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espacos métricos PROJE) EUCLIDES CONTEUDO PREFACIO..... CAPITULO 1 ESPACOS METRICOS al §2 8 §4 §5 §6 Exercicios.. . CAPITULO 2 FUNCOES CONTINUAS ............... 1 §2 §3 4 §5 Exercicios.. Definigio ¢ exemplos de espagos métricos.. Bolas ¢ esferas. Conjuntos limitados.... . Distancia de um ponto a um conjunto; ‘distancia entre dois ‘conjuntos Isometrias Pseudo-métricas. Definigéo € exemplos . a Propriedades clementares das aplicagses continuas Homeomorlismos. Métricas equivalentes... Transformagées lineares ¢ multilineares CAP{TULO 3 LINGUAGEM BASICA DA TOPOLOGIA...... §L §2 §3 $4 Berek te isee 6606 oto 4 84 UT Ay EE FREE Conjuntos abertos Relagdes entre conjuntos abertos ¢ continuidade. Espagos topolégicos.. Conjuntos fechados CAPITULO 4 CONJUNTOS CONEXOS........ § §2 3 §4 5 Exercicios...... CAPITULO 5 LIMITES. § 2 3 Ca Definig&éo ¢ exemplos .. . see Propriedades gerais dos conjuntos conexos..... Conexidade por caminhos.. .. Componentes conexas. A conexidade como invariante topol6gico . Limites de seqiiéncias... Seqtléncias de némeros reais . Series. Convergéncia e topologia .. 105 107 109 1S 45 121 123 125 §5 Seqiiéncias de fungdes §6 Produtos cartesianos infinitos §7 Limites de fungdes. Exercicios.. CAPITULO 6 CONTINUIDADE UNIFORME.. §1 Observagoes ¢ exemplos Exercicios : : CAPITULO 7 ESPACOS METRICOS COMPLETOS. §1 Seqiiéncias de Cauchy...... 0... cee §2 Espagos métricos completos .. . §3. Espagos de Banach e espagos de Hilbert. . §4 Extensio de aplicagdes continuas §5 Completamento de um espago métrico....... §6 Espagos métricos topologicamente completos... §7 0 teorema de Baire....... §8 O método das aproximagoes sucessivas. Exercicios.. — CAPITULO 8 ESPAGOS METRICOS COMPACTOS... §1 Compacidade na reta...... 82 Espacos métricos compactos $9 Produtos de dois fatores, um dos quais € compacto.. $4 Uma base para (K; M) §5 Caracterizagdes de cspagos compactos §6 Produtos cartesianos de espagos compactos §7 Continuidade uniforme . feiss, §8 Espacos localmente compactos §9 Espasos vetoriais normados de dimensio finita.. M10 Eqilicontinuidade.. . §{1 Os teoremas de aproximagio de Weierstrass © Stone Exercicios.. CAPITULO 9 ESPACOS SEPARAVEIS. §1 Propriedades gerais §2 Espagos Jocalmente compactos separiveis.. : §3 © cubo de Hilbert com espaco separivel universal. §4 teorema de Hahn-Mazurkiewicz.... §5 Paracompacidade. Exercicios BIBLIOGRAFIA............ INDICE DE NOTAGOES... INDICE ALFABETICO. 148 149 158 161 161 165 169 475 180 183 186 196 202 207 207 209 216 219 221 226 233 235 238 240 248 264 274 274 278 280 281 284 290 293 295 296 PREFACIO Este livro foi escrito para servir de texto a um curso sobre Espagos Métricos, como uma introdugio a Topologia. Um tal curso no deve ser lecionado antes do tltimo ou pentiltimo ano de graduagiio. De fato, os alunos tirardo maior proveito dos assuntos aqui abordados se ja olharem para épsilons e deltas com a familiaridade que se adquire depois de um ou dois semestres de Anilise. Estritamente falando, o tnico pré-requisito formal para a leitura deste livro é a linguagem (e a notagio) de Conjuntos. Mas, se bem que nenhum resultado especifico de Andlise seja essencial para o entendimento da matéria aqui tratada, uma experiéncia anterior com os métodos de demonstragéo daquela disciplina facilitaré bastante 0 acompanhamento da exposigiio, Além disso, um certo conhecimento de Anélise ajudaré 0 Ieitor a apreciar o significado das aplicagdes da teoria dos Espagos Métricos, tanto nos exemplos que apresentamos como nos que encontrar depois. Existe uma regra segundo a qual todo autor que reescreve um livro, necessariamente 0 torna pior. Se isto for verdade, sou duas vezes culpado do mesmo crime. Com efeito, 0 que originow o presente trabalho foram umas notas mimeografadas que escrevi quando ainda era aluno da faculdade, e que gozaram de alguma popularidade entre os iniciantes na Topologia ha alguns anos, Elas foram radicalmente refeitas para serem texto de curso no 10.° Coléquio Brasileiro de Matematica. Além de modernizar ¢ ampliar a versio original, procurei:apresentar algumas aplicagBes, como o Teorema Fundamental da Algebra, a existéncia de fungdes continuas sem derivada em nenhum ponto, o Tcorema de Picard sobre existéncia € unicidade de solugdo para equagées diferenciais ordindrias, 0 Teorema de Montel sobre familias normais de fungées analiticas, a curva de Peano, © Teorema de Stone-Weierstrass, etc. Espero que esses exemplos déem uma pequena idéia da forga e da versatilidade das teorias aqui expostas. Ao texto do Coléquio acrescentei cerca de 400 exetcicios, 0 §11 do Ca- pitulo 8 € um capitulo sobre espacos separaveis. Todo 0 esforgo foi feito para tornar este livro uma excegio a regra acima citada. Organizar a lista de exercicios propostos neste livro foi talvez a parte mais divertida da tarefa de’ escrevé-lo. Espero que uma parcela do fas- cinio que senti ao selecionar, descobrir, formular e resolver esses problemas se transmita ao leitor. Nao se pode esperar aprender Matematica contem- plativamente, Apelo, portanto, ao leitor para que tente resolver os exer- cicios que Ihe paregam mais atraentes e/ou desafiadores, Nao os queira resolver um por um, nem os ataque necessariamente na seqiiéncia em que sao apresentados. Isto poderia consumir muito tempo. Mas procure ler o enunciado de cada um. E boa sorte na viagem que ora inicia. Ao finalizar, cumpro o agradavel dever de agradecer a Joao Beal Vargas ¢ Oclide Dotto por terem apontado varias corregdes no texto mimeografado. Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1976. Elon Lages Lima PREFACIO DA 3% EDICAO Nao ha mudancas essenciais no livro; foram apenas corrigidos alguns erros. Quero agradecer aos colegas que tiveram a bondade de m’os comu- nicar, destacando entre eles Jesus Alfonso Perez, Nilson Nunes de Castro ¢ Oclide Dotto. Rio de Janeiro, abril de 1993. Elon Lages Lima ‘CAPITULO 1 ESPACOS METRICOS $1 Definicao e exemplos de espacos métricos Uma métriéél num conjunto M & uma fanga@wasnvaseinmste” que associa a cada par ordenado de elementos x, ye M um niimero real dx, 9), chamado a distancia de x a y, de modo que sejam satisfeitas as seguintes condigées para quaisquer x, y, z¢M: Tat) ax, =0; | d2) Se x # y entdo a(x, y) > 0; \ 43) de =dyxds | 44) dle, 2) < d(x, y) + dly, 2). Os postulados di) e d2) dizem que d(x, y) = 0 e que a(x, y) =0 se, e somente se, x = y. O postulado d3) afirma que a distancia d(x, y) é uma fungiio simétrica das variaveis x, y. A condig&io d4) chama-se desigualdade do triingulo; ela tem origem no fato de que, no plano euclidiano, 0 com- primento de um dos lados de um trifingulo nfo excede a soma dos outros dois. Pa x z y a, 2) < dex, ) + dQ, 2) x y z d(x, 2) < dle, y) + dly, 2) d(x, 2) = dix, 9) + dy, 2) x, z Um espago métrico ¢ um par (M, d), onde M é um conjunto ed é uma méttica em M.Na maioria das vezes, salvo quando houver possibilidade de divida, diremos simplesmente “o espago métrico M”, deixando suben- tendida qual a métrica d que esté sendo considerada. Qs elementos de um espago métrico podem ser de natureza bastante arbitrdria: ntimeros, pontos, vetores, matrizes, fungdes, conjuntos, etc. Mas nés os chamaremos sempre os pontos de M. Daremos agora alguns exemplos de espagos métricos. 2 Espages métricos EXEMPLO 1. A métrica “zero-um”. Qualquer conjunto M pode tornar-se um espago métrico de maneira muito simples. Basta de- finir a métrica d: M x MB pondo d(x, x) =O c d(x, y) = 1 sex #¥. As condigdes di) a d4) sfio facilmente verificadas. © espago métrico que se obtém desta maneira é naturalmente, bastante trivial, embora seja til para contra-exemplos. EXEMPLO 2. Subespaco; métrica induzida. Se (M, d) & um espago métrico, todo subconjunto 5 c M pode ser considerado, de modo natural, como espago métrico: basta considerar a resttigio de da S x S, out seja, usar entre os elementos de $a mesma distancia que eles possuiam como elementos de M. Quando isto é feito, S chama-se um subespaco de M © a métricayde’S diz-se mduzidaypelaide"MvyEsta idéia Sbvia nos per- mite obter uma grande variedade de exemplos de espagos métricos, con- siderando os diversos subconjuntos de um espago métrico dado. EXEMPLO 3. A reta, ou seja, 0 conjunto R dos nameros reais, é 0 exem- plo mais importante de espago métrico. A distancia entre —__ dois pontos x, yeR é dada por d(x, y) = |x—yl, As condigdes dl) a 44) resultam imediatamente das propriedades elementares do valor absoluto de nimeros reais. Esta ¢ a chamada “métrica usual” da reta. A menos que seja feita mengao explicita em contrario, é a ela que nos referiremos sempre que considerarmos R como espago métrico. EXEMPLO 4-0-espago euclidiano RY, Este exemplo generaliza o anterior. Os pontos de R" so as listas x = (x,,...,x,) onde cada uma das n coordenadas x, ¢ um mimero real. Ha trés maneiras naturais de se definir a distancia entre dois pontos em R*, Dados x = (x,,..+5%,) © y =(¥,,--.5¥,) escreveremos -_ m7 dx, ) = J Ga Fe? -[£ von? | : a(x, y) = |x, -¥,| + a(x, y) = max {|x As fungées d, d’, a"; R" x R" +R s&o métricas. De fato, elas cumprem obviamente as condigdes di), d2) e d3). A condigaio d4) é imediata para d ed",e sera verificada para d no Exemplo 7, abaixo. A métrica dé chamada euclidiana, Ela provém da férmula para a distancia entre dois pontos do plano (em coordenadas cartesianas), a qual se prova com o Teorema de Ge natureza geométrica, d a Gistincia da Geometria Euclidiana. outro lado, @ ¢ d’ so formalmente mais simples, de manipulagdo ‘mais ficil. Por isso, e por serem ambas “equivalentes” a d, num sentido ‘que esclareceremos no Cap. 2, vale a pena consideri-las, apesar de seus significados ligeiramente artificiais. © caso particular n =2 nos di o plano B?, cujos pontos indicaremos com a notag&o mais simples z = (x, y), w = (u, 0), etc. Muitas vezes identificaremos R? com 0 conjunto C dos ‘nniimeros complexos, mediante a correspondéncia (x, jy) > x + iy, onde i= /-1. A vantagem desta identificagio reside no fato de que € possui uma multiplicago com propriedades interessantes. Também para n = 3, quando obtemos o espago euclidiano R* da Geometria Sélida tradicional, usaremos a notagfio p = (x, y, 2), mais simples do que p = (x,, x), x3). Uma interpretacio intuitiva para a métrica d’ pode ser obtida, no caso = 2, imaginando que o plano R? é a planta de uma cidade cujas ruas so retas paralelas aos eixos coordenados x =0 e y =0. Entdo 0 menor caminho ligando x a y através das ruas tem comprimento igual a az, w) = |x—u| + |y—ol. A figura abaixo fornece uma comparagio entre as distancias d(z, w), dz, w) e dz, w). Para uso posterior, registramos aqui a PROPOSIGAO'! Sejam d, d’ e a” as métricas definidas no Exemplo 4. Quaisquer que sejam x, ye R", tem-se: a(x, y) < d(x, y) < dx, y) 0 tal que | f(x)| R. A soma, a diferenga e o produto de fungGes limitadas sao ainda limitadas. Definiremos agora uma métrica em @(X; R) pondo, para f, ge B(X; R) arbitrarias, Af, = sup | f2)- 90). Deixamos ao leitor 0 cuidado de verificar as condigdes que fazem de d uma métrica. Esta € a chamada métrica da convergéncia uniforme, ou métrica do sup. A explicagio para o primeiro”nome vir no Cap. 5. Seja X = [a, b]. Dadas f, g: [a, b] + & limitadas, a distancia d(f, g) & 0 comprimento da maior corda vertical que se pode tragar ligando o grifico de f ao grafico de g. Assim, por exemplo, no espaco métrico AA{0, 1]; R), a distancia da fungao f(x) =x a fungao glx) =x? € df) = 1/4. No caso em que X = {1, 2,...,n}, toda fungio f: X +R é li- (, mitada e se identifica a uma lista (t;, x;,...,%,) onde x, x, =S(),....%, = J (0). Assim, para X = {1,2,..., n}, temos @(X;R) = a métrica do sup reduz-se a métrica d’, introduzida no Exemplo 4. EXEMPLO 6. Espagos|vetoriais normadloSSeja E um espaco vetorial real. Uma norma em E é uma fungio real | |: E > R, que associa a cada vetor x £ 0 mimero real |x|, chamado a norma de x, de modo a Especos méwicos 5 serem cumpridas as condigdes abaixo para quaisquer x, ye E ¢ A escalar: fe Se x #0 entdo |x| #0; N2) |a- Al |x FP N3) |x +3 + |yl- A No postulado N2), 0 simbolo |4| indica o valor absoluto do numero A, enquanto que |x| signifiea a norma do vetor x. N2) implica (quando se poe 4 = 0 © x = 0) que |0| =0 «, tomando 2 =~, que |-. todo xe E. Por sua vez, fazendo y = —x em N3), obtemos 0 =|x +s) <|x] +x] = 2Ix}, donde |x| > 0 para todo x E. Segue-se que |x| > 0 se, e somente se, x # 0. Um expagolietorial iormado €oum par"(E) |/|)Yonde E é um espaco yetorial real ¢ | | € uma norma em E. Freqtientemente se designa 0 espaco vetorial normado com E, deixando a norma subentendida. Exemplos de espago vetorial normado so (R", | |), (RY. | {) e(R",| {"), onde, para x = (x,,...,%,)€ IR", se tem |x| = Zee, [xf Os postulados que caracterizam uma norma sio de verificagdio imediata, salvo N3) para a primeira destas normas. Ele sera verificado no Exemplo 7, logo a seguir. Outro exemplo de espaco vetorial normado é @(X; R), onde pomos Fl) = sup] feo}, Aqui empregamos o simbolo ||/ |) para designar a =| Je norma da fungo f, a fim de nao confundir com a fungao | f|: X > R, tal que | f(x) = | f(%)|, a qual se chama a “fungGo valor absoluto de f” Todo espago vetorial normado (E, | |) torna-se um espago métrico por meio da definig&o d(x, y) =|x—y|. Esta métrica diz-se proveniente da norma | |. Por exemplo, as métricas d, d’ e d’ em R® sio provenientes das normas | |, | |e | |’ respectivamente, Também a métrica do sup em A(X; R) é proveniente da norma que acabamos de introduzir neste espago. Podemos entio escrever || f * g|| em vez de d(f, g). As propriedades di) a d4) para uma métrica que provém de uma norma resultam imediatamente das andlogas para a norma. Por exemplo, a desigualdade triangular se prova assim: lx, 2) |@-y) + v-a| s |x y| + [yz] = a(x, ») + dl 2) Note-se que, num espaco vetorial normado, se tem |x| = dG, 0} isto é, a norma de um vetor x € a distancia de x a origem. EXEMPLO 7. Espagos vetoriais com produto interno. Seja E um espago vetorial real. Um produto interno em E & uma fungao’ (,): Ex E-R, que associa a cada par ordenado de vetores x, yeE um numero real (x, y), chamado 0 produto interno de x por y, de modo a serem cumpridas as condigdes abaixo, para x, x’, ye Ee 2 R arbitrarios: [ Pl) (x+x, vp =x vy ts ys, P2) (x, x) > 0. As trés primeiras propriedades implicam xy ty) = Gv) + Coy) Oe dv) = ard, ¥) 40, 9) = 0. A partir do produto interno, define-se a norma de um vetor xe E pondo |x| = ./(x, x), ou seja, |x|? = (x, x). As propriedades N1) e N2) silo imediatas, Quanto a N3), ela decorre da Désigiialdadesde: Cauchy=Sehwarz: |(x, y| < |x|-|y|- Para demonstrar esta desigualdade, note que ela é ébvia quando x = 0;para x # 0, ponha A = (x, y)/|x|? e verifique que o vetor z = y-4-x é perpendicular a x, isto é (z, x) = 0. Tomando © produto interno de vy =z+A>x por si mesmo, obtemos entio |y|? = |z|? + 4?-|x|?, donde 2x? <|yP. Ora, 22)xP = + dx, 9)?» Para quaisquer x, yeM, valem as desigualdades: d(x, y) S d(x, y) S d(x, y) Sn d'(x, y). A partir dai sera demonstrado, no Cap. 2, que estas trés métricas so “topologicamente equivalentes”. (Nogio a ser definida naquela opor- tunidade.) Por motivos evidentes, é preferivel trabalhar com as métricas ded", as quais poderemos chamar de d mais adiante, Quando M, =:::=M,=R, reobtemos 0 espago euclidiano RY, como produto cartesiano de n cépias do espago métrico R. §2 Bolas e esferas A noc&o de bola é fundamental no estudo dos espagos métricos. Seja a um ponto no espago métrico M. Dado um néimero real r > 0, definimos: A Bola alert de centro ae raio r é 0 conjunto Bla; 1) dos pontos de M cuja distancia ao ponto a é menor do que r. Ou seja, Bla; 1) = {xe M3 dix, a) 0,seja By(a; r) a bola aberta de centro ae raio r, relativamente 4 métrica induzida em X, Tem-se By(a; r) = B(a;r) 7 X, onde B(a; 1) éa bola aberta de centro ae raio rno espago M. Analogamente, valem By[a; r] = Bla; r'] 0X © Sx(a; r) = S(a; yr) X. Estes fatos resultam imediatamente das defi- nigdes. Sa: 1) = {xe B: |x-al Assim, por exemplo, no circulo unitario S' = {(x, y)¢R?: x? + y uma bola de centro a é um arco de circulo cujo ponto médio é a. A nocio de esfera tem importincia menor do que a de bola, A ter- minologia acima é motivada por R? com a distancia euclidiana. Embora seja conveniente lembrar o exemplo de &° como modelo geométrico para as situagdes abstratas que surgirao mais adiante, é bom notat, desde logo, que bolas e esfetas as vezes adquirem aspectos inesperados. Vejamos alguns exemplos. EXEMPLO 9. Se M esta munido da métrica zero-um (Exemplo 1) entao, para todo ae M, tem-se Bla; r) = Bla; ‘] = M ser>1e Ba; 1) = Bla;r'] = {a} ser < 1, Por outro lado B(a; 1) = {a}e Bla; 1] = M. Conseqiientemente, S(a; r) = @ se r #1, enquanto S(a; 1) = M—{a}. EXEMPLO 10. Com a miétrica usual da reta, para todo aeR e todo r>0, a bola aberta de centro ae raio r € 0 intervalo aberto (a—r, a +1), pois a condig&o |x—a| | € portanto S(a: r) = para todo r> 1. EXEMPLO 14, No produto cartesiano M = M, x... x M,, tomemos a métrica d(x, y) = max d(x, y). Ento as bolas em M sflo produtos cartesianos de bolas nos fatores M,: Ba; 1) = Bla; 7) x... x Bla,; 7) Bla; r] = Bla,; r] x... x Bla,; 7), onde a = (a,,...,a,). Com efeito, dizer que d(a, x) 0 tal que Bla; r) = {a}. Isto significa, evidentemente, que, além do proprio a, nao existem outros pontos de M a uma distancia de a inferior ar. Dizer que um ponto ae M nao ¢ isolado significa, portanto, afirmar que para todo r > 0 pode-se encontrar um ponto x€ A tal que 0 < dla, x) <7. EXEMPLO 15. SejaZ 2, -1, 0, 1, 2,..,} © conjunto dos mimeros inteiros com a métrica induzida pela métrica usual da reta. Todo ponto neZ é isolado pois, tomando r = 1, vemos que se xeZ é tal que x B(n; 1) entHo |x-n| <1 portanto x =n. Por outro lado, seja P = {0, 1, 1/2,..., L/n,...}, ainda com a métrica d(x, y) ponto 0 nao é isolado em P. ‘Com efeito, dado qualquer r > 0, existe um nimero natural n tal que n > 1/r. Entio 0 < 1/n 0, mostramos que a bola aberta B(a; r) contém um elemento x # a i z =a? # ce tem norma r/2; portanto 0 < |z| 0e¢s>0 tals que r +s < da, b). Entao as bolas abertas Bla: 1) e B(b: s} sao disjuntas. Demonstragéo. Se existisse algum ponto x € B(a; r) 9 B(b; 8), teriamos dla; x) 0 tal que d(x, y) c. E evidente que se X é limitado e Y= cntdo também Y € limitado, valendo diam(¥) < diam (X). Ac fazer consideragdes sobre o diametro de um conjunto X, conyém supor que X 4 g. Isto sera admitido implicitamente. EXEMPLO 17. Toda bola Bia: r) é um conjunto limitado ¢ seu diametro ndo excede 2r, Com efeito, dados x, ye Bla: 1) temos a ¥) < dx, a) + da, y) 0. Um exemplo menos dramatico 2 dado pelo espaco Z (métrica induzida de R), Se r > 0 nao é inteiro entio, para cada a€Z, 0 diametro de Bla: r] =[a—7, a +7] NZ & menor do que 2r. EXEMPLO 18. Num espago vetorial normado E # {0}, toda bola aberta B = Bla; 7) tem diametro 2r. De fato, ja sabemos que diam (B) < 2r. Basta ent&o mostrar que nenhum nimero positivo s, menor do que 2r, pode ser o didmetro de B. Tomemos y 4 0 em Ee um mimero real t tal que s < 2t < 2r. O vetor x = ty/|y| tem norma ¢ (menor do que r), logo a+x e a—x pertencem a B. Além disso, dla +x, a-x) = = |la + x)-(a—x)| = 2|x| = 2t > s, logo s nao € o didmetro de B, como afirmaramos. EXEMPLO 19. Alguns espacos métricos so limitados. Basta considerar (mesmo num espago métrico ilimitado) um subconjunto limitado, com a métrica induzida. Um espago vetorial normado E 4 {0}, com a métrica proveniente de sua norma, nunca é limitado, Com efeito, dado x #0 em E, para cada c > 0 podemos tomar em E o vetor x. = 2ex/|x|, 0 qual tem norma 2c (maior do que ) ¢ portanto d(x,, 0) = RIFE Um subconjunto X de um espaco métrico M é limitado se, e somente se, estd contido em alguma bola de M. Com efeito, se X < Bla; 7) ent&io X € limitado e tem didmetro < 2r, Reciprocamente, se X é limitado entéo X esta contide em qualquer bola se for vazio e, se n&o for, tomando arbi- trariamente ae X, existe c > 0 tal que d(a, x) 0 tal que dix, a) R, onde g(x) = x2, no é limitada pois g(®) = [0, +00). Se d: RY x RY +R € uma miétrica que provém de uma norma em R”, entdo d nfo é uma fungdo limitada, conforme o Exemplo 19. Generalizando 0 Exemplo 5, sejam X um conjunto arbitrario e M um ¢spago métrico. Indiquemos com a notagio BX; M) 0 conjunto das fungdes limitadas f: X + M. Dadas f, ge@(X; M), as distancias d( f(x), glx), quando x varia em X, formam um conjunto limitado de numeros reais > 0, pois 0 con- junto (20 Ug) © M é limitado (vide Exemplo 20). Assim, podemos definir a distancia entre duas fungdes limitadas f, g: X + M pondo: AS @) = sup a(fC0, a). Obtemos entéo uma métrica em @(X; M), a qual denominamos métrica da convergéncia uniforme, ou métrica do sup. Quando E 4 um espago vetorial normado, podemos somar fungdes que tomam valores em E e multiplicd-las por nimeros. E facil verificar que, para quaisquer f, g¢ A(X; BE) e AER, as fungdes f+ g: X+Ee 4-f: X + E sao limitadas. Portanto @(X; £) é um espago vetorial em relago as operasdes naturais, A métrica do sup em A(X: E) provem da norma || f|] = sup |f(@)}. Neste caso, podemos entéo escrever |] = gl] em vez de df, g) Espagos mitricos 15 Seria natural considerar 0 conjunto F(X: M) de todas as fungdes f- X 4M, definidas no conjunto arbitrario X e tomando valores no espago métrico M. A métrica do sup nao tem sentido em #(X: M) porque ha fungdes f, g: X + M tais que o conjunto {d( f(x), g(x): xe X} nao € limitado. Neste caso, escreveremos d(f, g) = +00. Quando este conjunto for limitado, escreveremos d(f, g) < +0. Por exemplo, sejam f, gh: R > R, onde f(x) =x, gO) =x + senx e A(x) =x? para todo xeR. Temos fg) < +o ed(f,h) = d(g, h) = +00. Note-se que f, g ¢ h sao ilimitadas. A relagio “d(f, g) < +00” € reflexiva: d(f, f) < +~. Ela também & simétrica: se d(f, g) < +0 ento dig, f) < +c. E transitiva: se df, g)< +0 ¢ dig, h) < + entéo, para todo xe X, temos d(f(x), hOQ) < AFCA, Ged) + algo, hx) < a(f, g) + dg, h), logo d(f, h) < +00. Assim, “d(f, g) < +00" é@ uma _relag&o de equivaléncia_no _conjunto F(X: M) Dada f: X — M, a (Blasse—deNequivalencia de f segundo a relagko “d(f, g) < +00” & © conjunto (XK: M) = {g: X + Msd@,f) < +0}, formado pelas fungdes que estio a uma distincia finita de f- Dadas fg: XM, tem-se df, g) < +mgeB(X; Myo feB(X; M< BX: M) = BX: M). Assim, podemos definir em cada conjunto @,(X: M) uma estrutura F POMS d(g, h) = sup d(gla), Wo), para g, i quaisquer em @(X; M). A transitividade da relagio “d(f, g) < +00" assegura que dig, h) & um niimero real. E claro que #(X: M) = JAX: M), onde f varia em #(X: M). Se 7 escolhermos, em cada classe # (X; M), uma tinica fungdo x: X + M para representante da classe ¢ chamarmos de A 0 conjunto das representantes, ——podemos escrever F(X: M) = @{X: M) aed onde, agora, « # b> @(X; M) 1 (X; M) = @. Isto exprime F(X; M) como reunido de espagos métricos dois a dois disjuntos. Observemos que A(X; M) = BX; M), onde a: X + M é qualquer com efeito, uma aplicagio f: X + M élimitada se, esomente se, sua imagem f(X) esté contida numa bola Bla: r) < M. Isto significa que d(f(x), a)para todo e>0 existe xe X com da, x) <6. EXEMPLO 22. Se X = {x,,...,x,} € um conjunto finito, entdo d(a, X) €0 menor dos n nimeros d(a, x,),...,d(a, x,). EXEMPLO 23. Sejam S' = {(x, y)eR?s x? + y?=1} 0 circulo uni- tario do plano e Oe R? a origem. Ent&o d(Q, 2) = 1 para todo zeS', logo dQ, S!) = 1 EXEMPLO 24, Para todo intervalo aberto X =(a, 6) na reta, tem-se d(a, X) = d(b, X) = 0. Dado um disco aberto X = B(a: 7) no plano R2, tem-se d(b, X)=0 para todo ponto b da circunferéncia ‘S(a, r). Estes fatos seguem-se do resultado mais geral seguinte. Num espago vetorial normado E, seja B = B(a, r) abola aberta de centro aeEeraior > 0. Dado b€ E, tem-se d{b, B) = 0 se, e somente se, b¢ Bla; r]. Demonstremos isto. Primeiro, suponhamos b € Bla; r'}, ou seja, |b—a| < r. Se for |b-a| 0, obteremos um ponto x €B tal que d(b, x) < «. Comegamos chamando de u = (b~a)/r 0 vetor unitério do raio ab. Em seguida, tomamos um niimero real f, tal que r—e < t e. Isto conclui a prova de que x€ Bla; r] = d(x, B) = 0, onde B = Bla, 1). Para demonstrar a reciproca, tomemos em E um ponto p¢ Bla; r] e provemos que a(p, B) > 0. Temos |p—a| =r +c, com c > 0. Para todo xe B, vale |x—a| c. Segue-se que d(p, B) > c > 0. Este exemplo mostra, em particular, que se poder ter d(a, X) =0 com a¢ X. PROPOSICAO 3. Sejam M um espago métrico. Dados a, b¢.M e um sub- conjunto néio-vazio X.< M, vale: |dla, X)—d(b, X)| < da, b). Demonstracito. Devemos mostrar que —d(a, b) < d(a, X) — d(b, X) d(x, y) = d(f(®), f(y) = 0= x = y. Uma isometria é uma imersio isométrica sobrejetiva. Toda imersio isométrica f: M— N define uma isometria de M sobre 0 subespago f(M) < N. A composta de duas isometrias ¢ a inversa de uma isometria sio ainda isometrias. Sejam X um conjunto, (M, d) um espago métrico ¢ f: X¥ > M uma aplicagao injetiva. Para cada par de pontos x, y¢ X, ponhamos d(x, y) = = d(/Q), f(y). Isto define uma métrica d’ em X, chamada a métrica indu- zida por f. Ela € a tinica métrica em X que torna f: X + M uma imersao isométrica. Um exemplo particular desta situagGo ¢ © caso de um sub- conjunto X < M. A métrica que torna X um subespaco de M é induzida pela aplicago de inclusio i: X + M, tal que i(x) = x para todo xe X. Um dos métodos mais freqtientes de introduzir uma métrica num conjunto X ¢ induzi-la através de uma aplicagio injetiva /: X + M, de X num espago métrico M, EXEMPLO 25. Seja R" com a métrica induzida por uma norma qualquer. Tomemos a, we R", com |u| = 1. A aplicagio f: R > RY, definida por f(r) =a + t-u, € uma imorsio isométrica da reta em R", Com efeito, para s, eR arbitrdrios, temos dfs), /() = [f1)-F00| = = |(t-5)-u] = |t-s| =d(s, ). Fixado-ae Rm", a aplicagio g- R"= R dada por g(x) = x + a, é uma isometria (cuja inversa é y+ y—a), chamada translagao pelo vetor a. Também h(t) = —x define uma isometria h: B" + R’. As translagdes mostram que, dados a, b € R" quaisquer, existe uma isometria Jf: RY > R" tal que f(a) = b. Este fato se exprime dizendo que Rt é “me- tricamente homogéneo”. Um exemplo de espago que nfo tem essa pro- 20 — Espacos métricos priedade é um intervalo fechado [a,b], Para toda isometria f: [a,b] > [a,b] deve-se ter | f(b)—F(a)| = |b-al. Como f(b) © f(a) pertencem a [a, bj, tem-se necessariamente f(a) = a, f(b) =6 ou ent&o f(a) =b e f(t) =a Em todas as afirmagdes deste exemplo, 0 espaco R* pode ser substituido por um espago vetorial normado E qualquer. EXEMPLO 26. Concebendo R? como 0 conjunto dos niimeros complexos (métrica euclidiana), fixemos um elemento u = com ||? = a? + 6 = 1. A aplicagio f: R? + R?, definida pot f(z (multiplicagéo de nimeros complexos) & uma isometria. Com efeito, {f()-f0»)| = |u-z-u-w| =|u]-|z-w] =|z-w), logo f preserva dis- tancias. Além disso, f é uma bijegio, cuja inversa é wre u7!-w, onde uw"! = a—bi 0 inverso multiplicative do mimero complexo u, de valor absoluto um. EXEMPLO 27. Mostraremos agora que todo espago métrico M = (M, d) pode ser imerso isometricamente no espago vetorial nor- mado E = @(M; R). Suponhamos inicialmente que M seja limitado. Entdo definiremos uma aplicagio y: M—> @(M; R) pondo, para cada xeM, (x) =d,, onde d.: M+R & a fungfo “distancia ao ponto x”, isto &, d,(v) = d(x, y) para todo ye M. Como a métrica d é limitada, cada fungao d,, XM, é limitada, de modo que @ toma realmerite valores em AM: R). Para provar que @ preserva distancias, notemos que, pela Pro- posigdo 3, dados x, x’, yeM arbitrarios, temos |d,(y)-d,.()| < d(x, x). Logo [l4e—4y | = sup ]a() ~d0)| < dex, y Por outro lado, tomando y = x’, obtemos |d,(y)—d,(y)| = d(x, x). Segue-se que ||d,~d,.|] = d(x, x), ou seja, d(x), o(x')) = d(x, x). Portanto g é uma imersao isométrica de M em @(M; R). Quando M nfo é limitado, nenhuma das fungGes d, é limitada. Neste caso, fixamos um ponto aeM e definimos a aplicagiio £: M + @(M; R) pondo é(x) = d,—d,. Para cada x € M, como vimos acima, vale-}}é(x}{|-— ||d,—d,|| < d(a, x), logo &(x) é uma fungao li- mitada, ou seja, ¢ toma mesmo valores em M&M; R). Além disso, d(E(x), 86°) = []0)-E0)]| = [](@,-4) -@,- 4] = [ldap] = ax, x) como ficou provado acima. Por conseguinte, € 6 uma imersdo isométrica de M no espago yetorial normado @(M; R). Observaséo: Mesmo quando M nfo ¢ limitado, a aplicagéo p: M > ¥(M:R) pode ser definida por g(x) = d, ea desigualdade ||d,—d,.|| < Espace métricos «21 < dx, x) mostra que para x e x arbitrdrios em M, as fungoes d, dy esto sempre a uma distancia finita uma da outra. Ou seja, existe f: M—> R tal que d,¢@,(M; R) para todo xe M. Temos entdo uma imersio iso- mitrica g: M—>&,(M; B). Por um lado, @ é esteticamente preferivel & imersGo isométrica do Exemplo 27 porque nfo depende da escolha arbitraria do ponto ae M. Por outro lado, toma valores num espago vetorial normado, 0 que nfo ocorre com ~. Note-se que podemos tomar f= d,-e que g++g~d, define uma isometria entre @(M: R) e A(M, R). Vemos que ¢ € a composta desta isometria com 9. Nosso objetivo neste livro ¢ estudar a Topologia dos Espagos Métricos. Se estivéssemos interessados primordialmente na Geometria desses espagos, as nogdes de imersio isométrica e isometria desempenhariam um papel central. Tais nogdes sto demasiadamente rigidas para os nossos propésitos. Embora clas tenham uma certa importancia, a nocdo principal sera a de fung&o continua, que introduziremos no capitulo seguinte. §6 Pseudo-métricas Uma pseuido-métrica num conjunto M é uma fungao reald: M x M>R que curapre as condigées de uma métrica, salvo 0 fato de que pode ser d(x, ») = 0 com x # y. Mais precisamente, tem-se d(x, x) = 0, d(x, ») = = 0, d(x, y) = dly, x) d(x, ») < dx, 2) + dls, y). Um espago pseudi trico é um par (M, d) onde M é um conjunto e d é uma pseudo-métrica em M. 1b uma pseido-norma num espago vetorial E € uma fungiio | |: E— R tal que |x| = 0, |A-x| =|al-|x] e |x + y| < [x] + [yh Uma pseudo-norma define uma pseudo-métrica em E pondo-se d(x, y) = = |x-yh. EXEMPLO 28. Qualquer conjunto X pode receber uma pseudo-métrica trivial pondo-se d(x, y) = 0 para x, ye X quaisquer. Mais geralmente, se (M, d) é um espago pseudo-métrico e f: X + M é qualquer aplicagiio, obtém-se em X a pseudo-métrica dl induzida por f pondo-se (x, y)=d(f(x), £0). (O caso anterior corresponde a f constante.) Uma maneira bastante comum de obter pseudo-métricas ¢ a seguinte: seja F um conjunto de fungées reais f: R + R tal que todas as fe ¥ so limitadas no mesmo subconjunto Sc R. (Isto quer dizer que cada restrigdo f|S é limitada,) Ent&o d(f, g) = sup | fx) - g(x)| define uma pseudo-métrica em #. Na realidade, tal pseudo-métrica provém da pseudo-norma || f—g|| = 22 — Espacos métricos = sup | f(x) —g(x)|. Isto no é necessariamente uma norma porque pode-se res ter f(x) = 0 para todo x eS sem que f se anule em todos os pontos de R. Este exemplo pode ser generalizado considerando-se fungdes f: X > M € um subconjunto $ < X onde as f sio limitadas. EXEMPLO 29. Outra pseudo-norma ocorre no espago E das fungdes Ff: [a b] + R que sio integraveis no sentido de Riemann, > quando se define | f|, = [ |F@)| dx. Como as fungdes aqui nao precisam ser continuas, pode ocorrer que | f|, = sem que f se anule em todos os pontos de [a, b]. (Basta, por exemplo, que f(x) # 0 apenas num ntimero finito de pontos.) Pode-se passar de um espago pseudo-métrico M para um espaco métrico M, mediante o processo de identificar dois pontos x, ye M quando d(x, y) =0. Mais precisamente, a relagao “d(x, y) = 0” € uma equivaléncia em M. Indicamos com ¥ = {y eM; d(x; y) = 0} a classe de equivaléncia do ponto x€M e chamamos de M o conjunto de todas as classes de equivaléncia X, quando x percorre M. Temos X¥ = 7 <>d(x, u) = 0. Dados x, ye M, definimos d(x, 7) = d(x, »). SeX=Te P=7F entio a(x, y) 0 uma constante e |x| € 0 valor absoluto de x. Conclua que toda norma em R provém de um produto interno. me A fim de que uma métrica d, num espago vetorial E, seja proveniente de uma norma, & necessirio ¢ suficiente que, para x, acE e 4eR arbitrarios, se tenha d(x + a, y + a) = d(x, y) e dx, 2y) = |Ald(x, 9). 7. Mostre que se X tem mais_de um elemento ent&o a norma |{f || = = sup | £(9| n&o provém de um produto interno em (X; R). Conclua 0 mesmo para a norma |x|" = max {|x,|,...,|x,|} em RB’. . Seja X c R? tal que a métrica euclidiana induz em X a métrica zero- um. Prove que X tem no maximo trés elementos. E se fosse X < R°? Generalize para R". Vocé pode imaginar um espago vetorial normado Ee um subconjunto infinito X c E tal que x # y em X implique d(x, y) = 1? . Seja E um espaco vetorial munido de produto interno. Dados x, y € E, prove que |(x, y)| =|x|-|y| se, e somente se, x e y so linearmente fependentes. 10. Num espaco vetorial normado E, se c-a=t-(b-a), com t>1, entdo d(a, c) = dla, b) + d(b, O (A primeira igualdade significa que b pertence ao segmento de reta cujos extremos sdo a e c.) No plano, com a métrica |(x, y)| = |x| + ||, tome a = (0, 1),b = 0, ec = (1,0) para mostrar que a reciproca nao é verdadeira em qualquer espago yetorial normado. @ ~ LL. Sciam a, b, ¢ trés pontos distintos num espago yetorial E, munido de produto interno. Se dla, ¢) = d(a, b) + d(b, c) entio c—a =t-(b-a), comi2i. §2 12. Em todo espaco métrico M, tem-se Bla: r] = (1) Bla: ) = () (ai t+ +) e o ; {a} = 1 Ba n= 1) (a: +) > net n Exprima, dualmente, cada bola aberta de M como reunio de bolas fechadas. 20. 2 22. §3. 23. 24. Espagos métricos Um ponto a=(a,,...,4,) € isolado no produto cartesiano M = = M, x... x M, se, © somente se, cada coordenada a, é um ponto isolado em M,. Conclua que o produto cartesiano M, x... x M, é discreto se, e somente se, cada fator M, é discreto. + Todo espaco métrico finito € discreto. Seja X um conjunto infinito enumerdvel. Mostre que se pode definir uma métrica em X, relativamente a qual nenhum ponto de X é isolado. . Dé exemplo de dois subconjuntos discretos X, Yc R tais que X UY no seja discreto. Se 62 Bla: r], prove que existe s > 0 tal que Bla: r] o B[b: s] = @. . Num espago métrico M, seja be Ba: r). Prove que existe uma bola aberta de centro b contida em B(a: 7). Dé um contra-exemplo mos- trando que isto poderia ser falso para b¢ Bla: J. Seja M um espago métrico. A diagonal Ac M x M é 0 conjunto dos pares (x, x)¢M x M com coordenadas iguais. Prove que se zeM x M-A entao existe uma bola aberta de cefitro z em M x M que € disjunta de A. (Fica mais facil usando a métrica dle, 2!) = = max {d(x, x), dy, y}) Usando a métrica d[(x, y), (x, y)] = max (d(x, x), dv, y)}, mostre que acsfera de centro (a, b) eraio rem M x N éigual a(Bla: r] x S(bs7))U u(Sla; r) x BLb; r)). Seja X BLOB, = &. Dados um subconjunto X de um espago métrico M ¢ um mimero real r > 0, seja B(X: r) = (J B(x: r) a “bola aberta de centro X e xex taio r”. Prove que B(X m Y;r) < B(Xr) 9 BY: r)e que B(X VU Y;r) = = BX: Nu BY: 0), Dé exemplo de um conjunto limitado X < R tal que ndo existam x, ve X com |x—y| = diam (X). Seja M um espago métrico limitado. Mostre que, para cada ae M existe uma bola Bla: r] cujo diametro é menor do que 2r. 28. mB. 30. Bi. 32. 33. 34, 35 3 3 §5 3 2 ‘Expepos métricos 25 Seja p(t) = a, + a,f +... + a,t"(a, 4 0) um polindmio de grau n > 0. Mostre que a funcdo p: R-+R ndo é limitada mas para cada sub- conjunto limitado X c R, a restrigdo p|X é limitada. . Todo espago métrico é reunido enumerdvel de subconjuntos limitados. . Sejam a um ponto e C um subconjunto nao-vatio de um espago mé- trico, Suponha que d(a, C)=2¢ prove que existe uma hola aberta Bla;r) tal que d(x, C)> 1 para todo xe Bla; 1) Seja A = {(x, x); xeM} a diagonal do produto M x M, onde M é um espago métrico. Se z = (x, y)¢A entao d(z, A) > 0. Seja F = M~ Bla; 1) o complementar de uma bola aberta no espago meétrico M. Se d(x, F) = 0 entéo xe F. Seja X = {(x, y)eR*; x? + y? < 1} 0 disco unitério aberto do plano euclidiano R. Dado a = (5,0), prove que d(a, X) = 4. Num espago vetorial normado E, sejam X = Bla: r) ¢ X = Bla: r]. Prove que, para todo be E, tem-se d(b, X) = d(b, X). Seja X = {xe R"; x,4, =... =%, =O}, Usando em R" a mé- trica_euclidiana; prove que se a=(a,,...,4,) entio da, X) = = SG to + (a) Para todo subconjunto n&o-vazio A de um espago métrico M, seja A, = {xeM; d(x, A) = 0}. Prove que (A). = 4,- Prove que se tem d(a, X) = inf (r > 0: a€ BUX: r)}. (Vide Exercicio 22.) Sejam A, B subconjuntos limitados ndo-vazios de um espago métrico M. Mostre que diam (4 U B) < diam (A) + diam (B) + d(A, B). Dé exemplo de conjuntos néo-vazios A, B tais que ANB=@ ¢ MA, B) = 0. Sejam X, ¥ limitados e ndo-vazios no espago métrico M. Ponha aX, Y) = sup {dlx, y): xe X, ye Y} e mostre que, para todo zeM tem-se | d(z, X)—d(z, Y)| < alX, Y). Num espago vetorial normado E, duas bolas abertas (fechadas) de mesmo raio sfo isométricas. Mais precisamente, existe uma isometria 26 39, 41. 42. 43. 44, 45. 46. 47, Espapos métricos de E que leva uma dessas bolas na outra. Mostre que para espagos métricos em geral, este resultado é falso. Seja T 0 subespago do plano formado por dois segmentos de reta unitarios: um horizontal, I, e outro vertical, J, cuja origem é 0 ponto médio de J. Existe uma isometria f: 1 + J mas nenhuma isometria g: TT leva I em J. (Na realidade, ha somente duas isometrias ). Seja E um espago vetorial com produto interno. Toda imersio iso- métrica f: R— E tem a forma f() =a +1-u, onde a, ue E, sendo |u} = 1 Considerando em R? a norma |(x, y)|=|x|+|y|, obtenha uma imers&o isométrica f: R > R? cuja imagem é 0 Angulo reto que tem como lados os semi-eixos coordenados positivos. Conclua que o exercicio anterior no vale para espagos veloriais normados em geral. Dada uma imersio isométrica f: R—> ®, mostre que existe aeR tal que f(x) =x +a para todo xeR, ou f(x) =-x +a para todo x. Em particular, f é uma isometria. Scja X < R. Toda imersdo isométrica f: X + R se estende (de modo tanico, se X tem mais de um elemento) a uma imersio g: R> RB. Em particular, f(x) = +x +a, para todo xe X, Admita o seguinte resultado da Teoria dos Conjuntos: se X é um conjunto infinito e Q € 0 conjunto dos racionais, entdo existe uma bijecdo f: X + X x Q. Conclua dai que se pode introduzir em todo conjunto infinito uma métrica sem pontos isolados, (Vide Exercicio 15.) Seja E um espago yetorial com produto interno. Dada uma trans- formacdo linear T; E > E, as seguintes afirmagdes séo equivalentes: a) T é uma imerso isométrica; b) |T-x| =|x| para todo xe E: c) B®, definida por T:(x,, x),-- = (0, x, ¥2,--.) é uma imersio isométrica mas néio é uma isometria. E dada uma imersio isométrica f: R" > R". (As métricas sfio eucli- dianas. Nao supomos f linear.) Prove que existem ae B" e uma trans- 49. % 50. $1. 53. 8 54, Espaccl étricos «27 formacdo linear T- R*— 2 tais que f(x) = T- x + a para todo xe R™. (T necessariamente preserva distancias) Em particular, se m =n entao f ¢ uma isometria. Sejam X < R" nfio-vazio ef: X + R" uma imersio isométrica. Mostre que existe uma imersio isométrica g: R" > R* tal que |X =f. Quando X gera R", @ é unica. Estabeleca isometrias: a) Entre @(X; M x N)e BX; M) x BUX; N): b) Entre @(X x Y; M) © A(X; BY; M). No item a), escolha a mé- trica conveniente em cada produto cartesiano. Considere no plano R? a norma |(x, y)| = max {|x|, |y|}. A projecdo nm: R? +R, n(x, y) =y define, por restrigdo, uma isometria entre o subespago X = {(t, at); t¢R} 1 Um espago métrico M chama-se “metricamente homogéneo” quando, dados arbitrariamente a, be M, existe uma isometria f: M— M tal que f(a) = b. Mostre que a esfera unitdria S" = {xe R"*?; (x, x) = 1} é metricamente homogénea. Por outro lado, se B = {x € BR"; (x, x) <1} €a bola aberta unitaria do espago euclidiano R", toda isometria g: B > B é tal que g(0) = 0. Conclua que B nado é metricamente homogénea. 2. Dado um espaco meétrico M, seja @(M) a colec4o dos subconjuntos X © M que sao limitados, nao-vazios ¢ além disso, cumprem a se- guinte condig&o: d(a, X) = 0 ++ ae X. Dados X, Ye (M), seja p(X, Y) © maior dos dois mimeros abaixo sup d(x, ¥)e sup d(y, X). zeke ¥ Prove que p define uma métrica em ®(M). O numero p(X, Y) é conhe- cido como a distdncia de Hausdorff entre os conjuntos X e Y. Dados X, Ye@(M) er > 0, prove que p(X, ¥) 0; X BY; 1) © Yo BUX; v)}. Seja ¢: O(M) + F(M; R) a aplicagao que associa a cada X c MM) (Vide Exercicio 53) a fungdo dy: M > R, onde dy(y) = dly, X). Mostre que para X, Ye @{M) arbitrarios, as fungdes dy € dy esto sempre a uma distincia finita. Mostre também que € € uma imersiio isométrica de ®(M) no espaco de fungdes #(M; R). [Bem entendido, nao foi 28 55. 56. Espacos métricos definida uma métrica em todo 0 espago #(M: R) mas € toma valores numa parte que foi metrizada.] Seja S" = {xeR"*!: (x, x) = 1} a esfera unitaria n-dimensional. O espaco projetivo de dimensio n & 0 conjunto P" cujos elementos so os pares nao-ordenados [x] = {x, x}, onde x eS". Note que [x] = = [-x]. Mais precisamente, [x] = [y] ¢+ y = x. Defina d([x], [y) = = min {|x~-yJ, |x + y|} © mostre que d 6 uma métrica em P". Mostre que a aplicagio natural x: 8" P", definida por x(x) = [x] cumpre a condigao d(x(x), m(v)) < d(x, y). Mostre ainda que, se X cS" é tal que diam (X) < \/2, entio a restrigéo |X & uma imersdo isométrica de X em P". Dado um subconjunto limitado $ < R, defina uma fungio | |j: R" +R pondo, para cada a =(a,,...,a,)€R", la sup|a, + ajt +--+ a," |, play + a, is Prove que | |, é uma seminorma em I". Que condigio deve ser imposta a S para se obter assim uma norma? FUNCOES CONTINUAS $1 Definigao e exemplos Définig@o.,Sejam M, N espacos métricos. Diz-se que a aplicagio f: M+ N & continua no ponto ae M quando, para todo « > 0 dado, & possivel obter 6 > 0 tal que d(x, a) <6 implica d(/(x), f(a)) <. Diz-se que f: MN @ continua quando ela é continua em todos os pontos ae M. M Equiyalentemente, f: M—N € continua no ponto aeM quando, dada qualquer bola B’ = B(f(a); 2) de centro f(a), pode-se encontrar uma bola B= Bla; 8), de centro a, tal que f(B) < B. No importante caso particular em que MCR ef: M—>R, dizer que f é continua no ponto ae M significa afirmar que para todo «> 0 30 Espacos metricos existe 6 > 0 tal que xeM ¢ a-5 0 (chamada constante de Lipschitz) tal que Af), FO) < e+ d(x, y) quaisquer que sejam x, ye M. Dizemos ent&o que f € uma @plicagdo lipschitziana’ Neste caso, f é continua (em cada ponto a=M), Com efeito, dado ¢ > 0, tomemos 6 = ¢/c. Entio d(x, a) <6 > = Af(), fla)) < c+ d(x, a) < 0-6 = 6, Sef, g: M +B sho lipschitzianas, © mesmo ocorre com f + ge k-f, onde ke R. Dai, toda combinagao linear ky Si +o + kf, de fungbes reais lipschitzianas € lipschitziana. Para uma fungao real de variavel real f, a condigio de Lipschitz significa que | f)-S0O)/|x-y| Sc ¢ isto equivale a afirmar que a inclinagdo de qual- quer secante ao grafico de f é em valor absoluto, < c. Se uma fungiio real f: I + R, definida num intervalo J, € derivavel e | f’(x)| < c para todo xel, entdo, pelo Teorema do Valor Médio, dados x, ye! quaisquer, existe um ponto z, entre x e y, tal que f(x)-f(») =f'(2\(x—y) € dai | f()-S)| < c-|x-y|, Assim toda fungdo com derivada limitada num intervalo (0 qual pode ser ilimitado) é lipschitziana. Uma aplicagio f: M > N chama-se localmente lipschitziana quando cada ponto aéM é centro de uma bola B = B(a, r) tal que a restricéio /|B é lipschitziana, Uma aplicagao localmente lipschitziana é, eviden- temente, continua. No exemplo abaixo as aplicagdes mencionadas séo todas localmente lipschitzianas. EXEMPLO 2. A fungdo f: R—> R, dada por f(x) = x’, (w inteiro posi- tivo) é lipschitziana em cada parte limitada de R pois |x| 0, r é lipschitziana_ me conjunto X, = {xeR: |x| > k}. Ora, se |x| =k e |v] =k entdo fre)—rQ)| = |1/x-1/y| = |x—y)]x-v] se-[x-y], onde c = 1/k?. Se- gue-se dai que cada nimero real a #0 € centro de um intervalo, restrito ao qual r é continua. Logo r é continua. EXEMPLO 3. Contragdes fracas. Se f: MN é tal que d(f(x), S() < < d(x, ») para qualquer x, yeM, dizemos que f é uma contra¢do fraca. Neste caso f ¢ lipschitziana (com c = 1) e portanto con- tinua. Vejamos agora varias contragdes fracas. Todas sfo, pois, continuas: a) As aplicagdes constantes f; M + N, f(x) = ke N, para todo xe M. b) As imersdes isométricas (em particular as isometrias). Vejamos um tipo: para cada aeM e cada be N, obtemos imersdes isométricas i; MM XN e jy: N-+M XN, pondo ix) = (x, b) e j,v) =(@ »)- Outro exemplo: a inclusio i: X + M, de um subespago X c M. c) Para cada X ¢ M n&io-vazio, dy: M—R, definida por dy(y) = = dly, X) € uma contragio fraca, conforme a Proposigio 3, Ca- pitulo 1. Em particular, para cada xX, a fungio d,: M+R, dada por dy) = d(x, y), € uma contragao fraca. 4) Num espaco vetorial normado E, a norma | |: E> R € uma con- tragéio fraca pois ||x|—|y|] =|d(x, 0)-dly, 0)| < de, y) =|x-yl. ©) Para cada i = 1,...,n a projegio py: M, x... x M,— M,, de- finida por px, ,...,x,) = X;, 6 uma contragdo fraca, se tomamos no produto cartesiano qualquer uma das trés métricas introduzidas no Capitulo 1. 1) A propria métrica d: M x M— R é uma contragio fraca, desde que tomemos em M x M a métrica d[(x, y), (x, vy] = d(x, x’) + + diy, y). Com efeito, d(x, y)-dlx’, y)| = ]dbs, y)- dee’, y) + dx, Y= =dlx’, v)| < [dlx, yale, | + [ave Y)—dee', ¥)| < dls, x) + dl, Y) = “= d[le. »), @, VV}. Mntuitivamente: quando x se aproxima de a ey se-apro- xima de b ento d(x, y) se aproxima de d(a, b). 2) A operacio de soma, s: E x E+ E, s(x, y) = x + y, num espago vetorial normado E é uma contrac&o fraca, quando se toma em Ex E a norma |(x, y)|=|x|+|»|. Com efeito, |x + y-(a+ b)| s <|x-al+|y-b| =|@ v)-G@ 5). Em particular, a soma de nimeros teais ¢ de yetores em R”. h) Para todo ae X, seja v,: A(X: M) > M definida por vf) =fla. Entéo d[v(f), v,(g)] = “A Sla), 92) < sup di f(x), 9)) = df, ae portanto v, (chamada a “avaliaglio no ponto a”) é uma contragiio fraca. EXEMPLO 4. Continuidade em espagos discretos. Se aeM & um ponto isolado, ent&o toda aplicagdo f: M—>N @ continua no ponto a. Com efeito, dado « > 0, basta tomar 5 > 0 tal que Bla: 8) = {a}. Entio d(x, a) <5+x =a dl, f(@)) = 0 N nao é continua no ponto a, diz-se.que f é descontinua nese ponto. Isto significa que existe « > 0 com a seguinte propriedade: para todo 6 > 0, pode-se obter x,¢M tal que d(x,, a) <6 e d(f(x,), f(a) = c. Uma formulagio equivalente, que as vezes é titil, é a seguinte: existe ¢ > 0 tal que, para cada n = 1, 2,... pode-se obter x,¢M com d(x,, a) < I/n.e df(x,), f(a) = &. Um exemplo de des- continuidade: ¢: R + R, fungio caracteristica do conjunto Q dos niimeros racionais. Tem-se (x)= 1 se xeQ e &{x) =0 no caso contrario. Em todo ponto ae R, é & descontinua. De fato, tomemos ¢ = 1/2. Dado 6 > 0, tomemos x, tal que |x,—a| <4, sendo x, racional se a for irracional e vice-versa, Entio |é(x,)—Ea)| = 12 1/2. Note que R= Qu(R-Q) é reunido de dois conjuntos tais que € restrita a cada um deles é continua, por ser constante. Isto ilustra a diferenga entre as afirmagdes: (@) f|X é continua; (b) f € continua em todos os pontos de X. Estas assergdes se referem a uma aplicagio f: M— N ¢ um subconjunto X cM. Tem-se (6) = (a) mas nfo vale a reciproca. No exemplo que acabamos de ver, ¢|Q é continua mas ¢ no é con- tinua em ponto algum de Q. Um exemplo popular de descontinuidade é o da fungio f: RR, definida por f(x) = sen (1/x) se x #0 e f(0) = Esta fungo édescontinua no ponto 0. Com efeito, dado » = 1/2, podemos tomar, para cada n, x, = 2/(2n + 1)m. Entao sen (1/x,) = + 1. Logo, temos |x,-0| < 1m e |f,)-fO|= 126. Registraremos aqui um fato dbvio, que sera usado sem maiores co- mentirios no que se segue. Dada uma aplicagdo f: M— N, seja N, < N lime subespaco tal que fixj=N, para todo xe M. Entdo f pode também ‘sex considerada como uma aplicacdo de M em N,, digamos f,: M—> N, Exsio f — continua se, ¢ somente se, /, é continua. §2 Propriedades elementares das aplicagées continuas PROPOSIGAOL A composta de duas aplicagées continuas é continua. Mais precisamente, se f: M—»+N é continua no ponto eg: N—P é continua no ponto f(a), entdo gof: M— P é continua no ponto a. Demonstragdo: Seja dado » > 0. A continuidade de g no ponto f(a) nos permite obter 4 > 0 tal que yeN, dy, f(a) = d(g(y), af a) < «. Por sua vez, dado A > 0, a continuidade de f no ponto a nos fornece 6 > 0 tal que xeM, d(x, a) <6=>d( f(x), fla) = dgf(x), gf(a) < e. u wv P ; “e) % leu) 2 i es COROLARIO Toda restrigéo de uma aplicagéo continua é continua. Mais exatamente, se f: M— N é continua no pontoaeX 0 dado, existem 5, > 0 ¢ 5, > 0 tais que d(x, a) <6, e dy, b) <5, > = d(f(x, »), f(a, b)) < «. Esta formulagio, resultado imediato da definigdo de continuidade quando se toma em M x N a métrica d[(x, y), (4 5)] = = max{d(x, a), dy, b)}, significa que se pode tomar f(x, y) tio proximo 34 Espacos métricos de f(a, 6) quanto se deseje, desde que se tome, 20 mesmo tempo, x sul cientemente proximo de ae y de b. Diz-se entao que Fé continua conju tamente nas variaveis x € y. Em contraposicao, diz-se que f: M x N— P é continua em relagao 4 primeira varidvel (no ponto (a, b)) quando a aplicacao parcial f,: M— P, dada por f,(x) = f(x, b), € continua (no ponto x = a). Analogamente, diz-se que f € continua em relagdo d segunda varidvel (no ponto (a, 5)) quando a aplicacdo parcial f*: N— P, f(y) = f(a, y), € continua (no ponto y = 5). Se ambos os casos ocorrem, dizemos que f ¢ continua separadamente em relagdo a cada uma de suas varidveis. Como (na notagao do Exemplo 3.b) f* =fei, © f,=fej,, vemos que a continuidade de f num ponto im- plica que ela seja separadamente continua nesse ponto. A reciproca é falsa. O exemplo classico é 0 da fungio f: R x R>R, dada por f(x, y) = xy/(x? + y?) se x? + y? #0, e £(0, 0) = 0. Na origem (0, 0), f € separadamente continua pois ambas as fungées parciais f(x, 0) e f(0, ») sdo identicamente nulas, Mas f é (conjuntamente) descontinua na origem pois sua restrigéo a reta y = ax (a #0) nos da uma fungdo descontinua: F(X, ax) = axP(x? + a?x?) =af(l+a?) se x#0 © f0,0= A situacdo dual, em que se tem uma aplicagio f: M—>N, x Ny que toma valores num produto cartesiano, ¢ bem mais simples, como mostraremos na Proposigdo 2. Antes, porém, vejamos um exemplo de continuidade para uma fungdo de duas varidveis. EXEMPLO 7. Continuidade da multiplicagdo. Seja E um. espago vetorial normado. Ja vimos (Exemplo 3.g) que a somas: E x E—> E, s(x, y) = x+y, 6 continua, pois é uma contragio fraca. Agora conside- remos a outra operagiio de E, ou seja, a aplicagio m: R x EE, onde m(2, x) = A+ x. Mostremos que m é lipschitziana em cada parte limitada de R x E. Com efeito, se ||, |y1|, |x|, |y| sA0 R, mx, y) =x-y, € uma fungdo continua de duas varidveis. Dados os espagos métricos M, N, ¢N, umaaplicagio/: MN, x Ny equivale a um par de aplicagées f,: M—N, e f,: M— N,, chamadas as coordenadas de f, tais que f(x) = (f,09, f,(0) para todo xe M. Escre- FungSescontinuas 35 vese f=(f,, f,). Considerando-se as projeges p,: N, x N, > Ny € py N, x N,N, tem-se f, = p, of ef, = p, of. A proposigao seguinte, embora de simples demonstragio, € fundamental. PROPOSIGAO 2A aplicagéo f: M+ N, x N, € continua (no ponto GEM) se, e somente se, suas coordenadas f,: M— N, e f,: MN, sdo continuas (no ponto a). Demonstragao. Se f € continua entdéo 0 mesmo ocorre com f, = p, of & fx =02°f porque as projegdes p, e p, so continuas. (Exemplo 3.¢) Para provar a reciproca, usamos em N, x N, a métrica A(x,» Xa (Yas Yad] = max{dlx,, y,) dz, ¥a)}. Dado e > 0, como f e fy so continuas no ponto a, existem 5, > 0 ed, > 0 tais que d(x, a) < dL, fd) <6 e dlx, a) <5, > AF), f(a) d(f(x), fla) = max {al f,(), f(a), A L(x), fla))} < 2. Logo f é continua no ponto a. COROUARION Se f,: M,N, e fy: Mz-+.N, sao continuas, entéo também é continua a aplicagao p =f Xfi M, x Mz >N, x N,, definida por PX,» X2) = Ay), fa) Com efeito, considerando as projegdes pytM,%M,—+M, © p):M,xM,>M,, vemos que as coordenadas de sio Sop: M, x Mz>N, e€ fyep.:M, x M,>N,. Segue-se da Proposicao 2 que @ é continua. Convém guardar a diferenga entre as notagdes S= Uf) MON, XN, 6 @ =f, XfiM,x M,N, x Ny. Como aplicagdo dos fatos elementares sobre continuidade até agora cestabelecidos, ¢ como ilustragdo da técnica de provar a continuidade de uma aplicagio exprimindo-a como composta de outras mais simples, temos a PROPOSIGAO 3./Sejam M um espaco métrico, E um espago vetorial normado e — g: M—E, 2, B: M—+R aplicagées con- 36 Esparos métrices tinuas, com f(x) #0 para todo xe M. Entéo sdo continuas as aplicagdes f+9: ME, af: M-rE e a/B: MR, definidas por (F + ax) =£0) + 9), (AG) = al) S02, ayy. we), BP BR) Demonstragdo. Foi visto nos Exemplos 2, 3.g ¢ 7, respectivamente, que as aplicagdes r: R- {0} R, s: Ex E>Eem: Rx EE, dadas por r(x) = 1/x, s(x y) =x +y e mld, x)=2-x, sfo continuas. s M——— Ex E————E (£0), 2) S(%) + Gg), {ue RxE —™—WE Xt (a(x), f&)) a) ou 8 (h9) { regan x fes= mo(s, f) SR x (R- 0) 42 a xR—r a 2%) Famed x Noa, Box) Os esquemas acima (onde id: R- R é a aplicagio identidade) mostram que f + g, «fe a/f so continuas, em virtude das Proposigées 1 e 2. x(a), lo) + (x9 Ba) He COROLARIO: Se f, g: M— R siio funcdes continuas com valores reais, entéo f+ 9, fg e (caso g(x) #0 para todo xeM) fig so fungdes continuas. Seja €(M; N) 0 conjunto das aplicagdes continuas do espago métrico M no espaco métrico N, Usaremos o simbolo @(M; N) para indicar 0 subconjunto de ¢(M; N) formado pelas aplicagdes continuas limitadas de M em N. @(M; N) & um subespago do espago métrico @(M; N), de todas as aplicagdes limitadas f: M—» N, no qual a distancia é dada por aUf, a) = sup d(F (2), a(x). Por outro lado, @(M; N) nfo & um espago mé- trico mas é a reunido disjunta dos espagos métricos 6 (M; N) = {ge@(M; N); df, g) < +0}. Uma conseqiiéncia da Proposigéo 3 € que, quando E for um espago vetorial normado, ¢(M; E) sera um subespaco vetorial de #(M; E) e (M; E) um subespago vetorial normado de @(M; £). B) §3 Homeomorfismos Ao contrdrio do que ocerre em Algebra Linear, onde a inversa de uma transformacdo linear bijetiva também é linear, ou na Teoria dos Grupos, onde o inverso de um homomorfismo bijetivo é ainda um homo- morfismo, em Topologia ocorre © fendmeno de existirem fungdes con- tinuas bijetivas f: MN tais que f~': N + M 6 descontinua. Vejamos alguns exemplos desta situagio. EXEMPLO 8, Scja M a reta com a métrica zero-um. A aplicacio iden- tidade i: M—>R € continua mas sua inversa j: RM (que também é dada por j(x) = x) é descontinua em cada ponto aeR. Com efeito, tomando e = 1/2, temos B(f(a); 1/2) = {f(a} em M. Logo nao cxistc 6 > 0 tal que f((a—6, a + 6) < Bif(a); 2). EXEMPLO 9. O exemplo acima é simples mas é artificial: dificilmente pode-se esperar que ocorra um caso como esse durante a solugfo de um problema de Andlise ou de Geometria. Vejamos agora uum exemplo menos forgado. Tomamos M = [-1, 0] U (1, oo), N = [(0, + 99) ef: MN definida por f(x) = x2, p: g 3 1 g(t Dijegdo continua de M sobre [0, +00). Sua inversa g = f~':[0, +00) + M é dada por gly) = \/y se y > 1 ¢ gly) =-4/y se 0S y <1. A fungdo g € descontinua no ponto 1, Com efeito, temos g(1) = -1. Se for 0 2>e. (O leitor nfo se deve surpreender com a fungao continua f ter seu grifico formado de dois pedagos, E que seu dominio também tem dois pedagos.) 38 Espacos misricos EXEMPLO 10, Talvez o exemplo mais instrutivo de como uma bijegao continua pode ter uma inversa descontinua seja o que daremos agora. Seja S} = {(x, y)eR?; x? + y? = 1} o circulo unitario do plano euclidiano, A funcao f: [0, 2m) + S*, definida por f(¢) = (cos ¢, sen ¢), € continua, pois suas coordenadas, cos ¢ sen, so continuas, Além disso, f é bijetiva, como se sabe da Trigonometria. Intuitivamente, f consiste em enrolar o segmento semi-aberto [0, 2n) sobre o circulo S', sem dobrar nem esticar, de modo que o ponto t = 0 caia sobre 0 ponto p = (1, 0)eS?. A aplicagao inversa, g =f~*: S?— [0, 2n) é descontinua precisamente nesse ponto p. (Intuitivamente, g consiste em rasgar o circulo no ponto p e desenroli-lo sobre o segmento.) fy 4 t 2 fata | at ft Cc 2 Fe Provemos esta afirmag&o. Temos g(p) = 0. Tomamos ¢ = e, para cada ne N, sejam 1, = 2x —1/n,z, = f(t,). Entiio a distancia de z, a p = (1, 0) & menor do que 1/n. (O arco 4, € maior do que a corda) Mas g(z,) = t, & tal que |9(z,)— g(p)| = 2-1/n > =e para todo n, \ Sejam M e N espagos métricos. Um Womeaniorisne de M sobre N € uma bijecdo continua f: M—> N cuja inversa f~!: NM também é continua. Neste caso, diz-se que M e N so homeomorfos. Se f: M—+N e g: N-» P silo homeomorlismos entéo gof: M+ Pe f7': NM também so homeomorfismos. As vezes (principalmente na literatura mais antiga) se usa a expressio equivaléncia topolégica em vez de “homeomorlismo”. Dois espagos mé- tricos homeomortos sdo indistinguiveis do ponto de vista da Topologia. Uma propriedade de que goza um espago M chama-se uma propriedade topoligica quando todo espago homeomorfo a M também goza daquela propriedade. As propriedades topoldgicas se distinguem das propriedades métricas de M, que s4o preservadas pelas isometrias. Como toda isometria é um homeomortismo, toda propriedade topolégica é métrica, mas ndo yale a reciproca, como yeremos a seguir EXEMPLO Il. Se 0 espaco métrico N é discreto e f: M—» N é um ho- micomorfisme, entio M também ¢ discreto. Com efeito, dado arbitrariamente um ponto ae M, existe uma bola B(f(a); «) = {/(a)} que se reduz a um ponto. Sendo f continua, existe 5 > 0 tal que f(B(a; 8)) < = Ba); 2) = {/(@}. Como f é injetiva, a bola Bla; 5) tem um tinico elemento, a saber, o ponto a, que ¢ portanto isolado, [Na realidade, pro- vamos que se: M— N é continua, injetiva, e f(a) é um ponto isolado em N, entiio a é isolado em M.] Logo, ser discreto — e portanto nao ser discreto —é uma propriedade topolégica. Mais ainda: dois espagos discretos Mc N so homeomorios se, ¢ somente se, tém 0 mesmo niimero cardinal. Com efeito, toda aplicag&io definida num espaco discreto sendo continua, segue-se que qualquer bijesiio entre dois espagos discretos é um homeo- morfismo. Por outro lado, ser limitado é uma propriedade métrica mas nao é uma propriedade topolégica. De fato, N = {1, 2...,m...) @ P= = (1, 1/2,...,1/n,...} (ambos com a métrica induzida da reta) sio homeo- morfos, por serem ambos discretos, infinitos, enumerdveis. Mas P é limi- tado e N niio 6. EXEMPLO 12. Homeomorfismo entre bolas. Seja E um espago yetorial a translagiio ¢,: E+ E ea homotetia m,: E—> E, definidas por t,(x) = x + a ¢ mx) = 4-x, sio homeomorfismos de E, De fato, sabemos que f, € m, so continuas. Além disso, possuem inversas: (¢,)"' = ¢_, € (m,)~! = mys u = 1/4, as quais também sio continuas. Duas bolas abertas B(a; 1) Bib; 8) em E sao homeomorfas. Mais precisamente, a composta = |, define um homeomorfismo g: E— E. Para cada xe E, temos g(x) = b + s/r(x—a). Isto mostra que consiste em: 1.°) Transladar Ba; 7) de modo a por seu centro na origem; 2.°) Multiplicar todos os vetores por s/r de modo que vetores de comprimento 0, B(b; s) é um conjunto infinito. = tomy, ot_, normado, Para todo a€ E ¢ para todo ntmere-realt-4¢0,—___— 40 = Espacos meétricos EXEMPLO 13. No exemplo anterior, tinhamos dois subespagos X, Y¥ de um espago métrico Me um homeomorfismo h: M— M, tal que A(X) = ¥. Isto mostra que X € Y sio homeomorfos: h|X € um homeomorfismo entre X e Y. B mais ainda: diz que X e Y estio topolo- gicamente situados da mesma maneira dentro de M. Vejamos um caso simples para ilustrar a questo, Na reta R, sejam X =[0, 1] U {2, 3} ¢ Y= (5, 6] u (4, 7}. Cada um desses subespagos é formado por um inter- valo fechado de comprimento 1 ¢ dois pontos isolados. E facil obter um homeomorfismo h: X > Y. Basta, por exemplo, definir h(2) = 4, h(3) = 7 e, pata 0< x <1, h(x) =x +5. Assim, do ponto de vista topoldgico, X e Y so indistinguiveis. Mas nao se pode deixar de notar uma diferenga entre X Y. E que os dois pontos isolados de X estdo do mesmo lado do segmento enquanto em Y, eles estéo um de cada lado do segmento. Isto, porém, nao é uma diferenga intrinseca entre X e Y. E que eles esto imersos em R de modo diferente. Em termos precisos: ndo existe um homeomor- fismo f: RR tal que f(X) = Y. Para provar esta afirmagao, usaremos um fato que seré provado mais adiante (¢ que talyez o leitor j4 conhega do Caleulo): toda fungio continua injetiva f: RR é monétona. Se o tal homeomorfismo f existisse, deveria transformar os dois pontos iso- lados de X nos pontos isolados de Ye, sendo monétono (digamos, cres- cente) deveria ser tal que f(2) = 4, [(3) = 7.Como0 < 2,teriamos (0) <4, 0 que é absurdo pois nenhum ye Yé menor do que 4. EXEMPLO 14. Uma aplicacdo injetiva f: M—> N que é um homeomor- fismo de M sobre sua imagem f(M) chama-se uma imersGo topolégica. Toda imersio isométrica € uma imersio topolégica. A apli- f es ° 1 g cagdo f: R— R* f(s) =(« A) uma imersio topoldgica da reta no plano. ‘Com efeito, a inversa f~*: f(R)—> R, dada por f~ (1, ) = ¢, é a restrigfo 2 f(2) da projecdo p,: R? + R. As figuras acima ilustram duas aplicagdes continuas injetivas f, g: (0, 1)» R® que nao so imersdes isométricas, isto suas inversas f~*: f((0, 1))— (0, 1) e g71: g(@, 1)) > ©, 1) sao descon- finuas. EXEMPLO 15. Toda bola aberta de um espago vetorial normado E é homeomorfa ao espago inteiro E. Em virtude do Exemplo 12, basta considerar a bola unitéria B = B(O; 1) e exibir um homeomorfismo Jf: E> B, Poremos f(x) = x/(1 + |x). Como | (| = |x/ + |x) <1 para todo xe E, vemos que f é uma aplicagio continua de E em B. De- finamos g: B-+ E pondo g(y) = y(1—|y)). Como |y| < 1 para todo ye B, vemos que g é continua. Além disso, como se verifica facilmente, vale F(90) =y © o(f(s)) =x para quaisquer yeB e xeE, Logo g=f~! ef é um homeomorfismo. EXEMPLO 15a. Segue-se do Exemplo 15 que todo intervalo aberto li- mitado (a, b) é homeomorfo reta R, pois (a, b) é a bola aberta de centro no seu ponto médio (a + 6/2 € raio r = (b—a)/2. Mais geralmente, porém, todo intervalo aberto da reta é homeomorfo a R. Com efeito, se se trata de um intervalo do tipo (a, +00), temos 0 homeo- morfismo f: R—> (a, +00), dado por f(x) =a + e% cujo inverso g = =f7': (a, +00) R, tem a expressiio g(y) = log(y—a). Se o intervato aberto for do tipo (-s0, 6), usaremos 0 homeomorfismo h: R—>(—00, b), definido por h(x) = b—e7*, 0 qual possui o inverso k: (00, b) > R, defi- nido por k(y) = —log(b-y). EXEMPLO 16. A projegao estereogréfica. Sejam 8" = {xe R"*?; (x, x) = 1} a esfera unitéria n-dimensional e p =(0,...,0, 1)€S" 0 seu polo norte. A projegdo estereogrifica : S"—{p}—> R” estabelece um homeomorfismo entre a esfera menos 0 polo norte e o espago euclidiano R". Geometricamente, 1(x) é 0 ponto em que a semi-reta px encontra o hi- perplano x, , = 0, que identificamos com R". A fim de obter uma formula para 7, obseryemos que os pontos da semi-reta pX tém a forma p + t-(x-p), onde t > 0. Tal ponto pertence ao hiperplano R" quando sua titima coor- denada 1 + e(x,,;~1) € zero. Dai tiramos t = 1/((1-x,,,). Convencio- nemos por x’ = (x, ,.--,%,) quando x = (x, ,...,%,5 %,+1): Entdo, sendo n(x) = p + (x—p)(1—x,4 1} uma conta facil mostra que x(x) = x//(1-,41). A expresso n(x) = x'(1—x,,,) mostra que x: S"—{p}—» R" & continua. (Note que x€S"—{p} exclui que seja x,,, = 1) Para verificar que & um homeomorlismo, basta considerar a aplicagio g: R"—» S"-{p}, de- finida por g(y) = x, onde, na notagdo acima, x = 2y/(ly|? + 1) e X41. = = (\y?-1)M|y? + 1). Constata-se sem dificuldade que (n(x)) = x’ para todo xeS"—{p} e x(ely)) = y para todo yeR". EXEMPLO 17. 0 grafico de uma aplicagéo continua é homeomorfo ao dominio. Seja f: M— N continua. O grdfico de f é 0 sub- conjunto G(f) do produto cartesiano M x N, definido por G(f) = {(%, fla); x M}. A aplicagao f: M— G(f) c M x N, dada por f(x) = = (x, (2%), € continua pois suas coordenadas so continuas. Sua inversa G(f) > M, dada por (x, /(x)) + x, € continua pois é igual a restrigio p, |G(/) da projecio p,: M x N— M. Assim f: M— G(f) é um homeomorfismo. Casos particulares: R- {0} ¢ homeomorfo a hipérbole H = {(x, y)¢R?; xy = 1} pois H € 0 grafico da fungao f: R-{0}— R, dada por f(x) = 1/x. Também © hemisfério norte 5", = {yeS"; y,4, > 0} € homeomorfo a bola aberta unitéria B = B(0; 1) ¢ R" pois S% é o grafico de g: BR, a) = /1-[xP. Com efeito, um ponto y =(y,,...+¥ys Vers) Pettence a S", se, © so- mente se, yi +--+ y? +y2,, =1e y,4, >'0. Pondo Oy, estas duas condigées significam que |x|<1e y,,,=/1 nos da: yeS", <> y = (x, /1-|xf). §4 Métricas equivalentes Intuitivamente, passar de uma métrica para outra mais fina, é a gene- ralizagiio da idéia de tomar uma unidade de medida menor, do que resul- tariam distincias maiores. Na definigo que daremos a seguir, as métricas mais finas ndo produzem distancias maiores no sentido estrito do termo, € sim “topologicamente maiores”, como se entendera a posteriori. Dadas as métricas d, ¢ d no mesmo conjunto M, escreveremos, por simplicidade, M, =(M, d,), M, = (M, d,), By(a; r) = bola de centro a © raio r segundo a métrica d, ete. Em geral, usaremos os indices 1 ¢ 2 para distinguir objetos definidos com auxilio das métricas d, ou d, respec- tivamente. Diremos que d, ¢ mais fina do que d , escreveremos d, > d,, quando a aplicagiio identidade i,,: M, + M, for continua, Como i, ,(x) = x para todo x€M, a definigio de continuidade fornece diretamente a seguinte condicao necessaria e suficiente para que d, seja mais fina do que d,: para todo aeM e todo > 0, existe 5 > 0 tal que B,(a; 3) < B,(a; &). Ou seja d, > d, <>toda bola aberta segundo d, contém wma bola aberta de mesmo centro segundo d, . EXEMPLO 18. Se 0 espago métrico (M, d,) & discreto (diz-se, neste caso, que d, é uma métrica discreta) ent&o d, & mais fina do que qualquer outra métrica d, em M. Por outro lado, se d for mais fina ue a métrica discreta d, entiio, para todo a € M, existe uma bola Bx(a; 5) contida na bola {a} = B,(a; ¢). Logo B,(a; 6) = {a} e portanto d, também é discreta. EXEMPLO 19. Se existir uma constante c > 0 tal que d(x, y) < c- d(x, ») para quaisquer x, y €M, ent&o d, é mais fina do que d, .Com efeito, esta desigualdade implica que a aplicacio identidade i,,: My > M, é lipschitziana, e portento continua. Olhada de outro modo, a mesma desigualdade significa que, para todo ae M, tem-se B,(a; o/c) < B,(a; ¢). Vejamos um caso particular desta situagio. Seja E=@,([a, b]: R) 0 espago vetorial das fungdes continuas limitadas : [4,\b] > R. (Quando estudarmos espagos compactos, mostraremos que toda fungéo continua F: [a b]>B & limitada) 34 sabemos que ||f|| = sup, |f()| define uma norma, ¢ portanto uma métrica em E. Como toda fung&o continua f: [a, Bb] > R & integravel, a definigdo || f ||, = f | f(0)|dx introduz uma pseudo-norma, e portanto uma pseudo-métrica em E. (Vide Exemplo 29 do Capitulo 1.) Ora, sabe-se do Célculo que uma fungdo continua nao- -nogativa, como x++| f(x)| s6 pode ter integral nula quando for identi- camente nula. Logo, || ||, 6 na realidade, uma norma (¢ portanto define uma métrica) em E, Para quaisquer f; ge E, temos : ahi ad= [ [se)—aeoide < a): sup, | /)—at] = 0-0) Mall Logo a métrica d(da convergéncia uniforme) é mais fina do que a métrica d, - Notemos, porém, que d, nao é mais fina do que d. Basta mostrar que ne- nhuma “bola uniforme” B(/, 2) pode conter uma bola B,(f; 6), segundo d, - Para isto, consideramos a fungiio g: [a, b] > R, que é zero exceto no inter- yalo [a, a + c], contido em [a, b], com c < 6/2. Neste intervalo menor, © grafico de g & um tridngulo is6sceles, cuja base é [a, a + c] e cuja altura mede 2c. A drea deste triangulo é igual a 3 [ locates Logot fellinaier etc 5x8 fase 8/2. Assim, f + g€B,(f; 6) mas, como g(a + c/2) = 2s, temos ||g|| > & e por- tanto f+ g¢ B(/; «). Como £ ¢ 6 so nuimeros positivos arbitrarios, vemos que nenhuma bola segundo a métrica d pode conter uma bola de mesmo centro segundo d, . PROPOSIGAO 4. Sejam M, = (M, d,) e M, =(M, d,) espagos métricos sobre 0 mesmo conjunto M. As seguintes afirmacées sdo equivalentes: (1) d, > d,; Usto é, a aplicagdo identidade i,,: M,— M, é continua.) (2).Para todo espaco métrico N, f: M,— N continua +f: M,N continua; (Isto é, toda aplicagéo continua segundo d, é continua segundo d,.) (3) Sef: M,>R é continua entéo f: My ® € continua; (4) Para todo aM, afungao d,,:M,— R, definida por d,,(x) = d,(a, x) é continua no ponto ae M. (5) Toda Sole aberts segmdo 2, contém wma bola aberta de mesmo centro segundo 4, (© A fungao d,: M, x M, +R é continua. Demonstragdo. Indiquemos com f' e f? a mesma aplicagdo f, conforme a consideremos definidaem M, ouem M,.Entiof! = f?oi,,. i My, 12, Mp wv Isto mostra que a continuidade de i,, ef? implicam na de f'. Ou seja: (1) + Q. E dbvio que (2)+ (3) > (4), pois cada uma dessas afirmagoes 6 um caso particular da anterior. Além disso, (1) <(4) = (5) pois todas estas afirmacdes podem ser reformuladas assim: para todo ae M e todo 2 >0, existe 5 >0 tal que B,(a; 5) ¢ B,(a; #). Também (6) = (4), como caso particular. Finalmente, (1) implica que a ‘aplicagio identidade M, x M,— M, x M, é continua e, por conseguinte, a continuidade de fi) M, x M,—® acarreta que f: M, x M,—R seja continua, Ora, d,: M, x M,— BR € reconhecidamente continua. Logo, (1) implica que d,:M, x M,—>R seja continua, ou seja, (1) > (6). Com isto fica provada a Proposigo 4. PROPOSIGAO'S: A aplicagdo injetiva f: (M, dy)—(N, dy) & continua se, e Somente se, a metrica dy é mais fina do que a mé- trica d, , induzida em M por f. Demonstragao. Nao ha perda de generalidade em supor que f seja sobre- jetiva. Indiquemos com f,: (M, d,)>(N, dy) a mesma aplicag&io que f, quando se toma no. dominio a métrica d,. Entio f, é (n.d) —_1— nay, J ‘Mi fs 7 (homeomorfismo} “(M,ay) 6 Espacos mé uma isometria, e portanto um homeomorlismo. Seja igg, : (M, dy,) > (M, @,) a aplicagdo identidade. Como f=/f,°iy,, vemos que f é continua se, ¢ somente se, iy, é continua, EXEMPLO 20. Como f: [0, 2x)—>S', dada por f(1) = (cost, sent), & uma bijegfo continua, segue-se que a métrica d(x, y) = |x—y| em [0, 2n) & mais fina do que a métrica d(x, y) = \/ (cos x—cos y)? + (Sen x—sen y)?, induzida por f. Duas métricas d, ¢ d, num espago M chamam-se equivalentes quando cada uma delas é mais fina do que a outra, isto 6 quando a aplicagdo identidade i,,: (M, d,) + (M, d,) é um homeomorfismo. Escreve-se entdo d, ~d,. A relaglo d, ~ d, é reflexiva, simétrica e transitiva. Por exemplo, duas métricas discretas no mesmo espago siio sempre equivalentes. Se d, ~ d, ¢ d, & discreta entdo d, é discreta. A fim de que se tenha d, ~ d, em M, € necessario ¢ suficiente que qualquer bola aberta em relagdo a uma dessas métricas contenha uma bola aberta de mesmo centro em relagiio 4 outra. EXEMPLO 21. As métricas d, @’ e d” no plano R? (Vide Exemplo 4, Capitulo 1) so equivalentes, pois todo disco contém um quadrado com diagonais paralelas aos eixos, o qual contém um qua- drado de lados paralelos aos eixos e este, por sua vez, contém um disco, etc, todas essas figuras com 0 mesmo centro. EXEMPLO 22. Se existirem constantes « > Oe fi > 0 tais que a: d,(x, y) < < dx, y) < f-d,(x, y) para quaisquer x, ye M, entio as métricas d, ¢ d, siio equivalentes pois a aplicagdo identidade i, :(M, d,) > —+(M, d) e sua inversa i, , :(M, d,) — (M, d,) so, neste caso, ambas lipschit- Zianas. Assim, por exemple, no produto cartesiano M=M, x... M,, as métricas d, ¢ @ definidas no Exemplo 8, Capitulo 1 so equivalentes, pois cumprem d’ < d < d' 0, tomamos 5, = ¢/(1 +6) e 5, = min{I, ¢}. Entao d(x, a) < 5, => d(x, a)/[1 + dx, all < ef(1 + &) = d(x, a) d,(x, a) < 1= d,(x, a) = d(x, a) => d(x, a) < 5, > d(x, a) <6. Assim, B,(a; 63) ¢ Bla; 2). Isto mostra que d, e d, sio ambas mais finas do que d. Conclusio: d ~ d, ~ d,. Em particular, vemos que toda métrica € equivalente a alguma métrica limitada, pois d,(x, y) <1 ¢ d(x, y) SL Note-se que, quando d é ilimitada, nao pode existir uma constante B > 0 tal que d(x, y) < f-d,(x, y) para quaisquer x, yeM pois esta desigual- dade acarretaria 1 + d(x, y) < f quando x # y, e portanto d seria limitada. Assim, a condig&o do Exemplo 22 & suficiente porém nao & necessdria para que duas métricas sejam equivalentes © Exemplo 19 nos mostra que, no espago das fungSes (limitadas) continuas f: [a, b] + as métricas af a) = sup |f@)-a9| © dh o-[ [Fe) ale) dx nfo sfio equivalentes. Também a métrica usual (induzida pela reta) no intervalo [0, 2x) nao é equivalente 4 métrica d,(x, y) = ./ (cos x—cos y)* + (sen x—sen y)*, 48 Esparos métrices induzida pela bijec&o f: [0, 2m) S*, onde f(x) = (cos x, sen x), porque f nfio € um homeomorfismo ¢ por causa da PROPOSIGAO 6. 4 bijecdo f: (M, dy) (N, dy) & um homeomorfismo se, e somente se, a méirica dy 6 equivalente a métrica d, . induzida em M por f. Demonstragéo. A aplicagio f,:(M, d,)— (N, dy), dada por f,(x) =f), é uma isometria ¢ portanto um homeomorfismo, isto é, sua inversa g = (f,)"': (N, dy)» (M, dj) é continua. Considerando a apli- cagao identidade i, ¢: (M, d,)— (M, dy), temos f~! = iy¢0g. Portanto, d, € mais fina do que dy, (isto 6, ij, € continua) se, © somente se, f~? & continua. Por outro lado (vide Proposi¢ao 5), dy é mais fina do que d, se, € somente se, f é continua. Logo, d, ~ dy <*f é um homeomorfismo. fl MA eal t iM 4 (Md) COROLARIO! A aplicagao f: (M, d)—>(N, d,) é continua se, e somente se, a métrica d,: Mx M—R, definida por d(x, y) = = d(x, y) + d,(S 0), f0)) € equivalente a d. Com efeito, se f € continua entio tomando em M x N a métrica 5[ (x,y), yV] = ax, x) + dU, y), sabemos que a aplicagio f: x + (x, f(x) é um homeomorfismo de M sobre o grafico G(f) < M x N. (Vide Exem- plo 17.) A métrica d, é induzida em M pelo homeomorfismo f; M-> G(/), logo € equivalente a d. Para demonstrar a reciproca, observemos que S: (M, d,)—(N, d,) € uma contragdo fraca, ¢ portanto € continua. Se for dy ~d, entdo f sera continua segundo d. (Vide Proposigéo 4.) Em particular, se f: (M, d)—> R é continua, ent&o a métrica d,(x, y) = = d(x, y) + |f6)-F6)| & equivalente a d. PROPOSIGAO 7.\Sejam M, = (M, d,) ¢ M, = (M, d,). AS seguintes afir- mages so equivalentes: () dy ~ dy. (2) Uma aplicagéo f: MN é continua segundo d, se, e somente se, € continua segundo d,. FuncSescontinuss 49 (3) Uma fungi real f M -- R é continua segundo d, se, e somente se, é continua segundo d,. (4) Para todo ae M, as fungdes d,,: M, Re dyy: M,—> R, dadas por d,,(x) = d,(a, x) ¢ d,,(X) = 4,(a, X), so continuas no ponto a. (5) Toda bola aberta segundo uma dessas métricas ‘contém uma bola aberta de mesmo centro segundo a outra. (6) As fungées d: M, x M,—» Re dy: M, x M,—> R sao continuas. Demonstragao. Vide Proposigao 4. §5 Transformacées lineares e multilineares Sejam E, F espagos vetoriais. Uma aplicagio f: E—» F chama-se uma transformagao linear quando, para quaisquer x, ye E e LER, tém-se F(X + Y) =F) + FO) efU+x) = Af). Dat resulta que f(A, +0, +o + + A,-v,) = Ay S(O) +--> + 4,-F(0,). Se for F = R, diremos que f: E> R € um funcional linear. Estamos interessados na continuidade das transfor- magées lineares. Comecamos observando que toda transformagao linear f: R > F, definida em R" e tomando valores num espago vetorial normado F qualquer, é continua, Com efeito, em termos da base canénica e, = (1, 0,...,0),..+5% = = @,...,0, », tod vetor x= (x,,...,%,) IR" se escreve como x = Oye E FC Xf (Ey) +++ + X pq F (Em) © POr- tanto ft) Sha Treo +: : (Ch) [Se )}}, vem | f()| <¢- (|x fi got bs). Usando em R" a norma |x| =|x,| +--+ [xmh temos | f(x)| < c-|x| para todo xe R”, Segue-se ue, para x, yeR" arbitrarios, vale | f(x)-f(y)| = | f(x—y)| < c-|x~yl. Logo f¢é lipschitziana e, por conseguinte, continua. Mas nao é verdade que toda transformacao linear f: E— F, definida num espago vetorial normado qualquer E, seja continua. Vejamos um exemplo de descontinuidade. EXEMPLO 24. Um funcional linear descontinuo. Seja E 0 conjunto dos po- linémios reais com uma varidvel. E é um espago vetorial, no qual definiremos a normalp|| =_ sup |p(x)|, Seja agora f: ER defi- ass: nida por f(p) = p(2). Evidentemente, fé um funcional linear. Mostraremos que f'é descontinuo no ponto 0¢ E (polindmio identicamente nulo). Com efeito, tomando « = 1/2 vemos que, para cada neN podemos encontrar um polindmio p,, a saber, p,(x) = (x/2)", tal que ||p,—O|] = 1/2" < I/n mas | f(p,)-/()] = |f(p,)| = 1 & PROPOSIGAO'® Sejam E, F espagos vetoriais normados. As seguintes afirmagées a respeito de uma transformagéo linear fi E-+F séo equivalentes: (1) f é continua; (2) f é continua no ponto 0€ E; (3) Existe ¢ > 0 tal que | f(x)| <¢-|x| para todo xe E: (4) Existe c > 0 tal que | f(x)-f(y)| < ¢*|x- | para quaisquer x, ye E. Demonstragao. Provaremos que (1) = (2) = (3) = (4) = (1). As implicagdes (1) + (2) e (4) => (1) so inteiramente Sbvias. Provemos que (2)= (@). Sendo f continua no ponto 0, com f(0) = 0, tomamos #= 1 e obtemos 6 > 0 tal que |x| < 5= | f(x)| < 1. Seja agora c qualquer némero tal que 0-< Ife <6. A relacdo | f(x)| (4), basta notar que, sendo f linear, a hipotese (3) implica | f(x)—f()| = | f(x-y)| < ¢-|x-y| COROVARIO! Seja f: E— F uma bijegto linear. Para que f seja um ho- meomorfismo, é necessirio ¢ suficiente que existam a > 0 @B>O tais que «|x| <|f(x)| < B°|x| para todo xe E. A condigao | f(%)| < |x| & como vimos, equivalente continuidade de f. Por outro lado, «:|x| < | f@)\Wxe E> a-|f-'()| < |ylWye P= =|f~'Q)| < [yl € uma condig&o equivalente a continuidade de f~. EXEMPLO 25. Uma bijegdo linear continua que néio é um homeomorfismo. Seja R® o espago vetorial formado pelas seqiiéncias in- finitas x = (X,, Xp,+--+X,s+-) de mimeros reais, em cada uma das quais apenas um niimero finito de coordenadas x, é # 0. Consideramos em R® a norma |x| = \/ (x4)? +-7* + (x,)? +777» que provém do produto in- terno (x, y) =x," y, +'°+ X,Y, +>» (Ambas as somas parecem infinitas mas so finitas) Definamos a transformagao linear f: R° > R® pondo flr, , Xy5---sXys--) = (ys Xp/2,-+-4% ns... Entio f ¢ continua Te Fs -+s qo (1s 2Vaa-e-s Vase) Para cada n, o vetor ¢,=(0,...,0, 1, 0,...), cuja n-ésima coordenada € 1 eas outras sfio zero, cumpre |e,| = 1 ¢| f~*(e,)| = n. Logo | f~*e,)| = =n-|e,| e, como n pode ser arbitrariamente grande, concluimos que ¥7* é descontinua, De acordo com a Proposigao 8, as transformagées lineares continuas f: EF (E e F espagos vetoriais normados) sio precisamente aquelas que so limitadas na esfera unitaria S = {xe E; |x| = 1} do espago E. Indica-se com (FE; F) 0 conjunto das transformagées lineares continuas ce E em F. Bvidentemente, Y(E; F) é um espaco vetorial em relago as operagies (f+ g(x) = f(x) + a(x) © (af ix) = @-S (0), pois se f g: E> F s&o continuas entio f+g e a-f também sao. E importante observar que “(E; F) possui uma norma natural, definida por || || = sup{| f|; x eB, |x| = 1} ou seja || f|| = sup | £09 Deixamos a cargo do leitor a verificagio dos axiomas de uma norma. © Exemplo 19 contém outro caso de bijeglo linear continua que nao € homeomorfismo, a saber: a aplicagdo identidade id: (E, ||. |) > _ |ly), onde E € 0 espaco vetorial formado pelas fungGes continuas : (imitada) fC BY +R, endo = gap, Lea er = Lvealee: asx5b Sejam | |, | |, normas no mesmo espago yetorial E, Escrevamos E, =(E, |. |, Ez = (E; |. |2) e indiquemos com i,,: E, > E, a apli- cago identidade, Diremos que a norma | |, & mais fina do que a nor- ma ||, quando i,, for_continua, isto & quando a métrica d,, prove- niente de | |,, for mais fina do que a métrica d,, proveniente de | |,. Diremos que | |, e| |, sio normas equivalentes quando i,, for um ho- meomorfismo, O Corolério da Proposicio 8, aplicado @ transformagio linear i,,: E,—> E, nos da: PROPOSIGAO)9 Duas normas | |, ¢ | |, num espago vetorial E séo equivalentes se, @ somente se, existem constantes « > 0 e B>0 tais que «-|x|, <|x|, < B-|x|, para todo xeE. Assim esta condic&io, que era apenas suficiente para a equivaléncia de métricas em geral, é também necessaria quando tais métricas provém de normas. 52 Espacos métricos Diremos agora algumas palavras sobre a continuidade das aplicagdes multilineares. Sejam E,, E,...,E,, F espagos vetoriais, Uma aplicagéo f: E, x X...% BE, F chama-se n-linear quando é linear separadamente em cada uma das suas n variaveis. Isto significa que, para cada i = 1, 2,....7, tém-se: LO, MF Vey ees Xy) PCy ees Mev By) ELC pees Ivers e FU poy Ope My) = OPO Xp ees XDe sejam quais forem x, €E,,...,%;, ,€Ej---.%, EE, € aER. | Se algum x; = 0 enti, pela segunda condigao (com « = 0), tem-se . Sle, 5---5%,) = 0. Em particular, quando n = 2, temos uma aplicago bilinear f: E, x x E,->F, que & caracterizada pelas condigdes: A], FA Vy 5 HQ) =F» XQ) FLO 1» 0) Slax, 4) S05 %2): Fy) Xz + Ya) = Ly 2) +L» Ya): L(% 5 1%) = FR» Xp). Novamente, f(x, , 0) = (0, x,) = 0 para quaisquer x, ¢E, ¢ x, ¢E,. EXEMPLO 26. A multiplicagio por um escalar, m: R x E- E, onde m(4, x) = 4+x @ bilinear. Também todo produto interno p: E x E>R, p(x, y) = (x y) é bilinear. Se E e F sio espagos vetoriais normados, indiquemos com Y(E; F) 0 espago vetorial das aplicagoes lineares continuas de E em F. Ent&o «: Y(E, F) x E— F, definida por oT, x) = T(Qd, é bilinear. Também é bilinear a aplicacéo p: £(F; G) x x LE; F)> LE; G), definida por u(T, S) = Te S (composigao de apli- cagdes lineares). A fungdo det: R™ x ... x R"— R (m fatores), definida por det (v,,...,0,) = determinante da matriz cujas linhas (ou cujas co- lunas — tanto faz) sio os vetores v,,...,0,, nesta ordem, é m-linear. Para simplificar a notagdo, trataremos de aplicacdes bilineares, em- bora os resultados sejam validos, com os mesmos argumentos, no caso nelinear. PROPOSIGAO 10. Sejam E, F, G espacos vetoriais normadosef:E x FG uma aplicagéio bilinear. As seguintes afirmagées sio equivalentes: 1) fé continua: 2) f é continua no ponto (0, 0)EE x F; Funces continues 53 3) existe c>0 tal que | fix, ¥)| 0 tal que |x| <6 e |y| <6 implicam ye y)| < 1. Dados x=E, y€F nfo-nulos quaisquer, os yetores —-— -y tém ambos 6 5 aap * ° 2pyT mormas inferiores a 8. Logo, 5 5 . ° Cr Ge apy |< ou seja, aay Pens? Tomando c = 4/5?, obtemos entiio | f(x, y)| < ¢-|x|-|v| sempre que x # 0 ey #0. Ora, esta desigualdade é evidente quando x = 0 ou y = 0 porque neste caso ambos os membros se anulam. Mostraremos agora que 3) > 4). Usaremos em E x Fanorma|z| = |x| + |y|, ondez = (x, y)¢, admitindo 3) como hipétese, provaremos: que f é lipschitziana em cada bola B[0; r] de E x F. Com efeito, se z = (x, y) e 2’ = (x, y) pertencem a esta bola entao |x|, |x'}, |p| e |y'] sto [x4] [yh y 7 Es] Podemos entao escrever: [4 Ms Edad byl 16. ell se 3 bal ll = e-Lel Lol para qualquer x" © qualquer ye R". Logo f é continua. 54 Ecpacos métricos Observagdo. E vantajoso imaginar uma aplicacao bilinear f: E x FG como uma multiplicagéo, na qual o produto de um elemento de E por um de F pertence a G. De fato, usando a notagdo f(x, y) = x- ys as condigées de bilinearidade se exprimem como (x + x’)-y = x-y+x-y, xy ty)=xX-yt+x-y¥ © (ax)-y =x: (ay) = a-(x-y). EXEMPLO 27. A Proposig&o 10 contém a demonstragio de que a mul- tiplicagdo de nameros reais m: R x R—>R ou, mais ge- ralmente a multiplicagéo m: R x EE, de um nimero por um vetor num espago vetorial normado E, é continua. Além disso, qualquer pro- duto interno ¢,): E x ER num espaco vetorial E é continuo em re- lagdo & norma por ele induzida em virtude da desigualdade de Cauchy- “Schwarz, |(x, y| <|x|-|y]. Também a composigao de transformagdes lineares continuas px: Y(F; G) x ¥(E; F)—> £(E; G) & uma aplicagao bilinear continua relativamente 4 norma natural acima definida para espacos do tipo ¥(E; F). Com efeito, vale ||x(7, $)|| = || T° S|] < || TI} -||Slh como se verifica sem dificuldade. A fung&o determinante, det: R"" = =R" x... x R"-R € continua, em virtude do corolario acima. EXERCICIOS DO CAPITULO 2 §1 1. Sejam f; g: M—>R continuas no ponto aeM. Se f(a) < g(a), existe 5>0 tal que, para x, yeM, d(x, a) <6, diy, a) f(x) # g(x). ——_ » Sejam f, g: MN continuas. Dado aM, suponha que toda bola de centro a contenha um ponto x tal que f(x) = g(x), Conclua que f(a) = gla). Use este fato para mostrar que se f, g: R—> R sfio con- tinuas ¢ f(x) = g(x) para todo x racional entéo f= 9. 4, Sejam f: M— N x N continua e Ac N x N a diagonal. Prove que S74(N x N—A) é uma reuniao de bolas abertas em M. S Seja f- RR delimde por F(x) = x-sen(1/x) se x #0 € SO) =0. Mostre que f € continua no ponto 0 mas nAo ¢ lipschitziana em inter- yalo algum contendo 0. 6 Seja f: 1+ R derivavel em todos os pontos do intervalo J. Mostre que se f é lipschitziana ento sua derivada é limitada em I. = . Sejam 1, J intervalos arbitrarios da reta e f: 1+ J uma bijecdo tal que x < yf(x) 0} € limitado ¢ n&o-vazio, Sejam a = inf P e b=supP. Prove que se, aeX ¢ beX entio f(a)=0 e f(b) 20. Dada f: [a, b] + B continua, com f(a) > 0 > f(b), seiac = sup{xe [a,b]: S() > O}. Prove que f(c) = 0. Conclua dai que se f: | > R é continua num intervalo I ent&o f(J) € um intervalo. - © 10 Toda fungao continua f: [a, b]-*R é limitada. (Sugestdo: seja X={xe[a,b]; /| [ax] € limitada}. Tome ¢=sup X. Mostre que ceX e conclua que X¥ = [a,b]. 1. Para toda fungio continua f: [a, b] > R, existem xy, x, €[a, b] tais que S(&o) < f(x) < f(%,) para todo x € [a, b]. (Sugestdo: se x, , por exemplo, nao existisse, entdo, pondo a=sup f, a fungdo g(x)=1/[f(x)—«] seria continua e ilimitada em [a, 5].) 12. A imagem de um intervalo limitado e fechado por uma fungiio real continua é ainda um intervalo limitado e fechado. Todos os demais tipos de intervalo podem ter imagem continua que seja um intervalo de tipo diferente. 13. Dados os espagos métricos M e N, seja v: @(M; N) x M>N definida por v(f, x) = f(x). Mostre que v é continua no ponto (fo> Xo)€ B(M, N) x M se, © somente se, fy: M— N é continua no ponto x,eM. 14, Sejam M, N espagos métricos e g:M > N qualquer. Defina a apli- cago ~*: BN; R)—> &(M; R) pondo 9*(f) = fog. Mostre que o* & uma contragGo fraca (linear). 15. Dado um conjunto arbitrario X, defina as fungGes reais J, S: @(X;R)—> R pondo I(f) = inf f(x) ¢ S{/) = sup f(x). Prove que J eS sto continuas. 360 Emer merice 16. Dado um conjunto arbitrério X, defina a aplicacéo V: AX; R)> AX; B), pondo V(f)=|f|, onde | f(x) =|/f(x)| Prove que V é uma con- tracdo fraca. 17. Dada f: M— N, se existem constantes c > 0 e a > 0 tais que f cumpre a “condigo de Hélder” d(f(x), f(y) <¢-d(x, y)*, para quaisquer x, ye M, entéo diz-se que f é hélderiana. Mostre que f hilderiana => f continua. Mostre também que se f: J-> R, definida num intervalo, cumpre uma condig&io de Hélder com « > | entio f 6 constante. 18. Seja f: [0, +00)—»[0, +00) definida por f(x) = x", com neN. Mostre que f cumpre a condicao de Hélder | f(x)—f(y)| < e+|x—y|"", com ¢ = 2"-"" Conclua dai a continuidade de f Observe que f nao lipschitziana em intervalo algum contendo 0. 19. Dadas f; g: MR, defina f v g: M-Ref A g: MR pondo, cada xeM, (fv gx) = max{f(x), g(x)} © (fA lx) = min{ f(x), g()}- Prove que se fe g sio continuas no ponto aeM entiofvgefag so continuas no mesmo ponto. 20. Seja f: M— R k-lipschitziana, isto & | f(x)-f(y)| < k-d(x, y) para quaisquer x, ye M. Prove que tem-se f(x) = inf | f(y) + k-d(x, y)| = = sup | f())-k- d(x, y)|, para todo xe M. 21. Scja f: Y— R k-lipschitziana num subconjunto Yc R. Prove que existe uma fung&o k-lipschitziana g: R + R tal que g| Y =f. (Sugestao: Suponha inicialmente f limitada e defina g(x) = inf [ f(y) + k-d(s, »)] Fe para todo xR. No caso geral, estenda sucessivamente cada res- trigho f, =| %, a [—n—-1, 141], onde ¥,=[-maJu{¥a[-n— bn Up. 22. Seja M = AUB. Se f: MN é tal que f|A e {|B so continuas, entfio f é continua em cada ponto ae AB. §2 23) 8 Num espago métrico M, sejam F = Bla; r] e G = M—Bla; 3), onde O M seja continua, é necessario e suficiente que fom: BLO, r]— M seja continua na bola de centro 0 ¢ raio r em R?. Dé exemplo de um subconjunto X ¢ R? tal que a(X)=(-1, IJ e uma fung&o descontinua f: (-1, 1] R com fom: X— R continua. . Seja P* 0 espago projetivo de dimension. (Vide Exerc. 55, Cap. 1) A aplicagio natural x: $"—> p" é continua, Além disso, se Bc S" é uma bola aberta de raio r < ,/2/2 entio f transforma B isometrica- mente sobre uma bola de mesmo raio em P”, Concluir que, se f: P"—> M é uma aplicagiio tomando valores num espago métrico arbitrario M, tem-se f continua se, e somente se, a composta xef; S*—» M for con- tinua. Seja f; M—+M continua. Para cada inteiro n > 0, seja f": MM definida por f° = id, f"*! = fof". Suponha que aeM seja tal que m# n= f"a) #f"a). Prove que, para todo pe Ni, existe uma bola B, de centro a, tal que 1 f(B)Of4B) = Z. Sejam f: M—N continua e Yc N nao-vazio. Se aeM é tal que A f(a), ¥) > 0, ent&o existe uma bola B, de centro a, tal que xe B=> = dfx), Y)>0. Sejam M, N, P espacos métricos. A fim de que f: M x N— P seja continua num ponto (a, b)eM x N € necessdrio e suficiente que, dado arbitrariamente ¢ > 0, existam 5, > 0 © 6, >0 tais que, para xeMeyeN, se tenha: d(x, a) < 5, ,d(y,b) < 5, > df (x vf(a.b)) <& Sejam M, N espagos métricos, f: M— N uma aplicagio continua e Y um subconjunto de N. Seja A o conjunto dos pontos x=M tais que dl f(x), N—Y) > 0. Prove que, para todo x € A, tem-se d(x, M—A) > 0. Sejam f: M—»N e g: N-»P continuas tais que gof: M— P seja um homeomorfismo. Supondo que f seja sobrejetiva (ou entio que g seja injetiva) prove que fe g sio ambos homeomorfismos. Sejam f: M—>+N eg: NM continuas tais que gef= id: M+ M. Prove que /é um homeomorfismo de M sobre 0 subespago f(M) < N. 58 Espacos métricos 33. Mostte que os espagos métricos seguintes sdo dois a dois homeo- morfos: {(x, y, z)€1R9; x? + y? = 1} (cilindro vertical) S' x R (produto do circulo pela reta) R?— {0} (plano menos a origem) {(& y)eR?; 1 0} (cone sem o vértice) 34, Estabeleca um homeomorfismo entre o “primeito quadrante” Q = {(% JE R?; x 20, y > 0} ¢ 0 semi-plano H = {(x, y)e R?; y > 0}. 35, Seja m: S"-{p} > R" a projegdo estereografica. Prove que nao existe uma aplicagao continua f: 5" R" que coincida com x em S"~{p}. 36. Um espago métrico M diz-se “topologicamente homogéneo” quando, dados a, beM quaisquer, existe um homeomorfismo h: M— M tal que h(a) = b. Prove: (a) Se M e N so homeomorfos entiio M é topologicamente homogéneo se, € somente se, N o 6. (b) Todo espaco discreto € topologicamente homogéneo. (0) Toda bola aberta num espago vetorial normado é topologicamente homogénea. (d) P = {0, 1, 1/2,...,1/n,...}, com a métrica induzida da reta, nfo € topologicamente homogéneo. (e) © intervalo fechado [a, 6] nao @ topologicamente homogéneo. (Esta parte fica mais facil depois do Capitulo 4). 37. Mostre que f: S* x R—> R"*!— {0}, dada por f(x, 1) = e'-x, é um homeomorfismo € use este fato para definir um homeomorfismo 9, de R"*!_{0} sobre si mesmo, tal que 9|S" = identidade, p = g~! e |@(z)| > 1 |z| <1. 38, Seja X ¢ RB. Diz-se que um ponto aeX & semi-isolado em X quando existe um intervalo da forma I = (a, a + 2) ou da forma I = (a—s, a), tal que X AI =. No conjunto X = {0, 1, 1/2,...,1/m. ponto semi-isolado, enquanto que em Y = {0, +1, +1/2,.. © ponto 0 nao é semi-isolado. Mostre que existe um homeomorfismo h: X — ¥ tal que h(0) = Oe conchia que ser semi-isolado nfo € uma propriedade topolégica. FumgSescontinuss 59 | Mostre que 0 conjunto X = {(x, y)eR" x R"; |x? + |yP = 1, y # 0} homeomorfo ao produto R™ x S*'. Prove que o hiperboléide H = {(x, y)eR™ x R"; lyP =1, € homeomorfo ao produto S"~' x R". . Seja Ba bola fechada de centro na origem e raio | em R?. Estabeleca um homeomorfismo entre R*-B e R?—{0}. . Seja p, q pontos distintos da esfera $? ¢ Dc R? um disco fechado. Prove que S?—{p, q} € homeomorfo a R?— . Scja Mo conjunto dos discos abertos do plano. Mostre que A[B(q; 1), BO; s)] = |a—b| + |r—s| define em M uma métrica com a qual M é homeomorfo a U = {(x, y, 2)€R?; z > 0}. . Sejam d,, d, e d, métricas sobre 0 conjunto M. Se d, 0, 0 conjunto {(x, y)eR?; 0 r} seja d-limitado. Seja E 0 espago vetorial das fungdes f: [a, b] + R que sfo limitadas © possuem derivada limitada. Mostre que || f||, = sup {|/@)| + + | f'(x)|; xe [a, b]} define em E uma norma, estritamente mais fina o gue || f|| = sup {| f69)|; xe [a b]}, porém equivalente a || /], = =| f(a) + sup {| Co]; xe[a, by} ea Isle = sup, [£1 + sup, [f°]. Dados x, yeR ponba d(x, y) =|x—y| +1 se um desses nimeros for positivo e 0 outro niio ¢ d(x, y) = |x—y| no caso contrario, Veri- Gique que 5 ¢ uma métrica em R. Compare 5 com a métrica usual a, y)=|x-y| B 6 mais fina, menos fina, equivalente ou incom- paravel com d? Scia E 0 espago vetorial das fungdes lipschitzianas f: [0, 1] R tais que f(0) = 0. Considere em E as normas If l= sep lel e KA) = ie) |. osxet asx 60 — Espacos métricos Mostre que ({ )) é estritamente mais fina do que || ||. Dada g¢ E com derivada continua em [0, 1}, tal que 9'(0) = 0, seja F 0 subcon- junto de E formado pelas fungoes f tais que | f(x)| < |9(x)| para todo x€[0, 1]. Mostre que, no subconjunto F, as métricas induzidas por estas duas normas sfio equivalentes. 49. As métricas d(x, y) =|x—y| e &(x, y) =|1/x-1/y| so equivalentes em (0, +00). 50. Sejam d, e d, métricas em M. Prove que d(x, y) = d(x, y) + d(x y) € d(x, y) = max {d,(x, y), dol, y)} definem métricas em M, ambas mais finas que d, e d,; d, ¢ d, sto equivalentes se, ¢ somente se as 4 métricas d,, d,, de 6 so equiva- lentes entre si. 51. Seja @: [0, +00)—> [0, +00) uma funcio crescente, tal que 9(0) = 0 © g(x + y) < o(x) + ly). (Por exemplo, @ céncava, crescente, com 9(0) = 0.) Entdo, se d ¢ uma métrica em M, ged também é uma mé- trica. Se, além disso, g for continua no ponto 0, as métricas de pod sfo equivalentes. Obtenha exemplos de tal @ considerando fungées derivaveis, com (0) = 0, dg/dx >0 e @e/dx? <0. §5 52. Sejam E, F espagos vetoriais normados. Se uma aplicagéo linear f: E— F for descontinua, entao f é descontinua em todos os pontos de E. 53. Dé exemplo de uma aplicacao bilinear descontinua. ~Sejam E, F espagos vetoriais normados. Dada f: E— F linear con- tinua, ponhamos || f|| = sup {| f(3|; xe £, |x| = 1}. Prove que isto define uma norma em Y(E; F). . Seja E 0 espago vetorial das fungdes f: [a, b]—+ R que possuem deri. vadas de todas as ordens. (Cada-uma-dek F siderando em E a norma || f|| = sup {|fCd|: xe [a oy}. mostre que a transformagio linear 5: E— E, definida por d(f) =f’, € descontinua. Por outro lado, a norma || f||, = sup {| /(x)| + |s'@)|; xeL[a b]} torna 6:(E, || ||,) + (E, || |)) continua. ____S6.Seja f; E+ R um funcional linear continue-no-espayo-vetorialor-—— mado E. Mostre que /é limitado em toda bola aberta Bc E mas nfo atinge seu inf nem seu sup em B. 57. Seja E o espago vetorial das fungdes continuas f: [0, 1] R, com a norma do sup. Dada £ < E, mostre que a transformagéo linear T,: E> E, dada por T.(f) =¢-f, € continua ¢ sua norma é ||¢||. Mostre que T; possui uma invyersa continua se, ¢ somente se, (x) #0 para todo xe[0, 1]. 58. Sejam E, F espagos vetoriais normados. Se substituirmos as normas de E c/ou F por ovtras equivalentes, uma aplicagdo lipschitziana _ f: E> F nfio perde esta propriedade. Mostre que o resultado andlogo com “métrica” em vez de “norma” seria falso. CAPITULO 3 LINGUAGEM BASICA DA TOPOLOGIA §1 Conjuntos abertos Seja X um subconjunto de um espago métrico M. Um ponto ae X diz-se um pontoyinterior’ a X quando é centro de uma bola aberta contida em X, ou seja, quando existe r > 0 tal que d(x, a) < r= xe X. Chama-se o interior de X em M ao conjunto int X formado pelos pontos interiores a X. M o Eintx e EBX Dizer que o ponto be X BaSISURLGHOF a X significa, entio, afirmar que toda bola aberta de centro b contém algum ponto que nio pertence a X. Neste caso, 0 ponto b pertence a fronteira de X. A fronteira de X pode também conter pontos que no estio em X, de acordo com a de- finig&o abaixo. A toiteira@ de X em M & o conjunto OX, formado pelos pontos be M tais que toda bola aberta de centro b contém pelo menos um ponto de X ¢ um ponto do complementar M-X. Observagéo. Toda bola contém evidentemente um centro b, o qual per- tence a X ou a M—X, Para mostrar que b ¢ 0X basta, quando be X, provar que toda bola aberta de centro b contém pontos de M—X. EXEMPLO 1. 0 interior do intervalo [0, 1) na reta é 0 intervalo aberto (G, 1) ¢ sua fronteira consta dos pontos 0 e 1 apenas. Com efeito, se 0 < a <1 entio, pondo r = min {a, 1—a} temos (a—r,a +7) c [0, 1), logo aeint[0, 1). Mas 0€d[0, 1) pois todo intervalo aberto de centro 0 contém numeros negativos, portanto nao pertencentes a [0, 1). Também 1 € 6[0, 1) pois, embora 1 ¢ [0, 1), todo intervalo aberto de centro 1 entém niimeros positives menores do que 1. Além disso, nenhum mimero aegativo ou maior do que 1 pode pertencer 4 fronteira de [0, 1) EXEMPLO 2. Seja @ o conjunto nos numeros racionais. O interior de Q em R & yazio pois nenhum intervalo aberto pode ser formado apenas por numeros racionais. Por outro lado a fronteira de @ @ toda a reta R porque qualquer intervalo aberto contém nimeros racio- mais € niimeros irracionais. Observagdo. As nogdes de interior ¢ fronteira sfo relativas, isto é dependem do espago métrico M no qual se considera X imerso. Por exemplo, no Exemplo 1 acima, temos int [0, 1) = (0, 1) e é[0, 1) = {0, 1} em R. Mas se considerarmos R como 6 cixo das abcissas (y = 0) no plano B®, teremos [0, 1) < R? ¢, como subconjunto do plano R?, o interior de [0, 1) é vazio e sua fronteira € 0 intervalo fechado [0, 1]. Assim, quando se fala em “interior de X” ¢ “fronteira de X”, deve-se especificar em relagiio a qual espago métrico M, salvo quando isto seja evidente no contexto. Seja X um subconjunto de um espago métrico M. Dado um ponto arbitrério ceM, ha trés possibilidades que se excluem mutuamente: ou existe uma bola aberta de centro ¢ contida em X (isto & céint X), ou existe uma bola aberta de centro ¢ contida em M ~ X (au seja, ce int (M—X)) ou toda bola aberta de centro c contém pontos de X e de M—X (quer dizer, c€@X). Logo todo conjunto X determina a decomposigfio do es- pago como reunido de trés subconjuntos dois a dois disjuntos M = int X v OX V int(M—X). Um ou dois dos trés conjuntos acima podem Ser vazios. Esta decompo- Go ilustra o fato (evidente a partir da definig&o) de que 2X = a(M- X). Por exemplo, se M = Re X =[0, 1), temos R = (0, 1) U {0, 1} u ¥, onde Y= (-2, 0) U(I, +09) Um subconjunto A de um espago métrico M diz-se aberto em M quando todos os seus pontos sio interiores, isto é int 4 = A. Assim, AcM é aberto se, e somente se, AN 0A = &. Para provar que um conjunto Ac M é aberto em M devemos, em principio, obter, para cada xe A, um raio r > 0 tal que B(x; 7) < A. PROPOSIGAON. Em qualquer espago métrico M, uma bola aberta Bla; 1) € um conjunto aberto. Demonstragdo. Seja x ¢ Bla; r). Ent&o d(a, x) 0 tal que Bia; 1) < X. Para todo xe Bla; 1), como vimos acima, existe s > 0 tal que B(x, s) = Bia; 7), donde B(x:.s) < X. Isto mostra que todo ponto x Bla; 1) € interior a X, ou seja, que B(a; r) < int X. Logo int X é aberto. Na realidade, int X & 0 maior aberto contido em X, Isto quer dizer que se A é aberto e-4.< X entéo A c int X. Para verificar isto, basta notar que todo ponto ae A é interior a A e portanto (como A < X) in- terior a X. EXEMPLO 3. Um ponto aéM é um conjunto aberto em M se, e somente se, 6 um ponto isolado, pois s6 sendo o proprio a uma bola é que pode conter uma bola. Um espago métrico é discreto se, ¢ so- mente se, todos os seus subconjuntos sio abertos. EXEMPLO 4. O espago métrico M é, evidentemente, aberto em M. Isto mostra como a propriedade “X é aberto” é relativa, isto ¢, depende do espaco M em que se considera X imerso: X é sempre aberto no proprio espago X. Para um exemplo menos trivial, observemos que X =[0, 1) 6 um subconjunto aberto do espago M = [0, 1]: basta notar que cada intervalo do tipo [0, ¢), com 0 <¢ < 1, é uma bola aberta de centro 0 no espago M = [0, 1]. No entanto, [0, 1) nao ¢ aberto na reta R. Também o intervalo aberto (0, 1) do eixo das abcissas em R? € aberto nesse eixo mas nfo é aberto em &2. Um conjunto que € aberto em qual- quer espago métrico que o contenha é 0 conjunto vazio @. Com efeito, para provar que um conjunto X nao é aberto, deve-se exibir um ponto xeX que no seja interior a X. Isto é evidentemente impossivel de fazer quando X = G. Logo @ é aberto. EXEMPLO 5. Em tedp espago métrico M, 0 complementar de uma bola fechada Bla: r] é um conjunto aberto A= M—B[a; 7). om cieito, seja ceA, isto & d(a, c) > 7. Tomemos um numero 5 > 0 que r +s < dla, c). Pelo Corolario da Proposigao 2, Capitulo 1, as fechadas B[a; r] e Ble: s] so disjuntas. Com maior razio, Bla; r] 0 Ble: s) = @, ou seja, Bc: s) ¢ M—B[a; r]. Logo todo ponto cea & or. E mais facil ainda yer que o complementar de um ponto ae M. sm conjunto aberto M —{a}: se b # a entéo a bola aberta B(b; r), com = da, b), sé contém pontos em M — {a}. De um modo geral, se F = Ja, .--.,4,} 6 qualquer subconjunto finito de M, seu complementar M - F é em M, pois seh € MF ent&oo mimeror = min {d(b, a,),--+, db, a,)} “positivo e a bola B(b; r) nao contém nenhum dos pontos a, ,...5dy, & Bib; r) < M-F. EXEMPLO 6. Todo intervalo aberto limitado (a, 6) é um subconjunto aberto da reta pois é a bola aberta de centro no seu ponto médio (a + b)/2 e raio r = (b—a)/2. Mas as semi-retas abertas (-c0, b) e (a, +) também s&o subconjuntos abertos em R. Com efeito, se ¢ € (-00, b), isto & ¢ 0, 0 ponto a + (r + s/2)-u pertence a bola aberta de centro b € raio s mas esti fora de B[a; r]. Assim, nenhuma bola aberta de centro b pode estar contida em B[a; r]. Isto mostra que todos os pontos b pertencentes a esfera S(a: r) esto na fronteira da bola Bla: r']. Segue-se entiio da Pro- posigio 1 que int B[a; r] = Bla; r). Pelo Exemplo 5, nenhum ponto ce E tal que |c—a| > r pertence a fronteira de B[a; r]. Logo aB[a; r] = Sai r), como era de se esperar. PROPOSIGAO 2! Seja U a colegio dos subconjuntos abertos de um espago métrico M. Entao: induzida da reta entéo a bola fechada de centro 0 ¢ raio 1 em M coincide ___ 66 spaces métricos (1) MeU e Wel. (0 espago inteiro e o conjunto vazio sdo abertos.) (2) Se A,,...,A,€U entdo A,r... A, EU. (A intersegdo de um niimero Jinito de conjuntos abertos é um conjunto aberto.) (3) Se AyeW para todo 4€L entéo A = |) A,eU. (A reunido de uma fa- del mili qualquer de conjuntos abertos € um conjunto aberto.) Demonstragdo. (1) j& foi observado no Exemplo 4, Para provar (2), supo- nhamos que ae A,,...,¢€A,. Como estes conjuntos so abertos, existem r, > 0,...,1, > Otais que Blazr,) < A,,..., Blasr,) < A, Seja ro menor dos nimeros r,,...,7,. Entdo Bla: 1) ¢ Bla: 7.) € Ay,..., Blas 1) © Bla: r,) ¢ A, e dai Bla; r)C Ap... Ay. Logo A, 9...04, € aberto. Resta provar (3). Seja ento ae A. Existe um indice LL tal que ae A,. Como este conjunto é aberto, ha uma bola B(a: 7) contida em A,. Logo Bla; r) < A. COROLARIO! Um subconjunto A < M é aberto se, e somente se, € uma reunido de bolas abertas. De fato, se A = U B, é uma reuniaio de bolas abertas, ent&o A ¢ aberto em M, em virtude da Proposig&o 1 e do item (3) da Proposigiio 2. Reci- procamente, se A é aberto entdo, para cada xe A, podemos obter uma bola aberta B, tal que xe B, A, o que se escreve também como {x} < © B,< A. Tomando reunides, vem A= (J {x} ¢ U B, < A. Logo xeA sea A= |) B,, 0-ete-mostra-quetodo-abertoéteunidio de bolas abertas. net Exprime-se 0 corolirio acima dizendo que as bolas abertas formam uma “base de abertos” para 0 espago métrico M, EXEMPLO 8. A intersego de uma familia infinita de abertos pode nfo ser um conjunto aberto. Por exemplo, um ponto aeM nfo € aberto em M a menos que seja isolado. Mas todo ponto a é inter- 1 sego de uma familia enumerdvel de abertos, a saber, {a} = () B( a: — } sew Com efeito, se x # aentio d(x, a) > 0, logo existe ne N tal que d(x, a) > 1/n. Assim sendo, x¢ B(a; 1/n). Isto mostra que apenas o ponto a pertence a todas as bolas abertas B(a; 1/n), ne N. EXEMPLO 9. Abertos num subespago. Seja X < M. Considerando em X a métrica induzida por M, as conjuntos abertos no subes- Lingusgem bisica da topologia © 67 pare métrico X siio as intersegdes Am X, onde A é aberto em M. Isto decorre de fato, j4 observado, de que as bolas abertas em X tém a forma B¥(a: r) = = Bla: r) 7 X, onde B(a: r) é uma bola em M. Ora, 0s subconjuntos abertos do cxpago X sao, pelo Corolario da Proposigao 2, as reunides de bolas abertas.em X. Logo, A’ X é aberto<> A’ =|) BY = |) (By NX) = 7 i = (UB) 9X = AN X, onde A = UB, é aberto em M. Em particular, z se X é aberto em M, 08 abertos do subespago X siio os subconjuntos abertos de M que est&o contides em X. Quando X nfo é aberto em M entao, evidentemente, todo conjunto aberto em M e contido em X é também aberto em X, mas existem subconjuntos A’ ¢ X que sio abertos em X mas nado em M. (O proprio X é um deles.) Por exemplo, se 0 < « < b—a, © intervalo [a, a + ¢) é aberto no subespago [a, b] da reta mas ndo ¢ aberto em R. EXEMPLO 10. 0 conjunto das aplicagdes limitadas descontinuas ¢ aberto em @M; N). Mais precisamente, dado aeM, seja D, © conjunto das aplicagdes limitadas f| M—+ N que so descontinuas no ponto a. Mostraremos que D, & aberto. Para isto, tomemos fe D,. Existe = > 0 com a seguinte propriedade: para todo 5 > 0 pode-se obter x,¢M com d(x,, a) <5 e d(x), fla)) = 3-6. Afirmamos que se g€ B(M; N) e a(g, f) <2 entio geD,. Com efeito, nestas condigdes, para todo 6 > 0 temos: 3-6 S dS (Xs), S@).< AS (%), os) + Algl%s), gla)) + dala), f(a). Ora, na soma acima, a primeira e a terceira parcelas sio <¢ ea soma das trés ¢ > 3-0, Assim, a segunda parcela é > «. Logo gD, Seja agora D © conjunto de todas as aplicagdes limitadas descontinuas f: M— N. Temos D = |) D,. Logo D é aberto em @(M; N). De modo andlogo ao se mostra que, dada f: M— N, 0 conjunto das aplicagdes g: M— N que estio a uma distancia finita de f e séo descontinuas é aberto no espago métrico @{M; N). Num espago métrico, diz-se que © conjunto V é uma vizinhanca do ponto a quando aeint V. Assim, Vé uma vizinhanca de a se, e somente se, Vcontém um aberto que contém a. A intersegéo de um numero finito de vizinhancas de a ¢ ainda uma vizinhanga de a. 6B Espacos métricos Se Vé uma vizinhanga de ae W> Ventio W é uma vizinhanca de @ Um conjunto é aberto se, e somente se, é uma vizinhanga de cada um dos seus pontos, A fim de que f; MN seja continua no ponto aeM é necessario ¢ suficiente que, para cada vizinhanga V de f(a) em N exista uma vizi- nhanga U de a em M tal que f(U) < V. §2 Relacdes entre conjuntos abertos e continuidade A importancia da nogilo de conjunto aberto na Topologia dos Es- pagos Métricos se deve principalmente ao resultado seguinte. PROPOSIGAO'3. Sejam M, N espagos métricos. A fim de que uma apli- cacao f: M~» N seja continua, é necessario e suficiente que a imagem inversa f~*(A’) de todo subconjunto aberto A’ < N seja um subconjunto aberto de M. Demonstragao. Suponhamos primeitamente que f seja continua, tomemos A’CN aberto ¢ mostremos que f~"(4') € aberto em M. De fato, para cada ae f~*(4’), temos f(a) € 4’. Pela definigaio de conjunto aberto, existe ¢ > 0 tal que B(/(a); #) < 4’. Sendo f continua no ponto a, a0 ¢ corresponde um 5 > 0 tal que f(B(a, 8)) < B({(a); ©) < A’. Isto quer dizer que Bla; 5) < f7"(4’). Logo f~(4’) é aberto. A uM A N Reciprocamente, suponhamos que a imagem inversa por f de-cada— aberto em N seja um aberto em M. Seja ae M. Mostraremos que f é con- tinua no ponto a. Com efeito, dado ¢ > 0, a bola A’ = B(f(a); #) é um aberto em N, contendo f(a). Logo sua imagem inversa A = f~*(4) é um aberto'em M, contendo a. Assim existe 6 >0 tal que Bla; 6) < 4, ou seja, f(Bla; 5)) < BUf(a); ) Linguagem bésica da topologia 69 Corolirio da demonstragio. A fim de que f: M—> N seja continua no ponto aeM, é necessario e suficiente que, para cada aberto A’ c N com f(a)eA’, exista um aberto Ac M, com ae A, tal que FA) A’ COROLARIO 1! 0 produto cartesiano A, x ... x A, de conjuntos abertos A, © M, é um subconjunto aberto de M =M, x... x M,. Com feito, para cada i = 1,...,7, a projesdo p,: M—> M, € continua, logo pr (A,) é aberto em M. Ora, A, x... x Ay = py A)... Py (Ags ¢ a intersegdo de um nimero finito de abertos é um aberto. COROLARION2: Sejam f,,...,f,: M— B fingaes reais continuas. 0 con- junto A, formado pelos pontos x€M tais que f,Q) > 0,...,f,0) > 0, é aberto em M. Ou seja: se as fungdes f,,...,f, so todas positivas num ponto aeM entio existe uma bola aberta B(a; 7) tal que f;(x) > 0,..., f(x) > 0 para todo xe Bla; 1). Isto pode ser provado diretamente, a partir das definigdes, ou ent&éo do seguinte modo: seja f: MR" definida por f(x) = (f,0%),-- 09). Entio fé continua e A = f~'(4’), onde A’ c R* é 0 conjunto dos pontos cujas coordenadas sao todas positivas. Ora, A’ = (0, +00) x... (0, +00) é aberto em R", como produto cartesiano de abertos. Logo sua imagem inyersa A é um aberto em M. COROLARIO'3: Sejam f- g: M— N continuas. O conjunto A = {xe M: S0) # GX} é aberto em M. Com efeito, a fungio g: M— R, definida por o(x) = dl s(x), gl). & continua, Como 4 = {xeM; @(x) > 0}, © Corolario 2 garante que A é aberto em M. EXEMPLO 11. Podemos ver de outro modo que uma bola aberta Bia: r) & um conjunto aberto. Basta notar que f: M— R, de- finida por f(x) = r—d(q, »), é continua e que B(a; r) é o conjunto dos pontos xeM tais que f(x} > 0. De modo andlogo, podemos ver que A = M- Bla; 6 aberto, pois A é 0 conjunto dos pontos de M nos quais a fungo g(x! = d(a, x)—r & positiva. EXEMPLO 12. A imagem direta f(A) de um conjunto aberto Ac M por uma aplicagdo continua f: M— N pode nao ser um 70 Espacos métrices conjunto aberto em N. Por exemplo, se f: RR é dada por f(x) ==, entéo, para A = (-a, a) temos f(A) = (0, a”), que nfo é um subconjunto aberto de R. Uma aplicagio f: M—> N chama-se aberta quando para cada A < M aberto, sua imagem f(A) é um subconjunto aberto de N. Em suma: quando f transforma abertos em abertos. EXEMPLO 13. Vimos acima que uma aplicag&o continua nao precisa ser aberta. Tampouco uma aplicacao aberta precisa ser continua. De fato, segue-se da Proposig&o 3 que uma bijegio f: M—> N & continua se, e somente se, sua inversa f~!: N—» M é aberta. Tomemos agora f: M—» N, uma bijego continua que nao seja um homeomorfismo. (Vide Exemplos 9 e 10 do Capitulo 2.) Entao sua inversa f~!: N+ M nfio é continua mas é aberta. Ou ainda: seja N um espago métrico discreto. Toda aplicagio /: M—> N ¢ aberta (ja que todo subconjunto de N é aberto). Mas nem toda aplicagiio f: M— N é continua. PROPOSIGAO 4: Sejam M,N espagos métricos. A fim de que uma bijecio hi: MN seja um homeomorfismo, & necessério e su- ficiente que h induza uma bijecdo entre os abertos de M ¢ os abertos de N, isto é, para cada X = M, h(X) é aberto em N se, e somente se, X for aberto em M Demonstragao. Basta observar que h € continua se, e somente se, h' for aberta. COROLARIO. Sejam d, e d, métricas no mesmo conjunto M. A fim de que d, e d, sejam equivalentes, é necessério e suficiente que os espacos métricos (M, d,) e (M, d,) possuam os mesmos conjuntos abertos. Assim, por exemplo, ao consideratmos os subconjuntos abertos do produto cartesiano, é indiferente qual métrica estamos usando, dentre as trés que foram definidas no Exemplo 8 do Capitulo 1, pois essas métricas so equivalentes. PROPOSIGAO 5. Um subconjunto A