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NOVO

COMENTÁRIO BÍBLICO
CONTEMPORÂNEO

DONALD A. HAGNER
Baseado na
Edição Contemporânea de Almeida

NOVO
COMENTÁRIO BÍBLICO
CONTEMPORÂNEO

HEBREUS
DONALD A. HAGNER
E ditor do Novo Testam ento

W. Ward Gasque

Digitalização:

Emanuence Digital
Edição Geral:

Escriba Digital

V id a
jE D fT O R A M

Dedicados à Excelência

ISBN 85-7367-076-2
Categoria: Comentário

Este livro foi publicado em inglês com o título
Hebrews, por Hendrickson Publishers
© 1993, 1990 por Donald A. Hagner
© 1997 por Editora Vida
Traduzido pelo Rev. Oswaldo Ramos
Todos os direitos reservados na língua portuguesa por
Editora Vida, Rua Júlio de Castilho, 280
03059-000 São Paulo, SP — Telefax: (011) 292-8677
As citações bíblicas foram extraídas da Edição Contemporânea
da Tradução de João Ferreira de Almeida, publicada pela
Editora Vida, salvo quando outra fonte for indicada.
Capa: John Coté

Impresso no Brasil, na Im prensa da Fé

CONTEÚDO
Prefácio do E d ito r................................................................................................ 5
A b re v iatu ras......................................................................................................... 7
In tro d u ç ã o ........................................................................................................... 11
1. A Revelação Definitiva de Deus (Hebreus 1:1-4)..................... 31
2. Cristo É Superior aos Anjos em Sua Divindade
(Hebreus 1:5-14)............................................................................... 40
3. U m Chamado à Fidelidade (Hebreus 2 :1 -4 )...............................51
4. Cristo É Superior aos Anjos a despeito de Sua
Hum anidade (Hebreus 2 :5 -9 )......................................................... 55
5. Os Benefícios da N atureza Hum ana de Cristo
(Hebreus 2:1 0 -18)............................................................................. 62
6. Cristo É Superior a M oisés (Hebreus 3 :1 -6 )...............................72
7. U m a Exortação Inspirada pelo Êxodo (Hebreus 3 :7 -1 9 )........ 77
8. A Prom essa Rem anescente de Descanso (Hebreus 4:1-13) .. 84
9. O Supremo Sacerdócio de Jesus (Hebreus 4:14 - 15:10)........94
10. A Im portância da M aturidade Cristã (Hebreus 5:11 - 6 :3 ). 103
11. A Seriedade da A postasia (Hebreus 6 :4 -1 2 ).............................107
12. O Caráter Imutável do Propósito de Deus
(Hebreus 6:13-20)........................................................................... 115
13. O Enigm a de M elquisedeque e Sua Ordem Sacerdotal
(Hebreus 7:1-14)..............................................................................120
14. A Legitimidade e Superioridade do Sacerdócio de Cristo
(Hebreus 7:15-28)........................................................................... 128
1 5 . 0 verdadeiro Sumo Sacerdote e Seu M inistério
(H ebreus 8:1-6)................................................................................ 137
16. A Prom essa de uma N ova A liança (Hebreus 8:7-13)............. 144
17. Descrição do Ritual do Antigo Testamento
(Hebreus 9:1 -10)..............................................................................149
18. A N atureza Definitiva da Obra de Cristo
(Hebreus 9:11-14)............................................................................158
19. O Sacrifício de Cristo: O Fundamento da N ova A liança
(Hebreus 9:15-22)............................................................................165

4

Conteúdo

20. Cristo e Sua Obra: a Solução Final do Pecado
(Hebreus 9:2 3 -2 8 )................................................................................... 171
21. A Ineficácia da Lei (Hebreus 10:1-4).................................................. 176
22. O Antigo e o Novo em Salmos 40:6-8 (Hebreus 10:5-10)............. 179
23. A Oferta Perfeita e o Cumprimento de Jeremias 31:31-34
(Hebreus 10:11-18).................................................................................. 184
24. O Fundam ento da Fidelidade (Hebreus 10:19-25)...............................188
25. O Pecado da A postasia e a Realidade do Julgamento
(Hebreus 10:26-31)...................................................................................195
26. U m a Exortação à Perseverança e à Fidelidade
(Hebreus 10:32-39)..................................................................................200
27. A N atureza e a Im portância da Fé (Hebreus 1 1 :1 -3 )......................... 206
28. A Fé Dem onstrada por Abel, Enoque e N oé (Hebreus 11:4-7)... 211
29. A Fé Dem onstrada por A braão e Sara (Hebreus 11:8-12)..............216
30. A N a tu reza Transcendental da Esperança (Hebreus 11:13-16) ... 221
31. Abraão Oferece Isaque; a Fé em Isaque, Jacó e José
(Hebreus 11:17-22).................................................................................. 224
32. A Fé Dem onstrada por M oisés e pelos Israelitas
(Hebreus 11:23-29).................................................................................. 228
33. A Fé Dem onstrada por Raabe e Inúmeros Outros Crentes
(Hebreus 11:30-40).................................................................................. 233
34. Olhando para Jesus, o Padrão Perfeito (Hebreus 12:1-3)............... 240
35. O Propósito da Disciplina Punitiva (Hebreus 12:4-11)...................245
36. O D esafio à Santidade e à Fidelidade (Hebreus 1 2 :1 2 -1 7 )........... 250
37. A Glória da Posição Atual do Cristão (Hebreus 12:18-24)............255
38. U m a Advertência Final a Respeito da Rejeição
(Hebreus 12:25-29).................................................................................. 261
39. O Chamado para um a Vida É tica (Hebreus 1 3 :1 -4 )........................265
40. A Segurança do Crente (Hebreus 13:5-6).......................................... 269
4 1 . 0 Chamado para a Fidelidade e um a Advertência
Contra os Falsos Ensinos (Hebreus 13:7-9)....................................... 271
42. O Sacrifício de Cristo e os Sacrifícios Espirituais dos Cristãos
(Hebreus 13:10-16)................................................................................. 275
43. A Obediência aos Guias da Igrejas e um Pedido de Oração
(Hebreus 13:17-19)..................................................................................280
44. U m a Oração Final (Hebreus 13:20-21).............................................. 283
45. Posfácio e Bênção Final (Hebreus 1 3 :2 2 -2 5 )................................... 286

presa a ensaios e monografias herméticos. são responsáveis por tomar acessíveis à grande comunidade cristã os resulta­ dos dessa pesquisa. desejamos estimular e fortalecer esse movimento mundial de estudo da Bíblia pelos leigos. os especialistas que se unem para apresentar esta série de comentários o fazem tendo em mente esses objetivos superiores. esmerada. N a verdade. Pessoas ligadas às igrejas tradicionais católicas e protestantes manifestam. Conquanto esperamos que pastores e mestres considerem esses volumes muito úteis à compreensão e à comunicação da Palavra de Deus. pela Palavra. apesar do crescente secularismo ocidental. na igreja. à m edida que nos afastamos de países tradicionalm ente cristãos. o mesmo anseio presente em igrejas e comunidades evangélicas mais recentes. bem como dos autores. Esse interesse sempre renovado pelas Escrituras. N a m aioria são excelentes e devem ter a preferência do leitor no que concerne à com preensão e a beleza literária do texto.Prefácio do Editor Em bora não apareça nas listas comuns de bestsellers. Muito pelo contrário. guias que representem o que h á de melhor nas pesquisas contemporâneas. um núm ero cada vez m aior de pessoas está examinando suas páginas em busca de luz e orientação. e não meramente aos acadêmicos. A mensagem da Bíblia é tão importante que de modo algum pode ficar acorrentada a artigos especializados. Por isso. há diversas traduções e edições contem porâneas do Livro sagrado. Por isso. tenha seu lugar no serviço de Cristo. bem como da Europa e das Américas. Embora a pesquisa rigorosa. a B íblia continua a ser mais vendida que qualquer outro livro. guias confiáveis que os ajudem a melhor compreender os livros da Bíblia. ao oferecer esta nova série de comentários. encontrado tanto dentro como fora da Igreja. todos quantos participam do ministério do ensino. parece aum entar o interesse pela Bíblia. é fato notável entre os povos da Á sia e da África. em meio à crescente complexidade da vida moderna. não h á sinais de que o interesse pela m ensagem da Palavra de Deus esteja esfriando. redigidos apenas para os especia­ listas em teologia. Nosso objetivo é forne­ cer. É convicção do editor. que a Bíblia pertence ao povo. a todos os leitores das Escrituras. não os editamos primordialmente para esses profissionais. apresentados de m aneira que não exijam preparo teológico formal para ser entendidos. . Em português. E.

em nossos dias. não devendo ser considerada a última palavra sobre qualquer questão. à sua própria maneira. por ser tradução da língua inglesa. é a tradução mais acessível às pessoas pouco familiari­ zadas com a tradição cristã. Por representar. O Antigo Testamento ainda está sendo elaborado e deve em breve vir a lume. ela está aos poucos se tom ando a mais utilizada por pastores e outros estudiosos das Escrituras. o que há de melhor na literatura evangélica em língua portuguesa.) Como texto bíblico básico desta série decidimos usar a ECA. baseada na obra de eruditos católicos franceses. De outra forma. a N AB e a conceituada NVI. objetivando especialmente a clareza de compreensão — embora se deva salientar que de modo algum qualquer delas esteja isenta de falhas humanas. entre elas a RS V. os temas mais importantes e outras informações úteis. muito boas. bem como meio de enaltecer a fé das pessoas que viveram nos tempos bíblicos e das que procuram viver. de modo especial nos seminá­ rios e institutos bíblicos. ainda. Há. Editora Vida . em português. Oferecemos esta nova série aos leitores com uma oração: que ela se tom e instrumento de renovação autêntica e de crescimento entre a comu­ nidade cristã no mundo inteiro. não haveria a menor necessidade de uma série de comentários como esta! Esta série de livros. (E s ta já se acha parcialmente disponível em português. Todas essas versões são. que constitui verdadeiro monumento à pesquisa m odem a protes­ tante. e a outras versões em inglês. além de outras. E possível que a maioria dos estudantes deseje possuir diversas versões para consulta. talvez seja a mais literária das traduções recentes. Cada volume desta série contém um capítulo introdutório que expõe em m inúcias o intuito geral do livro. faz referências à NEB. cada seção do livro é elucidada como um todo e acom panhada de notas sobre aqueles pontos do texto que necessitam de m aior esclarecimento ou de explanação mais minuciosa. devendo ser consultadas com proveito pelo estudante sério das Escrituras. da Sociedade Bíblica do Brasil. vividamente traduzida para o português. no momento. segundo a Bíblia. por ser essa edição a que está-se tornando padrão. A Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH).6 Prefácio do Editor A Bíblia de Jerusalém. Depois. a Almeida Revista e Atualizada e a Edição Revisada de Almeida.

B. ed. ASV AT BAGD Barclay B ih lh c o B. ed.Teologia Bíblica Bíblia de Jerusalém Catholic Biblical Quarterly (Publicação Trimestral Bíblica Católica) C alvin T heological Journal (P eriódico T eológico de Calvino) A.BT EC A EJ EQ Exp I GNB HTR Interp JBL JE A n g lic a n T h e o lo g ic a l R e v ie w (R e s e n h a T e o ló g ic a Anglicana) Josefo. ed. 1970) Edição Contemporânea de Almeida (Ed. Roth. Vida) C. G ingrich e D anker. E ncyclopedia o f B iblical T heology (reimpressão de Sacramentum Verbi. A G ree k-E n g lish L e x ic o n o f the N eu T e s ta m e n t a n d O th e r E a r ly Christian Literature (1979) — Léxico Grego-Inglês do Novo Testam ento e Outras Literaturas Cristãs Primitivas The New Testament: A New Translation (1969) (O Novo Testamento: Uma Nova Tradução) Biblical Theology ■. A rndt. ed. Richardson. Antiquities (Antigüidades) A m e ric a n S ta n d a rd V e rs io n (V e rsã o P a d rã o Americana) Antigo Testam ento B auer. Encyclopedia Judaica (1971) Evangelical Quarterly — Publicação Tnmestral Evangélica Expository Times — Expositor dos Tempos Good News Bible (Bíblia das Boas Novas) H arvard Theological Review — Resenha Teológica de Harvard Interpretação Journal o f Biblical Literature — Periódico de Literatura Bíblica I.Abreviaturas Ang'ThR Am. CB( ) CU 1J( "i l'. Je w ish E n c y c lo p e d ia (1 9 0 1 -0 6 ) — Enciclopédia Judaica . B auer.. S in g er.. Dictionary o f Christian Theology ( 1969) Dicionário de Teologia C nstã J..

Gordon Chown. Brown. Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo. Reformed Theological Review R esto ra tio n Q u a rterly (P u b lic a ç ã o T rim e stra l da . um fragmento dessa tradução de Phillips correspondente às cartas do Novo Tes­ tamento. Há em português. em 1994. O livro recebeu o nome: Cartas para hoje: uma paráfrase das cartas do Novo Testamento. de tradução de Márcio Loureiro Redondo. 1983 New English Bible (Nova Bíblia Inglesa) Novum Testamentum Novo Testamento N ew T e sta m e n t L ib ra ry (B ib lio te c a NTS Testamento) New T esta m en t S tu d ie s (N o v o s E stu d o s no N ovo NVI Phillips RefThR RestQ do N ovo Testamento) Nova Versão Internacional (M V ) The New Testament in M odern English (O Novo Testam ento em Ingles Modemo) (1959).Abreviaturas 8 JE T S JS J JS N T JTS KJV LXX Moffatt NASB NCBCS NDITNT Journal o f the Evangelical Theological Society (Periódico da Sociedade Teológica Evangélica) Journal fo r the Study o f Judaism (Periódico para o Estudo do Judaísmo) Journal fo r the Study o f the New Testament (Periódico para o Estudo do Novo Testamento) Journal o f Theological Studies (Periódico de Estudos Teológicos) King James Version (Versão Autorizada) S e p tu a g in ta (T ra d u ç ã o g re g a p ré -c ris tã do A n tig o Testamento) The New Testament: A New Translation (1922) N ew A m erican S tandard B ible (N ova B íblia Padrão Americana) New Century Bible Com m entary Series (Série Novo Século de Comentário da Bíblia C. ed. Vida NEB N ovT NT NTL Nova. trad. publicado pelas Edições Vida Nova.

Abreviaturas
SBLMS
StrackBillerbeck

StudTh
TB
TCGNT
TDNT
TI
UBS
VoxEv
War

WPCS

\vr.i
znw

ZPEB

9

Society o f Biblical Literature M onograph Series
(Série de M onografias da Sociedade Literária Bíblica)
K o m m e n ta r zum N euen T e sta m e n t aus T a lm u d n d
M id r a s h (1 9 2 2 -3 8 ) — C o m e n tá rio do N o v o
Testamento, segundo o Talmude e o Midras
Studia Theologica (Estudos Teológicos)
Tyndale Bulletin (Boletim Tyndale), Cambridge, Inglaterra
B. M etzger, A textual com m entary on the G reek New
Testament (UBS, 1971)
G. Kittel e G. Friedrich, eds., Theological D ictionary o f the
New Testament, trad. G W. Bromiley (1964-72)
Tradução Inglesa
United Bible Societies (Sociedades Bíblicas Unidas)
Vox Evangélica (Voz Evangélica)
Josefo, (ju erra sjudaicas
W estm inster Pelican Commentary Series
Westminster Theological .Journal
(Periódico Teológico de Westminster)
Zeitschrift fur die Neutestamentliche Wissenschaft
M C . Tenney, ed., Z ondenan Pictorial Encyclopedia o f the
Bible (1975) — Encilopedia Zondervan Ilustrada da Bíblia

Introdução
Conquanto Hebreus seja um livro singular dentre todos os escritos do
Novo Testamento, na verdade sabemos pouca coisa a respeito de sua origem,
seu autor e seus primeiros leitores. A designação tradicional e antiga desse
I i v t o como "Epístola do Apóstolo Paulo aos Hebreus”, que se encontra, por
exemplo, na página de abertura da carta na Edição Corrigida e Revisada, Fiel
ao Texto Original, da Sociedade Bíblica Trinitariana, não faz parte do
documento original: é mera opinião da igreja primitiva que, inicialmente,
expressou-se na igreja Oriental (Alexandria), em fins do segundo século, e
na igreja Ocidental dois séculos mais tarde. Acrescente-se que tal atribuição
de autoria teria sido inferida com base no próprio documento, por força dos
especialistas da atualidade, não tendo sido extraída de nenhuma tradição
independente a respeito de suas origens. Por conseguinte, cabe-nos extrair
conclusões próprias a partir do conteúdo real de Hebreus.
No entanto, escrevendo sobre as circunstâncias bem conhecidas dele e
de seus leitores, o autor presume muita coisa que gostaríamos de saber
Como muitas vezes acontece na interpretação de outras cartas do NT.
temos a impressão de estar ouvindo só um lado de uma conversa por
telefone Temos de suprir mentalmente o que a outra pessoa teria dito, a fim
de tom ar inteligível a parte da conversa que pudemos ouvir. Precisamos
admitir, então, que as conclusões a que chegarmos a respeito dos leitores
da cana. de seu autor e das circunstâncias que deram origem a esse livro
extraordinario só podem ser exploratórias, hipotéticas, nunca definitivas.
A verdade dessas conclusões não se baseia em declarações particulares do
livro, exam inadas isoladamente da obra. nem deve ser apreciada apenas
por tais declarações. As conclusões mais convincentes são as que explicam
melhor o documento todo.
Os destinatários
É claro que Hebreus não se inicia com a identificação do autor, nem das
pessoas a quem a carta foi endereçada, como ocorre na m aioria das cartas
do NT. Tam pouco Hebreus se inicia à feição de uma carta, a despeito de
sua conclusão tipicamente epistolar. Além disso, em parte alguma dessa
carta o autor se refere aos primeiros leitores como hphrpn« nu htHpiu n

12

Introdução

título “Aos Hebreus” surgiu pela primeira vez no final do segundo século
(com Clemente de Alexandria e Tertuliano). Embora se encontre também
no manuscrito mais antigo das cartas paulinas (/>l6), mais ou menos da
mesma época, talvez só reflita uma opinião em surgimento.
No entanto, é provável que a igreja primitiva estivesse certa ao entender
que os primeiros leitores dessa carta tivessem sido judeus cristãos. A
grande maioria dos estudiosos da atualidade concorda com essa conclusão,
com base na análise do conteúdo do livro. O AT é de importância vital: é
mencionado e exposto com freqüência em forma de "‘midras",* e a
argumentação da carta depende em grande parte do uso do AT. Falando de
modo mais especítico: a ênfase na liturgia e no sacerdócio levitico, no
santuário do tabernáculo erigido no deserto e na aliança mosaica
tudo
isso forma contraste minucioso com o cum prim ento que Cristo operou.
Esses fatos apontam para a grande possibilidade de os leitores originais
serem judeus.
Também é verdade que Hebreus se interessa muito pela cristologia (a
doutrina da pessoa de C nsto) e pelo cumprimento das promessas do AT. bem
como pelo modo por que as experiências de Israel são utilizadas pelo autor
como advertências a comunidade. Certas passagens parecem particularmen­
te cabiveis aos leitores judeus. Por exemplo, as palavras iniciais — ' 1iavendo Deus outrora falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais. pelos
profetas” (1:1) — referem-se naturalmente aos pais tísicos. Outra evidência
que nos empurra para essa conclusão é 2:16: “Pois na verdade ele não socorre
a anjos, mas sim a descendência de Abraão” . Nessa passagem explica-se que
a encarnação é devida à identificação de Cristo com a humanidade (e não
com os anjos), ainda que isso se expresse mediante alusão a 1saias 4 1:8s.. que
tem em mira Israel, de modo específico. Tal fato se reveste de importância
especial para os leitores judeus. E seriam os leitores judeus em particular,
mais que quaisquer outros leitores, por causa da excelência intrínseca do
judaísmo, os mais tentados a voltar à sua primitiva fé religiosa. E é contra isso
que o autor de Hebreus adverte continuamente em seu livro Tais leitores,
mais que quaisquer outros, teriam sido forçados a agarrar-se ao relaciona­
mento existente da antiga aliança com a nova.

*Midras é um tipo de texto que se baseia no uso caracteristicamente judaico
do AT

Introdução

13

Até fins do século dezenove a convicção firme e unânime dos estu­
diosos era que os primeiros leitores do livro de Hebreus eram cristãos de
origem judaica. A partir de então há quem sustente que os primeiros
leitores eram gentios, e não judeus. Visto que o título “Aos Hebreus” é
tradicional, mas não originário, a certeza de tais leitores serem judeus ou
gentios cristãos só se pode obter pelo estudo do próprio livro.
Iais estudiosos argumentam que nenhum elemento do conteúdo do
I i v t o comprova ter sido dirigido a judeus. Ainda verdadeira a assertiva,
permanece, contudo, a pergunta: que hipótese teria maior sucesso em
explicar os fenômenos descritos nesse livro, como um todo?
Seguem-se as objeções levantadas contra a identificação dos leitores
corno judeus (e algumas réplicas). A apostasia em potencial descrita em 3 :12
- “ Vede. irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração
de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” — parece difícil se a
referencia se faz a um retomo ao judaísmo. Se os gentios crentes voltassem
a seu paganismo, na verdade se poderia considerar que abandonaram o Deus
vivo No entanto, à vista de nossa compreensão do argumento maior do
autor. desviar-se do cumprimento da obra que Cristo realizou na verdade é
tão grave que. até mesmo para leitores judeus, isso seria um afastamento “do
Deus vivo" Da perspectiva do autor, a annga aliança já passou; voltar a ela.
segundo seu pensamento, de modo algum poderia ser entendido como o
retomo a uma religião válida, em que o Deus vivo estaria em plena atividade.
De modo semelhante, embora alguns sejam de opinião que a referência
a "obras mortas” em 6:1 e 9:14 seja uma descrição mais adequada do
paganism o que dojudaísm o. a perspectiva do autor de Hebreus pode muito
bem possibilitar tal avaliação dojudaísm o. Além disso, as referências a
visões com laivos de gnosticismo. em 13:4,9 não implicam necessaria­
mente que os leitores eram gentios. O judaísm o da diáspora estava sujeito
a influências "gnósticas" (c f Colossenses 2 :16,21s.).* O grego elegante
do livro e as citações regulares do AT na tradução grega chamada
Septuaginta (LXX) não indicam necessariamente que os leitores seriam
gentios. Insistimos: é certo que não é ojudaísm o, nem o templo, mas. antes,
*(jnosticismo refere-se a uma grupo de ideias orientais e gregas, de natureza
religiosae filosófica, comuns naeracnstã primitiva. Tradicionalmente o gnosticismo
era considerado heresia no seio do cristianismo, mas a maioria dos estudiosos de
hoje o considera fenômeno de acepção mais ampla.

14

Introdução

os ritos levíticos e o tabernáculo do deserto que constituem o foco dos
argumentos do autor, mas isso não indica conclusivamente que os leitores
sejam gentios. O recurso do autor ao passado e ao que está registrado nas
Escrituras advém de seu desejo de salientar a razão da prom essa e de seu
cumprimento. Assim, a nova aliança em Cristo substitui não apenas a
manifestação do judaísm o, mas também sua afirmação ideológica na Tora
(Gênesis-Deuteronômio), vigentes até então.
Se os leitores originais de Hebreus eram judeus, é muito prováv el que
devamos concebê-los como judeus helenistas, ou de língua grega, isto é,
judeus cujo judaísm o pertencia à variedade não-confonnista. Em outras
palavras, não se tratava do judaísm o rabínico típico, ainda que pudesse ter
sido influenciado por este.
E preciso admitir: assim como nada em Hebreus leva a crer que os
leitores originais fossem judeus, a despeito da forte tendência para essa
possibilidade, nada. de semelhante forma, exclui a possibilidade de a carta
ter sido dirigida a um público gentílico. Na verdade, alguns especialistas
propugnam um público misto, feito de judeus e gentios! Km virtude do
conteúdo. Hebreus possui aplicação universal.
Se. como vimos argumentando, a explicação mais natural do I i v t o .
levando em conta seu conteúdo total, é que seus primeiros leitores eram
judeus cristãos, poder-se-ia afirmar algo mais específico a respeito deles0
Uma opinião que se tom a cada vez mais aceita e popularizada é que seus
leitores pertenciam à comunidade essênia de Qumran, de cuja existência
tomamos conhecimento pela descoberta dos rolos do mar Morto; pelo
menos tais leitores estiveram sob a influência dessa perspectiva. Embora
haja algumas similaridades marcantes entre o conteúdo de Hebreus e o dos
rolos do mar M ono, mediante análise mais profunda verifica-se que tais
similaridades são mais superficiais que substanciais (veja-se f; E. Bruce,
“ To the Hebrews’ or ‘To the Essenes’?” — ‘Aos H ebreus' ou ‘Aos
Essénios’0 NTS 9 [1962-63], pp. 217-32). Além disso, o realce ao
sacerdócio e ao ntualism o levítico, presente em Hebreus, não indica
necessariamente que seus leitores eram antigos sacerdotes ícf. Atos 6:7).
A argumentação do autor não é tão técnica que exclua os judeus que se
haviam convertido ao cristianismo. De modo semelhante, a crítica do autor
aos leitores, quando afirma que deveriam ter sido “m estres” (5:12) não
significa necessariamente que eram profissionais (em contraste com
leigos). Pode significar que, uma vez judeus cristãos, detentores de

. todavia. identifica­ ram-se ainda assim com os que sofriam provações mais atrozes. que certos fatos sobre os leitores são irrefutáveis. é possí­ vel que essa possibilidade agora se lhes apresentava como ameaça seriíssima ( 10:3 5s. Ficamos sabendo que. nenhuma obstrução mental desses leitores. Podemos ainda afirmar a respeito dos leitores de Hebreus que o autor não só os conhecia bem. A hipótese de os leitores serem judeus cristãos é. A única pista de .Introdução 15 profundo conhecim ento do AT. 10:25). Essa incapacidade funcional tom a-se mais relevante em face de sua história. talvez como antigo líder da com unidade (1 3 :18s. Embora antes. de uma com unidade cristã maior. Parece que a razão disso são o tem or da perseguição e a relutância em separar-se do judaísm o. deveriam ocupar uma posição superior de ensino (especialm ente aos gentios). é evidente que os destinatários da carta formavam uma com unidade específica com uma história especí­ fica. a razão não seria.). aparentem ente. Em tem pos de perseguição.17). mas m antivera relacionam ento com eles. incluindose a perda de propriedades ( 10:32ss. quando muito. em que demonstraram amor a seus com panheiros cristãos. embora tenham sido cristãos durante algum tempo. permaneciam imaturos na com preensão da fé cristã (5:11— 6:3). mediante o serviço a eles dedicado (6:9s ). Em primeiro lugar. em que esses mesmos leitores sofreram bastante. a despeito desse passado cheio de honra.. apenas possível de estar correta. sobre o significado total do cris­ tianismo. parece haver evidências de que estavam enfraquecendo em seu compromisso. Na verdade. não hou\essem sofrido o martírio. é possível que a iminência da perseguição fazia que eles começassem a separar-se do principal corpo de cristãos. a referência a “todos os vossos guias” em 13:24). Todavia. sabe-se. talvez por causa da ameaça de novas perseguições. Poderiam ter-se reunido todos numa casa que funcionava como igreja.22ss.. pois. ou pelo menos tivesse feito parte. Poderíamos dizer com alguma certeza em que lugar esse grupo de cristãos judeus residia? Os judeus convertidos ao cristianismo residiam por todo o mundo m editerrâneo e também na Palestina. certas pressões novas aparentemente os estavam im pedin­ do de continuar a reunir-se dessa forma (cf. no entanto. apesar de tudo. constitui boa possibilidade) que essa com unidade de crentes judaicos fizesse parte. 13:7. E menos evidente (mas. cf. talvez fosse a ala judaica de uma congregação maior (cf. 12:4).

o emprego do AT. também. alguns estudiosos que Hebreus havia sido em iada a uns poucos judeus cristãos da Palestina. Além disso. N o entanto. por sinal. contudo. talvez essa evidência seja pertinente ao contexto do autor da carta mais do que ao contexto de seus leitores. A vista de sinais aparentes de uma perspectiva alexandrina na carta — por exemplo. 10:34. 10:32ss ). Romanos 16:21). levanta-se o caráter fortemen­ te helenístico do I ív t o . E preciso que nos lembremos ainda de que a igreja de Jerusalém estava empobrecida quanto a bens materiais. nosso primeiro contato com Hebreus — contato antiquíssimo — vem da parte de Clemente de Roma. o dualismo entre os arquétipos celestiais e as cópias terres­ tres. A primeira carta de Clemente traz inúmeras citações de Hebreus. na hipótese de os leitores serem de Jerusalém. em que o autor diz a seus leitores que estes ainda não haviam derramado seu próprio sangue). A cnse iminente que pareciam enfrentar segundo Hebreus podena ser a destruição de Jerusalém pelos romanos.’ Haviam sofrido perseguições da pane de seus irmãos incrédulos. contudo. é bastante ambígua.16 Introdução natureza geográfica que encontram os em Hebreus está em 13:24. Seria de estranhar. cuja identidade ele com toda a probabi­ lidade conhecia. As palavras “os da Itália vos saúdam ” com toda a probabilidade significam que alguns compatriotas italianos. de modo que dificilmente poderia mostrar a generosidade pela qual o autor da carta a cumprim enta (6:10. mencionado em 13:23. também era conhecido da igreja de Roma (cf. Também é digno de nota que a igreja cristã de Roma. que a igreja alexandrina não se . que. Contra essa opinião. Não estariam os judeus cristãos ali sob tremenda pressão para que voltassem à sua antiga religião'. e alguns ate haviam sido monos (cf. p or exemplo. 13:16). à semelhança dos primeiros leitores de Hebreus. longe de casa. havia sofrido perseguições. Hebreus 12:4. enviam saudações a seus irmãos na terra natal. Isso é muito mais natural que a conclusão segundo a qual alguns cristãos em Roma (nesse caso não esperaríamos encontrar a preposição “de”) enviam saudações a irm ãosem quaisquer outros lugares. sendo conhecida por sua generosidade (cf. Afirmam. em 95 d. que não se enquadra muito bem.C. mas ao lado do autor de Hebreus. mas é de lamentar que não nos dê indicações sobre seu autor.. caso a cana houvesse sido dirigida a judeus cristãos de Roma. Hebreus 6:1 üss. Timóteo. sim ilaridades com o estudioso judeu alexandrino Filo — alguns eruditos têm defendido a idéia de que Alexandria seria a cidade destinatária de Hebreus. ( 1 Clemente).

a sofrida sob Nero. Roma permanece a hipótese mais atraente como a cidade de destino da carta aos Hebreus. Hebreus também teria sido enviada as igrejas do vale do Lico. relativamente grande.Introdução 17 lembrasse do nome do autor. Galacia. Mas ali mesmo se acreditava que a carta originariamente havia sido enviada a judeus cristãos da Palestina. iniciada em 64 d. que podemos dizer a respeito da data da composição? Visto que a carta aos Hebreus foi usada por Clemente de Roma. em fms do segundo século. visto ter sido em Alexandria. não aos da Alexandria! Para T. Há três perseguições romanas conspícuas por ser consideradas: a sofrida sob o poder do imperadoi Doinício. Corinto e Chipre também apresentados como a possível residência dos leitores. insulto público e perda de propriedades. não existe a menor razão para crermos que essas m anifestações de certa forma de gnosticismo judaico teriam sido limitadas ao vale do I. Tanto Colossenses como H ebreus referem -se ao escrúpulo sobre determ in ad o s alim entos (C olossenses2:16.C . essa opinião não passa disto mesmo: opinião ou mera hipótese. As perseguições sob a tirania de Nero e de Domício importaram na perda de muitas vidas.). podemos ter certeza de que foi redigida antes de 95 d. se aceitarm os provisoriamente que os primeiros leitores da carta aos Hebreus foram os judeus cristãos que constituíam pane da igreja cristã. . célebre teólogo inglês. entre 80 e 100 d. Hebreus fora dirigida a judeus cristãos que enfrentavam os mesmos problem as de Paulo. em 49 d. que pela primeira vez Hebreus foi atribuída a Paulo. Manson. cf. e a de Cláudio. Síria. ainda que os leitores de Hebreus não houvessem aparentemente sofrido perseguição culminada . e aos quais ele se refere em sua carta aos colossenses. Hebreus 1:4 ss. esses lugares acarretam um grau ainda maior de especulações em relação aos já mencionados.C. Hebreus 13:9.C. W. em algum a época em "dias passados" os leitores haviam sofrido abusos. Todav ia. Colossenses 2:20-23: H ebreus9 : 10). O fator mais importante na apuração da data aproximada da carta e a identificação da perseguição a que se refere IO:32ss. Depois que todos os dados são estudados. bem como sobre a veneração dos anjos (Colossenses 2:18. No entanto. Segundo essa passagem. D ata Portanto.C. Asia.ico Ha ainda uma serie de lugares como Ffeso. por isso. No entanto. de Roma.

destituído de significado (cf.C É extraordinariamente digno de nota — na verdade. cf. Uma segunda questão de grande importância quanto à datação de Hebreus é se a carta foi escrita antes ou depois da queda de Jerusalém e da destruição do templo. No entanto. que nos induz à possibilidade de uma datação anterior. Na verdade. cujas conseqüências foram a agitação que atingiu a comunidade judaica. Por isso. é especialmente o silêncio a respeito dos eventos de 70 d. Essa datação parece compatível com a declaração de 2:3. Na verdade. devemos lembrar-nos de que o que se descreve dessa forma não é o ritual da época. obsoleto e. como parece. a expulsão se deveu a arruaças em tom o de uma pessoa chamada “Cresto” (provavel­ mente grafia errônea de C hnstus [ou Cristo]).C. ainda descrevem o ritual do templo mediante o uso do presente do indicativo (e.C. a descrição é feita em termos ideais. a destruição da cidade e do templo teria fornecido a pedra angular de seus argumentos destinados a persuadir os leitores a que não voltassem ao judaísmo. Essas badernas com toda a certeza estavam relacionadas à recente conversão de judeus à fé cristã. Os rituais sacrificiais e a obra do sacerdócio levítico são descritos portodo o livro no tempo verbal presente.C. A despeito dessas observações. acrescente-se que os autores cristãos de depois de 70 d . visto que um evento histórico dessa magnitude poderia ter sido interpretado como autenticação divina do argumento central do autor de que o rito levítico estava ultrapassado. Além disso. Clemente de Roma e Justino Mártir). para a carta aos Hebreus. Se a perseguição de Nero ainda não fora lançada. não mencionasse tal fato. a perseguição sofrida sob a tirania de Cláudio enquadra-se bem na descrição apresentada em 10:32ss. Cláudio expulsou os judeus de Roma. Entretanto. segundo a qual os leitores ouviram o evangelho de pessoas que o haviam .4). 8:13). o tempo presente poderia ser um sinal de que a carta aos Hebreus havia sido escrita antes de 70 d. Atos 18:2). por isso.. incluindo-se os judeus cristãos (dentre os quais estavam Priscila eÁ qüila. As dificuldades dessa ocasião teriam propiciado aos leitores de Hebreus amplas oportunidades de demonstrar o amor e o espírito de serviço pelos quais o autor os cumprimenta.18 Introdução em m artírio (12:4). se o autor de Hebreus a houvesse escrito depois da destruição do templo. somos levados a uma data situada mais ou menos em inícios dos anos sessenta.g. de acordo com o historiador rom ano Suetônio (A Vida de Cláudio 25. mas o apresentado no AT. no entanto. em 70 d. é incrível que. Portanto.

Lutero e Calvino a desafiaram de novo. sendo atribuído a Paulo. do que por convicções genuínas. sem a menor dúvida são paulinas.g. Depois de Orígenes. Paulo não admite ser inferior . Além disso.. 1 Corintios 9:1). e mediante quem. A utor Hebreus recebeu bem cedo um lugar garantido no cànon do NT. algo que Paulo nega veem ente­ mente (e. so então a carta foi inserida jmediatam ente apos Romanos. mais por causa da forte tradição e conformação vindas da igreja do Oriente e de considerações canônicas.C . pela natureza diferente do grego da carta. presumindo-se que essa declaração é literal.) seguiu seu mestre Panteno na crença deq u e Paulo teria sido o autor de Hebreus. pela igreja do O nente. não existem alusões pessoais na carta que nos induzam à conclusão de que Paulo foi o autor. Orígenes.Introdução 19 ouvido do próprio Senhor Jesus. Várias décadas depois. todavia. e não simples declaração genérica a respeito da integridade da tradição. Em segundo lugar. a autoria paulina de Hebreus permaneceu intacta. Quando foi que essa mensagem chegou pela primeira vez a esses leitores. diferentemente de todas as cartas que. em fms do século segundo. 200 d. afirmaria que o conteúdo do livro era essencialm ente paulino. quando Erasmo. A au iona paulina de Hebreus foi objeto de divergências na igreja do Ocidente até tins do século quarto e início do século quinto. o que era prática frequente de Paulo. esse texto é anônimo. Em parte alguma a experiência pessoal do autor se insere no conteúdo da carta. Clem ente da Alexandria (c. embora negasse a origem paulina da carta (nem mesmo acredi­ tava que o apóstolo a tivesse escrito originariamente em hebraico). em particular. são questões que estão além de nosso alcance. Só com Jerónim o e Agostinho a autoria paulina foi aceita na igreja do Ocidente. Essa conclusão permaneceu solidamente firmada no Ocidente até o período da Reforma. no meio do corpus paulino ein / M'\ a cópia em papiro mais antiga desse corpus que sobreviveu até a era moderna. Gálatas 1:12. sem ser desafiada no Oriente. o autor alinha-se pessoalm ente entre as pessoas que têm apenas um conhecim ento indireto do Senhor (2:3). ele ensinava que Paulo a havia escrito em hebraico (aram aico) e Lucas a teria traduzido para o grego. como fica também a questão de quem teria fundado a igreja de Roma. E difícil aceitar a autoria de Paulo para a carta de Hebreus pelas seguintes razões significativas: primeira.

descrito em Atos 18:24 como “homem eloqüente e poderoso nas Escrituras". a oposição entre fé e obras. . a ressurreição de Cristo (m encionada apenas em 13:20) deu ensejo a uma ênfase repetida na exaltação de Cristo à destra de Deus. na verdade. Visto conhecerm os tão pouco. embora a carta em si mesma não fosse de Paulo. conforme se verificara na igreja primitiva. Apoio só pode constituir uma hipótese. nada em Hebreus contradiz o ensino de Paulo. a justificação pela fé. aliado à menção de Timóteo (13:23). É claro que se pode atribuir isso ao emprego de outro amanuense. demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo” ( Atos 18:28). mediante Priscila e Áqüila. Essa circunstância levou Origenes a concluir que. a razão mais importante: há diferen­ ças consideráveis entre Hebreus e as cartas paulinas. e a tensão entre a came e o espírito. Hipótese. é que seu autor foi Apoio. pomo-nos a especular a respeito da identidade do seu autor. há muitas facetas em comum entre Paulo e o autor dessa carta. A mais importante é o elevado sacerdócio de Cristo para o autor de Hebreus. grande parte de seu conteúdo tem o caráter paulino. Além disso. está claro que Apoio conhecia o apóstolo que. a partir do conteúdo da carta. ainda que isso nos pareça improvável. A única dificuldade diante da hipótese de que Apoio teria sido o autor de Hebreus é a falta de um testemunho da antigüidade que lhe dê apoio. Tanto os dados biográficos como as habilidades de Apoio concordam com o que sabemos a respeito do autor de Hebreus. Esse fato. aluo que está ausente de vez nos escritos de Paulo. Uma proposta que se tom a cada vez mais popularizada. aliás. é que o estilo do grego dessa carta — linguagem mais elegante do N T — é diferente de qualquer das cartas de Paulo. pois. Acrescente-se que vánas ênfases notadas nas cartas de Paulo estão ausentes em Hebreus: a união com Cristo (“em Cristo”). Deveria conhecer a Timóteo também. de modo especial pelo fato de essa acusação ter-lhe sido lançada reiteradamente. sugere que o autor estivera associado aos círculos de Paulo. o judeu convertido de Alexandria. e a ênfase comum de Paulo no caráter redentor da obra de Cristo fica subordinada a outra ênfase em Hebreus: a purificação e a santificação do povo de Deus por Cristo. Todavia. que não se pode confiar na antiga tradição segundo a qual Paulo redigiu Hebreus. Em quarto lugar.20 Introdução aos doze apóstolos. talvez a melhor que se possa aventar. excelente. A terceira razão. havia instruído esse obreiro cristão. Também se diz de Apoio que “com grande veemência refutava publicamente os judeus. Visto. defendida em primeiro lugar por Lutero.

de que tinha pleno conhecimento. 200 d . seu conhecim ento do AT erá maravilhoso. pronunciou estas famosas palavras: “ Deus sabe na verdade quem escreveu esta carta” (citadas por Eusébio.C ). Podemos mencioná-los de modo resumido. Bam abé (veja-se Atos 4:36) era levita e. sendo proveniente da raça judaica. tendo sido capaz de interpretá-lo sob o aspecto de Cristo. Eclesiastical History — História Eclesiástica — 6. Priscila (com base no anonimato da carta e por ter tutelado Apoio. Filipe (defendendo o paulinismo perante os judeus cristãos de Jerusalém). estando provavelmente familiarizado com o idealismo platônico popularizado na Alexandria. como o faz GNB). veja-se a nota sobre 11:32). de modo especial o discurso de Estêvão): Silas (similaridades de estilo entre 1 Pedro e Hebreus). e também poderia ser traduzida por “consolação” . é a tradução do nome de Bamabé (Atos 4:36). nos mesmos lugares). Outro ponto notável. ou em alguma tradição autêntica a esse respeito. A hipótese de que Bamabé teria sido o autor de Hebreus é admissível. Clemente de Roma (quase a mesma linguagem.Introdução 21 Outro nome proposto é o de Bamabé. Quem quer que tenha sido o autor ou autora.25). estaria bastante interessado no sistema levitico. a palavra grega [paraklesis] é a mesma em ambas as passagens. Epafras (em relação às similares com Colossenses). onde teria sido influenciado pela cultura helenística. que tem o apoio do pai da igreja primitiva Tertuliano (c. Fica evidenciada em . comparável à designação da carta aos Hebreus como “palavra de exortação” (Hebreus 13:22. Era natural de Chipre. no terceiro século. mas ainda vale a pena tentar imaginar se Tertuliano se apoiou em alguma inferência do conteúdo da carta. depois de pesquisar uma lista de possíveis autores. e acrescentar o principal argumento de apoio a cada um: Lucas (pelas similaridades de estilo e de conteúdo em relação a Atos. e ate mesmo Maria (o toque “ feminino” e a afinidade com Lucas 1 e 2)! Essa multipl icidade de candidatos reflete em si mesma a dificuldade em descobrir a identidade do autor. excepcional. “ Filho da Consolação”. tendo excelente domínio da língua grega. como aconteceu a Lutero. a fim de descobrir a identidade do autor de Hebreus. O autor ou autora provavelmente fazia parte do círculo paulino e tinha fé cristã. Vários outros nomes — todos frutos de especulação — têm sido aventados nessa ou naquela época. embora de menor importância. Foi Origenes que. dem onstrando maestria no manejo da língua grega e usufruindo da perspectiva universal dos cristãos helenistas primitivos. por isso.

Outras ênfases básicas da carta recebem marcante importância quando esse propósito principal é atingido. é advertir seus leitores a respeito de certo perigo e exortá-los à fidelidade. precisam chegar à compreensão do verdadeiro significado do cristianismo. É por isso que o autor. A resposta a ser dada a qualquer tendência encontra-se na compreensão do verdadeiro significado de Jesus Cristo e de sua obra. O cristianismo tem significado absoluto e universal. mediante algum tipo de ministério. 2:1-3.” (1:1). 10:26-31. singular e totalmente acabada em Jesus Cristo. é certo que não teremos sucesso num aspecto em que até Origenes falhou. para outra direção qualquer — não im portando quão excelente seja o novo cam inho — está definitiva­ mente excluído e condenado. o autor entende que. Propósito A capacidade de discem ir os propósitos do autor ao escrever essa carta namralmente depende em grande parte da identificação dos destinatários. judeus cristãos.22 Introdução toda a carta o trem endo interesse do autor pela situação e pelo destino dos leitores. de forma coerente. Assim.. a preocupação do autor é advertir seus leitores. Se o argumento apresentado acima for correto. e de muitas maneiras.11-13.. tem caráter absoluto e é universal em seu escopo. portanto. 12:3-17. O cristianismo é. E difícil dizer algo mais do que isso. E pessoa que escreveu como se fora um de seus leitores. para os leitores ser motivados a perm anecer fiéis. por exemplo. 3:6. como. 4:1. Pela sua própria natureza. portanto. alguém que tivera contato com eles anteriormente. contra a apostasia e retomo ao judaísm o antigo. ao lado de sua explicação plena da obra vicária e sacerdotal do Senhor. a elevada cristologia de Hebreus. nada menos do que a fruição dos propósitos estabelecidos por Deus desde o princípio e o cumprimento daquilo que Deus havia “falado muitas vezes. E isso que explica. de modo correto. 6:1-12. o cristianism o é muito m ais do que mera seita judaica surgida há tempos. O cristianismo. Não há a m enor dúvida de que um dos principais propósitos. aos pais. no terceiro século. senão o maior propósito do livro. A conclusão inescapável é que um desvio do cristianismo.35-39.12-14. . estabelece a superioridade incom pa­ rável e a natureza definitiva da obra de Deus. 13:9). pelos profetas. Daí decorrem as freqüentes aplicações. não é provável que tenhamos condições de fazê-lo. Se o próprio Orígenes julgou difícil com provar a identidade do autor de Hebreus. assim entendido.

(Alguns estudiosos entendem que o capítulo 13 não pertencia originariamente ao livro.. isso representa interesse secundário. em muitos aspectos. provavelm ente localizada em Roma. Timóteo.Introdução 23 Todos os demais motivos de Hebreus subordinam-se a esse propósito central do autor. 13:9. que o autor enviou a uma comunidade particular. No entanto.) Portanto. a forma por que os textos tirados do Pentateuco [i.. teria sido acrescentado mais tarde. as diferentes seções do sermão muitas vezes são interligadas por nada mais que uma simples palavra. além disSo. o mesmo argum ento às vezes é repetido com variações ligeiras. pois consiste principalm ente de vánas mjunções éticas. 1:4— 2:16). . grande parte do conteúdo do capítulo 13 relaciona-se com muita clareza às ênfases dos capítulos de 1 a 12.g. Admite-se que a discussão ali não faz parte da argum entação do resto do livro. seguida de uma saudação e agradecimentos. que a carta aos Hebreus é dirigida a uma comunidade específica. ao lado dos doze primeiros capítulos. Ainda que o propósito central de Hebreus seja claro. constituída de judeus cristãos. a fim de dar ao documento a aparência de carta. textos de Gênesis e Deuteronòmio] são elaborados e aplicados em 13:10-15 é muito semelhante ao uso que se faz deles e de todo o AT em toda a carta de Hebreus. como já vimos. Em bora haja evidências no livro de que seu autor intenciona com bater os ensinos heréticos. o livro encerra-se como se fora uma carta. incluindo alguns elementos de informações pessoais a respeito das circunstâncias do autor e as de um amigo comum. fica bem claro. Além disso. como se fora uma carta. É um tratado em forma de sermão por causa de sua combinação singular de discurso exortativo e argumentativo. form a e fstrvtura O gênero literário de Hebreus é: sermão exortativo. 9:10. o que parecemos encontrar no livro de Hebreus é um tratado em forma de sermão. mas com um prólogo cristológico impressionante. Inicia-se não com a identificação usual do autor e dos leitores. e os resumos das seções podem obscurecer o fluxo do pensamento.e. bem como saudações e bênção. nos faz lembrar o evangelho de João. talvez uma forma de gnosticismo judaico (e. é precisam ente sua mistura de discurso com exortação que às vezes tom a a estrutura do livro e a seqüência de argum entação difíceis de discernir. Todavia. e é carta porque foi escrito para uma comunidade específica. à qual foi enviado. Além da freqüente inserção de exortações. que.

E certo que temos ali exortações e aplicações misturadas com argumentações. a respeito da ordem de Melquisedeque. ou a argum en­ tação de 7 :1-28. que endossamos os pontos de vista da m aioria dos comentaristas. pp. todavia. por todo o livro.24 Introdução É por isso que tem havido muita discussão a respeito da estrutura do livro.e 3 :l encontra- . nem todos se convencem com seus argumentos (veja-se J. tíibhca 55 [1974]. A última parte da carta focaliza a fé (10:19— 11:40). no entanto. afora os elementos comumente reconhecidos do exórdio. contudo. Note-se. Na realidade. 368-85 e “Form and Content in Hebrews 7-13”. pp. pp. Grace Theological Journal 1 [1986]. em 1:1-4. poderiamos m encionar que 2:1-4 foi torneado com simetria. o principal argumento doutrinário da carta conclui-se com 10:18. Essas seções receberam títulos. Muitas vezes. e de modo especial J Swetnam. num a série de publicações sobretudo em língua francesa (quanto a um resumo bastante prático. no entanto. colocando-nos contra as opiniões de Vanhoye no que concerne a 10:19. a seqüência Cristo-anjos. Black. pp. mas inclui várias aplicações salpicadas. Todos concordam de modo geral em que o estilo literário do autor encerra muita arte e impressiona muitíssimo. No comentário que faremos do livro. "The Structure of Hebrews”. H eythrop Journal 5 [1964]. repete-se em 1:13— 2 :4 . quando examinamos o texto com muito cuidado. Alem desse esboço. o docum ento por sua própria natureza é passível de diferentes análises estruturais. A. 170-71. estando quase sempre de acordo com o modo de distribuição de parágrafos da NVI ou da ECA. as seções individuais recebem tratamento uniforme. Albert Vanhoye dedicou muito tempo e energia na análise literária de Hebreus. Advertências e exortações estão espalhadas. Bíblica 53 [1972]. como na prim eira parte. de repetidas advertências. 163-77). as quais consideramos momento decisivo do livro de Hebreus. em 1:5-8. os quais estão relacionados no índice da obra. “Form and Content in Hebrews 1-6” — Forma e Conteúdo de Hebreus 1— 6. Em termos muito genéricos poder-se-ia dizer que a argumentação desse livro parte da cnstologia (1:1— 3:6) em direção ao sacerdócio de Jesus (4 :1 4 -5 :1 0 : 7 :1— 8:6) e a superioridade da nova aliança e da obra sacrificial de Cristo (8:7— 10:18). o àmago da epistola. Como exemplos. percebemos uma simetria concêntrica. “The Problem o f the Literary Structure o f Hebrews: An Evaluation and a Proposal” — O Problema da Estrutura Literária de Hebreus: Avaliação e Proposta —. veja-se D. a seguir. não tentamos mostrar nenhum outro aqui. 333-48). Bligh.

O capitulo 10 combina uma citação de Salmos 40:6-8 com um breve comentário da natureza de ‘m idras’. que depende da citação de Salmos 2:7 e 110:4 em 5:5. reinicia-se em 7 1.4. a exposição prática da citação. Pode-se dizer. uma citação de texto do AT. Miquéias.34e uma exortação que se encerra com a citação de Habacuque 2:3. de modo singular. A discussão do capítulo 7 é uma elaboração muito habilidosa de textos veterotestamentános. Esse procedim ento faz lembrar os comentários das Escrituras produzidos Dela com unidade de Qum ran (cf. De fato. quando (além de citar Gênesis 14) Salmos 110:4 e mencionado mais duas vezes. A discussão a respeito do sacerdocio de M elquisedeque. aplicando sua verdade aos leitores da m aneira mais prádca possível. de texto tirado do Pentateuco. O capítulo primeiro — as palavras que se seguem à primeira frase — é um debate que com prova a superioridade do Filho sobre os anjos. a seguir. E provável que o fato mais impressionante a esse respeito seja a construção artística que o autor faz em 3:12— 4 :1 1. O capítulo 8 depende da longa citação de Jeremias 31:31-34. a respeito da segunda seção mais importante de Hebreus. ao lado de uma aplicação em forma de m idras’ dessa passagem a situação dos leitores. pelo emprego de palavras tiradas do próprio texto citado) repetidas vezes. que fora interrompida por uma longa digressão (5:11— 6:12).. a seguir. No capítulo 9 reencontramos uma apresentação em forma de 'm idras'. O emprego do AT é predominante por todo o livro. outra vez com tratamento de 'm id ras’ (Pv 3:11. O caso é que praticamente a argumentação toda de Hebreus baseia-se em passagens do AT. O costume favorito dele é citar uma passagem apropriada e. no meio de uma exortação. . Em 2:5-8 uma citação de Salmos 8:4-6 vem acom panhada de um comentário em forma de ‘midras’. os comentários sobre Habacuque. sem citação explicita. que se encontram nos rolos do mar Morto). o tratamento de ‘m idras’ que se lhe aplica (i.Introdução 25 se de novo sob forma quase simétrica em 4:14. No capítulo 12 reencontramos. E claro que o capítulo 14 depende muito do AT. ao descrever alguns heróis da fé. o autor parece ter estruturado sua argum en­ tação em questões-chave. comentá-la à sem elhança de um ‘m idras’ judaico.12 e Ag 2:6). baseada na citação (acom panhada de vários refrões) de Salmos 95:7-11.6. temos nova menção de Jeremias 3 1:33. Naum e Salmos 37. com base em sete citações do AT. apresentadas sem comentários.e. Outra m arca da arte especial do autor (que nesse caso parece revelar antecedentes judaicos) é o uso do AT e.

26 Introdução Inteqwetação do Antigo Testamento Segue-se. O significado último do AT só pode ser contemplado a partir do ponto de vista de seu cumprimento. A partir desse ponto de vista. ultrapassando aquilo de que os autores hebreus pudessem ter consciência. que. com base no qual o AT pode ser lido com nova interpretação e compreensão. E óbvio que esse tipo de interpretação exige que se vá além do sentido literal do texto — isto é. julgar o mundo e consumar seus propósitos santos. O “agora” da era escatológica iniciou-se com o “acontecimento” chamado Cristo O “ainda não” da era escatológica — a consumação de todas as coisas — ainda está por acontecer . Entretanto. dentre os quais o próprio autor anónimo de Hebreus. na qual ela vem sendo cumprida. pois. pode se dizer que o texto da AT tem significado mais profundo ou pleno (a que os teólogos denominam sensu. A aurora da era escatológica* em Cristo e a experiência de seu cumprimento na morte e ressurreição dão aos autores do NT. que o livro de Hebreus depende muito do AT (contamos cerca de trinta citações diretas e mais de setenta alusões). em nossa era. o AT inteiro aponta de modo direto ou indireto para Cristo.s plcmor). por definição. o autor usa o que se poderia chamar hermenêutica cristocèntrica. além do que os escritores originais desses textos queriam dizer. Em outras palavras. em virtude de unidade dos propósitos salvíficos de Deus e da relação básica do passado com o presente. Nas citações. Ainda que esse tipo de abuso tenha ocorrido na igreja do segundo século e nas formas de judaísm o * A escatologia(do grego eschaton. o autor acompanha com regularidade o texto grego (LXX). Essa nova perspectiva do AT não significa que aprovaremos qualquer interpretação arbitrária. da forma por que a Bíblia dos judeus hoje pode ser entendida. salvar seu povo. É esse fato que explica primor­ dialmente as diferenças entre as citações que encontram os em Hebreus e as de nossas versões do AT em português. tendo em vista seu antigo status na história da salvação. “últimas coisas”) refere-se ao ensino bíblico de que Deus agirá de modo decisivo “nos últimos dias” a fim de revelar-se. é o telos (objetivo) dos propósitos salvíficos de Deus. frívola ou alegórica do AT. e não o texto hebraico (ou massorético) que herdamos. Em sua interpretação do AT. um ponto de orientação radicalmente novo. sob a forma de promessa e cumprimento. Cristo é considerado a chave do verdadeiro sentido do AT.

o de Hebreus compartilha o entusiasm o da alegria e do cum pri­ mento das promessas do evangelho. todavia. o autor não é tão singular e marcante. Perspectiva Teológka Em seu esboço mais amplo. Nesse sentido. Ao lado dos demais escritores. Assim. ele se parece com João. a expiação vicária realizada por Cristo e o contraste entre a antiga aliança e a nova.) A importância fundamental do AT e o procedim ento interpretativo do autor de Hebreus só podem ser bem avaliados com base num a perspectiva desse tipo. a interpretação cristocêntrica do AT requer que se descubra a intenção principal do Inspirador Divino das Escrituras e o reconhecim ento da unidade que sublinha a obra de Deus na história.Introdução 27 da época do NT. referente ao mundo lá em cima e ao outro m undo em baixo. Antes de Cristo. Já observamos as semelhanças com Paulo. dentre os autores do NT. Agora. sendo encontrado com um ente nos escritos da com unidade de Qumran. Tal interpretação jam ais traz consigo algo estranho ao texto. porque contem pla o texto à luz de seu cum pri­ mento. Os autores do NT foram capazes de entender o Antigo em retrospecto e concluir: “ Mas isto é o que foi dito” (At 2:16). a perspectiva do autor de Hebreus está de acordo com a de outros escritores ao NT. No entanto. M encionam os apenas a elevada visão da Pessoa de Cristo. a interpretação que o N T faz do Antigo é relativam ente restrita e sóbria. em sua tentativa de destrinçar o AT (como Filo fez ao interpretar M oisés m ediante Platão). 2 Co 1:2 0 ). . (Esse tipo de interpretação era conhecido em círculos judaicos como pesher. em vista da igreja prim itiva e do autor de Hebreus. mas tambern pelo conteúdo total de sua carta. Em sua elevada cristologia e uso de linguagem “dualista”. Deus nos deixa descortirar o verdadeiro objetivo das promessas do AT (cf. a centralidade do sofrim ento e da obediência de Cristo. não dispúnhamos de uma chave que nos abrisse aporta da intenção primeira das Escrituras. Vê-se com clareza que esse foi o ponto de vista do autor de Hebreus: e podemos vê-lo. em Cristo. por exemplo. não só a partir de como ele usou o AT. no modo de usar os textos veterotestam entários sob a forma de ‘m idras’. ele se destaca. todavia. os m embros de Qumran usavam a interpretação tipo pesher a fim de retratar sua época como a im ediatamente anterior ao cumprimento escatológico: mas os autores do NT a usavam a fim de expressar o cumprimento ja ocorrido em Cristo.

Para a antiga aliança. rem eter para algo que ainda jazia no futuro representava algo intrinsecamente incompleto.23. 10:1. pois só é reconhecida naquilo em que remetem para o que aconteceu em Cristo e por meio de Cristo. universal. o Senhor continua a falar por interm édio desses antigos textos. quando este fala de cópias terreais de realidades celestes (e. do cristianism o e as implicações desse fato para o templo de Jerusalém e para o judaísm o. pois é vista no Pentateuco (Êx 25:9. sob a forma de “Idéia” ou “ Forma”. como um de seus próprios escritores reconheceu. esse autor opera segundo a tensão existente entre a autoridade continuada do AT. .. com coragem semelhante à de Estêvão. devemos notar que essa visão do santuário terreno de Deus como cópia de seu santuário celeste tem origem anterior a Platão. como testemunha da verdade do cristianis­ mo.40. para cada objeto percebido mediante os sentidos. As promessas do AT eram válidas como preparação. Estêvão (At 7) teria sido o prim eiro na igreja primitiva que com eçou a articular o significado verdadeiro e. para quem.g. A linguagem de 8:5 pode na verdade parecer platônica no estilo. que cita como se fora o verdadeiro oráculo de Deus. e o sentido óbvio pelo qual o que é velho deve ceder lugar ao novo. que só pode ser conhecida mediante o intelecto. No entanto.28 Introdução Entretanto. Pelo que sabemos. remete para a obsolescènc ia da velha aliança. no entanto. A ênfase do autor de Hebreus nessas questões é bem semelhante. cf. Há uma sim ilaridade óbvia entre essa perspectiva e a de nosso autor.24.5. certas ênfases teológicas do livro podem ter derivado do círculo judaico-helenístico representado por Estêvão. mas. 27:8. E claro que em certo sentido o AT é de im portância capital em Hebreus. para o autor de Hebreus. O autor recorre repetidamente ao AT. Mas até que ponto teria sido influenciado pelo helenismo? De modo particular. o velho deixa de ter sentido ein si. A semelhança de todos os escritores do NT. por isso. 11:1. A linguagem e a teologia de Hebreus são as de um cristão que também era judeu helenista. mas vale apenas naquilo a que remete: a revelação definitiva de Deus em seu Filho. até que ponto deve — se é que deve alguma coisa — sua perspectiva singular a respeito de arquétipos e cópias terreais. aojudeu alexandrino Filo? A visão da realidade de Filo derivava do idealismo dualista de Platão. era preciso algo novo (Jr 31:31 ss. Na verdade. 9 :11. existe um arquétipo que lhe corresponde. 26:30. Foi assim que o autor de Hebreus. agora que a nova chegara.3). 8:1. a autoridade desses escritos não lhes é inerente. perfeito e imutável.).

assim. Todavia. de acordo com Paulo e os demais autores neotestamentários. mas sua orientação é muito mais a de um judeu cristão dotado de um paradigma de promessa e cumprimento que se lhe ergue como arco triunfante. no processo histórico. qual era o endereço do documento. a linguagem da realidade eterna. Fica aparente. esse deve perm anecer normativo. realizou e cumpriu o que os protótipos terrenos repre­ sentavam. tal cumprimento se expressa na linguagem exaltada do reino espiritual. o cumprimento são as coisas boas que advieram. Sabedoria de Salomão 9:8). ou as cópias. Cristo na cruz e. Por causa de sua natureza gloriosa e do caráter definitivo do cumprimento que Cristo efetuou na história. No entanto. bem como todos os demais livros do NT. As cópias terreais das realidades celestes estão para estas assim como as promessas estão para o seu cumprimento. A estrutura básica da obra do autor é temporal ou escatológica. e não palestino. Seu estilo e vocabulário são claramente helenísticos. A teologia de Hebreus reflete a perspectiva de um judeu helenista. Hebreus enfatiza o carater definitivo e escatológico de Cristo. como produto de inferências. em certo sentido a mensagem de Hebreus transcende sua própria situação histórica. a maior parte da epístola pode ser interpre­ tada eficazm ente sem que tenhamos informações sólidas em resposta a essas perguntas. até certo ponto. quem foram os primeiros leitores de Hebreus. Assim e que. depois da discussão acima. por exemplo. agora que o novo chegou. como. o autor está mais aberto às conseqüências radicais oriundas do antigo. Como o que temos na verdade é o conteúdo do livro. m ais im portante é o fato de que o dualismo de Hebreus não se orienta para as questões metafísicas dos filósofos. distanciado da perspectiva de Platão e de Filo. Tal mensagem possui . que somos incapazes de prover algo mais do que respostas exploratórias para algumas questões básicas. Hebreus. A teologia de Hebreus harmoniza-se também com a teologia dos demais escritos do NT. na qual Cristo e seu ministério trazem um cumprimento correspondente ao propósito eterno e perfeito de Deus. isso está afastado. todas as hipóteses levantadas devem incli­ nar-se perante o conteúdo e a ele submeter-se. apontando para as realidades espirituais eternas.Introdução 29 lC r 28:19. Sendojudeuhelenístico.’ Felizmente. deve ser entendido pelo seu contexto histórico. além de seu significado universal. qual foi a data de composição e quem escreveu Hebreus'. No entanto. As promessas são as sombras. ainda que isso ocorra.

sejam quais forem seus contextos culturais. No entanto. o significado universal da fé cristã — deve ocupar sempre posição central. Nota: No inicio desta obra ha uma lista de abreviaturas usadas no comentário. com seu rico conteúdo teológico.30 Introdução aplicação universal e pertinência contínua perante todas as gerações de cristãos. o cum prim ento da antiga aliança. Compulsando suas paginas. é ao mesmo tempo maravilhosamente prático. . p a ra que as pessoas encontrem um cristianismo genuíno. a referência diz respeito ao comentário desse autor. o estabelecimento da nova aliança. os crentes de todas as eras podem aprender a peregrinação da fé e os imensos recursos disponíveis a todos mediante a obra consumada (e perfeita) de Cnsto. esse livro. É que o principal tema desse livro — a incomparável superioridade e inegabilidade de Cristo. mais ainda do que isso. Quando ao nome de um autor se seguir simplesmente o numero de página (em lugar do título de livro ou abreviatura).

Portanto. A Revelação Definitiva de Deus (Hebreus 1:1 -4) Os m agníficos versículos de abertura dessa passagem m ostram a expressão imediata da perspectiva teológica do autor: ele movimenta-se. Cristo usufrui um stum. Primeiramente. não sendo estranho a elas. . pelos seus atos. Todavia. o autor não deseja apresentar essa cristologia exaltada sem primeiro indicar que a palavra falada de Deus em seu Filho constitui obra proveniente do passado. e de m uitas ma n eira s. 1:1 Havendo Deus outrora falado m uitas vezes. e não apenas as pessoas designadas nos escritos sagrados como “profetas”./. o prólogo cristológico introdutório nesses versículos é semelhante ao prólo­ go do quarto evangelho (Jo 1:1-18). entendemos que indica todos os autores das Escnturas. portanto. Aqui temos uma boa caracterização daquilo a que damos o nome de Antigo Testamento — um relato da revelação de Deus a Israel. Mais ainda: o autor identifica a si e a seus leitores como pessoas a quem o Senhor falou. Afirma que Deus iniciou sua obra com Israel. mediante não apenas sua palavra. O que Deus fez em C nsto foi o clímax do que o Senhor havia iniciado em épocas remotas. P rofetas aqui deve ser palavra que entendemos como os porta-vozes de Deus. a sensação de longo alcance para dentro do passado. Jesus Cnsto. das realidades com que se identifi­ ca. ele parte da palavra de Deus aos “pais” do Antigo Testamento e penetra na palavra final de seu Filho. no passado.s superior. uma posição muito acim a da dos anjos. mas até agora está operando na igreja e naquilo em que a igreja crê. saindo da revelação do passado e entra na revelação definitiva. o autor dá-nos sua doutrina a respeito de Cristo. em sua função e também na teologia cristocèntrica.. seus representantes perante seu povo em todas as épocas. aos pais. Essa afirmação nos dá um forte senso de continuidade..-Tendo encerrado a obra da expiação. Essa declaração resume o compromisso a que os judeus sempre estiveram ligados: na verdade Deus falou conosco no passado pelos profetas. Podemos ver a unidade da revelação à medida que nos movemos do passado e penetramos no incom­ parável presente. a fim de estabelecer o tom do livro todo.

de Deus. o objetivo. O sentido de últim os dias não é cronológico. Qualquer palavra a respeito do que falta acontecer. isso significa que penetram os na era escatológica.. como se tom a evidente de imediato no v. de tudo que existe agora. Esse livro. o v. chegamos a uma nova época (cf. 6:5. A cruz. mas teológico. 5. citando .. no futuro. no sentido teológico. isto é. de tudo quanto possa vir a existir no futuro. Em outras palavras. apontam para a centralidade do Filho. em que Deus nos fala de um clímax. como diz Paulo. I2:22ss. a morte e a exaltação de Jesus apontam autom ati­ camente para o início do fim. dos últimos dias. Mas em que sentido o autor.32 (Hebreus 1:1-4) 1:2 / nestes últimos dias (lit. Tudo quanto Deus fez anteriormente funciona com o preparativo. as “promessas. de modo particular. Jesus C nsto Essa é a argumentação que o autor de Hebreus apresenta em seu livro C nsto é o lelus. e isso constituiu um clím ax. 9:26. Estes são os últimos dias por causa da grandeza da obra que Deus vem executando. parece uma enorme seta que aponta para um alvo. foi justificado ao referir-se ao seu tempo como os últim os d ia s0 A chave para a compreensão desse tipo de declaração (veja-se também 4:3. iniciou-se a era escatológica. ou quaisquer dos escritores do Novo Testamento. linguagem dos tempos finais. A escatologia e feita de um tecido teológico singular: quando Deus falou mediante seu Filho. o sentido último de tudo que o precedeu. que estes últimos dias não são necessariamente (ainda que para qualquer era de fato são) os últim os dias sob o aspecto cronológico. de modo que. Chegamos teologicamente ao momento crucial do plano que Deus havia traçado ao longo dos séculos e milênios. encontra-se no fato de C nsto ser a finalização teologica. essa passagem de abertura e.. A grande surpresa. e que este penodo de cum pnm ento escatológico prolonga-se tanto. 9:26). por definição. para a superioridade do Filho em face de tudo que o precedeu. atingimos os últimos dias. de modo definitivo. Deus nos falou pelo Filho. Não existe a possibilidade de o autor ter reconhecido a realidade de Jesus C nsto — quem é . têm nele o sim ” (2 Co 1:20). “no fim destes dias”) Deus nos falou por meio de seu Filho. que fez — sem confessar a seguir que estamos nos últimos dias. portanto. e vemo-nos necessariamente nos últimos dias. O autor usa linguagem escatológica.). por meio de seu Filho. Atingimos um ponto de retom o fundamental. A simples menção do Filho traz consigo sobretons messiânicos do Antigo Testamento. chegou a hora de fruir dos planos de Deus. 2. nada mais é que o aprimoramento do que já se iniciou.

Ao filho m essiânico de Salmos 2:7 (citado acima). Ü contexto dessa perspectiva esta.. de tudo que existe. ou unigénito. de acordo com Provérbios 8:27-31 (cf. Assim. A linguagem de Paulo é paralela: “Nele foram criadas todas as coisas. e sem ele nada do que foi feito se fez"). personificada. o M essias designado por Deus para fazer cumprir o grandioso plano e propósito de Deus. Jesus Cristo. eu hoje te gerei” .): “Porque ela é o fôlego do poder de Deus.. na criação e no fim... a quem [Deus] constituiu herd eiro de tudo. e instrumental na Criação. Outros . Portanto. e emanação pura da glória do Todo-poderoso. agora no livro apócrifo de Sabedoria de Salom ão (7:25f. 1 Co 8:6: "um só Senhor. e imagem de sua bondade” (RSV). ser filho significa ser herdeiro. de todo o espaço e de todo o tempo — em suma. O Filho e o agente de Deus na criação do universo. e eu te darei as nações por herança. com suas num erosas citações do Antigo Testamento.(Hebreus 1:1-4) 33 Salmos 2:7: “Tu és meu Filho. aponta para a identidade singular do Filho como o Prometido. de modo especial quando tal filho é unico. Em segundo lugar.. Na cultura hebraica.9). e 2 Samuel 7 :14: “Eu lhe serei por Pai. e em Paulo (Cl 1:16: ‘nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra". em virtude de sua filiação. Essa visão de Cristo tainbem está presente no quarto evangelho (Jo 1:3: "todas as coisas foram feitas por meio dele. na herança. Barclay parafraseia. pronome relativo) é o resplendor da sua glória [ae Deus]. tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1:16). possivelmente. o Filho tem significado central no início. e ele me será por Filho” . "que” . o resto do capítulo.. com êxito: "O Filho é a radiação da glória de Deus. também são dirigidas estas palavras: “ Pede-me. pelo qual são todas as coisas"). A verdadeira natureza do Filho a seguir é exposta em sete gloriosas trases que retratam sua incomparável superioridade. o Filho e descrito como aquele por quem [Deus] fez o m undo. e os fins da terra por tua possessão” (SI 2:8). ele é o Filho. 1:3 / A terceira e a quarta expressão dessa caracterização de Cristo referem -se ao modo por que o Filho é a verdadeira expressão do Pai O Filho (lit. O utra vez encontram os um paralelismo com a personificação da sabedoria. toi designado herdeiro de todas as coisas. é reflexo da luz eterna. o Filho de Deus. espelho sem m ancha da obra de Deus. no conceito de Sabedoria Divina. Sabedoria de Salomão 9:1 s. assim com o o raio é a luz do Sol” . A palavra resp lendor ou 'luz radiante” significa “brilho” intenso. No primeiro exem ­ plo. N a verdade.

Paulo também fala da luz que Cristo trouxe. sem que neguem os distinção entre Pai e Filho.. Os filósofos de todas as eras sempre estiveram ansiosos para perguntar o que sublinha a realidade — isto é. Cristo é chamado Luz: “A luz verdadei­ ra que ilumina a todos os homens estava vindo ao m undo” (Jo 1:9). Para João. conforme a vemos noutra passa­ gem do Novo Testamento. ao referir-se à “iluminação do conhecimento da glória de Deus. Apontam também para a conexão extraordinária entre o Pai e o Filho. embora nesses dois exemplos a palavra grega (eikon. pelo que é Deus acima de tudo e antes de tudo que existe. de que denva a palavra portuguesa “ícone” e as que apresentam o prefixo “icono-” ) é diferente da usada aqui. vê o Pai” (Jo 14:9). Esse pensamento é outra vez rem iniscência da cristologia. O autor de Hebreus deseja que cheguemos à conclusão. o Pai. cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). que se expressa de modo tão exato. a expressa imagem da sua pessoa. conforme se descreve nessas expressões — para que Cristo seja o brilho majestoso da glória de Deus e a imagem (impressão exata) de sua essência total .34 (Hebreus 1:1-4) escritores do N ovo Testam ento mantêm uma visão sem elhante de Cristo. é a imagem de Deus” (2 Co 4:4). como o vemos no quinto segmento de frase: sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. na declaração de Paulo de que “Cristo. é apenas outra forma mais explícita de falar do que o autor acabou de afirmar. assim também prossegue o significado do Filho. como para o autor de Hebreus. isto é. cf. “[Cristo] é a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15). Essas duas expressões paralelas no inicio do v. de Deus]. isto é. a fim de levar a cabo a missão maravilhosa descrita aqui. que dinâm ica sustenta e dá . ele próprio precisa ser Deus. 2). 4:4). “assim como a marca no papel é a impressão exata do carimbo” (Barclay).. Jesus expressa a brilhante glória de Deus. No prólogo do evangelho de João. Assim como o Filho foi instrumental na criação do universo (v. A expressão seguinte. João expressou a m esm a idéia nas palavras “quem me [Jesus] vê. a palavra imagem aqui deve ser entendida como “substância” ou “essência” . 3 obviamente falam da singularidade do Filho: ele é único. a glória como do unigénito do Pai. autêntica e obrigatória do Pai. Devemos notar ainda que é a imagem da sua Pessoa [do Pai. de que o Filho pertence à mesma ordem de existência de Deus. “vimos a sua glória. por exemplo. Para que o Filho seja expressão direta. na face de Jesus Cristo” (2 Co 4:6. O Filho é a perfeita representação da Pessoa de Deus.Cristo precisa participar da essência de Deus.

visto que essa é também parte vital da singularidade do Filho. Ele deseja também atingir um dos principais pontos da epístola. da qual depende. essa expressão descreve a obra do sumo sacerdote e. escolhe o termo que tem associações judaicas e gregas ao mesmo tempo. A “purificação dos nossos pecados” (lit. que criou o m undo com ordem. Quando João emprega o termo “Verbo” ou “Palavra” (logos) para descrever a Jesus. Embora o autor de Hebreus não empregue o termo específico logos nessa passagem. O autor de Hebreus. No entanto. Essa é de fato a obra preeminente do Filho. mas apenas constitui som bra da obra sacerdotal daquele que realmente pode realizar — e ninguém mais — a expiação de nossos pecados. o autor de Hebreus não está contente com apenas m arcar o caráter incomparável do Filho. pois Cristo fez p o r si mesmo a purificação dos nossos pecados. Afinal.: “a limpeza de pecados” ) pode parecer estranha no meio de orações gramaticais gloriosas que apontam para a deidade do Filho. o autor antecipa uma discussão principal de Hebreus (cf. Paulo argum en­ ta de m aneira semelhante: “Ele é antes de todas as coisas. Para os filósofos gregos estóicos. coerência e lógica. a obra expiatória do Filho. a idéia de que Cristo sustenta o universo e o mantém em movimento (como indica o particípio presente (su sten tan d o ) está por trás do texto e constitui paralelismo. Por isso. em relação a todos os outros e a todas as coisas. em bora em si mesma seja impressionante. Só Deus. As palavras .(Hebreus 1:1-4) 35 coerência a tudo quanto existe. 9 e 10): o trabalho do sumo sacerdote não é eficaz por si mesmo. revelando um pouco mais de sua perspectiva cristocêntrica. e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1:17). com a inserção dessa expressão. a purificação de pecados relaciona-se corretam ente a frases que descrevem a singularidade do Filho em seu relacionam ento com Deus. logos era o princípio sublinhador da racionalização. no Filho. No entanto. encontra a resposta na poderosa palavra do Filho. Quando o Senhor havia cumprido cabalm ente o propósito de sua encarnação. caps. assentou-se à destra da M ajestade nas alturas. pode realizar o sacrifício que possibilita a purificação de pecados e o perdão (veja-se Rm 3:24-26). O que torna estes dias os últimos é a realidade “de uma vez por todas” (para tomarmos de empréstimo uma expressão que encontraremos mais adiante nessa epístola). como fez nas primeiras cinco expressões. Essa perspectiva também encontra paralelismos em Paulo e em João. pareceria familiar a um leitor judeu. Sem usar o termo técnico logos.

passagens que têm paralelismos em Mateus e Lucas). 1:4 /Assim ele se tornou tanto mais excelente do que os anjos descreve o resultado da referência.28). O fato de o verbo dizer assentou-se à d estra significa o encerramento. Salmos 110:1 é citado aqui. Essa idéia encontra-se com freqüência no Novo Testamento. de sua superioridade sobre os anjos.36 (Hebreus 1:1-4) que compõem esta frase final. que é um a passagem sobre Melquisedeque. colocada de lado durante a encarnação. refere-se. mas à última parte do v. Salmos 110:4. não ao caráter do Filho desde o início. a qual fora. Jesus faz alusão a Salmos 110:1 na tradição sinótica (veja-se Mc 12:36 e 14:62. 10:11. a expressão comparativa mais excelente (lit. na frase anterior. A ascensão foi um atestado impressivo da verdadeira identidade do Filho e. O que o salmista havia prometido havia sido cumprido — daí a nota de término de obra. é vindicação da verdadeira identidade da Pessoa que sofrera e morrera a fim de cum prir o perdão de pecados. Por que esse salmo tem tão grande importância para o autor de Hebreus? Duas principais discussões da carta podem ser sustentadas pelo salmo 110: a incomparável superioridade de Cristo (que se revela em sua exaltação à destra de Deus) e o extraordinário sumo sacerdócio de C nsto (que fora prefigurado por M elquisedeque. 3. tendo subido aos céus. 6:20. estando quase sempre relacionada à ascensão de Cristo. é citado ou a ele se alude em 5 :6 . o autor emprega uma de suas palavras favoritas. Jesus Cristo. A ascensão de Cristo a uma posição de poder e de autoridade. o Filho tomou-se tanto mais excelente do que os anjos. sendo excepcionalm en­ te importante para a discussão proposta pelo autor de Hebreus.21. como num paralelismo). assim. 10:12. e por todo o capítulo 7 (w . elevadíssim a. e as potestades” (1 Pe 3:22). transmitem uma idéia de obra acabada. à exaltação de Cristo. “que está à destra de Deus. todavia. Foram tiradas de um salmo messiânico do Antigo Testam ento (SI 110).10. havendo-se-lhe sujeitado os anjos. . e 12:2. para descrever o caráter definitivo do Filho e sua obra. 8:1. a conclusão de sua obra expiatória (cf. “m elhor”).13.15. ao lado do Pai.12). de cumprimento dos propósitos de Deus. pois.. de finalização. ou a ele se faz alusão. “Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus. para cum prir todas as coisas” (E f 4:10). e as autoridades. 3. Nessa exaltação à direita do Pai. que se refere à ascensão de Cristo.17. Nesta declaração. o Filho chega a ocupar uma posição que na verdade sempre lhe pertenceu em virtude de sua identidade. Mediante a ascensão. bem como em 1:13 (de modo mais completo).11.24.

TDNT. a Pessoa que sustenta o universo. Todavia. do ponto de vista literário começa com uma aliteração eficaz e com uma cadência medida. veja-se C. Christ and Time — Cristo e o Tempo — trad. Jr 23:20. a fim de que nós.V. sacerdócio (obter o perdão de pecados) e reinado (reinar com Deus à sua direita). de F. porque ambas têm caráter escatológico.(Hebreus 1:1-4) 37 Chegamos ao final desse importante prólogo cristológico. Cristo é alguém com quem nem mesmo os anjos podem comparar-se. A respeito da escatologia de Hebreus. Quanto a profetas como porta-vozes de Deus. vol. Revista Australiana de Arqueologia B íblica— 1 (1972). sem enfraquecer sua expectativa da obra futura do Senhor Quanto a uma descrição magistral da tensão existente a respeito deste tempo. É passagem que estabelece o tom do livro. do Antigo Testamento (LXX).g. 1:2 nestes últimos dias é tradução de texto grego que. por sua vez. “The Eschatology of the Epistle o f Hebrews”. nem a exige). pp 178-86 M uitas vezes ( lit. Veja-se D W B Robinson. teologicamente. Notas Adicionais #7 1:1 / A frase inicial no texto grego foi inteligentemente elaborada. Filson (Filadélfia: Westminster Press. em todo o Novo Testamento. 1964).. Assim. entendamos tudo quanto se segue. cuja tonalidade é captada lindamente em NEB "de forma fragmentaria e variegada” . Cullmann. é tradução do hebraico. O Senhor é a Pessoa mediante a qual e para a qual tudo quanto existe foi criado. O Filho é apresentado como alguém que incorpora os três principais ofícios do Antigo Testamento: profecia (falar em nome de Deus). pp. leitores. Os cristãos devem ter máximo cuidado em preservar o caráter escatológico da primeira obra de Cristo. A conexão teológica intima das várias facetas da obra de Cristo implica a iminência cronológica da segunda vinda (mas não depende desta. A Pessoa de Cristo é a chave para a com preensão da epístola aos Hebreus. como sendo o tempo do fim. e foi colocada logo no início pelo autor. Ez 38:16. K. “prophetes”. “The Literary Structure of Hebrews 1:14”. — . o Senhor é algo mais do que essa maravilhosa com binação de caracterís­ ticas consegue expressar.1-4. veja-se G Friedrich. Barrett. Australian Journal o f Bihlical Archaeology — A Estrutura Literária de Hebreus 1. sem ser o fim veja-se O. 830ss. “em muitas partes”) e de muitas m aneiras correspondem a duas palavras gregas que ocorrem só-aqui. Dn 10:14) A primeira vinda de Cristo e sua volta estão intimamente relacionadas entre si. a expressão verdadeira da glória e da essência de Deus. 6. e normal esperar que a segunda vinda ocorra imediatamente após a primeira. comumente utilizada para descrever a expectativa escatológica dos profetas (e.

veja-se V. 11:8 1:3 / Alguns eruditos têm argumentado que o v 3 originariamente fazia pane de um hino confessional O pronome relativo inicial hos (“que”. Este versículo contém duas palavras-chave que só se encontram aqui em todo o Novo Testamento: “esplendor” (apaugasma) e “expressa imagem” (<Charakter). W . quando ocorre em Filo.. 9 15. 1958). a respeito de aion. o povo de Cristo usufrui a filiação mediante a adoção e são feitos co-herdeiros com Cristo Para o autor de Hebreus. Lohse. pp. Veja-se ainda J T Sanders. ed.D Davies e D Daube (Cambridge: Cambridge Univ. Coloncnses 1:15. Dodd). 10 36. Quanto à designação do Messias como Filho de Deus. os particípios característicos e seu conteúdo. mas para seu povo também De acordo com Paulo (Rm 8 17) e Pedro (1 Pe 3:7). a respeito de hyios em TDNT. Afinal. 1^71). quanto à Cristologia de Hebreus. 17. pp. por isso Barclay traduziu assim: “o mundo atual e o mundo que virá” (cf. veja-se a similaridade com outros “hinos” em outras cartas do Novo Testamento. 6.3” — Os Primitivos Hinos Cristãos Registrados no Novo Testamento: Uma Consideração dessa Qustão à Luz de Hebreus 1 3 — Biblische Zeitschrift — 27 (1983).g. veja-se também M Hengel. 133-94. a herança dos santos é sumamente importante Veja-se 6 12. Taylor. tendo sido criado a partir de fragmentos de hinos já existentes.. que argumenta que esse hino é da autoria de quem escreveu Hebreus. 1964). pp 203s. Press. tudo aponta para esta possibilidade (Quanto a este ponto. vol 8. bem como o sentido passivo de “reflexão”. 360ff.38 (Hebreus 1:1-4) Escatologia da Carta aos Hebreus — em The Background ò f the New Testament and Its Eschatology — O Contexto do Novo Testamento e Sua Escatologia — Festschrift for C. Quanto a “época” como termo espacial.” veja-se H. que usa essa palavra . em TDNT. 363-93. Veja-se também J Frankowski. The Person o f Christ — A Pessoa de Cristo — (Londres. A primeira tem o sentido ativo de “refulgência”. com o sentido de “mundo. H. pp 89-98 O mundo é literalmente “as épocas”. The Son o f G o d — O Filho de Deus — (Filadélfia: Fortress. e. Sasse. veja-se E. a melhor teologia é sempre cantada em vez de falada. vol 1. "Early Christian Hymns Recorded in the New Testament: A Consideration of the Question in the Light o f Heb 1. The New Testament ChristologicalHymns — Hinos Cristologicos do Novo Testamen­ to — SNTSMS 15 (Cambridge: Cambridge Univ Press. Macmillan.5). pp 85-88. 1976). não aparece na ECA). As dimensões escatologicas de “herdeiro” e suas conexões com filiação são 1mportantes não apenas para Cristo. Filipenses 2:6ss e 1 Timoteo 3:16). pp I 9 s e p p 92ss E notável que as principais passagens cristológicas do Novo Testamento apresentam sinaisde terem sido adaptações de hinos.

(Hebreus 1:1-4)

39

para descrever o que Deus assoprou no homem, ao criá-lo. É provável que o
sentido ativo seja uma tonalidade especial aqui. (Veja-se R. P. Martin em
NIDNTT, vol. 2, pp. 289s.) A segunda palavra, também encontrada em Filo,
significa “representação exata” no sentido de “impressão”, “carimbo”, ou
“estampagem”, como a máquina que estampa moedas (Veja-se U. Wilckens
em TDNT, vol. 9, pp 418-23.) A palavra grega katharismos é termo técnico
para purificação cultual e, com esse sentido, é empregada na LXX, e até
mesmo no NT, onde pode significar “lavagem ritual” (Jo 2:6; 3:25), ou, com
sentido mais genérico, purificação (como também ocorre em Lc 2:22; 2 Pe
1.9). Seu emprego aqui não é acidental, por causa do argumento central do
autor acerca do ritual de sacrifício do templo, cujo objetivo está na obra de
Cristo A purificação dos nossos pecados é termo empregado em seu sentido
absoluto, incluindo os pecados de toda a humanidade.
O salmo 110 tinha tremenda importância para a igreja primitiva. Tinha
grande significado messiânico, no entender dos intérpretes judaicos dos
tempos de Jesus, teria sido cumprido com o máximo vigor quando Cristo
ressurgiu e ascendeu ao céu, o Cristo que agora é adorado e louvado como o
Senhor Soberano da Igreja. Veja-se o excelente estudo de David M. Hay,
Glory ai lhe Right Hand: Psalm 110 in Early Christianity, SBLMS 18
(NashvilleeNovaY ork Abingdon, 1973). O extensivo uso do salmo 1 lOpelo
autor de Hebreus é notável, explicado pela forma eficaz por que seu conteúdo
apóia os argumentos da carta. Mas G. W. Buchnanan, talvez vá longe demais
ao descrever Hebreus como “ ‘mídras’ homilético, baseado no salmo 110” . To
lhe Hehrews, AB 36 (Nova York Doubledav, 1972), p xix.
O autor do texto grego do prólogo evita cuidadosamente o uso desneces­
sário da palavra “ Deus” (theos), como se propositalmente seu documento se
destinasse a leitoresjudeus que consideravam essa palavra santíssima. Assim
e q u e, afora seu emprego no v. 1, a palavra Deus não aparece de novo no texto
grego Nossas traduções (inglesas) a repetem no v. 3 apenas com o uso de
pronomes Duas palavras que representam circunlóquios, isto é, que represen­
tam Deus, aparecem no v. 3 glória e M ajestade nas alturas
1:4 / Este versículo apresenta a expressão favorita do autor, ao traçar o
contraste entre o novo e o antigo “mais excelente” (kreisson, que também
pode ser substituída por kreitton) E expressão que ocorre treze vezes, com
referência ao Filho (1:4), a Melquisedeque (7 7), à salvação (6:9), à aliança
(7 22,8:6), ao sacri ficio (9 .2 3 ,12:24), às promessas (8:6), às possessões atuais
(10:34) e as expectativas futuras (7:19; 11 16,35,40). O uso freqüente dessa
expressão está alinhado com exatidão ao argumento central do livro.
Quanto ao significado teológico da ascensão, v J G. Davies, “Ascensão
de Cristo”, em DCT, pp. 15s.

2. Cristo È Superior aos Anjos em Sua Divindade

(Hebreus 1:5-14)

A grande atenção dedicada à superioridade de Cristo em relação aos
anjos, a qual ocupa o resto do capítulo 1 e a maior parte do capítulo 2,
provavelmente nos deixa espantados, como se fora algo estranho, pois não
temos a mesma consciência, a respeito dos anjos, que tinha o mundo
antigo. A idéia de anjos era tão importante no primeiro século, que nós a
encontramos tanto no pensamento religioso grego como no judaico. No
sistema religioso grego enfrentamos o gnosticismo, que enfatizava o
conhecim ento especial que induzia à experiência da salvação. No
gnosticismo, o dualismo entre o espírito e a matéria era fundamental. Deus
sena espirito puro e, portanto, bom; os seres humanos têm corpos físicos
que os envolvem no mal, algo intrínseco à matéria (a salvação consiste em
a alma escapar do corpo). Entre Deus e a humanidade há a mediação das
emanações divinas, sob a forma de hostes de seres espirituais, os agentes
do governo de Deus, os quais, por isso mesmo, evocam a adoração. Estes
seres espirituais, não dispondo de corpos materiais, eram considerados
intrinsecamente superiores a Jesus (a menos que se argumente, como o
faziam os gnósticos cristãos, que Jesus jam ais teve um corpo físico real; so
aparentemente o Senhor teve corpo material).
Até mesmo no âmbito do pensamento judaico, segundo o qual havia
bondade na matéria, e desprezava-se o dualismo dos gnósticos. Deus era
percebido remotamente, em sua transcendência, e sentia-se a necessidade
de intermediários angelicais. É por isso que na literatura rabínica. e na que
surgiu entre os dois testamentos, o papel dos anjos é considerado de vital
importância. Não sabemos se a situação enfrentada em Hebreus tinha suas
raízes primordialmente nos círculos gnósticos, ou nos judaicos, ou numa
mistura indefinida de ambos. No entanto, se estivermos corretos em
afirmar que os destinatários da carta eram judeus que corriam o perigo de
recaída no judaísm o obsoleto, é bem provável que julgassem boa solução
considerar Jesus um anjo e, dessa forma, evitar a pedra de tropeço de adorar
o Senhor como se fora Deus. Para o autor de Hebreus é intolerável o
pensamento de que Cristo pudesse ser considerado inferior aos anjos, ou

(Hebreus 1:5-14)

41

que fosse tido como anjo. A única perspectiva aceitável seria a que vê o
Filho como superior às hostes angelicais — Alguém que está ao lado de
Deus, contra tudo o mais que existe, em esplendor incomparável.
Visto que na ascensão o Filho assumiu a posição que lhe pertencia de
direito, nesse dia ele também recebeu um nom e que sempre foi seu. No
Novo Testam ento, a ascensão de Cristo vem associada à atribuição de um
nome ao Cristo que subiu aos céus. Por trás da atribuição desse nome está
o ponto de vista hebraico, segundo o qual os nom es não são meras etiquetas
de identificação, mas relacionam -se à natureza e ao caráter da pessoa ou
circunstância que recebe os nomes. Assim é que a palavra “Filho”, nome a
que nos referimos (veja-se o versículo seguinte), ainda que em certo sentido
seja própria para designar Jesus Cristo, assume o significado adequado e
especial nesse evento, em que o Senhor é investido de poder à destra de
Deus. Tal investidura, logo depois do termino da obra do Filho encarnado,
que revelou a Deus e realizou nossa redenção, agora entra em nova realidade,
coincidente com o significado de seu nome. Nas cartas de Paulo a ascensão
também esta ligada à atribuição de um nome a Jesus. Numa passagem
clássica. Paulo escreveu: "Pelo que Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu
um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2:9; veja-se também Ef 1:20.21).
Nesse caso, o nome é "Senhor” (kynos), titulo cujo sentido é comparável a
"Filho” . O argumento do autor de Hebreus é que a ascensão do Filho à direita
de Deus concede-lhe posição única e nome singular, destacando-o como
muitíssimo superior aos anjos.
1:5 / A fim de fortalecer o argumento da superioridade de Cristo sobre
os anjos (cf. v. 4). o autor apresenta-nos agora uma série de sete citações
do Antigo Testam ento, cujo sentido considera evidente, pois não tem a
preocupação de interpreta-las para nós. a não ser numa observação casual
na introdução. A abordagem do Antigo Testam ento aqui, bem como em
toda a carta, é claram ente cristocêntnca. Em outras palavras, a respeito de
Jesus Cristo com o objeto de todas as obras e de todas as palavras vindas de
Deus, o autor vê no Filho o significado último de todas as coisas, a chave
da com preensão. A luz do cumprimento realizado, podemos agora obter
um sentido mais profundo e verdadeiro do Antigo Testamento. (Na
Introdução há um a discussão da hermenêutica do autor.)
A prim eira citação foi tirada do salmo 2, que tem am bientação histórica
própria. O salm o 2 originariamente fora um salmo da realeza, composto

42

(Hebreus 1:5-14)

para a coroação de algum rei israelita. N o entanto, o conteúdo do salmo é
de tal ordem, que os intérpretes judaicos anteriores à era do Novo
Testam ento viam nele um sentido m ais profundo do que se poderia
im aginar m ediante simples leitura. Conquanto não seja diretamente profé­
tico, o salmo é, não obstante, um a antecipação da vinda do Ungido, que
traria consigo julgam ento e bênção — julgam ento para os perversos e
bênção para Israel, m ediante o livram ento que se esperava havia tanto
tempo. Portanto, o rei histórico é som bra do Rei que haveria de vir. Por isso
esse salmo é cabivelm ente chamado “m essiânico” . O term o “m essiânico”
significa sim plesmente que esse Libertador “Ungido” é aquele por que
tanto se aguardou (a palavra hebraica “M essias” e a palavra grega “Cristo”
significam “Ungido”). O salmo 2 refere-se de m odo específico a esse
“U ngido” (2:2), a quem serão entregues todas as nações da terra, o qual
trará julgam ento (2:8-9). Identifica-se que esse Ungido, ou M essias, tem
um relacionam ento singular com Deus: T u és m eu F ilho, eu hoje te gerei
(SI 2:7). Portanto, provém sobretudo desse salmo o contexto doutrinário
que identifica o M essias de Deus como o Filho de Deus, pelo que o autor
de Hebreus pode usar o título de “Filho” em seu sentido absoluto, como
ocorre no prólogo cristológico (veja-se v. 2). Salmos 2:7 é citado de novo
pelo autor de Hebreus em 5:5, com nova alusão em 7:28. E ra um texto
im portante n a igreja prim itiva (veja-se At 13:33), que, com binado com
Isaías 42:1, aplica-se a Jesus tanto em seu batismo (M c 1:11 e passagens
paralelas) como na transfiguração (veja-se M c 9:7 e paralelism os; cf. 2 Pe
1:17). O advérbio hoje entende-se m ais apropriadam ente em referencia à
ressurreição (veja-se Rm 1:4), ou de modo especial à ascensão, dado o
contexto de nosso versículo. Deus jam ais falou de m odo tão glorioso a
respeito de nenhum de seus anjos.
O segundo elo dessa cadeia de citações tam bém se refere ao Filho
especial, agora com palavras retiradas da aliança com Davi: E u lhe serei
p o r P ai, e ele m e será p o r Filho (2 Sm 7:14; veja-se tam bém a passagen
paralela, 1 Cr 17:13). O utra vez é um rei que se tem em vista, um
descendente de Davi, de tal modo que um a análise exegética históricogramatical deve levar-nos naturalm ente a Salomão. Este edificará o
tem plo e, ao lado de Davi, será o principal da dinastia que durará para
sempre (2 Sm 7:13,16). Todavia, a natureza gloriosa dessa prom essa é de
tal calibre, que esse “filho de Davi” virá a fim de amalgamar-se com a
expectativa de um rei m essiânico que trará o cum prim ento das promessas

(Hebreus 1:5-14)

43

de Deus. Segundo a linha interpretativa dos líderes judaicos anteriores a
Jesus, essa passagem teria um significado mais profundo do que quaisquer
tentativas de cum prim ento porventura percebidas em algum descendente
de Davi. Considerava-se que esta passagem, à semelhança de Salmos 2:7,
tinha significado escatológico distinto. N a verdade, a combinação desses
dois textos, segundo esta perspectiva, nós a encontramos na literatura da
comunidade da aliança em Qumran, nas praias do mar Morto, em época
anterior à do Novo Testamento. A reiterada referência a Jesus, nos
evangelhos, como o “ filho de Davi”, é o que o identifica de pronto como
o Messias, e com a aliança davídica (a respeito desta última aliança, vejase Lc 1:32,69e Rm 1:3). Nessas duas primeiras citações, o autor estabelece
a filiação singular do Filho e, dessa forma, a superioridade do Filho, com
base na autondade das Escrituras (autoridade que o autor pressupõe ao
escrever a leitores judeus).
1:6 / A terceira citação consiste de palavras provenientes apenas da
LXX (Dt 32:43). Todos os anjos de Deus devem adorá-lo, em bora haja
também uma passagem paralela em Salmos 97:7 que diz: “Prostrai-vos
diante dele. todos os deuses!” . A LXX, porém, diz “todos os seus anjos” .
Com toda a probabil idade o autor de Hebreus citou a LXX aqui, bem como
em Deuteronòmio 32:43. como em outras passagens, a versão do Antigo
Testamento. O que é notável nesta passagem (também em SI 97:7) é que
a Pessoa adorada é o Senhor, ou lavé (i.e., esse é o nome pessoal de Deus,
que se escreve com as consoantes YHWH), pelo que o Filho é identificado
com o lavé do Antigo Testamento. Esta citação é usada primordialmente
em referência á adoração de anjos. Mas, se as palavras pronunciadas para
o Senhor referem -se ao Filho, fica claramente implícita a deidade do Filho
(e. desse modo. sua superioridade sobre os anjos).
1:7 / A quarta citação apresenta uma descrição da função dos anjos, a
qual. de modo muito decisivo, coloca os anjos em posição subserviente. A
fonte da citação de novo é a LXX (SI 104:4). Os anjos são assemelhados
aos elementos naturais que funcionam segundo o querer de Deus, pois são
seus mensageiros. Os anjos são espíritos que servem a Deus, com o o autor
de Hebreus o diz no v. 14. Há também um elemento de contraste implícito
entre a inconstância e transitoriedade dos ventos, que estão sempre
mudando, e do fogo (e diga-se o mesmo dos anjos), que contrasta com a

destitu­ ídos de im portância central. e trono é predicado nominal. ó Deus. No entanto. Salmos 45:6-7. “ Deus” deve ser entendido como uin vocativo: O Deus. com seus sobretons escatológicos. às vezes é a preferida em vista da dificuldade de imaginar Deus falando a outro Deus (como no v. 6 1 O Filho não é mero representante de Deus. completa. o Filho. o que indicaria o prosseguimento da oração a Deus nessa passagem. o Filho é Deus em virtude de sua natureza e de sua função. de entender o contexto histórico onginal. teu Deus te colocou acima de teus companheiros” . ou “ Deus” é o sujeito da oração. o Messias. que seu cumprimento final só pode ocorrer com referência ao rei messiânico. é o reino messiânico prometido. “Deus é o meu trono" (essa é a tradução na margem da RSV). te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. elementos distintam ente subordinados. É adequada esta passagem. o qual será caracterizado pela eqüidade (justiça). foi revelado corretam ente ao . o teu Deus. Assim e que ele afirma a divindade do Filho (como vimo-lo fazer tambem no v. o Filho que agora está à direita do Pai. pode significar “O Deus” . Esta tradução não faz muito sentido. entende-se que as palavras usadas originariam ente nas bodas de um rei têm aplicação total. todavia. O rei que se tinha em mente a princípio era um monarca israelita: mas as palavras pronunciadas a ele são tão gloriosas. em que a pessoa se dirige a um rei de Israel como se este fora Deus. Esta última dificuldade pode ser explicada como se se tratasse de uma hipérbole do rei que funciona como representante de Deus. o autor as toma de modo literal. e não em sentido hiperbolico. como ocorre pela primeira vez. As palavras de abertura dessa citação sofrem de am bigüidade tanto no texto hebraico como na LXX. pelo que Deus é a Pessoa a quem se fala. no v. por causa da dificuldade. 12: “Tu és o mesmo. 9). ao Filho de Deus. porque o Filho. e os teus anos não acabarão” (veja-se também 13:8). 1:8-9 / Na quinta citação. o Filho de Davi. como rei. O trono que subsiste pelos séculos dos séculos. Verdadeiram ente os anjos são mensa­ geiros e agentes de Deus. As dimensões messiânicas desta passagem são elevadas mediante as palavras Deus.) A Pessoa a quem a palavra é dirigida goza de posição de honra singular. e. ou seja.44 (Hebreus 1:5-14) perm anência do Filho. (Por isso é que a NEB traz: “ Portanto. ao entender que essas palavras se referem a Cnsto. 9 a palavra Deus. No v. não podendo de modo algum ser assemelha­ dos a Deus ou a Cristo.

Na linguagem metafórica dos últimos tempos. e os céus são o b ra de tu as mãos. que de início vimos no fmal do versículo 3. refenndo-se à terra e aos céus. Todavia. O Ungido é a consumação dos propósitos de Deus. os anjos são menos ainda do que na passagem anterior O Filho está sendo adorado e louvado com o Deus. No que diz respeito à criação. em comparação com o que é transitório. De novo o autor tem em mente a ascensão de Cristo à . trata-se de passagem de importância fundamental para o autor de Hebreus. aqui é o versículo inteiro que se nos apresenta. a que constitui o clímax.. Por isso. tu perm an ecerás. 2). 1-4 tem o apoio firme destas passagens do Antigo Testamento. Esta última palavra pode ser alusão à realidade da encarnação. Embora não haja referências específicas a anjos nesta citação. segundo a qual o Filho é aquele “mediante quem [Deus] fez o universo” (p o r quem fez o m undo. e os teus anos não acab arão . qual um m anto os en ro la rás. no meio de uma crise escatológica em que aparente­ mente tudo estará falhando.. no princípio fundaste a te rra . Nada existe que se possa afirm ar permanecerá para sempre. Os versos de abertura. introduz Salmos 110:1. no prólogo. 1:10-12 / A citação mais longa nesta cadeia é a sexta: Salmos 102:2527. Assim é que o prólogo cristológico dos w . na parte final e mais elevada do prólogo cristológico. 1:13 / A sétim a citação. vai chegar o tempo em que ela será renovada e totalmente alterada. não há quem se lhe compare. que provê a perm anência e a segurança que tanto lhe faltam. No meio de suas provações o salmista louva ao Senhor (Iavé). v. S enhor. O Filho é identificado como o Senhor (Iavé)... em cuja linhagem surge o Filho. te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus com panheiros. No entanto. Se este Filho é quem o salmo afirma ser. e adorado como Deus. exceto Deus e o que ele decidir sustentar Segundo esta passagem. a ligação com a citação anterior é de tal ordem que a intenção do autor continua a ser um contraste com os anjos. como roupa se m udarão. a superioridade do Filho fica transparentem ente óbvia. tu és o mesm o. fazem eco da declaração inicial. de modo mais específico pode referir-se a todos os demais reis ungidos. visto ser cognato do verbo “participam ” de 2:14.(Hebreus 1:5-14) 45 autor e a seus leitores. é corretam ente mencionado como Deus. assim afirma o salmista. T u. Entendem os que tais palavras devem aplicar-se ao Filho. O que temos em vista é a eternidade do Filho.

seus servos nos ajudam de modo que atinjamos aqueles objetivos. como tem sido demonstrado. Deus e o Filho são a fonte de nossa salvação. pelo menos até certo grau. A preocupação de Deus não se dirige aos anjos. de modo especial pela sua morte e ressurreição. A idéia de que recebemos ajuda pessoal da parte dos anjos baseia-se em ensino firme do Antigo Testam en­ to (e. Ali ele exerce seu reino. em face de dificuldades reais enfrentadas por esses judeus cristãos. Essa perspectiva está associada ao trabalho de C. 5:6-10 e o cap 7). . que descreve a pedra angular. à mão direita do Pai. compare-se com 26:53). mediante a Primeira Vindade Cristo. que serão realizados no futuro (o enrolamento dos céus). As palavras que introduzem esta citação outra vez suscitam a questão da superioridade do Filho sobre os anjos. g. pelo que o Senhor os envia p a ra serv ir a favor dos que hão de h e rd a r a salvação. serve como uma das armas básicas do arsenal de argumentos do autor a respeito da superioridade da Pessoa e da obra do Filho 1 :1 4 / Qual é então a estimativa realística dos anjos e de suas funções? Eles são espíritos m inistradores. mas. tendo o sentido de conforto e encorajam ento pessoais. como o autor vai dem onstrar de modo tão audacioso nesta epístola. E quase certo que este aspecto aumentou o significado deste versículo para a igreja primitiva. Pela graça de Deus. Para o autor de Hebreus este salmo é duplamente significativo por causa da referência ao sacerdócio de M elquisedeque e em razão da utilidade desta referência para o principal argumento do autor (veja-se abaixo. Este versículo. mas a nos. que atesta o encerramento do ministério perfeito do Filho. pois trata-se de um a época em que seus inimigos ainda não foram transformados em estra d o dos teus pés. *“Escatologia realizada” é termo usado pelos teólogos para representar a convicção do Novo Testamento de que as bênçãos da era messiâmcajá se tomaram realidade.H Dodd. apresentam um papel subordinado no serviço que prestam a Deus. todavia.. SI 91:11). é de estranhar. traz-nos à memória o ministério dos anjos a Jesus (Mt 4:11. capturando a tensão existente entre o que já foi realizado* (o cumprimento efetuado) e os aspectos da era escatológica.46 (Hebreus 1:5-14) posição de honra e autoridade sem paralelo.

). pp. W.B. 1:5-13”. segundo a qual os anjos desempenhavam papéis excepcionalmente importantes(p 52s. a respeito de citações do Antigo Testamento em Hebreus (além dos textos específicos incluídos na Introdução). segundo a qual. 352-63 De modo mais genérico. pp. Veja-se J. CBQ 38 (1976). Biblical Exegesis in the Apostolic Period— Exegese Bíblicano Período Apostólico — (Grand Rapids: Eerdmans. Canadian Journal o f Theology— Periódico Canadense de Teologia— 5 (1959). “Exegetical Method o f the Epistle to the Hebrews”.)H ughesachaqueapreocupação a respeito de anjos dá apoio às tentativas de conclusões a que chegou: os destinatarios teriam inclinação para o ensino da seita do mar Morto. Fi tzmver. a angelologia florescia vigorosamente na literatura rabínica e na intertestamentária. se conseguissem considerar Jesus meramente um anjo de Deus (p. 1965). Conclui Manson que foi Apoio quem escreveu Hebreus à igreja de Colossos. “The Structure and Purpose of the Catena in Heb. S. cf. T. no primeiro seculo e. (Veja-se JM . 513-37. J . Longenecker. 158-85. Kistemaker. (Veja-se “The Problem of the Epistle to the Hebrews” — O Problema da Carta aos Hebreus — Studies in the Gospels and Epistles — Estudos nos Evangelhos e nas Cartas — [Manchester: Manchester Univ. a heresia colossense. na verdade. Thompson. Montefioreaponta com muita segurança paraoutra direção: o interesse pelos anjos não salienta nada mais específico senão a probabilidade de os leitores judeus terem julgado ser mais fácil reter suas pressuposiçõesjudaicas.(Hebreus 1:5-14) 47 Notas Adicionais # 2 A grande preocupação com anjos. Press. The Hermeneutics o f Philo and Hebrews — Hermenêutica de Filo e de Hebreus — (Zurique. 2:15). pp. Afinal. Certas evidências de Qumran indicam que se usavam algumas coleções de textos das Escrituras. Theological Studies — Estudos Teológicos — 15 [1957]. “4Q Testi mom a and the New Testament”. a adoração de anjos era um problema específico (Cl 2:18. 4451. S. Caird. sugerem que Salmos 2:7 e 2 Samuel 7:14 haviam sido combinados muito antes de Hebreus ter sido redigido. 1975). e certa forma de experiência cristã. 41s ). Manson viu uma correlação entre a discussão do autor de Hebreus e a que Paulo desenvolveu contra os gnósticos judeus. pp 174ss. N . W. nos capítulos iniciais de Hebreus. dentre outras coisas. 1961).. Allegro.A. veja-se R. pp. The Psalm Citations in Hebrews — Citações de Salmos em Hebreus — (Amsterdam. . 5-13) de uma coleçãojá existente. Sowers. Em contraste.) E claro que a dependência do autor a tal fonte é mera especulação E possível que tenha sido ele próprio quem coligiu essas passagens do Antigo Testamento. ajudou alguns eruditos a chegarem a algumas conclusões a respeito das pessoas a quem a carta foi dirigida. 1962]. 1:5 / Há boas possibil idades de que o autor tenha tomado como empréstimo esta cadeia de citações (w . “Further Messianic References in Qumran Literature” JBL 75 [1956]. G.

C. encontram-se também no Apocalipse várias alusões a outros versículos do salmo 2. 1958].5 e 7:28). entre os rolos de Qumran (gruta 4). do que em qualquer outra passagem da carta. cheios de autoridade. um tanto diferentes dos mesmos textos. como é usada de modo absoluto no prólogo. isto se comprova pela descoberta da atual citação em um manuscrito em hebraico de Deuteronômio. mencionamos os rolos do mar Morto. Salmos 2:7 é texto fundamental para o autor de Hebreus. Quanto aosjudeus. Finalmente. segundo a interpretação judaica e cristã. Estava claro para todos que a expressão “Fiiho de Davi”. o que se nota por toda a carta. pelos massoretas (eruditos judeus que acrescentaram as vogais acs textos consonantais e transmitiram esses textos com fidelidade aos cristãos da Idade Média) No primeiro século d. veja-se também Mt 3:17. Aqui. com suas claras conotações messiânicas. além das três ocorrências de SI 2:7 em Hebreus (veja-se 5. 7 3. Quanto aos cristãos. A palavra Filho.48 (Hebreus 1:5-14) O salmo 2 era um texto messiânico excepcionalmente importante no primeiro século. Deuteronômio 32 43 não se encontra na Bíblia Hebraica.C ). por exemplo. The Christology o f the New Testament — Cristologia do Novo Testamento — (Filadélfia. se pode apontar atradução da LXX de YHWH pela palavra . no entanto. Também digna de nota na proclamação cristã primitiva é a citação de Salmos 2:1-2 em Atos 4:25-26.) A LXX é importante para a teologiae para as discussões do autor de Hebreus. 6 6. havia alguns documentos hebraicos diver­ gentes. como participante pleno da divindade do Pai Ser “ Filho de Deus” é o mesmo que ser Um com Deus.10:29). Jr TheAncient Library o f Qumran — A Antiga Biblioteca de Qumran — [Nova York: Doubleday. eram considerados livros canônicos. e podemos acrescentar os Salmos de Salomão 17:23-27. e de modo especial At 13:33. nem todos entendiam que ele deveria ser Filho de Deu^ antes do cumprimento da promessa experimentada pela igreja na ressurreição e na exaltação de Jesus 1 : 6 / 0 autor de Hebreus menciona repetidamente a LXX em sua obra. significava a chegada da era escatològica. o que fica mais evidente na presente citação de Deuteronômio 32:43. certamente tem a conotação de “Filho de Deus” E nessa fiiiação que se encontra a singularidade especialíssima de Jesus. O tradutor da LXX aparentemente tinha consigo este versículo do manuscrito hebraico que traduziu (Veja-se F M Cross. 2 Pd 1:17. o descendente messiânico. cuja cristologia se expressa de modo preeminente no conceito de “ Filho de Deus" i4 14. Westminster Press [ET]. A LXX é uma tradução pre-cristã do Antigo Testamento (feita por uma plêiade de tradutores do terceiro seculo a. 1959) pp 303-5 A citação de 2 Samuel 7 14 implica no titulo “ Filho de Davi”. anteriores aos documentos passados as gerações futuras. pp 181 ss. baseada em manuscritos primitivos hebraicos. Vejase O Cullmann.

"The Proíotokos Tule in Hebrews” — O Titulo Prototokos em Hebreus. pp 129-62. so existe por mediação do Filho Assim é que a preeminência do Filho é transmitida por mediação da palavra.18) As outras duas ocorrências dessa palavra em Hebreus (1 1 28. em contraposição a toda a criação que. diz [Deus] não ficou claro o tempo em que o Filho seria enviado ao mundo.(Hebreus 1:5-14) 49 grega kyrios (Senhor). como o faz o sentido da passagem que. “ Plurahty o f Divine Persons and the Quotations in Hebrews 1. pp 3-28. Nas palavras que apresentam esta citação Ao introduzir o primogênito no mundo. mas à sua supremacia hierárquica O Filho fica no topo de tudo quanto existe. com Deus. tem-se em mira o segundo advento No entanto. que por sua vez depende provavelmente de Salmos 104:4 1:8-9 / teu reino em alguns manuscritos e substituído por seu reino [dele]. 10 (“Tu.” TB 36 (1956). na verdade. — NTS 12 (1966). 1:7 O livro apócrifo 2 Esdras (821) comem este paralelismo interessante: que es serv ido pelas hostes de anios que tremem. “The Old Testament Citations in Hebrews” — Citações do Antigo Testamento em Hebreus — N TS 11 (1964-65). pp 270-72. no princípio fundaste a terra”) a identificação é explícita.” — Pluralidade de Pessoas Divinas nas Citações de hebreus 1:6ss. quando se transformam em vento e fogo. A palavra primogênito.” Studia fíiblica et The< logtca 6 ( 1Q76).J Harris. pp 30325. não em referência a criação do Filho. aplicandoa a Cristo. As evidências dos manuscritos dão ligeiro apoio preferencial para teu. se o texto se referia ao seu ministério terreno ou à sua segunda vinda Se a referência e ao ministério terreno. (ou possivelmente Mt 4 11). Senhor. fica fácil identificar Cristo como o kyrios (YHWH) da LXX. deve ser entendida em sentido especial. mas antes. veja-se M. isto facilitou o uso que o autor faz desta citação.6ss. podemos notar a menção a anjos em Lucas 2:13s. como também ocorre em Paulo (Cl 1 15. T F Glasson. “The Translation and Significance of h o theos in Hebrews 1 8-9” — Tradução e Significado de ho lheos em Hebreus 1 8-9. Visto que kyrios era o título favorito dado a Cristo pela igreja primitiva. aplicada ao Filho. caso aceitassemos seu. é claro que os anjos estão regularmente associados ao advento escatologico Se o advérbio novamente for tomado como referência ao envio. quando tu os chamas” (NEB). no contexto de nossa citação. 12:23) não se reterem de modo direto ao Filho Veja-se ainda L R Helyer. não como se houvera nascido em primeiro lugar. Veja-se ainda K J Thomas. . e mais provável que novamente se refira apenas à adição de outra citação em que Deus fala a respeito de seu Filho. exigiria a aceitação de uma expressão mais difícil: "Deus é teu reino”. isto é. servindo de antecedente do pronome “o”. Quanto a um estudo excelente destes versículos. No v.

vol 3. ficasse muito mais fácil (já que o Filho é realmente o Senhor). veja-se o comentário e a nota sobre 1:3 1:14 / A expressão espíritos min\stradores(leilourgika pneumuta) não se encontra no Antigo Testamento. 1. teus anos prosseguem por todas as gerações” . a linha imediatamente precedente (SI 102:24) diz “O meu Deus. “para ser\ iço”) e palavra que vem sublinhada na tradução de NIV pelo substantivo do Novo Testamento Jiakoma. veja-se J P Meier. TÍJNT. 9:15. por isso. mas apresenta considerável semelhança com a descrição dos anjos como “mensageiros” e “ministros” (lilourgoi) de Sal mos 104 4(LX X SI 103 4). pp 504-33. Embora o texto hebraico não tenha o vocati vo exatamen­ te nesse ponto. “Symmetrv and Theology in tne Old Testament Citations o f Heb. bem como seus cognatos. apropriada de modo especial aos propósitos do autor. dessa forma. 5-14” — Simetria e Teologia nas C itações do Antigo Testamento Encontradas em Hebreus 15-14 — Bihlica 66 (1985). quando este escreve a respeito da salvação que os cristãos ganharam. em Hebreus A palavra herdar (kleronom eo) é importante para o autor (cf. veja-se a nota sobre 2:3 Quanto a passagem toda. fez que a aplicação dessa passagem pelo autor de Hebreus. Veja-se W Foerster. 6:12.queém encionadopeloautorno v 7 Servir I lit . . em 6 17.50 (Hebreus 1:5-14) 1:10-12 / A LXX (SI 101:26 [NIV 102:26]) inseriu “Senhor” (kyrios) na primeira linha da citação e. pp. . ao Filho. l:13/Q uantoàcentralidade do salmo 110 no conceito do autor de Hebreus e no da igreja primitiva. -7 ò-S5 A respeito de salvação (soteria). que ocorre apenas aqui. 11 7s ) Esta linguagem reflete o recebimento do cumprimento das promessas do Antigo Testamento e é.

que se seguem ao estilo e m étodo tão bem formulados pelo autor de Hebreus. ao contrário. A questão menos importante implica a p alav ra falada pelos anjos. caía sobre os desobe­ dientes. que se dirá da outra. para que em tem po algum se desviem. Veja-se 10:29. veja-se 1:1). e também como pregador cheio de preocupações pastorais. os leitores devem a te n ta r com m ais diligência p ara as coisas que já temos ouvido. a prim eira de uma série de exortações desse tipo. 2:2 / Com esse versículo. mas. constantemente está conclam ando seus leitores para a importância prática da teologia e para a reação apropriada. quanto mais não será . 12:25. Um Chamado à Fidelidade (Hebreus 2:1-4) Estes quatro versículos são uma exortação parentética. a fim de que com prom etessem a verdade do evangelho. portanto. firm e (o autor aceita a validade da mensagem de Deus a seus antepassados. ou seja. e o nosso autor tem em mente sobretudo a realidade do julgam ento sobre toda violação e desobediência. Pressões violentas tentavam esmagá-los. O que se tem em mente é a lei m osaica recebida no monte Sinai por intermediários angelicais. Ele não gosta de discutir teologia de forma abstrata. Era a palavra de Deus. e a retribuição (punição). De fato Paulo escreve como teólogo consumado. Essa palavra era.3. parte de uma verdade já aceita sobre um assunto para outra com razões ainda mais fones para ser aceita como verdadeira: se uma já convence. o autor inicia uma argumentação a fo rtio n . 2:1 / Se o Filho demonstra esplendor incomparável. 2:3 / Se é verdade o que se disse anteriorm ente a respeito da palavra de Deus proferida aos antepassados dos leitores. O argumento do autor de Hebreus é que uma avaliação adequada do Filho (é a força denotada na conjunção portan to ) resultará no reconhecimento da verdade e da suprema im portân­ cia da mensagem cristã (que já tem os ouvido) e também encorajará a fidelidade a essa mensagem. a mensagem de salvação. é claro. isto é.

A com provação das testemunhas oculares é tida em alta conta. enquadra-se na segunda geração de discípulos. assim como àquele acontecim ento se seguiram smais esplêndidos (os quais. Mas o sinal que marca o apogeu da autenticidade é o novo derramamento dos dons do E spírito Santo. embora o nosso autor m encione apenas os anjos.52 (Hebreus 2:1-4) verdadeira a realidade do julgam ento que sobrevirá aos que deixarem de ouvir a palavra definitiva de Deus proferida em seu Filho! Implícita no argum ento está a superioridade da mensagem de Deus falada. portanto. Não pode haver maior autoridade do que essa para garantir a verdade da palavra da igreja. Em 12:25 encontra-se o mesmo argum en­ to a fo rtio n . assim também Deus testificou com eles a sua mensagem definitiva. 2:4 / Essa mensagem de salvação não é menos verdadeira do que a mensagem anterior. prodígios e vários m ilagres foram realizados por ele por meio dos apóstolos. falada por Deus no Sinai: e. ja tão excelentemente descrito no prólogo. E essa palavra foi além do mais cuidadosa­ mente confirm ada aos autores e aos leitores (confirm ada pelos que a o uv iram ) pelos que de fato ouviram a proclamação dos lábios de Jesus. O Filho. A verdade dessa salvação é agora realçada para reforçar a advertência aos leitores. Assim. algo retomado posterior­ mente com detalhe. pode-se comparar a Lucas (Lc 1:2). Sinais. Mc 1:1. A esse respeito. Só pode ser inútil e perigoso para os leitores deixar que se afastem da verdade. Tudo isso inegavelmente aponta para a incomparável superioridade e para o caráter definitivo da mensagem proclam ada pelos apóstolos e pela igreja. como escaparem os nós. ou o S enhor. como Pedro em Pentecostes (veja-se At 2:14-18). se negligenciarm os tão gran d e salvação? As palavras finais reme­ tem à esplêndida salvação realizada pelo Filho.15). Assim. É. iniciada pela autoridade daquele que com Deus vai de encontro o tudo o mais que existe. certamente eram subentendidos pelos leitores). e o escritor claram ente se separa dos que tiveram o privilégio de testem unhar as palavras e as obras de Jesus. foi o primeiro a anunciá-la (cf. nosso autor considera o Espírito Santo o principal indicador do cumprimento das promessas de Deus e a aurora da nova era. naespístola. Se eles de fato receberam julgam ento naquela situação inicial. .

de modo mais genérico. a despeito do escasso apoio do Antigo Testamento (Dt 33:2). que apresenta sua obra como minha “palavra de exortação” (13:22). Os anjos têm importância instrumental em questões menores. Assim é que. aplicado no v. quando o autor se identifica com os leitores. que quer dizer “verdadeiro’ ou “válido”. na defesa de Estêvão. Essas exortações às vezes se dirigem aos leitores na segunda pessoa do plural (“vós”). ruma ao naufragio” 2:2 / A idéia de anjos como intermediários na concessão da lei no Sinai era aceita pelos rabis (há referências em Marmorstein. Embora haja mais exortação nessa epístola além do que indica a seguinte lista de passagens. 643) e pelos cnstãos do primeiro seculo. há referência ao "anjo que lhe falava [a Moisés] no monte Sinai” e aos judeus como “vós. no sentido de prover uma garantia. embora os líderes estejam em especial necessidade. . daí refletindo a unidade de todos na igreja. o Filho tem m áxima importância na questão magna. e de sua inferioridade em relação ao Filho. 2:1/ A palavra grega traduzida por desviemos (pararreo) ocorre somente nessa parte do NT Essa idéia é muito bem expressa na tradução de Barclay "senão. 2:3 \ foi-nos depois confirm ada é tradução do verbo “firm ar” ou “estabelecer” (bebaioõ). 53).25-29. vol 1. a mensagem tem aplicação maior a todos os cristãos. EJ.(Hebreus 2:1-4) 53 Notas adicionais # 4 A exortação e as admoestações nessa epístola não são de somenos. e não a guardastes” (At 7:38. 2. De modo indireto esta referência dá apoio à tese do autor de Hebreus a respeito do papel de m inistros (servos) desempenhado pelos anjos. p. a todas as formas de desobe diência. ela merece menção especial: 2:1-4. a segunda. desatracado do cais. 3:7-19. Paulo tambem escreve: “[a lei] foi ordenada por intermédio de anjos. 10:19-39. 4:14-16. Por trás das palavras violação e desobediência encontram -se dois substantivos gregos (parabasis e parakoe) que dizem respeito às violações da lei. pela mão de um mediador” (G13:19). bem podemos ser como o navio que. à quebra dos m anda­ mentos. são antes fundamentais para o argumento do livro e para o objetivo do autor. 12:12-17. e corresponde ao adjetivo (bebaios) cognato (derivado). mas também ocorrem muitas vezes na pnm eira (“nós”). Assim. que recebestes a lei por ordenação de anjos. a pnm eira refere-se à transgressão específica.

6:8. a simples presença desses dons do Espínto Santo transmite a mensagem do cumprimento escatológico. cumprida no presente (cf. são os do início da era apostólica. A referência a dons do E spírito S anto. 5:9) e que seria consum ada no futuro (cf. Veja-se W. Menos comum é a ocorrência dos primeiros dois termos (“sinais e prodígios”) na descrição da igreja primitiva (veja-se At 2:43: 4:30. Em Romanos 15:19. 7. terata. É a salvação prom etida no Antigo Testamento. distribuídos segundo a sua vontade faz-nos lembrar de termos idênticos expressos por Paulo em 1 Corintios 12:4. 9:28). TDNT. prodígios e vários m ilagres e dons do E spírito Santo. 5:12.54 (Hebreus 2:1-4) Salvação (s õ t ê n a ) é palavra im portante para o autor de Hebreus. 1:14. e assim testifica da verdade do evangelho cristão. 10. e não os do ministério de Jesus. Foerster. os dois termos vêm associados ao "poder do Espírito” . como essa passagem. Estes três termos (sem eia. 6:9. 14:3. vol. a que o versículo faz alusão. 11: "Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas. 15:12). . 989-1012. dynam eis) tom am se virtualmente elementos de fórmula ritualística. pp. 2:4 / Os sinais. 2:3. distribuindo particularmente a cada um como quer” Para ambos os autores. ao descrever fenômenos da igreja primitiva (vejam-se essas mesmas três palavra em At 2:22 e 2 Co 12:12).

Cristo E Superior aos Anjos. o autor de Hebreus apresenta-nos uma escatologia realizada e outra futura. Quando o autor de Hebreus acrescenta de q ue falam os. 2:5 \ Embora no pensamento judaico o mundo atual fosse considerado sujeito aos anjos. O Filho foi exaltado à direita de Deus. em outro. de certo m odo tal não aconteceria com respeito ao mundo vindouro. de 12:22-24. certo tempo há de passar.) N a verdade. em vez de refugir do problema. A realidade da obra terminada pelo Filho. Pela primeira vez o autor emprega o nome do homem de Nazaré. o sofrimento e a morte de Jesus. sem dúvida trouxe o mundo vindouro ao presente momento e à igreja atual. que percorre toda a teologia cristã. (Veja-se também a expressão “mas tendes chegado”. 2:6-8a / A citação de Salmos 8:4-6 apresenta outra indicação da . no entanto. é por isso que permanece o mundo vindouro. que o fez passar por sofrim ento e morte. em que o autor descreve a experiência cristã como forma de experim entar (provar) “os poderes do m undo vindouro” . encontramos a tensão entre o cumprimento e a consumação. o autor na verdade o enfrenta e resolve. Jesus (v.* 4. Esta se expressa vividamente em 6:5. cujo resultado fmal ainda será provado. a essência do evangelho. Já nos deparamos com esta tensão quando estudamos o sentido da frase “nestes últimos dias’" (1:2) e a citação de 1:13. tudo parece apontar com clareza irrefutável para a inferioridade do Senhor em comparação aos anjos. por ser vindouro. a despeito de Sua Humanidade (Hebreus 2:5-9) Não há dúvida de que o grande obstáculo diante da argumentação do autor a respeito da superioridade do Filho é a humanidade autêntica do Filho. A hum anidade. Essa tensão se m anifestará nos versículos que se seguem. Sem dúvida essa questão merece atenção. em certo sentido o m undo vindouro já veio. 9). o m undo de que o autor de Hebreus vem falando é aquela nova realidade que veio à existência mediante a exaltação do Filho. ainda há de vir. posição do poder absoluto. para que o argumento do autor se sustente. Por isso. mas. antes que seus inimigos sejam postos sob seus pés. Em outras palavras.

à hum anidade foi dado o domínio sobre toda a criação. deve-se preferir aqui uma tradução alternativa das palavras. na linha precedente). Quando redigido. Assim. que na verdade é uma nuança do original hebraico (o que se pode ver pelo paralelismo homem. a passagem do Velho Testamento é efetivam ente utilizada pelo autor em sua discussão. tendo porém a desvantagem de esconder tudo que deveria ter sido atirado sobre o autor de Hebreus e seus leitores. como se m odificasse a palavra “menor”.. Quando a mente volta-se para Jesus. e tal posição de honra é celebrada pelo salmista. sobre todos os animais. mais literalmente: “tendo sujeitado todas sob seus pés” .56 (Hebreus 2:5-9) compreensão cristológica do autor a respeito do Antigo Testamento. ao mesmo tempo. bem como à humanidade. que revela a humanidade como foi criada. o último Adão. coerentemente. Contudo. mas. pelo que a nota marginal de NIV diz: “durante um pequeno tempo” . citado em 1:13): T odas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. não meramente pelo fato de indicar algumas associ­ ações m essiânicas (nas duas últimas linhas do texto citado). esse salmo proclam ava a glória do universo criado. no v. feito um pouco menor do que os anjos NIV faz que brachy ti tenha o sentido de gradação.. Cristo é a verdadeira incorporação da humanidade. Em Cristo as palavras do salmista têm seu cumprimento. dando-lhes um sentido de tempo. Em outras palavras. A ultima linha da citação apresenta uma ligação íntima com o texto de exaltação favorito do autor de Hebreus (SI 110:1. a seqüência temporal da encarnação e da exaltação pode ser percebida de pronto no v. acabam encontrando seu cumpri­ mento pleno naquele que foi preeminentemente humano.. Este título pode ser traduzido por “mero homem” (como o faz GN B). segundo a narrativa de Gênesis (1:26. O autor de Hebreus entende que o salmo se refere a Cristo. que é o homem?” . Estes entendiam que filho do homem era o própno Jesus. N o entanto. O Filho fora verdadeiramente feito homem e.. ou. Se originariamente o salmo teve a intenção de aplicar-se a meros seres humanos.28). princi­ palmente. que realiza em si mesmo a glória e o domínio que o primeiro Adão e seus filhos perderam por causa do pecado. de que resultou um pouco menor. por considerar o Filho o arquétipo dos seres humanos. a lua e as estrelas. o título preferido por Jesus durante seu minis­ tério.7. aves e peixes. em comparação com o qual os seres humanos parecem melancolicam ente insignificantes: “Quando vejo os teus céus. 6. A aplicação desse salmo a Jesus fica entendida com clareza pelas palavras filho do homem.

pelo qual também dem onstra o vinculo entre o antigo e o novo. refenr-se não meramente à humanidade. em harmonia com o sentido original a parte do salmo 8 que está sendo mencionada. no v. 12:5-11. o mesmo problem a no v. quando ele apresenta uma interpretação da citação.4 :ll. usando palavras específicas tiradas da própria citação. como vimos argumentando. coroado de glória e de honra. visto da perspec­ tiva do cumprimento realizado por Cristo) da passagem que capacita o autor a esclarecer bem seu ponto de vista. sendo Deus. 9). 10:5-14. em princípio. Jesus. ao aplicar as palavras específicas da citação a Jesus. Entretanto. “durante um pequeno tem po”. coroado dessa forma. a ele) como referência à humanidade. logo depois. foi recuperada por Aquele que. (Veja-se o mesmo fenômeno e m 3 :7. É quase certo que o autor tenciona aqui.(Hebreus 2:5-9) 57 (é assim que dizem NASB. tom ou-se ser humano com um objetivo bem definido. Contudo. se tais palavras forem tomadas no sentido de tempo. contudo. “durante um curto tempo. m enor” . A discussão do autor de Hebreus não está voltada para o grau em que Jesus foi feito um pouco m enor do que os anjos. ainda não conseguim os ver esse reino no mundo atual. v. tendo-a perdido.e.) O resultado pode ser descrito honestam ente como se fora um comentário cristão (i. A riqueza que a hum anidade tivera uma vez. Em Cristo a humanidade com eça a perceber sua verdadeira herança. 7) do que os anjos. N a verdade. veja-se o comentário no v. Jesus. 9). o Filho foi exaltado (à destra do Pai). mas a Cristo também. Pode-se entender a ocorrência tríplice da referência a Cristo no v. RSV. 2:8b-9 / Nestes versículos encontramos o primeiro exemplo do trata­ mento de ‘m ídras’ que o autor de Hebreus dá a passagens do Antigo Testam ento — isto é. 8b (lhe. como na citação. tem todas as coisas. 8a). ao ser colocado num estado inferior ao dos anjos. 9: foi feito um pouco menor (ou melhor. É claro que o autor entende que a citação do salmo 8 refere-se a Cristo e também à humanidade. pelo que todas as coisas lhe foram sujeitas debaixo dos pés. os pronomes da passagem também poderiam apresentar uma ambigüidade deliberada. “debaixo dos pés” (v. Portanto.. se é esse salmo que se tem em mente. GNB). o Filho foi temporariamente hum ilhado. Entretanto. a dem ora pode . como alusão e Jesus (cf. coroado de glória e de honra. enquadram -se com perfeição. com o termos descritivos da hum ilhação tem porária do Filho ao encarnar (cf. especialmente a referência a "filho do homem".

Portanto. A encarnação e seu objetivo. com o objetivo de focalizar a nossa atenção em sua humanidade. |D eu s| nada deixou que não lhe esteja sujeito. explicitamente em Fp 2:6-11). aquele [Jesus]. Mc 9:1). Visto que Jesus desceu temporariamente de sua posição exaltada nos céus e se fez menor do que os anjos. agora não conseguimos ver nem o homem nem Cristo governando todas as coisas.g. incluindo-se a superioridade do Filho sobre os anjos. Ao mesmo tempo. provasse a m orte por todos A expressão provasse a m orte significa apenas “que sofresse a morte”. quando isso ocorrer. porém . a cruz. no resto desse capítulo. que há de ser coroado de glória e de honra. isto é. .58 (Hebreus 2:5-9) ter sido m encionada num texto-chave citado antes (1:13): “Assenta-se à minha destra até que ponha os teus inimigos por estrado para os teus pés” (SI 110:1). Temos aqui a prim eira menção direta feita ao Senhor. pela graça de Deus. a hum anidade experim enta­ rá o governo total de que fala o salmo 8 (cf. O autor de Hebreus não especifica a exceção óbvia anotada por Paulo em 1 Coríntios 15:27: “Quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas. 12:2). O que temos em vista primordialmente é a seqüência: situação de exaltação — humilhação — exaltação (como e. em vista de ter sofrido a paixão da m orte. a m isericórdia ou favor de Deus isentos de custo para nós. a exaltação que se segue à hum ilhação apresenta nova dimensão de alegria e triunfo. N a verdade. claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas” . permanecendo no final da realização do plano salvífico de Deus. o propósito da encarnação foi que se possibilitasse a morte do Senhor em prol de todos os homens. Vemos. ao submeter-se ao sofrimento e à morte. Jesus é Aquele que possibilita a nossa salvação. Outros benefícios da humanidade de Jesus são exploradas pelo autor da carta. são a gloriosa expressão da graça de Deus. a plena humanidade do Filho traz consigo as maiores vanta­ gens. Há de ocorrer a exaltação de Jesus. Fp 3:21). e não meramente a experiência parcial da morte (cf. mas no futuro o governo de Cristo será plenamente consumado. como o explica o segmento anterior. não devemos pressionar demais o aspecto causal (cf.. E o fato da encarnação que faz que Jesus seja tem porariam en­ te um pouco m enor do que os anjos. ao cumprir a vontade de Deus. p a ra que.

Embora o hebraico de Salmos 8:5 se refira ao pequeno grau por que os seres humanos são inferiores. vol 1. pp 328-32 O Antigo Testamento. “fizeste-o um pouco menor do que Deus (RSV). e em ambos encontramos Moisés como o que fala. pelo que teríamos: “fizeste-o durante um . sob Deus. Dn 10:20-21. houver terminado sua obra. E especialmente apro­ priado que o Filho do homem seja entendido como o representante da humanidade Esse título inclui prontamente a idéia da comunidade dos fiéis.(Hebreus 2:5-9) 59 Notas Adicionais # 4 2 :5 / Supõe-se que os anjos desempenhem um papel importante na presente era. termo que provavelmente era entendido como “anjos ”) E óbvio que o argumento do autor de Hebreus se beneficia do texto da LXX. que alguns aplicam ao Filho e à comunidade dos crentes. pp 613-34. Siraque 17:17) Veja-se Kohler. Jesus. 1975). nota marginal de NIV) O livro de Hebreus seapóianaLX X .) Quanto a “Filho do homem”. no Antigo Testamento. veja-seO Michel. Dizia Filo que o Criador emprega anjos como seus assistentes e ministros no cuidado dos mortais (On Dreams — Dos Sonhos — 1 22).. “The Son o f Man in the Epistle to the Hebrews” — O Filhodo Homem na Epístola aos Hebreus — Exp'T 86 (1975). 22 (Cf. P Giles. “Deus” (cf. este vice-reinado aparentemente não se manterá. vol. 2:6-8a / A fórmula que introduz a citação é incomum: M as em certo lugar testificou alguém Outras fórmulas de introdução indefinidas encontramos em 4:4 ("‘Pois em certo lugar disse ele assim”) e 5:6 (“alguem que lhe disse”). Este emprego de fórmulas introdutórias indefinidas é singular no Novo Testamento Em outros lugares. neste ponto. embora 'elohim possa ser entendido também como comprovante do ponto sob consideração. NIDNTT. o autor introduz claramente a Escritura como palavra pronunciada por Deus. por Cristo ou pelo Espírito Santo. 3. As evidências indicam a crença amplamente divulgada de que anjospríncipes. 12:21). Dt32:8 [LXX]. como o faz nas fontes do conceito Dn 7:13s. Jo 1:51. a LXX citada em Hebreus 2:7 também pode ser entendida num sentido temporal. JE. pp. descre­ vendo a narrativa Veja-se R Longenecker. Biblical Exegesis in the Apostolic Period (Grand Rapids: Eerdmans. ‘sois deuses” [Jo 10 34]. “anjos” . 164-70. de acordo com 1 Enoque (89:59) setenta anjos da guarda cuidam de setenta nações (cf. p 594 No entanto. apresenta-nos o primeiro verso de Salmos 8 5 desta forma: “Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais” A palavra hebraica traduzida por “seres celestiais” é ’elohim. governam as nações. cujos tradutores na verdade traduziram 'elohim por angelous. Em apenas dois lugares ha referência a um ser humano que falou algo (9:20. segundo NIV. quando o Filho do homem. (Uma tradu­ ção semelhante de 'elohim por um plural pode ser visto em Salmos 82:6.

dos versículos precedentes. refere-se a homem ou a Jesus Mas F F Bruce anota corretamente: “A dificuldade é de pequena monta. numa exposição de ‘mídras’ na citação do salmo 8 Refletem-se na versão NIV “Colocando todas as coisas debaixo dele” . BAGD. “ele foi feito um pouco inferior” e “coroado de glória e de honra”. “ foi feito um pouco m enor” . A ECA diz: “ lhe sujeitou todas as coisas” . ele parece ansioso por fazer derivar seu argumento das Escrituras. 1964]. “tudo lhe está sujeito”. O entendimento temporal dessa frase tem o apoio do argumento do v. No v 9. 8b. a despeito do fato de as cláusulas não serem consecutivas no texto grego (cf. e no seu uso freqüente reflete sua convicção teológica basica. visto que de qualquer modo é Cristo que esta em questão. deva ser preferido pela crítica textual. Não seria inapropriado colocar essas expressões no texto entre aspas. não so das profecias diretas. em Cristo O autor de Hebreus faz uso intenso de comentários tipo ‘mídras’ de textos do Antigo Testamento em sua carta. como homem que representa a humanida­ de” (Commentary on the Epistle to the Hebrews — Comentário sobre a Cana aos Hebreus — NICNT [Grand Rapids: Eerdmans. Na exposição sob a forma de ‘mídras’.. 7 as palavras: “fizeste-o o que govema sobre tudo o que criaste”. provasse a morte por todos é oração que deve ligar-se à declaração de que Jesus foi feito um pouco m enor do que os anjos. 9. ou quase. Muitos manuscritos acrescentam ao v. no v. mas também dos padrões correspondentes de eventos que encontram seu lelos. como exemplo) O fato de alguns manuscritos e de alguns pais da igreja primitivos testemunharem uma redação mais difícil choris theou (“sem Deus” ou “à parte de Deus”) em vez de chariti theou (pela graça de Deus) produziu muita discussão. “ de glória e de honra o coroaste”. e isto sem dúvida reflete a importância do Antigo Testamento para seus leitores. A despeito do testemunho textual a favor de sua inclusão (mas falta no documento P 46e B). pelo que o texto mais curto deve ser preferido 2:8b-9 / Quatro expressões-chave do texto grego são transcritas ao pé da letra. n. ou estranho. aqui as evidências documentais em prol de pela graça de . (Veja-se a Introdução. sob “Forma e Estrutura ”) Os comentaristas estão divididos quase em partes iguais quanto a se o pronome lhe. p 37. segundo a qual Cristo e sua obra representam o cumprimento do Antigo Testamento.60 (Hebreus 2:5-9) pequeno tempo inferior”. O autor de Hebreus e mestre nesta arte. a ele. “ todas as coisas sujeitas a ele” .. ou objetivo. 35). Ainda que seja difícil explicar a origem do texto anterior. na verdade. esse texto quase com certeza é uma adaptação da LXX. o autor redige seu argumento usando frases da citação e assim produz um tipo de comentário da passagem escolhida. Veja-se brachys. p ara que (hopos). e embora o texto geralmente considerado mais difícil. e contraste-se a impropriedade de NASB. GNB.

1987). veja-se L. eds. ou substitutiva. veja-se a nota sobre 4 :16. deve ser aceita como texto original.1. por isso. NIDNTT. a frase faz sentido do jeito como está e. mais os capítulos 1 e 2.J Harris.7:27). Além disso. pp 151-64 . que é doutrina central em Hebreus (cf. (Oxford: Clarendon Press. N a sentença p ara que. tencionam afirmar a preexistência de Cristo. 9. vol. 3. L D Hurst e N T Wright. como um todo.. Quanto a este uso da preposição p ara (hyper). pp 1196s Quanto a uma negação de que o v. provasse a morte por todos temos o ensino da expiação vicária.(Hebreus 2:5-9) 61 Deus são esmagadoras (inclusive os manuscritos antiqüíssimos P*6). veja-se M. “The Christology o f Hebrews 1 and 2” — A Cristologia de Hebreus 1 e 2 — em The Glory ofC hrist m lhe New Testameni: Studies in Chnstology — A Glória de Cristo no Novo Testamento: Estudos sobre Cristologia — em memória de G B Caird.D Hurst. Quanto a graça (charis).. 5.

Jesus tom a-se o au to r da salvação deles (lit. semelhante a esta. pelo que o autor focaliza a realidade integral e os benefícios da natureza humana do Filho. no sofrimento e na morte de Jesus há uma plenitude de sua hum anidade que corresponde à sua plenitude como Filho de Deus..5. foi da vontade de Deus. Mas a verdadeira questão. e sua morte na cruz. a morte de Jesus não envolve fraqueza nem inferioridade. éque o Filho se tom aria em tudo semelhante aos seres humanos. Os Benefícios da Natureza Humana de Cristo (Hebreus 2:10-18) O autor de Hebreus desenvolve o argumento de que a natureza humana de Cristo possibilita o cumprimento do plano salvifico de Deus e. para que pudéssemos tom ar-nos semelhantes a ele (Quanto a uma troca de experiências.) A expressão consagrasse pelas aflições o au to r da salvação (Jesus) refere-se primordialmente ao cumprimento dos propósitos de Deus. com partilhando o sofrim ento deles. o Soberano C nador de todas as coisas. O Senhor foi consagrado no sentido de ser conduzido a “plenitude” relacionada ao cumprimento do plano de Deus. a da adequação. visto que nesse sentido Jesus sempre foi perfeito. P a ra quem são todas as coisas. que houvesse a encarnação de seu Filho. Jesus tomouse semelhante a nós. a que se fez referência no começo deste versículo. o que. cf. 2:10 / C onvinha e verbo que se refere a total adequação da forma pela qual Deus fez cum prir sua vontade pela morte de Jesus. significa identificação com a humanidade ate o ponto de experim entar a morte. 1 C o 8 :6 . e m ediante quem tudo existe é termo que se aplica a Deus — mas é linguagem que se aplica ao Filho também em 1:2 (“a quem ". não pode existir nenhuma inferioridade em Jesus em relação aos anjos.C l 1:16. Portanto. a fim de os seres hum anos poderem tomar-se filhos e mediante Jesus serem conduzidos à glória. Portanto. Na verdade. "'originador” ou "fundador” da salvação). Assim foi que o Criador tom ou-se também o Redentor de sua criação. veja-se 2 Co 5 :21. mas poder e superioridade. aqui. T razen d o muitos . A perfeita consagração aqui m encionada não é consagração moral ou ética. Jo 1:3). por isso. Ao cumprir o plano de Deus.

pelo que viemos todos de um só. com e ainda. 14-17. Trata-se de um homem. mediante a qual ele santifica os crentes. O autor apresenta a primeira com a expressão: E o u tra vez. resumese em sua morte. Fica óbvio que a igreja primitiva considerava o salmo 22 excepcionalm ente apropriado nos lábios de Jesus. Mt 27:46). Em sua natureza humana Jesus se faz plenamente um conosco. Jesus identificou-se conosco. e não se envergonha de [nos] c h a m a r irm ãos. as palavras de 10:10: “temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo. feita pelo autor. não encontram os um raciocínio elaborado e evidente. 6-8. Deus meu. a zombaria. e os evangelistas fazem alusão a este salmo com esta interpretação. Aquele que vem “trazendo muitos filhos” a esse estado de bênção é “o autor da salvação deles” . entre seres humanos. w . sofrimento e morte de Jesus. Trata-se de citações de versículos conse­ cutivos de Isaías 8 (w . Visto que no Antigo . que nos prove que Jesus é a Pessoa que fala tais palavras. pendurado na cruz: “Deus meu. Aqui. v. Três citações do Antigo Testamento são apresentadas pelo autor de Hebreus para dar apoio a essa afirmativa.. As palavras de abertura deste salmo foram mencionadas por Jesus. Certos pormenores do salmo correspondem de modo extraordinário às narrativas evangélicas a respeito da crucificação (e. de tal m odo que se fez nosso irmão.g. 2:13 / Jesus também é visto como a Pessoa que fala nas duas breves citações seguintes. que fala a respeito de Deus. diferentemente da citação anterior. p orque me desamparaste?” (Mc 15:34. w . Assim e que o autor de Hebreus encontra uma passagem ideal para basear seu argumento a respeito da plena hum anidade de Jesus. 2:12 \ De novo vem à tona a interpretação cristocêntrica do Antigo Testamento. e a segunda. feita uma vez por todas”). 17 [LXX] e 18).(Hebreus 2:10-18) 63 filhos à glória expressa de vez o propósito da encarnação. a agonia física. que decorre de sua natureza hum ana (cf. então — para grande alegria do autor de Hebreus — ele estana refenndo-se às pessoas na assembléia como seus irm ãos. Se Jesus estivesse recitando esse salmo para Deus. 2:11 / A obra de Jesus. A primeira citação é do salmo 22. o jogo de azar para ver quem ficaria com as roupas de Jesus. G lória e salvação salientam-se como termos paralelos que descrevem o objetivo que os cristãos atingem pela obra de Cristo. 18).

coloca sua confiança em Deus (porei nele a m inha confiança) O Senhor se associa aos filhos que Deus me deu. Em vez disso. Entretanto. ou purificação de pecados. Mas nas afirmações anteriores a respeito deste propósito. Jesus. De novo. é o “Senhor” (kyrios) quem fala a “Deus” (theos). II antecipa sua ocorrência na citação do v. Assim. as demais versões (a ordem do texto grego é invertida em N'IV). “participou deles”. apenas um grau mais elevado de especificidade: como seres humanos participam da carne e do sangue. então. que obviamente está sendo utilizada aqui (cf. não podendo estabelecer o fulcro da questão proposta pelo autor de Hebreus. Por isso. de modo semelhante. as referências a “Senhor” na LXX de Isaías 8:17 são mudadas para “Deus” .64 (Hebreus 2:10-18) Testam ento quem fala é Isaías. 12 (ela ocorre de novo no v. a prim eira citação com Is 8:17). a m orte. Na verdade. em determinado momento da história. é quem fala as palavras em questão. bem como o “tom m essiânico” da passagem mais am pla (que dificilmente se vê nestes versículos). assim também.JV e.. o objetivo é declarado de forma positiva como salvação. Não existe um pensamento novo na prim eira metade deste versículo. ECA prefere tam bém ele participou das mesmas coisas (lit. 17). já temos visto essa identificação de Jesus com Iavé nas citações de 1:6 e 1:10-12. esse tipo de argumento é fraco demais. argumenta-se com um ente que as seme­ lhanças entre Isaías e Jesus. explicam a razão por que se pode entender que é Jesus quem está falando. da carne e do sangue. isto é. segundo a LXX. assim raciocina o autor de Hebreus. como indica o tempo aoristo (no grego. e não Isaías. à semelhança dos seres humanos crentes. lugares em que Jesus se identifica com a humanidade e não com Deus. A segunda metade do versículo consiste numa oração subordina­ da final que faz conexão entre a encarnação e o seu objetivo. senão que aqui Jesus fala a seu Pai° Se isto for verdade. como diz NI V. “da humanidade”. Se o Senhor fala a Deus. a solução encontra-se no fato de que. agora ele é . seguindo K. de modo especial quando o contexto ajudava nessa identificação. o aoristo em geral indica uma ação que se com pletou no passado) tem-se em vista um Ser preexistente que. o Senhor. há aqui. de que outra forma haveremos de entender a passagem. assumiu a forma e a natureza humana. Certamente era muito comum na igreja primitiva identificar “o Senhor" no Antigo Testamento com Jesus. 2:14 / Assim como a palavra irmãos no final do v. de modo geral. a palavra filhos com toda a certeza foi tirada da citação anterior.

destruiu a morte” (2 Tm 1:10). Jo 10:31). 7). Este versículo serve de lembrete da razão por que Jesus se tom ou por pouco tempo “um pouco menor do que os anjos” (v. pois “o pecado reinou pela morte’’. mas com a humanidade. O autor de Hebreus concor­ daria com o desafio de Paulo: "Onde esta. o teu aguilhão? Onde está. a morte continua a ser uma realidade que a humanidade precisa levar em consideração. essa é a implicação. M ediante a morte de Jesus. O diabo foi derrotado em princípio e mediante o m inistério de Jesus (Lc 10:18) e.(Hebreus 2:10-18) 65 expresso de forma negativa: p a ra que pela m orte an iquilasse o que tinna 0 im pério da m orte. ele não está destruído. o Novo Testamento pode afirmar que “Cristo Jesus. 6:11. teria assumido a natureza dos anjos. De novo é necessário que se faça distinção entre cum prim ento e consumação. a morte provém do pecado (cf. ó morte. mas do m edo da m orte. No entanto. de m odo especial. sua humildade demonstra a fidelidade de Deus e seu propósito salvífico para seu povo. Embora isto pudesse configu­ rar uma alusão a Isaías 41:8s. E f 4:27. e tudo o que ela representa. que aqui se identifica como descendência de A braão.. tal conclusão de m odo algum é necessária. mas estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do m fem o” . os cnstãos estão livres do medo que escraviza os pecadores por toda a eternidade. mediante a cruz (cf. mas não precisamos temê-la. a tua vitória?” ( 1 Co 15:55). no entanto. mas prossegue no exercício de poder real. De fato a morte ainda ocorre. De modo semelhante. 1 Pe5:8). é descrita não como livramento da morte.T g 4 :7 . o diabo. 2:15 / E significativo. que a libertação experimentada. isto é. O im pério da m orte sob o comando de Satanás relaciona-se à sua obra nefasta de introduzir o pecado no mundo. a que faz referência o autor de Hebreus. embora limitado (cf. ó morte. houvesse ele vindo a fim de redimir os anjos. 2:16 / Jesus não estava preocupado com os anjos. . O poder da morte é como o poder do diabo: é limitado e logo cessará de vez. fui morto. O diabo e a morte foram vencidos pela obra de Cristo — isto ficou claro — ainda que nesse período entre a cruz e o retom o do Senhor não consigam os ver os efeitos totais da vitória de Cristo. à luz dos comentários precedentes. Jesus veio "para destruir as obras do diabo" ( 1 Jo 3:8). e apresenta-se a João no Apocalipse (1:8) com estas palavras: "Eu sou o que vivo. Rin 5:21).e. i. Longe de refletir alguma inferioridade em Jesus... 1 T m 3 :7 ..

para que o sacerdote desempenhasse suas funções. o Senhor ocupa uma posição especial a fim de so c o rre r aos que são tentados. Esta aplicação é mais explícita em 4:5. como se se referisse a toda a comunidade da fé (cf. . a obra importantíssima do sumo sacerdote no dia da expiação O trabalho deste Sumo Sacerdote. Por causa da plena hum ani­ dade de Jesus e do rigor de seus sofrimentos. 12). à semelhança dos demais sacerdotes. A plena humanidade de Jesus capacita o Senhor a desempenhar as funções de sumo sacerdote. 2:17 A fim de ajudar seus irm ãos (o autor alude à citação do v. Todavia. ele não consegue resistir ao desejo de deixar uma breve nota pastoral a respeito do benefício prático de termos Jesus como nosso Sumo Sacerdote. pois Jesus não é pecador. Esta observação o autor de Hebreus a faz em 4:15 (cf.). v. É título que em todo o Novo Testamento só ocorre em Hebreus. 14). Jesus precisou tom ar-se “semelhante a seus irm ãos” em tudo (v. Quando o autor de Hebreus pensa em Jesus como Alguem que é m isericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus. visto que a igreja é a herdeira das promessas feitas em Cristo. E a primeira vez que o autor de Hebreus atribui este titulo tão importante a Jesus. e com toda a certeza deve ter raízes nas dificuldades reais enfrentadas pelos leitores. O sacerdote representava a humanidade perante Deus (cf 5:1). G1 3:7). E claro que estas últimas palavras não devem ser tomadas de modo literal. no Antigo Testamento. 7:26s. é realizado a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo (cf. 11) 2:18 / Embora a observação feita pelo autor da carta aos Hebreus não seja estritamente pertinente à argumentação aqui. ele tem em mente. como veremos nos capítulos 9 e 10. precisava constituir uma unidade com as pessoas a quem representava diante de Deus.66 (Hebreus 2:10-18) É possível que o autor de Hebreus esteja referindo-se deliberadam ente à descendência de A b raão com o objetivo de focalizar a atenção nos leitores judeus da carta. cujo trabalho era uma sombra profética de seu grande trabalho. não é errado de modo algum entender essa expressão num sentido mais amplo. expressão pela qual o autor de Hebreus quer dizer: "fazer propiciação pelos pecados do povo”. e que a ele clamam.

cf. As únicas referências além destas estão em Atos 3:15. Os que participaram da salvação que Jesus realizou são chamados aqui de filhos e. Há ambigüidade no grego. 'V irc/. O papel central. esse verbo com mais frequência carrega em si o significado de “trazer à perfeição”. i. 168. 7:19. Phillips. temo-los em 5 1 4 . Silva argumenta com grande persuasão que a idéia de cumprimento está por trás de várias ocorrências da palavra no idioma hebraico Veja-se“Perfection and Eschatology in Hebrews” — Perfeição e Escatologia em Hebreus — WTJ 39(1976-77). “estando pronto para chegar à presença de Deus”. M. 10:1. vol 8. TDNT.(Hebreus 2:10-18) 67 Notas Adicionais # 5 2:10 / Embora essa expressão ocorra na literatura judaica fora da Bíblia. governador ou príncipe. pp 49-87. vol. pp. NIV). que estão no caminho da vida. 4 6s ) “Filhos” significa pessoas que usufruem da salvação e da glória. 381-85. “Christ as Archêgos " — Cristo como Archêgos — NTS 27 (1981). em associação à sua tarefa de “aperfeiçoador” (RSV). compartilham o titulo de Jesus (cf. 47-54: H. fundador “Abridor de caminho”. “guia da salvação” (Moffatt. pp 101 s. p. 12 23. por isso. ou termos de mesma raiz. “o autor da vida” e Atos 5:31. alguns cognatos. J B ) A respeito de salvação (so ten a ). 1. “autor da salvação” (ASV. Vejase também G Delling.e. veja-se a nota sobre 2:3 A palavra archegos tem dois sentidos relacionados entre si: (1) guia. de modo absoluto.). pp. Ela também ocorre em Hebreus 12:2. v. 14. “Príncipe” Veja-se G. N EB. 9:9. quanto a se e Deus ju Jesus quem conduz os filhos àglóna.. no sentido de cumprimento ou termino da obra encetada. “pioneiro da salvação” (RSV).7 :11. Embora alguns entendam que o verbo hebraico carrega em si um significado cultual (de acordo com seu emprego na LXX). aindaque haja certa propensão no sentido de que e Deus o sujeito da oração (veja-se Hughes. J J Scott. essencial.egojintheSalvationH istoryoftheE pistletothe Hebrews” — Archegos na História da Salvação segundo a Epístola aos Hebreus— JETS 29 (1986). 60-71. que dramatizam o significado dessa palavra. . fim 8 14. Bietenhard. 28. 11) e o relacionamento com o Pai Ha apenas outro lugar na carta em que a palavra “filhos” é usada de modo absoluto 12:5-8 O autor compartilha o conceito com Paulo (e. Johnston. pp.12:2). 1140. 19 G1 3 2b. de Jesus na consecução da salvação dá-lhe o titulo especial de archegos tes soterias.g.6 1 .. onde se refere a Jesus como o autor ou o pioneiro da fé. e (2) o quedáorigem . que tem sido traduzido de maneiras diferentes "capitão de nossa salvação” (KJV). este é o único lugar na Bíblia em que convinha (eprepen) descreve uma ação de Deus Consagrasse pelas aflições o au to r da salvação deles encerra a primeira ocorrência de teleioõ (“tornar perfeito”) na carta. o u “desbravador de floresta” as vezes são os títulos sugeridos. Este verbo impor­ tante ocorre com freqüência em Hebreus (encontra-se em 5:9. NIDN'lT.9 1 1 .

vol 1. ao deparar com esta palavra grega especial 2:13 / A prontidão com que os primitivos cristãos identificaram a palavra kyrios (“Senhor”) da LXX (para YHWH) com Jesus toma-se evidente por todo o Novo Testamento (veja-se. é chamado de Deus nos versículos de abertura ) É óbvio que o foco do autor neste ponto está na humanidade de Jesus. l. “Christ and His People: An Exegetical and Theological Studv of Hebrews 2. (“Senhor”. esta é a única passagem fora dos evangelhos em que a comunidade é chamada de “ irmãos” de Jesus (exceção feita. Em outra passagem de Hebreus essa palavra é quase sinônimo de “fazer expiação” (9:13. Embora na LXX seja a “congregação” ou “assembléia” de Israel que se tem em mente.29). 28 :10). kyrios é a pessoa a quem se fala. 13 12) Veja-se O Procksch. o que indica que talvez o que se tinha em mente fosse a purificação do pecado (cf. veja-se G W. no versículo anterior. “de uma raça” (NEB) ou “do mesmo pai” (GNB) NIV de modo apropriado optou por “da mesma familia” por causa da conexão com irmãos. houvesse chamado seus discípulos de “irmãos” (Mt 12 49s . Embora Jesus. os contextos falam de uma “oferta” ou de “sangue”. pp 104-0 Não interessa ao autor de Hebreus que na citação de Salmos 22:22. 10:10. por exemplo. Fp 2:911. pp 648-55 No meio da congregação é literalmente “ no meio da ekklesia ou 'igreja” (vejase KJV). pp 54-71 2:12 / o teu nome. 1976). At 2:21.p 112 Vêm todos de um só é interpretação de uma frase grega indefinida. e explica as citações do Antigo Testamento neste versículo. “de um” (ex henos) É igualmente possivel que se traduza a expressão grega por “uma origem” (RSV). mas ate mesmo nesses exemplos. pp 254-58 Não se envergon ha é exemplo de artifício de retórica denominado litotes. quando se trata de irmãos de sangue” . com freqüência se traduz por “santificar” (hagiazõ). 34s. 1 Pe3 15s. segundo os evangelhos. Rm 1:16) Quanto a esta passagem. o autor e seus leitores com toda certeza teriam suas mentes voltadas para a igreja.68 (Hebreus 2:10-18) 2:11 / são santificados é expressão do grego que. Rm 10:13. TheO riginsofthe New Testameni Christology — As Origens da Cristologia do Novo Testamen­ to — Downers Grove: InterVarsity. mas tambem do que ele tem feito Veja-se H Bietenhard. NIDNTT. e não em sua divindade . que o autor atribui a Jesus Veja-sel H Marshall. 5 -18” — Cristo e Seu Povo: Estudo Exegético e Teologico de Hebreus 2 5-18 — í bxEv 6(1969). vol. 11.Ap 19:16). a quem se fala no salmo. O termo hebraico correspondente tam­ bém pode significar “tomar santo” ou “consagrar” (como em 10:14. Grogan. mediante o qual uma declaração negativa tem forma de uma afirmativa (cf.16. e não a que fala. vol 2. 25:40. de fato. Veja-se W Gunther. TDNT.. GNB). e embora a palavra “irmãos” seja a designação mais comum para a comunidade cristã no Novo Testamento. “Nome” tem conotação não só de quem é o Senhor. é claro..

a ressurrei­ ção de Jesus foi a pedra angular da fé e da pregação da igreja primitiva.S Hendry. vol 3. ao lado dos escritos de João. S1DNTT. 16:11). cf. pp 468-72 2:15 / A palavra grega que se traduziu pelo verbo livrasse zapallasso (que se encontra em outras passagens do Novo Testamento só em Lucas 12:58 e Atos 19 12). não temos aqui a palavra mais comum eleuiheroo Ao desenvolver esta discussão a respeito de como Jesus nos livra do temor da morte. 10). até mesmo aqui a palavra usual para ressurreição. 2:16 / Dificilmente poderíamos ter toda certeza a respeito do sentido do verbo que se traduziu por socorre. o docetismo é heresia total. Afinal. Veja-se G.). de Sal 1 13s. Esta é a unica ocorrência de tais palavras na carta aos Hebreus Veja-se H Bietenhard.) A morte e o “ hades” foram atirados um apos o òutro no “lago de fogo”. NASB) em sua tradução Essa p a l a v T a indica não apenas um exemplo adicional de Alguem que assume a humanidade (como em “também”). podemos dizer que qualquer referência a morte de Jesus como a grande vitória. neste versículo. Satanás e palavra hebraica que significa “adversário” O diabo e o “principedestem undo” (Jo 12 31. KJ V. 4:2). na presente discussão. anastasis. p. que . O docetismo enfatizava a divindade de Cristo e argumentava que Jesus. nos elementos de que Jesus participou. 2:23s. temos ai fatos que de modo algum podem ser negligenciados. Infelizmente NIV omite o advérbioparaplesios (“semelhantemente” ou “de modo igual”. na realidade. não é o termo empregado No que concerne a passagem que estudamos. mediante a qual o diabo foi destruído e os crentes libertos do temor da morte. ele apenas aparentava ser um homem. é bastante notório que o autor da carta não se lembre de referir-se à ressurreição de Jesus O autor conhece a doutrina da ressurreição dos mortos (6 2). Jo 1:14. encerra em si necessariamente a doutrina da ressurreição do Senhor Ainda que a ressurrei­ ção de Jesus e seu significado não tenham sido mencionados de modo explícito. por nenhum leitor cristão de Hebreus. 1 Jo 1:1. de acordo com Ap 20 14 (cf v. 56. (Cf. nunca havia sido um ser humano. 14:30. São nomes usados mais ou menos com a mesma frequência por todo o Novo Testamento. isto é. Segundo a argumentação de Hebreus. ao assumir nossa humanidade. Barclay: 'com exatamente a mesma forma”) Diabo e Satanás são as duas designações ou nomes do inimigo sobrenatural de Deus. coloca a carta aos Hebreus dentre os mais fortes oponentes do docetismo.. de todos os escritos do Novo Testamento. A ligação existente entre o diabo e a morte era bem conhecida no judaísmo do período intertestamentário (veja-se Sab. Diabo significa caluniador”. A LXX (Is 41:8s.(Hebreus 2:10-18) 69 2:14 / A ênfase em da carne e do sangue. mas enfatiza a igualdade da humanidade de Jesus à nossa humanidade (cf. RS V. mas no estudo todo a ressurreição de Jesus so é mencionada em 13:20. no entanto. 'Christology” — Cristologia — DCT.

pp 211-39.J Baehr. 6:20). “The Priestly Messiah. o principal ponto de interesse do autor NEB traduz de modo adequado: “Não sào os anjos.. como aparece no versículo sob estudo (cf 7:26. a saber. o autor aproveita outras oportunidades para maiores aplicações em outras áreas. notem bem. So aqui e a expressão sumo sacerdote modificada pelos adjetivos mise­ ricordioso e fiel. optar de imediato pela conotação longínqua em vez de pelo sentido básico. a fim de prover ajuda” (cf o mesmo verbo.70 (Hebreus 2:10-18) talvez tenha sido a fonte deste versículo. “Segurar” pode ter uma conotação de “ajudar”. os quais de fato são muito apropriados para tal título aplicado a Jesus. Todavia.J B Higgins. agarrar” .” sendo esse. da discussão travada em Hebreus.NIDNTT. antes. mas os filhos de Abraão” (cf JB). A razão é clara: Hebreus é um tratado de fôlego a respeito da obra realizada por Cristo. “das extremidades da terra”). que Jesus não se tornou um anjo.9 11) Visto que o significado desse titulo constitui uma pane crucial. tornar-se igual. pp 59-85.e. na verdade. nosso sumo sacerdote. na consecução da expiação de . assim diz Phillips: “Fica bem claro. Pecados é palavra de grande importância em Hebreus. usa o verbo antilambano. Veja-se O Cullmann. que Jesus toma para si mesmo. pode ser equivalente a perder algo importante que o autor de Hebreus tem em mente. Mas somente em outro exemplo usa-se um adjetivo: “grande sumo sacerdote” (4:14). com a idéia implícita de ajuda. O verbo no versículo que estamos estudando é epilambanomai. De modo semelhante. 8 1). é obra original do autor de Hebreus E óbvio que o significado primordial desse titulo relaciona-se com o rito sacrificial da expiação. que em seu contexto significa “tomar” (i. “Segurar” poderia ser entendido no sentido de Jesus “tomando sobre si mesmo a natureza humana. no verbo “tomei [pela mão]” em 8 9) 2:17 O titulo sumo sacerdote aplica-se a Jesus dez vezes em Hebreus O desenvolvimento desse titulo e sua aplicação a Jesus. exceto Romanos. “The Relationship Between Priestlv and Servant Messiamsm in the Epistle to the Hebrews”. como vimos.pp 32-42 Veja-se A. e poderiam encaixar-se admiravelmente bem nos demais contextos. e as boas coisas que Cristo trouxe (3:1. No entanto. “assumir a mesma natureza. ele se fez homem. tanto quanto podemos discernir pelo estudo de outros escritos do Novo Testamento. Schaefer. The Christology oj lhe New Testument — A CristologiadoNovoTestamento — pp 83-107.” NTS 13 (1967). para este proposito. como ajuda aos que enfrentam dificulda­ des (4 14s. J R. é um descendente de Abraão” A expressão usada por RSV “está preocupado com” é fraca demais “Assume” e o verbo que encontra seu sentido mais amplo no presente contexto. CtíQ 30 (1968). que quer dizer “segurar. essencial. e ocorre mais vezes nesta carta do que em qualquer outro livro do Novo Testamento.vol 3. não há necessidade de enfatizarmos esse aspecto nesta nota.

vol. reflete uma ação executada contra os pecados. NEB e ECA) pode ajudar um pouco as pessoas a entenderem esse versículo Mas nem sempre se consegue fazer uma distinção necessária (cf Tg 1 13-15). como vimos pelo estudo deste capítulo. se não através dos evangelhos escritos.e . pp. pp 46-50. i. RSV (“fazer expiação”) eNEB (“expiar”) refletem a perspectiva de Dodd KJV (“fazer a reconciliação”) e NIV refletem sensa­ tamente o que se poderia chamar de posição neutra. todavia. 3. vol. e especialmente Mt 4 1-11 O autor de Hebreus estava familiarizado com esses textos. pp 148-6ò 2:18 A tradução d epetrazo por “teste” ou “prova” em vez de “tentação” (sendo tentado. retendo. argumenta que a palavra significa “propiciação”. As palavras fazer propiciação pelos pecados descrevem não tanto o efeito da obra do sumo sacerdote. G. 3. Veja-se a discussão em C L. Link e C Brown. NIDNTT. pelo menos pela tradição oral . Morgan e Scott.. 1966. Vejase W. The Epistle ojJames — A Carta de Tiago — Londres: Marshall. Gunther. O autor emprega quase exclusivamente a palavrahamartia para“pecado” . Mitton. por sua vez. NIDNTT. L Morris. a declaração da obra feita por Jesus Veja-se a discussão plena dessa questão em H. A palavra-chave grega é hilaskesthai. sem especificar a maneira como se íazareconciliaçãoou expiação. reflete uma ação dirigida a Deus para “abrandamento de sua ira” . Tal realidade já havia sido anunciada em 1:3 e constitui a razão da encarnação e da morte de Jesus. mas a própria obra em si. que tem sido muito discutida entre os eruditos em Novo Testamento C H Dodd argumenta que o sentido dessa palavra no Novo Testamento é “expiação”. i e. no sentido de estes serem “ lavados”.(Hebreus 2:10-18) 71 nosso pecado. Quanto a tentação de Jesus. 577-83. veja-se Mc 3 :21 8:32.

na verdade. a verdade objetiva que professamos como cristãos foi entregue por Jesus. Jesus. foi obediente à vontade de Deus. as conclusões a que mduz. e de modo especial a forte tentação por que aparentemente estavam passando. Ele é o Apóstolo. de fato representa a Deus perante a humanidade. ou seja.. Isto já ficou bem demonstrado pelo autor de Hebreus. 8. em todo o Novo Testamento. a superioridade de Jesus (graça) sobre a lei. designação comum para a comunidade dos fiéis. considerai a Jesus (NIV traz: fixai vossos pensamentos em Jesus”).e. de modo algum são fáceis de aceitar. mediante longa discussão. representa a humanidade perante Deus. 3:2 / Jesus foi fiel ao que o constituiu (cf. no cap. Jesus é a revelação divina que possibi­ lita uma reação humana a Deus. ainda que numa conexão diferente (8:6. Cristo ÊSuperior a Moisés (Hebreus 3:1 -6) Tendo estabelecido a superioridade de Cristo sobre os anjos e susten­ tado a doutrina do significado da encarnação. 2:17). como nosso Apóstolo. “Vós. Jesus. 9 :15. ele é o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão Em outras palavras. a de voltar para a fé de seus pais. p articip an tes da vocação celestial. Jesus é chamado Apóstolo. por implicação.6. 12:24). 1 Tm 2:5). Portanto. Jesus está bem qualificado para ser nosso “Mediador” (cf. o autor de Hebreus agora volta a atenção para a superioridade de Jesus sobre Moisés e. parece dizer o autor. o enviado por Deus. 3 : 1 / 0 autor apela a seus leitores. i. e realizada plenamente por Jesus como nosso Sumo Sacerdote. enviado por Deus. Mas. como Sumo Sacerdote. De novo temos em mira o contexto específico dos leitores dessa carta. Somente aqui. Há muitos apóstolos. nem mesmo para os judeus que se converteram a Cnsto. leitores. No . mas Jesus é o supremo Apóstolo. ao m encionar santos irm ãos. com toda resolução focalizai vossos pensamentos no verdadeiro significado de Cnsto. firmados em vossa identidade”. Como o autor de Hebreus vai descrevê-lo mais tarde. colocando-se ao lado deles. Em face do com prom isso dos leitores judeus — para quem M oisés e a lei assumem importância central — essa discussão é espantosamente auda­ ciosa.

A igreja depende da obra de Jesus. conquanto fosse importante. antes. na igreja. serviu no papel preparatório. M oisés faz boa parceria com Jesus: como tam bém o foi M oisés em toda a casa de Deus. também está sendo fiel a Deus e aos propósitos de Deus (v. 1 l:39s. que só se realizariam em época vindoura — p a ra testem unho das coisas que se haviam de an u n c ia r no futuro. depois. da mesma forma que um construtor necessariamente tem m aior honra do que a casa (quanto m aior. ao propósito ou obra de Deus. de um a passagem em que M oisés foi exaltado como o único com quem Deus falava “boca a boca” e não de modo indireto. 3 :4 / No entanto. . como veremos no v. Jesus é tido por digno de tan to m aior glória do que M oisés. 2:10). o escritor de Hebreus associa Jesus ao construtor. 1:2b. 6. Refere-se. De fato. o Apóstolo e Sumo Sacerdote dessa mesma igreja. em que a m esm a passagem é citada de novo. segundo a possibilidade de que alguma casa.” 3:5 / A verdadeira diferença entre Moisés e Jesus emerge neste versículo e no que segue. Moisés. m aior honra do que a casa tem aquele que a edificou). Jesus desem pe­ nha um papel de máxima importância. não no de cumprimento (cf. Essa expressão foi tirada da LXX (Nm 12:7). Comparese Salmos 127:1: "Se o Senhor não edificar a casa. no sentido que acabamos de descrever. Deus acabará sendo considerado o edificador de todas as coisas (cf. M oisés havia sido o servo de Alguém superior a si mesmo — servo dos propósitos de Deus. Jesus esta sendo fiel à sua missão e. as dos “últimos dias” (1:2). em vão trabalham os que a edificam . 2). no entanto. A casa de Deus. de Números 12:7. a qual foi trazida à nossa atenção mediante a analogia de um construtor e a casa que ele está edificando.(Hebreus 3:1-6) 73 que concerne à fidelidade. desse modo. enquanto M oisés permanece ligado à casa. O papel desempenhado por Moisés foi o de servo: foi fiel em toda a casa de Deus. Trata-se daquelas coisas de que fala o autor. que primeiro encontra expressão em Israel e. que também há diferença importante entre eles. 3:3 / Acrescente-se à similaridade entre M oisés e Jesus. pudesse vir a existir. no entanto. Nesta parte inicial temos de novo uma clara alusão à versão LXX.). não deve ser entendida em sentido literal — nem mesmo no sentido de templo material. Como vimos.

a qual ocupará nossa atenção até o fim do cap. 9:23). Requer-se fidelidade não só dos servos especiais de Deus e de seu Filho. pois nele Deus cumpriu todas as suas promessas salvificas. e outras mais. 1:9). Na referência a Jesus como Filho (cf. os cristãos participam (são “ participantes”) de Cristo (3:14). “compa­ nheiros”). no Filho temos o cumprimento. Cl 1:23). de que o autor escreve. Nas palavras essa casa somos nós o autor tem em mente a igreja. O autor de Hebreus acrescenta uma cláusula condicional que tem motivação pastoral e que outra vez atenta para as necessidades específicas de seus leitores. mas “como servo” . do que na famosa carta de Paulo aos Efésios (cinco vezes). “os que com partilham ’) é de grande importância para o autor de Hebreus (cinco ocorrências em Hebreus. mas de todo o seu povo (cf. Em Moisés. 5) e como pessoa que está sobre a sua p ró p ria casa. 4 Notas Adicionais #b 3:1 / A palavra participantes (metochoi.74 (Hebreus 3:1-6) 3:6 / Cristo. o magnífico M oisés foi fiel. O autor de Hebreus aplica essa palavra não apenas à “ vocação” ou “chamado”. 1:2. à medida que este tema assume mais e mais importância na carta. funciona fielmente como Filho. N a era de cumprimento. seja como for. e . a com unidade da fé. assim como um filho é supenor a um servo. ao “santuário” e aos elementos a ele relacionados (8:5. isto é. apenas uma em todo o resto do Novo Testamento: Lc 5:7.14 (cf. e da disciplina (12:8). E necessário que conservemos firm es a confiança e a glória da esperança até o fim. constituiu a Israel como nação e outorgou-lhe a lei. trad lit. do Espírito Santo (6 4). Cristo “compartilhou” (“participou das.18). Já vimos algumas alusões ao perigo que ameaça os leitores (2:1. Para os judeus. os contemplados com a salvação que Cristo veio proporcionar. todavia. Em tudo isso. nossa participação na casa de Deus.. veja-se 9:15 O adjetivo usado para descrever o chamado dos cristãos como sendo “celestial” (epouranios) ocorre mais vezes em Hebreus (seis vezes). M oisés é a maior pessoa que já existiu: foi m ediante Moisés que Deus livrou a Israel do Egito. 2. E com essa preocupação primordial em mente que o autor de Hebreus se volta para uma exortação que mais parece ilustração. Não se pode tomar como garantida. Quanto a uma referência adicional aos cristãos como tendo sido “chamados”. temos uma alusão à deidade de Jesus. sobre a sua própria casa. mas ao “dom” (6:4). ” — forma verbal oriunda da mesma raiz) nossa humanidade. temos a promessa. Jesus é infinitamente superir a M oisés. o povo de Deus.

1.. a uma perfeição e realidade associadas ao cumprimento dos propósitos de Deus. isto é. porisso. 1 Pe 2 5). Jesus é o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa con fissão. 3:3 / m aior glória do que Moisés Na verdade o Filho já foi descrito como “o resplendor da sua glória” (1 3 . esta é a única ocorrência no Novo Testamento) e tirada da LXX. que é citado no v 5 Quanto a casa no sentido de povo de Deus. Além disso. Todavia. não aparece em Hebreus. Refere-se. 1 Tm 3:15. mas já é passado. Jiakonos. portan­ to. aquilo em que se crê. Nm 12:7. a quem ele deu testem unho. p 249 C f Hb 10:21. de modo especial nas cartas de Paulo. N a ordem de palavras do texto grego.9) A glória de Cristo ultrapassa infinitamente a de Moisés Quanto a um contraste semelhante. cf. pp.(Hebreus 3:1-6) 75 à “pátria” ou cidade escatológica.2) A tradução holo (refletida em NI'V pela palavra “toda") é verbo duvidoso textualmente. tendo sido omitido pelos manuscritos P 13 (possivel­ mente pelo P*).1921. 423 s. . vejase J Goetzmann. e como “confissão da nossa esperança” em 10 23 Ambas as referências ocorrem em exortações.12s. ou seja. vol 2. a palavra mais comum para servo. “Jesus” assum e lugar preeminentíssimo: é a última palavra do versículo. é usada de modo absoluto em 4:14. Ef 2. veja-se 2 Co 3 7-11 E provável que a fonte dessa analogia no caso do primeiro exemplo seja o texto de Números 12:7 Entretanto. os parênteses de RSV justificam-se O autor afirma que Deus e o edificador de todas as coisas. segundo a perspectiva do autor de Hebreus e seus leitores. 3:2 / constituiu aqui refletepo/eo. B e Còptico. E possível que o que deveria ser mencionado como futuro refira-se à lei que Moisés haveria de entregar a seu povo. que a palavra foi acrescentada a fim de harmonizar o texto com a LXX. nesse sentido objetivo de fé. Quanto a Jesus como Apóstolo.12:22). em Nm 12 7. 10:1). Coisas que se haviam de anunciar e tradução de um particípio passivo futuro simples (ton laleihesomenon) A voz passiva é usada com freqüência no grego a fim de indicar a atuação de Deus.g. TDNT. Visto dessa perspectiva. sem negar o papel desempenhado por edificadores subsidiários 3:5 / A palavra traduzida por servo (therapon. senão provável. vol. Rengstorf. 3:4/ Este versiculo e desnecessário nestadiscussão. o tempo futuro descreve como vai ser o futuro segundo a perspectiva de Moisés.M T. é bastante possível. Jo 5:46). Jerusalém (11:16.H. Moisés era uma testemunha do cumprimento que de fato ocorreu (cf. NID. (cf 1 Cr 17 11 s ) A m etaforadacasa ou do templo expressa-se muito no Novo Testamento ( veja-se e. em vez da palavra mais comum tithemi (comoem 1. 2 7. a quem confessamos (homologia) Essa palavra. veja-se K. é mais provável que o escritor tenha em mente o contraste entre a preparação e o cumprimento (cf. é possível que a idéia da construção de uma casa se baseie em Zacarias 6 .

A palavra esperança (elpis) expressa a expectativa futura do autor. 10:19) e outras duas vezes quanto ao modo de enfrentar as dificuldades na vida (aqui e em 10:35). “The Meaning ofparresia m the Epistle to the Hebrews” — O Sentido de parresia na Carta aos Hebreus — Neotestameníica 5 (19 7 1). 2.. sobre a sua própria casa.76 (Hebreus 3:1-6) 3:6 / A afirmação introdutória neste versículo também depende da passa­ gem a respeito de Moisés. 6:11). A palavra confiança (parresia) ocorre quatro vezes em Hebreus. Alguns manuscritos gregos incluem as palavras “firmes. duas vezes com referência ao culto (4:16. até o fim” (KJ V. à semelhança de Moisés. Cristo é “fiel” (v. como noutras passagens do Novo Testamento.. em Números 12:7. “em toda a casa de Deus”. em contraste com a “escatologia realizada” em Cristo (veja-se acima. pp 51 -59. ECA). mas a preposição sobre (epi) assume a mesma função da preposição “em”. no final do versículo (provavelmente por influência de 3 :14. p 15) Aqui. a palavra tem conotação de “expec­ tativa confiante” . Assim. 2). do v. Veja-se W S Vorster. cf.

Encontramos. A citação é de Salmos 95:7-11. de modo semelhante. após a prim eira citação. de modo particular. A advertência do salmista baseia-se na narrativa registrada em Êxodo 17:1-7 (cf. com umas poucas diferenças. 1:6. Não se negam os autores humanos. Uma Exortação Inspirada pelo Êxodo (Hebreus 3:7-19) A poderosa exortação desenvolvida pelo autor de Hebreus. O autor desenvol­ ve também um conceito singular de “descanso”. mas esses não são importantes para o autor. que é a Pessoa que nos fala. mediante o que Cristo fez. Nm 14:22ss. num a analogia tirada de uma experiência de Israel. 3:7-11 / Assim. tomada da LXX. e a passagem de julgam ento de ‘ Tipologia é o traçado de padrões de correspondência considerados divinos. algo que ele entende ser a verdadeira posição da igreja em Cristo. neste ponto. e da igreja também. Do Espírito Santo se diz. baseia-se num a ilustração tirada de Salmos 95:7-11 (cf. nas Escrituras. um exemplo de tipologia* do êxodo que de modo eficaz dirige a atenção do leitor ao perigo sério da rejeição de Jesus. em 10:15 (cf. Outra vez o autor m enciona Salmos. visto que em última análise é o próprio Deus quem se responsabiliza pelo que é dito. o autor revela de novo uma habilidosa exegese do tipo ‘m idras’. O autor está convencido de que seus leitores enfrentam um perigo seriíssimo. .13). por isso. e.7. devem dar atenção à advertência que a experiência de Israel oferece. como diz o E spírito Santo serve de indicação adicional de que o autor de Hebreus vê as Escrituras (o Antigo Testam ento) como a Palavra falada de Deus (cf. pois. com que se harmoniza literalmente. seu livro predileto do Antigo Testamento. 9:8). O salmo 95 está dividido em duas partes: a prim eira consiste de louvor e adoração. em que a fraseologia da citação dá sentido elaborado.7. nesta passagem. a segunda é uma advertência que o autor cita integralmente. Na prolongada exegese e aplicação que se segue.) e. o qual ele revelou para seus leitores neste passo das Escrituras. entre ocorrências bem primitivas e outras mais recentes da história. Nm 20:1-13).

e assim ju re i. Nos versículos que se seguem. a sem elhança de . onde. e sabemos menos ainda sobre como o autor de Hebreus as aplicou a seus leitores.78 (Hebreus 3:7-19) Núm eros 14:20-35. Em ambos os casos Deus operou gloriosa e triunfalmente. o retom o de Israel do exílio é deliberadamente descrito em linguagem extraída da narrativa do êxodo.. O autor de Hebreus está em perfeito acordo com o apóstolo Paulo. A npologia do êxodo que sublinha esta interpretação não só se encontra em diversos locais do Novo Testamento (e. e estas coisas estão escritas para aviso nosso” (1 Co 10:11.. o êxodo e o livramento realizados mediante a cruz assumem um relacionam ento especial. e Deus mediante a cruz libertou a humanidade de uma escravidão muito pior. Presumimos que o salm ista associou a entrada no descanso da Terra Prometida. A prom essa é: Não e n tra rã o no meu descanso. Como veremos. Sabemos pouco a respeito da m aneira pela qual o salmista entendia que essas sentenças eram aplicáveis à sua geração. O complexo de eventos associados ao êxodo é de tão grande importância. O sjudeus foram libertos da escravidão no Egito.. por exem ­ plo. em conseqüência da redenção. que assim escreve: “Tudo isto lhes aconteceu como exemplos. mas também nos fatos supervenientes. o descanso anunciado neste salmo é aquele a que o autor se refere como o repouso eterno de que os cristãos vão desfrutar — e que nada tem que ver com a Terra Prometida literal. A base de toda tipologia chama-se analogia. Os que têm experimentado a redenção da cruz podem ver-se em situação seme­ lhante. Rm 15:4). mas ocorre até mesmo no Antigo Testamento. podemos ter nesse salmo o início de uma associação entre o descanso prometido por Deus e o próprio lugar de descanso divino. ou tabernáculo. De modo particular. o autor apresenta um comentário cristão a respeito da citação. O salmista apela à sua própria geração. e mais tarde o templo. O autor consegue discernir aqui uma espécie de expressão com duplo sentido. o evento do Egito foi sombra profética da libertação na cruz. 1 Co 5:7. para que não caia no terrível erro da geração que pereceu no deserto. (vv.g. coin a prom essa da entrada em sua presença na tenda que servia de tabernáculo. Em ambos os casos exigia-se fidelidade. todos pereceram nas areias desérticas. 10 e 11). E existem similaridades não só nos eventos redentores... O povo a quem Deus conduziu pelo deserto experimentou o grande livramen­ to do êxodo e. no entanto. que se toma paradigma de eventos posteriores da história da redenção. cf. isto é. 10:1-22). O clímax da passagem está nas palavras e disse. Portanto. a tenda.

A importância da com unhão e do apoio mútuo é m encionada explicitam ente em 10:24-25. derivadas da citação precedente. 8 e 10. d u ra n te o tem po não significa que haverá uma época nesta vida em que o hoje das Escrituras deixará de aplicar-se a nós. Todavia. Este método de advertir os leitores é muito mais poderoso do que qualquer outro que o autor tenha empregado. que se requer de nós toda a fidelidade. isto é. pelo que cada novo dia é um novo “hoje” . O adjetivo vivo diz respeito ao caráter dinâmico de Deus. proposital. Portanto. contra a verdade e. pelo que a obtivem os desde o princípio. que de m aneira alguma deixará passar despercebida tal ação da parte de seus filhos. irm ãos. como o versículo seguinte salienta: “até o fim ” . os cristãos tom aram -se p articip an tes de C risto. significa. 3 :1 4 / Visto que Cristo tom ou-se participante de nossa humanidade. 3 : 1 2 / 0 autor inicia agora seu comentário. 15) pelo engano do pecado.(Hebreus 3:7-19) 79 padrão entre o passado e o presente. “apostatar” ) é um a rebelião deliberada. portanto. porque o chamado para o discipulado fiel é um desafio constante. cf. para que não lhes suceda o mesmo que aconteceu aos peregrinos no deserto. antes. em que é descrito como tendo sido “endurecido” e “extraviado” . 3:13 / Os leitores devem tom ar o máximo cuidado. sob a bela forma de ‘m idras’. O ponto central da citação fica de pronto evidente nas palavras V ede. A confiança que dem onstraram de inicio. esse novo estado ou posição não deve ser presumido como “favas contadas” por causa de um início promissor. contra Deus. A vida cristã só pode ser vivida dia adia. O que está em evidência nesta linguagem forte (tu apustenai. e em prega palavras-chave. que nenhum de vós se en d u reça (que propositadamente é a palavra usada na citação. Um coração assim conduz à apostasia. tom am os parte no cum pri­ mento que ele trouxe. Deve-se evitar a todo custo o coração perverso de incredulidade. v. e devemos responder em obediência. E hoje que Deus nos chama. quando participamos do reino que ele inaugurou e tom am o-nos herdeiros da glória vindoura (2:10). v. 8. A palavra co ração se repete nos vv. . E preciso que haja incentivo todos os dias. Os leitores são chamados a fim de exortar-se uns aos outros todos os dias. fazendo que a pessoa se afaste do Deus vivo. Outra vez se evidencia a preocupação do autor da carta quanto à fé bruxuleante dos seus leitores.

O texto grego traz outra vez. deve ser mantida firme até o fim. A incredulidade e a infidelidade de Israel não podiam ser desculpadas porque os israelitas haviam recebido abun­ dantes provas da realidade e do am or de Deus (cf. a incredulidade e a infidelidade são inseparáveis. w . quanto principalm ente infidelidade deliberada. uma porção dela é formalm ente m encionada outra vez (cf. v.7). 4:2). 8). 4:3.) também saíram da citação original (veja-se N otas A dicionais). ficando subentendido “na terra e no descanso” ) por causa da incredulidade. quando os libertou do Egito. até que Jesus volte. w . Da perspectiva do autor da carta. este maravilhoso começo não produziu bem nenhum nos israelitas. sendo as três últimas palavras eco da citação original (v. 11). 3:16-17 / Aqueles que tendo-a ouvido. No entanto. simplesmente: ju ro u que não e n tra ria m no seu descanso (veja-se o comentário sobre o v. o pro v o caram (palavras derivadas da citação escriturística) eram os israelitas que haviam experi­ mentado o êxodo. A expressão co n tra quem se indignou p o r q u a re n ta anos (cf. lit. 3:15 / Este versículo apresenta a prim eira das quatro ocasiões em que na exposição continua da citação original. a certeza subjetiva que produz obediência fiel. 10) e seus corpos caíram no deserto. ou até que a morte leve o cristão para que esteja com o Senhor.5. 9s. 11.80 (Hebreus 3:7-19) isto é. palavras tiradas de Núm eros 14:29 (LXX). A palavra incredulidade aqui não implica tanto dúvida de ordem intelectual. Estas pessoas pecaram (cf. Aqui as duas linhas de abertura (SI 95:7-8) se repetem (cf. desta vez mediante nova citação do juram ento ([Deus] ju ro u ) mencionado pela primeira vez no v. 3:18 / Repete-se o argumento. . 7-8a). Aqueles a quem estas palavras foram dirigidas foram desobedientes 3:19 / Fica bem claro que o fracasso dos israelitas (não puderam e n tra r na terra e no descanso. O ponto central do autor da carta é que aqueles que pecaram haviam tido o alto privilégio de experim entar o espantoso livramento feito por Deus. que posteriormente havenam de rebelar-se.: “entrar”.

737-43. pp. se ouvirdes a sua voz” .(Hebreus 3:7-19) 81 Notas Adicionais # J 3:7-11 / O Espírito Santo é continuamente considerado no Novo Testa­ mento a Pessoa que inspirou os autores do Antigo Testamento e. Temos aqui a faceta negativa da “fé” ou “crença” dos heróis catalogados no cap. 7:21). A referência a quarenta anos poderia ter significado especial ao autor de Hebreus e seus leitores. 28:25. observando-se que ele cita os q u aren ta anos como uma experiência real dos israelitas. houvesse ocorrido quarenta anos antes (presumindo-se. SI 95:10). pp 153-55. 11. 4:3. A inserção especial da parte do autor da carta de por isso (dio). 17 os quarenta anos referem-se à ira de Deus. capaz de induzir à desobediência e eventual apostasia. No entanto. Link. por exemplo. o fracasso esta diretamente ligado à incredulidade (apistia). 19. 2. Veja-se. Veja-se H. Veja-se P. Não se deve entender que a partícula se (do v. Não endureçais os vossos corações e metáfora comum que significa “não sejais teimosos no erro” Veja-se U Becker em NIDNTT. me provaram ). No v. apenas intensifica a culpa destes. vol. pp 194s. At 1:16. E linguagem que reflete o ponto de vista hebreu de que o coração é o centro do conhecimento e da vontade Não conheceram os meus caminhos é tradução literal. mas não se trata de uma questão de obediência. falou e ainda fala por meio deles. 10. NIDNTT. ao apresentar a citação. como a percebemos tanto no Antigo Testamento Hebraico como na LXX (cf. no v. tomando mais vivida a presente aplicação Estes sem pre erram em seu coração aproximase bastante do v 8 no significado.K. Mt 22:43. vol 3. 2 Pe 1:20s. por isso. no v. portanto. veja-se 6:13. Jewett em ZPEB. por essa razão. Esta geração (v 10) representa uma mudançado texto da LXX. vol. 3 18. isto é. 3:12 / Irmãos — advertência semelhante à de 3:1 Incredulidade (iapistias). caso o êxodo de Jesus. 7) denote incerteza quanto ao fato de a voz poder ou não ser ouvida. Podem os leitores judeus . do ponto de vista do autor da carta é a raiz do problema.” como diz N1V) é fórmula comum que sublinha a solenidade grave do juramento de Deus (cf. os quarenta anos referem-se à experi­ ência do povo quanto à providência de Deus. e não à terrível ira do Senhor.G. 3. que a carta teria sido escrita antes de 70 d C ). a única alteração significativa é a tradução no nome de Meribá (“contenda” : como no dia da tentação) e Massá (onde vossos pais me tentaram . quanto a uma aplicação positiva. A única alteração digna de nota feita pelo autor de Hebreus. mas de conhecimento O antropomorfismo assim jurei em minha ira (“declarei com juramento em minha ira. pelo que se deduz que o autor da carta considera as duas declarações como verdadeiras A LXX é uma cuidadosa tradução do hebraico. é que a antecede de por isso. sua ascensão aos céus. A força do hebraico original reflete-se bem na tradução das palavras iniciais: “Hoje.

NEB. o mesmo pensamento e a mesma motivação para expressá-lo aparecem em 1 Coríntios 10:10: “E não murmureis. Tanto a rebelião como a ira — podemos dizer — caracterizaram o período de quarenta anos. o autor não as utilizou. O autor de Hebreus considera a volta ao j udaísmo por parte de seus leitores um perigo horrendo. portanto. é a essência do engano (Rm 7:11). a palavra hoje pode ter tido também conotações escatológicas para o autor (cf. como aparece na citação original (cf. 9s. como aqui é usado. 2 Co 6:2). diferentemente da maneira pela qual o autor apresentou a citação do v.. Quanto ao verbo {parakaleõ). 3:14 / Quanto a uma discussão da palavra confiança (hypostasis). veja-se a nota sobre 9:14 3:13 / Assim como o diabo é o enganador (2 Co 2:11). que pressupõe uma resposta positiva (cf. em ambos os exemplos a segunda pergunta se inicia com uma partícula negativa. 11). para o autor da carta. 20:2-5. e perece­ ram pelo anjo destruidor” . veja-se 6 18. 13 19. para quem o cristianismo é o cumprimento das promessas. A palavra provocaram ocorre na forma de substantivo na citaçãodosalm o95. dotada de legitimidade.82 (Hebreus 3:7-19) que apostatam e voltam parao judaísmo ser descritos como povo que se afaste do Deus vivo. e 13 :22 (“esta palavra de exorta­ ção”). 3:15 / Veja-se nota sobre o v. constituindo. em vez de “meu descanso”. o pecado. nesses dois versículos). Não há lugar para a idéia moderna dapresençade Deus nojudaísmo. Ainda que o vocabulário seja diferente. seu instrumento de trabalho. reflete de modo correto o sentido do texto do Antigo Testamento. 22 Quanto ao substantivo (paraklesis). que traduzem a segunda questão de cada versículo como se fora uma declaração. 3 :1 8 / Aqui. 7 3:16-17 / A estrutura dos dois versículos é a de um paralelismo Cada um deles contém duas perguntas retóricas. ainda assim. Além do sentido óbvio no presente contexto. o que é enfatizado na carta. da maior gravidade Quanto a expressão Deus vivo. o texto diz no seu descanso (cf. por isso. ou. veja-se o comentário sobre 11:1. v. JB evita de vez a forma interrogativa. GNB. O autor apela para os juramentos ou promessas solenes de Deus para reforçar sua argumentação . o verdadeiro judaísmo e não outra religião.etam bém se'encontranasnarrativasde Êxodo 15:23. veja-se 10:25. Contudo. apostatar do cristianismo é abandonar o Deus vivo. 12:5. como também alguns deles murmuraram.17:7 e Números 14. como religião paralela do cristianismo e. As palavras se indignou por qu aren ta anos. também 4:10). Os leitores precisam desesperadamente de encorajamento. que é o que aparentemente pretendem fazer os leitores da carta aos hebreus? Algumas pessoas têm argumentado que esta expressão indica forçosamente que os destinatários da carta não são judeus.

3:19 / A palavra e n tra r é tirada da alusão à citação original no v. Além das referências neste capítulo. Quanto à raiz. A palavra paralela no final do v 19 é apislia. Como veremos oportunamente. “desobediência”). Os que pereceram no deserto deixaram de atingir o objetivo imediato: a posse de Canaã. apeitheo (sec. 11 com um substantivo de mesma raiz (apeitheia. veja-se também 4 :3 . nesta conjuntura. 3). precedente. o autor é bastante criativo. E correto presumir que a entrada naTerra Prometida é o “descan­ so” que se tem em mira. no sentido de incredulidade.e7:21. porque a terra não ficaria li vre de povos inimigos senão durante períodos breves A posse da terra nunca foi o verdadeiro descanso que Deus tinha em mente para seu povo.6 :13. Os que nela entraram não puderam usufruir o descanso prometido. “ incredulidade” . Esse descanso pela sua natureza transcende todas as avaliações terrenas.(Hebreus 3:7-19) 83 na carta. veja-se B AGD. ao usar a palavra“descanso” nos versículos que se seguem . A desobediência a que se refere este versículo é mencionada de novo em 4:6.

A implicação para os leitores é clara.8. o evangelho que os israelitas ouviram nada lhes aproveitou porque a experiência não foi acompanhada pela fé(cf. A fé deve acompanhar o ouvir. sendo o assunto da exposição que se segue (cf.18). Estas palavras são outra vez tiradas da citação original (3:11. ECA). N a . pelo que já nos pertence (veja-se o com entário sobre o v. eterno. 4:2 ' Como se tom a evidente m ediante o ensino da carta. e n tra m o s no descanso. Essa palavra-chave. No entanto. 1 Co 10:12) talvez seja o termo adequado como tradução do grego phobeihom en. w . cf.. os crentes. mas o descanso em questão teria sido de natureza fundamental. NEB. Suceda p arece r que algum de vós tenha falhado. foi o livramento do êxodo (cf.6. A diferença entre essa geração de Israelitas e os leitores cristãos da carta. O descanso em seu sentido integral perm anece expec­ tativa futura. 3 :16 1 e a aliança do Sinai. com que se inicia a advertência (cf. KJV. 11). RSV. w . há um sentido em que já estam os entrando nesse descanso agora. é tirada de uma citação original (3:11. Para ambos os grupos o evangelho é o amor redentor de Deus demonstrado em seus atos salvíficos. “tenhamos grande medo”. não atentando para a promessa do descanso feita aos leitores de modo tão direto: tendo-nos sido deixada a prom essa de entrar no seu descanso. 4:3 O contraste está em que nós. 10). o evangelho para o autor e seus leitores identifica-se com a cruz e seus efeitos. A Promessa Remanescente de Descanso (Hebreus 4:1-13) 4:1 / Israel ainda não entrou no descanso oferecido por Deus. 2 :1-4). que viram o cumprimento defini­ tivo. Tem am os (cf.11). 3. Para os que enfrentaram o deserto. Aqui outra vez confrontam os de modo direto a am bigüidade da escatologia do autor de Hebreus.10. descanso. a qual apresenta aspectos presentes (ou realizados) e aspectos futuros. 3-5.8. 3:19). Segue-se que aquela prom essa não pode ter-se referido à entrada na Terra Prometida e à sua posse. mas o Senhor continua a oferecer a seu povo a prom essa de e n tra r no seu descanso (cf. não se faz alusão aqui como em outras passagens (e. 3 : 18).g.

A implicação é que o Senhor tinha outras pessoas em mente. da qual deriva a palavra “sábado” (veja-se o comentário sobre o v. Em outras palavras. Sétimo dia transform a-se em expressão que significa descanso.O ponto central da citação não fica aparente de pronto. 3b-4). 2 e 3). 9). Isso se tom a mais evidente por causa da palavra hebraica que significa “sete” . 4:5 / M ais uma vez cita-se um verso de Salmos 9 5 :11. que já existe.v. w . aqui. e repousa em duas pressuposições im portantes que o autor da carta esforça-se ao máximo para estabelecer: (1) o descanso de Deus é uma realidade (w .Hebreus 4:1-13) 85 segunda m etade desse versículo encontramos uma seção da citação origi­ nal que se apresenta de novo como citação formal (cf. e sua disponibilidade. A paráfrase de Phillips apanha o sentido com perfeição: “Está claro que a intenção era que alguns experim entassem esse descanso” . 4:6 / Este versículo resume o argumento precedente e reúne os vários fios da trama da discussão. Deus não existe em vão. Assim o argumento negativo da citação serve finalmente de apoio ao argumento a respeito da existência do descanso. que entrariam no descanso. a despeito das palavras introdutórias tal como disse [Deus] (lit. 6). Tal como disse: Assim ju rei [Deus| que os israelitasjam ais haveriam de entrar no descanso real. 4:4 / O utra vez o autor da carta demonstra pouco interesse pelos autores humanos das Escrituras (disse ele assim ) e pela localização (em certo lug ar) da citação. 3 e 5). A primeira metade da sentença fala do resultado da antiga desobediência: Visto restar que alguns entrem nele (no descanso). 4:5.3). Esta segue de perto Gênesis 2:2. o plano sempre foi que o Senhor fosse partilhado pelo seu .(. Segue-se que aquelas pessoas não entraram no descanso. mas aguardam-no os crentes da era do cumprimento (v. sendo usada aqui a fim de dar peso ao versículo precedente. “Entrem ” faz alusão de novo à citação original. 7). “ele”). A explicação é dada nos versículos seguintes. 3:15. e (2) os israelitas estavam proibidos de entrar nesse descanso (citações nos w . a fim de reiterar que os israelitas não conseguiram entrar no descanso de Deus (cf.. O que os israelitas deixaram de receber torna-se disponível aos que crêem nas boas novas de Jesus Cristo (cf. de acordo com a LXX. Tom a-se plenamente evidente a realidade do descanso de Deus mediante suas o b ras que foram acabadas desde a fundação do mundo.

Embora não fosse mencionado. A ssim com o Davi in troduziu contem poraneidade na narrativa da rebelião no deserto. É neste descanso que o propósito último de Deus para a criação encontra sua realização. e tal intenção se cumpre agora. É digno de nota que. que trouxe o verdadeiro descanso.5). A sugestão é. o mesmo convite para ouvir e obedecer poderia ser estendido. e o recebem. nem se teria feito menção a depois disso. e esta palavra. E que cada dia é um novo hoje. A segunda metade da sentença repete a argumentação do v. ao aplicá-la a seus leitores. que ainda temos de entrar no descanso. na época de Davi.14). os que crêem no evangelho de Jesus Cristo. No entanto. Tal desobediên­ cia permite que outros. formais (cf. “hoje”. p o r causa da desobediência. nesta passagem. mas que esse convite se estende ao presente. Os que caminharam pelo deserto não e n tra ra m (alusão à citação original). devemos presumir que a geração de Davi não entrou na Terra Prometida — ou que. possam entrar. e a última. prefaciado por hoje. 4:8 / Jo su é não deu descanso ao povo. Houvesse ele dado.86 (Hebreus 4:1-13) povo. Visto que no grego os nomes Josué e Jesus são idênticos. e é no presente que encontra seu significado verdadei­ ro. e o outro “Jesus”. . 4:3. a saber. 2b (veja-se ali o com entário sobre o sentido de boas novas). assim também o autor de Hebreus. se em algum sentido entrou. em que o texto da citação original (3:7-11) é apresentado em citações menores. fez o mesmo com relação a seus leitores. “através de Davi”. 4:7 / Partindo da palavra inicial da citação original (em 3:7) do salmo 95 — a palavra hoje — o autor deduz que Deus (lit. não o fez no sentido definitivo em que o descanso prometido no Antigo Testamento está disponível àqueles que usufruem o cum prim ento efetuado por C risto. Esta é a quarta vez. 3:15. a oferta não teria sido repetida em outro dia. os leitores não poderiam ter evitado o contraste implícito entre o antigo “Jesus” que falhou. posteriorm ente. “ele”) determ ina o u tra vez certo dia em que se poderá entrar nesse descanso. m uito tem po depois. aplica-se de modo preeminente a todos que são “participantes de Cristo” (cf. a diferença entre o tempo de Davi e o do autor da carta tom ou-se clara a partir da argumentação de toda a carta. não concedendo o descanso.. portanto. 3:13. que havia sido prometido a seu povo.

a saber. nem daquele repouso desfrutado pelos santos que partiram para estar com Jesus. 4:3. ao falar em “obras”. mais importante ainda. paz. No entanto. Se buscamos algo que deve ser usufruído no presente. a interpretação mais plausível é que o autor tem em mente as qualidades ideais do repouso-sabbath. é possível que o autor tenha em m ente aquela paz e senso de segurança último “que excede todo o entendim ento” (Fp 4:7). de tal forma que o repouso é o dajustifícação pela fé. pela morte. que já foram citados (SI 95:11 em 3:11. Tal ponto de vista em parte alguma de Hebreus é exposto em palavras claras e.(Hebreus 4:1-13) 87 4:9 / Resta ainda um repouso. Em suma. no sentido paulino. É possível que o autor. Visto que o repouso ou a cessação das obras é algo que deve iniciar-se aqui. Usufruir as bênçãos do ‘eschaton’ é participar do repouso (sabbath) de Deus. os comenta­ ristas têm diferido entre si em suas interpretações desta palavra. aquele mesmo que fora prom etido para o povo de Deus. 4:10 / M ediante habilidosa combinação de textos retirados de duas passagens do Antigo Testam ento. ponto que o autor deseja salientar. tão importantes no judaísm o. possui estas qualidades. e Gn 2:2 em 4:4). Além disso. disponível aos leitores (o tempo do verbo no grego é o aoristo). 18. ele próprio descansou de suas obras. a que os leitores se sentiam atraídos. 4). bem -estar e segurança — aquela estrutura mental que. não se deve imaginar que se trata da cessação da vida. mas na prática é intercambiável com a obediência. o autor da carta dá a entender que o repouso de Deus e o repouso prometido são a mesma coisa. É palavra que sugere o descanso do próprio Deus após sua criação (v. 5. Não está claro de que maneira devemos entender “obras” . Esta interpretação tem a vantagem adicional de fazer com que a discussão . tenha em mente a atividade do ritual sacrificial e as m inúcias da purificação cenm onial. O que está em questão aqui é a experiência atual de repouso. em virtude da confiança em Deus. Assim é que aquele que entrou no descanso de Deus. é improvável que devamos imaginar que tais obras sejam as da justiça. a fé não se sobrepõe às obras. de modo algum se harmoniza com o contexto. O dom de Deus do repouso pode assim ser considerado o dom de seu próprio repouso. Repouso vem de um a palavra (sabbath) que ocorre somente aqui em toda a Bíblia grega. em contradição com as circunstâncias que nos rodeiam. para que o desfrute. para o autor da carta. agora mesmo.

se os leitores entrarem no repouso. é uma idéia sugerida talvez ao autor da carta. 4:11 \ A exortação dada agora confirma que a interpretação acima está no caminho certo. Rm 6:7.12). os leitores não tom arão o caminho da apostasia. não deverão seguir o mesmo exemplo mau dos israelitas. 7). portan to . Bastou sua palavra para que o mundo fosse criado.88 (Hebreus 4:1-13) se tom e pertinente e importante quanto às necessidades dos leitores. nenhum cairá (que ninguém caia) como aconteceu aos israelitas no deserto. a base lógica da exortação precedente. nos versículos anteriores (3:7. Is 55:11) ao Senhor. refere-se ao que Deus fala. não há como fingir lealdade. A voz de Deus. 4:12 \ O íntimo elo existente entre este parágrafo (w . Deve-se notar que na discussão deste capítulo encontram os a tensão entre o modo indicativo do verbo (entramos no repouso) e a do imperativo (recebemos a ordem de procurar entrar no descanso) que com grande freqüência encontramos na argumentação de Paulo (e. Tudo isto é apenas um reflexo da tensão que existe entre a escatologia realizada e a futura. 4:2. ao contrário. pela repetida menção de “ouvir a voz de Deus”. fato essencial à interpretação correta. Portanto. A palavra que Deus fala é viva e eficaz. Se os leitores entrarem agora nesse repouso. é palavra eficaz que jam ais voltará vazia (cf. Estes dois versículos suprem. tampouco é menção primária às Escrituras. 16. jam ais saiu da mente do autor de Hebreus. vitimados pela desobediência. As frases que se seguem são meros desenvolvimentos desta m etáfora. Se não houver penetração dessa palavra divina. bem como nos dois versículos seguintes. As preocupações pastorais do autor pelos seus leitores são evidentes nesta aplicação. suportarão provações duras e a perseguição que aparentemente estão sofrendo como cristãos.. não havendo . Assim é que. a palavra de Deus. produzirão a obediência — que aqui tem o sentido de fidelidade. Ap 2:12). A palav ra de Deus não é referência a Jesus. Essa eficácia se expressa agora pela metáfora m ais co rtan te do que q u alq u er espada de dois gumes (cf. Antes. assim. 12-13) e os versículos precedentes está indicado pela forte conjunção pois.g. 15. É por isso que a advertência do autor da carta deve ser tom ada com a máxima seriedade. Esta preocupação. P rocurem os. e menos ainda exercer lealdade real. pelo seu próprio caráter exige uma resposta autêntica. na verdade. e n tra r naquele descanso (fica bem clara outra vez a alusão à citação original).

. que se baseia no significado da expressão “sido deixada” (kataleipomenes). pp. 94-102. ju n ta s e m edulas. Tal tradução seria possível. A palavra ocorre numa segunda e última passagem. em vez de no gnosticismo. pois teria falhado em todos os sentidos (cf. 4:13 / Na verdade. Vale a pena im aginar se esses leitores estariam abraçando algum tipo de com portamento que represen­ tava mera cobertura de uma apostasia difarçada. Estes pormenores todos tencionam enfatizar a plena eficácia da palavra de Deus. em Atos 7:49 (que cita Is 6 6 :1) Um verbo cognato ocorre em 4 4. pp 254-58. Notas Adicionais # 8 4:1 / Hénng nos oferece uma interpretação interessante deste versículo. A conotação clara desta linguagem é que nada é inescapável ao escrutínio de Deus.(Hebreus 4:1-13) 89 a intenção de transm itir inform ações que nada tenham que ver com o ponto discutido. O contexto para o uso distintivo que o autor faz do conceito de katapausis provavelmente se encontra na literatura judaica apocalíptica. Brown. que fora introduzida na citação original (3:11) e repetida em 3 18. N a compreensão da passagem em estudo. NIDNTT. Hensel e C. os w . O autor da carta não revela aqui sua opinião a respeito da natureza do ser humano (ao ponto de div id ir alm a e espírito. se é isso que o autor de Hebreus tinha em mente. T odas as coisas estão nuas e p atentes aos olhos daquele a quem havem os de p re sta r contas. von Rad. no Novo Testamento. os pensam entos e intenções do coração).10 (duas vezes pela citação de Gn 2:2). que ele toma com o sentido de “não realizada” Nesse caso temos esta questão: o fato de as pessoas não entrarem no repouso poderia ser atribuído a que a era escatológica deixou de realizar-se. o ponto central dessa discussão tom a-se agora claro: Não há c ria tu ra algum a encoberta diante dele. Assim. vol. 2 Pe 3:4). ele se expressou de forma oblíqua A palavra descanso (katapausis). ocorre seis vezes no cap. 12 e 13 aplicam-se aos leitores afim de lembrálos da seriedade tremenda de suas decisões. R. Veja-se G. “There Remains Still a Rest for the People o f God: An Investigation of a Biblical Conception” — Ainda Resta um Repouso para o Povo de Deus: Pesquisa sobre um Conceito Bíblico — The Problem o f the Hexateuch and Other Essays — O Problema do Hexateuco e Outros Artigos — Edimburgo & Londres: Oliver & Boyd. Rm 14:12). tudo lhe é vulnerável também ao julgam ento.8. é . 3. Este aspecto tom ase explícito na frase final: E a Deus que havem os de p re s ta r contas (cf. mas.. 4 (duas vezes em repetições da primeira citação). 1966).

Essa é a opinião de Westcott. por implicacão: Bruce e Hughes). aqui. e o descanso que Deus planejou para todos os cristãos. assim como o atual descanso que os crentes desfrutam aqui antecipa o descanso final. profetizam e representem as bênçãos de outro descanso. que não precisa excluir a segunda. (2) o descanso do próprio Deus (v. no “fim”). veja-se a nota sobre 11 : 1. na terra de Canaã(cf. tem o apoio implícito do v. Lombard. escatológico Veja-se H A. Spicq e Montefiore. NEB chega bem próximo do sentido literal da passagem: “eles não combinaram a fé com o ato de ouvir”. no céu. 10. Hebrews and Hermeneutics — Hebreus e a Hermenêutica — pp 67-73. embora todos relacionados entre si: (1) descanso literal. pode ser utilizada de modo anacrônico para referir-se a epoca da peregrinação pelo deserto. 4). Outros sugerem que se trata do descanso escatológico futuro (Delitzsch. Hénng. como o sugere o presente do indicativo entramos (eiserchomai). . l . e (3) o descanso do qual se diz ser a porção dos crentes (o qual na verdade poderia ser subdividido em descanso disponível hoje e o descanso futuro. Quanto à tensão em Hebreus entre a escatologia realizada e a futura. Dt 12:9). veja-se G. pp.e explícito do v. "Kalapausis in the Letter to the Hebrews” — Katapausis na Carta aos Hebreus”— Neotestamenlica 5 (1971). 665. 4:2 \ Tam bém a nós foram anunciadas as boas novas O verbo euangelizo (na carta aos Hebreus aparece só aqui e no v. por causa da continuidade teologica de sua expe­ riência de livramento e relacionamento de aliança com a dos leitores Existe considerável dificuldade textual concernente ao texto grego que se traduziu por a palavra que ouviram nada lhes aproveitou. Esta interpretação é a que dá sentido à exortação do v 11 e proporciona melhor apoio à preocupação pastoral do autor da carta Veja-se também 12:22ss.90 (Hebreus 4:1-13) importante que se perceba que o autor está falando de três tipos distintos de descanso. Fica bem claro que o autor vê aqui um relacionamento tipológico entre o descanso na Terra Prometida. 6) foi traduzido por “anunciar as boas novas”. TCGNT. visto não ser acom pa­ nhada pela fé. Quanto à necessidade de o ouvir fazer-se acompanhar da fé. eterno.6. em Canaã. p. a da realização final no futuro. veja-se também Gálatas 3:2. mas não existe aqui nenhuma séria alteração de sentido Vejase Metzger. A linguagem do versículo e semelhante à de Paulo em Romanos 10 16 (em que se menciona Is 53:1). 4:3 \ Os comentaristas dmdem-se quanto a se a frase de abertura deste versículo deve ser entendida como referindo-se a uma entrada atual no repouso. Hughes. Quanto ao sentido da palavra fé. Fica bem evidente quão apropriada ela é para descrever o que os leitores de Hebreus ouviram. vem carregada de associações escatológicas. de modo especial pelo seu uso na segunda metade de Isaias. E palavra que. As bênçãos de um descanso temporal. A primeira interpretação. 60-71.

4:5/ E o u tra vez. 9 :14. conhece um sabbath-descanso atual e um sabbath-descanso futuro Veja-se A T Lincoln. Lc 11 50. temos argumentado. que são as palavras iniciais deste versículo ECA omite apenas “portanto” . tempo presente) faz alusão a um decreto soberano de Deus (cf At 10:42. que se iniciou após o encerramento da criação. portanto”. 4:4 \ A palavra ergon (“obra”) é comum na carta aos Hebreus. 10. NIDNTT. o relato de Gênesis do sétimo dia não faz menção da tarde Os comenta­ ristas judeus concluíram que o “sabbath-descanso” de Deus. Sabemos também que na tradição judaica existiria um sábado (descanso) escatológico. e 10:24. o autor se esquece da autoria humana das Escrituras. Diferentemente da descrição dos primeiros seis dias. Rm 1 :4 ) 0 ponto da referência a Davi não é uma preocupação com a autoria. O autor de Hebreus. 635-55. em outra passagem. pp. como aqui (1:10. no mesmo lugar: refere-se à nova citação da última linha do salmo 95 4:6 / NIV omite epei oun. Historical and Theologtcal Investigation — Do Sábado para o Dia do Senhor: Uma Pesquisa Bíblica. vol. e as considera simples­ mente palavra de Deus O nome de Davi é mencionado aqui a fim de enfatizar a distância cronológica entre o tempo da peregrinação no deserto e a repetição da promessa com a palavra “hoj e” Se o autor entende seus próprios dias como sendo hoje. sua forma verbal ocorre em 3:18 e em 11:31. mas nunca é usada explicitamente numa polêmica paulina contra as obras da injustiça.p p 588-93 4:7 / Determ ina (hortzo. “visto. — Sabado. São necessárias para fazer j ustiça à lógica da argumentação. de modo especial ao não refletir a dependên­ cia da citação do Antigo Testamento no v 5 e a força conseqüente do convite renovado a que se faz referência no v 7 Desobediência (apeitheia) é palavrachave aqui e no v 11. visto que. Descanso e Escatologia no Novo Testamento — em From Sabbath to Lord 's Dav: A Bibhcal. Rest and Eschatology in the New Testament”. TDNT. pronunciado no tempo de Davi. 2. Veja-se O Becker. Bertram. um período de mil anos. Em 6:1. Veja-se G. é possível interpretar segundo antes fora dito como signifi­ cando “como fora profetizado” . vol l.1 Pe 1:20. 4:3). dura indefinidamente O autor da carta apela para esta tradição quando argumenta que seus leitores podem desfrutar do ‘"sabbath-descanso” de Deus na presente era. Mt 25:34. refenndose muitas vezes à criação de Deus. Histórica e Teológica — ed D A Carson (Grand Rapids: Zondervan. “Sabbath. Ap 13:8). que se seguiria após os seis mil anos da história da humanidade. E f 1:4 .(Hebreus 4:1-13) 91 “Fundação do mundo” é frase comum do Novo Testamento para referir-se à criação (cf Hb 9:26. refere-se a obrasjustas ou injustas. 1982). como vimos. teria então entendido Salmos 95:7 como profético. Jo 17:24.

entendendo que o aoristo “tem descansado” é resultado da influência do mesmo tempo verbal na citação da LXX (Gn 2:2) no v. O repouso divino deve ser considerado numa base totalmente diferente. que de fato emprega o tempo futuro aqui. que já começa a experimentá-lo. NEB. O repouso e. o que enfraquece a aplicação atual que é da intenção do autor da carta). como o que Davi trouxera (2 Sm 7:1.92 (Hebreus 4:1-13) 4:8 / O nome grego para Josué (le so u s ). em que a referência é a Josué e não a algum ato de Jesus préencamado. portan to . Ao fazermos a exegese de “obras”. Quanto a uma perspectiva semelhante. GNB. presumivelmente por considerá-lo mais coerente com o contexto (veja-se o v. D.T.A. este descanso. 34s. a fim de enfatizar que o descanso de que tem falado é de natureza escatológica. e n tra r é tradução de sp o u d a zo (“ser . é um descanso que devemos adentrar no presente momento. 7. No entanto. a cessação do trabalho. Q um to a sa b b a tism o s. portanto. veja se E. l l ) e Salomão (1 Rs 8:56). no máximo foi uma experiência simbólica do descanso que Deus tencionou para seu povo. Josué anunciou que Deus havia dado ao povo descanso (o verbo é o mesmo usado neste versículo). Assim é que o sa b b a th de Deus toma-se o símbolo de nosso descanso. 4:11 / Procurem os. em que bênçãos celestiais futuras são concebidas como realizá­ veis no presente momento. Lohse. mas para o verbo “entrar” . At 7:45. Outras versões (NIV. veja-se 12:22-24. pp. tem a natureza do descanso do próprio Deus. Descanso e Escatologia no Novo Testamento — em F rom S abbath to L o r d ’s D a y — Do Sábado para oD ia do Senhor— ed. RSV) usam o presente do indicativo. “Jesus”. e não no trabalho de que é preciso descansar. Todas as experiências anteriores de descanso não passam de sombras tipológicas do repouso escatológico que Deus tenciona para seu povo. ASV eNASB de modo exato traduzem o aoristo grego com o perfeito do indicativo “descansou”. 4. após o término de suas obras. A analogia centraliza-se na realidade do descanso. isto é. ECA também emprega o perfeito. ocorre nesta forma na KJV. no entanto. “Sabbath. em princípio é escatológico. 4:10 / entrou no descanso de Deus é expressão tirada do texto da citação do Antigo Testamento. vol. 21:43-45). O paralelismo interessante na linguagem de Apocalipse 14:13 (“descansarão dos seus trabalhos”) só em parte é pertinente aqui. 4:9 / A palavra grega rara para repouso {sabbath no hebraico) neste versículo é sabbatism os. Carson. O repouso escatológico realizável no presente tempo se transformará em plena realidade no futuro (cf. É usada deliberadamente pelo autor em lugar da palavra para “descanso” usada previamente em sua discussão (katapau sis ). 3). é erro enfatizar demais a analogia com o repouso de Deus. Em Josué 22:4 (cf. KJV. Rest and Eschatology in the New Testament” — O Sábado. Veja-se A. Lincoln.

palavra comum de exortação ética no Novo Testa­ mento A última metade do versículo. 7:23ss. W. pp. como se menciona em 4:6. veja-se J Swetnam. “Conception o f God in Hebrews 4:12-13” — Conceito de Deus em Hebreus 4:12-13 — StudTh 25 (1971).” ou “zeloso”). A palavra de Deus é viva porque Deus “é um Deus vivo” (3 :12). cortante (Is 49:2) e a palavra de Deus (rhema tou theou) assemelham-se a espada do Espírito (E f 6:17).pp 279-88. 4:12 / Visto que em Filo a expressão palavra de Deus (logos lou theou) é personificada. Embora isto seja possível. “Jesus as Logos in Hebrews 4:12-13” — Jesus como Logos em Hb 4 :12-13 — em Bíblica 62 (1981). R. As palavras eficazes são semelhantes a uma espada aguda. 214-24. 1 6) Quanto ao argumento que palavra de Deus refere-se a Jesus. . nesta passagem.g. que ele traduz “com quem o Logos esta presente. 1 Co 4:5). Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele indica a situação precária de todas as pessoas na época do julgamento. Veja-se H. veja-se João 12:48 Veja-se G E Trompf. tal conclusão está longe de ser correta. de modo especial com referência aos poderes de penetração (Sab. 123-32. pp. Williamson também encontra uma Cristologia de Logos em Hebreus. alguns têm visto influências alexandrinas no autor. “Sabedoria” (sophià) tem qualidades que fazem paralelo com a palavra de Deus na presente passagem. “The Incarnation of the Logos in Hebrews” — A Encarnação de Logos em Hebreus — ExpT 95 [1983]. pp 4-8) 4 :1 3 / Em outras passagens enfatiza-se que. de Sal. na época do julgamento. p ara que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. veja-se também 1 Pe 1:23). e dela se diz que divide diferentes faculdades do ser humano. “ ‘Let us strive to enter that rest’: The Logic o f Hebrews 4:1-11” — Esforcemo-nos por entrar naquele repouso: A Lógica de Hebreus 4:1-11 — HTR 73(1980). Quanto a uma espada de dois gumes. que apela de modo especial para aocorrência de logos no v 13. veja-se Ap 2:12. Attridge.(Hebreus 4:1-13) 93 diligente. é alusão à desobediência como causa do fracasso de Israel. Quanto a uma conexão entre palavra e julgamento... a nosso favor” (que NI V traduz “a quem devemos prestar contas” [/ogoi]. Garante-se assim sua qualidade dinâmica e eficaz (cf Jr 23:29. ECA traz quase as mesmas palavras. tudo que está escondido será revelado (e.

a seguir. 6:20. G rande aqui sugere a singulari­ dade deste detentor particular de tão elevado ofício. a exortação deixa implícito que os leitores têm a tendência para a instabilidade. como estam os prestes a ouvir. volta-se para as qualificações de Jesus como nosso Sumo Sacerdote (5:5-10). o autor revê o papel e a vocação dcs sumos sacerdotes (5:1-4) e. que foi exaltado. como sendo “o mesmo que subiu acima de todos os céus” (E f 4 :10). o sumo sacerdote. A última oração subordinada pode ser uma alusão à presença de Cristo no “templo celestial” ou espiritual. mas também do singular Filho de Deus. Primeiramente. certo número de temas a respeito de Jesus. todavia. sua exaltação e. Jesus. pode haver alusão deliberada a Salmos 110:1. Assim. 4 o autor da carta exorta de novo seus leitores à fidelidade. Ao mesmo tempo. sua filiação singular. argumentar a respeito da tese: Razões por que Jesus é qualificado para ser nosso Sumo Sacerdote. 10:23). com base em seu argumento a respeito do sumo sacerdócio de Jesus. 4 : 1 5 / 0 autor enfatiza o mesmo ponto tanto de modo negativo como . sua natureza humana. no início de seu discurso. isto é. desta vez. Linguagem semelhante encontra-se em 7:26. sua conseqüente capacidade para ajudar os cristãos que se vêem sob provações. Podemos comparar essa expressão com a referência de Paulo a Cristo. versículo estratégico do autor da carta. porém. 9:11-12). que também se relaciona à obra sacerdotal de Cristo (veja-se 8:12). 0 Supremo Sacerdócio de Jesus (Hebreus 4 :1 4 -5 :1 0 ) N os últimos versículos do cap. Já se fez uma ponte entre o sumo sacerdócio de Jesus e sua capacidade de ajudar as pessoas (veja-se 2:1718). Trata-se de um homem. a doutrina é elaborada e o autor se propõe. agora. aquele que penetrou nos céus.9. De fato Jesus não é um sumo sacerdote comum. onde sua obra sacerdotal é realizada (cf. Retenhamos firmemente a nossa confissão é tradução literal. “feito mais sublime do que os céus” . 4 : 1 4 /0 fato de Jesus ser um grande sumo sacerdote capacita os leitores de Hebreus a permanecerem verdadeiros. anteriormente introdu­ zidos. como em 3:1 (cf. em que está escrito a respeito de Jesus. são agora trazidos à discussão e associados com o título de Sumo SacerdDte.

9:5). de acordo com as Escrituras do Antigo Testam ento e. pois. m as sem pecado. o Senhor jam ais se entregou ao pecado. mas não está. Ele também viveu como ser humano e. virtualmente. cheguem o-nos) a fim de encorajar o povo a ter ousadia: com confiança (cf. por ser sem elhante a nós. incapaz de com parti­ lhar nossas fraquezas e nossa vulnerabilidade. que provavelmente é análogo em sua mente ao propiciatório do Santo dos Santos (cf. sendo tentado. devem tom ar posse da ajuda que se encontra na presença de Deus. 14 e 1:3. assim. Presume-se (pois não está registrado) que o sumo sacerdote capaz de ajudar é o que está assentado no trono (cf. O autor usa imagens tiradas do culto no templo (e. 4:16 / Se os leitores devem reter firm em ente a sua confissão (v. com o nós. Usando a mesma linguagem cultural. Jesus se tom ou “semelhante a seus irmãos em todas as coisas” . “Porque naquilo que ele mesmo. Esta tarefa ele a executa ao passar em revista o papel e a natureza desse ofício. m as sem pecado. etc. A plena hum anidade de Jesus significa que ele experim entou toda gama de tenta­ ções humanas (em vez de todas as m anifestações específicas da tentação). E por essa razão que ele pode ajudar-nos. padeceu. No entanto. 10:19). a seguir. sujeito ao pecado (veja-se 5:2s. ao dem onstrar como Jesus cumpre os mesmos critérios. Isso quer dizer que o autor de Hebreus cré na perfeição impecável de Jesus (e. foi tentado de todas as formas” . 14).g. v.. o autor fala em tro n o da g raça. ali os leitores encontrarão m isericórdia e g raça de que tanto precisam no m om ento oportuno. de “sumo sacerdote” .).. Chegamos agora a este estágio na discussão do autor em que ele deve determ inar as qualificações de Jesus como nosso Sumo Sacerdote.). p a ra oferecer tanto . em tudo foi tentado. A ambigüidade do texto grego pode justificar a tradução de NEB: “alguém que. 1 Pd 2:22. uma definição de dicionário... É verdade que Jesus pode com padecer-se das nossas fraquezas. ainda que em grau muitíssimo elevado de intensidade.g. como os demais sumo sacerdotes. constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus. O sumo sacerdote é tomado dentre os homens. diferentem en­ te de todos os seres humanos. pode socorrer aos que são tentados” (2:17-18). 5:1 / Este versículo é. 2 Co 5:21. 1 Jo 3:5). Não se trata de questiúncula simpies esse achegar-se ao trono da graça. Nosso Sumo Sacerdote não é impassível.(Hebreus 4:14-5:10) 95 positivo.

p a ra se fazer sumo sacerdote. deixaremos para ser estudada m ais tarde. Ainda que Jesus satisfaça os critérios de natureza humana e assim esteja qualificado para ser sacerdote. É desse modo que Jesus se apresenta ao mesmo tempo semelhante ao sumo sacerdote comum e diferente dele. como vimos com clareza no caso de Arão (veja-se Éx 28:1) e seus descendentes (Nm 25:13). O autor da carta menciona agora duas passagens do . pois não teve pecado (4:15). como Barclay traduz). Deus. inconscientes.Antigo Testam ento em que baseia seu argumento. está rodeado de fraquezas (lit. A prim eira citação. Já demonstramos esta im possibilidade no versículo precedente. fazer oferta pelos pecados (9:7. de acordo com Números 15:28 (cf. pelos quais o sacerdote faz expiação. o sumo sacerdote pode com padecer-se devidam ente dos ignorantes e errados.96 (Hebreus 4:14-5:10) dons como sacrifícios pelos pecados. 9 e 10. e só Deus. E possível que se tenham em vista os pecados involuntários.. Lv 16:6). Portanto. é quem escolhe as pessoas para tão elevada h o n ra. Ninguém senão o que é cham ado por Deus pode ser sacerdote. 5:5-6 / Se Cristo está qualificado para ser sumo sacerdote. em virtude de sua natureza humana. 7:27). nem mesmo por escolha pessoal. Cristo não o julgou “usurpação” (Fp 2:6). como se fora pecador (cf. é o trabalho especial do sumo sacerdote no Dia da Expiação. ele também se qualifica por causa de sua nomeação por Deus. “revestido de fraqueza” . nem “revestido” de erros como qualquer outro sumo sacerdote. rodeado de fraquezas. tampouco precisa oferecer sacnficios por si mes­ mo. aquela visão interior singular. a execução da expiação pelos pecados do povo. não está. Salmos 2:7. 5:4 / Não se admitem livremente pessoas ao ofício de sacerdote. Visto que passou por provas e tentações. Temos aqui um a linguagem deliberadamente genérica e ampla (veja-se a mesma terminologia em 8:3). perceptível em todo o Novo Testamento. A principal similaridade. que será o foco de nossa atenção nos caps. Ao enxergar a conexão entre as duas passagens o autor atinge um de seus mais brilhantes “insights”. C risto não se glorificou a si mesmo. Lv 5:17-19). 5:2-3 / Visto que o sumo sacerdote é um ser humano. todavia. na exposição dos capítulos 9 e 10. O que está em questão. como veremos. . “A lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza” (7:28). pode ajudar os que as sofrem.

Este versículo. nesta conjuntura da discussão deve-se enfatizar de novo a divindade do Senhor. com as palavras “assenta-se à m inha mão direita. M elquisedeque era ao mesmo tempo rei e sacerdote (Gn 14:18). Jesus só pode ser o Sumo Sacerdote ideal por causa de sua identidade de Filho de Deus (veja-se 7:28). lit ). A segunda citação é Salmos 110:4. em sua humanidade. mediante as provações e tentações que experim entou o Filho divino. existe uma conexão vital entre a filiação singular de Jesus e seu papel de sumo sacerdote (cf. 7). segundo a linhagem de M elquisedeque. 5:7 / Este versículo e os três que se lhe seguem revelam com brevidade a essência da obra sacerdotal de Cristo. que se refere ao S acerdote etern am en te. Só como Filho pode Jesus desempenhar a obra expiatória definitiva que o autor da carta descreve nos capítulos posteriores. O autor faz referência à luta terrível nos dias da sua carn e (trad. em outra passagem é citado como se se referisse a Jesus (1:13. Todavia. N este exemplo — em bora nos seja .). Jesus é o Filho de Deus por decreto divino e. podendo ser entendido aqui como a ponte entre Salmos 2:7 e 110:4. Como o autor vai explicar mais adiante (no cap. portanto. que ele fosse poupado). até que ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés” . segundo a ordem de M elquisedeque. Portanto. salmo q u e a igreja primitiva entendia ser profecia da paixão de Jesus). Cristo é Aquele que foi ungido por Deus sacerdote etern am en te. 1:2-3)..e. pela qual Jesus é o Rei messiânico por decreto de Deus. No entanto.? Deus sem pre ouve as orações daqueles que sofrem (veja-se SI 22:24. em que Jesus orou que se possível o cálice fosse desviado (i. O autor dirige-se à m esm a pessoa de Salmos 110:1. Conquanto j á se tenha salientado a singularidade da filiação divina de Jesus. o que indica quase com toda a certeza que Cristo pediu que ficasse livre da morte. como é possível que o autor da carta prossiga dizendo tendo sido ouvido. com vistas evidentemente no sofrimento do Senhor à medida que a morte se aproximava dele. Alguém que foi elevado para estar à destra de Deus. embora não mencionado aqui... O raçõ es e súplicas foram dirigidas ao que o podia liv ra r da m orte. pelo que corresponde a Melquisedeque. cheios de clam or e lágrim as. partindo de Salmos 2:7.(Hebreus 4:14-5:10) 97 já foi utilizada no início do livro (1:5). nem sempre o Senhor nos responde da m aneira que esperarímos ser atendidos. Jesus também é Rei e Sacerdote. É quase certo que o autor da carta tenha em mente a agonia de Jesus no jardim do Getsêmani (veja-se Mt 26:36ss. e várias alusões). Para o autor de Hebreus.

Assim. mas o Senhor a ap ren d eu “na escola do sofrim ento” (que é como NEB traduz a frase.e.. possui as qualificações necessárias para ser nosso Sumo Sacerdote: Vocação divina (de modo especial por SI 110:4) e capacidade de empatia. ainda quando o Senhor ora pedindo livramento da morte. totalmente humano. além disso. O Filho divino e. 2:10). No entanto.. É que Jesus sempre serve de modelo para todos nós. . no Getsêmani. Como o autor da carta vai argumentar eloqüentem en­ te nos últimos capítulos. ECA: p o r meio daquilo que sofreu). i. o livramento da (lit. isto é. “para fora da”) m orte m ediante a ressurreição. ainda que fosse Filho de Deus. a morte (cf. Segundo o autor da carta. ao preço do maior sofrim en­ to. neste ponto a discussão é interrompida por uma longa advertência parentética. Assim como a obediência de Cristo custou-lhe sofrimento. o Filho do homem. a oração de Jesus foi ouvida e atendida. O fato de o Senhor ter alcançado aquele nível de fidelidade à vontade de Deus em circunstâncias adversas é um tipo de aprendizado. Jesus foi declarado Sumo S acerdote por Deus. assim também os leitores podem presumir que a obediência deles poderá trazer-lhes algum sofrimento. o Senhor havia galgado o último degrau da obediência. no sentido de Cristo ter passado voluntariamente por aquela nova experiência. O estágio final desse processo foi que tendo ele sido aperfeiçoado.. 5:8-9 / E m bora sendo Filho. a oração do Senhor foi ouvida de forma muito mais grandiosa do que teria sido possível. ou apesar disso.. Sua obediência não se efetivou em circunstâncias ideais. é mediante sua morte que o Senhor veio a ser o A u to r da ete rn a salvação p ara todos os que lhe obedecem (cf. Temos aqui a contrapartida da submissão de Jesus à vontade de seu Pai.98 (Hebreus 4:14-5:10) difícil crer que se tratava de um pedido de Jesus — a resposta não foi o afastamento da morte. de modo apropriado. para com preender aqueles a quem ele leva a Deus. e não é retomada senão em 7:1. Jesus não esteve livre de sofrimento. por causa da sua piedade. 9 12). Cristo é membro de um sacerdócio singular — o da ordem de Melquisedeque. 5:10 / Sendo “o Autor da eterna salvação”. e a quem representa diante de Deus. Por causa de sua submissão à vontade de Deus.

que pode significar “segundo nossa semelhança em nossas tentações” (como NIV). Veja-se H. nem os sete céus da cosmologia judaica (e. veja-se a nota sobre 2:17.A. onde a referência é à participação dos leitores nos sofrimentos dos prisioneiros condenados por perseguição religiosa (RSV traduz: “ter compaixão”). 4:15 / O verbo grego para com padecer-se (sympatheo) das nossas fraquezas ocorre uma única outra vez. R. linguagem que tem que ver com a adoração e com o ritualismo do templo) também se encontra em Paulo: “no qual [Cristo] temos ousadia e acesso [a Deus] em confiança. pela nossa fé [em Cristo]” (Ef 3:12). yet without sin” -— Tentado. Williamson. As palavras literais que penetrou nos céus (NIV: “que traspassou os céus”) não devem ser entendidas nem como os três céus. Stewart. não significa isto que o pecado seja intrínseco ou essencial ao ser humano Veja-se J K. na nota sobre 1:3 Quanto à cnstologia do Filho de Deus. 22). “ Hebreus 4:15 and the Sinlessness of Jesus” — Hebreus 4:15 e a Perfeição Sem Pecado de Jesus. veja-se o comentário sobre o uso que ele faz de Salmos 110:1. exceto as tentações provenientes de pecados já cometidos anteriormente. mas sem pecado — EQ 21 (1949).g. mas com toda a probabilidade. vejase a nota sobre 1:5.(Hebreus 4:14-5:10) 99 Notas Adicionais # 8 4 :1 4 / Quanto a uma discussão mais profunda de gran d e sumo sacerdote. conforme se expressa em 2:17-18. em ECA). Outros eruditos insistem em que a perfeição impecável de Jesus é incompatí­ vel com sua plena humanidade. 22. “misericor­ dioso e fiel sumo sacerdote” . 10:1. pp 161-67. A única outra passagem de Hebreus em que a expressão sumo sacerdote vem modificada por um adjetivo é 2:17. “assim como somos” (como nós. 2 Co 12:2). desde a queda) seja inerente­ mente pecaminosa. Ainda que a natureza humana. 2336 Sem pecado tem sido interpretado por alguns eruditos como querendo dizer que Jesus foi tentado em todas as maneiras por que somos tentados. com referência ao culto sacrificial em outras passagens. como Hebreus 7:25. “Tempted. Seesemann.S Reid. devemos tomá-las como referência genérica à ascensão e à exaltação de Cristo Quanto ao significado importante desta idéia para o autor de Hebreus. Por trás das palavras de NIV. ou “por causa de sua seme1hança conosco” (como traz NEB) Tentado (peirazo) em Hebreus comumente refere-se a fuga do sofrimento. em todo o Novo Testamento. O emprego de linguagem cultural (isto é. pp. como a conhecemos (i e. do autor da carta. 12:18. Trono da graça é . em 10:34. pp. R.. 12635 Quanto a um ponto de vista oposto. ExpT 86 (1974). “The Sinless High Priest” — O Sumo Sacerdote Sem Pecado — NTS 14 (1967). 6. pp. TDNT vol. está a ambígua expressão ka th ' homoioteta. 4-8 4:16 / Cheguem o-nos (proserchomai) é palavra usada de modo figurado. 11:6 (cf..

ao referir-se a sacrifícios. 115-24. que se refere à chefia da função sacerdotal em termos ideais. NIV corretamente coloca a Deus como aquele que fala ao Filho (emborao original grego não o especifique. 25). ECA diz aquele que lhe disse. 9. 5:5-6 Quanto a maiores informações sobre Salmos 2:7. haviam desistido do sumo sacerdódio em Jerusalém ) O importante verbo oferecer (prosphero) é muito mais usado em Hebreus (dezenove vezes) do que em qualquer outro livro do Novo Testamento E claro que esse verbo e tirado da linguagem do ritual sacrificial. e não presta atenção às perspectivas contemporâneas a respeito do sumo sacerdocio. pode ser que. como diz em outro lugar . TDNT. e continua a atribuir-lhe honra. 65-68 Visto que a Septuaginta usa com regularidade o singular “pecado” em vez de pecados. estes oficiais eram na verdade nomeados segundo os caprichos dos governantes humanos. o autor depende de seu conhecimento do Antigo Testamento. pp. 5:1 / Ao prover esta “definição tirada de dicionário” das qualificações e funções do sumo sacerdote. da linha de Davi. veja-se a nota sobre 1:5. 10:29. Weiss.H. 204): “Ele não se elevou a si mesmo à glória do sumo sacerdócio” . vol. os elementos determinantes dos sumos sacerdotes deixaram de ser a legitimidade de descendência e o chamado divino Isto é desprezado pelo autor da carta. ou de seu estado patético (Os membros do Qumran. por exemplo. pelo uso do plural. 12:15. tendo a conotação de moderação. entende-se de modo geral que Deus é quem fala no Antigo Testamento.. Jesus como Messias é tanto o rei como o sumo sacerdote (embora fosse sacerdote de uma ordem diferente da arônica). dois messias eram esperados com relação ao fim dos tempos: um messias sacerdotal. mas tambem por causa de seu autor.100 (Hebreus 4:14-5:10) expressão singular no Novo Testamento. pp. ainda que na mente do populacho esse cargo havia muito fora conspurcado. NIDNTT. quando as circunstâncias poderiam provocar severidade 5:4 / A partir de Antíoco IV e a eliminação da linhagem de sumo sacerdotes oriunda de Zadoque. Em Qumran. da linha de Arão. Os .) não simplesmente por causa do conteúdo verbal. 13:9. em Hebreus como também a expressão grega para “socorridos no momento oportuno” . Da perspectiva de nosso autor. vol. Veja-se K. e um messias real. Veja-se H. Esser.. O uso um tanto incomum do verbo glorificou (doxazo) que ECA traduziu não se glorificou a si mesmo foi bem interpretada por BAGD (p. G raça (charis) é palavra importante em Hebreus (veja-se 2:9. 2. M isericórdia (eleos) ocorre somente aqui. o autor da cana esteja fazendo referência a um ambiente comunitário como o que ocorre no dia da Expiação 5:2 / A palavra rara compadecer-se (m etrio p a th eo ) so ocorre aqui em toda a Bibha Grega.

. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte. “da passagem pela morte”) o que equivaleria literalmente a livramento das garras da morte (cf 13:20).g. mas do medo da morte (cf. porque o autor escreve tendo sido ouvido (í. em nenhum dos evangelhos sinóticos. Héring. que normalmente . orações temos outra vez o uso espiritualizado da linguagem técnica oriunda do culto sacrificial (a adoração e o ritualismo do templo). todavia.C. “ livrar da ‘posse’ da morte” (ek thanatou. 5:7 / Na expressão tendo oferecido. ela foi ouvida por Deus Este conceito envolve. se esta houvesse sido sua oração.e . assim. Conquanto tetihamos argumen­ tado acima que esta e uma das formas por que podemos entender que Deus tenha “ouvido” a oração de Jesus... Não é preciso que se faça distinção alguma entre orações e súplicas. apresentada por alguns eruditos (e. Ficai aqui e velai comigo” (Mt 26:37s ). tem sido suplantada de varias maneiras Talvez o modo mais simples seja argumentar que Jesus não orou para ser livrado da morte.) Outra solução para esse problema. em geral está ligado a “orações” na literatura contemporânea. o que daria ao texto este sentido: “Deus o ouviu [e o livrou] no que concernia ao medo da morte” . Ainda que não haja referências explícitas a grande clam or e lágrim as em nenhum dos relatos da experiência dramática do Getsêmani. até a ascensão infeliz e insatisfatória de ambos os ofícios por certos membros hasmoneanos.e. que EC A traduz p or causa da sua piedade (e que N1V traduz “por causa de sua submissão reverente”). a descricão que Mateus faz assemelha-se muito às palavras do autor de Hebreus: “Começou a entristecerse e a angustiar-se muito. Entretanto. Outra solução ainda é que Jesus orou pedindo livramento não da morte. por “de seu medo”. Montefiore) E possível interpretar o texto grego básico apo tes eulabeias. em Israel. mas para ressurgir apos morrer Nesse caso. como envolve a atribuição de um significado menos comum a eulabeia. no segundo século a. e que nojardim Jesus orou para que não morresse ali mesmo. Hewitt). veja-se a nota sobre 2:6. uma interpretação difícil e insatisfatória da oração no Getsêmani. sob o tremendo peso da angústia que estava sofrendo.. Ainda que “súplicas” (hiketeria) ocorra somente aqui em todo o Novo Testamento. Orou pedindo que não morresse prematuramente e. não cumprisse o plano divino pelo qual deveria morrer na cruz E claro que. Calvino. A maior dificuldade a respeito deste versículo. e não apo thanatou. esta tradução não só é difícil do ponto de vista da sintaxe. “sua oração foi atendida”) a despeito de Jesus ter morrido na cruz. naquele instante.(Hebreus 4:14-5:10) 101 dois ofícios importantes haviam sido mantidos separados tradicionalmente. não é provável que a oração de Jesus tenha sido assim (Pelo menos temos certeza de que não é esse o conteúdo da oração de Jesus no jardim do Getsêmani. Quanto à fórmula genérica da introdução como diz em outro lugar. i.

anotamos o expediente de Hamack que.). veja-se N. Cristo atingiu um estado de plenitude e de cumprimento de missão. e corresponde ao significado de "tomado”. No grego existe um jogo de palavras. pelo que passa a ser o autor da eterna salvação (cf. ao ser obediente a vontade de Deus em seu sofrimento e morte. 2 10) A utor (aitios) também se pode traduzir por “causa”. Quanto a um paralelismo do Antigo Testamento. sendo reminiscência da palavraarcZ/egos (“pioneiro” ou “líder”) em 2:10 (cf 12:2). em 9:12. “Aprender” aqui significa chegar a um nível mais elevado de experiência na obediência por meio daquilo que sofreu (cf. e a unica passagem do Novo Testamento em que Jesus e o sujeito desse verbo especifico. de 5:1 Quanto a informações mais minuciosas sobre Melquisedeque. faz uma conjectura a respeito de uma partícula negativa original (“não” ?) antes de tendo sido ouvido. com o emprego de emathen (“aprendeu”) e epaihen (“sofreu”). 5:8-9 / Esta é a única ocorrência de aprendeu {manthano) no livro todo. Lightfoot. A respeito desse versículo. '‘The Saving of the Savior Hebrews5 7ff. vejam-se as notas sobre 7:1-3 .102 (Hebreus 4:14-5:10) significa “temor piedoso” ou mesmo “piedade”. Quanto à expressão tendo ele sido aperfeiçoado (leleioo). que se teria perdido inadvertidamente O autor de Hebreus teria escrito na verdade que “Deus não ouviu” a oração de Jesus. Tendo feito a vontade de Deus. pp 166-73. “herança eterna” em 9:15 e "aliança eterna” em 13 20. Fp 2:8).” — A Salvação do Salvador: Hebreus 5 :7ss . veja-se a nota sobre 2 3 5:10 / cham ado (prosagoreuo) ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento. veja-se Is 45 17 Quanto a salvação (soteria). com implicação de obediên­ cia (a palavra para “medo” da morte em 2:15 éphobos). Finalmente. sem absolutamente nenhuma evidência textual. vejase a nota sobre 2 :10 A ideia é que. RestO 16(1973). Jesus faz que seus propósitos sal víficos fossem cumpridos e terminados (c f 7 27s. E terna salvação refere-se ao carater definitivo da obra redentora realizada por Cristo Outras expressões análogas a esta são "eterna redenção”.

em 1 Coríntios 3:2 e. 5:11-12 / Parece que o autor considera a questão de Jesus como sumo sacerdote. embora devessem ser m estres. A Importância da Maturidade Cristã (Hebreus 5 :1 1 -6 :3 ) Antes de prosseguir em sua discussão a respeito de M elquisedeque. ainda não podem digerir alim ento sólido. e encontra-se em outras passagens do Novo Testamento. em sua situação atual. ou de algum relato a respeito deles. segundo a ordem de Melquisedeque. neste contexto particular. refere-se à discussão a respeito de M elquisedeque. O lapso de tempo. Deve ser por causa de algum encontro anterior. de que modo partirão para uma exegese de nível mais adiantado? E que ainda precisam do leite. 5:13-14 / A metáfora do leite para os cristãos imaturos e do alimento sólido para os maduros é comum. Refere-se provavelmente aos elementos básicos do evangelho cristão. sugerem que. Esta digres­ são é importante de modo particular por causa da informação que fornece a respeito do caráter e da situação dos leitores da carta. dessa forma. difícil demais para seus leitores. O autor fica exasperado diante da lentidão de seus leitores no processo de desenvolvimento. seguida de umas observações sobre a seriedade da apostasia. que o autor conclui serem eles ta rdios em ou vi r. e talvez algo do contexto de seus leitores. em 1 Pedro 2:2.10. O ensino a respeito da p alav ra da justiça (lit. seria um paralelismo dos "princípios elementares dos oráculos de Deus” do versículo preceden- . A lim ento sólido é o que o autor está apresentando em sua carta. A preocupação do autor por causa da possibilidade de os leitores não estarem prontos sugere que está apreensivo sobre como a doutrina será recebida. na verdade precisam aprender de novo os princípios elem entares dos oráculos de Deus. mas com vestimenta de Antigo Testamento. em parte.) pode referir-se de m odo genérico ao conteúdo do evangelho e. o autor de Hebreus faz uma pausa para redigir uma exortação à maturidade. Se os leitores ainda precisam de uma exegese cristã elementar do Antigo Testamento. NEB traduz de modo mais figurado e mais raso: “o á-bê-cê dos oráculos de Deus” .

o reconhecimento de que Cristo é absoluto e irrefutável. com o objetivo de evitar a alienação imposta por seus amigos e parentes judeus. é deliberadamente a linguagem dos eticistas dos dias do autor da carta. T a h e z tenham estado tentando sobreviver com um mínimo de cristianismo. nosso autor tem em mente. At 20:21). Só esse reconhecim ento pode impedir que os leitores caiam de vez na apostasia. P erfeição para o autor é a “m aturidade” ou a “plenitude” da vida em Cristo. um a das quais — destinada à purificação dos prosélitos vmdos do paganismo — parece . E notável que esses seis elementos m encionados encontram paralelismos no judaísm o. certamente também é de grande importância no judaísm o. é preciso que se admita. fé em Deus. E possível que o batismo cristão se tenha derivado de tais abluções rituais judaicas. que sua obra expiatória é o cum prim ento verdadeiro das promessas do Antigo Testamento. mas de pecados. a imaturidade espiritual dos leitores. de modo primordial. p a ra discernir tanto o bem como o mal. Envolve a aceitação do ensino do autor. Assim. 6:1 / A exortação é essencialmente um apelo para que se aceite o alimento sólido que o autor oferece na carta. Portanto. esses leitores não podem permitir-se permanecer num nível espiritual baixo. O arrep en d im en to de obras m ortas certam ente e elem ento basico no judaísm o. o que poderia causar imaturidade ética maior. quando se refere a ensinos elem entares. a saber. sem que se edifique a super-estrutura. Isto poderia sugerir que os leitores estavam tentando de algum modo permanecer dentro do judaísm o. isto é. A última frase. encontramos o arrependim ento e a fé. Parece que era esse o pengo enfrentado pelos leitores. cuja vida em Cristo é pouco profunda.104 (Hebreus 5:11-6:3) te. O que o autor tem em mente não é o arrependim ento de "obras da lei” (no sentido que Paulo lhe atribui). com os ensinos elem entares da doutrina de C risto O fundam ento não deve ser continuam ente lançado. O autor prové seis exemplos de tipos de coisas que tem em mente. Ainda que a linguagem seja tirada de escritores seculares. como o plural parece indicar. ao enfatizar os elementos tidos como comuns entre o judaísm o e o cristianismo. no início da lista. O segundo elemento. dois aspectos centrais da piedade cristã — ambos tom ados pelo cristianis­ mo (cf. 6:2-3 / Ensino sobre batism os refere-se aos ritos de purificação do judaísm o.

1 Tm 5:22. que lhes dará o poder para isso (At 18:21). Os últimos dois elementos. pelos saduceus (cf. com freqüência como símbolo do recebimento e compartilhamento do Espírito Santo (veja-se At 8:17. até a com preensão e experimentação total da doutrina com pleta do cristianis­ mo Todavia. porém. e. Nos escritos em língua grega essa palavra tem a conotação de “difícil de explicarse” A palavra tardios (nolhros) ocorre somente aqui e em 6:12 (onde é traduzida por NIV como "preguiçoso” e por ECA como “indolente”). na verdade. palavra cujo . Im posição de mãos também é costume judaico que a igreja cristã absorveu. e os argumentos específicos que estão à frente desses leitores. como ocorre no judaísm o do Antigo Testam ento e no judaísm o rabínico. para que prossigam “para a perfeição” . At 23:8). o batismo cristão poderia ser classificado como um dos ritos de purificação. Assim. Fica implícita. Isto sugere que o pano de fundo religioso judaico dos leitores não vinha dos saduceus. 9 :17. mas simplesmente se refira à designação genérica pela qual todos os cristãos são mestres Princípios elem entares é tradução do grego sío ich eia . que os leitores eram sacerdotes que se haviam convertido (veja-se At 6:7). 2 Tm 1:6). isto só ocorrerá se Deus o p erm itir. Isto significa que a chegada à m aturidade (perfeição) da parte dos leitores e do autor da carta depende. o autor repreende-os pelo fato de não se apegarem à plena doutrina do cristianismo. No entanto. O autor e os leitores prosseguirão firmes. o rito culminante. conforme ele a expõe em sua carta. assim. É provável que mestres aqui seja palavra usada para esse oficio num sentido formal (como em 1 Co 12:28). por isso. ou antigos membros da seita de Qumran e. nas nomeações e atribuições especiais (At 6:6. a ressu rreição dos m ortos e o juízo etern o eram aceitos pelos fariseus. como. nessa declaração. por exemplo. talvez o maior. teriam a responsabilidade particular de tomar-se mestres. E improvável que a palavra comum usada aqui para mestres (didaskalos) deva ser tomada em algum sentido especial. uma oração para que isto se tome realidade. Notas Adicionais # 10 5:11-12 A palavra grega que se traduz pela expressão de difícil interpre­ tação (dysermawutos) ocorre só aqui em toda a Bíblia grega (LXX eNT). do Deus soberano. 1.(Hebreus 5:11-6:3) 105 particularm ente apropriada como fonte originária do batism o de João e dos discípulos de Jesus. 19:6). As palavras e isto fa remos levam adiante a exortação do v. na Bíblia Grega.28:8). e também em conexão com a cura (At 9:12. não. cf.

como “atos que induzem à morte”. no futuro Alguns manuscritos primiti­ vos importantes têm o verbo no subjuntivo. do ensino elementar. Veja-se H. veja-se H.3” — Os ‘Estágios da Ascensão’ em Hebreus 5 11-6 3”.H. entendida em sentido figurado. princípios elem entares pode ser a tradução de outras palavras gregas. pp 144-50 Quanto ao contexto judaico de imposição de mãos. que é br oma (como em 1 Co 3:2). “sem experiência”. ressurreição e julgamento. vol. isto é. At 7:38. a palavra grega teleioi indica perfeição.20). da base mencionada pelo autor. em todo o Novo Testamento A linguagem quase-técnica dos eticistas no v. entretanto. em que “meninos” significa os crentes carnais (“mundanos”). Cl 2:8. o tempo verbal no futuro é apropriado. NIDNTT.. Esser em NIDNTT. do á-bêcê da doutrina cristã (como em 5:12). isto é. 14b é capturada bem (e literalmente) por Barclay “Aqueles cujas faculdades estão bem disciplinadas pela prática sabem distinguir o certo do errado” O helenismo do autor logo aparece aqui Veja-se H P Owen. 451-53. os quais fazem contraste com os crentes espirituais No texto que analisamos.G Schütz. Sterea troph e ocorre apenas aqui. além de síoicheia. NIDNTT. 2. pp 150-52 E isto farem os dificilmente se refere ao re-lançamento do fundamento. 2. Aqui. também é usada em 1 Corintios 3:1. as duas únicas ocorrências da frase no Novo Testamento. com frequência têm sido vistos em três pares arrependimento e fe. enquanto EC A traz obras m ortas Quanto ao contexto judaico de batismos. vol. pode ter o significado determi­ nado pelo Antigo Testamento.9. com o significado de “vamos fazer isto”. como o texto mostra As palavras não está experim entado na e tradução de uma só palavra grega apeiros. NI V traduz adequadamente o gregò nekron ergon aqui e em 9:14. O ráculos de Deus (lit. vol 1. Os últimos quatro elementos por sua vez são governados pelas palavras ensino sobre Isto é verdade independentemente de a palavra didache (“ensino”) estar no genitivo ou no acusativo (como algumas testemu­ nhas primitivas o atestam). a qual ocorre so aqui. aprovado e mais congruente com as palavras finais do v 3 . veja-se G R Beasley-Vlurrav. envolvendo maturidade de compreensão. logia tou theou) quase sempre significa lei do Antigo Testamento (cf. ou plenitude. Rm 3:2). pp.106 (Hebreus 5:11-6:3) sentido nas cartas de Paulo é objeto de discussão (G14:3. embora se refira claramente aos fundamentos do cristianismo. NTS 3 (1956-57). em todo o Novo Testamento 5:13-14 / A palavra para criança. “The ‘Stages of Ascent' in Hebrews j^ l 1-vi. sendo porém muito clara no presente contexto. Tem ainda o apoio da declaração de 6:1. criança contrasta com adultos. pp 243-53 6:1-3 Os seis componentes dos ensinos elem entares. onde. A expressão grega para alimento sólido (sterea troph e) é diferente da expressão usada por Paulo. ritos de purificação e imposição de mãos. No entanto.

do abandono da fé cristã. o autor está ansioso pelo bem -estar final de seus leitores. sugere que. que não termina senão no fim do v. Esta linguagem é apropriada de modo especial para referir-se à conversão (cf. 6:4 / Esta frase grega. 6). Na verdade. com o conectivo lógico “porque” (não traduzido em NIV. Antes de prosseguirmos em nosso comentário versículo por versículo. 6. e reconhecer que não existe caminho de volta da apostasia. para que prossigam e alcancem maturidade de entendimento da fé Cristã. inicia-se com o adjetivo predicativo enfático adynatos. voltando ao judaísm o. cheia de cuidados. longa e complicada. na análise desta passagem tão bem conhecida e tão problemática. Outra vez emerge a enérgica pastoral. Estes precisam conhecer a grave seriedade da apostasia. assim prevê o autor. de uma situação específica. até mesmo se poderia duvidar que estejam agarrados aos “ensinos elem entares da doutrina de Cristo” (5:12). v. é impos­ sível (cf./ /. É da m aior importância que os leitores prestem atenção à mensagem do autor. aqui. 6) são descritos em cinco orações subordinadas consecutivas. sofrerão o desastre. no estado atual em que se encontram. como motivação mais forte para os leitores. Se os leitores não avançarem. no qual ele m encionaria com cuidado todas as minúcias das várias possibilidades que os leitores poderiam confrontar. nem em ECA). é bom que notemos que o autor está tratando. Os crentes que “caíram ” (v. Por isso. Ao contrário. A primeira destas afirma que já uma vez foram iluminados. Tais pessoas prova­ . alguns têm visto aqui um a alusão ao rito de iniciação pelo batismo cristão. Ele não está redigindo um artigo com tranqüilidade. As duas cláusulas seguintes também parecem referir-se à realidade da conversão. a respeito da perseverança dos santos. correrão o grave perigo de cair e apostatar a fé. se os leitores não “prosseguirem ” na direção da plenitude da doutrina cristã. sem outros interesses. o autor de Hebreus aponta para a seriedade da apostasia. e recebam o “alimento sólido” que ele lhes apresenta. 10:32). A Seriedade da Apostasia (Hebreus 6:4-12) O modo pelo qual esta seção vem ligada ao texto precedente.

por causa da natureza da apostasia. que os cristãos recebem. A palavra “provar”. 5) não im plica uma experiência incom pleta de conversão. A impossibilidade de arrependim ento é atribuída (pelo termo forte porque. que no grego vem implícito em vez de explícito) à nova crucificação de Cristo (estão crucificando p a ra si m esm os o Filho de Deus outra vez). Em certo sentido. E se fizeram p artic ip a n te s do E spírito S anto de m odo seme­ lhante refere-se a um evento que marca a conversão. Portanto. com a pers­ pectiva do autor enunciada em passagens como 1:2. Aqui. a palavra provaram (cf. o recebim ento do Espírito Santo. A quinta frase descritiva diz que essas pessoas p ro v aram . como acentua o autor da carta. O autor tem em mente os aspectos já realizados (cumpridos) da nova epoca que os cristãos desfrutam hoje.108 (Hebreus 6:4-12) ram o dom celestial. Essa afirmativa harmomza-se. por exemplo. e expondo-o ao vitupério de novo. isto é. Este pecado não se assem elha a outro pecado qualquer: trata-se do pecado imperdoável. 2:5. 6:5 / E p ro v aram (de novo temos a metáfora que significa “experim en­ taram” neste versículo) a boa p alav ra de Deus provavelm ente refere-se à mensagem da salvação em que haviam crido. podem realmente apostatar? As respostas adequadas são complexas em ambos os casos e dependem. de NIV e ECA. 1 Jo 5:16). 6:6 / e depois caíram é boa tradução do particípio “tendo caído". em outras passagens de Hebreus. a palavra im possível deve ser tom ada em sentido absoluto. de que se faça uma separação entre o que é real e o que é apenas aparente. “ Expondo-o ao vitupério” também são palavras implícitas. Duas grandes questões emergem por causa das declarações destes três versículos: (1) Como devemos entender a palavTa im possível0 e (2) Os crentes autênticos. pelo sentido do último particípio verbal. como. estão crucificando p a ra si . em 2 :9. esta frase refere-se em seu sentido genérico à salvação (a expressão “dom de D eus” também é usada de m odo sem elhan­ te em João 4:10). e não os dons especiais. em que esse mesmo verbo é usado a respeito da morte de Jesus. genuínos. de fato.. porque elim ina a própria base da salvação (cf. Mc 3:29. as pessoas culpadas de apostasia. pois. que neste contexto significa “tendo cometido apostasia” (como diz RSV). 4:3 e 12:18-24. os poderes do m undo vindouro. v. carismáticos. pode indicar experiência com pleta de algo. e não explícitas no grego..

as pessoas que caem em aparente apostasia. o autor acentua a plena gravidade da ofensa. Seja como for. era este o único aspecto da Pessoa de Jesus que havia sido objeto de fé. A respeito tanto dos leitores de Hebreus com o de . Ao empregar o título Filho de Deus. Se elas podem abandonar a fé. 4 e 5 são cristãs. Nenhum outro meio de salvação está à disposição do apóstata senão aquele que ele rejeitou. pois. 3:14). preci­ sam entender a natureza da apostasia. a advertência nesse caso não é mera hipótese. Portanto. e agora é rejeitado pelo apóstata. No entanto. o propósito do autor da carta não será atingido caso se fale em possibilidade de abandonar a apostasia e dela fugir. e jamais se lida com verdadeira apostasia. 2 Pe 2:20-22). E certo que as pessoas descritas nos w . estão submetendo o Senhor à desonra de novo (expondo-o ao vitupério). assim. então. visto que o caminho de regresso é difícil e incerto. Os cristãos podem apostatar (cf. algo vazio. neste ponto de sua carta. O autor de 1 João indica. 10:26-3 1).(Hebreus 6:4-12) 109 mesm os o Filho de Deus outra vez. Para que permaneçam fieis a Deus diante da perseguição. a resposta deve ser sim e não. que crucificaram Jesus e de modo figurado cometem o mesmo pecado de novo. a apostasia é um dos pecados mais graves — pecado para o qual não há remédio e do qual não há possibilidade de retom o. É impossível que os verdadeiros apóstatas experimentem a conversão de novo. Esta não é uma ocasião propícia para discutir a graça de Deus e a possibilidade de restauração. embora esta seja uma questão com que o autor da carta compreensivelmente não se preocupa. E preciso que os leitores sintam a seriedade daquilo que estão vendo. e freqüentemente alcança mesmo. quando os incrédulos contemplam a deslealdade desses apóstatas. não se deve contar com Q uer isso dizer. E preciso explicar a severidade desta declaração segundo a situação e o contexto espiritual dos leitores. alinham-se com os inimigos de Deus. nem procura explicar. No entanto. Mas o paradoxo é que. mas plena realidade (cf. se chegarem a apostatar. que os crentes podem voltar arras e perderJL salvação9 Digamo-lo outra vez. isso significa que nunca foram cristãos autênticos (cf. que os que se voltaram contra sua fé e abandonaram a comunidade cristã procederam dessa m aneira “para que se manifestasse que nenhum deles é dos n o sso s' (1 Jo 2:19). Na verdade trata-se apenas de aparente apostasia. a graça de Deus pode alcançar. Em outras palavras. Deus não os obrigará a entrar no reino. o Senhor se tom a objeto de ridículo. Além disso.

Os verdadeiros cristãos não apostatam (i. A apostasia se tom a evidente quando falta o arrependimento. resumindo: Q cristão autêntico se revela na perseverança. Deus sempre esteve ao lado de seu povo. A expressão e perto está da m aldição tem o sentido de "logo será am aldiçoada” . 6:9 / A despeito da seriedade da advertência. . e exorta seus leitores a que se lembrem delas. Portanto. Estas palavras constituem um modo característico de nosso autor descrever o cristianismo. No entanto. de vós. não podem apostatar). Abandonar a fé cristã equivale à pessoa passar a produzir só espinhos e abrolhos. o autor entra em porm eno­ res a respeito das realizações do passado.110 (Hebreus 6:4-12) todos os cristãos. a destruição é questão de tempo. Esta é a mensatzem insistente do autnr de Hebreus a seus leitores. 6:7-8 / A passagem precedente encontra ilustração na metáfora que diz respeito ao solo produtivo e ao solo estéril. e está pronto para sustentá-los apesar da presente dificuldade que enfrentam. que tem confiança de que hão de perseverar na fé. e o vem sustentando. O verdadeiro teste é o da perseverança: só a perseverança pode dem onstrar a realidade da fé cristã. o conteúdo de seu livro testifica abundantemente dos recursos incomparáveis que seus leitores têm em Cristo. representam bom presságio para o futuro.. esperam os coisas m elhores e pertencentes à salvação. até hoje. pois.e. NIV omite o conectivo lógico de abertura. na carta (10:32-36). O autor da carta usa uma linguagem que deve ter lembrado seus leitores a parábola de Israel como a vinha de Deus (ls 5:1-7). devemos dizer que até o presente momento são cristãos. 6:10 / Deus se lembra do desempenho louvável dos leitores de Hebreus no passado. No passado. Mais tarde. As boas ações do povo de Israel no presente e no passado (pois servistes e ainda servis aos santos). porque este não pnrlt" n r. o autor da carta assegura a seus leitores.n rre r A fé cristã verdadeira m anifesta-se enquanto a apostasia não sobrevêm. a quem se dinge chamando-os ó am ados. em comparação com a antiga aliança.. para exibir tal perseverança. a pessoa é rejeitada. Fica bem claro que o autor da carta não está tratando do assunto “perseverança dos santos” . e aponta para o julgam ento que se pode esperar ha de vir sobre o solo improdutivo.. em outras palavras. o que induz à queima no fogo.

na igreja primitiva (e g .(Hebreus 6:4-12) 111 Aos santos é expressão técnica que significa cristãos. 6:5 / O texto grego original correspondente a palavra de Deus usarhema e não logos. Em que cada um de vós m ostre o mesmo zelo até o fim o presente do subjuntivo também poderia ser traduzido assim: “continue a mostrar o mesmo zelo” . Notas Adicionais # // 6:4 / A passagem paralela de 10 26-32 apóia a correção da conclusão.) A metáfora de sair das trevas para a luz e usada com freqüência no Novo Testamento para ilustrar a conversão. 6:11-12 / Agora o autor da carta passa a expressar sua exortação segundo seu desejo: D esejam os. pp. em Hebreus 13:24.g.10). herdarão as promessas feitas a seus ancestrais no passado longínquo (cf. trata-se de mera hipótese. Os leitores são desafiados a prosseguir no excelente caminho que estão trilhando. P a ra com pleta certeza da esp eran ça representa forte esperança. Jo 1:1). que nem sequer se encontra . o que elimina a Cristologia do Logos (identificação de Cristo como o logos ou “Palavra” de Deus. Alguns têm visto nas palavras provaram o dom celestial uma referência à eucaristia. Todavia. 9. vol. mas trata-se de discussão estéril. e dom celestial na melhor das hipóteses é um jeito muito oblíquo de alguém referirse ao sacramento Quanto às palavras celestial e “participantes”. “se fizeram participantes do Espírito Santo” — “imposição de mãos”. segundo a qual os vv. 2 Tm 1. 11) herdam as prom essas. vindo a adquirir tambem conotações com o batismo. Vejase H. “depois de receber o conhecimento da verdade” (RSV). Conzelmann. visto que no contexto atual a palavra “provar” refere-se a “experimentar” (e não necessariamente comer). 2 (e. Ali está explicitamente claro que. vejam-se as notas sobre 3:1. ou Ceia do Senhor. iluminados — “ensino sobre batismos”. 3 10-58. que é usada noutra passagem. 4-5 descrevem os verdadeiros cristãos. Costuma-se debater às vezes se existe porventura alguma correspondência entre os elementos mencionados neste versículo e os do v. Ef 1:18. Se os leitores forem im itadores dos que pela fé e paciência (trata-se de antecipação do discurso a respeito da fé que vai aparecer no cap. algumas pessoas apostatam. se forem diligentes e não preguiçosos. Ef 5 8-14. (Veja-se abaixo. 11:9). que RSV traduziu assim: “ao realizar a completa certeza da esperança até o fim” . TDNT.. se exemplificarem a vida de fé. 1 Pd 2:9) A palavra iluminados (photizo) ocorre outra vez em 10:32 (cf uso semelhante em Jo 1:9. cf.

. Por isso.. vejam-se os comentários e as notas sobre 1:2. traduzido por caíram. mesmo quando é deliberado. Fora do Novo Testamento esse verbo pode significar “extraviar-se”. pressupondo a existência de uma transposição de palavras e uma pontuação diferente (associando o participio “crucificando” com "ao arrependimento”). a natureza do pecado a que se refere o autor da carta é muito mais grave do que mero pecado comum. mas aqui devemos preferir o significado mais forte de “cair” (cf.provavelmente deve ser entendido como “outra vez” (veja-se BAGD. o abandono da fé faz que deixe de existir qualquer possibilidade de renovação de arrependimento. aqui.. que a acompanha E assim que o autor se refere outra vez à gravidade da apostasia E possível renovar a experiência genérica do arrependimento. Sejam outra vez renovados (anakainizõ) só ocorre aqui em todo o Novo Testamento. então. E esse o sentido da expressão é impossível que. sobre a qual se apoia apropria salvação. Não convence a tentativa de entender tais particípios como temporais — pelo que teríamos. expondo. E claro que é impossível repetir a experiência da conversão e a do batismo do Espirito Santo. 1979) vol 2. O arrependimento é um pilar fixo no judaísmo No entanto. no grego extrabiblico não contém a ideia de ato repetido No entanto.112 (Hebreus 6:4-12) em Hebreus. como osjudeus a conheciam. P 61). Zerwick e M Grosvenor. ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento. após o batismo Segundo esta visão. o pecado da apostasia é diferente de qualquer outro pecado. p fab4s De novo estão crucificando é tradução de anastauroo que... a referência a ser “outra vez renovados para arrependimento” significa novo batismo Ainda que esta passagem fosse usada por alguns. 6 : 6 / 0 verbo gregoparapiptõ. 3:12. a partir de um relacionamento pactuai com Deus. A tentati va de evitar essa di ficuldade no versículo. é tradução correta da “tonalidade” participial de cruci ficando e expondo.” E o porquê do que fizeram que não podem voltar ao arrependimento Expondo-o ao vitupério é tradução de paradeigmatizo. etc.10:29). . A (irammatical Analysis o f lhe Greek New Testameni — Analise Gramatical do Novo Testamento Grego (Roma: Biblical Institute Press.. e expediente drástico que não convence Quanto a um resumo apropriado deste ponto de vista. Quanto às noções de uma escatologiajá cumprida. intencional Trata-se da rejeição da verdade. e muito improvável que o que se tem em mira aqui seja o caráter destituído de perdão de todo o pecado deliberado. o prefixo ana. Porque. feita por certos grupos da igreja primitiva. veja-se M. “é impossível restaurá-los ao arrependimento enquanto estão crucificando. com o objetivo de buscar apoio a esta “doutrina”. é verbo que deve ser entendido como “restaurar” ou “renovar”. sejam outra vez renovados para arrependim ento A despeito da interpretação dessa passagem. embora não esteja no texto grego.

Veja-se também P. a forma verbal de 13:7) e paciência ou “magnanimidade”. NIDNTT. Martin. Mt 7 :16. veja-se YV Bauder. como símbolo do julgamento escatológico. ou que os leitores podem exigir alguma coisa dele. Veja-se K Hess. que significa “convencido” ou “tendo certeza” (cf o mesmo uso em 13:18) “Amados” ocorre somente aqui em Hebreus. 1-7. “expor à desgraça pública” . e maldição são semelhantes as da narrativa da criação de Gênesis (1 11. V D Verbrugge. NIDNTT.P. Quanto a importância de “melhores” em Hebreus. A ênfase no original está na plena certeza (ou possivelmente na plenitude) da esperança. termo técnico para “ministério” ou “serviço” . e esta ansioso por sustentá-los na época de necessidade 6 :1 1-12 Quanto a zelo (spoude). 13 :7. “Hebrews 6:4-6 and the Peril of Apostasy” — Hebreus 6:4-6 e o Perigo de Apostasia” — WTJ 35 (1978). 6:9 Lsperam os coisas melhores é a tradução de um verbo comum (perfeito passivo d e peitho). P ara si mesmos é tradução literal de heaulois. a destruição pelo fogo.” — Uma Nova Interpretação de Hebreus 6:4-6” — CTJ 15 (1980). Espinhos e abrolhos tornam-se metáfora comum para o tipo errado de frutificação (e. ainda que estas estejam implícitas nas palavras até o fim. por causa de suas façanhas realizadas. tardio” em 5:11. em vez de na experiência real das coisas que se esperam. 6:10 p ara com o seu nome reflete o relacionamento intimo entre pessoa enome. a questão nevrálgica é que Deus os contempla com favor. são . “The Impossibility of a Second Repentance in Hebrews” A Impossibilidade de um Segundo Arrependimento em Hebreus B i b l í w i ) 20 (1974). Quanto à expressão completa certeza (plerophoria). vol. que NIV traduz como se fora dativo de “desvan­ tagem”. NIDNTT. p. e no contexto atual. 2. nos mesmos contextos. pp. pp.pp 1168-70. lerdo. veja-se a nota sobre 1:4. “Imitadores” (cf. Veja-se R. pp 61-73 6:7-8' Palavras como erva. 137-55. NIDNTT. quanto a “até o fim” veja-se 3:14) Indolentes é tradução da palavra grega que também significa “vagaro­ so. em todo o Novo Testamento. está quase sempre presente. 291. vol 3. veja-seR Schippers. A palavra grega por trás de servistes e ainda servis aos santos é diakom o .pp 544-49 O bra e am or ficam ligados de modo semelhante no elogio que Paulo faz à igreja tessalonicense (1 Ts 1:3).p 735 Ênfases semelhantes encontramolas no livro (quanto a “esperança” veja-se 3:6.. vol l. lavrada. J C McCullough. embora em Hebreus só ocorram aqui.(Hebreus 6:4-12) 113 palavra que ocorre só aqui. no pensamento hebraico. vol 3. Este versículo não deve ser tomado como implicando que a salvação se consegue mediante obras O ponto central de seu ensino não é que Deus fica obrigado as pessoas.3:17-18).g.E. que ocorre somente aqui em Hebreus. e que significa: “tomar algo exemplo público”. 24-30) e. espin hos e abrolhos. Hughes.“TowardsaNewInterpretation of Hebrews 6 4-6.

Bauder. 15. Brown. Falkenroth e C. no entanto. vol. pp. quanto a “paciência”. veja-se a nota sobre o v. 490-92. vol. pp. Quanto a “fé”. Quanto a “imitadores”. veja-se G. 1. 768-72. NIDNTT.114 (Hebreus 6:4-12) palavras importantes na exortação ética do Novo Testamento. o autor emprega uma palavra grega diferente para paciência (hypomone). veja-se W. onde. Quanto a “promessa” (epangelia). veja-se 11:1 . NIDNTT. 2. A paciência também está ligada ao recebimento daquilo que Deus prometeu em 10:36.

Deus cumpre sua prom essa feita aos pais de Israel. no original: “ele”) exibe o relacionam ento existente entre a paciência e o recebimento das promessas a que se faz referência no v. E importantíssimo que este ponto seja evidenciado perante os judeus cristãos que sentem forte pressão nos argumentos dos judeus incrédulos. em Gênesis 22:16-17 (“por mim mesmo jurei”). A despeito de algumas implicações que o autor vai tirar de sua discussão a respeito da ordem sacerdotal de M elquisedeque (veja-se esp. 12.. Alcançou a prom essa deve referir-se apenas aos sinais iniciais do cumprimento experimentado por Abraão (cf. segundo sua nova edição. da perspectiva cnstã do autor da carta. por isso.. Não tendo Deus alguém.12. A aliança agora é estabelecida com o emprego da fórm ula c e rta ­ m ente.. em sua prim eira declaração (Gn 12:1-3). 7). A promessa a que se faz referência é. a da aliança abraàmica. . tampouco mudou seus propósitos. feita a Abraão logo após o patriarca quase ter sacrificado seu filho Isaque. 16 indica o costume que sublinha o ato de se fazer um juram ento na antiga cultura hebraica. visto que. Jesus Cristo. nem alguma coisa maior do que ele mesmo por quem pudesse jurar. 0 Caráter Imutável do Propósito de Deus (Hebreus 6:13-20) Como se fora novo prelúdio na retom ada de um a das discussões-chave de sua carta (no cap. Deus não m udou de direção. Abraão e outros heróis da fé “não alcançaram as promessas” (11:13. mas. 7:12). naturalmente. A declaração breve que aqui se encontra represen­ ta todo o conteúdo da aliança. 6 :1 5 / A braão (lit. Gn 24:1). 6:13-14 / O v. Ao entregar-nos seu Sumo Sacerdote definitivo. o autor enfatiza a fidelidade integral de Deus nas promessas que fez a Abraão e. todavia. a Israel. nào. 39). te abençoarei. Só quando estivessem ao lado dos santos do Novo Testamento é que chegariam plenam ente ao que Deus intencionou para eles (11:39-40). ju ro u p o r si mesmo.

isto é. sem possibilidade de altera­ ções.. que seus propósitos estavam determinados. que Deus hou­ vesse mentido. Nós nos refugiam os.... portanto. o cumprimento e realização de nossa esperança é certa. o fim de toda contenda (lit. a prom essa em si mesma) e o juram ento que ele lhe acrescentou. Deus está duplamente comprometido e deve ser fiel às promessas feitas a Abraão.116 (Hebreus 6:13-20) 6 :1 6 /q u e m lhes é superior.. O Senhor desejava acima de tudo m o strar m ais ab u n d an tem en te. E claro que a palavra de Deus por si só tem validade absoluta. exatamente por causa dessa superfluidade. w . com muita freqüência era o próprio Senhor (cf. a Pessoa em cujo nome se fazia um juram ento. essa esperança funciona como âncora da alm a e. 6 :1 8 /As d u as coisas im utáveis são a palavra de Deus (i. porque a palavra e o juram ento de Deus são certos. Rm 15:8). Nossa esperança depende inteiramente da obra de Jesus. no entanto.: “é conclusivo em todas as contendas para confirm ação”). os que nos refugiam os em lan ça r m ão da esp eran ça proposta. A implicação é que a esperança cristã nada mais é do que aquilo que Deus prometeu a Abraão (cf. 6:17 /A ssim que. apresenta caráter excepcionalm ente impressionante. querendo Deus m o strar mais ab u n d an tem en te. Portanto. excepcional. o juram ento é supérfluo. 1314). tem o propósito de neutralizar qualquer hipótese judaica segundo a qual o cristianismo representa um desvio das prom essas em que Israel baseava suas esperanças. dessa forma.e. em nome do Senhor. A respeito desta esperança segura e firm e está escrito . obviamente esse voto passava a ter um caráter inamovível. Êx 22:11. Esta declaração forte. a im u tab ilid ad e do seu conselho. O resultado é que podemos muito corajosam en­ te apegar-nos às promessas de Deus a nós. Quando alguém fazia um juram ento assim perante o Senhor. “juram ento perante o Senhor”).. em vez de seu cumprimento. É impossível. como o poder que pode contra-atacar a tendência maligna para “extraviar-se” mencionada em 2:1. em contraste com a insegurança e incerteza deste mundo. fez o Senhor algo inusitado: se interpôs com ju ra m e n to (cf.. Temos em vista a unidade existente entre o antigo e o novo. daí o ju ram e n to ser p a ra eles. na esp eran ça pro p o sta diz respeito metaforicamente à segurança que os crentes têm em Cristo. 6:19-20 / Por causa da natureza da esperança cristã como expectativa cheia de confiança. com sua afirm a­ tiva dupla. portanto.

o grego intensifica a promessa mais ainda. Notas Adicionais # 12 6:13-14 / O autor de Hebreus utiliza o mesmo tipo de argumento acerca de Deus. Ele foi adiante de nós a fim de preparar-nos o caminho. reflete a ênfase do infinito abso­ luto do hebraico. Lc 1:73). No entanto. como esta frase em negrito. e que ele mesmo interrompeu em 5:10. veja-se H. Portanto. Esta é a primeira ocorrência de uma imagem vitalmente importante nos capítulos 9 e 10.. o Senhor lho garantiu mediante juramento”). 737-43.205s. embora isto não esteja declarado explicitamente . o paralelismo mais próximo a esse argumento está em Filo. abençoando te abençoarei. todos nós agora podemos penetrar onde era privilé­ gio restrito dos sumos sacerdotes.12 e refere-se à entrada no Santo dos Santos. A expressão interior do véu (lit. Por causa da obra desse sumo sacerdote divino. uma vez por ano. 5. Tais passagens. dão a Hebreus mais ocorrências do verbo “jurar” ou “fazer um juramento-’ do que a qualquer outro livro do Novo Testamento. Nossa entrada irrestrita na presença de Deus se toma possível somente mediante aquele que foi feito sumo sacerdote. e por isso se tomou sumo sacerdote para sempre. na discussão do sacerdócio de Melquisedeque. pp. a tradução literal do v 14.G. e até nos livros apócrifos (Siraque 44:21: “Portanto.203. o autor da carta voltou à discussão que iniciara no cap. que é tirado da LXX. C ertam ente. de modo especial da parte segundo a qual Abraão e todas as famílias da terra seriam abençoadas (cf. frequentemente traduzido assim. vol.. 7:17). com certo pleonasmo.(Hebreus 6:13-20) 117 metaforicamente que penetra até o interior do véu. “dentro do véu”) é alusão a Levítico 16:2. ao acrescentar duas partículas (ei m eti) E quase certo que o autor considera a igreja cnstã o cumprimento da promessa feita a Abraão. 3 ò). Link. a que se faz referência no uso que o autor faz de Salmos 95:11.. A lleg o n ca lIn lerp reía tio n — Interpretação Alegórica— 3 . exceto Mateus. ao lado dojuramento negativo do Senhor. sempre envolvendo a repetição da palavra-chave. Segundo a ordem de íVIelquisedeque é outra breve alusão a Salmos 110:4. Quanto a esse verbo. que primeiramente fora citado em 5:6 (cf. 18 e 4:3. A confirmação que Deus faz de uma promessa a Abraão por meio de um juramento e notada em outra passagem escriturística (At 2:30. 3. NIDNTT. Ao mencionar de novo Melquisedeque e o sumo sacerdócio de Jesus. é a seguinte: “ Eu te abençoarei com bênçãos” Na verdade. com isto o autor quer dizer que tal esperança envolve nosso livre acesso à presença de Deus. que acrescenta um j uramento à sua palavra em 7 20-22. em 3:11.

6:17 / aos herdeiros da promessa é expressão comum para definir os descendentes de Abraão e. 1 Sm 15:29. subseqüentemente. para tradu­ zir o original (anthropoi.. G1 3:29). vol. pelo nome de Deus. Tt 1:2). e palavra que ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento. 10. jurar era um costume passível de abuso e foi condenado pelo Senhor Jesus (e. Nm 23:19. 3. ainda que de alguma forma nova. A esperança cristã por natureza é expectativa confiante porque depende do que Deus tem feito por nós. 6:16 / Em os homens juram por quem lhes é superior. que RSV traduz por “pioneiro”). encontra-se em Hebreus mais vezes do que em qualquer outro livro do Novo Testamento (treze vezes). mais comumente. na terra (observe a expressão tendo Abraão esperado com paciência). em todo o Novo Testamento. NIDNTT. não a parte imaterial de nosso ser. como usualmente no Novo Testamento. Veja-se E. ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. 6:18/ A Bíblia declara expressamente que Deus não mente (cf. Hoffmann.. Precursor (p r o d ro m o s ) significa “o que vem correndo antes”. Mt 5:34). Só aqui em todo o Novo Testam ento temos a frase tenhamos forte consolação (“forte encorajamento”). ou. os que pertencem a Cristo (cf. que ocorre tanto no singular como no plural. “as promessas”) tomou-se uma expressão estereotipada que é sinônimo de esperaça de Israel. Se interpôs com juramento (mesiteuo. “garantiu”) ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. A palavra para “imutabilidade” aqui e “imutáveis” no versículo seguinte (ametathetos). em Cnsto. Alcançou promessa (lit. Este termo tem sentido semelhante ao de a rc h e g o s (veja-se 2:10 e 12:2. Osjuramentos eram feitos em nome de alguém ou algo especialmente santo (cf. mas a propna “vida” As palavras segura e firme estão combinadas somente aqui. 6:19-20 / O uso metafórico de âncora só se encontra aqui. não sendo provável que aqui ele só tenha recebido promessas (que é o que epitynchanõ provavelmente significa em 11:33). O substantivo “promessa” (epan g elia ). 68-74. Violar esse juramento seria tomar o nome do Senhor em vão. as pessoas). Jo 7:18.118 (Hebreus 6:13-20) 6:15 / A palavra grega para alcançou (epityn ch anõ ) é diferente da palavra que aparece em 11:13 (lam ban õ ) e 11:33 (kom izõ ). pp. tendo a . Essa e a razão por que “a esperança não traz confusão” (Rm 5:5).18). emnbora seja usada na literatura clássica. E mais provável que o autor de Hebreus entenda que Abraão recebeu certo grau de cumprimento de promessas. Mt 23:16. quando ainda em vida. sendo deliberadamente redundantes. lit. a fim de reforçar o ponto de vista do autor da carta. NIV e ECA inapropriadamente usam linguagem referente ao sexo masculino. na Bíblia toda.g. p. No entanto. Alma (p s y c h e ) aqui significa. Veja-se BAGD.

veja-se a nota sobre 2:17. mas que prepara o caminho para a obra que desempenha. Quanto a sumo sacerdote. possibilitando que outros sigam (note: entrou p o r nós).(Hebreus 6:13-20) 119 idéia não só de alguém que precede. A idéia de que o sumo sacerdócio de Cristo prossegue para sempre será desenvolvida em 7 :24s. .

M elquisedeque abençoou a Abraão quando este voltou vitorioso da guerra e pagou àquele o dízimo de tudo. o qual deu a vitória a Abraão (Gn 14:19-20). o autor deixa bem claro que Cristo é superior a Abraão e a Levi. que o autor da carta utiliza de forma m uito habilidosa. 4-10). A seguir. 7:2b-3 / E importante a explicação parentética sobre o significado de Melquisedeque e de Salém por causa da adequação dos títulos que descrevem Cristo. A umca referência bíblica é Salmos 110:4. bem como a breve descrição de seu encontro com Abraão. Salém. provavelmente era a Jerusalém cananéia. na história recente. inteiramente alheio à historia da salvação. 7:1-2a / A identificação de M elquisedeque que encontramos aqui. que é preem inentem ente rei dajustiça e da paz. que. o autor da carta começa com o estabeleci­ mento da im portância de M elquisedeque. havia encontrado um representante novo e definitivo. Isto dá . o chefe do panteão cananeu. E extraordinario o fato de o sacerdócio de um rei cananeu. O significado disto é explorado em forma de ‘m idras’ no parágrafo seguinte (w . pelo que serve de tipo de Cristo. induz à discussão do significado da sua ordem sacerdotal. é tirada de Gênesis 14:18-20. Isto. De novo a discussão tem caráter de ‘m idras’ e utiliza em vários pontos a fraseologia da citação original de Gênesis 14:18-20. com o se evidencia de sua descrição como “Criador dos céus e da terra”. isto é. É o Deus que se entende ser o mesmo Deus de Israel. de que M elquisedeque era rei. (A linguagem do autor de H ebreus é tirada da versão LXX.0 Enigma de Melquisedeque e Sua Ordem Sacerdotal (Hebreus 7:1-14) A fim de elaborar uma argumentação bastante convincente a respeito do sumo sacerdócio de Cristo. todavia. que se parece com o Filho de Deus em muitos aspectos. não passando. no cum pri­ mento da expectativa de Salmos 110:4. El Elvon. nesta passagem. de um rei e sacerdote humano.) M elquisedeque aparece na narrativa de Gênesis como pessoa extraordinária. ser reconhecido como legítimo. por sua vez. De M elquisedeque está escrito que era sacerdote do Deus Altíssimo.1 3 .

A seguir. Visto não haver registro da morte de M elquisedeque. nem fim de vida. 17.. em vez de apenas fortuito.. Temos. o sacerdócio de M elquisedeque possui um caráter excepcional. nem fim de vida. com citação do SI 110:4). rei e sacerdote ao mesmo tempo. o que o autor da carta está tentando sublinhar é o silêncio surpreendente das Escrituras a respeito da linhagem. 7:4-6 / A declaração inicial é mais bem compreendida se a considerar­ mos uma exclamação: “Veja que grandioso ele é!” . A interpretação literal do v. cuja genealogia não é contada entre eles. sem mãe. pode-se concluir que ele permanece sacerdote para sempre. de seus irmãos. 10). tirado dos despojos. o silêncio é tido como verdadeiramente significativo. Esta prática representava o pagamento pelos serviços que os sacerdotes prestavam (Nm 18:21). pois. 7). 1. recebia. Melquisedeque. v. não por causa da lei. o dízimo envolvia apenas estes que tenham saído dos lombos de A b ra ão (“os descendentes de Abraão'") no que dizia respeito a receber e a dar. No entanto. . Todavia. mas por um valor superior (cf. A tremenda im portância deste fato é salientado nos versículos que se seguem. tinha direito ao dízimo. Quem deu dízimos a M elquisedeque não foi outro senão o grande Abraão. isto é. nem do término de seu sacerdócio (tampouco de quem lhe teria sucedido). que também jam ais teve início de dias. então. o autor da carta salienta a prática do dízimo entre os descendentes de Abraão. tom a-se evidente que ele é sem elhante ao Filho de Deus. não tendo princípio de dias. o mesmo Abraão que se fez recebedor das promessas e de quem proviria afinal o sacerdócio levítico (cf. O sacerdócio levítico. com um sacerdócio de validade eterna (cf. De um ponto de vista rabínico.(Hebreus 7:1-14) 121 apoio à conclusão de que Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus. v. C onside­ rando-se. segundo a lei. Até o patriarca Abraão lhe deu o dízimo. Assim. v. de modo especial em se tratando de uma Pessoa tão importante. não possuindo herança na terra. Portanto. sem genealogia. os descendentes de Abraão. nascim ento e morte de Melquisedeque. 3 induziu alguns eruditos à conclusão de que M elquisedeque teria sido na verdade a materialização do Cristo préencamado. o que as Escrituras dizem e o que silenciam a respeito de Melquisedeque. Salienta-se agora a m agnitude do evento já mencionado no v. o dízimo do povo. Também é semelhante ao Filho de Deus em que surgiu sem pai. que M elquisedeque recebeu dízimos de Abraão. e o abençoou (este verbo e tirado de Gn 14:19).

As palavras de quem se testifica referem-se à conclu­ são. os que recebem o dízimo são mortais. NIV). aquele que “é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque”? Assim. o que se pode verificar pela discussão que se segue. quando Abraão se encontrou com M elquisedeque (palavras que de novo fazem alusão a Gn 14). é importante notar que esta é uma inferência baseada no que as Escrituras deixaram de relatar a respeito de M elquisedeque (i. Parece que o que o autor da carta tem em mira é que o sistema sacerdotal forma a base de toda a super-estrutura da lei. estava ainda nos lombos de seu pai. seu silêncio quanto à morte desse rei-sacerdote). Além disso o sacerdócio levítico é inferior ao de M elquisedeque porque aqui (“no caso” dos sacerdotes levíticos. No entanto. . A questão está clara. p o r assim dizer. Portanto. v. isto é. que recebe dízim os. por que Salmos 110:4 fala de uma Pessoa à direita de Deus. através de Abraão. pode-se dizer que Levi tam bém pagou dízimos a M elquisedeque. até Levi. em vez de no que elas registram (cf. a Melquisedeque. e não de Arão? Em outras palavras. tirada das Escrituras. Visto que Levi foi descendente de Abraão.. Ambos estão intimamente ligados. O comentário parentético concernente ao fato de o povo ter recebido a lei mediante o sacerdócio levítico não pode ser interpretado de modo literal. assim. de falarmos de outro sacerdote que se levantasse. Mas ali. pudesse ser obtida assim) sugerem a incapacidade desse sistema para que cheguemos ao nosso objetivo: a salvação integral.122 (Hebreus 7:1-14) 7:7-8 / Assim como o que recebe o dízimo ocupa posição superior ao que dá o dízimo. se o sistema levítico fosse auto-suficiente. 7:11 / As palavras se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (isto é. segundo a ordem de M elquisedeque. Salmos 110:4 confirma a inadequação do sacerdócio arônico. 3). assim também o m enor é abençoado pelo m aior. que aguarda até que seus inimigos se transformem em estrado de seus pés. Fosse o sistema levítico suficiente para a tarefa. pagou dízimos.e. assim pergunta o autor da carta. a quem o patriarca pagou dízimos. 7:9-10 / O autor da carta vai além em sua argumentação: E. que necessidade haveria. p o r meio de A braão. no caso de Melquisedeque recebe dízimos aquele de quem se testifica que vive. fica implícito que Levi e seus descendentes estão subordinados a Melquisedeque. O grande Abraão está subordinado. visto que esse sacerdócio não veio antes da lei de Moisés.

não estaria qualificado para ser sacerdote. No entanto. Nesse papel. Exigia grande coragem da parte do autor de Hebreus dizer algo tão problemático e tão contrário às disposições de seus leitores judeus. o sacerdócio da ordem de M elquisedeque. o Filho de Davi) pertence a outra tribo (a de Judá) e. a despeito de sua insistência na m udança da lei. assim. ele é forçado também a reconhecer a desvinculação substancial entre o antigo e o novo. e a natureza do cristianismo como cumprimento das promessas feitas a Israel. No entanto. Nos escritos judaicos da Idade Média. a m udança da lei envolvia uma novidade: um homem da tribo de Judá — não de Levi — haveria de tom ar-se o Sumo Sacerdote. “por necessidade”) se faz também mudança de lei. que pelas aparências exerciam alguma influência sobre seus patrícios. Melquisedeque tomou-se ligado aos eventos escatológicos vindouros. 18-19. como cumprimento do que Deus prometeu fazer. fica explícita a identificação entre ambos. 7:13-14 / Ficou claro que Aquele. E evidente que M oisés aqui se refere ao Pentateuco. como se verá abaixo (vejam-se os w . N ão existe precedente para essa ordem de acontecim entos. Assim é que em Qumran se descobriu um rolo (etiquetado com o codigo 11Q Melquisedeque) que retrata a esse rei e sacerdote como o libertador divino de Israel e vingador que elimina os inimigos de Deus. 13). O sacerdócio levítico se vê substituído de súbito e totalm ente. ele age de modo semelhante ao do arcanjo Miguel. No entanto. de acordo com a própria lei. Assim. e 8:7. o autor da carta enfatiza o vinculo entre o antigo e o novo. as im plicações são maiores. necessariamente (lit.. relatado nos rolos. ou arcanjo. a perspectiva básica do autor da carta permanece: o cristianismo apresenta um elo com o passado. como alguns dos judeus de sua época talvez vissem. . Mas.(Hebreus 7:1-14) 123 7:12 / Esta mudança no sacerdócio traz conseqüências importantes para a \€r. é improvável que o autor da carta aos Hebreus via Melquisedeque como anjo. por outro tipo de sacerdócio. de quem estas coisas se dizem (Jesus. ele é a Pessoa a que Salmos 110:4 se refere. Notas Adicionais # 13 7 :l-2 a / Melquisedeque desempenhou papel importante no judaísmo do primeiro século Visto ter sido tão notável na narrativa de Gênesis. para não mencionarmos os críticos judaicos do cristianismo. No contexto imediato.

alegorize a narrativa de Gênesis a respeito de Melquisedeque. tendo sido conferido por autorida­ de hum ana (dat a natureza contraditória em Hb 5 4). por Abraão. Qumran) girava em torno de um messias sacerdotal e real. Em Cristo o sacerdote e o rei estão unificados. 5 9 ss). ele explica os nomes de Melquisedeque e de Salém da mesma forma. ainda que não fosse da linhagem levítica. por mediação de Melquisedeque. isto em si mesmo enfatiza a importância de seu sacerdócio. van der Woude. O dizimo dizia respeito unicamente aos produtos do campo O dízimo de Abraão aparentemente foi um tipo de oferta de gratidão a Deus (cf. 301-26.S. Fitzmyer. q u e já vimos antes. o sacerdócio de Simão não provinha de linhagem legitima. A lleg o rica l Interpretation — Interpretação Alegórica — 3.. esses dois cargos ou oficios sagrados haviam sido combinados. A alusão sacramental foi irresistível aos pais primitivos da igreja. Dessa forma. e J. ou aquilo que prefigurava (daí . em vista de sua preocupação com os anjos. visto não se ter encontrado registros a respeito de sua mãe {On D runkenness — A Respeito da Bebedice. mas não ficou estipulada em pane alguma do Antigo Testamento. Gn 28:22). a saber. ele a teria explicitado aqui. confirma a idéia de que um sacerdócio como o de Melquisedeque poderia ser aceitável perante Deus. 18:12).A. em Simão Macabeu e outros governantes hasmoneanosdo segundo século a. de modo totalmente estranho ao autor de Hebreus. para Israel. de Jonge e A. “Further Light on Melchizadek from Qumran Cave 11” — Um Pouco Mais de Luz Sobre Melquisedeque da Caverna Qumran 11 — JBL 86 (1967). A oferenda de um décimo dos despojos de guerra a uma divindade. era conhecida na cultura grega. temos em Melquisedeque. Veja-se M. “ 11Q Melchizedek and the New Testament” — 11Q Melquisedeque e o Novo Testamento — NTS 12 (1966). Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus Como se verifica freqüentemente. o tipo e a antecipação de Cristo Numa época não demasiado remota para o autor de Hebreus.79 Filo também descreve Sara como “não tendo mãe” (usa a mesma palavra empregada pelo autor da carta para descrever Melquisedeque). A expectativa judaica escatológica (e.124 (Hebreus 7:1-14) Com toda a certeza. 25-41 Outro exemplo de sacerdócio considerado legítimo. C. o judeu helenista de Alexandria. No entanto. no relato de Gênesis. Embora este fato não entre na argumentação do autor da carta. se essa fosse a interpretação do autor. Veja-se Filo. pp.g. o sacerdote mídianita que viria a ser sogro de Moisés (Ex 2:16. ou a vários deuses. pp. É interessante observar a recusa do autor em mencionar (ou utilizar) o simbolismo potencial do pão e vinho oferecidos a Melquisedeque. 7:2b-3 / Embora Filo. encontramo-lo em Jetro. então. relacionando Salém à palavra hebraicaía/o/w (“paz”). o tipo se parece com o antítipo.

(Hebreus 7:1-14)

125

resulta ser normativo). No entanto, o autor da carta também pode dizer que
Cristo é “como Melquisedeque” (7:15). Quanto a Filho de Deus, veja-se a
nota sobre 1:5. A expressão grega que sublinha para sempre (eis to dienekes)
ocorre apenas aqui em Hebreus, em todo o Novo Testamento e na LXX (a
mesma expressão encontra-se em 10:1, 12, 14). Quanto a estudos proveitosos
sobre Melquisedeque e esta passagem em questão, veja-se F.L. Horton, Jr.,
The Melchizedek Tradition — A Tradição de Melquisedeque — SNTSMS 30
(Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1976); M. Delcor, “Melchizedek from
Genesis to the Qumran texts and the epistle to the Hebrews” — Melquisedeque,
desde o Gênesis até os textos Qumran e a carta aos Hebreus” — JSJ 2 (1971),
pp 115-35; B. Demarest, “Heb 7:3: A Crux Interpretation Historically
Considered” — Hb 7 :3: Interpretação Crucial do Ponto de Vista Histórico” —
EQ 49 (1977), pp. 141-62, idem., ,4 History o f the Interpretation o f Hebrews
7,1-10 from the Reformation to the Present — História da Interpretação de
Hebreus 7:1-10 desde a Reforma até o Presente (Tübingen: Mohr, 1976); vejase também a dissertação: “The Significance of Melchizedek” — Significado
de Melquisedeque — em Hughes, pp. 237-45, A. J Bandstra, uHeilsgeschichte
and Melchizedek in Hebrews” — “Heilsgeschichte” e Melquisedeque em
Hebreus — CTJ 3 (1968), pp. 36-41, J.W. Thompson, “The Conceptual
Background and Purpose o f the Midrash in Hebrews 7” — O Contexto e
Proposito Conceituai de ‘Midras” de Hebreus 7 — N o v T \9 (1977), pp. 20923
”:4-6 / Q uão grande é tradução d epêlikos (essa palavra aparece só mais
uma vez, em Gálatas 6:11, em que Paulo a emprega a fim de descrever suas
letras grandes) A linguagem do v. 4 é tirada da LXX, de Gênesis 14:20. Josefo
descreve a oferenda de Abraão como “dizimo da pilhagem” (Ant . 1.181). A
permeação do princípio do dízimo se vê no fato de o dízimo recebido pelos
levitas ser dizimado outra vez para os sacerdotes (Nm 18:26, cf. Ne 10:38s.).
A referência ao patriarca fica no final da frase grega (v. 4), o que lhe da ênfase.
A expressão grega correspondente a cuja genealogia não é contada entre
eles no v. 6 (genealogoumenos) encontra-se apenas aqui, em todo o Novo
Testamento.
'- 8 / O conceito de “bênção” ou “abençoar” tem rico contexto no Antigo
Testamento, que prossegue no judaísmo e no Novo Testamento. Aqui, um
sacerdote especial confere o poder da bênção divina sobre um personagem
central da historia da redenção. Veja-se H.YV Beyer, TDNT, vol. 2, pp. 754t>5 Ü argumento do v. 8 tem caráter rabinico. pois atribui grande significado
ao silêncio do texto (cf. v. 3) A referência a aquele de quem se testifica que
vive, no entanto, encontra paralelismo nas referências a Cristo nos vv 11>e 24,
em que a referência à vida eterna, sem fim, e absolutamente verdadeira.

126

(Hebreus 7:1-14)

7:9-10 / O uso hebraico da palavra grega para “lombos” como referência
à origem física da geração encontra-se apenas na LXX e no Novo Testamento
(na dependência da fonte, a LXX). Veja-se H. Seesemann, TDNT, vol. 5, pp.
496s.
7:11 / Visto que a discussão presume a importância tanto do sacerdócio
levítico como da lei, parece obviamente dirigido ao sacerdócio j udaico, em vez
de aos gentios. Estes talvez houvessem considerado o sacerdócio levítico
meramente preparatório daquilo que viria em Cristo, todavia, até mesmo em
suas expectativas escatológicas muitosjudeus aguardavam o aparecimento de
um sumo sacerdote da linha de Levi. N a verdade, grupos judaizantes da igreja
primitiva continuavam a enfatizar a importância da tribo de Levi, bem como
de Judá, em expectativa escatológica. Tais grupos ou desconheciam a argu­
mentação do autor de Hebreus, acerca da obsolescência do sacerdócio levítico,
ou achavam-no inaceitável. Veja-se a discussão em Hughes, pp. 260ss.
Perfeição outra vez refere-se à integralidade, no sentido de chegar-se ao
objetivo colimado. Ainda que a raiz seja preeminente, e outras formas dela
ocorram em Hebreus, esta é a única ocorrência da forma substantiva teleiõ sis
Veja-se a nota sobre 2:10. O verbo grego traduzido por se a perfeição fosse
pelo... (nomotheteo) ocorre apenas aqui e em 8:6 (onde tem sujeito diferente)
em todo o Novo Testamento. Veja-se W. Gutbrod, TDNT, vol. 4, p. 1090.
Salmos 110:4, citado em 5:6, e prestes a ser citado de novo nos w . 17 e 21,
obviamente forma a base da discussão deste versículo. Veja-se o comentário
em 5:6.
7:12 / A tensão existente entre, o vínculo e a desvinculação entre o antigo
e o novo é comum a todos os autores do Novo Testamento, até certo ponto, e
só se deve esperar tal fenômeno por causa da natureza do cumprimento
realizado por Cristo. No entanto, é de surpreender que o autor da carta aos
Hebreus saiba expressar essa desvinculação com tanta agudeza como o faz,
dada a natureza das pessoas que vão lê-lo. A palavra m udando-se (m etathesis)
significa mais do que leve modificação (a mesma palavra ocorre em 11:5 e
12:27, em que tem conotação de remoção. Conforme aprendemos do v. 18 e
de 8:7, 13, o que se tem em mira é essencialmente a abrogacão da lei,
paradoxalmente, pelo seu cumprimento em Cristo — para quem ela apontou
durante toda sua existência, enquanto vigorou. Assim, para o autor da carta aos
Hebreus, como para Paulo, o significado profundo de Cristo e sua obra não
pode ser apreciado em sua integralidade, sem que, ao mesmo tempo, se analise
o caráter temporário da lei. Diferentemente de Paulo, o autor de Hebreus
limita-se ao caráter temporário da legislação transitória do Antigo Testamen­
to.
7:13-14 / Ainda que a palavra seja comum no Novo Testamento, altar

(Hebreus 7:1-14)

127

(ith ysiasterion) só vai ocorrer outra vez em Hebreus, em 13:10. Aqui, serviu
ao altar obviamente se refere a uma função sacerdotal. Embora Davi (e
Salomão), da linhagem de Judá, sacrificassem animais ao Senhor, isto não
exigia nenhuma aprovação da tribo de Judá, como se esta fosse a dos
sacerdotes. A expressão nosso Senhor ocorre em Hebreus somente aqui e em
13:20, em que temos “nosso Senhor Jesus”.
Procedeu vem de um verbo grego que quer dizer literalmente “levantar”
(a n a tellõ ), daí a correção do termo “proceder de”. E provável que tenha sido
empregado deliberadamente em alusão a Números 24:17, em que o mesmo
verbo refere-se á estrela de Jacó, que deverá erguer-se, pois dele “procederá”
o Senhor, em cumprimento das promessas de Deus.

14. A Legitimidade e a Superioridade do Sacerdócio de Cristo

(Hebreus 7:15-28)

Alongando a argumentação da seção anterior, o autor da carta explora
agora os m odos por que o sacerdócio de Cristo, parecido com o de
M elquisedeque, é superior ao sacerdócio levítico, conforme estabelecido
na lei de M oisés.
7:15 / A possibilidade de maior clareza do assunto: ainda muito m ais
evidente, de acordo com o autor, é o resultado da realidade que se levanta
outro sacerd o te, desta ordem de M elquisedeque, à sem elhança de
M elquisedeque. Em outras palavras, este sacerdote veio, pelo que a partir
deste fato o ponto crucial da discussão pode ser entendido melhor.
7:16-17 / Este sacerdote surgiu e é sacerd o te p a ra sem pre (esse é o
sentido do verbo grego no perfeito), não com base numa regulamentação
(lit.: feito segundo a lei de um m andam ento carnal) — em outras
palavras, interessado e preocupado apenas com questões externas, como
a decadência física — mas com base no poder da vida indissolúvel. A
referência a esse poder neste contexto pode ser alusão à ressurreição. Quer
seja isto verdade, quer não, o ponto crucial da argumentação repousa na
identidade singular do Filho (cf. SI 110:1) — cuja vida prossegue para
sempre, e em quem, portanto, a promessa de Salmos 110:4 (um “sacerdote
etem o”) pode ser entendida e cumprido literalmente. Jesus tom ou-se o
sacerdote m encionado de Salmos 110:4, porque ele é a Pessoa descrita em
Salmos 110:1. Só Aquele que se assenta à direita de Deus pode ser sumo
sacerdote para sempre. O antítipo verdadeiram ente não tem começo nem
fim, assim como o tipo aparentem ente não teve começo nem fim. A
autoridade do sacerdócio de Cristo depende de sua identidade como Filho
de Deus. Quanto à citação de Salmos 110:4, cf. o uso anterior deste
versículo em 5:6; 6:20.
7:18 / As declarações nos vv. 18 e 19b estão ligadas no original (cf.
RSV: "por outro lado” ... “por outro lado”). O m andam ento a n te rio r

(Hebreus 7:15-28)

129

refere-se à legislação mosaica a respeito do sacerdócio levitico, que, agora,
é deixado de lado (ab-rogado). Esta nota severa de desvinculo em relação
à lei de Moisés (antecipada em 7.12; cf. 8:13) se justifica pela observação
de que a lei sofria de fraqueza e inutilidade. Esta descrição da lei como
“fraca” e “inútil” tem paralelismo em Paulo (Rm 8:3; cf. G1 4:9). No
entanto, a palavra mais forte de todas é “inútil”, que se usa na LXX, em
Isaías 44:10, para descrever os ídolos (cf. RSV e ECA, “de nenhum
préstimo”). Parece que o ponto crucial para o autor é que, embora a lei
pudesse ter um papel adequado por desempenhar, antes do cumprimento
realizado por Cristo, desde que este cumprimento se realizou, a lei se
tom ou obsoleta e, por isso, inútil. No entanto, deve-se notar que é a lei a
respeito do sacerdócio levitico e dos rituais que está em questão de modo
especial (cf. 10:9b). O autor não tira outras implicações.
7 :1 9 /A p n m eira sentença deste versículo é parentética. Ela interrompe
o contraste que se faz entre os w . 18 e 19b. A lei literalm ente nunca
aperfeiçoou coisa alguma. Isto significa que a lei era incapaz de trazer
alguma coisa ao propósito de redenção tencionado por Deus (cf. 5:9). Mas,
na nova situação, em que a m aior tarefa do autor da carta é expor a
redenção, entra em cena uma melhor esperança, pela qual realmente
chegamos a Deus. que é exatamente o que a lei não conseguiu, e entender
a grandiosidade infinita da salvação que o Senhor havia prometido. Outra
vez temos a linguagem do culto do templo, ainda que agora transposta para
nova chave, por causa da natureza da obra definitiva de Deus em Cristo.
7:20 / Os vv. 20-22 constituem uma frase no grego, havendo uma
comparação que se inicia no v. 20 ("visto como não é sem prestar
juram ento” divino) para concluir no v. 22 ("de tanto m elhor aliança” Jesus
foi feito fiador). Neste longo período o nome de Jesus é a últim a palavra
no grego e. por causa desta posição privilegiada, é bastante enfática. Os w .
2 0 b -2 1 representam uma inserção. O apelo ao juram ento de Deus (lit., não
é sem prestar juramento) faz lembrar a discussão concernente à aliança
feita com Abraão em 6 :13ss. Outra vez a questão crucial é que algo já
fixado se tom a duplamente certo, visto que à palavTa de Deus se acrescen­
tou um juramento (cf. v. 28). No caso do sacerdócio levitico, no entanto,
não havia tal juram ento (sem juramento). NI V acrescenta outros, e ECA,
aqueles, a fim de indicar o sacerdócio levitico.

” RSV. em que Jesus é descrito como “o mediador de um a nova aliança”). o autor utiliza todo o conteúdo de Salmos 110:4 para reforçar sua discussão. “continua”) eternamente. sendo esse tipo de perm anência que determina o caráter da salvação experim entada pelos que a recebem. Era necessário que houvesse sacerdotes em grande número. Temos em mira. a q u a lid a d e da salvação. 13:20) e um a salvação perfeita ou “completa”.130 (Hebreus 7:15-28) 7:21-22 / No caso do sacerdócio de Jesus. para que seu trabalho pudesse prosseguir. cf. quando se diz em Salm os 110:4: Tu és sa cerd o te etern o segu n d o a ordem de Melquisedeque. Portanto é adição de ECA (NIV traz “por que”) por inferência da oração participial grega permanece eternam ente. Por sua própria natureza. ou a base da segurança dessa aliança (cf. NASB) os que por ele se chegam a Deus.. este (o Sacerdote Eterno. 7:26 / O verbo desta frase: convinha-nos tal sumo sacerdote é uma . cf. 10:14. Os crentes são sustentados pela intercessão contínua que Jesus efetua por eles. 8:8. alusão deliberada a Salmos 110:4. A última palavra no grego é eis ton a iõ n a . os sacerdotes levíticos foram incapazes de permanecer perpetuam ente no cargo que ocupavam. 9:15 e 12:24). Assim é que uma promessa melhor (por ter sido confirmada com juram ento) implica em melhor aliança — na verdade. 9:15). E Jesus é o fundamento. sacerdócio ete r­ no. Jesus). pode também salvar perfeitamente (ou “em todas as épocas.. no entanto. 7:25 / Visto que a obra sacerdotal de Jesus não é prejudicada pela morte. Jesus permanece eternamente nosso sacerdote. aquilo que mais tarde seria identificado como “a nova aliança” (cf. porque pela morte foram impedidos.. Em contraste. 7:23-24 / Mas. bem diferente da obra temporária e incom pleta dos sacerdotes levíticos. esse mesmo versículo afirm a que jurou o Senhor e não se arrependerá. 9:12. O resultado é: este sacerdócio não se passa a outrem. 5:9. aqui. porque permanece (lit. Trata-se da confirm ação da superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o dos levitas. Em vista deste estado diferente de coisas. o que Jesus nos oferece é “salvação eterna” (cf. de tanto melhor aliança foi Jesus feito fiador. tem o seu sacerdócio perpétuo. A obra sacerdotal de Cristo depende diretam ente do “poder da vida indissolúvel” (7:16). Assim. 1 Jo 2:1). Neste ponto o autor está de pleno acordo com Paulo (Rm 8:34.

5:8). em Salmos 110:4. 2:9. mas a palavra do juram ento.. como os dos sacer­ dotes humanos. mas também por causa de sua ascensão. Assim. de oferecer cada dia sacrifícios. Nestas últimas palavras encontramos de novo uma alusão a Salmos 110:1 (cf. como os sumos sacerdotes. sobre o caráter superior de sua obra. Este fato chocante — que este Sumo Sacerdote ofereceu-se a s i m esm o em sacrifício vicário — o que se menciona aqui de modo direto pela prim eira vez (mas cf.. 14. E f 4:10).. a despeito da humanidade plena de Jesus — pois “convinha que em tudo fosse seme­ lhante a seus irmãos” (2:17) — o autor reafirma com muito vigor (cf. 7:27 / O resultado é claro: Jesus não precisa oferecer sacrifícios por seus próprios pecados: que não necessitasse. A inferência de que Jestis é capaz de atender às nossas necessidades é correta. ou apropriado” . de uma vez por todas. primeiramente por seus próprios pecados. Pois a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza. se refere. que para o autor de Hebreus representam confissão de inadequação pessoal (cf. O fato de ele ser santo por si mesmo afirma a separação de Jesus do resto da humanidade.(Hebreus 7:15-28) 131 interpretação do termo literal “era adequado. como fazem os sumos sacerdotes levíticos (cf. presente na prim eira cláusula) ao Filho (lit. como também o fazem as demais palavras acompanhantes inocente e im aculado. constitui (NIV e ECA acrescentam este verbo aqui. O caráter definitivo. e a verdade maior que se encontra naquele Sacerdote a quem a passagem sobre M elquisedeque. levíticos. 4:14) a ausência de pecado em Jesus. Jesus fez. “um ” . 10:11). torna-se um argumento central em 9:11-28. mas a ênfase aqui recai sobre o caráter superior de Cristo e. 5:3).. 7:28 / Este versículo serve de resumo da argumentação apresentada. o texto original o pressupõe. Jesus é incomparavelemente superior não só em virtude de seu caráter. como o demonstram os versículos que se seguem. 1:3 e a nota sobre 1:3). mediante a qual ele foi separado dos pecadores e feito m ais sublim e do que os céus (cf. uma vez por todas um sacrifício pelos pecados do povo de Deus quando a si mesmo se ofereceu. da obra expiatória de Cristo naturalmente constitui marco singular valiosíssimo da carta aos Hebreus. 4:14. Em contraste violento com a necessidade de sacrifícios repetitivos. daí. que de novo faz contraste entre o que é verdadeiro de acordo com a lei.

7:18 / A palavra utilizada para “ab-rogado” (ath etesis) significa “declara­ do sem valor. como o estado de haver Cristo cum prido totalmente os propósitos salvíficos de Deus (cf. portanto. Notas Adicionais # 14 7:15 / As palavras do idioma grego utilizadas aqui. é bem adequada para expressar o sentido de cumprimento. A observação do autor de Hebreus de que esta palavra confirmada por juram ento veio depois da lei reflete uma conclusão judaica segundo a qual a nova revelação tem m aior autoridade do que a antiga (ainda que de m odo algum esta conclusão seja aceita sempre!). A citação no v. 17 traz-nos de novo à memória a importância do salmo 110 para a discussão do livro Quanto ao significado de Salmos 110:4.132 (Hebreus 7:15-28) Filho. tendo subido à direita do Senhor. O utro (h etero s ) sugere no contexto alguém de natureza singular. porque é a esfera terrena (e por isso transitória) a que tal mandamento se aplica. TDNT. no Novo Testamento (cf. De novo é necessário que se entenda bem a noção contida em perfeito p ara sem pre. SI 2:7). 2 Co 13 :4. cf. sem validade”. Veja-se E. não tão óbvia em NIV. Como já vimos. unica. são alusão deliberada a Salmos 110 :4 . Isto nos faz lem brar o uso das duas citações sucessivas em 5:5-6. A coragem do autor de dizer que a lei a respeito do sacerdócio levítico foi “invalidada” deve ser notada de modo especial. 1 Co 6:14. “à semelhança de Melquisedeque”. a despeito de sua semelhança com Melquisedeque 7:16-17 / A palavra “carnal” (sa rk in o s ). a “perfeição” em Hebreus em geral tem esta conotação teleológica e. 7. pp 143s O poder (d yn a m is ) da vida indissolúvel (cf At 2:24) é de tal ordem que atnbui validade a si próprio O poder de Deus é regularmente relacionado à ressurreição de Cristo. embora seja tradução de um verbo diferente (a m stem i ) pode aludir também à vinda do Messias prometido (veja-se a nota sobre o v. legal (cf. por causa da referência a Êxodo 40:15 a “sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações” (cf Jr 33:18). Schweizer. vol. tão preem inente nesta carta. sendo empregada em documentos para designar a anulação oficial. O presente do indicativo “levanta” enfatiza a realidade presente de sua existência. Rm 1:4). a forma verbal derivada da mesma raiz em G1 3:15). 14. Se levanta. m as a palavra “Filho” de Salmos 2:7 é substituída por “sacerdote” . Estas últimas palavras fazem alusão a Salmos 110:4. p erfeito p a ra sem pre. acima). é empre­ gada com referência ao m andam ento. 5:9). Só a percepção aguda do autor da carta a respeito do . veja-se o comentário sobre 5:6.

sendo chamado de m elhor (cf. 10:23). Em outras palavras. Em Tito. 7:11). Houve um antigo concerto ou aliança (no Sinai) mediante o qual Israel experimentou .NIDNTT. aqui o autor da carta emprega um termo mais amplo. U m a das palavras favoritas do autor para descrever o cristianismo é o comparativo melhor. 7:20 / Neste versículo encontramos outra vez a argumentação rabínica baseada no silêncio do texto (cf. e nos versículos seguintes. G13:15ss. 13:20). é horkom osia. o sentido primordial dessa palavra é religioso.). dizendo am esm a coisa de modo diferente: nossa confiança a respeito do futuro (porque repousa na obra terminada de Cristo) é de tal ordem que transforma o presente. Veja-se a nota sobre 2:10 (cf. (Veja-se a nota sobre 1:4). que ocorre só aqui e em Tito 3:9. agora em sua inteireza. mas desta vez de modo negativo. Com oem 6:18. 29. a nota sobre 1:4).palavra preeminente em nossa carta(3:6. descreve as controvérsias fúteis. 10:16. vej a-se E. A palavra grega para inutilidade é an oph eles. o autor da carta pode usar a palavra d ia th ek e em seu sentido legal de “testamento” (9:16. este é considerado inferior à ordem sacerdotal de Melquisedeque. mas ao presente (realiza­ do) também. A palavra ocorre na verdade com muito maior freqüência em Hebreus (dezessete vezes) do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. 18. a palavra rara usada aqui. 10. cf. visto que não se menciona juramento nenhum em conexão com o estabelecimento do sacerdó­ cio levítico. que se tom ará muito importante nos próximos capítulos (vejam-se 8:6. é mencionado (cf. Hoffmann. pp. 7:17). Ou. 7:3). pela primeira vez. para juramento. 7:28). no v. em vez de futura. 28. O emprego positivo do mesmo verbo pode ser visto abaixo. Outra vez o autor enfatiza a importância de atingir o obj etivo tencionado (pelo uso do verbo teleio). pode explicar tal coragem. Ainda que tal argumento seja muito semelhante ao de 6:13-18. 5:9). Neste caso. 5:6. 9:15-20. em vez da palavra mais comum horkos. 7:19 / Enquanto no versículo anterior usa-se a palavra “mandamento” {entoíe). 6:11. ao salientar a inadequação da lei (cf. No entanto. o autor tem em vista tan to m elhor alian ça— primeira ocorrência da palavra “aliança” (d ia th ek e). vol. 2. lei (n om os ). que f o r a estabelecido com juramento. 238-44. 7:2 1-22 / Outra vez o texto crucial na argumentação desta seção da carta. “Fraqueza” é atributo lançado duas vezes na conta dos sacerdotes levíticos em Hebreus (5:2.(Hebreus 7:15-28) 133 cumprimento em Cristo e da novidade concomitante que o Senhor trouxe. Essa palavra aqui modifica o substantivo esperan­ ç a . E mais uma vez o novo faz contraste com o antigo. Quanto à “esperança”. A semelhança de Paulo. essa palavra refere-se aqui a uma realidade presente. Salmos 110:4. A escatologia refere-se não só ao futuro. 8-10. em todo o Novo Testamento. referindo-se a uma disposição pela qual o propósito salvífico de Deus se tom a realidade. 12:24.

C. esse concerto cedeu Iugar à nova situação geral paraaqual na verdade sempre apontou. 1956). A “novaaliança” (como será chamada em 9:15 e 12:24) é definida em comparação com a antiga (observe de modo especial a grande dependência da passagem de Jeremias [31:31 -34] citada de início no cap. visto que totalidade inclui . dando a entender que a situação. vol. TDNT. Veja-se J. bem como a alusão a Salmos 110:4. TDNT. (Ant. pp. E. Preisker. ainda que não explícito. A implicação disto (que ocorre também no v 20) é que Aámw7/ojjíJcerí/o/eínomomentoemqueoautorescrevesuacarta. no cumprimento das promessas (cf.134 (Hebreus 7:15-28) a redenção. vol. pois o que está em jogo e a adequação integral da salvação. da obra salvífica realizada por Cristo. “Diatheke in the Epistle to the Hebrews” — Diatheke na Carta aos Hebreus — Neotestamentica 5 (1971). 2. em 7:3. 329. p. TDNT. 7:23-24 / A tradução foram feitos na primeira sentença não reflete adequadamente a construção verbal perifrástica do original grego. Da perspectiva do autor da carta. e “completamente” em NI V (eis to panteles) pode ser tomada com o sentido de “para sempre”. é permanente. 9:15. 8) e depende de modo absoluto. existindo um contraste com o antigo. ou algo de que se fala. 37-50. A palavra grega aparabaios ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento e LXX. foi traduzida pelo verbo permanecer. A palavra fiador (engyos) ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. Vos. Schneider. 5. 27-45. 7 :2 5 /0 verbo pode (dynamai) e a forma negativa“não pode” ocorrem com freqüência em Hebreus. Mediante sua obra sacerdotal. 124-34. traz à memória a declaração feita a respeito do sacerdócio de Melquisedeque.A. Veja-se J. mas apenas implícito. Pretorius. A expressão que se traduziu por perfeitamente em EC A. “The Epistle’s Conception of the Diathekê” — Concepção da Carta sobre Diatheke — em The Teaching o f the Epistle to the Hebrews — O Ensino da Carta aos Hebreus (Grand Rapids: Eerdmans. No caso presente. O conceito de “prosseguimento para sempre”. totalmente suficientes tanto para o presente como para o futuro Veja-se H.227).C. é claro. no sentido de algo que é “imutável”. pp 742s Josefo fomece-nos a estatística gráfica de que teriam existido oitenta e três sumos sacerdotes. e também se pode tomar essa expressão com o significado de totalidade. pp. 2. 20. pp. 8:6. de modo especial para explicar o contraste existente entre o novo e o antigo O novo sempre é capaz (pode) de fazer o que o antigo é incapaz (não pode) de fazer. G. Jesus tomou-se a certeza absoluta de que os propósitos sal víficos de Deus tomaramse realidade. Behm. em que o verbo está no presente. 10:29. o objetivo é salvar. Mas o versículo 16 é que declara que a vida de Jesus é que está em pauta de modo primordial — e só depois o sacerdócio. 13:20). Ainda que possa ser difícil ter certeza da tonalidade precisa que o autor tinha em mente. vol. desde Arão até a destruição do templo em 70 d.

o Senhor não conheceu a fraqueza derivada da imperfeição e do pecado A palavra do juramento (expressão singular em todo o Novo Testamento) refere-se obviamente à discussão que se inicia no v. 20. em que Jesus está vivendo sempre (pan tote . 9 :12. A expressão se chegam a Deus tem tonalidades próprias de culto no templo (cf. No entanto. veja-se C. Evidencia-se de imediato o forte contraste com a futilidade repetitiva do culto levítico. no grego. 13:35. adicionando-se o fato de que aqui se consuma o ato salvifico determinado por Deus. Jesus é capaz de “compadecerse devidamente dos ignorantes e errados” por causa de sua humanidade integral e genuína. este conceito parece ser preferível. A discussão a respeito do caráter uma vez por todas do sacrifício de Cristo é reiteradamente enfatizada pelo autor da carta. 7:27 / É óbvio que a linguagem deste versículo é a do culto no templo. 155). sugerindo ação que se completou no . Contrastando violentamente. h apax 9:26. visto que o trabalho deles em geral se associa ao sacrifício anual do dia da expiação. 7:26 / O verbo convinha-nos (prepõ) ocorre apenas em 2:10 O que é “certo” e “apropriado” chega bem perto da expressão “o que Deus quer” e pode implicar nisto. Arão havia sido instruído de modo explícito a oferecer uma oferta pelo pecado por si mesmo. A realidade desta intercessão aponta de novo para a suficiência da salvação. Ap 15:4. NIDNTT. Como observa F. está no perfeito. 2. TDNT. O verbo final. E claro que Jesus como sumo sacerdote constitui um tema central na carta de Hebreus (cf. pp 66s. Bruce (p. 1. pp. vol. vcft. “não conspurcado”) trazem-nos à memória a total inocência da vítima sacrificada (cf. At 2:27. A idéia de permanência fica implícita.F. Veja-se G. perfeito ( teleioõ).) A referência aqui aos sumos sacerdotes que vão oferecendo sacrifícios cada dia é inusitada. Jesus vive para interceder “como Rei-Sacerdote entronizado. nos próximos dois capítulos. 16:5). A perfeição (ou totalidade) e o caráter definitivo deste ato único entrelaçam-se indissoluvelmente com a Pessoa que sacrifica e está sen do sacrificada. o versículo seguinte). pedindo ao Pai o que deseja. cf. A respeito do verbo interceder. 381-84 7:28 / Enfatiza-se de novo a “fraqueza” dos sacerdotes levíticos. lit. na operação de sua perfeita providência. obviamente. 11:6).8. As palavras inocente (akakos ) e imaculado (am iantos. 25). pp. a seguir. TDNT. única ocorrência em Hebreus) para interceder por eles. mediante o emprego de palavras quase idênticas (ephapax aqui. constitui ao Filho. por sua casa e pelo povo (Lv 16:6ss. a nota sobre 2:7) Só aqui em Hebreus Jesus é chamado de santo (h o sio s. em primeiro lugar. Delling. e não aos sacrifícios diários dos sacerdotes comuns (vejam-se 9:7. 10:10. vol.28). como ocorreu em 5:2. Vejase G Stàhlin. com base em Salmos 110:4. Brown. pois o Pai sempre o ouve e lhe concede o pedido”. 882-86.(Hebreus 7:15-28) 135 a idéia de permanência. a saber. e.

totalidade e permanência que contrasta vigorosamente com a lei (7:19). totalidade e cumprimento. bem como sua vocação pessoal. com conseqüências e resultados que penetram no presente. tudo isso produz um estado de perfeição.136 (Hebreus 7:15-28) passado. ao cumprimento final. A lei nada poderia trazer a este estágio de perfeição. tendo cumprido cabalmente esse sacrifício “de uma vez por todas”. Assim é que o Filho. trouxe os propósitos salvífícos de Deus. .

isto é. Jesus está onde está por causa de quem ele é — ao mesmo tempo Filho (cf. e não o homem (NIV mudou a voz ativa original para voz passiva). Definitivamente ele foi capaz de cumprir tudo o que prescrevia e antecipava o sacerdócio levítico. ou serve) do santuário. Ele continua a insistir no caráter definitivo da obra de Cristo. em que se diz dos sacerdotes levíticos que estão preocupados apenas com a cópia. um “servo”.g. Acredita porventura o autor da carta na existência de um santuário real em algum lugar. cf. ou aquele que ministra. Este é descrito como v erd ad eiro tab ern ácu lo (lit. veja-se Êx 25:9. em que M oisés é instruido a respeito da edificação de um tabernáculo e seu mobiliário: foi-lhe mostrado o modelo. ao usar a linguagem das sombras e das realidades. que o S enhor fundou. ou som bra das realidades “celestiais” . em sua argumentação aqui e nas passagens que se seguem (e. é bem provável que o autor tenha extraído essa idéia do Antigo Testamento. (Além de Èx 25:40. “tenda”). mas antes da fidelidade de Moisés . 5. 5. O mesmo ponto é salientado no v. 1:3). Tem havido muita discussão a respeito da possível influência do dualismo grego sobre o autor. 8:2 / Temos um sumo sacerdote que é m inistro (lit. de que o santuário terreno é simples cópia? Embora essa linguagem realmente se assemelhe à dos filósofos gregos. fascinante. mas agora traça um contraste de m odo novo. SI 110:4).. 8 : 1 / 0 ponto prin cipal da discussão centraliza-se na realidade e na suficiência de nosso sum o sacerdote.. no templo. 10:1.) A questão aqui não é a existência de um tabernáculo celestial.. que o autor cita no v.. 27:8. 4:14) e Sumo Sacerdote (cf.15. De novo a redação faz alusão a Salmos 110:1. veja-se a nota sobre 8:2). "no céu”. 0 Verdadeiro Sumo Sacerdote e Seu Ministério (Hebreus 8:1-6) Nesta passagem. o autor de Hebreus resume sua argumentação desen­ volvida até o presente momento e passa a apresentá-la em outro estágio. 26:30. 9:23s. Depois ele assum iu seu lugar justo à d estra do trono da M a jestad e nos céus (estas palavras são um circunlóquio para “Deus” . ou padrão.

Portanto. figurada. Não temos aqui a negação da morte de Cristo na história. e neste momento cumpre seu ministério de intercessão (7:25).138 (Hebreus 8:1-6) ao propósito estabelecido por Deus. acabou acontecendo na realidade. só através de imagens e símbolos. Embora o autor da carta tenha indicado a que se refere essa “algum a coisa” (“a si mesmo” em 7:27). ele também antecipa aqui o que vai discutir nos capítulos 9 e 10. mas antes um modo de dizer que sua obra expiatória tem sentido escatológico. N a passagem que estamos estudando. . para oferecer tanto dons com o sacrifícios pelos pecados” . tom a-se óbvio que e ra necessário que este tam bém tivesse algum a coisa que oferecer.. Visto já ter ficado estabelecido que Jesus é o sumo sacerdote de que fala Salmos 110:4. todo sumo sacerdote. mas à realidade última — a realidade do próprio Deus. final. em que o sacerdote é descrito como tendo sido “tomado dentre os homens. Todavia. a obra de nosso Sumo Sacerdote não diz respeito a imagens nem a símbolos. O que vinha acontecendo naqueles ritos do tabernáculo histó­ rico. a questão central é que a expiação verdadeira e finalmente eficaz transcen­ de o tabernáculo e seus rituais.. 8:5 / A inferioridade da obra do sacerdócio levítico é salientada agora pela observação de que não passa de figura e som bra das coisas celestiais. O que preocupa o autor da carta não é algum dualismo vertical. na obra sacrificial de Cristo. As palavras “que o Senhor fundou” possivelmente são alusão à LXX. nem prescrita segundo a lei. são exatam ente as mesmas de 5:1.... o sacerdócio de Jesus é categoricamente superior ao dos sacerdotes terrenos: sua oferta distintiva não é feita na te rra . mas a progressão histórica que partiu da prom essa e atingiu seu cumprimento. pelo que é “celestial". N m 24:5) que foram firmadas por Deus. em contraste com a obra “terrena” do sacerdócio levítico. isto é. constituído a favor dos homens. O caráter final e definitivo do cum prim ento vem sublinhado pelo fato que nosso sumo sacerdote está sentado à destra de Deus. Trata-se de linguagem poética. porque agora os propósitos de Deus estão realizados. Este é apenas um modo de dizer que seu trabalho apenas prefigurou a obra expiatória definitiva de Jesus. 8:3-4 / As palavras iniciais. a única que tem significado permanente. em Números 24:6. em que está escrito a respeito das tendas de Israel (cf.. Tal doutrina é ensinada com o máximo vigor nos versículos que se seguem.

: “fundam entada legalmente”. Basta esta referência para sabermos que o tabernáculo e o edifício que o sucedeu. nosso sumo sacerdote está preocupado com questões superiores à antiga aliança. “a tenda”). . Estas prom essas serão o foco de atenção na citação de Jeremias 31. não era de modo algum a realidade última. lit. e em outras ocorrências de mediador (9 :15. como traz NEB). em com paração com a nova. com seu ritual sacrificial (estipulado por Moisés).. em que ele fala de certos aspectos da legislação mosaica.(Hebreus 8:1-6) 139 Esta doutrina recebe embasamento maior pela referência às palavras dirigidas » Moisés quando este homem de Deus estava prestes a edificar o tabernáculo (fit. A terceira comparação refere-se a melhores promessas sobre as quais se fundamenta a nova aliança (está firmada em. Assim. em si mesma. e as promessas para que a nova aponta — em tudo isso a antiga aliança se esboroa. com a qual o autor da carta tenciona aguçar o contraste entre a era mosaica e as novas circuns­ tâncias em Cristo. a realidade. o significado tencionado é que o sacrifício de Jesus é o verdadeiro meio ou agência pela qual a nova aliança (a palavra “nova” é acrescentada em 9:15 e 12:24) se toma realidade. pois depende de sua Pessoa e de sua obra. 7:22). A nova aliança é algo que Jesus realiza. Este é o primeiro de três elem entos comparativos utilizados neste versículo. como as regras dietéticas e as do sábado. O segundo ocorre na declaração de que Jesus “é m ediador de superior aliança” (cf. “agora”. porém. 8:6 / NIV omite a palavra inicial nyni. sacerdotes levíticos). 8.. mas apenas um reflexo dela. Aqui. A obra sacerdotal dele. mostrado no monte (Êx 25:40). Paulo usa linguagem muito parecida. o templo. como em Colossenses 2:17. o autor escreve: M as agora alcançou ele [“Jesus”] ministério tanto mais excelente (NIV acrescenta: “do que o deles”. O contraste entre o terreno e temporal com o celestial e eterno ocorre de novo em 9:23 e 10:1.. dizendo: “Estas são sombras das coisas futuras. Com seu estilo típico. que tomam o resto do cap. a nova aliança dela resultante. encontra-se em Cristo” . Foi-lhe dito que seguisse em tudo conforme o modelo. 12:24).

10:19. em 1:3 e em Judas 25. ou lugares santos”. Diga-se o mesmo a respeito da perspectiva segundo a qual “tenda” refere-se ao céu. 283-90.e. e invariavelmente parece inferior à realidade que representa. 9. A palavra “tenda” (skene) é muito mais empregada em Hebreus do que em qualquer outro I í v t o do Novo Testamento Quase sempre se refere ao tabernáculo.8. Quanto a sumo sacerdote. ou a um novo ponto importante.sk en o o ]). e Filipenses 2:25 (Epafrodito). isto é.140 (Hebreus 8 :1-6) Notas Adicionais # 15 8 : 1 / 0 ponto principal (kephalaion) pode ser entendido em referência a um resumo. Ambos os aspectos parecem presentes nos versículos de abertura deste capítulo. 25. é literamente plural. A despeito de João 1:14 (em que ocorre o verbo cognato [. Este último sentido é preferível por causa do sentido óbvio das mesmas palavras em 9:2. e outras referências do Novo Testamento ao corpo como “tenda” (e. O argumento de que é a igreja que está em jogo aqui depende de que se consiga igualar “ igreja” com “tenda” (esta harmonização não se encontra em parte alguma do Novo Testamento). Nos céus.g. à igreja (Westcott) e às regiões celestiais através das quais Cristo passou a caminho do Santo dos Santos (Spicq. Romanos 15:16 (Paulo). veja-se 9:3). Majestade (m eg a lo syn e ) ocorre no Novo Testamento apenas aqui. quanto à expressão integral. i. cap. “Lugares santos” de acordo com o contexto pode indicar o “Santo dos Santos” (como em 9:12. comum a ambos — pois trata-se de uma conexão um tanto tênue.24.. Quanto a uma discussão completa deste problema. 2 Co 5:1. O verbo cognato (leito u rg eo ) é empregado com freqüência na LXX com referência a obra sacerdotal dos levitas. veja-se a dissertação de Hughes. veja-se a nota sobre 2:17. 13:10). Santuário e verdadeiro tabernáculo interpretam-se melhor como referindo-se à mesma coisa. A palavra “servo” ou “ministro” (leitourgos ) ocorre noutra parte em Hebreus apenas em 1:7 com referência a anjos e no Novo Testamento em Romanos 13:6 (com referência a autoridades do estado). à presença real de Deus (veja-se 9:24). “pessoas santas”. Héring). santuário. 8:2 / Do santuário é literalmente “santos” (ton hagiõn) podendo ter três sentidos possíveis: “coisas santas”. segundo a qual a tenda “não faz parte da criação”.. a idéia de que o que se tem em vista é a humanidade de Cristo dificilmente se toma compatível com a declaração de 9:11.4). na melhor das hipóteses. à maneira tipicamente hebraica. “corpo”. A palavra tabernáculo ou “tenda” (sken e) aqui e em 9:11 tem sido tomada como referência à humanidade de Cristo (Calvino). Quanto a um . Quanto ao substantivo cognato “ministério” (leitourgia ) veja-se 8:6 e 9:21. 13:11. pp. com base num terceiro termo. A expressão sumo sacerdotal encontra-se também em 7:26. que precedeu o templo permanente (veja-se 8:5.

mas do tipo escatológico. O “dualismo” em Hebreus não é do tipo metafísico. Veja-seR. e até mesmo que foi Apoio. seu sacrifício deve pertencer a uma ordem totalmente diferente. Veja-se P h ilo a n d the E pisíle to the H ebrew s — Filo e a Carta aos Hebreus. TDNT. É frase que representa uma referência genérica a uma variedade de sacrifícios oferecidos pelos sacerdotes. 375 t . Embora o debate a respeito da influência exercida por Filo sobre o autor de Hebreus não tenha terminado. Se o Senhor é o Sumo Sacerdote. pp. com características de arquétipo que lhe corresponde. o que deu surgimento à especulação de que este livro foi escrito em Alexandria. bem como a seqüência temporal depromessaecumpnmento. e que só pode ser conhecida pelo intelecto. 415-24. se Jesus fosse o sumo sacerdote terreno (contrastando com o outro. mas a realida­ . pp. N a verdade alguns eruditos têm visto uma influência considerável de Filo sobre o autor da carta aos Hebreus. vol. 7. cuja obra fosse “celestial” ou final). que normalmente significa “oferecer”). o contexto do autor é mais judaico do que helenistico. implicando a necessária repetição (e tambem possivelmente a existência de um ritual sacrificial na época em que o autor escreve). veja-se W. em que ela se faz notar em Filo. Williamson. O dualismo grego com freqüência mencionado como pano de fundo desta passagem deriva da filosofia de Platão. o autor usa o tempo aoristo.étotalmentealheiaaPlatão. implicando o carater “de-uma-vez-por-todas” da obra deste Sumo Sacerdote. O argumento que. 8:3-4 / A expressão dons e sacrifícios (cf. Michaelis. de modo especial num centro como Alexandria. 8:5 / A palavra traduzida por figura (hvpodeigm a) e aque foi traduzida por sombra (sk ia ) ressoam como linguagem da filosofia helenista. Ao descrever esta obra dos sacerdotes. segundo aqualoautorde Hebreusjamais teria sido influenciado por Filo. que tinha uma cultura alexandrina (At 18:24). muito convincente. Williamson vai além e nega a influência platônica sobre o autor de Hebreus. nada teria para oferecer. Williamson apresentou uma argumentação forte. o autor utiliza o tempo presente do verbo p ro sp h e ro . em que todos os objetos terreais são considerados manifestações de uma “idéia”. “Platonism and Hebrews” — Platonismo e a Carta aos Hebreus — S J T 16 (1963). ou “forma”. é singular na carta aos Hebreus.(Hebreus 8:1-6) 141 discussão do uso desta palavra em Hebreus. argumentando que a ênfase sobre a importância da história. Este dualismo entre a realidade terrena e a “celestial” exerceu forte influência no mundo helenístico. que ocorre também em 5 :1 e 9:9. L v 2 1:6). o judeu helenista (contemporâneo de Cristo). R.77 . o autor da carta. mas ao referir-se à oferta que este deve dar. remete-nos de volta à constatação de que Jesus não fazia parte da tribo de Levi — de que Moisés falou quando instituiu o ritual sacrificial (7 :14). Não ocorre em nenhum outro livro do Novo Testamento.

ela ocorre de novo em 9:21. 1982). pp. 3. vol. veja-se a nota sobre 1:4.C. veja-se a nota sobre o v. é mera aj uda para a apresentação e caracterização do horizontal” (L. A palavra mediador (m esites ) ocorre em primeiro lugar neste versículo. 140-46. L. Êxodo 25:40 também aparece no discurso de Estêvão (At 7:44). mas em Lucas 1 23 mantém-se o sentido original. Fp 2:17. Figura ocorre com o mesmo sentido em 9:23. Veja-se H. TDNT. mas algo que ocorreu no processo histórico: a cruz de Cristo. 1 Co 6:16). Quanto à importância da palavra melhor ( kreitton ) para o autor de Hebreus. veja-se L. TDNT. Sombra foi usada de modo semelhante em 10:1 (e em Cl 2:17). vol. 3. 258). para a qual ambas apontam. vol. Hess. em Hebreus. não é algo que se percebe apenas mediante o intelecto. a contrapartida “antítipo” (an titypos ) encontra-se em 9:24 (veja-se a nota a respeito desta versículo). 8:6 / A palavra usada para ministério (leitou rgia ) sacerdotal é comum na LXX. 8. pp. do original alemão (Grand Rapids: Eerdmans. não traduzida por ECA: “que diz” (cf. pp. de máxima impor­ tância em Filo. veja-se a nota sobre 7 :22.142 (Hebreus 8:1-6) de última. Veja-se K.. 1 Tm 2:5).e. Coisas celestiais é tradução que aparece também em ASV e NASB. Goppelt. TDNT. 598-624. O termo grego é traduzido por “coisas que estão no céu” em 9:23 A diferença é insignificante. Oepke. Conquanto seja esta a única ocorrência em Hebreus. é a que ocorre na citação: modelo (typos ). Após as palavras Vê que faças tudo. 4. utilizada para indicar a citação das Escrituras. É por isso que Moisés divinamente foi avisado — o verbo é derivado de ch rem a tizo . Quanto a typos . E palavra que envolve muito mais do que a idéia de alguém que funciona como “intermediário”. Quanto a aliança (d ia th e k è ). pp. 551-53. p. vol. na citação. que ocorre também em 7:11. “tenda” (sk e n e ). Dá conotação de realização da salvação e fica muito próxima do sentido de “garantia”. A palavra grega que se traduziu por firmada (ou “fundamentada na lei”) é n om oth eteo. 2. pp. tradução de 1939. relacionada a estas duas. 8. em que o santuário terreno é descrito como “figura do verdadeiro” . “de tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. Hahn. 2. vol. o grego contém uma fórmula comum. NIDNTT. a tipologia vertical. T ypos . TDNT. pp. Veja-se também J Schildenberger. para referir-se ao ministério cristão (veja-se 2 Co 9:12. vol. “Acima de tudo. Goppelt. Schlier. que também ocorre em 11:7 e em 12:25. ph esin . NIDNTT. i. Goppelt. na frase paralela de 7:22. “Covenant” — Aliança — em EBT. 32s. Outra palavrachave neste versículo. O ritual terreno não passa de símbolo indicativo da obra definitiva de Cristo.” Veja-se A. 246-59. 553-56.30). e reaparece em 9:15 e 12:24 (cf. onde se refere a questões de grande importância. Veja-se H. Quanto a tabernáculo. Essa palavra em geral é espiritualizada no Novo Testamento. em que se refere à .

vol. um reino inamovível (12:28) e a Jerusalém celestial (12:22). assim. o verdadeiro repouso sabático (4:3. N IDNTT. segundo a antiga aliança. como.(Hebreus 8:1-6) 143 legislação mosaica (veja-se a nota sobre 7:11). “Melhores promessas” não só antecipa o conteúdo da citação de Jeremias 31. pp. que vem em seguida. o mesmo caráter impositi vo. baseado na vontade de Deus. Hoffmann. cheio de autoridade. 68-74. Veja-se E. 3. por exemplo. . mas também faz alusão às realidades escatológicas. A nova aliança possui.9).

Judá e Jerusalém caíram diante dos invasores babilônios. as quais têm sido o assunto da passagem precedente. Mas o problema não está na prim eira aliança (cuja natureza era apenas preparatória). O profeta Jerem ias escreve numa época de perturbação e desilusão. Se a p rim eira aliança houvesse sido suficiente. é não perm aneceram naquela m inha aliança. nas próprias pessoas. A citação faz que o autor possa enfatizar o desvinculo entre o cristianismo e a lei mosaica.. A intem alização da lei e a realidade do perdão de pecados em particular são significativas para a argumentação do autor. Assim Deus (lit. simultaneamente. Esta atribuição da culpa ao povo. em Romanos 7:7-12. A raiz do problem a. e tudo isto como forma de punição pela sua desobediência. A Promessa de uma Nova Aliança (Hebreus 8:7-13) O autor cita agora uma passagem do Antigo Testamento de grande im portância para a carta de Hebreus: Jeremias 31:31-34. mais fundamentalmente. A referência explícita à nova aliança neste texto faz que seja ideal para o propósito do autor. 8:7-8a / A inadequação intrínseca daquela p rim eira aliança fica im plícita na existência atual de uma aliança nova e melhor. de certo modo nos lem bra a vindicação de Paulo a favor da lei. e a razão por que a nova aliança será diferente da antiga (quanto à antiga.. lemos agora no profeta Jeremias precisam ente a respeito da esperança de uma nova aliança. A antiga aliança era incapaz de produzir ..16. um elo relevante que sublinha os propósitos de Deus. No entanto. não permaneceram fiéis. porém. “ele”) repreendendo-os. em 10:16-18 vemos de novo citações de partes desta mesma passagem. diz. o povo foi levado para o exílio. enquanto indica. em vez de à primeira aliança. nunca se teria buscado lu g a r p a ra a segunda. e seguem-se as palavras do profeta. veja-se Ex 19:5). Demonstra-se que o que o autor vem descrevendo tão bem já havia sido antecipado dentro das Escrituras proféticas. 8:8b-12 / Deus fala mediante o profeta a respeito de uma época futura em que uma nova aliança será estabelecida com seu povo. com suas prom essas melhores. isto é.

Paulo se refere a ela em 2 Coríntios 3:6 (cf. fora de Hebreus. O conhecim ento ao Senhor tom a-se bem de todos. Em parte nenhuma. só em Hebreus (cf. Está bem claro que o autor de Hebreus não tenta colher estes frutos em exegese da nova aliança. No entanto.(Hebreus 8:7-13) 145 obediência. e eu serei o seu Deus”). a nova aliança fará o que a antiga não conseguiu realizar: produzirá a verdadeira retidão (porei as minhas leis no seu entendimento. o conhecim ento pessoal do Senhor Deus e o perdão eficaz de pecados. Encontra-se um contraste semelhante entre duas alianças em Gálatas 4:2426. Hb 13:20). 36:26-29. Ele fala de uma “aliança etem a” (cf. O cumprimento das prom essas chegou. citada em Rm 11:27). situação que contem pla um novo modo de vida. A partir desta perspectiva chegamos àquele novo nível de existência de que fala o profeta. inclusive as palavras “eles serão o meu povo. a igreja. e em seu coração as escreverei). É isso que Jerem ias procurava. 27:9. Está em mira uma nova situação dentro das Escrituras. sua referência explícita à “antiga aliança” em 3:14). 12:24). pelo que veio o julgam ento sobre o povo (e eu para eles não atentei). O autor de Hebreus capitaliza a referência de Jeremias à nova aliança.. a da expiação. encontram os a citação desta passagem ou um argumento nela baseado. Ainda que Jerem ias seja o único escritor do Antigo Testam ento a referir-se de modo explícito a uma nova aliança no futuro. cf. É claro que a idéia da “nova aliança” encontra-se noutras passagens do Novo Testamento. Outros profetas previram circunstâncias semelhantes (e. é a experiência que adveio aos leitores de Hebreus. 6. a nova aliança é mencionada em Lucas 22:20 e 1 Coríntios 11:25. as quais são experimentadas pelo povo de Deus. Jesus é “o m ediador de um a nova aliança” (9:15). 37:26-28. também 9:15. o conhecim ento de Deus e o perdão de pecados (Ez 11:1920. referência à “aliança de paz” em 54:10. que o Senhor há de estabelecer e que envolverá transformações. A lei é fixada no íntimo e surge nova intimidade de relacionam ento entre Deus e seu povo. 10:16-18. e a purificação de pecado tom a-se uma realidade num nível profundíssimo. visto ser ele “fiador” de “tanto melhor aliança” . mas estes são as “melhores prom essas” a que ele se refere no v. em Cristo (veja-se a . Nas palavras eucarísticas de Jesus. É esse o significado de Jesus Cristo e sua obra terminada. Is 54:13. parece que Ezequiel nutria uma expectativa semelhante. 16:60-63. a respeito da antiga aliança.g. no entanto. uma nova possibilidade espiritual e uma nova experiência do perdão definitivo de pecados.

8a. O novo veio. A coragem do autor ao expressar aos leitores judeus a natureza transitória da aliança mosaica é notável. fosse com Abraão). assim como a palavra segunda refere-se. que ocorre somente aqui em Hebreus. Entretanto. no contexto. Cumprira-se o propósito da antiga aliança. talvez esteja pensando nas profecias de Jesus acerca da queda de Jerusalém (Mc 13:2). A declaração de que a antiga aliança está perto de desaparecer implica. a nova aliança é tão melhor do que a antiga.e. não tem sentido mais. Sem defeito e tradução da palavra grega que significa “sem falta alguma” ou “sem culpa” (a m em ptos ). Por outro lado. o ritualismo da antiga aliança está fora de lugar e hora. ele (lit. mas isto nada é senão o que foi salientado pelo antigo. em virtude da realidade da nova aliança.. na continuidade do ritual de culto do sacerdócio levítico. e não cronologicamente a primeira aliança da Bíblia (fosse com Noé. ocorridos em 70 d. o m elhor veio.146 (Hebreus 8:7-13) aplicação da passagem aos leitores em 10:15-18). Todavia. então. De seu ponto de vista.. houvesse ele escrito após a queda de Jerusalém e destruição do templo. Se o autor escreveu no início dos anos 60. à época em que o autor de Hebreus escreve. Notas Adicionais # 16 8:7-8a / Ao mencionar primeira aliança o autor quer dizer a aliança do Sinai (veja-se o v. o antigo preparou o caminho para o novo. que esta precisou ceder lugar à nova. dificilm ente teria evitado a referência explícita à confirmação histórica de sua argumentação teológi­ ca. se a última declaração for verdadeira.. i. enfatizados pelo autor por todo o livro. no v. por antecipação da nova aliança. mas continua a fazê-lo. as implicações quanto à antiga aliança são espantosas. O mesmo Deus que trouxe a antiga aliança à existência. 9). e por isso não pode permanecer. na verdade. traduzido por “repreendendo-os”. pronome em lugar de “Deus”) tornou antiquada a primeira. provavelmente.C. àquela mencionada por Jeremias. Só é possível porque a desvinculação é contrabalançada pelo vínculo sublinhador da prom essa e cumprimento. fez que ela fosse cumprida. se a antiga aliança é suficiente. menciona-se outra realidade no texto das Escrituras? O tempo perfeito do particípio grego. O pronome grego equiva­ . pelo que perto está de desaparecer. 8:13 / Na verdade. 7 é semelhante à de 7:11. por que. (m em phom enos ) implica em que não só Deus fez isso no passado. A discussão do v.

as palavras de abertura de At 15:16.(Hebreus 8:7-13) 147 lente a “os” (“a eles”). Esta linguagem. . para harmonizar-se com as palavras iniciais da citação. 139-44 8:8b-12 / O autor cita a LXX com exatidão.g. 9 NIV e ECA acrescentam ela não será. pp.. O autor de Hebreus cita a LXX com a máxima exatidão. expressas em linguagem que muito antes já se havia incorporado numa espécie de credo. A possibilidade de a le i v ira ser colocada no íntimo da pessoa (cf. a noção de “circuncisão do coração”. 9). Quanto a uma discussão contrária. permitindo-se apenas umas mudanças ligeiríssimas. 8. No início do v. Embora a nova aliança deva ser celebrada com Israel e Judá. No v. A expressão depois daqueles dias (lit. Esta explicação da provação enfrentada por Israel como resultado de seu fracasso em obedecer à aliança e nela viver é frequentemente encontrada entre os profetas (e. encontrado na LXX. P.) é linguagem que diz respeito a uma era escatológica (cf. que sublinha o texto de ECA a casa de está no dativo (iauíois). Wolmarons. A LXX (Jr 31:3 ] -34) segue bem de perto o texto hebraico (Jr 31 31 -34). 32. Isto se adapta à perspectiva teológica do autor de Hebreus.g. Os 8:1. onde o verbo s y n te le õ (“cumprir” ou “realizar”) é utilizado em lugar de estabelecerei. A despeito das vantagens de tal hipótese — ela evita a complexidade de o autor ficar em falta tanto com a antiga aliança como também com o povo — o texto mais natural mesmo no caso dativo seria que o povo conserva sua culpa (cf. A afirmação eu serei o seu Deus. os contem­ plados últimos são o povo de Cristo. As palavras que se seguem os tomei pela mio. e no v. Ml 2:10). jamais se tomou realidade. A mais importante destas aparece na tradução de ECA: estabelecerei no v. . o nacionalismo judaico e as aspirações políticas não encontram lugar nessa carta. Jr 4 :4). que o hebraico “com eles” transforma-se em “em suas mentes” . 10. Dt 30:11-14). Dt 10:16. e eles serão o meu povo é linguagem comum do Antigo Testamento que descreve o aspecto básico do relacionamento baseado em aliança. exceto quanto ao seguinte: no v.) evidentemente são referência ao êxodo. 32 as palavras “apesar de eu os haver desposado” foram omitidas pela LXX. é citação de Am 9:11). . em alguns manuscritos importantes. Hughes) a inserir um pronome depois de “diz”. 10 NIV e ECA omitem “porque” (h oti ). “diz a eles”. v. E certo que os leitores judaicos de Hebreus eram pessoas descritas como a casa (como também no v. em vez de no acusati vo (autous ). Ez 16:59. para os tirar da terra do Egito (lit. ainda que fosse pregada e exigida no Antigo Testamento (cf. pois só introduz o que aparen­ temente são mudanças de estilo. palavra que indica que a nova aliança não se assemelha à antiga pelas razões que deverão ser estipuladas. Isto levou alguns comentaristas (e. 3 :6) de Israel e de Judá No entanto. isto é. vejase J. cf. Is 24:5. “The Text and Translation of Hebrews 8:8” — Texto e Tradução de Hb 8:8 — ZNW 15 (1984).. L.

Peterson. 11 osmelhores manuscritos tta zem p o litên (“cidadãos companheiros”. onde se afirma que os céus “perecerão. 9:1. . KJV) e ECA traz próximo.148 (Hebreus 8:7-13) embora repetidamente inserida nas Escrituras. O verbo que foi traduzido por tornou antiquada e antiquado e envelhecido (palaioo) ocorre noutras passagens de Hebreus na citação de Salmos 102:26 em 1:11. que estabelece a morte de Cristo como o verdadeiro remédio para o pecado da humanidade. como um vestido [roupa]. que é tradução literal. Lv 26:12. que ocorre no início da citação (N IV eECA acrescentam apalavraaliança). aguardavam a reforma futura em vez da ab-rogação do culto do templo. 15.. é ponto crucial parao autor da carta também. 12. obsoleta. cujos contemporânios haviam experimentado o julgamento por seus pecados. Esta última asserção representa um ponto culminante em Jeremias. Somente o evento escatológico da cruz e da exaltação de Cristo capacita o autor de Hebreus a tirar sua conclusão radical a respeito da descontinuação. envelhecerão” (a única outra ocorrência dessa palavra no Novo Testamento é em Lc 12:33) É digno de nota que a seitaj udaica contemporânea de Qumran refere-se de modo explícito a si mesma como o povo da nova aliança. pp. mediante o profeta.10:9). Mas.NASB). Ex 6:7. enquanto NIV prefere usar um termo de menor impacto. como promessa. 74-81. No v. A palavra “primeira” é usada repeti­ damente na discussão que se segue. Veja-se D. Jr 7:23). de tal modo que fica implícito que a primeira aliança tomou-se ultrapassada (cf. 8:13 / Este versículo constitui um comentário em forma de ‘midras’ a respeito do significado da palavra nova (kainê). Ez 37:27.. embora entendessem que sua comunidade estivesse prestes a experimentar o cumprimento dessa profecia de Jeremias 31. NIV diz: “perdoarei as suas iniqüidades” (cf. ainda não se tomara realidade total enquanto a nova aliança não entrou em vigor (cf. No v. “The Prophecy o f the New Covenant in the Argument of Hebrews” — A Profecia da Nova Aliança na Discussão de Hebreus — RefThR 38 (1979). cf. RSV) eECA: serei misericordioso para com suas iniqüidades.18. Conhecimento do Senhor é uma expectativa escatológica muito comum entre os profetas do Antigo Testamento. cf. p le sio n (“vizinho”. na verdade o Senhor está declarando que a primeira [aliança] tomou-se transitória. Quando Deusfaladesta maneira.

17. “o”) santuário terrestre. “tenda”). a argumentação desta importante parte já foi antecipada (e.” Em Êxodo 26 encontramos as instruções para a edificação do tabernáculo.... Primeiramente o autor volta a atenção para o lugar: um (lit. à vista de sua . 9 :1 / Para que se compreenda o significado da obra de Cristo é essencial que se entenda tudo quanto no . A primeira (NIV e ECA corretamente acrescentam aliança) havia sido ordenada por Deus. 9:2 / A viagem turística do autor de Hebreus inicia-se com a primeira p a rte do tabernáculo (lit.Antigo Testamento aponta para o Senhor. que corresponde ao ritual do . 6-10). no que concernia tanto às ordenanças como ao lugar. 7:23-27). N esta seção o autor traça paralelismos e contrastes entre o ntual levítico antigo e a obra sacerdotal de Cristo com muitos pormenores. e o ritual sacrificial relacionado a ele (w . “apresentação dos pães”). Descrkão do Ritual do Anligo Testamento (Hebreus 9:1-10) Iniciamos agora uma seção longa (9:1— 10:18). O autor realiza esta tarefa utilizando as descrições fornecidas nos livros de Êxodo e Levítico. Grande parte da discussão travada até o presente momento teve exatamente isso mesmo como seu objetivo.. A primeira tarefa que o autor se propõe encetar é a descrição do ambiente físico do tabernáculo (w . Quanto à mesa e o candelabro.g. Nesse parte do santuário estavam o candelabro (o ‘m enorah’ de sete ramificações) e a m esa e os pães da proposição (lit. que muitos conside­ ram o coração da argumentação da carta.Antigo Testamento. N a verdade. 9:3-5 / O autor de Hebreus da mais espaço para a descrição do Santo dos S antos (traduzido por NIV como “o Lugar Santíssimo”). conhecidos popularmente como “os pães da Presença. 1-5). veja-se Êxodo 25:23-40. Só depois de prover o quadro histórico irá o autor voltar-se para a obra final de Cristo. tradicionalm ente cham ado de o Santo L u g ar.

S obre a a rca estavam os qu eru b in s da glória (lit. De acordo com o registro de Êxodo 30:1-6 (cf. conforme a tradição rabim ca. “querubins de glória”). ou “criaturas” dotadas de asas. e ao iniciar o substantivo “Glória” com m aiúscula. Em bora não possamos saber a que se assemelhavam esses querubins. não se excluindo a semelhança a seres humanos.. O segundo item no Santo dos Santos é a arca da aliança. onde o sumo sacerdote só podia entrar uma vez por ano (veja-se o v. Êx 40:26s. Esses seres voavam por sobre o propiciatório (c o b ria m o propiciatório. “para que não m orra. no deserto: um vaso de ouro. uma espécie de cortina que restringia o acesso à câmara íntima.” e não no “Lugar Santíssim o.” ou “Santo dos Santos”. Nm 16:40) que o autor de Hebreus automaticamente associa o altar de incenso ao Santo dos Santos. toda coberta de ouro (veja-se Êx 25:10-16.) este altar estava colocado “antes” ou “em frente da” (como diz NIV) da cortina. 7).150 (Hebreus 9:1-10) importância como lugar de expiação. pelo que estaria colocado dentro do “Santo Lugar. no Dia da Expiação (veja-se Lv 16:14s. que continha o m aná (veja-se Êx 16:13-33). 21). como símbolo da presença de Deus. o a lta r de ouro do incenso. Existe um pequeno problema com respeito ao prim eiro item que se m enciona estar presente no Santo dos Santos. Lv 16:2. é próprio que se fale de “seres” alados. em vez de simplesmente glória dos próprios querubins (cf. a v a ra de A rão . indicativo do propiciatório. veja-se Êx 25:18-20). por exemplo. Esta é a tradução que faz NIV e ECA. Neste recinto estavam três objetos especiais que relembravam a experiência de Israel no Sinai. cf. “habitação”). Dessa forma. Todo o seu interesse real gira em tom o do Dia da Expiação. a palavra veio a significar remoção de pecado (na verdade. a queima de incenso no Dia da Expiação era tão intensa.e.. a tradução alternativa das consoantes da palavra hebraica k p r perm ite esta . do termo técnico h ilasterion . apropriadamente.). NEB: “glória de Deus”). G lória aqui quase com certeza refere-se k sh ek in a h (i. que tinha brotado m iraculosamente (veja-se N m 17:8-10) e as táb u as da aliança. Essa cobertura da arca era o lugar em que o sacerdote aspergia o sangue do boi sacrificado e depois o do cabrito. ou tampa da arca (como aparece com regularidade em LXX). JB: “querubins gloriosos”).” Lv 16:13. Ao introduzir o artigo definido. a glória que repousava sobre a arca da aliança (cf. NIV legitim a­ m ente interpreta a frase como referência a Deus (cf. veja-se D t 10:3-5. tão vital (cf. Êx 40:34s. No entanto. Ficava depois do segundo véu (Êx 26:33). como verificamos pelos w . 1 Rs 8:9). 6-10.). dizia.

Tais funções envolvem a queim a de incenso. a qual se encontra em certas escritores contemporâneos. com toda certeza uma tradução grega do Antigo Testamento (LXX). O autor tem em mente. em 587 a.. ele o faz quando entra no segundo (lit. o tempo presente do indicativo é utilizado regularm en­ te nestes versículos) no primeiro tabernáculo (lit. de manhã e à tarde. \ 5 2 s : . “n a segunda tenda”). 9:6-7 / O ra . o sentido de “cobrir” e também de “purificar”). O autor contenta-se com esta breve descrição do ambiente físico do ritual levítico. todavia. ou quase contemporâneos. no Dia da Expiação (Lv 16:215. e só uma vez por ano. Ant. NASB) pelos nossos pecados. o autor evita o tipo de exegese alegórica irresponsável desses detalhes. É bem apropri­ ado que anotemos que aqui e no texto que se segue. é nesse ambiente que os sacerdotes desempenham suas funções. e colocação de pães frescos sobre a mesa. pelo que veio a ser traduzida por “assento de misericórdia” (Êx 26:34. em primeiro lugar.C. Em Romanos 3:25. W ar — G uerra— \ . Pompeu encon­ trou o mobiliário do templo. todos os sábados. isto é. como não se faz menção do conteúdo do Santo dos Santos. O sacerdote nio pode estar sem sangue (o qual é prescrito . podemos presumir que estava vazio (Josefo. volta-se para a questão mais importante do cumprimento da expiação nesse ambiente. (Ao entrar no templo. os quais teriam sido destruídos ou perdidos por ocasião da destruição do templo. única ocorrência dessa palavra em todo o Novo Testam en­ to. agora. “prim eira tenda”) a fim de cum prir suas funções sacerdotais (veja-se Nm 18:2-6). .. A expressão de contraste contém três principais pontos de diferença: Só o sumo sacerdote pode desem pe­ nhar o trabalho vital da expiação. Eles continua­ m ente en tra m (lit.(Hebreus 9:1-10) 151 conclusão. estando estas coisas assim p re p a ra d a s refere-se ao que foi descrito nos cinco versículos precedentes — a saber. a remoção dos pães velhos. a m anutenção das lâmpadas do candelabro. RSV). a partir de um a fonte literária.A n tig ü id a d e s — 14. pelo que aponta para sua competência nestas questões e.7 ls). ou como NIV diz: “um sacrifício de expiação. o trabalho diário dos sacerdotes comuns.” Fica aparente que o autor da carta aprendeu algo com o mobiliário do tabernáculo.. como Filo e Josefo (veja-se M ontefiore). Jesus é descrito como sendo a “expiação” (RSV) ou a “propiciação” (KJV. Isto é quase certo porque o Santo dos Santos no segundo templo dificilmente poderia ter abrigado todos os itens enumerados. Êx 30:10).

27. m ediante as Escrituras. para o autor de Hebreus e seus leitores. das quais os versículos precedentes haviam sido colhidos. sangue que oferece por si mesmo (este contraste já foi feito em 5:3 e 7:27) e pelos pecados de ignorância do povo. 9:9-10 / A necessidade contínua de uma “tenda externa. Dt 17:12). como agora é conhecida e proclamada. de tal modo que podemos aproximarmonos de Deus (cf. (Vejam-se Nm 15:30. com o vai com eçar a mostrar. ao lado da cortina antes do Santo dos Santos. as “ordenanças de culto sagrado” (mencio­ nadas em 9:1) exigiam vánas ofertas sacrificiais que. Por sua própria natureza a antiga aliança aponta para o que agora pode ser visto como seu cumprimento. do am biente físico e da prática cultual contínua. “deixa claro”). e não os pecados praticados “deliberadam ente” (de propósito). serve de parábola (lit. ao mesmo tempo. 13. ou seja. iniciando pelo v.152 (Hebreus 9:1-10) pela lei). Assim como a luz é derramada sobre a obra de Cristo. assim também o conheci­ mento do cumprimento trazido por Cristo ilumina o significado do tabernáculo e dos sacrifícios levíticos. não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto — devemos entender este conceito assim: “as ordenan­ . com isso. 17-19). 10:19-22). Em outras palavras. Quanto à consciência. 11. que o significado da obra de Cristo. a situação sob a antiga aliança. impedia o caminho para a presença de Deus. dem onstrava a futilidade da antiga aliança e.. “tom ado visível”). Esse futuro havia chegado agora. 5:15. é de tal ordem que exclui o povo de Deus da presença divina. apontava de modo decisivo para o futuro. O Espírito Santo estava dando a entender (lit. não-intencionais (veja-se Lv 4:1. incapazes de conduzir o adorador para o objetivo tencionado da salvação integral. o cumprimento das promessas de Deus continua a ser uma expecta­ tiva.” que por si só constituía um sintoma do problema da antiga aliança. 22. por isso. De acordo com a antiga situação. algo a ser experimentado.. pela sua antecipação na antiga aliança. Portanto. com sua proteção elaborada do Santo dos Santos. O autor de Hebreus quer dizer. é que o caminho nos foi esclarecido. 9:8 / Agora o autor tira daí uma lição. a existência contínua do primei ro tabernáculo que. NIV traz “ilustração”) p a ra o tem po presente. A frase técnica “pecados de ignorância” é alusão ao fato de que só se podia expiar os pecados involuntários. com isto que o caminho do Santo dos Santos ainda não está descoberto (lit. por sua própria natureza..

” As cláusu­ las da antiga aliança foram abolidas quando a nova aliança. encontra-se em Cristo. no v. As ordenanças (d ik a io m a ta ) que se tomam o centro de atenção nos w . A palavra portuguesa culto (la lreia ) refere-se de modo especifico ao culto no templo (c f o emprego do . ou pelo beber ou por causa dos dias de festa. o templo. ao objetivo colimado da salvação com pleta. ocorrido pela obra de Cristo (veja-se o comentário sobre 1:2). ou de sábados. com sua nova ordem. im postas apenas até à época da reform a. Estas são sombras das coisas futuras. porém. todo o sistema levítico e toda a legislação mosaica sobre a qual tal sistema repousa. 6-10. Já chegou o tempo do cumprimento. 6-10 (ve|a-se de modo especial o v 9). Esta análise encontra-se nos versículos que se seguem imediatamente após a passagem que estudamos.(Hebreus 9:1-10) 153 ças não conseguem trazer a pessoa verdadeira. seu ser íntimo. Pelo que o autor da carta já escreveu. Finalmente. nãoconvencida. ela existe em sua consciência” (p.” A consciência perturbadora. e também nos quatro seguintes.. pois. a realidade. Chegou. Notas Adicionais # 17 9:1 / Os verbos no pretérito neste versículo. e por isso não existe mais Tais verbos indicam ações no passado. bebidas e v árias abluções. envolvendo com ida. 196). Se isto for verdade. mas referem-se ao fato de retratarem a origem do tabernáculo e de seu sucessor. passou a vigorar. A discussão do autor. e não material. faz-nos lem brar da perspectiva de Paulo em Colossenses 2:16-17: “Portanto. são mencionados como coisas “externas” (ou “carnais”) e temporárias. E por isso que F. nesta circunstância é evidência do fracasso do antigo sistema. devemos enfatizai que estas ordenanças são apenas temporárias. em face dos resultados a que se chegou em 8:13. aqui. fica bem claro que ele considera a reform a como algo já em andamento. Cristo cumpre as antecipações da antiga aliança e deixa clara a salvação que Deus objetivou desde o princípio para seu povo. do adorador. “carnais”). uma época nova. ninguém vos julgue pelo comer. A confirmação disto nós a encontramos no uso dos verbos no presente nos w . A razão da incapacidade das providências e arranjos da antiga aliança é que estes se limitavam apenas a ordenanças externas (lit. chegou ao fim. ou de lua nova. De fato esta conclusão é inescapável. o tempo da reform a e do cumprimento das promessas divinas. não implicam em que a situação aqui descrita pertence ao passado.F. Bruce escreve: “A barreira realmente efetiva que impede o livre acesso do homem a Deus é de natureza espiritual. 10.

7). 3. A palavra grega do texto original. todos os sábados (veja-se Lv 24:59). Embora a palavra grega usada aqui para a lta r (thym iaterion) não fosse empregada para referir-se ao altar de incenso. kataskeuazo. Quanto a “tabernáculo” (i. pp.” como o fizeram alguns nojudaísmo helenístico. vol. 9:21). A palavra grega para santuário é to hagion (“o lugar santo”). Nm 18:7). essa singula­ ridade foi removida. é improvável que o autor tenha em mente que entendamos que o “primeiro” é o “terrestre” e o “segundo. Todavia. o “primeiro véu” separava o Lugar Santo do pátio do tabernáculo. vejam-se também 9:12. na LXX. e traduzem prim eira parte e. veja-se a discussão longa de StrackBillerbeck. cf. veja-se a nota sobre 8:2. a “primeira” aqui e nos w . 7 A varaque floresceu demonstrou a legitimidade única de Arão eda tribo de Levi. é a mesma palavra traduzida por “edificou” em 3:3s. traduzida por foi preparado. 3. junto . no entanto. no serviço sacerdotal do altar (cf. 9:11. Quanto a Santo L ugar (hagia) e Santo dos Santos. 25.” (Barclay traduz este termo por “pertencente a este mundo”). à face da discussão do cap. 6 e 8.” sem o artigo). 13:11 (com o artigo definido). os quais também observam de modo explícito (com o Talmude Babilónico) que no segundo templo o altar do incenso estava no Lugar Santo com o candelabro e a mesa. NIV e ECA seguem Exodo. no v. Ele poderá querer dizer nada mais do que “externo” e “interno”. em Hebreus. o autor emprega a tradução literal das palavras hebraicas para tabernáculo. Neste versículo e nos seguintes. da forma como NIV entende as palavras gregas. visto que para esse autor o ambiente mosaico total representa a figura terrena da realidade superior. e a “segunda” [a interna]. na verdade. 10:19. e em 6:19 e 10:20. “no segundo [tabernáculo]” e “primeiro tabernáculo. “tenda”).” o “celestial. e 9:24 (“em santuá­ rio. que se encontram na LXX (onde. Tecnicamente. Parece que a vara de Arão assume grande importância. 9:2 / Enquanto em Exodo 26:33 a tenda é dividida em dois compartimen­ tos. o artigo definido é usado). é usada assim pelas autoridades contemporâneas. 6-7. como Filo e Josefo. foi cancelada de vez peio sumo sacerdote da ordem de Melquisedeque. que define a ordem “criada. 9:3-5 / Segundo véu: era o que separava o Santo dos Santos do Lugar Santo.e. Pães da proposição refere-se a doze pães frescos que eram colocados sobre a mesa. nos w . Quanto a Santo dos Santos.. no Lugar Santo.” No entanto.5. A palavra grega para véu (katapetasm a) ocorre somente aqui. 24). O adjetivo grego que corresponde a terrestre é kosmikon. o vasilhame contendo o maná. o autor de Hebreus fala aparentemente de duas tendas (cf. 704-41. (hagia hagion) do v.154 (Hebreus 9:1-10) verbo cognato em 8:5 e 9:9). Em outras passagens o autor se refere a toda a estrutura como sendo um “tabernáculo” singelo (8. Há intenção de estabelecer-se o contraste com o santuário “celestial” já mencionado (8:5.

mas refere-se a uma vez no ano. A obra sacerdotal descrita no Antigo Testamento também tem o seu “uma vez”. Esta é a primeira de muitas referências ao sangue dos sacrifícios neste capítulo e nos seguintes. Behm. junto à necessidade de sacrifício. hilasm os. O tempo presente do verbo no v. Lv 17:11). Q u a n t o ao significado de sangue na Bíblia. vol. está implícito no v. A santidade da vida e. Veja-se a nota a respeito de sua primeira ocorrência. 9 e 14. visto terem sido outorgadas no contexto da própria aliança. As palavras u ma vez são muito importantes para o autor de Hebreus em sua descrição da obra de Cristo. ainda que fosse uma possibilidade (assim pensa. As palavras gregas para pecados de ignorância do povo (agn oem ata . Lohse. 1. Link e C. 1 Rs 8:9). Brown. O verbo cognato (latreu o ) já foi utilizado em 8:5 (“servem”) e ocorre de novo nos w . Quanto a estas palavras. 6 não demonstra que o culto era praticado nos dias do autor de Hebreus. 9:22. Quanto a querubins veja-se E. veja-se J. O “segundo” tabernáculo. 1. o “interno” embora não tenha sido mencionado explicitamente antes. Embora a expressão “propiciatório” (hilasteriori) ocorra somente aqui e em Romanos 3:25. O substantivo dele derivado. pp. por isso. por exemplo. isto é.. vejam-se H. 3. o substantivo tábuas esconde o restritivo “de pedra” (cf. A palavra grega traduzida por serviços (latreia ) é a mesma que se traduz por “culto” no v. A descrição do trabalho do sumo sacerdote. em 2 Coríntios 3 :3 em que. a santidade do sangue. como aqui. vol. vol. “ ignoràncias”) aparece apenas aqui em todo o Novo Testamento.14 e 17). em 5:1. A fidelidade à aliança envolvia a guarda dos mandamentos. em todo o Novo Testamento. 14866 . o verbo cognato grego “expiar” (hüaskom ai ) ocorre em 2:17 e em Lucas 18:13. Só existe uma única ocorrência da palavra “tábuas” ip la x ) em outra passagem. do livro. lit. 2. segue de perto o relato de Levítico 16:11-15. 12 e 14 abaixo (e fica implícita em 2:9. em que ele oferece primeiro por seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo.G. pp. No entanto. TDNT. ou “primeira parte” a que se refere o v. Ex 32:16). As tábuas da aliança têm designação apropriada.438s. quando o que . pp. A palavra grega traduzida por o ferece (p ro sp h e rõ ) é muito freqüentemente utilizada pelo autor de Hebreus. 3. Hughes). 20-28). ficaram ao lado e não dentro da arca (cf. 12. 9. A menção de sangue no contexto da oferta pela expiação sempre pressupõe a morte da vítima sacrificial.(Hebreus 9:1-10) 155 com a vara de Arão. indicam o elevado custo da expiação (cf. 9:6-7 / O prim eiro tabernáculo é o exterior. encontra-se em 1 João 2:2 e 4:10. bem diferente do caráter definitivo (“de uma vez vez por todas”) da obra de Cristo como sumo sacerdote (vejam-se os w . NIDNTT. com referência em ambos os lugares ao serviço sacerdotal. 172-77.TDNT. A importância central do sangue de Cnsto surge com preeminência primeiramente nos w .

“Pnmeiro tabernáculo” entendido com este sentido implica na falta de acesso ao Santo dos Santos.. 10:2. Assim. Em várias referências a serem consultadas (w . ao descrever o ritual do templo (e. o mártir.” ou hagia. 6-8 como o antecedente (e explicar o gênero feminino do pronome relativo por atração do termoparabole). também é possível que se entenda a totalidade dos w . com sua referência ao primeiro tabernáculo. vol. a passagem faz sentido se considerarmos o uso que o autor faz de “pnmeiro tabernáculo” como coerente. pelo que é representativo de todo o sistema sacrificial. Veja-se a nota sobre 2:10.” no versículo seguinte. 9:9-10 / O antecedente.” E antecedente apropriado e faz sentido. Lv 16). 10:15). pois ocorre cinco vezes (vejam-se 9:14. 7..” Assim é que alguns eruditos (e. Descoberto (lit. 13:18). ou nome a que se refere o pronome da cláusula “esta é uma parábola” (NIV: “esta é uma ilustração”) não está bem claro O entendimento mais lógico e natural é que o pronome se refere ao “primeiro tabernáculo. Veja-se W Michaelis. uma só palavra gregaéutilizadaparareferir-se ao Santo dos Santos (como é o caso freqüentemente na LXX. Justino. A expressão grega traduzida por Santo dos Santos é hagia hagiõn.. “completo. JB. O contexto. Para o tempo presente entende-se claramente que se trata da época do autor e de seus leitores. sugere que o autor se refere à câmara localizada na parte mais interna. 10:19. Clemente de Roma.” “perfeito”) é tradução de uma das palavras favoritas do autor de Hebreus (teleioõ). Reflete a pessoa . e. o Santo dos Santos. pp 375ss. No entanto.3. TDNT. No entanto.156 (Hebreus 9:1-10) se tem em mira é o ritual do templo.g. refletindo o caráter normativo da lei. 24e25.g. o presente do indicativo é empregado. sendo isso o que o autor considera mais apropriadamente como “parábola. 12. e entendermos o Lugar Santo aqui como sendo o compartimento externo do santuário (como RSV. No entanto. muitos escritores que escreveram após a destruição do templo continuaram a empregar o tempo presente. N este caso é o passado que tem uma mensagem para o presente Em que se oferecem tanto dons como sacrifícios é linguagem (no grego e em NIV e ECA) que ocorre quase literalmente em duas outras passagens: 5:1 e í. Bruce) argumentam que “o primeiro tabernáculo” aqui se refere ao santuário todo da “primeira” aliança (como o dizem NIV e NEB). deve-se notar que é possível fazer-se uma exegese diferente de “primeiro tabernáculo. 9:8 / Em duas outras passagens o Espírito Santo é mencionado como sendo a Pessoa que fala.g. 22. No entanto. 13:11). A palavra consciência (svneidesis) é importante para o autor da carta. NASB). enquanto em 9:2 temos “o Santo Lugar. no texto do Antigo Testamento (3:7. e a literatura rabínica). isto por si mesmo não significa necessariamente (e nem mesmo implica) que o ritual sacrificial ainda estivesse em andamento à época da redação da carta.

Ordenanças externas (ou “da carne”) faz contraste deliberado com o que está na raiz do problema. 9.S. e traz julgamento sobre o bem-estar. . Quanto ao significado do cap.g. 198-210. a verdadeira pessoa. G. Young.. pp. pp. “The Gospel According to Hebrews 9.” — O Evangelho de Acordo com Hebreus 9 — NTS 27 ( 1981). várias abluções refere-se a ritos purificado­ res (e.(Hebreus 9:1-10) 157 interior. A palavra para reforma (NIV: “nova ordem”) é dio ríh o sis. 145-54. ou falta de bem-estar da pessoa. como um todo. com toda probabilidade inclui. o íntimo do ser. “Conscience” — Consciência — em EBT.” — O Sentido e a Função d e sy n eyd êsis em Hebreus 9 e 10 — R estQ 28 (1985-86). Quanto aestes versículos. veja-se N. “On the Imagery and Significance of Hebrews 9. representado pela consciência.H. veja-se J. não aparecendo na LXX. Comida e bebidas referem-se a estipulações da legislação dietética (e. 15).” — Imagens e Significados de Hebreus 9:9-10 — CBQ 28 (1966). Spicq. Aquele que presta o culto (“o adorador”) ou a pessoa que desenvolve este trabalho sacerdotal. Veja-se C. os crentes comuns que realizam essa obra mediante os sacerdotes. Selby.. Lv 11). Lv 14. “The Meaning and Function o f sy n eid esis in Hebrews9and 10. e ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. pp.g. 131-34. pp 155-73. além dos sacerdotes. Swetnam.9-10.

O maior e mais perfeito tabernáculo. 11-12 transform a-se em duas orações separadas em NIV. constitui inferência apropriada do particípio aoristo. a saber. não desta criação. Fica demonstrado agora de m odo convincente que. deve manterse sob tensão com as afirmações de “futura escatologia” que se encontram no livro (e. A orientação do autor de Hebreus é claramente na direção da presente experiência das boas coisas que se fizeram possíveis mediante a obra de Cristo como nosso Sumo Sacerdote. se tom aram participantes da nova aliança. conservam -se como no original. refere-se naturalmente à verdade de que a cópia não passava de som bra (cf. estas. .. não feito por mãos (lit. como sua contrapartida final. de que o sacerdócio levítico é mera sombra. isto é. o “santuáno celeste. A Natureza Definitiva da Obra de Cristo (Hebreus 9:11-14) Chegamos agora à primeira declaração detalhada da natureza definiti­ va da obra de Cristo — argumento que será reestabelecido de diversas formas antes de atingirmos o final desta grande seção da carta. Os bens já realizados referem-se ao grau de cumprimento escatológico que se atingiu pelas pessoas que.. na cruz. em ECA. O foco está voltado com clareza para o que se realizou mediante a obra de Cristo. Só estas palavras são apropriadas para descrever o que o autor expõe. se posta a seu lado mostra forte contraste. 9:28. “não feito por mãos humanas”).g.” ou lugar da presença real do próprio Deus (veja-se 9:24). “cum prida”. 8:2-5). Esta nota de “escatologia realizada”. 6:11. A longa sentença grega que forma os w . A obra de Cristo é final. Cristo é a verdade. 10:25). 9:11 / Embora o advérbio já não se encontre no texto original grego. em bora a obra de Cristo corresponda com abundância de minúcias à do sacerdócio levítico. isto é. em 10:18. que se encontra no início do livro (na referência a “últim os dias” de 1:2) bem como em outras seções (veja-se de modo especial 12:18-24). em Cristo. 18. definitiva. absoluta. completa e perfeita. o padrão perfeito a ser copiado.18.

” traduzida por NIV como “cerimonialmente impuro” e contam inados. 9:14 / Mas o sangue de C risto incomparavelmente superior. tais cerimônias só eram eficazes para um tipo de purificação. com esta linguagem o autor tenciona cnar um contraste agudo com o caráter provisório daquilo que foi realizado pelo oferecimento de sangue de animais. 14 inicia-se com um “quanto mais” comparativo de superioridade. quanto à purificação da carne. com o que se obtém “água purificadora. Esta tradução tem o apoio da palavra grega que significa “im undo. a que livra da contaminação cenmonial. traz-nos a realidade de uma purificação muitíssimo mais importante.(Hebreus 9:11-14) 159 9:12 / O tab ern ácu lo mencionado no versículo anterior. Encontra-se nova ênfase na salvação realizada por Cristo também em 5:9 (cf... A oferta de seu próprio sangue é tão superior que produziu um a etern a redenção. 13:20). sua conseqüência é um a etern a redenção. Assim foi que Cristo en tro u no Santo dos Santos. por exemplo. Lv 16:15-16) e a aspersão dos transgressores com as cinzas de um a novilha — misturadas à água. por ECA. Mas como nota F. Cristo se . 4:14). ou “pelo seu próprio sangue. oferta pelo pecado” (Nm 19:9. 13 e 14 formam um longo período no texto original grego. A superioridade da realização de Cristo é. Visto que sua obra é um a vez p or todas. o autor deixa de declarar que Cristo levou seu sangue ao Santo dos Santos.F. ele havia penetrado “nos céus”. no entanto. o v.. não feita por mãos. NIV enfatiza esse aspecto ao dizer: “de modo que ficavam externamente limpos” e ECA: s a n tific a . 9 :1 3 /O s w . ao aparecimento de Cristo e oferecimento de seu sangue no santuário celestial. portanto. isto é. A necessidade de uma oferta cruenta fica salientada nos w . Bruce. O texto original diz simplesmente que foi mediante. 17-19) — purificava os israelitas apenas no exterior físico. o lugar onde está “a face de Deus” (9:24). 18 e 22. mas mediante seu p ró p rio sangue. Trata-se da realidade celestial. não é algo por que Cristo passou a fim de chegar ao Santo dos Santos (como. envolvendo o sangue de bodes e de touros (cf. Isto equivaleria a levar a analogia longe demais. 13 inicia-se com um “se” condicional. não com a aspersão do sangue de bodes e de touros.. resultando em que a expiação passa a depender de algo subseqüente à cruz. Portanto.” que Cristo entrou de um a vez por todas no Santo dos Santos. e o v. qualitativa (intrínseca) e temporal (transcende o próprio tempo). Os rituais do Antigo Testa­ mento. isto é.

Em bora a interpre­ tação dessa frase seja excepcionalm ente difícil. Em outras palavras. Somente mediante o cum prim ento trazido pelo supremo sacrifício..g. assim. “sem culpa”) a Deus. NIV traduziu por “de atos que induzem à m orte. ou talvez reflita o relacionamento existente entre o Espírito e o “Servo do Senhor” de Israel. O novo tipo de purificação que se fez possível por este oferecim en­ to de Cristo é descrito como a purificação das consciências. 1 Pe 2:5). A despeito de o autor de Hebreus minim izar o ritual levítico. e nunca o relaciona ao arrependim ento. a saber.160 (Hebreus 9:11-14) ofereceu a si mesmo imaculado (lit. Os que experimentaram a nova purificação — a da consciência — agora estão capacitados verdadeiramente a servir ao Deus vivo. e isto foi efetuado pelo Espírito eterno — outra indicação da grande diferença entre a oferenda de Cristo e as do sacerdócio levítico. “feito uma vez por todas. 10. O Espírito é a agência por excelência que desenvolverá a vontade salvífica de Deus. A palavra “servir” aqui ( la tr e u o ) é intencionalm ente a mesma utilizada antes para designar o trabalho sacerdotal (e. Só devemos esperar. 53:5-6. 9:9). as obras pecam inosas que nos deveriam conduzir ao arrepen­ dimento. portanto.. com o o foi noutras passagens do Novo Testamento (e. Talvez seja uma alusão à grande im por­ tância do Espírito por todo o ministério de Jesus. nunca o considera pecam inoso. que nossa “eterna redenção” (v. Das obras m ortas de ECA.. que vale a pena mostrar os seus vários elem entos em duas partes comparativas: . e tão básico para o texto que se segue (que na verdade é apenas uma elaboração do que já foi declarado).” tom ou-se possível chegar ao alvo de servir a Deus. envolve muito mais do que a purificação da cam e de contaminação cerimonial. Espírito eterno provavel­ mente significa o Espírito Santo. Tão significativo é o contraste traçado nesta passagem. 12).g. Rm 12:1. 8:5. A linguagem do culto foi espiritualizada aqui. que acaba oferecendo sua vida pelos pecados do povo (Is 42:1. 12) seja realizada mediante a oferta de Cristo pelo Espírito eterno. a purificação penetra nos recessos mais íntimos de nossa perso­ nalidade e.” E quase certo que essa expressão significa o que está escrito em 6 :1.

a respeito da nova aliança. e neste mesmo capitulo (v. onde tem o mesmo sentido. 14 (9:15) • santifica os contaminados. Com base tanto na antigüidade como na diversidade dos testemu­ nhos. bebidas. 12 • ordenanças de comida. Notas adicionais # 18 9:11 / Alguns manuscritos trazem. ou “não feito pelo homem” ocorre só mais uma vez em Hebreus. Observe-se também a utilização do texto de Jeremias de novo. 9:1 • entrou no Santo dos Santos. v.. 10-14) • oferecer cada dia. v. até à. 24). o texto de ECA e preferível. 12(9:25-28. Quanto à importância que o autor da carta atribui ao título “sumo sacerdote. 11 (9:23-24. v. reforma. “as boas coisas vindouras. sombra.” veja-se a nota sobre 2:17 A expressão “não feito por mãos. v. imagem.” (c h eiro p o iê to s ). 12 (10:4-10) • sangue de bodes e bezerros.. uma vez no ano. A construção “boas coisas vindouras” provavelmente se deve à influência das mesmas palavras encontradas em 10:1. 9:12(9:18-22) • havendo obtido uma eterna redenção. v.(Hebreus 9:11-14) 161 Coisas novas Coisas antigas • os bens já realizados. 10:1 • maior e mais perfeito tabernáculo. 8:5.” e dessa forma configuram o versículo como falando de realizações do futuro em vez do presente. 9:13 Que o conteúdo dos novos elementos correspondem às promessas feitas a Jeremias. no fmal desta parte importante da carta (10:16-18).. 11 (9:24) • santuário terrestre (feito pelo homem). 10:1) • figura. v. 9:10 • purificará a nossa consciência. confirma-se pela declaração explícita do versículo seguinte. 10:1-3.. Vánas outras ocorrências desta . 7:27. uma vez por todas. 9:7 • pelo seu próprio sangue.

4. indica que a salvação já havia sido conseguida (na cruz). Santo dos Santos é tradução interpretativa correta de ECA da expressão grega ta h agia (lit. 13. KJV.11. quando quer referirse a “salvação” (s o te r ia . A referência a seu próprio sangue (cf. tabernáculo”) e prosseguindo no v. sobre a qual veja-se a nota de 2:3). esta opinião é bastante improvável. 17:24). vol. Veja-se J. 9:12 / Iniciando-se com o v. veja-se 1 Pd 1:18).. 13:12.” Está claríssimo que o autor não tem em mente o Lugar Santo descrito em 9:2. lemos “touros”). não de si mesmo ” Noutras passagens lemos que Cristo “ofereceu-se a si mesmo” (7:27) e da “oferta do corpo de Jesus Cristo” (10:10). “os santos”). 25.162 (Hebreus 9:11-14) palavra no Novo Testamento fazem referência a um sentimento anti-templo. pp 340-56. mas o que mencionou em 9:3. Uma vez por todas é expressão indispensável na argumentação do autor da carta (veja-se a nota sobre 7:27). 17). O sentido não é muito diferente do sentido da palavra comumente usada pelo autor da carta. At 7:48. A palavra redenção (ly trõ sis) ocorre em Hebreus apenas aqui (as outras únicas ocorrências no Novo Testamento são Lucas 1:68 e 2:38. e nos que se lhe seguem. A mesma expressão grega é usada para o Santo dos Santos em 9:8 (veja-se também 9:24.” mas “pelo seu próprio sangue”) temos uma série de frases governadas pela repetida preposição “por” (“por meio de. veja-se a nota sobre 9:7. “lugar santo. TDNT. 12 (“não por meio de sangue de bodes e bezerros. n ão desta criação (contraste-se o ponto de vista da encarnação expressa em 2:14. Esta preposição também se pode traduzir por “em virtude de” ou “por causa de. no entanto. O fato de a expressão verbal havendo obtido no grego corresponder a um participio aonsto. 13:11). visto que a humanidade de Cristo deixaria de ser parte da criação. Todavia.” “pelo”) que no grego é dia. Quanto à importância de “sangue” neste capítulo. Alguns têm considerado essas palavras um maior e mais perfeito tabernáculo. algo que provavelmente era compartilhado pelo autor de Hebreus (Mc 14:58.. que argumenta que “o maior e mais perfeito tabernáculo” refere-se ao Corpo Eucarístico de Cristo. Swetnam.” — O Maior e Mais Perfeito Tabernáculo: Uma Contribuição para a Discussão de Hebreus 9:11 — Bíblica 47 (1966). 10:19.. quanto ao verbo. “The Greater and More Perfect Tent: A Contribution to the Discussion o f Hebrews 9. pelo que qualquer idéia de uma apresentação subsequente do sangue de . veja-se F Büschel. pp 91-106. como referência à encarnação de Jesus (cf. a segunda e última ocorrência desta expressão) pode ser posta em contraste com 9:25.” A expressão o sangue de bodes e bezerros também a encontramos nos w . 11 (“por meio de um. no entanto. RSV e NASB retêm o sentido literal. em que um sumo sacerdote humano necessariamente depende de “sangue que não é de outrem. 19 e 10:4 (onde. a nota sobre 8:2). Quanto a fytrosis e outras palavras relacionadas a esta.

vol. 21:28). 15:11-20. “tom ar comum”). palavra utilizada apenas aqui em Hebreus. consulte-se a longa dissertação “The Blood o f Jesus and His Heavenly Priesthood. mediante o acréscimo de “de Cristo”). At 10:15. Caso o autor tivesse em mente o Espírito do próprio Senhor Jesus. O autor de Hebreus gosta bastante desta ilustração. 10:10. A palavra grega traduzida por santifica (h ag ia zo ). 329-54.g.. em outras passagens de Hebreus é usada para a purificação (“colocação à parte” num sentido moral) dos cristãos (cf. Lv . a referência seria à natureza única.. 3. usadas no ritual de purificação. Hebrews 9:11-14. 9:13 / Esta é a única referência no Novo Testamento às cinzas do bezerro. veja-se K. pp. 789-809. a referência ao Espírito (embora não haja artigo definido. 9:14 / Muitos comentaristas (e.29.. Temos aqui algo que tipifica a eficácia limitada da prática cultual do Antigo Testamento. porque o pecado que era removido mediante esse rito relacionava-se à contaminação cerimonial. veja-se anota sobre 5:1 A palavra imaculado significa literalmente “sem culpa” (a m o m o s ). constituindo alusão deliberada à exigência da lei cerimonial do Antigo Testamento que o animal sacrificial fosse “sem mancha ou defeito” (e. singular. Só depois de nossa salvação ter sido assegurada é que Cristo ascendeu ao céu. 7. que capacita o Senhor a realizar seu sacrifício perfeito. aqui. pp. vol. 164-68. 14.” — A Salvação Proclamada: III. pp.g. Schweizer. de acordo com Números 19. Montefiore.. de Cristo.(Hebreus 9:11-14) 163 Cristo no santuário celestial fica afastada. Quanto à aspersão e purificação cerimonial. era a decorrente de alguém ter tocado um cadáver (Nm 31:23). cultual. vol. pp. pessoal. Quanto à passagem toda. por causa do adjetivo “eterno”) teria sido entendida pelos leitores de Hebreus como se fora o Espírito Santo. TDNT. Quanto ao uso de “carne” (sarx) em Hebreus. que é eterno em sua natureza. em outras partes do Novo Testamento (Mc 7:15-23. Note-se que até agora não se fez nenhuma menção ao Espírito eterno. 141 s. 976-84. veja-se F Hauck. 6. trata-se do Espirito. C ontam inados é tradução da palavra grega k o in o õ (lit. 11:9. No entanto. mas ao Espírito pessoal do próprio Cristo. Hughes. tê-lo-ia indicado sem equívocos (e. Hunzinger. de Jesus. veja-se C H. veja-se E. H ebreus9:l 1-14 — E xpT 93 (1982). Quanto a esta pergunta e outras que se lhe relacionam. pp. Delitzsch) prefe­ rem ensinar que Espírito eterno não diz respeito ao Espírito Santo (como alguns manuscritos trazem). TDNT. Grayston. A contaminação específica que era eliminada pelas “abluções” cerimoniais. 2:11. TDNT. Quanto à importância do verbo ofereceu (p ro sp h e ro ). pessoal. conquanto tenha sentido cerimonial. mas que é usada com a mesma conotação de imundicia cerimonial.g.” — O Sangue de Jesus e Seu Sacerdócio Celestial— em Hughes. Quanto a esse assunto de contaminação cerimonial. Portanto. “Salvation Proclaimed: III. 13:12).

2 C o 3 :3 . a expressão a nossa consciência é preferível.164 (Hebreus 9:11-14) 14:10. 10:31.g. 9) — realiza-se agora por meio de Cristo. 1 Pe 1:19). O que não poderia ser realizado pelo antigo sistema sacrificial — a purificação da consciência (veja-se o v.26:63.1 Tm 3:15. 12:22). Mt 16:16. “Atos conducentes à morte” ou obras mortas é expressão que contrasta violentamente com o culto a Deus (para servirmos ao Deus vivo).” mas em razão de o autor da carta reservar a segunda pessoa para suas seções de exortação.” veja-se a nota a respeito de 9:9 Um número igual de manuscritos-chaves trazem “vossas consciências. Ap 15:7. cf. . Esta é a forma usual hebraica dereferir-seaDeus(e.. c f Hb 3:12.4:10. Quanto à “consciência.

que não consegue obedecerás exigências da antiga aliança (cf. (No texto original. Isto fortalece o tema do cumprimento das promessas do Antigo Testamento na igreja (c f 13:20).” A base da nova situação é intervindo a m o rte [de Cristo] p a ra rem issão dos pecados. 9:15 / P o r isso — por causa de sua morte — ele (NIV altera para “Cristo”) é o m ediador de um a nova aliança. . A redenção ou libertação é dos pecados (lit.1 9 . 10:17-18). O sacrifício de Cristo é a resposta ou a solução para o pecado em todas as eras. 8:12. visto que só ele é o meio de perdão. A base desta nova aliança e seu recebimento pelos cham ados fica agora estabelecida. o derramamento de sangue é essencial tanto para a antiga como para a nova aliança. enquanto NIV coloca a base em último lugar. Assim. A existência e experiência da nova aliança pelos cristãos dependem totalmente da morte de Cristo. os crentes se libertam do jugo do pecado (cf. 0 Sacrifício de Cristo: 0 Fundamento da Hova Aliança (Hebreus 9:15-22) O autor da carta volta a atenção para a relação da morte sacrificial de Cristo com o estabelecim ento da nova aliança.. O autor já mencio­ nou um chamado especial recebido pelos cristãos mediante a pregação do evangelho em 3:1. 12). a citação em 8:812 e 10:16-17). O perdão concedido e experimentado durante os tem pos do Antigo Testamento dependia. no passado e no presente. O resultado da inauguração da nova aliança é: que os cham ados recebam a prom essa da h erança eterna. a nova aliança encerra dentro de si a resposta para o fracasso do homem. Por isso. mas no sacrifício de Cristo. finalmente — embora este conceito dificil­ mente era entendido nessa época — de um acontecimento que ocorreria no futuro. a referência à “eterna redenção” no v. Fica bem claro que o autor tem em mente a nova aliança de que Jeremias falou (cf. isto é. a base é explicada antes do resulta­ do. “transgressões”) cometidos sob a prim eira aliança. E significativo que o autor usa conceitos tipicam ente judaicos de “prom essa” e “herança” aqui (cf. apresentando-a com as palavras “agora que. A verdadeira solução para os pecados cometidos contra a lei de Moisés não se encontra no sacrifício de animais. 6:17).

166 (Hebreus 9:15-22) 9:16-18 / Neste ponto. deve estar reunindo textos de partes diferentes do Antigo Testamento (e. Paulo fez o mesmo em Gálatas 3:15-17. Um argumento que favorece esta últim a sugestão é a associação de Êxodo 24 com Levítico 19 na leitura bíblica na sinagoga. agora o autor muda para o outro sentido. Nm 19:18-19.. Isto se fez explícito mediante a citação de Êxodo 24:8 no v. Outras diferenças entre nossa passagem e Êxodo 24 incluem a falta da menção da aspersão do p róprio livro e as referências a sangue dos bezerros. Seja com o for. a saber. O argumento é transparente: o testam ento de uma pessoa não é válido enquanto não ocorrer a m orte do testador. Pois assim como é necessário que haja a morte do testador para que seu testam ento entre em vigor. o autor da carta faz uso da vantagem do significado duplo da palavra grega d ia th e k ê . Se o autor da carta estiver usando uma fonte especial que já não está mais à nossa disposição. Mas em Núm eros 19:18. Mt 26:28) na verdade serve num a função . eram elem entos importantíssimos no estabelecimento da aliança entre Deus e Israel. em bora se use o hissopo. 14:4). ainda que aqui a discussão seja um pouco diferente. NIV e ECA expressam a linguagem concisa do original com clareza e eficiência. O san g u e da aliança (cf. Êx 12:22. lã p u rp ú re a e hissopo (NIV acrescenta ram os de).g. assim também no caso de uma “aliança” é necessário que haja morte. e a instauração real da aliança mediante a aspersão do sangue. o ponto central de tudo isto se tom a claro: o sacrifício de animais e a aspersão ritualística de alguns objetos especiais com sangue. Tendo entendido tal palavra com o sentido de “aliança”. 20. lemos que o sacerdote aspergiu com sangue o tab ern ácu lo e todos os vasos do m inistério sagrado. a aspersão é feita com água em vez de sangue. Em Números 19:18 também encontramos referências à aspersão do sangue na tenda e em seu mobiliário. 9:19-21 / O autor da carta primeiramente mostra a íntima conexão existente entre a atribuição da lei por Moisés. 19. para que ela seja válida. ág u a. Assim é que a p rim eira (NIV e ECA corretamente acrescentam a palavra alian ça) foi inaugurada com o sangue de uma vítima sacrificial. Parece que a cerim ônia descrita pelo autor da carta é aquela m encionada em Êxodo 24:3-8. ainda que vários itens da passagem que estamos estudando não se encontrem ali. Os três próxim os versículos demonstram este ponto com algumas minúcias. como na passagem que estamos estudando. de testam ento. Lv 8:15.

ocorre de novo em 12:24 (onde. o sangue da aliança confirmava a realidade desse pacto. 9:15. E neces­ sário sangue para a ratificação de uma aliança. Notas Adicionais # /9 9:15 / Quanto a nova aliança. as pessoas que não tinham meios pecuniários de fazer sacrifícios de animais. Em bora seja verdade que no Antigo Testamento havia a exigência de derramamento de sangue para as purificações cerim o­ niais. 26. . Cl 1:14). mediador de uma nova aliança. 14-15. Cnsto Jesus. é o sangue que faz expiação pela vida. Assim. pelo que vo-lo tenho dado para fazer expiação pelas vossas vidas sobre o altar. Só em Hebreus há referência à aliança mosaica como sendo a primeira aliança (veja-se a nota . é enfatizada em Levítico 17:11: “A vida da carne está no sangue. em particular no caso de um a nova aliança com sua prom essa de perdão definitivo de pecados (cf. que o autor da carta tem em mente. E f 1:7.(Hebreus 9:15-22) 167 confirmadora mediante a qual ambas as partes se obrigam a ser fiéis (o que explica o fato de NIV ter acrescentado o verbo “guardar”) às ordenanças da aliança. e enfatizava a im portância da fidelidade ao Senhor que o celebrara com seu povo. Em outra passagem. Assim. em 1 Timóteo 2:5. onde a palavra se refere a pecados cometidos sob a dispensação de Moisés. veja-se também 2:9.” Quanto ao significado expiador da morte de Cristo. em Hebreus (quanto a paralelismos desse uso. talvez. permitiam-se algumas exceções. A importância central do sangue para o perdão de pecados. A parte que fosse infiel estaria sujeita ao mesmo destino do animal sacrificado. um só Mediador entre Deus e os homens. Remissão dos pecados é tradução da palavra grega apolytrosis. veja-se a nota sobre 8:8. sendo isto. no entanto. A palavra mediador já foi utilizada em 8:6 (“mediador de superior aliança”). homem. a palavra “nova” é n eos em vez de kainos).” Provavelmente é esta perspectiva que permite ao autor da carta escrever que sem d erram am en to de sangue não há remissão. A mesma expressão. no entanto. mas a palavra cognata ly trõ sis ocorre em 9:12 (veja-se a nota ali). nem mesmo de pombas ou rolas. 10:18). pelos quais o pecador era punido. podiam oferecer flor de farinha (Lv 5:11-13). por exemplo. A palavra traduzida por pecados (parabasis) encontra-se apenas em um único outro lugar em Hebreus (2:2). em que não se menciona a nova aliança: “Há. Esta é a única ocorrência dessa palavra com referência à “remissão” ou “redenção” da pessoa escravizada ao pecado. essa palavra é usada pela segunda (e última) vez. veja-se Rm 3:24.

também é o executor desse testamento — isto é. que NI V traduziu por “aquele que o . O fato de o texto do v. 8:13). herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. como sendo a morte de um animal sacrificial. logo somos também herdeiros. Veja-se também J J Hughes. é a palavra gregapherõ (lit. e Gálatas 3:15ss.//í?/)m w . “o mediador de uma nova aliança. têm argumentado que a palavra diatheke deve ser entendida nesta carta como tendo o sentido de “aliança. and Galatians íii 15ff. de modo mais notável Westcott e Nairne.” inclusive na presente passagem. A palavra diatilhemi. também estaria mencionado em Romanos 3:25 (veja-se RSV).” A singularidade de Cristo e sua obra é de tal ordem que. Ainda estamos. “ser trazido. Um Estudo sobre a Práticae o Procedimento Quanto à Aliança — N o v T ll ( 1979). pp. 58. As palavras a promessa da herança eterna fazem-nos lembrar da aplicação cristã de Paulo do conceito da herança. ainda que tal antigüidade ou velhice fique implícita na referência à “nova aliança” (mas cf. na presente passagem.pp. TDNT. VVeiss. a permissão de uma mudança no sentido da palavra nos w .” no entanto. em Romanos 8:17 “Se nós somos filhos. transcende as esti pulações e ordenanças comuns de ambos.. em Hebreus.p. O efeito retroativo da morte de Cristo. A Study in Covenant Practice and Procedure. 16-17 faz muito melhor sentido. 6:17). 371-73). de o texto interpretado normalmente no v. da pessoa que íezadiathéke. 9. envolvidos pelacircunstância inusitada segun­ do a qual o testador. ou “prova” de sua existência efetiva. da grande apoio a esta conclusão Assim é que a base do adjetivo verbal confirmado.” no sentido técnico de ser "registrado ” Veja-se K. 2796. A palavra herança (kleronomia) ocorre apenas aqui e em 11:8. sendo expressa nas categorias de al iança e de testamento. e em vistadediatheke significar “testamento”. vol. mediante a qual as pessoas da antiga dispensação também recebem a redenção. 16 ser cuidadoso e exato.” — Hebreus 9:15ss. A palavra “herdeiro. Os [que são] chamados é referência a cristãos que ouviram a convocação e reagiram em fé e obediência (veja-se a nota sobre 3:1). Em vista. em vez de morte da pessoa que faz o testamento (testador). Veja-se a nota sobre 1:14.” como ocorre em 2 Coríntios 3:14. e o verbo “herdar” também se encontram várias vezes (1:14.eanotadeH ughes. cuja morte dá validade ao testamento. E de surpreender que a primeira aliança jamais é chamada de “antiga ou velha aliança. veja-se a nota sobre 6:12. sendo esta a “base” sobre a qual repousa. todavia. e não simbólica). 17 exigir a morte (aparentemente morte literal. Entende-se que este '‘morreu” apenas num sentido simbólico. como linguagem legal. 9:16-18/ Alguns comentaristas. porém. Esta hipótese considera a morte a que o v 16 faz referência.168 (Hebreus 9:15-22) sobre 8:7). empregada no atestado de óbito do testador.” Quanto à importância daquilo que Deus havia prometido (a promessa da herança) em Hebreus. “Hebrews ix 15ff.

Veja-se J Behm. 1 Co 11:25. Na citação de Êxodo 24:8 (v. como nas citações de Jeremias 31:33 em 8:10 e 10:16. Josefo (Ant. em alguma ocasião (acidentalmente ou. segundo a lei poderia ser substituída por outra mais literal: “os vasos dos rituais sacrificiais. [Antigüidades] 3 206) refere-se à aspersão do tabernáculo e seus vasos do ministério sagrado. Campbell. deve ser entendido de modo figurado.” conforme a LXX. de propósito. pp.” e empregando um verbo diferente. 3. quanto à opinião segundo a qual não deve haver distinção entre “aliança” e “testamento” na passagem em estudo. ECA traz consagrada (v. pp. A expressão quase todas as coisas. vol. 12. e que NIV traduziu por “entrou em vigor em”. 9:19-21 / Muitos manuscritos gregos incluem as palavras “e bodes. Lv 14:4-7. 18). TDNT. 263-65.D. 453s. “Covenant or Testament? Hb. mas esta água específica pode ser aquela a que se adicionavam as cinzas da novilha.” Mais uma vez se emprega a palavra leitourgia (veja-se a nota sobre 8:6). veja-se J. ordenou em vez de “fez convosco. de acordo com Números 19:17-18. em todo 0 Novo Testamento. A lã purpúrea aparentemente era usada afim de amarrar o hissopo a uma vara de cedro. substituindo este por “eis.(Hebreus 9:15-22) 169 fez. 668s.” depois de bezerros E diflci 1dizer se estas palavras foram omitidas por algum copista. TCGNT. Kilpatrick. G. E provável que tais palavras fossem originais. em vez de literalmente A semelhança do autor da carta. M. usadas para a purifica­ ção. 104-6. 9:16. mas permanece a possibilidade de o texto mais curto ter sido mais tarde expandido por algum copista. pp. Behm. Quanto a este ponto. talvez. é claro. “Diatheke in Hebrews. talvez por imitação do v. 17 Reconsidered” — Aliança ou Testamento? Reconsideração de Hb 9:16. cf.” Deus por “o Senhor. Mc 14:24). No Novo Testamento o sangue de Cristo derramado está explicitamente associ­ ado à nova aliança (Lc 22:20. Água provavelmente é palavra que teria sido acrescentada ao sangue a fim de aumentar-lhe o volume e impedir a coagulação. Veja-se Metzger. Na passagem em estudo. como nos w .” ZNW (1977). Mt 26:28. essa palavra significa “inaugu­ rar” ou “dedicar. Por causa dessa incerteza. vol. pp. 17 — EQ (1972). pp. vejase K.” (enquanto ECA prefere inserir: a morte do testador) é usada tanto no caso da elaboração de testamentos. 107-11. 16 e 17. Nm 19:6). 2. A palavra grega enkainizo é verbo que só se encontra aqui e em 10:20.” no sentido de consagração. as Sociedades Bíblicas Unidas colocam essas palavras entre colchetes. e de alianças. como utensílio do rito purificador (cf. afim de harmonizar o texto com Êx 24:5) ou se foram acrescentadas. 9:22 / Entre outras exceções possíveis na mente do autor da carta também . 20) o escritor afasta-se um pouco da LXX (que concorda com exatidão com o texto hebraico). A téontual da aspersão do sangue é mencionado com referência ao sangue de Cristo em 1 Pedro 12 — mas isto. TDNT.

170 (Hebreus 9:15-22) poderiam estar a purificação mediante água. mas não necessário. parece que essa era uma perspectiva doutrinária dos rabis Por trás de derram am ento de sangue está o substantivo grego haimatekchysia. o incenso e o fogo. e que se encontra só aqui. que o autor da carta tenha criado esse termo . dos quais temos exemplos no Antigo Testamento Todavia. que não aparece na LXX. estas exceções apenas comprovam a regra enfatizada neste versículo Estas palavras sem derrama­ mento de sangue não há remissão pode ter sido um ditado popular. como muitos comentaristas afirmam. em todo o Novo Testamento E possível.

e ali prossegue o Senhor seu m inistério sacerdotal p e ra n te a face de Deus (cf. “das coisas verdadeiras”). Sua obra sacrificial foi apresentada. Cristo e Sua Obra: a Solução Final do Pecado (Hebreus 9:23-28) Esta seção resume o debate das seções anteriores de forma sucinta.20. no m esm o céu. a contrapartida da nova aliança dos sacrifícios da antiga aliança. de fato. com sacrifícios superiores a estes. E foi intenção de Deus que os sacrifícios levíticos simbolizassem o sacrifício de Cristo. Cristo é a realidade para a qual as figuras do Antigo Testam ento apontavam. aqui.” Trata-se daquele sacrifício cuja natureza é “de-uma-vez-portodas” feito por Cristo. os ritos descritos na seção anterior (vv. 19-22. e os w . 9:23-24 / Foi necessário que as figuras das coisas que estão no céu se purificassem com tais sacrifícios (lit. Foi essa a vontade de Deus para a dispensação mosaica. sacrifícios. bem como de muitas outras. Estam os no coração da carta aos Hebreus. 11. Rm 8:34). A ênfase está no que Cristo já fez de uma vez por todas. completa. em vez de no que falta fazer. o autor pode confirm ar a segunda vinda de Cristo como sendo o evento que fará culm inar a salvação experim entada por todos quantos receberam o evangelho. Mas a partir da passagem em questão. digamo-lo assim. É isto que significa a expressão segundo a qual Cristo não entrou em santuário feito por mãos (lit ). 7:25. 25-26 com o v. dando-lhe um clímax. A repetição dos principais pontos é proposital (compare-se o v. O plural. Mas a realidade antecipada chegou em Cristo.. 6:20. a realidade última em que a expiação final.. v. ficamos sabendo que o autor da carta poderia ter usado o singular. 9:25-26 / Nem também entrou [no céu] de NIV e ECA é expressão . “por estas coisas”). 12) e indica sua trem enda im portância para o autor da carta. 13). No entanto. a saber. “sacrifício. das coisas que estão no céu. O santuário humano não passava de figura [antítipo] do verdadeiro (lit. decorre do contraste genérico com os sacrifícios da antiga aliança. se executa. 24 com o v. cf. Tem os necessidade.

” pelo que é impossível que ele repita o ato expiatório. 1 Co 10:11). 1:2. p a ra levar os pecados de m uitos. mas à consumação da era escatologica que se iniciou com seu primeiro advento.. Em ambos os exemplos. e sua entrada no Santo dos Santos. a p a re c e rá segunda vez para livrar seu povo do julgamento. visto que a expiação é necessária desde o dia em que o pecado penetrou no mundo. mas não é o fim da históna Depois da morte os seres hum anos enfrentam o julgam ento. Por sua própria natureza. o sumo sacerdote cum pria suas obrigações usando sangue alheio (lit. C nsto uma vez por todas se m anifestou para a remoção final do pecado pelo sacrifício de si mesmo E precisam en­ te aqui que o contraste entre a obra de sumo sacerdote de C nsto e a do levita se revela espantoso e revelador em grau máximo E importante que notemos a conexão íntima existente entre o carater perpetuo. C risto. “de outro”). o propósito da segunda vinda do Senhor não se relaciona ao problema do pecado. do sacrifício de C nsto e o fato de a obra sacrificial de Cristo depender de seu próprio sangue (cf. O julgam ento é ameaça que todos enfrentamos. Fp 3:20. e alguém poderia afirmar que isto seria desde a fundação do m undo. mas os que dependem da obra expiatória de C nsto estão livres do tnbunal divino. 7:27. 24). 9:27-28 / O autor da carta delineia aqui um paralelo entre a expenéncia dos hom ens (i. Mas no ato supremo da expiação. a obra do sumo sacerdote envolvia o sacrifício que se repetia anualmente. Isto exigiria que ele morresse continuamente. Esta cláusula . Jesus tomou seu próprio sangue. a morte só pode ocorrer uma vez. 2 Tm 4:8). aos que o esperam p a ra a salvação (cf. resultando daí a comunhão plena. em harmonia com a finalidade do sacnficio de Cristo.e. No Dia da Expiação. sua principal base. 9:12). eterno. para levar os pecados de m uitos. Mas o cerne do cristianismo. da humanidade) e a de Cnsto. porém. Por isso. Desde que o pecado foi definitivamente cancelado. v. Cnsto. eterna. para fazer expiação (NIV e ECA reconhecem esse lugar como o Santo dos Santos.. na consum ação dos séculos (Barclay: "na consumação da história”). a historia atingiu seu ponto de retomo (cf. foi sacnfícado por nós. Assim. “de outro. oferecendo-se uma só vez.172 (Hebreus 9:23-28) acrescentada ao original para maior clareza (cf. e não o Lugar Santo). não o alheio. depois de haver m om do. é que na era escatológicajá inaugurada. realidade ocom da em Cnsto. A possibilidade da salvação escatológica depende totalmente da realidade da expiação do pecado realizada por Cristo.

Notas Adicionais # 20 9:23-24 / A palavra grega que se traduziu por figuras (hypodeigmata) ocorre de modo semelhante em 8 5 (veja-se a nota sobre essa passagem).1) De novo. aqui a palavra é outra: antitypos (que ocorre no resto do Novo Testamento apenas em 1 Pd 3:21) “Antitipo” aqui se refere a algo que corresponde ao original. que não é “feito por mãos.” nov. de modo que sua obra futura envolve tão somente a salvação e vindicação de seu povo. equivalentes A questão. mas como forma de o autor falar de realidades espiritu­ ais (Veja-se a discussão sobre 8:2. Cristo foi oferecido uma vez. as “coisas” mencionadas aqui não devem ser tomadas literalmente. D. pp 423-31 Mas será que as figuras das coisas que estão no céu precisam ser purificadas0 Digamo-lo de novo: não há necessidade de tomar isto ao pe da letra O autor da carta está traçando um contraste entre o antigo e o novo. E foi isso mesmo que Cristo realizou por nós.?” — Até Que Ponto Hebreus 8:5 e 9:23s São Platônicos9 — JTS 34 (1983). na passagem que estuda­ mos. 5) Por esta razão. à semelhança de um carimbo que deixa uma impressão no papel. Hurst.23s. vol 3. “coisas celestiais” aqui é sinônimo de “coisas verdadeiras” (cf 8 2) A descrição do santuário terrestre como sendo feito por mãos faz contraste proposital com a descrição do santuário celeste. não e essa a palavra grega que se traduziu por figura. a saber. pp 156-68. definitivo. que em grego é epouranios (veja-se a nota sobre 3. assim tambem a realidade da nova aliança (“as próprias coisas celestiais” verdadeiras) exige um sacrifício superior — na verdade. “How ‘Platonic’ areHebrews viii 5 e ix. da qual deriva a palavra muitos (veja-se a nota). que envolve o uso de linguagem paralela para coisas que são semelhantes. 9:25-26 / Visto que é no Santo dos Santos que o sumo sacerdote entrava uma vez por ano a fim de fazer expiação pelos pecados do povo. No entanto. “antitipo” faz contraste com “coisas verdadeiras ” Em outras passagens (como 1 Pd 3:21) o oposto é o caso. veja-se L. é que assim como os sacrifícios eram necessários no contexto da antiga aliança (as figuras). não. 11 O verbo “ purificar” ou “ lavar” (kalhanzõ) aplica-se tanto à consciência (em 9 14 e 10:2) como à cerimônia de purificação (como em 9 22 e aqui) Veja-se F Hauck. essa obra sacrificial expiatória foi terminada.” Coisas celestiais é expressão do autor da carta. Quanto àquestão do contexto desta passagem e 8:5.(Hebreus 9:23-28) 173 provavelm ente constitui alusão proposital a Isaias 53:12. o “antitipo” é a realidade para a qual aponta o “tipo. ou a um molde que se reproduz em cópias exatas Portanto. TDNT. porém. NTV e ECA . O verbo grego equivalente a com parecer (emphanizo) ocorre em Hebreus somente aqui e em 1114. 24. no v.

Veja-se a nota sobre 5 1 Quanto a sangue. “Sacritice and Revelation in the Epistle to the Hebrews Observations and Surmises on Hebrews 9 . sendo comum no NovoTestamento D eacordocom l Pedro 1 20.7. “ab-rogado”) (Veja-se a nota sobre 7 18) A palavra para sacrifício (thysia) ocorre com frequência em Hebreus.. o Senhor “na verdade. veja-se a nota sobre 9. TDNT. que NI V e ECA traduzem por santuário. onde apresenta a conotação de “estranho. Veja-seW.28 (cf.4:1. 12. porém. NIDNTT. ECA.” O emprego do presente do indicativo (“entra”."v 27).26. 9:27-28 / Quanto a está ordenado m orrer. em Hebreus (o verbo encontra-se em 10:30 e 13 4. vol 2. pp.2 6 ” — Sacrifício e Revelação na Carta aos Hebreus Observações e Conjecturas a respeito de Hebreus 9 26 — CBQ 30 (1968). em 11 9. mas manifesto nestes últimos tempos por amor de vós ” Veja-se F Hauck.174 (Hebreus 9:23-28) estão corretas em especificar no Santo dos Santos. Veja-se VV Michaelis.” O mesmo contraste entre o caráter uma vez p o r todas da obra sacerdotal de Cristo e os sacrifícios repetidos (muitas vezes . ainda que a idéia esteja frequentemente presente (e. foi conhecido ainda antes da fundação do mundo.28. à época em que o autor redigiu a carta (mas veja-se a nota sobre 9:6-7) O verbo “oferecer” (pruspiicro) e reiteradamente empregado pelo autor de Hebreus. A SV eRSV mantêm a tradução “o Lugar Santo. 14... veja-se Gênesis 3:19 O substantivo “julgamento” (krisis) encontra-se apenas aqui e em 10:27. pp 916-19 A frase desde a fundação do mundo ocorre tambem em 4:3. pp 227-34. vol 5.” veja-se w . pp 620s Quanto ao importantíssimo conceito de uma vez por todas. No entanto. mas só aqui e em 10:12 é utilizada para o sacrifício de Cristo (cf 9:23). Quanto a “uma vez” veja-se o contexto imediato. O . KJV. 6:2). 10 10. para descrever o ritual sacrificial da antiga aliança.” como o indica com clareza o contexto Cristo poderia ter padecido repetidamente. embora a palavra grega Ziag/aseja am esm ausadano versículo anterior. A palavra grega correspondente a “alheio” ocorre em Hebreus mais duas vezes. vol 3. encontramos as importantes palavras um a vez (hapax) e oferecendo-se (prospherõ. poderia refletir a existência do templo e seu culto cerimonial.25. Schneider. 27. veja-se a nota sobre 7 27 (ct 9 Í2) P ara an iquilar o pecado pode ter conotação de “anulação” ou “cancelamento” de pecado Athetesis é a mesma palavra usada em 7 18 (NIV traz "posto de lado”. de ano em ano) do sacerdócio levitico encontra-se em 10 11 s (cf 7 27) A palavra padecer (paschõ) aqui.cf. TDNT.g. w . como em 13:12.13). 2:3. NIV) em vez do pretérito entrou (ECA). 10:14). 362-67. Veja-se J Swetnam. jamais teria morrido varias vezes (todos morrem apenas “uma v ez. num contexto que se refere ao sangue remidor de Cristo. “em sacrifício”. NIB traz “sacnficouse”) uma só vez. quanto a “oferecendo-se. deve ser entendida no sentido de “ morrer. 34.

veja-se a nota sobre 2:3 A idéiade aparecer pela segu n da vez. Compare-se também o “muitos” de Romanos 5:15 e 19 com o “todos” de 5:18 Veja-se J Jeremias. Assim o “muitos” de Marcos 10 45 tambem deve ser entendido num sentido inclusivo. A mesma expressão ocorre em 4:15. na presença de Deus.. pp 540-45 NIV traz “sem carregar pecados.(Hebreus 9:23-28) 175 verbo que NIV e ECA traduzem por levar (anapherõ) também significa “carregar. onde a referência é à impecabilidade de Cristo Aqui. devendo ser entendido. o sentido é diferente. como referência a todos (vejam-se 2 Co 5 14s. 891: “sem nenhum relacionamento com o pecado.e. Quanto a salv ação (solena).” como ocorre com o verbo em Isaías 53:12. como o modo hebraico de falar em “todos. M uitos explica-se pela linguagem usada em Isaías 53:12. 3:18). mas sua alegria era grande quando ele reaparecia. p. sem pecado. Cf. enquanto o sumo sacerdote estivesse longe das vistas do povo.. vol 6.” Noutra passagem muito parecida. BAGD. 1 Pedro também faz uso da linguagem de Isaías: “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pd 2:24. p 63: “Ele carregou sobre si mesmo os pecados de muitos. suportar. porém. Assim BAGD.” Anteriormente nesta carta lemos que ele morreu “por todos” (2:9). í. depois de ele haver cumprido sua tarefa no Santo dos Santos A multidão ficava bastante apreensiva. apos a realização total da expiação. provavelmente. faz-nos lembrar dos aparecimentos do sumo sacerdote. TDNT. e 1 Tm 2:6). isto é testemunhado com vibrante eloqüên­ cia em fontes contemporâneas (e g. sem o propórito de fazer expiação pelo pecado ” Esperam (apekdechomai) ocorre apenas aqui em Hebreus. S iraque 50:5-10) Só mediante uma oferta aceitavel a salvação era assegurada . cf. como diz ECA.” que é traduçào amplificada do grego choris hamartias.

O cum prim ento da . O autor completa toda a seção central. o autor da carta focaliza a natureza repetitiva dos sacrifícios levíticos. e não a imagem ex ata das coisas (8:5. e traz o tema central da carta. Portanto. apontando para a inadequação intrínseca. Pela sua própria natureza. “perfeição” implica em atingir os propósitos salvíficos de Deus. ou final. que fica implícita na necessidade de repetições. As únicas idéias novas nesta seção encontram-se nos w . em primeiro lugar. não possuía em si mesma significado duradouro. O texto grego afirma com vigor a im possibilidade (lit. Pelos m esmos sacrifícios significa claram ente o mesmo tipo de sacrifícios. em que a tese do autor encontra apoio mais amplo para sua exegese do Salmos 40:6-8. “é impossível”) que a lei aperfeiçoe os que se chegam a fim de oferecer sacrifícios.” Visto que o autor enfatiza o cum prim ento que já veio em Cnsto e antes se havia referido aos “bens já realizados” (9:11).” Sacrifícios que continuam ente se oferecem de ano em ano deve ser entendido com o algo que se repete. Esta última frase NIV a troca por uma paráfrase: "das boas coisas que estão vindo — não as próprias realidades. O contexto imediato é nova declaração de pontos abordados anteriormente. e emprega esse exemplo para reforçar sua argumentação. No entanto. 9:23-24). os sacrifícios da antiga aliança eram incapazes de trazer a salvação integral tencionada por Deus à humanidade. o aspecto futuro na palavra futuros deve ser entendido a partir da perspectiva do Antigo Testam ento (pelo que NEB diz: "as boas coisas que estavam por vir.21. A Ineficácia da Lei (Hebreus 10:1-4) A discussão dos dois capítulos precedentes é declarada de novo nesta seção (10:1-18). 8:5) dos bens futuros. a saber. 10:1 / Visto que a lei era apenas um estágio antecipatório dos bens futuros. a seguir. mediante nova citação de Jeremias 31:33-34. como na carta toda. não passava de uma som bra (cf.. De ano em ano entende-se que corresponde a "cada dia” em 7:27 (cf. O autor da carta já declarou que a lei nada aperfeiçoou (7:19). 9:25). Aqui. Os que se chegam refere-se aos crentes que participam dos ritos sacrificiais. 5-10. a imperfeição da antiga ordem e a perfeição da nova além de uma conclusão.

completa. são bem enfáticas: certo tipo de purificação pode ser alcançado mediante o sangue de animais (9 :13. As palavras porque é impossível. é a purificação intema. Todavia. O que está em discussão aqui. que se fez possível no cumprimento realizado por Cristo. com pleto? A própria repetição dos sacrifícios não indica a inadequação deles? Uma vez “por todas” ecoa o caráter de integralidade. 14). se o povo fosse purificado de modo final. Veja-se Metzger TCGNT.(Hebreus 10:1-4) 177 prom essa de tal salvação dependia da Pessoa para quem esses sacrifícios apontavam de modo figurado. Há dois problemas textuais neste versículo O mais antigo manuscrito de Hebreus ( P46) diz “e a imagem” em vez de “não a imagem real. contrastando com a purificação externa da antiga aliança. nova. No entanto. a base de suas assertivas nos dois versículos preceden­ tes.e. Onde isto ocorre deixa de existir a necessidade de sacrifícios (cf. 669. os sacrifícios). do sacrifício feito por Cristo. 10:4 / O autor da carta volta a um ponto de importância fundamental de sua argumentação. Notas Adicionais#21 10:1 / Quanto a sombra.. que o autor ensina reiteradam ente por toda a carta. 1) é lembrete do problema que continua perturbando: a consciência de pecados. 22). Na verdade. . a insistência na continuidade dos sacrifícios de ano em ano (v. tanto a estrutura dessa sentença como o sentido da palavra “imagem” (sombra) eikon desmentem tal construção interpretativa. a natureza perfeita. mas a purificação que significa remoção de pecados está longe do poder do sangue de animais. e faz contraste com sombra. do ponto de vista . 25-26). A idéia de tendo sido um a vez p u rifica­ dos refere-se à remoção dos pecados da consciência (veja-se 9:9.” o que significa que está afirmando que a lei é (apenas) a “ imagem” das boas coisas que virão. A segunda variante envolve a expressão “é impossível” que alguns eruditos julgam referir-se a um elemento no plural (í. Só o sangue de Cristo é suficiente para realizar essa tarefa (9:14. em vez de ser essencialmente seu sinônimo. ou bens futuros. p. veja-se a nota de 8:5 (cf Cl 2:17). 10:2-3 / O autor da carta formula uma pergunta lógica: Não cessariam porventura os sacrifícios. 10:17-18). Eikon é manifestação da realidade (é palavra utilizada arespeito de Cristo em 2 Co 4:4 e Cl 1:15).

que tem um sentido cerimonial. 6. aperfeiçoar. veja-se a nota sobre 9 23 Por tras de recordação (ECA. TDNT. 1 Samuel 15 22. veja-se a nota sobre 2:10 1 0 :2 -3 /A ' ‘consciência” do crente que adora a Deus esta freqüentemente na mente do autor da carta Veia-se a nota sobre 9 9 A palavra grega que se traduziu por os que prestam culto é laireuõ. Depois da queda de Jerusalem o judaísmo viu-se capaz de afirmar a realidade do perdão divino sem os sacrificios de animais. e implica em “gente” (em harmonia com a consciên­ cia de pecado que se menciona no v 2) 10:4 / Nas Escrituras do Antigo Testamento já havia surdido uma tradição referente á ineficácia dos sacrifícios De fato. kuihanzo. que ECA traduz por continuam ente. vol. e NIV “sem fim”. os leitores deveriam estar familiarizados com esta polémica. no entanto. não mencionando o que ou quem e lembrado. quanto à tradução continuam ente veja-se B AGD. Quanto a sacrifícios ( thysia ) e se oferecem ( lit. Veja-se C. NIV' preferiu “ lembrete ’) temos o substantivo grego anamnêsis. Quanto a frase sangue de touros e de bodes. e explica a inadequação final desses sacrifícios. sugerindo purificação realizada no passado. A palavra grega traduzida por imagem exata das coisas é pragma. ainda que não com o modo de o autor da carta usá-la. Miquéias 6 6-8 ( c f . veja-se a nota sobre 7 27 O adjetivo purificados.” pelo que é preferível a forma singular. o uso que Jesus fez dessa perspectiva em Mt 9 13. veja-se Salmos 51 16. que ocorre noutras passagens de Hebreus em 6:18 e 11:1. com base nesta polémica. palavra que ocorre apenas aqui em Hebreus O texto grego e um tanto ambíguo. cultual. p 195 Os que se chegam (proserchonuu) de novo e expressão do jargão cerimonial Veja-se nota sobre 4 16 Quanto á importante palavra teleioõ. prosphero).0 texto grego traz eis to dienekes. Maurer. veja-se a nota sobre 5 1 . “lembrança”. ou recordado. Mc 12 33) Assim. Quanto à importância de uma vez [por todas] que aqui no grego e hapax. pp. 13. apenas. Oséias 6 6. é o sangue de Cristo que toma obsoleto o sangue de animais. tem conotação de pessoas que ministram no culto. e as passagens seguintes dos profetas Isaias 111. também. com resultados que alcançam o presente Quanto ao verbo aqui. uma dessas passagens está prestesaserm encionada(veja-seo v 6) Além deSalm os40 6. 19 . no texto grego e verbo no pretento perfeito.178 (Hebreus 10:1-4) gramatical a impossibilidade está na “lei. Amós 5 21 -22. Para o autor de Hebreus. 638s. veja-se 9 12.

para fazer. 10:5-7 Ainda que não esteja explicitado no texto original. Cristo é a chave hermenêutica. Holocaustos literalmente é “ofertas queimadas totais. .22. que agora pode ser \isto de forma retrospectiva... Jo 6 :14. No entanto. No rolo do livro é tradução literal (cf. uma diferença im ponante entre a LXX e o texto hebraico do Salmos 40:6 está nas palavras da LXX corpo me p re p a ra ste em vez de “minhas orelhas perfuraste” (lit. ele expõe o sentido mais profundo do texto. 0 Antigo e o Novo em Salmos 40:6-8 (Hebreus 10:5-10) Nesta seção vamos encontrar outro brilhante exemplo de exegese do Antigo Testamento elaborada pelo autor de Hebreus. 5. a tua vontade é declaração apropriada. com o qual dá apoio ao argumento que está elaborando. primeiramente ele cita o texto do Antigo Testamento e. 11:27). Para ele. a partir da citação e do que se segue. ó Deus. a seguir. pelo cumprimento que Cristo trouxe. A citação é de Salmos 40:6-8 e segue de perto a LXX. as palavras iniciais do v. ele traduziu a expressão do idioma hebraico para uma linguagem que poderia ser entendida mais facilmente no mundo helenístico: corpo me p rep araste.. Assim. de modo novo. LXX). No caso em apreço. o argumento envolve o caráter transitório dos sacrifícios levíticos e o caráter permanente do que Cristo realizou.” visto que ao formar um corpo usando barro é preciso esculpir as orelhas. 2:6-9. Ao e n tra r (lit. “vindo”) no m undo indica que da perspectiva do autor. apresenta um ‘m idras’ ou comentário rápido sobre a passagem.. à vista do fato de o Messias ser sempre descrito como “aquele que vem” (cf.” Aqui estou. Como esse autor gosta tanto de fazer (cf. NIV está correta ao acrescentar C risto. Ez 2:9. Fica bem claro. que o autor da carta entende que aqui C nsto está falando a Deus. O autor encontrou um texto ideal para seus propósitos. Aparentemente o tradutor de LXX entendeu que havia uma alusão à cnação de Adão nas palavras “ouvidos abriste para mim. é o pré-existente C nsto quem fala mediante o salmista. “orelhas tens perfurado para mim" com o sentido de “ouvidos abriste para mim "). 3:7— 4:10).

Que a obediência de Cristo à vontade de Deus (cf. Um israelita piedoso. enfatiza que a Deus interessa a obediência. Tais sacrifícios se oferecem segun­ do a lei. l i t . ainda que não no sentido proposto pelo autor de Hebreus. Jo 6:38) implica em seu próprio sacrifício já foi estabelecido pelo autor da carta (a declaração mais recente está em 9:28). Além do conteúdo dessa passagem. Jr 31:33). Mt 26:39. 10:9-10 / Contrastando com os sacrifícios de anim ais encontramos a obediência de Cristo. talvez Davi ou um rei davidico. Por isso. por causa das associações davídicas. 16). Cristo é o objetivo maximo das Escnturas do Antigo Testam ento. e também por causa de certas frases. o cumprimento que o Senhor traz é a justificação da interpretação cnstologica do Antigo Testamento. nos versículos seguintes. a despeito do fato de ali estar a legislação mosaica. De sua perspectiva cristocêntrica o autor entende que Cristo é a Pessoa que fala tais palavras. O autor da carta acrescenta um lembrete: estes sacrifícios foram ordenados por Deus. e "a tua fidelidade e a tua salvação” (v. 10:8 / O comentário em formato de 'm idras' desse salmo inicia-se com nova citação das sentenças de abertura ( Depois de dizer. O autor cita de novo o texto mencionado antes: E ntão acrescentou: A qui estou. não é isso que Deus realmente exige. Na exegese que o autor da carta faz dessa passagem. 10. onde está escrito que os antigos mandamentos e a antiga aliança devem ceder lugar para a nova .42. v. tom a-se claro que ela pode ser aplicada a Cristo e sua obra. e apenas ficou implícito no v. p a ra fazer. ó Deus. 'antes").e8:7. O próprio Antigo Testamento reconhece. 13. Afirma-se de novo no v. 18-19. o salmista prossegue. 10. T ira o p rim eiro p a ra estabelecer o segundo: esta referência à abolição do primeiro a fim de estabelecer o segundo nos faz lembrar de 7:12. assim. 9. dizendo: Aqui estou (no rolo do livro está escrito de mim). como acim a. p a ra fazer. 3). No entanto. a impropriedade dos sacrifícios levíticos. e não sacrifícios. que requer tais sacrifícios. ó Deus. Para o autor da carta. a tua vontade. como por exemplo: “um novo cântico na minha boca" (v. resumindo-as num período só e omitindo a frase referente ao corpo me p re p ara ste . e obedecer. Deus nos dá ouvidos para ouvir. o autor de Hebreus poderia ter considerado que esse salmo é messiânico. cf. a tua vontade (cf.180 (Hebreus 10:5-10) O sentido da passagem de Salmos em seu próprio contexto histórico parece claro.

(Hebreus 10:5-10)

181

dispensação. Aqui, os sacrifícios de animais devem dar lugar ao sacrifício
de Cristo, em obediência à vontade de Deus. A vontade de Deus m encio­
nada na citação original (e também em sua repetição no v. 9) identifica-se
no início do v. 10 como sendo aquela pela qual temos sido santificados.
Na expressão nessa vontade, a última palavra é a prim eira das três
alusões deliberadas (no v. 10) em forma de ‘m idras’ ao salmo 40, citado
nos vv. 5-7. A segunda palavra tirada da citação original é sacrifício. O
sacrifício aceitável a Deus, pelo fato de cumprir sua vontade, é do corpo
de Jesu s C risto. E na palavra corpo que temos a terceira alusão à citação
original. Esta referência ao corpo de .Jesus C risto faz-nos lembrar a ênfase
no cap 2 a “carne e sangue,” que o Senhor compartilhou, para que
“pudesse provar a morte por todos” e que “pela morte pudesse destruir...
o diabo” (2:9, 14). De acordo com o autor da carta, a humanidade de Jesus
teve o propósito da morte expiatória, o sacrifício de seu corpo. Foi isso que
aconteceu uma vez por todas. Esse sacrifício é a contrapartida do catálogo
rejeitados por Salmos 40:6-7, dos sacrifícios de animais, cujo objetivo
C nsto cumpriu cabalmente. Foi Jesus que veio a fim de fazer a vontade de
Deus. e isto em harmonia com o ensino das Escrituras: “no rolo do livro
está escrito de mim." O Antigo Testam ento todo de um modo ou de outro
aponta (e prepara) para o cumprimento dos propósitos salvíficos de Deus,
efetuados em Cnsto.

Notas Adicionais # T l
10:5-7, O conteúdo do salmo citado, e devidamente elucidado pelo autor
da carta, mostra como se pode considerá-lo apropriado para referir-se “àquele
que vem ao mundo” para fazer a vontade de Deus. A respeito de “aquele que
vem” como título messiânico, a que talvez a presente passagem esteja
aludindo, veja-se J Schneider, TDNT, vol 2, p 670 Alguns eruditos têm
sugerido que a palavra corpo (soma) na LXX ter-se-ia originado de um erro
de leitura do escriba, que leu mal a palavra “orelhas,” no grego. (Além da
queda do sigma inicial, talvez por causa da palavra anterior, que termina com
essa mesma letra, teria havido confusão com as letras TI, tomadas por M, o que
daria oíia em vez de soma) Respeitada esta conjectura interessante, no
entanto, é mais provável que corpo me preparaste seja nova expressão
deliberada do original hebraico. Visto que surgiram uns poucos documentos
posteriores do texto da LXX, contendo a palavra correspondente a “orelhas,”

182

(Hebreus 10:5-10)

em vez de corpo (como aparece na maioria dos documentos), a explicação
provável seria uma tentativa de harmonizar esse texto com o hebraico. (Em
tudo o mais a LXX segue com fidelidade o texto hebraico) A citação que o
autor da cana faz da LXX, tambem e exata. Ele substitui “tu não tens pedido”
(aneõ) por nem neles te deleitaste (eudokeo, cf SI 51 16), o que aguça mais
ainda o contraste com a alegria de fazer a vontade de Deus Ele omite também
o verbo que aparece na LXX “eu me deleito” em fazer a tua vontade
O
salmista usa quatro palavras ou frases diferentes para referir-se a
sacrifícios Parece que elas objetivam mostrar de modo abrangente os varios
tipos de sacrifícios leviticos Assim, a palavra thvsia, sacrifícios, conquanto
descreva sacrifícios de modo geral (como ocorre em 5 1, 7:27, 8:3; 9 9, etc ),
aqui e provavelmente em todo o Antigo Testamento significa oferta pacífica
Veja-se C Brown, NIDNTT, vol 3,pp 416-38 Prosphora, ofertas, palavra
que também pode ter sentido generico, no sistema levitico significa de modo
especifico “oferta de cereal, ou de al imento.” Esta palavra e usada em Hebreus
apenas neste capitulo (vv 8,10,14,18) Veja-se K. Weiss, TDNT, vol 9, pp
65-o8 A terceira palavra significa explicitamente “holocaustos, ou ofertas
queim adas integrais” (holokauioma) Em Hebreus essa palavra ocorre de
novo apenas na nova citação das palavras do salmo no v 8 (noutra passagem
do Novo Testamento, apenas em Mc 12 33) Oblações pelo pecado (pen
hamariias, l i t , “[aqueles] concernentes aos pecados,” é expressão usual em
LXX A mesma frase ocorre em Hebreus 5 3. vv 8, 18 e 26 no presente
capitulo, e em 13.11 (veja-se, também, Rm 8 3) Assim como o salmista
tentou, mediante seu vocabulário, contrastar a importância da obediência com
a ordem inteira de sacrifícios leviticos. assim também o autor da carta deve terse sentido feliz em usar esta passagem para pôr em contraste todo o catalogo
desses sacrifícios (observe a repetição no v 8) com a obediência de Cristo e
seu sacrifício final, definitivo, perfeito Quanto a terminologia do sacrifício,
veja-se C Brown, NIDNTT. vol 3, pp 418-38
10:8 / Quanto às categorias de sacrifícios, veja-se a nota anterior A
expressão os quais se oferecem segundo a lei ( lit, “de acordo com a lei”)
ocorre em Hebreus tambem em 7 5, 16, 8 4; 9:19, 22. Na maior parte desses
exemplos, como aqui, existe a consciência de que o que a lei estipulava tinha
apenas um caráter temporário Agora que Cristo trouxe o cumprimento dessas
promessas, a lei deixa de vigorar, pois perdeu a força. Isto é declarado enérgica
e explicitamente no v. 9
10:9-10 / O verbo que se traduziu por tira é forte (anaireo), tendo o
significado de “abolir” ou “destruir” (em Hebreus esse verbo ocorre apenas
aqui) Veja-se BAGD, pág 54. Essa linguagem forte harmoniza-se com a
perspectiva do autor a respeito da lei mosaica, dada a inauguração da nova

(Hebreus 10:5-10)

183

aliança em Cristo O ponto central da presente passagem e de outras que são
semelhantes a ela é que o próprio Antigo Testamento havia falado que o
sacrifício de animais não era assunto de maior importância. Deus tinha em
mente algo muito mais importante do que o sacrifício de animais, e exigia esse
algo mais, a saber, o sacrifício obediente de Cristo. Assim, ao mesmo tempo
em que o Senhor ab-roga um sacrifício, “estabelece” (histêmi) o outro (termo
usado com este sentido só aqui em Hebreus). Veja-se BAGD, p. 382. A palavra
“vontade” (thelema) tirada da citação original ocorre apenas na presente
passagem com referência a obediência de Cristo. Encontra-se, contudo, em
10 36 e 13:21, em que os cristãos são chamados para obedecer à vontade de
Deus Temos sido santificados é tradução do verbo hagiazo, lit. “santificar”
Veja-se a nota sobre 2:11 O fato de virmos a ser purificados do pecado
demonstra-se de novo estar na dependência do sacrifício de Cristo, i e., pela
oferta do corpo de Jesus Cristo. A palavra corpo (soma) só e utilizada na
presente passagem em conexão com o sacrifício de Cristo (mas c f 1 Pd 2:24
e a implicação de 13:1 ls ). A oferta de seu corpo é apenas outra forma de
referirmo-nos ao sacrifício C f Ef 5 2 "Como também Cristo vos amou, e se
entregou a si mesmo por vós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.”
Quanto a “corpo,” veja-se S. Wibbing, NIDNTT, vol. 1, pp 232-38 Uma
questão final a ser salientada nesta passagem em estudo, é a colocação da
palavra grega ephapax, que significa uma vez p o r todas, no final da sentença.
Isto acrescenta mais força ao fato de o sacrifício de Cristo ser final, conclusivo
Quanto a ephapax, veja-se a nota sobre 7 27

23 . 4

Oferto Perfeita e o Cumprimento de Jeremias 31:31-34
(Hebreus 10:11-18)

Chegamos, agora, à seção final, onde há um clímax, na discussão
central da carta. No entanto, uma vez mais o autor da carta afirma o caráter
definitivo do sacrifício de Cnsto e. daí, o fato de esse sacrifício ser final.
Nos estágios primários da discussão central, Jeremias 31:31 -34 foi citado
(em 8:8-12). Agora o debate chega à conclusão e o autor da carta volta a
essa passagem, citando de novo certas palavras dos versículos 33 e34. Usa,
além disso, um texto que lhe é favorito. Salmos 110:1, nesta passagem. Na
última sentença fica salientado que se a promessa de Jeremias foi cumpri­
da. o sistema sacrificial necessariamente chegou ao fim.
10:11 Salienta-se de novo o caráter repetitivo dos deveres sacerdotais
dos levitas (cf. 7;27; 9:25; 10.1,3). Todo sacerdote se ap resen ta dia após
dia (cf. Ex 29:38), m inistrando e oferecendo m uitas vezes os mesmos
sacrifícios. Estas palavras sublinham o caráter interminável da tarefa
executada pelos sacerdotes, de modo especial o versículo que salienta que
Cristo, ao term inar w/a tarefa expiatória, "assentou-se” a direita de Deus.
A ironia desta situação dos sacerdotes levíticos é que esses sacrifícios
repetidos, pela sua própria natureza, nunca podem tir a r pecados (cf. v.
1 e 9:9). Tais sacrifícios, portanto, estão condenados em si mesmos.
1 0 :1 2 -1 3 /0 autor estabelece, agora, o esperado contraste que envolve
o sacrifício único e suficiente de Cnsto (cf. 7:27; 9 :12, 26, 28; 10:10). Um
único sacrifício pelos pecados oferecido por este sacerdote é descrito pela
expressão p a ra sem pre. Salmos 110:1. um dos principais textos do Antigo
Testam ento usados neste livro, é citado de novo (cf. 1:3, 13; 8:1; 12:2).
Nesta ocasião, o autor da carta divide a citação a fim de indicar com maior
eficácia o que já foi realizado e o que falta realizar. E verdade indubitável
que Cnsto, tendo cum pndo sua missão sacerdotal na terra, reina como
verdadeiro Rei, à destra do Pai (cf. 1 Co 15:25). A segunda parte da citação
(v. 13) inicia-se com d aí por diante. Resta a vindicação final de Cnsto,
quando seus inimigos ficarão por fim sujeitos a ele (cf. 9:28). Esta doutrina

(Hebreus 10:11-18)

185

básica se tom ará um dos fundam entos da exortação que aparece nas seções
seguintes da carta (cf. w . 25, 27, 35, 39; 12:28s.). No entanto, o ponto
central aqui é que a obra expiatória de Cristo se completou, o que os
versículos seguintes enfatizarão.
1 0 :1 4 / A eficácia do sacrifício singular de Cristo é de tal ordem, que
ele com uma só oferta aperfeiçoou p a ra sem pre os que estão sendo
santificados. Como acontece por toda a carta, a palavra ap e rfe iç o ar não
deve ser entendida como dar perfeição moral, mas prover o cumprimento
do propósito salvífico de Deus. Chegar até essa oferta única (um a só
oferta, cf. v. 12) e experim entar seus benefícios equivale a atingir o
objetivo antecipado desde o inicio da atividade graciosa de Deus no meio
de seu povo. Visto que este sacrifício possui um caráter teleológico, os que
estão sendo santificados por esse sacrifício conseguiram chegar (cf. a
purificação da consciência em 9:14) à integralidade da salvação, o telos
prometido e simbolizado m ilênios antes por tudo quanto o precedeu na
antiga aliança. E por esta razão que os resultados deste sacrifício perm a­
necem para sem pre (cf. 7:25; 9:12, "eterna redenção”), em contraste com
os efeitos temporários dos sacrifícios levíticos.
10:15-17 / Voltando, agora, a um dos textos chaves (Jr 31:33-34), o
autor assevera que o que ele vem discutindo e defendendo está de acordo
exatamente com a profecia de Jerem ias a respeito da nova aliança. O
E spírito Santo e considerado a última inspiração das palavras do profeta
Jeremias; assim e que o Espirito dá testemunho mediante aquilo que ele
escreveu (cf. 3 :” ; 9:8; 8:8). A citação é feita em duas partes: a primeira
prediz a realidade da nova aliança de forma positiva, enquanto a segunda
(v 17) refere-se à elim inação de pecados (com palavras negativas
fortíssimas; lit.. “jam ais me lembrarei dos seus pecados e das suas
miqüidades” ). O efeito é que, por um lado, sublinha-se a prom essa da nova
aliança com suas dim ensões internas e, por outro lado, aponta-se a íntima
conexão existente entre esta prom essa e a experiência do novo nível de
perdão. É isto que surgiu mediante o sacrifício de Cristo.
10:18 / O ra (NIV prefere “e”), se tais promessas chegam a tom ar-se
realidade, só se admite um a única conclusão possível a respeito do velho
sistema de sacrifícios. É por isso que o autor da carta assevera com o ponto

10:14/ Quanto a oferta (prosphora). que se encontra apenas aqui em Hebreus (embora se encontrem substantivos.186 (Hebreus 10:11-18) crucial que não há m ais oferta pelo pecado. com referência aos resultados do sacrifício de Cnsto). O sacnfício de Cristo é a resposta final. veja . Espera que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés e um bom exemplo do “passivo divino” hebraico — um verbo na voz passiva em que Deus é o sujeito da ação (“Deus fará que seus inimigos sejam estrado dos seus pes”). à época em que a carta aos Hebreus foi escrita Quanto ao emprego contrastante de muitas vezes (pollakis). A ênfase é clara a obra sacrificial de Cnsto. Notas Adicionais # 23 10:11 / Alguns documentos importantes trazem “sumo sacerdote. isto é. seu único sacrifício pelos pecados. foi suficiente e completo Que o Senhor terminou de vez sua obra é fato enfatizado pela menção de haver ele assentado adestra de Deus A referência ao único sacrifício {thysia. definitiva e completa para o problem a universal do pecado humano.c'r/a//-ew) ocorre apenas aqui em Hebreus (em outra passagem do Novo Testamento encontra-se apenas em 2 Co 3 16) 10:12-13 / O emprego do participio aoristo (“havendo oferecido” ) e signi­ ficativo. Chegou o cumprimento da prom es­ sa de Jeremias. Quanto ao papel de Salmos 110:1 em Hebreus.6 e 9 2 1) Veja-se a nota sobre 8 6 0 pretérito perfeito de “apresentar-se” e o panicípto presente “ministrando e oferecendo” podem apontar ainda para a existência do templo e seu rito sacrificial. veja-se a nota sobre 7 27) tem paralelo em uma só oferta (lit ) no v 14 No texto grego a frase traduzida por para sempre (eis lo dienekes) pode ser entendida como referência a oferta de Cnsto ou ao fato de ele assentar-se à destra de Deus A interpretação de NIV provavelmente está correta. porque Deus é o agente que fará acontecer essas coisas. implícito na forma verbal “oferecendo"). seus cognatos. Presume-se a realidade de uma vitória final integralmente cumprida. Sublinhando a frase “ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios” temos o verbo leitourgeo.” em vez de sacerdote. porque indica uma ação que fora realizada antes de outra ação a que se relere o verbo principal assentou-se à destra de Deus. veja-seanotasobre5 I Overbotraduzidoportirar(/. em 8:2. veja-se a nota sobre 1:3. que NIV traduz por “sacrifício”. os sacrifícios expiatórios deixam de ser necessários. veja-se 9 25s Quanto a mesmos sacrificios (thysia) e ofertas (prosphero. visto harmonizar-se mais com o ponto de vista defendido pelo autor da carta noutra passagem (cf a mesma frase para sempre no v 14. provavelmente por causada influenciado versículo semelhante de 7 27 A expressão dia após dia (kath'hem eran) encontra-se em 7 27 (cf 8 13).

veja-se a nota sobre 3:7. “depois de dizer”). utilizando duas palavras. que teria essa função (NIV adiciona “em seguida ele acrescenta”). pecados e iniqiiidades (esta última palavra. adikia. a não ser o conectivo e (kai) do v.” veja-se a nota sobre 10:5 A palavra para “perdão” (aphesis) ocorre em Hebreus apenas aqui e em 9:22..(Hebreus 10:11-18) 187 a nota sobre 10:5 Quanto ao verbo importante aperfeiçoou (te le io õ ). neste texto de 8:10-11 Ele substitui com eles por “com a casa de Israel”. pp 509-12 . vol 1. anomia. e movimenta-se dai diretamente à promessa de perdão. que NIV traduz “sacrifício. veja-se an o taso b re2 :10 Quanto asendo santificados (/lagrázõ). TDNT. mas a segunda não apresenta nenhuma introdução. provavelmente foi grafada pelo autor da carta a respeito da analogia da palavra traduzida por pecados. transpõe as cláusulas a respeito de entendimento e corações. 17. O autor da carta introduz pequenas mudanças no original que cita. Veja-se R Bultmann. em 8 12). A primeira parte da citação é introduzida com primeiro diz (lit. veja-se a nota sobre 2:11 10:15-17 / Quanto ao Espirito Santo como quem fala nas Escrituras do Antigo Testamento. 10:18 / Perdão de pecados no sentido profetizado por Jeremias significa que a oferta ou o sacrifício pelo pecado deixaram de ser necessários Quanto a oferta (prosphero).

O autor da carta inicia sua exortação dingindo-se a seus leitores e chamando-os de irm ãos — (p o rtan to . vv.24. E f 2:18. irm ãos). Seremos lembrados de novo nos w . temos uma longa cláusula subordinada à oração principal. o autor jam ais se contenta com apresentar a teologia sem dem onstrar sua importância prática aos leitores. o autor da carta volta-se para algumas aplicações práticas das questões que debateu com tanta eficácia. o autor reenfatiza algumas bases importantes de vanos capítulos precedentes. e assim souberem tirar vantagem de tudo quanto lhes foi oferecido. Esta exortação tem uma extraordinaria semelhança com a de 4:14-16 10:19-21 / Nestes trés versículos temos o primeiro dos três principais verbos de exortação desta seção: cheguem o-nos (v. 22. 14). A firme convicção do autor é que se consegui­ rem enxergar o verdadeiro significado e importância de Cristo e sua obra. um dia em cada ano — a entrada na presença real de Deus — agora é pnvilégio anunciado de cada membro da com unidade da fé (cf. De fato. pelo sangue de Jesu s (cf. 22: cf. se puderem aproveitar bem todos os recursos que ele lhes possibilitou. Nesta seção. 3:12). Aquilo que havia sido um privilégio especial do sumo sacerdote. Este debate dem onstrou que o caminho para o Santo dos Santos foi aberto por um precursor (6:20). Isto concede ousadia (ou “confiança”). 23. 12 e o fará em 13:22. 0 Fundamento da Fidelidade (Hebreus 10:19-25) Encerrada esta discussão teológica central. 26-36 de que eles correm o perigo de abandonar a verdade do cristianismo. Segundo a analise sintatica do texto grego. A linguagem literal original agora é espiritualizada e entendida com o expe- . Assim. como o fez em 3:1. a respeito das quais lança uma exortação comovente a seus leitores — para que sejam fiéis. como é verdade por toda a carta. ele manteve seus leitores judeus em mente durante toda a argumentação da seção precedente. Agora ele se dirige de novo à situação imediata dessas pessoas. 9:12. Partindo do conectivo lógico p o rtan to . 24). com que se inicia o v. isto é. haverão de perseverar e receber a recompensa que Deus reservou para todos os seus filhos fiéis. tom a-se evidente que a base da exortação que se segue depende da totalidade da discussão precedente. algo capaz de inspirar imenso temor respeitoso.

Pode-se dizer que temos um g ran d e sacerd o te (cf. Agora o autor encontra um simbolismo rico nessa referência ao véu. com o sentido agora de aproxim ar-se de Deus mediante a adoração e a oração. N IV d iz“corpo”). Trata-se da linguagem espiritualizada das cerimônias do templo. E som os lem brados de . Lc 2 3 :45). ao identificálo c o m a c a rn e d e C ris to (lit. ou seja. cf. E p ro v á v e lq u e o a u to rfa z alusão aqui à tradição sobre o rasgamento do véu em duas partes. Agora. em vez de a palavra para corpo) na crucificação. Cristo abriu o caminho para a presença de Deus. o rasgam ento da "carne” de Cristo (talvez seja essa a razão por que o autor usa a palavra grega para came. foi um ato de Deus. O adjetivo vivo provavelmente significa algo “verdadeiramente eficaz” ou “perm anente. no dia da crucificação de Jesus — tradição que se enraizou nos três evangelhos sinoticos. Obviamente tal caminho é novo.” contrastando com os ritos ineficazes. não dos homens. 1 Pd 2:5). Os propósitos salvíficos de Deus acabaram sendo cumpridos em Cristo. isto é.. ainda que ele não o diga explicitamente. agora m onos. Sua primeira exortação é cheguem o-nos (NIV acrescenta “a D eus”). E todos quantos tomam esse caminho — todo o povo de Deus — são descritos como casa de Deus (veja-se 3:6). tom a-se evidente um novo e vivo cam inho que ele nos consagrou. Assim. do passado. ou santuário. aquele que realizou o que nenhum outro sumo sacerdote (g ran d e sacerdote é o sentido de “ sumo sacerdote”) poderia realizar: preparar um caminho que todos pudessem trilhar. Este novo cam inho atravessa o véu (pelo véu) que dividia o Santo dos Santos do resto do Lugar Santo. que Cristo abriu para nós (cf. universalmente (cf. em plena certeza de fé. porém. Jo 14:6). 4:14). pode ter sido algo parecido com o rasgamento do véu do templo. Isto se deve fazer com v erd ad eiro coração. tanto em sua essência como nos seus efeitos. Agora ele exorta seus leitores a tirar vantagem dessa obra.(Hebreus 10:19-25) 189 riência cristã à disposição de todos. o qual agora reina como rei e sacerdote sobre aqueles a quem redimiu. para o autor da carta. M ediante sua morte. (Mc 15:38 e Vlt 27:51 especificam que o véu se rasgou de ponta a ponta. A antiga situação do sacerdócio e dos sacrifícios levíticos indicava pela sua própria natureza que “o caminho do Santo dos Santos ainda não está descoberto” (9:8). 1 0 :2 2 /0 autor da carta resumiu o que se fez m ediante a obra de Cristo. acesso que se obteve pela morte sacrificial de Cristo na cruz. O véu rasgado simboliza a abertura do acesso direto à presença de Deus.

em três versículos consecunvos (cf. nessa carta: o pengo de seus leitores se afastarem da verdade (cf. interna. Aquilo em que os cnstãos crêem. 1 Pd 3:21. 4:14) e à confiante expectativa do futuro que está em butida nesse credo.g. naturalmente.). 10:26-31). no contexto de referência à nova aliança). merece a confiança integral dos crentes e deve ser mantido com máxima firm eza porque o caráter fiel de Deus está acim a de quaisquer questionamentos. e o caminho aberto à presença de Deus. Fomos purificados internamente (tendo o co ração purificado [NIV diz: “espargido” .6:46. pelo que o autor volta a uma de suas maiores preocupações. 10:24-25 / A terceira exonação desta seção orienta os leitores no sentido de se preocuparem com o bem -estar do próximo. Há necessidade de nos estim ularm os m utuam ente na conduta cristã do am o r (cf. Esse novo estado de purificação desfrutado pelos cnstãos. 22). Essa é a fé que deveria ter sido anunciada por esses cnstãos por ocasião de seu batismo. de tal m aneira que deixamos de ter má consciência (cf. 6:2]). a esperança (v. sinal externo da purificação verdadeira. 2 :1 -3 :3 :12-14:4:1. Outra vez a linguagem da cerim ônia é usada de modo deliberado a fim de mostrar como ela encontra seu cumprimento verdadei­ ro na purificação intema trazida por Cristo O corpo lavado com agua limpa é referência as abluções judaicas (lavagens cerimoniais com vistas à purificação [e. apenas na . O autor. pois. 1 Co 13:13).. apropriadamente os encoraja: guardem os firm e (Iit. O que justifica nossos esforços para sermos fiéis é a fidelidade de Deus: fiel é aquele que fez a prom essa (c f 11:11). “sem titubear"’) a confissão da nossa esperança (lit. Ef 5:26). E digno de nota que encontramos as três grandes virtudes: a fé (v. são o resultado do sacrifício de Cristo. mas quase com certeza representa o batismo cristão. Ez 36:25. O encorajam ento mútuo que o autor da carta tem em mente pode ocorrer. 10:23 / A segunda exortação conclama os leitores para a fidelidade. na comunidade da fé. 23) e amor (v. a que o autor acaba de refenr-se (cf. Esta ultima cláusula refere-se ao corpo de doutrinas em que crêem os judeus cnstãos (cf. cf.190 (Hebreus 10:19-25) que nossa aceitação (nós o sabemos pelos capítulos precedentes) depende inteiramente da obra sacerdotal de Cristo. e a esperança que faz pane dessa crença. 24). 13:1) e boas obras. 9:9. 14) de que o ritual sacrificial antigo não pôde libertar-nos..

TDNT. Os crentes precisam uns dos outros. por um lado. Esta questão assume urgência especial. Eis o modo por que os leitores podem manifestar sua preocupação e interesse mútuos. tanto da parte dos rom anos como dos judeus inimigos do cristianismo. 32-34).(Hebreus 10:19-25) 191 comunhão cristã dos crentes. 25 encerram também uma exortação não nova. mas em todas essas passagens. poder-se-ia traduzir também pelo verbo “inaugurar. Os judeus cristãos estariam evitando as reuniões públicas talvez por causa do desejo compreensível de escapar das perseguições. como ocorre com . 24. A despeito de vánas ocorrências de verbos no imperativo (“cheguem o-nos. Santo dos Santos literalmente é “lugar santo. no v.” A palavra grega que se traduziu por novo éprosphatos.” “considerem o-nos”). a comunhão fraterna.cf 2 Co 3:12. considerava-se prudente evitar chamar a atenção. bem como ameaças quanto ao futuro imediato (12:4). e pelo próximo necessitado: mediante participação ativa na comunhão fraterna. que ocorre somente aqui. e pelo encorajamento mútuo. os verbos do v. Note 12:29: “o nosso Deuse fogo consumidor ” Veja-se H. pp. 871-86. 37). com o sentido de entrar na presença de Deus. 13 12. refere-se ao Santo dos Santos. 5. 20 Quanto à importância do “sangue. de modo especial nas situações difíceis. a citação de Hc 2:3.” como em 9:8 e 25. até mesmo nesta com uni­ dade. alguns. Quanto a “sangue de Jesus.” “guardemos. O adjetivo vivo é utilizado noutra passagem pelo autor a fim de descrever nosso Deus. Talvez devido a experiências do passado (vejam-se os w . nas provações. na verdade. em todo o Novo Testamento. 10:29. Schlier. Esta coragem audaciosa sempre se baseia na suficiência da obra de Cnsto E palavra utilizada em outra passagem do Novo Testamento em conexão com o chegarse a presença de D eus(veja-seEf3:12. Moías Adicionais # 24 10:19-21 / A palavra ousadia (jxtrresia) implica em audácia ou coragem para efetuar algo considerado sumamente perigoso. Todavia. 1 Jo2:28). que ocorre somente aqui. à medida que se aproxim a o “eschaton. haviam negligenciado as reuniões. Ao descrever a base da nova aliança. En tra r e verbo que traduz o grego eisodos (“entrada”). O verbo grego para consagrou (NIV diz “abriu”) é enkairuzo. em Hebreus. como aqui e em 4:16. onde o autor tem em mira a nova aliança. e foi traduzido assim em 9:18. os conselhos im positivos deste versículo apóiam o que lemos no v. em todo o Novo Testamento.” tan to mais quanto vedes que se vai aproxim ando aq u ele dia (cf.” veja-se 9:12-14. vol. por outro lado.” veja-se a nota sobre 9:7.

10:31. através de seu sacrifício na cruz ele se tornou o mediador Je uma nova aliança (9 15). Dependente ou Explicativo ’ — NTS 20 ( 1973). exceto nas citações do evangelho mencionadas acima E exegeticamente possível. Quanto a uma aplicação espiritual semelhante do substantivo . assim tambem Jesus o fez em sua"carne" (Cl I 22). NEB) entender-se que as palavras sua carne referem-se a vivo cam inho em vez Je ao véu Segundo esta perspectiva a morte de Jesus. 19. no capítulo anterior. é o caminho pelo qual temos acesso a Deus Embora haja harmonia com o ensino da carta. pp 401 -12: N H Young "T o u t' eslin tes sarkos aulou (Heb 10 20): Apposition. 12:22). veja-se 1 Pedro 1:2 Esta é a segunda e ultima ocorrência no Novo Testamento dessa palavra.” O verbo traduzido por lavado é rhantizo. pp 100-104. e preferido por alguns comentaristas (e.g.611) 10:22 / A expressão verdadeiro coração (NIV traduz "sincero coração") ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento (3 12 descreve o tipo oposto de coração) A palavra para plena certeza (plernphoria) ocorre numa segunda passagem em Hebreus. que e ocultar ou bloquear a presença de Deus A opinião segundo a qual o véu e a carne não nega que o vivo cam inho depende da “carne” de Jesus A diferença não esta tanto na finalidade do veu Assim como o sacerdote precisava atravessar o \eu a fim de alcançar o Santo dos Santos. cf. tornada possível pela "carne". esta perspectiva e mais estranha no que concerne à ordem das palavras. 9:14. 21) Aqui. A palavra cami­ nho (hodos) é utilizada com exatamente o mesmo sentido em 9:8 (embora em nenhuma outra passagem do Novo Testamento ela se refira a chegar-se à presença de Deus). unicamente em 6 11. “purificação”. que tem uma conotação simbólica. G VV MacRae. Vlontefiore. Westcott. 28. “A New and Living Wav The Approach to God according to Heb 10 19-25" — L'm Novo Caminho Vivo Como Aproximarse de Deus de acordo com Hb 10 1^-25 — Inierp 5 (1^51). pp 179-99 G rande sacerdote usa-se com frequência no sentido de “sumo sacerdote” na LXX (cf. ela tem uma conotação simbólica. o meio pelo qual todos podem chegar-se a presença de Deus Veja-se N A Dahl. nesta passagem. tendo sido usado três vezes antes.. com sentido cerimonial ou ritual (9 13. onde temos o último uso dessa palavra em Hebreus. onde modifica o substantivo “esperança. Dependent or Explicative9” — Aposição. e despreza a provável alusão à tradição sinotica a respeito do veu rasgado Não ha necessidade de pressionar a função do \eu.19 e 9:3 (“segundo véu”). Nm 35:25. Zc 3 1. “Heavenly Templeand EschatoloiiV m the Letter to the Hebrews” — Templo Celestial e Escatologia na Carta aos Hebreus Semeia 12 (1978). e em nenhuma outra passagem. A palavra para véu (katapetasma) ocorre antes em Hebreus em 6. Quanto a uma aplicação espiritual semelhante do cognato.192 (Hebreus 10:19-25) freqüência no Novo Testamento (3:12.

24. além disso.” veja-se o contraste com as “obras inúteis" de 6 . 1 Ts 5. em Hebrews Hebreus — pp 417-18 0 autor da carta e forte defensor da exortação ou encorajamento (o verbo grego para “encorajar” (para nos estim ularm os ao am or) é parakaleo Em 3:13 ele diz a seus leitores judeus cristãos que encoragem uns aos outros. refere-se ao que escreveu como “palavra de exortação” (13:22). que agora pode desempenhar deveres “sacerdotais” da nova aliança como. o de um desacordo violento (At 15 39). a descrição adicional de "‘esperança" orienta-nos quanto aos aspectos futuros de nossa fe. sob referência aqui. todos os dias. eram reuniões extras No entanto. é derivada da purificação cerimonial dos ritos leviticos (cf. assunto que \ ira a tona mais tarde. Quanto ao uso absoluto de “dia” para indicar a aproximação da consumação futura de . neste mesmo capitulo (w . isto é ler o que não está escrito no texto A palavra não diz nada disso Veja-se a nota desse autor sobre a palavra em evidência. 2 Co 1:18. pode apontar. 2 Tm 2 :13) Em 11:11 veremos Abraão representando o crente modelo. 10:23 / “Confissão ’ em Hebreus sempre tem o sentido objetivo das doutrinas em que se crê Veja-se a nota sobre 3:1. Esta é a única referência do Novo Testamento a má consciência (NIV diz “consciência culpada”). Com "boas obras. em sua fidelidade a Deus. Essa purifi­ cação interna. eram diferentes das reuniões na sinagoga. em todo o Novo Testamento A fidelidade de Deus é tema comum em todo o Novo Testamento (veja-se 1 Co 1 9. as descritas na presente passagem As palavras gregas traduzidas por purifi­ cado e lavado são particípios perfeitos dos respectivos verbos. descrita em jargão cerimonial. Lv 8:30. A palavra grega traduzida por firme (aklínes. Aqui.” veja-se 1 Ped 1:2. embora faça alusão ao batismo cristão. como salienta Hughes. A urgência de seu pedido tem origem na aproximação de aquele dia. 35-39).1. que NIV traduz por “que não se desvia” ocorre apenas aqui. tem paralelo na purificação externa que representa a interna. Esta palavra.(Hebreus 10:19-25) 193 cognato “aspersão. por exemplo. Esta é a unica passagem do Novo Testamento em que à palavra literal para lavado (louõ) dá-se um sentido sacramental. 10:24-25 / A palavra estim ularm os (paroxysmos) é palavra forte. 10 13. nesse caso. Se esta linguagem for reminiscente da cerimòmade ordenação dos sacerdotes leviticos (cf. Ele próprio exorta seus leitores por toda a carta e. Lv 16:4). que contem a ideia de "excitar" (cf. para as qualificações do cristão. Ex 29 4). no fim. RSV) Sua segunda e última ocorrência no Novo Testamento tem sentido negamo. descrevem o estado resultante de quem passou pela experiência inicial dessas realidades. 9 14 A pala\ ra grega para conjjregar-nos (cptsynagoçe) ocorre em mais uma passagem do Novo Testamento: 2 Ts 2 1 Alguns eruditos têm argumentado que o prefixo desta palavra incomum e indicação de algum sentido em que as reuniões. que exortem uns aos outros.

” veja-se G Braumann e C. Bruce. Como sugere F F. veja-se 1 Co 3:13 (cf. NIDNTT. vol. a declaração a respeito de contemplar-se a aproximação daquele dia (vedes que se vai aproximando aquele dia) pode refletir talvez o conhecimento da situação dia a dia mais difícil na Judéia e em Jerusalém Tendo a profecia de Cristo em mente. 887-95. pp. a destruição de Jerusalém teria sido considerada o sinal da chegada do ‘eschaton’ (c f Mt 24 3). a queda de Jerusalém teria sido vista talvez como mera questão de tempo (cf 8 13). A demora no retomo de Jesus tomou-se um problema cada vez mais difícil. porque os cristãos continuaram a sofrer perseguições (cf. . 2. Brown. 1 Ts 5:4). Quanto a “dia. da perspectivado autor e.194 (Hebreus 10:19-25) todas as coisas. de todos os cristãos daquela época. w 36-39). na verdade.

coloca o ofensor fora do alcance do perdão de Deus e. Que esse pecado envolve o abandono total da fé sabemo-lo pelas palavras depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade.0 Pecado da Apostasia e a Realidade do Julgamento (Hebreus 10:26-31) A referência a “aquele dia” no fim da seção precedente conduz de modo natural ao assunto do julgamento futuro. como as encontramos na LXX. As palavras se voluntariamente continuarmos no pecado não se referem a pecados comuns. 10:26-27. ... Este é o pecado que.. no entanto.. essa pessoa deverá enfrentar a perspectiva da ira de Deus contra o pecado (cf. e depois caíram. e provaram a boa palavra de Deus. portanto. cuja intenção é refletir o particípio presente grego. 3:12). 2 Pd 2:21). o pecado final: apostasia. sendo usado como incentivo adicional à fidelidade e eliminação da apostasia. 29 enfatiza a natureza e a seriedade do pecado que estamos discutindo. mas ao pecado mais grave.. As últim as palavras acerca desse fogo consum idor dos adversários parecem basear-se nas palavras de Isaías 26:11. A passagem paralela em 6:4 é clara: “os que já uma vez foram iluminados. é possível que o termo direto em pregado por KJV e RSV. Para todos quantos voltaram as costas para o sacrifício de Cristo — o sacrifício supremo para o qual todos os demais sacrifícios apontaram. A pessoa que rejeita o sacnfício de Cristo (v. Para tal pessoa a única perspectiva no que diz respeito ao julgam ento final divino é certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo (i. e os poderes do mundo vindouro. Tendo esgotados os recursos legítimos. “se nós pecarmos” seja uma tradução mais apropriada).e. pela sua natureza. aqui. 29) não encontrará outra solução para o problema do pecado. é pecado do qual não se encontra retom o. O v.2 5 . A preocupação desta passagem é semelhante à de 6:4-8 (cf. (N IV e ECA dizem continuarm os com o aditivo interpretativo. de destruição) que há de devorar os adversários. e do qual todos dependiam para que tivessem eficácia pelo menos tem porária— para estes já não resta mais sacrifício pelos pecados.

Mt 10:28). A identidade de quem falou se tom a explícita pelo autor da carta nas palavras finais: o Deus vivo. a despeito do fato de esse sangue haver santificado o apóstata (com o qual foi santificado. Assim.g. O apóstata é alguém que desprezou o Senhor. tema comum do Antigo Testamento. Todavia. ainda que fosse sumamente grave. . A apostasia equivale ao pecado imperdoável. a desobediência à lei de M oisés era uma questão de tão grande seriedade que o ofensor era sentenciado à morte: m o rria sem m isericórdia. 29 é muito forte. não era tão séria como a rejeição da obra de Cristo.. A primeira citação. certamente. citada da mesma forma por Paulo em Romanos 12:19. a transgressão da lei de Moisés. v. Assim. o mediador da nova aliança — é considerado indigno e tratado com máximo desdém. do Espírito da graça. Apostasia quer dizer que o sangue da aliança é considerado comum. 12:29. Que Deus vai vingar-se de seus inimigos é. foi capaz de u ltra ja r o Espírito da graça. a segunda declara­ ção tem o-la palavra por palavra não só em Deuteronômio 32:36 como também em Salmos 135:14. esse é o destino certo dos que repudiam sua fé cristã. Obviamente de quanto m aior castigo cuidais vós será ju lg ad o m erecedor aquele que pisar o Filho de D eus0 Com maior severidade que o transgressor sob a lei de Moisés.).196 (Hebreus 10:26-31) 10:28-29 / A fim de dramatizar com grande força este ponto. evidente. No entanto. A linguagem do v. Nm 15:30). bastante popular entre os judeus. a partir do momento em que o crente a recebeu como a verdade. pois. do sangue da aliança. 27. em que algo que se provou ser verdade na era da lei m osaica fica demonstrado continuar a ser verdade na era do cumprimento realizado por Cristo. A apostasia quer dizer que o Filho de Deus — Jesus. O fato do julgam ento vindo do Deus vivo é algo que enche o coração de temor (cf. mas declara as conseqüências exatas da apostasia. que não concorda com exatidão verbal com Deuteronômio 32:35 de LXX é. T iver p o r profano literalmente é “considerar comum” . a blasfêmia contra o Espírito Santo (e. 10:30-31 / A realidade do julgam ento sobre os que zombam da salvação oferecida por Deus fica agora enfatizada pela citação de duas declarações de Deuteronômio 32:35-36. no entanto. o autor da carta apela agora para uma argumentação que já havia usado em 2:1-3 (e que voltará a em pregar em 12:25). Mt 12:31 s. só pela palavra de duas ou três testem unhas (cf. por isso. A primeira declaração é apresentada com estas palavras: conhecem os aquele que disse. a zombaria do Filho de Deus. que a apostasia envolve a rejeição de Cristo e. Fica. que é tradução literal do grego). ou não santo.

por isso. 3:7. mas todos quantos rejeitaram o Filho de Deus e a salvação que advém da obra do Senhor. inclusive os vv 30-31. Tt 1:1). que o pecado na mente do autor da carta envolvia a rejeição das verdades centrais da fé cristã. refletem o ponto de vistaj udeu. “por de lado. 7:25). Alguns cristãos da igreja primitiva argumentavam que o que estava em jogo em hamartanõ eram pecados menos graves do que a apostasia. É verbo que ocorre em Hebreus apenas neste versículo (embora o substantivo cognato seja encontrado em 7:18. em 3:17 Aqui também se refere a uma rebelião voluntária contra Deus. a pessoa protelava seu batismo até o fim da vida No entanto. O fato de não existir mais sacrifícios pelos pecados aponta assim.. 10:28-29 / A palavra grega equivalente a quebrava a lei (NIV diz “ rejeitava alei”) tem fortes implicações. 2 Tm 2:25. da fé cristã. não para a inexistência de misericórdia para o cristão que pecou. em que a palavra “conhecimento” está na forma intensiva) e expressão que se encontra tambem nas cartas pastorais (1 Tm 2 4.27 (a forma verbal ocorre no v 3 0 ee m 13 4). concernente à inescapável realidade do julgamento apocalíptico Todavia. A presente passagem. A posição das palavras expectação horrível (phoberos) tomam-nas enfáticas. A fim de evitar esses pecados assim chamados pós-batismais. cf. voluntário. fica óbvio pelo contexto. mas para o fato de o apóstata haver cortado por si e paras: mesmo toda possibilidade de perdão. Nm 15:29-31). isto é. as pessoas que hão de experimentar a fúria desse julgamento não são os inimigos de Deus e de Israel em geral (como se depreende da linguagem derivada de Is 26:11). algum pecado cometido conscientemente e.” “anular”).(Hebreus 10:26-31) 197 Notas Adicionais # 25 10:26-27/ A palavra grega equivalente a voluntariamente (hekousiõs) ou “de sua própria vontade livre” ocorre apenas aqui e em 1 Pedro 5:2 em todo o Novo Testamento O autor se refere claramente ao abandono consciente. onde se refere ao ato de deixar de lado a lei mosaica. O verbo grego que equivale a continuarmos no pecado (hamartanõ) aparece em apenas mais uma passagem de Hebreus. no caso em apreço. no que diz respeito ao sacerdócio. .” veja-se a nota sobre 10:5 Pleno conhecim ento da verdade (epignosis tes alelheias. Só o sacrifício de Cristo constitui meio de perdão Quanto a “sacrifício pelos pecados. A graça e a misericórdia permanecem disponíveis ao crente que peca (4:16. largamente disseminado. em paralelismo à apostasia potencial que se mantém sob o foco da atenção nesta passagem: atheteo (lit. E expressão grega que se encontra também no v 31 e em 12:21 (onde Moisés treme de medo na presença de Deus) Hebreus refere-se a j u ízo (knsis) só aqui e em 9. e em 9 26. 5:2. em desafio a vontade de Deus (isto faria contraste com os pecados “dos ignorantes e errados” que pecam e se desviam inconscientemente.

veja-se a nota sobre 2 11 Por Espírito da graça o autor quer dizer o Espírito Santo gracioso. At 10:14. O sangue da aliança de inicio se referia ao selo da aliança celebrada com Israel. 10 12-18. . veja-se a nota sobre o v. Ap 21 27). e palavra cerimonial com o sentido de “imundo” ou “não santo” (cf Mc 7 2. TDNT. Veja-se 7:22. quanto à aplicação desse princípio na igreja primitiva). para ser “pisado pelos homens” (Mt 5:13).” Mas em Romanos 12 19 a citação se harmoniza com perfeição com estas palavras. TDNT.198 (Hebreus 10:26-31) onde se refere à remoção de pecado pelo sacrifício de Cristo). pp 789-97 Quanto ao verbo foi santificado (liagiazo). o autor se refere aqui a Onkelos. citado pelo autor da carta aos Hebreus em 9 20. Quanto a horrenda coisa ( l i t . 9 :14. Mt 7:6). O autor refere-se ao Deus vivo em 3 12. A palavra equivalente a castigo (nmõria) no v.8. 2:7). é provável que se tivessem tomado ditados proverbiais. vol 3.” A palavra traduzida por profano (komos). é questão que não precisamos debater. No entanto. a seguir. vol 8. 9 15-18. 1:10. na verdade. pp 305-6 10:30-31 / A primeira sentença mencionada não se harmoniza com exatidão com a LXX. como por exemplo. que diz: “A mim pertencem a vingança e a recompensa. em Êxodo 24 8. Portanto. e a referência em 13 20 ao “sangue Ja aliança eterna. fica bem claro que o sangue da aliança refere-se agora ao sangue de Cristo e á inauguração da nova aliança. 19 15 (cf. Mt 18:16. e 1 Tm 5 19. 11. em toda a Bíblia grega Veja-se G Bertram. veículo da graça divina. em Deuteronômio 32:35. Pseudo-Jônatas e Palestino) Eram bem conhecidos por toda parte na torma que descrevemos. E citação que aparece tambem de modo semelhante em trechos dos Targuns (traduções parafraseadas de passagens do Antigo Testamento do hebraico para o aramaico. que ocorre só aqui em Hebreus (mas cf a forma participial de 9:13). 29 ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento. apenas mencionar (c f pois conhecemos aquele que disse) A “mão” ou as “mãos” de Deus é antropomorfismo que se usa a fim de descrever a atividade de Deus (cf. O verbo que se traduziu por pisar encontra-se em Mateus com referência ao sal que perdeu o sabor e é lançado fora como lixo.1. ao redor do primeiro século. e também com referência a pérolas atiradas aos porcos que. Estas citações expressam a expectativa comum registrada nas Escrituras do Antigo Testamento e no judaísmo do primeiro século. mediante o qual nos tomamos participantes dos atos salvificosde Deus Por isso. “que inspira medo”). Veja-se F Hauck. na argumentação de Hebreus. insultar o Espirito de Deus e cortar o unico meio de experimentar o favor de Deus A palavra ião forte traduzida por ultrajar (enhybrizo) so ocorre aqui. 27. 2 Co 13. pisam-nas (“para que não as pisem com os pes”. A referência a duas ou três testemunhas deliberadamente nos traz à memória a prática do Antigo Testamento registrada em Deuteronômio 17:6.

(Hebreus 10:26-31) 199 12:22 Trata-se de forma hebraica comum de referir-se a Deus e seu poder infinito. como a encontramos com muita freqüência no Novo Testamento. Veja-se a nota sobre 9:14 .

que as obtiveram em circunstâncias horrendas. A perseguição sob referência provavelmente foi a que sofreram sob Cláudio. e no futuro. sob o tacão de Nero enlouquecido. leitores da carta. o autor lembra seus leitores da fidelidade que demonstraram no passado. Todavia. 10:32-33 / Os leitores são lembrados dos dias passados. a respeito dos destinatários. Ficamos sabendo que eles suportaram perseguições no passado e venceram. seja o que forque se lhes apresentar. como antes. 2:1-3. 6:4-6. a mesma expressão em 6:4. Se persistiram no passado. outra vez. jogar fora aquelas vitórias antigas. podem persistir hoje. ainda que não tenham os meios de saber com precisão quando aqueles eventos aconteceram . ao ponto de serem tentados (como notamos anteriorm ente) a abandonar a fé cristã (cf. Os crentes se transformaram em espetáculo público. Em sua exortação. Não devem. depois de serdes iluminados (lit. Parece que agora voltam a enfrentar tempos difíceis. os acontecimentos relembrados teriam ocorrido m ais de dez anos antes.. O que se descreve em geral com o “grande combate” recebe alguns pormenores nos versículos seguintes.26. Nesta descrição da historia desses heróis. As memórias dos sofrim entos que serão mencionados agora devem ser vívidas. 4 : 1. agora ele baseia seu encorajam ento nos sucessos extraordinários do passado dos leitores.C. . Teria sido com certeza um pouco depois de os leitores judeus terem-se tom ado crentes em Cristo. e não a que os judeus cristãos sofreram entre a com unidade romana. 3:12-14. em 64 d.C. O mesmo Deus fiel suprirá os recursos necessários — agora. portanto. isto é. cf. A experiência do passado deve ser excelente motivação para a fidelidade no presente. em 49 d. 12:3-11.). obtemos as informações mais explícitas de Hebreus. 13:13). Exortação à Perseverança e à Fidelidade (Hebreus Í0 :3 2 -3 9 ) O autor de Hebreus volta-se de novo às exortações. não devem ceder às pressões do presente. A vitória dos leitores fica realçada no resto do versículo: suportastes grande combate de aflições (lit : “suportastes grande combate com sofrimentos”). Se estiverm os certos em nossa opinião de que a carta aos Hebreus teria sido escrita no começo dos anos 60.

a um custo pessoal consideravelm ente elevado. O autor da carta os exorta: não lanceis fora a vossa confiança (ou “coragem .” “ousadia”). todavia. A exortação de 13:3 lembra os leitores desta sua responsabilidade: “ Lembraivos dos presos. sacrificial. presum ivelm ente é verdadeira quanto ao passado também.C. e do amor que para com o seu nome mostrastes. Os cristãos sofriam este mal com gozo. como se estivésseis presos com eles. E provável que tenha sido o compartilham ento dos sofrimentos do irmão. 11:10. “vós sofrestes com os prisioneiros” ) — esta frase parece indicar que os prisioneiros não eram os próprios leitores da carta aos Hebreus. 10:35-36 / É precisam ente disto que os leitores devem lem brar-se e guardá-lo no coração. Não está claro de que modo eles se tom aram “coparticipantes” (é o que o texto grego diz literalmente). isto é.” Um aspecto da perseguição envolvia o espólio dos vossos bens (o confisco das proprie­ dades).. assim. parece. em meio a circunstâncias terríveis. suportar grandes provações e perdas pessoais.. No entanto. a luz dessa certeza inabalável. isto é. que deram todo apoio aos que sofreram. que estavam na mente do autor da carta quando redigiu 6 :10: “Deus não é injusto. porque tinham em mente que tendes possessão su p erio r e perm anente ( l i t ). tom ar-se-ia motivação deveras importante no capítulo 11 (cf.. da realidade eterna. pelo que não deve referir-se ao sofrimento que sofreram sob a tirania de Nero..) Houve ocasiões em que os leitores de Hebreus não sofreram diretamente: às vezes vos to rn astes co -p articip an tes com os que desse modo foram tratad o s. Essa “confiança ousada” exercida . mas estes sofriam por causa da pnsào de seus irmãos.” Em 13:3o autor da carta exorta seus leitores a continuar a identificar-se com os que sofrem.(Hebreus 10:32-39) 201 sofreram abusos verbais e punições físicas. pois servistes e ainda servis aos santos. em 64 d. parece que a perseguição não culminou em martírio. embora se refira à presente situação dos leitores. ele não se esquecerá da vossa obra. (A declaração de 12:4. mencionados nesses versículos. -10). quando m uitos membros da igreja de Roma morreram martirizados. 16. de fazer da realidade invisível sua maior prioridade e. 10:34 / Não som ente vos com padecestes dos que estavam nas prisões (lit. experim entaram sofrimentos semelhantes. Esta referência a superioridade do que não se via. sumamente difíceis. eram capazes. como o depreendemos do versículo seguinte. Os leitores.

a não ser a preposição pois. Estas duas ênfases complementam-se mutuamente. devem perseverar agora também. que o autor nos apresenta sem uma introdução. Os leitores perseveraram no passado. e a volta do Senhor está próxima. aqui. A possibilidade de vivermos pela nossa fé (pela qual nós somos considerados justos) e nossa fidelidade (pela qual vivemos de acordo com a vontade de Deus).202 (Hebreus 10:32-39) na situação enfrentada agora. é preciso dar consideração especial à fidelidade. 32.. as pessoas justas viverão com fidelidade. não.” ou “suportar. porque os aguarda uma grande recompensa. mas deve tratar-se da prom essa escatológica da obra fmal oriunda dos propósitos salvíficos de Deus. quando se refere à iminência do retom o do Senhor. Fica claro a partir do contexto e do capítulo seguinte que a ênfase do autor de Hebreus nesta passagem está na fidelidade. aqui. os leitores precisam de perseverança (lit.” que aparece no v. E para a fidelidade que ele chama seus leitores. No entanto. de modo especial pelo fato do aumento de perseguições. para que não venham a cair. “suportar”). Mas tendo a volta de Cristo em mente. Segundo a prom essa profética. O autor da carta parece entender as palavras de Habacuque de forma literal. Nesta passagem a ênfase está em como a pessoa se tom a justa: é pela fé. A cim a de tudo. como fizeram no passado. A perseverança é a vontade de Deus. Se o justo retrocede na fé (se ele recuar. Em outras palavras. capacitaria os leitores a perseverar. O ponto simples é que Deus requer fidelidade ou perseverança de seu povo. Esta prom essa não é especificada. em épocas de provações. com o mesmo sentido de quando Paulo cita essa passagem em Romanos 1:17 e Gálatos 3:11 (cf. viverão de acordo com a fé. E o que foi descrito no v. a tradução excelente que RSV faz de Hc 2:4 nestes versículos). 10:37-38 / É citação de Habacuque 2:3-4. 34 como sendo a “possessão superior e perm anente” que será descrita nos capitulos 11 e 12 com várias metáforas diferentes. baseiam-se ambas na fidelidade de Deus ao agir a nosso favor. a ênfase está na fidelidade do justo: o meu justo viverá da fé. o Senhor não tem prazer nele. sendo necessária para que alcanceis a promessa.).. Esta é . no fim dos tempos haveria grande aumento de perseguições contra os justos (cf. O substan­ tivo é formado da mesma raiz do verbo “perseverar. Fica evidente a propriedade dessa citação. O tempo de sofrimento é limitado. Mt 24:9-14). pouco importando a tribulação. derrotados pela tribulação.. porém. em vez de serem contraditó­ rias. O autor cita Habacuque 2:4 aqui.

de uma sentença. ocorre em Hebreus apenas aqui. em Hebreus apenas. TDNT. que o autor da carta utiliza de novo em 11:26 e 13:13. onde significa de modo explícito que o crente carrega o desprezo e a vergonha sofridos por Cristo. E assim que o autor da carta encoraja seus leitores a que pensem de modo positivo. sem apostatar. a respeito do que os aguarda. diz o autor de Hebreus de modo conciso e direto. Nós. sem abandonar a verdade A conexão entre a perseverança e a "conservação” da alma da pessoa está no contexto da perseguição de Lucas 21:19. com um nós enfático. porém . no plural. em forma de ‘m idras’. a que já aludimos nos w . O autor aqui. Depois de ouvi-la. ao lado dos leitores. O desagrado de Deus traz sua ira. Esta palavra e muito importante para a mensagem que o autor da carta quer enviar a seus leitores. não somos. ele fala de si mesmo. e tomarem vantagem dos recursos que Deus lhes providenciou. referindose a morte de Cristo (2:9. As . sendo usada em sentido figurado com referência à adversidade que as pessoas devem enfrentar O verbo suportastes (hypomenõ) ocorre de novo em 12:2. ao iniciar o versículo. 10) O termo grego que se traduziu por opóbrios (ECA) é o substantivo oneidismos. daqueles que retrocedem para a perdição [aludindo à palavra em Habacuque]. devem a ela obedecer. 3 e 7 (o substantivo cognato ocorre em 10.36 e 12:1).” Notas Adicionais # 26 10: 32 . seguido da conjunção adversativa porém . em todo o Novo Testamento. vol. e não no pior. T ribulações (íhltpsis). sobre o significado da passagem. 27-31 10:39 / O autor da carta dá-nos agora um comentário breve.(Hebreus 10:32-39) 203 a mensagem que os leitores de Hebreus precisam ouvir — e precisam desesperadam ente. m as daquele que crêem [usando a mesma palavra de Habacuque] p a ra a conservação da alma (NIV: “e são salvos” ). encontrarão forças para perseverar na cnse atual. veja-se a nota sobre 6:4. pp. 581-88. motivados pela realidade e iminência de sua esperança. onde Jesus diz: “Na vossa perseverança ganhareis as vossas almas. que embora seja palavra comum no Novo Testamento. Veja-se F Hauck.3 3 / Quanto a serdes iluminados (phulizu). 4. Se forem fiéis à sua identidade em Cnsto. encoraja seus leitores a crerno melhor. O substantivo aflições (pathem a) é usado em outra passagem. como em 6:9. Além disso. m edi­ ante o emprego de duas palavras-chaves da citação. A palavra grega para combate (athlesis) ocorre apenas aqui.

às vezes aparece "meus grilhões. veja-se a nota sobre 3:6. em Hebreus. 11:6 praticamente a mesma palavra). e 13 17 veja-se H Conzelmann. A palavra correspondente a grande recompensa (mislhapodosiá) ocorre apenas em Hebreus. apenas. p 670 O verbo grego traduzido por vos compadecestes dos (sympalheo. umco. aqui.. pp 359-72. 1 1. 26) 10:34 / Este versículo contem duas incertezas textuais Quanto à primeira. p 670 A segunda questão envolve o caso do pronome reflexivo da segunda pessoa plural. alguns manuscritos trazem “dos que estavam em grilhões. Vos tornastes coparticipantes com os. “permaneçam”) 10:35-36 / Quanto a confiança ou “ousadia”.” que ECA traduziu tendes possessão Enten­ dem alguns que o caso e dativo (heautois). Quanto a um conceito paralelo.204 (Hebreus 10:32-39) palavras como em espetáculo equivalem a “publicamente.” (desmos) em vez de dos que estavam em prisões (ECA. verbo que ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento.” veja-se 2 Coríntios 1:7. o termo principal deriva de theatnzo. TCGNT.” que redunda em “grilhões. TDNT.” as vezes “grilhões deles ” Metzger atribui a perda da letra grega “iota. o substantivo cognato “espetáculo” (theatron) em 1 Coríntios 4:9. veja-se a nota sobre a forma verbal da mesma palavra no . é tradução do substantivo “compartilhadores” (koinonos). em todo o Novo Testamento: em 11 26 tem sentido positivo. "vos mesmos” que não aparece em ECA Provavelmente e do caso acusativo (heautous). ao traduzir desmios). em todo o Novo Testamento Quanto ao conceito. “sois participantes. onde a doutrina de Paulo deriva da participação do corpo de Cristo (1 Co 12:4-5. o que redundaria em “possuis para vos mesmos. Cf.” (como em NIV). 13 3) Veja-se Metzger. quanto aos tesouros no ceu. Mt 5 11) Essa mesma palavra ocorre de novo em 12:2. com o sentido de “fazer um espetáculo público” (NEB). que MV traduziu: “ vos mesmos unheis possessões. “onde nem a traça nem a ferrugem destroem e onde os ladrões nào arrombam nem roubam ” O adjetivo perm anente e empregado em ECA com o mesmo sentido de 13:14 “Pois não temos aqui cidade permanente” (cf 12:27. (kreisson) em Hebreus. palavra que ocorre apenas aqui. trata-se de um conceito que se liga muito a Mateus 6:20. TCGNT. Quanto à importância da palavra "melhor” (ECA preferiu superior. veja-se a nota sobre 1:4 Ainda que a linguagem referente a uma “possessão superior” seja algo singular. deve-se preferir a forma dos que estavam em prisões (cf. ao descrever o apóstolo as experiência de seus companheiros. em 2:2 aparece com o significado negativo de “retribuição ” A respeito da importância de “perseve­ rança” (hypomone). veja-se a nota anterior A idéia de “alegria” (chara) diante do sofrimento pessoal e reminiscência de Tiago 1 2 e de 1 Pedro 4 13s (cf.” ou "em vos mesmos ” Veja-se Metzger. vol 9..” a um erro de transcrição Por isso. “sofrer com”) ocorre aqui e em 4 15. lit . como aqui (cf.

1 1 :3 ) 0 autor da carta transpõe as cláusulas de Habacuque 2:4 (que em LXX se inicia com as palavras. na igreja primitiva (cf. ou “vida etema para a alma. 10:39/ Retrocedem para a perdição deriva deapoleia. a menos que seja mera expressão comum. pois ainda em pouco tempo não foi tirada de Habacuque. onde o autor nega que os patriarcas já a tenham recebido. 27. TCGNT. 6:19). Veja-se Metzger. Os melhores manuscritos de Hebreus. P46. mas provavelmente saiu de Isaias 26:20. o meu justo) Esta passagem era utilizada comumente na literatura judaica para fortalecer a crença na realização das promessas feitas a Israel. na bênção de 13 20-21 A expressão alcanceis a promessa ocorre em 11:13 e 39.) O autor toma certas liberdades ao citar Habacuque 2:3-4. 7 .TDNT.T. Mt 3 1 1 . Há nova referência ao fato de os leitores estarem fazendo a vontade de Deus. 10:37-38/ A linha de abertura na citação.(Hebreus 10:32-39) 205 v. veja-se a nota sobre 6:15. A palavra grega “fé” (pi. favorecem a colocação de “meu" antes de 'ju sto ” (e. E óbvio que o autor tem em mente o contrário de “destruição” ou perdição Por isso. Schweizer. (Is 26:11 pode ser a passagem a que o autor da carta alude no v. Para a conservação da alma é tradução literal: “preservação” (peripoiesis) da alma [psyche) Esta palavra é empregada de modo semelhante em 12:3 e 13:17 (contraste com 4:12. vol.” Alguns manuscritos da carta aos Hebreus têm o pronome “meu” em outro lugar. 39) pode ter a conotação de agir assim “de modo oculto” (c f a ênfase em 4:12-13). “mas se um deles voltar atrás”).” Veja-se E. 32. PI 3) omitem de vez o adjetivo “meu” (como faz Paulo ao citar Hc 2:4). ECA traduziu assim: aquele que há de vir “Aquele que vem” O “que havia de vir” era um dos títulos do Messias.” NTS 22 (1975).” . A). Quanto a promessa (epangelia) em Hebreus.” como o verificamos num importante manuscrito da LXX (B).g. cf. em vez do texto hebraico Ele acrescentou um artigo definido de modo que transformou um participio em substantivo. Jesus. redundando num texto diferente “o justo viverá pela minha fidelidade.g . Essa idéia nos faz lembrar da discussão nos w . de modo que e o justo que deve confrontar de modo direto a possibilidade de apostatar e experimentar a ira do Senhor. no entanto. pp 670s O verbo grego que se traduziu por recuar (hypostello. estereotipada. Assim é que o autor da cana aceita a interpretação messiânica dessa passagem (como em LXX). pp 88-94.” que na carta aos Hebreus ocorre apenas aqui. palavra comum do Novo Testamento que significa “destruição. 9..W Lewis. Alguns manuscritos de Hebreus (e. que segue a LXX. 27-29. vol.H Renystorf.pp 597-99. mas aplica Habacuque 2:4 ao crente cristão (a despeito do singular. pp 637-56. Sinaiticus. VejaseK. eseelerecuar’ (Heb x 38b). v.slis) tambem pode ser traduzida por “fidelidade. TDNT. é possível que a frase subentenda a vinda da nova vida no “eschaton. Veja-se acima.“ '.

e estando suas vidas sob o controle de uma grandiosa realidade invisível. 1 1 :1 / Em sua declaração inicial. ou as coisas que não se vêem Qual é. Como exemplo. baseados no que sabiam a respeito de Deus e suas promessas. o autor ressalta as foimas segundo as quais aqueles crentes agiram. coisas ainda invisíveis. Estes. alguns dos quais senam do conhecim ento do autor. pois põe o foco da certeza íntima na fé. com base nos modelos existentes tanto no Antigo como no Novo Testamento. Haviam sido compilados longos registros da história de Israel com o objetivo de estabelecer-se uma advertência. A fé abrange as coisas que se esperam . a natureza da fé no que concem e a estas coisas9 A resposta prendese ao significado de duas palavras-chave deste versículo. com respeito a coisas esperadas e ainda invisíveis. podem os citar o salmo 78. então. o autor da carta deixa bem claro que a fé orienta-se para coisas não presentes. Ambas podem ser interpretadas de m odo subjetivo. tendo firmado seus corações. e Atos 7. que seria o atributo das pessoas m encionadas. em parte algum a do capítulo menciona-se alguma ênfase a respeito da fé como confiança subjetiva. Segundo o autor da carta. quando dem onstraram simplesmente sua fé.27. tiveram a coragem de partir para o desconhecido. NIV opta pela subjetividade em am bos os casos. E impossível saber se o autor da carta está utilizando uma fonte textual. e em seu poder de motivação. mas ao contrário. existe uma chave que escancara os portões da existência cristã efetiva. ou se está com pondo um novo catálogo de heróis. A aplicação dos capítulos alcança plena expressão no capítulo seguinte. de que agora se assenhoreia em parte ou no todo. ela se encontra na realidade do poder da fé. . A Natureza e a Importância da Fé (Hebreus 11:1 -3) A m enção da importância da fé nos últimos dois versículos do capítulo anterior nos conduz de modo natural a este famoso capítulo a respeito da fé. Esta lista de heróis tem o objetivo de prover os leitores de força e coragem para enfrentar suas próprias circunstâncias tão difíceis. O propósito do autor da carta nesta magnífica seção do texto é encorajar seus leitores a em ular aqueles heróis e heroínas da fé. ou forte encorajam ento. ou de modo objetivo. No entanto.

em certo sentido também faz que o futuro se tom e presente. Paulo escreve: “Portanto. A fé que se expressa desta form a pode ser descrita como fé que realiza aquilo em que se crê. Alguns tradutores seguem esta interpretação (KJV: “substância” . quando a fé se manifesta desta maneira. que NIV traduz por “certo. 10:22). naturalmente. sem sombra de erro. e além disso natural. ou “meio de comprovar-se. e não por vista” . para a realidade de coisas que ainda não se vêem. E acrescenta ainda: “andamos por fé. à “convicção” da fé (cf. nós não atentamos nas coisas que se vêem.” Muitos com entaris­ tas têm interpretado esta palavra como se se referisse à certeza objetiva. A interpretação objetiva destas duas palavras harmoniza-se com uma das maiores ênfases mostradas no capítulo todo. A compreensão objetiva deste versículo. ainda que dirigida a realidades futuras. No entanto. JB: “garantia” . a fé está ativa na obediência. como sendo a mola propulsora dos atos de fé. A ação produzida pela fé é manifestação ou prova da realidade das coisas que ainda não se vêem. A prim eira dessas duas palavras.” é um substan­ tivo que significa prova. é um substantivo que pode ser interpretado (como fazem NI V e ECA) num sentido subjetivo. A segunda palavra-chave. em paralelismo com a primeira declaração (que assim se interpreta). por sua vez. A fé autêntica reconhece a realidade do invisível e permite a si mesma govem ar-se por essa realidade. m as nas que não se vêem. GNB: “para ter certeza”). A fé efetiva. tomar-se a palavra num sentido objetivo. o invisível e o esperado tornam-se realidades. pressupõe a realidade da certeza subjetiva (sendo que esta depende de a pessoa ter experimentado a bondade de Deus). fortalece a própria fé (razão por que a fé e a obediência devem andar juntas). Isto. Bíblia de Genebra: “ Fé é aquilo que faz que apareçam as coisas esperadas”). em vez da convicção da fé que constitui o ponto central do autor da carta. e as que não se vêem são eternas” (2 Co 4:18). Pois as que se vêem são temporais. também aqui se deve preferir o sentido objetivo.” e EC A por é a certeza. neste capítulo. é a expressão da fé. Muitas versões preferem esta interpretação (RSV e NASB: “segurança” . a saber. é igualmente possível. cf.(Hebreus 11:1-3) 207 O argumento do autor da carta é que a fé resulta numa conduta que aponta. Todavia. No entanto. Todavia. com o se expressasse a base ou fundamento das coisas esperadas. que NIV traduz por “tendo certeza. De modo sem elhante. N EB: “dá substância” . A reação obediente da fé dá substância ao que foi prometido.

Essa mesma palavra ocorre numa declaração semelhante. e demonstra a verdade das que ainda não estamos vendo. 1 1 :2 / Foi p o r ela que os antigos (lit. “as eras") foram criados pela p alav ra de Deus (lit. “dão testemuho de. a própria criação envolve um modelo parecido com a fé. no v. mas antes um a descrição do que a fé autêntica faz. 9). com o resultado óbvio que o que sabemos e vemos não foram feitos pelo que se vê (o visível não foi feito do que se vê (lit. Gn 1. e invisíveis. em si mesma. 39. cf. podem ser vividas realmente pelos cristãos mediante a fé. não. isto é. na prática da fé de que tudo quanto ele prom ete no fim se cumprirá. Nossa compreensão da criação do universo mediante a palavra de Deus é. 4. que arremata a lista dos heróis e heroinas da fé. porém.. algo que ocorre pela fé. isto é... Esses homens e mulheres do passado devem ser colocados na vanguarda. Podemos parafrasear este versículo com as seguintes palavras: A fé mediante seu caráter ativo dá substância às coisas esperadas. 11:3 / Todavia.208 (Hebreus 11:1-3) (2 Co 5:7). Em outras palavras.. que ela surgiu m ediante a palavra de Deus. é um termo judaico comum que admite uma variedade de empregos. Os m undos (lit. Pesquisando a cnação podemos de fato conhecer o poder de Deus (Rm 1:20). de tal modo que o atual versículo pode servir quase como titulo do resto do capítulo. Desse modo. expressa a realidade de tais coisas. O que o autor de Hebreus nos dá aqui não é tanto uma definição técnica de fé.” ou “atestaram” ). As realidades futuras. o modo de criação. NI V traduz interpretativãmente: “por ordem de Deus” . como ilustrações especificas que se iniciam no v. aqui nós também reconhecemos a verdade de uma reali­ dade invisível. bem à frente. o autor da carta inicia seu grande catálogo fazendo alusão à origem da ordem cnada. na verdade. aqui ele assume o sentido tirado de uma lista de pessoas cujos nomes vêm a seguir) alca n çaram bom testem unho (lit.: “não de coisas que têm aparência”). é que aqui ele encontra uma ilustração do princípio real sobre a fé. que envolve uma realidade invisível que culm ina em expressão concreta. SI 33:6. . a despeito do registro da criação que encontram os nas Escrituras. A criação se parece com a fé em que sempre existiu a realidade de importância excepcional que. e como Deus provê evidências. foi quem gerou o mundo visível. "os anciãos” .

veja-se F Büchsel. 11:2 / O verbo grego traduzido por alcançaram (martyreo) é usado três vezes com referência às Escrituras (7:8. Moulton e G Milligan. em todo o Novo Testamento Quanto à opinião de não se pode dar a essa palavra o sentido de persuasão subjetiva. vol I. vol 8. Sugeriu-se uma terceira opção. entrevê-se a forte palavra do jargão cristão. Na tradução de NIV "que esperamos” (ECA: que se esperam ). 4. que é traduzida por certeza em ECA (“certas” em NIV). em vez de uma crença passiva na verdade de Deus. em Hebreus. vol. 6 :1 1.” pois é expectativa confiante (cf. 10 22s ). essa palavra grega tem um sentido objetivo. a tradição (w .” que nada tem que ver com "pensamento positivo. pp 585-88 A segunda palavra chave (elenchos). 10:36-39). o f lhe Greek Testament. ela deve ter um sentido subjetivo. aparece apenas aqui. A fé está explicitamente relacionada ao que não vemos. e com o ímpeto principal do capitulo todo. Falta-lhe o sentido técnico que possui em outras passagens do Novo Testamento. em que tem o sentido de "titulo de propriedade” ou “garantia” (segundo J. até mesmo nesta passagem a palavra pode ter um sentido objetivo (como argumenta Koester) Provavelmente nesta passagem devemos favorecer o sentido objetivo.H.” em NIV: “a confiança que desde o princípio tivemos ” Todavia. e só neste capitulo aparece vinte e quatro vezes. aqui tem o sentido de “ancestrais. elpizomenon. sendo traduzida por “ser”. Rm 8:24s) A razão para a confiança nesta esperança — e na verdade para a própria fé — e a fidelidade de Deus (cf.) É óbvio que esta obediência também envolve a confiança. 710-14 e H Koester. 39). tambem nos escritos de Filo (On Dreams — A Respeito de Sonhos — 1 b8). que se assemelha ao sentido objetivo da palavra. pp 205-8 A palavra grega que se traduziu p o ré a certeza de (hyposlasis) aparece em outras duas passagens de Hebreus. (Cf. 2. a palavra fé em Hebreus se aproxima da palavra “ fidelidade” (cf.” e também. com base no seu emprego em documentos seculares contemporâneos.(Hebreus 11:1-3) 209 Notas Adicionais # 27 11:1 / A palavra fé (pistis) é usada em Hebreus com mais freqüência do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. Bultmann. vol. TDNT. Na primeira delas (1:3). Assim. porque se harmoniza mais com o significado normal da palavra. The Vocabular.” Na segunda ocorrência dessa palavra (3:14).” As listagens de . TDNT. A palavra “anciãos” aparece apenas aqui. “esperança. p 476. 5. 10:15). No capítulo que estamos estudando ele ocorre com o sentido de as Escrituras poderem “testificar. pp. Fé em Hebreus envolve a obediência ativa. sendo traduzida por “confiança. A ideia do autor da carta sobre o que significa “ invisível” se torna clara à medida que o capítulo vai-se desenvolvendo. 10:23. talvez. 6. Veja-se R. TDNT. 17. o relacionamento íntimo existente entre a descrença e a desobediência em 3:18s. em NI V : “aexpressa imagem de seu ser” (enquanto ECA traz: “de sua pessoa.

e de modo singular. 11:3 / No texto grego.r m hilo. mas a palavra correspon­ dente a “criar. temos aqui a primeira de dezoito sentenças em que a palavra inicial é p istei (pela fé). Das vinte e quatro ocorrên­ cias dessa palavra (fé) neste capítulo. num contexto semelhante “Os mundos” (aiori) é a mesma expressão usada em 1 2. em 10:5 e 13 21) Ainda que. em Romanos 1 20. e em resposta ao evangelho. Hebrews — Hebreus — pp 443-52 A nova criação que surgiu. esta é a única fez em que o autor a aplica a si próprio e a seus leitores. no livro de Hebreus. veja-se a exposição de Hughes. Jo 1 1-3).210 (Hebreus 11:1-3) exemplos do passado. mas e a mesma palavra utilizada por Paulo. por causa de 1 2. ficamos sabendo que o autor da carta vè o Filhocom ooagente de Deus na criação. até pela posição que ocupa em cada sentença. a própria repetição tem a tenção de exercer um impacto cumulativo sobre o leitor. O autor da carta não mostra nenhum sinal de conhecer uma Cristologia do logos. de modo particular. mediante a pregação do evangelho. aqui o termo grego e rhema. (katartizõ ) é diferente daquela que se usou em 1 2 (ela ocorre em Hebreus também. não temos esta cristologia refletida na referência à criação mediante a palavra Em vez de logos como termo grego para “ palavra’’ (como aCristologiado logos de João.” aqui. mas também na literatura helenística e. nos a descrevemos com uma linguagem parecida à que faz vir o m undoaexistênciaapartirdonada(cf 1 Co 1 28) O Deus da criação e o Deus da nova criação que no evangelho executa um novo milagre criativo . estóica. de modo direto O verbo que se traduziu por entendem os (noeo) só se encontra aqui. que ilustram alguma virtude ou ideal. Quanto ao significado deste versículo para a doutrina da criação t'. encontram-se apenas na literatura judaica (veja-se a introdução à presente seção). E que esta palavra recebe ênfase especial.

feito pelo autor de Hebreus. Abel nada reteve. antes de aceitar os argumentos do autor da carta aos Hebreus. Pela sua fé. cf. Alcancou testemunho. No entanto.” com referência ao relato de Gênesis. é o fator comum a todos. em relação ao de Caim. O primeiro assassinato produziu o primeiro mártir. nós não precisamos conhecer os pormenores.28. enquanto NIV diz “pela fé depois de morto. como fica bem claro na alusão deliberada às palavras da LXX.” ou “atestado. à semelhança do v. enquanto a de Caim foi inteiram en­ te inaceitável. dando Deus testemunho das suas ofertas. Foi esta atitude que tom ou m ais excelente o sacrifício de Abel. Tais exemplos. segundo os quais a fé — a saber.” “mais aceitável” ). e o . de Gênesis 4 4. mas agiu de m aneira coerente com sua convicção intima. que faz referir-se ao sacrifício (pelo qual alcançou testemu­ nho). Mas NIV traz em lugar desse pronome as palavras “pela fé alcançou testem unho. ECA prefere empregar o pronome relativo pelo qual. De certa forma Caim retraiu-se em relação a Deus.. 7). 1 1 :4 / Ainda que as minúcias do registro de Gênesis (Gn 4:2-16) sejam obscuras. A Fé Demonstrada por Abel' Enoque e Hoé (Hebreus 11:4-7) O catálogo de heróis e heroínas da fé. 2. quer em seu coração. Abel foi considerado justo (alcançou testemunho de que sra justo. depois de morto . literalmente: “ficou bem com provado. inicia-se com três exemplos tirados dos primeiros capítulos de Gênesis. "m ais excelente. e seus propósitos.. da época anterior ao dilúvio. v.. seu irmão. e estejam longe de um esclarecimento. a entrega sem reservas à realidade de Deus e ao caráter absoluto das vindicações de Deus sobre nós — fez uma diferença decisiva. tém o objetivo de inspirar os leitores para que venham a exibir o mesmo tipo de fé (cf.” é termo genérico de comparação que significa “mais adequado. e pelas ações dela decorrentes. quer na p rópna oferta. Essa expressão. quer dizer. O fato de esses indivíduos terem sido motivados pela realidade invisível de Deus. bem como os demais que se lhes seguem. 6:12). Sua fé expressou-se na fidelidade obediente. a oferta de Abel por alguma razão justa foi aceitável a Deus. ECA diz: e por meio dela [da fé].” No mesmo versículo.

” Esta expressão a b a d a r a a Deus e utilizada pelo autor da carta aqui e no versículo seguinte. Tendo m orrido por causa de sua fidelidade. Mt 23. Enoque podia viver uma \id a que agradava a Deus só enquanto aceitava a realidade de Deus (creia que ele existe. personagens especiais da escatologia judaica.” que significa levar de um lugar para outro Génesis tem pouca coisa que dizer a respeito de Enoque. esta orientação envolve a fé. Assim.: "que ele e". podemos asseverar que sua vida havia sido controlada pela realidade invisível de Deus. mas antes. sem prover informações mais detalhadas. Abel continua a proclamar sua mensagem de fé. que na LXX está traduzido por “ele agradara a Deus. E isto que significa andar pela fé (como afirma o versículo seguintei. O apelo aos leitores fica implícito. \ I V e ECA registram três vezes a p a l a v r a “trasladar. “viu aquele que é invisível” ).35. v. lit. o autor de Hebreus agarra a idéia de "agradar ao Senhor" como indicio da realidade da fé. são citação da LXX. mas é real. porque Deus o tra sla d a ra . a declaração acerca de Enoque ter agradado a Deus (contraste-se cotn 10:38: ‘‘a minha alma não tem prazer nele"). a respeito das coisas que ainda . 11:5 \ Se em Abel fala a fé através de um homem morto. G n 4 :10). A fé neste sentido é fundamental para todas as experiências religiosas (cf. Esta referência à trasladação de Enoque diretamente deste para o outro mundo. 11:6 / O autor de Hebreus esta-se dirigindo agora a seus leitores e ao mesmo tempo comenta o significado de Enoque. Rm 10:14). Noé (Gn 6:9-22) age de acordo com as advertências divinas a ele reveladas. 27. cf. Duas vezes no texto hebraico esta registrado que “ele andou com Deus" (Gn 5:22 e 24). A aplicação geral se faz no versículo seguinte.. Ex 3 : 14) e a convicção de que Deus o recompensaria (lit. bem como de Elias.212 (Hebreus 11:4-7) sangue inocente de Abel não foi esquecido (12:24. Entretanto. “que Deus é galardoador”). As p a l a \ T a s não foi achado. em Enoque ela fala mediante alguem que nunca morreu. Se nada mais pudermos dizer a respeito de Enoque. Génesis 5:24. fez dele. eles deverão reaparecer de novo como enviados especiais de Deus. visto envolver coisas que não estão aparentes de modo direto aos sentidos (cf. cf. 11:7 / Neste terceiro exemplo de fé. O fato mais importante para nosso autor não é a trasladação de Enoque.

: “através da qual” ). TCGNT. fazendo contraste com todos os demais exemplos deste capítu­ lo. Noé tornou-se por isso herdeiro da ju stiça que é segundo a fé. A chave não está na “crença. a despeito de ser bastante ridicularizado pelas pessoas ao seu redor. pois.” Noé preparou.” Pela fé Noé (lit. Rm 3:22.(Hebreus 11:4-7) 213 não se viam . então. O autor da carta não está discutindo a doutrina da salvação. as evidências textuais que favorecem tais palavras são poderosas demais. esta é a tradição de justiça que caracterizou a Noé (cf. veja-se Metzger. 4:13) Mas no contexto ela não pode ser entendida como Paulo a ensinaria A fé de Noé expressou-se em ação (cf. pelo que precisam permanecer A segunda variante representa uma harmonização em que temos o caso dativo da palavra antes mencionada. a tradução de NIV deve ser rejeitada.” Contudo. 10:38). 22. Quanto a estas duas variantes. Esta linguagem à primeira vista parece linguagem de Paulo (cf. em vez das bênçãos escatológicas.. a arca. Este é um tem a dominante no capitulo (veja-se a nota). isto deixaria o particípio grego gramaticalmente sem explicação e. demonstrar a adequação e justiça da condenação dos ímpios. Neste exemplo específico.) “a salvação de sua casa. 7:1). 24. que conduz à ação apropri­ ada.” por si mesma. o autor da carta retom a de modo explícito para a orientação da fé. investindo contra o legalismo dos judaizantes. v. mas esta descrevendo como a justiça é funda­ m entalm ente uma questão de fé no invisível. o objetivo era (lit. pp. P13 e Clemente da Alexandria omitem as palavras lo theo (na primeira referência a Deus neste versículo) Ainda que razões de estilo determinem sua omissão. e para o futuro (cf. como a vemos em Paulo. Gn 6:9. A maior aceitação . isto resulta em que a segunda sentença de ECA encerra as seguintes palavras: dando Deus testem unho das suas ofertas (que NIV prefere dizer de outra forma: “o que ficou testemunhado pelas suas ofertas a Deus. Para o autor da carta. Primeira. apesar de algum apoio textual de peso. em obediência a Deus. A fé dem onstrada pelo patriarca Noé serviu para salientar a descrença do mundo e assim. 1). voltada para as coisas invisíveis. 671 s.. A expressão de ECA sendo tem en te a Deus (que NIV traduz por “em temor santo”) literalmente é: “tendo preocupação reverente pelas [advertências e ordens reveladas divinam en­ te]. mas na fé que produz a conduta apropriada. Assim. o invisível e o futuro envolvem a ameaça do julgam ento iminente. Notas Adicionais # 28 11:4 / Devemos notar duas variantes textuais neste versículo.

Que se aproxim a (proserchom ai) de Deus não e verbo empregado de maneira técnica. De modo semelhante. LXX) Quanto ao verbo “alcançar testemunho” (martyreo). A palavra greua equivalente a [homem justo] (dikaios) é am esm a empregada em 10 38 Ela ocorre de novo em Hebreus apenas em 12. c f Rm 12:1 s. 11:7 / A palavra grega traduzida por avisado (chrematizo) é termo técnico . enquanto a de Caim foi de frutos da terra. em NIV. com o sentido de “mudar" (com referência ao sacerdócio). 49 14. o verbo cognato “ter fé” (pisteuo) ocorre apenas uma vez neste capitulo. segundo a LXX Aparece apenas mais uma vez em Hebreus. cerimonial: “não a manejando bem” (Gn 4:7. O autor da carta usa essa linguagem de forma semelhante (veja-se 12 28. e atribui a rejeição da oferta de Caim a um erro ritualistico. mais à sua disponi­ bilidade e obediência internas. A segunda e ultima ocorrência em Hebreus está em 4:3 O substantivo “galardoador” (misthapodotes) ocorre apenas aqui. como se ali houvera um sacrifício pelo pecado.23 11:5 O verbo “trasladar" (metatithemi). que aparece duas vezes neste versículo. provavelmente. do que à oferta propriamente dita.214 (Hebreus 11:4-7) da oferta apresentada por Abel deveu-se. é tirado da mesma citação da LXX Aparece apenas mais uma vez em Hebreus (13 16) Quanto a referências intertestamentárias a Enoque. veja-se Sabedoria de Salomão 4 10. e 11 26 (mas só em Hebreus). que ocorre neste versículo (lit. atribuiremos maior significado à oferta de Abel. 14 18. em 7 12. e de epocas posteriores. provavelmente é incorreto salientar que a oferta de Abel foi de animais. veja-se a nota sobre o v 2. em todo o Novo Testam ento. aqui e no versículo seguinte. Não era o tamanho da oferta que importava. O substantivo cognato “traladaçào” (metathesis). “antes da transladação”) também aparece em 7 12 (“mudando-se”) e em 12 27 O verbo agrad ara (euaresleo). Fp 4:18. 21. Mas o substantivo cognato “g alardão” (misthapodosia) encontra-se em 2:2. 10:35. seria preferível a expressão mais excelente. ou a semente da doutrina da expiação. Jubileu 10 17 e 1 Enoque 71 14 (todos estes são escritos originários do periodo intertestamentario. derivada citação de Gênesis 5 24. se crermos nisto. como acontece em outra passagem do Novo Testamento (veja-se a nota sobre 4:16). conhecidos coletivamente como livros apócrifos e pseudepigráilcos) 11:6 O conceito de “agradar” a Deus foi tirado da LXX e aplicado de modo generico aos justos da igreja cristã. Cl 3:20). Embora o substantivo fé (pistis) neste capitulo tenha grande importância. mediante o sangue Não há o menor indicio de tal doutrina no texto Provavel­ mente nem a LXX merece ser seguida quando se desvia do texto hebraico. de ECA. acima. as quais receberam um titulo literário. 13 : 16. É provável que seja errado enfatizar o aspecto quantitativo (como o faz Westcott) da palavra grega traduzida por “melhor” (polys). Siraque 44 16.

como em nosso texto. a que este capitulo de Hebreus faz menção. 13:14) 13 — de longe enxergam (as coisas que Deus havia prometido) 14 — procurando um pais 16 — o pais celestial 26 — mantendo os olhos no galardão futuro 27 — como se enxergasse o Deus invisivel Ate mesmo alem destas referências explicitas. que ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento. Rm 9 30: 10:6) e nunca katapistm . porém não vistas ainda 3 — criação a partir do que não pode ser visto 6 — que Deus existe e dá galardões 7 — eventos ainda invisíveis 8 — um pais invisível 10 — a cidade cujos alicerces são permanentes (cf. p 322 A expressão herdeiro da justiça (que não aparece em nenhuma outra passagem do Novo Testamento) faz-nos lembrar de “herdeiros da promessa” (6 17) A palavra herdeiro (kleronomos) encontra-se outra vez em 1:2. a conduta deles parece temeraria e injustificável . Aparece na carta aos Hebreus também em 8:5e 12:25.(Hebreus 11:4-7) 215 para recepção de oráculos divinos. agem da maneira como agem por causa de sua firme convicção a respeito da realidade de Deus e de suas promessas O resultado e que da perspecti va do mundo. presume-se que os campeões da fé. Entre os termos gregos equivalentes a sendo temente a Deus está o verbo euiabeomai. emprega as palavras ek pisteos (e g . como podemos verificar pela lista seguinte: v 1 — coisas esperadas.” mas aqui pode bem ter o sentido de “ter reverente consideração p o r” Veja-se BAGD. Um dos sentidos dessa palavra é “sentir medo” ou “estar preocupado. Quando Paulo se refere a justiça que é segundo a fé. A realidade do invisível e um tema controlador neste capítulo.

13:13). De acordo com Génesis 15:6. 17-19. o cumprimento posterior da promessa de descendentes: e. Abraão é o homem de te por excèlencia. 11 (talvez se refira a Sara) e 17 1 1 :8 / Neste pnm eiro exemplo (tirado de Gn 12 1. “creu Abraão no Senhor. para ser conduzido para onde quer que Deus quisesse leva-lo. para lugares nunca antes vistos (cf. ate mesmo na terra da promessa.. 11:9 A despeito do fato de Abraão ter chegado à te rra da prom essa. e pela prom essa divina. G1 3:9). Assim vemos que Abraão é controlado por Deus. e o que o autor da cana deseja que seus leitores imitem (cf. patenteia-se m aravilhosa­ mente a te de Abraão. o familiar.g. da perspectiva humana. e nada mais. Gn 12:8. Destacamse trés grandes episódios da vida de Abraào: a partida para a Terra Santa. Na verdade. cf. Em todos esses eventos. E exatamente isto que fé significa. em vez de estruturas mais permanentes. ainda que sem sab er para onde ia Abraào deixa para tras o conhecido. nos vv.2 9 . Age apenas com base nas promessas de Deus. Abraão é chamado por Deus para que fosse p a ra um lugar que havia de receber por heran ça Abraào obedeceu. 9. 20- . Foi a fé que permitiu a Abraão vencer certos obstáculos que.” aplica-se a Abraão quatro vezes: nos vv 8. continuou a viver como peregnno neste mundo. mas bela. e paniu. não se estabeleceu ali como se aquele fosse seu objetivo final. como em te rra alheia (Gn 23 :4). como morador em tendas (e. partindo para o desconhecido. eram intransponíveis. Nisto ele foi seguido pelo seu filho e neto (o que será mencionado de novo nos w . e isso lhe foi imputado parajustiça. A fórmula do autor da cana. a definição de fé. 13:3. 18:1)." Paulo descreve a Abraão como "o pai de todos os que crêem ” (Rm 4:11. O autor da carta compreensivelmente lhe dá mais espaço do que a qualquer outro herói dentre os que menciona. o sacrifício de Isaque.4 Fé Demonstrada por Abraão e Sara (Hebreus 11:8-12) No Antigo Testamento. no v I ). “pela fé. 4) a essência da te expressa-se de fonna simples.

equivalente simbólico da cidade (v. A argumentação do autor aqui é muito semelhante à de Paulo.isto e. registradas em Gênesis (veja-se Gn 15:5. 16. em Romanos 4:16ss. nossa esperança escatologica. 16). Essa abundância de descendentes. a saber. seja invisivel. não e uma realização da tecnologia humana. 18:9-15: e 2 1 :1-7) envolve o cumprimento das promessas de Deus quanto a seus futuros descendentes. e esse já amorte­ cido. Deus foi fiel em sua promessa. mas pura criação de Deus. que agora se vê em pleno cumprimento. 11:11-12 O segundo exemplo da fé de Abraão (tirado de Gn 17:15-21. neste exemplo. 11:10 / A razão dessa atitude de Abraão. Agora o autor de Hebreus emprega a metáfora de uma cidade — sem dúvida tem em mente a imagem escatologica da Jerusalém celestial (cf. O resultado da fé. trata-se de cidade estável e permanente — cidade da qual Deus é o arquiteto e construtor Nosso objetivo final. 22. portanto. e foi mediante a fé dem onstrada por Abraão e Sara que o casal experim entou a fidelidade de Deus.” (“amortecido” . e chama à existência . no presente Este ponto será mais bem elaborado nos w . a reação de Abraão. Abraão colocou sua confiança na fidelidade de Deus Porque teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa: esta confiança permitiu a Abraão e Sara que realizassem algo humanamente impossível. o particípio pode ser equivalente a “tido como morto”) descenderam tantos. A realidade desta bênção. da velhice e esterilidade de Sara. 13:14. Mas ele também fala de um país celestial. Ap 21:2). A cidade que Abraão procurava é descrita como tendo fundamentos -. é de tal ordem que consegue motivar nossa conduta aqui. “desgastado. 13-16. lit ). 6:17). que seriam literalmente herdeiros com ele (ou co-herdeiros) da mesma promessa (cf. v. em que nem se podia pensar (cf. foi que também de um.(Hebreus 11:8-12) 217 21). 17. em multidão. embora ainda esteja no futuro e. Ele sabia que a vontade de Deus para seu povo transcendia a segurança e a prosperidade. em 18:12 e 21:7). mesmo fora da idade. 12:22. e a de Sara. isto é. 32:12). tom a-se clara. Paulo se refere a Deus como aquele “que vivifica os mortos. é deliberadam ente descrita na linguagem das promessas de aliança feitas a Abraão. Gn 17:18. Isaque e Jacó. ambos se tornaram pais. agora. numa propriedade agrícola na praia oriental do Mediterrâneo. Ali. Assim foi que a despeito da avançada idade de Abraão. tão estranha segundo os padrões do mundo. Sara recebeu poder de conceber um filho (trad.” "im potente.

9) Na verdade este é o uso comum da palavra. o mesmo ponto e levantado Quando Abraão saiu.” paroikos.10. TDNT. Ele também descreve a atitude de Abraão com estas palavras: “estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir” (4:21). mas o autor da carta a emprega em um sentido mais amplo. em demandada terra prometida. como em 9:15 \ eja-se W Foerster. Por isso. 19 9.218 (Hebreus 11:8-12) as coisas que não são como se já fossem” (Rm 4:17).g . e g . Sabedoria de Salomão 10:5. O autor da carta une a fé à obediência de maneira semelhante a Tiago 2 14-26 Abraão não só tem fé. pp 776-85 11:9 \ No discurso de Estêvão. em Hebreus Segundo seu uso aqui. em Siraque 4 4 :19-21. e encontra-se no Apocalipse a referência á “grande cidade. 26:3 (cf o substantivo cognato “peregrino. como em terra alheia (paroikeo. “estran­ geiros e peregrinos na terra. Trata- . na literatura judaica. em geral pode-se encontrar textos paralelos a esta passagem. nem ainda o espaço de um pe” (At 7 5) O verbo grego equivalente a peregrinou na terra da promessa. Deus "não lhe deu nela herança. 18: lss ) 11:10 \ A metáfora de uma "cidade” (polis) que haveria de vir tem antecedentes judaicos. vol 3. como age coerentemente. Essa metáfora é empregada de novo pelo autor da carta no v. e deriva da importância de Jerusalém Filo emprega essa metáfora para descrever a promessa feita a Abraão (Allegoncal Interpretatwn — Interpretação Alegórica — 3 . exerchomai) é a mesma empregada em Gênesis 12:1. 17:8. On Abraham (A Respeito de Abraão). herança (kleronom ia) refere-se a terra prometida a Abraão (de que Isaque e Jacó são “herdeiros com ele”. 20 1. Abraão em nenhum lugar e descrito na LXX com a palavra “estrangeiro” (alio/rios).g . da parte de Deus” (Ap 21 10) O primitivo escritor cristão Hermas usa a imagem da cidade de maneira semelhante à do autor de Hebreus. Notas Adicionais # 29 1 1:8/ Abraão é freqüentemente festejado como herói da fé.83). em Atos 7. Gênesis 12. Paulo utiliza essa tradição quando se refere à “Jerusalém que é de cima” em Gàlatas 4:26. segundo a LXX A palavra herança aparece aparece só aqui e em 9 15. 13:14). na LXX. que descia do ceu. 13 3.” A narrativa de Gênesis diz varias vezes que Abraão habitou numa tenda (e. com que o autor da carta o descreve aqui Duas palavras semelhantes são empregadas no v 13. "peregrinar”) é muito empregado com referência a Abraão. e The Migration o f Abraham (A Migração de Abraão). 12:8. a santa Jerusalém. 16eem 12:22(cf.1). segundo a te ele obedece a Deus A palavra grega para “ir” (para onde ia. e . v. em Gn 23:4) No entanto. e Filo. e talvez dependa deste autor (Shepherd— Pastor — Similitude 1.

c f 1 Pd 1 1. logicamente. nunca para as mulheres. 6. no inicio do v. 11:11-12 / Existe um problema textual sério.. í.g. Abraão não estivesse consciente desta metáfora). NIV e ECA trazem arquiteto e construtor. demiourgos (“o que faz. onde a entrada na terra de Canaà não garante o descanso que Deus prometera. e consideradas cláusula adverbial circunstancial.e. 18:3. 529-33. As palavras podem ser interpretadas como estando no caso dativo (que nos manuscritos mais antigos seria indistinguível do caso nominativo) e entendidas como referindo-se ao acompanhamento. talvez corretamente. TDNT. que o sujeito é Abraão A razão mais forte que favorece esta opinião e que a linguagem do v 11. pp. “recebeu poder para gerar” e regularmente utilizado para os homens. o Senhor Jesus Cristo”. 11.” “criador”) ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento Filo utiliza ambas as palavras (ou seus cognatos) ao descrever Deus (e..” “perito. w . 13-16). ao lado do significado normal do verbo. ‘"com a própria (estéril) Sara” . Neste caso a questão se torna como redigir o texto: “A própria Sara estéril.. encontra-se em outras passagens do Novo Testamento apenas em Atos 17:29.” “projetista”). assim crêem. 2 11) Um argumento semelhante ao da passagem que estudamos encontra-se em Hebreus 3 7-4 1 1. A primeira delas no grego é techmtes (“técnico. Estas possibilidades naturais. Fp 3:20): “ Mas a nossa pátria esta nos céus.19s. Veja-se H. tais palavras tambem podem ser entendi­ das como estando no caso nominativo. isto poderia ser influência de Hebreus O argumento segundo o qual o povo de Deus encontra seu verdadeiro lar em qualquer lugar.” Não é necessário tomar tais palavras como uma glosa que se adicionou ao texto.g. que gira ao redor do sujeito do primeiro verbo do versiculo: Refere-se a Abraão ou a Sara0 Para NIV (igual a GNB. Tal realidade controlava a Abraão (embora.” ou como alguns manuscritos trazem “A própria Sara. encontra-se em vários outros lugares do Novo Testamento (e. no entanto. e Apocalipse 18 22. A referência aos fundamentos da cidade pode ter derivado de Salmos 87:1 (cf. discorda de RSV. vol. ECA e NASB) a conclusão foi. no hebraico: “ainda que Sara fosse estéril” (assim crêem Metzger [TCGNT] e a comissão UBS). 17. RSV) Veja-se também Apocalipse 21:1 4 . Michel e Bruce No entanto. Strathmann. fazem que se tome necessário que se interprete que Sara é o sujeito Há outras vantagens derivadas de entender-se que o sujeito do verbo é Abraão: Toma-se desnecessário aceitar uma mudança repentina (e não esperada) de assunto (o pensamento precisa voltar-se de novo .(Hebreus 11:8-12) 219 se da realidade escatologica que espera o povo de Deus. duas palavras raras no Novo Testamento. de onde esperamos o Salvador. Quem E o Herdeiro? 133) Em Epistle lo Diognetus — Carta a Diogneto — as mesmas duas palavras são usadas a fim de descrever a Jesus como o agente divino na criação (7:2). a segunda. exceto no mundo atual (cf. entre outros. NEB.

Veja-se Metzger. Quanto ao termo técnico “gerar” (lit. segundo o qual Sara não tem fé (veja-se de modo especial Gn 18:12-15). a respeito de como Deus sempre foi fiel ao abençoar Abraão.” parece interpretação torcida. TCGNT. pelo fato de serem lidas em Gênesis.) O participio que rege a tradução proposta por NIV “como se estivesse morto” {nekroò) ocorre com esse sentido preciso em Romanos 4:19 (a segunda e última ocorrência desse verbo em todo o Novo Testamento é Colossenses 3:5. 12. As frases do Antigo Testamento a respeito da abundância de estrelas do céu e areia inum erável que está na praia do m ar tinham-se tomado metáforas familiares. 409.. exatamente. e evita-se o problema do registro de Gênesis. pp 672s. o verbo tem um sentido diferente). e menos satisfatória do que as soluções propostas acima. . (Veja-se a nota sobre a passagem. em sua exortação aos leitores. em 10:23. O que foi reconhecido como verdadeiro por Abraão — que aquele que prometeu era fiel — é expresso pelo autor da carta com as mesmas palavras. veja-se BAGD. muito populares. E interessante a sugestão de Hughes: Entender que Sara é o sujeito do verbo. e que este deve ser entendido como “estabelecedor de uma posterida­ de.220 (Hebreus 11:8-12) para Abraáo) no v. “ lançar semente”). aqui. p. todavia.

47:9. morreram sem ter recebido as prom essas de Deus no Antigo Testamento: (Não a lca n çaram as prom es­ sas).” “uma cidade” preparada por Deus. 39). 8-10. Os heróis da fé m o rre ram na fé depois de ter vivido pela fé. Sua verdadeira pátria estava noutro lugar. em bora não vistas. que ele próprio descreveu de início. pertence à essência da fé. 1 Cr 29:15. As implicações para os leitores judeus. em sua atual situação. poderia facilmente tê-lo feito. 11:13-14 / Os heróis da fé discutidos até agora. a de que nós vivemos neste mundo como peregrinos. paia essas pessoas não passavam de sombras. Na verdade. a fim de elaborar o texto dos w . A reação desses heróis que creram no Senhor.30. com seus triunfos específicos. o que o autor deseja para seus leitores é exatamente esse tipo de fé. ou figuras. Embora o autor da carta não use aqui a linguagem de sombra (figura) e de realidade (como em 8:2 e 9:23s. v. estão bem claras. não experimentada. destinatário da carta. e a descrever-se a si próprios com o estrangeiros e peregrinos na terra (Gn 23:4. Foi a orientação desses crentes em relação às prom essas que os capacitou a considerar a situação atual como temporária. A perspectiva que ele estabelece aqui. SI 39:12). As coisas esperadas. Os santos do Antigo Testam ento buscavam a realidade que Deus lhes prometera. “um país celestial. no v. Tratava-se de uma realidade escatologica. morreram depois de viver controlados por um a realidade distante. ou estrangeiros. pelo que essas pessoas procuravam para si mesmas uma pátria celestial. A Natureza Transcendental da Esperança (Hebreus 11:13-16) O autor da carta aos Hebreus interrompe seu inventário de heróis da fé. . As promessas e a experiência das bênçãos temporais. a que vê esta vida como peregrinação.). terrenas. ou protótipos da realidade escatologica vindoura. a sem elhança dos outros prestes a serem mencionados (cf. é descrita pelo autor da carta em linguagem pitoresca: Viram-nas de longe. controlam a vida da pessoa que tem fé. diante do que os aguardava no futuro. e as saudaram (Jo 8:56). 1. E enfrentaram a morte com essa mesma atitude. Em outras palavras.

isto é. referir-nos às suas expectativas como sendo realidade atual.” ou “de acordo com a fé. NIV e ECA a tomaram do v. 3SM O /M ordaear^ sublinha de novo a unidade da hisiona da salvaçia O verbo grego traduzido por alcançaram (Jcomizo) ocorre em outras pnsagers de Hebretn (10:36 e 11:39) ao lado de um .” como ocorre com regularidade neste capítulo.222 (Hebreus 11:13-16) 11:15-16 / Abraão e sua família poderiam. Ao ídetraficar a expectativa de Abraão comi>daigrtna{d *%. talvez. portanto.. de se r cham ado o seu Deus (cf.. v. “morreram” estando firmes “na fé. a palavra “pátna” não existe no original hebraico.” a saber. a celestial (na verdade. O que eles buscavam era um a p á tria m elhor. 10). 14). é claro. transitória.. que ocupava seus pensamentos. essa realidade já está sendo experim entada pela igreja (12:22). lit. e ao mesmo tem po continua a ser algo que ainda está por vir em sua plenitude (Ap 21:2). Todav . etema. Èx 3:6) sigmfíca sim plesm ente que Deus é fiel às suas promessas. caso houvessem continuado a considerar esta região sua verdadeira pátria. Fica bem claro por causa deste versículo (13) que Abraão não experimen­ tou as promessas de Deus em seu sentido mais profundo Antes. ao verbo que se segue.” Não é “pela fé” porque a fé não explica o fato de terem m om do Antes. esta se deve. o autor da cartadisse que ALraão receberauma espécie de cumprimento parcial das promessas. “de acordo com a fé.” Esta mudança textual não implica em diferença importante. Notas Adicionais # 30 11:13-14 / A palavra inicial aqui no grego não é pistei. ter regressado à M esopotâmia. em 6 15. N ão era isso. nem o que governava seu modo de viver. “morreram. “pela fé. que nada tem de temporária. Não foi o fato de estarem longe da M esopotâmia que fez que Abraão e sua família se referissem a si próprios como estrangeiros no exílio. cumprimento parcial ficou longe da verdadeira intenção que envolvia promessas. Esta é um a expectativa escatologica. Na verdade.. O ponto central expresso pelas palavras: tam bém Deus não se en v erg onha deles. morreram tendo o coração firmado no objetivo que Deus lhes prom etera O texto ampliado e interpretativo de NIV “ainda vivendo pela fé” como tradução do termo simples kata pistm tem o efeito de esclarecer esta questão. De novo o autor da carta se refere a um a cidade que o próprio Deus lhes p rep aro u (cf. contudo. mas kata pisíin. Podemos. Tais idéias não deveriam jam ais entrar nas m entes dos leitores de Hebreus (veja-se 10:39).

0 que o autor da carta tem em vista é a realidade transcendental e perfeita que aguarda os santos de Deus (cf. Melhor é palavra-chave em Hebreus. ou seja. (O autor de Hebreus usa o verbo cognato p a r o ik e o . não fossem aperfeiçoados” (v. em vez de x en o t (NIV traduz ambas pela palavra “estrangeiros”).(Hebreus 11:13-16) 223 substantivo. ao contrário. A primeira carta de Pedro 2:11 liga esta palavra com o seu sinônimo p a ro ik o i. uma palavra rara no Novo Testamento (ocorre em outra passagem do Novo Testamento somente em 1 Timóteo 3:1. que também se pode traduzir por “deram boas vindas. Lc 4:24). A palavra estrangeiros (p a re p id ê m o s ) é utilizada de maneira semelhante em 1 Pedro (1:1. o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Mt 2:32). 6:10). “promessa” (cf. Vejase a nota sobre esse versículo. usada principalmente para contrastar a antiga aliança com a aliança nova. herdarão as promessas transcendentais de que Deus lhes falou. mas de vivos. 2:11) para descrever a vida do cristão neste mundo. “procurar. 14. “Eu sou o Deus de Abraão. verbo que ocorre de novo em 13:15 (“confessar”). As palavras “uma pátria” (NIV acrescenta: “deles mesmos”) ocorrem apenas aqui em Hebreus (cf. O propósito de Deus eraque “eles. O termo grego para de longe é p o rrõ th e n . 1 Co 2:9.“ v iveu como estrangeiro. Quanto a celestial (epouramos). e ocorre apenas aqui e em Lucas 17:12. Quando Jesus cita Êxodo 3 :6. de modo semelhante ao da presente passagem. superior (veja-se a nota sobre 1:4). Desejam uma pátria melhor: o verbo é tradução de oregomai. Confessaram vem de h o m o lo g eo . “só conosco é que seriam aperfeiçoados. este povo desejou regressar ao Egito. ” A cidade que Deus preparoujá foi mencionada no v. também 11:19).” ocorre de novo com seu sentido normal (saudar) duas vezes em 13:24.” Isto sugere. Saudaram (a s p a z o m a i). 40). que os patn arcas. 11:15-16 / Os patriarcas foram fiéis.” que ocorre com esse mesmo sentido na exortação de 13. Rm 8:18). 10. em todo o Novo Testamen­ to. em sua expectativa. veja-se a nota sobre 3 1 . ele acrescenta que “Deus não é Deus de monos.” no v 9 ) Buscando uma pátria reflete o verbo forte e p ize te o . Não desejaram regressar a Mesopotâmia (não aconteceu que se lembrassem daquela de onde haviam saído) Este fato contrasta com a geração que peregrinou pelo deserto e não pôde entrar no repouso de Deus (4:6). . pelaressurreição. sem nós.

se fosse necessário sacrificar Isaque. este ressurgiria. demons­ trou sua fé. estivesse prestes a matá-lo em sacrifício. 18 que de modo explícito dá o nome de Isaque como o filho mediante quem se cumpriria a promessa de descendentes. foi tirada de Gênesis 22:1-14. a saber. O verbo ofereceu deve ser entendido dessa forma. relatada aqui. Abraão Oferece Isaque. Acrescentam-se aqui algumas breves referencias a Isaque.31. A citação vem de Génesis 21:12. condnuar em vida . Estes homens demonstram sua fé na orientação confiante em face do futuro. Jacó e José.” Abraão passou pela mais severa forma de teste. a Fé em Isaque. nada menos. Deus interveio no último instante. literalmente: “de onde o recebeu numa parábola. talvez o fato mais notável da vida do patriarca. desde que Abraão era aquele que havia recebido as promessas. na fidelidade de Deus e suas promessas. Deus o ressuscitaria “de entre os mortos” (Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar). sob o titulo: "Amarrando Isaque" (que também se conhece por 'A qedah’). em obediência a Deus. daquilo que não se vê (cf. o poder de Deus era tal que. lacó e José (Hebreus 11:17-22) O terceiro exemplo prático da fé existente em Abraão.” Como salienta o autor da carta. e veio a tom ar-se muito importante na tradição judaica. pois seria sacrificado. a prova assumiu significado incomum. podendo ser traduzida literalmente assim: “Em Isaque será cham ada a tua semente. surge agora diante de nós: Abraão oferece a seu filho Isaque. mas depois de suportá-lo. Isto fica salientado pela citação no v. 11:17-18 \ A história do teste de Abraão. do que isto: Desde que Isaquejá era considerado morto.” Estas palavras oodem significar nada mais. inamovivel. sua confiança absoluta. quanto à fé. Ao ser provado é tradução ampliada da expressão mais simples do que a de NIV: '‘Quando Deus o provou. A cláusula seguinte é difícil de ser interpretada com exati­ dão: dat também em figura o recobrou é tradução dè ECA do texto original que diz. v. 1). 11:19 / Do ponto de vista de Abraão. Embora Abraão houvesse am arrado a Isaque e.

11:20 / Pela fé Isaque abençoou a Jacó e Esaú.). A última oração deste versículo foi tomada pratica­ mente ao pe da letra da LXX (Gn 47 :3 1). Isaque. diferentemente de Isaque. Jacó. bem como os de Jacó. 11:21 / De modo semelhante. ‘morrendo”). e foi capacitado a falar (lit. ‘concernente às coisas vindouras”). 11:22 / Como ocorre nos dois exemplos precedentes. Por isso. prediz não só o sacrifício de Cristo.. A referência a bênção dos dois filhos de José. estam os de novo diante de uma visão de relance de um herói prestes a falecer: próximo da morte (lit. Efraim (Gn 48:15ss. a quem o Senhor recebeu de novo mediante a ressurreição. porque confiava nas prom essas de Deus. 13 acerca de morrer “na fé. à semelhança de Abraão.). devenam ser trasladados para a terra da promessa. o moribundo Jacó abençoou os filhos de Jose. que recebeu a mesma aliança recebida por seu pai Abraão.) do “êxodo dos filhos de Israel” e dar instruções (lit. Por isso. “Isaque sendo amarrado” é referência que se faz em certas liturgias judaicas por ocasião do Ano Novo Quanto a alusões a esta história. 17 fica be m próxima da de Génesis 22. No entanto.(Hebreus 11:17-22) 225 foi como se houvesse ressurgido dentre os mortos.) “concernentes a seus ossos” (veja-se Gn 50:24s). José recebera conhecimento do futuro. Isaque fica ao lado de seu pai na linhagem dos que têm fé. Notas Adiàonais # 3 ] 11:17-18 \ A linguagem do autor no v. Portanto. Sabedona de Salomão 10:5. em vez de seus próprios doze filhos (Gn 49). No entanto. Fica difícil dizer por que o autor a incluiu. com muita deliberação quis abençoar o mais jovem dos dois irmãos. sacrificou seu único Filho... estes. pode haver aqui uma alusão deliberada a Isaque como antecipação parabólica da ressuneição de Cristo. veja-se também Siraque 44:20. falou com toda confiança a respeito do futuro (Gn 27:28s. 4 Macabeus 16:20 (cf . 39s. o fato de Isaque ter sido amarrado.” A vista de sua fé na fidelidade de Deus. mas sua ressurreição também. provavelmente resulta da referência anterior a bênção que Isaque impetrou sobre Jacó e Esaú. É que Deus. estes exemplos ilustram vividam ente a declaração no v. Talvez ele tenha entendido que a atitude de adoração de Jacó foi particularmente apropriada para a realidade da fé exibida pelo patriarca. no tocante às coisas futu ras (lit.

pp. alguns eruditos acham que Jo 8:56 seria reflexo desta história (cf.g. A palavra“parábola” (perraòo/e) fora utilizada antes pelo autor da carta em 9:9 (onde NTV traduz: “Isto é uma ilustração.” É palavra usada em Hebreus somente aqui. . Isaque era o filho unigénito Tiago 2:21 s. Bamabé 7:3). E possível que Paulo em Romanos 8:32 tenha usado Gênesis 22 como base.”e ECA: “Esta é uma parábola”). A referência a seu unigénito pode refletir a influência indireta da Cnstologia da igreja primitiva. assim pensaWestcott) positivei interpretar a fé em Abraão como significando que Deus tena o poder de suscitar outro filho semelhante a Isaque.. que certamente pressupõe sua ressurreição. como o versículo seguinte salienta sem possibilidade de engano Portanto. vejase J. 485s. A ascenção de Cnsto. vejam-se referências em Hughes. pode-se dizerque constitui uma forma incipiente de pretérito imperfeito do verbo. segundo a LXX. termo intimamente relaci­ onado a uma palavra que é tradução talvez alternativa da expressão hebraica O emprego de “unigénito” para referir-se a Cristo ocorre só aqui. O verbo gregoprosphero foi traduzido em ECA por ofereceu. com o sentido de “começou a oferecer. Ressurreição não é uma idéia importante em Hebreus (aressurreição de Cnsto é mencionada explicitamente apenas em 13:20).) E claro que Isaque não foi o unico filho de Abraão — mas foi o único filho de Sara e o único segundo a linhagem da promessa.” sem ter terminado a ação As prom essas — esta expressão de novo traz conotação não simplesmente das promessas de natureza temporal.9:7. transitória. também se refere ao oferecimento que Abraão fez de Isaque como exemplo de uma pessoa por cujas “obras a fé foi aperfeiçoada..” veja-se Mc 111. alguém queestava“praticamentemorto”(v. na literatura joanina do Novo Testamento (Quanto a “filho amado. a quem amas” (ou “amado. 11:19 / Julgou (lo g o z o m a i ) significa “considerar verdadeiro.” Quanto a Isaque como tipo de Cristo na literatura cristã primitiva (e. Jo 3:16). mas de modo particular das expectativas transcendentais de que são meras predições Veja-se a nota sobre 4:1 Quanto a importância da presente passagem para a perspectiva do autor da carta. 1981). Nesta versão (Gn 22:2).” agapêtos). Swetnam. assume a parte mais significativa (vejam-se a nota sobre 1:13 e a importância do SI 110:1 nacarta). É possível que quando o autor da carta escreve “e dai também em figira o [o morto] recobrou. onde naturalmente esse título era de suma importância. As palavras o seu unigénito (monogenes) não ocorrem na narrativa de Gênesis. e textos paralelos. de Isaque se diz que foi “o filho.” estivesse pensando na geração de Isaque. Jesus and lsaac: A Study o f the Epistle to the Hebrews m the Light ofthe Aqedah — Jesus e Isaque: Estudo da Epístola aos Hebreus à Luz de ‘Aqedah’ — Roma: Biblical Institute Press. tendo a Sara como sua mãe. 12:6. 12.. Mas é empregada freqüentemente em conexão com Abraão em Romanos 4.226 (Hebreus 11:17-22) 13:12).

de alguma forma (Gn 22:5. A Respeito de José: O Testamento de José — Josefo. 10:1. 6:5.. Veja-se H. e Jacó abençoou a José. Gn 48:20). SI 105:17ss. de modo simbólico (daí também em figura). Abraão recebeu a Isaque dentre os mortos. 754-65. de uma geração para outra. At7:9s. A fé demonstrada por José não só lhe deu confiança em que finalmente o povo de Israel sena liberto.. nesta narrativa de Genesis. Assim. Por isso. em quem Abraão cria. 11:20 / O verbo grego traduzido por “no tocante às coisas futuras” (m ello) e usado freqüentemente em Hebreus para indicar a esperança escatologica dos fiéis (veja-se 1:14. veja-se a nota precedente.). como também o levou a dar instruções a respeito de seus restos mortais. Gn 25:11. é mais provável que Abraão cresse no poder de Deus para ressuscitar Isaque dentre os mortos. 6 :14). 2:5. p S2S. . um pai próximo a morte abençoaria seu filho ou neto (como Abraão abençoou a Isaque. Gn 48:15.. Efraim e Manassés. pelo que Isaque é tipo da ressurreição de Cristo. OnJoseph. Filo. Sab. veja-se BAGD. pp. com vocalizações diferentes. Tais instruções foram cumpndas fielmente. o hebraico de Gênesis 47:31 diz que “ele se inclinou na cabeceira da cama” (RSV). 11:21 \ Quanto a palavra abençoou. Isaque abençoou a Jacó. 2. O objeto físico sobre o qual Jacó se inclinou é de ínfima importância. e chama à existência as coisas que não são como se já fossem” (Rm 4 :17). que vivifica os mortos. As palavras para “cama” e “bordão” escrevem-se com as mesmas três consoantes (mth). parece que Abraão crè que Isaque será poupado. naBiblia Hebraica de que dispomos. Quanto ao emprego da palavra grega íncomum m n e m o n e u õ (fez menção ou “mencionou”). 1 M acabeus2:53. se isto fosse necessário E assim.8). o que importa e a atitude e disposição de adoração. de acordo com Êxodo 13:19eJosias 24:32. Os massoretas do inicio da Idade Média escolheram as vogais de “cama. Am. As palavras de Paulo a respeito do poder de Deus. e a posição privilegiada que a acompanha (cf. Gn 27:27ss .(Hebreus 11:17-22) 227 No entanto.g. de Salomão 10:13s. Testamento/Joseph — . 13 14). são pertinentes: “Deus. Embora a LXX nos mostre Jacó apoiado em seu bordão. vol.” e assim a palavra chegou até nós. “Abençoou” (eulogeõ) neste contexto refere-se ao costume hebraico de passar a promessa.. por causa das características de sua biografia (e. Beyer. que salientam a fé em Jacó. 11:22 / A fé em Jacó pode ser ilustrada com abundância de episódios ocorridos em sua vida E bastante compreensível que Jacó se tenha tomado celebre.

4 Fé Demonstrada por Moisés e pelos Israelitas (Hebreus 11:23-29) M oisés é um herói da fé de significado central no judaísm o. escolhendo as provações em vez do prazer. ele se salvou por causa da fé de seus pais.). O autor seleciona alguns dos eventos mais importantes da vida de Moisés.) é tirada de LXX (Êx 2:2.32 . Em vez disso. mas só por algum tempo. Foi com grande risco pessoal que seus pais desobedeceram às ordens do Faraó. cf. Confiaram em Deus e em sua fidelidade. a obediência à difícil e inesperada ordem de Deus. inician­ do com sua sobrevivência quando crianca. isto é. Permanecer na corte de Faraó significaria gozar dos prazeres da came. 11:23 / A própria vida de Moisés dependeu de sua fé desde o começo. Agora o autor da carta ilustra como a fé possibilita a auto-negação pessoal em face do sofrimento. e a maravilhosa recompensa dessa fé quando sua mãe foi chamada para ser sua babá. A referência à criança: o menino era formoso (lit. a confiança a respeito do desconhecido e do futuro. Quando bebê. e mantiveram seu filho escondido d u ra n te três meses (Êx 2:lss. At 7:20). por causa da fé exibida pelos seus pais. e não tem eram o decreto do rei. O autor de Hebreus poderia prosseguir enfatizando a fé dos pais de Moisés. a gratificação dos sentidos. pelo que assume lugar de preeminência no catálogo do autor de Hebreus. De novo a ênfase se aplica no que não se pode ver e na fidelidade de Deus no cumprimento de suas promessas. cf. coragem em face do medo. e conc Iumdo com uma referência geral ao êxodo e à participação do povo na mesma fé que Moisés demonstrara. Moisés recusou o que teria sido o sonho grandioso de muitos: ser chamado filho da filha de Faraó. quando colocaram o menino num cesto e o puseram a flutuar no rio Nilo.. Se houvesse prefendo ficar na corte . At 7:23ss.). preferiu (escolhendo antes) identificar-se com o sofrimento de seu povo (Êx 2:1 ls. até o presente: por exemplo. 11:24-26 / O fruto da fé tem sido mostrado de várias maneiras. segundo a qual todos os filhos de pais hebreus deveriam ser mortos (Êx 1:22).

é provável que o que ele tem em vista seja a esperança transcendental que. Portanto. o meio pelo qual o livram ento dos israelitas foi realizado. 28 m ovim enta-se do geral para o específico. disto podem os ter certeza. Tinham confianca em que Deus os livraria e »muq demonstraria ser fiel às suas promessas. 26. pelo milagre da separação das águas . Ele agiu confiantemente. Moisés não teve medo do poderoso Faraó. m as como o contexto sugere. 11:29 / Os israelitas (lit. ou transcendental. por causa da aspersão do sangue não poderia tocar os primogênitos de Israel. M oisés havia sido motivado pela sua convicção sobre a realidade do que não se pode ver. em princípio se poderia dizer dele que sofreu por causa de sua lealdade a Cristo (cf. “eles”) demonstraram o nu mo po de fé de Moisés. teria voltado as costas às necessidades de seu povo. foi pela fé que Moisés obedeceu a Deus. A fé tom ou a Páscoa (Êx 12:12s. A menção da perseverança pode ser entendida como sendo a seqüência toda de eventos que culm inaram no proprio êxodo. o autor da carta descreve as realizações de M oisés pela fé com estas palavras: ficou firme po rque viu aquele que é invisível. A chave para o com portamento de Moisés. certo da fidelidade do Senhor. M oisés conside­ rou ser verdade que sofrer o opróbrio de Cristo (NIV diz: “por am or de Cristo”) induziria a uma riqueza m aior do que os tesouros do Egito. ao fato de ele conduzir o povo de Israel para fora do Egito.. As palavras o op ró b rio de C risto certam ente constituem anacronism o.(Hebreus 11:23-29) 229 de Faraó. Em harmonia com o enfoque geral do capítulo todo. 13:13). está no v. Dada. quando Moisés sofreu o opróbrio pela sua lealdade ao povo de Deus. Foi essa fé que lhes penmtiu atravessar o mar Vermelho sob a liderança de Moisés. também num contexto de sofrimento. Esta passagem não se refere à fuga de M oisés do Egito. todavia. 11:27-28 / A semelhança de seus pais (v. Ele fora motivado pela recompensa. a continuidade dos propósitos salvíficos de Deus. tão estranho. o que teria sido pecado. depois de haver matado o egípcio. em última análise depende da existência de Deus (v. segundo os padrões do mundo. 6) e de sua ação. É a mesma palavra usada em 10:35. 23). pois refletem categorias de pensamento posteriores ao tempo de Moisés. 21-30) uma possibilidade. Aludindo ao versículo de abertura deste capítulo. O destrui­ dor. Tendo em vista a recompensa última. O resultado foi o livramen­ to dos israelitas e a punição dos egípcios. O v.

sugerindo que asteios neste versículo significa algo mais que mera beleza física. Para Moisés tena sido grave pecado (h a m a riia <) permanecer em sua posição p. o hebraico fala de “pais” masculinos).0 autor da carta aos Hebreus salienta uma questão importante. 45: lss ). os pais de Moisés teriam entendido de alguma forma que Deus tinha um propósito especial paraseu filho. pereceram. tais nquezas eram menos que . O verbo grego especial que se traduziu por ser maltratado com (synkakoucheom ai ) ocorre só aqui em todo o Novo Testamento. e Paulo tambem o acompanha ao usar a mesma palavra grega em 2 Coríntios 4:18: “As [coisas] que se vêem são temporais. além desta passagem.) Os teso«roa do c’«ito eram famosos pelas sua riqueza incomensurável.8 O caráter enganoso do pecado é menci­ onado em 3:13 (cf. É claro que Moisés é uma personagem celebre. a fim de ajudar a seus irmãos. Life ofM oses — Vida de Moisés. (Iate coosfetu forte contraste com José. mas lit. Notas Adicionais # 32 11:23 \ O texto hebraico de Êxodo 2 refere-se apenas à mãe de Moisés. cf. A nt. NIV traz ‘incomum”. formo­ so) ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento. Assim foi que os eventos do êxodo — o livramento do povo de Deus no Antigo Testamento — se realizaram unicamente pela fé. 12:1). Gn 43-50. “formoso” deveria ser entendido como “aceitável” ou “agradável” a Deus. que fora chamado p ccupar elevadapot^çf ino Egito. em nossa passagem. lê-se a respeito de Moisés que era “formoso diante de Deus” (no hebraico).p 117 A palavra grega para decreto (diatagma) ocorre apenas aquinoN ovoT estamento C f. nlegiada no Egito. muito festejada na literaturajudaica (veja-se. Veja-se BAGD. Josefo. onde o texto dependente da LXX descreve a formosura de Moisés quando bebé. Mas os perseguidores egípcios não tinham tal fée. ao tentar perseguir os israelitas.230ss„ Siraque... etam bémem Atos7:20. Nesta última passagem.g. como ocorre na LXX. visto que Deus tinha uma tarefa especial para ele. só em 1 Timóteo 6 :1 7 . Mas na perspectivade Moisés. 11:24-26 / Sendo já homem reflete tambem a linguagem de Êxodo 2:11 (At 7 :23 menciona a idade de 40 anos). não a seus pais (lit. este versí cu lo com Atos 7:17-22.230 (Hebreus 11:23-29) (Êx 14:21-29). A palavra asteios (ECA traz formoso. ao dizer por algum tempo (proskairos). por isso.” Proskairos é usada de modo semelhante em 4 Macabeus 15:2. Portanto. e as que não se vêem são eternas. neste caso. e. 2. Filo. A palavra grega para gozo (apolausis) encontra-se no Novo Testamento. Parte da linguagem deste versículo reflete a linguagem da narrativa da LXX.

quando Moisés sofre a rejeição da corte do Faraó. Quanto à páscoa (p a sc h a ). p.” contra quem se dirigia a rejeição. Mt 5: l i s ) . Jeremias. veja-se J. cuja vinda já é um evento do passado. Antes. em 1 Co 5:7). que ocorre apenas aqui em todo o Novo . Ainda não havia chegado a epoca do livramento do povo de Deus (cf. em que Deus é descnto como “galardoador” Vejase a nota sobre 10:35. que forma uma unidade indissolúvel com seu povo Fica bem claro que o emprego da palavra Cristo (i. E possível (sem ser necessário) que as palavras porque viu aquele que é invisível sejam uma alusão à visão da sarça ardente (Ex 3:2-6). cujos leitores ele conserva em mente De fato eles são chamados para sofrer o opróbrio de Cristo (13 13). 11:27-28 / A principal razão porque esta passagem provavelmente não se refira a fuga micial de Moisés do Egito é que. ele sofre a rejeição do povo de Deus e. Celebro« é a forma de ECA traduzir o pretérito perfeito de p o ie õ (“fazer”). Este argumento é o mesmo de 2 Coríntios 4:17: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória. Quanto à importância do que é invisível. 405. é um estratagema deliberado do autor da carta aos Hebreus. 6. Qualquer abuso que venham a sofrer de modo algum se compara com a maravilha que Deus preparou para eles. Moisés deliberadamente escolheu sofrer o opróbrio (oneidismos) de Cristo (christos). At 7:25). por isso. inclui a realidade de Deus. acima de toda comparação” (cf. Moisesficou com medo de Faraó e.3. TDNT. fugiu. vol. A palavra grega equivalente a recom pensa (misthapodosia) ocorre só em Hebreus. 5. de acordo com Êxodo 2:14. como o faz Paulo. (esta última passagem até faz conexão entre a rejeição e “teu ungido. Encontra­ mos a mesma raiz no v. e contrariamente à nossa passagem.e.0 verbo grego para ficou firme (k a rte re õ ) ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento Quanto ao sentido controvertido dessa palavra.” chnstos). A sugestão de alguns comentaristas segun­ do a qual o próprio Moisés é o “ungido. “Messias”) aqui. veja-se BAGD.. vejam -seosw 1. 3. cf. no que diz respeito ao livramento do povo de Israel. 1 Tm 6:16).(Hebreus 11:23-29) 231 insignificantes. vol. TDNT. dessa forma. Veja-se também W Grundmann. mas a própria instituição da páscoa (Ele não toma as implicações crístológicas da pascoa. Portanto. por exemplo. pp 896-904 A aspersão (prosehvsis. 617 A perseverança ou energica insistência que se tem em vista aqui é a que se nota na luta de Moisés contra o Faraó. na verdade.7. do Messias. Essas palavras podem também ser entendidas como simples repetição da importân­ cia da orientação da fé na direção do que não se vê (que. não convence. A zombaria ou a rejeição que o povo de Deus recebe da parte de seus inimigos sempre foi um fato comum tanto no Antigo como no Novo Testamento. A mesma palavra é usada em passagens como Salmos 69:9 e 89:50s. com o qual o autor da cartaprovavelmentetemcm mente nao só o evento original. p.

11:29 / O m ar Vermelho é o “mar dos juncos. vol. mas em conexão com o Dia da Expiação.232 (Hebreus 11:23-29) Testamento) do sangue é freqüentemente mencionado em Hebreus. o “mensageiro da destruição. Na história do Êxodo. o termo cognato em 1 Co 10:10). mediante o uso de uma palavra diferente (rh a n tiz o ). O livramento e celebrado no “Cântico de Moisés ’ (Êx 15). Destruidor (o le th re u õ ) é tirado da LXX e encontra-se só aqui em todo o Novo Testamento (mas cf. 18. pp 167-71. Veja-se J Schneider.” de acordo com o texto hebraico de Exodo 13. destruiu os primogênitos tanto dos seres humanos como dos animais. TDNT. . 5.” como o termo hebraico pode ser traduzido. em vez de com a páscoa.

Mas por meio da fé e da obediência do povo.. A fam ília da fé. Pela fé eles marcharam ao redor (muros.33. falando de modo geral sobre as maneiras pelas quais a verdadeira fé se m anifesta. e por isso passa a mencionar alguns nomes específicos. v. Confiaram em Deus. 6:17.23). ela também. a meretriz. Mas m ediante a fé todos somos vitoriosos de uma forma ou de outra. sem crer em Cristo. que ele haveria de fazer o que prometera. uma mulher não-israelita. teve grande fé no Deus de Israel (Js 2:11). “rodearam ”) dos muros da cidade (Js 6:12-21). 29) encontra-se na conquista de Jericó. A Fé Exibida por Raabe e Inúmeros Outros Crentes (Hebreus 11:30-40) O autor prossegue seu catálogo de exemplos de heróis da fé fazendo referência a queda de Jericó e à fé de Raabe. ela colocou a própna em grande nsco demorte.. “recebeu em paaf) Ao fazer isso. Ela agiu pela fé quando acolheu (tendo acolhido) em paz os espias (lit.. A despeito dr '»a profissão indecente. praticada até esse momento. m ediante práticas e atitudes aparentem ente insensatos. Raabe manifestou a fé que sobrepuja a realidade do que não se vê. como se pode ver agora. form a um a unidade. mas o resuteuk) finai foi que ela e soa família escaparam dl dt traição que sobrcv« t cidade e seus habitantes desobedientes (Js 2. No entanto. O autor term ina seu longo artigo a respeito da fé salientando o fato de que todos esses heróis da fé foram mcapazes de atingir seu objetivo final de bênçãos e cum prim ento final das promessas. M uitas pessoas de grande fé experimentaram grandes vitórias m ediante sua habilidade para suportar o sofrimento e o martírio. A aplicação aos leitores segue-se no capítulo 12. . lit. Todavia. neste ponto ele percebe que será incapaz de continuar a exibir a mesma plenitude de exemplos. e de forma extraor­ dinária. relacionado entre os grandes names de israelitas fiéis (cf. 11:31\ Provavelmente causa-nos surpresa encontrar o nome de Raabe. Deus executou seus propósitos. rodeados. 11:30 \ O segundo exemplo de fé dos israelitas como povo (cf. que é o que fazem os leitores de Hebreus no presente. Tg 2:25)..

234 (Hebreus 11:50-40) ll:3 2 -3 5 a Percebendo que apenas começou a mencionar exemplos do Antigo Testamento. Não sabemos por que esses nomes são mencionados especificamente. As façanhas mencionadas a seguir não estão numa ordem determinada. Embora não tenham a mesma importância. todos estes homens demonstraram fé em Deus. Apagaram a força do fogo sugere Sadraque. Davi e Samuel certamente são bem conhecidos (por causa do livros de Samuel). mas também Elias e Eli seu. 33). NIV traz: “administraram justiça. As referências a fraqueza que se transforma em forças e a denota de exércitos inimigos (cf. não obedecem a uma estrutura preconcebida. de alusão às vitóri­ as registradas nos livros de Josué e Juizes. M esaque e Abednego (Dn 3:1-30). e Jefté (11:1-12:7). ou mais conspicuamente. o autor passa a descrever em linguagem genérica os vários tipos de vitórias obtidas mediante a fé. provavelmente.” o que pode ser admissível como referência ao estabelecimento da justiça por meio desses líderes. caso houvesse tempo disponível.. de cumprimento de promessas divinas que experim en­ taram em suas vidas. está registrado que o Espírito do Senhor veio sobre cada um deles (exceto Baraque).) — pode ser expressão simples da obediência dessas pessoas tão fiéis. e os profetas também. em que os nomes não aparecem em ordem cronológica exata. ou ao recebimento de outras promessas concernentes ao futuro. mas podem incluir as vitórias de Davi. a Daniel (Dn 6:22). Estes heróis. Então ele relaciona outros seis nomes e refere-se aos profetas como exemplos que ele poderia discutir.). “receberam promessas”) pode referir-se à extensão. entre os quais devem ser incluídos não apenas aqueles cujos nomes estão associados aos livros canônicos. A referência a fecharam a boca de leões pode ser referência a Sansão (Js 1 4 :6 ). A lcançaram promessas (lit. venceram reinos. Baraque (4:6-5:3 1). v. ou grau. Em vez disso. não havendo nenhum paralelismo entre os nomes m encionados. ‘‘boca”) da espada pode referir-se a vários dos profetass como por exemplo Elias (1 Rs 19:2-8). à semelhança de outros que permanecem anônimos.a D a v i(l Sm 17:34s. Os primeiros quatro nomes são do livro de Juizes: Gideão (6:11-8:32). o autor lamenta que não possa continuar. As mulheres que receberam pda ressurreição os seus mortos são clara­ . trata-se. lit. ou Jeremias (Jr 36:19. P ra tic a ra m a ju stiça (trad. Sansão (13:2-16:31). são tão genéricas que sc podem aplicar a muitas personalidades do Antigo Testamento. Parece que se trata de uma lista arbitrária. Escaparam ao fio (lit. isto é. 26).

deixando ao leitor um a oportunidade para pensar nos nomes adequados que possam vir à mente. E de suma importância para os leitores. O livro apócrifo 2 M acabeus em particular faz referências a muitos exem plos deste tipo de fé. 32. e a ressurreição escatológica. No caso da viúva de Sarepta. Foram derrotas apenas na aparência. O autor fala outra vez nesta passagem de modo genérico. esta redação parece apontar naturalm ente para os mártires macabeus. Se em sua luta “contra o pecado” eles “ainda não” resistiram “até o sangue" (i. Para alcancar superior ressurreição (i.. não pode haver certeza de que isso ainda não esteja prestes a acontecer. Alguns experimentaram pela fé vitónas de outros tipos. “não foram m ortos”).. e para todos os cristãos. e. veja-se 2 Macabeus 6:18-7:42). No entanto.e. temporal (pois afinal só pode ser temporal) não é o fato mais importante. entender que a vida de fé nem sempre envolve o sucesso pelos padrões do mundo.. como o autor fala em 12:4. O autor de Hebreus não oferece a seus leitores a garantia de um cristianis­ mo fácil. a fé santifica o sofrimento. o inimigo dos judeus.a que se refere a primeira metade do versículo. O resultado imediato. verdadeiros triunfos da fé expressos em compromisso de total fidelidade. Eleazar. De fato foram vitónas. 11:35b-38 / O pronome o utros aqui não faz contraste com os nom es (e “os profetas”) do v.. pela qual os crentes aceitavam a morte. não aceitando o seu liv ram en ­ to porque tinham uma ressurreição futura em mente. foi a fé de Elias que possibilitou a ressurreição. Nem sempre o crente fiel experim enta a libertação. a vida eterna. Houve os que foram to rtu ra d o s. a fé e o sofrimento não são incompatíveis. e no meio da aparente derrota sobrevêm a prom essa do futuro. mas contrasta com todos os que experim entaram vitórias como as que foram descritas nos versículos precedentes.g. em bora seja impossível restringir a eles a referência. que tentou destiuí-los (167-164 a. cujos filhos morreram e ressurgiram dentre os m ortos (por Elias e Eliseu.C.(Hebreus 11:30-40) 235 mente a viúva não-israelita de S arepta(l Rs 17:17-24) e a mulher sunam ita (2 Rs 4:25-37).. que nos introduz numa forma inteiramente nova de vida. O que importa realmente é a fé. . A diferença está na ressur­ reição para continuar aqui. nomundonovo) éexpress oquecontrastaviokntae deliberadamente com a “ressuireiçáo” (qu< faz a pessoa reentrar na velha forma de <da.e. em vez de as leis de Antíoco Epifanes IV. respectivamente). Sofreram todas as formas de males e até o martírio.

de primeira mão (cf. embora ele seja protótipo deles. 37:15. ninguém atingiu o objetivo último. e comumente apnsão.. cf. 2 Cr 24:21. 1 Rs 22:26s. Visto que para o autor de Hebreus tudo que . cf. mas teríamos aqui nova referência aos israelitas perseguidos por Antioco. escatológico dem orou até a presente era. perceptível no futuro. O s leitores da carta estavam cientes disto por experiência própria. obngados a viver no deserto pelas covas e cavernas da te rra provavelmente não são profetas. em contraste com os que “escaparam ao fio da espada”. 34) A referência incomum a crentes que foram serrad o s pelo meio pode derivar de uma tradição a respeito do martírio de Isaías por este método (veja-se o escrito intertestamental conhecido como The A s c e m io n o f ls a ia h — Ascensão de Isaias — 5 :11-14). durante a era dos macabeus. “a prom essa. isto é. O fiel povo de Deus. É claro que um aspecto básico da demora é a novíssima obra que Deus realizou mediante Cristo. Fugiram para o deserto. para que eles. como exemplo desse tipo de sofrimento (Jr 20:2. viveram suas vidas de acordo com a promessa de uma grande realidade invisível. Dentre os profetas. v. Alguns foram ap e d reja­ dos (e. O povo de Deus de todas as eras constitui uma unidade e todos juntos devem alcançar a perfeição do telos. pessoas do passado remoto e passado recente. por causa dos males que Antioco trouxe sobre eles. sem nós. aflitos e m altratados. Esta última parte do versículo é tradução literal. Zacarias vem imediatamente à nossa memória.g. E dada agora a razão para isto. não a receberam. T odos estes.” O cumprimento final. 1 Rs 19:10. 7ss. de acordo com 1 Macabeus 2:29-38. n2o fossem aperfeiçoados. A ironia subjacente está na incongruência de os fiéis servos de Deus estarem vivendo como se fossem animais irracionais. 10:33). Ainda que alguns crentes experimentaram certo grau de cum pri­ m ento dessas promessas na história. contudo não alc a n ç a ra m a prom essa.236 (Hebreus I I : 30-40) Os justos freqüentemente recebem como seu quinhão a zombaria e a punição. Deus havia provido coisa superior a nosso respeito. Tais palavras enquadram-se bem na descrição que deles se faz como sendo necessitados. tanto os que são mencionados pelos nomes como os anônim os. em bora tendo recebido bom testem unho pela fé. alguns foram m ortos ao fio da espada (cf. Os que an d a ra m vestidos de peles de ovelhas e de cabras. Temos aqui um paradoxo.. como Elias (2 Rs 1:8). Zacarias. M t 23:37.). 11:39-40 / As palavras iniciais fazem eco do versiculo 2. Salienta o autor da carta que tudo isto aconteceu a pessoas das quais o m undo não era digno.

que são “para nós” (ou a nosso respeito). éuma homilia (é o que sugere 13:22 e as repetidas exortações do livro). nesta altura. no versículo antecedente Trata-se da única referência no Novo Testamento à captura de Jencó. Esta coisa superior é a nova aliança com todas as suas bênçãos. trata-se de crentes que expressam suas convicções m ediante seu modo de viver diário. A casa de Raabe era um escondenjo ideal para os dois espias. e as recebemos mediante um processo histórico.238. senão no todo.. a chegada ao telos. a realização do telos. Filo. Pressupõe-se o nome dele.g. tanto quanto o de Moisés. O n the S p e c ia l L aw s — Quanto a Leis Especiais — 4. mediante a fé. visto ter sido edificada sobre o muro da cidade. Todavia.213). só porque somos pessoas privilegiadas. o que pode. Entretanto. como sendo mãe de Boaz (que se casou com outra famosa não-israelita. Rute). O participio grego queresultou natraduçãodeNIV. não foi concebível. Seu nome escontra-se na genealogia de Cristo. pertence a todos os fiéis de todas as eras. Deus havia provido (lit. se relaciona a Cristo como promessa e. Notas Adicionais # 33 1 1 :3 0 /0 autor poderia muito bem ter mencionado Josué como um homem de fé. contam com a realidade daquilo que esperam. e ser fácil de abrir à noite. este tipo dc expressão não é incomum em obras puramente literárias da época (e. A fé é a dinâmica da vida que agrada a Deus. The Life o fM o se s — A Vida de Moisés — 1. ocorrer a qualquer momento. juntam ente com os crentes fiéis do passado. Já começamos a provar seus frutos agora.(Hebreus 11:30-40) 237 precedeu a Cristo. em sua maior parte. estando agora tudo preparado. e que é invisível. será a porção de todos quantos. 1:2) da era vindoura. O n D n a m s — Sobre Sonhos — 2. para falar de((S eg o u m en o n ) . até o presente momento. que já se faz presente — mas nós.. ou aos propósitos de Deus.63. 11:31 / A história de Raabe tomou-se popular na tradição judaica Ela se tomou figura amada como a primeira pessoa a tomar-se prosélita da fé j udaica. também poderia ser “previsto”) coisa superior a nosso respeito. iremos experim entar a consum ação dos propósitos de Deus. diferentem ente daquelas do passado. em Mateus 1:5. no presente — neste “últimos dias” (cf. por isso. num sentido mais fundamentai.” isto é. ll:32-35a / As palavras a respeito da falta de tempo para comentar de modo mais completo as vidas dos grandes heróis da fé pode fortalecer a hipótese de que Hebreus. A realização da “perfeição. relaciona-se ao cumprimento.

A zombaria e o açoite aqui nos fazem lembrar a linguagem que descreve o tratamento dado a Cristo.” eirgasanto dikaiosynen) ocorre em outra passagem do Novo Testamento. O que acontece no presente tambem aconteceu no passado: é a fé que sustenta o povo de Deus em suas tribulações. para que não se revelasse a origem feminina da carta. Fp 4:13). Alcançaram é tradução de epitynchanó. Rm 4 :19s . em ambos esses casos a frase significa fazer o que éjusto. dos nomes de Gideão.36. Quanto ao significado da palavrasuperior (“ superior ressurreição”).” em algumas versões em inglês. e m p a iiõ .”em ECA. 11:35b-38 / A perspectiva desta passagem é semelhante à ênfase principal do livro de Apocalipse. Lc 18:33 diz [ECA] “baterão”). 35b. Esta é a única menção. At 3 :24). ou “redimiu. “flagelar” — “açoitar” em Jo 16:1. a saber. que descreve a perseguição sob Antioco). e que ECA traduziu por “remissão.” no v. veja-se a nota sobre 1:4.238 (Hebreus 11:30-40) é masculino. O verbo grego que significa foram torturados (tympartizo) refere-se à prática do prisioneiro no tronco ser espancado até morrer. unicamente em Atos 10:35 e Tiago 1:20. no grego kreitton ./nastfgoo.. B araque. palavras semelhantes para “receber” nos w . Sansão e Jefté A frase praticaram a justiça (ou “exerceram justiça.g. Isto .” em 9 :15 (veja-se a nota). exceto em 6:2. praticar atos dejustiça. como emMc 15:20ss. a despeito do intenso sofrimento que parece contradizer tudo em que se acredita. As duas referências a “ressurreição” (a n a sía sis ) neste versículo são as únicas ocorrências dessa palavra em Hebreus. em Hebreus..C. emtodooNovoTestamento. No entanto. e cf. poderia também ter sido suficientemente sábia para mudar o gênero do particípio que normalmente teria utilizado. Ef 6:10. Oseu livramento (apolytrosis) é a mesma palavra que se traduziu pelo termo-chave “libertou”. O tema “da fraqueza tiraram forças” encontra-se com frequência no Novo Testamento (e. caso Priscila houvesse deixado a carta sem assinatura. segundo as narrativas da paixão (ocorrem certos verboscognatos: e. cf."zombar” — Mt27:29ss.. eLc23:ll. O nome de Samuel pode ser colocado depois do de Davi por causa da associação natural de Samuel com os profetas (cf. o particípio masculino pode ser simplesmente formal. diz“escarnecer. A “ressurreição” pela qual essas mulheres receberam de volta seus filhos contrasta com a “superior ressurreição. 1 Co 1:27-29. Mt 20:19 e Mc 10:34. 2 Co 12:9-10. 13 e 17 acima. como em 6 :15 Veja-se a nota sobre 6:15. 8:26. o que tom a mais difícil de aceitar-se a hipótese de Priscila ter sido a autora da carta aos Hebreus. a confiança na realidade de Deus e sua fidelidade às promessas que ele próprio fez. no Novo Testamento. neste caso esse termo não é empregado de modo técnico.g. E palavra que ocorre só aqui. A expectativa da ressurreição para os que sofrem martírio expressa-se mais poderosamente na tradição j udaicano documento conhecido como 4 Macabeus (datadaprovavelmente do primeiro século d.

Se seguirmos o importante P46 e outros manuscritos testemunhais. Assim. A palavra para tendo recebido aqui é kom izo. da forma como essa palavra é usada em Hebreus. A geografia da Palestina mostra covas e cavernas em abundância.. existe aqui a id é ia d e “prever.” veja-se a nota sobre 6:15 A expressão de NIV. que muitas versões traduzem por “melhor”). Justino.” e por causa da soberania de Deus. o mártir. Veja-se BAGD. Sanhedrin 103b) e em certos autores cristãos (e.g. No entanto. p.” no plural). No v 37. o singular e o plural da palavra promessa (epan gelia ) são intercambiáveis. veja-se a nota sobre o v. com a expressão traduzida diferentemente em ECA “alcanceis a promessa. é provável que estejamos mais seguros atendo-nos ao texto mais curto. 11:39-40/Quanto a tendo recebido bom testem unho pela fé(m a rtyreõ ). esta expressão não faz muito sentido no contexto imediato de martírio explícito. O n Patience — A Respeito da Paciência. Refere-se ao processo de atingir o objetivo conforme os propósitos salvificos estabelecidos por Deus. 38. praticamente se tomou “havia selecionado” ou “havia providenciado ” Esse havia sido o propósito de Deus desde o início. ainda que num contexto diferente. Quanto à grande importância de superior (k reitto n . veja-se a nota sobre 1:4. nas quais os crentes perseguidos se ocultavam. e foi traduzida por ECA como havia provido. A respeito de “promessa. TCGNT. pp 674s. 703. A tradição segundo a qual Isaias teria sido serrado ao meio (dizem alguns que foi usada uma serra feita de madeira) também recebe confirmação do Talmude Babilónico ( Yebamoth 49b.. veja-se Apocalipse 6:15.(Hebreus 11:30-40) 239 poderia ter estado na mente do autor de Hebreus quando ele redigiu 12:3. embora outros manuscritos a tragam antes (de acordo com ECA). Veja-se a nota sobre 2:10. Tertuliano. “havia planejado” é tradução do verbo grego p ro b le p o . 120. Fossem aperfeiçoados (te leio õ ) em Hebreus possui forte orientação teleológica. 13 temos uma declaração paralela a esta: “Não alcançaram (k om izo ) a promessa” (lit. 14). . em todo o Novo Testamento). 2. “as promessas. Veja-se Metzger. que tambem ocorre em 10:36. um grande número de manuscritos traz a expressaão adicional “foram tentados” (epeirasth ésan ) depois da expressão serrados ao meio.” No v. D ialogu e with Trypho — Diálogo com Tnfo. pois referem-se à mesma realidade. Quanto à imagem do v. que ocorre somente aqui.

entende-se que qualquer coisa que pertur­ be a vida de fé. e aquele que agora é Senhor. os leitores devem viver agora segundo sua fé. conforme retratado no capítulo anterior. A exortação que agora se dará baseia-se na realidade exposta no cap. aqueles que testificam ou dão evidências da vida de fé vitoriosa. da esperança do cumprimento das promessas divm as no futuro antecipado. Motivados pelo catálogo acima exposto de exemplos de fé. Demonstram que é possível ao crente viver pela fé. Só essa atitude de fé pode sustentá-los ao longo das adversidades que foram desafiados a enfrentar. O padrão de fé havia sido estabelecido pelo registro do povo fiel de Deus. Um impedimento óbvio da vida de fé é o pecado que tio de perto nos rodeia (NIV: “que nos embaraça”). O autor de Hebreus não especifica os impedimentos ou embaraços. a m esm a imagem em 2 Tm 4:7). Os leitores. o Padrão Perfeito (Hebreus 12:1-3) Tendo em mente a história gloriosa dos fiéis. é a partícula mferencial portanto. Mas o autor de Hebreus chega agora ao exemplo supremo deste tipo de fé em Jesus — o nome que constitui o ponto mais elevado de qualquer lista de heróis da fé. no passado. e por isso mesmo. a mais enfática. O próprio Jesus sofreu grandes provações. suportando provações sem desistir de sua expectativa. A exortação assume a linguagem figurada: Corramos com perseverança a carreira que nos está propos­ ta. povo que se m overa na direção do desconhecido com confiança. é preciso que nos livremos de todo embaraço que nos rodeia (lit. a glória vindoura. 11. 12:1 / A prim eira palavra do texto original. o autor de Hebreus volta sua atenção para seus leitores. rodeia-nos como se fora g ra n d e nuvem de testemunhas. ao lado dos cristãos de todas as eras. A comunidade da fé é tão grande que. No entanto. sem perder de vista. mas antes. “todo peso” ou “impedimento”). Olhando para Jesus. foram convocados para cam inhar na trilha da fé que caracterizou os santos do passado. A relação íntima existente entre o pecado e a incredulidade já foi objeto da atenção do autor da carta (cf . se devemos participar dessa carreira (cf. deve ser abando­ nada. contudo. Testemunhas aqui não significa observadores da conduta atual dos cristãos. de modo figurado.34.

o Senhor Jesus confiou na realidade do gozo futuro e. Esta descrição de Cristo na linguagem de Salmos 110:1 faz alusão. todavia. Em outras palavras. olhando só para Jesus. refere-se a algo que depende de Jesus. 18s. o Senhor a leva até o objetivo delineado. 12:2 / O exemplo mais importante de vida de fé é o que se encontra em Jesus. Fp 2:8). visto que está assentado à destra do trono de Deus. 11:25). Ao tomar coragem nos exemplos do passado.). desprezando a ignomínia que esta lhe trouxe. às mios dos inimigos de Deus. visto que Cristo ocupa posição tão central. que suportou tal oposição (lit. mas em sua vida ele tam bém exem plificou o mesmo principio da fé que vimos nos heróis do cap. ao avaliar as circunstâncias atuais à luz do futuro glorioso. de certa forma preliminar. Sendo o consumador da nossa fé. A palavra grega para autor (ou “pioneiro”) é a mesma que se usou em 2:10 (“o autor” ou “originador” da salvação. Jo 1:17). tanto na prom essa como no cumprimento. “hostilidade”) dos pecadores. o meio e o cumprimento da fé. cf. à plenitude e perfeição de sua obra (cf. ele também é o “originador” ou “ fundador” da fé. ele suportou a cruz. At 3:15). Jesus morreu com o se fora um reles crim inoso desprezível (cf. Rm 7:21) não deve perturbá-los e impedi-los de perseguir o objetivo (cf. Jesus é o modelo de todo sofrimento que recai sobre os justos. A susceptibilidade dos crentes para o pecado (cf. Assim é que se uma pessoa fala a respeito da fé com o sendo mera possibilidade. ou como uma experiência real. 12:3 / Os leitores são estimulados a considerar Jesus como aquele que sofreu. por toda a carta.(Hebreus 12:1-3) 241 3:12. Neste sentido. cf. pela fé. O Senhor não é apenas a base. pois é quem dá existência ao telos tão esperado (e por isso mesmo é o consumador da fé). Existiria um sentido em que Jesus poderia ser descrito como o “originador ’ de nossa fé? A semelhança de Paulo (G1 3:23-26. 10:1 ls. 11. Pensar eaceitar o que Jesus suportou . num sentido fundamental a possibilidade — ou pelo menos a validade — da fé em qualquer área dependia e ainda depende da obra de Cristo.).. os leitores são exortados a completar o curso que escolheram por si mesmos. que agora é descrito com o o autor (ou “pioneiro”) e consumador da nossa fé. o autor de Hebreus acredita que o povo de Deus podena na verdade ter vivido pela fé em gerações passadas. E por essa razão que os cristãos devem m anter-se isentos das paixões deste mundo. Então. Mas aquele gozo futuro já lhe pertence.

TCGNT. da LXX e dos autores gregos antes do surgimento do Novo Testamento). e pode referir-se de modo particular à declaração que vem imediatamente antes (11:40): “eles. que nos está proposta [p ro k e im a i.” Os santos de Deus. Uma variante textual da palavra grega que se traduziu. p. A palavra grega para n uvem é nephos.K. vol. p. que significa “que facilmente distrai. em ECA). TDNT. Bruce (H ebrew s — Hebreus.” a pessoa que entrega a própria vida por aquilo em que acredita. Veja-se H. como unidade indivisível. Strathmann. F. 821). “quejaz . 41. A palavra grega para “embaraço” (impedimento) éo n kos. vejase também Gálatas 2:2. sem nós. a carrein que nos está proposta). 350) cita E. a fim de descrever o tipo de disciplina e dedicação necessárias a fim de a pessoa poder vivenciar a fé cristã (veja-se de modo especial 1 Co 9:24-27). 504-12. Perseverança ou “persistência” (ih yp om onê ) 6 importante necessidade dos leitores (cf. A mesma imagem da luta atlética é empregada a fim de descrever os sfrimentos e martírios da era dos Macabeus. que traz eu p erispasto s . pp. dos mais primitivos. por “que tão facilmente embaraça” (e u p en sta to s . Só assim pode o povo de Deus. que tão de perto nos rodeia.F. não fossem aperfeiçoados.C. toigaroun pode ser traduzida“por exatamen­ te essa razão” (veja-se BAGD.” E paralismo que pode ter ocorrido.” Temos aqui a única ocorrência da palavra “testem unhas” (m a rtys ) em Hebreus. em 4 Macabeus 17 :9ss. Strathmann. que é utilizada comumente na 1iteratura grega para indicar uma “hoste” ou um “grupo. em NTV. no Novo Testamento. Simpson. experimentar a consumação escatológica dos propósitos de Deus. 675. 5:7.. Notas Adicionais # 34 12:1 / A palavra inicial grega. Veja-se H. p. este sentido passou a existir a partir do segundo ou terceiro século d. Imagens tiradas do atletismo eram usadas com freqüência. Quanto à linguagem metafónca de “parti­ cipar de uma corrida’* (corramos». devem atingir o objetivo juntos.242 (Hebreus 12:1-3) impede que os leitores fiquem cansados e desanimados. A palavra grega ainda não havia adquirido o significado de “mártir.” Não é significado apropriado no contexto presente. 10:36). TDNT. exceto na citação de Deuteronômio 17:6 em 10:28. Filipenses 2:16. encontra-se no importante documento chamado P46. pelo que cabe aos leitores da carta emular a fé de seus antepassados. lit. que só ocorre aqui em toda a Bíblia grega. Se existe uma carreira cheia de exigências. podem suportar as circunstâncias mais atrozes. Ao seguir a Jesus como seu m odelo. a p ô r impecilhos. tanto os do passado quanto os do presente. 4. 5. por causa de alguma incerteza acerca do significado da primeira palavra (que não se encontra em parte alguma do Novo Testamento. p. Veja-se Metzger. vol. que define a palavra como tendo o sentido de “ião d isp o sto a em baraçar.

A morte por crucificação era uma das mais desprezíveis formas de pena capitai do mundo romano. 86-87 O Senhor Jesus é mencionado em Apocalipse 1:5 (cf.” e não pelo (ECA. Os cidadãos romanos estavam automaticamente protegidos contra esse tipo de punição. mas o texto original seria traduzido mais literalmente se tivéssemos “a fé” ou “fé”. Julgam alguns que quando se diz que Jesus suportou a cruz por causa do gozo que lhe estava proposto significa que estamos baseando a morte obediente de Jesus numa motivação indigna. sendo esse o ponto que ele deseja sublinhar Mais ainda. esta objeção deixa de levar em consideração que a ênfase na esperança futura do cristão é exatamente o ponto central na mente do autor da carta. vol. que usa o mesmo verbo.A. 2:10. isto é. pelo que assim. o atleta deve evitar toda distração. 543-51.1-2. de maneira alguma exclui os motivos da obediência ao Pai.” — Observação Sobre Hebreus 12:1-2— B íblica 68(1987). o mesmo verbo que descreve o gozo que lhe estava proposto. considerada adequada apenas para os . Tais eruditos preferem. num sentido mais generico. veja-se D. pp. Delling. At 7:55). pp. Neste caso especial. No entanto. 17). 2). veja-se a nota sobre 2:10. Quanto a uma analise estrutural.. Veja-seG. Ele e o pioneiro e o aperfeiçoador não simplesmente da fé dos cristãos (autor econsum ador da nossa fé). existe também uma grande esperança à nossa frente (6:18. cf. “em vez de. o autor da carta emprega vários cognatos dessa palavra (vejam-se as notas sobre 2:10:6:1. Quanto a “autor” (archegos). ao dirigir-se a seus leitores. 7:11). Ap 3:14). por todo o capitulo anterior. interpretar a preposição anti como se significasse. NIV eECA dizem nossa fé. o apelo é dirigido a Jesus não meramente como a outro exemplo de fé. o gozo que Jesus estava prestes a experimentar é inseparavel da realização dos propósitos salvíficos de Deus. Black. dizer que Jesus havia sido motivado pelo gozo que lhe pertenceria depois. O autor dacartajá salientou queo propósito daencarnação foi a mortedo Filho de Deus e. como de fato pode signifi­ car.(Hebreus 12:1-3) 243 diante de nós”). mas da fé reinante em todas as épocas. Jo 17:13). A palavra grega para “consumador” (teleiotes) encontra-se somente aqui na Bíblia grega. TDNT. cf. e da busca da salvação para o mundo. cf. no v. a nota marginal de NEB: “em lugar do gozo que se lhe apresentou”).” veja-se a nota sobre 11:1. “A Note on the Structure o f Hebrews 1 2 . o livramento do mundo do pecado e morte (cf. num senddo fundamental. “olhando para Deus. 8.” 4 Macabeus 17:10. como “a fiel testemu­ nha” (ho martys ho pistos). No entanto. colocado diante de Jesus. por isso. mas como a uma Pessoa cuja existência toda gira ao redor da fé. Quanto a “fé. de todo tipo (cf. Na verdade. dai.14s. trata-se de um gozo compartilhado (cf. e não ocorre na literatura grega antes do Novo Testamento. 12:2 \ A exortação olhando firmemente para Jesus prossegue a metáfora da corrida.

como no v. pelo que com toda probabilidade deve ser rejeitada. em vez de singular.” No entanto. p. Quanto à importância do SI 110 nesta carta. como o cumprimento correspondente do gozo que lhe estava proposto. esta idéia não faz muito sentido. pp. A palavra “hostilidade” (antilogia) em conexão com a cruz pode ser alusão àzom bana dos inimigos de Jesus (e.). veja-se a nota sobre 1:3. 10:26ss. a despeito da documentação textual superior. Brandenburger. TCGNT. NIDNTT. Veja-se E. kamno). 4:1. Mt 27:39. 391-403. 6:4ss. no grego (nas demais citações ele aparece no aoristo). segundo a LXX (ou 16:38 nas versões inglesas do Antigo Testamento).g. por outras passagens anteriores desta carta. 2. Jesus não se deixou impressionar nem um pouco pela vergonha relacionada à cruz. A ênfase é colocada no atual reinado de Cristo. e não os seus sofrimentos.. cf. aeste respeito (cf. A avaliação daquilo que Jesus suportou deve ajudar os leitores a não “ficarem cansados” (não vos canseis. 1. . Veja-se Metzger. esta é a única vez em que o verbo estar assentado ocorre no pretérito perfeito. que se traduziu por suportou (hypomenõ).. 3:12.. 12:3 / A palavra grega que se usou aqui com o sentido de considerai (analogizomai) ocorre somente aqui em todo o Novo Testamento O objeto direto desse verbo. sugere os resultados integrais daquilo que Jesus suportou na cruz. vol. Sabemos. Um texto paralelo apresenta o pronome reflexivo numa forma plural.244 (Hebreus 12:1-3) estrangeiros. nem “desfalecidos” (desfalecendo em vossas almas é a tradução literal que ASV e ECA nos apresentam). 35). é a pessoa que sofreu. O pretérito perfeito do particípio grego. Dentre as vánas alusões ao SI 110:1. S122:7s. A linguagem deste versículo apresenta alguma semelhança com a de Números 17:2s. 675. como resultante da hostilidade dos pecadores que se dirige contra “eles propnos. que seu autor tem preocupação com seus leitores..

A esse respeito. o objetivo desta seção. como o m undo se inclina a julgar. o v. RSV. a ele [Jesus]. 1). o principal objetivo do autor ao longo de sua carta é convocar seus leitores a que sejam fiéis em meio a circunstâncias adversas.35. que afirma ser o sofrimento um dos deveres dos fiéis. pode ser que no futuro isso venha a ocorrer. foi à cruz e pagou o preço total. ainda não atingiram o sofrim ento do paradigm a da fé que. Esse é. mas a resistência dos crentes ainda não atingiu o ponto do deiram am ento do sangue (ainda não resististes até o sangue (isto é. m as a luta para vencer a apostasia. O sofrimento. que o autor da carta quer lembrá-los do lugar que o sofrimento ocupi n» ida . e talvez ainda hajano presente. final. até agora. não constituindo contradição do amor de Deus. 0 Propósito da Disciplina Punitiva (Hebreus 12:4-11) Como já vimos. na verdade é o distintivo de sua verdadeira condição de crente. longe de ser uma contradição da situação do cristão. no passado (cf. Pode referir-se também ao pecado dos inim igos de Deus que perseguem o povo do Senhor. quer como declaração simples (cano emN IV e ECA: já vos esquecestesX que/ como uma pergunta (cf. Na verdade já houve ocasiões difíceis. Toda e qualquer perspectiva semelhante a esta. como enfatizam os versículos anteriores. pois. fora do arraial. ainda não fostes m artirizados) com baten­ do contra o pecado. 12:4 / Combatendo contra o pecado aqui significa. JB). GNB. 12:5-6 / É possível que se entenda a sentença inicial. Ser filho de Deus envolve necessariamente o sofrimento. como indica o contexto. As dificuldades que enfrentam são de tal ordem. não a batalha do crente que evita o pecado (cf. E contra a apostasia que estes devem lutar. deve fázer-se acompanhar de uma teologia do sofrimento em que este seja entendido sob uma luz positiva. 10:32-34). Está bem claro aue os 1 itores estão «tn tanto desanimados. Ainda que nenhum membro daquela comunidade tenha sofrido o martírio. Perto do final de sua carta ele os exorta: “Saiamos. tanto quanto pode relacionar-se ao pecado potencial da apostasia que aflige os leitores. levando o seu opróbrio” (13:13). exatamente.

lit. Podemos relembrar o que se diz de Cristo em 5:8: “Em bora sendo Filho.’ em que ele usa as palavras textuais da citação a fim de apresentar seu argumento (quanto a exemplos anteriores deste modo de agir. Os leitores são exortados de início a “suportar” (suportais) o sofrimento como disciplina. Em suma. Ap 3:19). entáo. em última análise. 12:7-8 / Tendo apresentado a citação do Antigo Testam ento. ao usar uma forma de argumentação “a fortiori” (do m enor para o maior). Parece que o autor está dizendo que aceitávamos a disciplina sem questi­ onar a autoridade de nossos pais terrenos. devemos submeter-nos ao Pai dos espíri­ tos (trad. O que se tem em vista no atual contexto é um tipo positivo de correção que ensina o crente a ser obediente. pelo que devemos experim entar a disciplina de Deus. Prossegue o autor da carta. efetuada pelos seus pais.. não devem desanimar: não desmaies (cf. “pais de nossa carne”). as quais falam da vanta­ gem que levam os filhos. da qual todos são feitos p articip an tes). é a marca do amor de Deus (cf. 3:7-4:10. Por isso. a pessoa não pode considerar-se filho legítimo do Pai celeste. É preciso que voltem a lembrar-se de novo da exortação que vos admoesta (ou “encorajam ento”) nas Escrituras. acrescenta o autor. A raiz da palavra “disciplina” é p a id -. e por outro lado. aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu. Isto se pode verificar no emprego triforme das palavras “correção” e “filhos” (ou “filho”) nestes versículos.) e assim viveremos? O “Pai dos espíritos” é nosso Criador. Na verdade. é sinal de que são filhos. sem a experiência deste tipo de disciplina (disciplina. 10:511). 3). E desta m aneira que os crentes devem entender a adver­ sidade que estão suportando: por um lado. No que diz respeito a nossos pais segundo a carne (lit. Se formos submissos . e como sinal de que Deus os trata como a filhos. vejam-se 2:6-9. nem nossa situação de filhos legítimos. o autor da carta estende sua analogia mais adiante.” 12:9-10 / Nestes versículos. eles nos disciplinavam e apesar disso os respeitávamos. legítim a (e jam ais a contradição desse fato). que também ocorre uma vez em cada um dos três versículos seguintes. Quanto mais. o autor da carta apresenta agora outro comentário tipo ‘m idras. a disciplina faz parte da filiação autêntica.246 (Hebreus 12:4-11) de fé. que é nosso Pai. a quem devemos nossa existência. v. fazendo uma pergunta retórica que aponta para a universalidade da disciplina dos filhos. A citação é de Provérbios 3:1 ls.

Notas Adicionais # 35 12:4 / “Ainda não resististes até o sangue” é tema comum na literatura judaica. De fato nosso caráter está sendo formado pela experiência do sofrimento. A palavra especifica que ele usou com o sentido de combatendo. em ECA: a n ta g o n iz o m a t Quanto ao emprego da palavra pecado (h c a n a rtia \ com referenda à apostasia. com a perspectiva dada pelo tempo. e usaram como padrão apenas o que subjetivam ente julgaram o m elhor (como bem lhes parecia). Devemos ser mais receptivos ainda à disciplina de Deus do que à de nossos pais humanos. Rm 8:29). o verdadeiro propósito do sofrimento se tom ará claríssimo. O autor de Hebreus foi abençoado.. com eçarem os a viver no “eschaton” (cf. acima de toda com paração” (cf. que descreve o compromisso e a perseverança absolutos. a ênfase íntima com 1 Pd l:6s. na luta contra o adversário.. para nosso proveito. O contraste do v. especialm ente segundo a revelação de seu Filho (cf. visto que todos quantos sofrem receberão um fruto pacífico de justiça (expres­ são literal do grego em E C A . ao usar a palavra “sangue” em vez de “morte. a justiça é a porção devida aos que aceitam a disciplina corretiva do sofrimento. e de acordo com o conhecim ento que o Senhor tem. aqui. mas tristeza. por um pouco de tempo (lit. essa correção dolorosa não parece produzir alegria. “um poucos dias”)» isto é. durante nossa infância.(Hebreus 12:4-11) 247 à disciplina do Senhor. 1 2 :1 1 /0 autor de Hebreus admite prontamente que quando a disciplina do sofrimento está sendo ministrada. Portanto. tendo em vista o objetivo final: para sermos participantes da sua santidade. 10 enfatiza um ponto semelhante. RSV eN ASB). Estamos sendo purificados e participamos da santidade de Deus. 1 Co 11:32). que só ocorre nesta passagem. como algo que tem um propósito muito especial na vida do cristão. Ao ligar o sofnm ento à santidade. em que Paulo escreve: “Pois a nossa leve e m onentànea tribulação produz para nós eterno peso de glória. O ponto central deste versículo é o mesmo de 2 Coríntios 4:17. veja-se de modo . e não simplesmente uns ferimentos superficiais. vinda das mãos do Pai. Estes nos disciplinaram na verdade. No entanto.” mas sabemos que ele quer dizer martírio. em todo o 1 jvc TmtmratfT O ig>m n nrnmrrr n rrprifr dovt rbo que se traduziu por resististes. A im plicação é que Deus nos disciplina ao longo de toda anossa vida. 4:12-14). é a n tik a th u ie m i. o autor de Hebreus santifica o sofrimento.

O verbo acrescentado fortalece o paralelismo óbvio com a primeira linha de Provérbios 3:12 (Hb 12:6). em todo o Novo Testamento). 9:14. 2 e 3 que descrevem o fato de Jesus ter suportado a cruz. 12:9-10 / A forma de argumentação “a fortion” é empregada com freqüên­ cia em Hebreus (cf. 8. 10:36). Mt 7:9-11.” veja-se G. 621-24. O imperativo (no original grego) do verbo “suportar” (hypomenõ) é o do mesmo verbo empregado nos w . Palavras derivadas dessa raiz encontram-se duas vezes na citação original. Por isso. 2:2ss. humanos. como “educação para a eternidade. e por isso mesmo era desperdício de tempo tentar treiná-los. A LXX acompanha o hebraico bem de perto. 12:5-6/A citação continua seguindo a LXX. Veja-se W Günther. a palavra todos (pantes) provavelmente foi sugerida também ao autor da carta pela ocorrência na citação original (v. vol. vol. Portanto. A questão central não é meramente que todos os filhos de Deus são disciplinados. 5. TDNT. ao Pai dequem sefez filho mediante a nova aliança A frase “Pai dos espíritos” (p a tê r li tp neum atõn ) é semelhante a frase “Deus dos espíritos de todos os viventes.248 (Hebreus 12:4-11) especial I0:26s. 7-8). pp. que ocorre apenas aqui. 10:29. exceto em alguns desvios de menor monta. a segunda refere-se ao Cnadr* ao Pai. os leitores são convocados a suportar o sofrimento como Cristo o suportou (cf. A analogia entre pai terreno e “Pai celeste)) encontra-se várias vezes nos ensinos de Jesus(e. 3.. os filhos bastardos. 577-83. paideia e paideutes (substantivos). 12:7-8 / A palavra correspondente a disciplina é derivada da mesma raiz de paideuõ (verbo). e não menos de seis vezes na exposição em forma de ‘mídras’ que o autor faz da passagem (três vezes nos w . Quanto ao significado positivo de paideia aqui. não podiam herdar. na qual o sofrimento é visto como benefício que recai sobre o recipiente. A primeira refere-se com toda clareza a nossos pais literais. quase literalmente (o autor da carta acrescenta meu depois de filho). Lc 13:11-32). P v 3 :11s. 6). NIDNTT. 12:25). nosentidoabsolutoe. a LXX acrescentou um verbo (fores repreendido) e traduz o verbo hebraico “se delicia” pelo verbo grego correspondente a recebe (NIV diz “aceita”). ilegítimos (inothos. sendo considerado bênção (On the PreliminaryStudies — Sobre Estudos Prelimina­ res.g. mas que todos os filhos são universalmente disciplinados por seus pais. pp. Os verdadeiros filhos foram disciplinados por seus pais a fim de tomar-se herdeiros dignos. Ali. E interessante notar que Filo menciona a mesma passagem numa discussão muito semelhante a do autor da carta. 175). 21:28-31. No v. A expressão “pais da nossa came” (pais segundo a carae) contrasta agudamente com o Pai dos espíritos.. os que estão sob disciplina têm estabelecido não só sua filiação legítima.” de Números . na última linha. como também sua condição de herdeiros. Bertram.parao cristão..

TDNT. 11).. Veja-se E. 4). 10). bem como acolheita de um fruto pacífico de justiça (v. O autor da carta não está ensinando nenhuma forma de dualismo antropológico (em que Deus é o Criador só de nossos espíritos). 12:11 / O caráter final benéfico do sofrimento. originadas nos sofrimentos que nos afligem aqui Estes recebem resposta verdadeira na consumação final de todas as coisas.0 fruto daj ustiça é chamado pacífico (eirenikos). Schweizer. No v. em comparação com a de Deus. dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. 71. 7. 141 s. em Romanos 2:20 O verbo viver no futuro (viveremos) orienta o leitor para a expectativa escatológica. é tema familiar na Bíblia (cf. 1 Enoque 37ss. 2 Ts 1:5-8 e Mt 5:10-12. “O Senhor dos espíritos” em Sim ilitudes o fE n o ch — Símiles de Enoque. da mesma maneira como o faz a participação na sua santidade (de Deus. 9 os pais terrenos são descritos como aqueles que “nos corrigiam” (paideu tes). realidade que não pode enfraquecer a ênfase do autor na experiência da escatologia realizada. o autor retoma ao uso de imagens tiradas de jogos atléticos. nosso Pai. porque é a resolução de uma luta feroz (v. 1 . SI 119:67. quanto a benefícios para a vida atual.(Hebreus 12:4-11) 249 16:22 e27:16(cf. uma palavra grega comum que se encontra em só mais uma passagem do Novo Testamento: 2 Coríntios 1:12. Usando a palavra exercitados (gymnazo). no Novo Testamen­ to. a que voltará em 12:18ss. v. Assim é que ele encerra a passagem com linguagem saída da mesma fonte do v. cf. Esta declaração é afim da que está em Atos 14:22. quanto a benefícios para a vida futura). a despeito das dores do presente momento. . segundo a qual devemos “permanecer firmes na fé.pp. 2 Macabeus 3:24). vol. palavra que ocorre pela segunda e última vez. A vantagem de o Pai disciplinar-nos é que passamos a participar de sua santidade (h a g io íes ).” A afirmativa de que nossos pais terrenos nos disciplinaram apenas por um pouco de tempo sugere que há menor importância na disciplina de nossos pais terrenos.

11. RSV: “que se desconjuntou”). Se os leitores endireitarem suas veredas. Esaú constitui um exemplo negativo. A expressão não se desvie é literalmente “não se vire para o lado”. 4:1-2. 2:1-3. O peso da exortação levantai as mãos cansadas. 12. Se associarmos a necessidade de evitarse a paralisia. vivendo de modo que agrada a Deus. 0 Desafio à Santidade e à Fidelidade (Hebreus 12:12-17) À luz da visão positiva do sofrimento. 10:32-36).” A exortação deste versículo. o manco e o que sofre dores serão curados. é muito pertinente às condições dos leitores desta carta. a sentença seguinte diz: “D izei aos turbados de coração: Esforçai-vos. não temais. a expressão vossos pés (como em ECA e NIV) pode relacionar-se com Provérbios 4:26. mas se difere em algo.” A referência ao manco provavelmente veio ao autor por influência de Isaías 35:3. em vez de sofrerem agravos. 12 é tirada da LXX.g. provavelmente no sentido de “deslocar-se” (cf. e irjunto com mãos cansadas e joelhos vacilantes. Esta exortação tem muita coisa em comum com as anteriores (e. ainda que tal posição possa parecer menos problem áti­ ca. é que carrega m aior carga de persuasão. e serve de admoestação adicional aos leitores. e os joelhos vacilantes está em que os leitores devem reanimar-se. cujo contexto se refere a cumprimento escatológico.36. ele agora dá uma exortação pastoral a seus leitores. o vosso Deus virá com vingança. m enci­ onado no v. Estes devem prosseguir vivendo a vida cristã. Onde há fraqueza e pemas vacilantes pode haver também paralisia (veja-se também Is 35:6). 12:12-13\A linguagem figurada mcomum do v. e vos salvará. resistindo à tentação de voltar a seus andgos caminhos.. como o indica o contexto de Isaías. Pode-se presumir que a linguagem . Isaías 35:3. receber o poder a fim de enfrentar suas circunstâncias difíceis. cuja linha paralela é “todos os teus caminhos sejam bem ordenados. e da discussão de 12:1-11. a fazei veredas direitas. em função das palavras especiais que já pesquisamos no cap. As palavras iniciais do v: 13 foram tiradas da LXX. com recom pensa divina virá. Provérbios 4:26: fazei veredas direitas para os vossos pés. que o autor estabeleceu na seção anterior. 6:1-6.

constitui o principal interesse do autor da carta. 2 :lss. Aqui ele apela à responsabilidade da comunidade toda para com cada membro. A santidade já foi estabelecida como o objetivo do cristão no v. 10.” e os “pacificadores serão chamados de “filhos de Deus” (M t 5:8-9). É claro que a exortação à santidade é muito comum em todo o Novo Testamento. a partir do que sabemos a respeito da carta aos Hebreus.. poderem os ver a presente exortação como sendo especificam ente pertinente aos leitores desta carta. A adequação da alusão fica bem clara quando se lê Deuteronômio 29:19: “Ninguém que. ouvindo as palavras desta maldição. Ninguém verá o S enhor é expressão que se relaciona ao fim dos tempos. E exortação decalcada na linguagem de Deuteronômio 29:18.. quando ele se manifestar. pode constituir um retrato gráfico das condições dos leitores. Vimos essa preocupação dele emergir vezes e vezes sem conta (e. ainda que persista em segun. aparentemente. para acrescentai à sede a bebedice. É bom notar que em duas bem-aventuranças seguidas Jesus se refere aos “puros de coração” que “verão a Deus. o verem os” (1 Jo 3 :2). Os membros da comunidade devem responsabilizar-se uns pelos outros (talvez seja essa a ênfase de 10:25). 26ss. Hb 12:18. e a santificação (ECA). “Sabemos que. A expressão segui a paz é tirada de Salmos 34:14 e encontra-se também em Romanos 14:19 e 1 Pedro 3:11 (cf. 35). invoque uma bênção solve si mesmo.g. Se nós nos lembrarmos de que o sofrimento e a santidade vêm coligados. 2 Co 13:11. Os leitores são convocados para “perseguir” (verbo que N IV traduz por “fazei o máximo esforço para”) seguir a paz com todos. a respeito de uma raiz de amargura que pode crescer e “perturbar” as pessoas ao redor... tantoo&boos como oamsa&^O lapsodeummembto (ou de outros mais) da comunidade produzirá sei eieilo inevitável solve os demais membros. porque assim como é.(Hebreus 12:12-17) 251 metafórica destes versículos. GNB: “Isso destruiria todos vocês. 10:23. E por isso que precisam v ig iar Tende cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus. 2 Tm 2:22. pelo que deve ser impedido tanto quanto posatveL . 6:4ss.o meu próprio caminho. m ais em harmonia com a que encontramos em outras cartas do Novo Testamento. 4 :lss. 12:15 / A exortação neste versículo é dirigida a algo que.. e pense: Terei paz. 1 Ts 5:13). 12:14 / A exortação deste versículo parece ser mais genérica. um produzindo o outro. 3:12ss. seremos sem elhan­ tes a ele.” (Cf.

Siraque. mais tarde. “irreligioso”). tirada de Provérbios 4:26.) acerca da impossibilidade de arrependim ento para os que abando­ nam a fé. conquanto o buscasse com lágrim as (Gn 27:30-40). pela gratificação im ediata do presente (cf. em Hebreus.. além do que está escrito em Hebreus. 15 se possa . em 6:4ss. não devem esperar que haja um retom o fácil para o cristianismo.252 (Hebreus 12:12-17) 12:16-17 / A referência na exortação precedente ao perigo de “perder a graça de Deus” é reforçada agora pelo exemplo do infeliz Esaú. um bocado de pão e um prato de lentilhas (Gn 25:33s. (cf. Sf 3:16). 11:25s. “direito de nascim ento”) trocando-o por um a refeição.). 2:12. N io se desvie — o verbo é tradução de e k trtp õ (traduzido por ‘Virar-se para um lado” em NIV) ocorre noutras passagensdoNovo Testamentoapenas nas cartas pastorais. os leitores devem aprender desse incidente como a apostasia é séria. lit. ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento M anco (ch õ lo s) éo termo empregado usualmente no Novo Testamento. isto é. que ocorre noutras passagens do Novo Testamento. 10:26s.). A comunidade deve tentar impedir que alguém se tom e como Esaú. Esaú não conseguiu descobrir o caminho de volta que desfizesse a decisão infeliz. Notas Adicionais # 36 12:12-13 / A linguagem figurada empregada em Isaias 35:3 parece ter exercido forte influência sobre outros autores. Esaú lamentou amargamente sua própria decisão. pois. como filho primogênito. Esta advertência a respeito do destino tnste de Esaú traznos à memória a advertência do autor da carta a seus leitores. N este sentido. A palavra que se traduziu por levan tai é a n o rth o o . o qual e usado para descrever o homem paralítico curado por Jesus em Lucas 5:18-26. Trocou o invisível. Assim foi que ele rejeitou a herança que lhe pertencia por direito de nascença. também se refere a “mãos cansadas e joelhos vacilantes” (25:23. porque vendeu o seu direito de p rim o g en itu ra (lit. A palavra rara que significa veredas é troch ia .” ou “extraviar-se.. O adjetivo que qualifica joelhos é p a ra ly o (“cansados”). q uerendo ele ainda h e rd a r a bênção. não achou lugar de a rrep e n d im en to (trad. Mais tarde. foi rejeitado. Esse homem é descrito com o profano (lit.” Talvez à luz do v. cf. por exemplo. Esaú é o oposto. e que ocorre apenas aqui. em época mais conveniente. ou antítese dos heróis da fé do cap. onde normalmen­ te significa “desviar-se. 11. a realidade do futuro. O arrependim ento não lhe foi possível.). mas apenas em Lucas 13:13 e Atos 15:16. Não havia com o desfazer o mal que havia cometido.

Visto que “perturbação” e “fel” têm sentido semelhante. II. Veja-se também Mateus 5 48. O resultado da raiz de amargura na comunidade é literalmente que por ela muitos se contaminem. aqui (observe-se. 1 Ts4:3). Deus exige santidade na vida do cnstão.” e que ECA traduziu por tende cuidado de que. cf. seu sentido não é diferente do sentido da palavra relacionada que se usa no v. A palavra grega para contaminem (m ia in õ ) é empregada aqui com o sentido de imundícia cerimonial (Jo 18:28. logo se tomaria termo designativo de cargo de liderança na igreja. usualmente traduzida por “santificação” no Novo Testamento (e.” Tais palavras são acompanhadas de uma citação de Levítico l l :44s. No presente contexto a ímundiciarefere-seatendênciasparaaapostasia 12:16-17 / Como acontece em relação aos exemplos do cap. 12:14 / Na grande bem-aventurança de 13:20s.. 22. como se vê em 1 Pedro 1:15: “Como é santo aquele que vos chamou.. em 1 Pedro 5:2. E verbo que ocorre mais uma vez so. 1 Macabeus 1:63) e também moral (Tt 1:15)..” Esta palavra (cf. a adequação do caso de Esaú para o ponto central estabelecido pelo autor da carta é de tão grande notoriedade. e para Deus. o autor se refere a Deus como “o Deus de paz. “em fel”. cuja vida é marcada pela obediência ao evangelho de Cristo.1 Co 1:30. Os leitores de Hebreus deverão perseverar na santificação. seus cognatos) que nesta passagem aparentemente se refere à responsabilidade da comunidade toda. veredas direitas. no Novo Testamento. A expressão graça de Deus ocorrera antes em 2:9. a adição feita por GNB das palavras “com seu veneno”).” “desapontar”) é o mesmo verbo usado com o mesmo sentido em 4:1. A santificação caracteriza o crente que foi separado por Deus. O verbo comum seja curado (iaomai) ocorre apenas aqui em Hebreus. “vede que. sede vós tambem santos em todo o vosso procedimento.. é o verbo grego h ystereo (lit. veja-se Apocalipse 22:4. O termo empregado pelo autor da carta. onde se refere à morte expiatória de Jesus. 12:15 / A tradução que NIV apresenta do termo grego ep iskopeo. a ligeira alteração do texto da LXX não é seria. NIV) e em ECA foi traduzido por que ninguém se prive da. vos perturbe (tradução de en o ch leo ) prova­ velmente representa uma corrupção de menor importância do texto da LXX (que traz en ch ole. É palavra que ocorre apenas aqui. “ficar aquém do esperado. isto é. que se toma fãcil imaginar a diligência com que ele pesquisou o Antigo Testamento. tem o sentido de “supervisionar” ou ‘‘tomar cuidado de. 10.(Hebreus 12:12-17) 253 distinguir um eco desse sentido. em Hebreus.” A palavra grega traduzida por santidade neste versículo é hagiasmos. 19:2). O termo grego que cuja tradução originou o verbo "‘perder” (“que ninguém perca a”.g. No entanto. Quanto à visão escatológica de Deus. atrás de um texto ilustrativo apropri­ ado Édiscutivel se a expressão devasso (sexualmente) e pro fano (irreligioso j . também. aRSV em Rm 6 :19.

254 (Hebreus 12:12-17) dizem respeito a Esaú. No con­ texto atual é óbvio que a segunda palavra é apropriada. Que o autor da carta está preocupado com a imoralidade sexual entre seus leitores. o tivesse buscado. o “arrependi­ mento” tinha o objetivo de dar-lhe nova posse da bênção A futilidade no trato de um elemento significava futilidade no trato de outro. um ou outro erro poderia ter sido a fonte da perturbação de Esaú. Isto contrasta obviamente com o retrato de Jacó. A palavraque significa “arrependimento” (m etanoia ) ocorre em conexão semelhante em 6:6.. ECA emprega um pronome do caso oblíquo. E difícil saber se o termo antecedente (auteri) no final do v. Esaú era profano (bebêlos) porque não tinha a mínima consideração pela sua 1inhagem sangüínea. nem pelas promessas da aliança relacionadas a essa linhagem. p.. . Mas foi rejeitado (apod o k im a zo . quanto a exemplos). Por isso. traçado em 11:21 Quando o autor da carta afirma que Esaú. por causa de 13:4 Temos certeza de que Esaú é retratado pela tradição judaica como sendo culpado de imoralidade sexual (veja-se Strack-Billerbeck. afinal. querendo. talvez fosse traduzido mais bem por “foi declarado desqualificado” [cf. a diferença é mínima. parece-nos claro. 90]). BAGD. ainda h erd ar a bênção. certamente está querendo dizer que Esaú tentou restaurar seu direito de pnmogenitura. No entanto. 17 é “arrependimento” ou “a bênção” (acréscimo de NIV. visto que.

N Io era possível que alguém se apnad- . em todo o Novo Testamento.. As m anifestações da presença de Deus no m onte Sinai eram tangíveis.. entre o caráter essencial da antiga aliança e a da nova. D e acordo com a narrativa de Êxodo (20. em com paração com o Cristianismo (cf. “Faia tu conosco. um sistem a que esmaece violentamente. as trevas. e. 19). a escuridão. Os que estiveram no monte Sião jam ais poderão considerar a volta ao m onte Sinai. No presente momento estão sendo tentados a voltar para o judaísm o. e . que registra a ocorrência de M oisés no monte Sinai (esp. 2 Co 3:4-18). seu autor nos apresenta um contraste vivido entre o monte Sinai e o monte Sião. Mas não fale Deus conosco.” Não e m aperras a voz audível de Deus que aterrorizava os israelitas. e ouviremos. o autor nos dá um retrato espantoso da possessão dos leitores — em Cristo e mediante C nsto.. para que não morramos.. a que pertenciam antes.37. 12:18 / O vocabulário deste versículo. A alusão não poderia terse perdido entre os leitores originais.” Esse mesmo temor està registrado em Deuteronômio (5:25): “Morreremos se continuarmos a ouvir a voz do Senhor nosso Deus. bem como do próximo.. 12:19-20 / Eles também ouviram um sonido de trombeta e som de palavras. isto é. a tempestade causaram vivida im pressão sobre os israelitas. Ao fazè-lo.. poderiam ter sido experim en­ tadas pelos sentidos. A Glória da Posição Atual do Cristão (Hebreus 12:18-24) Num a das passagens mais importantes de toda a carta aos Hebreus. as pessoas falaram a Moisés a respeito do medo que sentiam da voz de Deus. O propósito do autor é alargar os horizontes dos leitores e capacitá-los a entender a verdadeira glória daquilo de que participaram como crentes verdadeiramente cristãos. 5:22-25. m u também as ordens severas que ele pronunciava. D t4 :11. O autor dá-nos um exemplo de proibição contra tocar a montanha sagrada. O elem ento ardente. Seria difícil encontrar uma expressão mais im pressionan­ te e comovente de escatologia realizada. Êx 19:12-19). e. em grande parte foi retirado da LXX.

” Assim é que os leitores já usufruem no presente tempo a cidade escatológica do futuro (cf. “miriades de santos” relaciona- . “miríades” ou “deze­ nas de milhares”). mas buscamos a vindoura. até mesmo M oisés estava cheio de terror. Encontramos aqui de novo a tensão entre a escatologia realizada e a futura (e. Eles chegaram ao monte Sião. cidade já mencionada como sendo o objetivo verdadeiro de Abraão (11:10. Os termos que mais se lhe parecem encontramo-los em Deuteronômio 9:19. 2 Rs 19:21. 10:1).. Até mesmo um animal deveria ser apedrejado caso tocasse a m ontanha (a citação é de Ex 19:13). nesta passagem. monte cujo significado é ainda maior do que o do monte mencionado nos versículos precedentes. 2 Sm 5:6s. pelos resultados que abrangem também o presente. 12:22 / A abertura deste versículo coincide em parte com a abertura do v. Em 13:14 está escrito: “N ão temos aqui cidade permanen­ te. o autor quer. 6:5. dada a espantosa e absoluta santidade de sua presença. O resultado do pavor dos israelitas foi que quantos o ouviram rogaram que não se lhes falasse mais. 18. 2:6). 4:2ss.Em Deuteronômio 33:2. Ao usar esse tempo verbal. A s palavras que lhe são atribuídas não se encontram no Antigo Testamento. enfatizar que o que ele está prestes a descrever de certo m odo já está sendo usufruído pelos seus leitores. a expectativa escatológica a que Apocalipse 21:2 se refere (cf.. 4:3. o quadro traçado pelo autor da carta. 9:11. Os cristãos têm experimentado o cumprimento. SI 2:6. 12:21 / Segundo o autor de Hebreus. Ef.g. tendes chegado. assim diz M oisés: “T emi por causa da ira e do furor com que o Senhor tanto estava irado contra vós.” Portanto. O tempo do verbo. com toda clareza. Monte Sião é sinônimo de Jerusalém.. 2 Bar. este monte é descrito também como a Jerusalém celestial. Este quadro contrasta violentam ente com a mudança de situação trazida pela nova aliança. mas a esse cumprimento falta a consumação. e que o autor agora apresenta a seus leitores. no Antigo Testamento (e. 1:2.256 (Hebreus 12:18-24) masse de Deus. Aqui.g. indica chegada em algum tempo no passado com gozo connnuado. é representativo da predominância do medo que o povo sentia de Deus. da entrega da lei no monte Sinai. cf. após a rebelião dos israelitas no deserto. A respeito dos leitores está escrito que encontraram-se com muitos milhares de anjos (lit.) e cidade do Deus vivo. diante do espetáculo da teofania no Sinai. 9:11). para vos destruir. e da severidade de suas leis. 11:16). em forma composta. G14:26..

22. cujos nomes foram escritos nos céus (cf. Tendo essa liberdade. que prim eiram ente lhes foi apresentado. 11:24 / Finalmente. em Daniel 7:10. diante do trono do Senhor. 7:25. 4:16. Com toda probabilidade. cf. m ediante a obra sacrificial de Cristo (e. 6:19. na descrição das práticas sacerdotais levitkas (9.). como os israelitas que sentiram medo diante do monte Sinai. até da voz de Deus. 21). inclusive como Juiz. visto que mediante Cristo estão livres agora para aproxim ar-se de Deus. “m ilhares de milhares o serviam. A despeito da horrenda realidade de Deus como Juiz (cf. a congregação do povo de Deus. Este fato de elevada im portância forma a própria base de tudo quanto tem sido descrito. podemos avaliar a ousadia dos cristãos. na qual todos são 'prim ogênitos’ e cidadãos do céu. 12:23 / Os leitores também chegaram à igreja. T udo isto se harmoniza com o que o autor escreveu acerca dos santos do Antigo Testamento. Esta com unidade de crentes em C risto é constituída dos prim ogênitos. ao usarem o livre acesso à presença de Deus. na Jerusalém celestial (cf. O . e também na descrição da obra de Cristo (10:22. ao lado dos leitores e todos os cristãos. ainda que sob a form a de símbolos e figuras. 19. São citados como espíritos porque aguardam a ressurreição. os leitores chegam a Jesus. Ap 19:6). a cidade de Deus. v. o Mediador de uma nova aliança. O s espíritos dos justos aperfeiçoados provavelmente é referência ao povo de Deus do Antigo Testamento.g. o ju iz de todos. Estas hostes também estão presentes na cidade. 29).. 10:19ss. a ceia das bodas do cordeiro. 9:15). em 11:40. Rm 8:17).. isto se refere aos crentes da era dan o v a aliança. desde o v.13b .” Em suma. NIV e ECA usam de novo o m esm o verbo) à presença real de Deus. 8:6-13. os leitores. A Bíblia de Jerusalém capta bem o sentido dessa passagem: “com a igreja toda. De modo mais particular são descritos como tendo sido aperfeiçoados em que.” isto é. ou dos prim ogênitos. alcançaram o objetivo. chegaram (tendes chegado. A referência a uma nova aliança aqui redirige os leitores a um dos argumentos mais importantes para o autor da carta (7:22. Lc 10:20). e milhões de milhões estavam diante dele. os leitores não precisam ter medo. O sangue da aspersio de Jesus refere-se asua obra sacrificial expiatória. o propósito final de Deus. 1 Pd 12). Esta figura de linguagemjá bawia sido utilizada antes. que se tomaram os herdeiros da promessa (cf.(Hebreus 12:18-24) 257 se ao aparecimento do Senhor no monte Sinai.

22. O sangue expiador de Cristo fala do fim da antiga aliança e do estabelecimen­ to da nova aliança.7). mas trata-se de medo e . 10:17s. aqui. De acordo com a LXX.” No entanto. a Jerusalém celestial. 2 Sm 6. onde ele se repete Só as palavras que significam palpável (pselaphaõ) e escuridão (zo p h o s ) não foram tiradas dos textos descritivos da LXX. mas NIV diz: “que pode ser tocado”). ” Essa era a mensagem do sangue de A bel. Êxodo 19:16. em que “a voz do sangue do teu irmão Abel clam a a mim desde a terra. Foi esse sangue que trouxe aos leitores os benefícios da nova aliança. o ser humano ou o animal que tocasse a montanha deveria ser apedrejado ou atravessado por um dardo. No entanto. em que começam a experim entar o cumprimento dos objetivos. 20). sobre a teofania do Sinai. Todavia. At 7:32. Em ambas as formas de pena capital o condenado ficava a distância Trata-se do cuidado de evitar o perigo potencial de “contaminação” pela santidade de Deus (cf. Esse verbo é mais significativo ainda na declaração positiva que se inicia no v. o sangue de Cristo fala de coisas melhores — mais conspicuamente fala do perdão de pecados a partir da inauguração da nova aliança (8:12. Notas Adicionais # 37 12:18/ Alguns manuscritos (que NIV acompanha) acrescentam à palavra palpável a palavra monte (o ro s ). v. Veja-se E. Êxodo 19:13. 12:19-20 / A referência a sonido de trom beta e ao som de palavras também é tirada da LXX.” mas nem um ser humano ou animal ter permissão para tocá-lo. parece que a referência se faz a Gênesis 4:10. dos propósitos salvíficos de Deus. depois de morto. p. 22 (cf. e os levou à gloriosa situação atual. ocorre apenasaqui em todo o Novo Testamento. Em 11:4o autor de Hebreus anotou o caso de Abel. ainda fala. Na literatura helenistica essa palavra era usada para descrever o “espetáculo” da teofania Veja-se BAGD.258 (Hebreus 12:18-24) sangue de Jesus fala melhor do que o de Abel. O verbo tendes chegado implica em “ter chegado a certo lugar e ali permanecido”). os melhores manuscritos omitem a palavra “monte”. 372-75. 12:21 / A palavra grega paravisio (ph an ta zã ). sua presença em alguns desses documentos provavelmente se deve à influência do v. Pode-se perceber uma dose de ironia no fato de o Sinai (e os fenômenos relacionados a eie) ser descnto como “palpável. o usufruto da cidade do Deus vivo. Pax.). resultando assim em monte palpável (EC A. 8S3. ainda que por segunda mão. EBT. escrevendo que “por meio dela [fé]. pp. É possível que a referência ao medo e tremor de Moisés seja tirada de tradições judaicas relacionadas à outorga da lei no Sinai (cf.

é improvável queele restringisse esse titulo às pessoas que estavam sob a aliança antenor (cf. esta expressão sempre se refere aos crentes (e. são primogênitos no sentido de terem precedido os cnstãos. portanto. KJV. pois. 12:23 \ O sentido real de igreja dos primogênitos tem sido objeto de muito debate. visto que todas as outras entidades discretas a que se refere o autor. ou se ela deve ser entendida de modo independente. deu origem à palavra portuguesa “prosélito”). veja-se W. segundo N IV: “milhares de milhares de anjos numa assembleia alegre ” ECA prefere: tendes chegado.g. Michaelia. TDNT. NASB e JB) A palavra .F. Estas são apenas algumas das diferentes possibilidades que têm sido sugeridas: anjos. 13:8. 101-3. NEB e GNB). em todo o Novo Testamento. pp. H ebrw m — Hebreus. aos muitos m ilhares de anjos. Apocalipse. o uso deliberado que o autor da carta faz da palavra ekklêsia (igreja). teríamos. Bietenhard. Veja-se H. quanto a se a palavra grega panegyris (“reunião festiva”) deve ser combinada com o que a precede. à universal assembléia. Quanto à presença de anjos no recinto celestial. na lista. acima. ASV. Quanto a Sião e a nova Jerusalém . veja-se E. 12:22 / O monte Sião e a Jerusalém literais. E quase certo que ela não deve ser interpretada isoladamente. 881. 5. separado. num ambiente escatológico. A referência aos primogênitos inscritos nos céus faz que seja improvável que o autor esteja falando de anjos. TDNT. pode ser indicação da igreja (cf. estão ligadas entre si pela preposição “e” (kai). Hebrews— Hebreus — vol.ea n o ta sobre 1:4. que se refere a cnstãos como sendo “um tipo de primícias”). Tg 1:18. l. F.p p . 722. mas não existe conetivo nenhum antes de panegyris aqui. santos do Antigo Testamento. em comparação com todos os livros do Novo Testamento.NIDNTT. p. 7. prose lêlyíhate. vol. Entretanto. Fp 4:3. Há ainda um problema difícil de interpretação. Hughes. eventualmente vieram a ser entendidos como arquétipos da realidade superior escatológica que há de vir. pp.. Veja-se a observação minuciosa de Hughes. 319-38. 20:15). a presença do conetivo kai logo a seguir faz que seja muito natural associar a palavra panegyris aos anjos. cristãos falecidos. em face de sua grande importância.. Quanto a primogênitos (p rõ to to k o s \ que se refere a cnstãos apenas aqui. pp 552-55. Bruce salienta que o principal verbo vós tendes chegado a implica em conversão (a raiz que se encontra aqui. e»notasobre l:6 . os pnmeiros cnstãos. onde se encontra o maior número de referências a anjo. Lohse. vol 6.(Hebreus 12:18-24) 259 tremor perante a sarça ardente). Primogênitos é termo que se poderia interpretar como os santos do Antigo Testamento. vol.r aak. Ap 3:5.. em face das convicções do autor a respeito da nova aliança. e mártires cnstãos. Além do mais. “muitos milhares de anjos” (NIV. ASV. veja-se a nota sobre 11:10. No entanto. Quanto à cidade do Deus vivo. cf.

Schweizer.” na expressão nova aliança é neos. Schmidt. Hughes). A palavra “espíritos” não deve sertomadacomo termo técnico de antropologia bíblica(distingüindose da palavra alma). a palavra grega é traduzida aqui por “assembléia” (RSV. “ ‘The Spirits o f Just Men Made Perfect. como alguns eruditos têm argumen­ tado (e. em vez de kam e.260 (Hebreus 12:18-24) ekkíêsia por si mesma. pp 445s.. 501-36. 12:29). Quanto a “aliança. vejam-se as notas sobre 9:7 e 9:13 Esta é a última ocorrência da palavra melhor (kreitton) na carta.g. Quanto ao verbo grego (que em ECA resultou em adejtivo) aperfeiçoados (teleioõ). que esta cláusula se refira de modo universal a pessoas cheias de fé. TDNT. Delitzsch. nesta carta (8:8. é claro. 3. Por isso.. No entanto. ela ocorre em outra passagem de Hebreus (2:12). 12:24 / A palavra grega para M ediador (mesites) tambem é utilizada para referir-se a Jesus em 8:6 e 9:15 Veja-se a nota sobre 8:6.” veja-se a nota sobre 7:22. de que os seus leitores faziam parte. pp. 6:8. Anteriormente. onde significa apenas “congregação” ou “assembléia. em que Abel é descrito como “um homem justo. NEB) e “reunião” (GNB). 6. 2:3.g. vol. antigas e atuais. A palavra grega para justos (dikaios) fora utilizada anteriormente em 10:38 (na citação de Hc 2:4) e em 11:4. em que Deus é chamado de juiz (kntes). como acontece nas demais referências à nova aliança.’” EO 48 (1976). 4:1. o autor da carta havia descrito a comunidade dos crentes. citando J r 3 1:31. de todas as eras. TDNT. mas simplesmente em referência a parte espiritual ou imaterial dos seres humanos. . embora essa idéia ocorra várias vezes (e. Quanto à “aspersão” do sangue (o substantivo rhantismos ocorre apenas aqui em Hebreus). pp 15459. o uso deste sinônimo não implica em diferença de sentido. essa é uma palavra ideal para descrever os heróis exemplares da fé do cap. A palavra para “nova. veja-se a nota sobre 2 : 10 . 9:15). Este é o único lugar em toda a carta aos Hebreus.30s. que tanta importância tem para o autor da carta. como “casa de Deus” (3:6). Veja-se K. veja-se a nota sobre 1:4. 11. Aqui se diz deles que formam a cidade de Deus..L. Veja-se W J Dumbrell. entretanto.10:27.” Portanto. não significa necessariamente que se trata da igreja. é possível. 9:27. vol. Westcott. Veja-se E. Quanto à tremenda importância desta palavra para o autor de Hebreus.” podendo ser esse seu significado geral.

que arremata de modo tão maravilhoso a discussão iniciada em 2:1. 12:25 / Este versículo e o próxim o exploram o contraste traçado entre o monte Sinai e o monte Sião. m erecido por todos quantos se desviam da revelação m aior encerrada na nova aliança. É por isso que a advertência inicial aos leitores é para que não rejeitem ao que fida (veda que não rejeites ao que fala). depois. 4:1 ls. o cap. para o julgam ento infinitam ente mais sério. O autor já apresentou virtualm ente o mesmo argumento várias vezes (2:1 ls.38. pois. Uma Advertência Final a Respeito da Rejeição (Hebreus 12:25-29) O autor de Hebreus dedica-se outra vez à advertência de seus leitores. Recusas­ se a ouvir à voz de Deus é rejeitar o próprio Deus. ficarão sabendo que se tom aram destinatários de um reino que jam ais terá fim. mediante seu servo Moisés (veja-se Dt 5:4&. na passagem precedente. Se rejeitarem a verdade do evangelho. esta exortação vem contrabalançada de modo maravi­ lhoso por uma ênfase na segurança final de todos quantos permanecerem firmes. v. No entanto. mais do que como extensão necessária da discussão.). 13 funciona mais com o um apêndice de tudo quanto o precede. A referência a uma pessoa. quando o Senhor lhes falou na terra.). com uma passagem tão notavelmente sem e­ lhante à precedente. Assim é.. e também no sentido que eles não obedeciam às suas ordens (cf. 3:17s. e do compromisso que fizeram com Cristo. 19s ). que algumas opções são finalmente colocadas diante dos leitores com m áxima clareza. Todavia. Argum entando do m enor para o m aior (“a fortiori”) ele aponta para a realidade óbvia e dolorosa do julgam ento experim entado pelos israelitas. N o presente exemplo. àquela qae sobre a terra os advertia nos eventos do monte Sinai que anahamoa de . em sua essência é a conclusão do principal argumento e apelo do autor. Os israelitas recusaram -se a ouvir a voz de Deus. Como veremos. os israelitas literalm ente se recusaram a ouvir a voz de Deus (cf. para que não descaiam de sua fé cristã. Esta passagem. quando desobedeceram à aliança do m onte Sinai e. 10:28s. não poderão escapar do julgam ento.. se perseverarem na fé em C nsto.

eles se desviarão (se nos desviarmos daquele que nos adverte lá dos céus?) Em outras palavras. Portanto. ‘‘como de coisas feitas”) para que (ou “a fim de que”) só as (coisas) inabaláveis permaneçam. extraídas da citação. Deus prom eteu uma forte sacudidela na terra. esse evento pode ser esperado em futuro próximo. 18-21). Portanto. v. feita no passado. SI 68:8). mais se n a é sua rejeição. é o julgam ento que ocorrerá com relação à vinda do ‘eschaton’. Ex 19:18. Todavia. Havia sido a voz de Deus que na época abalou a te r r a (cf. mas á presente expectativa de seu cumpri­ m ento iminente. que “a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (1:2). ao citar Salmos 102:25-27 e em 1:10-12 (cf. o evangelho e tudo quanto está relacionado ao cum prim ento que o evangelho proporciona.” isto é. O autor de Hebreus escreveu. rejeitam a palavra de Deus vinda dos céus. 2:21). os leitores deverão estar atentos: Vede que não rejeiteis a verdade que receberam. (cf. os leitores têm boas razões para serem agrade­ cidos (retenhamos a graçaX porque receberam um reino que não pode ser abalado. O que se tem em vista. Assim. se os leitores abando­ narem a fé. v. Esta é a palavra vinda do céu que os leitores estão sendo tentados a rejeitar. As palavras ainda uma vez. 29). este abalar envolve purifica­ ção das coisas criadas (lit. mas o próprio Deus que falava mediante Moisés. quanto maior a luz. Mas as coisas que são abaláveis de fato serão abaladas. trata-se da experi­ ência do reino de Deus que se tomou possível mediante a graça . A sacudidela futura dos céus já foi m encionada pelo autor da carta. Agora refere-se não à entrega da promessa. 12:26 / E ntão aqui significa “nessa época. 12:29-29 / No entanto. Reino aqui se refere a algo que pode ser descrito como o fruto da nova aliança. e agora que estam os nos últimos dias. no início de sua carta. à semelhança da realidade do reino de Deus. a seus leitores.262 (Hebreus 12:25-29) descrever (w . explicam -se como referência ao julgam ento escatológico (diferentem ente do “abalam ento” ou “sacudidela” anterior). e mais nada. 12:27 / O escritor oferece de novo um breve com entário sob a forma de ‘m idras’. 19. A citação é de Ageu 2:6 (cf. na época em que a lei foi outorgada no monte Sinai.. e isto é o que faz que a perspectiva do julgamento escatológico seja uma coisa terrível. provavelmente não deveria ser M oisés. M t 24:29). a partir dessas palavras de Ageu. mencionado com tanta freqüência no Novo Testamento.

a despeito das novas circunstâncias da nova aliança. os leitores devem ser gratos a Deus. que diz: “quanto mais óbvio ainda ficaque não poderemos escapar. se dispensarmos aquele que nos fala do céu”). fala. No texto grego os pronomes eles e nós são enfáticos. pelo que lhes foi concedido em Cristo. visto ser o mesmo do versículo anterior.(Hebreus 12:25-29) 263 reconciliadora de Deus. como sugerem algumas traduções (e. Reverência e santo temor são termos apropriados para a adoração e o culto do cristão. dá algum apoio àconclusão de que se trata da voz de Deus (ou de Cristo?). esse reino permanece seguro ainda que haja tremores e terrem otos no mundo todo. é a nova qualidade de vida.. poderemos servir a Deus (sirvamos a Deus agradavelmen­ te. Notas Adicionais # 38 12:25\ A forma de argumentação “a fortion” fica mais óbviaquando lemos o original. o Senhor é fogo consumidor (c f 10:30s. ou seja. visto ser Deus “o ju iz de todos” (cf. pode ser de pronto relacionado ao que é melhor. O verbo na terceira pessoa singular. Moffatt: “Se aqueles que se recusaram a ouvir seus instrutores na terra não conseguiram escapar. em que M oisés exorta o povo à fidelidade à aliança. Esta descrição de Deus é citação de Deuteronômio 4:24 (cf. a nova existência. Dt 9:9). Os advertia i tradução oo mesmo verbo (c tln m a tà õ ) empregado en»8:3el 1:7?ambos se referem iüPfmit que fala a Moisés e aNoé. cf. voltando ao antigo modo de viver. Deus permanece o mesmo. em Cristo. . nós então de modo algum o conseguiremos. A luz de tudo isto. JB. em 3:12. NIV diz “aceitavelmente”). M ediante esta firm eza de espírito e a reação de fidelidade que a acompanha. Portanto. Visto ser este o resultado da obra de Deus. 23). respectivamente Se nos desviarmos é tradução de apostrephõ . ali mencionado. que praticamente i sinônimo de “apostatar” (cf Tt 1:14).g. 19 (NIV e ECA trazem “rogaram”). NASB.” O mesmo verbo vede (b lep o ) havia sido usado antes. visto que pode ser igualmente certo que Deus estivesse falando mediante Moisés. ECA diz: aqueles que rejeitaram o que sobre a terra os advertia fica corretamente sob ambigüidade. de modo tal que produza reverên­ cia e santo tem or. e devem eliminar da mente todos os pensamentos tendentes a abandonar o cristianismo. O verbo escapar (ekpheugo) é o mesmo usado numa passagem paralela em 2:3. que se fez possível mediante o cumprimento das promessas de uma nova aliança. NEB.). num contexto semelhante O fato de o verbo traduzido por rejeitaram (p a ra ite o m a i ) é o mesmo que fora usado no v. v. no julgam ento escatológico.

58-65 O advérbio que traduz euarestõs em ECA e agradavelmente. o que resulta em ênfase no abalo que o céu sofrerá. em que reino é palavra utilizada de modo positivo. sob a figura de um fogo consumidor (e. 33:14. Sf 1:18.g. 2 Pd 3:10. e empregado para descrever a vida espiritual do cristão. aquilo quejá faz parte permanente da nova criação (cf. 10:2. tendo recebido.” é a citação de Salmos 45:6 em 1:8 O autor da carta. e G. mas aqui. Estamos em pleno processo. como em 9:14. ambos sugerem um equilíbrio cuidadoso entre a escatologia presente e a futura. no Antigo Testamento. o substantivo cognato em 9:1 e 6).. vol. vejam-se passagens como Isaías 2:19. 9:9. O particípio presente de NIV (“recebendo”) assemelha-se no sentido ao pretérito composto que ECA preferiu. e 12:7-11. pode ter extraído esse termo de alguma passagem como Daniel 7:27. e inverte a ordem de céu e terra. no Novo Testamento. se não se apoiou na tradição do evangelho.. Segundo a perspectiva do autor da carta aos Hebreus. Quanto à expectativa geral de um abalo escatológico do céu e da terra. Bertram. Veja-se a nota a respeito de 5:7. 65-70 Aatualexperiênciadosbeneficiosdaeraescatológica (veja-se a nota sobre 1:2) induz-nos de modo natural a uma expectativa de iminência da escatologia propriamente dita. Reverência (eulabeiá) ocorre aqui e em 5:7. 196-200. bem de perto. 21. palavra que ocorre duas vezes anteriormente em Hebreus (7:12. na Bíblia Grega Deus é descrito várias vezes em seu pape) de juiz. O argumento é que as palavras ainda uma vez indicam algo que ainda está por vir. TDNT. 13 :13 (cf. 4. O verbo grego traduzido por sirvamos é latreno. O autor de Hebreus utilizou essa figura de linguagem em 10:27. 8:5. cf. A remoção é tradução de meíathesis. no futuro. A palavra correspondente a santo temor (deos ) aparece só aqui. vol. agora. onde se refere a “mudança da lei. .. de citações do Antigo Testamento em 2:8s . 13:20. 7. Strathmann. pp. 12:28-29 / O único outro lugar em Hebreus. ocorre apenas aqui em todo o Novo Testamento (mas o adjetivo cognato ocorre em 13:21). Veja-se G. TDNT. Ap 16:18ss.g. vol. pp. o qual é empregado anteriormente para descrever o serviço dos sacerdotes levíticos (e. tipo ‘midras’. Veja-se H. 12:27 / Podemos ver tratamentos mais extensivos. 10:8-10. deve referir-se ao julgamento escatológico da criação Este julgamento tem como seu objetivo a revelação das coisas inabaláveis. O autor da carta acrescenta as palavras não só e mas também.pp. TDNT. “a aliança etema”). 7. de receber o reino. no sentido de “reino de Deus. 8:13. e nós o receberemos finalmente.” e 11:5. 3 :8).264 (Hebreus 12:25-29) 12:26 / O pretérito perfeito do verbo grego traduzido por ele prometeu indica a validade contínua da promessa. Ageu 2:6. 3 :12-4:10. Is 26:11. A citação segue a LXX. onde se refere ao arrebatamento de Enoque). 21:1). 13:10. Bomkamm.

agora. Romanos 12:10. 13:1 / Este versículo. de forma específica. O autor já havia em itido uma exortação no sentido de que nos amemos uns aos outros: “Considerem o-nos uns aos outros. m aior ainda do que a fé e a esperança (1 Co 13). portanto. Na verdade. O am or é de suma importância para o cristão. diz literalmente: “Que prossiga o amor fraternal. ainda que de modo um tanto diferente. ainda que alguns itens possam aplicar-se de modo especial aos leitores. antes de concluir. superficial. A importância do amor é tem a constante do Novo Testamento. e as hospedarias nem sempre tinham boa . O am or sempre é demonstrado mediante atos concretos — atos como os que o autor menciona. O capítulo 13.e 1 Pedro 1:22. tendo discutido seus pontos centrais com muita força e convicção. que o texto deste capítulo nenhuma relação apresenta com a parte principal da carta. é semelhante a um apêndice. M c 12:29-31. Isto não quer dizer.” E claro que o amor é a base da ética cristã. estas exortações específicas e conclusivas dão à obra o caráter de carta. cf. para nos estimularmos ao am or e às boas obras” (10:24). A despeito da forma inusitada com que a carta aos Hebreus se inicia. por exemplo. algumas das principais preocupações são abordadas de novo aqui. ele se volta para várias questões que deseja esclarecer. grande parte do texto é semelhante às exortações de cunho ético que se encontram nas seções finais das demais cartas do Novo Testamento. 13:2 / A hospitalidade para com os estranhos era virtude importante na igreja primitiva. Os versículos iniciais deste capítulo têm esse caráter. 1 T essalonicenses4:9.). contudo. Rm 13:9s. a fim de fazer aflorar o significado prático das questões já discutidas. sobre o am or entre irmãos cristãos também aparece.39. 0 Chamado para uma Vida Ética (Hebreus 13:1 -4) O autor concluiu a principal parte de sua carta. Jesus resum e a lei no mandamento duplo: que amemos a Deus e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22:37-40. A ênfase especial aqui. tão pequenino. Ao mesmo tempo. em João 13:34. de modo especial numa época em que quase não havia comodidade para os viajantes.

à m edida que as circunstâncias o exigirem. 13:3/0 cuidado dos presos e em patiapara com os que sofrem já haviam sido demonstrados de modo admirável pelos leitores da carta. o leito sem mácula. O autor de Hebreus enfatiza. como se o celibato fosse um tipo supenor de santidade. 1 P d4:9. criado por Deus. Agora são convocados a voltar a exibir essas virtudes cristãs (cf.. Notas Adicionais # 3 9 13:11 Toda a extensão coberta pelos temas-chaves do cap. A sexualidade hum ana em si mesma é boa. Mt 25:36). É por isso que exortações como esta encontram -se em vánas passagens do Novo Testam ento (e. é alusão à fam osa história da hospitalidade de Abraão em Gênesis 18:1-8 (cf. 6:10).” A referência a algumas pessoas (alguns) que.5:10. é bom. pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará. tanto no judaísm o como no crisnamsm o o mundo m aterial. sem o saber hospedaram anjos. 1 Co 6:9. pelo que a m esm a sorte lhes pode sobrevir. Tt 1:8). e o ascetismo extremo é totalmente desnecessário.. A paráfrase de Barclay salienta esse ponto com clareza: “porque vocês ainda não deixaram esta vida. no passado. NIV diz: “como se vós mesmos estivésseis sofrendo. esse é um tem a fam iliar na tradição judaica. Não vos esqueçais da hospitalidade no original grego é literalm ente “mostrai hospitalidade. Todavia. mas possivelm ente também a Gedeão (Jz 6:11-22). 13 reflete as preocupações do corpo pnncipal da carta. M anoá e a mãe de Sansão (Jz 13:3-21). podem os inferir daí que ele está contra-atacando a influência do ascetismo. E f 5:5. Rm 12:15). que proibia o casam ento. No entanto. 1 Co 12:26. que os imorais eos lascivos serão punidos por Deus. Cl 3:5). a promiscuidade sexual é questão fechada e mtransigivel: seja.” enquanto ECA prefere uma tradução mais literal: como sendo-o vós m esm os tam bém no corpo. e Tobias (Tobias 5:4-9). as quais ficaram demonstradas de . 1 T m 3:2. cf.R m 12:13. 19: lss )...g.266 (Hebreus 13:1-4) reputação. 13:4 / Visto que o autor da carta declara que o m atrim ônio deve ser tratado com honra.. em harmonia com os ensinos de Paulo (cf. E provável que o autor da carta tenha em mente principalm ente os obreiros cristãos que viajavam (veja-se de modo especial 3 Jo 5-8).” A identificação com os que sofrem é também um tema comum do Novo Testamento (e.g. no passado (10:33s. Portanto.

Filson. p. 858 13:2 / A palavra grega traduzida por hospitalidade (que NIV amplia corretamente para “hospitalidade para com os estranhos” (philoxenià) aparece outra vez no Novo Testamento somente em Romanos 12:13. Veja-se BAGD. que é combatido nesta passagem. os cristãos haviam estabelecido uma excelente reputação para si mesmos. e na tradição judaica. a palavra equivalente a amor fraternal (philadelphia) aparece só em Romanos 12:10. Clemente de Roma. louva a Raabe não só pela sua fé. Veja-se 1Clemente. A motivação cristã a este respeito deriva diretamente do ensino de Jesus (cf. TDNT. essa palavra em geral se refere ao amor entre irmãos de mesmo sangue. o corpo humanoé mau. Considerava-se Zeus o protetor do estrangeiro oprimido. Quanto a um estudo profundo desse assunto. 1967). 5. respectivamente). Porisso. 10:7 e 11:1. na literatura cristã. e aos sofredores. 38. Filson observa que o cap. no entanto. o Senhor a coloca lado a lado com a alimentação dada aos pobres. F. e a visitação aos presos (Mt 25:35. quanto a Abraão e Lo. no entanto. as quais estão relacionadas em 1 Timóteo 3:2 eTito 1:8. vol. portanto. como tambem em 1 Pedro 4:9 A hospitalidade para com os estranhos tinha grande apreciação entre os gregos. entre os estóicos). o vestuário dado aos nus. 1 Tessalonicenses 4:9. O Didaquê (capítulos 11 e 12) encorajam ahospitalidade aos evangelistas cristãos (estes devem ser recebidos como o Senhor e recebido). aparece entre as qualifica­ ções dos presbíteros. o casamento deve ser evitado pelas pessoas que querem cultivar a vida do espínto. como ponto de partida. mas recomenda também certas medidas contra o abuso da hospitalidade. Hebrews. 12:1 (cf. 1-36. 1 Pedro 1:22.F.(Hebreus 13:1-4) 267 modo eficaz por F V. Mt 25:31-46). Quanto ao caráter diversificado do texto. “ Yesterday ": A Study ofHebrews in the Light o f Chapter 13 — “Ontem”: Um Estudo de Hebreus à Luz do Capítulo 13. Jesus também advogou a hospitalidade para com os estranhos. 13 contém vinte imperativos. N a literatura helenística. Combate-se esse tipo de ascetismo noutras passagens do Novo Testamento . desse deus e de outros se dizia que visitavam o mundo disfarçados de estrangeiros ou de estranhos. tenha denvado de uma onentação gnóstica que teria. ao refletir seu conhecimento da carta aos Hebreus. 13:3 / A visitação dos presos também era uma virtude apreciada em certos círculos helenísticos (esp. como também por sua hospitalidade (philoxenià). pelo fato de exercerem a caridade aos presos. SBT (2) 4 (Londres: SCM. 391. Bruce. Stáhlin. 44). Cf. o adjetivo cognato “hospitaleiro” (philoxenos). veja-se G. 13:4 / E possível que o ascetismo. pp. a idéia deque a matériaémá e. Hebreus. diz respeito de modo particular ao amor entre os que partilham a fé cristã. Além da atual passagem. na verdade. pp. No mundo antigo. e 2 Pedro 1:7 (duas vezes) em todo o Novo Testamento. sobre quinze tópicos diferentes.

o nosso sumo sacerdote (cf. em que esta palavra se liga. a que Colossenses foi dirigida. como os que formavam a comunidade de Qumran. em que se descreve a herança do cristão). Jewett adotou esse ponto de vista em seu comentário.268 (Hebreus 13:1-4) (e. Quanto ao termo devassos (NIV diz “sexualmente imorais”) a palavra grega épom os. Temos aqui certo apoio paraatese proposta porT. a adúlteros (moichos). segundo a qual Hebreus fora escrito para uma comunidade influenciada pelo gnosticismo. W.. 1 Tm4:3). 12:16e 1 Corintios6:9. a mesma do Vale do Lico. Manson. Sem m ácula (amiantos) é a mesma palavra empregada em 7:26. R. tendo. pressuposições diferentes. Hughes utiliza este fato como apoio à sua teoria de que os leitores de Hebreus haviam sido influenciados pela perspectiva essênica. haviam adotado um tipo de ascetismo parecido com esse. como aqui. a fim de descrever a santidade de Cristo. cf. Os essênios. . 1 Pd 1:4. porém.g.

argumenta que não existe lugar para o medo quanto ao que o homem possj fazer contra o cristão. também Gn 28:15. No entanto. 13:6 / A citação foi tirada literalmente da LXX. porque sabiam "‘que tendes possessão superior e permanente” (10:34). Está bem clara a adequação deste lembrete para os . e reflete um apego impróprio a este m undo transitó­ rio. Lc 12:15). como acontece em relação a tantos ensinos éticos do Mestre. Essa m esma promessa. A citação que se inicia com as palavras pois ele mesmo disse foi tirada de Deuteronômio 31:6 (e de novo no v. mais vivida (“não te deixarei. Salmos 118:6. O autor de Hebreus. 8). Esta ênfase também deriva dos ensinos de Jesus (cf. M t 6:24-34. pela sua própria natureza. os leitores deverão ir além de sim plesmente estarem satisfeitos com o que têm. Tal declaração deve ter tido significado especial aos leitores da carta. onde os cristãos são exortados a perm anecer satisfeitos com o atendimento de suas necessida­ des básicas da vida). 1 Tm 6:6ss. nem te desampararei”). alterou a terceira pessoa do original (“ele não te deixará.0 nitor afirma a fidelidade do Senhor em todas as circunstâncias e. Este tem a tam bém é muito popular no Novo Testamento (cf. no entanto. por causa do que enfrentavam ou estavam prestes a enfrentar. indignas denossa fidelidade última. por isso mesmo. desse modo. Deus e seu propósito salvifico são imutáveis. A Segurança do Crente (Hebreus 13:5-6) Outra admoestação contra o amor do dinheiro induz o autor a uma declaração mais genérica acerca da segurança do crente.40. A avareza traz outros males consigo (1 Tm 6:9s. A inda que as possessões materiais. Devem depositar fé total na segurança que Deus provê.. 13:5 / A av areza (NIV diz “amor do dinheiro”) é um perigo a ser evitado por todos os que querem viver pela fé. No passado. ao suportar com alegria a perda de propriedades. Portanto.). os leitores haviam demonstrado uma atitude adequada. 1 Cr 28:20). estejam sujeitas a perdas esão. encontra-se na prim eira pessoa em Josué 1:5 (cf.” preferindo a prim eira pessoa. os leitores deverão estar contentes (contentando-vos) com o que têm. grafada com palavras ligeira­ m ente diferentes.

7:16. cf. 2). TDNT. e de que participam de um reino que não pode ser abalado (12:28).). Grundmann. que por sua vez segue de perto o original hebraico. em vez de ser indicação de dependên­ cia direta do autor de Hebreus. Tendo o S enhor com o seu auxílio os leitores podem enfrentar qualquer eventualidade que possa ameaçá-los. 10:1. Vejase W. onde Paulo enfatiza o mesmo ponto. é termo que também pode indicar “coragem. Notas Adicionais # 40 13:5/ A palavra grega que se traduziu pela palavra avareza (aphilargyros) só ocorre outra vez no Novo Testamento em 1 Timóteo 3:3.270 (Hebreus 13:5-6) leitores. onde Paulo se refere a crentes que estão sendo “perseguidos.” A citação do Antigo Testamento deste versículo concorda com exatidão com a citação que se encontra em Filo. A ênfase na alegria da pessoa com aquilo que possui no momento encontra paralelismo no ensino estóico sobre a auto-suficiência. On the Confiision ofTongues — Sobre a Confusão de Línguas. em 2 Coríntios (5:6. como no passado. O mesmo verbo que se traduziu por deixarei (enkaíaleipo) ocorre também em 2 Coríntios 4:9. 166. pp. Isto provavelmente reflete uma forma comum da citação da pregação helenísticajudaica. iharseõ). 25-27. 12:4). 3.” Ela ocorre em apenas mais uma passagem do Novo Testamento. mas não desamparados. mas até mesmo a perda da própria vida (cf. vol. 8. (A declaração de Paulo em Romanos 8:31 pode ser alusão à mesma passagem. A citação de Salmos 118:6 segue a LXX literalmente. O verbo traduzido por contentando-se (arkeo) ocorre em 1 Timóteo 6:8. de Filo 13:6 / Com confiança é tradução de um verbo grego (tharreo. recebem a certeza de que Deus está com eles.) . Paulo também exemplificou essa atitude em sua própria vida (veja-se Fp 4:1 1s. na lista de qualificações do presbítero. Se estes forem convocados não só para sofrer perdas pessoais.

” Sua obra de ontem. A constância de Jesus Cristo é a força motriz dos leitores. 11. A semelhança dos heróis do cap. por causa de sua obra do passado e do presente. Isto se tom a aparente não só a partir do contexto. e evitem os falsos ensinos. permaneceram fiéis às suas convicções ao longo de todas as dificuldades e más circunstâncias (talvez se incluam os eventos descri­ tos em 10:32-34). Não se propõe ser uma descrição da natureza transcendental e eterna de Jesus Cristo. a obra sacrificial e expiatória como sumo sacerdote. A ten tando p a ra o êxito da sua c a rre ir a não significa m artino (cf. É a própria base do cristianismo. Hoje a obra de Cristo prossegue. e até as eras. que proclam aram a p alav ra de Deus aos leitores. 0 Chamado para a Fidelidade e uma Advertência Contra os Falsos Ensinos (Hebreus 13:7-9) Acima de tudo os leitores de Hebreus são convocados para a fé. fora do tempo. Isto induz o autor a referir-se à Pessoa a quem antes ele descrevera com o “o autor e consumador da nossa fé” (12:2). O autor exorta seus leitores a que considerem o êxito daqueles guias (atentando p a ra o êxito d a sua c a rre ira).4 1 . como se istofora um adendo. 1 3:7/ Os guias a que este versículo se refere são os do passado (os guias atuais da comunidade são mencionados nos w . 17 e 24). mas simplesmente m anifestação de fidelidade. 6:12). A ênfase m aior desse versículo é que Jesus Cristo. cf. para que exerçam a fé. A fidelidade de Cristo no passado e no presente encontra contrapartida no fatura. àmlo direita do Pai (7:25. 12:4). Em outras palavras. o autor desafia seus leitores: im itailhes a fé (cf. segundo o pensamento platônico. 4:14-16). eram homens de fé. Ao colocar esses exemplos diante deles. na intercessão que ele faz pear nós. que o futuro dos leitores está em total segurança. 13:8 / Este versículo notável não tenciona representar Jesus em categorias abstratas. É verdade igualmente. foi exposta pelo autor de Hebreus com profundidade. literal­ mente: “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo. é infinitamente capaz de satisfazer todas as necessidades de todos os cristãos. . mas também pela estrutura do próprio versículo que diz.

que as doutrinas são descritas neste versículo como sendo estranhas. As leis dietéticas nenhum significado têm. 7:24). aos que com eles se preocuparam. Os que obedecem a tais regras de alimentos. quanto a poderem viver a vida de fé. confiar no Senhor. portanto. 10). Rm 14:17. E mais provável que aqui. Paulo assume uma atitude semelhante a esta a respeito de ensinos sobre conudas (cf. pp . mas da graça. como no versículo 4. isto e. nada mais. os leitores não devem deixar-se extraviar por tais ensinos. O argumento é semelhante aqui. O autor de Hebreus já advogou o caráter transitório das leis dietéticas do judaísm o (9:10). ou do sincretismo religioso genérico da época (talvez algo que envolvesse a participação em sacrifícios.. v. 13:9 / A constância de Jesus Cristo por si só p o n a os leitores em estado de alerta contra as doutrinas várias e estranhas pelas quais poderiam extraviar-se (não vos deixeis envolver por elas). Ele quer que seus leitores rejeitem certos ensinos a respeito de alimentos (N IV acrescenta a palavra interpretativa “cerimoniais”). considerando que há alegações de que tais alimentos têm algo que ver com o bem -estar espiritual dos cristãos. vol. seja qual for sua natureza. cf. aqui e no v 17 e 24 (hêgoum enoi . TDNT. o autor esteja condenando certos ensinos derivados da influência do primitivo gnosticismo judaico. Por isso. Compare-se com Colossenses 2:16. o qual ocorre também em passa­ gens como Lucas 22:26 e Atos 15:22. Visto. A seguir. Notas Adkm ais # 41 13:7 / Há um substanUvo participial traduzido por guias. e viver segundo o evangelho. para terem o poder para fazer a vontade de Deus.272 (Hebreus J 3:7-9) quando o Senhor voltar a fim de consumar os propósitos salvificos de Deus (9:28). derivado de hêgeom ai). parece improvável que o que o autor tem em vista sejam as restrições e leis dietéticas do judaísm o no atual contexto. Basta-lhes a graça. Veja-se F Büchsel. o autor da carta especifica o que ele tem em mente. 2. os leitores podem. nenhum proveito tiraram (NIV volta a expres­ sar tal idéia com as palavras alimentos que não trouxeram proveito). 1 Co 8:8). 1 Timóteo 4:3ss.” (lit. porém. O poder do cristão não advém do fato de esse cristão participar ou deixar de participar de certos alimentos. de modo que “comeram tais alimentos. “os que estão caminhando neles”). A fidelidade de Jesus Cristo é imutável (cf.

trazida pelos antigos “guias” mencionados no versículo anterior. 2 Coríntios 1:21. 11:1. 28). ou se se refira simplesmente à provisão de Cristo. ocorre freqüentemente em Hebreus (cf. 11. pode significar “o fim de” no sentido de morte.” BAGD. Q uantoaum uso paralelo do verbo grego que significa “fortalecer” (bebaioo). que pode significar “observar” num sentido literal (como em At 17 :23.Tt 1:9). 6:3s.” Há outra ocorrência. A frase grega traduzida pelo advérbio eternamente (eis tous aionas. 642-45 A noção de “se preocuparam” [p trip a te o ) .” A palavra grega traduzida por “êxito” (ekbasis). 237s. A expressão “a palavra de Deus” (ho logos tou theou) também ocorre em 4:12. Ap 1: 17s. e e a ultima.. 1 Tm 4:16. como o Senhor fez quanto aos guias antigos Todavia. que ressoa muito como uma declaração doutrinária de credo formal de peso. Lembrai-vos (segundo NIV e ECA) é tradução do verbo anatheõreõ. veja-se 1 Coríntios 1:8. 13:8 / É discutível se ontem se refira à obra do Cristo encarnado. p. vol.pp.” Veja-se BAGD.. 5:6. Behm. 13:9 / A preocupação a respeito dos perigos dos falsos ensinos tem grande preeminência nas epístolas pastorais do Novo Testamento (cf. A palavra ontem (echthes) pode ser usada com o sentido de “o passado como um todo. l. 3. Veja-se acima. /ejase J. mas aqui significa “ótimos resultados. p. pp. Os antigos guias de sua comunidade exibiram o mesmo tipo de compromisso para com a realidade do invisível. algo queja se expressou na citação do SI 102eem 1:12: “Tu és o mesmo. 331. no Novo Testamento. com o significado de “considerai. “Modo de vida” ou sua carreira é tradução de anastrophe. mas é empregada aqui em sentido figurado. (Em Hb 2:3 o mesmo verbo é empregado num sentido diferente.) Quanto ao coração como o centro da vida religiosa. “para as eras”).(Hebreus 13:7-9) 273 907-9 E possível q ue gu ias fosse referência aos fundadores desta comunidade de crentes descrita em 2:3: “confirmada pelos que aouviram. Quanto a alimentos (brõma ). Aqui é equivalente ao evangelho. faz que provavelmente signifique muito mais do que isso. 6:20. vol. O versículo atual pressupõe o caráter etemo de Jesus como Filho de Deus. 608-14. Quanto a graça (charis\ veja-se a nota sobre 4:16. em 1 Coríntios 10:13. palavra comum do Novo Testamento que significa “conduta” ou “comportamento ” A referência à fé (pistis) chama a atenção dos leitores de volta para o cap. lit. a segunda e última ocorrência dessa palavra no Novo Testamento). 7:17. a estrutura deste versículo. ele proverá a todos os leitores de tudo que lhes for necessário. TDNT. mas num sentido diferente.). 24.” O tempo aoristo do verbo traduzido por falaram (laleo) aponta com clareza para uma ação completa no passado. e os teus anos não acabarão” (cf. TDNT. Certamente os leitores devem interpretar esse termo assim: por causa da constância de Cristo. 21. veja-se J Behm. onde significa “escape.

de modo especial quando se fala de atender as estipu­ lações da lei. . no sentido de “conduta”.274 (Hebreus 13:7-9) vê-se com freqüência em textos hebraicos como linguagem figurada.

13:10-11/0 autor da carta volta a um tema familiar: o relacionamento tipológico entre o ritual sacrificial do sacerdócio levítico. Este argumento. são queim ados fora do a rra ia l (veja-se Lv 4:21: 16:27). 13. o cnstão depende apenas da graça. e de todas as regras dietéticas. Isto é verdade a respeito dos sacerdotes e do sumo sacerdote. mas por implicação é verdade a respeito de todos quantos participam da obra que realizam. Assim como os sacerdotes não podiam comer a carne desses animais sacrificiais. isto é. Por isso. N esta notabilissima passagem o autor recapitula outros argumentos e enfatiza os resultados práticos dessas verdades na vida de seus leitores. da obra de Cristo. À semelhança dos sacerdotes.42. induzirá ao apelo a que ojudaísmo seja deixado paia trás. da m esm a form a não podiam participar do sacrifício que realizavam como profecia: Não têm o d ireito de com er do tabernáculo (lit. dentro da estrutura do antigo sistema. os sacerdotes não podiam participar do cumprimento trazido pelo sacrifício de Cristo. Seu primeiro ponto aqui é que os que prosseguem na prática do sistema sacrificial obsoleto não podem participar do sacrifício verdadeiro e final. prontidão para sofrer abusos da mesma forma que Cristo os sofreu. Este sacrifício definitivo deve produzir uma reação apropriada: No primeiro caso. Este ponto é confirmado tipologicamente em que os corpos daqueles anim ais cujo sangue é trazido p a ra d en tro do santo lu g ar pelo sum o sacerd o te como oferta pelo pecado. “tenda”). no v. os leitores ficariam excluídos da participação do altar. . 0 Sacrifício de Cristo e os Sacrifícios Espirituais dos Cristãos (Hebreus 13:10-16) A obra sacrificial de Cristo colocou o cristão em nova posição privile­ giada. Em outras palavras. com o sentido de participar dos benefícios do sacrifício de Cristo. e o sacrifício definitivo de Cristo. prontidão para servir aos outros. ele se livrou da lei de Moisés. mas no segundo plano. O verbo com er aqui com toda certeza deve ser interpretado em sentido figurado. Agora. para os leitores. o retomo ao judaísmo significaria a anulação de todos os benefícios da obra de Cristo.

12:3). Assim.276 (Hebreus 13:10-16) 13:12-13 / A referência aos “corpos” dos animais sacrificiais. os leitores são convocados a que resistam à perseguição que lhes sobrevirá. 13:14 \ Outra forma de o autor expressar esse tipo de compromisso que deseja seja feito pelos seus leitores. caso permaneçam no judaísm o da Jerusalém literal (cf. O autor da carta desperta seus leitores para estas form as espirituais. 11:1). que mediante o cumprimento trazido pela obra completa de Cristo.g. A crucificação — o cumprimento dos sacrifícios do Antigo Testam ento pelo qual o Senhor santificou o povo pelo seu próprio sangue — ocorreu fora dos portões da cidade (Jo 19:20. Todavia. 4:11. “a cidade que tem fundamentos” (11:10. 6:4ss. cf. 2 C r 29:31). os leitores não participarão da Jerusalém celestial. e de todos os cristãos. pois. No entanto. sim bólica do templo e dos sacrifícios levíticos. “fora do arraial. Jesus padeceu fora da porta. usando linguagem do Antigo Testamento. pois. ainda que a “escatologia realizada” (veja-se o comentá­ rio sobre 9:11) seja um a realidade do presente momento. de modo sem elhante ao dos heróis da fé. 10). a cidade perm anente. É certo.. cf. a Jerusalém celestial (12:22). 13:15-16 / H á certas formas de sacrifícios — os de ordem espiritual. a im portância da Jerusalém literal. Em outras palavras. é o sacrifício de louvor. no entanto. M t 21:39). é mediante a ênfase no caráter transitório de todas as cidades terrenas: Pois não temos aqui cidade perm anente. 3:12. na exortação do autor para que saiam os. deve ceder lugar à importância da Jerusalém celestial. os leitores devem ser controlados pelo invisível. Por implicação.g. pela realidade futura (cf. Esta analogia recebe uma aplicação dirigida aos leitores. expresso ao longo de toda a obra (e.. O prim eiro sacrifício espiritual que ele menciona. os leitores procuram uma cidade duradoura.. 2:1. 10:35. À semelhança de Abraão. Trata-se de um a expressão que é usada algumas vezes no Antigo Testam ento a fim de indicar uma categoria particular de sacnfício literal (e. não os literais — que ainda agradam a Deus. uma repetição da declaração sobre o interesse do autor da carta pelos seus leitores. pelo fato de permanece­ rem fum es na fé cnstã. que seriam “queim ados” longe. 11:16). aeraescatológica em seu sentido m ais estrito permanece expectativa do futuro. Esta exortação é.” leva-nos a outro paralelo tipológico interessante. v. em certo sentido já chegaram a essa cidade. a ele [a Jesus] fo ra do a rra ia l. que também se torna figura de linguagem que significa .

Mas era precisamente a oferta pelo pecado (cf. Vejam-se os comentários sobre 9:14 quanto ao . de que. 7. SI 50:14. sendo depois definido como o fruto de lábios que confessam o seu nome. 9:8s.(Hebreus 13:10-16) 277 coração cheio de gratidão (e. em 8:4s. 10 faça alusão a Eucaristia. Gn 14:18). mas dificilmente provável. Este texto fez com que alguns comentaristas pensassem que os leitores fossem sacerdotes convertidos ao cristianismo (cf. Os leitores não deveriam esquecer-se jam ais dessas virtudes cristãs co­ muns.. estavam preocupados com os preparativos. esp.” Neste exemplo. ou Ceia do Senhor. 10:18). ao referir-se à história de Melquisedeque. o autor da carta jamais faz menção clara à Eucaristia (poderia tè-lo feito. soaria estranha.. Altar (th ysia stirio n ) é palavra usada de modo figurado.. pois. 21. em 7:13. “The Eucharist and the Epistle to the Hebrews” — A Eucaristia e a Carta aos Hebreus— NTS 21 (1975). Há. 300-312. É muito mais provável que a referência a “alimentos” no versículo anterior trouxesse à memória do autor o fato de os sacerdotes. os não-cnstãos não podiam participar.). embora tivessem permissão para comer da maior parte dos animais sacrificados (cf.cf. todavia. outros sacrifícios de que Deus se agrada. e a linguagem do altar (fica implícito o sacrifício). trata-se de especulação que deve permanecer assim. Notas Adicionais # 42 13:10-11 / E possível. empregada com referência ao altar literal do templo.” ou “tenda” foi erapregad? anteriormente. não tinham permissão para comer da oferta pelo pecado no Dia da Expiação (Ex 29:14. e não com o cumprimento. altamente especulativa. Williamson. pp. numa alusão à Eucaristia. o original traz literalmente o pronome). representantes da antiga aliança. 12) que era proibida aos sacerdotes. 16:27). aqui. que constituem contrapartidas espirituais dos sacrifícios toscos realizados sob a antiga aliança. No entanto. repartir com outros. Dentre estes estão certas atividades como fazer o bem e. que o v. o sacrifício de louvor que vem em prim eiro lugar é a fidelidade dos leitores à sua confissão cristã. 1 Cr 9:13. visto que a discussão ter-se-ia tomado incompreensível para os convertidos judeus co­ muns. A fidelidade a Deus deve m anifestar-se desta maneira. no cap. no entanto. Lv 4:1 ls. At 6:7).. Vejase R. Este sacrifício contínuo deve ser feito por meio dele (Jesus. Só dessa maneira poderão demonstrar gratidão a Deus pelo que o Senhor tem feito. v. e claro. yndo termo comum do Novo Testamento.23). e não mediante o sacrifício de animais (cf.g. pelo menos nesta epoca primeva. por exemplo. A tradução de Barclay é apropriada: “os quais afirmam de público que têm fé nele. A expressão “tabernáculo.

N. usualmente com o sentido de purificar do pecado. para os leitores da carta. 10:30). e num único dia do ano (veja-se 9:7). 13:14/ Quanto à importânciaeao contexto dapalavra cidade (p o lis X vejase a nota sobre 11:10. no recinto do templo. Thompson.. pode significar deixar a proteção do judaísmo como religião legal no Impéno Romano. 16-23. “We Have an Altar. Snell.” — Temos um Altar. bem como a irrelevância dos sacrifícios realizados no templo. 12. Quanto a uma referência na carta ao abuso físico e moral inflingido em Cristo. 921 s. Este fato por si sugere a separação existente entre o cristianismo e o judaísmo. vol. 9:26. 11 foi tirado da LXX. Veja-se a nota sobre 2:11. pp. Santo lugar é tradução de ECA de ta hagia (lit. TDNT. NIV prefere “Lugar Santíssimo”). Esta referência a uma cidade permanente pode ter a . fora do arraial. veja-se a nota sobre 9:7. Jeremias. 13:12-13 / A palavra traduzida por padeceu (paschõ) também e usada no Novo Testamento para referir-se à morte de Jesus (cf. Quanto à importância de sangue. Fora do arraial é referência a qualquer lugar não consagrado e santificado. pp. 299-315 e J. foram tiradas de Levítico 16:27. “Outside the Camp: Hebrews 13:9-14” — Fora do Arraial: Hebreus 13:9-14 — HTR 55 (1962). 53-63. Direito é tradução de exousia (“autoridade”). ou fazer expiação. não era executado em solo sagrado. As palavras fora do arraial. Vejase a nota sobre 9:26 Fora da porta é equivalente a fora do arraial E claro que fora da porta significava do lado de fora do muro. Koester. Grande parte do palavreado do v. Assim. Praticamente a mesma expressão ocorre em 11 26 (veja-se a nota) na descrição da fé evidenciada em Moisés. veja-se 12:2. ReJThR 23 (1964). Levítico 16:27. para o qual o sacrifício do dia da expiação apontava. Quanto ao emprego desta expressão para referir-se ao Santo dos Santos. Veja-se A. como no v. “Outside the Camp: A Study of Hebrews 13:9-14” — Fora do Arraial: Um Estudo de Hebreus 13:9-14 — CBO 40 (1978). mas fora da cidade santa. 11. em Hebreus. permanecer leal à profissão de fé no cristianismo significava “levar o seu opróbrio” (oneidism os ). 8:10. 25 Só o sumo sacerdote podia trazer o sangue sacrificial ao santo lugar. que ocorre com certa freqüencia em Hebreus. palavra muito comum do Novo Testamento que se encontra só aqui. A afirmação do cristianismo significava total exposição à persegui­ ção Por isso. 1 Pd 3:18). vejam-se as notas sobre 9:8. pp. Os verbos no tempo presente podem dar indício da existência do templo e seu ritual à época em que o autor escreve. 6. o verdadeiro sacrifício pelo pecado. Vejase J. O arraial (paremboíê) refere-se ao acampamento de Israel nômade.278 (Hebreus 13:10-16) verbo “servir” (latreuõ) e as notas sobre 8:2 quanto a “tenda” ou tabernáculo no deserto. “os santos”. O povo (laos ) é referência ao povo da nova aliança (cf. Esta convocação para “sair”na direção de Jesus crucificado. Santificar é tradução do verbo grego hagtazo. Veja-se H. pp.

Um exemplo temo-lo em 1 Pedro 2:5: “Vós também. Is 57:19). que encontramos com tanta freqüência em Hebreus. A aplicação espiritual dessa linguagem do culto sacrificial. à semelhança da linguagem do versículo anterior.(Hebreus 13:10-16) 279 intenção de lembrar os leitores do argumento apresentado em 12:27s. Mt 10:32 e Lc 12:8) Veja-se O.g. Os 14:2. 1QS 9 . aceitáveis a Deus por Jesus Cristo. Isto se assemelha a passagens nos evangelhos em que o que se confessa vem precedido da preposição en (“em”) no dativo (e. pp.” A expressão o fruto de lábios. Repartir com outros é tradução de um substantivo comum no Novo Testa­ mento que significa “comunhão fraternal” ou “compartilhamento” (koinonia). o que é atestado em Qumran (veja-se 1QH 1.g.. Paulo emprega uma linguagem semelhante à d e Hebreus em Filipenses 4:18 em que ele se refere a uma oferta trazida por Epafrodito. 13:21). primeira mão). Quanto a este emprego em sentido figurado da palavra “sacrifício. pp. e assim escreve: “Recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado. como pedras vivas.” veja-se J. euaresteo) encontra-se várias vezes nesta carta (11:5s. sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo. O substantivo grego traduzido por fazer o bem (eupoiia) ocorre apenas aqui na Bíblia grega. TDNT. é comum no Novo Testamen­ to. vol. como cheiro suave. 13:15-16/Alguns manuscritos importantes (e. p.28. 180-90. 12:28.Sinaiticus. TDNT. Houve emprego contemporâneo desta frase. a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais. TCGNT.P46. . Mt 9:13). Veja-se Metzger. omitem portanto (oun). A idéia de algo ser agradável a Deus (Deus se agrada. Após a palavra confessam. O verbo buscamos (epizeleó) ocorre em apenas meus uma passagem de Hebreus. vol. 676. talvez por acidente. como sacrifício agradável e aprazível a Deus” (cf. 5. onde ele descreve os heróis e heroínas do Antigo Testamento: “claramente mostram que estão buscando uma pátria [celestial]” (11:14). cf. é tirada do Antigo Testamento (cf. o autor da carta escreve o seu nome no caso dativo. 3. que em Hebreus só se encontra aqui.4 s).. Michel. 207-12. Behm.

O ponto central aqui é que os leitores deverão ser obedientes e submissos diante da autoridade de seus guias. a que obedeçam: obedecei a vossos guias e subm etei-vos a eles.43. Na verdade. Devem reconhecer a responsabilidade que foi colocada sobre seus ombros. O autor cuida do assunto com muita seriedade. Eles velam por vossas almas. 19). A insubmissão perante os líderes jam ais beneficiará os leitores da carta. com o líderes. cf. com o se fora um de seus líderes. 18 provavelmente é retórico em vez de literal. em questões que talvez estejam tendo efeitos negativos sobre os leitores. A declaração a respeito de uma boa consciência im plica em critica do autor da carta nesta ou naquela área da vida — critica de que os leitores tomaram conhecimento.). Mas a obediência aos guias espirituais não tem meramente o objetivo de tom ar o trabalho deles mais fácil. o cumprimento do objetivo que Deus estabeleceu para eles. a implicação desta declaração um tanto esm aecida é que a desobediência e a insubordinação significam pengo para os leitores. no cumprimento de seus deveres. entendemos que o autor tem estado diretamente relacionado com os leitores. em face da inclinação que demonstram para abandonar a fé cristã e voltar ao judaísm o A obediência a seus líderes lhes assegurará um a chegada segura ao destino. como quem há de p re s ta r contas. A Obediência aas Cuias da Igreja e um Pedido de Oracão (Hebreus 13:17-19) N esta exortação final. O pedido e a referência ao relacionamento do autor para com os leitores dão a este impressionante documento teológico o caráter de carta. v. Visto que este pedido chega sem transição alguma. a primeira informação pessoal a respeito do autor da carta. agora. 1 3 :1 8 -1 9 /0 autor agora solicita orações para si mesmo (o plural no v. que se dá mediante um pedido específico de oração. que tem um significado especial para aqueles leitores em particular. os leitores são convocados para obedecer a seus líderes — tema bastante comum no Novo Testamento. 1 3 : 1 7 / 0 autor da carta exorta seus leitores. então. . de tal modo que o façam com alegria e não gemendo (lit. Segue-se.

na verdade. a menos que tenha toda confiança quanto a ser liberto de imediato. quanto à sua própria motivação. A tradução de NIV. cf. A perspectiva aqui. assim como essa palavra e utilizada em 6:19 e 10:39 (veja-se a nota sobre esta última passagem). O verbo agrypneo. desejando em todas as coisas portar-nos corretamente. ou “convencidos. Ez3:17-21.” Por alguma razão parece que o autor da carta tem sido impedido de voltar à comunidade dos seus leitores. em seu fervoroso pedido de oração para que venha a ser restituído à companhia deles. Notas Adicionais # 43 13: l"7 Esta referência à obediência aos guias atuais (hegoumenou) traz à lembrança o desafio de “imitar a fé” dos antigos líderes (13:7. ao pedido específico do versículo 19? Isto poderia ter sido sugerido pela redação dessa passagem.(Hebreus 13:17-19) 281 como podemos perceber pela sua linguagem: Estamos persuadidos. Fica aparente o relacionamento especial do autor da carta com seus leitores. Parece que a crítica aqui envolve a conduta. é pena que só possamos especular a respeito das circunstâncias que estão em mira. Lc 16:2). sugere constante vigilância. o substantivo cognato que se refere literalmente a “noites insones” em 2 Corintios 11:27. “não sena vantajoso” é menos precisa que ECA: isso nào vos seria útil. 23. Estaria esta declaração relacionada.” Esta declaração vem precedida de “visto que. o cuidado de todas as igrejas” (cf. Assim. Lc 21:36. A responsabilidade da mordomia colocada sobre os líderes étema familiar naBíblia(cf. Ef 6 :18.6:5). que as pessoas estejam alertas (cf. veja-se a nota ali). que é a tradução do termo clássico alysiteles (“sem proveito algum”). Seu grande anseio é estar logo entre seus irmãos. por exemplo. Esta éa única ocorrênciado verbo “gemer” (stenazo) em Hebreus.) A tradução de NIV. que assim façais para que eu mais depressa vos seja restituído. A luz do v. Fica bem claro que ele enfrenta uma dificuldade qual­ quer.” no original grego. em vez de a doutrina (ainda que ambas estejam sempre inter-relacionadas). é muito sem elhanteàde Paulo em 2 Conntios 11:28 “Há o que diariamente pesa sobre mim. em todo o Novo Testamento. Quanto o autor expressa seu desejo. 1 Ts 2:19s. O verbo que se traduziu por submetei-vos (hypeikõ) ocorre apenas aqui. que ressalta apropriadamente o sentido mais amplo da pessoa integral. o autor dá segurança a seus leitores. que na Bíblia grega ocorre só nesta . com instância. “eles velam por vós” não é melhor do que a de ECA Eles velam por vossas almas (psychê ). “Rogo-vos. eles velam por. provavelmente não se trata de prisão.

como aqui (e. GNB. em Hebreus. Cl 4:3). . 13:18-19 / Aqui. NEB. mas com osadjetivosaga//7e.” em vez dekale. Rm 15:30. “boa”. depois de um pedido de oração. 2 Tm 1:3. E f 6:19.F. Quanto a palavra consciência. veja-se a nota sobre 9:9. em certa passagem. NASB e JB concordam com NIV).282 (Hebreus I S : 17-19) passagem. O verbo rogo-vos (parakaleo) ocorre com esse mesmo sentido no v. que os leitores teriam sido tentados a abandonar.. Uma passagem muito semelhante a esta encontra-se em 2 Co 1:12. veja-se 1 Coríntios 16:16 e 1 Tessalonicenses 5:12s. quanto à palavra usada com sentido diferente). Bruce especula que os líderes pertenciam a uma comunidade cristã maior. em que Paulo. NIV traz “de todas as maneiras” enquanto ECA prefere em todas as coisas. Quanto a passagens paralelas que envolvem um chamado à obediência aos líderes da igreja em geral.2 Co 1:11 s. 22 (cf 3:13 e 10:25. E claro que é possível que esta exortação implique em ter havido alguma insubordinação em particular. O verbo traduzido por vos seja restituído (apokathistemi) ocorre apenas aqui. “uma boa consciência” encontra-se várias vezes no Novo Testamento. que teria chegado ao conhe­ cimento do autor da carta (seria 10:25 relevante?) F. fala de sua consciência tranqüila. como tradução de en pasm . mas KJV. que também se pode traduzir por “em todas as épocas” (cf. 21).g. “pura. 1 Tm 1:19. At 23:1. O pedido de orações a respeito de necessidades pessoais naturalmente é usual nas cartas paulinas (cf.. o autor da carta escreve de modo bem semelhante ao de Paulo. 3:9. A expressão. 1 Pd 3:16. ou kathara.

44. naturalmente. as últim as palavras do v. 2 Ts 3:16). Uma Oração Final (Hebreus 13:20-21) A carta encerra-se com uma linda oração. Para nosso autor.. Rm 15:33. linguagem que encontra paralelo no Novo T estamento na referência ao “Sumo P astor” em 1 Pedro 5:4 (cf. um pouco antes da primeira petição.g. 13:20-21 / A oração é dirigida ao Deus da paz. e notam os profundos interesses pastorais do coração do autor. constuitui surpreendentemente a única menção explícita da ressurreição de Jesus em toda a carta (embora. Jerem ias 32:40 e Ezcquias 37:26. a ressurreição seja pressuposta nas referências à ascenção. eis um a fórm ula com um nas cartas paulinas (e. e as palavras de Jesus em João 10:11 (cf. frato se da “aliança superior” (“m elhor”) de que Cristo se tom ou m ediador (c£ . 20). Pelo sangue da aliança etern a é frase lapidar que num relance faz alusão à descrição detalhada. 2 Co 13:11. Mc 14:27). precisa-se de certeza de que a nova aliança é definitiva. numa posição enfática. na qual o autor m enciona um a série de tem as-chaves discutidos no texto.. Is 6 3 :11). 7 . Apresenta um impacto poderoso que deixa m arca em todos quanto lêem a carta. “pastor de ovelhas” de LXX. ainda que no original grego a frase a nosso Senhor Jesus não ocorra senão no fim do período (i. e não m era realidade transitória. Esta referência de passagem. tão importantes para o autor da carta). 16:20. do sentido sacrificial da morte de Cristo (caps. no meio de um chamado a Deus em oração. 1 Ts 5:23.9-10) e do argumento poderoso que a acom panha. Fp 4:9. É que se a antiga aliança cedeu lugar à nova. a no v a afiança estabelecida por Cristo não é outra senão a “aliança eterna” de que os profetas falam em Isaías 55:3. feita anteriormente. O autor dirige-se a Deus também como aquele que ressuscitou a Jesus d en tre os m ortos.e. Isto não significa que negarem os a linguagem do Antigo Testam ento que se utiliza aqui. As palavras que formam o objeto imediato de to rn o u a tra z e r d e n tre os m ortos são o g ra n d e p asto r das ovelhas. É oração notável pela sua beleza e pelo seu escopo abrangente. acerca da inauguração de uma nova aliança (7:22-8:13). O autor escolheu o adjetivo e tern a deliberadamente.

). Jd 25)..g. a qual também se baseia. aié certo ponto. A luz do tratado. são dirigidas a Cristo (e. O bserve-se que o agente dessa atividade de Deus em nós está bem expressa: p o r meio de Jesu s C risto. E f 3:21. e com o conceito de uma alian ça e te rn a podemos relembrar a “redenção eterna” m encionada em 9:12. a que o autor agora acrescenta uns toques finais. a Cristologia que serve de fundamento para a exposição do evangelho nos capítulos seguintes. possivelmente 1 Pd 4:11. Fp 4:20. Esta doxologia funciona como um final apoteótico. na verdade. e louvor. G1 1:5. A m udança para a prim eira pessoa do plural. . A maioria dos manuscritos posteriores acrescentam a palavra “obra” ás palavras toda a boa. É espantoso que ao mesmo tempo o Senhor esteja operando (lit. uma petição principal e outras subsidiárias. pela carta toda (cf. 16:27. 2 Pd 3:18.F. “fazendo”) em vós o que peran te ele é agradável. ininteligível. 7:22).g. com grande sensibilidade.284 (Hebreus 13:20-21) 7:22. venha agora atender às necessidades de seu povo. um apelo aos mentos da obra de Cristo. 1 Tm 1:17. e Deus opera sua vontade em nós. contém uma invocação. esta doxologia dirigida aC risto é ao mesmo tempo comovente. Bruce observa que a estrutura desta doxologia tem todos os elementos de uma oração: expressa-se na terceira pessoa. e só algumas. em temas expostos nessa carta. como a que temos diante de nós. com seus leitores. encontra-se um pronome da terceira pessoa. F. antes de fazerdes. a passagem nos faz lembrar de Filipenses 2:12s. na verdade é a única resposta adequada a petições tão maravilhosas. No que os leitores são convocados para fazer a vontade de Deus. o clím ax que corresponde à exaltada Cristologia estabelecida no capítulo de abertura da carta. Ainda que o amém seja próprio de fórmula. que já operou tanto. finalizando com amém. dando-lhe tudo: que vos aperfeiçoe em toda a boa ob ra. A maior parte das doxologias do Novo Testamento dingem-se a Deus (e. 8:6s. Rm 11:36. que é. no original grego (não aparece em ECA) parece indicar que o autor se identifica.. nesses versículos. Isto fica em total harm onia com a perspectiva de Cristo e sua obra. Notas Adicionais # 44 13:20-21 \ Esta oração e doxologia finais têm alguma semelhança com a doxologia no final de Romanos (16:25-27).. Há algumas vanantes textuais de menor importância. A petição na realidade é que o grandioso Deus. Ap 1:6). p a ra fazerdes a sua vontade (NTV diz: “tudo que for bom para fazerdes sua vontade”). uma cláusula adjetiva apontando a base sobre a qual repousa a petição.

” depois de para todo o sem pre. Quanto a aliança (diatheke). que Deus é a Pessoa que age.” veja-se Zacarias 9:11. nestes versículos. o antecedente mais próximo do pronome ao qual é Jesus Cristo. TCGNT. visto que o texto permite certa ambigüidade. Isaías 63 :11. 676s. Quanto à expressão “sangue da aliança. todavia. e alguns manuscritos omitem a palavra “eternamente. como o grande pastor que derramou seu sangue. diz: “que é o Grande Pastor das ovelhas. de modo que o texto mais curto deve ser preferível. Os comentaristas diferem entre si sobre se esta doxologia se dirige a Deus ou a Cristo. 15. provavelmente a versão mais curta deve ser a preferível. p. Quanto a estas variações textuais. descrito como o pastor das ovelhas. Os leitores são convocados para fazer a vontade (thelema) de Deus em 10:36. de modo que concorde com os pronomes anteriores. pelo que Jesus assume importância extraordinária. na segunda pessoa. alguns manuscritos harmonizam o pronome oblíquo da primei­ ra pessoa nos. acidental. Considerando que as doxologias em geral são dirigidas a Deus. onde se refere a “bens” da ordem escatológica inaugurada pela obra perfeita de Cristo. 1. Por isso. da parte do escriba). A frase pelo sangue da aliança eterna provavelmente modifica tornou a trazer d en tre os mortos conforme o temos em NIV e ECA. Boa (agathon) também é empregada de modo absoluto em 9:11 e 10:1 (no grego). cf. veja-se a nota sobre 7:22. nos escritos do Novo Testamento. que em NIV e ECA são posteriores. no texto grego.(Hebreus 13:20-21)- 285 em alguns manuscritos. e é o objeto do louvor. que “os fez subir do mar ” Esta e a única ocorrência das palavras pastor (poimen) e ovelhas (probaton) em Hebreus. 16. Além disso. repetição errônea. Mas no texto grego aquela frase tambem pode ser tomada como modificadora das palavras anteriores. o autor da cartapresumeadeidadedeCnstonocap. no final dadoxologia. em que Moisés. . e mais ainda.e. como resultado de sua morte sacrificial”. veja-se Metzger. como o fato de no grego.” no v. mas anago (que é empregada a respeito de Cristo em Rm 10:7). poderíamos concluir que é a Deus que se dirige esta doxologia Há. outras realidades mais convincentes. tomando possível a aliança e seus dons aos crentes. aqui há uma oração para que os leitores sejam equipados de modo apropriado para cumprirem essa vontade divina O que perante ele é agradável reflete uma expressão semítica. o grande pastor das ovelhas. cujo sentido (sinônimo) seria: “os sacrifícios que agradam a Deus. JB). talvez por sugestão da LXX. atraduçãodeNIVeECA parecem justificáveis (bem como as de GNB. (GNB. O verbo traduzido por tornou a trazer (ou “ressuscitou”) não é palavra usual do Novo Testamento grego (egeiró ou anistemi). como em ECA e NIV. por exemplo. que os leitores sãojudeus cristãos.. talvez como resultado de ditografia (i. NEB e JB). no v.

12. frase aceita de modo geral como boa caracterização da obra como um todo. ainda que lhes pareça longo e difícil. um a série de exortações. ficando a implicação que ele poderia ter elaborado estas questões em longas dissertações. E provável (não se tem certeza) que esse Timóteo seja o discípulo de Paulo. 13:22 / Primeiramente o autor acrescenta uma nota a seus leitores. Ele observa mais ainda. ou “que ouçais atentamente”) as coisas que ele escreveu. o autor tem ainda mais algumas palavras a seus leitores. 10:19). . como quase sempre acontece nas cartas do Novo Testamento. a quem conhecemos pelos demais escritos do Novo Testamento. Como vimos. em preocu­ pações ou aplicações práticas. 13:23 / Os leitores são informados agora (sabei) de que o irmão Timóteo já está solto. foi liberto “da prisão. envoltos. Posfácio e Bênção Final (Hebreus 13:22-25) Em bora a carta tenha terminado com uma oração final. Em nenhuma parte do Novo Testamento existe registro da pnsão de Timóteo.” Solto poderia significar um tipo diferente de libertação espiritual. isto é. No entretempo. apela para a atenção dos leitores: que exam inem o documento importante que lhes está enviando. a restrição em 9:5b e 11:32). sem que haja certeza absoluta. porém. Também é provável. Parece que este Timóteo é bem conhecido e estimado entre os leitores. 3:1. É certo que estas exortações se baseiam em argumentos teológicos sólidos. O autor da carta fez nessa obra algo que ele exorta seus leitores a fazerem: “admoestemo-nos uns aos outros” (10:25). Hebreus é. Onde Timóteo poderia ter estado preso. um a espécie de sermão escrito. a quem ele de novo chama de irm ãos (cf. seguidos de uma saudação e bênção final.45. A seguir ele descreve sua carta como sendo esta p alav ra de exortação. que escreveu resum idam ente (NIV diz “apenas uma breve carta”). em essência. não o sabemos. e o faria quando a ocasião se apresentasse (cf. e exorta-os a suportar (q u e suporteis. que a mensagem a respeito de Timóteo é que ele já está solto. Outra vez obtemos alguns fragmentos de inform ações que nos deixam perplexos.

a cidade onde estão os leitores. aos cnstãos em outra parte. suas saudações estendem-se a todos os santos. O autor apresenta uma saudação especial aos leitores da parte dos da Itália. 2 Ts 3:17). além dos leitores. A referência a todos pode sugerir as pessoas pertencentes a uma com unidade eclesiástica mais ampla. 19 0 verbo traduzido por suporteis . na Itália. 13:25 / As últimas palavras de uma carta em geral constituem um a bênção breve. pena para escrever. caso houvesse ditado a carta a um escriba ou secretário. mas não se pode ter nenhum a certeza quanto a isto. e de toda mensagem dada à igreja pelos seus pregadores e porta-vozes — inclusive esta carta de exortação. embora Roma ou Éfeso sejam cidades prováveis. as saudações poderiam ter sido enviadas de italianos. 01 6 :1 1. Caso soubéssemos. e o acompanhe numa visita à igreja. O autor expressa sua esperança de que Timóteo possa encontrar-se com ele logo. ou poderiam ter sido enviadas de italianos que morassem noutro país. Notas Adicionas # 4 5 13:22 / É possivel que. no sentido de respeitarem seus guias e a eles se submeterem (v. é lógico que esta dúvida deixaria de existir. não podem os determ inar as coisas com certeza. dos santos daquele país. Todavia. o propno autor tenha apanhado t. como esta. sem sombra de dúvida. Este costume é muitas vezes evidente nas cartas de Paulo (cf. Cl 4:18. palavra que representa a quintes­ sência do evangelho cristão. A palavra determinante é g raça (ch a n s). a judeus cristãos que chegaram à nova aliança mediante a graça de Jesus Cristo. escrita por uma pessoa anônima. Infelizmente estas últim as palavras não são claras. Esta última alternativa é a mais natural. 17). Estas saudações alinham-se com o encorajam ento que o autor dá aos leitores. 1 Co 16:21. o que já foi planejado. destinatários da carta. 13:24 / O autor agora exorta: Saudai a todos os vossos guias. pelo que parece. No entanto.(Hebreus 13:22-25) 287 discípulo de Paulo). Aparentemente esta bênção concorda palavra a palavra com a de Tito 3:15. isto é. embora não se possa descartar a outra. tendo como base apenas este versículo. neste posfácio. sendo muito parecida com a de 2 Tim óteo 4:22. Rogo-vos (parakaleõ) ou “peço com máximo ardot” é o mesmo verbo empregado no v. a seus irmãos em casa.

p. pp. 677s. 7 e 17.288 (Hebreus 13:22-25) (anechõ) ocorre apenas aqui. combina-se com “irmãos”). Parece que existiria certa distância a ser percorrida para que houvesse um encontro entre Timóteo e o autor da carta. teria ocorrido em outro lugar. é bem provável que esse Timóteo seja o discípulo do apóstolo. também é usada pelo autor da carta em 6:10 (cf. TDNT. Quando 1 Pedro é descrita como uma “breve carta” (5:12). a esse respeito. O termo técnico “santos” (hagioi). 13:23 / Visto que o autor da carta demonstra ter tido contato com a teologia de Paulo. e das interessantes formas de finalização da carta. p. Está na voz passiva. 13:25 / Este versículo possui outras variações textuais de menor importân­ cia Muitos manuscritos acrescentam — e isto é bem compreensível — um amém à bênção. como presumimos. Procksch. 1. a prisão de Timóteo. para descrever as pessoas que foram separadas pela graça salvadora de Deus. Visto ser isto mesmo o que o autor da carta está fazendo para seus leitores. . e por isso pode simplesmente significar que Timóteo “foi mandado embora. 496-502. 13:24 / A palavra que se traduz por gu ias (hegoumenoi) também ocorre nos w . aqui. TDNT. escrita da Itália mediante Timoteo. Vejase H.” talvez por ter acabado uma tarefaque lhe fora confiada. Veja-seO. 3:1. Veja-seBAGD. 1. O autor de Hebreus tentou controlar o comprimento de sua carta. vol. Windisch. muitas das quais incluem “aos Hebreus. em Hebreus. a despeito da importância do que estava escrevendo e. e implica em abraço. A palavra saudai (aspazomai) é termo de intimidade nessa cultura. cujo objetivo era extrair seu significado para a época atual. onde o adjetivo “santo. tais palavras podem ser tomadas de forma mais literal do que aqui. TCGNT.” veja-se Metzger. por isso. onde se transcreve o sermão de Paulo na Antioquia da Pisídia — um sermão baseado na interpre­ tação de certos textos do Antigo Testamento. é possível que devamos considerar esta frase como tendo essa conotação especial. pp.” “partiu. 100-110. O verbo grego equivalente a está solto (apolyo) ocorre apenas aqui.” hagios. provavelmente faz parte do grande circulo paulino. ou seja qual for o problema.” ou “despediu-se. vol. pede a seus leitores toda indulgência. Quanto a uma discussão das variações. 96 Seacartativersidodirigida a uma comunidade de crentes em Roma. em Hebreus A frase esta palavra de exortação (logos tes parakíeseox) ocorre também em Atos 13:15.

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