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a
transve2016
s
l
d
r i des
fotografia sem fronteiras

transve2r0s1a6 lidades
fotografia sem fronteiras

Título

Transversalidades 2016 – fotografia sem fronteiras
Coordenação

Rui Jacinto
Júri do Concurso

António Pedro Pita | Henrique Cayatte | Jorge Pena | Lúcio Cunha | Rui Jacinto
Santiago Santos | Susana Paiva | Valentín Cabero | Victorino García
Textos

Rui Jacinto | Helena Freitas | Caio Maciel e Priscila Vasconcelos | Teresa Pinto-Correia | João Rua
José António Bandeirinha | Sandra Lencioni | Clara Almeida Santos | Maria Tereza Duarte Paes
Produção

Alexandra Isidro

|

Ana Sofia Martins

Revisão

Ana Sofia Martins

|

Ana Margarida Proença

Concepção e montagem da exposição

António Freixo, Arménio Bernardo, Renato Coelho,
Eduardo Martins, Alcides Fernandes e Ricardo Pereira
Design | pré-impressão

Via Coloris, Design de Comunicação, Lda.
Impressão | acabamento

Marques e Pereira, Lda.
Tiragem

1000 ex.
Depósito legal

335972/11
ISBN

978-989-8676-11-5
Edição

Centro de Estudos Ibéricos
R. Soeiro Viegas, 8
6300-758 Guarda
www.cei.pt
O Centro de Estudos Ibéricos respeita os originais dos textos,
não se responsabilizando pelos conteúdos, forma e opiniões neles expressos.
A opção ou não pelas regras do Novo Acordo Ortográfico
é da responsabilidade dos autores.

Organização
Organização
Organização

Universidade
Universidade
Universidade
de Coimbra
de Coimbra
de Coimbra

Apoios
Apoios
Apoios

transve2r0s1a6 lidades
fotografia sem fronteiras

4

6
Poéticas do olhar: imagem e cultura territorial
Rui Jacinto

12
Melhor portfólio
Tema 1

Paisagens, biodiversidade e património natural
19

20

28

Imagens premiadas

Património natural, paisagens
e biodiversidade
Helena Freitas

Tema 2

Espaços rurais, agricultura e povoamento
65

66

72

Imagens premiadas

Espaços rurais, agricultura e povoamento
Teresa Pinto-Correia

Tema 3

Cidade e processos de urbanização
109

110

118

Imagens premiadas

Uma Região de Cidades
José António Bandeirinha

Tema 4

Cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social
149

202
Legendas

150

159

Imagens premiadas

Conhecer, amar e cuidar: às vezes, há (a)
casos assim
Clara Almeida Santos

5

índice
30

50

54

Imagens a concurso

Fotografia de paisagem: uma retórica
contundente acerca da natureza

Imagens a concurso

Caio Maciel e Priscila Vasconcelos

74

95

99

Imagens a concurso

E no interior do Estado do Rio de
Janeiro ainda se dança o fado

Imagens a concurso

João Rua

121

136

139

Imagens a concurso

A cidade e suas contradições

Imagens a concurso

Sandra Lencioni

161

185

190

Imagens a concurso

Cultura, imagens e paisagens

Imagens a concurso

Maria Tereza Duarte Paes

6

Poéticas do olhar: imagem e cultura territorial
Rui Jacinto *
“As imagens são mediações entre o homem e o mundo. O homem
«existe», isto é, o mundo não lhe é acessível imediatamente. As
imagens têm o propósito de lhe representar o mundo. Mas ao
fazê-lo, entrepõem-se entre mundo e homem. O seu propósito é
serem mapas do mundo, mas passam a ser biombos. O homem,
ao invés de se servir das imagens em função do mundo, passa a
viver o mundo em função de imagens. Cessa de decifrar as cenas
da imagem como significados do mundo, mas o próprio mundo
vai sendo vivenciado como um conjunto de cenas.”
(Flusser, 1998: 29)

eografia e imagem: cultura visual,
memória territorial. O homem sempre
recorreu à imagem para (d)escrever o
mundo que o rodeia e imaginar o lugar
que nele pensa ocupar. A sua relação com
o território também se constrói a partir de imagens pois
“os mecanismos da aculturação e da alienação impõem
aos homens uma certa imagem dos lugares onde vivem,
do seu espaço, da sua região. E essa imagem, aceite,
recalcada ou recusada, constitui um elemento essencial
das combinações regionais, o laço psicológico do homem com o espaço, sem o qual a região seria apenas a
adaptação de um grupo a um meio, ou um encontro de
interesses dum espaço dado” (Fremont, 1980: 109). Num
tempo onde o real e o virtual cada vez mais se (con)
fundem, a geografia vivida resulta da incorporação de
sinais e a apropriação de imagens que os lugares emitem.
É por tudo isto que “todos os lugares começam por ser
nomes, lendas, mitos, narrativas. Não existe geografia
que nos seja exterior. Os lugares – por mais que nos
sejam desconhecidos – já nos chegam vestidos com as
nossas projecções imaginárias. O mundo já não vive fora
de um mapa, não vive fora da nossa cartografia interior”
(Mia Couto, Interinvenções: 78).

A história da arte ensina-nos que, apesar das mudanças
ocorridas, na forma e no conteúdo, as imagens continuam
a ter uma tremenda importância social. Nos tempos mais
recentes, o desenvolvimento científico conferiu-lhes um
papel novo e acrescido, pois, em muitas circunstâncias,
são a única possibilidade de acedermos a certos processos,
fenómenos, objetos, lugares, rostos. O enorme investimento feito nas técnicas de fabrico e de reprodução
de imagens decorre deste facto, evolução que ditou o
progressivo distanciamento entre as imagens e o olhar, ao
ponto de, hoje, não vermos o que vêm os olhos humanos,
mas o que é construído em computadores. A imagem,
por este facto, está mais ausentes de referências corpóreas
diretas, deixou de ser um registo passivo, quando passou
a criar objetos específicos, como aconteceu com a fotografia. A evolução da imagiologia (médica, de satélites,
digital, etc.), nascida no final do século XIX, obriga a
novas confianças, deixando que se instalasse a dúvida se
podemos “acreditar em formas das quais só conhecemos
imagens, intimamente herdeiras das máquinas de visão”
(Sicard, 2006: 18). Tal como o mapa não é o território
também a imagem se distanciou da coisa representada,
tornando legitima à pergunta se ainda podemos acreditar
nelas, se continuam testemunhas fiéis e credíveis do que
temos por evidente.
Uma vez captada, a fotografia, desterritorializa-se, emigra
dos lugares para se tornar memória dessa ausência. Embora se compreenda que quando “A raiz da paisagem foi
cortada./ Tudo flutua ausente e dividido,/ Tudo flutua sem
nome e sem ruido” (Sophia de Mello Breyner Andresen;
Coral), o cordão umbilical que liga a fotografia ao lugar
nunca é definitivamente rompida pois o leve rasto de luz
que a tocou perpetuará sempre uma indelével relação
com as primordiais origens. Por isso “uma determinada

7

foto não se distingue nunca do seu referente (daquilo que
representa)”, mesmo quando tudo parece que “flutua ausente e dividido”, “sem nome e sem ruido”, como acontece
com as imagens dos lugares mais remotos, sujeitos a profundas transfigurações. Mesmo quando impercetíveis, as
marcas que as ligam aos territórios donde emanam, fazem
com que “toda a fotografia é um certificado de presença.
Esse certificado é o gene novo que a sua invenção introduziu na família das imagens” (Barthes, 1980: 98).
A relação intima entre Geografia e fotografia radica na
mútua necessidade de espaço e de tempo para se materializarem, na história paralela, desde os tempos modernos,
quando a primeira emerge como ciência e a segunda surge
como uma inovação técnica que rapidamente se popularizou. Como sugere o étimo das duas palavras, ambas
prosseguem o objetivo comum de (d)escrever, cumplicidade que leva, no caso da geografia, à “descrição da terra” e,
no da fotografia, a “escrever com a luz”. A viagem é, por
isso, uma causa igualmente comum, vital à geografia e à
fotografia, obrigando-as a caminharem juntas e a terem
de cumprir a profecia de Padre António Vieira quando
vaticinou, nos seus Sermões, que “a geografia do mundo
melhor se aprende vista no mesmo mundo que pintada no
mapa”.

e cinematográfico, Les Archives de la Planète, cuja
direção científica entregou, em 1912, ao geografo Jean
Brunhes, iniciativa que terminou com a grande crise
financeira de 1929 (Gaspar, 2013: 29).
A cultura territorial, que continua a ser uma aposta
da Geografia, só é plena quando complementada com
uma sólida cultura visual, alicerçada em imagens, sejam
desenhos, mapas ou fotografias. A geograficidade latente
nas imagens não nos é indiferente, das que captamos às
captadas por outros, pois é através delas que se alimenta a
memória e aumenta o património visual. Os suportes usados para as adquirir e fixar acabam por invocar a singularidade do tempo, que oscila entre a velocidade excessiva
da máquina fotográfica ou a demorada paciência da escrita e do desenho. Continuamos a recolher e criar imagens
para enganar a memória, na tentativa de encontrar “na
imensidão extensa e lenta da diversidade os pontos de
referência vivos e densos necessários à cristalização, recordação e fortalecimento das recordações. A substância
das recordações é aquilo que deslumbra o espirito depois
de abandonada a geografia” (Onfray, 2009: 52).
“Pretendemos examinar imagens bem simples, as imagens do
espaço feliz. Nessa perspetiva, nossas investigações mereceriam o
nome de topofilia. (…) O espaço percebido pela imaginação não

A associação da fotografia ao progresso científico da Geografia é tão forte que num congresso da União Geográfica
Internacional, realizou em 1904, em Washington, foi
aprovada “a proposta do geomorfólogo alemão Albrecht
Penck para se promover um levantamento fotográfico
da superfície da Terra. Esta iniciativa “viria a originar
o Atlas phographique des formes du relief terrestre, da
autoria de Jean Brunhes, Émile Chaix e Emmanuelle De
Martonne, cujas primeiras lâminas foram apresentadas
por De Martonne no X Congresso Internacional de
Geografia, Roma 1913”. Sucederam-se outros projetos de
envergadura, como o iniciado em 1909, pelo banqueiro
Albert Khan, que patrocinou o levantamento fotográfico

poder ser o espaço indiferente entregue à mensuração e à reflexão
do geómetra. É um espaço vivido. É vivido não em sua positividade, mas com todas as parcialidades da imaginação. (…) Mas
as imagens não aceitam ideias tranquilas, nem sobretudo ideias
definitivas. Incessantemente a imaginação imagina e se enriquece
com novas imagens. É essa riqueza do ser imaginado que gostaríamos de explorar.” (Bachelard, 2005: 19)

Poética do Olhar: observar, ver, imaginar. As novas tecnologias proporcionam imagens cada vez mais sofisticadas
que nem sempre são as mais esclarecedoras, impactantes
ou apelativas. Mesmo em tempos de aparatos e de
aparências, os recursos técnicos, os métodos e as possibi-

8

lidades imagéticas atuais não são as únicas variáveis que
influenciam um resultado mais satisfatório. A riqueza documental, estética e o valor patrimonial de cada imagem,
além do respetivo conteúdo, da informação esclarecida e
da carga emocional que incorporam, dependem da intencionalidade, subtileza e sensibilidade do olhar de quem,
naquele preciso instante, faz o disparo. A sensibilidade
(artística, geográfica, etc.) de quem elabora o discurso
visual plasmado em cada imagem continua a ser decisiva.
Hoje como ontem, na era do analógico, a relevância do
olhar do fotógrafo é equivalente à observação arguta e
à sensibilidade apurada do geógrafo, de quem depende
a qualidade das anotações e dos desenhos deixados nos
velhos cadernos de campo.
A experiência mostra-nos que pode bastar uma única
imagem para ter um impacto tocante, profundo e demolidor. Foi suficiente uma fotografia para causar uma
emoção generalizada, como aconteceu recentemente,
com aquele menino refugiado, prostrado inerte ao sabor
das ondas numa praia da Grécia, como a do rapaz sírio,
na ambulância, com o olhar perdido no infinito, ferido
numa guerra donde não podia escapar. Estas imagens
arrasadoras, repetidas até à exaustão nas redes sociais e
nos meios de comunicação social, cujos gritos lancinantes
calam tão fundo quanto efémeros e passageiros são os seus
ecos iniciais. A comoção desencadeada parece esgotar-se
na voracidade mediática que parece viver da banalização
da dor a que nos habituaram, que nos anestesia e torna
insensíveis perante a incapacidade de encontrar soluções
justas e rápidas.
As imagens, nestes como em muitos outros conflitos anteriores, também entram em combate, despertam consciências, alertam para os horrores da guerra, sensibilizam para
sofrimento de milhões de pessoas desesperadas, votadas
ao mais completo abandono. Quando as imagens carregam este significado adquirem vida própria, assumem um
poder real e inesperado, dão visibilidade a causas, pessoas

e territórios esquecidos e abandonados. Nestas situações,
a imagem desperta consciências, ajuda a integrar periferias, desoculta pessoas e territórios olvidados, disputa o
espaço mediático às imagens banais e coloridas impostas
pelos poderes e pelo turismo.
A fotografia, por fornecer retalhos estáticos do passado,
mostra-se incapaz de retratar o presente na sua plenitude,
de mostrar a dinâmica subjacente ao movimento do
mundo. Contudo, são imprescindíveis para o ler e interpretar para além das aparências, caso o leitor conjugue
imaginação e sensibilidade com capacitação assertiva. O
primeiro passo é não ser ingénuo para acreditar que uma
fotografia, por mais rigorosa, clara e evocadora que seja,
mostra sempre toda a verdade. Tem de superar a instável
confiança, por vezes cega, que nela possa depositar
se pretende aceder ao que ela realmente esconde, aos
segredos e detalhes que nos escapam ao primeiro olhar,
suscetíveis de nos emocionar quando os desvendamos. O
fascínio da fotografia está na capacidade de nos continuar
a surpreender, o que acontece quando não nos limitarmos
a ver e a observar, mas recorremos a imaginação com o
exato entendimento que a “imaginação é a capacidade de
fazer e decifrar imagens” (Vilém Flusser).
“A fotografia não se limita a reproduzir o real, recicla-o, o que
constitui um processo chave de uma sociedade moderna. As coisas e os acontecimentos são submetidos, sob a forma de imagens
fotográficas, a novos usos, recebem novos significados que estão
para além das distinções entre o belo e o feio, o verdadeiro e o falso, o útil e o inútil, o bom e o mau gosto.” (Sontang, 1986: 153)

Transversalidades: um atlas visual do mundo. Uma
qualidade importante da fotografia é ser “uma escrita
tão forte porque pode ser lida em todo o mundo sem
tradução” (Sebastião Salgado). Os segredos contidos
nesta linguagem também ajudam a explicar a vitalidade e
o crescimento do projeto “Transversalidades – Fotografia
sem Fronteiras” que superou as melhores expetativas, na

9

edição de 2016, indo além do âmbito inicial estritamente
transfronteiriço. Os resultados quantitativos e qualitativos
alcançados atestam a maturidade e a valia da iniciativa:
foram submetidas cerca de 700 candidaturas (mais do
dobro da edição anterior) e a sua penetração alcançou
mais de 30 países. Embora predominem concorrentes de
Portugal (30%) e do Brasil (28%), é relevante a presença
da América Latina (16%), sobretudo da Argentina com
7%, e dos Países de Língua Portuguesa, especialmente
Moçambique. O concurso mobiliza predominantemente
jovens (mais de 40% dos concorrentes tem menos de 30
anos), equilibrado em termos de género (mais de 40% dos
concorrentes são do sexo feminino) e regista uma elevada
taxa de participação de profissionais ligados ao ramo e às
artes (fotógrafos, fotojornalistas, jornalistas, designers e
outras, etc.).

As sete centenas de participantes, provenientes de quase
todos os continentes, asseguram uma representatividade
geográfica alargada. É possível, a partir de imagens oriundas de lugares e países bem distintos, lançar múltiplos
olhares sobre pessoas, territórios e paisagens, contemplar
a partir desta mostra a riqueza e a diversidade natural,
humana e cultural do planeta. O projeto Transversalidades, como testemunha o espólio visual reproduzidos nos
catálogos já editados, já transcende um simples concurso
de fotografia. Estruturado a partir de quatro coordenadas
fundamentais - património natural, paisagens e biodiversidade; espaços rurais, agricultura e povoamento; cidade
e processos de urbanização; cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social – coleciona um acervo
documental que constitui um pequeno observatório que
progride, a cada ano, para um pequeno atlas visual do
mundo em mudança.

* CEGOT – Universidade de Coimbra.









Referências:
Armand Fremont (1976; 1980) - A região, espaço vivido. Almedina, Coimbra.
Gaston Bachelard (1957; 2005) – A Poética do Espaço. Martins Fontes, São Paulo.
Jorge Gaspar (2013) – Fotografia e paisagem. In Transversalidades 2013. Fotografia sem fronteiras. CEI, Guarda, pp.: 27-31.
Muchel Onfray (2007; 2009) – Teoria da viagem. Uma poética da geografia. Quetzal, Lisboa.
Monique Sicard (1998; 2006) – A fábrica do olhar. Edições 70, Lisboa.
Roland Barthes (1980; 2010) - A Câmara Clara (Nota sobre a fotografia). Edições 70, Lisboa.
Sebastião Salgado (2013) – Da minha terra à Terra. Editora Schwarcz, S. Paulo.
Susan Sontag (1973; 1986) – Ensaios sobre fotografia. Publicações Dom Quixote, Lisboa.
Vilém Flusser (1983; 1998) - Ensaio sobre a fotografia. Para uma filosofia da técnica. Relógio de Água, Lisboa.

tranversalidades

melhor portfólio

12

I melhor portfólio

Arturo López Illana
Espanha
Lalibela 1 6.4.1.1.jpg
*(1) Lalibela (Etiópia), 2014

13

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16

I melhor portfólio

Arturo López Illana
Espanha
PÁGINA 16

Lalibela 2 6.4.1.4.
*(2) Lalibela (Etiópia), 2014
Lalibela 3 6.4.1.3.
*(3) Lalibela (Etiópia), 2014
PÁGINA 17

Lalibela 4 6.4.1.5.
*(4) Lalibela (Etiópia), 2014
Lalibela 5 6.4.1.6.
*(5) Lalibela (Etiópia), 2014

Lalibela 6 6.4.1.2.
*(6) Lalibela (Etiópia), 2014

17

tema 1

paisagens, biodiversidade
e património natural

20

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

João Pedro Costa
Portugal
Apartamento de Cegonhas 115.1.2.1.jpg
*(7) Penedo Gordo, Beja (Portugal), 2016

prémio tema

21

22

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

João Pedro Costa, Portugal 115.1.2.2.jpg
Hotel de várias estrelas
*(8) Lagos (Portugal), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

João Pedro Costa, Portugal 115.1.2.5.jpg
Perigo de explosão
*(9) Odiáxere, Lagos (Portugal), 2016

23

24

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

João Pedro Costa, Portugal 115.1.2.3.jpg
Vista sobre o mar
*(10) Cabo Sardão, Odemira (Portugal), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

João Pedro Costa, Portugal 115.1.2.6.jpg
Embalados pelo mar
*(11) Cabo Sardão, Odemira (Portugal), 2016

25

26

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

João Pedro Costa, Portugal 115.1.2.4.jpg
Porto seguro
*(12) Lagos (Portugal), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

Nima Nima, Irão 178.1.2.2.jpg
Espíritos Lake
*(13) Noshahr (Irão), 2015
Julio, Espanha 13.1.2.2.jpg
Perdido en Islandia
*(14) Stokksnes (Islândia), 2016

menções honrosas

27

28

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Património natural, paisagens e biodiversidade
Helena Freitas *
edição do Catálogo e a Exposição do
Concurso Transversalidades, lançado pelo
Centro de Estudos Ibéricos, uma parceria
entre as Universidades de Coimbra e
Salamanca e a Câmara Municipal da
Guarda, é a oportunidade para uma breve reflexão sobre
“Património natural, paisagens e biodiversidade”, um dos
temas propostos. O conjunto de fotografias a concurso
é ilustrativo da abrangência de olhares que podemos ter
sobre os territórios e a sua diversidade, expressão de uma
natureza que se deixou fertilizar pela actividade humana
e que desvenda esta relação na exuberância das suas
paisagens.

os ecossistemas do mundo? Desde logo porque a biodiversidade é a matéria-prima dos sistemas ecológicos e a
sua perda manifesta-se na degradação inexorável destes
sistemas naturais que suportam a vida na Terra. As zonas
húmidas, as florestas, os recifes de coral, a tundra, as
pradarias, os estuários e o oceano aberto, garantem um
conjunto de bens e serviços essenciais à Humanidade; dos
alimentos à água, a madeira ou a caça, a purificação do
ar e da água, a decomposição dos resíduos, a renovação
do solo e a sua fertilidade, a polinização das plantas, a estabilização do clima, o suporte à diversidade das culturas
humanas, a beleza estética e o incalculável contributo
para o bem-estar humano.

A diversidade biológica ou biodiversidade, pode definir-se
como a variedade de seres vivos e das suas componentes
ecológicas, ou seja, os milhões de plantas, animais e
microrganismos, bem como os genes, os ecossistemas
e as paisagens que integram. A diversidade específica
representa todas as espécies que existem, e expressa a
gama de adaptações evolutivas e ecológicas das espécies a
ambiente particulares. Existirão entre 10 a 30 milhões de
espécies no mundo, conhecendo-se, de facto, cerca de 2
milhões. Na verdade, podemos dizer que temos sobretudo
informação sobre os locais onde foram identificadas, e
talvez sobre algumas das suas características, mas o que
realmente sabemos sobre a maioria destas espécies é
muito pouco.

Apesar de todo este valor, a verdade é que se degradaram as condições ambientais para responder a todas as
necessidades básicas da população da Terra em alimento,
energia e água. Esta degradação ao nível local, regional e
global, a par da perda efectiva dos recursos, vai reduzindo
a capacidade de responder a essas mesmas necessidades.
O reconhecimento deste problema e a urgência em travar
a perda da diversidade biológica, conduziu à afirmação de
compromissos políticos e sociais à escala global, regional
e nacional, com o intuito convergente de impulsionar a
conservação e a gestão inteligente dos recursos naturais
da Terra. Mas a pressão que existe hoje sobre estes
recursos, em especial sobre a água, os alimentos e o solo,
tenderá a agravar-se com a evolução demográfica, admitindo-se uma duplicação das necessidades alimentares em
2050. O uso agrícola representa já cerca de 40% de toda
a superfície do planeta, pelo que entrará em conflito com
outros usos, tais como a conservação das áreas protegidas,
as florestas tropicais ou as florestas geridas para a produção sustentável de matéria-prima.

O planeta perde biodiversidade todos os dias, e em todos
os grupos e níveis de organização. A título de exemplo,
cerca de um terço das árvores da Amazónia e um terço
das espécies dos recifes de coral devem extinguir-se nas
próximas décadas. Porque nos devemos preocupar com
esta perda de biodiversidade que acontece em todos

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

Portugal tem recursos naturais excepcionais, que justificam políticas integradas e uma visão estratégica de longo
prazo. O país deve apostar na ecologia e no desenvolvimento sustentável; na valorização ecológica do território,
das áreas protegidas aos solos e aos rios, e assumir um
compromisso inequívoco pela educação e pela ciência,
pilares estruturantes de uma prosperidade sustentável. .
O país beneficiará sempre com boas políticas de conservação da natureza, das paisagens e da biodiversidade, com a
valorização dos recursos naturais, com o ordenamento do

* Professora Catedrática da Universidade de Coimbra.
Coordenadora do Centro de Ecologia Funcional.

território, com a organização de uma floresta produtiva e
variada, com a pujança dos sistemas agrícolas de tipologia
diversa, com a requalificação dos cursos de água e dos ambientes costeiros, e promovendo os consumos de proximidade, e uma utilização mais eficaz dos recursos. Portugal
beneficiará ainda com um combate activo à fragmentação
e uma abolição progressiva das fronteiras virtuais que
tanto têm condicionado o progresso, inviabilizando
soluções articuladas entre freguesias, municípios e regiões,
e inibido a aposta nas políticas públicas integradas que o
país tanto precisa.

29

30

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

3.1.1.5.jpg João Pedro Rosa Ganhão, Portugal
Fluidos
*(15) Praia da Samoqueira, Sines (Portugal), 2016
13.1.1.2.jpg Francisco Manuel Duarte Mendes, Portugal
Confronto entre o real e o imaginado #2
*(16) Grândola (Portugal), 2015

Abedin, Irão 48.1.2.3.JPG
No Comment 3
*(17) Kermanshah (Irão), 2016
Francisco Manuel Duarte Mendes, Portugal 13.1.1.3.jpg
Confronto entre o real e o imaginado #3
*(18) Grândola (Portugal), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

116.1.2.4.JPG Mahmoudreza Golchinarefi, Irão
Miniature mountains
*(19) Chabahar (Irão), 2016

Julio, Espanha 13.1.2.1.jpg
Entre Cascadas
*(21) Bruarfoss (Islândia), 2016

56.1.2.2.jpg Fernanda Carvalho, Portugal
Sem título
*(20) Atacama (Chile), 2014

Julio, Espanha 13.1.2.5.jpg
Aurora Azul
*(22) Kirkjufell (Islândia), 2016

31

32

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

João Carlos Alves Flambó, Portugal 110.1.2.1.jpg
Carrilheiras de Barroso 2016
*(24) Parque Nacional Peneda-Gerês (Portugal), 2016
48.1.2.6.jpg Abedin, Irão
Sem título
*(23)

Agustin Navarra, Argentina 20.1.2.5.jpg
San Isidro Salta
*(25) San Isidro Salta (Argentina), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

120.1.2.2.jpg Sofia F. Augusto, Portugal
Assentamentos (II)
*(26) Alturas do Barroso, Boticas (Portugal), 2015
130.1.2.3.jpg Susana Cristina Rodrigues Gasalho, Portugal
Declives
*(27) Munnar (Índia), 2014

Juan Carlos Casañ Núñez, Portugal 138.1.2.1.jpg
Vinhas do Douro
*(28) São João da Pesqueira (Portugal), 2015
Susana Cristina Rodrigues Gasalho, Portugal 130.1.2.1.jpg
Geografias toldadas pelo Homem
*(29) Munnar (Índia), 2014

33

34

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

38.1.2.4.JPG Juan Pablo Troncos Gálvez, Perú
La cordillera Negra
*(30) Huaraz (Perú), 2016
176.1.2.5.jpg Verónica Chaves Quesada, Costa Rica
Camino a la libertad
*(31) A Coruña (Espanha), 2015

Maireth, Venezuela 169.1.2.4.jpg
Bajo las nubes
*(32) Mérida, Mucuhíes (Venezuela), 2016
Fatemeh Sharifi Farzaneh, Irão 81.1.2.1.jpg
Living in Salt
*(33) Hoze soltan salt lake (Irão), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

102.1.2.1.jpg Pedro Vaz de Carvalho, Portugal
“Fajã de vida”
*(34) Ilha de S. Jorge, Açores (Portugal), 2015
143.1.2.2.jpg Manuel Adrega, Portugal
Recantos paradisíacos
*(35) Sintra (Portugal), 2016

Moreira, Bélgica 82.1.2.1.jpg
Quebra-mar
*(36) Praia da Aguda, Arcozelo, Vila Nova de Gaia (Portugal), 2015
Manuel Adrega, Portugal 143.1.2.4.jpg
Malhada do Ouriçal
*(37) Sintra (Portugal), 2016

35

36

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

119.1.2.4.jpg Jhon Walter Garay Falcon, Perú
Espejo de Agua
*(38) Alcas (Perú), 2015
117.1.2.4.jpg Monica Beatriz Almeida Ardila, Colombia
Fuente de Vida
*(39) Páramo de Santurban (Colombia), 2015

Roberto Conde Álvarez, Espanha 124.1.2.1.jpg
Carpetania
*(40) El Escorial (Espanha), 2015
Juliano Pinheiro Campos, Brasil 33.1.2.1.JPG
Açude azul
*(41) Itapajé/Ceará (Brasil), 2014

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

37.1.2.3.jpg Dmitrii Vasilev, Russia
Hidden lagoon
*(42) Hong Island (Tailândia), 2014
113.1.2.3.jpg Jaime Dantas, Brasil
Rio Potengi

*(43) Natal, Rio Grande do Norte (Brasil), 2016

Rui Neto, Portugal 195.1.2.4.jpg
Hipnose
*(44) Pateira de Fermentelos (Portugal), 2016
Ana Isabel Freitas, França 2.1.1.1.jpg
Margens
*(45) Pinhão (Portugal), 2015

37

38

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

77.1.2.3.jpg José Costa Pinto, Portugal
Floresta encantada
*(46) Vale do Rio de Mouros, Condeixa-a-Nova (Portugal), 2016
8.1.2.5.jpg João Maia, Portugal
Pequena Cascata

*(47) Mondim de Basto (Portugal), 2015

Ricardo Veras, Brasil 87.1.2.4.JPG
Lagarto teiú
*(48) Canela/RS (Brasil), 2013
Martin Makaryan, Arménia 85.1.2.2.jpg
One view
*(49) Geghard (Arménia), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

155.1.2.4.JPG Diorgenis Lima Ribeiro, Brasil
Salinas de Mara
*(50) Moray (Chile), 2014

Alfredo Mateus, Portugal 103.1.2.2.jpg
Buracas do Casmilo
*(52) Casmilo (Portugal), 2016

107.1.2.3.jpg Morgana Narjara dos Anjos, Brasil
Catimbau
*(51) Vale do Catimbau (Brasil), 2016

Soleyman Mahmoudi, Irão 92.1.2.6.jpg
Destroy
*(53) Baneh City (Curdistão), 2016

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40

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

56.1.2.6.jpg Fernanda Carvalho, Portugal
Sem título
*(54) Atacama (Chile), 2014

Maria da Cruz Barradas, Espanha 128.1.2.4.jpg
Esqueletos das árvores
*(56) Dedvlei (Namibia), 2015

183.1.2.2.JPG Pablo Luis Cura, Argentina
El rey en las alturas
*(55) Paso de Jama (Argentina), 2015

Eduardo Lima Ribeiro, Brasil 129.1.2.1.jpg
Deserto de Sal
*(57) Salar de Uyuni (Bolívia), 2014

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

184.1.2.1.JPG Marcelo Guastella, Argentina
Rinconada
*(58) Jujuy (Argentina), 2016

Verena Fuchs, Portugal 185.1.2.3.jpg
Fairy Tale Castle
*(60) Mourão (Portugal), 2015

180.1.2.3.JPG Francisco Picchetti, Argentina
Tierra, agua, cielo
*(59) Inca Cueva (Argentina), 2016

Diego Vieira Nigro de Almeida, Brasil 186.1.2.5.jpg
Santuário
*(61) Parque Nacional do Catimbau, Buique - PE (Brasil), 2015

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42

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

15.1.1.6.jpg Ali Ahmadi, Irão
Sem título
*(62)

171.1.2.1.jpg Sahar, Irão
Reflction
*(63) Chalus (Irão), 2016

Alexey, Rússia 111.1.2.1.jpg
After
*(64) Kalampaka (Grécia), 2014
Maria de Fátima Matos Barros, Portugal 36.1.2.3.jpg
Habitat Rural na mão do homem - Louredo
*(65) Amares (Portugal), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

44.1.2.3.jpg Giuseppe Mario Famiani, Itália
Noite Magic Castle
*(66) S. Alessio Siculo (Itália), 2016
58.1.2.2.jpg Diogo Candeias, Portugal
Céu Alentejano
*(67) Odemira (Portugal), 2015

Silvia Rodrigues do Nascimento, Brasil 152.1.2.1.JPG
O olhar pela janela: série magia
*(68) Camaragibe (Brasil), 2016
Diogo Candeias, Portugal 58.1.2.1.jpg
Alentejo
*(69) Cercal do Alentejo (Portugal), 2015

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44

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

154.1.2.3.jpg Kevin Contreras Jara, Chile
Grande
*(70) Antilhue (Chile), 2016
46.1.2.3.jpg Amir, Irão
Cair

*(71) Tehran-Firoozkooh (Irão), 2014

Raquel Fernandes, Portugal 127.1.2.6.jpg
Destas tardes
*(72) Segura (Portugal), 2016
Emiliano Dantas, Brasil 142.1.2.4.jpg
Três tons
*(73) Itajuípe (Brasil), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

149.1.2.1.jpg Mariana Muraoka Martin, Brasil
Trabalho em equipe
*(74) São Paulo (Brasil), 2015

Lucia Macarena, Uruguai 148.1.2.5.jpg
Hojas de otoño
*(76) Piriapolis (Uruguai), 2015

60.1.2.2.jpg Andrea Porras Carrillo, Colombia
Sativa
*(75) Bogota (Colombia), 2016

Andrea Porras Carrillo, Colombia 60.1.2.4.jpg
Allium Cepa
*(77) Bogota (Colombia), 2016

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46

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

166.1.2.2.JPG Adriane da Silva Gomes, Brasil
Gafanhoto
*(78) São Lourenço da Mata (Brasil), 2016

César Torres, Portugal 112.1.2.2.jpg
A dama de verde
*(80) Viana do Castelo (Portugal), 2016

172.1.2.4.jpg Maria Pia Eyquem Duce, Chile
Consecuencias

Adriane Da Silva Gomes, Brasil 166.1.2.5.JPG
Inseto
*(81) São Lourenço da Mata (Brasil), 2016

*(79) Reserva Huilo Huilo, Región de Los Ríos (Chile), 2016

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

105.1.2.6.jpg Tamara María Blazquez Haik, México
Cocodrilo
*(82) Toluca (México), 2014
173.1.2.1.jpg Sergio Alberto Becerril Robledo, México
La danza de las luciérnagas
*(83) Nanacamilpa, Tlaxcala (México), 2014

Paula Fernanda Robles Ramos, Colômbia 12.1.2.4.jpg
El escondido
*(84) Medellin (Colômbia), 2016
Tamara María Blazquez Haik, México 105.1.2.1.jpg
Jaguar
*(85) Ciudad de México (México), 2015

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48

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

144.1.2.1.jpg Ramin Rabiei, Irão
Bird
*(86) Sea (Irão), 2015
178.1.2.3.jpg Nima, Irão
Cisnes lago

*(87) Fereydunkenar (Irão), 2015

Ramin Rabiei, Irão 144.1.2.2.jpg
Lake
*(88) Sea (Irão), 2015
Nima, Irão 178.1.2.1.jpg
Santo Lake
*(89) Noshahr (Irão), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

170.1.2.1.jpg Luís Álvaro Soares da Veiga Pereira de Bulha, Portugal
Pintassilgo
*(90) Faro (Portugal), 2016
170.1.2.5.jpg Luís Álvaro Soares da Veiga Pereira de Bulha, Portugal
Pernilongo
*(91) Faro (Portugal), 2016

Rosa, Espanha 121.1.2.2.jpg
Gile meno turtle sanctuary
*(92) Isla Gili Meno, Bali (Indonésia), 2015

49

50

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Fotografia de paisagem:
uma retórica contundente acerca da natureza
Caio Maciel * e Priscila Vasconcelos **
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
(Manoel de Barros, poeta, 2000)

uando formulamos um pensamento
na perspectiva da paisagem, imagem
geossimbólica que extrapola o lugar, não
queremos sempre compartilhar pacífica
e passivamente um ponto de vista, mas
muitas vezes seduzir, atestar ou contrapor. A força da fotografia de espaços naturais inscreve-se
nesta realidade, conformando uma retórica contudente
acerca da natureza, principalmente na sociedade atual na
qual a imagem ganhou lugar central no cotidiano (MARTINS, 2008).
A tradução de pensamentos e intenções em imagens e
narrativas referenciadas geograficamente coloca a fotografia da paisagem no contexto de uma geografia social
e política. Com efeito, valores simbólicos e estéticos são
socialmente produzidos, supondo interesses diferenciados
e escolhas políticas (CASTRO, 2002).
As estratégias identitárias, que apelam à biodiversidade
como uma marca local, precisam de uma expressão
arrebatadoramente eficiente e não é daí senão que
nasce a potência da imagem, em geral, e da fotografia de
paisagem, em especial, como o que pode ser visto em um
único golpe de vista. A foto com eficiência geossimbólica é
aquela que capta tal concisão comunicativa, seja em planos panorâmicos ou em imagens de detalhes, recorrendo
a um sem número de técnicas que concatenam luz, cor,
ângulo e perspectiva.

Para Joël Bonnemaison, um geossímbolo pode ser definido
“como um lugar, um itinerário, uma extensão que, por
razões religiosas, políticas ou culturais toma aos olhos de
certos povos e grupos étnicos uma dimensão simbólica
que lhes conforta em sua identidade” (BONNEMAISON,
1981, p. 249 et. seq.). Nesta concepção, uma perspectiva
etno-paisagística seria construída pela transformação de
elementos da natureza e do território em ícones e símbolos culturais. Entretanto, existe uma tendência no mundo
contemporâneo a valorizar globalmente certas paisagens
como formas eco-simbólicas, como demonstra a questão
de sua eleição em patrimônio público e bem cultural ou
natural (DONNADIEU, 1994, 1999; CORBAIN, 2001;
MENESES, 2002). Portanto, a paisagem tout court é
frequentemente condensada por geossímbolos que “falam”
em nome de uma causa (pessoal ou coletiva), de uma
identidade, de uma cosmovisão.
Ao ser incubido de fotografar a paisagem amazônica, no
início dos anos 1970, momento marcado pela abertura
da região amazônica por intervenções infra-estruturais e
políticas de povoamento do Estado brasileiro, o fotógrafo
George Love encontrou como estratégia fazer fotografia
áerea. Para ele a paisagem amazônica representava uma
‘imensidão’, ‘uma área muito grande’, ‘missão de fotografar
a Terra’ (CANJANI, 2015). ele fez uma escolha de escala
geográfica que comunicou sua percepção de paisagem
amazônica como aquela que se perde de vista. Para além
do sujeito George Love, essa percepção de fazer fotografias da paisagem amazônica como imensidão se tornou
um eco-símbolo construído sob a ideia coletiva de uma
vasta região biodiversa desconhecida, com vastas planícies verdes as vezes entrecortadas por rios, prais fluviais e
aluviões, econtros de águas etc.

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

A fotografia de paisagem, uma sucessão de instantes necessários ao processamento da imagem pelo pensamento
e pelo coração, estabelece conexões plausíveis com a
experiência, o conhecimento, a atividade, a emoção e os
valores daquele que vê e quer transmitir uma ideia ou impressão. Não se trata de um flash mecânico, e sim de um
insight para o qual concorrem um contexto sócio-cultural
e uma habilidade visual longamente exercitada, de modo
a encontrar, selecionar, ordenar e reforçar argumentos
emoldurados por uma leitura de mundo permanentemente questionada pelo olhar. Assim, a expressividade
da fotografia de paisagem reside na identificação, eleição
e aprimoramento de geossimbolismos contundentes, ela
é o visível tornado visto, ou seja, condensado de forma
incisiva.
Entretanto, o átimo que separa o mecanismo biológico
da visão dos filtros culturais de uma tradição-destino não
pode ser comparado a mera impressão fotográfica de contornos e cores, luz e sombra. Problematizando o visível,
há na percepção das paisagens, para além do império das
formas, um quê de verdade onírica profunda, originária
daquilo que Gaston Bachelard alcunhou de “devaneios
materiais” que antecedem a contemplação:
Sonha-se antes de contemplar. Antes de ser um espetáculo
consciente, toda a paisagem é uma experiência onírica. Só
olhamos com uma paixão estética as paisagens que vimos

refletiam o que ele sentia em relação à paisagem, e ele
perseguia tecnicamente o resultado mais proximo de seus
“devaneios materiais”. Os elementos mais evidentes na
superfície terrestre poderiam ser vistos tal qual instruções
da realidade que respaldariam as “convicções do coração”
e, no sentido inverso, essas crenças também orientariam a
compreensão do universo.
À parte as dificuldades de se trabalhar a “imaginação material” de um objeto complexo como a paisagem em sua
totalidade – e que é mais diretamente forma que substância – fica demarcada a importância que assumem certos
aspectos da psicologia do inconsciente na valorização ou
esquecimento da imagem.
Deste modo, logra-se pensar que num contexto de busca
de “argumentações impressionadoras” na produção
fotográfica, a força expressiva da paisagem fotografada
também residiria n’o que se pode e se quer mostrar em
um único golpe de vista, significando o movimento ativo
de condensação de sentidos, valores e percepções em imagens de forte conteúdo simbólico – e que depende, além
do mais, do caráter esperado da audiência, isto é, daquilo
que pode ser apreendido pelos interlocutores.
A noção de retórica, enquanto negociação da “distânica”
entre os homens a respeito de algo, transparece com
clareza neste processo:

antes em sonho [...] Mas a paisagem onírica não é um quadro
que se povoa de impressões, é uma matéria que pulula (BA-

Na comunicação simbólica o que está em jogo não é uma

CHELARD, 1997, p.5).

transferência de informação, mas um contato que permite aos
indivíduos sentirem-se próximos porque partilham os mesmos

É o que podemos vislumbrar no trabalho do fotografo
americano Ansel Admas, que passou muitos anos de sua
vida fotografando o Yosemite e alguns Parques Nacionais
nos EUA. De suas incurções pelos espaços de intenso
domínio da natura natureza, ele foi capaz de gerar fotografias aclamadas pelo publico, como a foto Monolith, the
Face of Half Dome. Ansel considerava que suas fotografia

saberes, têm as mesmas atitudes e se projetam no mesmo futuro; o sinal pode também lhes lembrar o quanto eles diferem,
porque não aderem aos mesmos valores (CLAVAL, 1999, p.70).

A dinâmica do todo e da parte é onipresente na cognição
e desenho de uma realidade que se deseja revelar através
da fotografia de paisagens, que em muitas situações

51

52

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

destaca o patrimônio natural e a biodiversidade dos
espaços retratados. A par de características objetivamente
comprováveis, presentes no mundo material, esta marcha
é também dependente de condições gerais (psicológicas,
sócio-culturais, políticas etc) que permitem o apelo a um
imaginário específico em vistas da aquiescência do público ao qual se direciona o discurso.

excursões com suas atrações estreladas, nem se hospedam em
grandes hotéis. Quando estão de férias podem passar longe
dos lugares que se supõe que devem ser vistos e passar por
atalhos e lugares desapercebidos onde desfrutam de um sentimento de descoberta pessoal. Gostam de andar a pé, fora das
estradas, e lhes agrada acampar no fim do dia. Até mesmo o
geógrafo urbano pode ter a necessidade de escalar montanhas
desabitadas. A vocação geográfica se fundamenta em observar

Que faz a geografia? De um modo geral, ela se desenvolve
visualmente – cartas, mapas, modelos, fotografias, descrições, etc. Isto é, quer fazer ver alguma coisa que do ponto
de vista dos conhecimentos anteriores ou especializados
mostrar-se-ia em dispersão e sem nexo. Assim, o discurso
geográfico é espetáculo 1, theoria no sentido original
do termo (BERDOULAY, 1988, p.23). O que Vincent
Berdulay quer ressaltar com o recurso a esta ideia é a
construção e o arranjo da informação com o apoio da visualização, processo tão caro aos geógrafos. Ao nosso ver,
o papel da imagem se avoluma nesta concepção, dado que
o vigor da figuração paisagística decorre justamente da
sua capacidade de colocar uma cena sob os olhos – mas
não uma cena qualquer, e sim uma “vista”, “perspectiva”
ou “representação” metafórica, simbólica. Essas cenas
sob os olhos nos propicia a experiência de pensar com
as imagens, numa espécie de pedagogia visual geográfica
(GOMES e RIBEIRO, 2013).
Este recurso à visualização também faz parte do conhecimento vernacular do espaço, afinal muitos fotógrafos
de paisagens não são geógrafos acadêmicos, entretanto,
podem esboçar uma aptidão nata para a geografia. São
“geographer-to-be”, segundo Sauer (2000). Existe, nesse
caso, uma atração pelas coisas do espaço, um desejo intuitivo em conhecer os lugares e entendê-los.
O geógrafo e o “geógrafo-por-ser” (geographer-to-be) são
viajantes de fato quando podem, na imaginação, quando não
há outro meio. Não são daquela classe de turistas que são
guiados por profissionais do turismo pelas rotas das principais

e pensar sobre o que há na paisagem, no que foi chamado tecnicamente o conteúdo da superfície terrestre. Por isso não nos
limitamos ao que é visualmente observável, mas procuramos
registrar o detalhe e a composição da cena, fazendo perguntas,
confirmações, itens ou elementos que são novos ou que desapareceram. Este estímulo mental devido à observação do que
compõe a cena pode derivar de uma característica primitiva de
sobrevivência quando tal atenção significava evitar o perigo, a
privação, ou perder-se. (SAUER, 2000, p 140)

Assim, no processo de realização da fotografia da paisagem, ao passo que estamos inseridos na lógica de pensar
com as imagens, ativamos a retórica para comunicarmos
uma “imaginação material”. No caso da geografia, o julgamento de Berdoulay é que o discurso “[...] pode arrastar
uma multidão de vieses ideológicos através das escolhas
dos termos, dos recortes territoriais, das categorias sociais,
dos temas de estudo, até mesmo dos métodos e técnicas”
(BERDOULAY, op. cit., p.21). Percebe esse autor que
toda a atividade científica, seja por suas funções sociais
ou dimensões discursivas, se encontra imbricada com a
ideologia, e que na retórica dos geógrafos tal imbricação
transparece no privilégio a algumas figuras, como a metonímia.
Existem muitas formas de pensamento figurado passíveis
de serem consideradas como partícipes de uma retórica da
paisagem, aglutinando-se em torno da metaforização das
relações entre o homem e a natureza. A retórica da paisagem reflete, portanto, a ação de um sujeito sobre o outro
por meio da palavra e, sobretudo, através da imagem,

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

expressando e assimilando os sentidos conferidos na relação homem-espaço pelo imaginário coletivo e individual.
Daí ser preciso recorrer à força do exemplo, concentrando
a atenção sobre alguns tropos que têm se mostrado mais
importantes nos estudos geográficos. Dentre todos, as
fotografias de paisagens são decididamente exemplos
de metonímias geográficas (MACIEL, 2004 e outros).
Primeiro porque a paisagem tem permanecido, no pensamento geográfico, como um instrumento capaz de sintetizar uma diversidade que lhe é superior, condensando-a
em temas representativos de um todo maior. Tal poder
de remeter das partes ao todo e vice-versa é justamente o
que caracteriza o procedimento metafórico denominado
genericamente de metonímia. É o que se pode e se quer
mostrar em um único golpe de vista.
Ao mesmo tempo, tais metonímias, enquanto ferramentas

de conhecimento, jamais se mantêm imutáveis frente às
“demandas” do mundo que se abre permanentemente à
nossa vista. Quando essa interação é interrompida, estamos diante de um pensamento alienado da realidade, ou
seja, do preconceito em sentido pejorativo, que é profundamente danoso ao avanço de qualquer forma de saber.
Dito de outra maneira, somente o recurso ao poder criativo da comunicação – sobretudo da retórica, que transforma sentimento em sentido, imagem em linguagem
– permitir-nos-ia penetrar nos códigos de pensamento e
processos de simbolização paisagística, de modo a compreender como as pessoas construiriam suas geosofias, suas
visões ou conhecimentos espaciais de mundo, em diálogo
com o imaginário geográfico mais geral e através do
aprimoramento e acomodação dos cenários imaginados às
fisionomias observáveis.

* Doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGG-UFRJ) e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universida.
** Doutora em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (PPGEO-UFPE).
1

Espetáculo, segundo o “Dicionário Houaiss de Antônimos e Sinônimos” (2003) pode significar, dentre outras possibilidades: apresentação: exibição, função,
show; visão: cena, cenário, paisagem, panorama, perspectiva, quadro, vista; encenação: cena, montagem, peça, representação.

Referências:
Abachelard, G. – A água e os sonhos. Ensaio sobre a imaginação da matéria. São Paulo, Martins Fontes, 1997.
Berdoulay, V. – Des mots et des lieux. La dynamique du discours géographique. Paris : Éditions du CNRS, 1988.
Bonnemaison, J. – Voyage autour du territoire. L’Espace Géographique, n.4, 1981, p.249-262.
Canjani, Douglas. – O voo de George love. ZUM: Revista de Fotografia. N. 9. IMS, São Paulo, 2015.
Castro, I. E.. – Paisagem e turismo. De estética, nostalgia e política. In: Yázigi, E. (org.) Turismo e Paisagem. São Paulo: Contexto, 2002, p.121-140.
Claval, P. – Qu’apporte l’approche culturelle à la géographie ? Géographie et Cultures, n.31, 1999, p.5-24.
Corbin, A. – L’homme dans le paysage. (Entretien avec Jean Lebrun). Paris : Les Éditions Textuel, 2001.
Donadieu, P. – Pour une conservation inventive des paysages. In : Berque, A. (dir.) ; Conan, M. et. al.Cinq propositions pour une théorie du paysage. Seyssel :
Champ Vallon, 1994.
Campagnes urbaines: de la réalité aux symboles. In : Poullaouec-Gonidec, P. ; Gariépy, M. ; Lassus, B. (dir.). – Le paysage, territoire d’intentions. Paris :
L’Harmattan, Montréal : Harmattan, 1999, p.79-152.
Gomes, Paulo César da Costa; Ribeiro, Letícia Parente. – A produção de imagens para a pesquisa em geografia. Revista Espaço e Cultura, Rio de Janeiro, n.
33, p. 27-42, jan./jun. 2013.
Martins, José de Souza. – Sociologia da fotografia e da imagem. São Paulo, Contexto, 2008.
Sauer, Carl. – A Educação de um Geógrafo. Geographia, Niterói, nº 4, ano II, p. 137-150, 2000 [1956].

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

20.1.2.2.jpg Agustín Navarra, Argentina
Cotideanidad
*(93) Iruya (Argentina), 2015
126.1.2.3.jpg Mário Delgado, Portugal
Recolha dos animais
*(94) Penacova (Portugal), 2015

Maria Alexandra A. Viegas Abreu Lima, Portugal 187.1.2.3.jpg
O valor da água
*(95) Vale de Zat, Alto Atlas (Marrocos), 2016
Emiliano Dantas, Brasil 142.1.2.1.jpg
Travessia pelo rio seco
*(96) Itajuípe (Brasil), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

157.1.2.3.jpg Wilber, Colombia
Nuestra Venecia - Serie
*(97) Nueva Venecia, Magdalena (Colombia), 2015
123.1.2.4.jpg Rui Ribeiro, Portugal
Río San Juan - hora de lavar
*(98) Río San Juan (Nicarágua), 2015

Marisa Ferreira Rodrigues, Portugal 11.1.2.6.jpg
Sem título
*(99)

Rui Ribeiro, Portugal 123.1.2.3.jpg
Río San Juan - hora de navegar
*(100) Río San Juan (Nicarágua), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

163.1.2.4.jpg Daniel Camacho, Portugal
Imerso
*(101) Lago di garda (Itália), 2015
157.1.2.5.jpg Wilber, Colombia
Nuestra Venecia - Serie

*(102) Nueva Venecia, Magdalena (Colombia), 2015

Daniel Mastandrea, Argentina 21.1.2.3.jpg
Navegando en el lago
*(103) Potrero de los Funes (Argentina), 2015
Paula Louise Fernandes Silva, Brasil 177.1.2.4.jpg
Prosa na Lagoa

*(104) Roteiro, Alagoas. (Brasil), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

10.1.1.1.jpg Hugo Jorge Pires Ferreira, Portugal
À espera...
*(105) Praia de Mira (Portugal), 2015
14.1.1.3.jpg Leticia Bombonati, Brasil
Imensidão
*(106) Recife (Brasil), 2015

Osmar Pereira Oliva, Brasil 1.1.1.2.jpg
Banho de rio I
*(107) Januária - MG (Brasil), 2015
Raphael Alves, Brasil 4.1.1.1.jpg
Gente vs Água #1

*(108) Manaus (Brasil), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

34.1.2.1.jpg Carlos Manuel Afonso Pereira, Portugal
Captura dos Atuns no Tanque
*(109) Olhão (Portugal), 2014
32.1.2.5.jpg Rafael Souza, Brasil
Pão de cada Dia

*(110) Pantanal Sul Matogrossense (Brasil), 2015

Michelle Vázquez Corona, Jalisco 133.1.2.3.jpg
Pescadores de Matarrayas
*(111) Nayarit (México), 2015
Michelle Vázquez Corona, Jalisco 133.1.2.4.jpg
Pescadores de Matarrayas

*(112) Nayarit (México), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

34.1.2.4.jpg Carlos Manuel Afonso Pereira, Portugal
Trabalho em equipa
*(113) Olhão (Portugal), 2014

João Coutinho, Portugal 98.1.2.2.jpg
Vidas Salgadas
*(115) Costa da Caparica (Portugal), 2015

159.1.2.3.JPG Jaqueline de Arruda Campos, Brasil
O porto seguro
*(114) Praia Barra de Tabatinga, RN. (Brasil), 2016

*(116) Costa da Caparica (Portugal), 2015

João Coutinho, Portugal 98.1.2.3.jpg
Recolher as Redes

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

116.1.2.1.JPG Mahmoudreza Golchinarefi, Irão
Slush coating
*(117) Chabahar (Irão), 2015
48.1.2.5.JPG Abedin, Irão
No Comment 5

*(118) Kermanshah (Irão), 2016

Maria Alexandra A. Viegas Abreu Lima, Portugal 187.1.2.5.jpg
Agdal
*(119) Vale de Zat, Alto Atlas (Marrocos), 2016
Paula Louise Fernandes Silva, Brasil 177.1.2.5.jpg
A sede da Caatinga

*(120) Belo Monte, Alagoas. (Brasil), 2015

I

1 património natural, paisagens e biodiversidade

83.1.2.4.jpg Susana Girón, Espanha
Trashumancia_04
*(121) Provincia de Ciudad Real (Espanha), 2014
80.1.2.2.JPG Vânia Fernandes, Portugal
Aprendizagem
*(122) Deserto do Gobi (Mongólia), 2014

Ricardo Jorge Martins Cunha dos Santos Rei, Portugal 168.1.2.2.jpg
Equilíbrio de Forças
*(123) Serra da Estrela (Portugal), 2015
Susana Girón, Espanha 83.1.2.2.jpg
Trashumancia_02

*(124) Procincia de Jaén (Espanha), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

93.1.2.6.JPG Walter Gómez Urrego, Colombia
ST 006
*(125) Tabio (Colombia), 2016

Susana Girón, Espanha 83.1.2.1.jpg
Trashumancia _01
*(126) Provincia de Jaén (Espanha), 2015

tema 2

espaços rurais, agricultura

e povoamento

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

Teo Liak Song
Malásia
Housewife with kids 12.2.1.3.jpg
*(127) Padang (Indonésia), 2016

prémio tema

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I fotografia sem fronteiras

Teo Liak Song
Malásia
Going to work 12.2.1.2.jpg
*(128) Padang (Indonésia), 2016
After work 12.2.1.4.jpg
*(129) Padang (Indonésia), 2016

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I fotografia sem fronteiras

Teo Liak Song, Malásia 12.2.1.1.jpg
Chit Chat
*(130) Padang (Indonésia), 2016

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

Amitava Chandra, Índia 58.2.2.6.jpg
Yellow-ecstasy
*(131) Madhabpur in w-bengal (Índia), 2014

menção honrosa

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Espaços rurais, agricultura e povoamento
Teresa Pinto-Correia *
screver sobre os espaços rurais da Europa hoje
em dia é escrever sobre espaços em transição.
E como tal, espaços em mudança, que não
voltarão a ser o que eram até agora, mas que
ao mesmo tempo esperamos que preservem
a sua autenticidade e a sua integridade. As trajectórias
de mudança são múltiplas e complexas, levando a uma
crescente diferenciação entre vários rurais. Nos espaços
rurais periféricos, tais como este nossos do Sul, estas
transições são particularmente acentuadas. São espaços
vulneráveis, sem uma vocação produtiva competitiva face
à globalização de pessoas e mercados, mas de uma diversidade incomparável e também por isso sempre muito
valorizados. E é difícil saber para onde vão, neste processo
de transição. Habituámo-nos a uma representação do
rural como um universo imutável, onde o tempo parecia
parado e os hábitos e práticas se mantinham. E ao urbano
como espaço dinâmico, criativo e de inovação. Mas os
limites confundem-se e as características misturam-se. E
levantam-se novas questões de gestão do rural, do papel
da agricultura e da sua integração territorial, da nova
composição das comunidades rurais, do papel de cada
uma destas pessoas e de como se relacionam e ocupam o
território.
O espaço rural muda como resultado das mudanças na
agricultura, que desde há séculos constrói a paisagem e
cria a identidade do rural. Em geral, as características
da paisagem rural europeia são hoje o resultado de um
tempo onde a agricultura era de longe a mais importante
função e factor de construçao e de mudança da paisagem.
Mas mesmo a própria agricultura muda. As tendências de
mudanças na agricultura são várias, e podem ser de intensificação, especialização, concentração, marginalização,
extensificação, racionalização do trabalho e das infraestru-

turas. Instalam-se novas formas de agricultura especializada, enquanto áreas que anteriormente eram produtivas,
são abandonadas. A agricultura tornou-se cada vez mais
dependente de um mundo globalizado e orientada para o
mercado, enquanto as práticas agrícolas se desligaram da
comunidade rural e das preocupações sociais no território.
Simultâneamente, o espaço rural muda também como
resultado duma crescente urbanização, que levou e leva
ainda à concentração da população nas áreas urbanas,
mas também ao alastrar de modelos urbanos de vida, mesmo em espaços que normalmente se consideram profundamente rurais. E também cada vez mais, o espaço rural
muda como resultado das novas funções que a sociedade
espera do rural e dele usufrui, ou seja, o rural como espaço
residencial, de recreio e actividades de ar livre, turismo,
identidade cultural, conservação da natureza e perservação dos recursos naturais. Tal como tão bem descrito pelo
geógrafo australiano John Holmes, o espaço rural deixou
de ser exclusivamente um espaço de produção, para passar
a ser também, e em múltiplas combinações, um espaço
de consumo e um espaço de protecção. As mudanças na
agricultura intensificaram a produção agrícola onde possível, em espaços agro-industriais especilizados, e deixaram
espaço excedentário para outras funções; as mudanças
nas expectativas e práticas da sociedade, criaram novas
pressões sobre esse espaço. O próprio espaço é objecto de
consumo, pela sua paisagem e pelas actividades e pelos
serviços que esta suporta e enquadra. E paradoxalmente,
este consumo não constrói nem mantêm a paisagem nem
o património rural que aprecia, justamente o que faz é
consumi-los, como um recurso disponível. E o espaço rural
é ainda objecto de protecção, pela consciência dos limites
e fragilidades dos recursos naturais e da natureza. Num
contínuo, perdem-se práticas, diluem-se saberes, perdem-se
pessoas, surgem novas procuras, chegam novas pessoas,

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

renovam-se as antigas práticas com novas motivações,
criam-se novos hábitos, introduzem-se novas práticas. A
paisagem tem uma certa resiliência, e em muitos casos
parece manter-se, mesmo se as novas funções não correspondem à estrutura existente. Neste desencontro entre
estrutura e função, acontece também que a paisagem se
desintegra e perde a sua qualidade intrínseca. E assim, as
novas formas de ocupação do rural resultam em trajectórias complexas para cada tipo de espaço rural, trajectórias
que ainda não conseguimos bem entender e muito menos
conseguimos prever.
Face à transição ou múltiplas transições em curso, urge
reflectir sobre para onde queremos ir. Que visão temos
para os nossos espaços rurais no futuro? Muitos dos espaços rurais e da paisagem rural tal como os conhecemos
hoje irão desaparecer, novos serão criados, todos sujeitos
a factores de mudança com que nem sonhávamos há
uns anos atrás. As políticas públicas actuam de forma
descoordenada e mesmo por vezes contraditória, sem que
se entenda qual é a política para o rural, e que entidade
defende o rural de uma forma integrada. Os efeitos são
por vezes inesperados, e frequentemente problemáticos.
Paradoxalmente, e mesmo registando a mudança, as comunidades que vivem no espaço rural e que o apreciam,
raramente discutem qual o futuro que gostariam de ter
nesse espaço, o que consideram aceitável ou inaceitável, o
que poderá ser sustentável ou não. Para as áreas urbanas,
recentes ou históricas, as visões para o fututo estão frequentemente na agenda, nos média e no debate público
e académico. Mas não para o rural. Talvez esta aparente
ausência de interesse se deva ao facto da imagem do rural
continuar a ser uma imagem do passado. Ou ao facto da

* ICAAM, Universidade de Évora

mudança ser tão rápida e em tantas direcções diferentes,
que é difícil saber como a compreender e analisar. O que
é um facto é que não há uma voz do rural, que todos reconheçam, tanto os que lá vivem como os que o observam
do exterior. E que as comunidades locais e outros agentes
do rural continuam hoje, muito frequentemente, como
meros espectadores de um espaço rural em mudança
extremamente rápida, sem que se criem mecanismos de
governança para fazer face às questões e incertezas que
daí resultam.
Estratégias mais sofisticadas são necessárias, de forma a
transformar as transições em curso em oportunidades
e criar novas narrativas do que o rural também pode
ser, para além do que já foi. Debater e criar visões para
o futuro desejado, em cada espaço com características
diferenciadas e uma comunidade específica, pode ser
um caminho que permite avaliar as oportunidades e as
ameaças, mais do que evitar os impactes negativos. Um
debate organizado e participado sobre o futuro do rural,
da agricutura em relação com o seu teritório, e de todas as
outras actividades e funções que o rural suporta hoje em
dia, pelas pessoas que vivem e usam esse território. Como
processo partilhado, que seja inclusivo e integrador, e que
envolva vários tipos de actores a várias escalas de governança. O processo terá que ser contínuo, com soluções
construídas mas também adaptativas, Num mundo em
constante mudança e incerteza, o caminho a seguir não
pode ser definido desde o início, mas sim que ser sucessivamente redefenido. Assim, para estes espaços rurais em
transição, o caminho poderia não ser unicamente o resultado de vários factores de mudança actuando simultaneamente, mas um caminho traçado em conjunto através de
uma estratégia local construída pelos interessados.

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

9.2.2.1.jpg Felipe Tomás Jiménez Ordóñez, Espanha
Palomar I
*(132) Alhambra (Espanha), 2015

Tiago Costa Gomes, Brasil 101.2.2.1.jpg
O cão, a menina e o Sertão
*(134) Umirim, Ceará (Brasil), 2016

9.2.2.4.jpg Felipe Tomás Jiménez Ordóñez, Espanha
Palomar V
*(133) Alhambra (Espanha), 2015

*(135) Martinóplis, São Paulo (Brasil), 2015

Leonice Seolin Dias, Brasil 72.2.2.6.jpg
O resultado da queima da cana-de-açúçar

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

28.2.1.1.jpg Pedro Gonçalo Jerónimo de Jesus Caiado, Portugal
Sem título 1
*(136) Arrouquelas, Rio Maior (Portugal), 2015
16.2.1.1.JPG Iolanda Veiros, Portugal
Solitária
*(137) Mogadouro (Portugal), 2016

Nestor Toscanelli, Argentina 94.2.2.5.JPG
Provecho del Sol
*(138) Sanford (Argentina), 2016
Luiz Rodolfo Simões Alves, Portugal 1.2.2.1.JPG
No topo da serra com vista para o mundo

*(139) Aigra Velha (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

71.2.2.1.jpg Hélder Miguel da Rocha Coelho, Portugal
Bairrada I
*(140) Anadia (Portugal), 2016
92.2.2.1.jpg Jorge Barros, Portugal
Energia da natureza
*(141) Adaúfe (Portugal), 2016

Jessyca Fabyola Ribeiro Ataliba, Brasil 73.2.2.2.JPG
A cidade perdida dos Incas
*(142) Machu Picchu (Perú), 2014
Bahram, Irão 13.2.2.4.jpg
Respeito

*(143) Ramsar (Irão)

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

52.2.2.4.jpg Sandro Malveiro, Portugal
Destinos
*(144) Flores, Açores (Portugal), 2016
32.2.2.1.jpg João Filipe Gonçalves, Portugal
Casa da Fazenda
*(145) Curral das Freiras (Portugal), 2015

Rita Brito, Portugal 23.2.2.2.JPG
Estrada de Primavera
*(146) Ourique , Alentejo (Portugal)
Patricia Sánchez Maldonado, Espanha 6.2.2.6.JPG
Serpiente negra

*(147) Villarino de los Aires (Espanha), 2016

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I fotografia sem fronteiras

46.2.2.3.jpg Hossein, Irão
Farmer
*(148) Mashhad Road (Irão), 2015

Antonio, Espanha 37.2.2.6.jpg
Paisajes de ensueño
*(150) Córdoba (Espanha), 2016

2.2.2.5.jpg Alan Sinhue Herrera Villalobos, México
Al corazón de la sierra 5
*(149) Sierra de Puebla (México), 2016

*(151) Córdoba (Espanha), 2015

Antonio, Espanha 37.2.2.4.jpg
Pequeños seres III

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

51.2.2.3.JPG Chow Fun Kau, Hong Kong, China
Living in rice fields
*(152) Congjiang County, Guizhou (China), 2015
00.0.0.0. Chow Fun Kau, Hong Kong, China
Living in rice fields

*(153) Congjiang County, Guizhou (China), 2015

Maria Elizabeth Pierella, Argentina 65.2.2.3.jpg
Enlazados
*(154) Puno (Perú), 2015
Boris Antonio Mercado Mar, Perú 85.2.2.2.jpg
Pacha

*(155) Huancalle, Cusco (Perú), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

8.2.2.5.jpg Ricardo Alfredo Kleine Samson, Argentina
Arreando a la invernada
*(156) Volcán Tromen (Argentina), 2016

Vasco da Assunção Ribeiro Morais, Portugal 3.2.1.2.jpg
Cercado
*(158) Outeiro, Viana do Castelo (Portugal), 2015

8.2.2.2.jpg Ricardo Alfredo Kleine Samson, Argentina
Arreando el piño
*(157) Trashumante, Chos Malal (Argentina), 2014

*(159) Outeiro, Viana do Castelo (Portugal), 2015

Vasco da Assunção Ribeiro Morais, Portugal 3.2.1.4.jpg
Aprumar o pêlo grosseiro

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

11.2.1.3.jpg Vítor Nuno Gomes Pinto Ferreira, Portugal
Rapa das Bestas - 3
*(160) Morgadans, Galiza (Espanha), 2015

Mercado L. Agustín, Argentina 21.2.1.5.jpg
Trashumancia 5
*(162) Neuquén (Argentina), 2015

11.2.1.1.JPG Vítor Nuno Gomes Pinto Ferreira, Portugal
Rapa das Bestas - 1
*(161) Morgadans, Galiza (Espanha), 2015

*(163) Neuquén (Argentina), 2015

Mercado L. Agustín, Argentina 21.2.1.2.jpg
Trashumancia 2

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

10.2.1.3.jpg João Vasco Santos Ribeiro, Portugal
Periferias #3
*(164) Agualva (Portugal), 2016

Gislaine Milani, Brasil 18.2.1.3.JPG
A Vida sem Barreiras
*(166) Fazenda Boa Esperança, Aguanil (Brasil), 2015

10.2.1.4.jpg João Vasco Santos Ribeiro, Portugal
Periferias #4
*(165) Agualva (Portugal), 2016

*(167) Fazenda Boa Esperança, Aguanil (Brasil), 2015

Gislaine Milani, Brasil 18.2.1.2.JPG
O Bem da Vida

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

2.2.1.2.JPG Bruno Andrade, Portugal
Matança
*(168) Dornelas (Portugal), 2015
32.2.1.1.jpg Vitor Pina, Portugal
Tosquia 1

*(169) Boliqueime (Portugal), 2015

Rui Monteiro Matos, Portugal 31.2.1.2.jpg
Triade I
*(170) Seia (Portugal), 2015
Guilherme Limas, Portugal 15.2.1.4.jpg
Heróis da Serra

*(171) Serra do Caramulo (Portugal), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

91.2.2.2.jpg Yaryna Puzyrenko, Ucrânia
Towers and cows
*(172) Ushguli (Georgia), 2014
85.2.2.4.jpg Boris Antonio Mercado Mar, Perú
Pacha
*(173) Patacancha, Cusco (Perú), 2014

Boris Antonio Mercado Mar, Perú 82.2.2.6.jpg
Pacha
*(174) Huancalle, Cusco (Perú), 2015
Carlos Alirio Meneses Cordero, Colombia 48.2.2.3.JPG
Cañicultor

*(175) Enciso (Colombia), 2016

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

22.2.1.3.jpg António José Cunha, Portugal
Malhada do Centeio
*(176) Paredes do Rio, Montalegre (Portugal), 2015
2.2.1.4.jpg Bruno Andrade, Portugal
Feno
*(177) Dornelas (Portugal), 2015

Jorge Filipe Ascensão, Portugal 27.2.1.2.jpg
Gerações
*(178) Serra da Estrela (Portugal), 2015
Jorge Filipe Ascensão, Portugal 27.2.1.6.jpg
Os fugitivos

*(179) Serra da Estrela (Portugal), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

9.2.1.1.JPG José António Rodrigues de Almeida Pereira, Cabo Verde
Caminhos da seca
*(180) Interior da Ilha de Santiago (Cabo Verde), 2016
7.2.1.2.jpg Reza Alavi, Irão
The Driver

*(181) Palangan, Kurdistan (Irão), 2014

Albino Mahumana, Moçambique 19.2.1.2.JPG
Agricultura-base do desenvolvimento
*(182) Mabalane, Gaza (Moçambique), 2015
Cristian Ferrari, Brasil 6.2.1.1.jpg
Buena Vista

*(183) Local (Brasil), 2016

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

50.2.2.1.jpg Yander Zamora, Cuba
Retrato de familia
*(184) Ciénaga de Zapata, Matanzas (Cuba), 2016
50.2.2.2.jpg Yander Zamora, Cuba
La competencia
*(185) Ciénaga de Zapata, Matanzas (Cuba), 2016

Harold, Argentina 95.2.2.5.jpg
Sem título
*(186)

Anderson Stevens, Brasil 43.2.2.5.jpg
Ensaio do Sertanejo Pernambucano

*(187) Serrita, Pernambuco (Brasil), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

45.2.2.5.jpg Afshin Azarian, Irão
Handmade craft
*(188) Dargh (Tajiquistão), 2016

Daniela, México 99.2.2.2.jpg
Los tres
*(190) Cauca (Colombia), 2014

45.2.2.4.jpg Afshin Azarian, Irão
Cleaning potatoes
*(189) Dargh (Tajiquistão), 2016

*(191) Harijan (Irão), 2016

Mahmoud Reza Moeinpour, Irão 66.2.2.5.jpg
Grandpa

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

59.2.2.2.jpg J. B. César, Portugal
Giestas no campo
*(192) Travancas, Chaves (Portugal), 2016
25.2.1.5.jpg Pedro, Portugal
Os Convivas

*(193) São Domingos (Portugal), 2015

Gabriel, Colombia 37.2.1.4.jpg
La Huida
*(194) Guainía (Colombia), 2014
Sasan Amjadi, Irão 64.2.2.2.jpg
Resting

*(195) Babol,Village Chopan Kola (Irão), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

93.2.2.3.jpg António Jorge Feio Bacelar Vilar, Portugal
Ruralidade da Gente Marinhoa
*(196) Murtosa (Portugal), 2016
00.0.0.0. António Jorge Feio Bacelar Vilar, Portugal
Ruralidade da Gente Marinhoa
*(197) Murtosa (Portugal), 2016

Micael Luz Amaral, Brasil 5.2.1.5.jpg
Longevo
*(198) Caetanos, Bahia (Brasil), 2015
Mahmoud Reza Moeinpour, Irão 66.2.2.3.jpg
Bread for life

*(199) Bavan (Irão), 2015

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

38.2.1.1.JPG Ágda Nara Tavares Bandeira, Brasil
Olhares
*(200) Cuncas (Brasil), 2016
3.2.2.2.jpg Vera Silva Cachão, Portugal
A tradição
*(201) Serra da Arrábida (Portugal), 2016

Laura Moura, Portugal 70.2.2.6.JPG
Primeiro andar 3
*(202) Outeiro Seco (Portugal), 2016
Gi da Conceição, Portugal 60.2.2.3.jpg
Fome

*(203) Bordonhos (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

10.2.2.3.JPG Sofia Salazar Chavarro, Colombia
Fachada
*(204) Ulloa (Colombia), 2016
78.2.2.3.JPG Elizaveta, Rússia
O solitário cabra (The goat loner)

*(205) Gorskino aldeia, região de Kemerovo (Rússia), 2014

J. B. César, Portugal 59.2.2.1.jpg
Erva no recreio
*(206) Lagarelhos, Chaves (Portugal), 2016
Yander Zamora, Cuba 50.2.2.5.jpg
Guajiro en su casa

*(207) Ciénaga de Zapata, Matanzas (Cuba), 2016

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2 espaços rurais, agricultura e povoamento

1.2.1.2.jpg João Manuel Pereira Pinto, Portugal
Praça
*(208) Carrazeda de Ansiães (Portugal), 2015
47.2.2.5.jpg Anderson José de Andrade, Brasil
Um povo de fé

*(209) Sítio Sobradinho-Salgadinho-PE (Brasil), 2016

Hossein, Irão 46.2.2.1.jpg
Passenger
*(210) Northern Iran’s Paths (Irão), 2015
Cesar Lafalce, Argentina 34.2.2.2.jpg
Crisálida

*(211) Mendoza (Argentina), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

57.2.2.1.jpg Joana Barrelas, Portugal
Equilíbrio
*(212) Lago Inle (Myanmar), 2015

Joana Barrelas, Portugal 57.2.2.3.jpg
Rua
*(213) Lago Inle (Myanmar), 2015
Maria Victoria Glanzmann, Argentina 4.2.2.3.png
Juego

*(214) Tocaña (Bolívia), 2015

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

E no interior do Estado do Rio de Janeiro ainda se dança o fado
João Rua *
sta narrativa retrata uma vivência, desde o
início dos anos 2000, numa localidade do
Norte do Estado do Rio de Janeiro, onde se
notaram grandes transformações num quadro
rural muito tradicional, até recentemente. As
mudanças que vivenciamos acentuaram-se quando ainda
se anunciava a grande transformação para a região: a produção de petróleo e a dependência aos royalties recebidos
por sua exploração, nas águas profundas confrontantes a
essa localidade, em finais dos anos oitenta do século XX.
Quissamã, municipalidade de cerca de 20.000 habitantes, vem, desde o século XVIII, sendo identificada pela
agroindústria do açúcar, que deu ao lugar certo destaque
principalmente durante o império brasileiro. Hoje em
dia vive dos royalties do petróleo e (minoritariamente)
da agroindústria que domina sua paisagem. Os extensos
canaviais, as grandes casas senhoriais, o orgulho da afrodescendência da maioria de seus habitantes e os traços
deixados pela escravidão, constituem forte matriz cultural
à qual se sobrepõe a dinâmica extrativista do petróleo.
Assim, pode-se dizer que a marca mais tradicional de
Quissamã é a paisagem herdada da plantation canavieira
que controlava a apropriação do espaço, deixando ao
campesinato, com algum grau de autonomia, apenas as
áreas periféricas â atividade principal.
Entretanto, as formas de sociabilidade desse mundo rural
se referiam e, numa certa medida ainda se referem, a estilos de vida, concepções de mundo, processos de decisão e
modalidades de trabalho que têm se elaborado e modificado em interações dos atores locais (em sua heterogeneidade) e outros de escalas supralocais, em nível regional,
estadual, nacional e internacional, em jogos de poder
bastante assimétricos. Isso se manifestou, fortemente,

durante as transformações técnicas e jurídicas que matizaram a sociedade brasileira a partir dos anos 50 do século
XX. Essa relação multiescalar (nacional-local) não alterava o fato das grandes plantations de açúcar funcionarem
como unidades econômicas, sociais, culturais e políticas
bastante singulares. Nelas se combinavam os grandes
cultivos com as lavouras destinadas ao abastecimento alimentar da família do proprietário das terras e das diversas
famílias de trabalhadores residentes no domínio. Este
correspondia ao que se denominou complexo rural onde
se localizavam as residências dos grandes proprietários e
dos trabalhadores-moradores, as atividades agroindustriais
e onde se exercia a vida familiar cotidiana.
A principal norma nesses domínios era a lealdade ao patrão, a quem deviam a casa de moradia, o trato de terra
para os cultivos, a água e a lenha para o uso doméstico,
a ajuda nos diversos momentos de necessidade e com
quem eram estabelecidas relações de compadrio, que
selavam os compromissos e atingiam até mesmo a esfera
da política, já que os trabalhadores-moradores e suas
famílias também eram clientes do voto. Aí se percebia a
hierarquia constitutiva de engenhos, usinas, fazendas de
açúcar, café ou gado. De um lado, a família do chefe da
unidade agroindustrial, seus ascendentes e descendentes,
eventualmente indivíduos agregados por laços de amizade
e compadrio, vivendo na casa-grande; de outro, a multiplicidade de famílias de trabalhadores que residiam em
casas diminutas de pau-a-pique (às vezes nas antigas senzalas onde tinham sido alojados os escravos na época da
escravidão) de aspecto miserável. De um lado, os campos
a perder de vista, cultivados com a lavoura comercial sob
o controle do grande proprietário; de outro o cultivo de
alimentos em minúsculos pedaços de terra, cedidos pelo
dono apenas para uso.

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Em Quissamã, tal panorama se manteve até recentemente.
Foi levemente “arranhado” pela crise de 1930, quando
diversos grandes proprietários perderam suas terras para a
onipresente usina (dona da maior parte das terras e controladora do fluxo de cana para ser comercializada); foi, de
alguma maneira atingido pelo processo de desruralização
e urbanização que vem dos anos 1950. No entanto, tal panorama só foi seriamente alterado quando das mudanças
ocorridas dos anos 1960 em diante, as quais provocaram
a maciça expulsão da mão-de-obra. Se em outras áreas do
país isso levou a alterações drásticas no padrão tecnológico, em Quissamã foram encontradas maneiras de reter os
trabalhadores próximos aos ex-domínios, o suficiente para
serem utilizados sempre que se precisasse.
Como veremos num depoimento mais à frente, é importante focar aquele quadro para compreender como as
mudanças nele ocorridas são percebidas por alguns dos
sujeitos que dele participaram integrados ao princípio
ordenador que concentrava tanto poder nas mãos de
poucos. As práticas de recrutamento e administração das
plantations tradicionais tornaram-se ineficazes, ou mesmo
contraproducentes devido a efeitos combinados da evolução dos mercados internacionais das lavouras comerciais,
da possibilidade de emigrar para as metrópoles que se
industrializavam, do fortalecimento do sindicalismo rural
e da implantação de um novo padrão legal e institucional.
Além disso, a ampliação dos serviços urbanos, particularmente saúde e educação, mas também os transportes
entre as localidades tornaram-se importantes elementos
de desmonte do complexo rural e de aceleração do êxodo
e das transformações a partir daí observadas.
Resumidamente, pode-se dizer que às crises da exportação
respondiam fórmulas particulares de relacionamento entre patrão e moradores que, ao baratearem a mão-de-obra,
permitiam manter os lucros daquele que só viu seu poder
ser erodido pela emigração de trabalhadores e pela implantação da legislação trabalhista no campo. Com isso o

conjunto de participantes das plantations tradicionais se
viu na contingência de gerenciar, muito desigualmente,
os recursos materiais e simbólicos de que dispunha, a
reconversão de suas posições, de suas práticas e de sua
percepção do mundo. Os trabalhadores passaram a ter de
assumir os custos materiais de sua reprodução social.
Dona Joana, de presumíveis 80 anos de idade, filha de
escrava, moradora da senzala da antiga fazenda Machadinha, assim nos relatou esse processo em novembro de
2001: “ah, era muito bom morar aqui na fazenda até uns
quarenta anos atrás. Tinha tudo! Depois a coisa foi ficando ruim, muita gente foi embora. A nós deixaram ficar
aqui mas só morando. Nem água e lenha a gente tinha
mais, tinha de comprar ou buscar longe. Fora do corte da
cana ficou difícil. Só pegando biscates na cidade. Agora
já está um pouco melhor – tem cesta básica, ajuda da
prefeitura, médico toda a semana, a criançada tem praça
pra jogar bola. Se não fosse isso acho que já tinha todo
mundo ido embora”.
Aí se percebe tanto a visão idealizada do passado, que
esconde a violência das relações existentes entre os patrões e os empregados-moradores, como o assistencialismo
que caracteriza as relações no presente. Pode ser também
evidência de uma certa “competição” com alguns trabalhadores da cidade no mercado de trabalho local e que,
com isso, podem ter engrossado o forte movimento emigratório de origem rural e urbana, anterior aos anos 90.
Dona Joana vivia e vive na senzala onde seus antepassados viveram como escravos. Não tem qualquer
aparelho eletrodoméstico – “só um bico de luz”, mas acha
a televisão “uma coisa linda”. Não sabe ler nem escrever
mas é o depositário da tradição cultural afro-brasileira,
conduzindo os diversos rituais e tentando passar para os
mais jovens a dança do jongo, utilizada em alguns desses
rituais. Quando perguntada como via a modernização
de Quissamã, não se fez de rogada e falou: “Agora está

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

muito melhor. A vida está mais fácil”. Não percebia que
poucos, como ela, vivenciaram os três momentos a que
se referiu indiretamente: o da fartura sob a proteção do
“bom patrão”, o da penúria, quando não compreende por
que pioraram tanto as relações com o “bom patrão” e, em
2001, quando disse que estava tudo melhor por que atendida pelo “novo bom patrão” – o assistencialismo oficial.
É nesse sentido que a memória se torna um excelente recurso para a manutenção de “espaços de resistência” pois
facilita lidar com a dimensão objetiva dos fatos mas também com o lado subjetivo dos indivíduos que constituem
os diferentes grupos sociais. Situações conflituosas, jogos
de poder e processos como o de construção da identidade
territorial e do “sentido do lugar” são melhor percebidos
quando se utiliza a memória, e sua capacidade de ir ao
passado e retorno ao presente, para descortiná-los.
Outra visão desse quadro é apresentada por José Carlos,
19 anos (em 2003), morador da senzala de Machadinha,
que trabalhava eventualmente para a prefeitura e cortava
cana. Estudava no 5º ano noturno da escola de Machadinha. Tinha bicicleta, ia a Macaé (cidade de porte médio,
mais próxima) com alguma frequência “ver as meninas”,
não gostava das coisas antigas e nem dançava o fado (manifestação folclórica local). Também não participava das
cerimônias religiosas que considerava “coisa de velho”.
Cortava cana desde criança. Quando perguntado sobre
o que achava da modernização de Quissamã, respondeu
que “melhorou muita coisa, mas falta muito. Não há onde
se divertir. Só os bares e o futebol. Bom são os shows de
verão na praia. É de graça e não perco um. Às vezes vem
uma discoteca pra cidade mas é muito caro. Mesmo assim
eu vou”. Vê televisão no bar do local onde mora.
Cristiano tinha 9 anos (em 2004) e também vivia na
senzala da Machadinha desde que nasceu. Estudava no 4º
ano da escola municipal local. Gostava da escola. Disse
que a merenda era boa. Ganhava uniforme e o material

escolar. Gostava de dançar o fado (exibiu-se várias vezes).
Gostava de morar ali e quando crescesse queria dirigir
ônibus, como o pai.
A diferença mostrou-se radical, entre os idosos e os mais
novos. Os idosos são testemunha do velho e do novo. Os
mais jovens são formados num mundo em curso de melhoria (mas de maiores desigualdades) em que estas pouco
são percebidas, por conta do assistencialismo e do “simulacro de consumismo” já que o acesso simultâneo aos
bens materiais e simbólicos não vem junto a um exercício
pleno da cidadania. Poucos tiveram a experiência de perder tudo ao sair das fazendas. Destes, a maioria se foi. A
ideia de transição, isto é, de processo e de movimento se
(re)coloca. É um movimento que se expressa no passado,
no presente e no futuro e o conjunto de transformações
que esse processo carrega, nem sempre é percebido da
mesma maneira e com a mesma intensidade.
Além disso, há momentos de transformações mais lentas
e outros de transformações mais aceleradas. As aceleradas
mudanças no campo, nos anos 60, 70 e 80 não foram
compreendidas por dona Joana, por que foram aceleradas
em demasia. Já as que ocorreram no longo período do
primeiro momento, foram incorporadas e compreendidas.
As do período atual parecem, também, aceleradas em
demasia para ela. Para o jovem José Carlos, entretanto,
pareciam lentas demais. Talvez nenhum deles percebesse
ou perceba, claramente, o que está em movimento, que
é a sociedade, em suas sucessivas espacializações. Notase, aí, também, uma certa retomada da tradição (como
demonstrou o menino) nas gerações mais recentes que
constitui uma das marcas mais notáveis da identidade territorial (sempre em reconstrução). O resgate das danças
locais que vem ocorrendo se constitui em novo atrativo
turístico e marca algumas festividades.
Dentre as festas populares de Quissamã, o fado merece
destaque especial (o jongo quase não é mais dançado),

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

por ser um baile característico que se conservou ativamente na localidade.Trata-se de uma suíte muito ritmada,
dançada ao som da viola e do pandeiro. Provavelmente
foi a forma encontrada pelos escravos de copiar a dança
dos senhores, que por sua vez a copiavam da corte. O fado
é muito estimulado nas escolas, como parte do estudo do
folclore e já se nota o seu ressurgimento como divertimento das classes mais pobres – os músicos e dançadores
são camponeses e ex-trabalhadores da usina que agora
virou museu, continuando, entretanto, a fazer parte da
paisagem e do imaginário locais.

residir em bairros rurais como Machadinha; a dependência aos royalties do petróleo ampliou-se e a severa redução
dos preços do combustível acarretou enorme queda no
emprego na construção civil e nos setores ligados às
atividades extrativas; os efeitos da crise pela qual passa o
país abatem-se, também, sobre as municipalidades e demonstram as interações multiescalares que marcam o espaço geográfico. Esse quadro de transformações recentes
acentua o desmonte do que restava do antigo complexo
rural e obriga a ir à busca de alternativas que amenizem
tão acentuada crise.

Em Quissamã, o fado é dançado com frequência nos
salões de festa dos bairros rurais mas, também, na cidade,
além das escolas. A dança e sua preservação demonstram
a força de resistência das práticas espaciais da população
tão alteradas pelo intenso processo de transformações
pelos quais vem passando a localidade. Esse quadro rural
vem sofrendo mudanças bem marcantes: a usina, símbolo
da agroindústria, foi comprada e fechada; os canaviais
de Quissamã entregam suas canas a outra usina fora do
município, agora também proprietária das terras; o corte
é bastante mecanizado; os trabalhadores, agora ocupados
em outros serviços, basicamente urbanos, quando não
desempregados, recebem auxílios oficiais e continuam a

Dona Joana, com seus noventa e tantos anos, nada compreende; José Carlos está desempregado e vive de biscates
eventuais – até trabalho no corte da cana é difícil – passa
o tempo no bar e na praça de Machadinha com amigos;
Cristiano trabalha embarcado nas plataformas de petróleo e continua a morar em Machadinha. Cada um, à sua
maneira, vivencia a velocidade das transformações.
A paisagem dos extensos canaviais e dos belos solares do
século XIX testemunham e observam todo esse processo
de transformações.
E o fado de Quissamã continua a ser dançado e cantado...

* Geógrafo e Professor Adjunto do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

63.2.2.1.jpg Rui Pires, Portugal
O Velho Forno do Povo
*(215) Pitões das Junias (Portugal), 2016
63.2.2.4.jpg Rui Pires, Portugal
O Velho Forno do Povo

*(216) Pitões das Junias (Portugal), 2016

Carlos Lopes Franco, Portugal 24.2.1.2.jpg
Orgulho
*(217) Formigueiro, Cabeceiras de Basto (Portugal), 2014
Carlos Lopes Franco, Portugal 24.2.1.4.jpg
Carinho

*(218) Carvalho, Montalegre (Portugal), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

23.2.1.3.jpg Mário João Gonçalves Roque, Portugal
Gentes das Terras de Sicó
*(219) Casmilo, Condeixa (Portugal), 2015
25.2.1.1.jpg Pedro, Portugal
Cava

*(220) São Domingos (Portugal), 2015

Mário João Gonçalves Roque, Portugal 23.2.1.5.jpg
Gentes das Terras de Sicó
*(221) Casal Soeiro, Ansião (Portugal), 2014
Pedro, Portugal 25.2.1.2.jpg
Suor do Trabalho

*(222) São Domingos (Portugal), 2015

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

58.2.2.1.jpg Amitava Chandra, Índia
My blooming dynasty
*(223) Midnapur district (Índia), 2014
76.2.2.5.jpg Zobeydeh, Irão
Moinho de trigo
*(224) Havraman (Irão)

Amitava Chandra, Índia 58.2.2.5.jpg
Preparing the nectar
*(225) Gokulnagar village in the state of West-Bengal (Índia), 2015
Marcelo Lima de Morais, Brasil 40.2.2.2.jpg
Alegria do mangue Alegria do mangue

*(226) Ilha de Deus, Recife (Brasil), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

86.2.2.3.jpg Sudipto Das, Índia
Rural Versatility 03
*(227) West Bengal (Índia), 2016

Ricardo Benichio, Brasil 42.2.2.1.jpg
Dona Alzira
*(229) Ribeirão Preto (Brasil), 2016

86.2.2.6.jpg Sudipto Das, Índia
Rural Versatility 06
*(228) West Bengal (Índia), 2016

*(230) Ribeirão Preto (Brasil), 2016

Ricardo Benichio, Brasil 42.2.2.3.jpg
Dona Vicenza

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

33.2.1.4.jpg Rita Santos Cruz, Portugal
Aconchego materno
*(231) Iquitos (Perú), 2016

Micael Luz Amaral, Brasil 5.2.2.1.JPG
Arredores
*(233) Comunidade Riachão da Vargem, Bahia (Brasil), 2016

33.2.1.5.jpg Rita Santos Cruz, Portugal
Maloca
*(232) Iquitos (Perú), 2016

*(234) Laceiras, Viseu (Portugal), 2016

Miguel Godinho, Portugal 7.2.2.2.jpg
Portugal Hoje

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

49.2.2.5.jpg Erfan, Irão
Afghan workers
*(235) Shiraz (Irão), 2016
97.2.2.3.JPG Carina Faria, Portugal
Pés à terra
*(236) Esposende (Portugal), 2015

Erfan, Irão 49.2.2.1.jpg
Boy wheat
*(237) Shiraz (Irão), 2015
José Monteiro Fernandes, Portugal 30.2.1.4.jpg
SPA

*(238) Santa Eufêmia, Pinhel (Portugal), 2015

I

2 espaços rurais, agricultura e povoamento

75.2.2.4.jpg Hélder André de Barros Santana, Brasil
Sem título
*(239) Passira, Pernambuco (Brasil), 2015
53.2.2.4.JPG Shokoofeh Arvin, Iran
Dançando 2
*(240) Ilam (Irão), 2014

Alejandra Gutiérrez González, México 96.2.2.2.jpg
Serie: El silencio del desierto 02
*(241) Deserto de Coahuila (México), 2016
Alejandra Gutiérrez González, México 96.2.2.3.jpg
Serie: El silencio del desierto 03

*(242) Deserto de Coahuila (México), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

81.2.2.3.jpg Ingrydy Schaefer Pereira, Portugal
Orgulho indígena
*(243) Maricá-RJ (Brasil), 2016

Guilherme Pereira Imbassahy, Brasil 79.2.2.2.jpg
Futuro à frente
*(244) Rio de Janeiro (Brasil), 2016

tema 3

cidade e processos
de urbanização

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

3 cidade e processos de urbanização

Luz
Espanha
Reciclar III 72.3.2.3.jpg
*(245) Bruxelas (Bélgica), 2014

prémio tema

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

3 cidade e processos de urbanização

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

PÁGINA 114

72.3.2.2.jpg Luz, Espanha
Reciclar II
*(246) Bruxelas (Bélgica), 2014
PÁGINA 115

72.3.2.4.jpg Luz, Espanha
Reciclar IV
*(247) Bruxelas (Bélgica), 2014

Luz, Espanha 72.3.2.1.jpg
Reciclar I
*(248) Bruxelas (Bélgica), 2014

I
menções honrosas

3 cidade e processos de urbanização

Rodolfo Gil, Portugal 22.3.1.1.jpg
1
*(249) Alvalade, Lisboa (Portugal), 2015
Carlos Costa, Portugal 4.3.1.3.jpg
Glass Eyes

*(250) Maia (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Leonardo, Brasil 27.3.2.2.jpg
Nossos vizinhos
*(251) Comunidade do Bode, Recife, Pernambuco (Brasil), 2014
João Antonio Benitz Rangel dos Santos, Brasil 20.3.1.4.jpg
Chão 04

*(252) Brasília (Brasil), 2016

I
menções honrosas

3 cidade e processos de urbanização

Wong Chi Keung, China 59.3.2.2.JPG
Hong Kong’s Living Environment - City on the Sea
*(253) The Peak (Hong Kong), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Uma Região de Cidades
José António Bandeirinha *
m dos mais glosados — e desgastados —
clichés que envolvem as dinâmicas territoriais em Portugal é a dicotomia entre o
interior e o litoral. Com uma constância
digna de nota, vai estando presente em
todas as circunstâncias nas quais se discutem as questões
inerentes ao (des)equilíbrio territorial. Quase como se
fosse mais uma das fatalidades míticas tão caras ao ethos
português.
A existência dessa discrepância endémica entre o litoral
e o interior do país não se pode, porém, conceber só
enquanto causa, mas também, e sobretudo, enquanto
consequência de um longo processo de maturação de
uma ideia para o país, uma ideia que tem vindo a tornarse hegemónica ao longo do último meio século — a da
bi-polarização metropolitana.
Embora a evocação, tantas vezes automática, da condição
de diferenciação entre o interior e o litoral continue na
ordem do dia para as concepções oficiais do território,
a verdade é que as forças de atracção do litoral não são
lineares, são pontuais e correspondem às duas metrópoles
que têm merecido, quase em exclusivo, todas as atenções
do investimento público e privado.
No início do Século XX, as cidades, em Portugal, correspondiam a um espaço perfeitamente delimitado e confinado. Embora, na maior parte dos casos, já não houvesse
a linha de muralhas a cintá-las, havia um limite claríssimo de legibilidade entre elas e o campo, quer do ponto
de vista espacial, quer do ponto de vista sociológico. Há
cerca de meio século atrás, Portugal ainda tinha uma rede
urbana. Pobre e com deficiências de escala, é certo, mas
tinha-a. O subúrbio, que conduziria à indução da ideia

contemporânea de metrópole, só se começaria a esboçar
muito tardiamente na década de 1960 em Lisboa, com
a formação de grandes extensões residenciais periféricas
e com o desenvolvimento, embora elementar, de alguns
meios de transporte em comum. Já depois de 1976, com a
ascensão aos meandros do poder de uma elite tecnocrática formada e desenvolvida ao longo da década anterior, e
com a entrada em cena dos grupos de influência do Porto,
viria a ganhar a dimensão bi-polarizada e hegemónica
que hoje impera praticamente em exclusivo e sem que se
vislumbre qualquer tipo de alternativa.
De há quatro décadas para cá, por consequência, todo,
ou praticamente todo, o investimento público na valorização do território tem sido processado em função do
incremento dessa bi-polarização, bem como das lógicas de
distribuição territorial a ela associadas.
De um modo mais específico então, e pelo que diz respeito à região que habitualmente designamos por Centro, a
tão glosada dicotomia litoral-interior deve ser entendida
não de per si, mas através de outras ordens de factores,
que lhe são afluentes e que raramente, ou mesmo nunca,
são mencionados. O principal desses factores está associado às forças de atracção metropolitanas, que provocam
um tipo de assimetrias no sentido norte-sul tão ou mais
fortes do que as que tradicionalmente se insinuam no sentido este-oeste.
Basta olhar, por exemplo, para as estratégias de acessibilidades que têm vindo a ser desenvolvidas: o Plano
Rodoviário Nacional e as suas sucessivas revisões; ou o
que está pensado para as redes ferroviárias. Não deve ser
necessária uma análise muito detalhada para se perceber
que tudo, mas mesmo tudo, assenta numa lógica de refor-

I

3 cidade e processos de urbanização

ço dos núcleos metropolitanos como ponto de partida e
de chegada. Mesmo as decisões relativas às acessibilidades
entre as cidades de média dimensão são sempre tomadas
em função da sua maior ou menor capacidade de servir as
acessibilidades de e para as metrópoles. A maior parte das
cidades de média dimensão da Região Centro relaciona-se
mais facilmente com Lisboa e com o Porto do que reciprocamente entre si. O desenho das acessibilidades em
Portugal foi sempre rigidamente hierarquizado a partir do
esteio que liga as duas metrópoles, que passa obviamente
pelo litoral e que torna meramente residual e circunstancial tudo o que não se lhe submete. A insistente inviabilização da ligação entre duas das maiores cidades da região,
Viseu e Coimbra por exemplo, é um dos mais evidentes
sintomas do paradigma vigente, mas muitos outros se lhe
poderiam acrescentar. Em Espanha, pelo contrário, as redes viária e ferroviária foram sempre entendidas como tal,
ou seja, uma estrutura “em rede” mesmo, equilibrada entre as diversas cidades, embora a saibamos posteriormente
reforçada nos troços metropolitanos de maior intensidade.
Para reagir a esta situação, substancialmente empobrecedora das capacidades económicas, sociais e culturais do
hinterland sub-metropolitano, a Região Centro deveria há
muito ter capacitado as suas cidades de média dimensão,
sem qualquer espécie de temores politico-culturais, e
apostar, de modo sustentado e desafogado, no reforço
da sua rede urbana própria. Só desse modo poderia ter
enfrentado os vórtices de atracção metropolitana, criando
polarizações urbanas mais fortes e em rede, articuladas
entre si e com as cidades fronteiriças das regiões confinantes, Castela e Leão e Extremadura. Capacitar a Região Centro a partir das suas características paisagísticas
e rurais sim, é possível também, mas não em exclusivo,
jamais em exclusivo.
Na Europa, hoje em dia e mais do que nunca, por razões
de ordem política global cuja explicação não caberia neste
texto, a cidade necessita de ser pensada numa perspec-

tiva distintiva e abrangente, necessita de ser concebida
enquanto entidade que, no quadro de determinados
parâmetros, se insinua como alternativa sólida, credível e
realista, ao tão glosado fenómeno do crescimento difuso.
Sim, apesar destes novos determinismos metropolitanos,
muito up to date, é forçoso pensar que subsiste ainda uma
entidade, ontologicamente reconhecível, que se inscreve
numa matriz de continuidade histórica, a que continuamos, e continuaremos, a chamar cidade. Os modelos a
partir dos quais podemos balizar essa entidade são globais,
embora se deva reconhecer que, para o que aqui nos interessa, são de salientar aqueles que se identificam segundo
uma matriz de localização geográfica centrada na bacia do
Mediterrâneo, com especial incidência na Europa do Sul.
Há, contudo, por toda a Europa, provas incontestáveis
de subsistência e de florescimento de cidades de média
dimensão. Não seria possível enumerá-las, nem será
necessário citá-las. Visitamo-las, reconhecemo-las e identificamo-las a partir das suas especificidades culturais. Conseguimos circunscrever os seus limites, encanta-nos a vida
dos espaços públicos, potenciada por consideráveis índices
de densidade populacional. São mais fáceis de manter e
mais baratas de infraestruturar, são realidades incomparavelmente mais sustentáveis, do ponto de vista económico
e energético, que o espaço peri-urbano difuso. Por isso,
e pela qualidade de vida urbana, insinuam-se como uma
incontestável alternativa à metropolização global.
É urgente, portanto, considerar a cidade como uma possibilidade, como uma opção operativa. Françoise Choay
considera que o urbano, modelo cultural hegemónico, se
desvinculou da ideia de espaço que lhe estava associada
e alastrou por todo o território, provocando a morte da
cidade (Choay, 2006, 165-198). Por muito que nos deixemos seduzir por esta ideia, é também impossível deixar de
constatar uma realidade dinâmica e futurante, através da
qual um elevado número de cidades de média dimensão
sobrevive e floresce, sem serem absorvidas pela voracidade
metropolitana e sem se insinuarem elas próprias como

119

120

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

pólos expansionistas. Para isso, muito contribuem medidas políticas concertadas, quer de carácter nacional, quer
sobretudo de carácter regional e local, que fixam e clarificam autonomias e influências de capitalidade territorial
e administrativa, medidas que ajudam a sobrevivência
da centralidade urbana, face à utilização indistinta do
território metropolitano periférico.
Mas para que isso aconteça será necessário coordenar e
integrar um conjunto de políticas e de oportunidades que,
nos planos europeu, nacional e regional, se colocam ao
desenvolvimento dessa rede urbana. Será necessário que,
ao nível local, municipal e inter-municipal, os responsáveis políticos e as diversas comunidades deixam para
trás décadas de estéril competitividade interna e passem
a competir em exclusivo com o fenómeno da metropolização, esse sim um fenómeno realmente nefasto para a
afirmação local e regional, mas acerca do qual raramente
ou nunca se referem, por receio ou por inconsciência.
Será necessário reavaliar o modo como as redes regionais
de estruturas públicas – estabelecidas principalmente após
a Segunda Guerra Mundial – se têm vindo a transformar
e/ou a degradar, através da recepção das políticas de
desenvolvimento regional implementadas pela União
Europeia, numa fase em que a concepção dominante da
noção de Estado Social está em mutação. É necessário
colocar em primeiro plano o Centro de Portugal, uma
região que não possui, nem deve querer possuir, uma metrópole, e se deve começar a caracterizar por uma malha
articulada de cidades médias, composta por múltiplas
camadas espaciais.

Vai ser necessário estudar a fundo a realidade presente,
mas também os antecedentes históricos e culturais, os
mais próximos e os mais remotos. Vai ser necessário apostar na construção de uma rede urbana forte, com várias
camadas e intensidades. Mas, sobretudo, vai ser necessário reforçar a coesão dessas camadas entre si. Tornar a
rede urbana coesa do ponto de vista social e cultural, sem
dúvida, mas também do ponto de vista das acessibilidades
reais. Quanto mais não seja, pela necessidade urgente de
colmatar décadas de alheamento e de tabula rasa no que
diz respeito à construção dessa coesão.
Mas o mais importante de tudo é que estas medidas não
deveriam entendidas como uma — mais uma, entre tantas
outras de maior ou menor sucesso — iniciativa de incentivo ao desenvolvimento regional. Devem ter condições
práticas de prossecução sim, mas devem sobretudo ser
entendidas como parte integrante de um novo paradigma
urbano de afirmação de centralidades. Assim, no plural.
Devem ser entendidas enquanto nova concepção territorial, a partir da qual todos os outros problemas de desequilíbrio nacional e regional se passarão a balizar e a resolver.
Só deste modo a região terá hipóteses de enfrentar os
desafios de competitividade que se lhe colocam hoje.
Só deste modo se poderá afirmar nos planos nacional e
internacional, como uma Região de Cidades, e conseguir
então que os fotógrafos olhem para essas cidades como
fonte de inspiração e como matéria de reflexão cultural.
Coimbra, Agosto/Setembro de 2016

* Departamento de Arquitectura, Centro de Estudos Sociais niversidade de Coimbra.


Outras leituras:
Bandeirinha, José António, “Cem Anos de Arquitectura no Centro de Portugal. Um Território Heterogéneo”, in João Afonso (Ed.) IAP XX. Inquérito à
Arquitectura do Século XX em Portugal, Lisboa, Ordem dos Arquitectos, 2006, pp. 272-273.
Choay, Françoise, “Le règne de l’urbain et la mort de la ville”: Pour une Anthropologie de l’Espace, Éditions du Seuil, 2006, pp. 165-198

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1.3.1.3.jpg Ary Attab Filho, Brasil
Espaços: Brasília III
*(254) Brasília (Brasil), 2015
84.3.2.1.JPG Hênio Marcus Rosa de Souza, Brasil
Linhas da Cidade
*(255) São Paulo (Brasil), 2014

Gustavo de Matos Júnior, Brasil 26.3.1.4.jpg
Edifício Apontar
*(256) Petrópolis, Natal - RN (Brasil), 2016
Hênio Marcus Rosa de Souza, Brasil 84.3.2.2.JPG
Linhas da Cidade

*(257) Fortaleza (Brasil), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

22.3.1.3.jpg Rodolfo Gil, Portugal
3
*(258) Alvalade, Lisboa (Portugal), 2015
11.3.1.5.jpg Jaime Gómez, Luxemburgo
Emirates 005

*(259) Abu Dabi y Dubai (Emirados Árabes Unidos), 2016

Oleg Vereshchagin, Rússia 6.3.1.5.jpg
Statue
*(260) Oklahoma-city (EUA), 2014
Jaime Gómez, Luxemburgo 11.3.1.4.jpg
Emirates 004

*(261) Abu Dabi y Dubai (Emirados Árabes Unidos), 2016

I

3 cidade e processos de urbanização

40.3.2.1.jpg Alejandro Yáñez Lafuente, Espanha
Paloma mensajera
*(262) Murcia (Espanha), 2015
23.3.1.5.jpg Nuno Miguel dos Santos Almeida, Portugal
Cemitério dos Prazeres V
*(263) Lisboa (Portugal), 2016

Ana Patrícia Estácio, Portugal 14.3.1.3.jpg
Remanescências de outrora
*(264) Largo do Carmo, Lisboa (Portugal), 2015
Nuno Miguel dos Santos Almeida, Portugal 23.3.1.4.jpg
Cemitério dos Prazeres IV

*(265) Lisboa (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

30.3.1.6.jpg José Pessoa Neto, Portugal
Na boa
*(266) Porto (Portugal), 2014

Carlos Costa, Portugal 4.3.1.2.jpg
Back Inside
*(268) Porto (Portugal), 2016

30.3.1.5.JPG José Pessoa Neto, Portugal
Linhas de força
*(267) Porto (Portugal), 2014

*(269) Buenos Aires (Argentina), 2015

Carla Fontana, Argentina 7.3.1.2.jpg
Memoria

I

3 cidade e processos de urbanização

4.3.2.1.JPG Miguel Ângelo Duarte Moniz Carneiro Barata, Portugal
A caminho do conhecimento
*(270) Coimbra (Portugal), 2016
21.3.1.2.jpg Anna Skowron, Polónia
Direction We Follow
*(271) Cracow (Polónia ), 2016

Carlos Costa, Portugal 4.3.1.4.jpg
Intersection
*(272) Porto (Portugal), 2016
Katherine, Colombia 17.3.1.1.jpg
Entre la multitud

*(273) Estación Parque Berrio (Colombia), 2016

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126

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

28.1.2.3.jpg Marco Aurélio Marques da Silva, Brasil
Relax...
*(274) Parque Ibirapuera - SP (Brasil), 2016
25.3.2.4.jpg Nathalia, Brasil
Malha urbana

*(275) São Francisco (EUA), 2014

Júlio César Riccó Plácido da Silva, Brasil 12.3.2.2.jpg
Série Medianeras
*(276) Buenos Aires (Argentina), 2015
Sayonara Bittencourt, Irlanda 52.3.2.3 (2).jpg
Novias

*(277) Valência (Espanha), 2016

I

3 cidade e processos de urbanização

38.3.2.4.jpg Aigerim Suleimenova, Casaquistão
Tourist ship in Paris
*(278) Paris (França), 2015
57.3.2.4.jpg Rafael Cacau Botelho, Brasil
Caminhos do Imério
*(279) Praga (República Checa), 2015

Paulo Nicholas Mesquita Lobo, Brasil 33.3.2.2.JPG
Arranha-céu
*(280) Nazaré (Portugal), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

59.3.2.5.JPG Wong Chi Keung, China
Hong Kong’s Living Environment - Under the same sky
*(281) Quarry Bay (Hong Kong), 2015
9.3.2.2.jpg Agata Álvarez, Argentina
Mostaza
*(282) Buenos Aires (Argentina), 2015

Wong Chi Keung, China 59.3.2.6.JPG
Hong Kong’s Living Environment - City never sleeps
*(283) Mong Kok (Hong Kong), 2016
Manuel Alberto Azevedo Gomes Novo, Portugal 51.3.2.1.JPG
A Cor da Noite 1

*(284) Póvoa de Varzim (Portugal), 2015

I

3 cidade e processos de urbanização

35.3.2.4.JPG Débora Lucatelli, Brasil
Espiral
*(285) Santiago de Compostela (Espanha), 2014

Pedro Alves, Portugal 71.3.2.5.jpg
Modernices
*(287) Porto (Portugal), 2014

2.3.2.2.jpg Regys Loureiro de Macêdo, Brasil
Arcos
*(286) Santo Ângelo - RS (Brasil), 2014

*(288) Porto (Portugal), 2014

Pedro Alves, Portugal 71.3.2.1.jpg
El camino

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

3.3.1.2.JPG Emese Lengyel, Hungria
Continuid
*(289) Debrecen (Hungria), 2016
8.3.1.1.jpg Filipe Lacerda, Brasil
NYC
*(290) Nova Iorque (EUA)

Michael Malina, Portugal 42.3.2.3.jpg
Purple rain
*(291) Lisboa (Portugal), 2016
Daniel Jesús Sánchez Escalera, Espanha 21.3.2.5.jpg
Sevillian-Graffiti-Safary

*(292) Sevilla (Espanha), 2016

I

3 cidade e processos de urbanização

67.3.2.2.JPG Maria Raquel S. M. Costa Pinto, Portugal
Manarola 1
*(293) Manarola (Itália), 2015
161.1.2.6.jpg Mi Sook Park, Moçambique
Conor of the time ( 2)

*(294) Ilha de Moçambique (Moçambique), 2016

Ekaterina Zueva, Russia 48.3.2.2.jpg
“The geometry of a growing city”
*(295) Monte Carlo (Monaco), 2015
Mi Sook Park, Moçambique 161.1.2.5.jpg
Conor of the time(1)

*(296) Ilha de Moçambique (Moçambique), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

46.3.2.4.JPG Ana Isabel Gomes, Portugal
Tijolos às cores
*(297) Algés (Portugal), 2016
37.3.2.2.jpg Flora Chiarelli, Brasil
Sem título
*(298) (Brasil), 2016

Jadson Bezerra, Brasil 28.3.2.6.jpg
As separações
*(299) Berlim (Alemanha), 2016
Leandro António de Alcântara Pessoa Rafael, Portugal 85.3.2.2.JPG
Descanso

*(300) Palácio da Fonte da Pipa, Loulé (Portugal), 2016

I

3 cidade e processos de urbanização

41.3.2.3.JPG José Raúl Ramírez Contreras, Venezuela
Tejados.
*(301) Budapest (Hungría), 2016
45.3.2.5.JPG Matheus Beltrão, Brasil
Around the world
*(302) Recife, PE (Brasil), 2015

Jacopo, Espanha 18.3.1.1.jpg
Vecinos#1 - Granada
*(303) Granada (Espanha), 2015
Laurentino Simão, Portugal 60.3.2.4.JPG
Contrastes na cidade grande - Transporte de batatas
em escadinhas que se vão estreitando
*(304) Lisboa (Portugal), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

24.3.2.1.jpg Rodrigo Vilar dos Santos Pinto, Brasil
Prazer - Paraisópolis
*(305) São Paulo (Brasil), 2014
18.3.2.2.jpg Amir Alimi, Irão
Man on fire
*(306) Teerã (Irão), 2015

Arnaldo Enrique Utrera Morales, Venezuela 5.3.2.1.jpg
Las Montañas
*(307) Caracas (Venezuela), 2015
Javier Andrés Pérez, Argentina 2.3.1.6.jpg
Munro VI

*(308) Buenos Aires (Argentina), 2015

I

3 cidade e processos de urbanização

58.3.2.3.JPG Anderson José da Costa Coelho, Brasil
Filhos do Marajo III
*(309) Afuá, Arquipélago do Marajó (Brasil), 2015
17.3.2.3.jpg Mohammad Ali, Mohammad
Poor man 3
*(310) Kerman (Nothing)

Anderson José da Costa Coelho, Brasil 58.3.2.1.JPG
Filhos do Marajo I
*(311) Afuá, Arquipélago do Marajó (Brasil), 2015
Ali Moafi Madani, Irão 15.3.2.3.JPG
Blue is the warmest color

*(312) Teerã (Irão), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

A cidade e suas contradições
Sandra Lencioni *
oi-se o tempo em que um simples olhar podia
distinguir as metrópoles do mundo. Hoje, cada
vez mais se assemelham e, por isso, constroem
ícones arquitetónicos que as individualizem.
Áreas urbanas com edifícios de negócios que
se colocam imperiosos na paisagem anunciam que é dali
que se comanda a riqueza produzida. Nas cidades, os prédios buscam altura e apresentam fachadas em vidros, que
em geral são de espectros seletivos que permitem eleger a
transmissão de calor desejada ou são de vidros auto-limpantes que aproveitam as águas das chuvas e os raios
ultravioleta para mantê-los limpos. Esses aspectos revelam
o contraste do avanço tecnológico na arte de construir,
com a mesmice das paisagens das grandes cidades mundo
afora. Circundados por jardins bem cuidados e decorados
com vasos gigantescos com plantas tropicais em países
temperados e, vice-versa, com plantas de clima frio em
países tropicais revelam o domínio do homem sobre a
natureza que agora se reproduz como simulacro.
Essas áreas de centralidade ao lado de outras com diferentes funções configuram mosaicos justapostos a compor
a cidade. Essa se estende territorialmente, como que se
esgarçando e ultrapassando seus confins. Os antigos conjuntos habitacionais que até pouco tempo e, em grande
parte, se localizavam nas franjas da cidade, se afastam
progressivamente, para áreas mais longínquas ainda.
Cresce a mancha urbana, expande-se o perímetro urbano
dos municípios e multiplicam-se os cenários de condomínios fechados, como verdadeiros enclaves, voltados na
maioria das vezes para a população dos estratos de renda
alta e média. Essa forma de morar intensifica-se vertiginosamente e revela, de maneira nítida e transparente,
o apartheid social cada vez mais profundo do viver na

cidade. Esses enclaves apresentam com nitidez as barreiras
físicas dessa separação, barreiras essas que são construídas para serem intransponíveis, embora algumas vezes
sejam violadas. Os muros existem de fato e as guaritas e
a vigilância buscam garantir a inacessibilidade dos não
convidados. Apenas são convidados os iguais. Os mais
pobres quando entram nesses condomínios são os que aí
estão empregados, tendo de passar, em alguns casos, por
revistas na entrada e saída deles.
Com fortes desigualdades sociais na América Latina, a
expansão dessa forma de morar e viver na cidade assentou
principalmente no discurso da segurança e do medo,
escamoteando o que de fato são: negócios imobiliários
altamente lucrativos.
Se esses muros são visíveis, outras bloqueios, mesmo não
tendo materialidade, atestam potentes e sólidas barreiras
sociais. Edificações de ricos ao lado das de pobres, bem
como falta de muros que as separem não se traduzem
em vizinhança, em aproximação de uns com os outros.
Nada mais enganoso do que se pensar que a proximidade
territorial de lugares de ricos e de pobres se traduza em
vizinhança ou em mescla social. O que reina é o estranhamento e a separação que são construídos socialmente,
mas que não se vê. A bem da verdade é importante dizer
que a barreira social é mais sólida que os muros edificados
que podem ser abalados numa tempestade. A separação
social constitui numa verdadeira fronteira territorial,
invisível, mas profundamente sentida.
Nos lugares de pobreza, nas favelas e cortiços longe
dos bairros de classe alta ou média, próximos desses ou
distantes, a precariedade de tudo é expressão da exclusão
social e urbana. Os serviços básicos, como água e luz são

I

3 cidade e processos de urbanização

alcançados por expedientes não legais, puxando-se um fio
de eletricidade aqui e acolá, estendendo-se a rede de água
e amontoando-se os dejetos onde der, fazendo crescer a
insalubridade dos lugares.

curvar à disciplina de outrem. A eles só restou a liberdade
e um abrigo significa seguir norma alheia, o que é muito
quando só sobrou a esses moradores da cidade a liberdade
e a possibilidade de conceber suas próprias regras.

Homens desocupados, a maioria de jovens sem emprego,
andam por ruelas, becos e caminhos estreitos, uma vez
que a moradia é tão precária que é melhor o fora que o
dentro. A escolaridade da qual tiveram acesso apenas
com a democratização do ensino, porém não foi de qualidade nem eficiente, comprometendo o desenvolvimento
de habilitações e de competências. São desocupados e
sem direito ao lazer porque o ritmo de suas vidas não sendo o do trabalho também não tem o seu oposto, o tempo
do ócio. Buscam algo para fazer ao som de música de
pobre musicalidade e versos vulgares. As horas se esvaem
e não encontram nada que faça sentido nessa cidade sem
sentido. Mas, de repente, como escapando desse marasmo
produzem arte de rua como expressão de crítica poética à
sociedade em que vivem com perdas e sonhos.

Olhando a cidade como um todo, se vê que ela está
organizada pelo uso e abuso do automóvel e que a rua
deixou de ser um lugar de encontro para ser um lugar de
passagem. Desejado, o automóvel permite a autonomia
na mobilidade, face a um transporte público deficiente.
Mas, ao mesmo tempo o automóvel é execrado por
poluir o ambiente devido aos agentes químicos que são
lançados no ar, por provocar poluição sonora e, ainda, por
expressar o avesso de soluções coletivas para a questão da
mobilidade urbana acentuando a individualidade e, até
mesmo a ostentação.

A feiura desse urbano com uma lógica predatória, desigual e injusta choca a vista. Mesmo aqueles acostumados
com a dura realidade das cidades latino-americanas não
ficam indiferentes. Mas toda a feiura dessa cidade indigna,
porque injusta socialmente, se transfigura quando vemos
os olhos vivos das crianças que brincam e inventam de
tudo, revelando possibilidades que poderiam vir a ser.
Mas, até quando persistirá esse vir a ser?
Aqueles que não tem onde morar crescem em número. Os
moradores em condição de rua se espalham pelos quatro
cantos da cidade, sob viadutos e praças. Em pequenos
grupos ou com um cão amigo sentem-se mais seguros
em relação à violência que pode vir de outros iguais ou
diferentes. Não só a miséria faz parte de suas vidas, mas
também, o medo. Sem quase nada, destituído de quase
tudo, a disciplina de um abrigo lhes parece, muitas vezes,
roubar sua autonomia na medida em que têm que se

De forma sintética podemos dizer que as cidades da América Latina vivem uma crise urbana de natureza social. Os
preconceitos raciais ou étnicos são subalternos aos preconceitos sociais, aos preconceitos de classe. O espectro
do medo que ronda essas cidades, não é o do terrorismo,
mas o da violência urbana como expressão da cólera, da
fúria e da frustração pelo sentimento de injustiça social.
Os vandalismos são frequentes. Ônibus são incendiados
e apedrejados, vias urbanas são obstaculizadas e as
pichagens nas fachadas das casas, nos pontos mais alto
dos edifícios, são frequentes. São como que um desafio à
cidade e têm o sentido de desestabilizar a ordem vigente
e de confrontação com o poder representado pela polícia,
que condensa em si a representação do poder político.
O que rege essa cidade que tem espaços que se parecem
com as áreas urbanas de cidades de países ricos, que tem
bairros ricos providos de toda infraestrutura e que se
estende territorialmente apesar dos vazios urbanos no seu
interior à espera de valorização imobiliária? O que rege
essa cidade que tem favelas e regiões de urbanização profundamente deficitárias, que comprometem o uso até da

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138

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

palavra urbanização? Qual é o princípio dessa cidade que
combina o mais moderno e contemporâneo com o mais
arcaico? A resposta é simples, é o princípio da separação.
Esse princípio rege a fragmentação territorial e a social. E
se faz presente na mediocridade do urbanismo que tende
a acentuar o apartamento social e territorial pela adoção
de lógicas que combinam o público e o privado nas ações
sobre o urbano que não a veem cidade na sua totalidade,
mas por partes orientadas pelos interesses do sector imobiliário.
Nessa cidade ao mesmo tempo bonita e feia, qualquer
sentimento de pertença a ela é tênue, não só porque seu
crescimento se deu em grande parte devido à migração
interna decorrente da intensificação do capital no campo,
mas também porque, cada vez mais, seus cidadãos estão
inseridos numa lógica global de desterritorialização. Os
habitantes da cidade são sedentários com certeza. Se
excetuarmos os muito pobres, todos parecem ser errantes
virtuais, parecem ser andarilhos nos novos tempos a vagar (ou vaguear?) virtualmente, por meio da internet, por
vários lugares. Devido aos aparatos da informática e das
comunicações os moradores dessa cidade transformam-se
em errantes, em paradoxalmente nómadas. Face a isso, a

sensação de pertença a um lugar adquiriu novas nuances
pois prevalece com muita força o envolvimento com as
redes sociais em detrimento do sentimento de ser parte de
um lugar.
O estar só tomou outro sentido porque o celular trouxe a
possibilidade, mesmo que enganosa, de uma companhia,
bem como a chance, embora virtual, de deslocamento,
desenraizando e subtraindo o convívio imediato e próximo. Esse sentimento falseia a solidão porque não preenche o vazio e o isolamento, embora afaste o sentimento
de abandono social.
Em síntese, nas cidades latino-americanas o medo não
é, ainda, o do terror político, mas o da violência urbana
quotidiana. O princípio que domina sobre tudo é o
princípio da separação. Essa é a doutrina, o cânone e o
paradigma que regem as cidades latino-americanas, que
se veem, a cada dia, mais segregadas socialmente e mais
fragmentadas territorialmente. Como chegamos a isso?
Por que nos enganamos com alguns paliativos em vez
de propor mudanças? Parece que diante de tais questões
o que temos visto é sobretudo o silêncio embaraçado e
constrangedor das respostas.

* Professora Titular do Departamento de Geografia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

I

3 cidade e processos de urbanização

29.3.2.2.jpg Joanna Sultanum Lins Calazans, Brasil
Sem título
*(313) Heliópolis, São Paulo (Brasil), 2016

Leonardo, Brasil 27.3.2.4.jpg
Nossos vizinhos
*(315) Comunidade do Bode, Recife, Pernambuco (Brasil), 2014

29.3.2.1.jpg Joanna Sultanum Lins Calazans, Brasil
Sem título
*(314) Heliópolis, São Paulo (Brasil), 2016

*(316) Comunidade do Bode, Recife, Pernambuco (Brasil), 2014

Leonardo, Brasil 27.3.2.3.jpg
Nossos vizinhos

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

75.3.2.1.jpg Javier, Espanha
Escenas de barrio nº 1
*(317) Madrid (Espanha), 2016
75.3.2.4.jpg Javier, Espanha
Escenas de barrio nº 4

*(318) Santander (Espanha), 2016

Catherine Dovgaleva, Ucrânia 27.3.1.3.jpg
Dynamics
*(319) Kiev (Ucrânia), 2015
Kamilla Dantas Matias, Brasil 25.3.1.2.jpg
Memento Mori

*(320) Coimbra (Portugal), 2014

I

3 cidade e processos de urbanização

1.3.2.2.jpg Fernanda Dellepiane, Argentina
Caminar Agitado
*(321) Havana (Cuba), 2014
13.3.1.1.jpg Daniel Santos, Portugal
A perspectiva de escadas
*(322) Faro (Portugal), 2016

Mariemi Morffe Felix, Cuba 22.3.2.2.jpg
Sem Título
*(323) La Havana (Cuba), 2016
Edvaldo Medeiros, Brasil 10.3.1.3.JPG
Foto 3

*(324) Ipojuca (Brasil), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

19.3.1.5.jpg Paulo Alexandre da Costa Fernandes, Portugal
Cidade Palco (5)
*(325) Porto (Portugal), 2016
28.3.1.3.jpg João Martins, Portugal
Olhar que não se vê
*(326) Lisboa (Portugal), 2014

Paulo Alexandre da Costa Fernandes, Portugal 19.3.1.3.jpg
Cidade Palco (3)
*(327) Porto (Portugal), 2016
João Martins, Portugal 28.3.1.4.jpg
Carta que voa

*(328) Lisboa (Portugal), 2016

I

3 cidade e processos de urbanização

62.3.2.1.jpg Luis María Barrio, Espanha
Hanol I
*(329) Hanol (Vietnam), 2015
27.3.1.1.JPG Catherine Dovgaleva, Ucrânia
Shine development
*(330) Kharkov region (Ucrânia), 2015

Luis María Barrio, Espanha 62.3.2.4.jpg
Hanol IV
*(331) Hanol (Vietnam), 2015
Larissa Constantino Martins de Oliveira, Brasil 81.3.2.1.jpg
Chinatown

*(332) Toronto (Canadá), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

24.3.1.6.jpg Angela Braun, Argentina
Platea
*(333) Villa 21-24 (Argentina), 2015

Agustín Suárez, Argentina 64.3.2.3.jpg
Recreo
*(335) San Telmo, Buenos Aires (Argentina), 2016

7.3.2.6.JPG Angie Milena Espinel, Argentina
La tierra es de quien la trabaja
*(334) Buenos Aires (Argentina), 2014

*(336) Afuá, Arquipélago do Marajó (Brasil), 2015

Anderson José da Costa Coelho, Brasil 58.3.2.2.JPG
Filhos do Marajo II

I

3 cidade e processos de urbanização

76.3.2.2.jpg Alejandro Fernández García, Espanha
“Sumsare” 1
*(337) Assisi (Italia), 2015
28.3.2.4.jpg Jadson Bezerra, Brasil
Reflexos da vida moderna
*(338) Berlim (Alemanha), 2016

António Costa Pinto, Portugal 53.3.2.2.jpg
Celebração da Cor
*(339) Coimbra (Portugal), 2016
António Costa Pinto, Portugal 53.3.2.1.jpg
Celebração da Cor

*(340) Coimbra (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

5.3.2.6.jpg Arnaldo Enrique Utrera Morales, Venezuela
Las Montañas
*(341) Caracas (Venezuela), 2015

Edvaldo Medeiros, Brasil 10.3.1.4.JPG
Sem Título
*(342 ) Ipojuca (Brasil), 2016

tema 4

cultura e sociedade:
diversidade cultural
e inclusão social

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Arez Ghaderi
Irão
Black smile 59.4.2.3.jpg
*(343) Khorasan Razavi (Irão), 2015

prémio tema

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Arez Ghaderi, Irão 59.4.2.1.jpg
Black smile
*(344) Khorasan Razavi (Irão), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Arez Ghaderi, Irão 59.4.2.2.jpg
Black smile
*(345) Khorasan Razavi (Irão), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Arez Ghaderi, Irão 59.4.2.5.jpg
Black smile
*(346) Khorasan Razavi (Irão), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Arez Ghaderi, Irão 59.4.2.6.jpg
Black smile
*(347) Khorasan Razavi (Irão), 2015
PÁGINA 158

Arez Ghaderi, Irão 59.4.2.4.jpg
Black smile
*(348) Khorasan Razavi (Irão), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Andrés Juárez, México 26.4.2.3.jpg
La Virgen del Desierto
*(349) México (México), 2015
Miguel Louro Costa, Portugal 137.4.2.3.jpg
“ A Festa “ III

*(350) Lisboa (Portugal), 2016

menções honrosas

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Amadeo Velázquez Riveros, Paraguai 5.4.1.4.jpg
Indígenas en situación de Cárcel - 4
*(351) Penitenciaría de menores de la ciudad de Concepción (Paraguai), 2016
Miguel Mesquita, Portugal 46.4.1.2.JPG
Sobrevivência 2

*(352) Porto Alegre (Brasil), 2014

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Conhecer, amar e cuidar: às vezes, há (a)casos assim
Clara Almeida Santos *
s vezes, há acasos assim.
2017 foi definido pela Organização das
Nações Unidas (ONU) como Ano
Internacional do Turismo Sustentável
para o Desenvolvimento.
2018 foi anunciado pela União Europeia (UE) como sendo o Ano Europeu do Património Cultural.
As Nações Unidas justificam a sua escolha reconhecendo
a importância do turismo internacional na compreensão
recíproca entre os povos de todo o mundo, podendo
ainda ser promotor de uma consciência da riqueza do
património das várias civilizações. Esta consciência passaria, de acordo com a ONU, pela capacidade de apreciar
os valores intrínsecos das diferentes culturas.
Por seu lado, a UE estabelece como objetivo para 2018
partilhar o património cultural comum e o seu potencial
para a identificação, participação e desenvolvimento no
quadro de uma sociedade europeia heterogénea e perante
um cenário que bem conhecemos de enormes desafios
políticos e económicos.
Em ambos os casos, encontramos três pontos em comum
nas argumentações a favor da escolha de cada um dos
temas:
1. Reconhecimento do valor do património. A consciência da riqueza patrimonial é essencial para que
o turismo sustentável seja uma realidade e esse valor
encontra-se claramente expresso em documentos e
publicações da Organização Mundial de Turismo. Relativamente à escolha do tema para 2018 pela União

Europeia, ela é suficientemente esclarecedora em si
mesma e, em simultâneo, revela a necessidade de dar
a conhecer de forma mais ampla e comprometida o
património cultural europeu. Criação de consciência,
divulgação e promoção são formas de inspirar a conhecer.
2. Foco nas pessoas. O património e o turismo não são
valorizados apenas por si mesmos mas, sobretudo, pela
possibilidade de relação que é criada. O turismo proporciona o encontro com histórias, tendo muitas delas
como cenário, pano de fundo ou mesmo protagonista
o património. O património pode falar sobre a riqueza
da diversidade, ajuda a compreender passado e presente, ajuda a que, conhecendo, possamos sentir afeto,
relacionarmo-nos com o que nos rodeia, mais próximo
ou mais distante. Conjuga-se uma filiação perfeita: se
a palavra “património” deriva do legado que chega por
via paterna, “amar” chega-nos da raiz indo-europeia do
som infantil pelo qual se chama a mãe. Ao humanizarmos o património criamos condições para o amar.
3. Desafio da sustentabilidade. O caso da sustentabilidade é muito curioso, uma vez que se constata o
alargamento do conceito que, nos anos 80, se referia
fundamentalmente ao usufruto responsável dos recursos naturais, associado à preservação da diversidade
e do equilíbrio ecológico, a praticamente todos os
domínios da sociedade. No caso do turismo, assume-se
também que a fruição dos bens naturais e culturais
tem de ser temperada pela urgência de garantia da sustentabilidade. É no equilíbrio entre uso (que também
é garante de sustentabilidade económica, em muitos
casos) e preservação que se coloca o grande desafio.
Apesar do que foi dito nos pontos anteriores e apesar

159

160

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

da preocupação com a sustentabilidade ser comum
aos dois temas - turismo e património - as “fileiras”
de cada lado colocam-se muitas vezes em situação de
disputa. Argumenta-se, do lado do turismo, que as
gentes do património pecam por ser demasiado zelosas.
Do lado do património, apontam-se baterias a uma
procura de resultados que pouco tem em consideração
os constrangimentos que implica a preservação patrimonial. A criação de empregos e a geração de riqueza
são também dimensões da sustentabilidade que não
dispensam, ou melhor, obrigam à presença da ideia de
legado, de herança (origem, afinal, e como já foi referido, do termo “património”), que implica fortemente a
necessidade de cuidar.
Às vezes, há acasos assim.
A quinta edição do Concurso Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras assistiu a uma duplicação do número
de candidaturas em relação ao ano anterior, num total
de quase 700. Mais de 30 países estão representados: os
concorrentes chegam de Portugal, claro, mais também do
Brasil e de outros países da América Latina (46 por cento
dos candidatos), bem como de outros países de Língua
Portuguesa (com destaque para a presença de Moçambique). Tal como a designação do concurso, também os
participantes não têm fronteiras.
Dentro dos quatro temas propostos (1. património natural, paisagens e biodiversidade; 2. espaços rurais, agricul-

* Vice-reitora da Universidade de Coimbra

tura e povoamento; 3. cidade e processos de urbanização;
3. cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão
social), os resultados são extraordinários, como se poderá
constatar nas páginas que se seguem.
Estas imagens, que chegam de tantos cantos do mundo
(e que são, elas próprias, cantos do mundo apanhados
por uma objetiva) precisam de tempo para se revelar.
A revelação, neste tempo em que o tempo nos escorre
pelos dedos (digitalmente, em termos literais!), já não é
uma função de reagentes químicos. É antes uma função
partilhada entre olhos e entendimento. E só pela revelação, pela epifania, pela fruição estética, pela tentativa de
encontrar a intenção do autor ou pelo poder de encanto
de um sentido encontrado, é que podemos conhecer, de
facto, os bens retratados.
Não é demais repetir: não se pode amar sem conhecer.
Não se cuidará devidamente se não se amar. O caminho
que se propõe, neste texto, neste catálogo, nesta iniciativa, é, pois, o de conhecer para amar e cuidar, em linha
com os objetivos traçados pela ONU e pela UE para os
próximos dois anos. Fundamentalmente através das imagens, que nos farão viajar interiormente, ou das viagens
exteriores que fizemos ou ainda vamos fazer.
O projeto Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras é
um passo gigante neste percurso, não apenas para quem
participa no concurso, mas sobretudo para quem tem
ocasião de visitar as exposições que dele resultam.

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

31.4.1.3.jpg Jorge Luís Santos Garcia, Venezuela
Fiesta religiosa de Santos Inocentes
*(353) Osma (Venezuela), 2015
37.4.1.4.jpg Francisco Javier Calvo Martín, Espanha
Harramacho (IV)
*(354) Navalacruz, Ávila (Espanha), 2016

Jorge Luís Santos Garcia, Venezuela 31.4.1.5.jpg
Fiesta religiosa de Santos Inocentes
*(355) Osma (Venezuela), 2015
Francisco Javier Calvo Martín, Espanha 37.4.1.2.jpg
Harramacho (II)

*(356) Navalacruz, Ávila (Espanha), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

12.4.2.1.jpg Ricardo Stuckert, Brasil
Indio Yawanawá
*(357) Acre (Brasil), 2015
61.4.1.4.JPG Alejandro Flores Díaz, México
Magia y tradición

*(358) Chiapa de Corzo , Estado de Chiapas (México), 2016

Ricardo Stuckert, Brasil 12.4.2.4.jpg
Índios Kaiapó
*(359) Tocantins (Brasil), 2015
Gabriel Andrade Magalhães do Vabo, Brasil 113.4.2.6.jpg
Cores da resistência

*(360) Plaza de Armas, Cusco (Perú), 2016

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

94.4.2.3.jpg Mauro Bersanker, Argentina
La resitencia de los puros 2
*(361) Jujuy (Argentina)
51.4.2.6.jpg Vlademir Alexandre Gomes, Brasil
O caboclo de lança.
*(362) Nazaré da Mata - PE (Brasil), 2014

Pedro Mujica, Venezuela 124.4.2.1.jpg
Diablo con guacamaya_1
*(363) Chuao (Venezuela), 2016
Karlin Granadillo, Venezuela 125.4.2.5.JPG
Diablito que observa

*(364) Chuao, Estado Aragua (Venezuela), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

62.4.2.2.jpg António Alves Tedim, Portugal
Las Luminarias
*(365) San Bartolomé de Piñares (Espanha), 2016
62.4.2.5.jpg António Alves Tedim, Portugal
Las Luminarias

*(366) San Bartolomé de Piñares (Espanha), 2016

Rabin Chakrabarti, Índia 81.4.2.6.JPG
Holi Celebration_3
*(367) Nandgaon, Uttar Pradesh (Índia), 2016
Susanne Gerber-Barata, Brasil 43.4.2.4.JPG
Procissão

*(368) Caranazal, Santarém, Amazonas (Brasil), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

71.4.2.4.jpg Ricardo Brisólla Ravanello, Portugal
Indumentária para ritos e danças #4 – As danças ciganas.
*(369) Braga (Portugal), 2015
137.4.2.2.jpg Miguel Louro Costa, Portugal
“ A Festa” II
*(370) Lisboa (Portugal), 2016

Carlos Enrique Mercado Vázquez, México 25.4.2.1.jpg
La Contracción de Lorentz
*(371) Pachuca (México), 2016
Carlos Enrique Mercado Vázquez, México 25.4.2.3.jpg
Esperanza

*(372) Pachuca (México), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

19.4.2.2.jpg Heudes Regis, Brasil
Festa de Caboclo 2
*(373) Nazaré da Mata, Pernambuco (Brasil), 2016
67.4.1.3.jpg Fehmiu Roffytavare, Indonesia
Royal Dancer
*(374) Yogyakarta (Indonesia), 2014

Heudes Regis, Brasil 19.4.2.6.jpg
Festa de Caboclo 6
*(375) Nazaré da Mata, Pernambuco (Brasil), 2016
Jéssica Patrícia da Conceição, Brasil 62.4.1.5.jpg
A Mestra

*(376) Povoado Poxim, Coruripe - Alagoas (Brasil), 2016

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

23.4.1.5.JPG Milad Rafat, Irão
Mourning Instruments
*(377) Jam (Irão)
21.4.1.3.jpg Marcelo Ismar Silva Santana, Brasil
E o tempo jamais apagará a alma
*(378) Bela Vista do Guariba - AM (Brasil), 2015

Milad Rafat, Irão 23.4.1.6.JPG
Checkers Player
*(379) Bushehr (Irão)
Marcelo Ismar Silva Santana, Brasil 21.4.1.4.jpg
Vida simples, com orgulho

*(380) Bela Vista do Guariba - AM (Brasil), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

68.4.1.1.jpg Mariana Quintela Monte Alverne Jeca, Portugal
Rruga Qemal Stafa
*(381) Tirana (Albânia), 2016
33.4.1.5.jpg João Bosco Euclides da Costa, Brasil
Vendedor de Peixe
*(382) Mercado de São José (Brasil), 2016

Shahab, Curdistão 47.4.1.3.jpg
An old passerby
*(383) Irão, Sanandaj (Curdistão), 2015
Daniel Guimarães Chaves, Brasil 64.4.1.3.jpg
Em Família

*(384) Iquitos (Perú), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

41.4.2.3.jpg Julián, Espanha
Translado
*(385) Wassadou (Senegal)
11.4.2.3.jpg António Soeiro, Portugal
Peixe, eu
*(386) Bolhão, Porto (Portugal), 2016

Alexey, Rússia 104.4.2.5.jpg
Market-bike
*(387) Ho Chi Minh City (Vietname), 2015
Sill Scaroni, Portugal 33.4.2.2.jpg
A força de um trabalhador.

*(388) Marrakech (Marrocos), 2015

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

20.4.1.1.jpg Marcos Piaggio, Argentina
La compradora
*(389) Humahuaca (Argentina), 2016
38.4.1.5.JPG Anderson Freire Amaral, Brasil
Pescador
*(390) Pernambuco (Brasil), 2016

Shahab, Curdistão 47.4.1.2.jpg
The pitiful face
*(391) Irão, Sanandaj (Curdistão), 2015
Maria Francisca, Chile 9.4.1.2.jpg
Bebiendo Aloja

*(392) San Pedro de Atacama (Chile), 2016

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

72.4.1.5.jpg José Vieira, Portugal
Ciganos
*(393) Coimbra (Portugal), 2016
51.4.1.1.jpg Sohrab Toyourparvaz, Irão
Holy Shadow
*(394) Esfahan Jolfa (Irão), 2015

Rocio Garrido, Espanha 75.4.1.1.jpg
Niña albina
*(395) Bopa (Benin), 2015
Guilherme Nogueira Sereno Afonso, Portugal 71.4.1.5.jpg
Sem título

*(396) Santa Teresa, Departamento de Cusco (Perú), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

70.4.1.1.jpg Edilson Tomás, Moçambique
Ignorância do mínimo!
*(397) Magude (Moçambique), 2015

Pedro Antonio Heinrich Neto, Brasil 45.4.1.3.jpg
Hieróglifo
*(399) Parque da Redenção (Brasil), Parque da Redenção, 2016

70.4.1.3.jpg Edilson Tomás, Moçambique
Incerteza
*(398) Magude (Moçambique), 2015

*(400) Gossué (Benin), 2015

Rocio Garrido, Espanha 75.4.1.3.jpg
Escuela

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

40.4.1.3.jpg Gonçalo Cunha de Sá, Portugal
Transversalidades 3
*(401) Bali (Indonésia), 2016
40.4.1.1. Gonçalo Cunha de Sá, Portugal
Transversalidades 1
*(402) Bali (Indonésia), 2016

Magdalena Stojicic, Polónia 116.4.2.4.jpg
This is also Shanghai
*(403) Shanghai (China), 2015
Saman Khodayari, Irão 42.4.2.2.JPG
Modernity

*(404) Iran-Kordestan (Irão)

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

1.4.1.1.jpg Hugo Miguel Branco da Fonseca, Portugal
Quatro sorrisos e uma bola
*(405) Safim (Marrocos), 2015

Isaque Neves, Portugal 73.4.1.3.jpg
Do silêncio das viagens
*(407) Lisboa (Portugal), 2015

1.4.1.6.jpg Hugo Miguel Branco da Fonseca, Portugal
Secador de peles
*(406) Fez (Marrocos), 2015

*(408) Lisboa (Portugal), 2016

Ângelo Lucas, Portugal 54.4.1.4.jpg
Gente como tu e eu

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

39.4.1.3.jpg Rafael Fernando Serrão Chaves, Brasil
Vila dos esquecidos
*(409) Vila da Barca, Belém-PA (Brasil), 2016
80.4.2.4.JPG Sebastião Ricardo Barbosa da Silva, Brasil
Esperança
*(410) Recife (Brasil), 2015

Miguel Mesquita, Portugal 46.4.1.4.JPG
Sobrevivência 4
*(411) Porto Alegre (Brasil), 2014
Miguel Mesquita, Portugal 46.4.1.3.JPG
Sobrevivência 3

*(412) Porto Alegre (Brasil), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

53.4.2.1.jpg Sajjad Dadour, República Islâmica do Irão
Waiting Mothers
*(413) Ardabil-khalkhal (Irão), 2014

Adrián Domínguez, Espanha 36.4.2.6.jpg
WeLand (serie)
*(415) Valle de Tobalina, Burgos (Espanha), 2016

53.4.2.5.jpg Sajjad Dadour, República Islâmica do Irão
Missing Uncle
*(414) Ardabil-Nier (Irão), 2015

*(416) Bałuty, Łódź(Polónia), 2015

Barbara Mydlak, Polska 35.4.2.4.jpg
The rest of the culture, Bałuty

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

68.4.2.2.jpg Sol Grumt, Argentina
Hope in the worst places
*(417) Bariloche (Argentina), 2015
9.4.2.4.jpg Sónia Dória, Portugal
Divertimento

*(418) Discoteca das Vespas, Funchal (Portugal), 2016

José Pedro Martins, Portugal 57.4.1.2.jpg
Farricocos_02
*(419) Braga (Portugal), 2016
Inês Pereira Leonardo, Portugal 56.4.2.1.jpg
A cadeado

*(420) Porto Palafítico, Carrasqueira (Portugal), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

5.4.1.5.jpg Amadeo Velázquez Riveros, Paraguai
Indígenas en situación de cárcel - 5
*(421) Localidad de Paso Tuyá, Azotey. (Paraguai), 2015
93.4.2.2.jpg Mariana Calado, Portugal
12 de Janeiro
*(422) Istambul (Turquia), 2016

Luisa Ambrosina de Medeiros, Brasil 18.4.1.2.jpg
Golpe Nunca Mais
*(423) Natal - RN (Brasil), 2016
Luisa Ambrosina de Medeiros, Brasil 18.4.1.1.jpg
Caminhada

*(424) Natal (Brasil), 2016

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

112.4.2.1.jpg Sandra Ribeiro, Portugal
Idomeni - Campo dos Esquecidos #1
*(425) Idomeni (Grécia), 2015

Franco Trovato Fuoco, Argentina 25.4.1.1.jpg
Ellas luchan 01
*(427) Rosario (Argentina), 2016

77.4.2.2.jpg Mauro Carusso, Argentina
Ni una menos #2
*(426) Mar del Plata (Argentina), 2015

*(428) Rosario (Argentina), 2015

Franco Trovato Fuoco, Argentina 25.4.1.2.jpg
Ellas luchan 02

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

131.4.2.1.jpg Carlos Alexandre da Silva Barradas, Portugal
Contos Cariocas 1
*(429) Rio de Janeiro (Brasil), 2015
98.4.2.4.jpg Paulo Henrique Barbosa Souza Chagas, Portugal
Em seu mundo interior
*(430) Bahia (Brasil), 2014

Sandra M. Ramírez Giraldo, Colombia 132.4.2.2.jpg
Los niños del mar
*(431) Isla Fuerte (Colombia), 2015
Daniel Cavalcante da Silva, Brasil 103.4.2.6.JPG
Lugar Comum

*(432) Rio São Francisco, Ilha do Ferro, Pão de Açúcar, Alagoas (Brasil), 2014

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

72.4.2.1.jpg Carolina Morais Veloso de Mattos, Brasil
O mar entre nós
*(433) Istanbul (Turquia), 2015
34.4.2.1.JPG Lidia Karpunina, Rússia
Venetian Air
*(434) Veneza (Itália), 2016

Luciana Macedo, Brasil 44.4.2.6.JPG
Cadam
*(435) Vitória do Jari (Brasil), 2016
Francisco Simonetta, Argentina 32.4.1.4.jpg
Cambodia 4

*(436) Floating Village - Siem Reap (Camboja), 2016

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

136.1.2.3.jpg Maryam, Irão
Children’s Village
*(437) Irão (Irão), 2016
141.4.2.1.jpg Leonardo Costa Braga, Brasil
Ocupa o Brasil
*(438) Ocupação Rosa Leão (Brasil), 2014

Rita de Cassia Almeida da Costa, Brasil 145.4.2.1.JPG
Amor de mãe
*(439) Tekoha Ocoy, Paraná (Brasil), 2016
Catarina Miranda Silva, Portugal 134.4.2.2.jpg
Bu konfiansa

*(440) Escola Primária da Missão de Cumura (Guiné-Bissau), 2016

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

83.4.2.1.jpg Ehsan Jazini, Irão
Deserto do Bebê
*(441) Deserto (Irão), 2016
79.4.2.2.JPG Anastasia Drobik, República Checa
Family portrait
*(442) Tolbo (Mongolia), 2014

Fernando M. Marcos Martins, Portugal 78.4.2.4.jpg
Forcão
*(443) Aldeia da Ponte (Portugal), 2015
Francisco Lopes da Silva Junior, Brasil 6.4.2.3.jpg
Cavalgada dos Vaqueiros

*(444) Queimada Nova (Brasil), 2014

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

69.4.2.3.jpg Yulia Lim, Rússia
Temple
*(445) Luxor (Egipto), 2015

Jose Marcos Santos, Brasil 143.4.2.2.JPG
Património histórico
*(446) Bezerros (Brasil)

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

Cultura, imagens e paisagens
Maria Tereza Duarte Paes *
Paisagem: como se faz
Esta paisagem? Não existe.
Existe espaço
Vacante, a semear
De paisagem retrospectiva.
Paisagem, país
Feito de pensamentos de paisagem na
Criativa distância espacitempo
À margem de gravuras, documentos
Quando as coisas existem com violência,
Mais do que existimos: nos povoam
E nos olham, nos fixam contemplados,
Submissos, dela somos pasto.
Somos a paisagem da paisagem.
(Carlos Drummont de Andrade)

eja o salto Kuhniano, seja o desencantamento weberiano do mundo ou outras teorias
explicativas, a verdade é que estamos sempre
tentando capturar aquele instante mágico
de compreensão do mundo, a partir do
qual o todo, a totalidade, e também o olhar do sujeito,
serão iluminados, saindo, definitivamente, das trevas
da compreensão do mundo. Ilusão sempre recorrente,
descobrimos pistas importantes por esse caminho e,
quando somamos todos os nossos olhares diferenciados,
no tempo, no espaço e nas relações funcionais, e sempre
redutoras, de causa e efeito, alguma compreensão mais
lúcida nos conforta.
E assim, entre inghsits de totalidade e descobertas de
ferramentas conceituais mais eficazes, vamos construindo
nossa interpretação singular ou coletiva do mundo.
Da ciência às religiões, das instituições aos gênios

individuais, nas várias dimensões da vida social vamos
assegurando nossa missão de intérpretes desta realidade
aparentemente caótica desenrolada na história geográfica
da sociedade.
Em nosso caminho intelectual e acadêmico, escolhemos
teorias, ferramentas conceituais, analíticas, categorias,
recortes temáticos sempre na melhor orientação do nosso
olhar – no caso, geográfico. Vez ou outra parece que nos
esvaziamos e precisamos começar tudo de novo, deixar
algumas ferramentas para trás, mas com a segurança de
um caminho já trilhado no desenrolar do tempo, embora
ainda frágil na apreensão da impermanência do todo –
seja qual todo for para onde olhemos.
Nesse sentido, compactuando com Geertz (1989, p.15)
quando ele afirma que “o homem é um animal amarrado
a teias de significados que ele mesmo teceu”, como bem já
havia nos ensinado Weber, faz muito mais sentido confiar
nas estruturas de uma ciência interpretativa em busca dos
significados, do que em uma ciência experimental que
busca leis gerais.
Não é o mundo humano que buscamos compreender?
Como então acreditar em leis fixas, em ferramentas
definitivas nas mãos deste mutante ser? Claro que não
podemos descartar as ferramentas, os planos operacionais,
as leis de campos controlados, as estruturas; a questão é
não tomar tais meios como fins em si mesmos – são apenas sinalizações para o caminho.
Botton (2003, p.123) se pergunta porque a curiosidade
sobre o conhecimento dos fatos teve uma resposta gloriosa para a expedição de Alexander Von Humboldt e, em
nossas viagens contemporâneas pode nos levar ao tédio.

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

Porque no horizonte do mundo desconhecido à época de
Humboldt, todos os fatos registrados tinham utilidade
para a sociedade. Hoje, na ilusão de que todos os fatos
já são conhecidos, todas as descrições já foram feitas e
analisadas, temos que buscar novas ferramentas e um
novo olhar para ver o mundo. E a pista para isso o autor
encontra em Nietzche, para quem os fatos não seriam
mais encantados pela sua utilidade, mas por se revelarem
“enriquecedores da vida”, de modo a conquistarmos uma
“noção de continuidade e integração”.
Então, a construção do nosso caminho interpretativo
– sobretudo a partir do objeto que priorizamos olhar,
já que, diferentemente dos filósofos e da filosofia, a
divisão disciplinar do conhecimento nos impôs objetos
específicos para aprofundarmos o nosso olhar sobre eles
– requer assumirmos a existência de uma multiplicidade
de ferramentas, as escolhas necessárias, metódica e/ou
inconscientemente, o trabalho persistente da curiosidade
criativa de modo a decifrarmos a “hierarquia estratificada
de estruturas significantes” (Gueertz, 1989, p. 17).
Pensando geograficamente, ainda que uma ‘piscadela’ 1
seja um ato cultural, ela só importa à construção do
nosso olhar científico à medida que representa um signo e
significado cognoscíveis na estrutura do comportamento
coletivo de determinado grupo cultural, generalizável
ou não no tempo e no espaço. É à nossa interpretação
rigorosa que cabe o papel de elucidar sobre a importância
da ação cultural nas teias de significados que mantém
estruturas sociais.
Eu diria, a cultura é uma dimensão da vida que, tendo
sua própria natureza, identidade e estrutura, está contida
em todas as outras dimensões da vida social, tais como
a economia, a política, o tempo, a técnica, o espaço…
É culturalmente, com nossas estruturas simbólicas, que
constituímos e exercitamos a economia, a política, nossas
relações com a natureza, com a tecnologia, com o espaço,

com o tempo. Sahlins ([1979] 2003, p.63), um dos pioneiros desta interpretação da cultura nas ciências sociais,
já apontava que: “As culturas são ordens de significados
de pessoas e coisas”, afirmando a existência de uma razão
simbólica em coexistência dialética frente à razão prática.
Desse modo, cabe a nós decifrarmos nas práticas sociais
a ordem simbólica que fundamenta tais práticas, e de que
modo esta está contida nos discursos, nas imagens, nos
códigos sociais, nas formas valorizadas pela sociedade.
Diante da importância de compreensão das mediações
travadas pela dimensão cultural, em sua diversidade de
processos e práticas, a ascensão das imagens-paisagens
reveladoras ou produtoras de sentidos ganha um papel de
destaque.
O lugar do olhar que vê e interpreta, no caso, a fotografia,
fornece as chaves de apreensão do objeto, ainda que esta
não seja a reprodução exata ou real deste. É no fluxo da
ação social que as formas culturais capturadas em fotografias se articulam em um processo dinâmico e entrelaçado
às várias dimensões da vida.
Enquanto a escrita e a imagem fixam uma interpretação
(no caso, disciplinar) de modo a ampliar – e reter – nossa
capacidade de cognição do mundo e da vida social, a ação
social segue com novas formas de usos e novas estruturas
simbólicas, alterando as referências cognitivas previamente estabelecidas.
Reduzir a interpretação da cultura a sua apropriação
pelo mercado, como alguns autores o fazem ao tratarem
a cultura enquanto commoditie, implica em uma redução
interpretativa. Este olhar é importante para compreender
os novos modos de operar do capital, sobretudo a partir
da segunda metade do século XX, mas é também uma
racionalização que pode nos distanciar da interpretação
do acontecimento em seu contexto mais amplo, como nos
fala Morin (1986). A análise dos sujeitos com o poder po-

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

lítico de legitimar discursos, conceitos, valores, imagens,
significados e normas, onde pessoas, relações e coisas manifestam-se como produtores da realidade social, é chave
explicativa fundamental do mundo contemporâneo.
De um outro lugar do olhar, mas refletindo o mesmo
contexto de caráter dialético, Boaventura de Souza
Santos (2009, p. 46) afirma: “(…) as sociedades são a
imagem que têm de si vistas nos espelhos que constroem
para reproduzir as identificações dominantes num dado
momento histórico”.
Ou, como afirmou Morin (1986, p.77): “Precisamos,
então, considerar a cultura como um sistema que faz
comunicar – em forma dialética – uma experiência
existencial e um saber constituído”. E se a imagem nos
ajuda a encontrar aquele lugar que não pode ser descrito
em palavras, e assim nos faz identificar o que constitui
nós mesmos, por outro lado, a presença das imagens nas
várias dimensões da vida contemporânea vão além de nos
identificar, elas produzem realidades que não atingiríamos
por nós mesmos. A fotografia, o cinema, a literatura,
as paisagens do city marketing, do turismo, as imagens
viralizadas nas mídias também nos levam a lugares bem
longe da essência do que somos – ou gostaríamos de ser.
Decifrá-las, desvendar as intencionalidades por trás delas
é um desafio necessário para nos reconhecermos enquanto representação e essência.
A paisagem é uma representação teórica e operacional
do espaço social e fragmento do espaço objetivado, materializado. A paisagem, tão dinâmica quanto nós, é um
caleidoscópio imprevisível que nos retrata em formas, cores, dimensões e geometrias capazes de ativarem os nossos
sentidos, para muito além do campo visual, surpreendidos
em memórias, olfatos, sentimentos que nos vêm à tona
em sua presença.
O “espaço perceptual (...) não é um simples dado dos sen-

tidos, é de natureza muito complexa, e contém elementos
de todos os diferentes tipos de experiência dos sentidos
– óptica, táctil, acústica e cenestésica” (Cassirer, 2012,
p.75). Mas o autor acredita que, mais do que buscar resolver as “questões modernas da psicologia dos sentidos”,
devemos analisar o espaço simbólico. Este espaço abstrato
que é, ao mesmo tempo, a verdade newtoniana de proposições e juízos científicos – o espaço matemático, ou o
espaço homogêneo e universal que permitiu ao homem
moderno delinear os esquemas de uma ordem cósmica
–, e o espaço de nossas experiências sensoriais, das ações
presas ao sujeito e das representações do pensamento
reflexivo.
A filosofia antropológica nos afirma que o homem é um
animal simbólico que, além da razão prática, é guiado
pela imaginação e pela inteligência simbólica. Para Cassirer (2012, p.63): “O princípio do simbolismo, com sua
universalidade, validade e aplicabilidade geral, é a palavra
mágica, o abre-te sésamo que dá acesso ao mundo especificamente humano, ao mundo da cultura humana”.
Porque evitamos olhar nos olhos do morador de rua que
nos fita nos semáforos das grandes cidades socialmente
partidas? Porque evitamos ou, se somos atraídos por
elas, nos horrorizamos com as paisagens das catástrofes,
desoladas pelas guerras, por desastres ambientais, pela
pobreza embrenhada em suas formas? Porque negamos as
paisagens de territorialidades profanas? Porque somos nós
ali refletidos e não queremos reconhecer a nossa própria
sombra. Por isso buscamos as paisagens como espelhos de
riqueza, de beleza, de prestígio, de opulência, daquilo que
gostaríamos de ser todo o tempo, mas não somos.
Elegemos paisagens excepcionais do Patrimônio da
Humanidade; transformamos em cartões-postais as
arquiteturas urbanas espetaculares para os usuários solventes (Borja, 1997); revelamos nossas fachadas modernas
com os edifícios cobertos em peles de vidro dos centros

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transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

financeiros e com as próteses instaladas no território da
agricultura de precisão do agronegócio, como se o circuito
inferior da economia (Santos, 1978), ou o sangue que faz
mover os nossos órgãos, não existisse.
Cancline (2012), ao aproximar as práticas artísticas e os
usos institucionais e midiáticos do patrimônio cultural,
questiona o fato da Grande Muralha da China ter se tornado Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1987, pela
UNESCO. Como o sacrifício de “metade dos homens em
idade de trabalhar”, e a separação de um império que colocou um limite entre a diversidade do mundo, que ficou
fora, e sua população, que ficou encerrada dentro, pode
representar o patrimônio da humanidade? Tocando na ferida, afirma: “é possível ler o avanço de vazios e muralhas
na chave da perda do relato social” Cancline (2012, p.80).
A estetização e o consumo simbólico das paisagens
revelam o que se quer esconder, seja o circuito inferior da
economia ou, pior do que isso, os totalmente excluídos
das nossas modernas e exitosas narrativas.
Mas não é possível esconder. A cultura fala, grita, atravessa as bem-comportadas instituições e, mesmo ali, planta
seus rituais simbólicos, profanos, insanos para que a
sociedade não esqueça o mais importante – somos almas,
magias, angústias, medos, solidão, cansaço de tanto lutar
por um espaço igualitário nesse espetáculo ilegítimo da
guerra das imagens e representações.
A cultura que nos constitui, não só como mercadoria,
mas como dimensão estruturante do que somos, revela a
diversidade muitas vezes escamoteada pela hegemonia do
pensar racionalista. A cultura não é o lugar da primazia
do pensar, é o lugar do espírito livre e criativo. Aceitar
esses outros em nós nos revela mais sobre quem somos do
que selecionar cenários perfeitos ou etnias tomadas como
exóticas, como se fossem de outra raça.

A transversalidade exige juntar os fragmentos, sem resistir ou rejeitar que o outro nos constitui. É preciso ousar
sair de nossos bem-comportados discursos, de nossas
enquadradas imagens, da ditadura das formas aceitáveis,
da positividade encenada do que é moderno.
Se a cultura revela os sentidos sociais da existência dos
objetos e de suas funções práticas e simbólicas, a eleição
de paisagens para serem vistas à revelia de outras que
seguem escondidas representa, entre nós, os outros que
não queremos revelar.
As guerras midiáticas a esconder as imagens e os ferimentos dos soldados; as cidades aprazíveis sem o infortúnio
das imagens de pobreza; as hordas de imigrantes fugidos
de áreas de conflitos e desastres naturais...todos sem
nomes, sem história, amontoados em cima de barcos
clandestinos, em fronteiras que barram suas vidas, tal
qual as cidades-condomínio que negam a existência dos
que vivem do lado de fora – das favelas vizinhas cujas
populações servem como serviçais aos seus moradores, são
imagens de nós mesmos que não queremos aceitar.
Talvez por isso a imagem do corpo do menino sírio, morto
e abandonado em uma praia na Turquia, em 2015, tenha
viralizado nas mídias sociais como um símbolo do processo imigratório que já fez milhares de vítimas de pessoas,
oriundas do Oriente Médio e de países africanos, na busca desesperada de escapar dos conflitos e da pobreza ao
cruzarem a fronteira dos países europeus – nossa sombra
nos pegou de surpresa e nos revelou, em uma imagem, a
banalidade da vida sem simulação.
Mapas de significado único alimentam nossa cegueira em
relação à diversidade cultural. Bem-vindas imagens subversivas, desafiadoras da ordem imposta, reveladoras do
nosso tempo e do que essencialmente somos, para cujos
autores eu dedico este poema:

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

“O homem é o pastor do ser”
Cuida para não esquecer
A essência que o conduz
E, na falsa solidão,
Acalenta
O pensamento,
Preciosa ferramenta.
E saiba:
É no deixar-se aí
A ex-sistir
Consciente
Que o Ser ilumina o ente
Presente, provisoriamente,
Aqui.
Tereza Paes
(Inspirado em Martin Heidegger, In: Carta sobre o humanismo, p.34)

* Professora do Departamento de Geografia (IG) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Bolsista Produtividade CNPq.
1

Geertz (1989, pp.15-16) exemplifica a “explicação densa” debatida por Gilbert Ryle, a partir de um exemplo que Ryle nos apresenta, considerando dois garotos
que piscam rapidamente o olho esquerdo. O ato em si não pode ser compreendido se não sabemos se esta ação é deliberada, involuntária ou parte de um
código de relação entre sujeitos sociais. Para revelar o real sentido deste simples gesto, e saltar a descrição de um simples gesto mecânico, é necessário admitir
a importância da estrutura de significados dos códigos sociais.

Referências:
BORJA, J.; CASTELLS, M. Local y global. La gestión de las ciudades en la era de la información. United Nations for Human Settlements (Habitat). Madrid:
Taurus/Pensamiento, 1997.
BOTTON, Alain de (2003) A arte de viajar. Editora Rocco, Rio de Janeiro.
CANCLINI, Néstor García (2012) A sociedade sem relato – antropologia e estética da iminência. Edusp, São Paulo.
CASSIRER, Ernest (2012) Ensaio sobre o Homem – introdução a uma filosofia da cultura humana. Editora WMFMartinsFontes, São Paulo.
GUEERTZ, Clifford (1989) A interpretação das culturas. Editora Guanabara, Rio de Janeiro.
HEIDEGGER, Martin (2010) Carta sobre o Humanismo. Editora Centauro, São Paulo.
MORIN, Edgar (1986) Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo II: necrose. Forense Universitária, Rio de Janeiro.
SAHLINS, Marshall ([1979] 2003) Cultura e razão prática, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, R.J.
SANTOS, Boaventura de S. (2009) Crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. Editora Cortez, São Paulo, S.P.
SANTOS, Milton (1978) O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Editora Francisco Alvez, Rio de Janeiro.

189

190

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

44.4.1.1.jpg David Martín Huamaní Bedoya, Perú
Yurua 01
*(447) Yurua (Perú), 2015
60.4.1.3.jpg Bruno Cerimele, Argentina
Doña Felisa y su hogar

*(448) Encalilla, Amaicha del Valle, Tucumán (Argentina), 2016

David Martín Huamaní Bedoya, Perú 44.4.1.2.jpg
Yurua 02
*(449) Yurua (Perú), 2015
María Pilar, Argentina 3.4.1.4.jpg
Florencia_01

*(450) Buenos Aires (Argentina), 2014

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

19.4.1.3.jpg Mauro Vombe, Moçambique
Festa da janela
*(451) Maputo (Moçambique), 2014
59.4.1.1.jpg Paulo Avelar, Brasil
Colônia de Pesca I

*(452) Mata de São João (Brasil), 2016

Mauro Vombe, Moçambique 19.4.1.6.jpg
Máscaras
*(453) Pemba (Moçambique), 2016
Isabel Cristina Ferreira da Costa, Portugal 36.4.1.4.jpg
Idem foto 1

*(454) Bercianos de Aliste (Espanha), 2016

191

192

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

1.4.2.1.jpg Ricardo, Portugal
Lareira
*(455) Aldeia de Canaveses (Portugal), 2016
5.4.2.3.jpg María Peña Coto, Espanha
Sonrisas del atardecer

*(456) Wae Rebo. Isla de Flores (Indonésia), 2015

Milad, Irão 39.4.2.3.jpg
Cozer pão
*(457) Irã, Azerbaijão Oriental, Kaleybar (Irão), 2016
María Peña Coto, Espanha 5.4.2.2.jpg
Generación tras generación

*(458) Wae Rebo. Isla de Flores (Indonésia), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

60.4.2.2.jpg Gabriela Queiroz, Brasil
Nyota
*(459) São Paulo (Brasil), 2016

Mauricio Medina, Colombia 100.4.2.3.jpg
De generación en generación
*(461) Caloto departamento del Cauca (Colombia), 2016

60.4.2.6.jpg Gabriela Queiroz, Brasil
Nyota
*(460) São Paulo (Brasil), 2016

*(462) Maputo (Moçambique), 2014

Yassmin, Moçambique 3.4.2.3.JPG
Tufo da Mafalala

193

194

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

108.4.2.3.jpg Shahabeddin Farahbakhsh
The smiles of life
*(463) Hengam Island, 2016
100.4.2.5.jpg Mauricio Medina, Colombia
Nostalgia

*(464) Caloto departamento del Cauca (Colombia), 2016

Daniel Guzmán, Chile 82.4.2.1.jpg
Mercado de Tlacolula
*(465) Oaxaca (México), 2015
Seyede Niloofar Mahmoudian, Irão 119.4.2.6.jpg
No próximo quadro, espelho

*(466) Zanjan (Irão), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

3.4.2.1.JPG Yassmin, Moçambique
Tudo da Mafalala
*(467) Maputo (Moçambique), 2014
45.4.2.1.jpg Vivian Gomes Galvão, Brasil
Fé de um povo

*(468) Comunidade Quilombola do Rio Grande do Norte (Brasil), 2014

María Carolina, Venezuela 101.4.2.4.jpg
Dama con lorito
*(469) Apure (Venezuela), 2015
Mónica Feriche, Espanha 95.4.2.3.jpg
Niñas Musulmanas en Kilwa

*(470) Kilwa Masoko (Tanzania), 2014

195

196

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

26.4.2.2.jpg Andrés Juárez, México
La Virgen de los Ahuehuetes
*(471) Mexico (México), 2015

Nelson, México 63.4.2.2.jpg
Os outros Fridas
*(473) Tehuantepec oaxaca (México), 2015

26.4.2.1.jpg Andrés Juárez, México
La Virgen de los Organos
*(472) Mexico (México), 2015

Nelson, México 63.4.2.4.jpg
Susi e avó
*(474) Union Hidalgo oaxaca (México), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

139.4.2.4.jpg Ruyter Fernandes, Brasil
Essência de Mulher
*(475) Itaparica, Bahia (Brasil), 2015
107.4.2.3.jpg Jorge Eduardo Fulco, Argentina
Sor…presa

*(476) Ciudad Autonoma de Buenos Aires (Argentina), 2015

Letícia, Brasil 7.4.1.1.jpg
Cálice 1
*(477) São Paulo (Brasil), 2015
Jorge Eduardo Fulco, Argentina 107.4.2.5.jpg
A bailar se há dicho

*(478) Ciudad Autonoma de Buenos Aires (Argentina), 2015

197

198

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

26.4.1.1.jpg Ary Attab Filho, Brasil
Vida Dura
*(479) Tiradentes MG (Brasil), 2015
76.4.1.6.jpg Cristina Ysabel Ramirez Quiñones, Perú
La carnada
*(480) Chimbote (Perú), 2016

Marco António Domingos Pedro, Portugal 27.4.1.3.jpg
Abençoados pela Fé dos Homens
*(481) El Rocio, Almonte (Espanha), 2015
Marco António Domingos Pedro, Portugal 27.4.1.4.jpg
Por entre o Pó da Vida

*(482) Caminho entre El Rocio e Almonte (Espanha), 2015

I

4 cultura e sociedade: diversidade cultural e inclusão social

128.4.2.3.jpg Jair Cabrera Torres, México
El Rastro de Nezahualcoyotl 03
*(483) Nezahualcoyotl City (México)

Sebastián Izquierdo, Argentina 57.4.2.4.jpg
Arreando ovejas
*(485) Isla del Sol (Bolívia), 2014

97.4.2.4.jpg Fernanda Aramuni, UruguaI
Bar Lisboa
*(484) Paysandú (UruguaI), 2015

*(486) Haut Vernet, Perpignan (França), 2016

Neus Solà, Espanha 122.4.2.3.jpg
Gypsyland_3

199

200

transversalidades 2016

I fotografia sem fronteiras

136.4.2.3.jpg Jorge López Muñoz, Espanha
El clot #3
*(487) Valencia (Espanha), 2015

Jorge López Muñoz, Espanha 136.4.2.4.jpg
El Clot #4
*(488) Valencia (Espanha), 2015

*( ) legendas

202

1

13

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
A sus iglesias acuden miles de peregrinos a recibir bendiciones y esperar que sus humildes vidas mejoren, al igual
que se alivien sus enfermedades.
En la foto, un niño con evidentes problemas de salud, recibe en brazos de su madre, la bendición tan esperada.

Um lago no norte do Irão.

João da Pesqueira e Pinhão. Pode observar-se Pinhão no
fundo da fotografia.

14

29

Panoramica hecha en la playa de arena negra y dunas gigantes de Stokksnes en Islandia.

17

Plantações de chá na húmida vila de Munnar, Kerala, na
Índia.
Elevada a cerca de 2000 de altitude na região das Altas
Montanhas, é nesta região que se encontram três cursos
de água (Munnar significa “Três Rios”) e daí ser um local
com condições tão propícias à produção de chá.
Munnar tem 24 mil hectares de plantações de chá, criadas pelos ingleses desde 1878. Plantações essas que são a
principal fonte de rendimento e de trabalho da vila.
Nesta paisagem criada pelo Homem que aproveitou as
condições geográficas e climáticas a seu favor, produz-se
chá de elevadíssima qualidade, pela qual a Índia é conhecida.

No Comment 3.

30

19

Paisaje característico de la cordillera negra peruana.

Like a piece of Mars.

31

20

Cerca de la torre de Hércules, en A Coruña. El aire del
diciembre del 2015 sopla. Se respira y se impregnan los
pulmones de mar. Se atraviesa el campo hacia la libertad.

2

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
Desde primeras horas de la mañana, las inmensas paredes
de roca, son testigo de la peregrinación de los miles de
feligreses que acuden a esta fecha tan especial.
3

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
Uno de los rituales más espectaculares, es cuando el sacerdote lanza agua sobre el rostro de los peregrinos. Es una
renovación del sacramento del bautizo, lo que hace que
sea un momento muy especial.
4

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
Las iglesias muestran sus mejores galas en estos días.
5

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
El fervor religioso se palpa en cada una de las personas
que acuden a la festividad.

15

A força e dinamismo do mar moldando aos poucos a dura
rocha enquanto se mistura com a atmosfera cintilante do
pôr do sol.
16

Praia da Galé - Grândola. Retrato de uma paisagem, de
uma paisagem Natural sem vida - uma arriba Fóssil - uma
beleza ímpar.

Atacama 2014.
21

Foto panorámica hecha en la cascada Bruarfoss de Islandia. Foto panorámica hecha en la cascada Bruarfoss de
Islandia.

32

22

33

Foto hecha en plena hora azul y donde se ve una pequeña
aurora boreal sobre la montaña Kirkjufell en Islandia.

Crossing camels in Salt Lake, located 40 km north of the
city of Qom and 85 km south of Tehran. As background,
the Alborz mountain.

24

6

Paisagens das Carrilheiras de Barroso 2016.

El 2 de diciembre, es un día de fiesta en Lalibela, se celebra
San George.
En sus increíbles iglesias talladas en roca, tanto monjes como
sacerdotes, dedican la mayor parte del día a la oración.

25

7

Dezenas de ninhos foram construídos por cegonhas nestas árvores junto à estrada entre Penedo Gordo e Beja.
Cada árvore alberga vários ninhos, permitindo uma engraçada analogia com os apartamentos que nós humanos
habitamos.
8

Na chaminé que outrora pertenceu a uma fábrica de conservas e num hotel abandonado e em ruínas, várias famílias de cegonhas construíram os seus ninhos.
9

O perigo de explosão e o constante ruído dos carros na
N125, não demoveram esta cegonha de construir o seu
ninho sobre algumas garrafas de gás.
10

Uma cegonha aguarda pacientemente o eclodir dos seus
ovos, no ninho que construiu no topo de uma escarpa,
nas falésias do Cabo Sardão.
11

Uma cegonha contempla orgulhosa a sua prol recém nascida, embalada pela perpétua e hipnótica melodia do mar
por baixo dela.
12

Uma regressa ao seu ninho construído no topo de uma
chaminé de uma antiga fábrica de conservas. Os mastros
dos iates da Marina de Lagos, compõem a paisagem.

Algunas de las cosechas que se pueden observar en el
pueblo.
26

No concelho de Boticas (Trás-os-Montes) resistem diversos
vestígios dos assentamentos da antiga cultura castreja,
sendo um território fortemente pautado pela presença de
castros com as suas muralhas de morfologia concêntrica.
Só depois da presença dos Romanos na Península Ibérica
é que foi introduzida a inovação técnica construtiva do
cunhal (ângulo recto) neste tipo de construções. Mas,
curiosamente ainda hoje ali se identificam muros contemporâneos com estas formas curvas que nos remetem para
as formas típicas do assentamento castrejo.
As imagens que apresento são pois o reflexo e a prova
desta proximidade morfológica e construtiva destas construções actuais com os antigos castros que remontam à
Idade do Ferro.
27

“Degraus” de plantações pelas colinas fazem uma decoração natural perfeita.
Plantações de chá na vila de Munnar, Kerala, na Índia.
Elevada a cerca de 2000 de altitude na região das Altas
Montanhas, é nesta região que se encontram três cursos
de água (Munnar significa “Três Rios”) e daí ser um local
com condições tão propícias à produção de chá.
Munnar tem 24 mil hectares de plantações de chá, criadas pelos ingleses desde 1878. Plantações essas que são a
principal fonte de rendimento e de trabalho da vila.
28

Fotografia tomada em junho de 2015 na N222 entre São

La fotografía fue tomada a las 8 am. En un paseo a un
poblado de Mérida- Venezuela.

34

Pequenas fajãs onde vivem pessoas no seu cultivo perto
do mar debaixo das montanhas da ilha.
35

A natureza selvagem na sua essência mais pura.
36

A praia da Aguda, na freguesia de Arcozelo, concelho de
Vila Nova de Gaia. Dista cerca de 10 km da foz do Rio
Douro. O paredão que dá origem a estas projeções espetaculares, quando o mar está bravo, foi construído em
2002 para proteger da erosão marítima a aldeia piscatória
d’Aguda.
37

A pedra como material, o tempo como cinzel e temos um
património natural cheio de “vida”.
38

Ver estos espejos de agua en el camino, es reconfortante, te hace pensar la importancia del agua para el medio
ambiente ya que es fuente de vida para los animales y
personas.
39

El Páramo Santurbán es una región natural ubicada en
los departamentos colombianos de Norte de Santander
y Santander. Santurbán dentro de los páramos del Gran
Santander el páramo es hermoso principalmente por su
diversa fauna.
40

Atardecer. Vista parcial del Embalse de Valmayor desde la
Presa de Los Arroyos. El embalse de Valmayor está situado
en la zona noroeste de la Comunidad de Madrid. Inaugurado en 1976 anegó caminos y edificaciones de cierto

203

56

67

No vale de Dedvlei no deserto da Namibia os esqueletos
das árvores mortas permanecem há séculos.

Longe das luzes das cidades existe um céu único que ilumina o Alentejo.

57

68

Foto tirada em uma viagem pela América Latina, o Salar
de Uyuni (Deserto de sal) é a maior planície de sal do mundo, com 10.582 km2. Está localizado nos departamentos
de Potosí e Oruro, no sudoeste da Bolívia, perto da borda
da Cordilheira dos Andes e está a uma altitude de 3.656
metros acima do nível médio do mar.

A imagem faz parte do projeto “O olhar pela janela” que
venho desenvolvendo desde o ano de 2013, este projeto é
documental, onde retrato o meu cotidiano, dia-a-dia, idas
e vindas de dentro do carro da cidade de Camaragibe para
Olinda e Olinda para Camaragibe. São imagens pictóricas,
subjetivas e impressionistas.

58

69

One of the islands that was devastated by the tsunami
that occurred in Thailand in 2004.

Paisaje norteño, lugar dónde habitan comunidades indígenas, alejadas de los centros urbanos que viven en sintonía
con la naturaleza.

Um lugar único visitado por vários fotógrafos. Situa-se
perto da Vila do Cercal do Alentejo.

43

59

Passeio de barco no Rio Potengi.

Conjunción de los elementos de la naturaleza que forman
y transforman el paisaje de la puna jujeña a lo largo de
los tiempos.

En antilhue el pueblo es rodeado por km de sembrado
de eucalipto cuyo árbol se planta para realizar obras de
madera.

interés. El proyecto corrió a cargo de Emeterio Cuadrado
Díaz, (Murcia 1907 - Madrid 2002). Pertenece a la cuenca
del Guadarrama, aunque fue construido sobre el caudal
del río Aulencia, principal afluente del Guadarrama. Su
presa está situada en el término municipal de Valdemorillo
pero inunda también los municipios de El Escorial, Colmenarejo y Galapagar.
41

Açude localizado dentro da cidade de Itapajé. Utilizado
para fornecer água para a população, banho e lavagem
de roupa!
42

44

O mundo que nos prende nas suas raízes, alimenta de forma singela e nos oxigena a alma.
47

Uma pequena cascata enquanto caminhava nas imediações de Mondim de Basto, com um amigo local que estava
a realizar um vídeo sobre Mondim.
48

Lagarto teiú no Parque Estadual do Caracol em Canela/RS.
49

Amazing view in Geghard, Armenian Church.
50

En Antilhue las tardes de los veranos son siempre así, con
un hermoso atardecer anaranjado, después de un largo y
caluroso, y divertido día de descanso.
51

No sertão pernambucano.
52

Fotografia tirada em Abril de 2016 num vale perto da
povoação Casmilo, Condeixa-a-Nova, onde existem várias
destas buracas que são formações geológicas formadas
pela infiltração da água ao longo dos tempos.

60

Castelo de Mourão saído de um conto de Fadas, no final
de um belo dia de Verão.
61

A apenas 289 km do Recife – ou cerca de três horas de
carro –, o Vale do Catimbau, como é popularmente chamado, é um paraíso selvagem. A maioria dos turistas visita
o local em busca do misticismo incrustado em sua história e da contemplação da natureza, marcada pela grande
variedade de formações geológicas e pela rica vegetação
da Caatinga.O aspecto místico entranhado na própria
geografia do local, por si só, já é capaz de promover o
encantamento. Além da beleza cênica das paisagens,
existem várias trilhas e pontos de paradas, onde havia aldeias indígenas. O legado cultural dos antigos habitantes
permanece no parque e algumas lendas ajudam a tornar
o Catimbau ainda mais místico. A população local também incorpora as histórias, preservando essa herança. O
Parque Nacional do Catimbau possui mais de dez trilhas
e cerca de 80 grutas, além de cemitérios pré-históricos e
pontos de inscrições rupestres datadas de aproximadamente 6 mil anos.

70

71

Floresta Firoozkooh Teerão, Província de Teerão é uma das
melhores atrações turísticas.
72

Destas tardes quentes que tomam conta do nosso pensamento; destas tardes que nos fazem viajar até uma infância repleta de despreocupação; destas tardes em que nos
enche uma nostalgia momentânea.
73

A foto mostra o limite entre o queimado e o verde, o agredido e o com vida. Limites impostos por um desequilíbrio,
a falta de água.
74

Grupo de formigas trabalhadoras.
75

Sobreviviente de guerras y migraciones la Lechuga Sativa
ha logrado mantenerse vigente en la gastronomía mundial. Antiguos escritos confirman su longevidad y describen sus múltiples usos. Muy popular entre Egipcios, Griegos y Romanos la Lechuga a logrado adaptarse a todas las
épocas, un residente del pasado.

63

76

53

Mountain Mirror.

Oak Forest is one of the biggest forests in West Iran It’s
located in Kurdistan province, close to the border with
Iraq, between the city of Baneh and Sardasht. During the
Iran-Iraq war the forest remained intact and, nowadays,
it is one of the favourite places for tourists. Unfortunately, every day a lot of junk from the city of Baneh is discharged here, so that we can smell it from 10 km. All
this contributed to the forest degradation, where the river
and groundwater are also polluted. This level of pollution causes diseases, mainly in surrounding villages. Even
though several protests against pollution are made, year
after year, it must be the local government to take the
necessary measures to restore serenity to this wonderful
place.

64

¿Cuántas personas no conocen el otoño? Sus hermosos
colores tienen una belleza singular inesperada. Mostrarla
es casi inevitable.

54

Atacama 2014.
55

Volcán lascar ubicado en el paso cordillerano Argentina
-Chile.

We were walking through Meteors and, suddenly, rain
started to fall. We didn’t have umbrellas with us so we
started walking in the rain. Suddenly a beautiful rainbow
appeared over Meteor.

77

A realidade actual provocada pelas mãos do homem. Destruição da Flora?

Introducida al cultivo mediterráneo por los romanos hace
más de 5.000 años. Por sus anillos concéntricos es símbolo
de vida eterna y objeto de culto. Desde Asia Occidental
la cebolla se ha coronado como la hortaliza más importante de la gastronomía mundial. Un visitante constante
y aclamado.

66

78

65

O Sant’Alessio Siculo castelo fica no promontório rochoso
conhecido como “Chief Sant’Alessio”, no município de
Sant’Alessio Siculo, na província de Messina. A “cabeça“
é a única promontório subindo ao longo da costa do mar
Jónico entre Messina e Taormina. Por esta razão desempenhou e ainda desempenha, um papel importante de um
ponto de vista estratégico; todos os exércitos na Sicília historicamente contribuíram, em etapas, para a construção
do castelo em seu topo.

Tucura ou Gafanhoto - Crioulo (Rhammatocerus Conspersus).
79

Bombus Terrestris fue introducido en Chile el año 1997
para optimizar la polinización en agricultura, su rol fue tan
bien evaluado que rápidamente fue tomando protagonismo en las diferentes Regiones del País.
Hace 10 años atrás llegó al Sur del Chile, justamente
donde habita un pariente lejano, el único abejorro nativo (Bombus dahlbomii Guérin-Meneville, 1835) los cuales

204

desde esa fecha han reducido sus colonias en un 50%,
colocándolo hoy en la lista de especias en peligro de extinción. Las teorías son variadas y van desde la competencia con las especies nativas por los sitios de nidificación, transmisión a los insectos autóctonos de organismos
patógenos, cambios en la producción de semillas de las
plantas nativas y polinización de malezas introducidas,
hasta parásitos de la especie exótica que dejan a las reinas
nativas estériles.
Por otro lado, morfológicamente son diferentes, el Bombus Terrestris tiene la lengua más corta, por lo que le es
imposible llegar al néctar de algunas flores y debe romperlas para obtenerlo…
Todas estas consecuencias de un mundo globalizado que
llevados por un paradigma homogéneo ignora los ciclos
de adaptación e interacción de la naturaleza, no se detiene a observar la sabiduría existente en los ecosistemas, tomandto decisiones basadas en la producción, crecimiento
y conectividad. Consecuencias de un mundo conectado,
¿pero conectado a qué?
80

Borboleta diurna “Gonepteryx rhamni” de tons esverdeados, daí o seu apelido comum “borboleta limão”. Esta
espécie distribui-se pela Europa, Ásia e Norte de África.
81

Libélula em pouso.
82

No puede faltar el rey de los ríos y otro habitante de las
selvas tropicales, el cocodrilo. En esta fotografía apreciamos el hermoso detalle de una cría. Nacen muy pequeñitos y llegan a crecer inmensos para ser los reyes de las
aguas tropicales en las selvas mexicanas. Otro hermoso
ejemplo de biodiversidad. Los peligros que enfrenta además de destrucción de hábitat y contaminación de los ríos
es la caza y tráfico ilegal.
83

La fotografía “La Noche de las Luciérnagas” fue realizada
en el poblado de Nanacamilpa en el Estado de Tlaxcala
México en donde anualmente, entre los meses de Junio,
Julio y principios de Agosto tiene lugar uno de los espectáculos más grandiosos de la naturaleza, el avistamiento
y apareamiento de luciérnagas. Los bosques de coníferas
característicos de la zona se iluminan al caer la noche
gracias a la bioluminicencia que es representativa de la
especie. Millones de lampíridos también llamados “bichos
de luz”, danzan entre la maleza, los troncos y las praderas
dando paso a destellos intermitentes de un color amarillo
neón que hipnotizan a propios y extraños; las condiciones climatológicas aunadas a la flora propia del lugar son
idóneas para que en el temporal de lluvias las luciérnagas aprovechen la humedad adquirida por la corteza de
los árboles para depositar sus huevecillos y darnos así la
oportunidad de admirar un espectáculo único en su clase.
84

Mimetizado totalmente entre las ramas vi este pequeño
animal, después de trepar uno de los árboles, y después
de unos golpes, logré la captura.
85

La biodiversidad tropical en México es muy rica. Llena de
especies magníficas que tristemente se ven amenazadas
por la caza y destrucción de su hábitat. Una de las especies
más dañadas es el poderoso jaguar. Fue adorado por los
mayas hace siglos y hoy, está casi olvidado por el mundo.
Es el felino más grande de América y si no actuamos para

protegerlo y a su hábitat, muy pronto solo podremos verlo
en fotografías o zoológico como es el caso de este ejemplar. En vida libre son muy esquivos y cada vez, hay menos
de estos maravillosos felinos vagando por nuestras selvas.
86

This photo shows the beauty of Iranian nature.
87

Cisnes migratórios siberianos que vivem em Fereidoonkenar.

104

Crianças brincando à beira da Lagoa do Roteiro.
105

Foto tirada na praia de Mira onde se pode ver um barco
usado na Arte Xávega, bem como, uma rede esticada no
areal. A praia está cheia de gaivotas (umas a voar e outras
no areal). Estão duas crianças a brincar junto à água e
algumas pessoas junto ao barco.
106

88

Ensaio sobre os pescadores de mariscos da Bacia do Pina.

This photo is explain of iran nature.

107

89

Crianças tomando banho no rio São Francisco.

Um lago no norte do Irão.

108

90
91

Criança sobe das águas do Rio Negro para uma balsa interditada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, no porto do São Raimundo, Zona Oeste de Manaus,
maior cidade da região Amazônica.

Espelho de água.

109

92

O atum na sua passagem para o mar mediterrâneo para
a desova (ou vindo da desova) é capturado ao largo de
Olhão numa armadilha colocada no mar no início das migrações dos atuns.
Mergulhadores armados com um longo bastão com um
dispositivo explosivo matam o animal de forma rápida.
(Este método moderno é, segundo os especialistas, menos doloroso para o animal e evita manchas de sangue na
água). Existem algumas destas armações ao longo da costa do Algarve e também nas costas da Andaluzia, muitas
delas mesmo à entrada do Mediterrâneo.

Desconfiado.

Cartel explicativo del centro de recuperación de las tortugas marinas, se financian con los donativos de los visitantes y turistas.
93

Camina una hora y media entre montañas, bajo el sol,
subiendo y bajando para poder llegar a Iruya a comprar
sus necesidades.
94

Lugar de Penacova, no concelho de Arcos de Valdevez. O
pastoreio, a par da agricultura, ainda vão sendo actividades persistentes.
95

No Alto Atlas Marroquino, o Vale do Zat exibe um regime
hidrológico muito irregular, com períodos de seca que alternam com o frio, a neve e, por vezes, com cheias, pelo
que a gestão da água é um traço característico da paisagem onde se veêm mulheres a trabalhar nos campos e a
aproveitar a água para diversos usos.

110

Um casal limpa os peixes, na margem do rio.
O pescado é o pão de cada dia do ribeirinho, tanto para
alimentação quanto para seu sustento por meio de venda.
111, 112

En la playa el Novillero, Nayarit, un grupo de pescadores
se enfrenta a las aves que acechan los pescados y mantarrayas que fueron pescados para ser la comida de los
habitantes de Nayarit.

96

113

As pessoas atravessam uma ponte onde corria um grande
rio com muita água, hoje, devido à seca, no lugar de água
só restou uma vegetação que sofre com a falta de água.

O convés do navio é o local onde os atuns são desmembrados. Ao chegarem a este local uma equipa com vários
especialistas preparam-se para o trabalho com muito ritmo.

98

O Rio não está fora de casa; está dentro de casa. O Rio
é mais uma assoalhada, como um quarto ou a cozinha.
Só ao fim de um dia ou dois é que o começámos a perceber…
100

Claro que viemos de barco. Aliás, sempre de barco. O Rio
é estrada e não apenas água a passar: de uma margem
para a outra, de juzante para montante,
da quinta para o
mercado, da casa para o “boteco” e que seja “Pepsi” ou
“Coca-Cola”…
101

A separação momentânea das partes. Os elementos dispostos num presente que surge imerso para o casal.
103

El velero Vira Vira navegando en el Lago Potrero de los
Funes, San Luis Argentina.

114

A foto mostra a realidade e o cotidiano simples de uma
casa de pescadores da praia Barra de Tabatinga - RN, situada no município de Nísia Floresta, no estado do Rio
Grande do Norte, no nordeste brasileiro.
115

Pescadores retiram do mar as suas redes na procura do
seu peixe.
116

Depois de retirarem as redes do mar com o seu peixe, os
pescadores voltam a prepará-las para estarem disponíveis
para outro lance.
117

A woman finds a cure by washing herself in a mud fountain.

205

118

130

140

No Comment 5.

Early in the morning, farmers share some of their stories,
while they smoke a cigarette.
Although seasonal, sunflowers production is a high source
of income for the families that live here, especially regarding to the production of vegetable oil, which has a great
demand in this part of the continent.

A Bairrada é um território que se localiza na Região Centro
de Portugal. É limitada a Norte pelo rio Vouga, a sul pelo
rio Mondego, a este pelo Oceano Atlântico e a oeste pelas
serras do Buçaco e Caramulo. Esta localização faz desta
região uma zona peculiar, onde se encontra um clima próprio e um solo em que o barro é predominante, fazendo
que as suas aptidões agrícolas sejam fortes, particularmente na produção vitivinícola.

132, 133

141

119

No Alto Atlas Marroquino, o sistema tradicional de gestão
florestal denominado “agdal”, ao definir restrições temporárias para o uso específico de certos recursos, como
as pastagens de altitude, impede o seu esgotamento e
permite a sustentabilidade das atividades agro-silvo-pastorícias.

131

120

Palomar,donde se criaban las palomas,abandonado en
Alhambra. Ciudad Real.

Cotidiano do sertão do Baixo São Francisco, buscando
água distante de casa.
121

La familia Belenchón recorre con sus rebaños de vacas y
ovejas la Cañada Real Conquense, una de los recorridos
más largos de los pastores trashumantes. Durante 29 días
recorren a pie los más de 500 km entre la Sierra de Albarracín en Teruel y la Carolina (Jaén).
España es el único país que mantiene una red de caminos
históricos que sobrepasan los 125.000 km. El origen de
muchos de estos caminos está en las migraciones que tradicionalmente han venido realizando los pastores trashumantes desde hace siglos. A pesar de su importancia
ecológica, apenas quedan alrededor de 100 familias que
siguen recorriendo a pie cada año las Cañadas Reales en
busca de los mejores pastos para su ganado.
122

Uma criança mongol observa, atentamente, a pequena
cáfila que os pais, que são nómadas, como a esmagadora
maioria da população, possuem. Na Mongólia, o camelo
torna-se um meio de subsistência, devido ao facto de ser
utilizado como transporte, de fornecer leite, ou, até, passear turistas.
123

A terra com as suas leis próprias é a mesma que apascenta
o gado e sustenta o Homem.
124, 126

Antonio Alarcón y sus dos hijos recorren los caminos y
Cañadas Reales en las migraciones anuales de la trashumancia del ganado. Su rebaño de 550 ovejas, recorren
a pie durante 6/7 días la distancia entre su localidad de
origen en Castril (Granada) y las Navas de Sa Juan (Jaén),
donde las ovejas pastarán en un clima más cálido durante
el invierno.
España es el único país que mantiene una red de caminos
históricos que sobrepasan los 125.000 km. El origen de
muchos de estos caminos está en las migraciones que tradicionalmente han venido realizando los pastores trashumantes desde hace siglos. A pesar de su importancia
ecológica, apenas quedan alrededor de 100 familias que
siguen recorriendo a pie cada año las Cañadas Reales en
busca de los mejores pastos para su ganado.
127

Someone must stay home, taking care of the children and
giving them education.
128

In rural areas, each person has its responsibility. Although
roads through the fields are very narrow, all lead in the
same direction.
129

After a hard day’s work, a well-deserved break for a
smoke.

134

A menina, com um sorriso no rosto, evidencia a sensação
de segurança, garantida por seu fiel cão em um ambiente
de adversidades que é o Sertão nordestino.
135

Árvore queimada após vários ateamento de fogo no canavial no município de Martinópolis, São Paulo.
136

Memória Descritiva do Projecto.
O que se pretendeu com este projecto foi a criação de um
registo fotográfico que demonstrasse as relações variadas
que existem entre o homem e a paisagem por intermédio
da cultura agrícola, numa pequena extensão geográfica.
Por outras palavras, num território que, à primeira vista, poderia ser considerado indiferenciado, composto de parcelas
semelhantes entre si, o seu interesse advém da surpreendente variedade espacial e visual que nele se encontra.
Ao percorrer as diferentes parcelas, tornam-se evidentes
as diferenças entre espécies, de idades, de escalas e de
ambientes: a luz é-nos apresentada sob a forma de manto uniformizador da paisagem ou, por oposição, que a
quebra e destabiliza quando surge filtrada por entre as
árvores. Uma outra oposição patente nesta paisagem é
o contraste frequente entre o solo e a cultura que o ocupa: o primeiro, seja por se apresentar nu ou recoberto de
vegetação rasteira, age como um tabuleiro homogéneo
que faz sobressair as formas escultóricas e torneadas das
videiras, ou as copas esféricas e ordeiras dos pinheiros.
Por entre estes elementos, surge uma característica constante que é, talvez, a que melhor descreve esta paisagem
e que lhe confere a sua riqueza: a sucessão de vários
planos claros e definidos. Pelo constante surgir de novos
planos distantes e a sensação de infinidade que dão a este
território, somos interpelados a percorrê-lo e a vivenciar os
seus ambientes diversos. Do somatório dessas experiências espaciais surge a possibilidade da existência de um
pensamento paisagístico que não advém de uma atitude
consciente dos habitantes em relação ao território, mas
que ainda assim resulta na sua estruturação coerente e
harmónica, produzindo imagens possíveis de se relacionarem com composições pictóricas.
137

As vistas espraiadas do planalto mirandês observadas através dos ramos despidos de uma árvore solitária.
138

Si cosecho antes de la lluvia.
139

Vista sobre a Aldeia do Xisto de Aigra Velha (Serra da Lousã), com as Serras do Açor e Estrela no horizonte.
Retrata a singularidade da organização do espaço rural:
habitação, espaço agrícola, pastoreio e floresta (organização agro-silvo-pastoril).

A calma e a paz de um início de dia num espaço rural
aproveitando a energia da natureza junto ao rio Cavado.
142

Foto tirada numa viagem a Machu Picchu (velha montanha), também chamada de “cidade perdida dos Incas”, é
uma cidade pré-colombiana localizada no topo de uma
montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Perú. Foi construída no século XV, sob as
ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo
mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua
descoberta tardia em 1911.
144

Estrada e paisagem do interior da Ilha da Flores (Açores).
145

Nesta foto podemos ver uma casa, que funciona como
palheiro ou local de armazenamento de ferramentas que
sejam necessárias para o trabalho do campo.
146

Tirada no mês de Março onde as cores começam a ganhar
vida nesta bela terra...
147

Escultura sobre la hierba.
148

Farmer.
149

Para estas comunidades siempre ha sido importante
mantener el equilibrio con su entorno, aun cuando hay
maquinas labrando sus campos siguen en armonía, como
en esta imagen, que al labrar la tierra para oxigenarla, las
garzas se encargan de comerse el exceso de gusanos para
dar paso a una tierra más fértil, el hombre, la maquina y la
naturaleza trabajando juntos.
150

Jugando con los colores y curvas de paisaje agrario.
151

Trabajos rutinarios en el cuidado de los cultivos.
152

In rice fields fish are bred to help in the annual production
of this essential good, because they consume algae, insects and larvae that accumulate at the bottom and thereby
allow the culture to develop and, at the same time, they
grow and get fatten. When it’s harvest time, fields are
drained through holes in the support walls. This way, fish
get trapped in the mud and can be captured.
153

Rice is the primary source of Dong’s eating habits. Rice is
spread on a mat and dried in the sun.

206

154

173

184

Mujer trasladando sus animales.
El arado romano es una importante herramienta agrícola
utilizada desde los tiempos prehistóricos. Este utensilio
tirado por fuerza animal que se ha venido usando para
labrar la tierra desde la época romana hasta nuestros días,
se sigue usando en algunas comunidades alto andinas,
por su gran importancia dentro de la producción en el cultivo de la papa, y otros productos.

La papa tiene un largo camino recorrido junto con el ser
humano. Los incas, fueron los primeros en consumirla. En
la comunidad de Patacancha, a 2 horas en bus, y 3 horas
caminando desde la ciudad de Cusco, es epoca de cosecha de la papa, y la comunidad se prepara para el “ayni”,
o trabajo colectivo que es un sistema de trabajo de reciprocidad familiar entre los miembros. Hombres y mujeres
trabajan de igual a igual, donde se encargan de ensacar
las papas, y agruparlas para que sean llevadas a sus casas,
y luego a los mercados mas cercanos para su venta.

Retrato de tres hermanos sobre bicicleta en la Cienaga de
Zapata, provincia de Matanzas. La bicicleta es el medio de
transporte preferido de los habitantes de esta zona rural
cubana.

156

174

187

155

Arreando al piño a la invernada.

185

Un guajiro y su bicicleta son alcanzados por un auto antiguo (almendrón) en la carretera de la Ciénaga de Zapata.
La mayoría de los habitantes de esta localidad rural prefieren la bicicleta como medio de transporte.

Los antiguos peruanos del Cusco, al no tener yunta por la
falta de animales, para realizar sus labores agrícolas utilizaron, el arado de tracción humana que denominaban,
chaquitaqlla, que es un palo puntiagudo, con una punta
un tanto encorvada, que a veces era de piedra o de metal,
que servia para abrir los surcos y colocar las semillas de
la papa para su cultivo. Las herramientas manuales incas
empleadas en la agricultura no han podido ser superadas,
sobre todo cuando se trata de trabajar en las laderas andinas o en ámbitos limitados.

”Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos
Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças”.

175

190

La caña de azúcar es uno de los cultivos en vías de extinción, en algunas regiones de Colombia.

Tres niños nasa fuera de su casa esperan que sus padres
regresen del mercado.

176

191

A grandpa is taking care of his grandchildren while their
parents are working on a farm.

La práctica que conlleva el arreo de animales, se encuentra
con pasos alambrados y el peligro y dificultad que esto
genera para la actividad.

Malhada do centeio em Paredes do Rio.
O Barroso é uma região periférica do norte de Portugal
que mantém vivas as tradições ancestrais da vida comunitária nas pequenas aldeias da região fronteiriça entre Trás-Os-Montes e a Galiza. tContrariando a introdução das
maquinarias no separar do grão de centeio, as populações
do Barroso, mantêm viva a atividade da “malhada” do
grão de centeio, elemento preponderante na alimentação
da população local.

164

177

Convívio após a entrega do milho para moer ao moleiro.

A secagem de feno neste pinachos, ainda enfeitam os
meios rurais. Embora a evolução da maquinaria os ponha
em risco, os pequenos agricultores de subsistência ainda
executam esta arte.

194

178

195

157

Arreando el piño.
158

Cercado dos Garranos para marcação e tratamento.
159

Dentro da manga é aprumado o pêlo da clina.
160, 161

A Rapa das Bestas é uma tradição rural realizada na Galiza, caracterizada para recolha dos garranos soltos nos
montes para curros, onde são marcados, vacinados e são
lhe cortadas as crinas. Serve também para um ritual iniciático dos homens e contagem dos animais nos montes.
162

Entre perros y caballos el hombre es animal y humano
entre su tradición y costumbre. El arreo de chivos hacia
corrales para dejar que pase la noche.
163

Quando se pensa na freguesia da Agualva pensa-se em
violência urbana.
165

Diz-se que na Agualva tudo é caótico.
166

Gerações diferentes.

A serenidade do homem do campo, cumprindo sua jornada na proteção e condução de seu rebanho.

179

167

Pelas mãos calejadas do homem do campo, recebemos o
sagrado alimento.

Os fugitivos.
180

Uma atividade que reúne toda a família. Talvez por esse
cariz familiar e pelo encontro de gerações diferentes, a
atividade esteja ainda bem vincada nos meios rurais.

“Caminhos da seca “
Caminhos de terra seca, ficam para trás os sinais de trânsito e as estradas asfaltadas. Pelos caminhos da seca e bem
cedo, as crianças percebem o valor de água, vivendo as
consequências da escassez desse bem e aprendendo a ir
buscá-la.

169

181

Tosquia das ovelhas e cabras antes de o verão chegar.

As part of his daily work, the driver transmits the tour
packages which include the main attraction points of the
natural surroundings of Palangans.

168

170

Tríade de Pastores.
171

Portugal Rural vestido de preto nas aldeias serranas do
Caramulo.
172

Despite being a developed tourist center, Ushguli is also an
area where agriculture and cattle breeding prevail.

182

Uma mãe e filho regressando da machamba com o produto da colheita, a ser transportado por uma junta de bois.
183

Velho transporte nas ruas da cidade.

188

One of the hobbies of the Tajic’s women is sewing. They
make these beautiful covers which are placed on the walls
during special celebrations.
189

A mother removes dust and roots off potatoes, harvested
a few months before and stored in the barn.

192

Giestas no campo, sim... mas no campo de futebol. Por
falta de bolas que ali saltem e de pernas que atrás delas
corram. A juventude foi saber de vida, lá para longe. Ficaram os velhos.
193

A eso de las 13:00 horas, los niños terminaban su jornada
escolar y empezaban a alimentarse. Luego de hacerlo, salían como alma que lleva el diablo.
After a walk through the village of Chopan Kola, my attention focused on a man who was tired of shopping.
Discreetly, she smiled for the camera, which captured the
essence of the moment.
196, 197

A Murtosa é uma pequena vila situada no litoral norte de
Portugal, onde grande parte dos seus habitantes se dedica
à pecuária.
Os mais idosos, cujos rendimentos são cada vez mais insuficientes para cobrir as suas despesas, enfrentam grandes
dificuldades e sobrevivem à custa de sacrifícios diários, de
trabalho árduo, para que possam juntar os parcos recursos
que a terra lhes dá às suas miseráveis pensões.
Os seus rostos, castigados pelo tempo, revelam a dureza
destas vidas.
Os legumes cultivados nas suas terras matam a fome da
família e dos animais.
Nas suas rotinas diárias reencontramos objetos e hábitos que há muito se julgavam perdidos. Um mundo
que parece parado no tempo. A fogueira para aquecer
a comida, os tachos de alumínio e de ferro, as paredes
escurecidas pelo fumo da lenha, todo este ambiente no
faz recuar a imagens antigas, épocas remotas que se jul-

207

Fotografia realizada durante a festa tradicional cultural do
terno de reis.

viana. En los años en donde estaba permitida la explotación laboral, trajeron a esta zona de Bolivia a personas de
nacionalidad Africana a trabajar las tierras, tierras que solo
se usaban y usan de cultivo. Hoy se levanta en esas tierras
el pueblo de Tocaña, donde sus habitantes viven en su
mayoria de la propia cosecha de la coca.

199

215

gavam ultrapassadas no mundo moderno. É uma ruralidade intemporal.
198

Mother is cooking a bread for the family.
200

Na luta diária do homem comum, surge a figura de um
herói coberto de couro e coragem.
201

Um retrato português: o sentido da vida manifesto na
simplicidade da tradição e na comunhão com o campo.
202

66 anos de casados. Duas vidas em paralelo.
203

Despovoado, atrás do sol posto. É aqui o lugar da fome.
No abrigo cansado já vemos o sol pela peneira. Há quem
diga que vem lá a visita da primavera.
204

Es la casa de un agricultor del pueblito la Ulloa, es un
señor de edad.
205

The “child” has to live without the other relatives.
206

As crianças cresceram e foram-se embora.A escola ficou
deserta. E a aldeia, lá ao fundo, também já está a ser tomada pelas ervas.
207

Guajiro se asoma al portal de su casa de madera al verme
enfocar con mi cámara su casa.

227, 228

Gracinda põe a massa no forno, previamente preparada
na sua padaria.

Villages in India consist, nowadays, of a mixture of natural and green landscapes with ancient farms and highly
technological modernity. Although they remain almost
intact regarding to the degree of pollution, they face high
economic and technological growth. Schools are equiped
with computers , farms already have mechanical tools and
there is solar public lighting. ‘Sarva Shiksha Abhiyan’- or
‘Education for All’ Programme- represents a huge success
(reducing the school dropout rate) and microfinancing is a
great help to the development of agriculture - the basis of
the country’s economy. A road network connects the villages to the cities, shortening the distance between coast
and inland. Rural India is quickly adapting to the economic
and technological development that takes place beyond
its borders. My photos intend to document the versatility
with which rural India embraces change.

217

229

O talento está, muitas vezes, “perdido” nos mais recônditos lugares. Num caderno antigo, escreve os seus poemas,
e bastante orgulhosa quis ler-me um deles. No interior da
sua casa, esta simpática senhora, presenteia-me com as
suas bonitas palavras, e emocionada, agradece por ficar
a ouvi-la.

Dona Alzira em momento de descanso fumando seu cigarro de palha após separar as sementes de urucum colhidas em seu lote no assentamento Mario Lago, antiga e
degradada fazenda de cana de açúcar, onde cerca de 100
famílias participam de um projeto de produção no sistema
de agrofloresta.

218

230

A cadelinha revela-se uma companhia dedicada a esta senhora. Ela retribui com o carinho de todos os dias, que
agora distribui às suas crias. Fez questão de me levar ao
seu quarto para que as visse.

Dona Vicenza na sede do assentamento Mário Lago em
dia de reunião dos produtores agroflorestais. Os agricultores do projeto produzem alimentos de compõem uma cesta com produtos da época que é vendida para moradores
área urbana da cidade.

A padeira de Pitões das Júnias no forno comunitário da
aldeia.
Em dias festivos, Gracinda reactiva o muito antigo forno
do povo, de forma a mostrar aos novos como se cozia o
pão antigamente. Aqui vemos Gracinda a preparar uma
vassoura de giestas para varrer as cinzas do forno.
216

219

Uma tarde de chuva miudinha. Esta pastora, como procurando em si mesmo um abrigo para o mau tempo,guardava o seu gado.

231

220

Os Boras vivem em malocas ou casas comunais octogonais, que tem uma entrada principal e dois laterais. A maloca é considerada uma representação do cosmos e abre
com uma festa todzigwa. Kümüba tambores cerimoniais
(Maguare) estão localizados perto da entrada principal da
aldeia.

Mulher Bora grávida afaga sua filha após a amamentar.
232

208

Trabalhadora na cava do milho, parte do processo da
transformação do milho em farinha.

Praça da Cadeia.

221

209

Ao anoitecer, um ponto que chama atenção é a religiosidade do povo. A cada festa; cada novena; cada missa;
enfim, é um povo de fé.

A pastorícia é umas das actividades ainda muito frequente
por estas Terras de Sicó. As pessoas mais velhas ainda se
dedicam de corpo e alma como que resistindo ao passar
do tempo.

210

222

234

Alone.

Trabalhadoras na cava do milho.

Interior de Portugal - Despovoado.

211

223

235

A wide area of this territory is known for producing different types of crops of biological origin which include several flowers plantations, that are the livelihood of families
throughout the year.

Afghan workers.

Planta cubierta con tela para protegerla del frío.
212

Homem pesca em posição de equilíbrio, segurando o
remo com a perna. Os habitantes da região do Lago Inle
aprendem a técnica tradicional de remar com a perna e
desenvolvem as suas actividades no lago em equilíbrio, na
ponta dos barcos de madeira.
213

Conjunto de habitações erguidas sobre as águas do Lago
Inle formando uma rua. As vilas no lago organizam-se segundo uma estrutura urbana própria, baseada numa rua
principal que ramifica em ruas secundárias perpendiculares, que dão acesso às casas. O tecido urbano é caracterizado por quarteirões longos, resultantes da disposição
das casas em banda, à semelhança dos talhões de cultivo.
214

Tocaña, Yunga Boliviana, alli vive la comunidad afro-boli-

225

Elaborated from the extracted juice of the date palm, this
unique aroma and flavor nectar is recognized around the
world as a delicious specialty. Although its production is
only made during winter, many families depend on this
income to survive.
226

A alegria da comunidade está a beira do rio, os peixes
e crustáceos garantem não só o sustento, mas também
reforçam a identidade cultural de todos que moram na
Ilha de Deus. Enquanto os homens trabalham na pesca, as
mulheres trabalham na lavagem do sururu.

233

Fotografia de menino curioso.

236

Jornaleira alisa a terra para semear.
237

A child working on a farm.
238

Numa pequena aldeia da Beira Alta trabalha-se o mosto.
239

Seu José Miguel dando banho em sua égua nas águas da
nascente que deram nome ao sítio Olho D’água do Figueiras. Na cintura, sua faca, ferramenta fundamental para os
trabalhadores do campo.
240

De mãos dadas com a dança.

208

241, 242

258

Serie: El silencio del desierto.

Revisitação de três conjuntos urbanos marcantes do bairro de Alvalade, em Lisboa, expoentes da modernidade, à
época da sua edificação (anos 50). Estas construções introduzem um novo paradigma neste bairro, anteriormente
caracterizado por uma relação de integração com a natureza,(patente nos parques, matas e hortas urbanas que
o habitam), trazendo a construção em altura, blocos de
escritórios, amplos espaços comerciais e fachadas povoadas por aparelhos de ar-condicionado, vidros espelhados
e néons.

243

Pose de um dos remanescentes da tribo Guarani Mbia denotando orgulho em suas raízes indígenas.
244

Cacique da tribo Guarani M’b, na aldeia Aldeia Ka’aguy
Howy Porã.
245, 246, 247, 248

En el 2014 hice un viaje a Bruselas y me sorprendió mucho
la forma en que los comercios y oficinas ordenaban su basura, las calles parecían escenarios muy limpios en donde
las estrellas eran los desechos que generamos.
249

Revisitação de três conjuntos urbanos marcantes do bairro de Alvalade, em Lisboa, expoentes da modernidade, à
época da sua edificação (anos 50). Estas construções introduzem um novo paradigma neste bairro, anteriormente
caracterizado por uma relação de integração com a natureza (patente nos parques, matas e hortas urbanas que
o habitam), trazendo a construção em altura, blocos de
escritórios, amplos espaços comerciais e fachadas povoadas por aparelhos de ar-condicionado, vidros espelhados
e néons.
250

Grafismo urbano.
251

A comunidade do Bode está localizada no bairro do Pina,
na cidade do Recife, em Pernambuco, Brasil. Casas de madeira do tipo palafitas foram erguidas sobre o que resta de
mangue naquela região. Recentemente, ao lado da comunidade, foi construído um shopping de alta classe social,
o que contribui bastante para a desigualdade existente no
local. O abando e a dor dos que ali vivem, é perceptível,
porém, a esperança de dias melhores, está sempre presente em seus corações.

259, 261

Antaño estaban los buscadores de perlas y los hombres
del desierto. Nada queda ya de aquel tiempo, salvo el
perfil del mar y el azote del sol. Entre Bombay y París, la
pequeña ciudad de Oriente Medio siempre fue testigo de
los acontecimientos. Con el paso del tiempo y la llegada
del oro negro se produjeron los cambios y el crecimiento
desmesurado, sin aparente control.
Dicen que la sonrisa de la subvención y el estado de bienestar desaparecerán cuando se vaya el petróleo. Pero en
las calles nadie habla de ello: con tradición del pasado, se
vive el presente entre los verticales iconos fabricados en
hormigón y cristal. La única certeza es el futuro incierto.
De lo que acontezca, la ciudad seguirá siendo testigo.
260

Downtown glass buildings.
262

Esta y las demás imágenes pertenecen a mi proyecto “Cotton Candy”, en el cual desarrollo una mirada diferente
del casco antiguo de la ciudad de Murcia. Mi intención es
llevar al espectador esa parte inalcanzable de la arquitectura, debido a sus dimensiones. Rescatar esa mirada infantil, donde los techos de los edificios tocaban las nubes.
263

Busquei mostrar uma perspectiva diferente de uma coisa
coisa tão comum, mas que tem muitas peculiaridades interessantes que passam desapercebidas no nosso cotidiano. Rodoviária do Plano Piloto/Brasília.

Um pequeno espreitar felino. O primeiro contacto quando
entramos no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tende a
ser este: a troca de olhares entre nós e os vários gatos que
por lá passeiam e vivem. O silêncio chega depois, nos corredores ladeados por jazigos que não acabam, nas flores
dispersas, na vista para o rio Tejo. O trânsito visto de longe
e a azáfama da cidade, logo ali ao lado, são despojados
do seu parco sentido.

253

264

Perhaps the most important urban strategy that turns
Hong Kong into a great example of planning and design it
is its high-density architecture.

Ruínas do Convento do Carmo, antigo convento da Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância. Monumento
este que sobreviveu, não totalmente, ao tão afamado terramoto de 1775, e que contrasta, nos dias de hoje, com
edíficios modernos localizados na sua perfiferia.

252

254

Espaços projetados por Niemayer, convívio e harmonia.
255

Edifício COPAN, projetado na década de 50 pelo arquiteto
Oscar Niemeyer, com a colaboração de Carlos Alberto Cerqueira Lemos, na cidade de São Paulo, Brasil.
256

Novo prédio nascido onde antes havia uma mansão. A
beleza pertencente àquele lugar se megametamorfoseou.
Arquitetura afiada, de ponta, setas que seguem infinitas
ao infinito.
257

Edifício comercial da cidade de Fortaleza, no Estado do
Ceará, Brasil.

265

Um pequeno espreitar felino. O primeiro contacto quando
entramos no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tende a
ser este: a troca de olhares entre nós e os vários gatos que
por lá passeiam e vivem. O silêncio chega depois, nos corredores ladeados por jazigos que não acabam, nas flores
dispersas, na vista para o rio Tejo. O trânsito visto de longe
e a azáfama da cidade, logo ali ao lado, são despojados
do seu parco sentido.
266

Série - Sobrevoando a cidade
As fotos que apresento representam o estilo de fotografia
de rua que gosto de fazer, tento incluir o grafismo urbano, que adquire maior magnitude pelos locais que escolho

para efetuar as minhas composições, na maioria das vezes
incluindo o elemento humano.
Foto tirada junto a um respiro do metro do Porto, aproveitei esse grafismo com a silhueta de um skater que por
ali passava.
267

Série - Sobrevoando a cidade
As fotos que apresento representam o estilo de fotografia
de rua que gosto de fazer, tento incluir o grafismo urbano, que adquire maior magnitude pelos locais que escolho
para efetuar as minhas composições, na maioria das vezes
incluindo o elemento humano.
Neste caso quis evidenciar o ritmo da pessoa enquadrado
no grafismo da rua com a repetição dos sinais.
268

Uma espera de 30 min em que me senti premiado com a
textura da camisola a jogar com as linhas urbanas.
269

Fotografía documental.
270

O subir dos degraus das Escadas Monumentais para a Universidade de Coimbra, é o caminho para o conhecimento.
271

Urbanization and globalization processes have significant
impact on our lives and, in many cases, they can be very
positive. However, there are always two sides of the same
coin. Cracow is suffering an overbuilt with another shopping mall. People spend their weekend and family time
watching shop windows, buying material things. Fewer
people are interested in the historical and cultural heritage
for which Cracow isrecognized.
272

Mercado do Bolhão.
273

Entre la multitud reunida en la plaza de botero miles de
rumores y anécdotas se murmuran, los venteros aprovechan para ofrecer sus productos y ganarse la vida entre la
muchedumbre y sus habladurías diarias que son comunes
en la localidad.
274

O que acha de sentar e relaxar um pouco?
275

Vista superior,altos e baixos.
276

Medianeras 02.
277

Duas moças sob a sombra de um dos prédios da Cidade
das Artes e Ciências, em Valência, lugar em que os locais
e turistas vão para vivenciar a vida urbana.
278

This picture was taken in central Paris, on the benches located near Pont Neuf River.
279

Foto tirada do Rio Moldava, com a Ponte Carlos e o Castelo de Praga ao fundo.
280

Entre as montanhas do Oeste português se encontra um
vilarejo medieval. Nazaré cresceu virando os olhos para o
mar. E o mar retribui o galanteio, com suas ondas gigantes

209

e seus frutos que dão vida à cidade, simbólicos ou materiais. Assim como as gaivotas, cidadãs de Nazaré, sentinelas que conversam distraidamente em um dia de sol.
281

A tiny portion of flat land available for construction has
led to a concentrated high-rise environment and very high
population density.

Corniglia e Manarola.[1] [2] [3] Constituem uma das principais atrações turísticas da Riviera Ligure.

mana como una tragedia ambiental. Debemos solucionar
una para solucionar la otra.

294

308

This house, painted in different colors by the owner, gives
a colorful frame effect, where you can even notice a girl
silhouette.

From the series “Munro” (Work in Progress).
309

Exemplo de um de milhares de edifícios a necessitar de
recuperação urbana, sob a forma de reciclagem artística
ao invés da reconstrução.

Localizado ao Norte do arquipélago de Marajó, no estado
do Pará, Afuá, guarda muitas peculiaridades. Além de ser
conhecida como a Veneza Marajoara, por localizar-se sobre afluentes do Rio Amazonas, é também a “cidade das
bicicletas”, lá, não trafegam carros, motos ou qualquer
outro meio de transporte motorizado, a economia é baseada em extrativismo de camarão e açaí.
Na fotografia, dezenas de moradores da cidade observando uma moça que foi ferida na cidade e estava prestes a
ser removida de barco para cidade de Macapá, onde tinha
suporte medico mais avançado. A população naturalmente usa a bicicleta para suas mais cotidianas atividades, é
natural as ruas em momentos de pico estarem apinhadas
de ciclistas, promovendo verdadeiros congestionamentos
em alguns pontos da cidade.

285

298

310

Escadaria em espiral no Museu do Povo Galego.

A concreta decadência.

Old man working.

286

299

311

Arcos alusivos às 30 reduções jesuítas, na Praça Pinheiro
Machado, em Santo Ângelo. Cada arco registra o nome
de uma das reduções e a data de fundação. Ao fim do
túnel, a Catedral Angelopolitana.

Qual o sentido de um muro que proíbe a necessidade do
encontro pessoal e comunitário? Quantos muros precisamos construir ou destruir?

287

Quando chegamos ao nosso lar nos deparamos que a
segurança que ele nos passa não passa de uma prisão
social que nos priva do que é natural e realmente confortante.

282

La foto muestra parte de la Avenida de Mayo, en el centro
de Buenos Aires.
283

Hong Kong is the most crowded and colorful place in the
world.
284

Nas festas populares de S. Pedro (final de Junho a início
de Julho) a animação de rua é aproveitada ao máximo
principalmente pelos mais jovens. Os decibéis são sempre em crescendo. Este êxtase só termina no final da
madrugada.

O protagonismo da clarabóia na recuperação dos edifícios, permitindo ao arquitecto idealizar um jogo de formas
no tempo e no espaço, conjugando o antigo com o moderno, a curva com a recta, criando assim espaços únicos e
aproveitando ao máximo as potencialidades de iluminação
deste “objecto”.
288

Claraboia ou lanternim - definição - abertura no topo das
edificações, destinada a permitir a entrada de luz ou a garantir a ventilação. A simplicidade da claraboia presente
nesta fotografia, onde a projeção de luz nos leva a associar à pureza da imagem da concha de Santiago, símbolo
do peregrino do caminho de Santiago.
A claraboia ou lanternim é uma das características arquitectónicas mais marcantes do Porto.

295

We took a bus from Nice and soon we arrived to Monte-Carlo.
It’s a modern, light city growing higher and higher above
the sea shore.
Its geometry it is full of life, almost perfect.
296

This house, painted in different colors by the owner, gives
a colorful frame effect, that time come to improve.
297

300

301

Tejados de viviendas comunes en los suburbios de Budapest, Hungría.
302

Fundos do Edf. Duarte Coelho, prédio onde se encontra
o Cinema São Luiz (cinema de rua mais velho do Recife).
Aí atrás é possível comprar câmeras analógicas, revelar filmes, se tatuar, comer, beber e viver.
303

Localizado ao Norte do arquipélago de Marajó, no estado
do Pará, Afuá, guarda muitas peculiaridades. Além de ser
conhecida como a Veneza Marajoara, por localizar-se sobre afluentes do Rio Amazonas, é também a “cidade das
bicicletas”, la, não trafegam carros, motos ou qualquer
outro meio de transporte motorizado, a economia é baseada em extrativismo de camarão e açaí.
Na fotografia, um das dezenas de vilarejos antes de chegar a Afuá, toda a atividade humana e voltada para o rio,
onde são as verdadeiras estradas daquela região.
312

The guy had a distraction of his astro project. he was angry after my distrubtion, but he could not to move more
than a feet. So he pretend to stay and work on project
again.
313

Dona Tereza, 65 anos, mora em uma casinha precária em
Heliópolis. Aposentada há um ano, ainda luta para sobreviver com sua aposentadoria pequena.

Thousands of families live here.

Todo termino urbano remite intuitivamente a conceptos
colectivos, mientras que las ciudades son el principal lugar
de soledades escondidas. - Edificio Caja Granada (sala de
congresos y exposiciones).

290

304

315, 316

As largas cidades albergam ainda recantos onde o espaço
como que vai minguando para uma ténue frecha.
Contrastes da Arquitetura da Cidade de São Paulo.
A construção vernacular da cidade informal X a linha sóbria da Arquitetura dos edifícios luxuosos do bairro do
Morumbi.
A desigualdade social convivendo lado a lado.

A comunidade do Bode está localizada no bairro do Pina,
na cidade do Recife, em Pernambuco, Brasil. Casas de madeira do tipo palafitas foram erguidas sobre o que resta de
mangue naquela região. Recentemente, ao lado da comunidade, foi construído um shopping de alta classe social,
o que contribui bastante para a desigualdade existente no
local. O abando e a dor dos que ali vivem, é perceptível,
porém, a esperança de dias melhores, está sempre presente em seus corações.

306

317, 318

289

Pombos buscando espaço na floresta de pedras.
291

Fotografia tirada dois dias depois do falecimento do Prince.
292

¿Querrán estos grafitis recordarnos que seguimos viviendo en una selva, en este caso, en una selva de hormigón
trazada de forma racional mediante líneas geométricas?
293

Cinque Terre é o nome dado a um acidentado trecho de
terra, na Itália, na costa da Riviera Ligure situado entre
Punta Mesco próximo a Levanto e o cabo de Montenero próximo a Portovenere e compreende as comunas de
Monterosso, Vernazza, Riomaggiore com os distritos de

305

In Tehran, an addicted man gets warm close to a campfire.
307

Vivo rodeado de bellas montañas. Desafortunadamente
parecen condenadas a desaparecer. La pobreza en mi país
fuerza a millones de personas a tomar un pedazo de tierra
que antes pertenecía al paraíso. Es tanto una tragedia hu-

314

Elaine, 27 anos, mãe de três crianças, divide sua morada
precária com mais 8 pessoas de sua família.

Escenas habituales en la vida de barrio.
319

No history.
320

Segundo o historiador Jacques Le Goff, na antiguidade,

210

o cadáver era objeto de temor e até repulsa. O culto aos
mortos era prestado na intimidade familiar ou longe de
lugares habitados. Com o cristianismo essa relação se alterou. Os túmulos passaram a integrar o espaço urbano,
estreitando as relações entre vivos e mortos. Na Europa
Cristã medieval, um tema foi de grande importância: o
memento mori, “Lembra-te que morrerás”. O tema se
tornou fundamento de um estilo de vida e de reflexão.
Os cemitérios podem ser, portanto, lugares de memória,
de ligação para com os ancestrais, e lugares de profundos
processos de reflexão em relação à morte. O cemitério
da Conchada é o primeiro cemitério público de Coimbra.
Incrustado no alto do Bairro da Conchada, ele é um ambiente que faz parte da cidade e das suas transformações.

330

342

So I see the contribution of human development.

Menina observa em area de risco, o presságio de chuva.

332

343, 344, 345, 346, 347, 348

A urbanização do bairro asiático no centro de Toronto é
um fenômeno interessante a se observar, cada pedaço
com suas peculiaridades pode ser montado e desmontado
aos nossos olhos.

321

La tierra no se vende, es de quien la trabaja, la hábitat y
la necesita.

This photo collection contains a brief story of the life of
nomadic tribes (gypsy).
This people had to migrate from their Province (Zabul)
because of the lack of work and due to the situation of
poverty they lived in.
They had to travel from this province to another to find
some place to live for a certain period of time.
The photos were taken in a desert near Karizak Nagahani
village, located in Khorasan Razavi province.
Gypsies move to this areas to find work in saffron crop
fields and beg for a few months.
It is a hard life, but they are always happy.

335

349

3 mujeres cubanas, caminan por sus calles en un dia de
intenso calor. En el piso inscripciones que se pueden ver
constantemente en la ciudad.“ “Viva Fidel y Raúl”.

333

Las familias aprovechan sus balcones que dan al pasillo de
la villa, para poder ver, como desde una platea, el desfile
de la Virgen.
334

324

Los niños que trabajan en las calles de la ciudad cuidando
autos o limpiando vidrios encuentran momentos para distenderse y hacer el esfuerzo de vivir una infancia normal
por unos minutos mientras juegan al futbol, aprovechan
un espacio que está desocupado de gente dentro de unas
rejas que los separan de las calles, convirtiéndose en una
cancha muy funcional.

Menino sobe escadarias com compras da semana.

336

325, 327

Localizado ao Norte do arquipélago de Marajó, no estado
do Pará, Afuá, guarda muitas peculiaridades. Além de ser
conhecida como a Veneza Marajoara, por localizar-se sobre afluentes do Rio Amazonas, é também a ”cidade das
bicicletas”, la, não trafegam carros, motos ou qualquer
outro meio de transporte motorizado, a economia é baseada em extrativismo de camarão e açaí.
Na fotografia, vemos uma das ruas da cidade de Afuá,
extensas vias de madeira suspensa sobre o terreno pantanoso amazônico, com esquinas e ruas menores, a cidade todo é erguida sobre tabuas, pontes e pilastras de
madeira de lei, apenas 30% das vias da cidade são de
concreto.

323

Na manhã arrasta os anos desta senhora que mora na rua
de Havana. Cansado de sua vida cotidiana se sente cansada na mesa desgastado ao lado de sua TV...

Fotografia da série “Cidade Palco”.
Sem outra opção ou por simples opção pessoal, por necessidade ou por simples gozo e opção de vida, são uma
presença em quase todas as cidades e desde tempos remotos, provocando admiração, entretenimento, ou, muitas vezes, apenas indiferença. A cidade como palco. Um
grande palco da vida.
326

Em frente a uma montra da Baixa Lisboeta pára uma senhora que vê o seu reflexo, o seu olhar não ser correspondido. O comércio tradicional que ainda aqui vive envelhece ao ritmo só próprio de Lisboa e das gentes.
328

337

Envolvidos pelas vistas e colinas históricas, no miradouro
de São Pedro de Alcântara, senhores encontram-se ao fim
do dia para jogar às cartas. No meio de silhuetas, um rasgo de luz ilumina uma carta que voa da mão.

Plaza central de la Basílica de Santa Clara en Assisi, Italia.
Estas dos mujeres haciendo sonar estos Instrumento tenía encantado a más de una persona. Fue un momento
bastante emotivo, hubo personas que lloraron e incluso
bailaron en la plaza.

329, 331

338

El Barrio Antiguo de Hanòi (Vietnam), con sus 1000 años
de historia, es un frenético laberinto vibrante de vida y
de bullicio comercial, lleno de aromas y sabores exóticos.
Los vendedores ambulantes recorren sus congestionadas
calles con cestas que contienen comida barata en medio
de risas, charlas y ruidosas motocicletas.
En el S. XIII, los 36 gremios de Hanòi se establecieron aquí,
cada uno en una calle distinta. En la actualidad hay más
de 50 calles, típicamente llamadas “Hang” (mercancía),
seguidas de la palabra relacionada con el producto tradicionalmente vendido en esa calle.
Explorar sus callejuelas es fascinante: unas se abren y otras
se estrechan en un caos de callejones. Paseando se encuentra ropa, cosméticos, gafas de sol falsas, joyas, hierbas medicinales, ofrendas religiosas y mucho más. Moderno pero tradicional, proporciona al visitante una buena
dosis de cultura vietnamita, a la vez que se descubren
platos típicos de Hanòi y Vietnam en la calle, empapándose de la historia de la ciudad y rodeados de la energía
del siglo XXI.

Os nossos olhos nem sempre veem aquilo que estamos
vendo... qual será a visão dos que estão vendo a imagem
sendo pintada no meio da avenida?
339, 340

Na cidade, os dias são cinzentos: as pessoas cruzam-se,
trazem pressa e o semblante carregado, como estranhas
se olham, como estranhas permanecem. Mas há momentos raros em que a cidade é revelação, explode em nuvens
de cor, faz caminhar lado a lado e abre sorrisos, ainda que
pelo breve tempo de um arco-íris.
341

Vivo rodeado de bellas montañas. Desafortunadamente
parecen condenadas a desaparecer.
La pobreza en mi país fuerza a millones de personas a
tomar un pedazo de tierra que antes pertenecía al paraíso.
Es tanto una tragedia humana como una tragedia ambiental. Debemos solucionar una para solucionar la otra.

Después de la presencia ibérica en América Latina, se dejó
un legado importante en todos los ámbitos del ”Nuevo
Mundo”. Uno de estos ámbitos en donde más fuertemente se identifica esta presencia, es el religioso. Hoy día, en
México somos fieles al este legado religioso que heredamos y sobre todo a la imagen de la Virgen María en sus
múltiples representaciones. Por esa razón, hoy presento
cuatro imágenes que deconstruyen la imaginería “virginal” arcaica y la representan en un nuevo grupo de vírgenes renovadas.
350

Fotografia de Cena da “A Festa“ Criação Colectiva Crinabel Teatro, peça comemorativa dos 30 anos do projecto
Crinabel Teatro. O Grupo Crinabel Teatro é um colectivo
com 30 anos de existência, criado no seio da Crinabel Cooperativa de ensino especial e que tem vindo ao longo
do seu percurso a desenvolver um trabalho artístico com
jovens com deficiência intelectual,procurando potenciar
as suas capacidades artisticas, pessoais e sociais.
351

Un joven indígena menor de edad del Pueblo Guaraní,
detenido en la penitenciaría de la ciudad de Concepción,
agarra con fuerza uno de los barrotes de hierro. Alrededor
de 12 indígenas menores de edad se encuentran en situación de cárcel en la mencionada penitenciaría.
352

Catador.
353, 355

Estas fotos son parte de una serie muy amplia sobre la
celebración religiosa de los Santos Inocentes en algunos
pueblos de Venezuela. Esta festividad se realiza los días
28 de diciembre de cada año, y conmemoran la matanza
de los niños por parte de Herodes para matar a Jesús de
Nazareth. La locura y violencia se apodera de estos pueblos durante este día como parte de la conmemoración
histórica religiosa.
354, 356

Tradición de carnaval recuperada después de 60 años sin
celebrarse. Mascaradas de la provincia de Ávila.
357

Índio Yawanawá na terra indígena do Rio Gregório Acre.
358

Propios y extraños se hacen la promesa de volver al año siguiente para conservar la tradición en Chiapa de Corzo, la
del río Grande, el templo, la “pilona”, la “pochota”, todo
ese mundo mágico de leyendas que es Chiapas.

211

359

Índios Kaiapó nos Jogos Mundiais Indígenas em Palmas,
Tocantins.
360

Manifestação em defesa do Santuário do Senhor de
Qoyllur Rit’i. Ao resgatar imagens e cores que simbolizam
lutas populares sempre me recordo de cores fortes como
o preto e vermelho, por exemplo. Apesar do tom de indignação e protesto, os povos andinos se fizeram notar por
trajes ricos e belos realçados pelo colorido.
361

Pueblos originarios que pelean por mantener sus costumbres y sus tierras frente a los atropellos del capitalismo
feroz.
362

O brincante esperado, no caminho para mais uma vez
expressar a força do caboclo de lança no maracatu rural.
363

Esta imagen forma parte de la serie Diavro , fotografías
tomadas en los Diablos Danzantes en Chuao desarrollados
en el corpus christi del año 2016, Estado Aragua, Caracas
Venezuela. Es tomada en el primero de tres días de desarrollo de la manifestación, llamada la caída de los diablos y
estos recorren todo el pueblo en un perfomancen que se
desarrolla en las vías principales del pueblo, aglutinado en
tres grupos principales.
364

Parte de las fiestas del Corpus Christi trata que los Diablos
Danzantes se acuesten ante la iglesia para adorar al Santísimo Sacramento, allí permanecen por unos 15 minutos
antes de seguir su danza.
365, 366

O dia 16 de Janeiro é um dia especial em San Bartolomé
de Piñares (Ávila-Espanha).É o dia de “Las Luminárias”.
367

Holi Celebration it is a cultural event of the Hindu people, celebrated all around the world. In this picture, this
celebration is done inside a temple where people spread
colorful and bright powder on others.
368

A procissão iniciou e dará as voltas pelos mastros, um de
frutas, o outro com fitas e lanternas.
369

A multiplicidade da herança cultural na cidade de Braga,
uma das mais católicas do mundo.
370

Fotografia de Cena da “ A Festa “ Criação Colectiva Crinabel Teatro, peça comemorativa dos 30 anos do projecto
Crinabel Teatro. O Grupo Crinabel Teatro é um colectivo
com 30 anos de existência, criado no seio da Crinabel Cooperativa de ensino especial e que tem vindo ao longo
do seu percurso a desenvolver um trabalho artístico com
jovens com deficiência intelectual,procurando potenciar
as suas capacidades artisticas, pessoais e sociais.
373, 375

Sambada de maracatu na cidade de Nazaré da Mata, Pernambuco, região Nordeste do Brasil.
A sambada é uma festa preparatória para os desfiles do
cortejo de Maracatu Rural, que acontecem no período de
Carnaval na Zona da Mata pernambucana e no Grande
Recife.

O Maracatu Rural é uma manifestação cultural nascida
nos engenhos da Zona da Mata pernambucana e que
depois se estendeu para Recife e Olinda. O folguedo mantém viva a memória indígena nacional e representa a resistência dos nativos ao colonizador. Os caboclos se vestem
com golas bem desenhadas com lantejoulas brilhantes e
perucas longas feitas de fitas coloridas para dar mistério
ao brincante.

381

374

382

Ngayogyakarta Hadiningrat or Keraton of Yogyakarta (Yogyakarta Emperor). Kingdom of Yogyakarta has a dancer whose job is to entertain the royal guests. But they’re
not just a dancer, because the dance was created by the
king and have high artistic value. In addition, the dance
has a very deep meaning (philosophy) and not all dancers
should bring the dance. It is one of the royal dances are
only shown at certain moments.

A imagem mostra um vendedor tratando um peixe para
ser vendido.

376

Rodando, comandando e chamando todo mundo pra
brincar.
Mané do Rosário, folguedo da cultura popular alagoana.

Qemal Stafa é o nome desta rua em Tirana, Albânia. Com
uma vistosa montanha ao fundo, cabos de electricidade
no caminho e uma vida agitada, o que mais sobressai
são as pessoas nesta rua que carinhosamente acenam
e pedem fotografias. Foi com profunda emoção que as
receberam em formato de papel. “Há gente que fica na
história, da história da gente.

383

Two people exchange phones. In the distance, an elderly
is sitting quietly staring with an almost attractive silence.
384

Num dos portos localizado as margens do Rio Amazonas,
muitas famílias acordam cedo e vão pescar no rio. Na volta
montam pequenas bancas e vendem o que pescaram e
mais algumas coisas no mercado.
385

377

A casita amigos.

During the 19th century, in many countries, slavery was
a recurring situation. Slaves of all races were sent to Iran,
and the last to embark were from the North Eastern Coast
of Africa. With them, slaves brought their culture and
music, still evident in the Mourning of Muharram in the
Southern Regions of Iran.
Once in Iran religious belief is largely Shia, the Mourning
of Muharram is a demonstration of devotion that happens
in the five major regions of Iran, although it has already
been influenced by local cultures, traditions and climate.
In Southern Iran, lamentations consist of playing damams,
karnas and karbs, some of which are instruments introduced by African slaves and Asian merchants.

386

378

Com mais de 80 anos, Seu Teodoro ainda brada o tempo
que abriu a floresta virgem com seu terçado, buscando
onde forjar seu lar. O local escolhido foi um barranco alto,
na beira do Rio Aripuanã, numa área isolada de tudo e de
todos, no Estado do Amazonas. A postura antiecológica
para os tempos atuais, na verdade é mais verde do que
parece, pois sua família e sua comunidade são verdadeiros
guardiões da floresta, pois sua preservação é sinônimo de
pesca e caça farta, além de ótimas colheitas de frutas e
raízes o ano inteiro.
”Cidade pra que....”, diz Seu Teodoro, ”Aqui tenho tudo,
casa, mulher e família, nunca passamos e nem vamos
passar fome....” ”Aqui jamais será uma favela, pois nós
governamos nosso mundo....”
379

Along with the checkers appear large horns called karna,
usually made from reed. These artifacts are also used in
rituals and ceremonies, usually accompanied by chants.
380

A vida da cidade pode ser atrativa para os mais jovens,
mas pessoas como o Seu Caraolho, morador de uma das
áreas mais isoladas do Rio Aripuanã, Estado do Amazonas,
mostra como a vida simples pode ser prazeirosa. “Aqui tenho poucas preocupações, apenas as relacionadas a minha
família.....” diz Seu Caraolho, “Já morei na cidade grande
(Manaus) e vi de perto o que uma favela faz para uma família, desagrega e polui a mente das pessoas....”, “Mesmo
com pouco, somo felizes, só sinto falta de médicos.....”.

A senhora da fotografia sentia-se como um peixe e, quando lhe foi pedido uma fotografia da sua feição, pediu que
o peixe também estivesse na fotografia, pois os peixes faziam, só e pequenos, parte do mundo da peixeira.
387

A simple bicycle can be used as a fruit market. The French
colonization, the communist influence of the USSR, a
terrible war with the United States and a huge influx of
tourists from all over the world - some of the causes,
accuring from the Western world which influenced
Vietnamese life and culture.
However, not even outside influences were able to
change the real image of Vietnam, which understands
and accepts foreign cultures easily. When the peculiarities
of the Vietnamese nation (intricate patterns of Buddhist
temples,with all the flavour of seafood and exotic fruits
and with an authentic and simple life philosophy) are
blended with outside influences (the communism, the
Catholicism, the French baguette and the great «American
Dream»), modern Vietnamese culture is created.
388

Nas ruas de Marraquexe.
389

Momento en el que una turista se acerca a comprar en el
puesto de venta de una ciudadana local.
En esta región del país muchos de los habitantes viven
de la venta de las artesanías que ellos mismos elaboran.
390

Pescador costurando a rede de pesca para ir pra o mar
em seguida.
391

The sad face of an old worker who faces the serious look
of a passer-by. A difficult challenge for someone of his age
having a family to support.
392

Celebración del Carnaval de San Pedro de Atacama, reconocida festividad esperada, tanto por lugareños como por
turistas, se agradece a la Pachamama, donde quien quiera, puede acompañar toda su travesía respetuosamente,

212

donde la bebida principal es la Aloja, que se obtiene al
fermentar hojas de Algarrobo.

411, 412

393

413

Duas mães ciganas que estavam no seu acampamento
deixando-se fotografar.

After the war between Iran and Iraq, many of the self-proclaimed bodies of the martyrs had not yet returned to their
native land or the arms of their mothers. Every year, after
war zones are investigated, many of these bodies return.
Mothers, holding framed pictures of their children, seek
them tirelessly.

394

Our shadows are more sacred than us.
395

Las personas albinas en Benin están consideradas como
fetiches y en contraposición con el resto de países de Africa, consideran que dan buena suerte.
396

Retirada da bagagem dos locais que ficam na primeira
paragem.
397

Na ignorância do mínimo.
398

Na incerteza de um dia continuar na incerteza.
399

Jovem indígena que vende produtos artesanais pelas ruas
da cidade de Porto Alegre.
400

Niños en la escuela de Gossué.
401, 402

Bairro de pescadores em Jimbaran. Um grupo de rapazes
a jogar à bola pára para ser fotografado.
403

Unfortunately, more and more old neighborhoods are
being torn down to make room for modern residential
buildings. There are those families that refuse to leave
their homes behind; the children end up playing amid
the rubble making the most out of worn, mismatched
furniture.
404

Unknown.

Catador.

(taças com pinhas a arder). Daí chamar-se também a “Procissão dos Fogaréus”. Integrados na procissão os fogaréus
evocam os guardas que, munidos de archotes, foram, de
noite, prender Jesus.
420

Porta no porto de pesca palafítico da Carrasqueira.
421

Among adults, a little girl carries a photo frame of his
martyr uncle (who died on his way home) to honor his
memory.

Indígenas del Pueblo Guaraní, son llevados esposados y
con fuerte custodio militar en la localidad de Paso Tuyá,
Azotey, norte del Paraguay. A raíz de las constantes persecuciones que vienen sufriendo los miembros de comunidades indígenas, por parte de grupos de poder, ha aumentado de población indígena en las cárceles del país.

415

422

La Península Ibérica cuenta con una de las regiones más
despobladas de toda Europa (junto a Laponia y Siberia),
los llamados Montes Universales que comprenden la Serranía Celtibérica. Toda la Península Ibérica alberga multitud de pueblos abandonados y degradados, algunos de
estos entornos apenas cuentan con unos pocos habitantes, incluso encontrando aldeas con un solo huésped. Las
crisis contemporáneas están llevando a algunas personas a
replantearse su entorno y su estilo de vida, convirtiéndose
en nuevos pobladores de espacios olvidados y degradados
por el tiempo. Solo en la Comarca de Tierras Altas se encuentran un centenar de despoblados, sumando una docena de aldeas que no llegan a albergar más de diez habitantes cada una. Los nuevos pobladores conviven con los
oriundos, con diversas iniciativas que recuperan las villas y
su historia, reavivando las costumbres y aportando nuevas
ideas y emprendimientos para el desarrollo del hábitat. La
relación con el medio y las pequeñas comunidades humanas son denominadores comunes entre los repobladores,
aspectos como el reciclaje o la sostenibilidad cobran vital
importancia, devolviéndonos el vínculo con la naturaleza
y los animales. Mostrándonos nuestras necesidades más
básicas así como lo que hemos ido añadiendo en nuestro
progreso.

Homenagem às vítimas do atentado de Sábado, 12 de Janeiro no centro turístico de Istambul. Uma cerimónia de
homens, mulheres, crianças, Turcos, Sírios, turistas, ocidentais e orientais para as vítimas.

414

416

423

Trabalhador rural sem-terra em meio à jornada pela Reforma Agrária, pela Democracia e contra o golpe midiático-jurídico em curso no Brasil, onde ergue uma placa
em rejeição à Rede Globo, principal emissora do país e
apoiadora do golpe.
424

Fotografia de trabalhadores rurais integrantes do MST
(Movimento dos trabalhadores Rurais Sem-Terra) em meio
à Jornada pela Reforma Agrária, pela Democracia e contra
o Golpe midiático-jurídico em curso no Brasil.
425

O campo de refugiados de Idomeni, na fronteira da Grécia com a República da Macedónia, tornou-se o epicentro
do conflito da entrada dos refugiados na Europa, após os
ataques de novembro em Paris. Idomeni não é um campo
de refugiados oficial, é uma pequena e pacífica vila grega,
cujo território foi parcialmente ocupado por uma população crescente, impedida de passar a fronteira com a República da Macedónia, o primeiro dos países da chamada
“rota balcânica”.

Quatro amigos desfrutando de um jogo de bola na praia
de Safim.

In these places during World War II was one of the largest
ghettos in Poland - Litzmanstadt Ghetto. Currently, one of
the most peculiar areas of the city - destroyed, neglected
and quite poor.

406

417

427

Foto tirada no Moulay Abdellah Quarter onde se observa o
processo de tinturaria e tratamento de peles.

We can find beauty in ugliness.

407

Comemoração de Carnaval pela população sénior das instituições privadas e publicas do concelho do Funchal na
discoteca da Vespas.

Elsa “Chiche” Masa ajusta sobre su cabeza el pañuelo que
la identifica como una de las Madres de la Plaza 25 de
Mayo. Asiste al comienzo de los actos por el día nacional
de la memoria por la verdad y la justicia en Argentian.
“Chiche” lleva 40 años buscando a su hijo desaparecido
en la última dictadura militar.

419

428

O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos
bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que
percorriam a cidade durante a Semana Santa. O confessor
dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam
à risca tal preceito. Ajudavam a iluminar as ruas durante os
préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio
das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido
durante este tempo especial. O cortejo da procissão “Ecce
Homo” é aberto pelo exótico grupo de farricocos com
grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados,
de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos,
uns empunhando matracas e outros alçando fogaréus

Hilda Hernández Rivera (centro de la foto) e Hilda Legideño Vargas (derecha) son madres de dos de los estudiantes desaparecidos en Ayotzinapa, visitan la ciudad de
Rosario como parte de una gira mundial para reclamar por
la aparición con vida de sus hijos, bajo el lema “vivos se los
llevaron, vivos los queremos”.

405

A determinação não tem limites.
408

As pessoas com deficiência não tem que estar obrigatoriamente restringidas na sua mobilidade. Com o apoio de
gente empenhada e acessos próprios, podem e devem ir
onde desejam, inclusive a exposições e eventos artísticos.
Na foto, a caminho do World Press Photo, no museu da
electricidade.
409

Documentação da vida dos moradores da Vila da Barca
diante abandono demonstram esperança e alegria em seu
cotidiano. Menino na Varanda de sua casa esperando os
amigos.
410

Famílias sofrem com perda violenta de entes queridos.

418

426

Manifestación Nacional contra la violencia de género.

429

Morar no Rio de Janeiro, ser ou tornar-se carioca implica
uma disponibilidade para aceitar naturalmente o risco.
Este inclui pedir uma pizza ao domicílio e chegar uma
lasanha, ter dos melhores dias que a vida pode proporcionar junto da natureza, aceitar que um ponto de ônibus é

213

mais uma linha ou combinar uma cerveja bem gelada com
alguém que tarde ou nunca aparece. Sem contar, claro,
com a bala perdida que nos pode encontrar. Necessário
dizer que, obviamente, tudo é desculpável pois ninguém
no mundo é capaz de dizer “cerveja bem gelada” com
uma dicção tão clara e soar de forma tão realista como
esse povo carioca. Se São Sebastião do Rio de Janeiro
é demasiadas vezes caótica e desordenada, como o é a
vida - o que torna a primeira, poderemos dizer, a cidade
mais verdadeira do mundo – também existe uma calma
e tranquilidade, paz e nostalgia latentes. As fotografias
que compõem este trabalho são essa versão da cidade,
escrevendo os contos diários nos quais os corpos vivem a
Carioquice, com as suas complexidades, os seus desafios,
as suas paranoias e as suas heterodoxias. Longa vida à
vida. Longa vida ao Rio de Janeiro.
430

Uma menina se divertindo por horas com um bambolê
na maré baixa. Sentia-se uma ótima vibração neste momento.
431

El encuentro, los amigos, la marea.
Bajo las palmeras se observan los pescadores, se aprende,
se prepara el próximo encuentro con la mar.
432

Na Ilha do Ferro, logo cedo as crianças aprendem com
os mais velhos a importância do rio para a vida dos ribeirinhos.
433

Três garotas com vestimentas muçulmanas coloridas
olham seus futuros através do oceano.
434

“Farewell, Theresa! yon cloud that over
Heaven’s pale night-star gathering we see,
Will scarce from that pure orb have past ere thy lover
Swift o’er the wide wave shall wander from thee.”
Thomas Moore

Brasil com a vida de cada brasileiro, para que entendêssemos que a ordem e o progresso precisam ser através
de uma participação do poder do cidadão, para juntos
reconstruirmos a nossa nação!
439

Mãe levando sua filha para a Semana Cultural dos índios
Ava Guaranis, da Reserva Indígena Tekoha Ocoy. Esta
abertura aconteceu no dia 12 de abril deste ano.
440

Eu confio. E tu? (Visita à Escola Primária da Missão de
Cumura, Guiné-Bissau, Fevereiro de 2016)
441

Deserto do Bebê.
442

A mongolian family asked us to take them a picture. The
last one they got was also taken by tourists, over three
years before.
443

A arte centenária de “Pegar ao Forcão”. Passa de gerações em gerações. Ex libris da terras raianas do concelho
do Sabugal.
444

4ª Festa do vaqueiro que acontece em homenagem aos
homens que vivem deste ofício.
445

The Mortuary Temple of Hatshepsut in Luxor was completely destroyed and only recently was rebuilt with the
help of Polish Academy of Science. Beneath the cliffs at
Deir el Bahari, the temple has a sacred location and strong
historical meaning for Egyptian people.
446

Casa antiga, restaurada. Bezerros/PE.
447, 449

Children’s Village

Yurua es uno de los cuatros distritos de atalaya, provincia
de Ucayali, que limita con Brasil. Tiene unos 2300 habitantes repartidos en 23 comunidades constituidas por cuatro
etnias: yaminahua, ashaninka, asheninka y arawacos. A
él solo se llega por pekepeke o avioneta dependiendo del
presupuesto. No es considerado unos de los lugares más
pobres del Perú pero los índices de desnutrición son altísimos, la gran mayoría no cuenta con servicios básicos y la
falta de insumos médicos hacen imposible una operación
quirúrgica. Lo primero que me llamo la atención fue que
las niñas quedan embarazadas desde los 13 años y muchos de los hombres sufren de sífilis. Por ello he tratado de
mostrar la vida diaria de algunas comunidades, en especial
como la mujer se desenvuelve en ella de manera que se
pueda reflexionar sobre la condición de ellas en lugares
alejados y así contrastarlas con otras realidades.

438

448

435

Foto de embarcação com moradores locais no Rio Jari,
no sul do Amapá, com a fábrica da empresa Cadam ao
fundo.
436

Las fotos fueron tomadas en una ciudad flotante, en Camboya, uno de los paises mas pobre del mundo. En estas
fotos se puede apreciar las condiciones en las que viven
en el pueblo y como hacen para transportarse la gente
que vive en el mismo. El conjunto de fotos conforman una
serie que es llamada ”Cambodia”.
437

A Ocupação Rosa Leão é formada por centenas de famílias
sem casa para morar, não suportando mais pagar aluguel,
há alguns anos começaram a ocupar um grande terreno
abandonado há décadas na cidade de Belo Horizonte. O
Brasil vive hoje, talvez, uma das maiores crises política e
social de toda a sua história. A maneira como o povo está
reagindo ao desmoronamento do poder executivo, legislativo, judiciário, é ocupando o que lhe é mais importante
para sobreviver: a terra para morar, a escola para estudar,
os hospitais para sobreviverem, os centros de cultura para
poderem se manifestar! Portanto ocupei a bandeira do

Felisa Arias de Balderrama es una mujer de la Comunidad
Indígena de Amaicha del Valle. Fue elegida Pachamama
en el año 2014 por su Comunidad. Hoy vive en una humilde casa, y continúa trabajando para ganarse el pan de
cada día.
450

Florencia es una ama de casa de la ciudad de Buenos Aires, cuyo trabajo al igual que el de miles de mujeres no es
reconocido por la sociedad.

451

As famílias recebem em casa os novos homens de família.
452

Através da fusão de imagens, cada fotograma mostra e
esconde a cena flagrante do trabalho da colônia, num limite entre o que se vê e o que se imagina que se esteja
vendo, explorando a dúvida do espectador.
453

Alegria das mulheres ao receberem seus filhos.
454

Semana Santa de Bercianos de Aliste.
Uma tradição que perdura no tempo.
Através da tradição oral sabe-se que a origem desta peculiar celebração da Semana Santa se deve a uma promessa
feita pelo povo de Bercianos de Aliste (província de Zamora) para se livrar de uma peste que assolou a região.
A Semana Santa nesta pequena povoação de 200 habitantes não tem imagens impressionantes, nem são muito
numerosas, mas tem uma vivência da fé e uma forte vontade de conservar esta tradição secular tão original
455

Janeiro não tão rigoroso como seria de esperar. Mas ainda
assim, a lareira serve de aconchego para alguma eventual
brisa de frio que teima em entrar por baixo da velha porta
de madeira. Lá dentro da aconchegada cozinha tradicional, está a dona Dulce e o seu fiel cão. Fascinada pela
lente da máquina fotográfica, esboça um sorriso para a
prosperidade, ela que nada está habituada a estas coisas,
fatigada pelo trabalho do campo, lá arranjou um tempo
para esta minha insistência.
456

Las últimas horas de luz son el momento en el que Wae
Rebo desprende más alegría, los niños juegan al futbol,
las mujeres y hombres terminan algunas tareas junto a sus
casas o se sientan a jugar con sus pequeños. Cuando el sol
se va, todo se sume en la oscuridad y la única alternativa
es dormir y esperar a que llegue el día siguiente.
457

Tradicionalmente mulher nômade que coze o pão.
458

Sus rostros morenos, sus manos grandes y pies descalzos
resultan fuertemente expresivos. La mujer anciana que se
está ajustando el “Sarong”, mastica betel, hoja que desprende un color parecido al Betadine. Su boca está completamente teñida de un tono rojizo oscuro que asoma
por la comisura de sus labios. En el poblado esto simboliza
belleza e higiene.
Sus pies son anchos y planos, de forma tan marcada que
sorprende. Se ocupan de las tareas domésticas a la vez
que se relajan y divierten después de un provechoso día
de trabajo en el campo. Incluso la pequeña transmite una
imponente sensación de fortaleza. Siempre sonriente, embarrada y jugando.
459, 460

Série fotográfica que tem como objetivo empoderar mulheres negras, com olhares fortes de suas lutas, cores e
acessórios que as ligam à suas raízes e as órixas que admiram.
461

Una comunidad afro-colombiana en un pequeño pueblo,
en el departamento del Cauca, alejado de las grandes ciudades, lucha por mantener sus tradiciones heredadas de

214

sus antepasados que fueron esclavos, esta tradición dictaba que ellos por su condición, no tenían el derecho de celebrar la navidad al mismo tiempo que sus amos y por eso
se veían obligados a aplazar la celebración del nacimiento
del niño Jesús hasta el mes de febrero y no en diciembre
como el resto del mundo, a esta fiesta religiosa llamaron
”Jugas” en la que además se mezclan bailes autóctonos,
y tradiciones gastronómicos, así como también elementos
y tradiciones indígenas, los más ancianos de esta comunidad se esmeran en inculcarle a sus nietos y a los más
jóvenes, el amor y el respeto por esta celebración que
les pertenece y ya nadie nunca más podrá arrebatársela.
462

O “Tufo da Mafalala” é uma associação de âmbito social
constituída exclusivamente por MULHERES (Avós, Mães
e Filhas) e preocupada com questões ligadas ao género
(facto que se reflete nas suas canções), grupos de auto
ajuda e de geração de renda.
Numa autêntica celebração da beleza da Mulher Mácua
(Muthiana Orera), este agrupamento apresenta no seu
repertório as danças tradicionais típicas de Nampula, nomeadamente: o Tufo, Ndzope e Matsepwa caracterizados
por um ritmo de influência afro-árabe; onde para além
do canto e dança evidenciam-se aspectos da cultura feminina, desta província do norte de Moçambique, como
o Muciro, as Capulanas e a preocupação em preservar os
hábitos e tradições africanas.
463

Could you smile like this without any constraint??
464

Una comunidad afro-colombiana en un pequeño pueblo,
en el departamento del Cauca, alejado de las grandes ciudades, lucha por mantener sus tradiciones heredadas de
sus antepasados que fueron esclavos, esta tradición dictaba que ellos por su condición, no tenían el derecho de celebrar la navidad al mismo tiempo que sus amos y por eso
se veían obligados a aplazar la celebración del nacimiento
del niño Jesús hasta el mes de febrero y no en diciembre
como el resto del mundo, a esta fiesta religiosa llamaron
“Jugas” en la que además se mezclan bailes autóctonos,
y tradiciones gastronómicos, así como también elementos
y tradiciones indígenas, los más ancianos de esta comunidad se esmeran en inculcarle a sus nietos y a los más
jóvenes, el amor y el respeto por esta celebración que
les pertenece y ya nadie nunca más podrá arrebatársela.
465

meadamente: o Tufo, Ndzope e Matsepwa caracterizados
por um ritmo de influência afro-árabe; onde para além
do canto e dança evidenciam-se aspectos da cultura feminina, desta província do norte de Moçambique, como
o Muciro, as Capulanas e a preocupação em preservar os
hábitos e tradições africanas.
468

Povos e expressões étnico-culturais presentes no Nordeste.
469

Es hermoso ver como cada vez son mas aceptadas las
condiciones de vida especial, y como la vida cotidiana no
brindan oportunidades para aceptarnos.
470

En La costa sur de Tanzania, hay mayor cantidad de musulmanes. Pero, como ellos dicen, son musulmanes africanos, más abiertos. Mientras paseaba, encontré a estas
dos niñas jugando, que me saludaron, como es habitual
en esta zona, sonriendo.
Y aunque en Tanzania hay tres religiones muy extendidas
por el territorio (Cristianos 45%, musulmanes 35%, religiones indígenas 20%), se caracteriza entre ellos un gran
respeto por las otras religiones
471, 472

Después de la presencia ibérica en América Latina, se dejó
un legado importante en todos los ámbitos del ”Nuevo
Mundo”. Uno de estos ámbitos en donde más fuertemente se identifica esta presencia, es el religioso.
Hoy día, en México somos fieles al este legado religioso
que heredamos y sobre todo a la imagen de la Virgen
María en sus múltiples representaciones. Por esa razón,
hoy presento cuatro imágenes que deconstruyen la imaginería “virginal” arcaica y la representan en un nuevo
grupo de vírgenes renovadas.
473

Salomé e frida é de dois amigos Muxes, compartilhar seus
sonhos e fantasias, enfrentando críticas e acusações, as
suas famílias aprenderam a amar e respeitá-los.
474

Susi é o único que queria cuidar de sua avó, com ela se
sente livre e amado, vivendo juntos há cinco anos, só que
ela entende, é sua neta favorita.
475

Al suroeste de la ciudad de Oaxaca, a tan solo 30 kilómetros de distancia, se encuentra uno de los tianguis
(mercados) más tradicionales del Mexico: el de Tlacolula.
Este increible lugar se establece los domingos en la calle
principal del poblado, y a él acuden indígenas de todos
los pueblos de los valles centrales de Oaxaca a vender su
mercancía y a abastecerse de provisiones.

Em 2015 em Itaparica - BA, conheci essa linda moça que
defende os ideais feministas. Ela nunca havia se deixado
fotografar, por acreditar que os que dispunham a fazê-lo,
o faziam por curiosidade sem compreender a essência de
suas escolhas em manter os pelos do corpo e não usar
maquiagem. Acho que tive sorte de conseguir o que outros tantos tentaram. Eis aí a beleza em sua forma mais
pura!

466

476

No próximo quadro, espelho.

Fotografia tomada en vía pública en oportunidad de marcha orgullo gay.

467

O “Tufo da Mafalala” é uma associação de âmbito social
constituída exclusivamente por MULHERES (Avós, Mães
e Filhas) e preocupada com questões ligadas ao género
(facto que se reflete nas suas canções), grupos de auto
ajuda e de geração de renda.
Numa autêntica celebração da beleza da Mulher Mácua
(Muthiana Orera), este agrupamento apresenta no seu
repertório as danças tradicionais típicas de Nampula, no-

477

A série Não Cálice, da fotógrafa brasileira Leticia Zica, é
fruto de um exercício delicado de libertação e denúncia.
Um exercício de resistência, no qual mulheres foram convidadas para participar de um rito de afeto e coragem.
Surgido de uma coleção de moda feminista, o projeto,
inicialmente, pretendia trabalhar com a escuta de mulheres que sofreram ou sofrem abusos físicos e psicológicos

devidos à condição de gênero. Durante o processo, foram
entrevistadas de maneira anônima e, através de uma série de perguntas formuladas pela fotógrafa, deram pistas
para a criação de uma coleção roupas baseadas nas emoções de quem as vestem.
O contato entre essas mulheres acabou por resultar em
uma série de fotografias em preto e branco que se utilizou da nudez para refutar as insistentes objetificações
presentes na temática do nu feminino e trazer a tona não
só a pluralidade dos formatos femininos, como também
um campo simbólico que contrasta força e fragilidade,
exposição e anonimato. Sob espectro de uma tradição de
artistas do gênero masculino, a série participa de um rol
de produções que têm se debruçado nas discussões que
se propõem a discutir as realidades das mulheres brasileiras e, respeitando cada uma enquanto indivíduo, Leticia
vai a contrapelo da produção mainstream para trabalhar
o nu com a lente da cumplicidade e cuidado.
O trabalho nos mostra relações claras em seu simbolismo. O pente que se pendura, como um machado colado
à árvore recém cortado, também adestra os cabelos de
uma mulher cujo rosto não pode ser visto; uma mulher
mostra os seios mas não nos mostra toda a face, inclinada
para o canto do frame; uma senhora mostra a pele e as
ações do tempo. A palavra Cálice, e sua ambiguidade sonora criada com a ideia de calar-se, amplia as dimensões
do trabalho e nos leva para uma concepção receptiva
do feminino, reforçada pela cultura cristã e cultivada na
ideia conservadora que enxergou na mulher o símbolo
as subserviência. O discurso, na fotografia, se dá através
da minúcia e só pode ser alcançado pela observação demorada, pela atenção exigida, se abstendo de palavras.
Em uma tentativa contínua de reconhecimento de si própria e das pessoas que a circundam, o sensível trabalho
da fotógrafa sempre se utilizou do corpo para tecer suas
poéticas. Um corpo que, diante de seus olhos, é constantemente fragmentado, exposto, amplificado. Um corpo
solto no espaço, único e múltiplo, individual e coletivo e,
sobretudo, sujeito às intempéries do tempo.
478

Ritual umbanda en oportunidad de celebrarse IEMANJA.
479

A dificuldade do cotidiano do sertanejo.
480

Aquí estaba paseando por la bahía de Chimbote y vi a
este joven chancando los pescados bebes que hay entre
las peñas para que le sirvan de carnada.
481

Após chegarem ao “cerco” criado junto à igreja de El Rocio, cavalos e homens são abençoados pela fé católica.
Aos homens a fé oferece-lhes a proteção e a esperança
de bons negócios no mercado anual de cavalos andaluzes
de Almonte. Aos cavalos a fé oferece-lhes saúde e força
para que possam render bom dinheiro aos “ganadeiros”
e para que tenham um futuro grandioso no mundo dos
homens.
482

Após a benção, os cavalos são conduzidos pelos “ganadeiros” por caminhos ancestrais entre El Rocio e Almonte.
Caminhos no meio de enormes e majestosos pinheiros,
que tornam o caminho num tapete de pó fino que entra
pelos poros da pele e se funde no corpo de quem por ali
passa, sejam homens ou animais. Pó, simplesmente pó
é o que envolve homens e cavalos unindo as suas vidas.

215

483

An illegal meat market, which sells sheep meat. Slaughterhouses are located in private homes and the meat
is sold on the street. Sheep come from the Michoacan
state and are transferred to the Mexico State in trailers.
“El Flaco” scattereth the sheep which are carried on top
of the trailer.
484

Dueño del Bar Lisboa, situado en la capital del Departamento de Paysandú en la República Oriental del Uruguay,
asentado frente a la histórica fábrica PayLana, símbolo de
la plenitud de la industria nacional en el siglo pasado, en
actual proceso de deterioro. El Bar Lisboa ha acompañado
durante décadas todos los cambios que ha sufrido la zona
y sus alrededores, hoy se encuentra a la venta.
485

Tres hermanos, sobre una ladera en Challapampa de

la Isla del Sol, arrean ovejas, minetras una tormenta se
aproxima sobre el lago Titicaca. Isla del Sol, Titicaca,
Bolivia.
486

Familia gitana mostrando su foto de jóvenes.
487, 488

Proyecto de fotografía artística documental y de retrato.
El Clot es un barrio prácticamente desaparecido, del que
únicamente queda en pie el bloque de los portuarios. Sus
habitantes son en su mayoría familias gitanas que han
ocupado los pisos del edificio que estaban abandonados.
Los gitanos pertenecen a la minoría étnica más importante del país. Pero es una minoría muy estereotipada socialmente, y según diferentes encuestas, también el grupo
más rechazado por la sociedad mayoritaria.
Este trabajo constituye una reflexión, una forma de explorar el mundo y de entenderlo. Me interesa el individuo, su
rostro y su entorno arquitectónico. Siempre he trabajado

con el ser humano, con gente real y sus situaciones reales,
con personas como objeto fotográfico.
Busco un retrato inquebrantable pero íntimo, directo pero
sensible, objetivamente poderoso pero lleno de emoción
personal, el producto de un compromiso hacia unas personas y su entorno.
No me he encontrado, siendo un barrio marginal, con
rechazo ni dolor. Se trata, en definitiva, de sujetos empobrecidos pero también alegres, incluso abiertamente
orgullosos. Quiero mostrar cómo viven, tratando de convertirlo en una afirmación de la dignidad y la humanidad
que está en todas las personas, y tratando de reflejar en
imágenes la salvaje vitalidad y esperanza de esta comunidad.
En el fondo hay, latentes, sin embargo, unos objetivos
más ambiciosos: documentar de forma metódica todos
los aspectos de la cultura gitana, su territorio y su gente, convirtiéndose en un trabajo sobre la identidad de un
pueblo, el pueblo gitano.

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