Aspectos normativos da política internacional contemporânea segundo o

Construtivismo regra-orientado de Nicholas Onuf1
Palestrante: Luiz Henrique Dias da Silva2
RESUMO
Segundo o Construtivismo regra-orientado de Nicholas Onuf (1998), há no sistema
internacional um instituto, o princípio de soberania, extremamente formal, cujo foco é a
norma. Por esta lógica, os agentes deste sistema (Estados) e as regras por estes
produzidas se co-constituem, institucionalizando a estrutura (o próprio sistema). Estas
regras geradas produzem impacto nos agentes e no sistema, pois elas declaram o que se
pode e o que não se pode fazer, limitando os agentes. O respeito ao princípio de
soberania e, por conseguinte, ao status dos que o detém (os Estados) gera no sistema um
padrão de conduta e revela os objetivos destes agentes.
Palavras-chave: Ato discursivo; Regras; Domínio.
ABSTRACT
According to Nicholas Onuf rule-oriented construtivism (1998), there is an institute in
the international system, the principle of sovereignity, extremely formal, whose focus is
the norm. By this logic, the agents of the system - the States, and the rules for them
produced are co-constituent, institutionalizing the structure, the system itself. These
generated rules have an in impact on the agents and on the system as they state what can
and cannot be done by limiting agents. The respect to the principle of sovereignty and,
therefore, to the status of its holders (states), generates a pattern of conduct in the
system and reveals the goals of these agents.
Keywords: Speech act; Rules; Domain.

1 Artigo apresentado no 11º Congresso Brasileiro de Direito Internacional – área temática Direito das
Relações Internacionais, 6 - 9 de outubro de 2013, no Hotel Ouro Minas, Belo Horizonte, Minas Gerais.
2 Estudante. Aluno do 8º período do Curso de Relações Internacionais do Centro Universitário de Belo
Horizonte (UNI-BH). Jornalista profissional. <luizenrique.dsilva@gmail.com>

as relações de coordenação. respeito às fronteiras soberanas e ao Direito Internacional que formaliza tais relações. armas nucleares ou químicas (conforme o argumento mais conveniente) ou mesmo de . cooperação. Como regras-base de reconhecimento desta soberania e independência nesta sociedade de Estados. Muito simploriamente. são instituídos o consentimento. é necessário retomar o entendimento de Nicholas Onuf (1998) no que diz respeito aos princípios de soberania e de qualidade de Estado. cria o Estado Moderno como sujeito único do direito internacional e estabelece uma sociedade estatal baseada na ideia de igualdade formal entre seus membros. 69). instituído em 1648 com os Acordos de Vestfália. Além disso. Tal princípio. Em suma: há igualdade. de cooperação e de compromisso no cenário internacional (DINH. nem um Estado que seja formalmente diferente de outro. DAILLIER. 1998. Já a soberania garante aos Estados o respeito à integridade territorial e a não interferência de outros agentes em assuntos internos. pode-se dizer que o Estado caracteriza-se por uma população em um território sob um governo soberano. Desde então há um número de condições sociais e materiais que devem ser satisfeitas para se alcançar o status ou qualidade de Estado (statehood). Domínio por regras de instrução Quando no mundo contemporâneo. Vista pela lente deste ramo do construtivismo. tal princípio traz a ideia de relações horizontais no cenário internacional. p. os Estados Unidos da América declaram sua intenção de invadir o Iraque em busca de armas de destruição em massa. a soberania é uma regra de instrução altamente formal do sistema internacional (ONUF. não havendo instância superior aos Estados.Soberania e qualidade de Estado Para uma melhor compreensão do sistema internacional e suas regras sob o viés construtivista. PELLET. 2003).

adquirindo status de hegemonia. p. . 4) este agente é os EUA. 5 Segundo Onuf (1998). entre outros fatores. além disso.terroristas. ante a suspeita de que Osama Bin Laden. tomar seus campos de petróleo. como são e funcionam as coisas e as consequências de não levar tais informações em conta. ficou claro o uso desta regra de domínio para a obtenção de vantagem (destituir um governo inimigo. única entidade mundial que pode fazer cumprir suas resoluções por meio da guerra. 2) a estrutura das instituições é estável. contra a determinação do Conselho de Segurança da ONU e da opinião de aliados ocidentais. mesmo contra a opinião pública mundial. ele se utiliza da assertiva “a temporada de patos começou” (tradução nossa). o Conselho de Segurança da ONU. 5) ideias e crenças. O que se comunicava. 66). mas a anarquia do sistema não garante a simetria entre os agentes. A partir deste ato discursivo. 652). p. da tradição realista dos EUA e do precedente de invasão da Primeira Guerra do Golfo (1991). em termos formais somente o Conselho de Segurança da ONU3 faz cumprir suas resoluções por meio da guerra4 (MAZZUOLI. criou uma instituição internacional específica para a garantia e manutenção da paz. Porém. responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. etc.). o discurso que leva outrem a agir é chamado Ato Discursivo. é que: 1) há regras no sistema internacional e o Iraque as descumpriu. Na metáfora do pato. assinada por 51 países em 1945. Em alusão à metáfora de Onuf (1998) 5 sobre o início da temporada de caça e como comunica-la de forma assertiva. vemos que há uma comunicação assertiva aos agentes do sistema internacional sobre o mundo real. os EUA ameaçou invadir o Iraque. que preferiram apaziguar a situação. 3) o agente que melhor se utiliza das regras em benefício próprio e que tem maior possibilidade de transformar aspectos sociais e do mundo material em recursos se sobressai como o mais respeitado. Sabemos que. que leva a uma demanda pelo início das caçadas e à promessa de que o pato caçado será assado para o jantar (ONUF. poderíamos dizer que a assertiva (afirmação) norteamericana foi: há um pato (armas de destruição em massa) no bosque (Iraque). 4 Há que se ressaltar que os princípios e objetivos da ONU estabelecidos pelo Artigo 1º da Carta obedecem a uma hierarquia de tentativas de soluções de conflitos por meios pacíficos. assim como o próprio agente 3 A Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). caçar terroristas supostamente escondidos neste território. 1998. 2006. como França e Inglaterra. estivesse sendo acobertado pelo governo de Saddam Hussein.

pdf>. detido 6 Em A Reforma das Nações Unidas e o Sistema Internacional Contemporâneo.br/manaus/arquivos/anais/campos/antonio_celso_alves_pereira.org. e estas devem ser aceitas por outros agentes. O que se seguiu é de conhecimento geral e as consequências não pretendidas deste conjunto de interações sociais têm afetado todos os agentes direta ou indiretamente envolvidos nestes eventos até os dias atuais. estava claro o que fazer com tais informações: entregar o terrorista Osama Bin Laden. Após a Segunda Guerra do Golfo. Antônio Celso Alves Pereira discute a atuação relativista dos Estados Unidos no Sistema Internacional quando o assunto diz respeito aos Direitos Humanos. 2013. Neste caso. como no caso posterior de caçada à Bin Laden no vizinho Afeganistão. O padrão norte-americano de seguir (e/ou fazer) regras lhe deu não somente o poder de distribuição e aproveitamento de recursos materiais e sociais. 76). as informações sobre as intenções de invasão norte americana não foram assumidas como ordem por Bagdá. O Iraque já havia sido atacado pelos EUA na Primeira Guerra do Golfo e as novas ameaças mostravam que o realismo norte-americano iria operar novamente. Contudo. enquanto agir sob estes princípios lhe deu um poder informal” (ONUF. Domínio por regras diretivas Um claro exemplo de domínio através de regras diretivas. comandos que geram ordem e mostram a posição hierárquica de certos Estados no sistema internacional é o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). . Disponível em: < http://www. estas últimas características mais diretivas serão melhor analisadas sob o segundo domínio de regras e com um outro agente como exemplo. Porém. Esta organização tem como característica distintiva o poder de veto.conpedi.hegemônico. fazem as regras. como “proclamar princípios teve o efeito (talvez inicialmente não intencional) de formalizar o status dos Estados Unidos como líder do mundo livre. Acesso em: 18 ago. os EUA se apossaram dos mais preciosos recursos econômicos iraquianos (os tão cobiçados campos de petróleo). 1998. Ressalte-se ainda o modo como o principal financiador das Nações Unidas exerce seu poder militar e econômico em franca oposição ao multilateralismo esperado após o fim da Guerra Fria. 6) os EUA fariam (e fizeram) valer sua vontade6. p. portanto imperativos. além de obter o controle sobre outros agentes e suas atividades na região.

p. 48). Assim. foi comunicado de que havia descumprido a Resolução 660. qualquer um destes países pode impedir (vetar) a votação de um dado assunto pelo Conselho de Segurança. No mesmo dia. DAILLIER. 2005. tem sido a pax americana. mesmo no ambiente pretensamente anárquico das Relações Internacionais (isso. tomadas com fundamento no capítulo VII da Carta.exclusivamente por seus cinco membros permanentes: Estados Unidos. não conseguem resolver pendências ou conflitos bi ou multilaterais de forma pacífica. são superiores a qualquer tratado firmado pelos Estados (PEREIRA. . O objetivo maior é a preservação da paz. o poder de maior contribuinte financeiro e militar aos esforços de paz das Nações Unidas. desde então. Segundo este instituto. em razão do que estabelece o artigo 103 da Carta da ONU. uma vez que as obrigações decorrentes de resoluções obrigatórias do mesmo Conselho. representada pela União Soviética. segundo a visão construtivista ainda não falseada por outras teorias). signatários ou não da Carta da ONU. não podem ser reformadas. desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. função primordial para a qual foi criada a Organização das Nações Unidas (DINH. O Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Pax Americana Uma decisão do Conselho de Segurança da ONU diz exatamente o que seu (s) destinatário (s) deveria (m) fazer. Exemplo claro foi provido pelo Conselho de Segurança quando da invasão do Kuwait pelo Iraque. parte do capítulo VII da Carta da ONU. Rússia. o que confere ao Conselho de Segurança da ONU uma posição hierárquica. é que as decisões do Conselho de Segurança. muito de acordo com a condição hegemônica alcançada pelos EUA naquele período. 2003). sem contar que os norte-americanos fazem valer. Porém. o Conselho de Segurança tem a prerrogativa de emitir decisão que obriga estes Estados ao cumprimento de suas determinações. em 2 de agosto de 1990. As sanções no caso de descumprimento também são claramente comunicadas. Esta paz. Havia a ameaça à paz e à prosperidade. Reino Unido e França. China. Em outras palavras: quando membros do sistema internacional. Saddam Hussein. a matéria nem mesmo é posta em discussão. presidente do Iraque. PELLET.

o Pacto BriandKellog (1928) e as conferências de Dumbarton Oaks e de Yalta (1944). segundo o Artigo 4. restaurando-se a paz e a segurança na região (KOTEZ. o órgão das Nações Unidas reforçou o seu poder de domínio por regras hierárquicas num sistema tido como meramente anárquico. foram exemplarmente preservados como antecedentes inestimáveis do Pacto de São Francisco. o Estado que se julga lesado em algum assunto deve recorrer ao Conselho de Segurança da ONU7. que vinculam os países. 8 Desde a aprovação da Carta ficaram claras aos Estados as etapas a se seguir para a solução pacífica de controvérsias no sistema internacional. O Conselho de Segurança então ordenou a retirada imediata das tropas iraquianas do território invadido. Como o Iraque não atendeu às ordens do Conselho.A invasão e anexação do Kwait foi considerada uma quebra da paz e da segurança internacionais pela ONU. quando da aprovação da Carta da ONU. Tudo isso com força legal e em caráter de obrigação. em 19458. segundo a visão de teorias diversas ao Construtivismo. 2004). o capítulo 7º instrui sobre resoluções de caráter obrigatório. 7 O capítulo 6 da Carta trata especificamente dos meios possíveis para a solução pacífica de conflitos. 2004). adotou a resolução 661. dando prazo ao invasor para que se retirasse do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991. Ao seguir tal sequência de imperativos e regras de direção. Este órgão emite recomendações ao suposto país infrator. a Resolução 678. Como toda as ações aqui relatadas couberam ao Conselho. que ordenava a retirada das tropas iraquianas do território kwaitiano. este aprovou. institutos do Direito Internacional Público. no dia 29 de novembro de 1990. Esta mesma resolução comunicou as consequências de mais uma possível desobediência: os Estados-membros da ONU que estavam cooperando com o lado do Kuwait ficariam autorizados a adotar os meios necessários (iniciativa militar) para fazer cumprir a Resolução 660. Segundo os princípios do Artigo 2º da Carta das Nações Unidas. como a Doutrina Drago Porter (1902). Como não foi atendido. Neste caso. mesmo sem o seu consentimento. que pode ou não segui-las. embargo comercial e congelamento de bens iraquianos no exterior (KOTEZ. antes de qualquer ação de força. . de sanções econômicas.

aumenta a crença de que a regra continuará a ser cumprida e facilita a distribuição de benefícios materiais e sociais (ONUF. Caso as ações para a reposição da legalidade fossem adotadas por algum Estado de forma unilateral. As externalidades negativas no caso deste bloco econômico seriam medidas protecionistas. Regras de compromisso Retomemos a discussão sobre a ordem no sistema internacional segundo o construtivismo de Onuf (1998).org/journals/erudit/ei50/ei3572/038661ar>. Tal é o caso da União Europeia 9 na contemporaneidade. por conseguinte. que constituem redes de promessas entre agentes e receptores (ouvintes). Disponível em: <http://www.synergiescanada. de modo que as respostas a estas promessas generalizem-se de forma a gerar comprometimentos com força normativa. estaríamos verificando no Sistema Internacional uma clara violação à norma jus cogens de proibição do uso da força sem que antes se recorresse aos princípios de solução pacífica do conflito. Os efeitos das regras assumidas pelos integrantes deste bloco de integração política. 2013. deveres e. social e econômica lhes assinalam direitos. As regras de compromisso em prol de uma estrutura maior da dos próprios Estados fortalece as parcerias. No entanto. 2003. 192). no sentido de que esta atua com base em “um conjunto de normas. o que faz recordar a lógica da pax americana por trás das normas diretivas do Conselho em algumas situações emblemáticas das Relações Internacionais. p. papeis dentro da associação. de instituições e de políticas comuns que permitem aos Estados gerir as externalidades negativas provocadas pela interdependência” (BRICEÑO RUIZ. permanece o respeito à lógica da soberania do Estado 9 Briceño Ruiz (2003) entende a União Europeia (UE) como um regime internacional.O detalhe é que o Conselho adotou contra o Iraque medidas que evitou tomar contra os EUA no contexto da Guerra Fria. . Acesso em: 10 ago. 1998). Quando todos assimilam suas posições e concedem parte de suas soberanias a uma instituição supranacional favorecem a si próprios enquanto bloco e frente a outras instituições internacionais. estabelecimento de barreiras comerciais e o não-alinhamento à política econômica e fiscal dos países da Zona do Euro. A terceira forma de domínio por ato discursivo refere-se às Regras de Compromisso.

Numa Europa de passado recente tão conturbado e violento. Isso. os agentes (Estados soberanos). bem como a necessidade de todos cumprirem deveres para a manutenção e fortalecimento do arranjo de integração10. Comunidade Europeia. 12 Embora seja uma constatação da teoria contemporânea de Onuf esta visão é extremamente próxima de uma das teorias clássicas das Relações Internacionais. Zona do Euro. dentro do que se entende por Regras de Compromisso numa perspectiva construtivista. o fato de se reconhecer Estados grandes e pequenos. Neste sentido. os Estados europeus formaram parcerias.moderno. reconhecendo-se mutuamente como formalmente iguais. a Alemanha. 201). numa lógica que reforça suas existências enquanto instituições soberanas no sistema internacional e cujas regras de reconhecimento dão suporte às condições materiais e sociais estabelecidas. o Liberalismo Intergovernamental de Briceño Ruiz. este líder é o Estado que melhor cumpre as regras e toma a frente nos acordos. grifo nosso) transformaram-se em organismos autônomos capazes até mesmo de tomar decisões contrárias aos interesses dos Estados” (BRICEÑO RUIZ. para que um Estado possa adquirir tal status 12. Segundo Ruiz (2003). associações. 11 Assim é que a França não se opõe à liderança alemã e aceita um papel coadjuvante antes impensável dentro do sistema internacional. Esta visão mais otimista do sistema internacional pode ser verificada em confrontada com a visão mais crítica de Briceño Ruiz (2003). Tais tratados estabeleceram deveres e direitos atrelados aos 10 Tais preceitos estão mais de acordo com a visão de Andrew Moravcsik (2003) acerca do comportamento dos Estados sob a teoria do Liberalismo Intergovernamental. . embora a institucionalidade na Europa tenha levado à criação de um regime internacional que diminui a soberania dos Estados visando à integração e o fortalecimento econômico de todos. politicamente fortes ou fracos. a despeito da histórica rivalidade com a França. pósVestfália. tratados consecutivos em prol de uma ideia de união europeia. têm preferido cumprir seus papeis. há que se concordar com a visão institucionalista que diz que no caso da União Europeia “as instituições (União Europeia. e até mesmo como forma de provar ao mundo que ao menos um dos objetivos originais da integração (o apaziguamento entre os rivais) foi cumprido11. Ao adotar. No caso da União Europeia e. e economicamente díspares sob um mesmo modelo de integração não desfaz a figura do líder do processo. 2003. desde a década de 1950. As regras de compromisso que admitem novos membros ao bloco têm a democracia e a manutenção da paz como alicerces. crítico de Moravcsik. P.

a posição de cada agente fica claramente determinada sob a máxima da defesa e manutenção da paz mundial. Neste caso predominam regras de domínio hegemônico.compromissos de cada Estado dentro da associação que lhes distribui papeis na integração europeia e também no sistema internacional. Há uma descentralização da sociedade internacional. Segundo o Direito Internacional Público. mas também há regras diretivas que estabelecem uma . datados de 1648. verificamos como princípios imperativos e comandos preestabelecidos de ordenamento dos sistemas identificam a hierarquia entre os Estados sob as regras de direção do Conselho de Segurança das nações Unidas. nos casos em que regras de instrução informam sobre os arranjos do sistema e as implicações de não obedecê-los. Como as decisões deste órgão têm poder de vincular os Estados e não podem ser reformadas. Ainda sob o Direito Internacional Público é que se reconhece o sistema de equilíbrio baseado numa balança de poderes. altamente formal e cuja principal característica é a manutenção do status de Estado (statehood) ou do domínio hegemônico pela força e influência. a União Europeia. há apenas um sujeito reconhecido entre seus pares e subordinado ao direito internacional: o Estado. vide Estados Unidos da América. O poder de veto dos membros do Conselho é que lhes confere supremacia hierárquica num sistema pretensamente anárquico. Esta série de atos discursivos podem ser assertivos. que faz com haja uma relativização da igualdade jurídica entre os Estados no que diz respeito à realidade das Relações Internacionais. desde os Acordos de Vestfália. Conclusão Ao analisarmos a ordem no sistema internacional sob a perspectiva do Construtivismo regra-orientado de Nicholas Onuf pudemos identificar uma série de situações onde o ato discursivo estabelece as regras segundo as quais Estados e organizações internacionais pautam seus comportamentos ou não. Quando passamos à análise do ato discursivo diretivo. que remete ao princípio da anarquia.

A Alemanha. em que os Estados-parte cedem autonomia a uma entidade supra estatal. Tradução de Vítor Marques Coelho.br/revista/texto/5024/a-questao-da-legalidade-da-segunda-guerra-dogolfo>. José. . Patrick. estabelecimento de direitos e deveres que buscam justamente a preservação do Estado moderno. Título Original: Droit International Public. de acordo com os interesses de momento. Allain. E é assumindo papeis dentro de cada bloco que os Estados retomam sua importância dentro de um contexto maior. pp. A França. acordos. Artigo. 2013. Outra vez há apenas uma nova maneira de ver os princípios de soberania e de qualidade de Estado. vol. chegamos à última de seus atos discursivos: o compromisso.185-205. 2 ed. Retornando ao Construtivismo regra-orientado de Onuf (1998). PELLET. 2004. observando o cumprimento das regras e tomando frente em novos acordos. agora apaziguada.certa preponderância (hierarquia) de uns agentes sobre outros. tem desempenhado este papel de líder. Daniel Naum Sobral. mas o sujeito de direito internacional permanece. DINH. 1517 p. prezando por suas soberanias. Études Internacionales. politicamente fortes ou não. A questão da legalidade da Segunda Guerra do Golfo. Tal situação de domínio é melhor exemplificada contemporaneamente recorrendo-se ao arranjo de integração da União Europeia. porém iguais perante as regras do direito internacional. REFERÊNCIAS BRICEÑO RUIZ. quase sempre. Direito Internacional Público. que leva ao reconhecimento de uma liderança por aquele agente que melhor cumpre os preceitos da associação. Le Liberalism Intergouvernemental et le nouveau régionalisme caribéen. A característica maior deste modelo de regras de domínio é o estabelecimento de papeis aos agentes. 2003. 34. 2003. Acessso em: 09 jun. inimiga histórica. Disponível em: <http://jus. na medida do possível. KOTEZ.com. no caso da União Europeia. nº 3. septembre. Nguyen Quoc. Lisboa. DAILLIER. é um importante parceiro neste novo arranjo institucional entre Estados grandes e pequenos. economicamente díspares. pois sob estas regras de compromisso estão promessas. Revista Jus Navigandi. e pela paz.

Jornadas de Direito Internacional Público no Itamaraty (2005: Brasília – DF). Valério de Oliveira.London.pdf>.br/biblioteca/dmdocuments/0362. ONUF. 1998.funag. England. 2013. Desafios do Direito Internacional Contemporâneo. Armonk. New York.E. Disponível em: <http://www. Editado por Venduka Kubalková. Coletânea. PEREIRA. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. International Relations in a Constructed World..gov. A reforma das Nações Unidas e o Sistema Internacional contemporâneo. Sharpe. Antônio Celso Alves. Acesso em: 09 Jun. MAZZUOLI.KOWERT. Nicholas Onuf e Paul Kowert. . 2006. KUBÁLKOVÁ. M. Curso de Direito Internacional Público.