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2009 .Marcos José Nogueira de Souza José Meneleu Neto Jader de Oliveira Santos Marcelo Saraiva Gondim 1ª Edição Prefeitura de Fortaleza Fortaleza.

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SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ________________________________________________________________ LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS _________________________________________________ XI XIII LISTA DE FIGURAS _____________________________________________________________ XVII LISTA DE QUADROS ____________________________________________________________ XXIV LISTA DE TABELAS __________________________________________________________ XXV 1 INTRODUÇÃO ______________________________________________________________ 26 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ______________________________________________ 28 Conceitos e Princípios 28 Procedimentos Operacionais 30 Etapas do Roteiro Metodológico 32 3 CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL _______________________________________________ 34 Condicionantes Geológicos e Geomorfológicos 36 Aspectos Hidroclimáticos 39 Solos e Cobertura Vegetal 43 V .

4 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ____________________________________________ 47 Planície Litorânea VI 47 Faixa de Praia e Terraços Marinhos 49 Dunas Móveis 50 Dunas Fixas 52 Planícies Fluviomarinhas com Manguezais 53 Planícies Fluviais e Lacustres 55 Áreas de Inundação Sazonal 56 Tabuleiros Pré-litorâneos 57 Transição Tabuleiros Pré-litorâneos e Depressão Sertaneja 61 Morros Residuais 62 Sinopse da Compartimentação Ambiental 62 5 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE _________________________________________ 73 Competência Legislativa Municipal 75 Meio Ambiente Artificial Urbano 81 .

Parques Urbanos de Fortaleza 81 Tutela Penal do Meio Ambiente Artificial 83 Bens Ambientais Municipais 84 Rios. Lagos e Lagoas 85 Faixa Praial e Campos de Dunas Móveis 90 Dunas Fixas 93 Planície Fluviomarinha com Manguezais 94 Unidades de Conservação Municipais 95 Das Unidades de Proteção Integral 102 Das Unidades de Uso Sustentável 103 Considerações sobre a Necessidade de Criação e Implementação das Unidades de Conservação em Fortaleza 105 Do Plano Diretor Municipal 106 Do Zoneamento Urbano-Ambiental 109 A Necessidade de um Plano Diretor Participativo para Fortaleza 110 VII .

6 PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS _ 111 Programa de Meio Ambiente e Gestão de Recursos Naturais 115 Estratégia I .Regulação do Uso e Ocupação do Solo 115 Estratégia II – Uso e Conservação da Biodiversidade 116 Estratégia III – Controle da Qualidade Ambiental 117 Estratégia IV – Gestão dos Recursos Hídricos 118 7 PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO ______ 121 VIII Áreas Frágeis 122 Áreas Medianamente Frágeis 122 Áreas Medianamente Estáveis 123 8 ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL ___________________________________________ 127 Definição das Zonas (tipologia do zoneamento) 130 Zona de Urbanização Consolidada 131 Zona de Uso Sustentável dos Tabuleiros e da Faixa de Transição Tabuleiro/Depressão 131 Zona de Preservação Ambiental 132 .

Zona de Uso Especializado 133 Zona de Recuperação Ambiental 133 Zona de Relevante Interesse Ecológico 134 Zonas Especiais 134 9 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES _______________________________________________ 139 REFERÊNCIAS _______________________________________________________________ 143 Bigliográficas 144 Documentais 152 Legislativas 154 GLOSSÁRIO __________________________________________________________________ 156 IX .

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entre si e com o meio físico-natural. condições de vulnerabilidade. das particularidades de cada bairro. com embasamento técnico e atuando em parceria. Ele visa dar fundamentação para um desenvolvimento urbano que inclua toda a cidade e contemple as demandas dos diferentes grupos sociais. priorizando uma convivência harmoniosa da população. Que este estudo nos ajude a pensar a cidade. conseqüentemente. que proporciona um conhecimento aprofundado do nosso território. O documento apresenta um macrozoneamento onde cada região é individualizada por sua identidade natural. Assim. Fortaleza precisa ter sua população protegida e a qualidade ambiental garantida. Além disso. recuperação ou preservação de cada área. podemos trabalhar priorizando quem mais precisa e garantindo o desenvolvimento saudável de nossa cidade. aponta a necessidade de proteção. A crescente urbanização de Fortaleza envolve um número significativo de problemas e desequilíbrios. fragilidades e capacidades.APRESENTAÇÃO É com prazer que a Prefeitura Municipal de Fortaleza entrega à cidade este estudo geoambiental. Luizianne de Oliveira Lins Prefeita de Fortaleza . com uma série de desafios para as políticas públicas a serem implementadas e para o planejamento de uso e ocupação do solo dentro de parâmetros de um desenvolvimento sustentável. das necessidades e potencialidades de cada lugar. Nos deparamos.

doutor em Geografia Física Aline Mesquita M.ESTUDO GEOAMBIENTAL EQUIPE TÉCNICA DE EXECUÇÃO COORDENADOR DA EQUIPE TÉCNICA EQUIPE TÉCNICA DE EXECUÇÃO Prof. Dr. mestre em Geografia Genario Azevedo Ferreira Engenheiro de Pesca Hélio Alves Rodrigues Geógrafo. José Meneleu Neto Economista. Marcos José Nogueira de Souza Geógrafo. Dr. especialista em Direito Ambiental COLABORADORES Anna Emilia Maciel Barbosa Geógrafa Cláudio Alberto Barbosa Bezerra Engenheiro de Pesca Érika Gomes Brito Geógrafa. mestre em Geografia Nadja Cristina da Silva Almeida Geógrafa Rejanny Mesquita Martins Rosa Bióloga . Rosa Arquiteta e urbanista Antônia Cleide Silva Madeiro Educadora ambiental Jader de Oliveira Santos Geógrafo. Nogueira de Souza Filho Advogado. doutor em Sociologia Prof. Dr. mestre em Geografia XII Marcos J. Marcos José Nogueira de Souza Prof. mestre em Geografia José Carlos Vasconcelos Geógrafo Marcus Vinícius Chagas da Silva Geógrafo. mestre em Geografia Marcelo Saraiva Gondim Arquiteto e urbanista.

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS APA – Área de Proteção Ambiental APP – Área de Preservação Permanente ARIE – Área de Relevante Interesse Ecológico Art. – Artigo (referente à legislação) AUMEF – Autarquia Metropolitana de Fortaleza CAD – Computer aided designer (desenho assistido por computador) CE – Estado do Ceará CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco COEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente COGERH – Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos COMDEC – Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Fortaleza CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (Serviço Geológico do Brasil) DSG – Diretoria do Serviço Geográfico XIII .

ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS EIA – Estudo de Impacto Ambiental EMLURB – Empresa de Limpeza Urbana EPE – Erro-padrão estimado ETA – Estação de Tratamento de Água ETA-Gavião – Estação de Tratamento de Água do Gavião ETM – Enhanced thematic mapper ETM+ – Enhanced thematic mapper plus XIV FLONA – Floresta nacional FUNCEME – Fundação Cearense de Metereologia e Recursos Hídricos GPS – Global position system (Sistema de posicionamento global) IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano LANDSAT – Land remote sensing satellite M.Cidades – Ministério das Cidades .

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ESTUDO GEOAMBIENTAL MMA – Ministério do Meio Ambiente ONG – Organização não governamental PARNA – Parque nacional PDPFOR – Plano Diretor Participativo de Fortaleza PEC – Padrão de exatidão cartográfica PMF – Prefeitura Municipal de Fortaleza REP – Reserva ecológica particular RESEX – Reserva extrativista RIMA – Relatório de impacto ambiental RMF – Região Metropolitana de Fortaleza RPPN – Reserva particular do patrimônio natural SAABRMF – Sistema de Abastecimento de Água Bruta para Região Metropolitana de Fortaleza SAD 69 – South American datum – 1969 SEDURB – Superintendência do Desenvolvimento Urbano do Estado do Ceará SEINF – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e InfraEstrutura de Fortaleza XV .

C – Unidade de conservação XVI UECE – Universidade Estadual do Ceará ZCIT – Zona de convergência intertropical ZE – Zona especial ZEE – Zoneamento ecológico-econômico ZPA – Zona de preservação ambiental ZRA – Zona de recuperação ambiental ZRIE – Zona de relevante interesse ecológico ZUE – Zona de uso especializado .ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS SEMACE – Superintendência Estadual do Meio Ambiente SEMAM – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano SEPLA – Secretaria de Planejamento e Orçamento de Fortaleza SIG – Sistemas de informação geográfica SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação SPRING – Sistema de Processamento de Informações Georreferenciadas U.

34 Figura 3 Crescimento populacional 1890-2000. p.49 Figura 10 Terraços marinhos em contato com o campo de dunas.39 Figura 5 Insolação total ao longo do ano.40 Figura 6 Temperaturas médias anuais.33 Figura 2 Localização de Fortaleza p.40 Figura 7 Relação precipitação e evaporação para a cidade de Fortaleza. p.49 Figura 11 Terraços litorâneos entre as desembocaduras dos rios Cocó e Pacoti.50 XVII 19 . p. p. p. p. p.50 Figura 12 Processos incipientes de formação de solos colonizados por vegetação pioneira. p. p.35 Figura 4 Distribuição pluviométrica média. p.43 Figura 9 Faixa de praia próximo à foz do rio Cocó.41 Figura 8 Pluviometria anual.LISTA DE FIGURAS ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE FIGURAS Figura 1 Fluxograma metodológico p.

51 Vista aérea parcial do campo de dunas que exibe gerações diferenciadas.52 Figura 19 Panorama parcial das dunas fixas e dunas dissipadas na Praia do Futuro.53 gue regenerado do rio Cocó.51 Figura 15 Dunas móveis e semi-fixas com vegetação pioneira. p. p. 50 Figura 13 Figura 18 Padrão fisionômico da vegetação sobre dunas fixas. p.54 . Notar a exubep.53 Figura 20 Aspecto da vegetação de mangue mais exposta à influência de marés.ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE FIGURAS Alinhamento de rochas de praia (beach rocks) em Sabiaguaba.54 rância da vegetação. p. p.52 Figura 17 XVIII p. p.53 Figura 21 Aspecto da densidade e porte da vegetação de manp. p. Figura 22 Planície fluviomarinha do rio Cocó. Figura 14 Vista parcial das dunas móveis à retaguarda dos terraços marinhos e contato com os tabuleiros pré-litorâneos em Sabiaguaba. limite dos municípios de Fortaleza e Caucaia. p.51 Figura 16 Campo de dunas móveis e semifixas na praia de Sabiaguaba. limitadas pela planície fluviomarinha do rio Cocó e por tabuleiros pré-litorâneos ao fundo. Figura 23 Vista aérea da planície fluviomarinha do rio Ceará-Maranguapinho.

expondo extensão territorial expressiva.58 ESTUDO GEOAMBIENTAL XIX . p.55 Figura 25 Panorama da planície fluvial do rio Cocó. p. Pode-se verificar a ocupação da maior parte da planície fluvial pela expansão urbana. p. Notar a degradação da mata ciliar.55 Vista aérea da lagoa de Parangaba. Ao fundo a planície fluviomarinha do rio Cocó e p. p. Figura 33 Aspecto da vegetação típica da mata ciliar com carnaúbas em área de inundação sazonal.57 Tancredo Neves e Lagamar.56 Figura 27 Figura 28 Planície fluvial do rio Cocó. na porção sul do município de Fortaleza. p. p.56 Figura 30 Grande concentração de residências expostas a riscos socioambientais na planície fluvial do rio Maranguapinho. nas proximidades dos bairros p.57 área de expansão vertical da cidade.56 Figura 29 Planície fluvial do rio Maranguapinho. onde se pode evidenciar baixos níveis de terraços fluviais e contato com as áreas de inundação sazonal e dos tabuleiros pré-litorâneos. p.57 Figura 31 Área de inundação sazonal associada com a planície fluvial do rio Cocó.55 Figura 26 Planície fluvial da lagoa da Precabura. p. Figura 32 Solos compactados das áreas de inundação sazonal.LISTA Figura 24 DE FIGURAS Planície fluvial do rio Cocó no bairro Boa Vista.

p. p. p.60 Mosaico de fotografias aéreas.60 Figura 39 Mata de tabuleiro.ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE FIGURAS Figura 34 XX Área de contato entre tabuleiros pré-litorâneos e campo de dunas.61 Figura 43 Diferentes aspectos da vegetação na transição tabuleiros-depressão.59 Figura 38 Densidade da vegetação de tabuleiros.62 .62 Figura 45 Morro do Ancuri. p.60 Figura 41 Transição tabuleiro-depressão sertaneja. p. p. extremo sul do município. planície fluvial e área de inundação sazonal. nas proximidades do bairro Lagoa Redonda. no Campus do Pici-UFC (Universidade Federal do Ceará).58 Figura 35 Topografia plana dos tabuleiros em contraste com o relevo ondulado do campo de dunas ao fundo. exibindo remanescente de cerrado (escala 1:5. na praia da Sabiaguaba.61 Figura 44 Morro Caruru (notar o desgaste causado pela mineração).58 Figura 36 Sedimentos da formação barreiras que formam os p.59 tabuleiros pré-litorâneos.61 Figura 42 Área de contato tabuleiro/depressão sertaneja. p. circundado pelos tabuleiros pré-litorâneos. no Sítio Curió. Figura 37 Baixa capacidade de incisão linear da rede de drenagem sobre os tabuleiros pré-litorâneos.000). Ao fundo a Serra da Aratanha. p. Figura 40 p. ao fundo. p. p.

p. Murilo Borges.64 Figura 48 Gráficos dos sub-sistemas ambientais .2006. Figura 55 ESTUDO GEOAMBIENTAL p.município p.114 Mortandade de vegetação de mangue ocasionada pelo barramento da cunha salina em decorrência p.113 XXI p. faixa de transição tabuleiro-depressão sertaneja.113 Jangurussu.114 trabalho de remoção dos aguapés. .município de Fortaleza – 2006. Figura 49 Vazamento de chorume do lixo em decomposição existente no já desativado aterro sanitário do p.64 de Fortaleza . p.114 Figura 54 Vista aérea parcial do aterro do Jangurussu e estação de tratamento do chorume. Gen.LISTA DE FIGURAS Figura 46 Mapa de sistemas ambientais. p. Notar o rio Cocó ao fundo. poluindo o rio Cocó.63 Figura 47 Gráfico dos sistemas ambientais . Figura 53 Constatação de ausência de fiscalização ambiental e deposição de lixo na porção sul do município.115 da construção da Av. p.113 Figura 52 Elevado índice de eutrofização do riacho Tauape. Figura 51 Efluente nas proximidades do Jangurussu. p. Figura 50 Chorume proveniente do aterro do Jangurussu.

117 Figura 62 Mineração clandestina nos tabuleiros pré-litorâneos p.ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE FIGURAS Figura 56 Figura 57 Ocupação da foz do rio Cocó por barracas de praia em Sabiaguaba. Além da retirada da vegetação de mangue e terraplanagem de dunas. Figura 63 Detalhe da utilização de tratores para mineração clandestina deixando cicatrizes irreversíveis na paisagem.115 Figura 58 Aterro para construção do Shopping Iguatemi.116 contribuindo para alagamentos e inundações. p. Figura 65 Ocupação por moradias de risco na planície fluvial do rio Cocó.117 nas imediações do Conjunto Palmeiras.118 . p. as pilastras favorecem o assoreamento do rio e acúmulo de bancos de areia. ocupando p. Figura 59 Ocupação indiscriminada das margens e canalização do riacho Tauape. Figura 61 Construção da ponte sobre a foz do rio Cocó. p. p. p. XXII p.115 Ocupação da faixa de praia e terraços marinhos entre os rios Cocó e Pacoti.116 áreas originalmente recobertas por manguezais.116 Figura 60 Planície fluvial ocupada por subestação da Chesf reduzindo a área de amortecimento de cheias e p.117 Figura 64 Mineração clandestina em área do parque natural p.118 municipal das dunas de Sabiaguaba.

p. p.120 Figura 73 Foz do rio Maranguapinho no estuário do rio Ceará (notar as áreas anteriormente ocupadas por salinas e o avanço da ocupação em áreas de riscos na APA do p. p.120 estuário do rio Ceará – Vila Velha). restando estreita faixa de vegetação ciliar completamente descaracterizada.118 Figura 67 Área de risco no vertedouro da Lagoa da Itaperaoba.119 Figura 69 Elevado índice de eutrofização e ocupação irregular das margens na favela Maravilha.126 . p.LISTA Figura 66 DE FIGURAS Residências construídas sobre o espelho d`água em ambiente lacustre.125 Figura 75 Unidades de intervenção . Figura 74 Unidades de intervenção . p.área frágil .119 Figura 70 Figura 71 Figura 72 ESTUDO GEOAMBIENTAL XXIII Áreas de riscos a inundações nas margens do rio Maranguapinho.município de Fortaleza. bairro Mondubim.125 Figura 76 Mapa de unidades de intervenção.120 Ocupação do leito maior e planície fluvial do rio Maranguapinho. com exposição da população a riscos socioambientais. p. p.município de Fortaleza. p. p.119 Figura 68 Ocupação do leito menor do rio Cocó.119 Planície fluvial do rio Maranguapinho. p.

p. unidades geomorfológicas e feições morfológicas.70 Quadro 10 Tabuleiros p.71 Quadro 12 Faixa de transição tabuleiro / depressão sertaneja p.124 Quadro 14 Síntese de zoneamento ambiental do município de Fortaleza.71 Quadro 11 Morro e crista residual p.45 Unidade fitoecológica.72 Quadro 13 Unidades de intervenção. p.68 Quadro 7 Espelho d`água e planícies lacustres p.137 Quadro 2 XXIV . p.65 Quadro 4 Dunas móveis p.66 Quadro 5 Dunas fixas p.46 Quadro 3 Faixa de praia e terraços litorâneos p.ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE QUADROS LISTA DE QUADROS Quadro 1 Classes de solos.67 Quadro 6 Complexo fluviomarinho.69 Quadro 9 Área de inundação sazonal p. classe de solos e localização geográfica. p. p.69 Quadro 8 Planícies fluviais p.

64 Tabela 5 Impactos Ambientais conforme o grau de urbanização. p.LISTA DE TABELAS ESTUDO GEOAMBIENTAL LISTA DE TABELAS Tabela 1 Temperaturas ao longo do ano.Município de Fortaleza.42 Tabela 3 Correlação entre a taxinomia anterior e a classificação atual de solos.Município de Fortaleza – 2006. p. p.43 Tabela 4 Sistemas Ambientais . p.125 XXV . p.41 Tabela 2 Série histórica de precipitações entre 1974-2005 p.112 Tabela 6 Unidades de Intervenção .

Os resultados e as experiências alcançados na última década baseiam-se em um modelo sistêmico. Essas relações assumem grau maior de complexidade quando incorporadas às variáveis socioeconômicas.ESTUDO GEOAMBIENTAL INTRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO 28 Os procedimentos adotados na elaboração dos estudos físico-ambientais merecem a devida atenção. hidroclimática. Considerando os pressupostos retromencionados. . o estudo do meio físico-natural busca atingir os objetivos delineados a seguir. Como tal. revelando-se mais adequado para incorporar a variável ambiental à organização territorial. pedológica e fitoecológica – materializando-se nos diferentes sistemas ambientais e padrões de paisagem. verifica-se. Tem-se origem no suposto de considerar o ambiente como um sistema complexo que deriva das relações e interações de componentes do potencial ecológico e da exploração biológica. Os sistemas ambientais tendem a representar um arranjo espacial decorrente da similaridade de relações entre os componentes naturais – de natureza geológica. ao tratar de estabelecer as diretrizes das políticas de meio ambiente. Cada sistema representa uma unidade de organização do ambiente natural. comumente. Parte-se do pressuposto básico de que os sistemas ambientais são integrados por variados elementos que mantêm relações mútuas e são continuamente submetidos aos fluxos de matéria e energia. Em cada sistema. geomorfológica. reagem também de forma singular no que tange às condições de uso e ocupação. um relacionamento harmônico entre seus componentes e estes são dotados de potencialidades e limitações próprias sob o ponto de vista de recursos ambientais.

mediante o zoneamento ambiental.INTRODUÇÃO ESTUDO GEOAMBIENTAL tFMBCPSBSPEJBHOØTUJDPBNCJFOUBMEPNFJPGÓTJDP DPNCBTFOB aplicação de metodologia sistêmica. tVUJMJ[BSQSPEVUPTEFTFOTPSJBNFOUPSFNPUPOBFMBCPSBÎÍPEB cartografia temática da área de abrangência do Município de Fortaleza. definindo sua capacidade de suporte em virtude da ocupação e da expansão urbana. tJOEJDBSBTQPUFODJBMJEBEFT MJNJUBÎÜFTFFDPEJOÉNJDBEPTTJTUFmas ambientais. tBOBMJTBSBMFHJTMBÎÍPBNCJFOUBMQFSUJOFOUFF tTVCTJEJBSPTQSJODÓQJPTCÈTJDPTQSFDPOJ[BEPTQFMPQMBOFKBNFOUP urbano e pelo ordenamento territorial. 29 . tEFMJNJUBSPTTJTUFNBTBNCJFOUBJTDPNCBTFOBTSFMBÎÜFTFOUSFPT componentes abióticos e bióticos de cada sistema.

A paisagem encerra o resultado da combinação dinâmica e instável de elementos físicos. a concepção de paisagem assume significado para delimitar cada sistema. reagindo dialeticamente uns sobre os outros. 1972). São definidos. é priorizada a visão de totalidade para a caracterização dos sistemas ambientais. Sob esse prisma. Essa proposta é apoiada na análise das variáveis ambientais e nas relações mútuas dessas variáveis.ESTUDO GEOAMBIENTAL PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS CONCEITOS 30 E PRINCÍPIOS Os resultados do diagnóstico ambiental do meio físico derivam de uma revisão sistemática dos levantamentos anteriormente procedidos sobre a base de dados dos recursos naturais. O diagnóstico do meio físico representa uma proposta de síntese da compartimentação geoambiental por meio de um quadro sinóptico. as concepções metodológicas consagradas em trabalhos ligados aos diagnósticos e zoneamentos ambientais. além dos trabalhos de campo para fins de reconhecimento da verdade terrestre. biológicos e antrópicos que. constituem os meios utilizados para o alcance dos objetivos propostos. Os sistemas são delimitados em função de combinações mútuas específicas entre as variáveis geoambientais. Destacam-se. fazem dessa paisagem um conjunto único e indissociável em perpétua evolução (BERTRAND. a atender aos pressupostos de uma análise integrada do ambiente físico natural. com maior clareza. As análises desse material e dos produtos do sensoriamento remoto. com isso. o significado geoambiental das variáveis relacionadas com o suporte. nesse aspecto. assim. em função da exposição de padrões uniformes ou relativamente homogêneos. Na etapa subseqüente do diagnóstico. . Visa-se. o envoltório e com a cobertura.

Há uma interferência permanente da morfogênese e da pedogênese. ESTUDO GEOAMBIENTAL 31 . Essas condições potenciais e limitativas são elementos fundamentais para o planejamento e ordenamento do território. um continuum nessa transição. São definidas três categorias de meios ecodinâmicos: medianamente estáveis. O modelado evolui lentamente. sobremaneira. Cada categoria de meio está associada ao comportamento e à vulnerabilidade das condições geoambientais em função dos processos degradacionais. são destacadas as características dos principais atributos naturais. a noção de estabilidade aplicase ao modelado. estudar a organização do espaço é determinar como uma ação se insere na dinâmica natural para corrigir certos aspectos desfavoráveis e facilitar a explotação dos recursos ecológicos que o meio oferece. dificilmente perceptível. sem que exista nenhuma separação abrupta. a morfogênese é o elemento predominante da dinâmica natural. Os ambientes de transição asseguram a passagem gradual entre os meios medianamente estáveis e os meios instáveis. de maneira insidiosa. verdadeiramente. efetuando-se de modo concorrente sobre um mesmo espaço. Nos meios instáveis ou fortemente instáveis. subordinando os demais componentes naturais. à interface atmosfera-litosfera. quanto às possibilidades de uso dos recursos naturais e das reservas ambientais. influenciada pela ação da sociedade ensejada pelas atividades socioeconômicas. Com o objetivo de avaliar a dinâmica ambiental e o estado de evolução dos sistemas. Segundo Tricart (1977). Nos meios medianamente estáveis.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Na preparação da legenda do Mapa de Sistemas Ambientais (Compartimentação Geoambiental). Servem de base para indicar condições potenciais ou limitativas. são estabelecidas categorias de meios ecodinâmicos com base em critérios de Tricart (1977). Há. onde há predomínio dos processos pedogenéticos. de transição ou intergrades e instáveis. A tendência para situação de estabilidade ou de instabilidade pode ser.

Os riscos se referem aos impactos negativos de uma ocupação desordenada do ambiente. e em trabalhos de campo. (b) Capacidade de Suporte.ESTUDO GEOAMBIENTAL 32 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Com o enquadramento dos sistemas em determinada categoria de meio ecodinâmico. viabiliza-se a possibilidade de destacar o grau de vulnerabilidade do ambiente e sua sustentabilidade futura. seqüencialmente. A organização do mapeamento foi feita com base na utilização de imagens de sensoriamento remoto. são identificadas com base na vulnerabilidade e nas deficiências do potencial produtivo dos recursos naturais e no estado de conservação da natureza. em função dos impactos produzidos pela ocupação urbana. contemplando. tendencial e desejada. A capacidade de suporte inclui condições de potencialidades e limitações. As limitações ao uso produtivo. em produtos cartográficos básicos e temáticos disponíveis. Após a caracterização do contexto geoambiental. está organizado um Quadro Sinóptico dos sistemas ambientais. PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS A avaliação ambiental dá ênfase ao conhecimento integrado e à delimitação dos espaços territoriais modificados ou não pelos fatores econômicos e sociais. os seguintes aspectos: (a) Características Naturais Dominantes. além das restrições ligadas à legislação ambiental. . Riscos de Ocupação e recomendações. e (c) Impactos. inclui uma vertente de variáveis físicas e bióticas ou das variáveis geoambientais. sendo propícias à implantação de atividades ou de infra-estruturas. Desse modo. que se materializam mediante uma série de unidades espaciais homogêneas que constituem heranças da evolução dos fatores fisiográficos e ecológicos ao longo da história natural recente da área. As potencialidades são tratadas como atividades ou condições exeqüíveis de praticar em cada sistema ambiental.

configurando. ambientes fortemente frágeis. Com base em sucessivos níveis de síntese mediante relações interdisciplinares. considerando os fatores do potencial ecológico (geomorfologia + climatologia + hidrologia). A análise ecodinâmica é procedida com base em critérios consagrados. delimitadas e hierarquizadas as unidades espaciais homogêneas. compostos essencialmente pelo mosaico de solos e pela cobertura vegetal. oriundo de levantamentos sistemáticos dos recursos naturais anteriormente procedidos. o comportamento e a fragilidade de cada sistema. Cada uma dessas categorias. definidas e enquadradas para os diferentes sistemas. a ser adotada.PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A identificação e a delimitação dos sistemas naturais homogêneos estão configuradas no Mapa de Sistemas Ambientais. e 3. ESTUDO GEOAMBIENTAL 33 . são estabelecidas. ambientes medianamente estáveis. com as necessárias adaptações às características naturais da área. serve de base para avaliar a tipologia. São consideradas como categorias de ambientes as seguintes: 1. A análise dos atributos e da dinâmica natural que identificam os sistemas ambientais tem caráter globalizante e integrativo. faculta a compreensão dos sistemas de inter-relações e interdependências que conduzem à formação de combinações dos atributos geoambientais. o ambiente do Município de Fortaleza. Desse modo. cartograficamente. resultante do agrupamento de áreas dotadas de condições específicas quanto às relações mútuas entre os fatores do potencial ecológico (fatores abióticos) e aqueles da exploração biológica. da exploração biológica (solos + vegetação) e das condições de ocupação e de exploração dos recursos naturais. 2. Essa visão holístico-sistêmica. descartouse o tratamento linear cartesiano. Esse mapa é organizado por intermédio da interpretação das imagens de sensoriamento remoto e da análise do acervo cartográfico temático. ambientes medianamente frágeis. que privilegia os estudos setoriais e distorce a visão sistêmica e de conjunto que configura a realidade regional.

t&MBCPSBÎÍPEFRVBESPPSJFOUBEPSPVTJOØQUJDPEP. e t0SHBOJ[BÎÍPEPBDFSWPQSPEV[JEPQBSBmOTEFBSNB[FOBNFOUP dos resultados. . visando à formação do banco de dados do meio ambiente e da qualidade dos recursos naturais das áreas focalizadas. na prática. t1SFQBSBÎÍPEBDBSUPHSBmBCÈTJDBBTFSFMBCPSBEBQPSJOUFSNÏdio do Sistema de Informações Geográficas (SIG).VOJDÓQJP de Fortaleza. à definição de parâmetros de avaliação permanente do planejamento ambiental.ESTUDO GEOAMBIENTAL PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ETAPAS DO ROTEIRO METODOLÓGICO t-FWBOUBNFOUPEFBDFSWPCJCMJPHSÈmDP HFPDBSUPHSÈmDPFEF informações disponíveis sobre o contexto geoambiental da área municipal. visando. O fluxograma metodológico (Figura 1) apresentado a seguir sintetiza os procedimentos a serem adotados sob o ponto de vista ambiental. contendo as principais informações planialtimétricas. t"OÈMJTFFJOUFSQSFUBÎÍPEFQSPEVUPTEPTFOTPSJBNFOUPSFNPUP  tendo em vista os estudos temáticos e as integrações parciais e progressivas do temas. t"OÈMJTFEPTUFNBTEFFTUVEP UFOEPFNWJTUBBFMBCPSBÎÍPEP diagnóstico ambiental. 34 t"OÈMJTFFVUJMJ[BÎÍPEPTQSPEVUPTEFMFWBOUBNFOUPTTJTUFNÈUJDPT de recursos naturais disponíveis sobre a área. t-FWBOUBNFOUPTEFDBNQPQBSBmOTEFSFDPOIFDJNFOUPEB verdade terrestre sob o ponto de vista ambiental.

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Fluxograma metodológico Fonte: elaboração dos autores 35 .  )     * + Figura 1 .

segundo o autor. diz: 36 Figura 2 . Gonçalves (2004) diz que a concentração demográfica. saneamento básico. ocupando uma área de aproximadamente 314 km² limitando-se ao norte com o oceano Atlântico. A esse respeito. Esses problemas. tornam-se o principal desafio ambiental do mundo contemporâneo.Localização de Fortaleza .ESTUDO GEOAMBIENTAL CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL 3 CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL O Município de Fortaleza está localizado na porção norte do Estado do Ceará. ao oeste com Eusébio e Aquiraz. saúde pública. Fortaleza encerra um complexo mosaico de sistemas ambientais que confere diferentes paisagens fortemente sujeitas às alterações desencadeadas pelas atividades socioeconômicas. Apesar da reduzida dimensão territorial. na verdade. a o sul com os Municípios de Maracanaú. ao leste com o Município de Caucaia (Figura 2). educação e outros. concentrando o maior contingente populacional do Estado e ocupando o status de quarta maior cidade do Brasil. como o lixo. Itaitinga e Pacatuba. pois as diferentes formas de uso e ocupação da terra são. Fortaleza desponta como centro regional somente a partir da segunda metade do século XX. o reflexo do desenvolvimento do sistema técnico-científico. abastecimento de água. consolidando-se como principal cidade do Nordeste setentrional. Diferentemente da maior parte das grandes cidades brasileiras. A cidade de Fortaleza é o principal centro urbano cearense. implica uma série de problemas ambientais que não se pronunciam quando a população está dispersa em áreas rurais. por si. com população superior a dois milhões e quatrocentos mil habitantes.

estamos diante de um desafio político e. além de um desafio técnico.980 habitantes em 1970 para 2. aquilo que o ambientalismo apresentará como desafio é. num curto espaço de tempo.430. nas suas mais diferentes visões hegemônicas. o crescimento de Fortaleza aconteceu de forma bastante rápida. especialmente daqueles que apresentam maior nível de articulação urbana com Fortaleza. sinônimo de dominação da natureza! Portanto. acredita ser a solução: a idéia de dominação da natureza. A Figura 3 (Crescimento populacional 18902000) mostra o crescimento populacional da cidade. no período compreendido entre 1890 e 2000.82% dos 7. Essa concentração demográfica foi bastante acelerada. que é a área mais densamente povoada do Estado do Ceará. o que o projeto civilizatório. civilizatório.169 pessoas para 514. 37 . mesmo. com a população total crescendo de 857.813 habitantes. GONÇALVES. 2006). o que representa 28. Fonte: SOUZA. Afinal. exatamente. somente em Fortaleza. Esse crescimento demográfico vertiginoso foi verificado em todos os municípios da Região Metropolitana de Fortaleza.CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL O desafio ambiental está no centro das contradições do mundo moderno-colonial.661 moradores do Ceará. Assim. a idéia de progresso – e sua versão mais atual.402 no ano 2000. Como pode ser visto na Figura 3 (Crescimento populacional 1890-2000). Esse crescimento foi impulsiona- ESTUDO GEOAMBIENTAL 2500000 2000000 1500000 1000000 500000 0 1890 1900 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1891 2000 Figura 3 Crescimento populacional 1890-2000.RMF (SANTOS. 1978 e CENSO. desenvolvimento – é rigorosamente. 2000.141. a população de Fortaleza praticamente duplicou. A instituição da RMF na década de 1970 acelerou o crescimento populacional das cidades que atualmente integram a RMF. passando de 270. De 1950 a 1970. 2004) O desafio ambiental assume maiores proporções à medida que se observam as condições socioeconômicas no espaço compreendido pela Região Metropolitana de Fortaleza . O ambientalismo coloca-nos diante da questão de que há limites para a dominação da natureza. como Maracanaú e Caucaia.

recursos hídricos. cujos principais destinos são a capital estadual e sua região metropolitana. Faz-se a seguir breve caracterização sintética dos principais componentes geoambientais. A respeito desse crescimento populacional vertiginoso. que sistematicamente aconteceram no espaço cearense e empobrecem ainda mais a população do campo. solos e cobertura vegetal. derivados de vulcanismo terciário. com suporte na análise das inter-relações. para. decorrente. pela ocorrência de secas.ESTUDO GEOAMBIENTAL 38 CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL do. principalmente. com base na capacidade de homeostase e resiliências dos diferentes sistemas ambientais. consolidando Fortaleza como o principal destino do fluxo migratório. terrenos cristalinos e relevos de exceção. CONDICIONANTES GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS No que se refere aos aspectos geológicos. identificar as potencialidades e. em particular da migração oriunda das zonas rurais do Ceará. A inexistência de políticas públicas para o setor rural impulsiona fortemente as migrações. A análise dos números ora expostos comprova a macrocefalia existente na Capital e denuncia e inexistência de um menor nível de complexidade e complementaridade da rede de cidades interioranas e litorâneas do Ceará (SILVA. as limitações impostas ao uso e ocupação do solo no Município de Fortaleza. 2000). Souza (1978) assinala que esse crescimento ocorreu em razão da falta de dinâmica dos núcleos urbanos no Estado. o Município de Fortaleza é caracterizado pela primazia de coberturas sedimentares cenozóicas. esse adensamento populacional num curto espaço de tempo ocasionou a agudização dos problemas socioambientais. clima. faz-se premente um estudo dos componentes geoambientais. em grande parte. . notadamente envolvendo os aspectos relacionados à geologia e geomorfologia. Por conseguinte. Nesse sentido.

Trata-se de uma superfície de aplainamento onde o trabalho erosivo truncou variados litotipos. propiciando a formação de vasta plataforma de deposição. Litologicamente. com granulação de fina a média e intercalações de níveis conglomeráticos. os terrenos cristalinos são constituídos pelas rochas dos complexos gnáissico-migmatítico e granitico-migmatítico do Proterozóico inferior. por vezes esbranquiçada. As coberturas sedimentares cenozóicas são constituídas pela planície litorânea. Trata-se de depósito correlativo de origem continental. vales e glacis de deposição pré-litorâneos da Formação Barreiras. imediatamente após os tabuleiros pré-litorâneos. acompanhando a linha de costa. situada à retaguarda dos sedimentos eólicos antigos e atuais (BRANDÃO et alii. e de aspecto mosqueado. numa época em que o nível do mar era mais baixo do que o atual. cujos clásticos predominantes são areias. Dispostos em discordância sobre os ter- ESTUDO GEOAMBIENTAL 39 . formando uma superfície de plana a suavemente dissecada. formado em condições climáticas pretéritas. siltes e argilas. cascalhos. predominantemente semi-áridas.CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL Litologicamente. se destacam por constituírem relevos residuais em forma de morro e crista que se sobressaem de forma elipsoidal (Ancuri) e em neck vulcânico (morro Caruru). Esses terrenos ocupam pequenas parcelas ao sul e sudoeste do Município. compondo leques aluviais coalescentes. A Formação Barreiras é de idade plio-pleistocênica e distribui-se de forma contínua em uma faixa de largura variável. 1995). é formada por sedimentos areno-argilosos de coloração vermelho-amarelada. As rochas vulcânicas alcalinas constituem relevos de exceção e são constituintes de uma província petrográfica geneticamente associada ao vulcanismo terciário do arquipélago de Fernando de Noronha (BRANDÃO et alii. Morfologicamente. Topograficamente. é constituída de rampas de pedimentação que se inclinam suavemente em direção ao litoral e aos fundos de vales. Os fundos de vales são constituídos por depósitos flúvio-aluvionares com sedimentos fluviais e lacustres. 1995).

ESTUDO GEOAMBIENTAL

40

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL

renos cristalinos, esses depósitos constituem faixas estreitas, geralmente
formados por sedimentos grosseiros ao longo dos canais, enquanto, nas
áreas de inundação, apresentam granulometria mais fina. Já sob influência dos terrenos sedimentares, os rios e riachos formam depósitos
mais espessos, provenientes do retrabalhamento da Formação Barreiras
e das dunas, sendo constituídos por areias finas, siltes e argilas. Nas
planícies lacustres, são depositados principalmente sedimentos finos,
associados a grande quantidade de matéria orgânica.
Os sedimentos areno-quartzozos da planície litorânea têm aspectos morfológicos diferentes, mormente nas faixas de praia e terraços
marinhos, dunas móveis e fixas, com diferentes idades e gerações.
As praias se dispõem de modo alongado por toda a costa, desde a
área de estirâncio até a base das dunas móveis, sendo interrompidas somente pelas planícies fluviomarinhas dos principais rios (Ceará, Cocó e
Pacoti). Por vezes, há ocorrências de beach rocks ou arenitos de praia.
Essas ocorrências são comuns nas praias do Meireles e Sabiaguaba.
Os terraços marinhos são superfícies formadas a partir do recuo da
linha de costa, e encontram-se entre a zona de alta praia e a base do
campo de dunas, como ocorre nas praias do Futuro e Sabiaguaba.
As dunas, originalmente, formavam cordões contínuos que acompanhavam paralelamente a linha de costa, interrompidas somente por
pequenas planícies fluviais e pelas planícies fluviomarinhas. Ocorrem
como dunas móveis ou semi-fixas e com dunas fitoestabilizadas.
As dunas móveis e semi-fixas são caracterizadas pela ausência ou fixação parcial de vegetação, favorecendo a mobilidade dos sedimentos por
meio do transporte eólico. Primordialmente, essas dunas se localizam próximas à linha de costa, onde a ação eólica é mais intensa. Têm forma de
meia lua (barcanas) com declives suaves a barlavento e inclinações mais
acentuadas a sotavento. À retaguarda dessas dunas, encontra-se uma geração mais antiga, já fixada pelos processos pedogenéticos e exibindo feições
de dunas parabólicas e eixos alinhados em direção E-W.
As planícies flúvio-marinhas são constituídas pela deposição de sedimentos predominantemente argilosos e com grandes concentrações de

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL

matéria orgânica. Sua deposição é resultante da mistura de águas doce e
salgada, que colmatam um material escuro e lamacento, formando solo
bastante profundo, salino, sem diferenciação nítida de horizontes. É justamente nesse ambiente que proliferam os manguezais.

ESTUDO GEOAMBIENTAL

400
350
300
250
200

ASPECTOS HIDROCLIMÁTICOS
O clima é fator determinante das condições ambientais, na medida em que influencia a distribuição e disponibilidade dos recursos
hídricos e controla a ação dos processos exógenos.
Como mencionado anteriormente, as condições climáticas têm
influências diretas sobre o regime e disponibilidade de recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Nesse sentido, Fortaleza beneficia-se
por apresentar índices de precipitação superiores a 1.200 mm/ano. O
maior volume de chuvas proporciona maior disponibilidade hídrica,
justificando melhores condições de reservas hídricas, se comparadas
às regiões semi-áridas do Ceará.
A circulação atmosférica em Fortaleza é comandada, principalmente, pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), além de outros
sistemas de menor escala que atuam na área, como o Sistema de Vorticidade Ciclônica, as linhas de instabilidade formadas ao longo da costa e
as brisas marítimas (BRANDÃO et. alii, 1995; SOUZA, 2000).
Assim como ocorre na maior parte do Nordeste setentrional, há maior
concentração de chuvas nos seis primeiros meses do ano, o que representa
mais de 90% do total precipitado ao longo do ano, com picos de precipitação nos meses de março e abril. A ZCIT é o principal sistema sinótico
responsável pelo estabelecimento da quadra chuvosa. Ela se faz bem mais
evidente quando da sua máxima aproximação do hemisfério sul, durante
o equinócio outonal (23 de março), retornando ao hemisfério norte no
mês de maio e ocasionando o declínio do período chuvoso (BRANDÃO,
et. al. op cit), conforme pode ser verificado na Figura 4.

150
100
50
0

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Figura 4 Distribuição pluviométrica média.
Fonte: FUNCEME, 2006.

41

ESTUDO GEOAMBIENTAL

DISTRIBUIÇÃO

AO LONGO DO ANO

MÉDIA

350
300
250
200
150
100
50
0

Jan

Fev

Mar Abr

Mai Jun

Jul

Ago Set Out Nov Dez

Figura 5 Insolação total ao longo do ano.
Fonte: FUNCEME, 2006.

42

27,5
27
26,5
26
25,5
25
24,5

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Figura 6 Temperaturas médias anuais.
Fonte: FUNCEME, 2006.

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL

Os meses de março e abril são os que apresentam a menor quantidade de horas de sol, com 148,9 e 152,8 horas/mês, respectivamente. Em outubro (296,1 horas) e novembro (283,2 horas), verifica-se
maior incidência de radiação solar. A Figura 5 mostra a média da
distribuição das horas de sol durante o ano, conforme as normais
climatológicas do período de 1961 a 1990, para a estação de Fortaleza, evidenciando-se a irregularidade na radiação solar e na radiação
média anual do período retromencionado.
A intensa insolação associada à latitude proporciona temperaturas
constantes no decorrer do ano. Desta feita, as temperaturas médias
anuais nas regiões próximas ao equador estão entre 26º e 28ºC (NIMER, 1972). Segundo o referido autor, as elevadas temperaturas se
apresentam não somente na média anual, mas sim nas médias mensais, o que justifica os elevados coeficientes térmicos verificados no
Município. Assim como ocorre em todo o Território brasileiro situado no hemisfério austral, os meses de junho e julho são geralmente os
que apresentam as menores temperaturas.
Em Fortaleza, essa situação concretiza-se, na medida em que a temperatura média é de 26,6ºC, enquanto a média das mínimas é de 23,5ºC e a
média das máximas é 29,9ºC, como pode ser verificado na Tabela 1.
Os meses de junho, julho e agosto apresentam as menores médias de
temperatura, respectivamente, com 25,85, 25,65 e 25,85ºC. Novembro
(27,55ºC), dezembro (27,65ºC) e janeiro (27,6ºC) têm as maiores médias. Os meses de menor temperatura mínima média são junho, julho
e agosto, com 22,1, 21,8 e 22,6 ºC, respectivamente. Em novembro e
dezembro, verificam-se as médias máximas mais elevadas com 30,7ºC
cada uma. A Figura 6 (Temperaturas médias anuais) apresenta síntese das
informações ao longo do ano.
A forte radiação solar e o conseqüente aumento da temperatura
no segundo semestre, associado às baixas precipitações a partir do
mês de junho, contribuem para as intensificas taxas de evaporação

que em média atinge 1. geradores de sérios problemas socioambientais.4 23. manifestando-se não apenas no decorrer dos meses. Durante a máxima atuação da ZCIT (período mais chuvoso).75 26.6 23.6 26.8 23.7 29.Dentre os anos que apresentam o total pluviométrico inferior à média do período.5 Novembro Dezembro Média 24. quando os valores totais de cada ano foram bastante inferiores à média. A evaporação ocorre de forma inversamente proporcional à precipitação e em consonância com a maior radiação solar. o que contribui para o saldo negativo no balanço hídrico anual.7 29. abril e maio. O ano de 1983 assume destaque. Trata-se do período mais seco da série.1 21. Fonte: FUNCEME. conforme pode ser verificado na Figura 7 (Relação precipitação e evaporação para a cidade de Fortaleza).7 23.5 30.1 29. nos meses de setembro.65 29. Analisando os totais pluviométricos anuais constantes da Figura 8 (Pluviometria anual) e Tabela 2. Essas variabilidades pluviométricas estão associadas às irregularidades ocasionadas pelas temperaturas dos oceanos tropicais e aos fenômenos El Niño e La Niña.65 25.25 25.2 23. 2006.85 25.4 24. nos meses de março. verifica-se que as maiores secas registradas na série ocorreram nos anos de 1979 a 1983.2 30.6 23.6 29. as precipitações em Fortaleza apresentam acentuada irregularidade.8 22.1 29.4 22. principalmente nas áreas sujeitas aos riscos ambientais.6792 Tabela 1 Temperaturas ao longo do ano.4917 30.1 29.5 30.7 27. 43 .4 24. 1993.7 27.85 26. Como pôde ser analisado.CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL no segundo semestre do ano. mas também ao longo dos anos. outubro e novembro.5 27. observam-se os menores índices de evaporação. 1992. As máximas ocorrem durante o de estio.8667 26.5 29. Fonte: FUNCEME.3 27. 2006.Relação precipitação e evaporação para a cidade de Fortaleza. o de 1983 desponta por apresentar o menor índice registrado (955 milímetros).55 26.469mm/ano no Município. pois há anos em que o índice pluviométrico médio não é atingido e aqueles em que as precipitações superam a média histórica. que ocasionam efeitos variados. o La Niña provoca fortes chuvas que causam situações calamitosas. Os baixos índices pluviométricos associados ao crescimento do consumo de água desencadeou o compro- ESTUDO GEOAMBIENTAL EVAPORAÇÃO 350 PRECIPITAÇÃO 300 250 200 150 100 50 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 7 .65 26. 1997 e 1998. Meses Mínima Máxima Média Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro 24. por encerrar uma série de cinco anos de estio (1979 a 1983).55 30. O El Niño causa prolongados períodos de secas.

4 1976 63.9 43.0 12.991 2005 22.2 324.3 312.2 252.4 546.3 12.012 1999 47.6 90.6 157.3 404.9 235.0 1.2 0.3 54.1 201.555 2002 273.3 593.8 7.1 Tabela 2 Série histórica de precipitações entre 1974-2005 Fonte: FUNCEME.1 11.5 204.9 2.7 325.4 17.1 34.9 576.4 7.0 1.6 318.2 342.9 35.4 20.6 231.490 1977 240.0 1.2 130.9 22.751 150.0 19.0 9.0 5.0 196.4 0.3 457.2 12.4 58.6 1975 102.673 2001 110.2 2.7 16.5 385.7 61.9 47.9 167.6 21.347 2000 188.1 105.4 9.1 0.2 15.4 536.7 58.4 30.4 244.0 183.7 205.1 2.6 36.9 74.7 3.0 210.6 349.4 15.5 196.6 194.1 634.5 7.0 1.8 13.6 34.2 126.9 131.1 1.5 90.7 0.7 59.6 955 1984 105.8 39.2 6.3 89.3 24.8 1.132 Média 133.1 101.9 157.8 4.4 597.2 209.0 2.5 652.5 61.1 59.8 1.020 293.0 296.143 1998 183.4 2.9 23.4 103.0 165.3 85.9 12.8 246.863 1990 40.8 280.0 269.7 353.5 64.2 77.7 25.0 113.0 23.2 449.7 1.862 1989 256.8 568.549 1992 48.6 31.2 523.1 129.0 20.9 180.7 30.8 1.3 3.2 32.5 19.7 5.8 373.0 2.8 3.4 23.8 188.2 12.3 247.8 189.5 1.8 73.5 12.5 38.4 27.8 86.708 1997 7.9 77.6 14.2 194.2 219.9 199.557 1979 50.3 1.2 162.4 499.6 1.6 248.7 1. 2006.9 79.4 437.9 21.7 229.8 216.2 130.7 20.3 416.1 16.0 14.4 16. .3 7.7 193.0 100.5 6.9 274.8 24.8 27.8 273.4 277.7 31.0 6.0 13.7 119.2 463.216 74.2 0.4 65.6 420.144 1996 98.0 0.4 1.0 1.8 132.2 50.5 169.629.2 16.6 10.1 200.0 11.9 115.3 104.5 16.6 48.9 765.0 6.4 461.5 8.2 7.4 24.1 6.2 38.7 36.7 1.3 180.836 1986 115.7 3.2 8.3 266.3 34.1 0.5 323.3 140.8 11.457 1987 91.3 211.1 306.5 14.2 1.8 157.2 134.4 66.2 15.5 1.7 4.3 2.6 0.1 6.8 70.3 31.6 44.2 107.1 351.6 156.5 304.0 54.9 352.8 156.2 241.5 2.9 210.813 132.3 405.191 204.1 577.1 48.3 84.0 0.7 18.8 198.5 19.1 68.6 37.5 8.0 42.0 253.3 36.9 47.8 135.380 1995 114.9 7.4 2.208 2004 500.0 15.3 151.2 32.3 130.3 76.0 817.8 152.0 24.1 5.1 5.9 45.086 1982 1983 95.9 1.3 0.6 978 1991 16.1 240.4 262.8 213.4 121.0 16.3 439.7 11.3 28.8 34.0 158.6 54.4 13.051 22.0 1.5 17.1 301.4 0.1 158.1 202.2 49.0 33.7 403.0 4.0 86.6 6.6 540.7 424.9 363.2 217.4 1.6 264.1 1.1 326.6 12.4 375.6 11.4 1.6 65.2 6.7 89.4 11.6 13.8 5.260 1988 182.7 2.5 252.089 1993 43.4 155.8 3.0 104.6 3.9 25.2 44.2 22.4 171.8 53.5 4.7 1.5 323.6 196.8 9.9 308.6 128.1 103.4 12.3 221.742 2003 227.2 357.5 18.2 1.043 1994 116.0 0.7 5.1 15.8 1978 61.0 2.4 251.3 86.0 458.3 31.7 183.8 158.8 0.0 37.5 13.6 16.3 2.8 31.6 53.1 69.2 262.4 518.3 608.1 305.3 451.ESTUDO GEOAMBIENTAL 44 CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Tot Anual 1974 330.7 39.0 6.3 131.7 14.5 0.5 4.4 27.6 1.8 1981 99.3 10.8 4.4 449.6 29.7 6.0 312.9 53.3 216.3 17.9 333.0 521.6 63.1 1980 187.0 0.9 1.7 168.8 182.9 279.029 1985 232.8 477.2 2.0 0.0 12.0 249.6 34.7 33.2 0.

Fonte: FUNCEME. como o racionamento de água e a construção do canal do Trabalhador. com alta permeabilidade e baixa fertilidade natural. São recobertos por vegetação pionei- 1500 1978 COBERTURA VEGETAL 1976 E 1974 SOLOS Figura 8 Pluviometria anual. SOUZA. 1989. traçado a partir de fornecimento hídrico oriundo do açude Orós. 45 . São dominantes as seguintes classes de solos: Neossolos Quartzarênicos. Argissolos Vermelho-Amarelos. A Tabela 3 exibe a correspondência entre a classificação anteriormente utilizada e a nova classificação de solos. Os solos ocorrentes em Fortaleza têm variações significativas quanto à tipologia. Na planície litorânea. litológicos e de relevo ao longo do tempo (SANTOS. informações e descrições contidas em diversos trabalhos técnicos e relatórios (IPLANCE. 1998. Neossolos Flúvicos e Gleissolos. classes de solos e variação espacial. 2006).CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL metimento do abastecimento de água para Fortaleza. Tomando como base os trabalhos de campo. pouco desenvolvidos. BRANDÃO et al 1995. Apresentam coloração esbranquiçada ou amarelada. geralmente profundos. Classificação Atual Argissolo Vermelho Amarelo Eutrófico Argissolo Vermelho Amarelo Distrófico Neossolos Quartzarênicos Classificação Anteriormente Utilizada Podzólico Vermelho Amarelo Eutrófico Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico Areias Quartzozas e Areias Quartzozas Marinhas Neossolos Flúvicos Solos Aluviais Gleissolos Solos Indiscriminados de Mangue Tabela 3 Correlação entre a taxinomia anterior e a classificação atual de solos. São solos com pouca reserva de nutrientes para as plantas. Os Neossolos Quartzarênicos são arenosos. Sua distribuição geográfica está associada à planície litorânea e a setores dos tabuleiros pré-litorâneos. 1999). 2000). BRASIL. os Neossolos Quartzarênicos estão associados ao campo de dunas e setores da faixa praial onde se deu início ao processo de colonização vegetal. contribuindo para que o sistema de abastecimento de água entrasse em colapso. CEARÁ. conforme o novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA. seguem breves descrição e distribuição das principais classes de solos do Município de Fortaleza.Fonte: Brandão et alii (1995) e EMBRAPA (1999). 2006. ESTUDO GEOAMBIENTAL 3000 2500 2000 1000 2004 2002 2000 1998 1996 1994 1992 1990 1988 1986 1984 0 1982 500 1980 A origem e evolução dos solos está relacionada a fatores que traduzem as características dos condicionantes climáticos. 1981. O abastecimento não foi suspenso em virtude da adoção de medidas emergenciais.

já completamente descaracterizada. É nesses solos que se desenvolvem os manguezais. A coloração é variada. Conforme exposto. pode-se observar estreita relação entre as classes de solos com o contexto geomorfológico. esses solos eram revestidos por uma vegetação do tipo mata ciliar. nas zonas litorâneas e pré-litorâneas. Ceará. Sua distribuição espacial está associada à presença de corpos hídricos. Gleissolos Sálicos ocorrem em áreas que apresentam altas taxas de salinidade. Sua profundidade varia de profundo a moderadamente profundo. Os Argissolos Vermelho Amarelos Distróficos têm distribuição espacial bastante variada. Primariamente. Os Neossolos Flúvicos têm formação a partir da sedimentação fluvial e distribuem-se principalmente ao longo dos rios de maior fluxo. notadamente bordejando a calha dos rios de maior caudal (Cocó. principalmente nas planícies fluviomarinhas dos principais rios. Nos tabuleiros pré-litorâneos. Messejana e Maraponga. apresentando tons desde vermelho-amarelados até bruno-acinzentadas. São ocupados por diversificados tipos vegetacionais. estão associados aos Argissolos Vermelho-Amarelos comportando espécies do complexo vegetacional litorâneo. Maranguapinho e Coaçu) e às margens de lagoas como as de Precabura. São solos bem drenados e acidez elevada. com textura de média a argilosa. O Quadro 1 sumaria .ESTUDO GEOAMBIENTAL 46 CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL ra do complexo vegetacional litorâneo. Verifica-se também sua ocorrência nas margens de lagoas situadas mais próximas ao litoral. com origem relacionada a diferentes tipos de materiais. ocorrendo nos tabuleiros pré-litorâneos. nos relevos planos a suavemente ondulados da faixa de transição com a depressão sertaneja e na base dos morros residuais.

CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL essa relação. Maranguapinho e Coaçu. existe pequeno núcleo de vegetação de cerrados no bairro Cidade dos Funcionários. 47 . Fonte: Adaptado de Souza (1998 e 2000). Originalmente. principalmente no setor centro-leste do Município. unidades geomorfológicas e feições morfológicas. associando a classe de solo às unidades geomorfológicas e feições do modelado.atual de solos. flúvio-lacustres e áreas de acumulação sazonal Planícies fluviomarinhas Quadro 1 Classes de solos. 2006). Classes de Solos Neossolos Quartzarênicos Argissolos Vermelho Amarelos Unidades Geomorfológicas Planície litorânea Glacis de deposição pré-litorâneos Morros residuais Depressões subúmidas sertanejas Neossolos Flúvicos Planícies e áreas de acumulação sazonal Gleissolos Sálicos Planície litorânea Feições Morfológicas Faixa de praia e campo de dunas Tabuleiros pré-litorâneos Cristas residuais Depressão sertaneja Planície fluvial dos rios Cocó. Ceará. Atualmente. eram encontradas algumas manchas de cerrados na área dos tabuleiros pré-litorâneos. planícies lacustres. Essa vegetação foi sumariamente suprimida para dar lugar à expansão urbana (SANTOS.

apresenta-se o Quadro 2. 48 Unidade Fitoecológica Classes de Solos Compartimento Geomorfológico Complexo vegetacional litorâneo Neossolos Quartzarênicos Planície litorânea Argissolos VermelhoAmarelos Neossolos Quartzarênicos Tabuleiros pré-litorâneos Argissolos Vermelho Amarelos Depressão sertaneja e tabuleiros pré-litorâneos Mata de tabuleiro Cerrado Caatingas Quadro 2 Unidade fitoecológica.ESTUDO GEOAMBIENTAL CONTEXTUALIZAÇÃO AMBIENTAL com cerca de 2. . Como verificado anteriormente. que relaciona a unidade fitoecológica à classe de solos correspondente e ao respectivo compartimento de relevo. os solos estabelecem estreito relacionamento com os demais componentes ambientais. classe de solos e localização geográfica.8ha. Nesse sentido. que corresponde ao último remanescente desse complexo vegetacional no Município de Fortaleza.

Considerando a diversidade interna dos sistemas. tabuleiros pré-litorâneos. com largura média de 2.5 – 3. conforme se verifica na Figura 46. dimensões. Foram identificados os seguintes sistemas ambientais: planície litorânea tendo como subsistemas dunas móveis. são delimitadas as unidades elementares contidas em um mesmo sistema de relações. Além dos efeitos da mor- 49 . Na planície litorânea de Fortaleza. As feições morfológicas recebem influências de natureza marinha. constituída por sedimentos de neoformação (holocênicos). que constituem os subsistemas ambientais. fluvial ou combinada. faixa de praia/ terraços litorâneos e complexo flúvio-marinho. características de origem e evolução. dunas fixas. capeando os depósitos mais antigos da Formação Barreiras. PLANÍCIE LITORÂNEA A planície litorânea é caracteriza por estreita faixa de terras.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL 4 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL Os sistemas ambientais são identificados e hierarquizados conforme a inter-relação dos seus componentes. Sob esse aspecto. de granulometria e origem variadas. a concepção de paisagem assume significado para a delimitação das subunidades. Dessa forma. transição tabuleiro/ depressão sertaneja. eólica. morros e cristas residuais. em virtude da exposição de padrões uniformes ou com relativa homogeneidade. planície fluviais. originando formas de acumulação e erosão. há de se verificar a estreita relação entre feições que a compõem. planícies lacustres.0 km. é possível identificar as potencialidades e limitações para melhor avaliar a capacidade de suporte ao uso e ocupação da terra.

Dentre as feições que compõem a planície litorânea de Fortaleza e que serviram de critério para definir os subsistemas ambientais. A melhor disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas na planície litorânea depende essencialmente das condições climáticas. Em razão da litologia. a morfologia é também influenciada pelos episódios eustáticos transgressivos e/ou regressivos. da natureza dos terrenos. foram considerados os seguintes: t'BJYBEFQSBJBFUFSSBÎPTNBSJOIPT t%VOBTNØWFJT t%VOBTmYBTF t1MBOÓDJFTnVWJPNBSJOIBTDPNNBOHVF[BJT 50 O ambiente litorâneo apresenta bom potencial de recursos hídricos superficiais e subsuperficiais. configurando importantes aqüíferos nos campos de dunas e terraços marinhos e propiciando a ocorrência de lagoas costeiras e freáticas. predominantemente sedimentar. Os principais agentes destes pro- . das características geomorfológicas e fitoecológicas. Os ambientes constituintes da planície litorânea possuem forte ação dos processos morfogenéticos. Neosolos Quartzarênicos e Gleisolos. vegetação de dunas e manguezais. com freqüência de estuários.ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL fodinâmica atual e dos fatores litológicos. a região litorânea favorece maior acúmulo hídrico no subsolo. Os solos apresentam associação predominantemente de solos imaturos e pouco desenvolvidos como Neossolos Quartzarênicos Marinhos. pela neotectônica e por eventos paleoclimáticos. lagoas e lagunas. Revestem esses solos uma vegetação típica (complexo vegetacional litorâneo) composta pela vegetação pioneira psamófila.

São moderadamente selecionados. que levam à formação de paisagens com alta instabilidade ambiental. Silva (1998) assinala que o excesso de sedimentos depositados na linha de costa torna-se volumoso para ser transportado pela ação eólica ou marinha. são as correntes marinhas.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL cessos. com níveis de minerais pesados. a planície litorânea é um ambiente dinâmico e de extrema fragilidade ambiental. Sobre a sua formação. em decorrência da ação dos processos de erosão. pequenos seixos e restos de conchas que foram transportados e re-trabalhados pelos processos marinhos. predominam as areias quartzozas. a hidrologia de superfície e subterrânea. acumulando-se nas praias. desde a linha de maré mais baixa até a base das dunas móveis (Figura 9 e Figura 10). Desta feita. a ação de agentes climáticos. fragmentos de conchas e minerais micáceos. (1995). segundo Silva (1998). transporte e de acumulação que atuam ao longo desses ambientes costeiros e tornando-os sujeitos a condições de forte instabilidade ambiental. Na faixa de praia e nos terraços marinhos. 51 Figura 10 . as feições do relevo. ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 9 Faixa de Praia e Terraços Marinhos Segundo Brandão et alii. a composição litológica. As praias recobrem todo o litoral fortalezense. as oscilações do nível do mar no Quaternário. 2006). a arrebentação das ondas. que se estende por toda a costa. Cocó e Pacoti. a faixa de praia forma um grande depósito contínuo alongado. Sua gênese e evolução estão associadas a sedimentos arenosos. sendo seccionadas localmente pela ponta do Mucuripe e pelos estuários dos rios Ceará. com granulometria que varia de fina a média e de tonalidades esbranquiçadas. cascalhos. Esta alta instabilidade faz com que este ambiente tenha reduzida capacidade de resistência aos impactos ambientais provenientes de atividades socioeconômicas (SANTOS.

por gramíneas adaptadas a elevada salinidade. Os sedimentos eólicos que formam as dunas móveis têm preponderância . como ocorre nas praias de Sabiaguaba e do Meireles (Figura 13). onde a pedogênese é praticamente nula.ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 11 52 Figura 12 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL Pode-se garantir que a maioria dos sedimentos que compõem a faixa praial é de origem continental e foram transportados pela drenagem até o litoral. que devem ser cuidadosamente planejadas. Em amplos setores dos terraços litorâneos verifica-se que os exutórios ocasionam a ocorrência de uma série de lagoas freáticas. Ocupam enseadas ou áreas próximas às desembocaduras fluviais. Alguns setores da alta praia e os terraços marinhos são recobertos por uma vegetação pioneira herbácea. posteriormente retrabalhados pela abrasão marinha. selecionados pelo transporte eólico. garantindo-lhes alta fragilidade ambiental e ecodinâmica desfavorável às atividades humanas. verificam-se ocorrências de alinhamentos rochosos e descontínuos abaixo da linha de preamar. que se caracterizam pela ausência de vegetação na faixa de praia. sobrepostos a uma litologia mais antiga. entre os estuários dos rios Cocó e Pacoti (Figura 12). com sedimentos areno-quartzosos holocênicos. composto. essencialmente. constantemente recebendo ações dos processos morfogenéticos. São ambientes que estão submetidos aos processos morfogenéticos. Dunas Móveis Figura 13 As dunas móveis são constituídas pelo mesmo material da faixa praial. Esses sedimentos são recobertos por Neossolos Quartzarênicos marinhos. Trata-se de um ambiente fortemente instável. intensidade dos ventos e radiação solar (Figura 11 e Figura 12). Seu uso mais apropriado é destinado ao lazer e à recreação de forma planejada e não predatória. Sobre esses ambientes. formando um substrato rasteiro. como verificado na região de Sabiaguaba.

apresenta uma vegetação pioneira psamófila que dá início ao processo de colonização vegetal. Goiabeiras e Barra do Ceará. são retrabalhadas pelo mar e depositadas na praia por ações da deriva litorânea. Durante as marés baixas. No primeiro caso. para o interior. aterramento de mangues. Nos ambientes antropizados.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL de areias quartzozas bem selecionadas. A Figura 17 evidencia a constituição do campo de dunas com diferentes gerações. Em função da ausência de solos. formas homogêneas e colorações amarelo-esbranquiçadas. Em sua maioria. Praia do Futuro I e II. com granulometria que varia de fina a média. quanto nas áreas transformadas pelo homem. pelos ventos. que juntas constituem o campo de dunas da planície litorânea de Fortaleza. As dunas móveis são compostas por sedimentos em constante mobilização. são transportados. soterramento de paleodunas e desvio dos cursos d’água. não há cobertura vegetal. como pode ser verificado na Sabiaguaba. Posteriormente. a migração ocasiona assoreamento de rios. não apresentando processos pedogenéticos. A Figura 14 exibe vista aérea parcial do campo de dunas móveis da Sabiaguaba e sua área de contato com os terraços marinhos e tabuleiros pré-litorâneos. os sedimentos ressecam e. Os efeitos dessa mobilidade podem ser sentidos. a deflação eólica causa soterramento de vias de acesso e de moradias. 1998). as areias quartzosas são de origem continental e foram transportadas pelos rios até a zona litorânea. Trata-se de uma vegetação herbácea de pequeno porte. formando um estrato rasteiro que atua na fixação das dunas. assim. A ausência de cobertura vegetal justifica a constante mobilização dos sedimentos. sendo que. Estes pro- ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 14 53 Figura 15 Figura 16 . acumulando-se em formações dunares (SILVA. por vezes. contribuindo para o início do processo de pedogênese (Figura 15 e Figura 16). As dunas móveis encontram-se associadas às dunas fixas e semifixas. tanto nos sistemas naturais.

São áreas que devem ser destinadas. condições de fitoestabilização. desde que com pauta nos preceitos conservacionistas e de sustentabilidade ambiental. primordialmente. à manutenção das integralidades e funcionalidades sistêmicas por elas exercidas. A permo- . Eventualmente. anulando os efeitos da ação eólica e impedindo o avanço de sedimentos rumo ao interior. Criam-se. onde há primazia dos processos morfogenéticos. Via de regra. O desenvolvimento dos processos pedogenéticos e o conseqüente recobrimento vegetal têm papel fundamental na fixação das dunas. dado seu elevado potencial paisagístico. as dunas fixas estão situadas logo após o cordão de dunas móveis na área limítrofe com os tabuleiros pré-litorâneos. A Figura 18 mostra o porte e aspecto fisionômico da cobertura vegetal em dunas fitoestabilizadas. A Figura 19 evidencia a área de contato da planície litorânea (dunas fixas e planície flúviomarinha) com os tabuleiros pré-litorâneos.ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 17 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL blemas ocorrem em função do desordenamento do processo de uso e ocupação de terra. baixos níveis altimétricos e evidências eventuais de dissipação das feições originais. o que confere a essas áreas forte vulnerabilidade ambiental aos processos de uso e ocupação do solo. Segundo Souza (2000). essa geração de dunas apresenta areias com tons vermelho-amarelados. São recobertas por uma vegetação subperenifólia e com padrões fisionômicos variados em que predominam plantas de porte arbustivo a barlavento e arbóreo nas encostas a sotavento. onde áreas que não deveriam ser ocupadas foram utilizadas de forma não apropriada. Dunas Fixas 54 Figura 18 As dunas fixas são ambientes que já foram alvo de ações pedogenéticas e proporcionaram o desenvolvimento de uma vegetação de porte arbóreo-arbustivo. são áreas que podem ser destinadas ao turismo e lazer. por conseqüência. São ambientes fortemente instáveis.

sendo submetidos às influências de processos marinhos (oscilações de maré) e fluviais. encharcado.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL porosidade do material sedimentar constituinte favorece o aumento de reservas hídricas subsuperficiais. apresentando alta concentração de salinidade e matéria orgânica em decomposição. notadamente de sedimentos de textura argilosa com elevada concentração de matéria orgânica em decomposição. Figura 19 55 Figura 20 Figura 21 . além do potencial paisagístico. é estabelecida uma cobertura vegetal altamente especializada. São ambientes criados por processos de deposição. que atua nos processos de estabilização ambiental. rico em matéria orgânica e com vegetação altamente especializada (mangue). os campos de dunas fixas concentram reservas de águas subterrâneas passíveis de utilização. que serve de berçário para inúmeras espécies marinhas e continentais. As dunas fixas são ambientes de transição onde há certo equilíbrio nas relações entre pedogênese e morfogênese. A Figura 20 e a Figura 21 mostram os padrões fisionômicos da vegetação de mangue. Há predominância de Gleissolos genericamente associados a solos indiscriminados de mangues. Assim. os solos de mangue são lamacentos e profundos. Planícies Fluviomarinhas com Manguezais As planícies fluviomarinhas são ambientes especiais. úmido. Trata-se de um ambiente lamacento. O mangue (vegetação perenifólia paludosa marítima de mangue) tem como característica principal suportar inundações periódicas e altos índices de salinidade. garantindo certa estabilidade ambiental. Por estar sujeito a quatro oscilações de maré num período de 24 horas (duas de preamar e duas de baixamar). Em decorrência da mistura de águas marinhas e continentais e da conseqüente precipitação dos sedimentos em suspensão. Trata-se de um ambiente de alta produção de biomassa.

A Figura 23 mostra vista aérea parcial da planície fluviomarinha do rio Ceará no limite entre os Municípios de Fortaleza (à direita) e Caucaia (esquerda). O mangue atua na função de estabilização geomorfológica. impactos das marés. além de atuar no equilíbrio dos processos geomorfogênicos da planície fluviomarinha. atuando na fertilização de suas águas mediante o aporte de matéria orgânica. protegendo contra inundações. é possível verificar áreas incorporadas à atividade salineira no Município de Fortaleza que atualmente encontram-se desativadas. fixando solos instáveis. o porte e exuberância de algumas espécies do mangue exibem estágio climáxico. 1998). Na fotografia. para fins de moradia ou empreendimentos turísticos e industriais. Cocó e Pacoti.ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 22 56 Figura 23 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL O ecossistema manguezal possui vegetação arbórea halofítica. diminuindo a erosão das margens dos canais dos estuários e regulando a deposição de sedimentos no litoral. A atividade salineira teve grande impacto nos manguezais dos rios Ceará. a cobertura vegetal. Em meados da segunda metade do século XX. impactaram irreversivelmente o sistema ambiental. A expansão urbana invadindo estas áreas. Essa unidade de vegetação contribui para que o manguezal seja o ecossistema dotado de maior produtividade no litoral do Município. que se distribuem de forma diferenciada nas planícies fluviomarinhas. justificando seu enquadramento legal como áreas de preservação compulsória. Dessa forma. composta por cinco espécies principais. O mangue é constantemente devastado para a retirada de madeira lenhosa que serve como matriz energética ou para a construção civil. Através da Figura 22. diminui o avanço de dunas sobre os cursos d’água e contribui para a manutenção da linha da costa (SILVA. . Trata-se de um ambiente com alta vulnerabilidade à ocupação. grandes áreas de mangue daqueles rios foram devastadas e incorporadas à atividade.

as planícies fluviais são subsetorizadas conforme as seguintes características: área de vazante. A Figura 28 e a Figura 29 mostram as planícies fluviais dos rios principais que drenam a maior parte do sítio urbano de Fortaleza: Cocó e Maranguapinho. submetidas a inundações periódicas e precariamente incorporadas à rede de drenagem. Pacoti e seus principais tributários (Figura 24 e Figura 25). com inclusões de cascalhos inconsolidados. A várzea alta representa setores um pouco mais elevados das planícies e ficam ao abrigo das inundações. A primeira constitui um complexo flúviolacustre que se expande além dos limites territoriais de Fortaleza. Os sedimentos aluviais que compõem as planícies fluviais e lacustres são predominantemente areias finas e médias. várzea baixa.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL PLANÍCIES FLUVIAIS E ESTUDO GEOAMBIENTAL LACUSTRES Souza (2000) acentua que as planícies fluviais são as formas mais características de acumulação decorrentes da ação fluvial e se distribuem longitudinalmente acompanhando a calha dos rios Maranguapinho. argilas e eventuais ocorrências de matéria orgânica em decomposição. As rampas com baixos declives dos interflúvios marcam os níveis de terraços fluviais escalonados. A vazante é constituída pelo talvegue e pelo leito menor dos rios. englobando partes de Eusébio e Aquiraz. A várzea propriamente dita é a área típica da planície. delimitados lateralmente por diques marginais areno-argilosos revestidos por matas ribeirinhas. Ceará. A Figura 26 e a Figura 27 mostram vista aérea parcial das lagoas da Precabura e Parangaba. Figura 24 57 Figura 25 Figura 26 . Transversalmente. com ou sem cobertura arenosa. siltes. segundo Souza (1979). várzea alta e rampas de interflúvios. Cocó. tendo sua ocupação comprometida durante os anos de chuvas excepcionais. As planícies lacustres são áreas de acumulação inundáveis que bordejam as lagoas perenes e semiperenes existentes no litoral e nos tabuleiros pré-litorâneos ou correspondem a áreas aplainadas.

ESTUDO GEOAMBIENTAL

Figura 27

58

COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL

São áreas que detêm um bom potencial hidrogeológico em virtude da permoporosidade do material constituinte. Os solos predominantes são mal drenados, profundos, de textura indiscriminada e
média, com alta fertilidade natural. São constituídos, por Neossolos
Flúvicos, originalmente revestidos por matas ciliares já degradadas. A
retirada da mata ciliar ocasiona maior quantidade de sedimentos que
colmatam as calhas fluviais e contribuem para o assoreamento dos
rios e magnificação dos efeitos das cheias.
A drenagem imperfeita e o encharcamento e excesso de água durante a estação chuvosa constituem os principais fatores limitantes
ao uso, tratando-se de áreas constantemente sujeitas a inundações.
É aí que se concentra a maior parte das áreas de risco existentes em
Fortaleza. A Figura 30 mostra a ocupação da planície fluvial por habitações, expondo os residentes a riscos derivados de inundações na
quadra chuvosa.

ÁREAS
Figura 28

Figura 29

DE

INUNDAÇÃO SAZONAL

As áreas de inundação sazonal são superfícies planas com ou sem
cobertura arenosa, sujeitas a inundações periódicas. Litologicamente, são compostas por sedimentos coluviais argilosos, inconsolidados,
eventualmente recobertos por uma camada arenosa de topografia plana, balizada por níveis mais elevados.
Os sedimentos argilosos tendem a contribuir para a impermeabilização dos horizontes superficiais dos solos, possibilitando a permanência da água em superfície, com drenagem imperfeita, precariamente incorporada à rede de drenagem, favorecendo as inundações
periódicas. O escoamento é do tipo intermitente sazonal em fluxo
muito lento.
Os solos variam de rasos a medianamente profundos, de textura indiscriminada e drenagem imperfeita, susceptíveis a encharcamentos sazonais

COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL

e erosão, com baixas a médias condições de fertilidade natural e problemas de salinização. São compostos, primordialmente, por Planossolos,
Neossolos Flúvicos e eventualmente ocorrências de Vertissolos.
A cobertura vegetal é típica de várzeas (matas ciliares), onde a carnaúba (Copernícia prunifera) é a espécie mais freqüente, associandose a outras plantas de porte arbóreo e a gramíneas.
São áreas medianamente frágeis com ecodinâmica de ambientes
instáveis/transição com tendências à instabilidade. Por isso mesmo,
a ocupação deve ser evitada, principalmente para auxiliar no controle das cheias.

ESTUDO GEOAMBIENTAL

Figura 30

TABULEIROS PRÉ-LITORÂNEOS
Os tabuleiros pré-litorâneos são compostos por sedimentos mais
antigos, pertencentes à Formação Barreiras, e se dispõem de modo paralelo à linha de costa e à retaguarda dos sedimentos eólicos, marinhos
e flúviomarinhos que compõem a planície litorânea. A Figura 34 e a Figura 35 mostram o contato dos tabuleiros pré-litorâneos da Formação
Barreiras com os neossolos quartzarênicos da planície litorânea.
O sistema deposicional da Formação Barreiras é variado e inclui
desde leques aluviais coalescentes até planícies de marés. As fácies sedimentares superficiais têm, igualmente, variações que dependem de
condições diversas, tais como: da área-fonte dos sedimentos, dos mecanismos de mobilização e das condições de deposição.
Sob o aspecto litológico, há predominância de sedimentos arenoargilosos de tons esbranquiçados, vermelho-amareladas e cremes. O
material é mal selecionado e tem variação textural de fina a média e
estratificação indistinta (SOUZA, 1988 e 2000).
Os sedimentos em apreço, de origem continental, constituem depósitos correlativos de superfícies de aplainamento interiores, tendo
sido removidos e depositados em condições de resistasia e influencia-

59

Figura 31

Figura 32

ESTUDO GEOAMBIENTAL

Figura 33

60

Figura 35

COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL

Figura 34

limitando a capacidade de incisão linear que não permite ao rio escavar vales. correspondem a terrenos firmes. A Figura 36 apresenta a coloração e a espessura do material constituinte de tabuleiros em sedimentos argilo-arenosos. Sob o ponto de vista dos solos. com topografias planas e solos espessos. bem drenados e com fertilidade natural variando de baixa a média. conforme Fernandes (1990) citado por Souza (2000). À medida que se aproxima do contato com a depressão sertaneja. Disso resulta que os níveis altimétricos entre as áreas situadas no topo dos tabuleiros e no fundo dos vales não ultrapassem dez metros (SOUZA. elevada acidez e fertilidade natural baixa. apresentam condições que variam de acordo com o material de origem. passa ESTUDO GEOAMBIENTAL Foto: Tay Martins COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL Figura 36 61 Figura 37 . É constituída por espécies de porte arbóreo/arbustivo. isolando interflúvios tabuliformes. op cit).dos por morfogênese mecânica (SOUZA. Apresenta fluxo médio muito lento. com drenagem excessiva. Nos tabuleiros arenosos. estáveis. A Figura 37 mostra a pouca capacidade de entalhe da drenagem. As áreas interfluviais que compõem os tabuleiros pré-litorâneos. a superfície plana do relevo é composta por Neossolos Quartzarênicos. A vegetação de tabuleiros não se apresenta homogênea. A rede de drenagem conseqüente entalha os glacis de modo pouco incisivo. A vegetação subperenifólia situa-se principalmente nas áreas próximas ao litoral recobrindo Argissolos Vermelho-Amarelos Distróficos e Neossolos Quartzarênicos. Existem duas feições distintas: subperenifólia e caducifólia. Neossolos Quartzarênicos são solos profundos. Nos tabuleiros com predomínio de coberturas areno-argilosas. há maior ocorrência de Argissolos Vermelho-Amarelos. principalmente se analisada sob o ponto de vista fisionômico. 2000). Argissolos Vermelho-Amarelos apresentam-se como solos profundos. A sede do Município de Fortaleza está quase que em sua totalidade situada sobre esses terrenos.

000 m². à manutenção do equilíbrio ambiental e controle de cheias. com destaque para as áreas mais próximas à confluência de canais fluviais e/ou em áreas . Nesse sentido assume destaque a mata de tabuleiro existente no sítio Curió (Figura 38) e no campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (Figura 39). percebe-se que. manifestações do Exército para venda da área e da ECT para expansão do centro de triagem e administrativo da Empresa. dada a topografia pouco acidentada. Vale destacar que a área só não fora incorporada ao mercado imobiliário por ser de propriedade do Exército Brasileiro e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). das caatingas. numa área restrita de aproximadamente 28. configurando certa similaridade com as caatingas das depressões sertanejas.ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 38 62 Figura 39 Figura 40 COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL a haver uma predominância de espécies caducifólias. Corresponde a um complexo florístico que inclui espécies de matas. desde que observadas as adequadas condições de infraestrutura urbana e de saneamento ambiental. Tratam-se dos últimos resquícios do padrão de vegetação primitivo do Município. São ambientes que possuem ecodinâmica favorável e poucas restrições ao uso e ocupação. e que testemunha evidências de flutuações climáticas quaternárias. principalmente. As limitações à ocupação referem-se. apesar da descaracterização paisagística generalizada sobre os tabuleiros em face da expansão urbana. Trata-se do último remanescente vegetacional desse complexo. Existem. há ocorrência de plantas adensadas com porte arbóreo-arbustivo. A Figura 40 apresenta mosaico de fotografias aéreas e mapa básico do remanescente de cerrados em área de grande valorização imobiliária em Fortaleza. contudo. do complexo litorâneo e dos cerrados. Apresenta condições propícias à expansão urbana. em áreas de tabuleiros arenosos no bairro Cidade dos Funcionários. Cabe ressaltar a pequena reserva de vegetação de cerrado. propiciando ocupações e usos variados. Fisionomicamente.

ao lado de árvores e arbustos esparsos (Figura 43). Maranguapinho. moderadamente drenados. A rede de drenagem superficial é densa. A área do embasamento exibe acentuada diversificação litológica. Quando mais fortemente degradada. Figura 41 63 Figura 42 Figura 43 . com textura média. A transição entre os tabuleiros e a depressão sertaneja não tem rupturas topográficas nítidas (Figura 41 e Figura 42). Quando as condições ambientais oferecem maiores limitações edáficas. As caatingas com variados padrões fisionômicos e florísticos prevalecem no domínio dos sertões circunjacentes semi-áridos. Ceará e Pacoti. O padrão arbóreo só chega a prevalecer onde a semi-aridez é mais moderada e onde os solos têm melhores condições de fertilidade natural. de padrão dendrítico e com pequena capacidade de entalhamento em face da intermitência sazonal dos cursos d`água. com destaque para as planícies dos rios Cocó. Coaçu.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL próximas às planícies fluviomarinhas. as condições fisionômicas tendem a apresentar um tapete herbáceo extensivo. cascalhentos e com fertilidade natural média. Os solos têm predominância de Argissolos Vermelho-Amarelos pouco profundos. TRANSIÇÃO TABULEIROS PRÉ-LITORÂNEOS E DEPRESSÃO SERTANEJA Corresponde à porção meridional do Município e abrange a área de contato do embasamento cristalino com os sedimentos da Formação Barreiras. há primazia de padrão arbustivo denso ou aberto. com rochas indistintamente truncadas por superfície de erosão onde os processos de pediplanação deram origem às depressões sertanejas.

1995). situado entre as desembocaduras dos rios Cocó e Pacoti (Figura 44). São áreas que devem ser destinadas à preservação ambiental. Constituem uma província petrográfica geneticamente associada ao vulcanismo terciário do arquipélago de Fernando de Noronha (BRANDÃO at alii. no limite geográfico com Itaitinga. SINOPSE DA COMPARTIMENTAÇÃO AMBIENTAL A sinopse da Compartimentação Geoambiental é apresentada em quadros sinópticos (Quadro 3 a Quadro 12) que sintetizam as características dos sistemas ambientais. e estão associados a atividades vulcânicas terciárias. O Caruru apresenta-se em forma típica de neck vulcânico. O Ancuri localiza-se na porção sul do Município. constituídas por litotipos classificados dominantemente como fonólitos e traquitos de coloração cinza-esverdeada. Esses relevos apresentam ocorrências nos morros do Caruru e Ancuri. dada a grande inclinação das vertentes.ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL MORROS RESIDUAIS Figura 44 64 Figura 45 Verificam-se dois relevos de exceção no Município. tratando-se de um relevo residual de forma elipsoidal (Figura 45). pouco desenvolvimento de solos e elevado grau de impactos desencadeados pela mineração no Caruru e o caráter estratégico do Ancuri para o abastecimento de água da Capital. . Essas rochas vulcânicas alcalinas apresentam-se em forma de necks e diques.

.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL 65 Figura 46 Mapa de Sistemas Ambientais.

ESTUDO GEOAMBIENTAL 66 Tabela 4 Sistemas Ambientais . Planícies Fluviais Planícies Lacustres Área de Inundação Sazonal .Município de Fortaleza . Faixas de Praia Dunas Fixas Terraços Marinhos Planícies Fluvio Marinhas com Manguezais Dunas Móveis Figura 48 Gráficos dos Sub-sistemas Ambientais .2006.Município de Fortaleza – 2006. COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL Tabuleiro Morros Residuais Planície Litorânea Faixa de Transição Vales Corpos D’água Figura 47 Gráfico dos Sistemas Ambientais .Município de Fortaleza – 2006.

monitoramento rigoroso da faixa praial e dos terraços para evitar ocupações desordenadas. o sistema ambiental apresenta a maior parte dos seus componentes degradados ou suprimidos e a organização funcional eliminada em virtude da expansão urbana contínua e desordenada. erosão marinha e recuo da linha de costa. A oeste da ponta do Mucuripe até a Barra do Ceará.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL FAIXA DE PRAIA E ESTUDO GEOAMBIENTAL TERRAÇOS LITORÂNEOS Características Naturais Dominantes Área plana ou com declive muito suave para o mar. 67 . desestabilização de dunas fixas pela retirada da cobertura vegetal pode desencadear processos dedegradacionais. turismo e lazer. muito suscetível à contaminação. alterações das drenagens ou da hidrodinâmica. do estuário do rio Ceará e do rio Pacoti. desestabilização do sistema dunar com riscos de alteração da paisagem (exploração de areia e trânsito de veículos). processos erosivos ativos. resultante de acumulação marinha. Tem menor taxa de ocupação ao longo da praia do Futuro e principalmente da Sabiaguaba. aqüífero livre presente em pequenas profundidades com areias de elevada condutividade hidráulica. correspondendo ao antigo relevo costeiro (paleolinhas de praias). criação de ambientes de preservação nas unidades de uso sustentável como nas APAs da Sabiaguaba. restrições às atividades minerárias em face da grande vulnerabilidade do ambiente dunar. perda de atrativos turísticos. Capacidade de Suporte Potencialidades Patrimônio paisagístico. Ecodinâmica Ambientes fortemente instáveis e com alta vulnerabilidade à ocupação. desequilíbrio no balanço sedimentológico do litoral.Estado Atual de Conservação: área que apresenta o sistema ambiental primitivo de parcial a fortemente modificado. Quadro 3 . Limitações Ambientes legalmente protegidos. desmonte ou interrupção do deslocamento de dunas por ocupação desordenada pode intensificar a erosão costeira (retrogradação). estendendo-se com direção NW-SE. Impactos e Riscos. energia eólica. Trata-se de superfície composta de material arenoso inconsolidado que se estende desde o nível de baixa-mar para cima. alta vulnerabilidade à poluição/ contaminação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos. descaracterizar a paisagem e comprometer a hidrodinâmica marinha. até a zona de vegetação permanente ou onde há mudanças morfológicas nítidas. descaracterização dos substratos terrestre e marinho. de Ocupação e recomendacões Comprometimento da qualidade das águas. Há. recursos hídricos subterrâneos. terrenos com alta permoporosidade. por conseqüência. com dificuldades de regeneração natural pela exploração ou substituição de alguns de seus componentes.

. sendo submetidas ao deslocamento incessante sob efeito dos ventos. recursos ternárias em depósitos hídricos subterrâne. desequilíbrio no balanço sedimentológico do litoral. para evitar ocupações desordenadas.Estado Atual de Conservação: modificações severas e generalizadas. Riscos de Ocupação e recomendações Desmonte ou interrupção do deslocamento das dunas por ocupação desordenada pode intensificar a erosão costeira. Impactos. Implantade cobertura vegetal.suporte para edificamarinhos inconsolios e corpos d`água ções. ocorrem com maior freqüência nas praias do Futuro e Sabiaguaba. mineração eólica. acumulados e lidade à poluição dos lacustres. descaracterizar a paisagem e comprometer a hidrodinâmica marinha. alta susceptibidados. As ambiental. Quadro 4 . dunas ativas ou móveis descontrolada. Características Naturais Dominantes 68 Ecodinâmica Ambiente fortemente instável.ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL DUNAS MÓVEIS Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Forte vulnerabilidade Patrimônio paiMorros de areias quaambiental. baixo sagístico. monitoramento rigoroso do campo de dunas. parcialmente mantidas na porção leste. especialmente no período da estação seca. energia ção viária. perda de atrativos paisagísticos e turísticos. noroeste e do estuário do rio Cocó. com urbanização consolidada nas áreas norte e oeste do Município. prátiremodelados pelo vento solos e dos recursos cas de educação e desprovidos de solos e hídricos. elaboração do Plano de Manejo das Unidades de Conservação que contenham esse sistema ambiental.

lidade à poluição dos pesquisa científica. restrições às ção. implantação meio da fitoestabilizapara evitar ocupações viária. elas ocorrem simultaneamente com o campo de dunas móveis. atividade minerárias. Riscos de Ocupação e recomendações Potencialidades Limitações Ecodinâmica Desestabilização das dunas Ambientes de Morros de areias quar. de mode. assoreamento suporte para edificação ambiental.por desmatamentos pode reativar as ações erosivas mente instáveis. acumulados pelo vento. práticas de educação rada a forte instabilimarinhos e litorânee intensificar o trânsito ambiental. 69 . Características Naturais Dominantes Quadro 5 Estado Atual de Conservação: modificações severas e generalizadas. protegidos. dissipados.dade ambiental. exceto na porção leste do Município. hídricos. com urbanização consolidada. de manguezais. alta susceptibibiodiversidade. edafização viabilizam a monitoramente rigoroso solos e dos recursos fixação das dunas por do campo de dunas fixas.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL DUNAS FIXAS Capacidade de Suporte Impactos. estando alguns. preserva. como nas Praias do Futuro e Sabiaguaba. Constituem morros desordenadas. espelhos ções. eventualmente.Ambientes legalmente ternárias em depósitos co. de areia pertencentes a gerações mais antigas de dunas. Em alguns casos. baixo os inconsolidados e de areias.moderada a forte. Processos incipientes de d´água e áreas urbanas.Patrimônio paisagísti. recursos hídricos.

biodiversidade rica e com elevada capacidade produtiva da flora e da fauna. abrigo para embarcações de pequeno porte. salinidade. Impactos. substrato inconsistente. recreação. com alta vulnerabilidade à ocupação sendo de permanente a parcialmente submersos. resultante da combinação de processos de acumulação fluvial e marinha. pesca artesanal. Capacidade de Suporte Potencialidades Pesquisa científica e educação ambiental. despejo de efluentes ou resíduos sólidos. intensificar a fiscalização e controle sobre os manguezais e áreas estuarinas. sujeita a inundações periódicas e comportando manguezais nas bordas das áreas estuarinas.ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL COMPLEXO FLUVIOMARINHO Características Naturais Dominantes 70 Superfície plana. redução e comprometimento da biodiversidade. eliminação ou diminuição de espécies piscícolas. patrimônio paisagístico. com dificuldade de regeneração em áreas de urbanização parcialmente consolidadas. solos salinos e encharcados revestidos por manguezais. Limitações Restrições legais (Código Florestal). Quadro 6 . Riscos de Ocupaçãoerecomendações Degradação dos manguezais e diminuição da produtividade biológica. extrativismo controlado. . tem equilíbrio ambiental muito frágil e alta vulnerabilidade à ocupação nos estuários dos rios Ceará. preservação da biodiversidade. Ecodinâmica Ambientes instáveis. inundações periódicas.Estado Atual de Conservação: ambiente que apresenta o sistema ambiental de parcial a fortemente modificado. com sedimentos mal selecionados e ricos em matéria orgânica de origem continental e acréscimos de sedimentos marinhos. Áreas complexas de periódica a permanentemente inundáveis. Cocó e Pacoti.

Riscos de Ocupação e recomendações Comprometimento da qualidade da água. eliminação de espécies piscícolas.Estado Atual de Conservação: ambientes de moderada a fortemente degradados em áreas de urbanização consolidada nas planícies dos rios Cocó. paisagístico. Ceará e Maranguapinho.Estado Atual de Conservação: modificações parciais a generalizadas de alguns ambientes lacustres com degradação das matas ciliares nos sistemas que têm maiores dimensões. agroextrativismo mineração controlado. despejo de efluentes e de resíduos sólidos. Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Recursos hídricos. bordejando as calhas fluviais dos rios Cocó. viagroextrativismo. revestidas por matas ciliares degradadas. Quadro 7 . 71 . mente protegido. ocupando faixas de deposição aluvial.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL ESPELHO Características Naturais Dominantes Lagoas litorâneas de origem fluvial ou freática e planícies ribeirinhas com material inconsolidado. Restrições legais. expansão urbana nos baixos níveis de terraços fluviais. inundações recursos hídricos periódicas. sujeitas a inundações sazonais e revestidas primariamente por matas ciliares. modificações severas e ocupação desordenada dos pequenos sistemas. Riscos de Ocupaçãoerecomendações Degradação das matas ciliares. de renovação). Ceará e Maranguapinho. pesca da água (baixa taxa artesanal. concentração de moradias nas áreas ribeirinhas. recuperação das áreas degradadas de matas ciliares. poluição dos recursos hídricos. ocorrem como feições sazonais. D`ÁGUA E ESTUDO GEOAMBIENTAL PLANÍCIES LACUSTRES Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Ecodinâmica Ambientes Ambiente legalPatrimônio Instáveis. perda de atrativos em função de ocupação desordenada. redução e comprometimento da biodiversidade. descontrolada. sando à preservação de matas ciliares. Ecodinâmica Ambiente de transição. PLANÍCIES FLUVIAIS Características Naturais Dominantes Superfícies planas. desencadeando processos erosivos. intensificar fiscalização e controle das matas ciliares e de ocupações desordenadas. alto tempo recreação e de permanência turismo. Impactos. inundações sazonais. assoreamento de leitos fluviais e agravamento das inundações. oriundas de acumulação de sedimentos inconsolidados fluviais. Quadro 8 . alta vulnerabilidade a contaminação e poluição dos recursos hídricos. superficiais. que têm setores desordenadamente ocupados. Impactos.

instalação suavemente ondulado e com estável. ordenamento do uso e ocupação das vertentes que têm caimento para os fundos de vales. Riscos de Ocupação e recomendações Riscos de poluição dos recursos hídricos. seccionada por vales abertos e ocorrência de mode fundo plano. tes estáveis em condições de favorável à implantação de loteamenequilíbrio ambiental e têm tos e arruamentos. a implementação de todos os modelos de loteamentos e arruamentos. relevo larguras variadas. restritivas ao uso e baixo potencial para ocorrên. composta estabilizado.vimentos de massa. urbano-industriais. de fragilidades para instalações fácil escavabilidade.Estado Atual de Conservação: ambientes degradados em função de ocupações desordenadas Impactos. viária. elas são pouco restritivas ou não restri.ocupação urbanocia de movimentos de massa industrial. Características Naturais Dominantes 72 Quadro 9 . São ambien.ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL TABULEIRO Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Ecodinâmica Ambiente estável a Deficiência Expansão Superfície de topo plano ou medianamente hídrica durante a urbana. aterros sanitários. . e topografia favorável para dentre outros. Têm relevo estabilizado. baixo por material arenoso e/ou potencial para areno-argiloso inconsolidado. impermeabilização do solo por expansão urbana pode comprometer a recarga de aqüíferos. sendo de fácil escavabilidade até grande profundidades e de alta estabilidade quando escavados e expostos em taludes de corte. Sob o ponto de vista muito espesso. agrícola. estiagem. vulnerabilidade baixa à ocumanto de alteração pação.fragilidades pouco tivas. O manto de intemperismo e os solos são muito espessos.

Quadro 10 Estado Atual de Conservação: área urbana consolidada com modificações severas e generalizadas dos sistemas ambientais. expansão recursos hídricos. Quadro 11 Estado Atual de Conservação: Superfície degradada do Morro Caruru e do nível residual do Ancuri. sujeitas a inundações sazonais. urbana e ocupação desordenada. restrições legais associadas a vertentes íngrimes.COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL MORRO Características Naturais Dominantes Relevos residuais que resultam em ressaltos topográficos com material consolidado resultante do trabalho seletivo da erosão diferencial. poluição dos recursos agroextrativismo. propícios apenas a assentamentos urbanos especializados. Impactos. Áreas derivadas e desestabilizadas. loteamentos. 73 DE INUNDAÇÃO SAZONAL Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Inundações sazonais. precariamente incorporadas à rede de drenagem. Limitações Implantação viária. Impactos. hídricos. ÁREA Características Naturais Dominantes Superfícies planas com ou sem cobertura arenosa. ESTUDO GEOAMBIENTAL E CRISTA RESIDUAL Capacidade de Suporte Potencialidades Recuperação ambiental. Ecodinâmica Ambiente de transição. Riscos de Ocupaçãoerecomendações Riscos de intensificação de ações erosivas acionadas por gravidade. Mineração vulnerabilidade à controlada. promover a recuperação ambiental de setores de vertentes não ocupadas. Riscos de Ocupaçãoerecomendações Concentração de moradias em áreas de inundações durante o período chuvoso. mineração. Sedimentos argilosos tendem a contribuir para a impermeabilização dos horizontes superficiais dos solos favorecendo a permanência da água em superfície. Ecodinâmica Ambiente de transição. exercer efetivo controle das ocupações irregulares. com modificações parciais e moderadas dos sistemas ambientais. .

suavemente ondulada bilizado.durante a estiagem. com urbanização parcialmente consolidada na porção meridional da área municipal . favorável à (com depósitos inconimplantação de loteasolidados da Formação mentos e arruamentos. baixo potencial de transição entre os tabuleiros pré-litorâneos para ocorrência de ações erosivas. Ecodinâmica Ambiente de estável a medianamente instável. pouco espessas do embasamento cristalino). Riscos de Ocupação e recomendações Riscos de poluição dos recursos hídricos. Há predominância de terrenos com as características descritas no sistema ambiental dos tabuleiros. Barreias) e a depressão fragilidades pouco restrisertaneja (superfície aplainada com alterações tivas ao uso e ocupação urbano-industrial. Impactos.Deficiência hídrica Superfície de plana a lação viária. Quadro 12 . relevo esta. Insta.Estado Atual de Conservação: modificações moderadas e severas. impermeabilização do solo por expansão urbana pode comprometer a recarga de aqüíferos.ESTUDO GEOAMBIENTAL FAIXA Características Naturais Dominantes 74 DE COMPARTIMENTAÇÃO GEOAMBIENTAL TRANSIÇÃO TABULEIRO / DEPRESSÃO SERTANEJA Capacidade de Suporte Potencialidades Limitações Expansão urbana.

conseqüentemente. porém mais pormenorizadamente analisada em sua devida oportunidade. quando se passar a enfocar as atribuições municipais em face do equilíbrio ecológico. pura e simplesmente. pode este ser definido sob três prismas básicos: (a) o conceito político. o município. pode ser caracterizado como o conjunto de pessoas vivendo sobre um mesmo território e com inte- 75 . em que será feito um exame do tema em compasso com Constituição brasileira e. Outrossim. bem assim. Longe disto. a fim de qualificá-lo como mais um destes tais entes. e. (b) o conceito sociológico e (c) o conceito jurídico.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL 5 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE A intenção de se conceituar o município parece demonstrar a falsa presunção de se definir. tema que. Restaurando a problemática da conceituação do município. traz a polêmica que já faz parte dos meios acadêmicos do Direito Público pós-1988. a nova roupagem do princípio federativo. a nova configuração do princípio federativo. o que se procura nesta oportunidade é estabelecer paralelos entre o município e os demais entes federados na organização federativa moderna. que teria atribuído ao município o status de ente federado em função do nunca antes visto grau de autonomia a ele conferido. por intermédio de uma estrutura frasal que liga meramente o sujeito ao predicativo por meio de um verbo de ligação. vincula-se à União e ao Estado-membro por meio das relações entre os respectivos representantes. A questão será. não pode ser desconsiderada quando da pretensão de se introduzir o estudo dos elementos que definem o município. Já sob o ponto de vista sociológico. levando-se em consideração ainda o disciplinamento pela Constituição Estadual e a Lei Orgânica do Município de Fortaleza. detentor de reconhecida autonomia político-institucional. em observância irrestrita aos mandamentos jurídicos pertinentes. por si. Sob o prisma político.

Por se caracterizar como pessoa jurídica de Direito Público. comumente. que se inter-relacionam na busca de uma convivência que preencha seus anseios mais específicos e que não ultrapasse os limites da própria municipalidade. No que tange ao conceito formulado sob a perspectiva jurídica. em determinados casos e desde que assim permitidos pela legislação pertinente. unilateralmente. mas tão-somente atribuir-lhe noções introdutórias capazes de facilitar o seu entendimento quando. na qualidade de pessoa jurídica. pessoa jurídica de Direito Público interno. oportunamente lhe for conferido um tratamento mais pormenorizado. principalmente quando enfocada a questão ambiental. Como conseqüência disto. Mesmo assim. equivalendo dizer que pode contrair obrigações em seu próprio nome. o município. adquirir direitos e contrair obrigações. podem constituir seu próprio patrimônio. reveste. Essa abordagem abstrata dos elementos definidores do município não tenciona esgotar o assunto. Em sendo civilmente capaz e juridicamente responsável pelos próprios atos. São os chamados atos de império. por meio dos quais a administração municipal presta seus serviços e impõe seu poder de polícia. específicos do Poder Público. Sob este fundamento. responsabilizar-se judicialmente etc. o município é detentor de responsabilidade jurídica e de capacidade civil. impor atribuições e condutas aos particulares. o município também pode. portanto. tem personalidade distinta das pessoas físicas que o dirigem e gerem. o município deve ser encarado como ente estatal. incluindo-se aqui o poder de polícia ambiental. seus atos e contratos de características peculiares que os individualizam: a possibilidade jurídica de.ESTUDO GEOAMBIENTAL 76 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE resses coadunantes. . bem como exercer o direito subjetivo de exigir dos demais entes públicos e das pessoas privadas o cumprimento de suas prerrogativas. descer ao patamar das pessoas privadas e firmar com elas ajustes em condições de igualdade de atribuições. sem que isso lhe afete os caracteres de Direito Público.

Com essa tal compreensão. consagra a estruturação do Estado Federal brasileiro. e aos Municípios aqueles preponderante interesse local. consoante dispõe o art. O atual modelo federativo concebido pela Carta Magna. as de prevalecente interesse regional. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. como Estado Federal. aos Estados. Assim sendo. o Distrito Federal e os Municípios. nos termos desta Constituição. os assuntos de interesse nacional ficam sujeitos à regulamentação e policiamento da União. tem como uma de suas características a repartição constitucional de competências.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL COMPETÊNCIA LEGISLATIVA MUNICIPAL O Brasil. neste quadrante. tem competência para policiar a entidade que dispõe do poder de regular a matéria. Leciona Meirelles (2005) acerca da titularidade do poder de polícia: Em princípio. todos autônomos. fundamentada no chamado princípio da predominância do interesse: compete à União as questões de predominante interesse nacional. as matérias de interesse regional sujeitam-se às normas e à polícia estadual e os assuntos de interesse local subordinam-se aos regulamentos edilícios e ao policiamento administrativo municipal. imprescindível para que haja a autonomia das entidades federadas e o equilíbrio da própria Federação. 18. 18: Art. 77 . os Estados. a Constituição Federal de 1988 determinou a repartição de competências.

portanto. para cada uma destas entidades políticas. que privilegiava demasiadamente a União. daí por que devem receber tratamento jurídico-formal isonômico. estados. Distrito Federal e municípios – mantém entre si uma relação de equilíbrio. Na mesma linha de pensamento. estruturando um federalismo de equilíbrio. esse modelo de federalismo adotado pela Carta de 1988 (Federação de equilíbrio) contrapõe-se à opção da Constituição de 1969. situam-se no mesmo patamar hierárquico. que afirma o equilíbrio entre os entes federativos. que se refere à Federação coorporativa. sem hierarquia. o que se pode denominar de igualdade jurídica entre os entes federativos. Este também é o entendimento de Carrazza (1997): Laboram em erro os que vêem uma relação hierárquica entre o governo central e os governos locais. Existe. na verdade. O que há. em detrimento da Federação. mediante a ampliação da autonomia dos Estados federados e o fortalecimento de sua competência tributária. que lei alguma pode alterar. campos de ação autônomos e exclusivos. estritamente traçados na Carta Suprema. uma vez que.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Explícita se revela a composição do modelo federativo brasileiro. nos moldes do ordenamento jurídico ditatorial-militar das décadas de 1960 e 70. 78 Portanto. juridicamente. são. . O modelo de Federação adotado pela Constituição Federal permite explanar-se que os entes federativos – União. leciona Carvalho (1992): A Constituição de 1988 se propõe a restaurar o Estado Federal brasileiro. não havendo entre eles nenhuma forma de hierarquia jurídica.

Ciente disto. particularmente em face do direito ambiental brasileiro. VII . portanto. pela relevância de que se fez merecedora há alguns anos. 23. do Distrito Federal e dos Municípios:.preservar as florestas. excluindo-se.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Em decorrência deste entendimento. visando plena integração social. É competência comum da União.proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. dos Estados. deve ser de responsabilidade de todas as esferas federativas. o legislador constituinte tratou de atribuir às entidades federativas a competência material ou administrativa em face da proteção ambiental: Art. os estados e o Distrito Federal. pois no caput do art. na medida em que é a partir dele que a pessoa humana poderá usar os denominados bens ambientais. sem que entre estes haja qualquer forma de subordinação ou hierarquia.. VI . pressupõe-se a validade de que a questão ecológica. os municípios: 79 . a fauna e a flora. com base na moderna concepção de cidadania. 24 constam apenas a União. temos que a Carta Constitucional trouxe importante relevo para o Município.. A clareza gramatical da competência administrativa ambiental não foi transposta para o dispositivo relativo à competência legislativa. Fiorillo (2001) não se esquiva de tratar da questão: assim.

se passou a considerar que as matérias elencadas no citado art. 18 da Constituição Federal. proteção do meio ambiente e controle da poluição. de início. VIII . conservação da natureza. somente. conclui-se ser juridicamente viável a competência legislativa ambiental do Município. Compete à União. 80 Daí por que. Os municípios. de forma a suplementar legislação estadual e federal. turístico e paisagístico.legislar sobre assuntos de interesse local.. fauna. a bens e direitos de valor artístico. I e II da própria Constituição Federal.florestas.. Art. como pode ser percebido no art. ao consumidor. defesa do solo e dos recursos naturais. o Município é uma entidade da Federação. componente político do Estado. concedida autonomia para organização político-administrativa. VI . aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:. pesca. estariam impedidos de legislar sobre a questão ambiental. participando do pacto federativo. Ocorre que o impasse é meramente aparente: como já dissertado. caça. Neste diapasão. histórico. estético. em consonância com o art.. dessa forma. II . já transcrito.responsabilidade por dano ao meio ambiente.suplementar a legislação federal e estadual no que couber. Foi-lhe. Compete aos Municípios: I . assim. . 24..ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Art. 30. 30.. 24 seriam de competências federal e estadual.

ou englobadas na expressão ampla que lhe reserva a chamada competência residual. quanto Estado. 25. não exclui o poder de polícia deste. suplementar a legislação estadual: pode ele dispor sobre as matérias que o Estado detenha como suas. dentre as matérias de interesse comum a todas as entidades estatais (art. a atribuição constitucional de competência legislativa alcança a competência do exercício do próprio poder de polícia. indispensável que a matéria tenha uma especial pertinência com o nível municipal. Assim. cujo teor é dado pelo art. estando elas enunciadas explicitamente na Constituição. já que todos possuem competência para legislar a matéria na sua respectiva área de atuação. ainda. portanto. ficando. É ainda.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Quanto à competência legislativa supletiva do município. bem esclarece Bastos (1992): Feita a análise da competência concorrente. entender que a atividade de Polícia Administrativa incumbe a quem legisla sobre a matéria. todavia.. Município ou Distrito Federal são titulares do exercício do poder de polícia. quanto aos aspectos externos à essência mesma da matéria deferida à União. VI).) O município pode ainda. 23. tanto União. A propósito. podemos concluir que é dentro do artigo 24 que poderá haver atividade supletiva do Município. merece registro a lição de Meirelles (2000): A competência do Município para a proteção ambiental agora está expressa na Constituição da República. Outrossim. parágrafo 1º: ‘São reservadas aos Estados as competências que não lhe sejam vedadas por esta Constituição. 81 . Mello (1997) corrobora este entendimento: Deve-se. claro que o artigo 22 não exclui competência municipal ou estadual e.. (. em conclusão.

VI. §2°) e para os municípios o provimento dos assuntos locais que envolvem equilíbrio ambiental. Para o desfecho da questão. VI e VIII.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Essa competência em defesa de sua população e de seus bens já se achava remansada na doutrina e na jurisprudência. II). 24. como entidade estatal. opta-se por lançar mão. não devidamente sopesados com a neutralidade da técnica. inc. deixando para os estados-membros a legislação supletiva (art. verificou-se que a proteção ambiental é incumbência do Poder Público em todos os níveis federativos. 24. e 30. 24. uma vez que. a certeza do Direito e a serenidade da Justiça. das palavras de Fiorillo (2001): Em linhas gerais. . reservou as normas gerais de proteção do meio ambiente para a União (art. Realmente. compreensível em matéria nova e complexa. podemos concluir que a competência legislativa em matéria ambiental estará sempre privilegiando a maior e mais efetiva preservação do meio ambiente. salubridade urbana e de bem-estar de sua comunidade. inovadoramente. tratada quase sempre sob influências emocionais e interesses conflitantes. independentemente do ente político que a realize. porquanto todos receberam da Carta Constitucional aludida competência (arts. sempre se entendeu que ao município sobravam poderes implícitos para editar normas edilícias de salubridade e segurança urbanas e para tomar medidas executivas de contenção das atividades prejudiciais à saúde e ao bem-estar da população local e as degradadoras do meio ambiente de seu território. V. e a Constituição Federal. mais uma vez. achava-se investido de suficiente poder de polícia administrativa para a proteção da coletividade administrativa. e §1°). 82 Superado esse estágio. transposta a fase inicial de hesitações.

a circulação. o lazer e o trabalho. diz Fiorillo (2001). dotandoos de qualidade de vida digna e satisfazendo seus direitos fundamentais. que abrange os artigos 194 a 211. Trata-se do Capítulo II – Do Meio Ambiente – do Título V – Da Ordem Econômica e Social – . In casu. sobre os quais serão destinadas algumas considerações nas linhas que se seguem. Neste quadrante. Mais além.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Tanto é assim que a Lei Orgânica do Município de Fortaleza destinou todo um Capítulo para disciplinar exclusivamente o meio ambiente e os bens ambientais encravados em seu território. e meio ambiente cultural. Por meio ambiente artificial entende-se a conjugação entre o espaço urbano construído (espaço urbano fechado) e os bens públicos de uso comum (espaço urbano aberto). Dessa forma. o conceito de meio ambiente não se restringe aos elementos que caracterizam o meio ambiente natural. buscando conciliar tais atributos com o crescimento urbano a que se sub- 83 . tem uma função social respectiva a cumprir. em razão de inúmeros atributos naturais dos quais é detentora. A cidade. a exemplo de qualquer propriedade. bem como todos os espaços habitáveis pelo homem compõem o meio ambiente artificial”. Daí a evidente e estreita ligação do conceito de meio ambiente artificial ao de cidade. a doutrina costuma classificar em quatro as funções sociais básicas da cidade: a habitação. a função social refere-se ao bem-estar que a municipalidade deve buscar em proveito de seus habitantes. MEIO AMBIENTE ARTIFICIAL URBANO Ao contrário do que pode induzir o primeiro entendimento mais leigo sobre a questão. o meio ambiente tem ainda as categorias de meio ambiente artificial. “todo o espaço construído. paulatinamente estrutura sua organização territorial. Parques Urbanos de Fortaleza Fortaleza.

t1BSRVF&DPMØHJDPEP3JBDIP.ESTUDO GEOAMBIENTAL 84 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE mete há algumas décadas. Acerca das praças. serventia como ponto de encontro para a comunidade circunvizinha. criado através da Lei nº 7. situado no bairro do Mucuripe.728. quais sejam. criado pela Lei nº 7. a Administração municipal passou a dotar alguns espaços de atenção pública constante: as praças. e t1BSRVF&DPMØHJDPEB-BHPBEB1BSBOHBCB OPCBJSSPEPNFTNP nome. Não obstante. local para exercícios físicos etc. de 6 de Dezembro de 1995. que demonstra uma preocupação com a relevância do tema de modo mais evidente do que as gestões anteriores. t1BSRVF&DPMØHJDPEP-BHP+BDBSFZ DSJBEPQFMB-FJO EF 4 de Novembro de 1991. os parques e os pólos de lazer. localizado no Parque do Cocó. situado na Cidade dos Funcionários. t1BSRVF&DPMØHJDPEB-BHPBEF1PSBOHBCVTTV OPCBJSSPIPNÙnimo. a reforma. o que se verifica é a constante subutilização quanto às suas finalidades precípuas. o descanso.BDFJØ DSJBEPQFMB-FJO  de 21 de junho de 1994. a re-utilização e a conservação das praças parecem ser do interesse da atual gestão (2005-2008 e 2009-2013). de 22 de Junho de 1995. sendo que a intenção da atual Administração consiste no acréscimo deste número: t1BSRVF"EBIJM#BSSFUP DSJBEPQFMB-FJO EFEFOPvembro de 1983.842. o lazer. a Cidade já dispõe de um número razoável de exemplos. Principalmente os bairros mais periféricos clamam por um espaço público onde a comunidade possa relaxar do estresse do dia-a-dia. Neste ínterim. sem a preocupação com indigentes ou inconveniências outras. . Já quanto aos parques.

e multa. arqueológico. atribui a pena de detenção. assim considerado em razão de seu valor paisagístico. sendo muitas vezes vivenciados na Capital. públicos ou privados.L. qual seja. Tutela Penal do Meio Ambiente Artificial Já para o caso.L. em seu art. de três meses a um ano. que requerem espaço para comportar um número elevado de pessoas. A exemplo de outras condutas tipificadas pela Lei nº 9. os quais são utilizados invariavelmente para festas e eventos. da Av Sargento Hermínio . da Barra do Ceará. a pena é detenção. administrativa e criminal. da Maraponga.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Por fim. é pertinente a possibilidade de emprego de multa ou de outra sanção de natureza administrativa. Trata-se da conspurcação a edificação ou monumento urbano.605/98 como crime ambiental. P.L. etnográfico ou monumental. Esta última. ao qual a Lei de Crimes Ambientais. caso em que a pena é aumentada para de seis meses a um ano de detenção. histórico. artístico. ecológico. ou no seu entorno. dentre outros. 65. sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida. refere-se à aplicação da pena de detenção e da multa. 64 da Lei de Crimes Ambientais. 85 . se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude de seu valor artístico. deve haver a combinação das três modalidades de responsabilidade jurídica. cultural. evidentemente. previsto no art. Quanto à responsabilidade administrativa. arqueológico ou histórico. e multa. aplicável pelo órgão competente no pleno exercício do poder de polícia. convém fazer referência a um dos mais comuns casos de crimes ambientais contra o meio cultural. de seis meses a um ano. no que se refere aos pólos de lazer. Há ainda uma circunstância agravante prevista no mesmo dispositivo. de construção em solo não edificável. P. e multa. religioso. quais sejam a civil. Por fim. Fortaleza conta hoje com o P.

uma vez que o quadro hodierno se mostra deveras preocupante. Fortaleza detém uma série de atributos naturais que. também. são vizinhos. Constituem. Neste diapasão. portanto. ecossistemas que. dispõe a Lei Orgânica: Art. uso e ocupação serem definidas em lei.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE BENS AMBIENTAIS MUNICIPAIS Uma vez elucidada a questão da competência do Município em dar tratamento legislativo à questão ambiental. as dunas. pois consistem em áreas de interseção do ambiente marinho com o continente. basicamente em conseqüência da má utilização a que se submetem os recursos naturais ao longo das últimas décadas. 200. a inquietação das entidades públicas competentes quanto à preservação do equilíbrio ecológico nas áreas correspondentes aos mais destacados ecossistemas fortalezenses. As praias. Tais ecossistemas. 86 Revela-se. por sua importância. As lagoas. Por se tratar de uma cidade litorânea. devendo sua delimitação. inclusive. em algumas oportunidades. paisagístico e turístico. resultando relações que entre si mantêm os fatores biótico e abiótico somente aqui vivenciadas. as dunas e os mangues da Capital constituem exemplos clássicos de ecossistemas cujas características naturais requerem maior atenção do Poder Público municipal com vistas à sua defesa e preservação. e. um abrange o outro. em outras. são merecedoras de proteção material e legislativa. as praias. são característicos da zona costeira brasileira. os mangues e as paisagens naturais notáveis são considerados de relevante valor ambiental. convém agora uma análise acerca dos bens ambientais mais relevantes encontrados no território da Capital cearense. Aspectos outros justificam a preocupação municipal na preservação dos ambientes li- .

a importância dos ecossistemas indicados no dispositivo origina a necessidade de detalhamento acerca da legislação que os disciplina. Por conseqüência. essa problemática não se revelava tão evidente. Há algumas décadas. ensejam a necessidade de proteção por parte do Poder Público. que despejam dejetos industriais sem qualquer tratamento. bem como fábricas localizadas ao longo de suas respectivas margens. qualquer intervenção nos corpos d’água com vistas à solução das questões por eles enfrentadas deve ser definida conjuntamente com o Governo Estadual. econômicas e ambientais. o crescimento populacional em Fortaleza.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL torâneos. Tais corpos d’água eram utilizados inclusive como fonte de lazer e de pesca. Outro aspecto a ser mencionado é o fato de que esta questão não se restringe à Capital. atividades hoje inviáveis em razão do nível de poluição a que estão sujeitos. devendo este se responsabilizar pela articulação envolvendo os interesses municipais. 87 . geográficas. tais como a própria paisagem natural e as atividades econômicas que caracterizam a zona costeira. Lagos e Lagoas Um dos problemas que se revelam dos mais evidentes quando da ocorrência do período chuvoso na Capital é justamente aquele por que passam as famílias alojadas em moradias precárias às margens de rios. são exemplos básicos da problemática pela qual passam os recursos hídricos encravados em território alencarino. ecossistema que. em todos os níveis federativos. É o que se passa a fazer. Hoje. Advém desta conjuntura a evidência do cuidado da Administração Pública municipal com a conservação dos recursos naturais encontrados no litoral fortalezense. Por esse motivo. por suas características turísticas. a proximidade que moradias desprovidas de saneamento básico mantêm com os corpos d’água. apesar de se destacar aqui a gravidade da situação. lagos e lagoas. Rios.

o solo. bem assim os riachos Pajeú e Maceió. 88 Águas interiores são aquelas que. não se confundem com o mar territorial. consoante reza o citado dispositivo: Art.804/89. Já as águas superficiais são compostas por inúmeras formações lacustres. que possui basicamente quatro bacias hidrográficas: a bacia da vertente marítima. o mar territorial. entende-se por: V . córregos e açudes. a bacia do rio Pacoti. por exclusão. para sua preservação. As águas interiores estão classificadas na própria norma retro transcrita como superficiais e subterrâneas. As bacias. apesar de constituir o Território nacional. necessitam de que. há algumas décadas. por exemplo. lagos. o Poder Público exerça seu poder de polícia sobre aqueles que porventura degradam. rios. Para os fins previstos nesta Lei. uma classe dos recursos naturais. alterado pela Lei nº 7. uma vez que este. inadvertida ou propositadamente. pela importância. esta sendo constituída pelos chamados lençóis freáticos. lagoas. os rios Ceará e Siqueira. Por constituírem-se em um conjunto de recursos ambientais. como. as águas interiores. seu equilíbrio ambiental. A eles somam-se. fiscalizando e estabelecendo critérios segundo os quais possam ser tais recursos utilizados. riachos. é mais facilmente perceptível se destacado do solo brasileiro. Hoje. segundo o que dispõe o art. seus recursos naturais. o subsolo e os elementos da biosfera (a fauna e a flora). 3º. É nessa última categoria onde se enquadram os corpos d’água que banham Fortaleza. os estuários. encontram-se em evidente risco de dese- . a bacia do rio Cocó e a bacia do rio Maranguapinho. 3º da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente – Lei nº 6. tais como suas matas ciliares e sua fauna.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Os recursos hídricos compõem. superficiais e subterrâneas.938/81.recursos ambientais: a atmosfera. eram detentoras de um rico ecossistema circunvizinho.

paisagístico. Tal gestão. As atribuições da Administração Pública devem sempre levar em conta seu poder descentralizador. foram merecedores de disciplinamento pela Lei Orgânica de Fortaleza: Art. Maranguapinho e Siqueira. Dessa forma. histórico e cultural: os rios. as lagoas. deve contar também com a própria população. os riachos. Ceará. A utilização desses recursos hídricos deve seguir critérios especiais. São declarados de relevante interesse ecológico. se revela imprescindível. por meio de seus órgãos e entidades competentes a seguir distinguidos. Com destaque para os riachos Pajeú e Maceió. e os rios os rios Cocó. Tais critérios ficam a cargo da Administração Pública. em função principalmente do crescimento populacional da área e da conseqüente má ingerência da ação humana sobre a região. a participação tanto do Poder Público. é imprescindível para a desaceleração do desequilíbrio ecológico des- 89 . dada a própria e evidente escassez de tais recursos. inclusive e de acordo com as normas jurídicas aplicáveis à espécie. Em razão da importância de tais recursos hídricos. em especial suas nascentes. consoante análise adiante. pelas próprias características físicas das bacias. evitando-se assim a continuidade da pressão antrópica negativa nesta área. por intermédio de entidades associativas de Direito Privado que tenham como função específica a participação nas decisões administrativas de cunho ambiental no que concerne ao rio. pois compete a esta a fiscalização. 251. e o disciplinamento desta utilização. que reduzam os efeitos do desequilíbrio ecológico.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL quilíbrio ecológico. quanto pela sociedade organizada. a zona costeira e as faixas de proteção dos mananciais. atribuindo competências ao Estado do Ceará e ao Município de Fortaleza. Daí a relevância das bacias e de sua preservação: são áreas cuja necessidade de gestão adequada. por intermédio de seu poder de polícia. principalmente no que concerne a recursos hídricos.

invariavelmente ganha as manchetes de jornais. por motivos óbvios. Como o saneamento básico é insatisfatório. Hoje. a inquietação das entidades públicas competentes quanto à preservação do equilíbrio ecológico nas bacias hidrográficas de Fortaleza vem-se revelando. são constantemente lançados em seus leitos. A desocupação das margens ribeirinhas seria medida essencial para o retorno ao status quo ante do equilíbrio das áreas. Diante desse quadro. antes encontrados em abundância e geravam renda para a respectiva população ribeirinha. uma vez que o quadro hodierno se mostra deveras preocupante. quando detritos industriais. com a perda de móveis. as faixas ribeirinhas foram ocupadas por moradias de baixa renda. as águas dos rios.ESTUDO GEOAMBIENTAL 90 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ses tão relevantes ecossistemas da Capital. o levantamento de todas as famílias que moram às margens dos mananciais e a tentativa de conciliar as moradias com o meio ambiente. Outrossim. constituem medidas que podem diminuir o impacto negativo causado pela poluição urbana a que se submetem os cursos d’água sub examine. a poluição industrial também se revela evidente. Peixes. . E esta função não se resume apenas a neste aspecto: há de se pensar no futuro e nas gerações vindouras. Grande quantidade de lixo doméstico é depositado em suas margens. referidos corpos d’água encontram-se em evidente estado de degradação. eletrodomésticos e outros utensílios. O prejuízo das famílias ali residentes. A problemática se agrava nos períodos chuvosos. bem como a realização de um trabalho de Educação Ambiental com a população. sem tratamento adequado. basicamente em decorrência da poluição urbana ali verificada. lagos e lagoas recebem esgotos sem qualquer prévio tratamento. Dada a dificuldade da implementação de tal medida. quase já não existem. ocasionando aumento no nível das águas. Em função de parte deles estar encravada na periferia fortalezense. que avançam sobre as casas.

A Lei Orgânica destaca desiderato semelhante para o Poder Público municipal: 91 . a exemplo dos rios. os quais são acessíveis a qualquer pessoa. Evidentemente. lagos e lagoas encontrados em Fortaleza. no que concerne a recursos hídricos superficiais. Tal comportamento. vai indubitavelmente de encontro ao estatuído na legislação ambiental antinente à defesa florestal. todos os outros são particulares. segundo classificação quanto aos respectivos proprietários – bens públicos e particulares – estabelecida pelo Código Civil brasileiro: Art. indistintamente (res communis omnium). 98. estão englobados na classe dos bens públicos de uso comum do povo. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. pode ser verificado o fato de que outro grande problema que importa no desequilíbrio ecológico da área é o desmatamento da vegetação ciliar. que impede sobremaneira os desmatamentos ou formas outras de utilização irracional das formações vegetais que circunvizinham os corpos d’água. seja qual for a pessoa a que pertencerem.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Da Titularidade Patrimonial dos Recursos Hídricos em Fortaleza As águas superficiais. são consideradas pelo ordenamento jurídico brasileiro como bens públicos. com conseqüente assoreamento. entretanto. Planície Fluvial com Mata Ciliar Nos rios que banham Fortaleza. E é nesta classificação que se enquadram os corpos d’água encontrados em Fortaleza. bem como na margem de lagos e lagoas. porque pertencem a todos.

através de seus órgãos de administração direta.estimular e promover o reflorestamento ecológico em áreas degradadas.522/95. a qual definiu como áreas especialmente protegidas as nascentes e olhos d’água e a vegetação natural no seu entorno.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Art. inclusive. . 92 Destarte. 194. o Estado do Ceará. editou a Lei nº 12. onde é proibida qualquer forma de desmatamento vegetal. não somente as matas ciliares são merecedoras de disciplinamento jurídico.754/89. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. será determinado. resultando relações que entre si mantêm os fatores biótico e abiótico somente aqui vivenciadas. característicos da zona costeira brasileira. um perímetro denominado Perímetro de Conservação de Nascentes e Olhos D’água. bem como a consecução de índices mínimos de cobertura vegetal”. São. III do §1º do art. como também as formas vegetais que circunvizinham as nascentes e os olhos d’água. pois consistem em áreas de interseção do ambiente marinho e o continente. Segundo tal diploma legal. objetivando especialmente a proteção dos recursos hídricos. conforme já destacado. no poder-dever que lhe foi conferido pelo inc. Faixa Praial e Campos de Dunas Móveis Trata-se de ecossistemas dos mais importantes do litoral nordestino. 225 da Constituição Federal. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Tratando da mesma matéria de forma compatível. indireta e fundacional: VIII . impondo-se ao poder público e à coletividade. nas nascentes e olhos d’água. Tal proteção legal advém da Lei nº 7.

§ 3º. cascalhos. seixos e pedregulhos. 201. 93 . histórico e cultural: III . 209.661/88.661/88. Não será permitida a ocupação de áreas ou urbanização que impeçam ou dificultem o livre e franco acesso público às praias e às lagoas. Praias. como areias. são as áreas cobertas e descobertas periodicamente pelas águas. segundo o que dispõe a Lei Federal nº 7. ressalvados os trechos discriminados pelo seguinte dispositivo: Art. onde comece outro ecossistema. 10. art. não é permitida a urbanização ou qualquer forma de utilização do solo praiano que impeça ou dificulte o livre e franco acesso assegurado pelo PNGC.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Pela relevância. ou.a zona costeira e as faixas de proteção dos mananciais. em sua ausência. livre e franco acesso a elas e ao mar. Por essa razão. As praias são bens públicos de uso comum do povo. sendo assegurado. até o limite onde se inicie a vegetação natural. segundo o que rege a Lei nº 7. a Lei Orgânica também lhe dispensou disciplinamento: Art. paisagístico. em qualquerdireçãoesentido. sempre.ressalvadosostrechosconsideradosdeinteresse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica”. São declarados de relevante interesse ecológico. Quanto à questão. acrescidas da faixa subseqüente de material detrítico. É que as praias. devem ter livre e franco acesso em qualquer direção e sentido. 10. mereceram destaque na Lei Orgânica do Município: Art.

nas áreas de praias: I .promontórios. costões e grutas marinhas. étnico. IV . 23. espeleológico. 94 II . toda obra humana que as possam desnaturar. inalienáveis e destinadasperenementeàutilidadegeraldosseushabitantes. V . renováveis ou não renováveis. .restingas e dunas. VI . na forma da lei estadual. na expressão de seu patrimônio natural. manguezais e pradarias submersas. incluindo. histórico.florestas litorâneas. baías e enseadas. paleontológico. cultural e paisagístico. étnico e cultural.cabendo ao Estado e a seus Municípios costeiros compartilharem das responsabilidades de promover a sua defesa e impedir. III .recursos naturais.sítios ecológicos de relevância cultural e demais unidades de preservação permanente.monumentos que integram o patrimônio natural. histórico. As praias são bens de uso comum. parcéis e bancos de algas. VII .recifes. VIII .sistemas fluviais. prejudicando as suas finalidades essenciais. estuários e lagunas.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE A Constituição do Estado do Ceará também considera as praias como bem público de uso comum do povo: Art.

de 20 de Março de 2002: Art. hoje caracterizadas como Área de Preservação Permanente – APP. convém esclarecer que a Resolução CONAMA nº 303/02. As dunas. A respeito de dunas móveis. O primeiro caso refere-se às dunas móveis. esse estudo se refere unicamente às praias marítimas. têm seu conceito legal elaborado pela Resolução/CONAMA nº 303. As dunas. 95 . podendo estar recoberta ou não por vegetação. são estabelecidas as seguintes definições:. consoante expressa o dispositivo constitucional há pouco transcrito. às dunas fixas e paleodunas. que as protegia de maneira integral.duna: unidade geomorfológica de constituição predominantemente arenosa. X . De qualquer forma. uma vez que esta é um dos elementos que constituem a zona costeira.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Evidentemente.. era à proteção e à conservação de sua vegetação fixadora. bastante comuns na orla do Município de Fortaleza. ao legislar sobre dunas. produzida pela ação dos ventos. com aparência de cômoro ou colina. situada no litoral ou no interior do continente. a fim de permitir a ocupação sustentável de 20% (vinte por cento) das dunas móveis ou sem vegetação fixadora. 2º. podem ou não sofrer deslocamento em função dos ventos e da sua vegetação correspondente.. foi modificada. anteriormente à edição do citado ato administrativo. não constituíam diretamente objeto de proteção legal. Dunas Fixas Pelas características geo-ambientais das dunas. Para efeitos desta Resolução. e o segundo. O que se visava. o que se quer aqui é ressaltar que as praias marítimas constituem bens da União.

... A conservação dos manguezais está assegurada pela Constituição Estadual de 1989: Art... VI ... também dispõem o Código Florestal.221/96. Para efeitos desta Resolução são adotadas as seguintes definições: 96 IX ..... às quais se associa.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Planície Flúviomarinha com Manguezais Acerca de mangues......... com influência fluviomarinha. Para asseguraraefetividadedessesdireitos(aomeioambienteequilibrado e a uma sadia qualidade de vida)..... § 1º.. formado por vasas lodosas recentes ou arenosas.. a vegetação natural conhecida como mangue.conservar os ecossistemas existentes nos seus limites territoriais.... sujeitos à ação das marés... 2º... 259.... típica de solos limosos de regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira.. caracterizados pelo estágio de equilíbrio atingido entre as condições físico-naturais e os seres vivos. . entre os estados do Amapá e Santa Catarina..... com o fim de evitar a ruptura desse equilíbrio.. cabe ao Poder Público.......manguezal: ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos.... predominantemente. a Resolução/CONAMA Nº 303/02 e o Decreto Estadual nº 24... nos termos da lei estadual:.. .... Define manguezal Resolução/CONAMA nº 303/02: Art.....

riachos e rios da Grande Fortaleza. 225. executada pelos Poderes Públicos Estadual e Municipal. lagoas.Para assegurar a efetividade desse direito.. adotará. na forma da lei estadual. Assim reza mencionado dispositivo: Art. as seguintes providências: I . 97 . imprescindem de maior atenção por parte das autoridades ambientais.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL As áreas do Município de Fortaleza que contêm mangues podem ser expropriadas para o fim de serem preservadas. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 225. vedadas nas áreas desapropriadas construções de qualquer espécie.. sem exploração comercial. através de ações conjuntas atribuídas ao Estado do Ceará e ao próprio Município. A política de desenvolvimento urbano. §1º. 265. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO MUNICIPAIS A Constituição Federal. incumbe ao Poder Público:. exceção feita aos pólos de lazer. em função de suas características naturais.desapropriação de áreas destinadas à preservação dos mangues. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. incumbe à Administração Pública algumas atribuições com vistas a impedir a ação humana danosa ao equilíbrio ecológico. dentre as quais se destaca a necessidade de definição de espaços territoriais que. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. em seu art. na conformidade da Constituição Estadual: Art.

implantado-os e mantendo-os com os serviços públicos indispensáveis às suas finalidades. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. impondo-se ao Estado e à comunidade o dever de preservá-los e defendê-los. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. faz referência à necessidade do poder público destacar as áreas que. Para assegurar a efetividade desses direitos. 98 Parágrafo único. em todas as unidades da Federação. a exemplo das Constituições Federal e Estadual. reservas. através de lei. impondo-se ao poder público e à coletividade. dotadas de atributos naturais relevantes. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção”..ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE III . nos termos da lei estadual:. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. indireta e fundacional: .estabelecer. parques. estações ecológicas e outras unidades de conservação. através de seus órgãos de administração direta. O meio ambiente equilibrado e uma sadia qualidade de vida são direitos inalienáveis do povo. cabe ao Poder Público. A Constituição Estadual também imputa à Administração Pública cearense desiderato semelhante: Art.. dentro do planejamento geral de proteção do meio ambiente. 259. merecem uma atenção especial: Art. A Lei Orgânica de Fortaleza. 194. criando.definir. IV . áreas especificamente protegidas.

a exemplo das áreas de preservação permanente – APP. mantê-los sob especial proteção e dotá-los da infra-estrutura indispensável às suas finalidades. sendo a alteração e a supressão. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção. . ficando mantidas as unidades de conservação atualmente existentes.criar parques. a serem especialmente protegidos. por serem detentoras de atributos naturais relevantes.. são áreas detentoras de recursos ambientais relevantes. permitidas somente por meio de lei. reservas ecológicas. As unidades de conservação.. Portanto. É através deste preceito da Lei Orgânica que se origina o estudo sobre as unidades de conservação instituídas no Município de Fortaleza. foi editada a Lei nº 9.. no caso das áreas de preservação permanente.definir e implantar áreas e seus componentes representativos de todos os ecossistemas originais do espaço territorial do Município.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL . III . áreas de proteção ambiental e outras unidades de conservação. não há necessidade de qualquer manifestação de vontade por parte do Poder 99 . XVII .985/2000 – conhecida como Lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) – que veio dar nova roupagem às áreas que. necessitam de permanente atenção pelo Poder Público. preservados ou conservados. preservação ou conservação. No plano federal. os quais necessitam constante vigilância pela Administração Pública com vistas à preservação e conservação de tais recursos. inclusive dos já existentes..

é indispensável que a entidade federativa interessada na proteção da área crie.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Público. a Resolução CONAMA nº 11/87 foi a primeira entre os diplomas legais que regeram a matéria a classificar as unidades de conservação em várias categorias. 22. expedida pelo Poder Legislativo. de ato normativo declaratório. É o que reza a Lei do SNUC: Art. a unidade de conservação. Já no que concerne às unidades de conservação. Portanto. 100 Em virtude da Lei do SNUC não haver especificado qual ato seria o pertinente. em que se estabeleceriam. tampouco a edição de ato normativo que as crie. além de outros tópicos. Sob o prisma histórico. a dimensão geográfica. mediante ato normativo. e os corredores ecológicos. a formação do conselho gestor etc. t1BSRVFTOBDJPOBJT FTUBEVBJTFNVOJDJQBJT . entende-se que este pode efetivar-se tanto na forma de lei ordinária. As unidades de conservação são criadas por ato do Poder Público. quanto na forma de decreto expedido pelo chefe do Poder Executivo. há necessidade. sem necessidade de anuência do Legislativo. Basta a simples aplicação do que já está disposto no Código Florestal. as atividades permitidas e/ou proibidas. a fim de viabilizar a vigilância e o disciplinamento das atividades ali desenvolvidas. a saber: t&TUBÎÜFTFDPMØHJDBT t3FTFSWBTFDPMØHJDBT t«SFBTEFQSPUFÎÍPBNCJFOUBM FTQFDJBMNFOUFTVBT[POBT  de vida silvestre.

221/96.Reserva Legal.necessáriosàmaturaçãodosprocessosecológicos essenciais à vida.221/96 dispôs sobre a questão: Art.Serras Úmidas e Chapadas (encraves da Mata Atlântica). por sua vez regulamentada pelo Decreto nº 24.Unidade de Conservação. 4º. a Política Florestal do Ceará. disciplinada pela Lei nº 12. definidas como: I .DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL t3FTFSWBTCJPMØHJDBT t'MPSFTUBTOBDJPOBJT FTUBEVBJTFNVOJDJQBJT t. o Decreto nº 24.POVNFOUPTOBUVSBJT t+BSEJOTCPUÉOJDPT t+BSEJOT[PPMØHJDPT t)PSUPTnPSFTUBJT t«SFBTEFSFMFWBOUFJOUFSFTTFFDPMØHJDP Adiante. III .488/95. as áreas revertidas por florestas e demais formas de vegetação natural que produzam benefícios múltiplos de interessecomum. 101 . Consideram-se como Florestas Produtivas com Restrição de uso. adaptou as categorias há pouco enumeradas às características físicoambientais do território cearense. Da seguinte forma. II .

VI . semelhantes às unidades de uso direto.Área de proteção ambiental . estaduais e municipais. sob conceito de uso múltiplo e sustentado. 5º do Decreto.APA. atribuindo termos distintos mas com objetivos análogos. já utiliza uma classificação diferenciada.Parques nacionais. agora em unidades de conservação de (a) uso indireto. II . a que equivaleriam as unidades de uso indireto da classificação estadual.Florestas nacionais. estabelecido pela Lei Federal nº 9. III . estaduais e municipais. 5º.985/00. IV . na conformidade da análise do seguinte dispositivo da Lei: . foi feita nova subclassificação. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. e de (b) uso direto. as unidades de conservação dividem-se em dois grupos.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Art. 102 Dentre as unidades de conservação estabelecidas pelo art.Estações ecológicas.Reserva biológica. Consideram-se Unidades de Conservação as áreas assim declaradas pelo Poder Público: I . cujo objetivo de manejo é o de proporcionar. e (b) unidades de uso sustentável. com características específicas: (a) unidades de proteção integral. a exploração e a preservação dos recursos naturais. Segundo a própria.Unidades de conservação particular. V . de domínio público e que não permite a exploração de seus recursos naturais. ora transcrito.

. dependendo do ente federativo que a institua.. as unidades de proteção integral têm como categorias: (a) estação ecológica. O uso direto diz respeito à possibilidade de emprego e exploração. estadual ou municipal... mediante autorização de atividades das quais não provenham quaisquer riscos de desequilíbrio ecológico... 7º. (b) reserva biológica.. estadual ou municipal... tais como ecoturismo. com exceção dos casos previstos nesta Lei... (d) monumento natural.....DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Art.. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais. desde que de forma sustentada e mediante autorização da entidade competente.. dos recursos naturais constantes da unidade de conservação.... inclusive econômica. e (g) reserva particular de patrimônio natural – RPPN. .. precedida de procedimento administrativo.. (c) floresta nacional.... Já as unidade de uso sustentável se subclassificam em (a) área de proteção ambiental – APA... ou seja... pesquisa científica. Já o uso indireto concerne à utilização de seus recursos naturais de maneira indireta. exploração para fins educacionais etc....... O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais... e (e) refúgio da vida silvestre. (c) parque nacional... O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza.. (b) área de relevante interesse ecológico – ARIE............ §1º.. A respeito da subclassificação.. (f ) reserva de desenvolvimento sustentável. 103 ..... (d) reserva extrativista.. §2º. (e) reserva de fauna...

cujos recursos seriam utilizados para a própria manutenção da unidade de conservação. o parque é dotado . É nessa categoria de unidade de conservação que se enquadra o Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba. Para ser assim caracterizado. e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental. para a configuração das hipóteses de atividades aqui previstas. de parque nacional. teria a denominação de parque estadual. No Município de Fortaleza. sendo permitidas as pesquisas científicas. É possível. se criado pelo Estado. deve ser implementado pelo Município. a visitação deve coadunar-se com o estabelecido no respectivo plano de manejo. procede-se a desapropriação. Criado pelo Decreto Municipal nº 11. São. tem-se o Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba. de 20 de fevereiro de 2006. assim considerado aquele que não envolve coleta. Tem como objetivo essencial a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. em geral. admitindo apenas o uso indireto. havendo áreas particulares quando de sua instituição. dano ou destruição dos recursos naturais. inclusive. evidentemente. desde que devidamente autorizadas pela entidade ambiental competente. Parque Natural Municipal 104 O parque municipal também constitui unidade de proteção integral.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Das Unidades de Proteção Integral O estabelecimento das unidades de proteção integral tem como objetivo básico a preservação da natureza. 11).986. se pela União. e. ao passo que. Outrossim. de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico (art. no bairro homônimo. a visitação mediante a cobrança de taxas. formadas por terras públicas e.

em havendo terras particulares. estadual e municipal. restringindo alguns usos. é considerável. a dimensão da área abrangida pela unidade de conservação. sendo que. já que o domínio da área tanto pode ser público como privado. da Lei do SNUC: 105 . podem ser estabelecidas. geralmente extensa. a rigor. Já no que se refere ao domínio dos parques nacional. e o uso direto de seus recursos naturais. com o fulcro de assegurar a preservação de tais atributos naturais. §2º. ex VI o disposto no art. inclusive econômica. Quanto à possibilidade de pesquisa. desde que observados as limitações constitucionais. cuja dimensão. sobre terras particulares. independentemente de autorização da entidade ambiental competente. 32. a área é toda ela pública. desde que compatível com os princípios da conservação da natureza e da utilização sustentável de recursos. São constituídas. das famílias ali residentes. tem como características intrínsecas. tanto por meio do instrumento normativo responsável pela criação da APA quanto do plano de manejo. Apesar disto. regras restritivas para a utilização da propriedade. 15). esta é permitida. Das Unidades de Uso Sustentável As unidades de uso sustentável são as áreas em que se admitem a exploração. quando da instituição da APA.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL de ecossistema litorâneo que se faz merecedor de atenção por parte da Administração municipal. Esta última característica é possível em virtude da possibilidade de permanência. Área de Proteção Ambiental – APA A APA. em geral. além evidentemente dos atributos naturais relevantes. devem estas ser desapropriadas. e a evidente ocupação humana (art.

. Esta última consiste no único exemplo de APA municipal...... Em Fortaleza....... depende de aprovação prévia e está sujeita à fiscalização do órgão responsável por sua administração”..ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE Art. é relevante destacar o fato de que....... dentre as quais se destacam as APA’s de Jericoacoara. e do Pecém (estaduais)...... de 20 de fevereiro de 2006.... tGPNFOUBSPUVSJTNPFDPMØHJDPFBFEVDBÎÍPBNCJFOUBMFQSFTFSvar as culturas e as tradições locais. segundo o qual os objetivos da APA são: tQSPUFHFSPTSFNBOFTDFOUFTEFWFHFUBÎÍPEPDPNQMFYPMJUPSÉOFP tQSPUFHFSPTSFDVSTPTIÓESJDPT tNFMIPSBSBRVBMJEBEFEFWJEBEBQPQVMBÎÍPSFTJEFOUF NFEJBOUF orientação e disciplina das atividades econômicas locais... encontram-se a APA do Rio Pacoti....... as APA’s da Serra de Baturité.. ...excetoÁreadeProteçãoAmbientaleReservaParticulardo Patrimônio Natural... é indispensável a aquiescência de seu proprietário. . São inúmeras. A APA consiste na mais comum entre as unidades de conservação existentes hoje em nosso Estado. do Delta do Parnaíba e da Serra de Ibiapaba (federais).. 32.....987. § 2º A realização de pesquisas científicas nas unidades de conservação.. do Estuário do Rio Ceará (estaduais) e a APA de Sabiaguaba.... 106 Apesar da regra...... na hipótese de a pesquisa se processar em área privada. tendo sido criada pelo Decreto nº 11..

lacustres.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Considerações sobre a Necessidade de Criação e Implementação das Unidades de Conservação em Fortaleza O Município de Fortaleza é detentor de inúmeras áreas possuidoras de atributos naturais que. bem como os manguezais. quanto à precária conservação dos recursos naturais encontrados na zona costeira e em outros bairros. em função de parcela significativa da população que daí extrai sua fonte de subsistência. destacam-se os ecossistemas litorâneos. em face da cres- 107 . Aspectos outros justificam a preocupação estatal na preservação dos ambientes litorâneos e urbanos. que. fazem jus à evidente preocupação que a Administração edilícia demonstra quanto ao equilíbrio ecológico. pois constituem áreas de interseção do ambiente marinho com o continente. econômicas e ambientais. por suas características geográficas. III. são característicos da zona costeira. da Lei Orgânica do Município de Fortaleza. Dos ecossistemas alencarinos merecedores desta preocupação. Daí a plausibilidade da justificativa para a criação de unidades de conservação que abranjam as áreas já aludidas. 194. tais como a própria paisagem natural e as atividades econômicas que caracterizam tais áreas. de tão relevantes. turísticas. da Constituição Federal. inclusive. inc. resultando relações naturais exclusivas que entre si mantêm os fatores biótico e abiótico somente aqui vivenciadas. originaram a necessidade de preservação e socorro por parte do Poder Público edílico. Advém desta conjuntura a evidência do receio da Administração Pública municipal. caracterizando-os como “áreas a serem especialmente protegidas”. ecossistemas estes que. §1º. III e XVII. A conjugação de todos estes aspectos possibilitam ao Poder Público a aplicação de medidas assecuratórias de defesa do equilíbrio ecológico nos ecossistemas sub examine. 225. na conformidade do disposto no art. dunares. bem como no art. incs.

....... entretanto....... em virtude principalmente da relevância dos atributos ambientais encontrados em seus respectivos ecossistemas....ESTUDO GEOAMBIENTAL 108 DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE cente vulnerabilidade do equilíbrio ecológico nestes ecossistemas.... tanto no sentido de criar novas unidades de conservação quanto no de adequar as existentes ao disciplinamento contido na Lei do SNUC. portanto.. Constitucionalmente.... a conveniência e a oportunidade da edição de leis ou atos administrativos de caráter conservacionista.. principalmente.... principalmente no tocante às novas terminologias e às características de cada uma de suas categorias. sob os prismas geográfico... turístico e.... Evidenciam-se. entretanto...985/00. pois define as grandes diretrizes urbanísticas.. jurídico.... não deve ficar restrita à criação de unidades de conservação. como comportamento estatal que favoreça a proteção ambiental em algumas das áreas do território alencarino mais ecologicamente ricas........ o plano diretor só é obrigatório no caso de municípios com população residente que ultrapassa o número de vinte mil habitantes: Art.. ..... DO PLANO DIRETOR MUNICIPAL Trata-se do instrumento técnico-jurídico central da gestão do espaço urbano. Há necessidade urgente de se adequar os instrumentos normativos referentes às unidades já existentes aos novos mandamentos contidos na Lei nº 9. 182.. ... A atividade estatal. econômico.... uma vez que as intervenções antrópicas ali verificadas impossibilitam o restabelecimento natural do equilíbrio entre seus fatores biótico e abiótico..

providenciando o cumprimento da formação de um novo plano diretor.O plano diretor. é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. mediante a Lei nº 7. Aliás. Fortaleza. Ocorre que tal diploma legal foi considerado. Conforme proposta contida no sítio do PDP na Internet. qual seja. nas discussões envolvendo o plano diretor. de 16 de janeiro de 1992. bairro a bairro. tEBTÈSFBTEFNPSBEJBTQPQVMBSFT EFQSPUFÎÍPBNCJFOUBM EF valor histórico cultural. aprovado pela Câmara Municipal. Em 1992. 109 . A atual gestão. preocupa-se visivelmente com a problemática. tem ele como desiderato a definição: tEBTOPSNBTEFVTPFPDVQBÎÍPEPTPMPQBSBPTEJGFSFOUFTUFSSJtórios da Cidade. ensejado a necessidade da edição de outro. e tEBPSHBOJ[BÎÍPEPFTQBÎPVSCBOPBDVSUP NÏEJPFMPOHPQSB[P Ainda segundo o sítio. tecnicamente falho. tratando da questão de maneira mais democrática. portanto. portanto. por especialistas em urbanismo.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL § 1º . não pode dispensar a edição do plano diretor. tEBJNQMBOUBÎÍPEPTFRVJQBNFOUPTQÞCMJDPT TBÞEF FEVDBÎÍP  cultura.061. daí a denominação de Plano Diretor Participativo. a Administração municipal foi além da imposição constitucional. obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes. a participação direta da população alencarina. nos termos do retrotranscrito preceito da Lei Maior. lazer). foi editado o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano.

como por exemplo em que áreas da cidade devem ser construídos os conjuntos habitacionais e os equipamentos de saúde. só alcança sua finalidade intrínseca se fugir da situação a que.ce. na prática. a própria área onde Fortaleza está encravada. pela gestão atual da Prefeitura. sujeitase a maioria dos planos diretores hoje existentes. A edição do plano diretor. educação. .br Dia 15/02/2007 110 Outrossim. de um documento alheio ao dia-a-dia da municipalidade.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE o Plano Diretor é um instrumento norteador da política de desenvolvimento urbano municipal.fortaleza. a exemplo do que foi expresso aqui acerca do disciplinamento do uso e ocupação do solo. pretende corrigir. E continua: “o Plano Diretor também vai orientar o governo nas prioridades de investimentos públicos em relação ao desenvolvimento urbano. inclusive o plano diretor atual de Fortaleza. com atributos naturais e exemplares relevantes da zona costeira.gov. a da mais absoluta inobservância e desrespeito por parte dos governos municipais. principalmente após a plena operacionalização do PDP. propicia maior cuidado da Administração municipal. outras vezes por desrespeito às suas normas em função de interesses econômicos escusos. infelizmente. Isto significa que orienta o crescimento e a organização dos espaços urbanos de modo que a cidade e a propriedade cumpram a sua função social”. lazer. que legitima a edição do plano diretor. qual seja.sepla. Fonte: disponível em www. às vezes por ser elaborado apenas para cumprir a exigência constitucional contida no dispositivo retrotranscrito. São justamente estes elementos que a execução do PDP. Trata-se.

mediante as seguintes diretrizes gerais: . do patrimônio cultural. portanto. As normas de uso e ocupação devem. matas ciliares (através da proteção das faixas não edificantes). é vital para garantir a proteção dos atributos naturais relevantes ali encontrados. envolver-se também de questões ambientais... paisagístico e arqueológico. prevendo tópicos como taxas de ocupação populacional em determinadas áreas cujos recursos naturais assim 111 . Tais áreas são de fundamental importância para a conservação e recuperação do já comprometido equilíbrio ecológico da zona costeira e dos demais ecossistemas importantes encontrados na Capital. É por esta razão que o Estatuto da Cidade também estabeleceu como diretriz geral para a política urbana a problemática ecológica: Art. A definição destas áreas. preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído. artístico. XII . áreas verdes e áreas com potencial de recuperação do meio ambiente. cuja urbanização e crescimento populacional lhe causam inúmeros impactos negativos de ordem ambiental e social. histórico.proteção.DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE ESTUDO GEOAMBIENTAL Do Zoneamento Urbano-Ambiental O disciplinamento do uso e ocupação do solo urbano não se deve olvidar de tratar também da questão do equilíbrio ecológico da área correspondente ao Município. 2º. A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana. precipuamente nas bacias fluviais. As condições ambientais e os atributos naturais relevantes definem algumas áreas que merecem proteção ambiental. então. até em função do estreito inter-relacionamento da questão urbanística com a questão ambiental.

Deve contar ainda com a participação de todos os setores sociais interessados. A elaboração de um plano diretor. a implementação da legislação urbanística por parte do Município de Fortaleza deve ser encarada como algo complexo. com suporte na nova configuração espacial advinda da plena operacionalização do PDP. e a atualização das normas da legislação urbanística porventura existentes. de forma direta. coeficientes de aproveitamento. A Necessidade de um Plano Diretor Participativo para Fortaleza 112 A revisão ou. restrições a atividades potencialmente poluidoras e manejo da vegetação. pode-se falar em busca. pelo bem-estar da população residente e. exigindo planejamento e gerenciamento específicos. em todas as esferas federativas.ESTUDO GEOAMBIENTAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PERTINENTE o exijam. e sua respectiva aplicabilidade. pela mitigação dos impactos ambientais negativos oriundos do crescimento desordenado a que Fortaleza se sujeitou nas últimas décadas. se for o caso. deverão ser debatidas em conjunto com a sociedade e demais órgãos públicos competentes. de forma indireta. Somente com a robusta revisão e implementação da legislação municipal urbanística. .

Em áreas urbanas. derivados das atividades socioeconômicas.PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS ESTUDO GEOAMBIENTAL 6 PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS A crescente urbanização verificada em Fortaleza ocasionou uma série de impactos ambientais que afetaram sobremaneira a forma como se organizam e se relacionam os componentes ambientais. relacionando o estágio de desenvolvimento urbano ao impacto ambiental decorrente. do Conselho Nacional de Meio Ambiente. Christofoletti (2001) define impacto ambiental como uma mudança sensível nas condições de estabilidade de um ecossistema. op. A Tabela 05 sintetiza os principais impactos ambientais derivados da urbanização. são considerados os efeitos e as transformações provocadas pelas ações humanas nos aspectos do ambiente físico e que se refletem. Impactos ambientais podem ser considerados como as alterações ocasionadas no meio ambiente. Quanto maior o grau de urbanização. cit. de forma direta ou indireta.). “Dessa maneira. por interação. nas condições que envolvem a vida humana. maiores serão os impactos associados. 113 . os impactos ambientais apresentam-se mais fortemente do que nas áreas rurais. a qual pode ser positiva ou negativa. Essas interferências podem ser acidentais ou planejadas. ocasionando efeitos variados. A Resolução 001/1986.” (CHRISTOFOLETTI. define impacto ambiental como qualquer alteração das propriedades do meio ambiente causada pela ação das atividades humanas.

por Estágio mais alto para um dado fluxo de água (portanto. 2005. . Aumento da umidade do solo e possível contaminação 2. Transição do Estágio Pré-Urbano para o Urbano Inicial a) Remoção de árvores ou vegetação Redução na transpiração e aumento no fluxo de chuvas b) Abertura de vias de acesso Erosão do solo c) perfuração de poços Rebaixamento do lençol freático d) Construção de fossas sépticas etc. Redução na infiltração c) Uso descontínuo e abandono de alguns poços rasos Elevação do lençol freático d) Desvio de rios próximos para o fornecimento ao Redução do runoff entre os pontos de desvio público e) Esgoto sanitário não tratado ou tratado inadequadaPoluição de rios e poços mente em rios e poços 3. com maior capacidade Tabela 05: Impactos Ambientais conforme o grau de urbanização.ESTUDO GEOAMBIENTAL 114 PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS Estágio Impacto 1. mais prédios picos mais altos de alagamento e fluxos d’água mais baixos b) Quantidades maiores de resíduos não tratados em Aumento da poluição cursos d`água c) Abandono dos poços rasos remanescentes Elevação do lençol freático d) Aumento da população necessitando do estabeleciAumento no fluxo dos cursos d’água locais se o suprimento de novos sistemas de distribuição de água mento é proveniente de uma bacia externa e) Canais de rios restritos. subsidência. canais e túneis artificiais um aumento dos danos por alagamento) f ) Perfuração de poços industriais mais profundos e Pressão d’água mais baixa. Transição do Urbano Médio para Completamente Urbano a)Urbanização da área completada pela adição de Redução na infiltração e rebaixamento do lençol freático. Transição do Urbano inicial para o Urbano Médio a) Retirada total da vegetação Erosão acelerada do solo b) Construção maciça de casas etc. salinização da água. pelo menos em parte. Fonte: Adaptado de Araújo.

115 tPDVQBÎÍPEBTQMBOÓDJFTnVWJBJT MBDVTUSFT nVWJPNBSJOIBTFÈSFBT de inundação sazonal. Figura 51 . tSFEVÎÍPEBCJPEJWFSTJEBEF tBVNFOUPEBUFNQFSBUVSBDPNGPSNBÎÍPEFiJMIBTEFDBMPSwOBT áreas centrais.PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS ESTUDO GEOAMBIENTAL Os impactos ambientais verificados em Fortaleza relacionam-se aos problemas anteriormente mencionados (Tabela 05) sendo desencadeados por acelerada e desordenada urbanização. destacando-se: tTVQSFTTÍPEBDPCFSUVSBWFHFUBM tBTTPSFBNFOUPEFSJPT SJBDIPTFMBHPBT Figura 49 tTPUFSSBNFOUPEFDPSQPTMBDVTUSFTFDBOBJT tJNQFSNFBCJMJ[BÎÍPEPTPMP tBVNFOUPEBWFMPDJEBEFFRVBOUJEBEFEFnVYPEPFTDPBNFOUP superficial. tJOUFSSVQÎÍPOPnVYPEFTFEJNFOUPTnVWJBJTFEBEFSJWBMJUPSÉOFB Figura 50 tNJOFSBÎÍPOPDBNQPEFEVOBTFNPSSPTSFTJEVBJT tSFBUJWBÎÍPFJOUFOTJmDBÎÍPEPTQSPDFTTPTFSPTJWPT tDPOUBNJOBÎÍPFQPMVJÎÍPEPTSFDVSTPTIÓESJDPTTVQFSmDJBJTF subterrâneos.

Os efeitos da contaminação podem ser vistos na Figura 49 e na Figura 50.ESTUDO GEOAMBIENTAL PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS tSFEVÎÍPEPUFNQPEFSFUPSOPQBSBBTPOEBTEFDIFJBTF tNBHOJmDBÎÍPEBTDIFJBTFBVNFOUPEBTÈSFBTEFFTQSBJBNFOUP Figura 52 116 Figura 53 Figura 54 Os impactos ambientais associados às condições geoambientais e formas de uso e ocupação da terra têm influências diretas na definição das vulnerabilidades ambientais a que os sistemas ambientais estão susceptíveis (SANTOS. Mesmo desativado. o aterro sanitário do Jangurussu continua poluindo as águas do rio Cocó. As fotografias apresentadas da Figura 49 à Figura 73 evidenciam uma série de impactos-problemas ambientais verificados nos diferentes sistemas ambientais existentes em Fortaleza. mediante o levantamento dos impactos ambientais nos diversos sistemas ambientais. O chorume atinge diretamente o canal fluvial. . 2006). Portanto. visando à preservação. conservação e minimização dos impactos e riscos ambientais derivados. foi possível traçar uma série de diretrizes estratégicas para o planejamento e elaboração de projetos. Isso decorre da ineficiência do sistema de captação e tratamento desse líquido e principalmente pela proximidade do aterro com o corpo hídrico.

.PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL PROGRAMA DE MEIO AMBIENTE RECURSOS NATURAIS E E DOS GESTÃO RECURSOS NATURAIS ESTUDO GEOAMBIENTAL DE Com base no exposto em face da necessidade de adoção de políticas públicas voltadas para a questão ambiental de Fortaleza. provocada por manejo e ocupação inadequados. As ações estratégicas para a adequada gestão ambiental da cidade devem pautar-se nos seguintes eixos temáticos: Figura 55 t&*90*o3FHVMBÎÍPEP6TPF0DVQBÎÍPEP4PMP t&*90**o6TPF$POTFSWBÎÍPEB#JPEJWFSTJEBEF t&*90***o$POUSPMFEB2VBMJEBEF"NCJFOUBM 117 t&*90*7o(FTUÍPEPT3FDVSTPT)ÓESJDPT Estratégia I . tSFBMJ[BSJOWFOUÈSJPEBTGPOUFTEFQPMVJÎÍPFDPOUBNJOBOUFTF de seus níveis de risco nos diferentas sistemas ambientais e nas bacias hidrográficas que drenam o Município. Essa estratégia deve estar pautada nas seguintes ações: tFWJUBSBEFHSBEBÎÍPEPTPMPEBTÈSFBTEFVSCBOJ[BÎÍPOÍPDPOTPlidadas.Regulação do Uso e Ocupação do Solo Figura 56 Definir a utilização potencial do solo urbano para sua produção e conservação. são propostos eixos estratégicos para melhoria do controle da qualidade ambiental do Município. Figura 57 tDSJBSJODFOUJWPTQBSBPSFnPSFTUBNFOUPEBTÈSFBTEFNBUBTDJMJBres com espécies componentes do revestimento vegetal primário.

compatibilizando-as com a Lei Federal nº 9985. que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza . reservas legais e de mananciais hídricos superficiais. Figura 58 Estratégia II – Uso e Conservação da Biodiversidade Implementar e ampliar as unidades de conservação. recuperando-os ou protegendo-os por intermédio da criação de unidades de proteção integral ou de unidades de uso sustentável. tQSPNPWFSP[POFBNFOUPFDPMØHJDPFDPOÙNJDPEP. compatibilizando-as com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).VOJDÓpio.VOJDÓQJP para subsidiar a regulação do uso e ocupação do solo e o gerenciamento das unidades de conservação já estabelecidas ou em fase de implementação. Propõem-se seguintes ações e atividades estratégicas: 118 Figura 59 tDSJBSVOJEBEFTEFQSPUFÎÍPJOUFHSBMOBTÈSFBTEFBCSBOHÐODJB dos sistemas ambientais frágeis e mediamente frágeis.ESTUDO GEOAMBIENTAL PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS tSFDVQFSBSÈSFBTEFDPOTFSWBÎÍPQFSNBOFOUF SFDBSHBEFBRàÓGFros. Figura 60 . tQSPNPWFSPJOWFOUÈSJPEBnPSBFEBGBVOBEBTVOJEBEFTEF conservação. tFMBCPSBSQMBOPTEFNBOFKPQBSBBTVOJEBEFTEFDPOTFSWBÎÍP municipais de proteção integral e de uso sustentável. tBNQMJBSBSFQSFTFOUBUJWJEBEFEPTTJTUFNBTBNCJFOUBJTEP.SNUC.

fortalecendo e colaborando com o sistema de licenciamento de atividades poluidoras. O controle adequado da qualidade ambiental ocorrerá como arrimo nas seguintes ações/atividades: 119 Figura 62 Foto: Tay Martins tGPSUBMFDFSPTJTUFNBEFMJDFODJBNFOUPBNCJFOUBMEFBUJWJEBEFT poluidoras. de atividades de recuperação. identificando os agentes causadores da degradação ambiental. tQSPNPWFSBSFDVQFSBÎÍPEFÈSFBTEFHSBEBEBTQFMBPDVQBÎÍP urbana desordenada.PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS ESTUDO GEOAMBIENTAL tJODFOUJWBSBDSJBÎÍPEFSFTFSWBTQBSUJDVMBSFTEPQBUSJNÙOJP natural – RPPNs. tEFTFOWPMWFSTJTUFNBTUFDOPMØHJDPTDBQB[FTEFQSPNPWFSBSFDVperação e/ou regenaração de sistemas ambientais degradados. monitoramento e fiscalização de áreas degradadas e da adoção de mecanismos de certificação. tGPSUBMFDFSPTJTUFNBMFHBMEFSFWJUBMJ[BÎÍPEBTCBDJBTIJESPHSÈmDBT tQSFWFOJSFBUFOVBSPTFGFJUPTEBTJOVOEBÎÜFTVSCBOBTGBWPSFDFO- Figura 63 . e tJOWFOUBSJBSDPOIFDJNFOUPTFQSÈUJDBTEFDPNVOJEBEFTJOEÓgenas relevantes para a proteção e para o uso sustentável da biodiversidade. criando e aplicando a legislação pertinente. Figura 61 Estratégia III – Controle da Qualidade Ambiental Estabelecer medidas de controle da qualidade ambiental.

Figura 66 . Estratégia IV – Gestão dos Recursos Hídricos Figura 64 Promover a gestão integrada dos recursos hídricos. desenvolvendo ações capazes de prevenir a escassez e a piora da qualidade da água nos mananciais. objetivando o aumento da sua disponibilidade quantitativa e qualitativa. e tEJWVMHBSBTJTUFNÈUJDBEFEFTFOWPMWJNFOUPMJNQPFTFVTNFDBnismos.ESTUDO GEOAMBIENTAL PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS do a criação de centros locais de alerta contra inundações. visando à recuperação. 120 Figura 65 tSFDVQFSBS SFWJUBMJ[BSFDPOTFSWBSBTCBDJBTIJESPHSÈmDBTRVF drenam o território municipal. São esboçadas as seguintes ações: tDPOTFSWBSPTSFDVSTPTIÓESJDPTTVQFSmDJBJTFTVCUFSSÉOFPTWJTBOdo ao crescimento da sua disponibilidade. tDMBTTJmDBSPTDPSQPTEÈHVB FTQFDJmDBOEPTFBRVBMJEBEFEBT águas que se pretende alcançar. e tQSPNPWFSBÎÜFTEFFEVDBÎÍPBNCJFOUBM QPUFODJBMJ[BOEPB discussão do uso integrado dos recursos naturais com efetivo envolvimento das comunidades. tEFTFOWPMWFSJOEJDBEPSFTEFBWBMJBÎÍPEBRVBMJEBEFBNCJFOUBMF da escassez de água. revitalização e uso de instrumentos da gestão. estimulando a certificação pertinente.

PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS Figura 67 E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 69 121 Figura 68 Figura 70 .

ESTUDO GEOAMBIENTAL Figura 71 122 Figura 72 PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS Figura 73 E AÇÕES DA GESTÃO AMBIENTAL E DOS RECURSOS NATURAIS .

conforme critérios expostos por Tricart (1977). há tendências ao aceleramento dos processos morfogenéticos. fundamentados. Com base nessas considerações e de acordo com a estratégia metodológica adotada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Consórcio ZEE Brasil (2002). que produzem impactos ambientais emergentes. Com o acelerado processo de uso e ocupação e desenvolvimento das atividades socioeconômicas. adota-se aqui a expressão “unidade de intervenção”. considera-se a ecodinâmica da paisagem associada ao processo de uso e ocupação como critério básico para definição da fragilidade ambiental existente nos diferentes sistemas ambientais. ocasionando o comprometimento da qualidade ambiental e reversão ambientes estáveis em instáveis.PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO ESTUDO GEOAMBIENTAL 7 PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO São definidas e delimitadas as unidades de intervenção em virtude de sua fragilidade e/ou do grau de estabilidade do ambiente e da capacidade de suporte dos sistemas ambientais em face do uso e ocupação do solo. conforme o referido estudo. o processo de produção do espaço e desenvolvimento das atividades socioeconômicas. Para tanto. Essas unidades. Além disso. são considerados os critérios referentes à legislação ambiental pertinente. que influem diretamente nas condições de estabilidade ambiental. Em essência. 123 . apresentam forte ancoragem nas fisionomias naturais (geomorfologia e sistemas ambientais). Esses acarretam uma série de conseqüências negativas. contempla-se o balanço entre os processos morfogenéticos e pedogenéticos para definir o grau de estabilidade e/ou instabilidade do ambiente. Esse último caso contempla os tipos de usos em cada unidade e as necessidades de conservação ambiental. com detalhamento das formas de uso e ocupação desses ambientes.

A definição dessas áreas considera a capacidade de suporte dos sistemas ambientais. notadamente nas áreas de preservação permanente (APP) e unidades de conservação. além das cristas e morros residuais. medianamente frágeis e medianamente estáveis. neste último caso. na vulnerabilidade ambiental presente em cada sistema ambiental. Assim. A definição dessas áreas considera. Dentre os critérios retromencionados. constitui a consolidação de programas e ações destinadas a adequado uso e apropriada ocupação do solo. representadas pelas áreas frágeis. planícies ribeirinhas. As áreas frágeis com ecodinâmica de ambientes fortemente instáveis são constituídas pelas áreas dotadas de ecodinâmica de ambientes fortemente instáveis. onde há frágil equilíbrio entre as condições de . foram definidas três categorias de unidades de intervenção. ou seja. ÁREAS MEDIANAMENTE FRÁGEIS São compostas pelas áreas que apresentam ecodinâmica de ambientes de transição. também.ESTUDO GEOAMBIENTAL PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO primordialmente. ÁREAS FRÁGEIS 124 As áreas frágeis são setores dos sistemas ambientais mais vulneráveis. associada aos processos inadequados de uso e ocupação do solo e as limitações impostas pela Legislação Ambiental. planícies fluviomarinha. campo de dunas móveis e fixas. conforme mapeamento produzido. como a faixa praial. lacustres e fluviolacustres. são áreas que apresentam ecodinâmica de ambientes fortemente instáveis. a dicsão unidades de intervenção representa a primeira aproximação do zoneamento que. as áreas legalmente protegidas e os ambientes frágeis da planície litorânea.

Os ambientes que se enquadram nessa categoria não apresentam maiores problemas para instalação de grandes equipamentos industriais e de expansão da malha viária e urbana. dunas dissipadas e setores mais abrigados das cheias nas planícies fluviais. mais antigos e onde a estabilidade morfogenética é nítida. Fazem parte dessa unidade os tabuleiros pré-litorâneos e a faixa de transição entre a depressão sertaneja e os tabuleiros. conseqüentemente. sobremaneira. principalmente. em função do elevado grau de descaracterização/exaurimento dos sistemas ambientais existentes em Fortaleza. áreas de inundação sazonal. porém assumem significativa importância no contexto da cidade. por setores das planícies fluviais e lacustres. Esses ambientes podem ser. Essas normas devem visar a manutenção da infiltração no solo. onde os problemas de uso e ocupação do solo são menos pronunciados em face das atividades produtivas. São ambientes. o mapa de unidades de intervenção (Figura 76) apresenta essas três categorias de unida- 125 . lacustres e fluviolacustres. influenciados pelas atividades socioeconômicas e por isso mesmo requerem critérios específicos de uso e ocupação do solo para que o equilíbrio ambiental não seja alterado. ÁREAS MEDIANAMENTE ESTÁVEIS As áreas medianamente estáveis estão representadas pelos ambientes em equilíbrio.PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO ESTUDO GEOAMBIENTAL morfogênese e pedogênese. evitando o aumento no volume e na velocidade do escoamento superficial além da capacidade de drenagem dos talvegues. desde que estabelecidos normas e critérios de saneamento ambiental. Essas áreas não apresentam maiores problemas para o desenvolvimento de atividades socioeconômicas. Essas áreas são constituídas. Como forma de facilitar a leitura cartográfica. via de regra. não favorecendo a ocorrência de inundações e alagamentos. ou seja.

faixa de transição de uso.Ambientes Setores mais Áreas que devem ser namente de abrigados das ocupadas mediante Frágeis. desde que assetabuleiros – de. amarelo para as medianamente frágeis. e verde para as áreas medianamente estáveis. Quadro 13 Unidades de Intervenção.áreas de capacidade de suporte inundação dos sistemas ambientais sazonal. planícies fluviorelacionados ao uso marinhas. 126 Sistemas Ambientais Associados Diretrizes Ambientais Ambientes Faixa de praia e Áreas que apresenFortemente terraços marinhos.dunas em face da baixa fixas. Media. e ao frágil equilíbrio ambiental. pré-litorâneos e tam maiores problemas Estáveis. Áreas Meio Ecodinâmico Frágeis. os sistemas ambientais de ocorrência. tam fortes problemas Instáveis. planície lacustres critérios específicos e fluviais. Transição. sanitárias-ambientais.Ambientes Tabuleiros Áreas que não apresennamente Estáveis.guradas boas condições pressão sertaneja. dunas e ocupação. O Quadro 13 apresenta as categorias de unidades de intervenção. susceptibilidade aos planícies fluviais processos degradacioe lacustre.áreas de nais e baixa capacidainundação sazonal.ESTUDO GEOAMBIENTAL PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO des representadas conforme as cores: vermelho para as áreas frágeis. pela alta móveis e fixas. incluindo áreas vegetadas e com altas taxas de permeabilidade. . de de suporte. também assinalando as principais diretrizes ambientais que servirão de subsídios ao zoneamento ambiental. Media. sua ecodinâmica associada.

Figura 75 Unidades de Intervenção . Figura 74 Unidades de Intervenção .Município de Fortaleza.Município de Fortaleza.Município de Fortaleza.PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO ESTUDO GEOAMBIENTAL 127 Tabela 6: Unidades de Intervenção . .Área Frágil .

PLANEJAMENTO TERRITORIAL E GESTÃO AMBIENTAL: UNIDADES DE INTERVENÇÃO .ESTUDO GEOAMBIENTAL 128 Figura 76 Mapa de Unidades de Intervenção.

129 . de modo a perpetuar as condições necessárias à evolução natural dos sistemas ambientais. cabendo destacar os seguintes: Compreensão do Território O zoneamento deve criar um modelo territorial que distribua as atividades no território em função das limitações. além da fundamentação jurídica.ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL 8 ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL O zoneamento ambiental segue princípios norteadores do Programa Zoneamento Ecológico-Econômico do Brasil-PZEE (MMA. a caracterização dos sistemas ambientais e das unidades de intervenção e gestão. De forma geral. servem de subsídio fundamental para o zoneamento. vulnerabilidades e fragilidades naturais. Para isso. associado à manutenção das funções ecológicas. o zoneamento é um instrumento político e técnico de planejamento. cuja finalidade última é otimizar o uso do espaço e as políticas públicas. De acordo com as diretrizes metodológicas apontadas pelo Programa ZEE Brasil. 2001). a sustentabilidade ecológica visa proteger os recursos naturais de acordo com as potencialidade e as limitações de uso dos sistemas ambientais. O PZEE considera alguns fundamentos essenciais particularizados para o território municipal. Sustentabilidade Ecológica A sustentabilidade ecológica pode ser entendida como a maximização dos benefícios derivados do uso dos recursos naturais. assegurando a conservação dos recursos naturais para as atuais e futuras gerações. bem como dos riscos e potencialidades de uso.

O cenário tendencial é fundamentado em uma análise profunda e circunstanciada da evolução regional. traçando-se o que se considera na trajetória mais provável da dinâmica socioambiental. sendo que o estado de cada unidade é controlado. Desta feita. Conforme a concepção metodológica do PZEE-Brasil (MMA. o zoneamento pode ser considerado como a definição de setores ou zonas com objetivos de manejo e normas específicas. 2001. com efeito um comportamento prospectivo. a palavra “conjunto” significa que as unidades possuem propriedades comuns. De modo geral. podem ser destacados três pressupostos básicos para execução do zoneamento: .ESTUDO GEOAMBIENTAL ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL Abordagem Sistêmica Um sistema representa um conjunto de unidades que mantêm relações entre si. simulam-se situações. O cenário desejado fica na dependência do balanço entre o futuro almejado pela sociedade e o cenário tendencial. vislumbrando-se respostas adequadas para a escolha de possíveis opções. Na elaboração de cenários. 2003). Concebe-se. na medida em que a abordagem sistêmica é utilizada. Considera-se que os sistemas não atuam de modo isolado. com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que se possa assegurar um desenvolvimento urbano perfeitamente compatível com os objetivos de conservação da natureza de maneira harmônica e eficaz. Valorização da Multidisciplinaridade e Elaboração de Cenários 130 A multidisciplinaridade assume significativa importância. funcionando dentro de um ambiente e compondo parte de um conjunto de maior dimensão. Os cenários têm uma perspectiva tendencial e outra desejada. condicionado ou dependente do estado das demais unidades.

com suporte no grau de conhecimento da biodiversidade e da identificação e avaliação dos problemas e conflitos. Esses atributos constituem características complexas dos sistemas. segundo IBAMA (2001). tJEFOUJmDBÎÍPEPTTJTUFNBTBNCJFOUBJTDPNPÈSFBTIPNPHÐOFBT  considerando os mosaicos de paisagens. cujas características serão subseqüentemente apresentadas. das oportunidades e potencialidades decorrentes das formas de conservação da biodiversidade. Ordenamento territorial e normas ambientais são formulados. foram definidos critérios de zoneamento. as potencialidades devem ser tratadas como atividades ou condições. do uso e ocupação do solo e da utilização dos recursos naturais. Desse modo. Elas são tratadas em função das fragilidades dos sistemas ambientais e das possibilidades tecnológicas de apropriação dos recursos. tBWBMJBÎÍPEBDBQBDJEBEFQSPEVUJWBEPTSFDVSTPTOBUVSBJT DPN base no balanço entre as potencialidades e as limitações dos recursos naturais. exeqüíveis de prática ou de implemento. as condições de uso/ ocupação. tendo o quadro socioambiental como ponto de partida. 131 . visando a compatibilizar o processo de expansão urbana à proteção e à conservação dos sistemas ambientais. Para a definição das zonas.ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL tDPOTJEFSBSPPSEFOBNFOUPUFSSJUPSJBMFBTOPSNBTBNCJFOUBJT que constituem o zoneamento. Os critérios têm apoio na definição de atributos dos sistemas ambientais. A proposta de zoneamento ambiental aqui apresentada tem a finalidade precípua de servir como instrumento técnico de manejo. as oportunidades e os padrões de derivação ambiental com dinâmica positiva ou negativa em relação ao estado primitivo do meio ambiente.

O zoneamento proposto faz o enquadramento conforme a tipologia apresentada a seguir: .ESTUDO GEOAMBIENTAL ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL decorrentes do funcionamento dinâmico de várias funções. além de nortear a tomada de decisão para a efetiva gestão do território municipal. 132 DEFINIÇÃO DAS ZONAS (TIPOLOGIA DO ZONEAMENTO) A definição das zonas aqui esboçadas considera todas as fases procedidas anteriormente neste trabalho. Morfologia e Patrimônio Paisagístico. 3. Estado de Conservação. 4. Desta feita. ecodinâmicas. 2. 5. Para tanto. sustentabilidade ambiental de cada sistema ambiental em face dos processos históricos e atuais de uso e ocupação do solo nos sistemas ambientais existentes. a capacidade de suporte. quais sejam: 1. Vulnerabilidade e suscetibilidade à erosão. associados à legislação ambiental pertinente e singularidades/especificidades dessas paisagens para o sistema urbano de Fortaleza. Diversidade Biológica. Diversidade Ambiental. são consideradas as características naturais dominantes. foram consideradas zonas que melhor retratam a realidade ambiental de Fortaleza.

do ponto de vista ambiental. onde possa prevalecer um processo sustentável de crescimento e expansão urbana com ordenamento territorial. mas que ainda resguardam atributos ambientais de significativa importância para o município. mantendo o equilíbrio dos sistemas ambientais. Zona de Uso Sustentável dos Tabuleiros e da Faixa de Transição Tabuleiro/Depressão A zona de uso sustentável corresponde às áreas que. Essa zona visa à manutenção da funcionalidade dos sistemas ambientais. à expansão da ocupação urbana. devem ser implementados programas de recuperação/ recomposição dos componentes naturais primários. não apresentam maiores problemas relacionados ao uso e ocupação do solo para o desenvolvimento das atividades socioeconômicas. predominantemente. para assegurar melhor qualidade ambiental aos citadinos. Nessas áreas. em face da acelerada degradação desses atributos ao longo da desordenada expansão urbana. de forma a assegurar usos condizentes com a capacidade de suporte desses sistemas. incluindo áreas comerciais. são áreas destinadas. incluindo jardins e quintais nos diferentes bairros da cidade. incluindo um plano de arborização urbana.ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL Zona de Urbanização Consolidada A zona de urbanização consolidada ocorre indistintamente nos diferentes sistemas ambientais. com primazia em áreas de tabuleiros pré-litorâneos e campo de dunas. residenciais. industriais e outros usos. reduzindo a 133 . onde. a degradação ambiental é evidente e as funcionalidades ambientais foram quase totalmente eliminadas. na medida do possível. com reintrodução de espécies nativas e/ou frutíferas nos espaços públicos e áreas particulares. Há predomínio de variadas tipologias de uso. onde parte significativa dos componentes naturais primitivos foi sendo sistematicamente suprimida para dar lugar à ocupação urbana. Em síntese.

Corresponde a terrenos relativamente estáveis do ponto de vista ambiental. em especial dos ambientes naturais necessários à existência ou reprodução da flora local e da fauna residente ou migratória. complexo fluviomarinho. Essas áreas. dunas fixas. os efeitos das atividades socioeconômicas. são merecedoras de cuidados especiais para manutenção da sua funcionalidade. . Essas áreas correspondem a terrenos dos tabuleiros pré-litorâneos e da faixa de transição tabuleiros/depressão sertaneja. acarretando alagamentos e inundações. conforme a legislação ambiental pertinente. lacustres e fluviolacustres e as áreas protegidas. podem trazer sérios riscos ao meio ambiente e às populações residentes. Zona de Preservação Ambiental 134 A zona de preservação ambiental visa à preservação dos sistemas ambientais. É constituída por áreas onde há um frágil equilíbrio nas condições ambientais. Esta zona visa também à reconstituição e manutenção da diversidade biológica e genética. têm reflexos significativos sobre o ambiente. que apresentam deficiências de saneamento ambiental. Essa zona engloba praticamente todos os sistemas ambientais. Podem ser desencadeados ainda problemas relacionados à acessibilidade/mobilidade e drenagem. com redução da permeabilidade dos solos e o conseqüente aumento do escoamento superficial. planícies fluviais. se ocupadas de modo desordenado. classificadas no mapa de unidades de intervenção como áreas frágeis com ecodinâmica de ambientes fortemente instáveis. atingindo na totalidade as dunas móveis. principalmente os da urbanização desordenada. Admite-se que. nas zonas assim definidas.ESTUDO GEOAMBIENTAL ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL incidência de riscos socioambientais e a vulnerabilidade ambiental atual e futura. Por isso mesmo.

Por este motivo. com ecodinâmica de ambientes instáveis/transição. são zonas enquadradas como medianamente frágeis. nessa zona os sistemas ambientais existentes não sofreram o exaurimento dos componentes ambientais. visa à manutenção dos atributos ambientais em áreas periodicamente inundadas. Nesse setor encontram-se dois tipos de áreas: a Zona de Uso Especializado das Áreas de Inundação Sazonal . São ambientes onde há um frágil equilíbrio das condições ecodinâmicas que pode ser facilmente convertido de um estágio de relativa estabilidade para instabilidade. por ambientes medianamente frágeis dos terraços fluviais e das planícies lacustres. ou seja. Esses últimos constituem os níveis mais elevados das planícies fluviais que só estão sujeitos às inundações quando da incidência de chuvas excepcionais. trata-se de áreas degradadas onde a capacidade produtiva dos recursos naturais não foi totalmente comprometida e são mantidos os atributos ambientais de significativa relevância no contexto municipal.ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL ESTUDO GEOAMBIENTAL Desta feita. Zona de Recuperação Ambiental A Zona de Recuperação Ambiental . fluviolacustres. Diferentemente da zona de ocupação urbana consolidada. Constitui-se.ZUEis e a Zona de Uso Especializado dos Terraços Fluviais – ZUEtf. Zona de Uso Especializado As Zona de Uso Especializado.ZRA é composta por áreas que sofreram impactos negativos decorrentes do processo desordenado de expansão urbana. em sua grande maioria. o manejo deve amparar a preservação do ambiente natural e motivar as atividades de pesquisas e práticas de educação ambiental. com assentamentos urbanos de baixa densidade. antigas lavras de mineração e demais ambientes onde ocorreu 135 .

. O objetivo fundamental dessa zona é preservar e conservar remanescentes vegetacionais e elementos de significativa importância na paisagem municipal. tendo como efeito negativo mais marcante a retirada da cobertura vegetal primitiva. recuperação e monitoramento ambiental com vistas à manutenção da integralidade sistêmica desses ambientes com manejo adequado dos recursos e introdução de espécies nativas integrantes das comunidades vegetais primárias. Zona de Relevante Interesse Ecológico 136 Visa à conservação e manutenção da integridade funcional de sistemas ambientais de significativa relevância ecológica para o Município de Fortaleza. e. via de regra. que por esse motivo merecem atenção especial por parte do Poder Público Municipal. Zonas Especiais As zonas especiais são áreas detentoras de atributos históricos. sendo áreas indicadas para a instalação de unidades de conservação ou programas de requalificação ambiental. arquitetônicos e/ou de interesse institucional. culturais. Deve ser implementado um manejo que objetive a manutenção do ambiente natural com suas características originais ou primárias e com o mínimo reflexo nos processos associados à expansão urbana. Essa zonas compreendem “ilhas” dispersas ao longo do território municipal. Essas áreas devem ser destinadas aos programas de controle. constituem áreas que se encontram em estágio de relativo equilíbrio. Considera-se que não devem ser permitidas obras e empreendimentos que impliquem modificações no relevo e na eliminação das formações vegetacionais remanescentes.ESTUDO GEOAMBIENTAL ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL um intenso processo de degradação.

ESBOÇO

DO

ZONEAMENTO AMBIENTAL

ESTUDO GEOAMBIENTAL

Tais zonas carecem de definição de parâmetros reguladores do uso e
ocupação do solo.
Nesse sentido e levando em conta o zoneamento ambiental ora
proposto, devem ser consideradas os seguintes tipos de Zonas Especiais para a revisão do Plano Diretor de Fortaleza quais sejam:
Zona Especial de Interesse Social - porções do território que devem ser destinadas, prioritariamente, à regularização urbanística e
fundiária das aglomerações populacionais de baixa renda sujeitas a
critérios específicos para sua instituição, conforme previsto no Estatuto das Cidades.
Sob nenhuma hipótese devem ser instituídas Zonas Especiais de
Interesse Social em áreas situadas em ambientes dotados de elevada
vulnerabilidade ambiental, classificadas como ambientes frágeis, com
ecodinâmica de ambientes instáveis, e classificadas como zonas de
preservação ambiental.
Zona Especial do Projeto Orla - deve corresponder à área de
abrangência do Plano de Gestão Integrada da Orla Marítima – Projeto Orla – SPU/PMF. Trata-se de um programa federal com vistas a
promover a melhoria da qualidade socioambiental da orla marítima,
com o estabelecimento de medidas integradas de planejamento e gestão por meio de ações prioritárias.
Mesmo tratando-se de um programa de âmbito nacional, as diretrizes a serem adotadas devem ser estabelecidas com base na realidade
socioambiental da cidade de Fortaleza. Nesse sentido, deve considerar
as ações que já vêm sendo desenvolvidas pela PMF, em articulação com
a população residente na área de abrangência do projeto. As orientações
estabelecidas no zoneamento ambiental devem, contudo, ser seguidas a
fim de assegurar a manutenção do equilíbrio e da sustentabilidade ambientais, com base nas limitações impostas e na capacidade de suporte
dos sistemas ambientais inseridos nessa área.

137

ESTUDO GEOAMBIENTAL

ESBOÇO

DO

ZONEAMENTO AMBIENTAL

Zona de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico - caracteriza-se pela ocorrência de sítios, ruínas, conjuntos
ou edifícios de relevante expressão cultural, histórica, artística, arquitetônica, arqueológica e paisagística, sendo considerada de relevante
importância para a preservação da memória da cidade.
Zona Especial de Dinamização Urbanística e Econômica - espaços que devem ser destinados à implantação e/ou intensificação de
atividades econômicas e sociais que promovam maior dinamização
do território.
Zona Especial Institucional - setores do território que abrigam
atividades institucionais nos setores da administração, defesa, segurança, saneamento, transporte, cultura, lazer, educação, entre outros.

138

O zoneamento ambiental (exceto as zonas especiais) é apresentado
de forma sintética no quadro 14 Síntese de Zoneamento Ambiental,
onde se apresentam a tipologia do zoneamento; os sistemas ambientais associados a cada zona, a vulnerabilidade em face dos processos de
uso e ocupação; os principais ativos ambientais, os impactos e riscos
associados e diretrizes a serem adotadas.

ESBOÇO

SÍNTESE
Zona
Zona de
Preservação
Ambiental
– ZPA.

Sistemas
Ambientais
Associados
ZPAdm - dunas
móveis; ZPAdf dunas fixas; ZPAcfm - complexo
fluviomarinho;
ZPAfl - planície
fluvial; ZPAlc planície lacustre e
flúviolacustre.

DE

DO

ZONEAMENTO AMBIENTAL

ZONEAMENTO AMBIENTAL

DO

ESTUDO GEOAMBIENTAL

MUNICÍPIO

Vulnerabilidade
Ambiental

Ativos
Ambientais

Ambientes
frágeis, com
ecodinâmica de
áreas fortemente
instáveis.

Elevada diversidade
biológica; patrimônio paisagístico;
manutenção do
equilíbrio ecológico;
refúgio da fauna
residente e
migratória.

Solos espessos e
Ambientes de
Zona de Uso ZUEt – Zona de
Especializa- Uso Especializa- frágeis a media- argilosos; fertilidade
natural dos solos;
do dos Terraços namente frágeis,
do – ZUE.
Fluviais. ZUEis com ecodinâmica importante papel na
– Zona de Uso variando de am- dinâmica ambiental;
Especializado das bientes instáveis contenção de cheias
quando das grandes
Áreas de Inunda- a ambientes de
precipitações.
transição com
ção Sazonal.
tendências à
instabilidade.

Quadro 14

DE

FORTALEZA

Impactos
e Riscos

Diretrizes

Preservação compulRedução da
sória dos recursos
biodiversidade;
ambientais; ativiinterferências na
dades de pesquisa
dinâmica ambiental;
incidências de riscos científica e Educação
Ambiental;
socioambientais
instituição de unidainundações;
des de conservação;
movimentos de
massa; contamina- ações de recuperação
ambiental.
ção hídrica e dos
solos.
Assentamentos
Impermeabilização
urbanos de baixa
dos solos; avanço
densidade; manuda urbanização;
tenção do equilíbrio
ocupação de áreas
frágeis, dotadas de ambiental; diminuição das inundações;
grande vulnerabirecarga de aquíferos;
lidade ambiental;
riscos socioamentais áreas para amortecidiversos; assorema- mento das ondas de
cheias; desenvolvinetos.
mento de atividades
sustentáveis.

139

Conservação dos recursos naturais. aumento na quantidade e velocidade do escoamento superficial ocasionando enxurradas. Impermeabilização dos solos.Tabuleiros pré-litorâneos ZRIEdf . Programas de recomposição da vegetação natural e estabilização de vertentes. Especulação imobiliária. Áreas propicias ao desenvolvimento de atividades sustentáveis. rebaixamento do lençol freático. Criação de Unidades de Conservação. Aumento da temperatura devido à radiação noturna proveniente da cobertura asfáltica e construções. Minimização dos azares ambientais. Adensamento nas áreas dotadas de infra-estrutura urbana. Originalmente abrigavam grande biodiversidade. Praticamente todos os sistemas ambientais Área densamente urbanizada. Problemas com alagamentos devido à impermeabilidade do solo. Incidência de riscos socioambientais. elevadas da taxas de infiltração. Empobrecimento da biodiversidade. Uso sustentável respeitando adequadas taxas de permeabilidade.Planície lacustre e flúvio-lacustre Ambientes frágeis a medianamente frágeis com ecodinâmica variando de instáveis a transição com tendências à instabilidade. Zona de Relevante Interesse Ecológico – ZRIE ZRIEtp . Controle e monitoramento ambiental. Zona de Urbanização Consolidada – ZAUC.ESTUDO GEOAMBIENTAL ESBOÇO DO ZONEAMENTO AMBIENTAL Zona Sistemas Ambientais Associados Vulnerabilidade Ambiental Ativos Ambientais Impactos e Riscos Diretrizes Zona de Recuperação Ambiental – ZRA ZPAdm . Pesquisas científicas. Ocupação desordenada.Planície fluvial ZPAlc . Redução da diversidade biológica.Dunas Móveis ZPAdf . Grande biodiversidade. Recarga de aqüíferos. Desconforto térmico devido a insuficiente/inexistente cobertura vegetal. Contaminação hídrica e dos solos. saneamento ambiental.Dunas fixas ZPAcfm . Patrimônio paisagístico. Refúgio da vida silvestre. 140 Zona Sistemas Ambientais Associados Vulnerabilidade Ambiental Ativos Ambientais Impactos e Riscos Diretrizes Zona de Uso Sustentável – ZAUS ZAUStp – Tabuleiros pré-litorâneos ZAUSt – Transição tabuleiro / depressão sertaneja Ambientes medianamente estáveis que não apresentam maiores problemas ao uso e ocupação do solo mas apresentam deficiência de saneamento ambiental. Educação Ambiental. alta capacidade aqüífera. Manutenção de funcionalidade dos sistemas ambientais.Complexo flúvio-marinho ZPAfl . Alimentação do lençol freático. Programa de arborização . Importância no ciclo biológico. Utilização de áreas para recreação e educação ambiental. Pesquisas com vistas à recuperação do equilíbrio ambiental e ecológico. Ações de monitoramento ambiental. Movimentos de massa. Remoção de solos.Supressão da cobertura vegetal. Desequilíbrios ambientais e ecológicos.Dunas fixas Ambientes de transição com tendências à estabilidade onde as intervenções são menos pronunciadas e há condições de relativo equilíbrio ambiental. Patrimônio paisagístico. Manutenção da funcionalidade sistêmica. impermeabilização do solo. Manutenção da integralidade sistêmica. medidas que aumentem a capacidade de infiltração e redução da velocidade do escoamento superficial. Construção e implementação de equipamentos públicos de lazer e recuperação ambiental. problemas relacionados a infra-esrutura urbana Ambientes que tiveram a funcionalidade ambiental suprimida onde via de regra. existem poucos passivos ambientais e em alguns casos sofrem com sérios problemas de drenagem urbana com ocorrência de alagamentos quando de eventos pluviométricos simples.

em face do desenvolvimento das atividades socioeconômicas. emerge a necessidade de se realizar estudos prévios de impactos ambientais emergentes. Essa avaliação não deve ser realizada somente no local de implantação do empreendimento e sim em toda a área de entorno. na perspectiva da gestão dos sistemas ambientais. em muitos casos. Mais importante do que identificar é prever os impactos. Nesse sentido. a análise das potencialidades e limitações dos sistemas ambientais. 141 . deve ser minuciosamente realizada. atingiram estágios de irreversibilidade. com sérias conseqüências ambientais nos locais onde a cobertura vegetal primária foi sistematicamente suprimida para dar lugar à ocupação urbana. em particular quando da instalação de grandes empreendimentos. evitando-se conseqüências negativas para os sistemas físico-naturais e para a qualidade de vida da população. já que ela será fortemente afetada a médio ou a longo prazo. Essas alterações. Dada a complexidade das questões socioambientais verificadas em Fortaleza. É em razão dessa complexidade que a identificação.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ESTUDO GEOAMBIENTAL 9 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Ao longo das investigações que culminaram com a realização do diagnóstico e zoneamento ambiental pôde-se constatar que é sobre um sítio urbano originalmente diversificado que ocorrem as principais interações dos componentes do meio físico natural e as condições de uso e ocupação do espaço urbano. mensuração e previsão de impactos ambientais assumem significativa importância.

população residente. justificável sob o prisma econômico ou em relação aos interesses imediatos de seu proponente.1994).devem ser objeto de sérias restrições ao uso e ocupação. como os campos dunares e planícies fluviais. (Ab´Saber. hoje. qualidade do ar.incluindo áreas dos tabuleiros prélitorâneos . para que efetivamente possam ser evitados problemas ambientais e sociais. Nesse contexto. Além de ambientes naturalmente desfavoráveis à ocupação. principalmente a incidência riscos ambientais futuros. assume destaque. qualidade das águas. fluviomarinhas e lacustres. . Nesse sentido prever impactos é ato de tomada de precauções para garantir a harmonia e compatibilizar funções no interior do espaço total no futuro. se revele. os terrenos de transição dos tabuleiros pré-litorâneos. já que no seu baixo curso se verificam pequeno índice de ocupação e grande pressão imobiliária. onde a vegetação foi removida para dar lugar à atividade salineira e. que é “evitar que um projeto (obra ou atividade). suas áreas de entorno .ESTUDO GEOAMBIENTAL CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES O sítio de implantação de um projeto tem importância. considerada em seu arranjo de ruas e caminhos. também. mas muito mais importante é a área do entorno. qualidade do solo e remanescentes de biodiversidade dignos de preservação. essas áreas se encontram aterradas ou em estágio de recuperação ambiental. áreas que apresentam relativa estabilidade ambiental devem ser objeto de sérias restrições à ocupação. principalmente quando considerados os empreendimentos de grande magnitude. a bacia do rio Cocó. Merecem atenção especial. depois nefasto ou catastrófico para o meio ambiente” (MILARÉ. na porção oriental da Cidade. O controle e a inibição das ocupações devem ser mais prementes nas áreas originalmente ocupadas por manguezais. Por isso. por serem áreas extremamente importantes para o controle de cheias e manutenção do frágil equilíbrio ambiental. 142 Fica evidente o objetivo central do estudo prévio de impacto ambiental. 1994).

À luz do Diagnóstico e do Esboço de Macrozoneamento apresentados sobre o Município de Fortaleza. expõem-se ainda como pontos de destaque os seguintes: t"FYQBOTÍPVSCBOB SFHJTUSBEB FTQFDJBMNFOUF BQBSUJSEBEÏDBda de 70 do século passado. fundos de vales e planícies ribeirinhas. decorrente do fluxo de migração rural – magnificado pelos períodos de estiagens e secas inter-anuais – resultou em uso desordenado do solo urbano pelas populações carentes. Elas passaram a viver em áreas de risco e com precárias condições de habitabilidade e quase sempre associadas às Áreas de Preservação Permanente (APP’s). manguezais. residenciais ou comerciais. áreas lacustres e áreas de inundações sazonais. t"TVTUFOUBCJMJEBEFEPEFTFOWPMWJNFOUPVSCBOPUFNTJEPDPNprometida pelas carências de ocupação do solo urbano. Rogaciano Leite. Trata-se de um desafio ao Poder Público Municipal e a toda a sociedade fortalezense.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ESTUDO GEOAMBIENTAL As restrições mais severas devem ser estendidas às áreas do entorno imediato e à zona de influência indireta das avenidas Murilo Borges. como ocorrera indiscriminadamente no passado recente. 143 . vedando inclusive a incidência de empreendimentos de grande porte. lagoas da Sapiranga e Precabura. t0TTJTUFNBTBNCJFOUBJTQSJNJUJWPTGPSBNGPSUFNFOUFJNQBDUBdos com a geodiversidade e a biodiversidade suprimidas. particularmente nas dunas. engenheiro Santana Júnior e Sebastião de Abreu. implicando demanda de urbanização das ocupações irregulares. ao tempo em que essas ações vão de encontro aos interesses e tendências do mercado imobiliário da capital. mesmo quando essas não apresentem restrições na legislação.

implicam.Branguapinho/Ceará. proliferação de doenças típicas. capazes de exercer efetiva atuação na regulamentação de uso e ocupação do solo urbano. em grande parte. demonstra a premente necessidade de programas preventivos. dentre uma série de outras mazelas. t"RVFTUÍPEFSFTÓEVPTTØMJEPTUFNEFTFSFOGSFOUBEBFNDPOKVOto com os municípios da Região Metropolitana de Fortaleza. t"QPMVJÎÍPEPTSJPTFFTUVÈSJPT FTQFDJBMNFOUFEP$PDØ . requerendo coleta regular e ampliação de áreas destinadas à instalação de aterros sanitários. perigo para vidas humanas. 144 t0TQFSÓPEPTEFDIVWB DPNQSPNFUFOEPTFSJBNFOUFPTTFSWJÎPT de drenagem urbana. transporte e baixos níveis de segurança. incluindo-se saneamento ambiental. em problemas de diversas naturezas: perdas de bens e de moradias. gerando riscos de enchentes nas baixadas fluviais e lacustres e deslizamentos nos morros. t"TDPOEJÎÜFTEBESFOBHFNVSCBOBFTUÍPJOTFSJEBTOPDPOUFYUP geral do saneamento básico e refletem os conflitos oriundos da degradação ambiental. a esse fato vinculam-se as condições deficitárias da infraestrutura urbana. já apresenta. além das áreas lacustres.ESTUDO GEOAMBIENTAL CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES t'PSUBMF[B DPNPDBQJUBMEP&TUBEPEP$FBSÈFDPNQPMBSJ[Bção exercida sobre todo o Nordeste setentrional. Pajeú. quase sempre. Ela desponta como um dos mais sérios desafios à sustentabilidade urbana. um estágio de saturação da ocupação do sítio urbano. e . interrupção ou comprometimento de atividades produtivas.

uma reforma que passe pela reordenação do uso do solo. fragilidade e suporte ao uso e ocupação. Incorporando a dimensão físiconatural. criar mecanismos da gestão e manutenção desses espaços que abrigam o patrimônio ecológico do Município. 145 . reverter a expansão desordenada do crescimento urbano em áreas de habitabilidade precária e sem obediência aos requisitos mínimos preconizados pelos parâmetros da qualidade de vida da população e pela legislação ambiental pertinente. expõe condições de vulnerabilidade. a busca de sustentabilidade da cidade requer. O ordenamento territorial assegura a incorporação da vertente físico-natural ao processo de planejamento e contempla a necessidade de avaliar a capacidade de suporte dos sistemas. a necessidade de tornar exeqüíveis políticas públicas orientadas para a conservação do patrimônio natural. recuperação ou preservação. Há. também. em face da vocação mais apropriada ao desempenho de funções urbanas ou apontam para a necessidade de proteção. por conseqüência.CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ESTUDO GEOAMBIENTAL t/PNPNFOUPFNRVFTFEJTDVUFP1MBOP%JSFUPS1BSUJDJQBtivo de Fortaleza – PDPFor. individualizados por sua identidade natural. Individualizam-se. o macrozoneamento concretiza a compartimentação do espaço urbano em setores que têm homogeneidade sob o ponto de vista geoecológico. associada a uma efetiva participação da sociedade. por conseguinte é concebido como um instrumento técnico para a ocupação ordenada do espaço urbano. Cada um desses setores. incentivando-se a criação de unidades de proteção integral ou de uso sustentável. O Macrozoneamento ora proposto. como condição prioritária. Pode ter papel importante no sentido de contribuir para o ordenamento territorial da cidade.

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. 2001. Ministério das Cidades e IPT. Treinamento de técnicos municipais para o mapeamento e gerenciamento de Áreas Urbanas com Risco de Escorregamentos. Fortaleza: Arquidiocese de Fortaleza. 2007 – boletim metereológico. Análise do diagnóstico ambiental do rio Cocó.ESTUDO GEOAMBIENTAL REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO CEARÁ. Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos. 1999. em 28/03/2006. Autarquia da Região Metropolitana de Fortaleza. CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA. Fortaleza. 2004. Enchentes e Inundações. Rede de Monitoramento de Qualidade de água para Gerenciamento dos Recursos Hídricos.n.]. COGERH. AUMEF. 2006 FUNCEME. COGERH. Programa de Gerenciamento de águas territoriais. Fortaleza. Relatório da Comissão Especial das Áreas de Risco da Região Metropolitana de Fortaleza. Relatório da Comissão Especial de Acompanhamento das Ações Sobre as Áreas de Risco de Fortaleza. Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 154 CDPDH. Fortaleza: [s. 2002. Fortaleza. 1987. Convênio COGERH-DNOCS. Perfil Sócio Econômico das Áreas de Risco em Fortaleza.

B. SEMAM. Fortaleza. Rodrigo Guimarães. 2003. SEMAM. Cláudio. Antonio Jeovah de Andrade. Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano de Fortaleza. A. BEZERRA. Equipe técnica: MEIRELES. Jader de Oliveira. B. Equipe técnica: BEZERRA. UCHOA. SANTOS. José Wilson. Juliana. José Wilson. UCHOA. Fortaleza. Raimundo José Reis. CRISPIM. 2005 155 . Parecer Técnico: Danos Ambientais Provocados pelo Intenso Tráfego de Veículos e Mineração sobre o Campo de Dunas de Sabiaguaba e Ecossistemas Associados – Fortaleza/CE. SANTOS. do & CHITARRA. A. Laudo Técnico Geoambiental com Destaque Fitoecológico: Implementação de Unidade de Conservação para proteção de remanescente de vegetação de cerrado em Fortaleza-Ce. SEMAM. RODRIGUES. Hélio Alves. Cláudio. FÉLIX. Jader de Oliveira. José Wilson. SEMACE. 2006. Parecer Técnico: Ponte Sobre a foz do Rio Cocó. Proposta de Proteção. CARVALHO. Conservação e Recuperação do Rio Cocó. SANTOS. Cláudio. Ecodinâmico e Socioeconômico para a Criação do Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba e Área de Proteção Ambiental de Sabiaguaba. BEZERRA. Hélio Alves. Flávio R. Antonio Jeovah de Andrade. 2006. RODRIGUES. SEMAM. UCHOA. Fortaleza. Equipe técnica: MEIRELES. Laudo Técnico Geoambiental. B.REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS ESTUDO GEOAMBIENTAL NASCIMENTO. Andréa Bezerra. Fortaleza. A. Jader de Oliveira.

que cria as REPS Decreto Estadual Nº 26.587/1993. Decreto Estadual Nº 22.220.253/1989.2003. Cria a Área de Proteção Ambiental da Sabiaguaba.302/1986.430/2002. Cria o Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba. Regulamenta o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Decreto Estadual Nº 2.ESTUDO GEOAMBIENTAL REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS Decreto Estadual Nº 15. Regulamenta o SNUC Decreto Municipal n 11. Cria o Parque Ecológico do Rio Cocó. de 11.987/2006.349/91. Decreto Federal Nº.613. Decreto Estadual Nº 24.462/2001 156 Decreto Federal Nº 4. Decreto Municipal Nº 21. 4.3. Decreto Municipal Nº 11.274/82. Cria a Área de Preservação Ambiental do Rio Cocó. Cria a Lagoa da Maraponga Decreto Municipal Nº 7. Amplia o Parque Ecológico do Rio Cocó. Regulamenta a metragem das categorias de proteção dos recursos hídricos de Fortaleza e sua Região Metropolitana.613/03 que regulamenta o Conselho Nacional de Recursos Hídricos e dá outras providências. . e dá outras providências Decreto Federal Nº 4.986/2006.

Resolução CONAMA Nº.004/1991. 303/2002 Resolução CONERH Nº 003/2002. cursos e reservatórios de água e demais recursos hídricos para a Região Metropolitana de Fortaleza. Cria o Parque Ecológico do Lago Jacarey Lei Municipal Nº 7.771/65. Cria a Política Florestal do Estado do Ceará Lei Estadual Nº 12. Lei Federal Nº 4.433/1997. Reconhece a Reserva Ecológica Particular da Lagoa da Sapiranga.147/77. Cria a APA da Lagoa de Messejana Lei Municipal Nº 7. 157 . Disciplina o uso do solo para a proteção dos mananciais. Lei Estadual Nº 12. Lei Municipal Nº 7.996 de 24 de junho de 1992 . Estabelece o Código Florestal Brasileiro.552/1995. Cria o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.488/1995.Plano Estadual de Recursos Hídricos Lei Estadual Nº 10. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos Lei Federal Nº 9.REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS ESTUDO GEOAMBIENTAL Lei Estadual Nº 11. Lei Federal Nº 9.985/2000.524/1994.728/1995 Parque Ecológico da Lagoa de Porangabuçu Portaria SEMACE Nº 031/97. Estabelece como áreas especialmente protegidas as nascentes e olhos d`água situadas no Estado do Ceará.

Abrasão. Alvéolo. Ações areolares. Ambiente. incluindo os de natureza abiótica. Afloramento. 158 Agenda 21 (MMA/PNDU). Processo erosivo dependente de ações marinhas. que não inclui os organismos vivos. Documento elaborado durante a Rio92. Processos morfodinâmicos que se manifestam em áreas interfluviais. tratando da questão ambiental.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO GLOSSÁRIO Abiótico. Aluvião. de acordo com diferentes tipos de manejos. . Agroecossistema. Alcalinos. Exposição de rocha na superfície terrestre. Conjunto de condições que envolvem e sustentam os seres vivos na biosfera. Características não biológicas. Os fatores ambientais são de natureza complexa. social e econômica. biótica. Componente do ecossistema natural. Sistemas ecológicos naturais transformados em espaços de ocupação agropecuária. Depósito sedimentar das planícies de inundação fluvial ou flúviolacustre. Meios com PH superior a 7. Planície de acumulação colúvio-aluvial embutida em superfícies dissecadas.

e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica. bióticos. o fluxo gênico de fauna e flora. dotada de atributos abióticos. coberta ou não por vegetação nativa. a paisagem. moluscos. Área de influência. Inclui o cultivo de peixes.(BRASIL. exercendo influência de ordem ambiental ou socioeconômica. a estabilidade geológica. Cultura de seres aquáticos em água doce. Categoria de unidade de conservação pertencente ao grupo de uso sustentável. Aquático. crustáceos. Área de preservação permanente. salgada ou salobra.771/65) Área de Proteção Ambiental (APA). Área externa de determinado território. a biodiversidade.2000. Área protegida. Aqüicultura.985) 159 .GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Antrópica. com certo grau de ocupação humana. para fins de alimentação humana ou com finalidades de experimentação ou industriais. dentre outros. com a função ambiental de preservar os recursos hídricos. proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Resultante de ações do homem sobre o ambiente. estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade da vida e o bem-estar das populações humanas. (Lei Nº 4. Consiste de uma área em geral extensa. Ser que vive na água ou sobre ela.Lei 9. disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade de uso dos recursos naturais.

de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza. Aspectos fitofisionômicos. a exemplo de setores com biodiversidade conservada ou com sérios problemas de degradação ambiental. com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas. lagos etc. com ou sem cobertura arenosa. gastando energia numa área relativamente grande de surf. São originada quando a camada superior da crista se move mais rápido do que a onda como um todo. Conjunto de áreas ou zonas que exibem padrão de qualidade ambiental satisfatório ou não. sujeita a inundações periódicas. Assoreamento. Rocha sedimentar detrítica resultante da litificação (consolidação) da areia por cimento de natureza química. com pouca ou nenhuma ocupação humana. Área em geral de pequena extensão. Áreas de acumulação inundáveis. Aspectos naturais referentes ao padrão fisionômico da cobertura vegetal. . Arrebentação deslizante (Spilling). 160 Áreas estratégicas. Áreas aplainadas. Acumulação de sedimentos e/ou outros materiais detríticos nos rios. Arenito.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Área de relevante interesse ecológico (ARIE). Estas ondas têm uma área grande de espuma e turbulência nas suas cristas à medida que se aproximam da praia.

Baixa-mar. Bancos de areias. Barcana. Constituem manifestação de caráter temporário ou permanente exercida por agentes públicos ou privados. Depósitos alongados de areias. prestação de serviços. com o declive mais suave no lado convexo (barlavento) e o declive maior no lado côncavo (sotavento). conchas. Barras. cascalhos ou outros sedimentos inconsolidados. 161 . Bacia hidrográfica. O perfil é assimétrico. dentre outras. Elementos ou fatores de um sistema ambiental. produção. tais como preservação. Barlamar. Atributos ambientais.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Atividades. total ou parcialmente submersos. acumulados por ação das correntes e/ou ondas em curso fluvial ou entrada de estuários. Nível mínimo alcançado por parte de cada maré vazante. Bancos de areia. Duna arenosa em forma de crescente. Avaliação de impactos e do estado de conservação dos sistemas ambientais. conservação ambiental. lamas etc. Avaliação ambiental. Sentido contrário ao transporte preferencial de sedimentos clásticos litorâneos. Relativo à medição de profundidade de ambientes aquáticos. movimentados através de correntes longitudinais. Batimetria. comercialização. Terras drenadas por um rio principal e seus tributários.

Rocha de praia. Cenário desejado. espécies e ecossistemas existentes em uma determinada região. Comunidades de plantas e animais de uma região. dispondo-se com uma configuração labiríntica. Canais anastomosados. Componente de ecossistema natural. conforme a resolução CONAMA 12/94. econômico-social. província ou área biogeográfica. Vegetação xerófita do semi-árido brasileiro. população. referente aos seres vivos. A biodiversidade inclui. também. do tipo mata espinhosa tropical. 162 By pass. Cenário tendencial. a variedade de indivíduos. bem como os complexos ecológicos de que fazem parte. . Orientase na direção da sustentabilidade geoambiental. Caatinga. desconsiderando a implementação de medidas de desenvolvimento sustentável. Transporte ou passagem de sedimentos. Biotas. 1997). Características biológicas. Biótico. Canais de rede de drenagem superficial. antevendo maior crescimento econômico com redistribuição de renda. que inclui os seres vivos. além de reformas sociais e políticas. Prognóstico da situação atual. cientifico-tecnológica e político-institucional (Projeto ARIDAS. comunidades. Corresponde à trajetória em direção ao desenvolvimento sustentável. Sinônimo de diversidade biológica abrange a variabilidade dos seres vivos de todas as origens. Biodiversidade.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Beach rock.

Condições de ocupação. Condições litoestratigráficas. Condições ou atividades e emprendimentos que se assentam ou têm possibilidades de se implantarem em um determinado sistema ambiental. Manejo adequado da biosfera ou de um sistema ambiental. utilização sustentável dos recursos naturais.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Clásticos. Conservação. exploração biológica e ações antrópicas. compreendendo a preservação. Compartimentação geoambiental. Distribuição associada do relevo e dos solos de uma região. em bases sustentáveis. Conservação da natureza.985/00). Seqüência de formações geológicas de uma região. Visa-se a alcançar o maior beneficio. restauração. hidrológicas. utilização sustentável. restauração e recuperação do ambiente natural. geomorfológicas. abrangendo a preservação. Materiais sedimentares desagregados ou decompostos. manutenção. oriundos da relação entre o potencial ecológico. 163 . às atuais gerações. mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações futuras e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral (Lei Nº9. Componentes naturais. climáticas. pedológicas e bioecológicas. manutenção. Conjunto de fatores da natureza referentes às condições geológicas. melhoria da qualidade ambiental. Manejo adequado dos recursos naturais e dos sistemas ambientais. Distribuição geográfica dos sistemas ambientais naturais. Condições morfopedológicas.

. Superfície topográfica situada abaixo das regiões que lhe estão próximas. Desenvolvimento. são porções de ecossistemas naturais ou seminaturais. Cronoestratigrafia. Aumento da capacidade de suprimento das necessidades e da melhoria da qualidade de vida. semifixas e fixas. Esta transferência lateral de energia ocorre à sotamar da estrutura pela zona de descontinuidade. Alteração adversa das características do meio físico natural. ou qualquer outra estrutura oceânica/ costeira. ligando unidades de conservação. É o fenômeno em que a energia é transferida lateralmente ao longo de uma crista de onda quando encontra uma barreira. que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota. facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas. Monte de areia acumulado pelo vento que se altera. formando um cume único ou associado a outros (campos de dunas). Difração. Degradação ambiental. píer.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Corredores ecológicos. Conforme a Lei Nº9985/00. Distribuição das formações geológicas por idade. Alterações dos componentes físico-naturais e dos processos desenvolvidos no meio ambiental. Os campos de dunas podem apresentar várias gerações e são constituídos por dunas móveis. bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais. molhe. Derivação ambiental. como um quebra-mar. 164 Depressão. Duna.

conforme Tricart (1977). Ecossistema: Conjunto integrado de fatores abióticos e bióticos que caracterizam um ambiente de variadas dimensões.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Ecodinâmica. Área geográfica que abriga espécies não naturalmente encontradas em nenhum outro lugar. Toda e qualquer ação ou atividade pública ou privada. Domínio estrutural constituído de rochas muito antigas (Pré-Cambriano). Com base no balanço entre processos morfogenéticos e pedogenéticos. Relativo a solos e sua capacidade de produção agrícola. Ecologia da paisagem. Ramo da Ecologia que classifica a estrutura e estuda processos e padrões ecológicos ocorrentes em escala de paisagem. Embasamento cristalino. Efluentes. Área que circunscreve um território que tem limites estabelecidos. É a unidade funcional básica da Ecologia. Edáfico. Endemismo. 165 . com objetivos sociais e econômicos específicos. desenvolvem-se ambientes dotados de maior ou menor estabilidade. Empreendimento. Entorno. Águas de esgotos (domésticos ou industriais) despejadas nos corpos hídricos. Enfoca as relações recíprocas entre os componentes naturais e a dinâmica dos fluxos de energia e matéria no meio ambiente.

baixa ou estreita. Fragilidade do sistema natural. Assim. Distribuição das formas de relevo conforme a origem. aproximadamente perpendicular à linha de costa. Sistema de exploração dos recursos naturais baseado na coleta e na extração destes. constituído de blocos de rochas e/ou concretos. que geram respostas complexas. É. Espigão. menor será a fragilidade. 166 Feições morfogenéticas. sem alterar substancialmente sua estrutura comunitária ou seus balanços de material ou energia. Referente à geologia de uma região. Unidade natural homogênea dentro de um geossistema. Grau de capacidade de ajustamento do sistema à situação de variáveis externas independentes. Extrativismo. Estrutura de proteção costeira. Geomorfológica. Saída ou ponto de descarga de um curso fluvial. Estabilidade. Estado de equilíbrio entre os diversos fatores que compõem o ecossistema. Referente à geomorfologia de uma região. quanto maior for esta capacidade. também. Foz (desembocadura). . o inverso da capacidade que a paisagem pode absorver possíveis alterações sem perda de qualidade. Geofácies. Geológica. Capacidade de um ecossistema de resistir ou responder às contingências abióticas.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Equilíbrio ecológico.

principalmente de lagos e lagoas. com base em conhecimentos técnico-cientificos.Global position system: Sistema eletrônico de navegação baseado em uma rede de satélites que permite a localização instantânea e precisa de qualquer ponto ou coordenada geográfica. Característica ligadas às condições hidrológicas e climáticas de uma região. Superfície topográfica com taludes suaves de fraco declive. Maciços residuais. mediante instrumentos variados. É todo e qualquer impacto que afete o meio físico-natural. requerendo gestão compartilhada pelos diversos agentes envolvidos na atividade. Hidrogeológico. Manejo. Ato de intervir ou não no meio natural. Condução. Estudo cientifico de corpos de água doce. Inselberg. visando a promover e garantir a conservação da natureza. controle do uso dos recursos naturais. 167 . Referente às águas subterrâneas. Níveis elevados de serras dispersas na depressão sertaneja. Hidroclimática. Glacis. Limnologia. GPS . Impacto ambiental.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Gestão ambiental. proteção. Forma de relevo residual decorrente da erosão diferencial.

abriga e rege a vida em todas as suas formas (Lei 6. 168 Meios ecodinâmicos. Padrões de paisagens. Conjunto de condições. Modelado. tais como alguns custos sociais que não podem ser evitados ou o uso imprescindível de recursos naturais renováveis. Monitoração ambiental.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Medidas compensatórias. Medidas destinadas a prevenir ou reduzir a magnitude de impactos ambientais negativos. química e biológica. Meio ambiente. Medidas destinadas a compensar impactos ambientais negativos. Clima de épocas passadas cujas principais características podem ser inferidas. que permite. influências e interações de ordem física. por exemplo. Categorias de ambientes que têm maior ou menor estabilidade natural. Referente aos processos externos modeladores da superfície topográfica. de qualquer componente ou atributo ambiental que forneça uma amostra representativa do ambiente. a partir de evidências geológicas. Coleta de medidas ou observações sistemáticas em uma série espaciotemporal. Medidas destinadas a prevenir a degradação de um componente de meio físico-biótico ou de um sistema ambiental. leis. Medidas mitigadoras. Morfodinâmica. . geomorfológicas (paleoformas) e bioecológicas. Paleoclima. Aspectos morfológicos da superfície natural. Tipos de paisagens naturais que se esboçam em um ambiente. Medidas preventivas.938/78).

resultando em encostas de declive fraco. afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. Plano de abrasão marinha por ondas. Pedimento. criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. Referente aos solos ou tipos de solos. é uma superfície inclinada. 169 . São grandes superfícies de erosão modeladas nos climas áridos quentes e semi-áridos. a segurança e o bem-estar da população. Forma de relevo oriunda do recuo de vertentes. Poluição. Área plana resultante da acumulação de sedimentos não coesos. como a depressão sertaneja do Nordeste brasileiro. que freqüentemente se inicia no sopé de uma falésia marinha. Pediplano. Planície.938/78): prejudiquem a saúde.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Parcelamento de solo. Divisão de uma gleba em unidades independentes. Pedológica. suavemente inclinada para o mar. Planície fluvial. Pedogênese. Plataforma de abrasão. Planuras formadas pela justaposição de “glacis”. Referente à origem do solo. A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente (Lei nº 6.afetem desfavoravelmente a biota. Sinônimo de planície aluvial. lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais. ligando dois planos altimétricos diferentes.

admitindo apenas o uso indireto dos seus atributos naturais (Lei nº 9. 170 Processos pedogenéticos. Processos responsáveis pela origem e evolução dos solos. Promontório.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Poluidor. Conjunto de métodos. por atividade causadora de degradação ambiental (Lei 6. Padrão regular de maré alta. Recuperação. Reconstituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. Pessoa física ou jurídica.985/00). prevenindo a simplificação dos sistemas naturais (Lei nº 9. . direta ou indiretamente. de direito público ou privado. Processos modeladores que dão origem ao relevo. Preservação. Proteção integral.938/78). Porção saliente e alta de qualquer área continental. além da manutenção dos processos ecológicos. Qualidade ambiental. das espécies.985/00). habitats e ecossistemas. em longo prazo. Preamar. Juízo de valor atribuído às condições qualitativas positivas do meio ambiente. Processos morfogenéticos. que avança para dentro de um corpo aquoso. que pode ser diferente de sua condição original (Lei n° 9. Manutenção dos ecossistemas livres de alterações causadas por interferência humana. procedimentos e políticas que visem à proteção.985/00). responsável.

dados.GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Recursos ambientais. No Nordeste brasileiro. o solo. de modo geral. Tipos litológicos. os estuários. É formado por dois componentes: o movimento pelo deslocamento de correntes litorâneas e o movimento em ziguezague pela subida e descida das águas na praia. Espaço decorrente da combinação integrada do conjunto de componentes físico-bióticos do ambiente. a fauna e a flora (Lei nº 6. Restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada o mais próximo possível da sua condição original (Lei n. Sistema ambiental. A atmosfera. terminando geralmente de forma abrupta. 171 . os elementos da biosfera. Tabuleiro. as águas interiores. o mar territorial. Um SIG pode ser visto como a combinação de hardware. superficiais e subterrâneas. Transporte longitudinal. Sistema de Informação Geográfica – SIG. metodologias e recursos humanos.938/78). Referentes aos tipos de rochas de uma região. os tabuleiros aparecem. Restauração. manusear e analisar dados georreferenciados. que permite ao usuário coletar. software. Forma topográfica de terreno que se assemelha a baixos planaltos. Sistema baseado em computador. que operam de forma harmônica para produzir e analisar uma informação geográfica.º 9. em toda a costa.985/00).

Unidades geossistêmicas. Variáveis geoambientais. Zona de espraiamento. são levados até o limite do espraiamento. colocando-os em suspensão. A energia de arrebentação da quebra de onda que revolve os sedimentos do fundo na área de quebra. Local onde as ondas começam a ficar instáveis e quebram. É gerada como conseqüência do quebramento das ondas. Área que fica sujeita à ação da subida e descida das águas na praia. É a parte da zona litorânea permanentemente coberta de água mas que pode ser em parte descoberta. Resulta do conjunto das atividades humanas praticadas em parte ou no conjunto do espaço geográfico. excepcionalmente. em maré baixa. 172 Visão holístico-sistêmica. Unidades naturais que integram os fatores da natureza. Uso do solo. Visão integrada da natureza que considera todo o conjunto de componentes naturais e de processos que operam em um ambiente. voltando pelo refluxo das ondas. Conjunto de componentes naturais de origem biótica ou abiótica. Zona de “surf”. Zona de antepraia. Zona de arrebentação.ESTUDO GEOAMBIENTAL GLOSSÁRIO Transporte transversal. gerando as zonas de “surf ” com ondas menores e que são projetadas para a face de praia gerando a zona de espraiamento. .

cujos estudos visam promover o uso sustentável do território. Definição de setores ou zonas destinadas às diversas modalidades de uso e ocupação do solo. com o propósito de proporcionar meios e condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz (Lei 9. estuda as potencialidades e limitações ambientais. recoberta pelas águas de maré alta. programas e projetos de governo. Definição de setores ou zonas em uma Unidade de Conservação com objetivos de manejo e normas específicas. O programa ZEE visa a fornecer subsídios para planos. considerando as interações das questões socioeconômicas e o ambiente no qual elas estão inseridas. Parte da faixa praial que é exposta em maré baixa e é subseqüentemente. Para isso. Instrumento político e técnico de planejamento. Zoneamento ecológico-econômico. 173 .GLOSSÁRIO ESTUDO GEOAMBIENTAL Zona intertidal ou estirâncio. Zoneamento.985/00). Zoneamento ambiental.

ESTUDO GEOAMBIENTAL EXPEDIENTE EXPEDIENTE PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PREFEITA SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO JORNALISTAS RESPONSÁVEIS 174 REVISÃO PROJETO GRÁFICO FOTOGRAFIAS TIRAGEM IMPRESSÃO Luizianne de Oliveira Lins José Meneleu Neto Rebeca Cavalcante (CE 1852 JP) Camila Maciel (CE 2245 JP) Lívia Manzolillo e Marcelo Oliveira André Luís Cavalcanti Tay Martins 3 mil exemplares Marcograf .