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FACULDADE SÃO LUCAS

ELIVELTON ARAÚJO CUNHA

INFILTRAÇÃO POLICIAL NO CRIME ORGANIZADO: A INSEGURANÇA JURÍDICA
QUE CERCA O AGENTE INFILTRADO.

Porto Velho
2015

ELIVELTON ARAÚJO CUNHA

INFILTRAÇÃO POLICIAL NO CRIME ORGANIZADO: A INSEGURANÇA JURÍDICA
QUE CERCA O AGENTE INFILTRADO.

Monografia
apresentada
à
Banca
examinadora do Curso de Direito da
Faculdade
São
Lucas-FSL,
como
exigência parcial para a obtenção do
título de Bacharel em Direito.

Orientador: Professor Angelo Luiz Santos de Carvalho

Porto Velho - RO
2015
ELIVELTON ARAÚJO CUNHA
2

INFILTRAÇÃO POLICIAL NO CRIME ORGANIZADO: A insegurança jurídica que
cerca o agente infiltrado.

Monografia apresentada ao Curso de Direito da Faculdade São Lucas pelo adêmico
Elivelton Araújo Cunha, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel
em Direito.
Banca Examinadora:
___________________________________________________________________
Prof. (Orientador)
___________________________________________________________________
2º Examinador
___________________________________________________________________
3º Examinador

Conceito:____________________________________________________________

Porto Velho, _______ de _______________de _________________.

3

Dedico este trabalho ao meu pai e minha mãe que são os meus maiores exemplos de vida. e a minha namorada Letícia que sempre está ao meu lado em todos os momentos. AGRADECIMENTOS 4 . em que me espelho.

e sabedoria. A minha namorada Letícia que me apoia e está ao meu lado sempre. Professor Angelo Luiz. 5 . Aos professores que contribuíram de forma direta com o conhecimento por eles passado. por me dar forças nos momentos difíceis e ser o meus sustento. por sua dedicação e compreensão. aos meus pais.Dedico essa monografia. E acima de tudo agradeço a Deus pelo dom da vida. Ao meu orientador. que jamais mediram esforços em me proporcionar uma boa educação e me deram a chance de hoje estar concluindo um curso superior.

tenha sempre como meta muita força. que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá." (Ayrton Senna). RESUMO 6 . muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus."Seja você quem for. a mais alta ou a mais baixa. seja qual for a posição social que você tenha na vida.

Na dissertação é abordado o estudo das organizações criminosas. e como ferramenta fundamental no combate a criminalidade organizada que a cada dia se torna mais estruturada e afronta a segurança da sociedade. Os meios de provas inseridos no direito processual penal. comparação com o ordenamento jurídico de outros países. Segurança jurídica.Esta monografia tem como principal objetivo explanar aspectos pertinentes a figura do agente infiltrado. como meio de produção de provas no direito processual penal brasileiro. ABSTRACT 7 . Crime organizado. requisitos e limites legais. antecedentes históricos. quanto a possibilidade de responsabilização penal e de outro lado o receio quanto a segurança pessoal do infiltrado no decorrer da investigação. Palavras-Chave: Agente infiltrado. dentre eles a infiltração policial. Organizações criminosas. A insegurança jurídica presente nesse instituto. A figura do agente infiltrado. Prova.

Organized crime. and as a fundamental tool in combating organized crime that every day becomes more structured and affront to the security of society . The figure of the undercover agent . Criminal organizations. The legal uncertainty that this institute. legal requirements and limits .This paper aims to explain relevant aspects of the figure of the undercover agent as a means of producing evidence in the Brazilian criminal procedural law . Legal certainty. as the possibility of criminal liability and on the other hand the fear for the personal safety of infiltrated during the investigation . compared to the legal system of other countries. Keywords : undercover agent . historical background. The means of evidence entered in the criminal procedural law . In dissertation is approached the study of criminal organizations . including police infiltration . LISTAS 8 . Proof.

Edição HC .Artigo Arts.Habeas Corpus Inc. .Página STF .Artigos CP .Código de Processo Penal EC .Supremo Tribunal Federal PCC.Art.Constituição Federal de 1988 CPP .Primeiro comando da capital CV.Ministério Público P. .Número MP . .Código Penal CF .Comando vermelho SUMÁRIO 9 . . .Emenda Constitucional Ed.Inciso Nº.

..................36 3..................................1 Antecedentes históricos..........................................51 4..........30 CAPÍTULO 3....................3 O agente infiltrado e figuras afins......................................29 2.................1..........2 Conceito e características..........................56 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................43 CAPÍTULO 4.................................2 Classificações da prova e Meios de prova......................................................................................1.............61 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................13 1.......................................27 2...................................................................1 Das provas no direito processual penal brasileiro.......7 Direito comparado............................. 16 1.....33 3.................................2 Inexigibilidade de conduta diversa....................26 2.......................................3 A nova lei de organizações criminosas.................26 2............31 3........5 Requisitos legais e Limites na atuação do agente infiltrado.................1.................................................................................................................................24 2...1.........1 Origem e desenvolvimento.....2 Natureza jurídica............4 Modalidades de infiltração...................................................................................................................................................................13 1......................................4 A Busca por métodos diferenciados de investigação e produção de provas...................31 3.........24 2.1........................................................................................................25 2........................................................................3 Princípios do direito probatório.............INTRODUÇÃO.......................................6 O agente infiltrado como testemunha na fase processual...........35 3..................A INSEGURANÇA JURÍDICA QUE CERCA O AGENTE INFILTRADO................37 3.....................2 Conceito e características...............................................................................INFILTRAÇÃO POLICIAL COMO MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVAS........................................1 Conceito de prova........................................................................................................................................................................1 Aplicação do principio da proporcionalidade.41 3...........1 Prática de condutas típicas e a possibilidade ou não de responsabilização penal............CRIME ORGANIZADO................................................11 CAPÍTULO 1.......850/2013......................3 Objeto da prova........................................................62 INTRODUÇÃO 10 .............................................................................................................................................OS MEIOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO.. como forma de combate ao crime organizado................................... Lei 12..........49 4...............................................47 4.............................21 CAPÍTULO 2......

para que a produção de provas ocorra de maneira legítima.034/95 revogada pela lei 12. A Lei n. tonando a atuação punitiva do estado cada vez mais difícil. analisando a presença do instituto da infiltração policial presente em outros países. será exposta a diferenciação do agente infiltrado para outras figuras pertinentes. assim. os requisitos e a responsabilização criminal. Os limites e os requisitos legais que agente infiltrado deve respeitar. a evolução legal do conceito. A insegurança jurídica que vive o agente infiltrado. No estudo abordar-se-á os meios de produção de provas admitidos no direito processual penal brasileiro. no obstante. expondo os antecedentes históricos. a infiltração policial como meio de obtenção de provas. e a insegurança jurídica que cerca o agente infiltrado. cujo tema versa sobre matéria de direito penal. bem como o risco de ter 11 . bem como um concreto e seguro amparo jurídico para as possíveis infrações cometidas pelo agente infiltrado. introduzido em nosso ordenamento pela Convenção de Palermo. mesmo com a existência de lei que regulamente. quanto a possibilidade de cometimento de crimes durante o curso da investigação. Na oportunidade será abordado aspectos do direito comparado. impondo os limites da infiltração e formalidades legais para que as provas produzidas sejam lícitas. aborda uma tema de grande discussão. conceituando o instituto e apresentando características da infiltração policial. a obtenção de provas por meio do agente infiltração torna-se cada vez mais necessária. assim o estudo de tal matéria ganha ainda mais relevância. Para melhor definição da figura do agente estatal infiltrado em uma organização criminosa. de 02 de agosto de 2013 disciplina tal instituto. e a busca por métodos diferenciados e eficientes de investigação e produção de provas. as provas em espécie.850/13 que vigora até o presente momento. Com a crescente estruturação e organização do crime. e a efetiva coleta de provas. explanando as exigências legais na atuação do infiltrado. como a legislação define. A infiltração como meio de obtenção de provas terá destaque da dissertação. princípios que norteiam o direito probatório. 12. que geram confusão conceitual.Nesta Tese de Conclusão de Curso. Na dissertação será abordado aspectos históricos e legais sobre o crime organizado. ainda resta imprecisão quanto aos limites dessa atuação.850. para assegurar a sua segurança física. e posteriormente inserido pela lei 9.

descoberta sua identidade por parte da organização criminosa torna esse método de produção de provas extremamente arriscado e inseguro.1 Origem e desenvolvimento. O método de pesquisa utilizado é o método dedutivo. consultando-se a correntes doutrinárias e o ordenamento jurídico. 12 .CRIME ORGANIZADO 1. CAPÍTULO 1. tais pontos serão abordados de forma esclarecedora.

os principais delitos praticado eram os saques. cada qual dentro de seu contexto. cabe ressaltar que mesmo tendo um caráter de “empresa do crime”. com regras próprias. verificamos a presença das organizações criminosas. grupos se organizaram para prática do contrabando de bebidas. Grande parte das organizações atuam em diversas oportunidades de maneira violenta. com um grupo intitulado de “cangaço”. criam uma instabilidade e um perigo social. em diversos momentos históricos. essas organizações se tornaram verdadeiros “estados autônomos”. p. com o intuito de burlar as leis e dificultar que o estado tenha provas dos atos por elas praticados. extorsões e sequestros. Um fator que é marcante das quadrilhas é a evolução conjunta com os atos do poder público.06). atuando no nordeste do país. No entanto. Outros grupos tiveram influência para a evolução das organizações criminosas ao longo do tempo. a amplitude de áreas nas quais atuam estes grupos e o aparato financeiro que fazem das organizações criminosas “Empresa voltada a prática de crimes” (MENDRONI. 2007. No Brasil o surgimento das organizações criminosas pode ser observado ainda no século XIX. tendo como principal objetivo o lucro. a atuação vai além. “Empresa voltada a prática de crimes” (MENDRONI.06). com características distintas. autonomia financeira e organização política. 2007. tais quadrilhas não objetivam tão somente a lucratividade. 13 .O crime organizado é um dos maiores problemas presentes na sociedade mundial. buscando oportunidades ilegais de obtenção de lucro em um mercado paralelo e isentos tributos. O bando era liderado por Virgulino Ferreira da Silva (“lampião”). capital. tornando-as cada vez mais “blindadas” contra o poder estatal de punir (Ius puniendi). determinadas quadrilhas detêm um poderoso aparato de armamentista. Caracterizado pelo uso de violência. Tamanha organização tornou as organizações criminosas verdadeiras empresas. e procurando cada vez mais inovações. p. O crime organizado não é um problema recente. com a proibição do estado para fabricação e consumo de bebidas alcoólicas. nos Estados Unidos na década de 1920. Exemplos conhecidos desses grupos são as Máfias Italianas e a Yakuza do Japão com origem nos séculos XVI e XVII. pois além de possuírem estrutura organizada. à forma de atuação.

p. Merece destaque a explanação de Luiz Flávio Gomes. foram ganhando força e organização. como comércio. Com a renda do tráfico o grupo criou toda uma estrutura de proteção. além de expandirem as áreas de atuação. organizada e com o intuito de obter o maior lucro possível. talvez possamos arriscar que o crime organizado no nosso território ou seu lado mais saliente esteja ligado ao tráfico de drogas e de armas. Podemos observar ao longo dos anos diversas atividades ilícitas. corrupção (fraude contra o erário público ou contra a coletividade ) furto e roubo de automóveis e roubos de cargas.1997. tais grupos surgiram dentro das penitenciárias dos maiores centros do país. indo desde o tráfico de drogas até os crimes de corrupção envolvendo políticos e agentes públicos. como sabemos. distintas nas quais os grupos se organizaram para prática da atividade de maneira coordenada. em outro momento histórico. e atividades de origem legal. Apesar disso. tais como de cunho ilegal como o tráfico de drogas. Luiz Flávio. que 14 . Com o passar do tempo os grupos envolvidos nas práticas de crimes. O comando vermelho começou a ser idealizado na década de 1980 nos presídios do Rio de Janeiro. dentre outras. enquanto tal. a prática consiste no sorteio de valores mediante apostas. um mercado extremamente lucrativo e de grande comércio. sobre o assunto: Todo diagnóstico social é muito problemático e discutível no Brasil. não pode ser concebido como crime organizado (tecnicamente) porque é na verdade uma contravenção (GOMES. considerado isoladamente. O controvertido jogo do bicho ‘jogo do bicho’. observa-se o surgimento da contravenção penal conhecida como “jogo do bicho”. investiam em outros setores. já no século XX. Criando um sistema de lavagem de dinheiro. que com o dinheiro adquirido na prática do jogo.Mais adiante. São Paulo e Rio de Janeiro. Tal contravenção passou a ser financiada por quadrilhas organizadas. contrabando. cometendo assim mais uma ação ilícita. porque temos uma carência quase absoluta de investigações e dados empíricos. manifestações culturais (carnaval).83). prostituição. a organização tem como atividade principal o tráfico de drogas. No Brasil merecem destaque as duas maiores organizações criminosas do país o PCC (Primeiro comando da capital) e o Comando Vermelho.

localizado a uma longa distância dos grandes centros do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro). A organização é liderada por Marcos Willians Herbas Camacho. Essas organizações prestam assistência aos presos pertencentes à facção que se encontram no ressinto carcerários. repressão às ações do estado. As ideologias implantadas baseavam-se em busca de melhorias nas penitenciárias. O PCC e o Comando Vermelho vêm atuando em diversos outros estados no país. a exemplo disso está o estado de Rondônia. A princípio.vai desde o suborno aos agente públicos para serem coniventes com as práticas delituosas. A organização conta ainda com estatuto próprio. teve sua origem no interior dos presídios do estado de São Paulo na década de 1990. A organização intitulada como PCC (primeiro comando da capital). como rebeliões. policiais. instalado nas penitenciárias de todo o estado. mais conhecido como “Marcola”. por meio destes atos buscam barrar as ações do estado no controle da criminalidade e a ordem nas penitenciárias. para que continuem a controlar o tráfico e demais crimes de dentro das prisões. para estruturar a organização e financiar o custeio. a defesa armada. ataques contra a vida de rivais. 15 . com grande investimento em armamentos e munições que nem o próprio estado dispões para o combate a criminalidade e a expansão para outros centros do país. onde o PCC já promoveu diversas rebeliões e motins. de modo especial no presidio José Mario Alves “urso branco”. a organização foi criada para ditar regras e coordenar as ações do crime organizado. a entrada de drogas e aparelhos telefônicos e até mesmo tentativas de resgate de presos. juiz da vara de execuções penais de Presidente Prudente. pregando as ideologias de Paz. A organização hoje esta ramificada em todo o país. assistência material devido à precariedade do sistema penitenciário. considerada a maior organização criminosa do Brasil.SP que foi assassinado a mando da organização. A organização possui como líder o detento Luiz Fernando da Costa conhecido como “Fernandinho beira-mar”. justiça e liberdade (PJL). agentes penitenciários e até mesmo magistrados como foi o caso do Juiz Antônio José Machado Dias. é observada a presenta das duas organizações criminosas. organização hierárquica e financeira com o pagamento de mensalidade por parte dos membros. principalmente nas penitenciárias. e controle das ações dos participantes do grupo. o PCC também utiliza para esses fins o dinheiro proveniente do tráfico de drogas e roubos a bancos. como pagamento de advogados.

o emprego das expressões “organizações criminosas”. criando políticas de restauração da ordem e segurança nas penitenciárias. Os policiais utilizavam o termo para fazer alusão a atividades ilegais. vejamos: 16 . pautas de condutas estabelecidas em códigos e procedimentos rígidos. divisão territorial. são muito comuns perdendo até mesmo o real significado visto o uso demasiado das expressões. Guaracy Mingardi conceitua de forma clara organizações criminosas: O crime organizado caracteriza-se pela previsão de lucros. atuando somente em respostas a rebeliões. etc. p.1998 apud Neto. 2012. “crime organizado”. em meados de 1920.No Brasil a política penal desenvolvida no sistema prisional é de caráter emergencial.2 Conceito e características O conceito de crime organizado foi utilizado antecedentemente nos Estados unidos. com o advento da lei 12. acaba por gerar um sentimento de insegurança em toda a sociedade e impotência por parte do poder público em combater de forma efetiva tais organizações. ligadas a delitos e contravenções praticados no país. com estrutura financeira. instituída no Brasil apenas como decreto. existia somente a definição posta pela convenção de Palermo do ano 2000. fugas.694/12 em seu artigo 2°. Não tínhamos no direito brasileiro uma definição definitiva do que ao certo seria uma organização criminosa. 1. 59). armamentista e organização em suas ações. simbiose com o Estado. hierarquia. e instabilidades do sistema de modo geral. divisão de trabalhos. quando na verdade essas medidas deveriam ser de cunho preventivo. porém em 2012. Na atualidade. combatendo assim o controle dos lideres das facções nas ações por eles coordenadas. Com tamanho domínio das organizações dentro e fora das penitenciárias. tivemos a expressão manifestação legais acerca do que seriam organizações criminosas. planejamento empresarial. Configura um verdadeiro e próprio poder criminal em concorrência ou em substituição aos poderes legais do Estado (MINGARDI.

mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional [BRASIL. ainda que informalmente.320).850/13 onde o legislador em seu parágrafo 1° do artigo inaugural conceitua: § 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas. sobre o assunto. 2012]. apresenta um intrincado esquema de conexões com outros grupos delinquenciais e uma rede subterrânea de ligações com os quadros oficiais da vida social.Para os efeitos desta Lei. constantemente é assunto de discursões nos plenários. ainda que informalmente.. A matéria é tratada com grande preocupação pelos três poderem estatais. na mídia e política. direta ou indiretamente. Hoje. de 3 (três) ou mais pessoas. 2012]. dispõe de meios instrumentais de moderna tecnologia. vantagem de qualquer natureza. temos uma conceituação distinta da trazida pela revogada lei 12. tudo resultado da insegurança da sociedade e impotência do estado em reduzir ou até mesmo acabar com essas práticas. vantagem de qualquer natureza. estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas. considera-se organização criminosa a associação. econômica e política da comunidade.694/12. ou que sejam de caráter transnacional [BRASIL. mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos. tem grande força de expansão compreendendo uma gama de condutas infracionais sem vítimas ou com vítimas difusas.] o crime organizado possui uma textura diversa: tem caráter transnacional na medida em que não respeita as fronteiras de cada país e apresenta características assemelhadas em várias nações. detém um imenso poder com base em estratégia global e numa estrutura organizativa que lhe permite aproveitar as fraquezas estruturais do sistema penal. Oportuno destacar a brilhante exposição de Luis Flávio Gomes (1997. com objetivo de obter. origina atos de extrema 17 . entrou em vigor em 2013 a lei 12. provoca danosidade social de alto vulto. direta ou indiretamente. demonstrando de forma precisa a atuação dessas organizações em nosso pais e a insegurança por elas leciona que: [. p. com objetivo de obter..

Vale dizer. Conforme pensa Marcelo Mendroni: São inúmeras as organizações criminosas que existem atualmente. portanto. assim. Sérgio Marcos de Moraes (2006) da mesma forma expõe: Outra coisa mostra-se. em resumo. Maior surge a perenidade da associação. Não dispensa direção fracionada. policiais. ob. Condições políticas. variando conforme o tempo. sempre. em sua obra “Crime organizado” e Ana Flávia Messa. hoje. territoriais. com base nos conceitos e estudos de Eduardo Araújo da Silva. Almeja tornar-se poder paralelo e contrastante. muito mais determinados. foi possível formular características comuns em 18 . p. 11. Marcelo. de alguma sorte. influem decisivamente para o delineamento destas características. em razão da natureza dos fins buscados. econômicas. etc. nem hierarquia funcional. cit. No que tange as características das organizações criminosas. amoldadas às próprias necessidades e facilidades que encontram no âmbito territorial em que atuam. número indeterminado de vítimas Mesmo havendo muita variação entre as organizações criminosas. ilícitos. é capaz de inerciar ou fragilizar os Poderes do próprio Estado. para a prática contínua de infração ou infrações penais. sociais. para além dos negócios.. é notória a diferença nas atuações dos grupos. por vezes. Atinge de modo indireto. É atividade voltada ao lucro defeso. apenas. Implicando. acaba por influir.). em parcela das instâncias formais do Estado. em certa burocracia e profissionalização. A estrutura emerge complexa. urde mil disfarces e simulações e. articulada. sempre na conformidade das atuações e com o objetivo de obter maiores fontes de renda (MENDRONI.Possui nítido cunho internacional. Cada uma assume características próprias e peculiares.violência. local e meios de atuação e principalmente a área em que atuam.. no qual os delinqüentes utilizam-se de complexo de bens e de serviços. com saliência para umas ou outras. mas. Ostenta afeiçoamento externo lícito e. pois a gama de segmentos em que os grupos estão inseridos são diversos. o ‘crime organizado’. que tende para a impessoalidade – sistema de substituição automática -.

Oferece o que é proibido e recusado pela moral dominante e. a divisão de dá em cadeia de influencia e atuação. tal estratégia é uma forma de proteção em caso de investigações. Divisão hierárquica. devido a fidelidade a qual os membros tem para com a organização criminosa. A atuação não se prende apenas a uma metodologia ou a um campo. justamente por isso. as organizações criminosas possuem estrutura organizacional extremamente articulada. a violência aplicada é um perigo eminente para a sociedade. vejamos: Complexidade estrutural e modernidade. são executadas de várias formas. coordenando apenas o setor a que lhe é atribuindo. como: Complexidade estrutural e Modernidade.108): O crime organizado é antes de tudo uma forma de execução de crimes que obedece à lei básica de mercado. os demais membros são meros executores. A existência de regramento e “leis” que regem a atuação é uma característica marcante desses grupos. as organizações em sua maioria caracterizam-se pelo caráter anarquizante e agressivo com que atua. o principal objetivo desse tipo de atuação criminosa é a obtenção de lucro. escasso. para os membros as intimidações e punições são ainda mais rígidas e cruéis. Acumulação de poder econômico de seus integrantes. podendo variar conforme a estratégia da organização. Conforme expõe Beatriz Rizzo (1998. evitando assim ser alvo da persecução penal. Desempenhando atividades proibidas. Alto poder de intimidação e violência aplicada. cada membro atua dentro de sua função estabelecida. o risco é grande e o proveito altamente lucrativo. p. desconhecendo as demais funções e até mesmo outros membros existe um comando central que toma as decisões. “legalização” do lucro obtido de maneira ilícita. quanto pessoas alheias ao grupo.diversos grupos. o poder de intimidação imposto pelas organizações vai desde os membros. tanto para enriquecimento de seus membros. Acumulação de poder econômico de seus integrantes. sequestros. como ataques públicos. 19 . roubos e demais atos que empregam violência ou grave ameaça. complexa e organizada contando ainda com um grande aparado tecnológico. Divisão hierárquica. quando capital para mover a organização. Alto poder de intimidação e violência aplicada.

com objetivo de obter. e dificultar a perda de tal patrimônio em caso de investigações e possíveis condenações. acrescentando a sansão penal prevista para o delito.A “legalização” do lucro obtido de maneira ilícita consiste em uma característica presente na grande maioria das organizações criminosas. 1. que na atualidade é um dos maiores problemas enfrentado pelo estado. devido a sua estruturação cada vez mais “blindada”. dando melhor entendimento ao conceito de “organização criminosa”. como a infiltração policial. partindo da premissa que em algum momento o criminoso irá utilizar alguma instituição financeira. estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas. 2012].850/13 trouxe relevante contribuição para o ordenamento jurídico brasileiro.613/98 como forma de combate a essa prática por meio dos sistemas financeiros. e os meios de atuação que ferem o poder estatal e geram insegurança e medo na sociedade.3 A nova lei de organizações criminosas. colaboração premiada e a ação controlada. ainda que informalmente. 20 . sendo com a nova lei tratados com maior clareza a fim de garantir sua aplicação. Outros pontos que merecem destaque são os meios de provas. A nova redação trazida pela lei 12. como forma de ludibriar o estado. 2° Para os efeitos desta Lei. A nova lei constitui importante meio de combate ao crime organizado. que não tinham tratamento esclarecedor. Lei 12. mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional [BRASIL.694/2012. Vale destacar algumas das principais alterações trazidas por essa lei.694/12 definia organização criminosa em seu artigo 2°. que diz: Art. de 3 (três) ou mais pessoas. A lei 12. considera-se organização criminosa a associação. vantagem de qualquer natureza. o legislador criou então a lei 9. essa prática traz consigo diversos outros delitos. intitulada de lavagem de capitais.850/2013. essa prática é tipifica em nosso ordenamento jurídico. em comparação com a revogada lei 12. direta ou indiretamente. fazer com que o dinheiro produto de ilícitos seja utilizado de maneira livre.

vantagem de qualquer natureza). ou que sejam de caráter transnacional [BRASIL. 21 . 2° Promover. p.694/12. e multa. Agora. tinha que praticar crimes cujas penas máximas fossem igual ou superior a 4 anos (de caráter transnacional). a organização persegue o mesmo objetivo. preceituado no parágrafo 1° do artigo inaugural. de 3 (três) a 8 (oito) anos. organização criminosa: Pena . financiar ou integrar. Rogério Sanches (2014.850/13 inovou tornando a conduta um delito autônomo. vejamos: § 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas. apresenta de forma sucinta a diferenciação quanto ao conceito de organização criminosa entre as duas leis: [. com a tipificação do crime . 2012].reclusão.] Ao conceituar organização criminosa. constituir. com objetivo de obter. ainda que informalmente. a nova lei nos trouxe um conceito distinto. mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos..Diferente do conceito exposto no artigo 2° da lei 12. pessoalmente ou por interposta pessoa.. mas mediante a prática de infrações penais (abrangendo contravenções) cujas penas máximas sejam superior a 4 (quatro) anos (ou de caráter transnacional). a delinquência estruturada. direta ou indiretamente. para alcançar seu objetivo (obter.14) em estudo das mudanças trazidas pela nova lei. antes. vantagem de qualquer natureza. direta ou indiretamente. em não somente apresentar uma nova conceituação de “organizações criminosas”. alterou o número mínimo de integrantes (de 3 para 4). Lembrando que a lei não retroage para punir os atos praticados anteriores a vigência da nova lei. mas inserir normatizações. culminando pena para a prática do tipo penal. O legislador teve a preocupação nessa nova redação. o artigo preceitua: “Art. O artigo 2° da lei 12. formas de produção probatória e investigação.

sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas”
[BRASIL, 2013].
Os parágrafos 1° e 4° do mesmo artigo trazem causas de agravamento,
equiparação e aumento de pena. Os parágrafos 5° e 6° apresentam medidas a
serem tomadas em caso de participação de funcionário público, e o paragrafo 7° a
participação de policial.
A segunda parte da lei traz os meios de obtenção de provas e investigação,
que serão objeto de estudo dessa dissertação, o artigo 3° apresenta o rol de provas
que poderão ser produzidas, além das provas previstas no Código de processo
penal, vejamos:
Art. 3° Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos,
sem prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção
da prova:
I - colaboração premiada;
II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos;
III - ação controlada;
IV - acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados
cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a
informações eleitorais ou comerciais;
V - interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da
legislação específica;
VI - afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos da
legislação específica;
VII - infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art.
11;
VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e
municipais na busca de provas e informações de interesse da investigação
ou da instrução criminal [BRASIL, 2013).

CAPÍTULO 2- MEIOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E COMBATE AO CRIME
ORGANIZADO
2.1 Das provas no direito processual penal brasileiro
Para a demonstração da verdade real dos fatos e comprovação da autoria e
materialidade, se faz necessário a coleta de provas.
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Importante destacar a explicação de Edilson Mougenot (2008, p.303): "A
prova é um instrumento usado pelos sujeitos processuais para comprovar os fatos
da causa, isto é, aquelas alegações que são deduzidas pelas partes como
fundamento para o exercício da tutela jurisdicional".
Pode-se afirmar que é um dos temas mais importantes para o processo como
afirma Antonio Magalhães Gomes Filho (2005, p.303), visto que:
A correta verificação dos fatos em que se assentam as pretensões
das partes é pressuposto fundamental para a prolação da decisão justa.
Isso vale, ainda mais, no âmbito penal, pois só a prova caval do fato
criminoso é capaz de superar a presunção de inocência do acusado, que
representa a maior garantia do cidadão contra o uso arbitrário do poder
punitivo.

O capítulo pretende explanar sobre os meios de provas no combate ao crime
organizado, tratando das provas admitidas no direito processual penal brasileiro de
maneira geral, os princípios que regem tal instituto e o direcionamento para a
temática principal da dissertação que é a infiltração policial como meio de obtenção
de provas.
2.1.1 Conceito de prova
Originária da palavra probo que é derivada do latim probatio, tradução que
forma o significado de confiança, aprovação, correção.
A atividade probatória no processo penal visa realizar a construção dos fatos,
para que o julgador possa extrair elementos que formem sua convicção,
demonstrando fatos, ou até mesmo o próprio direito discutido.
Para Giuseppe Chiovenda (2002, p.26): “Provar significa formar a convicção
do juiz sobre a existência ou não de fatos relevantes no processo”.
Complementando ainda, expões brilhantemente Eugênio Pacelli de Oliveira
(2003, p. 214):
A prova judiciária tem um objetivo claramente definido: a
reconstrução dos fatos investigados no processo, buscando a maior
coincidência possível com a realidade histórica, isto é, coma verdade dos
fatos, tal como efetivamente ocorridos no espaço e no tempo. A tarefa,

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portanto, é das mais difíceis, quando não impossível: a reconstrução da
verdade.

Assim, é correto dizer que a atividade probatória dentro do processo tem
como função formar a convicção racional do magistrado acerca da matéria, levandoo ao entendimento de que uma das versões é a verdadeira.
2.1.2 Natureza jurídica da prova
A prova está ligada diretamente com a verdade dos fatos, sendo a oposição
da versão das partes, caracterizada como direito subjetivo com amparo
constitucional para demonstrar a realidade fática.
Figueiredo Dias (2004, p.113), afirma que “A legalidade dos meios de prova,
bem como as regras gerais de produção da prova são condições de validade
processual da prova e, por isso mesmo, critérios da própria verdade material”
A prova é um direito inerente ao direito de ampla defesa e contraditório, como
explica Paulo Rangel (2009, p.424):
A sociedade, através do Ministério Público, exerce a pretensão
acusatória e o acusado exerce o direito de defesa. (...) Neste caso, a prova
passa a ser um direito inerente ao direito de ação e de defesa. Ou seja, um
desdobramento, um aspecto do direito de ação e de defesa. Portanto,
podemos dizer que sua natureza jurídica é de um direito subjetivo de índole
constitucional de estabelecer a verdade dos fatos que não pode ser
confundido com o ônus da prova.

A produção de provas no curso da persecução penal é direito expresso na
Constituição Federal, quando trata dos direitos das partes no processo. Nos
processos em que as discursões incluem matérias fáticas e não somente matérias
de direito, as provas e a busca pela verdade real se tornam imprescindível.
Podemos então afirmar que a prova é um direito fundamental, ainda que não
esteja elencada na Constituição, com base nos princípios da ampla defesa e
contraditório.
As normas que regem as provas são de natureza processual, com aplicação
imediata, mesmo em processos em andamento.
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316) destaca o objeto probatório no direito processual brasileiro. ou seja.1. a qualificação jurídica também integra a imputação. sujeito e forma. tais elementos necessitam de comprovação. na medida em que o fato narrado só tem valor quando ligado à norma incriminadora . Antonio Magalhães Gomes (2006. em breve explicação: No processo penal. fundamentalmente. No desse tópico mostra-se oportuno diferencias “objeto da prova” de “objeto de prova”. formando o conhecimento do magistrado para que tenha capacidade de decisão. intuitivos: aqueles que se auto demonstram e independem de provas. principais ou secundários. os acontecimentos. O objeto da prova deve ter relevância para o processo. que interessam a uma providência a ser tomada pelo juiz e que exijam comprovação”. p.2. p. a atividade probatória versa. 2. sobre a imputação de um fato criminoso. dispensando a produção probatória.3 Objeto da prova Objeto da prova é aquilo que se pretende demonstrar.2 Classificações da prova e Meios de prova 2. 203). deixando de lado o que a lei dispensa comprovação. efeito. 25 .1 Classificações da prova Existem várias classificações atribuídas às provas no direito processual penal brasileiro.2. sobre a afirmação que faz a acusação a respeito da ocorrência de um fato tipificado pelo direito penal. Para Vicenzo Manzini (1951. São os fatos notórios: aqueles de domínio de grande parcela da população. Assim. no qual objeto da prova é compreendido como o fato em si. doutrinariamente a classificação majoritária acerca desse instituto é divida em objeto. Enquanto o objeto de prova refere-se ao que é oportuno estudo ser provado. focando nos fatos relevantes. Fatos inúteis: irrelevantes para o processo e por fim os fatos presumidos: decorrem da lei.”o objeto da prova é o conjunto de todos os fatos. além disso.

Como explica brevemente Paulo Rangel (2003. sendo entendido como todo artifício utilizado direta ou indiretamente. observamos que as provas possuem várias classificações que facilitam a produção. Como explica Mirabete (2005. 26 . refere-se diretamente ao fato a ser provado. com o fim de provar o que se alega no processo. 251): (. documentos etc”. quando dá certeza deles por testemunhas. que é a prova limitada. como na hipótese de um álibi. Assim.414) “São todos aqueles que o juiz. demonstrada pela afirmação de um sujeito. exercendo no julgador uma convicção de certeza quando ao fato. p. p. No que diz respeito à forma que é o modo como à prova se apresenta no processo. Na lição de Mirabete (2005. decorre de conhecimento de terceiros. a prova é dividida em prova direta. divide-se em: Plena. Quanto ao efeito. 2. independente de ser testemunha ou não.2 Meios de provas Os meios de provas são recursos de comprovação da afirmação de fatos contribuinte para formar a convicção do julgador. p. direta ou indiretamente. que consiste na corporização de elementos que demonstrem o fato. Material.No que tange ao objeto.2. estejam eles previstos em lei ou mão”. aquela fundamental para condenação. em que a presença comprovada do acusado em lugar diferente do crime permite concluir que não praticou o ilícito.251) “quando por si demonstra o fato. condensa de maneira gráfica a exteriorização de um pensamento.. E indiciária. refere-se a outro acontecimento que induz a interpretação do fato principal. que consiste no material produzido. se permite concluir o alegado diante de sua ligação com o primeiro. que é a prova emergente do fato e pessoal. é subdividida em: Testemunhal. A classificação quanto ao sujeito. Documental. é dividida em: Real.) Quando comprovado outro fato. apresentando apenas probabilidade. E prova indireta. aceitação e o juízo de valor por parte do julgador.. utiliza para conhecer da verdade dos fatos.

792. que busca centralizar a produção de provas na audiência. estão prevista na própria lei.1 Principio da Oralidade Preceitua que deve haver preferência das provas faladas. caput. limitando a publicidade nos casos em que: § 1o Se da publicidade da audiência.2 Princípio da Publicidade Principio disposto no art. nessa hipótese é preferível depoimentos orais. que são aceitas de forma excepcional (artigo 403 do Código de Processo Penal Brasileiro). em que prevê todos os atos serão públicos.3 Princípios do direito probatório As provas no direito Processual Penal Brasileiro têm como base alguns princípios. que consiste em permitir que o magistrado esteja mais próximo do contexto probatório. ressaltando que tais provas devem observar a legalidade (não afrontando o ordenamento jurídico). No entanto a lei não expões de maneira exaustiva todos os meios de provas. inconveniente grave ou perigo de 27 . a alegações finais escritas. sendo permitida a apresentação de provas que não estejam no rol exposto no código. chamadas provas atípicas. 2. do artigo 158 ao 250 do CPP. do Código de Processo Penal.3. e da imediatidade. bem como valores morais. O principio da oralidade é decorrente dos princípios da concentração.3. O principio da verdade real ampara a possibilidade de fazer uso de provas atípicas. 2. da sessão ou do ato processual. com o objetivo de que seja alcançada a convicção do julgador acerca da verdade dos fatos. que visão estabelecer a ordem e igualdade na persecução penal. puder resultar escândalo. Os principais princípios norteadores são: 2. exceto o que dispõe o parágrafo § 1° do mesmo artigo. normalmente é utilizado nos casos de colheita de provas em audiência.As provas a serem utilizadas na fase processual como forma de convencer o juiz.

é a hipótese das interceptações telefônicas que a lei 9. negligência. 2. servindo para todas as partes envolvidas. câmara.3. de ofício ou a requerimento da parte ou do Ministério Público.perturbação da ordem. limitando o número de pessoas que possam estar presentes [BRASIL. formulando assim sua decisão. Podemos destacar outra excepcionalidade que sigila as provas.3. determinar que o ato seja realizado a portas fechadas. 2. 2.3. 1941]. devem ser submetidas ao contraditório para que possam ser válidas. 2.296/1996 prevê como sigilosa as interceptações.6 Princípio da comunhão O principio da comunhão estabelece que as provas que foram produzidas durante a instrução processual. Na hipótese de uma das partes desistirem de uma prova.3. Tal princípio é reconhecido no item VII da exposição de motivos do Código de Processo penal. poderá. não pertencem exclusivamente a quem produziu. 28 . erro ou atos intencionais por elas cometidos.4 Princípio do livre convencimento motivado O magistrado possui a liberdade de analisar e valorar as provas. ou turma. ou o tribunal. no entanto sua decisão precisa ser motivada.5 Princípio da auto-responsabilidade das partes Preceitua que as partes possuem responsabilidade quanto à inatividade. A conduta probatória das partes é que irá leva-las ao êxito ou frustração. o magistrado deve ouvir a outra parte sobre o assunto. o juiz.3 Princípio da audiência contraditória Todas as provas produzidas necessitam de contraprova. As provas são pertencentes ao processo.

Para propiciar a segurança na atuação criminosa das organizações são utilizados métodos como a “lei do silêncio” para os integrantes. e foque os objetivos em que o governo deve de maneira permanente. atuando prevendo a ação do estado. financeiro e telefônico. no entanto ao passo que a lei evolui buscando cada vez mais estar atualizada e combater de forma firme e precisa a criminalidade. que oriente.INFILTRAÇÃO POLICIAL COMO MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVAS 3. os grupos organizados evoluem em uma velocidade superior as ações do estado.2. durante a vigência do reinado de Luís XIV.4 A Busca por métodos diferenciados de investigação e produção de provas. e o objeto deste estudo a infiltração policial. como forma de combate ao crime organizado A legislação brasileira apresenta uma gama de possibilidades de produção de provas e normas que buscam combater a criminalidade organizada. delação premiada. ação controlada. podemos citar a França em meados do século XVIII.1 Antecedentes históricos Quanto a origem da infiltração de agentes no crime organizado. esses 29 . Para termos um controle da criminalidade. pois os meios existentes não se mostram suficientes. a instituição da figura do agente provocateur que traz uma ideia de “delatores”. Alguns métodos de investigação merecem reconhecimento da sensibilidade do legislados em visualizar as necessidades na persecução penal. CAPÍTULO 3. necessitamos de uma política criminal mais firme. atuar procurando sanar tal problema. utilizando de diversos artifícios para ludibriar o poder público no intuito de continuar atuando livremente. Tamanha artimanha dessas organizações força a utilização de novos meios de investigação e coleta de provas. As ações das organizações criminosas são complexas. que será estudada com maior ênfase no capítulo seguinte. a comunicação limitada entre os próprios membros e até mesmo o desconhecimento da pessoa com quem atuam. são eles: quebra do sigilo fiscal. procurando eliminar ou alterar as provas que possam incriminá-los.

034/95 que foi a primeira lei voltada a prevenção e repressão da atividade das organizações criminosas. Como expões Manuel Augusto Alves Meireis (1999. que se inserem entre as técnicas especiais de investigação. o chamado undercover agent. “(. chamados de observateurs. E existiam os camuflados. podemos destacar como a “entrada” desse instituto em nosso ordenamento a Convenção das nações unidas contra o crime organizado a “Convenção de Palermo”. que atuavam de maneira dissimulada.) os primeiros agentes provocadores da história européia”. que a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. em acréscimo. e assim “delatar” ao seu superior. sendo um agente do estado. inserido no crime organizado com o objetivo de identificar integrantes e colher provas que possam instruir a persecução penal. como destaca Cunha. que recebiam o nome de preposés ou mouches. prevê. conhecida como Convenção de Palermo. Em outro momento histórico. como sendo o primeiro pais a instituir legalmente a figura do agente infiltrado como forma de combate ao crime.p. como consta de seu art. sendo pioneiro e servindo de base para que outros países introduzissem em seu ordenamento jurídico esse tipo de investigação e coleta de provas. O agente infiltrado previsto no direito brasileiro é espelhado no norteamericano. 20).1. a qual aderiu o Brasil (sem adentrar na discussão a respeito do ―status‖ com o qual tal convenção adentra nosso ordenamento jurídico). p. A previsão legal acerca desse instituto no Brasil. expressamente.. 20. Pinto (2014. necessitando assim de um tratamento especial por parte do legislador 30 . O undercover agent previsto no direito americano é tido como a primeira manifestação legal sobre o assunto. Porém a convenção de Palermo adentrou nosso ordenamento “apenas” como um decreto. a possibilidade de utilização de operações de infiltração. em troca recebiam favores.97): De se notar. destaca-se o Estado Unidos da América. Os servos do rei infiltrados na sociedade poderiam ser contratos livremente.. não teve origem apenas com o advento da revogada lei 9.servos do rei tinham como função estar inseridos em meio a sociedade para descobrir quem eram os inimigos do rei.

passando a integrá-la como se criminoso fosse – na verdade. o princípio da segurança jurídica". Para Marcelo Batlouni Mendroni (2007.694/12. tanto a lei 9. a Lei n. problemas e decisões. assim foi criada a lei 9.. acarretando a ineficácia de tal instituto. Vale ressaltar que a lei 11. Infiltrar-se no seio da organização criminosa. faz menção a esse instituto. o objetivo do agente infiltrado consiste em. proporcionando a sociedade uma maior proteção. p. Friede (2014. pondo em risco. No entanto.com a edição de uma lei que trate do assunto. se insere no seio da organização criminosa com o objetivo de coleta de informações para subsidiar a ação penal. O agente infiltrado consiste em um agente de polícia..694/12. penetrando no organismo e participando das atividades diárias. a matéria continuou com incertezas e dúvidas quanto à aplicação.54). 7): "Finalmente.034/95 como a lei 12. lei de prevenção e combate às drogas. das conversas. como também por vezes de situações concretas. desarticulando a estruturação da organização. A matéria recebeu melhor tratamento com o advento da lei 12.034/95. posteriormente nasceu à lei 12.2 Conceito e características A modalidade de obtenção de provas por meio da infiltração de um agente estatal na organização criminosa se mostra um importante e eficaz meio de combate ao crime. que por meio de requerimento do delegado de polícia ou do Ministério Público. como se um novo integrante fosse. p. Agindo assim. até mesmo.343/2006.850/13. na qual trazia a previsão legal da infiltração policial como meio de produção de provas. 31 . como expôs Carlos. fazendo com que diversos delitos sejam evitados. ele passa a ter condições de melhor compreendê-la para melhor combatê-la através do repasse de informações às autoridades.] possibilitava toda uma sorte de interpretações. ambas as leis não tratavam a matéria de maneira clara. cuja imprecisão [. 12. 3. depois de devida autorização judicial e voluntariedade do agente para a infiltração.850/13 aclarou o panorama referente à infiltração policial.

Ainda no artigo 144 da constituição federal. abrindo precedente para que outros agentes que não sejam policiais participassem de tal tarefa. “as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. são definidos pelo ordenamento jurídico. 54): As vantagens que podem advir desse mecanismo processual são evidentes: fato criminosos não esclarecidos podem ser desvelados. 3. nomes . nomes de 'testa de ferro'. Conclui-se então que a competência para atuação no procedimento investigativo e infiltração policial. no inciso IV. O agente infiltrado em uma visão superficial 32 . 1988]. bens. é destinada a polícia federal e polícia civil. no entanto a nova lei de crime organizado restringiu a atuação apenas para os agentes de polícia. planos de execução de crimes.3 O agente infiltrado e figuras afins Verifica-se a pertinência de distinguir a figura do agente infiltrado de outros indivíduos que possuem semelhança. nomes de empresas e outros mecanismos utilizados para a lavagem de dinheiro etc. no artigo 144. 1988]. agentes públicos envolvidos. modus operandi. Cumpre salientar que os agentes de polícia com competência para atuar na infiltração policial. § 1°. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. § 4°. atribui à polícia civil. expõe de forma precisa Marcelo Batlouni Mendroni (2007 p.principalmente dos 'cabeças' da organização.Quanto às vantagens da infiltração policial. A revogada lei 9. inciso I. atribui a polícia federal: Apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. exceto as militares” [BRASIL. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas.034/95 previa a infiltração de agentes de polícia ou de inteligência. segundo se dispuser em lei [BRASIL. conforme previsto na Constituição Federal.

que é um membro da organização que decide contribuir com a justiça. chamada de arrependido. possuindo compromisso com a persecução criminal. apud. 2007. disposto a confessar seus próprios crimes e colaborar com a justiça. cumpre destacar a diferença existente entre o agente infiltrado e outra figura. fundamentalmente os membros destacados da cúpula diretiva.pode ser confundindo com o informante. Como define Julius Glaser (GLASER. 17). Existe ainda uma terceira figura. porém é peça fundamental na investigação. PEREIRA. mediante o fornecimento de informações que permitam individualizar os fatos delitivos do grupo e seus integrantes. sua função consiste em fornecer informações que possam auxiliar as investigações. O provocador é objeto da Súmula 145 do STF “não há crime. O informante não possui compromisso algum para com a persecução penal. visando vantagens processuais em alguns casos. O informante é a figura que pode ser chamada de colaboradora do inquérito policial. A maior distinção entre o agente infiltrado e o provocador está no tratamento dado pelo ordenamento jurídico e a responsabilização penal. f. O agente infiltrado.. que também atua de forma voluntária. (PEREIRA. que é inserido em uma organização criminosa. com o objetivo de colher provas que possam desarticular a organização.2007) “o agente provocador é aquele que instiga o outro a perpetrar o delito. cabendo destacar as funções desses dois sujeitos da investigação. o colaborador age na investigação “servindo como mantenedor de dados e notícias a respeito do mundo do crime”. Por fim. atua voluntariamente. quando a preparação do flagrante pela polícia 33 . possui sua real identidade mantida em sigilo. conforme as palavras de Flávio Cardoso Pereira (2007. para que a organização criminosa seja desfeita. p. tão somente porque quer que esse resulte posteriormente convicto e seja castigado”. é um agente do estado. especificamente membro da Polícia Judiciária (Polícia Civil) ou Policia Federal.] aquele indivíduo pertencente a um grupo organizado de criminosos que decide procurar as autoridades penais.18) : [. Diferentemente atua o agente infiltrado.. ou até mesmo sem almejar vantagem alguma. o agente provocador. 1858.

p. atuando nas ações do grupo. para que o indivíduo seja punido. Essa modalidade tem como objetivo coletar informações em poucos contatos.5 Requisitos legais e Limites na atuação do agente infiltrado A atuação da policia na investigação com o intuito de coletar provas por meio da infiltração policial nas organizações criminosas. Nessa modalidade o agente não figura como agente policial e sim com um membro da organização. coleta informações e provas. 34 .4 Modalidades de infiltração A infiltração policial no meio criminoso apresenta duas espécies de modalidades. sendo a prova ilegal. necessitando ainda de autorização judicial para tal. A primeira é atribuída às investigações com duração menor e com menor grau de contato por parte do agente.torna impossível a sua consumação”. atuando como um mero expectador. com garantias e limites devidamente expressos. necessitando de maior inserção do agente na organização criminosa. A segunda modalidade possui uma duração mais longa. não sendo necessária a permanência contínua na organização. a atuação é ditada por regras impostas em lei. 3. vez que aquele tão somente observa. não fazendo parte de seu labor qualquer ato de provocação à prática do delito. com sua atuação regrada.. Enquanto o agente infiltrado age amparado legalmente. que são divididas de acordo com o grau de envolvimento do agente policial.19): [. são elas a light cover e deep cover. não estão totalmente a critério da autoridade policial que preside a fase inquisitiva da persecução penal. estando diretamente ligada a ele. Sendo vale concluir o entendimento com a explanação de Flávio Cardoso Pereira (2007. sendo que mantém sua posição como policial. desta forma a atuação do provocador vai contra o ordenamento jurídico.] não se pode argumentar que exista qualquer relação entre a atuação de um agente infiltrado e a ocorrência de um flagrante provocado. O agente provocador induz à prática do delito. 3..

motivada e sigilosa autorização judicial. quando possível. Os requisitos da infiltração policial encontram-se expressos nos artigos. o juiz competente. a qualquer tempo. será precedida de circunstanciada. Deve haver manifesta necessidade. a atuação policial deve se dar de maneira proporcional. relatório da atividade de infiltração. adequação. após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial. representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público. § 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. o alcance das tarefas dos agentes e. desde que comprovada sua necessidade. exige que devera constar o requerimento do delegado de polícia ou do Ministério Público. § 4º Findo o prazo previsto no § 3º. necessidade. deverá ainda tal requerimento ser 35 . que estabelecerá seus limites. que imediatamente cientificará o Ministério Público. o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes. proporcionalidade. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação. 2013]. não sendo mais possível outra modalidade de prova. legalidade. ouvirá o Ministério Público. 10. e o Ministério Público poderá requisitar. sem prejuízo de eventuais renovações. 1º e se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis.Os pressupostos para que a infiltração seja realizada. O procedimento deve atender aos preceitos estabelecidos em lei. antes de decidir. o relatório circunstanciado será apresentado ao juiz competente. § 5º No curso do inquérito policial. § 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia. A previsão expressa no artigo 10 . O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão a demonstração da necessidade da medida. Art. os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração [BRASIL. não cometendo excessos.850/13: Art. em todas as etapas do procedimento. de modo geral seguem os mesmos dos outros meios de provas. devem ser executados da maneira correta. 10 e 11 da lei 12. 11. § 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses. quais sejam.

constituindo. para que seja enquadrada como organização criminosa..] A autorização judicial deve ser fundamentada (conter todos os argumentos fáticos e jurídicos que indiquem a necessidade da diligência). em seu artigo 144. é necessário que não existam outros meios de obtenção de provas que possam ser utilizados. devendo preservar o bem maior que a vida.precedido de manifestação acerca da necessidade e a viabilidade do procedimento.” [BRASIL. então. 1 o e se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis. visto o risco eminente que o policial está submetido no decorrer da investigação. o juiz devera fazer oitiva do Ministério Público. È necessário que a natureza jurídica do delito seja a expressa no artigo 1° que trata das organizações criminosas e seu conceito. A imprescindibilidade da medida é outra exigência legal para que a infiltração seja realizada. Tal exigência esta prevista no artigo10° § 2º da lei 12. é de competência da policia federal e policia civil atuar nesse tipo de investigação. uma repetição) e sigilosa (proferida sem a publicidade geral. vale dizer. impondo os limites que deveram ser respeitados como leciona Nucci (2004. antes de posicionar-se quanto à pertinência ou não de realizar o procedimento. Ao magistrado caberá a autorização ou não da infiltração.264) “não se trata de gastar folhas e folhas para demonstrar erudição judiciária (e jurisprudencial) ou discutir obviedades. p. circunstanciada (trata-se apenas da motivação detalhada. poderão atuar como agentes infiltrados. 2013]. Ressaltando que somente agentes de polícia. p. e conforme disposto na Constituição Federal. 418): [. O mais importante é explicar o porquê da decisão.. o que levou a tal conclusão”. A decisão judicial a cerca da realização ou não do procedimento. Quando a medida for solicitada pelo delegado de policia.850/13 no qual estabelece “Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. devendo a infiltração ser usada em caráter excepcional. assim como na requisição por parte do delegado de policia ou do parquet. deve ser precedida de motivação. expondo de maneira clara os argumento que o levaram a decidir. 36 . Importante ressaltar a posição de Aury Lopes Jr (2008. atribuindo regras para a atuação criminosa. de conhecimento de qualquer pessoa).

o artigo 14. assegurando-se a preservação da identidade do agente [BRASIL. a realização da infiltração por agente de polícia conforme prevê a lei e a voluntariedade do infiltrado. da lei 12.. [. em sua atuação. 2013] 37 . Não é punível. estão compreendidos como requisitos conforme traz a lei 12. O agente que não guardar. vejamos: Art. 13. pois o maior risco da operação não está em fracassar na coleta de provas e sim em por a vida do policial em risco caso a investigação não tenha o sigilo adequado. necessidade de autorização judicial motivada. de forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado. a prática de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação. 2013] A voluntariedade do agente policial na infiltração é um dos requisitos para a realização desse meio de prova.O sigilo acerca da infiltração é um fator importantíssimo para preservar a investigação e a integridade do agente infiltrado. quando inexigível conduta diversa [BRASIL. 12. O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído. I.] § 2º Os autos contendo as informações da operação de infiltração acompanharão a denúncia do Ministério Público.. Parágrafo único. responderá pelos excessos praticados. Os limites impostos pela lei na infiltração policial estão elencados no artigo 13 da lei de organizações criminosas: Art. imprescindibilidade da medida. o sigilo. No artigo 12 caput e parágrafo 2° o sigilo encontra-se melhor expresso. O sigilo encontra-se expresso no artigo 10 caput em que trata dos requisitos para infiltração. que o delito se enquadre na natureza jurídica de crime organizado. a devida proporcionalidade com a finalidade da investigação. no âmbito da infiltração. a representação do delegado de policia ou Ministério Público. Desta feita.850/13. quando serão disponibilizados à defesa.850/13 estabelece que o agente infiltrado pode recusar-se a participar ou até mesmo deixar a operação já iniciada.

6 O agente infiltrado como testemunha na fase processual Após a fase inquisitiva de apuração dos fatos. e o não cometimento. acabam por gerar insegurança ao infiltrado. Da mesma forma entende Marcelo Batlouni Mendroni (2013. tendo como maior obstáculo à fronteira entre o cometimento de delitos e a punição criminal. colocando sua integridade física em risco. onde ocorre à coleta de provas por meio da infiltração policial. No entanto a própria natureza da infiltração. pois encontrase na posição de alguém que não foi vítima ou acusado. o agente infiltrado poderá ser ouvido como testemunha no processo. acarretando desconfiança por parte da organização criminosa. p. vem à fase processual.59) Nada impede. importantíssima – a respeito das atividades da organização criminosa dentro da qual terá convivido. tem conhecimento de informações acerca dos fatos e é legalmente apto há prestar esclarecimentos estando de acordo com o artigo 202 do Código de Processo Penal. cumprindo assim os requisitos legais para figurar como testemunha. pois quando o agente encontra-se infiltrado na organização criminosa. Estará em condições de descrever ao Juiz tudo o que tiver presenciado e relatar as atividades criminosas e os respectivos modus operandi 38 . deve seguir o que estabelece a organização. 3.Os limites impostos. porém não estipula parâmetros de atuação. tudo sugere que ele sirva de testemunha – diga-se. para que o agente tenha ciência de até que ponto pode chegar. não encontrando nenhuma obstáculo legal. faz com que o legislador não tenha capacidade de expor de forma completa os parâmetros a serem seguidos. dentro das modalidades de provas previstas no direito processual brasileiro. A lei determina que o agente atue dentro da proporcionalidade. ele de certa forma. por não demonstrarem claros na lei. onde o juiz analisará as provas. A insegurança que gira em torno do infiltrado será tratada de maneira mais profunda em tópico específico. mas ao contrário.

deles participou ativamente. por consequência. prestando seu depoimento. em que não é oportunizado ao acusado o direito a ampla defesa e o contraditório. 39 . Desta forma. interna à fase.107): Ninguém se encontra mais habilitado para prestar esclarecimentos sobre os fatos que o agente infiltrado. pois é agente do estado que esteve inserido dentro da organização criminosa. com uma função endoprocedimental. Afinal.. como já falado as provas da fase de inquérito não são necessárias para fundamentar uma decisão. Pinto (2014. p. no sentido de que sua eficácia probatória é limitada. por ser o inquérito policial procedimento com valor probatório relativo. poderá solicitar a presenta do agente infiltrado para prestar depoimento como testemunha processual.190): Podemos afirmar que o inquérito policial somente gera atos de investigação. p. como valioso elemento de prova [. Por o inquérito policial ser um procedimento inquisitivo. porém elas por si só não são suficientes. pois como já dito. (2001. Servem para fundamentar as decisões interlocutórias tomadas no seu curso (como fundamentar o pedido de prisão temporária ou preventiva) e para fundamentar a probabilidade do fumus commissi delicti que justificará o processo ou o não processo. mesmo o agente tendo sido o instrumento do estado para coletar as provas que embasaram a denúncia.. se o juiz achar conveniente. conhecendo detalhes de seu planejamento e execução. Como explica Aury Lopes Jr. As provas produzidas na fase inquisitiva da persecução penal servem como embasamento para decisão do julgado. conforme expõe Cunha. necessitando de outros elementos colhidos na instrução processual. que o agente infiltrado em sua atuação deve buscar meios de provas materiais que comprovem os delitos.O depoimento do agente infiltrado possui grande importância para a persecução penal. a prova testemunhal por si só não possui força para condenação. assim com as provas colhidas no inquérito não são suficientes. as provas colhidas nessa fase precisam ser apresentadas em juízo para que possam ser contraditadas.]. Cabe salientar.

grande parte da doutrina entende que o depoente não pode figurar como uma “testemunha anônima” . mesmo que em alguns países essa figura não esteja positivada.7 Direito comparado A figura do agente infiltrado está presente em muitos países no mundo. A infiltração de agente está prevista na Lei portuguesa 101/2001 de 25 de agosto. 3. contudo. o que se configura num absurdo para o campo da ampla defesa. 3.418): [. podendo praticar factos típicos sem. todos os relatórios feitos por esse agente camuflado – e nunca revelado – não podem ser contestados. em análise dois países de língua espanhola e um de língua portuguesa. Além disso. A conceituação é um pouco distinta do agente infiltrado no Brasil.7. Ela não poderá ser contradita. ou terceiro sob a orientação daquele. como ensina Nucci (2004. no âmbito da prevenção ou repressão criminal..] Não se pode admitir uma ‗testemunha sem rosto‘. nem perguntada sobre muitos pontos relevantes.. p. 40 . visto não se saber quem é. tornando-se provas irrefutáveis. os poder determinar. que.Quanto à ocultação da imagem do infiltrando durante o depoimento como testemunha processual.1 Portugal O ordenamento jurídico de Portugal prevê a figura do agente infiltrado.150): O agente policial. oculta a sua identidade e qualidade. pois fere o principio do contraditório e ampla defesa. como forma de compararmos com o ordenamento jurídico brasileiro. vejamos nas palavras de Coimbra (2005. esse meio de investigação e produção de provas é bastante avançado. e com o fim de obter provas incriminatórias sobre determinadas actividades criminosas. Iremos analisar superficialmente o ordenamento jurídico de alguns países. p.

encontrando semelhanças com o que ocorre no Brasil. em ordem a obter informações relativas às actividades criminosas de que é suspeito e provas contra ele(s). porquanto o seu controlo foge. que existe previsão legal. n.Ou ainda nas palavras de Manuel Monteiro Guedes (2009. em regra. O artigo 3°. o(s) determinar à prática de novos crimes. p. dispõe que a infiltração policial não possui somente a função de investigação. destinada à autoridade judiciária. para melhor o observar. dirigida à entidade policial. mas também de prevenção ao crime. n. ao escrutínio dos restantes sujeitos processuais. sem contudo. a segunda. o relato só é junto aos autos quando for 41 . Em Portugal existe grande confronto do agente infiltrado.3. O relatório é de extrema importância como explica Isabel Oneto (2005. impondo-lhe a obrigação legal de aferir a conformidade da acção desenvolvida ao âmbito e limites constantes da autorização concedida. que é vedado no direito português e a responsabilização penal pelos atos praticados no decorrer da infiltrado. [. com as finalidades exclusivas de prevenção ou repressão criminal. alínea 4). no sentido de a vincular aos precisos termos em que a autorização foi concedida.192): A exigência processual de comunicação à autoridade judiciária dos actos praticados ao abrigo de autorização tem subjacente duas imposições – a primeira. O artigo 2° expõe o rol de crimes em que é admissível a atuação do agente infiltrado. O agente infiltrado deve entregar o relatório com informações colhidas na infiltração no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após o encerramento da ação (artigo 3°.. seja autorizado pelo Ministério Público e comunicado ao Juiz de Instrução. com ocultação da sua qualidade e identidade e com o fim de obter provas para a incriminação do suspeito ou suspeitos. ganha a sua confiança pessoal. e o agente provocador. explicando o conceito de agente infiltrado no direito português: Funcionário de investigação criminal ou terceiro. Como a lei expressamente consagra. 1 da lei portuguesa. exige que o procedimento quando realizado no inquérito policial. O artigo 1°.514).. que atue sob o controlo da Polícia Judiciária que. por exemplo. p.] Labor que exige cautelas redobradas. o cidadão particular.

2 Argentina Para o Direito Argentino.223): Funcionário público que. o artigo 6° prevê que a infiltração somente poderá ocorrer durante a investigação. a investigação poderá também atuar de forma que evite o cometimento de algum delito.424 de janeiro de 1995. conhecimento da sua existência A legislação portuguesa prevê ainda o testemunho do infiltrado na fase processual. o desbaratamento dessa associação ilícita. a maior parte das vezes. em uma organização delitiva (a exemplo de narcotraficantes). A infiltração deve ser autorizada pelo magistrado competente.7. Assim como no direito Brasileiro e Português. a definição de agente infiltrado conforme Cafferata Nores (2003. é possível o agente figurar como testemunha no processo. simulando ser delinqüente. não sendo possível o procedimento ser realizado de inicio. p. e serviço de proteção à testemunha. Desde que os delitos sejam necessários para o desenvolvimento da operação. e o infiltrado deve passar imediatamente às informações colhidas a autoridade que autorizou a infiltração (previsão no artigo 6° da lei 24.‘absolutamente indispensável. se infiltra. o direito argentino prevê a escusa absolutória. prestando esclarecimentos sobre informações colhidas no curso da operação. A matéria é prevista na lei 24. isentando de responsabilidade o agente infiltrado. informações que permitam a imputação de seus integrantes e. como conseqüência.’ Nem o arguido nem o assistente terão. 3. No que tange a possibilidade do agente infiltrado cometer delitos no curso da investigação. com o fim de provocar o cometimento de delitos previstos na lei.424). 42 . A lei prevê ainda que somente poderá figurar como agente infiltrado indivíduos do quadro de polícia. com a meta de proporcionar desde dentro daquela. por disposição judicial.

3. Delitos contra los derechos de los trabajadores previstos en los artículos 312 y 313 del Código Penal.A legislação argentina. 4. 248 y 301 del Código Penal. se considerará como delincuencia organizada la asociación de tres o más personas para realizar. de forma permanente o reiterada.3 Espanha A legislação espanhola define o agente infiltrado como: O policial judicial especialmente selecionado que. como sujeição à lei e sob controle do Juiz. (PEREIRA 1999. atua. Delitos relativos a la prostitución previstos en los artículos 187 a 189 del Código Penal. 1999] 43 . Delitos relativos a la propiedad intelectual e industrial previstos en los artículos 270 a 277 del Código Penal. Isso. quando já fracassaram outros meios de investigação.424). Delitos contra el patrimonio y contra el orden socioeconómico previstos en los artículos 237. ou esses sejam. atribui punição ao servidor público que revelar informações pertinentes à investigação ( previsão no art. utilizando-se de uma identidade falsa. Art. manifestamente. insuficientes para seu descobrimento. conductas que tengan como fin cometer alguno o algunos de los delitos siguientes: Delito de secuestro de personas previsto en los artículos 164 a 166 del Código Penal. 10 da lei 24. para investigar delitos próprios da delinqüência organizada e de difícil averiguação. p. A los efectos señalados en el apartado 1 de este artículo. como forma de garantir o sigilo da operação. 282 bis. 244. e os crimes previstos para esse tipo de organização. 395) A matéria é regulada pela lei 5/1999 de 13 de janeiro. Delitos de tráfico de especies de flora o fauna amenazada previstos en los artículos 332 y 334 del Código Penal [Espanha. passivamente. o artigo 282 traz o conceito de organização criminosa.7. 243.

possa ter a sua identidade descoberta pelos criminosos ou quando menos. ligada ao principio da proporcionalidade como ocorre no Brasil. sendo necessária a infiltração policial para que a organização criminosa seja desarticulada. existe a insegurança quanto a liberdade de atuação do policial dentro da organização. devido ao risco eminente que o agente infiltrado corre no decorrer da operação. tornando-os “blindados” contra a atuação do estado em identificar a prática de ilícitos e punir. CAPÍTULO 4. Além da insegurança quanto a preservação da integridade física do infiltrado. A infiltração policial é tratada por nosso ordenamento jurídico como um meio de obtenção de provas excepcional. visto que deve atuar como membro da organização. Desta forma o agente infiltrado atua no limite entre o risco de ser descoberto pela organização criminosa. devido ao alto poder de organização dos grupos criminosos. praticando inclusive atos de execução. eximindo de responsabilidade o agente. podendo ambos solicitar informações periódicas acerca da investigação. 44 . p. Como expõe Marcelo Batlouni Mendroni (2006. atuar nas ações do grupo afim de coletar provas das ilicitudes cometidas. assim como em muitos países a Espanha optou pela escusa absolutória. ter contra ele suspeitas levantadas”.Na Espanha a infiltração policial pode ser realizada por policial como por indivíduos que não componham o quadro policial. atuando em nome do estado.203) quando diz “poder imaginar a situação em que o agente infiltrado que não co-participar de alguns delitos.A INSEGURANÇA JURÍDICA QUE CERCA O AGENTE INFILTRADO A obtenção de provas por meio da infiltração policial na criminalidade organizada se torna a cada dia alvo discursões. A infiltração é precedida de autorização expedida pelo Juiz instrutor ou por meio do Ministério Público. utilizado quando não restam outros meios probatórios. No que se refere à responsabilização penal. e a insegurança quanto a punibilidade ou não dos delitos por ele praticados. caso recuse a cometer delitos. os outros meios de coleta de provas em alguns momentos tornam-se insuficientes.

. impossibilitado de impedir o pior. no entanto. A lei 12. numa situação de conflito entre dois princípios constitucionais . Expõe de forma precisa Isabel Oneto (2007. e a ordem do criminoso que atire em outra pessoa. uma infiltração de longa duração e com um envolvimento grande do agente infiltrado e a organização criminosa.]. Exemplificando. vale ressaltar que é um meio eficiente de produção de provas. como por exemplo com uma arma apontada para a sua cabeça. em caso extremo. p.. p. ainda falta muito a se fazer. a excludente de culpabilidade pela coação moral irresistível . a solução estará nos princípios do direito penal.1 Práticas de condutas típicas e a possibilidade ou não de responsabilização penal As condutas típicas praticadas por parte do agente infiltrado no decorrer de uma investigação em que se faz necessária um infiltração tida como deep cover. quer nos parecer. evidente que a primeira tem maior peso. merecendo.326) de maneira clara explica: [. abrangendo desde a coleta de provas documentais até o depoimento do infiltrado como testemunha no processo.81) 45 . caso não ocorra por recusa do infiltrado toda a operação e principalmente a vida do agente estão em risco. Mesmo com tamanha insegurança existente nesse meio probatório. Nada poderia justificar o sacrifício de uma vida em favor da infiltração do agente e este deverá utilizar de todas as suas habilidades para impedi-lo. Claro que um policial infiltrado .850/13 trouxe em sua redação maior segurança à atuação do agente infiltrado.. pois a atuação do agente ainda encontra grande dúvida sobre os limites impostos ao infiltrado.Quanto à hipótese de cometimento de crime Marcelo Mendroni (2002. assegurando-lhe melhor segurança física e jurídica.] A resposta parece estar mais uma vez na solução adotada pioneiramente pela doutrina alemã chamada de Princípio da Proporcionalidade Constitucional [. em caso de necessidade.. são praticamente inevitáveis. deve-se decidir por aquele de maior peso [.. 4. ou seja.] segundo o qual . no caso. entre a vida e a intimidade ou a privacidade. a sua eleição em detrimento dos demais. através das medidas de proteção do estado..

durante o seu trabalho. p. (Rafael Pacheco.. empresarial. uma vez que tem de inserir-se num meio criminoso sem poder adoptar o comportamento delituoso dos seus actores. notadamente nos Estados Unidos da América. pois é precisamente com a prática de alguns delitos que o agente infiltrado ganha a confiança dos restantes membros do grupo. pois pode o infiltrado atuar em diversos níveis da organização. como indica Isabel Oneto: Note-se que. O cometimento de crime como uma prova de fidelidade. torna-se factível integrar-se em sua estrutura sem o cometimento obrigatório de crimes. em alguns casos. cit. Algumas organizações criminosas de caráter mais radical e violenta exigem como ingresso na organização que o aspirante cometa um homicídio como forma de provas sua lealdade e emprenho para com a organização. exige-se que o novo membro da organização passe por um ‘rito de inicialização’. cit. assinala que tal situação nem sempre é realizável. 46 . depara-se freqüentemente com uma situação ambígua. nem sempre será necessário praticar crimes. como lecionada Rafael Pacheco: Levando-se em conta que a maioria das organizações criminosas está em situação pré-mafiosa. pois o agente ao ingressar como “membro” da organização criminosa. em regra. ob. 126). ob. são praticadas por organizações criminosas do tipo tradicional. tal possibilidade é praticamente remota. de alguma forma irá cometer ilícitos. mafiosas ou por aqueles grupos de extrema violência. Portanto. 96). Aliás.. Mesmo existindo possibilidades de infiltrações em que o agente não necessariamente precise cometer crimes. p. No entanto não é regra o cometimento de delitos por parte do agente infiltrado. (Isabel Oneto. pela qual poderá cumprir seu dever sem a necessidade imperiosa de delinqüir. inclusive em uma de suas faces lícitas. o qual geralmente compreende a prática de um homicídio. Em geral. as organizações criminosas têm se valido exatamente da relutância – legal ou moral – dos agentes infiltrados em cometer crimes para criar ‘contra-medidas’ à infiltração.O agente infiltrado.

a punibilidade dos atos por ele praticados.850/13 demonstrou um grande avanço no que diz respeito ao combate a criminalidade organizada. 4. A lei que visa combater as organizações criminosas. No entanto ainda restam muitas dúvidas. “pesarem” os bens jurídicos tutelados pelo estado. 12. além da preocupação em manter a confiança da organização. regrando que o agente infiltrado deve atuar seguindo sempre a finalidade da investigação. E ao magistrado valendo-se do principio da proporcionalidade avaliar a autorização ou não do procedimento. O paragrafo único do artigo 13 traz a hipótese da não punibilidade do agente infiltrado. a segurança física e jurídica do agente.850/13. A lei 12. Tais questionamentos e obscuridade legal são características da própria natureza da infiltração policial. uma das principais é referente à atuação do agente do estado no interior das organizações. ou seja. expressa o principio da proporcionalidade em seu artigo 13. trazendo maior clareza e tornando principalmente o instituto da infiltração policial uma ferramenta real de combate ao crime. os limites em sua atuação. Há entendimento doutrinário que entende por não dar prosseguimento à investigação. qual seja. acaba por tornar uma atividade duplamente arriscada para o infiltrado. analisar a hipótese de ter ceifada a vida de uma pessoa em troca do andamento da investigação. que são os requerentes de tal procedimento. pois nessa situação a recusa na execução do crime por parte do agente infiltrado não acarretaria perigo ao agente. a inexigibilidade de conduta diversa pra vista em nosso ordenamento penal. o agente possui grande insegurança quanto à punibilidade judicial pelos atos passiveis de serem cometidos por ele. causando apenas a impossibilidade de adentrar a organização. como causa de excludente de ilicitude ou diminuição de pena.Nesses casos cabe a autoridade policial ou Ministério Público. desde que o delito seja cometido quando não seja possível praticar outra conduta. devido a tamanho envolvimento que necessita existir 47 . afim de não levantar suspeitas. visando resguardar o bem da vida.1 Aplicação do principio da proporcionalidade A ausência de clareza quanto aos limites impostos na atuação do agente infiltrado.1.

ou ter de portar armas de uso restrito. no critério social de justiça. art. essa prática delituosa. compensada pela relação custobenefício social. A doutrina mesmo antes do advento da nova lei de organizações criminosas (12. retirando-se do julgador a análise discricionária de cada caso concreto. já revogada.850/13) trazia o principio da proporcionalidade como regulador de toda intervenção estatal. (2007.entre o infiltrado e a organização criminosa. O fato aí será atípico. homicídios. sendo difícil a atuação do legislador em estabelecer os limites na atuação do infiltrado. submetendose a isso em prol de um objetivo maior de defesa social. 95): O princípio da proporcionalidade. a infiltração policial em quadrilhas ou bandos: Entendemos que. objetivando a máxima eficácia e otimização dos vários direitos fundamentais concorrentes. Sua aparição se dá a título de garantia especial. Estando a conduta compreendida da razoabilidade do senso médio. 1º. inciso V. p. será responsabilizado criminalmente. doutrinariamente. o policial que.. não sendo. pois pode ocorrer que a incidência dos princípios constitucionais da proporcionalidade e da adequação social. Fernando Capez ao tratar da matéria antes regulada pela lei 9. poderá. neste sentido expõe Suzana de Toledo Barros. de forma adequada e na justa medida.034/95. É o caso do agente ser obrigado a participar de lutas com outros membros. a participação do agente nos crimes praticados pelo grupo configurará fato típico. tem assento justamente aí. Evidentemente. portanto. nesse contexto normativo no qual estão introduzidos os direitos fundamentais e os mecanismos de respectiva proteção. para demonstrar coragem o lealdade à organização. III) influenciem na aferição do comportamento do agente. não se poderá estabelecer de antemão uma regra inflexível. traduzida na exigência de que toda intervenção estatal nessa esfera se dê por necessidade. admissível. conformada com o conceito social e. pela incidência de princípios constitucionais como 48 . previa no artigo 2°. dependendo das peculiaridades da situação específica. Assim. relevado pela posterior prisão ou desbaratamento da organização criminosa. diretamente derivados da dignidade humana (CF. acaba por participar de ações criminosas. para desbaratar uma grande quadrilha internacional de tráfico de entorpecentes. tráfico de entorpecentes etc. ilícito e culpável. acima de tudo. a princípio. como uma das várias idéias jurídicas fundantes da Constituição. ser até considerada atípica. como sequestros.

2012. ensina Celso Antônio Bandeira de Melo: Parece-nos que o princípio da proporcionalidade não é senão uma faceta do princípio da razoabilidade. pode ocorrer de o fato ser típico. de não se encontrar acobertado por excludente de antijuridicidade. a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito. Trata-se. a possibilidade de correção judicial arrimada neste fundamento. a adequação "impõe que a medida adotada para a realização do interesse público deve ser apropriada à prossecução do fim ou fins a ele subjacentes". [. destarte. 49 . 2012). 114). Finalmente. uma referência especial. mas a culpabilidade restar eliminada pela dirimente da coação moral irresistível..] Em outras situações. o princípio da necessidade ou da menor ingerência possível coloca a tônica na ideia de que "o cidadão tem direito à menor desvantagem possível" e o princípio da proporcionalidade em sentido restrito é "entendido como princípio da justa medida. Fernando. tornando inexigível conduta diversa por parte do servidor infiltrado (CAPEZ. compara-se o sacrifício do bem jurídico lesado pela ação criminosa do policial com benefício resultante do afastamento do perigo representado pela quadrilha. Merece um destaque próprio. por estar dotado de conteúdo criminoso e ser perniciosamente inadequado. pela excludente do estado de necessidade. Celso Antônio Bandeira. Costuma-se descompor o princípio da proporcionalidade em três elementos a serem observados nos casos concretos: a adequação. Com majoritária doutrina entendo como válido o principio da proporcionalidade como limitador dos atos do infiltrado no decorrer da operação. pois. de uma questão de 'medida' ou 'desmedida' para se alcançar um fim: pesar as desvantagens dos meios em relação às vantagens do fim (MELLO. salientando-se.850/13 normatizou no artigo 13 que a ação do agente infiltrado é pautando dentro da proporcionalidade e finalidade da operação.. com o objetivo de se avaliar se o meio utilizado é ou não desproporcionado em relação ao fim. a maior nocividade do fato cometido pelo agente público impede sua atipicidade e só poderá ser excluída do âmbito de aplicação do direito penal. Quanto ao principio da proporcionalidade. Nesse caso.proporcionalidade e adequação social. p. Meios e fins são colocados em equação mediante um juízo de ponderação. a lei 12. para ter-se maior visibilidade da fisionomia específica de um vício que pode surdir e entremostrar-se sob esta feição de desproporcionalidade do ato. Conforme expressões de Canotilho.

se arrisca a praticá-los. p. p. ou seja. partindo da premissa que os direitos e garantias previstos constitucionalmente. no qual a administração pública deve dentre os meios de restrição aplicáveis.. necessidade e proporcionalidade em sentido estrito. 09): “[. da velha discussão sobre meios e fins. não devem ser compreendidos em sentido absoluto. o principio da proporcionalidade pode ser entendido em um tripé: Adequação. eleger o menos danoso a ser aplicado. entendemos o principio da proporcionalidade como uma balança.32): Tratando-se do âmbito da persecução penal. ao fazer uso da infiltração policial sob a égide de elucidar e evitar crimes. para isso são empregados diversos outros princípios na decisão de “pesar” os bens na “balança” da proporcionalidade. no mesmo sentido leciona Maurício Zanóide (2010. a proporcionalidade interfere para determinar quanto aqueles direitos podem ceder. por motivo de necessidade. tendo como base a importância de cada bem jurídico. neste caso. no qual os conflitos surgem do entrechoque entre os direitos fundamentais (individuais) e o interesse persecutório (estatal). como por exemplo. analisando se os meios são proporcionais ao fim. um agente 50 .. E a proporcionalidade em sentido estrito que consiste em levar em conta o bem que será sacrificado e através de um juízo de valor. decidir se é aceitável ou não que tal medida seja tomada. Desta forma quando dois valores estiverem em confronto. ainda que não deseje. é necessário que o meio utilizado tenha a menor restrição possível aos direitos fundamentais.] é o cíclico retorno do dilema ético. 2014. No que diz respeito à adequação. um deve ser restringido e outro protegido. O principio da proporcionalidade é caracterizado por uma relação de meio e fim. A necessidade ou intervenção mínima.” Assim. FRIEDE. sem que essa compressão signifique sua supressão. Traz em seu entendimento Pacheco (CARLOS. deve a medida ser apta para que seja alcançado o fim desejado.Como ensina Celso Antônio bandeira de Mello e grande parte da doutrina. na qual o Estado. e visa buscar o equilíbrio entre valores fundamentais. o estado deve usar de ferramentas corretas e legais para que o objetivo seja cumprido da melhor forma.

e por ser uma diligencia de caráter restritivo a direitos fundamentais. porém no momento em que executou a ação. Explica Mariângela Lopes Neistein (2009. 2. Desta forma o agente infiltrado deve caminhar dentro de limites guiados pelo principio da proporcionalidade. É conceituada como causa supralegal de exclusão de culpa. Seguindo a finalidade da operação. ser utilizado quando restar outro meio probatório.para infiltrar-se em uma organização de caráter radical que prega atitudes extremamente violentas. cometendo delidos somente quando não se existir possibilidade de agir de outra forma. não havia possibilidade de exigir conduta diversa. ora. exige para sua entrada na organização a prática de um homicídio contra um rival da organização criminosa. Devendo tal procedimento investigatório e de coleta de provas para subsidiar a persecução penal. o parágrafo único do mesmo artigo apresenta a possibilidade do cometimento de crime por parte do agente infiltrado. somente poderá ser autorizada se for adequada e idônea para se alcançar o fim que se pretende. excluindo a responsabilização penal nos casos em que o infiltrado cometa o delito sob a inexigibilidade de conduta diversa. e não impulsionando a pratica de crimes. p. mostra-se tal medida em desacordo com o principio da proporcionalidade.87): A infiltração de agentes. devido ao risco imposto ao agente do estado que se insere na organização. sabendo “pesar” os direitos fundamentais em confronto. por ser uma diligência restritiva a direitos fundamentais.Inexigibilidade de conduta diversa A lei de organização criminosa no artigo 13 limita a atuação do agente infiltrado com base no principio da proporcionalidade. Inexigibilidade de conduta diversa consiste na hipótese em que o agente cometa uma conduta típica e ilícita. 51 . Deve-se fazer a seguinte pergunta: ‘É a infiltração policial uma medida adequada para alcançar o fim pretendido?’ A resposta necessariamente deverá ser afirmativa.

Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato. § 1º . [. de superior hierárquico. 1940]. ao tempo da ação ou da omissão. 21 . 20. Embriaguez: Art. se existisse.É isento de pena o agente que. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. supõe situação de fato que.Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis. as circunstancias do crime ocorreram de forma 52 . isenta de pena. na primeira parte quando menciona a coação moral irresistível e a segunda parte que traz a obediência hierárquica: [. quando lhe era possível. 26 .É isento de pena o agente que. era. ter ou atingir essa consciência. 28. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. se inevitável. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. Coação irresistível e obediência hierárquica: Art.] Descriminante Putativa Art.O código Penal Brasileiro elenca as causas de exclusão da culpabilidade. § 1° É isento de pena quem.. proveniente de caso fortuito ou força maior. tornaria a ação legítima. Inimputáveis: Art. O erro sobre a ilicitude do fato. Erro sobre a ilicitude do fato: Art. só é punível o autor da coação ou da ordem. se evitável.. no qual aduz no artigo 22. por embriaguez completa. 22 . poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Menores de dezoito anos: Art.. era. nas circunstâncias.. O pressuposto essencial da inexigibilidade de conduta adversa é a motivação. Parágrafo único .O desconhecimento da lei é inescusável. não manifestamente ilegal. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. se o fato ocorreu de forma completa. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem. ao tempo da ação ou da omissão. 27 .] [BRASIL. por erro plenamente justificado pelas circunstâncias.

não havia alternativa senão a prática do crime. não há de se falar em inexigibilidade de conduta diversa. não é razoável nem lógico admitir a sua responsabilidade penal. por razões de política criminal. poderia decorrer de duas linhas de raciocínio distintas.ª) escusa absolutória: o agente infiltrado age acobertado por uma escusa absolutória.ª) trata-se de uma causa de exclusão de culpabilidade.850/13 entrar em vigor. ou seja. no artigo 13 parágrafo único. 2005). Faltaria. 53 . na medida em que. é retirada a carga punitiva.825. BECHARA. (JESUS. 3. que trata da excludente de ilicitude com base na inexigibilidade de conduta diversa.ª) trata-se de causa excludente da ilicitude. poderia ter comprometido a finalidade perseguida com a infiltração. uma vez que ele não age com a intenção de praticar o crime. A atipicidade poderia derivar da ausência de dolo por parte do agente infiltrado. por inexigibilidade de conduta diversa. fazendo com que o agente seja obrigado a não agir em conformidade com a lei. 4. se o agente infiltrado tivesse decidido não participar da empreitada criminosa. expondo de formas diferentes as possibilidades de exclusão da responsabilidade.normal. porque a conduta do agente infiltrado consistiu numa atividade de risco juridicamente permitida. mas visando a auxiliar a investigação e a punição do integrante ou dos integrantes da organização criminosa. Essa atipicidade. sem relevância penal. todavia. A importância da sua atuação está diretamente associada à impunidade do delito perseguido.850/13. 2. Antes da lei 12.p. o legislador na edição da lei 12. Para sanar tal discussão doutrinária. imputação subjetiva. uma vez que o agente infiltrado atua no estrito cumprimento do dever legal. portanto. e expressar legalmente. vejamos as quatro correntes em artigo publicado por Damásio de Jesus e Fábio Ramazzini Bechara: 1. a atipicidade poderia derivar da ausência de imputação objetiva. existia grande discursão doutrinária a respeito da natureza jurídica da exclusão da responsabilidade penal nas ações do infiltrado. assim. todas as correntes com embasamento legal. porém se ocorreu de forma anormal. De outro lado. existiam no momento quatro correntes de debatiam o assunto. Isso porque.ª) atipicidade penal da conduta do agente infiltrado. optou pela primeira corrente doutrinária.

devendo atuar de forma que não levante suspeita sobre sua real identidade. para tornar o instituto da infiltração policial uma real ferramenta de combate ao crime organizado. empregando artefatos explosivos. o agente infiltrado acaba por não ser muito utilizado nas investigações. estando sob a inexigibilidade de conduta diversa. e esforço por parte do legislador com a edição da 12. restando como uma alternativa a ser usada em último caso. sozinho. ainda assim torna a atividade do agente infiltrado insegura juridicamente e fisicamente. Exemplificando o fato.117). expõe: Ilustrando esse raciocínio. sendo que o fato cometido continuará a ser típico e ilícito . Os integrantes da sociedade criminosa decidem que o “batismo” de FULANO consiste em. CONSIDERAÇÕES FINAIS 54 . Com toda a insegurança que cerca a matéria. Sanches (2014. pois o agente estatal deve “fantasiar-se” de criminoso. pois busca conquistar a confiança dos demais. FULANO.Neste sentido. respeitando a proporcionalidade e a finalidade da operação. mesmo com todo o amparo legal. não tem como negar. executar o crime. a lei regra que sendo o agente infiltrado induzido a prática de um delito. terá excluída a culpabilidade. Desta forma. devido à imprevisibilidade que é a infiltração policial. tornando uma tarefa de difícil execução. ao passo que tem sua atuação limitada pelo ordenamento jurídico. mas os integrantes que o induziram a execução do fato previsto como crime patrimonial respondem pelo delito. autor da subtração com rompimento de obstáculos. condição primeira para o sucesso infiltração. devendo agir respeitando a finalidade da operação e a proporcionalidade em seus atos. estando assim regrado pelas “leis” existentes nas organizações criminosas. subtraindo valores de um caixa eletrônico numa cidade do interior. infiltrado. não é culpável (sendo dele inexigível conduta diversa).850/13. FULANO. p. suponhamos que FULANO é um agente infiltrado em organização criminosa formada para a prática de furtos e roubos a bancos.

e com poderio financeiro e armamentista (em muitos casos). expondo os antecedentes históricos. e devidamente autorizado pelo magistrado. o agente deve estar na investigação de forma voluntária. por meio das pessoas competentes( Ministério Público ou Delegado de Polícia). dando a ele maior clareza e segurança. como a França que podemos destacar como a primeira manifestação da infiltração como meio de obter informações. os meios de provas. bem como os princípios que regem toda a atividade probatória.A presente dissertação teve como objetivo analisar a infiltração policial na criminalidade organizada. As organizações que hoje atuam apresentam estrutura extremamente organizada. O estudo contou com uma breve comparação do instituto da infiltração policial no Brasil e em outros países. Argentina. trata especificamente do agente infiltrado. obviamente cada qual dentro de seu contexto. a infiltração deve ocorrer de forma subsidiária quando não for possível outro meio de prova. nos Estados Unidos. incluindo em seu ordenamento jurídico tal matéria. que o procedimento seja precedido de manifesto pedido. que nos mostraram que não é um problema presente apenas nos dias de hoje. Nesse contexto. posteriormente. aprofunda suas origens em outros países. e como elas são utilizadas no combate a criminalidade organizada. o que torna um risco eminente para a sociedade. a pesquisa iniciou conceituando o crime organizado. em que é necessário que o indivíduo seja componente das policias Civil ou Federal. pioneiro nessa modalidade de investigação. a criminalidade organizada. O capítulo três da dissertação. Espanha e Portugal. As classificações das provas. O capitulo seguinte. que irá impor os limites da infiltração. apresentando 55 . Realizado comparativo entre as normas já revogadas que tratavam da matéria e a lei 12. do que o legislador entende por organização criminosa. como meio de obtenção de provas. quais sejam. Foi abordado ainda no primeiro capítulo sobre a nova lei de organizações criminosas o conceito por ela expresso. os requisitos legais fundamentais para que haja a infiltração. é observada em diversos momentos históricos. concluindo que a nova lei de organizações criminosas transformou esse instituto. foi tratada das provas no direito processual penal brasileiro. Conceituação de agente infiltrado na visão de diversos doutrinadores. bem como a insegurança jurídica que está presente na atuação do infiltrado.850/13 que está em vigor.

Por fim foi abordada a temática pertinente a insegurança jurídica presente na atuação do infiltrado na organização criminosa. Brasília. A prática de condutas típicas e ilícitas por parte do infiltrado no curso da investigação. bem como excludente de reponsabilidade apaziguando entendimento doutrinário que gerava grande controvérsia. a lei 12.850/13 como excludente de culpabilidade nos casos em que o agente não possui a capacidade por motivos alheios de recusar-se a prática de crimes.850/13 significou grande mudança no âmbito da investigação policial. não sendo possível o legislador e nem o magistrado prevê as possíveis ações da organização criminosa. atribuindo a inexigibilidade de conduta diversa como a causa de excluir-se a culpa na prática do delito. e os possíveis delitos aos quais o agente será obrigado a cometer para ter sua integridade física preservada. 1988. Desta forma.diferenças e semelhanças. e a possibilidade de responsabilização criminal. visto que essa modalidade de investigação e coleta de provas é extremamente imprevisível. trazendo em seu texto legal limites na atuação do agente infiltrado com base no principio da proporcionalidade. DF: Senado Federal. as formas com que se apresentam em cada país. bem como a inexigibilidade de conduta diversa que é expressa na lei 12. 56 . quando tornou mais claro o entendimento do instituto da infiltração policial como meio de obtenção de provas para a persecução penal. resta grande insegurança na atuação do agente infiltrado. devido ao grande risco que envolve o agente infiltrado. as previsões legais acerca da possibilidade de responsabilização penal em caso de cometer ilícitos durante a investigação. Constituição. acaba por tornar-se um método pouco usado no Brasil. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. tanto na parte física como na possível punição por parte do estado por meio do poder judiciário. No entanto mesmo com previsão legal. o principio da proporcionalidade como guia da atividade do agente infiltrado. Conclui-se que.

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