Comitê Palestino pela Paz e a Solidariedade

‫اللجنة الفلسطينية للسلم والتضامن‬

Relatório Regional do Oriente Médio
Assembleia do CMP São Luís - Brasil - 18 e 19 de Novembro de 2016
Por Dr. Akel Taqz
Prezadas/os companheiras/os e amigas/os
Permitam-me primeiro agradecer nossas/os companheiras/os no CEBRAPAZ por receberem a Assembleia do CMP, este
evento extremamente importante.
Também permitam-me transmitir as mais calorosas saudações das nossas organizações-membros e dos povos do Oriente
Médio à CEBRAPAZ e ao amistoso povo brasileiro por sua posição firme no apoio à luta pela paz e pela justiça que nossos
povos vem enfrentando.
Prezadas/os companheiras/os e amigas/os
Tenho certeza de que vocês estão acompanhando a situação que a região do Oriente Médio vem passando nos últimos cinco
anos e que, hoje, atravessa o capítulo mais perigoso de sua história. A região tem sido o foco de tentativas cuidadosamente
orquestradas pelo imperialismo mundial liderado pelos EUA, para consolidar sua hegemonia e assegurar o controle
imbatível sobre o fluxo de energia. Os Estados Unidos, a União Européia e seus aliados na região puderam ditar o rumo dos
eventos no Oriente Médio orquestrando crises, guerras e conflitos, utilizando-se de extremismos, em especial o religioso,
para este fim. As forças reacionárias no Oriente Médio, incluindo o governo Israelense, amparado pelo imperialismo,
trabalham para implementar o Plano do Novo Oriente Médio Estadunidense.
Como resultado desta intervenção, centenas de milhares de pessoas se tornaram refugiados e imigrantes, especialmente da
Síria, Iraque e Líbia. Nós, como Palestinas/os, sabemos muito bem qual o significado de ser um refugiado. Eles sabem
como criar o problema, mas nunca fazem um esforço sério para solucioná-lo. Nesta ocasião, manifestamos nossa
solidariedade aos refugiados e a seus direitos por condições humanas e a seu direito de retornarem à suas casas.
A intervenção imperialista e a guerra continuam na Síria por mais de cinco anos, nos quais o país é alvo de todos os tipos
de ataques por grupos terroristas e imperialistas para alterar o regime, destruir o país e seu exército e dividir seu território e
seu povo a partir de bases étnicas e sectárias.
Acreditamos que uma solução pacífica para os problemas internos Sírios devem se dar pelo diálogo entre todas as forças
patrióticas da Síria e sem intervenção externa alguma. Somente o povo Sírio tem o direito de decidir seu futuro e liderança.

Boa parte do Iraque estava sobre o controle de terroristas, resultado de sua ocupação e destruição pela assim chamada
coalizão internacional. Manifestamos nossa solidariedade ao povo Iraquiano na luta pela libertação do território Iraquiano e
a retirada de todas as forças estrangeiras do Iraque.
O Líbano ainda está sob ameaças de terroristas, por um lado, e de Israel, que ocupa parte de seu território, por outro.
Esperamos que a eleição do presidente e a formação de um governo ajude a estabilidade do país. O povo pacifista e
progressista do Líbano sempre terá nosso apoio e solidariedade na luta pela libertação de sua terra pela ocupação Israelense
e para seu futuro melhor.
A agressão no Iêmen segue por mais de um ano e meio com dezenas de milhares de inocentes mortos, centenas de milhares
feridos e um país destruído. Manifestamos nossa solidariedade ao povo do Iêmen e exigimos a interrupção imediata da
guerra. Acreditamos que o povo do Iêmen é capaz de resolver seus problemas sem intervenção estrangeira.
Acreditamos, apesar do acordo entre o Irã e o ocidente para a questão nuclear, que imperialistas não cessarão seus esforços
e intervenções no país, utilizando-se das divergências entre o Irã e seus vizinhos.
Acreditamos que o programa nuclear Iraniano deve estar sob o controle da agência internacional como um passo na direção
de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Manifestamos nossa solidariedade às/aos guerreiras/os da paz,
às/aos trabalhadoras/es e às forças progressistas no Irã, pelos direitos sociais e democráticos.
A Líbia também se tornou palco de conflitos impulsionados pelo imperialismo para intervir e ditar seu desenvolvimento,
ameaçar países vizinhos, em especial a Tunísia e a Argélia, através do terror e vitimar o povo Libanês. A estabilidade na
Líbia não pode ser atingida com a presença de forças estrangeiras e seu apoio a terroristas.
O Egito também enfrenta graves problemas econômicos e de segurança, sendo um alvo de ataques imperialistas,
especialmente no Sinai. Nossa solidariedade ao povo Egípcio e às forças progressistas pela estabilidade do país continuará,
contra todas as opressões e intervenções estrangeiras.
A democracia e as liberdades individuais na Jordânia também estão sob a ameaça de extremistas que atacam ativistas
progressistas e pacifistas. Apoiamos a luta do povo jordaniano e as forças progressistas na luta pelas liberdades
democráticas e justiça social.
A situação do Bahrein avança negativamente afastando-se de uma solução. As forças e o regime reacionários estão
empurrando o Bahrein a um conflito interno religioso e sectário, usando este pequeno país e suas divergências internas no
fomento a conflitos de forças regionais.
O Sudão, infelizmente, após longo período de conflito interno, que resultou na divisão, ainda enfrenta conflitos e pobreza
em ambas as partes, com presença de crises políticas e guerras civis em outras partes. Expressamos nossa solidariedade ao
povo Sudanês e às/aos guerreiras/os pela paz e progresso contra todos os tipos de opressões e intervenções pelo regime.
Prezadas/os companheiras/os e amigas/os
A questão Palestina está há anos sem nenhum esforço sério para sua solução desde o colapso do então chamado processo de
paz, com a ameaça de ser abandonado. As contínuas guerras Israelenses contra os Palestinos em Gaza e sua política de

extermínio no Banco do Oeste torna a situação mais complicada. Os EUA e seus aliados dentro e fora da região tentam
desviar a atenção da comunidade internacional para a assim chamada guerra contra o terror, apresentando Israel como

vítima e a prioridade sendo a guerra contra o Estado Islâmico e a criação de uma nova coalizão incluindo Israel - enquanto
Israel apóia (e financia) grupos terroristas armados na Síria. A contínua ocupação Israelense é o principal motivo da
instabilidade regional. A luta constante do povo Palestino contra a ocupação e agressões dos colonos, que atacam e
queimam famílias e propriedades Palestinas, mostram que sem resolver a questão Palestina, e interromper a agressão
Israelense, o Oriente Médio sempre será um palco de conflitos e guerras.
Precisamos enfatizar que a solução para o problema Palestino deve estar calçada na legitimidade internacional para cessar a

ocupação, estabelecer um estado Palestino independente nos territórios ocupados em 1967, com a Jerusalém leste sendo sua
capital, resolver a questão dos refugiados com base na resolução 194 da ONU, e libertar os prisioneiros dos cárceres
Israelenses.
Negociações realizadas a partir um papel ativo da comunidade internacional, com tempo delimitado, assentadas nas
resoluções da ONU para finalizar a Ocupação Israelense são o único caminho para a solução. Qualquer atraso em trazer ao
fim a ocupação Israelense dá oportunidade para ampliar a realidade do colonialismo nas terras Palestinas e a criação de um
estado de Apartheid.
Para estes objetivos estamos lutando junto às forças amantes da paz, democráticas e progressistas dentro de Israel, que

enfrentam diariamente ataques e agressões do governo extremista e reacionário Israelense e as forças fascistas - que
avançam diuturnamente.
2017 serão completados 100 anos da promessa de Balfour, 70 anos da Nakba Palestina e 50 anos da agressão Israelense de
1967. A comunidade Internacional deve assumir sua responsabilidade para acabar com a injustiça contra o povo Palestino e
a ocupação.
Hoje mais que nunca é necessário fortalecer o movimento de solidariedade Internacional ao povo Palestino. Nesta ocasião,
gostaria de agradecer ao povo brasileiro e, especialmente, às forças progressistas e pacifistas do CEBRAPAZ na linha de
frente pela sua posição de apoio à paz real e justa na Palestina e seu apoio ao povo Palestino ao longo de décadas.
Prezadas/os companheiras/os
Acreditamos que a ação coletiva e luta dos povos do mundo e a solidariedade aos povos do Oriente Médio deve continuar.
Com esforços coletivos podemos conquistar e proteger a paz mundial.
Dr.Akel Taqz, Coordenador do Oriente Médio no Conselho Mundial da Paz (CMP)

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