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Programa A União Faz a Vida

Vivenciando
Trajetórias
Cooperativas

COLEÇÃO DE EDUCAÇÃO COOPERATIVA

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Programa A União Faz a Vida

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

APRESENTAÇÃO

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DIRETRIZES CONCEITUAIS E METODOLÓGICAS

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A COMBINAÇÃO ENTRE DUAS FORMAS
DE VER E ESTAR NO MUNDO: COMPETIÇÃO E COOPERAÇÃO

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A COOPERAÇÃO NO CAMPO EDUCACIONAL

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SUGESTÕES PARA DESENVOLVER UMA LINHA DE TRABALHO EM GRUPOS COOPERATIVOS

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EDUCAÇÃO INTEGRAL

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CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA E CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO INTEGRAL

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COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM

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PLANEJAMENTO DIALÓGICO E TRANSDISCIPLINARIDADE

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CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

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CRIANÇAS DE 6 A 12 ANOS DE IDADE

ADOLESCENTES DE 13 A 18 ANOS DE IDADE
CONCLUSÃO

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O EDUCADOR COMO AGENTE NA FORMAÇÃO ÉTICA DAS NOVAS GERAÇÕES

TRAJETÓRIAS DE APRENDIZAGEM COOPERATIVAS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
CONFIGURAÇÃO DAS TRAJETÓRIAS DE APRENDIZAGEM

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AS EXPEDIÇÕES INVESTIGATIVAS

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O TRABALHO COM PROJETOS

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A ESCOLHA DO TEMA

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A IMPORTÂNCIA DO CONSELHO DE GRUPO

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A AVALIAÇÃO DOS PROJETOS DESENVOLVIDOS

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VALORIZAÇÃO E PUBLICIZAÇÃO DO PRODUTO

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ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS

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Atividades recomendadas para crianças de 6 a 12 anos

ADIVINHAÇÃO DOS BICHOS
ESCONDE-ESCONDE
JOGO DE ALFÂNDEGA
JOGO DO CONTORNO – DENTRO E FORA
JOGO DOS BALÕES
O EMBRULHO
PALAVRAS E MAIS PALAVRAS
PISCAR E SENTAR
SIGA O CHEFE
DANÇA DA ABELHA
DANÇA DAS CADEIRAS
DOMINÓ COOPERATIVO
ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO
HISTÓRIA DA SERPENTE

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Coleção de Educação Cooperativa

NOSSOS NOMES NOVOS DESAFIOS PARA ESPORTES CONHECIDOS PERDIDOS NO ESPAÇO PROJETOS: UM DESEJO QUE SE DESEJA JUNTO UMA HISTÓRIA VIVA! 66 67 69 69 70 72 72 74 76 77 79 80 81 82 84 84 86 88 Atividades recomendadas para adolescentes de 13 a 18 anos CONSTRUINDO UMA BANDEIRA SENTAR EM GRUPO TORCE-TORCE A MULHER AZUL CENAS DO COTIDIANO COLAGEM COLETIVA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE JOGO DO DETETIVE JOGO DOS PAPÉIS COMPLEMENTARES O JOGO DO NÁUFRAGO A LIDERANÇA NO GRUPO UM GESTO DIZ MAIS QUE MIL PALAVRAS? AJUDA HUMANITÁRIA ALERTA ECOLÓGICO BUZZ E FIZZ CAMPO MINADO JOGO DA BÚSSOLA JOGO DOS AUTÓGRAFOS LIMPAR O LAGO POESIA FALADA RIMAS E QUADRAS TROCA DE PALAVRAS A CIDADE QUE CRESCE DIVISÃO JUSTA EXPEDIÇÃO INVESTIGATIVA INVENTANDO A LÍNGUA PARA QUE SERVEM AS INVENÇÕES HUMANAS 89 90 90 91 93 93 94 95 96 96 98 98 100 101 102 103 104 105 106 107 107 108 109 111 113 117 117 REFERÊNCIAS 119 MATERIAL DE APOIO PARA ATIVIDADES 122 LIVROS MÚSICAS FILMES JOGOS SITES 122 133 133 135 137 4 Programa A União Faz a Vida .ARTE MOBILIZANDO O TRABALHO EM EQUIPE HISTÓRIAS E RECEITAS INVENTANDO HISTÓRIAS JANELAS DA ALMA MEU NOME.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ENCHER O BALDE COM COPINHOS DE ÁGUA O JARDIM QUEBRA-CABEÇA DAS FORMAS SALVA-VIDAS TARTARUGA GIGANTE VAI E VEM AUTO-RETRATO CRIANDO ROTEIROS ENTRE NA MÁQUINA! ESTREANDO NOSSA PEÇA .

seus modelos pedagógicos. articuladas. Assim. Ainda que organizados em tópicos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Apresentação O conjunto de textos que compõem este caderno da Coleção de Educação Cooperativa do Programa A União Faz a Vida compreende o esforço de reunir e apresentar as diretrizes teórico-conceituais e metodológicas que orientam a educação cooperativa nos ambientes educacionais. No texto Comunidade de aprendizagem são apresentadas as idéias concernentes ao fortalecimento das relações entre os atores sociais envolvidos nos processos educacionais levados a cabo nas diferentes instituições e as comunidades nas quais estão inseridos. O texto . em Orientações didáticas são apresentadas idéias e sugestões de atividades que encerram os princípios da cooperação e cidadania como seus principais eixos articuladores. o ser humano. 5 Coleção de Educação Cooperativa . sua organização curricular. Em Configuração das trajetórias de aprendizagem são apresentadas as principais ferramentas metodológicas que norteiam as ações pedagógicas propostas pelo Programa. No texto O educador como agente na formação ética das novas gerações são arroladas idéias que circunscrevem o educador como o principal agente mediador da cultura nos processos formativos que se dão nos ambientes educacionais.apresenta as principais concepções que. Por fim. os textos que compõem este caderno devem ser compreendidos como um conjunto articulado que expressa um programa de educação orgânico e coerente.Educação Integral . Oferece ainda.A combinação entre duas formas de ver e estar no mundo: competição e cooperação apresenta reflexões sobre as implicações sociais da competição na organização social contemporânea e a cooperação como forma de desenvolvimento no campo educacional. seus tempos e espaços e seu sujeito principal. idéias e sugestões de atividades que oportunizam a vivência de atitudes e valores de cooperação e cidadania. Este caderno pretende por à disposição elementos para a reflexão e ação dos educadores. O texto . os atores envolvidos. os procedimentos metodológicos que dão vida às propostas de experiências educacionais guardam íntima relação com os pressupostos teóricos que fundamentam o Programa de Educação Cooperativa A União Faz a Vida. expressam a acumulação de reflexões que traduzem a necessidade de se repensar a educação.

2008. Título. 3. Orientações Didáticas.      140 p. 4. 2.VIVENCIANDO VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS COOPERATIVAS Programa a união faz a vida: vivenciando trajetórias cooperativas / Fundação SICREDI (coord. Diretrizes Conceituais.(Coleção de Educação Cooperativa. II. Educação Cooperativa. v.). 2)        1. Fundação SICREDI CDU 37:334 6 Programa A União Faz a Vida . I. Diretrizes Metodológicas. Porto Alegre: Fundação SICREDI. .

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Diretrizes conceituais e metodológicas 7 Coleção de Educação Cooperativa .

promove o que há de mais sublime no encontro entre equipes adversárias: o respeito mútuo e a iden1 A ênfase dada. 8 Programa A União Faz a Vida . O movimento esportivo. o princípio da competição entre corporações científicas possibilitou a invenção de ferramentas que promoveram avanços significativos nos campos da produção de energia. por vestimentas ou pelo poder sexual em comunidades pré-históricas – as práticas competitivas e cooperativas foram importantes para a constituição de grupos estáveis. Há a valorização do sentimento estético. que passam a ser entendidas não mais como antagônicas: a sensibilidade passa a incorporar o que é da ordem da razão e a racionalidade torna-se sensível. Assim. a atenuarem a dor e a prolongarem a duração da vida. como a medicina e a tecnologia. Se a razão se constituiu em ferramenta fundamental que possibilitou aos homens se protegerem das forças ameaçadoras da natureza – construindo abrigos e práticas miméticas. no entanto. entre outros. da agricultura. a primazia das práticas competitivas pode ser compreendida como a expressão de um princípio ordenador anacrônico da organização social. como o que caracteriza a contemporaneidade – marcada pela produção de mercadorias para além do necessário -. da saúde. Os progressos efetuados na área da medicina. Algumas práticas competitivas são importantes para a vida social. historicamente. objetiva a promoção da melhoria da qualidade de vida dos indivíduos por meio da superação dos limites de sua natureza biológica. apenas. por exemplo. possibilitaram aos homens controlarem inúmeras doenças. como a ma- Jogo limpo. em períodos de abundância material. por alimentos. é prejudicial e coloca em risco a própria existência humana. Contraditoriamente. às práticas competitivas na vida social. por exemplo. O movimento esportivo. tanto a medicina como a tecnologia. da conquista espacial.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS A combinação entre duas formas de ver e estar no mundo: competição e cooperação As práticas de competição e de cooperação acompanham a trajetória humana desde tempos imemoriais. que expressam importantes passos rumo à melhoria da condição da vida humana. o desenvolvimento dos campos da ciência. honestidade. se em períodos remotos de escassez material – que determinou as disputas por abrigo. contribuíram para a criação de armas de destruição em massa (como a bomba atômica e a guerra bacteriológica). ao enaltecer o fair play1. já teríamos condições de fazer valer na vida social a primazia das práticas cooperativas. tificação entre os jogadores. revelando o lado sombrio da racionalidade científico-tecnológica que não pode ser ignorada. também. expressa por meio da harmonização entre a racionalidade e a sensibilidade. No campo da tecnologia. Do mesmo modo. Mas. pois a riqueza material acumulada pela humanidade já seria suficiente para libertar todos os indivíduos do jugo social da busca cotidiana de satisfação de suas necessidades básicas para a autopreservação. encerra a expressão do desejo dos homens em romper barreiras tendo em vista a superação de seus limites.

a adesão a . a instituição de práticas cooperativas é uma alternativa e deve poder auxiliar os indivíduos a tomarem consciência dos processos adaptativos que os levam a agir. percebidos como tal. ao isolamento que caracteriza as relações individuais contemporâneas. então.) a rigidez e a institucionalização formal da vida. já que as relações sociais humanas não se voltam para felicidade geral. os indivíduos tendem a considerar os seus semelhantes como ameaçadores. mas tendem a expressar a interiorização da barbárie social. desde a tenra infância para que não se identifiquem com o semelhante. dentre as expressões próprias ao ordenamento social. são construções que engendram uma determinada lógica.. Assim. são julgados como signos de fragilidade e que. o domínio da razão instrumental2 acabou por corroborar a dominação da natureza externa. Como dito anteriormente. constituem uma ameaça. já teríamos condições históricas e materiais de valorizar a dimensão cooperativa nas relações que estabelecemos com o outro e com o planeta. tais contradições são concebidas como incorreções lógicas do pensamento). de tempos em tempos. mas essa atitude fragiliza a coesão social. freqüentemente. A impossibilidade da identificação com o outro. Os jogos de dominação. como adversários. a riqueza material acumulada já daria condições para que o homem pudesse estabelecer outra relação com o ambiente e com seus semelhantes. investindo de maneira violenta contra grupos de indivíduos que acabam por se configurar em bodes expiatórios sociais. Desse modo. A violência perpetua-se num jogo perverso: a agressão contra aqueles que de alguma maneira são julgados como bouffons. a violência contra os mais frágeis tende a ocupar um lugar importante na vida social competitiva. p. tornaram-se elementos estruturais para a manutenção do isolamento entre os indivíduos em prol de interesses que nem sempre se orientam para a felicidade coletiva. na contemporaneidade. já que o estranhamento. comportamento que coloca em risco a possibilidade da vida individual e coletiva. A primazia das práticas competitivas tende a fazer com que os indivíduos se isolem mutuamente. Eles são o exercício de conteúdos próprios à primazia da competitividade nas relações sociais contemporâneas. Para Dewey (1959.crítica à realidade (mesmo que essa possa ser contrária aos interesses humanos) e a dificuldade de compreender elementos contraditórios presentes na organização social (para os indivíduos afeitos à razão instrumental. Devido à necessidade de autopreservação. nos quais a violência encontra uma de suas expressões. é também expressão da hegemonia do princípio ordenador competitivo. podem ser compreendidos como frutos da ênfase dada apenas às práticas competitivas em detrimento das práticas cooperativas. as manifestações de pre- conceito são emblemáticas. a cultura opressora reafirma-se. exemplos de não-integração aos atributos intelectuais ou corporais valorizados socialmente no exercício da dominação social. de alguma maneira. Historicamente.. Os indivíduos acabam por projetar o próprio medo de sucumbir frente aos processos sociais adaptativos. Repondo a violência sofrida sob forma da dominação sobre o outro. assim como da natureza interna (o corpo. traços que. com o sofrimento alheio. Segundo Casco (2007. tendo em vista a produção em escalas incomensuráveis de bens de consumo. a frieza e a competitividade. que tende a priorizar apenas uma das dimensões da relação competição-cooperação dando maior acento à primeira. de modo contrário aos seus reais interesses de felicidade e pacificação social. a sociedade contemporânea tende a formar os indivíduos (por meio de suas instituições educacionais).92): “a verdade fundamental é que o isolamento tende a gerar (. as emoções e paixões) perpetuando-se como exercício da dominação do homem pelo homem.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS gia. p. e os ideais estáticos e egoístas. de maneira predatória e exploratória. a dança e representações pictóricas –. A formação social deve se orientar segundo os preceitos 2 Algumas das características da primazia da razão instrumental são: o apreço irrefletido à tecnologia (independentemente do seu fim). indivíduos que são excluídos da vida social por portarem signos que os tornam diferente dos padrões definidos como positivos por uma lógica que necessita do exercício da dominação para se afirmar.” Como contraponto ao ordenamento social competitivo.69): Em seus signos anunciados. não mais. o exercício de alheamento cotidiano em relação ao semelhante. A exploração irrefreada da natureza. a organização social elege grupos sociais que servem como alvos de preconceito social. 9 Coleção de Educação Cooperativa . nutrindo-se de si mesma.

se faz necessário forta­lecer as práticas de convivência.) tratar de fazer que seus membros sejam educados de modo a possuírem iniciativa individual e adaptabilidade. A organização social democrática deve poder formar os indivíduos para a autonomia e para a afirmação da paz e distanciamento da violência. constituem importantes ações coletivas objetivando retirar os indivíduos do isolamento que a cultura pautada no princípio competitivo impõe à vida cotidiana. tais ações. compreendendo-as não apenas como de tal modo que cada um tenha de pautar suas próprias ações pelas ações dos outros e de consi­ derar as ações alheias para orientar e dirigir as suas próprias. Dessa forma. na vida social. E estes dois traços são precisamente os que caracterizam a sociedade democraticamente constituída. 1959. própria da organização social competitiva.93). dotando-os de sensibilidade para que possam se identificar e admirar as diferenças de seus semelhantes e em conjunto buscar formas solidárias e justas de viver em grupo. 3 10 Programa A União Faz a Vida . Dewey (1959. Segundo Ortega e Del Rey (2002. eles serão esmagados pelas mudanças em que se virem envolvidos e cujas associações ou significações eles não percebem. fatores da regulação e direção social. o fomento à cooperação e ao diálogo entre os indivíduos que compõem um grupo social deve ser enfatizado. implica em mudança de hábitos cotidianos. transformada. Segundo Dewey (1959.. como também maior confiança no reconhecimento de serem. são dois os principais elementos cons­titutivos que orientam o ideal democrático: O primeiro significa não só mais numerosos e variados pontos de participação do interesse comum. Por isso. Se não fizer assim.94) compreende que a vida social.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS democráticos3. Segundo Dewey (1959. As ações cooperativas possibilitam. uma forma de vida associada. em última análise: (. fundamenta-se no reconhecimento recíproco e na confiança mútua. inspirada nos princípios democráticos. p. é. de experiência conjunta e mutuamente comunicada” (DEWEY. Assim. a instituição de ações cooperativas. equivale à supressão daquelas barreiras de classe. E o segundo não só significa uma cooperação mais livre entre os grupos sociais (dantes isolados tanto quanto voluntariamente o podiam ser) como também a mudança nos hábitos sociais – sua contínua readaptação para ajustar-se às novas situações criadas pelos vários intercâmbios. as barreiras sociais podem ser atenuadas e a frieza. A cooperação. a formação de indivíduos que reconheçam o outro como semelhante.93): A extensão.93). os interesses recíprocos. é fundamental. entre os membros de um agrupamento e entre os grupos sociais. com ênfase na maior participação dos indivíduos tendo em vista a construção de relações sociais equânimes e solidárias que possam expressar as aspirações comuns de uma comunidade. no bojo das instituições formativas. p. Hábitos cooperativos. p. podem ser consideradas como experiências mediadoras que possibilitam a construção de comportamentos solidários. raça e território nacional que impedem que o homem perceba toda a significação e importância de sua atividade. A vida coletiva. pois. como co-partícipe na busca de soluções de problemas referentes à vida cotidiana. por meio do reconhecimento recíproco. orientada por ideais democráticos deve.51): Tudo isso se consegue melhor quando se tra- “Uma democracia é mais do que uma forma de governo. do número de indivíduos que participam de um mesmo interesse A cooperação no campo educacional Tendo em vista a necessidade de formar indivíduos que possam se identificar com os seus semelhantes nos ambientes educacionais. temas.. p. no espaço. primacialmente. elementos que se constituem como fatores da regulação e da direção social dos interesses comuns. na qual poucos somente se apropriariam dos resultados da atividade dos demais – atividade cega e exteriormente dirigida pelos primeiros. por meio do diálogo entre os membros de um grupo. mas como ações incorporadas na vida cotidiana das crianças e adolescentes. O resultado seria uma confusão. p.

que o esforço é individual. por sua vez. devem ser planejadas de modo a poderem se constituir como o cerne das atividades formativas. 5 As sugestões de ações cooperativas.essas propostas pedagógicas preconizam uma educação diferenciada: não há a valorização da quantidade de conhecimen- tos apreendidos. Por isso. mas de tomar cons­ ciência de que a vinculação ao grupo nos aporta à verdadeira dimensão social e ao único referencial real sobre nosso comportamento intelectual. Não se trata de dissolver o indivíduo num ente desconhecido. bem sucedida. Se na pedagogia tradicional o centro do ensino é o professor e o conhecimento a ser veiculado. Dentre as perspectivas desenvolvidas no âmbito dessas correntes pedagógicas. Oury e Vasquez desenvolveram. apresentadas a seguir. Influenciados por Freinet. solidárias e equânimes4. foram inspiradas nas técnicas desenvolvidas por Freinet e por Oury & Vasquez. a livre expressão e a vida cooperativa. ao contrário. a teoria psicanalítica desenvolvida por Freud. tais correntes buscam harmonizar as relações sociais por meio do fomento a ajuda mútua. não podem ser improvisadas. moralmente boa e a competição. para essas “novas” proposições ocorre uma grande inversão: o centro da atividade pedagógica é a criança e o adolescente. observando-se os critérios de justiça e igualdade. as atividades cooperativas. Por meio das ações cooperativas. mas se constrói no diálogo. com o equilíbrio pessoal e a harmonia social . tais propostas pedagógicas dão grande importância para a comunicação . mas não proveitosa. mas de grande impacto sobre a vida social ins­ titucional. ocasionalmente. mas só se exercita em cooperação. Segundo essa perspectiva.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS balha em grupo e em cooperação. a Pedagogia Institucional. Esses autores se apropriaram das práticas cooperativas colocadas em ação por Freinet. As principais correntes pedagógicas que propuseram a adoção de práticas cooperativas nos ambientes educacionais datam do final do século XIX e da primeira metade do século XX. O reconhecimento de seus desejos. possibilitado por meio do desenvolvimento de três eixos: o tateamento experimental (experienciação). O tateamento experimental (experienciação) pressupõe que os educandos devem ter a possibilidade de ampliar suas possibilidades criativas em diversos domínios do mundo social. para a compreensão dos fenômenos grupais. incorporando. os processos formativos devem poder viabilizar o profundo desejo de conhecer. afetivo e moral. mas se constrói no diálogo. Suas contribuições para o desenvolvimento de práticas cooperativas em ambientes educacionais são fundamentais. A cooperação é. durante a década de 1960 em escolas francesas. não é cindido da ação prática sobre o meio social. ele é fruto da reflexão sobre situações experimentais concretas. a fim de deixá-la mais justa. mas sendo o mais próximo possível do justo para as duas partes. que a responsabilidade é individual. para a documentação – utilizada como registro da história que se constrói no dia-a-dia -. Eles são sujeitos ativos no processo de aprendizagem. Além da cooperação – compreendida como forma de construção social do conhecimento -. O trabalho em grupo não significa a anulação do indivíduo. mas a preocupação com o processo de sua construção. ganha destaque a idealizada por Célestin Freinet5. capazes de formar seres livres para decidir o seu destino coletivo e pessoal. O conhecimento. A experiência concreta 4 Eqüidade consiste na adaptação da regra existente à situação concreta. 11 Coleção de Educação Cooperativa . O trabalho em grupo cooperativo supõe partir de que o pensa­ mento é individual. Pode-se dizer. Um dos seus principais fundamentos é o fomento ao impulso criador. Ela é uma forma de se aplicar o Direito. compreendida como elemento fundamental para a construção de sociedades justas. Em contraposição à acumulação de conhecimentos – que não se relaciona. mas o êxito compartilhado. significa investir o processo formativo de humanidade e consciência coletiva democrática. chamado grupo. Tendo como objetivo primeiro a formação humanista. necessidades e interesses é fundamental para o planejamento das ações pedagógicas. desejo que expressa a verdadeira significação do trabalho cooperativo e da convivência solidária. já que fixaram bases teóricas seguras e forjaram práticas pedagógicas transformadoras. então. nos ambientes educacionais. que a eqüidade adapta a regra a um caso específico. por definição. necessariamente. simples de serem colocadas em ação. e para a afetividade e o diálogo – compreendidos como os principais elos de ligação entre os indivíduos e os objetos de conhecimento. que a responsabilidade é individual. pretende-se a constituição de ambientes educacionais democráticos.utilizada como a forma prioritária de integrar os conhecimentos apreendidos.

trata-se de 6 Segundo Elias (2002. em ambientes educacionais. a melhoria das relações interpessoais entre os(as) companheiros(as).55): “Construindo. que é a aprendizagem. 1977. Por isso. cópia). A livre expressão não dissocia a vida cotidiana da vida educacional. oferecendo tempo e respeito às idéias das [crianças e dos adolescentes]. p. dela. o educador deve levar o educando a perceber que “lhes é permitido dizer a sua concepção de mundo e que seu pensamento é respeitado”. 12 Programa A União Faz a Vida . fala e tenta dar uma imagem do mundo exterior com a ajuda de manuais ou de meios mais ou menos audiovisuais. • O diálogo como meio para comparar idéias. a auto estima e a motivação pessoal são imprescindíveis para se perceber que seus aportes são importantes para o grupo e que cada um tem algo a oferecer para o enriquecimento de todos. 2002. ação que instiga o espírito de pesquisa dos educandos tendo em vista a busca de soluções para os problemas evocados6. A livre expressão valoriza o imaginário. A cooperação deve ser o “coração” da proposta educativa. livre de modelos comunicativos estereotipados e exteriores à vida afetiva.66). (OURY E VASQUEZ. capacidade por meio da qual a criança e o adolescente podem expressar a sua compreensão sobre a realidade de forma original.. • A reflexão e o pensamento crítico. argumentá-lo[s] e justificá-lo[s] racionalmente. O aluno engole a palavra do professor (lição).) se conscientizem de que os resultados obtidos em grupo são muito mais ricos que os que se conseguem mediante o trabalho individual. O grupo torna-se “uma verdadeira comunidade de indivíduos que participam da elaboração das regras para alcançar o melhor desenvolvimento em seus projetos e atividades” (Elias. são adaptações do livro Estratégias Educativas para a prevenção da violência. mas umas [podem ser] melhores [do] que outras. respeitoso para com o outro e pacífico. se a atividade básica. de forma direta e simples. refletindo com [as crianças e os adolescentes] sobre o mundo e a sua situação concreta”. tem uma apresentação competitiva e ausente de solidariedade. p. O trabalho cooperativo exige autodisciplina e desperta o interesse das crianças e dos adolescentes para o conhecimento. Sabem o que é: um espaço fechado.. sem racionalidade não há forma de compreender a democracia e dela participar. III. que (. A experienciação expressa a crítica à educação calcada apenas na memorização mecânica e no acúmulo de conhecimentos destituídos de sentido. modelo de educação tradicional que preconiza um educador ativo (fonte de informações e conhecimentos) e educandos passivos. São reprimidas as comunicações entre alunos (conversa. • A necessidade de estimular. a seguir. o adulto diante de crianças. para que aprendam a pensar por si mesmos. 7 “A aula tradicional não é um grupo. de autoria de Rosário Ortega e Rosário Del Rey (2002.. depositários de conhecimentos fixados a priori e que não expressam os seus reais sentimentos de curiosidade e desejo de aprender7. e depois regurgita-a (trabalhos. as crianças e os adolescentes têm a possibilidade de comunicar livremente a sua compreensão sobre a realidade social estabelecendo ligações entre as suas percepções e a vida real. mobilizam seus interesses e dão sentido às práticas sociais instituídas nos ambientes educacionais. p. batota.) percebam que existem muitas formas de ver as coisas. controle).62-63). 52) 8 As proposições apresentadas. as crianças e os adolescentes planejam sobre o que gostariam de conhecer. A reciprocidade entre professor e alunos não é conveniente”. p. • A valorização [de] si mesmo(a). deve-se considerar8: • A cooperação como instrumento de trabalho (…). É por meio dela que os educadores. permitindo que (.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS sobre o meio possibilita aquisições de ordem diversificada. projetos de trabalho que culminem no fortalecimento da solidariedade e dos laços sociais deve-se partir do fato de que não há fórmula para se aprender a ser solidário.. vol. defender [os diferentes] ponto[s] de vista. Por meio Sugestões para desenvolver uma linha de trabalho em grupos cooperativos Para desenvolver. Tal articulação promove a aquisição de conhecimentos de maneira tal que não há cisão entre o que experimentam no espaço social e os conhecimentos advindos de tais experiências.

colocados em situação de competição. esforçados. tomando para si a crítica à hegemonia do princípio ideológico da competição na organização social. que ninguém é tão forte que não precise do auxílio dos outros e que a união faz a força. os primeiros serão os vencedores e os últimos os perdedores. existe isso entre os professores e entre eles e suas famílias. Essas experiências os levarão a aprender a naturalizar as desigualdades sociais: Alguns são fortes. também. justa e solidária. mas que essas diferenças provêm do meio e da educação. os indivíduos que se formam no capitalismo são. em última instância. inteligentes. devem poder animar a vida social cotidiana de modo a poder formar indivíduos aptos para viver uma sociedade que corresponda aos anseios de felicidade. mas isto só é possível quando [as crianças e os adolescentes] podem observar que.. segundo Singer (2005. p. Segundo Singer (2005. igualitária. 13 Coleção de Educação Cooperativa . Assim. Que a desigualdade é ruim e injusta e que ela só pode ser abolida pela prática da solidariedade entre os homens. p. hegemônico na sociedade contemporânea. burros. São levados a perceber que a desigualdade social e econômica não é natural e nem decorre da superioridade de quem tem a manda sobre quem nada tem e obedece. preguiçosos. a valorização da cooperação nos ambientes educacionais vai ao encontro de um projeto de uma nova sociedade. enquanto outros são fracos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS favorecer o conhecimento e o afeto mútuo. As práticas cooperativas.. Na luta pela vida. Nessa nova organização social a cooperação é valorizada e a competição suprimida em prol da identificação entre os indivíduos e. Segundo a primazia do princípio da meritocracia. em prol da própria vida humana. desde a infância. Aprenderão que as pessoas diferem.17): (. Em sentido contrário. os indivíduos que se formam em meio a valorização de experiências cooperativas. os frágeis serão submetidos ao poder dos fortes na vida cotidiana: a humanidade progrediria porque a com- petição premiaria o mérito dando-lhe o poder de liderar e mandar e condenaria o demérito à subordinação (idem).) vivem desde cedo situações definidas por comportamentos recíprocos de ajuda mútua. na família e na escola. nos ambientes educativos.16).

participar da vida pública. acessar tecnologias. realizada em Jomtien. vem sendo ampliado o consenso de que educação para todos se faz com todos pela educação. outros atores. promover eventos artísticos. culturais. Todos sabem que a educação é a área de investimento mais visada em todo o mundo para produzir desenvolvimento. como em outras organizações da sociedade. incluiu no cenário educacional. em seu desafio de educar na e para a convivência democrática. os grupos culturais. são o cenário e o roteiro dessa diversidade de práticas desenvolvidas em diferentes localidades do país. a mídia etc. proporcionar-lhes práticas esportivas. como as organizações não-governamentais. Grupos comunitários. artísticos e de movimentos sociais desenvolvem atividades com crianças e adolescentes. Essas práticas educativas. objetivando ensinar-lhes a tradição da cultura local. Tailândia. acompanhar suas tarefas escolares. Espaços paralelos à escola vêm circunscrevendo diferentes práticas educativas. Essa posição. intervir na localidade onde vivem etc. aproximá-las das produções artísticas. A convivência. na Conferência Mundial sobre Educação para todos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Educação integral O presente texto objetiva contribuir com a práxis educativa. também adotada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA -. portanto coletivos. Desde 1990. propiciar sua circulação pela cidade. os sentimentos e os interesses humanos. tanto nas escolas. a iniciativa privada. conscientizá-las de seus direitos. experimentar a ocupação dos espaços públicos. trazem uma contribuição ao diálogo de agregar qualidade à educação: 14 Programa A União Faz a Vida . a partir de uma concepção de educação que busque uma maior contextualização e significação do processo educativo para todos os seus participantes. os movimentos sociais. valorizar as brincadeiras. Países fazem revoluções econômicas e se deslocam no ranking de desenvolvimento por seu investimento em educação.

um conceito que realiza e comunica o aprendizado de todos. com os quais vai empreender a aventura do conhecimento. Cultura e Ação Comunitária – realizou um levantamento bibliográfico sobre Educação Integral. a todo tempo procuram demonstrar as dificuldades. produzindo uma ambiência educativa. seus modelos pedagógicos. as crianças. E já se tem algumas pistas por onde continuar a caminhada. Contexto da educação brasileira e concepções de educação integral As dificuldades históricas encontradas pela educação brasileira são explícitas. os adolescentes. atualmente. definem-se numa equação que coloca em relação as potências e as competências dos diversos sujeitos envolvidos. Locais que são ocupados pelos sujeitos. desafios e a própria realidade em que a educação brasileira se insere. famílias e toda a comunidade na tarefa de garantir uma Educação Integral para crianças. a cidade. voltada para poucos e pela ausência de investimentos suficientes e de políticas adequadas ao tamanho do país e de sua população. • os objetos de conhecimento estão no mundo. sua organização curricular. mas que ainda não consegue atender as necessidades educativas da maioria da população do país. os atores envolvidos. lugares onde se encontram os objetos de conhecimento. e chega ao século XXI como uma escola laica. O que sustenta essa busca é a tomada de consciência de que a história não é feita apenas por alguns. sinalizam de alguma maneira para a necessidade de se repensar a educação. A intencionalidade do Programa é a Educação Integral. Coleção de Educação Cooperativa 15 . • os espaços são os lugares disponíveis e potencializadores da aprendizagem. muito menos por heróis e heroínas forjados segundo interesses de diferentes grupos sociais. O movimento histórico acontece a cada dia. formando uma comunidade na qual os educadores. e as coloca à disposição da invenção de situações de aprendizagem que levam em consideração quem são as crianças e os adolescentes interessados e possuidores de interesses diversos. Cultura e Ação Comunitária – no ano de 1999 com o apoio do UNICEF* – revelou que a concepção de educação integral se configura em quatro formulações: A primeira refere-se à Educação Integral como organização *Em 1999 o CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação. Os atores são todos os cidadãos participantes. os caminhos etc. seus tempos e espaços e seu sujeito principal. O termo Educação Integral tem sido bastante utilizado atualmente no universo educacional. Todas. no futuro. dia após dia. os jovens e seus familiares constróem em conjunto esse caminho. Sabe-se que a história é feita por sujeitos reais e que ela se faz no cotidiano. • os tempos são definidos a partir dos sujeitos e objetos de conhecimento envolvidos na aprendizagem. Nossa história da educação foi marcada por uma estrutura hierarquizada. instaura-se um movimento que. ouve-se falar de experiências de sucesso dentro das escolas e outras instituições educacionais que conseguem promover uma educação de qualidade envolvendo governo. mas o entendimento sobre os seus significados e usos ainda comporta diferentes concepções. como estratégia para o planejamento do Seminário de Educação Integral como aproximação teórico – conceitual ao tema. Contrariamente aos discursos e sentimentos de impotência frente às reais dificuldades. O processo educacional não priorizou todas as camadas da população. Somos portadores de uma história de educação de inclusão precária que não atendeu as reais necessidades dos cidadãos. adolescentes e jovens. de maneira crítica e reflexiva. emancipatória e cidadã. O Programa A União Faz a Vida é uma delas. A apropriação ou reconstrução desses objetos pelos envolvidos se dá por meio de projetos que lançam. Uma pesquisa realizada pelo CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação. universal e gratuita. o ser humano. Muitos autores e a mídia. busca realizar uma educação democrática.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS • os sujeitos ocupam lugares dinâmicos: o educador é o adulto que possui habilidades e competências. sociedade civil organizada. Não obstante. no entanto. libertária.

é a da perspectiva integral de formação. além de atendimento médico e odontológico. A outra experiência aconteceu mais recentemente. compreendendo-o em suas múltiplas características (corporal. iniciativa Fundação Itaú Social/UNICEF. Essa produção aponta que para garantir as aprendizagens necessárias à vida. das comunidades e da sociedade como um todo. o foco está na organização do currículo escolar de forma integrada. competências ou linguagens. baseados nos ideais escola-novistas e de John Dewey. transversal. por iniciativa de Anísio Teixeira. possibilitando a participação social e a autonomia para o desenvolvimento de suas potencialidades. possibilitando conexões e interações que agregam importância às reflexões sobre a melhoria da educação pública brasileira. organização Cenpec. • Ciclo de vida: não se trata mais de pensar que apenas a idade escolar é a única em que podemos aprender. 2005. é preciso considerar as satisfações humanas: * Seminário Educação e Comunidade. alternando atividades curriculares com complementações de atividades nas áreas das artes. psicológica. • Satisfações humanas: a qualidade de vida das pessoas é o centro da educação integral e. com a Escola-Parque e as Escolas-Classe na Bahia. adolescentes e adultos aprendem todo o tempo. quatro refeições diárias e projeto arquitetônico intencionalmente elaborado para a ação educativa. como o esporte. os livros. as atividades culturais. No Brasil aconteceram duas experiências importantes com essa proposta: a primeira na década de 50. de desenvolvimento pleno do ser humano. ao mesmo tempo. nos período matutino e vespertino. com uma proposta de desenvolvimento que. os vídeos e as revistas. para isso. Num esforço de atualização da pesquisa realizada em 1999. intelectual. se articulam em muitos pontos.tematizados pela Educação Integral. São Paulo. Há também a compreensão sobre a Educação Integral que remete para a atenção sobre outra questão metodológica. em compartimentos que não se articulam. deslocando o sujeito da aprendizagem para um papel central: projetos temáticos. é fundamental uma combinação de diferentes tempos e espaços. por iniciativa de Darcy Ribeiro. a recreação. “inter” e “transdisciplinar”. é cognitivo. dividido em “gavetas” diferentes uma das outras. o Cenpec* sistematizou a produção de dois seminários – 2005 e 2006 . estabelecendo diálogos com as necessidades dos sujeitos envolvidos. capaz de contribuir para o desenvolvimento individual de cada criança. na década de 80 com os CIEP’s (Centros Integrados de Edu- cação Pública) no Rio de Janeiro. Inspirados na Escola-Parque de Anísio Teixeira propunham um currículo comum enriquecido com atividades diversas. Os interesses e motivações constituem o centro do processo de suas pesquisas e aprendizagens. O aprendizado se dá ao longo da vida: crianças. Educar integralmente significa contribuir com a formação global do sujeito. os sujeitos e o contexto em que vivem. concernente à Educação Integral. geradores de vivências e conhecimentos. ao trabalho. A quarta formulação compreende a educação como “tempo integral”. cultural) e com o desenvolvimento equilibrado destas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS e articulação dos conhecimentos e disciplinas tratados pela escola. Temáticas diversas se apresentam como disparadoras de outros assuntos. encontradas no bojo das discussões atuais. espiritual e físico. na qual as crianças e os adolescentes permanecem na escola. a sociedade brasileira começou a enxergar a Educação Integral como um caminho para garantir uma educação de qualidade. emocional. em contraposição ao conhecimento fragmentado em disciplinas. 16 Programa A União Faz a Vida . à participação e à cidadania plena. Outra importante concepção encontrada. Essas quatro formulações de Educação Integral. intimamente relacionadas com a vida cotidiana e com o que lhes é significativo. A partir dessas discussões. preconizando uma metodologia participativa que prioriza os interesses e motivações dos atores sociais envolvidos no processo educacional. ou em outro ambiente educativo. esportes e lazer. emotivo. sempre definidos segundo os objetos de conhecimento. destacando alguns aspectos e princípios: • Dimensões humanas: a Educação Integral pretende captar a complexidade de uma pessoa em sua totalidade. que partem de eixos escolhidos e que se articulam com outros conhecimentos. cientista social e político brasileiro de grande influência na educação nacional. ou seja. reconhecendo suas singularidades e suas universalidades.

htm 17 Coleção de Educação Cooperativa . suas crianças. como uma responsabilidade compartilhada por todos: governo. não consegue sozinha realizar a tarefa de formar integralmente as pessoas. compreensão. que todos os envolvidos são sujeitos da aprendizagem (crianças. liberdade e participação. atualmente. rompendo com a rigidez organizativa de tempos. social e cultural sejam formuladas e operadas de forma a garantir qualidade de vida. perpassam diferentes entendimentos: comunidade real e virtual (mediada pela tecnologia por meio de redes de pessoas. coope- 9 A escolha pela perspectiva de Comunidade de Aprendizagem e não de Cidade Educadora sustenta-se na maior abertura e menor formalização que a primeira apresenta. econômica. sociedade e família. objetos de conhecimento. como aponta a educadora Rosa Maria Torres (2005). em que as políticas educativa. segundo Jaqueline Moll. afeto. 2007). ainda que se configure como um lugar privilegiado nos processos educativos. que todas as diferenças sejam consideradas e influenciem a proposta (adaptabilidade) e que estejam instaladas as capacidades necessárias para execução da proposta (exeqüibilidade). o conceito e as práticas no registro de Comunidades de Aprendizagem foram formuladas na América Latina. extra-escolar. os institutos e as fundações empresariais. ou da comunidade escolar. outros atores se implicaram com a tarefa educativa: as organizações não-governamentais. Comunidade de aprendizagem9 • Garantia dos direitos de educação: é necessário que a proposta educacional seja do conhecimento de todos e avaliada por todos (aceitabilidade). Cada vez mais se percebe que a escola. a educação deve ocorrer de maneira integral e abrangente na medida em que as diversas áreas do conhecimento se conectam e dialogam entre si para a formação dos sujeitos. Na expressão comunidade de aprendizagem.) é uma comunidade humana organizada que constrói um projeto educativo e cultural próprio para educar a si própria. a ação pedagógica considera: todas as dimensões humanas. colocando no centro a aprendizagem e a cultura em sentido amplo. levando em consideração as novas formas de produção de conhecimento. ou seja. seus jovens e adultos. adolescentes e adultos). sustentada por esses princípios. tempos e espaços e que uma das denominações desta equação é comunidade de aprendizagem. noções de âmbito geográfico. o Programa A União Faz a Vida propõe uma educação preocupada com a totalidade. os movimentos populares. Uma delas é a perspectiva da comunidade de aprendizagem que. lazer-ócio. Nesse contexto. Não concebe conhecimentos mais ou menos relevantes. Essa tarefa é entendida. articula sujeitos da aprendizagem.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS criação. o espaço fora da escola.” (MOLL. é uma “iniciativa que busca redesenhar os contornos institucionais da escola. os campos ético. e por fim. identidade. a noção da sala de aula. tempos e experiências pedagógicas. Nesta concepção. e que parece cada vez mais consensual. escolas e outras instituições educativas). Assim. • Integração das políticas: a Educação Integral exige uma visão transetorial. É importante adotarmos uma visão integral e sistêmica do educativo. ou entre cultura clássica e erudita e a tradição e as manifestações populares. Como já dito anteriormente. que todos possam se incluir no processo de aprendizagem (acessibilidade).fronesis.. Para trabalhar com a perspectiva da Educação Integral. graças a um esforço endógeno. campos de conhecimento e com o isolamento que a tem caracterizado desde sua gênese.. Mas. estético e político como cenário e roteiro da aprendizagem.org/rmtorres. proteção. na perspectiva aqui apresentada. Eles têm se responsabilizado por criar e desenvolver projetos e programas educativos. Além disso. a comunidade de aprendizagem: (. a Educação Integral se realiza por meio de uma equação político-pedagógica que. espaços. não reconhece hierarquia entre conhecimentos científicos e a sabedoria popular. sendo a educadora Rosa Maria Torres sua importante divulgadora – www. é que a educação não é um fenômeno que acontece exclusivamente na escola. Um dos pontos importantes. como uma comunidade de aprendizagem. instaurando novos lugares. Atento a essas concepções. surge a necessidade de se aprender e disseminar outras formas de “fazer educação”. com o contexto global e com a articulação dos conhecimentos e experiências humanas.

podem significar as primeiras incursões. Muitas instituições educativas já contam com ações constituidoras da comunidade de aprendizagem. em conjunto. Esses locais e apoiadores possíveis podem ser mapeados e convidados a participar da trajetória educativa da comunidade. intervém. teatros e cinemas. Construção sobre processo já em andamento A premissa fundamental. Mas por onde começar? E o que implica organizar uma comunidade de aprendizagem? Tomemos emprestados alguns indicativos elencados por Rosa Maria Torres (2003. as crianças. em maior ou menor escala e abrangência. é construir uma articulação consciente entre eles. de suas forças para superar essas carências. quadras de esporte. se tornam verdadeiras “salas de aula”. parte de uma rede já existente. baseado em um diagnóstico não apenas de suas carências. mas. avalia e acompanha a trajetória educativa de seus cidadãos. assim como parques. planeja. associações de moradores. para a constituição da comunidade de aprendizagem. 2003. os atores e potencialidades já co-existem nos territórios e muitas vezes já exercem papéis educativos informais.83). Nessa compreensão. outra maneira de conceber a educação e a produção de conhecimento. portanto. os adolescentes. A escola/instituição também se percebe parte viva da comunidade. então. centros de saúde. mais ainda não explorada e articulada. além dos educadores e gestores. o exercício do olhar atento e de descoberta de locais até então “invisíveis”. um território geográfico deve ser contornado para a concentração das ações educativas. Criar uma comunidade de aprendizagem implica em conhecer o entorno da escola/instituição e seus possíveis espaços. Num primeiro momento. ou seja. os familiares e os membros da comunidade. Concentração em torno de um território determinado Na constituição da comunidade de aprendizagem. ampliação e continuidade. que nos faz passar várias vezes por um mesmo local e não perceber sua riqueza e diversidade. não percebê-lo em sua totalidade. indústrias. contendo todas as descobertas que. criando uma rede intencional e articulada de ações educativas. iniciam um processo de pesquisa de campo. Significa construir um grande ambiente educativo. potencialidades e parceiros. visando à construção de uma comunidade de aprendizagem. na medida em que participa. os atores interessados em sua construção.83). Desse território revisitado e reconhecido. então. A proposta. elabora-se um mapeamento do entorno ou região. que podem orientar ações. A história local e os processos em andamento devem ser respeitados e contemplados para que essa etapa de articulação tenha legitimidade e significado para os seus atores. Nessa tarefa. Toda a comunidade pode ser mobilizada. A comuni- dade de aprendizagem desenha um espaço para a atuação e construção de sua “rede” de relacionamentos. visando tecer as costuras dessa trama local. sem muros. (TORRES. p. Novas descobertas e experiências podem surgir dessa maneira de olhar os ambientes.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS rativo e solidário. museus. assim como as outras instituições e atores do entorno. que podem atuar como importantes dicas para sua efetivação. é o entendimento de sua existência a priori. que expressam. espaços e atores educativos. aberto a todos os interessados em participar e a cuidar dele. escolas de samba. p. estabelecimentos comerciais. Praças. Crianças e adolescentes como atores principais As crianças e os adolescentes são os beneficiários diretos das ações e precisam ser alvo da atenção dos 18 Programa A União Faz a Vida . pode gerar inúmeras surpresas aos participantes do mapeamento na medida em que inverte a rotina apressada e focada apenas nas tarefas obrigatórias do dia-a-dia. bosques. sobretudo. de reconhecimento do entorno. entre outros espaços que muitas vezes passam despercebidos e invisíveis aos nossos olhos. participam dos projetos educativos.

na construção de uma comunidade de aprendizagem. de associações e alianças. é o processo participativo. deve ser uma constante num processo responsável de legitimação da comunidade de aprendizagem. mas certamente uma delas é falta de participação dos atores e beneficiários diretos do processo educativo. Essa premissa exige coragem. com essa preocupação contribui. equipamentos e/ou materiais. pela execução. sem responsabilidade com esses espaços. chegando até a avaliação final. devem acontecer de forma cooperativa. Por isso. temos a tendência de não nos envolver. Estabelecer relações educativas. escolhido e desejado por todos. com o planejamento. equipamentos e materiais que são quebrados. assim. não nos comprometer. pois habilidades e valores fundamentais são vivenciados cotidianamente em situações de construção coletiva: o aprendizado do diálogo. pensado. e até descartados. adolescentes e jovens podem trazer contribuições essenciais à qualidade de educação pretendida. a muitos profissionais da educação. Quando nos sentimos distantes e estranhos a algo. muitas iniciativas de voluntariado e responsabilidade social têm surgido. entre as próprias famílias. mais qualidade essa educação tem. participar. E que. Projetos associativos e construção de alianças Na construção da comunidade de aprendizagem. que se faz fundamental. as crianças e os adolescentes exercem sua cidadania como atores principais do seu processo de aprendizagem. da negociação. perpassando pelo planejamento formal. e se comprometem com pequenas ou grandes ações. o estabelecimento de parcerias. Aqui. depredados. e no mesmo nível. executar e avaliar. outra premissa. Ao mapear o entorno de um espaço educativo. para que se estabeleçam relações saudáveis e ricas em possibilidades de parcerias. o cuidado com o estabelecimento das parcerias. O caminho do diálogo. surgem pessoas que podem atuar como apoiadores educativos na medida em que participam do processo de ensino e aprendizagem de crianças e de adolescentes. é fundamental para o estabelecimento dessas alianças. as primeiras formulações. a cooperação. da expressão da opinião individual. do respeito. Processos participativos Na efetivação de uma comunidade de aprendizagem. pois na história de nossa educação. da empatia. a execução e a avaliação conjuntas. uma comunidade de aprendizagem enfatiza a relação cuidadosa entre os moradores. enriquecendo e contribuindo para a melhoria da educação nacional. da cooperação. da colaboração. audácia e ousadia por parte dos adultos. todos os envolvidos devem ser reconhecidos como protagonistas da história. pertencentes. adolescentes e adultos que não se sentem responsáveis. capazes de opinar. Há inúmeras causas para esse tipo de comportamento. O processo participativo tem sido fundamental para a formulação de práticas educativas significativas. do respeito à opinião do outro. construído. a cooperar. em muito. para que os sujeitos sintam-se pertencentes. deixados em locais inapropriados. negociado. 19 Coleção de Educação Cooperativa . Como foi dito anteriormente. entre as lideranças comunitárias. um olhar mais atento e cuidadoso sobre a questão do protagonismo infanto-juvenil. principalmente aqueles comprometidos com a Educação Integral. já tem mostrado. Compreendemos e respeitamos aquilo que conhecemos e que nos é significativo. poucas vezes nos foi outorgado esse papel participativo e protagonista. Nesse nível de participação. entre os diversos atores é fundamental. que as crianças. conjuntamente. Muitas são as histórias de espaços educativos. dialógica e democrática. da argumentação. por crianças. entre fornecedores do entorno. se envolver e se comprometer com o que é de todos. Embora haja ainda uma compreensão da criança e do adolescente como futuros cidadãos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS adultos da mesma forma que devem ser respeitados por eles como sujeitos ativos de sua própria aprendizagem. Atualmente. A adoção da concepção de comunidade de aprendizagem implica convidar a todos a participar. quanto mais esse espaço lhes é garantido. que os outros atores.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS No âmbito do Programa A União Faz a Vida a Rede de Cooperação que envolve vários agentes é a prática da comunidade de aprendizagem. onde os gestores. assessorias pedagógicas e apoiadores unem-se harmonicamente em torno de um objetivo comum: a educação cooperativa. parceiros. 20 Programa A União Faz a Vida .

Intervenção sistêmica e busca de articulações A comunidade de aprendizagem deve ser concebida como um organismo vivo. ajudadas ou ajudantes. de qualquer tipo de trabalho. considero ser impossível conhecer as partes sem conhecer o todo. cada parte. a criatividade e a inovação são elementos importantes nas ações em prol da organização da comunidade de aprendizagem. está intimamente relacionado ao “capital humano” presente nas organizações. descobrem materiais e lugares como novas ferramentas metodológicas. descobrem potencialidades escondidas. um sistema que funciona de forma articulada e integrada com seus membros e atores que se inter-relacionam. o “cuidado com o cuidador”. mas a todos os envolvidos com a comunidade de aprendizagem. pois. pois. interfere num todo maior. cada educador. ou não. descobrem que debaixo de árvores é possível acontecer educação. Assim. beneficiários diretos. com suas características. visto que se entende que o sucesso. a valorização profissional e a formação continuada. Para o desenvolvimento de um sistema..) sendo todas as coisas causadas e causadoras. a ousadia. O objetivo geral é a aprendizagem de todos os atores envolvidos. Dessa forma. As pessoas envolvidas. Esse entendimento não cabe apenas às crianças e aos adolescentes. sendo o princípio básico o cuidado com seu desenvolvimento. e o seu desenvolvimento pleno são os focos de todo o processo de ensino e aprendizagem. p. descobrem o papel fundamental da memória e dos saberes dos mais velhos. Assim. pesquisas e teorias organizacionais. com os educadores.39. na comunidade de aprendizagem. se faz fundamental a preocupação com o princípio exposto por Pascal (2005) que nos convida a levar em consideração as relações entre o todo e as partes de um processo educativo: (. Prioridade para as pessoas e desenvolvimento dos recursos humanos Partir da concepção de Educação Integral implica compreender que o ser humano. como instrumentos ricos de aprendizagem para as novas gerações. as pessoas envolvidas nos trabalhos têm sido o foco dos estudos. mas cada parceiro. todos vivenciam aprendizados e se desenvolvem quando se dispõem a se relacionarem e serem protagonistas dessa “comunidade”. partindo da aceitação e valorização da diversidade humana. e sustentando-se todas por um elo natural e insensível que une os mais distantes e as mais diferentes. mediatas e imediatas. sem a pretensão e a arrogância da homogeneidade e da igualdade totalitarista. sem exceção. enfim. profissionais e demais atores da comunidade. o cuidado com o ser humano é fundante das ações da comunidade. estão co-relacionadas. experiências e vivências. (PASCAL. 2005). A comunidade de aprendizagem respeita cada um em sua individualidade. Atualmente.. todos aprendem. além do cuidado e respeito com as crianças e os adolescentes. interesses e desejos. Propõe o diálogo com a diversidade. são pontos que não podem ser desprezados na comunidade de aprendizagem. a ruptura com as velhas concepções. ao atuar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Orientação no sentido de aprendizagem e ênfase na inovação pedagógica Na comunidade de aprendizagem. vive constantes aprendizados ao se disporem a trocar conhecimentos. aprendem que inúmeras outras possibilidades aguardam para fazerem parte dos processos de aprendizagem. Assim. 21 Coleção de Educação Cooperativa . Não apenas as crianças e adolescentes. tampouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes.

transformações e inovações. seja possível a realização da sistematização e compartilhamento dos saberes e conhecimentos aprendidos durante aquele processo. as intervenções feitas preocupam-se com seu todo. a organização. conflitos. consistência. diários de bordo. controlada. para que. avaliação e difusão da experiência Outro momento fundamental. contradições. estática e organizada. das concepções. ao final de cada ciclo determinado pelos participantes. de conflitos ou descobertas. pois. é a organização dos registros durante todo o processo. anotações. essas tarefas precisam estar alinhadas às capacidades. da organização e construção da comunidade de aprendizagem. servindo até para difusão e demonstração da experiência vivida. não existe apenas a preocupação com o uso adequado e eficiente dos recursos financeiros. Além dessas duas preocupações. como todo ser humano. Construção de experiências demonstrativas As experiências vividas pela comunidade de aprendizagem devem acontecer sempre com a preocupação com uma possível demonstração futura. mas com a otimização de todos os recur- 22 Programa A União Faz a Vida . Aqui. A socialização de seus resultados pode fomentar novas pesquisas e conhecimentos para outras comunidades ou interessados. jovens ou adultos. influenciam diretamente a vida social da comunidade de aprendizagem. conhecimentos. devem ser utilizados como ferramentas de análise e avaliação do processo e dos resultados obtidos com o trabalho da comunidade de aprendizagem. Processo e resultados de qualidade com uso eficiente dos recursos A qualidade de todo o processo resultante do trabalho da comunidade de aprendizagem deve-se à sua capacidade de olhar o todo e articular todos os recursos da própria comunidade para a realização das práticas educativas. crescimentos. Continuidade e sustentabilidade dos esforços Sistematização. pertinência e organização dos recursos humanos. e são passíveis de mudanças. Experiências de sucesso ou de insucesso. suas articulações estão vivas e abertas. por meio de inúmeras formas de registros. fotografias e as próprias produções das crianças. das propostas e das articulações e parcerias da comunidade de aprendizagem e sua pertinência. Relatórios.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Na comunidade de aprendizagem. habilidades e atitudes de cada pessoa para que o trabalho venha a se realizar de maneira qualitativa e assertiva. têm para todos os participantes e beneficiários. as funções e as responsabilidades das pessoas envolvidas. ao nível de significado que essas idéias. tanto para produzir novos conhecimentos. equilibrada. A consistência diz respeito à qualidade das idéias. depoimentos. podem contribuir com os rumos da comunidade de A sustentabilidade de uma comunidade de aprendizagem se dá por meio do equilíbrio de alguns elementos importantes: recursos materiais. pois. para outros interlocutores. concepções e propostas. como para diagnósticos e correção de rumos. mas isto não significa que um sistema funcione sempre de forma aprendizagem.

Deve ser elaborado por aqueles que. solidariedade. Segundo Celso Vasconcellos (2004). dentro de seus espaços. 2006). as ações de cooperação e parcerias locais contribuem para o movimento global de mudança de perspectiva educacional e de relação social. a qualidade e diversidade das idéias e propostas eleva-se. Para a formalização de um campo comum de princípios. pois. aglutina as pessoas e dá um referencial para a caminhada conjunta construindo unidade e não uniformidade. a construção da proposta político pedagógica necessita. participam do processo educativo. da direção da escola ou dos teóricos da educação. Façamos uma breve 23 Coleção de Educação Cooperativa . assim. o projeto político pedagógico resgata a intencionalidade da ação superando crises de sentido. e é exatamente neste ponto que se abre a oportunidade para a escola estabelecer um diálogo crítico com todos os seus atores. Além disso. já que interferem num todo maior. A oportunidade da elaboração de um planejamento dialógico que fortaleça os valores de cooperação. que não deve ser concebido como tarefa apenas de pedagogos. mas podem estar na própria comunidade. da gestão escolar e de seus planejamentos ou projetos pedagógicos (PADILHA. é instrumento de transformação e gera esperança. pois. à questão do planejamento. efetivamente.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS sos que podem advir da articulação da comunidade. finalidades e estratégias de uma comunidade de aprendizagem o projeto político pedagógico das instituições educativas é uma ferramenta importante que precisa ser compartilhada pelos diversos atores envolvidos. Recursos que muitas vezes as escolas e outras instituições educativas não têm disponíveis. co-responsabilidade e autonomia. A comunidade de aprendizagem deve surgir da necessidade e do diálogo entre seus agentes e assim. não estão postos aqui como verdades absolutas ou como regras e receitas. invariavelmente. ser participativa e cooperativa. Por isso. Nesse sentido. O entendimento de cada um desses indicadores citados anteriormente traz pistas relevantes para a organização da comunidade de aprendizagem. a co-responsabilidade. Paulo Roberto Padilha (2006) sugere tratar o planejamento como um ato dialógico. damos um novo sentido para a atividade de planejar. quando muitas pessoas estão envolvidas com um projeto. permitindo que os diferentes atores tragam suas contribuições e perspectivas. diretamente. Para que seja possível implementar o projeto político-pedagógico é imprescindível que ele seja precedido de um Planejamento Dialógico. na qual a cooperação. agregar valores essenciais à formação das novas gerações. maior qualidade. centralizado e burocrático. Mas podem e devem ser recriados. propicia a racionalização da utilização dos recursos. Partindo da concepção de comunidade de aprendizagem. colabora na formação dos participantes e fortalece o grupo de pessoas envolvidas – assim. as instituições escolares têm como responsabilidade a construção de sua proposta Planejamento dialógico e transdisciplinaridade pedagógica de forma coletiva e participativa. já que essa concepção se contrapõe ao modelo hierárquico e autoritário. e caminhos antes não explorados ou traçados surgem por meio da contribuição do olhar de outros para a sua execução. Ou seja. os processos sociais da comunidade de aprendizagem fundamentam-se na participação. Segundo a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. é um canal de participação efetiva superando as práticas autoritárias e hierárquicas. a construção do projeto político pedagógico remete. enriquecendo as propostas e imprimindo a elas. a conectividade devem ser atitudes cotidianas comuns a todos.

vai acontecendo um processo de participação.” (PADILHA. uma demanda da equipe diretiva da escola ou instituição. para Freire. porém. Retomando Padilha (2006): “o planejamento dialógico é alternativa porque. Pedagogia do Oprimido. é a transformação e a libertação dos homens.. de troca de idéias. modificá-lo. O diálogo. ao contrário. O diálogo se faz em uma relação horizontal que provoca um clima de confiança como conseqüência óbvia da relação efetivamente dialógica entre os sujeitos. de envolvimento. a exigir deles novo pronunciar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS reflexão sobre o diálogo e relação dialógica a partir de Paulo Freire. E é esse diálogo que. Esse encontro não se dá para obtenção de conquistas ou vitórias. donos do saber. como adverte Freire. É essa a grande vantagem do planejamento dialógico. não pode ser um ato arrogante” (FREIRE. virtuosos. ou seja. Segundo Freire: “A pronúncia do mundo. 2006) O planejamento não pode ser apenas. é possibilidade de transformação do mundo e das relações humanas. pedagógicas ou administrativas das escolas e das políticas públicas educacionais. o que está muito distante dos técnicos ou especialistas em planejamento.95). senão. 92 e 93). para pronunciá-lo. portanto. ou seja. democraticamente sistematizado e voltado para o respeito à autonomia dos sujeitos partícipes desse processo. de transformarmos o diálogo em uma tática para tornar os sujeitos do processo em amigos. Palavra que contém em si mesma a possibilidade da ação e da reflexão. que estimulam o enfrentamento dos problemas e dos desafios apresentados pelo cotidiano. Fica óbvio que planejar dialogicamente implica a participação ativa e permanente das pessoas e esta é uma árdua tarefa a ser enfrentada pelos desejosos dessa concretização.. às questões orçamentárias. muitas vezes. nossa existência não é muda. mas pretende ser um ato de criação e recriação rumo a uma tarefa comum. para Freire. acaba por produzir documentos de “faz-de-conta”. Não há diálogo sem humildade e sem um profundo amor ao mundo e aos homens. p. p. É a fé nos homens e no seu poder de fazer e de se refazer. mas sim na palavra. Essa reflexão contribui diretamente com a elaboração dos planejamentos pedagógicos e da efetivação de uma comunidade de aprendizagem que se comprometa em envolver os diferentes atores participantes na prática educativa. não se esgotando. 1977. no texto Medo e Ousadia (In: O Cotidiano do Professor). Também não é uma discussão polêmica e agressiva entre pessoas que não se comprometem e que pretendem apenas impor verdades. com a ampliação da comunicação pelo diálogo coletivo e interativo desde a formulação das questões relacionadas. que. por isso: (. por exemplo. em detrimento dos outros. de resgate da cultura e de troca de experiências. é um encontro em que os sujeitos se solidarizam e se comunicam para refletirem sobre a realidade. Freire discorre sobre a dialogicidade como condição de existência humana. auto-suficientes. Deve se partir do desejo de mudança. na relação eu-tu (FREIRE. Compreender esse momento 24 Programa A União Faz a Vida . não há como estabelecer diálogos quando nos vemos como melhores. se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes. de ações e de propostas concretas ou concretizáveis. de transformação e de aperfeiçoamento do processo educativo. que deve ser mais valorizado que seu resultado. por sua vez. nem tampouco uma troca simples de idéias a serem consumidas.. Dessa forma.. Não é um ato de depositar idéias de um sujeito no outro. para Paulo Freire. 1977. não é no silêncio que o ser humano se constitui. Não se trata. O mundo pronunciado. ela deve refletir os projetos pessoais dos envolvidos.) existir humanamente é pronunciar o mundo. organizado. com que os homens o recriam permanentemente. Todos são convidados a serem sujeitos do processo. funda a colaboração. desconectados da prática social e estranhos aos envolvidos nela. Em seu texto. mediatizados pelo mundo. O diálogo é este encontro dos homens. como técnica de manipulação para se conquistar resultados desejados previamente.

cansativas e enfadonhas. reconhecendo o não privilégio de sistemas de explicação e formas de conhecimento partindo de uma visão do ser humano com integrante da totalidade planetária.. com o crescimento do poder nas mãos de seus detentores. ou da coordenação pedagógica. que fosse depositado. Não precisamos “reinventar a roda”. questionar o modelo disciplinar atual de organização dos conhecimentos e dos currículos nos quais não há diálogo nem cooperação entre as disciplinas. a hierarquia e o autoritarismo nas relações educativas. argumentar. realizar objetivos comuns. Diferentemente desse referencial. não se mostrou suficiente para a compreensão do mundo atual. 1997). pela qual um grupo de pessoas busca encontrar respostas e soluções para seus problemas comuns. 2001). decidir” (FRANTZ. o paradigma da transdisciplinaridade vem trazer contribuições diretas. “Eliminar a lugar o respeito. nem para produzir soluções aos problemas enfrentados pelo planeta e por seus habitantes. a solidariedade. são frequentemente compreendidos apenas como “caprichos” da direção. durante a história da educação brasileira. Por isso. ou de seu projeto político pedagógico. acima de tudo.. a transdisciplinaridade é uma postura de respeito às diferenças. do despertar das necessidades e possibilidades de mudança que gerem decisões. assim. contribuindo. embasado em relações associativas. a inveja e a prepotência.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS como espaço para sonhar e encontrar os caminhos de realização desses sonhos. privilegiaram a competição. buscar produzir resultados. através de empreendimentos co- arrogância. de objetivos a respeito do qual precisam falar. Foi-se perdendo a noção do todo na medida em que a ciência se aprofundou nas minúcias de suas disciplinas e subdisciplinas. a transdisciplinaridade. letivos com interesses comuns. Além dessas características. podemos dialogar com experiências já em andamento e. também. Apenas precisamos nos ater ao compromisso de ruptura com pensamentos e ações instituídas que. se desenvolveu a partir de pesquisas da física quântica Há inúmeros caminhos. de sociedade. também. que podem funcionar como referências. é necessário romper com essa visão errônea das finalidades e do processo de elaboração de um planejamento. exige de seus atores uma comunicação de interesses. pois. não desejando ser uma filosofia. adotando em seu Pensar em um planejamento dialógico implica. de conhecimento e portanto. compreendida como: “um processo social. reside numa postura essencial de unidade na multiplicidade dos conhecimentos. uma ciência ou uma religião. Para garantir isso. Acima de tudo. Par isso. nas mãos de poucos. Diz respeito a uma atitude. além de experiências de sucesso constituídas em todo o país. se compartimentalizaram. propostas e modelos de planejamentos e projetos político-pedagógicos. assim como a compreensão de ser humano. 25 Coleção de Educação Cooperativa . precisamos de planejamentos que se iniciem por meio de processos de sensibilização dos diversos atores sociais. Os planejamentos. partir das experiências já vividas no interior das escolas e das instituições educativas. também Nesse sentido. . com seus paradigmas cartesianos e lineares. esses seus saberes produzidos. como tarefas desconectadas da realidade. a cooperação é o objetivo maior da transdisciplinaride” (D‘AMBRÓSIO. o valor da cooperação se faz essencial na elaboração do planejamento da escola. Planejamentos construídos com respeito a essas etapas contêm desejos e propostas de ações transformadoras suprindo necessidades dos grupos participantes e necessidades analisadas de maneira crítica para que sejam passíveis de serem satisfeitas e negociadas. de educação. a organização da cooperação. Esse paradigma e do pensamento complexo e encontrou seu espaço na medida em que a ciência moderna. a ciência moderna permitiu. ainda expressam a descrença de seus formuladores. na interação humana. dentro de muitas escolas e instituições educativas.

através das diferentes disciplinas e além de ridisciplinar. o olhar de outras disciplinas para um mesmo objeto já oportuniza um aprofundamento e enriquece sua compreensão. gerar a criação de outra disci- fronteiras disciplinares ainda existentes na etapa disci- plina. juntamente com a compreensão estanque do conhe- contexto histórico. que “aos trabalhos interdiscipli- de não resistência entre elas. então. a sociologia ou. a proposta do paradigma transdisciplinar acontece após estudos e desenvolvimento de propostas de interdisciplinaridade. mas essa abordagem ainda se mantém circunscrita pela estrutura disciplinar relevantes como as artes. Da mesma maneira. Nessa perspectiva. herdados da ciência moderna. p. uma rações disciplinares aconteceriam num espaço sem as pesquisa. a filosofia. uma tema. Partindo de uma perspectiva plu- ciplinas. compreen- educadores partem dessa temática para desenvolve- de o conhecimento. Mas. entre as dis- rem seus conteúdos. dos currículos escolares. ocorri- ferindo métodos de uma disciplina para outra (a utiliza- do na cidade de Nice. de pesquisa. Segundo Basarab Nicolescu (1999). muitas nativa da transdisciplinaridade é a integração da totali- vezes os educadores não conversam. e todos os a partir da unidade do conhecimento. como no caso da física-matemática. a pluridisciplinaridade (ou ainda a multidisciplinaridade como apontam outros autores) diz respeito ao estudo de um objeto de uma mesma e única disciplina por várias disciplinas ao mesmo tempo. de “multi” e “pluri” disciplinaridade. até mesmo. do conhecimento sobre outras consideradas “menos” De certa forma. a química. há Assim. oriundos desse diálogo. podendo até. a educação física. Dentro da escola brasileira. que atue 26 Programa A União Faz a Vida . tais como diálogos entre as disciplinas e a busca por construção de novos olhares e conhecimentos. conhecimentos. a psicopedagogia. podemos estudar um organismo humano por meio de outras áreas do conhecimento. rumo a um trabalho mais orgânico. ou seja. trocando seus conhecimentos e experiências para a produção de novos caminhos educativos no desenvolvimento dos conteúdos fragmentados. a dimensão afetiva. a biologia ou até mesmo a antropologia. ainda que a água possa ser estudada por qualquer disciplina. presentes de forma incipiente nas grades curriculares e nas práticas educativas das escolas brasileiras. assim como também. a estrutura disciplinar está presen- ou mesmo estudar uma obra literária por meio de seu te. 1999). a astrofísica. em 1970. “ao mesmo tempo. no Semi- intenção: integrar diferentes disciplinas. O Seminário visava a ção de conhecimentos da física nuclear no tratamento e sistematização do conceito de interdisciplinaridade e combate ao câncer. identificando pontos Piaget sugere. A alter- seus múltiplos aspectos e por várias disciplinas. muitos projetos têm sido desenvolvidos a partir da compreensão interdisciplinar do trabalho pedagógico e muitos educadores têm se disposto a planejar conjuntamente. ou seja. divisão do conhecimento em disciplinas que não se complementam. inclusive trans- nário Internacional sobre Interdisciplinaridade. encontramos proje- No paradigma transdisciplinar caminha-se por outra tos desenvolvidos dentro das escolas nas quais se es- forma de pensamento: a compreensão do mundo presente colhe um tema. ainda assim. não comparti- dade propondo a superação das perspectivas dicotômicas lham sobre como seus “conteúdos” podem dialogar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS O primeiro registro da utilização da expressão Já a interdisciplinaridade traz em seu bojo outra “transdisciplinar” é atribuído a Jean Piaget. experiências. 1999. entre outras. por exemplo. por exemplo). As práticas educativas aqui abandonam a projetos ou avaliação conjuntas. plinar” (Silva. refletindo e atuando mul- nares deveria suceder uma etapa superior cujas inte- tidimensionalmente sobre um objeto. além de seu papel na construção cimento.” (NICOLESCU. quando não a sobreposição de algumas áreas da linguagem de uma época. como a água. de compreensão do mundo e das relações humanas e dos muito menos há propostas de estudos.15).

Uma educação que se dirige à totalidade aberta do ser humano e não apenas a um de seus componentes.151): Na visão transdisciplinar. 27 Coleção de Educação Cooperativa . que une. O rigor no uso da linguagem como argumentação. que tece em conjunto. A abertura ao inesperado. Para compreender o paradigma transdisciplinar. traz à luz novas potencialidades. da “Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI”: “aprender a conhecer”. há uma relação que liga os quatro pilares do novo sistema de educação e que tem sua origem em nossa própria constituição enquanto seres humanos. na comunidade e no trabalho. nossa dimensão transpessoal. na mediação do diálogo entre os sujeitos. Aprender a fazer é a aprendizagem da criatividade. o que abraça. Segundo Nicolescu (1999). das incertezas. Um primeiro esclarecimento necessário é a diferenciação do significado do conceito de complexidade da idéia de “complicado”. a “abertura” e a “tolerância”. da descoberta do novo. “aprender a decidir em grupo”. a abordagem transdisciplinar pode dar uma contribuição importante para o advento de um novo tipo de educação. desviando do caminho da manipulação. Uma cultura do questionamento. Segundo Nicolescu (1999. é entendido também na sua integralidade e não fragmentado e dividido nos seus diversos aspectos. É na família. Uma educação só pode ser viável se for uma educação integral do ser humano. inclusive à própria transdisciplinaridade. na escola. p. portanto. propostos no relatório da UNESCO. Entendendo o que significa existir e descobrindo as bases de nossas convicções. gerando seres capazes de se adaptar com flexibilidade às exigências da vida. Complexidade aqui é entendida a partir de sua etimologia latina (Complexus) que significa: “trançar. o aprender a ser. Uma prática pedagógica que leve esse paradigma em consideração atua a partir de três características essenciais da transdisciplinaridade: o “rigor”. “aprender a cuidar do lugar em que vivemos” e “aprender a valorizar o saber social”. As pessoas não nascem sabendo conviver uns com os outros. a convivência social. E por fim. pensamos e fazemos. “aprender a se cuidar”. a harmonia ou desarmonia entre nossa vida individual e social e inevitavelmente. aprender a conhecer significa a capacidade de aprender a estabelecer pontes entre os diversos tipos de saberes e conhecimentos e entre os seus significados para nossa vida cotidiana. “aprender a fazer”. como costumamos significar algo que nos pareça “complexo”. “aprender a comunicar-se”. que ao longo da nossa vida vamos constituindo a nossa identidade em um processo de aprendizagem contínuo. O ser humano. diferentemente do aprender a se submeter. E a tolerância enquanto reconhecimento e respeito às posições contrárias. por não ser natural. às possibilidades diversas de construção de conhecimento na aceitação do desconhecido. “aprender a interagir”. Aprender a conviver. Não é uma complicação. uma dificuldade. viver junto. requer aprendizagens básicas que devem ser desenvolvidas todos os dias.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS nas intersecções. No diálogo com a transdisciplinaridade. dialogando com os quatro pilares da educação. Será a característica fundamental para as novas gerações encontrarem soluções criativas e cooperativas na complementaridade dos diferentes conhecimentos. vale ressaltar a importância da influência do pensamento complexo nessa construção. as verdades absolutas e os sistemas fechados de explicação do mundo. “aprender a conviver” e “aprender a ser”. Todas as coisas que aprendemos e compartilhamos fazem parte daquilo que somos. aberta às respostas temporárias. O educador José Bernardo Toro elege as sete aprendizagens necessárias à convivência: “aprender a não agredir o outro”. recusando os dogmas. ao contrário. entrelaçar”. dando qualidade às relações.

cf. 2001. Huizinga (2001). jogo de palavra) Considerações sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes O presente texto tem como objetivo apresentar elementos constituídos no âmbito do diálogo forjado entre os campos da psicologia e da educação10 que possibilitam aos educadores tomarem contato com algumas características concernentes ao desenvolvimento da infância e da adolescência e retirar delas implicações para o desenvolvimento de experiências formativas que possibilitem o aprendizado de valores atinentes à co- bastante freqüentemente traduz ludus. p.. 11 Para maior aprofundamento dos usos do termo ludus ao longo da história e das sociedades. p.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Partindo desta abordagem. o termo ludus encerra uma série de compreensões que remetem a um mesmo conjunto de significados12. quando se atinge algum tipo de contradição. no sentido especial de fazer humor. mas sim o emaranhado. uma rede constituída por diversos fios heterogêneos. Cabe lembrar que o programa não exclui crianças com menos de 6 anos de idade. nem adultos acima de 18 anos. Ludus abrange os jogos infantis. Na ótica complexa.41) 28 Programa A União Faz a Vida .)” (BROUGÈRE. Ainda que possa referir-se a um conjunto de acepções distintas ao longo da história e das sociedades11. no presente texto busca-se compreender a sua importância para a vida humana. se pensarmos a educação integral. a incerteza e portanto os “erros”. e que buscam um fim comum. Sobre a importância da ludicidade para o desenvolvimento humano Menos do que circunscrever toda a gama de significações que encerra o termo ludus (raiz etimológica da palavra ludicidade).) uma atividade livre. com o qual 10 Tomaremos como referência para a produção deste texto. de dizer piadas. 12 “Contrastando fortemente com a heterogeneidade e a instabilidade das designações da função lúdica em grego. mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. a segunda refere-se aos processos relativos ao desenvolvimento de crianças entre 6 e 12 anos de idade. como compreende Edgar Morin (2005). a recreação. fase que compreende a idade de 13 até 18 anos de idade. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material. 1998. a complexidade não é complicação. Na mentalidade clássica. por sua vez. e particularmente na da ´ilusão`e da ´simulação`. não se concebe a contradição.. que estejam inseridos nas escolas e/ou organizações educacionais. mas não em todas as suas acepções”. Convém salientar que jocus. as competições. O termo ludus guarda proximidade com o espaço do jogo. principalmente. (Huizinga. Huizinga (2001. considera o jogo como: (. O texto subdivide-se em três partes: a primeira apresenta reflexões sobre a importância da ludicidade no desenvolvimento humano.. o latim cobre todo o terreno do jogo com uma única palavra: ludus. p. jocari. Embora ludere possa ser usado para designar os saltos dos peixes. de uma camada mais profunda da realidade que nossa lógica seria incapaz de dar conta. temos aí um sinal de descoberta e não de erro. de H. de ludere.16). Lev Semenovich Vygotsky e Gilles Brougère. e sim na da não – seriedade. mas que juntos podem descobrir novas maneiras de se entrelaçar em situações de aprendizagem efetivas para todos. não significa exatamente jogo em latim clássico. operação social. as representações litúrgicas e teatrais e os jogos de azar”. de onde deriva diretamente lusus. Essa pode ser uma grande contribuição.38). mas que se complementam. de captar. Segundo Brougère (1998. conscientemente tomada como ´não séria` e exterior à vida habitual. sua etimologia não parece residir na esfera do movimento rápido. p.. a produção teórica de Henri Wallon. o esvoaçar dos pássaros e o borbulhar das águas. um tecido de elementos heterogêneos que apresentam uma relação paradoxal entre o uno e o múltiplo. a terceira compreende os processos relativos à puberdade. Homo Ludens. a comunidade de aprendizagem e as relações educativas como um todo complexo. Fios que muitas vezes se contrapõe e se chocam. compreendido como “um espaço diferente onde podem ser apresentadas todas as realidades heterogêneas à humanidade ´normal`(.36): “se nosso `jogo´ deriva de jocus (divertimento.

Ao evocar mimeticamente o medo. 1998. Para Caillois (1967). como o amor. os indivíduos aprendem a se da que essa última palavra não signifique outra senvolvimento da personalidade. no qual a ameaça à sobrevivência presente na vida real . também. Para Elias e Dunning (1992. fictício. tanto o ódio. Assim. Ele é circunscrito dentro de espaço e tempo definidos a priori pelos participantes. De uma ou de outra forma.) uma atividade que se exerce por si mesma.61) compreende o jogo do seguinte modo: vidade livre na qual o jogador opta pela sua participação. Se a atividade lúdica é importante para a constituição dos vínculos sociais. afastada da vida corrente. atributos próprios das brincadeiras infantis. pois se caracteriza por uma consciência específica.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS não se pode obter qualquer lucro. bem como da imaginação e da ilusão. o direito. De certo modo. O espaço do jogo é o espaço da aprendizagem social. é fictício. Huizinga (2001) considera que o espírito lúdico é imanente a diversas áreas da cultura. por sua vez. (BROUGÈRE. mas a sua dinâmica é incerta à medida que não é possível definir o resultado antecipadamente. a aprendizagem do autocontrole necessário para a vida em sociedade. jogo e ludicidade devem ser tomados como termos intrinsecamente relacionados. Caillois (1967. escapamos do mundo fazendo-o outro.. como: as artes. o jogo cumpre um papel de controle dos instintos que se não fossem dessa maneira experienciados poderiam afetar de maneira nefasta tanto o desenvolvimento individual como a própria organização social. à noção de (. alheia conseqüentemente e ao lado da ação propriamente dita que persegue um fim definido. convencional e em certos aspectos fictício. uma condição comum da humanidade”. não podem ser desvinculadas do sentimento de prazer. é sempre regrado e submetido às convenções combinadas.que exige para o êxito frente a ela o controle dos instintos13 e a imposição de restrições aos desejos . por meio da inserção no Jogo é uma tentativa para substituir. e da qual não passa de uma cópia ou imitação. por sua vez. o jogo é necessariamente improdutivo já que não cria bens nem riqueza. praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios. remete-se. o termo ludus associa-se ao conjunto de expressões culturais que possibilitam a apropriação da realidade por meio de mediações simbólicas. o jogo pode ser definido como uma ati- relacionar com seus semelhantes. Brougère (1998) destaca a sua importância para o de- Sem justificar uma relação privilegiada entre jogo e educação. a psicanálise construiu uma idéia fundamental de que o jogo é o terreno necessário Nessa perspectiva os autores aproximam-se de Freud em sua obra O mal estar na civilização. à confusão normal da existência corrente. p. a religião. Elias e Dunning (1992) consideram que o jogo encerra uma função mimética que na articulação social cumpre o papel de proporcionar aos indivíduos um espaço de simulacro. fora de qualquer fim prático ou de visão utilitária que seja percebida. Todo jogo supõe a aceitação temporária. condição necessária para a constituição da vida social. O jogo. situações perfeitas (.é atenuada pela função que o jogo cumpre de liberar um espaço imaginário.. originalmente gratuita e desinteressada.. senão de uma ilusão (ain- espaço do jogo lúdico. p. As duas acepções. segundo uma certa ordem e certas regras..). Segundo o autor: coisa que entrar em jogo: in-lusio). o esporte e a filosofia. 36) As idéias de inutilidade e gratuidade talvez sejam as que melhor correspondam ao conteúdo do conceito do termo ludicidade. 13 Para o autor. ao menos um universo fechado. p. próprio ao universo do jogo. o triunfo. Segundo os autores.61) “a aprendizagem do autocontrole é um universal humano. a dominação sobre o outro ou sobre os objetos. 29 Coleção de Educação Cooperativa .

151): Para conseguir sair deste bloco subjetivo onde se vão aglomerando todas as impressões. os educadores facilitam o acesso ao conhecimento e mobilizam comportamentos importantes para a vida social. mais apta para constituir ações de equivalência com seus pares. admitindo para eles um fundo idêntico. uma miniatura de velho. vai erigir-se.213). própria ao jogo. Ao tomar em sua amplitude a afirmação de que “a criança é um ser que brinca/joga. 1987. A criança está. da fase egocêntrica. será Crianças de 6 a 12 anos de idade O grupo é indispensável à criança não só para a sua aprendizagem social. A ludicidade é a forma privilegiada por meio da qual. Devido a sua importância. 1975). p. como o respeito às regras coletivas e a cooperação entre pares. A fase que compreende a idade que começa a partir dos 6 anos de idade é marcada pela passagem necessário que. p. pois. 1987. que não são ele próprio e de que a consciência deve ter. entre o solipsismo inicial e o pluralismo das pessoas seria essencialmente o que determina a sua evolução mental”. um princípio de constância. para a criança. Este compromisso consiste em objetivar o mundo. contudo. os educadores devem conferir a devida importância à ludicidade nas ações pedagógicas que circunscrevem nos ambientes educativos junto às crianças. as experiências coletivas favorecem a passagem de percepções subjetivas. Segundo Wallon (1975. p. as crianças.211). p. econômico e cultural. será um adulto que não sabe pensar” (CHATEAU. pode se dizer que a partir dos 6 e 7 anos de idade. onde o seu papel deverá ser mais diversificado” (WALLON. e nada mais” (CHATEAU. ela é capaz de “entrar em coletividades mais vastas. Desse modo. 1998. 212).174) Ainda que se deva levar em consideração aspectos relativos às variações de cunho social. a sua consciência passe a ser social. invariantes que fazem subsistir sob as contradições aparentes um meio de acordo. Pode se afirmar que a ludicidade é a expressão da própria “natureza” da infância. 1975. (WALLON. 98) A experiência do jogo é fundamental para que ocorra o desenvolvimento da personalidade. isto é. acedem à vida social e compreendem a realidade circundante. as crianças estão mais preparadas para poder considerar os outros como parceiros capazes de estabelecer com ela relações de reciprocidade. Ainda que tenha seu ponto de vista pessoal. uma medida comum. p. de estritamente individualista. p. para o desenvolvimento da sua personalidade e para a consciência que pode tomar dela.150): “Esta conversão que se faz na consciência. Ao incorporar a ludicidade no processo de ensino e aprendizagem. particularmente. p. todas as noções que recebe das coisas. sobretudo a parte criativa desta. “uma criança que não sabe brincar. 30 Programa A União Faz a Vida . na qual. mas também. portanto. em neutralizar os pontos de vista opostos ou distintos. ela já é capaz de levar em consideração os pontos de vista de seus semelhantes e de poder “procurar a persuasão dos outros ou de procurar dominá-los” (WALLON. 14). por volta dos 7 anos. as mesmas prerrogativas que tem a sua. (BROUGÈRE. 1975. p. A igualdade de direitos leva a uma necessidade de compromisso entre elas. p. a ludicidade. 14). o ritmo do desenvolvimento psíquico “é praticamente o mesmo em todos os indivíduos” (WALLON. 1975. Segundo Wallon (1975. que ela se abra à representação dos indivíduos. para a fase na qual a criança já está apta a constituir relações sociais solidárias. 1975. “existe ainda alguma confusão entre ela e os outros” (WALLON.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS sobre o qual o conjunto da personalidade e. Grosso modo. deve ser levada a sério pelos educadores que atuam junto às crianças e adolescentes.

tomando nele um lugar. Wallon (1975. são estruturantes para o desenvolvimento das condutas sociais que possibilitam a identificação entre os indivíduos. O grupo é fundamental à criança. e a instância que possibilita tal desenvolvimento é o grupo social. fazendo no meio deles figura de indivíduo distinto. Gostaria de ser aceito por grupos de crianças 31 Coleção de Educação Cooperativa . apenas a convergência de interesses e aspirações não é suficiente para a edificação do grupo. O grupo. não só para a aquisição de certas regras sociais.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS características do momento egocêntrico. de certo modo. a criança aprende a conduzir-se como uma pessoa no meio dos seus semelhantes. com a vontade dos quais ela poderá ter de se pôr de acordo. Por um lado. Em consonância com Wallon (1975). porque favorece a tomada de consciência das suas próprias capacidades. isto é. É necessário que cada um de seus membros tome nele um lugar. não pode integrar-se verdadeiramente no grupo senão entrando na sua estrutura.215) compreende que nessa faixa etária a criança: (. se não o grupo perde a qualidade de grupo.. resultando daí para a criança a possibilidade de desenvolver toda uma variedade de condutas sociais. Sobre as exigências que a situação grupal define para a vida individual. ou seja.. portanto. p. aceitando-os como árbitros das suas proezas ou das suas fraquezas. Wallon (1975. no início da vida escolar. cujos membros são livres de aceitá-lo ou não. dos seus próprios sentimentos. interesses. ocupe um papel que. em acordo com os demais e por meio de ações autônomas coordenadas visando objetivos comuns. possa favorecer a organização de todos os envolvidos.175) comenta: O grupo coloca-se entre duas exigências opostas. 1975. em prol do reconhecimento do outro. Para tanto. em suma. as experiências de cooperação. p. um papel determinado. que a criança começa a ser capaz de procurar um lugar num grupo. são fundamentais para o desenvolvimento da psique infantil – é só por meio da ação cooperativa com seus pares que a criança compreende a si mesma e interioriza as normas que orientam as condutas que possibilitam a existência da vida social. Mas. a “consciência não é a célula individual que deve um dia abrir-se sobre o corpo social. ela só é possível mediante o convívio que o indivíduo estabelece com seus semelhantes. Por outro lado. já que podem ser ou não referendadas pelos outros indivíduos do grupo do qual fazem parte e que. elementos fundamentais no estabelecimento de sentimentos de compromisso entre os indivíduos. da igualdade de direitos entre semelhantes. que os indivíduos possam investir em sua formação e manutenção. uma autonomia que não deve ser ignorada”. diferenciando-se dos outros. a própria criança deve identificar-se totalmente com o grupo: indivíduos. As ações de correspondência entre pares de um grupo sejam elas de aceite ou de oposição.152). no interior dos grupos que se estabelecem na escola ou em espaços de aprendizagem não formais. por volta dos 6 ou 7 anos. mais do que desejado. Segundo Wallon (1975. Horkheimer e Adorno (1973) afirmam que a consciência individual é mediada socialmente.) vai ter tendência para se aproximar dos mais velhos. Deve então. que tem a sua honra própria e. Assim. aspirações. A partir desse momento.174): É ao sair da idade puramente familiar. para se constituir como tal. É apenas por meio da experiência coletiva que as crianças podem balizar as suas ações. assimilar o seu caso ao de todos os outros participantes. mas também. filiação no grupo no seu conjunto. é necessário que o grupo possa representar os interesses de seus membros. p. exige do indivíduo a tomada de posição de querer pertencer a ele. é o resultado da pressão exercida pelas exigências da vida em sociedade” (WALLON. constitui o lócus privilegiado que possibilita o desenvolvimento de sua personalidade. p. por conseguinte.

as ações mútuas. Segundo essa afirmação. Wallon (1975. um deslocamento de situações de aprendizagens reais para novas aprendizagens que não ocorreriam de outro modo senão favorecidas por sua imersão em experiências que promovem a cooperação entre pares.112). escolares. como os relativos aos conteúdos específicos circunscritos pelas diferentes disciplinas. ocorre a promoção de aprendizagens que estariam em estado de potência. Assim. favorecem a criação de zonas de desenvolvimento proximal e possibilitam aprendizagens que se situam para além daquelas referentes.. Segundo Vygotsdy (1998. o desenvolvimento proximal compreende “a distância entre o nível de desenvolvimento real. Tem o mérito incomparável de estimular. que se costuma determinar através da solução independente de problemas. não o espírito de predomínio em cada indivíduo. como dito. de medir a sua força em relação ao grupo. Há. muito mais indicativo de seu desenvolvimento mental do que aquilo que consegue fazer sozinha” (p. Ao propiciar experiências de cooperação. favorecem o desenvolvimento do espírito de solidariedade.111). já que. o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento. ações coordenadas visando fins comuns nas quais cada indivíduo assume uma responsabilidade para atingir as metas fixadas por todo o grupo.118-119). p. Assim. A percepção de Wallon (1975). Além disso. sobre a tendência que as crianças têm em se aproximar de pares mais velhos também é abordada por Chateau (1987) na obra A criança e o jogo. que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. as crianças ao tomarem contato e participarem de experiências cooperativas com crianças mais velhas acedem a todo um universo de aprendizagens potenciais que não ocorreriam se tivessem que solucionar problemas individualmente. Segundo o autor: Propomos que um aspecto essencial do aprendizado é o fato de ele criar a zona de desenvolvimento proximal. os educadores favorecem a criação de zonas de desenvolvimento proximal14. realizar ações conjuntas em prol de seus interesses comunais. de alguma maneira.) a noção de que aquilo que a criança consegue fazer com ajuda dos outros poderia ser. e o nível de desenvolvimento potencial. é importante compreender que as experiências coletivas trazem preciosos indicativos sobre o nível de desenvolvimento mental das crianças. em comparação ao período anterior.. (VYGOTSKY. sobretudo. os indivíduos se reconhecem como semelhantes e podem. Com relação a importância das experiências de cooperação no âmbito das instituições educacionais. 14 32 Programa A União Faz a Vida . portanto. Esta tendência combina as suas necessidades de relações mais igualitárias do que com os pais e o seu desejo de antecipar o seu desenvolvimento futuro. strictu senso. O fomento às experiências formativas cooperativas favorece não apenas a melhoria dos níveis de aprendizagens. Tem necessidade de se fazer valer como indivíduo. portanto. p.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS mais velhas que muitas vezes a recusam. 1998. Por meio das ações cooperativas. A constituição de grupos sociais possibilita às crianças o exercício de sua autonomia. p. ou seja. Ou seja. por meio do compartilhamento de situações cooperativas. mas o espírito de solidariedade e de mútua recuperação. Vygotsky (1998) afirma ainda que “(. já não são tão dependentes de seus pais e necessitam estabelecer relações mais igualitárias com crianças de idade próxima. o incremento à constituição de grupos multietários é fundamental para favorecer as aprendizagens das crianças.217) afirma que: [A] ação mútua é uma ação que do ponto de vista escolar é muito eficaz. Outra implicação importante desse tipo de agrupamento refere-se ao que Vygotsky pode compreender acerca dos mecanismos subjacentes ao desenvolvimento das aprendizagens. mas do ponto de vista social é ainda melhor. já que. determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros capazes”. às aprendizagens individuais.

Segundo o autor. então. por vezes.) faz com que haja (. nos chamados caracteres sexuais secundários dos meninos e das meninas. pelo imprevisto. em relação ao controlo exercido pelos pais sobre eles. Devido a essa ambivalência. Expressam. Tendem. sob a influência da puberdade. sentimento de vergonha.) uma necessidade de conquista.. mas inicialmente. (p. A criança. bem como. Durante esse período do desenvolvimento. tendem a se tornar: (. tendem a oscilar seus comportamentos: ora há intensa necessidade de se afastar dos controles impetrados por seus pais e profundo interesse em ser aceito em grupos sociais que possam corresponder aos seus anseios de autonomia. Nas meninas ocorre o alargamento da bacia.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Adolescentes de 13 a 18 anos de idade Este período de ambivalência (. Há modificações. principalmente os advindos das imposições familiares. 219). As aspirações de liberdade e de autonomia acabam por permear todas as suas relações sociais. A desorientação é acompanhada de descontentamento. principalmente dos adultos.219) A adolescência é reconhecidamente o período do desenvolvimento humano no qual ocorrem importantes alterações de ordem corporal. dum desejo de mudança. simultaneamente. de aventura.219). Wallon (1975) considera que esse período é marcado pela “necessidade de surpreender os outros. não sabem para o que se dirigir. por vezes. Segundo Wallon (1975): Esse gosto.) intolerantes para com os hábitos adquiridos na infância. É um momento no qual tendem a observar e acompanhar qualquer transformação que ocorre em seu corpo. Não se reconhecem mais como crianças e tampouco como adultos. a menarca etc (Cf.. É a época das inquietações sublimes e das vocações. aventura e novidade. de dúvida acerca de si próprio” (p.222) Os adolescentes. tornam-se muito sensíveis às críticas. intensos sentimentos de insegurança e de necessidade de auto-afirmação. 1975. Devido ao sentimento de dúvida acerca de si próprio. A necessidade de auto-afirmação faz com que procurem grupos de pares de mesma idade e que expressem os mesmos interesses. de renovação. o aparecimento dos seios. É uma fase na qual comumente ocorrem exageros de diversas ordens. Geralmente. 1975. As descobertas em relação ao seu desenvolvimento abrem novas perspectivas no que tange às relações consigo mesmo e com os seus semelhantes. marca uma evolução decisiva do indivíduo.219). uma necessidade de renúncia de si próprio. sob o ponto de vista psíquico. nesse período. (Wallon. p. essa necessidade de escolha. a sua tomada de contacto com a sociedade. ocorrem. Aparecem os pelos pubianos.. em relação mesmo à solicitude de que são alvos. devido às intensas alterações hormonais. mas existindo ao mesmo tempo uma atitude de timidez.. Sentem-se. surgem.. pelo inédito. interesses confusos e mal direcionados. sob a influência das alterações que marcam esse período. Segundo Wallon (1975): “simultaneamente a estas alterações morfológicas produzemse alterações de ordem psíquica” (idem). ocorrem manifestações ardentes de necessidade de escolherem seu próprio destino. 33 Coleção de Educação Cooperativa . nos meninos. de se libertar pela acção. Wallon.. de aniquilar o que paralisa. p. Concomitantemente a essas transformações. a organizarem-se em grupos de mesmos interesses. os púberes e os adolescentes sentem-se desorientados em relação a si mesmos “tanto do ponto de vista físico como do ponto de vista moral” (idem). à vida do seu meio ambiente imediato. tenta escapar-se a uma vida demasiado limitada. o bigode e a barba e modificações da voz. psíquicas. 1975. procuram ampliar os limites que marcaram a sua vida até então. p. destemidos e aptos a realizar qualquer proeza que possa alçá-los à condição de poderem ser admirados por seus pares. Mas há evasões de diversas maneiras (Wallon.

se não forem bem orientados. índios e homossexuais. que o sentimento de responsabilidade pode ser mobilizado para atingir fins duvidosos. porém ainda não suficiente. O autor compreende que a responsabilidade possibilita o exercício do domínio das próprias ações e implica também um dever de sacrifício. A necessidade de se sentir pertencente a um grupo de semelhantes. Devido à sua pouca maturidade intelectual. Ora bem. as turbas enfurecidas (como as torcidas de futebol) ou as agremiações de caráter místico religiosas. se entretêm a cometer toda uma série de depredações.222) objetivando. p. porém. É comum. Segundo sua compreensão. certamente por interesse. também. o indivíduo responsável “é aquele que deve eventualmente sacrifica-se” (WALLON. para orientar os adolescentes para 34 Programa A União Faz a Vida . por gosto de aventura. Em meio a tantos apelos fomentados por diferentes agrupamentos sociais. pode acarretar ações regressivas. Os educadores responsáveis pela formação de grupos de adolescentes devem poder se utilizar desses sentimentos. por sua vez. os adolescentes podem. marcadas por profunda necessidade de transformar a sociedade.222) oferece algumas pistas. de maneira perversa. próprios desse momento da vida individual. contra grupos considerados opositores. em colaboração com semelhantes. se reúnem e acabam por cometerem atos de violência contra as instituições e. mas também por vaidade. Segundo Wallon (1975. a dos adultos. podem resultar em ações que podem colocar em risco a própria vida social.) que.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Tais experiências são necessárias para que possam reconhecer os seus próprios limites e potencialidades. por não encontrarem maneiras satisfatórias de orientar as suas insatisfações. expressões de imaturidade e desorientação. Segundo o autor. A falta de discernimento sobre como atuar num mundo regrado por normas sociais que lhes são. por vezes.222) A má orientação produz-se. que é a responsabilidade” . dominar. também. o que os educadores poderiam fazer para orientá-los no sentido de mobilizar seus sentimentos em prol de alterações positivas para a organização social? Wallon (1975. a aspiração para a autonomia e para a auto-regulação. p. tornou-se quase corriqueiro grupos de jovens ocuparem o noticiário policial por terem depredado instalações ou por terem atacado coletivamente indivíduos singulares como moradores de rua. Os sentimentos são intensos e as aspirações podem ser sublimes. ainda. nessa fase de desenvolvimento. pela constituição de ´gangs` entre jovens que se agrupam primeiro para se reunir e que. É verdade. atingir fins comuns. devem ser mobilizadas pelos educadores para a promoção de valores e ações dignas que se voltem para a melhoria das condições de vida da comunidade de destino. os anseios de mudança expressos pelos adolescentes. a adesão cega a grupos de diversas ordens: as agremiações políticas. o auto-sacrifício em prol das aspirações coletivas. principalmente. há uma forma de sentimento que é por assim dizer a síntese destas duas tendências para dominar e para se sacrificar. a emergência de grupos de adolescentes que. 1975. esse período da vida humana é marcado por uma forte ambivalência: é “a idade em que se quer possuir. p. Mas esses reais sentimentos de alterar a realidade. Atualmente. como os psicosociólogos americanos descreveram com abundância – e porque o fato é freqüente no seu país -. já que tendem a criticar os limites impostos pelas regras normativas que regem a vida social. estando descontentes com a sociedade e não tendo encontrado no seu meio ambiente direções satisfatórias. quando se trata de agrupamentos como ´gangs` regressivas. pouco familiares. É bastante comum. os grupos homofóbicos etc. nos grandes centros urbanos. sabem mobilizar muito bem os anseios de mudança e sentimentos narcíseos característicos desse momento de desenvolvimento humano. e sabedores de que muitos deles utilizam. ser alvos de agrupamentos fascistas (como os grupos neonazistas. A insatisfação mal orientada e pouco refletida pode se transformar em ações de barbárie social. os grupos de skinheads. Identificar os conteúdos subjacentes a esses sentimentos e aspirações é condição necessária. principalmente. a idade em que nos queremos sacrificar.

de forma expressiva. a capacidade de construir e produzir.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ações sociais positivas.109): É típico da adolescência o aumento da capaci15 dade crítica sem que se tenha ainda desenvolvido e canalizado. As crianças de 6 a 12 anos necessitam de experiências grupais concretas. Como discutido anteriormente. em conjunto com eles. Se bem concretizados. Segundo Sayão (2007. As opções metodológicas adotadas pelo Programa. de aprender e de realizar tarefas em grupo. forjarem ações solidárias que expressem os seus importantes anseios de transformação social. Assim. a combinação das expedições investigativas e da metodologia de trabalho por projetos. os adolescentes sentem extrema necessidade de atuarem de forma a poderem consolidar suas ações em práticas efetivas que incidam em alterações concretas na vida social de sua comunidade. p. poderosos aliados dos educadores em seu exercício profissional de contribuir para a formação das novas gerações. os adolescentes podem diagnosticar as necessidades de seu território e planejar ações coordenadas com os diversos atores sociais que constituem sua comunidade de aprendizagem. a partir de temáticas que povoem seus cotidianos. apresentadas ao final deste caderno. As trajetórias. a sua disposição para participarem de projetos concretos que correspondam aos anseios dos grupos sociais. Experiências nas quais cada um dos componentes do grupo possa assumir diferentes papéis tendo em vista atingir os objetivos fixados durante o planejamento de projetos escolhidos por todos15. Conclusão Ainda que guardem diferenças importantes do ponto de vista do desenvolvimento corporal e psíquico. compreendidos. p. “é fundamental vincular o apoio a seus processos de desenvolvimento pessoal à possibilidade de participação e interferência no seu meio social. Portanto. a região ou o país” (PROJETO JUVENTUDE. favorecem as aprendizagens sociais e escolares de crianças e adolescentes. tais aportes metodológicos dão o suporte necessário para que as aprendizagens dos valores de cooperação e de cidadania ocorram de modo satisfatório. já que. por meio dessas experiências. Segundo Sayão (2007. os educadores devem mobilizar as expedições investigativas e os trabalhos por projetos. nos trabalhos por projetos. por isso. O desenvolvimento dessas capacidades se faz com o auxílio do adulto. seu acolhimento em grupos sociais não é menos importante. p. dos quais fazem parte diferentes faixas-etárias. É preciso que os educadores utilizem dinâmicas grupais por meio das quais os adolescentes possam se sentir ouvidos. a comunidade. seja a escola. as diferentes faixas etárias. fomentam algumas possibilidades de experiências cooperativas. bem como. necessitam de experiências que fortaleçam o seu sentimento de pertencimento à comunidade. Esses pressupostos metodológicos devem ser compreendidos como o coração da proposta pedagógica defendida pelo Programa. Diferentemente das crianças. 2004. por exemplo. assim como o aprendizado dos valores que viabilizam a construção e a convivência numa sociedade democrática. orientando e coordenando as atividades. o bairro.106): Ao experimentar cotidianamente situações em que a igualdade de direitos é proposta e os adultos a respeitam. No que diz respeito aos adolescentes.36). 35 Coleção de Educação Cooperativa . que são alvos das estratégias educacionais previstas no Programa A União Faz a Vida. a que são destinadas as estratégias. constituem. de modo a confiarem nos adultos e. para as crianças desta idade a inscrição e ação em grupos sociais é elemento fundamental para a constituição da sua personalidade. a cidade. nos quais os alunos encontram maiores possibilidades de eleição/experimentação de novas formas de conviver. as crianças e adolescentes poderão descobrir as importantes dimensões do relacionamento social que possibilitam o estabelecimento da noção de alteridade. Os seus anseios de participação política no mundo adulto devem ser acolhidos e bem orientados.

36 Programa A União Faz a Vida . propriedades. pode contribuir para que as crianças e adolescentes desenvolvam defesas contra os artifícios culturais que os impelem em direção à manutenção do ordenamento social que. cumprindo papéis outrora concernentes. as ações que os educadores lançam mão para o seu exercício profissional são extremamente importantes na estruturação da ambiência social constituída no interior dos ambientes educativos. tendo em vista a constituição de um ambiente gru- 16 “Chamamos de identificação o processo pelo qual o indivíduo se apropria de traços. p. Elas ocupam importante função no processo de socialização da infância e da adolescência. problemáticos. Sabe-se que não existe ação educativa que prescinda de modelos (FREIRE. por vezes. Devido ao exercício de seu poder e representatividade. Cabe reafirmar que os processos identificatórios são socialmente constituídos. Não é. p. e o educador constitui um dos principais modelos na atual organização social. ao tomar para si a compreensão dos constrangimentos que atuam sobre a vida social. é fundamental que ele tenha boa formação profissional para atuar de maneira competente em seu ofício de ensinar. seu sentimento de justiça e humanidade. Para tanto. neste sentido. Ele deve constituir uma referência de afirmação dos valores de cidadania e cooperação por meio de suas atitudes na condução dos trabalhos educativos. em última instância. às relações familiares. sobretudo. 1977. sendo incorporados em um movimento psíquico de transformação interna” (CENPEC. O educador. Os processos identificatórios16 e de pertencimento são fundamentais para a formação da subjetividade da criança e do adolescente. Tal fato implica em refletir sobre os impactos do exercício de sua autoridade na formação das crianças e adolescentes. suas opiniões e suas atitudes tendem a influenciar a vida social dos grupos por quais são responsáveis. ou para a resistência e o exercício da crítica necessárias para a constituição de uma cultura avessa à violência e à barbárie. mera imitação. interiorização ou reprodução de modelos. já que são duradouros e.37). já que as crianças e os adolescentes são especialmente atentos às suas condutas. 1999. essas instituições contam com atores sociais especializados que concorrem com os modelos de autoridade familiares: os educadores. o educador pode favorecer a formação de indivíduos aptos para a submissão e passividade.70). Por meio do exercício de sua autoridade. uma vez que estes traços são apropriados pelo sujeito na relação com o outro. O educador é um ator social fundamental nos processos formativos operantes na organização social vigente. Se os educadores se constituem em atores sociais modelares das condutas de crianças e adolescentes. qualidades do outro e se transforma. não parece favorecer a realização dos interesses da maioria das pessoas. assim como deve ter preparo psicológico adequado para poder lidar com os conflitos emergentes. Assim.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS O educador como agente na formação ética das novas gerações As instituições educativas podem ser consideradas como as principais agências extra-familiares responsáveis pela formação do indivíduo contemporâneo.

o educador se constitui em agente fundamental na formação do clima cultural vigente. Tendo em vista as reflexões precedentes. atuando como modelo de autoridade legitimado socialmente. a valorizar a posição hierárquica e a ditar as regras às quais todos devem passivamente seguir. Sua característica principal é o diálogo – as crianças e os adolescentes têm o direito a opinar sobre o curso desenvolvido. FURLANI. Algumas pesquisas17 comentam que a forma como os educadores lidam com o grupo sob a sua responsabilidade . a deter o controle das decisões . Modelos de exercícios de autoridade e relações sociais grupais As crianças e adolescentes. os educadores autoritários que tendem a centralizar as ações sobre si. responsabilidades e as atitudes delas decorrentes.como exercem a sua autoridade -. Furlani (1995) . que não assumem as suas responsabilidades como mediadores de aprendizagens. devido ao afastamento forçado ao que os pais devem corresponder no mundo do trabalho para obter os ganhos necessários para a manutenção da vida. 1995). acabam favorecendo a conformação de relações sociais também autoritárias entre os educandos pertencentes a um mesmo grupo. 37 Coleção de Educação Cooperativa . cf. a que se refere Freire (2001. Já os educadores democráticos tendem a compartilhar o poder. ocasionando assim ausência de orientação e direção da 17 18 aprendizagem dos educandos (cf. inquietos. No contato com esses modelos. Por sua vez. implica ou exige “a presença de educadores e educandos criadores. acabam por favorecer relações sociais nas quais as crianças e os adolescentes ficam entregues às disputas internas pelo poder do grupo. Daí a importância de sua atividade profissional. humildes e persistentes”. A permissividade não tem compromisso com a aprendizagem nem com as instituições. Sua ação é eminentemente política. a todo instante. Esse modelo de exercício de autoridade favorece a constituição de relações sociais nas quais as crianças e adolescentes tendem a se respeitar mutuamente e atuar de forma cooperativa. porque o educador não assume os papéis.29). De maneira geral. prevalecendo o poder daquele que dispuser de habilidades aceitas e legitimadas pela sociedade. A importância do educador como agente modelar das condutas das novas gerações não pode ser desprezada. Segundo o autor.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS pal cooperativo e solidário que possibilite às crianças e adolescentes as condições favoráveis para a aprendizagem de conteúdos. interfere na maneira como se constituem as relações sociais entre os pares de educandos. em seu livro Pedagogia da Autonomia descreve algumas características desse educador crítico. os educandos. seus conteúdos. instigadores. Casco (2007). ensinar exige rigorosidade metódica: o rigor metódico. durante o seu processo formativo. são muito atentos às opiniões e atitudes dos educadores. o educador ocupa lugar de destaque nos processos correspondentes à formação das crianças e adolescentes. As conclusões dessas pesquisas implicam que o educador deve tomar consciência da importância do exercício de sua autoridade na configuração das relações sociais dos educandos tendo em vista a criação de ambientes favoráveis para o exercício de ações que correspondam aos anseios de valorização da vida humana18. de valores e de atitudes que confiram dignidade à vida humana. Ainda: “nas condições de verdadeira aprendizagem as crianças e os adolescentes vão se transformando em reais sujei- Cf. os educadores omissos. já que. p. quais seriam as principais características de um educador comprometido com os valores de cooperação e cidadania? Paulo Freire. Para maior aprofundamento sobre as questões aqui arroladas.independentemente do grau de maturidade da criança ou do adolescente. Snyders (1974) e Casco (2007). rigorosamente curiosos. balizam os próprios comportamentos conforme as demandas feitas pelos educadores. métodos e formas de avaliação. Devido à queda da autoridade familiar.

a sua origem social ou identidade cultural. O respeito do educador pelos educandos alimenta a relação pedagógica de sentimentos de reciprocidade. respeitar os saberes socialmente construídos dos educandos bem como elucidar “a razão de ser de alguns desses saberes” (FREIRE. como exposto anteriormente. também. ou diz respeito a desejos de dominação e exploração do homem pelo homem que colocam em risco a própria existência da vida. implica em busca. ao lado do educador. Nesse sentido. Essa perspectiva encerra a compreensão de que no processo de ensino e aprendizagem. nessa perspectiva. Trata-se de ampliar a compreensão sobre a realidade incrementando a apreciação crítica e rigorosa dos objetos de conhecimento. em seu ofício. indagação. igualmente sujeito do processo” (FREIRE. por exemplo. devem dar lugar a compreensões cada vez mais rigorosas e complexas acerca dos objetos que se pretende conhecer. Ao serem respeitados pelo educador. Segundo Freire (2001. Para elucidar melhor tal perspectiva. A identificação com o outro é elemento fundamental para a construção de uma cultura assentada em valores éticos e humanos. tendo em vista sua desconstrução. é um modelo ao qual as crianças e os adolescentes aspiram tomar para si as características que admiram.33). p. Nesse sentido. Essa ação acolhedora expressa. Segundo Freire (2001.33). a superação da apreensão dos conteúdos tidos como acabados. o educador deve rejeitar qualquer forma de discriminação. O educador deve poder dotar a sua prática pedagógica do sentido ético e moral. Assim. a concepção do ensino se afasta da idéia de transmissão de conhecimentos. 2001. 2001. encerra a compreensão de que o ser humano é inacabado e. Ainda: “Se se respeita a natureza do ser humano. As compreensões provisórias. Esses enunciados implicam a compreensão de que os saberes não são neutros. assim. o conhecimento deve possibilitar a criação das possibilidades para a “sua própria produção ou construção”(FREIRE.37). crianças e adolescentes ensinam e aprendem em conjunto. p. apolíticos. Ela consolida as relações sociais sobre fundamentos éticos e morais que alimentam a esperança e a possibilidade da construção da vida social que possa expressar os profundos desejos de igualdade e felicidade. portanto. aceitando as diferenças. 2001. educadores. p. O educador deve auxiliar a criança e o adolescente a superar a curiosidade ingênua rumo a curiosidade epistemológica. As aquisições de saberes não podem ser desvinculadas de debates éticos e morais sobre a sua contribuição para a melhoria dos indivíduos e da sociedade. é importante que ele corporifique em ações as idéias e valores que faz circular junto aos educandos. o ensino de conteúdos não pode ser alheio à formação moral do educando”(FREIRE. 2001. as crianças e os adolescentes reafirmam o compromisso com o semelhante. O educador deve. os saberes das crianças e dos adolescentes.36): “A necessária promoção da ingenuidade à criticidade não pode ou não deve ser feita à distância de uma rigorosa formação ética (…)”. o profundo respeito à autonomia e à dignidade do educando. É inconcebível.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS tos da construção e da reconstrução do saber ensinado. p.32): Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.52). A pesquisa visa conhecer o que ainda não é conhecido. mas não faça o que eu faço”. pode-se. não desvincule os saberes que professa de sua experiência viva. na relação pedagógica a consciência da inconclusão do ser estimula a busca compartilhada dos saberes. Na verdade. Outra característica importante do educador crítico refere-se ao seu interesse pela pesquisa. O educador deve poder levar as crianças e os adolescentes a compreender como se opera a construção dos conhecimentos veiculados dogmaticamente. alegria e esperança. 38 Programa A União Faz a Vida . a falsa fórmula do ditado popular “faça o que eu digo. p. p. questionar se o conhecimento que levou à construção e ao uso da bomba atômica encerra o comprometimento ético e moral necessários para a preservação e o enaltecimento da dignidade da vida humana. alicerçadas no senso comum. É importante que o educador. O educador.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Trajetórias de aprendizagem cooperativa para crianças e adolescentes 39 Coleção de Educação Cooperativa .

Propõe diálogo e combinação entre as experiências. 40 Programa A União Faz a Vida . As expedições investigativas As expedições investigativas têm por finalidade identificar e resignificar os territórios nos quais crianças e adolescentes residem. grupos. adolescentes e educadores estabeleçam novas relações com seu entorno. riquezas e demandas de sua comunidade. filmar e conversar com diferentes pessoas da comunidade com o objetivo de identificar e reconhecer como os espaços são geridos e ocupados na comunidade. que permitem orientar a práxis pedagógica dos educadores nos diferentes ambientes educacionais: as expedições investigativas e o trabalho com projetos. e as suas possibilidades de criar. Faz parte de um processo de produção de conhecimento. produzindo mudanças no modo de ver e de viver. Pode-se fotografar. de seus habitantes. É um poderoso recurso que exercita o olhar críticoinvestigativo promovendo a inquietação das crianças. A expedição investigativa é um recurso metodológico que parte do princípio que lugares e acontecimentos atravessam a vida das pessoas e as afetam com diferentes graus de intensidade. como se fosse a primeira vez. promovendo aprendizagens. Deve haver os responsáveis pelo registro de todas as coisas e fatos que acontecerem na expedição. além de compreender e construir projetos de vida e de pertencimento. adolescentes. da ONG.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Configuração das trajetórias de aprendizagem O presente texto visa apresentar os dois principais recursos metodológicos. Trata-se de reverter situações em que fraquezas criam efeitos de imobilidade para dar passagem às potencialidades e capacidades que podem mobilizar aprendizagens e novas trajetórias criadoras. possibilitando o prazer de descobrir e compreender. dentre outras que se pode definir. Ao realizar uma expedição investigativa na comunidade. consomem e convivem. culturas. de maneira a mapear as potencialidades do local. e ampliando as possibilidades de intervenções. aprendem. Permite que crianças. inventar e intervir em seus territórios sejam esses os territórios do grupo. lugares. expresso por um conjunto de informações objetivas e subjetivas. da escola. desejos e saberes de crianças. sem desconsiderar o impacto das dificuldades. Deve privilegiar o que é forte nas pessoas. O grupo pode se dividir de acordo com algumas responsabilidades previamente estabelecidas. da comunidade ou da cidade. uma expedição de reconhecimento pelos vários lugares do bairro para trazer informações. Proponha que se realize uma “viagem”. interesses. circulam. adotados pelo Programa A União Faz a Vida. descrições e relatos sobre a experiência. se divertem. procure se basear na idéia de Otto Lara Resende (1992): Procure olhar tudo. adolescentes e educadores com relação aos problemas.

avenidas. plantas. feitos no Álbum Trajetórias Cooperativas. as suas vantes para o processo de vida social coletiva. pois. terra. que tem o seu texto apreciado pelo grupo. seus sentimentos. pois possibilita intensas trocas comuni- Por meio das expedições investigativas. tem o direito de acolher ou não as sugestões dadas.). selecionadas pelo grupo de crianças e adolescentes. práticas e nhos e colagens. como por exemplo. As expedições investigativas possibilitam. Outro grupo e formulações explicativas . Defina também alguns participantes para que fiquem atentos aos trajetos percorridos. motoristas. A organização grupal. mecânicos etc. as cativas tendo em vista atingir um objetivo comum: a crianças e os adolescentes devem ser incentivados a comunicação de experiências que o grupo julga rele- registrar. que coisas existem pelo caminho que liga os diferentes lugares (construções. já que é preciso dominá-los para que seja possível comunicar as idéias relativas às experiências cotidianas vividas. constitui uma experiência cooperativa importante. é possível ampliar o conhecimen- outros usos e práticas possíveis nos espaços visitados. horários e trajetos). a observação dos elementos naturais (água. até atingir a sua melhor organização e disposição19. 19 Cabe salientar que o educando. É essencial incentivar os participantes a fazer o máximo de perguntas possíveis a partir das observações do meio ambiente e da vida social da comunidade. A organização de um jornal auxilia a materialização das experiências individuais ou coletivas. dese- deve buscar capturar e apreender os usos. trabalhadores da construção civil. expedição).VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS também os que cuidam do planejamento (organiza- experiências. suas A expedição investigativa deve contar com um grupo motivações e inquietações. vento. to acerca da cultura das crianças e adolescentes. Os relatos individuais (textos livres). a observação da vida social de uma comunidade: a organização social do trabalho (diversos tipos de exercício profissional como: padeiros. a observação da organização espacial (ruas. espaços públicos etc. um jornal. animais etc. céu. Antes de ser impresso. marceneiros. por exemplo. o material deve ser trabalhado. assim como deve são de grande valor para o educador.). Nada pode ser impresso que não corresponda ao seu pensamento e vontade. enriquecido pelos colegas do grupo. paisagens.). por responsável pelo recolhimento de informações a respei- sua vez. percepções. relevo assim como as práticas e relações que acontecem nesses caminhos). constituem os materiais que podem vir a ser selecionados pelo grupo para fazer parte do impresso coletivo.por meio da escrita. opiniões ção. Por meio da organização de um jornal impresso. podem se apropriar de modo competente da to da história e identidade dos lugares visitados (esse escrita e comunicar de maneira segura a sua visão de grupo pode realizar parte dessa tarefa antes da própria mundo. no Álbum Trajetórias Cooperativas. 41 Coleção de Educação Cooperativa . para a seleção dos textos livres. infra-estrutura. Os textos produzidos podem ser articulados em projetos coletivos. torna-se desafiadora a aprendizagem da gramática e do vocabulário. Por meio do texto livre. Quando socializadas tais expressões relações que acontecem no território. por meio haver aqueles que procuram olhar e apontar para os de sua apreciação.

que produz sentido pela presença e potência de saber que constitui cada encontro entre aprendizes e educadores. quais são as suas demandas de aprendizagem para as quais os educadores podem criar ou compor propostas inovadoras? O filósofo Renato Janine Ribeiro convoca a educação nos tempos atuais para esse desafio: (.. sentimentos e relações presentes na relação educativa. nos afetos e nos diversos relacionamentos marcando também as escolhas educativas mais potentes e potencializadoras. a possibilidade de manifestação de seus interesses. Morin situa essa premissa retomando Karl Marx: Por isso. 2004. adolescentes e adultos. p. portanto. como usufruto do direito conquistado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). estas estratégias compõem ações pedagógicas que possibilitam às crianças e adolescentes experienciar a condição de cidadãos nos espaços educativos que habitam..) O que devemos ter claro é que a educação deve procurar tornar as pessoas o mais capazes possível de lidarem com um mundo de dúvidas. (. em sua crítica ao paradigma cartesiano. Ou seja. p.) A capacidade de lidar com a instabilidade ainda hoje não é valorizada devidamente. mais do que as afirmações. Em sua radicalidade. p. nunca serão o futuro se não participarem do presente.” (MUÑOZ. e isso é importante tanto do ponto de vista psicológico como do ponto de vista ético.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS As estratégias propostas sublinham as múltiplas possibilidades de convivência entre crianças. alinhavam diferentes práticas de participação e o exercício de negociação e escolha.. apenas a auto-educação dos educadores que se efetiva com a ajuda dos educandos será capaz de responder à grande questão deixada sem resposta por Karl Marx: ‘quem educará os educadores? (apud MORIN. Uma cidadania cotidiana que lhes confere. como ato político. vemos o valor 42 Programa A União Faz a Vida . Nossa capacidade de aprender e de produzir conhecimento está associada à nossa possibilidade de fazer perguntas. de singularização e universalização. Uma cidadania. produzir coletivamente os objetos de conhecimento. As estratégias metodológicas. Universaliza ao agenciar sua participação.) Com efeito. que põem o pensamento em movimento.112) O que desejamos e produzimos segundo a medida possível para os participantes são deslocamentos nos modos de aportar os interesses. Articuladas.. como sujeitos de direitos/responsabilidades. Ou como enfatiza César Muñoz.38) As demandas de aprendizado: a questão do método e do conteúdo A combinação entre as expedições investigativas e o trabalho com projetos instaura um duplo movimento. mas que pouco forma para que sejamos capazes de conhecer os sujeitos (MORIN. aqui apresentadas. “as crianças. Se prestamos atenção na linguagem cotidiana. nas relações de poder mais fluidas.. 2005. a estratégia das expedições investigativas parte de uma premissa simples: produzir perguntas para conhecer o universo de aprendizagem das crianças e adolescentes. 2005. 60). sentimentos e relacionamentos de grupos de crianças e adolescentes. (. com a participação das crianças e adolescentes mais presentes. suas escolhas. estas estratégias metodológicas visam produzir um deslocamento no poder-saber-prazer-fazer instituídos ou instituintes no âmbito das instituições educacionais. no tempo presente.. pretendem ser instrumentos para conhecer os sujeitos em suas múltiplas interações para. de uma cidade. então. ONGs e comunidade. Edgar Morin. Efeitos visíveis nos modos de pertencer e circular na instituição escolar. São as perguntas. Ao mesmo tempo. adolescentes e jovens de uma sociedade. Singulariza ao explicitar interesses. a escolha destas duas estratégias metodológicas pretende afirmar o caráter instituinte da cidadania. Ou seja. de ambigüidades. seus valores. nos convida a problematizar a produção de conhecimento que privilegia instrumentos e técnicas para conhecer os objetos.

ao ob- suas dúvidas e incertezas diante do universo das crian- servar esta “malha fina das relações humanas nas es- ças e dos adolescentes. 2003. Colocar- uma resposta afirmativa a esta questão ao valorizar as se à disposição das intensidades e dos movimentos da experimentações que têm diversificado os modos de vida exige dos educadores a capacidade de lidar com convivência nos ambientes educacionais. são organizados no tempo e segundo os recursos necessários. Numa dinâmica de retroalimentação. Para a realização da expedição investigativa as crianças e adolescentes são estimuladas a experimentar novos critérios de composição de turmas. ampliando e flexibi- o equilíbrio. ampliação dos modos de participar e conviver nos diferentes territórios. Sendo assim. de produção colaborativa e de experiências de solução de conflitos. Essa estratégia facilita percepção de que é possí- agrupamento possíveis como parte do planejamento das atividades pedagógicas. Mas de onde partem suas escolhas? No escopo das estratégias metodológicas que propomos a expedição investigativa é afirmada como um ponto de partida devido ao seu traço de valorização das potências e de abertura para situações de aprendizagem. tem a ver com a inclusão das diversas modalidades de A articulação de ambas as metodologias pode ser expressa assim: as expedições investigativas mobilizam repertórios (de interesses. segundo as habilidades. em 43 Coleção de Educação Cooperativa . sob terríveis ameaças..152) Miguel Arroyo explora essa mesma questão: seria A expedição investigativa é um recurso metodológi- possível administrar propostas de enturmação que pro- co que investiga as possibilidades de aprendizagens de piciem tempos e espaços mais ricos tanto para o conví- crianças e adolescentes nos diferentes territórios vivi- vio dos educandos como educadores? Arroyo formula dos (famílias.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS que dá para a estabilidade. p. O conteúdo Parte do sucesso das experiências analisadas pelo autor da aprendizagem não é estabelecido previamente. Segundo o autor: a diversidade de estratégias possíveis de agrupamentos entre crianças e adolescentes favorece a multiplicação de possibilidade de convivência.. para vel organizar atividades coletivas. junto com crianças e adolescentes. planejam. relações e afeto) que. das crianças e dos adolescentes. para a densidade. Assim. a partir das escolhas dos educadores. entendemos que colas” os profissionais podem “reeducar sensibilidades nas práticas educativas os objetos da aprendizagem para as dimensões formadoras dos agrupamentos”. desejos e necessidades de aprendizagem. estão postos nos acontecimentos da vida. os projetos engendram novas situações que podem ser mobilizadas e apontar novas trajetórias de aprendizagem. A perspectiva adotada pelo Programa adota duas premissas: valorização das potências de saber das crianças e adolescentes. ONGs e comunidade). realizam e registram a atividade coletivamente. escolas. competências. composições de recursos e busca de resultados O exercício de escolha e tomada de decisão é inerente à prática dos educadores. passando a adquirir forma de projeto. e isso num mundo em que tudo está lizando os critérios de agrupamento. (RIBEIRO. Diversidade de convívios Nas expedições investigativas todos estão implicados: o educador propõe um roteiro de investigação e. Estratégias metodológicas educativas: exercício de escolhas.

2001. à escolha dos critérios com os quais o social se inventa. diz respeito. crianças e adolescentes tornam-se co-responsáveis pelo alcance dos resultados do projeto. a realização de um projeto é uma “sinfonia de propostas”. pouco vistas ou valorizadas. Essa co-responsabilidade implica inclusive uma postura flexível diante do plano configurado. p. A expedição investigativa possibilita dar voz àquilo que os sujeitos percebem da atualidade e incorpora o desejo imprevisível de conhecer sobre objetos não previamente planejados. A configuração dos projetos educativos parte da expedição investigativa e. em nada. sociedades novas. Ao elaborar os projetos educativos. Desafio que não pode ser absolutamente trivial ao ponto de ser desmotivador. uma vez que projetar implica configurar metas. Ao estabelecer as aprendizagens esperadas por meio de um planejamento coletivo. p. portanto. nem claramente impossível ao ponto de produzir paralisia. o projeto é uma proposição singular da equação pedagógica porque compõe seus diversos elementos – sujeitos. de me posicionar. os educadores lidam com a arte de estabelecer uma boa medida para o desafio de aprendizagem que propõe às crianças e adolescentes. em última instância. Em outros termos. sentimentos e relacionamentos valorizados pelas crianças e adolescentes. Pelo contrário. de me opor. 119) O trabalho com projetos A partir da afirmação dessas escolhas. Nesse registro. Todo projeto implica uma referência ao futuro. o educador passa a lidar com outras competências necessárias para a efetivação de projetos. Em outros termos. os educadores. Em outras palavras. a uma escolha de como viver. A expedição investigativa é estratégia metodológica que faz da participação das crianças e adolescentes um componente fundamental. manejar recursos. (FREIRE. como diria Roland Barthes e. abrem-se possibilidades de alteração. inclusão de novos temas ou estratégias em função das intensidades que marcam as aprendizagens das crianças nos diferentes territórios. que depende da ação de todos os envolvidos. tempos. ao longo de sua implementação. 44 Programa A União Faz a Vida . Prioriza o exercício da escuta sensível desses profissionais para que possam propor projetos mais afinados aos interesses. não-determinado. ele envolve riscos e demanda replanejamentos. incompleta. desta perspectiva. ela diz respeito às escolhas de novos mundos. espaços e objetos de conhecimento – para alcançar as aprendizagens esperadas.69): A análise do desejo. aqui. a capacidade de exercer o direito de discordar. o real social. é uma antecipação de algo que se objetiva alcançar. comprometer-se com o alcance de resultados. é escutando bem que me preparo para melhor me colocar ou me situar do ponto de vista das idéias. Essa escuta propõe uma ética na relação entre educadores-educandos muito bem definida por Paulo Freire: A verdadeira escuta não diminui em mim. Na medida em que o projeto pressupõe um futuro aberto. A prática do cartógrafo é. as escolhas às quais estamos nos referindo foram expressas por Rolnik (1989.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS geral. aberta à contribuição do outro e aos acontecimentos que se sucedem na vida de todos os envolvidos. imediatamente política.

a fim de formar uma configuração capaz de responder às nossas expectativas. descobrindo as relações que podem ser estabelecidas a partir de um tema ou de um problema. p. nem depende do educador ou do livro-texto. parte do princípio da incompletude dos saberes e aposta nas ligações e interações mais cooperativas entre as diferentes competências dos atores sociais envolvidos no cotidiano das organizações e dos territórios.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Assim como o planejamento mobiliza os diversos profissionais. Na concepção do Programa. p. é preciso aprender a fazer com que as certezas interajam com a incerteza. os projetos educativos são tecidos pela capacidade que têm de aportar diferentes saberes e linguagens. quanto para os educadores. as crianças e os adolescentes “das condicionantes impostas pelos limites das disciplinas” (HERNÁNDEZ & VENTURA. 63) O trabalho com projetos20 tem como objetivo primeiro favorecer que as crianças e adolescentes se iniciem na aprendizagem de procedimentos que lhes permitam organizar conhecimentos. Isso evita o perigo da estandardização e homogeneização das fontes de informação. Contemplar essas conquistas e situá-las num percurso de aprendizagem pode nos levar àquilo que Renato Janine Ribeiro afirmava em uma entrevista – à medida que se começa a conhecer mais. o intercâmbio entre as informações que Para a composição dessa seção. O conhecimento é.51): “(…) para que nos serviriam todos os conhecimentos parcelares se não os confrontássemos uns com os outros. ritualizar conquistas e delinear novos desafios. os projetos devem manter uma relação estreita e o compromisso com os produtos estabelecidos. Sua função principal é possibilitar o desenvolvimento de estratégias globalizadoras de organização dos conhecimentos mediante o tratamento da informação. A visibilidade desta produção possibilita apreciar o resultado. (MORIN. por sua vez. 45 Coleção de Educação Cooperativa . No projeto também podem ser enredados os saberes sistematizados e os tradicionais. Os conhecimentos não são fixados a priori pelo educador. Essa perspectiva concebe o conhecimento de forma globalizada. Uma coisa fabulosa. Ao mesmo tempo. seja dos profissionais da própria organização ou de outras instituições ou agentes do território. como nos anima Morin (2005. as dinâmicas entre as duas estratégias metodológicas propostas no Programa A União Faz a Vida nos aproxima dos desafios da complexidade configurados por Morin: 20 o desafio da complexidade reside no duplo desafio da religação e da incerteza. Quanto mais enredados estiverem esses saberes. tanto para as crianças e adolescentes. É preciso religar o que era considerado separado. tomamos de empréstimo algumas das proposições constituídas por Hernández & Ventura (1998) e por Katz & Chard (1997). p. O projeto. 1998. e. Em síntese. ação que possibilita o reconhecimento dos seus interesses e necessidades. uma viagem que se efetiva num oceano de incerteza salpicado de arquipélagos de certeza. O trabalho com projetos deve poder libertar. É no produto que as aprendizagens conquistadas ganham consistência. 2005. necessidades e interrogações cognitivas?“ Numa perspectiva de rede. p. em contraposição à sua fragmentação em disciplinas e sem relação uma com as outras. 12) auxiliando-os a alcançar a formas mais elaboradas de pensamento que coloque em relação os saberes aprendidos. Isso expande a capacidade de pensar e de escolher. mais se ampliam as oportunidades de aprendizagem das crianças e adolescentes. a implementação do projeto educativo requer o enredamento das diversas habilidades e conhecimentos. são frutos de intensas trocas verbais entre as crianças e adolescentes. como ferramenta de trabalho. pode-se querer saber só pelo prazer. com efeito. portanto.64): É importante constatar que a informação necessária para construir os Projetos não está determinada de antemão. Segundo Hernández e Ventura (1998. está sim em função do que cada [educando] já sabe sobre um tema e da informação com a qual se possa relacionar dentro e fora da escola.

os educandos são incitados a comunicar. porque permite estabelecer novas formas de conexão com a informação e a elaboração de hipóteses de trabalho. escolhe- Segundo Hernández e Ventura (1998)..VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS são aportadas pelos membros do grupo. o que sabem sobre ele. rem entre os temas levantados. as estruturas que possibilitam o acesso ao conhecimento. o espaço e as trocas de informações. pré-fixados. instaurando uma ambiência profícua para a troca de experiências e de saberes relevantes para o conjunto dos atores sociais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. A escolha do tema é fruto de intensas trocas verbais por meio das quais os atores sociais envolvidos argumentam. 1998. aos adolescentes e aos educadores tomarem ciência dos conhecimentos já constituídos (conhecimentos prévios) e aqueles que devem ser possibilitados por meio da ação pedagógica. Inicial: diz respeito ao levantamento prévio do que as crianças e adolescentes sabem sobre o tema. O trabalho com projetos não deve substituir as práticas correntes nos ambientes educativos. os projetos permitem a auto-regulação grupal por meio da divisão de responsabilidades. Um dos seus principais objetivos é a melhoria da compreensão dos educandos acerca do mundo que os rodeia e fortalecer o seu desejo de continuar a aprender. 1997. mas deve ocupar uma parcela significativa do programa pedagógico. Ao mobilizar os interesses e desejos de conhecer das crianças e adolescentes. individualmente ou em grupo. 20). portanto. cabe às crianças. a seqüência do desenvolvimento de projetos pressupõe três momentos distintos: inicial. Em suma. Os projetos devem poder mobilizar a ação investigativa das crianças e dos adolescentes. Assim. que guiem a organização da ação” (Hernández e Ventura. Os conhecimentos não são. p.) num ´porque gostamos`. Os projetos favorecem a criação de estratégias de organização dos conhecimentos de modo que a aprendizagem seja uma experiência estimulante e alegre. Essa perspectiva cria muitas oportunidades para que floresça um sentido de cooperação. contribui para a comunicação. aqueles que são mais significativos e relevantes para todo o grupo. Como essa metodologia se concretiza por meio da mobilização dos interesses. o importante nos projetos não é apenas o conteúdo mobilizado. pode originar-se de discussões acerca de temas da atualidade.. identificar o nível de conhecimentos prévios que possuem tendo em vista estimular e facilitar as experiências de aprendizagens. o seu princípio ordenador é que possa expressar os interesses de conhecer dos educandos. a organização e o seu eixo condutor. A escolha do tema É o ponto de partida para a definição do projeto. O índice inicial possibilita às crianças. aos adolescentes e aos educadores. Mobiliza conhecimentos curriculares ou não. Depois da escolha do tema. O educador e os grupos de educandos organizam o tempo. defendem e justificam a escolha e os seus pontos de vista. formativo e final. Para o desenvolvimento de trabalhos com projetos. p. 46 Programa A União Faz a Vida . quais são as suas hipóteses e referências de aprendizagem. mas recorrendo habitualmente à orientação” do educador (Katz. em conjunto. Nesse processo. pode advir de expedições investigativas ou de problemas propostos pelos educadores. o levantamento dos conhecimentos prévios que as crianças e os adolescentes têm acerca de determinado tema é fundamental. o papel do educador é o de interpretar as expectativas das crianças e adolescentes. É preciso levar em conta que o critério de escolha de um tema não deve se basear “(. Ele difere da organização curricular tradicional pelo fato “de se basear nos planos e nas intenções individuais e de grupos. 68). mas o processo de sua constituição. e sim em sua relação com os trabalhos e temas precedentes. favorecendo a compreensão de que o grupo constitui uma comunidade.

O segundo índice incita as crianças. Ao se ter claro o que já se sabe sobre determinado tema é possível elencar o que as crianças e os adolescentes gostariam de aprofundar ou mesmo conhecer. os adolescentes e os educadores têm a possibilidade de checar os conhecimentos constituídos e a alavancar novas perguntas que nortearão as pesquisas individuais e/ou grupais. • Criar um clima de envolvimento e de interesse sobre o que será motivo de estudo. quadros. • Planejar o desenvolvimento do projeto sobre a base de uma seqüência de avaliação. o segundo índice deve ser disposto de maneira tal que todos os participantes tenham acesso e possam monitorar as suas novas aquisições22. murais) em lugares acessíveis a todos os educandos. mas o que importa. visitas a museus e exposições. Os conhecimentos prévios permitem a constituição do índice inicial. possibilita monitorar e acompanhar o desenvolvimento do projeto. Tornar explícito o conhecimento prévio para si e para os outros é fator fundamental para a aquisição de níveis mais complexos de apropriação de conhecimentos. a avaliação processual do projeto em andamento. freqüentemente. no momento de sua explicitação. O índice inicial permite diagnosticar o que sabem acerca do tema eleito. Eles podem ser incoerentes do ponto de vista científico. A avaliação formativa implica em sínteses provisórias (diárias. é a participação espontânea e a sua socialização. O índice formativo constitui um instrumento de avaliação. Quando a participação se dá de forma oral. apreciação de vídeos etc. por meio de sínteses provisórias. 47 Coleção de Educação Cooperativa . convites a conferencistas especializados no assunto. Por meio de sínteses provisórias possibilita fechar as lacunas de aprendizagens bem como auxilia a explicitar os caminhos que devem ser percorridos para a aquisição de novos saberes. foram compiladas de documento organizado pela Escola Cooperativa Cidade de São Paulo e utilizado no processo formativo dos seus educadores no ano de 1995. pode recorrer a um auxiliar ou a um gravador ou câmera de vídeo. os adolescentes e os educadores a “irem atrás” dos conhecimentos que ainda não têm. semanais. a seguir. bem como possibilita. esse primeiro índice coloca em cena o que os educandos já sabem sobre o tema escolhido. • Dependendo do tipo de conhecimentos prévios que se quer levantar. • Levantar questões para que as crianças e os adolescentes se posicionem individualmente sobre o tema elencado para se obter um diagnóstico inicial. • Formular questões que possam levar as crianças e os adolescentes a relacionar as informações sobre o tema sugerido. Nesses momentos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Os conhecimentos prévios são fundamentais do ponto de vista metodológico e precisam ser identificados. bem como possibilita a construção do segundo índice (formativo) que organiza as questões que expressam o que os educandos gostariam de saber sobre o tema mobilizado. mensais) sobre os conhecimentos conquistados por meio das pesquisas individuais ou grupais. Formativo: o segundo índice organiza as questões levantadas pelo grupo e que deverão ser respondidas por meio de pesquisas individuais e/ou grupais. pois. Se é difícil para o educador fazer isso sozinho. Fornece às crianças e aos adolescentes a possibilidade de acompanhar a evolução de suas aprendizagens. as crianças. Algumas sugestões ao educador para o levantamento de conhecimentos prévios21: • Localizar o assunto/tema que vai ser motivo de estudo para que as crianças e os adolescentes formulem perguntas a respeito do que gostariam de saber. Grosso modo. Assim como o primeiro. ao invés de estimular a participação individual. 22 Podem ser dispostos em suportes (por exemplo: cartolinas. as questões podem ser propostas para pequenos grupos. Esse procedimento permite ao educador ter um panorama do que os educandos têm como referência: eles. é importante registrar as “falas” dos educandos. Esse índice possibilita que as crianças e adolescentes formulem novos questionamentos tendo em vista aprofundar as noções provisoriamente constituídas. levantam questões sobre temas sobre os quais eles já têm algum conhecimento. 21 As sugestões apresentadas.

Permite avaliar se as crianças e adolescentes são capazes de estabelecer novas relações entre os conhecimentos apropriados. as crianças e os adolescentes são incitados a lançar questões sobre o que gostariam de conhecer sobre o objeto de estudo (índice formativo). os adolescentes e os educadores tenham claro o conjunto de saberes adquiridos e os procedimentos de pesquisa constituídos para tal intento. Fornece um olhar retrospectivo que permite comparar o nível inicial. enfim. possibilita uma visão sintética e orgânica das competências de educadores. 48 Programa A União Faz a Vida . Permite avaliar o processo de constituição dos saberes apontando para novos projetos que possam refinar e aprofundar os níveis de conhecimentos atingidos. Sinteticamente. crianças e adolescentes no desenvolvimento dos projetos. Após o levantamento de conhecimentos prévios. bem como a definirem os procedimentos de pesquisa que possibilitarão as respostas para as questões formuladas. A avaliação final é o fechamento do projeto. O esquema. a seguir. tendo em vista a ampliação ou o aprofundamento de temas propostos pelo grupo. elencando os conhecimentos prévios que têm sobre o tema escolhido (índice inicial). Possibilita. fixar novas metas e novos temas correlatos ao projeto desenvolvido. com os níveis de aprendizagem atingidos no final do desenvolvimento do projeto. é possível resumir o percurso de desenvolvimento de um projeto da seguinte maneira: parte-se do que as crianças e os adolescentes desejam conhecer.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Final: essa etapa possibilita a tomada de consciência tanto dos saberes aprendidos bem como dos procedimentos mobilizados para a sua aquisição. O índice final organiza os conhecimentos adquiridos possibilitando que as crianças. as primeiras expectativas de aprendizagem. Nesse momento é possível tomar ciência dos conhecimentos apropriados e daqueles que ainda devem ser percorridos.

recolhe e interpreta as contribuições das crianças e adolescentes 16. Planeja o trabalho (individual. Seleciona os conceitos. CRIANÇAS E ADOLESCENTES NOS PROJETOS EDUCACIONAIS: Adaptado de Hernández e Ventura (1998. Realiza propostas de seqüenciação e ordenação dos conteúdos 7. elabora um índice 8. p.82). Preestabelece atividades 11. em pequeno grupo. compreende uma ação circular: ao fim de cada projeto. Apresenta atividades 10. Conhecer o próprio processo e em relação ao grupo 20. POR PARTE DO EDUCADOR 1. Estabelecer uma nova seqüência O processo. Contraste entre a avaliação e a auto-avaliação 18. interpretação das respostas dos educandos POR PARTE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES 2. Pré-seqüencializa os possíveis conteúdos. 49 Coleção de Educação Cooperativa . Realiza o tratamento da informação a partir das atividades 13. materiais. recursos. Auto-avaliação 17. Análise do processo individual da cada aluno: aprendeste? Como trabalhaste? 19. pois são termos que se aplicam melhor para a proposta delineada pelo Programa A União Faz a Vida. Realiza a avaliação inicial: o que sabemos ou queremos saber sobre o tema 6. são destacados ele­ mentos que podem servir para a formulação de novos projetos. que prevê possam ser tratados no projeto 5. Compartilham propostas. Papel de facilitador 14. Estabelece a possibilidade do tema 4. procedimentos. turma) 12. Buscam um consenso organizativo 9. Preferimos substituí-los por educadores e crianças e adolescentes. Há uma alteração: os autores utilizam os termos professores e alunos. Trabalho individual: ordenação.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS SEQÜÊNCIA DE SÍNTESE DE ATUAÇÃO DOS EDUCADORES. Favorece. informação pontual. Estabelece os objetivos educativos e de aprendizagem 3. reflexão sobre a informação 15. acima representado. Busca fontes de informação. Facilita meios de reflexão.

a correspondência. vol. Seu papel de mediador/orientador na vida social grupal é fundamental. Mas já não se trata de reacções do professor ou de qualquer decisão arbitrária” (OURY E VASQUEZ. intelectualiza. A valorização do diálogo possibilita a discussão regrada minimizando a ocorrência de ações agressivas entre pares. Oury e Vasquez (1977. mensais. têm dificuldade em se manifestar ou que se mostram desinteressados nos processos decisórios. zagem. O coletivo define as funções de cada indivíduo no grupo na elaboração e execução do plano constituído em conjunto. avalia as produções individuais e coletivas tendo em vista atingir as metas definidas. • Divide as tarefas. No conselho de grupo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS A importância do conselho de grupo Uma das instâncias que possibilitam a conformação de laços entre crianças e adolescentes para que atuem de forma cooperativa visando atingir fins comuns. As sanções são fruto de acordos grupais: elas devem ser aceitas (muitas vezes é o próprio educando que as propõe). III. se necessário. 110). ordenado e rigoroso29.51). organizado. p. • Planifica e avalia o desenvolvimento dos projetos: a ação do grupo e de cada indivíduo em sua execução. p. semanais e diários. O termo conselho de grupo. como o desenvolvimento de um projeto coletivo. III. responsabilidades e zonas de liberdade devem ser claramente fixadas. Ele é a instância planos anuais. o educador considera tanto o interesse coletivo como o progresso de cada um no conjunto das ações preestabelecidas em conjunto. poderes e responsabilidades. 26 “Sanções? Evidentemente: salvo em locais de utopia. vol. Para cada um é designada uma função: os educandos são responsabilizados por tarefas a partir da mediação da palavra instituída pelo grupo. Sua ação se distingue da dos educandos à medida que. máxima de deliberação da comunidade de aprendi- • Define as sanções relativas a não execução das tarefas definidas pelo grupo26. O trabalho cooperativo organiza o conhe- • Permite a cooperação no plano psicológico. O conselho de grupo23 regula a distribuição • Desvenda. é correlato à assembléia (dinâmica grupal central nas propostas pedagógicas inspiradas nas técnicas de Freinet). as aprendizagens não se fazem por si (assim como as reaprendizagens!). 1977. podem ser postos em causa pelo grupo” (OURY E VASQUEZ. pois. centrados no professor. III. Por meio do conselho de grupo. vol. relativos à vida escolar. desdramatiza e resolve os conflitos. revisando-as e aperfeiçoando-as. Em síntese. das tarefas coletivas e individuais. estável. as atribuições do conselho de grupo são as seguintes25: O grupo compreende a instância intermediária que permite a tomada de consciência sobre a importância de assumir responsabilidades tendo em vista atingir objetivos comuns. em qualquer momento reajustadas às necessidades e aos objectivos que o justificam. as crianças e os adolescentes podem avaliar o andamento dos projetos desenvolvidos. a documentação das atividades organizadas individual e coletivamente). enquanto esses pensam somente a vida social do grupo. Suas competências. geralmente. os conselhos de grupo. bem como a atuação de cada um em sua constituição24. o grupo deve se constituir num meio autogerido. 60-61). cunhado por Oury e Vasquez. 25 Cf. cimento e as práticas relativas a sua apreensão em • O diálogo cotidiano permite a inserção dos educandos refratários27. 23 24 50 Programa A União Faz a Vida . “As formas de organização e o poder. 1977. • Elabora e analisa as leis do grupo (elaboradas em comum. p. sem este direcionamento não surge qualquer libertação e cada um pode continuar prisioneiro da rotina e do conservadorismo. é o conselho de grupo. são aplicadas porque são reconhecidas como necessárias). Essas atividades só se desenvolvem se o grupo constituir uma organização que define claramente os estatutos de cada um28. 27 O conselho de grupo favorece a participação das crianças e adolescentes que. o educador deve assumir uma posição frente à realidade vivenciada. bem como institui as práticas. As crianças e os adolescentes são responsabilizados por constituir as estruturas (o jornal.

Poderíamos chamar capacidade social a esta aptidão que não tem qualquer importância numa sociedade estagnada. pode ser levado a ocupar outro estatuto. Por meio da construção dos índices. 29 Segundo Oury e Vasquez (1977): “Toda a vida em sociedade implica uma redução da liberdade pessoal e certas obrigações aceitas pelo indivíduo e impostas pelo grupo. p. C. • Explicitar o que se pretende valorizar. os seus direitos. mas que se torna essencial num mundo em rápida evolução. O estatuto varia conforme as atividades organizadas. assim como a escolha dos procedimentos de pesquisa e as dinâmicas grupais que possibilitam a apropriação dos saberes colocados em cena na relação ensino e aprendizagem. fixados na dupla noção de papel a desempenhar como ´aquilo que os outros têm direito de esperar de mim´ (OURY E VASQUEZ.90)30: A. especialmente quando a criança apresenta algumas dificuldades de carácter ou que o seu nível mental não lhe permite adaptar-se com rapidez a uma nova situação. p. de poder e de responsabilidade são precisados. aliás. Ante a correção e a devolução formativa: • Explicitar aos educandos os critérios da correção. Noutra atividade. Os processos avaliativos têm como objetivo averiguar o que as crianças e adolescentes puderam aprender sobre o que o educador tentou ensinar. conforme apresentam Hernández e Ventura (1998. sem conflitos. a situação do indivíduo na sociedade” (OURY E VASQUEZ. É uma ação complexa que define responsabilidades. estatuto conferido devido ao reconhecimento de suas habilidades. III. as crianças e os adolescentes têm a possibilidade de reconhecer o que realmente sabiam e serem acompanhados pelo educador em seu processo de apropriação dos saberes mobilizados durante a realização do projeto. um trato diferenciado dos conhecimentos veiculados. Para Oury e Vasquez (1977). um educando pode ser designado como o líder. ao educador. • Fazer a correção detectando o sentido dos erros e da aprendizagem realizada. Essa perspectiva permite tanto a delimitação temática. • Propor-lhes sua auto-avaliação em função desses critérios. Esses conhecimentos prévios oferecem os pontos de apoio que permitem aos participantes comparar os níveis de “entrada” e as novas aquisições favorecidas por meio do desenvolvimento dos projetos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS A avaliação dos projetos desenvolvidos Os processos de avaliação devem ser coerentes com a perspectiva globalizadora que permite. p. qualquer que seja. Segundo essa perspectiva. ação e avaliação – não podem entender-se senão como um sistema de inter-relações e complementaridades” (HERNÁNDES & VENTURA. Estes ajustamentos não são feitos sem dificuldades. como já comentado. avaliar os conhecimentos prévios das crianças e adolescentes. 90). porém. 30 Versão adaptada 28 51 Coleção de Educação Cooperativa . a complexidade da definição dos estatutos obriga o educando “a fazer os ajustes necessários no seu comportamento. O lugar de cada um na sociedade. ação de submissão à autoridade instituída pelo grupo. Antes da avaliação: • O que se pretendeu que as crianças e os adolescentes aprendessem? • O que as crianças e adolescentes acreditam que estudaram? B. “as três fases da prática docente – planejamento. a desempenhar papéis perfeitamente definidos.97). • Realizar a avaliação. III. p. os seus deveres. • Realizar a devolução ao grupo. • Situar cada educando com relação a si mesmo e ao grupo. pode ser o que executa uma atividade definida por outrem. A construção de índices individuais sobre determinado tema permite. • Realizar a previsão das respostas. 1998. vol. os seus limites de competência. Ante a elaboração utilizada para a avaliação: • Planejamento da avaliação em relação aos antecedentes extraídos do momento A. Os processos avaliativos devem percorrer ao menos três etapas. A seqüência anunciada permite que as crianças e adolescentes tenham clareza dos critérios utilizados para a avaliação de seus conhecimentos em cada momento em que ocorre o processo avaliativo. 106). vol. direitos e zonas de liberdade. Para a realização de uma tarefa instituída pelo grupo.

p. Ao mesmo tempo. dispersa. Por meio de sua inscrição nos grupos sociais. tal fato não se dá de maneira exclusiva. 31 32 52 Programa A União Faz a Vida . os indivíduos têm a possibilidade de compartilhar experiências com seus pares de modo a apreender. aceitando-os como árbitros de suas façanhas e fraquezas. O educador e a formação do grupo31 As ações que o educador promove. paulatinamente. os grupos de amigos do bairro. é dado pelos critérios estipulados para o público-alvo. os grupos esportivos etc. assumindo um lugar e um papel determinados.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Valorização e publicização do produto Diferentemente do sistema escolar. ou seja. não ocorre. não pode ser ignorada”. implicam em influências importantes sobre as relações sociais que se desenvolvem entre crianças e adolescentes. apenas uma relação direta com a autoridade socialmente constituída. Uma exposição que. pelo contrário. Em resumo. • Entendidos como potência da comunidade de aprendizagem. consequentemente. A criança deverá assimilar seu caso ao de todos os outros participantes. ou seja. os projetos socioeducativos produzem saberes que precisam ser partilhados. favorece a competência comunicativa dos profissionais que. p. uma comunidade cônscia de si mesma ou apenas vinculada por algumas características objetivas”. de sistematização de experiências. há afiliação ao grupo como um conjunto. não têm um marco-referência que institua a sua conclusão. em geral. não somente para a sua aprendizagem social como também para o desenvolvimento de sua personalidade e para a consciência que ela terá desta última.. posteriormente. Se as crianças e os adolescentes são “tocados” individualmente pela ação do educador. O grupo a coloca entre duas exigências opostas. diferenciando-se dos outros. Estas instâncias intermediárias são as que se encontram abrangidas pelo conceito de grupo (. Esta ação é fundamental para agregar sentido ao que se produziu.61) comentam que: (…) na tensão entre o indivíduo e a sociedade. em geral.). as regras e as normas sociais que possibilitam a vida coletiva. Horkheimer e Adorno (1973. experimentações de exposição dos produtos e compartilhamento de resultados são fundamentais para indicar os ganhos de aprendizagem das crianças e adolescentes. Os grupos sociais constituem as principais instâncias socializadoras do indivíduo33. Por isso. Entendemos que a estratégia de trabalho com projetos implica a publicização dos produtos realizados ao longo de sua implementação.71): Para a composição deste texto foram utilizadas idéias concebidas por Casco (2007). A autoridade do educador recai sobre a principal instância intermediária que possibilita a vida social: o grupo32. as crianças são expostas a influencias diversas: criam-se os grupos de amigos de brincadeiras. necessariamente. deverá identificar-se com o grupo em sua totalidade. limites e desafios. Segundo Horkheimer e Adorno (1973. imbuído da necessidade de fazer valer as normas que possibilitam o sucesso de sua ação pedagógica. Se as primeiras figuras de autoridade são dispostas no seio familiar. ao selecionar os aspectos do seu trabalho que ganharão visibilidade. mas por meio de instâncias intermediárias. Nas instituições seu término. que o indivíduo não se insere de forma imediata na totalidade social.61) comentam: “Sem violentar o sentido da palavra. O campo de visibilidade que se deseja instituir ao final do processo de formação visa também dar a ver à comunidade local e demais agentes educativos da cidade práticas comprometidas com o desenvolvimento de crianças e adolescentes. adolescentes e comunidade. Sobre o conceito de grupo. • Por ser uma ação pública. a divergência do universal e do particular implica. p. senão o grupo perde a sua qualidade de grupo. Horkheimer e Adorno (1973. uma comunidade unitária no tempo e no espaço ou. assumindo entre os outros membros a postura de indivíduo distinto que tem sua auto-estima e cuja autonomia. podemos definir como Grupo uma comunidade de interesses. entendemos que estratégias de produção de registros.176): “o grupo é indispensável à criança. as ações socioeducativas. necessariamente. 33 Segundo Wallon (1986. Seu caráter contingente e processual prescinde muitas vezes de uma formalização das aprendizagens adquiridas. os projetos socioeducativos precisam tornar público seus resultados. expõem-se aos olhos dos outros. criticados e também apreciados. como uma aglomeração casual de indivíduos.. p. os grupos de estudos. com o ingresso no “mundo”. acreditamos. Por um lado. afeta também o modo de interagir com as crianças.

com os quais têm uma experiência real e imediata. é importante atentar que nem todas as formações grupais são racionais e inspiram valores éticos e morais próprias de sociedades humanizadas.. também. Um indivíduo apartado dos grupos sociais não se humaniza. suas experiências formativas não ocorrem senão devido a sua inscrição em grupos sociais. É preciso remeter a compreensão das dinâmicas sociais próprias aos grupos que se dão no interior das instituições educativas à racionalidade que anima a totalidade da vida social. Se o indivíduo se forma mediante a representação de determinados papéis como semelhante a de outros. cuja função é a de formar as novas gerações para atuar na vida social. conforme sua 53 Coleção de Educação Cooperativa . em nome dos poderes estabelecidos. tal fato acaba por operar importantes implicações no que se refere à formação das novas gerações. ou as solicitações proferidas pelo educador. Os processos grupais podem ser compreendidos como fenômenos sociais parciais que conduzem a uma visão da totalidade da organização social.) a forma de que a ameaçadora barbárie se reveste atualmente é a de. contraditória e problemática. p. como apontam Horkheimer e Adorno (1973. por conseguinte. p. que ocorrem no interior dos ambientes educativos.159): Todas as formas grupais (. tram na sociedade moderna. de um modo geral.74): Nos processos grupais. uma autoridade constituída e legitimada socialmente. Assim. ocorre por meio de sua afiliação em grupos que possibilitam o contato humano imediato. os indivíduos podem ter experiências de si próprios como pessoas particulares. Portanto. pois. Por se configurar como uma autoridade constituída numa sociedade injusta e desigual. a afiliação em grupos que possibilitam o contato humano imediato. se definam autonomamente em relação à totalidade da sociedade. como os valores sociais veiculados nas instituições são freqüentemente mediados pelo exercício de sua autoridade. sua função social é.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS (…) o contato direto entre os homens que pertencem a tais grupos permite a identificação com os outros membros. Se os grupos de crianças e adolescentes que se formam nos ambientes educativos estão sujeitos às demandas diretas da autoridade do adulto. o educador pode ser considerado como um mediador cultural.. Quanto mais a ideologia insiste na autonomia. simultaneamente vinculadas a outras pessoas mas insubstituíveis por estas. tal fato não implica que tais grupos. há elementos na própria estrutura social vigente que acabam por forjar práticas grupais desumanas e violentas. são determinados. em nome da autoridade. é uma condição óbvia no sentido de humanidade. Como afirma Adorno (1995.) só se definem e adquirem um significado específico em relação com o processo total de crescente nivelamento das diferenças qualitativas do grupo que se regis- (. É importante ressaltar. de fato. tanto das crianças. tanto mais os próprios grupos. As formações grupais são a condição necessária para a consolidação dos processos sociais formativos que dão sentido à vida humana. não só na origem – na infância – mas também na vida adulta. A constituição da vida social. A proximidade estreita com outros homens e. praticarem-se atos que anunciam. A convivência dos indivíduos em grupos é condição necessária para a socialização. A visão da vida dos indivíduos e de suas relações recíprocas é adquirida em grupos deste tipo. a compreensão de que as relações sociais que se estabelecem no interior dos grupos formados nos ambientes educativos não são autônomas em relação ao processo social de toda sociedade. e com o próprio grupo. em que essa experiência original é consolidada e ampliada. por vezes. pela estrutura da sociedade... adolescentes como a dos adultos. Nos microgrupos. como instâncias mediadoras entre a totalidade e o indivíduo.

a deformidade. mas são conscientes (. não se originam do princípio a violência. como contrária aos reais interesses dos indivíduos34. na medida em que já não são cegas.167). os educadores devem tomar ciência de sua importância na constituição dos processos formativos sociais e empreender sérios esforços em direção à educação de indivíduos que desenvolvam a aversão à violência. em diversos momentos. podem contribuir para a formação social pautada em receituários preconceituosos. É fundamental. Se os educadores atuam sem tomar consciência de suas ações.” (ADORNO. A maioria dos indivíduos é forçada a despender grande parte de sua vida com atividades laborais que não correspondem aos seus reais interesses. p. o impulso destrutivo e a essência mutilada da maioria das pessoas. excludentes e autoritários. freqüentemente mal remuneradas. Adorno (1995) considera tal posicionamento do educador como a expressão de “determinadas manifestações de autoridade que assumem um outro significado. são submetidos à condições de moradia degradantes e à relações sociais excludentes. se apresenta. 34 Trajetorias de aprendizagem cooperativa 54 Programa A União Faz a Vida . sejam auto-reflexivos e dotados de sensibilidade... na sua forma atual. Desse modo. 1995.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS própria configuração. portanto. A reflexão sobre a racionalidade dos ideais que atuam na conformação dos laços que mantêm coesos os grupos que se formam no interior das instituições educativas é fundamental para se compreender como se constituem os processos formativos atuantes na vida social e aqueles que devem ser alterados em prol da felicidade dos indivíduos.). que os educadores possam refletir se o exercício de sua autoridade implica a formação que visa manter a atual organização social ou se ela se direciona para sua superação. preconceituosas e violentas. A ausência da reflexão necessária sobre os desdobramentos sociais do exercício de sua autoridade pode levar o educador a agir em prol da manutenção da organização social que.

O trabalho com as linguagens dos diversos campos de saberes (das artes. Isso porque acreditamos que as pessoas aprendem umas com as outras e que todas podem se desenvolver muito mais. Os repertórios de atividades apresentam um conjunto de atividades que mantêm conexões entre si e apontam para a construção de aprendizagens significativas para todos os envolvidos no processo educativo. O princípio fundante da proposição dos jogos dramáticos consiste em considerar a criança e o adolescente em sua totalidade humana: as formas como vêem. Adotam alguns princípios característicos dos jogos dramáticos e dos jogos cooperativos. do outro e de si no outro. propõem diálogos com os conhecimentos formais e não formais construídos pela comunidade. quando têm oportunidade de confrontar suas idéias com as dos colegas. apresentados a seguir. Exige-se. privilegiando o patrimônio existencial de cada integrante do grupo como lastro de todas as experiências de aprendizagem. sentem. O jogo dramático é jogo porque é lúdico e é dramático porque trabalha com os conflitos que surgem no grupo. as atividades sugeridas pressupõem que os conhecimentos mobilizados pelas diferentes experiências possam se tornar ferramentas de leitura e transformação de realidades. Orientações gerais para o trabalho em grupos Muitas das atividades aqui propostas foram idealizadas para serem realizadas em grupo. Nesse sentido. porque assim cada participante fica somente com a visão da sua parte e perde a visão do todo. As experiências contidas em cada trajetória potencializam o desenvolvimento de múltiplas competências e saberes para o grupo das crianças. Este precisa se reconhecer como capaz de trabalhar junto. Pior ainda é quando só um ou dois trabalham (porque o grupo acha que são 55 Coleção de Educação Cooperativa . que o grupo tenha capacidade de criar coletividades: composições possíveis e necessárias diante de cada desafio. Por fim. lançar mão de suas potências construindo o caminhar necessário para alcançar o objetivo almejado. Dos jogos cooperativos os repertórios enfatizam de forma didática os princípios e práticas da cooperação. das humanidades etc) pode proporcionar a expansão de repertórios que potencializem a autonomia dos sujeitos e suas capacidades de transformação e criação. da ciência. Quando há um trabalho para ser feito em grupo. interagem e criam mundos. têm por objetivo orientar o trabalho com crianças e adolescentes com foco nos princípios da cooperação e da cidadania.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Orientações didáticas Os repertórios de atividades cooperativas. adolescentes e para o educador. de nada adianta dividí-lo e distribuir um pedaço para cada um. Os repertórios emprestam dos jogos dramáticos as dimensões relativas à percepção da identidade do grupo a partir do reconhecimento de si. A vivência da cooperação se dá por meio de um compromisso do grupo perante um objetivo comum. dessa forma.

É assim que a gente aprende. montar uma peça de teatro. vá atrás. atrapalha. a relação com a criança e o adolescente é difícil. de acordo com suas possibilidades e necessidades. das prioridades. ele aprende enquanto ensina. muitas delas podem se configurar como projetos mais amplos. uma biblioteca na sala. organizar um evento esportivo. impede o outro de aprender. fazer uma intervenção em uma rua ou praça pública do bairro etc. de poesias. Às vezes. educador. fazer junto. a gente não ajuda. ou realizar tal atividade. O papel do educador é de vital importância no desenvolvimento das práticas educativas. Quando um colega não sabe. educadores. rejeite toda forma de discriminação. Não se acanhe com a ausência de informação ou experiência. As atividades propostas podem ser realizadas por todas as crianças e adolescentes. especialmente se uns ajudarem os outros. Além disso.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS mais inteligentes ou mais estudiosos) e os outros ficam olhando. sem coragem ou com preguiça de participar. a rigorosidade metódica. Cultive a curiosidade. 56 Programa A União Faz a Vida . Muitas vezes. procure. É importante que. fique atento às possibilidades de desdobramento das atividades. discutir responsabilidades etc. Portanto. um passeio ecológico. mas eles podem se surpreender e descobrir que têm muito que ensinar para o grupo. Na realização das atividades. compreender melhor uma situação. especialmente. demandas e necessidades de cada grupo. de forma que os mesmos saibam o que e para que estudar. Uma mesma atividade pode atender a diferentes objetivos dependendo do contexto e dos interesses envolvidos. ou seja. também. Inicialmente. crianças e adolescentes vivenciam uma experiência colaborativa de aprendizagem na medida em que podem definir o que pretendem realizar. do alcance e dos resultados desejados. suas contribuições chegam com ares de contestação. desde o início. uma festa. mas o processo tem que ser construído junto com a criança e o adolescente. Isso faz com que as crianças e adolescentes possam ver sentidos em suas produções. No que se refere às atividades sugeridas. Esteja atento às singularidades. Quando a gente faz pelo outro. escolher rotas de expedições investigativas. os saberes do grupo. cabe ao educador mobilizar os conhecimentos prévios e as novidades que lhe serão apresentados pelas crianças e adolescentes. mas não fazer por ele. ouça. a pesquisa e. a gente pode dar dicas. pois. reflita criticamente sobre sua prática. Tratando-se. e quem sabe. produzir um caderno de receitas. a consciência do inacabado também são exigências para o educador e estão diretamente ligadas ao contínuo processo de formação profissional. Lance mão delas no momento que achar pertinente. É indispensável ao educador se “despir” da armadura do saber e ouvir o que o educando tem a dizer. desenvolva o compromisso com a ética e a estética. saiba dialogar e escutar. de uma construção. é preciso tentar. Suas idéias são parte fundamental do processo de enfrentamento de conflitos e não um desrespeito à autoridade do educador. Deve partilhar as trajetórias com as crianças e os adolescentes desde o início. é importante perceber as potencialidades de cada repertório. há colegas que acham que não sabem (porque nunca tentaram). ainda que elas não possam ser colocadas em prática no momento. Por isso. fiquem claros quais são os produtos ou resultados a serem alcançados com as trajetórias: aprender mais sobre determinado tema. incentivá-lo a argumentar (defender suas idéias) e acolher suas sugestões. uma exploração na cidade. dialogue com as crianças e os adolescentes. Mesmo não sabendo direito como é para fazer. é preciso dizer que todo esse processo de aprendizagem que descrevemos é compartilhado pelo educador. É indispensável sua participação ativa. com diferentes atores. articulados com diferentes áreas de saber. explore e compartilhe. reconheça sua diversidade e identidade cultural. não seria justo: os que não participam deixam de aprender. observe. É preciso ter clareza dos caminhos. A competência profissional. Respeite.

O educador é o facilitador do processo de aprendizagem. é necessário que haja o compromisso de compartilhar os conhecimentos adquiridos com outras pessoas. escrito e por outros meios. com a própria comunidade. • Desenvolver e usufruir de suas próprias competências afetivas. à medida que geram aprendizagens. • Estimular o confronto entre pontos de vista heterogêneos. As atividades. confiança. Ele deve respeitar os limites de cada um e das atividades sugeridas. valores e atitudes que estimulem formas cooperativas de ser e estar no mundo. O educador. ajudando a descobrir caminhos. devem pressupor um campo de negociação e escolha com o grupo: não existem atividades obrigatórias. aliado aos repertórios sugeridos a seguir. • Desenvolver capacidades de integrar valores e princípios da cooperação à ação educativa. aquecimento e estímulo do grupo. e por isso. como tal. O conjunto de proposições teórico-metodológicas apresentadas. É importante que crianças e adolescentes percebam que o conhecimento produzido coletivamente é patrimônio de todos. • Construir capacidades para atuar de maneira crítica aos preceitos culturais vinculados à competição e ao individualismo. Assim. A ambientação é uma etapa importante do processo de realização das atividades. providenciar previamente os materiais necessários é imprescindível para viabilizar a execução e o alcance de bons resultados. favorece o desenvolvimento integral do educando. segurança e respeito. Por fim. Atividades como dramatizações. por exemplo. Cabe aqui ressaltar a importância da elaboração de sínteses dos processos vivenciados pelo grupo para consolidar aprendizagens. dando luz a conhecimentos. é preciso considerar que trabalhar com trajetórias é um processo dinâmico de construção de conhecimento e. por exemplo. objetivo do Programa A União Faz a Vida. Assim. Cuidar do espaço que será utilizado. possibilita o fomento às experiências cooperativas nos ambientes educacionais. A elaboração de produtos coletivos potencializa o trabalho conjunto e o sentido público das ações. Avaliações e planejamentos são uma constante em todo esse processo. é preciso que o educador e o grupo constituam e garantam um campo de conforto. a vislumbrar alternativas e a refletir sobre os acontecimentos. privilegie momentos de troca e discussões ao final de cada processo. de modo geral. portanto. 57 Coleção de Educação Cooperativa . é um bom recurso para criar uma ambiência de aprendizagem na medida em que pode se configurar como vetor de sensibilização. • Estimular o aprimoramento da construção de narrativas: registro oral. Ressaltamos que é fundamental respeitar o ritmo. além de se configurar como momento de síntese de processos de aprendizagem dando passagem a novos desafios. o envolvimento e a aprendizagem em determinadas tra- jetórias. não pode ser encarado como uma sucessão de atividades que vão sendo desenvolvidas linearmente até o produto final. capazes de projetar intervenções pessoais e sociais pautados pelos princípios da cooperação. por instaurar um processo relacional. destacamos alguns princípios que devem permear o trabalho com as trajetórias: • Entender a cultura e a arte como caminhos de acesso para a aquisição de novos conhecimentos. possibilitam que crianças e adolescentes se formem como sujeitos culturais. A música.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Embora seja possível prever algumas etapas nesse trabalho. • Buscar sintonia com o tempo e a sociedade vividos pelas crianças e adolescentes. os limites e os desejos das crianças e adolescentes. cognitivas e sociais. para garantir adesão. considerando sempre a si próprio e o grupo.

O jogo é um esconde-esconde diferente. embaixo da cama. realmente. Potencialidades: Apresentação dos indivíduos no grupo. por exemplo. a estrutura é a mesma. Depois de dobrá-los. sairá a captura dos demais e ao encontrá-los. Pode-se alterar o motivo da adivinhação: Frutas. uma criança conta. deverá fingir que está escondido no local escolhido. A mudança ocorre justamente na hora de se esconder. Esconde-Esconde Após o término do jogo. sem olhar. por exemplo. em forma circular. percepção de si e do grupo. A criança que adivinhar o seu animal continua andando e respondendo as perguntas dos amigos. sem que ninguém veja. ele deverá escolher alguma outra criança para ocupar o seu lugar. ainda no jogo. Materiais necessários para realização: Papéis. Para isso assumirá uma postura corporal que possa dar uma dica de onde está. Para isso. Descrição: Cada criança do grupo deverá escrever em um papel o nome de um bicho. pois todos terão que fazer de conta que estão escondidos em algum local imaginário. flores. Sugestões ao educador: Arrume o espaço coletivamente. Se o pegador não acertar o lugar onde a criança estiver. Caso o pegador não consiga adivinhar o lugar de ninguém e todos consigam se salvar. capacidade de se colocar no lugar do outro e construção da identidade grupal. ela estará pega. embaixo da cama ou atrás de um muro. percepção de si e do outros. capacidade de se colocar no lugar do outro e construção da identidade grupal. A criança pegadora. mas cada um. legumes. Se o pegador adivinhar corretamente e a criança pega estiver. canetas e fita adesiva. O grupo deve se posicionar no centro do espaço. Não haverá nem cama. nem tampouco muro. Não poderão passar da área delimitada. a mesma continua na sua posição. até um número escolhido e o resto das crianças se esconde. cada um fará perguntas sobre o seu animal aos colegas. Cada criança escolhe um papel dobrado e cola-o nas costas do seu colega da frente. O objetivo do jogo é que cada criança adivinhe qual o bicho que está em suas costas. A seguir todos andam pelo espaço.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Atividades recomendadas para crianças de 6 a 12 anos A seguir. Por exemplo: Tem patas? É grande? Tem penas? Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Adivinhação dos Bichos Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. que poderão responder apenas: sim ou não. Deixe área livre para circulação das crianças. Cada criança poderá escolher qualquer lugar imaginário que gostaria de se esconder. o educador coloca-os dentro de um recipiente. estão descritas atividades que podem ser utilizadas no planejamento de trabalho de educadores. Potencialidades: Apresentação dos indivíduos no grupo. desde que tenha uma área livre para as crianças explorarem e que será delimitada pelo próprio grupo. deverá ir até o pique e dizer: “fulano pego embaixo da cama”. Descrição: O jogo pode se realizar em qualquer espaço. Todos podem se salvar como no jogo original. personagens de desenho. Uma forma interessante 58 Programa A União Faz a Vida . um atrás do outro. Sugestões ao educador: O próprio grupo poderá estabelecer as regras do jogo. etc. seguindo sua escolha. Materiais necessários para realização: Não há. fazer uma conversa entre todos e comentar sobre a experiência. depois de contar até o número estipulado.

cruzeiro marítimo entre outros. precisam ter conexão com a imagem que cada um tem de si mesmo. Jogo de Alfândega Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Sugestões ao educador: Organize o espaço e proponha às crianças sentarem em círculo. Quando as crianças terminarem sua composição de si. as escolhas de imagens. O jogo acaba quando todos adivinharem a senha. imagens. que é representado. bem como. Descrição: O objetivo deste jogo é que todos passem pela alfândega. revistas. O educador poderá propor outros temas de jogo com as mesmas características: Vou a Roma. portanto. Explique o funcionamento do jogo. Pode se propor que a cada rodada uma nova criança será a alfândega e escolherá a senha. Todos deverão falar pelo menos um pouco sobre o seu contorno e o seu recheio. Potencialidades: Proporciona apresentação e integração grupal. percepção de si mesmo. do outro. conto de fadas e histórias. Cada criança pode colar. Aqueles que forem adivinhando a senha não poderão contar aos outros. Jogo do Contorno – dentro e fora Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Fazer depois disso uma roda de conversa sobre esta etapa do jogo. de maneira a expressar outras qualidades e características de cada criança. Isso por que. Descrição: Distribua um pedaço grande de papel craft para cada criança. Tudo irá depender da senha bolada pelo mesmo. o educador propõe que cada um possa interferir no contorno do outro. o educador deve facilitar as respostas de maneira que as crianças possam entender sua dinâmica e consigam adivinhar a senha. Cada criança irá. desenhos. É interessante que o educador consiga transmitir às crianças que esse jogo é. ou qualquer outra coisa que queira. avaliam a jogada e estabelecem novas regras.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS para isso acontecer pode ser a cada rodada. o educador poderá propor uma conversa sobre a experiência vivida por todos. Materiais necessários para realização: Papel craft grande (para marcar o contorno das crianças). depois. se as respostas do educador continuarem muito cifradas. Esta atividade potencializa o princípio da comunicação entre os indivíduos. na verdade. Uma das conseqüências relevantes disso é a possibilidade de se colocar no lugar daquele que é diferente de si: o outro. de forma coletiva. recortes. um exercício de representação de si mesmo e. Cada uma deita-se sobre o papel e os outros ajudam a fazer o seu contorno com canetinha. Após um determinado tempo de jogo. pelo educador. o resultado poderá ser a frustração. além de um resgate do universo lúdico infantil. fazer uma pausa e todos. Finalizada esta parte. canetas coloridas. 59 Coleção de Educação Cooperativa . pode-se criar um campo de tensão grande e. Potencialidades: Este jogo proporciona ao educador trabalhar alguns elementos importantes como a percepção de si mesmo e do outro além. recortes e afins. Por exemplo: o educador pode escolher que só passarão pela alfândega as crianças que levarem coisas que comecem com a inicial do nome de cada criança ou aquelas que levem objetos de couro ou personagens de desenho. Materiais necessários para realização: Não há. continuarão no jogo e ajudarão o grupo com dicas. jornais. Caberá às crianças adivinhar a senha criada pelo educador. posso? Viagem à lua. de possibilitar o reconhecimento de si mesmo através do outro. desinteresse e descompromisso do grupo frente a atividade. desenhar ou mesmo escrever algo no desenho do seu colega. tesouras e cola. devem fazer uma roda para debaterem sobre cada uma das escolhas feitas. Quando o jogo se esgotar. preencher o seu contorno com recortes. As crianças terão que dizer em voz alta o que levarão ao passar pela alfândega e o educador dirá se cada um passa ou não. em um primeiro momento.

Não podem jogar. atenha-se somente em indicar que elas poderão usar o que quiser no momento de se representar. Materiais necessários para realização: Balões coloridos e aparelho de música e músicas alegres. Na primeira delas. Repete-se isso algumas vezes. as crianças não sairão. A última orientação é que cada membro do grupo toque. uma caixa de bombom embrulhado em papel sulfite. O educador deverá ir diminuindo o número de balões ao longo desta fase até que sobre somente um balão para o grupo todo. percepção e integração grupal. Uma outra variação deste jogo: cada criança escreve em uma filipeta de papel uma característica sua e a coloca dentro do seu balão. no único balão com as mãos. sem que ninguém saia. até que o grupo todo esteja coletivamente envolvido no jogo. do outro. criação da identidade frente ao grupo e percepção do meio. Materiais necessários para realização: Aparelho de música. apresentem seus balões criativamente através de mímica. pelo menos uma vez. Pode-se sugerir a formação de um círculo caso o grupo não consiga se organizar. mas sim. O espaço será muito necessário para este jogo. Nesta versão do jogo. A partir daí. quartetos e assim por diante. as crianças terão uma variedade de recursos para se representar. a dupla se despede e busca novo parceiro pelo espaço. Descrição: Limpe a sala e deixe espaço livre para a realização do jogo. Ao som da música. a dupla brinca com seus balões. além de um resgate do universo lúdico infantil. Será necessária uma área livre para que todos possam trabalhar com seu contorno. colocar na mão do outro. por sua vez. barbante. bem como. Esta. O Embrulho Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. jornais. Conforme a dinâmica do jogo ocorre. Potencialidades: Proporciona apresentação e integração grupal. todos deverão passar para a criança ao seu lado a caixa. de duplas a trios. aquele que estiver com o pacote sai do jogo. Após um determinado momento. Descrição: O grupo deve se sentar em círculo. Deixe-a fazer isso livremente. Peça que as crianças escolham as cores e encham seus balões. assim. O ambiente ficará descontraído e o jogo mais divertido. Coloque se possível uma música de fundo. neste caso. percepção de si mesmo. Use um fundo musical animado para embalar a brincadeira. Caso as crianças peçam ajuda quanto a utilização dos materiais. os balões vão sendo misturados e estourados. Jogo dos Balões Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Sugestões ao educador: Coloque o grupo todo para ajudar na preparação da sala. O educador deverá explicar a dinâmica do jogo da batata quente. Promove a capacidade de se colocar no lugar do outro e a construção da identidade grupal. tesouras e fita adesiva. 60 Programa A União Faz a Vida . fitas. cada uma das filipetas é lida e cabe ao grupo adivinhar de quem se trata. pés ou cabeça (defina essa regra com o grupo). só para aquecer. A cada momento o educador deverá propor uma nova composição. Este jogo dramático terá diversas fases. Deixe o grupo livre para realizar o jogo. Potencialidades: Explorar a sensibilidade. todos deverão brincar com seus balões ao mesmo tempo e sem deixá-los cair no chão. papéis de várias cores e tamanhos. a criança deverá sozinha. sem pressa e sem nenhuma orientação. a batata quente será uma caixa de bombom já embrulhado em papel sulfite. O educador deve perceber o momento de finalizar esta fase e partir para a seguinte. Interfira somente para dar as orientações sobre as mudanças. consiste em solicitar às crianças que formem duplas com os colegas mais próximos no espaço e.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Sugestões ao educador: Arrumem coletivamente o espaço para a realização deste jogo. Depois da apresentação. fita adesiva. Tenha uma variedade de material. O educador proporá que se joguem algumas vezes. Quando a música pára. explorar o seu balão.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

Depois de um tempo de treino, suspende-se o jogo e
apresenta-se ao grupo os diversos materiais levados,
para que se embrulhe o pacote.
Todos ainda sentados em círculo. O educador pega a
caixa e a embrulha. Cada uma das crianças fará um embrulho, uns sobre os outros. Estimule o grupo para que
todos possam participar deste momento, uns ajudando
os outros, para que não haja dispersão. Ao final, a caixa
estará toda revestida de várias camadas de papel.
Reinicia-se o jogo. Ao som da música a caixa deverá
ser passada de mão em mão. A cada paralisação da
música a criança que estiver com a caixa sob as mãos
deverá desembrulhar a parte externa do embrulho. A
cada nova rodada será retirada uma parte e, ao final,
o grupo descobrirá o conteúdo do pacote e dividirá os
bombons entre todos.
Estimule o grupo a conversar sobre o jogo ao final
dele. Faça perguntas e ajude a conduzir as conversas
para caminhos que achar relevante.
Sugestões ao educador: O educador poderá criar
o presente que quiser para o grupo. A caixa de bombom é uma sugestão. O interessante é que seja algo
que o grupo todo possa usufruir, coletivamente.
Uma outra possibilidade é que a cada rodada a criança
que parar com a caixa nas mãos, fale sobre algum assunto ou qualquer outra coisa que o educador achar
relevante.

Palavras e mais palavras
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: Nenhum.
Potencialidades: Produção de um ambiente relaxado
e propício a integração do grupo. Resgate do universo
lúdico. Construção coletiva e cooperativa de narrativa.
Descrição: O educador reúne o grupo e pede que todos se sentem no chão em círculo. Apresenta o jogo,
dizendo que farão uma brincadeira. O jogo começa
com o educador dizendo uma frase, que pode ser, por
exemplo: “A menina carrega uma sacola”. Na primeira
rodada, cada criança repete, uma a uma, essa mesma
frase. Na rodada seguinte cada criança repete a frase
inicial e complementa com uma palavra ou frase.

Por exemplo:
“A menina carrega uma sacola pesada...”.
“A menina carrega uma sacola pesada cheia de
manga...”.
“A menina carrega uma sacola pesada cheia de
manga e melão...”.
E assim ocorre, sucessivamente. Cada membro do
grupo, na sua vez, agrega algumas palavras. Quando
uma criança não se lembrar de um pedaço da narrativa, ela escolhe um amigo, que deverá lembrá-la,
da parte esquecida. Caso o colega escolhido também
não se lembre, qualquer outra criança pode cooperar.
Depois de uma rodada onde todos contribuíram para
a formulação da frase o educador registra as produções coletivas.
Sugestões ao educador: Comece o jogo com frases curtas ou apenas palavras. Conforme o grupo for
avançando, pode-se ir dificultando a narrativa. Incentive as crianças a formularem frases criativas, inventivas
e até absurdas. Você também pode escolher abordar
temas ligados ao cotidiano das crianças para trabalhar
questões que achar pertinente. O grau de complexidade deve variar conforme a idade do grupo.

Piscar e sentar
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: Cadeiras.
Potencialidades: Trabalha a percepção e agilidade
das crianças.
Descrição: O educador deverá dividir o grupo em dois
subgrupos, sendo que um deles deverá ter uma criança a mais. Um grupo deverá sentar nas cadeiras, já
posicionadas em círculo e voltadas para dentro dele.
O outro deverá se colocar atrás das cadeiras, em pé. É
preciso que sobre uma cadeira vazia com uma criança
atrás dela.
O objetivo do jogo é que a criança atrás da cadeira vazia chame qualquer outra criança sentada, para ocupar a sua cadeira vazia. Para tanto, ela deverá piscar
disfarçadamente para a criança escolhida. Esta, por
sua vez, ao ver que foi escolhida, deverá sair correndo
e sentar na cadeira vazia. As crianças em pé (com os

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Coleção de Educação Cooperativa

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

braços ao lado do corpo) terão que impedir que os
colegas sentados a sua frente consigam sair ao chamado daquele que tem sua cadeira vazia. Elas farão
isso apenas segurando o outro pelo braço.

A cada descoberta do condutor em questão, mudase o condutor e o observador. Repete-se o jogo até
que todos tenham passado pelos dois papéis ou o
jogo se esgote por si só.

Conforme as cadeiras vão ficando sem ocupante,
aqueles que estiverem atrás delas deverão piscar para
outras crianças para que sua cadeira seja ocupada.

Sugestões ao educador: Não existe problema caso
alguém do grupo conheça o jogo. Ele pode ser repetido várias vezes, sem contaminação, com a escolha
de diferentes condutores.

É preciso que se tome cuidado para não haver incidentes e que ninguém se machuque. Após um tempo
de jogo, inverter o papel, os que estavam sentados
se levantam e vice-versa.
Sugestões ao educador: O espaço deverá ser organizado coletivamente.
Normalmente não é possível identificar claramente a
quem se destina a piscada. Isso faz com que várias
pessoas se levantem. Aos que tentam segurá-las,
exige-se agilidade e leitura correta da intenção de
sair do outro.

Siga o Chefe
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: Não há.
Potencialidades: Trabalha a percepção e a criatividade das crianças. Facilita a apresentação e integração grupal, bem como, percepção de si mesmo e do
outro.
Descrição: O grupo deverá ficar em círculo, podem
escolher entre ficar sentados ou em pé. Deverão estar todos virados para dentro.
Pede-se para que alguém se voluntarize a sair da sala
e os demais definem alguém para conduzir a atividade, que será a de inventar movimentos que serão
repetidos por todos os outros.
Quando o grupo estiver com tudo definido e já fazendo um movimento, o observador volta ao espaço e se posiciona dentro do círculo. Sua função será
descobrir que é o responsável pela criação dos movimentos. Note que o condutor da atividade deverá
mudar os movimentos sistematicamente sem que o
observador perceba.

Dança da Abelha
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: aparelho de
música e colar colorido e comprido.
Potencialidades: Estímulo da criatividade e senso de
observação, bem como, desinibição dos membros do
grupo.
Temas abordados: Respeito ao outro e liberdade de
expressão.
Disciplinas correlatas: História e Ciências.
Descrição: Coloque uma música bem animada e deixe o grupo se espalhar pela sala.
Apresente a atividade, diga que todos eles irão
dançar seguindo os movimentos propostos por
uma das crianças. Quem guiará o grupo será
aquele que estiver usando o colar no pescoço.
Para dar início a atividade, dê o colar a uma criança
mais desenvolta, será ela quem começará propondo o
movimento. Ela dança e todos copiam.
Depois de um tempo ele tira o colar e o coloca no
pescoço de um amigo, este agora é quem define o
movimento e os outros copiam.
Assim será feito até que todos, que demonstrem interesse, tenham usado o colar e criado o movimento
pelo menos uma vez.
Sugestões ao educador: Faça parte do grupo e dance junto com as crianças, isso fará com que elas se
entreguem mais ao jogo.
Procure descobrir músicas que tenha relação com o
universo das crianças e utilize-as durante o jogo. Isso
causará mais familiaridade durante o processo.

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Programa A União Faz a Vida

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

Fique atento para que todos proponham movimentos.
Não deixe ninguém de fora. Estimule-os.
Proponha que todos criem movimentos diferentes,
ousados e criativos, assim, ninguém terá vergonha se
não souber dançar.
Se possível ouçam um pouco de música após o jogo
e conversem sobre o que sentiram ao se expor desta
forma. Não fique preso à duração da música, se ela
acabar, deixe que outras toquem até o momento de
finalizar o jogo.

Dança das Cadeiras
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: Local espaçoso, cadeiras conforme número de crianças e um
aparelho de som com músicas.
Potencialidades: Cooperação, criatividade, integração grupal.
Temas abordados: Cooperação.
Disciplinas Correlatas: História e geografia.

Tente escolher músicas diferentes que possibilitem
uma ampliação do repertório musical das crianças e
também, trabalhar a cultura popular.

Descrição: Arrumem todas as cadeiras em forma de
bloco, de maneira que as crianças possam correr em
volta delas.

Informações relevantes: Conte ao grupo sobre a
forma de organização das abelhas. Reflita sobre a cooperação entre todas e como elas fazem, por instinto,
uma divisão de tarefas buscando o pleno funcionamento da colméia.

Conte que todos correrão em volta das cadeiras enquanto a música estiver tocando, assim que o som
parar, as crianças terão que sentar nas cadeiras mais
próximas. Na primeira rodada todos sentarão, pois terão cadeiras suficientes. A partir da segunda rodada
as cadeiras serão retiradas, uma ou duas por vez, a
critério do educador. A idéia é que o grupo possa criar
estratégias para que todos possam se sentar, sem que
ninguém fique em pé.

Reflita sobre a forma que se estabelece a comunicação entre esses insetos. Como as abelhas, por meio
do movimento do corpo, estabelecem a noção de
localização da flor desejada. Para daí obter o néctar
necessário a toda colméia.
Pesquise sobre os significados da dança nas diversas
sociedades ao longo da história da humanidade. Independente da classe social os homens e mulheres sempre utilizaram deste recurso para compartilhar sonhos,
ideais, valores, entre outras coisas.
Procure saber sobre algumas tribos indígenas brasileiras e africanas. Reflita sobre os diversos rituais de
passagens dos homens, mulheres e, principalmente,
dos adolescentes, sempre relacionados com o corpo e
manifestos, na maioria das vezes, através da dança.
Peça para pensarem nos dias atuais e nas manifestações artísticas contemporâneas, nos vídeos clipes
da TV, nos filmes e no dia a dia dos próprios aprendizes. Peçam para eles identificarem manifestações
artísticas locais.
Procure construir, de forma cooperativa, a importância da dança como processo de sociabilidade entre
as pessoas.

O jogo ficará mais divertido conforme os números de
cadeiras disponíveis forem diminuindo. Alguns grupos
conseguiram fazer sentar todos os indivíduos em uma
única cadeira. Boa sorte!
Sugestões ao educador: Este jogo é um clássico dos
jogos cooperativos. Explore-o bastante para conversar
com as crianças sobre a cooperação e os benefícios de
sua prática nas relações entre as pessoas.
Conte sobre os exemplos que souber de vivências cooperativas ao longo da história, como por exemplo:
os índios brasileiros. Esta pode ser uma interessante
oportunidade para se trabalhar com a oralidade e
contar histórias sobre os índios e suas práticas, costumes e ritos.
Outros temas a se trabalhar podem ser: Tribos africanas, relação cidade x campo, comunidades hippies,
ciganos, etc.
Informações relevantes: Um dos jogos que mais ajuda a explicar o que é um jogo cooperativo é Dança das
Cadeiras. A partir da versão tradicional, competitiva,

63
Coleção de Educação Cooperativa

Desta forma. Elas são um poderoso agente de descontração. ou seja. enquanto todos os outros terminarão como perdedores. em uma das extremidades da sala. Potencialidades: Desenvolver a capacidade de comunicação entre o grupo. nos jogos cooperativos. Finalizado o jogo. dançam. Provavelmente você já viu alguém ficar de fora neste tipo de jogo. Temas abordados: solidariedade. pode-se gerar um tipo de desafio capaz de motivar cada participante e todo o grupo para jogar uns com os outros e realizar juntos um objetivo comum. O educador pode sugerir que as crianças criem obstáculos ao longo do percurso. reúne-se todo o grupo e sorteia-se a pessoa que terá a honra de derrubar a primeira peça. Lembre as crianças que. de forma alguma. a sua integração. ficamos livres para nos divertir e para criar. Dominó Cooperativo Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Materiais necessários para realização: Vinte jogos de dominó (560 peças) no mínimo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS podemos perceber que é possível transformar a nossa maneira de viver e jogar promovendo a cooperação. O educador deve acompanhar de perto o grupo e anotar frases ditas por seus integrantes. tendo o alvo sido derrubado ou não. reúne-se o grupo em um círculo para avaliar como foi o processo da construção. as atividades do grupo são paralisadas. onde todo o grupo estará torcendo para que tudo funcione conforme o planejado. que podem ser utilizadas. No jogo tradicional da Dança das Cadeiras. nos liberando da pressão para competir. para se construir 64 Programa A União Faz a Vida . a ter consciência dos seus sentimentos e a valorizar as nossas diferenças. uma seguida outra. podendo efetuar reformulações para a próxima etapa. sugerindo caminhos ou dando dicas sobre a colocação das peças. em seguida. a criatividade. No processo. o percurso tiver sido realizado. no caso do objetivo não ter sido atingido e o grupo estiver frustrado. aprendemos a considerar o outro. nenhuma peça pode ser movimentada e o grupo tem alguns minutos para avaliar sua estratégia e seu desempenho. Quanto mais peças melhor. interferir na estratégia do grupo. mostrando que o processo foi divertido. Neste processo. É difícil as pessoas sentirem que estão realmente envolvidas umas com as outras em atividades com este espírito. Sugestões ao educador: O educador não deve. o objetivo é mutuamente exclusivo. Dê um tempo inicial para o planejamento preliminar do grupo e. Este é um jogo que estimula a eliminação e a competição. utilizando exclusivamente as peças de dominó. inicia-se o jogo. Copos de plástico. de forma que quando a primeira peça for derrubada. cooperação e respeito ao outro. Mas precisa garantir a ordem para que o grupo possa trabalhar de maneira coesa. física e geometria. Sugerimos que se jogue em quatro tempos. entre um tempo e outro. essa é a média de peças para um grupo de vinte pessoas. passam a resgatar e fortalecer a expressão do “potencial cooperativo” para jogar e viver.  Disciplinas Correlatas: Matemática. Podemos concluir a partir desse exemplo que. atinjam um ponto B na extremidade oposta. por exemplo. O que se vive em seguida ao disparo são momentos emocionantes. desnecessários e bloqueadores “padrões competitivos”. não há lugar para a exclusão nem para “melhores” ou “piores”. criando uma estética para o caminho dos dominós. o trabalho em equipe. que deverão ser colocadas em posição vertical. ou seja. Local espaçoso. Criando pequenas mudanças no objetivo e na estrutura do jogo. provoque um processo em cadeia e derrube as peças seguintes. Quando tudo estiver pronto. para que sejam utilizadas durante a avaliação do jogo. Todos podem ganhar na medida que se desprendem dos antigos hábitos. riem e vão percebendo que podem se livrar dos velhos. sem corrente de vento. sem obstáculos e com o piso liso. Descrição: Colocar no centro da sala os jogos de dominó e propor ao grupo que partindo de um ponto A. até que o ponto B seja alcançado. apenas um dos participantes pode sair vitorioso. planejamento e visão do todo. os participantes se descontraem.

que vá aumentando o grau de dificuldade. Garanta que todos possam se expressar. auxilie o grupo nesta tarefa. A distância entre uma peça e outra pode diminuir o tempo para se chegar ao ponto B? Estamos todos no mesmo saco Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. colocam-se curvas. conte a eles que deverão ir pulando. faça uma pesquisa prévia sobre a maneira adequada de se trabalhar o jogo. será que entram mais duas crianças. 65 Coleção de Educação Cooperativa . nenhum outro recurso pode ser utilizado além das peças de dominó. mãe de alguma criança. Materiais necessários para realização: Giz de lousa e um saco gigante. por exemplo. espere o momento adequado para dizer exatamente o que deverão fazer. Brinque com esse momento. se possível. quando o grupo todo estiver dentro. respeito ao outro. confeccionado com tecido utilizado para forro de biquínis e sungas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS o percurso. cortar. O tecido vem em formato tubular. trabalho em equipe. se informe se há alguma na comunidade. Após um tempo. Caso haja no grupo pessoas que por suas características físicas tenham dificuldade em jogar. Garanta que o grupo se respeite ao longo desta atividade. Pode-se usar esta atividade para discutir relações de grupo. Fique atento à integridade física das crianças. promova uma conversa para que todas as crianças possam dizer suas impressões sobre a experiência vivenciada. não conte. Mostre o saco feito com o material indicado e explore questões referentes ao tamanho do saco e o número do grupo. coordenação motora. respeito pelas diferenças e persistência. buracos. português e história. e agora. leve a um ponto distante do local definido como ponto de partida. que será definido pelo próprio educador. fique atento a forma como o grupo resolve esta questão. então é só medir a altura do saco que o educador achar ideal. animais no meio dela etc. será que todos irão caber ao mesmo tempo dentro dele? Que tal entrar neste saco gigante e ficar juntinho com todos os outros? As crianças poderão ir entrando no saco aos poucos. Se perguntarem que jogo será este. Disciplinas Correlatas: Educação física. pode ser adquirido em lojas de venda de tecido por quilo. Para confecção do saco gigante peça ajuda a uma costureira. Use o giz de lousa para fazer uma pista ampla e. com as faixas largas e que. Descrição: O educador deverá ir para um espaço amplo. conversar neste jogo é muito importante. criatividade na elaboração de estratégias. Acabada a atividade. Caso seja necessário. Durante o jogo. Libere os pedidos de tempo à vontade. Informações relevantes: Dependendo da disciplina a ser trabalhada. a comunicação no grupo é um fator fundamental para o sucesso. levando o saco pelo percurso criado até o objetivo planejado. isto pode ajudar bastante na hora de confeccionar o saco. como o respeito ao limite do outro e suas manifestações. Sugestões ao educador: O grupo poderá a qualquer momento fazer um pedido de tempo para a escolha de novas estratégias. Temas abordados: Cooperação. Diga às crianças que este jogo será realizado por todas elas. Organize o grupo e peça que todos ajudem a construir um percurso. No momento de construir o percurso. costurar e está pronto. será que cabem mais três? Aos poucos. comunicação entre as crianças. Pode-se refazer a brincadeira mudando os trajetos e estabelecendo novos tempos. Potencialidades: Este jogo facilita a vivência de valores e o surgimento de questões bem interessantes como: desafio coletivo. procure estimular o uso de todo o espaço disponível. todos deverão entrar no saco e. como uma quadra. Exemplo: estabeleça uma relação entre o número de peças do dominó e o tempo necessário para se alcançar o ponto B. como se fosse uma pista de carro. todos juntos. aumente o desafio e o grau de dificuldade colocando obstáculos no percurso a ser percorrido. como por exemplo: começa com reta e aos poucos.

Educação Física e Português. Matemática. Materiais necessários para realização: Copos de plástico de 200 ml. por exemplo. Pesquise sites específicos.. que será a cabeça da serpente e conduzirá o jogo. recipientes para medir a quantidade de água em litros e em mililitros e um balde. Sugestões ao educador: O educador deverá cantar antes a música. de preferência buscando ritmo e melodia. da maior para a menor ou inversamente. Potencialidades: Trabalhar a cooperação. livros. Deve-se calcular antecipadamente o montante de copos a serem cheios e providenciar as garrafas necessárias. colocam-se as garrafas cheias d’agua. paramparamparamparam” Cantar a música com todos batendo palmas. Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. que passará por debaixo de sua perna e segurará em sua cintura e o seguirá pela dança. A pesquisa pode ser dividida da seguinte forma: brincadeiras de quintal / trava-línguas / parlendas / provérbios / danças de roda. Repetir a música até que todas as crianças tenham sido chamadas. músicas. onde ela diz: “você também é um pedaço. Disciplinas Correlatas: Ciências. de modo que haja um tanto a mais de água disponível. Informações relevantes: O educador poderá propor às crianças mais velhas que criem uma música. bem como do folclore brasileiro. de tema a ser definido por todos. Você também é um pedaço. para quando apresentar às crianças. 1 minuto para que as crianças possam encher seus copos e levar até o balde. questão ambiental e a utilização racional dos recursos naturais. Estabelece-se um tempo de. Temas abordados: Cooperação. Este desafio poderá ser estimulante para as faixas etárias mais altas. Materiais necessários para realização: Nenhum. e uma brincadeira específica. isso não quer dizer que o educador não poderá fazer mudanças e adequações conforme necessário. As crianças que forem se juntando à serpente..VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Informações relevantes: As crianças poderiam se divertir ao se debruçarem sobre as diversas brincadeiras infantis antigas. garrafas cheias de água. Peça para imaginarem que as garrafas cheias d’água são os rios e lagos de onde tiramos a água para o abastecimento das casas e das indústrias e o balde no outro canto da sala é a casa de cada um de nós. Descrição: Este jogo deverá ser realizado em um espaço amplo. O educador deverá propor que as crianças façam uma roda bem grande e ficará posicionado no centro da roda. A música é a seguinte: “Essa é a história de uma serpente que desceu o morro para procurar o pedaço do rabo que perdeu. O educador poderá fazer uma pesquisa sobre danças circulares e apresentá-las às crianças neste momento. História da Serpente Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. o educador. Potencialidades: Desenvolve a organização necessária à cooperação. bem como a capacidade de compartilhar recursos. Para que a atividade possa acontecer. a música seja a mais apropriada.. Disciplinas Correlatas: Matemática. Física. ou ainda colete narrativas orais das crianças e seus familiares. o educador deverá ensinar uma música que será cantada por todos durante o desenrolar do jogo. Em um canto da sala. apontará para uma criança. que seus pais e avós brincavam em suas infâncias. ritmo e musicalidade. da menor para a maior.. sendo que todos devem realizar o 66 Programa A União Faz a Vida . Descrição: O educador deverá distribuir os copos vazios a cada uma das crianças. Este jogo pode ser pano de fundo para se desenvolver um projeto de pesquisa sobre este tema. um pedaço do meu rabão. Este jogo é sugerido para crianças menores.”. deverão passar embaixo das pernas de todas as outras crianças e do próprio educador. Encher o balde com copinhos de água Temas abordados: Ordem crescente e decrescente.

100ml. 4). uma feiticeira muito má decidiu acabar com a alegria das crianças e lançou raios de fogo para destruir o jardim. Se o dado indicar a cor verde. o jogador planta uma semente no jardim. as crianças poderão acompanhar o processo de germinação e crescimento da planta. Se o dado cair na cor cinza. Quando um jogador atinge seu objetivo pode. o jogador anda o número indicado de casas. refletir sobre o caminho das águas (para isso faça uma pesquisa anterior). a cooperação torna-se uma boa alternativa. 50ml. Certo dia. Informações relevantes: Vale ressaltar que essa atividade. sementes e tampinhas que representam as cestinhas das crianças. onde as crianças brincavam todas as manhãs. 175ml. Terminado o tempo estabelecido. portanto. Por que não plantar as sementes com as quais vocês brincaram? Pensem em utilizar algumas de fáceis semeaduras. 125ml. ou mais. Incentive a cooperação entre as crianças para que cada uma delas consiga retirar das garrafas a quantidade solicitada e novamente levar até o balde (nossas casas). você pode abordar com as crianças “como a água chega à torneira de nossas casas”. As crianças perceberão que o objetivo é comum a todos e que. 2. O jogo acaba com a realização do objetivo das crianças. na sua vez. deverá indicar caminhos possíveis para que o grupo possa se apropriar desta idéia. que nada mais é do que plantar o máximo de sementes no jardim. por lidar com um recurso natural essencial e cada vez mais escasso. Então. Para as sementes brotarem é necessário que haja colaboração da chuva para regar a terra. todas juntas. O jogador mais novo começa a partida lançando o dado.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS procedimento. Se as crianças plantarem as sementes e chegarem ao jardim. as crianças precisam fazer os caminhos das nuvens. é um bom momento para se refletir sobre a questão ambiental e a utilização racional dos recursos naturais. O Jardim Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. para cada criança. recuperar o jardim para que ele ficasse bonito outra vez. Potencialidades: Exercitar a cooperação. Materiais necessários para realização: 1 tabuleiro de jogo. assim. Além disso. Disciplinas Correlatas: Ciências e matemática Descrição: “Era uma vez um jardim cheio de árvores. Cada jogador recebe uma cestinha com 4 sementes. ajudar outro jogador oferecendo-lhe a possibilidade de jogo que tirou no dado. o jogador retira uma semente no jardim e guarda em sua cesta. uma cinza e as outras quatro com os números 1. O objetivo é transportar uma quantidade exata de água até o balde. podem continuar a brincar. 150ml. 1 dado confeccionado pelas crianças (uma face verde. Por exemplo: 25ml. As crianças ficaram muito tristes com isso e resolveram. o imaginário infantil e a criatividade. Sugestões ao educador: O educador deverá ajudar na reflexão que o grupo fará após o término da atividade. Temas abordados: Preservação do meio ambiente. Você deve medir a quantidade de água que cada criança pegou e confrontar com o que foi solicitado a ela. 3. Para isso. para que este cresça lindo e verde novamente. pede-se que todos voltem ao local de origem e o educador estabelecerá novos níveis de enchimento dos copos. é preciso semear novas plantas e árvores. conforme a soma dos mililitros em cada copinho (quantidades essas definidas por você). afinal de contas todos precisamos de água para sobreviver (melhor se as crianças puderem mensurar a quantidade/massa de água retirada das garrafas). 75ml. dependendo do tamanho dos copos. plantas e flores muito bonitas. Se este notar que o grupo não caminha à percepção do caráter comum do objetivo do jogo. Isso poderá ter desdobramentos pedagógicos a serem trabalhados posteriormente. Explore as possibilidades de se trabalhar com questões 67 Coleção de Educação Cooperativa . Se o dado cair com uma das face que contém números de 1 a 4. carregando suas cestinhas com sementes que irão plantar”.

para cada lenda ou história uma atividade lúdica poderá ser criada. Pesquise sobre os mitos de origem dos índios brasileiros. CARLOS. sendo utilizado como mediador lúdico de re-inserção dos aprendizes à problemática da preservação e educação ambiental. São Paulo: Instituto Sócio Ambiental. Título Original: Kirikou et la sorcière Gênero: Animação Tempo de Duração: 71 minutos Ano de Lançamento: França/1998 Direção: Michel Ocelot 68 Programa A União Faz a Vida . COMISSÃO pró-índio do Acre. Brasília: MEC. Apresente o jogo e fale com ênfase sobre a cooperação. Noke Shoviti – Mitos Katukina. Antes de o jogo começar faça uma introdução contando histórias sobre preservação e meio ambiente. Sugestões ao educador: Construa com as crianças o tabuleiro e pinte as faces do dado (verde. 1986. São Paulo: Global. 2000. etc. Filmografia Indicada: Kiriku e a feiticeira. Fale sobre o Curupira. Rio Branco: Comissão pró-índio do Acre. aquele menino de cabelo cor de fogo e os pés virados para trás. Por exemplo: o cuidado com o lixo produzido pelas crianças. 2001. Como nascem as estrelas – doze lendas brasileiras. Antologia do Brasileiro. São Paulo: Ática. Seja criativo e perceba para onde o interesse das crianças levará. Conte histórias sobre o planeta e as formas de devastação. Rio Branco: Poronga. Não é um jogo competitivo! Ao narrar a história seja bastante teatral. MANZO. a relevância da reciclagem do lixo produzido. Histórias de hoje e de antigamente. Co-edição Latino Americana. Sua história é bastante ligada com o mundo natural que os cerca. Belo Horizonte. Se inspire nas informações relevantes abaixo selecionadas. Este jogo poderá ser relembrado sempre que necessário. Shenipabu Miyui – história dos antigos. folclore LISPECTOR. Maurizio. Antologia da Floresta. 1. Belo Horizonte. Conte histórias sobre o folclore brasileiro. PROFESSORES indígenas do Parque Indígena do Xingu. 1987. ORGANIZAÇÃO dos professores indígenas do Acre. Câmara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Faça deste momento uma grande brincadeira. O grande livro do folclore. Indicação de livros de apoio: CASCUDO. Faça uma ponte ligando o globo (terra) com a vida das crianças e como as ações individuais afetam o meio ambiente. pois a forma de contar fará com que as crianças entrem na fantasia com mais facilidade. 2. 1997. 2000. Editora da UFMG. ORGANIZAÇÃO dos Professores do Acre. 1998. Felipe. Procure pesquisar também algumas lendas dos povos da Amazônia. Por que não contar esta história como se ela passasse nos jardins da instituição ou em algum jardim perto de vocês? Isso proporcionará um reconhecimento e maior envolvimento das crianças. CONTOS e lendas de amor. Fique atento a todos os desdobramentos pedagógi- cos possíveis de serem trabalhados. Leitura. Clarisse.1997. que habita as florestas e protege as plantas e os animais. cinza. Rio de Janeiro: Multiletra. Existem enormes possibilidades de trabalho relacionadas com esses mitos indígenas. Informações relevantes: Pesquise sobre meio ambiente e preservação. Eles precisam entender que o objetivo é compartilhado por todos eles.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS de educação ambiental após este jogo. 3 e 4).

depois de tudo pronto o educador recolhe-as e as guarda pelo espaço.um grupo com 15 crianças a ser salvas e 5 salva-vidas. ja trabalhando. Usem papéis da mesma cor. o trabalho em equipe e o aprendizado por meio da experimentação lúdica. Descrição: Educador e crianças constroem as figuras. para que sua apropriação seja mais efetiva. Peça que as crianças andem pelo espaço. Potencialidades: Vivenciar a cooperação. Continuam dançando e andando pelo espaço. textos e poemas. entre outros. as figuras que serão utilizadas no jogo. Fiquem agora em uma pose e esperem pela ajuda que virá a qualquer momento” 69 Coleção de Educação Cooperativa . deverão tirar as figuras e mostrar aos outros indivíduos do grupo procurando encontrar as partes complementares. possíveis de serem trabalhados neste segundo momento. Sugestões ao educador: Organize o grupo para que todos juntos possam recortar as figuras geométricas. algumas sugestões. Escolha músicas que tenham a ver com o tema a ser trabalhado. vegetal e mineral. Quando a atividade terminar. paisagens. achando-as. Palavras. todos juntos. A atividade consiste em dividir os dois grupos. até que. Geografia e Português. após sua elaboração. O grupo poderá escolher junto. Assegure que o trabalho em grupo mantenha um clima tranqüilo e respeitoso. a um novo sinal. poderá abordar ainda. somente com a ajuda dos salva-vidas. Informações relevantes: O educador poderá trabalhar ainda. tesoura e cola. • Outros possíveis temas surgirão das disciplinas trabalhadas pelo grupo. construir diferentes quebra-cabeças. Por exemplo: reino animal. Português. Deste desenho. Ciências. Descrição: O grupo deverá ser dividido. sem que as crianças vejam. Temas abordados: Formas geométricas e.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Quebra-cabeça das formas Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. a integração. e separá-los no espaço a uma distância de 15 metros um do outro. o grupo deverá produzir um material coletivo que será transformado em quebra-cabeça. Disciplinas Correlatas: Matemática. o quebra cabeça das formas possa ser montado. A um sinal do educador. para que assim. Potencialidades: Trabalhar a cooperação. os que salvam e os que serão salvos. onde todas as crianças poderão eleger um tema e construir coletivamente um novo quebra cabeça e montá-lo. cidade. dependendo da paisagem que o educador escolher. olhar nas informações relevantes. Materiais necessários para realização: Nenhum. Vocês precisam sair imediatamente deste local. no caso de um grupo com 20 crianças . conforme sugerido abaixo e. o cuidado com o outro. as crianças deverão sair a procura das figuras e. Usar essa média como referência. em dois subgrupos. garantindo que todas as crianças vivenciem esta atividade dentro de seus limites e potencialidades. por conseguinte. deverão guardar sob a roupa. Materiais necessários para realização: Papel cartão ou similar. utilizem formas que o grupo este- Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. Colocar uma música animada para o grupo se soltar. dançando ao ritmo apresentado. para que a busca pelas partes da mesma figura fique mais difícil. questões relevantes às Ciências. Destacamos alguns exemplos de temas. Em todos os casos. Abaixo. Como por exemplo: • Ler um texto com o grupo e propor que façam um desenho coletivo com um tema a ser definido pelo grupo e que seja resultado desta leitura. o educador poderá propor um novo jogo. O educador deverá contar a seguinte história: “A partir de agora vocês estão num local que está começando a pegar fogo. Geografia etc. com outros temas e. Salva-vidas As crianças deverão sentar no chão e experimentar os possíveis encaixes. campo etc. corpo humano. fazer um quebra-cabeça. a estratégia e o diálogo. mas não podem sair sozinhos.

Ao final da atividade. compartilhando estratégias para alcançar objetivos e caminhar juntos. com as crianças sozinhas. Sugestões ao educador: Comece a atividade com uma roda de conversa e conte um pouco sobre as tartarugas. sugerimos que o educador procure mais informações. ou seja. Depois de um tempo. um colchão. Pode ser uma ótima oportunidade para levar o grupo a campo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Explique que as crianças deverão assumir uma posição. o educador deverá propor uma conversa para que todas as crianças possam refletir sobre: • Sentimentos experimentados durante o jogo. um cobertor ou outro material semelhante. pesquisar com as crianças sobre o trabalho desta corporação. É indicado usar uma sala ampla sem obstáculos ou uma quadra. O desafio será encontrar uma maneira de fazer isso. Os salva-vidas deverão criar uma forma de salvar as crianças em “perigo” sem que eles encostem nenhuma parte do seu corpo no chão. cada um leva uma ou será melhor levar em duplas. proponha outra ou deixe que decidam coletivamente. Sugestões ao educador: Este jogo necessita de espaço. etc. Se houver interesse em outras espécies. Se achar que esta linguagem não é a ideal. faça isso até que se possa fazer um grande grupo sob o cobertor. procure formalizar as dificuldades enfrentadas para que o novo grupo de salvavidas possa acumular tal conhecimento e enfrentar o desafio com novas estratégias. Conte sobre a sua origem. sem que a tartaruga desmonte. Geografia e Educação Física. assim. Materiais necessários para realização: Um tapete grande ou algo como uma folha de papelão. Pergunte o que sabem sobre este bicho. • O objetivo em jogo. Quando a atividade acabar. A idéia é que quanto mais gente. inicialmente. sem que o cobertor caia. o local onde vivem. sobre o seu nascimento. Quando as crianças estiverem entrosadas na brincadeira. trios ou quartetos? Enfim. forme duplas e depois trios. nas não poderão se mexer nem tampouco ajudar os salva-vidas de nenhuma maneira. deitados ou de qualquer outra maneira que quiserem. Para tanto. para um melhor aproveitamento da reflexão final. Temas abordados: Preservação do meio ambiente. é aconselhável que todas as crianças possam passar pela condição de salva-vidas. cada uma delas ficará no chão. pelo bairro e pela cidade. Como levar as “vítimas”. Ao final de cada rodada. Texto retirado do projeto Tamar. Informações relevantes: Selecionamos algumas informações35 sobre as tartarugas marinhas. com o cobertor sob as costas. as crianças deverão ficar no chão. • Foi possível atingí-lo? Como? • Quais estratégias foram usadas? • Quais foram os vencedores deste jogo? Note que. converse com as crianças sobre a atividade. Pesquise e mostre fotos. posteriormente. Informações relevantes: O educador poderá. como um enorme animal pré-histórico que é. Será preciso criar estratégias entre os membros salva-vidas. Tartaruga Gigante Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. sobre a desova. leve livros e todo material que achar relevante. com quatro apoios. No começo. sentados. 35 Potencialidades: Brincar cooperativamente. Proponha fazerem um desenho coletivo com o título “Tartarugas”. 70 Programa A União Faz a Vida . e sairá como tartaruga pela sala. construa alguns obstáculos pelo espaço e digalhes que terão que superá-los. O educador trabalhará. engatinhando. mais complicado será levar a tartaruga a uma direção definida. desenvolver um projeto de expedição investigativa ao corpo de bombeiro da comunidade e. Descrição: O objetivo do jogo consiste em mover a tartaruga gigante em várias direções. O educador poderá inclusive. fazer um diálogo com outras disciplinas e construírem um projeto mais amplo com maiores desdobramentos. Deixe espaço para definirem como fazer o desenho. Disciplinas Correlatas: Ciências. pergunte sobre o que foi difícil e como eles acham que poderiam solucionar tais dificuldades. o desafio é encontrar formas possíveis de locomover as crianças e salvá-las do fogo. as crianças podem se mover para diferentes direções e pode demandar algum tempo até que elas perceberem que têm que trabalhar juntas para a tartaruga se mover.

chamados pelos pesquisadores de “anos perdidos”. Nessa época.para construir a cama e o ninho.grandes o suficiente para retornarem às águas costeirias horas e uma fêmea pode ser fecundada por vários ras. com intervalos mé. os filhotes emergem do ninho e correm para o mar. mar.a das Dermochelyidae e a das Cheloniidae.produtivas. realizar em média de três a cinco desovas para uma Ao atingirem a idade adulta e a maturidade sexual. diminuiu e as que restaram se fundiram às costelas. quando machos e fêmeas retornam à praia vas acontecem entre setembro e março.filhotes rompem os ovos e nascem após 45 a 60 dias lhões de anos e conseguiram sobreviver a todas as de incubação em média. po. A fêmea escolhe um do à deriva em mar aberto. Tudo escolhem um trecho da praia livre da ação das marés para se adaptarem à vida no mar. evoluíram. durante o dia. Possuem a visão.Incubação: Depois da postura. onde estão mais seguros de predadores e conseguem buscar alimento. Per. Atividades diárias: As tartarugas marinhas são soli. machos. entre janeiro e junho. Ciclo de Vida: Após o nascimento. Temperaturas altas (acima Dessas. pois o calor da areia. entram em fase juvenil. sob rochas. agrupadas em duas fa. Mas uma chuva forte. até todos alcançarem a superfície do ninho e correrem imediatamente para o mar. em Imagina-se que fiquem boiando entre algas ou vaganáguas profundas ou costeiras.vavelmente permanecem em uma área de alimentação dios de 10 a 16 dias. as fêmeas procuram do-se de outros répteis.em que nasceram para o acasalamento e desova. na sua aventura para o mar. cies de tartarugas marinhas. além disso. como cópula e postura. 71 Coleção de Educação Cooperativa . pode provocar a saída de uma ninhada durante o dia. com varia. a escuridão da noite as protege deram os dentes. e para chegarem ao mar. as tartarugas suas patas se transformaram em nadadeiras. A cópula dura vá.Seleção de praias: Para desovar. não há praticamente nenhuma informação sobre o que acontece aos filhotes. Existem sete espé. Fora da época reprodutiva. produziram introspecções úteis em atividades diárias. mudanças do planeta. temperaturas mais tárias e permanecem submersas durante muito tem. mesmo vivendo dispersas na imensidão dos mares. ganharam uma espécie de bico e de vários perigos. entre vários machos e o namoro começa com algumas Após esse período. as tartarugas marinhas podem migrar centenas ou milhares de quilômetros. diferencian. Em movimentos sincronizados.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS TARTARUGAS MARINHAS ção entre as espécies. Quando a noite vem. além de uma fantástica capacidade de orientação. passando as horas seguintes nadando para regiões oceânicas. durante toda a vida. Por isso. Acasalamento: O acasalamento ocorre no mar. Durante um longo período.tura e. o olfato e a audição desenvolvidos. O que faz os filhotes se desenvolverem dentro do ovo é o calor da areia. eles se orientam pela luminosidade do horizonte. Nascimento: Entre 45 e 60 dias após a fêmea colocar os ovos. em áreas próximas à costa. um filhote ajuda o outro. Podem dormir na superfície quando estão em águas profundas ou no fundo do mar. Os As tartarugas marinhas existem há mais de 180 mi. entretanto. provocando o resfriamento da areia. estando mordidas no pescoço e nos ombros. promesma temporada de reprodução. retirando a areia. o que dificulta extremamente o estudo do comportamento. realizam viagens transcontinentais para voltar às praias onde nasceram. cinco são encontradas no Brasil. Os filhotes flutuam na superfície durante o sono e geralmente mantém as nadadeiras dianteiras encolhidas para trás sobre a parte traseira do corpo. Mas sua origem foi na terra e. A saída dos filhotes à superfície ocorre quase sempre à noite. O número de suas vértebras praias desertas e normalmente esperam o anoitecer. estes se rompem para nascerem os filhotes. exceto durante as temporadas reDesova e Nascimento: No litoral brasileiro. As décadas de pesquisa. Nas ilhas oceânicas (apenas a espécie Chelonia mydas). se alimentando e crescendo. dificulta a posformando uma carapaça resistente. onde permanecem.de 29 ºC) produzem mais fêmeas. sabem o momento e o local de se reunirem para reprodução.baixas (abaixo de 29 ºC) produzem mais machos. A fecundação é interna e uma fêmea pode até atingirem a idade adulta. a mãe volta para o mílias . embora leve. as deso.

Disciplinas Correlatas: História e Geografia. Ao som da música apresentada. tintas ou canetas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Vai e vem Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. para que os pares se formem juntando-se as duplas que tiverem cartões com palavras iguais. etc. Após algum tempo de exploração do brinquedo. tintas. Agora é a hora de experimentar o brinquedo confeccionado. garrafas pet. Podem-se organizar as pesquisas por temas. que possa prejudicar o desenvolvimento da atividade. nos diferentes lugares do Brasil. Este jogo pode ser construído por crianças a partir de 6 anos. argolas. Temas abordados: Trabalho artesanal e o brincar. O uso de música é fundamental para esta atividade. Auto-Retrato Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Revistas para recorte. Potências de aprendizagem: A atividade de autoretrato permite a percepção de si mesmo e das possibilidades expressivas de cada um. os cartões são espalhados pelo chão. 4 ou 5 grupos. descobrindo diferentes possibilidades de movimentar o brinquedo. Materiais necessários para realização: Espaço amplo. continua caminhando e mostrando a palavra para o grupo. Sugestões ao educador: Estimular o grupo a utilizar diversos materiais na construção do brinquedo. bem separados um do outro e com a palavra escrita virada para baixo. as brincadeiras dos índios. Pretende que as 72 Programa A União Faz a Vida . O educador determina um tem- Esta atividade é um excelente pretexto para se fazer uma grande pesquisa sobre as brincadeiras infantis. do mundo. Pode-se montar um projeto onde as crianças descubram como as crianças brincam. O tempo de exploração do brinquedo e da realização do jogo-dança dependerá da motivação do grupo. Formadas as duplas de trabalho. ao sinal combinado. Ao sinal combinado. coloridas. Informações relevantes: O educador deve ficar atento às diferentes faixas etárias e sobre as diversas possibilidades de trabalho com cada uma delas. tesoura. canetas hidrocores. Potencialidades: Neste jogo os participantes vivenciam o ajuste e adaptabilidade do ritmo individual ao coletivo. O educador deverá criar uma roda de conversa para que todas as crianças possam trocar impressões e sensações sobre a atividade vivenciada. lápis de cor. após sua apresentação. passa-se à construção e decoração do brinquedo. que se chama: vai e vem. uma série de cartões com palavras ou desenhos que tenham pares e. espelhos. a partir do gargalo. Cortar as garrafas aproximadamente 17cm. Faça adaptações frente às distintas demandas. po para que cada grupo crie uma coreografia para ser apresentada. Decorar com fita adesiva colorida. unir as duas partes do gargalo encaixando-as uma por dentro da outra. Descrição: Organize o grupo e o espaço a ser utilizado. cada um pega o cartão que está mais próximo de si. Explore as possibilidades de acordo com o grupo em questão. folhas de sulfite. papel pardo. o brincar nas diferentes culturas e nos diferentes momentos históricos. desde que as garrafas já estejam cortadas. tirem cadeiras e toda espécie de empecilho. como por exemplo: as brincadeiras no Brasil. hoje e no passado. Cada grupo. telas. as duplas vão se juntando até que se forme 3. corda de nylon e fita adesiva colorida. assim que o espaço estiver pronto. giz de cera. utilize-a sem moderação! O educador deverá preparar anteriormente. o grupo caminha por entre os cartões observando a melodia e o movimento rítmico sugerido. impressões/cópias coloridas das obras (auto-retratos) selecionadas. enfim. passar as duas cordas de nylon pelos gargalos e amarrar em cada extremidade das cordas de nylon uma argola plástica. Cada dupla brinca. criando coreografias que vão se complementando. Respeito e paciência com o tempo e execução do movimento do outro. escolhe um dos movimentos de sua coreografia para compor a coreografia coletiva – todo o grupo dança. lápis carvão. as brincadeiras no mundo.

e que digam o que diferencia uma ex- Os desenhos são apresentados. idade etc. abra roda e convide cada grupo a escolher um ou dois relatos para apresentar no coletivo. idade. Potências interdisciplinares: Artes. nariz. adereços etc. peça que registrem os dados sobre a pessoa: nome. cada um completa o seu “boneco” com desenhos. pavor. Literatura. Diego Rivera. Distribua folhas de papel e proponha que cada um reproduza um colega. de falar de si (faz-se necessária uma pesquisa prévia em livros de arte. E o grupo social expressa uma grande diversidade de expressões – singulares e coletivas – feitas de movimentos e das histórias de vida de cada um. de pernas para o ar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS crianças e adolescentes possam falar sobre si mesmos explorando novas e inusitadas formas de se representar tendo como matéria-prima para a criação o patrimônio existencial de cada um. escolhendo a expressão que quiserem. Má- 73 Coleção de Educação Cooperativa . Manuel Bandeira. Forme pequenos grupos e peça que cada um apresente o seu recorte. Peça que façam um treino de expressões: alegria. E que. porque está com aquela expressão e onde se encontrava quando foi retratado ou desenhado. Peça que registrem o nome e a data do desenho. Ex: auto-retratos de Escher. Se perceber que a atividade mobiliza o grupo. medo. Frida Kahlo. Organize a apresentação do conjunto de auto-retratos de maneira a provocar um jogo de descobrir quem é quem nos desenhos. Peça que entreguem o desenho sem colocar o nome. Explique que irão fazer um auto-retrato. Em outro momento. Feito o retrato. surpresa etc. antes vão fazer um treino de observação... alegria e o que vale é o jeito de cada um. Distribua folhas de papel. Reflita com o grupo sobre a atitude de todos frente aos auto-retratos: nada de zombaria ou deboche. Candido Portinari. boca etc. Proponha que recortem os bonecos e comparem tamanhos e outras características. proponha sua continuidade. Os bonecos podem ser expostos no ambiente de uma maneira criativa: em pequenos grupos. Norman Rockwell. o que faz. Salvador Dali. lápis. o cabelo. giz de cera. Outra possibilidade interessante é propor a elaboração de auto-retratos a partir do contato e exploração de obras de importantes artistas que também se autoretrataram. História. comentados e ex­ postos. Após trocarem de lugar. pendurados ou colados à parede. Egon Schiele. Peça às crianças que façam uma visitação aos recortes e que escolham algum rosto que lhes chamou mais a atenção. ou em outro momento. imitando uma onda etc. pressão da outra e quais as transformações que se operam no rosto de cada um. periódicos. sentados em cadeira. Organize com a turma uma forma de expor os trabalhos. peça às crianças que tragam espelhos de casa e também providencie alguns. O momento é de brincadeira. Oriente para prestar atenção às expressões do retratado. Língua Portuguesa. Retome o exercício anterior e peça que tentem reproduzir/imitar a expressão da pessoa retratada. João Câmara. colagens. No momento seguinte. e peça que façam o auto-retrato. representando onde gostariam de terem sido “fotografados”. olhos. Anita Malfati. A seguir. dando-lhe vida: nome. Descrição: Recorte de revistas e jornais diversos rostos com expressões diferentes e distribua pela sala. Forme pares e proponha que um de cada vez se deite sobre uma folha de papel pardo para que seu par desenhe o contorno do corpo. Distribua pelo espaço alguns auto-retratos – de modo que possam ficar bem visíveis a todo o grupo – por exemplo. Privilegie diferentes formas de se retratar. tintas etc. convide-os a fazer o fundo do retrato. Temas abordados: Artes Plásticas. Van Gogh. produção coletiva. Peça que observem cuidadosamente o formato da cabeça. Tarsila do Amaral. olhando-se no espelho. É importante destacar que esta atividade permite perceber que somos mediados socialmente.

Lembre ao grupo de datar as produções e coloque sempre a referências das obras utilizadas. Não sei sentir-me onde estou. Boccage.. os saberes. que olhem atentamente para as obras. Graciliano Ramos. Noto à margem do que li O que julguei que senti. materiais recicláveis. A internet é uma forma acessível e rápida para encontrar esse e outros repertórios36. canetas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS rio Quintana. cola. recite o poema de Fernando Pessoa: Não sei quantas almas tenho: 37 Não sei quantas almas tenho Não sei quantas almas tenho. Por isso. Torquato Neto etc. De tanto ser. objetos para caracterização de cenários. Releio e digo: “Fui eu?” Deus sabe. Ao mesmo tempo é possível vislumbrar a diversidade de oportunidades que as crianças vivenciaram num período. tecidos coloridos. O que segue não prevendo. as dificuldades etc. apreciadas. Assim. alheio. Continuamente me estranho. Cada momento mudei. antes de começar qualquer uma das atividades propostas neste percurso. Nesse sentido. tintas. Atento ao que sou e vejo. Informações relevantes: Portfólio é uma pasta personalizada e preparada para receber as produções individuais ou coletivas com o objetivo de mostrar o aprimoramento de uma criança ou de um grupo no decorrer do tempo. como que numa tentativa de dialogar com o que ele está sendo visto. roupas velhas. torne pública as produções do grupo por meio de exposições. Sou minha própria paisagem. meu ser. Fale ao grupo que eles podem construir auto-retratos em forma de textos ou desenhos.com. Para a elaboração utilizem folhas grandes A3 e lápis carvão ou telas. O que passou a esquecer. Como forma de sensibilização do grupo. serão vistas.. os afetos. tintas. Potências de aprendizagem: O percurso põe em movimento as capacidades imaginativas e criativas do grupo.). pincéis etc. papel. só tenho alma. Quem vê é só o que vê. porque o escreveu. papel. Criando roteiros Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Papelão. tesoura.autoretratos. as novidades. Pergunte se alguém gostaria de comentar sua escolha. as aprendizagens. móbil e só. Essa publicização das produções é muito importante. Nunca me vi nem acabei. pois confere sentido público aos trabalhos que o grupo realiza.blogger. pois elas serão apresentadas a outras pessoas. vou lendo Como páginas. que a atividade mobilizou. sempre que possível e pertinente. provocou. Torno-me eles e não eu. Quem tem alma não tem calma.. Vinicius de Morais. Diverso. Quem sente não é quem é.br 74 Programa A União Faz a Vida . A partir de então cada um cria seu auto-retrato. O educador pode começar apresentando duas questões para o grupo solicitando que elaborem pequeno texto: Como me vejo? Que idéias tenho de mim? Terminada da elaboração do texto. o cuidado e o capricho com as produções são muito importantes. Sugestões ao educador: Sempre converse com o grupo sobre as todas as atividades realizadas – que surpresas. da ambientação dos espaços etc. barbante. peça para que as crianças caminhem pelo espaço. As produções das crianças podem ambientar tanto a sala quanto os espaços da escola. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Depois peça que eles se aproximem da obra que mais se identificaram ou gostaram. Assisto à minha passagem. Possibilita que crianças e adolescentes exercitem capacidades de leitura e escrita na medida em que dá Fonte de pesquisa: http://www. lápis coloridos ou colagens. Todas as produções deste percurso podem inaugurar ou integrar o Portfólio do grupo. comentadas.

Este momento. Sergio Bar- Para saber mais sobre vida e obra de Chico Buarque de Holanda: http://chicobuarque. convide cada grupo a apresentar a dramatização ao restante da turma. tentando registrá-las de forma escrita.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS concretude à narrativa teatral por meio da elaboração de um roteiro coletivo. uma galinha. Faça um registro do que aprenderam sobre o roteiro teatral. Língua Portuguesa. tornando-se. perdidos na floresta. as entradas e as saídas dos personagens e para as falas de cada um deles. em que se distribuem os papéis e funções. Outras sugestões interessantes: Os Saltimbancos38. Dê continuidade com uma leitura compartilhada. mas as divergências de opinião são sempre muito ricas e ajudam o grupo a desenvolver-se e a socializar-se. A seguir. Feita a caracterização das personagens. Circule pelos diferentes grupos para orientar nas maiores dificuldades.br Texto musical de Chico Buarque de Holanda. resolvem abandonar seus postos e unem-se em busca da liberdade. pode iniciar esta trajetória lendo um texto. um aniversário diferente etc. Inicialmente. livro do escritor João Cabral de Melo Neto. E há os que escrevem a seqüência de ações da apresentação. Deixe as crianças descobrirem as diferentes formas e funções de ambos os textos. Desiludidos com o tratamento recebido pelos seus patrões. saltimbancos. Chame a atenção para a divisão de cenas.com. Feita a leitura. Eleja coletivamente uma destas narrativas. um jumento e um cachorro. Observe como eles organizam a dramatização. sugira temas como: um dia de sorte. Sugestões ao educador: Pesquise previamente em bibliotecas ou na internet. É raro. um dos participantes assume a direção do espetáculo. Organize um varal para exposição dos roteiros das dramatizações ou crie um livro reunindo os roteiros dos diferentes grupos. Eis o roteiro teatral! O roteiro é um texto onde existem indicações de como a dramatização irá acontecer.uol. Para ajudá-los. Em 1965. mas também. além de ampliar repertórios no campo das artes cênicas e da literatura. Morte e Vida Severina. Esta divisão pode ser feita pensando nas entradas e saídas de personagens ou em núcleos de ação que são facilmente identificados na apresentação da dramatização. também de Chico Buarque de Holanda. conta a história de uma gata. Faça um mapeamento das histórias mais conhecidas. Potências interdisciplinares: Artes. dos irmãos Grimm. a explicação do autor sobre os cenários. quando personagens conhecidas são colocadas em situações inusitadas. Em um roteiro detalhamos a movimentação das personagens e indicamos como cada um deve reagir às situações. Nessa seqüência. textos de teatro ou histórias que foram adaptadas para o teatro. Chico Buarque de Holanda37 musicou o poema para a montagem da peça Morte e Vida Severina encenada no teatro TUCA da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. resgatando as personagens. Você poderá ler ou pedir que o texto seja dividido e lido por todos na roda. 37 38 75 Coleção de Educação Cooperativa . apresenta um poema dramático escrito entre 1954/1955. Elaborar a ação em conjunto com a área de Língua Portuguesa e/ou Literatura da escola também poderá enriquecer muito o trabalho. Chamamos este momento de improvisação livre. um dia de azar. então. Você poderá trazer para a turma algum texto de teatro escrito para que os educandos observem como isso se realiza. É claro que o roteiro é apenas um projeto-memória das encenações e nem de perto gera as mesmas sensações de uma apresentação. Normalmente. traga uma história conhecida de todos que será lida. Temas abordados: Teatro. Divide-se em cenas. caso haja algum tipo de conflito. Peça para que se dividam em grupos para caracterizar as personagens com as quais mais se identificam. Descrição: Uma das maneiras de fazermos o registro de um espetáculo teatral é criar um roteiro. você poderá partir da trajetória anterior. peça ao grupo para dramatizar uma nova história com as personagens escolhidas. Se puder. O educador pede aos grupos que retomem suas dramatizações. leitura e escrita. Mas possibilita um outro ponto de vista sobre a cena. Inspirado em “Os Músicos de Bremen”. Depois apresente a sua adaptação teatral. reconte a história oralmente. deixe que os grupos trabalhem so­ zinhos. outros preferem ajudar a confeccionar os adereços e figurinos improvisados. poderá ser mediado pelo educador.

(Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural – Teatro: www.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS dotti e Luiz Enrique (1977). promovendo a percepção coletiva do corpo e do movimento para a construção da “máquina barulhenta”. surgindo apenas no final para fazer um salvamento espetacular da menina. que passa o dia inteiro dormindo dentro de um baú. Outras vezes. de uma fonte de energia. o quê aconteceria?” Invista nas diferentes falas e percepções. Converse com a turma sobre a atividade. Oriente então para a desmontagem da máquina: o último a se incorporar sai do conjunto e se dirige para a roda. o trio clownesco João-Julião-Sebastião. o primo aviador que não chega a entrar em cena. que faz deliciosos pastéis de vento e conversa ao telefone com Prima Bolha. as características de uma máquina. pode se configurar como estratégia para produzir sintonia em momentos de dispersão mobilizando o grupo para o trabalho a ser realizado posteriormente. Pode ser uma forma interessante e criativa que prepara o grupo para a realização de uma atividade que requer atenção e concentração. Potências interdisciplinares: Historia. Tio Gerúndio. Potências de aprendizagem: Este percurso integra a turma. Solicite.br) Entre na máquina! Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Nenhum. e Chisto. perguntando como se sentiram. A Mecânica Clássica (também conhecida como Mecânica de Newton. E assim sucessivamente. precisando. assuntos e temas como tecnologia. Mas a grande chave da poesia teatral criada pela autora é a amizade que surge entre a Menina Maribel e o Fantasminha Pluft. Ciências. o fantasminha Sinopse: O texto conta a história do rapto da Menina Maribel pelo cruel e ridículo Pirata Perna-de-Pau.Pluft. máquina. o Capitão Bonança. o livro A Arca de Noé.itaucultural. Os momentos de comicidade ficam por conta dos amigos de Maribel. realizando um som e um movimento. ciências. Fundadora do Tablado.org. Este é um momento muito interessante.). Informações relevantes: MACHADO. O vilão vai esconder a menina no sótão de uma velha casa abandonada. 39 76 Programa A União Faz a Vida . as máquinas inventadas pela humanidade e as modificações produzidas na vida dos homens. Informações relevantes: Uma máquina é todo o dispositivo mecânico ou orgânico que executa ou ajuda no desempenho das tarefas. as diferenças entre o ser humano e as máquinas. escola de teatro. geografia. o fantasminha Pluft. A trama se concentra na procura do tesouro do avô da menina. sempre que necessário. autora de famosas peças de infantis. quando os participantes percebem a sonoridade e movimentação construída coletivamente. para isto. Geografia. física ou filosofia (abordando. alguma explicação ou justificativa para auxiliar tanto a atividade de expressão dos educandos como a compreensão dos ouvintes. Tente propor uma articulação entre as áreas de história. Física. um de cada vez. Explique que todos devem permanecer na atividade (som e movimento) até que todos estejam em ação. que nunca viu gente. Oriente a turma para que se encaminhem para o centro da roda. Maria Clara . Escritora e dramaturga brasileira. por exemplo. de Vinícius de Morais cujos textos foram musicados pelas mãos do próprio Vinicius que também foi recriado em espetáculo musical e as obras de Maria Clara Machado39 – referências no campo do teatro infantil. O tema “as máquinas e o homens” também pode ser o disparador de uma articulação entre diferentes áreas do conhecimento no sentido de potencializar as reflexões e a produção de conhecimentos do grupo. que morreu no mar deixando lá no fundo a sua herança. assim chamada em honra a Isaac Maria Clara Machado nasceu em Belo Horizonte no dia 3 de abril de 1921. Temas abordados: Expressão corporal. que vai a sua procura para salvá-la. até que todos estejam de volta ao círculo. Convide os participantes a darem nomes para esta máquina maluca: ”Qual seria o nome de nossa máquina? O que será que ela produziria? Onde ela seria muito útil? Você é um dos componentes da máquina. Descrição: Faça um círculo com a turma e explique que irão construir uma máquina com a participação de todos. Qual é a sua função neste conjunto? E se um dos componentes se quebrasse. as relações entre o trabalho humano e as máquinas. onde vive uma família de fantasmas: a Mãe. criação coletiva. Filosofia. Sugestões ao educador: Se for pertinente sugira uma pesquisa ou discussão sobre a relação entre o homem e máquina. processos biológicos ou máquinas biológicas etc.

Divida a turma em grupos e sorteie aleatoriamente as opções dos sacos.). 77 Coleção de Educação Cooperativa . portanto. Dê preferência para o uso roupas usadas e velhas. Temas abordados: Planejamento. História. No saco do ONDE coloque opções de lugares: uma escola. uma cozinheira que não sente o gosto dos alimentos. instrumentos musicais etc. expressões do corpo. um professor curioso etc. jogando bola. Descrição: Prepare três sacos de pano ou plástico com os seguintes rótulos: QUEM? ONDE? QUANDO? COMO? Coloque dentro dos sacos algumas opções de personagens para o QUEM: um médico desorganizado. olhando o mar. Verifique outras que você pode criar com a turma. Língua Portuguesa. Potências interdisciplinares: Artes. que fez contribuições fundamentais para a teoria) é a parte da Física que analisa o movimento. expressões plásticas. resíduos sólidos (ex: caixas de papelão. jornais. Assim. seus desejos e identidades? Este percurso também exige das crianças e adolescentes competências e habilidades para a gestão e o trabalho em equipe. retalhos. Equipe de cenógrafos e aderecistas: Esta equipe vai trabalhar construindo objetos e ambientando as cenas da peça. revistas. em 1920. Potências de aprendizagem: Este percurso propõe uma investigação artística a partir do teatro. Traga para o trabalho deles algum material escrito sobre alguma adaptação teatral. etc. a responsabilidade pelo sucesso depende de todos e de cada um. etc. Equipe de dramaturgos : A equipe de dramaturgos tem a função de escrever o texto do espetáculo teatral. as variações de energia e as forças que atuam sobre um corpo. solicite aos participantes para criarem desenhos dos figurinos e espaços. Depois de construir e experimentar as cenas organize a turma em equipes: 1. com os croquis em mãos. dividir tarefas e responsabilidades. Assim como as artes plásticas são parte da criação cenográfica. Estreando nossa peça . Esta manifestação artística congrega outras formas de expressão celebradas no evento teatral. tintas de cores variadas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Newton. uma feira. tecidos. expres- sões musicais. organizar o trabalho. Para que uma peça possa ser desenvolvida e executada com sucesso é preciso: planejar. numa noite de Natal etc. Para ajudar no planejamento. garrafas pet. No ensino de física. trabalho em equipe. Finalmente o saco do COMO. 2. Cada grupo deve criar uma dramatização a partir dos elementos sorteados. afinal o espetáculo é de todos. a equipe dos produtores poderá ajudar a conseguir tecidos e retalhos para a confecção dos adereços. a mecânica clássica geralmente é a primeira área da física a ser lecionada. Para criar arte é preciso partir da cultura e da identidade do grupo com o qual trabalhamos: quem são nossos atores? Quais suas referências. a música cria toda a ambientação da sonoplastia e a dança pode ser decisiva para a construção de um personagem que se movimenta de forma especial. No saco do QUANDO coloque opções de tempo: na primavera. papéis variados.arte mobilizando o trabalho em equipe Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Roupas velhas. avaliar o processo – tudo isso de forma coletiva e democrática. de preferência de uma história conhecida para facilitar a compreensão deles de como é feito o registro das peças teatrais. que possam ser customizadas para a apresentação. cordas etc. uma rua deserta. coloque dicas para contar a ação a ser executada: brincando.

aproveite para elaborar cenas musicais. 5. Pode dar um efeito interessante e diferente. publicados em jornais e revistas. Esta mostra é sempre um momento de reverenciar as conquistas de cada grupo em termos estéticos e organizacionais. estimule idéias interessantes. sem desmerecer este ou aquele aprendiz. Como já exposto anteriormente.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Você poderá propor que usem materiais alternativos: jornal. Sugira que façam cartazes interessantes chamando a atenção para a peça. Batidas de tambor podem significar alto grau de tensão! Assim como uma melodia suave pode sugerir paz e tranqüilidade para determinadas cenas. 3. O educador deve orientar a situação com muita delicadeza. Sugestões ao educador: Na roda de conversa. em que o artista aproveita os espaços públicos. Para ajudar a turma de cenógrafos. desde o primeiro ensaio até o dia da estréia da peça! Festival de teatro: Outra maneira de explorar o teatro com o grupo é organizar um pequeno festival. como movimentos culturais. Os grafiteiros querem divulgar uma idéia. aposte na colaboração e na criatividade. Poderão também cuidar da divulgação do espetáculo no núcleo e na comunidade. faça um levantamento sobre o conceito de teatro: “Quem sabe dizer o que é teatro? Quem já assistiu a uma peça? Onde? Por que as pessoas criam espetáculos de teatro?” Continue investigando com o grupo os elementos que compõem um espetáculo teatral: “Quais são os elementos que compõem um espetáculo de teatro? Além de atores. A escolha ou composição das músicas é parte da narrativa cênica. plural de graffito) significa “marca ou inscrição feita em um muro”. Traga sugestões. cada participante deverá propor uma maneira de interpretar o seu personagem. organize sua turma e elaborem um cronograma para possibilitar o planejamento de todas as ações. preze o trabalho em equipe e enfatize que o teatro é uma arte coletiva onde todos têm um papel fundamental. (www. o quê mais vemos em cena? Como são colocados os objetos no palco? Essa disposição do 40 Grafite ou Graffiti (do italiano graffiti. Acompanhe as tarefas dos escritores e os ensaios. pois o fenômeno teatral só se concretiza no momento em que temos atores e espectadores. produtores do evento (infra-estrutura do evento). sobretudo no planejamento e na interação entre as diferentes ações que irão culminar com a montagem das peças escolhidas pelas crianças. além de criar um clima muito amistoso para todos que participam! É importante que você coordene este trabalho. as primeiras manifestações. Com a história em mente e a definição dos papéis. mestre de cerimônia. Equipe de produtores: A equipe de produtores organiza o material necessário para a realização do espetáculo. 4. Para quem participa de um processo de montagem teatral. divulgadores. e é o nome dado às inscrições feitas em paredes desde o Império Romano. Finalmente. a apresentação pública é fundamental. Equipe de atores: Aos atores cabe a criação das personagens e sua interpretação. Oriente-os para utilizarem frases chamativas e colocarem imagens/desenhos. surgiu nos muros de Paris. Se houver compositores. sonoplastas e iluminadores. criando uma linguagem intencional para interferir na cidade. Insira o trabalho na comunidade de maneira a garantir a presença dos espectadores.wikipedia. para organizar este evento. ajudando na organização das diferentes tarefas. Para tanto. Traga al- guns textos desse tipo. dramaturgos (escritores do texto teatral).Trata-se de um movimento organizado nas artes plásticas. Equipe de músicos e sonoplastas: Os músicos e sonoplastas responsabilizam-se pela sonoridade da peça.org) 78 Programa A União Faz a Vida . podem percorrer a comunidade para conseguir tecidos e roupas. Esse exercício de trabalho em equipe é muito envolvente e traz aprendizagens importantes para o convívio social. Com a revolução contracultural de maio de 1968. papel crepom etc. figurinistas e aderecistas. De qualquer forma. para estimular essa produção escrita. crie núcleos de ação: elenco (atores). ofereça imagens e quadros que possam servir de inspiração! A foto de um grafite40 pode ser interessante para compor um dos espaços ou cores de determinados figurinos. “Como ele se movimenta? Como é sua voz?” A escolha e divisão das personagens podem ser conturbadas caso haja disputa pelo mesmo personagem. nas quais um personagem canta para contar algo! A música também cria ambientes para o desenrolar das cenas. Uma saída possível é criar dois elencos para a mesma peça. Apareceu no final dos anos 70 em Nova York. espaço ou autorização para uso de determinado local (teatro ou espaço alternativo) e tudo o que for indispensável para a proposta cênica do grupo.

para isso. lista de pessoas envolvidas na elaboração etc. Histórias e Receitas Faixa etária indicada: 6 a 12 anos. História.C. parte-se para a coleta de informações. como ele será produzido e quais materiais serão necessários para sua realização. A proposta é que pelo menos uma história e receita de cada criança componha o livro. Proponha fazerem uma festa de lançamento. Proponha que cada um leve para o dia do lançamento um prato de comida ou bebida. Peça que se forme um grupo de voluntários (ou o grupo todo. enfim. ou do campo heterogêneo do teatro moderno (de dramaturgos como Brecht. Seja a partir de tragédias gregas (como as de Eurípides ou Sófocles). o teatro nasceu na Grécia Antiga. por volta de IV a. Faça uma divisão de trabalho. cada um trabalha e ilustra a receita de um amigo. No encontro posterior. as histórias. Sempre valerá a pena investir em um passeio para assistir a um espetáculo! Informações relevantes: Pode ser muito interessante articular este percurso com o campo dos saberes históricos. arte da culinária. construindo o índice. costumes. As crianças e adolescentes terão que trazer de casa as receitas e suas respectivas histórias. Potencias de aprendizagem: Trabalhar e recriar. medidas. várias etapas precisam ser realizadas. e ainda faça uma ilustração inspirada no contexto da narrativa. Diga-lhes que será um projeto. coletivamente. Discutam quais delas o grupo acha que deveriam fazer parte do livro que vão produzir. cola. convidar outras pessoas. revistas. Descrição: Converse com a turma sobre a atividade que farão. todos decidem como deve ser feito ou escolhem alguém para fazer. de onde vieram etc. de forma coletiva.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS cenário nos dá que tipo de informação sobre a história? Havia música na encenação? Como será que se escolhe a trilha sonora de uma peça?” Verifique a possibilidade de levar o grupo a assistir uma peça teatral. Diga que o grupo vai construir um livro de receitas diferente. ou seja. lápis de cor. Nesse momento não interessa ler as receitas. além disso. quem sabe até os familiares que contaram as histórias. o educador pode organizar um momento de discussão com todo o grupo para que este possa criar. como surgiram. Tente fazer com que haja uma troca. 79 Coleção de Educação Cooperativa . agradecimentos. Temas abordados: Oralidade. Potências interdisciplinares: Português. uma atividade que se realizará ao longo de alguns dias. Para tanto. Depois de criadas as perguntas. O grupo volta com o material pesquisado e já é possível começar o trabalho. folhas de sulfite. tinta guache. tesoura. organize o grupo em círculo e peça para que cada um diga quais receitas trouxeram e que contem as histórias de cada uma delas. Artaud. como por exemplo: projetar a estrutura do livro. A capa pode ser feita de forma coletiva. Beckett entre muitos outros) o diálogo entre o teatro e a história poderá fomentar a pesquisa e a aquisição de importantes e significativos conhecimentos sobre as conquistas intelectuais e artísticas da humanidade. Cada membro do grupo deve ler em voz alta pelo menos uma. todos deverão se preparar e se empenhar coletivamente. Pense nas formas como isso poderia ser feito: cada um desenha um pouco. cabe ao grupo decidir a forma de realização da capa. canetinhas coloridas. as histórias de como elas são feitas. ficará muito mais divertido. como sulfite. segundo consta. Materiais necessários para realização: Receitas diversas. quem sabe poderiam contar histórias contidas no livro. avós e vizinhos. organizar um cronograma etc. O ideal é que façam uma pesquisa com essas pessoas e.. O ideal é que cada criança reescreva uma receita e sua história em um papel padrão. e sim. a história oral das receitas familiares. um questionário padrão que servirá de guia para o momento da pesquisa. Explique que de- verão conversar com os pais. dependendo do interesse) que fique responsável pela finalização do livro. Trabalhar coletivamente visando um objetivo comum. Nele terão receitas de comida e. Geografia e Matemática. Pense que para que o livro seja feito.

Os grupos representam um ônibus em movimento e a primeira criança da primeira fila é o motorista. Peça para andarem um pouco pela cidade em que acabaram de chegar representando seu personagem e anuncie que chegaram a uma praça. a integração grupal. Saci Pererê. Saci Pererê sonhava em jogar na seleção brasileira”. Toda semana ela pegava sua moto e ia até o apartamento onde morava sua avó. Crie uma dinâmica em que todos eles possam utilizar de sua criatividade. fazia gol de todo jeito. todas as pessoas que chegam transformam-se em um personagem de histórias em quadrinhos. Construção coletiva de narrativa. Lobo Mau. “O menino gostava de jogar bola. da maneira que achar mais conveniente.. Cinderela. Boitatá. Curupira. Peçalhe para simular a condução do veículo e aos demais. Soneca. Super-Homem. uma vaca na estrada. pulava pela escola com uma só perna. anuncie que o ônibus chegou ao ponto final. Assim. todos os outros fazem como se estivessem dentro do veículo. Batman. Temas abordados: Contos de fadas. etc. Vocês podem. o ônibus pára e ocorre um revezamento de motorista: a criança que ocupava este posto sai e vai para ocupar o último lugar da fila e um novo motorista conduz o ônibus. inclinando o corpo para a direita. A um sinal do educador. neste lugar. Estimule-os a agir como se estivessem realmente dentro do veículo. pedindo que formem um círculo. como entrar em um túnel. Descrição: Para a fase inicial deste percurso. Inclua personagens de histórias que você já trabalhou com as crianças. ou seja. desvio. Esta atividade foi desenvolvida para todas as faixas etárias. “Curupira adorava ver seu pai de terno e gravata quando saia para trabalhar. Estimule os motoristas a anunciar eles próprios o trajeto: buraco à frente. encontrar uma bicicleta à frente etc. Explique que. Depois de alguns minutos. histórias do folclore (a critério do que o educador achar relevante).” Ou ainda. O educador deve se sentir livre para mudar termos e repensar a mesma. a criatividade e imaginação. Potências interdisciplinares: Português. Zangado. Caipora. Ele ficava o dia inteiro jogando vídeo game sem brincar com nenhuma outra criança”. como por exemplo: Chapeuzinho Vermelho. O importante é encontrar o meio mais adequado à sua utilização. como se movimentariam. proponha variados trajetos. para fazer os movimentos correspondentes. avisando de perigos à frente. se o motorista vira o volante para a esquerda. Invente situações diversas para cada um dos personagens escolhidos pelo grupo. de maneira que as crianças possam exercitar sua criatividade. Dunga. Escolha junto com o grupo uma das novas histórias para encenarem uma peça e apresentarem para as outras crianças e educadores.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Sugestões ao educador: Lembre que todas as receitas deverão conter o nome de quem a contou. sendo assim. É interessante explorar o caminho a ser percorrido. Por exemplo: “Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho. referência ao autor/narrador. mudando o contexto. Feliz. também . Geografia. pegar uma estrada de terra esburacada.. Comece falando uma frase e cada um da roda vai acrescentando um novo trecho. contos de fada ou do cinema. Materiais necessários para realização: O material utilizado depende do material a ser criado no final da trajetória. Se tiver uma câmera vocês podem fazer um filme para apresentarem para ou- 80 Programa A União Faz a Vida . Escolham juntos um dos personagens que foram representados e proponha recontarem sua história. Potências de aprendizagem: Estimular a comunicação. os passageiros também podem contribuir. atravessar uma ponte velha. sobre o que conversariam etc. é importante dividir o grupo em dois ou três subgrupos. procure adaptá-la à demanda de cada universo específico. História. sentados um atrás do outro. Inventando Histórias Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.construir um livro ou uma história em quadrinhos com as versões que criaram.

peça que a dupla suspenda seu caminhar e que o jogador de olhos fechados. proponha a continuação do exercício. num treino de autocontrole e de lealdade com os companheiros. Sugestões ao educador: Faça uma roda de conversa com as crianças antes de começar a atividade. Deixe-os fazer perguntas. Convide todos a entrarem no jogo e a ficarem descalços. de modo que somente as pontas dos seus dedos se toquem. Informações relevantes: Dependendo da temática que o educador escolher. Isso possibilita que o grupo experimente e problematize sentimentos e valores tais como: confiança. Seu companheiro deverá guiá-lo pelo espaço. Podem surgir temas em Ciências. aumentando a confiança e a sinergia. Educação Física (deslocamento. Potencial interdisciplinar: Ciências (corpo. corpo-espaço etc). Afaste as cadeiras e separe o material a ser utilizado pelas crianças no final da trajetória. Escolha algumas das histórias e contos de fadas que as crianças conhecem. Explique que terão por objetivo passar através das “portas”. Outra parte do grupo se posicionará no centro da sala. sinergias e concentração. evitando que ele se choque com as demais duplas. valores. o que exige delas capacidade de construir articulações. Proceda à inversão de papéis. impedindo que eles se choquem com os colegas ou saiam do espaço definido. Conte sobre todo o processo que irão percorrer. as crianças são mobilizadas a desenvolverem ações em conjunto. Inglês e Educação Física. ou seja. A parte restante dos jogadores deve se posicionar há alguns passos de distância desta fila. É importante que todos se apropriem da idéia. Forme duplas e informe que um indivíduo de cada dupla deverá ficar de olhos fechados. impedir a passagem de colegas. utilize de terminologia adequada. E tudo recomeça. Pode usar palavras e toques para dar as orientações. caminhando de olhos fechados. Este é um momento propício para o educador trabalhar algumas das narrativas trabalhadas por ele em outros momentos. Peça que abra os olhos.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS tras pessoas. Depois disso. Incentive o grupo a utilizar a maior área possível do espaço disponível. Em outro momento. cooperação etc. Esses jogadores devem permanecer de olhos fechados. agachar-se e correr juntos. Matemática. ao outro. Para que se alcance o objetivo proposto. sem abrí-los. ação coletiva. Dependendo da faixa etária. podendo até dizer que farão uma brincadeira. Durante a experimentação. Temas abordados: Expressão corporal. Organize o grupo de tal forma que uma parte dele acompanhe a movimentação dos jogadores. o uso dos espaços e a relação entre corpo-espaço-tempo. solicite que abaixem os braços. Deixe rolar a conversa sobre a experiência que acabaram de viver. ficando atentos à passagem de pessoas entre eles. Certifique-se de que todos entenderam bem as regras e saliente a importância de vencer a tentação de abrir os olhos. Comente a atividade. Dê um tempo para que as duplas combinem estratégias e quem começa com os olhos fechados. precisarão visualizar o espaço com a mente. sensorialidade). Coloque o fundo musical. Conte sobre a trajetória que irão fazer. noções de deslocamento. Potencial de aprendizagem: Este percurso permite explorar e expandir a atenção e os saberes em relação a si mesmo. devem levantar o braço para “fechar as portas”. Por que não escolherem juntos a melhor maneira de apresentar a história? Descrição: Explicite que. Após algum tempo. incentive os jogadores a variarem seus movimentos: andar em círculos. Explique que quando sentirem que alguém se aproxima. mesmo que de forma superficial. solidariedade. 81 Coleção de Educação Cooperativa . Janelas da alma Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Documentário: ‘Janelas da alma’. visualize sua localização espacial. lealdade. as matérias correlatas podem aumentar. Convide todos a participar da arrumação do espaço. lado a lado. mesmo de olhos fechados. posicionando os braços lateralmente.

A discussão sobre o filme e a vivência da atividade poderá potencializar muito as reflexões e discussões elaboradas pelo grupo. o diretor alemão Win Wenders. Termine o jogo e comente a atividade. Potências Interdisciplinares: História. Pergunte quem já se conhece. Meu nome. Descrição: Proponha uma roda de conversa de tal forma que todos possam se ver. Língua Portuguesa. que fechem os olhos. Ela possibilita às crianças um melhor conhecimento de si e do outro. quem estuda na mesma escola e se sabem o nome de todos. formação de grupo. orientando os jogadores que estão fora para entrarem no jogo e aos que já jogaram que assistam e amparem os demais. Sugestões ao educador: Uma idéia que pode incrementar esta atividade é assistir com o grupo o documentário “Janelas da Alma” – que pode ser proposto antes ou depois da realização da atividade. 82 Programa A União Faz a Vida . cartolina. preferências etc. propor. falar. Propomos que as atividades apresentadas a seguir sejam feitas na roda de conversa. o vereador mineiro Arnaldo Godoy. Proponha que digam o nome e uma coisa que gostariam de fazer na escola. como vêem o outro e como se relacionam com o mundo. relações interpessoais. Diga que você também quer colaborar para que todos se conheçam e que trouxe algumas sugestões de jogos com nomes. – aspectos que. Dê início ao jogo e permaneça atento a toda movimentação. O trabalho se baseia nos depoimentos sobre como elas se vêem. Artes. o neurologista Oliver Sachs e o fotógrafo franco-esloveno Evgen Bavcar. tintas. que vão tentar passar pelas portas e aos que vão impedí-los. Recomende às “portas” que só levantem seus braços quando tiverem certeza que há alguém querendo passar. No final. tesouras. opinar. de borracha ou material similar). Premiado como Melhor Documentário e Melhor Documentário Brasileiro na 25ª Mostra BR de Cinema. Não perca a oportunidade de fazê-los refletir. permitem contruir aos poucos a identidade do grupo. Reinicie o jogo. Nome e expectativa. tomar decisões. Diga a todos que o desafio é “escutar” com o corpo todo. elas irão tecendo a rede de relações do grupo. as que serão possíveis a médio ou longo prazo e alternativas possíveis às demais expectativas. Peça que os demais fiquem atentos. características. Quando algum jogador bater em uma porta fechada. que é completamente cego. Informações relevantes: Janelas da alma Título Original: Janelas da Alma Gênero: Documentário Origem/Ano: BRA/2001 Duração: 73 min Direção: Walter Carvalho / João Jardim Sinopse: Neste documentário de Walter Carvalho e João Jardim. nossos nomes Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Bolinhas (tipo bola de tênis. protegendo os colegas. de onde. O ponto de partida é a identidade de cada um: nome. argumentar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Peça aos jogadores. se trabalhados coletivamente. Discuta as sugestões e coloque-as em prática no decorrer da semana. negociar – indispensáveis à participação de forma mais qualificada na vida pública. após um tempo de experimentação. da miopia à cegueira total. Todas elas têm em comum algum grau de deficiência visual. Temas abordados: Identidade – individual e coletiva. 19 pessoas foram ouvidas para compor um panorama sobre a visão. Potências de aprendizagem: A atividade proposta poderá ser desenvolvida no início das atividades anuais. Considere que o trabalho em grupo permite o desenvolvimento progressivo de competências sociais – ouvir. Assim. pois o jogo irá começar. comente as expectativas: as que podem ser atendidas de imediato. papel. deverá ser reconduzido pelos colegas à linha de partida. Apresente as suas sugestões juntamente com as deles. Entre os entrevistados estão o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago. canetas coloridas. Pergunte se é importante chamar as pessoas pelo nome e que sugestões eles têm para decorar o nome dos colegas.

Inicie por você para ir ficando claro o que é uma qualidade.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Nome e qualidade. º. peça às crianças que joguem a bola para um colega e digam o próprio nome. Promova a troca de idéias. O nome é dividido em prenome (simples ou composto – comumente chamado de “nome”) e patronímico (nome de família – ou “sobrenome”). na medida em que os agrupamentos humanos foram se tornando cada vez maiores e mais complexos. fruto da personalidade e dignidade pessoal (art. º. A turma repete o nome e o gesto dito por cada participante. valorosa (fulano: alegre. peça que escrevam. peça que joguem a bolinha e digam o nome do colega para quem vão jogar a bola. comece pelo seu. organizando os turnos das falas para não haver ruídos e sobreposições. Ao final. peça que recortem em volta do nome. Em seguida. então. Além de se constituir como um direito. Combine um jeito de jogarem. Comente que a diversidade de qualidades. conhecer e respeitar outros pontos de vista. Numa segunda rodada. Dizer o nome de uma forma diferente: Convide a todos para dizer o nome de um jeito diferente. que joguem a bola para alguém que tenha alguma característica semelhante. oral ou escrita. ”Quais as que mais apareceram? E as mais raras? O que as qualidades mostram? E se a turma tivesse apontado uma só qualidade?” Retome algumas qualidades e pergunte se eles se lembram de quem as nomeou. 1. tem uma dimensão afetiva muito importante que precisa ser considerada. 83 Coleção de Educação Cooperativa . Monte cartelas com os nomes das crianças e faça um sorteio dos nomes. chame a atenção para a observação de cada um. Se notar acanhamento. Jogo das bolinhas: Numa roda. Estimule uma troca de idéias sobre essa questão. tantos modos diferentes de ser e sentir. Proponha que digam o nome seguido de uma qualidade que cada um aprecie em si mesmo. portanto. Nome e semelhanças: Proponha. por exemplo: “Vou jogar a bola para a Ana porque ela usa tênis vermelho como eu”. cuide do saber ouvir. Todas as crianças colam a sua figura-nome num cartaz e este fica exposto na sala de atividades. e art. sendo um misto de direito e de obrigação. Estimule a criatividade. deixando que expressem livremente suas idéias. como fizeram para se lembrar de quem já havia recebido a bola. O direito ao nome compreende as faculdades de usá-lo e defendê-lo. bem alto e rápido. de maneira que todos possam dizer o seu nome. cada um. III. fulana: esperta). o nome carrega sentidos singulares que dizem respeito à história de cada um. experimente propor um jogo de bingo com os nomes dos colegas. Cartaz de todos os nomes. Vá anotando as qualidades apresentadas pelo grupo. proponha uma roda e conduza uma conversa para que digam como se sentiram durante a atividade. quanto à participação e envolvimento nas atividades. Avalie com a turma o que aprenderam de mais importante com a atividade. É provável que o nome de família tenha surgido da necessidade de melhor particularizar as pessoas. acompanhado de um gesto: separando bem as sílabas e estendendo os braços. 5. Em uma folha de papel dobrado ao meio. qualidade entendida como uma coisa boa. Comente a atividade. Ao final. da forma como desejarem. Sugestões ao educador: Fique atento aos conhecimentos que estão envolvidos nas atividades. Incentive a auto-avaliação. é direito permanente de todo o cidadão. permita a expressão de idéias e sentimentos. ou como se sentiram quando a bola foi arremessada para um colega. sentimentos e opiniões. é o que dá riqueza e completude ao grupo e que caso o grupo tivesse uma só qualidade ficaria menos rico. colorindo as letras ou o fundo. Ao abrir. o seu nome em letra de forma. batendo com a mão no peito etc. Estimule os mais tímidos a se expressarem do seu jeito. X). Informações relevantes: Conforme estipula a Constituição Federal de 1988. comente as qualidades. Para os grupos em processo de alfabetização. inc. o nome. cada um verá que surgiu uma figura. expressão identificatória e distintiva das pessoas naturais. Cada um pode ilustrar a sua figura-nome. o diálogo.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

Novos desafios
para esportes conhecidos
Faixa etária indicada: 6 a 12
Materiais necessários para realização: 2 bolas de
futebol, uma bola de plástico grande e 4 traves.
Potências de aprendizagem: Esta atividade pautase pelo princípio da inclusão e cooperação: no jogo
de futebol de quatro gols, por exemplo, a idéia é que
ninguém fique de fora da quadra aguardando a vez
de jogar – o que só é possível aprendendo a partilhar
o espaço comum e combinando bem as regras.
É interessante experimentar estas atividades
esportivas quando a competição está muito
acirrada entre as crianças, pois permite trabalhar
a cooperação e o sentimento de grupo. No vôlei
cooperativo o mais importante é torcer para que a
bola não caia e o jogo possa continuar. Acaba-se,
assim, torcendo para que o outro time acerte, o que
é bom para todos. A competição também ocorre,
pois cada time pode contar o máximo de pontos
que conseguiu atingir; desta forma, trabalha-se
equilibradamente competição e cooperação. Neste
jogo é possível ganhar com o outro e valorizar com
quem jogamos e como jogamos, ao invés de ganhar
contra o outro.
Potências interdisciplinares: Educação Física.
Futebol: Divida o grupo em 4 equipes, proponha o
jogo e combine as regras.
Certifique-se de que todos compreenderam bem a
nova situação. Informe que duas equipes estarão
dispostas no sentido do comprimento do campo e
duas no sentido da largura. Assim serão necessárias
quatro traves: duas para a equipe que vai jogar no
sentido do comprimento, e duas para a equipe que
vai jogar no sentido da largura do campo.
Isso significa que estarão ocorrendo 2 jogos simultâneos, no mesmo espaço, mas em sentidos diferentes.
Saliente que é importante se organizarem de tal forma que um jogo ocorra sem atrapalhar o outro.
Reforce que é um desafio e motive-os a enfrentá-lo.
Dê um tempo para que se organizem e combinem as

regras. Dê início ao jogo. Programe paradas para que
os jogadores possam conversar sobre as estratégias e
revê-las se necessário.
Termine o jogo no tempo combinado.
Vôlei cooperativo: Divida os participantes em duas
equipes. Cada equipe deve se organizar formando
duplas. Se possível, distribua para cada uma delas
um “camisetão”, especialmente confeccionado para
esta atividade. Neste “camisetão” há lugar para duas
cabeças para vestir duas pessoas que passam a jogar
juntas: uma, utilizando somente uma mão direita e a
outra uma mão esquerda. Se não for possível, peça
que joguem de mãos dadas.
Verifique que este jogo exige uma bola bem maior e
mais leve que a convencional. Logo no início do jogo
alguns acertos precisam ser feitos na dupla: como
decidir, por exemplo, quem vai jogar com a mão esquerda e quem vai jogar com a direita; qual a equipe
que vai dar o saque inicial.
Explicite algumas regras: após o saque inicial, que
poderá ser feito de qualquer parte da quadra, a equipe que receber deverá dar dois passes para passar a
bola de volta. Em seguida a outra equipe dá três passes, aumentando assim sucessivamente o número de
passes. Se a bola cair no chão as equipes começam
novamente a contagem. Após um período, mude as
duplas de lado na quadra quando passarem a bola
ou simplesmente a composição das duplas. Ao final,
comente a atividade, incluindo qual foi a maior e a
menor marca e o que favoreceu os avanços.
Sugestões ao educador: Proponha ao grupo elaborar outras as regras desses jogos esportivos e de
outros que o grupo desejar. Esse é um exercício bacana de decisão coletiva – já que as regras têm que
ser discutidas, combinadas, aceitas e compreendidas
por todos para que o jogo possa acontecer.

Perdidos no espaço
Faixa etária indicada: 6 a 12 anos.
Materiais necessários para realização: Cartaz, cópias do quadro para cada participante, papel, canetas.
Potências de aprendizagem: Esta experiência per-

84
Programa A União Faz a Vida

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

mite explorar as competências necessárias para a conivência em grupo, exercitar a capacidade de produzir
argumentos, justificar escolhas, respeitar e assumir
decisões validadas coletivamente.
Potências interdisciplinares: Geografia, Biologia,
Química, Física, Matemática.
Temas abordados: Convivência em grupo.
Descrição: Explique ao grupo que irão vivenciar uma
“aventura no espaço”. Leia em voz alta a seguinte
história e as instruções:
Você faz parte da tripulação de uma nave espacial que
deveria se encontrar com a nave-mãe na superfície iluminada da Lua. Entretanto, devido a um defeito mecânico, sua nave foi obrigada a aterrissar em um ponto
distante cerca de 100 km do local do encontro. Durante a aterrissagem, a maior parte do equipamento
de bordo foi danificada. Uma vez que a sobrevivência
da tripulação depende da chegada até a nave-mãe,
vocês devem escolher os utensílios mais importantes
e necessários para a viagem de 100 Km. Os oito utensílios que ficaram intactos e não se estragaram com
a queda foram: comida concentrada, 20 metros de
corda de nylon, seda de pára-quedas, dois tanques de
oxigênio, mapa das estrelas, 5 galões de água, estojo
de primeiros socorros, rádio de freqüência modulada

(transmissor-receptor) com bateria solar. Sua tarefa
consiste em classificá-los por ordem de importância
para a tripulação alcançar o ponto de encontro.
Distribua o quadro abaixo para cada participante do
grupo. Oriente-os para que, na coluna EU, coloquem
o número 1 no utensílio mais importante, o número 2
no segundo mais importante e assim por diante até o
número 8 (o menos importante).
Em seguida, forme grupos com aproximadamente cinco crianças e/ou adolescentes e peça que preencham
o quadro novamente, na coluna NÓS. Diga que o importante nesse momento é que prevaleça a opinião do
grupo. Terão 15 minutos para decidir sobre a melhor
classificação dos utensílios. Após ouvir as escolhas e
justificativas de todos, o grupo decide qual classificação dos utensílios é mais adequada para a sobrevivência na lua. Preenchem, então, a coluna NÓS com o
produto dessa discussão.
Depois, cada grupo deve preencher a coluna NASA
copiando do cartaz mostrado por você, e comparar a
coluna NÓS com a coluna NASA e marcando 1 ponto
na coluna “Coincidência” para cada pontuação do
grupo igual à da NASA.
Por fim, somam-se os pontos e escreve-se resultado
na linha total.

(Adaptado de Almeida, 1998)

Item

EU

NÓS

NASA

Coincidência
NASA = NÓS

Comida concentrada
20 m corda de nylon
Seda de pára-quedas
2 tanques de oxigênio
Mapa das estrelas
5 galões de água
Estojo de primeiros socorros
Transmissor-receptor FM
com bateria solar
Total

85
Coleção de Educação Cooperativa

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

Sugestões ao educador: Pergunte se gostaram do
jogo, se foi difícil e o que puderam pensar a partir

Classificação da NASA (Agência Espacial Americana)

da atividade e dos resultados.

1. oxigênio

Note que, nesta atividade, basicamente duas situa-

2. água

ções podem ocorrer. A mais provável é que a classifi-

3. comida

cação feita pelo grupo se aproxime mais da “ideal”.

4. mapa das estrelas

Quanto maior a interação entre as pessoas e a ca-

5. rádio

pacidade de ouvir e considerar a opinião de todos,

6. estojo de primeiros socorros

possivelmente, melhor será o resultado do trabalho

7. seda de pára-quedas

em grupo. No entanto, pode ocorrer de uma crian-

8. fio de nylon

ça argumentar que sua pontuação individual era
melhor que a do grupo (“eu sozinho tinha acertado
sua opinião não tenha prevalecido. Conduza a dis-

Projetos: um desejo que
se deseja junto

cussão para que percebam duas idéias importantes

Faixa etária indicada: 6 a 12 anos

acerca da convivência em grupo. É preciso, em gru-

Materiais necessários para realização: Bolas e traves de futebol, papel, caneta e outros recursos, a depender do projeto desenvolvido pelo grupo.

tudo”). Pergunte o que ocorreu no grupo, para que

po, ouvir e discutir a opinião de cada um; quando
a decisão não é realmente coletiva, a melhor idéia
pode não prevalecer. Por outro lado, em determinadas situações, a pessoa deixa de defender suas
convicções por medo de não ser aceita pelo grupo,
ocasião em que pode ser levada a fazer coisas das
quais discorda. Diga para levarem essas idéias para
reflexão, anotando isso em suas agendas individuais
escrevam dois momentos, deste encontro, de que
gostaram e um de que não gostaram.
Informações relevantes: Explique que NASA é
uma Agência Espacial dos E.U.A. Pergunte se conseguem justificar a classificação da NASA (não há
oxigênio na Lua, água é mais importante que comida para a sobrevivência do ser humano, sem o mapa
das estrelas não é possível se localizar e chegar ao
local do encontro, o rádio permite tentar contato,
estojo de primeiros socorros ajuda no tratamento
de eventuais ferimentos, a seda serve para proteção
e o fio de náilon, para amarrar coisas, uma vez que
não há gravidade na Lua).

Potências de aprendizagem: Esta atividade oferece
oportunidades para que as crianças exercitem capacidades para projetar o futuro, planejando, modificando, intervindo e criando “realidades”. A premissa
básica desta atividade é apostar na potência que
existe nas crianças e na comunidade escolar. É importante problematizar com as crianças que, muitas
vezes, existem coisas que parecem impossíveis de
serem mudadas, pois “sempre” foram assim. Há
que se atentar para a nossa parcela de responsabilidade pelo estado das coisas, pela historicidade
de determinadas situações. Não somos os únicos,
mas também somos responsáveis por aquilo que fazemos do mundo e de nós mesmos. Esta atividade
propõe, por meio da elaboração e execução de um
projeto coletivo, o exercício de liberdade, autonomia e compromisso comum para modificar e criar
realidades, assim como, para encontrar potências
de transformação nas coisas mais corriqueiras.
Potências interdisciplinares: Língua Portuguesa,
Matemática, Educação Física entre outras disciplinas a
depender do projeto desenvolvido pelo grupo.

86
Programa A União Faz a Vida

por que mudariam. Nesse caso ele terá que ser apresentado para a comunidade escolar. a superarem as dificuldades reiterando sempre que necessário a responsabilidade de todos pelos compromissos assumidos com o grupo. planejamento. etc. problematize as propostas. a que mais contemple seus desejos e seus interesses para elaboração de um pequeno projeto na escola. criar? • Por quê? • Com quem teremos que conversar para conseguir realizar o projeto? • Em quanto tempo? • Quais atividades teremos que fazer? • De que recursos vamos precisar? Depois de tudo no papel podemos montar o Plano de trabalho do grupo: numa folha bem grande. via elaboração de um pequeno projeto. Descrição: Vamos começar aquecendo o grupo com um jogo de futebol diferente. Discuta com o grupo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Temas abordados: Projeto coletivo. Pode ser que o projeto atinja outros atores da escola: alunos. participação e co-responsabilidade. em instâncias decisórias coletivas: conselhos. Esse é um importante exercício de participação que não tem tempo nem idade. Por fim. de criatividade e de ação das crianças. O grupo pode escolher uma das propostas. 87 Coleção de Educação Cooperativa . Uma história viva! Faixa etária indicada: 6 a 12 anos Materiais necessários para realização: Livros ou cópias de textos. escolher uma ou duas propostas de mudança e apresentar para o grupo montando um cartaz ‘desejos de mudança para a nossa escola”. Problematize com as crianças o que elas gostariam de mudar na escola e quais efeitos estas mudanças produziram para a escola. e qual o efeito que elas podem produzir na vida da gente. Se os educandos resistirem. uma de “costas” para a outra. O importante é ouvir o que o grupo tem a dizer. portanto. Tem que colocar tudo no papel. Muitas vezes. observando a pertinência. comente que é um desafio que pode ser vencido com criatividade na escolha das estratégias. Ao final. Peça que levantem pequenas mudanças que são possíveis: móveis. que idéias têm para realizar essa mudança. reuniões. Inicialmente. para as equipes planejarem e avaliarem suas estratégias. receitas de comidas. O importante são as experiências de planejamento. talvez. educadores. comente a atividade e o que eles gostariam de mudar em suas vidas. A ação do educador é fundamental para que esse processo dê certo. educadores etc. por mais tradicional que ele seja. Como montar um pequeno projeto? Escolhida a proposta de mudança é necessário organizar o trabalho. criação. Há que se apostar no projeto. disponha as traves no centro da quadra. grêmios etc. etc. é uma invenção humana.em nosso caso modificar significa também criar algo novo. as justificativas apresentadas e as possibilidades de efetivar alguns desejos das crianças e adolescentes. “Eles podem trabalhar em grupo. passível de ser mudado ou reinventado. (com as metas invertidas. A proposta é que as crianças modifiquem o modo de funcionar do jogo de futebol . O grupo pode sugerir um ou dois escribas: • O que queremos mudar. lista-se as atividades. A seguir. no meio e no final do jogo. quais serão os responsáveis por elas e o prazo que tem para realizá-las. ou seja. incentivando os indivíduos do grupo a serem protagonistas das ações. consideramos uma idéia inviável desconsiderando a potência de imaginação. em suas casas. participação. com as metas viradas para o fundo da quadra). para as crianças. pode-se comunicar os resultados do projeto para toda a comunidade escolar. que poderá ficar disposta na parede. O jogo. divida o grupo em duas equipes e estabelecendo tempos técnicos no início. o que mudariam. na instituição. mesmo que isso pareça “maluco” ou difícil. o corte do cabelo.

Irrompe a tempestade! O sol luta para continuar no céu. O vento se acalma. criar um texto especial para esta vivência ou criar uma história com a participação das crianças. Enfatize que todos podem experimentar diferentes papéis e “lugares” na vida: ora somos expectadores. . 88 Programa A União Faz a Vida .VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Potência de aprendizagem: Além de trabalhar a imaginação. “Lá embaixo a terra está seca. Na medida em que você narra.. portanto. “lugar onde se vai para ver”.. O vento começa a trazer nuvens carregadas de chuva. de compromisso e cooperação entre os vários grupos. Em outro momento. filmes. também. o palco é qualquer local no qual ocorre uma apresentação cênica. repita a experiência alternando as funções: quem foi platéia desta vez experimentará ser ator e vice-versa. Ele surgiu na Grécia Antiga. circo. Explicite que os participantes de cada categoria devem agir em conjunto e interagir com os grupos das demais categorias. vento e terra. forçando a chuva a diminuir. Um raio aparece. Incentive.. Privilegie o contato permanente com bons livros. . Agregue à atividade de improvisação teatral a produção de narrativas/ histórias pelas crianças (que tal um trabalho conjunto com a área de Língua Portuguesa?) para serem encenadas ou sugira a encenação de um texto que tenha sido significativo para as crianças – potencializando as ações de leitura e produção de texto do grupo. os desejos e o ritmo das crianças. mas cuidado com comparações e tons de obrigação. O importante é respeitar as escolhas. músicas. ” Terminada a narrativa. Ou seja.A chuva aumenta mais. dança. Temas abordados: Artes cênicas. se a ênfase for a improvisação. Utilize a mesma narrativa para que os participantes percebam que é possível aprender com a experiência do outro.). a terra se aquece. Você poderá. de expressar-se corporalmente.. os componentes da categoria “sol” expressam com o corpo o que ouvem. cortando o céu e furando a terra! Começa de mansinho a chover. chuva. Potência interdisciplinar: Literatura. Descrição: Separe os educandos em dois grupos: platéia e atores.. teatro e visita a exposições etc. a capacidade de improvisar com rapidez. Comece a narrar uma história. Neste percurso o importante é investir nas capacidades inventivas e imaginativas das crianças além de explorar as possibilidades de expressão e comunicação corporais. Assim podemos dizer também que este palco pode ser improvisado. Artes cênicas: São todas aquelas que se desenvolvem num palco ou local de representação para um público. Muitas vezes. improvisação. Sugestões ao educador: Fique atento às singularidades do grupo – algumas crianças podem se apresentar mais disponíveis para vivenciar experiências como estas. as nuvens estão tranqüilas. Entretanto o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente a audiência.C. Organize os “atores” em categorias: sol. ópera. ora somos atores. ressecada de tanto sol. estas apresentações das artes cênicas podem ocorrer em praças e ruas. A palavra “teatro” define tanto o prédio onde podem se apresentar várias manifestações artísticas quanto uma determinada forma de Arte.. todos são igualmente importantes e necessários no processo de criação coletiva. Língua Portuguesa. Cada categoria deve ser composta de no mínimo três e no máximo seis participantes. complemento real e imaginário que acontece no local de representação. O importante é destacar que independente do lugar que ocupemos nas diferentes cenas da vida. O vocábulo grego Théatron estabelece o lugar físico do espectador. deve ser alimentada e aprimorada.. nuvem. As nuvens começam a inchar de água. outras podem parecer mais tímidas. Promova o contato com a arte (espetáculos de dança. invertem-se os papéis. ou faça a narrativa de outra história. aquecendo e irradiando-se por tudo”. dê força. no século IV a. Tudo bem. mobilizando as demais categorias. esta atividade permite a criação coletiva valorizando as relações de troca. Informações relevantes: A linguagem deve ser compreendida como mediadora da convivência e ampliação do repertório cultural. Podemos destacar as seguintes classes: teatro. Continue a narrativa. variando as entonações de forma a dar vida e colorido à história: “O sol brilha muito forte.

que por isso. descoberta de soluções possíveis. é preciso saber com clareza qual a tarefa a ser cumprida e o que é necessário para realizá-la: o que se tem em mãos. 1 lápis. por isso. Caso perguntem ou peçam sua opinião. Discuta com eles a importância da cooperação para a resolução de problemas e. que contenha 3 cores diferentes. 89 Coleção de Educação Cooperativa . 1 régua.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Atividades recomendadas para crianças de 13 a 18 anos Construindo uma Bandeira Materiais necessários para realização: 3 envelopes. Não dê nenhuma outra dica. Sugestões ao educador: Esta atividade foi desenvolvida para todas as faixas etárias. o que foi mais fácil e a maior dificuldade encontrada. os alunos irão perceber que não possuem todos os materiais necessários para concluir a tarefa. No decorrer da mesma. é importante que os adolescentes possam vivenciar as dificuldades e construir. Assim que abrirem os envelopes. Solicite que façam a bandeira exatamente com as medidas e cores pedidas. sendo eles. um envelope com material a ser utilizado. percepção da dificuldade para cumprir a tarefa. por si mesmos. experimentações dessas alternativas e a escolha da solução final. procure adaptá-la à demanda de cada universo específico. diga que devem fazer como acharem melhor. 1 régua. Nesta trajetória. para tanto. 1 apontador. peça para que cada grupo mostre a bandeira que criou e diga o que representa. cada grupo. as possíveis soluções do problema. Temas abordados: Cooperação e Solidariedade. espera-se que eles se deparem com as dificuldades e lidem com elas da forma como puderem. é interessante que os alunos não saibam quais serão as dificuldades enfrentadas. Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Diga que eles terão 20 minutos para realizar a tarefa e que. assim sendo. Os 3 envelopes devem estar organizados da seguinte forma: 1º envelope: 1 folha de cartolina de cor azul. 5 clipes. assim. 1 apontador. O objetivo desta atividade é que cada grupo construa uma bandeira de 18 cm por 30 cm. sendo assim. 1 lápis. Por fim. os que os outros têm e como se negocia com eles para que todos possam realizar a sua própria tarefa. Peça que identifiquem situações do dia-a-dia que requerem cooperação. Peça para eles contarem quais foram os processos pelos quais os grupos passaram. 1 tubo de cola. 3 folhas de cartolinas de cores diferentes e 5 clipes. 1 tesoura. irão receber. O importante é encontrar o meio mais adequado à sua utilização. Terminada a tarefa. Descrição: Solicite que a classe se divida em 3 grupos. organize uma conversa e pergunte como foi fazer esta atividade. 3º envelope: 1 folha de cartolina amarela. incentivando-os. Caso parem a atividade. Diga para olhar em volta os outros grupos e assim por diante. que para isso. 1 tubo de cola. reflita com eles o quanto isso acontece com todos ao longo da vida e como poderíamos lidar com isso da melhor forma. pergunte a eles o que seria necessário para continuar. 3 lápis. terão que cooperar entre si para que todos possam chegar ao objetivo almejado. 1 tesoura. Para um melhor resultado desta trajetória. organização do grupo. é aconselhável que você ajude sem dizer diretamente como fazer. Potencialidades: Propiciar que o grupo perceba a importância da cooperação na resolução e superação de problemas. 2º envelope: 1 folha de cartolina verde. O educador deve se sentir livre para mudar termos e repensar a mesma da maneira que achar mais conveniente. 1 lápis. Disciplinas Correlatas: História e Geografia. Estimule-os a pensar em como poderiam realizar a tarefa. terão que trocar entre si os diferentes materiais. não dizer que cada envelope terá conteúdos diferentes e. Finalizado este processo.

dos homens e suas diferentes culturas e de seu universo próprio. colocando as mãos na cintura do mesmo. em formação circular. Cada um deverá colocar a ponta dos pés no calcanhar do colega a frente. tudo o que represente um grupo de pessoas e nos digam quem são. de olhos fechados. mesmo que estes estejam longe e. Todos deverão fazer isso ao mesmo tempo. percepção de si e do grupo. Todos deverão virar para o lado direito. Descrição: Forme uma roda e peça que todos os integrantes do grupo fiquem de mãos dadas. Assim que todos os adolescentes estiverem no centro peça. Materiais necessários para realização: Aparelho de som e cd de música animada. Promova um debate final para que todos comentem a atividade realizada. etc. todos juntos. peça para que cada um deles retome as mãos de seus parceiros de ciranda. da casa de cultura. como uma fila circular. Sugestões ao educador: Este jogo atinge bons resultados em grupos acima de 15 pessoas. O educador deverá dizer que. indique que todos deverão ir ao centro do espaço. em voz alta. Descrição: Peça ao grupo para ajudar a preparar o espaço: retirem mesas e cadeiras. A uma indicação do educador o grupo deve soltar as mãos e andar pelo espaço ao som de uma música alegre. Quando dizemos bandeira. Todos irão passar os braços uns por cima dos outros para alcançar os parceiros da roda inicial. pede-se a todos que coloquem a mão na cintura do colega a sua frente e. Pode ser a bandeira do clube. cada um virado para as costas do jovem à frente. uma coesão grupal deverá solicitar que todos soltem as mãos direitas e a levantem para o alto. Será preciso tentar várias vezes até que o grupo consiga alcançar o objetivo: sentar. Potencialidades: Apresentação dos indivíduos no grupo. Andar pelas ruas de sua cidade e de seu bairro pode se tornar um rico laboratório para se pensar a construção de identidades e suas bandeiras. posicionados para dentro do círculo. avise que não poderão sair do lugar em que se encontram. vagarosamente. para que todos possam sentar com tranqüilidade. após uma contagem até três. Deixe-os andar e. O grupo irá perceber que o equilíbrio conjunto impede que alguém caia no chão. vagarosamente. levantem-se todos juntos. Potencialidades: Promover a idéia de que cada um faz parte do grupo em plena igualdade. Quando todos tiverem dado as mãos diga que deverão formar o círculo novamente sem deixar as mãos se 90 Programa A União Faz a Vida . tudo que possa atrapalhar a atividade. deverá comunicar ao grupo. Sentar em Grupo Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Superação de problemas por meio da cooperação. Diga que todos deverão ficar em pé. Materiais necessários para realização: Nenhum. estamos nos referindo também a uma série de outros elementos que não uma bandeira em seu mastro. capacidade de se colocar no lugar do outro e construção da identidade grupal. tanto do lado direito como do esquerdo. ao final desta contagem. imediatamente. Em seguida. cada um deverá sentar. Equilíbrio e confiança no outro. no joelho do colega de trás. que deverá começar a ser tocada.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Informações relevantes: O educador pode usar esta trajetória para trabalhar questões como a identidade dos grupos sociais. Torce-torce Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Explique que cada adolescente deve decorar bem quem são as pessoas que estão ao seu lado. todos juntos ao mesmo tempo. Repete-se tudo só que agora. Quando o educador perceber que há equilíbrio. nos joelhos de quem estiver atrás. depois de um tempo. Finalmente. O educador deverá contar até três pausadamente e. Peça que eles cantem uma música de roda e que façam uma ciranda. se alguém sentir que vai perder o equilíbrio. mas sim. Devem-se distribuir as pessoas de acordo com peso e altura proporcionais. bem como. pede-se que façam o mesmo com a mão esquerda.

novelos de lã. Dona Rebeca trabalhou com o corpo setenta e nove anos de sua vida e. Nesse momento nossas certezas e convicções são colocadas em dúvida. Procure perceber a ansiedade. Temas abordados: Diferença. A Mulher Azul Faixa etária indicada: 13 a 18 anos Materiais necessários para realização: Cópias de texto “A Mulher Azul” para os participantes. Essa atividade tem como perspectiva pensar em encontros possíveis com o novo. todos azuis. Medo de que um neto qualquer entrasse no quarto reclamando pelo café e avistasse avó assim. No prazo de dez horas de vigília. rir. Renatinho notou a mudez da avó e des- 91 Coleção de Educação Cooperativa . com o diferente e no cuidado que devemos ter para não produzir preconceitos. desconfiada de tudo. Descrição: Proponha a leitura do texto “A Mulher Azul”. para aos poucos. As bolachas não pararam no estômago. Não existe a necessidade de que o grupo consiga desfazer o nó humano. contudo. para retomar após a realização da brincadeira. Muitas vezes o novo nos perturba. Mas recuou. como resposta. o neto mais novo. Viva e azul. Procure ressaltar que na resolução de um problema comum. com o estranho. caneta. Dona Rebeca tentou levantar-se. tendemos a produzir uma espécie de repulsa. sentia-se largada na vida igual a um paralelepípedo no meio da sala. gritar. principalmente quando essa experiência nova não se enquadra em nenhuma de nossas conhecidas referências. cordões de sapatos. num certo dia de dezembro. se acalmar na tonalidade mais carregada do azul. Ah. a tentativa de burlar as regras. Caso isso ocorra discuta com os participantes quais foram as possíveis causas do insucesso. tão velha. faça uma roda e conversem sobre os eventos vivenciados. dedais de costura. pelos ouvidos. os participantes terão que achar uma maneira coletiva de fazer isso. tão inútil. todos devem cooperar para alcançar os objetivos. Potencialidades: Esta experiência desafia o grupo a pensar e problematizar a postura no encontro com as diferenças. tão azul. Não dê mais nenhuma informação. Tudo o que comia batia no estômago e era devolvido aos jatos. Mas Dona Rebeca agachouse entre a cômoda e o leito. Todos continuaram dormindo e Dona Rebeca pensou que ia morrer. a aceitação frente às dificuldades. contar e se expressar como lhes for mais conveniente. inclusão. Então.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS soltarem. Resolveu se acalmar e comer umas bolachas que tinha no quarto. Mas não. e muitos objetos. acompanhou as transformações da pele cavernosa e amarelada que de início arrebentou na superfície placas avermelhadas. E em forma de objetos: chumaços de linha. papel. o desafio será esse. Deixe-os vivenciar o jogo e buscar as possibilidades de resolver os problemas. Deixe-os falar. de Jorge Miguel Marinho (adaptação livre). O coração ficou apertado com o choro da criança. Travou a porta. Dona Rebeca caminhou em direção à porta pronta para agarrar a pequena criatura. ela permaneceu viva. pela boca. arranhou a porta procurando o afago matinal. Trabalhe a frustração ou até mesmo o desafio de tentarem novamente em outra oportunidade. Renatinho. Ela sofria. se ao menos o seu velho fosse vivo para ampará-la com um dos braços e com o outro verificar a fechadura da porta. depois de passar pelas diversas cores e brilhos. amanheceu completamente azul. sem. a liderança dos participantes. solitária no penúltimo quarto do andar superior. pelas narinas. Faça o jogo pelo tempo que avaliar ser interessante. Sugestões ao educador: Procure destacar as características de cada adolescente na tentativa de resolução do problema. conseguir mover um músculo ou conquistar no esqueleto inerte um ruído que pudesse despertar a família. de exclusão. Depois de se esgotar este recurso. com o inusitado.

Manolo. de acordo com a história (sonoplastia). Mal olhava para a sogra. o filho. Todos ficaram pasmos. todos queriam saber sobre a avó azul e incomodavam as crianças com milhares de perguntas. azul. sempre pronta a ajudar. (original in Marinho. embolorada no fundo de um guarda-roupa. p. ou eles abandonavam a casa. que ficava recolhida com sua desgraça. e até mesmo com o esquecimento do netinho que fora proibido de visitá-la. um dos participantes pode ficar encarregado de fazer um som de fundo ou de incluir algum tipo de som. isto não. movido só por afeto.7-17) Após a leitura e esclarecimento de dúvidas. Aos poucos a família começou a irritar-se com aquela situação. Ela estava azul e viva. Todos os dias a mulher do filho entrava no quarto pela manhã. Numa bolsa antiga. poro por poro. E Dona Rebeca foi trancada no seu quadrado azul. quando “saiu para a vida totalmente azul”? Sugestões ao educador: Discuta com o grupo como se configura uma radionovela. Então. Ou a mãe mantinha Dona Rebeca trancada no quarto. perguntar como estava passando a Dona Azul. maldosamente. Dona Rebeca saiu para a vida. Deu dez passos em direção à mãe e tentou levantá-la. Organize a turma em grupos de quatro pessoas e peça que preparem um diálogo entre personagens do texto para uma apresentação no formato de rádio-novela. A primeira decisão a que chegaram foi chamar o prontosocorro. deixe-os trocar opiniões e críticas. pensou em guardar a avó na sua caixa de brinquedos. os canais de televisão. A família saiu do quarto: sentaram-se na sala e resolveram naquele dia nem trabalhar nem estudar. Nos grupos. a gozação de pessoas que nem conheciam. discuta os diferentes caminhos dos grupos e as problemáticas presentes no conto. Apertou-o tanto na palma envelhecida que quase apagou o nome e o número da rua devido ao azul de sua mão. Era impossível agüentar aqueles risinhos. Não podia continuar ali. Mal passaram alguns dias. Manolo visitava Dona Rebeca quase todas as noites e dizia: Calma. presente em todos os momentos. É importante combinarem previamente os diálogos. e começava a recolher horrorizada de nojo os objetos que cobriam o chão. os vizinhos batiam à porta para. Bateram. sua diferença em relação às telenovelas. Feitas as apresentações. com certeza o mais difícil. Você pode realizar ou propor que os adolescentes elaborem uma pesquisa sobre a história do rádio. Arrombaram a porta e invadiram o azul. Todos lembraram a boa pessoa que era Dona Rebeca. Na escola. os netos e a mulher do filho sentiam ao vê-la toda azul? Por que impediam Dona Rebeca de sair de casa e por que impediam as visitas? Como ela reagiu à situação? O que você pensou durante a leitura do texto? Como se sentiu quando Dona Rebeca foi ficando azul. Retrocederam. com um narrador. Teriam que responder perguntas e logo em seguida a casa seria infestada de gente curiosa. sem encontrar coragem para expor a face aos seus. sua importância como meio de comunicação e seu papel 92 Programa A União Faz a Vida . por fim. 1985. um dia. quais são seus elementos principais.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ceu. Dona Rebeca acostumou-se com a solidão. Totalmente azul. Manolo foi obrigado a ser filho. que durante meses lamentaram sua ausência. mamãe! É só o tempo do azul passar. mas prisioneira da sua natureza azulada. Mas Dona Rebeca sabia que o azul nunca ia passar e que ela ficaria. com a sujeira e com os objetos que Dona Rebeca punha para fora sempre que comia. imaginaram o pior. com um cesto de palha na mão. Resolveram deixá-la em casa. E queria sair. Abriu a janela para olhar o mundo e acabou vista pelos vizinhos. um endereço. Netos e netas revoltaram-se. gritaram. tomou coragem e saiu. foi isolada? E. E Dona Rebeca arriada num canto. resolveu arrombar a porta. Em seguida os outros subiram. Renatinho. ela achou uma senha. Algumas perguntas podem orientar o debate: Como Dona Rebeca se sentia? O que os filhos. Recuou tendo a camisa branca salpicada de pintas azuis.

O grupo que concebeu a cena deverá dizer o que pensou sobre a interferência dos outros grupos e. as etapas que compõe a atividade. fios e barbantes. com ênfase. 93 Coleção de Educação Cooperativa . com movimentos. pais. o que mudou daquilo que tinham pensado originalmente. passa-se a montagem. isso é necessário para que o jogo funcione. Materiais necessários para realização: Um pedaço de papelão. O grupo 2 entra na cena e. isopor ou madeirite que servirá como base da maquete. algodão. papéis de diferentes cores e tamanhos. Colagem Coletiva Faixa etária indicada: 13 a 18 anos.amigos. internet. Divida o grupo em 3 subgrupos com número iguais de componentes. Todos os membros do grupo deverão participar da dramatização. sucata. como se fosse uma foto da cena. Explique quantas vezes achar convenientes. Potencialidades: Este jogo possibilita que os adolescentes possam perceber a si mesmos e o grupo. Este processo será realizado pelos 3 subgrupos. Uma vez que todos os subgrupos estejam prontos. diga que farão uma dramatização e.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS nos dias de hoje (em livros. Cada grupo ficará responsável por uma etapa. apenas uma cena dentre todas criadas. o grupo 3 assume a cena e seus personagens e a desenvolve com movimentos e falas. Além de propiciar a criação de mecanismos de comunicação entre os pares e promoção de identidade e coesão grupal. tesoura. de forma estática. que também apresenta como cenário a complexidade das relações humanas. a cena com movimento e a cena com movimentos e falas. que uma vez fora do jogo. No final da apresentação de cada cena. cortiça. Informações relevantes: Você pode propor uma leitura dramática do texto. revistas. caixas de diferentes tamanhos. cada membro do grupo assume um personagem da cena e desenvolve-na de forma dinâmica. Cenas do Cotidiano Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. tampinha de garrafa. mas diga. meio e fim. cola. o adolescente não poderá entrar. colocar-se no lugar do outro. ou seja. Estimule que todos falem sobre o jogo e as experiências deco­ rridas dele. entrevistando familiares . atuar ou montar a mesma cena. a cada etapa o roteiro da cena será alterado. isopor. fita adesiva. para isso. durex. pois isso atrapalharia o andamento da atividade. Descrição: Prepare o grupo para o jogo.avós. Deixe que os grupos criem variadas formas de narrar. botões etc. conversem sobre o processo. o número de personagens deverá ser igual ao número de integrantes dos subgrupos. bem como. Cada um dos 3 grupos terá que escolher uma cena de sua história. Coloque uma música de fundo para ajudar o processo de descontração do grupo. Sugestões ao educador: Converse com o grupo antes de iniciarem o jogo. sobre as dificuldades e as facilidades encontradas pelos grupos. Depois de um tempo. sobre as mudanças ocorridas na narrativa. tios etc . Materiais necessários para realização: Papel sulfite e canetas. potes vazios. Todos eles terão que passar pelas 3 etapas: a cena estática. Cada um deles deverá escrever uma história que contenha elementos do cotidiano dos próprios adolescentes e que tenha início. o grupo terá que ser dividido em 3 subgrupos. ou seja. com suas histórias finalizadas. mas ainda sem fala. Faz-se um sorteio para definir a ordem de apresentação. ou seja. A mesma cena será realizada dessas 3 formas distintas. Peça que cada um dos 3 grupos crie um nome ou símbolo que o distingua dos demais. que será estipulado pelo educador. O grupo 1 começa montando uma cena de sua história. pessoas da escola e antigos moradores da comunidade). É extremamente importante que todos possam conversar sobre a experiência vivenciada. Garanta que o debate pós-atividade ocorra. Caso alguém não queira participar não o force. não há movimentos ou falas. Não existe uma pré-definição de desenvolvimento da cena.

Geografia. Deverão ser exploradas as opiniões dos adolescentes. na elaboração de uma maquete. interagem e enxergam o entorno do qual fazem parte.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Potencialidades: Apresentação dos indivíduos no grupo. só precisa haver consenso dentro do grupo. materialmente. O educador deverá deixar o grupo se organizar. Esta atividade poderá ser amplamente trabalhada pelo educador em diversas disciplinas (História. como por exemplo. imagens. Depois de levantadas todas as opiniões do grupo e sistematizadas no quadro. elaboração coletiva de regras. suas organizações. Assim como. Para que percebam a importância de sua participação. vivência no trabalho em equipe. É importante que o educador sistematize esse conjunto de informações. o objetivo da atividade. sensações. discutir. Faça uma lista no quadro de todos os estabelecimentos mencionados. seu comércio. construída coletivamente pelos membros do grupo e. Cabe ao educador conduzir esta primeira etapa. o olhar dos adolescentes e suas impressões sobre o bairro em que a instituição está localizada ou ainda. em linhas gerais. sua conformação física. Dessa forma. o educador começa a atividade levantando questões sobre o espaço em questão. Incentive-os a discutir soluções possíveis para os problemas apresentados. Assim sendo. Sugestões ao educador: O educador poderá escolher um recorte mais específico para se trabalhar. não deve interferir apenas observar. Materiais necessários para realização: Não há. com tudo aquilo que gostariam que tivesse na comunidade. creche.”. sindicato. o grupo todo deverá construir uma maquete. Potencialidades: Proporciona a apresentação grupal. Seria algo em torno de: “Baseando-se em todos esses elementos que vocês levantaram. percepções e desejos dos adolescentes em relação ao espaço público da sua comunidade. Política. Entendemos como entorno tudo aquilo que compõe a comunidade da qual esses adolescentes estão inseridos. as maneiras como os adolescentes apreendem. Pergunte se nela existe posto de saúde. percepção de si e do grupo. sua história e finalmente. solidariedade e respeito às diferenças. Descrição: Comece a atividade fazendo uma discussão sobre a comunidade onde vive cada um. o que vale é a existência desta listagem de elementos disponíveis durante todo o processo da segunda etapa. capacidade de se colocar no lugar do outro e construção da identidade grupal. suas instituições. biblioteca. escrevendo no quadro ou em uma grande cartolina. organizar um debate sobre a experiência vivida pelo grupo. entre outras). seus valores e práticas. Depois de tudo finalizado. sensações. resolver e construir a maquete individualmente. Construção de uma Sociedade Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. de forma que possam surgir questões. que represente esse espaço/ paisagem/território discutido. Consiste. O educador deverá apresentar os diferentes materiais selecionados e dizer. desejos e propostas comuns e/ou antagônicas aos adolescentes. imagens. delegacia. mas sim. em linhas gerais. sintam-se livres para construir esta maquete da forma como vocês acharem melhor. distantes um dos outros. impressões. que expresse. centro de juventude. as pessoas. valores. centro comunitário. reúna os adolescentes em um espaço amplo. e não somente os dados estatísticos sobre determinado espaço. não importa se os adolescentes moram em bairros diferentes. de forma que todos possam trabalhar juntos sobre a base para confeccionar a maquete. você pode ir guiando a discussão com perguntas como: Alguém já participou ou participa de um movimento social ou de algum tipo de associação? Que tipos de organizações existem em sua comunidade? Você pode ajudar de alguma forma? Também podem optar por montar uma maquete representando um bairro ideal. igreja. Usem os materiais disponíveis e outros que quiserem. O jogo consiste em trabalhar com idéias. as maneiras distintas de se enxergar estes espaços. 94 Programa A União Faz a Vida . a própria instituição.

Descrição: Este jogo é uma dramatização e. propicia que os adolescentes possam se colocar no lugar do outro e a criarem uma identidade grupal. comerciante. Sugerimos que cada educador possa olhar para o grupo trabalhado e perceba quais os temas relevantes que surgiram no processo do jogo e crie formas de explorar tais temas. motorista. Crie um momento de debate ao final da dramatização. Na primeira. Cabe. Começa o jogo. o educador poderá avaliar o movimento de percepção entre os diferentes indivíduos do grupo. Materiais necessários para realização: Papel e caneta. Quando o educador achar conveniente. Será um momento de aquecimento e de possível descontração para os adolescentes. precisa de alguns detalhes definidos desde o seu início: o grupo escolhe de forma coletiva um local ou cena onde se passará o jogo. todo o resto será composto por vítimas. assim. Logo após. policial. fazendo uma entrevista com cada um dos participantes. Potencialidades: Proporciona a apresentação grupal. O educador tem neste jogo uma importante ferramenta para avaliar e estimular o nível de comunicação e integração grupal. O assassino deverá matar os outros adolescentes por 95 Coleção de Educação Cooperativa . detetive e assassino. todos escolhem um personagem e o educador. exponha suas criações sem medo e explore diferentes formas de se comunicar com os outros. cada adolescente deverá escolher um papel/personagem que faça parte da sua comunidade. deverá solicitar aos adolescentes que.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS a percepção de si mesmo e do outro. Perceba a demanda do grupo. usar de criatividade. Explore e crie desdobramentos relevantes. um casamento. O jogo termina quando o educador achar que já existe material suficiente para a discussão e possíveis trabalhos posteriores ou. Jogo do Detetive Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. propicia que os adolescentes possam se colocar no lugar do outro e a criarem uma identidade grupal. Trabalha a percepção e a descrição dos participantes. não espere e. No jogo existe apenas 1 assassino e 1 detetive. muito menos. todos conhecerão os personagens uns dos outros. interagindo na situação escolhida. Deixe que a dramatização se construa de forma natural. Favorece e cria canais de construção de personagens e papéis e. deverá explorá-los. neste momento. por exemplo: uma festa. Descrição: O grupo trabalhará em duas frentes: uma individual e outra coletiva. cobre que haja um roteiro pré-definido ou lógica entre as relações estabelecidas pelos diferentes personagens. todos os adolescentes circulando pelo espaço da cena. quando o próprio grupo apontar um desgaste. Esse momento deve ser realizado em grupo. Sugestões ao educador: O educador poderá criar inúmeros desdobramentos a partir deste jogo. O educador recolhe todos os papéis e os distribui entre todos os membros do grupo. portanto. os diferentes personagens irão interagir em uma dramatização. etc. Na segunda. a percepção de si mesmo e do outro. disto. Em um primeiro momento o educador deverá estimular os adolescentes a criarem seus personagens. com isso. Os adolescentes deverão retirar de sua realidade papéis que achem relevantes. um funeral etc. como por exemplo: médico. sendo que cada um deverá atuar no papel escolhido. construam uma cena que se passe em uma cidade imaginária. de forma coletiva. para acontecer. além de conseguir utilizar as possíveis conexões entre os diferentes campos do saber e. Permita que o grupo crie livremente. todos poderão identificar sua criação para o grupo. Recortem pequenos pedaços de papel e façam as seguintes inscrições: vítimas. promover outras relações de ensino-aprendizagem. assim. Esse jogo é imensamente rico para se trabalhar os valores morais. O educador deverá fazer uma entrevista com cada adolescente afim de que seus personagens possam ser devidamente apropriados por seus criadores. sociais e culturais do grupo.

Para finalizar a atividade. Sugestões ao educador: Após o desenvolvimento da atividade. deve continuar circulando e depois de um tempo. Temas abordados: Solidariedade. Materiais necessários para realização: Papel e canetas. Relações democráticas. Quando descobrir. morrer. considerando a cena escolhida para a dramatização. Advogado x Cliente. Patrão x Empregado. Sugestões ao educador: Organizar o espaço coletivamente. Seu objetivo é eliminar o maior número de personagens sem ser descoberto. a solução coletiva de problemas. Potencialidades: Valorização das diferentes características dos adolescentes do grupo. deve dar um leve toque em seu ombro e este. Organize com o grupo a forma que as vítimas sairão de cena após morrer para não ocuparem o espaço de circulação do jogo. Distribua papéis dobrados já escritos. de modo que formem pares. Polícia x Ladrão. retirando tudo o que possa atrapalhar o andamento do jogo. Conforme a dramatização vai se desenvolvendo os jovens deverão procurar seus pares complementares. O Jogo do Náufrago Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Discutir a ética nas relações sociais. Materiais necessários para realização: Não necessita de material. Todos os adolescentes devem fazer isso ao mesmo tempo ocupando todo o espaço da sala. por sua vez. que será apresentada para o resto do grupo. Faça o jogo repetidamente. São muitas as possibilidades de discussões a propósito dos “jeitos” de se relacionar. procure discutir com os participantes como se deram as relações entre os personagens. para todos os integrantes do grupo. Através de mímica. Mãe x Filho. A vítima fica exposta a morrer. como por exemplo: Médico x Paciente. solidariedade e criatividade. esperando flagrar o assassino e desmascará-lo. percepção de si e do grupo. pois todos os membros do grupo deverão circular durante o jogo. Conte sobre a atividade que irão fazer e peça que ajudem a arrumar o espaço. solução de dilemas morais. cidadania e respeito à diversidade. O detetive fica de espreita. Juiz x Jogador de futebol. O jogo termina quando o assassino for descoberto. 96 Programa A União Faz a Vida .VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS meio de uma piscadela discreta. Potencialidades: Apresentação dos indivíduos no grupo. O educador deve tomar cuidado para que tenham papéis. Estimule-os a assumir seus personagens e desenvolver a cena escolhida anteriormente. proponha um debate sobre a experiência vivenciada. olhando nos olhos dos outros e esperando ser atingida pela piscadela do assassino. Coloque uma música de ambientação. Em um grupo de 20 pessoas. Ao se formarem. capacidade de se colocar no lugar do outro e construção da identidade grupal. Descrição: O educador deverá preparar o grupo antes da atividade. formando duplas. e que ninguém fique sem par. um papel social ou profissional e seu complementar. Jogo dos Papéis Complementares Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Será enriquecedor se o grupo puder criar várias cenas diferentes e. possam representar o detetive ou assassino. caindo no chão. quando isso acontecer. entre outros que o educador e o grupo definir. Educador x Educando. de submissão. de autoridade. pelo próprio educador. Distribua os papéis no grupo de forma aleatória. É importante discutir com o grupo possibilidades de relações pautadas pela ética e pela justiça. cada participante deverá dramatizar seu papel. retirar qualquer obstáculo do caminho. Explique as regras antes do início do jogo. as duplas deverão discutir e montar uma pequena cena. Ficará andando. bem como. de hierarquia entre tantas outras. deverá levantar a mão e indicar sua rendição. de coerção. é preciso que tenham 10 papéis profissionais e 10 complementares a eles. Pensem juntos como poderão organizar este movimento. o maior número de adolescentes.

Estimule-os a ir além da idade. Aliviados por estarem em terra firme e temerosos pela incerteza do futuro. Questões que podem ser desdobradas. Após horas de medo e fome. Às vezes. principalmente quando os desafios foram colocados. pernas e pescoço). pois ele tem uma função importante nas dramatizações. Como no filme Titanic. de repente. chegam finalmente a uma ilha deserta.” Estimule-os a participarem da atividade como se estivessem realmente vivenciando aquela situação. Você pode tocar uma música bem calma ou propor um alongamento suave (braços. São poucos os adultos a bordo. profissão. imagine que vocês estão. Colheu. Anote tudo que achar importante e use como guia para o debate. Agora que vocês conseguiram sair da ilha e estão saudáveis e salvos. inclusive com anotações no Álbum Trajetórias Cooperativas. Fique atento ao desenrolar do jogo. Ajude-os a entrarem no jogo e serem criativos. Igual àquela do filme Lagoa Azul. Passe para o grupo a seguinte comanda: “Agora. sinta o ritmo dos adolescentes e vá dando as orientações conforme a necessidade. a interferência do educador é fundamental para um melhor aproveitamento do jogo. Ninguém sabe o que pode acontecer. A grande pergunta é “o que fazer?”. sem a presença de nenhum adulto. Termine a dramatização quando perceber o esgotamento das discussões. Procure discutir como os adolescentes se comportaram durante a atividade e. “congele a cena” e proponha o seguinte desafio: “um dos garotos encontrou uma árvore com muitos frutos. se dêem conta de o quanto isso prejudicou o grupo de náufragos. juntamente com um grupo de garotos e garotas. diga que cada pessoa deverá criar um personagem e descrevê-lo detalhadamente ao grupo. viajando de navio em um cruzeiro de férias. Dê um tempo para continuarem a dra- matização a partir dessa situação. nome. Faça com que todos sentem no chão em círculo e falem sobre a experiência vivida. pedindo auxílio?” Dê mais um tempo para que o grupo continue a dramatização. quando isso acontecer.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Descrição: O educador deverá promover um relaxamento/aquecimento com o grupo. Outras perguntas que você pode fazer ao grupo: Quais as necessidades que vocês têm para sobreviver nesse lugar? Como vão se organizar para suprir essas necessidades? Que regras de convivência o grupo estabeleceria? A partir daí. Depois disso. onde duas crianças pequenas crescem sozinhas em uma ilha. pois quer ficar sozinho. Um grupo de 20 meninos e meninas (que são vocês) conseguem se acomodar em um dos botes e salvam-se. sexo. Vocês sentam-se à beira da praia e ficam alguns minutos em silêncio. Questões a serem abordadas: Houve trabalho coletivo? Dividiram tarefas? Como se deu a liderança no grupo? O educador deve garantir que essa conversa possa ser feita de maneira que. é importante que os adolescentes possam criar livremente essa dramatização. Estimule-os. sem saber o que os aguardava. o navio começa a naufragar e as pessoas procuram desenfreadamente os botes salva-vidas. Sugestões ao educador: Não deixe de fazer o relaxamento/aquecimento antes da atividade. faça-os pensar em características psíquicas. e a probabilidade de vocês serem encontrados rapidamente é muito pequena. Garanta que todos falem e se expressem livremente. Das experiências vividas: Quais delas você diria que foram importantes para a convivência em grupo e em sociedade? Por quê? Quais dificultaram a boa convivência? Por quê? Como vocês se organizaram? 97 Coleção de Educação Cooperativa . todos juntos. O que fazer quando ele aparece com fome e frio. comeu e resolveu não contar aos outros”. e tudo parece transcorrer na maior normalidade possível. Em outras ocasiões pode ocorrer o inverso e. Quando achar pertinente “congele a cena” novamente e proponha o seguinte desafio “Um dos garotos recusa-se a ajudar nas tarefas para a sobrevivência do grupo. Deixe que eles possam conduzir a cena a partir das indicações feitas. morais etc. Após um determinado tempo de desenvolvimento da atividade. um momento é muito rico em detalhes e deve ser vivenciado mais tempo do que o planejado inicialmente. As conversas finais com o grupo são importantes momentos de reflexão. isso faz parte do jogo e é fundamental para a sua síntese.

deverá construir uma imagem única com todas as características apresentadas anteriormente. A Liderança no Grupo Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. sociável. É preciso que exista um objetivo compartilhado. responsável. as demais duplas poderão experimentar as representações criadas. O líder participativo percebe que a sua função é facilitar as ações. dependendo do momento e da tarefa a ser cumprida. sincero. Algumas sugestões de atributos: seguro de si. O educador deverá garantir uma condução proveitosa desta etapa. Além de propiciar a criação de mecanismos de comunicação entre os pares e promoção de coesão grupal. compartilha seus conhecimentos com os outros. Por exemplo: se o grupo tiver 30 pessoas. acolhedor. registrálas na lousa ou papel. utilizando-se do próprio corpo para demonstrar o atributo escolhido. O educador deverá privilegiar os atributos trazidos pelo grupo. Após essa discussão. saber identificar a sabedoria e competência dos outros. participativo. o que aconteceu quando alguém infringiu alguma regra? Registre aqui as conclusões a que o grupo tiver chegado. desde que tenham boas oportunidades para isso. coletivamente. catalisador. Incentive-os a dar exemplos de homens e mulheres. em momentos de absoluta necessidade. a percepção de si mesmo e do outro. só deverá lançar mão dos seus.se ao máximo para que ele seja alcançado.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Escolheram líder? Criaram regras? Como? Na situação imaginada. divulgá-las. desde que a dupla criadora da representação em questão aprove. mas como uma função que várias pessoas podem ocupar dependendo da tarefa a ser executada. a capacidade de liderar deve ser entendida não como uma qualidade inerente a um indivíduo. podendo contribuir com sugestões para possíveis mudanças. corajoso. Por isso. os adolescentes deverão formar duplas. solidariedade e respeito às diferenças. organizar informações. otimista. Potencialidades: Proporciona a apresentação grupal. servir de referência para todos. serão necessários 15 atributos. e cada uma delas escolherá uma qualidade/atributo levantada e fará uma representação da mesma. O papel da liderança participativa está fundamentado na crença de que todas as pessoas podem desenvolver suas habilidades.não basta juntar algumas pessoas para se ter um grupo. Ao final de cada apresentação. Materiais necessários para realização: Papel e caneta. Materiais necessários para realização: Papel e canetas. elaboração coletiva de regras. o grupo. reconhecer potencialidades e mediar situações conflituosas. tanto da vida pública como de pessoas do seu universo de relacionamento. É essencial que o número de qualidades seja igual a metade do número de participantes. eficaz. disponível. Descrição: A atividade deverá ter início com um debate acerca das qualidades inerentes a um líder. que acreditam possuir tais características Sugestões ao educador: Liderança participativa . Potencialidades: Vivência no trabalho em equipe. inclusive a de liderança. empenhando. que todos tenham um sonho comum e se sintam co-responsáveis pelo alcance do objetivo que é de todos. Ao término desta rodada. propicia que os adolescentes possam se colocar no lugar do outro e a criarem uma identidade grupal. Nesse momento. 98 Programa A União Faz a Vida . Um gesto diz mais que mil palavras? Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. bem como ao seu entorno. Deve-se estimular o grupo a eleger o máximo de atributos que eles acreditam fazer parte de uma pessoa que exerça liderança para uma determinada atividade e. propondo questões e estimulando o grupo a se questio- nar. democrático. Cada dupla irá criar uma imagem. após todos terem apresentados suas imagens representadas. A liderança pode ser exercida por diferentes integrantes do grupo. o grupo irá definir o conceito e as qualidades de um verdadeiro líder.

pois isto valerá durante todo o processo. peça que o ajude a explicar. o grupo vai se descontraindo mais. do movimento. é importante que todos participem deste momento. para cada aviso que o representante da equipe quiser passar para o grupo. o vocabulário do grupo mais amplo e ágil. Lembre-se de que. pois as regras serão para todos. o título que este deverá representar por meio da mímica à sua turma. que seu próprio grupo consiga descobrir o título em questão. Diga você também o nome de seu ator ou atriz predileto/a. antes de começar o jogo. emoções e sensações. Conte que o jogo que farão a seguir foi inspirado em um jogo chamado Imagem e Ação. lembrando que algumas atitudes inconvenientes – palavrões. as interpretações melhoram. Por meio do gesto. pois quando um grupo não conseguir acertar durante o tempo previsto. Caso ninguém tenha ido fale sobre o universo teatral. por sua vez.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Temas abordados: Cooperação frente a problemas e objetivos comuns. Cada grupo deverá escrever nele alguns títulos de filmes e novelas. sem ser ouvido pelo restante do grupo adversário. Façam uma discussão prévia de todas as regras deste jogo. outro ainda para quando o verbo estiver no passado. enfim. Deixe-os decidirem por si mesmos. de forma coletiva. Peça que cada um diga o nome de um ator ou atriz de teatro. como todas as manifestações artísticas. das expressões fisionômicas e do corpo como um todo. representa e traduz idéias. uma de frente a outra. Pergunte se algum adolescente conhece ou já jogou antes. se alguns adolescen- 99 Coleção de Educação Cooperativa . que peça assistiu e o que acharam desta experiência. Quantos mais o grupo lembrar. verificando se são adequados. Acertadas as combinações. o de pedir silêncio. selecionado previamente. também é uma linguagem. por exemplo: um sinal para quando a palavra for parecida ou contrária. O teatro expõe muito a pessoa e. para quando a palavra estiver no plural. passa-se ao outro e assim sucessivamente. deverá fazer. Caso alguém do grupo conheça. É preciso que o representante tenha entendido qual o título que ouviu. assim. entregando a cada uma. as duas equipes ficam de pé. Leia separadamente os títulos de cada grupo. Peça-lhes que pensem e apresentem gestos ou expressões faciais e corporais que tenham significado conhecidos por todos. tudo o que será permitido ou não. Informações relevantes: O teatro. Um representante da equipe A vai até a equipe B. À medida que o grupo vai percebendo melhor as possibilidades do jogo. traduzir a mímica e acertar o título proposto. pensamentos. Cabe ao grupo. os grupos devem se reunir e combinar alguns códigos. gestos obscenos – só são válidas no palco. Combine algumas regras com o grupo. Sugestões ao educador: Com os adolescentes sentados em círculo no chão. se forem compatíveis com a situação que estiver sendo encenada. cinema ou televisão que admirem muito. o que não se adquire de uma hora para outra. para se fazer este tipo de jogo. Divida o grupo em duas equipes. cumplicidade e estabelecimento de vínculos. como o sinal de positivo. A seguir. pelos quais irão se comunicar. Controle o tempo. no momento adequado. folha de papel e lápis. Logo após. Pode ser interessante o educador começar a apresentar algum gesto. a mímica torna-se mais rica e rápida. é necessário certo grau de entrosamento no grupo. existente nas lojas de brinquedo. o adolescente coloca-se de frente para seu grupo (garanta que haja certa distância entre ele e o grupo) e terá três minutos para fazer a mímica. Descrição: Cada grupo escolhe um título de filme ou novela. não a beleza do/a artista. lembre-os de que o critério de escolha é seu bom desempenho como ator. e conta em segredo a um membro do grupo adversário. por meio de mímicas. o de dizer adeus etc. o de falar ao telefone. melhor. para cortar palavras. que lhe diz. portanto. É desejável que todos os adolescentes participem. pergunte se algum deles já foi ao teatro. este adolescente.

o jogador poderá dar somente um passo à frente. aviões que deverão voar entre um país e outro (isto é. Ajuda Humanitária De cada grupo. não há a obrigatoriedade de ser aquele construído por seu quarteto. papel sulfite ou similar. 164). Se forem transportados mais feijões o país pobre terá um estoque para algum tempo a mais. Materiais necessários para realização: Feijão (mais ou menos 100 unidades). uma pessoa deverá se posicionar ou no país rico (para colocar os feijões no avião) ou no país pobre (para retirar os feijões dos aviões que chegarem e colocar no potinho). das autoras Lena Aschenbach. não podem ser transportados pela mão. distribuição de renda entre os diferentes países e. por fim. giz de cera ou canetinhas. cada um dos grupos terá um avião.Histórias e Atividades Pedagógicas com Origami”. só podem planar).VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS tes se sentirem constrangidos ou não quiserem participar. Scipione. ninguém morrerá de fome no país pobre num breve espaço de tempo. um rico (representado por um pote cheio de feijões em um extremo da sala. Os feijões poderão ser presos aos aviões com a fita crepe. comunicação e estabelecimento de metas. • As pessoas que estiverem nos países (carregando ou descarregando os aviões) devem permanecer nessas funções até o final. até que naturalmente se sintam mais à vontade e entrem no jogo.dobradura retirada do livro “A Arte-magia das Dobraduras . organização. Os adolescentes deverão se dividir em grupos de no mínimo 4 integrantes. O país pobre se encontra em um território de guerra e passa fome. bem como. que deverá ser fabricado pelo próprio grupo. direitos humanos. ser transportada. pg. • Os jogadores podem pegar quaisquer aviões. Se o grupo decidir. Ivani Fazenda e Marisa Elias (Edit. Potencialidades: Desenvolver valores da cooperação e solidariedade. Até lá o grupo pode aproveitar esse tempo para sua organização e definição de papéis. em uma missão de ajuda para abastecer de comida um país fictício cujos habitantes passam fome. • Ao lançar o avião. Se for transportado um número mínimo de feijões (por exemplo. copinhos descartáveis de café. para um total de cinco aviões a quantia estabelecida pode ser de 40 feijões). divisão de tarefas. História e Sociologia. Descrição: O objetivo deste jogo é transportar feijões. haverá uma trégua na zona de conflito de apenas 5 minutos. Sugestões ao educador: Os aviões poderão ser construídos pelos jogadores a partir de suas experiências de infância ou tendo como referência um modelo determinado. porém. Os demais jogadores espalham-se pela sala e podem ir relançando os aviões que não conseguirem chegar aos destinos de uma vez. 100 Programa A União Faz a Vida . O transporte somente poderá ser feito durante essa a trégua que se inicia em 3 minutos após o término da explicação da missão. mais pessoas poderão exercer essas funções (uma de cada grupo no país rico ou no pobre é o mínimo exigido). não poderá se deslocar ou correr com o avião. O país rico disponibiliza comida para doação que precisa. divisão e acesso a bens de serviços. Todos os aviões e seus pilotos estão sendo convocados para uma missão de ajuda humanitária. Para o transporte. fita crepe. por exemplo: o Avião Pirueta . Disciplinas Correlatas: Geografia. Existem dois países. Temas abordados: Conjuntura internacional. Outras regras: • O avião também deverá voltar do país pobre ao rico para buscar mais feijões voando. a compreensão das esferas globais e locais. Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. não os force. somente poderão ser utilizados os • Para a missão. onde também se encontram os dois rolos de fita crepe) e outro pobre (um pote vazio no outro extremo). Geopolítica.

Potencialidades: Trabalhar a cooperação de forma lúdica. bem como. rio. bola. o participante em questão atira a bola para cima. de acordo com as estratégias definidas pelo grupo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Este é um jogo muito envolvente. Porém. No caso presente. disponibilizamos 101 Coleção de Educação Cooperativa . aqui chamaremos de palavrachave. sai correndo e tenta pegar a bola antes que esta caia. o jogador com a ficha da piranha. Dado o sinal do inicio do jogo. fichas com o nome dos componentes de um determinado ecossistema. Informações relevantes: Pano de fundo para discutir as duas Grandes Guerras. areia. bem como. estará a salvo da investida. carcará. possibilita aos adolescentes dispor de informações acerca dos diferentes ecossistemas. Podem-se usar diversos temas. este passa ao centro do círculo e repete o processo: joga a bola e chama outro elemento do ecossistema. por exemplo: “Sou o tracajá e a piranha vem me comer!”. e as pessoas se sentem vitoriosas ao seu final. capivara. tracajá. fichas de cartolinas. país rico fique completamente vazio (o país ficou sem comida). Se o jovem-piranha não acertar o colega. Outras palavras-chaves desse ecossistema e. tuiuiú. jacaretinga. será uma ótima oportunidade para refletir sobre Solidariedade x Devastação. Floresta Amazônica. localizado em Goiás. ecossistema. guerras civis etc. peixe. Disciplinas Correlatas: Biologia. onça. para cada participante do jogo. Faça com giz o limite circular sobre o qual o círculo dos adolescentes estará inserido. Manguezal. boto. os adolescentes poderão chamar os elementos relacionados a ele da maneira que quiser. é possível que. magari. o mais alto que conseguir e chama em voz alta um outro componente do ecossistema diretamente relacionado consigo. martim pescador. dirige-se ao centro da roda com a bola. Questões sobre soberania. sugerimos que os adolescentes possam pesquisar sobre o ecossistema em questão. Materiais necessários para realização: Espaço amplo. ao término do jogo o potinho. o jogador poderá escolher qualquer outro adolescente e. ele mesmo volta ao centro e recomeça o jogo. pressupõe-se. Ciências e Geografia. piranha. tentará jogar a bola nele. conforme apresentado. Ótica individualista x Ótica global. escolhido ou sorteado. lagarto-teiú etc. correndo pelo espaço até chegar à delimitação maior. Para um melhor aproveitamento do jogo. pomacea (caracol). Se conseguir pegar a bola. Organizar os participantes em um círculo. Em seguida. intervenções de grandes potências. dentro de uma área circular maior pré-delimitada. direitos humanos. Pantanal etc. o “Rio Araguaia”. ampliar o repertório dos adolescentes acerca do tema em questão: natureza. que serão transcritas nas fichas: sol. É excelente para unir os participantes em torno de um objetivo comum. Sugestões ao educador: Este jogo necessita de espaço demarcado. Descrição: Distribui-se. Temas abordados: Interdependência e cooperação entre as partes de um mesmo ecossistema e educação ambiental. que por sua vez tentará se esquivar. pirarucu. como por exemplo: Mata Atlântica. Ao jogar a bola para cima. Costão Rochoso. Se isto acontecer. A forma apresentada é um exemplo. onde ali. Assim. genocídios. tartaruga. Esta mesma estrutura pode ser utilizada para trabalhar outras disciplinas que o educador e os educandos julgarem relevantes. sucuri. Um dos adolescentes. que todos irão se apropriar melhor dos elementos e entender suas inter-relações. Este jogo. as relações de interdependência entre os seres vivos que neles habitam. chuva. Se o jovem-piranha conseguir acertar o outro colega com a bola. Alerta Ecológico Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Cerrado. Informações relevantes: Abaixo. cabe ao grupo definir aquela que achar mais adequada. inter-relação entre os seres. determinamos para fim de exemplificar.

Explique a atividade para todos e tire as possíveis dúvidas. solidariedade e cooperação. Potencialidades: Desenvolver a inteligência lógicomatemática. as entradas de energia e matéria são representadas pela energia solar. um maciço florestal como a Floresta Amazônica ou a Mata Atlântica. Assim. Materiais necessários para realização: Não há. que transformam de novo matéria orgânica em inorgânica. Alguns autores distinguem ainda: • microecossistemas: por exemplo. consumo e decomposição da matéria viva. compostos úmidos. um tronco de árvore caído ou de uma árvore morta.” “Um ecossistema completo compreende as substâncias orgânicas e inorgânicas do meio. que o educador possa pesquisar mais sobre o tema. o segundo 2. gás carbônico. os ecossistemas podem ser agrupados em terrestres e aquáticos. estragaremos também essas preciosas moradas se começarmos a manipulálas sem o suficiente conhecimento. às variações do meio ambiente e às variações bruscas na densidade de suas populações. um lago. e pela presença. substâncias orgânicas arrastadas pelas águas etc. no entanto. O grupo. os organismos produtores (autotróficos). Descrição: Esta atividade será realizada pelo grupo todo. Sugerimos. capazes de sintetizar matéria orgânica a partir do meio orgânico. • sistema de comunicação entre os organismos vivos. os elementos minerais e atmosféricos e a água. raciocínio. oxigênio. e também interações como: • adaptação dos organismos ao meio em que vivem. ao menos dentro de certos limites. os organismos consumidores (heterotróficos). um estuário. inclusive junto com os aprendizes. Kazue Matsushima. da mesma forma que comprometemos todas as coisas nas quais mexemos. Nesses ambientes específicos é que ocorrem os processos de distribuição. uma laguna. em forma circular. 1987 Buzz e Fizz Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Temas abordados: Lógica. Estão dotados de mecanismos auto-reguladores e são capazes de resistir. sentados no chão ou em cadeiras. Cada elemento de um ecossistema tem um papel importante no funcionamento equilibrado de manutenção e desenvolvimento da vida e do meio. a cooperação e o trabalho em equipe.“ Diferentes tipos de Ecossistemas “Em princípio. contará em voz alta. o primeiro jovem dirá 1.” “O ecossistema é um sistema aberto e relativamente estável no tempo. sem o pleno conhecimento de seus mecanismos. um manguezal. • macroecosistemas: um oceano.” FONTE: Livro . o terceiro 3 e assim sucessivamente.” “A maior parte dos ecossistemas formou-se através de um longo processo de adaptação entre as espécies e o meio ambiente. como preferirem. interação das comunidades existentes entre si e com o ambiente físico.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS algumas informações sobre ecossistemas. caracterizadas pelo intercâmbio cíclico de matéria e de energia. Peça para os adolescentes sentarem em círculo. uma bacia hidrográfica. os decompositores. A cada numero múltiplo de 7 102 Programa A União Faz a Vida . Podese elaborar um projeto consistente de pesquisa com o grupo. Disciplinas Correlatas: Matemática.Guia do Professor de 1º e 2º graus. “Os ecossistemas podem ser definidos como unidades funcionais auto-suficientes. antes ou depois do jogo. a inteligência interpessoal. • mesoecossistemas: um bosque. as perdas ou saídas ocorrem sob forma de calor.Educação Ambiental . ou ignorando os seus mecanismos. e perfeita.

BUZZ. Temas abordados: Estratégias e acúmulo de conhecimento através da experiência. 15. 14. 21. que simboliza a explosão e a pessoa que “sofreu” a explosão deverá voltar para junto do grupo e oportunamente tentar novamente a travessia. só que agora para todos os algarismos que contenham 5 ou sejam múltiplo do mesmo. 12. O jogo deverá ser desenvolvido durante o tempo que o educador achar conveniente. 10. Quando a pessoa que está na travessia pisar em uma mina soará o apito. que pode ser 100. 8. o grupo não poderá falar. e o 103 Coleção de Educação Cooperativa . 25. 5. Geografia e Geopolítica. Sugestões ao educador: O educador deverá indicar que o sucesso da atividade depende do grupo. Descrição: O educador conduz o grupo para o local onde o chão foi antecipadamente demarcado com fita crepe. Terão então. 200 ou 300. Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. intercalando as palavras BUZZ a cada número de algarismos proibidos. Sugestões de material de apoio: Ribenboim. podendo. que contenha este algarismo. Vale a mesma regra. 2. necessitando da ajuda dos outros integrantes do grupo. coletivamente. Este jogo permite também vivenciar a diferença entre conhecer a saída do campo estando do lado de fora. use esse jogo para trabalhar diversos números e suas possíveis relações. O sucesso do grupo depende do sucesso de cada pessoa. Informações relevantes: Pode-se usar esta atividade como ferramenta de discussão nos seguintes casos: • Números naturais • Números primos • Múltiplos de números naturais • Divisores de números naturais • Entre outros que o educador achar relevante. 6. BUZZ. o educador deverá propor que façam a mesma coisa com os múltiplos de 5. O grupo somente alcançará o outro lado do campo minado caso aprenda com as próprias experiências. quarenta minutos para efetuar a travessia de todos os integrantes. O jogo ficará mais dinâmico. como por exemplo: 7. Fala-se FIZZ para cada um desses números. 200 ou qualquer outro. Campo Minado O objetivo deste jogo é que os adolescentes possam contar. Potencialidades: Desenvolver o trabalho em equipe.  O educador deverá dar as seguintes explicações aos adolescentes: “Vocês deverão atravessar este campo minado. Quando os adolescentes estiverem familiarizados com a dinâmica do jogo. e se estas experiências foram acumuladas. fará uso da palavra BUZZ. 2001. 9 10. Todos os membros do grupo são convidados a ficar após uma linha que marca o início do campo minado. Publicação IMPA. É permitindo andar uma célula de cada vez e sempre para uma célula adjacente.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ou. 35 etc. As relações sociais devem ser respeitosas e solidárias. entretanto. como por exemplo: contar até 100. Será imprescindível que o educador garanta isso. o adolescente não poderá dizê-lo. variar as metas e criar novos desafios. a seqüência numérica. mas sim. Crie variações sobre o mesmo tema. pois os adolescentes terão que contar intercalando as palavras BUZZ e FIZZ a cada um dos números correspondentes. o jogo se desenrolará da seguinte forma: 1. incorporadas e transmitidas para os integrantes do grupo no momento apropriado. Dessa forma. O grupo terá cinco minutos para conversar entre si e elaborar a estratégia a ser adotada durante o processo. no caso 7 ou múltiplos. emitir sons. São eles: 5. a comunicação e a habilidade de planejar. podendo este. 3. sem errar a contagem. 4. Materiais necessários para realização: fita crepe. Números Primos: Mistérios e Recordes. A proposta pode ser estabelecer metas. 30. contarão até que o grupo chegue ao número estabelecido como meta. 11.” Durante o jogo. Paulo. 17. folha contendo o mapa do campo minado e apito. 13. Disciplinas Correlatas: História. e como a situação parece mudar completamente quando se está atravessando o campo. 20. uma pessoa de cada vez.

a partir do centro. mas o educador poderá criar diferentes caminhos. buscar os pontos cardeais espalhados pelo espaço. fazer com que o grupo busque a orientação espacial como referência para encontrar os pontos cardeais. o Leste e o Oeste que apontam para o lado do nascer e do por do Sol. são pontos e significam pontos principais ou pontos de referência. reúne-se o grupo no centro novamente e o educador tomará o cuidado de mudar todo mundo de posição. B2. coloque uma música de fundo. A cada ponto encontrado o grupo deverá gritar o nome do ponto em que está. Explique sobre o funcionamento do jogo expondo as regras do mesmo. lixas. Sul. Após o reconhecimento. conflitos étnicos e civis. depende do apoio que cada um receber do grupo. Temas abordados: Os pontos cardeais. da comunicação verbal e do toque. 2 5 O caminho correto neste exemplo é dado pelas células: A1. tecido emborrachado e cartolina. 4 Ao término da atividade. C4 e B5. como o próprio nome diz. Potencialidades: Através da cooperação. Informações relevantes: Um exemplo de caminho pode ser visto na tabela abaixo. Em seguida pedir para que se dispersem e façam o reconhecimento visual e táctil do local. História e Astronomia. Passado esse tempo. onde já estarão disponibilizados os 4 pontos cardeais (Norte. B3. Descrição: Em um local espaçoso dispor o grupo em círculo no centro do espaço. Durante o ano. retirar as vendas e conversar sobre o vivenciado. CUIDADO. Converse com os adolescentes antes de iniciar a atividade. origem e utilização dos pontos cardeais. Informações relevantes: Os pontos cardeais. são eles: o Norte e o Sul que apontam na direção dos pólos terrestre. vendas para os olhos. Peça que todos observem o local a sua volta em todos os detalhes sem sair Sugestões ao educador: Trabalhem juntos na preparação do espaço e na confecção dos pontos cardeais. o Leste e o Oeste não apontam sempre para o ponto onde o Sol nasce ou se põe e sim para o lado do nascente ou lado do poente. Interdisciplinaridades: Geografia. o 104 Programa A União Faz a Vida . o educador deverá indicar que os adolescentes poderão se juntar em grupos ou. Cole no chão. Leste. fitas adesivas indicando a direção de cada ponto. Oeste) feitos com letras recortadas nos materiais descritos acima. Será pedido para que eles circulem pelo ambiente sem se preocupar em encontrar os pontos durante 1 a 2 minutos. sozinhos. O educador poderá fazer uma introdução aos adolescentes. É interessante que os adolescentes possam participar deste processo. Jogo da Bússola Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. A B C D 1 da formação circular. juntar todos os integrantes. contando sobre a função. Através deles é possível localizar qualquer lugar sobre a superfície da Terra. espuma. cruzando a linha Norte-Sul. 3 Ao iniciar a atividade. o grupo será vendado. Sugestões ao educador: Este jogo pode ser usado como pano de fundo para as discussões sobre as Grandes Guerras.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS sucesso de cada pessoa. Materiais necessários para realização: Fitas adesivas coloridas. Pode-se utilizar de estímulo sonoro.

Peça ao grupo para determinar algumas estratégias a fim de alcançar o objetivo do jogo em uma terceira rodada. normalmente. pedir que as pessoas contem quantas assinaturas cada um conseguiu. propor uma conversa entre todos para avaliar o que aconteceu. Entendemos que. Fazer este processo – rodada e conversa – até o momento que avaliar necessário. Materiais necessários para realização: Canetas. trabalhar os padrões de comportamento existentes no jogo: cooperação. de um lado para outro. No caso de dúvidas. O material está no centro da sala. a sensibilização e percepção de comportamentos usuais. Geografia. Ao final do tempo. em algum momento. ao final dela. o grupo perceberá que. comece a marcar o tempo. Este tema poderá ser amplamente discutido na disciplina de história. pois não é possível encontrar corretamente os pontos cardeais observando o Sol quando estamos num barco ou navio balançando em alto mar. Sugestões ao educador: Mobilizar todos os adolescentes do grupo a arrumar a sala coletivamente. Aguarde o grupo sinalizar que está pronto para marcar o tempo. Quando todos estiverem prontos. entre outras que o educador achar relevante. Na verdade. relógio e folhas de papel. Jogo dos Autógrafos Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Não é só o Sol que trás informações sobre orientação. uma nova conversa. O resultado. Normalmente. no tempo de 1 minuto. levante com o grupo quais foram os fatores que facilitaram o jogo. ocorre a seguinte situação: todos saem correndo. retroceder até os chineses e árabes do século XII. nos orienta corretamente. Propor uma segunda rodada e. em uma folha de papel. História. Temas abordados: competição. Não vale autógrafos repetidos. mudanças de paradigmas. observando sem interferir. 105 Coleção de Educação Cooperativa . cada um com sua folha. Dependendo da época do ano. Educação Física. Descrição: Depois do espaço arrumado. porém. é bem menor do que o número de participantes. à noite. competição e omissão. conseguirá atingir o objetivo do jogo. principalmente quando forem trabalhar as grandes navegações do século XV/XVI. O educador poderá. ainda. quando estiverem prontos me avisem”. os navegadores preferem orientar-se por meio das estrelas. nas seguintes disciplinas: Sociologia. Por isso. repita as instruções já dadas da mesma forma e deixe o resto para o grupo decidir. as estrelas também nos ajudam a determinar os pontos cardeais com certa precisão e. A forma como estarão posicionadas as mesas e cadeiras ficará a critério do grupo. Pesquise previamente e conte aos adolescentes sobre a bússola e as rosas dos ventos. cooperação. a diferença entre o nascente (ponto onde o Sol nasceu) e o Leste verdadeiro é grande.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Sol nasce em pontos diferentes do lado do nascente e se põe em pontos diferentes do poente. não podemos dizer que o Sol nasce sempre a Leste e se põe sempre a Oeste. Após este momento. Potencialidades: Trabalha a cooperação. todos tentando coletar autógrafos uns dos outros. faça uma comparação entre a primeira rodada e a segunda. Abaixo. segue um exemplo da rosa dos ventos: Disciplinas Correlatas: Este jogo pode ser trabalhado como pano de fundo de diversos temas. Pode-se. o educador deverá deixar as folhas de papéis no centro e dar a seguinte instruções: “O objetivo deste jogo é conseguir o maior número de autógrafos possíveis. conscientização. se utilizarem uma única folha de papel.

Alguns grupos não conseguem chegar a esta conclusão e. O problema é que não é possível entrar no lago. quando utilizaram uma folha coletivamente. Paciência para aceitar os erros e limitações pessoais dos companheiros. Disciplinas Correlatas: Geografia. Sugestões ao educador: O educador deverá conversar com o grupo antes do início da atividade. entre outros temas correlatos. Materiais necessários para realização: Bolas. uma conversa como grupo sobre a atividade. como se essa fosse a forma natural de lidarmos com os desafios apresentados. O jogo termina quando o grupo terminar de limpar o lago. aproximadamente uma para cada três jogadores. Temas abordados: Meio-ambiente. de 30 segundos a 1 minuto. competição ou cooperação. como tantos outros. principalmente no âmbito ambiental. embalagens de Tetrapak e fita adesiva. a questão ambiental ocupa um espaço de destaque tanto nas mídias. Este espaço é potencialmente rico para se discutir meio-ambiente. costuma-se usar. continuam utilizando várias folhas. para o grupo pensar na sua realidade e nos seus hábitos e como isso interfere no seu entorno. Utilize este espaço e proponha atividades. são todas formas possíveis de se agir. também. ao longo da vida. A contaminação está colocando em perigo a vida dos peixes. Compreensão dos problemas do meio ambiente e sua inter-relação com a nossa vida. no fim. potes de iogurte etc. deixar que todos cheguem a essa conclusão sozinhos. por isso o objetivo do grupo é limpar o lago. Deixe as instruções por escrito e visíveis durante todo o tempo do jogo para que assim. Potencialidades: Comunicação para encontrar uma estratégia coletiva orientada para a solução de um problema. quanto nas agendas dos principais países do mundo. por isso a limpeza se fará arremessando as bolas contra os objetivos que flutuam no lago para tratar levá-los até a margem. Material descartável variado: garrafas de plástico.      O educador reparte as bolas disponíveis e explica ao grupo que se encontra em volta do lago que foi contaminado pelos detritos que o ser humano jogou em seu interior. Respeito com as decisões dos outros. bacias de plástico. Para grupos entre 15 e 30 participantes. Descrição: Com a fita adesiva. educação ambiental. Dentro do círculo se colocam diferentes materiais descartáveis: latas. dos animais em perigo de extinção. condicionados a competir e acreditar que não temos outras escolhas. sua faixa etária e suas capacidades e habilidades. Trabalho em equipe para superar um desafio comum. conseguiu já na segunda rodada. Constatou-se. mas sim. normalmente. Informações relevantes: Atualmente. Omissão. Convoque a todos para que coletivamente arrumem o espaço. demarca-se um círculo no chão. Biologia e História. utilizar uma única folha de papel. dê mais ou menos tempo conforme o número de participantes. É possível criar uma ponte.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS O tempo de 1 minuto pode variar de acordo com o tamanho do grupo. consumo consciente. Promover. das queimadas. percebendo assim como alcançar o objetivo mais facilmente. ao fim desta experiência. cidadania e cooperação. cujo diâmetro dependerá do número de participantes. O problema do aquecimento global. latas. Cabe ao educador rever suas estratégias na condução das conversas. conseguiram obter todos os autógrafos em menos de 20 segundos. 106 Programa A União Faz a Vida . Limpar o Lago Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. O educador não deve induzir os adolescentes a usar apenas uma folha. passa a ser uma questão discutida nas escolas. Informações relevantes: Esta atividade propicia aos participantes a conscientização de como todos nós temos sido. foi observado que grupos com cerca de 30 pessoas. no tempo que for necessário. por que escolhemos umas em detrimento das outras? Esse jogo possibilita discutir tais questões a fundo. os adolescentes possam reler durante todo o processo. que uma variedade de grupos. Os participantes situam-se no exterior do círculo. Para se ter uma idéia.

Conte que as rimas aparecem principalmente nos finais dos versos e dão maior sonoridade ao poema. explique que todos farão o jogo das rimas. Informações relevantes: O educador poderá propor que o grupo se apresente. pode ser para a própria instituição. atribui-se as vozes a cada adolescente. Estrategicamente. com o tempo. uma única vez. para chamar a atenção dos ouvintes. por exemplo. o ritmo será percebido e a leitura afinada. pode-se propor que alguns trechos sejam lidos em duplas. entrar/cantar. esclareça. Disciplinas Correlatas: Português. Redação e Literatura. o educador lerá o poema em voz alta. Potencialidades: Trabalhar a cooperação. Depois de algum treino. Este jogo começa com o educador dizendo uma palavra e cada adolescente. em conjunto. conte que é uma forma de se declamar poemas em grupo. sempre de acordo com o número de participantes. como um livro de poemas. dedicação e paciência. Sugestões ao educador: Inicie a atividade conversando com os adolescentes sobre o jogral. Materiais necessários para realização: Aparelho de som. dividi-los entre todos e. da entonação correta aos versos. O educador deverá alimentá-los com palavras de incentivo. Temas abordados: Poesia e jogral. Descrição: Entregar uma folha para cada aluno com o poema selecionado. Descrição: Peça aos adolescentes que sentem-se em semicírculo. Depois. pode-se propor um trabalho de pesquisa e coleta de poemas. Potencialidades: Cooperação entre os adolescentes. Terminado este momento. Literatura e Redação. Pode-se colocar uma música de fundo. bem como. Se houver dúvidas. dentadura/fechadura. vale lembrar que esta será a referência de leitura que os adolescentes terão. Caso haja interesse por parte dos adolescentes. isso é esperado.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Poesia Falada Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. CDs de músicas. Temas abordados: Poesia. Depois do poema divido. todos se sentirão recompensados. Feito isso. cada jovem ficará responsável por falar o seu trecho específico. borracha e canetas. Esta atividade necessita de empenho. Disciplinas Correlatas: Português. No fim. cada qual lendo a sua parte. Sugerimos aqui “Tentação” de Carlos Queiroz Telles ou “Trem de Ferro” de Manuel Bandeira. As primeiras leituras serão mais confusas. principalmente quando o grupo estiver afinado na declamação do jogral. o respeito ao outro. para os pais e comunidade. Para a realização de um jogral. sensibilização e introdução à poesia. deve-se dividir um poema em versos ou bloco de versos. Cite alguns exemplos e peça que os adolescentes dêem outros. lápis. entonação e ritmo de cada verso do poema. Os adolescentes deverão ler algumas vezes sozinhos. pão/irmão. O educador deverá dividir o poema entre o número de participantes e pedir que cada um reflita sobre seu pedaço. respeito ao outro. se necessário. sorrir/pedir. procurando entender as pontuações. rapidamen- 107 Coleção de Educação Cooperativa . pela semelhança dos sons das palavras. o grupo conseguirá reconhecer a conquista realizada. Pergunte ao grupo se alguém sabe o que é rima em poesia. Pergunte se sabem o que é e. É interessante que nesta leitura haja um cuidado a respeito da expressividade. dá-se início à leitura coletiva. Exemplos: café/chulé. Estimule-os a dar exemplos. Rimas e Quadras Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. a criatividade e introdução à poesia. Materiais necessários para realização: Papel. Explique aos adolescentes que esta al- ternância de vozes é responsável pela expressividade sonora deste tipo de leitura. alguns versos são falados por todos. Caso haja mais adolescentes do que vozes previstas na divisão do poema. pois. como também. É importante que os adolescentes sejam estimulados a dar continuidade. a feitura de um material de apresentação.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

te, deverá dizer outra que rime com a inicial. Quando todos tiverem falado uma palavra que rime com a
primeira lançada, lance outra e assim sucessivamente.
Avise que não vale demorar na resposta, nem tampouco repetir uma já dita anteriormente.

Potencialidades: Cria condições para que os adolescentes possam, de forma coletiva, pensar e elaborar
soluções para problemas apresentados. Além de valorizar o respeito para com a opinião do outro e a comunicação verbal para a resolução dos conflitos.

Quando isso acontecer, jogue a bolinha para algum
adolescente, que ao recebê-la deverá dizer uma rima
rapidamente. O jogo volta da pessoa que havia errado, tentando dizer outra palavra e assim segue-se até
que a volta tenha sido dada e todos tenham falado
pelo menos uma vez.

Temas abordados: Meio ambiente, ética, direitos
humanos, entre vários outros temas que o educador
achar conveniente.

Vale apontar que aquele adolescente que recebeu a bolinha, deverá permanecer com ela e, assim que alguém
errar de novo, lançará a bola para outro jovem, à sua
escolha, para que este possa dar seqüência ao jogo.
Pode-se começar com palavras fáceis, como: abacaxi, quadrado, amor, vazio, safanão, tristeza, rapaz,
e vá acrescentando outras com terminações menos
comuns.
Proponha que o grupo possa tentar se superar a cada
nova rodada. A meta pode ser conseguir dar X números de voltas sem ninguém errar. O importante é
que não se crie um clima de competição e desrespeito,
assegure que um clima de cooperação e solidariedade
se estabeleça e se mantenha.
Sugestões ao educador: Crie desdobramentos para
esta atividade. Pode ser a produção coletiva de um
poema ou um mural com poemas produzidos pelos
adolescentes individualmente, ou ainda, divididos em
subgrupos. Explore este momento e sinta a demanda
do grupo, assim poderá ser criada uma série de outras
atividades correlacionadas à primeira.
Informações relevantes: Leve para o encontro uma
série de poemas de diversos poetas brasileiros. Leia
alguns em voz alta e proponha que os adolescentes
façam o mesmo. O grupo pode organizar um sarau
como atividade final.

Troca de Palavras
Faixa etária indicada: 13 a 18 anos.
Materiais necessários para realização: Tiras de papel e canetas.

Disciplinas Correlatas: História, Geografia, Sociologia, Ciências e Biologia.
Descrição: O educador precisa preparar previamente
algumas tiras de papel e escrever nelas algumas “palavras-problema” de caráter ético, ambiental, de direitos
humanos, entre outros. Por exemplo: desmatamento,
queimada, corrupção, quebra de decoro parlamentar,
tráfico de drogas, violência, fome, poluição, entre outros. Como contraponto, escreva também “palavrassolução” para cada problema criado. É interessante
que o educador crie soluções múltiplas para os diversos problemas, inclusive, se possível, que sirvam para
mais de um.
Para esta atividade é necessário dividir o grupo em
alguns subgrupos, cabendo ao educador decidir o
número mínimo de participantes. Distribua entre eles
todas as “palavras-problema”, dê mais de uma a cada
subgrupo. Faça o mesmo com as “palavras-solução”.
O objetivo é que cada grupo reflita sobre as “palavrasproblema” colocando-as em ordem de prioridade e de
que forma serão solucionadas. Para isso, precisarão
elaborar quais das “palavras-solução” serão melhor
utilizadas para cada caso. Dê um tempo para que os
adolescentes possam refletir e organizar as estratégias
para cada problema/solução. Estimule-os a apresentar
o resultado de seu trabalho para os outros subgrupos.
Seria muito interessante que houvesse diferentes maneiras de apresentação, como cartaz, dramatização,
desenho, gibi, revista, telejornal, etc.
Após todos terem apresentado, organize um debate
para que todos possam falar sobre o que pensaram sobre o seu trabalho e o dos outros. O interessante deste
momento é a possibilidade de se criar um momento de
troca, principalmente por que em alguns casos, uma
mesma solução servirá para diversos problemas.

108
Programa A União Faz a Vida

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

Depois, crie alguns problemas relacionados com o
universo do bairro, da cidade ou da instituição, para
que o grupo todo possa, de maneira coletiva, explorar
todas as soluções possíveis.
Sugestões ao educador: Converse com os adolescentes sobre a atividade que farão. Fale sobre alguns
temas de conjuntura, se possível, sobre algum referente ao universo dos adolescentes e de sua comunidade. Fale sobre a ação dos indivíduos com o meio
ambiente, consigo mesmos e com outros indivíduos.
Tenha em mente que todas as ações realizadas têm
como contrapartida uma reação. É importante que
todos se apropriem da idéia de que assumir as responsabilidades de suas ações. É um primeiro passo para a
solução dos problemas coletivos.
Explique o jogo e seu funcionamento. Quando for falar sobre a exposição dos processos elaborados, dê espaço para que os adolescentes possam criar diferentes
formas de se expressar. Garanta que isso fique bem
claro. Quanto mais formas e linguagens houver, mais
rico será este momento.
Informações relevantes: O ser humano, como qualquer outro ser vivo depende do ambiente, faz trocas
com seu meio, altera-o e está sujeito às conseqüências
dessas trocas que estabeleceu.
Dessa mesma forma, o homem estabelece relações
com os outros homens, no seio das sociedades da
qual faz parte. Existem, igualmente, repercussões e
conseqüências. Assistimos a isso cotidianamente nos
jornais, quando vemos casos de violência, golpes
fiscais, corrupção e desrespeitos múltiplos. Não são
eventos isolados, mas a sensação que permanece, invariavelmente, é que não há saída para nós homens.
Errado!
Se pararmos e pensarmos bem, veremos que, se educarmos nossas crianças e adolescentes e a nós mesmo,
de maneira a olharmos para o mundo, para os homens,
para o nosso planeta e, para cada um de nós, de uma
maneira nova, responsável, cooperativa e cuidadosa,
conseguiremos construir um novo paradigma que seja
capaz de fazer com que nós todos possamos agir pensando nas possíveis conseqüências de nossos atos.
Reflita bem sobre essas questões. Faça uma pesquisa

nos jornais e recorte algumas notícias, levem-nas para
o dia do jogo.
Material de apoio:
Filme: Ilha das Flores
Direção: Jorge Furtado. Brasil, 1989. 13 minutos.

A Cidade que Cresce
Faixa etária indicada: 13 a 18 anos
Materiais necessários para realização: Papel sulfite
e caneta.
Potencialidades: Proporcionar aos adolescentes uma
vivência de debate, diálogo, respeito e cooperação
para a elaboração de propostas que visem o bem comum da comunidade. Enfatiza a possibilidade de pensar e discutir temas de relevância para a vida cotidiana
de cada um.
Temas abordados: Meio ambiente, políticas públicas, interesses políticos e econômicos, ética, cidadania, entre outros.
Disciplinas Correlatas: História, Sociologia e Ciências.
Descrição: Trata-se de uma atividade de dramatização onde os adolescentes devem imaginar serem moradores de uma pequena cidade, cujos habitantes são
convocados a realizar um plebiscito sobre a instalação
de uma indústria no município.
Para seu processo de produção, a indústria requer
muita água, por isso, ela seria instalada às margens do
rio que corta a cidade. Ao mesmo tempo em que ela
traria empregos e investimentos para a cidade, temese pelo comprometimento da qualidade das águas do
rio que abastece a cidade. O prefeito da cidade tem
um laudo em suas mãos garantindo que a indústria
não é poluidora, mas também foi procurado por um
grupo de ambientalistas que alertam para os graves
problemas decorrentes da instalação da fábrica. A
cidade inteira está se mobilizando, existem grupos a
favor e grupos contra a sua instalação.
Organize sete grupos; cada um vai se colocar no lugar
dos seguintes atores sociais: representantes da indústria; vereadores a favor da instalação da indústria; ve-

109
Coleção de Educação Cooperativa

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS

readores contrários à instalação da indústria; ativistas
ambientais; líderes comunitários; radialistas da emissora local; população local (grupo mais numeroso).

nas escolas e nas comunidades. Muito provavelmente, porque os impactos ambientais, resultados da ação
humana têm afetado decisivamente a vida de todos.

Um dia antes do plebiscito (votação em que cada eleitor
só pode votar “sim” ou “não”) haverá um debate na
cidade. Os representantes da indústria vão apresentar
a proposta ao prefeito, na assembléia legislativa com
a presença dos vereadores, ambientalistas e líderes comunitários. Enquanto isso, nas ruas, dois radialistas entrevistam moradores que fazem perguntas destinadas
ao Prefeito, representantes da indústria e vereadores.

Hoje, falar de “meio ambiente” é falar do cuidado
com a vida em todas as suas formas e da responsabilidade de cada um (cidadãos, sociedade civil organizada, iniciativa privada e governamental) na construção
de um mundo melhor, que garanta a vida com dignidade.

Dê um tempo os grupos combinarem seus discursos.
Comece o debate e deixe por conta da criatividade
dos participantes. Prepare algumas questões e posicionamentos dos diferentes atores sociais envolvidos,
caso os adolescentes tenham dificuldade de formular
questões e elaborar discursos.
Sugestões ao educador: Procure introduzir os adolescentes nos diversos aspectos do problema apresentado nesta atividade. Neste caso, a possível instalação
de uma indústria em uma cidade de pequeno porte.
Discuta sobre a maneira como a sociedade se organiza em relação aos interesses econômicos e sociais.
Como seus representantes se comportam ao defendê-los, cada qual a sua maneira. Explique como isso
interfere na sociedade de um modo geral. Fale sobre
os diferentes grupos sociais e explique como eles podem, cooperando uns com os outros, transformar a
sociedade em que vivem.
Por fim, não esqueça de apontar como os interesses
existentes são, muitas vezes, contraditórios, mas que
por meio da cooperação esses interesses podem convergir para bem comum.
Tente criar um panorama que explique como isso tudo
funciona. Use as informações abaixo selecionadas
como apoio para este momento. Isso fará com que o
grupo, participe com mais autonomia e, possa ao final
desta experiência, se apropriar de todos os conteúdos
compartilhados.
Informações relevantes: A questão ambiental, que
até algum tempo atrás era tema de biólogos e ambientalistas, tem surgido com muita freqüência nos
editoriais dos jornais, revistas, televisão, até mesmo

Muitos dos problemas ambientais que afetam nossas
vidas no cotidiano resultam da falta de cuidado do poder público com as condições de vida da população,
da degradação, destruição e poluição causada pela
ação das grandes indústrias. No entanto, os cidadãos
têm responsabilidade na medida em que acham que
tudo tem que ser resolvido pelo governo. É importante que as pessoas saibam que também são responsáveis pelos problemas e que podem colaborar para
diminuí-los.
Como enfrentar então os problemas que nos afetam?
Em primeiro lugar, o acesso à informação possibilita uma mudança de comportamento frente aos problemas ambientais. Em segundo lugar, a educação
ambiental é o caminho mais seguro para motivar e
sensibilizar as pessoas para agirem individualmente e
participarem coletivamente na defesa da qualidade
de vida. A pouca responsabilidade das pessoas e das
comunidades na defesa do “meio ambiente” resulta,
principalmente, do desconhecimento dos principais
efeitos provocados pela destruição dos recursos naturais e da pouca experiência comunitária para resolução dos problemas locais.
Devemos estar atentos as seguintes questões que na
maioria das vezes nos passam despercebidas:
• É preciso nos perceber como “fazendo parte
do ambiente” e responsáveis por ele.
• Ao ocupar os ambientes, o ser humano sempre os transforma. Extraímos e utilizamos os
recursos naturais - solo, água, luz do sol, animais, vegetais, minerais, para produzirmos os
utensílios necessários a nossa sobrevivência.
No entanto, podemos fazer isso de maneira
consciente e responsável de maneira a não

110
Programa A União Faz a Vida

Trata-se de uma situação lúdica e desafiadora. papel limpo) para reutilizá-los ou encaminhá-los a locais apropriados para que sejam reutilizados ou reciclados. • A eliminação de resíduos sólidos e líquidos (lixo e esgoto) a céu aberto favorece a disseminação de doenças. Primeira parte do texto: Divisão justa? Leia esta interessante história. ou em ruas. das águas das nascentes. discuta com seu grupo as questões sugeridas. cooperação. as calçadas e carros. Potencialidades: Esta atividade permitirá discutir princípios éticos que orientam nossas ações em determinadas situações. ônibus e trens. História e Geografia. por meio da solução de um problema matemático envolvendo a divisão e a noção de fração. diminuindo o tempo de uso de chuveiros e torneiras elétricas. entope os bueiros e pode chegar aos rios. de Malba Tahan42. Descrição: Divida o grupo em trios. desligando as torneiras ao escovar dentes. ou mesmo materiais orgânicos pelas janelas de carros. com histórias desse personagem. Atitudes como jogar papéis. SP. pseudônimo do professor e escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza. • O lixo acumulado nas ruas é carregado pelas chuvas. Beremiz e seu companheiro de viagem encontraram um pobre viajante. • Evitar o desperdício de água nas ações cotidianas como no banho. Todos os seus companheiros tinham perecido e ele. É interessante que cada trio tenha uma folha do texto para acompanhar a leitura. tinha conseguido escapar Esta trajetória foi adaptada a partir da obra O Homem que Calculava. metal. apagando as luzes dos cômodos que não estiverem sendo ocupados. solidariedade e respeito ao outro. e também afetam a vida daqueles que se utilizam dessas águas. mares e a morte de animais e vegetais. aprender a escutar e argumentar em favor de um ponto de vista. Raciocínio e a lógica. que possibilitará ao adolescente entrar em contato com o pensamento do outro. • A reciclagem de resíduos sólidos é uma contribuição fundamental para a economia e. e no Rio de Janeiro) que ficou famoso pelos vários livros que escreveu. principalmente. contaminam as águas causando a morte dos seres que nelas vivem. • O lançamento de esgotos não tratados nos rios e nos mares. um professor de Matemática (viveu de 1895 a 1974. O livro O homem que calculava foi publicado pela primeira vez em 1946. milagrosamente. rios. É preciso separar os diferentes materiais do lixo (vidro. a contaminação do solo. em Queluz.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS agredir a saúde ambiental e humana. contaminando-os. Será feito o uso de uma versão do texto que não contém o final. escrito por Malba Tahan. Malba Tahan era o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza. Numa antiga aldeia nos arredores de Bagdá. • É preciso armazenar adequadamente o lixo. principalmente pelas indústrias. Este será apresentado ao grupo depois. evitando lavar o quintal. • O desmatamento sem o reflorestamento gera o empobrecimento do solo e a extinção de espécies animais e vegetais. 41 42 111 Coleção de Educação Cooperativa . plástico. Disciplinas Correlatas: Matemática. como parte da finalização da trajetória. interferem na estética da cidade e principalmente na nossa qualidade de vida. plásticos. Divisão Justa41 Faixa etária indicada: 13 a 18 anos Materiais necessários para realização: Papel sulfite. Temas abordados: Ética. É preciso promover a reciclagem de lixo industrial e o tratamento dos esgotos antes de serem lançados aos rios e mares. Economizando energia elétrica sempre que possível. Faça uma leitura coletiva do texto. do livro O homem que calculava. Depois. para melhoria da qualidade de vida de todos. Socorreram o infeliz e tomaram conhecimento de sua desgraça: era um bem-sucedido mercador de Bagdá que viajava numa caravana que tinha sido atacada por nômades do deserto. roto e ferido. córregos ou terrenos baldios. caneta e ficha com texto.

é claro. Para isso utilize as informações relevantes. comi 8. meu senhor. como os pães). Peça que discutam e respondam às questões propostas por este novo conteúdo apresentado. logo deu apenas 1. dei na realidade 7. A seguir. que tenha conseguido resolver o problema. que a divisão das 8 moedas. ó senhor. dei. tínhamos fome. eu tirava um pão da caixa em que estavam guardados e repartia-o em três pedaços. Fique atento para que todos tomem conhecimento do texto. se o meu companheiro deu 3 pães. mercador. dividiu-as em duas partes iguais. conforme provei. usando oito folhas de papel com um pão desenhado em cada uma (as folhas poderão ser rasgadas em três pedaços. ao cair da tarde. durante a viagem. Ao concluir sua narrativa. pela forma por mim proposta. Tente aproximá-los dos sentidos pelo contexto e. Assim fizeram. Esta divisão – retorquiu o calculista – de sete moedas para mim e uma para meu amigo. cabendo. selecionadas abaixo e/ou traga mais material por sua própria conta. Parte final do texto. um total de 24 pedaços. assim. para explicá-lo ao resto do grupo ou problematize a divisão de 8 pães entre 3 pessoas. Se perceber muita dificuldade. o mercador reconheceu que era lógica. ó estrangeiro. Sugestões ao educador: Inicie a atividade perguntando se já ouviram falar em Bagdá. mas não é justa de acordo com meus princípios. Como tinha prometido. O mercador fez a proposta de compartilhar esses pães entre eles e que. Peça então que cada trio descreva aos demais o caminho percorrido por eles para chegar à solução. peça que leiam as perguntas ao final do texto e que as discutam no grupo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ao se fingir de morto. por que exiges 7 moedas? Se o teu amigo contribuiu com 3 pães. 9 pedaços e comeu. tão disparatada forma de pagar 8 pães com 8 moedas? Se contribuíste com 5 pães. 8. recebeu a seguinte resposta: Perdão. A divisão. Maravilhado. E tomando as moedas do mercador. quando chegasse a Bagdá. 15 pedaços. Dos 15 pedaços que dei. o meu companheiro. mas não é matematicamente correta. Em seguida. Pelo nome de Maomé! Retrucou o mercador. Dê um tempo para resolverem o problema. contribuiu com 9 pedaços. é matematicamente correta. proponha a leitura do final do texto. Com grande surpresa. Houve. pagaria 8 moedas de ouro pelo pão que comesse. o mercador quis entregar 5 moedas a Beremiz e 3 a seu companheiro. Deu para seu companheiro quatro moedas. sugerimos de 10 a 15 minutos. pediu alguma coisa para comer. portanto. chegaram à célebre cidade de Bagdá. Como justificar. perfeita e irrefutável a demonstração apresentada pelo matemático Beremiz e imediatamente se dispôs a pagar da forma que tinha sido defendida. pois estava quase a morrer de fome. ainda separados em trios. pode ser muito simples. como disse. o meu companheiro deu. deve receber apenas uma moeda. assegure a participação daqueles que têm dificuldades com a leitura. Se não conhecerem conte um pouco sobre esta cidade. oito pedaços para cada um. dependendo das habilidades de leitura e escrita do grupo. feita desse modo. também. Se eu dei 5 pães devo receber 7 moedas. Esta só deverá ser entregue após a discussão coletiva da primeira parte do texto: O Homem que Calculava aproximou-se do mercador e falou: vou provar-vos. peça a algum trio. que deu 3 pães. Beremiz tinha 5 pães e seu companheiro. proponha procurarem o significado no dicionário ou explique-as. Quando. Se eu dei 5 pães. por que afirmas que ele deve receber uma única moeda? Peça que assinalem as palavras que não entenderem. 3 pães. guardando para si as quatro restantes. é matematicamente correta. Os 7 pedaços que eu dei e o que ele forneceu formaram os 8 pedaços que couberam a você. 112 Programa A União Faz a Vida . Você pode dramatizar a cena. a pérola do Oriente. No dia seguinte.

Proponha a utilização de um registro que seja na forma de desenhos. procure andar pelo bairro em que a instituição pertence. é uma cidade muito antiga. O resultado deste trabalho é a possibilidade de apropriação da realidade em todos os seus aspectos sociais. gravador. o homem que calculava. Sociologia e Português. Fale também um pouco sobre o povo árabe e sua relação de notável contribuição com a matemática. Enfim. hoje conhecido entre nós como sistema indo-arábico. Disciplinas Correlatas: História. Potencialidades: Reconhecer e mapear a paisagem social e ambiental da comunidade em que os adolescentes estão inseridos. praças. O tapete voador. Questões para reflexão: Agora converse com seus colegas sobre o seguinte: Em nome de quais princípios ou idéias você acha que Beremiz dividiu as moedas em duas partes iguais? Você concorda ou não com essa divisão? Por quê? Expedição Investigativa Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Esta atividade requer um cenário diversificado e cheio de possibilidades investigativas. cujo resultado garante sete moedas a ele e apenas uma ao seu companheiro. O gênio da garrafa. é atribuída ao árabe Mohamed Ibn Ahmad. entre outros. em seu livro Chave da Ciência. Este homem. Apolônio. principalmente entre o século VIII e XIII. Ali Babá e os 40 ladrões. olhe ao redor e procure ver espaços públicos. Questões para discussão: Discuta com os seus cole- Defina uma região não muito extensa. aconselhava: “Sempre que não houver um número para representar as dezenas. Ela foi. Informações relevantes: Conte que a atual capital do Iraque. garantindo que todos tenham espaço para se expressar. que viveu no século X. geográficos e econômicos. Incentive a troca de idéias sobre as possibilidades pensadas. esquemas ou diagramas dos dados do problema e de sua solução. que inventaram a trigonometria plana e a trigonometria esférica. casas e pessoas. Foram os árabes também. preparo e realização. que ficará exposto durante a semana. É nela que são ambientadas muitas das conhecidas lendas que compõem As mil e uma noites. gas as seguintes questões: Você concorda ou não com o mercador? Por quê? Procure descobrir como Beremiz. ponha um pequeno círculo para guardar o lugar”. A invenção do zero. Neste texto eles poderão contar sobre tudo o que aprenderam sobre os árabes. requer mais tempo de dedicação. Proponha a elaboração coletiva de um texto sobre “o que aprendi hoje”. Os adolescentes irão se deparar com a descoberta do outro e da diversidade em que estão inseridos. caneta. fez a divisão matematicamente correta. máquina fotográfica. construções. por exemplo. Faça um levantamento prévio de toda vizinhança. por isso. Temas abordados: Esta atividade tem. Materiais necessários para realização: Papel sulfite. Descrição: Esta atividade é mais complexa e. Caso não haja 113 Coleção de Educação Cooperativa . máquina de filmar. da álgebra e da astronomia. quando se apropriaram da escrita numérica do sistema hindu. por definição. Quem sabe algum adolescente se lembre de que os algarismos que usamos são “arábicos” em contraposição aos romanos? Sem falar das traduções e larga divulgação das obras de Euclides. Além das notáveis renovações metodológicas no cálculo. importante pólo de instrução e cultura. estimule-os a participar. bem como. a argumentação para a defesa de um ponto de vista. Veja se a paisagem é rica em diversidade e história. o pressuposto da vivência e reconhecimento do desconhecido. lápis prancheta. Bagdá. Geografia. durante muito tempo. Menelau. a principal cidade do império persa.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Durante a discussão das respostas. os árabes colaboraram prodigiosamente para o progresso da aritmética.

• Os Terra à Vista: Relatar e registrar os trajetos percorridos. Caso haja um número muito grande de adolescentes interessados em uma mesma tarefa. imagens. conte e faça-os entender o motivo pelo qual eles irão realizar tal trabalho. mapas. Após o reconhecimento do local e seus pontos de interesse. sensações. dependendo do roteiro. Agora é o momento de se criar a conexão entre todos vocês. é preciso que o educador relate a atividade e suas justificativas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS nada parecido muito perto da instituição. um diário. Mostre o cronograma e conte em linhas gerais o que será feito. procure outro lugar na cidade. dê um fechamento e comece a planejar a expedição. Quanto maior o cuidado maior o sucesso nesta empreitada. pois você deve compreender todo o potencial desta atividade para que ela possa se desenvolver na sua total potência. quando voltarem com todo o material e. o centro comercial. pedir que cada um dos adolescentes escolha por qual gostariam de se responsabilizar. O próximo passo será o de apresentar as tarefas e. um livreto. Reveja os nomes dados e procure renomear de forma coletiva caso seja necessário. quais as divisões de tarefas entre o próprio subgrupo. práticas e relações que acontecem no território. Agora é o momento em que o educador irá planejar as possibilidades de trabalho e seus possíveis desdobramentos. leve em conta todos os momentos do processo. uma peça ou outras tantas coisas. Fale sobre o que farão ao final da atividade. ou não. é chegada a hora de apresentar o projeto aos adolescentes. chamada expedição investigativa e. Ao fazer isso. Neste momento. Elaboração de mapas dos arredores. • Os Caçadores: Observar. diga o quão importante será esta atividade e o quanto eles serão importantes para a realização deste projeto. para coleta de informações. Proponha que seja feito um diário de bordo no qual eles poderão contar tudo pelo que passaram. relações e tudo que acontecer nos caminhos que ligam os diferentes lugares percorridos. Neste momento. sempre pensando nas qualidades pessoais de cada um e na melhor colaboração que cada jovem poderá oferecer ao trabalho. • Os Escribas: Registrar todos os fatos e coisas que acontecerem durante a expedição. histórias e afins. Conte que nos próximos encontros acontecerá uma atividade específica. organizar e apresentar os membros da expedição. como por exemplo. que consiste na saída pelos arredores da instituição. compreender e apreender os usos. tenha cuidado para não se esquecer de nada: autorizações. Crie um momento grandioso. É de suma importância que os adolescentes entendam as funções acima para que a atividade se desenvolva plenamente. planejar e montar a função de cada subgrupo. Construa coletivamente a forma de como isso será apresentado. quando achar que os adolescentes tenham esgotado todas as possibilidades. as práticas. comece a fazer um planejamento detalhado individualmente com cada um deles. isso é muito importante. Perceba o andamento desta fase. Use a imaginação. em seguida. Isso feito. Como eles irão se organizar. identificações. Explique quantas vezes for necessário. a forma como irão organizar e apresentar tudo o que foi coletado. • Os Batedores e Piratas: Recolher informações a respeito da história e identidade dos locais visitados. Pode ser um mural. ajude a dividi-los. Que materiais serão necessários. questionários. Depois do grupo se dividir em cinco subgrupos. Gaste o tempo que for preciso neste momento. passando pelo desenvolvimento e posterior finalização. procure montar um roteiro a ser percorrido pelos adolescentes. tudo precisa ser bastante pensado e planejado. monte um cronograma com os dias necessários para cada etapa da atividade. desde sua elaboração. 114 Programa A União Faz a Vida . • Os Timoneiros: Planejar. Pense bem no porque de se fazer esta atividade. Não se esqueça de ler atentamente toda esta atividade antes de fazer o cronograma! Com tudo pronto. No dia da expedição. material de apoio etc.

O esmero e cuidado no planejamento serão recompensados no final. O cuidado com o lixo produzido. diga o quanto as coisas que parecem ser pouco importantes podem ser fundamentais neste trabalho. Esse processo será único para cada grupo. de possíveis locais a serem visitados. se apropriar melhor do universo da comunidade. Lanche. Faça uma recomendação aos adolescentes antes de saírem. isso por que.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Tente dar todas as orientações aos adolescentes. ajudaram a construir sua região. filmar. que eles fiquem atentos aos cheiros. para a própria comunidade. as entrevistas poderão ser dirigidas de acordo com a natureza do grupo em questão. enfim. Lembre-os da responsabilidade que eles terão ao sair do espaço da instituição. dê tempo a eles para pensarem e estimule-os a participar. Por exemplo. às sensações decorrentes do que irão ver. Este é um momento fértil para discutir sobre responsabilidades e respeito com o próximo. Procure estimular o uso dos sentidos. Por que não propor um lanche coletivo em alguma praça ou parque? Cada um leva alguma coisa e todos compartilham os alimentos. Abra espaço para que todos façam o mesmo. 115 Coleção de Educação Cooperativa . Após esse encontro. em alguns casos. no caso de ser preciso. as perguntas podem ser preparadas antes. Fique atento a tudo quando for andar pelo roteiro antes do grupo e selecione as possibilidades investigativas. se a expedição passar na Abaixo estão algumas sugestões de questionários. na sua opinião. entrevistar crianças e adolescentes. além de ouvir os trabalhadores das organizações e instituições locais. No encontro posterior à saída. Entendemos que toda a sua potencialidade será mais bem aproveitada à medida que for bem planejada e executada. às paisagens. Elogie o que deve ser elogiado e faça críticas relevantes. depois da expedição investigativa. Isso pode ser bastante divertido! Ao final de toda a atividade. sentir. Isso servirá para que possíveis descuidos sejam evitados. é necessário autorização prévia. A idéia é que eles possam. assim. Tente pensar em outras coisas que achar relevante. conversar com moradores antigos e professores das escolas. Garanta o diálogo entre eles e sirva de mediador quando houver problemas. O ideal é que o próprio grupo construa de forma cooperativa todas as perguntas. tendo em vista a natureza de uma instituição como esta. tenha uma conversa sobre as impressões dos adolescentes. bem como. frente de uma cooperativa. Moradores antigos: • Você sabe de onde vem o nome da região onde você mora? • Fale sobre as pessoas e famílias que. Pense em tudo que será necessário para o bom desenvolvimento da atividade. pensar e perceber seu entorno. Tente colaborar para a organização da atividade final só quando perceber que os adolescentes não conseguem por eles mesmos. que podem ser usados ou não. Confira todos os grupos sociais que poderão interferir positivamente na expedição. Os adolescentes podem fotografar. faça a sistematização dos dados recolhidos com cada subgrupo e comece o trabalho coletivo de organização e montagem do material final. Sugestões ao educador: Esta atividade foi elaborada para ser realizada em forma de projeto. conte toda a sua impressão. Com certeza isso poderia dar um ânimo aos adolescentes. lideranças comunitárias. Esse momento é essencial para o encerramento da atividade proposta. reconhecendo a diversidade com que os espaços são ocupados e geridos. Faça um momento de preparação e tranqüilize os ânimos. do respeito que precisam ter com o espaço público e com as pessoas. quando tudo estiver pronto. Assim sendo. coloque todo o grupo junto e converse com eles. quem sabe. Faça o roteiro proposto mais de uma vez. Tente obter autorização para que o material final seja mostrado para toda instituição e. Explore todas as possibilidades de expressão do grupo. além de refletir sobre suas práticas alterando suas próprias maneiras de ver. fale sobre o trabalho que foi realizado por todos. Autorizações dos pais e da instituição. com as gritarias e coisas do tipo. organize bem o processo de construção desta atividade.

A maior riqueza de um lugar é seu povo. • Quais as primeiras festas que aconteceram na sua comunidade? Como elas surgiram? • Qual o acontecimento mais importante da sua comunidade? Você participou dele? • Qual era o lugar mais bonito da comunidade quando você era jovem? • Qual o principal problema de região? • A organização participa de fórum. é preciso saber o que fazem as instituições. • Qual a sua opinião sobre a sua escola? Para definir o que mudar. a Igreja etc. é importante conhecê-lo melhor. no rádio. São as pessoas que vivem e/ou trabalham numa comunidade que têm maior interesse em sua melhoria. também. Além de conhecer as pessoas. • Você conhece o trabalho das organizações e instituições locais? • Você participa de algum grupo na comunidade? Qual? • Como sua comunidade aparece no jornal. associação. sonhar com a forma ideal que ela poderia ter. 116 Programa A União Faz a Vida . se há movimentos organizados na região e quais seus objetivos. solidária. buscar novas informações. saber o que pensam. as primeiras escolas. o comércio. descobrir sua força. São elas que podem informar com mais precisão o que falta e o que precisa ser mudado. o posto de saúde. Por isso. conversar com elas para conhecer a visão que têm da realidade local e despertar nelas o desejo de atuarem na comunidade buscando a sua melhoria. é importante conhecer a comunidade a fundo e. que serviços realizam. compará-las com outras realidades. tudo isso contribui para que as ações transformadoras tenham mais sucesso. desmobilizada. portanto. na televisão? O que você acha do que é dito? • Quais as 3 melhores coisas que acontecem no bairro/cidade? Trabalhadores das organizações e instituições locais: • Há quantos anos a instituição se instalou na comunidade? • Quais os objetivos da instituição e qual a faixa etária do atendimento? • Como você classificaria a população local? Participativa. conselho. transporte coletivo. as primeiras fábricas. o que determina a escolha de parceiros? Professores das escolas: • Qual sua opinião sobre as crianças e adolescentes que freqüentam a escola? • O que mais dificulta o trabalho da escola? • Se você pudesse mudar algum fato histórico da sua região. É necessário. desinteressada. o que mudaria? • Quem pode resolver os problemas da escola e do bairro/cidade? • Há algum outro fato ou história que você gostaria de relatar? • Como funciona o grêmio estudantil da escola? Outras crianças e adolescentes da comunidade: • Quais as 3 principais coisas que gostaria que tivesse no bairro/cidade? • O que você gosta de fazer nas horas de lazer? • Que outras atividades podem ser desenvolvidas na escola? • Você participa de algum grupo da comunidade? • Quais as opções de lazer e cultura do bairro/cidade? Informações relevantes: Todo cidadão pode contribuir para a melhoria da comunidade em que vive. opiniões e sonhos. Trocar idéias.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS • Fale das coisas novas que chegaram à sua comunidade: a luz elétrica. seus talentos e seus sonhos. movimento reivindicatório? • A instituição realiza trabalho em parceria. A ponte que leva do sonho à realidade é feita de ações concretas que podem levar às mudanças desejadas.

Podem também criar línguas que tenham. gestos. despedem-se e combinam reencontrar-se breve. • Um jovem passa por uma entrevista para obter emprego em um banco. com.br/escutatorio. Geografia. Escuta. de comidas etc. mesmo falando a mesma língua. que foi à feira acompanhada dos netos. Inventando a língua Faixa etária indicada: 13 a 18 anos Materiais necessários para realização: Papel e caneta. Informações relevantes: Indicação de leitura: Texto “Escutatório” disponível no site: www. cacarejar. Potencialidades: A trajetória potencializa o diálogo. Descrição: Divida a sala em cinco grupos e apresente uma situação para cada um (separadamente. Diga-lhes para usar recursos como a entonação da voz. Temas abordados: História social e do cotidiano. só números. estão outros candidatos que esperam. nos compreendemos muito pouco. estamos a utilizar onomatopéias.Ao dizermos que um grilo faz “cricri” ou que batemos à porta e fazemos “toc toc”. 117 Coleção de Educação Cooperativa . Mas essa é apenas uma das formas de participar e de comunicar. Sugestões ao educador: Procure perceber o fluxo dialógico no grupo. Português e Ciências. A entrevistadora é uma moça. Até o nosso silêncio comunica. • Numa feira livre. de repente.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS O trabalho de investigação social ajuda na definição do foco da ação transformadora e no levantamento das pessoas com quem se poderá contar. aos outros seguindo uma regra: não falar português. Artes. paciência e tolerância ao modo como cada um se comunica são essenciais para o trabalho em equipe.org. • Um elevador. zurrar. debate de idéias. • Uma senhora grávida pega um táxi e pede ao motorista que corra para o hospital. deixe-os comentar as situações que cada grupo tentou representar. Tendemos a escutá-los mais. material para pesquisa preparado previamente pelo educador. faça um comentário geral. Interdisciplinaridades: Língua Portuguesa.rubemalves. Fonte: www. sons. um vendedor tenta empurrar um peixe não muito fresco para uma senhora. igualmente. os funcionários demoram a atendê-la. Depois da apresentação de cada grupo.wikipedia. atenção. consumo e trabalho. Proporciona. porém. Enfatize que há várias formas de nos comunicação. 43 A palavra onomatopéia designa expressões ou palavras cuja sonoridade imita a voz ou ruídos de objetos ou animais. Exemplos: tilintar. a cooperação e construção coletiva do conhecimento. miar. ciências. que pode ser: • Dois colegas não se encontram há muitos meses vêem-se um dia num bar e ficam muito contentes. Muitas vezes valorizamos mais aqueles que dominam competências de fala pública e de exposição verbal. Materiais necessários para realização: Papel sulfite. Temas abordados: Comunicação. E muitas vezes. a possibilidade dos adolescentes perceberem os eventos históricos e sua própria inserção no mesmo. mas comunicar-se por meio de uma língua inventada. pois o bebê está nascendo. grasnar. onomatopéias43 etc. mímica. de modo a que os demais não escutem). Cada um quer contar as novidades. Ao chegarem. gestos. a necessidade de explicitar os problemas e de negociar soluções. Potencialidades: Esta atividade permite produzir reflexões sobre a complexidade do trabalho em grupo: a importância de saber ouvir e expressar idéias. lotado de gente. por exemplo. uma mulher desmaia. só nomes de lugares. relações interpessoais.htm Para que servem as invenções humanas Faixa etária indicada: 13 a 18 anos. Todos conversam e. Na sala. Por fim. linguagem. canetas coloridas. Cada grupo vai se preparar para encenar a situação Disciplinas Correlatas: História. piar. que nos comunicamos por meio de palavras. interesses e sentimentos. as diferentes funções e responsabilidades de cada um no planejamento e desenvolvimento da ação coletiva. comportamentos. quebra no quinto andar. cartolina ou papel craft. Pergunte como se sentiram tendo de se expressar dessa forma. Percebem que há outros amigos por ali.

chega o momento dos subgrupos apresentarem o resultado do seu trabalho para o resto do grupo. ou seja. Garanta que todos os adolescentes possam participar. Assim se dará uma troca de saberes e. chuveiro elétrico. assim. Que mudança tal descoberta proporcionou aos homens e mulheres da época. cada um terá uma ficha com o objeto de estudo de outro subgrupo. Sugestões ao educador: É importante que os objetos selecionados tenham inserção na vida cotidiana dos adolescentes. conseqüentemente. Esta atividade será potencializada conforme haja esta troca entre eles. isso por que elas serão diretamente relacionadas com as escolha dos objetos. Será que houve facilidades decorrentes desta invenção? Explore ao máximo esse exercício. Informações relevantes: As informações relevantes serão de total responsabilidade do educador. o adolescente poderá melhor utilizá-la no momento de interferir no trabalho dos outros subgrupos. Prepare fichas bem organizadas.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Descrição: Escolha 6 utensílios científicos que sejam muito utilizados e façam parte do cotidiano dos adolescentes. Distribua uma folha grande de papel craft e canetas coloridas para cada subgrupo e peça para representarem graficamente esse objeto. telefone. seu funcionamento. falando e interferindo no trabalho de todos. Construa uma ficha explicativa para cada objeto com a pesquisa feita. os outros terão a capacidade de levantar questões e debater com os apresentadores ao longo de sua explicação. como se deu sua fabricação. Desta forma. Em seguida pesquise quando e como foi inventado o objeto. Esta atividade não será muito proveitosa se houverem objetos desconhecidos por eles. tenha tudo preparado previamente. por exemplo: televisão. Entregue para cada subgrupo as fichas de pesquisa que foi produzida anteriormente. para que e para quem serve. um processo coletivo e cooperado de construção do conhecimento. Peça para os adolescentes pensarem bem na época em que eles imaginam ter sido construído este objeto. Garanta que haja tempo para a preparação de ambos os envolvidos em cada apresentação. ou seja. Se houve alguma surpresa no final do debate. o que este objeto escolhido faz e como funciona. em que época e por quem. Repete-se isso até que todos os subgrupos tenham falado sobre o seu trabalho e sobre o trabalho de outro subgrupo. computador. Estimule-os a verbalizar as descobertas decorrentes desta atividade. ou qualquer outro. avião. Pergunte também quantas pessoas eles estimam estarem envolvidas no processo de produção. faça uma breve pesquisa sobre a história de cada uma dessas invenções. o pensar e imaginar coletivamente sobre eventos e épocas históricas específicas. Divida os adolescentes em 5 subgrupos e peça para cada um escolher 1 dos aparatos científicos. quando um subgrupo for apresentar 118 Programa A União Faz a Vida . Faça uma pesquisa farta de informações e curiosidades. lâmpada. note que deve haver cuidado para que elas não correspondam ao objeto de estudo do grupo. descrevendo detalhadamente o que faz o objeto escolhido funcionar e. Encerre a atividade questionando sobre os objetos e seus processos de elaboração. Depois de produzirem os cartazes. e quando e onde eles acham que esse objeto foi inventado. isso é de suma importância para o andamento da atividade. a sua pesquisa. Pergunte aos adolescentes se eles imaginavam a forma como cada um desses eventos se desenvolveu.

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SINOPSE: Cada vez ficam menores nossas reservas florestais inescrupulosamente. uma leitura inesquecível. O jeito foi recorrer a livros antigos. (Danda Prado). com a linhas de Maria Célia. ouvida quando era ainda bem criança. Lançados em 1872 Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho. mas que. é um rapaz diferente. Agora.” (Antunes Filho. pela sua criatividade. que li o livro – de novo – de cabeça para baixo. o negócio foi procurar o significado de “dodô”. instigando a imaginação de crianças e provocando risadas também nos adultos. vento. espelhos e cadeiras.. Fomos por ela interpretados com talento e sensibilidade.. e fomos identificados por Cláudia Lévay... estudante de agronomia. SINOPSE: “Uma bela novidade: uma história infantil contra o preconceito. SINOPSE: Aos dezoito anos. portas. Um segredo que não é para ser resolvido na cabeça. Um pouco por não ter nada o que fazer (a não ser estudar). Parece renascer entre nós. curtindo a nossa visão diferenciada do mundo.85-11-20314-1 Páginas: 104. Não podia imaginar o que o destino lhe reservava pela frente. voltou durante umas férias. Fazendo um paralelo. quando lia os livros de Lewis Carrol. Escritor) “Gostei tanto. Livro: Pantanal Amor-Baguá Autor: José Hamilton Ribeiro ISBN: 85-11-20211-0 Páginas: 104 SINOPSE: Uma temporada na região mais fascinante e desconhecida do Brasil acaba-se tornando. Não é que essa história virou uma descoberta emocionante e muita engraçada? Você consegue imaginar uma ave com cara de peru dançando frevo? Livro: Larissa Autor: Ganymédes José ISBN:. chuva. Publicado em 1719. da Alice de Lewis Carrol. ambos me encantam e me obrigam a releitura das frases dos personagens. como nos contos policiais... para um menino da cidade grande.” (Walter George Durst. o homem destrói o mundo em que vive. ganham vida: árvores. Livro: A história verdadeira do Pássaro Dodô Autor: Sérgio Danese ISBN: 85-11-20020-7 Páginas: 128 páginas SINOPSE: “Esse sujeito parece um dodô!”. teses mirabolantes. Robinson Crusoé foge de casa e se engaja num navio. mas pelas crianças sensíveis. Diretor teatral) “. esse romance de Daniel Defoe tornou-se um clássico da literatura mundial. outros estrangeiros. da dama de paus. A frase.” 122 Programa A União Faz a Vida . Correr o mundo é correr perigos. Autor: Cláudia Lévay ISBN: 85-11-35003-9 Páginas: 56. uma reviravolta em seu próprio mundo. O Aurélio. que nunca falha. bibliotecas misteriosas. passadas sem poder viajar por causa de uma estúpida recuperação no colégio. um pouco da corrida do coelho. só nos resta uma coisa: sermos mais Zirzilim que nunca.O segredo de Zirzilim. Livro: Robson Crusoé Autor: Daniel Defoe Traduzido e adaptado: Monteiro Lobato ISBN: 85-11-20014-2 Páginas: 80. A gente estava aqui. falhou. falando de um mistério poético. por vezes irreverentes. Livro: O Menino que via o mundo de cabeça para baixo .VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Material de apoio para atividades EDITORA BRASILIENSE Livros INFANTO-JUVENIL Livro: Alguém viu passar uma imaginação? Autor: Maria Célia Wider ISBN: 978-85-11-00098-6 Páginas: 132 páginas SINOPSE: O estilo de Maria Célia me remete aos meus onze anos. Mas Aimar.

E renovou o gênero. elas irão descobrir que existe cura para a picada do bichinho do ciúme. um vaga-lume. Quadrinho Título: Ecologia em quadrinhos Volumes: I. IV (Pantanal) e V (Tiête) Autor: Luca Novelli ISBN: 85-11-31002-9 SINOPSE: A protagonista desta pequena viagem pela natureza se chama Clorela. entre uma briga e outra.) “Um contrato com Deus é um álbum excepcional que conta quatro histórias pré-bukowskianas passadas num cortiço. Aos poucos. Este livro narra em versos. ensaios e crônicas sempre em linguagem elegante e criativa. aquarelista e psicoterapeuta. interior do Rio e de Minas Gerais. professora universitária. ISBN: 85-11-31005-3 SINOPSE: “Quando Will Eisner – que inovara os quadrinhos com The spirit – apresentou ao editor os originais de Um contrato com Deus. A tônica é a crítica 123 Coleção de Educação Cooperativa . além dos perigos da energia nuclear. romances. – Uma graphic novel. Julita é ainda autora de livros de poesia. (Jotabê Medeiros. de novo!”(Álvaro de Moya.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS (Júlio Medaglia. Autor Luiza Meyer ISBN: 978-85-88844-50-6 Páginas: 24 SINOPSE: Fantasia não tem limite nesta viagem a bordo do verbo ser. do ar. do ponto-de-vista do menino. Título: Um Contrato com Deus e outras histórias de cortiço. este quis saber o que era esse livro”. permitindo apreciar o calor. SINOPSE: A amizade entre uma menina e um lápis preto novinho é o fio que conduz essa bonita história. da água e do solo. a irmã mais velha. em clima de dilacerante miséria moral que não perde de vista emanações poéticas. a viagem pelo interior do Brasil . Um jogo de perguntas e respostas que evoca os anos de infância e nos faz relembrar que bom é descobrir que criança pode ser tudo! Livro: O lápis e a menina Autor Miriam Aparecida da Rocha ISBN: 978-85-88844-48-3 Páginas: 16.. obtém financiamento e encargo oficial para realizar estudos no Brasil. acompanhada por um caracol. SINOPSE: Olívia está aprendendo sobre insetos na escola. autora de obras historiográficas caracterizadas por pesquisa rigorosa. EDITORA LETRAS BRASILEIRAS Livros INFANTO-JUVENIL Livro: Braboletas e ciúminsetos Autor Vássia Silveira ISBN: 978-85-88844-49-0 Páginas: 16. o sabor e o colorido do país. destacado especialista em ciências naturais. historiadora e escritora. mas esquece que um dia não soube dizer bor-bo-le-ta corretamente. uma estrela. obras de referência quando se fala do emigrante. com experiência na forma de ver e sentir das crianças. discordando da situação política na Alemanha. Autor: Will Eisner. um porco-espinho e outros animais. III (Amazonas). Apresenta paisagens. e também muito humor. autor de Shazam! e Histórias da história em quadrinhos. do negro no Brasil e de religiosidade. É de um ceticismo a toda prova”. levando seu filho Christian. Hermann Burmeister. Sobre a autora e a ilustradora: Julita Scarano. mas tem dificuldade para falar pa-ra-le-le-pí-pe-do. Recheada de situações curiosas. traz reflexões juvenis e comentários críticos.. Em setembro de 1850 embarca. as cadeias alimentares. Paulo). Lilia Scarano Hemsi. II. como Saímos a Rever Estrelas e Lira nas Mãos dos Ventos.mais especificamente. Livro: Se eu fosse. respondeu Will. com 13 anos. Ela é uma alga microscópica e unicelular que. Trabalhou por muitos anos no atendimento de crianças e com desenhos infantis. vai explicar os diversos conceitos básicos da ecologia como o habitat. Maestro) Livro: Uma viagem aventurosa Autor: Julita Scarano Ilustrações: Lilia Scarano Hemsi ISBN: 978-85-11-00097-9 Páginas: 64. O Estado de S. debocha de Olívia. A brincadeira leva uma criança a usar sua imaginação e divagar sobre a possibilidade de ser uma nuvem. a importância do Sol. lugares e fatos com rigor histórico e geográfico. Flavinha. SINOPSE:A história contada neste livro foi vivida em 1850 por um cientista alemão e seu filho.

ao mesmo tempo em que se faz um chamado à tolerância e à convivência harmoniosa.. SINOPSE: Filho de jornalista perseguido pela ditadura militar. enfrenta problemas sérios. criado entre brancos. Na jornada. Não contavam com a curiosidade de Pedro. SINOPSE: Relato jornalístico-literário da travessia de um grupo de amigos a bordo de um veleiro. SINOPSE: Uma bem construída sátira sobre nosso sistema político e social. Ilha de Marajó.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS a todo tipo de preconceito. Livro: Não-me-toque em pé de guerra Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-19-2 Páginas: 72. descobre que todas as crianças da aldeia desapareceram – uma enorme sucuri raptou a gurizada e a levou para o centro do mundo. Livro: Apenas um Curumim Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-13-3 Páginas: 44. encanta gerações de leitores há mais de 25 anos. e o garoto descobre a vida simples e o gosto da liberdade. Na volta. na tríplice fronteira do Brasil com Colômbia e Peru. e seu maior desejo é retornar ao lugar onde aprendeu a viver bem. Livro: A Aventura Aventurosa de Acanai Contra a Grande Cobra Sucuri na Terra sem Males Autor: Antonio Hohlfeldt ISBN: 85-88844-33-8 Páginas: 108. O segredo da parceria está na cumplicidade entre o lápis e a menina. Fábula sobre condicionamentos e medos encruados. Selo Altamente Recomendável para Jovens (FNLIJ/1985). Alter do Chão. De tal forma os amedronta que. Um dia. escreve sobre cada cidade e porto de atracação sem esconder o encantamento (ou desapontamento) com o que vê. o garnisé torna-se chefe do galinheiro. que volta à floresta com um velho pajé. Até que. o curumim redescobre sua identidade. capaz de torturar os pintos para manter seu poder. SINOPSE: Três histórias em que a comunicação entre pais e filhos aparenta ser impossível – a maneira como cada qual vê e interpreta o outro é distorcida pelas diferenças de pontos de vista. Mas no desenrolar da narrativa o diálogo entra em sintonia através do único tradutor universal que funciona entre pais e filhos: a linguagem do amor! Livro: Garnisé gabola acabou gabiru Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-15-X Páginas: 36. Parintins. Livro: Rio Liberdade: Uma aventura no Pantanal Autor: Werner Zotz ISBN: 978-85-88844-28-1 Páginas: 64. incluindo um passeio de carro pelo sertão nordestino. quando volta de uma caçada.. viajante experimentado. A história narra o cotidiano de uma cidade controlada por políticos corruptos que tentam esconder um segredo do povo. ainda criança Moreno tem de trocar SP pelo exílio na Europa. O autor. do Arquipélago de Fernando de Noronha a Florianópolis. a família vive um tempo no Pantanal. Livro: Aventura no Caminho dos Tropeiros Autor: Werner Zotz 124 Programa A União Faz a Vida . São 3. Livro: Aventura no Rio Amazonas Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-18-4 Páginas: 228 SINOPSE: Narrativa de uma viagem de barco entre a Ilha do Marajó (PA) – onde o Rio Amazonas deságua no Atlântico – e a cidade de Tabatinga (AM). Manaus e Mamirauá são alguns dos lugares visitados durante a viagem. Acanai inicia então uma jornada para encontrá-las e trazê-las de volta. Livro: Mamãe é mulher do pai e outras histórias Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-14-1 Páginas: 40. que ainda renderá bons frutos. durante 40 dias. O poder o transforma num pequeno tirano. Na capital paulista. recupera a auto-estima e a alegria. Belém. Conta a história de um índio órfão. Livro: Aventura nos Mares do Brasil Autor: Werner Zotz ISBN: 978-85-88844-58-2 Páginas: 144.000 km rio acima. SINOPSE: Multipremiado clássico da literatura infanto-juvenil. quando se tornam adultos – e maiores que o garnisé – não ousam enfrentá-lo. SINOPSE: Acanai é um jovem guerreiro. SINOPSE: Com a morte repentina do galo. porém. Projeto Viagem da Leitura (INL/1988).

uma coruja que se esconde em troncos de árvores. SINOPSE: Narrativa de cavalgadas realizadas no antigo Caminho do Viamão. que vê o mundo. Livro: A Ararajuba. SINOPSE: Nina sente saudades da escolinha onde era mais fácil fazer amigos e ser compreendida. os valores e os costumes da população local. Como será que se defende? Livro: A Baleia Corcunda Autor: Rubens Matuck. do topo das árvores. os animais que ali habitam e suas estratégias de sobrevivência. Autor: Rubens Matuck. EDITORA BIRUTA Livros INFANTO-JUVENIL • Série Natureza Brasileira: Na Série natureza Brasileira o leitor conhecerá as diferentes regiões do país. SINOPSE: O beija-flor de Topete é um dos menores beija-flores que existe. ISBN: 85-88159-09-0 Páginas: 16. Como fazer? Livro: Frug 0123 Autor: Ana Cristina Massa ISBN: 85-88159-05-8 Páginas: 160. desde 1733 até 1900. é também o relato da viagem interior de um homem que. Quer voltar ao passado. Uma encruzilhada planetária famosa entre aventureiros e navegadores. SINOPSE: A Ararajuba é também conhecida como Jandaia e vive no topo das árvores mais altas.o Caburé . O leitor vai acompanhar a Baleia desde o local do nascimento.  Livro: O Beija-Flor de Topete Autor: Rubens Matuck. quais são os seus hábitos e o gosta de comer? O leitor encontra todas as respostas na história e se estimula a conhecer cada vez mais sobre a natureza brasileira. O que acon- 125 Coleção de Educação Cooperativa . na maturidade. estudantes e pesquisadores do Tropeirismo Livro: Aventura no Fim do Mundo Autor: Werner Zotz ISBN: 85-88844-08-7 Páginas: 168. Indicado para aventureiros. ISBN: 85-88159-10-4 Páginas: 16. aprender sobre seus hábitos alimentares e sobre as características físicas. entretanto. rota utilizada pelos tropeiros para levar mulas e gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba-SP. SINOPSE: Agnes se prepara para o primeiro dia de aula com muita emoção. SINOPSE: Este livro narra uma viagem a Ushuaia. ISBN: 85-88159-07-4 Páginas: 16. É de lá. Quer fazer novos amigos e mais do que tudo-conhecer a professora. a vegetação típica. Livro: Brincadeiras com o Passado Autor: Adriana Joubert ISBN: 85-88159-12-0 Páginas: 36. Chega na escola saltitante.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS ISBN: 85-88844-29-X Páginas: 168. SINOPSE: Quem não conhece um lobo? E o Lobo Guará é diferente daqueles que aparecem nos desenhos e dos que estão nos Zoológicos? Onde se pode encontrar o Lobo Guará. realiza um sonho acalentado por muito tempo. não o torna covarde e nem medroso. SINOPSE: A Baleia Corcunda se apresenta e conta a sua história. Uma epopéia histórica que integrou a região Sul ao Brasil. Será que a Ararajuba prefere viver em bando ou sozinha? Onde o leitor pode encontrá-la? A história da Ararajuba estimula a curiosidade dos leitores. cavaleiros. ISBN: 85-88159-08-2 Páginas: 16. Além da exploração de cidades e lugares que fazem parte do imaginário de todos. O seu tamanho. na Patagônia. Topetinho conta nesta história como enfrenta em bando o seu grande inimigo . viajar pela Antártica. • Coleção Tempo de Crescer: A coleção Tempo de Crescer reúne histórias que tratam de momentos de transformação na vida de crianças e adolescentes. É interessante perceber como as baleias se divertem. Livro: O Lobo Guará Autor: Rubens Matuck.

Sete Horas e Alguns Minutos Autor: Claudia Camara ISBN: 85-88159-31-7 Páginas: 143. SINOPSE: Renato vive um momento difícil em sua vida: a perda do avô muito querido que lhe contava lindas histórias da boca. foi muito estranho.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS teceu. SINOPSE: Este é o segundo livro da série. No lugar da professora imaginem quem apareceu? Livro: Cadê meu avô? Autor: Lídia Izeckson de Carvalho ISBN: 85-88159-27-9 Páginas: 24.     Livro: Quinze Dias. O Lápis muito louco do Rei Branco é uma brincadeira de linguagem que mistura termos engraçados. Uma igreja no centro da cidade do Rio de Janeiro. se deparam com mistérios do presente e do passado. é o palco das sombrias investigações do grupo. Sofia e seu irmão Goma. SINOPSE: O livro é sobre esses dois adolescentes. Agora os Invencíveis têm muitos segredos para revelar. SINOPSE: Este livro fala do amor entre jovens. literalmente. O modo como as paredes de uma casa de quase 400 anos testemunharam mais um fato histórico: o princípio de uma revolução pessoal que viria a culminar. Nele a trama de suspense começa em volta do cenário do Museu Imperial de Petrópolis. SINOPSE: Uma lenda dos negros enraizados no Sul dos Estados Unidos. sua formação e o modo como a Inconfidência Mineira conspirou a favor do amadurecimento deles. Goma. • Os Invencíveis A série “Os Invencíveis” procura despertar o interesse e a curiosidade de crianças e jovens sobre determinadas épocas da História do Brasil. Os três primeiros livros têm como foco o Período Imperial. no lago do Jardim Botânico. Durante uma excursão os Invencíveis Gênio. entretanto. Em cada aventura. Gênio. Isadora. em uma desconhecida enciclopédia da Idade Média e. de forma lúdica. Só tem um defeito: acaba rápido demais. A obra é uma comovente história sobre 126 Programa A União Faz a Vida . narrada com ritmo e habilidade pela carioca Ana Cristina Massa. SINOPSE: Neste volume a turma de amigos mergulha nas Grandes Navegações. Jonas . É um canto de força e coragem. com um grito de independência. autor dos livros de Alice. Afirma o desejo de liberdade do ser humano. antiga residência de verão de Dom Pedro II. mais tarde. estranhos e construções surrealistas para levar o leitor por um passeio inimaginável por uma floresta. da felicidade de adiar um primeiro beijo tendo a certeza de que ele vai acontecer. Jonas e Sofia formam um grupo conhecido como Os Invencíveis. Eles se divertem desafiando outros grupos em jogos e disputas de conhecimentos gerais pela internet. Livro: Enigma na Capela Real Autor: Ana Cristina Massa ISBN: 85-88159-30-9 Páginas: 160. Livro: Liz no Peito: um livro que pede perdão Autor: Jorge Miguel Marinho ISBN: 85-88159-43-0 Páginas: 181. Isa. • Leitura para Jovens: Livro: O Lápis muito louco do Rei Branco Autor: Carlos Alberto Dória ISBN: 85-88159-44-9 Páginas: 55. Não sabe onde está o avô e vai pedir a ajuda do Papai Noel para encontrá-lo. a turma se envolve em algum mistério que tenha a ver com a história do Brasil. Livro: Mistério no Museu Imperial Autor: Ana Cristina Massa ISBN: 85-88159-11-2 Páginas: 160 SINOPSE: Este é o primeiro livro da série. de delicadezas e violências que são tão presentes no mundo de que quer se descobrir. Livro: Nas Asas da Liberdade Autor: Rogério Andrade Barbosa ISBN: 85-88159-53-8 Páginas: 24. SINOPSE: Adaptado a partir de um poema de Lewis Carroll. Livro: O Segredo do Colecionador Autor: Ana Cristina Massa ISBN: 85-88159-99-2 Páginas: 160. onde a família real brasileira realizava suas cerimônias.

   • Poemas da Tatiana Você sabe o que é um limerique ? Limerique é um tipo de poema com cinco versos que serve para fazer estripulias e pôr um graça bem gozada na vida da gente. Livro: Dona magnólia Roxa Ser ou não Ser. A primeira história traz as aventuras da confusa e simpática dona Magnólia Roxa enquanto a segunda mostra os sonhos de um menino que veio do agreste nordestino para morar na cidade grande. A graça será tanta com a leitura que ninguém vai reparar quantas vezes diz isso sim.    • Série Matitaperê: A série explora temas ecológicos por meio das lendas e mitos do folclore brasileiro. das ilustrações e do mundo. Cada livro apresenta duas histórias. e ainda refletir sobre os problemas ecológicos que ocorrem em nossas matas. só treme e ponto final. ética e compromisso com o ser humano. mas com sorte ela escapa de muitas frias sem perceber como. Livro: Bicholiques Autor: Tatiana Belinky ISBN: 85-88159-61-9 Páginas: 32 SINOPSE: Você sabe o que é Bicholiques ?Não sabe? bicho é bicho mesmo e fim. uma em cada lado. duas histórias completamente diferentes . É poesia com puríssimo humor e a Tatiana Belinky sabe bem isso. No Lado oposto do livro é apresentada a história de um menino que troca a roça pela cidade. Agora limerique é um tipo de poesia com cinco versos de puríssimo humor. na mesma ordem.Dona Magnólia Roxa e Ser ou não ser: eis a questão . Autor: Lia Zatz ISBN: 85-88159-29-5 Páginas: 36. SINOPSE: Sabe o que é Limeriques dos Tremeliques? O que treme. SINOPSE: Literatura. mas acaba decepcionado com a pouca e disputada água. SINOPSE: O livro apresenta duas histórias sobre as jornadas de dois meninos: um pobre e o outro rico. Livro: Mistérios de Pindorama Autor: Marion Villas Boas ISBN: 85-88159-02-2 Páginas: 63. e com uma realidade dura que vê as pessoas levarem e não quer para si. um rico e outro pobre. • Ver-a-cidade: A Série Ver-a-cidade tem como objetivo sensibilizar o leitor para as diversas leituras possíveis do texto. SINOPSE: Dona Magnólia Roxa vive na cidade.Texto e Contexto se 127 Coleção de Educação Cooperativa . É uma senhora muito distraída. artes plásticas e gráficas são expressões artísticas trabalhadas no livro e no CD para apresentar mitos protetores de natureza. Em um lado do livro é contada a vida distraída de dona Magnólia Roxa. revelando como cada pessoa vê e vive o mundo segundo sua própria história de vida. Livro: Limeriques dos Tremeliques Autor: Tatiana Belinky ISBN: 85-88159-62-7 Páginas: 60. No terceiro livro – O Cachecol – o mesmo acontecimento é narrado de forma diferente por duas personagens (avó e neta). No primeiro livro.têm exatamente as mesmas ilustrações. Livro: Sete Vezes Sim Autor: Tatiana Belinky ISBN: 85-88159-53-8a Páginas: 40 SINOPSE: A Tatiana rima com humor a vida dos bichosm. sem- pre terninando com um isso sim. No segundo livro – Tô com fome – o mesmo texto com ilustrações completamente diferentes tecem as histórias de dois meninos. O leitor e ouvinte vão apreciar e conhecer manifestações artísticas culturais brasileiras. Livro: Tô com Fome Autor: Lia Zatz ISBN: 85-88159-33-3 Páginas: 21.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS valores. eis a questão.

/ Mas se virarmos o capacete de guerra/ ele será um vaso. sonoridade. Moacyr Scliar. Autor: Ana Maria Machado ISBN: 85-260-0736-X Páginas: 16 SINOPSE: Em Brincadeira de Sombra. aos poucos. imagens e metáforas aguçam a fantasia e o caráter lúdico tão presentes no universo infantil. O filho era um principezinho. Sidónio Muralha. de acender e apagar. Luísa.. construídos com trocadilhos divertidos. humor. num país muito longe daqui havia um castelo. Olavo Bilac. grandes e coloridas de Marilda Castanha. Assim. a criança tenha muitos outros para contar Livro: Caminho da Poesia Autor: Manuel Bandeira. o texto de Ana Maria Machado. GLOBAL EDITORA Livros INFANTIL Livro: Meu Reino Por Um Cavalo Autor: Ana Maria Machado ISBN: 85-260-0893-5 Páginas: 16. ela está fazendo o que eu faço! . Tudo isso. Câmara Cascudo. revelando o que cada pessoa vê. de chegar perto e afastar. ricamente ilustrado pelas imagens detalhadas. Ferreira Gullar. desperta na criança o prazer de brincar. Sylvia Orthof. de correr e parar. e é bem capaz / de ter uma flor num pouco de terra/ e falar de amor e de paz. Cora Coralina. sua identidade pessoal e coletiva. Um capacete de guerra tem um ar carrancudo. Muito bela é uma flor. SINOPSE: Em Meu Reino por um Cavalo. Daniel Munduruku 128 Programa A União Faz a Vida . recursos gráficos. encaixar as frases umas nas outras. gostoso de ver! • Antologia de Prosa e Poesia para Crianças: A intenção da Coleção Antologia é despertar a curiosidade da criança para autores nacionais e aprofundar a leitura de suas obras. título que nos remete à conhecida frase da obra Ricardo III de Shakespeare . Olavo Bilac. esperando-se que.Vovô. O pai era rei. entre outros. Livro: O Cachecol Autor: Lia Zatz ISBN: 85-88159-34-1 Páginas: 21 SINOPSE: Neste livro o mesmo acontecimento: a mudança da avó e da neta do sítio em que moravam para a cidade é narrado de forma diferente pelas duas personagens.diz o avô. seu próprio discurso. ISBN: 85-260-116-2 Páginas: 64. Livro: Conto Com Você Autor: Cora Coralina. O príncipe Ricardo. ISBN: 85-260-1117-0 Páginas: 64 SINOPSE: Caminho da Poesia proporciona ao aluno-leitor o encontro poético com doze escritores da literatura. Edla Van Steen. Vamos trocar de sombra? Eles não conseguem trocar de sombra. Câmara Cascudo. Henriqueta Lisboa. Um livro bonito. a menina da história. O sonho do menino era crescer logo e ter um cavalo bonito. de entrar no jogo da descoberta das luzes e das sombras. foram criadas antologias de poesias e prosas para crianças. Uma flor tem tudo/ para falar de paz e de amor. descobre com a ajuda de seu avô. têm que despertar na criança o desejo criativo”. . Moacyr Scliar. Eu não quero essa sombra pequena. As antologias de contos apresentam as diversas maneiras de escrever um conto. Um dia. inteligente! Gostoso de ler.É porque ela é sua sombra . A leitura destes poemas. entre eles Manuel Bandeira. como os dos cavaleiros do reino. As antologias de poemas trazem diferentes jeitos de olhar as coisas do mundo.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS complementam e as histórias revelam a proximidade entre os meninos apesar de viverem em contextos que os afastam. SINOPSE: Em Conto com você. Ana Maria Machado resgata a forma tradicional das narrativas infantis . Esse tipo de narrativa estimula a sensibilidade da criança que..Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!. têm que saber brincar. Ferreira Gullar. é claro. Paulo Lemiski. depois de ouvi-los ou lê-los. de verdade. contentava-se brincando de galopar montado em um cabo de vassoura. Porém. um fato o transforma em herói e seu desejo realiza-se. (. entre outros. Livro: Brincadeira de Sombra. de diminuir e crescer. de levantar hipóteses. se torna capaz de criar suas próprias histórias.) A mãe era rainha. Guilherme de Almeida. de aparecer e sumir. Este certa vez declarou: “Tanto a prosa como o verso para crianças têm que ter ritmo.Há muitos e muitos anos.

as mais belas histórias infantis. a criança depara-se com o menino que aprendeu muito cedo a desbastar as árvores. conversam muito e discutem de uma forma inteligente. Eva Furnari. uma história de família. um mito indígena e uma história bem urbana. a liberdade. Eva Furnari. um conto do dinamarquês Hans Christian Andersen. Livro: A Pedra da Sabedoria Autor: Hans Christian Andersen Tradução: Ana Maria Machado ISBN: 85-260-1032-8 Páginas: 28. gatos. tornaram-se atemporais.. narra uma história comovente. Ignácio de Loyola Brandão.. adaptando-as para o nosso tempo e realidade pelas mãos de nossos escritores. contadas através de textos verbais e não verbais por Camila Cerqueira César. ISBN: 85-260-1115-4 Páginas: 64. expressivos e surpreendentes! Escritos por sete grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. adaptado por Ana Maria Machado e ilustrado pelo colorido forte de Cláudia Scatamacchia. a importância do tempo. os sonhos. melodia. Cada um deles tinha um sentido muito desenvolvido. traz diferentes jeitos de oito poetas. Lídice Marly de Castro – autores que sabem atingir o público infantil com a linguagem e os temas adequados. inteligente. de Charles Perrault. bem como as biografias dos que trabalharam para que cada exemplar existisse. desde cedo. que está no livro que agora você vai ler. outra do dia-a-dia escolar. as histórias.convivem harmoniosamente. os personagens – meninos. ao mesmo tempo em que encantam e divertem. Sua leitura pode resgatar a dimensão expressiva da linguagem. Luise Weiss. nesta coleção. sem cortes nem adaptações. dinâmica e até poética. ISBN: 85-260-1114-6 Páginas: 64.0355-0 Páginas: 48. rimas. SINOPSE: Pé de Poesia.Antologia Para Crianças Autor: Mário Camila Cerqueira César. também. Livro: Faz de Conto Autor: Mário Quintana. entre outros. Livro: A Bela Adormecida no Bosque Autor: Charles Perrault Tradução: Ana Maria Machado ISBN: 85-260-1033-6 Páginas: 32. Livro: Pé de Poesia Autor: Cora Coralina. ritmos. porque é uma excelente maneira de vermos como um conto de fadas clássico era contado há mais de três séculos e como ele se manteve vivo até hoje. dono de 95 guarda-chuvas. minuto do relógio. Um sábio teve cinco filhos. expressarem seus sentimentos sobre a vida e o mundo . Na apresentação. Walcyr Carrasco. desenvolve o prazer estético e a coloca em contato com o uso especial do código lingüístico sonorização.) Traduzimos tudo exatamente como Perrault escreveu. Walcyr Carrasco. instigantes. outra de amor e solidariedade. quatro meninos e uma menina. aliterações e símbolos. com tantas outras do mesmo gênero. entre os nomes mais representativos da literatura brasileira. Essa história. SINOPSE: Sete contos curtos. todas as crianças do mundo já ouviram ou leram. SINOPSE: Uma antologia e tanto! Oito histórias curtas. Em “O homem que Espalhou o Deserto”. tatu. sobre vários assuntos. Mário Quintana.os animais. Maria Heloísa Penteado. Nos textos. Cecília Meireles. Uma narrativa regional. uma antologia selecionada especialmente para as crianças. entre outros. Luís da Câmara Cascudo. conhece o homem cheio de manias. as lembranças. Os livros desta coleção possuem um projeto editorial esmerado e ilustrações belíssimas. entre eles o sonhar acordado. Ana Maria Machado. a infância. bonita.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS e Eva Furnari – grandes contadores de história – envolvem o leitor no universo mágico da literatura. (. A leitura de poemas. desperta na criança sua sensibilidade. convidam o aluno-leitor à reflexão. Livro: Histórias Para Ler e Ouvir . Em “A Revolta dos Guarda-Chuvas”.260. ela comenta: Pouca gente no Brasil conhece a versão completa. a questão da atenção. tem a tradução de uma das mais importantes escritoras da literatura infanto-juvenil. o cotidiano. a violência. A Coleção Clássicos Universais visa resgatar o que de melhor já foi escrito para as crianças. mas cega. • Clássicos Universais:  Algumas histórias tornaram-se universais. Luís Camargo. meninas. a troca de experiências e possibilitar. o saber ouvir. ISBN: 85. De tanto ouvirem o 129 Coleção de Educação Cooperativa . Em “Os Meninos Verdes”. sensibiliza-se com as criaturinhas desconhecidas no quintal de Dona Cora. outra da tradição oral. fada. SINOPSE: A Pedra da Sabedoria. a natureza. SINOPSE: A Bela Adormecida no Bosque. bruxa. entre outros. à análise crítica da realidade. ou seja. um percurso no imaginário infantil. cachorro .

Ela tinha vindo trabalhar na escola da aldeia. sentiu que a morte se aproximava. deixou-se levar pelas forças do mal e não conseguia voltar para casa. ao ver a tristeza do pai. É a voz de cinco professores indígenas Pataxó . com nossas próprias reflexões e informações do nosso passado e futuro. um menino índio. participando de conferências e ministrando oficinas culturais para crianças. Este mundo. com suas diferentes línguas e vivências. Seu livro Meu Vô Apolinário foi escolhido pela Unesco para receber menção honrosa no Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS pai contar sobre a existência do belo. Livro: Histórias de Verdade Autor: Aracy Lopes da Silva • Daniel Munduruku: Nasceu em Belém-PA. benzedores. pelo diálogo. onde tudo está interligado. Então. Em uma noite. Livro: O Povo Pataxó e Suas Histórias Autor: Angthichay. Não era apenas o tato. Formado em Filosofia. As ilustrações. um menino branco. pela aceitação das diferenças. Isso a fazia sentir como se tivesse olhos nas pontas dos dedos. mas também pelos adultos. • Temática Indígena: A realidade indígena é indissociável da relação dos povos com a natureza. Sua produção escrita compreende mais de 54 publicações. Recebeu prêmios e menções de Altamente 130 Programa A União Faz a Vida . com ilustrações de Cláudia Scatamacchia.aldeia localizada no município de Carmésia. Depois de alguns anos. A importância da leitura deste tipo de história no cotidiano da criança é inquestionável. partiu em busca dos irmãos. e Pedro. Ela tinha aceito porque queria aprender coisas que os índios sabiam. Constitui uma rica experiência estética e emocional. cria uma literatura única que ensina a criança a valorizar as desigualdades e ampliar seu olhar sobre o mundo. os rapazes saíram pelo mundo para encontrar essa jóia preciosa. Arariby. SINOPSE: Um livro diferenciado. Minas Gerais .. Surpreendido. valorizam a narrativa.revelandonos a história de seu povo . SINOPSE: Mais uma narrativa de Hans Christian Andersen. confiando demais no seu sentido. adaptada por Cecília R. Diante do sucesso do outro. A filha. até que um dia quebrou. habitado por animais e seres fantásticos. Ele era visita. O rouxinol encantou tanto que fez o imperador chorar. Kanátyo ISBN: 85-260-0618-5 Páginas: 48. também dos professores. valores. e ela podia ouvir tudo até dentro de seu próprio coração. rios. Era o rouxinol de verdade pousado num galho lá fora. Consertado. entre Uríe. o rouxinol é expulso do palácio. como a própria autora afirmou. ordenou que o procurassem. uma linda canção quebrou o silêncio. crenças. realizou pesquisas de campo entre os Xavante do Brasil Central. um desejo e uma esperança. na apresentação do livro. integrou o programa de pós-graduação em Antropologia Social da USP. peixes. Parente seu. para o conhecimento da verdadeira história no país. Além das atribuições acadêmicas. roçados. a pedra da sabedoria. Lopes. SINOPSE: Aracy Lopes da Silva (1949-2000). História marcada pelo conhecimento mútuo. que interferem e orientam o caminho dos diferentes povos. doutora em Antropologia Social pela USP. Livro: O Rouxinol e o Imperador da China Autor: Hans Christian Andersen Tradução: Ana Maria Machado ISBN: 85-260-0925-7 Páginas: 24. estrelas. e depois na cidade grande. ervas. ISBN: 85-260-0652-5 Páginas: 48. só poderia cantar uma vez ao ano. Manguahã. Os índios queriam aprender coisas que ela sabia: ler e escrever. pela amizade construída. do bom e do verdadeiro. ele recebeu de presente um sofisticadíssimo rouxinol mecânico. Era determinação de se lançar inteiramente naquilo que decidia fazer. Depois de um tempo. Ouvira falar da doença do imperador e viera oferecer esperança e conforto com seu canto. Esse desconhecia a existência do pássaro. Descobre-o ao receber um livro de presente no qual está escrito que a maior beleza de seu reino era o canto do rouxinol. O nosso objetivo é construir um currículo diferenciado para nossas escolas. só sua mãe. Todas as noites o rouxinol artificial cantava. Histórias de Verdade é o único livro para crianças que escrevi. acentuando seu caráter genuíno e original. luta pela sobrevivência. caciques. filho do povo indígena Munduruku. sempre defendeu os direitos dos índios. Cada filho.. Tinha um dom que os outros não tinham. A história versa sobre a amizade entre um rouxinol e o imperador da China. Porém. tradições. História de respeito à diversidade sociocultural que precisa ser lida não só pelas crianças. no dia-a-dia da aldeia. Jassanã. Professor durante dez anos esteve em vários países da Europa. Morava longe. matas. Um livro que fala de caças. Esperamos que este livro possa voltar para nossas escolas e também contribuir com outras escolas nãoindígenas. com o planeta e com o universo. E. o imperador adoeceu. pássaros. deuses e espíritos. numa cidade.hábitos. sonhos e presságios.

) É assim que vivemos nossa tradição. vivida por quatro crianças. com valores diferentes da nossa. Sabedoria. (. Meu espanto cresceu quando outros bichos iguais a ele apareceram e começaram a conversar em uma língua estranha (. Neste sentido os autores de hoje são as crianças que liberam suas fantasias e imaginação por meio as palavras e deixam as histórias fluírem. do povo indígena Munduruku. SINOPSE: Simplicidade. Livro: A Primeira Estrela que vejo é a Estrela do meu Desejo e Outras HistóriasIndígenas de Amor Autor: Daniel Munduruku ISBN: 978-85-260-1210-3 Páginas: 48. são para serem lidas com o coração. nascida em São Paulo em 1993. que eu tive de tapar meu rosto com as mãos (.” O livro permite também uma experiência bastante diferente uma viagem por um novo código: a língua dos Munduruku. Os ilustradores juntam-se aos seus sonhos e reproduzem por imagens os personagens e as situações. ninguém na aldeia acreditou. carinho. uma declaração de amor aos pais. Seja no ocidente ou no oriente. Pai? Autor: Daniel Munduruku ISBN: 85-260-0805-6 Páginas: 32. com muita simplicidade e sabedoria.) Se olharmos a história das relações humanas veremos que ela é feita de encontros e desencontros... Valores aprendidos em comunhão.) A luz ficou mais forte e dessa vez veio junto com um forte ruído. é mais uma autora da Coleção De Criança Para Criança. e você me carregava no colo para todos os lugares. marcado por muitos momentos juntos. nem conseguia andar. desonrado e humilhado por sua gente. Durante uma caçada. • De Criança para Criança: O princípio desta Coleção é estimular o prazer de inventar histórias e incentivar os autores de amanhã. Livro: Você Lembra. conta sobre a forte presença do pai em sua vida. a relação entre pai e filho constrói-se baseada em princípios comuns . Livro: Sabedoria das Águas Autor: Daniel Munduruku ISBN: 85-260-0894-3 Páginas: 32. (. um elemento importante nas histórias de amor que alimenta nossos povos: o amor tem uma dimensão social fundamental. apenas para me mostrar o pôr-do-sol? Um percurso pela memória. Para os outros guerreiros aquilo tinha sido um delírio e como castigo não poderia participar da caçada anual da aldeia. nos conta um pouco de seu exercício de pertencimento.. Koru. A narrativa envolve pela determinação do personagem na busca da verdade.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Recomendável pela FNLIJ.. mas porque sabem silenciar e no silêncio mora a sabedoria. Koru passou por uma estranha experiência na clareira das árvores. cinco histórias que. Embora se trate de uma outra cultura. Livro: Parece que Foi Ontem Autor: Daniel Munduruku ISBN: 85-260-1118-9 Páginas: 16. SINOPSE: De um modo informal. O amor é fundamental para nossas vidas. Você se lembra quando eu era pequeno. Daniel Munduruku viveu e vive esses valores e. SINOPSE: Nina Amarante. numa parceria harmoniosa e alegre. Nas suas águas.. admiração. como se estivesse conversando. 131 Coleção de Educação Cooperativa .. (. as pessoas se relacionam umas com as outras buscando uma fórmula para se viver bem a maravilha experiência de estar vivo.. “Candiê-Cuei”. com exceção do pajé e de sua mulher. acima de tudo. Sábios não porque ensinam através das palavras. Daniel Munduruku. “A Primeira Estrela que Vejo é a Estrela do Meu Desejo” e “O Perfume Enlouquecedor”.. limites.) Com os povos indígenas acontece da mesma forma. o autor.. (. porém... descobertas.. partiu com Maíra em uma pequena canoa e seguiu o curso do rio Tapajós. SINOPSE: A história vivida pelo índio Koru prende a atenção. tornando-se crianças também. Uma declaração.. SINOPSE: “A Estrela das Águas”. Sua criativa história da galinha de maiô rosa.respeito. segundo o autor.) É possível amar alguém e amar toda uma comunidade ao mesmo tempo. (.. Maíra. É. “Só o Amor é Tão Forte”.) Há. A leitura do livro emociona. por ensinamentos.. Daniel Mundukuru. “Os velhos sãp sábios. Ao contar o ocorrido. cuidado. É assim que desempenhamos nosso ser social: pelo respeito às tradições. pelo respeito ao saber do outro e pelo exercício do pertencimento a uma teia que nos une ao infinito. A narrativa segue a linha do tempo. ele tinha certeza de que encontraria as respostas para o seu tormento. Escrevi este livro pensando em meu pai.. um índio velho que olhava para o horizonte só pra sentir o vento batendo em seu peito.) Um deles levantou a mão que começou a brilhar de forma tão intensa. Livro: A História da Galinha Autor: Nina Amarante ISBN: 85-260-0782-3 Páginas: 20.

Estes ajudam-no a encontrar a Pedra do Tempo. O livro tem muito a ensinar às crianças na arte de produzir histórias. Uma aventura bem ao gosto de toda criança. recebe amistosamente Ronaldo. sabe bem contar uma história e transportar o leitor para outras galáxias e outros séculos.Nasa. a fim de estudar e trabalhar. O rei disse que. ¨será uma vez¨. Será uma vez. um simpático dragão gigante. que dois amigos trabalhavam pra Nasa com a missão especial. Autor: Menalton Braff ISBN: 85-98457-08-6 Páginas: 208. John e Peter.um portal.e. do lugar . amigáveis. mas. Uma viagem que toda criança gostará de realizar! EDIÇÕES SM Livros INFANTO-JUVENIL Livro: Como peixe no aquário. na cidade grande. sua mulher e os quatro filhos que. nascido no Rio de Janeiro em 1997. Provocações. A narrativa surpreende pela maneira como a autora escolhe as personagens. com tanta gente torcendo para um e para outro. chegam ao palácio. um adolescente prestes a perder a virgindade 132 Programa A União Faz a Vida . SINOPSE: Notadamente criativa é Viagem no Tempo. metade monstros e metade dinossauros. pancadas.) O rei explicou que a pedra ficava em local proibido. detalhadas e coloridas do competente artista gráfico Mauricio Negro. Livro: O Punhal de Jade Autor: Luís Dill. Buraco Negro. nascido em 1993. também. do tempo . Dividida entre os sonhos e as primeiras aventuras amorosas. também criança quando publicou a história em 2003. a violência física e verbal tão presentes na mídia e em muitos espaços de nossa sociedade. onde nenhum dragão podia entrar. Luca Boal Silbert. SINOPSE: Antonio Muylaert Thomé estava na primeira série quando publicou seu livro Um Cara que não Obedecia a Ninguém. (. murros. criada por Matheus Teixeira. o desenrolar e o desfecho dos fatos. Agora. o conflito e conduz. Base Estelar. A leitura do livro poderá ser um caminho para se discutir sobre as várias formas de agressividade. de algumas palavras . A história é centrada em dois personagens.. não vou dizer ¨era uma vez¨. sangue! Até uma ambulância entra em cena... cotoveladas. de quem sabe como ninguém selecionar traços e cores: Cláudia Scatamacchia. Por isso. SINOPSE: Este livro de contos revela situações que abordam a percepção de quem realmente somos. Livro: Viagem no Tempo Autor: Luca Boal Silbert ISBN: 85-260-0865-X Páginas: 20. mutantes habitam um palácio em uma ilha misteriosa. A história. tudo isso faz com que o amadurecimento seja um caminho cheio de imprevistos . em páginas inteiras. radioatividade são detalhes de quem entende do assunto. se consideravam valentões. Um dia. Livro: A Ilha dos Dragões Autor: Matheus de Souza Barra Teixeira ISBN: 85-260-0866-8 Páginas: 20. A escolha do nome dos personagens. eles são criaturas boas. aceitar o lado negativo de si mesmo e enxergar acima do preconceito para então decidir o que fazer. SINOPSE: Rita de Cássia é uma adolescente que se muda para a casa do irmão. Esta história aconteceu no futuro.passado. retrata bem a falta de limites. para que os dragões pudessem ganhar a liberdade que tanto queriam. decidiram ver quem era o mais forte.. bisneto de Cecília Meireles. na verdade João e Pedro. roubada por criaturas más.. SINOPSE: Edu. Livro: Um Cara que não Obedecia a Ninguém Autor: Antonio Muylaert Thomé ISBN: 85-260-0783-1 Páginas: 20. ela tem um problema: como repor o dinheiro antes que o patrão note o sumiço e descubra quem foi a responsável? Livro: Não é bem assim! Contos de Dúvidas e Decisões. O rei. São elementos significativos na elaboração dessa narrativa. criada por André.. socos. que aquilo mais parecia um campo de batalha. Descobrir a riqueza do outro. por isso mesmo. enriquecida pelas imagens fortes. SINOPSE: Dragões falantes. Porém. ISBN: 85-98457-02-7 Páginas: 144. Autor: Márcia Leite ISBN: 85-7675-022-8 Páginas: 168. Tudo isto divertidamente ilustrado pelo cartunista paulistano Spacca. gritos. por lutarem karatê e judô. de descobertas. a jovem pega dinheiro de seu patrão para comprar roupas e material escolar.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS é ricamente ilustrada pelos desenhos. asteróides. Goku e Cara que. voadores. Foram para uma arena de luta. presente e futuro. depois de terem viajado por muitos lugares distantes. era preciso que a Pedra do Tempo fosse encontrada.

Tudo começa quando uma mulher aparece em sua casa e pede a ele que tome conta de um punhal de jade.HÉLIO ZISKIND. Livro: Travessia dos Elefantes Autor: Alejandro Sandoval Ávila Tradução: Guilherme Vasconcellos ISBN: 85-98457-19-1 Páginas: 80. MCD. Vários Artistas. tem certeza de que é invisível. 2004. A – Albero degli zoccoli. • ASSASSINOS por Natureza . 119’. 2005. a não ser para suas três amigas. Eldorado. Nova Iorque. 2004. • CARTEIRO e o Poeta. 96’. ISBN: 85-98457-92-2 Páginas: 160. Sandra Peres. Idem. MCD. EUA/ITÁLIA. EUA. França. 1977. 186’. 1994. 110’. FILMES • AGENDA. 2002. • BICHO de Sete Cabeças. a história mostra a sabedoria e a inteligência dos paquidermes. Produção: Chico Buarque. • Memória Viva Guarani. • Entre outros. Vários Artistas. Direção: Stephen Daldry. A – L´Emploi du temps. • ÁRVORE dos tamancos. Brasil. Companhia Carroça de Mamulengos. • CASO dos Irmãos Naves. estará se envolvendo numa história cheia de aventuras e surpresas. 1989. Direção: Laurent Cantet. Espanha/Itália/Bélgica/França. MCD. • Coleção Eldorado: Brincadeiras de Roda. Rob Digital. Michael Redford. 2004. vê-se de repente envolvido em um mistério. Baseada em uma lenda africana. entre outros. Mas no porto de chegada ninguém sabe o que fazer com o exótico presente e não permitem que os animais sejam desembarcados. Discos disponíveis: • Canções Curiosas • Canções de Brincar • Cantigas de Roda • CD-Livro Canções do Brasil • Murucututu • Pandalelê – brinquedos Cantados. • Casa de Brinquedos. MCD. 80’. Direção: Vários.1997. SINOPSE: O rei de um país da África decide enviar ao presidente de uma nação distante os vinte melhores elefantes de seu reino. Universal Music. 90’. Ermanno Olmi. Suécia. • Girafulô. Solange Maria. Mas o que Edu não sabe é que. 1998. Direção: Oliver Stone. E encarrega o capitão Yahadi de pilotar o navio com a valiosa carga. SINOPSE: Rafaela se acha diferente. • Os Saltimbancos. Paulo Tatit. USA. • BILLY Elliot. quando resolve ir dançar. Rob Digital. Direção: Michel Ocelot. Volume 1 e 2. ao cair nas escadas do colégio. ao atender o pedido. • ANTES da Chuva – Before The Rain. Direção Ron Fricke. 134’. Rob Digital. 2007. Direção: Luís Sérgio Person. • ARQUITETURA da destruição . 2004. Direção: • A Arca de Noé. 2000. EUA. 1 – Bia Bedram. 1994. 2000. 1983. Universal Music. Direção Laís Bodanzky. Mas as coisas sempre mudam: um dia.Natural Born Killers. E encontra Simon. 1996. O. 133 Coleção de Educação Cooperativa .  Livro: Rafaela Autor: Mariana Furiasse. Direção MÚSICAS Selo PALAVRA CANTADA. 99’.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS com sua namorada. • Bia Canta e Conta vol. Rafaela acaba perdendo um brinco. Não só na escola ela parece não existir: Rafaela quase não sai de casa e. Tratore. Direção: Peter Cohen. traços de uma vida – Basquiat. 2001. 2006. EMI. • ANIMA Mundi. fica sentada enquanto todos se divertem. 1980. • O mundo é cheio de Sons – Sabah Moraes. Vários Artistas. França. • AVENTURAS de Azur e Asmar – Azur et Asmar.Undergångens arkitektur. 1978. Ñande Arandu Pyguá. Universal Music. Direção: Milko Manchevski. França/Itália. • Alumiação. • Lendas Brasileiras – Vários Artistas. • A Caixa de Música de Bia – Bia Bedram. Inglaterra/França. 115’. Direção: Julian Schnabel. • BARAKA. 1994. 109’. 108’. • BASQUIAT. • Cantigas de Roda . 119’. • Estrelinhas. Carlos Savalla. Na escola. 2004. 2004. O – Il Postino/The Postman.1993.

2004. • NÓS Que Aqui Estamos por Vós Esperamos. 96’.Hauru no ugoku shiro. W. Brasil. 100’.Haine. 1967. • FRIDA. O . Direção: Clóvis Vieira.Brother Sun. Direção Eduardo Coutinho. 2002. Direção: Walter Salles. França. • CENTRAL do Brasil. • KAYAANISQATSI – Life out of Balance. Japão. Direção: Vários. 13’. • ÓDIO. Direção: Charles Chaplin.1986. EUA. 80’. Direção: Andrés Wood. • RAP do pequeno príncipe contra as almas sebosas. Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris. Sister Moon. EUA.Yige Dou Buneng Shao. 1986. 2002. • NARRADORES de Javé. 91’. 1999. 70’. EUA. Brasil. 88’. • PAGADOR de Promessas. A – La Marche de l’empereur. O. EUA. USA. Direção: Nicholas Ray. 130’. 120’. AS – The Hours. Brasil. EUA. 103’. 1971. 119’. • ESTAMIRA. Espanha. 113’. Alemanha/Fraça/Itália. EUA. Brasil. 116’. Direção: D. • MEU pé esquerdo . 134 Programa A União Faz a Vida . 97’. Direção Marcos Prado. 92’. Direção: Kimberly Peirce. 2006. 1998. Direção: Mathieu Kassovitz. 1998. Direção Alain Berliner. 1989. • CRASH – no limite. La. 98’.Être et avoir.Modern Times. 75’. • ENIGMA de Kaspar Hauser. 1981. 2002. 1990.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Brasil. 2004. 1999. China. 150’. 1955. • ILHA das flores. Inglaterra. Direção: Paul Haggis. Direção: Gus Van Sant. EUA. 123’. França/1995. Brasil. Direção: Hayao Miyazaki. Direção: Roberto Geritz. Direção Zhang Yimou. Direção: Spike Lee. 2003. • MITORAMA – Lendas Brasileiras. • ÔNIBUS 174. O. Brasil. Brasil. Brasil. • SER e Ter . O – Lord of The Flies. 2003. Brasil. O – Der name der Rose. 135’. 1999. 1989. • HORAS. Direção: Anselmo Duarte. Direção: Werner Herzog. • CASTELO Encantado. 2001. 111’. Bélgica. O . Direção Julie Taymor. Alemanha.Kirikou et la Sorcière. 74’. • PROMESSAS de um novo mundo – Promisses. 2000. 129’’. Carlos Bolado e B. Direção: Karim Ainouz. Direção: Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabió Cuba/Espanha/México. França. 2002. Direção: José Padilha. Brasil. • ELES não usam black-tie. Direção: Beto Brant. • FELIZ Ano Velho. • EDIFÍCIO Máster. Direção: Eduardo Coutinho. 73’.1997. 21’. 123’. EUA. 101’. 202’. • KIRIKU e a feiticeira . O . • MARCHA dos pingüins.Princes et Princesses. Griffith. Direção: Marcelo Masagão. Brasil. • MENINOS Não Choram – Boys Don’t Cry. 163’. • JUVENTUDE Transviada . Inglaterra. • NOME da Rosa. 2004. 2005. 90’’. 115’. Direção Jean-Jacques Annaud. 125’. • MALCOM X. EUA/ França. Direção: Godfrey Reggio. 105’. Direção: Michel Ocelot. Direção: Sthepen Daldry. Direção: Alejandro Amenábar. 1962. Brasil. 2006.Z. 1916. 2000. Direção: Jorge Furtado. 118’. Direção: Peter Brook. 1998. França. • CASSIOPÉIA. • SANTO Forte. Direção: Stanley Kubrick. 113’. 80’.Little Miss Sunshine. 1988. ção: Luc Jaquet. 138’. SENHOR das moscas. Direção: Eliane Caffé. Itália/Inglaterra 1972. 1989. O. Brasil.Rebel Without a Cause. 1994. • MINHA vida em cor de rosa – Ma vie en Rose. Goldberg. Direção: Leon Hirszmann. Direção: Jim Sheridan. 110’. Direção: Jorge Furtado. • PEQUENA Miss Sunshine . Chile/Espanha. Direção: Nicolas Philibert. Brasil. 1992. Irmã Lua . Direção: Justine Arlin. 2002. 2001. 1974. Direção: Franco Zeffirelli. 82’. • MAR Adentro. 110’.Jeder für sich und Gott gegen alle. • SOCIEDADE dos Poetas Mortos – Dead Poets Society. • INTOLERÂNCIA – Intolerance. Direção: Peter Weir. Brasil.My Left Foot: The Story of Christy Brown. • MORANGO e Chocolate – Fresa y Chocolate. Brasil. O. EUA. 2005. 120’. 108’. • FÉ. 115’. 1996. Direção: Michel Ocelot. Direção: Paulo Caudas e Marcelo Lunas. • TEMPOS Modernos . 1999. 2004. 2002. • ELEFANTE – Elephant. • MACHUCA. Irlanda/Inglaterra. • INVASOR. Direção: Ricardo Dias. • HOMEM que copiava. Dire- 104’. EUA/ Palestina/ Israel. EUA. • IRMÃO Sol. Brasil. 81’. • LARANJA Mecânica . 110’.A Clockwork Orange. 80’. 85’. Brasil. • PRÍNCIPES e Princesas . 2003. • NENHUM a Menos . • MADAME Satã.

Só que além de detetive.Triumph des Willens. vá entrando com seu peão nos possíveis locais do crime e dando palpites sobre o culpado e arma usada. você vai viver a emoção de liderar sua esquadra contra o inimigo. Direção: Michael More. RESUMO DO JOGO: Scotland Yard é um jogo de dedução e raciocínio que estimula os processos de investigação normalmente usados na realidade. que são mistérios do dia-a-dia! Enciclopédia é um jogo que vai mexer com a sua curiosidade! Uma pergunta é feita por um dos jogadores e todos os outros devem dar uma resposta para esta pergunta. • VIAGEM de Chihiro. Número de participantes: 3 ou mais. • VEM Dançar . o importante é demonstrar sua habilidade em blefar para convencer seus adversários de que sua resposta é a correta!.Com miniaturas plásticas que dão mais realismo ao jogo e uma maleta portátil para levar aonde quiser. Direção: Hayao Miyazaki.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS EUA. Tire sua deduções e descubra a cada partida. Uma .An Inconvenient Truth . Dr. RESUMO DO JOGO: Trivial Pursuit é o jogo de perguntas e respostas que há mais de 20 anos traz diversão e conhecimento para milhões de pessoas do mundo inteiro. EUA. Suba a bordo e assuma o comando! Nome: Detetive. através de mímica ou desenho. Esportes & Lazer e Variedades. 100’. Código: 0033871 Número de participantes: 4 ou mais.Direção: Davis Guggenheim. O que vale é soltar a imaginação! Nome: Jogo Scotland Yard 120 casos Fabricante: Grow. RESUMO DO JOGO: Um jogo de investigação acima de qualquer suspeita! Tudo começou na mansão de um rico industrial. os jogadores possam transmitir a palavra sorteada aos outros jogadores da equipe. 2006. 108’. Pode ser jogado em equipes. São 2. Faixa Etária indicada: A partir dos 8 anos. RESUMO DO JOGO: Jogo Enciclopédia vem com 525 questões curiosas. 125’.Take the Lead. RESUMO DO JOGO: Uma disputa emocionante em que raciocínio e sorte são fundamentais para vencer a batalha. EUA. 87’ • TIROS em Columbine . Alemanha. Fabricante: Grow. 135 Coleção de Educação Cooperativa . Código: 0033596 Número de participantes: 2 ou mais. Código: 0033367 Número de participantes: até 6 pessoas ou em 6 grupos. Direção: Liz Friedlander. 2002. você está lá. Número de participantes: até 6 pessoas ou em 6 grupos. Faixa Etária indicada: A partir dos 10 anos.Bowling for Columbine. Faixa Etária indicada: A partir dos 6 anos. um novo e emocionante mistério! 2006. Código: 0032832 Número de participantes: 2 ou mais. A . Nome: Batalha Naval. 114’. RESUMO DO JOGO: Contém palavras e expressões variadas para que. 120’. Código: 0016543 Nome: Imagem e Ação Fabricante: Grow. 2001. • TRIUNFO da Vontade . História. Fabricante: Grow. Faixa Etária indicada: A partir dos 10 anos. Pessoa. JOGOS Tabuleiros Nome: Jogo da Enciclopédia. 1936. a vítima do crime. Código: 0032506. EUA. Artes & Entretenimento. você também é um suspeito! Para chegar cada vez mais perto da solução deste mistério. Faixa Etária indicada: A partir dos 6 anos. 1935. Direção: Leni Riefenstahl. Fabricante: Estrela. Japão. O Trivial Pursuit MASTER desafia os jogadores a mostrar todo o seu conhecimento. percorrendo o tabuleiro e respondendo às perguntas. Faixa Etária indicada: A partir dos 14 anos.Sen to Chihiro no Kamikakushi. Como um verdadeiro Sherlock. Por isso ele é diferente dos outros jogos de detetive que você conhece. • VERDADE Inconveniente.400 perguntas e respostas que abordam diversos temas: Pessoas & Lugares. Mais do que saber a resposta correta. Nome: Jogo Trivial Pursuit Máster Fabricante: Grow. Nome: Jogo Scrabble Português Fabricante: Mattel. Ciências & Natureza.

podem fazer o roteiro do Mestre. é o mais flexível dos sistemas de RPG. que situa as aventuras em um mundo fictício descrito no Módulo Básico de cada linha (ou sistema). Imagina que aquele rubi mágico que é a chave da trama está escondido num vaso. ver site: www. escutam. 3 níveis de dificuldade e 154 enigmas para serem resolvidos. No entanto. que poderíamos traduzir como “jogo de interpretação”. Eles pegam e jogam o vaso (sem olhar o conteúdo) num abismo escuro para calcular sua profundidade. exceto um jogador “especial” a quem chamamos de Mestre do Jogo. Ele apresenta aos outros uma situação inicial. GURPS: Autor: Steve Jackson GURPS. Faixa Etária indicada: A partir dos 8 anos. RESUMO DO JOGO: É um jogo de palavras que exercita sua agilidade mental! Retire sete letras do saco e veja as palavras que pode formar cruzando as que já se encontram no tabuleiro. Mesmo assim.com. dar errado. de acordo com o resultado de suas ações e com o roteiro. Pode ser jogado por equipes. A maioria dos títulos de RPG supõe um cenário pré-determinado. pois os jogadores decidem tudo e. Editora Vozes.br Sugestão de Leitura para o Educador: “ A Arte de Brincar – Brincadeiras e Jogos Tradicionais. apesar de ele apresentar situações adversas e interpretar personagens inamistosos durante a aventura. possibilitando aos jogadores aventuras em qualquer mundo que se puder imaginar.. o Mestre apresenta uma nova situação. E assim o jogo prossegue até o grand finale. Código: 0755214 Número de participantes: 2 ou mais. É importante observar que no RPG o Mestre não joga contra os outros jogadores. RESUMO DO JOGO: Jogo Sudoku! O passatempo que conquistou o mundo! Tabuleiro plastificado. um cenário baseado na Roma Antiga teria dificuldades em explicar o funcionamento de naves espaciais. É hora de adaptar a história e colocar o rubi escondido em outro lugar. entre outros. personagens previamente criados e uma aventura solo para se acostumar com a mecânica do jogo. e o Mestre é um grande responsável por isso. tocam. os jogadores interpretam os personagens que vão enfrentar os perigos de uma aventura ainda desconhecida para eles. Petrópolis. cheiram e sentem. ou pode ser uma situação para cuja resolução terão que usar muita astúcia.” Friedmann. Adriana. o sistema de RPG genérico e universal. existem capítulos para o Mestre. o que seus personagens farão e. 2004. RPG A sigla RPG vem da expressão inglesa role-playing game. o que eles vêem. para combate e regras avançadas e até uma primeira aventura em grupo.e o RPG é uma brincadeira cuja fronteira é a imaginação dos participantes. Só esse jogador conhece o roteiro da aventura. Nome: Jogo Sudoku Fabricante: Grow. Além disso.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Faixa Etária indicada: A partir dos 10 anos. então. sem sabê-lo. Nele. O objetivo maior do RPG é a diversão de todos. Pode ser uma situação de perigo. Pode ser jogado por equipes. É de fácil compreensão. que terá sido elaborado anteriormente. com regras para se começar a jogar. Materiais para uso em jogos populares / tradicionais: • Bambolê • Bola de borracha • Bola de meia • Bolinha de gude • Corda • Elástico • Giz para amarelinha e Caracol • Pipa • Pião • Para saber quais os materiais necessários e como confeccionar esses brinquedos. onde terão que lutar. descrevendo para eles onde eles estão. O candidato a Mestre tem que ter muita flexibilidade. Ninguém sabe o que vai acontecer.cambitolandia. Código: 0034789 Número de participantes: 2 ou mais. Os jogadores dirão. essas regras e referências especializadas poderiam limitar as histórias disponíveis .. 136 Programa A União Faz a Vida . Os suplementos cobrem os diferentes gêneros e o mestre e jogadores podem adaptar as regras para seus próprios mundos. como infiltrar-se numa base inimiga.

Apenas com o Módulo Básico.edicoessm.br .projetocooperacao.org.br .editora34. magia.ig. Criado pela editora americana Steve Jackson Games.com. cultura oriental.br .br 137 Coleção de Educação Cooperativa .com. livros auxiliares que se especializam num único tópico. já é possível criar campanhas inteiras e extensas.Companhia das Letras – www. conspirações.com.br .Portal Cidadania .Dowlond de Músicas – www.com. e se tornou um imenso sucesso.org. terror.jogoscooperativos.Editora 34 – www.br . sugestões e esclarecimentos para conduzir aventuras em diversos ambientes.br • USO COMUM .Ação Educativa – www.realhiphop.br .www. Ele apresenta regras.editorabiruta.br .org.br .www.br .Museu da Pessoa .Selo Palavra Cantada .Ética na TV .www.Livraria Cultura – www. Esses suplementos.Editora Biruta – www. descritas e organizadas para facilitar o entendimento.br .br . os mestres e jogadores que desejarem se aprofundar em determinados assuntos ou cenários dispõem dos suplementos. em 1990.2001 Vídeo Locadora – www. o GURPS (sigla em inglês para Sistema Genérico Universal de Jogos de Interpretação) foi o primeiro título traduzido pela Devir Livraria. tecnologia avançada.com.Edições S M – www. Assim como os demais sistemas.br .Submarino .imusicas.companhiadasletras. descritos a seguir.br . cortes de nobres mosqueteiros.br • EDUCADOR . Nesse livro.Editora Global – www.portalliteral.Revista Jogos Cooperativos – www.com. sugestões e esclarecimentos do sistema.br .hpg.letrasbrasileiras.Instituto Sou da Paz . incluem continentes medievais.music.ijc.Memória e Educação .www.VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS Para resolver esse impasse.livrariacultura.nautilus.com.com. com.com.soudapaz.br .com. O principal deles é a linha GURPS. As regras de GURPS abrangem todos os gêneros de ficção da literatura e do cinema.Portal Literal – www.com.editorabrasiliense.mingaudigital.cidadania.submarino.memoriaeducacao.br .Editora Brasiliense – www.br .www. Além disso. Módulo Básico O primeiro sistema de RPG lançado no Brasil.Real hip hop – www.br • COMPRAS E PESQUISAS . com regras e descrições capazes de suportar qualquer tipo de história.com. é possível encontrar todas as regras.com. foram criados sistemas “genéricos”.Dowlond de Músicas – www.br .br .org.globaleditora. SITES • CRIANÇAS E ADOLESCENTES .com.2001video.Projeto Tamar .projetotamar.com.com. GURPS é um livro considerado por muitos especialistas como o RPG mais completo já criado até hoje.educarede.www.org.Empresa que cria jogos cooperativos .Cidade Escola Aprendiz – www.br . ambientes históricos (também apresentados na linha Mini Gurps). futuros distantes.com.www.com.br .Projeto Cooperação – www.aprendiz.www.terra. poderes psíquicos e muito mais.Editora Letras Brasileiras – www.Cambitolândia – www.cambito.EducaRede .com. viagens espaciais.com.itsrainingames.Instituto de Juventude Contemporânea – www.msn.Site sobre RPG . cuidadosamente elaboradas.www. o Módulo Básico é imprescindível para todos os suplementos dessa linha.br/ .com.Mingau digital – www.org.acaoeducativa.com.br . super-heróis.www.br .br .org.www. desde os clássicos de capa e espada até viagens espaciais aos confins do universo.eticanatv.devir.palavracantada.www.Site sobre RPG .com.br .org .br .museudapessoa.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS COLEÇÃO DE EDUCAÇÃO COOPERATIVA A presente obra foi desenvolvida pelas seguintes organizações: Fundação SICREDI (em representação às Cooperativas de Crédito Singulares. Cultura e Ação Comunitária .br/auniaofazavida Porto Alegre. Realização Fundação de Desenvolvimento Educacional e Cultural do Sistema de Crédito Cooperativo Fundação SICREDI Coordenação Técnica e Edição Centro de Estudos e Pesquisas em Educação. 2009 138 Programa A União Faz a Vida . Assessorias Pedagógicas – Instituições de Ensino Superior.CENPEC Ilustrações Animake Imagem Virtual Diagramação Estúdio Cachola JubaDesign Copyright © by Fundação SICREDI www. CENPEC e dos Parceiros do Programa (Secretaria de Educação e demais Instituições de Ensino). Centrais. Confederação e Banco Cooperativo. integrantes ao SICREDI).sicredi.com.

VIVENCIANDO TRAJETÓRIAS COOPERATIVAS 139 Coleção de Educação Cooperativa .

sicredi.Coordenação Técnica Gestão www.com.br/auniaofazavida .