COMO

OS
ESTADOS
UNIDOS
TRATAM
SEUS
CRIMINOSOS
?
Volume 1

Andres Carvalho da Silva

Índice

Introdução .................................................... 1
1. As Prisões Devem Ser Propositadamente
Desconfortáveis .......................................... 12
2. Prisões “Supermax” ................................. 29
3. Disciplina Estrita Diminui a Violência Das
Prisões ....................................................... 44
4. A Economia e o Trabalho do Preso ........... 69
5. Cadeia: Caminho Fácil ou Difícil? .............. 89
6. Criminosos Condenados e o Direito ao Voto97

Introdução
O aprisionamento como punição para
crimes começou a ser utilizado durante o
século XVI. Antes, a correção criminal
consistia na escravização ou em castigos
corporais tais como o açoite ou a
execução letal.
A prisão foi concebida como uma
resposta mais humana ao comportamento
criminoso.
Quando
os
europeus
estabeleceram colônias na América do
Norte durante o século XVII, os Estados
Unidos continuaram a prática de
encarcerar os condenados por crimes.
Durante a era colonial o número de
americanos na prisão compunha uma
parcela pequena, quase insignificante da
população. Esta situação, contudo,

1

Em grande medida. A posição de que se deve tratar duramente os criminosos foi amplamente endossada pela classe política norte- 2 .mudou drasticamente nos dias atuais.000 americanos estavam encarcerados. Os Estados Unidos é o país com a maior população carcerária do mundo e que permanece em uma ascendente taxa de encarceramento. Para que se tenha uma ideia. inexoravelmente. já em 1996 esta taxa quase que quadruplicou para 427 a cada 100. nos anos oitenta 139 de cada 100.500 presos. ser conduzido à pena máxima e sentenças mais duras para crimes relacionados a drogas.000 de acordo com o departamento de justiça e. onde o criminoso que ostente tripla reincidência deve. atualmente. isso decorre de tendências legislativas novas como “three strikes and you are out”. o número se aproxima de 1.

percebendo esse tipo de demanda.americana. Para que se tenha uma ideia. Como exemplo desse comportamento nós temos o Senador de Michigan Phil 3 . portanto. alguns importantes líderes políticos consideram simplesmente que as pessoas ao serem encarceradas. passaram a advogar aberta e escandalosamente um tratamento cada vez mais duro com os condenados criminais. os norteamericanos também não suportam mais a violência e muitos políticos carismáticos. Assim como no Brasil. devem automaticamente perder todos os seus direitos e. o que influenciou em muito o sistema correcional do país implicando em um contínuo aumento da população prisional. devem se sujeitar a medidas projetadas para punir e fazer sofrer ao invés de reabilitar.

estupram e matam”. muitos estados também desenvolveram prisões de máxima 4 .Hoffman que afirmou: “Nós estamos bajulando pessoas adultas que nos roubam. Muitos americanos gostariam de reduzir ou eliminar estas amenidades para cortar os gastos e redirecionar a verba poupada para o combate e prevenção do crime. Em uma atmosfera em que o foco está concentrando-se cada vez mais na punição. legisladores e o público estão ficando indignados com prisioneiros vivendo com o que alguns caracterizam como “mordomias de hotel” tais como o acesso à TV a cabo. educação gratuita e bibliotecas. Além da redução genérica de privilégios. academias de musculação.

Outra ideia popular entre os partidários da política da tolerância zero com os criminosos tem sido a de se 5 . Nestes estabelecimentos não é disponibilizado treinamento educacional ou vocacional e em alguns casos sequer material de leitura ou televisão. Não lhes é permitido o contato com outros prisioneiros e o contato com os guardas é reduzido ao mínimo. Entusiastas das prisões “supermax” dizem que estas medidas são instrumentos necessários para punir prisioneiros incorrigíveis. No mesmo sentido carcereiros de muitas prisões onde o índice de violência é alto adquiriram dispositivos de choque para controle de prisioneiros violentos ou não cooperativos. os prisioneiros ficam trancados isolados 23 horas por dia. Nestes estabelecimentos.segurança (supermax) projetadas para os prisioneiros mais problemáticos.

A verba obtida desta forma pelas instituições correcionais pode ser usada para a redução do seu custo operacional. que nem todos os programas de trabalho durante a pena propiciam a aquisição de novas habilidades. Um benefício marginal adicional é que os prisioneiros aprendem habilidades úteis após sua libertação. Em alguns estados o uso de correntes entre detentos foi retomado para o controle dos movimentos dos prisioneiros. mas também como garantia que a vida na prisão não seja agradável. porém.disponibilizar prisioneiros para o trabalho junto a empresas particulares contratantes. há outro lado tratamento dos encarcerados. Contudo. não só com o intuito de se prevenir fugas. no 6 . Note-se.

por exemplo. O relatório cita inúmeros casos de violações aos direitos humanos (de abusos físicos. Pesquisas da Anistia Internacional indicam que quase todas as mulheres encarceradas atualmente sofreram abusos sexuais de algum tipo durante seu período de internação prisional.Partidários dos direitos dos prisioneiros afirmam que punições mais severas e disciplina mais rígida levaram a frequentes violações do sistema de direitos humanos. sexuais e psicológicos de prisioneiros). Em 1998. a Anistia Internacional emitiu um relatório sobre as condições das prisões intitulado “Direitos para Todos”. Aqueles que são críticos a política de “linha dura” estão também preocupados sobre o uso de dispositivos de choque 7 . Números crescentes de abusos sexuais de mulheres encarceradas é um foco de grupos pró-prisioneiros.

aprendizagem ou comida quente apenas tornar-se-ão mais raivosos. mais violentos e mais propensos a delinquir após o reingresso na sociedade.elétrico para o controle de prisioneiros. Mais que as preocupações sobre abusos físicos. Este grupo também descrê da eficácia de prisões “supermax” pelas 8 . Críticos declaram que a possibilidade de abuso é muito grande com “stun belt” (cinto com bateria que pode ser acionado remotamente para provocar choques) com potência de 50. Estas pessoas argumentam que os detentos aos quais se nega recreação. Alguns observadores destacam que ainda não existem estudos sobre danos de longo prazo para estes aparelhos. partidários dos direitos dos presos acreditam que privilégios para prisioneiros são importantes.000 volts acionável a distância de aproximadamente 100 metros.

As atuais prioridades voltadas para segurança e controle de custos.mesmas razões. crendo que os sujeitos internos neste tipo de estabelecimento penal tornam-se mais selvagens e menos propensos à reabilitação. As diferentes opiniões sobre como se devem tratar os detentos refletem o aprofundamento da preocupação social em como controlar e erradicar o crime. 9 . Assistência médica em prisões é também uma preocupação para os grupos de defesa dos prisioneiros. não deve inviabilizar que os presos recebam cuidados comparáveis àqueles disponíveis à população fora das paredes das prisões. afirmam alguns. Eles declaram que é necessário efetuar mudanças no sistema de saúde da maioria das prisões para acomodar a necessidade dos idosos e dos portadores de doenças terminais.

Os principais tópicos em estudo. quais?  Os dispositivos de choques elétricos são ferramentas de imposição da disciplina aceitáveis?  Como as prisões devem lidar prisioneiros em estágio terminal?  Como se pode inibir os abusos sexuais de detentas? com 10 . pela criminologia quanto às prisões dos Estados Unidos são:  As prisões “supermax” são humanas e efetivas?  Os presos devem ter acesso a privilégios e amenidades? Se sim. atualmente.

 Há legitimidade no uso de correntes entre prisioneiros? 11 .

1. onde sofrem com a sede. cigarros ou muita televisão. Para que se tenha noção. 12 . As Prisões Devem Ser Propositadamente Desconfortáveis Não são poucos os estados norteamericanos que adotam a filosofia de que as prisões devam ser simultaneamente desconfortáveis e seguras. os prisioneiros são mantidos em tendas no deserto. A ideia é a de que os detentos não tenham acesso a “luxos” como café. Nos Estados Unidos. o calor. no Arizona. Essas medidas buscam fazer da cadeia uma forma adequada de punição. o isolamento e o desconforto. é extremamente comum que os presos sejam obrigados a realizar trabalhos extenuantes com o intuito de que sejam reduzidos os custos penitenciários.

A prisão deve ser um lugar para o qual ninguém queira retornar. além de não serem produtivos do ponto de vista institucional. elas não são as únicas.Embora as tendas (alojamento para detentos) sejam a parte mais substancial e visível do programa prisional no Arizona. Realmente. Outras medidas também incorporam a filosofia de fazer o sistema prisional menos agradável. mais eficiente e menos oneroso aos contribuintes. Tais comportamentos são inaceitáveis legal e eticamente. Isto não significa que os detentos devam ser tratados de modo cruel ou desumano. administração arbitrária ou 13 . O sistema pode ser resumido em uma linha de raciocínio repetida constantemente: “os detentos não devem viver melhor na cadeia que fora dela”.

café. desregrada e perigosa para os detentos e guardas.bárbara serve apenas para tornar qualquer cadeia mais violenta. não inseguras. O método penológico americano para concretização dessa política é o de se eliminar se todas as comodidades deixando aos presos apenas o acesso àquilo considerado estritamente necessário. As primeiras proibições impostas foram: tabagismo. o acesso a material impresso pornográfico. Assim o conceito chave que delineia o modus operandi dessa ideologia é: disciplina. 14 . trabalho duro e total ausência de comodidades. Cadeias devem ser desconfortáveis. programas de televisão com conteúdo violento. Navega-se pela tênue linha entre o desconforto e a crueldade.

Há um apelo extremamente forte no sentido de se suprimir regalias e se impor a realização de trabalhos árduos. O bom senso diz que se as pessoas de bem não são 15 . No Brasil. os detentos não gostam. entretanto. essa revindicação também é constante. tais restrições projetam-se também para a contribuição da saúde dos detentos livrando-os dos vícios do tabaco. A população em geral fica indignada com a ideia de que a vida na prisão seja mais confortável que a vida de pessoas pobres honestas. Toda vez que as prisões recebem visitas das autoridades. do café e da pornografia. as queixas são sempre as mesmas: Por que não podemos ter café? Por que não podemos ter cigarros? A resposta estatal.Obviamente. costuma ser sempre a mesma: É assim porque você está na cadeia! Ironicamente.

outro preso e no seguinte de volta para as ruas. Uma parte dos prisioneiros crê que a prisão seja simplesmente um estágio.sustentadas pelo Estado (ou elas trabalham ou passam fome). abrigo. cigarros. ou um período de descanso antes de novas empreitadas criminais. Enquanto eles puderem satisfazer estes desejos eles estarão enormemente satisfeitos. drogas e sexo. Um dia eles pensam poder estar traficando drogas. Surpreendentemente. inerentes aos homens livres. foram-lhe merecidamente suprimidos. outro roubando casas. muitos detentos parecem não conseguir compreender o fato de que alguns dos seus direitos e privilégios. com um descaso ainda maior o país deveria tratar seus criminosos. É de se surpreender também o quão básicas são as necessidades de muitos criminosos: comida. 16 . televisão.

usar drogas ou ter sexo”. porque se eu for pego eu irei voltar para aquele lugar terrível? Aquele lugar onde eu não posso fumar tomar café. é inadmissível que na cadeia eles possam viver tão bem ou até melhor que antes. Se isso ocorresse.Muito da penologia dos EUA se lastreia no seguinte pensamento: os criminosos furtam. Queremos que nossos criminosos potenciais hesitem ante a hipótese de dar uma pancada na cabeça de uma senhora idosa para roubar sua bolsa e digam consigo próprios: “Ih talvez eu não deva fazer isso. 17 . roubam. comer bife. quando um criminoso vem das ruas para a prisão. sem despender qualquer esforço. qual seria o resultado? O que os detentos iriam pensar? Eles certamente não iriam mais temer a cadeia. traficam e matam para conseguir o que desejam. (inclusive esforço criminal).

os criminosos tem a convicção de que irão obter rapidamente liberdade condicional e. Desse modo. terei minhas visitas íntimas. eles não estão preocupados em serem pegos e condenados.Os simpatizantes dessa corrente penológica norte-americana observam os sistemas penais dos países menos rigorosos como o Brasil e argumentam: o que os criminosos brasileiros dizem a si próprios? “Uhmm. eu fico o dia todo convivendo com meus manos. eu poderei negociar cigarros e a comida é melhor que a que eu estava acostumado. meus amigos irão me trazer drogas. quando muito. eu terei tudo que quero. assistindo televisão. além disso tudo. eles sabem que têm uma boa chance de conseguir um acordo judicial favorável porque todos estão atolados em excesso de trabalho. estar trancafiado não é tão ruim. afinal. 18 . jogando bola e fazendo musculação”.

seja o que for que esta expressão signifique . Até se fossem enviados para prisões distantes. hoje. Então por que se preocupar? O que temer? Você conhece o velho adágio “Não cometa o crime se você não aguenta as consequências”. isso não passa de uma piada. Isto significava algo antigamente. Os criminosos dizem: “cumprir pena.o presídio está superlotado e o diretor decidirá que a maneira mais fácil de resolver o problema é abrir as portas e soltar um “punhado” de condenados. eles saberiam que provavelmente teriam de cumprir apenas uma pequena fração da sentença e no fim. e daí?! é tranquilo!”. algo que deveríamos considerar seriamente.serão subjugados sempre às penas mínimas. 19 . em muitos lugares. porém. seriam soltos por “bom comportamento”.

aluguem parte de seus terrenos para que a prisão e seus detentos trabalhem no cultivo de alimentos. procurando modificar a forma pela qual essas instituições administram suas responsabilidades.Muitos lugares nos Estados Unidos estão se esforçando como podem para alterar essa equação penal. eles se focam nos carcereiros e nas penitenciárias. As prisões. além de possuírem um programa para recolhimento de doações. firmam acordos com fornecedores de alimentos e fazendeiros do entorno do presídio de forma a obter insumos para alimentação a menores preços. É relativamente comum que fazendeiros. Ao invés de se concentrar no comando das cortes ou das promotorias. frequentemente. Há um esforço verdadeiro para transformar as prisões mais duras e 20 .

melhores. Era comum, por exemplo, que
detentos contrabandeassem drogas e
outros itens sob os cabelos compridos,
então diversas prisões impuseram um
corte curto de cabelo (trabalho feito por
outros detentos), o que de fato resultou
em uma economia de custos e
treinamento profissional para detentos
como barbeiros. Quanto à televisão, os
únicos canais permitidos são os de
notícias e de previsão do tempo. Também
lhes é disponibilizado, videoaulas sobre
ética,
cidadania,
religião,
etc.
Basicamente, essas são as opções de
entretenimento audiovisual disponíveis.
No Brasil, a lei de execuções penais,
por um lado, determina uma série de
regalias, mas de outro, impõe diversas
obrigações.
Não
obstante
as
revindicações populares, é difícil que o
congresso nacional aprove mudanças
muito rigorosas no tratamento prisional

21

porque, além de existir um lobby
fortíssimo em prol dos direitos humanos
em nosso país, o Brasil é signatário de
uma série de tratados internacionais que
protegem os prisioneiros de um
tratamento mais severo. De outro lado, a
vergonhosa solução brasileira é a de
simplesmente
desobedecer
a
lei.
Ignoram-se as exigências da lei de
execução penal e se faz vistas grossas a
uma série de condutas abusivas. O
resultado não poderia ser pior, de um
lado, a população não se sente satisfeita
porque o aspecto duro das prisões
brasileiras não pode ser amplamente
divulgado, afinal, consistem na violação
pelo próprio Estado de suas leis e de
outro, a repressão ilegal aos presos os
obriga a se organizar para se defender, o
que fomenta o crime organizado e
verticalização
das
retaliações
provenientes tanto do lado dos presos,
como do lado dos guardas também.

22

Diferentemente, nos EUA, tem-se
sempre em mente que os detentos são
homens cruéis e maus, que irão se
aproveitar de quaisquer vantagens ou
fraquezas fornecidas por seus adversários
(agentes do sistema prisional). Isso está
impresso tanto na legislação, como nos
regramentos
administrativos.
Por
exemplo, é comum que os prisioneiros
abusem
do
direito
de
consultar
enfermeiros e médicos, então, diversas
prisões instituíram uma taxa de alguns
dólares para que os presos pudessem
fruir de serviços médicos. Caso o detento
não possuísse o dinheiro, então, lhe era
fornecido o atendimento médico à
crédito, e a dívida feita deveria ser
posteriormente paga com horas extra de
árduo trabalho prisional.
É também comum que os detentos
sejam aleatoriamente sujeitados a testes

23

deve-se conceder a possibilidade de aprendizado e mudança 24 . continua sendo passar alguns dias na prisão solitária. Equipes táticas especializadas também periodicamente revistam a prisão em busca de drogas. bem como ajuda profissional relativa a dependência de drogas. De fato.quanto ao uso de drogas. sob a perspectiva de grande parte dos norte-americanos. Mesmo em uma cadeia dura. De outro lado. ele pode estudar e conseguir a equivalência do segundo grau ou participar na designação de algum trabalho ou conseguir algum treinamento vocacional. Elas são ditadas pelo bom senso. armas ou outros bens proibidos. essas medidas não lhe soam nem mesmo tão duras. A punição mais comum imposta a quem viola as regras da prisão. se um detento segue as regras e tenta fazer algo por sua vida.

Esse é outro grande problema no sistema penológico brasileiro. deve ter a chance de se tornar um ser humano melhor. Não são poucos os presos que querem estudar. nós assumíssemos de um lado o nosso desejo de crueldade e 25 . Embora as desculpas oficiais sejam sempre no sentido de que falta estrutura e dinheiro. trabalhar.aos detentos – quem quer.. tudo é feito com extremo desleixo e má vontade. querem fazer o possível para prejudicar os presos. a verdade é que há muita má vontade por parte do Estado relativamente aos detentos. todavia. então. receber algum ensino profissionalizante. No íntimo. Bem melhor seria se. como é nos Estados Unidos. as pessoas com poder de decisão e de concretização. etc. ninguém assume isso publicamente. o Estado normalmente dá de ombros e não atende à demanda. entretanto.

mesmo nos Estados Unidos. nem outra necessidade e. Algo também que é bastante comum lá é a emigração para estados mais liberais por parte dos ex-detentos.de outro. no final das contas. acabam retornando para a prisão. mais tarde. Cerca de 70 por cento optam por não aprender nada. parássemos de sabotar as leis e os serviços administrativos. muitos detentos insistem na carreira criminal e não se esforçam em melhorar. não satisfazemos nem uma. escolhem continuar desrespeitando a lei. o Estado acaba sendo tão infrator da lei quanto as pessoas que ele pretende punir. Do modo como lidamos com o problema. escolhem seguir adiante e. Eles não pretendem parar de delinquir. 26 . porém. Infelizmente. apesar da dureza dessas prisões.

mas é assim que deve ser. ajudaremos apenas aqueles que realmente querem se reabilitar. maus e corruptos. Isto pode soar duro. Controle o resto.optam por cometer seus crimes em cercanias mais liberais. A palavra de ordem é: “antes de tudo. Ajude os que você puder ajudar. controle-os tais como os zoológicos fazem com os animais selvagens perigosos”. não merecem que um grande esforço seja empregado no sentido de recuperá-los. Salve os que você puder salvar. A cadeia não deve ser um prêmio. quanto aos demais. Os partidários desse tipo de política prisional estão convencidos de que a maioria dos prisioneiros são completamente falsos. não podemos nos esquecer de que a prisão deve ser um lugar duro. uma atitude realista. não deve ser uma colônia de 27 . afinal.

o negócio da cadeia é apenas um: punição. 28 . Surpreendentemente boa parte da sociedade parece ter se esquecido desta indisfarçável realidade.férias ou uma escola.

Prisões “Supermax” O departamento correcional da Califórnia opera com todas as penitenciárias do estado. uma prisão que inaugurou o título de “supermax” (conhecida pela sigla SHU . Para garantir segurança dos detentos e funcionários. supervisiona diversas instituições de apoio à atividade correcional e supervisiona os detentos em liberdade condicional durante sua reentrada na sociedade. A prisão estadual de Pelican Bay aloja a unidade de prisão mais segura dos Estados Unidos.2.Security Housing Unit). os prisioneiros do SHU 29 . Lá é onde os prisioneiros mais violentos e perigosos são confinados.

Isso resulta em um bem-sucedido programa que pune os criminosos e mantém o nível de violência interna no mínimo. de um lado a prisão aloje os detentos comuns. não são todos os detentos que acabam encaminhados o SHU – apenas os mais 30 . os quais não têm quaisquer destes privilégios. fiquem os prisioneiros do SHU. estudar e conviver com outros detentos. Como é razoável se esperar. e o tempo de lazer é estritamente controlado. enquanto que. que são pessoas perigosas. incapazes de respeitar as regras de segurança ou de convívio coletivo. que são autorizados a trabalhar. do outro lado. As prisões costumam ser geograficamente isoladas e é normal que. por seu comportamento na prisão. Ali estão pessoas que provaram.experimentam confinamento solitário. movimentação restrita pouco ou nenhum contato entre si.

etc. ouve o detento e testemunhas. motim. roubo. estupro. A maioria é enviada para lá por ter cometido algum ato violento dentro da prisão como assassinato. A unidade SHU de “Pelican Bay” frequentemente é referida como uma 31 . No final. O departamento efetua uma completa investigação dos documentos das atividades das gangues de detentos e revisa a situação a cada 120 dias. o detento pode ser condenado a uma estadia no SHU cujo prazo varia de alguns meses a até cinco anos.problemáticos. Conhecidos membros de gangues e afiliados especialmente aqueles responsáveis por violência e intimidação dentro da prisão também podem ser direcionados ao SHU. se as acusações forem fundadas. ameaça a outros detentos ou funcionários. Um comitê de revisão administrativa avalia as evidências.

prisão-modelo “supermax” porque é capaz de propiciar segurança máxima aos detentos e funcionários. 32 . Cada corredor contém apenas oito celas. sem obstruir a visibilidade para dentro e fora da cela. A maioria dos prisioneiros fica em celas individuais. Cada corredor possui uma sala para exercícios medindo aproximadamente 8 por 3 metros. Portas pesadas de ferro e cheias de pequenos furos limitam a possibilidade de um detento agredir outro. Camas são chumbadas na parede e o vaso sanitário não possui partes removíveis que poderiam ser usadas como armas. Um chuveiro é colocado em cada andar. Os corredores possuem claraboias para iluminação natural. Todas as roupas de cama e pessoais são examinadas por raios-X antes de serem colocadas nas celas.

Muitos detentos do SHU têm permissão para movimentação limitada nos corredores. 33 . Por exemplo.Os corredores são arranjados em um semicírculo semelhantemente aos raios de roda. O funcionário da sala de controle tem uma visão clara dos seis corredores de celas. um detento pode ir da cela para a área de exercício ou para o chuveiro desacompanhado. com uma sala de controle no centro. Somente um detento pode movimentar-se pelo corredor por vez. Isto reduz a frequência de contatos físicos entre funcionários e prisioneiros e diminui grandemente o risco de agressão. O funcionário que opera as portas controla as entradas e saídas de cada corredor e monitora o movimento na sala de exercícios por circuito fechado de TV.

Uma forma de controlar a violência dentro das prisões é minimizar o contato físico entre os detentos. com pessoal de ou da administração .Antes que um detento saia do corredor ele é algemado. desde que não haja contato físico.Receber visitas de familiares ou amigos. dois carcereiros. Ele é conduzido para áreas seguras dentro do SHU sempre por.Assistir audiências disciplinares ou de habilitação à liberdade condicional. Diferentemente de outras instituições onde os detentos 34 . no mínimo. Os detentos podem: . .Receber cuidados médicos. Encontrar aconselhamento prisional.

disponibilizam material aprovado aos prisioneiros e entregam livros de referência. Afora esta situação os detentos são mantidos isolados por toda estada prisional. operar a cantina e efetuar o serviço de manutenção de rotina. Alguns poucos detentos que compartilham uma cela podem fazer exercícios juntos. Somente funcionários em SHU entregam bandejas de comida. no SHU somente os funcionários têm contato físico com os detentos. Na biblioteca legal eles processam requisições por informações.fazem serviços de apoio. 35 . suprimentos de cantina ou medicamentos. Detentos de fora do SHU vêm para este prédio para preparar as refeições.

consultas médicas. dentárias e psiquiátricas. e são mantidos separados dos detentos alojados no SHU. Além disso. inclusive emergência. Eles também são obrigados a vestir um traje especial para distingui-los dos detentos do SHU.Estes detentos são revistados para entra e sair da unidade. Cada unidade de SHU oferece uma linha completa de serviços de saúde. 36 . Por forçar este tipo de separação. Eles são vigiados enquanto dentro da unidade. assegura-se que nenhum interno tenha uma posição de grande status ou de acesso dentro do SHU. a prisão elimina a possibilidade que os detentos possam ser usados como intermediários de informações ou contrabando. médico de rotina. diagnósticos.

A essência da prisão SHU de Pelican Bay é a de que haja a máxima proteção aos detentos e funcionários. Permite-se também um razoável acesso a biblioteca da prisão. Os detentos 37 . Na maioria das vezes os médicos podem diagnosticar e tratar os prisioneiros durante suas “rondas” nos alojamentos. Qualquer interno que necessite um tratamento médico complexo. A maioria dos medicamentos é fornecida por técnicos médicos. tratamento dentário ou aconselhamento psicológico é levado algemado para a enfermaria. A prisão fornece serviço de segurança completo para detentos levados para fora da prisão. Se o problema está alem do escopo da enfermaria da prisão o detento é transportado para um hospital externo.

revista o material para evitar contrabando ou mensagens não autorizadas. 38 . bem como materiais doutrinários e jurisprudenciais de pesquisa. Pequenos grupos são conduzidos a biblioteca e então trancados em celas individuais para estudo. Dirigida por um bibliotecário especializado. a biblioteca de Pelican Bay mantém textos legais atualizados para que os presos possam exercer petições em defesa própria.podem ler. agendar previamente o tempo de biblioteca. A equipe de segurança. contudo. porém. O judiciário decidiu que os detentos podem compartilhar materiais legais. pesquisar ou se distrair com os livros que estão à disposição. Os detentos devem.

A sala de exercício mede aproximadamente 7 metros de comprimento.A biblioteca legal foi projetada para estudo silencioso. Por causa do alto nível de segurança do SHU. uma decisão judicial permitiu conversação entre os detentos nas celas da biblioteca. todas as atividades de lazer são rigidamente controladas. Por razões de segurança não são permitidos equipamentos de exercício. familiares e amigos podem interagir com os detentos no SHU regularmente em dias programados de visitas. Contudo. O visitante senta do lado oposto a uma divisória de vidro blindado e toda comunicação deve se dar por telefone. Os prisioneiros têm acesso à sala de exercício dez horas por semana no mínimo. Visitas. Todas as visitas são sem contato físico. O detento é levado a uma cela pequena e segura. 3 metros de 39 .

A outra metade é aberta para o ar livre. Capelães encontram os detentos na porta da cela ou na unidade de alojamento. mas coberto por uma pesada tela de arame farpado. os detentos podem ter rádios e aparelhos de televisão dentro das celas.largura e 6 metros de altura. Metade do teto é coberto por vidro blindado para proteção durante o tempo chuvoso. eles devem usar fone de ouvido para ouvir os programas. todavia. Quanto ao entretenimento. No Brasil temos um programa penitenciário bastante similar conhecido 40 . O SHU também oferece programas e serviços religiosos aos internos. Câmeras de vídeo permitem constante vigilância dos movimentos do detento pela sala de controle.

muito além da margem tolerável. A verdadeira utilidade.pela sigla de RDD (regime disciplinar diferenciado) que igualmente vem sendo endossado com bastante entusiasmo pela população. Aparentemente. o índice de detentos que enlouquecem ou se veem permanentemente lesionados pelo RDD é bastante alto . O valor de RDD no Brasil. Ao invés de servir para confinar os criminosos mais perigosos. contudo. o RDD é utilizado como moeda de troca nas negociações com os líderes das facções de detentos. Apesar da satisfação tanto administrativa como popular. psicólogos e psiquiatras. do RDD na gestão prisional brasileira é um tanto inusitada. O ponto nevrálgico da discussão são os danos psicológicos que o isolamento pode trazer. 41 . o RDD tem sofrido severas críticas de advogados.

Esses detentos estavam convictos que jamais iriam sair da prisão (exceto em caso de fuga) e. Eles podiam matar. mas sim na ameaça de punição. Paradoxalmente. por estarem condenados à prisão pelo resto de suas vidas. intimidar. passou a ser possível um diálogo entre o Estado e as facções 42 . justamente por isso. se amotinar. passavam a gozar de uma irrestrita liberdade. esses presos. um grande problema que o Brasil enfrentava com seus presos mais problemáticos era que eles não tinham nada a perder. essas pessoas passaram a ter algo a perder – sua sanidade. Com a implementação do RDD. organizar rebeliões e tentativas de fuga e não havia modo do Estado os controlar. Disso. estavam imunes às opções coercitivas que o sistema dispunha.não está tanto na punição efetiva. Antes do RDD.

Além desses. e de outro. o Estado não os iria encaminhar para o RDD.criminosas. 43 . mas sim apenas aqueles que ousaram romper com os acordos. os líderes dessas facções assumiam o compromisso de que seus comandados não iriam desafiar as regras do presídio. De um lado. Gente que está no limiar da sanidade perigosa e da loucura propriamente dita. Desse modo. não são os criminosos mais poderosos que se encontram no RDD. pessoas que perderam quaisquer freios de convívio social e são regidas basicamente por um instinto de brutalidade e destruição. são levados ao RDD muitos sociopatas.

em cinco anos. Com Giuliani os funcionários da “Rikers” foram equipados com spray de pimenta e armas de choque. Contudo.3. O advento de novas tecnologias como detectores de metal e câmeras de vigilância aumentou a eficiência das revistas e facilitou o combate ao contrabando de drogas. 44 . o prefeito Rudolph Giuliani de Nova Iorque junto de um time de assessores acabou com a violência e tornou a “Rikers” segura. Disciplina Estrita Diminui a Violência Das Prisões “Riker Island” em Nova Iorque é uma prisão que ficou famosa durante as décadas de 80 e 90 do século passado pela violência de suas rebeliões.

celulares e armas para dentro dos presídios. Usando um conjunto de ferramentas e táticas. criando um ambiente mais seguro tanto para guardas. a violência na Rikers foi reduzida a níveis extraordinariamente baixos. Cinco anos antes. a Rikers era uma cadeia onde os detentos degolavam uns ao outros com navalhas improvisadas. como para os próprios prisioneiros. escudos eletrificados e um programa processual penal que processa agressivamente os 45 . diminuiu a substancialmente violência. muito mais rígido. Mas após a implementação da política da tolerância zero. as gangues viviam numa guerra constante enquanto que guardas e prisioneiros travavam lutas de vida ou morte pelas mais frívolas banalidades. O novo programa. como uma enorme equipe da “SWAT”.

eles certamente iriam pensar fosse piada. 46 . Agora. Kerik. a realidade é bastante diversa. o comissário de correção da cidade de Nova Iorque diz que se alguém contasse aos seus guardas cinco anos atrás que o nível de violência seria baixado para o atual.detentos por crimes cometidos praticados dentro da prisão. Bernard B. as mudanças não vieram sem preocupações. Este esforço agressivo mudou radicalmente o clima dentro do complexo penitenciário da Rikers que antes era famosa no mundo todo por sua essência caótica e brutal. onde detentos e guardas viviam atemorizados. Alguns detentos e seus advogados viam as novas táticas. os oficiais correcionais reduziram facadas e cortes em mais de 90 por cento. Contudo.

abusos irão fácil e inevitavelmente ocorrer”.particularmente o uso de gás de pimenta e armas de choque com alarde.000 pessoas que em média estão na Rikers aguardando julgamento ou cumprindo pena. existe uma percepção geral que as prisões estão mais seguras e mais facilmente administráveis. Para partidários e críticos da repressão. A julgar pelas entrevistas com guardas. Jonathan S. os esforços na Rikers são um exemplo da administração municipal de 47 . internos e advogados representantes de uma população de 30. Chasan um advogado da “Sociedade de Proteção dos Direitos e Apoio Legal aos presos” declarou: “não há dúvida que esses dispositivos facilitam o controle dos detentos. mas quando você disponibiliza um sistema desse tipo em larga escala.

astúcia e bom senso. Flórida e Connecticut. Estes dispositivos foram usados 74 vezes no primeiro ano de sua implementação (cerca de uma vez por semana). adotaram o programa como um tipo de modelo. Cassetete e spray de pimenta 48 . A sensação de segurança mantida na Rikers foi alcançada através de um programa ambicioso e enérgico usando alta tecnologia de armamento. Giuliani. posteriormente. implantando sua política de tolerância zero ao crime em sua forma mais palpável e objetiva.Rudolph W. Oficiais correcionais dos estados de Mariland.000 volts por seis segundos são usados para incapacitar detentos e evitar lutas corporais. Os dispositivos de choque – grandes escudos de acrílico blindado envolvidos com fiação emitem um choque de 50.

500 vezes nos últimos três anos. 49 . Embora controversos. O Sr. um ex-policial linha dura. o “spray de pimenta” e os dispositivos de choque estão sendo cada vez mais usados em cadeias e presídios por todo o EUA. Os oficiais de saúde de Nova Iorque aprovaram seu uso contra os detentos saudáveis. Kewrik. Esta atitude. levou a mudanças que substituíram um estabelecimento com uma atmosfera quente e sangrenta em alguns blocos de celas por uma calma tão profunda que chega a parecer estranha. alguns visitantes dizem. disse que ele era desejoso de experimentar outras coisas que fossem ainda mais eficientes contra atos de violência.foram usados cerca de 1.

800 detentos foram presos e processados por novos crimes por atos violentos ou infrações às normas da 50 . foram constrangidos a caminhar com suas mãos presas dentro de um tubo protetor conhecido como “luvas”. No passado. muitas pessoas que esfaqueavam um guarda ou eram pegas com armas eram apenas transferidas para uma ala disciplinar. Outra mudança crucial foi a criação de uma unidade de inteligência que dissolveu gangues e aumentou a compreensão dos eventos ocorridos dentro da prisão. a partir da implementação dessa política. Mais de 1. Durante as revistas de blocos de celas os guardas frequentemente traziam cadeiras com sensores magnéticos para procurar por pedaços de metal ocultos pelos detentos na boca e em outras cavidades corporais.Detentos que atacaram outros.

uma década atrás. mas agora os “manos” sabem que se cortar alguém serão presos. logo no primeiro ano da política de tolerância zero. Quando Kevin Butler tornou-se um oficial correcional na Rikers no início dos anos 80. “Naquela época”.prisão. alarmes de emergência sinalizavam confrontações sérias com 51 . Rodney Morris foi mantido na Rikers por 2 anos até finalmente ser absolvido da acusação de assassinato. ele diz “era mais uma cadeia de condenados onde as pessoas agrediam-se umas às outras com armas brancas e roubavam ainda mais”. Ele também já havia estado lá. Os próprios detentos dizem que a ameaça de tempo adicional de prisão tornou-se uma dissuasão poderosa. E uma coisa que os “manos” não querem é mais tempo de prisão.

toda interação 52 . Centenas de funcionários e detentos foram feridos em rebeliões na década de 90 e no fim da década de 80. “você nunca podia estar à vontade na cadeia pois a qualquer instante o caos podia se instalar” A Rikers vinha sendo a mais difícil de controlar entre todas as prisões norteamericanas. Eram contados de dúzias em dúzias os conflitos diários. desde alimentação até alguma atividade recreacional. a maioria dos seus detentos são presos preventivos (legalmente inocentes). E até então. o estopim podia ser qualquer coisa. Diferentemente dos presos em custódia federal. que aguardam julgamento. ele comentou. Muitos também são criminosos habituais e usuários de droga – pessoas naturalmente mais propensas à violência.detentos cerca de 10 vezes por dia.

cabos de vassoura se tornavam lanças. o departamento correcional se virava como podia. outros os cortava com gilete durante os tumultos cotidianos. tanto nos pátios e corredores como dentro das próprias celas. fibra de vidro serviam como punhais. a violência tornou-se ainda mais acentuada. Alguns presos atiravam urina e fezes nos guardas. Quando a prisão começou a ser preenchida com membros de gangues como os “Reis Latinos” e os “sanguinários”. pois sofria com um déficit de funcionários e uma liderança cansada e sobrecarregada. utilizando de tudo. lâminas de barbear adaptadas eram acoplados aos cabos de escovas de dente e cortavam como bisturis. etc. Detentos construíam aos montes armas improvisadas. 53 . Enquanto isso.podia eventualmente se tornar uma batalha violenta de vida ou de morte.

Jacobson. no final das contas. Supervisores ordenavam que certos detentos problemáticos fossem espancados. Kerik recebeu o segundo posto supervisionando as operações diárias. 54 .Era comum que guardas bancassem o super-herói e tentassem assumir para si a responsabilidade de restaurar a ordem na prisão. tornou-se o novo comissário e o Sr. quando não em morte. Como primeiro passo para reverter a situação. Um antigo funcionário do departamento de orçamentos. o que normalmente resultava em ferimentos sérios e ossos quebrados. Sr. significava uma série de ações abusivas e brutais endossadas pela esperança de se estar a fazer justiça pelas próprias mãos. o prefeito Giuliani substituiu a chefia do departamento correcional. o que.

Quando nomeado.000 dólares por ano como diretor da prisão em Passaic County. Ele também deixou o cabelo crescer em rabo de cavalo e usava 5 brincos de diamante como um agente infiltrado no tráfico de drogas. pensavam que eu fosse louco”. ele declarou.000 dólares no salário. Kerik era um teimoso e irrepreensível homem. Durante oito anos no departamento de polícia o Sr. “As pessoas. para debelar a crise nas prisões ele contratou malandros espertos das ruas. Kerik. incluindo a “Medalha de Valor” por um tiroteio no qual ele feriu um traficante que havia atirado no parceiro do Sr. no início. Kerik recebeu 30 medalhas.O Sr. New Jersey não resistiu à chance de realizar um sonho seu e tornou-se um policial de Nova Iorque apesar de uma redução de 25. que ganhava 52. 55 .

Ele estava preocupado que detentos tivessem lâminas ocultas na boca. 56 . Tudo isto no intuito de diminuir a probabilidade de violências. E o que surgiu foi uma incomum colcha de retalhos de mudanças. Mais tarde ele leu sobre tubos protetivos (“luvas”). Uma das primeiras ideias do Sr. Kerik foi começar a algemar as mãos de detentos nas costas. havia a possibilidade de um ataque aos guardas. ao invés de pela frente. algumas das quais não funcionaram e outras se provaram eficientes.O Sr. então ele ordenou seu uso por sobre as algemas para imobilizar os detentos mais perigosos. Jacobson queria fazer experimentos para melhorias. de modo que mesmo algemados. quando fora das celas.

Até o tamanho de aberturas para bandejas de comida foi reduzido em algumas celas para evitar que os presos parassem de atirar coisas nos guardas. disse aos carcereiros que eles tinham que mostrar aos presos que eles não mais os temiam – e que eles tinham as ferramentas para reprimi-los. Sr. Criou uma equipe da SWAT com 111 membros para dominar maiores rebeliões e uma unidade de inteligência especializadas em gangues para 57 . Jacobson demitiu-se. para evitar que os detentos escondessem lâminas nos tênis. Assim.Kerik. sem ter que entrar em lutas corporais.Outras simples medidas incluíram: a proibição do uso de tênis com amortecedor. que se tornou comissário no início de 1998. o departamento gastou 13 milhões de dólares para aumentar a segurança. depois que o Sr.

Kerik disse. Carcereiros dizem que a ameaça de usar estes dispositivos frequentemente é suficiente para persuadir os detentos a obedecer. Sr. que um guarda 58 . Mas se um detento começa a brigar. Supervisores de cadeia e alguns guardas portam contentores de spray de pimenta.monitorar aproximadamente 2 mil membros que em média estão sempre detidos e adquiriu armas de gás e escudos com choques elétricos. Os escudos e o “spray” são usados principalmente quando equipes entram em celas para subjugar detentos cometendo violência ou que se recusam sair durante uma revista – um tipo de confrontação que frequentemente terminava com ferimentos em detentos e guardas.

Thomas”. Bayley um assistente do diretor que comanda a unidade de inteligência em gangues estava com os policiais e quinze membros da SWAT esperavam no saguão. Recentemente. desorientando-o enquanto os outros guardas o algemam. Os detentos ficaram fora das celas esperando processarem-se seus colchões pela máquina de raios-X. Emmanuel H. trinta oficiais “invadiram” um bloco de celas no centro “James A. Vestindo luvas de borracha os guardas foram para as celas. Um a um. “Isto tem realmente evitado muitos ferimentos” ele disse. similar às usadas em aeroportos. os prisioneiros sentaram 59 . Então o foco mudou para uma cadeira salpicada de cinza que acabou de acalmar o humor do lugar. no início da tarde.pode usar o “spray” de gás ou bater com o escudo no detento. uma das cadeias mais perigosas da ilha.

Realmente desde que os oficiais intensificam as buscas. possuindo sensores magnéticos. como Deshawn Saly declararam que a prisão ficou mais segura e que agora eles preferem cumprir pena na Rikers que em outras prisões. 60 . O aparelho. As revistas frequentes e este tipo de aparelho reduziram substancialmente a ocorrência de presos com armas ocultas em cavidades do corpo. pesquisava por metais ocultos. portando um balão de cocaína no reto.e foram examinados. a recuperação de armas caiu bruscamente. Alguns detentos. indicando que os detentos não queriam mais assumir o risco de serem pegos portando armas. O resultado final da revista foi a prisão de somente um detento.

incluindo aspectos do esforço por processar detentos por crimes ocorridos dentro das cadeias. algumas das mudanças na Rikers são justificadas. Ninguém questiona que detentos quando cometem crimes graves devam ser condenados a tempo adicional de pena. Brunstorf foi inocentado da acusação de assassinato que o tinha levado para a Rikers. No outono de 1998 Sr. mas outras parecem excessivas. e talvez o mais chocante caso envolve Kowwani Brunstorf. tentou esfaquear um guarda e derrubou um supervisor ao chão em uma briga.Para os advogados dos presos e outros críticos. Então após declarar-se culpado destes incidentes em março ele foi sentenciado de 6 anos e meio a 8 anos e enviado para 61 . Mas enquanto estava na prisão ele tinha esfaqueado outro detento.

Em alguns casos. As preocupações sobre abusos também 62 .Attica. Registros da cidade mostram que outros detentos receberam sentenças de três meses a vários anos por possuir armas ou iniciar incêndios. Wilford. “Se não fosse por isto ele estaria em sua casa agora” diz seu advogado Edward D. Ele diz que é fácil encobrir a própria brutalidade apresentando acusações de agressão àqueles que revidam os golpes recebidos. o diretor da sociedade Projeto de Direitos e Auxílio Legal a Prisioneiros. “Eu penso que o número de prisões é questionável” diz John Boston. pois os incidentes ocorreram às vésperas da libertação condicional do detento. houve protestos. Mas alguns detentos e seus advogados estão preocupados que nos últimos dois anos mais de 700 das 1800 prisões de detentos foram por agressão a guardas.

uma advogada da anistia internacional diz que tanto o gás quanto o escudo são desumanizantes. Assim. Doyle. como cinto e revolveres eletrificados tem sido usados para tortura. e outras formas de tecnologia de choque. detentos com 63 .incluem ao uso de gás de pimenta e escudos de choque. já houve sérios ferimentos em outras jurisdições. Tanto o uso do gás de pimenta quanto o escudo elétrico somente podem ser empregados contra os detentos que foram previamente aprovados em um exame médico. Os fabricantes dos implementos insistem que os equipamentos eles não causam danos permanentes. mas Christine M. Ela também afirma que mais de 130 complexos prisionais agora usam dispositivos de choque.

Jonathan S. o que é proibido pelas regras da prisão.problemas cardíacos ou outros males congênitos não são submetidos levianamente a perigosos instrumentos de contenção. Sr. Chasan. Adicionalmente. Chasan disse que alguns dos funcionários destes casos que ele citou não sofreram qualquer sanção e um foi suspenso por apenas um dia. Um dos detentos processou a cidade dizendo que ele focou hospitalizado por duas semanas devido inflamação pulmonar. um advogado do Apoio Legal diz que no mínimo três detentos com asma foram atingidos por gás. Sr. Kerik disse que todo incidente é investigado e algumas regras foram 64 . todos os usos destes dispositivos devem ser gravados em vídeo.

uma agência que demarca os padrões mínimos para o tratamento dos detentos. E o avançar com as novas técnicas tem o apoio da comissão correcional.alteradas para evitar recorrências.400 dólares no salário. O presidente da comissão. Em outro caso em que um guarda que usou o “spray” em um detento que lhe atirou uma bola de papel molhado perdeu oito dias de férias. “Mas também é perigoso para os guardas que tem que lidar com os presos quando estes agem violentamente. sentem-se gratos pela concessão 65 . Kerik acrescentou. John R. ele disse que a comissão emitiu um aval de uso. o que equivale em dinheiro em cerca de 1. disse que ele não é fã do uso de escudos de choque. todavia. “Eles são potencialmente perigosos” ele disse.” Os guardas. Horan. decerto. “Eu estou confiante que isto enviou uma mensagem bastante clara” o Sr.

bem como das organizações 66 . O rigor penitenciário é. um oficial correcional disse: “Isto mostra quem está no controle da situação”.deste poder extra. limitado pela influência das facções criminosas. A interação entre os internos do presídio e os criminosos que estão libertos é dinâmica e constante. Já no Brasil. Sean Maynard. Funcionários são facilmente ameaçados ou corrompidos a serem coniventes com o contrabando de drogas. celulares e todo tipo de material proibido para dentro da prisão. poucos são aqueles dispostos a por em risco a vida de sua esposa e filhos em nome do dever funcional. o que inibe em muito opressão aos delinquentes. afinal. portanto. o crime organizado controla mais a disciplina prisional que a própria administração pública.

nenhum resultado concreto é alcançado. no final das contas. A adoção de um órgão de inteligência penitenciário. o crime organizado se organiza e se aprimora ainda mais. Novamente. para que haja sua implementação. entretanto. enquanto que a administração penitenciária é cada vez mais apequenada. faz-se necessário admitir publicamente a falta de recursos e a incapacidade para lidar com o problema. adotam-se paliativos que só aparentemente funcionam e. extraoficiais. além de urgente. Ou 67 . Como efeito. o problema do Brasil está na busca por soluções informais.civis pró-presos que denunciam e alardeiam casos de maus tratos. O sistema prisional é um paciente com câncer o qual insistimos a tratar como se tivesse gripe. pode de fato contribuir para a solução do problema. Todos fingem que o problema não é tão grande como de fato ele é.

ou os esforços estatais serão inúteis quando não acabarem por agravar ainda mais o problema. 68 .admitimos a realidade.

apontando o fracasso das prisões no cumprimento de seu papel. vadio. Destaque-se que a ociosidade passou a representar um dos problemas que tem merecido destaques em noticiários. falta de vagas. O seu ingresso no sistema carcerário é marcado por muitas dificuldades. promiscuidade. ele não passa de um vagabundo. principalmente porque na visão da sociedade. organização criminosa. 69 . A Economia Trabalho do Preso e o A prisão em o seu papel precípuo de restituir ao preso sua dignidade deveria disponibilizar-lhe mais oportunidades de trabalho. um desocupado que somente onera o Estado.4.

Esse tipo de ação aliviaria a carga tributária dos contribuintes encorajando inovação no setor privado – a chave do crescimento econômico. no setor privado. Diante desse quadro m seria necessário que sociedade americana disponibilizasse. 70 . vagas para a absorção dessa força de trabalho dos prisioneiros. A população de detentos nas prisões americanas. em crescimento vertiginoso. Reformas políticas necessitam ser promulgadas para que a America obtenha a vantagens desses recursos estagnados.O preso não movimenta o sistema capitalista e os que trabalham estão temporariamente fora do circuito produtivo. O custo operacional das prisões para o povo cresce de acordo com a quantidade de detentos.

a retirada de bloqueios. eles continuam tem negando oportunidades de trabalho pleno aos presos. Em verdade. seria aumentar a quantidade de trabalho produtivo dos prisioneiros. todavia. talvez fosse necessária a edição uma lei nacional de direito ao trabalho para os presos. permitindo a venda de bens feitos nas prisões para o mercado além de criar trabalho para os presos no setor privado. nos 71 . Infelizmente. Ao longo dos anos leis estaduais e federais surgiram para apaziguar os ânimos daqueles que se opunham a concorrência para com os bens produzidos na prisão. bem como.Uma das propostas mais óbvias para reduzir o custo da justiça criminal. Ainda que a despeito da existência de um antigo consenso em favor do emprego de trabalho dos prisioneiros a ociosidade permanece como regra em prisões. nos Estados Unidos.

pois durante sua reclusão fica alijado das mudanças e inovações do mundo moderno.deparamos com restrições legais. passamos a estudar a 72 . sem contar que nesse tempo de reclusão. vive em uma escola do crime. Em nosso país a ociosidade para o preso reverbera negativamente na sua evolução. apoiados na inércia burocrática. Sua expectativa fica voltada para a angustia desesperada pelo alvará de soltura. afastando-se. Dando seguimento ao paralelo traçado. do processo de ressocialização. que atravancam o progresso. pois. para todos os efeitos sua recuperação estaria atrelada a passagem do mundo do crime ao mundo do trabalho. indubitavelmente.

seja no plantio e colheita nas fazendas prisionais. Diante disso. seja na confecção mobílias.justificativa daqueles que defendem que o setor privado precisa ser envolvido na reabilitação do preso. aumenta-se também o volume correspondente de produção. vez que se aumentando a quantidade de detentos trabalhando. são valores diretamente proporcionais. pois. o trabalho do preso está limitado às necessidades das prisões. No sistema carcerário americano. afirmam os defensores que o setor privado precisa ser instado a criar trabalhos e mercado consumidor para os produtos feitos por prisioneiros. 73 . significando ganhos para os contribuintes que seriam desonerados em bilhões de dólares em taxa. ou aproximadamente dez por cento do custo das prisões.

a mais com é que muitos deles são analfabetos ou semianalfabetos. ou com baixo coeficiente de inteligência. não podemos deixar de verificar que dentre as dificuldades existentes em criar empregos para os prisioneiros. tais como falsificação.Por outro lado. mesmo assim os defensores do trabalho de detentos acham crível possibilidade de criação destes empregos. Analisando sob esse prisma o sistema prisional federal americano é possível afirmar que ele teria as melhores perspectivas de taxa de retorno porque muitos dos seus prisioneiros cometeram crimes que exigem do agente certa inteligência. sequestro e contrabando de drogas. O trabalho de detentos reflete em algumas vantagens econômicas e reabilitacionais. as receitas de bens e serviços produzidos por prisioneiros 74 . pois.

preferem trabalhar ao tédio da vida na cadeia. Outros pontos positivos que merecem destaque. Parte dos salários pagos aos presos pode ser usada como taxas para restituição das vítimas e para a manutenção das famílias dos presos. entusiasticamente. além do aumento de capacitação profissional dos prisioneiros bem como o aumento da probabilidade de uma vida produtiva quando eles forem libertados. Sob o sistema atual a falta de empregos produtivos na prisão limita os esforços para restituição das vítimas. Entre os especialistas americanos não há dúvidas que os prisioneiros. como consequências do trabalho de detentos empregados seria o melhor comportamento. Os prisioneiros valorizam oportunidades de trabalhar 75 .podem reduzir parcialmente o custo do encarceramento.

para o setor privado, fato demonstrado
na quantidade de inscrições quando
existem listas formais de espera.
Prisioneiros comportam-se melhor e os
programas de treinamento são efetivos
na redução da probabilidade de
reincidência em longo prazo. Isto é
confirmado por oficiais correcionais,
embora dados científicos sociais sejam
pouco abundantes e muito controversos.
A questão do trabalho do preso
sob esse aspecto, no contexto brasileiro
exige conhecimento sobre o processo de
formação da mão de obra livre, trabalhar
é garantir o mínimo para subsistência, ser
assalariado é ter a emancipação. Certo é
que está enraizado em nossa cultura que,
somente trabalhando o indivíduo se torna
útil ao sistema social, sendo-lhe conferida
cidadania econômica. Para ser cidadão
cumpridor de seus deveres e digno de
cidadania, ele, o trabalhador, tem que

76

cumprir longa jornada de trabalho, é
cumprindo seus deveres que a sociedade
lhe confere os direitos. Ante a falta de
oferta desse benefício - oferta de trabalho
ao preso, á sociedade busca se isentar
das obrigações para com esse pretenso
trabalhador. A sociedade de mercado não
pode e não quer resolver o problema
grave do excesso desse contingente,
disponível para inserir no mercado de
trabalho.
Não poderíamos deixar de
registrar-se ainda que nos Estados
Unidos, grupos de interesse aliados aos
reformadores
do
sistema
prisional
conseguiram em muitos casos uma
restrição legislativa no pagamento de
salários mais baixos para os detentos.
Diretores de prisão, temendo perda de
poder de decisão e a nova tarefa de
supervisionar prisioneiros improdutivos e
ociosos opuseram-se vigorosamente a

77

estas restrições. Ironicamente, as oficinas
das prisões enfrentaram um período
muito difícil competindo com a iniciativa
privada. O trabalho prisional, inicialmente
visto como indispensável para restaurar
um relacionamento saudável entre o
criminoso e a sociedade foi literalmente
tornado um crime federal.
O interesse pelos americanos no
trabalho prisional foi renovado devido ao
grande aumento da população prisional, a
diminuição da crença que a prisão possa
reformar prisioneiros e o receio de
competição, principalmente em produtos
que exigem trabalho intenso mais
adequado ao de detentos e tipicamente
produzidos artesanalmente, enfrentado
pela comunidade empresaria. O progresso
tem sido lento, por causa das inúmeras
restrições legislativas além do fato que o
trabalho dos detentos não tem alta
prioridade
para
os
dirigentes

78

sob uma visão sistêmica. A título de ilustração. Sob uma perspectiva econômica. responsáveis pela ociosidade da maioria dos prisioneiros na atualidade.governamentais e para o empresariado privado. Estas objeções e preocupações seriam suficientemente sérias para manter o trabalho de prisioneiro no nível mínimo? Não. estes problemas podem ser contornados de forma a permitir uma vasta expansão do uso destes recursos. As objeções a competição de produtos feitos na prisão foram largamente responsáveis pelas leis restritivas. editadas nas esferas estadual e federal. a criação de valor produzido dentro ou fora das prisões é uma bênção e não uma maldição. se os prisioneiros 79 . A produção desenvolvida por prisioneiro cria empregos ao invés de eliminá-los.

A ociosidade na prisão tem silenciosamente erradicado a demanda de resultados para os trabalhadores livres. não há falta de empregos se o fornecedor de trabalho aceita taxas salariais mais baixas. Em sentido contrário ao mito corrente. as transporte para o local de trabalho e transporte os produtos acabados. Estas e outras demandas por outros bens e serviços criarão novos empregos. desde que existam mais trabalho a um custo menor. a tarefa exigirá que alguém manufature folhas de metal. Sem perder de vista que o número de empregos será ilimitado. No mundo de escassez em que vivemos há uma quantidade infinita de trabalho a realizar e uma maior produção será sempre bem-vinda por consumidores 80 . ao menos no curto prazo. Certas empresas de mão de obra podem ser mais prejudicadas que ajudadas pela produção nas prisões.constroem arquivos.

assim liberando recursos para novas atividades. A questão real é o crescimento econômico. A única alternativa para soberania do consumidor é o mercado livre e a soberania do produtor é o monopólio. o sucesso produtivo de uma pessoa pode causar dano ou arruinar financeiramente um fornecedor competidor. Mesmo assim toleramos competição. Na estrutura competitiva. a produtividade e salários crescentes. pois apenas a competição permite-nos descobrir as formas mais baratas e eficientes para fazer qualquer trabalho.e comerciantes. até festejamos. 81 . porque suas vantagens superam suas desvantagens. Este serviria a sociedade muito mal. A despeito de alguns custos visíveis e ocultos a competição é mais benéfica que maléfica.

Vejamos no seguinte caso considerando-se uma questão relacionada à reforma previdenciária: Obter trabalho de beneficiários da previdência é visto como um progresso e não como um ameaça ao sustento das demais pessoas. Ainda assim. a hostilidade da comunidade para com os condenados emerge do fato de que eles são criminosos. e os dependentes da previdência social são meramente beneficiários. De fato sejamos objetivos. Na realidade não existe nenhuma diferença econômica entre o trabalho de dependentes da previdência e o trabalho de detentos. diferentemente. o trabalho de prisioneiros tem sido tratado como uma ameaça competitiva. há pouca preocupação sobre o impacto competitivo do grande número de dependentes da previdência indo trabalhar. Com milhões de pessoas recebendo ajuda para as 82 .

Locais onde a substituição e o deslocamento do trabalho forem uma ameaça real poderia se direcionar o trabalho prisional para produtos que tenham pouco impacto no mercado de trabalho. O impacto do trabalho destes beneficiários mostra quão pequeno seria o efeito de presos trabalhando. ao invés de um substituto para a força de trabalho americana. isso é um problema. milhões recebendo verba suplementar previdenciária. imagine trabalhando com 83 .famílias com crianças. milhões em cupons para alimentação e milhões mais em auxílio médico e outros programas assistenciais. Se uma empresa privada com trabalho livre não consegue lucrar na produção de um bem. O trabalho prisional é primariamente um complemento.

se o trabalho dos detentos é mais barato que o trabalho dos civis é 84 . A remoção de restrições de bens feitos em prisões para comércio interestadual. Dentre os quais poderíamos destacar problemas de segurança. Em geral. provavelmente. pobres hábitos de trabalho e localização das prisões normalmente afastadas dos centros urbanos. também não o conseguirá. como forma para diminuir o impacto local asseguraria que os produtos manufaturados nas prisões competissem no mercado nacional. portanto. o lucro é mais facilmente conseguido dentro da prisão que fora.detentos. a falta de qualificação. alta rotatividade. focar a problemática apenas em salários é um erro. Há muitos fatores que fazem com que o trabalho na prisão seja mais caro que o trabalho não prisional.

com baixa necessidade de qualificação.000 dólares. tais como o que torna um crime federal o transporte de bens sabidamente feitos por presos em comércio estadual. o que proíbe o uso de trabalho de presos em contratos federais com valor acima de 10. uso de leis que forçam agências estatais a comprarem bens e serviços feitos em prisões estaduais e 85 . Sem perder de vista que o trabalho prisional usualmente é adequado para trabalho intensivo. vez que grande porcentagem de detentos é analfabeta ou semianalfabeta. destacamos que para a concretização da reforma dessa política publica seria necessária a revogação de alguns o atos. Posta assim a questão.porque o empreendedor contratante espera que aquele seja menos produtivo. leis estaduais similares que restringem o comércio de bens feitos em prisões. ao menos em grande escala.

Muito se discute o papel modelador de disciplinador que o trabalho dos presos desempenha no interior das prisões. estaduais e federais. sendo indispensável para a manutenção da ordem interna. A organização das prisões brasileiras tendo como centro fundamental o trabalho dos presos se depara com barreiras que impedem a transformação das prisões em fabricas. em unidades de produção e autossustentação econômica. Argumenta-se que a pretensa função ressocializadora encontra 86 . e determinação de preços pelo mercado e pela previsão de produtividade.instituir licitações competitivas para todas as compras locais. limitações federais e estaduais quanto ao pagamento de detentos para permitir mai flexibilidade.

Certamente. O trabalho prisional é bem vindo pelo legislador. sobretudo. como remédio predileto capaz de corrigir aqueles que transgrediram as regras legais de uma sociedade e são para aquelas instituições enviados. dessa população. que finda por se refletir na pobreza absoluta. perda de poder aquisitivo. que se 87 . pelos altos índices de desemprego.obstáculos nas características mesmas de funcionamento da prisão e nas funções que esta tem na sociedade moderna. exigir uma cota de sacrifício. pelos governantes e pela população em geral. que vorazmente retalha a população. Mas não podemos deixar de levarmos em consideração a grave situação de crise enfrentada no Brasil expressa.

apesar do reconhecimento inquestionável da necessidade de se extirpar o ócio existente no sistema prisional brasileiro.expressasse no engajamento na criação de atividades laborativa seria demais. 88 .

está mais intolerante com o cometimento de crimes. nos últimos anos a população americana. Políticos e partidários da “linha dura” advogam pela a eliminação das regalias porque com isso os tornam mais populares para os eleitores. Cadeia: Caminho Fácil ou Difícil? Como já dito anteriormente. Contudo. programas recreacionais e educacionais quebram a monotonia da vida em prisão e aliviam o stress que pode resultar em violência. o que tem desencadeado um clamor por menos comodidades nas prisões. Mas é imperceptível a eles que se amenidades da prisão forem removidas haverá pouco incentivo para que os prisioneiros comportem-se fazendo com 89 .5. sitiada pela criminalidade. de acordo com os funcionários das prisões.

90 . permitindo que pratiquem alguns esportes. tão comum nas prisões. A maioria do público se diz cansada de crimes e se revolta ainda mais. cheio de diversão para os condenados. no entanto. bibliotecas com um excelente acervo nas cadeias que são disponibilizadas aos presos. outros. enxergam isto como a quebra a monotonia do dia a dia que colabora com a liberação de parte do estresse. quando tem acesso a fotos de quadras de basquete.que o trabalho de guardas e demais funcionários de prisões se torne muito mais difícil. Alguns enxergam estas regalias como um exemplo de fraqueza no trato do preso no sistema de prisional. Certos institutos prisionais nos Estados Unidos disponibilizam aos prisioneiros laser.

banir amenidades nas prisões americanas tornou-se uma tática política comum e bem-sucedida. 91 . Em alguns lugares essas mudanças foram efetuadas. pois. mas foram temperadas pela realidade de que tanto a recreação como a educação possuem propósitos importantes. em anos recentes têm canalizado essa frustração e trabalham para a eliminação de tais regalias. Tais posicionamentos captaram os votos dos eleitores intolerantes com o crime. isto não parece combinar com a visão de um sistema prisional duro.Políticos. A Prisão deve ser um lugar em que as pessoas não gostariam de estar. não pode ser divertido dentro da prisão como é do lado de fora. afinal. Os argumentos sensibilizam muitos eleitores.

mas certamente. Apesar das duras palavras de campanha dos políticos. A postura acima não foi capaz de livrar as prisões do levantamento de pesos. 92 . mas algumas mudanças foram feitas nas prisões estaduais. Por enquanto as prisões não foram transformadas em cavernas medievais.Esse discurso encontrou ecos na população. Detentos “sarados” são apenas mais perigosos dentro que fora das prisões. essencialmente o que você está se fazendo é tornar criminosos mais fortes.Algumas amenidades foram eliminadas ou limitadas e outras foram mais fortemente ligadas ao comportamento e classificação dos presos dentro do sistema. não mais confortáveis como já foram no passado. as mudanças têm sido sutis e refletidas. por anos tentou-se eliminar o levantamento de pesos em prisões.

Era sabido que havia a necessidade de mudanças na maneira que algumas coisas eram feitas no departamento de correções. Fumar foi proibido bruscamente e acesso de detentos a telefones foram vinculados a segurança da prisão em que eles estavam e ao comportamento do detento. Detentos ainda podem comprar televisões no comissariado. através de vidros grossos e interfones. Outros podem receber visitas “sem contato”.A estratégia é usar tais privilégios como 93 . mas caso se comporta mal terá seu aparelho de TV empacotado e enviado para sua casa e as despesas de frete serão cobradas dele. enquanto detentos bem comportados com baixo nível de segurança podem sentar em uma mesa com seus visitantes. Um detento briguento não pode receber visitas.

Nos arredores de Phoenix. parece um acampamento militar. mas as pessoas que lá habitam não são soldados – são detentos sentenciados sob o comando do xerife. qualquer regalia ou gentilezas.uma ferramenta de administração e controle do comportamento do detento. Não há lá. enquanto auxiliando o preso a prepararse para retorno à sociedade. Nacionalmente. filas e filas de tendas estão montadas. ninguém incorporou a filosofia “linha dura com os prisioneiros” como esse xerife. Ele erigiu a cidade das tendas para alojar detentos condenados há um ano ou menos de prisão. com o agravante que a 94 . No Brasil a postura da população não é diferente da adotada pelos americanos. dono de uma reputação lendária em tratar os criminosos duramente.

contraditório e opressor. pois se trataria de modificar radicalmente a concepção do sistema 95 . seja na prisão. Na verdade se trata de conceber uma proposta de lazer com chances de humanização e compaixão. Os profissionais que lidam com esses institutos da política criminal afirmam que os programas de recreação não visam simplesmente "ocupar o tempo". contribuindo para que ele supostamente não se revolte contra o sistema. oportunizando-lhe a possibilidade de avaliar seu retorno na sociedade. seja na sociedade como um todo. o problema é muito mais complexo. Por certo. que possa auxiliar a desencadear iniciativas de reflexão no preso sobre sua realidade. "desviar energia" ou "acalmar" o preso.revolta do povo brasileiro é fomentada pela mídia sensacionalista.

portanto não devemos desprezar a utilização desse instituto de política criminal. 96 .desde o injusto modelo de punições até a reclusão em si e mesmo a própria consideração da sociedade para com o ex-recluso. se um programa de lazer não é suficiente para sozinho resolver o problema e modificar a realidade. mas pode ser uma boa ferramenta de intervenção.penal . Todavia.

quatorze destes estados. criminosos condenados à prisão não podem votar. como consequência não intencional nos deparamos com o aumento da quantidade de pessoas que tiveram cassado o direito a voto. Analisando o direito ao voto dos presos verificamos que em quarenta e seis estados dos Estados Unidos. Criminosos Condenados e o Direito ao Voto As duras políticas criminais adotadas aumentaram a quantidade de pessoas enviadas à prisão e a quantidade de penas nas sentenças prolatadas. criminosos são proibidos de votar pelo 97 .6. a despeito da queda nos índices de crimes. mas.

também 98 . As leis de cassação não se justificam sob quaisquer circunstâncias. Mudanças necessitam ser feitas para restaurar os votos de prisioneiros e ex-prisioneiros.resto de suas vidas. mas os procedimentos para obtenção desse privilégio podem ser considerados praticamente inatingíveis. Também verificamos que em outros estados o voto é permitido aos ex-prisioneiros. afeta muito mais a população negra que a branca porque há uma gritante falta de proporção entre ambas as etnias na população de encarcerados. Esse é um grande problema porque suprime em muito o poder político da população negra norte-americana. devido ao impacto negativo que essas leis têm na população votante. no entanto. A cassação de direitos políticos.

brancos descontentes 99 .porque o impacto racial das leis de cassação é particularmente notável. No fim do século dezenove. Realçando essa afirmação. nos estados do sul. em oito outros estados a proporção chega a um cada quatro. No Alabama e Florida. treze por cento dos homens negros americanos e mais de trinta e seis por cento dessa população estão com os votos cassados. Se a tendência atual continuar a taxa deve chegar a quarenta por cento nos estados que negam o direito a voto de ex-prisioneiros. As leis de cassação nos Estados Unidos são vestígios da era medieval. quase um a cada três negros estão com os votos cassados. quando criminosos eram banidos da comunidade além de arcarem com a morte civil. Eram trazidos da Europa para as colônias ganhavam novo status político.

um dever/direito fundamental que faz surgir um sentimento de inclusão cívica e política ao 100 . citam como objetivo a proteção contra fraude dos votantes ou do anacrônico e insustentável objetivo de preservação da pureza das urnas. Os defensores destas leis têm sido pressionados duramente para justificá-las. a privação do direito ao voto não é um aspecto inerente ou necessário da punição criminal. eles para justificarem a necessidade de exclusão dos eleitores não virtuosos. Em nosso país o voto foi elevado a um indispensável instrumento de cidadania. não sendo útil para promover a reintegração social dos presos.reformaram os direitos políticos num esforço para excluir a população negra do direito ao voto. sobretudo. No fim do século vinte.

significaria um corte sócio-político e mais um obstáculo à reinserção sócio-econômica do preso. portanto. não se está a falar de um pequeno grupo de pessoas. inclusive. pois Brasil possui a oitava maior população carcerária do mundo. Importante salientarmos que os presos deixam de despertar a atenção daqueles que realizam as políticas públicas ao retirar-lhes o direito de 101 . Assim torna-se indispensável observar que. desse modo. Essa premissa nos leva a certeza que sua suspensão. poderá trazer prejuízos á razoabilidade de uma política criminal. cerceando-lhe a possibilidade de sua mobilidade social.povo. retirando sua legitimidade ao conferir-lhe uma insuficiente diminuição das taxas de criminalidade dessa população carcerária. qualquer acréscimo sancionatório a quem já está preso.

desaguará na despersonalização e desumanização das pessoas encarceradas. o que é inaceitável numa sociedade que tem como ideal o respeito à integridade e à dignidade da pessoa.exercício do voto. dentre os quais encontramos exprisioneiros que já terminaram de cumprir suas sentenças e outros milhões que estão em liberdade condicional ou provisória. se levarmos em consideração as taxas atuais de encarceramento apontam para que três a cada dez pessoas negras da próxima 102 . Mais de quinze por cento dos homens negros adultos estão com os direitos a votos cassados. A exclusão sóciopolítica da população carcerária. Na analise da extensão da cassação do direito ao voto. nos revela que uma problemática indicadora o grande número de americanos que perderam esse direito. fatalmente.

Numa previsão estarrecedora estampa que nos estados com as leis eleitorais mais restritivas quarenta por cento dos homens negros provavelmente perderão permanentemente o direito a votar. até mais chocante. 103 . é que nos últimos dez anos a taxa de encarceramento de homens negros aumentou dez vezes mais que a taxa de homens brancos. Um número seis vezes maior que o correspondente a homens brancos. quase trinta por cento dos homens negros cumprirão pena em prisão algum tempo de suas vidas. Outra informação. Se as taxas de encarceramento permanecerem inalteradas.geração terão seus direitos a votos suspensos em algum ponto de suas vidas. Quanto às presidiárias não existem estimativas desenvolvidas do número e composição racial de mulheres cassadas.

Admitindo-se que mulheres negras são encarceradas em uma proporção oito vezes maior que o de mulheres brancas. mesmo que em menor escala. veremos que o efeito destes aumentos será ampliado para elas. Embora as mulheres representem 15 por cento do total de pessoas sob supervisão correcional seu número tem crescido em taxas mais rápida que o dos homens nos últimos anos. O aumento da taxa de encarceramento o negros é uma conseqüência direta e previsível do 104 . Isto é o resultado do aumento da taxa de supervisão da justiça criminal de mulheres em geral e maiores taxas globais para mulheres negras.mas podemos afirmar sem medo de errar que as taxas para mulheres negras também são provavelmente desproporcionais.

raciais e geográficas as estratégias de aplicação da lei tem por alvo principalmente os traficantes de baixo nível e o usuário de baixa renda.endurecimento das políticas criminais. a quantidade de negros presos por este crime era e continua sendo desproporcional com relação à população em geral. predominantemente minorias de áreas urbanas. Embora a venda e o uso de drogas cruzam todas as camadas sociais. julgamento e aprisionamento de dezenas de milhares de americanos negros. Mas as políticas de controle a drogas têm levado a detenção. Este é o fator mais dramático quanto a mudanças das taxas de encarceramento. particularmente para crimes violentos e da “guerra nacional às drogas” Embora a proporção de presos negros por crimes violentos esteja estável nas duas últimas décadas. econômicas. 105 .

declarou: “É duvidosa a hipótese de o estado demonstrar um interesse político racional ou atraente em negar aos ex-prisioneiros o direito ao voto. a negação do direito a voto para tais pessoas é um obstáculo aos esforços da prática de cassação de votos de criminosos é uma anomalia política nos Estados Unidos. 106 . Além disso. exceto aqueles condenados por crimes. ministro da suprema corte. Votar é um direito básico possuído por todos adultos mentalmente sãos.Como Thurgood Marshall. Os ex-prisioneiros pagaram completamente seus débitos com a sociedade. Eles são tão afetados pelas decisões governamentais quantos quaisquer outros cidadãos e têm tanto direito quanto os demais cidadãos a participar do processo de tomada de decisões do governo.

Teoricamente. sua inadequação para justificar sua manutenção de suas vigências é flagrante. contudo.A retirada de direitos políticos de cidadãos deve ser efetuada somente por razões imperiosas e apenas na extensão necessária para proteger os interesses base destas razões. Exdetentos. De fato que as leis que ditam a cassação do direito ao voto para os americanos têm longas raízes históricas. situação essa agravada pelo fato de que poucos possuem os recursos financeiros e políticos 107 . contudo. Em oito estados americanos o ex-criminoso precisa de um perdão do governador. na prática esta possibilidade é ilusória. ex-criminosos podem recuperar o direito a voto. são informados dos passos necessários para recuperar o direito de voto. raramente.

erroneamente. Na época atual. que são ex-reclusos em “parias” políticos. O impacto das leis criminais na cassação de direito ao voto foi exacerbado no último quarto de século.necessários para ser bem-sucedidos. independentemente da natureza de seus crimes ou a gravidade de suas sentenças. Ao contrário. negam aos delinqüentes condenados o direito de votar. início do século XXI essas leis não têm qualquer propósito. 108 . acreditarem que nunca poderão votar novamente. elas transformam contribuintes e cidadãos cumpridores da lei. esse contexto leva a muitos ex-detentos. elas arbitrariamente. Restrições de voto devido a crimes nos EUA são anacronismos políticos que refletem valores incompatíveis com os princípios democráticos modernos.

os políticos devem considerar políticas alternativas que protegerão melhor os direitos de voto.Mais infratores são condenados por delitos. certamente ocorrem consequências não intencionais destas políticas. e em particular o seu impacto surpreendentemente desproporcional no grupo dos negros americanos. sem prejuízo para os interesses 109 . Enquanto o debate continua sobre a sensatez e eficácia destas políticas. mais criminosos são enviados à prisão. Uma das quais é o aumento significativo de pessoas sem os direitos a voto. paralelamente houve o aumento médio da duração das penas de prisão. Estas tendências refletem a adoção de políticas públicas que enfatizam o encarceramento e punição como o principal meio de controle do crime. Dado o grande impacto das leis penais na privação de direitos de voto da população.

Nós acreditamos que o melhor curso de ação seria a de eliminar as restrições ao voto baseadas em condenação criminal.legítimo do estado e da justiça penal. 110 . o Congresso deveria promulgar legislação para restaurar os direitos de voto nas eleições federais para cidadãos condenado por um crime. No âmbito federal. qualquer legislação neste domínio deve identificar os interesses estatais importantes servidos por tal privação de direitos e especificar quais crimes nos quais a cassação do direito ao voto é uma resposta razoável e proporcionada. As para as pessoas com condenações criminais dentro de seus estados. de modo que a capacidade de votar em eleições federais não estivesse sujeita a diferentes leis estaduais. Na medida em que muitos legisladores acreditam que os infratores encarcerados devem ser excluídos das eleições.

procuramos trazer ao debate informações preciosas na controvérsia da matéria sem negligenciar as respostas plausíveis para os questionamentos levantados. Indubitavelmente a restauração do direito ao voto deve ser automático e imediato após o cumprimento da pena. Tendo em conta que tratar do direito do voto ao preso é garantir de sua cidadania. O presente capítulo versou sobre considerações sobre a perda do direito ao voto como sanção criminal tanto nos Estados Unidos como no Brasil. postura essa que. imperativo de quem procura manter-se vinculado a sociedade que já o estigmatizou. deve-se remeter esta decisão à avaliação do juiz no caso concreto. colide com os princípios basilares democráticos.Quando não for possível que a legislação explicite se a cassação deve ou não ser aplicada. 111 . repise-se.

112 .

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