Informe do Coordenador Regional – Américas e Caribe – à Assembleia do CMP

em São Luís, Estado do Maranhão, Maranhão, Brasil
17-20 de Novembro 2016-11-18

O Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos, na sua condição de
Coordenador Regional do Conselho Mundial pela Paz para as Américas e o Caribe,
congratula a celebração deste importante evento de organizadores e lutadores pela paz
de todo o mundo e expressa seu sincero reconhecimento à Presidência e ao Secretariado
Executivo do CMP, assim como à Cebrapaz, como organização anfitriã, pela acolhida
calorosa dispensada a todos os participantes deste importante encontro.
Esta Assembleia que se realiza a cada quatro anos é o evento político mais importante
do CMP, e nesta ocasião adquire conotações mais relevantes ainda por se celebrar na
região latino-americana e caribenha e, em especial, no Brasil, país líder em nível
continental e cujo povo, valente e solidário, enfrenta a ofensiva reacionária da
oligarquia conjugada com o imperialismo que conseguiram temporalmente impor seus
desígnios e, mediante um golpe parlamentar e judiciário, tirar da Presidência à
mandatária democraticamente eleita Dilma Roussef, assim como tentam desarticular a
imagem do Partido dos Trabalhadores e de seu líder o querido companheiro Luís Inácio
Lula da Silva.
O acontecido no Brasil mostra que nossa Assembleia se realiza num complexo momento
político no mundo e, em particular, em nosso hemisfério.
Desde esta tribuna reiteramos a convicção dos revolucionários cubanos e de todos os
lutadores pela paz do continente, e renovamos a solidariedade mais militante com o
povo irmão brasileiro e seus genuínos líderes políticos.
O imperialismo e seus aliados da OTAN ampliam de forma incessante suas políticas e
ações belicistas e militaristas com intervenções abertas ou dissimuladas em diversas
partes do mundo, com o propósito de impor seus desígnios de dominação e expansão
econômica e geopolítica, o que unido ao auge do terrorismo criado e financiado por
eles, provocam inúmeras vítimas entre os povos, assim como fenômenos migratórios de
grandes proporções que continuam estremecendo a consciência mundial.

A humanidade vê com horror os fatos que ocorrem na Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão e
na sofrida Palestina, que são o resultado das políticas imperialistas que sustentam os
laços geopolíticos das potências, que buscam uma nova partilha do mundo e que
aumentam a possibilidade de um conflito global de incalculáveis consequências para a
humanidade.
Na América Latina e no Caribe apreciamos com preocupação a contraofensiva do
imperialismo apoiado nas oligarquias locais, que buscam desestabilizar e eliminar os
governos de caráter progressista e reinstalar as forças capitalistas neoliberais e
retrógradas, ao tempo que pretendem frear o processo integracionista e independente
que tem lugar na região.
Para conseguir tais fins, as forças de direita, alimentadas pelo império e sua estratégia
de “golpe suave”, e respaldadas por fortes campanhas midiáticas dirigidas para
confundir os povos, reorganizaram e conseguiram avanços no Paraguai, Honduras,
Argentina, Brasil e na Venezuela Bolivariana, onde o governo e o povo chavista
enfrentam uma guerra econômica de grandes proporções. Nesta estratégia reacionária se
insere também a emboscada aos processos revolucionários do Equador, Bolívia,
Nicarágua e El Salvador.
Ante esta reorganização neoliberal da direita e o assédio às democracias assentadas em
políticas de amplo benefício econômico e social para os setores populares mais
desfavorecidos, se faz imprescindível a mobilização mais ampla e efetiva das forças
amantes da paz na denúncia dessas intentonas golpistas e antidemocráticas. Aí está a
grande importância que atribuímos aos resultados desta Assembleia.
Cuba e EUA reestabeleceram relações diplomáticas em nível de Embaixada, EUA se
absteve na última votação na ONU na qual Cuba apresentou o informe “Necessidade de
por fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos
da América contra Cuba”. Não é possível que exista a normalização plena dos vínculos
entre ambos países enquanto se mantenha o bloqueio econômico, comercial e financeiro
contra Cuba e esse império persista em manter ocupada uma porção do território cubano
na província de Guantânamo por uma base militar, de maneira ilegal e contra a vontade
do povo e o governo cubano.

À luz destas circunstâncias políticas, a preservação da região como uma zona de paz, tal
como foi acordado na Cúpula da CELAC realizada em Havana em princípios de 2014,
será resultado de um compromisso imperativo de nossas organizações e movimentos
pacifistas, o que foi reiterado na Declaração Final aprovada pelos participantes no
Primeiro Seminário Internacional “Realidades e Desafios da Proclamação da América
Latina e o Caribe como Zona de Paz”, realizado também na capital cubana em
setembro, cujos membros vários se encontram presentes neste evento mundial.
Muitas e diversas tem sido as ações e iniciativas realizadas pelas organizações de Paz do
nosso Continente , desde a última Assembleia e que são vistas refletidas nas diferentes
atividades, foros e outros encontros em defesa da paz em nível nacional e hemisférico.
As reuniões regionais de coordenação de estratégias realizadas na República
Dominicana, Venezuela, Argentina e Canadá, tem sido instrumentos efetivos para uma
melhor e mais ampla articulação do trabalho continental a favor da Paz e que em não
poucas ocasiões transcendeu ao hemisfério mediante expressões concretas de
solidariedade com outros povos do mundo como o sírio e o palestino.
Em tal contexto, se inscreveu também a realização da reunião Trilateral de
Organizações de Paz ligadas ao CMP da América do Norte, realizada em julho do ano
passado em Toronto, Canadá, e na que participaram o Congresso Canadense pela Paz, o
Conselho pela Paz dos Estados Unidos, o Movimento Mexicano pela Paz e o
Desenvolvimento e o Movimento Cubano pela Paz.
Um bom número de organizações de paz do continente celebraram o 65° aniversário do
Congresso realizado em Paris em 1949 que favoreceu, posteriormente, o surgimento do
CMP e de várias de suas organizações fundacionais. Também foi recordado com
diferentes atividades, o 70° aniversário da derrota do fascismo com mensagens dirigidas
a frear as expressões de renascimento dessa ideologia em vários lugares de nossa região
no mundo.
Múltiplas foram as ações e pronunciamentos solidários de organizações como Cebrapaz,
a União de Jornalistas Dominicanos pela Paz (Unión de Periodistas Dominicanos por La
Paz), MOMPADE de México , MOPASOL da Argentina, o Congresso Canadense pela
Paz, o Conselho de Paz dos Estados Unidos, o Movimento Caribenho pela Paz e a
Integração de Barbados assim como de outras organizações que tramitam sua adesão
formal ao CMP como Escola de Paz da Colômbia, o Conselho de Paz da Jamaica e

CODEPANAL da Bolívia em apoio aos povos, governos e líderes latino-americanos que
enfrentam a ingerência e as pressões do imperialismo e seus lacaios, aos que estão ainda
submetidos do jugo colonial, assim como aos que tem sofrido os efeitos de desastres
naturais e em respaldo aos processos de paz que se levam a cabo na região.
Com uma notável participação, superior a duzentos delegados de todos os continentes
foi realizada em Guantânamo, o IV Seminário Internacional de Paz e pela Abolição de
Bases Militares Estrangeiras que esteve precedido pela realização da reunião do Comitê
Executivo do CMP, que pela primeira vez se realizava fora da cidade capital de um de
seus países membros.
Estes dois encontros, que reuniram líderes do CMP e a lutadores pela paz e amigos
solidários de Cuba de todo o mundo, constituíram os eixos centrais do trabalho
internacional do Movpaz e da Coordenação Regional durante o ano passado, e seus
resultados impactaram positivamente no trabalho em favor da paz a nível global.
Também tiveram uma ampla repercussão midiática tanto em Cuba como no exterior e,
foi significativa a presença no Seminário de uma ampla representação de organizações
pacifistas e lutadores antibelicistas vindos dos Estados Unidos, Canadá e México.
Nos momentos atuais, o Movpaz junto ao CMP e a outras instituições da sociedade civil
cubana convocaram a quinta edição do Seminário Internacional de paz e pela Abolição
das Bases Militares Estrangeiras que novamente terá como sede à cidade de
Guantânamo, e que se realizará de 4 a 6 de maio de 2017. Estamos seguros que este
evento condenará as bases e instalações militares estrangeiras em todo o mundo e
demandará a devolução a Cuba do território ilegalmente ocupado durante mais de um
século pelos Estados Unidos contra a vontade do povo cubano, e o fechamento do
centro de tortura ali instalado por Washington. A partir deste, lhes fazemos um convite
que nos acompanhem em Guantânamo.
Em correspondência com os objetivos traçados nas diferentes reuniões regionais, a
Coordenação Regional continuou dando atenção priorizada ao fortalecimento do
trabalho em favor da paz na região a partir de duas vertentes principais, que foram a
reativação de organizações e movimentos nacionais pela paz, onde já existiam
anteriormente, e a promoção e estímulo à criação de novas entidades desse tipo nos
países onde não existiam.

Os resultados alcançados até a data, ainda que modestos, permitem apreciar avanços na
atividade e projeções de trabalho pela paz na Jamaica, Barbados, Colômbia, Bolívia,
Chile, Nicarágua e Peru vários de seus representantes participam nesta Assembleia que
também deverá aprovar o ingresso ao CMP de várias organizações de paz dessas nações
que o solicitaram , como são o Conselho pela Paz da Jamaica, que desde 2012 se iniciou
um processo bastante positivo de refundação e atividades; a Escola de Paz da Colômbia
que também mantém ativos vínculos com o Movpaz e a Corrdenação Regional e o
Comitê de Defesa do Patrimônio Nacional da Soberania e Dignidade (CODEPANAL)
de Bolívia que desde os últimos meses incorporou sua atividade ao tema da paz.
Com grande alegria, as organizações da paz do Continente acolheram e continuam
respaldando as negociações para a paz na Colômbia entre o governo e as FARC-EP que
prosseguem em Havana, assim que se firmou os acordos principais em Cartagena de
Indias e o resultado do plebiscito neste país.
Como um elemento na perspectiva geral de trabalho pela paz em nível global, continuou
tendo força a visão de colocar o tema da luta pela paz em escala nacional, o que
permitiu projetar o acionar de organizações como a Escola de Paz na Colômbia, que
desenvolve diversas ações em nível local vinculadas à educação pela paz, e o Conselho
de Paz da Jamaica que, entre outras coisas, orienta seu trabalho para conseguir uma paz
cidadã e contra a violência criminal que existe neste país caribenho.
Companheira Presidenta:
Durante este período o CMP lamentou as desaparições físicas de vários guerreiros da
luta pela paz e dirigentes paradigmáticos do CMP , entre os quais se encontram, por
nossa região, os camaradas Orlando Fundora e Rina Bertaccini, cujos exemplos
continuarão inspirando e marcando o caminho e os combates futuros de nossa
organização em defesa da paz.
Camaradas:
Numa breve síntese, temos apresentado os resultados fundamentais do trabalho pela paz
realizado em nosso continente nos últimos anos.

Os desafios ao nosso nobre trabalho se multiplicam pela agressividade do imperialismo
e seus aliados que com uma nova ofensiva política ingerente, tentam restabelecer as
políticas neoliberais em escala regional e reverter os processos democráticos populares.
É por isso que esta Assembleia tem o compromisso de delinear e definir ações que
permitam a ampliação e o fortalecimento da atividade mundial em favor da paz. É um
imperativo destes tempos, ao que devemos corresponder sem descanso, com eficácia e
sistematicidade.
Muito obrigado.

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