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FREI LUÍS DE SOUSA APONTAMENTOS Marcas evidentes do ROMANTISMO:  a crença no sebastianismo;  a crença no aparecimento dos mortos, em Telmo;  a crença em agouros, em dias aziagos, em superstições, típicos da cultura portuguesa;  as visões de Maria, os seus sonhos, o seu nacionalismo e idealismo patriótico;  o «titanismo» de Manuel de Sousa, incendiando a casa só para que os Governadores do Reino a não utilizassem;  religiosidade - uma referência de todas as personagens; religião enquanto conforto;  individualismo - o confronto entre o indivíduo e a sociedade ( por exemplo: a atitude que Maria toma no final da peça ao insurgir-se contra a lei do matrimónio uno e indissolúvel, que força os pais à separação e lhos rouba ;  A crítica social aos preconceitos que vitimam inocentes;  O Homem como alvo de atenção analítica.  Exaltação dos valores patrióticos nacionais ( sobretudo através de Manuel de Sousa Coutinho).  O realismo psicológico que caracteriza a transformação dos sentimentos de Telmo relativamente dividido entre o amor a D. João de Portugal e a D. Maria.  tema da morte - a morte como solução dos conflitos é um tema privilegiado pelos românticos; no caso do Frei Luís de Sousa, verifica-se: - a morte física de Maria (morre tuberculosa); - a morte simbólica de Madalena e de Manuel ( morrem para a vida mundana); - morte simbólica de D. João de Portugal que, depois de admitir que morreu no dia em que sua mulher o julgou morto, simbolicamente, morre uma segunda vez, quando Telmo, depois de lhe ter desejado a morte física como única maneira de salvar Maria, aceita colaborar com o Romeiro no sentido de afirmar que se trata de um impostor, numa última tentativa de evitar a catástrofe; - morte psicológica de Telmo;  O aproveitamento de uma história do passado.  Se a isto acrescentarmos certas características formais, como o uso da prosa; divisão em três actos; teremos que concluir que é um drama romântico, com lances de tragédia apenas no conteúdo.  Sendo assim, quase podemos dizer que este texto é uma tragédia, quanto ao assunto. Na verdade:  o número de personagens é diminuto;  Madalena, casando sem ter a certeza do seu estado livre, e Manuel de Sousa, incendiando o palácio, desafiam as prepotências divinas e humanas (a hibris);  uma fatalidade ( a desonra de uma família, equivalente à morte moral), que o assistente vislumbra logo na primeira cena, cai gradualmente (climax) sobre Madalena, atingindo todas as restantes personagens (pathos);  contra essa fatalidade os protagonistas não podem lutar (se pudessem e assim conseguissem mudar o rumo dos acontecimentos, a peça seria um drama); limitam-se a aguardar, impotentes e cheios de ansiedade, o desfecho que se afigura cada vez mais pavoroso;  há um reconhecimento: a identificação do Romeiro (anagnorisis);  Telmo, dizendo verdades duras à protagonista, e Frei Jorge, tendo sempre uma palavra de conforto, parecem o coro grego. A Tragédia – Poema dramático que representa uma acção importante em que figuram personagens ilustres e cujo o fim é exercitar o terror e a piedade. Elementos fundamentais da tragédia:  Hybris - Sentimento que conduz os heróis da tragédia à violação da ordem estabelecida através de uma acção ou comportamento que se assume como um desafio aos poderes instituídos (leis dos deuses, leis da cidade, leis da família, leis da natureza).  Pathos - Sofrimento, progressivo, do(s) protagonista(s), imposto pelo Destino (Anankê) e executado pelas Parcas, como consequência da sua ousadia. Tal sofrimento será progressivo.  Ágon - Conflito (a alma da tragédia) que decorre da hybris desencadeada pelo(s) protagonista(s) e que se manifesta na luta contra os que zelam pela ordem estabelecida.  Anankê - É o Destino. Preside às Parcas e encontra-se acima dos próprios deuses, aos quais não é permitido desobedecer-lhe. Peripécia - Um acontecimento imprevisível que altera o normal rumo dos acontecimentos da acção dramática, ao contrário do que a situação até então poderia fazer esperar e precipita o desenlace. Anagnórise (Reconhecimento) - Segundo Aristóteles, "o reconhecimento, como indica o próprio significado da palavra, é a passagem do ignorar ao conhecer, que se faz para a amizade ou inimizade das personagens que estão destinadas para a dita ou a desdita." Aristóteles acrescenta: "A mais bela de todas as formas de reconhecimento é a que se dá juntamente com a peripécia." O reconhecimento pode ser a constatação de acontecimentos acidentais, trágicos, mas, quase sempre, se traduz na identificação de uma nova personagem. Katástrophé ( catástrofe) - Desenlace trágico, que deve ser indiciado desde o início, uma vez que resulta do conflito entre a hybris (desafio da personagem) e a anankê (destino), conflito que se desenvolve num crescendo de sofrimento (pathos) até ao clímax (ponto culminante). Segundo Aristóteles, a catástrofe " é uma acção perniciosa e dolorosa, como o são as mortes em cena, as dores veementes, os ferimentos e mais casos semelhantes." Katharsis (Catarse) - Purificação das emoções e paixões (idênticas às das personagens), efeito que se pretende da tragédia, através do terror e da piedade que deve provocar nos espectadores. Clímax – ponto culminante, geralmente coincide com a anagnórise. Coro – ( personagem colectiva) comenta ou anuncia o desenrolar dos acontecimentos sem interferir neles. A linguagem é em verso. Outros elementos da tragédia : Unidade de Acção « Todos os acontecimentos se devem suceder em conexão tal que, uma vez suprimido ou deslocado um deles, também se confunda ou mude a ordem do todo. Pois não faz parte de um todo o que, quer seja quer não seja, não altera esse todo.» Aristóteles, Poética, 51 a Unidade de Tempo « A tragédia procura, o mais que é possível, caber dentro de um período do sol, ou pouco excedê-lo, porém a epopeia não tem limite de tempo - e nisso diferem [...] Aristóteles, Poética, 49 b «Aristóteles exigia para a tragédia um tempo de história muito curto, isto é, a acção devia começar, desenvolver-se e terminar no espaço de 24 horas.» Unidade de Espaço A tragédia deve desenvolver-se num só espaço, evitando assim a dispersão. As Personagens da peça Manuel de Sousa Coutinho • Segundo marido de Madalena; • pai de Maria; • teme que D. João possa regressar ( ideia inconfessada ); • teme que a saúde débil de sua filha progrida para uma doença grave ; • decidido, patriota ( incendeia o seu palácio porque este iria ser ocupado pelos governadores espanhóis; • sofre, sente remorsos ao pensar na cruel situação em que ficara a sua querida Maria; • Amor paternal. Dona Madalena • • • viúva de D. João de Portugal; casa com Manuel de S. Coutinho, tem uma filha desse casamento, Maria; vive em angústia em relação à situação insegura do seu casamento; • sente remorso por ter gostado de Manuel de Sousa, enquanto era ainda casada com D . João; • Inquieta em relação a Manuel de Sousa e a Maria; • Insegura e hesitante; profunda, feminina; • vive uma solidão forçada, com Maria e Manuel disfarça a angústia, com Telmo é mais frágil mas continua a dissimular o seu pathos; • mulher dominada pelas lágrimas e pelo amor, ela sofre e sofrerá sempre, porque a dúvida não a deixará ser feliz; • perfil romântico. Maria de Noronha • • • • Filha de D. Madalena e Manuel de Sousa; representa o amor filial, curiosidade; sonho, fantasia, idealismo, filha fatal, • adolescente fantasista, sebastianista por influência de Telmo, adivinhava " lia nos olhos e nas estrelas " ; • sempre febril, • cresceu de repente, criança precoce; • gosto pela aventura, frágil, alta, magra, faces rosadas, • patriota, intuitiva, inteligente. D . João de Portugal • Casado com Madalena, mas desaparecido na batalha de Alcácer Quibir; • austero, mas humano. • dominado pelo sentimento amoroso por Madalena; • sonhador ( quando pensa, por momentos, que Madalena o ama ); • crente. • É a personificação do Sebastianismo. Telmo Pais • escudeiro de família dos condes Vimioso, • sofre com a saudade e a mágoa do desaparecimento do seu amo, D. João. • sofre pela volta de D. João, pois esta tirará a tranquilidade da sua " menina " ; sofre porque é forçado a ver o seu velho amo como um intruso • por amor a Maria, dispõe-se a declarar o Romeiro como um impostor; confessor das personagens femininas; • • • equivale ao coro da tragédia, sádico, fiel, confiante, desentendido, supersticioso, sebastianista, humilde; enorme sabedoria. O Frei Luís de Sousa é uma peça de teatro que evidencia marcas da tragédia clássica e do drama romântico em simultâneo. Trata-se, portanto, de uma obra híbrida. Assim, por um lado, constatamos influência da tragédia grega sobretudo ao nível do conteúdo, uma vez que o número de personagens é reduzido e pertencem todas a uma classe social elevada. Além disso, sentimos desde o início o peso do destino, da fatalidade que paira sobre a família que dela não consegue escapar, daí o sofrimentos crescente ( pathos) que atingirá o climax e a catástrofe. O desfecho trágico resulta do desafio (hibris) que as personagens que D. Madalena e Manuel lançam às autoridades divinas e governamentais, respectivamente. Por outro lado, a peça é um drama romântico porque a morte é o desfecho inevitável do conflito, porque a crença em agouros e presságios caracterizam D. Madalena, D. Maria tem visões e sonhos premonitórios e as personagens revelam sentimentos exacerbados pelos quais se deixam guiar. De facto, D. madalena luta até fim pelo seu amor por Manuel e este manifesta um nacionalismo extremo ao incendiar o palácio em nome das suas convicções políticas pois é contra o domínio filipino e aspira à Liberdade. Em suma, tratando-se de uma obra híbrida, esta peça de Garrett associa influências distintas – as do drama e as tragédia