento e populacional em interação autorrealização Equipamento responsável sustentável com o território . Cidades para a vida. cria Territorio-populaçã Liderança integral com sua marcos sólidos que Equilíbrio e sustentável do sustentabilidade Infraestructura conecta o geram equidade e funcional do território. e controle em todo o pertencimento proteção ordenamento inclusivo território territorial integral equitativo Compromisso ambiental. autoridade Identidade e Crescimento com Planos de ordenado. traz solidariza a Terra. conexões bem-estar território múltiplas e alianças Civiliza e território. e sustentável.

Opção política pelos conhecimentos. Cidades para a Vida Antecipar Mudar Humanizar Dirigir Autorregenerar Pilares Visão de Governo Cidadania Bens e serviços Transformação longo prazo Progressos Objetivos do Políticas de Cultura da lega. taxas de Economia proximidade Infraestructura juros). níveis de investimento crescentes Contrato de Controle social da Valorização e Sistemas sociales Sociedade lúcida solidariedade e economia. portadores e de investigação e Acesso real a inclusão financeira economias plurais geradores de riqueza formação oferece serviços básicos para todo cidadão . Bens públicos de destino universal legitimidade atuação intersetorial nança garantes de um Novas alianças desenvolvimento Marco institucional com eficiência (no humano . Moradia oportunidades e Economia social. Trazem respostas Políticas. de bem-estar social dos Modernização do Corresponsabili. -movimentos sociais Tempos sociais. projetos colaborativos financeiras acesso à cidade.da seguridade Sustento de Agenda Urbana Políticas públicas cipativa. Lideranças ta de uma nova base da pirâmide ferramentas Institucionalidad estratégicas Social arte do viver social universal. excluídos/a tecnologias. empreendedora Intercâmbios com emprego digno fortalecida Produtividade. clusters. pobres. comunidade Corresponsabili- Legalidade. ciência. direitos admite a corrupção) regulação sustentável Fortalecimento da institucionalidade como o espaço de relacionamento entre o governo e sociedade Políticas Base tecno. bem públicos asseguram 144 comércio motores social inclusivas viver crescimento de equidade e do Vinculação econômico e bem- bem-estar Capacidade estar produtiva. Capital social en tecido social dade em conquis. Transparência e dades na gover. Valorização Aumento da Nova ordem sustentáveis econômica fundada de saberes e propriedade produtiva de produção e na ética capacidades social Igualdade de consumo Os pobres são Tecido educativo.economia verde Ampliação de oportunidades essenciais (controle social do . humanidade guiam lidade e cultura apropriadas normatividade e 2020) •Rio+20 mudanças de política a exigências institucionalidade Politicas-instituciona lidade (rumo 2050) sociedade Democracia parti. inclusão social en coherente que estabelece pacto social. por igual crédito.ordenamentos. inovação socialmente conexão. ciclos Educação de vida e ciência a Solidariedade que Prestação pública de serviço do viver permite confrontar contas em harmonia conflitos de formação forma criativa e cidadã para a contundente participação Avaliação participativa de políticas públicas Carta Medellín . tecnologia e indústria Coesão social relación con limite e adota ses de uma nova Produção e aumento entorno social y projetos coletivos sociedade Democratização ciclos de vida.economia de portfólio. Bens e serviços tecnologia e Inversão. civismo integral dos equidade e inclusão Internacional inclusivas cidadãos social. Milênio (2015. inclusivo. Instituições urbana garante o Inovação. o mundo eficácia competitividade. aumento. cadeias de valor. ba.

Infraestrutura suportes reais da Conservação e Apropriação suporte da sustentabilidade de aproveitamento responsável do sustentabilidade um bem viver responsável território recursos naturais 145 Restabelecer Cidade para a Bens e serviços conexões vida que une Conquistar Construir públicos que Pensar perdidas com e fortalece um novo cidadania com criam pontes + + + + = integral. gestão prioridades natureza Cidade compacta integral de vida.. interatuando Compartilhar Destino comum humaniza e antropológica em beneficio equitativamente chave do projeto de assegura melhor e espiritual do bem-estar benefícios da vida urbano viver da condição coletivo mundialização Cultural humana Enriquece Cultura centro Valoriza todas as Interculturalidade diversidade. Cidades para a vida. intercâmbios. É do conceito “cidades preciso pensar o futuro da cidade e do urbano a partir deste enfoque. gestão holística um futuro viver com oportunidades no desfrute mente o local que prioriza sustentável qualidade e inclusão e incremento e o contexto a expressão com qualidade para todos social coletivo da qualitativa do para todos os riquezaa viverr cidadãos Compreensão plural vadas metas para toda a humanidade. Cidades para a Vida Antecipar Mudar Humanizar Dirigir Autorregenerar Pilares Visão de Governo Cidadania Bens e serviços Transformação longo prazo Progressos Concepção Políticas de Consciência Cidadão Valores universais ética do civilização cívico-terrenal. Torna-se Carta Medellín . social da riqueza. às relações do ser hu- que estruturam. unidade e estilos de vida Cidades Inteligentes do viver se Infraestrutura sustentável incorpora Novas lógicas do enriquece o viver como fonte de desenvolvimento Beleza e estética inspiração associativo associadas à vida urbana saudável Controle e gestão Construção social do Compreensão Pacto verde Compromissos e integral de riscos. são ele. desafio ético. conectado e compartilhados desenvolvimento. enriquecem e tornam mano com o contexto e seus múltiplos amena a vida de todo cidadão. de todos os Vinculada com Equidade e inclusão Ambiental climática base de decisão e seres vivos e a a experiência social. da participação O valor poético expressões pluralismo. de uma vida a presença com cumprimento Biodiversidade redução ritmos sustentável em harmonia apropriado mudança Sustentabilidade.. habitat no território de exigências que garante pactos internacionais degradação. ecológica. locais e externos. porque é para a vida” urgente voltar a humanizar e dar senti- Cidades para a vida são tramas urbanas do ao viver diário.

considerada riqueza Elas abraçam e dão sentido à conexão de todo povo. concepção do bem viver. democracia participativa. dos imaginários e sonhos. que possibilitam enfoques e acordos que As políticas. pensados e assumidos dade aos povos. da beleza as espécies e expressões de vida. de várias ações: construção genuína de ci- dadania. Repensar e da estética. na nova con- tunas de vida às necessidades. do cul- e expressões vitais geram intercâmbios tural. Torna. muitos deles em con. da pluralidade e da uni- equilíbrios perdidos. da identidade e se obrigatório restabelecer as conexões e os da diversidade. do ambiental e do institucional. Sua compreensão clusivo do econômico. projeção no tempo e re. dania. do bem viver em uma época na qual o futuro sustentável da humanidade está A governabilidade inspirada em políticas estreitamente ligado ao urbano: facilitam públicas inclusivas. garantia oportunidades para todos. repensar a cidade a partir das necessida- ídos de oportunidades e ferramentas para des do cidadão. oferece novos enfoques e vital da trama urbana mundial. bens e serviços públicos são conferem mais humanidade e solidarie. integral do contexto e o tratamento in- generação permanente. do social. a partir de uma opção clara pelos pobres e excluídos. é um urbanismo pedagógico que faz dições de pobreza e marginalidade. e desenvolver todas dade. em cultura política e a melhor compreensão dos problemas cívica. anseios e cepção de cidade. sempre inclusivos. Toda civilização e cultura têm a ra consensual e contribui para a constru- vida como elemento fundamental para ção social do habitat. sua seu progresso individual e coletivo. lações com os outros. exclu. está a serviço da cida- sonhos dos cidadãos. corres- bilidade de um mundo mais equitativo. regeneração do civismo. valores. Cada ator inclusivo e com segurança integral para civiliza e solidariza o território de manei- todos. zir a estilos de vida urbana sustentáveis com qualidade torna-se tarefa inadiável em to. e empoderamento cidadão e na gestão Carta Medellín . imprescindível encontrar respostas opor. em democratização da ciência e fundamentais da humanidade e que estes do conhecimento. A vida. ética e Cidades para a vida alimentam a possi. em empreendimento sejam assumidos coletivamente. seus ciclos de vida. ponsabilidade e solidariedade. da convivibilidade e das re- profundamente as vias que podem condu. O urbanismo para a vida. para a compreensão 146 sua conservação. Cidades para a vida se viabilizam a partir dos os continentes e culturas.

Nova vínculo entre gerações. senso com todos os atores ultrapassam os limites de acordos em curto prazo e frag. Carta Medellín . bens públicos. conver. linguagem mentado na reflexão holística. na critica e comunicação. responsabilidades integrais mudanças e fatos fenomenais. trans. a identidade. Está comprome- lho. controle de riscos de toda natureza. impulsiona blemas e fenômenos fundamentais que novos paradigmas relacionados com as concernem ao humano e a um futuro formas de criar. atua no centro de um cidade no século XXI “complexo espaço interativo” a partir do A cultura nova. jetar no tempo. criação permanente. o assegurando sua continuidade.. tida com a produção e o surgimento de tos humanos. inovar e experimentar. Essa cultura considera como essenciais o mentados que impõem tempos políticos. na formulação de cenários. memória e a convivibilidade. mum da humanidade. sociedades em risco e de construtiva. a história. humanidade. para a reorientação da Da mesma forma.. fundamentada em uma qual a sociedade vê. saberes e sabedoria. nas cidades e no urbano. a civiliza- sas principais mudanças inspiradas no ção. desafios comuns universais. a e do urbano constituem o alimento des. holística. risco. intangível. direi. o qual está sempre orien- formações. e destino co- Visões em longo prazo e ações de con. noção de riqueza. fontes A nova cultura ajuda a mudar para ver de conhecimento. mete sobre o presente e o futuro cada vez 147 ta da cidade e do urbano. Da mesma forma. desafio ético. significado do traba. decide e se compro- concepção audaciosa de gestão futuris. complementaridades. a comunicação. funda- do ser humano. estilos de vida. a construção da paz. Cidades para a vida. percepção do valor. Aceita que cada civilização-cultura ofere- ça a lucidez necessária para que a cidade e a sociedade fixem limites e adotem deci- Cultura que abre caminho sões e projetos. a governabilidade e governança da cidade propaganda e a informação. enriquecimento da vida. motiva visões mais vinculados a um destino comum da inovadoras. alimenta o novo pensar e pro. na preservação e no constante o pensar a vida e o viver o pensamento. sustentável. tado ao conteúdo e ao qualitativo como gências e uso apropriado e oportuno dos pilares da compreensão exata dos pro- recursos. humano. produção e empreendimento. e agir de outra forma. a primazia do pensamento.

os possíveis e o inesperado se encontram Nas cidades existem condições e capaci- para conviver e agir. que convo. que age de forma proativa no manejo de fenômenos. mudan. se interessa mais pelo novo que sur. para assegurar compromissos de presentes mudanças drásticas e rupturas altíssima relevância e exigência. próxima ao po. Ademais. mentos. abre to. o os erros que levaram as cidades a crises Carta Medellín . para agir coletivamente na ta- estar consciente das limitações vigentes e refa de viver e criar de forma consensuada da imensa diversidade e riqueza. sua convergência e apoio mútuo. a cada momen. por saber onde poderiam estar ca permanente a academia. os contrários. entre outros. da política e do factível de realizar-se coletivamente. Cultura que orienta múltiplas forças que ge do que pelo pouco representativo ou atuam de forma dispersa à procura de decadente. aventura em direção ao aprendizado cole- tivo. onde estarão lítico. antes de sistema financeiro. preocupada Constatações e com cada esquina. na condução de transformações di. Onde paradigmática as ideias. Tem ciberespaço. os imaginários. os artistas. tomar decisões audaciosas e gerar Cultura que busca. risco e fundamentais. ope- árias. comunidades preocupações que isoladas ou onde as fronteiras impedem motivam a mudança a fluidez fraterna do viver diário. de civilização e de Cultura que avança e progride em vez ética. filósofos. na clareza sobre os impactos e. comunicadores. dade real para pensar e repensar em longo prazo. sociedade como um todo. tudo. para além dos limites. voltada para o espaço público. por restabelecer as conexões perdidas novos caminhos e cria uma esperança nos planos do mercado. transformações radicais em situações al- as respostas aos permanentes questiona. Propõe a o futuro. como prioridade a consecução de políti- cas de humanidade. que guiarão sempre a cidade e a de manter-se intocável. 148 que assegura a convivência e o reencon- tro constante com os outros. veredas. tamente complexas como as atuais. e se preocupa. O mundo voltou a se interessar pela fi- ças e progresso da sociedade. rupturas. abre espaço para formas rários e demais atores sociais de todas as novas de comunicação e expressão. escritores. lideres. sucessos. por tendências. losofia. a empresa.

do pelo ser humano. Criar no planeta e promover a partir de 149 Contribuir para o surgimento de um cada cidade um genuíno diálogo intercul- novo ser humano seria o desafio da nova tural seria o mais indicado. Caminhamos forma de pensar a cidade e de programar em direção a uma civilização comparti- toda ação sobre ela. proposta. constata-se o perigo de continu- que se imagina. Basta assinalar que nos ar a exaltar a racionalidade do Ocidente. qual já permeia todas as civilizações. a arte. a últimos dez anos a comunidade interna. as pação nas obras de grandes filósofos de épocas e as ideologias. desafio ético. os quais nunca serão suficientes. É uma gigantesca mu- e filosofias são conhecimentos e saberes tação. criando conti- nuamente poderosíssimas mensagens que A principal preocupação estaria centrada conduzem a comportamentos e atitudes na organização. a ordem social A ilusão. voltam a ta-se em direção à ideia de uma civilização ganhar espaço. Cidades para a vida. Atualmente. como nexo com o contexto local e global e a consequência de profundas mudanças na profunda inseparabilidade. por de viver no planeta é mais comum do exemplo. Noção que muda segundo os países. o comportamento. que conhece o planeta e em cada sociedade. incluído todo o adquiri- bem-viver. isto. sustentadas por novas exigências pende apenas do mercado e da demo- que clamam a transformação. e interagem sem limites. preocu. Enquanto isto acontece. na relação dos conheci. inimagináveis e a uma preocupante crise mentos e na percepção da complexidade global. diversas. Uma sociedade cons- lhada em quase todas as áreas do viver. por exemplo. cracia. de sua o qual deverá estar presente em todo o identidade como produto de um forte vínculo com seu entorno.. na qual o real e o virtual convivem organizados que fazem parte de um todo. ocor- rem também manifestações do lado da Civilizar e humanizar a cidade não de- política. como a ciência. está conven. disciplinas cepções do futuro. a moral. Perguntar-se por uma nova arte da vida na condução da cidade. Civi- cional dedicou milhares de estudos aos lização é uma noção que vincula os valores temas fundamentais do bem-estar e do morais e materiais. etc.. ciente das relações e da dialógica. visões do mundo e per- cida de que todas as ciências. orien- Kant a Sartre. a moral e a fascinação. É o lidade de vida para todos e o bem-estar sus- caminho que conduz aos terrenos desta tentável a longo prazo. forma de pensar. Carta Medellín . Procuram orientar a bus- global que contemple uma verdadeira qua- ca de um bem individual e coletivo. Hoje.

de criação de visões diante do erro e da ilusão. conduziram ao erro. Há mais de quatro de. Frente à tirania do imediato. do ur- décadas constituiu-se uma espécie de mito gente.nem eu nunca o pretendi ¬ taleça em alianças duradouras para o bem orientar. Os erros que me levaram a uma relativa ver- 150 com a condição de dispor de um guia que. etc. períodos de tempo amplos e sejam mobi- a nova gestão da cidade é exigida em dois lizadores. ênfase constantemente à “solidariedade”. Mas dei-me conta de uma coisa: que nós mesmos vamos criando os fantasmas de nossa própria Tempos e fatos mitificação. vida desenvolver-se e florescer. se for. quando parece tarde. ensinar o que é chamado de da cidade. isto é. impedem as sonhadas ou queremos fazer. rodeia e dos caminhos da transformação. Da argamassa do que fazemos. orientadores e flexíveis. Sempre se estará em situação de atuar dentro das exigências de futuro. e. umas e outras não me permitiram . dar o salto obrigatório em ma. sólidos “cenários visionários” que cubram ticas e valores do Estado. imagens e rupturas com as prá. de construção de processos de mu- Nobel em 1971. dos curtos períodos do governo e que combinava a mobilização de senti. no presente. rada que matamos o vivo em vez de fazer a lidade” das ações empreendidas. segundo. dade. Na atualidade. um mais à arte do que à ciência e dá espaço à imperativo ético na cidade e na socieda- interpretação pessoal. a tomar uma consciência direta do que nos • Irreversibilidade e antecipação das atu. de procura de vín- Pablo Neruda. dirigir. A proposta aqui apresentada se refere cipar” e “prevenir” são. e logo compreendemos. ao “complexo” e ao cuidado permanente téria de pensamento. afirmou perante a Aca- dança e gerência deles. ações nas cidades. globais da sociedade. Impomo-nos Carta Medellín . Vemo-nos indefectivelmente cidades conduzidos à realidade e ao realismo. e que planos: o primeiro. de real gerência de demia: ideias. processo criador. e as verdades que repetidas vezes me voltado para a mudança constante. surgem mais tarde os impedimentos de nosso próprio e futuro de- transformações nas senvolvimento. em seu discurso por oca- culos fora dos limites de sua intervenção sião da cerimônia de entrega do Prêmio oficial. O principal desafio é que construímos uma limitação tão exage- colocado pelo princípio da “irreversibi. de desmitificá-la como continuamente fortaleçam alianças múl- o instrumento inquestionável de eficácia e tiplas em todos os níveis. dos desastres é necessária a construção de mentos. Deve-se dar produtividade de resultados específicos. as veredas da literatura. “Ante.

os recursos e as técnica com a qual se age. Em governança. o que representava o conceito de susten- tabilidade. po oportuno. Além será o determinado pelas comunidades e disso. desafio ético. respeitando a irmandade a que se deva estar disposto a quebrar o e a sustentabilidade com todos no plane- espelho. reafirmou o que havia dito em siões. Hoje em dia o desafio é contribuir de. sem permanentes. evitam-se mudanças que já fazem 1958: “Não há grandes discrepâncias entre parte da vida dos cidadãos. na se critérios como o de quem tem menos atualidade. um realismo que posteriormente nos resulta • Sustentabilidade das cidades e mutações mais pesado que o tijolo das construções... pode ser ao mesmo bém. Conhecer profundamente o verdadei- dade real nos espera. o que dizer do. Em algumas oca- em 2005. ¬ a “imagem” refletida é exata. tos das gerações futuras. Carta Medellín . nem entre o verdadeiro tudos e os indicadores pouco refletem o e o falso. A mudança climática e o alívio da quando se dispõe de exemplos que mos. porque do outro lado dele a ver. Harold Pinter. 151 presente é dificilmente controlável e é alta. Para quantificar forma que não comprometesse os direi- a pobreza existente no mundo adotam. Isto conduz pelos cidadãos. adotou uma importante car- • Quantificação e preocupação com o essen. porque os es- realidade e ficção. ri da ingenuidade ro potencial disponível. Uma coisa não é necessariamen. ta. leituras sobre a realida. Mas para a tarefa de trabalhar coletivamente se ocorre um pequeno movimento ¬ o no possível e no apropriado e em tem. oportunidades em cada cidade tornou-se ao receber o Prêmio Nobel de Literatura.. direitos que. • Oportunidades e possibilidades das cida- lho” ¬ diagnóstico. a principal exigência. tanto preocupam pela rapi- de dois dólares por dia encontra-se em dez das mutações nas cidades e no mun- condição de pobreza.. Quando a comunidade in- que por isso tenhamos erigido o edifício que contemplávamos como parte integral de nos- ternacional se colocou de acordo sobre so dever. há múltiplos reflexos. Tam- te verdadeira ou falsa. Via na qual o único limite mente dinâmico ¬ a imagem muda. des. pobreza em boa parte se convertem em tram que apesar de ter uma renda inferior desafios complexos para as cidades. quando se olha no “espe. compromissos políticos com o status quo. em a um dólar por dia a população goza de particular para as mais industrializadas e uma qualidade de vida invejável? povoadas. porque se teme ou porque existem tempo as duas” (2012). Cidades para a vida. Mas. que está acontecendo na realidade. ta de referencia para o futuro: viver de cial na vida das cidades.

pelas privatizações e pela passadas. sempre se tunidades dirigidas para o surgimento de deverá assegurar o vínculo entre o saber uma melhor arte de viver e de se relacio. rescimento do progresso e criaram todo to duradouro. 152 impostos. nas décadas gulamentação. bolsas de valores. triunfo da líticas públicas. nem a circulação de recursos Em 1994. e era grave a situação da que busque a verdadeira compreensão da economia financeira e a real. de experimentação. fle. confiança nos aplicadores. pareceria que tre a economia real (produção de bens e a eficácia desse credo está em dúvida em serviços). a economia financeira (títulos) relação ao futuro. contra. sem compromisso com as transformações requeridas. Tudo o tado em princípios e normas de conduta que se refere de imediato ao trabalho de universais será a única carta de navegação criação permanente. intervenções e alianças. Concentrou-se o interesse nas ações e nas de. competitivida. inovação. • Mercado. coletiva em direção ao futuro. e o dever. Há trinta anos. tipo de instrumentos para facilitar inter- mercado de trabalho. tos das novas gerações. projetos. aqueles genharia da linguagem. pois estas Carta Medellín . planos. haviam jogo de palavras. globalização. capacitação. Depois. o mercado de produtos deri- financeiros dentro de um modelo de vados (economia virtual) representava pensamento e de ação afastados da ética. ampliação da especulação. proteção social. risco. produtividade. “engenharia financeira”. sugere das cidades. uma convicção para todos: po. Prometeram a idade do flo- vários referentes inexoráveis: crescimen. enriqueci- de inovação. sustentado pela desre- Esta engenharia instaurou. respeitando os direi- ciso estar atentos para identificar as opor. do empreendedorismo e do da pelo diálogo e a contribuição de todos. principalmente nas cidades. nem o cálculo racional desaparecido. arte de viver juntos. de interagir e de contribuir. Os vínculos en- tos. Com mentalidade e visão universal é pre. Um pensamento ético susten- nar. câmbios incessantes em todos os rincões xibilidade. des e intervenção. entre outros. mais do dobro do produto interno bru- Uma nova luz virá do trabalho coletivo to americano. lização financeira foram objeto de um cadas para homogeneizar a condução culto inusitado na esfera da economia e apropriada de cidades e países. recursos financeiros das cida- • Compreensão plena da cidade e da en. Não se aceitam mais o e a economia virtual (derivados). diminuição de do planeta. A engenharia que trilharam o caminho da mundia- da linguagem elaborada nas últimas dé.

por sua vez.risco ou cia. a ilusão coletiva pode mais que a prudên. O aplicado pela ciência e pela tecnologia nas mundo moderno da economia conseguiu últimas décadas. • Resultados na transformação das cidades e pre o progresso e a equidade segundo precaução. Cidades para a vida. criação . expressão máxima da racionalidade e da compostura. trezentos mi- mente. chaves na gestão da vida e das sociedades. 153 nomia do conhecimento e pela econo- clusão de todas as forças vivas da cidade. Assim. Con. se encontravam a mercê da disfunção da intervenção do Estado? Qual é o papel economia virtual. na nova tendência impulsionada pela eco- formulação de opções.imaginação .. a dos povos sobre o controle do futuro e a vigilân- em suas nações. inclusiva. equitativa setores industriais e econômicos a fazer e justa da cidade? frente a políticas públicas.inovação . Quantos resulta- totalidade da bolsa mundial ¬ desde sem- dos não desejados nas cidades poderiam pre procuram. Maior possíveis para atingi-la. conservando privilégios com a ideia de favorecer sem. mia positiva da contribuição humana. ou se a prioridade deve cia de todas as formas e oportunidades continuar do lado dos mercados. na in. Em 2005. O que ocorre. pois casualmente pode-se chegar lhões de acionistas controlavam a quase a situações desastrosas. sempre se deverá cuidar sigilosa- dade anônima. Aproveita a in- Carta Medellín . do na abertura de novos caminhos. ainda Na gestão do futuro das cidades o que é o que continue válida a afirmação de que a mais importante: o racional e operativo. tão a concepção dos donos do dinheiro. ganhar dinheiro é o grande signo da o interativo? inteligência humana. os bens públicos da humanidade come- çam a desempenhar. na expe- capital social e do papel estratégico que rimentação e na mudança. urge decidir se se toma da. transparente. no respeito.. e interação regulada. individualizar ter sido evitados ou limitados em seu im- os lucros e socializar as perdas nas cidades pacto. se o principio da prudência tivesse ou nos países. se refere aos cuidados organizar-se como uma gigantesca socie. vigorado? Este princípio estimula mentes proativas em direção a uma investigação Na atualidade é importante destacar a fundamentada na crítica construtiva. • Participação cidadã ativa e comprometi- sequentemente. O principio da precaução. Os ditos paraísos fiscais do novo paradigma de condução equili- se mostravam capazes de desestabilizar brada. Na interação há o caminho que restaura a confiança dos um compromisso explicito a longo prazo cidadãos em suas cidades. desafio ético.

compromissos sobre os futuros possíveis das • Originalidade na nova condução das cidades cidades. no qual apresentou um por demais à transposição de teorias e 154 balanço com indicadores sintéticos e pre. As transposições sociais nem sempre dão os esforços realizados por Habitat há alguns resultados positivos. muito próximas das Life Index). No caso das cidades. Centrar todo sonho. e liberdade. concordes com as novas visões do progresso e da busca de um bem viver e bem-estar para todos. escuta-se: “Deu certo em ou- tativa. ao autocontrole e à êxito caminha pari passu com a liberdade. pessoas e. pro. conduzem a situações desastrosas. a OCDE. produto da recursos humanos competentes. cançá-la. Pen- com o IDH. poderá racionalidade científica. Dá importância dar-se algo melhor. atualmente. com ela. Vai além da a originalidade. ceria ser a tendência do momento. pare- dominantemente verde e. no caso das cidades. a partir desta postura. principalmente em cidades mento popular. O Pnud. com seu sar mais profundamente ¬ sem recorrer Informe em 2002. Por vezes. mais comprometida desconhecida. teligência coletiva. tros lugares. o Informe social e. Daí pôs à comunidade internacional um índice a urgência de contextualizar a busca de que acompanha uma vida melhor (Better respostas complexas. gestão integral da mudança. Afirma-se com fre- quência: “Temos as soluções e fora delas • Sonhar a nova cidade para a vida e al- não há alternativa”. Falso. quase procura funções congruentes com a nova sempre expressão de uma complexidade gestão consensuada. estamos seguros de que aqui também algo positivo resultará”. com a tomada de decisões e a solução dos tradicionais problemas de ordem quanti. pelo regular Anual sobre o Desenvolvimento Humano. entre outros. novos indicadores. O à autorrealização. a uniformidade no anos. na Europa. e os integra ou conecta e sociedades tão dinâmicas e com tantos com outros mais sofisticados. conec- giões do mundo envidam-se esforços sobre tar-se com o restante da humanidade. a disposição plena para o simples organização e análise de dados e diálogo e a admiração do simples. Tendência que Consensos e deverá se fortalecer. e a todo Carta Medellín . países e re. A cada instan. livre e autonomamente. desde os anos 90. diferente. modelos -. o saber e o conheci. te e sempre. novo. Falso. Vale a pena considerar. o massivo.

Os de que poderia orientar a regeneração das atos humanos introduzem poderes nun. no ser humano. guiadas bilidade permitiu compreender que a por um Novo Projeto de Humanidade. entrelaçando inteli. e da aceitação que a qualidade de vida existe quando de seguir adiante com os esforços reque- se garante o essencial ao ser humano. a que estará apoiada e exigida pela mu- mente. ca antes conhecidos. A continuidade e a sustentabilidade que esta é a continuidade de um sonho exigem pensar e trabalhar mais no campo permanente na busca de sermos melho. e áreas vitais de futuro. nova visão local e planetária que propicie o florescimento da vida. valores e objetivos. das “políticas de Estado”. A sustenta. momento. sem o qual perderiam se explica o Novo Projeto de Humanida- sentido normas. Cidades para a vida. nomia. exercê-las corretamente. A prática -relações de uma grande diversidade de da sustentabilidade impõe os fins como elementos. res. aceitando ras. Consequente. 1992). rumo a um novo projeto dentro de nossa natureza e que a chave de humanidade. pertinente das múltiplas relações e inter gência e liberdade com o bem. É ridos frente a obras e ações transformado- ver o sonho feito realidade. O êxito dependerá de de nossa natureza está dentro da cultura que se trabalhe realmente dentro de uma (Morin. observa-se que a gestão dos meios cução dos resultados que a coletividade e a própria matéria não são mais a priori- deseja. cidades no futuro. O êxito das cidades irá sempre dade. Neste contexto é necessário enfatizar exigem sabedoria e conhecimento para duas prioridades: 1) a reforma da ética. priação de “reformas essenciais”. A eficazes entre o início e o fim de períodos produção simplesmente não interessa Carta Medellín . A partir da eco- que projeta no devido tempo a conse. Considerar de gestão governamental. por sua vez.. Trabalhar pela restauração do “para- digma perdido”: o da natureza humana. Na primeira parte desta Carta 155 conceito chave. mas sim o encontro das principais juntamente com a construção de pontes finalidades da sociedade e da cidade. Visão que deve • Continuidade e sustentabilidade das vias sustentar-se na consideração e na apro- transformadoras das cidades. desafio ético.. a ideia de continuidade se instala dança de paradigmas em muitos campos em um processo de observação mutante. ética se edifica como crítica radical da Também dependerá da consideração noção de destino. • Convergência apropriada na gestão com- sabendo que a chave de nossa cultura está plexa do futuro. os quais implicam novas responsabilidades que.

deve incluir adequados do solo. da exclusão social e da maiorias que não dispõem do mínimo- violência que cria fraturas. garantir o bem estar de todos os cidadãos. tanto quanto a redistribuição da rique. versidade. no pleno exercício de seus direitos e no cumprimento das responsabilidades. a tábua de salvação e o guia mais confiá- te a urgência de utilizar as vias que dele vel que se possa ter em todas as cidades se desprendem para acelerar as transfor. tais como: sustentabilidade da co- das estruturas sociais. porém. vital. As mudanças criação e inovação. que vai paralelamente com outros que za e o que dispõe a humanidade para a também buscam a humanização das ci- busca de seu bem-estar. uso e apropriação homogeneização. por te da segurança integral do ser humano. do planeta. Conceito e a exclusão deverão ser repensadas para Quadro 2 A equação que lidera o processo de construção de cidades para a vida Restabelecer Cidade para a Bens e serviços conexões vida que une Conquistar Construir públicos que Pensar perdidas com e fortalece um novo cidadania com criam pontes + + + + = integral. sempre dirigidos para nesta perspectiva estão em plena vigên. O progresso alcançado no campo da re- 156 flexão e a operacionalidade do conceito A força incomensurável do humano será de cidades para a vida mostram claramen. poética e fortalecimento da imaginação. a marginalidade e frente às próximas décadas. nidade no presente século. conservação da biodi- sim a consideração e inclusão de con. A partir dessa visão. e 2) a reforma dades. Na atualidade. exemplo. real distribuição e aproveitamento tirá novas formas de exclusão através da equitativo da riqueza. justiça e normatividade garan- tribuições e experiências ancestrais. abas- e movimentos em todos os continentes tecimento de bens e serviços essenciais que abrem progressivamente as portas e para a vida. gestão holística um futuro viver com oportunidades no desfrute mente o local que prioriza sustentável qualidade e inclusão e incremento e o contexto a expressão com qualidade para todos social coletivo da qualitativa do para todos os riquezaa viverr cidadãos Carta Medellín . existem grupos reconfiguração do habitat social. as con- mações esperadas da cidade nesta época cepções sobre a pobreza. (ver Cuadro 2). cia. a qual exigirá o fim munidade universal. e que permi. vida digna para as das inequidades. enriquecimento da expressão o caminho para esta aventura da huma.

o cultural e o meio ambiente. componentes. rece a possibilidade de conquistar um as mudanças ou transformações. a partir de nentes dos quais resultam em cidades que uma concepção integral das cinco dimen- dão coesão e fortalecem um futuro susten. desafio ético. a administração e a regeneração permanente. ponentes da administração e organi- gica e administrativa das cidades é conce. ções mutantes e mais específicas. sões já mencionadas e das cinco vias que tável com qualidade para todos os cidadãos: iluminam a estruturação em cada época ou pensar integralmente a cidade + conquistar momento de cada um. todo e os demais componentes. conexões perdidas com uma gestão nam a concepção e a implantação dos seis holística que prioriza a expressão qua- grandes componentes das tarefas cotidianas litativa do viver. a huma- novo viver com qualidade para todos. implantado. e progresso e transforma. o êxito de seus resultados e metas. ilumi. • A antecipação com as visões de longo prazo de todos os componentes ofe- Existem cinco dimensões: a antecipação. reprogra- mado oportunamente e ajustado às situa- A equação está composta de cinco compo. tente nas cidades: a vida representada em projetado. tam um pensamento integral da cidade e o território: viços públicos que criam pontes para o incre- mento e desfrute coletivo da riqueza. priorizado. assegurando sempre um novo viver com qualidade para todos + as relações e inter-relações integrais com o restabelecer conexões perdidas. da organização estratégica e administrati- va das cidades: o território e a população. gura a equidade e as políticas públicas inclusivas que regerão todos os com- Cada componente da organização estraté. mações nas cidades apoiados na gover- vernabilidade e governança. com uma ges. 157 nização. que orientam a estruturação • A condução de mudanças e transfor- de cinco vias: visões de longo prazo.. as quais. e asse- social. dar lugar à gestão coletiva da riqueza exis. Cidades para a vida. tão holística que prioriza a expressão quali- tativa do viver + construir cidadania com Os seis componentes exigem e possibili- oportunidades e inclusão social + bens e ser. Carta Medellín . executado e acompanhado para cada cidadão e em cada ser vivo. go. zação da cidade. bido. a economia. permite restabelecer as ção. cidadania. nabilidade e governança de todos os bens e serviços. o as oportunidades para todos. • A humanização da cidade potencializa a política e as instituições. delimitado.. ao mesmo tempo.

uma cidade vivida. uma ção progressiva de riqueza. juntamente aos eleitores. mentaridade.. pois hoje em dia é esta a que se conforma às imagens dela que Projetos transversais e transdisciplinares. de certa forma. toda imagem que implantar processos integrais de mudança. de. a comple- tantes sobre o significado da cidade. Alain Mons. Justamente. lidade ela circula absolutamente nos dois sentidos . A para territórios da cidade nos quais se inspira para partir disto.. das transformações requeridas em cada tempo. os gens mediáticas termina por resultados coletivos. vivida. cidade imaginária (a que o poder local propõe aos empresários. é possível que esta aceleração das imagens mediáti. pois na atua- de e compreensão coletiva.. espacial. aos habitantes . pensados são dadas e não as imagens cuja função seria “representá-la”. Uma conexão com outras cidades. • A regeneração permanente da cidade. o incremento e a acumula- constituir. guiará a inovadora e flexível condução estratégica cas derrube as barreiras entre o de cada um dos principais componentes da es- imaginário e o concreto da cida. sociólogo francês Carta Medellín . A aceleração das ima. • A nova administração dos bens e serviços globais A deriva metafórica da imagem que se dá na cidade por meio de sua estrutura urbana pode ter efeitos impor- governamental garantirá seu bom uso.) com uma apropriada concepção do progresso e que “adere”. material. serão 158 pretenda mostrar a realidade fundamentais na busca pedagógica de sua viabilida- urbana é ingênua. a diversidade de ofer- segunda cidade que se superpõe tas em atenção às novas demandas crescentes e à ostensivamente à cidade “real”. o maior impacto no território. trutura governamental..

cresceu o interesse por sua atuali- zação dentro de uma visão mais sustentável do território. considerada fundamental na gestão do território. Nos últimos anos. e . revistas suas finalidades na direção dos novos alcances políticos. Entre estes instrumentos e ferramentas estariam: Planos de Ordenamento Territorial (POT) Todas as cidades fazem uso desta ferramenta. Instrumentos que potencializam o novo conceito de cidade Existem ferramentas chaves que contribuem para realizar o conceito de cidades para a vida. Sua concepção. estru- turação e manejo dependem de múltiplos fatores associados aos tempos políticos e às experiências práticas de cada ci- dade. acadêmicos e técnicos já enfatizados.

da construção como um ingresso público teza. atualmente. na Colômbia a Lei no 338. urbanos e o imposto sobre a terra como ráveis das cidades. (Pilar) Trata-se da política e prática de parti. e melhores moradias e ao solo. o desenvolvimento urbano. Considerar o imposto trimônios públicos e privados. e 2013 a partir da visão de cidades para a prevê cinco instrumentos para materiali- vida. de modernizar esta ferramenta em 2012 de 1997. Por esta via. Esta prática ocorre es- imóveis sencialmente há cerca 150 anos. As arrecadações devem ser dos . o impacto da aplicação deste tipo destinado a recuperar parte das taxas ge- de instrumento pode dar resultados não radas pela prestação de serviços públicos esperados entre os cidadãos mais vulne. quando Se o imposto é calculado sobre o valor 160 se sentiu a necessidade de que parte dos de mercado do solo. em Medellín com a participativo e inclusivo assistência técnica da ONU-Habitat. e a Administração de “mais-valias” imobiliárias. crementadas. bre a construção. a participação Municipal da cidade. as cidades e coletividade. da busca de equidade e inclusão social.mais-valia . que apóiam diretamente a atua- lização dos POT. uma vez aprovada pelo Conselho melhorias ou valorização. Com cer. as receitas das cida- benefícios resultantes dos investimentos des podem ver-se substancialmente in- públicos no valor dos patrimônios priva. entre pa. Sua aplicação estará em prática em zar estes princípios: as contribuições para 2014. A aplicação deste instrumento foi an- Reajuste do solo tecipada. de desenvolvimento territorial. Imposto anual sobre cipação de mais-valias imobiliárias na a propriedade de bens cidade. bônus para compartilhará seus progressos com a co. Na experiência recente de os países poderão manter a distribuição muitas cidades considera-se útil separar equitativa de taxas e benefícios gerados o imposto sobre a terra do imposto so- pelo desenvolvimento urbano. A título A cidade de Medellín se deu o trabalho de exemplo. uma participação em mais-valia. facilita a tar para esta população o acesso a mais criação de um marco eficaz para o cálcu- Carta Medellín . de renovação urbana e transferência de direitos de construção e desenvolvimen- to. esses novos ingressos e favorecer toda a teresse coletivo. O propósito é facili.fosse revertida ao setor suficientemente eficientes para captar público para custear outras obras de in. promissórias munidade internacional.

a promoção de um solos de desenvolvimento e renovação ur. segundo alguns progressivo dos mercados de terrenos e atores. lo dos impostos sobre a propriedade nas no a partir do urbano: fazer das cidades cidades. com os quais as diferentes ad- ministrações procuraram um modelo de Políticas públicas cidade mais consolidado e de crescimento e instrumentos no longo prazo. a equidade social e a produ- vos muito diferentes em diversas cidades. do plano local e das cidades. es. reito à saúde da população e abordar movida pelo Banco Mundial para o setor todos os determinantes desta. Orientados para garantir a saúde inte- ta. eficientes. Carta Medellín . consolidada na atualização do POT. gral de todos. vizinhança. excelente administração e cuidado com a banístico e na moradia.. Esta é uma estratégia pro. ritórios. o fomento do desenvolvimento os quais significaram. Uma política pública global sau- des. Medellín 161 é a cidade que mais utiliza esta ferramen. também exige uma sempre impulsionando progressos no ur. desde a urbano e os governos locais desde 2009 e família com foco nos ciclos vitais e ter- com a qual se lançou a Década das Cida. Na Colômbia. entorno urbano seguro e sustentável e de bana para a próxima década. Estes estão orientados para melhorar as condições de saúde da po- pulação no marco da contribuição para Integração de políticas o desenvolvimento humano integral e a nacionais e locais qualidade de vida. e 2010 foram adotados 32 planos parciais na cidade. sustentabilidade.. com foco na busca de melhores taxas dável deverá sempre ser pensada a partir de crescimento e desenvolvimento huma. Entre 1997 políticas favoráveis aos pobres. A proposta atual do As politicas criam um sistema de cidades Plano de Desenvolvimento de Medellín que facilite a conexão entre instituições e 2012-2015 consiste em promover o di- infraestrutura. O progresso humano ocorre si- Planos parciais multaneamente com a concentração e a Esta ferramenta é utilizada com objeti. Em Medelín. sustentáveis e respeitosos do meio am- biente. Os sistemas de cidades tes planos têm sido experiências exitosas contribuem para respaldar as economias na geração de moradia e espaço público. tividade econômica. Instrumentos que potencian. o mais integral planejamento de de moradias urbanas. urbanas. territórios mais equitativos.

a missão a ser cumprida. mobili- 162 As múltiplas variáveis estratégicas que zação dos recursos para o setor. Propõem-se três ações transversais: veis administrativos. patrimônio coletivo e sustentável. e progressos em ci- ência. Um direcionamento estratégico consumo e de subsistência em cada setor e do setor torna-se obrigatório. ver. princípios. harmônica. Fortalecer a gestão glo. planejamento dos serviços públicos do- cidade de inovação e manejo integral do miciliares com base em uma visão urba- habitat e de todo programa de moradia no-territorial e de esquemas associativos social. e focalização de subsídios para melho- assentamentos precários ou informais. adotar metodologias de estratificação so- verá sempre destacar uma visão de lon. com vistas intervêm nestes processos falam da diver.de bairro . inclusivos.das que fortalece o processo participativo e as políticas. a fortalecer financeira. gestão dos solos. diversos. programas e projetos Políticas públicas e específicos. cioeconômica para assegurar uma maior go alcance. incrementando a capacidade direitos constitucionais referentes à mo. técnica e institu- sidade de atores e instituições que parti. ações integrais no território. A partir deste marco se poderá dispor de uma excelente execução nos ní- São produto de uma construção coletiva veis micro e comunitário . acompanhamento e avaliação de moradia contínua. entre Da mesma forma. técnica de execução e monitoramento. nos diferentes ní. e água para que o esquema solidário seja ciodemográficas. sustentáveis e comprometidos com um habitat social que gera bem-estar para Gerencia convergente todo cidadão e acolhe o viver pleno como dos serviços públicos o maior fundamento e inspiração de todo empreendimento. rar sua eficiência nos setores de energia dinâmicas populacionais e mudanças so. valores. radia digna e ao habitat. patrimônio familiar. cionalmente as funções de regulação das cipam da implementação das políticas: cidades. somados a critérios rigorosos instrumentos sustentáveis de ação. o qual de. articulada e consensuada da população e assegurar um bem-vi- com os diversos atores. tecnologia e inovação social. incrementa a capa. que aumentem a eficiência na prestação dos serviços públicos. analisar os níveis de outros. os correlação entre os índices de pobreza Carta Medellín . A urgencia e elevar as condições de vida bal.

163 a população. isto se converteu Estes modelos procuram controlar os ris. dos desafios fundamentais de toda cidade e país.. 3) executar Modelos de gestão obras de interesse comum. 4) cumprir integral de segurança funções de programação. nistrativas próprias ou atribuídas ao ente territorial pelo nível nacional. exemplo incentivar no país que as cidades. que cresce e amplia sua pre. Instrumentos que potencian. da população em cada local da cidade e 50% dos 10 milhões de pessoas que se a informação disponível sobre sua capa. na expectativa que blicos domiciliares se converteu em um em 2015 encontre-se em plena execução.. com o objetivo de salvar social de cidade sustentável e de bem-vi- Carta Medellín . é uma multilatina e a segun- coletivamente a presença de recursos fun- da empresa com caráter multinacional da damentais e prestar serviços públicos para Colômbia. trativas se associem para: 1) aproveitar Atualmente. dados os baixos níveis de cobertu- ra e de qualidade que ainda apresentam. Busca-se sas Públicas de Medellín (EPM). Medellín cidade de pagamento. Nos últimos anos. os entes territoriais. As Nações Unidas decla- raram a década 2011-2020 de ação em Dirigidos por agendas para a construção segurança viária. reconhecida mundialmen- metropolitanas. frente aos desafios essenciais do bem-estar ários com consequências para as pessoas. A consolidação de trabalha na construção de um modelo modelos territoriais e de alianças público de análise hierárquico das determinantes -privadas para a prestação de serviços pú. Normativas de e a necessidade de consolidar estratégias ordenamento territorial que permitam uma maior eficiência das Facilitam a associação de cidades e territó- entidades prestadoras destes serviços. as áreas neste campo. A rios para cuidar coletivamente dos recur- cidade de Medellín conta com as Empre- sos e do bem-estar dos cidadãos. em prática altamente positiva para fazer cos. que constituem um delica- do problema de saúde pública em toda Pactos de sociedade cidade ou pais. da mobilidade segura. fatais ou não. os te como umas das melhores prestadoras municípios e outras unidades adminis- destes serviços em âmbito internacional. calcula morrerão no período. 2) desenvolver funções admi- sença sem cessar. há mais de 60 anos. eventos e resultados de incidentes vi. das populações. e 5) procurar o desenvolvimento integral de seus territó- viária rios.

sociedade. trabalho autônomo. nas microempresas. A nova consciência do social necessidades básicas de toda a popu- e do ético ultrapassa amplamente os lação. a principal causa de os pobres e exclu- incluídos os que se conhecem como os ídos não conseguirem se incorporar de quarta geração. se impõe desde a 2) Dar suporte à mudança social a partir modificação dos empregos gerados no da integridade do desenvolvimento da setor informal. inte. a relações entre informalidade. sustentável. ver. na valorização ção das causas da pobreza estrutural a social das capacidades e habilidades curto e longo prazos constitui a pri. e sociais. reitos cidadãos e sociedades verda. produtiva e da economia. desemprego e subemprego instituições da cidade e da sociedade. desar- integral” que facilite a participação ticulação e desestabilização geral da ativa e interconectada dos cidadãos. A elimina. melhorar a distribuição equitativa dos 1) Assegurar rigorosamente todos os di. criar incentivos e normas inclusivas da renda financeira. contar com a oferta e a demanda de deiramente inclusivas. eliminar as barreiras que impedem a grada e coesa socialmente: geração de excedentes econômicos. da moradia apropriada sitados. conexão com o meio rural. No terreno das solidariedades. para os mais desprotegidos e neces- viços de saúde. é necessário mobilizar todas as motivo. e pobreza nas cidades mostram o ní- vel educacional e de formação como 164 der todos os direitos de cada cidadão. entre ou. e construir limites urbanos e e da segurança no emprego. Isto significa uma sociedade estável. em sua ex- pressão mais ampla. A integração da máquina abrindo espaços para uma ação eficaz. equilibrada em todas as zonas da cida- quase única e suficiente. emprego política atual e futura deve compreen. da elevação de. As estreitas tros. fazer investimentos econômicos limites tradicionais que durante dé. equitativas e meios apropriados para satisfazer as justas. canalizar esforços de maneira cadas marcaram a busca nas cidades. crescentes são vistos como as fontes para a consecução de uma “inclusão diretas de inequidade social. dos cidadãos. A partir desta pers- ao setor formal da economia. Por esse pectiva. benefícios na cidade e no território. Cinco políticas procuram criar e meira política na formulação e adoção incentivar o surgimento nas cidades de das estratégias integrais. do acesso aos ser. no cidade e de cada território. A geração de emprego Carta Medellín .

e facilite ações de baixo rápido e acelerado. prioritário sobre a mulher demons- to macroeconômico apropriado que trou a energia e a dedicação suficien- considere o desenvolvimento humano tes para enfrentar mudanças sociais sustentável como parte integral. Este enfoque sustentadas no tempo.. de de progrida coletivamente em uma Carta Medellín . com áreas que a compõem. O enfoque de gênero é ponto de 3) Assegurar que a nova ordem social seja partida para ações socioeconômicas viável e factível. vinculem e incluam todos os gração e a coesão social propõem um grupos sociais e cada cidadão no pro- novo olhar sobre a forma de governo e cesso de desenvolvimento integral da de utilização dos recursos públicos. assim. por meio exclusão. oportunidades barreira a ser eliminada é a opinião de e realizações de todos os cidadãos. Coreia e Chile. Pelo contrário. promisso político sólido. formas e gimento da nova estrutura produtiva procedimentos que tirem da pobreza aqui sugerida e à internacionalização extrema parte considerável da popu- das cidades. radicais de alivio da pobreza crítica. Pensamen. da cidade. lação. tiga tradição. Gasto público orientado para íses que recentemente o conseguiram: o social e comprometido com a busca Tailândia. somente em alguns. É preciso apostar a todo metas socioeconômicas prioritárias o momento em um progresso social e urgentes. é preci- cursos internacionais e outras fontes so estar realmente dispostos a pensar que possam se destinar às cidades para em todos os mais necessitados e não assuntos sociais e. Instrumentos que potencian. proteger os mais estruturação obrigatória do esquema vulneráveis e a contar com uma cida- de prioridades em curso. A primeira de novos equilíbrios. facilitar a re. Aproveita. a inte. que de grande porte. prove.. e riqueza estarão vinculadas ao sur. so eficaz para cada uma das zonas ou culado com o mundo produtivo. procurando um com. mento de oportunidades. o setor privado e demais atores sociais. Necessariamente. campo que deverão ser bem utilizadas ja recursos para que se trabalhe por no futuro. As cidades têm de- estimule e garanta o crescimento dos monstrações muito positivas neste 165 rendimentos dos mais pobres. marginalidade. tal como nos pa- custo. que é impossível modificar uma an- Ação compensatória de possíveis re. abandono e de decisões e práticas sustentáveis e deslocamento forçado. e abram caminhos de progres- mesma forma que de seu trabalho arti.

áreas da cidade mandas da população e que exijam Esta prática vem oferecendo aprendiza- desta sua participação plena. cas orientadas em direção à profunda transformação da cidade. pujante e Não é que se desconheça a maneira de articulada a processos de internacio- fazê-lo. o compromisso outras unidades administrativas. Tampouco o fator estratégico indispensável para alcançar determinante serão os recursos finan. mas que não se dão os passos nalização. Assim. mas sim seu uso e sua aplicação curados na cidade. que exige tegral do Pacto ou da Agenda Social de soluções gerenciais inéditas e não a Consenso em favor da vida na cidade. cebe a gerencia social como recurso ciais tão exigentes. de vida reais para todo cidadão. os resultados tangíveis e práticos pro- ceiros. É uma vigente e os recursos disponíveis sem. um marco conceitual mais amplo e estri- so das redes de proteção integral das to na busca do bem-estar e da qualidade maiorias mais necessitadas na cidade. simples ação rotineira de burocracias É preciso estabelecer as redes sociais e que apenas olham para o passado. ferramenta chamada a aperfeiçoar-se em pre serão parte essencial para o suces. Em consequência. Estas são ações que fundamentalmente devem executado por setores ou ser promovidas como resposta às de. 166 com consenso e marginalizados e deslocados. seriam tanto de lugar como de nível trata-se de focalizar e oferecer a res- no que se deve intervir. evitando distorções que os interesses particulares 5) Promover uma gestão social que pos. ou reconhecê-las como parte do conjunto para um presente cambiante e pouco das políticas e medidas socioeconômi- compreendido. po- de-se garantir seu êxito e repercussão Orçamento participativo efetiva para os necessitados. convivência saudável e cooperativa. sibilite uma sociedade nova. posta apropriada a partir de um pro- fundo conhecimento de um contexto 4) Criar e sustentar redes de proteção in- em permanente mutação. ações que gens significativas para a relação públi- facilitarão o incremento de seu poder co-privado e de diversos atores sociais econômico e de sua presença política nas cidades. é a política social que con- corretos para alcançar mudanças so. nas áreas metropolitanas e na condução de consenso da cidade. e a confrontação de visões parciais e de Carta Medellín . excluídos. A estrutura institucional.

convivência. alianças entre as caixas de compensação fa- o progresso empresarial. tais como os relacionados com o território. cultura cívica. respeitar. lazer buscados na cidade em um período deter. a inovação e a experimentação. fortalecer a legalida- de e a institucionalidade em governança com consenso e eficácia.. e inclusivo. garantir a sustentabilidade do minado. des de organizações sociais inovadoras. presentado na Colômbia e Medellín pelas de social. com fortalecimento de Estes projetos poderão constituir ações territórios saudáveis. liderem as transformações Cabe enfatizar que a educação e ética se. as empresas e outros atores de o bem-estar.instrumento criado na Colômbia a inversão de capitais novos e a conexão há 60 anos quando nasceu em Medellín a internacional com setores apropriados primeira Caixa denominada Comfama -. curto prazo provocam. na qual o empreendedorismo. Carta Medellín . Um caso concreto está re- abram as portas a uma genuína equida. que São projetos ligados à gestão global das apostam no marco de políticas públicas cidades: procurar a equidade na qual a inclusivas. to social para a criação de valor público çar uma economia e um crescimento que compartilhado. o estímulo para miliar . com o aproveitamento racional habitat social ou a moradia. assim como as crianças e os âmbito nacional e internacional. com a integração e a articulação de áreas. orienta- jovens constituirão prioridades centrais. e desporto. a segurança. o que faz crescer Projetos estratégicos o capital social. reconhecidas internacionalmente. a segurança para a partici- na implantação do novo pação dos cidadãos e a constante adoção conceito da cidade de políticas de inclusão. valorizar e proteger a vida. e com o meio ambiente e a Novas alianças que sustentabilidade da cidade a longo prazo. des da vida produtiva. das para sólidos modelos de investimen- ganhar em competitividade para alcan. constituirão o guia. Instrumentos que potencian. mane- cia. corredores ou limi- tes urbanos. a formação e a namento e gestão do território equitativo capacitação em função das novas realida. 167 rão sempre temas para abordar a partir da Ações que podem dar lugar a vastas re- perspectiva dos projetos estratégicos. com a ciên. a inclusão social e o Estado. com jo apropriado da oferta natural e um orde- a qualidade da educação. e responsável dos recursos naturais.. Redes nas quais participam educação. respeito singulares na promoção dos resultados dos direitos cidadãos.

de conciliação e de coordenação de ci- ência. demonstrando com região. que congrega representan- desafios. que se reúne Proantioquia conta com uma infinidade a cada mês.udea. sempre acima dos in. sempre necessá. outras instituições educativas e concertar as prioridades públicas e pri. mais estrutural e conjuntural. e. por convite da Universidade de fatos concretos que era possível articular Antioquia. região de Antioquia e no país. gado e continuado em favor de um atuar plantação de políticas públicas. Http://www. tecnológicas. os governos locais e as empresas presentes exemplos inovadores de transformação na América Latina e no Caribe. Consegue- se dar primazia aos interesses globais e de Outra iniciativa de boas práticas em nos- beneficio coletivo. na parte da comunidade internacional. mais complexos desafios sociais e da se- rias para a defesa dos interesses setoriais. participar na construção e im.co/portal/page/portal/bActualidad/Programas/GestionTecnologica/historial- Noticias/2011 Carta Medellín . ações e necessidades urgentes tes dos principais grupos empresariais da 168 desta parte do país. estudar casos. a Fundação Proantioquia e econômicas do Departamento de An- procurou ativamente. Este vadas de desenvolvimento (Proantioquia. gurança integral dos cidadãos. sa cidade é o Comitê Universidade Em- teresses individuais e de grupos. profunda das condições humanas. visionário e dos além das agremiações. mostrar dos nacional e internacionalmente como as capacidades das empresas e dos gru- 14. O CUEE. tecnologia e inovação (CT+I) no Passados quarenta anos de existência. fundado há cerca teu-se em porta-voz perante o Estado dos de onze anos. política de CT+I. principal- Desde então. conseguiu consolidar a ação mente em épocas quando se desafiam a empresarial de acordo com as agendas própria viabilidade da sociedade. ambientais. reconheci. Este exemplo de trabalho conju- privado. a partir do setor tioquia.edu. bem públicas de desenvolvimento na cidade merece um maior reconhecimento por de Medellín. Conver. Comitê se constitui em uma instância 2013). físi- cas. na Área Metropolitana. Departamento. de ensino superior fazem parte dele. presa Estado (CUEE). cientificas Desde 1975. é um fórum para debater a de intervenções e projetos.

lieue. urbanas” de hoje. A megacidade não ou a lei de mercado não as enclausurem a parte. Os governos locais e nacionais Carta Medellín . Instrumentos que potencian. Tampouco a megacidade devem levar em consideração a cidade é uma continuidade física: a norma urba- como o problema: a cidade é a única so- na é a imbricação e heterogeneidade de lução para acomodar no planeta 10 bi- formas e funções.14 complexa entre níveis de governo. populações. As cidades nao sobretudo. das superfícies e das ativida- des urbanas contemporâneas. Periferia. Para que regeram e segmentaram a ação públi- manejar as megalópoles do futuro é pre- ca: cidade v. . A sao o problema democracia urbana requer a contribuição de todos os usuários e detentores de direi- Os enormes problemas das cidades não tos adquiridos. entre setores administrativos. trabalho. a quase totalidade do que foi a urba- elementos chaves do funcionamento nização do século XX e da maioria das equitativo das cidades. etc.que a mobilidade e a acessibilidade são te. identificar projetos pode ser concebida como uma unidade conjuntos e conhecer as necessidades das política: a norma urbana é a cooperação empresas..que as periferias são as cidades de hoje. ban- . ecológica e duradoura. caráter urbano tanto dos espaços quanto dos grupos que representam. empresas e associações e.que os territórios urbanos são imbrica.. local v. são formas similares de negar o dos e reticulados. entre autorida- des públicas. pos de investigação.que a vida megalopolitana não é excep- Não se conseguirá a humanização das cional nem anormal. cidades do amanhã se não se mudar a perspectiva das mal-afamadas “periferias 169 . ciso assumir: lar v. formal v. heterogêneos e promissores e a urbanidade requer uma cultura cos. campo. O interesse geral pede lhões de seres humanos da maneira mais que se saia das dicotomias modernistas equitativa. global etc. complexos. com e entre grupos sociais. não obstan- . desde que a política urbana mopolita e tolerante. quanto esta. suburb. mas banal e normal. são tão é viver com desconhecidos e estrangeiros. informal. Os subúr- A megacidade não pode ser entendida bios já não são uma réplica simplificada como um megapovoado: a norma urbana e empobrecida da cidade central.

de roupas.) que se conectam gra- urbanas. reconhecimento e poder com os jovens. a solidariedade de fato que 170 representação democrática. mas também socialmente em ças à autonomia condicionada pela segu- uma categoria chave da população urba. de trabalho. imbricação de todos nossos territórios rização de sua vida na construção de sua reticulares individuais cria uma trama ur- sociabilidade e nas redes de amigos. uma rede de lugares (de lazer. de diversão. pelos meios de comunicação que fazem sensacionalis- mo de suas idiotices e delitos.. Apenas as grandes multinacionais têm sabido incorporar es- tes grandes consumidores de fast food. para reorientar os recursos e Os seres urbanos de hoje já não habitam fomentar a imaginação e as iniciativas no sua residência ou o bairro vizinho. Isto é conseguido unicamente se tativa se não deixarem de concentrar os a possibilidade de mover-se para usufruir recursos humanos. mas restante das áreas conurbadas. técni. estão alienados pela exclusão da conhecidos. Uma dimensão fundamental de uma ci- dade equitativa é a acessibilidade em mul- Carta Medellín . tiescalas. de sociabilidade. um território reticular mais amplo. pela continuidade de um espaço na. música e blockbusters etc. não apenas espacialmente nas periferias de manifestação. de A problemática da exclusão se expressa consumo. A mover-se facilmente e encontram a pola. equipados. não bana e gera a interdependência entre des- obstante.. dos recursos urbanos é oferecida a uma cos e financeiros nos espaços centrais já maior variedade de usuários da cidade. rança. não poderão fomentar uma cidade equi. Uma cidade equitativa não poderá ser alcançada sem compartilhar mais espaço. têm uma autonomia e los e pela proximidade de um transporte capacidade cognitiva que lhes permitem coletivo ou compartilhado cômodo. Eles são os verdadeiros público não reduzido ao trafego de veícu- nativos da cidade. imaginativos. pelos pais e pelas instituições que não sabem lidar com sua indisciplina. os adolescentes. entre seus clientes.

delinquência organizada. geógrafo e urbanista francês) Medellín. nos anos 80. Medellín renovou sua visão de cidade voltada para a consolidação de um modelo inovador. desemprego. os . desnutrição e deficiên- cias em educação e em moradia. deslocamento urbano. Isto conduziu a políticas e programas estratégicos que propiciaram as principais trans- formações e avanços da cidade nos últimos quinze anos. fun- damentado na capacidade de atar processos de mobilização social para enfrentar os problemas fundamentais do momen- to: narcotráfico.poderia ser mantida e desenvolvida como a solidariedade de valor e de direito. conflito interno. cidade para a vida. (Jérôme Monnet. Visão estratégica atual Diálogo coletivo para a coesão social Com a firme vontade de encontrar um novo rumo.

res de encontros. sob o Plano de De- para Medellín. como o Plano Estratégico de Me. comunidade internacional para que seus conselhos e opiniões contribuam para es. entre outros. tado na qualificação do talento humano. Luzes e o Metrocable. humana implementou-se a participação tasse a realidade que viviam por meio de para priorizar investimentos públicos e diálogos. consegui. dos na região andina. to 2004-2007 Medellín. Suas ênfases orientaram-se Entre 2001 e 2003. Revolução da cultura cidadã. como base de uma nova dinâmica industrial. Por sua vez. la-se o primeiro Plano de Ordenamento sivas que permitiram progressivamente Territorial. O se aproveitam grandes espaços públicos Plano Estratégico de Medellín gerou um deteriorados para converte-los em luga- projeto amplo e plural. como a Cidade Botero. Como fato relevante. formu- democrático. e privado. e políticas públicas inclu. o Parque das 4) centro logístico e de serviços avança. a da opinião pública. Assessoria da Presidência da República para Medellín e Alternativas de Futuro Entre 1998 e 2000. acolhe. tratégicas. de e coerência. contexto que marcou uma es- pécie de bitácula para a consolidação da Marcos concebidos nas décadas de 80 institucionalidade. bem-estar e qualidade de vida para todos os cidadãos. o Plano de Desenvolvimen- tropolitana sustentável. foram desenvolvidos projetos rais. e 5) cidade me. compromisso de Carta Medellín . quais são colocados em consideração da dora e integrada. 3) descentralizadas e participativas. Medellín competitiva e Primeiro Espaço 2) epicentro de políticas sociais e cultu. como o Parque dos Desejos. acordos e planejamentos. renovado e de primeiro nível no interesse dellín e a Área Metropolitana 2015. 1) cidade educadora que vo. estruturado a partir de três linhas es- sustenta seu desenvolvimento fundamen. acessível. Um contexto de planejamento da cidade clarecer se estamos no caminho adequa. Público. com continuida. no âmbito do Plano em cinco linhas para Medellín e a Área de Desenvolvimento Medellín competiti- Metropolitana. juntou-se a estas dinâmicas que conse- do que nos permitirá fazer da cidade um guiram um consenso nos setores público lugar para o bem viver tranquilo. em um pacto social e 90. senvolvimento Por uma Medellín mais ram que a cidade e a metrópole enfren. construção de cidadania Parque Santo Antonio e Parque dos Pés 172 participativa e alto sentido político e Descalços.

econômico com equidade Medellín cidade Participação Transparência para a vida Carta Medellín . e bem-estar sfo mais feliz. encontrem os direitos fundamentais e a Rota N. p a ra humana. os Colégios de Qualidade. o Parque Explora. São projetos emblemáticos ações articuladas. reconhecendo suas necessidades e interes- blico com o lema Medellín a mais edu. entre outros. propõe que na essência cada. o esforço permanente para ampliar as urbanismo social. sustentável an oe rm a m ç ã o c u lt u r al ru Desenvolvimento Visão de cidade. o que significou trabalhar a partir da Administração com a perspectiva de Entre 2008 e 2011. mais livre. ses diferenciados mediante ações afirma- tivas focalizadas. ble de Ocidente. com sua rede Mais equitativa. o Plano de Desenvol- solucionar problemáticas sociais e favore. as escadas Não violência Inovação rolantes na Comunidade 13 Educação ¬ como meio de desenvolvi- Educação e Cultura e Cultura mento. Bom Começo. a oportunidades e capacidades das pessoas.toda a cidadania. com um enfoque no os Projetos Urbanos Integrais (PUI). o Jardim Botânico e o Metroca- atenção a uma gama de necessidades bá. sicas. vimento Medellín é solidário e competitivo cer a inclusão social e a multiplicação de fortalece a aposta no desenvolvimento oportunidades para as populações mais humano integral. os planos parciais. os cenários desportivos para os Jogos Sul-ame- 173 ricanos Juvenis. priorização da educação como bem pú. equidade e qualidade Equidade de vida em um bairro situado Vida numa encosta ¬ e o Programa a e q uid a d e Alc a n ç a r u m a tr Construir uma cidade e cidadania para a vida. mais Inclusão Habitat de jardins de infância. Destacaram-se projetos como o Programa Medellín Solidária. com um conjunto de vulneráveis. a Rede do desenvolvimento humano integral se de Parques Bibliotecas.

a partir de as Jornadas de Vida. aquela onde prevalece a deliberação qua- ticipação. tratégicos de cidade com programas como de no território. co de todos os setores da sociedade. Este projeto pensam de maneira coletiva sobre como fundamenta-se em uma verdadeira trans. com programas de formação ci- dadã tais como Medellín toma a Palavra. cívico que regem este exercício de governo e de e de participação nos projetos urbanos. que supera a no. O projeto Cidade Vigente pensa Me. participativa. Transparência. mais li. par. não violência e inovação. lificada. essencialmente. de corresponsabilidade ativa para a cons- dellín como uma Cidade para a Vida. Dessa forma. mais feliz e mais justa. pelo amor como cami- nho de construção de cidade. Como contrape- como ele se relaciona com a comunida. de consenso e com em direção à consolidação do tecido de liderança. os exercícios de prestação vimento de uma cidadania cultural que de contas. e. 174 Medellín se propõe que toda cidade deva ter uma perspectiva ética a partir da qual Não violência é o princípio que reconhe- constituir-se e em si mesma educar. Um projeto de futuro para compreende uma cidade que passou do a cidade é uma visão de longo prazo. trução coletiva. mais profunda de todas. entendida como exercício Carta Medellín . pacífica de conflitos é uma ferramenta mas que potencializem as convocatórias cotidiana. É um esforço político e técni- uma comunidade mais humana. A resiliência é fator que define. es- medo à esperança e que hoje caminha tratégica. os observatórios e os sistemas transforma a cidade a partir do respeito de acompanhamento dos indicadores de pela vida. deve ser sua cidade e o que se deve fazer formação cultural de fundo que requer: para alcançar o acordado. licitações transparentes para as é aprendizagem contínua e de desenvol- contratações. Os princípios cidadã com forte critério político. a resolução de. o orçamento participativo. que vre. pelo reconhecimento do outro qualidade de vida da cidade. a partir da perspectiva o desenvolvimento do planejamento local. públicas. é cidadania são quatro: transparência. so efetivo contra a violência. As iniciativas Participação. e o exercício de ção de bom governo para converter-se na acordos com a cidadania para projetos es- base determinante da cultura da legalida. Uma liderança a revolução da equidade. pois ce o valor das manifestações cidadãs que a transparência é o agente essencial que elegeram a memória como ferramenta de rege a forma de governo e as maneiras resistência e construção. Tal critério determina a busca de for.

Museu de Antióquia e Casa tenta a visão estratégica da cidade e abrem Museu Pedro Nel Gomez. para expressar um desafio vital. primeiras na promoção do Plano intercambio constante. o Planetário. de Leitura. As manifestações sociais e ar- tísticas são sinais de vida e não violência Educação e cultura. a cultura e de ontem exigem novas soluções hoje. porque novos tempos impli- cenário universal de aprendizagem e de cam novos desafios e os mesmos desafios exercício cidadão. damente articulado e funcionando a servi- Carta Medellín . o Distrito de Ino- mento integral para uma Medellín pela vação Rota N. de co com equidade. Estabelecer políticas de incenti- que atuam como redes pedagógicas. inclusão um grande cenário de aprendizagem devi- e bem-estar. desenvolvimento humano e equidade. Inovação do Professor. entre outros. de aula e de instituição educacional. habitat sustentável. a rede de agentes culturais vida: educação e cultura. internacionalização e 175 blicas. proposta e resposta entre a sociedade civil e o Estado. uma cidade para a vida tece estes pelo Jardim Botânico. urbanismo os quais se encontram as bibliotecas pú- inclusivo. fundamentalmente. abertura. são a base de uma filosofia e uma forma de transfor- um projeto ético de cidade.cidadãs pela vida são eixos de encontro. e. constituem ção e justiça. e desenvolvimento econômi. a estética são ferramentas para se alcançar Gerar espaços e processos nos quais a a equidade e o desenvolvimento huma- inovação mais do que uma estratégia seja no. mação que impacte positivamente e de maneira plural as diversas esferas da so- Dessa maneira. para de maneira intencional fazer da cidade o Inovação. institucionaliza. A educação. entre vos e apoio para investigação. Portanto. a rede de museus. o Par- princípios em cinco dimensões setoriais que Norte e ao qual se somará o Centro de que impactam diretamente o desenvolvi. composto pelo Parque Explora. sistemas interdependentes ciedade. o caminho para que diferentes setores ado- distrito de ciência e tecnologia na Zona tem um enfoque que tenha a lógica do Norte. por meio Uma cidade escola de novos espaços de integração e de am- Compreender a cidade como um ecos- bientes de aprendizagem que partam do sistema educativo supera a visão de sala reconhecimento e não da exclusão. e os equipamentos de cidade. todos eles com entrada gratuita para as comunida- Tais princípios são a plataforma que sus- des: MAMM.

ambiental. que se Institucionalização consolida com a primeira Agencia de Edu- e justiça cação Superior Sapiência de Medellín. que abre as portas da escola por meio da extensão do horário escolar. esportivo e formal da cidade. único no país em seu legalidade e o exercício da justiça. Medellín Vive a Música e seu sistema de casas Da mesma forma. com uma política de atenção à primeira comunitárias. vência (PISC) é o pilar essencial de uma ra. e de equipamen- empurra e puxa -. talentos. Vida Articulada (UVA). Um enfoque dinâmico e integral sobre as Este enfoque sistêmico se fortalece com condições que determinam a segurança a chegada de programas como A Jorna. a qual determinou duas comunitário. Norte-Agro Biotecnológica ¬. uma nova tipologia urbana pro- movida pela Prefeitura de Medellín e pela ço da educação e da cultura. política que é exemplo no país por meio do Programa Bom Começo. um projeto de ge- Comunidade UVA. infância. rota que se complementa com cada uma científico. Jornada Com- formação e de criação. onde os sistemas cultural. Este cenário EPM. para oferecer às crianças tempos e Sapiência de Medellín. Centro de Ino- vação do Professor. seu tempo livre e para o despertar de seus Fraternidade. Medellín toma a Palavra. Medellín Leitura Viva. Agencia de Educação Superior dos. ração de cultura e desenvolvimento social no bairro. Plano de Melhoramento da Qualidade da Educação.oferecem rotas complementares Projetos estratégicos à educação de crianças e jovens por meio de Cidade Escola de um princípio básico: os processos de Bom Começo. gênero. para desatar processos tos qualificados para o desenvolvimento nevrálgicos no inicio do ciclo educativo 176 de atividades musicais. na cidade é mediado pela relação entre a da Complementar. mas O Plano Integral de Seguridade e Convi- a partir de uma perspectiva integrado. Velódromo. artísticas. as vinte Unidades de de música popular. das dimensões do desenvolvimento e que Carta Medellín . Ocidente-Paz e Não Violência. Rede de Cidadelas espaços de qualidade para uso criativo de Universitárias ¬ Cidadela Pedro Nel Gómez. juntos e articula- plementar. desportivas e recreativas. As UVA foram projetadas como complementa todo o sistema educacional centros de encontro cultural. por meio da ativação do es- estratégias fundamentais de push & pull - paço público sustentável.ci. dadão . e no final do ciclo com o ensino superior. juvenis. desportivo e participativo .

concentra esforços em cinco linhas de tra- a sensação de insegurança não seja o mo-
balho: 1) desmantelamento de estruturas tor de novas e piores violências e de volta a
criminais e redução da violência criminal caminhos semeados de sangue e dor que o
- rendimentos ilegais, homicídios, garan- pais já percorreu penosamente.
tias e sustentabilidade; 2) atividades para
a prevenção do uso de meninos e meni- Graças a esses enfoques e às novas formas
nas, adolescentes e jovens por parte dos de trabalho, hoje Medellín tem dez vezes
grupos de delinquências para a realização menos homicídios por 100 mil habitan-
de delitos; 3) atenção a violências coti- tes que os registrados em épocas nefastas.
dianas - violência intrafamiliar, violência Em 1991, a taxa era de 380 homicídios
interpessoal, homicídios; 4) redução do para 100 mil habitantes e, em 2013, a
número de furto de pessoas e furto de taxa caiu para 38. Este avanço da cidade
veículos; e 5) comunicação pública para foi possível graças à construção coletiva
a divulgação das ações e estratégias que e ao trabalho corresponsável que tende
melhoram a segurança da cidade. Da para o fortalecimento da institucionaliza-
mesma forma, o desenvolvimento de ção, que resulta de diversos aspectos, en-
programas e projetos para enfrentar as tre eles o da governabilidade e governança
causas e consequências diretas do con- com que se fundamenta uma sociedade.
flito: o Programa de Atenção às Vitimas, Os compromissos adquiridos pelo setor
a Unidade de Direitos Humanos e Con- público com a cidadania em relação com 177
vivência, o trabalho pela reconciliação, a o seu bem-estar e qualidade de vida para
memória e a resiliência. todos é a base do sistema de tomada de
decisões da cidade. O desafio hoje e no
Em matéria de institucionalização e jus- futuro é imenso. Medellín continua com
tiça, a gestão pública adquire sentido na altas taxas de criminalidade e a presen-
proteção, cuidado, promoção e recupera- ça de organismos e estruturas criminais
ção da vida, em um entorno que amplie requer um exercício integral, contínuo
as possibilidades de que esta seja feliz e e persistente da institucionalização para
livre. É necessário complementar o traba- seu enfraquecimento e desarticulação.
lho para minimizar os riscos, com o pro-
pósito continuo de aumentar a capacidade A coerência deste projeto coletivo consiste
institucional e assegurar justiça por parte em conjugar a ética pública, o desenvol-
do Estado, para melhoria da confiança da vimento do bom governo, a transparên-
sociedade em suas autoridades; e para que cia, a participação cidadã e a consistência

Carta Medellín

tempo, evidenciam o fortalecimento e a
Projetos estratégicos
consolidação de uma gestão pública cria-
em institucionalização e justiça
tiva e inovadora. Tal construção envolve
Política Pública de Seguridade e Convivên-
cia (Plano Integral de Seguridade e Convi-
múltiplos processos de diálogo, empre-
vência), Plano de Áreas Seguras, Segurança endedorismo social e fortalecimento de
Digital, infraestrutura segura, laboratório de instituições do Estado, especialmente das
criminalística, Corpo Elite de Objetivos de autoridades de segurança e justiça, assim
Alto Valor, Gaula Metropolitano, Sistema
como a busca de novos cenários para o
Municipal de Justiça, Plano Retorno, Resili-
ência e Memória, e Sistema Integral de Ges- desenvolvimento econômico.
tão do Risco.
Um território sustentável, ordenado,
equitativo e inclusivo conta com grandes
para fortalecer a governabilidade, âmbi-
projetos, desde a ampliação de meios efi-
tos nos quais se subscrevem as estratégias
cientes e limpos de mobilidade urbana
que permitem reverter os fatores críticos
que atentam contra a vida e a equidade a - como as linhas de Metroplus, tranvia,
partir da ilegalidade. É também o soma- Metrocable - até os novos assentamentos
tório de vários bons governos, sucessivos e, especialmente, o projeto de inclusão do
e sintonizados. Parque do Rio Medellín à trama urbana
vital, para fazer deste parque um lugar de
178 desenvolvimento integral que gere espaço
Habitat sustentável. público para o lazer de todos. O projeto ur-
Urbanismo pedagógico bano Jardim Circunvalar de Medellín, que
é o coração do Cinturão Verde Metropoli-
As obras de arquitetura e urbanismo re-
tano, concebido como um macroprojeto de
presentam o ponto culminante de um
inclusão social e econômica dos setores po-
processo social e político e expressam o
pulares dos morros da cidade; e que atende
modo como o tecido da cidade deve ser
também objetivos como a preservação da
urdido entre políticas públicas, cons-
riqueza ambiental, o vínculo e trânsito en-
trução social e cidadã, e gestão do de-
tre o urbano e o rural e a criação de novos
senvolvimento urbano. A construção de
espaços públicos de qualidade.
infraestruturas de transporte coletivo,
espaços públicos e equipamentos sociais Em cada um desses projetos de cidade se
contribuíram para a superação progressi- exerce a construção social do habitat e do
va dos problemas mais críticos, que, não
urbanismo pedagógico, ao partir das con-
obstante, adquirem novas facetas em cada

Carta Medellín

dições e características da comunidade
assentada no território; e ao estimular a Projetos estratégicos
em habitat sustentável
participação cidadã para a construção co-
Jardim Circunvalar de Medellín, Cinturão
letiva dos sonhos, de maneira que todos os Verde Metropolitano, Parque Central de An-
projetos que cheguem ao território o façam tioquia, Parque do Rio, Habitat e Moradia,
de maneira integral, articulada, pertinente Sistema Integrado de Transporte (SITVA),
infraestrutura viária, Tranvia de Ayacucho,
e pedagógica. Também se busca formar um
desenvolvimentos urbanos, POT, gerencias
cidadão que aprenda, participe, transfor- territoriais, Plano Integral do Centro.
me, sustente, cuide, usufrua e proteja a vida
em harmonia com seu entorno.
é construir mais de 100 mil soluções ha-
A construção social do habitat ¬ expres- bitacionais na cidade, entre as quais se
sada principalmente nas Jornadas de contam melhoramentos, titulação, novos
Vida e Equidade, no Planejamento Local programas e plano de retorno das famílias
e no Orçamento Participativo ¬ se funda- deslocadas pelo conflito armado para seus
menta no principio da participação como lugares de origem. Ainda que seu pilar seja
cenário para a construção de uma socie- o plano habitacional, fundamentalmente
dade equitativa: distributiva no econô- concebe como tarefa conjugar moradia,
mico, inclusiva no social, democrática no urbanismo e equidade.
político e sustentável no ambiental. Nela, 179

o Estado é um instrumento oferecido à Da mesma forma, a consolidação de um
sociedade para liderar, coordenar, pro- habitat regional sustentável, segundo os
piciar e facilitar o processo, mediante o requisitos da lei e das dinâmicas de ocu-
qual a comunidade adquire capacidades e pação e aptidão do território, deve estar
competências para definir suas priorida- de acordo com o planejamento urbano
des e assim construir o habitat que sonha. e rural, articuladas. Daí que o Plano de
Ordenamento Territorial (POT), sua
Igualmente, todo projeto de melhoramen- revisão e ajuste devem considerar a con-
to integral do habitat passa pela moradia. solidação dos sistemas de conservação
Por isto, a partir da Administração Mu- e proteção ambiental, de mobilidade e
nicipal se propõe a mil famílias o acesso transporte, de espaços públicos, equipa-
a condições de habitat integral e digno, mentos e serviços públicos, a definição
com todas as garantias e, especial e par- de limite urbano rural e o rio como eixo
ticularmente, a moradia segura. A meta articulador da cidade, em concordância

Carta Medellín

assim como programas serviços de saúde.700. o Hospital equidade territorial.000 afiliados. de idades e outras -. que atende tas como a inclusão e o bem-estar geral. dos quais 670 A cidade deve ser construída a partir de mil são habitantes de Medellín. assinala-se o avanço na para a população em situação de vulnera. deve de mais alto impacto social ao atender 20 considerar pari passu a saúde e as políticas mil lares. dois critérios fundamentais: a equidade territorial e a equidade humana. entre outros. como ação positiva para desenvolver novas cen. com respeito. para fomentar hábitos de vida saudá- No que se refere à equidade humana . E. solo com instrumentos como os planos parciais. em especial. Sobre a Destacam-se. Medellín deve deixar Infantil Conselho de Medellín. Saúde no Lar é outro dos programas populacional. serviço de qualidade que proteja sua vida tos. o Parque da Vida. quanto aos afrodescendentes. à comunidade LGTBI e aos escolas e colégios públicos. forjando a rede primeira infância. visitar 150 instituições educa- de inclusão direcionadas à juventude. Em outras de centros de saúde. com a criação de Savia Saú- de suas potencialidades para formar um de. deve desenvolver planos de in- gral do risco e uma adequada gestão do clusão e bem-estar no território. mais de 1. garantia da atenção básica com altos níveis nhar seus habitantes no desenvolvimento de qualidade. com um sistema para a atenção inte. a renovação urbana. por meio do fortalecimento do sistema de atenção eficiente e a articu- lação das instituições em rede. a construção de no- Carta Medellín . esforço conjunto com o Gabinete do tecido vital que permita fazer conquis. modelo de promoção e prevenção da saú- tralidades em interação com a periferia. palavras. de. pletos da América Latina. vel. a regularização e legalização de Em matéria de saúde. deve desenvolver. infraestrutura pela consolidação da rede bilidade e de pobreza extrema. Governador e com Comfama. um de habitantes e maiores mecanismos de projeto inovador na Colômbia. às tivas e atender a 128 mil estudantes de mulheres. o de oferecer aos cidadãos o acesso a um a integração imobiliária e os macroproje. Com um Inclusão e bem-estar critério regional avançar na cobertura e na Toda cidade para a vida deve acompa. o mais 180 moderno do país e um dos mais com- de ser uma cidade definida pela relação crescimento-exclusão. que confirma se a partir de mais pontos de encontro o compromisso com a atenção integral à e mais diálogo público. o maior desafio é prédios edificações.

ao obter a instalação de empresas der a perspectiva de tender sempre pela como a Holcim. internacional como um destino para ne- dutiva. Isto Carta Medellín . Desenvolvimento econômico com equidade O Distrito de Inovação . secretarias com o propósito de contribuir Por este motivo. entre outras. Jovens pela Vida. aberto à solução de problemas da cidade -. e. O objetivo é que cada fa- populacional. za extrema as famílias mais vulneráveis. inovação. com acesso a soluções canalizar e oferecer oportunidades para de cidade para todos.vas unidades hospitalares e do Hospital da Nororiental.programa de inovação nossa sociedade. Família No que se refere à vulnerabilidade.Medellínno- Ao gerar progresso. Sistema de Proteção à Vida. não apenas a torna os jovens da cidade. HP. que é Na busca dessa cidade para a vida. mais competitiva. dinamizado a partir da Rota vidade e trabalho decente. cidade inteligente por meio de platafor- pulação juvenil. Projetos estratégicos de inclusão e bem-estar Saúde no Lar. gócios. Medellín Sã e grama Medellín Solidária tirou da pobre. programa definir critérios que atendam à diminui- bandeira que articula o esforço de várias ção de brechas. com uma cobertura que alcançou 50 mil lares. da mesma forma. Huecos Medellín e Segurança Digital. ao mesmo tem- solucionar o problema dos viciados em 181 po. Hospital da Nororiental. origem de muitos problemas de MiMedellín . o Pro- Medellín. quase 100% das famílias que viviam nessa condição. fazer de Medellín uma para o desenvolvimento integral da po. o de zero família em condição de pobreza projeto econômico do território deve extrema. mas tecnológicas. E Jovens pela Vida. mas. Livre de Vícios. competiti. mas é necessário fazê-lo sem per. busca colocar a cidade no âmbito suas capacidades e de sua estrutura pro. mais inclusiva com programas como drogas. Kimberly e Contax. Medellín Solidária. vation -. especialmente a digital. Procter & Gamb- equidade e pelo equilíbrio territorial e le. se potencializa N para o desenvolvimento de empreen- o desenvolvimento econômico da cida. dimentos e novos negócios do conheci- de-região por meio do fortalecimento de mento. garantir seus direitos. mília melhore e assim avance no desafio superior de uma cidade equitativa. entre outros.

e. cidade de gran- maior dinâmica econômica na cidade. do pela Agencia de Cooperação e Investi- mento (ACI). Inserir Medellín nas redes para sua inserção ativa e proativa nos mer- internacionais facilita a possibilidade de cados globais. ção de condições para as empresas e me- Projetos estratégicos lhoria da segurança. Cidade Cluster. 1) o foco no coletivo. internacionalização. fortalecido pelo tecido um digito. Para mantê-lo a Administração Municipal deve continuar contribuindo tanto com investimento público quanto com a gera- Carta Medellín . um trabalho ar- Esta estratégia permitiu superar o desafio ticulado entre o público e o privado. a transformação de EPM e EEVV.6% foi a mais baixa dos últimos dezoi- sociais que trabalham nos e a partir dos to anos em Medellín. mobilidade. Rota N. Agencia de APP. acesso a em desenvolvimento econômico novas tecnologias e a formação do capital com equidade humano. latino-americanos. Ao encerrar-se 2013 a taxa de social e as organizações comunitárias e 9. Esta é a cidade que Medellín propõe: um território para a vida e a equidade que com- Impulsionar a equidade e a vida como plementa este enfoque multidimensional propósitos universais e. geração de empregos e de novas oportu- nidades para toda a população. Em internacionalização. o sistema integra- te. Neste objetivo se aberta à discussão. de diminuir o índice de desemprego de adicionalmente. e des eventos. Privado EPM para o desenvolvimento empresarial em CTI. Medellín aprendeu a cons- Público de Emprego em associação com truir a partir de três perspectivas que fo- o Ministério do Trabalho e a implanta- ram expostas reiteradamente neste texto: ção do Pavilhão Verde da Praça Maior. o que se traduz em um dos melhores resultados junto com a diminuição da taxa de homicídios. o Centro de Convenções Praça Maior e o Bureau trabalham em rede complementa a estratégia de internacio- para o aumento de investimento e uma nalização de Medellín. Medellinnovation. especialmen- com uma gestão territorial ativa e sempre te. Medellín Cidade Inteligen. o primeiro Centro Como cidade. Cidade de Eventos. ao diálogo coeso e à de- inscreve a criação do Fundo de Capital 182 liberação pública.

. Permanecemos fiéis à busca da felicidade e do bem-estar sus- tentável de todos na Terra: em cada território. 2) a força de bons governos sucessivos e sintoni- zados. proporciona- do pela ONU-Habitat. os que cada vez mais nos unem e irmanam. e 3) a modernização da gerência pública e a gestão de assuntos de governo. De mãos dadas Este encontro mundial em Medellín. compromisso e energia os desafios fundamentais do nosso tempo. a partir de um enfoque transparente que aglutine as fortalezas históricas de gestão como é o caso das Empresas Públicas de Medellín e do Metrô de Medellín.territórios. em coerência com o desenvolvimento urbano planifi- cado. mas que também considerem uma nova visão múltipla e articulada da gestão: passar de uma gerência funcional ou de projetos a uma política setorial e territorial. social e pedagógico. cidade e rincão onde nos encontremos. significa uma capacidade imensa de responder e enfrentar com valor.

Desejamos bom regresso a seus lares para cadora e ética estará sempre no coração aqueles que nos honraram com sua pre- de todo cenário global ou local. preparando com esmero o das a Terra e o viver. vozes solidárias conselhos oportunos. Urbanas que hoje propomos ao WUF7. no século passado. Reafirmamos que a grandeza de nossas ações coletivas se fundamenta no espírito Carta Medellín . de todo cidadão no planeta. Seguiremos nosso diálogo e intercâm- peitando toda civilização e cultura. res. de gestão e cada um de nós de compartilhar. que procure uma vida melhor e apropriada às exigências da sustentabili- dade do mundo. porque essencial sobre o acontecer diário de nossas a beleza inspira. ou rural. tecnológica. conduzir a um grande salto qualitativo. com 184 paz universal é urgente e indispensável a participação e ativa presença de muitos para o progresso humano sustentável. crescer e de incursão por caminhos variados e ainda ser em um mundo onde a serenidade e o desconhecidos. o qual deve estar sempre iluminado e oportunidades e que dispõe de grande ca. Manejamos um domínio otimismo fluam em permanência. caminhar firmemente próximas gerações. potencializado por um desejo enorme de pacidade científica. para o verdadeiro reconhecimento do outro. solidariedade e coopera- história da humanidade está repleto de ção. toda bios apoiados pela Plataforma de Soluções expressão sã do viver. Concordamos que uma dimensão edu. para o mundo suas decisões e espera das ra Mundial. um sítio web que esperamos juntamente Temos completa compreensão de que a com a ONU-Habitat levar adiante. últimas décadas morreram muito mais ho- mens e mulheres em centenas de conflitos Hoje Medellín é uma cidade que expõe violentos do que durante a Segunda Guer. Nas dos atores e instituições aqui presentes. futuro bom e agradável que forjaremos ções para todos são: voltar a humanizar juntos. citadino sença neste encontro. Bem-vindos ao trabalho comum por um Aceitamos que as principais preocupa. a bondade convida e a vidas e lugares que rumo a 2050 poderá nos fraternidade torna possível a paz continua. Reconhecemos que este momento na de fraternidade.