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FLAUTADOCEBR

AFINAÇÃO – ACABANDO
COM OS MITOS
(HTTP://QUINTAESSENTIA.COM.BR/AFINACAOACABANDO-COM-OS-MITOS/)

03/

05/13

(http://i0.wp.com/quintaessentia.com.br/wpcontent/uploads/2013/04/pythagsource.36.gif)Cont
inuando o assunto do artigo da semana passada
sobre afinação, mas agora com uma visão um pouco
mais teórica sobre o assunto. Tenho visto muitos
músicos com grande dificuldade para compreender e
consequentemente em como fazer para tocar
afinado, e esta dificuldade os deixa muito
preocupados… mas com muitos flautistas acontece
justamente o oposto, por pensar que basta fazer o
dedilhado correto, estes nem pensam que a afinação
existe ou que devemos nos preocupar com isto, o que
é muito grave.
Por esta razão, decidi esclarecer este assunto, que
não é difícil, nem complicado. Além de músico, sou
engenheiro, e por isso decidi colocar argumentos
musicais, visuais e matemáticos, assim todos terão
referências sobre como devemos afinar cada nota:
pessoas auditivas usam os exemplos sonoros,
pessoas visuais terão referências visuais, e pessoas
com pensamento abstrato podem usar os conceitos
matemáticos apresentados.
Não se preocupe caso você não entenda algum
conceito específico, pois o importante é o resultado
sonoro ao tocar seu instrumento. Irei aqui
proporcionar meios para que você possa aplicar isto
no seu estudo do instrumento. Se houver alguma
dúvida, basta escrever para mim, pois serei grato em
ajudar.
Segue abaixo os conceitos que irei abordar:
Referência Lá = 440Hz – O que é isso?
A série harmônica
Breve histórico – Como afinar a escala?
Afinação temperada
Afinação justa
Tocando em um grupo

. a quantidade de ciclos (vibrações) por segundo. chamamos de “onda”. O meio pelo qual o som se propaga é o ar. algumas um pouco mais alto como 445Hz.Relação pura x relação temperada Devo tocar a sensível mais alta? Referência Lá = 440Hz – O que é isso? O som é o resultado de uma vibração que se propaga pelo ar até o nosso ouvido. por isso o som é considerado uma onda mecânica. Hoje em dia. exatamente meio tom abaixo da convenção moderna. Num instrumento de sopro. só se chegou a isso depois da 2. Esta velocidade de vibração. a maioria dos instrumentos são afinados com a nota Lá calibrada em 440Hz ou 440 ciclos por segundo. Algumas orquestras afinam os instrumentos em 442Hz. um outro nome mais exato para o som é “onda sonora”. na música barroca. movimentando suas moléculas. usamos o diapasão 415Hz. também chamamos de diapasão 440Hz. em velocidade inversamente proporcional ao comprimento do instrumento (quanto maior mais grave. chamamos de frequência. mais agudo). ou de uma forma mais exata. Esta é uma convenção não muito antiga. Num instrumento de corda. a corda vibra numa velocidade que é proporcional à tensão da corda e inversamente proporcional ao seu comprimento e diâmetro. por volta dos anos 50.a guerra mundial. é o ar que vibra. Por isso. quanto menor mais agudo) e proporcionalmente à velocidade do ar colocado dentro do instrumento (quanto mais velocidade. e normalmente. Toda vibração que se propaga por um meio.

Intervalos consonantes são . podemos afirmar que seus harmônicos   coincidem. 600. (http://i0. 700Hz e assim por diante. Como exemplo. imaginemos um som com frequência de 100Hz. A série harmônica Cada som produzido mecanicamente. 5 partes iguais.br/wpcontent/uploads/2013/04/Serie-Harmonica. 400.wp. uma variação maior que uma quarta justa. e teremos o som respectivo de cada um dos harmônicos.png) Da mesma forma que cada harmônico tem uma frequência. 4.com.com/quintaessentia. Quando ouvimos duas notas afinadas. Harmônicos são sons simultâneos. com frequências múltiplas da frequência fundamental. Seus harmônicos terão as frequências de 200. podemos dizer que cada harmônico representa uma nota. existem evidências do diapasão variando desde 380Hz até 502Hz. é necessário definir uma convenção. 500. 300. São os harmônicos que definem o timbre dos instrumentos. Durante a história da música ocidental. 3. produz o que chamamos de harmônicos. Em um instrumento de corda isto é muito presente e visível. pois podemos dividir a corda em 2. Normalmente as flautas doces tem afinação 440 ou 415Hz.Estas não são as únicas convenções possíveis para afinação. ou um diapasão. Mas. e isto tem tudo a ver com o nosso assunto principal: a afinação. para que dois instrumentos diferentes toquem em conjunto.

.o – oitava Estes intervalos formam a base de toda harmonia tonal. Ao soprar um pouco mais. De todos as notas da série harmônica. Caso ele não saiba. cavaquinho. peça para encostar o dedo levemente bem no meio da corda. sem pressão. afinada bem baixa 8. Se dividir a corda em 3 partes.intervalos com muitos harmônicos coincidentes. cello. ouviremos o 3. dó na contralto).o – oitava 3. Ao soprar um pouco mais. etc). e são perfeitamente reconhecíveis auditivamente ao tocar o instrumento. utilizaremos os primeiros 8: 1. e toque a nota (dó na flauta soprano ou fá na contralto).o – terça maior 6. encostando o dedo em uma das divisões. Exercício 2: Encontre um amigo que toca algum instrumento de corda (violino. enquanto intervalos dissonantes são intervalos com poucos ou nenhum harmônicos coincidentes. guitarra.o ou 8. ouviremos o segundo harmônico (oitava acima). violão.a). Deve soar a nota oitava acima da corda solta. É possível chegar até o 7.o harmônico. e peça a ele mostrar os harmônicos do instrumento. é possível ouvir muitos harmônicos dividindo a corda em mais e mais partes iguais. soará a nota 12.o – quinta justa 4.a acima (8.o – quinta justa 7.o – sétima menor.o – fundamental 2.o – oitava 5. No violino ou cello. Um pouco mais e ouviremos o 4.o harmônico (sol na soprano.o harmônico com um bom instrumento e boa técnica.a + 5. e tocar. Exercício 1: feche todos os furos da flauta.

basta dividir 440 por 1. e descobrir as frequências das notas da série harmônica mais graves que o lá. este é um excelente exercício auditivo e tem tudo a ver com o que vamos discutir daqui em diante. lá = 1760Hz. depois por 3 (1320). lá = 110Hz. mi = 1320Hz. por 4 e assim por diante. resultando lá = 220Hz. Em seguida. fazemos a multiplicação quando dividimos a corda em partes iguais (quanto menor a corda. mais aguda é a nota). temos 12 notas. etc. etc) seguindo a série harmônica. E a divisão da frequência quando “esticamos” a corda (quanto maior a corda. ré = 146. mas se considerarmos todos os acidentes (sustenidos e bemóis). depois por 2. Se pensarmos no instrumento de corda.66Hz. depois por 2 (880). Já sabemos que a nota Lá tem a frequência de 440Hz. fiz o mesmo dividindo. eu primeiro multipliquei o número 440 por 1.Muitos violonistas usam os harmônicos para afinar as cordas do instrumento. mais grave). fá = 88Hz. e que ela possui harmônicos (lá = 880Hz. . por 3. Para quem não acompanhou a matemática envolvida. Breve histórico – Como afinar a escala? A escala musical tem 7 notas. dó# = 2200Hz. Também podemos aplicar o pensamento inverso.

com. 4:1 representa 2 oitavas. físicos e matemáticos já conheciam muito bem estas coisas. descobriu a base numérica da acústica. Pitágoras. podemos imaginar que. Seguindo este princípio. certo? Errado… A matemática e nossos ouvidos nos provam que isto não é verdade. podemos seguir o círculo de quintas e afinar as 12 notas da escala.. filósofos.wp. os músicos. o filósofo grego que viveu no séc. 3:1 à oitava mais uma quinta.br/wpcontent/uploads/2013/04/00069112_000.(http://i0. 4). 3. 3:2 a quinta justa e 4:3 uma quarta justa.com/quintaessentia. e que as consonâncias deveriam ser representadas por proporções numéricas simples derivadas do tetractys (1. Em música.C. VI A. 2.jpg)Desd e a antiguidade. a sequência de números que derivam todas as coisas do Universo. Dizem as lendas que enquanto ouvia um ferreiro martelando uma bigorna ele percebeu os intervalos musicais. Quando seguimos este método. chegamos num problema intrínseco à nossa escala musical: . 2:1 corresponde à oitava.

com. Mi.png) (http://i1. A esta diferença. Lá#. que se partirmos da nota Dó. seria assim: . Ré.br/wpcontent/uploads/2013/04/Proporcoes. ou seja: Dó. ao chegar no Si# este não terá a mesma afinação do Dó.(http://i1. Também poderíamos imaginar em afinar as terças puras. será uma nota muito alta.com/quintaessentia. Dó#. Fá#.png)A figura acima mostra.wp. Sol. sempre em quintas afinadas ou puras. Mi# (ou Fá). chamamos de “coma pitagórico”. usando a proporção do 5. Lá. Sol#.wp.com.o harmônico. Partindo da nota Dó. Ré#. Si. ao invés disso.br/wpcontent/uploads/2013/04/Circulo_de_5.com/quintaessentia.

Neste temperamento. e evitando o uso dos intervalos “ruins” ou desafinados. quando surgiram os “temperamentos”. o repertório deste período raramente utiliza estas notas. o temperamento mais comum era o chamado Pitagórico.(http://i2.C. nota considerada o centro da escala. esta é a chamada “quinta do lobo”. partindo da nota Ré.com/quintaessentia. e por isso. Temperamentos Os temperamentos foram criados para solucionar os problemas que mencionamos anteriormente. o Si# (ou Dó) seria mais baixo daquilo que esperávamos. este temperamento era muito apropriado.png)Dó. a única quinta desafinada é entre Mib e Láb (ou Sol#). XIV. Por isso. Estes problemas começaram a ser discutidos por teóricos do séc. Sol#. Como o repertório naquela época continha apenas intervalos de quintas e quartas justas e todas as terças eram consideradas dissonâncias. que fica muito curta pela razão que expliquei anteriormente.) os músicos e teóricos procuraram uma maneira melhor de dividir a escala. sempre buscando uma melhor adequação ao . Ainda na Idade Média. Mi. Si# (ou Dó). que se baseia na afinação de quintas puras. O batimento produzido quando estas notas são tocadas juntas parece o uivo de um lobo. Na Renascença (por volta de 1500 D.br/wpcontent/uploads/2013/04/tercas. Vemos que neste caso.wp.com. de forma a manter a escala o mais afinada possível.

Assim. e por esta razão. favorecendo os intervalos de terças ao invés das quintas. Neste temperamento. a afinação de um Sol# e um Láb são diferentes. este temperamento é categorizado como linear. . e não é possível fazer enarmonizações. isto é. e não é possível transpor tons. algumas quintas são “estreitadas” para que as terças maiores sejam puras. pois algumas tonalidades serão mais afinadas que outras. e a afinação pitagórica não atende as exigências estéticas. Desta forma.repertório da música atual. com isso surge o temperamento Mezotônico. o Dó# é diferente do Réb. A polifonia está na moda. é dado o primeiro passo para que a harmonia tonal seja criada. alguns séculos mais tarde.

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com. Este livro pode ser encontrado em formato digital gratuitamente na internet. vemos que todos os sustenidos devem ser mais baixos do que os bemóis correspondentes. onde ele fala sobre “The art of playing on the violin” (a arte de tocar o violino).wp.com/quintaessentia.br/wpcontent/uploads/2013/04/Violino. a estética musical adota a harmonia tonal como padrão. e que o Eb deve ser ligeiramente mais alto do que o D#.(http://i2. algo que seria impossível de realizar em um instrumento de teclados. podemos perceber que as notas D# e Eb logo no início da escala não são iguais. Já no período Barroco (a partir de 1600). na biblioteca de partituras de domínio público (biblioteca de partituras de domínio público).png)Na figura ao lado. e por isso a estética demanda uma variedade maior de tons . Olhando mais atentamente. mas é perfeitamente realizável no violino ou na flauta doce. retirada do livro “The modern musick-master” escrito por Peter Prelleur em 1730-1731.

mas desfavorecendo as tonalidades com mais acidentes que soariam mais desafinados. cada uma teria um afeto diferente.br/wpou Lá Menor. baseando-se no mezotônico porém estendendo suas possibilidades: Vallotti. e modula (http://i2. por causa da grande necessidade de modulações (uma música que começa em Dó Maior. mas cada tom tem uma colocação ou resultado diferente. Todos estes temperamentos favorecem alguns tons mais usados (com até 3 sustenidos ou 3 bemóis na clave) que soariam mais afinados. a estética começa a exigir temperamentos mais “iguais”. Muitos teóricos criam possibilidades de temperamentos. mas isto não quer dizer que todas as escalas soassem iguais.com/quintaessentia. Bach compõe O Cravo Bem Temperado. Kirnberger. que deveria usar um temperamento que possibilitasse transpor as melodias para todos os tons da escala.afinados. content/uploads/2013/04/Escala . isto faz parte da estética do período barroco. pois possibilitam tocar em todos os tons da escala de 12 notas. já que os compositores usariam disso para criar afetos diferentes em cada composição. Alguns temperamentos deste período já podem ser categorizados como temperamento circular. A partir de 1730.wp. Werckmeister. Young  são exemplos destes temperamentos. para Sol Maior com.

pois ao invés de favorecer as escalas mais usadas e desfavorecer as menos utilizadas. Por esta . -irregular.png) Esta — Exemplo de temperamento circular irregular.por exemplo). e os respectivos ajustes na proporção das quintas necessidade cresce até o Romantismo (meados de 1800 em diante). 1520 – 1591). pai de Galileu Galilei. temperamento igual. defendia o temperamento igual – mas não possuíam meios práticos para afinarem todos os instrumentos por este método. quando a harmonia tonal chega ao seu limite e os compositores fazem uso de modulações muito distantes (Lá maior para Dó menor. o que seria impossível em um temperamento mezotônico. o que chamamos de afinação temperada. Desde a antiguidade. Afinação temperada Este é o temperamento exibido em qualquer afinador eletrônico moderno. e utilizado amplamente na música clássica e popular nos dias de hoje. os músicos teóricos já conheciam a afinação temperada – Vicenzo Galilei (ca. ou ainda escala igualmente desafinada. foi possível realizar. Embora o temperamento igual ainda não fosse utilizado neste período de forma massiva. ou afinação igual. por exemplo). em termos práticos e difundido a todos os músicos. o temperamento igual desafina igualmente todos os intervalos para que a música possa ser transposta para todos os tons. Apenas com o surgimento dos instrumentos musicais e afinadores eletrônicos. já era usada uma afinação muito parecida com a que usamos atualmente. além do que este temperamento não era considerado adequado.

isto é. (http://i1. os músicos simplesmente ignoraram este temperamento por vários séculos. Para padronizar a escala igualmente. e como devemos calcular cada uma das notas. tanto maiores quanto menores.wp.wp. a partir da nota Lá = . a oitava é dividida em 12 partes iguais. O temperamento igual possui as quintas justas muito parecidas com as quintas puras do temperamento pitagórico. são muito diferentes das terças puras (ver tabela no final deste artigo). Porém. matematicamente.png)Como exemplo. o problema da “quinta do lobo” é dividido igualmente por toda a escala. e alguns teóricos costumam dizer que as terças são mais “brilhantes” desta forma. apenas 2 cents mais estreitas do que as quintas puras. está a proporção de cada semitom no temperamento igual. e para isso não são usadas proporções puras.com/quintaessentia.br/wpcontent/uploads/2013/04/Igual. embora já fosse conhecido pelos teóricos.png)Ao lado.com/quintaessentia. mostro ao lado como calculamos a frequência do Dó Central.br/wpcontent/uploads/2013/04/exemplo. quando também podemos dizer que são apenas mais desafinadas. as terças.com.com. ao invés disso é usado um número racional: (http://i0.razão.

por . mas nos instrumentos que possibilitam afinar as notas enquanto tocamos. é impraticável nos instrumentos de afinação fixa (violão e piano. Até agora falamos de modelos de afinação fixos. bem significativo para nosso ouvido. Meantone.wolfram. Embora seja procurado por muitos músicos.5Hz. O primeiro usando o temperamento igual. tanto na música ocidental como na música oriental. como a flauta doce – o violino. são utilizados nos instrumentos que têm a afinação das notas fixas durante a performance (como o piano e o violão. é possível fazer o download de uma demonstração que exemplifica a diferença entre a afinação pitagórica. mezotônica e igual: Pythagorean. isto é. cerca de 3. e quase todos os instrumentos de sopros e cordas – procuramos tocar com a afinação justa para evitar os problemas mencionados anteriormente. No link abaixo.440Hz. por exemplo). and Equal Temperament Musical Scales (http://demonstrations. Também percebemos que a matemática envolvida no temperamento igual é bem mais complexa do que a afinação justa. A afinação justa já era grande conhecida dos músicos e teóricos de todos os tempos. Podemos perceber que existe uma diferença considerável no resultado. por diferentes métodos. como a quinta do lobo. e depois pela afinação justa (explicado em seguida).com/PythagoreanM eantoneAndEqualTemperamentMusicalScales/) Afinação justa Aqui chegamos ao ponto crucial deste artigo: a afinação justa.

os batimentos são sempre presentes. Just Intonation vs Equal Temperament 3:55 / 3:55 Acima podemos assistir um vídeo (em inglês) que mostra claramente as diferenças entre a afinação justa (justonic tuning) e a afinação temperada (tempered tuning). Cada nota do acorde deve ser afinada de acordo com a tabela do final deste artigo (comparando ao temperamento igual. na diferença entre os intervalos. De todos os modelos que apresentei. isto é. as notas que são tocadas simultaneamente. . Já na afinação temperada. pois sempre procuramos a inexistência de batimentos. as quintas são ligeiramente mais altas. ou seja. terças maiores mais baixas e terças menores mais altas). Na afinação justa não existem batimentos. todas as notas são afinadas pelas proporções da série harmônica. este modelo não é fixo. este é o que é mais fácil de realizar auditivamente. Prestem atenção no áudio. ou seja.exemplo) pois demanda uma certa flexibilidade do músico. Além disso. uma nota sol não é afinada sempre da mesma forma. pois a afinação varia com as notas da harmonia. não existem oscilações quando tocamos dois ou mais sons simultâneos. como se existisse uma espécie de vibrato mesmo quando não há vibrato de fato. Neste modelo.

grupos de cordas – afinação justa.Tocando em um grupo Quando tocamos em um grupo. Relação pura temperada x relação Coloco abaixo uma lista com a relação de todos os intervalos. também podem ser usados partindo de todas as notas. Valoti. ou outro). mostrando a diferença entre a afinação justa e a temperada. A primeira coluna dá nome aos intervalos. embora os exemplos quase sempre partam da nota Dó. violão ou outro instrumento moderno de afinação fixa – temperamento igual. e alguns destes intervalos podem ter mais de uma maneira de afinar. . alaúde ou teorba – algum temperamento antigo (Mezotonico. – grupos com instrumentos de afinação não temperada. todos os grupos de flautas doces. e assim devemos sempre buscar este objetivo. Esta referência é relativa. como cravo. Eu escolhi as proporções mais simples possíveis para cada intervalo. mas sempre consciente de qual é o objetivo. por isso. temos alguns critérios que podemos usar para definir qual modelo mais adequado: – qualquer formação que contenha piano. Além disso. – qualquer formação que contenha instrumentos antigos de afinação fixa. condizente com o repertório escolhido. devemos definir o que queremos em termos de afinação. aqui menciono apenas algumas delas (provavelmente você pode encontrar outras proporções possíveis e próximas para o mesmo intervalo).

e esta relação é muito distante para mudar durante a performance. isto é. A diferença entre a quinta e a quarta coluna resulta o quanto devemos ajustar o intervalo para termos a nota perfeitamente afinada. podemos usar a proporção 16:9 reduzindo em apenas 3. ou a relação da coluna de ar. terça maior. mas a proporção é que define o intervalo.A segunda coluna exemplifica o intervalo dado. devemos aumentar o intervalo em 15. A quinta coluna mostra o tamanho do intervalo na afinação igual ou temperada. devemos reduzir o intervalo em 13. quinta justa. Agora podemos ver claramente que intervalos enarmônicos (Dó# e Réb. Esta proporção pode ser a relação das frequências das notas. A terceira coluna mostra a proporção usada para calcular a distância entre as notas na afinação justa. deveríamos reduzir o intervalo em 31 cents. e a escala completa equivale a 1200 cents. . sétima menor. Percebemos que cada semitom equivale a 100 cents. devemos aumentar o intervalo em 1. Mas como a sétima normalmente é uma dissonância. a medida que é largamente utilizada nos afinadores eletrônicos. Assim. podemos afirmar que para afinar: terça menor.7 cents. sem batimentos. ou seja. tanto faz a medida. A quarta coluna mostra o tamanho do intervalo puro em cents. por exemplo) não devem ser afinados da mesma maneira.6 cents.9 cents. ou a relação entre o tamanho da corda.96 cents.

e se baseia num princípio melódico. os sustenidos são mais altos que os bemóis correspondentes. viola. e muitos instrumentistas dos instrumentos de cordas (violino. cello.Estes são os intervalos mais comuns de encontrar na harmonia tonal. no temperamento pitagórico. Como a afinação está diretamente relacionada com a técnica do instrumento. Este pensamento era defendido por um grande cellista chamado Pablo Casals do início do séc. exatamente o oposto do que eu sugiro em todo o artigo. nenhum desses princípios é compatível com a afinação justa. Todos os outros estão na tabela do final do artigo. vimos que temos muitas possibilidades criativas a respeito da afinação. Devo tocar a sensível mais alta? Provavelmente você já ouviu falar sobre tocar a sensível (sétima) ligeiramente mais alta. e mesmo sendo algo exato e matemático. Porém. Isso nos leva a pensar que deveríamos fazer os sustenidos mais altos do que os bemóis. de forma que ela “caminha” para a tônica (fundamental) da escala. devemos buscá-la desde nossos primeiros passos ao aprender música e tocar um instrumento. recomendo os livros a seguir: . muitas escolhas a fazer e cada escolha tem seus prós e contras. fazendo que a sensível seja mais alta. tema central deste artigo. etc) usam uma variação do temperamento pitagórico. não podemos deixá-la de lado. mas sim. Para aqueles que querem saber mais. Este assunto é muito extenso. XX. que antecipa a resolução da nota mostrando a direção que ela deve tomar. Além disso.

a C-D# 75:64 274.4 200 2.7 100 2. Murray Barbour ISBN 0-486-43406-0 Intervalo Exemplo Proporção Afinação Afinação Justa Temperada Semitom Cromático C-C# 25:24 70.amazon.6 300 .a Maior (alta) C-D 9:8 203.a Diminuta C#-Eb 256:225 223.2 100 Semitom Diatônico C-Db 16:15 111.How equal temperament ruined harmony (and why you should care) (http://www.amazon.7 100 Semitom Sintônico C-C# 135:128 92.com/TuningTemperament-Historical-SurveyDover/dp/0486434060) J.5 200 2.a Maior (baixa) C-D 10:9 182. Duffin ISBN 978-0-393-33420-3 Tuning and temperament – a historical survey (http://www.9 200 3.com/Equal-TemperamentRuined-HarmonyShould/dp/0393334201/ref=sr_1_1? s=books&ie=UTF8&qid=1367505689&sr=11&keywords=How+equal+temperament+ruine d+harmony+%28and+why+you+should+care% 29) Ross W.

4 900 7.5 1000 7.a Aumentada (baixa) C-G# 25:16 772.a Menor (baixa) C-Bb 16:9 996.a Aumentada C-E# 125:96 478.a Aumentada C-A# 225:128 976.96 700 5.a Justa C-G 3:2 701.04 500 4.a Menor (justa) G-F 7:4 968.a Maior C-E 5:4 386.a Menor C-Ab 8:5 813.1 1000 .a Maior C-A 5:3 884.a Aumentada (alta) C-G# 405:256 794.Aumentada 3.8 1000 6.4 400 3.6 300 3.3 400 4.a Menor C-Eb 6:5 315.8 600 5.a Justa C-F 4:3 498.5 500 4.1 800 6.7 800 6.a Diminuta C-Gb 64:45 609.2 600 5.6 800 5.a Diminuta C-Fb 32:25 427.a Aumentada C-F# 45:32 590.

com.com.3 1100 8.a Aumentada (baixa) C-B# 125:64 1158.a Justa C-C 2:1 1200 1200 Compartilhe isso:  Facebook 1 (http://quintaessentia.a Maior (sensível) C-B 15:8 1088.Critérios qualitativosFlauta doce Brasil por Quinta Essentia Quarteto (http://flautadocebr.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/? share=twitter&nb=1)  Email (http://quintaessentia.com.a Menor (alta) C-Bb 9:5 1017.7.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/? share=google-plus-1&nb=1)  Twitter (http://quintaessentia.br/afinacao-acabando-com-os- mitos/?share=facebook&nb=1)  Google (http://quintaessentia.8 1100 7.4 1200 8.9 1200 7.6 1000 7.quintaessentia.com.com.a Aumentada (alta) C-B# 2025:1024 1180.a Diminuta C-Cb 256:135 1107.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/? share=email&nb=1) 11 Comentários para "Afinação – acabando com os mitos" Pingback: Escolhendo uma flauta doce .br/? p=405) .

Muito bom! Parabéns! Responder (http://quintaessentia. É preciso fazer algum ajuste para que estejam afinadas.com. Como você deve ter visto. Em instrumentos como a flauta doce. a primeira corda e a última (as duas cordas mi) não estarão afinadas entre si.br/afinacao-acabando-com-osmitos/?replytocom=312#respond) Gil em 23 de março de 2015 as (http://quintaessentia.com. De qualquer modo vou ler de novo poque não entendi se devo afina o violão em lá a 440 442 ou 438.com. Olá Thales A questão aqui não é referente à sua referencia para o lá.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/? replytocom=310#respond) Thales Peçanha em 22 de março de 2015 as (http://quintaessentia.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/#comment-310) 21:04 09Sat. Outra coisa: o violão é um instrumento temperado por definição. você não terá muita liberdade para variar a afinação de acordo com o que eu falo no artigo.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/? replytocom=311#respond) Gustavo de Francisco (http://www. 23 Mar 2015 08:13:13 +000013. especialmente as terças e quintas do acorde.Pingback: Escolhendo uma flauta doce . Alo Gustavo . Muito interessante.com. mas como você afina as outras notas em relação à esta referência.br/afinacao-acabando-comos-mitos/#comment-312) 07:05 07Mon. o cello.com. caso afine todas as cordas do violão em intervalos puros.quintaessentia.com.br/afinacaoacabando-com-os-mitos/#comment-313) 08:13 08Mon. o violino.br/escolhendo-uma-flauta-criterios/) Dougllas Lopes em 05 de julho de 2014 as (http://quintaessentia. por causa das trastes. 23 Mar 2015 07:05:14 +000014. Por esta razão. é necessário buscar afinar os intervalos puros.5eofficial.com. Responder (http://quintaessentia.Critérios qualitativosFlauta doce Brasil por Quinta Essentia Quarteto (http://flautadocebr. 05 Jul 2014 21:04:58 +000058.com. Thales Responder (http://quintaessentia. 22 Mar 2015 19:36:33 +000033.com) em 23 de março de 2015 as (http://quintaessentia.br/afinacao-acabando-com-os-mitos/#comment-311) 19:36 07Sun.